Papa celebra missa do Domingo de Ramos

O papa Francisco participou hoje (2) da missa do Domingo de Ramos, cerimônia que dá início à Semana Santa. A celebração foi Praça São Pedro, no Vaticano, com a tradicional e solene procissão de ramos

Francisco conclamou os presentes à cerimônia, estimados em 50 mil, a cuidar das pessoas abandonadas, que, segundo ele, estão com Cristo. Conforme a tradição, a maioria dos fiéis portava ramos de oliveira provenientes da região italiana da Úmbria.

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“Há povos inteiros explorados e deixados à própria sorte; há pobres que vivem nas encruzilhadas das nossas estradas e cujo olhar não temos a coragem de fixar; migrantes, que já não são rostos, mas números; reclusos rejeitados, pessoas catalogadas como problemas. Mas há também muitos cristos abandonados invisíveis, escondidos, que são descartados de forma ‘elegante’: crianças nascituras, idosos deixados sozinhos, doentes não visitados, pessoas portadoras de deficiência ignoradas, jovens que sentem dentro um grande vazio sem que ninguém escute verdadeiramente o seu grito de dor”, disse Francisco sobre aqueles que precisam ser cuidados.

Alta hospitalar

O pontífice teve alta e saiu do Hospital Gemelli, em Roma, na manhã de sábado (1º), após três dias de internação por causa uma infecção respiratória.

*Com informações do site Vatican News

RJ estuda implantação da primeira fábrica de fertilizantes no estado

Pesquisadores da Embrapa Solos e da Embrapa Agrobiologia estão estudando com representantes do Poder Público a viabilidade técnica de construção de fábrica de fertilizantes em Macaé, no norte fluminense. A prefeitura de Macaé, em parceria com o governo fluminense e com apoio da Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Presidência da República, elaborou um projeto que está em fase de chamamento público para contratação de consultoria.

“Em três meses, o estudo de viabilidade técnica e socioambiental deverá estar pronto”, disse, em entrevista à Agência Brasil, o assessor da Secretaria Especial de Assuntos Federativos da Presidência da República, José Carlos Polidoro. A expectativa é que até o final do ano, a planta do projeto estará aprovada, de modo a se pensar no início da obra já no ano que vem.

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O anúncio foi feito durante passagem da Caravana Embrapa FertBrasil por Campos dos Goytacazes, na região, no último dia 22.

Polidoro destacou que o Plano Nacional de Fertilizantes, criado em março do ano passado, é uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Uma das principais metas é diminuir a dependência externa, porque importamos 85% dos fertilizantes. E o Brasil não faz agricultura em nenhum nível sem fertilizantes.”

Segundo Polidoro, que é um dos idealizadores da Caravana FertBrasil e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil precisa quadruplicar a produção de fertilizantes nos próximos 25 anos.

Ele ressaltou que a planta a ser construída em Macaé vai contribuir com até 10% de diminuição da dependência externa em nitrogênio, porque o município é o maior produtor de gás natural do país, respondendo por 60% da produção nacional. O gás natural é a principal matéria prima de fertilizantes nitrogenados.

O assessor informou que uma planta de fertilizantes nitrogenados exige investimento entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões e gera 5 mil empregos diretos e indiretos na fase de construção. Quando em operação, gera entre 500 a 600 empregos que exigem alta capacitação e oferecem bons salários. “É uma indústria que tem longa vida. Tendo gás, ela vai produzir aí fertilizantes por mais de 50 anos.”

Infraestrutura

O prefeito de Macaé, Welberth Rezende, disse à Agência Brasil que a construção de fábricas de fertilizantes é solução estratégica para o país e para o desenvolvimento da agricultura nacional. Para Rezende, Macaé reúne todas as condições necessárias para a instalação de uma fábrica semelhante.

Além da produção de gás natural, o município tem organização industrial, por conta do petróleo e gás na região, além de mão de obra qualificada. A cidade reúne ainda vantagens em termos de logística, localizada próximo a grandes rodovias do país, tem projeto de construção de um porto, além do aeroporto local com voos diários para Rio de Janeiro e São Paulo.

“Além de ter prioritariamente fatores como logística, mão de obra qualificada, gás natural, que é uma matéria-prima importante para a fabricação de fertilizantes, ainda possui uma infraestrutura secundária, no que diz respeito à saúde, educação, esgoto tratado, respeito ao meio ambiente que também são importantes para a tomada de decisões.”

Segundo o prefeito, Macaé pretende sediar uma das fábricas previstas no Plano Nacional de Fertilizantes. Será a primeira planta desse tipo do estado do Rio de Janeiro, para o qual a área de fertilizantes é uma das prioridades do atual governo fluminense.

Petrobras

José Carlos Polidoro explicou que a Petrobras, em 2016, interrompeu a produção de duas plantas de fertilizantes na Região Nordeste. Em 2018, arrendou as plantas para uma empresa privada, cuja produção foi reiniciada este ano, e contribuem com mais de 15% da produção nacional.

Em Mato Grosso do Sul, a Petrobras está estudando a melhor maneira de terminar a construção de uma nova fábrica de fertilizantes, que já tem 83% das obras concluídas. Será mais uma planta em produção no Brasil. “As decisões estão sendo tomadas no âmbito do novo governo.”

Localizada no Paraná, outra fábrica está “hibernada”, ou seja, com a produção paralisada. De acordo com Polidoro, esta unidade e a fábrica em construção no Mato Grosso do Sul estavam em processo de venda, que foi cancelado pela Petrobras. “Agora, está se revendo como a Petrobras vai reiniciar a produção no Paraná e terminar a obra no Mato Grosso do Sul.”

O modelo de negócio está sendo estudado pela Petrobras e pelo Ministério de Minas e Energia.

De acordo com o assessor, no caso do nitrogênio, o Brasil sairia de uma importação de 92% para cerca de 60% a 65%, o que significa cair para um terço a dependência externa.

“Tira o Brasil do risco de faltar fertilizante no mundo e faltar no Brasil. Produzir 30% a 40% já dá uma segurança para passar por esses suspiros e solavancos internacionais”. Em relação ao potássio, o Brasil importa 96% do que consome. “É mais crítico ainda”.

Segundo Polidoro, o potássio é um dos fertilizantes mais usados na agricultura e a fábrica da empresa privada Mosaic Fertilizantes, em Sergipe, pretende ampliar a produção até 2030, o que dará um pequeno alívio na dependência. Há também projetos no Amazonas, que ainda estão em estudos de viabilidade ambiental e social, por questões indígenas.

No caso do fósforo, a situação é mais tranquila. O Brasil importa em torno de 70% e pode cair para menos de 50% com investimentos, devido à existência de muito fósforo no país. Projetos relacionados a fósforo têm também questões sociais, porque se trata de atividade da mineração, que causa impacto.

“Tudo tem de ser feito com muito cuidado. Por isso, foi criado o Plano Nacional de Fertilizantes. Foi criado ainda o Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), cuja função é ordenar e criar uma governança longa e forte para ter desenvolvimento econômico com sustentabilidade. Com fortalecimento e melhoria do plano nacional, a perspectiva é tornar o Brasil seguro para a produção agrícola no que diz respeito a esses insumos.” 

Paulista: Bruno Mezenga decide e Água Santa sai na frente do Palmeiras

Contando com o faro de gol do atacante Bruno Mezenga, o Água Santa derrotou o Palmeiras por 2 a 1, neste domingo (2) na Arena Barueri, para sair na frente na disputa pelo título do Campeonato Paulista. Com este resultado, basta ao Netuno um empate na partida de volta, no Allianz Parque, para levar o caneco para casa.

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Já o Verdão precisa de um triunfo por dois gols de diferença para ficar com o título nos 90 minutos. Em caso de triunfo do Palmeiras com vantagem simples, a decisão irá para a disputa de pênaltis.

Empurrado por sua apaixonada torcida, o Água Santa conseguiu sair na frente no marcador. Aos 43 minutos do primeiro tempo Luan Dias levantou a bola na área em cobrança de escanteio e Bruno Mezenga ganhou no alto de Gustavo Gómez para marcar de cabeça. No início da etapa final o Palmeiras chegou ao empate, quando o garoto Endrick aproveitou bola que sobrou na área para apenas escorar para o fundo da meta adversária aos sete minutos.

Mas o dia era mesmo do Netuno, que, já aos 46 do segundo tempo, garantiu a vitória final graças a outro gol de Bruno Mezenga, que recebeu passe em profundidade de Patrick Allan antes de bater na saída do goleiro Weverton.

Título do Bahia

Quem já garantiu o título estadual neste domingo foi o Bahia, que derrotou o Jacuipense por 3 a 0 na Fonte Nova, em Salvador, para conquistar o Baiano. O título veio porque as equipes ficaram no 1 a 1 na partida de ida disputada no último domingo (26) no Valfredão.

A equipe comandada pelo técnico Renato Paiva garantiu o título de número cinquenta de sua história graças a gols de Vitor Jacaré, Cauly e Everaldo.

Dragão em vantagem

No Goianiense o Atlético bateu o Goiás por 2 a 0 no estádio Antônio Accioly, graças a gols de Rodrigo Soares e Luiz Fernando, para abrir boa vantagem na decisão. As equipes se reencontram no próximo domingo na Serrinha.

Policial penal é preso após morte de torcedor do Fluminense no RJ

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga episódio de violência registrado em um bar próximo ao Maracanã, onde aconteceu na noite deste sábado (1º) a primeira partida da final do campeonato carioca entre Flamengo e Fluminense. Torcedores do Fluminense costumam se reunir no local para assistir aos jogos do time. O bar estava cheio quando Thiago Leonel Fernandes da Motta foi baleado e morreu. Também foi atingido Bruno Tonini Moura, que foi levado para um hospital. Não há informações sobre seu estado de saúde.

O autor dos disparos é Marcelo de Lima, inspetor de polícia penal vinculado à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), que estava de folga. Segundo relatos de testemunhas, o crime não foi motivado por desentendimentos sobre futebol e sim por uma discussão envolvendo as últimas fatias de pizza vendidas pelo estabelecimento, que eram disputadas pelo atirador e pelas vítimas. Após o entrevero, o inspetor de polícia penal sacou a arma efetuando disparos.

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Marcelo de Lima foi preso em flagrante por policiais militares e encaminhado à Delegacia de Homicídios. O policial penal foi autuado pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil contra Thiago Leonel Fernandes da Motta e tentativa de assassinato contra Bruno Tonini Moura.

Nas redes sociais, circula um vídeo que mostra a aglomeração de torcedores do Fluminense quando são ouvidos nove tiros. Inicialmente, os presentes demonstram não entender o que estava acontecendo. Em seguida, alguns correm e outros se abaixam.

Em nota divulgada em suas redes sociais, o Fluminense lamentou a morte de Thiago e manifestou torcida pela recuperação de Bruno. “Esperamos que os fatos sejam apurados com rigor e o responsável, punido. Toda a nossa solidariedade aos familiares e amigos das vítimas”, acrescentou o clube. A Seap repudiou o ato de violência praticado pelo seu servidor e informou que será aberto um Procedimento Disciplinar Administrativo.

Familiares e amigos de Thiago publicaram mensagens em sua homenagem. Ele era fotógrafo e cinegrafista e participou de trabalhos do Grupo Globo. Artistas que o conheciam manifestaram pesar. “Que tristeza! Muita luz para esse cara tão especial”, escreveu a atriz Fernanda Paes Leme. “Meu Deus!!! Thiago é pura luz!!! Tristeza”, postou o ator José Loreto. Outra atriz que lamentou o episódio foi Débora Secco: “Sem acreditar”.

Ele também integrava o Samba Pra Roda, grupo que fundou com amigos. “Perdi um amigo, um irmão, uma das pessoas mais geniais e talentosas que eu já conheci, que me ensinou tantas coisas nas ladeiras desse morro. Isso tudo por causa da violência, do descontrole das armas, da banalização da vida. Inacreditável”, escreveu Omar Monteiro, dono do Bar do Omar, localizado próximo ao Morro do Pinto no bairro Santo Cristo, onde o grupo costumava se apresentar.

Violência

O novo episódio de violência nos arredores do Maracanã ocorre menos de um mês após briga generalizada entre torcedores de Vasco e Flamengo que deixou diversos feridos. O confronto ocorreu no dia 5 de março, quando as duas equipes se enfrentaram em partida válida pelo campeonato carioca.

O vascaíno Eder Eliazar acabou morrendo após ficar 15 dias internado. Também no dia 5 de março, outro vascaíno foi baleado e morreu perto do estádio São Januário, mas a Polícia Civil considera a hipótese principal de execução motivada por uma rixa com traficantes.

Episódios de violência nos arredores dos estádios da capital levaram o Tribunal de Justiça do Rio Janeiro (TJRJ) a decretar, no mês passado, a prisão temporária dos presidentes das torcidas organizadas Young Flu (Fluminense), Força Jovem (Vasco), Torcida Jovem (Flamengo) e Raça Rubro-Negra (Flamengo). A decisão da juíza Ana Beatriz Estrella apontou que eles já haviam sido autuados e, diante da posição de liderança, são responsáveis diretos pela prática dos crimes investigados.

Seguindo entendimento semelhante, o juiz Bruno Vaccari Manfrenatti, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do TJRJ, autorizou posteriormente ações de busca e apreensão e a indisponibilidade de bens das quatro torcidas. Além disso, determinou que elas fiquem impedidas de acessar eventos esportivos por cinco anos. O magistrado estabeleceu ainda que 16 torcedores usem tornozeleiras eletrônicas por seis meses, ficando proibidos de se aproximarem de estádios em dias de jogos.

Os mandados de prisão contra os presidentes das quatro torcidas organizadas ainda não foram cumpridos e eles são considerados foragidos. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) se manifestou nos autos processuais contra as prisões, alegando fragilidade da acusação, uma vez que não haveria provas da participação pessoal de cada um nos atos de violência. “Não consta qualquer elemento indiciário acerca da autoria delitiva”.

A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) também contesta a decisão e defende que as torcidas organizadas não podem se responsabilizar por crimes cometidos por grupos de marginais infiltrados.

“Somos contra a violência, defendemos a punição no CPF de quem comete crime, e queremos que os torcedores incentivem os seus times, fazendo a festa na arquibancada. Justiça sim, ditadura não!”, registra postagem em suas redes sociais.

Com base nas decisões vigentes, a Polícia Militar deteve ontem 17 integrantes de torcidas organizadas que não poderiam estar presentes no Maracanã e nos seus arredores durante a partida entre Flamengo e Fluminense.

Autismo: preconceito está ligado à falta de informações

A neurologista pediátrica e neurogeneticista brasileira Isabella Peixoto Barcelos, médica do Hospital Pediátrico da Filadélfia, mais antiga instituição de pediatria dos Estados Unidos, afirma que o preconceito sobre transtornos do espectro autista (TEA) está associado à falta de informações. Neste domingo (2), é lembrado o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.

“Muito do preconceito que se tem hoje vem da falta de conhecimento que ainda existe sobre autismo. As pessoas acham que a criança ou o adulto que tem diagnóstico de transtorno de espectro autista tem limitações que, na verdade, eles não têm. E ignoram que eles têm muitas qualidades que não fazem ideia”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil.

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Isabela destacou que, às vezes, é possível ter um estudante considerado gravíssimo que, muitas vezes, demonstra ser mais inteligente que os demais da sala de aula.

“Não existem todas essas limitações que se pensa a princípio, que a pessoa é incapacitada, não pode ter uma vida emocional, não pode trabalhar. Pelo contrário. O objetivo é tornar essa pessoa o mais funcional possível, que ela se desenvolva o máximo, dentro da potencialidade que ela carrega”, disse.

Segundo a médica, esse desenvolvimento é possível com terapias adequadas. No entanto, adverte que, para chegar a esse nível de formação, terapeutas brasileiros precisam ter uma formação que inclua graduação, mestrado em terapia comportamental com, pelo menos, 1,5 mil horas práticas.

“A terapia certa muda a vida dessas crianças, levando-as a conviver em sociedade”, ponderou. Isabella Peixoto pretende criar um serviço estruturado de autismo, quando retornar ao país.

Comunicação aumentativa e alternativa

Alice Casimiro/Instagram/Divulgaçāo

Alice Casimiro tem 24 anos e mora no Rio de Janeiro. É autista nível 2 de suporte (moderado), TDAH e usuária de comunicação aumentativa. Criadora da página Alice Neurodiversa, é ativista pela neurodiversidade e ‘copywriter’ (especialista em redação publicitária).

Ela diz que escrever na sua página permitiu que obtivesse alguma independência financeira. A jovem faz ainda revisões de textos e, “uma vez ou outra”, procura emprego formal. Embora seja uma pessoa mais calada, Alice Casimiro afirma ter opiniões próprias, desejos e vontades. E usa comunicação aumentativa para complementar o que consegue expressar falando.

De acordo com as especialistas Maria Lúcia Sartoretto e Rita Bersh, autoras do site Assistiva, a comunicação aumentativa e alternativa valoriza a expressão do sujeito, a partir de outros canais de comunicação diferentes da fala, como gestos, sons, expressões faciais e corporais. Eles podem ser utilizados e identificados socialmente para manifestar desejos, necessidades, opiniões, posicionamentos, tais como: sim, não, olá, tchau, banheiro, estou bem, sinto dor, quero (determinada coisa que se aponta), estou com fome e outros conteúdos de comunicação necessários no cotidiano. 

Cultura

O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB RJ), através do seu programa CCBB Educativo, promove aos domingos visitas acessíveis, mediante agendamento, para grupos de pessoas autistas e seus acompanhantes. 

Os encontros ocorrem em horário exclusivo, uma hora antes da abertura da exposição ao público em geral, e reúnem, no máximo, dez pessoas. As visitas são realizadas a partir das 8h. O agendamento pode ser feito pelo telefone (21) 3808-2070 ou pelo ‘e-mail’ agendamento.rj@programaccbbeducativo.com.br.

Festival É Tudo Verdade vai apresentar 72 documentários de 34 países

De volta às salas de cinema, o tradicional festival É Tudo Verdade entra em sua 28ª edição apresentando 72 produções documentais de 34 países. O festival, que é todo gratuito, será realizado  entre os dias 13 e 23 de abril em seis salas de cinema de São Paulo e em três salas no Rio de Janeiro.

A mostra se caracteriza pela variação de técnicas e temas. Na edição deste ano, por exemplo, há filmes que tratam desde a invasão da Ucrânia pela Rússia até regiões indígenas ameaçadas pelo narcotráfico e pelo garimpo no Brasil.

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Há também filmes biográficos como os que abordam a vida de Paulo César Farias, PC Farias, que foi tesoureiro do então candidato à Presidência da República Fernando Collor de Mello, e a trajetória do ator Michael J. Fox, que foi diagnosticado com a doença de Parkinson aos 29 anos.

“O festival não tem um eixo temático, mas um dos temas que marca a cena internacional é a ascensão de forças antidemocráticas no mundo seja de forma explícita ou de forma mais implícita como formas de controle, ou de hiper vigilância, como vivemos hoje, além da força das fake news”, disse Amir Labaki, diretor-fundador do festival, em entrevista à Agência Brasil. “Outra característica que não é de tema, mas de forma, é que a gente tem uma utilização muito marcante de materiais de arquivo, de uma maneira menos ingênua do que era feita antigamente”, completou.

Outra característica da mostra neste ano é a maior presença de cineastas mulheres. “O festival sempre esteve preocupado com a questão da diversidade e em ter maior representação de cineastas mulheres, LGTQIA+ e afro-brasileiros. Neste ano, por exemplo, temos uma maioria de cineastas mulheres na competição internacional”, disse o diretor do festival, em entrevista coletiva concedida no Itaú Cultural, em São Paulo.

A mostra será aberta no dia 12 de abril, em São Paulo, com a apresentação do filme Subject, de Jennifer Tiexiera e Camilla Hall, que discute a ética na arte de fazer filmes documentais. A película explora a mudança na vida de pessoas que participaram de documentários famosos como A Praça Tahir e Na Captura dos Friedmans. Já no Rio de Janeiro, a sessão de abertura está marcada para o dia 13 de abril e vai apresentar 1968 – Um Ano na Vida, de Eduardo Escorel, que é baseado no diário Lost, escrito por sua irmã Silvia.

Esta é a primeira edição do festival desde o início da pandemia do novo coronavírus. Todos os filmes serão apresentados de forma presencial, embora alguns títulos também possam ser exibidos  em plataformas digitais.

Anos Anteriores-2022 – Foto: É Tudo Verdade/Divulgação – É Tudo Verdade/Divulgação

No Sesc Digital, serão exibidos dois filmes da Mostra Foco Latino-Americano: Beleza Silenciosa e Hot Club de Montevideo. A plataforma do Itaú Cultural vai apresentar sete dos curtas-metragens da competição brasileira. “Vamos continuar nos cuidando e enlutados pelas perdas que tivemos [por causa da pandemia], mas vamos continuar sobrevivendo e fazendo o melhor de nós pela cultura brasileira, assim como fizemos nesse período, contra tudo e contra todos”, disse Labaki.

Além das mostras competitivas, os ciclos especiais do festival vão homenagear dois grandes cineastas: Humberto Mauro (1897-1983), que é considerado o pioneiro do cinema brasileiro, e Jean-Luc Godard (1930-2022), conhecido principalmente por ser um dos fundadores do movimento da Nouvelle Vague. No caso de Humberto Mauro serão apresentados dez de seus filmes e dois documentários sobre esse período da produção brasileira.

No ciclo dedicado a Godard, que tem apoio da Embaixada da França no Brasil, serão apresentados oito episódios de sua série História(s) do Cinema. “Não é uma história do cinema com propósito histórico ou didático. Talvez seja a mais poética e delicada obra do Godard falando sobre como a história do cinema bateu na sensibilidade dele. E talvez seja das obras menos conhecidas do Godard no Brasil”, disse Labaki, na coletiva para apresentação do festival.

Além dos filmes documentais, o festival ainda vai apresentar a 20ª edição da Conferência Internacional do Documentário, entre os dias 13 e 14 de abril, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. Haverá um ciclo de palestras e um masterclass com o cineasta Cristiano Burlan, que vai apresentar seu novo documentário, Antunes Filho, Do Coração para o Olho, durante a mostra. O masterclass será exibido no dia 16 de abril.

O Festival É Tudo Verdade é reconhecido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos e qualifica seus filmes vencedores automaticamente para inscrição na disputa do Oscar nas categorias de melhor documentário brasileiro e internacional e melhor curta documental.

A programação do festival e mais detalhes sobre o evento poderão ser consultados no site do evento.

Ginástica Rítmica: Bárbara Domingos é bronze em etapa da Copa do Mundo

O Brasil voltou a dar provas que vive um momento especial na Ginástica Artística, pois Bárbara Domingos conquistou, neste domingo (2), a medalha de bronze da fita na etapa da Copa do Mundo em Sófia (Bulgária). Esta foi a primeira medalha do país no individual em uma competição da modalidade desse nível.

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A equipe brasileira de Ginástica Rítmica já havia feito história em março, quando terminou com o bronze no geral (que une as notas das séries simples e mista) da etapa de Atenas (Grécia).

Para garantir o bronze neste domingo, a brasileira somou 30,650 pontos, atrás apenas da uzbeque Takhmina Ikromova, que para ficou com o ouro, e da cazaque Elzhana Taniyeva, que garantiu a prata.

“Essa medalha não é só minha. É de todos. Muito obrigado Brasil por toda a energia positiva. Todas as mensagens. Muito obrigada mesmo. Beijo”, afirmou Bárbara Domingos em mensagem de vídeo divulgada pela Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).

“Não fazíamos ideia de que tudo isso seria possível logo neste início de temporada, e por isso foi uma grata surpresa, e muito emocionante. Quando a nota saiu, a plateia começou a gritar e a aplaudir, mas nós não estávamos entendendo, porque não sabíamos as outras notas. Quando começaram a fazer o número 2, soubemos que era medalha, porque só faltava uma ginasta. E a verdade é que não caiu a nossa ficha ainda”, declarou a técnica de Bárbara, Márcia Naves, à CBG.

Aumento de receitas é principal desafio do novo arcabouço fiscal

Anunciada pelo governo como uma ferramenta que estabilizará as contas públicas no médio prazo, o novo arcabouço fiscal tem como principal âncora a limitação do crescimento das despesas a 70% da variação da receita dos 12 meses anteriores. Embora tenha sido bem recebido por parte do mercado financeiro, o futuro marco fiscal desperta dúvidas em alguns economistas.

O principal questionamento, para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, diz respeito ao ganho de arrecadação necessário para que o país saia de um déficit primário – resultado negativo nas contas do governo sem os juros da dívida pública – de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano para um superávit de 1% do PIB em 2026. Outro ponto posto em dúvida é a capacidade de a regra ser anticíclica – com gastos maiores em tempos de recessão e gastos menores em tempos de crescimento – e amortecer impactos de choques econômicos.

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Diretora da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão consultivo do Senado que faz estudos econômicos, Vilma Pinto manifesta incertezas em relação ao novo arcabouço. Em comentário publicado no blog da revista Conjuntura Econômica, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), ela e o analista da IFI Alexandre de Andrade ressaltaram que o texto do projeto de lei ainda precisa ser conhecido.

Os dois advertiram que, conforme o apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a geração de superávits primários está condicionada ao crescimento da receita, sem buscar alterar o atual nível de gastos. “Esse tipo de mecanismo pode incentivar a busca por mais receitas não recorrentes [como renegociações de dívidas de contribuintes], que podem melhorar a situação de curto prazo, mas que não garantem, necessariamente, uma trajetória sustentável para o primário e a dívida”, escreveram a diretora e o analista da IFI.

Economista e professora de MBA da FGV, Carla Beni elogia o novo arcabouço fiscal e diz que as análises sobre a dependência do marco em relação à geração de receitas são apressadas. “O arcabouço, como carta de intenções, foi bem elaborado. Tem uma característica muito importante, que é a flexibilidade, porque a economia é muito dinâmica. Então, quanto mais flexível, mais longevo passa a ser. E achei audacioso, no sentido de que pretende fazer uma redução muito grande do nosso déficit fiscal”, avalia.

A professora, no entanto, reconhece que tal audácia exigirá ações adicionais do governo para estabilizar a dívida pública. A professora cita medidas como a revisão de gastos públicos para definir o que é mais eficiente; a definição de prioridades no futuro Plano Plurianual (PPA), a ser enviado pelo Ministério do Planejamento em agosto; e reformas tributárias que cobrem impostos sobre dividendos e patrimônio, revisem incentivos fiscais e tributem novos setores, como apostas esportivas. Ao apresentar o arcabouço, o ministro Haddad anunciou que o governo pretende anunciar, nesta semana, novas medidas para reforçar a arrecadação em R$ 150 bilhões, sem aumentar alíquotas ou criar impostos.

Ciclos econômicos

O alinhamento do novo arcabouço aos ciclos econômicos também é objeto de dúvidas. Por estar atrelado à receita, o limite de 70% de crescimento nos gastos federais tem caráter pró-cíclico, com os gastos crescendo quando a arrecadação aumenta e caindo, quando diminui. É um sistema semelhante ao do superávit primário, que vigora desde o fim dos anos 1990. Nesse modelo, embora o governo economize mais quando a economia cresce e poupe menos quando a economia encolhe, o gasto aumenta e diminui no mesmo sentido.

Apesar do viés pró-cíclico, a regra introduziu um mecanismo que pode ser considerado anticíclico. O limite de 70% só vale dentro de uma banda em que os gastos reais (acima da inflação) aumentam 0,6% ao ano, em caso de baixo crescimento econômico, e 2,5% ao ano, em caso de expansão significativa do PIB.

Para exemplificar, quando a economia cresce 5% em um ano, os gastos não podem crescer 3,5% (equivalente a 70% de 5%), mas sim, 2,5% acima da inflação no ano seguinte. Em momentos de recessão, quando a variação do PIB fica negativa, o gasto não se contrai, continuando a crescer no limite mínimo de 0,6% acima da inflação.

Especialista em desigualdade social, o economista e sociólogo Marcelo Medeiros, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Universidade de Brasília (UnB), diz que o novo arcabouço na prática não tem caráter anticíclico. “O ideal é que uma regra fiscal tenha mecanismos para a expansão da rede de proteção social em caso de necessidade, em particular em caso de recessão. Porque o que aconteceu, na última recessão grande, é que o Bolsa Família encolheu, em vez de expandir, justamente porque estava preso por uma regra pró-cíclica.

Investimentos

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o economista Eduardo Costa Pinto critica a capacidade do novo arcabouço fiscal destravar os investimentos, mesmo com as novas regras estabelecendo um piso. “Quais seriam os motores para puxar a economia nesse momento de desaceleração, como o PIB já mostrou? Ou o gasto do governo, ou o investimento público? É evidente que a nova regra é melhor do que o teto dos gastos, dá um grau de flexibilidade, mas não acho que teremos uma força, uma tração, para que a regra permita ampliação dos gastos e do investimento público para puxar a economia brasileira”, diz.

Para Vilma Pinto e Alexandre de Andrade, da IFI, o limite mínimo de investimento em torno de R$ 75 bilhões, que serão corrigidos pela inflação ano a ano, tornarão o Orçamento ainda mais inflexível, fazendo com que o governo tenha de cortar em outras áreas, inclusive gastos obrigatórios. “Em que pese a boa intenção de se preservarem os investimentos, a regra aumenta ainda mais o grau de rigidez orçamentária da União”, escreveram os dois no blog da FGV.

Respostas

Ao explicar o novo arcabouço fiscal na última quinta-feira (30), o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, disse que uma eventual diminuição da receita poderá adiar a estabilização da dívida pública. No entanto, ressaltou o secretário, os gastos continuarão a crescer menos que a receita em quase todos os cenários, exceto em uma eventual recessão que faça a arrecadação cair.

“A pergunta recorrente que vocês vão fazer é: ‘E se a receita não vier?’ O que a gente já reiterou é que, independentemente do comportamento da receita, a despesa vai crescer menos que a receita. Obviamente que, quanto mais rápido conseguirmos recuperar as bases de financiamento, mais rapidamente vamos conquistar os resultados primários necessários para estabilizar a dívida [pública]. Este é o objetivo de todos, e também entendo que seja o objetivo dos parlamentares com quem o ministro tem conversado”, rebateu Mello.

Em relação ao limite mínimo de 0,6% de crescimento real (acima da inflação) das despesas em momentos de baixo crescimento econômico, o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, explicou que o percentual foi definido com base na taxa média de crescimento da população. “Com essa taxa, podemos assegurar que os gastos per capita estão mantidos em momentos de recessão. Ninguém vai deixar de ter acesso a programas sociais básicos em momentos de crise, como aconteceu com o Farmácia Popular recentemente”, justificou.

Ao anunciar as medidas, o ministro Haddad reiterou que os percentuais de 0,6% e de 2,5% de crescimento são suficientes para dar um caráter anticíclico ao novo arcabouço. Segundo ele, o limite mínimo de 0,6% tem como objetivo impedir que, em caso de novas recessões, o governo tenha de recorrer ao Congresso para alterar as regras fiscais, como nos últimos anos.

“Se houver uma retração na parte baixa do ciclo [recessão], decidimos incorporar aquilo que era exceção dentro do teto de gastos à regra nova, para trazer as excepcionalidades, exceto aquelas fixadas pela Constituição [como estados de calamidade pública], para dentro da regra aquilo que é uma espécie de crescimento vegetativo em função daquilo que se verificou desde a promulgação do teto de gastos”, disse.

*Colaborou Pedro Lacerda

PEC das Domésticas: informalidade e precariedade persistem no país

A informalidade avançou e a precariedade ainda persiste entre as trabalhadoras domésticas brasileiras, dez anos após a promulgação da Emenda Constitucional 72, que ficou conhecida como PEC das Domésticas. Essa é a avaliação de especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Para eles, entre as razões estão as crises econômicas do período, a pandemia de covid-19 e mudanças na composição e costumes das famílias. A dificuldade na fiscalização de fraudes e a estagnação da renda também estão entre as preocupações da categoria.

“O que preocupa é que houve uma informalização, as pessoas estão desempenhando trabalhos domésticos sem direitos trabalhistas em maior quantidade. Tínhamos que trabalhar na passagem desse segmento para profissões que gerem maior realização pessoal, profissional, maior ganho financeiro, acho que esse é o desafio”, disse o economista Marcelo Neri, diretor do centro de estudos FGV Social.

Segundo ele, o número de empregadas domésticas no Brasil é alto e não é comum encontrar a mesma proporção em outros países. “Reflete a alta desigualdade brasileira”, disse. “E o que a experiência mostra é que a tentativa de combater essa desigualdade, não acontece sem reações. Então, essa troca de empregadas domésticas formais por diaristas reflete um pouco essa reação, dá essa sensação de que a gente não avançou, apesar das boas intenções da legislação”, completou.

A coordenadora geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), Luiza Batista. Foto: Fenatrad/Divulgaçāo

Para a coordenadora geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), Luiza Batista, os direitos foram conquistados após muita luta da categoria, mas a efetividade e o respeito à legislação ainda deixam muito a desejar.

“Quando não tínhamos uma ferramenta legal para reclamar direitos que não foram respeitados na justiça, a gente dependia muito de jurisprudência, do juiz que julgasse a ação. A partir do momento que temos uma lei que nos garante direitos é uma alegria e ao mesmo tempo uma decepção, porque, infelizmente, muitos empregadores não respeitam, não registram carteira e quando vai fazer uma rescisão, nós só garantimos alguma coisa através de ação judicial. Isso é muito desgastante”, disse.

Legislação

A PEC das Domésticas prevê igualdade de direitos trabalhistas entre domésticas e os demais trabalhadores, entre eles salário-maternidade, auxílio-doença, auxílio acidente de trabalho, pensão por morte e aposentadoria por invalidez, idade e tempo de contribuição. Ela também fixou a jornada desses trabalhadores em oito horas por dia e 44 horas semanais.

Em 2015, a PEC passou por uma regulamentação, com a aprovação da Lei Complementar nº 150, que ampliou as garantias previstas para a categoria, como a obrigatoriedade de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os domésticos. A lei garantiu ainda acesso ao seguro-desemprego, salário-família e adicional noturno e de viagens. O direito a horas extras também foi assegurado na lei.

A relatora da PEC das Domésticas na Câmara, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ), foi empregada doméstica. Durante a tramitação da matéria, a parlamentar contou que, desde menina, ajudava sua mãe, que foi lavadeira do ex-presidente Juscelino Kubitschek, na década de 50, no Rio de Janeiro. A proposta foi promulgada no dia 2 de abril, no governo da presidenta Dilma Rousseff. 

“Foi em 2013, com o apoio da presidenta Dilma, que o Congresso Nacional aprovou, por quase unanimidade, a PEC das Domésticas, que tive a honra de relatar, garantindo à categoria os direitos trabalhistas. Para mim, que tanto lutei desde a Constituinte para garantir os direitos das domésticas foi uma vitória pessoal. Depois de anos de desmonte e desgoverno, a luta continua para recuperar a dignidade de todas as trabalhadoras e trabalhadores”, disse a deputada, por meio de sua rede social.

Operação contra garimpo ilegal prende dois militares no Amazonas

Uma operação contra o garimpo ilegal de ouro prendeu cinco pessoas na Floresta Nacional de Urupadi, no sul do Amazonas. Entre os presos, estão dois militares do Exército.

Realizada pela Força Nacional de Segurança e pelo Instituto Chico Mendes, a operação durou cinco dias e desmantelou 34 acampamentos ilegais, equipados com televisão e acesso à internet. Além de queimarem as estruturas, os agentes destruíram máquinas e apreenderam armas e munições.

Duas pistas clandestinas de pouso foram destruídas. Segundo a Força Nacional de Segurança, cerca de 50 quilômetros quadrados foram devastados. Os garimpeiros presos foram multados em R$ 3,6 milhões e responderão criminalmente.

Ao todo, foram identificados cerca de 50 garimpeiros na região, mas só cinco foram presos. Em, nota, o Exército informou não compactuar com atos ilegais por parte de seus membros e ter aberto investigação interna, paralela às investigações na esfera civil.

Segundo o Exército, um militar não está lotado em nenhuma unidade por estar inativo desde 2011. O outro será alvo de processo para ser excluído do serviço ativo porque tem condenação na Justiça Militar superior a dois anos.

Cai a participação de mulheres em cargos no governo federal

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) lançou o Observatório de Pessoal, um portal de pesquisa de acesso público sobre os dados de pessoal do governo federal. Lançada na última semana, a plataforma reúne dados estatísticos e informações sobre tabelas de remuneração dos servidores. 

Entre os dados, estão comparações sobre as presenças masculina e feminina em cargos de alta e média lideranças e o perfil dos ocupantes quanto à idade, estado civil e escolaridade. O Observatório de Pessoal também apresenta um recorte sobre pessoas com deficiência e de mulheres negras e indígenas na liderança pública.

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De acordo com a ministra Esther Dweck, na primeira versão do relatório de pessoal, foi constatada uma redução do número de mulheres em cargos efetivos do governo, que passou de 46%, em fevereiro de 2019, para 45% em fevereiro de 2023. 
Com recorte de gênero, raça e etnia, Observatório de Pessoal vai consolidar política de transparência ativa e disponibilizar dados
de forma simples, diz a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dwek – Joédson Alves/Agência Brasil

“O período de ausência de concursos gerais e continuidade dos concursos em áreas predominantemente masculinas, como militares e segurança pública, foi um dos fatores que fizeram o percentual geral de mulheres no serviço público ficar estagnado”, explicou a ministra durante evento de lançamento da plataforma. “E quando olhamos sobre as mulheres no papel de lideranças, nem na média, nem na alta liderança, é proporcional à quantidade de servidoras na administração pública federal e mais abaixo ainda da média feminina da população brasileira”, acrescentou. 

De acordo com o recorte apresentado sobre o estado civil dos ocupantes em cargos de liderança, o relatório do Observatório de Pessoal mostrou que, estatisticamente, a chance de homens com filhos menores de idade exercerem cargos de média e alta gestão é 3,2 vezes maior do que entre mulheres nas mesmas condições. “Isso reflete a dificuldade das mulheres em aceitar o cargo ou de serem chamadas a assumir cargos de gestão, porque o trabalho de cuidados geralmente fica com a mulher, e ela não consegue, ou não pode, aumentar sua responsabilidade. Mas é importante que a mulher seja chamada e a decisão de assumir, ou não, a liderança seja um fator pessoal, e não de incapacidade técnica”, afirmou a ministra. 

Ainda segundo Esther Dweck, a ideia do observatório e do relatório sobre pessoal, por meio do recorte de gênero, raça e etnia, é consolidar uma política de transparência ativa e disponibilizar os dados de forma simples.

Como forma de ampliar a presença de pessoas negras em cargos de liderança, incluindo paridade entre homens e mulheres, o governo federal vai implementar um programa que reserva até 30% de vagas em cargos de comissão e funções de confiança na estrutura do Poder Executivo, incluindo administração direta, autarquias e fundações. O decreto foi assinado há pouco mais de 10 dias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Mega-Sena acumula e próximo prêmio deve pagar R$ 37 milhões

Ninguém acertou as seis dezenas sorteadas neste sábado (1º), em São Paulo, no concurso 2579 da Mega-Sena: 05, 10, 26, 35, 38 e 44, e o próximo prêmio deve pagar R$ 37 milhões. 

A quina teve 109 apostas ganhadoras e pagará prêmio de R$ 21.479,95 a cada ganhador. Com 5.186 acertadores, a quadra pagará a cada um prêmio de R$ 644,95.

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A aposta inicial, com 6 dezenas, custa R$ 4,50. A mais alta, em que a pessoa pode escolher 20 entre 60 dezenas (de 1 a 60) fica em 174.420.

O próximo sorteio da Mega-Sena será na quarta-feira (5).

Ativistas cobram justiça para onças mortas e expostas na Internet

A imagem de um filhote de onça-pintada amarrado ao lado de duas cabeças decepadas de onças maiores provocou indignação entre internautas e movimentos de defesa dos animais. O vídeo de 11 segundos circulou nas redes sociais no dia 25 de março e, embora haja suspeita de que a gravação tenha sido realizada no município de Acorizal (MT), não há confirmação a respeito da origem do conteúdo.

Dias depois de intensa mobilização na Internet e da cobrança de parlamentares, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva encaminhou ofício ao Ministério da Justiça solicitando apuração criminal do caso. No documento, ela pede realização de perícia a fim de identificar a autoria do crime, que ainda não foi registrado em nenhuma delegacia. Segundo nota, o Ibama também está investigando o caso.

Onças na mira

Não é a primeira vez que imagens de onças mortas circulam na internet. Em abril de 2022, Benedito Nédio Nunes Rondon, fazendeiro de Poconé (MT), posou ao lado de uma onça-pintada morta com um tiro na cabeça. Solto após pagamento de fiança, Rondon recebeu multa de R$ 150 mil, dividida em 30 parcelas. Em 2021, um vídeo de uma onça-preta abatida no município de Arame (MA) também chegou às redes sociais, assim como fotografias de onças mortas em diferentes regiões do país, embora a caça de animais silvestres seja proibida pela legislação brasileira.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente solicita que informações sobre os criminosos sejam enviadas por meio do canal Fala.Br, da Controladoria-Geral da União. De acordo com o órgão, as denúncias são recebidas sob anonimato e os denunciantes não serão identificados.

Justiça para as onças

Deputado Felipe Becari. – Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O deputado Felipe Becari (União Brasil/SP), integrante da Frente Ambientalista, entrou com pedido de informação aos ministérios do Meio Ambiente e da Justiça, questionando as providências tomadas para identificação e punição dos criminosos. No documento, Becari menciona o projeto de lei 752/2023, de sua autoria, que propõe o agravamento das penas de crimes contra a fauna.

“O pedido de informação é justamente para cobrar a atuação das autoridades e dos órgãos públicos, para trazê-los para junto de nós nessa luta, que é conseguir é uma legislação à altura, que cesse esse tipo de prática”.

As penas brandas, convertíveis em multa, costumam ser apontadas pelos movimentos ambientalistas e de defesa dos animais como um fator de incentivo ao crime.

“Atualmente, criminosos como esses, que torturaram e mataram três onças-pintadas, recebem pena de seis meses a um ano, mas não cumprem nem mesmo um dia de reclusão!”, afirma a ONG Ampara Silvestre em publicação do Instagram. Com a hashtag #TodosContraACaça, a entidade tem promovido campanha nas redes sociais pelo endurecimento das leis.

Segundo a organização, existem mais de 30 projetos tramitando no Congresso Nacional com a proposta de aumentar a pena por crimes ambientais, entre outras medidas, mas não chegam a ser discutidos e efetivamente votados.

Um desses projetos é o PL 211/2023, de autoria do deputado Zé Haroldo Cathedral (PSD/RR), que propõe a criação de Delegacias Especializadas em Proteção Animal (DEPA). A ideia é prestar atendimento a animais domésticos e silvestres vítimas de crime.

“O número de casos cruéis como esse gera uma indignação, uma sensação de impunidade, é por isso que defendo a criação de uma repartição especializada, para que os responsáveis sejam devidamente averiguados e punidos na forma da lei”, afirma o deputado.

Outro projeto de lei defendido pelas organizações ambientalistas é o PL 968/2022, de autoria do deputado Ricardo Izar (Republicanos/SP), que aumenta a pena pela caça e morte de felinos brasileiros.

Para Felipe Becari, a criação de uma bancada ambientalista forte é o que pode promover o andamento dessas propostas. “O que estava faltando era uma união suprapartidária, com deputados de vários estados, partidos e coligações unidos em prol desse bem comum, que é legislar para proteger os animais”, diz.

Clara Nunes: 40 anos do adeus à artista mineira

“Se vocês querem saber que eu sou. Eu sou a tal mineira. Filha de Angola, de Ketu e Nagô. Não sou de brincadeira. Canto pelos sete cantos, não temo quebrantos porque eu sou guerreira”. Estes são os versos iniciais da música Guerreira, que definem quem foi Clara Nunes. Uma mulher que falou de liberdade e lutou contra o racismo religioso em uma época que o tema quase não era comentado.

Clara parecia estar à frente do seu tempo. Talvez por este motivo, 40 anos depois da morte da cantora, suas músicas continuam atuais e servem de inspiração para artistas que fazem releituras do seu trabalho. A cantora Fabiana Cozza é uma delas. No disco Canto Sagrado, ela regravou músicas de Clara em um trabalho que se transformou em homenagem.

“Este disco faz parte do meu desejo de fazer um trabalho para exaltar Clara Nunes. Eu acho que ela é um símbolo da brasilidade. Um exemplo para todos que desejam conhecer a música e o Brasil”, diz.

Filme Clara Estrela narra vida da cantora – Wilton Montenegro/Divulgação

Trajetória

Clara Nunes nasceu no interior de Minas Gerais. Ela teve uma infância humilde e começou a cantar no coro da Igreja. Logo o talento da menina chamou a atenção e Clara ganhou seu primeiro concurso de canto na cidade onde morava, a pequena Cedro, que hoje em dia se chama Caetanópolis.

A carreira musical ganhou impulso depois que Clara se mudou para Belo Horizonte. Ela foi convidada para se apresentar em rádios locais, mas na época cantava boleros e músicas românticas. Em pouco tempo, a voz potente com um tom diferenciado conquistou os mineiros e Clara recebeu o título de melhor cantora de Minas Gerais.

O caminho para o sucesso se concretizou quando ela se mudou para o Rio de Janeiro. Na cidade, olhou o mar pela primeira vez e ficou encantada. Uma paixão que se transformou em inspiração para diversas músicas ao longo da carreira. A mudança para o Rio também colocou Clara em contato com o mundo do samba. Os ritmos africanos fascinaram a mineira, que deixou o bolero de lado e passou a cantar samba.

Capa do disco Brasil Mestiço, lançado em agosto de 1980 pela EMI-Odeon. Foto: EMI-Odeon/Divulgação

A aproximação de Clara com o som dos tambores africanos também trouxe mudanças na vida religiosa da artista. Ela passou a frequentar terreiros de umbanda e de candomblé e se converteu às religiões de origem africana. Filha de Ogum com Yansã, levou para os palcos músicas que exaltavam deuses das religiões africanas e as tradições quilombolas. Silvia Brugger, conselheira do Instituto Clara Nunes, diz que a cantora rompeu barreiras e usou a música para lutar contra o preconceito religioso. “O Pai Edu, que foi um dos Pais de Santo de Clara, dizia que ela era uma Mãe de Santo nos palcos. Ela divulgou a cultura negra e afirmou a sua identidade religiosa”, conta.

No Rio de Janeiro, Clara frequentava o terreiro de Vovó Maria Joana, onde às vezes ficava vários dias. Dely Monteiro, neta da líder religiosa diz que Clara buscava sempre a proteção dos orixás e tinha uma relação de muito carinho com Vovó Maria Joana.

“Ela chegava em busca de proteção espiritual e tinha uma relação muito próxima com a minha avó. Clara fazia as suas obrigações e depois ficava aqui em casa e passava várias horas conversando com a minha avó”, relembra.

Ao longo da carreira, Clara Nunes conquistou diversos prêmios musicais. Ela foi a primeira mulher que vendeu mais de 100 mil discos. Silvia Brugger diz que a artista rompeu barreiras em termos de vendagens na indústria fonográfica. “Para se ter uma ideia o LP dela de 74 foi lançado com 400 mil cópias vendidas. Um número inédito para aquela época”.

Foto: FACEBOOK/Clara Nunes: A Guerreira

Clara Nunes morreu aos 40 anos de idade por insuficiência cardíaca decorrente de uma anestesia realizada durante uma cirurgia para retirar varizes. Portelense de coração, foi homenageada dando nome a rua onde fica a quadra da escola em Madureira.

A vida de Clara Nunes é contada no musical Deixa Clarear, que está em cartaz há dez anos. Nos palcos, a atriz Clara Santhana interpreta a história de uma guerreira que sempre lutou para quebrar preconceitos.

“Eu mergulhei na vida da Clara porque era muito necessário contar a história desta mulher. A Clara Nunes é uma figura que não pode ser esquecida pela sua importância na construção da música brasileira e na valorização da cultura africana e indígena”, argumenta.

Hoje é Dia lembra nomes como Clara Nunes, Cazuza e Martin Luther King

A lista de personalidades que transitam pelo Hoje é Dia desta semana vai de Clara Nunes a Cazuza, de Martin Luther King a Margareth Thatcher, de Chatô a José Bonifácio, de Thomas Hobbes a Pablo Picasso. Todos estes nomes nasceram ou morreram entre os dias 2 e 8 de abril, e, portanto, fazem parte da lista de efemérides selecionadas pelo projeto.

Para começar, Clara Nunes. Há exatos 40 anos, no dia 2 de abril de 1983, a voz da Mineira Guerreira, filha de Ogum com Iansã, se calava de maneira prematura: ela morreu aos 39 anos, em decorrência de complicações durante uma cirurgia de varizes. Clara foi a primeira cantora brasileira a vender mais de 100 mil cópias de um único disco (como mostra o episódio do De Lá Pra Cá, da TV Brasil, sobre a cantora, veiculado em 2012). O Samba na Gamboa também reverenciou uma das maiores intérpretes femininas do samba, e mostra como artistas da nova geração bebem na fonte da mineira, mestiça e mística cantora:

O Recordar é TV, da TV Brasil, resgatou o especial É preciso cantar, de 1979, no qual Clara canta e dança os seus maiores sucessos, com a marca maior de sua obra: as tradições afro-brasileiras:

Já no dia 4 de abril de 1958, nascia Agenor de Miranda Araújo Neto. Mas é seu apelido, que ele carregou desde a maternidade, praticamente, que ficou gravado na história musical do país: Cazuza. Tido por muitos como o maior poeta de sua geração, Cazuza faria 65 anos se vivo fosse. O “Exagerado” teve uma carreira meteórica, com mais de 120 músicas gravadas, e foi um um gênio rebelde, um artista de arte extensa e vida breve. 

O especial Amanheceu o pensamento: 25 anos sem Cazuza, o poeta pronto pro amor, traz uma entrevista concedida por Cazuza em 1988 à antiga Rádio Nacional FM do Rio. Ele fala da vida, da carreira e da família na conversa de uma hora, que também pode ser ouvida na íntegra. Também do acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) vem o especial Ideologia, de 1990, recuperado pelo Recordar é TV, da TV Brasil, com depoimentos dos pais, amigos e do próprio Cazuza:

E quem melhor para falar de Cazuza do que Lucinha Araújo? A mãe do cantor e letrista foi a entrevistada deste episódio de Na Trilha da História, da Rádio Nacional, e detalhou a  infância e adolescência do compositor, a formação da banda Barão Vermelho, a carreira solo e o tratamento do filho contra a Aids:

 

55 anos sem Luther King e Chatô

Martin Luther King em 1968 – Ted Bell – UIC Digital Collection/Creative Commons

Também no dia 4 de abril, mas do ano de 1968, o pastor e ativista Martin Luther King foi morto com um tiro no pescoço na cidade de Memphis, no estado do Tennessee. Um dos líderes da luta contra a segregação racial e pelos direitos civis nos Estados Unidos, Luther King defendia a não-violência, como explica o episódio do Na Trilha da História dedicado a este grande personagem da militância negra norte-americana:

Assis Chateaubriand falando em frente a uma de suas câmeras – Fundação Assis Chateaubriand/Direitos Reservados

Naquele mesmo dia e ano, mas no Brasil, morria Assis Chateaubriand, também conhecido como Chatô. Ele foi jornalista, político e dono do maior conglomerado de comunicação de sua época – o Diários Associados. Parte da história de Chatô foi contada no episódio do De Lá Pra Cá sobre a TV Tupi, a primeira emissora de televisão do país – e que pertencia ao visionário e polêmico empresário (confira a segunda parte do episódio aqui):

 

Na quinta-feira (6), completam-se 185 anos da morte de José Bonifácio de Andrada e Silva, que ficou conhecido como o Patriarca da Independência por ser um dos principais articuladores do rompimento do Brasil com Portugal. O Na Trilha da História debruçou-se sobre esta figura histórica em dois episódios: o primeiro fala sobre a juventude de José Bonifácio e o período que ele viveu na Europa. O segundo traz o papel de Bonifácio para a Independência e sua relação com Dom Pedro I:

Primeiro episódio:

Segundo episódio:

Já em 8 de abril, dois nomes célebres da arte e da política mundial faleceram: em 1973, o artista espanhol Pablo Picasso e, em 2013, a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.

 

Datas comemorativas

Entre as datas da semana estão o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, lembrado neste domingo (assista o episódio Autismo: um universo particular, do Caminhos da Reportagem), e o Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil, também celebrado no dia 2.

O Dia Mundial da Saúde marca o 7 de abril (tema desta edição do Ciência é Tudo, da TV Brasil). O dia seguinte é reservado a três acontecimentos de uma vez: Dia Nacional do Sistema Braille (discutido pelo Saiba Mais, da antiga TV NBR), Dia Mundial da Luta Contra o Câncer (veja as novidades do combate à doença neste episódio do Caminhos da Reportagem) e Dia Internacional dos Ciganos (conheça a tradição cigana no Caminhos da Reportagem).

Cristãos também relembram a morte de Jesus Cristo na Sexta-Feira da Paixão, que, neste ano, cai em 7 de abril. A data é feriado nacional.

Confira a lista semanal* do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

2 a 8 de abril de 2023
2

Morte da cantora mineira Clara Nunes (40 anos)

Nascimento do músico, ator e diretor francês Serge Gainsbourg (95 anos)

Dia Mundial de Conscientização do Autismo – comemoração internacional aprovada pela ONU na Resolução nº 62/139, de 18 de dezembro de 2007

Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil – data de nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen

3

Nascimento do rapper paulista Mauro Mateus dos Santos, o Sabotage (50 anos)

Lançamento do filme Central do Brasil (25 anos)

O ativista norte-americano Martin Luther King faz seu último discurso, I’ve been to the mountaintop (55 anos)

Primeira ligação pública é feita de um celular, por Martin Cooper (50 anos)

4

Nascimento da escritora e poeta norte-americana Marguerite Ann Johnson, a Maya Angelou (95 anos)

Morte do jornalista, empresário, mecenas e político paraibano Assis Chateaubriand, o Chatô (55 anos) – magnata da comunicação no Brasil

Nascimento do cantor e compositor carioca Cazuza (65 anos)

Morte do pastor e ativista político norte-americano Martin Luther King (55 anos) – líder do movimento em defesa dos direitos civis da população negra nos EUA

Morte do compositor, instrumentista, poeta, jornalista e dramaturgo carioca Ari Kerner Veiga de Castro (60 anos)

Inauguração do World Trade Center em Nova Iorque (50 anos)

5

Morte da professora e juíza sergipana Maria Rita Soares de Andrade (25 anos) – foi a primeira juíza federal do Brasil e também a primeira mulher a compor o Conselho Federal da OAB

Nascimento do saxofonista e flautista mineiro Raul Mascarenhas (70 anos) – fez parte do grupo de Johnny Alf, um dos grandes nomes da bossa nova

Nascimento da atriz norte-americana Bette Davis (115 anos)

Nascimento do matemático, teórico político e filósofo inglês Thomas Hobbes (435 anos) – autor de Leviatã (1651) e Do cidadão (1651)

6

Nascimento do político equatoriano Rafael Correa (60 anos) – foi presidente do Equador entre 2007 e 2017

Nascimento do artista plástico carioca Ivan Serpa (100 anos)

Morte do naturalista, estadista e poeta paulista José Bonifácio de Andrada e Silva (185 anos) – conhecido pelo epíteto de Patriarca da Independência por ter sido uma pessoa decisiva para a Independência do Brasil

Morte do gravador, pintor, ilustrador, matemático e teórico de arte alemão Albrecht Dürer (495 anos) – provavelmente, o mais famoso artista do Renascimento nórdico, tendo influenciado artistas do século XVI no seu país e nos Países Baixos

Nascimento do maestro e arranjador paulista Júlio Medaglia (85 anos) – fundador da Amazonas Filarmônica; dirigiu a Orquestra da Rádio de Baden-Baden e a Rádio Roquette-Pinto

Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e a Paz – comemoração instituída pela 96ª sessão da Assembleia Geral da ONU, na sua Resolução A/RES/67/296, de 18 de setembro de 2013

7

Fundação da Organização Mundial da Saúde (OMS) (75 anos)

Dia do Jornalista

Dia Mundial da Saúde – comemoração instituída por países-membros da Organização Mundial da Saúde

Sexta-Feira da Paixão (data móvel)

8

Morte do artista espanhol Pablo Picasso (50 anos)

Morte da política britânica Margaret Thatcher (10 anos) – ex-primeira-ministra do Reino Unido, conhecida como a Dama de Ferro

Nascimento do compositor e pianista fluminense Francisco Mattoso (110 anos) – autor, entre tantos sucessos, de três grandes clássicos da música popular brasileira: as valsas Eu sonhei que tu estavas tão linda, com Lamartine Babo, Boa noite, amor e a marchinha de carnaval Pegando fogo

Nascimento do diplomata ganense Kofi Annan (85 anos) – oitavo secretário-geral da ONU e Nobel da Paz em 2001

Morte da atriz e cantora espanhola Sara Montiel (10 anos) – teve uma carreira cinematográfica importante, além de sua carreira como cantora. Boleros como Contigo aprendi ou Besame mucho deram a volta ao mundo com sua voz; a canção com a qual sempre será identificada é Fumando espero

Dia Nacional do Sistema Braille

Dia Mundial da Luta Contra o Câncer

Dia Internacional dos Ciganos


*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.

Da várzea à final do Paulistão, Água Santa apresenta Diadema ao país

“O sonho da gente é muito grande. Até de sermos campeões paulistas”. Em outubro de 2015, o comerciante Licanor Vieira, proprietário de um bar na Rua dos Manacás, em Diadema (SP), deu esta declaração à TV Brasil em uma reportagem sobre o Esporte Clube Água Santa. A equipe fundada em 1981 por migrantes nortistas, nordestinos e mineiros, para competir no futebol de várzea da cidade e que disputou seu primeiro torneio profissional somente em 2013, tinha acabado de garantir um lugar na elite do Campeonato Paulista após subir, de forma consecutiva (e inédita), as três divisões de acesso do Estadual mais antigo do país.

Corta para abril de 2023. Neste domingo (2), às 16h (horário de Brasília), o mesmo Água Santa começa a decidir o título do Paulistão contra o Palmeiras na Arena Barueri. O primeiro jogo da final será transmitido ao vivo pela Rádio Nacional, com narração de André Marques, comentários de Mario Silva, reportagens de Rodrigo Ricardo e plantão esportivo de Rodrigo Campos.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Aquele otimismo de Licanor tinha explicação. Na várzea de Diadema e da região do ABCD Paulista, o Netuno (como o time é conhecido) acostumou a levantar troféus, principalmente a partir dos anos 2000. Muitos enfeitavam as paredes do bar do comerciante, que foi a primeira sede do clube. O estabelecimento não funciona mais hoje, mas traz recordações a quem viu, de perto, a história ser construída.

“Era muito bom. O pessoal vinha, fazia festa, brincava, tinha churrasco à vontade”, conta o aposentado Givaldo Bezerra dos Santos, que mora na região há 50 anos, em frente à antiga sede do Água Santa.

“Aqui na rua, tinha o bar do meu pai e nós jogávamos em um campinho. Quando montou o time, até mesmo nós passamos a nos encontrar na sede. A maioria [de nós] era da própria rua”, afirma Marco Antônio Valentim, comerciante e ex-jogador do Água Santa nos anos de várzea.

“Era muito difícil [na várzea]. A bola era dura e tinha muito barro. Você chutava e vinha tudo na cara [risos]. Hoje tem gramado, está bom para jogar. Mas não perdíamos. Jogávamos para cima”, completa Valter Luiz Botelho, que defendeu o Netuno nos anos 1980 e 1990, também antes do profissionalismo.

Orgulho

Atualmente, o Água Santa manda os jogos no Estádio José Batista Pereira Fernandes, conhecido como Arena Inamar, em alusão ao bairro no qual está situado na cidade, o Jardim Inamar. Como o local não tem refletores e a capacidade é de apenas 10 mil lugares, menos que o exigido pela Federação Paulista de Futebol (FPF) para as fases finais do Estadual, o Netuno não pôde atuar lá na semifinal contra o Red Bull Bragantino, nem teve como sediar a partida de ida da final. Não à toa, a diretoria do clube quer aproveitar o resto do ano para reformas estruturais no campo, pensando em 2024, quando também terá pela frente, de maneira inédita, a Copa do Brasil e a Série D do Campeonato Brasileiro.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Distância, porém, não foi problema à torcida, que já acompanhava a equipe pelos campeonatos amadores região afora. Mais de 40 ônibus, lotados, desceram a Serra do Mar em direção a Santos (SP), onde o time encarou o Bragantino. O público de 11.507 pessoas na Vila Belmiro foi superior à média do próprio Santos durante o Paulistão, além de ser o maior registrado pelo próprio Água Santa como anfitrião em uma partida oficial.

O escudo do Netuno aparece estampado nos carros que circulam por Diadema. A procura por camisas do time, que tem a cruz da Ordem de Cristo ao centro, cresce à medida que o sucesso nos gramados aumenta, para alegria de quem depende do comércio local. Orgulho de uma cidade que, no passado, foi considerada uma das mais violentas do Brasil (números do Datasus, de 1997) e que possui, atualmente, a segunda maior densidade demográfica do país, com quase 430 mil habitantes em um território de pouco mais de 30 quilômetros quadrados, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Diadema precisa ser mais conhecida pelo povo de fora. O Água Santa vai trazer essa curiosidade. É bom para nós que estamos aqui, desenvolvendo a cidade e a região”, afirma o ambulante Matheus Lima dos Santos.

“Depois que [o Água Santa] chegou à final, a população ficou bem ativa, empolgada. [Se for campeão] pode trazer [mais estoque de camisas], que é venda certa [risos]”, completa Adriano da Nóbrega Fernandes, também comerciante.

Otimismo

A última barreira no caminho do Água Santa é, simplesmente, o atual campeão brasileiro e estadual. Enquanto o Netuno disputa somente a quarta temporada na elite, o Palmeiras é o segundo maior vencedor do Paulistão, com 24 taças. As equipes se enfrentaram apenas quatro vezes, com três triunfos alviverdes e uma do Netuno – curiosamente, a mais marcante do confronto, uma goleada por 4 a 1 em 2016, em Presidente Prudente (SP).

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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A conquista inédita, se vier, faria do clube de Diadema o primeiro a ser campeão paulista sem estar em uma das quatro divisões do Brasileirão (Séries A, B, C ou D) na ocasião do título. Além disso, desde 2014, quando o Ituano levou o troféu, uma equipe fora das quatro principais do estado (Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras) não vence o campeonato.

“Garanto que a gente empata o primeiro [jogo] e ganha o segundo [no próximo domingo, dia 9, às 16h, no Allianz Parque, em São Paulo]. Se for campeão, tem que parar Diadema. Quando foi campeão metropolitano [no futebol amador] parou, imagina agora?”, projeta Valentim.

“Estarei lá [em Barueri] no domingo, com a torcida, prestigiando o Água Santa. A cidade está contente. Vamos ser campeões”, acredita Valter.

Flamengo sai na frente do Fluminense na final do Carioca

O Flamengo saiu na frente do Fluminense na disputa do título do Campeonato Carioca. Diante de mais de 65 mil torcedores, o Rubro-Negro venceu por 2 a 0 no estádio do Maracanã na noite deste sábado (1). Com este resultado, a equipe da Gávea pode até mesmo perder por um gol de diferença, no dia 9 de abril (domingo), que ficará com o título.

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Em caso de vitória do Tricolor por vantagem de dois gols, o campeão será definido na disputa de pênaltis. Para conquistar o caneco nos 90 minutos a equipe das Laranjeiras tem que triunfar por superioridade de três ou mais gols.

O técnico português Vítor Pereira surpreendeu ao mandar a campo uma equipe sem um dos titulares habituais, o camisa dez Gabriel Barbosa. A intenção foi a de reforçar a marcação de sua equipe, com a entrada de Matheus França. Com isso, a partida ficou amarrada na primeira etapa, com poucas oportunidades claras de lado a lado.

O jogo mudou de figura após o intervalo, quando o lateral Ayrton Lucas foi decisivo. Primeiro aos seis minutos, quando, após receber de Everton Cebolinha, bateu de chapa para superar o goleiro Fábio. Depois, aos 22, o camisa seis arrancou pela esquerda e cruzou para Pedro, que deu números finais ao placar, que garante uma boa vantagem ao Flamengo diante do Fluminense.

Finais de estaduais pelo Brasil

Um estadual no qual um Tricolor saiu na frente foi o Cearense, no qual o Fortaleza bateu o Ceará por 2 a 1 na Arena Castelão. A equipe comandada pelo técnico argentino Juan Vojvoda abriu uma vantagem de dois gols graças a Lucas Sasha e Caio Henrique, mas o lateral Danilo Barcelos descontou em cobrança de pênalti.

Agora, na partida de volta, programada para o próximo sábado (8) no Castelão, o Fortaleza é campeão com uma nova vitória ou mesmo com um empate. Triunfo do Ceará por um gol de diferença leva para a disputa de pênaltis. Caso supere o Tricolor do Pici com dois ou mais de diferença, o Vozão leva o caneco.

Já no Mineiro, o Atlético viu Hulk viver uma tarde de altos e baixos para superar o América por 3 a 2 na Arena Independência. Após Pavón abrir o placar para o Galo e Hyoran ampliar, o Coelho empatou com dois gols de Benitez. O camisa sete do Atlético teve então a oportunidade de desempatar em cobrança de pênalti, mas ele desperdiçou. No final da partida o atacante marcou o gol da vitória em grande jogada individual.

Quem ficou muito próximo do título foi o CRB, que, com gols de Mike e Fábio Alemão, bateu o Asa por 2 a 0 no estádio Municipal de Arapiraca no primeiro confronto da final do Campeonato Alagoano. Com isso, na volta, no Rei Pelé no sábado, o Galo é campeão até mesmo em caso de derrota por um gol de diferença.

No Rio Grande do Sul tudo permanece indefinido após empate entre Grêmio e Caxias por 1 a 1 no estádio Centenário. Marlon abriu o placar para a equipe da casa e Vina deixou tudo igual. Na volta, em Porto Alegre no próximo sábado, o caneco fica com quem vencer nos 90 minutos. Novo empate leva a decisão para a disputa de pênaltis.

Em Santa Catarina o Criciúma venceu o Brusque pelo placar mínimo no primeiro jogo da decisão, disputado no Heriberto Hülse, graças a gol de Lohan. No confronto de volta, no sábado no Augusto Bauer, o Tigre passa a ter a vantagem do empate.

Já o Treze quebrou um tabu para ficar em vantagem na final do Paraibano. O Galo da Borborema derrotou o Sousa por 2 a 1 no Amigão após um hiato de 13 anos. O novo campeão do estado será definido no próximo sábado no Marizão.

Graças a um gol de Vitor Roque nos acréscimos o Athletico-PR superou o Cascavel por 2 a 1 no estádio Olímpico Regional. O novo campeão do Paranaense será conhecido na Arena da Baixada no dia 9 de abril.

Palmeiras goleia por 11 a 0 e assume 3ª posição do Brasileiro Feminino

O Palmeiras goleou o Ceará por 11 a 0, na tarde deste sábado (1) no Allianz Parque, para assumir a 3ª posição da Série A1 do Brasileiro Feminino. Com o triunfo, as Palestrinas alcançaram os 14 pontos, um a menos do que o líder Corinthians e o vice-líder Flamengo. Já as Meninas do Vozão permanecem na lanterna da classificação sem ponto algum após seis rodadas.

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Os destaques da vitória do Palmeiras foram Bia Zaneratto, Laís Estevam e Sorriso, todas com dois gols, e Letícia Ferreira, com três gols. Duda Santos e Dudinha completaram o marcador. Na próxima rodada o Ceará recebe o Cruzeiro e as Palestrinas disputam clássico com o Cortinthians.

Também neste sábado, o Grêmio bateu o Santos por 1 a 0 no CFT Hélio Dourado, em Eldorado do Sul, graças a gol de Dani Ortolan. Com o resultado as Gurias Gremistas assumiram a 6ª posição com dez pontos. Já as Meninas da Vila permanecem com oito pontos, na 8ª colocação.

O Internacional também triunfou, mas por 3 a 2 sobre o Avaí, no Estádio Morada dos Quero-Queros, em Alvorada. Mileninha (duas vezes) e Bruna Benites marcaram pelas Gurias Coloradas. Já Limpia marcou em duas oportunidades para descontar.

Variante genética protege indígena da Amazônia contra doença de Chagas

A baixa ocorrência de doença de Chagas entre povos indígenas da Amazônia pode ter uma explicação genética, aponta estudo publicado na revista Science Advances. Segundo o trabalho científico, uma variante genética, presente na maioria dos indivíduos analisados na região, tem importante papel na resistência à infecção pelo parasita causador da doença.

A doença de Chagas é transmitida por um inseto – um percevejo popularmente conhecido como barbeiro ou chupão. Assim que o barbeiro termina de se alimentar, ele defeca, eliminando os protozoários e colocando-os em contato com a ferida e a pele da vítima, transmitindo o Trypanosoma cruzi, causador da  doença de Chagas. A doença pode ocasionar problemas cardíacos, digestivos ou neurológicos.

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O estudo analisou mais de 600 mil marcadores do genoma de 118 pessoas de 19 populações indígenas, que representam a maior parte do território da Amazônia, tanto no Brasil como nos outros países da América do Sul que abrigam a floresta.

A pesquisadora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) Kelly Nunes explica como ocorreu a adaptação dos indígenas. “O continente americano foi o último ocupado pelos humanos modernos e tem uma grande variedade de ambientes. Isso certamente causou uma pressão seletiva sobre esses povos e induziu adaptações, como essa que estamos vendo agora”, destaca Kelly Nunes, que divide a primeira autoria do estudo com Cainã Couto Silva, doutorando na área de genética e biologia evolutiva pelo Instituto de Biociências da USP.

Com variadas técnicas, os pesquisadores encontraram diferenças em genes envolvidos no metabolismo, no sistema imune e na resistência à infecção por parasitas como o Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. Uma das variantes mais frequentes, presente no gene conhecido pela sigla PPP3CA, ocorre em 80% dos indivíduos analisados.

A variante também está presente em outras populações, porém, numa frequência bem menor: 10% na Europa e 59% na África.

“Ao analisarmos as regiões endêmicas da doença na América do Sul, a área das populações analisadas é justamente onde a doença menos ocorre. Isso poderia se dar por uma baixa frequência do barbeiro, mas não é o caso, pois é onde ele tem a maior diversidade”, conta Tábita Hünemeier, professora do IB-USP que coordenou o estudo.

Segundo Tábita, ainda não é possível afirmar que existe adaptação genética dos indígenas a outras doenças endêmicas da Floresta Amazônica. “Especificamente para a reação ao protozoário e o que foi testado, também em nível celular, foi a infecção por tripanossomo, então a gente não consegue extrapolar para outras doenças, não da maneira que esse estudo foi desenhado”, esclarece.

O trabalho integra o projeto Diversidade Genômica dos Nativos Americanos, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Proteção

Para compreender o papel do gene PPP3CA na interação com o Trypanosoma cruzi, os pesquisadores converteram células-tronco pluripotentes, que podem ser transformadas em qualquer outra célula humana, em células cardíacas. Uma parte teve a expressão do gene PPP3CA reduzida em cerca de 65%. Outra parte realizava a expressão normal.

Nas células com a expressão reduzida do gene, a capacidade de infecção dos protozoários foi aproximadamente 25% menor do que naquelas que tinham a expressão normal do PPP3CA.

“Isso mostra que o gene, em sua condição mais comum em outras populações, favorece a replicação do protozoário. Esse fator provavelmente levou os ancestrais dos indígenas amazônicos que tinham a variante protetora a serem menos infectados e sobreviverem mais à doença, passando esse traço para seus descendentes”, disse a pesquisadora Kelly Nunes.

Cerca de 30% dos pacientes com doença de Chagas desenvolvem a forma crônica da doença, que leva à insuficiência cardíaca e até mesmo à morte.

“Não quer dizer que os povos nativos amazônicos nunca tenham doença de Chagas, mas os que são infectados poderiam não desenvolver com tanta frequência essa fase crônica e até mortal”, esclarece a autora principal do estudo.

A professora Tábita Hünemeier destaca que a pesquisa traz conhecimentos que podem ajudar ao desenvolvimento de novos tratamentos. “O estudo pelo menos estabelece que existe o fator genético responsável pela infecção, ou seja, que existem variabilidades na população e que alguns indivíduos tem mais suscetibilidade do que outros. A partir do momento em que se começa a ver um perfil genético, já está saindo do que se pensou ser uma questão ambiental, o que abre novas perspectivas.”

Outras doenças

Porém, nem todas as variantes encontradas são necessariamente vantajosas para os indígenas atuais. As análises também encontraram traços genéticos que favorecem o surgimento de doenças metabólicas e cardíacas.

Estudos de populações indígenas brasileiras mostram altos índices de pessoas obesas e de cardiopatas. Entre os xavante, por exemplo, 66% sofrem de obesidade, diabetes e doença arterial coronariana.

Doença negligenciada

A doença de Chagas é listada entre as 20 moléstias tropicais que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera negligenciadas. Esse conjunto de doenças afeta sobretudo pessoas pobres e não dispõe de tratamentos específicos sem efeitos colaterais fortes.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), atualmente, na América Latina e no Caribe, 59 milhões de crianças vivem em áreas de risco de infecção ou reinfecção por geo-helmintos, ou parasitas intestinais, e aproximadamente 5,7 milhões de pessoas estão infectadas com a doença de Chagas, com cerca de 70 milhões em risco de contraí-la.

Para a coordenadora do estudo, Tábita Hünemeier, o levantamento é importante principalmente por mostrar a doença em uma população que é negligenciada. “É importante porque é um estudo com uma população que é negligenciada, tanto do ponto de vista genético, quanto de estudo médico e também de uma doença que é neglicenciada, do ponto de vista internacional, são fatores importantes que levam este estudo a ter um impacto tão grande”, finalizou.

Caminhos da Reportagem ganha Prêmio MOL de Jornalismo

O programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, venceu na categoria Vídeo o 1° Prêmio MOL de Jornalismo para a Solidariedade com o episódio “Gastronomia da solidariedade”, da jornalista Aline Beckstein.

O episódio premiado apresenta o movimento da gastronomia social, com iniciativas que têm promovido a transformação de comunidades por meio da alimentação, seja por meio de cozinhas comunitárias ou do resgate de tradições culinárias em comunidades quilombolas.

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A equipe foi até a comunidade quilombola Cafundá Astrogilda, na Zona Oeste da cidade do Rio, para conhecer o restaurante que funciona lá, aberto ao público, sob o comando de duas mulheres. Na comunidade, moradores lutam para manter as tradições, incluindo a culinária, e buscam a segurança alimentar por meio da utilização das chamadas “plantas alimentícias não convencionais”, como a ora-pro-nóbis e a taioba, que crescem naturalmente no local.

Também no Rio de Janeiro, a TV Brasil conheceu o refeitório da Organização não-governamental Gastromotiva, inaugurado em 2016. No local, eram servidos jantares solidários para a população em situação de rua, mas com o início da pandemia, o espaço passou a ser um centro de produção de quentinhas.

Durante a premiação, o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Hélio Doyle, parabenizou a equipe do programa: “O Caminhos da Reportagem é um dos orgulhos da TV Brasil e da EBC, e o prêmio Mol é mais uma comprovação da qualidade deste trabalho. Parabéns à jornalista Aline Beckstein e a toda a equipe”.

Prêmio MOL de Jornalismo

A premiação é uma iniciativa do Instituto MOL, criado para incentivar o aumento das doações de pessoas físicas e jurídicas brasileiras para organizações da sociedade civil.

O prêmio tem como objetivo reconhecer o trabalho de profissionais e estudantes de jornalismo que contribuem para fortalecer a cultura de doação, a solidariedade e a atuação das organizações da sociedade civil.

A seleção teve como jurados os jornalistas Cecília Olliveira, Elaíze Farias, Breiller Pires, Dennis de Oliveira e Renê Silva.

Assista:

Brasília recebe festival de Balonismo

O fogo dos maçaricos e o tamanho dos balões impressionam as famílias que chegam à Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Todo mundo de olhos atentos, esperando o voo desses gigantes dos ares. Mas para subir, o tempo e o vento precisam estar perfeitos. É o que explica o presidente da Confederação Brasileira de Balonismo, Johnny do Balão. “O balão depende muito da meteorologia e esse final de semana nós estamos sendo agraciados por uma meteorologia perfeita, que deixa esse espetáculo ainda mais maravilhoso pro público”, afirma o balonista.

Para os brasilienses que acompanharam a abertura do Circuito Cultural de Balonismo, realizada nesta sexta-feira (31), foi pura diversão. A produtora cultural Cláudia Alves levou levou os dois filhos pra assistir à subida dos balões, aproveitar os brinquedos infantis e lanchar. “Achei muito interessante poder ver os balões de perto e entender como é o funcionamento. Meus filhos também adoraram, até porque o espaço tem brinquedos infláveis e área de alimentação. Por ser um evento gratuito, é um espaço bem democrático”. A filha dela, Ana Luisa Alves, de 15 anos, disse que foi a primeira vez que viu os balões de perto e adorou. “Não imaginava que eles fossem tão grande e bonitos, bem coloridos. Adorei!”.

Nesse domingo (2), o evento segue com a programação dos balões, além de apresentações musicais, estandes de artesanato e praça  de alimentação. A expectativa dos organizadores é receber, por dia, de quatro a cinco mil pessoas. O evento é realizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF (Secec) em parceria com a Organização da Sociedade Civil (Osc) Associação Luta pela Vida.

Brasília (DF) 01-04-2023 Circuito Cultural de Balonismo Valter Campanato/Agência Brasil

De acordo com San Thor Oliveira, organizador e parceiro da Associação Luta pela Vida, inicialmente foram sorteadas para subir no balão 15 pessoas que se inscreveram pelo perfil do evento no instagram. Mas a procura foi tão grande, que eles tiveram que abrir novas vagas também por sorteio na rede social. “Esses voos cativos são feitos entre às 17h e 19h. Cada voo dura em torno de dez, cinco minutos. Mas quem quiser pode vir pra assistir, os balões vão ficar expostos e a galera pode ver a montagem deles, pode tirar foto”, explicou. Outra atração é o show de luzes dos balões iluminados a noite, intitulado Night Glow, formando imagens dentro do balão.

Entre as atrações musicais, no sábado o destaque é para Rubinho Gabba, com músicas do Coldplay; e no domingo a banda Let it Beatles faz uma homenagem aos Beatles.

Domingo (2):

13h às 20h: Feira de Artesanato, Alimentação, Área Kids

17h às 18h: Voos

18h às 19h: Night Glow

18h às 20h: Show Let It Beatles

20h: Encerramento das atividades

TSE dá prazo para Bolsonaro se manifestar em processo

O ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu prazo de dois dias para a defesa de Jair Bolsonaro apresentar alegações finais na ação que pode acarretar na inelegibilidade do ex-presidente. 

A decisão foi assinada nesta sexta-feira(31) pelo ministro, que encerrou a fase de instrução de uma das ações que contestam a conduta de Bolsonaro durante reunião com embaixadores, em julho de 2022, quando atacou as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro sem apresentar provas.

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“O rico acervo probatório reunido nos autos, que foi formado com ampla participação das partes e do MPE, esgota as finalidades da instrução, razão pela qual cumpre encerrar a presente etapa processual”, afirmou o ministro na decisão. 

A minuta de golpe apreendida pela Polícia Federal (PF) na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres está entre as provas que fazem parte do processo. 

Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), Torres disse que não sabe quem é o autor da minuta e disse que o documento é “totalmente descartável” e “sem viabilidade jurídica”.