Toffoli envia material apreendido no caso Master para análise da PGR

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, determinou nesta quarta-feira (14) que todo material apreendido sobre o caso do Banco Master na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada mais cedo pela Polícia Federal (PF), seja encaminhado à Procuradoria Geral da República (PGR), para extração e análise do conjunto probatório.

A decisão atende a um pedido formulado pelo próprio chefe da PGR, Paulo Gonet, ao analisar um pedido de reconsideração da PF sobre a ordem para a guarda dos materiais no Supremo, como Toffoli havia determinado anteriormente.

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“Tendo em vista o êxito da operação realizada no dia de hoje, o material probatório colhido deve ser apreciado pelo titular da ação penal para a adequada formação da opinião ministerial sobre a materialidade e autoria dos delitos em apuração”, ordenou o ministro do STF.

Ainda na decisão, Toffoli determinou que os aparelhos apreendidos sejam mantidos desconectados de redes de telefonia e de internet, para garantir a integridade até o periciamento.

A nova fase da operação deflagrada nesta quarta incluiu a prisão temporária de Fabiano Campos Zettel, cunhado do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens. Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados.

Além da prisão de Zettel, foram alvo de mandados de busca o empresário Nelson Tanure, gestor de fundos ligados ao Master, e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos.

Segundo as investigações, eles são suspeitos de desvios de recursos do sistema financeiro para abastecer o patrimônio pessoal. Diversos carros e outros itens de luxo também foram apreendidos, bem como mais de R$ 90 mil em espécie.

A operação tem como objetivo interromper a atuação da suposta organização criminosa, além de recuperar ativos.

Preso em novembro pela PF, enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, Daniel Vorcaro teve a prisão relaxada e está em prisão domiciliar.

No despacho em que determina o envio das provas à PGR, o ministro Dias Toffoli afirma que a investigação atual no STF possui um escopo mais amplo do que os inquéritos anteriores apontaram, “na medida em que, em tese, teria revelado que fundos eram operados para a gestão fraudulenta, o desvio de valores e o branqueamento de capitais pelo Banco Master em um quadro de suposto aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização”.

Ainda segundo o ministro, a análise das provas pela PGR permitirá que o órgão “tenha uma visão sistêmica dos supostos crimes de grandes proporções por ele, em tese, identificados até o presente momento”.

Estudantes protestam contra aumento da tarifa de ônibus em São Paulo

Estudantes se mobilizaram em protesto contra as tarifas de transporte público. A mobilização enfrentou chuva no centro de São Paulo, no final da tarde e começo da noite desta quarta-feira (14).

“Esse é mais um ato que se soma à tradição que o movimento estudantil aqui no estado de São Paulo tem de iniciar o ano sempre ocupando as ruas em reação ao aumento da tarifa no transporte público. Também ocupamos as ruas em defesa de uma conquista histórica nossa, que foi o passe livre estudantil. Esse direito tem sofrido uma série de ataques mas sabemos que ele é um elemento fundamental para a permanência dos estudantes na universidade”, disse Bianca Borges, membro da União Nacional dos Estados Estudantes, que participou do ato.

Movimento Passe Livre faz manifestação em frente a prefeitura contra o reajuste das tarifas dos transportes em São Paulo- Paulo Pinto/Agência Brasil

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O estado e a prefeitura aumentaram recentemente os passes do transporte público sobre trilhos na grande São Paulo e do ônibus na capital.

Mobilizados contra o aumento da tarifa de ônibus, os participantes reclamaram ainda o direito ao passe livre e ao acesso à cultura, lazer e educação..

Dois jovens foram detidos pela polícia no começo do ato, ainda próximo da prefeitura. Eles cobriam o rosto com máscaras do tipo balaclava. Questionada, a Secretaria de Segurança Publica não comentou as detenções. O policial que coordenava a ação justificou dizendo que é ilegal o uso do item em atos.

“Nesse ato pedimos uma reivindicação histórica do movimento estudantil que é o direito ao acesso à cidade, o direito à mobilidade urbana que não por novidade, no governo de Tarcísio e de Nunes eles têm seguido a risca, a receita neoliberal que é colocar os direitos do povo, o direito público no balcão de negócios para favorecer interesses privados“, declarou Wesley Gabriel, presidente da União Estadual dos Estudantes, um dos grupos que organizou o ato. Outras cidades paulistas, como Campinas e Sorocaba, também têm atos previstos.

Morre Arlindo de Souza, conhecido como “Popeye Brasileiro”

Aos 55 anos, morreu o olindense Arlindo de Souza, conhecido como Popeye Brasileiro. Arlindo ficou conhecido nacionalmente após aparecer em programas de televisão com músculos avantajados dos braços, resultado da aplicação de óleo mineral. Com físico exagerado, ele passou a ser comparado ao famoso marinheiro de desenho animado.

A causa da morte de Arlindo não foi informada. 

Arlindo morava em Águas Compridas, bairro de Olinda, e morreu na madrugada de terça-feira (13), no Hospital Otávio de Freitas, em Tejipió, na zona oeste do Recife. Ele estava internado desde dezembro. O sepultamento de Arlindo foi marcado para a tarde desta quarta-feira (13), no Cemitério de Águas Compridas.

Pedreiro, Arlindo modificou o corpo com a aplicação de óleo mineral e álcool, prática condenada por médicos. O caso de Arlindo chamou atenção para o uso de anabolizantes e outras substâncias para aumentar a massa muscular. Entre outros problemas, o uso de esteroides é associado a sérios riscos para a saúde renal, como aumento da pressão arterial, danos celulares e até mesmo a morte.

O médico cardiologista e presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP), Anis Mitri, alerta que o uso de hormônios anabolizantes, sintéticos ou não, traz inúmeros efeitos colaterais, principalmente quando usados em altas doses.

“Quando a pessoa usa o hormônio para fazer musculação, ela acaba sentindo que tem mais disposição, ela acaba sentindo que tem mais recuperação muscular mais fácil, ela consegue levantar mais peso. E isso acaba criando uma tendência da pessoa sempre querer usar. Só que o uso dele, tanto curto quanto prolongado, gera efeitos colaterais que você não consegue controlar”, disse à Agência Brasil.

Entre os efeitos estão a dependência, a criação de coágulos no sangue que podem levar a um acidente vascular cerebral (AVC), derrame, infarto. Além disso, ele cita efeitos oncológicos, que podem predispor a pessoa a ter mais tipos de câncer, a exemplo do câncer de próstata, câncer de mama e de tireoide.

“Você não consegue controlar qual é a dose segura. Também existem os efeitos psíquicos e psicológicos, em que a pessoa fica mais nervosa, mais agressiva. Além dos efeitos simples, que é a queda de cabelo, pruridão e vermelhidão de pele, aumento da pressão arterial. Isso tudo faz com que os hormônios sejam perigosos”, afirmou.

“Ele [Arlindo] também acrescentava essa questão do óleo mineral dentro da musculatura. Isso pode levar a gangrena, apodrecimento dos músculos e trombose também”, concluiu.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) também alerta que o uso, sem acompanhamento médico, de testosterona – comumente chamada de anabolizante – pode ser perigoso e causar danos irreparáveis no corpo humano. O uso da substância tornou-se um problema de saúde pública e os casos de complicações são cada vez mais frequentes.

A entidade cita como efeitos o aumento de acne, queda de cabelo, distúrbios da função do fígado, tumores no fígado, explosões de ira ou comportamento agressivo, paranoia, alucinações, psicoses, coágulos de sangue, retenção de líquido no organismo, aumento da pressão arterial e risco de adquirir doenças transmissíveis.

Em razão dos riscos, em abril de 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu a prescrição médica de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo. A decisão foi tomada em razão da inexistência de comprovação científica suficiente que sustente o benefício e a segurança do paciente.

Defensorias acionam Justiça por medidas para enfrentar calor no Rio

A Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) acionaram a Justiça do Rio de Janeiro pedindo que o município do Rio tome medidas para que a população em situação de vulnerabilidade, principalmente a população em situação de rua, não sofra tanto os efeitos do calor excessivo.

 “[A população em situação de rua], que depende umbilicalmente de bicas públicas e da solidariedade de comércios locais, encontra-se hoje totalmente desassistida. Comércios fecharam ou racionam água; bicas públicas secaram”, diz o pedido.

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Diante da situação, DPU e DPRJ pedem que sejam tomadas uma série de medidas como em locais com maior circulação de pessoas em situação de rua:
  • Distribuição de insumos como água, protetor solar
  • Disponibilização de bebedouros e banheiros
  • Instalação de pontos de resfriamento ou refrigeração

Além disso, pedem ainda que sejam determinadas pausas para hidratação e refrescamento dos profissionais e agente públicos em atividades externas, especialmente aqueles ligados ao Consultório na Rua e Assistência Social. O pedido é que as medidas durem enquanto pendurar o Enfrentamento ao Calor Extremo.

Deve ser ainda proibida a remoção forçada de pessoas em situação de rua sem a devida garantia de acolhimento adequado.

DPU e DPRJ solicitam que o município do Rio de Janeiro seja condenado a pagar R$ 1 milhão em “indenização por danos morais coletivos, em razão da grave violação aos direitos fundamentais e à dignidade da pessoa humana decorrente da inércia estatal perante a catástrofe climática”, como diz o pedido. Esse dinheiro deve ser revertido ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.

O Rio de Janeiro tem apresentado temperaturas superiores à média histórica. As altas temperaturas registradas nas primeiras duas semanas de 2026 levaram milhares de pessoas a buscar atendimento em unidades de saúde.  

População em situação de rua

Este não é o único pedido feito à Justiça. A DPU, a DPRJ e o Ministério Público Federal (MPF) já haviam solicitado à Justiça Federal uma liminar contra o município do Rio pela omissão em medidas voltadas à população em situação de rua na capital fluminense. Ainda não houve decisão judicial.

Os órgãos pedem que a Justiça determine que seja criado, em 30 dias, o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento (Ciamp-Rua) Municipal. Trata-se de um órgão colegiado que reúne governo e sociedade civil para criar, monitorar e avaliar políticas públicas voltadas à inclusão social e garantia de direitos das pessoas em situação de rua.

Além disso, solicitam que o Executivo elabore, em 60 dias, um plano de ação detalhado para cumprir as determinações da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental no Supremo (ADPF) 976, decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre outras medidas, a ADPF determina que estados e municípios efetivem medidas que garantam a segurança pessoal e dos bens das pessoas em situação de rua dentro dos abrigos institucionais existentes, inclusive com apoio para seus animais. Além disso, devem proibir o recolhimento forçado de bens e pertences, a remoção e o transporte compulsório de pessoas em situação de rua e o emprego de técnicas de arquitetura hostil contra essa população. 

Os autores também pedem que o município pactue com a União, em até 30 dias, a execução de todas as ações previstas no Plano Ruas Visíveis, garantindo que não se abra mão de recursos federais destinados a essas políticas públicas.

Descumprimentos

De acordo com os órgãos, a situação no Rio de Janeiro é preocupante. Atualmente, a rede municipal dispõe de apenas 2.688 vagas de acolhimento para uma população estimada em mais de 7 mil pessoas.

A manifestação cita dados de uma auditoria do Tribunal de Contas do Município (TCM/RJ), que revelou que 75% das novas vagas de acolhimento previstas no Plano Plurianual 2022-2025 não foram implementadas. Além disso, houve um corte orçamentário de 61% em 2023 para ações de acolhimento, restando apenas R$ 553 mil de uma previsão inicial já considerada insuficiente pelo órgão de contas.

Outro ponto crítico abordado é a insuficiência da estrutura de atendimento. O Rio de Janeiro conta com 14 Centros de Referência de Assistência Social (Creas), quando o parâmetro técnico para a população atual exigiria 34 unidades. A petição também menciona a existência de apenas dois Centros Pop em funcionamento e uma única Central de Recepção 24h, localizada na Ilha do Governador, cuja localização isolada dificulta o acesso voluntário da população de rua.

“O município do Rio de Janeiro há mais de 30 anos não amplia a sua rede de assistência social”, diz o defensor regional de direitos humanos do Rio de Janeiro (DRDH/RJ), Thales Arcoverde Treiger, que assina ambas as manifestações.

Sobre as medidas para enfrentar o calor, ele diz: “Qual é o protocolo para o calor? O que o município tá fazendo com relação ao calor? Está oferecendo água? Não está? Como está o aumento, por exemplo, da rede para que as pessoas tomem banho? Não tem isso”.  

Posicionamento do município

A Procuradoria do Município do Rio (PGM) informou, em nota, que não foi intimada do pedido realizado pelo Ministério Público Federal e pelas Defensorias Públicas da União e do Estado do Rio. 

“Vale ressaltar que o Município já estava em tratativas com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para atualizar o TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] referente à população em situação de rua, vigente há mais de 10 anos. A Procuradoria do Município do Rio de Janeiro antecipa que, uma vez intimada, se manifestará nos autos”, diz a nota.

A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) informa ainda que, em 2025, foram criadas 510 novas vagas para atendimento à população em situação de rua. No primeiro trimestre de 2026, outras 75 vagas serão abertas. Sobre os Creas, em 2025, a SMAS implantou o Prontuário Eletrônico nas 13 unidades e modernizou o atendimento para garantir o histórico de atendimento dos usuários na base de dados da secretaria.

Diz ainda que, com a digitalização, foi iniciado um estudo para avaliar a necessidade de novas unidades. Neste mês, também entrou em funcionamento a Central Única de Regulação de Vagas para Adultos, Pessoas Idosas e Famílias, “que organiza, em sistema único e com atualização diária, a distribuição das vagas de acolhimento no município, com mais transparência e agilidade”, diz.

Sobre o calor, a SMAS destaca que “todas as unidades da rede seguem em funcionamento para atender a população em situação de rua. Além disso, as equipes de abordagem atuam 24 horas nas ruas, realizando busca ativa e oferecendo acolhimento”, afirma.

Bolsa bate recorde e fecha pela primeira vez acima dos 165 mil pontos

Num dia misto no mercado financeiro, a bolsa de valores bateu recorde e fechou, pela primeira vez, acima dos 165 mil pontos. O dólar subiu e voltou a romper a barreira de R$ 5,40 após os Estados Unidos anunciarem a suspensão de vistos para vários países, inclusive o Brasil.

O índice Ibovespa, da B3, encerrou esta quarta-feira (14) aos 165.146 pontos, com alta de 1,96%. Ações de petroleiras, de mineradoras e de bancos, com maior peso no índice, puxaram a valorização.

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A bolsa brasileira descolou-se das bolsas dos Estados Unidos, que fecharam em queda. A perspectiva de redução de juros na maior economia do planeta, após a divulgação de que a inflação estadunidense desacelerou, beneficiou os países emergentes, inclusive o Brasil.

O mercado de câmbio teve um dia mais tenso. O dólar comercial fechou o dia vendido a R$ 5,402, com alta de R$ 0,026 (+0,43%). A cotação iniciou a sessão próxima da estabilidade, mas subiu após a emissora Fox News divulgar que o governo Donald Trump suspendeu, por tempo indeterminado, vistos de imigração para 75 países, inclusive o Brasil.

Imediatamente após a notícia, a cotação subiu para R$ 5,42. Desacelerou durante a tarde, mas permaneceu acima de R$ 5,40. Apesar da alta desta quarta-feira, a moeda estadunidense acumula queda de 1,6% em 2026.

*Com informações da Reuters

Copa do Mundo: Fifa anuncia locais de treino e concentração da seleção

A Fifa, entidade máxima do futebol mundial, confirmou nesta quarta-feira (14) que a seleção brasileira ficará hospedada e treinará no estado de Nova Jersey (Estados Unidos) durante a Copa do Mundo, que começa em 11 de junho. A entidade atendeu ao pedido prévio da CBF que, após visitas à várias cidades norte-americanas, manifestou interesse pelas instalações em Nova Jersey. O Brasil treinará no CT Columbia Park, do clube RB New York, na cidade de Morristown, e ficará hospedado no hotel The Ridge, em Basking Ridge. O hotel ficará  inteiramente reservado para a delegação Amarelinha.

Uma das vantagens de Nova Jersey é a proximidade do Estádio de Nova York, palco da estreia do Brasil contra Marrocos, em 13 de junho, às 19h (horário de Brasília), pelo Grupo C, que tem ainda Escócia e Haiti. Além disso, o tempo gasto no trajeto entre hotel e Centro de Treinamento será de apenas 15 minutos.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Segundo nota oficial da CBF, a escolha dos dois locais em Nova Jersey ocorreu após análises presenciais realizadas nos últimos meses em  hotéis e CTs disponibilizados pela Fifa, em várias cidades norte-americanas, como Orlando, Seattle, Boston, Los Angeles e Nova York, entre outras. A entidade brasileira avaliou aspectos como privacidade, conforto, segurança e distância para os locais de treinos e jogos.

“Analisamos vários aspectos. O objetivo principal era buscar melhor qualidade de gramados, hotéis, facilidades de logísticas, a menor diferença possível de fuso e outros fatores que poderiam influenciar positivamente no desempenho da seleção. Encontramos na região de Nova York/Nova Jersey as melhores condições em todos esses itens e isso pode fazer a diferença numa competição que é extremamente complicada diante da grandeza do evento”, pontuou Cícero Souza, gerente geral de seleções masculinas.

A CBF destacou ainda que o CT Columbia tem instalações de última geração, áreas de treinamento, academias de ginástica, vestiários e escritórios administrativos, com acessibilidade. Atualmente, o espaço passa por obras para ampliação das estruturas e modernização de instalações e equipamentos.

Antes do Mundial, a seleção fará dois amistosos contra seleções europeias, ambos nos Estados Unidos. O escrete canarinho enfrenta a França em 26 de março, às17h, no Gillette Stadium, no estado de Massachusetts e, cinco dias depois, encara a Croácia, às 21h, Camping World Stadium, na Flórida.

Benin oferece cidadania à diáspora africana

Isaline Attelly, natural da ilha caribenha da Martinica, morava no Benin há quase um ano antes de saber que a ligação de sua família com o país da África Ocidental era muito mais antiga.

Os registros genealógicos confirmaram que sua bisavó materna nasceu no que hoje é o Benin e, no auge da escravidão transatlântica, foi traficada para o outro lado do Oceano Atlântico.

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A descoberta no ano passado levou Attelly, uma criadora de conteúdo de 28 anos, a se inscrever em um novo programa que oferece cidadania beninense a pessoas de ascendência africana.

O programa My Afro Origins (Minhas Origens Afro) é uma parte importante do plano do presidente Patrice Talon para aumentar o perfil de seu país, inclusive entre turistas em potencial, destacando seu papel proeminente no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.

“Para mim, é uma fonte de orgulho. Parece que minha jornada completou o círculo”, disse Attelly à agência de notícias Reuters após sua cerimônia de naturalização. “Estou orgulhosa e muito feliz por poder representar meus ancestrais”, revelou.

Naturalização

As primeiras cerimônias de naturalização coincidiram com a revelação de projetos destinados a dar vida a essa história, incluindo uma nova Porta sem Retorno em Ouidah, um ponto de partida comum para o tráfico transatlântico de escravos, e uma réplica de um navio do Século 18 que transportava pessoas escravizadas com esculturas dentro representando quase 300 cativos. Ambos ainda estão em construção.

O governo também planeja inaugurar este ano um novo Museu Internacional da Memória e da Escravidão na antiga residência de Francisco Felix de Souza, um importante traficante de pessoas escravizadas nos séculos 18 e 19.

Talon, que sobreviveu a uma tentativa de golpe no mês passado e deve encerrar seu mandato de dez anos após uma eleição presidencial em abril, recrutou estrelas para divulgar sua visão. O cineasta Spike Lee e sua esposa Tonya Lee Lewis foram nomeados no ano passado embaixadores do programa para a comunidade afro-americana.

“Nossos irmãos e irmãs em Benin estão nos dizendo: voltem para casa, recebam-nos em casa, voltem para a terra natal. Voltem (para) onde estão suas raízes”, disse Lee ao canal de televisão France 24 no ano passado.

Cidadania

Em julho de 2025, a estrela norte-americana de R&B Ciara tornou-se uma das primeiras beneficiárias da cidadania beninense. Ela se apresentou na semana passada em um show em Ouidah como parte de um festival anual dedicado ao vodu, tocando sucessos como Level Up durante um show que durou até as três da manhã.

Seu marido, o quarterback de futebol norte-americano Russell Wilson, compareceu e disse que esperava se tornar um cidadão “muito em breve”.

Estudo aponta mais 365 mil pessoas em situação de rua no Brasil

O número de pessoas que vivem em situação de rua continua crescendo no país. Em dezembro de 2024 havia 327.925 pessoas vivendo nas ruas do Brasil. No final do ano passado esse número chegava a 365.822 pessoas. Os dados são de levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgado nesta quarta-feira (13).

O levantamento foi feito com base nos dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que reúne os beneficiários de políticas sociais, como o Bolsa Família, e serve como indicativo das populações em vulnerabilidade para quantificar os repasses do governo federal aos municípios.

De 2020 a 2021, quando teve início a pandemia da covid-19, o número de pessoas em situação de rua havia caído, passando de 194.824 para 158.191 pessoas. Mas em 2022, voltou a subir e vem crescendo de forma contínua desde então.

A maioria dessa população que vive nas ruas se encontra na Região Sudeste do país, somando 222.311 de pessoas, o que representa 61% do total no país. Em seguida aparece a Região Nordeste, com uma população de 54.801 pessoas em situação de rua.

Só no estado de São Paulo estão concentradas 150.958 pessoas em situação de rua, seguida pelos estados do Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O Amapá é o estado com o menor número de pessoas nessa condição, somando 292.

Para os pesquisadores do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, quatro situações podem explicar esse aumento:

  • o fortalecimento do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) como principal registro da população em situação de rua e de acesso às políticas públicas sociais do país; 
  • a ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturantes voltadas para essa população, tais como moradia, trabalho e educação; 
  • a precarização das condições de vida principalmente após a pandemia; e 
  • as emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.

Em entrevista à Agência Brasil, Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, disse que apesar das políticas públicas que fizeram a insegurança alimentar grave diminuir no país LINK 3, ainda há muita gente passando fome no país.

“Acho que está crescendo o número de pessoas em situação de rua em todo o Brasil e em São Paulo por uma série de fatores. Mesmo com a questão da queda acentuada das pessoas em alta vulnerabilidade social, ou seja, de combate à fome, ainda existe muita fome no Brasil. Existem pessoas que não conseguem se alimentar porque tem que pagar o aluguel ou porque tem que comprar remédio”, avalia.

Ele mesmo disse que tem dificuldades para pagar por todos os remédios que precisa tomar por seus problemas de saúde. “Se eu tivesse que comprar o que eu tenho que comprar para as doenças que eu tenho, eu precisaria receber dez salários desses para poder comprá-los. Só a máscara que eu preciso usar custa R$ 6 mil. Tem outros remédios que custam entre R$ 700 ou R$ 800. Como é que uma pessoa vai conseguir pagar aluguel, água, luz, alimentação e medicamentos com um ou dois salários mínimos? Ela não tem condições”, ressaltou.

Na opinião de Mendonça, outro fator que tem contribuído para esse aumento é o avanço tecnológico, que tem trazido ainda mais dificuldades para quem busca um emprego. “As pessoas não passam por uma reciclagem para se aperfeiçoarem na questão do trabalho”.

Para ele, a solução para esse problema passa pela capacitação, pelo enfrentamento ao preconceito contra essas pessoas e também por políticas voltadas à moradia e ao emprego. 

“É preciso tratar de uma maneira para que não se veja a população de rua como um ser de outro planeta, mas como um cidadão desempregado, que precisa de uma chance para reingressar ao mercado de trabalho. Quando o Brasil tomar conhecimento e quando o governo se conscientizar de que ele não tem que tratar a população em situação de rua criando guetos, mas tratar como cidadão desempregado, criando capacitação e, principalmente, sensibilizando os empresários para que deem empregos para essas pessoas, aí sim isso começa a mudar”, defendeu. 

“O problema não está na população de rua, mas no governo que não encara a temática da população em situação de rua como tem que ser encarada, com seriedade, com dignidade e respeito”, acrescentou.

Programas

A Secretaria de Desenvolvimento Social do estado de São Paulo informou que “tem trabalhado de forma integrada com os municípios para a redução da população de rua em todo o estado”. 

Segundo a secretaria, a pasta já repassou R$ 633 milhões para as prefeituras paulistas desde o início desta gestão, sendo que R$ 145,6 milhões desse valor seriam exclusivos para ações voltadas à população em situação de rua. 

Além disso, informa a pasta, foram ampliados os serviços que são ofertados para essa população, tais como a criação de 24 novas unidades do Bom Prato, programa que oferece alimentação de qualidade a um custo acessível. Outro programa que foi ampliado foi o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial e que permite, segundo a secretaria, “a conquista da autonomia, com renda e moradia às pessoas em situação de rua afetadas pelo uso de substâncias psicoativas”. 

Procurado, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre o levantamento. A Agência Brasil está aberta à manifestações.

Lula liga para Wagner Moura e Kléber Mendonça e parabeniza por prêmios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta quarta-feira (14) para o ator Wagner Moura e o diretor de cinema Kléber Mendonça Filho, vencedores do Globo de Ouro pelo filme Agente Secreto. Na chamada, em que estava acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, o presidente disse que fazia um gesto de reconhecimento pela grandeza do cinema brasileiro e classificou a premiação como “um espetáculo extraordinário”. Um vídeo da ligação foi postado nas redes sociais de Lula

Na conversa, Lula disse que irá anunciar nos próximos dias a obrigatoriedade das “redes públicas” exibirem filmes nacionais para que o povo “conheça o cinema brasileiro”. 

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“A capacidade que nós temos de se ver na tela, pode ser uma série, um filme, no cinema, é de extrema importância”, reagiu Kléber Mendonça.

Ao lembrar do discurso feito após receber o prêmio de melhor ator, além das entrevistas concedidas recentemente, Wagner Moura destacou a importância de governos comprometidos com a democracia para a promoção da cultura.

“Nós temos dito como como a cultura e a democracia andam juntas. O Brasil é esse país que tem vocação para a cultura”, pontuou o ator. 

“Eu dediquei o prêmio aos jovens cineastas do Brasil, que é acho que é um grande momento para fazer filmes, temos instrumentos de apoio”, destacou Kléber Mendonça Filho.

Lula prosseguiu a ligação ressaltando que o governo dará continuidade às políticas de financiamento ao setor cultural.

“A cultura é efetivamente uma das coisas mais sagradas na construção da personalidade de um país”, enfatizou.

Por fim, Lula e Janja desejaram que o filme Agente Secreto possa conquistar o Oscar, o maior prêmio do cinema mundial. O anúncio dos indicados ocorrerá na semana que vem.

 

Enel é multada em R$ 14 milhões por falhas no fornecimento de energia

A Enel, concessionária de energia que atende principalmente a região metropolitana de São Paulo, foi multada em R$ 14 milhões por falhas no fornecimento de energia elétrica ocorridas no final do ano passado. A multa foi aplicada pelo Procon-SP após o recebimento de diversas reclamações de clientes.

O Procon informou que a multa se refere a falhas ocorridas entre os dias 21 e 23 de setembro e 8 e 14 de dezembro, quando diversos moradores da Grande São Paulo reclamaram da falta de energia elétrica por um período superior a 48 horas .

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Segundo o órgão, esse problema infringe o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor que afirma que concessionárias, empresas ou órgãos públicos “são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos”. Desde 2019, o Procon já autuou a Enel nove vezes. 

Em dezembro do ano passado, a Enel já havia sido multado pelo Procon Paulistano, um órgão da prefeitura de São Paulo. A multa aplicada neste caso foi de R$ 14,3 milhões depois que  milhões de consumidores da capital ficaram sem energia por causa da passagem de um ciclone extratropical ocorrido entre os dias 8 e 10 de dezembro.

Em razão das constantes falhas no fornecimento, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, se reuniram em meados de dezembro e anunciaram que levarão à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um pedido de caducidade do contrato de concessão de distribuição que a Enel detém na capital paulista e em outros 23 municípios da região metropolitana.

Já no início deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a apuração de falhas da Enel e que fossem adotadas “medidas cabíveis e necessárias à plena garantia da prestação adequada, contínua e eficiente do serviço público de distribuição de energia elétrica” à população da região metropolitana de São Paulo.

Mais de 4 milhões foram afetados

Procurada pela Agência Brasil, a Enel ainda não se manifestou sobre a aplicação da multa pelo Procon-SP. Mais cedo, a empresa havia confirmado que 4,4 milhões de clientes foram afetados pela falta de energia na região metropolitana de São Paulo após a passagem de um ciclone extratropical em dezembro. Esse número, esclareceu a empresa, se refere “à soma de unidades afetadas ao longo de mais de 12 horas seguidas de ventos fortes”. Anteriormente, o número estimado de clientes afetados era de 2,2 milhões. 

“À medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval. A informação foi apurada pela própria companhia pós-evento climático. A distribuidora destaca que o volume de 2,2 milhões de clientes atingidos – divulgado durante a operação de restabelecimento de energia – corresponde ao pico de instalações interrompidas simultaneamente”, escreveu a empresa, em nota.

Defesa de Bolsonaro volta a pedir prisão domiciliar

A defesa voltou a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a concessão de prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro, por motivos de saúde, diante de enfermidades sofridas pelo político de 70 anos, incluindo as consequências de uma queda recente. 

Bolsonaro foi condenado em setembro pela Primeira Turma do Supremo a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de estado. Desde então, os advogados tentaram diversas vezes convencer o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, a conceder prisão domiciliar humanitária para ao ex-presidente, todas sem sucesso. 

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No pedido mais recente, a defesa cita “riscos clínicos concretos e reiteradamente advertidos pela equipe médica”. Tais riscos deixaram de ser projeções e se tornaram “realidade objetiva”, escreveram os advogados. 

Preso na Polícia Federal

“Nesse contexto, a prisão domiciliar não se apresenta como medida de conveniência ou favor, mas como única forma juridicamente adequada de compatibilizar a execução da pena com a preservação mínima da saúde e da vida do apenado”, alega a defesa. 

Bolsonaro está preso em uma sala nas instalações da Polícia Federal (PF), em Brasília, desde 22 de novembro, quando tentou violar a tornozeleira eletrônica que utilizava.

Desde então, obteve mais de uma vez autorização para ser deslocado sob escolta até um hospital particular, inclusive para a realização de uma cirurgia de correção de hérnia inguinal. 

Outra ida ao hospital ocorreu após uma queda dentro da sala especial em que Bolsonaro está preso, em 7 de janeiro, quando o ex-presidente foi autorizado a realizar exames que confirmaram um traumatismo craniano leve

Isonomia

Em todas as ocasiões, contudo, Moraes entendeu não haver justificativa para a concessão da prisão domiciliar. Na visão do ministro, a legislação não permite a concessão do benefício a Bolsonaro, uma vez que a equipe médica da PF assegura ter condições de prestar atendimento adequado ao preso. 

No pedido protocola na noite de terça-feira (13), a defesa de Bolsonaro pediu ainda isonomia em relação ao tratamento dado ao ex-presidente Fernando Collor, que teve concedido o benefício de prisão domiciliar uma semana após ter sido preso, depois de comprovar enfermidades como transtorno de personalidade e humor. 

Bolsonaro sofre de diversas enfermidades relacionadas a uma facada que tomou na barriga durante a campanha eleitoral de 2018 e teria condições de saúde “ainda mais graves” que Collor, alegou a defesa do ex-presidente.

Enel diz que apagão impactou mais de 4 milhões de clientes em SP

A Enel, empresa responsável pela distribuição de energia elétrica em São Paulo, informou que o número de clientes impactados no apagão em dezembro, provocado pela chegada de um ciclone extratropical, foi de 4,4 milhões.

Anteriormente, a empresa havia divulgado que cerca de 2 milhões de clientes haviam sido atingidos em São Paulo e na região metropolitana.

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“2 milhões de clientes impactados nos dias do ciclone extratropical, dias 10 e 11 de dezembro, corresponde ao pico de clientes registrados, em tempo real, simultaneamente”.

Em seu comunicado, a empresa afirma que “foram 12 horas seguidas de fortes ventos e, na medida em que a empresa reconectava clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente com a força do vendaval. O número acumulado de clientes desligados ao longo do dia 10 foi significativamente maior, apurado em análise posterior ao evento climático”.

A Enel diz que estes dados foram auditados por ela própria e que as informações foram encaminhadas à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no dia 19 de dezembro.

Crise

A crise no fornecimento de energia em São Paulo, especialmente após os eventos de dezembro, fez o governo do Estado de São Paulo e a prefeitura pedirem o rompimento do contrato com a Enel. Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, junto ao ministério das Minas e Energia anunciaram ainda em dezembro que levariam à Aneel um pedido de caducidade do contrato de concessão de distribuição e energia que a Enel tem com a capital paulista.

Nesta segunda-feira (12), o presidente Lula determinou uma investigação das falhas da concessionária em São Paulo.

Ventania

O ciclone que atingiu São Paulo nos dias 10 e 11 de dezembro gerou ventos que chegaram a 98km/h em algumas áreas da região metropolitana. Mais de 330 árvores caíram, parte delas sobre a fiação, o que acabou interrompendo o fornecimento de energia.

Milhares de pessoas ficaram sem luz durante alguns dias.

 

Único bloco criado por quilombolas homenageará Preta Gil no Carnaval

Única agremiação do Rio de Janeiro criada por quilombolas, o Bloco Rola Preguiçosa – Tarda Mas Não Falha vai homenagear a cantora Preta Gil no carnaval de 2026. Ela morreu em julho de 2025, após lutar contra um câncer de intestino.

O bloco vai sair na sexta-feira de carnaval, dia 13 de fevereiro, em Ipanema, na sul do Rio de Janeiro. A ideia da homenagem partiu do diretor da agremiação, Felipe Montfort, que estudou no Colégio Andrews com a irmã da cantora, Maria Gil.

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“Preta nasceu e foi criada em Ipanema, na [Rua] Barão da Torre. Quando ocorreu o seu falecimento, a gente decidiu fazer uma homenagem a ela”, contou Montfort à Agência Brasil. Depois de três reuniões, o enredo foi aprovado e teve um samba composto pelo criador do bloco, Luiz Sacopã, 84 anos.

O enredo foi composto pelo criador da agremiação, Luiz Sacopã, de 84 anos. A concentração será às 18h, na Rua Maria Quitéria, esquina com Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa Rodrigo de Freitas, com saída prevista para as 20h.A dispersão será na Rua Farme de Amoedo com Rua Visconde de Pirajá.

De acordo com a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), o bloco costuma colocar entre 70 mil a 80 mil pessoas na rua.

Quilombolas

O Rola Preguiçosa é o único bloco do Rio de Janeiro originário de um quilombo, o Quilombo Sacopã, que fica às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas. A comunidade surgiu em 1929, quando Manoel Pinto Júnior se estabeleceu na Ladeira do Sacopã.

Mais tarde, ele trouxe de Nova Friburgo, região serrana do estado, a esposa Eva Manoela Cruz e os cinco filhos do casal. Os descendentes de Manoel Pinto Júnior adotaram a denominação de quilombolas em 1999 e, em 2005, receberam a certificação da Fundação Palmares.

Em 2014, o governo federal entregou aos moradores o título de reconhecimento de domínio sobre as terras. O Quilombo Sacopã ocupa uma área de 6,4 mil metros quadrados (m²), parte da qual integra também o Parque Natural Municipal José Guilherme Merquior.

“Atualmente, o quilombo congrega nove famílias, todos parentes, em um total de 26 pessoas”, informou Luiz Sacopã à Agência Brasil

Luiz Sacopã fundou o bloco há cerca de 40 anos e conta que já pensou em encerrar a agremiação: “As pessoas não deixaram e nós continuamos”.

O nome do bloco – Rola Preguiçosa – foi escolhido quando a epidemia da AIDs estava no auge no Brasil, na década de 1990. Na época, houve censura à escolha. No entanto, em conversa com o designer Hans Donner, que fez questão de desenhar a primeira camiseta da agremiação, decidiram manter o nome, acrescentando a parte Tarda mas não Falha, para não comprometer a agremiação e não provocar censura.

A esposa de Hans Donner à época, Valéria Valenssa, foi a rainha do primeiro desfile do bloco: “E assim nós saímos, com ela [Valéria] como rainha, a [atriz e cantora] Zezé Mota como madrinha e o bloco foi para a rua em 1993, quando nós começamos os desfiles”.

Enredo 

O Rola Preguiçosa – Tarda Mas Não Falha não tem fantasias definidas. Os foliões vão às ruas com camisetas. As deste ano será lançadas no próximo sábado (17). Elas foram desenhadas pelo cenógrafo Abel Gomes criador da Árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, diretor das Olimpíadas de 2016 do Rio e cenógrafo do Réveillon de Copacabana desde 2007.

“Quem quiser, compra a camiseta. Quem não quiser também pode entrar no bloco. O bloco é uma democracia. Ninguém paga nada. Só paga se comprar a camisa”, explica Sacopã.

O samba-enredo do Rola Preguiçosa foi lançado no último sábado (10), com o seguinte refrão que cita a homenageada deste ano, Preta Gil.

“E uma estrela lá no céu surgiu. Eu vou segui-la, não me leve a mal. Essa estrela é Preta Gil, iluminando o nosso carnaval”. 

 

Inmetro orienta uso da geladeira para reduzir consumo de energia

Um dos eletrodomésticos que mais pesam na conta mensal de energia é a geladeira. Além de funcionar 24 horas por dia, o abre e fecha da porta do equipamento pelas pessoas da casa levam ao aumento do consumo de eletricidade.

Por essa razão, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) está orientando os cidadãos que boas práticas de instalação, uso e manutenção ajudam a reduzir o consumo, além de evitar desperdícios e prolongar a vida útil do aparelho.

Dicas

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A primeira dica é que a geladeira não deve ficar colada à parede nem ser instalada em espaços muito estreitos. Componentes como o compressor e o condensador precisam de espaço para liberar o calor gerado durante o funcionamento. Quando essa ventilação é prejudicada, o motor trabalha mais para manter a temperatura interna, o que aumenta o consumo.

O Inmetro recomenda seguir as instruções do fabricante que, em geral, indicam uma distância mínima de cerca de 15 centímetros das paredes.

Outra orientação importante, é evitar abrir a porta da geladeira com frequência ou mantê-la aberta por muito tempo. Esse hábito permite a entrada de ar quente, o que exige maior esforço do sistema de refrigeração.

Para reduzir o consumo, o Inmetro sugere que o ideal é organizar os produtos, abrir a porta apenas quando necessário e evitar guardar alimentos ainda quentes no interior do aparelho. Deve-se também verificar regularmente a borracha de vedação, porque desgastes e frestas comprometem a eficiência e elevam o gasto de energia.

De acordo com o Instituto, a limpeza do condensador, chamado serpentina, que está localizado na parte traseira da maioria dos modelos, é fundamental para o bom desempenho da geladeira, uma vez que o acúmulo de poeira e gordura dificulta a liberação de calor e pode aumentar o consumo.

Uma prática adotada por muitas pessoas, que é secar roupas atrás da geladeira, é considerada totalmente inadequada pelo Inmetro, porque bloqueia a saída de calor, reduz a ventilação e prejudica o funcionamento do equipamento. O Instituto reforça que a adoção desses cuidados contribui para um consumo mais eficiente, reduz a conta de energia e ajuda a manter o eletrodoméstico em boas condições por mais tempo.

O Inmetro reforça ainda que ao comprar uma geladeira, o cidadão deve verificar na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) o consumo mensal e dar preferência aos modelos mais eficientes., “uma vez que a eficiência energética faz diferença na conta de energia”.

TV Brasil inicia transmissão do Campeonato Cearense nesta quarta

TV Brasil inicia, nesta quarta-feira (14), a transmissão do Campeonato Cearense 2026 de futebol masculino, com o confronto entre Ceará e Maranguape, válido pela terceira rodada da competição estadual. O jogo será exibido para todo o país, com sinal gerado pela emissora parceira TV Ceará, integrante da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).

A jornada esportiva ao vivo começa às 21h20, preparando o público para a bola rolar às 21h30, direto do Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza.

Sobre o Campeonato Cearense 2026

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O Campeonato Cearense 2026 teve início no dia 6 de janeiro. A competição é dividida em quatro fases: primeira fase, segunda fase, semifinais e final.

Na primeira fase, os clubes são divididos em dois grupos e se enfrentam dentro das próprias chaves, totalizando quatro partidas para cada equipe. Os três primeiros colocados de cada grupo avançam para a segunda fase, enquanto os dois últimos disputam o Quadrangular da Permanência. A classificação é definida pela soma de pontos, com critérios de desempate baseados em vitórias, saldo de gols, gols marcados e confronto direto.

A segunda fase conta com seis equipes distribuídas em dois novos grupos, que se enfrentam em jogos únicos. Os dois melhores de cada grupo avançam às semifinais. As últimas equipes disputam o 5º lugar, que garante vaga na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027.

A fase final será disputada em sistema de mata-mata. As semifinais acontecem em jogos de ida e volta, assim como a decisão. Em caso de empate no placar agregado da final, o campeão será definido nos pênaltis.

Participam do campeonato dez equipes: Ceará, Fortaleza, Floresta, Ferroviário, Iguatu, Maracanã, Tirol, Horizonte, Maranguape e Quixadá.

Jornada esportiva da TV Brasil em 2026

A transmissão do Campeonato Cearense integra a ampla cobertura esportiva da TV Brasil em 2026. A emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) exibe, ao longo da temporada, partidas dos Campeonatos Baiano, Capixaba e Cearense, com sinal gerado pelas emissoras parceiras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).

As transmissões na telinha para todo o país serão geradas a partir das emissoras parceiras que integram a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). A cobertura das partidas nos estádios, a narração e os comentários serão realizados pelas equipes dos canais dos três estados: TVE Bahia, TVE Espírito Santo e TV Ceará.

Ao vivo e on demand

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

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Brasil emplaca cinco duplas nas oitavas do Mundial de vôlei de praia

Cinco duplas brasileiras vão disputar as oitavas de final do Campeonato Mundial de Vôlei de praia em Adelaide (Austrália). Quatro delas selaram a classificação na madrugada desta quarta-feira (19): Thâmela e Vic; Carol Solberg e Rebeca; Evandro e Arthur Lanci; e André e Renato. Na terça (18), as campeãs olímpicas Ana Patrícia já haviam selado a vaga na próxima fase. Já George e Saymon se despediram da competição após derrota no primeiro jogo da fase eliminatória. Os jogos das oitavas ocorrerão a partir de 0h (horário de Brasília) desta quinta (20), com transmissão ao vivo online na Volleyball World TV.

Primeiros brasileiros a entrar em quadra nesta madrugada, André e Renato sobraram diante dos austríacos Hammarberg e Berger: venceram por 2 sets a 0, com parciais de 21/15 e 21/14. Os próximos adversários serão os suecos Hölting Nilsson e Andersson.

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Na sequência, Evandro e Arthur Lanci saíram na frente contra os neozelandeses Fuller e O’Dea. Os brasileiros fecharam o primeiro set em 21/15, mas cederam ao empate na parcial seguinte por 17/21. O terceiro e decisivo set foi o mais acirrado: Evandro e Arthur salvaram três match points antes de ganhar a parcial por 25 a 23 e a partida por 2 sets a 1. Nas oitavas, eles terão pela frente a dupla Krattiger e Dillier, da Suíça.

“É, [a vitória] dá moral para o nosso time, e com certeza para os próximos jogos a gente já passando por esse momento, é… a gente já vai estar um pouco mais tranquilo nesse sentido. Mas, cara, vitória é vitória, com um tie-break desse. Todo mundo gostou do jogo, a torcida achou, ficou maravilhada com a partida, e é isso que é importante também, é dar um espetáculo pra galera que está aqui acompanhando”, analisou Arthur Lanci.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Quem também batalhou em quadra para arrancar a classificação foi a dupla Thâmela e Vic, número um do ranking mundial. As adversárias francesas Placette e Richard levaram a melhor no primeiro set por 21 a 17. Na parcial seguinte, as brasileiras reagiram: ganharam por 15/21 e o jogo seguiu para o terceiro e último set. Na parcial decisiva, as francesas desperdiçaram um match point, o primeiro da partida, e as brasileiras aproveitaram para fechar na frente por 19/17 e cravar a vitória de virada por 2 sets a 1. Na próxima fase, a dupla Amarelinha medirá forças com as ucranianas Lazarenko e Romaniuk.

Acompanhe a cobertura completa da EBC na COP30 

“Então eu acho que o segredo foi a gente sempre manter o pensamento positivo, né? Foi como eu falei, aqui é um campeonato especial, um campeonato muito difícil, que todo jogo é jogo, todo jogo é jogado. E eu acho que a diferença é você manter a cabeça positiva que vai dar certo. E eu acho que a gente tá conseguindo fazer isso bem”, pontuou Vic.

Já pela manhã, Carol e Rebecca não tiveram dificuldades para superar as australianas Fleming e Fejes por 2 sets a 0 (21/14 e 21/18). Nas oitavas, as brasileiras vão encarar as alemãs Ittlinger e Grüne.

Duelos de oitavas de final nesta quinta (20)

0h – Thâmela/Victoria x Lazarenko/Romaniuk (Ucrânia) 

0h –  Pedrosa/Campos (Portugal) x Perusic/Schweiner (República Tcheca) 

1h – Donlin/Denaburg (EUA) x Ana Patrícia/Duda

1h – Krattiger/Dillier (Suíça) x Evandro/Arthur Lanci 

05:30 Ittlinger/Grüne (Alemanha) x Carol/Rebecca 

6h – André/Renato x Hölting Nilsson/Andersson (Suécia)

Consulado pede providências sobre agressão a criança brasileira

O consulado brasileiro na cidade do Porto, em Portugal, entrou em contato com autoridades portuguesas, solicitando informações sobre o ocorrido com o menino brasileiro de 9 anos, que sofreu amputação parcial de dois dedos em uma escola naquele país.

Os diplomatas brasileiros contactaram também a mãe do menino, Nívea Estevam, a quem foi oferecida assistência jurídica e psicológica à família.

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O caso ocorreu em Cinfães, no dia 10 de novembro, na Escola Básica Fonte Coberta. As suspeitas são de que a agressão – cometida por outros estudantes que teriam usado uma porta do banheiro para pressionar os dedos da criança – teria sido motivada por xenofobia e racismo.

Relatos da mãe da criança indicam que estudantes praticavam bullying contra seu filho. O caso chamou a atenção da mídia portuguesa, levando a coordenadora do Bloco da Esquerda (BE), Mariana Mortágua, a questionar o Ministério da Educação de Portugal sobre a possibilidade de se tratar de mais um caso de racismo e xenofobia nas escolas do país.

Informações e providências

A solicitação de informações sobre o caso foi feita pelo embaixador do Brasil em Lisboa, Raimundo Carrero, a autoridades dos ministérios da Administração Interna e da Educação, Ciência e Inovação.

Segundo as autoridades consulares brasileiras, na solicitação de informações foi pedido também que providências sejam adotadas, caso se confirmem as suspeitas de motivações xenofóbicas ou racistas contra o estudante brasileiro, que é negro.

Denúncia

Diante do ocorrido, a mãe do menino usou as redes sociais para denunciar o caso. Disse que foi procurada pela escola, que classificou o caso como um acidente. Disse também ter sido mal atendida, ao contactar a polícia pública portuguesa para denunciar o caso, após ter informado sobre a possibilidade de se tratar de um caso de racismo.

Segundo ela, o policial teria batido na mesa e dito que não toleraria que se falasse em racismo ou xenofobia porque todos seriam iguais em Portugal, e que se a escola havia dito que foi algo acidental, é porque, de fato, teria sido um acidente.

Enem 2025: divulgados gabaritos e cadernos de provas do 2º dia

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgou nesta quarta-feira (19), os gabaritos e os cadernos de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 do segundo dia de aplicação das provas, no domingo (16). O material já está disponível no portal do Inep, na parte de provas e gabaritos.

A publicação está organizada por dia de aplicação regular, pela cor (azul, amarelo, branco, verde, laranja, cinza e roxo) e pelos tipos dos cadernos.

Divulgação antecipada

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A divulgação foi antecipada em um dia do previsto inicialmente pelo ministro da Educação, Camilo Santana, em entrevista à imprensa, no domingo.

Os gabaritos seriam conhecidos apenas nesta quinta-feira (20), porém, o Inep identificou relatos de vazamento de questões similares às que caíram no Enem 2025. Por este motivo, a autarquia federal, vinculada ao Ministério da Educação, decidiu tecnicamente anular três questões da prova de domingo.

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Live na internet

Em entrevista à TV Educativa do Ceará, nessa terça-feira (18), o ministro da Educação, Camilo Santana, relatou que, segundo as informações obtidas por ele, uma pessoa que participou de um pré-teste do Enem e divulgou as questões deste processo em uma fala em uma transmissão ao vivo, na internet, dias antes da prova.

“Como alguns milhares de pessoas tiveram acesso à live dessa pessoa, dentro de uma dimensão de mais de 4 milhões de pessoas que fizeram a prova. Mas, para dar garantia de isonomia, nós resolvemos anular as três questões, por uma questão muito mais de prevenção e para dar lisura ao processo do Enem.”

O possível vazamento das perguntas vai ser investigado pela Polícia Federal. “Nós determinamos à Polícia Federal que tomasse todas as medidas legais, também em relação a esse fato e apurasse a confidencialidade desse fato.”

Enem continua válido

O ministro Camilo Santana garantiu que as demais 87 questões do segundo dia de provas do Enem 2025 continuam válidas. “Para garantir que todos não fossem prejudicados por conta dessas três questões, o Inep as anulou, mas continuam valendo todas os outros 87 itens, também a redação e o que foi elaborado e aplicado durante esses dois dias.”

Gabaritos e cadernos de provas

No dia 16 de novembro, os participantes resolveram 90 questões de múltipla escolha. Sendo 45 itens de ciências da natureza e suas tecnologias (biologia, química e física) e outros 45 de matemática e suas tecnologias.

Os cadernos das provas do segundo dia de aplicação do Enem, também, estão disponíveis com adaptação para o leitor de tela para pessoas com deficiência visual (cegos e com baixa visão).

O Inep explica que, por meio do software NonVisual Desktop Access (NVDA), que captura toda informação de texto, o conteúdo do material é transformado em fala, permitindo a acessibilidade a deficientes visuais.

Os gabaritos e os cadernos de questões também podem ser baixados e lidos com o suporte do Dosvox, um programa que se comunica com o usuário por meio de síntese de voz.

Acertos

O número de respostas certas não corresponde à nota final do candidato. Vale lembrar que para o cálculo das proficiências dos participantes no Enem, o Inep adota a Teoria de Resposta ao Item (TRI) que considera a coerência das respostas corretas do participante.

Este modelo matemático identifica a consistência da resposta, segundo o grau de dificuldade de cada questão.

Saiba como é calculada a nota do Enem aqui.

Aplicação das provas

As provas do Enem 2025 foram aplicadas no dia 16 em cerca de 165 mil salas, distribuídas em 1.805 municípios de todas as 27 unidades da federação.

De acordo com o ministro da Educação, cerca de 70% dos inscritos confirmados (4,81 milhões) participaram dos dois dias do Enem 2025, em todo o país.

Reaplicação do Enem

As pessoas que faltaram doenças infectocontagiosas ou por problemas logísticos, como, podem pedir para fazer as provas nos dias 16 e 17 de dezembro. Os candidatos de Rio Bonito do Iguaçu (PR), que tiveram a aplicação adiada devido à passagem de um tornado que atingiu o município, têm direito de solicitar a reaplicação das provas do Enem.

Para os casos previstos no edital desta edição do Enem, a solicitação de reaplicação deve ser feita exclusivamente na Página do Participante no site do Inep. O prazo iniciado na segunda-feira (17), se encerra às 12h  (horário de Brasília) desta sexta-feira (21)..

Zerar déficit de 202 mil vagas em presídios custaria R$ 14 bilhões

Para zerar o déficit de vagas em presídios no Brasil seriam necessários R$ 14 bilhões para a construção de novas unidades com 202 mil vagas. O cálculo é da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

“[São] recursos para investimento e construção de unidades para suprir esse déficit de 200 mil vagas. E aí, por óbvio, precisaria de mais um tanto de recursos para custeio dessas unidades, porque vamos precisar de policiais penais, de contratos, pagar energia, alimentação”, destacou o diretor de inteligência da Senappen Antônio Glautter.

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O diretor da Senappen foi ouvido nesta quarta-feira (19) pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga o crime organizado, criada após a repercussão da operação policial no Rio de Janeiro que matou 121 pessoas.

Ao todo, o Brasil tem 702 mil pessoas privadas de liberdade, em 1.375 unidades prisionais, que somam um déficit de 40% de vagas. É a terceira maior população carcerária do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (EUA) e da China.

A nível de comparação, o valor de R$ 14 bilhões para a construção de presídios se aproxima dos R$ 12 bilhões que a Polícia Federal (PF) estima que foram desviados na suposta fraude do Banco Master revelada nesta terça-feira

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), ponderou que o Congresso Nacional tem aumentado penas contra os mais diversos crimes, o que levará a um aumento do encarceramento no Brasil.

“É preciso fazer o passo seguinte. [Essa política de aumento do encarceramento] Tem um custo, e esse custo não é pequeno. Nós temos uma decisão política tomada que vai levar a um aumento de encarceramento”, disse o relator.

Vieira tem defendido que a CPI defina de onde sairão os recursos para custear a segurança pública no Brasil.

Ontem, a Câmara aprovou o Projeto de Lei (PL) Antifacção, que aumenta penas para membros de facção criminosas para 20 a 40 anos de prisão, com ao menos 85% da pena cumprida em regime fechado.

As facções no Brasil

O diretor Antônio Glautter informou ainda à CPI que a inteligência da secretaria de políticas penais calcula que existem hoje no Brasil 90 facções criminosas, sendo duas com atuação internacional, 14 com atuação regional e 74 com abrangência apenas local.

A forma de distribuição desses presos faccionados nas penitenciárias é desigual, muda de estado para estado. Algumas unidades da federação, como Espírito Santo (ES) e Goiás (GO), não fazem qualquer separação entre os membros de facções e outros presos.

“A regra nos estados é separar os presos por facção. Temos algumas exceções. O estado do Espírito Santo, por exemplo, é um estado que não faz divisão. O preso comum fica alocado com o preso faccionado”, disse Glautter.

Falta de dados

Senadores reclamaram da fragilidade nos dados da inteligência sobre os presídios brasileiros e, em especial, de estudos que indiquem qual a melhor forma de alocar os presos de facções, como destacou o presidente da Comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

“Nós não temos dados de qual é o impacto se você separa os presos por facção ou não separa por facção. Nós não temos dados de que o percentual de reincidência ou dessa interlocução entre os presídios”.

“Um Estado que não tem informação e não tem dados é um Estado com os olhos vedados. É um Estado que está tateando, cego. Então, como que você fala em política penitenciária?”, questionou Contarato.

Para o relator, Alessandro Vieira, o trabalho de inteligência em presídios “ainda está no início”.

“Existe uma dedicação, um esforço, mas nós não temos os dados que a gente entende serem fundamentais para uma boa gestão do sistema.  A gente vai, ao longo da CPI, buscar esses dados e buscar também como fortalecer a instituição para que ela tenha, naturalmente, esse tipo de informação”, explicou à Agência Brasil.

 

Presidente da CPI, senador Fabiano Contarato, e o relator, senador Alessandro Vieira. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Problema histórico

O diretor de inteligência da Secretaria Nacional de Políticas Penais afirmou que o trabalho dele é interligar as inteligências de todos os estados, mas reclamou da alta rotatividade entre os responsáveis pela inteligência nas unidades da federação

“Temos um problema, na Inteligência Penal, de uma rotatividade considerável. E, daí, a importância de sempre ter os pontos focais nos estados e dos eventos de integração, para que essas pessoas se conheçam, porque, embora seja [um trabalho] institucional, mas o conhecer é muito importante, o networking é muito importante”, disse Antônio Glautter.

Glautter avaliou ainda, na CPI, que o problema do sistema penitenciário brasileiro é estrutural e histórico, atravessando todos os governos há décadas.

“A questão prisional brasileira é uma questão com problemas históricos, problemas orgânicos, problemas que não são desde o governo anterior, mas de longa data”, avaliou.

Glautter lembrou que as duas principais facções criminosas do Brasil, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital (PCC), nasceram dentro dos presídios no Rio de Janeiro e em São Paulo, contra o Estado, tendo em vista os massacres e torturas dentro das penitenciárias.

“Uma, na década de 70, no Rio de Janeiro [Comando Vermelho], e a outra, na década de 90, em São Paulo [PCC]. Foi um ambiente propício, ali, para que esses presos se associassem e se unissem. E essas uniões, que ocorreram, inicialmente, ali, no momento de prisional, tomaram as ruas, e, hoje, a gente tem esse problema, que, como digo, surgiu no ambiente prisional, dentro desse contexto histórico”, afirmou.

Convenções da ONU criadas na Eco92 buscam ações convergentes na COP30

Criada na Eco92, no Rio de Janeiro, a Convenção do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) é o primeiro tratado multilateral para o enfrentamento das mudanças climáticas. A partir dele, também foram estruturadas as convenções de biodiversidade (CDB) e desertificação (UNCCD), que agora iniciam um trabalho de conversão para uma agenda comum durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA).

“Quando todos os governos vieram para o Rio de Janeiro e as convenções foram criadas, naquela época, todo mundo estava dizendo que precisávamos priorizar. E a estrutura institucional foi definida. Mas agora, toda essa fragmentação não está nos ajudando a ser efetivos”, diz a vice-secretária executiva da UNCCD, Andrea Meza Murillo.

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Muitos relatórios, diferentes métricas e planos afastam as decisões tomadas em cada Conferência das Partes ocorridas em locais e períodos diferentes, já que as COPs climáticas são anuais, enquanto as da Biodiversidade e da Desertificação se alternam a cada dois anos.

“As sinergias são mais sobre como podemos planejar de modo integrado, entendendo que a natureza é tão importante para o clima que você não pode enfrentar os desafios se você não considerar o manejo do solo e o planejamento de uso de terra”, explica a vice-secretária executiva da Convenção da Desertificação.

Acompanhe a cobertura completa da EBC na COP30 

Andrea Meza Murillo, vice-secretária executiva da Convenção da Desertificação debate sinergia na COP30. Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil 

Andrea Meza explica que, na estrutura internacional, os relatórios têm origem em diferentes instituições, com diferentes objetivos e métricas. O desafio de cada secretariado que acompanha os debates nas conferências dos países partes das convenções é fazer com que todo esse volume resulte em ação nos territórios com mais eficiência e integração.

“É pensarmos juntos como podemos trabalhar com os agricultores pequenos, por exemplo? Porque quando você está na sua fazenda tentando fazer o seu trabalho, você não sabe se aquele desafio é decorrente de um problema climático ou uma degradação do solo, você está apenas enfrentando um problema e você precisa chegar com soluções integradas para lidar com isso”, afirma.

Na estrutura das Nações Unidas, há um grupo de trabalho para essa convergência. Mas, na avaliação da secretária executiva da Convenção da Biodiversidade, Astrid Schomaker, essa estrutura precisa passar por uma revitalização capaz de promover capacitações e orientações aos países de forma convergente.

“Penso que um conjunto de orientações em relação às implementações específicas, em áreas como agricultura, sistema alimentar, florestas, água, oceano; poderiam nos unir. Podemos trabalhar juntos com negócios e finanças, deixando claro que não somos concorrentes em recursos . Temos uma agenda e queremos trabalhar juntos”, sugere.

Uma iniciativa que representa essa convergência de agendas é o lançamento de um programa de investimento em agricultura resiliente promovido pelo secretariado da Convenção de Desertificação, no ambiente da COP30, em Belém, nesta quarta-feira (19). O Programa Raiz, reuniu atores internacionais das três convenções em torno do objetivo comum de acelerar a meta zero de desertificação.

“É um esforço grande para que todos compreendam que solos saudáveis são o alicerce da segurança alimentar e da segurança hídrica. E aqui [na COP30] também, o que estamos esperando é que esta iniciativa nos permita trabalhar juntos, desbloquear recursos e ter esta abordagem orientada à ação”, conclui.

Concessionária Motiva anuncia venda de operação no ramo aeroportuário

A Motiva, ex-CCR, anunciou ao público a venda de seus negócios no ramo aeroportuário.

A compradora, a mexicana Aeropuerto de Cancún, S.A. de C.V., uma subsidiária do Grupo Aeroportuario del Sureste, S.A.B. de C.V. (ASUR), foi a compradora, que pagou R$ 11,5 bilhões pelo negócio.

Desse total, R$ 5 bilhões foram em patrimônio líquido (equity) pelas participações acionárias da Companhia nos ativos aeroportuários, e R$ 6,5 bilhões em dívidas líquidas, que é a participação da empresa na CPC Holding, onde estão concentradas suas cotas de participação nos 20 aeroportos dos quais é concessionária. 

A empresa detém 17 concessões no Brasil e três em outros países da região, com movimento anual de cerca de 45 milhões de passageiros e mais de 200 rotas regulares.

Entre os aeroportos que foram repassados estão os de Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia. Segundo a companhia esta era a maior transação aeroportuária em curso no mundo no momento e atraiu mais de 20 grupos europeus, latino-americanos e asiáticos.

A previsão é de que a conclusão do processo aconteça em 2026, após a aprovação pelo poder concedente e pelos órgãos de defesa da concorrência.

“Até o fechamento, a Motiva seguirá tocando a operação, mantendo o quadro atual de colaboradores e assegurando o cumprimento integral dos contratos vigentes e investimentos previstos”, informou a empresa, em nota.

COP30: Vila da Barca, em Belém, expõe desafios da justiça climática

Aos 77 anos, a aposentada Cleonice Vera Cruz é uma das moradoras mais antigas da Vila da Barca, onde vive há quase seis décadas. O centenário bairro de Belém, às margens da baía do Guajará, no coração da cidade, é marcado pelas precárias casas de madeira erguidas sobre palafitas, por causa das subidas da maré. Foi ocupado por ribeirinhos ainda no início do século passado. Atualmente, é uma das maiores comunidades urbanas de palafitas da América Latina.
Cleonice da Silva Vera Cruz, aposentada de 77 anos, moradora da comunidade da Vila da Barca, em palafitas na baía do Rio Guajará – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

O cenário contrasta com os prédios de apartamentos mais luxuosos da capital paraense, bem próximos dali, na região das Docas, principal ponto turístico da cidade, que recebeu vultosos investimentos no contexto da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que termina nesta semana.        

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“Quando dá um vento, a casa sacode. Se passar uma pessoa aí do lado, a gente sente porque a casa balança”, conta Cleonice à Agência Brasil.

Em momentos de cheia do rio e, principalmente, de chuva, a apreensão é maior.

“Ontem [17] deu uma chuva, mas uma chuva valendo que molhou tudinho aqui. Agora, eu ainda estava enxugando, é tudo furado aqui”, relata, referindo-se às fendas entre madeiras que não evitam que uma chuva forte molhe o interior da casa.

O temor de Cleonice não é em vão. Na madrugada da última sexta-feira (14), uma casa da vila desabou. Quatro pessoas que moravam no imóvel, entre elas uma criança e uma pessoa com deficiência, conseguiram escapar sem ferimentos após ouvirem estalos na madeira, que alertaram para o colapso. Além da família desabrigada, outros moradores vizinhos tiveram as casas com estruturas comprometidas e precisaram do acolhimento dos demais moradores.

A tragédia na Vila da Barca aconteceu no mesmo dia em que a COP30 encerrava sua primeira semana discutindo soluções climáticas para o planeta e mostra que a  crise ambiental é também uma crise habitacional e social, que atinge mais quem já vive à margem.

“A gente precisa defender o meio ambiente, mas está se falando bem pouco ou quase nada sobre o cuidado e a proteção de quem mora debaixo da copa das árvores. Nós somos milhares de brasileiros que moramos na Amazônia, que não tem saneamento básico ou tem de forma precária, que o sistema de abastecimento de água também é precário”, diz Gerson Siqueira, presidente da Associação de Moradores da Vila da Barca.

Gerson Siqueira, presidente da Associação de Moradores da Vila da Barca, erguida com construções de palafitas na baía do Rio Guajará – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

Para ele, fala-se em transição energética, mas não em cuidado com a população.

“A gente precisa pensar como é que essa população vai passar por esse processo? As discussões lá na Blue Zone [da COP30] falam de financiamento, mas e a moradia? Será que a questão ambiental não passar por moradia digna?”, questiona.

Racismo ambiental

Estudo da organização não governamental Habitat para a Humanidade Brasil, apresentado na última semana na COP30, revelou que 66,58% da população residente em áreas de risco é formada por negros. O levantamento cruzou informações sobre áreas de risco hidrológico e geológico com dados censitários de 129 cidades brasileiras. Mais de um terço (37,37%) desses domicílios são chefiados por mulheres, onde a renda média é de R$ 2.127 (55%), chegando a ser quase a metade em relação à média geral das cidades analisadas. Além disso, 20,29% dos domicílios sob risco se encontram sem esgoto e 2,41% sem coleta adequada de lixo.

Em todo o país, são cerca de 2,1 milhões de casas danificadas por desastres climáticos e 107 mil destruídas, entre 2013 e 2022, por eventos ambientais extremos, indica o levantamento.

“A conclusão permite evidenciar a questão do racismo ambiental. A maioria das pessoas que estão morando em área de risco é negra, de baixíssima renda, que chega a ser a metade da renda de quem vive em áreas que não são de risco nessas mesmas cidades. Mulheres chefe de domicílio também têm predominância bem importante, assim como pessoas que não sabem ler e nem escrever”, descreve Raquel Ludermir, gerente de incidência política da ONG Habitat Brasil.

A diarista Maria Isabel Cunha, conhecida na Vila da Barca como Bebel, materializa bem esse perfil socioeconômico mapeado na pesquisa da Habitat. Mãe solo de dois garotos, sendo um deles com deficiência (PCD), Bebel está atualmente desempregada e depende da pensão recebida pelo filho PCD para sustentar a casa, além das escassas faxinas em residências de família, em que costuma receber até R$ 50 pelo serviço. Bebel diz gostar de morar na vila e ressalta o espírito comunitário no bairro. Sente falta de contar com mais serviços públicos que possam garantir uma rede apoio no cuidado com o filho, como um clube público ou instituição educacional.

Maria Isabel, conhecida como Bebel, moradora da Comunidade da Vila da Barca, em Belém – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

“O dinheiro que chega não dá para a gente ajeitar a casa para mim e meu filho mais novo. Seria bom ter um emprego fixo. Eu cheguei a mandar currículo para trabalhar de arrumadeira num hotel, mas não deu certo. Preciso de tempo para cuidar do meu filho, que é especial”, afirma.

Poucos moradores ali pareciam estar totalmente a par dos debates da COP30, que acontecem a menos de cinco quilômetros de distância, no Parque da Cidade. Para Bebel, as reformas de revitalização da zona mais turística de Belém, como os armazéns histórico e a Avenida das Docas, locais próximos da comunidade de palafitas, foi o que mais chamou a atenção. “Ficou bonito lá, né”, disse. Já Cleonice Vera Cruz, que acompanha tudo pela TV, se surpreendeu com a grande presença indígena na cidade. “Não sabia que tinha tantos indígenas”, brincou.

Resposta e adaptação

Na Vila da Barca, são cerca de 600 moradias de palafitas, onde vivem mais de mil famílias. O local fica no bairro do Telégrafo, que soma um total de 5 mil moradores – parte vive em construções de alvenaria, em áreas já aterradas e mais urbanizadas. No fim de julho, a empresa Águas do Pará, responsável pelo saneamento no estado, iniciou obras de instalação do sistema de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto, no valor de R$ 15 milhões. A primeira fase de abastecimento de água já foi concluída e agora mesmo as famílias que vivem nas casas de madeira têm seu hidrômetro individual. O valor da conta, que ainda não está sendo cobrada, de acordo com a associação de moradores, será de R$ 66,42, uma taxa social. A rede de esgoto deverá ser finalizada até abril do próximo ano.

Comunidade da Vila da Barca, em Belém – Foto Tânia Rêgo/Agência Brasil

A luta da comunidade de palafitas por dignidade passa pela garantia de permanência. “A gente está trazendo melhorias para a vila, a mitigação de um problema, mas a gente precisa dar uma destinação. Elas vão continuar ali, morando sobre palafitas, até quando? Até quando o Estado brasileiro vai permitir que essas famílias continuem morando assim? A gente espera que tenha um conjunto habitacional com moradia digna, com infraestrutura necessária, para que elas consigam desenvolver a vida delas aqui”, afirma Gerson Siqueira.  

Apesar do drama social, a Vila das Barcas tem vida cultural vibrante, com tradicionais festas juninas, blocos carnavalescos e que recebe, todos os anos, a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, durante o Círio de Nazaré, cuja devoção popular é um dos emblemas mais conhecidos do Pará.  

A ONG Habitat para Humanidade Brasil chama a atenção para um dado ainda pouco debatido pelos países, que é a relação crise climática versus crise habitacional. Segundo outro relatório da entidade, publicado pela sua rede com atuação global, somente 8% das metas climáticas apresentadas voluntariamente por cada país, as chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), tratam da questão urbana, favelas e comunidades, incluindo planos e financiamento adequados para lidar com a emergência climática que destrói e danifica moradias e infraestrutura, acentuando as crises habitacional e urbana.

“A gente defende muito a possibilidade de permanência dessas comunidades, mas com melhores condições de segurança, de habitabilidade, adaptabilidade também. Ou seja, fortalecer a resiliência dessas comunidades, que muitas vezes são confundidas com falsas soluções, porque algumas dessas políticas de adaptação climática têm justificado a  remoção de comunidades inteiras, o que não é justo”, argumenta Raquel Ludermir.