

Data do Artigo: 19/09/2018 | Link da Notícia: Folha | Escrito por: Thiago Amâncio
Pesquisa do Insper mostra também aumento na percepção da violência entre paulistanos
Os percentuais são similares aos dos que, mesmo informando a polícia, não registram boletim de ocorrência. Entre os motivos para não registrar o crime, o mais citado é que “não adianta, é perda de tempo ou não confia na polícia”.O índice dá uma noção da subnotificação desses crimes na capital paulista e leva a crer que os números reais de roubo e furto na capital possam ser o dobro do que é mostrado nas estatísticas oficiais, afirmam especialistas. De janeiro a julho deste ano, foram registrados na cidade 96.556 roubos e 141.876 furtos.Para o coordenador da pesquisa, o economista Naercio Menezes Filho, o resultado do estudo mostra que é um problema sério, que prejudica as estatísticas de violência.Para incentivar o registro, diz ele, é preciso ter maior efetividade da polícia na resolução de casos. “A gente sabe que no Brasil a taxa de resolução de crimes é bastante baixa, mesmo de homicídios, que é bastante grave. Quem dirá dos crimes menores.”
Esta é a quarta edição da pesquisa, realizada pela primeira vez em 2003 e feita a cada cinco anos. Foram ouvidas 3.000 pessoas na capital. Segundo os pesquisadores, a vantagem do estudo de vitimização é identificar crimes que possam estar subestimados nas estatísticas oficiais.Mesmo baixas, as taxas de quem notifica a polícia subiram em relação aos estudos anteriores, fato que é ressaltado pela Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. O aumento, diz a pasta, ocorreu com o boletim de ocorrência eletrônico, a partir de 2013. O governo diz que o registro “é uma opção da vítima, e a subnotificação é fato no mundo todo”.Outro dado que o estudo traz é que 26% dos entrevistados disseram já terem sido ameaçados com arma de fogo ao longo da vida —em 2013, o a proporção foi de 17%.Para Menezes Filho, que diz já ter sido ameaçado três vezes com armas em tentativas de assalto, “é um número altíssimo, que contribui para a sensação de insegurança.” A pesquisa mede também a percepção da violência entre os paulistanos. A maior parte dos entrevistados afirma que sente medo quando pensa em violência, evita pensar sobre o assunto e procura não assistir a programas de TV com o tema.Todos os índices de percepção da violência, que incluem ainda dificuldade de dormir por medo, sonhar com o assunto, acordar no meio da noite, evitar conversas e dificuldade de concentração, tiveram aumento em relação à pesquisa anterior, de 2013.
O estudo mediu também a taxa de vítimas de assédio sexual: 9,5% dos entrevistados disseram já terem sido alvo desse tipo de crime, índice que salta a 13,5% quando se trata de mulheres. A ofensa é recorrente: 34% das entrevistadas diz que já foi vítima do crime mais de seis vezes, a maior parte delas em vias públicas, praças ou pontos de ônibus (34%), no transporte público, táxi ou por aplicativo (24%) e em redes sociais (14%). 