Incêndio em abrigo deixa quatro mortos no interior de SP

Quatro pessoas morreram em decorrência de um incêndio em um abrigo para pessoas em situação de vulnerabilidade na cidade de São José dos Campos (SP), na madrugada desta segunda-feira (10), por volta de 0h30. Mais nove pessoas foram socorridas e levadas para hospitais da região, informou a Defesa Civil estadual.

O caso foi registrado como incêndio, homicídio e tentativa de homicídio, segundo informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP). Um homem, de 42 anos, foi preso em flagrante, suspeito de atear fogo ao abrigo. Além disso, foi solicitada perícia no local.

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“Segundo o boletim de ocorrência, uma testemunha viu o indiciado ateando fogo a um sofá e fugindo em seguida”, informou, em nota, a secretaria. Policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e, ao chegarem ao local, encontraram equipes do Corpo de Bombeiros, que extinguiram o fogo. Segundo a SSP, ao todo, 22 pessoas estavam no abrigo e as quatro mortes ocorreram no local.

A Comunidade Consoladora dos Aflitos, instituição responsável pelo abrigo, publicou nota em suas redes sociais manifestando pesar pelo ocorrido.

“As causas do incêndio estão sendo rigorosamente apuradas pelas autoridades policiais e pelo Corpo de Bombeiros. Há informações preliminares que indicam a possibilidade de o incêndio ter sido criminoso, o que aumenta ainda mais nossa angústia e nosso desejo por justiça”, diz a nota.

A instituição afirmou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e fornecer informações que possam contribuir para esclarecer os fatos e identificar possíveis responsáveis.

Revalida 2025: candidatos já podem conferir local de prova

Os candidatos da primeira etapa do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) de 2025 já podem acessar o cartão de confirmação da inscrição.

Entre outras informações, o cartão confirma o endereço do local de prova, o número de inscrição, a data e os horários do exame. No documento consta ainda se o participante deverá contar com atendimento especializado ou tratamento por nome social.

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O documento pode ser acessado no Sistema Revalida. Apesar de não ser obrigatório, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) recomenda levá-lo no dia do exame. O Inep é responsável pela aplicação do exame.

As provas (objetiva e discursiva) serão realizadas em 23 de março, nas seguintes capitais: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Porto Velho (RO), Recife (PE), Rio Branco (AC), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

O Revalida avalia profissionais formados em medicina fora do Brasil que querem exercer a profissão em território nacional. O objetivo do exame é garantir a qualidade do atendimento médico prestado no Brasil, adequado aos princípios e necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

Revalida

Desde 2011, o exame autoriza aos aprovados ter o diploma revalidado no Brasil. A revalidação é de responsabilidade das universidades públicas que aderiram ao exame.

Anualmente, as provas são divididas em duas etapas (teórica e prática) para avaliar habilidades, competências e conhecimentos necessários ao exercício profissional

O Revalida aborda, de forma interdisciplinar, as cinco grandes áreas da medicina: clínica médica, cirurgia, ginecologia e obstetrícia, pediatria, e medicina da família e comunidade (saúde coletiva).

A prova teórica terá 100 questões de múltipla escolha, além das questões discursivas. E o candidato somente poderá avançar para a segunda etapa, a da prova prática, se for aprovado na prova teórica.

Esta última fase, avalia as habilidades clínicas em cenários de prática profissional, como atendimento de atenção primária, ambulatorial, internação hospitalar, pronto-socorro para casos de urgência e emergência, além da medicina comunitária, com base na Diretriz Curricular Nacional do Curso de Medicina, nas normas e na legislação profissional. 

Para mais informações sobre o Revalida, o Inep tem o site [ https://revalida.inep.gov.br/ ].

Aeronave cai em aldeia indígena de SP; uma pessoa morreu no local

A Rede VOA e o Corpo de Bombeiros confirmaram na noite deste domingo (9) a queda de uma aeronave modelo Cessna 150J do Aeroclube de Itanhaém (SP). 

A aeronave realizava um voo de instrução, com decolagem às 17h16. O alerta de pane foi dado às 17h42 e a queda ocorreu no interior da aldeia indígena Porungal, em Peruíbe.

Uma pessoa morreu e, outra, ficou presa às ferragens, sendo em seguida levada para hospital em Itanhaém.

Os nomes das vítimas ainda não foram divulgados.

Lei do Feminicídio completa 10 anos com impunidade como desafio

A Lei do Feminicídio completou dez anos de vigência neste domingo (09). Sancionada em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff, a norma inseriu no Código Penal o crime de homicídio contra mulheres no contexto de violência doméstica e de discriminação. 

Em outubro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.994/24 e ampliou a pena para quem comete o crime. A punição, que variava entre 12 a 30 anos de prisão, passou para mínimo de 20 e máximo de 40 anos.

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De acordo com números do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o Brasil registra cerca de 1 mil assassinatos de mulheres por ano. O banco de dados é mantido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a partir de informações enviadas pelos estados à pasta. Até outubro de 2024, foram registrados no país 1.128 mortes por feminicídio no país.

No Judiciário, também foi registrado um volume alarmante de processos envolvendo feminicídios. No ano passado, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou 8,3 mil processos sobre o assassinato de mulheres. Em 2023, existiam 7,4 mil processos.

As movimentações processuais relacionadas a medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha também foram alvo de análise pelo CNJ. Houve 827,9 mil procedimentos desse tipo em 2024.

De acordo com o CNJ, surgiram no Judiciário brasileiro, no mesmo período, 959,2 mil novos casos de violência doméstica. O número é equivalente a 2,6 novas ações diárias.

Para ampliar o monitoramento da atuação do Judiciário no combate à violência contra a mulher, o Conselho vai lançar na terça-feira (11) um novo painel eletrônico sobre os processos envolvendo violência doméstica.

Com a nova plataforma será possível verificar a atuação individual das varas especializadas em violência doméstica e das unidades judiciárias com competência exclusiva para atuar nesse tipo de processo.

São Paulo (SP), 08/03/2025 – Ato unificado pelo Dia Internacional de Luta da Mulher. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Dia da Mulher

Neste sábado (08), Dia Internacional da Mulher, diversos atos pelo país pediram o reconhecimento do direito das mulheres. Entre as pautas reivindicadas, o combate efetivo ao feminicídio.

Feminicídio zero

Na semana passada, durante o Carnaval, o Ministério das Mulheres lançou a campanha Feminicídio Zero na Sapucaí. A campanha contou também com o apoio dos ministérios da Igualdade Racial e da Saúde.

Feminicídio Zero é uma mobilização nacional permanente do Ministério das Mulheres, que conta com diferentes frentes de atuação com comunicação ampla e popular, implementação de políticas públicas e engajamento de influenciadores.

Pequim+30

A Organização das Nações Unidas Mulheres (ONU Mulheres) publicou um relatório que relata retrocessos nos direitos das mulheres. O documento mostra o balanço da jornada de 159 dos 189 países signatários da Declaração e Plataforma de Ação de Pequim. As ações dos países membros da ONU serão analisada em Nova York, nos próximos dias, em uma sessão especial da organização, que contará com a participação do Brasil.

Conmebol aplica sanções ao Cerro Porteño por racismo

A Conmebol, entidade que organiza o futebol na América do Sul, divulgou punições ao clube paraguaio Cerro Porteño. A agremiação recebeu o Palmeiras em partida da Libertadores Sub-20 na última quinta-feira (06), e o jogador Luighi foi hostilizado com gestos e xingamentos racistas após ter feito um dos gols da partida, que terminou em 3 a 0 para o verdão.

Segundo nota da Conmebol, as medidas serão a aplicação de uma multa de US$ 50 Mil e a realização de uma campanha comunicacional contra o racismo nas mídias sociais do clube, da qual participem todos os jogadores da agremiação que integram a categoria. Os paraguaios também não poderão ter presença de seu público em novos jogos na competição. Cabe apelação da decisão.

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O Palmeiras se manifestou por meio de nota, na qual considerou as medidas inócuas, com exceção da educativa, e informou que irá recorrer à Fifa. O clube volta a jogar neste domingo (09) pela competição, contra o Independiente Del Valle, do Equador, às 19h.

Documentário sobre vida e obra do poeta Affonso Ávila estreia no DF

“Não nos traga tristeza a chuva fria/a se esgueirar nas tardes sem corola”. Sejam nos versos, como o do Soneto, ou em ensaios e pesquisas sobre o barroco, o legado do poeta mineiro Affonso Ávila ocupa a telona do cinema com um documentário que estreia nesta segunda-feira (10), no Cine Brasília, às 19h30, em Brasília.

O documentário Cristina 1300 – Affonso Ávila – Homem ao Termo, dirigido pela cineasta Eleonora Santa Rosa, tem 1 hora de duração e é considerado como um média metragem. O filme aborda a trajetória e o pensamento do poeta mineiro, que morreu em 2012, aos 84 anos de idade.

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Ele foi um dos maiores nomes da poesia da segunda metade do século 20 no país e também pesquisador do barroco de seu estado natal. Afonso Ávila foi reconhecido por prêmios literários, incluindo duas vezes vencedor do Jabuti, nos anos de 1991 e 2007.

Após a exibição de estreia do filme, está prevista uma conversa do público com a diretora e com o artista visual Walter Silveira

O documentário, segundo a diretora, busca fazer um mergulho na poesia construtivista, experimental, crítica e singular do autor. No filme, há gravações feitas em sua casa, na rua Cristina, 1.300 – que dá nome ao filme –, no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, entre 2010 e 2012. 

“Apesar de ser um dos maiores poetas do país, sua produção poética ainda continua restrita ao consumo dos seus pares”, lamenta a diretora. Ela explicou que, após a morte do poeta, sentiu-se com a necessidade de divulgar o material gravado e ainda inédito “de grande significado para a compreensão de sua trajetória poética”.

Serviço: 

Filme: Cristina 1300 – Affonso Ávila – Homem ao Termo (duração: 60 min / classificação: 12 anos) 

Local: Cine Brasília (SHCS EQS, 106107 – Asa Sul)

Data

Segunda-feira dia 10/03, às 19h30 

Ingressos: R$ 10

Rosas de Ouro encerra Desfile das Campeãs em São Paulo

Nove escolas voltaram ao Sambódromo do Anhembi para o Desfile das Campeãs do Carnaval de São Paulo de 2025. Com transmissão da TV Brasil a noite de comemorações começou às 20h e se estendeu madrugada afora, em nove horas e meia de transmissão ao vivo e no Youtube.

A primeira escola da noite foi a Camisa 12, que conquistou o acesso à segunda divisão, de onde estava afastada desde 2006, com um desfile sobre o Alafim de Oió, termo que se referia aos reis do povo Oió, no que hoje é território da Nigéria, e vem da cultura Iorubá. A comissão de frente representou, além dos alafins, as entidades Exú, Xangô e Aiole.

O diretor de carnaval, Demis Roberto, destacou a complexidade da preparação e os desafios enfrentados nos últimos anos: “É muito difícil porque já batemos na trave há algum tempo, sem conseguir o acesso por detalhes: carro que não entra, situações imprevistas… Desde 2020, no ‘ano do pão’, fomos vice-campeões, mas só subia uma escola. Perdemos por um décimo. Já começamos o planejamento amanhã: teremos reunião geral para estruturar nosso carnaval. Chegaremos ao Acesso I respeitando as co-irmãs, mas cientes do nosso potencial”.


Assista à transmissão completa do Desfile das Campeãs do Carnaval de São Paulo 2025:



 

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Este ano, a divisão de Acesso II promove duas escolas. A campeã, Pérola Negra, foi a segunda na avenida. A escola volta ao Acesso I, de onde foi rebaixada no ano passado, com um desfile perfeito, coroado com a nota máxima, 270 pontos. A escola teve como tema Exu-mulher, a partir de uma tese de doutorado sobre o tema, defendida na USP. A vitória  já inspira a Pérola a buscar o Grupo Especial em 2027.

“O trabalho foi bem difícil e intenso, porque são poucos componentes no Grupo de Acesso II e é pouco dinheiro. Com o dinheiro, não dá para fazer o carnaval. A gente teve que trabalhar muito para conseguir colocar um carnaval digno na avenida. A gente pode esperar sempre o melhor. Eu sou guerreira, minha comunidade é guerreira. O próximo passo, aos poucos, com humildade, é a gente conseguir ir para o Grupo Especial novamente”, declarou Sheila Mônaco, presidente da agremiação.

 

Pérola Negra, por Paulo Pinto/Agência Brasil



A Mocidade Unida da Mooca foi a terceira a festejar neste sábado (08), após o segundo lugar no Acesso I com uma homenagem a um “recém imortal”, chegando pela primeira vez ao grupo especial. O samba-enredo “Krenak – O presente ancestral” festejou o escritor, eleito membro da Academia Brasileira de Letras em 2023 e presente nas duas noites de desfile. A escola tentava a ascensão ao Grupo Especial desde 2019 e teve entre seus destaques a Comissão de Frente, que recebeu nota 10. Para a coreógrafa Sabrina Cassimiro, responsável pela comissão de frente, foi um desfile marcado pela entrega dos participantes. “Foi dessa forma que passamos aqui, de uma forma muito intensa, dando a vida, entregando tudo o que poderíamos entregar. Eu acredito que o resultado disso é até a galera ter chegado na dispersão passando um pouco mal, porque é muita energia, é muita vibração, é muita coisa, é muito intenso”.

A campeã do Acesso I, Tom Maior, teve sua redenção este ano. Após uma queda inesperada em 2024 conquistou o acesso ao perder apenas dois décimos, com o samba “Uma nova Angola se abre para o mundo! Em nome da paz, Martinho da Vila canta a liberdade!”, reeditando a abordagem da escola sobre Angola para unir a comunidade e retomar seu lugar na elite.

“ É de fato uma coreografia com elementos africanos e afro-brasileiros. A gente fez em 40 minutos, bastante tempo de pista dançando uma coreografia tão forte e eu espero que o público tenha gostado. Todos os elementos da comissão foram muito bem pensados para essa nova Angola, essa reconstrução, esse lugar de uma criança que morre na guerra e que se encontra em outro lugar para ver a sua nação reconstruída”, contou Yaskara Manzini, coreógrafa da Comissão de Frente.
 

Tom Maior no Desfile das Campeãs do Carnaval de São Paulo.  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil


Coube à quinta colocada do grupo especial encerrar o sábado e adentrar na madrugada de domingo. A Camisa Verde e Branco cantou “O tempo não para! Cazuza – o poeta vive!” em seu retorno ao desfile das campeãs após 23 anos. Atores como Wagner Cittadini e Daniel de Oliveira estiveram presentes, caracterizados como o cantor, falecido em 1990. Sua mãe, Lucinha Araújo, também participou da homenagem.

A Mocidade Alegre, quarta colocada, trouxe o enredo “Quem não pode com mandinga não carrega patuá”. Sempre entre as primeiras colocadas, com 8 títulos em 20 anos, a escola esbanjou animação e fé, cantando ainda o respeito à liberdade religiosa. Ao repórter Lincoln Chaves, o carnavalesco Caio Araújo, que teve este ano sua estreia na agremiação, disse que o carnaval da Mocidade foi de muita alegria, de muita animação, entregando o visual que a comunidade esperava da escola. Saímos do carnaval maiores”

Terceira colocada, a Gaviões da Fiel surpreendeu o público no Anhembi em 2025 com o enredo “Irin Ajó Emi Ojisé – A Viagem do Espírito Mensageiro”, desenvolvido pelos carnavalescos Julio e Rayner. A escola mergulhou na visão de mundo dos povos africanos, trazendo um espetáculo grandioso, repleto de simbologia, cultura e emoção, e entregou um desfile belo e bastante elogiado, mesmo após ter alguns de seus carros impactados por um forte temporal, três dias antes do primeiro desfile.
 

Escola de Samba Gaviões da Fiel durante o Desfila das Campeãs. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A vice-campeã Acadêmicos do Tatuapé trouxe a Justiça como tema, no enredo  “Justiça – A Injustiça Num Lugar Qualquer É Uma Ameaça À Justiça Em Todo Lugar”. O desfile, quase perfeito, teve nota 269,8, a mesma da campeã Rosas de Ouro, com desconto de um décimo no último item, Evolução, justamente o critério de desempate. No quarto Desfile das Campeãs seguido, a Tatuapé comemorou o quarto lugar em 2022 e 2023 e terceiro no ano passado. O enredo trata de temas difíceis, como a desigualdade social, o racismo e a importância da justiça para todos.

Encerrando a noite, Rosas de Ouro comemorou o título ao cantar a história dos jogos, abrindo com seu “cassino Brasilândia” e diversas outras menções ao bairro de origem da escola da zona norte. O resultado surpreendeu um pouco, pois nos últimos anos a Rosas teve participações modestas. Com o título deste ano a Rosas apostou na nostalgia, falando de brincadeiras que atravessaram infâncias e, algumas, séculos.

Esse foi o oitavo título da Rosas de Ouro. A escola já venceu em 1983, 1984, 1990, 1991, 1992, 1994 e 2010. A conquista mantém a Rosas na quinta colocação entre as escolas que mais venceram o carnaval em São Paulo. Ela está atrás da Vai-Vai, com 15 títulos, Mocidade Alegre, com 12, Nenê de Vila Matilde, com 11, Camisa Verde e Branco, com 9. Um detalhe interessante é que a fantasia da rainha da bateria retomou uma tradição da escola, a de trazer o cheiro de rosas perfumando a avenida.
 

Rosas de Ouro encerra Desfile das Campeãs. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasi

*Com informações da TV Brasil

Margareth diz ser “inaceitável” punição por uso de iorubá no carnaval

A ministra da Cultura Margareth Menezes, manifestou indignação em relação ao julgamento de uma das juradas do desfile das escolas de samba do Grupo Especial do Rio, que apontou o “excesso de termos em oorubá” como motivo para reduzir a nota da escola Unidos de Padre Miguel (UPM).

A escola, que havia retornado ao Grupo Especial depois de mais de 50 anos, já que a última participação havia sido em 1972, recebeu notas baixas e acabou sendo rebaixada para a Série Ouro.  

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“Inaceitável! A Unidos de Padre Miguel perdeu pontos no Carnaval porque usou ‘excesso de termos em iorubá’ no samba-enredo. Como assim? O iorubá é uma das línguas que formam nossa cultura, está na raiz do samba, nas religiões de matriz africana, na história do Brasil!”, afirmou a ministra no X, neste sábado (8).

 

 

“Isso não é só um erro de julgamento, é um desrespeito à nossa ancestralidade. O samba nasceu da resistência! Todo apoio à Unidos de Padre Miguel e a todas as escolas que levam a cultura afro-brasileira para a avenida com orgulho!”, complementou a ministra.

Após a apuração dos resultados, na quinta-feira (6), a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) publicou as justificativas dos jurados para cada nota dada.

Na justificativa para tirar 0,1 ponto do samba-enredo da UPM, uma das juradas diz: “Letra. Há trechos de difícil entendimento devido ao excesso de termos em iorubá (muitas estrofes)”.

Rio de Janeiro (RJ), 02/03/2025 – Unidos de Padre Miguel abre os desfiles de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Indignação

A justificativa gerou reações. Pelo Instagram, o professor doutor babalawô Ivanir dos Santos fez uma publicação compartilhada com a UPM na qual mostra indignação pelo argumento usado no julgamento.

“Nossa história é iorubá. Nossa história é nagô. Nossa história é banto. Nossa história é África. Não podemos aceitar que a língua de nossos ancestrais seja tratada como um erro em um dos maiores palcos da cultura afro-brasileira”, diz a publicação.
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos (@ivanirdossantos.rio)

Ele afirma ainda que a decisão de despontuar a escola por esse critério é “não é apenas um equívoco técnico – é uma manifestação de racismo estrutural. Como podemos contar nossa história sem usar nossa própria língua? Como podemos falar de nossos ancestrais sem exaltar sua espiritualidade, sua cultura, sua voz?”, questiona.

A UPM desfilou com o enredo Egbé Iyá Nassô, uma homenagem a Iyá Nassô, uma das fundadoras do Candomblé da Barroquinha, na Bahia, que deu origem ao Terreiro Casa Branca do Engenho Velho, em Salvador, o templo de religião de matriz africana mais antigo do país.

“O mesmo Carnaval que exalta a história de colonizadores, que enaltece epopeias europeias e mitologias de outras culturas, precisa valorizar e respeitar a língua, a memória e a espiritualidade dos povos que o construíram. O samba nasceu da resistência negra, e suas raízes não podem ser penalizadas como ‘erro’ ou ‘excesso’”, complementa Santos.

Iorubá é uma das línguas africanas mais conhecidas no Brasil. É oriunda de um grupo étnico e linguístico da África Ocidental. Iorubá é uma língua viva, praticada no Candomblé. Os terreiros são alguns dos espaços para se aprender a língua, que está presente nos cantos, mitos, comidas e artefatos.
 

Unidos de Padre Miguel abre os desfiles de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Liesa

A escola entrou com recurso junto à Liesa para que o julgamento seja revisto. Neste sábado (8), em entrevista ao Multishow no Desfile das Campeãs, o presidente da Liesa, Gabriel David, disse que o requerimento da escola será levado à frente e que a Liga não irá aceitar racismo religioso.

“A gente teve alguns requerimentos dentro da liga, o da UPM, destaco esse, é o único que está sendo levado à frente, então a gente vai ter uma plenária com os 11 presidentes, com a diretoria da Liga, para a UPM poder expressar a indignação dela e repudiar completamente o caso de racismo religioso que existiu de fato no julgamento da UPM. Acho que a liga não pode aceitar isso em hipótese alguma, muito pelo contrário, isso não pode estar presente em nenhum ambiente de arte carnavalesca e assim a gente vai lidar com esse problema”, disse, David.

 

STF torna réus deputados do PL por suspeita de propina em emendas

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos para tornar réus dois deputados federais e um suplente do PL pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa.

Os parlamentares Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e  Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), são acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de cobrarem propina para a liberação de emendas parlamentares.

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De acordo com a PGR, entre janeiro e agosto de 2020, os acusados solicitaram vantagem indevida de R$ 1,6 milhão para liberação de R$ 6,6 milhões em emendas para o município de São José de Ribamar (MA). 

O julgamento ocorre no plenário virtual da Primeira Turma da Corte. Até o momento, o relator, ministro Cristiano Zanin, e os ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia votaram para transformar os acusados em réus.

Segundo Zanin, há “indícios suficientes” para o recebimento da denúncia da Procuradoria. Além disso, o ministro ponderou que, nesta fase processual, cabe ao Supremo apenas analisar o preenchimento das acusações formais da acusação.

“Não se exige, para este juízo de admissibilidade, prova completa do crime e de sua autoria, bastando a fundada suspeita quanto aos imputados e a prova da materialidade dos fatos. O recebimento da denúncia, pois, não implica julgamento antecipado nem conduz à conclusão sobre culpabilidade”, escreveu Zanin.

O julgamento virtual está previsto para ser finalizado no dia 11 de março. Faltam os votos dos ministros Flávio Dino e Luiz Fux.

Defesas

A defesa do deputado Josimar Maranhãozinho declarou ao Supremo que as acusações da PGR contra o parlamentar se “mostram frágeis e desfundamentadas”. 

Os advogados de Bosco Costa defenderam a rejeição da denúncia por falta de provas. A defesa afirmou ao Supremo que a acusação está baseada  em “diálogos de terceiros e anotações manuscritas desconhecidas de Bosco”.

A defesa de Pastor Gil defendeu a ilegalidade das provas obtidas na investigação por entender que o caso deveria ter iniciado no STF, e não na Justiça Federal do Maranhão. Os advogados também acrescentaram que a denúncia é baseada em “hipóteses e conjecturas”.

Hoje é Dia relembra o início da pandemia de covid e o fim da ditadura

Começamos a semana com uma data triste, mas que não pode ser esquecida. Há cinco anos, no dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarava a pandemia de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. A crise mundial afetou praticamente todos os aspectos da vida cotidiana, sobrecarregando os sistemas de saúde, prejudicando a economia, mudando as formas de comportamento social, de consumo, e até as relações de trabalho, já que o home office ganhou espaço. A Agência Brasil noticiou o começo da pandemia nesta reportagem e fez o balanço da crise um ano depois, nesta outra matéria, quando a covid-19 já havia matado 2,6 milhões de pessoas mundo afora. A Rádio Nacional noticiou o início da pandemia nesta reportagem e o Repórter Brasil Noite, da TV Brasil, fez o anúncio nesta edição

Ainda falando sobre a pandemia, no Brasil a covid-19 registrou 39,1 milhões de casos e matou 714.736 pessoas nesses cinco anos, segundo o Ministério da Saúde. O primeiro óbito aconteceu no dia 12 de março de 2020. O fato foi registrado pela Agência Brasil nesta reportagem, pela Rádio Nacional nesta aqui, e pela TV Brasil, nesta edição do jornal Hoje em Dia

Continuamos a falar sobre saúde. No dia 10 de março é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Sedentarismo. Ironicamente, a falta de exercícios físicos já é considerada uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde. Segundo a OMS, de cada quatro adultos, um não pratica nenhuma atividade. O quadro piora entre adolescentes: a cada grupo de cinco, quatro são sedentários. As consequências dessa inatividade toda – sobrepeso, doenças crônicas como hipertensão, diabetes e risco aumentado para infarto – ganharam destaque nesta reportagem de 2018 da Agência Brasil. A importância de se movimentar foi explicada nesta edição do Tarde Nacional de 2023, da Rádio Nacional. E a TV Brasil deu o recado nesta reportagem de 2022

Radiodifusão

Em sua missão de criar e difundir conteúdos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica das pessoas, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) conta com o Parque do Rodeador, que completa 51 anos no dia 11 de março. Trata-se de um dos maiores complexos de transmissão radiofônica do país e da América Latina, localizado na zona rural de Brazlândia, a 40 quilômetros de Brasília. O local abriga os transmissores em ondas curtas da Rádio Nacional da Amazônia, a única emissora do país que consegue ter alcance nacional e até internacional. Os veículos da EBC produziram vários conteúdos especiais por ocasião dos 50 anos do Parque do Rodeador, em 2024, que podem ser conferidos nos links abaixo. 
Agência Brasil (parte 1 / parte 2 / parte 3)
Rádio Nacional (série especial)
Radioagência Nacional
TV Brasil

Democracia 

Um dos períodos mais sombrios da história brasileira, a ditadura militar acabou há 40 anos. A data simbólica que marca o fim do regime é o dia 15 de março de 1985, quando João Figueiredo, o último presidente militar, deixou o cargo. Desde o golpe de estado de 1964, que derrubou o então presidente João Goulart, foram 21 anos de autoritarismo e repressão, com a abolição dos direitos civis e políticos. A Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada em 2011 para investigar as violações de direitos humanos no período, confirmou em seu relatório final 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura. Em 2024, quando o golpe de 64 completou 60 anos, a Agência Brasil publicou reportagem sobre o tema, e a Radioagência Nacional publicou o podcast Perdas e Danos, analisando as consequências da ruptura do período democrático. Já o Repórter Brasil, da TV Brasil, relembrou o fim da ditadura com a saída de Figueiredo, nesta reportagem de 2015

Direitos Humanos 

O Dia Internacional contra a Islamofobia, celebrado em 15 de março, é uma efeméride recente. A data foi fixada em 2022 pela Organização das Nações Unidas (ONU) para estimular a tolerância, a paz e respeito aos direitos dos quase dois bilhões de muçulmanos existentes no mundo. A ONU acrescenta que a islamofobia muitas vezes tem como maiores vítimas as mulheres mulçumanas, o que acrescenta o caráter de gênero à discriminação. O Brasil é um exemplo desse quadro, como mostra esta reportagem da Agência Brasil, de 2023. No mesmo ano, pesquisadores da Universidade de São Paulo lançaram a segunda edição do Relatório de Islamofobia no Brasil, que mostra que os casos aumentaram após o ataque organizado contra Israel pelo grupo Hamas, em 7 de outubro daquele ano. Veja nesta reportagem, também da Agência Brasil

Direitos do consumidor

O Dia Mundial dos Direitos do Consumidor é comemorado em 15 de março. Foi nessa data, em 1983, que o então presidente americano John Kennedy fez um famoso discurso salientando que todo consumidor tem direito à segurança, à informação, à escolha e de ser ouvido. No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor veio em setembro de 1990. Os avanços desde a criação da lei foram discutidos nesta reportagem de 2015 da Agência Brasil, e nesta edição de 2024 do Revista Brasil, da Rádio Nacional. Os direitos e deveres de quem consome também foram debatidos na TV Brasil, nesta edição do jornal Brasil em Dia

Comunicação

O telefone faz 149 anos em 2025. A ferramenta revolucionária começou permitindo que duas pessoas se comunicassem à distância, algo impensável na época, o ano de 1876. Mas, com o avanço da tecnologia e a criação dos smartphones, se tornou algo que está presente em quase todos os aspectos da nossa vida (inclusive onde não devia). Ao aparelho tem um dia só dele: 10 de março é o Dia do Telefone. E sabia que Graham Bell não é o inventor do aparelho, com você sempre leu ou ouvir falar? O mérito é do italiano Antonio Meucci, que trabalhou com ele nos Estados Unidos e de quem Graham roubou a ideia e com ela fez fortuna. Conheça essa história nesta reportagem da Agência Brasil, publicada em 2021

Um pouco de história 

No dia 9 de março de 1500 o navegador português Pedro Álvares Cabral iniciou a viagem que resultou na chegada à costa brasileira. Comandando uma armada de 13 navios e uma tripulação de 1.500 homens, ele  zarpou de Lisboa com destino a Calicute, no sul da Índia. Há teorias de que ele descobriu o Brasil “por acaso” ao se desviar acidentalmente da rota. Mas historiadores defendem a ideia de que os portugueses já sabiam que havia uma terra a ser descoberta na localização onde se encontra nosso país. A viagem de Cabral foi tema desta edição do programa História Hoje, da Rádio Nacional, veiculada em 2018. 

Personagens ilustres

Vamos falar agora sobre quem faleceu nesta semana. No dia 11 de março de 1955 morreu Alexander Fleming, biólogo, botânico, médico, microbiólogo e farmacologista britânico. Fleming criou a penicilina, o mais famoso antibiótico da história, em 1928. O medicamento é usado para várias enfermidades, mas revolucionou sobremaneira o tratamento da sífilis, doença sexualmente transmissível que pode levar à morte. O História Hoje, da Rádio Nacional, falou sobre falecimento de Flemming em 2014.

Passando da medicina à música, o compositor e saxofonista Charlie Parker morreu há 70 anos, no dia 12 de março, também no ano de 1955. Apelidado de “Pássaro do Jazz”, o músico nasceu em Kansas City, nos Estados Unidos. Aos 16 já tocava profissionalmente e, com seu saxofone, influenciou gerações, criando a técnica conhecida como “bebop”. Morreu de forma precoce aos 34 anos, de infarto fulminante, consequência de sua dependência em heroína e álcool, além de maus hábitos alimentares. Os veículos da EBC prestaram várias homenagens ao talento de Charlie Parker, principalmente por ocasião de seu centenário. Foi o caso do Repórter Brasil, da TV Brasil, exibido em 2020, desta edição do Jazz Livre de 2021, e esta do Momento Três de 2018, ambos programas da Rádio Nacional.

Confira a relação completa de datas do Hoje é Dia de 9 a 15 de março de 2025

Março de 2025
9

Nascimento do jornalista, ensaísta, crítico literário, crítico de arte, crítico de música e historiador literário austríaco naturalizado brasileiro Otto Karpfen, o Otto Maria Carpeaux (125 anos) – polímata, Carpeaux é famoso por sua “Magnum Opus, A História da Literatura Ocidental”, uma das obras mais importantes publicadas no Brasil no século XX

Pedro Álvares Cabral inicia viagem que resultou na chegada à costa brasileira (525 anos)

Criação da Área de Proteção Ambiental Nhamundá em Amazonas (35 anos)

10

Dia Internacional das Juízas

Dia Mundial de Combate ao Sedentarismo

Dia do Telefone

Morte do político mineiro Gustavo Capanema Filho (40 anos) – sua gestão enquanto Ministro da Educação assinalou a criação de dois órgãos de destacada atuação ao longo do Estado Novo: o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e o Instituto Nacional do Livro, fundados em novembro e dezembro de 1937, respectivamente; o primeiro foi responsável pelo tombamento e preservação de centenas de monumentos artísticos e históricos e pela criação do Museu Imperial, em Petrópolis (RJ), do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG), do Museu das Missões, em São Miguel (RS) e do Museu do Ouro, em Sabará (MG); o Instituto Nacional do Livro foi responsável pela criação de mais de uma centena de bibliotecas públicas no interior do país

Nascimento do cantor paulista Wanderley Cardoso (80 anos)

Morte do escritor paraibano José Américo de Almeida (45 anos)

Fundação do Corpo de Bombeiros de São Paulo (145 anos)

11

Morte do biólogo, botânico, médico, microbiólogo e farmacologista britânico Alexander Fleming (70 anos)

Morte do pianista e compositor fluminense Osvaldo Cardoso de Meneses Filho (90 anos)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declara pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) (05 anos)

Inauguração do Parque do Rodeador (51 anos) – o local abriga um dos maiores complexos de transmissão radiofônica do país, incluindo os transmissores em ondas curtas (OC) da Rádio Nacional da Amazônia, a única emissora do país que consegue ter alcance nacional e até internacional. A data será celebrada com uma série de atividades promovidas pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

12

Dia do Bibliotecário

Nascimento do cantor, compositor e músico gaúcho Mateus Nunes, o Caco Velho (105 anos)

Morte do compositor e saxofonista de jazz estadunidense Charlie Parker (70 anos)

Fundação da cidade de Olinda, em Pernambuco (490 anos)

Primeira morte de Covid 19 confirmada no Brasil pelo Governo de São Paulo (05 anos)

13

Nascimento do compositor erudito mineiro José Orlando Alves (55 anos)

Morte do compositor, pianista, regente e ator fluminense Custódio Mesquita (80 anos)

Nascimento do líder religioso cearense Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro (195 anos) – adquiriu uma dimensão messiânica ao liderar o arraial de Canudos, um pequeno vilarejo no sertão da Bahia que atraiu milhares de sertanejos, entre camponeses, índios e escravos recém libertos, e que foi destruído pelo Exército da República na chamada Guerra de Canudos

Criação do Riacho Fundo, Região administrativa XVII (35 anos)

14

Nascimento do compositor Zequinha Reis (local de nascimento desconhecido) (125 anos) – na primeira metade da década de 1950 seu choro “Saudades do Rio” foi veiculado no programa “Pessoal da velha guarda” criado e apresentado por Almirante na Rádio Nacional, e que contava com a participação de músicos como Pixinguinha, Benedito Lacerda e seu Regional, Raul de Barros e o Grupo dos Chorões e a Orquestra do Pessoal da Velha Guarda; em 1959, o choro “Saudades do Rio” foi gravado por Jacob do Bandolim no estúdio da Rádio MEC

Morte do compositor, regente e professor fluminense Francisco Braga (80 anos)

Criação do Arquivo Público do DF (40 anos)

15

Nascimento do escritor, jornalista, poeta e pintor pernambucano Gilberto de Mello Freyre (125 anos) – dedicou-se à ensaística da interpretação do Brasil sob ângulos da sociologia, antropologia e história; é considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX

Nascimento do compositor, regente, organista, trompetista e professor fluminense Henrique Alves de Mesquita (195 anos)

Fundação da companhia cinematográfica Cinédia (95 anos)

Fim da ditadura militar no Brasil (40 anos)

Fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro (50 anos). Em 01 de julho de 1974 a fusão foi sancionada pela Lei Complementar nº 20 e, em 15 de março de 1975, foi implementada, seguindo o artigo 8°.

Início da gestão de Fernando Collor de Mello como Presidente do Brasil (35 anos)

Dia Internacional contra a Islamofobia

Dia Mundial do Direito do Consumidor

Dia da Escola

Lançamento do programa “A Hora do Pato”, por Heber de Bôscoli, na Rádio Nacional RJ (83 anos)

*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.

 

Especialistas recomendam “etiqueta respiratória” após carnaval

Quem estiver com sintomas como tosse, coriza e dor de garganta deve manter isolamento social, recomendam especialistas. Se for indispensável sair de casa, a máscara deve ser uma fiel companheira. As regras de “etiqueta respiratória” valem para todos os momentos, mas é reforçada nesse período de pós-carnaval, já que a aglomeração da folia favorece a transmissão dos vírus respiratórios.

O infectologista Rodrigo Lins explica: “no mundo das doenças infecciosas, quanto mais você se expõe a outras pessoas, maior o risco de encontrar com alguma que esteja transmitindo algum patógeno. E muitas vezes, uma pessoa está doente e nem sabe, e encontra com outras que acabam ficando doentes”.

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Por isso, também é interessante que os foliões esperem alguns dias antes de encontrar pessoas que têm maior risco de desenvolver formas graves de infecção, ou tomem precauções extras, mesmo quando estiverem sem sintomas.

“Nesta época também é importante evitar visitar crianças pequenas sem uso de máscara, já que esse grupo é mais vulnerável a vários tipos de vírus de transmissão respiratória. E, claro, é fundamental que todos estejam em dia com a vacinação contra a covid-19, especialmente os grupos mais vulneráveis, que precisam tomar doses de reforço periodicamente”, reforça a pesquisadora da Fiocruz Tatiana Portella. Entre os mais vulneráveis também se encontram os idosos – especialmente aqueles com idade mais avançada e que já têm alguma comorbidade – e as pessoas com problemas imunológicos.

Apesar da pandemia ter terminado, a covid-19 ainda é maior causa de óbito entre os pacientes com síndrome respiratória aguda grave de origem viral, mas vírus como VSR e Influenza também podem evoluir para quadros graves e até levar à morte.

O médico Fernando Balsalobre, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervico-Facial diz que sintomas como tosse e dor de garganta são comuns nos períodos pós-festa e geralmente indicam uma infecção viral com danos às vias superiores, como nariz e garganta. “As aglomerações fazem com que os vírus circulem mais, contaminando mais pessoas”, complementa.

O professor Léo Palma, que aproveitou as festas nas cidades do Recife e de Olinda sabe bem o que é isso:

“Na terça-feira de carnaval, eu nem fui. Já caí ali mesmo, nem consegui finalizar o carnaval. Começou com tosse, congestão nasal. Mas pra vir embora pra João Pessoa (capital da Paraíba, estado vizinho a Pernambuco) ainda teve todo o caminho pilotando na moto, peguei um pouco mais de chuva nessa volta. Aí no dia seguinte acordei com uma crise de sinusite mais pesadinha.”

Casos virais leves normalmente melhoram após alguns dias de reforço na hidratação e na alimentação, e uso de analgésicos para aliviar o desconforto, mas algumas pessoas podem evoluir para quadros mais graves. “O médico deverá ser procurado em caso de sintomas como muita prostração, falta de ar e febre persistente”, explica Balsalobre.

Mas não são só os vírus respiratórios que podem deixar lembranças amargas do carnaval: “Cometer grandes excessos gastronômicos ou comer comidas de origem muito suspeita, também pode causar alguns problemas de saúde, alguns quadros diarreicos, algumas gastroenterites virais ou bacterianas”, alerta o infectologista Rodrigo Lins.

Esses casos também exigem reforço na hidratação e no consumo de alimentos leves e saudáveis, mas o paciente deve procurar uma unidade de saúde se os sintomas – como vômito e diarreia – forem muitos fortes ou persistentes.

Para o próximo carnaval, os médicos dizem que alguns hábitos podem diminuir as chances de contaminação, ou deixar o organismo mais forte para enfrentar o “visitante” indesejado. As dicas são:

  •     Evitar compartilhar alimentos e bebidas
  •     Hidratar-se bastante
  •     Manter uma alimentação saudável e leve, com alimentos de origem confiável.

Léo Palma confessa que só cumpriu o mandamento de beber bastante água: “Acho que o piorzinho foi a questão da alimentação. Realmente ficou em segundo plano. Prato de comida mesmo, acho que eu só comi na segunda-feira, nem lembro direito”

Em comparação, seu amigo Sérgio Rodrigo Ferreira com quem Leó curtiu o carnaval, deu mais atenção ao próprio organismo: “A gente saía dia e noite. Muita gente, muita lotação, muito beijo na boca. E sol e chuva no lombo. Mas eu tentei fazer uma redução de danos, usei até aqueles sachês de hidratação nos blocos” conta o professor, que se diz até surpreso por não ter adoecido depois de tanta festa.

Como em algumas cidades ainda há eventos de pós-carnaval programados, o infectologista Rodrigo Lins também reforça que os foliões com sintomas só devem curtir o “bloco do sofá”: “‘Ah, tô com febre, tô com sintomas respiratório, mas poxa, eu vou perder? Acho que eu vou para o bloco’ Não, né? Vai passar para o bloco inteiro! Faz repouso, fica em casa que é melhor.” 

Mega-Sena não tem ganhadores e prêmio vai para R$ 12 milhões

Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 2.837 da Mega-Sena realizado neste sábado (08). As dezenas sorteadas foram: 03 – 14 – 34 – 35 – 42 – 50.

A quina teve 42 apostadores ganhadores e cada um vai receber  R$ 57.145,35. Os 2.740 ganhadores da quadra terão o prêmio individual de R$ 1.251,35,

O próximo sorteio será na terça-feira (11). As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) do dia do sorteio, nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 5.

Estudo lista aves em parque de Guarapiranga e pede mais preservação

Um levantamento publicado na Revista do Instituto Florestal identificou a presença de 261 espécies de aves no Parque Linear Nove de Julho (PLNJ), uma área verde municipal localizada na represa Guarapiranga, zona sul da capital paulista. Os dados foram divulgados na última semana,.

Do total de aves do parque, 14 são endêmicas da Mata Atlântica, oito estão ameaçadas de extinção e 30 são migratórias, das quais 18 de origem do Hemisfério Norte.

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Para a elaboração do estudo, foram compilados dados de pesquisas científicas e de ciência cidadã por um período de 24 anos.

“O PLNJ é um ótimo exemplo de como as áreas remanescentes de várzea do município de São Paulo e da região metropolitana de São Paulo, extremamente ameaçadas pela ocupação urbana irregular e poluição, precisam ser preservadas sob a forma de áreas verdes municipais e estaduais”, diz o estudo.

Os pesquisadores apontam a possibilidade de uso da área para pesquisas científicas, atividades educacionais e de lazer para a comunidade, incluindo a prática da observação de aves.

Segundo o estudo, o potencial do parque para conservação e observação de aves é elevado e demanda a sua efetivação como parque urbano.

Entre as ações necessárias citadas pelos pesquisadores estão investimentos em infraestrutura; implantação de sede física, com estruturas básicas para funcionários e visitantes; criação de programas permanentes de inventário e monitoramento de fauna; demarcação territorial e efetivação de seu Plano de Gestão.

Além disso, recomendam ampliar o saneamento da micro-bacia do Córrego do Rio das Pedras e o funcionamento efetivo de ecobarreiras para redução de resíduos sólidos lançados na represa e no parque.

O PLNJ foi definido pelo estudo como uma das áreas mais importantes para as aves de várzea e campos úmidos da região metropolitana de São Paulo.

“[É] um ponto de parada e descanso de espécies migratórias, além de apresentar aves que realizam movimentos regionais e vagantes. Também tem uma grande importância para as aves florestais, sejam residentes, migrantes, migrantes parciais, visitantes de inverno ou que estão de passagem pela região”, afirmam os pesquisadores.

Entenda novas regras para aumentar segurança no uso do PIX

Anunciadas na última quinta-feira (6) pelo Banco Central (BC), as novas medidas para elevar a segurança do Pix estão sendo alvo de fake news. Entre as mentiras difundidas, estão a de que quem deve impostos ou está com o nome sujo terá a chave bloqueada. Na verdade, as mudanças abrangem poucos usuários e buscam evitar golpes financeiros.

Segundo o próprio Banco Central, criador e administrador do sistema Pix, o principal objetivo da mudança é evitar que fraudadores insiram um nome diferente numa chave Pix do nome registrado na base de dados da Receita Federal. Essa situação, que ocorre por erro das instituições financeiras, tem sido usada por criminosos para dificultar o rastreamento.

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A mudança, que entra em vigor em julho, afetará apenas 1% das chaves Pix cadastradas. Código identificador de uma conta, a chave Pix permite registrar a origem e a destinação no sistema de transferências instantâneas. Ela pode estar vinculada a um CPF, CNPJ, número de telefone, e-mail ou um código aleatório composto por letras e números.

Tire as principais dúvidas sobre as novas regras do Pix:

De quem foi a decisão? Da Receita Federal ou do Banco Central?

O reforço na segurança do Pix foi decidido pelo Banco Central, que criou e administra o sistema de transferências instantâneas.

Quem terá a chave excluída?

Entre as pessoas físicas, as chaves CPF na seguinte situação (1% do total):

•     4,5 milhões: grafia inconsistente

•     3,5 milhões: falecidos

•     30 mil: CPF suspenso (cadastro com informações incorretas ou incompletas)

•     20 mil: CPF cancelado (CPF suspenso há mais de cinco anos, com duplicidade de inscrição ou cancelado por decisão administrativa da Receita ou decisão judicial)

•     100: CPF nulo (com fraude ou erro grave no cadastro).

Entre as pessoas jurídicas, as chaves CNPJ na seguinte situação

•     984.981 com CNPJ inapto (empresa que não apresentou demonstração financeira e contábil por dois anos)

•     651.023 com CNPJ baixado (empresa oficialmente encerrada)

•     33.386 com CNPJ suspenso (empresa punida por descumprir obrigações legais)

•     Banco Central não informou a quantidade de CNPJ nulos (sem validade)

Quando as chaves serão excluídas?

Segundo o BC, a exclusão está prevista a partir de julho.

Como se dará a exclusão?

As instituições financeiras e de pagamento deverão verificar o cadastro sempre que houver um procedimento relacionado a chaves Pix, como registro, mudança de informações, pedido de portabilidade ou reivindicação de posse. Caso seja constatada alguma das irregularidades acima, a chave deverá ser excluída.

Quem deve impostos terá chave excluída?

Não. O BC esclareceu que a inconformidade nossa dados cadastrais de CPF e de CNPJ não tem relação com o pagamento de tributos, apenas com a identificação cadastral do titular do registro na Receita Federal.

Quem está com o nome sujo deixará de fazer Pix?

Não. Esta é uma fake news que passou a ser espalhada nos últimos dias. As medidas só abrangem quem tem problemas cadastrais na Receita Federal.

O que mudará nas chaves aleatórias?

Pessoas e empresas que usam chaves aleatórias (combinação de letras e números) não poderão mais alterar informações vinculadas a essa chave. Agora, o usuário precisará excluir a chave aleatória e criar uma nova, com as informações atualizadas.

O que mudará nas chaves vinculadas a e-mails?

A partir de abril, a chave do tipo e-mail não poderá mais mudar de titular. Não será mais possível migrar a chave de um dono para outro.

Haverá mudanças nas chaves vinculadas a número de celular?

Não. As chaves do tipo celular poderão mudar de titular e de conta. Segundo o BC, a possibilidade de alteração foi mantida por causa da troca frequente de números de telefone, principalmente de donos de linhas pré-pagas.

Qual o principal objetivo das medidas?

Aumentar a segurança no Pix, ao inibir o uso de chaves com nomes diferentes da base de dados da Receita Federal, no caso do CPF e do CNPJ e impedir a transferência de chaves para terceiros, no caso de chaves aleatórias e de e-mails.

Haverá limite para devolução de qualquer valor dos dispositivos não cadastrados?

Desde novembro de 2024, caso uma conta transferisse para uma outra conta existente sem chave Pix criada, a devolução seria limitada a R$ 200. BC retornou a norma antiga e retirou o limite para esse tipo de transação.

É possível verificar se o CPF está em situação regular?

Sim. A consulta pode ser feita na página da Receita Federal, na aba “Comprovante de situação cadastral”.

É possível regularizar o CPF?

Sim, mas apenas por quem está com o CPF suspenso. A regularização pode ser feita na página da Receita Federal, preenchendo um formulário. A Agência Brasil publicou um passo a passo para consultar e resolver pendências no CPF.

Icesp promove mutirão para jovens sobre o HPV em São Paulo

Neste domingo (9), o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) promove, das 10h às 14h, na Avenida Paulista, um mutirão de conscientização para os jovens sobre o Papilomavírus Humano, o HPV, que está associado a uma série de cânceres, como o de colo uterino, vagina, vulva, ânus, pênis e orofaringe – fundo da boca e garganta.

A iniciativa contempla uma programação lúdica e educativa, com apresentação de teatro interativo e distribuição de informativos, como uma edição especial da revista da Turma da Mônica Jovem sobre o HPV.

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O público jovem, de 9 a 19 anos de idade, que for para a frente do prédio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), onde acontece o evento, poderá tomar gratuitamente uma dose da vacina contra o HPV, desde que nunca tenham tomado o imunizante anteriormente.

Os menores de 18 anos de idade que forem tomar a vacina têm que estar acompanhados do responsável e com a caderneta de vacinação. 

A imunização será feita pela equipe da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo com a vacina quadrivalente (HPV4), a mesma oferecida pelo SUS. 

Especialmente neste evento, será seguida a estratégia de catch up, em uma ação seletiva para atualizar a caderneta de vacinação desse público-alvo.

Desde 2014, a vacina contra o HPV é disponibilizada gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do SUS, e protege contra quatro tipos diferentes de vírus, dentre os quais estão os tipos 6 e 11, responsáveis por 90% das verrugas genitais. Já os tipos 16 e 18 são causadores de 70% dos cânceres de colo do útero e uma proporção significativa dos tumores em outros locais do corpo.

Mulheres do DF marcham por políticas públicas e contra o feminicídio

Mulheres e homens de cerca de 30 movimentos sociais, entidades e partidos políticos de esquerda do Distrito Federal marcharam, neste sábado (8), pedindo por políticas públicas que atendam as mulheres, em suas diversas necessidades, e, principalmente, um combate efetivo à violência contra a mulher e o feminicídio. O ato 8M Unificadas DF e Entorno ocorreu na área central de Brasília em celebração ao Dia Internacional da Mulher.

Para Rita Andrade, do Levante Feminista Contra o Feminicídio, é um dia de celebrar as conquistas, fortalecer os movimentos de mulheres e lembrar que “tem muita estrada pela frente”.

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“A gente diz que, acima de tudo, é uma marcha pela vida de todas as mulheres, contra o machismo, o racismo e o fascismo, sem anistia. Esse é o mote deste ano”, disse.
Rita Andrade participa da Marcha no 8 de março, Dia Internacional da Mulher. José Cruz/Agência Brasil

Ana Paula Cusinato, militante da Marcha Mundial de Mulheres, reafirmou a necessidade de políticas públicas fortes, do combate à violência e lembrou que a luta feminista também é dos homens.

“O feminismo que a gente defende, que é o feminismo da classe trabalhadora, ele precisa ser abraçado também pelos homens que nos apoiam. Porque uma sociedade igual, com a igualdade entre homens e mulheres, ela será boa para todas as pessoas”, destacou.

A estudante Luiza Eineck, do movimento Pão e Rosas, pediu por políticas para as mulheres trabalhadoras, que, para ela, são as que mais sofrem com a precarização do trabalho, as jornadas duplas e triplas e a exploração.

O movimento defende o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga (escala 6×1) e a redução da jornada de trabalho para 30 horas sem redução salarial.

Estudante Luiza Eineck, na marca do Dia Internacional da Mulher. Foto: José Cruz/Agência Brasil

“A grande questão é como essa geração [de mulheres] pode aprender com o passado para lutar por um futuro sem opressão e sem exploração e se fundir aos trabalhadores, porque eu acho que esse que é o caminho pra gente poder lutar”, disse Eineck, lembrando que o 8 de Março foi criado pelas mulheres socialistas que lutaram por direitos básico como o voto.

“Estamos colocando a necessidade de um movimento de mulheres que independente do governo e que a gente faça uma oposição de esquerda ao governo. O arcabouço fiscal renova o teto de gastos [política implementada no governo de Michel Temer] e limita os gastos com saúde, educação, assistência social. E quem são os mais oprimidos e vulneráveis que mais precisam do serviço público de qualidade? A gente sabe que são as mulheres trabalhadoras, as mulheres negras”, argumentou.

Andrea Medrado, da Frente Parlamentar pela Educação Inclusiva, levou para a marcha as reivindicações de mães atípicas, mães de pessoas com deficiência.

“Muitas de nós precisam sair do mercado de trabalho para poder cuidar do filho de forma integral. A gente também luta pela economia de cuidados, por esse olhar para as mães atípicas. Muitas de nós não têm um meio de ser remunerado, porque o cuidado não é visto como um trabalho. Então, nós estamos aqui para dizer que as mães atípicas existem, elas resistem”, disse.

Ela é mãe de uma criança com Pitt Hopkins (doença neurogenética que gera atraso no desenvolvimento e ausência de fala) e destacou que a luta é por direitos humanos como um todo.

“Existem várias intersecções. Quando você é mãe de uma criança com deficiência, ao seu filho é negado vários direitos. É negado o acesso à educação, à saúde, é negado o acesso ao mercado de trabalho, todos os direitos básicos e fundamentais do ser humano é negado a essas pessoas”, lembrou.

Mães de crianças atípicas na marcha do 8 de março em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Feminicídios

Também presente no evento, a coordenadora do Núcleo de Gênero do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Adalgiza Aguiar, falou sobre a importância de escutar os movimentos e cobrar do poder público que as políticas públicas sejam cumpridas. Segundo ela, o controle do Ministério Público precisa ser feito em parceria com o controle social dos coletivos e da sociedade civil.

“Nós articulamos as políticas públicas, fomentamos, fiscalizamos as políticas públicas para que os poderes executivos e sistema de justiça façam valer os direitos das mulheres”, afirmou, lembrando que é essencial, ainda, combater a violência e garantir a segurança das mulheres.

Segundo ela, os ministérios públicos em todos os estados atuam de forma conjunta no enfrentamento à violência contra a mulher, para “tentar eliminar essas taxas, infelizmente, ainda altas de feminicídio”. Mas, para Adalgiza, esse combate deve ser feito com educação.

“O feminicídio, infelizmente, a gente precisa trabalhar da raiz. Então, a gente precisa sempre pensar na educação, educando sobre os direitos das mulheres, sobre a igualdade entre homens e mulheres. Então precisamos ir nas escolas, universidades, fazer campanhas de conscientização, porque educação é fundamental para acabar com essa discriminação e essa violência tão alta contra as mulheres”, acrescentou.

O ato contou com diversas atividades culturais e música. Thamy Frisselli, uma das organizadoras do evento, ressaltou que é preciso lutar “com muita alegria, sim”. “A gente está em luta e, mesmo em luta, nós estamos sorrindo, nós estamos felizes porque é assim que queremos, nos queremos vivas em busca de políticas públicas que nos atendam”, disse.

Moraes envia à PGR defesas de denunciados por tentativa de golpe

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes enviou, neste sábado (8), para a Procuradoria-Geral da União (PGR) as manifestações de defesa apresentadas por denunciados no inquérito sobre a trama golpista.

O prazo de 15 dias para a entrega da defesa por escrito começou a contar no dia 19 de fevereiro, quando a maioria dos acusados foi notificada sobre a denúncia, e venceu às 23h59 desta sexta-feira (7).

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A PGR, por sua vez, terá cinco dias, a contar a partir da próxima segunda-feira (10), para se manifestar sobre os argumentos apresentados pelos advogados dos denunciados.

Denunciados

Um dos documentos enviados por Moraes à PGR traz a defesa de denunciados do núcleo que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-integrantes de sua gestão. São eles:

  • Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha do Brasil;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência;
  • Mauro Cid; ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

Moraes também encaminhou à PGR as defesas de integrantes de outro núcleo, que inclui os seguintes denunciados:

  • Bernardo Romão Correa Netto;
  • Cleverson Ney Magalhães;
  • Estevam Cals Theophilo Gaspar der Oliveira;
  • Fabrício Moreira de Bastos;
  • Hélio Ferreira Lima;
  • Márcio Nunes de Resende Júnior;
  • Nilton Diniz Rodrigues;
  • Rafael Martins de Oliveira;
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo;
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior;
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros; e 
  • Wladimir Matos Soares

Julgamento

Após a entrega das defesas, o julgamento será marcado pelo STF. O processo será julgado pela Primeira Turma do Supremo. 

O colegiado é composto por Moraes, relator da denúncia, e pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Pelo regimento interno da Corte, cabe às duas turmas do tribunal julgar ações penais. Como o relator faz parte da Primeira Turma, a acusação será julgada pelo colegiado.

Se maioria dos ministros aceitar a denúncia, Bolsonaro e os outros denunciados viram réus e passam a responder a uma ação penal no STF.

Considerando os trâmites legais, o caso pode ser julgado ainda neste primeiro semestre de 2025.

Desfile das Campeãs do carnaval carioca tem ação contra feminicídio

Além das seis escolas de samba com a melhor pontuação, um bloco muito importante vai passar pela Marquês de Sapucaí no Desfile das Campeãs, neste sábado (8). É o bloco da mobilização nacional pelo Feminicídio Zero, que está aproveitando o carnaval carioca e o Dia Internacional da Mulher para conscientizar os foliões sobre a importância do combate à violência de gênero.

Mais de 300 mulheres vão desfilar carregando uma faixa com a mensagem “Feminicídio Zero – Nenhuma violência contra a mulher deve ser tolerada”. Está prevista a participação da Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, e de outras ministras e parlamentares.

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A campanha também afixou materiais informativos em diversos espaços do Sambódromo, como painéis, cubos de frisa e banheiros. Antes dos desfiles, agentes fizeram um trabalho de conscientização nas quadras das escolas.

“Carnaval é lugar de respeito, de felicidade, de amor, mas principalmente de não assédio, não violência, e não feminicídio”, declarou a ministra Cida Gonçalves em um dos vídeos de divulgação da campanha.

A mobilização Feminicídio Zero é uma ação permanente do Ministério das Mulheres, lançada em agosto de 2024. Um dos principais objetivos é ampliar a divulgação da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, que recebe denúncias e oferece informações sobre as leis e serviços de proteção às mulheres. O canal funciona 24 horas por dia, sete dias por semana e está disponível também no WhatsApp pelo número (61) 9610-0180.

De brabo a professor, Laíla volta à avenida em homenagem da Beija-Flor

Neste sábado (9), quando a Beija-Flor entrar na Marquês de Sapucaí, no Desfile das Campeãs, vai comemorar o 15º título e, principalmente, homenagear, mais uma vez, uma figura que se destaca como uma das mais importantes na história da azul e branco de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas é o enredo criado pelo carnavalesco João Vítor Araújo para mostrar a vida do diretor de carnaval e de harmonia.

Chegada à Beija-Flor

A ida de Laíla para o carnaval de 1976, da Beija-Flor, foi um pedido do carnavalesco Joãosinho Trinta. Os dois já faziam parceria no Salgueiro, onde conquistaram os títulos, nos dois anos anteriores. Logo na chegada, a dupla ganhou mais um título com o enredo: Sonhar com rei dá leão, relacionado ao jogo do bicho, que homenageava o contraventor Natal da Portela, que tinha morrido em 1975.

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Ao todo, foram três as passagens de Laíla pelos carnavais da nilopolitana. O primeiro período entre 1975 e 1980, o segundo de 1987 a 1992. O terceiro foi o maior, entre 1994 e 2018. Nessa fase, foram nove conquista pela Beija-Flor.

>>Beija-flor conquista 15º título e é campeã do carnaval carioca

Alegoria polêmica
 

 Pouco mais de 30 anos desde que o “Cristo Mendigo” desfilou pela primeira vez na escola Beija-Flor, a escultura retornou ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí em uma cena marcante da apresentação da escola de samba de Nilópolis (RJ). Foto: Alex Ferro/Riotur – Alex Ferro/Riotur

Também neste sábado o público vai ver um carro alegórico que faz referência a um dos enredos mais polêmicos da escola que teve a dupla à frente do seu desenvolvimento e resultou em mais um campeonato. Em 1989, Ratos e Urubus, Larguem minha fantasia, levou para a avenida um Cristo Mendigo coberto por plástico preto com a frase “Mesmo proibido, olhai por nós”, era uma resposta da escola a uma decisão da Justiça, após o questionamento da igreja católica contra a alegoria do Cristo. A solução da escola foi cobri-la. Até hoje não se sabe se a autoria da alegoria é de Joãosinho Trinta, carnavalesco da escola na época, ou de Laíla que era diretor de carnaval. Agora em 2025, o Cristo voltou à Sapucaí, mais uma vez coberto, mas a frase “Do Orum [céu], olhai por nós”, um clamor para que mesmo da espiritualidade Laíla protegesse a escola.

História

O menino Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, nasceu no dia 27 de maio de 1943, em uma família pobre, no Morro do Salgueiro, na Tijuca, bairro da zona norte do Rio. De formação autodidata, foi lá que deu os primeiros passos que o levaram para uma escola de samba: criou uma escola mirim na comunidade (Unidos da Ladeira) e, nessa caminhada, chegou ao Salgueiro, onde, na harmonia, iniciou a sua história no mundo das escolas de samba.

Conforme o Guia dos Julgadores produzido pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), o quesito harmonia “é o entrosamento entre o ritmo e o canto. É, ainda, o Resultado da forma como os componentes de uma Escola desfilam cantando o Samba Enredo, demonstrando e considerando se há um perfeito entrosamento, consciência, domínio, audição e interpretação deles, em relação ao canto e ritmo do Samba Enredo junto ao intérprete principal. O quesito ‘Harmonia’ avalia o resultado sonoro conjunto executado pelos componentes musicais do desfile: a integração do canto, com os instrumentos e com a bateria”.

A homenagem significou também uma espécie de retorno de Laíla à Beija-Flor. A União da Ilha foi a última escola que ele esteve à frente do carnaval. Isso ocorreu, em 2020, ano em que a agremiação da Ilha do Governador, na zona norte do Rio, caiu para a Série Ouro. A saída da escola de Nilópolis aconteceu após Laíla questionar o seu papel nas decisões da comissão de carnaval da Beija-Flor.

Imprescindível

Para o historiador e escritor, Luiz Antônio Simas, Laíla foi um personagem imprescindível para aquilo que atualmente se entende como desfile de escola de samba contemporâneo. Simas lembrou que além de ser cria do Salgueiro, ter passado pela Beija-Flor, onde fez trajetória marcante, Laíla também desempenhou papel importante na Unidos da Tijuca e na Grande Rio.

“Enfim, um personagem fundamental e o que se destaca a meu ver no Laila é o fato de ter sido completo. Laila era um sujeito completo com profundo conhecimento da musicalidade das escolas de samba, pouca gente sabe, mas era um intérprete muito interessante, gravou sambas do Salgueiro. Laíla tinha uma concepção do que seria uma harmonia de escola de samba, a junção entre o canto e a dança dos componentes que era muito sofisticada.”, disse à Agência Brasil.

Simas ressaltou ainda que Laíla tinha ideias muito interessantes sobre a formação de uma escola de samba na pista; “Onde colocar uma ala das baianas; o melhor lugar para colocar o casal de mestre-sala e porta-bandeira. Acertou muito, cometeu lá os seus equívocos também, o que é normal, é assim que se aprende, mas é uma figura imprescindível por este talento múltiplo”.

O historiador destacou ainda olhar de Laíla para a totalidade da escola de samba durante o desfile. “Tem o carnavalesco, que é muito bom em aspectos visuais, o compositor que entende muito de samba enredo. O Laíla tinha uma visão mais completa sobre o que é uma escola de samba. Talvez tenha sido a figura que melhor compreendeu os desfiles integrando os aspectos visuais, os aspectos coreográficos e os aspectos sonoros”, destacou.

“Como um desfile de escola de samba é um conjunto de múltiplas performances artísticas, eu posso dizer que o Laíla era um sujeito que tinha trânsito por todas essas performances, portanto é uma das figuras imprescindíveis na história das escolas de samba do Rio de Janeiro”, concluiu.

Pai
 

 Carnavalesco Laíla (direita) com sua família. Foto: Luiz Cláudio da Silva Ribeiro/Arquivo pessoal

Luiz Cláudio da Silva Ribeiro, filho de Laíla, faz distinção entre o pai e o personagem da cultura das escolas de samba. Disse que cresceu ao lado de Luiz Fernando Ribeiro do Carmo e, para ele, Laíla é uma personalidade que o mundo do carnaval foi adquirindo com o tempo.

“Ambos são pessoas muito boas. Como pai sempre procurou me dar o melhor possível dentro das possibilidades. Desde a infância era uma pessoa que trabalhava muito. Nas suas correrias muitas vezes não tinha tempo para muita coisa, mas sempre procurando educar, ensinando a respeitar os mais velhos, a ser honesto e procurar se desenvolver na vida”, recordou.

“Nós somos oriundos do Morro do Salgueiro, família humilde, ele e minha mãe trabalhavam muito para dar o sustento à família e procurar dar condições de estudos para a gente. Ele sempre trabalhou muito em trabalho de carteira assinada e mais em escola de samba. A vida dele foi essa. Dedicação constante ao samba e, com isso, tentando educar a gente da melhor maneira possível”.

No desfile deste ano da Beija-Flor, Luiz Cláudio foi o mestre de cerimônias, pessoa responsável por conduzir a harmonia do casal de mestre-sala (Claudinho) e porta-bandeira (Selminha Sorriso).

Segundo ele, foi com o pai que aprendeu os caminhos para garantir um bom desempenho no quesito harmonia. “Meu envolvimento no carnaval, não foi cedo não, porque no início ele era meio contra a gente estar envolvido com o carnaval. Com o tempo, há 19 anos, comecei a entrar no barracão, onde comecei a ter uma paixão maior, fui fazendo estudos”, disse.

Para o filho de Laíla, a passagem do tempo foi boa para o tipo de função que exerce na escola de Nilópolis. Ele recorda que, antes, para garantir a harmonia da escola na avenida, era preciso fazer comunicação boca a boca. Então surgiram os rádios de transmissão e, hoje, há um sistema de comunicação direta com os diversos integrantes do setor de harmonia ao longo do percurso da agremiação.

“Quando começou a existir rádios, alguns não eram de boa frequência e você tinha que ter disposição e conhecimento para passar a informação no tempo certo. Com o tempo, foi assumindo mais a harmonia e, em 2015, passei a ser o diretor-chefe da comissão de harmonia, me tornando campeão do carnaval em 2015 e 2018, na mesma função”, lembrou.

Cobrança

A cobrança que o pai havia uma explicação. “Ele tinha na cabeça que tinha que ganhar. Era a perfeição. Me cobrava igual a outro componente da escola. Não tinha diferença de ser filho, mas era cobrado de um jeito educado, como ele cobrava informações das outras pessoas, não era gritado. Só gritava dentro dos ensaios que eram de 2 mil pessoas dentro da quadra, no qual tinha bateria, som. Ele ensinava através de cobrança. Não dava aula em quadro-negro não, a aula dele era na prática. Quem observava o que ele fazia ia se desenvolvendo com o tempo”, explicou.

Social

Para Luiz Cláudio, a fama de durão, que costuma ser associada a Laíla, não tinha a ver com o comportamento do pai. “Essa fama de durão dele, era só fama de uma pessoa que tinha como objetivo realizar grandes trabalhos, ser campeão do carnaval. No fundo, era uma pessoa que se preocupava com o social demais. Ele cuidava de cada componente da escola, procurando saber se tinha ou não problema familiar, sempre preocupado com as crianças. Essa reflexão, esse sentido que ele fazia no social, se refletiu agora no carnaval do 2025, no qual ele não estava presente fisicamente, mas estava espiritualmente. Os componentes da escola abraçaram de uma maneira tão grande, que toda hora falavam: ‘ele está aqui com a gente. Isso é para ele, é por ele’, porque sabiam o que ele fez por eles, o que ele lutou por eles. A relação dele com a comunidade não é só de campeonato. É uma relação social”, afirmou.

Luiz Cláudio disse que a importância de Laíla não se restringe ao carnaval do Rio de Janeiro e à Beija-Flor. “Ele é importante para o carnaval inteiro. Ele trabalhava para descobrir novos talentos. Ele dava oportunidades. Ele projetou pessoas. Trouxe Neguinho [da Beija-Flor], trouxe Selminha, revolucionou colocando Selminha e Claudinho [porta-bandeira e mestre-sala] à frente da escola, revolucionou no canto e muitas coisas mais fazendo junção de samba enredo. Em outras escolas de samba era chamado para dar opiniões de samba. Era produtor do disco e não via diferença nenhuma entre uma escola e outra, trabalhava em prol do carnaval e não em prol de só uma escola”, pontuou.

No dia do desfile, sabendo que o homenageado no enredo era seu pai, foi difícil equilibrar a emoção e realizar a sua função junto ao casal de mestre-sala e porta-bandeira. “Desfilar sabendo que o enredo era ele foi emoção pura. Emoção que você tem que saber. Primeiro que fiz uma função de conduzir Selminha e Claudinho e a harmonia do setor, tem que ter frieza, porque você tem o seu pai sendo homenageado e você tem um trabalho a realizar, mas dentro de mim a emoção era pura e vendo um grande trabalho sendo realizado em que a escola correspondeu plenamente, a sua comunidade respondeu plenamente. Não tem nem palavras específicas para dizer. A gente sentia que ele estava ali com a gente. Na verdade, ele conduziu esse desfile da Beija-Flor”, completou.

“Quando entrei no desfile, entrei vendo o meu pai. Eu conheci Luiz Fernando Ribeiro do Carmo que se transformou em Laíla, um pai aguerrido que fez tudo que podia pela gente e aí tem o Laíla com quem eu trabalhei, que me cobrava, mas cobrava pelo bem e se tornou uma coisa só”, contou.

Agradecimento
 

Selminha Sorriso e Claudinho. Beija-Flor de Nilópolis desfila no segundo dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A porta-bandeira Selminha Sorriso, disse que Laíla a levou para a Beija-Flor junto com Claudinho, seu mestre-sala. Por isso, neste carnaval, se prepararam para “orgulhá-lo no plano espiritual e em tudo que o mestre nos ensinou”.

Selminha ainda lembra das orientações que recebeu de Laíla. Reclamações que ficaram na memória e que foram importantes para o seu desenvolvimento como porta-bandeira. “Também levei puxões de orelha, também levei broncas, mas os ensinamentos, o aprendizado que ele nos deixou, falo em meu nome e no de Claudinho, são imensuráveis”, salientou.

A porta-bandeira número um da Beija-Flor fala com muito carinho e respeito pelo trabalho de Laíla, durante o período em que ele esteve no comando do carnaval da escola. “Falo sempre que sou escola de mestre Laíla, essa escola não é imitando mestre Laíla, é simplesmente, sendo uma mulher mais forte, entendendo o tamanho da responsabilidade, o que é construir um desfile de escola de samba”, afirmou.

É assim que Selminha reconhece todo o trabalho do carnavalesco na construção de sua formação porta-bandeira. “A soma do tudo é sempre maior que das partes, trabalhar em equipes, ser forte diante de qualquer dificuldade, não esmorecer, acreditar nos sonhos, buscar força onde você nem sabe que tem. Isso é escola de mestre Laíla, meu sentimento é de gratidão, muita gratidão mesmo, porque se hoje eu estou neste espaço que ocupo, com certeza, muito tem do mestre Laíla nas nossas vidas”, disse.

Selminha reconheceu que Laíla não era uma pessoa fácil, mas, ponderou que também não chegava a ser uma pessoa difícil. “Era você entender que toda a postura dele, às vezes com certo excesso, na maioria das vezes, se fazia necessário. Era um homem que tinha um olhar muito crítico, ouvido apurado, coração gigante. A fala nem sempre vinha com mel. Agora, é como você quer entender, como quer se comportar”, concluiu.

O carnavalesco João Vítor Araújo, autor do enredo deste ano, disse que o título da Beija-Flor trouxe também o reconhecimento da importância de Laíla, que no fim da década de 1960, trabalhava com a turma de carnavalescos, como Fernando Pamplona, Maria Augusta, Rosa Magalhães, Arlindo Rodrigues, Joãosinho Trinta, Viriato, mas não tinha visibilidade.

“Graças a Deus, graças ao Sagrado, a Beija-Flor de Nilópolis conseguiu o título tão sonhado, que há sete anos não vinha. O título foi para a Baixada Fluminense, a comunidade está muito feliz e a justiça foi feita. A justiça a esse artista, diretor, compositor, cantor, produtor, diretor de carnaval, diretor de harmonia, esse cara múltiplo, que era o Laíla. A Justiça foi feita, o sambista venceu, o homem preto nascido e criado no Morro do Salgueiro, sem formação acadêmica, que ainda assim, conhecia de tudo um pouco, na verdade, não, ele conhecia de tudo muito, porque senão, não seria o Laíla. Ele venceu. O morro venceu, o preto favelado venceu”, comemorou.

Beija-Flor de Nilópolis desfila no segundo dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Para João Vitor, essa é a melhor resposta que a Beija-Flor de Nilópolis podia dar “para a sociedade racista, preconceituosa, para aqueles que duvidaram que o Laíla daria enredo, para aqueles que duvidaram que ele não teria história para ser contada e desenvolvida. A resposta está aí com esse título, a resposta está aí com enredo nota 10 e a resposta está aí, porque é a valorização de uma pessoa que viveu e morreu trabalhando, fazendo carnaval, e mais uma vítima da covid 19, em uma época em que a vacina era negligenciada aqui no Brasil”, afirmou.

O carnavalesco disse que o desfile teve tanta identidade com o homenageado que foi possível senti-lo presente na avenida. “O espírito do Laíla, tenho certeza, que ele se fez presente na avenida, eu senti, a comunidade sentiu, os componentes sentiram, por isso, a escola veio com aquela garra, por isso que a escola emocionou. Eu digo, que daqui há dez anos, 20 anos, o público há de se lembrar desse desfile histórico da Beija-Flor de Nilópolis. É muito bonito ver Laíla, o sambista, o preto favelado vencendo na Marquês de Sapucaí e que sirva de exemplo e lição, que valorizar o que é nosso, valorizar aquele que faz pelo nosso carnaval é maravilhoso, é gratificante. É a valorização do nosso chão e das nossas raízes”, concluiu.

SP: mulheres protestam por direito ao aborto e pelo fim da escala 6×1

Neste sábado, 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, a capital paulista recebeu um ato unificado pelos direitos das mulheres. 

Movimentos sociais, sindicais, grupos políticos, coletivos e cidadãos em defesa desses direitos ocuparam a Avenida Paulista na tarde de hoje.

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O ato teve concentração em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), por volta de 14h, e o grupo saiu em caminhada, cerca de duas horas depois, em direção à Praça Oswaldo Cruz.

A Marcha Mundial das Mulheres, movimento que integra o ato, apresentou o lema Marchamos contra as Guerras e o Capitalismo, Defendemos a Soberania dos Povos e o Bem Viver! O grupo destaca que este é um dia de homenagem e de festa, mas principalmente de luta.

“A gente destaca a luta contra o fascismo, por direitos para as mulheres, que sofrem com a sobrecarga de trabalho e também com o avanço do conservadorismo, seja na tentativa de retirada de direitos, nos retrocessos, como na pauta da legalização do aborto”, disse Maria Fernanda Marcelino, porta voz da Marcha Mundial das Mulheres, à Agência Brasil.

“Nós queremos a ampliação do direito [ao aborto] e a extrema-direita tenta barrar por todas as formas, inclusive os permissivos garantidos já por lei”, ressaltou. 

Além de protestar contra as diversas formas de violência contra as mulheres, como estupro, feminicídio e exploração no trabalho doméstico, o fim da escala 6×1 é uma das reivindicações do ato neste ano.

A redução da jornada de trabalho é um tema de grande impacto na vida das mulheres, que sofrem com dupla jornada de trabalho. Além do trabalho remunerado, as mulheres são majoritariamente as responsáveis pelas tarefas domésticas e cuidado de pessoas.

Na convocação do ato, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), uma das entidades que integram o ato, ressaltou: “Ainda estamos aqui: Mulheres na Luta por Igualdade de Direitos, Trabalho Decente, Fim da Escala 6×1, Justiça Reprodutiva e Climática, Sem Anistia para Golpistas!”. 

As mulheres saíram às ruas também por salários dignos, pela democracia, além de protestar contra o racismo, o fascismo e a violência policial.

Maria Fernanda contou que houve ainda, no ato deste ano, o destaque à situação das mulheres no cenário internacional, à solidariedade e à defesa dos territórios. 

“A solidariedade internacionalista fala muito alto em relação às mulheres saarauís, que têm seu território e sua vida roubada pelo Marrocos, assim como para as mulheres palestinas, que sofreram e sofrem ainda o genocídio, [cometido] com todo o aparato militar de Israel amparado pelos Estados Unidos.”

Campeã de SP, Rosas de Ouro é presidida há 22 anos por uma mulher

Fundada há 54 anos e com seu oitavo título de campeã conquistado em 2025, a Sociedade Rosas de Ouro é presidida por uma mulher há mais de duas décadas. 

Angelina Basílio está na agremiação desde sua fundação em 1971 e assumiu a presidência após o falecimento de seu pai, o respeitado Eduardo Basílio. Angelina passou por todas as funções e atividades da escola: porta-bandeira, componente e diretora de aula, destaque de carro alegórico e de chão, comissão de frente, diretora de eventos, vice-presidente, além de ter realizado trabalho social. 

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Como ela mesma diz, “nasci filha única e na escola de samba”. Angelina não revelou a idade, mas disse que desde pelo menos os 12 anos está inserida nesse universo.

A Rosas de Ouro nasceu nas ruas do bairro da Brasilândia, na zona Norte da capital paulista, com Seu Basílio e outros fundadores, todos amigos e que eram líderes comunitários. 

“Um dos fundadores, o Seu José Luciano Tomás da Silva, tinha uma padaria na Rua Parapuã e ali fundamos a Sociedade Rosas de Ouro. Nessa época os ensaios eram na rua, nós éramos xingados de maloqueiros, malandros, porque escola de samba não era bem vista. Aí arrumamos uma pequena sede no bairro e depois de algum tempo viemos para a Marginal Tietê, por volta de 1978”.

Angelina conta que entende o legado e a responsabilidade deixados pelo pai como um dom e uma missão de vida que precisa ser encarada com muita determinação, perseverança e fé. 

O aprendizado sobre o que é uma escola de samba e pertencer a essa comunidade veio da convivência intensa com seu pai, que a levava em todos os lugares ligados ao samba e à agremiação. 

“Mesmo assim, ele me condicionou a estudar, ter uma profissão, um emprego e a acompanhar a Rosas de Ouro paralelamente. Assim eu conheci o processo inteiro de como montar uma escola de samba e colocá-la na avenida.”

Preconceito

A presidente da Roseira, apelido carinhoso da escola de samba, afirmou que quando assumiu a presidência, a recepção pelos pelos integrantes da agremiação não foi boa e foi repleta de preconceitos e descrença em relação a sua competência. 

“Você imagina, 22 anos atrás, uma mulher assumir um cargo que é masculino era muito mais complicado. Eles diziam que eu ia acabar com a Rosas de Ouro, que não ia aguentar as pressões, a administração, o trabalho do dia a dia. Não é fácil, porque sendo mulher você tem que mostrar três vezes mais que você é capaz, competente, que as coisas vão acontecer, dar certo”.

Ela destacou que das 14 escolas de samba do Grupo Especial, apenas três têm mulheres na liderança. Angelina garante, no entanto, que mulheres dão muito certo nessa posição, porque são atentas aos detalhes: “e o carnaval se ganha no detalhe”.

Além do preconceito e da descrença, Angelina já enfrentou situações perigosas no cargo que ocupa. Além de ter sido humilhada, ela já foi ameaçada e até baleada ao sair da quadra. 

Mostrando a cicatriz no braço esquerdo, ela diz que o culpado nunca foi descoberto. “Eu não sei se foi alguém que encomendou ou se foi assalto, a gente não conseguiu descobrir até hoje. Eu fui baleada no braço, mas não aconteceu nada. Fui baleada aqui e a bala ficou aqui”, aponta.

Prêmios

Mostrando os inúmeros prêmios e homenagens recebidos, todos expostos em paredes e prateleiras, Angelina se diz orgulhosa por não ter desistido e por ter conseguido alcançar vitórias no carnaval, já que, segundo ela, ‘é muita gente jogando contra, mas muita gente dando força também’. 

Uma das homenagens que ela destaca é um troféu em forma de Oscar com o rosto de um homem negro, recebido da Universidade Zumbi dos Palmares, por sua defesa ao povo negro.

“Todos os dias são de aprendizado. Mulheres têm que ser fortes todos os dias, porque todos os dias vai ter alguém com preconceito. Por isso todos os dias temos que perseverar na fé. O que foi me encorajando foram essas homenagens. Havia dias que eu chegava aqui e era tanta oposição que eu fechava o olho e fazia uma prece para continuar defendendo o meu legado e lutando contra o preconceito”.

A presidente afirmou que é observada o tempo todo pela comunidade e precisa ter uma postura correta por ser uma referência para todos. 

“Eu sou a Dona Angelina, nascida e criada no samba, é o respeito máximo, eu não saio da minha postura. Eu abraço famílias inteiras, sou acolhedora, meio mãezona, mas de vez em quando é preciso quebrar paradigmas. Eu sou a única presidente que gosta de colocar fantasia, de desfilar mesmo”, finalizou.

Participação da mulher no funcionalismo público federal sobe para 45%

A presença de mulheres na Administração Pública Federal subiu para 45,6% em 2025. Em 2022, de acordo com dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), 44,8% dos servidores ativos era mulheres. 

“A presença feminina tem sido cada vez mais representativa”, destacou o governo, em comunicado, neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

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Para a antropóloga Ana Julieta Teodoro Cleaver, servidora pública federal e membro do Coletivo de Mulheres Negras Servidoras e Empregadas Públicas do Governo Federal, tem havido um “aumento paulatino” na participação das mulheres nos espaços de poder e decisão, mas, na grande maioria, de mulheres brancas que já vem de um perfil mais inserido nesses espaços.

“São dados que mostram um processo paulatino, um processo lento de mudança de participação política, social, econômica nesses espaços de poder e decisão. No entanto, há uma reprodução das desigualdades no que tange às mulheres negras, mulheres indígenas, mulheres quilombolas, mulheres do campo, mulheres de oriundas de populações tradicionais”, destaca.

Ela lembra, ainda, que a participação feminina é maior em cargos de execução das políticas, e menos naqueles de tomada de decisão. 

“Quando a gente vai subindo na hierarquia dos cargos, o número de mulheres vai se reduzindo. Então, se a gente tem um grande número de mulheres no nível de chão de fábrica, digamos assim, no nível de representação de uma pasta ministerial são muito poucas mulheres.”

“E isso é presente não só no nos espaços governamentais, mas em todos os espaços de representação econômica, social e política no Brasil”, afirma Ana Julieta.

De acordo com o MGI, o número de mulheres em cargos e funções — comissionadas de direção e assessoramento e gratificações técnicas –, também aumentou ao longo dos últimos anos. 

A participação feminina, nesse caso, passou de 40% em 2022 para 42% em 2025.

Quanto aos cargos de direção e assessoramento de nível 13 a 17, o que inclui os de coordenadoras-gerais, diretorias, assessorias especiais, secretárias e equivalentes, o aumento da participação das mulheres foi maior, subindo de 34,9% em 2022 para 39,2% em 2025.

O comunicado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, ainda, “o esforço da atual gestão” em aumentar a participação feminina na Administração Pública Federal. 

Considerando apenas o total de cargos de direção e assessoramento criados pelo governo atual, dos 1.270 de nível 13 a 17, aqueles ocupados por mulheres somam 965 ou 76% do total.

Política de cuidado

O governo federal cita as políticas públicas desenvolvidas para ampliar e dar melhores condições para a presença feminina no mercado de trabalho, como a Lei de Igualdade Salarial, cotas para mulheres em situação de violência doméstica em contratações públicas e o Programa Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação na Administração Pública Federal.

A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília, Flavia Biroli, afirma que ações para se produzir relações mais igualitárias nos espaços de trabalho seguem sendo fundamentais, tanto para diminuir as assimetrias de acesso à empregabilidade, como para promover um debate público em torno dessas desigualdades.

Para ela, no entanto, é fundamental integrar essas ações com o Plano Nacional de Cuidado

“Um dos aspectos que levam às desigualdades de gênero entre mulheres e homens no espaço de trabalho é o fato de que a divisão sexual do trabalho que envolve a divisão do cuidado, faz com que as mulheres sigam sendo as principais responsáveis pelo cuidado de crianças pequenas, de pessoas com necessidades especiais e de idosos”, explica.

“A conciliação entre o trabalho remunerado e o trabalho não remunerado de cuidado é uma questão fundamental para gente ter igualdade nos espaços de trabalho”, disse, citando, por exemplo, uma complementaridade entre oferta de creches pelas empresas privadas e creches públicas de qualidade, “com horários compatíveis com os dos horários de trabalho das pessoas”.
 
A servidora pública Lais Barros, que é geógrafa e pedagoga, também membro do Coletivo de Mulheres Negras Servidoras e Empregadas Públicas do Governo Federal, lembra ainda, que essas políticas são reivindicações antigas do movimento feminista, uma resposta da luta dessas mulheres. 

“Em que pese, ainda tenhamos um longo caminho pela frente, essa luta vem tendo resposta e uma forma de a gente reconhecer isso é a implementação dessas políticas públicas”, afirma.

O coletivo também destaca que essas políticas buscam dar uma resposta a uma situação sistêmica, em um processo que leva tempo e que precisa de uma mudança cultural tanto no âmbito individual, quanto no âmbito institucional. Nesse sentido, para as servidoras, é preciso observar as respostas que serão dados, por exemplo, aos casos de assédio e à questão da equiparação salarial, pelo mercado privado e pelo poder público.

Representatividade

Para Lais, é preciso também garantir a representatividade da população brasileira no serviço público, com a implementação efetiva das políticas de cotas nos concursos públicos federais. 

“No final, a gente realiza política pública para quê e para quem? Sem essa representação, a gente não tem um olhar específico do retrato do que é a sociedade. Então quando a gente vai pensar no serviço público diverso, a gente está partindo do pressuposto de que existem diversos olhares”, diz.

“E um serviço público feito por essas pessoas, por pessoas que podem representar e trazer um pouco da sua história, representa um olhar focado e centrado em uma política pública de mais qualidade, não só em cargos de execução primária, mas também nas tomadas de decisão de qual país queremos e de qual sociedade queremos e como construir a cidadania dessa população brasileira”, completa.

Ana Julieta explica que cargos de execução primária envolvem, por exemplo, o trabalho de assistentes sociais, de enfermeiras, de técnicas de enfermagem e de profissionais de educação básica. Segundo ela, são cargos ocupados por mulheres negras, de menor reconhecimento social e menor nível remuneratório.

“E são todas ocupações de altíssima relevância para a sociedade brasileira”, destacou, cobrando que haja um maior reconhecimento das atuações na linha de frente, inclusive com maiores salários. 

“É fundamental para que as políticas públicas também possam refletir uma justiça social que atenda a maioria da população brasileira”, completa.