Ipea propõe taxar super-ricos para financiar dívidas climáticas

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) propõe a criação de um imposto sobre os super-ricos e um imposto corporativo mínimo global para financiar o pagamento de dívidas climáticas. A ideia é que esses recursos sejam destinados principalmente a países de baixa renda e populações vulneráveis.

O estudo Operacionalizando a justiça climática: uma proposta para quantificar e reparar dívidas climáticas foi elaborado pelo pesquisador Rodrigo Fracalossi, que baseia seus cálculos na abordagem de igualdade per capita (EPC), que mede o quanto cada país ultrapassou sua “cota justa” de emissões desde 1990.

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“Essa abordagem busca traduzir em números a noção de responsabilização histórica por emissões. Ou seja, é uma forma de operacionalizar a norma da justiça climática, mostrando quem usou mais do que a sua parte justa do espaço atmosférico”, diz Fracalossi. “Os resultados mostram que vários países consumiram muito mais do que seus orçamentos de carbono”.

Para manter o aquecimento global em 1,5 graus Celsius (ºC) acima dos níveis pré-industriais, o mundo pode emitir um total de não mais do que 2,79 trilhões de toneladas de CO₂, de acordo com os cálculos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). As emissões acumuladas até 1989 foram de 1,43 trilhão de toneladas de CO₂. Assim, o orçamento global de carbono restante a partir de 1990 era de 1,36 trilhão de toneladas de CO₂.

Segundo o levantamento, os Estados Unidos são o país com maior dívida climática — cerca de US$ 47,9 trilhões, o equivalente a 326% do orçamento de carbono que lhes caberia. O Brasil, considerando as emissões por desmatamento, já teria consumido 168% de seu limite.

O estudo propõe duas medidas principais para financiar a reparação dessas dívidas:

  • Um imposto anual de 2% sobre a fortuna dos bilionários e milionários, que poderia gerar até US$ 390 bilhões por ano.
  • A adoção global de um imposto corporativo mínimo de 15% sobre grandes empresas multinacionais, conforme diretrizes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômic (OCDE) e do G20, grupo das 20 maiores economias do mundo. Isso traria mais US$ 192 bilhões anuais em arrecadação.

“A transição climática precisa ser financiada de forma justa, e isso implica cobrar mais de quem mais se beneficiou e continua se beneficiando de economias baseadas em carbono”, analisa o pesquisador.

Os recursos arrecadados poderiam ser usados em projetos de mitigação e adaptação climática, como a expansão de energias renováveis, reflorestamento, infraestrutura resiliente e diversificação agrícola.

Fracalossi ressalta que mecanismos de mercado, como créditos de carbono, podem contribuir, mas não substituem a ação estatal.

“Nem o combate às mudanças climáticas, e muito menos a justiça climática, virá apenas de mecanismos de mercado. Eles podem e devem ser usados, mas não vão solucionar o problema sem ação de governo no sentido da redistribuição de recursos”, diz o pesquisador.

Série C: Ponte Preta conquista 1º título nacional de sua história

Um jejum de 125 anos chegou ao fim neste sábado (25). Pela primeira vez na história, a Associação Atlética Ponte Preta conquistou um título nacional. Segundo clube mais antigo do país, a Macaca venceu o Londrina por 2 a 0 no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas (SP), e garantiu a taça da Série C do Campeonato Brasileiro, com direito a invasão de campo de torcedores após o apito final, para celebrar o feito inédito.

As equipes foram a campo em igualdade no placar agregado, já que haviam empatado por 0 a 0 no último fim de semana no Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em Londrina (PR). Os dois finalistas estão garantidos na Série B do ano que vem. Além deles, o Náutico e o São Bernardo asseguraram vagas na segunda divisão nacional.

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Apesar de quatro títulos da Série A2 do Campeonato Paulista, o último deles em 2023, faltava à Ponte uma conquista que, mesmo em uma divisão de acesso, fosse além das fronteiras do Estado. Especialmente porque o rival Guarani – que, diferentemente da Macaca, seguirá na Série C em 2026 – tem no currículo a taça do Brasileirão de 1978. Coube à Alvinegra, curiosamente, evitar o acesso do Bugre ao derrotá-lo na última rodada da segunda fase, por 2 a 0, em casa.

O título inédito vem em um difícil momento financeiro pelo qual passa o clube de Campinas. Em entrevista após a vitória sobre o Brusque, por 1 a 0, no Moisés Lucarelli, em setembro, que selou o acesso da Ponte à Série B, o volante Lucas Cândido revelou que o departamento de futebol estava com mais de três meses de salários atrasados.

A conquista também marca a volta por cima de Marcelo Fernandes. O técnico assumiu a Ponte na reta final da primeira fase, poucos dias após ser demitido do Guarani. Em dez jogos no comando alvinegro, foram cinco vitórias, três empates e duas derrotas. Foi o segundo título da carreira do treinador, campeão paulista pelo Santos em 2015.

Depois de um primeiro tempo truncado, as redes do Moisés Lucarelli balançaram no segundo tempo. Aos três minutos, Jonas Toró, na entrada da área, recebeu da esquerda e chutou. A batida foi fraca, mas o goleiro Luiz Daniel não conseguiu defender. Foi o oitavo gol do camisa 17, que se igualou ao também atacante Iago Teles, do próprio Londrina, na artilharia da Série C.

Aos 24 minutos, Toró invadiu a área pela esquerda e foi derrubado pelo zagueiro Wallace. O árbitro Felipe Fernandes de Lima não marcou nada a princípio, mas voltou atrás ao rever a jogada no vídeo e deu pênalti a favor da Ponte. O meia Élvis, capitão e ídolo da Alvinegra, bateu alto, sem chances para defesa de Luiz Daniel.

O gol desencadeou uma confusão entre jogadores e comissão técnica de ambas as equipes, que interrompeu o duelo por dez minutos. O técnico Roger Silva e o zagueiro reserva Vanderley, ambos do Londrina, foram expulsos. Os paranaenses ainda tentaram diminuir o prejuízo, sem sucesso. Festa para os mais de 14 mil torcedores presentes no Moisés Lucarelli, que presenciaram uma noite da qual nunca vão esquecer.

Belo Horizonte passa a ter Dia do Casamento Monogâmico Cristão

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, instituiu uma nova data comemorativa para o município, o Dia Municipal da Fidelidade Conjugal e do Casamento Monogâmico Cristão, a ser celebrado no dia 18 de maio. A nova lei foi publicada neste sábado (25) no Diário Oficial de Belo Horizonte.

A data foi proposta em projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal, de autoria do vereador Neném da Farmácia (Mobiliza). Segundo o vereador, a escolha dessa data “está relacionada ao desejo de destacar a importância de valores fundamentais que sustentam muitas famílias em nossa cidade. A fidelidade conjugal e o casamento monogâmico são pilares que, para grande parte da população, representam o alicerce de uma convivência saudável, estruturada e duradoura no contexto familiar”, diz a justificativa da proposição.  

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O texto de Neném da Farmácia diz ainda que, ao instituir essa data, “busca-se, principalmente, promover a reflexão sobre o papel essencial da união estável entre um homem e uma mulher, destacando os benefícios sociais dessa forma de relacionamento para a comunidade como um todo”.

Para a advogada especialista em direitos LGBTQIA+ e direito das famílias, Bianca Figueira Santos, a lei aprovada no município fere a Constituição Federal e pode ser questionada na Justiça.

“Essa lei é preocupante porque, embora pareça uma homenagem inofensiva a valores familiares, ela fere princípios fundamentais da Constituição, como o da laicidade do Estado e o da igualdade entre os cidadãos. Ao criar uma data oficial para celebrar apenas o casamento cristão, monogâmico e heterossexual, o poder público exclui e desvaloriza outras formas legítimas de família, amor e fé que também existem e são reconhecidas pela sociedade e pela Justiça brasileira”, afirma.

De acordo com a advogada, o impacto simbólico da nova data é grande e negativo. Ela ressalta que, desde 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece as uniões estáveis homoafetivas como entidades familiares, e o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é uma realidade no Brasil.

“Ao celebrar institucionalmente apenas o casamento ‘entre homem e mulher’, a lei reforça uma mensagem de exclusão e nega reconhecimento público às famílias formadas por casais homoafetivos. Isso contraria o princípio da igualdade e alimenta uma visão discriminatória, como se existissem famílias ‘corretas’ e outras ‘ilegítimas’”, defende.

 

Marina Dias é ouro na etapa de Laval da Copa do Mundo de paraescalada

A paulista Marina Dias se despediu da temporada 2025 com mais um topo de pódio na paraescalada. Neste sábado (25), a bicampeã mundial venceu a etapa de Laval, na França, da Copa do Mundo da modalidade na classe RP3 (atletas com limitações de alcance, força e potência).

Na final, realizada poucas horas após a eliminatória, a brasileira alcançou 51 agarras da parede, ficando à frente da alemã Laura Nesciobelli (45 agarras) e da britânica Charlotte Andrew (42) – prata e bronze, respectivamente. Foi o primeiro ouro dela em etapas da Copa do Mundo em 2025, após dois terceiros lugares, em Salt Lake City, nos Estados Unidos, e Innsbruck, na Áustria.

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Marina, que tem o lado esquerdo do corpo afetado pela esclerose múltipla, é a principal atleta brasileira na paraescalada, modalidade que será disputada em uma Paralimpíada pela primeira vez na edição de Los Angeles, nos EUA, em 2028. A classe dela, porém, não está inclusa no programa dos Jogos.

A etapa de Laval termina neste domingo (26), com o paranaense Eduardo Schaus na final da classe AU2 (atletas amputados ou com função reduzida de membro superior). A prova começa às 10h (horário de Brasília), com transmissão do canal da Federação Internacional de Escalada Esportiva (IFSC, na sigla em inglês) no YouTube, ao vivo.

Prata no Mundial de Seul, na Coreia do Sul, ele busca o primeiro pódio em uma Copa do Mundo. O brasileiro foi o segundo melhor da eliminatória na categoria, uma das que será disputada em Los Angeles.

Além de Marina e Eduardo, outros dois atletas representaram o Brasil nas eliminatórias deste sábado, mas não foram às finais – que reúnem os quatro mais bem colocados. Na classe AU3 (uma mão ou vários dedos ausentes em ambas as mãos ou função reduzida), o paranaense Leonardo Vilha ficou em sexto lugar.

Já Luciano Frazão, do Distrito Federal, foi o 15º da classe AL2 (amputação de uma perna ou deficiência de membro inferior, sem articulação do tornozelo funcional). A categoria é outra terá disputa por medalhas nos Jogos de 2028.

Brasil se despede do Mundial de Ginástica Artística sem medalhas

A edição deste ano do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, realizada em Jacarta, na Indonésia, chegou ao fim. Pela primeira vez desde 2017, o Brasil se despediu da competição sem ir ao pódio. A última esperança de medalha era Flávia Saraiva, que ficou em quarto lugar na final da trave, disputada neste sábado (25).

O desempenho da carioca, de 26 anos, foi o melhor da equipe brasileira no evento e o mais positivo dela em Mundiais na trave, superando a sexta posição de Stuttgart, na Alemanha, em 2019. Na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, a ginasta ficou em quinto.

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Flávia se classificou à final da trave com o segundo melhor desempenho das eliminatórias, com 13.833 pontos (5.5 pela dificuldade do movimento e 8.333 pela execução). Para brigar pelo pódio, a brasileira optou por uma série mais complexa, que valeu 5.7 de nota. Com os 8.200 pontos que recebeu pela realização da acrobacia, sem erros, a carioca totalizou 13.900.

As medalhistas, porém, obtiveram notas acima de 14, com movimentos ainda mais difíceis e cravados. O ouro foi para a chinesa Zhang Qingying (15.166), com a argelina Kaylia Nemour (14.300) levando a prata e a japonesa Aiko Sugihara sendo bronze.

“Queria muito tirar esse peso de que, em finais, a Flávia não acerta. Hoje [sábado], fiquei orgulhosa do meu trabalho, de tudo o que fiz ao longo do ano. Esta final foi um pouco atípica. Poucas erraram. Isso é ótimo para a ginástica, mostra o quanto está competitiva. Fiquei muito contente de abrir a final e acertar a série logo de cara. É sempre um desafio ser a primeira, mas consegui fazer exatamente o que vinha treinando”, disse Flávia, à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).

Além de Flávia, apenas o fluminense Caio Souza e o paulista Diogo Soares disputaram finais em Jacarta. No individual geral (prova em que os atletas competem em todos os aparelhos), o primeiro ficou em nono e o segundo em 17º. Caio também esteve na decisão das argolas, terminando em sexto.

Vale lembrar que Rebeca Andrade, responsável por quatro das seis medalhas do Brasil no Mundial de 2023, em Antuérpia, não esteve na edição deste ano. A paulista decidiu não competir em 2025. O desempenho na edição belga do evento segue como o mais positivo da ginástica brasileira até hoje: um ouro, três pratas e dois bronzes.

Mundial de Taekwondo

O segundo dia do Campeonato Mundial de Taekwondo, em Wuxi, na China, teve dois brasileiros no tatame, ambos estreantes na competição. O paulista Guilherme Morais perdeu nas oitavas de final para o sul-coreano Jun Jang, após derrotar o afegão Mohsen Rezaee e o italiano Dennis Baretta nos combates da categoria até 63 quilos (kg). Já a catarinense Camilly Camargo caiu na segunda rodada para a cazaque Nodira Akhomedova, depois de vencer indiana Twisha Kakadiya na categoria até 49 kg.

O Brasil será representado pelo fluminense Matheus Gilliard (até 54 kg), o mineiro Ícaro Miguel (até 87 kg) e a paulista Thaisa de Souza (73 kg) nas lutas deste domingo (26). O país já foi ao topo do pódio em Wuxi com a paulista Maria Clara Pacheco, campeã da categoria até 57 kg na última sexta-feira (24), repetindo o feito da paranaense Natália Falavigna 20 anos antes.

 

Com uma a menos, seleção feminina vence amistoso contra Inglaterra

No amistoso entre as atuais campeãs da América do Sul e da Europa, deu Brasil. Neste sábado (25), a seleção feminina de futebol derrotou a Inglaterra por 2 a 1 no Etihad Stadium, na cidade inglesa de Manchester. As brasileiras resistiram à pressão de jogarem cerca de 70 minutos com uma jogadora a menos.

O duelo serviu como “prévia” da próxima Finalíssima, torneio que reúne, em jogo único, os vencedores da Copa América e da Eurocopa, em data e local a serem confirmados. A última edição também envolveu os dois países, em 2023. As seleções empataram por 1 a 1 no Estádio de Wembley, na capital inglesa, com triunfo nos pênaltis das anfitriãs.

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As brasileiras voltam a campo nesta terça-feira (28), às 13h15 (horário de Brasília), para outro amistoso. Desta vez, contra a Itália, semifinalista da última Eurocopa. A partida será no Estádio Ennio Tardini, na cidade italiana de Parma.

O técnico Arthur Elias mandou a campo uma escalação com Lorena no gol, três zagueiras (Tarciane, Isa Haas e Mariza), Yasmin pela esquerda e a atacante Luany na direita. Angelina e Duda Sampaio formaram o meio-campo, com Ludmila e Dudinha nas pontas e Bia Zaneratto no comando do ataque.

O Brasil não se intimidou com as bicampeãs europeias, pressionou a saída de bola e logo saiu na frente. Aos oito minutos, Bia Zaneratto recebeu de Dudinha em velocidade, invadiu a área pelo meio e finalizou no canto da goleira Khiara Keating. A comemoração efusiva da Imperatriz – como ela é conhecida – tem explicação: era o retorno à seleção brasileira após uma série de lesões.

Aos 17, Bia retribuiu a gentileza. Na sequência de uma bola recuperada por Angelina no meio-campo, a centroavante avançou até a entrada da área e rolou para Dudinha, que dominou e chutou forte, sem chances para Keating, ampliando a vantagem canarinho.

Quatro minutos depois, porém, o Brasil perdeu Angelina, expulsa. A capitã recebeu o cartão vermelho direto ao derrubar Ella Toone antes da atacante entrar livre na área. Na cobrança da falta, a lateral Alex Greenwood acertou o travessão. No rebote, a zagueira Jess Carter cabeceou para fora.

Com superioridade numérica, a Inglaterra passou a ocupar o campo de ataque por mais tempo, mas sem provocar grandes sustos no primeiro tempo. Na volta do intervalo, porém, as anfitriãs descontaram em um pênalti de Bia Zaneratto, que calçou a meia Beth Mead dentro da área. Aos seis minutos, a volante Georgia Stanway bateu no canto direito e venceu Lorena.

As brasileiras sentiram o desgaste de estarem com uma jogadora a menos e se retraíram de vez com a pressão inglesa, com Tarciane e Mariza se destacando na defesa. Arthur Elias tentou refrescar a equipe com as entradas da zagueira Thaís Ferreira, das laterais Isabela e Bruninha, da volante Ary Borges e das atacantes Isa e Tainá Maranhão – Isabela, Tainá e Isa fizeram a estreia pela seleção.

As alterações surtiram pouco efeito no sentido de encontrar espaços para atacar, mas ajudaram o Brasil a conter o ímpeto das europeias. A Inglaterra seguiu no ataque, mas a melhor oportunidade, um chute de Stanway, da intermediária, parou no travessão. Após longos sete minutos de acréscimos, apito final e muita festa das brasileiras, que celebraram a vitória com a torcida presente em Manchester.

João Fonseca e Luísa Stefani se classificam para finais neste domingo

A manhã e o começo da tarde deste sábado (25) foram históricos para o tênis brasileiro, com dois atletas chegando em finais importantes do circuito mundial. O carioca João Fonseca se garantiu na disputa do título do ATP 500 da Basileia, na Suíça, enquanto a paulista Luísa Stefani se classificou para a decisão do WTA 500 de Tóquio, no Japão.

Os torneios de nível 500, que dão 500 pontos aos campeões, são os de terceiro maior nível do circuito, tanto masculino como feminino, atrás apenas das competições nível 1000 e dos Grand Slams (que distribuem dois mil pontos ao vencedor). É a primeira vez que João vai a final de um ATP 500. Luísa, por sua vez, terá pela frente a terceira decisão de um WTA 500 somente este ano, após títulos em Linz, na Áustria, e Estrasburgo, na França, sempre com a húngara Timea Babos, com quem também venceu o SP Open (WTA 250 de São Paulo).

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Número 46 do ranking de simples da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), João encarou o espanhol Jaume Munar (42º) na semifinal do torneio na Basileia e venceu por 2 sets a 0, parciais de 7/6 (7-4) e 7/5. Na final deste domingo (26), a partir de 11h (horário de Brasília), ele enfrenta outro tenista da Espanha, Alejandro Fokina (18º). O carioca, de apenas 19 anos, passa a figurar entre os 30 melhores do mundo na próxima atualização da lista se ganhar.

Já Luísa, que ocupa o 17º lugar do ranking de duplas da Associação de Tênis Feminino (WTA, sigla em inglês), e Babos (16ª) se garantiram na decisão de Tóquio ao derrotarem a norte-americana Taylor Townsend, número dois do mundo, e a australiana Ellen Perez (23ª) por 2 sets a 1, parciais de 6/7 (4-7), 6/3 e 10-5 no match tie-break (desempate em que vence a parceria que atingir dez pontos primeiro). As rivais eram as principais favoritas ao título.

A paulista e a húngara retornam à quadra da capital japonesa na madrugada deste domingo, por volta de 1h30 (horário de Brasília), para decidirem o título contra a sérvia Aleksandra Krunic (20ª) e a cazaque Anna Danilina (13ª). A competição é a última antes de Luísa e Babos disputarem, em novembro, o WTA Finals, torneio que reunirá as oito melhores duplas da temporada em Riad, na Arábia Saudita.

EBC promove debate na UnB para marcar 18 anos de existência

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) realiza na próxima terça-feira (28) um debate em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) para marcar os 18 anos de criação da empresa. O evento ocorrerá às 10h no Auditório Pompeu de Sousa da Faculdade de Comunicação (FAC) da UnB.

São presenças confirmadas no encontro a primeira presidenta da EBC, Tereza Cruvinel; os ex-presidentes Ricardo Melo, Kariane Costa e Hélio Doyle; a ex-ministra da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom/PR) Helena Chagas; além do ex-presidente da Radiobrás e professor da Universidade de São Paulo (USP), Eugênio Bucci, e do presidente do Comitê Editorial e de Programação (Comep), Pedro Rafael Vilela.

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Também participam do evento a diretora da Faculdade de Comunicação da UnB Dione Moura e o professor Fernando Oliveira Paulino, coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação (LaPCom) e presidente da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (ALAIC).

“A EBC volta para a universidade, onde cresceu o debate sobre comunicação pública no país, para debater não só nossas origens, mas o futuro que precisamos construir, de uma empresa pública relevante para a sociedade e essencial para a democracia em nosso país”, afirma o atual presidente da empresa, André Basbaum.

Histórico

Em 24 de outubro de 2007, um decreto presidencial cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A empresa surge fruto do debate ocorrido no ano anterior no Fórum da TV Pública, realizado em 2006, com participação do Ministério da Cultura e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Criada a partir da fusão das estruturas da TVE e da Radiobrás, a EBC também herda o patrimônio da comunicação pública brasileira iniciada há mais de 100 anos, com a fundação da Rádio Sociedade no Rio, que se tornaria depois a Rádio MEC. Em 2025, a Rádio MEC completou 102 anos de existência.

Serviço

O evento é aberto ao público e à comunidade acadêmica mediante inscrição pelo e-mail cerimonial@ebc.com.br informando nome, órgão ou faculdade, CPF e telefone.

Preso nono suspeito de participar da morte do ex-delegado Ruy Ferraz

Nesta sexta-feira (24), o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) prendeu um homem de 38 anos suspeito de envolvimento na morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz.

O suspeito foi preso no Jardim Shangrilá, na zona sul da capital paulista. Segundo a polícia, o homem foi identificado como o proprietário de uma segunda casa em Praia Grande utilizada pelos criminosos durante a elaboração do plano que culminou com a morte de Ferraz.

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Ruy Ferraz foi morto no dia 15 de setembro, em Praia Grande, litoral de São Paulo, onde trabalhava. Ele saiu com seu carro do trabalho e foi perseguido pelas ruas da cidade por um outro veículo com homens fortemente armados. Em alta velocidade, o ex-delegado bateu num ônibus e, na sequência, foi executado com tiros de fuzil. Toda a ação foi registrada por câmeras de vigilância.

Delegado por mais de 40 anos, Ruy Ferraz foi responsável pela prisão de diversas lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos anos 2000. A polícia investiga se a facção criminosa tem envolvimento com o caso.

O ex-delegado trabalhava na cidade de Praia Grande, no cargo de secretário de Administração da prefeitura local.

ANP autoriza funcionamento parcial da Refit

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou, por meio de nota divulgada neste sábado (25), que “desinterditou parcialmente” as instalações da Refinaria de Petróleo de Manguinhos S.A (Refit), no Rio de Janeiro.

Conforme a autarquia reguladora, a refinaria atendeu dez dos 11 “condicionantes apontados na fiscalização”, feita pela própria ANP nos dias 25 e 26 de setembro, quando foi determinada a “interdição cautelar de toda a instalação produtora de derivados da Refit”. 

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A ANP liberou atividades nas áreas de movimentação, tancagem, expedição e carregamento de produtos. Segue, no entanto, interditada a torre de destilação. A agência aguarda comprovação da “necessidade do uso das colunas de destilação para compor produção de gasolina.”

Com a decisão da ANP, a refinaria está “liberada para realizar formulação de combustíveis, movimentação e comercialização de seus produtos e insumos.”

PF define plano de segurança para os dias de COP 30 em Belém

A Polícia Federal (PF) definiu o plano de ação para a segurança da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) , que ocorrerá entre 10 e 21 de novembro, em Belém. Iniciadas em 1º de outubro na capital paraense, as ações da corporação têm o objetivo de garantir a proteção de um número recorde de delegações internacionais e, ao mesmo tempo, assegurar o exercício da liberdade de expressão.

Eixos de atuação

O planejamento da PF diante dos desafios de segurança e logística para a COP 30, concentram-se em três eixos:

1. diplomacia e recorde de delegações: a complexidade da agenda climática e a expectativa de um número recorde de delegações com visões antagônicas exigem um esquema de segurança adaptado e especial para autoridades e uma articulação geopolítica intensa.

2. logística reforçada: abrange o reforço na imigração, na fiscalização de portos (como o de Outeiro, que receberá navios de cruzeiro) e a segurança aeroportuária, incluindo a atuação na Base Aérea de Belém, por onde as autoridades de diversos países chegarão ao território brasileiro;

3. liberdade de manifestação: a conferência de Belém será um palco central para a livre manifestação de povos originários e movimentos sociais. A Polícia Federal atuará para proteger os participantes, estabelecer perímetros e garantir uma “convivência harmônica” entre os segmentos sociais, sem prejudicar o funcionamento regular da cidade.

Efetivo policial

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Para enfrentar a complexidade do evento, a Polícia Federal já recrutou aproximadamente 1,2 mil servidores, entre policiais e administrativos.

O esquema de segurança também inclui o emprego de equipes dedicadas no aeroporto e no Porto de Outeiro, com atividades diárias, além de capacidades investigativas para prevenção de crimes cibernéticos e de terrorismo.A estrutura envolve, ainda, varreduras e contramedidas anti-bombas.

Livre debate

No evento de visibilidade internacional, a instituição policial explica que a conferência – realizada pela primeira vez na Amazônia brasileira – virá após edições realizadas em países com maiores restrições às liberdades civis.


“A PF destaca o Brasil se consolida como o principal palco dos últimos cinco anos para a livre manifestação de povos originários”, diz a nota da entidade.


Os cidades-sede das últimas Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) foram:

·         em 2024, Baku, no Azerbaijão, sediou a COP29;
·         em 2023, Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, sediou a COP28;
·         em 2022, Sharm el-Sheikh, no Egito, sediou a COP27;
·         em 2021, Glasgow, na Escócia, sediou a COP26.

Aldeia COP

De olho na importância da presença e do saber dos povos tradicionais nas negociações climáticas, o governo brasileiro também organizou uma “Aldeia COP” para receber povos indígenas do Brasil e de todo o mundo durante a COP30.

A área total de 72.695 m², com área construída de 14.903,81 m², foi montada na Universidade Federal do Pará. Desde setembro, o espaço é destinado ao acampamento e à realização de atividades culturais, políticas e espirituais.

A estimativa é de que 3 mil indígenas fiquem hospedados no local, durante a realização do evento internacional.

A Aldeia COP é coordenada pelo Ministério dos Povos Indígenas, em parceria com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa).

Belém vira galeria a céu aberto com estátuas de onças coloridas

A partir deste sábado (25), Belém se transforma em uma grande galeria a céu aberto com a chegada da Jaguar Parade 2025, exposição internacional que une arte, cultura e consciência ambiental. A mostra, que coincide com o período em que a cidade sedia a 30ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP30), apresenta cerca de 50 esculturas de onças-pintadas espalhadas por pontos turísticos e espaços de grande circulação.

As esculturas coloridas e estilizadas, criadas por artistas brasileiros e internacionais, destacam a importância da preservação da onça-pintada e de seu habitat, especialmente na Amazônia, onde vive a maior população do felino.

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Das 50 obras expostas, 38 foram customizadas por artistas paraenses, duas vieram do Maranhão e dez são reapresentações de edições anteriores em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Nova York, Cali e Paris – onde o projeto integrou a programação dos Jogos Olímpicos de 2024.

A edição de Belém também valoriza o protagonismo feminino amazônico. As artistas e madrinhas Gaby Amarantos, Fafá de Belém e Isabelle Nogueira se unem à iniciativa para reforçar a mensagem de defesa da floresta e da biodiversidade.

Esculturas de onças-pintadas ficam expostas em Belém até 30 de novembro – Foto: Jaguar Parade/Divulgação

As esculturas ficarão expostas até 30 de novembro. No dia 29, quando se celebra o Dia Nacional da Onça-Pintada, será realizado o leilão beneficente das obras. Toda a arrecadação será destinada para instituições que atuam na conservação da espécie, como Onçafari, Panthera, Ampara Silvestre, SOS Pantanal, Instituto Libio, Instituto Peabiru e BRC.

Criada em 2019, a Jaguar Parade chega pela primeira vez à Região Norte, com o propósito de aliar arte e impacto socioambiental. As onças poderão ser vistas em locais emblemáticos como o Portal da Amazônia, Estação das Docas, Ver-o-Rio, Praça da República, Praça Santuário de Nazaré e Parque da Residência, entre outros.

Serviço

Jaguar Parade Belém 2025
Exposição em Belém: 25 de outubro a 30 de novembro
Leilão da Jaguar Parade: 29 de novembro
Informações: www.jaguarparade.com/belem2025
Redes sociais: @jaguar.parade

Lula cobra compromisso global no combate a mudanças climáticas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, neste sábado (25), na Malásia, que o governo brasileiro lançará oficialmente novo modelo internacional de financiamento climático para conservação de recursos naturais do planeta, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que terá início em 10 de novembro, em Belém.

“O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que lançaremos na COP30, irá remunerar os serviços ecossistêmicos prestados ao planeta. As universidades continuarão a desempenhar papel decisivo no enfrentamento à crise climática. Seus alertas sobre os riscos ambientais que ameaçam o planeta devem ser ouvidos com urgência, disse.”

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A iniciativa do governo federal foi apontada por Lula como alternativa à falta de recursos para a transição energética justa e planejada, após uma década do Acordo de Paris. O tratado internacional, adotado em 2015, visa combater as alterações climáticas e seus impactos.

“Na busca por lucros ilimitados, muitos se esquecem de cuidar do planeta Terra. As mudanças climáticas podem levar 132 milhões de pessoas a mais para a extrema pobreza até 2030. Uma década após o Acordo de Paris, faltam recursos para uma transição justa e planejada. Sobretudo, falta tempo para corrigir rumos.”

A declaração foi dada durante a cerimônia de outorga do título de doutor Honoris Causa em Desenvolvimento Internacional e Sul Global, concedido pela Universidade Nacional da Malásia.

Financiamento climático

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) prevê a remuneração aos países que garantem a conservação das florestas tropicais. Em setembro, em Nova York (EUA), o mandatário anunciou o investimento brasileiro de US$ 1 bilhão neste fundo .

No total, mais de 70 países em desenvolvimento, com florestas tropicais, poderão receber os recursos deste mecanismo proposto pelo Brasil.

COP da verdade e NDCs

A cerca de 15 dias da realização da primeira conferência sobre mudanças climáticas no bioma amazônico, o presidente brasileiro voltou a chamar a COP30 de “COP da verdade” e reforçou o compromisso do Brasil no combate às mudanças climáticas. “Será o momento de superar a ganância extrativista e agir com base na ciência.”

Em seu discurso na Universidade Nacional da Malásia,​​ Lula criticou que menos de 70 países tenham apresentado novas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa nas chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês). Ele cobrou maior envolvimento no combate às mudanças climáticas. “Dentre os maiores poluidores, apenas 14 países cumpriram com seu dever de casa.”

Ponto de não retorno

A meta estabelecida em 2015 de limitar o aquecimento global de acima dos níveis pré-industriais, é o ponto crucial a ser debatido durante a COP30 no Brasil.

Porém, o presidente Lula entende que ultrapassar esse limite é inevitável. “Os dados são alarmantes. Tudo indica que, mesmo que as atuais NDCs sejam cumpridas, o planeta ultrapassará o limite de 1,5°C do aumento da temperatura.”

Lula intima o mundo a evitar o aumento, porque a ciência confirma que os ecossistemas do planeta podem ser transformados de forma irreversível. O termo usado para definir a situação é o ponto de não retorno.

“Pesquisadores apontaram que a mortalidade generalizada dos recifes de corais de águas quentes pode ser o primeiro ponto de não retorno ultrapassado pela humanidade. [A destruição das] florestas tropicais são um ponto de não retorno que devemos evitar a todo custo.”

Lula encerrou sua fala destacando que na Amazônia brasileira vivem 30 milhões de pessoas que têm direito de viverem com dignidade.

Agenda na Malásia

O presidente Lula permanece na Malásia até a terça-feira (28). Ele participará de encontro com empresários do país e da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Neste domingo (26), ele pode se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para buscar solução para a questão das tarifas aos produtos brasileiros importados pelos empresários norte-americanos.

Caravana social vai à COP30 denunciar megaprojetos do agronegócio

Indígenas e movimentos sociais anunciaram a Caravana da Resposta, uma mobilização que vai percorrer mais de 3 mil quilômetros entre Mato Grosso e Belém, rumo à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30). O objetivo é denunciar os impactos da monocultura e dos grandes corredores logísticos do agronegócio na Amazônia e no Cerrado.

Mais de 300 participantes de dezenas de organizações, povos e comunidades tradicionais seguirão pela chamada “rota da soja”. Durante o percurso, estão previstos atos públicos, manifestações culturais e espaços de diálogo com as comunidades.

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O barco que conduzirá a etapa final da viagem também servirá como alojamento coletivo e cozinha solidária em Belém, para que os participantes possam estar presentes na conferência climática. A iniciativa pretende se contrapor ao modelo exportador que, segundo os organizadores, “concentra riquezas, destrói florestas e ameaça modos de vida”.

Corredores logísticos

A mobilização é organizada pela Aliança Chega de Soja, uma articulação que surgiu em 2024 e hoje reúne mais de 40 organizações. Entre os objetivos do movimento estão impedir megaprojetos como a Ferrogrão, projeto de ferrovia que ligaria Sinop (MT) a Itaituba (PA), para transportar grãos e reduzir custos logísticos.

De acordo com estudos da Climate Policy Initiative (CPI), da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), a construção da Ferrogrão pode causar o desmatamento de até 49 mil km² de floresta. O projeto, defendido por corporações internacionais do agronegócio, está suspenso por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), à espera de retomada do julgamento, depois do pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Além do Ferrogrão, o movimento critica os projetos de hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, pede o fortalecimento da agroecologia e da pesca artesanal, e propõe um modelo de infraestrutura “voltado às pessoas, e não ao lucro”.

“Não vamos permitir que o interesse de grandes corporações destrua nossos rios e florestas. Querem transformar nossos rios em hidrovias mortas, nossas casas em corredor logístico, e entregar nossas florestas para os ricos, que ganham dinheiro com a soja, ficarem ainda mais ricos. Mas nós vamos defender nossos territórios, porque disso depende o futuro de todo mundo”, diz a liderança indígena Alessandra Munduruku.

 

Alessandra Korap Munduruku, líder dos povos indígenas Munduruku da Amazônia brasileira, fala durante o TEDxAmazônia Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Alternativas

A Caravana da Resposta também busca dar visibilidade a alternativas agroecológicas e sistemas de sociobiodiversidade. A defesa é pela valorização da produção de pequenos agricultores e comunidades tradicionais.

O percurso de 14 dias seguirá tanto por terra — pela BR-163, conhecida como “rodovia da soja” — quanto por água, pelos rios Tapajós e Amazonas, com paradas em portos como Miritituba e Santarém, para ações conjuntas com comunidades locais.

Em Belém, os participantes se unirão às mobilizações populares Cúpula dos Povos e COP do Povo, para reforçar o protagonismo dos povos da floresta e das comunidades tradicionais na construção de uma agenda climática justa e inclusiva.

Meio século após sua morte, Herzog tem legado preservado em filme e IA

Há exatos 50 anos, o jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, apresentava-se voluntariamente no Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão de repressão da ditadura militar subordinado ao Exército, onde foi preso sem ordem judicial. Horas depois, após ser interrogado sob tortura, foi morto pelo Estado brasileiro, em 25 de outubro de 1975. O assassinato do então diretor de Jornalismo da TV Cultura foi um marco que gerou grande mobilização contra a repressão e também de luta pela democracia.

Cinco décadas após sua execução, produções inéditas contribuem para a preservação do legado de Vlado, incluindo o lançamento de documentário e podcast sobre sua vida, além de uma ferramenta que utiliza inteligência artificial (IA) para simular respostas na voz de Vlado, com base em um acervo de produções do jornalista.

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O documentário A Vida de Vlado – 50 anos do Caso Herzog, produzido pela TV Cultura, vai ao ar na emissora, neste sábado (25), a partir das 23h. A produção, que traz materiais inéditos, conta a história da família Herzog e a vida de Vlado até sua morte, além de mostrar o legado do jornalista, que é preservado pelo Instituto Vladimir Herzog (IVH).

O lançamento oficial ocorreu nessa sexta-feira (24), na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O pôster feito especialmente para o evento tem uma foto inédita de Vlado, ao lado de sua esposa e os dois filhos, tirada dias antes de sua morte.

Diretora de Jornalismo da TV Cultura, Marília Assef contou que o filme traz fotos e documentos inéditos, além de entrevistas com pessoas que trabalharam e conviveram com Vlado. “O arquivo usado foi vasto, aqui da TV Cultura e do instituto. Tem muita foto que o Instituto Vladimir Herzog recebeu ultimamente, slides do filme que ele estava fazendo sobre Canudos. Tinha slides inéditos do Vlado, que agora foram recuperados pelo instituto”, diz.

“A importância [do filme] é contar a história do Vlado, por isso o documentário tem esse nome. A gente conta o que ele gostava de fazer, quem ele era, a importância dele como pessoa, como jornalista, as vontades e os desejos dele.”

A diretora lembra a relevância do jornalista para a história do país, ao avaliar que seu assassinato teve grande impacto para a transição democrática pós-ditadura militar.

O documentário resgata ainda filmes raros gravados durante o culto ecumênico na Catedral da Sé, em 31 de outubro de 1975, e no descerramento do túmulo de Herzog, no cemitério Israelita do Butantã, um ano após sua morte.

Neste domingo (26), a Praça Memorial Vladimir Herzog, no centro de São Paulo, receberá uma intervenção permanente chamada Calçadão do Reconhecimento. No piso, haverá a instalação dos nomes de todas as pessoas e coletivos vencedores do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, um dos mais importantes do país.

Uma das homenagens será ao conjunto dos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que recebeu, em 2022, o Prêmio Especial Vladimir Herzog Contribuição ao Jornalismo, pela resistência na defesa da comunicação pública. O reconhecimento decorreu da atuação dos profissionais durante o governo de Jair Bolsonaro, quando a censura, o governismo e a perseguição foram disseminadas na empresa.

 

Assassinato de Vladimir Herzog gerou grande mobilização contra a repressão e também de luta pela democracia – Foto: Wilson Ribeiro/Acervo Vladimir Herzog

A foto e a farsa

No podcast O Caso Herzog: A Foto e a Farsa, o jornalista Camilo Vannuchi entrevista o fotógrafo Silvaldo Leong, que fez a imagem do corpo de Vlado pendurado no DOI-Codi. A produção conta também com entrevistas, documentos e áudios inéditos, além de análises que contextualizam o Brasil da ditadura e suas marcas no contexto atual, e está disponível nas plataformas de streaming.

“A foto é uma farsa, uma farsa muito violenta, porque foi simular um suicídio com o Herzog pendurado numa janela com o suposto cinto de pano que faria parte do uniforme dos presos na carceragem do DOI-Codi, mas na carceragem não tinha cinto, nem de pano, nem de qualquer outro material, ninguém usava cinto”, relata Camilo Vannuchi.

Além disso, Vlado era mais alto do que a janela em que foi pendurado, ficando com joelhos dobrados e os pés arrastando no chão. “É toda uma situação inconcebível, segundo os especialistas, os médicos, não dá para se matar se pendurando de uma altura menor do que você mesmo.”

Como Vlado era judeu, em caso de suicídio – como dizia a versão oficial da época –, ele deveria ser enterrado em local específico, de acordo com a tradição religiosa. No entanto, no processo de preparação do corpo, conta Camilo, um funcionário procurou o rabino Henry Sobel, para relatar que havia hematomas e escoriações no corpo. “Ele fala isso ao telefone, e o Henry Sobel fala ‘não, ele não se matou, vamos enterrar na área nobre’”, conta Vannuchi.

O jornalista Paulo Markun, amigo de Vlado, que também estava preso no DOI-Codi na data da morte, relata que houve até um inquérito para mascarar o assassinato. “Tudo isso era uma farsa e uma ficção, a gente tentou argumentar mas eles [agentes do DOI-Codi] insistiam que ele tinha se matado”, diz ele, que também era colega de Herzog na TV Cultura.

Markun lembra que eram “24 horas por dia ouvindo gritos das pessoas apanhando” no local. “Quando [fui levado], já cheguei num local que era um centro de tortura. Não era uma delegacia, não tinha um escrivão, nada disso. Era a violência desde o início.” Ele reforça que todos os detidos usavam macacão sem cinto, o que ajuda a desmentir a farsa do suicídio, com uso de um cinto, montada pelos militares.

Inteligência artificial

Na sua atuação profissional, Markun desenvolveu uma ferramenta, com uso da inteligência artificial, que cria respostas a partir de materiais produzidos por Herzog ao longo de sua vida. “É um conjunto de livros, reportagens, textos do Vlado, cartas que ele escreveu, organizados numa base de conhecimento, sobre a qual a inteligência artificial responde com a voz do Vlado”, explica.

Quando o usuário faz uma pergunta ao avatar construído a partir da voz clonada de Herzog, a plataforma faz uma busca na base de conhecimento a partir de palavras-chave, e a inteligência artificial constrói a resposta em texto, que é transformada em áudio instantaneamente. A ferramenta será apresentada em evento que discutirá como a inteligência artificial pode servir à preservação da memória, nos dias 30 e 31 deste mês, no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP.

Para Markun, essa é mais uma maneira de apresentar a história de Herzog, por meio de um novo formato.

“É uma voz clonada do Vlado a partir do pequeno trecho [da voz original] que há disponível, e permite que esse avatar responda a qualquer pergunta sobre ele, sobre a trajetória dele e a carreira, a biografia, os projetos, os textos e o cenário político, até a manhã do dia 25 de outubro de 1975, quando ele se apresenta no DOI-Codi”, destaca.

O jornalista avalia que as iniciativas em torno da rememoração dos 50 anos da morte de Vlado são uma demonstração de que, mesmo entre diferentes posições políticas e crenças, há o entendimento comum de que algumas premissas devem ser asseguradas. “A primeira delas é o respeito ao voto popular. A segunda, casada com isso, é que direitos humanos são fundamentais. A terceira é que a liberdade de expressão é essencial”, enumera.

“O que levou à derrota da ditadura foi o entendimento de que pessoas que pensam diferente podem se unir em torno dessa ideia de que a democracia é importante e que a ditadura é inaceitável”, lembra, ao citar o ato inter-religioso que ocorreu sete dias após o assassinato de Herzog e que se repetirá neste sábado (25), às 19h, na Catedral da Sé.

Frente democrática

Em 31 de outubro de 1975, mais de 8 mil pessoas se reuniram na Sé para um ato em homenagem a Herzog, conduzido por líderes religiosos como o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o reverendo Jaime Wright, com o apoio do jornalista Audálio Dantas, então presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. O evento tornou-se símbolo da resistência democrática.

Segundo Paulo Markun, na época, uma frente ampla se formou também no âmbito político. “Naquela primeira manifestação e ao longo do tempo, foi-se construindo algo que já vinha sendo desenhado na eleição de 1974, que era a criação de uma grande frente democrática, da qual participavam a esquerda, os comunistas, outros grupos foram se aproximando.”

“Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Thales Ramalho e Pedro Simon, nomes que nada tem a ver com a esquerda, [se uniram em torno da] ideia de que era preciso derrotar a ditadura e que essa derrota se daria pela participação de ampla massa da população brasileira. Isso deságua na campanha das Diretas em 1984 e na eleição do Tancredo Neves”, diz o jornalista sobre o movimento de virada para a redemocratização.

Brasília recebe Marcha das Mulheres Negras em 25 de novembro

É possível um novo projeto de sociedade que tenha como base uma vida digna, com acesso a direitos e livre de medo e opressão, para meninas e mulheres negras, que estão na base da pirâmide das desigualdades. Essa é a principal mensagem que a Marcha das Mulheres Negras leva para Brasília, daqui a um mês. A mobilização, que acontecerá no dia 25 de novembro, e pretende reunir 1 milhão de mulheres brasileiras e latino-americanas, e é uma reedição da caminhada de 2015.

Dez anos depois da marcha que levou para a capital federal 100 mil mulheres e representou um marco histórico e político na luta por justiça racial e de gênero, a marcha deste ano volta cobrando políticas de reparação e bem viver. Os conceitos referem-se à busca por uma sociedade focada na coletividade, na qual as mulheres negras estejam no centro das políticas públicas e da agenda do país, de acordo com a organização.

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“Quando se fala de bem-viver, falamos de vida com dignidade; falamos de direitos para toda a sociedade, sem exceção”, afirmou Iyálorisà Adriana t’Omolú, integrante do Comitê Impulsor Nacional da Marcha, em nota. Ela explicou que o bem-viver, pressupõe reparação, cuidado e compromisso com todos os seres viventes. Entre eles, garantia da educação, cultura, lazer, moradia, segurança, saúde, democracia e justiça climática, que impactam a sociedade como um todo.

Como legado do evento de 2015, a organização destaca o esclarecimento contra ações antidemocráticas e o fascismo, o fortalecimento do debate sobre democracia participativa no país, o aumento da presença das mulheres negras brasileiras nos espaços globais de incidência política, além da ampliação do próprio movimento.

XI Marcha das Mulheres Negras, em julho de 2025, no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasi

Caminhada para o Congresso Nacional

A um mês do evento, a marcha divulgou em seu site na internet o roteiro da caminhada e instruções para as participantes que vão se dirigir à capital federal. A caminhada sairá do Museu Nacional, em direção ao Congresso Nacional, com concentração a partir das 8h30.  

Às participantes, a organização pede que se preparem bebendo bastante água, fazendo exercícios físicos e alongamentos e participando das atividades das delegações.

Ainda em novembro, antes da caminhada, em Brasília, a marcha pretende realizar uma série de eventos, como uma forma de preparação. Entre os dias 18 e 25, estão previstas atividades culturais, rodas de conversa, oficinas e intervenções urbanas, mais a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra, no 20 de novembro.

Um diálogo com lideranças políticas, ativistas, artistas e intelectuais negras vindas da América Latina, Caribe, África, Europa e América do Norte ocorrerá no Encontro Transnacional, entre os dias 21 e 24. Nesses dias, também será realizado um encontro nacional de Casas BallRooms, inspirado na cultura LGBTQIA+ negra.

 

 

Promotores recomendam agência nacional anti-máfia para frear atentados

O promotor Lincoln Gakiya e o Procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, defenderam nesta sexta-feira (24) a importância de coordenar esforços em nível nacional com uma agência nacional anti-máfia, estrutura que integraria os esforços das polícias e dos órgãos de fiscalização e controle, como a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).  

Em entrevista coletiva, as autoridades defenderam ainda o endurecimento da legislação contra o crime organizado, apoiando a proposta do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a importância de uma lei que torne mais célere o processo de expropriação de bens de criminosos e a urgência de uma estrutura mais robusta e eficaz de proteção a autoridades, policiais e, principalmente, testemunhas

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Gakiya afirmou ainda que o PCC é de fato a primeira máfia brasileira, pois operações nos últimos anos demonstraram suas tentativas de infiltração no poder político, em negócios lícitos e também nas estruturas financeiras, em um “patamar insustentável”.

“Eles usam estratégias de controle de território e de intimidação de autoridades”, explicou Gakiya, como formas de dissuasão. 

“A maneira de se começar a sair disso é endurecer a legislação e dizer claramente à sociedade que temos condições de ser mais organizados que o crime”, disse Oliveira e Costa, para quem os poderes precisam se unir urgentemente, superando questões de ordem político-ideológica em prol da proteção de vidas. 

A coletiva mostrou a posição do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) após a divulgação da Operação Recon, esforço da instituição e das polícias estaduais para prender faccionados que estavam juntando informações sobre Gakiya, e o coordenador de presídios da região oeste de São Paulo, Roberto Medina, responsável pelas unidades de Presidente Venceslau e Presidente Bernardes, onde está parte da cúpula da facção. Gakiya é hoje um dos principais promotores públicos que atuam na investigação e combate ao PCC.

Operação 

Na operação foram atendidos 25 mandados de busca domiciliar distribuídos nas cidades de Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1). Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado, dois homens foram presos em flagrante por tráfico de drogas em Presidente Prudente, onde o grupo alugou uma casa a cerca de um quilômetro da residência do promotor. 

“Na ação, foram apreendidos mais de 4,3 quilos de drogas, quatro veículos, um simulacro de arma de fogo, 30 munições calibre .380, bem como R$ 7,6 mil em espécie. Equipamentos eletrônicos e anotações também foram recolhidos para contribuir com as investigações”, afirmaram em nota.

Segundo o MP-SP os criminosos já haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades, “num plano meticuloso e audacioso que demonstrava o grau de periculosidade e ousadia da organização”. Gakiya afirmou, inclusive, que sua casa foi sobrevoada por drones há três semanas.

De acordo com o Ministério Público, a célula operava sob rígido esquema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama. A sofisticação do grupo incluía a divisão entre informantes e executores, os últimos fazendo parte de um grupo de elite chamado de sintonia restrita, responsável pelos atentados contra autoridades e policias e por resgates.

Membros desse grupo já atuaram no assassinato de agentes penitenciários do Paraná e estavam envolvidos nos planos de ataque contra o senador Sergio Moro. Segundo Gakiya há suspeitas de que o grupo tenha atuado no assassinato do ex-delegado geral de polícia Ruy Ferraz, em 15 de setembro. A polícia já prendeu oito suspeitos de envolvimento neste caso, o último na terça-feira (21).

Petrobras: produção no 3º trimestre alcança 3,14 milhões de barris/dia

A Petrobras alcançou no 3º trimestre de 2025, a produção média de óleo, líquidos de gás natural (LGN) e gás natural de 3,14 milhões barris de óleo equivalente por dia (MMboed)). O volume é 7,6% acima do 2º trimestre deste ano e 16,9% acima do 3º trimestre de 2024.

“O aumento da produção se deve, em função, principalmente, do topo de produção (capacidade de projeto) da Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência de Petróleo e Gás (FPSO) Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e aumento da capacidade de produção do FPSO Marechal Duque de Caxias, no campo de Mero”, informou a estatal.

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Além disso, segundo a Petrobras, houve crescimento gradual de produção dos FPSOs Maria Quitéria, no campo de Jubarte; Anita Garibaldi e Anna Nery, nos campos de Marlim e Voador; e Alexandre de Gusmão, no campo de Mero.

Também contribuíram para o aumento de produção a redução de perdas por paradas e manutenções e a maior eficiência operacional nas Bacias de Campos e Santos. De acordo com a Petrobras, a “eficiência realizada nos primeiros 9 meses do ano, em relação a 2024, foi cerca de 3% maior, incluindo aumento em campos com produção bastante significativa, como Tupi e Búzios”.

“Neste trimestre, entraram em operação 11 novos poços produtores, sendo sete na Bacia de Campos e quatro na Bacia de Santos”, destacou a empresa.

MPF recorre para barrar exploração de petróleo na bacia do Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) informou nesta sexta-feira (24) que apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) contra a decisão que manteve o resultado do leilão de blocos exploratórios de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas e a concessão de licença de pesquisa para eventual exploração.

Na última segunda-feira (20), a Petrobras obteve a licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a operação de pesquisa exploratória na Margem Equatorial.

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Segundo o MPF, os leilões que antecederam o processo de autorização para a licença de exploração necessitam do Estudo de Impacto Climático (EIC), a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), além da consulta prévia a comunidades indígenas.

“O MPF argumenta que a ausência dos estudos e da consulta na fase pré-licitatória é uma grave ofensa ao ordenamento jurídico e aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil”, afirmou o órgão.

De acordo com a Petrobras, a sonda exploratória se encontra na região do bloco FZA-M-059 e a perfuração está prevista para começar “imediatamente”. O poço fica em águas profundas do Amapá, a 175 quilômetros da costa e a 500 quilômetros da foz do rio Amazonas.

A perfuração dessa fase inicial tem duração estimada em cinco meses, segundo a companhia. Nesse período, a empresa busca obter mais informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica. “Não há produção de petróleo nessa fase”, frisou a Petrobras em comunicado. 


 

Robson Sampaio é declarado Patrono do Paradesporto Brasileiro

Robson Sampaio de Almeida foi declarado como Patrono do Paradesporto Brasileiro. A Lei 15.238 que foi sancionada pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, foi publicada nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial da União (DOU).

O alagoano foi um dos pioneiros do Movimento Paralímpico no Brasil e participou da conquista da primeira medalha brasileira em Jogos Paralímpicos, no ano de 1976 em Toronto (Canadá). Uma prata na modalidade Lawn Bowls, antecedente da bocha praticada na grama, que foi obtida ao lado de Luiz Carlos.

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Em depoimento ao programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, a doutora em Educação Física na área de Atividade Física Adaptada Michele Barreto relatou que esta medalha foi conquistada em um momento no qual o movimento paralímpico ainda dava seus primeiros passos: “Naquele momento, como a ideia era a participação [do Brasil nos Jogos], a organização dos Jogos não era tão rígida. A prioridade de permitir a participação era o mais interessante. Então os atletas brasileiros, e ouvi isso do próprio atleta medalhista Luiz Carlos, não conheciam a modalidade Lawn Bowls. Eles foram para competir na natação e no basquete, modalidades que até então eram desenvolvidas no país, e chegando lá eles viram o jogo. Existia um kit específico de Lawn Bowls que os atletas do Brasil não tinham, e pegaram emprestado e trouxeram a primeira medalha de prata do Brasil”.

Robson conheceu o basquete em cadeira de rodas durante processo de reabilitação nos Estados Unidos e fundou, ao lado do técnico Aldo Miccolis, o Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro em 1958. A organização foi criada dois anos antes da primeira edição dos Jogos Paralímpicos, em Roma (Itália) em 1960, ainda sem a participação brasileira.

O Patrono do Paradesporto Brasileiro também fez parte da primeira delegação do Brasil em Jogos Paralímpicos, em Heindelberg (Alemanha), nas disputas do basquete em cadeira de rodas e do atletismo.

Brasil tem 58 casos de intoxicação por metanol; mortes chegam a 15

O número de notificações de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas atualizado pelo Ministério da Saúde, nesta sexta-feira (24), indica, ao todo, 58 casos confirmados e 50 em investigação. Já foram descartadas 635 notificações.

O registro de mortes chegou a 15, sendo nove em São Paulo, seis no Paraná e seis em Pernambuco.

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Mais nove óbitos seguem em investigação: quatro em Pernambuco, dois no Paraná, um em Minas Gerais, um em Mato Grosso do Sul e um em São Paulo. Foram descartadas 32 notificações de óbitos que estavam sob investigação.

>>Metanol: Entenda como é feita a análise de bebidas adulteradas

São Paulo lidera 

O estado de São Paulo segue com o maior número de casos: 44 confirmados e 14 em investigação. Há ainda seis casos confirmados no Paraná, cinco em Pernambuco, um no Rio Grande do Sul, um em Mato Grosso e um em Tocantins.

 

arte-metanol – Arte/Agência Brasil

Governo de São Paulo apresenta novo modelo de gestão hídrica 

O governo de São Paulo já começou a colocar em prática medidas para atenuar o impacto da crise hídrica. O chamado plano de contingência, que entrou em vigor a partir da Deliberação 1.729/2025, prevê sete níveis de medidas. Atualmente, a diminuição de pressão no abastecimento de água está ocorrendo por dez horas, durante a noite, o que caracteriza o terceiro patamar.

O sistema de abastecimento da região metropolitana de São Paulo está em 28,7%. No plano de contingência, o pior desses níveis, chamados de faixas de atuação, é o de número 7, correspondente ao rodízio. 

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No primeiro estágio, o de número 0, as condições são normais. No estágio 1, com a redução do volume dos mananciais já levemente sentido, aplica-se o Regime Diferenciado de Abastecimento (RDA). 

Do estágio 2 ao 6, estão previstos diferentes graus da Gestão de Demanda Noturna (GDN), com diminuição da pressão da rede por períodos de 8h, 10h, 12h, 14h ou 16h. O rodízio é implantado, segundo as autoridades, somente quando essas determinações não resolverem o problema e após anuência expressa do conselho diretor da Arsesp. 

Quando quiserem avançar ou retroceder de uma faixa para a outra, as concessionárias que prestam serviço na região deverão submeter a proposta à aprovação do conselho diretor da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). Para adotar uma medida mais severa, é necessário que o quadro de piora dure uma semana corrida e, para poder retomar ações mais brandas, a exigência é de 14 consecutivos.

Em entrevista na tarde desta sexta-feira (24), o diretor-presidente da Arsesp, Thiago Mesquita Nunes, negou que a escolha pelas áreas de racionamento de água se dê por localização, de maneira que a periferia seja mais afetada. Segundo ele, o critério é técnico.