Galinho de Brasília honra a tradição do frevo e a paixão pelo futebol

O Galinho de Brasília, bloco tradicional que há 34 anos busca manter viva a tradição do frevo pernambucano no carnaval da capital do país, tem, na edição de 2026, um novo desafio: o de resgatar a paixão antiga do brasileiro pelo futebol.

Tendo como tema “Galinho na Copa: Frevando rumo ao Hexa”, o bloco, que em outros carnavais chegou a movimentar mais de 100 mil pessoas, foi às ruas da capital federal nesta segunda-feira (16) embalado pela Orquestra Marafreboi, conduzida pelo maestro Fabiano Medeiros; e pela Orquestra do Galinho, que tem à frente o maestro Ronald Albuquerque.

Notícias relacionadas:

“São muitos os tipos de frevo inventados em Pernambuco. É um ritmo tão rico que não é possível ser tocado por qualquer bandinha. São muitos instrumentos e naipes de metal ricos em contratempos. Só bons músicos dão conta de tocar esse ritmo que tanto orgulho causa ao povo de pernambuco”, explica a servidora pública pernambucana Damísia Lima, 52 anos – dos quais 21 em Brasília.
Damisia Lima fala com Agência Brasil durante carnaval de rua, bloco Galinho. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Sotaque, refúgio e tradição

Damísia é de Olinda, cidade pernambucana com mais tradição carnavalesca. “Nós pernambucanos temos muito orgulho de nossa cultura e de nossa música. Meu maior medo era perder meu sotaque. Graças a Deus o mantenho até hoje. Não perco nunca o Galinho de Brasília, porque ele é meu refúgio para aguentar passar o ano longe do Recife”, acrescentou em meio a elogios aos frevos de primeira qualidade levados pelos músicos da filial brasiliense.

Os organizadores do bloco estão atentos a essa tradição que tanto encanta velhas e novas gerações de pernambucanos. O diretor administrativo do bloco, Sérgio Brasiel, diz que o carnaval atualmente tem muitas vertentes.

“Hoje vemos diversos outros estilos musicais influenciando o carnaval. Até rock tem. Nossa proposta aqui é a de resgatar a essência do carnaval de Pernambuco. E, como 2026 é ano de Copa do Mundo, aproveitamos para trazer de volta a paixão antiga que o brasileiro tem pelo futebol”, explicou Brasiel, referindo-se ao tema adotado para a atual edição do Galinho de Brasília.

Ele cita os desafios de organizar o evento, especialmente por causa das burocracias impostas para as festas populares.

“O ideal era termos de três a quatro meses para nos dedicar à organização, mas acabamos fazendo isso em apenas 15 dias por conta dessa burocracia. Mas o bom é que deu certo e, depois de toda essa trabalheira, ficamos felizes ao ver a alegria dos nossos foliões”, acrescentou o diretor administrativo do Galinho de Brasília.

Organizador do bloco, Sérgio Brasiel. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

 

Experiência carnavalesca

Quem também viveu muito do carnaval de Olinda foi a professora Célia Varejão. Vestindo a camiseta da edição de 1995 do Galinho de Brasília, ela carregava, consigo, uma bandeira de sua terra natal e fazia declarações de amor ao clube do seu coração, o Flamengo.

“Adoro as coisas populares, tanto no carnaval como no futebol. São duas coisas que, se deixam de ser populares, perdem sua essência. Por isso fico indignada com os preços cobrados nos estádios, como fizeram aqui, na final da Supercopa”, acrescentou, referindo-se à partida disputada recentemente em Brasília, entre Flamengo e Corinthians.

Carnaval tranquilo

As duas pernambucanas elogiam a segurança da folia em Brasília. Damísia, inclusive, diz preferir a da capital federal, na comparação com o bloco original pernambucano, o Galo da Madrugada.

“Em Pernambuco é gente demais. Acho que, por ter menos gente, o Galinho de Brasília me possibilita curtir mais a festa. Canso menos e, por isso, consigo ficar mais tempo na festa. A verdade é que minha fase de festas grandes já passou. Prefiro festas como a de Brasília. Até porque o frevo daqui é legítimo”, argumentou a foliã.

Benedito Cruz Gomes elogia a tranquilidade do carnaval de Brasília. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Essa tranquilidade do carnaval de Brasília agrada também o servidor público Benedito Cruz Gomes, 47. Acompanhado da esposa e de duas filhas, ele diz que “carnaval é coisa de família; um espaço livre para brincadeiras”.

“Há 30 anos eu já frequentava o Galinho de Brasília”, disse o folião que vestia uma fantasia que misturava os heróicos personagens Chapolin Colorado e He Man. “Esse bloco sempre esteve presente na minha vida porque eu moro aqui perto. Agora, está presente também na vida das minhas filhas”, acrescentou.

De volta à brincadeira

Apesar de morar na cidade de Viçosa, em Minas Gerais, o produtor de café Guilherme Fontes, 48, também conheceu as primeiras edições do bloco. “Vim em um dos primeiros Galinho de Brasília, e sempre tenho vontade de voltar, até porque tenho amigos aqui”, disse o cafeicultor.

Ele também elogia o “ambiente tranquilo e familiar” do carnaval brasiliense. “Para mim, carnaval é sinônimo de brincadeira”, disse ele em meio a infindáveis guerras de spray de espuma com a esposa e com crianças filhas de seus amigos.

Outro pernambucano que é frequentador assíduo do Galinho de Brasília é o engenheiro Alex França, 30. Natural de Caruaru, que segundo os pernambucanos é a capital das festas juninas, ele diz que acompanhou muitas das etapas pelas quais o festejo brasiliense passou.

Natural de Caruaru, Alex França curte o bloco Galinho. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

“Lembro que, há alguns anos, a estrutura do Galinho de Brasília era mais precária e com menos policiamento. Hoje temos mais segurança por aqui, o que motiva cada vez mais pessoas a frequentarem o bloco”, disse.

34 anos de história

Fundado em 1992 por um grupo de pernambucanos radicados no Distrito Federal, o Galinho surgiu como uma alternativa afetiva para quem não pôde viajar ao Recife para participar do lendário bloco Galo da Madrugada .

Os organizadores do bloco explicam que o primeiro desfile ocorreu “em um contexto econômico adverso, marcado pelo confisco das poupanças, que impediu muitos nordestinos de viajarem para brincar o Carnaval em Pernambuco”.

Segundo eles, a experiência foi tão marcante que, após o Carnaval, os foliões fundaram o Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina – GREN Galinho de Brasília, com o objetivo de preservar e difundir as tradições culturais nordestinas na capital federal.

Brasília (DF), 15/02/2026 – Carnaval de rua, bloco Galinho. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil – Joédson Alves/Agência Brasil

 

Rio Open: João Fonseca e Marcelo Melo garantem 1ª vitória brasileira

O jovem carioca João Fonseca, de 19 anos, e o experiente mineiro Marcelo Melo, 42, estrearam com vitória no torneio de duplas do Rio Open. Na tarde desta segunda-feira (16), eles venceram a parceria do argentino Ramón Burruchaga com o italiano Andrea Pellegrino por 2 sets a 0, parciais de 6/4 e 6/4, na Quadra Guga Kuerten, a principal do Jockey Club Brasileiro, que fica na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro.

Principal nome do tênis brasileiro na atualidade, João é o 38º colocado do ranking de simples da Associação de Tenistas Profissionais (ATP), mas não está habituado a jogar como duplista, assim como Burruchaga e Pellegrino.

Notícias relacionadas:

Marcelo, ao contrário, é o número 59 do mundo nas duplas e ocupou a liderança em 2015. Além disso, foi campeão do torneio no ano passado, ao lado do gaúcho Rafael Matos.

Inicialmente, João e Marcelo enfrentariam o bósnio Damir Dzumhur e o francês Alexandre Müller. Minutos antes de a partida começar, a organização informou que Müller desistiu do Rio Open devido a uma distensão muscular.

Com isso, Burruchaga – que é filho de Jorge Burruchaga, ex-jogador de futebol e campeão mundial pela Argentina em 1986 – e Pellegrino foram chamados de última hora. O primeiro também está na chave principal de simples. O segundo caiu no qualifying – fase preliminar, que reúne atletas de menor posição no ranking da ATP – pelo lituano Villius Gaubas no último domingo (15).

Nas quartas de final, os brasileiros enfrentam quem passar no confronto dos argentinos Andrés Molteni (24º) e Máximo González (31º) contra a parceria do equatoriano Gonzalo Escobar (76º) com o holandês Jean-Julien Rojer (85º). A partida ainda será marcada.

Além do torneio de duplas, João também está na disputa de simples. A estreia será em um duelo 100% brasileiro, contra o cearense Thiago Monteiro, número 208 do mundo e que ocupou o 61º posto em 2022. A previsão é que a partida ocorra nesta terça-feira (17), em horário e quadra a serem definidos pela organização.

O Rio Open ocorre desde 2014. É uma competição nível 500, o terceiro em importância e valor de pontuação no calendário, atrás somente dos torneios nível 1000 e dos Grand Slams, como são conhecidos os quatro maiores eventos do tênis mundial: Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open.

Em SP, bloco mistura clássicos do Black Sabbath com ritmos brasileiros

Um bloco de carnaval que transforma os clássicos do grupo inglês Black Sabbath em ritmos brasileiros. Essa é a ideia do Bloco Sabbath, que se apresentou pela primeira vez em 2026 e reuniu dezenas de fãs de rock em uma quadra no bairro de Perdizes, na capital paulista, na tarde desta segunda-feira (16). 

O grupo idealizou o bloco em 2019, com o objetivo de estrear em 2020, mas a pandemia de covid-19, adiou os planos. 

Notícias relacionadas:

“Tudo mudou em 2025, após o show final do Black Sabbath em julho e a morte de Ozzy Osbourne semanas depois. Vimos isso como um chamado e reunimos os interessados para fazer acontecer”, diz o bloco em uma postagem nas redes sociais. 

O vocalista da banda do bloco, Daniel Sollero, contou que a ideia foi de criar o bloco foi de sua esposa, que conseguiu convencê-lo a juntar os ritmos brasileiros como maracatu, frevo, afro, samba, reggae, com as músicas do Black Sabbath e de seu fundador Ozzy Orbourne, falecido em 2025. 

“Nos juntamos com a cervejaria Cerne que também queria um bloco e conseguimos fazer essa coisa linda, um montão de gente vindo curtir. O carnaval é uma celebração  celebração da vida e nós estamos celebrando a vida e a obra do Ozzy”, afirmou. 

A cantora Paula Souto foi ao bloco para acompanhar o marido, que é fã da banda, e ver os amigos cantarem. Ela contou que adorou a ideia de misturar rock com carnaval. 

“Eu gosto de rock, já fui a vários shows do Black Sabbath, mas eu confesso que não conheço todas as músicas. Meu marido é mais roqueiro do que eu. Meu marido é mais roqueiro do que eu, mas eu vou me divertir da mesma maneira”.

A atriz  Margo de Cobervile, de 65 anos,  foi ao bloco por achar que a proposta é irreverente e a mistura do heavy metal com os ritmos brasileiros traz um colorido especial para a folia. 

“Sou muito fã de rock, de Black Sabbath e o carnaval é a manifestação mais democrática que temos no Brasil.  Muitas pessoas recriminam o carnaval, falam que é coisa do diabo, no entanto, é uma manifestação que, além de gerar muitos empregos, traz alegria e expressa nossa cultura, nossos valores”, disse. 

São Paulo (SP), 16/02/2026 – Desfile do Bloco Sabbath, na Rua Caetés na Pompéia. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

 

Bloco Bafo da Onça celebra 70 anos com desfile em Santa Teresa, no Rio

O Bafo da Onça comemorou 70 anos com um desfile especial nesta segunda-feira de Carnaval (16), marcando um novo capítulo na história do bloco. Em 2026, a agremiação ocupou pela primeira vez as ladeiras de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, e estreou uma bateria com mais de 100 ritmistas. 

Outra novidade foi a parceria com o Cacique de Ramos, grupo que já foi rival, mas hoje é um aliado.

Notícias relacionadas:

Fundado em 1956, em um botequim do Catumbi, por Sebastião Maria, conhecido como Tião Maria, o Bafo da Onça é o segundo bloco em atividade mais antigo do Rio de Janeiro, atrás apenas do Cordão da Bola Preta. Ao longo de sete décadas, tornou-se símbolo do carnaval de rua e da cultura popular carioca. Há mais de 50 anos, o bloco é liderado por Roberto Saldanha, o Capilé.

A mudança para Santa Teresa é vista pelos integrantes como um retorno às origens.

“É o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. É uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boa”, afirma Rafa Manso, integrante do bloco.

“A oncinha mostra o quanto a gente é uma fera. É uma personagem central do bloco”, explica.

Para o presidente do bloco, Roberto Saldanha, desfilar em Santa Teresa tem um significado especial.

“Isso aqui para mim é um sonho. Eu tô no meu quintal. Eu tô em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. Não tem nada de confusão, problema, aqui a gente só quer brincar”, declara.

Entre os destaques do cortejo está Chelen Verlink, Rainha do Bafo da Onça, que acompanha o bloco desde a adolescência.

“Comecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o bloco”, explica Chelen.

“Minha mãe sempre gostou e o presidente me fez esse convite. Desde então, venho participando ativamente. O Bafo sempre foi um bloco família para mim”, complementa.

O desfile relembra a reconstrução depois que um incêndio atingiu a sede histórica do Bafo da Onça em 2020, destruindo instrumentos, fantasias e parte do acervo. Como parte desse processo, o bloco estreou uma nova bateria, equipada com instrumentos adquiridos por meio de emenda parlamentar.

Outro destaque do desfile foi a parceria com o Cacique de Ramos. A aproximação começou em 2025, quando a tradicional roda de samba do Cacique se apresentou pela primeira vez na quadra do Bafo, durante o evento Mergulho da Onça.

“Na realidade, nós nunca fomos rivais. Nós somos irmãos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval é festa”, reforça Saldanha.

Entre os foliões, a novidade também é celebrada. Luana Brito, de 31 anos, saiu de Bangu, na Zona Oeste, para acompanhar o desfile.

“Eu já tinha planejado vir. No sábado, fui para outros blocos, mas hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que é um bloco muito bom. Essa parceria é perfeita. A expectativa é que seja perfeito”, diz Luana.

Para os integrantes, a união entre blocos tradicionais fortalece o carnaval de rua.

“Vai atrair mais público. É bom que outros blocos também se unifiquem para valorizar os blocos tradicionais”, avalia Rafa.

O desfile de 70 anos mantém o Bafo da Onça no circuito oficial e reafirma a vocação do bloco de ocupar o espaço público como território de encontro, memória e festa.

Ator norte-americano Robert Duvall morre aos 95 anos

O ator norte-americano Robert Duvall morreu neste domingo (15), aos 95 anos. A informação foi dada pela esposa, Luciana Duvall, pelas redes sociais, nesta segunda-feira (16). O post não informou a causa da morte, mas Luciana disse que Robert “faleceu em casa, em paz, cercado de amor e conforto”.

“Em cada um de seus muitos papéis, Bob se entregou por completo aos seus personagens e à verdade do espírito humano que eles representavam. Ao fazer isso, ele deixa algo duradouro e inesquecível para todos nós”, escreveu Luciana Duvall, companheira de Robert desde 2005.

Notícias relacionadas:

“Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, um diretor, um contador de histórias. Para mim, ele era simplesmente tudo. Sua paixão pelo seu ofício era igualada apenas por seu profundo amor pelos personagens, por uma boa refeição e por reunir as pessoas ao seu redor”, complementou a esposa do artista.

Duvall começou a carreira no teatro na década de 50, e estreou nos cinema em 1962, interpretando Arthur “Boo” Radley, na adaptação do clássico da literatura, O Sol É para Todos. Na longa carreira, participou de muitas obras icônicas da filmografia holliwoodiana, como Bravura Indômita, Rede de Intrigas, Apocalipse Now e a triologia O Poderoso Chefão. Seu último trabalho foi uma participação no filme O Pálido Olho Azul, lançado em 2022.

O ator concorreu a sete prêmios Oscar e foi vencedor em 1983, pelo seu papel no faroeste A Força do Carinho. Também foi indicado sete vezes ao Globo de Ouro, com quatro vitórias. Sua última indicação a ambos os prêmios foi por ator coadjuvante por seu papel em O juiz.

 

Tênis: parceria de Luisa Stefani vai para as oitavas de final em Dubai

A paulista Luisa Stefani volta a jogar pelo torneio de duplas femininas do WTA 1000 de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, na manhã desta terça-feira (17). A parceria entre a brasileira, 14º do ranking da Associação de Tênis Feminino (WTA, na sigla em inglês), e a canadense Gabriela Dabrowski (10ª) terá pela frente a tcheca Marie Bouzkova (89ª) e a indonésia Janice Tjen (57ª).

A partida será a terceira da Quadra 4 do complexo de tênis que recebe o torneio. O primeiro compromisso do dia está marcado para às 4h (horário de Brasília). Ou seja: a dupla de Luisa – que foi medalhista olímpica de bronze nos Jogos de Tóquio, no Japão – não deve jogar antes de 7h.

Notícias relacionadas:

Nesta segunda-feira (16), a parceria entre a brasileira mais bem colocada do ranking mundial e a canadense estreou com vitória por 2 sets a 0 sobre as australianas Maya Joint (37ª) e Kimberly Birrell (111ª), parciais de 6/3 e 6/4. Foi o oitavo triunfo delas na temporada.

A dupla vem de duas quedas seguidas em semifinais: no WTA 1000 de Doha, no Catar, e no Aberto da Austrália. Ambas para a mesma parceria: a cazaque Anna Danilina (7ª) e a sérvia Aleksandra Krunic (11ª). Um novo encontro entre elas pode ocorrer em Dubai – curiosamente, na mesma fase do campeonato.

Os torneios nível WTA 1000 são os principais do circuito da modalidade. Em importância e pontuação, só ficam atrás das quatro maiores competições do tênis, os Grand Slams: Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open.

Carnaval: salva-vidas resgatam 453 pessoas no litoral fluminense

Agentes do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro (CBMERJ)  resgataram 453 pessoas em situação de afogamento desde a última sexta-feira (13). O trabalho da corporação nas praias de todo o estado foi reforçado, já que o número de banhistas aumenta significativamente no período do carnaval.

Desde o início do verão, boa parte dos salva-vidas estão trabalhando em postos móveis, como explica o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do CBMERJ, Coronel Tarciso Salles:

Notícias relacionadas:

“Essas estruturas ampliam a nossa capacidade de resposta e garantem mais mobilidade às equipes, que podem se reposicionar de forma estratégica conforme o fluxo de banhistas e as mudanças nas condições do mar. Com isso, tornamos o atendimento ainda mais ágil, eficiente e preventivo em toda a orla do estado”

Os agentes também contam com o auxílio de drones com alta resolução e câmeras térmicas, para facilitar a localização de pessoas em situação de emergência.

Desde 1 de janeiro, já foram realizados mais de 4,8 mil resgates no litoral fluminense.

 

Jogos de Inverno: Brasil encerra campanha histórica no esqui alpino

A participação histórica do Brasil no esqui alpino masculino dos Jogos de Inverno de Milão e Cortina, na Itália, chegou ao fim nesta segunda-feira (16), com as disputas do slalom. Ouro na versão “gigante”, Lucas Pinheiro Braathen se desequilibrou e caiu na primeira das duas descidas que precisava fazer, o que o deixou fora da briga por medalha, assim como Christian Soevik. Único atleta do país a finalizar a prova, Giovanni Ongaro ficou na 27ª colocação, a melhor de um brasileiro nesta disciplina.

Nesta quarta-feira (18), a partir das 6h (horário de Brasília), será a vez de o Brasil marcar presença no esqui alpino feminino. Mais jovem integrante da delegação verde e amarela em Milão-Cortina, a carioca Alice Padilha, de 18 anos, participa da prova do slalom.

Notícias relacionadas:

Na disputa, os atletas encararam, duas vezes, um percurso com mastros fincados na neve, chamadas “portas”, pelas quais eles devem passar. As hastes são separadas por 13 metros, quase o dobro dos cerca de 25 metros da disciplina “gigante”. A menor somatória de tempo nas duas descidas define o ganhador.

O ouro foi para o suíço Loic Meillard – que tinha sido o terceiro no slalom gigante. O austríaco Fabio Gstrein levou a prata e o norueguês Henrik Kristoffersen o bronze.

Após a conquista do último sábado (14), Lucas retornou a Bormio, nos Alpes italianos, como favorito a outra medalha olímpica. O esquiador nascido em Oslo, Noruega, mas que desde 2025 representa o Brasil, país de sua mãe, acabou se complicando com a neve intensa e a baixa visibilidade e caiu na metade do percurso.

“Eu e o Brasil não estávamos aqui nos Jogos Olímpicos de Inverno só para participar. Estávamos aqui para fazer a diferença, trazer nossas cores, outra mentalidade, outra cultura e celebrar essa diversidade do Brasil e do esporte. Vejo que a gente tem vários atletas brasileiros que provavelmente vão crescendo a cada ano, isso é algo muito lindo. E tudo isso representa meu propósito na vida”, disse Lucas, em depoimento ao Comitê Olímpico do Brasil (COB).

O segundo representante verde e amarelo a competir nesta segunda foi Christian, que também é filho de mãe brasileira e pai norueguês, mas é natural do Rio de Janeiro e foi morar com a família no país nórdico com um ano. A estreia olímpica, porém, não foi como a esperada. O carioca perdeu o equilíbrio na descida e saiu cedo da disputa.

Somente 44 dos 96 atletas concluíram a primeira parte da prova. Um deles foi Giovanni, que cumpriu o percurso em 1min04s66. Na segunda descida, o esquiador de Clusone, na Itália, mas que é filho de mãe brasileira, reduziu em mais de dois segundos a marca inicial (1min02s21), totalizando 2min06s87, na 27ª posição. O resultado supera o 39º lugar da fluminense Maya Harrison, na Olimpíada de Sochi, na Rússia, em 2014.

“Não fiquei tão feliz pela primeira descida, porque não consegui esquiar muito veloz. Mas a segunda descida foi boa e fiquei feliz por ela. Agora vou celebrar com minha família e os fãs brasileiros e italianos”, celebrou Giovanni, também em entrevista à comunicação do COB.

Brasil estreia no bobsled

Também nesta segunda-feira, teve início a participação brasileira no bobsled, modalidade em que os atletas descem uma pista de gelo a bordo de um trenó e que pode ser disputada com dois (2-men) ou quatro (4-men) competidores. A estreia verde e amarela foi no 2-men, com o baiano Edson Bindilatti e o paulista Luís Bacca.

A disputa do bobsled consiste em quatro descidas, sendo duas em um dia e mais duas no outro. Vence quem obtiver a menor somatória de tempos. Edson e Luís aparecem, no momento, na 24ª colocação, totalizando 1min53s76 após duas baterias. A liderança é dos alemães Johannes Lochner e Georg Fleischhauer, com 1min49s90.

A terceira descida será nesta terça-feira (17), às 15h (horário de Brasília). Para poderem disputar a quarta e última bateria, os brasileiros têm de alcançar, ao menos, o 20º lugar.

“O push [largada do bobsled, em que os atletas correm entre 50 e 60 metros junto do trenó e o empurram com toda força para a descida] continua sendo competitivo. Acho que agora é ver os vídeos, entender mais o que fizemos, o que erramos, o que podemos melhorar. É tentar ser melhor ainda amanhã [terça]. Isso aqui é um treino de luxo para o nosso 4-man”, disse Edson, ao COB, fazendo menção à prova que eles terão pela frente nos próximos sábado (21) e domingo (22).

Pé-de-Meia Licenciaturas: cadastro para participar começa amanhã

O Ministério da Educação (MEC) inicia nesta terça-feira (17) o período de cadastramento de currículo e pré-inscrição de interessados em participar do Pé-de-Meia Licenciaturas 2026.

Em nota, a pasta informou que estudantes elegíveis devem se cadastrar exclusivamente pela Plataforma Freire, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Nesta edição, serão concedidas até 12 mil bolsas, conforme critérios adicionais de ocupação de vagas estabelecidos em edital. O MEC disponibiliza um tutorial que orienta sobre a etapa necessária para fazer parte do programa.

Quem pode participar

São elegíveis candidatos que obtiveram nota igual ou superior a 650 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que foram aprovados em cursos de licenciatura, na modalidade presencial, por meio de um dos seguintes programas:

  • Sistema de Seleção Unificada (Sisu);
  • Programa Universidade para Todos (Prouni);
  • Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

A iniciativa concede bolsa mensal no valor de R$ 1.050, dos quais R$ 700 podem ser sacados imediatamente.

Os outros R$ 350 serão destinados a uma poupança, cujo saque está condicionado ao ingresso do bolsista como professor em uma rede pública de ensino, em até cinco anos após o término da licenciatura.  

 

Com João Fonseca, brasileiros disputam chaves principais do Rio Open

Os jogos das chaves principais do Rio Open, a maior competição de tênis da América do Sul, começam nesta segunda-feira (16). O evento teve início no último sábado (14) com as disputas do qualifying, uma fase preliminar que reúne atletas de menor posição no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP).

Realizado desde 2014, o Rio Open ocorre no Jockey Club Brasileiro, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Trata-se de um torneio nível 500, o terceiro em importância no circuito da ATP, atrás apenas das competições nível 1000 e dos Grand Slams, que são os quatro maiores eventos do tênis mundial (Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open).

Principal nome do tênis brasileiro na atualidade e número 33 do mundo em simples, João Fonseca abre a participação verde e amarela no Rio Open às 16h30 (horário de Brasília), na Quadra Guga Kuerten, mas na chave de duplas. O carioca de 19 anos terá como parceiro o experiente mineiro Marcelo Melo, de 42 anos, e que tem dois títulos de Grand Slam no currículo. Eles encaram o bósnio Damir Dzumhur e o francês Alexandre Müller.

Apesar de não ter pontuação como duplista, João recebeu um wild card – convite dado a tenistas que não têm ranking para entrarem direto na chave principal – da organização. Marcelo, ao contrário, construiu a carreira jogando em parcerias, ocupando o 55º lugar da ATP, tendo sido número um do mundo em 2015. Dzumhur e Müller, assim como o carioca, são habituados às disputas de simples e têm baixas colocações na lista de duplas. O bósnio é apenas o 588º e o francês o 445º.

O duelo seguinte na Guga Kuerten, que não começa antes de 19h, também envolve um brasileiro, mas na chave de simples. O paulista Gustavo Heide, número 257 do mundo e outro contemplado com um wild card da organização, vai medir forças com o tcheco Vit Kopriva (95º).

Por fim, no último confronto da noite na quadra, João Lucas Reis (207º) tem pela frente o veterano alemão Yannick Hanfmann (90º). O pernambucano também compete na chave principal do Rio Open como convidado.

Há, ainda, um quarto confronto envolvendo brasileiro nesta segunda. No terceiro jogo da Quadra 1 do Jockey Club, Igor Marcondes (350º) encara o peruano Ignácio Buse (96º).

O paulista teve de superar o qualifying para atingir, pela primeira vez, uma chave principal de ATP 500 na carreira, aos 28 anos. A vaga veio no último domingo (15), ao derrotar o português Jaime Faria (148º) por 2 sets a 0, parciais de 6/1 e 7/6 (7-5).

Brasilidade em massa

Ao todo, o Brasil terá seis representantes no torneio de simples, um recorde. Dois deles, inclusive, duelam entre si na primeira rodada, em confronto que ainda será marcado. De um lado, João Fonseca. Do outro, Thiago Monteiro.

O cearense de 31 anos e número 209 do mundo (mas que já foi o 61º) se classificou pelo qualifying. No domingo, ele venceu o sérvio Dusan Lajovic (123º) por 2 sets a 1, de virada, com parciais de 2/6, 6/3 e 6/3.

Outro que tem pela frente um rival do qualifying, mas estrangeiro, é Guto Miguel, de 16 anos e o terceiro do mundo entre os juvenis. Atualmente na 1586ª posição do ranking adulto, o goiano, que recebeu um dos wild cards da organização, está primeira vez na chave principal de um ATP 500 e vai encarar o lituano Vilius Gaubas (127º). A partida ainda será agendada.

Nas duplas, além de João Fonseca e Marcelo Melo, o Brasil terá mais três parcerias. Uma delas é 100% gaúcha, entre Orlando Luz, número 54 do mundo, e Rafael Matos (34º). No domingo, eles conquistaram o ATP 250 de Buenos Aires, na Argentina, ao baterem os anfitriões Nicolás Kicker e Andrea Collarini por 2 sets a 0, parciais de 7/5 e 6/3. No Rio Open, Orlandinho e Rafa estreiam contra o argentino Guido Andreozzi (31º) e o francês Manuel Guinard (25º), em jogo a ser marcado pela organização.

Outro gaúcho, Marcelo Demoliner (82º), disputa a competição ao lado do carioca Fernando Romboli (45º). Eles debutam contra os franceses Sadio Doumbia (26º) e Fabien Reboul (27º). Os paulistas Felipe Meligeni Alves (441º) e Marcelo Zormann (154º), por sua vez, têm pela frente a parceria do belga Sander Gillé (61º) com o holandês Sem Verbeek (59º). Os dois compromissos ainda não foram agendados.

No ano passado, Rafael Matos e Marcelo Melo atuaram juntos e foram campeões. O primeiro também venceu a edição de 2024, tendo como o colombiano Nicolás Barrientos como parceiro. Foram as únicas conquistas do Brasil no Rio Open.

“O novo sempre vem”, diz fundador do Rec-Beat nos 30 anos do festival

Considerado como um dos principais polos de resistência cultural e de janela para a música independente e multicultural no país, o Festival Rec-Beat chega aos seus 30 anos mantendo vivas a vitalidade e inquietação que marcaram sua origem.

Fundado em 1995 por Antonio Gutierrez, o Gutie, o Rec-Beat construiu, ao longo de sua história, uma trajetória pautada pela diversidade, onde diferentes públicos, estéticas e gerações se encontram em meio ao frenesi das troças, do frevo e dos maracatus que agitam o Carnaval pernambucano.

Notícias relacionadas:

O Festival começou no sábado (14) gordo de Carnaval e vai até a terça-feira (17). Nesses dias, o Cais da Alfândega, no Recife, se transforma em um território onde a regra é a experimentação, já que o festival se consolidou como um espaço de descoberta e circulação de novas ideias musicais, unido pelo diálogo entre tradições e vanguardas.

Entre os destaques desta edição, que faz um diálogo entre cenas do Brasil, da América Latina e da África, estão artistas como NandaTsunami, AJULLIACOSTA, Carlos do Complexo e Jadsa, que se somam a feras como como Djonga, Johnny Hooker, Chico Chico, Josyara e Felipe Cordeiro – que celebra 20 anos de carreira como um dos pioneiros na fusão de sonoridades amazônicas, dividindo o show com Layse, nome emergente da cena paraense.

Para falar um pouco sobre o festival, um catalisador cultural que conecta modernidade e ancestralidade, a Agência Brasil bateu um papo com o fundador do Rec-Beat, Gutie. Ele contou um pouco sobre a dinâmica do festival, seus causos e fez algumas observações sobre a cena dos festivais independentes no país.

Festival Rec-Beat celebra 30 anos, com programação eletrônica no Cais da Alfândega – Ariel Martini / I Hate Flash

Agência Brasil: Queria que você começasse falando dos 30 anos de Rec-Beat. Como o festival foi pensado para esse ano de comemoração?

Gutie: Olha, a gente sempre tem esse desafio, de fazer o festival a cada ano. A gente, na verdade, manteve muito o conceito do festival. Uma das novidades que a gente está fazendo nesses 30 anos, além, evidentemente, de mexer no baú da memória, foi buscar muito da história do festival. Até foi uma coisa surpreendente, que a gente começou a encontrar muito conteúdo, começou até a gerar um conteúdo histórico do festival nas nossas redes. Está sendo bem interessante revisitar isso.
Eu tinha uma ideia, já há algum tempo, que vinha acontecendo no festival, que é a presença eletrônica na nossa programação. Eu queria muito ter uma coisa mais focada ainda, trazendo DJs, tudo. Então, neste ano, eu concretizei uma ideia de criar um selo: é um evento mesmo que a gente quer dar continuidade, chamado Moritz.
A gente abriu a primeira noite do festival com uma programação só voltada para DJs nacionais, locais e internacionais, e já com a perspectiva do Moritz se tornar também um evento autônomo com o tempo, podendo acontecer associado ao Rec-Beat e também pode acontecer de uma forma independente.
Essa é uma, como eu te disse, é uma ideia que eu tinha alimentando já há um tempo, que a gente concretizou agora. E no mais, a gente manteve a ideia do festival da diversidade, de buscar relevância em todas as regiões do Brasil.
E também a gente que vem fazendo há vários anos essa questão de olhar para a América Latina, para a África. Então, esse é o resultado da programação que a gente conseguiu montar nesses 30 anos.

Agência Brasil: Você falou sobre manter a identidade do festival. Conta um pouquinho como foi essa ideia de criar o festival? Como surgiu?

Gutie: O Rec-Beat nasceu naquele ambiente efervescente dos anos 90. No início dos anos 90, quando a gente teve aqui no Recife, todo aquele boom, que hoje é conhecido como Manguebeat, e eu vivia naquele ambiente.
Então, os amigos, os lugares que a gente frequentava, era tudo compartilhado. A gente compartilhava muito esses espaços. E eu fiquei muito impactado, evidentemente, com o que estava acontecendo. Aí eu criei uma festa. E olha, eu era jornalista, não tinha nada. Era uma diversão mesmo.
Eu criei uma festa com o nome Rec-Beat, em um casarão no centro histórico da cidade. Na verdade, era um puteiro que recebia marinheiros. Era o Francis Drinks, também conhecido como Adílias Place e eu comecei a fazer umas festas chamadas Rec-Beat.
Aí surgiu uma oportunidade, eu mandei 12 bandas para São Paulo, para a [casa de shows] Aeroanta, pela época em 1993. Foi quando, meio que pode-se dizer que foi a edição zero do Rec-Beat, porque a gente reuniu lá 12 bandas na Aeroanta e foi impactante, assim, com uma repercussão muito grande.
Aí eu comecei a perceber que, no carnaval, que eu gostava muito e frequentava Olinda. Na época, não tinha o carnaval no Recife, como tem hoje. Eu percebia que as pessoas tinham aquela curiosidade para entender que som era aquele que tanto se falava, né, que estava acontecendo no Recife, em Pernambuco. Onde estava aquele som.
Então, eu criei um minifestival, que era o Rec-Beat, num centro histórico, no Centro Luiz Freire, que tinha um quintal. Ainda existe o espaço. E aí eu comecei a programar, durante o carnaval, as bandas.
Ali a gente ficou com três edições, depois a gente recebeu um convite da prefeitura do Recife, para que a gente contribuísse para fomentar esse carnaval no bairro do Recife, que é o sítio histórico. Então, nos mudamos para o sítio histórico e aí o festival começou a crescer, foi ganhando outras proporções.
O que antes era uma coisa muito para a cena local, a gente ampliou para a cena nacional, todas as regiões. A gente olhou muito para a produção do Pará, Bahia e outras regiões do Brasil.
Também comecei a olhar para a América Latina, para o continente africano. Então, hoje o Rec-Beat é fruto dessa evolução de olhares. Eu acho que nós [do festival] temos um olhar bastante periférico, me interessa muito o que acontece nas periferias. Não só a periferia urbana aqui do Recife e de outras capitais do Brasil, mas a periferia mesmo de países, de regiões do mundo, do Sul global, aquilo que não está no centro, mas que a gente sabe que tem uma produção e uma proposta muito inovadora, muito impactante, que com o tempo acaba sendo adotada pela indústria. Porque eu entendo que os movimentos periféricos, em todos os sentidos, são determinantes para a construção de movimentos culturais que se tornam universais.

Agência Brasil: É meio aquela imagem da antena parabólica fincada no mangue?

Gutie: Eu acredito em muito disso, da diversidade, de encontros, de aquela coisa plural, de você ter a tradição com novas tendências, o eletrônico. Por isso, quando a gente fala de uma programação eletrônica, também sempre teve no DNA do festival, assim como a gente coloca um afoxé, um maracatu, ou uma coisa assim, como uma atração, como o Momi Maiga.
Isso sempre esteve presente, desde o conceito do Manguebeat, a gente esteve presente muito na cultura brasileira, essa coisa da diversidade está presente no Rec-Beat, porque não tem como a gente não traduzir isso, né?

Agência Brasil: É muito interessante o Rec-Beat acontecer no período do Carnaval, tem tudo a ver. Para algumas pessoas, no entanto, pode não parecer óbvio, pode parecer bem diferente realizar um festival no meio de uma festa de dia muito grande.

Gutie: Olha, no início, rolavam mais estranhamentos do que hoje, sabe! As pessoas achavam que era um evento invasivo, mas aí foram percebendo que o Rec-Beat não é um evento anti-Carnaval, é bem pelo contrário. A nossa proposta se soma à diversidade do Carnaval, então a gente contribui com uma célula dentro dessa, de todas as propostas que o Carnaval apresenta.
Eu acho até quem com o tempo, o Rec-Beat influenciou outros festivais fora daqui e também o Carnaval. Hoje, tem muitos palcos que emulam o Rec-Beat. A gente era um palco, mas com o tempo, a gente acabou, acredito, influenciando esse conceito, de palco, de shows.
Eu gosto do Rec-Beat com palco, mas adoro também a tradição do Carnaval de rua, de chão, né? Com as troças, com os blocos, com as agremiações tradicionais. Isso, pra mim, é o verdadeiro Carnaval mesmo.
A gente complementa, mas a gente não pode transformar o Carnaval em um grande palco. 

Agência Brasil: Vocês não estão disputando com o Carnaval. Tem um lugarzinho pra todo mundo e não é disputar com essa ideia do Carnaval, né?

Gutie: Sim, eu gosto muito da coisa da tradição, sabe!? Do Carnaval como uma manifestação espontânea das pessoas. É isso que move o Carnaval. O Carnaval já é vivo, tem essa pujança no Brasil todo, é feito pelas pessoas. A gente dá essa contribuição, organiza um pouco a bagunça.
A gente recebe, no nosso público, pessoas que vêm de Olinda, que vão para os blocos, para as troças e à noite vêm pro nosso palco. Ou seja, são pessoas integradas ao Carnaval, que estão curtindo o Carnaval.
E também o nosso público se renovou muito, se renova. Então, nosso público é bem jovem, que mostra que o pessoal tem um frescor.

Fundador do festival Rec-beat, Antonio Gutierrez, o Gutie – Victor Jucá/Divulgação

Agência Brasil: O festival, então, dialoga com novas gerações, né?

Gutie: Isso é legal porque você, de certa forma, cria o futuro. Você assegura o futuro quando você tem um público que ainda vai vivenciar muito, não só o Rec-Beat, mas o Carnaval como um todo.

Agência Brasil: Falando em público, como é que você vê essa cena de festivais independentes?

Gutie: Eu acompanho. A gente tem a Abrafin [Associação Brasileira de Festivais Independentes]. Eu faço parte de uma associação Ibero-Americana, chamada para Desenvolvimento da Indústria da Música Ibero-Americana.
Eu frequento muito a convite de festivais e feiras de músicas nacionais e internacionais, faço curadoria. Agora mesmo eu faço parte de um comitê internacional de arte de um evento na Costa do Marfim, nada de Música. Já prestei curadoria no Tenerife, na Colômbia.
Eu tenho esse olhar, assim, para todos os lados, acompanho os festivais. E nós vivemos, logo após o pandemia, um boom de festivais. E como toda bolha, acho que agora passou por uma acomodação. Acho que ficaram os festivais mais tradicionais, os que já são uma coisa bem estabelecida, inclusive aqui em Pernambuco.
Mas os festivais como o Rec-Beat, que a gente chama de festival independente, têm uma certa dificuldade mesmo de se manter, porque os grandes festivais são meio predatórios, no sentido de atração de recursos.
Você vê que uma empresa que poderia entrar em dez festivais pelo Brasil e joga todos os recursos em um só, mais midiático. Então os festivais têm essa dificuldade e o Rec-Beat também, porque é gratuito. Eu só lanço a programação quando a gente tem certeza que temos recursos para fazer.
Então isso é outro desafio do festival e não só do Rec-Beat. A maioria dos festivais brasileiros que seguem essa trilha, inclusive os pagos, têm dificuldade. E no Nordeste também, porque existe uma cultura de investimento em patrocínio das empresas muito centralizada no Sudeste. Falta uma visão, acredito, de que existe uma riqueza cultural e propostas de eventos muito interessantes no Nordeste.
Acho que passa muito também pela visão do marketing das empresas, das pessoas que estão à frente disso. Tem muita aposta no óbvio e o Rec-Beat não aposta no óbvio e outros festivais não são óbvios. E isso exige um pouco de sensibilidade, exige um pouco de entendimento, um pouco de esforço para quem decide os investimentos.
A gente trabalha o ano todo para superar isso e para viabilizar o festival. A gente desenvolve projetos, lei de incentivo, editais, tudo que você imagina, a gente trabalha. A gente fica o ano todo articulando.

Agência Brasil: Nesses 30 anos, qual foi o momento de maior perrengue? De desafio para que o festival acontecesse?

Gutie: Olha, a gente teve um, acho que em 2015, quando teve aquele momento de impeachment da Dilma. O Brasil virou aquele caos. Veio uma onda na economia, que serviu como desculpa dos investidores. Ali a gente passou um momento difícil, sabe? Depois a gente foi se organizando e hoje a gente não depende apenas de um patrocínio. A gente tem a Prefeitura do Recife, que é nosso maior patrocinador, mas já temos também o Governo do Estado, através da Fundarpe [Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco], temos a Lei Rouanet, a Uninassau, que é uma universidade, o Banco do Nordeste do Brasil. Nós temos articulação com o Iber Músicas, que é uma instituição ibero-americana que financia a circulação de artistas. Nós temos o Consulado da Alemanha… então a gente articula em várias frentes.
Então, o momento foi bem complicado nos anos 2015, 2016. Mas a gente também foi reagindo e mantendo o festival. Orgulho nosso é nunca ter falhado, a gente nunca deixou de acontecer, exceto na pandemia, foi apenas um ano. Então, nesse tempo todo o festival tem conseguido permanecer vibrante.

Agência Brasil: Quais os momentos mais intensos do festival? A situação mais inusitada com artistas, com o público?

Gutie: A gente teve o show de Mudhoney, quando o festival ocupava uma rua menor [a rua da Moeda]. A gente era considerado um festival pequeno e não tinha uma estrutura de segurança profissional, como nós temos hoje.
Nesse dia, o povo conseguiu invadir muito o palco, subir no palco e coisa e tal, festejando com o Mudhoney. Na sequência, veio uma banda de punk rock, que é o Devotos, aí eu pensei: nossa, agora é que a galera vai derrubar esses troços aqui.
Daí eu falei com o [vocalista] Canibal: “Canibal, olha essa sensação. O que a gente vai fazer?” Ele respondeu: deixa comigo. Ele foi lá no palco e disse ao público: “Galera, é o seguinte, vocês ficam aí embaixo, na plateia; e a banda fica aqui, no palco, ninguém sobe aqui!” E não deu outra. Mas eu achei que ia dar em confusão.
Teve um ano que teve uma tempestade na cidade, cara, que todos os palcos pararam, menos o Rec-Beat, porque a gente conseguiu manter o festival. A mesa de som parou, a banda tocando e a gente abrindo a mesa e secando com um secador de cabelo. Quando a gente fechou a mesa, a banda acabou de tocar e ela já estava pronta para outra apresentação. Tem uns sufocos, assim…

Agência Brasil: Assim que acaba o festival, você já começa a pensar na próxima edição ou dá aquele tempinho para ir digerindo as coisas?

Gutie: É um processo contínuo, a gente vai pensando no festival o tempo todo. Tem muita coisa que a gente tenta, imagina para acontecer e não acontece, fica para o próximo ano.
E até queria conseguir ter mais certeza das coisas. Como falei no início da nossa conversa, a questão mesmo do financiamento. Mas eu penso o festival o tempo todo, eu tenho lá os nomes que eu gosto, que fico acompanhando e fora o Rec-Beat, a gente tem a nossa produtora, tem outros eventos. A gente tem o festival de cinema, de animação, que é incrível e está gigante também e que nos obriga a pensar nessa outra linguagem que é o cinema de animação.
Esse ano a gente está lançando o festival de música percussiva. É inédito também. É em março, e está bem em cima. Tem a possibilidade de a gente fazer em outras cidades.
A gente também tem a possibilidade de fazer o Rec-Beat em outras cidades, isso tudo meio que dentro de uma comemoração dos 30 anos.

Agência Brasil: Quando você olha para esses 30 anos, o que você pensa? O que ficou para você?

Gutie: Olha, realmente 30 anos é muito. Eu não imaginava, porque a gente vai construindo edição por edição. Mas, assim, o que eu recebo do feedback das pessoas que acompanham o Rec-Beat, as pessoas que são mais jovens, é a maneira que o festival surpreende, o impacto que causa nas pessoas. Isso que eu acho bacana. O que eu mais curto no Rec-Beat é exatamente isso: a pessoa vai para ver o nome que ela conhece e acaba se deparando com outras opções que causam surpresa, que são coisas transformadoras.
Eu acho que essa é uma função também de festivais como o Rec-Beat, que é você apresentar novas opções para as pessoas, para mostrar que existe vida além da mídia massiva, além dos algoritmos.
E eu acho que a verdadeira missão no festival, é essa: apresentar opções, propostas de várias regiões, de vários locais. Ou seja, mostrar para as pessoas que existem milhares de opções para se conhecer, para que as pessoas também acreditem, apostem, se joguem nessa ideia do novo, sabe!? É lógico que a tradição é importantíssima também e é legal manter. Mas não ter medo, não ter medo do desafio, não ter medo do novo, sabe!? O novo sempre vem!

 

O Agente Secreto vence Spirit Award como melhor filme internacional

O longa brasileiro O Agente Secreto venceu neste domingo (15) o Film Independent Spirit Awards na categoria Melhor Filme Internacional. Esta foi a terceira indicação do diretor Kleber Mendonça Filho à premiação e sua primeira vitória. Em sua fala, ele dedicou o prêmio a programadores de cinema e jovens cineastas de todo o mundo.

“Eles têm a chance de fazer filmes emocionante sobre a vida, sobre pessoas, sobre seu bairro. Cinema é uma manifestação da própria memória e um ato político”, destacou, citando ainda o ator alemão Udo Kier, que integrou a equipe de O Agente Secreto e morreu em novembro de 2025.

Notícias relacionadas:

O cineasta brasileiro Adolpho Veloso também levou o prêmio na categoria Melhor Fotografia por seu trabalho em Sonhos de Trem. A premiação foi anunciada no palco por Wagner Moura, que estrela O Agente Secreto. “Fico muito feliz com isso”, disse o ator, ao anunciar a vitória de Veloso.

“É tão difícil fazer o que fazemos. Costumamos enfrentar grandes crises, infelizes com o que fazemos e pensando que poderíamos ter feito algo melhor. Faço um grande agradecimento a todos que participaram do filme. Este prêmio vai para todos”, destacou o cineasta.

O Spirit Awards é considerado uma das principais premiações do cinema independente dos Estados Unidos.

Advogada orienta sobre como se proteger de crimes digitais no carnaval

Imagens capturadas em pleno carnaval, na alegria dos blocos e festas, sem conhecimento nem permissão dos foliões, podem gerar problemas graves, expor as pessoas a riscos e, inclusive, a crimes. A advogada Maria Eduarda Amaral, especializada em Direito Digital e Propriedade Intelectual, ensina como as pessoas devem fazer para se proteger dos chamados crimes digitais no carnaval e, também, no resto dos dias do ano.

“Essa é uma questão bastante sensível porque, hoje, qualquer conteúdo que você posta na internet está suscetível a manipulações, a utilizações indevidas, aos maiores cuidados que eu possa deixar aqui hoje”, disse Maria Eduarda à Agência Brasil.

Notícias relacionadas:

Algumas precauções incluem: somente aceitar pessoas nas redes sociais que você conheça, não se expor excessivamente, não postar coisas em tempo real quando ainda estiver em determinado ambiente ou local, tomar bastante cuidado com símbolos principalmente.

“Eu vejo pessoas que saem do trabalho, vão para o carnaval e postam fotos. Os mais jovens que saem da faculdade com algum símbolo que identifique o local, vão para o carnaval e postam alguma coisa que acaba tornando a vida deles muito identificável”.

A especialista explicou que a pessoa que tem a intenção de fazer fazer mau uso da informação vai estar observando esses movimentos, para saber que o jovem acabou de sair da faculdade e está indo para uma festa.

“Sabe que, se fizer alguma coisa para prejudicar essa pessoa, ela vai demorar algum tempo para perceber e ver. Esse é o momento. Se a pessoa estiver curtindo uma festa de carnaval, o momento de fazer algo contra aquela pessoa é agora, porque ela não vai estar prestando atenção. É mais fácil de se espalhar (o boato, a mentira) e, então, ela não vai tomar uma atitude imediata para conter essa situação”.


>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Intercorrências

Pelo que a advogada Maria Eduarda pôde perceber no último carnaval, uma das maiores intercorrências foi invasão de redes sociais. Ela explicou que as pessoas, no desespero do momento, entram em wi-fi públicas muito duvidosas ou acabam acessando SMS ou links suspeitos, passando códigos suspeitos pelo telefone. “Enfim, invasões por redes sociais que acabam gerando golpes financeiros em redes sociais”.

A segunda intercorrência significativa são os deepnudes, fotos falsas que deixam pessoas nuas e que são geradas pelo uso de inteligência artificial. “Porque as pessoas estão fantasiadas e é mais fácil para a IA gerar um conteúdo sexual falso, a partir dessas imagens e fotos”.

Isso ocorre principalmente com essas imagens quando se trata de mulheres com fantasias, adornos, adereços de carnaval. É o uso indevido de imagem.

Outro problema grave está ligado ao uso de aplicativos de encontros, como Tinder, Happn, Inner Circle, para pegar fotos de pessoas reais que são manipuladas por inteligência artificial, criando perfis para poder dar match, ou seja, combinar ou corresponder à expectativa da pessoa. 

Para os bandidos, dar match significa levar as pessoas que procuram encontros por aplicativos a encontrar os possíveis parceiros ou parceiras em locais não seguros, onde podem acontecer roubos, furtos, sequestros e outros tipos de crimes.

Maria Eduarda recomenda muito cuidado ao entrar nesses aplicativos, inclusive ao fazer chamadas de vídeo. Se do outro lado estiver de fato um golpista, essa chamada de vídeo pode ser utilizada para acessar principalmente contas bancárias, fazer empréstimo, fazer cartões de crédito.

A especialista em crimes digitais advertiu que cuidado maior devem ter pessoas que estão curtindo o carnaval fora da cidade onde moram.

Cuidados básicos

Antes de marcar encontros por esses aplicativos, o usuário deve tomar alguns cuidados básicos, orientou Maria Eduarda. Segundo a especialista, o ideal é coletar o máximo de informações sobre a pessoa com quem quer se encontrar.

“Falando principalmente do público LGBTQIA+, que é o mais afetado, existem algumas pessoas que não expõem a própria sexualidade. Então, trabalham ali com apelidos, muitas vezes sem fotos do rosto nem de perfil. O que a pessoa que vai se encontrar com ela pode fazer é pegar redes sociais, conferir informações de nome. Pode lançar o nome em um site jurídico, por exemplo, o JusBrasil, para verificar se a pessoa com quem o encontro será feito já teve algum problema, alguma intercorrência antes”.

O usuário deve entrar nas redes sociais para ver se acha aquela pessoa, se ela está na mesma cidade, e perguntar sobre o dia dela, para conferir se o que ela falou até ali coincide. Deve verificar nas redes sociais se teve algum tipo de postagem, alguma foto, algum story .

Então, a orientação da advogada é dar o próximo passo, que consiste em uma videochamada, mesmo com os riscos de golpes com vídeos, e uma troca de fotos “desde que seja com parcimônia também, não sejam fotos muito comprometedoras, principalmente que não sejam fotos íntimas, até porque você está conferindo informações, mas não sabe quem é a pessoa que está do outro lado”.

Ela explica que há um cálculo sensível de riscos, quando o assunto é vídeochamada. “Nesse caso, o mais seguro é que a pessoa faça a videochamada com cautela porque não se teria outra forma de verificar se a pessoa que está falando com você é a mesma pessoa do aplicativo. É essencial prestar atenção em qualquer movimentação suspeita durante a chamada e não manter o rosto muito próximo da câmera para evitar qualquer leitura facial por aplicativos terceiros”.

Erros comuns

Mesmo pessoas que tenham tomado todos os cuidados possíveis nesses aplicativos de relacionamentos podem acabar sendo prejudicadas de alguma forma. “Nós já tivemos casos aqui em que a pessoa tomou todos os cuidados possíveis. Ela realmente estava falando com a pessoa do outro lado que dizia ser quem era. Só que na hora de marcar o encontro, foi sugerido um lugar totalmente ermo, de procedência duvidosa“. Ao chegar lá, o usuário percebeu que se tratava efetivamente de um golpe. Ou seja, a pessoa com quem ela falava era participante do golpe, mas foi-se criando uma confiança.

Daí a advogada orientar que por mais que essa pessoa passe por todas as verificações e consiga estabelecer confiança, ainda assim o interessado deve fazê-la passar por uma quarta verificação. A pessoa deve exigir um encontro em um local público.

Prints

Os prints (capturas de telas) são majoritariamente as provas digitais válidas para abrir um processo judicial ou uma investigação policial, confirmou Maria Eduarda Amaral.

“Um padrão que eu vejo nesse tipo de caso, envolvendo golpes virtuais, é que por mais que a pessoa faça todas as verificações, ela não guarda informações sobre a pessoa que ela vai encontrar”.

A sugestão é que, enquanto o usuário estiver conversando com a pessoa no aplicativo ou no Whatsapp tire um print do perfil dela e manda para um amigo. 

De acordo com a advogada, pode-se tirar print de tudo, do número que a pessoa está usando no Whatsapp, de foto que aparece nesse número, de algum status.

“Se a pessoa ligou para o usuário em uma chamada de vídeo, tira um print do rosto de quem está falando com você, do convite dela te chamando para sair. Porque é muito comum nesses casos, os golpistas apagarem tudo depois que eles conseguem o que querem da pessoa”, alerta.

“Eles vão apagar o perfil que usaram para falar com você, vão descartar os números, vão apagar os números de WhatsApp e aí, depois, por mais que a vítima queira, se torna muito mais difícil saber quem é aquela pessoa”, completou.

A advogada esclareceu que a partir do momento em que a vítima guarda, desde o início, todas as informações, é mais fácil ciar uma linha do tempo “para poder entender de onde ela surgiu, quem ela é, se está aplicando outros golpes, como está utilizando essas redes digitais para conseguir aplicar esses golpes”.

Se a vítima não tem essas informações, os advogados podem entrar em contato ali com a operadora de telefonia, por exemplo, mas o chip já não existe mais. “Então, eles não têm como te passar as informações que são necessárias. E, se tudo der certo, o máximo que vai acontecer é você apagar tudo e descartar”.

A advogada afirmou, entretanto, que as plataformas podem ser responsabilizadas nesses casos também. “Nós entendemos que, principalmente se tratando de sites de relacionamentos, existe uma responsabilidade da plataforma porque o usuário precisa se cadastrar, tanto que não é possível que uma mesma pessoa tenha mais de um perfil no Tinder, por exemplo”. 

A especialista aconselha ainda que as pessoas não tenham vergonha de denunciar. “Não existe vergonha em ser vítima. Nós somos todos humanos, todos nós temos a possibilidade de passar por esse tipo de situação, de cair nesse tipo de golpe”.

Responsabilização

Em todos esses tipos de crimes, a vítima pode buscar uma responsabilização civil. “Quando nós falamos, por exemplo, da invasão de uma conta bancária, a responsabilidade civil é também do banco pela fraude. Se você conseguir encontrar essa pessoa golpista, a responsabilidade criminal é dessa pessoa”.

Maria Eduarda deixou claro mesmo sem identificar o golpista, a vítima pode buscar a pessoa para quem fez transferências bancárias, falando-se aqui de invasão de conta bancária, por exemplo. “Porque a pessoa, em nome de quem está aquela conta, que está recebendo aquele dinheiro que é fruto de um crime, ela é punível com a situação. Então, ela também responde pelo golpe, pela fraude”.

No caso das deepfakes, há responsabilização criminal do usuário que gerou aquele conteúdo e existe também responsabilização parcial da plataforma, tanto civil quanto criminal. No caso do criminal seria para remoção, para exclusão do conteúdo. No caso da responsabilização civil, seria para as indenizações que a pessoa prejudicada pode receber, principalmente indenizações relativas a danos morais, a danos à imagem, a depender da extensão da veiculação desse conteúdo e do dano na vida da pessoa afetada.

“Então, a plataforma responde solidariamente com o usuário. Se você não sabe quem é o usuário, a responsabilidade recai sobre a plataforma”.

As deepfakes são imagens criadas com o uso de tecnologias de inteligência artificial que permitem a sobreposição de rostos e vozes em vídeos, podendo sincronizar os movimentos dos lábios e expressões faciais, o que faz com que a imagem se assemelhe muito à de uma pessoa real.

Maria Eduarda Amaral informou que nos casos dos perfis de aplicativo, ocorre a mesma coisa. A responsabilidade é solidária, porque, ao se fazer o cadastro nessas plataformas, a pessoa precisa informar certos dados, inclusive sob o pretexto de segurança para os usuários.

“Se a plataforma não faz esse cruzamento de dados, então ela permite que qualquer pessoa suba qualquer foto ali falsa, sem a possibilidade de se verificar se se trata realmente de uma pessoa. Nesse caso, ela está sendo conivente com essa situação. Então, ela também é responsável”.

Se a plataforma não conseguir identificar quem é esse usuário, “o que ultimamente é bem difícil”, ela responde individualmente. Já se a plataforma consegue identificar quem é esse usuário, então a pessoa prejudicada pode tomar as medidas cabíveis contra ele. Nesse caso, não só a vítima, como também a pessoa que teve a imagem utilizada, conseguem responsabilizar esse golpista de forma cível e criminal, além de responsabilizar a plataforma de forma cível. Isso acontece justamente porque é previsto nos termos e diretrizes da plataforma, da comunidade, que “o cadastro é uma das formas de se verificar a idoneidade do usuário que está se cadastrando ali naquela plataforma”.

Morre Renato Rabelo ex-presidente do PCdoB aos 83 anos

Morreu neste domingo (15), aos 83 anos, o ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Renato Rabello. Ele presidiu a sigla de 2001 a 2015. A morte foi confirmada pelo partido, em nota.

“[O PCdoB] expressa o sentimento de consternação de toda a militância comunista que, em homenagem a Renato, inclina a bandeira verde e amarela da pátria, entrelaçada com os estandartes vermelhos da revolução e do socialismo. E acolhe no peito os sentimentos, os pêsames que chegam do país e do exterior e pulsam nas redes sociais”.

Notícias relacionadas:

Renato foi vice-presidente nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE) durante a ditadura militar de 1964, militante da Ação Popular (AP) e membro do núcleo dirigente que conduziu a integração da organização ao PCdoB, em 1973.

Foi exilado na França, em 1976, quando dirigentes do PCdoB foram assassinados, presos e torturados no Brasil, e retornou com a anistia de 1979. Dedicou-se, em especial, ao fortalecimento das relações do PCdoB com os países socialistas, notadamente, China, Vietnã e Cuba.

“Sua maior obra é o aporte de ideias e formulações ao acervo teórico, político e ideológico do Partido, importantes contribuições teóricas e políticas que enriqueceram o seu pensamento tático, estratégico e programático, como também a práxis de sua edificação e atuação na arena da luta de classes”, diz a nota do PCdoB. 

Renato foi um dos articuladores, pelo PCdoB, junto com João Amazonas, da Frente Brasil Popular (PT, PSB, PCdoB) que lançou, em 1989, a primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República.

“Recebi com muita tristeza a perda do companheiro Renato Rabelo, grande liderança do PCdoB. Desde muito jovem, Renato entregou sua militância, inteligência e energia à defesa dos trabalhadores, do socialismo e do Brasil. Enfrentou a ditadura, a perseguição e o exílio”, disse, nas redes sociais, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Governo Lula, Gleisi Hoffmann. 

A deputada pelo PCdoB, Jandira Feghali, também prestou homenagem ao líder do partido.

Hoje me despeço com profunda tristeza de um grande amigo, referência ideológica, política e de afeto, que presidiu nosso PCdoB por décadas, e um dos maiores construtores da história do Brasil. Renato dedicou a vida inteira à luta pela democracia, pela soberania nacional, por direitos e pelo socialismo. O Brasil ficou mais pobre de ideias e de luta”, disse.

Paquetá desencanta, Flamengo vence Botafogo e vai à semi do Carioca

Ameaçado, em determinado momento da primeira fase, de ter que disputar um quadrangular para não ser rebaixado no Campeonato Carioca, o Flamengo está nas semifinais do Estadual. Neste domingo (15), o Rubro-Negro venceu o Botafogo por 2 a 1 no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, pelas quartas de final. A partida foi transmitida ao vivo pela Rádio Nacional .

Em busca da oitava final de Estadual consecutiva, o Flamengo terá pela frente o Madureira, em jogos de ida e volta que serão agendados pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj). O Tricolor Suburbano será o mandante da segunda partida, já que fez melhor campanha.

O Glorioso, por sua vez, fica fora das semifinais pela terceira edição em sequência. O Alvinegro não decide um Carioca desde 2018, quando foi campeão pela última vez, e acumula uma série de cinco derrotas na temporada.

O clássico deste domingo teve o desencantar de Lucas Paquetá. Foi do meia, que retornou ao Rubro-Negro depois de oito temporadas, o gol que abriu o marcador do Nilton Santos, aos 18 minutos. O camisa 20 recebeu do atacante Bruno Henrique na entrada da área e bateu no canto do goleiro Neto.

O Botafogo empatou aos oito do segundo tempo. O lateral Alex Telles cobrou escanteio e o zagueiro Alexander Barboza, de cabeça, encobriu o goleiro Andrew. No fim da partida, aos 38 minutos, o volante Erick Pulgar testou fraco em cima de Neto, dentro da área, mas o goleiro deu rebote e o próprio chileno aproveitou, decretando o triunfo rubro-negro.

O último semifinalista do Carioca será conhecido na segunda-feira (16). Às 18h (horário de Brasília), o Fluminense recebe o Bangu no Maracanã. Quem avançar, encara o Vasco, que despachou o Volta Redonda no último sábado (14), nos pênaltis.

Reforços marcam e Bragantino vence Ferroviária no Brasileiro Feminino

Os reforços contratados para a temporada foram decisivos para o Red Bull Bragantino estrear com vitória na Série A1 (primeira divisão) do Campeonato Brasileiro Feminino de futebol. Neste domingo (15), o Massa Bruta derrotou a Ferroviária por 2 a 0 no Centro de Performance & Desenvolvimento (CPD) do clube, em Atibaia (SP).

Aos 20 minutos do primeiro tempo, a meia Duda Rodrigues, ex-Flamengo, cruzou pela esquerda para Lurdinha. A ex-jogadora do Fluminense dividiu com a goleira Amanda Coimbra e a bola sobrou para a também atacante Miriã, que veio do Cruzeiro, mandar para as redes. Na etapa final, aos 12, a meia Rafa Mineira, que defendia o Internacional, recebeu na entrada da área e finalizou no ângulo, sem chances de defesa. As Guerreiras Grenás, bicampeãs nacionais, buscaram a reação, sem sucesso.

Sete jogos da primeira rodada já foram disputados. A TV Brasil transmitiu as vitórias do Flamengo sobre o Mixto, por 1 a 0, no Dutrinha, em Cuiabá, na última quinta (12); e do Palmeiras para cima do América-MG, por 4 a 0, na Arena Crefisa, em Barueri (SP), na sexta-feira (13).

Duas partidas movimentaram a competição na noite do último sábado (14). Atual vice-campeão, o Cruzeiro foi a Salvador e derrotou o Bahia por 2 a 0 no Estádio de Pituaçu, com dois gols da atacante Byanca Brasil.

Já o Botafogo, de volta à primeira divisão, recebeu o Juventude no Rio de Janeiro e venceu por 2 a 1. A meia Ana Caroline, de pênalti, e a centroavante Fernanda Tipa marcaram para as Gloriosas no Estádio Nilton Santos. A atacante Martha Figueiredo descontou para as Gurias Jaconeras.

A rodada de abertura do Brasileirão chega ao fim na segunda-feira (16). O Santos, campeão da última Série A2 (segunda divisão), recebe o Grêmio às 19h (horário de Brasília), na Vila Belmiro. Mais tarde, às 20h30, o Internacional mede forças com o São Paulo no Sesc Protásio Alves, em Porto Alegre (RS).

Remo evita derrota no fim e enfrenta Águia nas quartas do Paraense

A primeira fase do Campeonato Paraense chegou ao fim neste domingo (15). Representante do estado na Série A do Campeonato Brasileiro, o Remo empatou em 1 a 1 com o Amazônia Independente no Baenão, em Belém.

A partida foi transmitida ao vivo pela TV Brasil, em parceria com a TV Cultura do Pará.

Notícias relacionadas:

O Leão Azul, que já estava classificado às quartas de final, ficou na quinta posição, com os mesmos dez pontos de Capitão Poço, Paysandu e Águia de Marabá, mas atrás por ter uma vitória a menos.

Na fase final, a equipe dirigida por Juan Carlos Osório terá pela frente justamente o Águia, quarto colocado. O Muiraquitã – como é conhecido o Amazônia – foi a sete pontos e se livrou do rebaixamento, em décimo lugar.

Os visitantes abriram o marcador aos 11 minutos, em pênalti convertido pelo meia Juninho. O Remo, que foi a campo com um time quase todo reserva (apenas o meia Yago Pikachu foi titular), pressionou em busca do empate, mas foi recompensado somente ​nos instantes finais. Aos 44 da etapa final, o volante Pavani igualou, de cabeça, no Baenão.

Arquirrival do Remo, o Paysandu derrotou o Santa Rosa no Ipixunão, em Ipixuna (PA), por 2 a 0. O atacante Ítalo Carvalho e o meia Marcinho marcaram para o Papão da Curuzu. Pelos critérios de desempate, o time bicolor ficou com a terceira posição e terá o clássico com a Tuna Luso, sexta colocada com nove pontos, nas quartas.

Em outros jogos deste sábado, o Águia venceu o Cametá por 1 a 0 no Estádio Zinho de Oliveira, em Marabá (PA). Apesar da derrota, os visitantes asseguraram o primeiro lugar e vão enfrentar o Santa Rosa, oitavo colocado com sete pontos, na fase final. O Capitão Poço, segundo, recebeu o Castanhal, sétimo, no Rufinão, e ganhou por 2 a 0. Os dois times vão se reencontrar nas quartas.

No clássico de Santarém (PA), que não ocorria na primeira divisão há sete anos, o empate sem gols no Panterão salvou o São Raimundo – que foi a seis pontos, em nono lugar – e decretou o rebaixamento do rival São Francisco, que finalizou o Estadual com os mesmos cinco pontos do Bragantino-PA, outro que caiu. Na despedida da elite, o clube de Bragança (PA) derrotou a Tuna Luso por 2 a 0 no Estrelão, em Augusto Corrêa (PA).

Ceará perto da final

Pelo Campeonato Cearense, o Ceará deu grande passo rumo à final ao vencer o Floresta por 3 a 0 no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, no jogo de ida do confronto pelas semifinais. O lateral Rafael Ramos e os meias Vina e Mateusinho balançaram as redes para o Vozão.

O Alvinegro se classifica à decisão mesmo se perder por dois gols de saldo na partida de volta, marcada para domingo que vem (22), às 18h (horário de Brasília). O local do duelo ainda não foi definido.

 

Charretinhas do Forró mantém folia de resistência na Vila Planalto

Com as bênçãos do bonecão do carnavalesco Joãozinho da Vila, falecido em 2017, a Praça Zé Ramalho, a 5 quilômetros da Praça dos Três Poderes, no centro de Brasília, transformou-se em cenário de resistência cultural neste domingo (15) de carnaval.

Por mais um ano, o Bloco Charrete, dedicado a ritmos do Norte, atraiu foliões empenhados em manter a alegria em um dos bairros de maior importância histórica do Distrito Federal.

Notícias relacionadas:

A missão do Charrete é manter o legado do bloco Vilões da Vila, fundado por Joãozinho. Após a morte do carnavalesco, a Vila Planalto, bairro próximo ao Lago Paranoá onde originalmente moravam os operários que construíram Brasília, ficou dois anos sem folias no carnaval.

O silêncio carnavalesco só foi quebrado em 2019, quando o produtor Thiago Fanis, acompanhado de membros do Vilões da Vila e de figuras culturais da Vila Planalto, fundou o Charrete, formado pela união dos grupos Fanfarra Tropicaos e Charretinha do Forró.
 

O produtor Thiago Faniz ao lado do boneco do carnavalesco Joãozinho da Vila – Joédson Alves/Agência Brasil

“A Vila Planalto é um dos territórios de maior patrimônio histórico do Distrito Federal. Procuramos manter acesa a chama do carnaval nessa região, sempre com as bênçãos de Joãozinho da Vila”, explica Thiago, diante do bonecão do carnavalesco.

Ele faz questão de ressaltar que pediu autorização aos remanescentes do Vilões da Vila antes de fundar o bloco.

Músicas regionais

Esqueça os pandeiros, os tamborins e o axé. No carnaval do Bloco Charrete, coexistem ritmos do Norte, do Nordeste e do Centro-Oeste. A banda Charretinha do Forró toca ritmos nordestinos. A Fanfarra Tropicaos une músicas populares com marchas carnavalescas tradicionais.

Também está prevista a apresentação de DJs e de coletivos culturais do DF, com estilos que vão do reggae ao tecnobrega. No momento em que a reportagem da Agência Brasil acompanhava o bloco, marchas carnavalescas tradicionais e boleros antigos eram tocados no palco.

Carnaval de interior

Monique Menezes gosta do clima de carnaval de cidade do interior que encontra na Vila Planalto, no centro da capital – Joédson Alves/Agência Brasil

De menor porte que os blocos mais famosos do Distrito Federal, o Charrete atrai um público em busca de uma folia mais tradicional e de menos multidão. Vestida de leoa, a autônoma Monique Menezes, 48 anos, diz que a Vila Planalto tem se tornado referência para um carnaval diferenciado.

“A Vila Planalto remete a um povoado do interior, e o carnaval aqui acaba refletindo esse clima de folia de rua de cidade pequena”, conta Monique.

Álvaro Peres foi pela primeira vez ao Charretinha do Forró e aprovou a folia – Joédson Alves/Agência Brasil

Pela primeira vez no bloquinho por indicação de amigos, o bancário Álvaro Peres, 36 anos, sentiu-se atraído pelo formato mais tradicional do Charrete.

“Pelo que vi até agora, gostei do bloco. É uma diversão que valoriza a cultura brasileira, com ritmo mais próximo do Tropicalismo”, declara.

Resistência da alegria

Até pela proximidade com a Praça dos Três Poderes, o carnaval na Vila Planalto não se dissocia da política.

Enquanto o bonecão de Joãozinho da Vila desfilava na Praça Zé Ramalho, um folião balançava uma bandeira da Palestina.

Foliã com tiara informando o número 180 para denunciar crimes de violência contra a mulher – Joédson Alves/Agência Brasil

Já estandartes feministas condenavam o assédio a mulheres no carnaval e a atual onda de feminicídios.

Adesivos contra a anistia aos condenados no 8 de janeiro e a favor da punição aos responsáveis pela liquidação do Banco Master eram distribuídos aos foliões presentes.

Da mesma forma, o público pregava nas roupas adesivos com a bandeira do Brasil conclamando a soberania do país diante do tarifaço de Donald Trump.

Os frequentadores do bloco concordam que o carnaval não serve apenas para se divertir, mas para passar mensagens.

“Por definição, o carnaval é político. É um ato de resistência, só que por meio da alegria. Precisamos sorrir, cantar, dançar”, defendeu Monique.

“O sistema atual é construído para a gente se frustrar. O carnaval é uma brecha para se divertir e voltar à rotina de forma mais descansada”, comenta Álvaro.

Centro de São Paulo tem axé e outras surpresas no domingo de carnaval

Na capital paulista, o circuito de blocos da República teve uma tarde de desfiles tranquilos, embalada por ritmos nordestinos como o Axé e o Forró.

Os blocos Domingo Ela Não Vai e Explode Coração foram os grandes puxadores do circuito que, embora cheio, tinha boa mobilidade e facilidade de acesso para os foliões.

Luma Gregório no Bloco Afro na Rua, na Avenida São Luiz – Paulo Pinto/Agência Brasil

Notícias relacionadas:

“Tá gostoso, para brincar com família e amigos. Alegre, tranquilo e com mais espaço do que em outros circuitos”, disse Luma Gregória, estudante de jornalismo. No Carnaval desde a infância, quando era da ala mirim da Tom Maior, Luma estava com parentes e amigos.

Saindo do Domingo Ela Não Vai, o grupo ainda tinha planos de seguir com o Explode Coração e brincar a folia com Axé – ritmo que, para Luma, é a cara do Carnaval.

A estudante contou que, na segunda, pretende ir com amigos para as marchinhas da Charanga do França e, na terça, embora ainda não saiba aonde, tem certeza de que vai procurar outros bloquinhos de rua.

Outra certeza de Luma é de evitar os megablocos, pois no pré-carnaval não teve uma experiência boa na Consolação: “tinha muita gente e uma parte ficou prensada lá. Saímos para o lado do cemitério, onde dava para acompanhar melhor, mas quem ficou do outro lado teve dificuldades”, lembrou.

O circuito acompanhou as bandas dos trios elétricos, como a do Bloco Afro Tô na Rua, com duas baterias, um percussionista no atabaque, guitarra, baixo e teclado, todos acompanhando o axé nas vozes de Lia, Paula e Marcos, enfrentando com muita energia o sol das 14h, na rua São Luiz com a Consolação. Neste local, o ritmo diminuía e as pessoas dançavam, circulando entre os blocos e começando a dispersão, aproveitando bares e restaurantes, normalmente fechados aos domingos.

As irmãs Josy e Estela Madeira recuperavam o fôlego próximo à Biblioteca Mario de Andrade – Paulo Pinto/Agência Brasil

Próximo à Biblioteca Mário de Andrade, a reportagem da Agência Brasil conversou com as irmãs Estela e Josy Madeira. A bibliotecária Estela, que já trabalhou na Mário de Andrade, contou que estava no terceiro bloco do final de semana, e que naõ seria o último.

“Está um pouco mais vazio, sabe. Deve ser por conta dos megablocos, que estão esvaziando um pouco os mais tradicionais, aqui do Centro. Claro que ainda estão bem maiores, hoje, do que quando o carnaval era na Tiradentes”, conta Estela.

As irmãs acompanham a festa desde antes dos desfiles de blocos se tornarem mais populares na cidade, há cerca de uma década. Certamente bem antes dos desfiles para dezenas de milhares, como alguns dos blocos da Consolação e do circuito do Ibirapuera.

“Tem uns muito legais. Ontem fomos no Bollywood, com indianos, e no Perdi Tudo na Augusta. Amanhã ainda não decidimos, mas acho que vamos para o Bixiga. Pena que perdemos o Esfarrapado”, disse Josy.

Se forem ao Bixiga na segunda, terão uma boa surpresa pois o bloco, que desfila desde 1947, festeja a partir das 10h, com os sambas da Vai-Vai. 

Quem voltou para a República no meio da tarde, por volta das 15h, além do mar de vendedores, em alguns pontos até desanimados pela aglomeração de guarda-sóis amarelos e movimento fraco, ainda encontrou o pequeno e animado público do Bloco SP Forró, que começava seu desfile.

Desfile do Bloco Afro na Rua, na Avenida São Luiz – Paulo Pinto/Agência Brasil

Vestidos de Lampião e Maria Bonita, Juarez e Ana puxavam o bloco, organizado pelo amigo e produtor cultural Zé da Lua, com quem se apresentam durante o ano com a indumentária no Trio da Lua.

“A gente brinca sempre que pode, se apresenta o ano todo. Adoro”, conta Ana Freire, que é paraibana radicada em São Paulo, onde além das apresentações ensina música, principalmente violão.

O parceiro e Lampião é o arte educador e escultor Juarez Martins dos Anjos, baiano que está desde 1973 em São Paulo, morador de São Miguel, na zona leste. O bloco já tem seis anos de apresentações no carnaval, e seguia animado pelo meio da tarde. 

 

Estudo mostra impacto de vídeos curtos no desenvolvimento infantil

Duas pesquisadoras da Universidade de Macau concluíram que vídeos de formato curto usados nas redes sociais e vistos em “scrolling” (rolagem da tela) em aparelhos celulares impactam negativamente bo desenvolvimento cognitivo das crianças, podendo causar ansiedade social e insegurança.

“O consumo compulsivo de vídeos curtos tem um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo, podendo causar falta de concentração, ansiedade social e insegurança”, explicou em declarações à Lusa Wang Wei, acadêmica da área da Psicologia Educacional da Universidade de Macau (UM), autora do estudo Dependência de vídeos curtos, envolvimento escolar e inclusão social entre estudantes rurais chineses.

“Esta concepção de vídeos curtos pode ser particularmente perigosa para as crianças”, alertou a investigadora.

“A nossa pesquisa indica uma correlação direta: quanto mais os estudantes consomem vídeos curtos, menos se envolvem com a escola.”

Wang argumenta que, embora as necessidades psicológicas fundamentais das crianças devam ser satisfeitas offline – ou seja, fora das redes sociais –, as plataformas de vídeos curtos, com algoritmos personalizados e funcionalidades de interação social, satisfaz de forma direta e maneira sutil essas mesmas necessidades.

Esta satisfação paralela, sugere a investigação de Wang, “leva potencialmente a um uso excessivo e ao vício”.

“A natureza estimulante e de ritmo acelerado dos vídeos curtos torna-os altamente divertidos para os alunos”, acrescentou ainda a investigadora.

Anise Wu Man Sze, professora de Psicologia na Faculdade de Ciências Sociais da UM e autora do estudo A relação das componentes afetivas e cognitivas no uso problemático de vídeos curtos, acrescenta às conclusões de Wang as questões relacionadas com a superestimulação das crianças, que prejudicam ainda mais o desenvolvimento cognitivo saudável.

Os vídeos curtos capturam a atenção de todos justamente porque “estão logo ali à mão e são gratuitos”, sublinha Wu, em declarações à Lusa.

As pessoas podem ter acesso a grandes quantidades de vídeos curtos “a qualquer hora, em qualquer lugar”.

Esses comportamentos de dependência têm frequentemente origem em um “propósito funcional”, explicou.

“Temos de aumentar a consciencialização, sobretudo se o uso começar a afetar a vida quotidiana, levando a sacrificar tempo em família, negligenciar o sono, ou navegar em momentos inadequados – como durante as aulas”, afirmou à Lusa.

Para além do design das plataformas, da utilização de algoritmos e da natureza dos vídeos rápidos, Wu identificou outros fatores que desencadeiam a relação de dependência.

Segundo a pesquisadora, o stress diário, o ambiente e mesmo predisposição genética contribuem para comportamentos de dependência, detalhou no estudo.

“Na verdade, uma das razões primárias para a dependência, que resulta nestes comportamentos compulsivos, é a fuga de realidades desagradáveis, pressões ou situações em que as pessoas desejam evitar confrontos”, explicou Anise Wu, apelando à consciencialização dos efeitos da visualização de vídeos curtos.

Quanto a intervenções junto das crianças, segundo Wang Wei, “é muito importante” satisfazer suas necessidades emocionais, cultivando ao mesmo tempo o uso digital e competências de autorregulação, “em vez de nos limitarmos retirar o aparelho celular”.

Até dezembro de 2024, o número de pessoas com acesso a este tipo de vídeos na China atingiu perto de 1,1 bilhão de indivíduos, sendo que 98,4% eram utilizadores ativos deste formato, de acordo com o Relatório Anual sobre o Desenvolvimento dos Serviços Audiovisuais na Internet, publicado pelas autoridades chinesas.

“A dimensão da indústria superou os 1,22 trilhões de yuan [149 bilhões de euros], impulsionada pelo consumo de vídeos curtos e live streaming [transmissão em tempo real]. As microsséries testemunharam um crescimento explosivo de utilizadores, enquanto a IA [Inteligência Artificial] generativa remodelou o ecossistema de conteúdos”, revelou o relatório. 

É proibida a reprodução deste conteúdo

Bloco celebra diversidade e carnaval sem assédio no Rio de Janeiro

Milhares de pessoas acordaram cedo neste domingo de carnaval (15) para participar da folia do bloco Divinas Tretas, que se concentrou, mas não saiu, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

O Divina Tretas é um dos 55 blocos corresponsáveis pela alegria neste dia ensolarado e quente dos cariocas. O coletivo deriva do antigo bloco Toco-Xona, o primeiro bloco LGBTQIA+ da cidade do Rio de Janeiro, criado em 2007 e renomeado em 2022, após a pandemia de covid-19. 

Notícias relacionadas:

A programação musical, tocada ao vivo e nos intervalos, tenta dar conta da pluralidade de ritmos brasileiros com samba, axé, piseiro e pitadas de rock em meio à cena pop. 

“São músicas que levantam a galera”, explica a cantora e multi-instrumentista Karol Gomes, que se apresenta com tamborim e microfone na banda do bloco.

“Tocamos músicas que o público gosta, de divas internacionais e divas brasileiras, em que vestimos a roupinha da gente”, acrescenta Thaissa Zin, produtora executiva do Divinas Tretas.

Folionas se beijam durante apresentação do bloco Divinas Tretas, que atrai público LGBTQIAPN+ no Aterro do Flamengo – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Acolhidas e abraçadas 

“Tocar na rua é saber tocar gêneros populares, em que as pessoas vão se sentir acolhidas, abraçadas”, explica a DJ Laís Conti, uma das responsáveis por animar o público enquanto a banda se prepara ou descansa para seguir a festa.

A receita de Laís é fazer do momento em que apresenta a sua seleção de músicas “um set democrático e quente”.

As trilhas sonoras da DJ e da banda contribuem para tornar o ambiente do Divinas Tretas receptivo, agradável e diverso como deve ser um carnaval para todas as pessoas.

“Este é um bloco em que eu consigo me sentir bem como mulher hétero ou como uma pessoa gay ou uma pessoa fora dos padrões. Um lugar em que eu consigo me sentir completamente à vontade para exercer minha liberdade carnavalesca. De botar a roupa que eu estou com vontade, seja mais ou menos coberta. Onde posso dançar o que eu tenho vontade e ouvir músicas que eu gosto”, dá o testemunho a enfermeira Letícia de Almeida Lopes, 26 anos.

Para a foliã, as pessoas vão ao bloco “para serem felizes” e “não para fazer julgamentos”. Ela acredita que o clima geral do Divinas Tretas “traz sensação de segurança”. 

A vendedora Thaísa Galvão, 28 anos, confirma as impressões de Letícia. “Me sinto muito bem. Dá para a gente se descontrair com os nossos amigos. Não tem nenhum tipo de briga. Todo mundo se dá bem. Por isso, eu sempre venho aqui”.

“É o bloco que a gente se sente acolhida. Não tem homem assediando a gente, o que é libertador”, complementa Jennifer de Oliveira, analista de operações, também com 28 anos.

Marielle 

O bloco do Divinas Tretas aproveitou a concentração de pessoas na folia para lembrar do julgamento que vai ocorrer depois do carnaval, dias 24 e 25, no Supremo Tribunal Federal (STF) de supostos executores, mandantes, comparsas e cúmplices pela morte da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Torres. Além das chamadas no microfone do palco, leques foram distribuídos com a agenda do julgamento.

Bloco Divinas Tretas aproveitou a concentração para lembrar do julgamento dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Corte julga os processos do conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) Domingos Brazão; o ex-deputado federal Chiquinho Brazão, irmão de Domingos; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. 

Todos estão presos preventivamente por suposta participação nos assassinatos ocorridos em março de 2018.

Lula inaugura pronto-socorro do Hospital Federal Cardoso Fontes no Rio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, neste domingo (15), o Centro de Emergência 24h do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A entrega faz parte do processo de reestruturação da unidade, que teve R$ 100 milhões em investimentos do governo federal para modernização.

O hospital do Sistema Único de Saúde (SUS) terá ainda R$ 610 milhões anuais para custeio de serviços de média e alta complexidade.

Notícias relacionadas:

Com a parceria firmada em dezembro de 2024 com a Prefeitura do Rio de Janeiro, a administração do hospital foi municipalizada e, de lá para cá, segundo o Ministério da Saúde, a unidade aumentou a capacidade de atendimentos e procedimentos.

De acordo com Lula, o hospital sempre foi utilizado politicamente, realidade que a descentralização de gestão também tem o objetivo de mudar. 

“Os hospitais federais do Rio de Janeiro sempre foram utilizados como peça de troca em campanha eleitoral. E aí se colocava um deputado para tomar conta de uma coisa, um outro deputado para tomar conta da outra, até para tomar conta do estacionamento você tinha gente que cobrava dos funcionários”, disse.

Os outros cinco hospitais federais no Rio de Janeiro também estão passando por reestruturação. Assim como o Cardoso Fontes, o Hospital Federal do Andaraí já está sob gestão municipal.

“O Ministério da Saúde, em parceria com entidades como a Ebserh, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), a Fiocruz e universidades federais, investe na recuperação da rede federal do Rio de Janeiro para superar problemas históricos, como emergências fechadas, leitos bloqueados e déficit de profissionais”, destacou o governo.

De 2024 a 2025, foram aplicados mais de R$ 1,4 bilhão com o objetivo de ampliar o acesso a serviços de média e alta complexidade, reduzir filas, reabrir leitos e modernizar a infraestrutura, a logística e os modelos de gestão das unidades.