

Data do Artigo: 04/12/2023
A obra reúne 14 peças teatrais, sendo oito delas inéditas. Jansem Campos, apresentador do Programa Arte Clube, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e Rádio MEC, entrevistou Cecília Boal, viúva do dramaturgo com quem foi casado por 43 anos.
Apesar de escritas a partir da década de 1950, as obras do teatrólogo parecem escritas para o Brasil e para o mundo de hoje. Temas como política, educação, pela visão do autor, não ficaram datadas.
“Continua muito atual. A Revolução, então, particularmente, é uma obra que nunca perdeu a atualidade, porque ela fala de eleições. E ela fala de eleições num país em vias de desenvolvimento. E, de fato, a gente vê como as pessoas que não têm uma educação cívica, uma educação cidadã, são manipuladas”, avalia Cecília.
O livro Teatro Reunido traz peças inéditas que Boal escreveu no começo da década de 1950 para uma temporada em Nova York com John Gassner, mestre de Tennessee Williams e Arthur Miller, e ainda para o Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado por Abdias do Nascimento.
“Foram as peças que Boal, muito jovem, com 20, 21 anos, escreveu para o TEN, Teatro Experimental do Negro, que foi criado e dirigido por Abdias Nascimento. Abdias Nascimento foi um dos pais artísticos de Boal. Boal estava começando, estava nos primórdios, e foi apresentado a Abddias pelo Nelson Rodrigues, que foi outra espécie de pai”, relembra.
A companheira de Boal lembra que Abdias e Nelson liam todas as peças que Boal escrevia. “São as peças de um dramaturgo debutante, ou seja, não são peças ainda muito bem resolvidas, digamos assim. São peças de um jovem e tem esse interesse, creio eu, de conhecer o que o Boal, de 21 anos, escreveu para o Abdias. E o interessante, no caso, é que o TEN montou todas essas peças.”
Ouça a entrevista na íntegra no Programa Arte Clube.