Preço de ingredientes do prato feito tem queda em São Paulo em março

Levantamento da Associação Paulista de Supermercados (Apas), em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mostra que, em março, o preço dos principais ingredientes do prato feito caiu no estado de São Paulo.

A carne bovina, item de maior peso na composição do prato, registrou recuo de 1,16%. No acumulado deste ano, a queda chega a 0,49%. Entre os cortes que mais baratearam desde janeiro, destacam-se a picanha (6,16%), fraldinha (4,91%), contrafilé (2,89%) e patinho (2,21%).

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“O aumento da oferta de fêmeas para abate, combinado à diminuição da demanda por carne devido ao término do período de festas e à substituição por outros produtos com preços mais acessíveis, pode explicar a redução nos preços em março. O arrefecimento da taxa de câmbio durante o primeiro trimestre do ano e a queda nos preços da ração também contribuíram com a redução nos preços da carne no mês”, explicou o economista-chefe da Apas, Felipe Queiroz.

O preço do arroz recuou 2,40% em março, enquanto o feijão teve leve alta de 0,63%, mas acumula expressiva deflação de 24,76% nos últimos 12 meses. No mesmo período, a categoria de cereais apresentou queda de 12,75%.

“Em março, toda a subcategoria de cereais recuou 1,29%, mantendo a tendência de deflação observada desde o segundo trimestre de 2024. Esse processo deflacionário está relacionado principalmente à diminuição no preço do feijão, que está em queda desde o mês de abril do ano passado”, disse Queiroz.

Percepção

A redução dos preços, no entanto, ainda não foi sentida pelos consumidores. A servidora pública Gisele Fernandes, de 53 anos de idade, disse que não percebeu queda nos supermercados. 

“Os preços praticados no segmento da alimentação, como o arroz, o feijão e a carne, já vêm em uma ascendência galopante desde novembro do ano passado. Esses alimentos, a meu ver, ficaram com o preço impraticável. A solução está sendo diminuir o consumo desses alimentos”, disse. 

Já a assistente de recursos humanos Andreza Ferreira, de 43 anos de idade, notou a diminuição nos preços. 

“Esse último mês percebi que o arroz e o feijão tiveram uma queda e deu para comprar de novo a marca mais cara que eu comprava. Antes, para poder adequar a minha renda, eu tive que trocar de marca para não ter um peso no orçamento. A carne eu não senti tanta diferença, eu ainda continuo fazendo minhas alternativas”, disse.

* Colaborou Matheus Crobelatti, estagiário sob supervisão de Eduardo Correia

Golpe: após live na UTI, STF intima Bolsonaro em hospital de Brasília

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi intimado nesta quarta-feira (23) sobre o processo criminal que deverá responder no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a trama golpista que pretendia impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A intimação ocorreu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, onde se recupera de uma cirurgia no intestino.

No dia 11 deste mês, o ministro Alexandre de Moraes determinou a intimação de todos os denunciados do núcleo 1 que viraram réus após o julgamento da Primeira Turma da Corte que aceitou a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

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A medida é uma formalidade prevista na legislação para comunicar pessoalmente os réus sobre a abertura da ação penal. 

As intimações foram concluídas entre os dias 11 e 15 de abril, exceto no caso de Bolsonaro, que passou mal no dia 12 e foi submetido a cirurgia nos dias seguintes.

Diante do estado de saúde do ex-presidente, o STF esperava uma data adequada para intimá-lo. Contudo, Bolsonaro realizou uma live nesta terça-feira (22) direto da UTI, e o Supremo determinou que um oficial de Justiça fosse hoje ao hospital.

Passo a passo

Com a abertura do processo criminal contra o núcleo 1, os acusados passam a responder pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

A ação penal também marca o início da instrução processual, fase na qual os advogados poderão indicar testemunhas e pedir a produção de novas provas para comprovarem as teses de defesa. Os acusados também serão interrogados ao final dessa fase. Os trabalhos serão conduzidos pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

Após o fim da instrução, o julgamento será marcado e os ministros vão decidir se o ex-presidente e os demais acusados serão condenados à prisão ou absolvidos. Não há data definida para o julgamento.

Em caso de condenação, a soma das penas para os crimes passa de 30 anos de prisão. 

PEC do fim da reeleição para chefes do Executivo avança no Senado

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a reeleição para presidente da República, governadores e prefeitos foi lida nesta quarta-feira (23) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Um pedido de vista adiou a votação para o dia 7 de maio.  

A PEC prevê uma regra de transição com o fim da reeleição apenas para quem for eleito em 2034; prorroga os mandatos do Executivo de 4 para 5 anos, incluindo os vereadores e deputados federais, estaduais e distritais, e unifica todas as eleições para o mesmo ano. Em vez de eleições a cada 2 anos, o Brasil teria eleições a cada 5 anos. Prefeitos e vereadores eleitos em 2028 teriam mandato de 6 anos, sem direito à reeleição para prefeitos. Já os senadores teriam os mandatos ampliados de 8 para 10 anos.

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Nenhum senador se manifestou contra o fim da reeleição na CCJ, sugerindo consenso para a proposta. Porém, a regra de transição foi criticada com um pedido para o fim da reeleição para os eleitos já em 2026.

O relator da matéria, senador Marcelo Castro (MDB-PI) (foto), justificou a medida argumentando que a reeleição fez mal ao Brasil.

“Ao invés de possibilitar aos eleitores a opção pela recondução de mandatários de sucesso, contribuindo para aprimorar a qualidade dos mandatos, a reeleição resultou num viés pernicioso, de estímulo aos chefes do Poder Executivo pela opção de agendas imediatistas, de fácil retorno eleitoral, em prejuízo de projetos estruturantes, de longa maturação, apesar de preferíveis”, explicou Castro.

A possibilidade de reeleição foi incluída no país no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1997, mudança que permitiu a reeleição do político em 1998.

O senador Omar Aziz (PSD-AM) sustentou que é melhor acabar logo com a reeleição porque até 2034 novos legisladores podem mudar a regra novamente.

“Se a gente for esperar 2034, ninguém sabe se a gente vai estar aqui ainda. A reeleição no país foi a pior coisa que a gente poderia ter feito para o Brasil, para os brasileiros, para os governos, porque o cara vai para uma reeleição, e faz loucura para se reeleger. Caso ele perca, ele entrega o governo estraçalhado para o sucessor”, avalia.

O relator Marcelo Castro sugeriu a possibilidade de um acordo para antecipar o fim da reeleição para os eleitos em 2028.  

“Podemos chegar a um entendimento e encurtar um pouco [a regra de transição]. O princípio que tracei foi o de não ferir o direito adquirido, e até mesmo a expectativa de direito. Mas podemos chegar a um acordo”.

Foram apresentadas emendas à PEC para reduzir o número de senadores para dois por unidade da federação. Atualmente, são três por estado. Outra emenda pediu a redução dos mandatos de senadores de 10 para 5 anos. Mas as propostas foram rejeitadas pelo relator, argumentando que não há consenso e debate suficiente para reduzir o tempo dos mandatos ou o número de senadores. 

“O debate a respeito da redução dos mandatos dos senadores é insuficiente para construir um acordo mínimo sobre a matéria”, disse.

Sesc celebra Dia Nacional do Choro com eventos gratuitos em São Paulo

Neste Dia Nacional do Choro (23), o Sesc 24 de Maio anunciou uma programação extensa para celebrar a data. A data é uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha, um dos maiores expoentes do gênero musical que será homenageado na programação.

O projeto Choraço começa nesta quarta-feira com diversas atividades como apresentações musicais, rodas de choro, teatro, dança e outros eventos. Clique aqui e acesse a programação completa.

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No total, serão 20 atividades gratuitas ou com preços acessíveis de grupos e artistas de diferentes gerações e regiões apresentando releituras e novas perspectivas, mostrando como o gênero dialoga com o samba, o baião, o frevo, o maxixe, o lundu e até mesmo com o jazz.

As atividades são voltadas para todas as idades com propostas para a primeira infância, como a apresentação Baile no Colo: Choro!, e também para idosos. Outro destaque vai para o grupo Chora – Mulheres na Roda, que traz o protagonismo feminino e negro dentro do gênero.

Também se apresentam Mestrinho, Guinga, Cristovão Bastos, Toninho Ferragutti, Eudóxia de Barros, além de grupos como Sonhos de Lundu, Chora – Mulheres na Roda (RJ), Regional do Motta e Escola de Choro de São Paulo.

A programação se estende para outras cidades com ações nas unidades do Sesc de Santos e São José dos Campos, além de atividades formativas nos Centros de Música do Sesc Consolação e Sesc Vila Mariana.

*Estagiário sob supervisão de Eduardo Correia

 

Justiça determina afastamento do presidente do INSS

A Justiça Federal determinou o afastamento do presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, um dos alvos da operação que a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram na manhã desta quarta-feira (23).

Batizada de Operação Sem Desconto, a ação mobilizou cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU nas investigações sobre um suposto esquema de descontos criminosos de aposentados e pensionistas.

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De acordo com a PF, investigadores já reuniram indícios que sugerem a existência de “um esquema nacional de descontos de mensalidade associativa não autorizados em aposentadorias e pensões”. 

O cálculo é que as entidades investigadas tenham descontado de aposentados e pensionistas cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

A Justiça Federal também determinou que outros cinco servidores públicos cujos nomes não foram divulgados sejam afastados de suas funções. Além disso, autorizou o cumprimento de 211 mandados judiciais de busca e apreensão, seis prisões temporárias, além do sequestro de bens no valor de mais de R$ 1 bilhão.

Os mandados foram cumpridos no Distrito Federal e nos estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.

Descontos associativos

A mensalidade associativa é uma contribuição que aposentados, pensionistas ou pessoas de uma determinada categoria profissional pagam, periodicamente, para fazer parte de uma associação, sindicato ou entidade de classe sem fins lucrativos que represente os interesses de seus membros do Regime Geral da Previdência Social (RGPS).

Entre janeiro de 2023 e maio de 2024, o INSS recebeu 1 milhão de reclamações acerca de descontos indevidos, motivando o cancelamento dos descontos autodeclarados como não autorizados. Além disso, em março do ano passado, o instituto estabeleceu novas regras para regulamentar o desconto associativo.

Assinada por Stefanutto, a Instrução Normativa Pres/INSS nº 162 estabelece o percentual máximo da dedução e que o desconto deve ser previamente autorizado pelo aposentado ou pensionista, que tem de assinar um termo de adesão.

O beneficiário que não reconhecer o desconto da mensalidade associativa em seu benefício pode requerer a exclusão da cobrança usando o aplicativo do instituto, o site [gov.br/meuinss] Meu INSS ou a central telefônica 135. Também é possível pedir o bloquear temporário da cobrança.

A reportagem ainda não conseguiu contato com o presidente afastado Alessandro Stefanutto ou seus representantes legais. O espaço está aberto para inclusão de posicionamento do citado.

 

*Matéria ampliada às 12h

 

 

Minha Casa, Minha Vida doará casas a pessoas em situação de rua

O Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) destinará 3% das moradias subsidiadas pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) a pessoas em situação ou trajetória de rua. Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, o imóvel será gratuito, assim como os processos de acompanhamento e reinserção social dos beneficiários.

A expectativa é de que cerca de 1 mil unidades habitacionais sejam destinadas a este público neste primeiro leva. Inicialmente, essa vertente do MCMV vai priorizar 38 municípios, abrangendo, além de todas as capitais, cidades com mais de mil pessoas cadastradas como “sem moradia” no CadÚnico.

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“Essas cidades têm a obrigação de distribuir, no mínimo, 3% de todos os empreendimentos do Minha Casa Minha Vida [a serem lançados nos municípios] aos moradores que estão em situação de rua. Veja bem: isso não é o limite, mas o piso a ser atendidos nessas 38 cidades”, disse nesta quarta-feira (23) Jader Filho durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Essas cidades foram selecionadas por meio de levantamentos feitos por várias pastas ministeriais, tendo por base cidades com maior concentração de pessoas em situação ou em trajetória de rua.

Brasília (DF) 23/04/2025 – O ministro das Cidades, Jader Filho, participa do programa Bom Dia, Ministro. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Portaria

A portaria interministerial que destina este mínimo de 3% das moradias foi assinada na terça-feira (22). O texto define critérios para escolha e priorização dos beneficiários, que inclui famílias com crianças e adolescentes, mulheres, pessoas trans, grávidas, indígenas, pessoas idosas e pessoas com deficiência.

“As casas serão doadas, a partir do MCMV com orçamento da União. Terá também acompanhamento e trabalho prévio com as famílias, de forma a inseri-las no mercado de trabalho; de colocar as crianças na escola”, disse o ministro.

“E vamos sempre verificar quais são os equipamentos que precisam estar por perto dessas famílias”, acrescentou referindo-se, especialmente, a equipamentos de saúde e educação, bem como aos processos de avaliação e acompanhamento social que será feito junto às famílias.

>>Minha Casa, Minha Vida é reparação histórica com o povo, diz Lula

Peso do setor

Jairo Filho lembrou que o MCMV é responsável por mais de 50% dos lançamentos imobiliários feitos no Brasil. “Isso nos dá ideia do peso que esse setor tem para o emprego e para a economia”.

Segundo o ministro, o programa superará as metas estabelecidas pelo governo. “A meta inicial era a de o programa alcançar 2 milhões de contratos. Já estamos chegando a 1,5 milhão. Ampliamos então a meta para 2,5 milhões, mas devemos chegar perto de 3 milhões de unidades habitacionais contratadas pelo governo federal”, complementou.

PAC 

O ministro reiterou que não faltarão recursos para o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Quero dar um recado aqui a prefeitos, prefeitas, governadores e governadoras: não haverá falta de recurso para as obras do PAC. Isso é um compromisso do governo do presidente Lula”, disse.

“Podem ficar tranquilo. Toquem as obras; avancem com elas. Pode ser que alguns empresários tenham receio. Mas eles podem avançar porque não haverá falta de recurso. Pelo contrário: precisamos na verdade acelerar ainda mais esse processo para entregar obras à sociedade brasileira”, complementou.

Confira abaixo a lista dos municípios beneficiados pela nova portaria do Minha Casa, Minha Vida:

  1. Aracaju (SE);
  2. Belém (PA);
  3. Belo Horizonte (MG);
  4. Boa Vista (RR);
  5. Brasília (DF);
  6. Campinas (SP);
  7. Campo Grande (MS);
  8. Cuiabá (MT);
  9. Curitiba (PR);
  10. Feira de Santana (BA);
  11. Florianópolis (SC);
  12. Fortaleza (CE);
  13. Foz do Iguaçu (PR);
  14. Goiânia (GO);
  15. Guarulhos (SP);
  16. João Pessoa (PB);
  17. Joinville (SC);
  18. Juiz de Fora (MG);
  19. Macapá (AP);
  20. Maceió (AL);
  21. Manaus (AM);
  22. Natal (RN);
  23. Osasco (SP);
  24. Palmas (TO);
  25. Porto Alegre (RS);
  26. Porto Velho (RO);
  27. Recife (PE);
  28. Rio Branco (AC);
  29. Rio de Janeiro (RJ);
  30. Salvador (BA);
  31. Santos (SP);
  32. São José do Rio Preto (SP);
  33. São José dos Campos (SP);
  34. São Luís (MA);
  35. São Paulo (SP);
  36. Teresina (PI);
  37. Uberlândia (MG); e
  38. Vitória (ES).

Ataques aéreos israelenses matam 10 em escola com desabrigados

Um ataque aéreo israelense a uma escola que abrigava famílias desabrigadas no norte de Gaza matou pelo menos 10 pessoas, enquanto outro atingiu um hospital infantil, informaram autoridades de saúde locais, elevando o número de mortos nesta quarta-feira (23) para 20.

Os médicos disseram que o ataque aéreo à Escola Yaffa, na área de Tuffah, na cidade de Gaza, incendiou barracas e salas de aula. Não houve comentário israelense sobre o ataque à escola.

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Alguns móveis ainda estavam em chamas várias horas após o ataque, enquanto as pessoas vasculhavam as salas de aula e o pátio da escola em busca de seus pertences.

“Estávamos dormindo e de repente algo explodiu, começamos a procurar e encontramos toda a escola em chamas, as barracas aqui e ali estavam em chamas, tudo estava em chamas”, disse a testemunha Um Mohammed Al-Hwaiti.

“As pessoas estavam gritando e os homens estavam carregando pessoas carbonizadas, crianças carbonizadas, estavam caminhando e dizendo: ‘Querido Deus, querido Deus, não temos ninguém além de você’ O que podemos dizer? Querido Deus, somente”, afirmou ela à Reuters.

Os médicos disseram que pelo menos mais 10 pessoas foram mortas em ataques israelenses separados no enclave.

Desde o colapso do cessar-fogo de janeiro, em 18 de março, os ataques israelenses mataram mais de 1.600 palestinos, de acordo com as autoridades de saúde de Gaza, e centenas de milhares de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, à medida que Israel se apoderou do que chama de zona tampão das terras de Gaza.

UTI danificada

Nesta quarta-feira, o Ministério da Saúde de Gaza disse que um míssil israelense também atingiu o prédio superior do Hospital Infantil Durra, na Cidade de Gaza, danificando a unidade de terapia intensiva e destruindo o sistema de painéis solares que alimenta a instalação com energia. Ninguém morreu no ataque ao hospital.

O sistema de saúde de Gaza está próximo do colapso devido ao bloqueio israelense a todos os suprimentos para a cidade, inclusive combustível e eletricidade, desde o início de março, quando as operações militares foram retomadas.

O governo israelense afirma que o bloqueio tem como objetivo pressionar os militantes do Hamas, que comandam Gaza, a libertar os 59 reféns israelenses restantes capturados nos ataques de outubro de 2023 que precipitaram a guerra. O Hamas afirma que está disposto a libertá-los, mas somente como parte de um acordo que ponha fim à guerra.

Libertadores: Botafogo enfrenta o Estudiantes em La Plata

O estádio Jorge Luís Hirschi, na cidade de La Plata (Argentina), abre os portões para a partida entre Estudiantes (Argentina) e Botafogo, a partir das 21h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira (23), Dia de São Jorge, pela terceira rodada do grupo A da Copa Libertadores da América. A Rádio Nacional transmite o confronto ao vivo.

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O Alvinegro ocupa o terceiro lugar da chave, após estrear com derrota de 1 a 0 para a Universidad de Chile (Chile) e superar o Carabobo (Venezuela) por 2 a 0.

O técnico Renato Paiva tem o desfalque do zagueiro Jair e continua sem o atacante Santiago Rodriguez. A boa notícia é que o defensor Alexander Barboza, que sentiu uma lesão no início do jogo contra o Atlético-MG, viajou junto com o elenco botafoguense.

Contratado em fevereiro, o treinador Renato Paiva soma sete partidas à frente do Alvinegro de General Seceriano, somando duas vitórias, dois empates e três derrotas. O mau começo gera críticas e até o dono do clube, John Textor, já veio a público manifestar apoio ao técnico e afirmar que ajustes de rotas podem acontecer ao longo da temporada. Paiva reconhece o mau momento, mas prometeu reação logo após a derrota por 1 a 0 para o Galo: “Efetivamente, concordo que os resultados não estão a aparecer. A fase não é boa, mas este grupo já viveu isto e vamos reverter essa fase com muito trabalho”.

O Botafogo não vence há três partidas e ocupa apenas a 15ª posição do Campeonato Brasileiro com 5 pontos conquistados. Já o Estudiantes é o 6º colocado do Grupo A do Torneio Abertura do Campeonato da Argentina e vem de derrota, por 2 a 0, para o Boca Juniors (Argentina). Em entrevista coletiva, o técnico Eduardo Domingues afirmou: “Vamos cometer erros e vamos nos recuperar. É disso que se trata, de tentar, do jeito que fazemos. Só pensamos em vencer um grande rival. Toda a minha energia está concentrada nisso”.

Estudiantes e Botafogo terá a arbitragem do uruguaio Gustavo Tejera, que será auxiliado pelos também uruguaios Carlos Barreiro e Matias Muniz. Já o VAR é de responsabilidade de Antonio Garcia (Uruguai).

Transmissão da Rádio Nacional

A Rádio Nacional transmite o jogo com narração de André Luiz Mendes, comentários de Rodrigo Ricardo e reportagem de Brundo Mendes. Você acompanha o Show de Bola Nacional aqui:

Rio abre oficialmente o calendário como Capital Mundial do Livro

Um espetáculo no Teatro Carlos Gomes, às 9h, marca, nesta quarta-feira (23), a abertura oficial do Rio Capital Mundial do Livro, título concedido à cidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). As últimas cidades selecionadas pela Unesco foram Sharjah (2019), Kuala Lumpur (2020), Tbilisi (2021), Guadalajara (2022), Accra (2023) e Estrasburgo (2024).

No Teatro Carlos Gomes, haverá performances artísticas sobre a obra de autores da literatura brasileira. A solenidade terá autoridades, representantes da Unesco e nomes do cenário cultural do Brasil. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, receberá o título oficial das mãos da prefeita de Estrasburgo, na França, Jeanne Barseghian.

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Durante o período de um ano, o Rio terá uma agenda de eventos e ações para formular novas políticas públicas de leitura. A prefeitura coloca como destaque da agenda a Bienal do Livro, de 13 a 22 de junho, e uma edição especial do Prêmio Jabuti, realizada pela primeira vez no Rio de Janeiro. 

A programação inclui ainda atividades em bibliotecas municipais, exposições em museus, cafés literários, saraus, ações em livrarias e feiras literárias e intervenções culturais nos principais terminais de transporte público da cidade.

A Secretaria de Cultura anunciou que beneficiará 50 mil pessoas com políticas nacionais de fomento à cultura. Entre as ações, estão os projetos Noite com Livros; o Book Parade Rio 2025; o Rio de Livros e a Academia Editorial Jr.

Dia Mundial do Livro

Desde 1995, o dia 23 de abril também marca o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais. No Rio de Janeiro, a data será comemorada na Casa Firjan, em Botafogo, com o evento gratuito O Rio em verso e prosa, que oferecerá atividades literárias para todas as idades.

A programação da Casa Firjan inclui contações de histórias, intervenções artístico-literárias, apresentação teatral e outras vivências que convidam o público a refletir sobre a literatura como caminho para o conhecimento, a cultura e a construção da identidade.

No evento, será lançado o livro Falando sério sobre adolescência, de Thalita Rebouças e Renato Caminha, com sessão de autógrafos. E, no fim da tarde, uma mesa literária com dois vencedores do Prêmio Jabuti: Raphael Montes, autor da novela Beleza Fatal, e Fabrício Carpinejar, com mais de 1 milhão de livros vendidos.

Poucos leitores

O título dado ao Rio de Janeiro é uma oportunidade para repensar os programas de leitura e de acesso aos livros em todo o país. A 6⁠ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024, mostra que houve uma redução de 6,7 milhões de leitores no país. 

O levantamento realizado pelo Instituto Pró-Livro também indicou que a proporção de não leitores foi maior do que a de leitores pela primeira vez na série histórica.

Nos três meses anteriores à pesquisa, 53% das pessoas não leram nem parte de um livro, seja impresso ou digital, de qualquer gênero, incluindo livros didáticos e religiosos. Considerando apenas livros inteiros lidos no mesmo período, o percentual foi de 27%.

A pesquisa foi feita em 208 municípios. A maioria dos leitores corresponde ao gênero feminino (50,4%), sendo a faixa etária de 11 anos a 13 anos a que mais lê (81%). A Região Sul apresentou a maior proporção de leitores (53%). Em seguida, surgem as regiões Norte (48%), Centro-Oeste (47%), Sudeste (46%) e Nordeste (43%).

Outra questão a ser considerada é o preço dos livros e a capacidade de compra dos consumidores brasileiros. O 9º Painel de Varejo de Livros no Brasil, produzido pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), mostrou que o preço médio do livro no país subiu 12,20%, atingindo R$ 51,48.

Outra pesquisa, da Câmara Brasileira do Livro (CBL), reforça os dados do Snel. No último balanço, apenas 16% da população brasileira acima de 18 anos de idade diz ter comprado ao menos um livro nos últimos 12 meses.

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 5

A Caixa Econômica Federal paga nesta quarta-feira (23) a parcela de abril do novo Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 5.

O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 668,73. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do governo federal alcançará 20,48 milhões de famílias, com gasto de R$ 13,66 bilhões.

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Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até 6 meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Os beneficiários de 659 cidades receberam o pagamento no último dia 15, independentemente do NIS. A medida beneficiou moradores do Rio Grande do Sul, afetados por enchentes de abril a junho, e de mais seis estados, afetados por chuvas ou por estiagens. Além de todos os 497 municípios gaúchos, o pagamento unificado ocorreu em 169 cidades do Piauí, 12 de São Paulo, dez do Paraná, seis de Roraima, três do Amazonas e duas do Rio de Janeiro.

A lista dos municípios com pagamento unificado pode ser conferida na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social na internet.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Regra de proteção

Cerca de 3,05 milhões de famílias estão na regra de proteção em abril. Em vigor desde junho de 2023, essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo. Para essas famílias, o benefício médio ficou em R$ 366,77.

 

Arte EBC

Auxílio Gás

O Auxílio Gás também será pago nesta quarta-feira às famílias cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com NIS final 5. O valor subiu para R$ 108 neste mês.

Com duração prevista até o fim de 2026, o programa beneficia 5,37 milhões de famílias. Com a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, no fim de 2022, o benefício foi mantido em 100% do preço médio do botijão de 13 quilos.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

País precisa dobrar investimentos em drenagem, defende Trata Brasil

Mesmo com tantas tragédias recentes causadas pelas chuvas, os investimentos em drenagem e manejo de águas pluviais não são nem a metade do ideal, de acordo com levantamento do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta quarta-feira (23). De 2017 a 2023, esses aportes, em média, foram de cerca de R$10 bilhões ao ano, mas precisam subir para pelo menos R$ 22 bilhões para que o país consiga universalizar o serviço até 2033, conforme a meta do Marco Legal do Saneamento.

O instituto ressalta que os desafios são grandes em muitas cidades. Dados do último Diagnóstico Temático do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico, que investigou a situação de 4.958 municípios, mostram que 32,49% não possuem qualquer sistema de drenagem e em 12,59% das cidades o mesmo sistema é usado para escoar esgoto e água da chuva. Apesar de quase 80% das vias públicas urbanas serem pavimentadas, apenas 33,5% contam com redes ou canais pluviais subterrâneos.

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Além disso, apenas 263 municípios, o que representa 5,3% do total, possuem planos diretores de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais e somente 157, pouco mais de 3%, contam com sistemas de tratamento das águas pluviais. O Instituto Trata Brasil considera que essas ações são fundamentais para mitigar os efeitos ambientais das tempestades.

“O cenário da drenagem e manejo de águas pluviais no Brasil é extremamente precário e isso leva a um risco direto para a vida da população. Não investir no tema é condenar milhões de brasileiros a uma vida de incertezas. E como vamos evoluir se 94,7% municípios do país não contam sequer com um Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais?”, questiona a presidente executiva do instituto, Luana Pretto.

“Os governantes devem aprender com seus próprios erros e os dos seus antecessores, que historicamente negligenciaram essa questão, e priorizar urgentemente os investimentos em drenagem urbana e manejo de águas pluviais”, defende Luana.

Ela complementa que as prefeituras de todo Brasil estão no início de mandatos, o que representa um bom momento para encaixar projetos de drenagem urbana nos planejamentos e nos orçamentos municipais.

Dados oficiais reproduzidos pelo estudo mostram que, de 1991 a 2023, foram registrados quase 26 mil eventos hidrológicos de desastres no país, que resultaram em 3.464 mortes e causaram prejuízos superiores a R$ 151 bilhões, e 74% deles tiveram relação com chuvas intensas. A conta não considera o impacto da tragédia no Rio Grande do Sul em 2024, que vitimou 183 pessoas e deixou 27 desaparecidas.

Dia Nacional do Choro: repertório de rodas não abandona clássicos

Esta quarta-feira (23) é Dia de São Jorge, feriado no estado do Rio de Janeiro. Mas o santo celebrado por cariocas e fluminenses passou a dividir seu dia com os chorões. Desde o ano 2000, o 23 de abril também é Dia Nacional do Choro, um gênero musical brasileiro, nascido no Rio.

A data foi estabelecida na Lei 10.000/2000, assinada pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, foi escolhida para homenagear o nascimento de outro “santo”: o pagão “São Pixinguinha”, como dizem nas rodas de choro. O detalhe é que, na verdade, Pixinguinha nasceu em 4 de maio de 1897 ─ como pesquisadores da música brasileira posteriormente desvendaram.

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Para saber mais sobre os mistérios do choro, uma música de matriz popular e acadêmica, a Agência Brasil entrevistou o cavaquinista Henrique Cazes, professor Programa de Pós-Graduação Profissional em Música da UFRJ, autor de quase uma dezena de livros sobre o choro e seus personagens.

Leia a seguir principais trechos da entrevista

Agência Brasil: O 23 de abril é Dia Nacional do Choro em referência à data presumida de nascimento do Pixinguinha. O choro tem mais de uma definição, seja como gênero musical ou como uma maneira de tocar uma música. Há também mais de uma explicação por que foi batizado com nome choro. Que outros mistérios tem essa música que identificamos como genuinamente brasileira e com mais de 150 anos?

Henrique Cazes: Mistério não falta no choro. A gente pode assinalar um padrão de composição que foi estabelecido pelos pioneiros, desde Henrique Alves de Mesquita, Chiquinha Gonzaga, Joaquim Callado, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros. Esses compositores de grande talento estabeleceram um padrão de acabamento, de elaboração nas composições, e isso tudo fez com que o choro, já no início, fosse uma música que era difícil de se fazer. No entanto, 150 anos depois, não para de aparecer gente fazendo choro e continuando a perseguir esse padrão de qualidade composicional.

Eu acho que isso é um mistério, porque se essa música fez tão pouco o sucesso comercial, por que haveria paixão de gerações a gerações? É algo, realmente, que é um mistério. A gente pode ter uma explicação bem técnica e racional, mas, do ponto de vista da paixão, é algo que que me admira até os dias de hoje, quando eu chego numa roda de choro e encontro músicos muito jovens tocando de uma forma que não envolve só a técnica, conhecimento, mas envolve também esse amor por essa música. Isso é algo incrível.

Outra coisa que eu também acho misteriosa é como, ao longo desses 150 anos, o repertório foi crescendo do ponto de vista acumulativo. Quero dizer que aquilo que é lá de trás não é descartado. E, à medida que vão surgindo novos compositores, vão surgindo novos clássicos, e os antigos não deixam de ser tocados. No choro, às vezes, a grande novidade que aparece numa roda é uma polca do Século 19 que foi tirada do baú de algum lugar, de alguma pesquisa. É fascinante isso. Não se deixa nada pelo caminho, vai se acumulando.

Agência Brasil: As rodas de choros teriam alguma responsabilidade pela longevidade da música?

Henrique Cazes: Eu escrevi um livro chamado O choro reinventa a roda, e seu título completo seria O choro reinventa a roda e a roda reinventa o choro. É realmente muito importante, ao longo desse tempo todo, a experiência compartilhada de interpretação em que há uma convivência harmoniosa entre a memorização de repertório e o improviso. Isso é uma coisa muito importante para que o choro esteja em constante renovação, numa dinâmica muito viva.

 

Henrique Cazes, músico e professor. Henrique Cazes/Arquivo Pessoal

Agência Brasil: Não havia disco nem rádio no início do choro. Foi pelas rodas que a música se perpetuou até haver um meio de comunicação que a levasse a um público maior?

Henrique Cazes: Foi pelas rodas de choro e também pelas partituras. Uma parte do contingente dos chorões, desde o início, era de leitores de música que faziam as anotações. Um músico copiava do caderno do outro, e esses cadernos se multiplicaram e foram importantes na fixação do repertório do Século 19. Depois de um certo ponto, em torno do ano de 1900, começam a imprimir partituras em quantidade maior.

Já na era do rádio, os conjuntos tocavam choro [no ar, ao vivo]. Os grandes solistas que lideravam esses conjuntos, chamados regionais, foram figuras importantes. Eram solistas tão conhecidos quanto os cantores mais famosos. O conjunto do Jacob do Bandolim, o conjunto do Benedito Lacerda, o conjunto do Altamiro Carrilho. Eles eram atrações também na programação do rádio.

A era do rádio foi uma coisa muito importante, mas eu acho que as rodas de choro selecionaram o acervo musical. Uma parcela do repertório foi mudando de acordo com o núcleo de chorões [que tocavam nas rodas de choro] e reafirmava pertencimento em razão do amor pela música. As rodas também são uma maneira dos amadores encontrarem os profissionais.

Agência Brasil: No livro O choro reinventa a roda, você chama de Fase Defensiva do Choro um período que vai de 1932 a 1980. Nesses quase 50 anos iniciados com a era do rádio, tivemos nomes como Pixinguinha, Garoto, Jacob do Bandolim, Benedito Lacerda, Altamiro Carrilho, Abel Ferreira, Zé Menezes, Valdir Azevedo, Zé da Velha e outros tantos citados. Com elenco desses, o melhor nome que a gente poderia chamar é de fase defensiva?

Henrique Cazes: Na verdade, o que aconteceu, coincidentemente com a era do rádio, foi um distanciamento dos profissionais do ambiente da roda. Ou seja, um distanciamento entre profissionais e amadores. E isso fez com que os amadores fechassem o ambiente do choro. Daí é esse nome de “fase defensiva”, porque a roda de choro ganha um caráter meio iniciático, uma coisa quase maçônica. É um momento difícil, em que, praticamente, a transmissão se dá por meio dos discos, dos quais os músicos amadores conseguiam tirar o repertório. As rodas eram muito fechadas. Dois musicólogos norte-americanos, Tamara Livington-Isenhour e Thomas Garcia, nomearam essa fase como “defensiva”, e eu aproveitei ao constatar na descrição de vários chorões o temor que havia de que as rodas se abrissem e se desvirtuasse. Uma visão muito conservadora.

Agência Brasil: Nesses tempos fechados, as rodas de choro se esconderam nos quintais do subúrbio do Rio de Janeiro? O que a cidade tem a ver com esse momento do choro?

Henrique Cazes: Em depoimento ao Museu da Imagem e do Som, Jacob do Bandolim disse que as rodas de choro estavam rareando porque não se admitia uma roda sem um quintal, sem uma varanda. E havia uma transformação urbana, com o desaparecimento do modo de viver da casa, com espaço, dando lugar a prédios de apartamento, ainda nos anos 1950 e 60. Em um apartamento é muito complicado fazer alguma coisa desse tipo.

Agência Brasil: Os baianos, como os cariocas, reivindicam a paternidade do samba. Mas sobre o choro não há querela, é uma música genuinamente carioca. Por que o choro nasceu no Rio?

Henrique Cazes: A experiência que levou ao aparecimento do choro só poderia ter acontecido em uma cidade que, no Século 19, em 1808, recebe a corte portuguesa. Uma cidade que tinha população negra muito grande, não só pessoas escravizadas, e onde houve encontro com a cultura de origem europeia. O mundo acadêmico não era longe desse mundo da música popular. Tudo isso fez com que o choro tivesse características tão peculiares. A certidão de nascimento carioca é inquestionável porque, naquele momento, a única cidade que tinha essa mistura específica [era o Rio], inclusive com a quantidade de músicos e professores de música trazidos pela corte.

O professor belga Métier André Hacker foi professor do Joaquim Callado. Eles se tornam grandes amigos e acabaram compondo dentro das formas do choro: do lundu e da polca abrasileirada. Havia uma interação de fato com os olhos na Europa e os pés no chão dos terreiros.

Agência Brasil: Nesse chão dos terreiros, também vai ter samba… Você percebe dinâmicas diferentes entre as rodas de choro e as rodas de samba?

Henrique Cazes: A principal diferença é o elemento corpo. A roda de choro é um ritual construído por sons e olhares. Na roda de samba, o corpo é o dono do samba, e o samba é o dono do corpo. Aliás o [sociólogo e jornalista] Muniz Sodré já escreveu um livro com esse título. Essa parte que envolve sensualidade, tão marcante da roda de samba, é ausente na roda de choro.

É algo muito sutil e é justamente o mistério da roda de choro, com características que parecem tão pouco atrativas principalmente às pessoas mais jovens, conseguir existir há 150 anos. E está aí firme e forte, toda hora aparece uma roda de choro nova. Isso é fascinante, né?

Agência Brasil: Choro e samba não têm em comum os conjuntos chamados de “regionais”?

Henrique Cazes: Não, [o regional] é do samba. A profissionalização do rádio se deu ao mesmo tempo em que houve a consagração do chamado samba batucado. Quer dizer, o samba maxixado dá lugar ao samba batucado. O [maestro e compositor] Benedito Lacerda é o primeiro a aperfeiçoar um conjunto que era ideal para o acompanhamento do samba batucado. Tanto é que na discografia da Carmen Miranda dos anos 1930, os sambas são acompanhados pelo regional do Benedito Lacerda, e as marchas, acompanhadas pela banda do Pixinguinha. A Carmen sabia escolher o melhor acompanhamento para ela. Isso faz com que esse conjunto ─ com dois violões ou três, pandeiro, cavaquinho, um instrumento solista; o chamado regional ─ acabe sendo muito útil nas estações de rádio, porque ele podia acompanhar justamente aquela onda do samba que estava se consagrando como música nacional.

Mas o choro começa a ser tocado de outra maneira. O choro era muito mais perto da polca e do maxixe até o surgimento do conjunto regional do Benedito Lacerda, que é o modelo que todos copiam. O conjunto regional é o acompanhamento ideal do samba batucado que se consagra e muda a maneira de tocar o choro. Até a era do rádio, o choro era tocado por orquestra, tocado por pequenos conjuntos. Tinha piano com flauta, piano com trompete. Havia variedade de instrumentação. A partir da era do rádio, há um afunilamento para o conjunto regional e acaba passando a ideia para as gerações seguintes, que choro era tocado só daquela maneira, só com aquela formação, quando na verdade era uma coisa muito mais diversificada.

Agência Brasil: Morreu recentemente Cristina Buarque, com quem você gravou disco e teve projeto de espetáculos.

Henrique Cazes: No início dos anos 1990, eu e Cristina tínhamos um ponto de encontro que era um bar chamado Bip Bip, em Copacabana, muito perto da casa da mãe dela. [Lá] foi surgindo a ideia de fazer um trabalho sobre Noel Rosa. E homenageando, então, a situação em que todos nos encontrávamos naquele momento, a gente escolheu o título de Sem tostão… a crise não é boato para um show que estreou em março de 1992. Depois de 7 anos com esse show, a gente fez A crise continua e gravamos dois discos.

Nesse espetáculo, éramos só eu e ela. Eu tocando, cantando e contando histórias, e ela cantando. A gente se divertia muito fazendo show. Ela tinha um humor muito peculiar. É uma perda incrível. Cristina foi um exemplo de interesse por repertórios que estavam esquecidos. Há uma geração toda que veio cantando nos espaços da Lapa ─ como Pedro Miranda, Pedro Paulo Malta, Alfredo Del-Penho, Teresa Cristina e outros mais ─ que pegaram o gosto da pesquisa por causa da Cristina. Ela era uma pesquisadora prática. Perguntava: “você conhece aquela música?” Eu respondia; “não conheço, não.” E ela: “vou te mandar”. Outro dia, encontrei na minha casa uma seleção que ela fez de coisas esquecidas do Cartola. Ela queria era que mais pessoas partilhassem daquela paixão dela pelo samba de repertório pouco rodado, né?

Sua morte é uma perda muito grande. Era uma pessoa que, toda vez que a gente sentava para conversar, eram horas de conversa, muita risada, falávamos muita bobagem. Tinha um humor muito ácido, muito crítico. Sua perda para mim foi uma pancada firme. É duro para o samba, é duro para o ambiente das rodas de samba. E o que a gente pode fazer? A gente só pode cantar o repertório dela.

*Apresentador do programa Roda de Samba, da Rádio Nacional.

Flamengo empata com LDU e se complica na Libertadores

O Flamengo emparou sem gols com a LDU (Equador), na noite desta terça-feira (22) no estádio Casa Blanca, nos 2.850 metros da cidade de Quito, e ficou em situação complicada no Grupo C da Copa Libertadores.

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Com o resultado, a equipe comandada pelo técnico Filipe Luís ficou na terceira posição da chave com quatro pontos, mesma pontuação do vice-líder Central Córdoba (Argentina), que mede forças com o Deportivo Táchira (Venezuela) na próxima quinta-feira (24). Já a ponta da classificação do Grupo C é ocupada pela LDU.

Sentindo os efeitos da altitude, o Rubro-Negro da Gávea apresentou muitas dificuldades de jogar. Até conseguiu chegar com perigo em algumas oportunidades ao gol defendido pelo goleiro Gonzalo Valle, mas também viu os equatorianos obrigarem o goleiro argentino Rossi a trabalhar. Aos 37 minutos do segundo tempo Estrada chegou a colocar a LDU em vantagem, mas o lance foi anulado por causa de posição de impedimento do atacante.

Agora o Flamengo se concentra no Campeonato Brasileiro, competição na qual enfrenta o Corinthians no próximo domingo (27), a partir das 16h (horário de Brasília) no estádio do Maracanã.

Inter arranca empate

Quem protagonizou uma jornada de superação foi o Internacional, que, atuando em pleno Beira-Rio, em Porto Alegre, arrancou um empate de 3 a 3 com o Nacional (Uruguai), em jogo válido pelo Grupo F. Coates, Boggio e Millán fizeram os gols do time uruguaio, enquanto Alan Patrick, Fernando e Bernabéi marcaram os do Colorado.

Mesmo com o resultado a equipe comandada pelo técnico Roger Machado permanece na liderança da chave com cinco pontos. Porém, pode ser ultrapassado por Bahia (vice-líder com quatro pontos) e Atlético Nacional (da Colômbia e 3º com três pontos), que medem forças na próxima quinta-feira (24).

Deputado Pedro Lucas recusa convite para ser ministro das Comunicações

O deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) recusou o convite para ser o novo ministro das Comunicações, no lugar de Juscelino Filho, que deixou o cargo.

O nome dele havia sido anunciado pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Gleisi Hoffmann, no dia 10 de abril, após a reunião entre o deputado e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

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Em nota publicada nas redes sociais, o parlamentar disse que pode contribuir mais com o país como líder da bancada do União Brasil na Câmara dos Deputados.

“Sou líder de um partido plural, com uma bancada diversa e compromissada com o Brasil. Tenho plena convicção de que, neste momento, posso contribuir mais com o país e com próprio governo na função que exerço na Câmara dos Deputados”, escreveu Pedro Lucas. 

Segundo ele, a liderança permite dialogar com diferentes forças políticas, construir consensos e auxiliar na formação de maiorias em pautas importantes para o desenvolvimento do país. 

Ele pediu desculpas a Lula pela recusa.

“Recebo seu gesto com gratidão e reafirmo minha disposição para o diálogo institucional, sempre em favor do Brasil”.

Demarcar territórios é luta contínua dos povos indígenas, diz ministra

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, defendeu, nesta terça (22), que o mês de abril é de comemoração, mas também de lutas e de entregas concretas às comunidades originárias no Brasil.   

Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, a ministra disse que a pauta indígena precisa ir além de um dia (19 de abril). Ela ressaltou que é possível perceber que há um aumento da adesão às causas.

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“Um dia é muito pouco para falar de tantas pautas. A principal bandeira de luta dos povos indígenas sempre foi e continua sendo a demarcação dos territórios”, explicou. 

A ministra acrescentou que foram firmadas parcerias com diferentes ministérios em prol das temáticas, como a efetivação do aumento da imunização contra doenças nos territórios. Inclusive, no próximo sábado (26), será lançado o mês da vacinação na Bahia. 

“Ações concretas”

Outras parcerias envolvem ampliar a educação nos estados e também fomentar a agricultura indígena. “São várias as iniciativas que a gente faz para que a gente entregue ações concretas nos territórios”.

Em relação ao meio ambiente, a ministra contextualizou que lideranças indígenas participarão de agendas do evento oficial da COP 30, em Belém, e também de agendas paralelas em propostas contra as mudanças climáticas.

“É importante abrir os espaços para os indígenas participarem e terem também esse direito de escuta direta”, afirmou. 

Sônia Guajajara ressaltou que os indígenas são os principais guardiões da biodiversidade e também os primeiros mais impactados com os fenômenos extremos.

“Temos um modo de vida que protege, que preserva, que cuida das nascentes, que tem água limpa, que tem alimento sem veneno. É muito importante que as pessoas entendam isso para hoje e também para as futuras gerações”.

Lula e Boric querem ampliar relações comerciais entre Brasil e Chile

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (22) que os empresários do Brasil e do Chile devem aprofundar as relações comerciais para alavancar o crescimento da economia dos dois países.

No evento de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Chile, em Brasília, ele incentivou os empresários brasileiros a importarem mais produtos do Chile, para equilibrar a balança comercial. 

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“É preciso que os empresários chilenos e brasileiros saibam que um bom negócio é aquele que todos ganham. E como maior economia da América Latina, o Brasil tem que entender que ele é obrigado a flexibilizar para que as coisas possam acontecer. Não é fazer favor, é ser justo”, disse, ao lado do presidente chileno, Gabriel Boric.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Brasil é o maior parceiro comercial do Chile na América do Sul, com predominância para bens industriais. Já o Chile é o sétimo maior parceiro comercial do Brasil e representa 2,1% da corrente de comércio brasileira. 

Em 2024, o intercâmbio comercial entre os dois países somou US$ 11,7 bilhões, sendo US$ 6,7 bilhões em exportações brasileiras para o Chile e US$ 5 bilhões em importações. 

Lula também destacou que os países da América Latina não devem ficar só esperando ajuda dos países mais ricos, como Estados Unidos e União Europeia. 

“Ninguém vai fazer a gente ficar rico, eles é que vão ficar ricos. O que nós precisamos é nós queremos ficar ricos a partir da nossa capacidade, do nosso investimento”.

Boric destacou a estabilidade socioeconômica do Chile, que torna o país um ótimo destino para investimentos. 

“O Chile é um parceiro confiável, um país estável, seguro que respeita as regras do jogo e com quem é possível fazer negócios de benefício mútuo”.  

O presidente chileno também garantiu que o país não apoia nenhuma guerra comercial

“Acreditamos que o comércio é para irmanar os povos, para gerar riqueza e repartir da melhor maneira. Quando se opta pelo protecionismo, os prejudicados não são as elites políticas, são as pessoas, as famílias, os pequenos produtores”. 

Mais cedo, Boric esteve no Palácio do Planalto para visita de Estado. A visita do chileno busca promover a diversificação das relações entre Brasil e Chile, com uma maior integração logística e comercial. 

Fórum 

O Fórum Empresarial Brasil-Chile é organizado pela CNI e a Sociedad de Fomento Fabril do Chile. São esperados 250 participantes, entre empresários, representantes de entidades setoriais e autoridades dos dois países. 

O objetivo do evento é fortalecer os laços comerciais, impulsionar investimentos e promover a inovação, discutindo ambiente de negócios e prioridades do setor privado. 

A programação do fórum inclui painéis de discussão sobre integração de cadeias produtivas e cooperação em áreas estratégicas como energia, turismo e finanças sustentáveis.

Competição escolar premiará resolução de problemas com tecnologia

Grupos de estudantes de escolas públicas de ensino médio podem se inscrever a partir de hoje (22) na 12ª edição do prêmio Solve for Tomorrow Brasil. A competição avalia soluções a problemas presentes na comunidade dos estudantes, baseadas em ciências, tecnologia, engenharia e matemática. O projeto pode ser inscrito na plataforma do concurso até o dia 30 de junho.

Na edição de 2025 o grupo, de 3 a 5 estudantes, indicará um professor orientador do projeto. Se este não for da área de Ciências da Natureza ou da Matemática o grupo deverá contar também com um professor parceiro, uma espécie de “co-orientador”, ambos da mesma escola que frequentam. Os participantes devem cursar o mesmo ano mas podem ser de turmas diferentes.

No Brasil desde 2014, o programa já envolveu mais de 179 mil alunos, mais de 39 mil professores e 7 mil escolas públicas em todo o país. Os principais temas abordados na última edição foram sustentabilidade e saúde. Entre os Vencedores Nacionais ficaram projetos de filtragem para tratamento da água contaminada por resíduos sólidos, uma mão robótica para pessoas com problemas na coordenação motora fina, e um óculos de visão computacional para pessoas com deficiência visual. Os projetos podem ser vistos no site do prêmio.

Os inscritos terão acesso a conteúdos de apoio e a um processo de mentoria em cada uma das 3 fases, sendo que os 10 finalistas terão apoio para desenvolver protótipos de suas soluções.

Papa Francisco inspira atendimento à população de rua em São Paulo

O sorriso de Francisco está reproduzido na parede de entrada de um consultório na Luz, região central da cidade de São Paulo. O Consultório do Papa, que logo será renomeado com o nome do pontífice, é uma iniciativa de atendimento de resposta imediata para a população que vive nas ruas da capital. O serviço atende há dois meses, com integração entre políticas federais e municipais de saúde.

O espaço está sob coordenação do padre Julio Lancelloti, que também coordena a Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, e para quem a presença do pontífice está além da imagem, do nome e da inspiração.

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“O legado dele é essa presença, que você não vê com os olhos, mas sente no coração”, disse o padre, em entrevista à imprensa nesta terça-feira (22).

Júlio Lancelloti ressaltou que os ensinamentos de Francisco deverão durar muito tempo, pois não foi um papa “só” da igreja católica, mas um papa do mundo, com preocupações para questões atuais, como a pobreza e o meio ambiente.

“[Francisco] era um papa com a preocupação ecológica, com a preocupação da ecologia integral. Nunca nós tivemos uma encíclica como a Laudato Si [sobre o Cuidado da Casa Comum, de 2015], foi um impacto para a humanidade, e veja que nenhum perito do meio ambiente contestou a encíclica, porque o papa não escreveu sozinho, não sentou lá e escreveu, ele contou com a assessoria de milhares de pessoas. Então essa é a beleza, um documento denso, profundo, forte”, afirmou o pároco. Pelo documento, Francisco criticou o consumismo e fez um apelo para que o mundo se unisse em combate à degradação ambiental.

Integrado à rede básica de saúde, o serviço ofereceu hoje vacinação à população. “Infelizmente o negacionismo chegou na rua também. Então existe um medo natural ou fantasias, mas é só na proximidade e no contato que você vence. E não é imediato, é um processo longo. E como você convence? Como você convence qualquer pessoa? Eu vou me vacinar também”, explicou, após tomar uma dose do imunizante.

Para o padre, o Consultório de Rua se trata de vivenciar o legado do cuidado, da misericórdia, de acolher aqueles que ninguém quer. “Esse cuidado com a pessoa, que “é um grande legado do Papa Francisco”, concluiu.

Glauber Braga recorre à CCJ contra processo de cassação do mandato

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) apresentou recurso à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) contra aprovação do processo de cassação de seu mandato pelo Conselho de Ética.

No recurso, o parlamentar pede a anulação do parecer do relator, deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) e que seja declarada a suspeição do relator, por ter agido com parcialidade, conforme o deputado.

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“O recorrente, portanto, não pretende a reavaliação do mérito, mas que, a partir dos fatos, provas e circunstâncias, se restabeleça a ordem constitucional e regimental, por exemplo declarando inexistência de justa causa, de aptidão da inicial (inépcia), da desproporcionalidade ou não razoabilidade da pena de cassação de mandato, ou de que pelos fatos acontecidos não é possível penalização pela cassação”, diz o recurso, assinado por Braga e seus advogados.

Braga alega que houve cerceamento de defesa, que sofre perseguição política e que a pena de cassação do mandato é desproporcional, já que o regimento da Casa prevê punição de censura verbal ou escrita para casos de quebra do decoro parlamentar. 

Segundo o documento, “a perseguição política se mostrou a cada ato excepcionalmente célere do Conselho, a cada pedido negado à defesa e à cada postura dos julgadores, cada vez mais evidentes”.

“Passando por membros do Conselho de Ética que têm Glauber como um inimigo à ser abatido e por um relator política, pessoal e psicologicamente envolvido no caso, que prejulgou e não considerou nenhuma das provas do representado, tudo culminou em uma penalização absolutamente desproporcional, seja pelos fatos processados – que confirmam uma reação a atos reiterados de perseguição insistente (stalking) -, seja pelo histórico de pareceres do Conselho de Ética ou de cassações ou não cassações pela Câmara dos Deputados”, argumenta.

CCJ

Se a CCJ acatar algum dos pontos do recurso de Braga, o trecho questionado terá de ser reanalisado pelo Conselho de Ética. 

Caso a comissão rejeite o recurso, o parecer aprovado pelo Conselho segue para Mesa Diretora da Câmara. 

Entenda o caso

No último dia 9, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados aprovou o parecer de Magalhães pela cassação do mandato de Glauber Braga por quebra de decoro parlamentar. 

Glauber Braga é acusado pelo partido Novo de ter expulsado da Câmara, em abril do ano passado, com empurrões e chutes, o integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro. A cena foi filmada. Costenaro participava de manifestação de apoio a motoristas de aplicativo durante o debate de proposta que regulamenta a profissão (PL 12/24).

Braga afirmou que reagiu às provocações do integrante do MBL, que tem, segundo ele, um histórico de provocações em sequência.

Após a aprovação, o deputado fez greve de fome que durou nove dias, encerrada após acordo firmado com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos- PB), que prevê que o processo de cassação não será analisado neste primeiro semestre

* Com informações da Agência Câmara

World Series de natação: Brasil disputa etapa de Indianápolis

A seleção brasileira de natação paralímpica está nos Estados Unidos, onde, a partir da próxima quinta-feira (24) participa da etapa de Indianápolis do World Series, um circuito internacional da modalidade organizado pelo Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês).

Na competição, que contará com provas multiclasses (com nadadores com diferentes tipos de deficiência nadando a mesma série), o Brasil será representado por cinco atletas. Um dos destaques da equipe brasileira é o mineiro Gabriel Araújo, da classe S2 (limitações físico-motoras), dono de seis medalhas paralímpicas.

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Além disso, o Brasil entra na piscina com Talisson Glock, Larissa Rodrigues, Matheus Junio Brambilla e Milaini Alviço Araújo.

Em 2025 a seleção brasileira de natação paralímpica já participou de duas etapas do World Series. Em Lignano Sabbiadoro (Itália), o país encerrou a participação com quatro ouros e quatro pratas, ficando na segunda colocação geral do quadro de medalhas. Já em Barcelona (Espanha), o Brasil fechou sua campanha com 11 pódios, sendo seis ouros, três pratas e dois bronzes.

Dólar cai para R$ 5,72 e atinge menor nível em quase três semanas

O retorno do feriado prolongado de Páscoa e de Tiradentes foi marcado pela trégua no mercado financeiro. O dólar teve forte queda e atingiu o menor nível em quase três semanas. A bolsa subiu pela segunda vez consecutiva e recuperou os 130 mil pontos.

O dólar comercial encerrou esta terça-feira (22) vendido a R$ 5,728, com queda de R$ 0,076 (-1,32%). A cotação iniciou o dia próxima da estabilidade, mas passou a despencar após a abertura dos mercados norte-americanos, até fechar próxima da mínima da sessão.

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No menor valor desde 3 de abril, a moeda norte-americana, que encostou em R$ 6 no último dia 8, acumula alta de apenas 0,38% no mês. A divisa cai 7,31% em 2025.

O mercado de ações também teve um dia de recuperação. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 130.464 pontos, com alta de 0,63%. O indicador está no maior nível desde 3 de abril, dia seguinte à entrada em vigor do tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump.

Nesta terça, o dólar caiu perante as moedas de países emergentes, enquanto subiu na comparação com moedas de economias desenvolvidas. A queda foi represada durante o feriado prolongado, quando Trump prometeu encontrar uma maneira de demitir o presidente do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano), Jerome Powell.

Em contrapartida, as commodities (bens primários com cotação internacional), que haviam caído durante o feriado, em resposta às declarações de Trump, voltaram a subir nesta terça. O movimento de correção favoreceu países exportadores de bens agrícolas e de minerais, como o Brasil.

* Com informações da Reuters.

Comissão da Câmara aprova porte de arma para oficiais de justiça

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (22) parecer favorável ao projeto de lei que autoriza o porte de armas de fogo para oficiais de justiça e agentes socioeducativos.

O Projeto de Lei (PL) 4.256/2019, do senador Fabiano Contarato (PT-ES), já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado

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Ao modificar o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826 de 2003), que regula a posse, o porte e a comercialização de armas de fogo no Brasil, a proposta visa incluir expressamente esses profissionais entre os autorizados a portar arma de fogo, dadas as peculiaridades e riscos inerentes ao exercício de suas funções. 

O relator da matéria, deputado Sanderson (PL-RS), destacou que, atualmente, os agentes socioeducativos de segurança exercem funções análogas às dos policiais penais, lidando com adolescentes em conflito com a lei em unidades de internação, muitas vezes em ambientes de grande tensão e vulnerabilidade. Ele também destacou que os oficiais de justiça realizam diligências em locais muitas vezes ermos ou de alta periculosidade, incluindo o cumprimento de mandados de busca, prisão, reintegração de posse e medidas protetivas. 

“O reconhecimento do porte de arma para essas categorias não apenas promove a sua proteção pessoal, como também reforça a autoridade do Estado no cumprimento da lei e no exercício das suas funções essenciais à Justiça e à segurança pública”, disse o deputado. 

O projeto ainda deve passar por análise da Comissão de Finanças e Tributação e da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.