Guardadas no Rio, obras do Museu de Arte Naïf estão sem destino

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Um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, abriga hoje a maior coleção de arte naïf do mundo. São milhares de obras de artistas brasileiros e estrangeiros em local improvisado, sem acesso do público. Essa foi a solução encontrada pela museóloga Jacqueline Finkelstein para armazenar temporariamente o acervo do Museu Internacional de Arte Naïf (Mian), fechado desde 2016. A antiga sede, um casarão do século XIX, foi vendida no ano passado. 

Jacqueline é filha de Lucien Finkelstein (1993-2008), joalheiro francês que construiu a coleção durante décadas no Rio. Sem contar com investimentos públicos ou privados para manter o museu em funcionamento, ela decidiu vender um conjunto das melhores obras.

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Enquanto espera pelas ofertas, está catalogando cerca de três mil quadros, feitos por 300 artistas entre eles, Joaquim Leandro, Cardosinho, Miriam, Maria Auxiliadora, Silvia, Chico da Silva, Heitor dos Prazeres, Elza, Gerson, Bebete, Ozias, Mabel, Gerson e Lia Mittarakis.

A coleção atraiu o interesse de compradores estrangeiros. Jacqueline não descarta o negócio, mas garante que uma proposta nacional terá prioridade.

“Estou na esperança de conseguir encontrar um destino para as obras. É algo que eu gostaria muito que acontecesse para eu poder ficar tranquila com a minha consciência. Primeiro, em homenagem ao meu pai. A arte naïf era a paixão dele. Depois, porque eu acho importantíssimo divulgar e valorizar o que a gente tem de precioso nessa terra. Arte naïf é uma das expressões mais brasileiras, mais verdadeiras do nosso povo. Eu acho fundamental guardar os quadros aqui. Acho que é isso que mais me motiva a manter essa coleção até hoje e ela estar assim intacta”, declara Jacqueline.

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Potenciais investidores

Quem assumiu a tarefa de negociar o acervo no Brasil foi Fabio Szwarcwald, gestor cultural, colecionador, ex-diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) e do Museu de Arte Moderna do Rio (MAM). 

“Estou ajudando a procurar potenciais investidores que possam comprar esse acervo e doar para um museu. O meu receio é que venha alguém de fora interessado e compre a coleção. A minha ideia é tentar mantê-la no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro, que hoje tem o maior museu de arte popular, que é o Museu do Pontal. Estou conversando com eles [investidores], já demonstraram interesse, mas querem analisar agora a coleção”, salienta.

Além do seleto conjunto de obras à venda, há outros milhares de quadros do Mian guardados no apartamento em Copacabana. Jacqueline se comprometeu a doá-los para outras instituições culturais, entre elas, a Pinacoteca de São Paulo, o Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro, o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e o Museu do Sol, em Penápolis (SP). No ano passado, o painel “Brasil, cinco séculos de luta”, de Aparecida Azedo, foi doado para o Museu Histórico Nacional, no Rio.

Saga do museu 

O Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil (Mian) foi fundado e aberto ao público em outubro de 1995 por Lucien Finkelstein. A sede escolhida foi um imóvel do século XIX, comprado em 1994. Tombado como Patrimônio Cultural em 2001, o casarão fica no Cosme Velho, zona sul do Rio, a poucos metros da estação de trem do Corcovado.

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O Mian recebeu o primeiro aporte financeiro em 2000, por meio do Fundo Nacional da Cultura, do Ministério da Cultura. O valor de pouco mais de R$ 30 mil era destinado ao projeto de catalogação e informatização do acervo. E foi renovado por mais um ano.

Na sequência, foi liberada até 2004 verba da prefeitura do Rio. Sem novos investimentos, Lucien encerrou as atividades do museu por tempo indeterminado em 2007. Apenas grupos escolares e pesquisadores passaram a ter acesso ao acervo em atividades agendadas.

Lucien Finkelstein morreu em 2008 aos 76 anos de idade e a filha, a museóloga Jacqueline Finkelstein, assumiu a presidência da instituição. Em 2010, uma inundação danificou cerca de 300 obras da coleção. Essa sequência de eventos levou Jacqueline a encerrar  as atividades do museu em 2011. Oficialmente fechado para o grande público de 2007 a 2012, o Mian reabriu depois de ser contemplado em um edital da Secretaria de Estado de Cultura, no qual recebeu R$ 500 mil durante dois anos. 

Entre 2012 e 2016, o museu se manteve com leis de incentivo, bilheteria, organização de eventos e arrendamento de um espaço para um café. Até que em 23 de dezembro de 2016, fechou novamente as portas. Sem patrocínios e incentivos externos, não conseguiu pagar os custos com a estrutura.

Exposições itinerantes 

Nos principais momentos de crise, uma estratégia recorrente foi a realização de exposições itinerantes com parte do acervo. A ideia era divulgar a arte naïf e procurar soluções de investimento. Isso aconteceu em 2007, em parcerias realizadas com o Serviço Social do Comércio (Sesc) do Rio e de São Paulo. Em 2011, com pelo menos 20 mostras na Grande São Paulo e no interior do estado. Em 2019, o destaque foi um evento na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no Rio, com 325 obras. 

Agora, em 2023, é a vez do projeto Arte nas Estações, que inclui itinerário pelo interior de Minas Gerais. São 270 obras do Mian expostas em Congonhas, Ouro Preto e Conselheiro Lafaiete. Uma primeira rodada ocorreu no início de fevereiro e uma nova é realizada este mês.

“É o maior projeto de itinerância de uma coleção este ano. O objetivo é sair do eixo Rio-São Paulo e levar arte naïf para novos públicos, onde realmente a gente percebe que existe uma carência de exposições desse alto nível. A coleção é fantástica e fala com o interior do Brasil, porque vários artistas vieram do interior. Por isso, eu escolhi Minas Gerais. Então, é um projeto que resgata artistas que foram invisibilizados”, diz Fabio Szwarcwald, que também é responsável pela mostra. 

Valorização da arte naïf 

De origem francesa, a palavra naif pode ser interpretada como algo ingênuo, mas também natural e espontâneo. O primeiro uso dela no campo artístico foi para caracterizar, de forma pejorativa, o trabalho do artista francês Henri Rousseau (1844-1910) no século XIX. Autodidata, Rousseau nunca estudou em um centro acadêmico.

O tempo passou e o naïf começou a ser visto com mais respeito por críticos de arte. A simplicidade, antes considerada negativa, agora é o maior atrativo. Virou símbolo da subjetividade e originalidade criativa.

“Você chega na frente de um quadro e vê exatamente o que o artista quer passar. Não precisa entender de arte, não precisa ser um conhecedor. Simplesmente gosta ou não. É uma arte que você não aprende, ela vem de dentro para fora. Ela é espontânea. Não precisa seguir nenhuma tendência, nenhum modismo. Você tem que buscar a inspiração lá dentro de você mesmo, na imaginação, para ser um bom naïf”, afirma Jacqueline Finkelstein.

Há cada vez mais espaço em centros culturais e museus para o gênero. É o que atesta o especialista Jacques Ardies, autor do livro “A arte naïf no Brasil”, de 1998. Ele possui uma galeria em São Paulo com centenas de quadros e conta que houve um novo despertar de interesse pelas obras, principalmente dos críticos estrangeiros.

“No final do ano passado, consegui realizar a venda de uma obra do Chico da Silva, artista que hoje está sendo muito procurado. E eu tinha uma obra excepcional dele, grande, que estava comigo há uns 30 anos e foi comprada pela Tate Gallery, de Londres. Isso prova que até os museus lá de fora estão interessados e dão importância para a arte brasileira”, argumenta.

Jacques endossa a torcida para que o naïf tenha maior reconhecimento no Brasil, o que inclui a permanência da coleção do Mian.

“Eu acho essa arte essencial para o país, porque ela é extremamente brasileira. É muito original. Estamos falando de uma arte que expressa bem as nossas raízes. Por isso, deveria ser incentivada, apoiada e patrocinada”.

Fundação Pró-Sangue incentiva doação antes de se vacinar

Com estoque em nível crítico, a Fundação Pró-Sangue está solicitando à população de São Paulo que vá doar sangue e o faça antes de se vacinar contra o vírus da Influenza. Isso porque as pessoas que receberam a imunização contra a gripe devem aguardar o prazo de 48 horas e só então estarão aptas a fazerem a doação de sangue.

O apelo da Fundação Pró-Sangue decorre porque os níveis de estoque de bolsas de sangue estão baixos. A instituição está operando com menos de 40% de sua capacidade. Os sangues dos tipos O-, O+ e B- estão em nível de emergência, suficientes para menos de um dia. Já os sangues dos tipos A- e B+ estão críticos, suficientes para um dia. E os sangues dos tipos A+ e AB- estão em nível de alerta.

Para a doação, o candidato não pode ter tomado a vacina contra a gripe nas últimas 48 horas, não pode ter ingerido bebidas alcoólicas nas últimas 12 horas e não pode pesar menos de 50 kg. Ele também não pode estar gripado ou resfriado. O candidato precisa ter entre 16 e 69 anos de idade e estar em boas condições de saúde e alimentado. Ele também precisa levar o documento de identidade original com foto recente.

Para quem puder doar sangue, a fundação solicita que faça antes o agendamento por meio do site, onde dúvidas sobre a doação também podem ser tiradas.

São Paulo tem a madrugada mais fria do ano

A madrugada de hoje (21) foi a mais fria do ano na cidade de São Paulo. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura, a média de temperatura mínima registrada  foi de 11,3ºC, mas a sensação térmica chegou a 8,3ºC. A menor temperatura registrada na cidade nesta madrugada foi de 5,6ºC, em Engenheiro Marsilac, no extremo sul da capital.

Geralmente, a média de temperatura mínima para um mês de abril costuma ser de 17,3ºC. Já a temperatura máxima para o mês costuma ficar em 26,3ºC.

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O recorde anterior de frio no ano havia sido observado ontem, por volta das 23h50, quando os termômetros marcaram 13,2ºC.

De acordo com o CGE, essa foi a segunda madrugada mais fria anotada para um mês de abril em São Paulo desde 2004, quando o órgão iniciou a aferição. Só perdeu para a madrugada do dia 27 de abril de 2004, quando os termômetros marcaram 9,9ºC.

Mais frio

O CGE informou que não há previsão de chuva para a capital paulista até a próxima terça-feira (25), mas a sensação de frio deve persistir nos próximos dias, principalmente à noite e início da manhã. Para hoje, a máxima prevista não deve ultrapassar a marca dos 22ºC. Por causa do frio, a Defesa Civil Municipal decretou estado de alerta para baixas temperaturas na cidade.

Uma reportagem feita pela Agência Brasil ontem, mostrou que a população em situação de rua de São Paulo terá que enfrentar esses dias frios com menos cobertores e agasalhos do que em outros momentos já que o número de doações diminuiu. Segundo a coordenadora do projeto Solidariedade Vegan, Vivi Torrico, as notícias sobre o aumento da violência na região central da cidade têm afastado as doações. “As pessoas estão com um pouco de raiva de toda essa situação que está vivendo o centro da cidade, os arrastões e roubos e acabam esquecendo um pouco desse lado compassivo”, disse.

Presidente Lula desembarca em Portugal para visita oficial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou nesta manhã em Lisboa para visita oficial ao país. É primeira viagem do presidente à Europa desde o início do seu terceiro mandato.

Os compromissos oficiais começam amanhã (22), quando o presidente participará de uma cerimônia de boas-vindas na Praça do Império, em frente ao Mosteiro do Jerônimo, e da deposição de flores junto ao túmulo do poeta português Luís de Camões, no interior do mosteiro. Na sequência, Lula tem encontro bilateral com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém.

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Em seguida, haverá almoço oferecido pelo primeiro-ministro Antônio Costa e, à tarde, ocorre a 13ª Cúpula Luso-Brasileira, no Centro Cultural de Belém, com a assinatura dos acordos bilaterais. Inicialmente os dois chefes de governo têm reunião reservada, seguido de uma plenária com as duas delegações.

De acordo com o Palácio do Planalto, serão assinados pelo menos 13 acordos e parcerias firmados com o governo português,  incluindo memorando de entendimento entre as agências espaciais do Brasil e de Portugal, entre as agências de cinema dos dois países para coprodução audiovisual e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com diversos ministérios do governo português.

Desde a posse, no dia 1° de janeiro deste ano, Lula realizou viagens oficiais à Argentina, Uruguai, Estados Unidos, China e Emirados Árabes Unidos.

Cresce adesão ao Dia Nacional de Defesa da Democracia no Brasil

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Comissão Arns de Direitos Humanos são as mais recentes entidades da sociedade civil a aderir ao movimento que visa criar no Brasil o Dia Nacional de Defesa da Democracia. O movimento foi lançado esta semana pelas nove instituições científicas e acadêmicas que integram a Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP) e está aberto à adesão de organizações em geral da sociedade civil.

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário-executivo da ICTP, Fábio Guedes Gomes, informou que a proposta já conta com adesão de 74 sociedades científicas de várias áreas do conhecimento, além das nove instituições científicas, da ABI e da Comissão Arns. “Já são quase 90 instituições e a tendência é crescer porque essa é a primeira etapa do documento. Vamos agora para a coleta de mais signatários.

Fábio Guedes Gomes aposta na adesão da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “A tendência é que a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) vá colhendo mais adeptos”. O secretário-executivo destacou que, em primeiro lugar, é necessário que se demonstre a força e o interesse da sociedade civil. “Isso é importante porque a sociedade civil organizada precisa dar uma demonstração das preocupações que, hoje, o Brasil, de certa maneira, ainda tem em relação a um passado muito próximo nosso”. Lembrou que está na pauta do dia a defesa do estado democrático de direito e as ameaças que ele sofreu e que culminaram com o ataque à Praça dos Três Poderes, em Brasília, em janeiro deste ano.

Gomes salientou que é necessário que a sociedade civil exerça a prática de discutir, informar e conscientizar a população sobre o que significa a democracia brasileira. Ele acredita que deverá passar de 100 o número de entidades e instituições que apoiarão a proposta. De acordo com o documento assinado pelas entidades, a data objetiva celebrar a democracia e também repudiar a ditadura.

Datas

Em princípio, foram sugeridas duas datas para a celebração do Dia Nacional de Defesa da Democracia: 25 e 31 de outubro, ambas relacionadas a fatos que ocorreram em 1975. “Porque são datas bastante simbólicas”, afirmou Gomes. A primeira marca o assassinato do jornalista Vladmir Herzog; a segunda destaca a primeira grande manifestação nas ruas contra o Ato Institucional número 5, emitido pelo governo militar em dezembro de 1968. Foi também celebração ecumênica, entre cristãos de várias denominações e judeus, pelo jornalista assassinado nas dependências da polícia política.

O AI-5, como ficou conhecido, tinha 12 artigos. Esse decreto proibiu a garantia de habeas corpus em casos de crimes políticos, determinou o fechamento do Congresso Nacional, pela primeira vez desde 1937, e autorizou o presidente a decretar estado de sítio no país, por tempo indeterminado. Estabeleceu também a demissão de pessoas do serviço público, cassação de mandatos, confisco de bens privados e intervenção nos estados e municípios. Foi considerado o período mais duro do regime militar. A censura aos meios de comunicação se tornou costumeira e a tortura foi ação comum na ditadura.

Representantes

As universidades federais, representadas pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), aderiram ao movimento, bem como as universidades estaduais e municipais, por meio da Associação Brasileira de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), e também os institutos federais, através do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif). Houve adesão também dos secretários estaduais de Ciência e Tecnologia.

“Se fôssemos reproduzir por unidade e representatividade, alcançaríamos muito fácil a casa de 300 ou 500 instituições”. Fábio Gomes destacou ainda a importância de se levar a discussão para o Parlamento brasileiro. A ideia é que isso possa ocorrer até o final deste mês.

Para aderir ao movimento e definir no calendário qual será o Dia Nacional de Defesa da Democracia, estão sendo convidados também partidos políticos, coletivos, movimentos setoriais e associações representativas de categorias profissionais, entre outros grupos.

O formulário de adesão pode ser acessado pelo site.

Campanha Árvore da Sorte troca sementes por plantio de árvores

O projeto Árvore da Sorte, criado pela AGVIPP Projetos, da Bahia, e certificado pela Secretaria de Reformas Econômicas, do Ministério da Fazenda, vai trocar 2 milhões de sachês de sementes por 200 mil árvores plantadas. O criador do projeto Árvore da Sorte e presidente-executivo da AGVIPP, Luiz Cláudio Batista, informou à Agência Brasil que se trata de uma campanha de incentivo da venda de sachês de legumes, verduras e hortaliças para, em um primeiro momento, fomentar a agricultura familiar.

“As pessoas vão no site e fazem a aquisição de uma semente. Automaticamente, no próprio regulamento, quando ela faz esta aquisição, ela está doando ao próprio projeto, e nós iremos implantar as hortas comunitárias na Ilha de Itaparica, e vamos também fomentar hortas existentes em outros municípios brasileiros”, disse Batista.

A campanha tem autonomia para comercialização de 2 milhões de sachês de sementes. Para cada dez sachês vendidos, uma árvore será plantada. Com essa proposta, a meta são 200 mil árvores a serem plantadas. O projeto prevê também, por enquete popular, a realização de mutirões para limpeza de praias. Parte das árvores será plantada, a partir de julho próximo, no município baiano de Simões Filho, onde será feita uma reserva piloto do projeto, tanto em relação ao reflorestamento, como à questão das hortas.

Georreferência

Serão visitadas cidades em outros estados com o mesmo objetivo, buscando parcerias que queiram se unir à iniciativa. “Todo e qualquer plantio terá acompanhamento técnico, que será georreferenciado”, disse o idealizador do projeto. Destacou também que após o plantio, o município pode buscar obter crédito de carbono relativo ao volume de árvores que será plantado, criando, ao mesmo tempo, o conceito de reserva ambiental. Segundo Luiz Cláudio Batista, as espécies de árvores que serão plantadas atenderão aos biomas das regiões.

Informou ainda que além de colaborar com a sustentabilidade no Brasil, os participantes do projeto, sejam pessoas físicas ou empresas, concorrerão a prêmio de R$ 17 mil, na forma de uma motocicleta do ano. Batista salientou a importância de se investir no crescimento sustentável, no Brasil e no mundo, em sintonia com as diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a importância da preservação ambiental.

Mata Atlântica

Em dezembro do ano passado, a ONU reconheceu o Pacto Trinacional da Mata Atlântica como uma de suas dez Iniciativas de Referência da Restauração Mundial. O projeto envolve 300 organizações que objetivam preservar e restaurar o que restou da Mata Atlântica em países como Brasil, Paraguai e Argentina. Cerca de 700 mil hectares de terra já foram restaurados e o objetivo é proteger e reviver um milhão de hectares até 2030 e 15 milhões de hectares até 2050, área maior do que a de todo o Nepal, Grécia ou Nicarágua.

Essas organizações estão protegendo também espécies ameaçadas, como a onça-pintada e o mico-leão-dourado, assegurando o abastecimento de água para as pessoas e para a natureza, combatendo e criando resiliência à mudança climática e gerando milhares de empregos. A informação é do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Mais de 90% da floresta original da Mata Atlântica já foram destruídos, em razão, principalmente, da expansão da agricultura, da pecuária, da exploração madeireira e da urbanização.

Gastronomia e Cultura: Mercadão de SP tem programação especial

O Mercado Municipal Paulistano, conhecido como o Mercadão de São Paulo, está entre as opções de passeio para os paulistanos e turistas que visitam a cidade de São Paulo no feriado de Tiradentes, comemorado nesta sexta-feira (21). Os visitantes poderão contar, até o dia 23 de abril, das 10h às 16h, no Espaço de Eventos, com a terceira edição do Festival de Gastronomia e Cultura (FGC), que desta vez homenageia Portugal.

A cultura e as tradições da China e do Japão passaram nos meses anteriores pelo Mercadão.

O Festival de Gastronomia e Cultura tem entrada gratuita e é aberto ao público. No local haverá boxes de alimentação, apresentações artísticas e musicais e lojas de produtos típicos, entre outros atrativos.

Na programação gastronômica desta edição estão a PAME, padaria artesanal; a N2 Extreme Brasil, gelateria onde o cliente pode levar qualquer ingrediente para ser transformado em gelato; e a B.lem, a maior rede de padarias do Brasil, com raízes portuguesas.

No dia 22 de abril, data em que se comemora o descobrimento do Brasil, o Espaço de Gastronomia e Cultura do Mercadão será palco de uma experiência gastronômica exclusiva com os pratos do chef Vitor Sobral, do restaurante Tasca da Esquina, um dos mais tradicionais e premiados de São Paulo. O cardápio é composto por quatro pratos e uma sobremesa, que podem ser consumidos à vontade, por R$ 209,00.

Os ingressos para esta atração podem ser adquiridos pelo Sympla ou no dia do evento, mediante disponibilidade.

Serviço:

Festival de Gastronomia e Cultura – Edição Portugal

Mercado Municipal Paulistano – Mercadão

Rua da Cantareira, 306 – Centro Histórico de São Paulo

De 20 a 23 de abril

Horário: das 10 às 16h

Convite antecipado para o almoço com o Chef: Sympla

Brasília, 63: novos candangos madrugam e sonham no centro comercial

– Vamos comer, vamos comer. Já é meio-dia. Bora, Brasília.

A chamada é um grito no meio da multidão, que não são todos que podem obedecer. Não é por falta de fome. No centro comercial da capital, na Asa Sul, trabalhadores acordaram bem cedo, antes do céu se acender. Por uns sonhos, por uns reais, por todas as realidades que os cercam. O horário é o de menos. Não dá para parar. O cliente chegou. Os novos candangos estão no “corre”. 

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Que o diga o brasiliense João Wellington Batista, de 42 anos, motociclista de aplicativo, na ansiedade do próximo som do celular, que avisa qual será a próxima entrega. Nem o dedo enfaixado que ele lesionou, lavando a “bicha” (a companheira moto) com o motor ligado, faz com que ele dê um tempo do “trampo”.  “Nem pensar dá pra parar. Tenho um filho de 13 anos para cuidar”. Na rotina, sai de Samambaia, a 30 km dali, antes das 6h da matina. Só volta para casa depois da meia-noite o filho de pais de Uberaba (MG) e Goiânia (GO).
Nem o dedo machucado faz com que o motociclista Joāo Wellington pare de trabalhar- Joédson Alves/Agência Brasil

Ele já passou por outros apertos. Joelho arranhado, bacia machucada. “Foram três acidentes nesses últimos tempos. O trânsito dá medo mesmo”. Mas não teve muita opção, desde que, em 2015, perdeu o emprego de porteiro, o último com carteira assinada. Ao lado de sua moto, outras aceleram ao primeiro som do celular. Os novos candangos estão em meio a uma mistura de barulhos.

Mistura também de cheiros e gostos. “Olha o churrasquinho. Quentinho. Vamos almoçar”. Mas ainda não é pro bico de Nathan Santiago, de 23 anos, que só vai poder montar a marmita depois das 14h30. Agora, tem que servir os outros. A fumaça que sai das churrasqueiras sobe para o nariz e para os olhos, embalada pelo clima seco da capital. 

Enquanto esquenta os churrasquinhos, Nathan Santiago sonha fazer um curso superior. Joédson Alves/ Agência Brasil

Nathan sai cedinho de Planaltina, a quase 60 km do centro. Tudo vale a pena. Sonha fazer um curso superior em gestão de pessoas. Junto com ele, está no caixa do churrasquinho Sávio Silva, de 20, também planaltinense. “É uma correria difícil”. Menos difícil, segundo ele, do que a aventura por qual passou o pai carpinteiro, que saiu de Floriano (PI) para tentar a vida na capital. Hoje deseja mesmo fazer faculdade de administração. Enquanto pensam no futuro, ambos de máscara, só tiram do rosto para tomar água em uma garrafa que já foi de refrigerante.

Almoçar também não é a prioridade do goiano Fábio Araújo, de 40 anos, que está no outro lado da rua. Aliás, o comerciante administra dois negócios ao mesmo tempo: os docinhos em cima de uma mesa de plástico e a cadeira de engraxate. Foi lustrando os sapatos alheios que ele começou essa aventura de comércio de rua há 16 anos. Para complementar renda, resolveu juntar paçocas, balas e bananada para ter mais moedinhas no final do dia. Qual vale mais a pena? “Os dois. Importa que eu leve dinheiro para casa”.

 

Fábio Araújo vende doces, mas também atua como engraxate. Joédson Alves/Agência Brasil

A casa fica em Luziânia, a 60 km dali, o que faz com que ele desperte todos os dias às 4h da manhã para chegar ao centro de Brasília, às 7h. Afinal, a prioridade, nesse momento, é o tratamento do filho mais velho, de 18 anos, que foi diagnosticado com lúpus. Além dele, tem mais três filhos que precisam da atenção do pai. Todos na casa sonham um dia ter uma casa própria. “E saúde, para eu continuar trabalhando”. A esposa também madruga. Faz dindim caseiro para vender em Luziânia. 

Entre as clientes dos docinhos de Fábio, a pernambucana Aline dos Santos, de 22 anos, que trabalha como auxiliar de serviços gerais em uma empresa do centro, comemora ter registro em carteira.

A arcoverdense Aline quer prestar concurso público em Brasília. Joédson Alves/Agência Brasil

 Tal e qual sonharam os pais, um pintor e uma empregada doméstica, desde quando saíram de Arcoverde (PE) para se instalar em Ceilândia, a maior região administrativa do Distrito Federal e que tem 60% da população,  cerca de 140 mil pessoas nascidas no Nordeste. Outros 130 mil são descendentes diretos de pais daquela região.

Aline entra no serviço às 7h, o que faz com que madrugue no ônibus. “Sonho estudar mais e passar em um concurso da polícia”. Mas ainda precisa recuperar o tempo passado e terminar o ensino médio.

História de exclusão

Sonhos legítimos, apagamentos da história de trabalhadores da capital, reações sociais…. Para o historiador Guilherme Lemos, a Brasília do ano de 2023 guarda caminhos de segregação e racismo, como ocorreram desde a sua construção.

Guilherme Lemos estudou o apagamento dos “Dois Candangos”. Arquivo /Divulgaçāo

Ele cita um episódio ocorrido em abril de 1962, quando os trabalhadores Gildemar Marques, de 19 anos, nascido em Bom Jesus (PI), e Expedito Xavier Gomes, de 27, de Ipu (CE) morreram em um canteiro de obras da Universidade de Brasília. O fato foi também objeto de pesquisa de doutorado de Guilherme Lemos na tese “No dilacerar do concreto (leia aqui). Saiba também sobre as providência da Justiça do DF para reparação das famílias das vítimas”.

Em “homenagem” às vítimas, o auditório da universidade ganhou o nome de “Dois Candangos”, e não o nome deles.”A minha questão era justamente como que esse nome candangos acabou apagando essa história do Brasil”, explicou.

O pesquisador chama atenção que se trata da história de uma segunda geração de trabalhadores de um Brasil pós-abolição. O concreto da obra serviu, então, conforme o pesquisador, com a monumentalização que é Brasília, para ocultar esse passado do Brasil escravista. Um Brasil teoricamente disposto a não tratar do passado e até a escondê-lo.

“Essa monumentalização gera um apagamento da memória desses homens. Um passado que é de violência e romantização na tentativa de esquecimento”.

 

“Vim como mucama”

No presente da capital, o centro comercial traz histórias de recomeço. Como é o caso da ambulante Silvana Alves, de 43 anos, que vende roupas em uma barraca. Ela, que é da cidade de Piracuruca (PI), mudou sozinha para Brasília há cerca de 25 anos. “Vim para cá com menos de 18 anos de idade como mucama para fazer serviços domésticos. Não deu para estudar. Desde criança, vivia na roça. Hoje, consigo ajudar minha mãe que continua lá. Vou a São Paulo periodicamente para comprar os vestidos, blusas e casacos para ganhar alguma coisa”.

Na Feira do Pedregal, no Novo Gama, ela conheceu o marido Rubens Martins, de 31 anos, que vendia bijuterias, e nasceu em Niquelândia (GO).  Resolveram juntar as esperanças e os varais de produtos. “Somos dois candangos”, diz ela. 

O casal Silvana Alves e Rubens Martins se conheceram em uma feira e resolveram juntar os varais. Joédson Alves/Agência Brasil

De frente à barraca de roupas, três pessoas estão em volta de uma caixa de isopor com marmitas: Thaynara Alves, de 34, o marido Wender Soares, de 49, que também é taxista, e a filha de cinco meses. “Ela é a única que não pode ficar sem comer. A gente consegue”, diz Thaynara, que sonha mesmo ser profissional de saúde. 

 

Na hora do almoço, só quem tem o horário respeitado é a filha de cinco meses. Joédson Alves/Agência Brasil

Hoje, ela cursa enfermagem à noite, perto de onde mora, em Luziânia (GO). Procura voltar rápido para casa de forma que o marido possa descansar. Afinal, atende os clientes a partir das 3h da madrugada. “O meu filho mais velho me jurou que vai fazer faculdade para realizar meu sonho. Queremos o mesmo para a nossa bebê, que ela goste de viver aqui”, explicou.

Pesquisa indica aceitação de vacinação infantil nas escolas

Uma pesquisa realizada com 2 mil mães brasileiras chegou a um percentual de 76% que consideram a escola como o lugar ideal para a vacinação infantil. O estudo foi realizado pela farmacêutica Pfizer e pelo Instituto Locomotiva e divulgado pouco antes da Semana Mundial da Imunização, que acontece entre 24 e 30 de abril. As respostas indicam que as mães gostariam de ser ajudadas pela escola a manter o calendário vacinal em dia.

Oito em cada dez mães concordaram com a frase “seria muito prático se a vacinação do/da meu/minha filho/filha pudesse ocorrer dentro da escola”, e, para 85%, “se houvesse a possibilidade de a vacinação ocorrer na escola a cobertura vacinal infantil poderia ser maior”.

A vacinação escolar é uma estratégia defendida por especialistas em imunização como um instrumento para elevar as coberturas vacinais, que estão em queda no país desde 2015. Com percentuais abaixo da meta que garante a imunidade de rebanho, doenças imunopreveníveis como o sarampo e a poliomielite podem reaparecer no país ou se espalhar com mais facilidade.

O questionário aplicado nas cinco regiões do país também mostrou que 81% das entrevistadas ficariam seguras com a vacinação dentro da escola se soubessem que ela seria realizada por profissionais de saúde qualificados. Segundo a pesquisa 91% das mães afirmam que provavelmente autorizariam os filhos a receber as doses na escola. Entre elas, três em cada quatro dizem que a decisão independeria, inclusive, do tipo de vacina ministrada.

Apostar na escola como fonte de informação e local de facilitação do acesso às vacinas está em linha com alguns problemas apontados pela própria pesquisa: 68% das participantes dizem que já se sentiram confusas sobre a imunização dos filhos, 39% já deixaram de vacinar por dificuldades de chegar aos postos e 56% relatam que, com as demandas do dia a dia, já acabaram esquecendo as datas de vacinação dos filhos.

As mães ouvidas consideram a falta de informação e conhecimento sobre a vacinação o principal obstáculo à vacinação. Para 17% das mães, a falta de confiança nas vacinas é uma das razões que atrapalha.

Desigualdades

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

As entrevistas mostraram que metade das mães das classes A/B contam com algum tipo de acompanhamento que ajude a lembrar o dia de vacinar seus filhos, enquanto esse percentual é de apenas 25% para as mães da Região Norte. As nortistas, ao lado das mães negras e das mães das classes D/E são as que têm menos informação, assistência e acesso às vacinas.

As mães nortistas, por exemplo, são as que mais relatam com mais frequência já terem perdido um dia de trabalho para colocar a vacinação em dia. O pediatra Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), lembra que o Norte e o Nordeste são as regiões do país que apresentam os indicadores mais baixos de imunização infantil.

“É importante considerar o impacto da desigualdade social dentro desse cenário para que possamos buscar soluções que ajudem a transpor cada um dos obstáculos enfrentados pelas famílias na imunização de suas crianças”, afirma.

A diretora médica da Pfizer, Adriana Ribeiro, afirma que o objetivo da pesquisa é ajudar a aprofundar a avaliação sobre o cenário de queda nas coberturas vacinais, de modo que soluções mais efetivas possam ser encontradas.

“Sabemos que essa questão foi agravada pela pandemia, mas estamos falando de um problema multifatorial, complexo, influenciado por vários elementos, sejam eles sociais, econômicos, comportamentais ou de informação”, avalia a diretora médica. “Ao ouvir as mães, que em sua maioria são responsáveis diretas pelo gerenciamento da imunização de seus filhos, propomos a partir do estudo um olhar mais aprofundado desse cenário complexo, como forma de contribuir para a busca de soluções que realmente possam transformar a situação vacinal atual”.  

CMN simplifica sistema de pagamentos em moedas locais do Mercosul

Mecanismo que permite transações em moedas locais entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o Sistema de Pagamentos em Moeda Local (SML) foi simplificado e uniformizado. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, nesta quinta-feira (20), uma resolução que barateia a utilização do sistema e amplia os tipos de instituições financeiras aptas a usar a ferramenta.

As instituições financeiras que operam o SML tiveram os procedimentos operacionais simplificados. Os mecanismos de controle das operações de crédito e do funcionamento do sistema foram padronizados. O CMN também autorizou que mais instituições financeiras operem no SML, oferecendo-o como produto adicional aos clientes das instituições autorizadas a operar em câmbio.

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“As atualizações têm potencial de promover a concorrência, reduzir o custo ao usuário final, melhorar a segurança, reduzir o tempo dos pagamentos, integrar o SML às inovações do sistema financeiro e contribuir para a eficiência supervisória do BC”, informou o órgão em nota.

Debate interno

Segundo o BC, a medida resultou de debate entre os técnicos do órgão, sem pedido do governo federal. “Não chegou nada para minha equipe”, disse o chefe-adjunto do Departamento de Assuntos Internacionais do BC, Marcelo Aragão. Ele afirmou que as novas regras tornaram mais atrativo para as instituições financeiras oferecer o SML nas transações entre os países do Mercosul.

Uma das principais mudanças, explicou Aragão, diz respeito à possibilidade de que todas as instituições que operam com câmbio possam fazer transações dentro do SML. Até agora, as transferências tinham de passar por uma “conta de liquidação”, que tinha um conceito confuso, segundo o técnico do BC.

Estabelecido por acordo entre os Bancos Centrais, o SML dispensa o contrato de câmbio e permite que uma das partes, geralmente o exportador, fixe o preço da mercadoria ou serviço na moeda de seu país. Tanto pessoas físicas como jurídicas podem usar o mecanismo. Isso elimina a exposição a riscos decorrentes de variações nas taxas de câmbio e estimula a integração econômica entre os países participantes.

Desde 2008, os SML de que o Banco Central brasileiro participa movimentaram cerca de R$ 50 bilhões. Os acordos são fechados de forma bilateral, portanto o BC precisa estabelecer um SML com cada país que adere ao sistema. O Congresso Nacional deve ratificar cada acordo bilateral.

A simplificação das transações comerciais entre Brasil e Argentina foi um dos objetivos anunciados na viagem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ao país vizinho, em janeiro. No entanto, segundo Aragão, o Banco Central discutia as mudanças no SML desde 2017.

Heloisa Buarque de Hollanda é eleita imortal da ABL

A escritora Heloísa Buarque de Hollanda foi eleita nesta quinta-feira (20) para a Academia Brasileira de Letras (ABL) e vai ocupar a cadeira 30, vaga desde a morte da escritora Nélida Piñon, em dezembro  passado. A escritora e crítica cultural passa a ser a décima mulher eleita para a ABL.

A votação que elegeu a paulista com 34 dos 37 votos foi a primeira da Academia feita por urna eletrônica. O pintor e escritor Oscar Araripe teve 2 votos e houve um voto em branco.

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“Esse atual projeto de abertura da Academia me fascina. E isso não é nem o começo. Tem que ter mulher, negro, índio. Porque são excelentes também. Isso é o Brasil, a democracia. Eu estou muito feliz de chegar nesse  momento na Academia, com esse projeto de renovação, aos 84 anos”, destacou Heloísa, em nota da ABL.

A cadeira 30 tem como fundador o contista Pedro Rabelo, como patrono o jornalista e romancista Pardal Mallet, e teve como titulares o advogado Heráclito Graça, o médico Antônio Austregésilo e o ensaísta, filólogo e lexicógrafo Aurélio Buarque, além de Nélida Piñon.

Feminista

Uma das principais vozes do feminismo brasileiro, considerada a maior intelectual pública do país, Heloísa Buarque de Hollanda é formada em letras clássicas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), com mestrado e doutorado em literatura brasileira na UFRJ e pós-doutorado em sociologia da cultura na Universidade de Columbia, em Nova York. É diretora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC-Letras/UFRJ), onde coordena o Laboratório de Tecnologias Sociais, do projeto Universidade das Quebradas, e o Fórum M, espaço aberto para o debate sobre a questão da mulher na universidade.

Seu campo de pesquisa privilegia a relação entre cultura e desenvolvimento, área em que se tornou referência, dedicando-se às áreas de poesia, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultura digital. Nos últimos anos, vem trabalhando com o foco nas produções das periferias das grandes cidades, no feminismo, bem como no impacto das novas tecnologias digitais e da internet na produção e no consumo culturais.

Entre os livros publicados, destaca-se a histórica coletânea “26 Poetas Hoje”, de 1976, que revelou uma geração de poetas “marginais” que entrou para a história da literatura brasileira, como Ana Cristina Cesar, Cacaso e Chacal. Essa antologia é considerada um divisor de águas entre uma poesia canônica e uma poesia contemporânea e performática. Segundo a autora, o livro causou furor na época.

“Em tempos de censura e de repressão, plena ditadura, no ano de 1976, em uma época batizada por Zuenir Ventura de vazio cultural, publiquei uma antologia que causou furor, avaliou Heloísa em nota.

A ABL destaca que livro 26 Poetas Hoje trazia a atmosfera coloquial e irreverente que marcaria a década de 1970, também chamada de geração mimeógrafo ou geração marginal. Eram poetas que estavam à margem do circuito das grandes editoras e que produziam seus livros de maneira artesanal, em casa, em pequenas tiragens vendidas em centros culturais, bares e nas portas dos cinemas. O livro foi uma resposta direta aos anos de chumbo e se tornou um clássico da poesia brasileira, referência incontornável para escritores e leitores de poesia.

Heloísa Buarque de Hollanda publicou também: Macunaíma, da literatura ao cinema; Cultura e Participação nos anos 60; Pós-Modernismo e Política; O Feminismo como Crítica da Cultura; Guia Poético do Rio de Janeiro; Asdrúbal Trouxe o Trombone: memórias de uma trupe solitária de comediantes que abalou os anos 70; entre outros.

Desembargador do caso Tacla Duran pede afastamento da Lava Jato

O desembargador Marcelo Malucelli, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), pediu nesta quinta-feira (20) afastamento da relatoria de processos da Operação Lava Jato.

Na decisão, o magistrado se declarou que suspeito para analisar os recursos de investigados na segunda instância. 

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A declaração ocorreu após Malucelli passar a responder nesta semana a um processo aberto pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apurar se o magistrado descumpriu decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu a investigação envolvendo o advogado Rodrigo Tacla Duran, réu em um dos processos da Lava Jato.

Ao proferir uma decisão envolvendo Duran, o desembargador foi acusado de ter relações pessoais com a família do senador Sergio Moro (União-PR), fato que o impediria de analisar o caso.

“Ante a ocorrência de circunstâncias posteriores à data em que assumi os processos oriundos da presente operação, em trâmite junto ao Juízo Federal da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR e que se relacionam com a integridade física e moral de membros da minha família, declaro minha suspeição superveniente, por motivo de foro íntimo, para atuar neste e em todos os demais processos relacionados por prevenção, a partir desta data”, argumentou Malucelli.

Acusação

No mês passado, durante audiência com juiz Eduardo Appio, da 13ª Vara Federal em Curitiba, Tacla Duran disse que foi alvo de perseguição por não aceitar ser extorquido durante o processo em que é réu.

Duran disse que foi procurado por uma pessoa que atuou como cabo eleitoral da campanha Moro e um advogado ligado à esposa dele, Rosangela Moro, que teria oferecido um acordo de delação premiada durante as investigações.

A partir das menções, Appio decidiu enviar o caso ao Supremo, tribunal responsável pela análise de questões envolvendo parlamentares com foro privilegiado.

Após a divulgação do depoimento, o senador Moro disse que não teme qualquer investigação: “desde 2017 [Tacla Duran] faz acusações falsas, sem qualquer prova, salvo as que ele mesmo fabricou”.

Coletivos negros fazem ato contra ex-atleta que agrediu entregadores

Coletivos negros e movimentos sociais do Rio de Janeiro realizaram nesta quinta-feira (20) um ato de resistência contra o racismo no país. Mais de 80 organizações cobraram a prisão da ex-jogadora de vôlei de praia, Sandra Mathias Correia de Sá, 53 anos que agrediu os entregadores de aplicativo, Max Ângelo e Viviane Maria, no bairro de São Conrado, zona sul do Rio de Janeiro, onde os dois trabalhavam.

Em manifesto, organizadores reafirmaram “legado de resistência, luta, produção de saberes e de vida”. 

“Historicamente, seguimos enfrentando o racismo, que estrutura a sociedade e produz desigualdades que atingem principalmente nossas existências. Durante os quase quatrocentos anos de escravização e desde o início da República, somos alvo de violações de direitos, do racismo, da discriminação racial, da violência e do genocídio”.

Em outro trecho, o documento ressalta que a história exige da população negra brasileira e de toda a diáspora africana ações articuladas para o enfrentamento ao racismo, ao genocídio e às desigualdades, injustiças e violências derivadas desta realidade.

“Esta unidade de luta negra se reúne em defesa da vida, do bem viver e de direitos arduamente conquistados na resistência e luta do povo negro pobre e da classe trabalhadora, irrenunciáveis e inegociáveis, seguiremos honrando nossas e nossos ancestrais, unificando em luta toda a população afro e demais membros da classe trabalhadora, por um futuro livre de racismo”.

Agressões

No dia 9 de abril, Sandra agrediu violentamente os entregadores em São Conrado, perto de onde ela mora. As imagens gravadas mostram a ex-atleta desferindo socos em Max e puxões fortes na camisa dele. Na cena mais forte, a mulher deu chicotadas no trabalhador usando a guia do cachorro dela. Em seguida, ele se esquiva e tenta se afastar. Depois, Sandra retornou e deu tapas e socos na entregadora Viviane Maria Souza.

A ex-atleta, se apresenta nas redes sociais como nutricionista e dona de uma escola de vôlei de praia no Leblon. No depoimento à polícia na última segunda-feira (17), Sandra disse ter sofrido preconceito de gênero e negou racismo. Max negou a versão da mulher.

O caso foi registrado como lesão corporal e injúria simples. Segundo a delegada responsável pelo inquérito, ainda não há elementos suficientes para que o caso seja caracterizado como injúria racial. A polícia investiga se também houve o crime de injúria racial, que tem tratamento jurídico do racismo e pena de dois a cinco anos. A delegada ainda ouvirá outros três depoimentos.

Palmeiras derrota Cerro Porteño de virada na Libertadores

O Palmeiras mostrou força e derrotou o Cerro Porteño (Paraguai) de virada por 2 a 1, na noite desta quinta-feira (20) no estádio do Morumbi, para somar os seus três primeiros pontos na edição 2023 da Copa Libertadores. Após este resultado o Verdão permanece na lanterna do Grupo C, mas empatado em número de pontos com todos os adversários da chave.

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Mesmo jogando na condição de mandante a equipe comandada pelo português Abel Ferreira não encontrou facilidades, especialmente porque viu o time adversário abrir o placar cedo. Logo aos quatro minutos Morales se livrou de Gustavo Gómez e cruzou para Churín, que bateu para defesa parcial de Weverton. A bola sobrou então para Bobadilla, que empurrou para o fundo da meta de cabeça.

O gol claramente desestabilizou o Palmeiras, que só conseguiu chegar à virada na etapa final. O empate veio aos 18 minutos. Após Dudu levantar a bola na área, Arthur finalizou de carrinho para defesa parcial do goleiro Jean. Porém, o zagueiro Gustavo Gómez estava atento para aproveitar o rebote e bater de primeira.

O primeiro triunfo na competição do Verdão (que estreou com derrota para o Bolívar por 3 a 1) foi garantido apenas aos 30. Artur cruzou, Gustavo Gómez escorou de cabeça para o meio da área e Rafael Navarro só teve o trabalho de empurrar para o fundo do gol. Agora o Palmeiras volta a entrar em campo pela competição no dia três de maio, quando visita o Barcelona de Guayaquil (Equador).

Rádio MEC celebra 100 anos e anuncia programação especial

A Rádio MEC celebrou 100 anos nesta quarta-feira (20) em um evento no Teatro da Caixa Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro. A emissora pública, que tem conteúdo voltado para educação, arte e cultura, foi criada em 1923 pelos cientistas Roquette-Pinto e Henrique Morize. Para marcar a data histórica, foi anunciada uma programação especial que vai entrar na grade da emissora durante os próximos meses.

Entre as novidades, destaque para a série protagonizada pelo escritor Ruy Castro, que vai ao ar nos domingos, às 22h, a partir do próximo dia 23. Ela é baseada no livro do autor, Metrópole à beira-mar. Também estão previstos: o programa Memória: Rádio MEC 100 anos, com 100 programas históricos do acervo; a apresentação da Orquestra Sinfônica Nacional no dia 10 de maio, ao vivo, na rádio; a transmissão do Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras (8 a 11 junho); o concerto com a Petrobras Sinfônica no Museu Nacional (7 de setembro); e o Prêmio Rádio MEC 100 anos (25 de setembro).

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil 

A diretora de Conteúdo e Programação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, disse que uma das prioridades da nova gestão é digitalizar o acervo da Rádio MEC.

“Isso é muito importante para garantir que ele não se perca, como vimos no caso dos acervos de alguns museus do Brasil. É também uma forma de disponibilizar nosso acervo para consulta de pesquisadores, estudantes e curiosos. E é uma etapa necessária para o tombamento da Rádio MEC como patrimônio imaterial brasileiro pelo Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], um reconhecimento da importância e da contribuição que a rádio deu ao Brasil como difusora de cultura e ciência”.

Gerente-executivo de Rádio da EBC, Thiago Regotto, reforçou que o momento é favorável para investir no crescimento da MEC e aproximá-la ainda mais do público.

“Tem muita coisa bacana que a gente pode fazer no cenário atual, que foi difícil de executar antes por dificuldades orçamentárias. Hoje, a comunicação pública e a Rádio MEC aparecem como prioridades. Então, vamos fazer tudo o que pudermos para alcançar mais pessoas, para apresentar conteúdos diferentes e relevantes na programação”.

Além das novidades, a Rádio MEC promete continuar fortalecendo os programas que recebem retorno positivo do público. É o caso do infantojuvenil Blim-Blem-Blom, comandado pelo compositor e produtor musical Tim Rescala há 11 anos.

“O programa é muito ouvido pelas famílias. Tenho esse retorno, que me deixa muito feliz, também pelos professores de música, que utilizam o programa em sala de aula. Então, isso mostra que esse aspecto didático e educativo, que marca a rádio, nos coloca no caminho certo. A gente está conseguindo levar a música clássica de forma lúdica para as crianças”.

O presidente da EBC, Hélio Doyle, lembrou que o centenário da MEC é uma prova de que as previsões pessimistas sobre o fim do rádio não se concretizaram. E que a emissora vai continuar se adaptando e sendo um meio de comunicação importante na sociedade brasileira.

“Eu ouvia a história de que o rádio ia acabar quando veio a televisão. Depois, se falou do fim do rádio por causa da internet. O rádio se revitaliza, se renova. E ele não vai deixar de existir porque é o meio de comunicação mais acessado pelas pessoas. É o que chega mais facilmente, que depende menos de tecnologias sofisticadas. Seja no interior da Amazônia ou em qualquer outro lugar, o rádio chega lá. Ele não vai acabar, ele vai se recriar”.

História

A MEC foi a primeira emissora radiofônica do Brasil. Sucessora da Rádio Sociedade, criada em 20 de abril de 1923 por Edgard Roquette-Pinto e Henrique Morize, teve papel importante na formação musical e cultural do país. Em 5 de julho de 2022, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial do Rio de Janeiro.

Doada em 1936 ao Ministério da Educação, a Rádio MEC é gerida desde 2007 pela EBC. Com cerca de 50 mil registros e produções, a emissora possui um patrimônio de gravações de personalidades como Getúlio Vargas, Monteiro Lobato, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Fernanda Montenegro e Carlos Drummond de Andrade.

STF tem três votos para liberar retorno da contribuição sindical

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar um recurso para analisar a legalidade da extinção da obrigatoriedade da contribuição sindical, aprovada pelo Congresso na reforma trabalhista de 2017.

O caso é analisado no plenário virtual da Corte desde sexta-feira (14). Até o momento, os ministros Gilmar Mendes, relator, Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia se manifestaram favoravelmente ao retorno do imposto sindical.

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Mendes mudou seu entendimento em relação ao julgamento da questão em 2018, quando o Supremo manteve o fim do imposto. Agora, os ministros julgam um recurso dos sindicatos envolvidos no processo.

Em seu voto, o ministro disse que as circunstâncias mudaram e a falta da contribuição impactou a principal fonte de custeio dos sindicatos.

“Havendo real perigo de enfraquecimento do sistema sindical como um todo, entendo que a mudança de tais premissas e a realidade fática constatada a partir de tais alterações normativas acabam por demonstrar a necessidade de evolução do entendimento anteriormente firmado por esta Corte sobre a matéria, de forma a alinhá-lo com os ditames da Constituição Federal”, afirmou Mendes.

Desde a reforma, o desconto de um dia de trabalho por ano em favor do sindicato da categoria passou a ser opcional, mediante autorização prévia do trabalhador.

Se a maioria do STF aprovar a volta do imposto, passará a prevalecer a seguinte tese sobre a questão.

“É constitucional a instituição, por acordo ou convenção coletivos, de contribuições assistenciais a serem impostas a todos os empregados da categoria, ainda que não sindicalizados, desde que assegurado o direito de oposição”.

O julgamento será encerrado na segunda-feira (24). Faltam os votos de oito ministros.

Brasília 63 anos: patrimônio cultural da era modernista

Em homenagem ao aniversário de 63 anos de Brasília, comemorado neste 21 de abril, a Rádio Nacional traz um pouco da história da construção da capital federal, revelada em conversa com Frederico Flósculo, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília.

Rádio Nacional: A construção muito peculiar da capital federal no Planalto Central conferiu a cidade características que vão desde aspectos monumentais à arquitetura inovadora, o que conferiu a cidade em 1987, o reconhecimento da UNESCO como Patrimônio da Humanidade. O que torna o conjunto urbanístico arquitetônico de Brasília tão especial?

Frederico Flósculo: Brasília é um episódio extraordinário da história brasileira, porque sobretudo foi a realização do sonho republicano de transferência da capital da República para o interior do Brasil. Isso era um sonho até anterior à República. Foi um sonho expressado por José Bonifácio, por líderes brasileiros que viam a necessidade de bem defender a capital brasileira, mas bem administrar um país gigantesco. Então, finalmente, Juscelino Kubitschek conseguiu fazer isso e a história desse sucesso é uma história muito particular, porque se deveu muito, tanto aos trabalhos do próprio [Getúlio] Vargas, porque Vargas quase cria Brasília, ele criou comissões de estudos e montou todo o grupo praticamente que depois foi usado pelo próprio Juscelino, mas também por Juscelino Kubitschek que foi assim o grande herói de Brasília porque ele enfrentou uma oposição política, extraordinariamente, agressiva contra a realização da cidade.

Mas Juscelino teve a seu favor a contribuição de um extraordinário arquiteto. Oscar Niemeyer. que ele já conhecia desde os tempos de prefeitura de Belo Horizonte, desde a década de 30. Oscar Niemeyer e Juscelino tinham uma amizade, uma sólida confiança mútua e Juscelino confiou ao Oscar o projeto de Brasília. Só que Oscar Niemeyer, cuidadosamente, sabiamente, recusou. Oscar Niemeyer era ligado a OAB, propôs a realização de um concurso público nacional e nesse concurso nacional, em 1957, foi vencedor outro extraordinário urbanista carioca, Lúcio Costa. Embora nascido na França, Lúcio Costa era mestre de Oscar Niemeyer, um grande reformador do ensino brasileiro, criador do Iphan. Na verdade, o Serviço Nacional depois se tornou o Instituto Nacional do Patrimônio Público, Histórico e Artístico Nacional. E aí, é a proposta de Lúcio Costa, extraordinária, que vai começar realmente a concretizar Brasília. Então Lúcio Costa propõe uma cidade muito simples o traçado, dois eixos que se cruzam, um eixo descendo assim na direção do lago que já estava definido e outro eixo, fazendo o abraço do grande morro do Cruzeiro. E é ao longo desse eixo que faz o abraço que estão distribuídas as superquadras residenciais. E no eixo que desce o morro na direção do lago ele se tornou o eixo monumental onde são colocadas as principais zonas, setores tanto da capital da República, quanto de apoio e atração as funções fundamentais da cidade.

Horizonte de Brasília – Marcello Casal JrAgência Brasil

Rádio Nacional: O senhor mencionou a história do concurso do plano piloto e eu gostaria de saber quais os principais destaques do projeto de Lúcio Costa e como ele foi colocado em prática.

Frederico Flósculo: E aí é uma história, extraordinária, do próprio concurso. Lúcio Costa quando propôs, ele propôs realmente de todos os planos que tinham sido apresentados, o mais elegante, ele propôs uma cidade parque que foi escolhida pelo júri que tinha membros internacionais ,eles escolheram por causa da simplicidade e viabilidade e extrema beleza do plano. O Juscelino queria que o Oscar fizesse os prédios, os edifícios, o projeto de arquitetura. E teve um urbanista vencedor do concurso que eles dois teriam que trabalhar juntos. E o Juscelino conhecia muito bem arquiteto e urbanista. Sabe como é essa turma que não se concilia, que não é muita amiga, você vai ter um inferno na terra. Aí ganhou esse presente aí. Realmente a escolha foi isenta e um grande mestre e companheiro de Oscar foi o vencedor. Os dois, então, fizeram a cidade que é tanto do Lúcio quanto do Oscar.

Congresso Nacional visto da Rodoviária do Plano Piloto- Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Há vários episódios em Brasília, no Congresso Nacional em que se você ficaria espantada em ver como por exemplo aquele jogo belíssimo de formas das duas cúpulas, uma virada pra cima, os dois edifícios gêmeos, tudo aquilo foi concebido simultaneamente por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. A gente atribui só ao Oscar, mas quem começou a desenhar, fez a primeira proposta do Congresso Nacional, foi Lúcio Costa. E Oscar duplicou e aí começa uma sucessão de realizações extraordinárias em pouco mais de dois anos de trabalho, de projeto de execução, graças também a um grande engenheiro chamado Israel Pinheiro. Então é algo que emociona a brasilidade, se você pensar que, em cerca de mil dias, essa equipe heroica conseguiu entregar para o Brasil no dia 21 de abril de 1960, a capital com o presidente instalado, com os poderes instalados em condição de começar a fazer com que o governo brasileiro se manifestasse e fizesse a gestão do Brasil desde o Planalto Central. Um momento de imensa emoção. E a partir daí, o Brasil começou a conhecer Brasília. Porque ninguém sabia que coisa era aquela, que eles conheciam por algumas fotografias da obra, por alguns desenhos da obra. A brasilidade ao longo daqueles anos 60, 70, veio, desceu, veio de todo o planeta Brasil para trabalhar em Brasília, nas suas embaixadas, nos seus ministérios. Virou um centro de brasilidade, assim, que nos orgulha. Não há cidade, capital, no mundo, que tenha a beleza, a integridade, a elevação de Brasília. É por isso que no final dos anos 80, acabamos sendo distiguidos pela UNESCO com o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. O único Patrimônio Cultural da Humanidade que é modernista, que é do século 20.

Palácio do Planalto – Marcello Casal JrAgência Brasil

Rádio Nacional: Professor Flósculo, pelos aspectos urbanísticos, como a cidade se transformou ao longo desses 63 anos de existência?

Frederico Flósculo: Estamos num processo agora de preservação desse núcleo porque contra, digamos, a integridade daquela Brasília de JK, de Oscar Niemeyer, de Lúcio Costa, de Israel Pinheiro, há muitos inimigos, eu coloco meio que entre aspas, representados pelos especuladores imobiliários. Pelos oportunistas, pelos grileiros, por várias ondas de pessoas que pensam poder impor à Brasília o mesmo tipo de derrota urbana que foi imposta, em especial, ao Rio de Janeiro. Então nós temos esse estigma também. De não permitirmos que aquilo que aconteceu no Rio, que ainda continua a aterrorizar a antiga capital, isso aconteça em Brasília, mas infelizmente já está acontecendo. Nós temos desde aquele momento de inauguração em 21 de abril de 60, até hoje, esses 63 anos que se passaram, várias descontinuidades que foram quase fatais pra Brasília. Continuidades  cruéis como da ditadura militar. E quase mata Brasília. Quase que os militares conseguiram arrebentar com todo aquele impulso de criação da cidade, de republicanismo. Isso foi muito importante porque com a retomada da democracia em meados da década de 80, nós tínhamos uma democracia interrompida. E nós tivemos a seguir uma sucessão de governadores, francamente, desastrosa. Brasília não teve sorte, até hoje, com sua democracia porque os governadores não tem mostrado, digamos assim, identidade e consciência da grandeza do projeto da cidade, ao contrário, Brasília se tornou cada vez mais objeto fácil de projetos pessoais, de projetos menores, de especulação e, até mesmo, de corrupção do uso do seu território.

Construção de prédios residenciais e comerciais no Setor Noroeste. em Brasília – Marcello Casal JrAgência Brasil

Rádio Nacional: Para encerrar, o senhor pode comentar sobre o que avançou em termos de ocupação da cidade, a exemplo de políticas como planos de preservação do conjunto urbanístico de Brasília, que espera há dez anos por finalização.

Frederico Flósculo: Nós chegamos no ano de 1993, quando Brasília já tinha autonomia política desde 88, nominalmente, pela Constituição Federal e desde 90, pela eleição do primeiro governador. E é aí que, em 93, nós temos a Lei Orgânica do Distrito Federal, definindo a necessidade de um PPCUB, e um plano de preservação do conjunto urbanístico de Brasília. Desde 93 até hoje, 2023, nós temos aí um lapso de 30 anos. 30 anos de lapso, em que Brasília não conseguiu fazer o seu PPCUB. Quer dizer, era um dos primeiros planos a terem sido feitos em 93, nunca foi feito. Por quê? A razão é: governadores em sucessão, até os dias de hoje, não queriam fazer com que a preservação travasse seus negócios. Quer dizer, é quando o planejamento faz mal a política. E isso, infelizmente, acontece no nosso país. Não termos um PPCUB é algo escandaloso e é indício de péssima gestão pública. Nós temos aí, às vésperas de ter um PPCUB péssimo, na minha avaliação, o PPCUB, o primeiro PPCUB já vai ser cheio de maus movimentos do governo. Com coisas inacreditáveis, loteamento do eixo monumental, de lotes gigantescos destinados a restaurantes, a shoppings, a um monte de coisas que seriam muito bem-vindas nas cidades, nos bairros, nas administrações e não no eixo monumental.

Tesourinhas – Marcello Casal JrAgência Brasil

Ouça na Radioagência Nacional:


 

Ministério da Saúde reafirma segurança de vacinas contra covid-19

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, desmentiu, nesta quinta-feira (20), conteúdos de desinformação sobre as vacinas Astrazeneca e Janssen contra covid-19. Notícias falsas afirmam que o imunizante foi banido no Brasil e condenam os imunizantes. “Esse episódio eu classifico como uma fake news. Na verdade, não há nenhuma recomendação de não uso dessas vacinas. Ao contrário, são vacina eficazes”.  

Nísia Trindade esclarece que houve uma recomendação do Ministério da Saúde para que elas sejam usadas na população que tem a partir de 40 anos. “Nesse momento, eu reafirmo o que o ministério tem dito: todas as vacinas que tiveram a autorização de uso ou registro definitivo, que é o caso da vacina Astrazeneca, são vacinas que oferecem segurança e que nós indicamos a uma faixa etária onde há menos chances de eventos adversos, que são raros, mas isso é feito sempre considerando os momentos de uma epidemia e as vacina disponíveis. É uma prática que não tem nada de excepcional.” 

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A declaração foi dada a jornalistas, durante a divulgação do relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em Brasília, que aponta redução na vacinação de crianças entre 2019 e 2021. 

Importância da vacinação 

A ministra lembrou que todas as vacinas contra a covid-19 usadas no Brasil foram fundamentais para redução da hospitalização e do número de mortes pela doença.  E destacou a “importância da vacinação em todas as faixas etárias, tal como preconizamos a vacinação infantil. A vacinação seguindo o calendário definido pelo Ministério da Saúde”, finalizou a ministra. 

Fiocruz 

Em nota divulgada em 14 de abril, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) veio a público desmentir informações falsas que circulam há dias em redes sociais sobre Nota Técnica publicada pelo Ministério da Saúde, em dezembro de 2022. “Com a publicação da Nota Técnica em questão [do Ministério da Saúde], as vacinas de vetor viral, que incluem o imunizante produzido pela Fiocruz, passaram a ser recomendadas preferencialmente para pessoas acima de 40 anos. Não há, portanto, contraindicação ou proibição para o uso desta vacina para a faixa etária de 18 a 40 anos. O Ministério poderá voltar a recomendar a vacina para essa faixa etária no futuro, se assim considerar necessário”. 

Caminhada em Paraisópolis alerta para cultura de paz nas escolas

Com balões, bandeiras, camisetas e rosas brancas, alunos e professores da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Perimetral fizeram hoje (20) uma caminhada pelas ruas de Paraisópolis, uma das maiores comunidades da capital paulista. O objetivo foi chamar a atenção da comunidade sobre a importância de transformar as escolas em um espaço de paz, de acolhimento e de afeto.

A caminhada foi acompanhada também por alguns alunos e educadores de outras escolas municipais da capital, além do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e de diversos secretários municipais.

Prefeito Ricardo Nunes participa de ato pelo fortalecimento da cultura de paz na Escola Municipal de Ensino Fundamental Perimetral, em Paraisópolis – Rovena Rosa/Agência Brasil

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“Estou com muita confiança de que a escola é um local seguro e de que a gente precisa levar nossos filhos para as escolas, onde eles serão acolhidos por uma equipe superpreparada”, disse o prefeito, em entrevista a jornalistas.

“Estamos conseguindo atingir o nosso objetivo de demonstrar que as escolas são ambientes seguros. Essa campanha da cultura de paz, esse exemplo de estarmos aqui nessa escola, com presença de alunos e de pais, tem sido muito importante. Tenho certeza de que a gente vai seguir o que eu ouvi da aluna Ana Clara, que me falou que a escola é a nossa segunda casa. A gente precisa ter isso muito em mente”, destacou.

Ao lado do prefeito durante a entrevista a jornalistas, a pequena aluna Ana Clara reforçou o que havia dito a ele antes da caminhada. “Todas as crianças falam assim: tem criança que não gosta de escola. Mas na escola você se sente à vontade, você brinca, você aprende. Aqui você tem a sua segunda mãe, que é a sua professora, você tem seus colegas. Então, não tire os seus filhos da escola porque a escola é o melhor lugar para eles ficarem. Queremos paz”, pediu ela.

Quem também participou do evento foi o skatista Bob Burnquist, que ressaltou que, por meio do esporte, essa cultura de paz também pode ser conquistada. “Cresci aqui na cidade de São Paulo, aprendi a andar de skate aqui. O skate cresceu de maneira incrível e essa é uma ferramenta muito bacana. O esporte, o skate e a educação são atividades pela paz. Temos que interagir um com o outro e ajudar no progresso de cada um: caiu, levanta. O skate ajuda muito nisso. E quero estimular vocês a estudar, a aprender o que está acontecendo no mundo e a se expressar na arte, na música, no esporte.”

Roda de conversa para o fortalecimento da cultura de paz na Escola Municipal de Ensino Fundamental Perimetral, em Paraisópolis – Rovena Rosa/Agência Brasil

A caminhada pelas ruas de Paraisópolis ocorreu após a realização de uma roda de conversa, em que os secretários municipais responderam a perguntas feitas por alunos. Os estudantes questionaram principalmente sobre as ações da prefeitura para prevenir a violência nas escolas e o que eles devem fazer quando receberem mensagens sobre ataques

 “A escola se preocupa muito com a nossa educação intelectual, mas, às vezes, nós, alunos, precisamos de bem-estar e cuidar de nossa saúde mental. Quero perguntar quando é que psicólogos vão começar a atuar nas escolas públicas”, questionou a jovem Manuela, na pergunta que foi a mais aplaudida pelos presentes à roda de conversa.

Em resposta a essa aluna, os secretários municipais Marta Suplicy (Relações Internacionais) e Fernando Padula (Educação) informaram que há um programa da prefeitura em que professores da rede municipal, que têm também formação em psicopedagogia e psicologia, fazem uma itinerância pelas escolas. Hoje, segundo Padula, são 93 professores que atuam nesse projeto, mas a intenção é aumentar para 125. Na rede municipal paulistana, há mais de 4 mil escolas, centros educacionais e creches e mais de 1 milhão de alunos, segundo dados passados pelo próprio prefeito.

Na roda de conversa, o secretário da Educação também reforçou que os alunos devem denunciar aos órgãos competentes quando receberem mensagens com ameaças. “Pai, mãe ou estudante: quando receberem qualquer mensagem no seu celular ou na rede social falando de violência ou de ataques, por favor, não repasse. Segure o dedinho. Repassar aumenta o pânico e a sensação de insegurança. E o que fazer com relação a essa mensagem? Encaminhe-a para o link do Ministério da Justiça ou para a Polícia Militar (é preciso baixar o aplicativo 190 SP) porque aí as forças de segurança conseguem investigar e atuar para prender quem tem que prender ou derrubar sites que estimulam a cultura violenta”, orientou Padula.

Secretária Marta Suplicy participa de atividades para fortalecimento da cultura de paz em escola de Paraisópolis – Rovena Rosa/Agência Brasil

Já a secretária Marta Suplicy, que também é psicóloga, disse aos alunos para eles sempre buscarem o diálogo. “O importante é ter mais conversa na sala de aula. Vocês podem pedir para ter mais rodas de conversa na sala de aula: mas não para falar sobre ataques ou de violência, mas para falar do que cada um sente, dividir ideias e medos. Isso pode ajudar muito a diminuir essa tensão”, disse ela. “Temos que trabalhar com a paz, e a paz se conquista com a conversa. Não adianta ficar brigando”, completou.

Dia de paz

A prefeitura informou que incentivou que todas as escolas municipais da cidade reservassem o dia de hoje para promover atividades artísticas, esportivas e musicais, buscando uma cultura de paz e de não violência. A medida, segundo a administração municipal, ajudou a combater notícias falsas que têm circulado em redes sociais que propagam o medo, a insegurança e a desinformação. “Queríamos ressignificar esse dia, pegar o dia 20 e simbolizá-lo como um dia de paz e de convívio. Então, todas as escolas foram estimuladas justamente para ter essa acolhida, essa confraternização, esse momento de paz e de convivência, com fortalecimento dos grêmios e das condições de mediação de conflito”, disse o secretário municipal de Educação. “O que precisamos mesmo é propagar a paz”, reforçou.

Secretário Fernando Padula diz que “escolas são ambientes seguros que precisam ser preservados” – Rovena Rosa/Agência Brasil

Em entrevista à Agência Brasil, o secretário admitiu que implantar uma cultura de paz não é um processo rápido, mas é necessário para diminuir a violência nas escolas. “Primeiro é preciso ter serenidade. Fazer isso é um movimento de médio e longo prazo. E você fortalece isso garantindo que toda escola, por exemplo, tenha um grêmio, garantindo a gestão democrática, tendo comissões de mediação de conflito, estimulando a participação dos pais no conselho de escola. Assim se vai construindo uma escola participativa, democrática e de paz”, destacou Padula.

“As escolas são ambientes seguros, que precisam ser preservados. Acho que a pandemia trouxe uma consequência grave de distanciamento das crianças nas escolas. E precisamos garantir que as crianças estejam nas escolas, atuando de maneira preventiva por meio das forças de segurança e investigando quem faz ameaças.”

Segundo ele, além de promover a cultura de paz, a prefeitura tem buscado também oferecer mais segurança às escolas de São Paulo. “A Guarda Civil e a Polícia Militar reforçaram a ronda escolar. Temos também um botão de alerta, que foi lançado essa semana. Mas a ideia é que não seja preciso utilizar esse botão, mas encaminhar as denúncias e as ameaças para as autoridades de segurança e incentivarmos para que todas as escolas, com suas autonomias, possam fazer atividades como rodas de conversa, pintura, abraços coletivos, caminhadas e diversas ações ressignificando o dia de ameaça.”

No dia 20 de abril de 1999, ocorreu o massacre na escola Columbine, nos Estados Unidos. Nos últimos dias, circularam nas redes sociais mensagens sobre ameaças de ataques a escolas nesta data. 

Denúncias

Além do canal Escola Segura, do Ministério da Justiça, o serviço Disque 100 passou a receber denúncias de ameaças de ataques a escolas. As informações podem ser feitas por WhatsApp, pelo número (61) 99611-0100.

Em caso de emergência, a orientação é ligar para o 190 ou para a delegacia de polícia mais próxima.

STF julga na próxima semana mais 200 investigados por atos golpistas

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar na próxima semana denúncias contra mais 200 envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro deste ano.

O julgamento virtual será iniciado na terça-feira (25), sendo finalizado no dia 2 de maio. Na modalidade virtual, os ministros depositam os votos de forma eletrônica e não há deliberação presencial.

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Na segunda-feira (24), será encerrado o julgamento dos primeiros 100 denunciados. Até o momento, há maioria de seis dos 11 ministros da Corte para torná-los réus no processo.

No total, mais de 1,3 mil pessoas que participaram dos atos foram denunciadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao STF. 

Se a maioria dos ministros aceitar as denúncias, os acusados passam a responder a uma ação penal e se tornam réus. Em seguida, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos, deverá analisar a manutenção da prisão dos acusados.

Presos

Conforme levantamento do STF, das 1,4 mil pessoas  presas no dia dos ataques, 294 (86 mulheres e 208 homens) permanecem no sistema penitenciário do Distrito Federal.

Os demais foram soltos por não representarem mais riscos à sociedade e às investigações.

População em situação de rua de SP enfrenta frio e baixa em doações

A população em situação de rua na capital paulista terá que enfrentar a frente fria dos próximos dias com menos cobertores e agasalhos do que em outros momentos. Para a coordenadora do projeto Solidariedade Vegan, Vivi Torrico, as notícias sobre o aumento da violência na região central da cidade têm afastado as  doações. “As pessoas estão com um pouco de raiva de toda essa situação que está vivendo o centro da cidade, os arrastões, roubos, e acabando esquecendo um pouco desse lado compassivo”, disse.

A cidade de São Paulo registrou nesta quinta-feira a madrugada mais fria do ano, com os termômetros marcando 8,8 graus Celsius no extremo sul da cidade. A previsão é que uma massa fria mantenha as temperaturas baixas pelos próximos dias.

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Segundo Vivi, a campanha para arrecadação de cobertores do grupo, que também distribuiu marmitas para pessoas em situação de rua, está “bem fraca”. A coordenadora chama atenção para o apoio a pessoas mais vulnerabilizadas como forma de reduzir as tensões na cidade. “Se a gente não dá um alimento, uma barraca, um cobertor, tudo isso vai ficar pior. É uma panela de pressão prestes a detonar e a gente está tentando, de uma forma bem amorosa e consciente, amenizar isso”, acrescentou.

Em um colchão em frente ao Theatro Municipal, no centro paulistano, Tiago da Cruz, de 34 anos, contou ter percebido uma diminuição na quantidade de doações. “Estamos sem roupa, sem chinelo, sem trabalho, sem nada. A única coisa que está chegando é comida. Este ano está bem pior”, enfatizou ele, que vive desde os 12 anos de idade nas ruas.

Luiz Henrique Reis, de 24 anos, que divide espaço na marquise de um prédio desocupado no local, acrescenta que as ações de zeladoria da prefeitura tornam a situação ainda mais difícil. “Os caras levam nossos bagulhos tudo, nosso colchão, nossa coberta. Muitas vezes não deixam nem tirar as nossas roupas e os nossos pertences”.

Para o cofundador do projeto SP Invisível, Vinicius Lima, a entrega de doações ainda é fundamental para as pessoas que dormem nas calçadas da capital paulista. “Todos esses projetos que estão indo para a rua, assim como o SP Invisível, são projetos que nessa ação específica do inverno, salvam vidas mesmo”, ressaltou.

No entanto, Lima defende a necessidade de políticas estruturantes para garantir acomodações a essa população. “O frio não pode pegar a gente desprevenido. A solução seria construção de habitação, de dormitórios e quartos”, afirmou.

O ativista explica que mesmo nos abrigos oferecidos pela prefeitura há uma série de problemas que dificultam o acolhimento. “Tem muito relato de albergue com colchão furado, colchão com bicho. Albergue que separa marido de mulher, crianças de pais. Ou, às vezes, a própria dinâmica de horário de albergue, a pessoa que tem um trabalho, um bico, pode perder essa vaga”, enumera alguns dos pontos que fazem com que boa parte das pessoas em situação de rua ainda escolha dormir nas calçadas.

Prefeitura

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (20), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, informou que foi montada uma ação para acolher essa população nos dias de frio. “Antecipamos, estava previsto para o dia 30 o programa Baixas Temperaturas, tendo em vista que a gente teve antes de ontem o alerta de baixas temperaturas a partir de hoje. Estamos com as vagas disponíveis para a pernoite daqueles que desejarem ir, com três tendas, distribuição de cobertores, de roupa, todo o aparato necessário, coordenado pela Secretaria de Assistência Social para dar o acolhimento às pessoas em situação de rua”.

A capital paulista tem aproximadamente 22 mil vagas de acolhimento em diversos serviços. Sobre as condições dos albergues, a Agência Brasil entrou em contato com a prefeitura e a reportagem será atualizada assim que tiver retorno. 

CMN eleva teto de financiamento para cooperativas do Pronaf

As cooperativas de pequenos agricultores poderão pegar até R$ 30 milhões em financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), decidiu nesta quinta-feira (20) o Conselho Monetário Nacional (CMN). O órgão elevou o teto de financiamento da linha de crédito Pronaf Industrialização da Agroindústria para os financiamentos contraídos até 30 de junho.

O limite anterior estava em R$ 25 milhões. O CMN também elevou o limite de contratação por associado ativo das cooperativas, que passou de R$ 60 mil para R$ 90 mil. Essa condição especial também valerá até 30 de junho.

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As medidas valem apenas para as cooperativas singulares constituídas majoritariamente por agricultores familiares, com pelo menos 75% de agricultores familiares no quadro social.

Segundo o Ministério da Fazenda, a elevação temporária dos limites de financiamento tem como objetivo incentivar o desenvolvimento da agricultura familiar no país. Essa linha de crédito beneficia cooperativas que promovem a industrialização dos produtos agrícolas produzidos pelos agricultores familiares.