Lula participa da 52ª Assembleia Geral do Povos Indígenas, em Roraima

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa hoje (13) da 52ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Como pauta principal estão discussões sobre a proteção das terras tradicionais, gestão dos recursos naturais e a agenda do movimento indígena para o ano de 2023.

Além de Lula, o evento, que é realizado no Centro Regional Lago Caracaranã, terá a presença da presidente da Fundação Nacional do Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, e de representantes de órgãos federais, como o Ministério dos Povos Indígenas, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a Polícia Federal, além do Ministério Público.

A reunião de Lula está prevista para ocorrer às 12h (horário de Brasília). Esta será a segunda visita do presidente ao estado desde que assumiu o mandato, no dia 1º de janeiro. Ele esteve em Boa Vista, no dia 21 de janeiro, quando foi verificar a situação humanitária do povo Yanomami e determinou socorro urgente aos indígenas.

Desde sábado (11), a assembleia reúne cerca de 2 mil líderes indígenas para discutir o tema Proteção Territorial, Meio Ambiente e Sustentabilidade. Entre as lideranças, estão representantes dos povos Yanomami, Wai Wai, Yekuana, Wapichana, Macuxi, Sapará, Ingaricó, Taurepang e Patamona.

Durante o evento, os visitantes também poderão visitar uma feira de produtos orgânicos, de artesanato e a exposição de animais criados em terras indígenas. Os debates prosseguem até terça-feira (14).

Julgamento sobre abordagem policial é oportunidade de discutir racismo

O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito das abordagens baseadas na cor da pele é uma possibilidade de enfrentar o racismo praticado pelas instituições brasileiras, na avaliação dos especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

“Enfrentar a discussão sobre a ilegalidade de provas produzidas por perfilamento racial é fundamental para enfrentar um dos principais mecanismos que reproduzem o racismo institucional no Brasil”, destaca o diretor de Litigância e Incidência da Conectas Direitos Humanos, Gabriel Sampaio. A organização não governamental participa do julgamento como parte interessada.

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Está sendo julgado no STF o caso de um homem preso com 1,53 grama de cocaína em Bauru, no interior paulista. A Defensoria Pública do Estado de São Paulo pede que as provas do caso sejam anuladas porque os policiais teriam abordado o homem com base, principalmente, na cor da sua pele. No depoimento, os policiais citam explicitamente que o suspeito era uma pessoa negra que estaria “em cena típica do tráfico de drogas”, em pé, junto ao meio-fio, em via pública”, próximo ao um veículo parado.

O julgamento foi suspenso na última quarta-feira (8) e deve ser retomado no próximo dia 15. Até o momento votaram cinco ministros. O relator, ministro Edson Fachin, defendeu em seu voto que não havia elementos que justificassem a abordagem e que os policiais agiram a partir da cor da pele do suspeito, fazendo com que as provas obtidas sejam ilegais. Os outros quatro ministros divergiram no caso concreto de que a busca pessoal foi motivada por racismo, mas concordaram que é inaceitável que a polícia aja a partir do perfil racial.

Abordagens racistas

Para Sampaio, é necessário que os agentes do Estado apresentem provas concretas que justifiquem a necessidade de abordagem de uma pessoa. No entanto, de acordo com ele, é rotineiro que o racismo internalizado nas instituições direcione ação policial contra população negra. “Essa forma de classificar, discriminar as pessoas nas abordagens a partir da cor da pele e gerar, a partir disso, toda a atuação e constrangimentos do sistema de justiça criminal é algo bastante recorrente no Brasil, em especial, contra as pessoas negras”, enfatiza.

Pesquisa divulgada pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), em julho do ano passado, a partir de mais de mil entrevistas feitas em São Paulo e no Rio de Janeiro, mostrou que uma pessoa negra tem risco 4,5 vezes maior de ser abordado pela polícia. Entre os que foram abordados, 46% das pessoas negras disseram ter ouvido menções a cor ou raça, percentual que ficou em 7% para pessoas brancas.

Caso seja aceita pelo STF a tese de que abordagens feitas com base na cor da pele são ilegais, as polícias terão que, segundo o advogado, apresentar os elementos que motivaram as suspeitas. “O que significa que elementos probatórios, elementos que conduzem a qualquer tipo de suspeita precisam ser trazidos de forma concreta para que o sistema de Justiça e a sociedade possam exercer controle sobre a atividade estatal e ter a segurança de que o racismo institucional não está sendo reproduzido”, explica.

Atualmente, de acordo com o especialista, fica a cargo da vítima de uma abordagem abusiva provar que a ação foi ilegal ou desnecessária. “Quando você é vítima de uma abordagem ilegal, o cidadão não tem meios de fazer prova da ilegalidade da abordagem”, assinala. Por isso, segundo ele, a necessidade de que haja uma nova visão sobre esse ponto.

Da polícia à Justiça

O racismo institucional aparece, de acordo com Sampaio, em todas as etapas que envolvem o caso concreto que está sendo julgado, desde a abordagem até as condenações decorrentes dela. “Não há qualquer dúvida na leitura do caso do que o que mobilizou a atuação dos policiais para abordarem o paciente foi a cor da pele”, ressalta.

As penas impostas pela pequena quantidade de droga apreendida também são, na leitura do advogado, um indício da influência do racismo institucional no caso. “Em todos os momentos processuais formais ele se identificou como pessoa usuária. Mas o sistema de Justiça, para além dos policiais militares, para a autoridade policial [delegado], o Ministério Público, até o juízo na sentença, o Tribunal de Justiça no recurso, vão tratando essa pessoa sempre aplicando da forma mais rigorosa, contrariando os precedentes dos tribunais superiores, a lei penal, em desfavor do paciente”, diz, ao lembrar que o homem chegou a ser condenado a quase oito anos de prisão. Essa pena foi reduzida, pelo Superior Tribunal de Justiça, para dois anos e 11 meses.

O caso é emblemático em relação ao racismo institucional também na avaliação da assessora de articulação política da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, Juliana Borges. “É  difícil conseguir processos que tenham uma evidência tão contundente de perfilamento racial como motivação para uma abordagem policial. Você tem no processo os policiais verbalizando que avistaram um jovem negro. Em geral, eles colocam que avistaram um suspeito ou um jovem”, pontua.

Guerra às drogas

Há ainda, na opinião da especialista, uma amostra de como a atual política de criminalização de algumas substâncias que embasa grande parte das ações da segurança pública no país afeta especialmente as pessoas negras. “É um julgamento que possibilidade uma série de discussões que a gente vem acumulando há alguns anos de apontar que a guerra às drogas tem sido esse mecanismo de reprodução de vulnerabilidades, de hierarquias e abismos sociorraciais no nosso país”, acrescenta.

Nesse contexto, as pessoas negras e que vivem em comunidades mais pobres são, segundo Borges, colocadas como uma “figura suspeita a ser combatida”. “Isso é feito a partir da reprodução e a reafirmação de estereótipos e de imagens de controle sobre pessoas negras e periféricas.”

Por isso, ela defende que o caso provoque uma reflexão sobre a necessidade de revisão da forma de atuação das polícias e das possibilidades para que a sociedade possa averiguar e observar as ações dos agentes do Estado. “Uma decisão sobre isso pode reverberar no sentido que a gente possa estabelecer normativas de ação, tanto de controle social, mas também de ação policial.”

Patrícia Sochor leva Ferroviária à liderança do Brasileiro Feminino

A Ferroviária derrotou o Santos por 1 a 0, neste domingo (12) na Vila Belmiro, e assumiu a liderança da Série A1 do Brasileiro Feminino. Com o triunfo as Guerreiras Grenás chegaram aos nove pontos após três partidas. O único gol da partida foi marcado por Patrícia Sochor aos 34 minutos da etapa final.

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Já a vice-liderança da competição é ocupada pelo Palmeiras, que neste domingo ficou no 2 a 2 com o Avaí em Caçador. Lourdes González abriu o placar para as donas da casa. Amanda Gutierres e Poliana colocaram as Palestrinas em vantagem, mas Joyce fez o segundo da equipe catarinense. O resultado deixou a equipe paulista com sete pontos.

Outros resultados:

Atlético-MG 2 x 1 Athletico-PR
Real Ariquemes 0 x 2 Flamengo
São Paulo 2 x 2 Cruzeiro

Brasil bate Uruguai na estreia da Copa América de beach soccer

O Brasil estreou com o pé direito na edição 2023 da Copa América de beach soccer que é disputada em Rosário (Argentina), pois derrotou, neste domingo (12), o Uruguai por 6 a 2.

Na etapa inicial, a seleção brasileira abriu uma vantagem de quatro gols, que saíram dos pés de Benjamin Jr., Mauricinho, Zé Lucas e Brendo. No segundo tempo, a equipe de Marco Octavio diminuiu a intensidade, mas Edson Hulk ampliou a vantagem do Brasil.

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O Uruguai conseguiu descontar com Miranda, em cobrança de falta. Porém, Brendo voltou a marcar, com um belo chute de primeira, para confirmar a vitória brasileira. No fim, os uruguaios fecharam o marcador com novo gol de Miranda.

“Fiquei muito feliz em poder marcar um dos gols do Brasil na nossa estreia na Copa América e no mesmo dia do meu aniversário. Dedico esse gol à minha família e ao torcedor brasileiro que está na torcida pela nossa seleção”, declarou Benjamin Jr., que completou 29 anos neste domingo.

A equipe canarinho volta a entrar em campo pela competição a partir das 17h (horário de Brasília) da próxima segunda-feira (13). O adversário será a seleção peruana.

Volta Redonda derrota Fluminense na abertura da semifinal do Carioca

O Volta Redonda derrotou o Fluminense por 2 a 1, na noite deste domingo (12) no Estádio Raulino de Oliveira, pela ida das semifinais do Campeonato Carioca. As equipes definirão quem avança para a decisão da competição a partir das 16h (horário de Brasília) do próximo sábado (18) no Maracanã.

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Jogando em casa, o Esquadrão de Aço abriu logo uma vantagem de dois gols, com Pedrinho aos 25 minutos do primeiro tempo e com Lelê aos seis da etapa final. Diante do placar adverso, a equipe das Laranjeiras passou a arriscar mais e, de tanto tentar, conseguiu descontar aos 33 minutos com Nino, em lance no qual prevaleceu a vontade do zagueiro.

As semifinais do Carioca terá prosseguimento na próxima segunda-feira (13). A partir das 21h10, Flamengo e Vasco medem forças no Maracanã.

Ministro do STF Luís Roberto Barroso recebe alta hospitalar

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso recebeu alta hospitalar hoje (12). Barroso estava internado no Hospital Sírio Libanês, em Brasília, em decorrência de obstrução intestinal.

No fim de fevereiro, o ministro passou por cirurgia para o fechamento de uma hérnia incisional. Após o procedimento, Barroso chegou a participar da sessão do STF, mas voltou a passar mal e precisou ser operado mais duas vezes devido a três episódios de obstrução intestinal.

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Na quinta-feira (9), o ministro deixou a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e ficou em observação no quarto do hospital.

Barroso é vice-presidente do STF e vai ocupar a presidência da Corte a partir outubro deste ano, quando a atual presidente, ministra Rosa Weber, atinge a idade de aposentadoria compulsória.

O ministro foi indicado para o Supremo pela presidente Dilma Rousseff, em 2013. Ele é também professor titular da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), mesma instituição pela qual se formou doutor em direito público.

 

Luisa Stefani vence na estreia nas duplas de Indian Wells

A brasileira Luisa Stefani e a canadense Gabriela Dabrowski estrearam com vitória de 2 sets a 0 (parciais de 6/1 e 6/3) sobre a cazaque Anna Danilina e a norte-americana Asia Muhammad, neste domingo (12), no Masters 1000 de Indian Wells, disputado nos Estados Unidos.

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“Ótima estreia. Jogo bem limpo de nossa parte. Acho que elas jogaram um pouco abaixo, estavam erráticas, mas nós conseguimos manter o nível e a pressão nelas o tempo todo, que foi importante para a vitória em dois sets. Muito feliz pela estreia, voltando a jogar juntas. Animada para a próxima rodada, dupla boa que começaram a jogar juntas recentemente, mas são bem entrosadas”, declarou a brasileira.

Agora, nas oitavas de final, a jogadora do Brasil e a canadense medem forças com a chilena Alexa Guarachi e a neozelandesa Erin Routliffe.

Porém, antes de Stefani voltar a atuar, outra brasileira entrará em ação na chave de duplas. Na próxima segunda-feira (13), Bia Haddad e a alemã Laura Siegemund pegam a ucraniana Lyudmyla Kichenok e a letã Jeļena Ostapenko.

* Atualizado às 19h45 com declaração da jogadora brasileira.

Atlético-MG sai atrás do Athletic na semi do Campeonato Mineiro

O Athletic Club derrotou o Atlético-MG por 1 a 0, neste domingo (12) no Estádio Joaquim Portugal, em São João Del-Rei, e saiu na frente na busca por uma vaga para a final do Campeonato Mineiro. O classificado será definido em partida disputada no Mineirão.

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Concentrado na busca pela classificação para a fase de grupos da Copa Libertadores (o Galo tem partida decisiva contra o Millonarios, da Colômbia, na próxima quarta-feira no Mineirão), o Atlético-MG poupou algumas peças.

Com a formação alternativa, a equipe comandada pelo técnico argentino Eduardo Coudet não apresentou um bom futebol e foi punido no último minuto da primeira etapa quando o árbitro, após recomendação do VAR (árbitro de vídeo), marcou pênalti porque a bola explodiu no braço do zagueiro Réver. O atacante Jonathan foi então para a cobrança e abriu o marcador.

No início do segundo tempo o Galo teve a oportunidade de igualar o placar em cobrança de pênalti. Mas Hulk, que entrou no gramado após o intervalo, chutou a bola na trave. A partir daí o Athletic Club administrou a vantagem até o minuto final.

Corinthians perde para Ituano e se despede do Campeonato Paulista

O Corinthians deu adeus ao Campeonato Paulista após ser derrotado pelo Ituano por 7 a 6 na disputa de pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar, neste domingo (12) no estádio de Itaquera. Com isso a equipe do interior paulista avança para as semifinais da competição.

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O Timão jogou em casa e contou com o apoio de sua apaixonada torcida, mas encontrou muitas dificuldades de jogar, em especial por sentir a falta de seu principal articulador de jogadas, Renato Augusto, que não se recuperou de lesão.

Tirando proveito da fragilidade do adversário, o Ituano marcou primeiro, aos 25 minutos, quando Raí Ramos chutou da intermediária e contou com desvio de Fábio Santos para superar Cássio, que falhou no lance.

O Corinthians ainda conseguiu deixar tudo igual aos 34, quando Paulinho fez de cabeça após cruzamento de Adson. Porém, a igualdade perdurou até o minuto final do tempo regulamentar, o que fez com que a definição de quem iria para as semifinais fosse realizada na disputa de pênaltis.

E nas penalidades máximas a equipe visitante foi mais eficiente para triunfar por 7 a 6. Fábio Santos, Fagner e Gil falharam pelo Timão, enquanto Giuliano, Fausto Vera, Yuri Alberto, Róger Guedes, Maycon e Bruno Méndez marcaram. Já Raí Ramos e Mário Sérgio vacilaram pela equipe de Itu, enquanto Eduardo Person, José Aldo, Rafael Pereira, Claudinho, Jefferson Paulino, Lucas Siqueira e Felipe Siqueira colocaram a bola no fundo da rede.

Natação paralímpica: Brasil encerra etapa do World Series em primeiro

A deleção brasileira encerrou a etapa do World Series de Lignano (Itália) de natação paralímpica na primeira posição do quadro de medalhas após a conquista de mais dois ouros neste domingo (12). Com isto o Brasil encerrou a competição com 13 pódios (nove dourados e quatro prateados).

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O primeiro ouro do Brasil neste domingo foi alcançado por Gabriel Araújo nos 50 metros costas da classe S2 (comprometimentos físico-motores severos). O mineiro encerrou a prova em 54s82, para encerrar sua participação na competição com cinco primeiros lugares, além de bater o recorde mundial nos 50 metros borboleta e o recorde das Américas nos 50 metros livre.

A outra conquista brasileira veio com Gabriel Bandeira, na prova dos 100 metros borboleta da classe S14 (para atletas com deficiência intelectual).

Agora, a seleção brasileira de natação paralímpica viaja à Inglaterra, onde disputa a etapa de Sheffield entre os dias 16 e 19 de março.

Especialistas pedem revogação do novo ensino médio

Entidades e pesquisadores da área da educação afirmam a necessidade de revogação da lei de 2017 que estabeleceu o novo ensino médio e sugerem a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio publicadas em 2012. Na última semana, o Ministério da Educação (MEC) abriu consulta pública para avaliação e reestruturação da política nacional de ensino médio, mas, para os especialistas, antes do diálogo, é urgente a revogação da medida.

“E, ao ser revogado, é necessário que o governo receba estudantes, professores e profissionais da educação pra poder formular e concretizar um modelo de ensino que faça sentido pra nossa geração”, disse à Agência Brasil a presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Jade Beatriz.

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Para o professor e pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Daniel Cara, a abertura de diálogo é sempre positiva, mas a consulta do MEC não deixa a agenda completamente aberta para discussão.

“Ela restringe a participação a um cronograma muito apertado e, simplesmente, a questões de implementação da reforma, sendo que a demanda dos estudantes e dos professores é a revogação”, disse. “O que a reforma tem gerado de desorganização das redes, de desestruturação curricular e de baixíssima formação dos estudantes é algo que precisa ser, de fato, denunciado”, completou.

A consulta tem prazo de 90 dias para as manifestações, com possibilidade de prorrogação. Ela será implementada por meio de audiências públicas, oficinas de trabalho, seminários e pesquisas nacionais com estudantes, professores e gestores escolares sobre a experiência de implementação do novo ensino médio nos 26 estados e Distrito Federal.

Para a professora e coordenadora do Observatório do Ensino Médio da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mônica Ribeiro da Silva, a estratégia da consulta pública, pelo prazo apresentado, pode desmobilizar o debate nacional que já está em andamento. Ela sinaliza que não há a disposição do governo para uma mudança mais estrutural, de revogação, mas sim de fazer ajustes naquilo que já existe na reforma do ensino médio.

“Esperávamos um ministério que, de fato, pusesse um fim àquela lei que nasceu do golpe de 2016, pelo governo [Michel] Temer, por medida provisória, no debate apressado no Congresso Nacional e que acabou sendo regulamentada em cada rede estadual de um jeito. Nós temos, hoje, 27 ensinos médios pelo Brasil. Nós temos currículos com 200 páginas e currículos com 900 páginas, todos eles com assessoria privada. Este novo ensino médio é um enorme mercado que existe apenas para atender as fundações empresariais”, apontou a professora da UFPR.

Sala de aula – REUTERS / Amanda Perobelli / Direitos reservados

Procurado pela reportagem, o MEC encaminhou declaração pública do ministro da Educação, Camilo Santana, em que esclarece que a consulta é exatamente para orientar e subsidiar as decisões que serão tomadas.

“Já identificamos que há necessidade de correções, necessidade de um bom debate. Porém, acho que é do processo democrático, até porque o ensino médio já está em andamento na sua implementação, [acho que] é importante ouvir as entidades, os especialistas da área, os estudantes, professores, para que a gente possa, com muita responsabilidade, tomar decisões. Nosso grande objetivo é garantir qualidade, um bom ensino médio para os estudantes jovens do Brasil”, disse.

Segundo o ministro, as decisões precisam ser tomadas brevemente, pois as diretrizes da política servirão de base para a elaboração do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024.

No entanto, uma pesquisa recente do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Social da Indústria (Sesi) sobre as mudanças que estão sendo realizadas apontam o desconhecimento da população sobre a reforma. “Infelizmente, não houve uma articulação estruturada sobre as mudanças trazidas entre a aprovação da nova legislação, em 2017, e o início da obrigatoriedade de sua implementação, no início de 2022”, disse o diretor-geral do Senai e diretor-superintendente do Sesi, Rafael Lucchesi.

O novo ensino médio

A atual política do ensino médio, Lei 13.415/2017, foi aprovada em 2017 com o objetivo de tornar a etapa mais atrativa, implantar o ensino integral e evitar que os estudantes abandonem os estudos.

Com o modelo, parte das aulas deverá ser comum a todos os estudantes do país, direcionada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Na outra parte da formação, os próprios alunos poderão escolher um itinerário para aprofundar o aprendizado. Entre as opções, está dar ênfase às áreas de linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas ou ao ensino técnico. A oferta de itinerários, entretanto, depende da capacidade das redes de ensino e das escolas.

A implementação ocorre de forma escalonada até 2024. Em 2022, ela começou pelo 1º ano do ensino médio com a ampliação da carga horária para, pelo menos, cinco horas diárias. Pela lei, para que o novo modelo seja possível, as escolas devem ampliar a carga horária para 1,4 mil horas anuais, o que equivale a sete horas diárias. Isso deve ocorrer aos poucos.

Segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), mesmo em meio à pandemia de covid-19, as secretarias estaduais mantiveram o cronograma e todos os estados já estão com os referenciais curriculares do novo ensino médio homologados. Em 2023, a implementação segue com o 1º e 2º anos e os itinerários devem começar a ser implementados na maior parte das escolas. Em 2024, o ciclo termina, com os três anos do ensino médio.

Além das atribuições no Observatório da UFPR, Mônica coordena uma rede de 23 grupos de pesquisa pelo país que acompanha, desde 2017, a regulamentação e implementação do novo ensino médio nas escolas. Segundo ela, o movimento estudantil, as entidades de classe e as sociedades científicas já entregaram ao MEC o resultado desses anos de pesquisa que aponta os problemas da política atual do ensino médio, material que poderia ser utilizado para embasar a revogação e acelerar as mudanças necessárias.

Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, as entidades de classe querem o retorno do Fórum Nacional da Educação, na composição que existia em 2016, antes de ser alterado pelo governo Michel Temer. O fórum é um espaço de interlocução entre a sociedade civil e o governo, estabelecido pela lei do Plano Nacional da Educação (PNE), de 2014.

“Ele é composto de 50 entidades e movimentos da educação e tem a tarefa de avaliar políticas públicas e fazer propostas ao MEC sobre os melhores encaminhamentos. Entendemos que esse espaço, restituído sua composição de 2016, seria o espaço adequado para fazer esse debate do ensino médio”, disse ele, também defendendo a revogação da atual lei.

Diretrizes adequadas

Para Araújo, uma das alternativas é a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio definidas em 2012 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) após extenso debate, mas que acabaram paradas com a desorganização política do país a partir de 2013. “Elas apontam a perspectiva de projeto entre as disciplinas, para integrar esse processo de formação e encontrar uma forma de deixar o ambiente mais adequado no processo de ensino e aprendizagem”, explicou o presidente da CNTE.

O texto traz avanços quanto à concepção do ensino médio como um direito social de cada pessoa e dever do Estado em sua oferta pública e gratuita a todos. A resolução do CNE articulou os eixos do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura para formação integral do estudante, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.

Para a professora da UFPR, “nenhuma lei é eterna e, assim como foi mudada em 2017, pode ser alterada novamente”. “Nós tínhamos no Brasil experiências muito interessantes dos governos do PT antes dessa reforma, por exemplo, as diretrizes curriculares nacionais de 2012, que sequer foram implementadas, que trazem uma outra concepção do ensino médio e de juventude”, ressaltou.

“Nós tínhamos a experiência do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, a experiência do Ensino Médio Integrado. Então não dá para dizer também que não tem o que por no lugar. E, obviamente, a partir daí outras contribuições seriam necessárias”, acrescentou.

Segundo Daniel Cara, a aplicação das diretrizes de 2012 fariam com que o Brasil construísse “um caminho de fortalecimento da etapa do ensino médio”. Além disso, para ele, uma alternativa seria colocar na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) que a implementação dos itinerários fosse facultativa para as redes e escolas.

“E eu tenho certeza que se ela for facultativa, em pouquíssimo tempo, a maior parte das redes públicas não vai seguir com a reforma, o que significa concretamente que a reforma não é boa, elas estão sendo forçadas à implementação”, argumentou.

Disciplinas: brigadeiro e sabonete

A professora Mônica Ribeiro afirma que o novo ensino médio fragiliza a formação dos estudantes e aumenta a evasão e abandono escolar. Ela cita a redução de carga horária de disciplinas como sociologia, filosofia e biologia, “que os estudantes precisam, inclusive se quiserem cursar a universidade”, e critica a substituição dessas por “coisas” como: “fazer brigadeiro, como cuidar dos pets, como fazer sabonete”.

“O que significa para um jovem de escola pública, que é 85% das matrículas no Brasil do ensino médio, cursar essas quinquilharias? Será que nós já não temos elementos suficientes para uma intervenção mais séria? Enquanto se realiza essa famigerada consulta pública, os estudantes continuarão a ter essas ‘coisas’ que eu me recuso a chamar de disciplinas. Isso é que eu chamo de uma violência”, disse.

Já para a presidenta da Ubes, Jade Beatriz, além da grade curricular ruim, o novo ensino médio desconsidera as diversas realidades estruturais do país e agrava as desigualdades sociais. “Enquanto estudantes de escolas particulares estão nos laboratórios de robótica, química e física, temos aula de como fazer brigadeiro na grade curricular da escola pública. Isso é muito injusto! Nesse modelo não há um incentivo e capacitação para querer adentrar a universidade”, argumentou.

Alunos da Escola Sesc de Ensino Médio durante aula, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. – Tomaz Silva/Agência Brasil

“Nossas escolas não têm estrutura. É só fazer um recorte e ver a fotografia da escola pública hoje: teto desabando, salas alagadas quando chove, banheiro sem pia, escola sem banheiro, muitos sem saneamento e sem merenda. […] Como aumentamos tanto a grade curricular para escolas que não tem o mínimo de estrutura pra executar?”, questionou.

“Muitos estudantes precisam frequentar mais de uma escola pra poder conseguir cumprir toda grade. Isso envolve muito, envolve passagem de ônibus, envolve alimentação, envolve um pequeno recurso que pode vir a ser muito para os estudantes, que por consequência, acabam desistindo”, finalizou.

Estrutura insuficiente

Além disso, para Mônica, é falsa a possibilidade de escolhas dos estudantes, já que muitas escolas, justamente pela falta de estrutura citada por Jade, oferecem apenas um itinerário formativo, sobretudo aquelas dos municípios menores ou das periferias das grandes cidades, “gerando uma desigualdade imensa do acesso a conhecimento entre os estudantes”.

Nesse mesmo sentido, o presidente da CNTE lembra que em Pernambuco, onde um modelo semelhante ao novo ensino médio já vinha sendo aplicado há 17 anos, mais de 800 mil jovens entre 15 e 29 anos não concluíram o ensino médio, enquanto aqueles que concluíram ou estão matriculados somam 341 mil. Segundo ele, o modelo passou a ser aplicado quando Mendonça Filho era vice-governador de Pernambuco, o mesmo que foi ministro da Educação do governo Temer, na ocasião da reforma nacional.

“Quando você fecha três turnos da escola e coloca ela em tempo integral, você tira a juventude da escola, principalmente os mais pobres que precisam ajudar a família a ter o sustento do dia a dia”, disse Araújo, também destacando negativamente o esvaziamento do conteúdo disciplinar.

Para o professor Daniel Cara, apesar de algumas poucas escolas conseguirem ofertar a educação integral e o aprofundamento curricular dos itinerários, a reforma do ensino médio fracassou.

“Temos sempre que pensar a política educacional na escala, são 180 mil escolas no Brasil e boa parte oferta o ensino médio. E pensando no conjunto das escolas, a reforma hoje tem gerado mais problemas do que trazido soluções. […] O novo ensino médio está sendo implementado e não está acontecendo, porque ele é tão caótico, é tão desorganizado que ele sequer se estruturou”, explicou. “O problema não é de implementação e organização, o problema é que a reforma não é adequada”, completou.

Segundo ele, pelo que se tem visto nas escolas e nos trabalhos relacionados a projeto de vida e empreendedorismo, o Brasil será “uma fábrica de coachings de Instagram” se houver insistência na atual reforma. “É um conteúdo completamente absurdo nas escolas, é tratar questões sérias como filosofia, sociologia, história e geografia como autoajuda. Isso não pode prevalecer”, disse.

Para o diretor do Sesi/Senai, Rafael Lucchesi, a reforma vai na direção certa ao superar o modelo de ensino passivo-reprodutivo e incentivar o protagonismo do estudante na construção de um projeto de vida e de carreira por meio de uma abordagem interdisciplinar.

“Acreditamos, portanto, que os debates devem ser direcionados para identificar os gargalos e possibilitar uma implementação efetiva do modelo”, disse. “Para isso, são indispensáveis investimentos, não só em estruturas físicas e equipamentos, como também na formação de professores, cujo papel é determinante para as transformações do sistema de ensino e manutenção da qualidade da prática pedagógica e dos resultados da aprendizagem”, destacou.

Brasil define equipes das classes 49er e Nacra para o Pan de Santiago

As equipes brasileiras das classes 49er e Nacra que participarão dos Jogos Pan-Americanos 2023, em Santiago (Chile), foram definidos no último sábado (11) em regatas realizadas em Cabo Frio, Rio de Janeiro.

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Os representantes do Brasil na classe 49er são Marco Grael e Gabriel Simões, enquanto Samuel Albrecht e Gabriela Nicolino se garantiram na Nacra 17.

Na disputa, que teve início na última terça-feira (7), além do nervosismo natural por participar de uma prova tão importante, os atletas tiveram de lidar com ventos de até 23 nós, além do mar agitado e muitas ondas.

“A meta era se concentrar nos últimos dias, porque enfrentamos duplas que têm mais de dez anos velejando juntos. Foram regatas desafiadoras. Eu e o Gabriel Simões somos uma dupla nova e feliz de conquistar a vaga. Agora é treinar e manter o foco”, declarou Marco Grael.

Os Jogos Pan-Americanos de Santiago serão disputados entre os dias 20 de outubro e 5 de novembro de 2023.

Olimpíada escolar pelo meio ambiente, Restaura Natureza abre inscrição

A Restaura Natureza, Olimpíada Brasileira de Restauração de Ecossistemas do WWF-Brasil, está com as inscrições abertas para a sua segunda edição. Nesta edição a competição colaborativa será estendida ao 1º ano do Ensino Médio, além de contemplar estudantes 7º ao 9º ano do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas de todo o país. As inscrições podem ser feitas pelo site.

Um novo tema formativo, Segurança Alimentar, foi incluído na olimpíada em 2023, juntando-se a outros nove temas atuais que se conectam ao currículo escolar e são caminhos importantes para restaurar a natureza e a conexão das pessoas com ela.

A olimpíada é composta por duas fases simultâneas: a fase online, que apresenta os temas formativos e convida os estudantes a testarem seus conhecimentos individualmente, e a fase prática, realizada em grupo, em que as crianças e jovens vão desenvolver, acompanhados de um professor responsável, os seus projetos relacionados ao uso de tecnologia, plantio, mudanças na gestão da comunidade, campanhas de engajamento ou qualquer ação criativa que promova a restauração dos ecossistemas.

Os alunos acumulam pontos em ambas as fases. Também é possível ganhar pontos convidando amigos para a Restaura Natureza. Todos os grupos que enviarem um relato de suas ações concorrerão em duas categorias: Comissão Julgadora e Voto Popular, que valem prêmios.

Comunidade escolar

Para que a Restaura Natureza contemplasse as demandas da comunidade escolar, foi realizado um processo de escuta com professores e profissionais de educação de diversas cidades brasileiras. O desenvolvimento da olimpíada também considerou as necessidades e temas urgentes apontados por especialistas em restauração do WWF-Brasil e parceiros técnicos.

A olimpíada tem como embaixador o personagem Chico Bento, por meio de parceria institucional com a Mauricio de Sousa Produções. Também são parceiros institucionais o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os Escoteiros do Brasil, a Mostra Ecofalante de Cinema, a Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (Sobre) e o Criativos da Escola, do Instituto Alana. Conta com o apoio da marca Bom Ar®, da Reckitt Hygiene Comercial, com quem o WWF-Brasil iniciou em 2021 uma parceria de três anos pela restauração do Cerrado e da Mata Atlântica, e da Aegea.

A competição é organizada pela Quero na Escola, associação sem fins lucrativos voltada à educação em parceiria com o WWF-Brasil, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza, além de buscar soluções urgentes para a emergência climática.

TJRJ converte em preventiva prisão de casal por morte de menina

A juíza Daniele Lima Pires Barbosa converteu em preventiva a prisão em flagrante do casal Marcos Vinicius Lino de Lima e Patrícia André Ribeiro. Os dois foram indiciados pela morte da menina Quênia Gabriela Oliveira Matos, de 2 anos, por suspeita de maus tratos.

De acordo com a nota do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), a decisão da magistrada foi anunciada durante a audiência de custódia realizada, neste sábado (11), na Central de Audiências de Custódia de Benfica, na zona norte do Rio. A menina era filha de Marcos e enteada de Patrícia.

O casal foi preso em flagrante na quinta-feira (9), na Clínica da Família Hans Jurgen Fernando Dohmann, em Guaratiba, zona oeste da cidade, onde conforme o TJRJ, a criança chegou já sem vida.

A médica Ana Cláudia Regert, que atendeu Quênia, ainda tentou fazer os procedimentos de reanimação, mas os integrantes da equipe constataram que a criança já estava morta há mais de uma hora. A denúncia de morte e maus tratos da menina, que resultou na prisão em flagrante do casal, foi feita pela própria médica na 47ª DP, Guaratiba, que fica próxima ao hospital, onde os dois ainda permaneciam.

“De acordo com o relato policial, com base nas informações da equipe médica, a criança apresentava 59 lesões compatíveis com agressões físicas e uma por queimadura na região umbigo, além de laceração anal e abdome distendido”, informou o Tribunal na nota, acrescentando que conforme relatos de testemunhas, “algumas das lesões eram antigas, indicando que a criança sofria torturas há algum tempo”.

A juíza Daniele Lima Pires Barbosa destacou na decisão o comportamento sádico de Marcos Vinicius Lino de Lima e Patrícia André Ribeiro.

“Resta demonstrado, portanto, o comportamento sádico e vil contra uma criança de tenra idade e a mais absoluta inadequação dos custodiados para a vida em sociedade, o que torna evidente a necessidade da conversão da prisão em flagrante em preventiva, como meio para garantir a ordem pública, impondo-se a atuação do Poder Judiciário, ainda que de natureza cautelar, para restabelecer a paz social concretamente violada pela conduta dos custodiados”.

Em depoimento à Polícia, o casal negou a prática de maus tratos na menina.

Aos 82 anos, morre o ator e diretor Antônio Pedro

O ator, diretor, roteirista e produtor Antônio Pedro morreu neste domingo (12), no Rio de Janeiro, aos 82 anos, de insuficiências renal e cardíaca. Ele estava internado em um hospital na cidade. Segundo o Crematório e Cemitério da Penitência, o velório será na segunda-feira (13), a partir das 10h, na capela 2, no bairro do Caju, região portuária da capital. A cremação foi marcada para às 15h30.

Em nota, divulgada no seu site, a Rede Globo informou que o ator carioca nascido em 11 de novembro de 1940 levou uma vida dedicada às artes. A carreira começou na década de 1960. Após fazer cursos e especializações em Paris, passou a atuar também como diretor, roteirista, humorista e produtor em dezenas de filmes, peças e obras na televisão.

A estreia foi na TV Tupi em 1969, na telenovela Super Plá. Três anos depois entrou para TV Globo, onde começou na novela O Bofe. O currículo em novelas, humorísticos, infantis e séries inclui ainda Sassaricando (1987), Bebê a Bordo (1988), Escolinha do Professor Raimundo (1990/92/94), Caça Talentos (1996), Explode Coração (1996), Sítio do Picapau Amarelo (2002), A Diarista (2006), Malhação (2007/2009) e Zorra (2015-2017).

As últimas atuações na emissora foram na novela Sucesso (2019), e nas séries Shippados (2019) e Filhas de Eva (2021). Para a Rede Globo, a atuação de Antônio Pedro na TV “sempre foi intensa”.

No cinema nacional teve destaque em filmes como Gabriela, cravo e canela (1983), Dias Melhores Virão (1989), O que é isso Companheiro (1997) e também em grande parte dos filmes do também ator e diretor Hugo Carvana.

Antônio Pedro teve ainda importante participação no cenário político, sendo filiado ao PDT. Na década de 1980, foi nomeado diretor de teatros da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj) e Secretário Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Nos anos 90, foi coordenador do projeto Teatro na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

No seu perfil no Instagram, a atriz Ana Baird, uma das filhas do ator, postou uma mensagem ao pai junto com fotos dos dois.

“Referência. Amor incondicional. Honra e orgulho. Obrigada por tudo. Obrigada por tanto. Vai na luz,Pai. Tem um elenco maravilhoso te esperando do outro lado pra festa. O Teatro te agradece. Eu te agradeço imensamente. Te amo.”

Em resposta à mensagem de Ana, o ator Lúcio Mauro Filho postou uma mensagem: “Meu amor!!! Toda a luz do mundo pra iluminar o caminho do papai pela imensidão da eternidade! Grande homem, grande referência! Te amo!

Ainda na rede social, a atriz Heloísa Perissé escreveu para a amiga: “Amada um beijo enorme no coração de vocês!!! Obrigada por tudo que seu pai foi pra nossa cultura!!! E por ter deixado duas filhas tão talentosas! Te amo “, disse lembrando da irmã de Ana, a também atriz Alice Borges. Além das duas, Antônio Pedro era pai de Fábio Borges.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, emitiu nota de pesar em que destacou a importância de Antônio Pedro na cultura nacional. “O brilhante ator Antônio Pedro nos deixou, neste fim de semana, aos 82 anos. Um profissional completo que além de ator, diretor e roteirista, teve participações importantes na gestão pública da cultura do nosso estado. Ele nos fez rir e chorar nas dezenas de participações em novelas e peças teatrais e, fora dos palcos, na administração pública”, disse .

“A ausência de Antônio Pedro vai representar um vazio e uma perda enorme para a cultura brasileira. Meus profundos sentimentos de pesar aos familiares e amigos”, completou.

Plataforma online mapeará obras paradas em estados e municípios

Estados e municípios agora poderão indicar ao governo federal as obras paradas que precisam ser retomadas com prioridade. Desde esta sexta-feira (10), está em funcionamento a plataforma Mãos à Obra, um sistema de monitoramento que permitirá aos governos locais atualizar, em um banco de dados, empreendimentos paralisados ou inacabados em suas regiões.

Desenvolvida pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em menos de 30 dias, a plataforma indicará à União que projetos merecem ser retomados com mais urgência. A ferramenta auxiliará o governo federal a mapear e identificar as prioridades.

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Segundo o Serpro, prefeitos e governadores devem dar prioridades a projetos voltados à saúde, educação, ao esporte e à cultura. A lista também deverá conter unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida e projetos da carteira do Ministério das Cidades.

Os gestores municipais e estaduais terão até 10 de abril para atualizarem as informações. As demandas serão respondidas conforme a ordem de envio. A prefeitura ou o governo estadual que alimentar o banco de dados primeiro terá o pedido de obra analisado mais cedo, colocado em lugar equivalente na fila de análise.

Em parceria com os ministérios, a Casa Civil analisará o banco de dados. Com base nas orientações da Presidência da República, o órgão definirá quais obras devem ser retomadas de imediato.

Ministro do MDA, Paulo Teixeira, ministro da Educação, Camilo Santana, primeira-dama Janja Lula da Silva e o presidente Lula, durante lançamento da plataforma Mãos à Obra Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Tempo recorde

De acordo com o Serpro, a plataforma Mãos à Obra foi desenvolvida em tempo recorde. A estatal usou a tecnologia LowCode, que acelera o desenvolvimento de aplicativos e sites, e arquitetura WebApp, que aumenta a acessibilidade e a interatividade com os usuários, tanto em navegadores web como em dispositivos móveis.

A concepção e o protótipo do produto, informou o Serpro, exigiram uso intensivo de ferramentas de UX, que proporcionam melhor fluidez para os usuários do serviço. Também foram adotadas técnicas de ciência de dados para apoiar o processo de recepção, validação, cruzamento e consolidação das bases de dados.

A plataforma Mãos à Obra nasce integrada com o Portal Gov.Br. Dessa forma, os usuários poderão usar o login único do governo federal para acessar a ferramenta.

Competição busca soluções de base tecnológica para economia criativa

A Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ) promove, nos dias 25 e 26 deste mês, em conjunto com o Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa do estado (Sebrae RJ), o concurso Hackathon Rio Empreender Criativo. Podem se inscrever pessoas físicas com idade igual ou superior a 18 anos.

As inscrições são individuais e gratuitas e se encerram no próximo dia 22, podendo ser feitas no site do evento. O concurso cultural online objetiva desenvolver soluções inovadoras com base tecnológica em negócios referentes à economia criativa, englobando cinco setores: educação, alimentos; nutrição e gastronomia; audiovisual; arte; cultura e entretenimento; teatro e música; e turismo.

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O presidente da Fecomércio RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, destacou que a economia criativa gera a renovação do mercado, além do desenvolvimento empresarial e a recuperação da economia pelo conhecimento.

O diretor-superintendente do Sebrae Rio, Antonio Alvarenga, ressaltou que os mais de 74,6 mil pequenos negócios ligados à economia criativa no território fluminense precisam buscar constantemente soluções inovadoras. Segundo Alvarenga, a missão do Sebrae RJ é promover a inovação e tornar os pequenos negócios cada vez mais competitivos.

Experiência

Os inscritos devem ter conhecimento ou experiência em pelo menos uma das áreas de desenvolvimento de software (programa de computador); engenharias; design gráfico ou digital; alimentos, gastronomia, nutrição; arte e cultura; audiovisual; educação; entretenimento, música, teatro; comunicação, publicidade, marketing; e administração de empresas ou gestão.

Durante o evento, os participantes competirão em equipes de três a cinco integrantes, que serão previamente formadas pelos inscritos. Cada equipe deverá escolher um dos temas ou setores criativos e desenvolver o projeto de acordo com os objetivos apresentados pela organização do evento.

Os vencedores serão anunciados no dia 30 de março. Os integrantes da equipe classificada em primeiro lugar em cada um dos cinco setores criativos receberão como prêmio cursos livres em formato remoto, com temas a serem divulgados posteriormente, de acordo com a abertura e confirmação da turma.

Os cursos serão oferecidos por instituições parceiras da Fecomércio RJ, previamente alinhadas com o Sebrae RJ. 

Mulheres de diferentes continentes relatam realidade da imigração

Em busca de segurança, melhores condições de vida e proteção social, mulheres imigrantes saíram de seus países e vieram para o Brasil para encontrar abrigo e refúgio. De acordo com informativo mensal de janeiro de 2023, elaborado pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), desde janeiro de 2021 a emissão de vistos pelos postos consulares brasileiros apresenta tendência de aumento, partindo de 3,8 mil vistos para 9,2 mil em janeiro de 2023.

No mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher (8 de março), a reportagem da Agência Brasil conversou com três imigrantes que vivem em São Paulo e que vieram de diferentes regiões do mundo: do Afeganistão, na Ásia; da República Democrática do Congo, na África; e da Bolívia, na América do Sul.

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São imigrantes e refugiadas em diferentes fases da vida, que viram no Brasil um lugar para morar e aqui têm construído suas histórias. Elas contaram suas jornadas e falaram sobre suas expectativas.

A cozinheira Raihana Ibrahimi, de 49 anos, nasceu no Afeganistão, mas vive há cinco anos em São Paulo. Ela tem um restaurante de cozinha afegã com o marido no bairro da Liberdade. Ambos são da etnia hazara, minoria que é historicamente perseguida pelo Talibã, que retomou o poder no país no ano passado, com a retirada das tropas americanas após 20 anos de guerra.

Primeiro veio o marido há oito anos, depois ela e, mais recentemente, chegou o filho de 17 anos. Ainda vive no país um filho de 13 anos, que mora com a avó.

A cozinheira conta que eles vieram para o Brasil pelo mesmo motivo de milhares de  afegãos que migraram para o país nos últimos anos: fugir da opressão do Talibã,  grupo fundamentalista sunita que impõe no país um governo violento, autoritário e ultraconservador.

 A cozinheira afegã Raihana Ibrahimi tem com o marido um restaurante no bairro da Liberdade – Rovena Rosa/Agência Brasil

Longe dos sofrimentos impostos pelo Talibã, ela diz que o Brasil “é muito bom para as mulheres, ‘deixa’ ir para a escola, ‘deixa’ tudo”. O Brasil é bom”, afirma Raihana, que ainda está aprendendo o português.

“Lá agora não tem escolas para as meninas, tudo fechado, a faculdade também, não tem nada para as mulheres. A mulher tem que andar toda de burka, toda fechada, não se pode ver mão, perna, nada”, lamenta.

O sonho agora é que toda a família dela venha para o Brasil. Ela está com visto de imigrante reconhecido como refugiado. O marido já conseguiu a naturalização brasileira. Os outros familiares, no entanto, ainda não conseguiram os vistos. “Tudo parado na embaixada”, ela afirma.

Raihana conta que no Afeganistão não tem Dia das Mulheres. “Todo mundo sabe que o 8 de março é para as mulheres, mas, no Afeganistão, os maridos não deixam que as mulheres saibam e as mulheres que lutaram pela nossa liberdade, a maioria delas está morta ou escapou para algum lugar.”

Perguntada sobre o que ela deseja para as mulheres afegãs, Raihana tenta responder, procura as palavras em português, mas elas não vêm, apenas o choro. Passada a emoção, ela externa seu desejo para as suas conterrâneas: “Quero tudo para as mulheres, ‘deixa’ trabalhar’, ‘deixa’ faculdade, liberdade para todas as mulheres e as meninas! Liberdade na rua, liberdade na faculdade e para as estudantes.”

Perseguição

Raihana é da etnia hazara, uma minoria de origem turca e mongol que reside principalmente na região central do Afeganistão. “O talibã não quer os hazaras porque a nova geração está estudando”, destaca a imigrante. “Somos perseguidos pelos [membros] da etnia pashtun.”

O membros da etnia pashtun são do grupo Talibã. Eles perseguem as meninas e as mulheres, principalmente as solteiras. “Se a menina não está casada, o Talibã questiona e violenta a menina, para nós, as hazaras é muito ruim”, diz Raihana. “[Elas] se escondem, não saem de casa para não serem levadas [pelo Talibã].”

Ela lamenta ainda o que o conflito no país faz com a infância. “Criança não sabe [do conflito], agora não tem escola, não tem nada, não tem comida, nem para mulheres, nem para homens. Queremos o Afeganistão para todas as mulheres, os homens, queremos liberdade!”

Bolívia

A boliviana Lizbeth Aide Chacolla Yujra está há 15 anos no Brasil. Ela veio ainda  criança, aos 8 anos de idade, com os pais que desejavam sair do país por conta do governo Evo Morales. “Meus pais vendiam sapatos dos Estados Unidos, quando o Evo Morales entrou no governo, ele proibiu qualquer tipo de produtos dos EUA, para incentivar o comércio boliviano”. Com isso, os pais de Lizbeth, que já tinham parentes morando no Brasil, vieram para o país e conseguiram trabalho como costureiros.

Ela e a irmã aprenderam português na escola, cresceram e se formaram no Brasil. A irmã é designer e ela estudou gastronomia. Ela conta que já voltou três vezes ao país, a passeio. “A última vez foi quando eu tinha 18 anos, porque até então eu não tinha visto tudo o que tinha lá, não conhecia meu país, queria me aventurar e conhecer a cultura da Bolívia”. Lizbeth não é naturalizada brasileira, mas tem permissão para morar no Brasil e está legalizada.

Lizbeth Aide Chacolla Yujra vende comidas típicas da Bolívia – Arquivo pessoal

Atualmente com 23 anos, Lizbeth é empreendedora e dona da Munnay Panadería, que faz entregas por delivery e sob encomenda por meio das redes sociais, além de participar de eventos culturais e latinos. A panadería, padaria em espanhol, produz comidas típicas do país, como a empanada pucacapa, a wistupiku, a salteña entre outros.

Insegurança

“No geral, ser mulher traz muita insegurança”, diz Lizbeth, que cresceu e se tornou adulta no Brasil. “Mas, quando eu ainda não sabia falar português e não entendia, e as pessoas faziam ‘gracinha’, era ruim, e eu pegava ônibus sozinha, eu tinha medo, sabia de muitos casos de meninas sendo assediadas”, relembra.

Hoje, ela pensa que as mulheres têm que dar força umas às outras, pois muitas situações ainda passam pelo machismo. “Eu sou empreendedora e, quando eu chego a lugares para fazer algum tipo de negócio, perguntam se eu sou maior de idade, e se eu tenho um marido, como se precisasse de um marido para me respaldar. Quando eu percebo algo não dou muitos ouvidos, mas quando eu era criança eu chorava. Hoje eu lido [de forma] diferente, eu não sou o que eles falam, é o que me dá mais força.”

Apesar dos obstáculos, Lizbeth afirma que o Brasil foi acolhedor para ela. “A parte ruim foi minoria para mim, a parte boa é que me faz ficar aqui, porque se tivesse muito ruim eu teria ido embora. Aqui eu tenho amigos, que sempre me apoiam e eu agradeço muito a eles.”

Racismo e xenofobia

“As migrações – especialmente as migrações femininas – são atravessadas pelo racismo e pela xenofobia”, explica a docente de bacharelado em políticas públicas e de bacharelado em ciências e humanidades da Universidade Federal do ABC, Roberta Peres.

“As migrações de mulheres europeias, brancas, são percebidas de forma muito diferente das migrações de mulheres haitianas, por exemplo. Ao mesmo tempo, as mulheres em situação de refúgio vindas da Síria também são percebidas de forma diferente das mulheres refugiadas da Venezuela.”

A professora explica que a forma como as mulheres são recebidas no Brasil também tem a ver com questões de raça, etnia e origem. “Temos uma lei de migração que trouxe avanços em relação ao extinto Estatuto do Estrangeiro, mas ainda precisamos lutar por sua implementação, de fato, justamente para proteger as pessoas mais vulneráveis em suas trajetórias migratórias, mais suscetíveis às vulnerabilidades que são as mulheres, especialmente gestantes e crianças. E também para que as mulheres – e todos os migrantes – que chegam ao Brasil tenham a proteção do Estado e acesso a direitos”, defende.

Congo

Imigrante do Congo, na África, Hortense Mbuyi veio para o Brasil há oito anos. No colo, ela trouxe seu filho do meio, na época com 6 meses de vida. Na terra natal, ela precisou deixar as duas filhas mais velhas, que estavam com quatro e dois anos de idade, que ficaram com a avó, mãe de Hortense.

A advogada e ativista congolesa Hortense Mbuyi vive como refugiada no Brasil – Rovena Rosa/Agência Brasil

Advogada especializada em direito econômico e social e ativista política, Hortense saiu do país para se proteger. “Saí do país fugindo de uma perseguição política, porque eu atuava em um partido da oposição. Na época, o país estava em uma crise política e uma guerra de invasão, e a minha perseguição ficou tensa quando eu participei de [grupos de] lideranças de jovens e juristas que organizaram um ato contra a modificação de alguns artigos da Constituição [do país].”

Ela lamenta não poder trazer as filhas. “Não era a minha previsão morar fora do país, naquela época só consegui trazer o bebê de colo, na minha condição não tinha como entrar em processo para conseguir visto para toda a família. Até hoje a minha família é partida, estou aqui, mas elas continuam lá até hoje.”

Dois anos depois que ela veio para o Brasil, o marido conseguiu vir e, aqui, eles tiveram dois filhos. Hortense vive no país com o registro de imigrante refugiada. “Não me naturalizei [brasileira], continuo sendo congolesa porque a condição do meu país não permite dupla nacionalidade”, explica.

Na falta de oportunidades profissionais, Hortense partiu para o empreendedorismo para sobreviver. É idealizadora do Espaço Wema, que promove a cultura africana. “Ainda não consegui me reintegrar à minha profissão. Então fui empreender com a ideia de um centro cultural, onde faço a promoção da cultura africana e uso a comida como meio de encontro, com rodas de conversa, atividades e oficinas de culinária típicas, onde contamos a história dos pratos, como fazer a comida, trabalhamos com a comida afetiva. Usamos a comida como meio de encontro e essa comida tem um precificação”, conta, ao falar sobre como faz para se manter economicamente.

Mulher no Brasil

Na visão de Hortense, a luta da mulher no Brasil é muito avançada. “Pelos seus direitos, pela sua autonomia, essa liberdade que já foi concedida à mulher brasileira é um avanço comparada à mulher no Congo, que ainda está presa pela cultura, pelas realidades cotidianas e as consequências do colonialismo. Ela está presa, sobretudo, a essa violência que está acontecendo no mundo contra a mulher e que influencia ainda esse profundo ‘deságio’ do gênero.”

“O machismo [no Congo] olha a mulher da cintura para baixo”, ela crava. “Pensam que a mulher só presta para fazer filho e ser dona de casa. Não pensam que é um ser humano que pode desenvolver em outras áreas, que pode integrar outros domínios da sociedade para contribuir na construção do país.”

Em sua vivência no Brasil, a advogada percebeu como é a valorização da mulher brasileira. “A mão de obra da mulher tem visibilidade, e há posicionamento da mulher, o que não vejo no Congo, onde a mulher é calada ainda, é humilhada, ela vivencia seus direitos serem pisados e ninguém a defende. E a Constituição [do Congo] não tem nada para a proteção e a promoção da mulher como vejo no Brasil”, completa Hortense. “Hoje a mulher brasileira carrega uma força no rosto. Já a fraqueza, a amargura, é o que se pode ler na cara de uma mulher congolesa.”

Mulher no Congo

“No Congo, o estupro da mulher está sendo usado como arma de guerra”, lamentou. “A mulher tem o sexo mutilado, ela é feita de escrava, vive o abuso sexual e ninguém está ali para protegê-la.”

Hortense frisa que, em sua terra natal, o machismo continua a manter sua força dentro da cultura. “A mulher tem que ser casada, ela não tem sua autonomia, e, para casar o homem ainda tem que dar o dote, ou seja, o homem está comprando um bem, como uma casa, um carro, ele tem a mulher como patrimônio. Ele não casa para fazer dela uma parceira, uma companhia, tem a mulher como se fosse um patrimônio.”

Hortense clama pelas suas conterrâneas. “Desejo que as mulheres no mundo, que são unidas, possam, por favor, olhar pelo Congo, a mulher no Congo está gritando por socorro e ninguém está ali para ouvir. São milhões de mortos [no Congo] e ninguém fala, a mídia e o mundo todo estão calados, há 25 anos a mulher está sendo estuprada nessa guerra toda, elas morrem todos os dias. A guerra da Ucrânia começou ontem, há outras guerras há mais tempo e ninguém fala nada.”

A guerra civil na República Democrática do Congo já deixou mais de 6 milhões de mortos, e milhares de mulheres vêm sendo submetidas a estupros. Os conflitos, grupos armados, milícias e facções vem de disputas pelo espaço e controle dos minerais congoleses que são contrabandeados para outros países.

Processo migratório

A professora Roberta Peres destaca que, como Hortense, as mulheres são também protagonistas de suas trajetórias migratórias e tem se distribuído em diferentes regiões do país, acompanhadas ou não. “Mulheres migrantes não são acompanhantes. São agentes de equidade no processo migratório.”

Roberta Peres ressalta que, no caso brasileiro, há ainda muitos desafios pela frente: “Acessar serviços de saúde, especialmente de saúde sexual e reprodutiva, ocupar postos de trabalho não precarizados e mal remunerados e perigosos, e que as crianças tenham acesso à educação, enfim, que consigam acessar o sistema de proteção social disponível”, reforça.

Para isso, os desafios são muitos: a questão da língua, da identidade, da cultura, do racismo e da violência de gênero. “É preciso compreender que as migrações internacionais no século 21 não vão cessar. Sua complexidade como processo social será cada vez maior e mais dinâmica, o que apresenta uma série de desafios para a gestão de políticas para migrantes.”

Por isso, o diálogo com gestores e com os movimentos sociais de migrantes é fundamental, defende Roberta. “E as mulheres têm se mostrado, em diferentes nacionalidades, agentes fundamentais neste diálogo e na luta por direitos, especialmente naquelas em situação de maior vulnerabilidade”, destaca.

A congolesa Hortense Mbuyi é atualmente presidente do Conselho Municipal de Imigrantes (CMI) da cidade de São Paulo, órgão consultivo e paritário que tem como objetivo participar da formulação, implementação, monitoramento e avaliação das políticas voltadas à população imigrante da capital paulista.

Acesso

A professora pontua que ser mulher migrante no Brasil é lidar com o racismo, a xenofobia, as dificuldades no acesso ao sistema de proteção social. “É estar numa sociedade que vem selecionando, ao longo da história, que migração irá celebrar e reforçar o caráter de ‘país receptor de migrantes’. Essa ‘hospitalidade’ é reservada apenas a alguns grupos de migrantes – que não são a maioria das pessoas em trânsito no mundo”, observou.

“Ser mulher migrante no Brasil – haitiana, venezuelana, síria, congolesa, coreana, boliviana, peruana, afegã, bengali, filipina, chinesa, nordestina, nortista – é lutar pela garantia de direitos básicos, incluindo aqueles relacionados à manutenção da própria cultura”, finaliza a professora.

Hoje é Dia lembra os cinco anos das mortes de Marielle e Anderson

A semana que começa neste domingo (12) traz uma data que entrou para a história política do país: no dia 14 de março de 2018, um atentado vitimou a vereadora pelo Rio de Janeiro e ativista pelos direitos humanos Marielle Franco, e seu motorista, Anderson Pedro Gomes. O carro em que Marielle estava – e que era conduzido por Anderson – foi alvejado por 13 tiros no Centro do Rio. Marielle, que foi a quinta vereadora mais votada daquela legislatura, tinha acabado de sair de uma roda de conversa com mulheres pretas, e foi assassinada com quatro tiros na cabeça. Esta reportagem do Repórter Brasil, da TV Brasil, reconstitui o que aconteceu naquela noite:

Mulher, negra, mãe, lésbica, “cria” da Maré, socióloga, militante pelos direitos das mulheres, negros, favelados e pessoas LGBTQIA+: ainda em 2018, o Repórter Rio, da TV Brasil, fez um breve perfil de Marielle, e mostrou como sua trajetória e suas causas inspiraram e mobilizaram mulheres

Cinco anos depois, o crime ainda não foi totalmente elucidado. Apesar dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz estarem presos, acusados de terem feito os disparos, há uma pergunta que continua sem resposta: quem mandou matar Marielle e Anderson?

A poetisa e a arqueóloga

Outras mulheres também são lembradas nos próximos dias: neste 12 de março completam-se 130 anos da escritora Gilka Machado. Gilka ficou conhecida por ser uma das primeiras mulheres do país a escrever poesia erótica, e também foi uma das fundadoras do Partido Republicado Feminino, em 1910 – o primeiro partido político feminista do Brasil. Este episódio do Momento Literário rememora a vida e a obra de Gilka – que, da origem à descendência, flertou com a arte e a literatura:

Niède Guidon também é celebrada neste domingo. A arqueóloga franco-brasileira nasceu em 12 de março de 1933 – há exatos 90 anos. Seus estudos sobre a pré-história e seus achados no interior do Piauí, na Serra da Capivara (que reúne o maior número de sítios arqueológicos das Américas), redefiniram a teoria do povoamento do continente. Ela falou ao programa Expedições, que foi ao ar em 2014 na TV Brasil, sobre os vestígios da presença da espécie humana na região, datados de 60 mil anos atrás.

O pai da escola de samba e o Síndico

A semana também é marcada pelas mortes de dois homens negros que mudaram a música brasileira: Ismael Silva (falecido em 14 de março de 1978) e Tim Maia (falecido em 15 de março de 1998).

Ismael Silva é autor de mais de 200 sambas, tido como um dos maiores parceiros de Noel Rosa, e entrou para a história ao fundar, em 1928, a Deixa Falar, primeira escola de samba que se tem notícia.

Foi Ismael, aliás, que criou o termo escola de samba: no bairro do Estácio, onde ele vivia, existia uma “escola para moças”. Então, Ismael costumava dizer: “se eles ensinam moças, aqui vamos ensinar o samba”. O Todas as Vozes, programa da Rádio MEC em 2016, trouxe os altos e baixos da carreira do Bamba do Estácio:

Tim Maia dispensa apresentações – mesmo assim, ele dizia que era “preto, gordo e cafajeste, formado em cornologia, sofrências e deficiências capilares”. O Síndico, cuja partida completa 25 anos, juntou o soul e o funk da música negra dos Estados Unidos a ritmos brasileiros, como samba, baião e bossa nova, para formar um som único. A intensidade e o carisma de Tim são revividos neste episódio do Na Trilha da História, da Rádio Nacional, veiculado em 2018:

Em 2012, o De Lá Pra Cá, da TV Brasil, também resgatou histórias e o balanço de Tim Maia:

Mais datas

Entre as efemérides da semana, também estão os 115 anos de nascimento do pianista Arnaldo Estrella, os 95 anos do pianista Edino Krieger e os 85 anos do filósofo Luiz Carlos Maciel – todos já falecidos.

Completam-se ainda 35 anos da morte do músico Chico Mário, 50 anos do assassinato do líder estudantil paulista Alexandre Vannuchi Leme e também celebra-se o Dia Nacional do Teatro do Oprimido (16 de março) e o Dia Nacional da Imigração Judaica (18 de março).

 

Confira a lista semanal* do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

12 a 18 de março de 2023
12

Nascimento do atleta fundista brasiliense Joaquim Cruz (60 anos) – medalhista de ouro nos 800m nas Olimpíadas de 1984

Nascimento do cantor e compositor estadunidense James Taylor (75 anos)

Nascimento da escritora fluminense Gilka Machado (130 anos) – foi uma das primeiras mulheres a escrever poesia erótica no Brasil; também foi uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino

Nascimento da arqueóloga franco-brasileira Niède Guidon (90 anos)

Dia do Bibliotecário

13

Nascimento do teólogo, clérigo dissidente, filósofo natural, educador, teórico e político britânico Joseph Priestley (290 anos) – A ele normalmente é creditada a descoberta do oxigênio, embora Carl Wilhelm Scheele e Antoine Lavoisier também a reivindiquem

14

Morte da vereadora negra, lésbica, ativista dos direitos humanos e cria da comunidade da Maré, Marielle Franco, e de Anderson Gomes, motorista que conduzia o carro da vereadora quando foram assassinados a tiros (5 anos)

Morte do cantor e compositor fluminense Ismael Silva (45 anos)

Morte da poeta paulista Yde Schloenbach Blumenschein, a Colombina (60 anos)

Nascimento do compositor, flautista e maestro fluminense Benedito Lacerda (120 anos)

Nascimento do pianista fluminense Arnaldo Estrella (115 anos) – foi um dos melhores pianistas e professores de seu tempo

Morte do compositor e violonista mineiro Francisco Mário, conhecido como Chico Mário (35 anos) – criou o Método Musical por Cores para as Crianças; irmão do cartunista Henfil e do sociólogo Betinho

15

Nascimento do filósofo gaúcho Luiz Carlos Maciel (85 anos)

Nascimento do diplomata carioca Sérgio Vieira de Mello (75 anos) – alto funcionário da ONU morto em Bagdá com outras 21 pessoas, vítimas de um atentado a bomba contra a sede local das Nações Unidas

Morte do músico fluminense Sebastião Rodrigues Maia, conhecido como Tim Maia (25 anos)

Dia Mundial do Direito do Consumidor

16

Nascimento do compositor, instrumentista e cantor baiano Josué de Barros (135 anos) – descobridor de Carmen Miranda

Dia Nacional do Teatro do Oprimido – data em homenagem à data de nascimento de seu criador, o teatrólogo Augusto Boal

17

Morte do sambista, cantor e compositor fluminense Monsueto (50 anos)

Morte do líder estudantil paulista Alexandre Vannuchi Leme (50 anos) – assassinado pela ditadura militar

Nascimento do compositor catarinense Edino Krieger (95 anos)

É assinado o Tratado de Bruxelas (75 anos) – precursor do Tratado do Atlântico Norte, que criou a Otan

18

Dia Nacional da Imigração Judaica

  *As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados a cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br. 

Volta Redonda recebe Fluminense na abertura das semifinais do Cariocão

As semifinais do Campeonato Carioca começam neste domingo (12) com o jogo de ida entre Volta Redonda e Fluminense, no estádio Raulino de Oliveira, na Cidade do Aço. Campeão da Taça Guanabara na última quarta (8), o Tricolor leva a vantagem do empate no placar agregado – o duelo da volta será no próximo sábado (18) – para avançar à final do Estadual.  Já ao Voltaço, quarto colocado na primeira fase, só a vitória interessa. O confronto, a partir das 18h (horário de Brasília), será transmitido ao vivo pela Rádio Nacional, com narração de André Marques, comentários de Waldir Luiz, reportagem e plantão de notícias com Rodrigo Campos. 

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O Tricolor, atual campeão carioca, chega cheio de moral à semi, após ter protagonizado a melhor campanha da Taça Guanabara: somou 25 pontos (oito vitórias, um empate e duas derrotas). Além do título na quarta (8), a torcida retornou ao Maracanã na noite de sexta (10) para receber com festa o novo reforço do time: o lateral-esquerdo Marcelo, de volta ao time das Laranjeiras após 16 anos no exterior. Embora inscrito na competição, Marcelo não está relacionado para o jogo de hoje. 

O embate no Raulino de Oliveira terá clima de revanche para o Tricolor, que perdeu para o Voltaço por 1 a 0, na  Fluminense, o embate tem clima de revanche, já que o Volta Redonda levou a melhor na primeira fase, com vitória por 1 a 0.  O técnico Fernando Diniz deve escalar o time com Fábio; Samuel Xavier, Nino, David Braz e Alexsander (Marcelo); André, Martinelli, Ganso e Arias; Keno e Cano.

De volta às semifinais do Carioca após dois anos, o Volta Redonda tem do seu lado,  até o fim da competição, o  atacante Lelê, artilheiro do Estadual com 12 gols. Lelê assinou um pré-contrato com o Tricolor das Laranjeiras – a transferência só ocorrerá após o término do Cariocão. 

O Voltaço, comando pelo técnico Rogério Correa, tem o melhor ataque da competição, com 27 gols, sendo 13 deles marcados nos últimos três jogos. O time deve ir a campo Vinicius; Wellington Silva, Alix, Sandro Silva, Ricardo Sena, Bruno Barra, Dudu, Luciano Naninho, Luizinho, Pedrinho e Lelê.

* Colaboração de Pedro Dabés (estagiário) sob supervisão de Verônica Dalcanal.

Rony garante classificação do Palmeiras para as semis do Paulista

O atacante Rony decidiu e o Palmeiras derrotou o São Bernardo por 1 a 0, na noite deste sábado (11) no Allianz Parque, para se classificar para as semifinais do Campeonato Paulista. Dono da melhor campanha geral da primeira fase, o Verdão aguarda as outras semifinais para conhecer o seu próximo adversário na próxima fase.

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Quem pensou que o Palmeiras teria vida fácil por jogar em casa, se enganou. O São Bernardo foi corajoso na primeira etapa e chegou a finalizar em sete oportunidades. Mas do outro lado estava um dos times mais eficientes do futebol brasileiro na atualidade, o Verdão, que conseguiu garantir a vitória um pouco antes do intervalo.

Aos 41 minutos Gabriel Menino recebeu na ponta direita e cruzou para o meio da área, onde Rony se antecipou para se livrar da marcação adversária e cabecear com liberdade para superar o goleiro Alex Alves.

As quartas de final do Campeonato Paulista continuam no próximo domingo (12) com os confrontos entre Corinthians e Ituano, a partir das 16h (horário de Brasília) em Itaquera, e entre Bragantino e Botafogo-SP, a partir das 19h30 em Bragança Paulista. Na segunda (13) o São Paulo pega o Água Santa a partir das 20h no Allianz Parque.

Bia Haddad estreia com vitória nas simples de Indian Wells

Bia Haddad derrotou a tcheca Katerina Siniakova por 2 sets a 1, parciais de 5/7, 7/6 (7-4) e 6/3, na noite deste sábado (11). O confronto que durou 2h37min foi a estreia da brasileira no Masters 1000 de Indian Wells, disputado nos Estados Unidos.

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Agora Bia Haddad pega a britânica Emma Raducanu em seu próximo confronto de simples.

Antes desta partida, a brasileira e a alemã Laura Siegemund superaram, na madrugada deste sábado, as japonesas Eri Hozumi e Yana Sizikova por 2 sets a 0 (parciais de 6/4 e 6/1) na chave de duplas.

Agora, pelas oitavas, a brasileira e a alemã aguardam para saber quais serão as suas adversárias nas oitavas.