Após deixar Flamengo, Rosana Augusto assume time feminino do Palmeiras

O Palmeiras anunciou nesta segunda-feira (20) a contratação de Rosana Augusto como técnica da equipe feminina. A treinadora, de 43 anos, acabou de deixar o Flamengo, cerca de cinco meses após assumir o cargo. Na semana passada, o Rubro-Negro divulgou o início de “readequação do orçamento” da modalidade (mais aproveitamento da base e menos contratações para a equipe principal).  

Rosana volta ao Verdão cinco anos depois de encerrar a carreira como jogadora, marcada pelos títulos da Liga dos Campeões de 2012 pelo Lyon, da França, e da Libertadores de 2014 (São José) e 2017 (Corinthians/Audax) e pelos vices olímpicos em Atenas, na Grécia (2004) e Pequim, na China (2008), e da Copa do Mundo de 2007, na China. Em 2019, a ex-lateral fez parte do elenco que obteve o acesso à Série A1 (primeira divisão) do Campeonato Brasileiro pelas Palestrinas.

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Na temporada seguinte, Rosana assumiu a equipe feminina do Athletico-PR. Ela passou, também, por Red Bull Bragantino e seleção brasileira sub-20, antes de chegar ao Flamengo em abril deste ano no lugar de Maurício Salgado. Com a técnica, o Rubro-Negro venceu a Copa Rio Feminina e reagiu no Brasileirão, classificando-se às quartas de final, caindo para o próprio Palmeiras. Foram 19 jogos à frente das Meninas da Gávea, com 13 vitórias, três empates e três derrotas.
Rosana Augusto deixou o comando técnico das Meninas da Gávea cerca de cinco meses após assumir o cargo. Decisão ocorreu  após Rubro-Negro anunciar mudanças no investimento destinado às equipes femininas – Rebeca Reis//Staff Images Woman

O Flamengo, porém, decidiu modificar o investimento destinado à equipe feminina, com maior aproveitamento da base e menos contratações, o que levou a saída de Rosana em “comum acordo” – o técnico Celso Silva assumiu o comando das Meninas da Gávea. Na chegada ao Palmeiras, a treinadora destacou justamente o projeto alviverde para a modalidade.

“O clube tem uma estrutura sólida, uma mentalidade vencedora e um compromisso claro com o desenvolvimento do futebol feminino. Além disso, existe um alinhamento muito forte entre o que o Palmeiras busca como identidade e o que acredito como treinadora. Intensidade, propósito, e um jogo coletivo com protagonismo”, disse Rosana, em nota divulgada pelo Verdão.

A estreia de Rosana será no próximo dia 31, às 21h (horário de Brasília), contra o Red Bull Bragantino, na Arena Barueri. A partida é válida pela 11ª rodada do Campeonato Paulista. As alviverdes estão na vice-liderança, com 22 pontos, a cinco do líder Corinthians.

Rosana chega para o lugar de Camilla Orlando, que se despediu do Palmeiras no último domingo (19), com o título da Ladies Cup, torneio amistoso eliminatório, disputado em São Paulo. As Palestrinas bateram o Grêmio por 4 a 2 no Canindé, com gols da volante Brena, da lateral Raíssa Bahia e da atacante Amanda Gutierrez, além de um gol contra. A atacante Giovaninha e a meia Camila Pini descontaram para as gaúchas.

Camilla deixa o Palmeiras para comandar de forma exclusiva a seleção brasileira sub-20. A treinadora se despediu com 72 partidas, 44 vitórias, 11 empates e 17 derrotas. Além da Ladies Cup, a comandante levou o Verdão ao título paulista de 2024, em cima do Corinthians. O terceiro lugar no Brasileirão deste ano garantiu vaga à Libertadores de 2026.

Rayan decide mais uma vez e Vasco derrota o Fluminense no Maracanã

O jovem atacante Rayan foi novamente decisivo para o Vasco no Campeonato Brasileiro. Com mais um gol da joia, de apenas 19 anos, Cruzmaltino derrotou o Fluminense por 2 a 0, no Clássico dos Gigantes desta segunda-feira (20), no Maracanã, pela 29ª rodada da competição.

Revelado nas categorias do próprio Vasco, Rayan já havia sido fundamental em partidas recentes, com gols no triunfo por 4 a 3 para cima do Vitória (duas vezes) e no 2 a 1 sobre o Fortaleza. Considerando o clássico desta segunda, o garoto balançou as redes seis vezes nos últimos seis jogos.

O Gigante da Colina foi a 39 pontos e ultrapassou o São Paulo, assumindo a oitava colocação. O time de Fernando Diniz tem a terceira melhor campanha do segundo turno, com os mesmos 20 pontos do Mirassol, atrás de Palmeiras (22) e Flamengo (21).

O Tricolor das Laranjeiras, com 41 pontos, segue em sétimo, um posto a frente do rival, mas perdeu a chance de se aproximar do Bahia, que está em sexto, ocupando a última vaga à próxima edição da Libertadores.

Apesar da pressão do Fluminense, foi o Vasco quem abriu o placar. Aos 38 minutos, após uma bola roubada no campo ofensivo, Rayan recebeu do lateral Paulo Henrique na entrada na área, girou e bateu. A bola desviou no volante Hércules e saiu do alcance do goleiro Fábio, que nada conseguiu fazer. Foi o 11º gol do atacante no Brasileirão e o 16º na temporada.

Na etapa final, aos cinco minutos, Rayan arrematou de fora da área, com força. Fábio deu rebote na pequena área. Andrés Gómez tentou aproveitar e parou no goleiro, mas, na sobra, o também atacante Nuno Moreira conferiu para o gol vazio e fechou o placar para o Vasco.

Em outro jogo da noite desta segunda, o Juventude venceu o Red Bull Bragantino por 1 a 0 no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS).

O volante Peixoto fez o gol do triunfo dos gaúchos, que foram a 26 pontos, na 18ª posição, ainda na zona de rebaixamento (que envolve os quatro últimos colocados). O clube paulista, com 36 pontos, permanece em décimo.

Liminar mantém presença de professores em salas de leitura de SP

Professores que estavam atuando em Salas de Leitura e foram afastados da função após licenças médicas entre junho e setembro deste ano deverão ser readmitidos, de acordo com medida liminar de urgência expedida na 8ª Vara de Fazenda Pública do estado de São Paulo.

A decisão deu ganho de causa ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), e ampliou decisão anterior, que já proibia os afastamentos. A Secretaria de Educação deixou de realizar o afastamento a partir do dia 3 de outubro, porém a liminar estendeu em 120 dias a decisão, o que afeta pelo menos 600 professores que precisaram se afastar por motivos de saúde, segundo a representação dos trabalhadores.

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A decisão do magistrado Josué Vilela Pimentel pede a reintegração imediata dos profissionais, estabelecendo multa diária de R$ 1 mil por professor, limitada a R$ 50 mil. 

Para a Apeoesp, a decisão reconhece que afastamentos por motivo de saúde não podem gerar punição ou desligamento de docentes e amplia decisão anterior, retrocedendo em quatro meses para evitar que a secretaria esvazie a decisão anterior, ao manter a punição aos profissionais. 

“Tal interpretação esvazia a efetividade da tutela concedida e viola princípios basilares do direito processual e constitucional. O provimento antecipatório busca exatamente evitar lesões irreparáveis ou de difícil reparação, não fazendo sentido sua limitação temporal quando situações fáticas idênticas ocorreram em período imediatamente anterior. (…) A simples declaração de que licenças médicas integram as exceções da Resolução nada representa se os docentes já prejudicados permanecem afastados”, considera o juiz, nos autos.

“Para a Apeoesp, a decisão representa um importante precedente jurídico e uma afirmação de direitos humanos e trabalhistas, especialmente num contexto de sobrecarga e adoecimento da categoria”, afirma o sindicato, em nota. 

Salas de Leitura

As Salas de Leitura são espaços de docência especial, acessíveis após a apresentação de um projeto didático do professor à comunidade escolar. A medida de afastamento após licenças ocorre há mais de uma década e seus critérios têm variado conforme o entendimento das gestões.

O programa atende, na rede estadual, estudantes do ensino fundamental, médio e da Educação de Jovens e Adultos (EJA), usando acervo na própria unidade, inclusive para empréstimo aos estudantes. Em muitas comunidades, representa a única biblioteca pública acessível às famílias. 

Segundo o site da Secretaria de Educação, mais de três mil escolas têm o programa no estado, contando com quase seis mil profissionais, entre professores e bibliotecários.

A rede estadual tem 15 dias para atender à liminar, do dia 17 de outubro. 

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Educação ainda não se manifestou.

Anvisa restringe venda de azeite, sal do himalaia e chá; confira

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (20), a apreensão do azeite extra virgem Ouro Negro, proibindo a comercialização, distribuição, fabricação, importação, divulgação e o consumo do produto.

O azeite foi denunciado por ter origem desconhecida e desclassificado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O rótulo indica importação pela Intralogística Distribuidora Concept Ltda., cujo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) está suspenso na Receita Federal.

Em outra medida, a Anvisa suspendeu 13 lotes do sal do himalaia moído 500g, da marca Kinino, com validade até março de 2027. A determinação segue recolhimento voluntário da própria fabricante, H.L. do Brasil Indústria e Comércio, após análises do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, apontarem teor de iodo abaixo do permitido.

A iodação do sal é uma medida de saúde pública obrigatória no Brasil para prevenir distúrbios por deficiência de iodo, como tireoide e complicações no desenvolvimento fetal.

Outro item que sofreu ação de fiscalização da Anvisa e deve ser retirado de circulação é o chá do milagre (Pó do Milagre ou Pozinho do Milagre). A proibição ocorreu porque a composição e a classificação do produto são desconhecidas.

Outra irregularidade constatada pela Anvisa foi a divulgação do chá nas redes sociais Facebook e Instagram, indicando o produto com finalidade medicinal, associando o uso a benefícios terapêuticos, como emagrecimento, tratamento da ansiedade e da insônia, prevenção de câncer, estimulante sexual, entre outros. Esta prática não é permitida para alimentos e chás.

As empresas foram procuradas pela Agência Brasil, mas não se manifestaram até a publicação do texto. 

Câmara vota amanhã urgência de PL sobre cobrança por bagagem de mão

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) informou nesta segunda-feira (20) que vai colocar em votação nesta terça-feira (21) a urgência do projeto de Lei (PL) 5041/25 que proíbe a cobrança de bagagem de mão por parte das companhias aéreas. Caso a urgência seja aprovada, o projeto poderá ser votado diretamente no plenário, sem a necessidade de passar pelas comissões.

“Alerta da semana: vamos votar a urgência do PL 5041/25, que proíbe a cobrança de bagagem de mão no avião. Também inseri na pauta projetos de Segurança Pública, como o aumento da pena de homicídio contra agentes públicos (PL 4176/25) e o que dificulta o retorno de criminosos reincidentes para as ruas (PL 226/24). As matérias de combate à violência foram consenso entre os secretários de Segurança do Brasil, que trouxeram essas demandas”, escreveu Motta em uma rede social.

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O texto, de autoria do deputado federal Da Vitoria (Progressistas-ES), chamado de PL das bagagens, determina que as companhias aéreas são proibidas de oferecer tarifas que excluam ou limitem o direito do passageiro de levar gratuitamente a bagagem de mão. A proposta diz ainda que os passageiros têm garantido o direito de levar consigo uma mala de mão e um item pessoal sem cobrança adicional, “como bolsa, mochila ou pasta, observados os limites de peso e dimensão estabelecidos pela autoridade reguladora”.

O texto diz ainda que a bagagem de mão (mala de cabine), deve ser acomodada nos compartimentos superiores da cabine da aeronave, atendendo aos limites de peso e dimensão fixados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e que o item pessoal, como bolsa, mochila, pasta ou volume equivalente que possa ser acomodado sob o assento à frente do passageiro.

A votação anunciada por Motta é uma resposta à decisão das empresas de implementar uma nova categoria de tarifa, chamada de “básica”, para o transporte de bagagens. Recentemente, a Gol Linhas Aéreas e a Latam Airlines comunicaram a adoção de novas tarifas com restrições a uma segunda bagagem de mão, a partir deste mês.

Na semana passada, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que Gol e Latam já foram notificadas para apresentar informações sobre a comercialização das tarifas sem franquia de bagagem de mão e sobre a visibilidade dada ao consumidor sobre essa medida.

Em nota, a Senacon reconhece que as empresas até podem estar legalmente amparadas, mas entende que a conduta não traz benefícios ao consumidor, e por isso merece revisão.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enviou ofício às companhias aéreas Azul, Gol e Latam solicitando esclarecimentos sobre eventuais cobranças em voos internacionais. Na Latam, a medida já está em vigor, e a Gol anunciou que adotará a cobrança. A Azul informou que não cobrará pela bagagem de mão em voos internacionais.

O presidente da Anac, Tiago Faierstein, esclareceu que não há cobrança de bagagem de mão em voos domésticos, mas uma distinção entre mochilas e bagagens de mão de até 10 quilos, que são acomodadas no compartimento superior das aeronaves.

A Anac disse que pretende entregar estudos técnicos para a construção de um projeto de lei no Congresso Nacional com o objetivo de levar a uma “regulação equilibrada, preservando tanto o direito dos passageiros quanto a competitividade das companhias aéreas”.

Governador e ministro apoiam estudo da Petrobras na Margem Equatorial

O governador do Amapá, Clécio Luís, celebrou nesta segunda-feira (20) o anúncio da concessão da licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que autoriza a Petrobras a perfurar poços para pesquisa exploratória no bloco FZA-M-59, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, que faz parte da área do litoral brasileiro conhecida como Margem Equatorial.

“A notícia que tanto esperávamos chegou! O Ibama liberou a licença para a Petrobras iniciar a fase de pesquisas na Margem Equatorial. É um passo histórico rumo ao conhecimento sobre o potencial energético do Amapá e ao desenvolvimento da Amazônia!”, escreveu o governador, em postagem nas redes sociais.  

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Com reservas potenciais estimadas em até 16 bilhões de barris de petróleo e possibilidade de produção de 1,1 milhão de barris por dia, a chamada Margem Equatorial se estende da foz do rio Oiapoque, no extremo norte do Amapá, até o litoral norte do Rio Grande do Norte, abrangendo uma das áreas marítimas mais promissoras do país para a extração do combustível fóssil.

De acordo com o próprio governo federal, essa área é considerada o “novo Pré-Sal da Amazônia”. O local fica a 500 quilômetros da foz do rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a exploração da Margem Equatorial pode elevar o PIB do Amapá em até 61,2%, além de gerar cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos. O Observatório Nacional da Indústria da CNI ainda indica que o desenvolvimento da região pode criar 495 mil novos empregos formais, acrescentar R$ 175 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) e produzir R$ 11,23 bilhões em arrecadações indiretas.

Municípios como Oiapoque, Calçoene, Amapá, Macapá, Itaubal e Santana estão entre os principais beneficiados, com expectativa de crescimento em serviços, infraestrutura, habitação e formação técnica.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (foto), defendeu que a pesquisa na Margem Equatorial “representa o futuro da nossa soberania energética”.

“Fizemos uma defesa firme e técnica que a exploração seja feita de forma responsável ambientalmente, dentre os mais altos padrões internacionais, e com benefícios concretos para brasileiras e brasileiros. O nosso petróleo é um dos mais sustentáveis do mundo, com uma das menores pegadas de carbono”, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em vídeo postado em suas redes sociais.

O ministro também fez um agradecimento público à ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, pasta à qual o Ibama é vinculado.

O licenciamento para a possível exploração de petróleo da Margem Equatorial divide setores da sociedade. Ambientalistas e cientistas criticaram o aval do Ibama e organizações da sociedade civil e movimentos sociais prometem ir à Justiça para denunciar ilegalidades e falhas técnicas do processo de licenciamento.

O grupo também alerta para prejuízos à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que vai ser realizada no próximo mês em Belém. A Amazônia é tida como uma zona prioritária para exclusão dos combustíveis fósseis, por sua importância para o clima e para a biodiversidade do planeta.

Já entidades ligadas à produção de petróleo e gás comemoraram a autorização para a Petrobras perfurar poços para pesquisa exploratória na bacia sedimentar da Foz do Amazonas. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) disse que a produção de petróleo na região “ajudará no desenvolvimento econômico” do país.

Na mesma linha, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), entidade de representação do setor de óleo, gás e biocombustíveis, também disse que a concessão de licença para a Petrobras trará ganhos econômicos para o Brasil.

Para especialistas, comunidades devem participar de decisões da COP30

“Imagine você assinar um contrato que você não entende nada, que você não sabe o que está escrito e você perder a sua terra por causa disso”. É assim que Natália Nascimento, representante da Associação dos Moradores do Baixo Riozinho (Asmobri), descreve o que ocorreu com ribeirinhos na região do Médio Rio Juruá, no Amazonas.

A população, segundo Natália, é assediada por conta do mercado de carbono, um ativo cada vez mais valioso no comércio da transição energética.

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De forma simplificada, para reduzir as emissões globais de gases poluentes na atmosfera, que levam, entre outras consequências, ao aquecimento do planeta, empresas recorrem àqueles que emitem menos ou mesmo reduzem as emissões para atmosfera.

Por meio de acordos, as empresas garantem a preservação de territórios e compram créditos de emissão de carbono, o que permite que emitam mais gases poluentes, sem desequilibrar a emissão total global.

Um dos problemas é que, como ressalta Natália Nascimento, esses acordos são feitos com populações tradicionais, sem que elas sequer entendam o que realmente está em jogo e o que podem perder; além de não ter a garantia de que a empresa tem condições de cumprir com o que está se comprometendo a fazer.

No caso dos acordos assinados com a Asmobri, Natália conta que a empresa prometia mais do que poderia dar e impactaria o modo de vida da população além do que estava informando. O Ministério Público Federal foi acionado e a comunidade aguarda decisão judicial.

“As pessoas que assinaram esse contrato, a maioria da comunidade, são leigas. Elas não sabem nem o que elas assinaram”, relata a representante. “Vamos permanecer firmes e confiando na Justiça”, diz.

Conflitos do Clima

Natália Nascimento relatou o caso nesta segunda-feira (20), no evento COP30 e os Conflitos do Clima: REDD+, Mineração e as Lutas por Justiça Racial e de Gênero, promovido pelo Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

O Baixo Riozinho é apenas um dos exemplos dos impactos das mudanças climáticas sobretudo nas populações e áreas mais vulneráveis.

De acordo com os debatedores, o tema deve ser considerado quando se discute transição energética em espaços como o da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em novembro em Belém.

Excluídos das decisões

A diretora de Programas da Anistia Internacional Brasil, Alexandra Montgomery, que também participou do debate, destacou que justamente as populações mais vulneráveis são as excluídas dos espaços de tomada de decisão, como a própria COP30.

“Quando você olha quem sofreu de maneira desproporcional esses impactos [climáticos], você vai ver que é um determinado grupo da população. É um determinado conjunto populacional. Então, a gente tá na mesma tempestade, mas a gente não tá no mesmo barco”, enfatiza. “Essas pessoas são colocadas de fora, elas são intencionalmente colocadas do lado de fora das mesas de negociação.”

Alexandra ressalta que o Brasil possui 16.390 milhões de pessoas que moram em favelas e comunidades urbanas, o que representa 8,1% do total da população brasileira, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Belém, que sedia em novembro a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), lidera a lista de grandes concentrações urbanas com maior proporção de habitantes morando em comunidades, com 57,1% da população nessas condições.  

“Quando a gente tá falando de mudanças climáticas, de eventos climáticos extremos, de alagamento, de enchente, a gente tá falando que boa parte dessas pessoas, que moram nessas áreas de risco, não participa ou não é escutada nas discussões sobre as cidades”, diz a diretora.

Impactos em Belém

Às vésperas da COP30, Alexandra Montgomery chama atenção também para os impactos que serão deixados na própria cidade de Belém apenas por conta da realização desse grande evento na cidade.

“Quando um grande empreendimento entra num território, o que ele faz é aprofundar todos os problemas que aquele território já tem”, enfatiza ela.

Guilherme Carvalho, que é educador popular da organização não governamental (ONG) Fase – Solidariedade e Educação, acompanha os preparativos para a COP e também demonstrou preocupação.

“Belém está se transformando em uma cidade espetáculo e uma cidade espetáculo calcada no racismo ambiental, porque todos os dejetos estão sendo jogados na periferia, sem que haja qualquer indicação do governo do estado de que aqueles dejetos sofrerão algum tipo de tratamento no futuro”, afirma.

Ele também falou sobre os impactos dos altos preços na capital paraense não apenas para aqueles que irão participar do evento, mas também para a população local, que já está sendo afetada.

“Como toda cidade espetáculo, você tem a gourmetização dos conhecimentos tradicionais, porque agora está cheio de cozinha utilizando os ingredientes, as ervas, falando do resgate da cultura amazônica, mas não devolvendo nada para aqueles que realmente dependem desse conhecimento tradicional”, diz.

E acrescenta: “Os aluguéis ficaram absurdos e não só os aluguéis de quem vem para a COP, mas de quem vive na cidade. Os preços dos aluguéis dispararam e os preços do serviço de um modo geral também dispararam”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica a escolha de Belém como uma oportunidade de mostrar ao mundo a Amazônia.

“Eu sabia que Belém era uma cidade com problemas. Têm os problemas de drenagem, têm os problemas da pobreza. Mas veja, por que nós aceitamos do Brasil fazer a COP lá? É porque é preciso mostrar para o mundo o que é a Amazônia e o que é o Pará. Não vai ser a COP do luxo, é a COP da verdade”, afirmou no início do mês em visita ao Pará. 

O presidente também afirmou que estão sendo feitos investimentos na cidade e que, após o fim do evento, as obras irão permanecer para a população local. Segundo ele, o governo federal está fazendo um investimento de quase R$ 6 bilhões na cidade. 

 

Programa de reforma permite “qualquer tipo de melhoria”, diz ministro

Os beneficiários do programa Reforma Brasil, lançado nesta segunda-feira (20) pelo presidente Lula, poderão fazer qualquer tipo de melhoria em suas residências. A informação foi trazida pelo ministro das Cidades, Jader Filho, em coletiva à imprensa. 

A política pública vai permitir que famílias possam financiar valores a partir de R$ 5 mil para reformas, ampliações e adequações de moradias de todo o país.

Processo simplificado

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O governo informa que a operação de concessão do financiamento será simplificada e digital, iniciando pelo site da Caixa ou aplicativo do banco, a partir de 3 de novembro. A operacionalização do pedido de financiamento ocorrerá por uma página específica na internet que estará disponível a partir desta terça (21).

O beneficiário vai precisar comprovar a realização da obra.

“A pessoa vai apresentar qual é a obra que ela quer fazer em sua casa e vai tirar uma foto. O crédito de 90% [do total] é liberado”, explicou o ministro das Cidades.

O beneficiário recebe o restante depois que apresentar a imagem da melhoria realizada. 

Diferentes faixas

Um esclarecimento de Jader Filho é que o beneficiário do programa não precisa ter necessariamente problemas estruturais na casa.

“Qualquer tipo de reforma que a família queira fazer”, garantiu.

Jader Filho explicou que o programa foi desenvolvido pelos ministérios das Cidades e da Fazenda, em parceria com a Caixa Econômica Federal. O valor previsto, ao todo, é de R$ 30 bilhões do Fundo Social em linhas de crédito voltadas a famílias com renda de até R$ 9,6 mil. 

A Caixa também vai separar R$ 10 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) para quem tem renda superior a esse limite.

Por isso, a política pública prevê um total de R$ 40 bilhões em crédito. Os recursos são relativos a este ano e também 2026.

Outra informação prestada é que não existe uma distribuição prévia de recursos do programa por região do país. 

Casas

O Reforma Casa Brasil atende inicialmente moradores de áreas urbanas em capitais, municípios com mais de 300 mil habitantes, ou que façam parte de arranjos populacionais com esse porte. O crédito é voltado principalmente para uso residencial, mas pode contemplar imóveis de uso misto.

As taxas de juros variam conforme a faixa de renda mensal das famílias. Na faixa 1, os juros são de 1,17% para quem tem renda de até R$ 3,2 mil.

Para quem ganha de R$ 3,2 mil a R$ 9,6 mil, os juros ficam em 1,95%.

Quem tem renda acima de R$ 9,6 mil, as regras são da Caixa com valores de financiamento a partir de R$ 30 mil e prazo de pagamento até 180 meses.

Brasil tem 47 casos de intoxicação por metanol; mortes chegam a nove

O Ministério da Saúde atualizou nesta segunda-feira (20) o número de notificações de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas. Ao todo, 47 casos foram confirmados e 57 seguem em investigação. Já foram descartadas 578 notificações.

O número de mortes chegou a nove, sendo seis em São Paulo, duas em Pernambuco, no município de Lajedo, e uma no Paraná, em Foz do Iguaçu.

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Mais sete óbitos seguem em investigação: um em São Paulo, três em Pernambuco, um em Mato Grosso do Sul, um em Minas Gerais e um no Paraná. Foram descartadas 27 notificações de óbitos que estavam sob investigação.

SP lidera número de casos

O estado de São Paulo segue com o maior número de casos: 38 confirmados e 19 em investigação. Há ainda cinco casos confirmados no Paraná, três em Pernambuco e um no Rio Grande do Sul.

 

Arte/Agência Brasil

PF quer investigar entrada de ex-assessor de Bolsonaro nos EUA

A Polícia Federal (PF) pediu nesta segunda-feira (20) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de uma investigação para apurar a suposta entrada de Filipe Martins, ex-assessor para assuntos internacionais de Jair Bolsonaro, nos Estados Unidos, em dezembro de 2022, uma semana antes dos atos golpistas de 8 de janeiro.

A solicitação foi feita após o ministro pedir esclarecimentos da PF sobre a controvérsia envolvendo a suposta viagem de Martins, que é um dos réus no Núcleo 2 da trama golpista ocorrida no governo do ex-presidente.

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Os esclarecimentos foram solicitados após o Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos divulgar uma nota na qual negou a entrada do réu no dia 30 de dezembro de 2022.

Martins foi apontado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) como um dos responsáveis pela elaboração da minuta de golpe de Estado que circulou no final do governo Bolsonaro.

De acordo com o delegado Fábio Shor, a abertura de investigação específica é necessária para apurar a eventual simulação da entrada de Filipe Martins naquele país. 

“O registro de entrada, ainda que em caráter indiciário, revela a possibilidade de que integrantes da organização criminosa, abusando dolosamente das prerrogativas diplomáticas, tenham se utilizado do procedimento migratório diferenciado relacionado a comitivas de chefes de Estado, no qual não há a presença física dos integrantes da comitiva presidencial perante as autoridades migratórias, com a finalidade de simular uma falsa entrada de Filipe Martins em território norte-americano”, afirmou o delegado.

No início das investigações sobre a trama golpista, a PF apurou que Martins chegou a Orlando, na Flórida, na data referida e utilizou o seu passaporte.

“Portanto, todas as informações alcançadas pela apuração tomada pela Pet. 12.100/DF apontam que, no dia 30.12.2022, foi registrada a entrada de Filipe Martins Pereira nos Estados Unidos da América”, completou o delegado.

Em agosto de 2024, Martins foi solto por determinação de Alexandre de Moraes e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Desde o início das investigações, a defesa de Martins nega que ele entrou nos Estados Unidos e critica Moraes por ter determinado a prisão com base nessa informação. 

Luisa Stefani retorna ao top 20 e comemora inédita vaga no Finals

Pela primeira vez na carreira, a tenista paulista Luisa Stefani disputará o WTA Finals, competição que reúne as oito melhores duplas da temporada. Ao lado da húngara Timea Babos, a brasileira se classificou com os pontos obtidos no vice-campeonato do WTA 500 de Ningbo (China), encerrado no último domingo (19).  Na decisão do título, Stefani e Nabos foram superadas pela dupla da norte-americana Nicole Melichar-Martinez com a russa Liudmila Samsonova, por 2 sets a 1, com parciais de 5/7 e 6/4 (10-8).

A WTA confirmou nesta segunda (20) que a parceria Stefani e Babos é a sétima melhor de 2025. O Finals ocorrerá entre 1º e 8 de novembro, em Riad (Arábia Saudita). Está será a segunda participação do Brasil na competição – a primeira foi em 2022, com a dupla de Beatriz Haddad  Maia com a cazaque Danilina.

Este ano, a dupla de Stefani foi campeã do WTA 250 Open, na capital paulista, e de outros dois WTA 500 – Linz (Áustria) e Estrasburgo (França).

“Super feliz de conquistar a vaga para o Finals. Era um dos meus maiores objetivos do ano, então fico ainda mais orgulhosa dessa temporada e de ter a oportunidade de fechar com chave de ouro em Riad entre as oito melhores duplas do mundo”, festejou Stefani.

A paulista de 28 anos, tem muito a comemorar. Ela subiu da 22ª para 17ª posição no ranking mundial de duplas, atualizado nesta segunda (20). Primeira medalhista olímpica do tênis brasileiro, ao lado de Laura Pigossi nos Jogos de Tóquio, Stefani faz parte da equipe brasileira que disputará os playoffs da Billie Jean King Cup, maior torneio de tênis feminino entre nações, nos dias 15 e 16 de novembro, em Hobart  Hobart (Austrália).

Duplas classificadas para o WTA Finals 2025

1ª – Sara Errani (Itália) e Jasmine Paolini (Itália)– quatro títulos, entre eles Roland Garros

2ª – Taylor Townsend (EUA) e Katerina Siniaková (República Tcheca) –  três títulos, entre eles o Aberto da Austrália

3ª – Gabriela Dabrowski (Canadá) e Erin Routliffe (Nova Zelândia) – três títulos, entre eles o US Open

4ª – Elise Mertens (Bélgica) e Veronika Kudermetova (Rússia) – título de Wimbledon

5ª – Diana Shnaider e Mirra Andreeva –  dois títulos

6ª – Su-wei Hsieh (Taiwan) e Jelena Ostapenko (Letônia) – vice-campeãs de três torneios, entre eles Aberto da Austrália e Wimbledon

7ª – Timea Babos (Hungria) e Luisa Stefani (Brasil) – três títulos e vice-campeãs do WTA de Ningbo

8ª – Asia Muhammad (EUA) e Demi Schuurs (Holanda) – dois títulos

Petrobras recebe licença do Ibama para explorar Margem Equatorial

A Petrobras obteve a licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para explorar petróleo na Margem Equatorial. A região, localizada no norte do país, é apontada como novo pré-sal devido ao seu potencial petrolífero.

O Ibama fez o anúncio no começo da tarde desta segunda-feira (20).

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De acordo com a Petrobras, a sonda exploratória se encontra na região do bloco FZA-M-059 e a perfuração está prevista para começar “imediatamente”. O poço fica em águas profundas do Amapá, a 175 quilômetros da costa e a 500 quilômetros da foz do rio Amazonas.

A perfuração dessa fase inicial tem duração estimada em cinco meses, segundo a companhia. Nesse período, a empresa busca obter mais informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica. “Não há produção de petróleo nessa fase”, frisou a Petrobras no comunicado.

A autorização foi obtida cerca de dois meses depois da última fase do processo de licenciamento, a chamada avaliação pré-operacional (APO), que consiste em um simulado de situação de emergência e plano de reação, com atenção especial à fauna.

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Promessa de segurança

A Petrobras informou que atendeu a todos os requisitos estabelecidos pelo Ibama – órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima – cumprindo integralmente o processo de licenciamento ambiental.

A presidente da companhia, Magda Chambriard, classificou a obtenção da licença como “uma conquista da sociedade brasileira”.

“Revela o compromisso das instituições nacionais com o diálogo e com a viabilização de projetos que possam representar o desenvolvimento do país”, afirmou Chambriard no comunicado.

Ela lembrou que foram cinco anos de diálogo com governos e órgãos ambientais municipais, estaduais e federais até a licença. Chambriard considera que a estatal pôde comprovar “a robustez de toda a estrutura de proteção ao meio ambiente”.

“Vamos operar na Margem Equatorial com segurança, responsabilidade e qualidade técnica. Esperamos obter excelentes resultados nessa pesquisa e comprovar a existência de petróleo na porção brasileira dessa nova fronteira energética mundial”, completou.

Ibama

Por meio de nota, o Ibama informou que a emissão da licença ocorreu após “rigoroso processo de licenciamento ambiental”. Esse processo contou com elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), três audiências públicas e 65 reuniões técnicas setoriais em mais de 20 municípios do Pará e do Amapá. Também foram feitas vistorias em todas as estruturas de resposta à emergência e unidade marítima de perfuração, além da realização da APO, que envolveu mais de 400 pessoas.

Ainda de acordo com o órgão ambiental, após a negativa de 2023, foi iniciada uma “intensa discussão” com a Petrobras, que permitiu “significativo” aprimoramento substancial do projeto apresentado, especialmente em relação à estrutura de resposta a emergência.

Entre os avanços, o Ibama cita a construção e operacionalização de mais um centro de atendimento à fauna, no município de Oiapoque (AP), que se soma ao já existente em Belém.

O Ibama afirmou que as exigências adicionais foram fundamentais para a viabilização ambiental do empreendimento, considerando as características ambientais excepcionais da região da bacia da Foz do Amazonas.

O instituto antecipou que, durante a atividade de perfuração, será realizado novo exercício simulado de resposta a emergência, com foco nas estratégias de atendimento à fauna.

Nova fonte de petróleo

A Margem Equatorial ganhou notoriedade nos últimos anos, por ser tratada como nova e promissora área de exploração de petróleo e gás. Descobertas recentes de petróleo nas costas da Guiana, da Guiana Francesa e do Suriname, países vizinhos ao Norte do país, mostraram o potencial exploratório da região, localizada próxima à linha do Equador. No Brasil, a área se estende do Rio Grande do Norte até o Amapá.

A busca pela licença de exploração se iniciou em 2013, quando a petrolífera multinacional britânica BP arrematou a licitação da área. Por decisão estratégica, a companhia repassou a concessão para a Petrobras em 2021.

A Petrobras tem poços na nova fronteira exploratória, mas, até então, só tinha autorização do Ibama para perfurar os dois da costa do Rio Grande do Norte.

Em maio de 2023, o Ibama chegou a negar a licença para a área chamada de Bacia da Foz do Amazonas, o que fez a Petrobras pedir a reconsideração.

Além da companhia, setores do governo, incluindo o Ministério de Minas e Energia e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defenderam a liberação da licença. No Congresso, presidente do senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi um dos principais articuladores para apressar e autorizar a licença.

Segundo a Petrobras, a espera pela licença de exploração custou R$ 4 milhões por dia à empresa.

Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente. Para efeito de comparação, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o Brasil tem 66 bilhões de barris entre reservas provadas, prováveis e possíveis.

Críticas

A exploração é criticada por ambientalistas, preocupados com possíveis impactos ao meio ambiente. Há também a percepção, por parte deles, de que se trata de uma contradição à transição energética, que significa a substituição dos combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis, que emitam menos gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

A Petrobras insiste que a produção de óleo a partir da Margem Equatorial é uma decisão estratégica para que o país não tenha que importar petróleo na próxima década. A estatal frisa que, apesar do nome Foz do Amazonas, o local fica a 540 quilômetros da desembocadura do rio propriamente dita.

* Matéria atualizada às 14h48, com acréscimo do posicionamento do Ibama

Paraná tem primeira morte por intoxicação de metanol

A cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, registrou a primeira morte no estado por intoxicação de metanol após consumo de bebida alcoólica. É um homem de 55 anos. A identidade ainda não foi revelada.

Segundo informações da Secretaria de Saúde do Paraná, a vítima foi para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na cidade, na última terça-feira (14) e apresentava dor abdominal. O homem informou  que havia consumido bebida alcoólica um dia antes. Exames feitos após a morte do paciente confirmaram a presença de metanol em seu organismo.

Investigação

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As autoridades paranaenses investigam, ainda, a morte de um outro homem. Ele tinha 47 anos. Foi encontrado morto em sua casa e pode ter relação com o primeiro óbito anotado no estado.

O Paraná tem 22 notificações de suspeitas de intoxicação por ingestão de metanol. Desses, cinco casos foram confirmados, sendo uma morte. Há 14 descartados e dois suspeitos.

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Julgamentos com impacto fiscal marcam agenda da semana no Supremo 

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) tem ao menos três julgamentos de significativo impacto fiscal na agenda desta semana, momento em que o governo busca alternativas para fechar as contas do ano após o Congresso ter derrubado medidas de arrecadação. 

Na quarta-feira (22), os ministros devem começar a votar duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI 5553 e 7755), abertas pelo PSOL e o PV, que questionam a isenção fiscal de no mínimo 60% para agrotóxicos

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O benefício existe desde 1997, por meio do Convênio nº 100 de 1997, do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Os partidos argumentam, contudo, que a norma previu não só o desconto de 60%, mas autorizou os estados a concederem isenção fiscal completa sobre agrotóxicos. 

Desde então, o Congresso aprovou a inclusão do benefício na Constituição, por meio da Emenda Constitucional (EC) 132, promulgada em 2023. Para as legendas, “as isenções confrontam o direito constitucional ao meio ambiente equilibrado, o direito à saúde e violam frontalmente o princípio da seletividade tributária”. 

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As sustentações orais no caso foram feitas na semana passada, quando o advogado do PV, Lauro Rodrigues, buscou combater a ideia de que o subsídio fiscal aos agrotóxicos seria essencial para a economia do país. 

“A subvenção é direcionada a um grupo numericamente pequeno, mas que produz em larga escala. Para desfazer a tese de que se deixarmos de subvencionar os agrotóxicos, o Brasil vai quebrar”, afirmou.

Em nome da CNA, o advogado Rodrigo Kaufmann disse que a derrubada dos benefícios para os agrotóxicos pode aumentar o custo dos alimentos em R$ 16 bilhões e reduzir em 50% a produção agrícola do país. 

“Os defensivos agrícolas não são itens de luxo, são insumos essenciais e prioritários da produção agrícola”, afirmou. 

Grandes fortunas 

Para o dia seguinte, quinta-feira (23), o plenário tem pautado o julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO 55), em que o PSOL acusa o Congresso de não cumprir seu dever constitucional de regulamentar a taxação de grandes fortunas. 

Em seu artigo 153, a Constituição obriga a União a instituir um imposto sobre grandes fortunas, mas “nos termos de lei complementar”. Desde 1988, entretanto, tal lei complementar nunca foi aprovada pelo Congresso, o que impede o governo de criar o tributo. 

Instado a se manifestar, o Senado negou qualquer inércia, afirmando que o tema foi e é apreciado com regularidade pela Casa, embora nenhuma proposta tenha sido ainda aprovada.  

“O Congresso Nacional não está inerte”, disse em petição. A Câmara, por sua vez, informou que o projeto de lei complementar sobre o tema está pronto para ser votado, sendo descabida a intervenção do Judiciário. 

A mais recente tentativa de emplacar uma taxação dos chamados “super ricos” consta na reforma do Imposto de Renda proposta pelo governo e aprovada em 1º de outubro pela Câmara. O texto prevê uma alíquota adicional, de até 10%, para quem ganha mais de R$ 50 mil por mês ou R$ 600 mil por ano. 

Fora a atualização do IR, a última vez que o Congresso votou sobre a criação propriamente dita de um novo imposto sobre grandes fortunas, conforme previsão constitucional, foi em outubro de 2024, quando uma emenda da reforma tributária sobre o tema foi derrotada por 262 a 136. 

Não raro o Supremo impõe ao Congresso um prazo para que cumpra determinações da Constituição de 1988 que ainda não foram cumpridas. Na semana passada, por exemplo, os ministros deram prazo de 24 meses para os parlamentares aprovarem uma lei que proteja os trabalhadores contra a automação

Desoneração da folha e medidas compensatórias 

O Supremo também continua nesta semana, dessa vez no plenário virtual, o julgamento sobre a constitucionalidade da lei aprovada pelo Congresso em 2023 que prorrogou a desoneração da folha de pagamentos para alguns setores da economia, medida que à época buscava ser derrubada pelo governo. 

Governo e Congresso eventualmente chegaram a um acordo, que resultou na aprovação da Lei 14.973/2024, segundo a qual a desoneração será retirada gradualmente até 2027.

Contudo, o ministro Cristiano Zanin, relator do tema, decidiu que o julgamento deveria seguir, mesmo com a nova legislação, de modo que o Supremo pudesse estabelecer os parâmetros que podem ser adotados pelo Parlamento na aprovação desse tipo de legislação.

Zanin votou então pela inconstitucionalidade da lei de 2023, por ter sido aprovada pelos parlamentares sem a estimativa de impacto financeiro da desoneração nem previsão de medidas compensatórias para a perda de arrecadação.

O ministro frisou que a Constituição obriga a indicação da estimativa de impacto financeiro nos casos de propostas legislativas que criem despesas ou renúncia de receita. Zanin disse que seu voto, mais que efeitos imediatos, busca dar “segurança jurídica ao processo legislativo em temas relacionados à gestão orçamentária, firmando as balizas constitucionais”.

Apesar de declarar a inconstitucionalidade da lei de 2023, Zanin não declarou sua nulidade, evitando assim prejudicar quem se beneficiou de boa-fé da desoneração. Dessa maneira, os contribuintes ficam dispensados de qualquer tipo de cobrança ou devolução de valores. 

O ministro também destacou que em nada analisou a lei aprovada em 2024, por não ser objeto da ação. “Essa delimitação quanto ao objeto de julgamento é importante para permitir uma adequada interpretação do conteúdo do presente voto”, observou. 

Até o momento, apenas o relator votou. Os demais ministros têm até a próxima sexta-feira (24), às 23h59, para votar. 

SP registra 11,2ºC nesta segunda; a mais baixa para outubro em 11 anos

Na manhã desta segunda-feira (20), a cidade de São Paulo registrou a temperatura mínima de 11,2 graus Celsius (ºC), a mais baixa para outubro desde 2014, quando termômetros marcaram 10,7ºC.

Segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo, o registro é resultado da passagem de uma frente fria acompanhada por ventos e massa de ar polar.

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Para minimizar problemas, a Defesa Civil promove acolhimento da população e mobilização de pessoas em estado de vulnerabilidade social. Entre as ações emergenciais está a ativação do Abrigo Solidário, uma iniciativa do governo do estado que oferece acolhimento temporário à população em situação de rua.

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Também foram emitidos alertas de frio intenso e orientações para a população. As pessoas devem evitar:

  • exposição prolongada ao frio, principalmente durante a madrugada e início do dia;
  • uso de brasas e fogareiros em ambientes fechados, para prevenir o risco de intoxicação;
  • e redobrar a atenção com crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

*Estagiário da EBC sob supervisão de Odair Braz Junior

Petrobras reduz preço da gasolina em 4,9% a partir de terça-feira

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (20) que vai reduzir em 4,9% o preço da gasolina A vendida às distribuidoras. O novo preço passa a valer a partir desta terça-feira (21).

A gasolina A é o combustível puro que sai das refinarias e é misturado ao etanol pelas distribuidoras, para que possa ser vendido ao consumidor final nos postos de revenda.

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Com a redução, o preço médio de venda da Petrobras para as distribuidoras passará a ser, em média, de R$ 2,71 por litro, uma redução de R$ 0,14 por litro.

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Segunda redução em 2025

Esta é a segunda queda no preço promovida pela estatal em 2025. Em 3 de junho, a Petrobras já havia diminuído o valor em 5,6%. No acumulado do ano, a redução soma R$ 0,31 por litro, recuo de 10,3%.

No comunicado que anunciou a mudança de valores, a empresa cita que, desde dezembro de 2022, a queda no preço da gasolina chega a R$ 0,36 ─ um recuo de 22,4%, já considerando a inflação do período.

O movimento da Petrobras deve representar alívio na inflação do país, uma vez que o combustível é o com maior peso no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que apura a inflação oficial.

Apesar de ser a maior produtora do combustível no país, o preço da gasolina nas bombas não depende apenas da Petrobras. Após o produto ser vendido às distribuidoras, sofre influências de outros custos, como o frete, mistura com o etanol, cobrança de impostos e a margem de lucro dos postos.

Confira as informações sobre a redução do preço da gasolina no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Diesel

A Petrobras informou que o preço do diesel vendido às distribuidoras não sofrerá alteração. Desde março deste ano, houve três reduções no óleo diesel, e o combustível apresenta recuo de 35,9% desde o fim de 2022.

Veja o que fazer para reaver objetos caídos nos trilhos do Metrô/Rio

O MetrôRio lançou a campanha “Pacto de Segurança” com orientações sobre as regras de segurança no sistema metroviário, entre elas, a de não acessar os trilhos para resgatar objetos.

Do início de setembro até o último dia 9, as equipes operacionais da concessionária resgataram 151 objetos que caíram nas vias das linhas 1, 2 e 4. Fones de ouvido aparecem em primeiro lugar, seguidos de celulares e de sandálias e calçados.

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 A orientação da concessionária, caso o cliente deixe cair algum objeto na via, é que acione um funcionário para informar o que aconteceu para recuperar o item com segurança e sem atrapalhar a circulação dos trens.

“Somente a equipe de operações pode acessar a via usando equipamentos de proteção e seguindo protocolos rigorosos. Além disso, por questões de segurança, já que os trilhos são energizados e a circulação no trecho precisa ser interrompida, a recuperação do objeto será realizada fora do horário de pico”, diz o MetrôRio.

Conscientização

A gerente de marketing do MetrôRio e idealizadora da campanha, Simone Pfeil, disse que a iniciativa visa reforçar as ações de conscientização nas estações. “Nosso objetivo é engajar todos os passageiros para o respeito às regras de segurança no sistema e uma delas é nunca tentar resgatar objetos na via. A gente costuma ter bastante êxito em devolver os objetos em bom estado. O que vale é a segurança e a vida”, preconiza.

A publicitária Gabrielle Misael seguiu as regras de segurança. Ela estava na estação Vicente de Carvalho, na zona norte do Rio, a caminho do centro, quando o seu fone de ouvido bluetooth caiu nos trilhos do Metrô.

“Aconteceu comigo em abril. Avisei ao agente da estação que meu fone havia caído na via e, no fim do dia, eles me entregaram. Foram muito atenciosos comigo”, conta Gabrielle.

Outro fone resgatado dos trilhos do Metrô carioca foi o do administrador Maurício Mascarenhas. Em uma das viagens, ele deixou o fone de ouvido cair na via. Na hora, um passageiro falou que o segurança da estação poderia ajudá-lo a recuperar o objeto perdido nos trilhos. Ele ficou surpreso.

“Procurei um funcionário do Metrô e relatei a perda do meu fone, indicando exatamente onde ele havia caído. O agente anotou meus dados e me informou que, à noite, após o encerramento do serviço, a equipe faria a retirada do objeto. Ele orientou que, no dia seguinte, eu procurasse a cabine de segurança, ao lado das catracas. Para minha surpresa, na manhã seguinte   passei na estação, apresentei meu documento de identificação e entregaram o meu fone,” diz o administrador. 

Veja as orientações da campanha Pacto de Segurança no MetrôRio

1- Não corra para embarcar. Um acidente pode atrasar muito mais a sua vida.

2- Não tente impedir o fechamento das portas. Porta do trem não tem sensor de movimento como porta do elevador.

3- Atenção com o vão entre o trem e a plataforma. Um passo em falso pode custar caro. Olhe bem por onde pisa.

4- Nunca tente pegar objetos na via. Um celular pode ser substituído. A sua vida, não. Peça ajuda a um funcionário do Metrô.

5- Respeite a faixa amarela. Só a ultrapasse quando o trem parar completamente. A faixa amarela é um freio visual.

6- Cuidado nas escadas. Não use o celular ao subir ou descer e segure-se no corrimão. Uma mensagem pode esperar. Sua segurança, não.

7- Cuidado nas escadas.  Correr nas escadas é perigoso para você e para os outros. Desça com calma. O próximo trem já está chegando.

8- Peça ajuda se precisar. Sentiu insegurança na escada rolante? Chame um funcionário. O próximo passo é sempre mais seguro com apoio.

Acordo no Japão deixa Takaichi perto de se tornar primeira premiê

A conservadora Sanae Takaichi está prestes a se tornar a primeira mulher primeira-ministra do Japão, nesta (21) terça-feira, depois que o Partido da Inovação, de direita, conhecido como Ishin, concordou em apoiar sua candidatura.

A parceria, com um total de 231 assentos na câmara baixa do Parlamento, fica a dois de uma maioria, mas a contagem é quase suficiente para que Takaichi vença a votação parlamentar de amanhã para próxima primeira-ministra.

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“Estou ansiosa para trabalharmos juntos, em um esforço para fortalecer a economia do Japão e transformar o país”, disse Takaichi.

Seus comentários foram feitos durante a assinatura de um pacto formal de coalizão com os líderes do Ishin, o governador de Osaka, Hirofumi Yoshimura, e o chefe do Parlamento, Fumitake Fujita. O acordo incluiu prazos e a adoção de políticas específicas, como Fujita havia dito anteriormente.

A expectativa dos investidores por um pacto que poderia aumentar os gastos do governo enfraqueceu o iene, a moeda local, e levou as ações a um recorde de alta, com o índice de ações Nikkei fechando em alta de 3,4%.

Em eventual segundo turno na votação do Parlamento, Takaichi precisará apenas da maioria das cédulas de votação, e não de todos os parlamentares.

Mas para governar efetivamente, ela precisará cortejar outros grupos de oposição para apoiar itens como um orçamento suplementar que está por vir.

Em troca de seu apoio, o Ishin, até agora o segundo maior partido de oposição do Japão, recebeu promessas de Takaichi para avançar sua agenda, desde um corte de 10% no número de parlamentares até a suspensão de um imposto sobre o consumo de alimentos por dois anos.

O acordo foi fechado dez dias após o colapso da coalizão de 26 anos do Partido Liberal Democrata (LDP) com o Komeito, que encerrou a aliança após o partido governista escolher Takaichi como nova líder.

A saída abrupta do Komeito desencadeou conversações entre os partidos de oposição, incluindo o Ishin, que poderiam ter inviabilizado as ambições de Takaichi como primeira-ministra e expulsado seu partido do poder pela primeira vez em mais de uma década.

Mas a decisão do Ishin de ficar do lado do LDP acabou com a ameaça.

Takaichi defendeu mais gastos e cortes de impostos para proteger os consumidores do aumento da inflação e criticou a decisão do Banco do Japão de aumentar as taxas de juros.

“As expectativas em relação às políticas econômicas de Takaichi, que incluem expansão fiscal e flexibilização monetária, parecem estar facilitando o aumento dos preços das ações e o enfraquecimento do iene”, afirmou Fumika Shimizu, estrategista da Nomura Securities.

Alguns analistas dizem que o Ishin, que defendeu cortes orçamentários, poderia restringir algumas das ambições de gastos de Takaichi.

*(Reportagem adicional de Mariko Katsumura, Satoshi Sugiyama, Makiko Yamazaki e Anton Bridges)

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Caixa começa a pagar Bolsa Família de outubro

A Caixa Econômica Federal começa a pagar a parcela de outubro do Bolsa Família. Recebem nesta segunda-feira (20) os beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 1.

Os beneficiários de municípios em situação de emergência ou em calamidade pública receberão o pagamento unificado. o dinheiro será depositado hoje, independentemente do número de NIS.

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O valor mínimo corresponde a R$ 600. Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade (nutrizes), para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a gestantes, um de R$ 50 a cada filho de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a cada criança de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Além do benefício integral, cerca de 3 milhões de famílias estão na regra de proteção em outubro. Essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até um ano, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo.

Em junho, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, quem se enquadrava na regra até maio deste ano continuará a receber metade do benefício por dois anos.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Auxílio Gás

O Auxílio Gás também será pago nesta segunda-feira às famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com NIS final 1. O valor foi mantido em R$ 108 neste mês.

Com duração prevista até o fim de 2026, o programa beneficia 5,1 milhões de famílias. Com a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, no fim de 2022, o benefício foi mantido em 100% do preço médio do botijão de 13 kg.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

Calendário Bolsa Família 2025 – outubro – Arte EBC

Pesquisa do Butantan padroniza nomenclatura de vírus da dengue

Pesquisa realizada pelo Instituto Butantan e mais 23 instituições definiu nova nomenclatura para as linhagens do vírus da dengue. As denominações já começaram a ser utilizadas desde setembro de 2024 pelos participantes do estudo, entre eles a Universidade Yale, nos Estados Unidos, a Universidade Oxford, no Reino Unido, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Butantan, no Brasil. 

“Por ter sido desenvolvido de forma consensual por várias instituições nacionais e internacionais, [a adoção da nova nomenclatura] não depende de aprovação formal da Organização Mundial da Saúde (OMS). Entretanto, espera-se que a OMS e redes regionais de vigilância passem a utilizá-lo como referência, como já ocorreu com outros vírus”, destaca o bioinformata do Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS) e do Laboratório de Ciclo Celular do Instituto Butantan (LCC), Alex Ranieri.

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Segundo o instituto, o objetivo da nova nomenclatura é facilitar a vigilância das mutações que podem ocorrer com o vírus e favorecer a comunicação entre laboratórios e autoridades de saúde, permitindo acompanhar potenciais novas linhagens com risco epidemiológico. 

A pesquisa A new lineage nomenclature to aid genomic surveillance of dengue vírus (Uma nova nomenclatura de linhagem para auxiliar na vigilância genômica do vírus da dengue, em tradução livre) foi publicada na revista científica PLOS Biology.

Nomenclatura

O vírus da dengue é composto por quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e cada um apresenta diferentes variações genéticas, totalizando 17 genótipos. O novo sistema propõe dois níveis adicionais (linhagens maiores e linhagens menores), permitindo uma classificação mais detalhada e padronizada da diversidade viral.

No novo esquema de nomenclatura, os genótipos são indicados por números romanos e abaixo deles há dois níveis hierárquicos: as linhagens maiores, representadas por letras e as linhagens menores, indicadas por números separados por pontos: DENV-3III_C.2 é o vírus da dengue sorotipo 3, genótipo III, linhagem maior C, linhagem menor 2.

“Enquanto um genótipo pode abranger vírus de vários continentes, uma linhagem específica pode refletir circulação restrita a uma região ou país. O artigo no qual foi publicado o sistema mostra, por exemplo, que a linhagem DENV-2II_A foi identificada apenas no hemisfério oriental. Assim, se essa linhagem surgisse em outro continente, isso indicaria nova rota de introdução, permitindo resposta rápida das autoridades sanitárias”, ressalta Ranieri.

De acordo com ele, a nova nomenclatura pode influenciar de forma indireta o processo de vacinação contra a doença. O novo sistema identifica mutações específicas que definem cada linhagem e algumas dessas alterações podem influenciar a resposta imune induzida por vacinas. 

“Com o monitoramento contínuo das linhagens, é possível detectar precocemente variantes com potencial de escape imunológico e avaliar se há impacto na eficácia vacinal. Isso oferece uma base científica para ajustar futuras formulações de vacinas de forma mais precisa”.

Em 2024, os países onde circulam os quatro sorotipos de dengue notificaram mais de 13 milhões de casos. O Brasil foi o país com o maior número de casos (10,2 milhões), seguido pela Argentina (581,5 mil), o México (558,8 mil) a Colômbia (321 mil) e o Paraguai (295,7 mil), segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

A dengue é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que coloca em risco mais de 100 milhões de pessoas por ano no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), especialmente em países tropicais como o Brasil.

Novo parque de inovação vira “berçário” de tecnologia em Pernambuco

O estado de Pernambuco vai ganhar nesta segunda-feira (20) um centro de inovação e tecnologia que funcionará como um berçário para desenvolver projetos que impulsionem a produtividade da indústria da região e de todo o país. A estrutura montada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Pernambuco (Senai-PE) foi batizada de Senai Park e fica na cidade de Ipojuca, na região metropolitana do Recife.

A instalação de 1,4 hectare – quase um campo de futebol e meio – é dividida em módulos e fica nos arredores de dois outros locais que são referência para o setor industrial nordestino: a refinaria da Petrobras Abreu e Lima e o Porto do Suape. 

O espaço servirá para que indústrias possam montar as chamadas plantas-piloto, que funcionarão como ambiente de testes para o desenvolvimento de produtos e tecnologias. É como se fossem minifábricas, de forma que seja mais fácil testar e avaliar soluções, procedimentos e inovações. 

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia do Senai-PE, Oziel Alves, o objetivo é fornecer aos industriais caminhos para a se chegar à “indústria do futuro”. 

“O grande propósito é desenvolver novas tecnologias, colocá-las no mercado, levar para um cenário real industrial, para que possamos efetivamente mostrar essas tecnologias em operação”, descreveu.

Indústria 4.0

A indústria do futuro, também conhecida como indústria 4.0, é a que utiliza tecnologias digitais como inteligência artificial (IA), internet industrial das coisas, gêmeos digitais (réplica virtual de um objeto ou sistema), manufatura aditiva (impressora 3D) e realidade aumentada.

Recife (PE) 17/10/2025 – Eletrolisador instalado no Senai Park em Ipojuca Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 A diretora regional do Senai, Camila Barreto, aponta que o centro de inovação é um elemento de integração de empresas, universidades e institutos de pesquisa “em torno de soluções para desafios concretos da indústria”.

Os industriais poderão também fazer visitas virtuais para acompanhar o desenvolvimento das inovações. Ferramentas de inteligência artificial (IA) acompanharão os processos. 

Além de criar produtos e tecnologias, o espaço será voltado para “tropicalizar” técnicas estrangeiras, ou seja, adaptá-las ao ambiente das fábricas nacionais. 

O Senai Park poderá ser acessado por empresas de fora de Pernambuco. Para Oziel Alves, mesmo que a indústria não seja pernambucana, aumenta a chance de novos negócios na região.

Projetos de R$ 100 milhões

O espaço de inovação já conta com dois projetos contratados que somam R$ 100 milhões em investimentos, ambos relacionados à transição energética. 

Um tem como objeto desenvolver a cadeia do hidrogênio verde, um combustível limpo. O segundo trata de produção de baterias de lítio, essenciais para a crescente frota de carros híbridos e elétricos. 

>>Centro de inovação leva transição energética para dentro da indústria 

Há a expectativa de captar mais R$ 200 milhões em outros desenvolvimentos. Um desenvolverá sistema de radar para frenagem automática de veículos. Outro, com a petroleira multinacional americana ExxonMobil, envolve drones com funções específicas em plataformas de petróleo em alto-mar.

Com o desenvolvimento de tecnologias no Senai Park, as indústrias participam de uma espécie de divisão de riscos, uma vez que não assumem sozinhas todo o processo de inovação, uma vez que já encontram um “berçário” estruturado.

Investimento se multiplica

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, classifica o Senai como “o grande pesquisador de tecnologia que nós temos hoje no Brasil”.

Recife (PE) 17/10/2025 – Porto de Suape, situado no município de Ipojuca, Região Metropolitana do Recife Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil – undefined

Ele ressalta o fato de o centro de inovação ser vizinho ao Porto de Suape, um complexo industrial com 90 empresas em operação. “Essa quantidade de colaboradores é um ambiente perfeito para estarmos aqui fazendo desenvolvimento tecnológico, porque ao nosso redor temos uma diversidade muito grande de indústria”, avalia.

A diretora regional, Camila Barreto, citou um estudo do Instituto Fraunhofer, maior organização de pesquisa aplicada da Europa, sobre o efeito multiplicador do investimento em inovação na economia. 

“A cada R$ 1 colocado em projetos que buscam a inovação dentro do Senai, devolve R$ 18 para a economia”. 

O Senai, que também atuará na qualificação de mão de obra, faz parte do Sistema S, entidades mantidas por contribuições de empresas e voltadas para a qualificação profissional e a assistência social.

*Repórter e fotógrafo da Agência Brasil viajaram a convite do Senai-PE.

Vôlei sentado: Brasil fecha Copa do Mundo com duas pratas

O Brasil fechou a participação na Copa do Mundo de vôlei sentando com medalhas de prata tanto na disputa masculina como na feminina. As conquistas na competição disputada em Indiana (Estados Unidos) foram alcançadas no último sábado (18).

A última partida da equipe feminina do Brasil foi contra os Estados Unidos. O time verde-amarelo iniciou o confronto melhor e chegou a abrir uma vantagem de dois sets, mas as norte-americanas se recuperaram e conseguiram garantir a vitória final por 3 sets a 2 (parciais de 24/26, 20/25, 25/18, 25/20 e 15/12).

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Já o time masculino do Brasil teve como adversário o Egito, e os africanos conseguiram triunfar pelo placar de 3 sets a 1 (25/19, 22/25, 25/15 e 25/21).

Com o resultado, o Brasil chega a sua sexta medalha na modalidade em 2025. A equipe masculina e a feminina conquistaram tanto o título do Campeonato Zonal Pan-Americano, realizado em maio em Denver (Estados Unidos), como a 1° Copa América de vôlei sentado, disputada em agosto em Curitiba, Paraná.