Lucas Pinheiro é prata em Copa do Mundo de Esqui Alpino, na Suíça

O esquiador brasileiro Lucas Pinheiro Braathen ficou em segundo lugar no slalom na etapa da Copa do Mundo de Esqui Alpino neste domingo (18), disputada em Wengen, na Suíça. Com o resultado foi o melhor já obtido por um brasileiro na competição e seu quarto pódio na temporada.

O brasileiro fechou a prova com o tempo de 1min46s46 na somatória das duas descidas. Na primeira, Lucas registrou 53s39; na segunda, Lucas foi ainda melhor: 53s07.

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No total, o esquiador ficou apenas 0,47 segundo atrás do campeão Atle Lie McGrath, da Noruega, que levou o ouro, com 1min45s99. Outro norueguês, Henrik Kristoffersen, foi bronze, com 1min46s80.

Às vésperas dos Jogos Olímpicos de Inverno nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, o brasileiro já soma três pódios. Além da medalha de hoje, ele foi ouro na prova de slalom na Finlândia; e prata em Alta Badia, na Itália, no slalom gigante.

Pesquisa inédita com genoma protege espécies de peixes da Amazônia

O pirarucu (Arapaima gigas) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum) são duas espécies de peixes amazônicos que, além de compartilharem o bioma de origem, possuem outras características em comum: a alta demanda pela gastronomia e a dificuldade de reprodução em ambientes de piscicultura.

Foram essas características que os elegeram as primeiras espécies a terem seus conjuntos de DNA decifrados por um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

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Segundo o pesquisador Sidney Santos, que liderou a equipe do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas, o estudo foi motivado pela necessidade de conter os impactos causados pelo avanço da exploração predatória dessas espécies, em função do aumento da demanda.

“A ideia central é, se você de uma forma equilibrada e direcionada conseguir conhecimento suficiente para produzir esses peixes do jeito mais sustentável possível, você pode diminuir a demanda da natureza”, explica.

Estudo da UFPA foi motivado pela necessidade de conter impactos causados pelo avanço da exploração predatória dessas espécies, entre elas o pirarucu. – Divulgação/WWF Brasil

DNA

A forma mais completa de buscar esse conhecimento é decifrando o DNA (ácido desoxirribonucleico) fornecido por amostras biológicas de vários indivíduos das espécies. Essa molécula, composta por quatro tipos de nucleotídeos (Adenina (A), Timina (T), Citosina (C) e Guanina (G), guarda informações precisas sobre saúde, traços físicos e ancestralidade, por exemplo.

No caso do estudo com o pirarucu e o filhote, os cientistas colheram amostras de mais de 100 peixes, para que os DNAs pudessem ser lido por um sequenciador genético capaz de entender a ordem dos nucleotídeos. Cada ordem diferente traz informações sobre um ser vivo, que juntas formam o genoma daquela espécie. Um tipo de manual completo sobre o grupo.

“Isso pode valer para qualquer animal que você imagine, qualquer vegetal. O modelo é sempre o mesmo. Se você, de uma forma sustentada, consegue a informação completa sobre o genoma desses animais, você pode fazer qualquer coisa com eles, inclusive reproduzir”, diz Santos.

Segundo o pesquisador, na prática, é possível saber se aquele peixe é filho de uma matriz para produção na piscicultura, ou se ele foi retirado diretamente da natureza e comercializado para outro país.

Rastreabilidade

A proteção das espécies vai além de aliviar a retirada do meio ambiente de peixes reproduzidos naturalmente. Por meio do conhecimento do genoma das espécies, é possível também saber a origem precisa daquele animal.

Segundo o diretor do Instituto Sócio Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, Igor Hamoy, que participou do estudo da UFPA, além de todo o conhecimento fisiológico, o genoma permite a rastreabilidade genética.

“Com a história que está dentro do genoma do pirarucu, por exemplo, eu consigo descobrir se um pirarucu que está sendo vendido em Boston foi oriundo da Amazônia”, diz Hamoy.

Ele destaca ainda que toda a informação trazida pelo estudo é registrada em um banco genético público, possibilitando o avanço de novas pesquisas sobre a espécie.

“Eu consigo descobrir exatamente que espécie é aquela e não ter mais dúvidas se o nome científico ou o nome vulgar, que está sendo utilizado por uma comunidade, é realmente aquele peixe que aquela comunidade amazônica há muito tempo come, há muito tempo trabalha”, destaca.

Avanços

Foi a partir da informação obtida, que os pesquisadores conseguiram avançar sobre os principais entraves em relação a psicultura do pirarucu e do filhote: a indução do hormônio sexual, o desenvolvimento de uma nutrição adequada para ambientes artificiais e a rastreabilidade para evitar que espécies amazônicas sejam comercializadas de forma ilegal.

Segundo a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, esses avanços da ciência são orientadores na implementação de políticas públicas de conservação no país.

“A pesquisa genética contribui para aumentar nosso conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e também contribui para a gente conseguir melhor compreender o que a gente já fez e o que ainda falta ser feito,” afirmou.

De acordo com a secretária, o planejamento até 2030, previsto na Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb) foi pensado a partir do que a ciência aponta ser necessário para reduzir a perda de biodiversidade e regenerar os biomas brasileiros.

Algumas políticas públicas dependem ainda mais dos genomas decifrados por cientistas, como é o caso da elaboração das listas de espécies exóticas invasoras e Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Outro exemplo citado pela secretária é o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado pelo governo federal em 2024.

“Em processos de refaunação, porque fauna desapareceu, ou restauração de vegetação, essa biblioteca de informação genética permite que a gente possa ter acesso ao conhecimento necessário para devolver aos lugares certos as espécies”, explica Mesquita.

Desafios

Pesquisador da UFPA, Sidney Santos, liderou  estudo sobre impactos causados pelo avanço da exploração predatória. Foto: Sidney Santos/Arquivo Pessoal

Na avaliação do pesquisador Sidney Santos, a ampliação de estudos para decifrar genomas de espécies em geral é um tipo de conhecimento que tem uma tendência de avançar no país e em todo o mundo, principalmente pela diminuição do custo dos recursos necessários.

“O genoma humano, que foi o primeiro, demorou 10 anos para fazer, custou de US$ 2,5 a 3 bilhões. A partir daí, o poderio das máquinas foi aumentando. Hoje, com o MGI, que é o equipamento [sequenciador de DNA] que usamos, você consegue fazer 48 genomas humanos em 3 horas, a um custo, que eu espero que ainda diminua, de US$1,5 mil a US$ 2 mil no máximo”, diz.

Por outro lado, Hamoy destaca que para a região amazônica os desafios são maiores que em outras regiões do país. De acordo com Santos, além do equipamento da UFPA ser o único sequenciador genético do setor público da Amazônia, há ainda o chamado “custo Amazônia” causado por dificuldades logísticas e operacionais.

“O custo hoje está menor, mas não é um custo ainda acessível para qualquer pesquisador, para qualquer universidade. Então o parque tecnológico que a UFPA tem aqui, no Laboratório de Genética Humana e Médica, é um parque que consegue fazer tudo isso, informou.

“Mas o insumo dessa pesquisa, por exemplo, tem que ser financiado. Então, assim, são muitas linhas de pesquisa, que precisam de financiamento, especialmente aquelas que são pesquisas aplicadas”, acrescentou.

Para Rita Mesquita, o trabalho para assegurar que espécies não sejam perdidas é um desafio do tamanho da biodiversidade do país: a maior do mundo.

“O que o Ministério [do Meio Ambiente] faz nesse sentido é continuar trabalhando com a ciência para aprimorar nossa informação sobre áreas prioritárias, continuar buscando a proteção dos territórios para as espécies, principalmente aquelas mais ameaçadas, que essas espécies tenham a devida proteção para não desaparecer”, reforça.

E o papel da ciência é parte fundamental para gerar conhecimento que permita que a interação de humanos com espécies de qualquer bioma seja pautada por parâmetros de sustentabilidade, destaca a secretária.

“Isso vale para bicho e vale para planta. Se a gente tem formas de manejar de maneira sustentável, formas de recuperar, restaurar e devolver, a gente pode estabelecer uma relação onde as espécies possam ser manejadas a partir de princípios sustentáveis do manejo de baixo impacto e com populações asseguradas em áreas protegidas”, conclui.

Enredos das escolas de samba contam a história não oficial

Descreve a etimologia disponível na internet que no DNA linguístico do substantivo “enredo” está no verbo “enredar”. As duas palavras têm ascendência latina, derivam de ‘rete’ (rede). Como os linguistas, pescadores e peixes sabem, o enredo resulta de uma trama de fios que envolvem e capturam.

Na arte, a trama tem que prender seus espectadores, como explicam o professor de história Luiz Antonio Simas e o jornalista Fábio Fabato na segunda edição ─ revista e ampliada ─ do livro Pra tudo começar na quinta-feira: o enredo dos enredos (Mórula Editorial).

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Nesta nova versão, o texto acrescenta a revolução dos enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro a partir da segunda década deste século.

A publicação trata da genuína forma que os sambistas cariocas criaram há quase 100 anos para contar e refazer a história. Novos enredos que, depois de envolver 120 mil pessoas no Sambódromo e milhões pela televisão e nas novas mídias, vão passar nas salas de aula e nos livros didáticos.

Confira os principais trechos da entrevista os dois autores

 

Escritores Luiz Antonio Simas (esq) e Fábio Fabato (dir). Foto: Rafael Barbanjo/Divulgação

Agência Brasil: Em breve, em 2028, vamos fazer 100 anos de escola de samba. De onde partiu a exigência de haver enredo nos desfiles?

Luiz Antonio Simas: Desfiles de escolas de samba, na verdade, vamos ter a partir de 1932. Curiosamente, nós tivemos concursos [das escolas de samba] antes disso. O [jornalista, escritor e pai de santo] José Espinguela [1890-1944] foi quem organizou, mas não eram concursos com desfiles em cortejo. Eram disputas entre escolas de samba que, entretanto, se limitavam às apresentações e a escolha do melhor samba.

A partir de 1932, há a ideia do cortejo. Consideramos um marco dos primeiros desfiles. Isso é curioso pelo seguinte: as escolas de samba não inventaram a ideia do enredo. Os enredos faziam parte dos cortejos de grandes sociedades e ranchos carnavalescos – sobretudo, dos ranchos de carnaval. O Ameno Resedá [fundado em 1907], que era considerado um rancho, desfilava com enredos de relevância cultural etc.

O que as escolas de samba fizeram foi redimensionar essa perspectiva dos enredos. E, mais do que isso, o que as escolas de samba fizeram de muito diferente em relação aos ranchos, foi, aos poucos, consolidar uma trilha sonora completamente distinta. Os ranchos desfilavam com as chamadas marchas rancho. E as escolas de samba foram construindo, aos poucos, o que a gente vai denominar como samba-enredo.

Fábio Fabato: A gente pode dizer que é o primeiro samba em enredo que nós temos é quando a Portela resolve fazer um carnaval com um tema especificamente. Até então, essa coisa de um tema fortíssimo, único, não existia. Em 1939, a Portela faz isso. O Paulo da Portela [1901-1947] cria um desfile que é um simulacro da própria escola de samba, mostrando que é uma escola. Temos um samba e temos um enredo [Teste ao Samba], com uma premissa de enredo.

Luiz Antonio Simas: Antes de 1939, os enredos não precisavam ter relação direta com o samba. Então, você podia apresentar um enredo visualmente sobre um tema e cantar samba sobre temas completamente distintos. Em 1939, a Portela propõe essa coesão entre enredo e samba.

Agência Brasil: Posso dizer que o enredo é o esqueleto e o samba-enredo é o músculo do desfile?

Fábio Fabato: Pode. Obviamente, a espinha dorsal de uma escola de samba vai ser sempre o ritmo, a bateria, o samba e tal.

Agora, tudo começa no enredo, né? Primeiro lança-se o enredo e aí vem o samba-enredo, depois o desenho rítmico da bateria em cima desse samba-enredo. A origem, o começo de um grande carnaval, está em num grande enredo.

Luiz Antonio Simas: O samba-enredo é um gênero completamente inusitado na história da música popular brasileira, porque primeiro ele é um gênero feito sob encomenda. Então, você elabora um samba vinculado a um enredo que foi proposto. Nesse sentido, também, o samba enredo acaba sendo o único gênero de música urbana que nós temos, que, em vez de ser lírico, é épico. Ele se coloca a serviço de contar alguma história exemplar que um enredo propõe.

Agência Brasil: Como é que se dá a escolha do enredo? Quem decide isso? É uma escolha do presidente da escola de samba?

Fábio Fabato: Muitas vezes, é. Sobretudo, se o presidente tem uma promessa de patrocínio… Mas isso varia muito, sabe? Quando você tem um carnavalesco que tem uma força muito grande na engrenagem das escolas, tipo, o Leandro Vieira, o carnavalesco da Mangueira que revolucionou o desfile em 2019, e que agora está na Imperatriz Leopoldinense. Ele tem a marra de conseguir colocar o tema dele. A marra boa, no caso. E, além de tudo, ele é o enredista dele mesmo. Ou seja, ele escreve o tema, bola as fantasias, e convence o presidente que a ideia dele é boa.

Há outros carnavalescos que não têm essa força toda. O que acontece normalmente na escola de samba é ter alguma dificuldade financeira depois do carnaval. Como ela não tem aquele capital circulante, ela não tem capital de giro, ela precisa se capitalizar. Então, elas se comprometem. ‘Olha, eu vou te dar aqui um patrocínio de R$ 2 milhões em maio para você falar do iogurte’. E as escolas de samba acabam fazendo um enredo sobre o iogurte…

Normalmente, o enredo é decidido na altura de abril e maio por um, digamos, conselhão formado pelo carnavalesco, o presidente, e agora com uma figura nova que é o enredista, um pesquisador que acompanha alguns carnavalescos.

Capa do livro Pra tudo começar na quinta-feira – o enredo dos enredos, dos escritores Luiz Antônio Simas e Fábio Fabato. Foto: Mórula Editorial/Divulgação

Luiz Antonio Simas: No passado, o carnavalesco propunha o enredo. O que a gente entende como sinopse era algo muito mais simples, diga-se de passagem. E muitas vezes o samba que a escola escolhia acabava repercutindo em transformações que a sinopse ganhava e o próprio espetáculo visual passava a ter.

Como esse processo foi se transformando, essa dinâmica ficou mais complexa e passou a contar com outros personagens. Por exemplo, a figura do pesquisador, a figura do sujeito que escreve a sinopse. Mas há carnavalescos que continuam sem abrir mão da iniciativa de escrever a sinopse. E tem outra coisa: já aconteceu muito de escolas de samba mudarem de enredo aos 43 minutos do segundo tempo. Não existe um modelão.

Agência Brasil: Quão decisivos são os enredos? Enredo ganha carnaval? Enredo perde carnaval?

Fábio Fabato: Sim, mas o jogo é jogado na avenida. O enredo pode jogar fora um desfile, como também um grande enredo deixa a comunidade feliz. Você percebe de cara que a comunidade se encanta com aquilo, que vai abraçar o enredo. Uma escolha certeira ajuda muito no processo.

Luiz Antonio Simas: O enredo é um quesito que tem transversalidade. Ele contamina todos os outros.

Um bom enredo abre possibilidades para ter um trabalho plástico, por exemplo, de melhor qualidade. Pode condicionar a criação de um samba mais consistente. É muito mais fácil compor o samba quando há um enredo bom.

Se você faz um samba mais consistente isso favorece a sua harmonia… Ter um bom enredo é meio caminho andado.

Agência Brasil: Aprendemos história com os enredos? Que história se aprende nos enredos?

Luiz Antonio Simas: Aprendemos, é evidente que aprendemos.

Aprendemos histórias que uma certa grande história oficial não contava, não contou e hoje começa a contar, né? As escolas de samba têm um papel pedagógico, de pedagogia das massas. Então, a escola de samba acabou cumprindo um papel que muitas vezes a escola institucional não cumpria.

Quando você pensa que o Salgueiro trouxe Quilombo dos Palmares, em 1960, e Zumbi dos Palmares não era um personagem falado em sala de aula. O próprio Salgueiro trouxe Xica da Silva [em 1963]. Ela não era uma personagem falada em sala de aula. A Viradouro trouxe ‘Teresa de Benguela, uma Rainha Negra no Pantanal’, ela não era uma personagem falada em sala de aula. O enredo que o Leandro Vieira propôs para Mangueira no Carnaval de 2019, [História para ninar gente grande] responde essa questão. As escolas de samba muitas vezes operaram na dimensão da contranarrativa oficial.

Fábio Fabato: O grande lustre da história tem alguns dos seus penduricalhos apagados. A escola de samba consegue iluminar esses penduricalhos. E a escola de samba ensina a partir de uma lógica de afeto, com o congraçar das artes.

Em um desfile de escola de samba, tem percussão, canto, dança, pintura, escultura. Tem a criação e o trabalho do vidraceiro, do costureiro, do carpinteiro. Há formas infinitas de arte para contar aquela história. O enredo é uma linguagem muito brasileira e muito bem feita. Uma forma que o Brasil inventou para celebrar os seus e celebrar suas histórias.

Brasil no Mundo traz debate neste domingo sobre Venezuela, Irã e EUA

A TV Brasil leva ao ar uma edição inédita do programa Brasil no Mundo neste domingo (18), às 19h30. No estúdio no Rio de Janeiro, os jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat recebem o professor e diretor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Serra.

O programa vai tratar dos principais conflitos em andamento no mundo: a ação dos Estados Unidos na Venezuela e a crescente tensão do país com o Irã.

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O professor Eduardo Serra é formado em Engenharia Industrial pela UFRJ com especialização em Planejamento Econômico pela Warsaw School of Economics (SGPiS), de Varsóvia. Fez mestrado em Engenharia de Produção pela UFRJ e doutorado em Engenharia Oceânica também pela UFRJ. Atualmente é professor associado no Curso de Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ.

Sobre a produção

O programa Brasil no Mundo se dedica a destrinchar os grandes acontecimentos globais com a profundidade que cada tema exige. Conduzido pelos jornalistas especialistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, apresenta análises consistentes e, a cada edição, recebe um convidado que contribui para ampliar a compreensão do cenário internacional e de seus reflexos na sociedade.

Com exibição semanal na TV Brasil sempre aos domingos, às 19h30, o programa tem duração de uma hora.

O conteúdo também poderá ser visto no app TV Brasil Play e no YouTube da emissora.

Na Venezuela, sanções dos EUA contribuíram para colapso econômico

Alvo recentemente de ações militares dos Estados Unidos com objetivo de promover mudanças de poder a partir da retirada de Nicolás Maduro da presidência, a Venezuela também sofre há anos os efeitos de sanções econômicas impostas pelo governo norte-americano, chamadas de Medidas Coercitivas Unilaterais.  

Estudos apontam que cercos econômicos prolongados têm sido cada vez mais utilizados como arma de política externa para pressionar ou derrubar determinados governos. O roteiro se repete em outros países, como o Irã.  

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Para entender como essas sanções fragilizam as economias e o tecido social desses países, a Agência Brasil conversou com especialistas e analisou estudos científicos e relatórios das Nações Unidas (ONU) sobre o tema. 

A economista e socióloga Juliane Furno, professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que o objetivo das sanções é “asfixiar experiências políticas que fogem ao controle dos países imperialistas” , buscando gerar uma onda de descontentamento social que possa refletir em uma mudança de regime. 

Dona das maiores reservas de petróleo do planeta, a Venezuela é alvo de medidas econômicas dos Estados Unidos sob o argumento de proteção dos direitos humanos, defesa de democracia e combate ao narcotráfico. 

O embargo econômico 

O bloqueio financeiro e comercial contra a Venezuela obstruiu o financiamento da indústria petroleira; impôs restrições para o refinanciamento da dívida do país; dificultou as transações monetárias no mercado mundial; e congelou os ativos venezuelanos no exterior – ou os transferiram para o controle da oposição. 

O bloqueio de ativos da Venezuela também foi adotado por Portugal e Reino Unido. O Banco Central da Inglaterra confiscou 31 toneladas em ouro da Venezuela avaliados em US$ 1,2 bilhões. 

Washington colocou sob suspeita todas as transações vinculadas à Venezuela, o que levou ao bloqueio de canais financeiros com instituições de outras nações. 

Proibiu-se, ainda, o pagamento dos dividendos ao governo venezuelano provenientes da empresa Citgo, principal filial da estatal petroleira PdVSA no exterior. A Citgo foi liquidada pela justiça dos EUA, no final de 2025, para servir de ativo para os credores internacionais da Venezuela. A medida foi classificada por Caracas como “roubo”. 

A crise econômica da Venezuela 

Refugiados venezuelanos – Reuters/Ricardo Moraes/ Direitos Reservados

Na Venezuela, a recessão de 2013 a 2022 consumiu cerca de 75% do PIB, impulsionando a imigração de mais de 7,5 milhões de pessoas, o que representa cerca de 20% da população do país. 

Especialistas divergem em relação à responsabilidade dos governos chavistas e das sanções dos EUA para a crise do país sul-americano. 

Enquanto a recessão no país começou no segundo semestre de 2014, na esteira da crise dos preços do petróleo, as primeiras sanções abrangentes contra a Venezuela foram adotadas em agosto de 2017. Era o primeiro governo de Donald Trump, que restringiu o acesso da Venezuela ao mercado financeiro norte-americano. 

Novas sanções foram aplicadas aos comércios de ouro, minérios, petróleo e diesel, entre 2018 a 2020. Além disso, o governo norte-americano aplicou sanções para empresas de outros países que negociavam com a Venezuela, medida chamada de sanções secundárias. 

O economista venezuelano Francisco Rodríguez, professor da Universidade de Denver e crítico dos governos chavistas, reconhece o peso da gestão interna para a recessão do país antes de 2017. No entanto, pondera que o embargo econômico teve papel signficativo para o aprofundamento da crise. 

“Dizer que os venezuelanos estão fugindo unicamente por causa do regime de Maduro não passa de uma mera retórica que ignora a questão fundamental: o impacto das sanções nas condições de vida”, diz o especialista. 

As pesquisas do professor apresentam evidências que mostram “decisivamente que as sanções têm sido um dos principais fatores que contribuíram para o colapso econômico da Venezuela”, que levaram ao declínio dos padrões de vida observado desde 2012. 

Para Rodríguez, as sanções influenciaram os padrões migratórios ao interromperem as receitas do petróleo, que na Venezuela são usadas para financiar as importações de outros setores. 

“A reimposição de sanções de pressão máxima levaria a uma emigração estimada em 1 milhão de venezuelanos adicionais nos próximos cinco anos, em comparação com um cenário base sem sanções econômicas”, calculou o economista no final de 2024, diante da expectativa de endurecimento de sanções com o início do segundo governo Trump. 

O colapso da indústria petroleira 

Petróleo na Venezuela  – Reuters/Carlos Garcia Rawlins/Proibida reprodução

A economista Juliane Furno acredita que a crise venezuelana pode ser explicada por dois fatores principais: a queda do preço do barril de petróleo e as sanções internacionais. 

“A Venezuela é um país rentista petroleiro. Mais de 95% das receitas de exportação vêm do petróleo. Em 2014 o barril do petróleo amargou uma redução de quase 70%. Isso explica a queda do PIB e o início do desabastecimento”, afirmou. 

Furno acrescenta que as sanções agravaram o quadro: tanto as diretas, que dificultaram as importações, quanto as indiretas, que desestimularam outros país e empresas a fazerem negócio com a Venezuela. 

De uma retração do setor petrolífero de 11,5% experimentada em 2017, o índice aumentou para 30,1% em 2018 – primeiro ano após a imposição do bloqueio financeiro. A diferença implicou na perda de US$ 8,4 bilhões em divisas necessárias para a manutenção das importações do país, aponta pesquisa do economista Jeffrey Sachs

Inflação 

Publicada pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (Cepr), sediado em Washington, o estudo considera que a perda bilionária de divisas e receitas em decorrência do bloqueio foi “muito provavelmente” o principal fator que empurrou a economia de sua inflação alta, quando as sanções de agosto de 2017 foram implementadas, para a hiperinflação que se seguiu.  

A hiperinflação na Venezuela se consolidou, oficialmente, em dezembro de 2017. 

A economista Juliane Furno acrescenta que a situação piorou ainda mais a partir de 2019, com o bloqueio das reservas em ouro e com a proibição da Venezuela acessar o principal mercado consumidor do seu petróleo, os Estados Unidos. 

O secretário de Segurança Nacional norte-americano, Jonh Bolton, calculou que a proibição do comércio do petróleo da Venezuela resultaria na perda de mais de US$ 11 bilhões em receitas de exportação em 2020. 

A professora da Uerj ressalta que a prova do peso das sanções é que a economia venezuelana começou a se recuperar a partir de 2022, no governo de Joe Biden, quando foram relaxadas algumas medidas.   

Segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), ligada à ONU, a Venezuela apresentou um crescimento de 8,5% do PIB em 2024 e de 6,5% em 2025.

Estados Unidos 

Manifestante segura cartaz com a imagem da líder da oposição venezuelana María Corina Machado – REUTERS/Pablo Sanhueza/Proibida reprodução

As sanções econômicas contra a Venezuela são adotadas sob o argumento de pressionar Caracas para inibir violações de direitos humanos, levar a democracia para o país ou mesmo combater o narcotráfico internacional. 

A lei que viabilizou o atual bloqueio foi aprovada em dezembro de 2014, ainda sob o governo do democrata Barack Obama, cerca de um mês após o início de uma onda de protestos contra Nicolás Maduro conhecidos como “A Saída”, que pregavam a destituição do presidente. 

Em março de 2015, Obama edita a Ordem Executiva 1.692 que declara “emergência nacional” nos Estados Unidos sob a justificativa de que a Venezuela representa uma ameaça “incomum e extraordinária” para a segurança, autorizando o presidente a impor sanções econômicas contra o país sul-americano. 

 

Entenda como sanção dos EUA fragiliza economias como a do Irã

Alvos recentes de ações militares dos Estados Unidos, Irã e Venezuela também têm em comum as sanções econômicas aplicadas pela Casa Branca aos dois países. Estudos apontam que cercos econômicos prolongados têm sido cada vez mais utilizados como arma de política externa para pressionar ou derrubar determinados governos. 

No caso do Irã, há também sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU contra o programa nuclear de Teerã. Na raiz dos protestos que sacudiram o país persa nas últimas semanas está a desvalorização de 50% da moeda iraniana e uma inflação oficial de 42% em 2025. 

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Para entender como essas sanções fragilizam as economias dos dois países, a Agência Brasil  conversou com especialistas e analisou estudos científicos e relatórios das Nações Unidas (ONU) sobre o tema. 
Economista Juliane Furno – Paulo Pinto/Agência Brasil

A economista e socióloga Juliane Furno, professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), lembra que as sanções contra o Irã foram aprofundadas pela ONU em setembro de 2025, após a guerra de 12 dias iniciada por Israel.  

“O agravamento das sanções, basicamente, impede ou dificulta a entrada de dólares no país. Tanto pelas sanções diretas, quanto pela dificuldade operacional do Irã em acessar o sistema financeiro internacional”, diz a economista. 

As sanções ao Irã são diversas e bloqueiam ativos do país no exterior; dificultam as transações financeiras internacionais; proíbem quase todo o comércio do Irã com EUA e punem empresas de qualquer país que fazem investimentos acima de US$ 20 milhões no setor energético da nação. 

Juliane lembra que o bloqueio econômico tem origem anterior: começou em 1979, logo após a Revolução Iraniana que tirou um governo aliado de Washington do poder. As medidas causam uma expressiva desvalorização do rial, a moeda iraniana. 

“Se a moeda se desvalorizava, um dos principais e imediatos efeitos é a inflação. Por isso há, de fato, uma deterioração das condições de vida dos iranianos”, completou a economista.   

Dono da terceira maior reserva de petróleo comprovada do planeta e quinto maior produtor de hidrocarbonetos do mundo, o Irã ainda é dependente das exportações de petróleo, apesar de ter uma economia bem mais diversificada que a venezuelana. 

Documentos do próprio Congresso norte-americano, classificam as medidas contra o Irã como “o conjunto de sanções mais extenso e abrangente que os Estados Unidos mantêm contra qualquer país”.  

Impactos sobre a indústria petroleira 

A relatora especial da ONU sobre os impactos das sanções para os direitos humanos, Alena Douhan, publicou em julho de 2024 relatório sobre as consequências econômicas e sociais do bloqueio econômico ao Irã.   

A especialista afirma que existe correlação entre a imposição de sanções e o desempenho econômico do país, “devido, em particular, às restrições comerciais e financeiras ao setor energético iraniano, que é a fonte de renda mais significativa do país”.  

“Cerca de metade do orçamento fiscal do governo depende exclusivamente das exportações de petróleo e outros líquidos”, aponta. 

Douhan destaca que, com a suspensão parcial das sanções em 2015, o país conseguiu aumentar as exportações de 700 mil a 1,4 milhão, na média entre 2010 a 2015, para 2,5 milhões de barris por dia entre 2016 e 2018. 

“Com a reimposição das sanções dos Estados Unidos [em 2019], as exportações caíram para menos de 500 mil barris por dia em julho de 2020. Somente em 2018 e 2019, as exportações de petróleo diminuíram 57%”, afirmou a relatora da ONU. 

Douhan pede à suspensão – total ou parcial – das sanções devido aos efeitos sociais e nos direitos humanos dos iranianos. 

“[O embargo econômico] levou à redução das receitas do Estado e ao aumento da pobreza e exacerbou as desigualdades socioeconômicas existentes, resultando em recursos insuficientes para garantir as necessidades básicas das pessoas de baixa renda e de outros grupos vulneráveis”, afirmou. 

Inflação e impactos na saúde

Vista de Teerã – Majid Asgaripour/Wana via Reuters/proibida a reprodução

A especialista Alena Douhan demonstra que o nível dos preços oscila de acordo com a imposição ou relaxamento das sanções econômicas. Depois de apresentar uma média de 23,8% entre 2011 e 2015, a inflação caiu para 7,2% e 8% em 2016 e 2017, após acordo que reduziu a intensidade do bloqueio. Segundo ela, desde o retorno das sanções em 2018, os preços gerais no país subiram 85% e o custo dos dos alimentos dobrou. 

A classe média vem encolhendo nos últimos anos, em parte, devido à política de sanções. Estudo da Revista Europeia de Economia Política El Sevier, de dezembro de 2025, calculou que as sanções levaram a uma redução média anual de 17 pontos percentuais no tamanho da classe média iraniana entre 2012 e 2019.   

Já outra pesquisa da revista inglesa The Lancet apontou que as sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU interromperam as importações de medicamentos essenciais, causando aumentos de preços de até 300% em alguns antiepilépticos.  

“[Houve] reduções consideráveis na disponibilidade de 13 dos 26 medicamentos essenciais para doenças não transmissíveis e mais de 6 milhões de pacientes com doenças não transmissíveis ficaram sem acesso a tratamento de alta qualidade”, diz a publicação. 

Os Estados Unidos e a ONU 

A Casa Branca sustenta que as sanções contra o regime de Teerã são necessárias devido a violações de direitos humanos e suposto apoio ao “terrorismo”. O objetivo seria forçar o Irã a desmantelar seu programa nuclear, que Teerã alega ser para fins pacíficos. 

No caso da ONU, as sanções são justificadas como forma de pressionar o governo a adotar medidas que impeçam o desenvolvimento de armas nucleares.  Para os críticos, as justificativas são pretextos para mudar um regime político que se contrapõe à hegemonia de Israel e do Ocidente no Oriente Médio. 

Professor Bruno Lima Rocha. Foto: Arquivo Pessoal – Arquivo pessoal

O cientista político, professor de relações internacionais e jornalista da HispanTV Brasil, Bruno Lima Rocha, avalia que os Estados Unidos não têm compromisso com a democracia. 

“Se assim fosse se colocariam contra monarquias absolutistas, como a da dinastia destronada dos Pahlavi (no próprio Irã) ou os monarcas da Península Arábica. O tema de fundo é a posição do Irã contra o imperialismo e em defesa da Palestina”, destacou. 

Para o especialista, a justificativa de barrar o programa nuclear é uma falácia. “O país é signatário do Tratado de Não Proliferação (TNP) de Armas Nucleares e não tem ogiva alguma. Israel não assinou o TNP e tem um arsenal que não se sabe nem o tamanho nem o alcance”, completou.   

Impactos das sanções no mundo 

Estudos recentes demonstram que os impactos econômicos e sociais das sanções equivalem a guerras tradicionais. 

Artigo publicado na influente revista científica The Lancet Global Health calculou que as sanções unilaterais estão associadas a cerca de 560 mil mortes por ano, “semelhante à carga global de mortalidade associada a conflitos armados”.  

A revista Estudos de Desenvolvimento, da editora acadêmica Taylor & Francis, do Reino Unido, calculou que as sanções podem reduzir a expectativa de vida em cerca de 0,4 a 1,4 anos, a depender da sua intensidade. 

“Além disso, encontramos evidências de que as mulheres são afetadas mais severamente pela imposição de sanções” A publicação cita ainda o  aumento da mortalidade infantil e das mortes por cólera, bem como a diminuição dos gastos públicos com saúde. 

Trump quer tarifar países europeus contrários à compra da Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu neste sábado (17) implementar uma onda de tarifas crescentes sobre os aliados europeus até que os Estados Unidos tenham permissão para comprar a Groenlândia, aumentando a disputa sobre o futuro da vasta ilha ártica da Dinamarca.

Em um post em sua própria rede social, a Truth Social, Trump disse que tarifas adicionais de importação de 10% entrariam em vigor em 1º de fevereiro sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido. Todos já sujeitos a tarifas impostas por Trump.

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Essas tarifas aumentariam para 25% em 1º de junho e continuariam até que se chegasse a um acordo para que os EUA comprassem a Groenlândia, escreveu Trump.

Europa

O anúncio ocorre no mesmo dia em que Mercosul e União Europeia assinam um acordo de livre comércio costurado há 25 anos. Em discursos durante a assinatura do acordo, no Paraguai, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, exaltou a parceria com os sul-americanos e criticou a política tarifária de Trump, mesmo sem citá-lo.

“Este acordo manda uma mensagem muito forte para o mundo. Nós escolhemos comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos parcerias de longo prazo em vez de isolamento”, disse Von der Leyen.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, adotou um tom parecido.

“Este acordo é uma aposta na abertura, no intercâmbio e na cooperação, frente a [ameaças de] isolamento e do uso do comércio como arma geopolítica”, disse. “Com ele, não aspiramos a criar esferas de influência, mas sim a esferas de prosperidade compartilhada, baseadas na confiança, na cooperação e no respeito à soberania de nossas democracias”, acrescentou.

Diante das ameaças de Trump, países proeminentes da União Europeia apoiaram a Dinamarca, alertando que a tomada militar pelos EUA de um território da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) poderia colapsar a aliança militar liderada por Washington. O Reino Unido também deu seu apoio.

Grupos na Dinamarca e na Groenlândia protestaram neste sábado contra as exigências de Trump e pediram que o país fosse deixado para determinar seu próprio futuro.

Groenlândia e EUA

O presidente tem dito repetidamente que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA devido à sua localização estratégica e aos grandes depósitos minerais, e não descartou o uso da força para tomá-la. As nações europeias enviaram esta semana pessoal militar para a ilha a pedido da Dinamarca.

“Esses países, que estão jogando esse jogo muito perigoso, colocaram em jogo um nível de risco que não é sustentável”, escreveu Trump.

“Os Estados Unidos da América estão imediatamente abertos a negociações com a Dinamarca e/ou qualquer um desses países que colocaram tanto em risco, apesar de tudo o que fizemos por eles, incluindo proteção máxima, ao longo de tantas décadas”, disse ele.

* Com informações da Agência Reuters

Helicóptero cai na zona oeste do Rio e deixa três pessoas mortas

Três passageiros morreram durante a queda de um helicóptero em uma região de mata, em Guaratiba, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. O resgate dos corpos é feito pelo Corpo de Bombeiros.

Em nota, a corporação informou que a queda ocorreu em uma área de mata fechada, dificultando o acesso. O local fica perto do cruzamento entre a Avenida Levy Neves e a Rua Tasso da Silveira.

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“O Grupamento de Operações Aéreas, especialistas do Grupo de Operações Especiais e militares do quartel de Guaratiba estão mobilizados na ocorrência, em uma área de difícil acesso”, diz a nota.

Ainda não há informações sobre a origem e o destino da aeronave.

Riotur divulga programação dos dez megablocos no Circuito Preta Gil

A programação dos dez megablocos que desfilarão no Circuito Preta Gil no carnaval 2026, já foi definida pela Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur). A folia nas ruas do centro da capital fluminense começa com o Bloco Chá da Alice, no dia 24 de janeiro. A estimativa dos organizadores é mais de 50 mil foliões presentes.

No dia 25, a programação prevê a participação do Bloco da Lexa. O Bloco do Gold, de Léo Santana, desfila no dia 31, com a estimativa de reunir 150 mil pessoas.

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O SeráQAbre? passa pelo circuito no dia 1º de fevereiro. Então a animação no centro do Rio dá uma paradinha e só volta no dia 7, com a presença do Bloco da Favorita.

O Cordão do Boitatá, criado por estudantes e músicos, em 1996, na região da Praça XV, pela primeira vez participa da folia no Circuito Preta Gil. O bloco sai no dia 8.

>>Único bloco criado por quilombolas homenageará Preta Gil 

Bola Preta

 

Rio de Janeiro (RJ), 01/03/2025 – Foliões se divertem no 106º desfile do Cordão da Bola Preta, no centro da cidade. Foto-arquivo: Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com a estimativa de reunir mais de 700 mil foliões, o tradicional Cordão da Bola Preta desfila no dia 14, sábado de carnaval. O bloco foi fundado, em 1918, por Álvaro Gomes de Oliveira, o Kaveirinha; Francisco Brício Filho, o Chico Brício; Eugênio Ferreira; João Torres; e os irmãos Oliveira Roxo, Jair, Joel e Arquimedes Guimarães.

O nome foi dado por Kaveirinha. Contam que, ao ver passar uma bela mulher vestida de branco com bolas pretas; a imagem o inspirou a chamar o bloco de Cordão da Bola Preta.

No dia 17, passa pelo circuito o Fervo da Lud, da cantora Ludmilla, com estimativa de reunir pelas ruas do centro mais de 600 mil pessoas. No dia 21, será a vez do Bloco da Anitta. O Monobloco, fundado no ano 2000, a partir de uma oficina para ensinar batucada, encerra oficialmente o carnaval carioca, desfilando no dia 22.

Concentração

A concentração dos megablocos será às 7h, na Rua Primeiro de Março, seguindo pela Avenida Antonio Carlos, com dispersão na altura da Rua Araújo Porto Alegre. A informação foi divulgada na quarta-feira (14) pela Riotur. De acordo com a companhia, o carnaval de rua 2026 tem bloco para todos os gostos: dos tradicionais Cordão da Bola Preta e o Boitatá até os trios com grandes artistas como Anitta, Ludmilla, Lexa e Léo Santana.

Boitatá: 30 anos

 

Foliões curtem o Baile Multicultural do Cordão do Boitatá, na Praça XV – Foto-arquivo: Fernando Frazão/Agência Brasil

Este ano, o Cordão do Boitatá completa 30 anos e o cortejo volta para a região da Rua Primeiro de Março, centro da cidade. Com mais de 250 músicos tocando sem carro de som e quase 400 integrantes com alas de estandartes, pernas de pau e baianas, o Boitatá é o único grupo dos megablocos que não faz uso de trio elétrico.

Para o presidente da Riotur, Bernardo Fellows, os megablocos têm um papel importante no carnaval de rua.

“Eles reúnem um número muito expressivo de foliões e ampliam o acesso do público à festa na cidade. Justamente por isso, exigem uma operação robusta e integrada, que a Prefeitura coordena, com a articulação da Riotur e outros órgãos, para garantir organização, segurança e serviços ao público”, afirmou.

Circuito Preta Gil

 

Rio de Janeiro (RJ), 12/01/2020 – A cantora Preta Gil, se apresenta na festa de abertura dos 50 dias do Carnaval Rio 2020, na Praia de Copacabana. Foto-arquivo: Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Circuito Preta Gil foi batizado em 2025 em homenagem à cantora, que liderou por anos um megabloco na região central da cidade e se tornou símbolo da diversidade, alegria e da força do carnaval de rua do Rio.

A programação completa pode ser conferida no aplicativo Blocos do Rio 2026 e no site oficial, para que todos os foliões saibam onde e quando a folia vai rolar, salientou Fellows.

FGC inicia pagamento de clientes do Banco Master com até R$ 250 mil

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) anunciou neste sábado (17) o início do pagamento aos clientes do Banco Master que possuem aplicações financeiras na instituição, liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado, após a constatação de fraudes e dificuldade de honrar os compromissos. O FGC é uma entidade privada formada por contribuições de instituições financeiras para cobrir eventuais quebras.

A cobertura segue o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por conglomerado financeiro. O valor inclui o montante investido e os rendimentos acumulados até a data da liquidação. O ressarcimento abrange contas-correntes, poupanças e outros investimentos como CDBs, RDBs, LCIs, LCAs, LCDs e demais produtos financeiros.

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Uma funcionalidade no aplicativo para celulares foi disponibilizada para que pessoas físicas credoras do Banco Master, Master de Investimento e Letsbank completem a solicitação da garantia. As pessoas jurídicas credoras deverão completar a solicitação no site do FGC, informou a entidade. Cumprida essa etapa de solicitação e assinado o termo de sub-rogação, o FGC processará o pagamento em até dois dias úteis.

A consolidação e a conferência da lista com as informações dos credores que têm direito à solicitação do pagamento de garantia foram feitas pelo Banco Central. Cerca de 800 mil clientes devem ser ressarcidos, em montantes que alcançam R$ 40,6 bilhões. Trata-se de um número inferior ao previsto inicialmente, quando estimava-se 1,6 milhão de investidores lesados pela quebra do Master.

Em comunicado, o FGC alerta que não autoriza ou credencia nenhum tipo de instituição ou empresa para intermediar negociação para o recebimento do valor garantido, muito menos solicitando o pagamento de qualquer taxa ou o depósito prévio de valores. Além disso, nenhum contato é feito por meio do WhatsApp ou SMS.

Cidades do CE e MG iniciam vacinação contra dengue com dose única

As cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) iniciaram a vacinação-piloto com o imunizante de dose única contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre Maranguape (60,1 mil), Nova Lima (64 mil) e também Botucatu, em São Paulo (80 mil). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades, composta por cidadãos com idade entre 15 e 59 anos. Em Botucatu, a vacinação começa no domingo (18).

Os resultados da imunização serão acompanhados durante um ano. As análises serão conduzidas com apoio de especialistas, que irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além de monitorar eventuais efeitos adversos raros após a imunização. Metodologia semelhante já foi adotada em Botucatu na avaliação da efetividade da vacina contra a covid-19.

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Se os resultados forem positivos, será iniciada a produção em massa para atender todo o país. Até o momento, o Butantan fabricou 1,3 milhão de doses. Antes dos resultados, porém, será realizada a imunização de públicos prioritários com a chegada de mais doses da Butantan DV. A imunização de profissionais da atenção primária à saúde está prevista para o início de fevereiro. Esse grupo, composto por  médicos, enfermeiros e agentes comunitários, deve receber as cerca de 1,1 milhão de doses que não foram usadas nesta fase prioritária.

Segundo o Ministério da Saúde, com a transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes.

No lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou os critérios adotados para a escolha dos municípios. “Cidades [que foram] escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, afirmou. Massuda destacou, ainda, que a vacina é a primeira contra a dengue aplicado em dose única, o que permite imunização mais rápida e eficaz.

Os estudos clínicos indicaram eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves. Entre os vacinados, nenhum precisou de hospitalização por conta da dengue. A vacina foi desenvolvida em um processo de 20 anos, juntando tecnologias de diversos centros de pesquisa nacionais e apoio de pesquisadores estrangeiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiou com um financiamento de R$ 32 milhões, ainda em 2008. Um segundo aporte, para financiar a fábrica de vacinas, colocou R$ 97 milhões do banco à disposição, em 2017. Até o momento, o imunizante recebeu investimentos de R$ 305,5 milhões.

A rede de saúde das cidades que atuam nesta fase atenderá moradores com documento oficial, com foto, e a orientação é que se leve também o Cartão SUS. Mesmo com a imunização, o cuidado com essa e outras arboviroses permanece. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima, “mesmo com a ampliação da cobertura vacinal, as ações de prevenção seguem fundamentais, especialmente o combate ao mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de água parada”.

Mercosul está aberto a acordos com outros blocos e países, diz Peña

Após assinarem, neste sábado (17), um acordo de livre comércio com os 27 países-membros da União Europeia (UE), as nações que integram o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, que está concluindo seu processo de adesão) já miram outros mercados.

“Nosso trabalho no processo de integração [comercial do bloco sul-americano] está apenas começando”, afirmou a jornalistas o presidente do Paraguai, Santiago Peña, logo após a cerimônia de assinatura do acordo Mercosul-UE, realizada esta tarde, na capital paraguaia, Assunção.

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Anfitrião do evento por presidir, temporariamente, o Mercosul, Peña explicou que as negociações em curso com os Emirados Árabes estão “avançando” e que os mercados asiáticos são considerados estratégicos para a expansão da rede de parceiros comerciais do Mercosul.

“Estamos avançando no tratado de livre comércio com os Emirados Árabes e mirando com enorme atenção o Japão, a Coreia do Sul e outros países asiáticos além da China, um sócio estratégico de todas as nações latino-americanas e do Mercosul”, comentou Peña, citando ainda a Indonésia e o Vietnã.

“Também estamos avançando em um acordo de complementação econômica com o Canadá, de maneira que não resta dúvida de que os países do Mercosul estão convencidos de que a integração econômica, a colaboração e o multilateralismo é o caminho [a trilhar]”, acrescentou o presidente paraguaio.

Calderano disputa semifinal do Star Contender de Doha neste domingo

O  mesatenista Hugo Calderano disputará uma das semifinais do WTT Star Contender de Doha (Catar) neste domingo (18), às 7h, horário de Brasília, contra o chinês Wen Ruibo.

O brasileiro se garantiu entre os quatro melhores do torneio depois de vencer nas quartas, por 3 sets a 1, neste sábado (17, o francês Simon Gauzy, ex-companheiro de clube. Os dois jogavam pela equipe alemã Liebherr Ochsenhausen.

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Mais cedo, nas oitavas, o brasileiro venceu o croata Tomislav Pucar por 3 a 0. A vitória ocorreu em apenas 18 minutos.

Ambos defenderam o clube alemão Liebherr Ochsenhausen por alguns anos

TV Brasil exibe produção independente Essencial – Equipes de Saúde

O documentário Essencial – Equipes de Saúde entra no ar na telinha da TV Brasil neste domingo (18), às 11h. O especial acompanha a dedicação e o impacto desses profissionais em comunidades carentes do país. O conteúdo destaca a atuação das equipes de saúde da família.

Com 52 minutos, o média-metragem destaca o papel vital dos agentes de saúde em prol da população. Disponível no app TV Brasil Play, a obra independente mostra o cotidiano de quatro agentes comunitários de saúde que trabalham em diferentes cidades do território nacional.

Especial acompanha a dedicação e o impacto dos profissionais de saúde em comunidades carentes do país – Frame: TV Brasil

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A narrativa esclarece as atribuições dos profissionais aos quais se juntam quatro integrantes de equipes médicas: uma pediatra, um enfermeiro, uma fisioterapeuta e um anestesista. Em comum, todos os personagens se destacam pela seriedade e paixão com que desempenham suas atividades.

O foco é o dia a dia de quem está envolvido na atenção primária à saúde. Conhecida também como atenção básica, abrange não só a promoção e a proteção da saúde, como também a prevenção, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a redução de danos. Formada por equipes multidisciplinares, ela tem o objetivo de cuidar do indivíduo e sua família e da comunidade de forma integral.

Com depoimentos reveladores, o filme mostra como essa estrutura se torna fundamental na organização do sistema de saúde e no atendimento de milhões de brasileiros. Essas equipes enfrentam desafios diários e criam vínculos profundos com as comunidades em que atuam.

Documentário destaca a atuação das equipes de saúde da família – Frame: TV Brasil

Ao revelar aspectos da rotina desse trabalho, o doc combina histórias pessoais com diversos aspectos do sistema de saúde brasileiro. O média-metragem ressalta a importância da estratégia de saúde da família que transforma a relação entre profissionais de saúde e a população mais vulnerável.

Ficha técnica de Essencial – Equipes de Saúde
País: Brasil
Ano: 2022
Gênero: documentário
Duração: 52 min
Classificação indicativa: Livre
Realização: Produtora Brasileira de Arte e Cultura
Direção Geral: Pedro Saad
Direção e roteiro: Luciano Oreggia

Valorização do conteúdo independente

O média-metragem Essencial – Equipes de Saúde ganha espaço na programação da TV Brasil neste domingo (18). O conteúdo de natureza documental exibido na telinha também pode ser acompanhado sob demanda no app TV Brasil Play.

A emissora pública é um dos canais que mais exibe conteúdo independente nacional. Além de ser uma grande apoiadora da produção de obras desse tipo no mercado audiovisual do país, a TV Brasil fomenta novos realizadores.

Ao vivo e on demand  

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Serviço
Essencial – Equipes de Saúde – domingo, dia 18/1, às 11h, na TV Brasil 

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CNI: Brasil acessará 36% do comércio global com acordo UE-Mercosul

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou um levantamento que aponta que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE), quando entrar em vigor, vai aumentar de 8% para 36% o acesso brasileiro ao mercado de importações mundiais de bens. Isso porque a União Europeia, sozinha, respondeu por 28% do comércio global em 2024.

A análise foi divulgada neste sábado (17), após a assinatura do tratado pelos representantes do bloco europeu e dos países integrantes do Mercosul, em cerimônia em Assunção, no Paraguai. A entidade industrial brasileira avalia a formalização do acordo é uma virada estratégica para a indústria brasileira.

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O levantamento indica também que 54,3% dos produtos negociados, que correspondem a mais de cinco mil itens, terão imposto zerado na União Europeia assim que o acordo Mercosul-UE entrar em vigor. Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), assegurando uma transição gradual e previsível.

“Com base nos dados de 2024, 82,7% das exportações do Brasil para a UE passarão a ingressar no bloco sem tarifa de importação desde o início da vigência. Por outro lado, o Brasil se comprometeu a zerar imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações com origem na União Europeia, reforçando a diferença favorável ao país”, avalia a CNI.

Após a assinatura, o texto ainda será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos.

Ainda de acordo com a análise da entidade, o Brasil terá, em média, oito anos adicionais para se adaptar à redução tarifária, se comparado ao prazo do bloco europeu e considerando o comércio bilateral e o cronograma previsto no Acordo Mercosul-UE.

“A assinatura do acordo é um marco histórico para o fortalecimento da indústria brasileira, a diversificação da pauta exportadora e a integração internacional do país ao comércio global”, diz a CNI.

“Em negociação há mais de 25 anos, trata-se do tratado mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul e vai além da redução de tarifas ao incorporar disciplinas que aumentam a previsibilidade regulatória, reduzem custos e criam um ambiente mais favorável aos investimentos, à inovação e à criação de empregos”, avalia a entidade.

>>Entenda em 13 pontos o acordo Mercosul–UE

Geração de empregos

 

Em 2024, segundo a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos – Foto: José Paulo Lacerda – CNI/José Paulo Lacerda/Direitos reservados

Em 2024, segundo a CNI, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

Em relação ao setor agroindustrial, o acordo também traz resultados positivos, uma vez que cotas negociadas favorecem setores-chave e, no caso da carne bovina, são mais do que o dobro das concedidas pela União Europeia a parceiros como o Canadá e mais de quatro vezes superiores às destinadas ao México. As cotas de arroz superam o volume atualmente exportado pelo Brasil ao bloco, ampliando o potencial de acesso ao mercado europeu.

Cooperação tecnológica

A assinatura do tratado cria ainda um ambiente favorável para ampliar projetos pesquisa e desenvolvimento voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica, aponta a CNI.

“As novas exigências regulatórias e de mercado impulsionam oportunidades em tecnologias de descarbonização industrial – como captura, uso e armazenamento de carbono, uso e mineralização de CO₂, eletrificação com hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex e reciclagem de baterias e minerais críticos –, e no desenvolvimento de bioinsumos para uma agricultura mais resiliente. A articulação dessas frentes fortalece a cooperação tecnológica, acelera a transição para uma economia de baixo carbono e amplia a competitividade do Brasil no mercado europeu”, aponta a entidade.

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país, e permanece como o segundo principal mercado externo do Brasil, atrás da China. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, 17,9% do total.

A quase totalidade (98,4%) das importações brasileiras provenientes da Europa corresponderam a produtos da indústria de transformação, enquanto 46,3% das exportações brasileiras à UE foram de bens industriais. Considerando os insumos industriais, a participação no comércio em 2024 foi de 56,6% das importações originárias do bloco e de 34,2% das exportações do Brasil para a União Europeia, segundo a CNI.

“Essa complementaridade contribui para a modernização do parque industrial brasileiro aumentando a competitividade da indústria. A UE também é destaque como o principal investidor no Brasil. Em 2023, o bloco respondeu por 31,6% do estoque de investimento produtivo estrangeiro no país, somando US$ 321,4 bilhões. O Brasil foi o maior investidor latino-americano na União Europeia: o bloco foi destino de 63,9% dos investimentos brasileiros no exterior”.

Líderes do Mercosul e da UE assinam acordo e defendem multilateralismo

Autoridades sul-americanas e europeias aproveitaram a cerimônia de assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, neste sábado (17), no Paraguai, para defender o multilateralismo e o livre comércio como motores de desenvolvimento econômico.

Em seu discurso, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que a assinatura do tratado negociado ao longo dos últimos 26 anos reafirma a crença dos Estados-Membros dos dois blocos regionais no comércio justo e no multilateralismo.

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“Com este acordo enviamos uma mensagem clara ao mundo, em defesa do comércio livre baseado em regras, e [a favor] do multilateralismo e do direito internacional como base das relações entre países e regiões”, afirmou o presidente do conselho

Costa ponderou que, ainda que tenha demorado, o tratado “chega em um momento oportuno”. “Porque este acordo é uma aposta na abertura, no intercâmbio e na cooperação, frente a [ameaças de] isolamento e do uso do comércio como arma geopolítica. […] Com ele, não aspiramos a criar esferas de influência, mas sim a esferas de prosperidade compartilhada, baseadas na confiança, na cooperação e no respeito à soberania de nossas democracias. Não pretendemos nem dominar, nem impor, mas sim promover e reforçar os vínculos entre nossos cidadãos e nossas empresas para, assim, criarmos riquezas de forma sustentável, protegendo o meio ambiente e os direitos ambientais.”

A presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforçou a avaliação de Costa ao dizer que o ato tem potencial de conectar continentes e criar a maior área de livre comércio do mundo, com um mercado de 700 milhões de pessoas.

“Escolhemos o comércio justo em vez de tarifas. Escolhemos parcerias de longo prazo em vez de isolamento”, disse Ursula.

Anfitrião do evento, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, destacou o pragmatismo diplomático necessário para superar 26 anos de impasses.

“Estamos diante de um dia verdadeiramente histórico, muito esperado por nossos povos, [capaz de] unir dois dos mais importantes mercados globais, e que demonstra que o caminho do diálogo, da cooperação e da fraternidade é o único caminho”, ressaltou Peña.

Ele destacou o empenhos do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva – que, por questões de agenda, não pôde viajar a Assunção – e de Ursula von der Leyen para o sucesso das negociações. “Sem o presidente Lula, talvez não tivéssemos chegado a este dia. Ele foi um dos responsáveis fundamentais deste processo.”

Já o presidente da Argentina, Javier Milei, destacou que o acordo constitui um ponto de partida para a exploração de novas oportunidades comerciais e base para uma maior integração regional, fundamentada no livre comércio. Segundo o mandatário argentino, a promoção da estabilidade macroeconômica e da previsibilidade jurídica são condições indispensáveis para a prosperidade e a justiça social.

“Mas, para isso, é fundamental que, durante a etapa de implementação do acordo, o espírito do que foi acertado seja preservado. A [eventual] incorporação de mecanismos restritivas, como cotas, salvaguardas ou medidas equivalentes, reduziria significativamente o impacto econômico do acordo, atentando contra o objetivo essencial do mesmo”, ponderou Milei, incentivando os países sul-americanos e europeus signatários do acordo a seguirem avançando em novas frentes de abertura comercial.

Mandatário do Uruguai, Yamandú Orsi classificou o acordo como uma “associação estratégica”, capaz de melhorar a vida da população dos países signatários com oportunidades reais. “Em um mundo atravessado por tensões e pela erosão de certezas que ordenaram a política e o comércio global por décadas, este tratado adquire uma relevância particular. Não só porque constitui a maior associação comercial do mundo, mas também porque representa uma decisão clara: apostar nas regras em tempos de volatilidade e mudanças permanentes”, disse Orsi, sustentando que a integração comercial, para o Uruguai, é uma “condição indispensável para o desenvolvimento”, além de constituir uma plataforma de enfrentamento “a ameaças que não reconhecem fronteiras, como o narcotráfico e outras práticas ilícitas transnacionais”.

Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, repetiu a declaração de Lula, para quem o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é uma prova da força do mundo democrático e uma demonstração com o multilateralismo. “O acordo estabelece, de fato, uma parceria entre nossas regiões, com enorme potencial econômico para nossas sociedades e profundo sentido geopolítico para nossos países […] Ele propiciará ganhos tangíveis, mais empregos e investimentos, maior integração produtiva, acesso ampliado a bens e serviços de qualidade, inovação tecnológica e crescimento econômico com inclusão social […] diante de um mundo batido pela imprevisibilidade, protecionismo e pela coerção.”

Após a assinatura, o texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos. 

Matéria ampliada às 14h37

Brasilienses ganham o mundo no ritmo da paixão pela música

Era como um dueto musical aquela caminhada apressada ao lado da avó, na área rural de Santo Antônio do Descoberto (GO), para vender pano de prato na feira. Aos 10 anos de idade, Ravi Shankar Domingues sabia que era preciso andar e correr de um lado ao outro para dar conta das aulas na escola pública, do canto no coral da cidade e também em uma banda de forró. Uma vida muito humilde, mas intensa.

Hoje, o músico de carreira internacional, aos 42 anos de idade, entende que a vida dele não pode ser entendida como uma composição solo, mas uma composição a muitas mãos. A inspiração para a reviravolta de seu destino foi como um sopro, literalmente, de oboé, um instrumento de madeira que o encantou desde que aqueles sons penetraram pelos seus ouvidos na Escola de Música de Brasília, a mais de 40 quilômetros de sua casa.

Oboé

Brasília (DF), 17/01/2026 – Músico de Oboé, Ravi Domingues descobriu o instrumento na adolescência. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil – Joédson Alves/Agência Brasil

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Ele descobriu o instrumento na adolescência depois que um amigo da família, impressionado com a disposição do garoto pobre, o levou até a escola na capital federal, a maior unidade de ensino pública do gênero no Brasil. Ravi enfrentou o fato da distância, e contava com ajuda de uma tia e com apresentações em sua cidade para conseguir o dinheiro do transporte. Saía de casa todos os dias, às 4h30, para dar conta de tudo.

Ao ouvir os sons que saíam do oboé, aquele instrumento de madeira, quis saber mais. No entanto, pessoas que tentaram o ajudar lembravam que o instrumento era caro e poderia oferecer menos oportunidades no mercado de trabalho. A previsão estava errada. Ravi, atualmente, tem carreira consolidada e é professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

No corredor da escola

Na semana que passou e até o dia 24, os alunos de oboé da escola de música têm a chance de ter aula, no curso internacional de verão, com o agora ídolo Ravi, que passou pela mesma escola na adolescência.

“Eu passo por esse corredor da escola e está tudo ainda vivo na minha cabeça. Eu vejo nos atuais alunos histórias como a minha”, diz Ravi.

O diretor da escola de música, Davson de Souza, explicou que, nesta edição do curso, o destaque da programação foi trazer músicos como Ravi, “pratas da casa” e que brilham pelo Brasil e pelo mundo para proporcionar aulas de música, mas também de vida.

Brasília (DF), 17/01/2026 – Diretor da escola de música de Brasília, Davson de Souza. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil – Joédson Alves/Agência Brasil

“A função principal do curso é formativa. Trazer ex-alunos, hoje internacionalmente reconhecidos, é a melhor forma de mostrar aos participantes o valor do conhecimento”, disse o diretor.

 No caso de Ravi, ele perdeu o pai e a mãe ainda na infância e foi morar com a avó e com o avô (pedreiro). Ele lembra bem que, depois que foi apresentado à escola, concorreu por sorteio e conseguiu ingressar.

Ainda está vivo na memória dele também se alimentar, às vezes, de um sanduíche e só conseguir chegar em casa depois das 23h por causa das aulas no ensino médio.

“A escola de música ensinou mais do que o instrumento. Me deu toda a acolhida e pude ter aula de prática de orquestra, inclusive”.

Além de fazer aula na escola, foi aprovado para o curso de licenciatura em música na Universidade de Brasília (UnB).  Ao terminar a faculdade, foi para São Paulo e ingressou em três orquestras por seleção.

“Eu tocava em três orquestras para poder pagar as contas e ficava nessa correria”. Mas, mesmo virando pai precocemente aos 16 anos, ele teve um sonho de estudar fora do país. Um professor o indicou para estudar em Rostock, na Alemanha.

Depois de dois anos, conseguiu ser selecionado para a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, onde ficou por seis anos. Até ser aprovado como professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Lá, criou a Associação Brasileira de Oboé e Fagote e a Rede Brasileira de Saúde do Artista. “O objetivo dessa rede é discutir condições de trabalho para as pessoas entenderem que a nossa profissão é um trabalho”.

Carnaval e trombone

Outro professor desta semana no curso de verão da escola de música é o “prata da casa” Lucas Borges, de 44 anos, que é trombonista, e docente na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. Ele tocava na banda marcial da escola em outra cidade do Distrito Federal, o Guará, a 20 quilômetros da escola de música.

“Na escola, eu comecei a entender quão bonito o instrumento era”. Um momento que o emocionou foi ouvir as Bachianas número 5, de Heitor Villa Lobos. Mas conseguiu comprar o primeiro instrumento tocando em bloco de carnaval.

“Com os primeiros R$ 500 que ganhei no bloco. O trombone é um instrumento que se aproxima muito da voz humana, e aquilo me endoidou”, contou Lucas.

A música o ajudou a ter disciplina com tudo na vida. Nem era o mesmo rapaz que acabou reprovado na sexta série. “Eu entendi cedo que era preciso levar mais a sério e eu comecei a tocar profissionalmente também em Brasília muito cedo”. Inclusive, chegou a organizar a própria banda de pop rock brasileiro, a Zero Meia Um.

 

Brasília (DF), 17/01/2026 – Musico Lucas Borges com seu trombone. Curso de verão na escola de música de Brasília. Ele chegou a organizar a própria banda de pop rock brasileiro, a Zero Meia Um. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil – Joédson Alves/Agência Brasil

Lucas queria pesquisar e seguir no meio acadêmico. Fez mestrado e doutorado na Universidade de Indiana. É docente em Ohio há 11 anos.

Outro trombonista que mata saudades do ambiente da escola brasiliense é o premiado José Milton Vieira, que também saiu da banda do Guará. O maior sonho dele na adolescência era integrar a banda dos Bombeiros. Hoje atua bem mais longe de casa, na Orquestra Filarmônica de Melbourne, na Austrália. “É muito bom voltar onde tudo começou”.

Sons brasileiros pelo mundo

Tiveram também essa sensação dois jovens músicos que saíram da escola brasiliense e fazem carreira fora do país. O violonista Ian Coury, de 24 anos, fez curso na escola de música de Berklee, em Boston (EUA). “Agora, eu sou músico mesmo. Eu viajo, faço workshops e shows no mundo todo.

 

Brasília (DF), 17/01/2026 – Matheus Donato segurando seu cavaquinho de 6 cordas (e) e Ian Coury com o bandolim de 10 cordas (d). Foto: Joédson Alves/Agência Brasil – Joédson Alves/Agência Brasil

O colega de turma, nos tempos de Brasil, Matheus Donato, de 26, e que toca cavaquinho, lembra que chegou na escola aos 10 anos. Hoje é músico profissional em Paris.

“Na Europa, há, às vezes, olhares sem nenhum conhecimento sobre o cavaquinho o que deixa o terreno ainda mais aberto e mais fértil para a experimentação musical, que é a minha maior bandeira hoje com esse instrumento”, afirmou.

Cristian Ribeira conquista mais um ouro na Alemanha

O esquiador rondoniense Cristian Ribera conquistou a medalha de ouro na prova de sprint de 1quilômetro (km) dentro da segunda etapa da temporada de inverno da Copa do Mundo de esqui cross-country, disputada em Finsterau, na Alemanha.

A vitória deste sábado (17) foi a segunda do brasileiro em três dias de competição. O esquiador paralímpico rondoniense já havia levado o ouro da etapa na quinta-feira (15), ao vencer a prova dos 10 km com largada em massa (mass start).

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A vitória de hoje veio com o tempo de 2min55s74. A prata ficou com o cazaque Yerbol Khamitov, que marcou 2min56s13, enquanto o bronze foi do chinês Zhongwu Mao, com 2min58s73.

Guilherme Rocha e Robelson Lula também disputaram a prova finalizando na 23ª e 29ª colocações, respectivamente. No feminino, a paranaense Aline Rocha encerrou a final na quinta colocação. 

Areias medicinais e fauna de Guarapari inspiram série da TV Brasil

O terceiro episódio inédito da temporada de estreia do programa Olhar Brasil, série documental com dez edições apresentada pela TV Brasil, revela os encantos naturais da cidade de Guarapari, no Espírito Santo, neste sábado (17), às 18h30. A produção original percorre as areias medicinais e mostra a variedade de espécies da região.

O município situado no centro-sul do litoral capixaba preserva raros tesouros ambientais. O seriado apresentado pela emissora pública destaca as areias da Praia da Areia Preta e explica a importância da maior biodiversidade marinha da costa brasileira.

Pautada na riqueza cultural e no potencial turístico no país, a obra é a primeira coprodução realizada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que faz a gestão da TV Brasil, e por emissoras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).

A iniciativa busca fortalecer o audiovisual do país, ao valorizar as características que diferenciam os destinos turísticos nas cinco regiões. Repleto de sotaques variados, o programa traz uma perspectiva singular sobre paisagens, histórias e modos de vida que reconhecem a biodiversidade e os ecossistemas do território nacional. Olhar Brasil está disponível no app TV Brasil Play e no YouTube do canal.

Com visual de tirar o fôlego, a atração analisa como o local paradisíaco se tornou tema de pesquisas acadêmicas e científicas. “Dirigir esse episódio foi uma honra e uma experiência vibrante. Poder mostrar as belezas do litoral do Espírito Santo para todo o Brasil é maravilhoso”, afirma o jornalista Ricardo Conde que assina o roteiro do programa realizado pela TV Guarapari. A produção teve locução de Carlos Vitor.

Elementos radioativos com propriedades terapêuticas

Guarapari tem um conjunto de dezenas de praias incríveis, em um recanto do litoral brasileiro que vive o turismo entre o litoral e as montanhas. Esse potencial atrai investimentos para a região dotada de cenários paradisíacos com qualidade de vida. A série Olhar Brasil consulta estudiosos, pesquisadores especialistas em diversas áreas, moradores e turistas.

Areias medicinais e diversidade marinha de Guarapari inspiram série da TV Brasil. Frame: TV Brasil 

A cidade reúne uma das maiores concentrações de areias monazíticas do planeta. Composta de elementos radioativos, as areias negras de Guarapari, emolduradas por grãos dourados de ilmenita, emitem uma onda radioativa com propriedades medicinais em uma intensidade que fortalece o corpo de quem por ali passa e inala o gás torônio.

O efeito estimula positivamente a defesa do organismo humano. Essas areias são fruto de um acúmulo natural dos grãos depositados a partir das montanhas no decorrer de milhões de anos. Ao longo do tempo, o mar avançou e recuou, mas mantém esse material. A resistência adquirida com esse contato é associada ao princípio da hormese.

Segundo a crença popular, embasada por pesquisas científicas, a população celebra as areias com propriedades terapêuticas de Guarapari. Estudos recentes mais aprofundados sobre o assunto confirmam a tese e revelam os benefícios comprovados pelo contato com essa exposição radioativa à saúde humana no sistema imunológico.

Espécies diversas da vida marinha

Referência em biodiversidade marinha no país, Guarapari tem, além das praias da orla, a natureza do manguezal com várias espécies da fauna e flora que ganham espaço para se reproduzir nesse ecossistema de transição.

Os nutrientes disponíveis nas águas ajudam no desenvolvimento da vida marinha abundante na costa do estado que se prolifera na região incorporada a uma unidade de conservação inserida nas proximidades da área urbana do município. Guarapari mantém essa riqueza ecológica na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Concha D’Ostra.

A produção inédita em cartaz na telinha da TV Brasil também revela o turismo náutico, com o mergulho na profundeza das águas da cidade, que mostra ao público um mundo de mistérios fascinantes. A proposta é desvendar com imagens exuberantes a vida existente debaixo das ondas.

O programa destaca o maior recife artificial da América Latina no navio afundado Victory 8B, que serve de habitats marinhos. O espaço abriga inúmeras espécies de peixes, tartarugas e outros seres vivos. O local fica a cerca de 12 km da costa de Guarapari, entre as ilhas Rasa e Escalvada, a aproximadamente 36 metros de profundidade.

A série documental Olhar Brasil acompanha as correntes marinhas da região, para levar ao telespectador imagens impressionantes de corais, cardumes, abundância de criaturas exóticas e centenas de espécies marinhas catalogadas.

Areias medicinais e diversidade marinha de Guarapari inspiram série da TV Brasil. Frame: TV Brasil – TV Brasil

Respeito ao regionalismo

O seriado foi desenvolvido a partir de edital lançado pela EBC em 2024 que recebeu 36 inscrições. Cada um dos dez episódios de Olhar Brasil atende às linhas temáticas da chamada pública, relacionadas ao fomento do turismo retratado na produção original.

Os destinos da temporada são a Serra da Capivara, no Piauí; o Quilombo Kalunga, em Goiás; o município de Guarapari, no litoral do Espírito Santo; as Serras Gerais, no sudeste de Tocantins; o Caminho do Peabiru, que ocupa diversos estados; a romaria do Muquém e a Congada de Santa Efigênia, em Goiás; o oásis do Canindé de São Francisco, em Sergipe; a Chapada dos Veadeiros, em Goiás; a gastronomia catarinense em Florianópolis; e o turismo sustentável do Novo Airão, no Amazonas.

Areias medicinais e diversidade marinha de Guarapari inspiram série da TV Brasil. Frame: TV Brasil – TV Brasil

Com profundidade, respeito e beleza, o seriado reforça a diversidade regional brasileira ao ampliar o alcance das vozes locais. Com narração dos profissionais das emissoras parceiras, o programa Olhar Brasil é contado por quem vive em cada território, o que fortalece a pluralidade do canal público.

Os episódios percorrem diferentes lugares para apresentar desde patrimônio arqueológico até experiências de turismo comunitário e gastronômico, com a valorização das rotas de aventura, além do conteúdo histórico e das tradições regionais.

Processo criativo

O diretor da série Olhar Brasil, Manoel Borges, explica o caráter colaborativo da iniciativa e o respeito à visão local das emissoras. Ele aborda as escolhas estéticas até os desafios de manter coesão visual e narrativa em um projeto realizado de forma participativa.

“A intenção da série é evidenciar a pluralidade de olhares. A Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) reúne perfis de emissoras extremamente diversas. Saber extrair o melhor de cada um desses perfis foi um processo enriquecedor”, explica.

Manoel Borges reforça a dinâmica de trabalho. “O desenvolvimento de uma coprodução carrega, por natureza, uma lógica de decisão horizontal durante o processo criativo. Conseguimos estabelecer um início coletivo e norteador e, posteriormente, avançar para atendimentos personalizados que respeitaram o regionalismo de cada proposta”, afirma.

Lista de episódios com os destinos da série Olhar Brasil

1 – Parque Nacional Serra da Capivara: o nosso patrimônio da humanidade – TV Caatinga/UNIVASF
2 – Turismo Comunitário no Quilombo Kalunga: Resistência e Sustentabilidade – UnBTV
3 – Guarapari Surpreendente: areias medicinais e diversidade marinha – TV Guarapari
4 – Serras Gerais: Cachoeiras cristalinas e cavernas misteriosas – UFT TV
5 – Peabiru: o caminho ancestral de beleza e mistério – TV UFPEL
6 – Niquelândia: Romaria do Muquém e Congada de Santa Efigênia – TV UFG
7 – Canindé de São Francisco: o oásis no sertão nordestino – TV UFS
8 – Chapada dos Veadeiros: um Paraíso no Coração do Brasil – UEG TV
9 – A Magia em Floripa: Cidade Criativa em Gastronomia – TV UFSC
10 – Turismo Sustentável do Novo Airão – TV Encontro das Águas

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Gilmar Mendes nega pedido de prisão domiciliar a Bolsonaro

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido de prisão domiciliar em favor de Jair Bolsonaro feito pelo advogado Paulo Emendabili Barros de Carvalhosa, que não compõe a banca oficial de defesa do ex-presidente. A decisão é desta sexta-feira (16). 

O habeas corpus (HC) com pedido de prisão domiciliar foi apresentado no dia 10 de janeiro e alegava não existirem condições adequadas de atendimento médico continuado a Bolsonaro na cela onde cumpria pena, na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília. Há dois dias, no entanto, o ex-presidente foi transferido, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, para a Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), no Complexo Penitenciário da Papuda, também no DF, onde deverá seguir cumprindo, em regime fechado, a pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar tentativa de golpe de Estado.

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Inicialmente, o pedido de prisão domiciliar foi distribuído por sorteio à ministra Carmen Lúcia, mas, como o Judiciário está de recesso, o processo foi redistribuído a Moraes, vice-presidente do STF, que responde pelo plantão durante o recesso forense. Como o HC questionava uma decisão do próprio Moraes, relator da ação penal da trama golpista, o ministro redistribuiu o processo para Gilmar Mendes, decano da Corte, conforme previsão do Regimento Interno que determina o encaminhamento de ações por ordem decrescente de antiguidade no tribunal.

“Considerando as peculiaridades do caso concreto, não é cabível o manejo da via do habeas corpus por terceiro, mormente se considerado que há defesa técnica constituída e atuante em favor do paciente. Compreensão diversa, além de possibilitar eventual desvio de finalidade do writ [remédio] constitucional, poderia propiciar o atropelo da estratégia defensiva, consequência que não se compatibiliza com a protetiva destinação constitucional do remédio processual”, escreveu o ministro Gilmar Mendes, em sua decisão.

O ministro ponderou ainda que, embora exercendo competência legítima na análise do pedido, uma decisão divergente significaria uma “indevida substituição da competência previamente estabelecida” pelo STF em relação ao princípio do juiz natural, já que Alexandre de Moraes é o magistrado relator da ação penal envolvendo o ex-presidente Bolsonaro.

O habeas corpus é um dispositivo previsto na Constituição Federal que pode ser apresentado por qualquer pessoa, seja em favor próprio ou de terceiros, e não requer proposição assinada por um advogado. Além disso, por se tratar de um remédio jurídico que busca garantir liberdade de locomoção a pessoas presas, sua tramitação é gratuita, e a análise é considerada de urgência.

Há 5 anos, Brasil aplicava primeiras doses de vacina contra a covid-19

Há 5 anos, o Brasil dava seus primeiros passos rumo ao fim de um pesadelo. No dia 17 de janeiro de 2021, logo depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso emergencial de duas vacinas no Brasil, a enfermeira paulista Mônica Calazans se tornava a primeira brasileira a ser vacinada contra a covid-19.

Mônica foi escolhida para esse momento histórico porque participou dos ensaios clínicos da vacina Coronavac, feitos no final de 2020 para comprovar a segurança e a eficácia da vacina. Na época, ela trabalhava no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, hospital especializado em doenças infectocontagiosas e referência para a doença, que atendeu mais de 40 mil pacientes durantes a pandemia.

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A enfermeira conta que estava de plantão naquele domingo quando foi avisada pela chefe que deveria ir até o local da cerimônia, onde autoridades aguardavam a decisão da Anvisa para começar a vacinação logo em seguida. Quando descobriu que seria a primeira a receber a vacina, não segurou as lágrimas:

“Eu chorava muito! De verdade! Porque a gente estava passando por um momento traumatizante, e o meu irmão estava com covid na época. E eu também chorei de emoção, de alegria, porque a ciência estava dando um passo importante para acabar com aquela tragédia que estava assolando o mundo”. “

Na hora que eu recebi a vacina, eu trouxe esperança para as pessoas. O meu punho cerrado era uma mensagem de esperança e de vitória. De que nós iríamos vencer essa fase tão terrível “

a vacinação no restante do país começou no dia seguinte, dia 18 de janeiro, após a distribuição de um primeio lote de 6 milhões de doses produzidas na China e importadas pelo Instituto Butantan, que posteriormente passou a processar a vacina no Brasil, a partir de ingrediente ativo enviado pela empresa Sinovac.

Alguns dias depois, no dia 23 de janeiro, a campanha recebeu o reforço das primeiras 2 milhões de dose da vacina da Oxford/Astrazeneca, inicialmente importadas da Índia pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que depois incorporou gradualmente a tecnologia e passou a produzir a vacina em solo nacional.

A campanha priorizou os públicos mais vulneráveis, começando pelos trabalhadores de saúde da linha de frente, idosos e pessoas com deficiência que viviam em instituições e indígenas. Neste momento, o Brasil vivia o pico da variante Gama do coronavírus, que se mostrou mais agressiva e letal do que as que tinham se disseminado anteriormente.

 

A médica pneumologista do Centro de Referência Professor Helio Fraga, da Fiocruz, Margareth Dalcolmo recebe a dose da vacina de Oxford/AstraZeneca na Fiocruz em janeiro de 2021 – Tomaz Silva/Agência Brasil

Dado o limitado número de doses, a imunização avançou lentamente até alcançar outros públicos também bastante vulneráveis, como os idosos em geral. Na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas com idades entre 60 e 70 anos só receberam o imunizante ao longos dos meses de março e abril 2021.

Ainda assim, os benefícios da vacinação não demoraram a aparecer. Dados do Observatório Covid-19 Brasil mostram que já a partir de abril, as hospitalizações e mortes entre idosos começaram a cair vertiginosamente.

Os pesquisadores acreditam que apenas nos primeiros sete meses da campanha, 165 mil hospitalizações e 58 mil mortes entre idosos foram evitadas.

Nos meses seguintes, tanto o Butantan, quanto a Fiocruz passaram a finalizar e envazar as vacinas no Brasil, o que possibilitou o aumento expressivo de doses, em conjunto com a chegada de imunizantes adquiridos de empresas privadas.

Em um ano, 339 milhões de doses foram aplicadas, atendendo a 84% da população brasileira. Especialistas calculam que isso preveniu 74% dos casos graves e 82% das mortes esperadas no Brasil, o que significa que mais de 300 mil vidas foram poupadas.

Atrasos

No entanto, o mesmo estudo do Observartório Covid-19 Brasil que calculou as vidas salvas pela vacina também concluiu que “um contingente adicional de 104.000 hospitalizações poderia ter sido evitado se a vacinação tivesse começado mais cedo” e “outras 47 mil vidas poderiam ter sido salvas caso o governo brasileiro tivesse iniciado o programa de vacinação anteriormente”, apenas entre os idosos.

A vice-presidente da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico), Paola Falceta, acredita que a mãe, falecida em janeiro de 2021, está nessas estatísticas. Para ela, não há dúvidas que houve atraso no início da vacinação no Brasil, e que ele é resultado da negligência do governo federal da época.  

“A gente não poderia salvar todo mundo, obviamente, até porque a vacina depende da vontade própria da pessoa e existiria ainda aquele grupo que não tomaria a vacina”.

“Mas a maioria das pessoas queria acesso à vacina, e muitos dos que morreram foram as pessoas que poderiam ter tomado a vacina antes e não conseguiram. E essa falta foi imposta pela própria gestão, que decidiu não comprar, não negociar todos os tipos de vacina existentes”.

A avaliação de Paola é corroborada por um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais. Se a vacinação no Brasil tivesse começado 40 dias antes, na mesma data em que foi iniciada no Reino Unido, com mais doses, e associada a medidas de isolamento e proteção, o Brasil poderia ter evitado 400 mil mortes, concluem os pesquisadores. Isso é mais do que a metade das cerca de 700 mil mortes causadas pela doença no país.

 

Cemitério Público Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, teve que ampliar número de sepulturas para vítimas de covid-19 Foto: Alex Pazuello/Semcom/Arquivo

Por trás dos números, há histórias como as de Paola e de Ana Lucia Lopes, que perdeu o companheiro em maio de 2021.

“Um mês depois que o Cláudio faleceu, eu fui tomar vacina. Nós tínhamos a mesma idade, então, ele iria tomar no mesmo momento. E é muito revoltante pensar isso, que ele não teve essa oportunidade. Imagina quanta gente poderia ter tomado a vacina, e tido a chance de sobreviver”.

A CPI da Covid-19, realizada em 2021, também concluiu que o governo federal impôs uma “escassez” de doses de vacina, que foi determinante para aumentar o número de casos e de mortos, e possibilitar a disseminação de novas variantes. Uma das provas consideradas foram as propostas de venda feitas pela farmacêutica Pfizer em agosto de 2020, oferendo 1,5 milhão de doses a serem entregues ainda no primeiro ano da pandemia. O governo brasileiro sequer respondeu.  

“A aquisição de imunizantes deveria ter figurado como a principal providência no processo de prevenção à disseminação do novo coronavírus e, consequentemente, de proteção à saúde das pessoas, mas, infelizmente, essa medida foi negligenciada. Não obstante, as tratativas e a conclusão das negociações do governo federal sofreram injustificável e intencional atraso, que impactou diretamente na compra das vacinas e no cronograma de imunização da população brasileira”, diz o relatório final da CPI.

 

Senadores atuantes na CPI da Covid-19 entregam o relatório final dos trabalhos da comissão ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) – Fernando Frazão/Agência Brasil

A comissão também sugeriu o indiciamento de 68 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e os ex-ministros da Saúde Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. O pedido, no entanto, foi arquivado a pedido do procurador-geral da República da época, Augusto Aras, em julho de 2022.

No ano passado, entretanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou a abertura de um inquérito na Polícia Federal para apurar os fatos denunciados pela CPI.

Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 41 milhões neste sábado

As seis dezenas do concurso 2.961 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 21h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, em São Paulo.

O prêmio da faixa principal está acumulado em R$ 41 milhões.

O sorteio terá transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa.

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As apostas podem ser feitas até as 20h30 (horário de Brasília), nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 6.