Em final emocionante, Brasil bate Colômbia e é campeão da Copa América

Emocionante, imprevisível, de tirar o fôlego e no embalo da craque Marta e da goleira Lorena. Nem mesmo o melhor roteirista do mundo poderia prever uma final de Copa América Feminina tão perfeita para o Brasil. O placar final ficou em 4 a 4. E, nos pênaltis, as brasileiras confirmaram a conquista do título por 5 a 4. A conquista no Estádio Casa Blanca, em Quito (Equador), confirmou a hegemonia verde e amarela no continente. São nove títulos em 10 edições do torneio. Além do Brasil, apenas a Argentina já foi campeã.

A primeira atleta a balançar as redes na tarde de Quito foi Linda Caicedo. Aos 24 minutos da etapa inicial, a estrela do Real Madrid, de apenas 20 anos, aproveitou a desatenção da zaga brasileira para concluir com talento a jogada que passou por Izquierdo e Mayra Ramírez.

O jogo estava muito difícil para o Brasil. O técnico Arthur Elias fez três substituições, ainda na primeira etapa. E, praticamente no último lance da etapa inicial, Carabalí acertou uma cabeçada em Gio Garbelini. Com auxílio do VAR, Dione Rissios confirmou a penalidade para o Brasil. E a capitã Angelina deixou tudo igual aos 53 minutos.

Na etapa final, quando o Brasil era melhor, a zagueira Tarciane recuou errado uma bola para a goleira Lorena e acabou marcando contra. Placar: Colômbia 2 x 1 aos 23 minutos da etapa final.

Aos 34 minutos, a artilheira Amanda Gutierres mostrou o faro da goleadora. A atacante do Palmeiras ajeitou no peito o cruzamento de Gio e soltou a bomba de esquerda para igualar o placar: 2 a 2. Gutierres finalizou a Copa América dividindo a artilharia geral do torneio com a paraguaia Claudia Martínez (seis gols para cada uma das atletas).

Seguindo o ritmo frenético, aos 42 minutos, Mayra Ramírez finalizou com muita categoria o excelente contra-ataque puxado por Linda Caicedo.

Já nos acréscimos, aos 50 minutos (praticamente no último lance do tempo normal), entrou em cena a rainha Marta. A maior jogadora da modalidade de todos os tempos pegou o rebote, soltou uma bomba de perna esquerda e deixou tudo igual mais uma vez. Golaço de craque e placar em 3 a 3.

Prorrogação

Na prorrogação, ela de novo. Aos 14 minutos do primeiro tempo, Marta recebe cruzamento na área e finaliza com o pé direito para colocar o Brasil na frente. Só que a decisão ainda estava longe de acabar. Aos 9 minutos da etapa final da prorrogação, um golaço de falta da Colômbia. Leicy Santos, a camisa 10, mandou um lindo chute no ângulo. Com um incrível placar de 4 a 4, ficou tudo para os pênaltis.

Pênaltis

Nas cobranças, Angelina perdeu o primeiro para o Brasil. Mas Paví bateu muito alto e recolocou o Brasil no jogo. A zagueira Mariza fez. E Leicy Santos bateu para defesa da goleira Lorena, que já havia defendido duas penalidades na campanha brasileira durante os Jogos Olímpicos no ano passado. Era a primeira chance de título da Seleção Brasileira. E, quis o destino que fosse a vez da craque Marta cobrar. Ela, que estava fazendo a última partida em uma Copa América e buscava aquele que seria o tetracampeonato da carreira e o nono título da Seleção, acabou batendo rasteiro e facilitando para a defesa da goleira Kathe Tapia. A grande estrela acabou perdendo a primeira chance de finalizar a competição e dar o título ao Brasil.

Na sequência, chegaram as cobranças alternadas. E aí voltou ao palco uma das personagens dessa final. A zagueira colombiana Carabalí, que havia cometido o pênalti no primeiro gol do Brasil, foi para a cobrança. E a goleira Lorena escreveu mais um capítulo dessa incrível final. A ex-jogadora do Grêmio e medalhista de prata e melhor goleira dos Jogos Olímpicos de Paris em 2024 defendeu o chute e confirmou a conquista. Brasil campeão da Copa América. O nono título da equipe nacional em 10 edições do torneio continental.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Ministro do Turismo garante hospedagem acessível para COP30 em Belém

Em meio a relatos de alta nos preços das acomodações em Belém durante o período da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), o Ministério do Turismo realiza uma série de vistorias em obras de infraestrutura e na rede hoteleira da capital paraense.

Para o chefe da pasta, ministro Celso Sabino, o argumento de que os preços cobrados na capital paraense são impraticáveis está sendo “mitigado e absolutamente superado”.

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Em entrevista à Agência Brasil, Sabino destacou que o governo federal está investindo mais de R$ 4 bilhões em obras na cidade em razão do evento.

“Vai deixar um grande legado para o povo do Pará, especialmente para a região metropolitana de Belém.”

Além de grandes hotéis, integram a lista, segundo ele, o Parque da Cidade e o porto na Ilha de Outeiro, onde ficarão atracados os navios que vão servir de acomodações para diversas delegações.

“Estamos com milhares de leitos que vão ficar prontos agora em agosto. Alguns ainda nem começaram a ser disponibilizados. O governo brasileiro está atuando fortemente para que não haja nenhum argumento – inclusive esse de que não há leitos e de que os preços estão exorbitantes. Visitei hotéis aqui, hoje, que estão sendo entregues com diárias de R$ 2 mil ou R$ 3 mil”, disse.

“Além disso, vai haver preços subsidiados para delegações de países com pouco poder aquisitivo”, completou.

Questionado sobre sugestões feitas por delegações, incluindo a retirada de algumas sessões de trabalho da cidade de Belém, mantendo apenas a cúpula de líderes na capital paraense, Sabino respondeu que o governo tem trabalhado para que não haja qualquer tipo de empecilho para realização da conferência. 

“Estamos trabalhando para que não haja argumento algum para que a COP seja dividida ou não aconteça na cidade de Belém. Posso garantir a você que temos hospedagens e temos preços justos.” 

“Durante a COP em Sharm el-Sheikh, houve delegações que não quiseram ir para o Egito. Durante a COP em Dubai, houve delegações que não quiseram ir para Dubai. Aqueles que apostam contra a COP da floresta, a COP de Belém, vão perder”.

Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Agência Brasil: Como estão os preparativos para a COP30 neste momento?
Celso Sabino: As obras que estamos fazendo, que combinamos com a ONU e com todos os envolvidos, estão sendo cumpridas. Todos os prazos estão sendo cumpridos. As obras estão em dia. Estou aqui, pessoalmente, na cidade de Belém. Inclusive, agora, visitando algumas obras de infraestrutura da cidade.
Obras de hospedagem, de hotéis que estão sendo ampliados ou construídos com o apoio do governo federal, com financiamento pelo Fundo Geral de Turismo (Fungetur). Posso garantir que esses meios de hospedagem, inclusive, vão ficar prontos bem antes da COP, já para o Círio de Nazaré, que acontece dia 12 de outubro.

Agência Brasil: O senhor está em Belém desde a última quinta-feira. Como avalia que a cidade está se preparando para a COP30?
Celso Sabino: Estamos com obras nos quatro cantos da cidade. Obras de infraestrutura sanitária, viária, construção de áreas de convivência belíssimas, como o Parque da Cidade, em parceria com o governo do estado do Pará. A gente está com um grande número de hotéis sendo ampliados, outros sendo construídos. A cidade está se preparando para fazer a maior e melhor COP da história da ONU.

Agência Brasil: E como o governo federal está contribuindo com a cidade para que isso aconteça?
Celso Sabino
: A cidade de Belém está se transformando em outra cidade. A partir da decisão de realizar a COP na cidade, o governo federal está investindo mais de R$ 4 bilhões em obras que só estão acontecendo na cidade em razão do evento. Vai deixar um grande legado para o povo do Pará, especialmente para a região metropolitana de Belém.
Além de grandes hotéis – temos hotéis sendo construídos de seis estrelas –, temos o Parque da Cidade, o porto na Ilha de Outeiro, que vai abrigar os navios que vão servir de acomodações para muitas delegações, onde está sendo investido R$ 180 milhões, além de R$ 400 milhões no novo aeroporto, que deve ser inaugurado agora no dia 29 de agosto.

Agência Brasil: Qual a agenda do senhor em Belém? Ela inclui vistorias a hotéis e demais acomodações para a COP30?
Celso Sabino
: É exatamente isso. Minha agenda aqui são visitas em obras de infraestrutura e em hotéis que estão recebendo apoio do governo federal através de fundos, de cessão de áreas. Já visitei três hotéis apenas nesta tarde e devo seguir nessa agenda no dia de hoje. O presidente Lula tem sido enfático com todos os seus ministros para que não falte apoio e para que não haja argumento algum para que Belém seja descaracterizada. Para que não haja qualquer tipo de empecilho para a realização dessa COP.
Estamos trabalhando para que não haja argumento algum para que a COP seja dividida ou não aconteça na cidade de Belém. Posso garantir a você que temos hospedagens e temos preços justos. Visitei vários hotéis, de grande nível, com preços de R$ 2 mil, R$ 3 mil, a diária. 

Agência Brasil: Como funcionam essas vistorias? O senhor pode detalhar um pouco melhor?
Celso Sabino
: Tenho visitado as obras junto a representantes da iniciativa privada que são proprietários dos empreendimentos, além dos engenheiros responsáveis pelas obras. Mesmo sendo sábado à tarde, há operários trabalhando, há material chegando até as obras e elas estão a pleno vapor.

Agência Brasil: Tratando especificamente do preço das acomodações, há delegações de países de baixa renda questionando, junto à ONU, preços que seriam impraticáveis. Há ainda países de alta renda que já pensam em reduzir as delegações a serem enviadas ao Brasil. Todos eles pedem uma resolução para esse problema. Que resolução seria essa?
Celso Sabino
: Esse argumento está sendo mitigado. Está sendo absolutamente superado, na verdade. O governo brasileiro atuou para que dois grandes navios ficassem aportados na Ilha de Outeiro, que fica a cerca de 20 ou 30 minutos, em uma linha expressa que estamos construindo no BRT, pra levar essas pessoas hospedadas para o centro, para o local onde vai ser realizada a COP.
Estamos com milhares de leitos que vão ficar prontos agora em agosto – alguns ainda nem começaram a ser disponibilizados. O governo brasileiro está atuando fortemente para que não haja nenhum argumento, inclusive esse de que não há leitos, de que os preços estão exorbitantes.
Claro que, como qualquer grande evento do mundo, outras COPs anteriores a essa tiveram problemas de hospedagem, com preços muito caros, dificuldade de idiomas, motoristas de aplicativos que não falavam sequer inglês. Belém não vai ter isso. Vai ser uma grande COP. Não vai ter problemas de hospedagem.
A gente vê, às vezes, algumas pessoas, não sei se por ignorância ou má intenção, pinçando casos específicos de preços absurdos, mas não mostram os outros preços, que são regulares. Isso acontece em todos os países do mundo, em todas as cidades do mundo. O Brasil é um país que vive uma economia livre. O governo não tem como interferir diretamente na economia. O que a gente pode fazer é o que nós estamos fazendo e está funcionando.

Agência Brasil: Algumas delegações chegaram a sugerir a retirada de sessões de trabalho da cidade de Belém, mantendo apenas a cúpula de líderes na capital e as demais discussões fora dela. Isso seria uma opção?
Celso Sabino
: Durante a COP em Sharm el-Sheikh, houve delegações que não quiseram ir para o Egito. Durante a COP em Dubai, houve delegações que não quiseram ir para Dubai. Aqueles que apostam contra a COP da floresta, a COP de Belém, vão perder.

Agência Brasil: As notificações feitas pela Secretaria Nacional de Direitos do Consumidor (Senacon) à rede hoteleira em Belém, em junho, surtiram algum tipo de efeito?
Celso Sabino
: Sim. O Ministério do Turismo e o Ministério da Justiça e Segurança Pública tiveram várias reuniões com o setor hoteleiro na cidade de Belém e está funcionando. Nós conseguimos, inclusive, um percentual de leitos com preços abaixo do que os que já estão sendo praticados. Além disso, nos navios que o governo brasileiro está conseguindo trazer para a cidade de Belém, vai haver preços subsidiados para delegações de países com pouco poder aquisitivo.

Agência Brasil: Sobre a plataforma que foi disponibilizada pelo governo e que reúne hotéis e demais acomodações disponíveis em Belém durante a COP30, há relatos de que ela não estaria funcionando. Existe algum tipo de instabilidade?
Celso Sabino
: Estamos ajustando para que ela funcione com muita eficiência e para que, de qualquer parte do planeta, as pessoas possam acessar essa plataforma, tendo acesso aos hotéis disponíveis e aos leitos disponíveis.

 

Entidade que financia imprensa pública nos EUA vai encerrar atividades

A Corporação para Radiodifusão Pública (CPB, na sigla em inglês), entidade que financia parte da mídia pública dos Estados Unidos há mais de cinco décadas, informou que vai encerrar suas atividades após cortes de recursos federais aprovados pelo Parlamento norte-americano.

Em comunicado, a CPB destacou que, por quase 60 anos, cumpriu sua missão de construir e sustentar um sistema de mídia pública confiável que informa, educa e atende comunidades em todo o país.

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“Por meio de parcerias com emissoras e produtoras locais, a CPB tem apoiado conteúdo educacional, jornalismo localmente relevante, comunicações de emergência, programação cultural e serviços essenciais para os americanos em todas as comunidades.”

Na nota, a presidente e CEO da corporação, Patricia Harrison, avalia que, “apesar dos esforços extraordinários de milhões de americanos que ligaram, escreveram e peticionaram ao Congresso para preservar o financiamento federal para o CPB, agora enfrentamos a difícil realidade de encerrar nossas operações”.

Ainda segundo o comunicado, a CPB já informou seus funcionários que a maioria dos cargos será extinta após o encerramento do ano fiscal, em 30 de setembro de 2025. Uma pequena equipe de transição deve permanecer até janeiro de 2026 para “garantir um encerramento responsável e organizado das operações”.

“A mídia pública tem sido uma das instituições mais confiáveis no cotidiano americano, proporcionando oportunidades educacionais, alertas de emergência, discurso civilizado e conexão cultural com todos os cantos do país”, destacou a CEO da corporação no comunicado.

Entenda

A CPB é uma organização privada sem fins lucrativos que teve sua criação autorizada pelo Congresso dos Estados Unidos em 1967. A entidade figura como gestora dos investimentos do governo federal em radiodifusão pública e apoia as operações de mais de 1,5 mil emissoras de rádio e televisão públicas, administradas e operadas localmente, em todo o país.

A corporação também responde como maior fonte de financiamento para pesquisa, tecnologia e desenvolvimento de programas para rádio, televisão e serviços online relacionados.

TV Brasil exibe Sesi Araraquara x Unimed Campinas em semifinal da LBF

A TV Brasil exibe, ao vivo, neste domingo (3), às 10h45, o segundo confronto entre Unimed Campinas e Sesi Araraquara pela Liga de Basquete Feminino (LBF). Após uma partida eletrizante, decidida na prorrogação, os times voltam à quadra para disputar a série melhor de três, que garante vaga na final do campeonato.

Desta vez, a partida ocorre no ginásio do Sesi Araraquara, que venceu o Unimed Campinas por 77 a 73 no primeiro jogo. Caso seja necessário um terceiro duelo, as equipes se enfrentam novamente no dia 5 de agosto, para definir o finalista. Nesta etapa, quem conquistar duas vitórias sobre o adversário avança para disputar o título da 15ª edição da LBF.

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Quem avançar enfrentará, na final, o vencedor do confronto entre Sampaio Basquete e Pontz São José Basketball. Atual bicampeã, a equipe de Araraquara é um dos destaques do torneio, após vencer os dois jogos das quartas de final contra o Sodiê Mesquita. O rival Unimed Campinas também venceu por 2 a 0 na fase anterior, ao superar o Corinthians.

A TV Brasil, emissora da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), é a detentora oficial dos direitos da competição e a única a exibir as partidas em sinal aberto. A cobertura faz parte das iniciativas para ampliar a visibilidade do esporte feminino na programação.

Além disso, o canal público transmite o Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol e a Conmebol Copa América Feminina 2025. Torcedores de todas as regiões do país podem acompanhar as transmissões por meio da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). Para saber como assistir à TV Brasil na sua cidade, acesse: tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

Sobre a competição

Os times Unimed Campinas, Blumenau, AD Santo André, Pontz São José Basketball, Sodiê Mesquita, Sampaio Basquete, Sesi Araraquara, Corinthians e os estreantes ADRM Maringá, Cerrado Basquete e Ourinhos/AOBE são os participantes da LBF 2025.

O sistema de disputa é com todas as equipes se enfrentando em turno e returno, em 22 rodadas. Os oito melhores seguiram para os playoffs. Nas quartas de final e na semifinal, as equipes se enfrentam em séries de melhor de três jogos.

Ao vivo e on demand

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica.

Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV: https://tvbrasil.ebc.com.br/webtv.

Vendas de veículos com motores 1.0 crescem 11,35% em julho

As vendas de veículos modelos 1.0, que fazem parte do Programa Carro Sustentável, cresceram 11,35% no mês passado, em relação a julho de 2024.

De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), quando comparado ao mês anterior, junho, a alta chegou a 13%.

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“Isso é emprego na indústria e emprego no comércio”, comemorou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Os dados foram apresentados a Alckmin pela Fenabrave, neste sábado (2), durante visita a concessionárias, em Brasília.

O programa, lançado há menos de um mês pelo governo federal, visa a descarbonização da frota automotiva do país, por meio de incentivos fiscais, especialmente em relação às alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

“O presidente Lula zerou o IPI. E as montadoras também ajudam com um bom desconto. É um sucesso”, comentou o vice-presidente.

Para ter direito ao IPI zero, o carro deve atender a quatro requisitos: emitir menos de 83 gramas de gás carbônico (CO₂) por quilômetro; conter mais de 80% de materiais recicláveis; ser fabricado no Brasil (etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem); e se enquadrar em uma das categorias de carro compacto (veículo de entrada das marcas).

Pelo menos cinco modelos de veículos, em diferentes versões, foram credenciados pelo programa que garante IPI zero:

  • Onix, da Chevrolet;
  • Kwid, da Renault;
  • Polo, da Volkswagen;
  • HB20, da Hyundai; e
  • Fiat Mobi e Fiat Argo, da Stellantis.

Com a medida, a redução dos preços desses modelos chegou, em alguns casos, a R$ 13 mil.

Para os demais veículos que não se enquadrem no IPI zero, o programa estabelece um novo sistema de cálculo do imposto, que ainda vai entrar em vigor, 90 dias após a publicação do decreto do Programa Carro Sustentável.

A nova tabela parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, que será ajustada por um sistema de acréscimos e decréscimos.

O cálculo levará em conta critérios como eficiência energética, tecnologia de propulsão, potência, nível de segurança e índice de reciclabilidade.

Portos e aeroportos terão de expor materiais informativos sobre mpox

Portos e aeroportos deverão expor materiais informativos sobre sintomas e medidas de prevenção à mpox. Os cartazes deverão ser colocados nas áreas de desembarque internacional, enquanto durar a Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional para a doença.

Da mesma forma, as empresas aéreas deverão emitir um aviso sonoro sobre o sarampo a bordo das aeronaves, enquanto durar o processo de eliminação da doença no Brasil.

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Em voos internacionais, a mensagem com orientações sobre a doença deve ser anunciada também em espanhol e inglês. A doença está declarada como um Evento de Saúde Pública no Brasil.

As medidas foram determinadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e fazem parte da nova instrução normativa do órgão, que trata das ações temporárias de saúde a serem adotadas em portos, aeroportos e por operadores de meios de transporte, diante do cenário epidemiológico no país.

O documento foi aprovado pela diretora colegiada da Anvisa na última segunda-feira (28/07).

Os materiais informativos e medidas de saúde serão adotados para as doenças declaradas como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) e Evento de Saúde Pública (ESP).

Para mpox e sarampo são necessárias apenas as medidas de divulgação dos materiais informativos, não havendo nenhuma recomendação de medidas de saúde específica relacionadas a viajantes ou meios de transporte.

Além das duas doenças, a poliomielite também está na lista de Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, mas nenhuma medida de saúde ou material informativo precisa ser adotado.

A instrução normativa é atualizada periodicamente com base nos alertas epidemiológicos de eventos nacionais e internacionais de saúde pública. Já o cenário epidemiológico é atualizado regularmente, com base em diretrizes do Comitê de Monitoramento de Eventos de Saúde Pública (CME) do Ministério da Saúde, dos Centros de Operação de Emergência em Saúde (COEs) ativos, bem como em orientações técnicas e normativas emitidas pelo Ministério da Saúde.

De acordo com a Anvisa, a aprovação da norma é um legado da pandemia de covid-19, quando foram necessárias diferentes resoluções requerendo exames, máscaras faciais e outras medidas para reduzir a transmissão da doença em portos e aeroportos.

“Agora a Agência implementa um instrumento ágil, que permite atualizar essas medidas tão logo o Ministério da Saúde indique sua aplicação e seja verificada sua pertinência técnica para o setor.”

Doenças

A mpox é causada pelo vírus Monkeypox e pode se espalhar entre pessoas e, ocasionalmente, do ambiente para pessoas, por meio de objetos e superfícies que foram tocados por um paciente infectado.

Seu sintoma mais comum é a erupção na pele, semelhante a bolhas ou feridas, que pode durar de duas a quatro semanas. O alerta vigente para mpox está relacionado à nova cepa 1b do vírus que está circulando na África foi identificada no Brasil em março.

Já o sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, causada pelo paramixovírus que é transmitido pelo ar de forma direta, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar, e pode permanecer em ambientes por duas horas.

A infecção pode levar a complicações sérias, como otite média, pneumonia, infertilidade em indivíduos do sexo masculino e encefalite. O alerta em vigor foi emitido após novos casos e surtos de sarampo de circulação internacional e de casos isolados no Brasil identificados mesmo após a certificação de eliminação da doença no país.

A poliomielite também é causada por um vírus que pode infectar crianças e adultos por meio do contato direto com fezes ou com secreções eliminadas pela boca das pessoas doentes e, em casos graves, é capaz de invadir o sistema nervoso central e causar paralisia nos membros inferiores.

A Organização Mundial da Saúde avalia que ainda há o risco de propagação internacional do poliovírus.

As vacinas contra a poliomielite e contra o sarampo estão disponíveis na rede pública de saúde.

Já para a mpox, em 2023, durante a primeira emergência global, a Anvisa autorizou o uso emergencial da vacina Jynneos, para um público específico.

O desenvolvimento de um imunizante nacional é prioridade da Rede Vírus, comitê de especialistas em virologia criado para o desenvolvimento de diagnósticos, tratamentos, vacinas e produção de conteúdo sobre vírus emergentes no Brasil.

Acadêmicos de Niterói estreia na Sapucaí com homenagem a Lula

A escola de samba Acadêmicos de Niterói vai estrear no Grupo Especial da elite do carnaval carioca com uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Campeã da Série Ouro em 2025, a agremiação divulgou neste sábado (2) o samba enredo que vai levar para a Marquês de Sapucaí em 2026: Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil. 

A estreia na Passarela do Samba vai ser no domingo, 15 de fevereiro de 2026, na primeira das três noites de desfile.

A azul e branco da região metropolitana do Rio vai desfilar com o enredo do carnavalesco Tiago Martins e do enredista Igor Ricardo, responsável pela criação e desenvolvimento do enredo.

Logo na introdução para apresentar a sinopse – que é o texto que as escolas divulgam para explicar o enredo –, Igor Ricardo destaca que o ex-metalúrgico, que voltou à presidência para cumprir um terceiro mandato, é o político mais bem-sucedido de seu tempo.

O samba lembra que Lula nasceu no agreste pernambucano da mãe, dona Lindu, em uma família de oito filhos. O texto se refere ainda ao mundo fantástico para explicar o inevitável da vida familiar naquela região.

“A vida por lá era dura. Mas medo mesmo a família Silva tinha era das coisas do outro mundo. O que os assombrava eram as histórias de alma penada: o Papa-figo, um velho horrendo que adorava comer o fígado dos pequenos que não se comportavam; os mortos que voltavam do além… A cobra que saía escondida à noite para sugar o leite da mulher que amamentava.”

As brincadeiras eram com animais que apareciam no quintal como calangos, coelhos, preás, beija-flores e até caramujos.

“A paisagem do agreste era o parque de diversões daqueles meninos, e o ‘brinquedo’ favorito de Lula era o pé de mulungu dos arredores de sua casa. Do alto dos seus galhos, o futuro presidente do Brasil vislumbrava os dias com esperança”, aponta a sinopse.

A história segue com a mudança para São Paulo para fugir da seca que castigava Garanhuns em 1952.

“Amontoaram as coisas numa trouxa, guardaram os retratos pendurados na parede, tiraram as imagens de Santa Luzia e São José de seus altares e foram… Foram treze dias e treze noites que pareciam intermináveis num pau de arara de tábuas de madeira”.

O enredo vai lembrar também o período da ditadura militar e a luta sindical que tornou Lula um dos alvos dos militares, além da “tragédia da viuvez e da morte de dona Lindu”.

O samba-enredo da Acadêmicos de Niterói vai abordar também a trajetória e liderança política de Lula, que se tornou deputado constituinte e presidente da República com o compromisso de ajudar os mais pobres.

“Nada do que Lula fez, ele fez sozinho. Sua liderança nasceu, cresceu e se consolidou como expressão de um andar junto.”

Outras homenagens

A Acadêmicos de Niterói não é a única que fará homenagens a personalidades no carnaval de 2026. A Mocidade Independente vai levar para a avenida um enredo sobre Rita Lee. Na Imperatriz Leopoldinense, o carnavalesco Leandro Vieira escolheu contar a história de Ney Matogrosso. A Viradouro vai celebrar a trajetória do mestre de bateria Ciça com 40 anos de samba.

Já a Vila Isabel vai levar para a avenida o universo do compositor, cantor e pintor brasileiro Heitor dos Prazeres, um dos fundadores das primeiras escolas de samba do Brasil. O Salgueiro trará o enredo A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau para reverenciar a carnavalesca Rosa Magalhães – campeã nove vezes em escolas de samba do Rio.

As homenagens se estendem ainda à Portela com o enredo O mistério do Príncipe do Bará – a oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande, que mostrará a vida de Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio, líder africano em Porto Alegre.

Para fechar a última noite de desfiles a Mangueira levará para a Sapucaí o enredo Mestre Sacaca do encanto tucuju – o guardião da Amazônia Negra, para falar do curandeiro e defensor da floresta junto com as manifestações da cultura local.

A série de homenagens tem ainda a escritora Carolina Maria de Jesus na Unidos da Tijuca. A escola vai desenvolver o enredo da autora do livro Quarto de Despejo destacando a importância dela para a literatura brasileira.  

 

Marina Silva lota principais palcos da Festa Literária de Paraty

Ao participar da 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, criticou o PL do Licenciamento e compartilhou memórias da sua trajetória em defesa da floresta.

Na noite desta sexta-feira (1°), a mesa O Lugar da Floresta deixou lotados os principais palcos da Flip. No Auditório da Matriz, a ministra foi recebida com longos aplausos pelo público em pé. No Auditório da Praça, onde houve transmissão ao vivo pelo telão, ela foi aplaudida diversas vezes durante sua participação.

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“O licenciamento ambiental é a principal vértebra da proteção ambiental no Brasil. Não consigo ver como a gente conseguirá alcançar as metas de redução de emissão de CO₂ se o licenciamento for mutilado e desfigurado, como está sendo no PL [do Licenciamento], na forma como foi aprovado no Congresso”, lamentou a ministra sobre o Projeto de Lei (PL) 2.159/21, que trata das regras do licenciamento ambiental e vem sendo chamado de PL da Devastação por ambientalistas.

Enviado para sanção presidencial, o projeto de lei simplifica os trâmites processuais, com a criação de novos tipos de licenças ambientais, e a redução dos prazos de análise.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem até o próximo dia 8 para sancionar ou vetar o texto final que a Câmara dos Deputados aprovou no último dia 17

“Não consigo imaginar como nós vamos zerar desmatamento em 2030. Já conseguimos bons resultados, reduzimos, nesses dois anos e meio, o desmatamento em 46% na Amazônia, 25% no Cerrado, 77% no Pantanal, e uma redução na média global no país de 32%. Não consigo ver como a gente vai conseguir continuar alcançando esses resultados se o PL for mantido nas condições em que foi aprovado”, explicou.

Um dos dispositivos do PL aprovado, alerta Marina, estabelece que cada município e cada estado poderá estabelecer os regramentos e as tipologias do licenciamento.

“Vocês acham que a natureza muda porque mudou a ideologia do prefeito ou porque aumentou a ambição dos investidores? As leis da natureza não mudam em função dos nossos interesses. E tecnicamente, cientificamente, não tem como fazer uma tipologia diferente.”

“O rio que é contaminado com metal pesado em Minas Gerais é o mesmo que vai ser contaminado no Espírito Santo”, exemplificou a ministra.

Para ela não bastam apenas vetos, é preciso que haja uma medida para substituir as mudanças na legislação. As possibilidades, segundo Marina, seriam uma medida provisória ou um projeto de lei.

A ministra defendeu que o desenvolvimento econômico do país pode acontecer sem a destruição dos biomas.

“Quando você mostra que o desmatamento caiu 46%, o agronegócio cresceu 15%, a renda per capita aumentou 11% e o emprego aumentou para uma situação de quase pleno emprego, qual é a conclusão que você chega? Não precisa destruir para crescer e se desenvolver.”

Literatura

Questionada pela mediadora da mesa, a jornalista Aline Midlej, sobre a influência da literatura em sua trajetória e para a consciência ambiental coletiva, Marina lembrou de sua avó: mulher analfabeta que tinha inteligência privilegiada, contou a ministra.

“Meu pai sabia ler, fez até o terceiro ano [primário] antes de ir para o Acre como soldado da borracha. Ele lia um folheto de literatura de cordel duas vezes e minha avó decorava. Ela sabia um monte de coisa decorada.”

“E ela cantava para mim:
‘Marina era uma moça muito rica e educada,
o seu pai era um barão de uma família abastada,
porém ela amava Alonso que não possuía nada.’ Eu me sentia a própria Marina, sabe? A literatura de cordel trouxe para mim um mundo lúdico e me foi de grande estímulo. Eu sempre brinco, eu fui analfabeta até os 16 anos, mas eu era PhD em saber narrativo”, disse a ministra.

Ela revelou ainda uma das histórias da literatura de cordel que fez parte desse incentivo, o duelo entre dois cantadores: um letrado da cidade e um sertanejo da Caatinga. São ele Romano e Inácio da Catingueira. O sertanejo começa ganhando o duelo, mas em determinado momento seu oponente muda o mote da cantoria.

“Quando vê que vai perder, Romano muda para falar do campo da ciência. [Inácio] diz ‘se desse o nó em martelo, me veria desatá-lo, mas como deu em ciência, cante só que eu me calo’. E baixava a cabeça e perdia o duelo e o sertão todo ficava muito indignado porque tinha havido uma trapaça. E eu chorava e, se vocês perceberam, eu ainda me emociono até hoje porque o Inácio perdeu”, contou.

“E aí eu dizia: vovó, por que que ele perdeu? E ela dizia: minha filha, era porque ele é analfabeto. E eu dizia: eu não quero ser analfabeta”, finalizou com a voz embargada.

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participa da 23ª Festa Literária Internacional de Paraty, no Auditório Matriz – Rovena Rosa/Agência Brasil

Momento distópico

Segundo a ministra, a política vive atualmente um momento distópico no país.

“Infelizmente, como diz [Zygmunt] Bauman, a política vem sendo tragada pelo sistema e como ele mesmo diz, se a política for apenas para juntar pessoas, para fazer mais do mesmo – são palavras dele –, para que serve a política?”

“A política não é para juntar pessoas para fazer mais do mesmo, porque senão vira mera repetição. É claro que as coisas precisam se estabilizar. O novo não se cria em cima do novo. A biologia ensina que para que alguma coisa aconteça é preciso preservar algo. Mas tem momentos em que é preciso que tenha quebra de paradigmas”, avaliou.

COP 30

Para a ministra, o multilateralismo tem que ser fortalecido durante a COP 30, além de um esforço para que as decisões pactuadas tenham credibilidade.

“Por outro lado, a COP 30 não tem outra alternativa a não ser, como diz o embaixador Correa do Lago, fazer um grande mutirão. Um mutirão de 196 países que, por consenso, tem que decidir que a partir de agora não tem mais o que protelar.”

“A COP 30 acontece em um contexto geopolítico altamente desafiador, como todos nós estamos observando, em que a maior potência bélica e econômica do planeta [Estados Unidos] sai do Acordo de Paris e decide não só apoiar guerras bélicas, mas também faz guerras tarifárias”, disse. Ela avalia que esses elementos fazem com que esse contexto seja ainda mais difícil. 

A ministra destacou que os setores público e privado precisam fazer investimentos que viabilizem a implementação das medidas já compactuadas entre os países para barrar o aumento global da temperatura. O valor de US$ 1,3 trilhão é o valor que os países chamados desenvolvidos precisam garantir aos países considerados em desenvolvimento para ações de combate às emergências climáticas.

“Pasmem, a gente não consegue US$ 1,3 trilhão, mas o mundo continua investindo direta e indiretamente em atividades fósseis, entre 5 a 7 trilhões de dólares em atividades que são carbono-intensivas. É uma luta muito desigual”, disse.

A ministra defende uma transição justa e planejada. “Não é fácil, não é mágica, por isso temos defendido que é preciso que a COP 30 possa sair com um grupo mandatado para fazer o mapa do caminho para o fim de combustível fóssil, de desmatamento e de viabilizar US$ 1,3 trilhão para ajudar os países em desenvolvimento a fazerem suas transições.”

“Quando a gente não se prepara para mudar, a gente é mudado. E nós já estamos sendo mudados pela emergência climática. O que aconteceu nos Rio Grande do Sul está nos mudando. O que acontece quando o rio seca na Amazônia, está nos mudando. Quando o Pantanal pega fogo, está nos mudando. Quando, por ano, morrem 500 mil pessoas só por ondas de calor, está nos mudando. Temos que planejar a mudança antes de sermos abruptamente mudados”, concluiu Marina.

*A repórter e a fotógrafa viajaram a convite da Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flip 2025.

 

Hugo Calderano disputa vaga na semifinal em Foz do Iguaçu

Terceiro colocado do ranking mundial de tênis de mesa, Hugo Calderano decide neste sábado (2) a vaga nas semifinais do WTT Star Contender Foz do Iguaçu contra o japonês Yukiya Uda (40º), às 18h10 (de Brasília). Eles já se enfrentaram três vezes em eventos internacionais, com 100% de aproveitamento para o brasileiro. A última vitória veio na histórica conquista da Copa do Mundo, ainda na fase de grupos.

Na primeira partida deste sábado, o carioca de 29 anos bateu Chang Yu-An (84º), de Taipei, por 3 sets a 1 (10/12, 11/8/ 11/9 e 11/8). Na véspera, ele já havia eliminado na sua estreia o alemão Wim Verdonschot (171º) por 3 sets a 1 (11/7, 16/14, 9/11 e 11/8).

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“Como todos os japoneses, ele é muito consistente. Por ser canhoto, também saca bem, tem boas recepções, como o adversário de hoje. Mas o importante vai ser me concentrar no meu jogo, no que sei fazer de melhor e focar em alguns pontos táticos”, projetou o brasileiro cabeça de chave número um do torneio sobre a decisão do final da tarde deste sábado. Se avançar, o carioca volta à mesa no domingo (3) para buscar uma vaga na decisão contra o vencedor da partida entre o sul-coreano Oh Junsung (20º) e o japonês Yuta Tanaka (37º).

Hugo vive um grande momento: ele foi à final dos quatro últimos torneios que disputou, levando três taças. Em abril, conquistou a Copa do Mundo. No mês seguinte, foi vice-campeão mundial. Depois, ficou com os títulos do WTT Star Contender Ljubljana, na Eslovênia, em junho, e do WTT Contender Buenos Aires, na Argentina, há menos de uma semana. O WTT Star Contender Foz do Iguaçu entrega 600 pontos ao campeão e distribui US$ 300 mil (R$ 1,6 milhão) em premiações.

Governo destina R$ 40,7 milhões para bancos de leite humano

O Ministério da Saúde autorizou o repasse de R$ 40,7 milhões para qualificação e ampliação dos serviços prestados por bancos de leite humano do país.

A medida integra as ações pelo Dia Mundial da Amamentação, celebrado nesta sexta-feira (1º), que marca o início do Agosto Dourado, campanha de conscientização sobre os benefícios do aleitamento materno.

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Os recursos serão destinados às 226 unidades da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH-BR), conforme portaria publicada ontem no Diário Oficial da União. Cada unidade receberá R$ 180 mil em investimentos.

Com os recursos, os bancos poderão adquirir materiais e realizar serviços essenciais para o seu funcionamento como coleta, processamento, armazenamento, controle de qualidade e distribuição do leite humano.

Também estão previstas ações de comunicação, mobilização social e assistência direta às famílias.

Inspirado na “hora de ouro”, que simboliza a primeira hora de vida do recém-nascido junto à mãe, a campanha do Agosto Dourado é realizada em 120 países. Neste ano, o tema é Priorize a Amamentação, Crie Sistemas de Apoio Sustentáveis.

Campanha

De 1º e 7 de agosto, o Ministério da Saúde realiza uma campanha digital para informar sobre os benefícios da amamentação e mobilizar a sociedade a criar ambientes acolhedores para que mães possam amamentar por mais tempo. 

A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o aleitamento ocorra de forma exclusiva até os 6 meses e complementada até 2 anos ou mais.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano é uma iniciativa do Ministério da Saúde por meio do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz).

Essas unidades garantem a oferta de leite humano para bebês prematuros ou de baixo peso internados em unidades neonatais, além de oferecer orientação e suporte para mulheres em fase de amamentação.

MEC amplia prazo para pagamento de inscrição de Prova Nacional Docente

Participantes da Prova Nacional Docente (PND) têm até a próxima quarta-feira (6) para realizar o pagamento da taxa de inscrição. Inicialmente, a data limite era 1º de agosto. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a ampliação do prazo visa a atender os participantes não isentos.

A data de aplicação da prova permanece a mesma: 26 de outubro. O objetivo do exame, segundo o Inep, é avaliar o conhecimento e as habilidades dos profissionais, auxiliando na seleção para redes estaduais e municipais de ensino. A prova será utilizada como etapa única ou complementar de concursos e seleções de professores.

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Em nota, o instituto informou que a edição de 2025 teve a adesão de 22 unidades da Federação e de 1.508 municípios de todas as regiões do país, dos quais 18 são capitais.

Além de estudantes concluintes inscritos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2025, podem realizar a prova pessoas com formação em cursos de licenciatura que tenham interesse em participar de concursos ou processos seletivos promovidos pela União, por unidades federativas e por municípios que adotem o resultado da avaliação como etapa de admissão.

Entenda

De acordo com o Inep, autarquia ligada ao Ministério da Educação (MEC), o exame foi criado com o objetivo de melhorar a qualidade da formação, além de estimular a realização de concursos públicos e induzir o aumento de professores qualificados nas redes públicas de ensino. A iniciativa faz parte do programa Mais Professores para o Brasil.

A Portaria n.º 399/2025 dispõe sobre regras e procedimentos para realização da prova O exame terá a mesma matriz da avaliação teórica do Enade das Licenciaturas, que, desde a sua edição de 2024, tem enfoque nos cursos de formação docente. A PND será aplicada anualmente, voltada a licenciados.

 

Prova na ponte Rio-Niterói receberá cerca de 5 mil atletas no domingo

A ponte Rio-Niterói, principal via de ligação entre as duas cidades da região metropolitana fluminense, vai ter um uso diferente neste domingo (3). No lugar da grande quantidade de veículos que recebe diariamente, estarão cerca de 5 mil corredores que vão disputar o Desafio da Ponte.

O trajeto de 21 quilômetros começa no Caminho Niemeyer, em Niterói, atravessa a ponte e termina na Praça Mauá, região portuária do Rio de Janeiro. A prova terá início às 6h30 e previsão de término às 9h30.

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O Desafio da Ponte volta a ser realizado depois de 12 anos suspenso e, dessa vez, passou a integrar o Calendário Oficial de Eventos carioca.

De acordo com a Prefeitura de Niterói, dentre os 5 mil corredores 52% são cariocas, 17% de Niterói e 31% turistas.

“[O evento tem] impacto direto na cadeia produtiva do turismo, movimentando hotéis, comércio e serviços, além de fortalecer o turismo esportivo e reforçar a imagem do Rio de Janeiro e de Niterói como sedes de grandes eventos”, informou a prefeitura de Niterói.

O Desafio da Ponte está sendo considerado pelas duas cidades como parte da candidatura que lançaram para sediarem juntas os jogos Pan e Parapan-Americanos de 2031.

“Provas que possam ser realizadas entre as duas cidades estão nos planos propostos à Panam, entidade responsável pelos jogos. A escolha da sede será divulgada no dia 10 de outubro, no Chile”, informou a administração niteroiense.

Trânsito

Para a realização da prova foi montado um esquema especial de trânsito com interdições em vias das duas cidades.

Em Niterói, das 21h deste sábado (2) até as 10h de domingo (3), a Rua Professor Plínio Leite terá interdição total, além de trechos das ruas Doutor Fróes da Cruz, Saldanha Marinho e Marquês de Caxias, entre a Rua Professor Plínio Leite e a Avenida Visconde do Rio Branco.

Também neste período, o trânsito na Avenida Feliciano Sodré estará parcialmente interditado, com bloqueio das três faixas da esquerda no sentido Centro, no trecho entre a Rua Professor Plínio Leite e a rampa de acesso à Ponte Rio-Niterói.

“A organização do evento será responsável por operadores de trânsito privados que atuarão tanto no entorno do Caminho Niemeyer quanto no trajeto até a Ponte. Além disso, haverá apoio operacional com a contratação obrigatória de apoiadores de tráfego.”

A prefeitura informou ainda que as medidas serão supervisionadas em tempo real por equipes da NitTrans, que poderão fazer ajustes necessários para garantir a segurança da população e também dos competidores.

Na capital carioca, o esquema especial será da 0h às 12h do domingo, montado pela CET-Rio com o propósito de reduzir os impactos no trânsito da cidade e garantir a segurança dos atletas. Nas ligações entre a Ponte Rio–Niterói e os principais acessos ao Rio de Janeiro algumas vias serão interditadas.

No Rio, a operação de trânsito será feita por 50 profissionais, entre agentes da CET-Rio, guardas municipais e apoiadores de tráfego. Eles vão atuar “para manter a fluidez, coibir o estacionamento irregular, ordenar os cruzamentos, orientar pedestres e motoristas, além de realizar os bloqueios viários durante a corrida”.

A movimentação do trânsito será monitorada por meio de câmeras, no Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio), na Cidade Nova, região central da cidade. A intenção é poder fazer ajustes na programação dos sinais, se necessário, para garantir o fluxo de veículos.

“Além disso, dez painéis de mensagens variáveis serão utilizados para informar sobre as condições do trânsito, bloqueios viários e rotas de desvio.” 

Recomendações

A Prefeitura de Niterói recomenda que os pedestres devem fazer travessias nos locais indicados pela sinalização ou pelos orientadores do evento; respeitar os locais com proibição de estacionamento; e prestar atenção às orientações dos agentes de trânsito e à sinalização implantada.

Para os motoristas, a recomendação é no sentido de evitarem a passagem pela região do evento, porque por causa das interdições, as condições de tráfego serão modificadas durante a prova.

 

Brasil é superado pela Polônia e disputa bronze com Eslovênia

A Seleção Brasileira de Vôlei Masculino foi derrotada pela Polônia por 3 sets a 0 (26×28, 19×25 e 21×25) na manhã deste sábado (2) na semifinal da Liga das Nações em Ningbo, na China.

A equipe do técnico Bernardinho chegou com a melhor campanha do torneio e apenas uma derrota, mas foi dominada pelo adversário e, agora, vai decidir a medalha de bronze com a Eslovênia, às 4h (horário de Brasília) neste domingo (3). O maior pontuador do jogo foi o polonês Sasak com 19 acertos (1 ace e 1 block). Do lado brasileiro, Darlan marcou 16 (1 block e 2 aces).

 

 

 

Pessoas em situação de rua passam a contar com biblioteca em São Paulo

A cidade de São Paulo passou a contar com uma biblioteca comunitária voltada para pessoas em situação de rua a partir desta sexta-feira (1}). O espaço, coordenado pelo padre Júlio Lancellotti, funcionará no Centro Santa Dulce dos Pobres, na Rua Sapucaia, 36, no bairro da Mooca, na zona leste da capital.

Além do acervo de livros, a Biblioteca Wilma Lancellotti oferece acesso a computadores, serviços para emissão de documentos e apoio na busca por emprego. O nome do equipamento é uma homenagem à mão do sacerdote.

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“Essa iniciativa do padre Júlio é uma ação fundamental. Literatura é um direito de todos. Bibliotecas com bibliotecários vocacionados são equipamentos que salvam muitas vidas e as transformam para melhor”, declarou a escritora Luciene Muller, que viveu na rua dos 4 aos 11 anos.

A biblioteca, inaugurada hoje com a presença do Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, conta com um acervo de oito mil livros doados, todos catalogados por seis bibliotecárias voluntárias. O espaço funciona com o sistema Sophia Biblioteca, utilizado pela Biblioteca Nacional para organização e gestão de acervos.

O espaço é destinado a todos que desejarem usufruir dos serviços, não a penas a quem vive nas ruas.

Rio amplia vacinação contra HPV para jovens de até 19 anos de idade

A Secretaria de Estado de Saúde do Rio amplia a partir desta segunda-feira (4), a faixa etária da vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano). A iniciativa tem a finalidade de alcançar adolescentes e jovens adultos que ainda não receberam o imunizante. A meta é vacinar, até dezembro deste ano, 90% do público-alvo: jovens entre 15 e 19 anos que ainda não foram imunizados, totalizando cerca de 520 mil pessoas em todo o estado. Anteriormente, o imunizante era destinado apenas a crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. 

O HPV é considerado a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo. Existem mais de 200 tipos de HPV, alguns deles causam verrugas genitais e outros mais graves podem provocar câncer.

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Um estudo recente na Inglaterra aponta que a vacinação pode reduzir em 87% as taxas de câncer de colo de útero. A prevenção é aliada ao uso de preservativos, que reduzem o risco de contágio.

“Nosso foco é proteger adolescentes e jovens adultos que não tiveram a oportunidade de se vacinar na idade recomendada. O HPV é uma ameaça silenciosa, mas a vacina é segura, eficaz e gratuita. Queremos mobilizar toda a rede de saúde e educação para alcançar o maior número de pessoas possível”, avalia a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.

Adultos com imunossupressão, como pessoas vivendo com HIV, transplantados e indivíduos com outras condições específicas, como vítimas de violência sexual, também podem receber a vacina pelo SUS até os 45 anos, conforme recomendação do Ministério da Saúde. 

Entenda a doença

Tanto homens quanto mulheres podem ser infectados e transmitir o HPV. O HPV é uma infecção sexualmente transmissível comum que pode afetar ambos os sexos. 

HPV em homens:

Embora os homens frequentemente não apresentem sintomas visíveis da infecção, eles podem transmitir o vírus para suas parceiras sexuais. O HPV em homens pode causar verrugas genitais e, em alguns casos, aumentar o risco de câncer de pênis, ânus e orofaringe. A vacinação contra o HPV é recomendada para meninos e meninas a partir de 9 anos de idade, com o objetivo de prevenir a infecção e suas complicações. 

A prevenção do HPV em homens inclui o uso de preservativos durante as relações sexuais e a vacinação. 

HPV em mulheres

O HPV em mulheres pode causar verrugas genitais e aumentar o risco de câncer do colo do útero, vagina e vulva. 

A vacinação contra o HPV é recomendada para meninas e mulheres, e o exame preventivo (Papanicolau) é importante para detectar lesões precoces causadas pelo vírus. 

A prevenção do HPV em mulheres inclui o uso de preservativos durante as relações sexuais, a vacinação e a realização regular do exame preventivo

 

61 socos: caso no RN retrata escalada da violência contra mulheres

Os 61 socos desferidos contra Juliana Garcia, na cidade de Natal (RN), no último sábado (26), chocaram o Brasil diante da violência flagrada por uma câmera no elevador do prédio. O autor do crime, o namorado dela, Igor Cabral, foi preso em flagrante. O episódio, que chamou atenção de todo o país, traz à tona a escalada da violência no país contra a mulher: tanto pelo que é registrado, como no caso de Juliana, como também pelos aspectos subjetivos que não são possíveis de contabilizar. 

Um dos motivos pelo qual o crime chamou atenção foram os repetidos golpes no rosto da vítima, que se encontrava indefesa e caída no chão do elevador. Segundo especialistas ouvidas pela Agência Brasil, o ato carrega um simbolismo ancorado na cultura machista. “Agressores normalmente atacam o feminino do corpo humano, (incluindo) rosto, seios e ventre como um recado de que aquele corpo pertence a eles”, afirma a promotora de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Valéria Scarance. Ela destaca que agressores praticam atos de violência imbuídos de um sentimento de posse e superioridade em relação às mulheres.

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A antropóloga Analba Brazão, que é educadora do SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia, considera que esses ataques contra a mulher em regiões como o rosto têm como objetivo desfigurar a vítima.

“Atingir o rosto também demonstra poder. Ele quer aniquilar aquela mulher e deixar visível a sua marca”, lamenta.

Essas violências no corpo da mulher e na expressão do feminino têm uma simbologia marcante, conforme aponta Télia Negrão, pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É o que acontece quando criminosos mutilam, por exemplo, os seios ou a região genitais. “Há até chutes na área da barriga da mulher como forma de destruir a sua capacidade reprodutiva posterior”, diz Télia, que faz parte do Levante Feminista contra o Feminicídio e Transfeminicídio.

Quatro mulheres mortas por dia

De acordo com o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na semana passada, houve novo aumento no número de feminicídios, que chegou a 1.492 casos em 2024. O número representa quatro mortes de mulheres por dia. É a maior quantidade desse tipo de crime desde 2015, início da série histórica. Segundo o levantamento, 63,6% das vítimas eram negras. Além disso, 70,5% tinham entre 18 e 44 anos e oito em cada dez foram mortas por companheiros ou ex-companheiros. Os feminicídios dentro de casa são maioria (64,3%).

Já os casos de tentativa de feminicídio, como o ocorrido com Juliana, em Natal, foram 3870 no ano passado, 19% a mais do que no ano anterior. As agressões registradas contra mulheres foram de 256.584 casos (em 2023) para 257.659 (no ano passado).

Para a promotora Valéria Scarance, do MP-SP, desde a Lei Maria da Penha instaurou-se um “novo tempo” no Brasil, em que a violência contra mulheres deixou o âmbito privado e ganhou domínio público. “Antes, era comum que as pessoas não se manifestassem diante de uma ‘briga de casal’. Mas, hoje, a sociedade está atenta a essas violências, inclusive as que eram consideradas menos graves”, contextualiza.

Ao mesmo tempo em que a legislação brasileira é considerada uma das melhores do mundo no combate ao feminicídio, as pesquisadoras apontam que discursos de misoginia, até mesmo de autoridades públicas, cresceram com a ascensão de partidos da extrema direita no mundo, incluindo o Brasil. Valéria Scarance analisa que o aumento da violência contra as mulheres seria uma espécie de reação da estrutura machista da sociedade ao empoderamento e ao fortalecimento das mulheres – o que ela chama de fenômeno “backlash ou retaliação”. A antropóloga Analba Brazão vê um movimento antifeminista na sociedade em prol de um machismo estrutural que relega as mulheres a um papel secundário.

Ciclo e escalada da violência

A promotora Valéria Scarance, que também é pesquisadora da temática de gênero, violência contra mulheres e feminicídio, explica que, no âmbito íntimo, as violências mais severas acontecem quando há o término da relação ou quando a vítima não atende às ordens ou desejos do agressor.  “Esses homens são ao mesmo tempo egocêntricos e inseguros porque qualquer conduta da vítima –  passar batom, usar roupas novas, trabalhar, ter amigas, sorrir – pode ser interpretada por eles como um ato de desrespeito ou traição”, exemplifica. A promotora contextualiza que, no início, as agressões ocorrem em locais pouco visíveis. “Mas à medida que a violência evolui, agressores dão socos no rosto, chutes no corpo, puxam os cabelos, apertam o pescoço das vítimas”.

Um dos dados divulgados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública exemplifica os desafios para garantir a segurança das mulheres brasileiras: ao menos 121 vítimas foram mortas em 2023 e 2024 enquanto estavam sob medidas protetivas de urgência ativa.

“A cada 15 segundos, uma mulher está sendo espancada no Brasil. E normalmente não há câmeras como o caso que foi flagrado em Natal. Acontece em áreas isoladas dentro de casa”, diz Analba Brazão, que defende serem necessárias mais políticas públicas para estimular novas denúncias. “Muitos casos não são notificados. A gente precisa saber, por exemplo, quantos órfãos do feminicídio existem”, afirma a pesquisadora, que atua no Recife (PE).  “Nesta semana, aqui em Pernambuco, uma manicure foi assassinada a facadas, também no rosto e em outras partes do corpo. Ela estava com medida protetiva de urgência”, lamenta. 

Télia Negrão entende que são necessárias políticas públicas mais profundas que consigam promover uma mudança cultural. “Nós temos julgamentos que têm elevado as punições devido aos agravantes. E, no entanto, nós não temos uma redução dos feminicídios ou da violência. Nós precisamos de mudança cultural”, acredita a pesquisadora que atua no Rio Grande do Sul.

Denúncias

Pesquisadora em direito penal e coordenadora da Quilombo, organização do movimento negro no Rio Grande do Norte, Dalvaci Neves conta que mais de mil mulheres foram vítimas de feminicídio no Rio Grande do Norte, entre 2013 e 2023 – 80% eram  negras. “É um retrato do nosso quadro social, do racismo e do machismo que nós, mulheres negras, enfrentamos”. De acordo com ela, no estado, existem apenas 12 delegacias especializadas para atendimento das mulheres em mais de 160 municípios. “Há muitas mulheres no interior e sem acesso para fazerem denúncia”.

A falta de delegacias especializadas não é um problema apenas do Rio Grande do Norte. Em todo o país, segundo levantamento do Ministério da Justiça e da Segurança Pública divulgado neste ano, há apenas 488 delegacias especializadas, sendo que apenas 204 delas atendem exclusivamente mulheres. Desse total, 46,4% estão no Sudeste.

Ainda no campo das políticas públicas, a pesquisadora defende ser necessário mais discussão sobre violência de gênero nas escolas.  “O Plano Nacional de Educação vai ser votado agora [no Congresso Nacional]. Precisamos ter uma educação de combate ao racismo, e que também discuta gênero. Mas nós temos ainda muitos parlamentares que não querem que esse tema seja incluído”, aponta.

Dalvaci recomenda que as mulheres que sejam vítimas prestem queixa, mesmo em casos aparentemente menos graves como desrespeitos e xingamentos, que configuram violência psicológica. Ela ressalta ainda a importância de que as pessoas não silenciem quando forem testemunhas de violência. “Dessa forma, podemos evitar um feminicídio no futuro”, afirma.

Como denunciar

Se a mulher é vítima da violência ou se uma testemunha presenciar algum tipo de agressão, pode denunciar pela Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O  serviço gratuito e acessível em todo o país.  

Por esse canal, é possível receber orientação sobre leis, direitos e serviços da rede de atendimento, como a Casa da Mulher Brasileira, os centros de referências, as delegacias de atendimento à mulher (Deam), as defensorias públicas e os núcleos integrados de atendimento às mulheres.

O Ligue 180 faz o registro e encaminhamento de denúncias aos órgãos. É possível fazer a ligação de qualquer lugar do Brasil ou acionar o canal via chat no Whatsapp (61) 9610-0180. 

Em casos de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo número 190, em todo o Brasil. 

Outro caminho disponível é via Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos pelo canal do WhatsApp (61)99656-5008. Funciona 24 horas para denunciar qualquer tipo de violência.

 

 

Viagem do Trem do Forró terá animação da Central do Brasil a Caxias

Os admiradores do forró terão diversão neste sábado (2) a partir da Central do Brasil, tradicional estação de trem do centro do Rio.

A programação começa às 10h, com o Esquenta Xinela. O visitante poderá participar gratuitamente de aulas de dança e assistir apresentação de trios de forró, da quadrilha Gonzagão do Pavilhão, o cortejo do maracatu Tambores de Iguaçu e de poesia, tudo com manifestações típicas do nordeste.

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É a 3ª edição do Trem do Forró, que já faz parte do calendário cultural da cidade do Rio.

O local escolhido para a partida da iniciativa que celebra o Dia Estadual do Forró, criado em 2019, não é sem motivo. A intenção da concessionária SuperVia, responsável pelo serviço de trens de passageiros no Rio, é reforçar o compromisso com “a valorização da cultura popular e da mobilidade acessível”, como faz com o Trem do Samba e o Trem do Choro, também grandes sucessos de público.

Festa na cidade da Baixada Fluminense vai até as 18h, na Praça do Pacificador. Lá, a diversão ficará por conta de quadrilhas juninas e barraquinhas com comidas típicas. Foto: SuperVia/Divulgação

Depois das apresentações, o Trem do Forró partirá às 12h na viagem entre a Central do Brasil e Duque de Caxias e a festa na cidade da Baixada Fluminense vai até as 18h, na Praça do Pacificador. Lá, a diversão ficará por conta de quadrilhas juninas e barraquinhas com comidas típicas.

Na partida, o público vai poder escolher um dos oito vagões temáticos do Trem do Forró, que terão trios de forró fazendo animações até Caxias e vão fazer homenagens. Entre eles, no primeiro, que é uma representação de Pernambuco, o homenageado é Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. O segundo, da Paraíba, a estrela a ser lembrada é Jackson do Pandeiro e no terceiro, que é para o Maranhão, o homenageado é João do Vale.

“São mestres do forró que moraram no Rio de Janeiro e notabilizaram o movimento do forró, não somente no estado, como no Brasil e em todo o mundo”, disse  o coordenador do projeto Trem do Forró RJ, o cantor Jadiel Guerra,  que é pernambucano, mas mora no Rio há 40 anos.

As mulheres serão homenageadas com um vagão especial que é o das forrozeiras. É um vagão que a gente está fazendo homenagem a duas grandes figuras do nosso forró, a Anastácia, considerada a rainha do forró e a Elba Ramalho, um grande ícone do nosso forró, contou.

“A ideia é que o movimento do Esquenta carregue todo o público para os vagões”.

Guerra destacou que ao longo dos anos tem crescido o surgimento de mulheres forrozeiras, no ambiente que costumava ser majoritariamente masculino.

“As mulheres têm tido um crescimento muito grande de participação. Não são os homens que estão abrindo espaço, elas é que estão criando o próprio espaço dentro do cenário forrozeiro. Acho isso muito interessante porque têm talento”, apontou.

Unesco

Jadiel Guerra disse que a cada ano o Trem do Forró tem despertado mais atenção do público e agora, na 3ª edição, há uma razão especial.

“Estamos na campanha do Forró para Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura], está encaminhado o pedido. Neste ano cultural Brasil França, nós estaremos representados lá [em Lille], em setembro, para o 1º encontro internacional de forrozeiros, exatamente, para reforçar essa campanha para estar no mesmo patamar do frevo, da capoeira, samba, que já possuem este título e o forró ainda não”, afirmou, acrescentando que o gênero forró já tem uma repercussão muito grande.

“Não só na Europa, mas nos Estados Unidos e Japão. Acho que isso só facilita o nosso acesso a esse registro.”

De acordo com o coordenador, o forró está presente em vários países e citou Portugal, Inglaterra e França. “Na França, os festivais de dança já existem há muito tempo. Em Londres, tem o London Festival de Forró que acontece todos os anos.

Em Portugal, temos o Forró da cidade do Porto, também  todos os anos. Existem pelo menos 70 festivais que a gente contabilizou, de forró, quem ocorre todos os anos em várias partes do mundo. São feitos por pessoas locais e estrelados por artistas, mestres tocadores, professores de dança sanfoneiros, músicos de um modo geral, que vão daqui para lá, para poder ensinar a dança, tocar as nossas músicas e desenvolver ações locais”, completou.

Segundo Jadiel Guerra, desde que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) declarou, em 2021, as matrizes tradicionais do forró como Patrimônio Cultural do Brasil, a comunidade forrozeira vem fazendo campanha, por meio de seminários e fóruns, para o gênero musical ser reconhecido pela Unesco.

“Esse evento do trem é uma das nossas iniciativas para chamar atenção e contribuir para este pedido de registro da Unesco”, disse.

O desembarque em Duque de Caxias não foi uma escolha aleatória. Conforme o coordenador, Duque de Caxias é considerada como uma grande cidade nordestina, por ter uma população composta por descendentes, ascendentes ou nordestinos mesmo.

“A cidade tem um histórico grande da feira que tem muito forró. Em várias praças já aconteceram muitos eventos de forró e o objetivo do Trem do Forró é promover, assim como, o Trem do Samba movimenta mais de 1500 profissionais da área e mais de 400 mil pessoas, a nossa ideia é que essa marca seja um exemplo para nós do Trem do Forró.”

Economia criativa

O movimento em torno da festa é um meio de desenvolver a economia criativa da região, com criação de oportunidade de trabalho para que os profissionais do forró tenham condição de garantir renda não apenas nas épocas juninas, mas durante todo o ano.

“Temos sanfoneiros, cantores, grupos. Nas apresentações das quadrilhas, temos as costureiras que preparam as fantasias, temos as aderecistas, pessoas que participam e tudo isso movimenta a economia criativa da região de Caxias”, afirmou. Ele explicou que as entidades ligadas ao gênero musical ainda não têm o número de pessoas que ficam envolvidas no processo, mas disse que a cada ano tem aumentado a participação de profissionais na cadeia produtiva do forró no evento.

Doação

Nesta edição, teve também uma campanha, entre os dias 30 de julho e nesta sexta (1º), para doação de sangue para o Hemorio: Forró na veia salvando vidas. Os primeiros 20 doadores tiveram direito a um kit com camisa, um adereço de cabeça e um passaporte vip para o Trem do Forró.

O trem do Forró fará também campanha de doação de alimentos na Praça do Pacificador, com apoio do Lions Clube da Ilha do Governador e na Central do Brasil em uma tenda da Comlurb para a arrecadação das doações a comunidades do Rio. Lá também quem doar um alimento não perecível receberá uma pulseira de acesso ao Trem do Forró. Ao todo, serão disponibilizadas 100 pulseiras.

Conforme o presidente da Comlurb, Jorge Arraes, atualmente mais de 500 famílias são beneficiadas com as doações. Os produtos não perecíveis doados vão para o projeto Banco de Alimentos desenvolvido pela companhia de limpeza urbana do Rio em duas unidades. Uma no EcoParque do Caju, região portuária, e outra na Cidade de Deus, zona oeste.

“É um projeto que ajuda a alimentar famílias em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar. Atualmente são mais de 500 famílias beneficiadas. Estamos muito felizes em participar do evento. Toda contribuição é muito bem-vinda”, disse o presidente da Comlurb, em texto da SuperVia.

Para fazer a viagem no Trem do Forró é preciso adquirir apenas a passagem, normalmente, com a SuperVia. A produção, segundo o coordenador, conta com o apoio do Fórum do Forró e do coletivo Matrizes do Forró.

Mega-Sena sorteia neste sábado prêmio acumulado em R$ 85 milhões

As seis dezenas do concurso 2.896 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, em São Paulo.

O prêmio da faixa principal está acumulado em R$ 85 milhões.

O sorteio terá transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa. 

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As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 6.

Duelo de Tricolores: Flu recebe Grêmio pela 18ª rodada do Brasileirão

Dois times tricolores estarão frente a frente neste sábado (2) pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro. Fluminense e Grêmio duelam às 21h (horário de Brasília) no Maracanã, com transmissão ao vivo da Rádio Nacional a partir das 20h30, com narração de André Luiz Mendes, comentários de Rodrigo Ricardo e reportagem de Bruno Mendes. Os clubes somam o mesmo número de pontos (20), mas o carioca, por ter mais vitórias (seis), ocupa o 12º lugar da tabela, enquanto o gaúcho está em 14º, com o Atlético Mineiro entre eles.

O Fluminense chega a campo após vitória, por 2 a 1, sobre o Internacional, dentro do Beira-Rio, no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Apesar do triunfo fora de casa – interrompendo uma sequência de quatro derrotas sofridas para Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras e São Paulo – o Tricolor Carioca ainda não pontuou no Brasileirão desde que voltou do Mundial de Clubes da Fifa.

Renato Gaúcho, que até o fim do ano passado treinava o Grêmio, sabe da importância de voltar a pontuar na competição e espera a presença da torcida neste sábado à noite no estádio.

“A gente precisa voltar a vencer também no Maracanã, até porque nos últimos quatro jogos não pontuamos. Espero que o torcedor compareça ao Maracanã para incentivar nosso time. A gente precisa do apoio do nosso torcedor para tentar uma vitória diante do Grêmio, porque a gente sabe que é mais um jogo difícil”, projetou o treinador.

Por conta de lesões, Renato ainda não sabe se vai contar com os dois laterais esquerdos: Renê e Fuentes. É possível que Guga volte a jogar improvisado. Há ainda os desfalques do volante uruguaio Facundo Bernal e do zagueiro argentino Freytes, que cumprirão suspensão por terem levado o terceiro cartão amarelo no confronto contra o São Paulo, no .

O Grêmio também terá dois desfalques por conta de cartões amarelos: o lateral-esquerdo Marlon e o atacante uruguaio Cristian Olivera.

O Tricolor Gaúcho derrotou o Fortaleza, por 2 a 1, jogando dentro da arena em Porto Alegre, em duas cobranças de pênalti convertidas pelo dinamarquês Braithwaite, que já marcou 15 gols nesta temporada.

Mano Menezes que até março treinava o Tricolor carioca, volta ao Maracanã neste sábado (2), comandando a equipe do Grêmio – Lucas Uebel/Grêmio FBPA/Direitos reservados

O resultado para o técnico Mano Menezes, que foi demitido do Flu na primeira rodada do Brasileirão, traz mais segurança a um Grêmio com atuações oscilantes.

“Poucas equipes não oscilam no campeonato durante as partidas. Estamos dentro da normalidade. Mas a gente precisa continuar ganhando para a nossa confiança seguir aumentando”, pontuou Menezes.

Ouça na Rádio Nacional 

Haddad diz que governo tem disposição em conversar com Trump

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou de “ótima” a declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que está aberto a receber uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao sair do ministério, nesta sexta-feira (1º) à noite, Haddad disse que o governo brasileiro também está disposto a conversar com o mandatário estadunidense.

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“Acho ótima [a declaração de Trump]. E a recíproca, tenho certeza que é verdadeira. Conforme disse antes, é muito importante a gente preparar essa conversa”, disse Haddad.

Segundo o ministro, a reunião na próxima semana com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ainda não tem data fixada.

Haddad, no entanto, disse que o encontro é importante para preparar a conversa entre Lula e Trump e repetiu que o Brasil nunca saiu da mesa de negociações.

“Ainda não tem data fixada. Penso que a reunião [minha] com Bessent é muito importante. Entendemos que relações comerciais não devem ser afetadas por política. Nós estamos trabalhando no sentido de nos aproximarmos, reestabelecermos a mesa de negociação, talvez fazer uma reunião presencial”, declarou Haddad.

Haddad afirmou que, além de tratar das negociações sobre o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, o encontro com Bessent ajudará a esclarecer alguns pontos sobre a Lei Magnitsky, usada pelos Estados Unidos para aplicar sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

“A reunião é muito importante porque, entre outras coisas, está sob a alçada do secretário do Tesouro a lei que disciplina essa coisa de contas-correntes de autoridades. Até por essa razão, vale essa conversa com Bessent antes para esclarecermos como funciona o sistema judiciário brasileiro. Há muita desinformação circulando sobre o assunto”, acrescentou Haddad.

Mais cedo, na Casa Branca, Trump disse que o presidente Lula pode ligar para ele “quando quiser”. Trump também disse que “ama o povo do Brasil”, mas afirmou que “as pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”. Ele não anunciou medidas.

Tarifaço impõe desafios para indústria química nacional, diz Abiquim

O decreto publicado no último dia 30 de julho pelo governo dos Estados Unidos (EUA), que oficializou a proposta de taxação de 50% para alguns produtos brasileiros a partir do dia 6 de agosto está trazendo “impactos relevantes” para indústrias químicas do país, inclusive para as que produzem insumos e matérias-primas para setores exportadores brasileiros, tais como móveis, têxteis, couro e borracha.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), alguns de seus associados começam a reportar cancelamentos de pedidos de clientes americanos. O decreto publicado na última quarta-feira trouxe cerca de 700 exceções à super taxação, mas não incluiu a maioria dos produtos que são exportados pela indústria química brasileira.

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De acordo com a Abiquim, os Estados Unidos mantêm superávit setorial frente à indústria química brasileira, com saldo anual próximo de US$ 8 bilhões. “Em 2024, a alíquota efetiva aplicada pelo Brasil aos produtos químicos de uso industrial dos EUA foi de 7,7%, considerando a média ponderada pelo valor importado. As exportações brasileiras de produtos químicos para os EUA somaram US$ 2,4 bilhões em 2024”.

Do total de produtos químicos exportados para os Estados Unidos no ano passado, a maioria (82%) estava concentrada em 50 códigos NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul). Entre esses itens, havia petroquímicos básicos, intermediários orgânicos e resinas termoplásticas.

“Desses 50 principais itens, apenas cinco não serão afetados pela nova tarifa adicional e representaram US$ 697 milhões exportados pelo Brasil aos EUA em 2024. Os demais itens — equivalentes a US$ 1,7 bilhão — passarão a ser tributados com a alíquota adicional de 40%, resultando em uma carga total de 50%”, reclamou a associação.

Para a Abiquim, é preciso “buscar formas de mitigar os impactos sobre o setor” por meio de um “diálogo construtivo e cooperação bilateral”.

A entidade diz que apoia a atuação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e de outras autoridades brasileiras na busca por uma solução rápida e efetiva, por meio dos canais diplomáticos e comerciais com os EUA.

Em nota, a associação informa que, junto ao American Chemistry Council, elaborou uma declaração que foi entregue a autoridades brasileiras e norte-americanas solicitando “ações concretas para evitar prejuízos à integração produtiva e à resiliência das cadeias de suprimento químicas entre os dois países”.

Na mesma nota, a Abiquim defendeu a adoção de medidas emergenciais, entre as quais, a aplicação do direito provisório de defesa antidumping e o reforço dos recursos humanos e tecnológicos para resposta rápida a desvios de comércio. A associação também defende a devolução imediata de saldos credores de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a criação de novas linhas de financiamento à exportação e a ampliação do Reintegra, programa que incentiva a exportação de produtos manufaturados.

Conselho Monetário aperta regras do FGC após caso do Banco Master

Em reunião extraordinária nesta sexta-feira (1º), o Conselho Monetário Nacional (CMN) apertou as instituições financeiras para poderem se associar ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Entidade privada gerida pelos bancos associados, mas regulada pelo CMN, o FGC garante os saldos em conta e os investimentos de pessoas físicas e jurídicas de até R$ 250 mil para cada instituição financeira, com limite global de até R$ 1 milhão em quatro anos. O dinheiro é pago aos investidores em caso de quebra ou liquidação da instituição financeira.

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Prevista para entrarem em vigor em 1º de junho de 2026, as novas regras foram definidas após o caso do Banco Master, cuja compra pelo Banco do Brasília (BRB) é alvo de ações judiciais e é investigada pelo Ministério Público. O Banco Central (BC), no entanto, não informou se outros bancos serão afetados, além do Master.

As normas procuram inibir condutas agressivas na captação de recursos por instituições financeiras, que oferecem investimentos como Certificados de Depósito Bancário (CDB) e títulos privados e prometem retornos mais altos que a média do mercado.

Para poderem pagar o retorno oferecido, essas instituições fazem investimentos arriscados, que podem provocar problemas e crises de liquidez (falta de dinheiro para pagar os donos dos CDB) caso as aplicações não deem certo.

Alavancagem

A principal mudança diz respeito ao grau de alavancagem das instituições financeiras participantes do FGC. Por meio da alavancagem, uma instituição pega dinheiro emprestado para investir, multiplicando o valor aplicado, porém expondo-se a mais riscos.

A partir de junho do próximo ano, a instituição associada ao FGC que estiver excessivamente alavancada, com valor de referência superior a 10 vezes o Patrimônio Líquido Ajustado, deverá aplicar o excedente de recursos em títulos públicos federais, considerados investimentos seguros.

A medida reduz a exposição a riscos excessivos pela instituição financeira que capta recursos dos investidores para aplicar em outros ativos.

A mudança pretende reduzir brechas que permitiam às instituições associadas ao FGC arriscarem-se excessivamente no mercado financeiro. Nos últimos anos, o Banco Master ofereceu rendimentos do CDB muito acima da média do mercado para atrair clientes, porém com ativos problemáticos para pagar esses rendimentos, como precatórios (dívidas de governos com sentença judicial definitiva).

Na prática, o modelo exige a confiança de que a instituição usará as garantias do FGC caso os precatórios sejam insuficientes, pressionando o uso do Fundo Garantidor.

Contribuições

Custeado pelas instituições associadas ao mecanismo, o FGC terá uma mudança nas contribuições mensais. O CMN aprimorou as regras da contribuição adicional (CA).

Todas as instituições associadas pagam ao FGC 0,01% a cada mês do total dos depósitos que podem ser protegidos pelo fundo. As instituições com perfil mais arriscado precisam contribuir com uma taxa extra, chamada de contribuição adicional.

Pela decisão do CMN, o multiplicador da contribuição adicional subiu de 0,01% para 0,02%. A razão entre o valor de referência (VR) e as captações de referência, que definem que pagará a taxa extra, caiu de 75% para 60%.

O valor de referência representa o saldo dos depósitos cobertos pelo FGC, enquanto a captação de referência representa o total de depósitos na instituição. Com a mudança, se o saldo elegível ao FGC representar 60% do total, a instituição passará a pagar a contribuição extra.

Justificativa

Em nota, o BC informou que os aprimoramentos propostos reduzem o risco moral (incentivos para que uma instituição quebre porque receberá ajuda), mas não prejudicam o crescimento orgânico das instituições nem a concorrência no setor financeiro.

“Fica preservada a expansão da captação sujeita às garantias, contanto que o desempenho da instituição resulte em aumento em seu patrimônio líquido ajustado (PLA) – por meio de maiores resultados e atração de capital – ou desde que a instituição expanda suas captações de maneira diversificada, incluindo também outros instrumentos e investimentos não sujeitos à garantia do FGC”, explicou o BC.

Presidido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o CMN também é composto pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo.