Tuiuti trará semelhanças da diáspora africana no Brasil e em Cuba

Imagine um país que levou a escravização de pretos africanos até a penúltima década do Século 19. Essas pessoas eram exploradas como força de trabalho cativa para, por exemplo, a lida nas lavouras de cana-de açúcar e de café. Além da riqueza material criada pelos pretos e apropriada pelos brancos, a diáspora de escravizados africanos legou a esse país uma imensa fortuna cultural, sempre reverenciada na culinária, no idioma, na música, no encantamento do mundo ou sacralidade.

A descrição poderia ser do Brasil, mas é de um espelho nosso refletido no mar do Caribe: Cuba. Vem daquela ilha, um pouco maior em área que o Estado de Santa Catarina, o enredo Lonã Ifá Lukumi, criado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso de Tuiuti.

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A letra do samba-enredo que será interpretada por Pixulé, nome artístico de Roosevelt Martins Gomes da Cunha, foi encomendado pela agremiação ao professor de história e compositor Luiz Antonio Simas, em parceria com Claudio Russo e Gustavo Clarão – que já fizeram outros sambas sob demanda para desfiles da Tuiuti.

“Eu entrei na parceria porque o enredo me interessava”, conta Simas em entrevista à Agência Brasil. “Eu fiquei muito motivado com o enredo sobre a religiosidade afro-caribenha e as relações que ela tem com o Brasil.”

Compreender o enredo Lonã Ifá Lukumi  requer analisar as três palavras que compõem esse título. Loña diz respeito a conexões, caminhos ou comunicação entre humanos e divindades; Lukumi (ou Lucumí, na forma aportuguesada) se refere aos descendentes iorubás escravizados em Cuba; já “o ifá”, ensina o mestre Nei Lopes, é “uma forma de religiosidade” que “une espiritualidade e racionalidade, filosofia e tecnicidade; que fundamenta e justifica inúmeras práticas rituais.”

O cantor, compositor, pesquisador e escritor Nei Lopes é autor do livro Ifá Lucumí: o resgate da tradição (Pallas Editora). A publicação “originou o enredo”, como conta o carnavalesco da Paraíso de Tuiuti, Jack Vasconcelos, em áudio compartilhado pela agremiação para a imprensa.

 

Historiador Luiz Antonio Simas é um dos autores do samba-enredo da Paraíso do Tuiuti Victor Vasconcelos/Divulgação

Do livro para a avenida

De acordo com Vasconcelos, o desfile se desenvolverá na avenida com “seis setores”, com alas de passistas e carros alegóricos. O primeiro mostrará a chegada do Ifá na Terra e a passagem do conhecimento aos primeiros babalaôs (sacerdotes). Em seguida, a escola contará como o Ifá chega a outras civilizações, além dos iorubás no território africano.

Na sequência, o desfile vai tratar da diáspora africana provocada pelo tráfico negreiro, e como se deu a resistência à exploração do trabalho escravo em Cuba. Um episódio retratado será a revolta de escravos em engenhos de cana de açúcar na província de Matanzas em 1843 (Revolta de Matanzas), liderada por uma mulher chamada Carlota Lacumí, descendente de iorubás que trouxeram a religiosidade do Ifá para as Américas.

O quarto setor do desfile da Tuiuti vai tratar de Adeshina Remigio Herrera, o primeiro babalaô (sacerdote) do Ifá em Cuba, também da província de Matanzas, que fica próxima à ponta oeste de Cuba.

Nesse “novo mundo”, a espiritualidade dos orixás vai interagir com a ancestralidade dos povos originários. “É um grande encontro” de onde e depois “vai florescer o Ifá Lucumí”, assinala o carnavalesco.

Na parte seguinte da apresentação, a escola apresentará elementos que compõem o culto religioso, como os locais de assentamento, os rituais sagrados (ebós), comidas e oferendas. “É bem parecido com o candomblé”, compara Jack Vasconcelos.

Babalaô assassinado

O desfile da Paraíso de Tuiuti se encerrará tratando da chegada do Ifá Lucumí ao Brasil, que se deu no início da década de 1990, com a vinda ao Rio de Janeiro do babalaô cubano Rafael Zamora Díaz (1959 – 2011), Awó de Orumilá Ogunda Keté (nome religioso). O babalaô que se estabeleceu no Rio foi assassinado a tiros quando chegava em casa no Cosme Velho, zona sul do Rio.

A Paraíso de Tuiuti foi fundada em 1952 por sambistas remanescentes das escolas de samba extintas Unidos do Tuiuti e Paraíso das Baianas, e do Bloco dos Brotinhos – todas agremiações da comunidade do Morro do Tuiuti, no bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro.

O melhor resultado da Paraíso de Tuiuti foi o vice-campeonato do Grupo Especial, em 2018, com o enredo Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?. Desde 2017, a escola de samba de cores azul e amarelo disputa initerruptamente na elite do carnaval carioca.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

Dólar cai para o menor valor em 21 meses, e bolsa bate recorde

Num dia de euforia no mercado financeiro, o dólar caiu para o menor nível em 21 meses e fechou abaixo de R$ 5,20. A bolsa de valores teve forte alta e bateu recorde, superando os 186 mil pontos.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (9) vendido a R$ 5,188, com queda de R$ 0,032 (-0,62%). A cotação caiu durante toda a sessão, chegando a R$ 5,17 por volta das 13h. A partir daí, investidores aproveitaram para comprar moeda barata, mas a moeda não deixou de operar em baixa.

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A moeda estadunidense está no menor nível desde 28 de maio de 2024, quando estava em R$ 5,15. A divisa acumula queda de 5,47% em 2026.

O mercado de ações teve um dia de ganhos. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 186.241 pontos, com alta de 1,8%. O indicador foi puxado por ações de bancos, de petroleiras e de mineradoras, setores com maior peso no índice.

A última vez em que o Ibovespa tinha batido recorde foi no último dia 3. A bolsa brasileira sobe 15,69% em 2026.

Recomendação da China

O dólar iniciou o pregão em queda frente ao real, acompanhando o movimento no mercado internacional. Possíveis intervenções para fortalecer o iene japonês e a repercussão de dados recentes da economia dos Estados Unidos contribuíram para a queda.

Os números do mercado de trabalho americano, divulgados na semana passada, vieram abaixo do esperado. Isso aumentou as chances de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) volte a reduzir os juros. Além disso, a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi fez o dólar recuar diante do iene.

O principal fator, no entanto, que pesou no mercado foi a recomendação do governo da China de que bancos privados reduzam a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O país asiático é o maior detentor de papéis estadunidenses e pretende diversificar as reservas internacionais.

Essa combinação de fatores fez o dólar cair e a bolsa subir. A moeda estadunidense também cedeu diante de divisas de outros países emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno. Esse ambiente mais favorável aos mercados emergentes, observado desde o início do ano, tende a persistir e pode continuar a beneficiar o câmbio brasileiro nos próximos meses.

* com informações da Reuters

Chuvas intensas no Rio de Janeiro levam ao acionamento da Marinha

Diante de condições climáticas extremas e de temporais que afetam o estado do Rio de Janeiro, a Marinha acionou pela primeira vez a Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais (Frida) do Corpo de Fuzileiros Navais. A operação foi empregada para apoiar o Norte Fluminense após fortes chuvas.

A Frida foi criada em dezembro passado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é trabalhar em coordenação com a Defesa Civil para reduzir os impactos causados por eventos extremos.

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A Frida atuou, no último sábado (7), nos municípios de Cantagalo e Porciúncula oferecendo apoio humanitário, com ênfase na retirada de detritos e recomposição das vias públicas, restabelecimento de acessos e suporte direto às comunidades isoladas.

Em Porciúncula, segundo a prefeitura da cidade, 1.090 moradores foram diretamente impactados pelo temporal no sábado.

Além do reforço da Marinha, a prefeitura diz que as equipes municipais atuam em ações emergenciais de limpeza, recuperação da infraestrutura e apoio às famílias afetadas. O Governo do Estado anunciou o envio de maquinários para apoio às operações e a análise de medidas voltadas ao atendimento das pessoas diretamente atingidas pelas enchentes.

Já Cantagalo está em situação de emergência desde o último dia 6, em razão dos danos causados pelas fortes chuvas, especialmente nos distritos de Euclidelândia e Boa Sorte.

A prefeitura da cidade informou que segue atuando de forma integrada, com apoio do Governo do Estado, priorizando a segurança da população e o atendimento às pessoas afetadas.

Uma das rotas afetadas no município foi RJ-152. Também no último dia 6, a prefeitura informou que foi feito um desvio na rota, liberando o fluxo apenas para veículos leves.

Atuação da Frida

De acordo com a Marinha, um grupo de 120 militares chegou ao Norte Fluminense, seis horas e 30 minutos depois de acionada, no sábado.

Em um primeiro momento, segundo a Marinha, foram empregadas 24 viaturas especializadas, tratores e retroescavadeiras, além de recursos tecnológicos avançados, como drones capazes de operar sob condições climáticas adversas em observação aérea de regiões afetadas.

A tropa ficará, alojada provisoriamente na Escola Municipal Elestar Caetano Mendes, na região de Euclidelândia, conforme informou a Marinha.

Previsão do tempo 

Praticamente todo o estado do Rio de Janeiro está em área de perigo, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). 

A previsão, até o fim desta terça-feira (10), é de chuva intensa, com volume entre 30 e 60 milímetros por hora (mm/h) ou 50 e 100 mm/dia e ventos intensos de 60 a 100 quilômetro por hora (km/h), com risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.

A orientação do instituto é, em caso de rajadas de vento, não se abrigar debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas e não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda.

Se possível, desligar aparelhos elétricos e quadro geral de energia. Ficar atento às informações oficiais e, em caso de necessidade, acionar Defesa Civil (telefone 199) e Corpo de Bombeiros (telefone 193).

*Colaborou Ana Cristina Campos 

Brasil capta US$ 4,5 bilhões em títulos no mercado internacional

O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira (9) o resultado da primeira emissão de títulos soberanos no mercado internacional em 2026.

A operação, realizada nos Estados Unidos, movimentou US$ 4,5 bilhões, com a emissão de um novo título de dez anos – o Global 2036 – e a reabertura do título Global 2056, de 30 anos de prazo.

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Com vencimento em 22 de maio de 2036, o Global 2036, foi emitido no valor de US$ 3,5 bilhões, volume recorde para papéis de dez anos do Tesouro Nacional, com juros de 6,4% ao ano, ou seja, pagando 6,4% ao ano aos investidores. Além disso, há um cupom de 6,25% ao ano a ser pago semestralmente, em maio e em novembro.

O título teve um spread 220 pontos-base (2,2 pontos percentuais) acima do título do Tesouro dos Estados Unidos. Tanto os juros como o spread funcionam como medida de risco dos papéis brasileiros no exterior. Quando mais baixo, menor as chances de o país dar calote na dívida pública externa.

Os juros foram maiores que na emissão anterior de títulos de dez anos, realizada em novembro. Na ocasião, o Tesouro obteve juros de 6,2% ao ano. Em relação ao spread, a diferença também foi maior que os 210,9 pontos (2,109 pontos percentuais) registrada em novembro.

Global 2056

Em relação ao papel de 30 anos, o Brasil captou US$ 1 bilhão com vencimento em 12 de janeiro de 2056. O papel pagará juros de 7,3% ao ano, cupom de 7,25% ao ano e spread de 245 pontos-base (2,45 pontos percentuais) sobre os papéis de 30 anos do Tesouro estadunidense.

Segundo o Tesouro, o spread foi o mais baixo para um título brasileiro de 30 anos no mercado internacional desde julho de 2014 (187,5 pontos-base). Na comparação com a emissão anterior do Global 2056, ocorrida em setembro do ano passado, tanto os juros como o spread caíram. Na ocasião, o Tesouro conseguiu juros de 7,5% ao ano e spread de 252,7 pontos.

Demanda

Segundo o Tesouro Nacional, a operação teve demanda 2,7 vezes superior ao volume ofertado, com o livro de ordens (que mede o interesse dos investidores) atingindo aproximadamente US$ 12 bilhões. Em relação ao Global 2036, o total captado foi o maior para títulos internacionais de dez anos desde o início das emissões no exterior pelo governo brasileiro.

“Os resultados com alta demanda, alto volume e spreads baixos evidenciam a confiança dos investidores na robustez e atratividade da dívida soberana brasileira, refletindo a percepção favorável do mercado internacional quanto à credibilidade do país”, destacou o Tesouro em nota.

A operação foi coordenada pelos bancos HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo. Os US$ 4,5 bilhões captados nesta segunda serão incorporados às reservas internacionais do Brasil em 19 de fevereiro.

Lula defende educação para o combate à violência contra mulher

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira (9) a educação como parte do compromisso de combate à violência contra a mulher, durante entrega de ambulâncias e assinatura de convênios nas áreas de educação e saúde na cidade de Mauá, no ABC paulista.

Lula ressaltou que o estudo impede os homens de perpetrarem violência de gênero e é elemento fundamental para emancipação das mulheres.

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“Uma mulher não pode morar com um homem por conta de um prato de comida, por conta de um aluguel. Não tem sentido isso”, afirmou.

Lula ainda fez discurso duro para adesão dos homens no combate à violência contra as mulheres, para que denunciem os casos, e afirmou que quem agredir será denunciado e que “antes de bater na mulher, vão bater a cabeça em uma parede”.

O presidente solicitou ao ministro da Educação, Camilo Santana, a inclusão no currículo escolar, da creche à universidade, de uma cultura de igualdade de gênero. 

Instituto Federal

No evento, o presidente assinou, junto com o ministro e outras autoridades, o investimento inicial para a compra do edifício que sediará unidade do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) em Mauá. O IFSP mais próximo fica na região norte da capital paulista, e é uma das referências no ensino técnico integrado ao ensino médio.

O convênio destina R$ 44,8 milhões para construção do IF de Mauá, com cerca de R$ 32 milhões para a aquisição da sede e outros R$ 10 milhões para compra de equipamentos e mobiliário, através do Novo PAC. O estado de São Paulo deve receber um total de 14 institutos federais de nível técnico, totalizando mais de R$ 515 milhões em investimento. 

A nova unidade atenderá cerca de 1.400 alunos, com previsão de início das atividades no primeiro semestre deste ano, com cursos de qualificação profissional de 40 horas.

Após esse período de adaptação, a unidade receberá cursos de controle e processos industriais (mecatrônica, fabricação mecânica, planejamento e controle da produção) e de informação e comunicação (informática).

O IFSP adquiriu o campus em dezembro de 2025 e iniciou as reformas no mês de janeiro deste ano.

O prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira, lembrou que a unidade é uma demanda dos moradores da cidade desde 2010, marcando mais qualidade e acesso de educação.

A cidade irá receber também uma policlínica, que atenderá ainda moradores de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A unidade será composta por sala de ultrassom, sala lilás (dedicada ao acolhimento a vítimas de violência), sala de tomografia, atenção integral à saúde mental, espaços para reabilitação e outros serviços. A policlínica integra o Programa Agora Tem Especialistas, focado na redução das filas e agilidade no acesso a consultas e exames especializados na rede pública.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que os equipamentos da policlínica, como tomógrafo, evita que a população tenha que procurar atendimento nos hospitais, deixando-os para os atendimentos de urgência e internação.

Desde a semana passada, a Carreta da Saúde tem realizado mais de 1.000 atendimentos em especialidades no município, com intuito de zerar a fila no prazo de um mês. Foi anunciada a entrega de 34 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para Mauá, e outros 30 veículos para Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e Diadema. O investimento federal na iniciativa é de R$ 10 milhões.

Está em construção em Mauá uma Unidade Básica de Saúde (UBS), financiada pelo Novo PAC Saúde, que terá quatro equipes de Saúde da Família e outras quatro de Saúde Bucal.

Investimentos 

Lula destacou a importância dos investimentos em todo o país, independente de qual seja o partido do governante.

“Quando a gente exerce um cargo político importante, a gente não tem direito de ser mesquinho, a gente não tem o direito de ser pequeno. Quando fui eleito, chamei os 27 governadores e pedi para dizerem quais as obras mais importantes, para a gente colocar no PAC. Depois, chamei os prefeitos e fizemos a mesma coisa. O que me importa é se a obra é importante, se vai fazer bem para o povo. Eu coloco dinheiro, é assim na minha cabeça”, afirmou o presidente, acrescentando que os políticos devem atender a população, mesmo fora do período eleitoral. 

CNJ recebe nova denúncia de importunação sexual contra ministro do STJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmou nesta segunda-feira (9) que recebeu uma nova denúncia de importunação sexual contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Segundo o CNJ, a suposta vítima foi ouvida pela corregedoria-nacional de Justiça, que abriu nova reclamação disciplinar para apurar a denúncia. O procedimento está em segredo de Justiça.

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Na semana passada, o conselho recebeu a primeira denúncia contra Marco Buzzi, de 68 anos. Uma jovem de 18 anos, que é filha de um casal de amigos do ministro, o acusa de tentar agarrá-la durante um banho de mar.

O episódio teria ocorrido no mês passado, quando o ministro, a jovem e seus pais passavam férias em Balneário Camboriú, litoral de Santa Catarina.

Diante da acusação, o STJ abriu uma sindicância para apurar o caso.  Em seguida, Buzzi apresentou um atestado médico e está afastado do trabalho por questões médicas.

Defesa

Em nota, os advogados Paulo Emílio Catta Pretta e Maria Fernanda Ávila negaram as acusações e disseram que ainda não tiveram acesso aos procedimentos abertos no CNJ.  

“O ministro Marco Buzzi não cometeu qualquer ato impróprio, como será possível demonstrar oportunamente no âmbitos dos procedimentos já instaurados”, afirmou a defesa.

Cármen Lúcia vota contra gratificação de desempenho a inativos do INSS

A ministra Cármen Lucia, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou contra o pagamento de gratificação por desempenho a servidores aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O voto da ministra foi proferido na última sexta-feira (6), durante a abertura do julgamento virtual que vai decidir se o pagamento da Gratificação de Desempenho de Atividade do Seguro Social (GDASS) vale para os inativos do órgão. A conclusão do julgamento está prevista para a próxima sexta-feira (13).

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O plenário virtual do Supremo julga um recurso do INSS para derrubar uma decisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro que reconheceu a paridade entre servidores ativos e inativos e garantiu a gratificação aos aposentados.

A discussão está em torno da Lei 13.324/2016, que aumentou a pontuação mínima de 30 para 70 pontos na avaliação de desempenho dos ativos, independentemente do resultado da avaliação.

Os magistrados federais aceitaram recurso de um servidor inativo e entenderam que a regra fixada na lei tornou a gratificação de natureza geral. Dessa forma, ela também é devida aos aposentados.

Após a decisão, o INSS recorreu ao Supremo. De acordo com o órgão, a gratificação não pode ser incorporada a aposentadorias e pensões.

Ao votar sobre a questão, a ministra Cármen Lúcia afirmou que alteração na pontuação de desempenho individual não autoriza o pagamento da gratificação a inativos.

A ministra também entendeu que os valores que já foram recebidos não precisam ser devolvidos.

“Tem-se que mera alteração do limite mínimo da Gratificação de Desempenho de Atividade do Seguro Social – GDASS, de 30 para 70 pontos, não confere natureza genérica, capaz de estender sua aplicabilidade aos servidores inativos. Assim, permanece inalterado o pressuposto essencial, qual seja, a realização das avaliações de desempenho individual e institucional”, afirmou a ministra.

O julgamento virtual está previsto para ser encerrado às 23h59 da próxima sexta-feira (13). Faltam os votos de dez ministros.

Caixa e MDS lançam microcrédito para integrantes no CadÚnico

O ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e a Caixa Econômica Federal lançaram hoje (9), na capital paulista, a oportunidade de microcrédito para famílias do Cadastro Único (CadÚnico), registro que permite ao governo saber quem são e como vivem as famílias de baixa renda no Brasil.

Ainda em fase piloto, o microcrédito vai funcionar de forma experimental por 90 dias, começando por São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e depois se estenderá para o resto do país. O empréstimo integra o programa Acredita no Primeiro Passo, que tem por objetivo combater a pobreza e a desigualdade por meio do trabalho, oferecendo crédito e qualificação para famílias de maior vulnerabilidade social.

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Os primeiros contratos foram assinados na tarde desta segunda-feira pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Wellington Dias, e o presidente da Caixa, Carlos Vieira.

“Não se trata só de um financiamento, é um crédito assistido. Tem o crédito, mas tem a assistência para o próprio negócio, como o negócio da beleza, da gastronomia, do pequeno comércio”, explicou o ministro, em entrevista à Agência Brasil. 

“Uma pessoa que quer um financiamento, mas o juro está alto, aqui ela terá uma condição de taxa adequada para o financiamento com a Caixa. Se ela quer [empreender], mas não tem um avalista ou não tem uma garantia, o presidente Lula criou um fundo garantidor”, acrescentou.

O foco do programa são mulheres, pessoas negras, jovens, pessoas com deficiência e de povos e comunidades tradicionais. O crédito varia entre R$ 500 e R$ 21 mil, com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O prazo varia entre 4 e 12 meses. 

“Nós estamos expandindo esses créditos de forma que essas pessoas consigam desenvolver suas atividades laborais. Esse é o grande propósito”, ressaltou o presidente da Caixa.

Algumas das pessoas que serão beneficiadas com o crédito são os ambulantes da Associação Guerreiros, que congrega ambulantes, feirantes e trabalhadores informais de São Paulo. 

Segundo a presidente da associação, Margarida Ramos, esse crédito deve ajudar os ambulantes principalmente no momento de compra de mercadorias.

“As pessoas querem investir em mercadoria ou obter algum crédito para momentos de necessidade”, disse. 

“Eu ficava preocupada porque eu via vários programas do governo para todos os tipos de trabalhadores, mas para o trabalhador informal ele não chegava. Esse programa caiu assim na hora certa”, acrescentou.

Educação financeira

Ainda nesta segunda-feira, o ministro lançou, na capital paulista, o Bate-Bola Financeiro, um jogo online de educação financeira, elaborado junto com a bandeira Visa, e voltado para inscritos no CadÚnico.

Nesse jogo, os participantes vão responder perguntas de situações do dia a dia sobre controle de gastos, organização do orçamento familiar e planejamento financeiro. A cada resposta correta, o time avança em campo e faz gol. Em caso de erro, o jogador perde a posse de bola, mas pode tentar novamente. 

O objetivo do jogo, ressalta o ministério, é que todas as pessoas possam aprender a lidar com dinheiro.

“Já trabalhamos com formação financeira desde 2023, mas a linguagem do futebol é um trunfo para democratizar esse conhecimento, com qualificação, apoio técnico e financiamento a esses empreendedores”, disse o ministro, durante o lançamento do jogo.

Gratuito e online, o jogo pode ser utilizado por pessoas de todas as idades, podendo ser acessado tanto do celular quanto do computador. 

“Ao levar esse conteúdo de forma lúdica para o público atendido pelo CadÚnico, contribuímos para que esse público desenvolva habilidades essenciais para tomar decisões financeiras mais conscientes ao longo da vida”, disse Rodrigo Cury, presidente da Visa do Brasil.

MP de Minas faz alerta sobre exposição de menores nas redes sociais

O Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público de Minas Gerais (Gaeciber/MPMG) alerta os pais para não publicarem fotos dos filhos com uniforme da escola. O órgão esclarece que a exposição da rotina das crianças em redes sociais deve ser evitada.

Informações como o nome da escola onde o menor estuda, os cursos que frequenta, podem ser úteis para bandidos que se dedicam a elaborar trotes de sequestro ou mesmo para aqueles que estão em busca de vítimas para sequestrar.

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O coordenador do Gaeciber, promotor de Justiça André Salles, disse nesta segunda-feira (9) à Agência Brasil que o alerta visa conscientizar pais e responsáveis sobre a gravidade do costume.

“A maioria dos crimes cometidos pela internet não é crime cibernético. Não é cometida mediante atitudes tecnológicas. Essa superexposição fornece mais detalhes da vida das pessoas”, explica o promotor.

De acordo com Salles, a chamada engenharia social é a mais famosa manipulação. “Essa exposição fornece informações preciosas aos criminosos, no sentido de que vão saber qual é a rotina, onde a criança estuda, para onde vai, os locais onde os pais vão estar em determinados horários”.

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Limites

André Salles sustentou que esse tipo de exposição deve ser evitado. As crianças devem obedecer a critérios nas redes sociais, atendendo a limites impostos pelos pais e responsáveis. E mesmo que postem fotos ou dados, os pais devem limitar quem terá acesso a essas informações.

“Porque essas informações são valiosas para bandidos quando vão elaborar seus golpes”.

O promotor advertiu que esses bandidos podem estabelecer uma relação de confiança, anunciando-se como outras pessoas, por exemplo um diretor de escola ou gerente de banco, de modo que a armadilha fica mais crível para a vítima do golpe que é armado a partir das próprias informações fornecidas nas redes sociais.

O MPMG tem feito campanhas para reduzir a exposição das pessoas nas redes sociais, principalmente de crianças e adolescentes, em relação a golpes e a crimes pessoais, como montagem de foto, que afetam vítimas de todas as idades.

O objetivo é conscientizar a população para aumentar o controle, “que deve ser reforçado”, e qual é o limite para divulgação do trabalho das pessoas na internet. “Qualquer informação serve como identidade”, alertou. O Gaeciber tem feito campanhas também para o público interno do MPMG, com a mesma finalidade de conscientização dos funcionários do órgão.

Uso responsável

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024 mostram que 94% dos brasileiros estão ligados à internet. É preciso, entretanto, que essa população se conscientize do uso responsável da internet, ponderou o promotor de Justiça. O Gaeciber está sempre realizando trabalho de prevenção e conscientização quanto aos cuidados e atenção referentes aos crimes nas redes sociais.

Foi criada recentemente uma “força tarefa para evitar golpes no pagamento do IPVA e também para falar de repressão, que tem obtido condenações”. No ano passado, a força tarefa obteve condenações superiores a 14 anos de prisão para autores de crimes sexuais e a mais de 12 anos para crimes de extorsão. “Isso demonstra que esses fatos são muito graves”, concluiu André Salles. 

CBF divulga datas e horários dos jogos da 1ª fase da Copa do Brasil

Os primeiros jogos da Copa do Brasil tiveram datas e horários definidos nesta segunda-feira (9) pela CBF. A fase inicial, de 17 a 19 de fevereiro, reunirá 28 dos 126 clubes participantes. A partida de abertura será entre Sampaio Corrêa-RJ e Desportiva Ferroviária-ES, em 17 de fevereiro (uma terça-feira), às 20h (horário de Brasília), em Saquarema.

A partir deste ano, a Copa do Brasil distribuirá duas vagas para a Copa Libertadores (campeão e vice). Da primeira à quarta fase, a competição terá em jogos únicos. Se houver empate nos 90 minutos da partida, a classificação se dará em disputa de pênaltis. As quatro fases restantes terão partidas de ida e volta. Pela primeira vez, a decisão do título da Copa do Brasil ocorrerá em embate único, programado para 6 de dezembro.

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A primeira fase do torneio reúne os clubes com menor pontuação no Ranking Nacional de Clubes (RNC), organizado pela CBF. Quem avançar, se junta a outros 74 times na segunda etapa, totalizando 88 equipes. A terceira etapa reunirá os 44 classificados na etapa anterior e também os campeões da Copa Verde (Paysandu), Copa Nordeste (o vice-campeão Confiança herdou a vaga do Bahia, vencedor), Série C (Ponte Preta) e Série D. Já a quarta fase  contará apenas com os 24 classificados na etapa anterior.

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Os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro (Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Bragantino, Mirassol, Atlético-MG, Cruzeiro, Internacional, Grêmio, Athletico-PR, Coritiba, Bahia, Vitória, Remo e Chapecoense) entrarão no torneio apenas na quinta fase, junto com os 12 classificados na quarta fase. 

Jogos – primeira fase da Copa do Brasil

17 DE FEVEREIRO (terça-feira)

20h I Sampaio Corrêa-RJ x Desportiva Ferroviária-ES – Estádio Lourival Gomes, em Saquarema, Rio de Janeiro.

18 DE FEVEREIRO (quarta)

16h – Porto-BA x Serra Branca-PB – Estádio Agnaldo Bento, em Porto Seguro, Bahia;

16h30 – Maguary-PE x Laguna-RN  – Estádio Artur Tavares de Melo, em Bonito, Pernambuco;

17h – Baré-RR x Madureira – Estádio Canarinho, em Boa Vista, Roraima;

19h30 – Araguaína-TO x Primavera-SP – Estádio Mirandão, em Araguaína, Tocantins;

20h – Gama-DF x Monte Roraima –  Estádio Valmir Bezerra, em Gama, Distrito Federal;

20h – Betim-MG x Piauí – Arena Urba­na, em Betim, Minas Gerais;

20h – América-SE x Tirol – Estádio Bastião, em Aracaju, Sergipe;

20h – Santa Catarina x IAPE-MA – Estádio Alfredo João Krieck, em Rio do Sul, Santa Catarina;

20h30 – Ji-Paraná-RO x Pantanal – Estádio Biancão, em Ji-Paraná, Rondônia;

20h30 – Ivinhema x Independente-AP – Estádio Saraivão, em Ivinhema, Minas Gerais;

21h – Galvez-AC x Guaporé-RO – Arena da Floresta, em Rio Branco, Acre

19 DE FEVEREIRO (quinta)

20h – Primavera-MT x Bragantino-PA – Estádio Cerradão, em Primavera do Leste, Mato Grosso;

21h – Vasco-AC x Velo Clube-SP – Arena da Floresta, em Rio Branco, Acre.

Rio pede mais 20 dias para enviar imagens da Operação Contenção ao STF

O governo do Rio de Janeiro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação do prazo para entregar à Polícia Federal (PF) as câmeras corporais e imagens capturadas durante a Operação Contenção, considerada a ação policial mais letal da história do país.

Na petição encaminhada ao Supremo, a procuradoria do estado pediu mais 20 dias úteis para entregar todo o material e permitir que a PF realize a perícia determinada pelo ministro. A solicitação foi enviada à Corte na última sexta-feira (6). 

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Segundo o governo estadual, o alargamento do prazo é necessário para reunir todo do material coletado.

“A determinação de envio de todas as câmeras e/ou imagens capturadas durante a Operação Contenção envolve elevado volume de dados audiovisuais, provenientes de diferentes órgãos estaduais, o que demanda procedimentos técnicos de consolidação, organização e verificação da integridade das informações”, justificou o governo.

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No dia 5 deste mês, Moraes deu prazo de 15 dias para que as imagens e as câmeras corporais utilizadas pelos policiais sejam entregues à PF, que deverá apresentar os laudos do trabalho realizado.

A operação foi deflagrada em outubro do ano passado pelas polícias civil e militar contra a facção criminosa Comando Vermelho e terminou com a morte de 122 pessoas, entre elas cinco policiais. 

A decisão do ministro foi tomada no processo conhecido como ADPF das Favelas – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635. Na ação, a Corte já determinou diversas medidas para redução da letalidade durante operações em comunidades do Rio de Janeiro.

Ministério Público de SP vai investigar superlotação em blocos de rua

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) anunciou nesta segunda-feira (9) que vai investigar a superlotação nos blocos de carnaval na Rua da Consolação, região central da capital paulista, neste domingo (8). A averiguação será por meio da Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital.

Dois megablocos, o da Skol, que tinha o DJ Calvin Harris como atração, e o Acadêmicos do Baixo Augusta, estavam programados para desfilar em horários distintos, mas atrasos fizeram com que acabassem se encontrando. Devido à grande quantidade de pessoas, houve muita confusão, tumulto e foliões sendo pressionados contra as grades de proteção.

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Segundo o Corpo de Bombeiros, 30 pessoas foram atendidas no local, sem necessidade de encaminhamento para prontos-socorros.

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A confusão fez a Prefeitura de São Paulo, por volta das 15h, acionar um plano de contingência para abrir as ruas paralelas à da Consolação.

Confira as informações sobre o carnaval em São Paulo no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Minha Casa, Minha Vida Entidades Urbanas recebe propostas até terça

As organizações sem fins lucrativos interessadas em participar do Programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades Urbanas (MCMV-Entidades) devem enviar, até esta terça-feira (10), as propostas habitacionais para famílias de baixa renda. O prazo é o mesmo para o envio de toda a documentação necessária.

As propostas devem ser apresentadas à Caixa Econômica Federal.

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A portaria do Ministério das Cidades (MCid) (nº 927/2025) especifica a meta de contratação da linha de atendimento subsidiada de 21.282 novas moradias em áreas urbanas, considerando todas as modalidades abaixo.
  • aquisição de terreno e elaboração de projeto de unidades novas;
  • produção de unidades novas;
  • aquisição de imóvel e elaboração de projeto de requalificação de imóveis (da União);
  • produção de unidades requalificadas.

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Quem pode participar

A seleção, lançada em 2025 pelo governo federal, é destinada a entidades organizadoras sem fins lucrativos habilitadas Ministério das Cidades, com pelo menos três anos de atuação comprovada na área de habitação.

O programa apoia a produção social da moradia e a participação da população como protagonista na solução de seus problemas habitacionais, estimulando a organização popular e a produção habitacional por autogestão.

Seleção

A seleção das propostas observará aspectos técnicos de desenvolvimento urbano, econômico, social e cultural, sustentabilidade, redução de vulnerabilidades e prevenção de riscos de desastres.

Também serão consideradas a elevação dos padrões de habitabilidade, de segurança socioambiental e de qualidade de vida da população que será beneficiada.

Em 24 de fevereiro, será divulgado o resultado provisório da habilitação e enquadramento das entidades.

O resultado final da seleção será publicado em 27 de março.

MCMV-Entidades

O Programa Minha Casa, Minha Vida ─ Entidades (MCMV-Entidades) é uma linha do programa federal voltada para famílias de baixa renda (Faixa 1 – até R$ 2.850 mensais) organizadas por entidades privadas sem fins lucrativos.

O limite máximo de ajuda financeira (subvenção) do governo brasileiro varia entre R$ 140 mil e R$ 170 mil para casa; e entre R$ 143,5 mil e R$ 180,5 mil para apartamentos.

Na Região Norte, os valores podem ainda ser acrescidos em 10%. O subsídio adicional se justifica pelos maiores custos de construção observados na região. Adicionalmente, os projetos de requalificação também podem ser acrescidos em até 40%.

Piloto preso por pedofilia pagava mães e avós para abusar de meninas

O piloto preso no Aeroporto de Congonhas nesta segunda-feira (9), suspeito da prática de pedofilia, é o líder de uma rede de exploração sexual de menores, segundo afirmou a polícia de São Paulo em entrevista coletiva nesta manhã.

“Esta é uma investigação que começou há três meses e tudo aponta que ele é o líder, o dono dessa rede de exploração e de pornografia infantil. Ele tinha contato com algumas das vítimas e as levava para motel, com RG de pessoas maiores de idade. Uma delas ele começou a abusar com 8 anos. Hoje ela já está com 12 anos”, contou a delegada Ivalda Aleixo.

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Na operação desta segunda, chamada de Apertem os Cintos, também foram presas duas mulheres. Uma delas é uma avó que “vendeu” três netas para o piloto. A outra é uma mãe que também cedeu sua filha ao criminoso. Essa mãe sabia dos abusos e ainda auxiliava o homem, mandando para fotos e vídeos da menina.

“Quando ele tinha contato físico com essas crianças, ele as estuprava. Uma delas está toda machucada. Ele bateu nela semana passada, em um motel”, revelou a delegada.

Para conseguir ter acesso às meninas, o criminoso usava diversos tipos de abordagem e uma delas era entrar em contato direto com as mães e avós das vítimas. Ele afirmava para essas pessoas que gostava de crianças especificamente, embora pudesse se relacionar com as mulheres para chegar às menores. Quando recebia fotos e vídeos de suas futuras vítimas, ele fazia pagamentos às responsáveis de R$ 30, R$ 50 e R$ 100. Ele também comprava medicamentos para a família, pagava aluguéis e chegou a comprar um aparelho de TV.

Até o momento, dez vítimas foram identificadas pela polícia mas, segundo os investigadores, há dezenas de outras que aparecem em fotos e vídeos no celular do piloto. A maior parte delas têm entre 12 e 13 anos.

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Prisão no aeroporto

Segundo a polícia, o suspeito foi preso dentro do avião no Aeroporto de Congonhas porque foi a maneira mais rápida de saber onde ele estaria. Devido à rotina de piloto, havia dificuldade de encontrá-lo em sua casa, que fica na cidade de Guararema, na Grande São Paulo. “Optamos por pedir a escala dele para a empresa e aí identificamos que faria um voo hoje. Ele já estava lá, dentro do avião”.

O homem afirmou à delegada que é casado pela segunda vez e tem filhos de seu primeiro casamento.  A atual esposa, uma psicóloga, foi até a delegacia onde está o homem e se mostrou horrorizada. Segundo a delegada Ivalda, ela não tinha conhecimento das práticas criminosas do marido.

A polícia continua investigando o caso e vai entrar em contato com as outras vítimas.

Equipes do SUS começam a receber vacina do Butantan contra a dengue

A partir desta segunda-feira (8), profissionais de saúde da atenção primária que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS) começam a receber a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.

Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início de dezembro, a Butantan-DV é o primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo. A vacina foi testada para ser aplicada em pessoas com idade de 12 a 59 anos.

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Em cerimônia na capital paulista, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a imunização abrange todas as equipes multiprofissionais de unidades básicas de saúde, incluindo agentes comunitários, enfermeiros, médicos e demais profissionais cadastrados.

O ministro e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também visitaram nesta manhã o Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD) do Instituto Butantan, em São Paulo.

“Um dia histórico. Não tenho dúvida nenhuma de que, hoje, nós estamos presenciando um marco histórico que vai colocar o Butantan entre os maiores complexos de inovação tecnológica e industrial do mundo”, disse Padilha.

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Para imunizar os profissionais em todo o país, o ministério adquiriu, ao todo, 3,9 milhões de doses.

“Diferentemente de outros grandes complexos econômicos, tecnológicos e industriais, esse aqui [o Instituto Butantan] é 100% SUS”.

“Cada vacina, cada medicamento, cada tecnologia, cada inovação que vai vir com a terapia celular vai tratar as pessoas no Brasil. E, cada vez mais, vai tratar no mundo, com um único interesse: salvar vidas e não só obter lucro a partir daquilo que produz”, completou.

 

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e ministro da Saúde, Alexandre Padilha (esq), durante visita ao Centro de Produção de Vacina contra a Dengue (PVD) do Instituto Butantan. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Vacina eficaz

A vacina utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado, presente em outros imunizantes em uso no Brasil e no mundo, como a vacina tríplice viral, a vacina contra a febre amarela, a vacina oral contra a poliomielite e algumas vacinas contra a gripe. 

De acordo com a avaliação técnica da Anvisa, a Butantan-DV apresentou eficácia global de 74,7% contra dengue sintomática na população de 12 a 59 anos. Isso significa que, em 74% dos casos, a doença foi evitada por conta da vacina.

A dose também demonstrou 89% de proteção contra formas graves da doença e contra formas de dengue com sinais de alarme, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases.

Em janeiro, o Instituto Butantan publicou ainda uma pesquisa na revista científica The Lancet Regional Health – Americas que demonstrava que a vacina poderá ajudar a reduzir a carga viral ─  a quantidade de vírus ─ em pessoas infectadas pelo patógeno, o que previne o agravemento da doença.

Segundo a pesquisa, apesar de algumas pessoas terem sido infectadas após a vacinação, a carga viral nos vacinados foi consideravelmente menor do que em participantes não imunizados.

Isso, conforme avaliaram os pesquisadores, demonstrou a eficácia da vacina em induzir resposta imune e diminuir a replicação do vírus nas células.

Ministério da Pesca cancela mais de 76 mil licenças de pescadores

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) oficializou o cancelamento de 76.665 licenças de pescadores e pescadoras profissionais de todo o Brasil. Publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (9), a punição atinge parte dos 167.445 registros suspensos entre o fim de setembro e dezembro do ano passado.

A decisão baseia-se no artigo 26 da Portaria MPA 127, de 2023, que estabelece as normas, os critérios e os procedimentos administrativos para o Registro Geral da Atividade Pesqueira e a concessão da Licença de Pescador e Pescadora Profissional. Considerado o principal marco regulatório do setor, a portaria prevê a anulação definitiva do registro quando o profissional não resolve pendências que levaram à suspensão prévia da licença.

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Quem tem licença cancelada perde o direito de exercer a pesca com fins comerciais e o acesso a benefícios vinculados ao Registro Geral da Atividade Pesqueira, como o seguro-defeso. De acordo com o texto da Portaria 127, o ministério pode cancelar as licenças concedidas a pessoas que tenham morrido ou que não comprovem, no tempo exigido, que exercem a pesca com fins comerciais.

A licença também pode ser cassada por decisão judicial ou a pedido de órgãos fiscalizados e de controle, após o devido processo administrativo. Entre os motivos para a penalidade administrativa estão a falta de manutenção anual do cadastro e a não entrega do Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP).

A relação das licenças canceladas, por Unidade da Federação, será disponibilizada no sítio eletrônico oficial do Ministério da Pesca e Aquicultura, na aba Pescador e Pescadora Profissional. Segundo a pasta, ao contrário do que prevê a Portaria MPA 127, o cancelamento não comporta recursos, pois estas pessoas não recorreram da anterior suspensão.

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Transparência

Os 76.665 novos cancelamentos se somam a mais de 300 licenças cassadas em 2025 por falta de recadastramento obrigatório e a outras 7,9 mil extintas devido à morte dos titulares. Segundo o ministério, desde 2023, técnicos da pasta atuam em parceria com a Polícia Federal para investigar e resolver problemas com acessos irregulares e fraudes nos sistemas de registro e monitoramento. Com base nisto, a Justiça autorizou o cumprimento de vários mandados de busca e apreensão em todo o território nacional.

Em setembro, quando o ministério anunciou a suspensão de 131.695 licenças, a secretária nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, Carolina Dória, destacou que a parceria entre órgãos federais busca garantir a transparência no processo de emissão do registro e das licenças.

“Essa decisão é fundamental para proteger a política pública pesqueira de fraudes e golpes. Nosso compromisso é assegurar que o Registro Geral da Atividade Pesqueira seja transparente e reflita, de fato, os direitos de quem vive da pesca. Trabalhamos lado a lado com a PF e com os órgãos de controle para que os profissionais tenham a segurança de que suas licenças são legítimas e respeitadas”, afirmou Carolina.

Polícia prende piloto suspeito de participar de rede de pedofilia

A 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), está nas ruas de São Paulo, com a operação Apertem os Cintos, desde a manhã desta segunda-feira (9), e prendeu, dentro de um avião, no Aeroporto de Congonhas, um piloto suspeito de participar de uma rede de exploração de pornografia infantil e estupro de vulnerável.

Segundo as autoridades, o homem, que tem 60 anos deidade, é suspeito de participar desse grupo há, pelo menos, oito anos.

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Uma mulher de 55 anos também foi presa. Ela é suspeita de “vender” ao piloto as netas de 10, 12 e 14 anos. Segundo a polícia, as meninas foram submetidas a graves situações de abuso e exploração sexual.

A operação cumpre oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Guararema, na região metropolitana da capital, contra quatro investigados, e também duas prisões temporárias, do piloto e da mulher. 

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A polícia investiga, com 32 homens e 14 viaturas, também os crimes de favorecimento à prostituição, uso de documento falso, stalking, aliciamento de crianças, coação no curso do processo e produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infanto-juvenil.

Final do futebol americano vira festa multicultural pró-imigrantes

O Super Bowl, final do campeonato de futebol americano, que aconteceu na noite deste domingo (8), na cidade de Santa Clara (Califórnia), virou uma festa multicultural pró-imigrantes a favor de países latino-americanos e teve forte conteúdo anti-Trump.

A partida entre o Seattle Seahawks e o New England Patriots acabou quase sendo um detalhe no meio de todo o evento. A escolha do cantor porto-riquenho Bad Bunny, que faz muito sucesso no mundo todo atualmente, anunciado há alguns meses, desagradou o presidente Donald Trump, que se manifestou contrário à presença do artista no Super Bowl. A apresentação de Bunny foi marcada pelo orgulho latino-americano e pelo apoio aos imigrantes que vivem nos Estados Unidos.

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Mas o tom crítico à política anti-imigração do atual governo norte-americano começou cedo. Antes do início da partida, a banda Green Day, abertamente anti-trump, se apresentou e tocou alguns de seus maiores hits, incluindo American Idiot. O vocalista Billie Joel Armstrong não citou nominalmente o presidente americano, como já fez em shows recentes, mas a presença do grupo punk no evento também pode ser considerado um recado a Trump.

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Bad Bunny

A apresentação de Bad Bunny, no intervalo da partida, foi histórica, principalmente por causa da política anti-imigração do governo norte-americano e da forte atuação do ICE, polícia que atual contra imigrantes ilegais e que vem cometendo grandes abusos e até mortes.

O artista fez um show totalmente político e multi-cultural, enaltecendo todas as nações latino-americanas e a importância que têm dentro dos EUA.

Bunny não citou diretamente Trump ou o ICE, mas todo o show trouxe o orgulho latino para o centro do Levi’s Stadium. Com todas as músicas e todas as suas falas em espanhol, o artista foi rodeado por um cenário que reproduzia uma plantação de cana-de-açucar, que já foi uma cultura forte em Porto Rico e ainda é em vários outros da região.

Elementos culturais latinos foram surgindo conforme Bunny se movimentava pelo campo. A cantora Lady Gaga, convidada do astro da noite, surgiu cantando a música Die With a Smile, em inglês mesmo, só que numa versão em ritmo latino. Ricky Martin, também porto-riquenho, se juntou à festa. Ele cantou a música Lo Que Le Pasó a Hawaii, de Bunny, e que tem como tema a colonização predatória praticada pelos governos americanos.

A reação de Trump foi quase que imediata. Em sua rede social, a Truth Social, o presidente escreveu:

“O show do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido, é uma afronta à Grandeza da América, e não representa nossos padrões de Sucesso, Criatividade ou Excelência. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é nojenta, especialmente para crianças pequenas que estão assistindo por todos os Estados Unidos e no mundo. Este ‘show’ é apenas um ‘tapa na cara’ do nosso País, que estabelece novos padrões e recordes todos os dias, incluindo o melhor mercado de ações na história! Não há nada inspiracional nessa bagunça de show do intervalo, que terá ótimos reviews da mídia de fake news, porque eles não têm ideia do que está acontecendo no MUNDO REAL. E, aliás, a NFL deveria substituir imediatamente essa regra do pontapé inicial. FAÇA A AMÉRICA GRANDE DE NOVO! Presidente Donald J. Trump”.

Já próximo do final de sua apresentação, que durou 13 minutos, os dançarinos entraram portando bandeiras de todos os países do continente. Bad Bunny aparece segurando uma bola de futebol americano e diz “God Bless, America” e caminha com ela dizendo os nomes de todos os países da região, do Chile ao Canadá, passando por Brasil, Guatemala, Porto Rico e chegando aos Estados Unidos (e não América).

Ao final, Bunny mostra a bola para a câmera com a frase “Juntos somos a América” e diz, em espanhol, “continuamos aqui”.

Besa Me Mucho leva música latina às ladeiras do Morro da Providência

O bloco Besa Me Mucho ocupou, nesse domingo (8), as ladeiras do Morro da Providência, no centro do Rio, com um cortejo que misturou ritmos latino-americanos, batuques brasileiros e uma mensagem política de integração continental. A concentração ocorreu na escadaria da Rua Costa Barros, na esquina com a Ladeira do Livramento, reunindo moradores, músicos imigrantes e foliões de diferentes regiões da cidade.

Criado a partir de coletivos que já transitam há anos pelo território — como o Cortejinho RJ, nascido na própria Providência —, o Besa Me Mucho reafirma a ocupação cultural das ruas como gesto político. “A intensidade de fazer música latina nas vielas da Pequena África é resistência”, resumem os organizadores, ao destacar a relação histórica do bloco com a primeira favela do Brasil.

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Entre os foliões, o espanhol Andrés Martin, de 21 anos, que veio de Madrid para viver o seu primeiro carnaval carioca, disse que o bloco simboliza liberdade.
 O cineasta Rodrigo Freitas desfila no bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Todo mundo é livre para fazer o que quiser. O carnaval e a cultura latino-americana representam isso”, afirmou.

Para ele, o desfile também abriu espaço para refletir sobre a política migratória dos Estados Unidos. “A forma como os imigrantes estão sendo tratados, especialmente crianças, é levar o problema ao limite”, disse, ao comentar as políticas do governo de Donald Trump.

A bióloga venezuelana Salomé, integrante da banda do Besa Me Mucho e moradora do Brasil há sete anos e meio, destacou o caráter político do carnaval de rua.

“O carnaval é um movimento de resistência, de luta, de ocupar espaços de vida”, disse.

Para ela, a proposta do bloco dialoga diretamente com a ideia de pertencimento latino-americano. “O Brasil é a América Latina. Não entendo essa separação. As fronteiras são humanas, estão na nossa cabeça. Somos habitantes do planeta”, afirmou.

Segundo Salomé, a rua é o espaço central dessa disputa simbólica. “Uma coisa que amo no Rio é que a rua é das pessoas. É onde acontece a festa, o encontro. Temos que continuar ocupando esse espaço sempre”, completou.

Bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho desce ladeira do Morro da Providência – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

Professor de sociologia e músico do bloco, André Videira de Figueiredo ressaltou que o caráter político do Besa Me Mucho é indissociável de sua proposta musical.

“É um bloco de música latino-americana, e isso inclui a música brasileira. Entendemos que fazemos parte desse grande aglomerado político que é a América Latina”, disse.

Formado majoritariamente por imigrantes, o bloco, segundo ele, assume responsabilidade maior em momento de visibilidade como o carnaval. “Falar de uma América Latina livre, de uma ideia de América anterior à América do Norte, é uma tarefa que se impõe”, afirmou.

Para o editor Felipe Eugênio Santos e Silva, frequentador antigo do bloco, o Besa Me Mucho ajuda a romper a ideia de que o Brasil estaria à parte do continente.

“Existe uma ideia muito ruim de que o Brasil paira acima da América Latina. Isso é um erro imenso. O bloco ajuda a conectar a gente com a cultura dos nossos hermanos, com as músicas e com os modos de existir”, avaliou.

Na visão dele, a resistência cultural também produz consciência política. “É carnaval, é festa, mas cria uma identidade entre as pessoas. É uma antessala que nos politiza”, disse.

Imigração é tema do bloco latino tradicional do Rio, Bésame Mucho – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

O empresário carioca Michael Pinheiro também destacou o papel político do carnaval de rua. “O carnaval é o Brasil acontecendo de forma muito objetiva. Mostra para o mundo quem é o nosso povo”, afirmou. Para ele, trata-se de uma manifestação política “de ponta a ponta”. Imigração“Historicamente, o carnaval ensina o próprio povo, é uma ferramenta de comunicação da população com ela mesma”, disse.

Na avaliação do sociólogo Rodrigo Freitas, o desfile nas ladeiras da Providência reforça a identidade latino-americana.

“É um ato de resistência. Um bloco que acontece na ladeira conecta a gente com as ladeiras da América Latina e nos identifica como um povo que precisa resistir ao imperialismo”, afirmou.

Para ele, iniciativas como o Besa Me Mucho ajudam o Brasil a se reconhecer como parte do continente. “Somos latinos. Um bloco desses atualiza essa consciência”, acrescentou.

Bésame Mucho ocupa ladeiras do Morro da Providência, no centro do Rio – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

Serviço

Ao todo, 432 blocos estão autorizados a desfilar no carnaval de rua do Rio de Janeiro em 2026. A programação segue até o dia 22 de fevereiro e pode ser consultada no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial do carnaval de rua da cidade.

Mulheres bate-bolas, Brilhetes de Anchieta conquistam espaço na rua

O segredo mais bem guardado do grupo Brilhetes de Anchieta está perto de ser revelado. Falta menos de uma semana para a saída da turma de bate-bolas, de 38 meninas e mulheres, nesta sexta-feira (13), quando será conhecida em detalhes toda a indumentária do grupo. A fantasia foi preparada com a máxima discrição ao longo de seis meses.

Os bate-bolas são turmas de mascarados que usam fantasias temáticas ricas em cores e brincam o carnaval nas ruas do subúrbio do Rio de Janeiro. Parte indispensável da fantasia é a bola de borracha amarrada em um bastão.

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Eles se tornaram uma das principais expressões artísticas do carnaval. Bem diferente de antigamente, não assustam mais nem correm atrás de crianças, embora o som das bolas de borracha batendo no chão continue o mesmo.

Atualizando a tradição, quando o portão da garagem do quartel-general das brilhetes se abrir, ao som de fogos e muito funk, as bate-bolas desfilarão pela rua exibindo a fantasia do 13º ano.

Ali, estarão desde crianças de 3 anos até mulheres de 58 anos, com diversas ocupações: professora, cuidadora, técnica em enfermagem, bombeira, estudante, pesquisadora de instituições culturais, entre outras.

 

Turma de bate-bola feminino Brilhetes de Anchieta se prepara para o carnaval 2026, em Anchieta, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Segunda família

A produtora cultural e líder das brilhetes, Vanessa Amorim, fundou o grupo em 2013. Antes, ela desfilava como bate-bola na Turma do Brilho, do sogro, fundada em 1991 e hoje administrada pelo marido. Com o passar o tempo, contou, ela e outras mulheres decidiram disputar a rua.

“Eu sempre via as meninas ajudando [os companheiros], levando bandeira, olhando criança, e eles à frente. As mulheres ficavam sempre na posição de mãe e esposa e nunca como brincante”.  

 

Vanessa Amorim, produtora cultural e fundadora da turma de bate-bola feminino Brilhetes de Anchieta que se prepara para o carnaval 2026, em Anchieta, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O grupo tornou-se também uma forma de desenvolver laços. Alexandra Cunha, de 44 anos, mãe de três filhos, conta que as brilhetes se tornaram sua segunda família.

“É uma emoção grande fazer o que você vai vestir. Gliterar, pregar os lacres nas casacas, o buá…”, disse a dona de casa. “No dia da saída, com o bate-bola pronto, a gente chora de emoção”.

A estudante Ana Júlia Guimarães, de 17 anos, vai desfilar pela primeira vez, junto com a mãe.

“Quando eu era pequena, eu tinha muito medo de bate-bola, mas, há três anos, minha mãe entrou na turma e eu vim juntou”, contou.

A adolescente conta que trabalha com prazer no barracão. “O processo de montar as roupas, a saída, é uma experiência muito legal”.

Para a tão aguardada saída, equipes de som de bailes estão contratadas, e o grupo ainda põe para funcionar um bar, com a intenção de cobrir custos remanescentes.

Além de saírem em Anchieta, na zona norte do Rio, as Brilhetes e a Turma do Brilho, do marido de Vanessa, aparecem em bloquinhos do centro ou da zona sul do Rio, assim como prestigiam a saída de bate-bolas de outros bairros e cidades.

 

Turma de bate-bola feminino Brilhetes de Anchieta se prepara para o carnaval 2026, em Anchieta, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Homenagem a Conceição Evaristo

Em 2026, a turma de Anchieta homenageia a escritora mineira Conceição Evaristo, que completa 80 anos em novembro deste ano. Ela é autora de frases que inspiram as brilhetes ─ muitas delas, mulheres negras ─ como o lema “eles combinaram de nos matar, mas a gente combinamos de não morrer“.

A citação estampa uma camiseta do “kit” da turma (blusa, short e meia que usam por baixo da fantasia ou em eventos). Vanessa Amorim diz que a intenção era celebrar Conceição ainda em vida.

“Conceição é uma artista que escreve desde sempre e só recentemente foi notada”, destacou Vanessa.

“Ela é professora aposentada, sai de uma comunidade para o Rio, uma mulher negra cuja história precisa ser conhecida e reverenciada”, completa.

Em 2025, a turma homenageou  Marilyn Monroe, uma artista talentosa que acabou explorada como símbolo sexual. Em anos anteriores, trouxeram temas como a mãe natureza nas fantasias.

 

Barracão das Brilhetes, em Anchieta, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fantasias caprichadas

A cada ano, as Brilhetes de Anchieta investem em novos recursos, como luz de led e pinturas especiais para se destacar.

Em 2026, Vanessa revelou que a máscara, que cobre totalmente o rosto das integrantes, foi pintada à mão, cor por cor, um trabalho que levou semanas. A maior parte foi feita no quintal de sua casa, o barracão ou quartel-general das brilhetes, como é chamado.

 

Com fantasias feitas em casa e detalhes pintados à mão, Brilhetes de Anchieta se preparam para o carnaval 2026. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

É ali que ocorrem tanto as confraternizações e preparação das fantasias ao longo do ano quanto a saída. É aí que vestem o traje completo: macacão bufante e máscara que garantem o anonimato, casaca gliterada (coberta por purpurina), buá, bandeira, bexiga, meia, luva e sapato estilizados.

Para financiar as fantasias, a turma se compromete com pagamentos mensais. No caso das brilhetes, são dez prestações de R$ 150, sem contar itens importantes como o tênis e a essência por conta de cada uma.

O “cheirinho” de bate-bola é uma das marca da manifestação cultural e, este ano, o aroma das mulheres será o de morango. Uma fantasia de bate-bola pode custar entre R$ 1,5 mil e R$ 3mil.

 

Brilhetes aplicam essência na fantasia, elemento tradicional de bate-bolas do Rio de Janeiro. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Falta de reconhecimento

Os grupos de bate-bola são extremamente organizados, segundo a professora de Turismo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Caroline Bottino. Com a possibilidade de concorrer a editais públicos, eles precisaram se registrar para funcionar.

O apoio financeiro do Estado, no entanto, é aquém do necessário e bem menor que o investimento nas áreas turísticas e centrais do Rio, afirma Caroline, mesmo que o bate-bola tenha sido reconhecido como Patrimônio Cultural, em 2012.

Para a professora, os bate-bolas descentralizam o carnaval, por fazerem a festa no subúrbio, mas só existem devido à resistência de seus integrantes há gerações.

“É uma manifestação cultural muito forte do subúrbio, como as escolas de samba, que estão nas comunidades periféricas”, destacou.

Entretanto, para a especialista, a falta de apoio aos bate-bolas “escancara a segregação de investimentos na festa”.

 

Brilhetes vestem meias; fantasias das bate-bolas têm várias camadas e cobre todo o corpo Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“O carnaval do Rio tem endereço certo e cada vez mais ele é projetado para atrair o turismo”, criticou.

Este ano, os bate-bolas pediram que a prefeitura aceitasse inscrições remotas para o concurso anual de fantasias, que será na Terça-Feira de Carnaval (17), no centro. Até hoje, é preciso que representantes enviem um responsável presencialmente, pela manhã, para inscrever os grupos na competição, o que inviável para muitas turmas que vivem distante.

“Para a gente, é muito difícil, porque, daqui, saímos de trem, e isso pode demorar 1h, 1h20. É muito complicado ir até lá e depois voltar para pegar a fantasia. É longe”, explicou Vanessa Amorim, que quer participar.

 

Turma de bate-bola feminino Brilhetes de Anchieta se prepara para o carnaval 2026 em rua de Anchieta, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Fizemos uma fantasia de muita qualidade e queremos poder exibi-lá e ter reconhecimento”, disse.

A Riotur, braço da prefeitura que organiza o carnaval, procurada pela Agência Brasil, não forneceu informações atualizadas sobre a competição e não comentou as críticas sobre a centralização de investimentos até o fechamento desta reportagem.

Jornada de Carolina Maria de Jesus será contada pela Unidos da Tijuca

A menina Bitita é quem vai abrir o desfile da Unidos da Tijuca em 2026, para contar, desde o começo, a vida da escritora, cantora, compositora e poeta brasileira Carolina Maria de Jesus. Na língua changana ou xichangana, de Moçambique, Bitita significa panela de barro de cor ocre ou preta, representando resistência e ancestralidade.

A escritora recebeu esse apelido do avô Benedito, no início do século passado, e essa será apenas uma de “outras diversas Carolinas” que vão passar pela Sapucaí para contar a trajetória da autora consagrada, como “a doméstica”, “a grávida”, “a louca do Canindé”, “a catadora”, “a escritora”, “a marionete” e “a do carnaval”.

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“É um enredo bem biográfico. A história se desenvolve cronologicamente”, pontuou o carnavalesco Edson Pereira em entrevista à Agência Brasil. “O que a Tijuca faz é colocar a Carolina no palco”.

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Apesar da grandeza que tem, argumenta o carnavalesco, sua história é pouco divulgada e, por isso, precisa ser contada.

“A gente vive em um momento, não só do país, mas da cultura do nosso país, em que a gente precisa acender a luz daqueles que foram apagados pela nossa história. A Carolina representa muito bem a força da mulher”, afirmou.

 

Edson Pereira, carnavalesco da Unidos da Tijuca, fala sobre o enredo do desfile de 2026 da escola que vai homenagear a escritora Carolina Maria de Jesus. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil 

Apagamento e força

Foi o avô alforriado e contador de histórias que influenciou Carolina a criar as suas histórias, assim como com as mulheres da família.

“Ela aprendeu os segredos que só o tempo revela no encanto do falar e do ouvir; e, nas barras das saias de sua mãe, tias e madrinhas, se entrelaçou ao poder das coisas ditas, ao espírito desconhecido das letras e palavras, aquelas às quais ela desejava conhecer”, traz a sinopse da Tijuca, texto no qual as escolas explicam o enredo que vão apresentar nos desfiles.

Carolina Maria de Jesus nasceu em 14 de março de 1914, em uma comunidade rural da cidade de Sacramento, em Minas Gerais. Os sonhos de deixar o interior a levaram para São Paulo. A mudança não resultou no que esperava e foi o começo de muitas adversidades. Sob muito preconceito, lutou até se tornar escritora. 

“A história da Carolina enquanto escritora que foi apagada é algo que nos fascina não pelo apagamento, mas pelo empoderamento dela. A Carolina enquanto mulher, enquanto preta, enquanto resistência”, comentou o carnavalesco, lamentando que atualmente os problemas são os mesmos. “É triste falar sobre isso, mas é uma realidade”.

Em São Paulo, ela foi morar na favela do Canindé. Foi lá que começou a relatar todos os preconceitos e histórias de feminicídios e viu que o desenvolvimento social não chegava aos pretos.

“Ela começa a se entender no lugar de opressão”, indicou Edson Pereira, acrescentando que Carolina sonhava também em ter comida no prato para alimentar os filhos. “É um carnaval de reconhecimento, de botar o dedo nas feridas”, relatou.

Edson adiantou que a terceira alegoria da Azul e Amarela da Tijuca é dedicada ao livro Quarto de Despejo – Diário de uma favelada, que se transformou em sucesso ao vender 10 mil exemplares na semana de lançamento, em 1960.

A obra, escrita a partir de anotações que fazia em diários contando histórias de vizinhos, foi também traduzida para ao menos 14 idiomas e lançada em mais de quarenta países.

“É todo feito de papelão, de material alternativo”, descreveu o carnavalesco sobre a composição da alegoria, em uma referência ao tempo que a escritora era catadora e construiu sua casa com o dinheiro que ganhou vendendo papelão entre outros materiais.

 

Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, é considerada uma das mais importantes do país Foto: CCSP

Saúde mental

Botar toda esta história de pé para contar da forma como o carnavalesco idealizou não é uma tarefa fácil, e vem sendo realizada pela dupla de diretores de carnaval da Tijuca, Fernando Costa e Elisa Fernandes.

Embora seja o seu primeiro ano nesta função, Elisa não é uma desconhecida na Tijuca, onde já foi assessora de imprensa. A experiência no carnaval, no entanto, vai além dessas passagens. Até 2025, esteve por 10 anos na direção de alegorias da Portela.

Elisa disse que a nova missão é de muita responsabilidade, por ter que gerenciar o projeto, o barracão e a feitura de fantasias e alegorias. Apesar de já ter tido essa experiência na União de Jacarepaguá, ela agora tem a oportunidade de realizar o trabalho no Grupo Especial.

“A coisa cresce muito. O Grupo Especial é muito forte. É o maior espetáculo da Terra, mas, para mim, está sendo um grande prazer”, comentou.

Como método para melhorar as condições de trabalho dos profissionais que preparam o carnaval, Elisa trouxe uma novidade para os bastidores da Tijuca.

“Eu introduzi uma equipe de psicólogos. Hoje, os artistas da escola têm esse cuidado, porque eu acredito que alguns segmentos têm uma pressão muito grande”, contou,

Entre os que utilizam o serviço estão passistas, casal de mestre sala e porta-bandeira, responsáveis pelos ateliês e o setor administrativo da escola. De acordo com a diretora, é necessário ter esse momento de autocuidado, de parar tudo e prestar atenção em si mesmo, diante do trabalho para fazer tudo funcionar na avenida.

“Estou tentando convencer o presidente a fazer também. Ele ainda não fez, mas disse que vai fazer”, indicou.

Força da mulher

Elisa se orgulha de poder, no primeiro ano na função, ter pela frente um enredo em homenagem a Carolina Maria de Jesus. “Eu, como uma mulher negra, no primeiro ano na direção de carnaval, pegar um enredo desse é um presente até difícil de explicar. Estou me matando para fazer jus a essa possibilidade que me foi dada”.

“Carolina é muito importante. Ela inspira outras mulheres a serem o que elas quiserem, porque Carolina não era só escritora. Ela também era cantora e compositora, eu também sou cantora e compositora”, contou.

A escolha do enredo teve a sua participação, lembrou ela. Elisa chegou a defender o enredo diante do presidente da escola. “Fui incisiva. Eu falei ‘olha esse é o melhor que nós temos. Acredito que esse é um enredo que vai fazer a diferença, porque Carolina é muito grande”.

Para a diretora de carnaval, a escritora representa a força de todas as mulheres e também sua versatilidade.

“Acredito nessa coisa de multitarefa da mulher. A sociedade exige de nós essa polivalência. Somos seres polivalentes por nós mesmas. Nós somos sementes da Carolina. A gente só está continuando o trabalho dela e tendo a oportunidade de homenagear uma mulher que já deveria ter sido homenageada há muito tempo”.

Conheça os enredos e a ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Unidos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

Socialista Antônio Seguro é eleito presidente de Portugal

O socialista Antônio José Seguro foi eleito hoje (8) novo presidente de Portugal, ultrapassando a barreira de 3 milhões de votos. Ele derrotou o candidato da extrema-direita André Ventura, no segundo turno das eleições portuguesas. 

Com mais de 11 milhões de cidadãos aptos a votar, Seguro tinha conseguido, até as 21h30 (horário local), mais de 3,3 milhões de votos. Seu adversário, André Ventura, tinha obtido 1,6 milhão de votos, e a abstenção estava próxima dos 50%.

Apenas outras quatro vezes desde 1976 um presidente da República foi eleito com mais de 3 milhões de votos no país, sendo Mário Soares o único a consegui-lo por duas vezes. Na primeira eleição, em 1986, as únicas até hoje a terem um segundo turno, o histórico líder socialista obteve 3.010.756 de votos (51,18%) frente a Freitas do Amaral. Na reeleição, em 1991, 3.459.521 eleitores votaram em Soares, que venceu com expressivos 70,35%, uma percentagem que ainda hoje figura como a maior já registrada nas eleições portuguesas.

Antônio Ramalho Eanes também foi reeleito com mais de 3 milhões de votos (3.262.520, ou 56,44%) em 1980, enquanto Jorge Sampaio recebeu 3.035.056 milhões de votos (53,91%) na sua primeira eleição, em 1996.

Esta foi a 11ª vez que os portugueses foram às urnas escolher o presidente da República durante períodos democráticos, desde 1976.

Eleito em 2016, o atual residente de Portugal é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.

Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

 

*Com informações da Agência Lusa