Bahia derrota Santos e ganha força na luta por vaga na Libertadores

O Bahia derrotou o Santos por 2 a 0, neste domingo na Fonte Nova, em Salvador, e ganhou força na luta por vaga para próxima edição da Copa Libertadores. O triunfo do tricolor baiano na 21ª rodada do Campeonato Brasileiro foi construído graças a gols do lateral Luciano Juba e do atacante uruguaio Lucho Rodríguez.

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Após vencer a segunda consecutiva na competição nacional, a equipe comandada pelo técnico Rogério Ceni chegou aos 36 pontos, garantindo a 4ª colocação da classificação. Já o Peixe continua muito próximo da zona do rebaixamento após o revés fora de casa. O time de Neymar está na 15ª colocação com 21 pontos.

Revés vascaíno

Quem também está lutando para se afastar do Z4 é o Vasco da Gama. Em partida transmitida ao vivo pela Rádio Nacional, o Cruzmaltino foi superado pelo placar de 3 a 2 pelo Corinthians em pleno estádio de São Januário para permanecer com 19 pontos na 16ª colocação.

Mesmo atuando na condição de visitante, o Timão, que é comandado pelo técnico Dorival Júnior, foi superior durante todo o confronto e contou com gols de Gui Negão, Maycon e Gustavo Henrique. Já o time de Fernando Diniz descontou com Vegetti, de pênalti, e Rayan.

Outros resultados:

Bragantino 4 x 2 Fluminense
Cruzeiro 2 x 1 Internacional
Grêmio 0 x 0 Ceará
Fortaleza 0 x 1 Mirassol
Juventude 1 x 3 Botafogo

Ao som de “Evidências”, Brasil conquista prata na série mista

O conjunto brasileiro voltou a brilhar neste domingo (24) no Mundial de ginástica rítmica disputado na Arena Carioca 1 do Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. Ao som de “Evidências”, Duda Arakaki, Nicole Pircio, Sofia Madeira, Mariana Gonçalves e Maria Paula Caminha fizeram uma grande apresentação na final da série mista (com três bolas e dois arcos) para somarem o total de 28.550 pontos e conquistarem a medalha de prata.

Este feito foi alcançado um dia após o Brasil garantir uma inédita medalha de prata na prova geral (que tem a nota composta pela performance na série mista e na série de cinco fitas).

Apesar da grande performance, que levou a torcida presente à Arena Carioca 1 ao delírio, o conjunto brasileiro acabou sendo superado pela Ucrânia, que somou 28.650 pontos para conquistar o ouro. Já a medalha de bronze ficou com a China, que fechou a disputa com 28.350 pontos.

Série de cinco fitas

Neste domingo o Brasil participou de outra final, na série de cinco fitas. Com uma apresentação marcada por alguns erros de execução, o conjunto brasileiro somou 22.850 pontos e fechou a disputa na 6ª colocação. O ouro foi conquistado pela China (27.550 pontos), a prata com o Japão (26.650) e o bronze com a Espanha (25.950).

INSS usa barcos para orientar aposentados da Amazônia sobre descontos

Aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS e que moram em áreas de difícil acesso na Amazônia contarão com um serviço de informações prestado pelo governo federal a partir desta segunda-feira (25).

A ação, denominada PREVBarco, transforma embarcações em agências flutuantes da Previdência Social. A operação contará, nesta semana, com cinco embarcações para chegar aos locais acessíveis pelos rios.

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Segundo o calendário divulgado pelo governo, são três barcos para o Estado do Amazonas (para chegar a 29 comunidades) e duas para o Pará (com previsão de atender 39 lugares).

Os barcos têm as seguintes indicações:

  • Manaus I – Vovó Jandira II,
  • Manaus II – Manaós II, 
  • Manaus III – Vovô Alarico, 
  • Belém I – Leon IV e 
  • Barco Santarém I – Barão do  Amazonas. 

O calendário completo de onde chegará os serviços está disponível no site do INSS

Segundo o INSS, mais de 4 milhões de aposentados e pensionistas em todo o país podem ter sofrido descontos indevidos em seus benefícios. 

Ressarcimento

O serviço prevê que os beneficiários possam verificar se tiveram descontos irregulares, contestar imediatamente e aderir ao processo de ressarcimento para receber o dinheiro de volta.

Cada embarcação tem uma equipe com 10 servidores do INSS e do Ministério da Previdência Social, incluindo técnicos, assistentes sociais e peritos médicos. A expectativa divulgada é de atender entre 150 e 200 pessoas por dia em cada barco.

Vôlei: Brasil permanece com 100% de aproveitamento no Mundial

A seleção brasileira derrotou a França por 3 sets a 2 (parciais de 21/25, 20/25, 25/15, 25/17 e 15/13), neste domingo (24), e permanece com 100% de aproveitamento no Campeonato Mundial de vôlei feminino, que está sendo disputado em Chiang Mai (Tailândia). O triunfo também garantiu a presença do Brasil nas oitavas da competição.

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O grande destaque brasileiro na partida foi a ponteira Gabi, que somou o total de 18 pontos (13 de ataque e cinco de bloqueio).

A equipe comandada pelo técnico José Roberto Guimarães estreou na competição, na última sexta-feira (22), com um triunfo por 3 sets a 0 (parciais de 25/18, 25/16 e 25/16) sobre a Grécia. O próximo desafio do Brasil será diante de Porto Rico, a partir das 9h30 (horário de Brasília) da próxima terça-feira (26).

Na Tailândia o Brasil busca uma conquista inédita, após o vice-campeonato de 2022. A seleção brasileira está no Grupo C ao lado de Grécia, França e Porto Rico. Os dois melhores de cada chave passam para as oitavas de final, que serão disputadas em Bangcoc.

Morre no Rio de Janeiro o cartunista Jaguar, aos 93 anos

O cartunista Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, morreu, neste domingo (24), no Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Copa D´Or. 

Em nota, a assessoria de imprensa do hospital informou que o artista estava internado em razão de uma infecção respiratória, que evoluiu com complicações renais. “Nos últimos dias, estava sob cuidados paliativos. O hospital se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda para a cultura brasileira”, diz o documento.

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Jaguar começou a carreira, no ano de 1952, quando trabalhava no Banco do Brasil. Na ocasião, ele conseguiu publicar um desenho na coluna de humor Penúltima Hora no jornal Última Hora (RJ). Depois passou a publicar charges seus trabalhos na página de humor da revista Manchete (RJ). O pseudônimo, com o qual ficou famoso, foi uma sugestão de Borjalo. 

Durante a ditadura, lançou um de seus personagens mais conhecidos, o ratinho Sig, que foi mascote do jornal O Pasquim, do qual Jaguar foi um dos fundadores. O artista foi preso uma vez e enfrentou processos no período.

 

Charge do cartunistas, Jaguar, de batismo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe. Foto ABI – Foto ABI

Confira a nota do hospital sobre a morte de Jaguar:

“O Hospital Copa D’Or informa, com pesar, o falecimento do Sr. Sérgio de Magalhães Jaguaribe, conhecido como Jaguar, aos 93 anos, na tarde deste domingo. O paciente se encontrava internado em razão de uma infecção respiratória, que evoluiu com complicações renais. Nos últimos dias, estava sob cuidados paliativos. O hospital se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda para a cultura brasileira”.

 

Charge do cartunistas, Jaguar, de batismo Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe. Foto ABI – Foto ABI

Homenagens

Nas redes sociais, artistas colegas de Jaguar fizeram homenagens e lamentaram a morte do cartunista. O chargista Arnaldo Angeli Filho escreveu que Jaguar foi o “maior” e é merecedor de todas as reverências pela arte que deixou. 

“Dono do traço mais rebelde do cartum brasileiro. Seguimos aqui com sua bênção”, disse.  

A cartunista Laerte Coutinho, em postagem no X, referiu-se ao ídolo como “mestre querido”. Outro cartunista, Allan Sieber lembrou que, quando mudou para o Rio de Janeiro, Jaguar chegou a editar o livro dele “Assim rasteja a humanidade”.    

O chargista Genildo Ronchi destacou, também em postagem nas redes, que o mundo conhece a importância do legado do Jaguar. Chico Caruso, em entrevista à TV Globo, considerou que a morte do artista é uma perda irreparável para o humor e para o Brasil. 

*Matéria ampliada às 17h36 para acrescentar manifestações de artistas sobre a morte de Jaguar

Brasil fecha Jogos Pan-Americanos Júnior com campanha histórica

Uma campanha histórica. Esta é a avaliação que Comitê Olímpico do Brasil (COB) faz da campanha brasileira na última edição dos Jogos Pan-Americanos Júnior, que chegaram ao final no último sábado (23) em Assunção (Paraguai). No evento esportivo o Brasil bateu recorde de pódios (175), de medalhas de ouro (70) e de vagas conquistadas para o Pan adulto de Lima, que será realizado em 2027.

“Nosso balanço é extremamente positivo. Tínhamos três metas para esses Jogos. A primeira era ser Top 3, que eu até brinquei com a equipe que era muito fácil. Mas, em Jogos Pan-Americanos, a meta será sempre essa, estar entre os três primeiros. Fomos campeões em Cali e desejávamos repetir esse resultado. Garantir esse primeiro lugar foi muito importante e, mais do que isso, mostrar a evolução de todos os esportes. Em todos os itens da meta melhoramos os resultados de Cali. Superamos o número de ouros, o número de vagas por atletas e de vagas por modalidade para o Pan de Lima, em 2027. Essa era uma meta muito importante, pois o Pan de 27 distribuirá vagas para os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Foi fundamental também para os atletas terem essa experiência, usufruir dos serviços de uma missão do Comitê Olímpico do Brasil e entender como funciona toda essa sistemática”, declarou o presidente do COB, Marco La Porta.

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A delegação brasileira em Assunção contou com 363 atletas, que garantiram 48 vagas diretas para o Pan adulto de Lima. “Os resultados acabaram ultrapassando os objetivos e, mais do que isso, vimos como os atletas valorizaram a participação nesses Jogos”, declarou o chefe de missão pelo COB, Leandro Guilheiro.

Projeto da Embrapa apoia cultura alimentar em comunidades do Nordeste

“É um divisor de águas”. “É transformador”. Essas são as avaliações de duas mulheres de comunidades que participam do projeto de pesquisa agro alimentar Paisagens Alimentares, coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Alimentos e Territórios Alagoas e financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que está transformando comunidades rurais no semiárido nordestino.

Sem a presença do pai, Anatália Costa Neto, a Nat, a caçula dos dez filhos, começou a trabalhar com 11 anos em casa de família. Ainda criança, ia para o mangue ajudar a mãe a pescar aratu e ostras. 

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Hoje, aos 41 anos, é uma das 14 integrantes da Associação das Mulheres Empoderadas de Terra Caída de Indiaroba, em Sergipe. Nat chegou na comunidade aos 18 anos para se casar e não saiu mais. Além do artesanato que já faziam no local, com peças em crochê, macramê, madeira e conchas, agora após a pesquisa da Embrapa Alimentos e Territórios Alagoas, desenvolvem o projeto de turismo de base comunitária, que se tornou mais uma fonte de renda para a comunidade.

Nat ganhou, neste mês, o prêmio Mulher de Negócio, na categoria Microempreendedora Individual com o conjunto de ações que realiza na comunidade como a criação do hambúrguer de carne de aratu, um caranguejo típico do local, no qual concorreu com 150 mulheres do estado de Sergipe. Segundo ela, o produto que já era produzido anteriormente, ganhou atratividade após o trabalho da Embrapa.

“O projeto me fez vender mais, saber como calcular o preço, que eu não tinha noção. Foi através deles que eu agreguei valor ao meu produto. Vendo na lanchonete e outras de fora pegam comigo. O turista vem e leva para o consumo próprio com uma caixinha de isopor. Muita gente leva para fazer em casa”, contou à Agência Brasil.

O projeto Paisagens Alimentares tem como objetivo promover a valorização da cultura alimentar e do turismo sustentável de base comunitária na região. Os locais escolhidos receberam as visitas dos técnicos da Embrapa que começaram a trabalhar com os moradores em oficinas, intercâmbio e imersões, envolvendo diretamente mais de 500 participantes e provocando um impacto estimado em mais de cinco mil pessoas da região. 

No caso da Nat, a orientação para agregar valor beneficiou também outros produtos como os biscoitos de capim santo e de batata-doce, os produzidos a partir da fruta mangaba com geleias, cocadas, compotas, bolos e pudins, e os mariscos, que também têm sido um sucesso. 

“Assim a gente vai criando produtos para poder trazer mais fontes de renda para a nossa vida. São muitas coisas é só a gente ter a ideia que vai fluindo na mente. Foi através da Embrapa que a gente foi conhecendo mais”, comentou.

Visibilidade

Ana Paula Ferreira, 38 anos, é do assentamento Olho D’Água do Casado de Palmeira dos Índios, no alto sertão de Alagoas, onde junto com outras sete mulheres é coordenadora. Segundo ela, o projeto da Embrapa promoveu mudanças no assentamento.

“É um projeto transformador, que está trazendo economia e liberdade, pertencimento principalmente, no território com essa questão de fortalecer o que é nosso e desse conceito que é viver da agricultura familiar com a contemplação para mostrar o que há de mais belo para nossos visitantes sobre o cotidiano dos agricultores que colocam a mão na terra para produzir o alimento saudável”, relatou a coordenadora, em entrevista à Agência Brasil. 

O território está inserido em uma área de reforma agrária tendo ao redor o Pôr do Sol dos Cânions Dourados e Cânions do São Francisco, permitindo ainda a exploração turística do local.

Para Ana Paula, a busca pela visibilidade do trabalho feito na agricultura familiar e em assentamentos é um fato importante para esses produtores. 

“No conceito de mostrar para o mundo o que estamos fazendo e as pessoas tirem essa venda dos olhos. Quando um visitante vem para a nossa comunidade e tem esse contato com o agricultor, os animais e o povo da roça é exaltado e dando importância a quem produz o alimento”, indicou.

Ela destaca que um dos avanços do projeto na comunidade foi trabalhar com o envolvimento de jovens do território que começavam a se afastar do trabalho feito no local. “Hoje com as universidades ao redor, os institutos e as oportunidades eles não precisam sair e nem sonhar ir tão longe” disse.

Além disso, houve uma expansão das atividades que podem ser desenvolvidas no Olho D’Água do Casado e resultar em geração de renda na agricultura que não eram vistas antes pela comunidade. “Depois da Embrapa e do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] na comunidade, a gente contemplou tudo dentro do assentamento, com esse conceito de preservação”, afirmou, completando com mais um avanço que é o projeto de artesanato desenvolvido com as mulheres locais aproveitando a biodiversidade da caatinga.

“Muitas pessoas têm o conceito de que a caatinga está morta no período de seca do verão, mas com os conhecimentos da Embrapa a gente viu que pode aproveitar a caatinga o ano todo e a preservação aumentou, ainda mais, pelas pessoas estarem cultivando as suas árvores nativas”, explicou.

No Quilombo Engenho Siqueira, em Rio Formoso (PE), é preparado o funje, prato típico de Angola  Foto Elias Rodrigues/Embrapa

Criação do projeto

O supervisor do setor de inovação e tecnologia da Embrapa Alimentos e Territórios Alagoas, Aluísio Goulart Silva, contou que o projeto surgiu de uma articulação com o BID ainda em 2018. As negociações continuaram e, quando a Embrapa Alimentos e Territórios Alagoas começou a funcionar, o projeto se enquadrava perfeitamente na missão da nova unidade criada pela empresa.

Ao todo foram três anos de desenvolvimento. No primeiro foi feita uma pesquisa exploratória dos territórios, que levou em consideração dados de instituições, universidades, secretarias de estado de turismo e agricultura e do Sebrae nos estados de Sergipe, Alagoas e Pernambuco. O comitê técnico gestor elencou 20 critérios para avaliar as possibilidades de participação de territórios e comunidades, que foram visitados pelos técnicos.

Com a avaliação, foram identificados cinco territórios e seis comunidades, duas delas em Alagoas foram duas comunidades. Uma é a Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa (Coopcam) de Palmeira dos Índios, na região da Serra da Barriga.

“Uma região muito interessante que tem um histórico grande relacionado à cultura indígena, o próprio nome da cidade representa isso e essa cooperativa já trabalhava com um fermentado de jabuticaba há 40 anos”, explicou, em entrevista à Agência Brasil, acrescentando que outro fator que contribuiu com a escolha foi a intenção da comunidade de desenvolver uma atividade de turismo rural.

A outra foi a do município de Olho D’Água do Casado, que contemplou ainda cidades vizinhas Piranhas, bem conhecida no turismo no Vale do São Francisco, e Delmiro Gouveia. 

“Ali concentramos as nossas ações no Assentamento Nova Esperança que é relativamente novo, em vista de outros no estado, que deve ter entre 25 e 30 anos de existência, cujas famílias trabalham basicamente com produção agroecológica e exploram todo o potencial, principalmente dos sítios arqueológicos da região, inclusive vários deles já catalogados pelo Iphan”, contou, acrescentando que nesta localidade ainda tinha a atividade de pesca artesanal no Rio São Francisco.

Em Sergipe, mais duas comunidades: uma em Indiaroba, município que faz divisa com a Bahia, em uma região que fica quase em frente a Mangue Seco, local bem conhecido do ponto de vista turístico. 

“Ali temos uma comunidade grande de catadoras de mangaba e também elas se autodenominam marisqueiras. Sobrevivem tanto do marisco na pesca artesanal, quanto do fruto da restinga, que são a mangaba, o murici, o araçá, vários tipos de frutos”, disse, informando que essa comunidade já vem trabalhando ao longo do tempo em outros projetos da Embrapa com foco em recursos genéticos.

Ainda em Sergipe, na região metropolitana de Aracaju, foi escolhida São Cristóvão, a quarta cidade mais antiga do Brasil, que tem arquitetura colonial. O que contribuiu para a escolha foi a atividade das mulheres conhecidas como beijuzeiras, que produzem o beiju, um bolo tradicional feito com três ingredientes que contam a história da miscigenação brasileira que são o coco, a mandioca e o açúcar.

“O coco vindo da África, a mandioca dos indígenas e o açúcar da Europa. Elas trabalham muito, inclusive com alguns doces conventuais, originais dos conventos europeus, um exemplo de um dos doces, considerado um patrimônio cultural e imaterial da cidade, a queijadinha que não tem queijo. Na Europa utilizavam queijo, mas quando chega no Brasil, foi substituído pelo coco”, declarou, destacando que além dos doces, a cidade vive em torno do artesanato original que conversa com a cultura alimentar local.

Em Pernambuco, são dois grupos que dividem o mesmo território que é o Manguezal situado na área de proteção ambiental de Guadalupe, próximo a Praia de Carneiros de um lado da margem tem o grupo da Associação das Marisqueiras de Sirinhaém (Amas), do povoado de Aver-o-Mar. Do outro lado da margem, no município de Rio Formoso tem a Associação Quilombola Engenho Siqueira.

“É muito interessante a composição porque eles compartilham os mesmos recursos naturais do manguezal enorme muito bonito e preservado, justamente porque está em uma área de proteção ambiental. As marisqueiras contam muito da sua história pelos frutos do mangue, enquanto os quilombolas que também sobrevivem da pesca artesanal, ainda fazem uma agricultura agroecológica auto sustentável muito interessante”, completou Goulart Silva.

Marisqueiras do Povoado Preguiça, em Indiaroba (SE), apresentam o aratu servido na folha de patioba – Foto Renata Silva/Embrapa

Protagonismo feminino

Uma situação comum entre as comunidades é o protagonismo feminino com mulheres rurais à frente das atividades, liderando associações, coordenando trilhas turísticas, organizando vivências e estimulando a produção artesanal e agroecológica. 

“Coincidentemente, todas as lideranças são femininas. Foi um projeto praticamente trabalhando com mulheres rurais, que é a nomenclatura usada na Embrapa”, pontuou o supervisor.

Durante três anos, os técnicos da Embrapa ficaram em contato direto com os moradores das comunidades dos três estados que participaram do projeto. “É a missão de valorizar os ingredientes da biodiversidade brasileira e promover o desenvolvimento territorial a partir de estratégias de valorizações diversas. Entendemos que neste caso do projeto, conectar os alimentos com a cultura alimentar local e o turismo de base comunitária seria uma boa ideia”, informou.

O supervisor chamou atenção de uma característica da comunidade quilombola que tem no funje, um tipo de papa parecida com pirão, feito com farinha de mandioca, água e sal para acompanhar outros preparos caldosos como a peixada. 

“A grande curiosidade é que este mesmo prato com esse nome é original de Angola. Os estudos mostram que este grupo de fato tem uma conexão muito forte com Angola. A cultura alimentar daquele povo nos certifica a origem deles”, comentou, admitindo que podem ter origem na Nação Bantu.

Cruzeiro abre vantagem sobre Palmeiras na semi do Brasileiro Feminino

Em partida transmitida ao vivo na TV Brasil, o Cruzeiro derrotou o Palmeiras pelo placar de 3 a 1, neste domingo (24) na Arena Barueri, em São Paulo, no confronto de ida das semifinais da Série A1 do Campeonato Brasileiro de futebol feminino.

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Após este triunfo, as Cabulosas podem até mesmo perder por um gol de diferença no confronto de volta, no próximo domingo (31) na arena Independência, em Belo Horizonte, que avançam para a grande decisão da competição nacional.

Jogando na condição de mandante, o Palmeiras abriu o placar aos 37 minutos do primeiro tempo. A volante Andressinha cobrou falta com muita categoria da entrada da área e superou a goleira Camila Rodrigues.

Porém, após o intervalo o Cruzeiro assumiu o controle das ações. Logo aos três minutos, Byanca Brasil avançou pela ponta esquerda e cruzou na medida para Letícia Ferreira se esticar toda para igualar o marcador. E a virada demorou apenas cinco minutos, quando Vanessinha recebeu lançamento longo e precisou de apenas um toque para bater na saída da goleira Tapia.

E o terceiro saiu aos 14 minutos. Byanca Brasil voltou a desequilibrar pela ponta esquerda e cruzou para Gaby Soares, que, dentro da área, dominou e bateu colocado para dar números finais ao marcador.

Iniciativas públicas e comunitárias aproximam brasileiros dos livros

“As pessoas falam que criança e adolescente não leem, mas eu discordo. É só ter novidade que eles correm para pegar livros emprestados.’’ A opinião é de Kely Louzada idealizadora da biblioteca comunitária Atelier das Palavras no morro da Mangueira, no Rio de Janeiro.

‘’Acredito que cresci bastante intelectualmente por conta da leitura”, confirma Jorge Henrique de Souza que desde criança frequentava o Atelier das Palavras, e hoje é estudante universitário e trabalha na biblioteca.

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“Comecei a ajudar aqui desde criança, onde passava muito tempo do meu dia. Hoje, posso retribuir tudo que aprendi na infância, mostrando com carinho para as crianças que estão sempre aqui que a leitura faz diferença, também que aqui é um espaço onde a gente pode acolher com livros, mostrar para uma nova geração muito tecnológica que os livros existem para somar na vida deles’’, testemunha Jorge Henrique
Rio de Janeiro (RJ), 21/08/2025 – O estudante Jorge Hemrique, frequentador da Biblioteca comunitária Atelier das Palavras, afirma que a leitura é importante para o seu desenvolvimento intelectual. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Atelier das Palavras foi uma das 300 bibliotecas comunitárias vencedora do prêmio Pontos de Cultura em 2024, criado pelo Ministério da Cultura (MinC). Contemplada com R$ 30 mil, a biblioteca fundada por Kely Louzada atualizou seu acervo e manteve o interesse dos pequenos e jovens leitores.

A biblioteca que fica na entrada do morro da Mangueira também se moderniza com doações de livros de interesse do seu público e participa de editais públicos para manter as estantes atualizadas.

“A gente trabalha muito com doação, mas temos também uma parceira com as secretarias de Cultura do estado e do município, que nos ajudam a estar sempre renovando a nossa estante”, diz Kely se referindo aos acervos patrocinados no ano passado pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) do governo federal que é repassado pelas secretarias de Cultura e de Educação.

Rio de Janeiro (RJ), 21/08/2025 – Kely Louzada, diretora da biblioteca comunitária Atelier das Palavras, no morro da Mangueira, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Desde 2024, as bibliotecas comunitárias passaram a receber livros literários para atualizar e ampliar seus acervos”, assinala Fabiano Dos Santos Piúba, Secretário de Formação Cultural, Livro e Leitura do Ministério da Cultura.

Naquele ano, o Decreto nº 12.021 expandiu o PNLD para incluir bibliotecas públicas e comunitárias. Estas bibliotecas, incluindo aquelas cadastradas no Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP) do Ministério da Cultura, recebem acervos literários de forma sistemática, regular e gratuita.

O Brasil tem 6.021 bibliotecas públicas (municipais e estaduais) e comunitárias aptas a receber os acervos do PNLD. Essas unidades estão registradas no Cadastro Nacional de Bibliotecas e que integram o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas (SNBP).

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A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2024, revela que 85% das pessoas entrevistadas gostariam de ler mais livros, evidenciando um enorme potencial para o fortalecimento do hábito de leitura, inclusive entre quem não é leitor frequente.

O Panorama do Consumo de Livros da Câmara Brasileira do Livro acrescenta que mesmo entre pessoas que não são consumidores de livros o valor da leitura é amplamente reconhecido: 84% a consideram a leitura “importante” ou “muito importante” para a carreira, lazer, aprendizado e outros aspectos

‘’Esses números comprovam que o interesse existe, mas ainda enfrentamos barreiras como acesso e desigualdade’’, pondera a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Sevani Matos em nota enviada à Agência Brasil.

Na opinião dela, as bibliotecas e livrarias desempenham papel estratégico, “criando espaços de encontro com o livro e formando leitores em diversas regiões do país”. Para Sevani, é essencial fortalecer políticas públicas que incentivem a leitura.

País precisa dar prioridade política à alfabetização, diz especialista

Até o fim de 2025, o Brasil espera que ao menos 64% dos estudantes concluintes do 2º ano do ensino fundamental estejam plenamente alfabetizados. Isso significa serem capazes de ler frases e textos curtos e, ainda, localizar informações explícitas em textos curtos, como os de bilhetes ou crônicas, entre outras habilidades definidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A meta foi estabelecida no Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) do Ministério da Educação (MEC), lançado em 2023, que opera em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios.

Para o CEO da Fundação Lemann, Denis Mizne, o país precisa dar prioridade política para a alfabetização e compreender que, apesar de ser considerado um assunto “velho” na pauta de educação, o problema ainda não foi superado.

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Em entrevista à Agência Brasil, ele comentou os desafios a serem superados para que o patamar de 80% das crianças alfabetizadas possa ser alcançado e destacou a necessidade de melhorar a aplicação dos recursos do programa e empenhar esforços para buscar as crianças mais vulneráveis dentro de cada escola e rede de ensino. 

Em 2024, a proposta do compromisso nacional foi de ter 60% dos estudantes alfabetizados, mas as redes de ensino “passaram raspando”: 59,2% dos 2 milhões de crianças brasileiras avaliadas pelos estados nessa etapa de ensino, em 42 mil escolas brasileiras, alcançaram o Indicador Criança Alfabetizada, ou seja, foram consideradas alfabetizadas. Para 2030, a meta é mais ambiciosa: no mínimo, 80% das crianças brasileiras devem saber ler e escrever ao fim do 2º ano do ensino fundamental.

O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada já tem a adesão de todos os estados e de 99% dos municípios, o que foi comemorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a entrega do Prêmio MEC da Educação Brasileira, neste mês. Até 2024, apenas o estado de Roraima não havia firmado o CNCA.

A Fundação Lemann compõe, desde 2019, a Aliança pela Alfabetização, juntamente com o Instituto Natura e a Associação Bem Comum. O intuito é apoiar tecnicamente estados e municípios brasileiros no planejamento e na implementação de políticas públicas de alfabetização. O programa já foi implementado em 18 estados, impactando 2,8 milhões de estudantes.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista com o especialista:

Agência Brasil: Como avalia o fato de o Brasil quase chegar à meta do Indicador Criança Alfabetizada para 2024, com 59,2% das crianças alfabetizadas?

Denis Mizne: A gente esteve muito perto. Pelas nossas medições, a gente já estava capturando que o Brasil tinha avançado. Então, essa é uma boa notícia. Se o Rio Grande do Sul não tivesse tido as enchentes de 2024 e só mantivesse o nível de alfabetização do ano anterior, a gente teria superado a meta como país.

Agência Brasil:  O que deve ser ajustado nas políticas públicas para que o indicador bata a marca de ter, pelo menos, 80% das crianças brasileiras alfabetizadas até 2030, rumo à universalização?

Denis Mizne: Precisamos intensificar aquilo que vem sendo feito. A primeira ação é dar prioridade política para a alfabetização. Até pouco tempo atrás, no Brasil, a alfabetização era considerada um assunto velho, que parecia ter sido superado. O que não é verdade. Em 2019, só metade das crianças eram alfabetizadas na idade certa. E na pandemia [da covid-19], somente 31%. Então, a prioridade política dada ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, com a liderança de vários governadores, em compromisso com a alfabetização, fez com que o governo federal passasse a investir nisso. Os governos estaduais ajudassem os municípios e esses pudessem ter mais condições de fazer esse trabalho. A segunda dimensão é usar bem os recursos disponíveis. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada disponibiliza bastante dinheiro para os municípios acelerarem a alfabetização, para formar os professores alfabetizadores e para ajudar as crianças que estão com mais dificuldade. Ainda tem muito dinheiro que não está sendo usado. Isso é [fruto da] dificuldade de execução da secretaria [de Educação] lá na ponta. O terceiro [foco] é que a gente siga buscando as crianças com maiores dificuldades. Dentro de cada escola, de cada município, de cada regional [de ensino], de cada estado, há crianças mais vulneráveis e escolas que têm mais dificuldades. A combinação desses esforços gera maiores ganhos na alfabetização de crianças e no progresso dessa meta.

Agência Brasil: A meta para 2030 é factível em todo o Brasil?

Denis Mizne: Os 80% de alfabetizados são factíveis, mas acho a meta tímida. Gostaria até de vê-la mais alta, mirando todas as crianças, o que é possível. Uma série de estados superaram a meta, ricos, mais pobres, em regiões diferentes do Brasil, conseguindo fazer um bom trabalho de superação dessas metas.

Agência Brasil:  O monitoramento do Indicador Criança Alfabetizada ajuda nessa tarefa?

Denis Mizne: Como todo ano sai o índice, quanto mais a gente acompanhar, gerar responsabilização e estímulos, porque há várias políticas associadas a esses índices, dinheiro do ICMS, apoio para as redes [de ensino], a gente também vai aprendendo o que funciona. Os municípios podem fazer mais trocas entre eles, entre as regionais [de ensino], entre os estados, daquilo que está funcionando e como é que se copia, no bom sentido, e leva para frente.

Agência Brasil: A fundação considera baixos os parâmetros estabelecidos sobre habilidades básicas de leitura e de escrita a serem desenvolvidas por um estudante alfabetizado? O que esperar do aprendizado de uma criança no fim do segundo ano do ensino fundamental?

Denis Mizne: É desejável e importante ter uma barra alta [na alfabetização]. Por outro lado, precisa ser uma barra crível, senão as redes [de ensino] vão desistir de perseguir. Historicamente, no Brasil, uma criança de uma família rica tem acesso em casa a livros, materiais de leitura, e o vocabulário é muito amplo, desde a primeira infância. Na pré-escola dessas crianças, já há uma introdução e elas chegam ao primeiro ano, muitas vezes, alfabetizadas. Nos estados com renda mais alta, é comum ter crianças alfabetizadas aos cinco, ou seis anos de idade. Não aos sete anos. Mas, ainda não é possível ser essa barra para o Brasil inteiro. É mais importante ter uma barra que esteja alinhada à Base Nacional Comum Curricular, quando o Brasil diz qual é a expectativa ao fim do segundo ano e que está indo atrás de cumpri-la. Por isso, está certa a meta do Inep de colocar os 743 pontos [na escala Saeb]. Mas, é desejável, daqui a alguns anos, que a gente discuta se não é possível subir um pouco essa barra. Foi o que aconteceu em Sobral, no Ceará. Houve a primeira, a segunda barra e a terceira delas. Conforme foi mostrada a capacidade de entregar, as pessoas iam subindo um pouco a expectativa. Agora, é hora de colocar a alfabetização no centro, medir, saber o que está acontecendo, trocar boas práticas e, gradativamente, ir subindo mais a barra para que essa distância de renda não persista.

Agência Brasil: As desigualdades socioeconômicas regionais mudam a qualidade da alfabetização na idade certa?

Denis Mizne: No Brasil, há mais ou menos 500 cidades, ou cerca de 10% dos municípios do país, com mais de 90% de crianças alfabetizadas. Desses municípios, um número grande está entre os menores PIB do Brasil. Então, é possível alfabetizar crianças independentemente do nível socioeconômico. A maior referência de alfabetização no Brasil é Sobral, no Ceará. Não é São Caetano, São Paulo ou Rio de Janeiro, que são cidades muito mais ricas. Municípios muito pobres estão alfabetizando as suas crianças em grandes números. Então, essa desculpa não vale. Temos que saber o que tem de ser feito. Não é a renda das famílias das crianças que impede alguém de ser alfabetizado. Cabe à prefeitura, ao estado, à sociedade civil, apoiar para que essas crianças consigam efetivamente ter esse resultado. 

Agência Brasil: Efetivamente, quais são os prejuízos de uma alfabetização de baixa qualidade ou fora da idade adequada?

Denis Mizne: A alfabetização é a base de tudo. Se eu não aprender a ler, eu não vou conseguir ler para aprender. A criança que sai do 2º ou do 3º ano [do ensino fundamental] não alfabetizada, o que significa a escola para ela? Como que ela consegue fazer a lição de casa, fazer as provas? Como que ela consegue ler a lousa? Ela não consegue. Então, essa criança não vai abandonar imediatamente a escola, porque é muito pequena, os pais vão mandá-la para a escola. Mas quando chegar à metade do fundamental 2, ou ela vai abandonar ou, se persistir, terá um desempenho muito, muito baixo. 

Agência Brasil: E a médio e longo prazos?

Denis Mizne: Não é um prejuízo somente para essa criança, é para o Brasil. À medida que as crianças não terminam a escola, diferentemente do esperado, não vão poder contribuir com o país da mesma maneira, não irão para ensino superior, ao ensino técnico, e vão ter muitas limitações. Há décadas, o Brasil paga o preço de não dar atenção total à educação básica. Não é suficiente alfabetizar a criança no segundo ano, mas é uma condição absolutamente necessária para que se possa ter uma educação de qualidade e dar também às escolas essa sensação de que toda criança é capaz de aprender.

Agência Brasil: Qual o diferencial de Sobral, no Ceará, para ter conquistado bons índices na educação básica?

Denis Mizne: Prioridade política. Em 2005, Sobral era o município de número 1,5 mil no ranking equivalente do Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica], que avalia o desempenho no fim do 5º ano. Em 2015, Sobral foi o número um, ou seja, subiu 1,5 mil posições em dez anos. Fez isso com trabalho, foco, apoio aos professores, medição para saber o que está acontecendo, e consequências. Se está indo bem, ótimo. Se não está indo bem, o que precisa mudar para ir bem? Lá eles valorizaram se as crianças estavam aprendendo. Porque é para isso que existe a escola, fundamentalmente, para garantir que as crianças consigam se desenvolver, ter seu direito à educação garantido. Aos poucos, isso foi se expandindo a tal ponto que, hoje, Sobral vai bem, não só na alfabetização, mas em todo o fundamental 1, no fundamental 2 e, agora, no ensino médio.

Agência Brasil: E virou exemplo de excelência.

Denis Mizne: O Ceará foi o primeiro a pegar a experiência de Sobral e replicar para todos os seus municípios e se comprometeu a apoiá-los. O ministro [Camilo Santana, do Ministério da Educação] foi governador do Ceará, e a Isolda [Cela], que foi secretária-executiva [do MEC], foi secretária de Educação de Sobral e do Ceará, e governadora do Ceará, levaram essa experiência para todo o país, por meio do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. É preciso sustentar isso no tempo. A gente está só no segundo ano do Índice Criança Alfabetizada. Desejo que isso vire uma política de Estado.

Agência Brasil: Surpreendem os resultados do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), em que crianças que não compreendem leituras, sem falar no aprendizado abaixo da média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em matemática e ciências?

Denis Mizne: Não surpreende, porque não tem milagre. Não há jeito de ignorar os primeiros anos da escola e tentar recuperar tudo aos 15 anos de idade. A aprendizagem é um processo contínuo e que depende de uma coisa para chegar na outra. Se há buracos e eles são ignorados, não tem como desenvolver as próximas habilidades. Então, o descaso com o tema da alfabetização gerou muitos prejuízos. A boa notícia é que não se pode mais falar em descaso, onde todos os governadores estão comprometidos e, praticamente, a totalidade dos municípios fazem a prova do ICA. E ainda, há, agora, incentivos tributários associados à alfabetização, algo que tem muito valor no mundo político, porque ganha-se mais orçamento se eu conseguir fazer bons progressos em alfabetização. O gestor tem apoio do MEC, apoio dos estados, apoio da Fundação Lemann, do Instituto Natura, da Associação Bem Comum, todos trabalhando em direção a garantir a alfabetização. Fizemos uma virada de página importante e vamos colher esses resultados. Não podemos desistir. Ainda tem 40% de crianças não alfabetizadas. Temos que ir atrás e garantir que isso aconteça e, gradativamente, ir melhorando esse processo.

Agência Brasil: O Indicador Criança Alfabetizada usa uma metodologia censitária que avalia todos os alunos do 2º ano do ensino fundamental 1, por meio das avaliações estaduais da educação básica alinhadas ao MEC. A Fundação Lemann concorda com a substituição do Saeb, que faz avaliações por amostragem, pelo novo indicador?

Denis Mizne: Concordo. O Saeb do segundo ano tem uma amostra muito pequena e ele trouxe muitos problemas. O Saeb não é feito para avaliar o aluno. Desde que foi criado, 20 anos atrás, a função do Saeb é avaliar o sistema. O Saeb demora muito para sair, acontece a cada 2 anos, mas é divulgado quase um ano depois da prova, o que é um absurdo. Deveria ser muito mais rápido, mas não é. O Saeb não é uma avaliação para dizer se o aluno está indo bem, mas para dizer como está indo a educação no Brasil, no geral. O que é importante e poucos países fazem. O Brasil faz. Mas para dar mais velocidade, priorizar, oferecer suporte e ter consequências, ter incentivos, é preciso ter uma prova em uma frequência menor e que seja censitária. Por isso, o Índice Criança Alfabetizada é uma boa ideia, porque é censitário e acontece todos os anos. Acho que, a cada ano, conforme for se aprimorando, o índice estará melhor. O importante é que ele foi abraçado.

 

Mega-Sena acumula e prêmio principal vai para R$ 35 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.905 da Mega-Sena, realizado neste sábado (23). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 35 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 04 – 17 – 18 – 26 – 43 – 52

  • 39 apostas acertaram cinco dezenas e irão receber R$ 50.671,85 cada
  • 3.318 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 981,75 cada

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Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de terça-feira (26), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

Municípios reclamam de apoio técnico para universalizar o saneamento

Após 5 anos da entrada em vigor, municípios apontam fragilidades e desafios para o cumprimento do Marco Legal do Saneamento Básico. A insegurança jurídica, carência de apoio técnico e baixa capacidade de investimento são fatores que dificultam a universalização dos serviços, segundo os municípios.  

A lei estabeleceu que todas as localidades brasileiras devem atender a 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033. Mas pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto Trata Brasil mostra, no entanto, que o cenário atual ainda é precário, com 16,9% da população brasileira sem acesso à água potável e 44,8% sem coleta de esgoto.

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A pesquisa mostra também que é necessário praticamente dobrar o investimento para que a meta seja atingida. 

Na avaliação do presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, os municípios que são os principais responsáveis pela oferta dos serviços precisam de mais ajuda dos estados e da União. 

“Para os gestores locais, é imprescindível que a União e os estados garantam apoio técnico-financeiro consistente, planejamento adequado dos blocos regionais e contratos que considerem de fato as realidades municipais, sob pena de se perpetuar desigualdades históricas no acesso ao saneamento”, defende.

Regionalização

Uma das mudanças do Marco Legal é a facilitação na privatização das empresas que prestam esse tipo de serviço. A lei incentiva também a regionalização do saneamento, ou seja, que blocos de municípios possam ofertar juntos o serviço. 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 44,8% dos 5.570 municípios brasileiros, são pequenos e têm até 10 mil habitantes. Dessa forma, a oferta conjunta de saneamento daria maior escala e poderia ser mais barata.

Na prática, no entanto, de acordo com Ziulkoski, a regionalização não tem aumentado significativamente a cobertura dos serviços. 

“Em muitos casos [a regionalização] foi instituída de forma unilateral pelos estados, sem estudos consistentes e sem a participação efetiva dos municípios. Isso gerou arranjos frágeis, voltados principalmente à viabilização de concessões ou privatizações de estatais, e não ao atendimento integral das populações, sobretudo em áreas rurais e periferias urbanas, justamente onde a lei exige cobertura universal”, constata.

Ele ressalta ainda que outro ponto de preocupação da CNM é que a regionalização se concentrou quase exclusivamente em água e esgoto, “negligenciando os demais componentes do saneamento, como resíduos sólidos e drenagem urbana, que seguem como passivos relevantes para os municípios”.

Segundo a CNM, 67% dos municípios já estão inseridos em arranjos regionais, “mas nem sempre participaram das decisões sobre a forma de prestação”. 

É indispensável “que a União assegure apoio técnico qualificado e recursos não onerosos”, defende a CNM.

“Auxiliar os municípios significa não apenas oferecer recursos, mas sobretudo garantir condições estruturais para que possam planejar, decidir e fiscalizar, assegurando que a regionalização e os investimentos previstos se revertam, de fato, em avanços rumo à universalização”, ressalta o presidente da CNM.

A pesquisa do Instituto Trata Brasil mostra que dos 26 estados passíveis de passar pelo processo de regionalização, uma vez que o Distrito Federal é isento desse processo, apenas Minas Gerais e Rio de Janeiro apresentaram regionalização parcial. 

O Amapá, Mato Grosso do Sul e parte do Rio de Janeiro passaram por processos de licitação que já contemplavam a estruturação de blocos regionalizados de prestação dos serviços de saneamento.

“Ainda que a maioria dos estados já tenham leis aprovadas, e que contemplem os seus municípios dentro da prestação regionalizada, ainda está pendente a operacionalização desses blocos, o que representa desafios significativos devido à coexistência de diferentes prestadores de serviços e à necessidade de alinhar os interesses de múltiplos municípios”, aponta o instituto. 

Ministério das Cidades

O governo federal é responsável por coordenar e implementar as políticas públicas de saneamento básico. O Ministério das Cidades, reconhece “a necessidade de acelerar o ritmo de execução, uma vez que a universalização exige esforços coordenados, contínuos e abrangentes”.

“Do lado do governo federal, a política pública está sendo fortalecida com investimentos em todas as frentes do saneamento – abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos sólidos e drenagem urbana -, com atenção especial à redução das desigualdades regionais, à inclusão das populações rurais e à adaptação às mudanças climáticas”, informou o ministério à Agência Brasil.

O ministério destaca como principais ações, o apoio financeiro à implantação de infraestrutura por meio do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a capacitação de técnicos e gestores municipais e o fomento de discussões estratégicas no âmbito do Comitê Interministerial de Saneamento Básico (Cisb), por meio da criação de grupos de trabalho voltados para a regionalização dos serviços de resíduos sólidos urbanos, o desenvolvimento de tecnologias de reuso de água, o armazenamento de água de chuva e a dessalinização. 

“Essas ações visam fortalecer a governança do setor e garantir que os investimentos sejam aplicados de forma eficiente e sustentável”, diz o ministério.

O Ministério das Cidades ressalta que a modernização da prestação dos serviços de saneamento, por meio da digitalização e do uso de tecnologias avançadas, pode ser mais um diferencial para o avanço da universalização. A pasta ressalta, entretanto, que nem todas as empresas estão preparadas para essa transição, “o que reforça a importância de incentivos para inovação e capacitação”.

Para o cumprimento do Marco Legal do Saneamento Básico, o ministério defende ainda que é necessário a cooperação entre as esferas de governo – federal, estaduais e municipais -, a iniciativa privada e a sociedade civil. 

“O novo marco consolidou avanços relevantes, mas impõe a responsabilidade de intensificar a cooperação entre União, estados, municípios, iniciativa privada e sociedade civil para que as metas de universalização sejam alcançadas”, ressalta o Ministério das Cidades.

Petrobras testa capacidade de resposta a incidentes na Foz do Amazonas

A Petrobras e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) preveem começar neste domingo (24) a avaliação pré-operacional (APO) no bloco marítimo FZA-M-59, localizado na Bacia da Foz do Amazonas, na chamada Margem Equatorial.

A APO é um amplo simulado de emergência, exigência que é a última etapa do processo de obtenção de licença ambiental para exploração de petróleo. O exercício simulado foi agendado depois de meses de negociação entre a empresa estatal e o órgão do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) que concede a autorização.

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A Margem Equatorial é vista pela indústria do petróleo como nova fronteira de exploração, com gigante potencial de produção. A proximidade de ecossistemas sensíveis na região, porém, gera preocupações sobre os impactos da atividade. O bloco marítimo FZA-M-59 fica em águas profundas, a 175 quilômetros da costa do Oiapoque, no Amapá.

A sonda NS-42 está posicionada, desde a noite da última segunda-feira (18), no poço Morpho 1-APS-57, onde será feita a perfuração, caso autorizada. Diversos outros equipamentos e estruturas também entrarão em atuação no simulado.

O procedimento simulado deve durar de três a quatro dias, podendo variar, conforme as condições de execução das atividades planejadas.

Estrutura preparada

Durante a APO, é verificada, por meio de simulações, a efetividade do plano de emergência proposto pela Petrobras ao Ibama.

As simulações testarão, na prática, a capacidade de resposta em caso de acidentes com derramamento de óleo, incluindo a eficiência dos equipamentos, agilidade na resposta, cumprimento dos tempos de atendimento à fauna previstos e a comunicação com autoridades e partes interessadas.

De acordo com a Petrobras, o exercício simulado envolverá mais de 400 pessoas. A estrutura mobilizada inclui:

 

Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna mantido pela Petrobras em Belém para a exploração na Margem Equatorial Fernando Frazão/Agência Brasil

As aeronaves poderão ser utilizadas para resgate aeromédico, de fauna e monitoramento. Mais de 100 profissionais estarão dedicados à proteção animal, incluindo médicos veterinários, biólogos e outros profissionais, habilitados para atuar com fauna, segundo a Petrobras.

O procedimento é semelhante ao que a estatal realizou em 2023 para obter licença de perfuração dos poços Pitu Oeste e Anhangá, no litoral do Rio Grande do Norte.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, tem dito que a empresa levará para o Amapá “a maior estrutura de resposta a ocorrências já mobilizada pela companhia”.

Nova fronteira

A Margem Equatorial ganhou notoriedade nos últimos anos, por ser tratada como nova e promissora área de exploração de petróleo e gás. Descobertas recentes de petróleo nas costas da Guiana, da Guiana Francesa e do Suriname, países vizinhos ao Norte do país, mostraram o potencial exploratório da região, localizada próxima à linha do Equador.

>>Saiba como se formaram a Margem Equatorial e o petróleo da região

No Brasil, a área se estende do Rio Grande do Norte até o Amapá. A Petrobras tem poços na nova fronteira exploratória, mas, por enquanto, só tem autorização do Ibama para perfurar os dois da costa do Rio Grande do Norte.

 

Margem Equatorial Brasileira se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá Arte Petrobras/Divulgação

Em maio de 2023, o Ibama chegou a negar a licença para outras áreas, como a da Bacia da Foz do Amazonas. A Petrobras pediu uma reconsideração e espera a decisão.

Além da companhia, setores do governo, incluindo o Ministério de Minas e Energia e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defedem a liberação da licença. No Congresso, presidente do senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem sido um dos principais articuladores para apressar e autorizar a licença.

Segundo a Petrobras, a espera pela licença de exploração custa R$ 4 milhões por dia à empresa.

Pressão de ambientalistas

A exploração é criticada por ambientalistas, preocupados com possíveis impactos ao meio ambiente. Há também a percepção, por parte deles, de que se trata de uma contradição à transição energética, que significa a substituição dos combustíveis fósseis por fontes de energia renováveis, que emitam menos gases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

 

Manifestantes participam de Marcha pelo Clima no Rio de Janeiro Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras insiste que a produção de óleo a partir da Margem Equatorial é uma decisão estratégica para que o país não tenha que importar petróleo na próxima década. A estatal frisa que, apesar do nome Foz do Amazonas, o local fica a 540 quilômetros da desembocadura do rio propriamente dita.

No início de agosto, um comunicado da Academia Brasileira de Ciências (ABC) defendeu mais pesquisas antes de se autorizar perfurações em busca de óleo.

 

Mundial de GR: Brasil conquista prata inédita no conjunto geral

A expectativa do público em torno da participação do time brasileiro no Mundial de ginástica rítmica era enorme. E Duda Arakaki, Nicole Pircio, Sofia Madeira, Mariana Gonçalves e Maria Paula Caminha não falharam e tiveram uma grande performance, neste sábado (23) na Arena Carioca 1 do Parque Olímpico, no Rio de Janeiro, que valeu a conquista de uma inédita medalha de prata na prova geral (que tem a nota composta pela performance na série mista e na série de cinco fitas).

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Na disputa, o Brasil, que somou o total de 55.250 pontos, ficou atrás apenas do Japão, que alcançou 55.550. A medalha de bronze foi garantida pela Espanha, com 54.750 de pontuação. Ao som de “Evidências”, o conjunto conquistou 27.850 pontos na série com 3 arcos e 2 bolas, emocionando o público. Na sequência, voltou à arena com a série das cinco fitas, em uma coreografia que celebrou a cultura brasileira, alcançando 27.400 pontos.

“É muito bom ver nosso sonho sendo realizado depois de tantos anos de trabalho. Deus é tão maravilhoso que colocou a gente dentro da nossa casa, cheia de torcida, familiares e com o nosso time no mais alto nível. Foi a chance da nossa vida e, graças a Deus, com muito trabalho conseguimos essa medalha”, celebrou a treinadora Camila Ferezin em coletiva de imprensa após a cerimônia de pódio.

“Como em todos os momentos da nossa vida, os bons e os ruins, a gente superou trabalhando. E dessa vez não seria diferente. A medalha chegou para concretizar tudo o que trabalhamos nesses anos. Brigamos por medalha em etapas de Copa do Mundo, Mundial, e ela chegou”, declarou a capitã da seleção, Duda Arakaki.

Graças ao histórico resultado alcançado neste sábado, o Brasil também assegurou presença nas finais por aparelho, que serão disputadas neste domingo (24). A partir das 12h50 (horário de Brasília) com a série com cinco fitas e às 15h50 com a série mista.

Em jogo repleto de emoção, Flamengo conquista Intercontinental Sub-20

O Flamengo fez história, na noite deste sábado (23) no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, ao conquistar o bicampeonato da Copa Intercontinental Sub-20. E o título veio em um confronto repleto de emoção, que foi decidido nas penalidades máximas. Após um 2 a 2 no tempo regulamentar, o Rubro-Negro da Gávea bateu o Barcelona (Espanha) pelo placar de 6 a 5 nos pênaltis.

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A equipe brasileira chegou à decisão da competição na condição defensor do título, após triunfar na edição 2024 do Intercontinental Sub-20 ao derrotar o Olympiacos (Grécia) também no estádio do Maracanã.

O jogo

Mesmo atuando em casa, o time comandado pelo técnico Bruno Pivetti não encontrou facilidades diante de um Barcelona que tentava dominar as ações por meio da manutenção da posse de bola. A equipe catalã até mostrou eficiência na sua proposta de jogo, mas não conseguiu segurar o ataque do Flamengo, que abriu o marcador aos 10 minutos do primeiro tempo, quando Lorran aproveitou sobra de bola após jogada de Matheus Gonçalves para bater e superar o goleiro Aller.

Na etapa final o time da Gávea recuou suas linhas e passou a apostar nas jogadas de contra-ataque. Já o Barcelona encontrava dificuldades de ataque mesmo permanecendo com mais posse de bola.

Porém, aos 25 minutos, Virgili fez uma grande jogada pela ponta direita para empatar o marcador. O camisa 7 da equipe catalã recebeu lançamento de Espart, deu um balão em Iago, um drible seco em Carbone e se livrou do goleiro Léo Nannetti para bater para o gol vazio.

A partir daí a equipe catalã tomou conta das ações e o goleiro Léo Nannetti foi obrigado a realizar várias defesas difíceis. No entanto, já aos 49 minutos, o zagueiro Cortés aproveitou bola levantada em cobrança de escanteio para superar o goleiro rubro-negro. Mas o Flamengo não desistiu e precisou de apenas dois minutos para arrancar um empate e levar a disputa para as penalidades máximas. Daniel Sales fez um lançamento longo e Iago cabeceou para encobrir o goleiro Aller.

Decisão nos pênaltis

E as penalidades máximas tiveram um herói, o goleiro Léo Nannetti, que defendeu duas cobranças dos jogadores da equipe catalã para ajudar o Flamengo a vencer pelo placar de 6 a 5 para conquistar a Copa Intercontinental Sub-20 pela segunda vez na história.

Exposições no Sesc abrem Temporada França-Brasil 2025 em São Paulo

As exposições “O Poder de Minhas Mãos” e “PLAY – FITE” abrem neste final de semana a programação da temporada França-Brasil 2025. Pensadas dentro do eixo de celebrações culturais entre os dois países, as mostras podem ser visitadas até dezembro.

A temporada França-Brasil é composta por uma série de exposições, além de encontros artísticos, científicos e sociais sob temas como clima, diversidade e democracia. Marca os 200 anos das relações diplomáticas entre as duas nações e nascerem do diálogo entre os presidentes Lula e Macron em 2023. As primeiras atividades, em Brasília, se deram no Festival Convergências, que começou dia 18 e se encerra neste sábado (23). A programação foi composta por música instrumental, exposições, arte circense e debates sobre inovação e cultura. 

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Também neste sábado começam as atividades na capital paulista.  O Sesc Pompeia inaugura a exposição “O Poder de Minhas Mãos”, com obras de artistas negras de África, da diáspora e do Brasil, que transformam temas íntimos em atos políticos. A cidade também recebe o espetáculo acrobático Les Voyages, da companhia Cie XY, no Parque da Independência, além da performance “Atomic Joy”, de Ana Pi, na Pinacoteca, que transforma a alegria em forma de resistência. A abertura musical fica por conta do Concerto Noite França-Brasil, unindo artistas dos dois países e da África. Os detalhes da programação podem ser conferidos no site do evento.

A exposição coletiva “O Poder de Minhas Mãos” conta com curadoria de Odile Burluraux, do Museu de Arte Moderna de Paris, Suzana Sousa, curadora independente angolana, e de Aline Albuquerque, artista visual e curadora com atuação em Fortaleza (CE). A exposição se baseia em valores de autorrepresentação, resistência, memória e invenção de mundos, e amplia mostra apresentada em Paris na Temporada África 2020. Às artistas africanas se somam brasileiras, perfazendo 25 participantes: Aléxia Ferreira, Aline Motta, Ana Pi, Ana Silva, Buhlebezwe Siwani, Castiel Vitorino Brasileiro, Dhiovana Barroso, Eliana Amorim, Fabiana Ex-Souza, Gabrielle Goliath, Gê Viana, Grace Ndiritu, Kapwani Kiwanga, Jasi Pereira, Lebohang Kganye, Lerato Shadi, Lidia Lisbôa, Lucimélia Romão, Pedra Silva, Reinata Sadimba, Senzeni Marasela, soupixo, Stacey Gillian Abe, Terroristas del Amor e Wura-Natasha Ogunji.

A exposição ficará aberta para visitação até 18 de janeiro de 2026 e é dividida em quatro eixos curatoriais: Estórias Pessoais, Histórias e Ficções, O Pessoal é Político e Performances. Nestes eixos, o público toma contato com um panorama da arte contemporânea produzida por mulheres racializadas que vivem e criam a partir de diferentes territórios e contextos socioculturais. As obras abordam temas como ancestralidade, identidade, espiritualidade, corpo, afeto, relações de poder, trabalho e dinâmicas de exclusão e pertencimento.

“Ao conjugar beleza e denúncia, ancestralidade e invenção, a produção artística negra tensiona as fronteiras entre arte e vida, política e poética. É nesse gesto de ruptura – e de criação constante – que ela contribui efetivamente para a luta antirracista: abrindo espaços de reconhecimento, pertencimento e possibilidade onde antes havia apenas apagamento. Ela não ilustra a resistência – ela é, por si, resistência em forma sensível”, defende a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, em um dos textos de apresentação da mostra. 

“Se o mar tivesse varandas”, da artista Aline Mota. Foto:Divulgação.

Arte têxtil estará em Pinheiros

Neste domingo (24) será inaugurada outra exposição da Temporada, a PLAY – FITE. Com obras exibidas na Bienal Têxtil de Clermont-Ferrand, em 2024, organizada pelo Museu Bargoin, ela destaca a produção artística feita a partir de elementos têxteis, com mais de 40 obras. Entre os países representados nas obras exibidas estão Brasil, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Marrocos, Holanda e Uzbequistão.   

 A proposta da exposição é de destacar a relação entre técnicas de produção têxtil e o universo lúdico, presente em jogos e brincadeiras. Os visitantes podem conferir as obras de artistas brasileiros e estrangeiros até o dia 25 de janeiro.

“Tendo como mote inspirador os jogos, que permitem tempos em suspensão para o exercício da imaginação e da brincadeira, as obras se apresentam como fios entrelaçados, delineando condições para o desenvolvimento da criatividade e de novas ideias no tecido social. Orientado por sua atuação socioeducativa, o Sesc celebra o fortalecimento das parcerias institucionais, e recebe a mostra em sua ludicidade, na expectativa de possibilitar momentos de descontração e também de reflexão”, afirma Luiz Deoclecio Massaro Galina, Diretor do Sesc São Paulo.

O grupo internacional de artistas que integram a exposição é composto por: Awena Cozannet, Bas Kosters, Hannah Epstein, Mark Newport, Saïd Atabekov e Dilyara Kaipova.  A seleção inclui, ainda, obras de Sheryth Bronson, Donna Ferguson e Beryl Bell, que compõem o coletivo Tjanpi, e entre quimonos e leques japoneses, móbiles beduínos, fantasias de mascarados nigerianos e bolas de seda chinesas, um significativo conjunto de peças e objetos da coleção do Museu Bargoin. Seis artistas internacionais também compõem o programa de residência da mostra. São eles: Arnaud Cohen, Delphine Ciavaldini, Nikita Kravstov, Roméo Mivekannin e Sabrina Calvo.

Representando o Brasil, participam: Alexandre Heberte, Alex Flemming, Anna Mariah Comodos, Elen Braga, Felipe Barbosa, Gina Dinucci, Leda Catunda, Mestre Nato, Tales Frey e Ivan Cardoso, que apresenta seu curta metragem HO (1979), documentário sobre Hélio Oiticica. 

A mostra se estrutura em três núcleos principais que abordam os seguintes temas: a influência de brincadeiras populares e do digital na nossa relação com o real; o mercantilismo do jogo e a manipulação das massas para recuperação e transformação de culturas tradicionais; e questões identitárias e a relação com o corpo, suas funções simbólicas e sociais. Segundo a organização, PLAY convida o público a “entrar no jogo”, explorar fronteiras entre o real e o virtual e a refletir sobre as regras, os desejos e os limites que constituem parte da vida cotidiana.

“A arte contemporânea deixou de ser restrita aos iniciados. O têxtil passou a se afirmar como um meio maior da arte contemporânea. Milenar em sua realização, ele revela sua continuidade criadora imutável, afirmando seu papel de apoio ao pensamento, à expansão de olhares, ao desenvolvimento de seu livre arbítrio”, defende Christine Athenor, diretora da HS_Projets e curadora geral da FITE.

Morre o pianista Miguel Proença, aos 86 anos

O piano está silente. As notas que dele saíram, fluidas e melodiosas, dão lugar ao vazio do luto. Sem colcheias, semínimas ou semibreves, apenas uma pausa infinita. É assim que o instrumento de trabalho de Miguel Proença recebe a notícia de sua morte.

O pianista gaúcho de renome internacional faleceu nessa sexta-feira (22), aos 86 anos. Ele estava internado desde junho no Hospital São Vicente, na Gávea, bairro do Rio de Janeiro. Proença teve falência múltipla de órgãos.

Nascido em Quaraí, na fronteira com o Uruguai, Miguel Proença ganhou o mundo à frente de um piano. Foi um dos grandes porta-vozes da música erudita brasileira na Europa, Ásia e América do Norte. Lecionou na Alemanha e no Rio de Janeiro e deu enorme contribuição para a música erudita brasileira.

“Ele foi um pianista maravilhoso. Ele tinha uma visão da música brasileira quando não se tinha”, explica o Gerente Executivo de Rádios da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Thiago Regotto.

“Como ele conviveu com parte dos grandes compositores, com Villa Lobos, com Camargo Guarnieri, com Radamés Gnattali, ele sabia na fonte qual era a importância da música brasileira de concerto. E ele gravou esses compositores e essas gravações circularam o mundo. Então, ele foi um dos pianistas responsáveis por levar a música brasileira de concerto para o exterior”, acrescenta.

Rádio MEC

Proença também produziu e apresentou programas na Rádio MEC entre as décadas de 1970 e 1990. No veículo, que atualmente integra a rede de comunicação pública da EBC, ele esteve à frente do clássico Música e Músicos do Brasil, programa que existe desde 1958. Nele, entrevistava grandes nomes da música erudita.

Na Rádio MEC, também produziu a série A Arte do Piano, onde contava a história de pianistas célebres e mostrava algumas de suas gravações.

Miguel Proença concedeu entrevista ao jornalista Roberto D’Avila na TV Brasil, em 2012. Foto: Ana Paula Oliveira Migliari

O pianista não ficava só à frente das teclas. Por vezes, trocava o piano pelas mesas de trabalho, quando foi presidente da Fundação Nacional das Artes (Funarte) e Secretário Municipal de Cultura do Rio de Janeiro. Também foi diretor da Sala Cecília Meirelles. “Essa veia na gestão foi uma veia praticamente única, pioneira, de artistas compositores que começaram a migrar para a gestão da cultura. Ele fez isso durante vários momentos da carreira dele”, contou Regotto.

Duas paixões

“O primeiro contato com a música se deu quando ouvi pela primeira vez o som de um piano, passeando com minha mãe, vindo de um casarão, na minha cidade natal. Foi paixão à primeira vista”, disse o músico, em entrevista concedida ao Instituto do Piano Brasileiro, em 2016. Começou a estudar piano aos 15 anos e, anos mais tarde, passou a dividir suas atenções entre a música e o curso de odontologia.

Mas foi outra paixão que o motivou a seguir carreira no piano e largar os consultórios. Apaixonou-se pela também pianista Marly Lisboa. E incentivado por ela, aprofundou seus estudos no piano e uniu as duas grandes paixões. Tornou-se um grande pianista e casou-se com Marly. O casamento ocorreu na Alemanha, onde tinha bolsa de estudos garantida pelo governo daquele país.

Homenagem

Miguel Proença será devidamente lembrado na rádio onde trabalhou. A partir da próxima segunda-feira (25), a Rádio MEC tocará suas gravações e resgatará alguns de seus programas. “É um artista que vai deixar seu legado para a cultura brasileira, tem sua importância para a história da Rádio MEC e sempre será lembrado. Vamos homenageá-lo muito na semana que vem”, revelou Thiago Regotto.

Declaração de Bogotá avança em coordenação, mas frustra em metas

Chefes de Estado e representantes de países membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) divulgaram neste sábado (23) a Declaração de Bogotá, aprovada no dia anterior, na capital colombiana, durante o quinto encontro de líderes regionais, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O evento serviu como plataforma para atualizar compromissos dos países que compartilham a maior floresta tropical do planeta na proteção do bioma. Também foi mais uma oportunidade de engajar os vizinhos no esforço de participação na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará, a primeira realizada em solo amazônico.

“O resultado da cúpula de Bogotá foi positivo. A declaração consolida o ciclo iniciado em Belém, reafirma a Declaração de Belém (2023) como o quadro de referência da cooperação regional amazônica e estabelece direções claras para ação imediata em clima, florestas, biodiversidade e restauração, bioeconomia, proteção de povos indígenas, segurança ambiental e fortalecimento institucional — com impulso direto à cooperação regional”, afirmou à Agência Brasil o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

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Entre os pontos da declaração, os países amazônicos reforçaram a urgência de ações coordenadas contra o desmatamento e a perda de biodiversidade, alinhadas ao Acordo de Paris, para evitar o chamado “ponto de não retorno” da floresta, um limite a partir do qual a floresta pode não conseguir mais se regenerar e entrar em um colapso irreversível, transformando-se em um bioma mais seco, menos denso, e perdendo a capacidade de absorver carbono e ajudar a regular o clima global. A falta de metas mais claras sobre isso frustrou integrantes da sociedade civil que participaram da cúpula em Bogotá.  

“Em 2023 nossa luta foi para evitar que a Amazônia chegasse ao ponto de não retorno. Aqui em Bogotá o que escutamos de especialistas, lideranças indígenas, ribeirinhos, dos povos da floresta, é que a Amazônia já está no ponto de não retorno, ou seja, o risco é absoluto e os desafios ainda maiores. Os dados sobre queimadas na Amazônia no ano de 2024, principalmente na Bolívia e no Brasil, corroboram o que os povos percebem na prática. Nesse sentido, é preocupante que mais uma vez não tenhamos metas firmes e concretas contra o desmatamento e a perda da nossa floresta”, aponta João Pedro Galvão Ramalho, coordenador de articulação do coletivo Pororoka e membro do Comitê Internacional do Fórum Social Pan-Amazônico (FOSPA).

Para o MMA, a questão do ponto de não retorno ainda não está dada concretamente. A pasta destacou a criação, pelos governos da região, de um grupo científico especializado.

“A literatura não chegou a um consenso em relação a qual é, exatamente, o ponto de não retorno da Amazônia. Há referências importantes, como o trabalho do professor Carlos Nobre. A decisão de estabelecer o Painel Intergovernamental Técnico-Científico da Amazônia no âmbito da OTCA, que consta na declaração assinada pelos presidentes na Cúpula de Belém, em 2023, deve avançar nessa resposta”.
 

Combustíveis fósseis

A mesma preocupação sobre a falta de metas para o desmatamento, segundo João Pedro Ramalho, se aplica ao tema da transição energética e a exploração de combustíveis fósseis, que dividiu os países da região na declaração de Bogotá. “O tema é mencionado somente no preâmbulo da declaração e reconhece a necessidade de ‘avançar em direção a uma transição energética justa, ordenada e equitativa’. Sabemos que o governo colombiano direcionou esforços para incluir na declaração a saída de uma economia baseada no extrativismo fóssil, como a exploração de Petróleo e Gás. Já o governo brasileiro manteve sua posição oficial que é a que lemos no preâmbulo. Peru, Equador e Venezuela foram os que se opuseram”, observa.

Para o ativista climático, a exploração de combustíveis fósseis na Amazônia abre um prognóstico ameaçador para o bioma.

“Quase um quinto das novas descobertas de petróleo em todo o mundo entre 2022 e 2024 ocorreram na Amazônia. E a maioria se sobrepõe a territórios de povos e comunidades indígenas, tradicionais ou áreas de conservação. O fato de a Amazônia estar se tornando a nova fronteira para a exploração de combustíveis fósseis representa um grande perigo e ameaça essa região sensível e megadiversa que, se devidamente cuidada, desempenha um papel fundamental no enfrentamento da crise climática”.

Mecanismos de coordenação

Já a expansão da participação social no âmbito do Tratado de Cooperação Amazônica vem sendo muito celebrada pelas organizações da sociedade civil. “O presidente Lula mencionou em seu discurso a importância de se criar a OTCA Social, que é o mecanismo proposto pela sociedade civil para que ela se integre à OTCA de maneira permanente e oficial, foi uma das maiores conquistas aqui em Bogotá. O mesmo pode ser dito à implementação do Mecanismo Amazônico de Povos Indígenas, que também é um instrumento para garantir participação, mas reservado aos povos indígenas. Estes mecanismos, se e quando plenamente implementados permitirão que os povos da Amazônia sigam desempenhando o papel fundamental que tem na política regional”, avalia João Pedro Ramalho.

Outros avanços em coordenação regional, segundo o MMA, se deram no âmbito da cooperação policial, judicial e de inteligência; rastreabilidade do ouro; enfrentamento da mineração ilegal e do tráfico de fauna e flora. Em termos institucionais, a Declaração de Bogotá também impulsionou o protocolo de emenda que eleva a reunião de presidentes à instância máxima da organização, além de um compromisso com o fortalecimento da Secretaria Permanente.

Outros pontos

A Declaração de Bogotá também reafirmou a proteção diferenciada aos Povos Indígenas em Isolamento e Contato Inicial (PIACI), com base nos princípios de não contato e intangibilidade e se comprometeu em fortalecer a salvaguarda de conhecimentos ancestrais e do patrimônio cultural imaterial da Amazônia, reconhecendo sua contribuição para a sustentabilidade.

O bloco ainda apoiou, inclusive por meio de comunicado conjunto próprio, o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, da sigla em inglês), durante a COP30 em Belém, que pode beneficiar diretamente cerca de 70 países para que mantenham duas reservas florestais protegidas.

 

Agosto mantém baixos índices de queimadas após semana crítica

Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que agosto de 2025 reverteu a tendência de aumento em queimadas no país, com exceções no Pampa e na Caatinga, e apresentou o menor número absoluto de focos desde 2019, considerando o total de focos até o dia 22 de agosto em todos os anos. O monitoramento, que indica o total de focos de queimada, aponta queda substancial, de 59% do total de focos monitorados por satélite. Na última quarta-feira (20) o Mapbiomas já havia divulgado balanço de área queimada em julho, também a menor para o mês desde 2019.

O resultado é positivo pois agosto está no meio do período seco, que vai de maio a outubro. Em 2024 o país registrava 97.742 focos de queimada entre 01/01 e 22/08. Neste ano foram registrados, no mesmo intervalo, 39.740 focos. Apenas 9 das 27 Unidades Federativas tiveram aumento no número de focos em relação ao ano passado: Amapá (40%), Bahia (18%), Ceará (6%), Paraíba (83%), Pernambuco (52%), Piauí (23%), Rondonia (47%), Rio Grande do Sul (9%) e Sergipe (91%). Destes, apenas Bahia, Piauí e Rio Grande do Sul registraram mais de 1000 focos. Mesmo com queda acentuada, de 69%, o Mato Grosso foi novamente o estado com mais focos, 19.032 registrados em 2024 frente a 5.760 registrados este ano, segundo melhor resultado do estado na série histórica do INPE, superando somente o total de focos em 2011, quando 5.468 foram registrados no período.

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Os motivos potenciais são vários. Para o Mapbiomas, a melhora é relacionada principalmente ao retorno das chuvas no inverno, mas também a um uso menor do fogo como instrumento de preparação de terrenos, principalmente em estados da Amazônia. Em julho eles já haviam indicado que o Cerrado foi o bioma com maior área queimada no período, com 1,2 milhão de hectares – metade de toda a área queimada no Brasil em 2025. Na Amazônia, uma área de 1,1 milhão de hectares foi queimada entre janeiro e julho, uma redução de 70% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número representa a menor área queimada na Amazônia no período desde 2019. No levantamento do INPE esses patamares permanecem considerando o mês de agosto.

Em São Paulo, onde a Defesa Civil estadual registrou queda de 75% nos focos na primeira quinzena do mês, houve investimento em monitoramento e treinamento de equipes locais de resposta, somados às melhores condições climáticas. O estado mantém equipes de prontidão desde o começo da estiagem. Entre os dias 1º e 15 de agosto foram contabilizadas 148 ocorrências em 2025. Em 2024 foram 548.

Todo o centro, norte e noroeste paulistas estão em alerta desde a última quarta-feira, quando foram considerados áreas de risco elevado para queimadas e incêndios espontâneos. O tempo em todo o estado é quente e seco, o que deve começar a amenizar já a partir de amanhã, com mínimas em torno de 15 graus. A umidade relativa do ar também deve melhorar. Nesta sexta-feira (22), cerca de 50 municípios registraram umidade abaixo dos 20%. Em Ituverava, cidade ao norte do estado, perto de Barretos e Ribeirão Preto, foi registrada a umidade relativa mais baixa, com 11%. A região é grande produtora de cana-de-açúcar e laranja, e foi impactada fortemente pelo fogo em 2024.

Seca avança, principalmente no Nordeste

Também esta semana, a Agência Nacional de Águas (ANA) divulgou atualização de seu Monitor de Secas, informando que houve um abrandamento do fenômeno em dois estados: Amazonas e Sergipe. No sentido oposto, a seca se intensificou em julho em outros 14 estados: Alagoas, Acre, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo. O Amapá e o Mato Grosso seguiram livres de seca, enquanto em Roraima o fenômeno deixou de ser observado, devido ao volume de chuvas acima da média.

A Caatinga nordestina voltou a registrar Seca Extrema, segundo pior índice no monitor da seca. Os dados da ANA abrangem o mês de julho deste ano.

Países defendem fundo florestal com recursos carimbados para indígenas

Os países que integram a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) divulgaram neste sábado (23) um comunicado conjunto em defesa do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, da sigla em inglês), que será lançado oficialmente em novembro, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém.

O comunicado foi aprovado durante a 5º Cúpula da OTCA realizada em Bogotá, na Colômbia, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

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O fundo será um mecanismo de financiamento, no valor previsto de US$ 125 bilhões (cerca de R$ 680 bilhões), destinado a preservar esses biomas florestais, presentes em cerca de 70 países, e que são cruciais para a regulação do regime de chuvas e captura de carbono na atmosfera.  

“O TFFF é complementar, e não excludente, a outras iniciativas existentes e permite avançar no cumprimento dos compromissos assumidos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e no Acordo de Paris, adotado em seu âmbito, na Convenção sobre Diversidade Biológica e seu Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, na Agenda 2030, bem como em outros instrumentos multilaterais pertinentes”, diz um trecho do comunicado conjunto.

Idealizado pelo Brasil, em articulação com a Colômbia, Noruega, Reino Unido, França e Emirados Árabes Unidos, o fundo também vem sendo apoiado por nações que contam com enormes extensões de florestas tropicais, como Gana, República Democrática do Congo (RDC), Malásia e Indonésia.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre também terá, entre suas regras, o repasse direto de 20% do total de seus recursos para comunidades de povos indígenas e tradicionais que vivem e preservam esses biomas, reforçando o papel comunitário na preservação. Cada hectare preservado será remunerado no valor de US$ 4.

“O desenho do TFFF incorpora, como princípio fundamental, o reconhecimento e a valorização do papel desempenhado pelos Povos Indígenas e Comunidades Locais na conservação das florestas tropicais, o que se reflete, entre outras medidas, em uma alocação apropriada de recursos, em retribuição às suas ações de conservação e de desenvolvimento sustentável, reconhecendo as especificidades de cada país”, aponta o comunicado da OTCA.

Arte indígena ganha exposição em Petrópolis

A exposição “Insurgências Indígenas: Arte, Memória e Resistência” reúne, até fevereiro do ano que vem, 250 obras de 54 artistas indígenas de diferentes etnias do Brasil nos espaços do Centro Cultural Sesc Quitandinha, em Petrópolis (RJ). O público conhecerá criações dos povos Tukano, Desana, Tikuna, Mbya Garani, Xavante, Karapotó, Tupinambá, Palikur-Arukwayene, entre outros.

A iniciativa de reunir artistas indígenas partiu do curador Marcelo Campos e da antropóloga Sandra Benites, que pensaram em diversas etapas até culminar na exposição completa na qual pinturas, esculturas, fotografias e instalações representam identidades e memórias.

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Na apresentação e abertura, artistas e organizadores convidam o público a ter um novo olhar sobre os povos indígenas a partir da arte que produzem.

‘’Essa mostra insurgente é uma afirmação de que temos direito de existir em nossa multiplicidade. São 525 anos de luta, acredito que começamos a ocupar esse espaço em forma de diálogo e não em forma de embate, então para você ocupar é preciso também entrar no jogo da colonização para assim fazer que o diálogo aconteça’’, ressaltou a curadora e antropóloga Sandra Benites.

 

Artistas e curadores durante abertura da exposição Insurgências Indígenas – Arte, Memória e Resistência, no Sesc Quitandinha, em Petrópolis. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil 

Sandra Benites, da etnia Guarani, também contou que os encontros preliminares de Tata Ypy (em Guarani, “a origem do fogo”) tiveram início em maio e funcionaram como rodas de conversa e compartilhamento de saberes ancestrais, refletindo sobre a atualidade do que é ser indígena no Brasil.

‘’Cada fogueira representa um espaço de troca de saberes, preservação da memória oral e afirmação da resistência cultural’’, relembra Benites.

Para o curador  Marcelo Campos, a pluralidade e diversidade da arte realizada por indígenas, precisava de um espaço conjunto para se correlacionar. “Ao trazer artistas de norte a sul do país, a exposição amplia a visibilidade da produção artística indígena, ao mesmo tempo em que relaciona contextos distintos, como as discussões de gênero, direito à terra, memória, repatriação, tecnologias ancestrais em relação a cultivo dos alimentos, entre outras lutas políticas, mostrando as pautas recorrentes no movimento indígena”, diz.
 

Exposição Insurgências Indígenas – Arte, Memória e Resistência, no Sesc Quitandinha, em Petrópolis. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Um dos artistas indígenas presentes no ato da abertura e como obras expostas, o guarani Xadalu Tupã Jekupé, ligado ao povo que habitava as margens do Rio Ibirapuitã, no Rio Grande do Sul, leva suas visões e inquietações das aldeias para a cidade em forma de arte urbana, mostrando os contrastes sociais entre a cultura indígena e a cultura ocidental : ‘’Eu comecei o movimento de arte indígena urbana em Porto Alegre no início dos anos 2000 e naquele tempo eu fazia algo por protesto. Pegava os problemas da aldeia e trazia para a arte. Mas o importante agora, é ocupar esses espaços, poder colocar nossa narrativa com o nosso ponto de vista da nossa história’’, conclui Xadalu, que faz parte de uma geração de artistas ativistas voltados para o debate e luta contra o apagamento da cultura indígena no Rio Grande do Sul.

A arquiteta Teka Mesquita durante abertura da exposição. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil 

O artista amazonense, Rodrigo Duarte, trouxe seu olhar para a exposição com suas obras e também como assistente de curadoria. Participou do processo de construção de linguagem e produção da exposição. “O meu desafio de estar trabalhando com o Marcelo Campos, um grande curador e diretor do Museu de Arte do Rio e Sandra Benites, primeira curadora indígena, foi trazer as insurgências indígenas na  arte, na memória e na resistência como um levante  poético,  artístico, mas também político.

Para quem visitou a exposição, como a arquiteta Teka Mesquita , a experiência foi única. “Estou profundamente feliz e impactada com as obras que vi. senti a importância de ver de perto esse acervo com tantos saberes vivos na nossa história. entender tudo isso é viver a cultura indígena como parte das nossas raízes’’.

 

 

Alckmin: tarifaço de Trump afeta 3,3% das exportações brasileiras

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou neste sábado (23) que o Brasil vai superar a crise comercial aberta com as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos (EUA) e lembrou da menor dependência em relação ao mercado norte-americano, comparado a décadas passadas.

“Vai passar. Na década de 1980, era 24% a nossa exportação para os EUA, praticamente um quarto das exportações brasileiras. Hoje, é 12%. E o que está afetado é 3,3%. Isso é o que está afetado no tarifaço”, observou o vice-presidente, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, durante participação em debate sobre conjuntura política promovido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília.

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Alckmin lembrou que, no momento, cerca de 36% das exportações aos EUA são as mais afetadas pela tarifa de 50%, e que elas atingem de forma mais preocupante alguns setores da indústria de manufatura, como máquinas e equipamentos e indústria têxtil.

“Indústria de máquinas, equipamentos, calçados e têxtil. Esses são os que sofrem mais. Porque comida, [como] carne, se eu não vendi lá, eu vou ter outros mercados. Não vai cair o mundo. Café, se eu não vendi lá, vou vender em outro lugar. Agora, produto manufaturado é mais difícil de você realocar. Acaba realocando, mas demora um pouco mais”, pontuou o vice-presidente, que vem atuando como o principal negociador do Brasil nessa questão.

“Não vamos desistir de baixar essa alíquota e tirar mais produtos”, insistiu o vice, ao lembrar que cerca nem todo produto exportado pelo Brasil foi sobretaxado. Cerca de 42% deles ficaram de fora da alíquota de 50%, enquanto outros 16% foram incluídos em taxas que atingem outros países na mesma proporção, como é o caso do aço, alumínio e cobre.

Como alternativa, ressaltou Alckmin, o país deverá expandir mercados, com a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que pode ocorrer até o fim do ano, além de outras tratativas, como o acordo do Mercosul com o EFTA (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça), Singapura e Emirados Árabes Unidos.

Alckmin também destacou as medidas anunciadas pelo governo federal para reduzir os impactos negativos causados aos exportadores brasileiros com o tarifaço, como abertura de linha de crédito, suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados (drawback) e aumento do percentual de restituição de tributos federais a empresas afetadas.

No âmbito internacional, o vice-presidente citou a reclamação aberta pelo governo brasileiro na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas norte-americanas e prevê que o caso pode chegar também a tribunais dos EUA. “Você não pode usar política regulatória por razões partidárias, políticas”, comentou.