Política brasileira não enxerga ciência como solução, diz pesquisadora

A linha de crescimento econômico dos países do Brics se assemelha bastante à trajetória de crescimento científico. Em 2024, pesquisadores do bloco produziram 41% das publicações científicas do mundo, superando a proporção dos países do G7.

Apesar disso, a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, teme que o Brasil esteja ficando para trás, em comparação com os outros países do bloco, especialmente os asiáticos.

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Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, após a realização do Fórum de Academias de Ciências do BRICS, a biomédica e professora universitária defendeu maiores investimentos em ciência e tecnologia e maior cooperação entre os Brasil e os países do grupo.

Agência Brasil: Na sua fala aos participantes do encontro, a senhora disse que é preciso agir e não apenas assinar mais um documento. Como fazer isso?

Helena Nader: O problema é que a maioria dos países dos Brics, tirando a China e a Índia, que têm um investimento pesado na área de ciência, ainda não acordaram pra essa realidade. A gente já mudou muito, já melhorou muito a condição de vida no Brasil. E isso foi pela ciência, muita ciência… Mas a sociedade ainda não percebeu isso. E o governo também não percebeu isso. Nós vamos entregar o nosso comunicado aos chefes de Estado dos países do Brics, vai ter a reunião dos Brics aqui no Rio de Janeiro, os governos vão assinar mais um acordo e depois vão fazer o que com esse acordo? É isso que eu me pergunto.

Agência Brasil: A senhora também disse que os países do Brics estão vivendo uma oportunidade única pela geopolítica…

Helena Nader: Sim. Eu estive na China durante quase 20 dias, percorrendo o país, e o que o presidente da China, Xi Jinping, tem feito? Eles têm um programa a cada 5 anos, e a ciência é o eixo central. Não é à toa que, na primeira vez em que eu fui para a China, em Pequim, não dava pra enxergar o céu, era tudo preto de fumaça, e hoje o céu é azul! Eu queria que São Paulo e o Rio fossem assim. E o Brasil pode decidir fazer isso. A gente tem que olhar com quem a gente está colaborando.

Agência Brasil: E o que falta para o Brasil tomar essa decisão?

Helena Nader: O Brasil não acredita em ciência. A política brasileira não acredita em ciência… Ela fala que isso que é importante, mas não acredita. Quando o Senado Federal colocou que o Ministério de Ciência e Tecnologia e todos os projetos de ciência nos outros ministérios não entrariam no arcabouço fiscal, a Câmara derrubou. Então, isso é a prova de que nós somos diferentes da China. Ela disse: “Eu quero ser o senhor do mundo, e, para isso, eu preciso de educação e ciência”. Eles já tinham uma tradição em educação, e agora eles têm laboratórios nacionais espalhados por toda a China, que é um país gigante. Aqui, está tudo concentrado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sabe quantos criomicroscópios tem na China? Mais de 120. Sabe quantos tem no Brasil? Funcionando, dois. E um terceiro vai ser instalado. Então, são opções.

Agência Brasil: Há um problema de financiamento também?

Helena Nader: Não tem financiamento científico. O único financiamento nosso é FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], mas o que sobra dele para a ciência, de fato, é uma microfatia. Então, nós não temos um projeto. O Brasil não quer ser grande. Eu já falei isso no Congresso Nacional e insisto. Independentemente de quem é o governo, todos os ministros da fazenda, da economia, o nome que você quiser dar, a única ocupação é pagar a dívida.

Eu não esqueço uma frase do então ministro da economia do governo Bolsonaro [Paulo Guedes], que disse que o Brasil não precisa de ciência, porque, quando precisar, é só comprar a tecnologia. Agora, olha os países asiáticos. Eles acreditam em ciência. Olha a Coreia o que fez. Olha a produção científica da Malásia hoje! A academia deles foi criada em 1995. Vai ver o Vietnã como está. O Vietnã saiu de uma guerra, gente. Agora, no Brasil, a política brasileira não está enxergando que a ciência é a solução. Fui eu quem falou pela primeira vez essa frase, repeti várias vezes, tanto que todo mundo incorporou: “Ciência não é gasto, é investimento”. Mas no Brasil é visto como gasto, porque investimento é colocar dinheiro na bolsa de valores.

Agência Brasil: E em qual patamar a Ciência brasileira está hoje?

Helena Nader: A ciência brasileira é muito boa, mas a produção está caindo. E isso não só por falta de investimento, mas por falta de respeito. A carreira de docente acabou. Eu sou professora titular, aposentei por idade, com 75 anos. Fui pró-reitora de graduação, trabalhei a vida inteira com drogas químicas pesadas e radioativas. Na hora que eu me aposentei, tiraram tudo isso. Então, a carreira não é estimulante. Mas dizem que tem que encolher o Estado brasileiro. Quem é o estudante que vai querer se tornar pesquisador, com dedicação exclusiva, pra ganhar uma bolsa de R$2,1 mil reais?

Agência Brasil: E qual a expectativa de vocês a partir do encontro do Brics?

Helena Nader: O que a gente propõe é que os governos, as instituições multilaterais e organizações e os stakeholders da sociedade trabalhem juntos com a comunidade científica, para garantir que conhecimento, inovação e cooperação se tornem os pilares de um sul global revitalizado.

No ano passado, que nós sediamos o G20, eu vibrei, porque muitos pontos das nossas recomendações foram incorporados ao comunicado final dos chefes de Estado. Só que documentos não vão mudar a geopolitica. Documentos não vão melhorar a economia. O que vai melhorar a economia é educação e ciência. E, infelizmente, alguns países perceberam isso, mas outros não. Se você olhar a própria Arábia Saudita, que não quis assinar o documento, está investindo pesado em alternativas energéticas, em colaboração com a China, com a Rússia. O Brasil não pode ficar isolado.

Líderes chegam para a reunião de Cúpula do Brics no MAM

Os chefes de governo e representantes dos países que integram o Brics começaram a chegar, pouco antes das 9h30 deste domingo (6), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), para a 17ª reunião de cúpula do grupo. Depois do anfitrião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro líder a chegar foi o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi.

Até as 10h10, já haviam chegado também o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi; o primeiro-ministro egípcio, Mostafa Madbouly; o príncipe dos Emirados Árabes Unidos, Khalid Bin Mohamed Bin Zayed Al-Nahyan; o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa; e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov.

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O Brics tem, como membros permanentes, Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Irã, Indonésia, Egito, Etiópia e Emirados Árabes. Além disso, há dez nações parceiras: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.

Neste domingo e na segunda-feira (7), os líderes conversarão e farão discursos em sessões especiais. A primeira sessão, pela manhã, tratará de paz, segurança e reforma da governança global.

Estão previstas uma declaração conjunta dos líderes da cúpula e outras três declarações temáticas: sobre inteligência artificial, financiamento climático e doenças socialmente determinadas.

Federação de domésticas reivindica mesmos direitos para diaristas

A exclusão das diaristas da Lei Complementar 150, que regulamentou os direitos dos trabalhadores domésticos é uma violação à Convenção 189 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil é signatário. A avaliação é da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), entidade que defende uma revisão da lei brasileira, que completou dez anos, para que as diaristas tenham os direitos equiparados aos trabalhadores formais.

“A gente vem lutando pela equiparação de direitos das diaristas, porque a gente sabe que muitas pessoas trabalham um ou dois na semana, mas têm vínculo [empregatício], sim, embora o vínculo não seja reconhecido”, afirmou a coordenadora-geral da Fenatrad, Creuza Maria Oliveira.

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“Tem trabalhadora que, uma vez na semana, leva anos e anos na mesma casa, e a Lei 150, apesar dos avanços, não reconhece”, completa.

Segundo a federação, a lei brasileira discrimina a trabalhadora por diária, “fazendo dela uma ‘autônoma’ e jogando sobre a profissional as contribuições previdenciárias”. Creuza lembrou que outras categorias, como médicos e professores, trabalhando um ou dois dias na semana, têm o direito ao reconhecimento como empregados.

A Lei 150 garantiu jornada semanal de 44 horas, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), hora extra, adicional noturno e aviso prévio, por exemplo, somente às domésticas que trabalham pelo menos três dias na mesma casa, diferentemente do que determina a resolução da OIT. No normativo internacional, é empregado doméstico quem trabalha nas residências, independente de receber por dia ou mês.

Com a exclusão das diaristas da lei, em 2015, havia uma expectativa de que elas ganhassem salário maior que as mensalistas, lembrou a economista Cristina Vieceli do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No entanto, as pesquisas do órgão mostram que, em média, elas só conseguem trabalhar 24h por semana e ganham menos que R$ 1 mil. Essa realidade dificulta, inclusive, que elas façam a contribuição para a previdência por conta própria. Do total de domésticas no país, somente um terço pagava a Previdência Social em 2022, segundo o Dieese.

“Essa situação representa um desafio importante, considerando que as diaristas têm jornadas mais instáveis, e não vão, necessariamente, conseguir trabalhar todos os dias, o que faz com que elas tenham um salário mensal menor do que as mensalistas, e um vínculo mais precarizado no trabalho”, explicou Vieceli.

Também é comum essas trabalhadoras extrapolarem o limite da jornada, de 8 horas, e acabarem mais sujeitas a acidentes e lesões, embora não contem com a previdência social. Para a economista, o Brasil precisa resolver o impasse em relação à Convenção da OIT.  

A federação critica que, com a lei complementar, os patrões se eximiram dos encargos sociais das diaristas, sem que o Estado assumisse essa responsabilidade. “A diarista, se ela não tiver informação, se ela não tiver condições, ela vai chegar daqui a 30 anos sem aposentadoria, apesar de ter trabalhado, às vezes, por toda uma vida”, pontuou a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro, Maria Izabel Monteiro.

De 2013 para 2022, as diaristas passaram de 37,5% dos trabalhadores domésticos para 43,6%. As mensalistas, em outro sentido, diminuíram de 62,% para 56,4%.

Como exemplo da marginalização desse grupo, a Fenatrad lembra que “a falta de proteção social durante a pandemia empurrou milhões para a pobreza extrema”.

Sem direitos, a Fenatrad chama atenção para o perfil desse grupo: a maioria é de mulheres negras ─ sete em cada dez desses profissionais ─ que são chefes de famílias, sendo quatro em dez pobres ou extremamente pobres. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que investigou o perfil dos domésticos no país.

Trabalhadora domestica não é MEI

Outra preocupação da federação é com o registro de diaristas como Microempreendedora Individual (MEI), “um desvio da lei”, segundo a entidade, mas que vem sendo exigido por agências e plataformas que intermediam serviços.

A federação quer que o governo impeça o registro das diaristas como MEI e apresentou o pleito ao Ministério do Trabalho e Emprego. A legislação do MEI, no entanto, cabe a um conselho, do qual fazem parte vários ministérios, e ainda não há unanimidade sobre o que fazer, explicou a subsecretaria de Estudos da pasta, Paula Montagner.

“O MTE vem conversando com a Receita [Federal], com o Ministério da Micro e Pequena Empresa, explicando que, para ter uma aposentadoria, a trabalhadora doméstica precisa contribuir com mais de 5% (valor exigido pelo MEI)”, disse. “No entanto, há visões mais imediatistas, digamos, e não uma visão de médio e longo prazo para um sistema previdenciário mais seguro, embora o MTE conheça a realidade das diaristas e venham chamando atenção para a necessidade de adequações”.

Em agosto de 2024, segundo a Fenatrad, meio milhão de diaristas ou cuidadoras de idosos estavam cadastradas como MEI, sem direito aos benefícios da LC 150. O sindicato das domésticas no Rio apoia a campanha da Fenatrad esclarecendo que “trabalhadora doméstica não é empreendedora”.

“Se eu tenho o comprometimento de ir em uma residência durante todo o ano, uma ou duas vezes na semana, tem um vínculo”, frisou Monteiro.

“As trabalhadoras domésticas nos contam, aqui no sindicato, que as agências de emprego pedem para elas tiraram o MEI”, denunciou Maria Izabel. “Quando eu conheci as agências, antes, elas faziam a intermediação (entre patrão e empregada). Agora, para fugirem dos direitos trabalhistas, a agências, vamos dizer, induzem as trabalhadoras serem MEI para fazer um contrato. E, muitas, por falta de informação, na inocência, acabam aceitando e ficando sem direitos”, explicou a dirigente.

 

Maria Izabel Monteiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do município do Rio de Janeiro, na sede do sindicato Tânia Rêgo/Agência Brasil

A advogada Bruna Fernandes Marcondes, associada da organização não governamental Themis ─ Gênero, Justiça e Direitos Humanos, acrescentou que o MEI é uma solução intermediária para um problema que deve ser resolvido com a equiparação.

“Temos observado, atendendo às trabalhadoras, que os empregadores criam o cadastro no nome delas. Muitas não tomam nem conhecimento e [quando não pagam as taxas e descumprem regras] acumulam dívidas fiscais”, alertou. Bruna lembrou que a categoria é de mulheres maduras, acima de 30 anos, só com o ensino fundamental”.

“Precisamos lembrar que o nosso sistema de seguridade social é uma cooperação em três partes: quem emprega e usufruiu daquela mão de sobra, quem trabalha e contribui solidariamente não só para si, mas para os demais, e o Estado. Nessa conta [do MEI], a única parte que é poupada é o empregador”, destacou a advogada.

Diarista pode ter carteira assinada

Mesmo não sendo obrigatória, a LC 150 permite a assinatura da carteira das diaristas com salário proporcional às horas trabalhadas, em tempo parcial. O documento pode ter a assinatura de cada patrão disposto a conceder os benefícios trabalhistas, como férias e 13º, além de arcar com o FGTS dessas trabalhadoras. Em geral, os custos chegam a uma diária a mais por mês. Para pagar, é preciso cadastrar a diarista no E-Social e seguir o passo a passo do sistema por meio de uma conta Gov.Br.

Com a LC 150, as empregadas têm direito a receber aviso prévio, pagar indenização, garantir a estabilidade, no caso de empregada gestante, descanso semanal remunerado, entre outros direitos previstos aos trabalhadores formais. A exceção são o abono salarial, pago para quem ganha até dois salários-mínimos, e as cinco parcelas do seguro-desemprego. Os domésticos só podem sacar três e o teto é menor.

Mega-Sena acumula e prêmio principal vai para R$ 28 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.884 da Mega-Sena, realizado neste sábado (5). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 28 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 05 – 31- 34 – 37 – 52 – 56

  • 87 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ R$ 26.769,73 cada
  • 3.427  apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ R$ 970,84 cada

Apostas

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Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de terça-feira (8), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 5.

A partir da próxima quarta-feira (9), as apostas da Mega-Sena passarão a custar R$ 6. Segundo a Caixa, a atualização tem como objetivo manter a sustentabilidade das modalidades, ampliar os valores das premiações e aumentar os repasses sociais.

 

*Título corrigido às 10h48

Mesmo sem consenso no Brics, Rússia defende alternativa ao dólar

O ministro de finanças da Rússia, Anton Siluanov, disse neste sábado (5) que, mesmo sem consenso de todos os membros do Brics, o país vai manter os planos de criar um sistema de pagamento alternativo ao dólar nas transações internacionais.

Siluanov afirmou que os mecanismos podem funcionar mesmo que envolvam formatos bilaterais ou trilaterais.

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“Está em discussão é a criação de uma nova plataforma de investimentos. Até o momento, os membros do BRICS não chegaram a um acordo completo sobre isso. Mas é uma discussão em andamento. Vamos seguir esse caminho com os países interessados. Não é necessário que alcancemos um consenso na tomada de certas decisões financeiras”, disse o ministro.

“Existe a possibilidade de que as compras de títulos entre dois ou três países possa ser resolvida sem um consenso. Esses mecanismos seriam lançados e novos membros se juntariam a eles. Então, o trabalho está em andamento. Em algumas questões, mais rápido, em outras, um pouco mais lento”, complementou.

A declaração final do encontro de ministros de finanças e de diretores dos bancos centrais do Brics separou apenas um tópico sobre o tema. No documento, é dito que há progresso “na identificação de possíveis caminhos para apoiar a continuação das discussões sobre o potencial para uma maior interoperabilidade dos sistemas de pagamentos”.

Não há, portanto, nenhuma menção a acordo sobre como seriam esses sistemas alternativos. Apenas é dito que o relatório técnico produzido sobre tema “reflete as preferências reveladas pelos membros e deve desempenhar um papel fundamental em nossos esforços para facilitar pagamentos transfronteiriços rápidos, de baixo custo, mais acessíveis, eficientes, transparentes e seguros entre os países do Brics”.

Resseguro e riscos

Outro tema que foi destacado pelo ministro de finanças russo durante coletiva de imprensa foi a criação de um mecanismo de garantia baseado no Novo Banco de Desenvolvimento (NDB). Os países membros pretendem estabelecer uma iniciativa chamada de Garantias Multilaterais do Brics (GMB), para mobilizar investimentos privados em infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Com isso, a expectativa é oferecer instrumentos para reduzir o risco de investimentos estratégicos e melhorar a credibilidade no Brics e no Sul Global. Uma iniciativa piloto está prevista para ser desenvolvida ainda em 2025.

A criação de uma resseguradora do grupo, vinculada ao NDB, é vista como medida estratégica pelo grupo.

“Embora o volume de transporte e o volume de comércio entre nossos países cresçam a cada ano, há a necessidade de criar uma seguradora independente. Já propusemos mecanismos específicos para a criação de uma resseguradora, por analogia com as atividades bancárias de uma organização internacional desse tipo, visto que vemos que a capacidade de seguros para atingir esse objetivo não é suficiente. E as principais seguradoras são empresas de países ocidentais”, disse Siluanov.

“Propomos preencher esse vácuo para ressegurar diferentes riscos, como riscos logísticos, riscos relacionados à construção e riscos relacionados ao clima. Isso foi discutido por muitos participantes hoje e preferimos que esta organização seja constituída como uma organização internacional com capital próprio que será integralizado pelos países interessados, e que esta empresa ressegurará os riscos das empresas que trabalham nos países-membros”, complementou.

Venezuelanos pedem ao conselho do Brics apoio para integrar bloco

Os movimentos sociais da Venezuela formalizaram hoje (5) pedido de participação nos Brics e no Conselho Popular do bloco, formado por organizações sociais dos países membros. O pedido foi formalizado por meio de uma carta entregue ao próprio conselho, durante a primeira reunião presencial da organização, no Rio de Janeiro.

A entrada da Venezuela no Brics foi rejeitada em 2024, na reunião de cúpula da Rússia, que também reconheceu o Conselho Popular como parte da instituição. A rejeição da Venezuela, à época, gerou tensão entre Brasília e Caracas.

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O pedido de participação foi entregue pela deputada venezuelana Blanca Eekhout que é também presidenta do Instituto Simón Bolívar de Amizade com os Povos.

“Como este conselho é justamente o Conselho Popular dos Brics, é o desejo dos movimentos populares venezuelanos participar” disse Blanca.Ela explicou que a carta entregue ao conselho é a expressão da vontade dos movimentos sociais, como os movimentos de mulheres, conselhos comunitários e dos povos originários. “O Brics é um mundo novo, multipolar, pluricêntrico, que a Venezuela aposta desde o início”, completou, à Agência Brasil.

 

Ao lado dela, o representante do Movimento Indígena Unido de Venezuela (MIUVEN), Cesar Carias, apresentou o pedido de entrada da Venezuela no Brics “Agradecemos o convite para estar aqui [no evento do conselho], mas, ao mesmo tempo, com muito respeito, solicitamos que seja eliminado o veto imposto ao nosso país e que a nossa voz não seja calada”, reivindicou.

“Os povos indígenas e os movimentos sociais da Venezuela querem ser incluídos no Brics. Esta é nossa solicitação a este conselho”, completou o líder, ao pedir apoio.

 

No ano passado, o Brasil justificou o veto à entrada da Venezuela no Brics argumentando pouca transparência nas eleições presidenciais do país vizinho. Por outro lado, a Rússia e a China apoiaram o aliado político na América do Sul e, na avaliação de especialistas ouvidos pela Agência Brasil, a adesão do país ao bloco é apenas uma questão de tempo.

Apoiando a Venezuela, mas sem citar o país expressamente, o documento final do Conselho Popular, que será apresentado à cúpula do bloco, domingo (6), pedirá a ampliação dos membros plenos do Brics na América Latina. Hoje, só há o Brasil. Cuba e Bolívia são considerados parceiros. A Argentina, convidada em 2024, sob a presidência de Javier Milei, recusou o ingresso.

Sul Global

Na visão de João Pedro Stédile, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e do Alba Movimentos, que articula cerca de 400 organizações em 25 países, o veto do Brasil à Venezuela foi uma surpresa. “Como postura de todo o conselho, a nossa posição é propor à cúpula a ampliação máxima do número de países. Aqui mesmo, na América Latina, o presidente [Luiz Inácio] Lula [da Silva] já convidou a Colômbia, convidou México, convidou Uruguai, convidou o Chile. Então, não tem sentido excluir a Venezuela, não há motivo”, declarou.

O economista e coordenador do MST tem defendido que, para ganhar força, o Brics precisa crescer no Sul Global.

“Para nós, não basta só a Venezuela, é preciso incluir o maior número possível de países da América Latina, da África, da Ásia, enfim, do Sul Global, porque quanto mais países nós tivermos dos Brics, mais força o Brics terá para se contrapor na atual crise do imperialismo e dos Estados Unidos”, concluiu.

 

Uma das principais propostas do bloco fundado por Brasil, Rússia, Índia e China é um sistema alternativo que não use o dólar como moeda de referências nas negociações globais

O Conselho Popular dos Brics foi criado e reconhecido na Declaração de Kazan, em 2024. A partir da iniciativa, foram formados conselhos nos países membros, com a intenção de fomentar a participação da sociedade civil nas pautas estratégicas. No Brasil, a construção do conselho popular envolveu movimentos socais, sindicatos, ongs e pesquisadores.

Movimentos sociais do Brics finalizam propostas para chefes de Estado

Terminou neste sábado (5), no Rio de Janeiro, a primeira sessão especial do Conselho Popular do Brics, um fórum que reúne representantes da sociedade civil organizada dos países-membros do grupo presidido até o fim do ano pelo Brasil.

Instituições como movimentos sociais, organizações não governamentais, sindicatos e representantes de universidades prepararam um caderno de recomendações que será entregue aos chefes de Estado e de governo do Brics. A reunião de cúpula ocorre no domingo (6) e na segunda-feira (7), também no Rio de Janeiro.

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O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, esteve na abertura do conselho, na sexta-feira (4).

As propostas foram elaboradas por sete grupos de trabalho (GT) que trataram de temas nas áreas de saúde, educação, cultura, finanças, tecnologia, meio ambiente e estrutura organizacional. O documento tem quase cem páginas e será disponibilizado ao público no site do Conselho Popular do Brics.

Segurança internacional

De acordo com o pesquisador do Grupo de Estudos sobre os Brics (Gebrics) da Universidade de São Paulo (USP) Emílio Mendonça Dias da Silva, coordenador do GT sobre institucionalidade do Brics, apesar de numerosas, todas as propostas são importantes.

“Os pontos que foram colocados são todos, talvez não prioritários, mas importantes”, disse à Agência Brasil.

“As questões que foram colocadas em termos de saúde, de educação são prioritárias, são temas da agenda social, têm impacto social, têm importância social, questões culturais também”, completou.

No entanto, o professor entende que o tema segurança internacional atrai bastante atenção.

“Principalmente em virtude do aumento dos conflitos internacionais, mas a gente nunca pode deixar de lado a atenção que deve ser dispensada à sociedade nos temas de saúde, educação e nos temas sociais”, avalia.

Entre as sugestões elaboradas pelos representantes da sociedade civil estão:
– Ampliação do uso de moedas nacionais no comércio do Brics.
– Ampla reforma da arquitetura de governança global para intensificar a voz e a representação dos países do Sul Global (nações em desenvolvimento que conjugam desafios sociais)
– Acesso universal à saúde
– Combate às doenças infecciosas e crônicas com produção conjunta de vacinas e práticas de medicina tradicional
– Soberania tecnológica e inclusão digital
– Fundo climático do Brics com recursos para mitigação, adaptação e proteção da natureza
– Diretrizes éticas de inteligência artificial (IA) no setor cultural para proteger o trabalho criativo

Pressão popular

Além da entrega do caderno de recomendações aos líderes internacionais, o Conselho Popular terá a oportunidade de fazer um rápido discurso para os chefes de Estado no primeiro dia da reunião de cúpula.

“Uma ousadia do Itamaraty”, comentou um dos líderes do conselho e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, se referindo ao Ministério das Relações Exteriores, que organiza a cúpula, uma vez que o Brasil ocupa a presidência rotativa anual do Brics.

João Pedro Stédile reconhece que muitas das propostas são difíceis de serem implementadas pelos países, por isso, ele defende mais mobilização popular para pressionar os governantes.

“Luta de massas”, disse. O coordenador do MST enfatizou que é preciso “povo na rua” e não apenas mobilização por redes sociais.

Para o professor Emílio da Silva, há ainda outros caminhos para a sociedade civil organizada participar de discussões que levem à execução das propostas elaboradas pelo Conselho Popular do Brics.

“Existem fóruns, existem mecanismos, existem formas de diálogo que, se os nossos governantes tiverem a atenção necessária para a importância que a população tem, eles saberão usar esses fóruns”, considera.

Estreia no Brasil

A criação do Conselho Popular foi decidida durante a última reunião de cúpula do Brics, em Kazan, no ano passado, na Rússia, enquanto o país asiático ocupava a presidência rotativa do Brics.

Coube agora ao Brasil implantar e realizar a primeira reunião formal do grupo de representantes da sociedade civil organizada. O novo fórum de discussões tem semelhanças com o G20 Social, iniciativa brasileira quando o país presidiu o grupo – formado por 19 países e as uniões Europeia e Africana – em 2024.

João Pedro Stédile defende que haja mais institucionalização do conselho, com estrutura administrativa para que não seja apenas um evento anual.

Ele adiantou que a coordenação brasileira do conselho pretende realizar mais um evento esse ano, em outubro, na cidade de Salvador, com delegados indicados por instituições de todas as nações do Brics.

Entenda o Brics

O Brics é formado por 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Essas nações representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta.

Os países que têm status de parceiros são Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã. Os parceiros não têm poder de voto.

O Brics se identifica como nações do Sul Global e busca mais cooperação entre si e tratamento mais equânime em organismos internacionais. No entanto, o grupo não chega a ser uma organização internacional ou um bloco formal. Por exemplo, não tem um orçamento próprio ou secretariado permanente, assim como não pode impor que os países adotem internamente as decisões.

Os países-membros se alternam ano a ano na presidência. O Brasil será sucedido pela Índia em 2026.

Banco Central suspende mais três instituições financeiras do Pix

O Banco Central (BC) suspendeu cautelarmente do Pix mais três instituições financeiras suspeitas de ter recebido recursos desviados no ataque cibernético contra a provedora de serviços tecnológicos C&M Software.

A medida preventiva é contra a Voluti Gestão Financeira, a Brasil Cash e a S3 Bank. Já haviam sido desconectadas do sistema a Transfeera, a Soffy e a Nuoro Pay.

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O BC vai apurar se as seis empresas têm relação com o ataque que desviou recursos de contas que os bancos mantêm como reserva na autoridade monetária. A TV Brasil confirmou que pelo menos R$ 530 milhões foram desviados.

Com duração de 60 dias, a suspensão é prevista pelo Artigo 95-A da Resolução 30 do Banco Central, de outubro de 2020, que regulamentou o Pix.

Pela resolução, o BC pode “suspender cautelarmente, a qualquer tempo, a participação no Pix do participante cuja conduta esteja colocando em risco o regular funcionamento do arranjo de pagamentos”.

Posicionamento

Sociedade de capital fechado autorizada pelo Banco Central, a Transfeera confirmou que a funcionalidade do Pix foi suspensa. No entanto, a companhia, que atua na gestão financeira de empresas, ressaltou que os demais serviços oferecidos continuam a funcionar normalmente.

“Nossa instituição, tampouco nossos clientes, foram afetados pelo incidente noticiado no início da semana e estamos colaborando com as autoridades para liberação da funcionalidade de pagamento instantâneo”, destacou a companhia em nota.

A Soffy e a Nuoro Pay são fintechs (empresas financeiras digitais) que não são autorizadas pelo BC a fazer parte do Pix, mas participam do sistema instantâneo de transferências em parcerias com outras instituições financeiras.

Nenhuma das duas empresas se manifestou até a publicação desta reportagem. Voluti Gestão Financeira, Brasil Cash e S3 Bank foram contactadas pela TV Brasil, mas também não se manifestaram sobre a suspensão. 

Justificativa

Segundo o Banco Central, a suspensão das instituições do Pix tem como objetivo proteger a integridade do sistema de pagamentos e garantir a segurança do arranjo, até que as investigações sobre o desvio de recursos do sistema financeiro sejam concluídas.

Entenda 

Na noite de terça-feira (1º), um ataque cibernético nos sistemas da empresa C&M Software, que presta serviços tecnológicos a instituições financeiras, resultou no desvio de recursos de contas reservas que os bancos mantêm no BC para cumprirem exigências legais. O dinheiro foi transferido por Pix e convertido em criptomoedas.

Embora não opere transações financeiras, a C&M conecta várias instituições financeiras ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), operado pelo Banco Central.

Na quinta-feira (3), o BC autorizou a empresa alvo do ataque a retomar as operações Pix.

A Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo e o Banco Central investigam o caso. Em comunicado na página da companhia na internet, a C&M informou que nenhum dado de cliente foi vazado.

Nesta sexta-feira (4), a Polícia Civil de São Paulo prendeu um funcionário da C&M que recebeu R$ 15 mil para dar aos criminosos acesso aos sistemas da empresa.

O suspeito confessou ter fornecido a senha de acesso R$ 5 mil e ter recebido mais R$ 10 mil para criar um sistema de acesso aos hackers.

 

Mutirão Agora tem Especialistas faz mais de mil cirurgias em todo país

O mutirão Agora tem Especialistas Dia-E realizou de forma simultânea, em 24 estados brasileiros, mais de 1,1 mil cirurgias, além de 10 mil procedimentos, consultas e exames especializados, neste sábado (5), em 45 hospitais universitários federais administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), em uma parceria dos ministérios da Saúde e da Educação.

O objetivo da iniciativa é ampliar a capacidade de atendimento da rede pública a fim de reduzir o tempo de espera por serviços especializados.

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“É o maior mutirão do SUS já feito no Brasil inteiro e mais diverso. Já teve situação de fazer mutirão de uma cirurgia, [um tipo] de um procedimento. Hoje nós fizemos em todo o Brasil de Norte a Sul com 45 hospitais, que envolveram mil tipos diferentes de cirurgias, 10,3 mil procedimentos de diagnóstico, de consulta e é um movimento que não para hoje”.

“Os hospitais universitários federais vão continuar fazendo mutirões, atendendo em terceiro turno os procedimentos de exames eletivos, não só urgência, para a gente reduzir o tempo de espera das cirurgias e dos exames em nosso país”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, após visitar o mutirão no Centro Cirúrgico do Hospital Gaffrée e Guinle, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Prioridades

Padilha orientou que a prioridade dos atendimentos fosse aos pacientes oncológicos.

“A gente tem grande prioridade no câncer, porque no câncer tempo é vida. Fazer o diagnóstico o mais rápido possível, começar a cirurgia o mais rápido possível, pode significar a vida ou a morte daquele paciente”, observou.

Ainda segundo o ministro, em todo o país existem prioridades também para demandas que têm maior tempo de espera e impactam mais na população.

“São os problemas de saúde da mulher e toda a parte de ginecologia; a oncologia que é a parte do câncer; os problemas de visão, a gente envelhece cada vez mais e cada vez mais tem cirurgias e exames para tratar da visão; os problemas de ortopedia; de otorrino na parte da audição; são as grandes prioridades, além do câncer”, explicou.

Para o ministro é necessário acelerar o atendimento de saúde pública em todo o Brasil, mesmo em capitais que dispõem de mais médicos e hospitais. Ele citou um exemplo no Rio de Janeiro, onde foi identificado um paciente que esperava há dez anos para fazer uma cirurgia.

“Enquanto não vira urgência acaba não passando na frente de outros procedimentos e acaba ficando de lado. Essa ação do Agora tem Especialistas tem esse papel de identificar pacientes que estão há muitos anos esperando”, completou.

Atendimentos

O presidente da Ebserh, Arthur Chioro, destacou que os atendimentos do programa Agora tem Especialistas podem começar com a consulta médica. “É isso que mobiliza para que a gente possa ajudar esse esforço do Brasil de garantir – da consulta à cirurgia – as necessidades da população”, comentou.

Chioro informou que em uma ação que começou em março foram feitas 89 mil cirurgias. Segundo ele, deve haver mais dois mutirões Dia-E até o fim deste ano, um em setembro e o outro em dezembro.

A orientação para os hospitais universitários federais, segundo Chioro, é para que ampliem o horário de funcionamento com um terceiro turno, incluindo atendimentos aos sábados e domingos.

“No nosso caso, na medida em que a gente aumentar a oferta de atendimento para a população, estamos envolvendo os novos alunos residentes, portanto, formando melhor os nossos futuros profissionais de saúde. É exatamente isso que diferencia o hospital universitário no compromisso com o ensino e a pesquisa, mas também com o SUS”, concluiu.

Parceria

A secretária de estado de Saúde do Rio de Janeiro, Claudia Mello, comemorou a parceria com os ministérios da Saúde e da Educação, porque também será acelerado o tratamento de pacientes do estado.

Segundo ela, quando se consegue verificar a fila interna de uma unidade é possível aumentar o acesso para novos pacientes chegarem ao sistema de saúde.

“A gente está avançando no país como um todo em 45 universidades no mutirão. É importante para nós do Rio de Janeiro e para o Brasil na diminuição de filas. Isso é o SUS avançando a cada dia”, pontuou.

Saúde da mulher

Antes da visita ao Hospital Gaffrée e Guinle, na Tijuca, zona norte do Rio, o ministro da Saúde esteve no mutirão do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão e na sequência foi à maternidade Paulino Werneck, Ilha do Governador, zona norte da cidade.

Nos dois, estava acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva, da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, e do presidente da Ebserh, Arthur Chioro. Lá, anunciaram medidas de reforço à saúde da mulher.

 

Real Madrid e PSG passam às semifinais da Copa do Mundo de Clubes

Os últimos semifinalistas da Copa do Mundo de Clubes da Federação Internacional de Futebol (Fifa), nos Estados Unidos, foram conhecidos neste sábado (5). Em Nova Jersey, no Metlife Stadium, o Real Madrid, da Espanha, derrotou o Borussia Dortmund, da Alemanha, por 3 a 2. Já no Mercedez-Benz Stadium, em Atlanta, o Paris Saint-Germain, da França, superou o Bayern de Munique, da Alemanha, por 2 a 0.

Espanhóis e franceses medirão forças na quarta-feira (9), às 16h (horário de Brasília), em Nova Jersey. Um dia antes, no mesmo horário e local, o Fluminense enfrenta o Chelsea, da Inglaterra, na outra semifinal. A decisão está marcada para o domingo que vem, dia 13, às 16h, também no Metlife Stadium.

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O primeiro a se classificar neste sábado foi o PSG. Aos 32 minutos do segundo tempo, Désiré Doué recebeu de Achraf Hakimi e finalizou de fora da área, no canto de Manuel Neuer, abrindo o placar. Quatro minutos depois, Willian Pacho foi expulso, deixando o time francês com um a menos.

Os atuais vencedores da Liga dos Campeões da Europa ainda perderam Lucas Hernández, também expulso, nos acréscimos. Mesmo assim, aos 50 minutos, após grande jogada de Hakimi, Ousmane Dembélé concluiu para liquidar o confronto, que teve gosto de revanche para o PSG, superado pelo Bayern na final europeia de 2020.

O Real Madrid não demorou a abrir vantagem sobre o Borussia. Foram dois gols em 19 minutos, marcados por Gonzalo García e Fran García, completando cruzamentos de Arda Güler e Trent Alexandre-Arnold, respectivamente. Mas os alemães conseguiram descontar aos 46 minutos do segundo tempo, com Maximilian Beier.

Pênalti

Os acréscimos foram emocionantes. Aos 48, Kylian Mbappé, após cruzamento de Güler, marcou, de voleio, o terceiro do Real Madrid. Aos 50, Dean Huijsen cometeu pênalti em Serhou Guirassy e foi expulso, deixando o time espanhol com um a menos. O próprio Guirassy cobrou e fez o segundo do Borussia.

Na sequência, Marcel Sabitzer recebeu cruzamento de Yan Couto na área, finalizou e obrigou Thibaut Courtois a uma defesa heroica, garantindo a classificação.

 

Pugilistas do Brasil garantem cinco finais em etapa da Copa do Mundo

Cinco pugilistas do Brasil estão classificados às finais da etapa de Astana, no Cazaquistão, da Copa do Mundo de boxe, que serão realizadas neste domingo (6). Neste sábado (5), seis atletas foram para o ringue pelas semifinais das respectivas categorias e somente Caroline Almeida foi superada, caindo para a anfitriã Alua Balkibekova, na categoria até 51 quilos (kg). Como não há disputa de terceiro lugar, ela ficou com a medalha de bronze.

Entre os homens, Luiz Oliveira, o Bolinha, garantiu-se na final da categoria até 60 kg ao derrotar Mahammadali Gasimzada, do Azerbaijão. O pugilista, que é neto de Servílio de Oliveira, medalhista olímpico de bronze da modalidade, decide o ouro com Lundaa Gantumur, da Mongólia.

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Na categoria até 65 kg, Yuri Falcão passou pelo inglês Patris Mughalzai. Na final, o indiano Abhinash Jamwal será o adversário. Na categoria até 70 kg, Kaian Reis também terá pela frente um lutador da Índia, Hitesh Gulia. Neste sábado, ele derrotou o mongol Byamba-Erdene Otgonbaatar.

No feminino, Rebeca Santos não deu chances à inglesa Lucy Kings-Wheatley e terá como adversária na final da categoria até 60 kg uma atleta da casa, a cazaque Viktoriya Grafeyeva. Na categoria até 57 kg, Jucielen Romeu derrotou Wu Shih-Yi, de Taipei, pela semifinal. Medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile, em 2023, ela encara Jaismine Lamboria, da Índia, na luta pelo título.

A Copa do Mundo integra o calendário da World Boxing, federação internacional criada em abril de 2023 depois de o Comitê Olímpico Internacional (COI) desfiliar a Associação Internacional de Boxe (IBA), antiga responsável pela modalidade, por corrupção e falta de governança. A IBA foi impedida de organizar as disputas do pugilismo nos Jogos de Tóquio, no Japão, e Paris, na França.

Esta é a terceira etapa da Copa do Mundo em 2025. As anteriores ocorreram em Foz do Iguaçu (PR) e Ústí Nad Labem, na República Tcheca. Já a próxima será em Liverpool, na Inglaterra, entre os dias 4 e 14 de setembro. A temporada acaba em Nova Déli, na Índia, de 15 a 22 de novembro.

Duplas de Bia Haddad e Luísa Stefani avançam às oitavas de Wimbledon

As mulheres brasileiras seguem vivas no Torneio de Wimbledon, um dos quatro principais eventos do circuito mundial de tênis, os Grand Slams. Neste sábado (5), Beatriz Haddad Maia avançou às oitavas de final das duplas femininas com a alemã Laura Siegmund, enquanto Luísa Stefani foi às oitavas das duplas mistas, ao lado do britânico Joe Salisbury. A competição centenária e mais antiga da modalidade, que é disputada em piso de grama, ocorre em Londres, no Reino Unido.

A parceria entre Bia, número 35 do ranking de duplas da Associação de Tênis Feminino (WTA, sigla em inglês), e Laura (22ª) não teve dificuldades para bater as britânicas Jodie Burrage (142º) e Sonay Kartal (389ª) por 2 sets a 0, parciais de 6/3 e 6/1, em uma hora e 21 minutos. Nas oitavas, a dupla enfrentará a russa Veronika Kudermetova (11º) e a belga Elise Mertens (19ª) em compromisso que ainda será agendado.

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Já Luísa, 29ª na lista da WTA, e Salisbury, 17º do ranking de duplas da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), estrearam na disputa mista superando os neozelandeses Michael Venus (20º da ATP) e Erin Routliffe (3ª da WTA).

A brasileira e o britânico precisaram de uma hora e 15 minutos para fazer 2 sets a 0 nos rivais (6/4 e 6/4). Nas oitavas, eles terão como adversários o argentino Andres Molteni (22º da ATP) e a norte-americana Asia Muhammad (10ª da WTA). A previsão é que o jogo será neste domingo (6), em horário a ser definido.

Luísa ainda disputa o torneio de duplas femininas ao lado da húngara Timea Babos (23ª). A parceria terá pela frente, nas oitavas, a australiana Ellen Perez (18ª) e a ucraniana Lyudmyla Kichenok (14ª). A partida ainda será marcada. Um eventual duelo entre as duas representantes brasileiras no torneio pode ocorrer somente na final.

O Brasil também marca presença nas oitavas de final das duplas masculinas. A parceria 100% verde e amarela entre Marcelo Melo (58º da ATP) e Rafael Matos (44º) decide vaga nas quartas de final contra o austríaco Alexander Erler (42º) e o alemão Constantin Frantzen (52º).

Já Marcelo Demoliner (87º) e o argentino Guido Andrezzi (51º) medem forças com os britânicos Julian Cash (12º) e Llyod Glasspool (10º). Os dois jogos estão previstos para domingo, sem horário definido.

Brics no Brasil busca consolidar bloco em expansão pós-guerra no Irã

A guerra de Israel e dos Estados Unidos (EUA) contra o Irã – um dos membros permanentes do Brics – ampliou os desafios do bloco de países que busca se consolidar institucionalmente na Cúpula do Rio de Janeiro (RJ) neste domingo (6) e segunda-feira (7).

Nos últimos dois anos, o Brics cresceu de cinco para 11 integrantes permanentes, além de incluir dez novos membros parceiros. Administrar essa expansão é um dos desafios da presidência do Brasil para consolidar o mecanismo de cooperação multilateral que pretende modificar a atual arquitetura global de poder.    

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O contexto não era dos mais tranquilos, mesmo antes do conflito com o Irã, por causa da guerra tarifária do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos (EUA), e suas ameaças contra os países que substituam o dólar nas transações comerciais, sendo essa uma das propostas que ganhou força na Cúpula de Kazan, na Rússia, em 2024.  

Em meio ao cerco econômico e financeiro das potências ocidentais contra Moscou, o país em guerra contra a Ucrânia tem mais pressa para criar alternativa à moeda estadunidense.

Além disso, Inteligência Artificial (IA), mudanças climáticas, Irã, Palestina e debates sobre saúde global, paz e segurança mundiais estão entre os temas em destaque.  

Para especialistas em Brics consultadas pela Agência Brasil, a ambiciosa agenda russa do ano passado foi reduzida no Brasil que, semelhante a outros países do fórum, como Índia, Egito e Emirados Árabes Unidos, evita provocar a principal potência do Norte, avessa a mudanças que fragilizem seu poder global.

A professora de relações internacionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e pesquisadora do Brics Policy Center, Ana Garcia, avalia que o acirramento da polarização internacional reduziu a agenda liderada pela Rússia no ano passado.  

“A Rússia veio muito ambiciosa, ‘com o pé na porta’, com propostas inovadoras. Já o Brasil reduziu a ambição da agenda vinda da Rússia na tentativa de não criar uma situação mais desafiadora com os EUA, com o Trump”, comentou.

Entre as propostas citadas pela especialista, está a criação de uma bolsa de grãos para contribuir com a estabilização do preço internacional dos alimentos. Isso porque hoje esse preço é fixado pela Bolsa de Valores de Chicago, nos EUA. Além disso, a Rússia deu muita ênfase à desdolarização.

Para Ana Garcia, o Brasil focou mais em iniciativas que fortaleçam e facilitem o comércio e os investimentos entre os países membros.

“Isso é positivo porque hoje, tirando a China, que é o maior parceiro comercial de todos os países membros, o comércio intra-Brics ainda é reduzido. Brasil e África do Sul, por exemplo, tem comércio irrisório mesmo após 16 anos da entrada do país africano no grupo”, avalia.

Tensão geopolítica 

A coordenadora do grupo de pesquisa sobre Brics da PUC do Rio de Janeiro, professora Maria Elena Rodríguez, destacou que o momento geopolítico é de tensão e, tirando a Rússia e o Irã, os demais países estão mais cautelosos.

“Em termos de participação e propostas, a Cúpula de Kazan foi muito substancial, mas muitas propostas foram reduzindo de lá pra cá. A Rússia teve um ímpeto bastante grande, mas o mundo mudou. Parte daquela agenda ficou um pouco mais devagar. Isso porque os países estão mais cautelosos, incluindo a China”, analisou.

Rodríguez explicou que países como Índia, Brasil, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e África do Sul buscam se equilibrar diante das tensões internacionais.

“Basicamente, estão buscando uma agenda mais neutra, focada no Sul Global, mas não contra o ocidente, evitando esse confronto direto.”

Desdolarização

Talvez a agenda mais espinhosa do bloco seja a de criação de sistemas de pagamento em moedas locais, o que levaria à substituição do dólar, ao menos parcialmente, no comércio entre os países.

A proposta é duramente criticada por Donald Trump que teme perder os benefícios de ter o dólar como moeda internacional.

A professora da UFRRJ Ana Garcia pondera que essa agenda é de longo prazo e países como Brasil, Índia, e mesmo China, têm muitas reservas em dólar e uma mudança imediata poderia provocar impactos indesejados nas economias desses países.

“Deter a moeda internacional – como os EUA faz com o dólar – traz poderes extravagantes, como possibilidade de isolar países por meio de sanções financeiras, e aumentar o endividamento público sem maiores preocupações, mas traz custos também para equilibrar a economia nacional com a global”, argumentou a especialista.

Ana Garcia explicou que a China não tem interesse imediato de arcar com esses custos para não prejudicar a economia. Por isso, avalia que o tema continuará como uma medida em fase de estudo no Brics.

“A China usa os instrumentos bilaterais que ela tem para circular o yuan, mas sem fazer disso uma agenda política. A China é ainda a principal detentora em reservas internacionais em dólar. E ela não quer abrir a economia. Seu fluxo de capitais é controlado para evitar especulação financeira. Com isso, ela não consegue fazer sua moeda circular livremente para ser descontada por todos, como é o caso do dólar”, explicou.

A professora da PUC do Rio Maria Elena Rodriguez concorda que essa é uma agenda de longo prazo, mas avalia que é possível que a Cúpula do Rio entregue algum avanço em relação ao uso de moedas locais, especialmente na padronização técnica de como o sistema deve funcionar.

“Talvez alguma medida para ajustar as regulamentações de todos os países, alinhar questões tributárias, para permitir um avanço futuro. Mas não vai ser muito mais do que isso”, ponderou.

Institucionalização do Brics

Um possível avanço mais concreto da Cúpula sob a presidência brasileira é em relação a acordos para disciplinar a tomada de decisões em um Brics ampliado. Atualmente, não há regras definidas para o funcionamento do fórum.

A especialista em Brics Maria Elena Rodríguez avalia que é preciso concretizar o que significa o agrupamento, tendo cuidado para amarrar essas regras sem deixar o grupo muito rígido.   

“Minimamente, tem que ter alguns elementos que ajudem a definir como será uma nova ampliação do bloco, ou para melhorar a performance do grupo. O Brasil está apostando bastante nessa agenda para entregar um Brics mais formalizado”, finalizou.

A professora de relações internacionais da Federal Rural do RJ, Ana Garcia, lembrou que o Brics ainda não tem nenhum documento formal estabelecendo os procedimentos de tomada de decisão.

“É preciso decidir se as decisões vão continuar sendo por consenso, ou não. Quais critérios objetivos apara adesão de novos membros? Se essa agenda avançar, vai ser um ganho para o bloco, para o grupo”, concluiu.

Brics

O Brics é um bloco que reúne representantes de 11 países membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia.

Também participam os países parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão.

Os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global. Em 2024, países do Brics receberam 36% de tudo que foi exportado pelo Brasil, enquanto nós compramos desses países 34% do total do que importamos.

Governo brasileiro lamenta mortes no Texas por fortes chuvas

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiu nota à imprensa, neste sábado (5), que expressa condolências ao povo e ao governo dos Estados Unidos (EUA) pelas 32 mortes confirmadas, dezenas de pessoas desaparecidas e as centenas de desabrigados em decorrência de fortes chuvas e enchentes que atingiram a região central do estado do Texas, nesta sexta-feira (4).

No texto em que manifesta solidariedade, o governo brasileiro aponta causas de eventos climáticos extremos.

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“O governo do Brasil reafirma que as alterações climáticas intensificam eventos extremos e aumentam a frequência de desastres semelhantes, o que torna ainda mais urgente a necessidade de medidas conjuntas por parte da comunidade internacional”, diz a nota do Itamaraty.

O MRE confirma que, até o momento, não há registro de vítimas brasileiras.

Em caso de emergência, a comunidade brasileira residente no Texas poderá entrar em contato com o plantão do Consulado-Geral em Houston, cidade do Texas, pelo telefone +1 (281) 384-4966.

Entenda

De acordo com a agência Reuters, pelo menos 23 pessoas do acampamento cristão de verão Camp Mystic estariam desaparecidas, a maioria delas eram meninas. As águas do rio Guadalupe subiram quase nove metros rapidamente perto deste acampamento.

O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos informou que a emergência de inundação repentina atingiu ontem grande parte no condado de Kerr, o epicentro da inundação.

Neste sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, também lamentou as mortes e prometeu apoio do governo federal para o Texas, após as enchentes.

Haddad defende reglobalização sustentável e taxação de super-ricos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu, neste sábado (5), o que chamou de reglobalização sustentável, “uma nova aposta na globalização, dessa vez baseada no desenvolvimento social, econômico e ambiental da humanidade como um todo”, disse no discurso de abertura da Reunião de Ministros de Finanças e Presidentes de Banco Centrais do Brics.

O ministro também manifestou apoio ao estabelecimento de uma Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Cooperação Internacional em Matéria Tributária, ou seja, um acordo tributário global mais justo. “Trata-se de um passo decisivo rumo a um sistema tributário global mais inclusivo, justo, eficaz e representativo – uma condição para que os super-ricos do mundo todo finalmente paguem sua justa contribuição em impostos”, afirmou.

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Segundo o ministro, o Brics, tem origem no pleito dos países membros por maior peso no sistema financeiro internacional. Países que, juntos, representam quase a metade de toda a humanidade. “Nenhum outro foro possui hoje maior legitimidade para defender uma nova forma de globalização”, disse Haddad.

Haddad também relembrou o papel do Brasil à frente do G20, quando encabeçou o lançamento da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, e, desde então, manifestou-se “em defesa da tributação progressiva dos super-ricos. Já naquele momento, fizemos da defesa do multilateralismo uma marca da presidência brasileira. De lá para cá, essa defesa se tornou urgente. Não há solução individual para os desafios do mundo contemporâneo”.

De acordo com o ministro, nenhum país isoladamente, por mais poderoso que seja, “pode dar uma resposta efetiva ao aquecimento global, ou atender as legítimas aspirações da maior parte da humanidade por uma vida digna. A perspectiva de criar ilhas excludentes de prosperidade em meio à policrise contemporânea é moralmente inaceitável. Em vez disso, temos que encontrar soluções cooperativas para os nossos desafios comuns”, destacou.

Em relação a crise climática, Haddad ressaltou que os países do Brics estão “desenvolvendo instrumentos inovadores para acelerar a transformação ecológica”. Ele também destacou as discussões sobre a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), com objetivo de movimentar economias de baixo carbono. Países ricos, com histórico poluente muito superior aos demais, teriam de se comprometer a investir mais recursos na manutenção do fundo.

“Nos últimos dias, conversamos muito sobre o Tropical Forest Forever Facility. Estou convencido de que o Brics pode desempenhar um papel decisivo em sua criação, com um anúncio de grande impacto durante a COP 30 [30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima]”, disse. “Em parceria com o Brics, almejamos consolidar-nos como um porto seguro em um mundo cada vez mais instável. Serenidade e ambição, são, portanto, as marcas da nossa presidência”, acrescentou.

Brics

O Brics é um bloco que reúne representantes de 11 países membros permanentes: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Também participam os países parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Tailândia, Cuba, Uganda, Malásia, Nigéria, Vietnã e Uzbequistão. Sob a presidência do Brasil, a 17ª Reunião de Cúpula do Brics ocorre no Rio de Janeiro nos dias 6 e 7 de julho.

Os 11 países representam 39% da economia mundial, 48,5% da população do planeta e 23% do comércio global. Em 2024, países do Brics receberam 36% de tudo que foi exportado pelo Brasil, enquanto nós compramos desses países 34% do total do que importamos.

 

Reunião anual da SBPC chega ao Recife com debate inédito sobre gênero

Centenas de cientistas do Brasil e do exterior desembarcam, na próxima semana, em Recife, para a tradicional reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O evento, com mais de 200 atividades gratuitas para todos os públicos, começa domingo (13) e vai até sábado (19), na Universidade Federal Rural de Pernambuco, no campus Dois Irmãos.

O tema desta 77º edição da SBPC é o “Progresso é ciência em todos os territórios” e terá eventos científicos, artísticos e culturais, incluindo uma reunião inédita da SBPC Mulher, além de atividades para crianças de um a seis anos, pela segunda vez.

A coordenadora-geral do evento, a cientista Cláudia Linhares explica que a intenção da SBPC em 2025 é abordar a diversidade brasileira, sob todos aspectos, olhando atentamente para os desafios de cada território, das grandes metrópoles às áreas rurais, periféricas e marginalizadas, observando as desigualdades. 

“Trataremos das desigualdade que vão desde o financiamento da ciência e da educação até às desigualdades sérias, tais como a fome, a violência, temas que perpassam as ciências da saúde, as exatas e as humanas”, afirmou ela, que é professora de computação da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Uma das novidades desta edição é a SBPC Mulher, evento inédito que promete incentivar o diálogo sobre o papel delas na redução das várias desigualdades, a maternidade, a questão da deficiência, o envelhecimento e a qualidade de vida, por exemplo. 

“Vamos discutir não só a questão da mulher, mas a situação do gênero na sociedade e na ciência”, explicou a coordenadora-geral da SBPC. Na programação, estão debates sobre estratégias para implementação de políticas públicas de equidade.

O primeiro encontro da SBPC Mulher coincide com o ano em que duas mulheres assumem, pela primeira vez, as duas principais associações científicas do Brasil – a SBPC e a Academia Brasileira de Ciências. Tomará posse, na primeira, a cientista e professora da Universidade Federal de Campina Grande, Francilene Garcia, na SBPC.

Colônia de férias

No campus da Federal Rural de Pernambuco também serão desenvolvidas atividades para os pequenos, como contação de história, brincadeiras cantadas e confecção de brinquedos. A intenção é provocar a interação deles com a ciência. 

“Vamos ter esse espaço para que seja o primeiro contato com a ciência, para que seja prazeroso e que a criança descubra, com esse olhar de cientista, os fenômenos”, explicou Linhares,.

Os mais velhos podem conferir a SBPC Jovem, destinada a estudantes. Essa ala vai instalar um planetário, promover oficinas, além de feira de ciências. Entre os tópicos, alimentos ultraprocessados, mudanças climáticas e inteligência artificial.

Mascote da SBPC Jovem, batizada de Gui. Foto SPBC.

A SBPC Jovem conta com uma mascote própria, batizada de Gui. A mascote é um macaco sagui vestindo um traje típico do “Caboclo de Lança”, figura da cultura pernambucana.

Outro macaco, o macaco-prego, que vive na caatinga, será tema de um dos vários minicursos da programação aberta a todas idades. A primatologia da caatinga é pouco estudada e, no curso, serão apresentados tópicos gerais sobre o comportamento, ecologia, e conservação desses primatas, salientando os desafios deles na Caatinga. Também estão na lista cursos sobre poluição do ar, a transição energética e o hidrogênio verde, compostagem doméstica e cosmovisão indígenas.

Cláudia Linhares reforçou o convite para as crianças de férias. “Dá para fazer uma boa colônia de férias”, recomendou.  Haverá barracas para alimentação.

Ao contrário de outros eventos de sociedades científicas, Linhares explicou que a SBPC é um passeio para todos os públicos. 

“Instruímos os nossos palestrantes, tanto em conferências, quanto em mesas redondas, para falarem em linguagem acessível aos leigos. Então, qualquer pessoa que entrar em uma atividade científica, sairá sabendo alguma coisa. Os temas são contemporâneos”, garantiu.

A abertura oficial da SBPC, no domingo, terá a presença da ministra da Ciência e Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, no Teatro do Parque, no centro de Recife. A programação completa de conferências, mesas-redondas, painéis, minicursos, exposições interativas e oficinas está no site da SBPC. A expectativa é reunir 20 mil pessoas.

Mostra Indígena em SP exibe filmes de diretores de diversas etnias

Cineastas indígenas de diferentes regiões do país terão seus filmes exibidos no próximo dia 13 de julho,  durante a Mostra de Cinema Indígena, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo. A programação é gratuita e aberta ao público das 11h às 21h30. Para participar é preciso se inscrever pelo site spaudiovisualhub.com.br .

Realizada pelo São Paulo Audiovisual Hub, iniciativa da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, a mostra terá a exibição da produção de filmes, documentários e videorreportagens dirigidos por 11 cineastas dos povos Guarani, Kuikuro, Huni Kuin, Yanomami, Munduruku, Tukano, Tupinambá, Ikpeng e Guajajara.

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A curadoria da Mostra de Cinema Indígena é assinada por Carolina Caffé, Kerexu Martim Guarani e Edivan Guajajara. Após a exibição de alguns filmes, haverá debate com realizadores, protagonistas e lideranças. Paricipam Beka Munduruku, Edivan Guajajara, Oremé Ikpeng, Kerexu Martim, Richard Wera Mirim Guarani, Natália Tupi, Jera Guarani, Txai Surui, Thiago Guarani, Larissa Tucano, Beatriz Pankarai e Geni Núñez.

Confira a programação

De 12h às 14h

Mãri hi – A Árvore do Sonho, direção de Morzaniel Ɨramari, de etnia Yanomami.

Parte do mote “quando as flores da árvore Mari desabrocham, surgem os sonhos”, com as palavras de um grande xamã conduzindo uma experiência onírica por meio da sinergia entre cinema e sonho yanomami, apresentando poéticas e ensinamentos dos povos da floresta.

Minha Câmera é Minha Flecha, direção de Natália Tupi e Guilherme Fascina, etnias Guarani e Tupinambá.

Conta a história de Richard Wera Mirim, um jovem Comunicador Indígena do Povo Guarani Mbya da Terra Indígena Jaraguá, território que ainda resiste às margens da Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo. O filme traz um pouco de sua trajetória, aliada à força do audiovisual e do uso das redes sociais na luta e resistência indígena. Mostra a câmera como uma flecha, uma ferramenta de comunicação poderosa para registrar e retratar, com o olhar de quem vivencia a cultura, os conhecimentos, os territórios e demais aspectos dos povos originários.

Somos Raízes: Guardiões da Floresta, com direção de Edivan Guajajara, da etnia Guajajara.

Uma videorreportagem que traz a realidade dos que lutam pelo território Tenetehara no Maranhão: os Guardiões da Floresta do povo Guajajara. Eles são reconhecidos mundialmente por seu trabalho em defesa da mata remanescente na porção amazônica do Maranhão – menos de 20% da cobertura original. Na Terra Indígena Araribóia e na Terra Indígena Caru, onde o grupo de autodefesa reúne cerca de 120 indígenas para proteger o território, os guardiões expulsam madeireiros e outros invasores, às vezes pagando com sua própria vida.

Após a sessão haverá um bate-papo com o diretor e Richard Wera Mirim Guarani, com a mediação de Beatriz Pankararu

Das 15h às 17h

A Febre da Mata, com direção de Takumã Kuikuro, da etnia Kuikuro.

Conta a história do pajé e sua família que saem para pescar e,durante a pesca uma onça se aproxima assustada em busca de ajuda. O pajé retorna imediatamente para a aldeia e alerta seu povo do perigo que se aproxima. Ele busca força espiritual na pajelança à medida que sua preocupação cresce. O fogo invade a floresta os animais fogem em busca de abrigo, mas muitos não resistem. 

Thuë pihi kuuwi: Uma Mulher Pensando, com direção de Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami, Roseane Yariana Yanomami, da etnia Yanomami.

No filme uma mulher yanomami observa um xamã durante o preparo da Yãkoana, alimento dos espíritos. A partir da narrativa de uma jovem mulher indígena, a Yãkoana que alimenta os Xapiri e permite aos xamãs adentrarem o mundo dos espíritos também propõe um encontro de perspectivas e imaginações.

Aguyjevete avaxi’i, com direção de Kerexu Mirim, da etnia Guarani.

O documentário celebra a retomada do plantio das variedades do milho tradicional do povo Guarani M’bya na aldeia Kalipety, onde antes havia uma área seca e degradada, consequência de décadas de monocultura de eucalipto. Considerado um alimento que os seres divinos possuem em suas moradas celestes, o milho passa por rituais e bênçãos desde o plantio até a colheita, quando a aldeia se junta para festejar. Comê-lo mantém a vitalidade dos seres humanos em equilíbrio, à semelhança das divindades.

Em seguida haverá um bate papo com Keretxu Martim e Jera Guarani, mediado por Txai Surui.

Das 17h às 19h

Rami Rami Kirani, com direção de Lira Huni Kuin, da etnia Huni Kuin.

Conta a história das mulheres Huni Kuin que, há até pouco tempo, não podiam consagrar e preparar o Nixi Pae (ayahuasca) – apenas os homens conheciam o poder dessa medicina. Um filme sobre os aprendizados, transformações e a força da ayahuasca através das mulheres Huni Kuin. Realizado durante a oficina de formação audiovisual e direitos das mulheres indígenas na Aldeia Mibãya, na Terra Indígena Praia do Carapanã, no Acre.

Nhemongaraí – Ontem, Hoje e Amanhã, com direção de Natália Tupi e Richard Wera Mirim, da etnia Guarani e Tupinambá.

O filme é um mergulho na noite de 24 de janeiro, quando acontece anualmente o Batismo das águas na Tekoa Pyau, Terra Indígena do Jaraguá, em São Paulo. O documentário é narrado pelo xondaro Michael Tupã Popyguá, jovem liderança do território, e traz a importância de repassar a cultura e ancestralidade de geração para geração. O filme também é uma homenagem ao líder Alísio Tupã Mirim, que partiu um mês após as filmagens.

Wehse Darase – Trabalho da Roça, com direção Larissa Tukano, da etnia Tukano.

O documentário foi produzido durante as Oficinas de Audiovisual para Salvaguarda do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro, promovidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O filme apresenta, de maneira íntima e subjetiva, as relações geracionais no contexto das roças que compõem esse sistema agrícola, reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil. A obra destaca a importância da agricultura tradicional para a identidade e a sustentabilidade das comunidades indígenas do Rio Negro, evidenciando práticas ancestrais e saberes transmitidos entre gerações.

Em seguida haverá um bate-papo com Natália Tupi e Larissa Tukano, com mediação de Thiago Guarani

Das 19h30 às 21h30

Yarang Mamin, com direção de Kamatxi Ikpeng, da etnia Ikpeng.

O filme é um mergulho no dia a dia das mulheres do povo Ikpeng que coletam sementes nativas no Território Indígena do Xingu (MT). As coletoras criaram o Movimento das Mulheres Yarang e, ao longo de uma década, coletaram 3,2 toneladas de sementes florestais, o que possibilitou o plantio de cerca de 1 milhão de árvores nas bacias do Rio Xingu e Araguaia. Um respiro em meio à devastação que corrói o que resta de floresta.

Mundurukuyü A Floresta Das Mulheres Peixe, com a direção do Coletivo Daje Kepap Epy, da etnia Munduruku

A obra fala sobre a floresta das mulheres-peixe que espelha a mitologia Munduruku, em que humanos, na origem do mundo, se transformaram em floresta, plantas e animais. No dia-a-dia da aldeia Sawre Muybu, os espíritos da floresta não são apenas forças espirituais ancestrais, mas parte da família.

Após a exibição haverá o bate-papo com Oreme Ikpeng e Beka Munduruku, mediado por Geni Núñez.

 

Empresários do Brics se reúnem no Rio em busca de ampliação de negócio

Empresários dos países que compõem o Brics se reúnem neste sábado (5), no Rio de Janeiro, um dia antes da cúpula dos chefes de governo do grupo. Entre os objetivos do encontro está ampliar os negócios entre as 11 nações que integram o grupo.

“Atualmente, o comércio intra bloco comporta crescimento significativo, pois hoje, apesar da relevância econômica individual de cada nação, o volume de trocas entre nós representa muito pouco, quando comparado ao que comercializamos com o resto do mundo. É preciso avançar”, destacou o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

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Para o CEO da Embraer, Francisco Neto, que também coordena o Conselho Empresarial do Brics (Cebrics), é preciso ampliar o comércio e a integração da cadeia de suprimentos desses países.

Entre as recomendações do Cebrics estão a “expansão de rotas aéreas, especialmente para conectar cidades de pequeno e médio porte, a melhoria do acesso ao capital, finanças sustentáveis e facilitação de fluxos de investimento internacional, modernização da logística comercial e do comércio digital, e o fortalecimento da cooperação com o novo banco de desenvolvimento para financiamento de infraestrutura”, disse Neto.

O Brics é composto por 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Juntos, eles somam quase metade da população mundial, 40% da economia global e mais de 20% do comércio mundial. 

Em termos de recursos naturais, os membros do grupo concentram cerca de 70% das reservas de terras raras, mais de 40% da produção de petróleo e quase 80% da produção de carvão mineral.

De acordo com a CNI, o comércio do Brasil com os outros países do Brics totalizou 210 bilhões de dólares, ou 35% do total. O bloco foi destino de 121 bilhões de dólares em exportações brasileiras.

Outras prioridades dos empresários do Brics são promover inovação e a transformação digital, além de transição energética e desenvolvimento sustentável.

“Nossas recomendações [em transição energética e desenvolvimento sustentável] abordaram temas como: segurança alimentar e agricultura sustentável; agricultura regenerativa e restauração de terras; combustíveis e aviação sustentável, o SAF; energias renováveis e economia circular; e a descarbonização das cadeias de valor e tecnologias verdes”, disse Neto.

Segundo o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, nos últimos dez anos, os encontros do Brics se transformaram num grande e importante protagonista da geopolítica mundial. “Os Brics são o motor da economia mundial. Eles representam mais de 40% do PIB (Produto Interno Bruto) do mundo e crescem bem acima da média mundial. Portanto, são promotores do desenvolvimento mundial , disse.

Alckin destacou a importância do encontro de empresários, para promover “as oportunidades de investimentos recíprocos entre os nossos países, o fortalecimento do comércio exterior e o incentivo à inovação para podermos avançar ainda mais”.

Mulheres

Outro objetivo do Fórum de Empresários é ampliar a participação das mulheres na economia desses países. Segundo a presidente da Aliança Empresarial das Mulheres do Brics, Monica Monteiro, apenas 15% das empresas que atuam internacionalmente no mundo são lideradas por mulheres. E elas enfrentam obstáculos no acesso ao crédito.

“Para a gente conseguir escalar, a gente vai precisar de recurso. Para ter recurso, a gente precisa realmente de linhas que sejam direcionadas para mulher. Porque quando abre uma linha, as empresas maiores vão lá e elas já são lideradas por homem. A gente tem que ter realmente metas para poder atingir esse número”, afirmou Monica.

Pesquisa com coautoria da USP pode avançar tratamento de doença rara

Um estudo clínico internacional, publicado no The New England Journal of Medicine, testou um novo medicamento para pacientes com hipertensão arterial pulmonar (HAP), doença rara e grave que afeta os vasos sanguíneos dos pulmões. A nova droga foi desenvolvida para agir nos vasos pulmonares, reduzindo sua espessura, facilitando a circulação sanguínea e aliviando a sobrecarga cardíaca provocada pela doença. O fármaco Sotatercept foi administrado em pacientes em estágios avançados da HAP.

Segundo o professor titular de Pneumologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Rogério de Souza, ao longo dos últimos 20 anos, houve o desenvolvimento de vários tratamentos para a hipertensão pulmonar, mas não como nesse estudo, em que só foram estudados pacientes com alto risco de morte. “O fármaco diminuiu em 76% a chance de o paciente ser hospitalizado, transplantado ou morrer da doença”, disse o pesquisador, que assina o artigo com mais 15 cientistas europeus e norte-americanos.

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A hipertensão arterial pulmonar é uma condição que acomete principalmente mulheres entre 40 e 50 anos de idade e, se não tratada, pode ter uma progressão que leva a uma sobrevida inferior à de muitos tipos de câncer. A doença provoca sintomas como fadiga extrema e falta de ar até mesmo em atividades simples, levando à perda de qualidade de vida e ao isolamento social. Estima-se em 5 mil o número de casos de pacientes com essa doença no país.

“O paciente não consegue andar, tem dificuldade para tomar banho. O diagnóstico é demorado. A queixa inicial é muito inespecífica, de falta de ar ao fazer um esforço. Muitas doenças podem ter esse tipo de quadro. Ela muitas vezes é confundida com outras doenças como insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica. O diagnóstico errado acaba retardando o tempo que o paciente vai ser tratado”, explica o professor.

Tratamento de alto custo

A nova medicação já foi aprovada pelo FDA e pelo EMA (agências americana e europeia de medicamentos) e milhares de pacientes já tomam esse medicamento, de acordo com o pesquisador.

No Brasil, o medicamento obteve registro no fim de 2024 na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). A administração é por meio de uma injeção subcutânea em que é possível a autoaplicação a cada três semanas. O tratamento é considerado de alto custo.

Para Rogério Souza, o próximo passo é ampliar o conhecimento sobre a doença e sensibilizar as autoridades de saúde quanto à importância de incorporar o tratamento no sistema público, ao menos para os pacientes mais graves.

“Agora começa o processo de mostrar para o governo a importância dessa nova tecnologia para redução de risco de internações, transplante ou morte dos pacientes. Agora começa um processo das sociedades médicas e das associações de pacientes de conversar com os governos em suas diferentes esferas para sensibilizá-los para a necessidade de incorporação ao SUS”, afirma o professor.

Segundo o pesquisador, a alternativa para esses pacientes, muitas vezes, é o transplante de pulmão. Com esse medicamento, é possível retirar pessoas da fila do transplante e devolvê-las à vida ativa. “É um ganho em quantidade e qualidade de vida — além de representar uma forma mais racional de utilizar os recursos públicos”.

O Ministério da Saúde informou à Agência Brasil que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) não recebeu, até o momento, nenhuma solicitação para avaliação dessa tecnologia. “A comissão é responsável por analisar as evidências científicas, considerando aspectos como eficácia, efetividade e segurança”, diz a pasta, em nota. 

Segundo o ministério, para pacientes com hipertensão arterial pulmonar, o SUS oferece gratuitamente opções de tratamento com ambrisentana, bosentana, iloprosta, selexipague, além da sildenafila, cuja conduta médica segue o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas.

Exposição no Rio traz a cultura dos Maxakali pouco conhecida no país

A Sala do Artista Popular (SAP) do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan), no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Catete, zona sul do Rio, vai abrigar até o dia 28 de setembro, a exposição Hãmxop tut xop – as mães das nossas coisas: artesanato em fibra de embaúba. As peças da mostra foram produzidas por mulheres da etnia Maxakali, a única a manter a própria língua em todo o estado de Minas Gerais.

“A gente está trazendo memória viva. Para nós, é a nossa herança que a gente leva para alguns lugares. A herança para nossos filhos é a nossa cultura. O conhecimento e a sabedoria estão dentro da nossa memória. Não apagaram”, disse Sueli Maxakali, uma das líderes da etnia e professora de crianças e adultos maxakali, em entrevista à Agência Brasil.

Os Tikmũ’ũn, que é como se autodenomina o povo também conhecido como Maxakali, vivem nas aldeias Água Boa, Pradinho, Aldeia Verde, Cachoeirinha e Aldeia-Escola-Floresta, nos municípios de Santa Helena de Minas, Bertópolis, Ladainha e Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, no nordeste de Minas Gerais.

“Os Maxakali, apesar de estarem relativamente próximos dos grandes centros brasileiros, permaneceram muito ignorados, muito invisibilizados, pouco conhecidos também pelas suas diferenças culturais. Hoje, praticamente todo povo é monolíngue, fala pouquíssimo português. Isso é uma barreira também de comunicação com os não-indígenas”, contou à Agência Brasil, o antropólogo Roberto Romero, responsável pela pesquisa e pelo texto da exposição, que há 15 anos convive com os Tikmũ’ũn, que foram tema do mestrado e do doutorado que fez.

Embaúba

A matéria-prima dos seus trabalhos é a embaúba, árvore natural da Mata Atlântica, quase extinta na região em que eles habitam. Com a fibra da árvore produzem bolsas, colares, braceletes e pulseiras com características da etnia.

Povo indígena Maxakali – Fotos Cristina Indio do Brasil.

Apoio financeiro

A venda dos produtos é um meio de renda para o povo. “Nós trazemos para fora para vender e levar [os recursos financeiros] para as nossas aldeias. Às vezes também é para comprar algumas mudas de árvores frutíferas para podermos repor nas nossas aldeias”, explicou Sueli, destacando que os recursos são aplicados também no reflorestamento com mudas nativas que estão fazendo em seus territórios.

“Hoje estamos reflorestando e colocando umas embaúbas para poder tirar as linhas para poder fazer as bolsas. Nós raspamos, depois tiramos a linha desfiando nas pernas e fazemos as bolsas, brincos, pulseiras”, contou que além de artista dos artesanatos também é fotógrafa.

O antropólogo Roberto Romero afirmou que a exposição é uma feliz coincidência porque o diretor do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro, Rafael Barros, conhecia a arte da tecelagem da embaúba e de outros materiais das mulheres maxakali para ser conhecida justamente no momento em que desde 2023, o projeto Hãmhi | Terra Viva, de recuperação dos territórios, é desenvolvido nas aldeias.

“De formação de agentes agroflorestais e viveiristas indígenas do povo que estão plantando mudas e reflorestando seu território. Nesses dois anos, a gente conseguiu plantar 100 quintais agroflorestais, totalizando 60 hectares de área e plantar 156 hectares de áreas de reflorestamento, isso em um território que foi totalmente tomado pelo capim colonião e branchiaria”, afirmou, informando que a mudança na vegetação se deu durante o período da ditadura militar quando converteu os territórios em colônias agrícolas e impôs trabalho semi-escravo aos povos Tikmũ’ũn.

Documentário

Depois da abertura da exposição, houve a pré-estreia do filmeYõg Ãtak: Meu Pai, Kaiowá. O tema é a busca de Sueli e Maíza Maxakali pelo pai, Luis Kaiowá, que foi retirado da convivência na sua aldeia Kaiowá durante a ditadura militar, para fazer serviços forçados em outras regiões do Brasil.

“O pai dela foi tratorista da Funai durante a ditadura, ele é do povo Kaiowá e na época foi levado pelos soldados da polícia militar para viver com os maxakali. Ele viveu 15 anos lá, aprendeu a falar a língua Maxakali, teve duas filhas, mas depois os soldados o levaram de volta para o Mato Grosso do Sul e não conseguiu voltar. A Sueli cresceu sem o pai e a gente tinha notícias dessa busca dela pelo pai e finalmente uma colega antropóloga, Tatiane Klein que trabalhou muitos anos com os Kaiowa localizou o pai. Foi aí que a gente que já trabalhava com cinema pensou em fazer o filme”, contou Roberto Romero, que também é codiretor do documentário, que entra em circuito em salas de cinema de todo o país, no dia 10 de julho. Quem quiser mais informações sobre o filme pode acessar o site www.meupaikaiowá.com.br.

“No filme se vê o encontro dela com o pai e foi um sonho que ela realizou de vê-lo. Ele se tornou um grande rezador e grande conhecedor dos cânticos do povo kaiowá, talvez até pela experiência que teve de contato dos maxakali”, contou.

Em debate após a exibição, nos jardins do Museu, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, destacou que quando se assiste ao documentário, mais se chega à conclusão que a luta de reparação de povos indígenas continua.

“Aqui traz não só a história dos guarani kaiowa e dos maxakali, mas também a história de muitos povos indígenas do Brasil, que igualmente ficaram apartados das suas famílias e conta toda essa história de violência que a gente está a toda hora querendo rememorar, querendo trazer a verdade para que a gente possa buscar a reparação. Aqui de uma forma muito simples e real, traz essa verdade, que às vezes muita gente ainda duvida. Não é uma história do passado e está muito presente ainda que acontece com muitos povos e ainda não houve a reparação”, apontou a ministra.

“O que a Sueli faz é recuperar um parentesco criado pela história dos brancos, que trouxeram a força com um povo muito distante dos maxakali e formaram uma nova conexão importante de parentesco uma aliança criada pela ditadura, pelos brancos que acabou mostrando a possibilidade de união dos povos indígenas apesar do processo de destruição dos povos indígenas”, indicou o professor Eduardo Viveiros de Castro, que acompanhou a apresentação do documentário.

O Censo de 2022, indica que existem mais de 300 etnias indígenas no Brasil. Entre elas, 19 etnias vivem no estado de Minas Gerais. A população Maxakali é estimada em 2.629 habitantes e, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a região onde habitam é uma das que mais aqueceram no país nos últimos anos.

Registro no Iphan

O diretor do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro, no Catete, zona sul do Rio, Rafael Barros, revelou que em agosto os Maxakali vão entrar com um pedido no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para registro de reconhecimento da cultura deles.

“A exposição na Sala do Artista Popular foi um start, um provocador para que os Maxakali, formalizem junto ao Iphan o pedido de registro dos seus ritos e dos seus cantos como patrimônio material brasileiro entendendo que eles constituem um complexo cultural singular, único de importância e relevância nacional e que precisa de proteção para se manter vivo, pujante e ativo”, adiantou à Agência Brasil.

Para Rafael Barros, a exposição do artesanato Maxakali é mais uma forma de fortalecimento da etnia.

“Hoje em dia, os Maxakali passam por um processo de crescimento novamente e de recuperação demográfica, mas a manutenção da atividade simbólica e cultural só foi possível através da conta ritual que é extremamente ativa. A Sueli costuma refletir que para preservar a língua e cultura eles tiveram que abrir mão do território, ou seja, em um processo de retração e de afastamento do contato com o branco. Eles sempre tiveram uma postura reativa desse contato para tentar preservar a sua própria cultura”, disse o diretor, para quem o processo explica a manutenção da língua original dos Maxakali.

 

Feira de artesanato deve receber 100 mil visitantes em São Paulo

Com 400 expositores durante cinco dias de apresentações de produtos e sobre as tendências do setor, além de aulas e oficinas, começa neste sábado (5) a Mega Artesanal, uma das maiores feiras de produtos e técnicas para a arte, artesanato e artes manuais da América Latina. O evento vai até o dia 9, das 10h às 18h, na São Paulo Expo e a expectativa dos organizadores é que a feira atraia cerca de 100 mil visitantes. 

Conforme os organizadores do evento, o mercado de artesanato no Brasil “vive um momento de expansão e transformação”. Uma expansão que pode ser explicada pelo impulsionamento ao setor gerado pela digitalização e o comércio online, pelo aumento do empreendedorismo e valorização do consumo consciente.

O que antes estava concentrado em feiras menores e mercados locais, o segmento ganhou novos canais de comercialização com o crescimento do e-commerce, das redes sociais e das plataformas de marketplace especializadas.

De acordo com os dados de 2024 do Mapeamento do Artesanato Brasileiro, cerca de 35% dos artesãos já vendem seus produtos online, número que cresce anualmente. Além disso, estima-se que 1,3 milhão de artesãos têm a Carteira Nacional do Artesão, documento que reconhece oficialmente a atividade como profissional e permite o acesso às políticas públicas.

Um dos destaques da feira são as exposições de arte, que abordam temas ligados às mulheres e a diversidade da cidade de São Paulo.

 A mostra Todas Elas, por exemplo, será uma homenagem à identidade e pluralidade feminina, com a exposição de 30 obras criadas por artistas visuais que exploram diferentes linguagens, técnicas e estilos.

Ou a apresentação São Paulo Colorida: Uma cidade traduzida em arte, propõe uma visão abrangente da capital paulista, como um organismo vivo, pulsante e acolhedor, fugindo da ideia de uma cidade de concreto. 

Outro destaque é o projeto Desafio: Artesanato na Moda, em que 16 estudantes de moda, da Escola Técnica José Rocha Mendes, são desafiados a confeccionar peças de roupas inspiradas nas criações da pintora norte-americana Georgia O’Keeffe.

A programação completa do Mega Artesanato pode ser conferida no site da exposição para ver a programação completa.

*Estagiário sob supervisão de Eduardo Luiz Correia

Brics vive impasses sobre Irã, Palestina e Conselho de Segurança

Os negociadores políticos do Brics, chamados de sherpas, terminaram na noite desta sexta-feira (4) a última rodada de negociações antes da Cúpula de Líderes, marcada para os próximos dias 6 e 7 no Rio de Janeiro.

Autoridades presentes nas negociações enfatizaram os pontos mais sensíveis deste último encontro: os recentes conflitos entre Irã e Israel, a situação na Palestina e a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O grupo ainda não conseguiu chegar a um posicionamento comum sobre esses temas, apesar de indicar avanços.

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Dentre os três, o mais problemático é o caso do Irã, que é um dos 11 países membros do Brics ao lado de África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia e Rússia. Os países-parceiros são: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.

O Irã pressiona o grupo para que se manifeste de forma mais rígida contra os bombardeios de Israel e Estados Unidos no conflito que ocorreu entre os dias 13 e 24 do mês passado. Países mais próximos dos israelenses e norte-americanos, como Arábia Saudita e Índia, não pretendem se indispor sobre o tema.

O conflito também tem consequências sobre o posicionamento do grupo em relação à Palestina, aliada do Irã. Há aproximadamente 21 meses, a Faixa de Gaza tem sido alvo de bombardeios israelenses, que teriam deixado mais de 50 mil palestinos mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

Um quarto motivo de tensão no grupo, que teve efeito sobre os encontros dos sherpas é a situação da Índia. Em maio, durante quatro dias, o país se envolveu em um conflito com o vizinho Paquistão, com uso de mísseis e drones. Apesar do cessar-fogo, a região continua instável.

Na sexta-feira (4), o vice-chefe do Exército indiano acusou a China de ajudar o Paquistão com informações estratégicas sobre o deslocamento de forças indianas durante o conflito de maio.

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou que não comparecerá ao Brics e será representado pelo primeiro-ministro Li Qiang. Mas a decisão já havia sido tomada há alguns dias. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, também não estará presente, mas participará da reunião por videoconferência. A comitiva russa terá a presença do ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov.

Declaração conjunta

Apesar de tudo, a expectativa entre os negociadores é que de a Cúpula de Líderes termine com uma declaração geral que tenha a adesão de todos os países. E não como uma declaração única da presidência brasileira do grupo, o que enfraqueceria o peso político do documento.

Uma das estratégias adotadas pelo Brasil é a de fragmentar a manifestação final do Brics em quatro declarações. Além da geral, que condensa as principais posições do grupo, estão previstas outras três com temas específicos: saúde, clima e inteligência artificial. Os textos ainda não estão totalmente fechados, mas há uma visão mais otimista sobre o estabelecimento de um consenso.

O tema da saúde se concentra na criação de uma parceria para eliminar doenças socialmente determinadas: aquelas influenciadas diretamente por fatores socioeconômicos, ambientais e culturais. Um dos destaques é a ampliação da cooperação para a produção de vacinas.

A exemplo da Aliança Global Contra a Fome, lançada pelo Brasil durante o G20 no ano passado, ações voltadas para a área da saúde são vistas como resultados mais concretos e que atendem a necessidades mais urgentes da população do Sul Global.

Também foram detectados avanços nas discussões sobre financiamento climático. A ideia é que o Brics se manifeste de forma comum sobre modelos que envolvam a participação de bancos multilaterais, questões regulatórias e mobilização de capital privado.

Por fim, as discussões sobre inteligência artificial giram em torno da busca por uma governança comum para que o recurso tecnológico seja usado de maneira ética, e ajude a minimizar problemas como pobreza, déficits educacionais, mudança do clima e doenças.