Morre Miguel Uribe, pré-candidato à presidência da Colômbia

O senador e pré-candidato à presidência da Colômbia, Miguel Uribe Turbay, de 39 anos, morreu nesta segunda-feira (11) após mais de dois meses hospitalizado por dois tiros recebidos na cabeça em Bogotá, no dia 7 de junho deste ano.

O hospital Fundação Santa Fé informou que Miguel Uribe faleceu as 1h56min desta madrugada e que a equipe da instituição “trabalhou incansavelmente durante esses mais de dois meses”.

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O atentado mobilizou a opinião pública da Colômbia, país marcado por um longo histórico de violência política com sucessivos atentados ao longo das décadas contra lideranças políticas, populares e sindicais.

O atentado também mobilizou autoridades dos Estados Unidos (EUA), que atribuiu a violência à “retórica” do atual governo. Já o presidente Gustavo Petro condenou o uso político do atentado e sugeriu que a ação poderia ter sido orquestrada para desestabilizar seu governo.

O atentado ocorreu em meio a campanha pela consulta popular a favor da reforma trabalhista defendida pelo Executivo do país. 

Um adolescente de 15 anos foi preso acusado pelos disparos e o governo ofereceu US$ 730 mil por informações que levem aos mandantes intelectuais do atentado.

O senador da oposição era filiado ao partido Centro Democrático, legenda do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez. Apesar do sobrenome comum, Miguel não tinha parentesco direto com o ex-presidente Álvaro Uribe. O pré-candidato Miguel Uribe Turbay é neto de Julio César Turbay, presidente da Colômbia pelo Partido Liberal entre 1978 e 1982.

Ex-vereador e ex-secretário de Governo de Bogotá, Miguel Uribe Turbay foi eleito senador para o período de 2022 a 2026. Quando tinha apenas 5 anos de idade, a mãe dele, jornalista e apresentadora de TV Diana Turbay, foi sequestrada e morta pelo grupo de narcotraficantes de cunho paramilitar liderada por Pablo Escobar, que tentava derrubar o tratado de extradição da Colômbia com os Estados Unidos.

Enamed: começa prazo para recurso sobre atendimento especializado

Os inscritos no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) que pediram tratamento pelo nome social e atendimento especializado já podem verificar o resultado na Página do Participante Enamed.

O prazo para recurso por indeferimento começa nesta segunda-feira (11) e termina no dia 15 de agosto.

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O resultado dos recursos será divulgado no dia 20 de agosto. As provas serão aplicadas no dia 19 de outubro, de acordo com o edital de retificação.

O Enamed é a nova avaliação aplicada aos concluintes dos cursos de medicina para verificar se os estudantes adquiriram as competências e habilidades exigidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs).

A iniciativa substitui o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) para avaliar os cursos de medicina e será aplicada anualmente.

Obrigatoriedade

O exame é obrigatório a todos os concluintes do curso de medicina no país. Para participar, o estudante deve ter sido inscrito no Enade 2025 pelo coordenador do curso na instituição de ensino onde estuda.

O exame é composto por 100 questões objetivas de múltipla escolha com conteúdo referentes às áreas de clínica médica; cirurgia; ginecologia e obstetrícia; pediatria; medicina da família e comunidade; saúde coletiva e saúde mental.

Médicos formados podem participar do Enamed para concorrer a programas de residência médica de acesso direto pelo Exame Nacional de Residência (Enare). As regras do Enare 2025 foram publicadas pelo MEC, em portaria.

Iphan faz atividades gratuitas e divulga Patrimônio Cultural do Brasil

A diversidade do patrimônio cultural do Brasil estará presente na série de atividades à disposição do público, desta segunda-feira (11) à próxima sexta (15), no prédio da Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Rio de Janeiro, na Avenida Rio Branco, 46, no centro da cidade.

As atividades gratuitas, como apresentações musicais, oficinas e rodas de conversa, estão incluídas em ações definidas pelo Iphan com o tema Mês do Patrimônio – Participação Social, Territórios e Sustentabilidade. A proposta é uma agenda descentralizada e colaborativa, a ser praticada nas suas superintendências regionais, em parceria com a sociedade civil organizada em todo o país.

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“Os territórios e comunidades são a temática do Mês do Patrimônio do Iphan. A gente tentou juntar esses dois conceitos, que são a mola mestra do patrimônio cultural em atividades que envolverem as duas coisas e nada melhor do que escola, patrimônio e música”, disse a superintendente do instituto no Rio, Patricia Wanzeller, em entrevista à Agência Brasil.

A programação prevê um debate sobre a cultura afro-brasileira e a escolha do Bembé do Mercado como enredo da Beija-Flor de Nilópolis. A escola de Samba vai apresentar na avenida, no carnaval de 2026, a história desse que é o maior candomblé de rua do mundo, reconhecido, desde 2019, como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A conversa, na quarta-feira (13), terá a participação do carnavalesco Mílton Cunha e de representantes da azul e branco da Baixada Fluminense. No mesmo dia, uma apresentação da bateria da Beija-Flor de Nilópolis vai animar o público.

O samba não será o único gênero musical no encontro. As atividades têm ainda o Choro no debate Entre cordas e sopros: o Choro como Patrimônio Cultural do Brasil e um show do grupo Caras & Coroas. A presença feminina no Forró e na Literatura de Cordel terá destaque com uma apresentação, na quinta-feira (14), do Projeto Mulher Forrozeira, além da presença do Jongo, importante manifestação cultural afro-brasileira característica da Região Sudeste. “Este ano, a gente terá como foco não só o forró. Vamos falar da mulher no forró, um papel que ainda precisa ganhar visibilidade”, afirmou.

Oito anos após o reconhecimento como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), os participantes vão receber informações sobre a importância do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, na região portuária da capital. O debate terá a participação do historiador, escritor e mestre em bens culturais Thiago Gomide, da jornalista Mônica Sanches, de Alexandre Nadai, do Instituto Pretos Novos, de Gracy Moreira, da Casa da Tia Ciata, e de e Célio Oliveira, do grupo Afoxé Filhos de Gandhi. A mediação será do representante regional no Rio de Janeiro da Fundação Cultural Palmares, Eliel Moura.  

Alunos

A programação inclui ainda uma mesa de debates com o tema Jogos para uma Educação Patrimonial. De acordo com a superintendente, o objetivo é utilizar os jogos “para levar às crianças o conhecimento do que é um patrimônio cultural”. Em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio, será oferecida a oficina de educação patrimonial com Experimente Cultura, Maloca Games e Mestre Griô e a oficina do Afoxé Filhos de Gandhi, as duas destinadas a alunos da rede municipal de ensino.

“Temos um acordo de cooperação com a Secretaria Municipal de Educação e todos os dias haverá turmas de escolas que ficam perto aqui do Iphan, que vão participar de oficinas e de apresentações”, disse.

O público poderá acompanhar também oficinas, exibição do filme Choro, participar de visitas guiadas ao prédio da superintendência e assistir a apresentações de manifestações culturais reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil. Além disso foi montada nas instalações do Iphan a Feira Circuito Carioca, em que os expositores levarão seus produtos como Literatura de Cordel e Matrizes Tradicionais de Forró.

Dia do Patrimônio

Comemorado em 17 de agosto, o Dia do Patrimônio foi escolhida para homenagear o advogado e escritor Rodrigo Melo Franco de Andrade, que fundou o órgão em 1937. De acordo com o Iphan, a intenção de ter uma data específica é “celebrar e promover a preservação do patrimônio cultural brasileiro, tanto material quanto imaterial”.

O último dia do encontro terá também a Exposição das Bonecas de Artesãs do Quilombo São José da Serra, do município de Valença, no Vale do Café, no estado do Rio. A oficina de Jongo será com grupo do Quilombo São José da Serra em mais uma atividade exclusiva para alunos da rede municipal de ensino.

No encerramento haverá uma homenagem aos Amigos do Patrimônio do Rio de Janeiro e uma apresentação da Roda de Jongo do Quilombo São José da Serra. “A gente passeou pelas comunidades que habitam o cenário da sociedade carioca e as territorialidades dentro das expressões culturais que elas representam”, completou Patrícia Wanzeller.

“Vai ser a primeira vez que o prédio estará aberto à visitação pública, que as nossas portas, que são tão fotografadas, estarão abertas às pessoas que passam por aqui e têm curiosidade em saber o que acontece aqui dentro. A gente está querendo que o público entre, conheça o Iphan, saiba o que é o instituto e quem trabalha nele”, concluiu.

De acordo com a superintendente, a preservação do patrimônio cultural é uma forma de defender a soberania e a identidade do Brasil. “Neste momento em que a nossa soberania está sendo ameaçada por um país estrangeiro, que colocou a gente na parede, mesmo por questões econômicas, é muito importante quando a cultura entra como laço de identidade nacional. A cultura é nossa primeira foto de identidade, é quando eu, você e todas as pessoas que moram neste país quase continental nos identificamos como cidadãos do mesmo país. Mesmo com a nossa diversidade, a nossa origem é a mesma. Isso a gente consegue por meio da cultura, o grande laço de fortificação de soberania, de identidade de reconhecimento pátrio. É isso que nos une no final das contas. Resguardar esse patrimônio é também resguardar a nossa brasilidade, a nossa história”, afirmou.

Sul e Sudeste começam semana com frio; alerta de seca no Centro-Oeste

Depois de um final de semana com frio intenso em cidades do Sul e Sudeste, as temperaturas devem continuar em baixa. No Rio Grande do Sul, chegou a cair neve em algumas cidades no último sábado.

Pelas previsões do Instituto Nacional e Meteorologia (Inmet), a temperatura pode chegar a 3º C em áreas do estado gaúcho e de Santa Catarina, com forte chance de geada. 

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O frio também deve se intensificar em cidades do Sudeste, Centro-Oeste e até mesmo Nordeste.

Na região central do país, o alerta é para seca, com umidade relativa do ar variando entre 30% e 20%. 

Nessas áreas, é fundamental beber bastante líquido e evitar desgaste físico nas horas mais secas.

Já na Região Norte, as chuvas devem aumentar. As áreas mais afetadas serão Norte de Roraima, Centro Amazonense, Sudoeste Amazonense, Norte Amazonense, Sul Amazonense e Sul de Roraima.

São Paulo

O domingo (10) foi de céu nublado e encoberto com sensação de frio na capital paulista, com a temperatura média de 13,4°C na capital paulista. O vento úmido e frio que sopra do mar, associado à massa de ar polar manteve o céu encoberto e as temperaturas baixas. Com isso, a Defesa Civil municipal mantém a cidade em estado de alerta para baixas temperaturas desde o dia 22 de junho.

Segundo os meteorologistas do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da prefeitura, o ar frio e seco permanece sobre a região metropolitana de São Paulo, mantendo as noites, madrugadas e primeiras horas da manhã frias. O predomínio de sol vai favorecer a gradual elevação das temperaturas durante as tardes e não há previsão de chuva.

A segunda-feira (11) começa com muitas nuvens com o surgimento de sol predominante pela manhã. Os termômetros oscilam entre a mínima de 9°C e a máxima de 17°C. O dia vai terminar com aumento de nuvens e sensação de frio. A terça-feira (12) tem previsão de formação de névoa úmida e muitas nuvens entre a madrugada e o amanhecer. A nebulosidade se dissipa ainda pela manhã, com predomínio de sol e elevação de temperatura. A temperatura mínima é de 9°C e a máxima de 20°C. Umidade do ar em declínio, com percentuais mínimos em torno dos 40% à tarde.

 

Escritor marfinense compara situação de Gaza com violência colonial

Pela primeira vez no Brasil, o escritor marfinense Armand Patrick Gbaka-Brédé, mais conhecido como GauZ’, diz que sua impressão inicial sobre o país, antes de colocar os pés por aqui, era uma fantasia. Mas sua chegada, reforçou, “foi espetacular”.

“Para os africanos, a fantasia do Brasil costuma ser o futebol, mas para mim, não é só isso. Para mim tem também a música e a cultura negra e a ideia da miscigenação. E, por muito tempo, eu sempre pensei que o Brasil estava 50 anos à frente do resto do mundo em termos de mistura populacional”, disse ele à Agência Brasil.

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GauZ’ diz não ser ingênuo e nem romântico e saber que a história brasileira de miscigenação teve um início violento e ocorreu à base da força. Mas ele ressalta que essa mistura continuará ocorrendo.

“Em 100 anos, será obrigatório que o mundo seja como o Brasil porque é natural que as pessoas continuem se misturando não na força e na violência, mas na vontade e no humanismo de estar com os outros e a vontade de construir uma coisa nova”, ressaltou. “Minhas primeiras impressões do Brasil se confirmaram. E eu realmente as vi”.

O escritor marfinense conta que a barreira que ele presenciou de forma mais clara ao pisar no Brasil foi a desigualdade social. E o que mais estranhou foi ver que, por aqui, também há brancos pobres vivendo entre negros pobres, o que evidencia uma questão social.

GauZ’ veio ao Brasil com a esposa e a filha para participar primeiramente da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em Paraty. E neste final de semana ele está em Salvador para participar da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), onde conversou com a reportagem da Agência Brasil sobre seu livro e também sobre escravidão e imigração.

“No momento em que a escravidão começou no Brasil, a África ainda não existia. A África tinha iorubás, malinquês e outros povos. Mas não existia a ideia da África. A violência da escravidão – a violência moral e cultural – é que criou a África”, disse ele. “O primeiro lugar onde essas culturas se misturaram foi o navio negreiro”, ressaltou.

Na entrevista, GauZ’ comparou a escravidão ao que ocorre atualmente com os palestinos em Gaza, destacando que as vítimas desses dois momentos históricos sofreram com a mesma causa: a colonização. “O problema em Gaza é o deslocamento das populações europeias que não deveriam estar ali. São pessoas que são vítimas da violência europeia”, afirmou. “A solução de Gaza não está em Israel. Está na Espanha, na França, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Polônia”.

“Cada pessoa branca precisa se lembrar de que o que está acontecendo em Gaza agora é o que aconteceu aqui [no Brasil, durante a colonização]. A América foi Gaza, o Brasil foi Gaza, a Argentina foi Gaza. Todos vocês devem se lembrar disso para ter ideia do senso da verdadeira justiça. A diferença do que se passou antes do que está se passando agora é que hoje temos consciência e somos testemunhas do que está acontecendo. Nunca, nos meus sonhos mais loucos, eu imaginei que poderia ver o que está acontecendo e poder explicar o que aconteceu no passado com a colonização. Na França ainda se fala das ‘benesses’ da colonização. E quando se contesta isso, eles dizem que isso já se passou. Mas isso não é passado. Olhem para Gaza porque isso é a colonização”, reforçou.

A solução para isso, defendeu o escritor, passa por um conceito que existe no direito, chamado de paralelismo das formas e que afirma que se uma pessoa toma uma decisão, é só ela quem poderia retirá-la ou solucioná-la. “Esse é o momento em que a Europa e o Ocidente devem assumir o que eles fizeram ali. Foram eles que criaram isso no passado, são eles que devem resolver isso agora”, destacou. “Não dá para aceitar que um outro povo pague hoje pelos pecados da Europa”.

 

O escritor marfinense GauZ’ fala sobre seu primeiro livro De pé, tá pago na mesa Com a palavra o escritor na Casa Motiva durante a  Flipelô. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

Casa Motiva

Na manhã de sábado (9), GauZ’ participou de uma mesa realizada na Casa Motiva, na Vale do Dendê, na região do Pelourinho, em Salvador. Ali ele conversou com o público sobre o seu livro De pé, Tá pago, que após onze anos foi traduzido e lançado no Brasil.

No livro ele reflete sobre a experiência dos imigrantes africanos em Paris, relegados a mão de obra barata em profissões onde o corpo é mais necessário do que o cérebro. O livro teve como base notas que ele rabiscou durante as seis semanas em que trabalhou como segurança de uma loja da Sephora na capital francesa. “Em Paris, em todas as lojas ou quase, todos os seguranças ou quase são homens negros. Isso evidencia uma relação quase matemática entre três parâmetros: Pigmentação de Pele, Situação Social e Geografia (PSG)”, diz um trecho do livro.

“É muito mais fácil, na França, um homem negro ser um vigia ou segurança do que um médico”, diz GauZ’ à plateia. “É a primeira vez que esse homem negro está em uma posição privilegiada, porque ele vê todo mundo, mas ninguém o enxerga. É quase como um estudo etnológico. Geralmente são os brancos que chegam lá para olhar para os negros como pequenas formigas e agora é esse homem negro que enxerga os brancos como pequenas formigas, documentando seus delírios de consumo”.

Além de abordar temas como imigração e racismo, o livro também discute o capitalismo no mundo. “O que é a ideia de segurança? Quando você entra em uma loja e você vê um segurança, o que vem à sua cabeça? Esse homem grande à sua frente está lá para te impedir de roubar? Esse homem grande está lá para te proteger? Nada disso. Definitivamente, nada disso. Na verdade, a ideia de segurança foi vendida para você porque foi fabricada a ideia de perigo. A sociedade capitalista fabrica a ideia de insegurança na cabeça de cada um de vocês justamente para poder se justificar, criando uma ideia de proteção”, afirmou o escritor.

Para ele, isso não basta de uma ideia de “teatro”, que é fabricado pelo capitalismo. “Esse homem negro que está à frente da loja não serve para segurança. Ele não tem nenhum poder policial. E ninguém vai a uma loja para roubar. O crime é uma exceção. O que acontece é que você acorda de manhã e te falam nas propagandas que você tem que ir lá para conhecer e consumir. Você trabalha o mês inteiro e precisa ir lá gastar o seu dinheiro. O seu destino é consumir: isso é o capitalismo”, completou.

Nova estrutura

Ao público, GauZ’ (que se pronuncia como gôs) diz que seu livro foi escrito em um formato e estruturas diferentes ao tradicional, que não poderia ser classificado como um romance. “Eu escrevi uma nova literatura”, diz.

Nessa nova literatura, ele usa muito de ironias e de humor, característica que ele usou também durante a mesa realizada na Casa Motiva. “Cada vez que eu faço vocês rirem aqui esse é um momento em que a gente divide um lugar de inteligência”, diz ele, arrancando risos da plateia. “Estão vendo? Funcionou”.

“Uma das características da inteligência é justamente essa capacidade de dividir e compartilhar com o outro. Duas pessoas que riem são duas pessoas que entenderam um conceito entre si. Isso é o que há de mais humano no mundo todo. Esse livro faz pessoas rirem na Noruega, na Croácia, no Brasil. E por que eles riem? Justamente porque a gente compartilha da mesma inteligência. Nossos ancestrais entenderam isso há muito tempo. Lá onde tem inteligência ou onde habita inteligência, tem que ter o humor”,

A programação da Flipelô se encerra neste domingo. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site https://flipelo.com.br/
 

* A equipe da Agência Brasil viajou a convite da Motiva, patrocinadora e parceira oficial de mobilidade da Flipelô 2025

 

Deputada acusada de agredir Nikolas não entra em lista de denunciados

Inicialmente acusada de agredir o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante a retomada do controle do plenário da Câmara dos Deputados, a deputada Camila Jara (PT-MS) ficou de fora da lista dos parlamentares que terão as denúncias analisadas pela Corregedoria da Casa. Ela, no entanto, pode ser reincluída na lista, assim como outros deputados, caso as imagens demonstrem agressão.

Caberá ao corregedor da Câmara, deputado Diego Coronel (PSD-BA), verificar as fotos e os vídeos da retomada do controle do plenário da Câmara, na noite de quarta-feira (6). A conclusão dos trabalhos está prevista para quarta-feira (13), e o parlamentar não descartou a possibilidade de novas denúncias, dependendo do resultado da análise.

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Com base na apuração, os parlamentares acusados responderão a processo no Conselho de Ética da Câmara. As denúncias seguem um curso diferente de casos recentes. A suspensão dos mandatos dos deputados Gilvan da Federal (PL-ES) e André Janones (Avante-MG) foram encaminhadas diretamente ao Conselho de Ética por meio de representações elaboradas pela Mesa.

Empurra-empurra

Camila Jara foi acusada de empurrar Nikolas Ferreira durante uma discussão para a retomada do controle do plenário da Câmara. A assessoria da deputada nega qualquer agressão e afirma ter havido um “empurra-empurra” em que a parlamentar afastou Nikolas, que “pode ter se desequilibrado”.

Na sexta-feira (8), o PL chegou a divulgar a informação de que havia aberto uma representação contra Jara. No início da noite do mesmo dia, a Secretaria-Geral da Mesa Diretora divulgou uma nota segundo a qual todas as denúncias foram encaminhadas para a análise da Corregedoria.

A edição extraordinária do Diário Oficial da Câmara, no entanto, não publicou nenhuma representação contra Camila Jara, apenas representações de parlamentares da base aliada contra deputados oposicionistas. No total, 14 parlamentares bolsonaristas – 12 do PL, um do Novo e um do PP – foram denunciados e terão as imagens analisadas pela Corregedoria.

Manifestações

Até a tarde deste domingo (10), a parlamentar não tinha se manifestado nas redes sociais. No sábado (9), a deputada Érika Hilton (PSOL-SP) expressou apoio a Jara.

“Ao contrário do que foi primeiramente noticiado, a Mesa Diretora da Câmara não pediu o afastamento por seis meses de apenas seis deputados, mas sim, de 14”, postou. “E a deputada Camila Jara (PT), acusada, com evidências frágeis, de ter derrubado Nikolas Ferreira quando ele estava colocado logo atrás da cadeira de Hugo Motta, não foi alvo do pedido.”

Agora Tem Especialistas: inscrições terminam neste domingo

Profissionais interessados em participar do programa Agora Tem Especialistas têm até este domingo (10) para se inscrever, por meio da plataforma da Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS). O edital para provimento e formação de médicos já especialistas foi lançado no fim de julho.

O programa tem como objetivo reduzir o tempo de espera por atendimentos no SUS. São 635 vagas imediatas e 1.143 para cadastro reserva, totalizando 1,7 mil vagas para médicos especialistas que, de acordo com o Ministério da Saúde, terão a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos em locais onde há carência de profissionais.

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“A presença de especialistas em regiões desassistidas é fundamental para assegurar o acesso integral aos serviços do SUS, evitando deslocamentos prolongados da população em busca de atendimento especializado”, destacou a pasta, por meio de nota.

A atividade prática em hospitais e policlínicas da rede pública, segundo o ministério, será o diferencial dos 16 cursos de aprimoramento que compõem o programa, conduzidos por profissionais de hospitais do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS) e da rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

“Os participantes terão 16 horas semanais dedicadas à prática assistencial e mais quatro horas semanais de atividades educacionais, incluindo mentoria remota e imersões em serviços de referência nas especialidades prioritárias para o SUS, como oncologia e ginecologia. Cada curso terá duração de 12 meses”, informou a pasta.

Motta reúne-se na terça com líderes para definir pauta de votações

Ainda sob rescaldo do motim que paralisou o trabalho do Congresso Nacional por cerca de 36 horas na semana passada, a Câmara dos Deputados pretende definir a pauta de votações para as próximas sessões. Na terça-feira (12), o presidente da Casa, Hugo Motta, reúne-se com os líderes partidários para fechar as próximas votações.

Os parlamentares da base aliada querem aproveitar a reunião para pautar a votação, em plenário, do projeto de lei que aumenta a faixa de isenção o Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil mensais, reduz parcialmente o tributo para quem ganha até R$ 7 mil e aumenta a cobrança para quem recebe mais de R$ 600 mil. Em julho, a proposta foi aprovada em votação simbólica pela comissão especial da Câmara.

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Havia a possibilidade de o plenário da Câmara votar o projeto na semana passada, mas a ocupação da Mesa Diretora por parlamentares oposicionistas paralisou os trabalhos da Casa. Eles protestavam contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e pediam anistia geral para os condenados pela tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro.

Horas após a desocupação do plenário, Motta negou que a retomada do controle das atividades na Câmara tenha sido condicionada a uma eventual votação da anistia.

“A presidência da Câmara é inegociável. Quero que isso fique bem claro. As matérias [jornalísticas] que estão saindo sobre a negociação feita por esta presidência para que os trabalhos fossem retomados não está vinculada a nenhuma pauta. O presidente da Câmara não negocia suas prerrogativas, nem com a oposição, nem com o governo, nem com absolutamente ninguém”, disse Motta.

Na sexta-feira (8) à noite, Motta encaminhou as denúncias contra parlamentares para a Corregedoria da Câmara. O presidente da Câmara aguardará um parecer do corregedor, deputado Diego Coronel (PSD-BA), antes de mandar as representações para o Conselho de Ética da Casa. A conclusão da análise das imagens está prevista para quarta-feira (13).

 

Enciclopédia Negra apresenta personagens negros aos jovens

Vencedor do prêmio Jabuti na categoria ciências humanas em 2022, o livro Enciclopédia Negra reuniu biografias de mais de 550 personalidades negras para restabelecer a importância e o protagonismo negro na história do Brasil e que haviam sido apagadas das narrativas oficiais. O livro também virou uma exposição que passou por Brasil e Portugal.

Depois do sucesso dessa primeira obra, agora a enciclopédia se volta também para os jovens. Lançada no meio deste ano, a Enciclopédia Negra para Jovens Leitores adaptou o texto para crianças acima dos nove anos e passou a apresentar 82 personalidades negras. 

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“Agora chegou a hora de convidarmos vocês para essa nossa grande festa por um Brasil mais amplo, plural e onde caibam todas e todos nós”, diz a introdução do livro que foi fruto de uma pesquisa elaborada por Flávio dos Santos Gomes, Lilia Moritz Schwarcz e Suzane Lopes, que também fez as ilustrações.

Nesta nova obra, os jovens e as crianças são convidados a mergulhar nas trajetórias de personalidades negras que foram reunidas em duplas temáticas. A ideia é aproximar nomes que estão distantes no tempo, mas próximos em suas profissões, lutas ou experiências tais como o escultor mineiro Aleijadinho (1730-1814) e a pintora Maria Auxiliadora da Silva (1935-1974), dois grandes artistas brasileiros. Ou como os escritores Cruz e Souza (1861-1898) e Mário de Andrade (1893-1945).

A escritora Lilia Schwarcz e a ilustradora Suzane Lopes durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho – Flipelô. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Na apresentação do livro – que foi realizada dentro da programação da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), evento que é realizado no centro histórico de Salvador – as autoras Lilia e Suzane destacaram que, por ser uma enciclopédia, esse é um projeto que está incompleto e sem fim, podendo sempre apresentar novos personagens. “A enciclopédia tem um ponto de começo, mas não tem um ponto final, como no livro anterior. Queremos que vocês vejam esses casos e não imaginem que sejam os únicos e tampouco que são os mais importantes. Mas queremos que esses casos animem a pensar em tantos outros de sua vida, de sua vizinhança, da sua família. O projeto da enciclopédia é fadado a nunca terminar”, disse Lilia Schwarcz, ao se apresentar ao público.

Em entrevista à Agência Brasil logo após conversar com o público da Flipelô, Lilia Schwarcz disse que o novo livro é resultado de uma boa aceitação do anterior. “Esse projeto Enciclopédia Negra foi muito bem abraçado e tem sido [ainda]. E criou uma capilaridade tremenda, com muitas exposições e muitos artistas”, disse ela. “E a gente achou que seria uma ideia bonita passar para os jovens”, reforçou.

A Enciclopédia Negra para Jovens Leitores, acrescentou Suzane, pretende garantir o acesso dos jovens a essas narrativas que não estão nos livros oficiais. Trata-se, segundo ela, de “uma jornada de descoberta sobre quem a gente é e quem são os nossos”.

“A Enciclopédia Negra chegou na minha vida impactando. É um livro de muita responsabilidade para a gente retratar personagens históricos que foram representados por pessoas brancas no passado ou de forma equivocada. Então, a gente traz uma leitura mais fiel, mais positiva, de pertencimento e de poder desses personagens. Acho que é muito importante que o público jovem tenha acesso, de uma forma lúdica e positiva, da própria história”, disse ela à reportagem.

Um dos objetivos desse projeto, destaca Lilia, é que ele chegue às escolas de todo o país despertando o senso crítico e abrindo os olhos dos jovens e das crianças para a pluralidade e diversidade.

“Cada vez mais a gente tem professores críticos, professores que precisam de material, professores que estão abraçando as causas e falando das causas, mas que por muitas vezes precisam desse tipo de livro para ganhar mais vocabulário, para ganhar mais crítica e para também incentivar as crianças. Então esse é um projeto, como eu disse, uma enciclopédia que tem começo, mas não tem final. A ideia agora é chegar nas escolas, no chão da escola, porque, na minha opinião, nosso futuro está nas escolas”, destacou.

 

 

Jabuti acadêmico

Na semana passada, Lilia recebeu um novo prêmio Jabuti, dessa vez um Jabuti Acadêmico na categoria História e Arqueologia pelo livro Imagens da branquitude: a presença da ausência.

Neste livro, ela analisa o fenômeno social e cultural da branquitude a partir de suas manifestações simbólicas e iconográficas. À reportagem, a historiadora e antropóloga disse que Imagens da Branquitude é “um livro de vida”.

“Faz 20 anos que eu dou o curso Lendo Imagens na Universidade de São Paulo e pelo menos 10 anos em Princeton [nos Estados Unidos]. E nesse tempo todo eu fui também mudando. Eu fui descolonizando o curso, eu fui criticando as imagens muito eurocêntricas, fui chamando artistas brasileiros e brasileiras e artistas negros e artistas indígenas. Esse é um livro de 20 anos e demorei uns três ou quatro anos para escrevê-lo porque eu queria colocar uma história que, não sendo contínua, fosse uma história, de alguma forma, cronológica”, disse ela.

*A equipe da Agência Brasil viajou a convite da Motiva, patrocinadora e parceira oficial de mobilidade da Flipelô 2025

Manifestações em quatro cidades pedem ampliação da licença-paternidade

Manifestações e passeatas realizadas simultaneamente neste sábado (9) em São Paulo, em Brasília, no Recife e no Rio de Janeiro reuniram pais, mães e crianças para chamar a atenção para a necessidade de aumentar a licença-paternidade para 30 dias. Os atos foram organizados pela Coalizão Licença Paternidade (CoPai), que chama a atenção para o fato de que os cinco dias de licença-paternidade eram para ser temporários, mas em 37 anos não houve regulamentação.

Atualmente, a licença para pais é de cinco dias consecutivos nos casos de nascimento de filho, adoção ou de guarda compartilhada. O direito está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e foi criado com a promulgação da Constituição de 1988. Entretanto, em dezembro de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 18 meses para que o Congresso regulamente a licença-paternidade. O prazo venceu em julho e a previsão é a de que o parlamento trate do tema na volta do recesso.

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A decisão do STF veio após julgamento de uma ação apresentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde (CNTS). Prevaleceu no julgamento o voto do ministro Luís Roberto Barroso para reconhecer a omissão do Congresso em aprovar a regulamentação da norma. O entendimento foi seguido pelos demais ministros.

Para a presidente da Coalizão Licença-Paternidade (CoPai), Camila Bruzzi, a presença paterna nos primeiros meses de vida dos bebês é fundamental e, uma licença-paternidade ampliada traz impactos duradouros e que beneficia a todos: a criança, a mãe, o próprio pai, a família, as empresas e toda a sociedade.

“A licença-paternidade ampliada de verdade promove uma transformação cultural e faz com que os pais passem a participar mais do cuidado dos filhos de uma forma permanente. Dados internacionais demonstram que quando pais têm licença-paternidade prolongada, desenvolvem vínculos profundos com o bebê, picos de ocitocina e mudanças no cérebro que os tornam mais acolhedores e pacientes”, explicou.

De acordo com a CoPai, já há estudos indicando” que a ampliação da licença-paternidade reduz a sobrecarga materna, melhora o desenvolvimento infantil, pode ajudar a prevenir violência e uso de drogas na adolescência, e tem custo mínimo, sendo menos de 1% da previdência. Empresas que já adotam uma licença-paternidade ampliada relatam aumento da produtividade dos funcionários em seu retorno”, diz a organização. Segundo a pesquisa Datafolha, 76% dos brasileiros apoiam a ampliação da licença-paternidade.

Embaixador da CoPai, Tadeu França, ressalta que o país enfrenta uma dificuldade cultural que nutre a ideia de que pai é só o provedor e só sai para colocar dinheiro na casa.

“Isso sobrecarrega mulheres, mães, o tempo inteiro, há muitos anos. E esse movimento vem para reforçar que a presença do pai, principalmente nesses primeiros dias de vida da criança, é fundamental para o desenvolvimento dela e para o nosso desenvolvimento também, tanto como homem, quanto como cuidador”, reforça.

Também embaixador da CoPai, o jornalista Felipe Andreoli é um dos apoiadores da causa. Ele conta que quando foi pai pela primeira vez não pode ter uma licença-paternidade mais longa e isso foi doloroso. “Na segunda vez como pai pude desfrutar de mais tempo ao lado do meu bebê e da minha mulher e por isso sou totalmente defensor da ampliação da licença-paternidade de no mínimo 30 dias no Brasil”, afirma.

Lei

O Projeto de Lei (PL) 6.216/2023 da Câmara (assim como o 3.773/2023 do Senado) propõe a ampliação da licença-paternidade para 30 dias e seu aumento progressivo para 60 dias ao longo de 5 anos. O 3.773/2023, que tramita no Senado, adotou o mesmo texto após articulações da Frente Parlamentar Mista pela Licença-Paternidade que trata do tema no Congresso, criada em 2024.

“A Frente Parlamentar tem mais de 250 deputados(as) e Senadores, de partidos dos diversos espectros políticos. Ela une de esquerda à direita e mostra que é um projeto de toda a sociedade, sem viés político”, destaca a Presidente Adjunta da CoPai e Secretária Executiva da Frente Parlamentar Mista pela Licença-Paternidade, Caroline Burle.

Sociedade Brasileira de Pediatria

No último dia 10, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou uma carta aberta a parlamentares brasileiros pedindo a aprovação de projetos de lei que tratam da ampliação da licença-paternidade. A entidade aponta que soma forças junto à Coalizão Licença Paternidade (CoPai), que reúne especialistas, organizações da sociedade civil e entidades científicas em defesa da parentalidade ativa como estratégia de desenvolvimento humano e justiça social.

Para os pediatras, o modelo vigente no Brasil, que concede apenas cinco dias de licença ao pai, está em desacordo com evidências científicas que tratam dos benefícios da presença paterna nos primeiros dias de vida do bebê. A carta cita estudos que ressaltam efeitos positivos de uma licença paternidade de quatro semanas. Entre eles está a possibilidade de apoiar o aleitamento materno e contribuir com o desenvolvimento neuro-cognitivo dos bebês. “Garantir o início da vida com presença, afeto e suporte é uma responsabilidade compartilhada”, diz a carta.

O documento destaca ainda que diversos países já adotam modelos de licença parental compartilhada, que permitem a divisão flexível do tempo de cuidado entre mães e pais. “Licença-paternidade não é luxo. É cuidado, é saúde, é desenvolvimento. E, sobretudo, é um direito de crianças e famílias que desejam começar a vida com mais afeto, apoio e dignidade”, conclui a SBP.

Itamaraty e Gleisi rechaçam ataque de vice-secretário de Trump

O Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria de Relações Institucionais rechaçaram os ataques do vice-secretário do Departamento de Estado estadunidense, Christopher Landau, ao sistema judiciário brasileiro. Número dois do órgão, equivalente ao Ministério das Relações Exteriores dos Estados Unidos, Landau escreveu que “um único ministro do STF [Supremo Tribunal Federal] usurpou poder ditatorial ao ameaçar líderes dos outros poderes”.

Segundo o Itamaraty, a postagem do vice-secretário representa um ataque frontal.

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“Essa manifestação caracteriza novo ataque frontal à soberania brasileira e a uma democracia que recentemente derrotou uma tentativa de golpe de Estado e não se curvará a pressões, venham de onde vierem”, respondeu a pasta em nota sábado (9) à noite.

O Itamaraty mencionou que essa foi a segunda manifestação hostil do governo estadunidense em três dias. “O Governo brasileiro manifestou ontem [sexta-feira, 8] à embaixada dos Estados Unidos seu absoluto rechaço às reiteradas ingerências do governo norte-americano em assuntos internos do Brasil, e voltará a fazê-lo sempre que for atacado com falsidades como as da postagem de hoje [sábado, 9], disseminadas pelo subsecretário de Estado, Christopher Landau”, acrescentou o Ministério das Relações Exteriores.

Gravíssima ofensa

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann também rechaçou as postagens do vice-secretário de Estado do governo de Donald Trump. Ela classificou de “arrogante” e de “gravíssima ofensa” as insinuações de interferência do Judiciário em outros Poderes.

“A postagem arrogante do subsecretário de Estado dos EUA é uma gravíssima ofensa ao Brasil, ao STF e à verdade. Quem tentou usurpar o poder em nosso país foi Jair Bolsonaro. Quem está tentando destruir a relação histórica entre os dois países é a família Bolsonaro estimulando Donald Trump, com o tarifaço e sua chantagem contra o Judiciário brasileiro”, rebateu Gleisi nas redes sociais.

A ministra reiterou que o Brasil cumpre a Constituição e que os Poderes estão unidos para rechaçar a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023.

“Nenhum poder constitucional brasileiro encontra-se impotente. Ao contrário: Executivo, Legislativo e Judiciário rechaçaram o golpe de 8 de janeiro, a chantagem de [Donald] Trump, o motim bolsonarista pela anistia e as sanções violentas contra o ministro Alexandre de Moraes e outros ministros do STF”, continuou.

“Se querem mesmo ‘restaurar uma amizade histórica’, comecem por respeitar a soberania do Brasil, de nossas leis e Justiça, e parem de apoiar o golpista que tentou destruir nossa democracia”, concluiu a ministra.

Relações destruídas

Sem citar diretamente o ministro do STF Alexandre de Moraes, Landau escreveu que um magistrado acumulou autoridade excessiva e “destruiu a relação histórica de proximidade entre o Brasil e os Estados Unidos”. “Sempre é possível negociar com líderes dos Poderes Executivos ou Legislativos de um país, mas não com um juiz”, disse o número dois do secretário Marco Rubio.

Originalmente em inglês, a publicação de Landau foi repostada pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, traduzida ao português.

Convocação

Na sexta-feira (8), o Itamaraty convocou o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, após ameaças ao Judiciário brasileiro. O secretário interino da Europa e América do Norte do Itamaraty, o embaixador Flavio Celio Goldman manifestou a indignação do governo brasileiro com o tom e o conteúdo das postagens recentes do Departamento de Estado e da embaixada nas redes sociais.

Na quinta-feira (7), a Embaixada dos EUA no Brasil traduziu comentário do secretário de diplomacia pública Darren Beattie, ameaçando autoridades do Judiciário brasileiro que contribuam com Moraes. “Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto”, disse o comunicado do diplomata, acusando o ministro de “censura” e “perseguição” contra Bolsonaro.

Sanções

Os Estados Unidos aplicam sanções financeiras contra Moraes com base na Lei Magnitsky, sob o argumento de que o magistrado estaria violando os Direitos Humanos ou está relacionado a casos de corrupção ao redor do mundo. O tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos também foi justificado com base na atuação do STF.

O governo de Donald Trump critica Moraes e a Justiça brasileira pelo processo penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e por decisões de remoção de conteúdo e bloqueio de redes sociais e plataformas digitais estadunidenses.

Acesso a livros de autores com deficiência ainda enfrenta barreiras

Artistas com deficiência sempre existiram, mas por muito tempo o capacitismo os manteve excluídos da cultura brasileira. Ainda hoje, poucos deles são conhecidos ou reconhecidos no país e, no caso da literatura, poucos deles são lidos.

“A principal dificuldade dentro da discussão da literatura é reconhecer o sujeito com deficiência como um sujeito produtor”, destacou a pesquisadora, filóloga e escritora Amanda Soares, 25 anos.

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Criadora do perfil no Instagram chamado PCD Perigosa, Amanda reforça que a literatura é um caminho para que as histórias de vida dessas pessoas com deficiência sejam conhecidas. No entanto, destaca ela, essas narrativas ainda são pouco acessíveis no país.

“A literatura é responsável por fazer com que a gente guarde a memória do mundo e com que a gente também reflita sobre um tempo específico do mundo. Ela é responsável por documentar cada tempo. Mas o que a gente sabe sobre pessoas com deficiência para além de acessibilidade e inclusão? Por isso é preciso estudar as narrativas de pessoas com deficiência, principalmente aquelas que são criadas sobre elas”, disse ela à Agência Brasil antes de dar uma oficina sobre Liter Def – literatura produzida por e para pessoas com deficiência – na Festa Literária Internacional do Pelourinho, a Flipelô, que acontece no centro histórico de Salvador.

Uma dificuldade encontrada por esses escritores, exemplificou Amanda, é conseguir participar de festas literárias, como a Flipelô, onde poderiam divulgar seus trabalhos.

“Pouquíssimos autores conseguem chegar aqui por uma série de questões financeiras ou estruturais porque o corpo com deficiência precisa de muito mais para conseguir se estabelecer. E a arte no Brasil é complicada, insalubre para qualquer corpo. Então, para um corpo que precisa demais, é bem complicado falar sobre essa visibilidade”.

Participar dessas festas literárias, defende Amanda, seria extremamente importante tanto para os escritores Liter Def quanto para seus leitores. “É necessário que a gente esteja presente fisicamente porque a literatura PCD [pessoa com deficiência], em geral, acaba se propagando no digital, que é muito importante, mas o contato físico ou o contato humano é muito significativo para a construção da memória porque é a partir dele que a gente entende a as características de humanidade. Eu me reconheço em você e você, mesmo sendo uma jornalista que não tem uma deficiência, se reconhece em mim em vários pontos porque a gente se atravessa. Esse tipo de contato é primordial para um autor com deficiência, inclusive para uma rede de contatos de trabalhos”, destacou.

Mapeamento

O universo desses escritores PCD ainda não é conhecido no Brasil. Mas, no ano passado, o Ministério da Cultura e a Universidade Federal da Bahia começaram a fazer um levantamento para mapear artistas, agentes culturais e profissionais com ou sem deficiência que atuam na área da acessibilidade cultural. Chamado de Mapeamento Acessa Mais, o projeto busca identificar esses profissionais em todo o território brasileiro com o objetivo de fomentar a criação de políticas públicas que possam tornar a cultura brasileira mais acessível e inclusiva.

Esses dados, diz o ministério, serão fundamentais para garantir que o setor cultural seja inclusivo e atenda às necessidades e demandas de artistas e profissionais com deficiência.

O mapeamento, destaca Amanda, vai ajudar a dimensionar a produção e, principalmente, ajudar a conhecer os autores PCD do país. “Acho que falta uma profundidade para trabalhar pessoas com deficiência dentro da literatura e dentro dos demais assuntos. Nós ficamos sempre [focando] no ponto da acessibilidade e inclusão, só que eu acredito que a acessibilidade e a inclusão são [apenas] ferramentas. Mas quem usa essas ferramentas? Se a gente soubesse mais sobre o sujeito, a gente defenderia melhor as ferramentas, justamente porque a gente saberia o por quê que ele as utiliza. É a partir do sujeito que se estuda todas as outras coisas”.

Ela também defende que esse levantamento poderá ajudar a desenvolver políticas públicas mais eficientes para essa população, que não pode ser baseada somente em cotas. “O fato de haver cota não necessariamente garante que a pessoa vai conseguir acessar a cota”, diz ela.

As cotas são super importantes mas, muitas vezes, a gente está definindo qual corpo vai conseguir acessar essa cota porque o corpo que tem deficiência intelectual, por exemplo, vai precisar de um terceiro para conseguir chegar até lá. Talvez falte uma política pública voltada a como preencher esses formulários e a identificar esses artistas e conseguir direcioná-los”.

A programação da Flipelô se encerra neste domingo. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site https://flipelo.com.br

*A equipe da Agência Brasil viajou a convite da Motiva, patrocinadora e parceira oficial de mobilidade da Flipelô 2025

 

Governo federal recebe sugestões para levar internet a rodovias

O Ministério das Comunicações (MCom) abriu uma consulta pública sobre a portaria que cria a Política Nacional de Conectividade em Rodovias. O objetivo é ouvir a opinião de interessados sobre como levar e ampliar os serviços de internet móvel (4G ou superior) nas rodovias brasileiras. O foco da futura política pública está nos trechos localizados fora das sedes de municípios e sem conectividade. 

Por meio da polícia o governo pretende transformar as rodovias brasileiras em rotas conectadas continuamente e garantir a segurança viária aos usuários que viajam ou trabalham nas estradas e, sobretudo, nos trechos fora da área de cobertura da prestadora contratada na região.

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O processo participativo estará aberto até 21 de setembro na plataforma “Participa + Brasil”, do governo federal, e o acesso deve ser feito com login e senha do portal de Gov.br .


A portaria do Ministério das Comunicações prevê contribuições em quatro eixos principais:

  • diretrizes para compromissos regulatórios associados à expansão da banda larga em rodovias;
  • regulamentação da oferta de internet em regime de itinerância nas rodovias;
  • diretrizes para o uso de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e de outras fontes de financiamento para cobertura digital em rodovias;
  • cooperação institucional com outros órgãos públicos para integração das políticas.

O MCom afirma que a Política Nacional de Conectividade em Rodovias é complementar à política de transporte rodoviário do Ministério dos Transportes, voltada à digitalização das rodovias federais e à ampliação do acesso dos brasileiros a serviços digitais.

Trechos sem internet nas rodovias

Em julho, o MCom também publicou a Portaria nº 18.902/2025, que estabelece diretrizes para o novo leilão da faixa de radiofrequência de 700 MHz, para levar a cobertura integral de internet aos trechos desassistidos das seguintes rodovias:

  • BR-101;
  • BR-116;
  • BR-163;
  • BR-242;
  • BR-364;

O leilão também vai atender a localidades com população superior a 600 habitantes que não são sedes de municípios e que não contam com cobertura do serviço móvel.

Luto: editora da Agência Brasil, Nádia Franco morre aos 73 anos

A equipe da Agência Brasil comunica com imenso pesar o falecimento da jornalista e editora Nádia Batista Franco (73), ocorrido neste sábado (9). 

Nádia (foto – centro) passou mal durante uma viagem com destino a Paracatu (MG), cidade da sua família. A suspeita é de que a morte tenha ocorrido em decorrência de um infarto. 

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Nádia estudou na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e começou a carreira no jornal Correio Braziliense. Trabalhou 49 anos na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e nas empresas anteriores que deram origem ao sistema público de comunicação. Na maior parte desse tempo, ela atuou na Agência Brasil como editora, tendo sido também gerente de redação. 

Conhecida pela elegância e apreço pela palavra, a jornalista era uma referência para os colegas e as novas gerações.

“A Nádia foi uma profissional correta e educada. Dominava muito bem a língua portuguesa. A conheci no início dos anos 70 no Correio Braziliense”, conta o editor da Agência Brasil Kleber Sampaio.

 

Brasília (DF) – Nádia Batista Franco ao centro, durante homenagem recebida em maio de 2025, no aniversário de 35 anos da Agência Brasil. Foto: Arquivo pessoal

A editora Denise Gresinger também lamenta o falecimento de Nádia.

“Elegante, sofisticada, fina, inteligente, gosto apuradíssimo! Uma diva mesmo. Muito grata por ter convivido e aprendido com ela.  Que mulher maravilhosa. Que perda”, define a jornalista e colega de trabalho.

Repórter da Agência Brasil, Pedro Peduzzi fala do convívio diário com Nádia. “Que privilégio tê-la tão perto por tanto tempo. Que privilégio aprender tanto com uma pessoa tão boa em tantos sentidos. Pessoas que nem a Nádia são sempre eternas. Obrigado por tudo.”

Gerente de Jornalismo Digital da EBC, Juliana Cézar Nunes celebra a trajetória de Nádia e ressalta o compromisso da jornalista com os leitores. 

“O cuidado com o texto e o zelo com a informação são ensinamentos que vão continuar nos guiando”, destaca Juliana. “Nossos sentimentos à família, especialmente irmãos e sobrinhos, e aos amigos nesse momento de dor e eterna saudade.”

O velório da jornalista começou na noite de ontem e o sepultamento está marcado para às 17h deste domingo, em Paracatu.

Mega-Sena sem ganhadores e próximo sorteio estimado em R$ 40 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.899 da Mega-Sena, realizado neste sábado (9). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 40 milhões para o próximo sorteio, no dia 12.

Os números sorteados foram: 10 – 22 – 28 – 42 – 44 – 51

5 acertos: 56 apostas ganhadoras, R$ 32.574,43

4 acertos: 3.375 apostas ganhadoras, R$ 890,92

Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de terça-feira (12), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

Projeto busca tratar doença de Chagas perto da casa dos pacientes

Um novo protocolo para a o controle da doença de Chagas está em testes em uma das regiões com a maior prevalência da enfermidade: o Sertão do Pajeú, em Pernambuco. A principal estratégia é a descentralização do tratamento, para que ele possa ser feito na cidade em que o paciente reside. Atualmente, é necessário deslocamento para unidades de saúde especializadas, como a Casa de Chagas, no Recife, que ainda concentra a maioria dos atendimentos no estado.

Um dos grandes desafios é o diagnóstico, já que a doença de Chagas não causa sintomas específicos logo após a infecção. A infecção costuma se tornar crônica de forma silenciosa, desenvolvendo complicações, principalmente no coração, o que provoca a morte de cerca de 4,5 mil pessoas no Brasil por ano, segundo o Ministério da Saúde. Quando a doença é descoberta mais cedo, o paciente pode ser tratado com medicamentos, evitando complicações.

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De acordo com a Organização Panamericana da Saúde (Opas), menos de 10% das pessoas com doença de Chagas nas Américas são diagnosticadas, e menos de 1% das que têm a doença recebem tratamento antiparasitário. Como consequência, a maioria dos pacientes só descobre que tem a doença em estágios avançados. Por isso, o projeto-piloto em Pernambuco foi nomeado “Quem tem Chagas, tem pressa”.

Testes rápidos

Na primeira etapa, profissionais de saúde, estudantes da área e moradores das cidades pernambucanas de Triunfo e Serra Talhada participaram de atividades de formação sobre a doença. Já na segunda fase, no final de julho, cerca de 1 mil pessoas nos dois municípios foram submetidas a testes rápidos que comprovaram a seriedade do problema na região: 9% dos moradores testaram positivo para a doença. De acordo com o médico da Casa de Chagas, Wilson Oliveira, responsável pelo projeto, a média de positividade dos testes no país varia de 2% a 5%.

A gerente de Vigilância das Arboviroses e Zoonoses da Secretaria de Saúde de Pernambuco, Ana Márcia Drechsler, diz que o teste rápido é um dos principais ativos do projeto, já que atualmente todos os casos suspeitos precisam fazer um exame de sorologia no centro de referência, que fica a oito horas de distância de carro.

Além disso, o teste sorológico leva até 45 dias para ficar pronto, enquanto o teste rápido emite resultado em minutos. Mas ela explica que, por segurança, os resultados positivos continuarão sendo encaminhados para a sorologia, para a confirmação definitiva.

“A gente precisa muito descentralizar o diagnóstico e fazer essa detecção mais precocemente, para que haja menos casos de pacientes crônicos. Nós estamos validando o teste rápido com esse projeto e, se tudo der certo, além de uma economia de tempo, a gente vai ter também uma economia de exames, porque só as pessoas com teste rápido positivo é que vão fazer a sorologia”, acrescenta a gerente da Secretaria de Saúde.

Os testes utilizados no projeto são produzidos pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Biomanguinhos/Fiocruz). 

Em setembro, começa a fase de tratamento dos pacientes que tiverem a infecção confirmada, e o projeto também prevê que eles possam fazê-lo perto de casa. O médico responsável pelo projeto, Wilson Oliveira, diz que isso é essencial para que todos possam concluir o tratamento, feito com medicamentos que devem ser tomados por 60 dias.

“No centro de referência, nós temos doentes que, muitas vezes, têm que andar 800 quilômetros para ser atendidos. E, sabendo que pelo menos 70% dos pacientes com Chagas não desenvolvem doença cardíaca, ou desenvolvem uma doença pouco agressiva, eles poderiam ser atendidos perto da sua residência, na assistência primária, que tem uma alta resolutividade”, complementa.

Doença negligenciada

Causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas é transmitida principalmente durante a picada pelo inseto barbeiro contaminado, mas também pode ser adquirida pela ingestão de alimentos infectados, por transmissão sanguínea, ou de mãe para filho, durante a gravidez e o parto.

“A doença de Chagas é negligenciada porque é uma doença grave que atinge a população mais pobre, que é provocada pela pobreza e que gera mais pobreza”, explica Wilson Oliveira.

“Por isso, é subdiagnosticada, e poucas pessoas fazem o tratamento. A maioria vai descobrir no fim da vida, quando já está muito debilitado, com doença cardíaca ou digestiva”, acrescenta.

Historicamente, a prevalência está bastante associada a regiões rurais com habitação precária, já que o barbeiro é mais encontrado em ambientes de mata, lavoura e criação de animais e, nas casas, costuma se esconder em frestas e buracos.

 

Barbeiro é o transmissor do protozoário que causa a doença  – Arquivo/Ministério da Saúde

O agricultor Roberto Barbosa dos Santos conta que essa era a realidade na cidade de Triunfo quando ele era criança: “A gente não tinha colchão em casa. Minha mãe pegava um saco, abria ele no meio, enchia de palha de banana seca, e a gente dormia assim. Aquele era um lugar adequado para o o barbeiro, né? E as paredes, como não eram rebocadas, tinham as frestas dos tijolos e das pedras, onde eles também se alojavam”

Infelizmente, ele faz parte das estatísticas de diagnóstico tardio da doença. Roberto suspeita que tenha herdado a doença da mãe, já que ela morreu de infarto e outros oito irmãos também têm a doença. No entanto, só foi diagnosticado na idade adulta e não teve acesso a tratamento precoce.

“Eu descobri em 2006, quando eu trabalhava no corte de cana no interior de São Paulo, e precisei fazer o exame de Chagas. De 2015 para cá, o fôlego começou a faltar, o cansaço começou a se instalar, e, uns dois anos depois, comecei a me sentir bem fraco mesmo. Tive até um princípio de infarto”, ele lembra.

Hoje, Roberto precisa usar um marcapasso e convive com outras complicações da doença, mas quer ajudar a evitar que novos pacientes tenham o mesmo percurso. Por isso, participa do projeto como presidente da recém-criada filial de Triunfo da Associação dos Pacientes Portadores de Doença de Chagas, Insuficiência Cardíaca e Miocardiopatia de Pernambuco.

A Diretora de Saúde Global e Responsabilidade Corporativa da Novartis Brasil, Michelle Ehlke, acredita que o projeto em Pernambuco pode se tornar referência para políticas públicas em todo o Brasil. A empresa é parceira institucional do projeto e planeja expandi-lo:

“A proposta é fortalecer a atenção primária como porta de entrada qualificada, em uma região onde o acesso ainda é limitado. A experiência no Sertão do Pajeú tem potencial para se tornar referência e ser replicada em outras regiões endêmicas do país, promovendo equidade, prevenção e sustentabilidade no cuidado. Caso o projeto seja validado, a intenção da Novartis é ampliar esse esforço, buscando novas parcerias para implementar o programa em outras localidades onde a doença continua impactando severamente a população”, declarou a diretora da empresa.

Metade das demissões em 2024 foi causada por questões comportamentais

Um levantamento feito para 6º Observatório de Carreiras e Mercado realizado pelo PUCPR Carreiras, setor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), revelou que 50% das demissões em 2024 foram causadas por questões comportamentais. Em seguida aparecem a automação das atividades (25%), a redução de custos e os cortes de despesas (25%). A pesquisa contou com a participação de 3.631 estudantes, 3.655 alumni (ex-alunos) e 583 empresas da área de recrutamento humano.

“O mercado valoriza profissionais que unem competência técnica e habilidades para uma boa convivência. Um único indivíduo com atitudes negativas pode comprometer toda a equipe, surgem conflitos, a produtividade cai e talentos são perdidos. Por isso, é preciso olhar para o autoconhecimento”, explica a coordenadora do PUCPR Carreiras, Luciana Mariano.

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Segundo ela, o sucesso está cada vez mais baseado na combinação entre saber fazer as tarefas e saber conviver com as pessoas. 

“Mais do que dominar ferramentas ou processos, é preciso desenvolver inteligência emocional, empatia, respeito e responsabilidade nas relações, além de se auto avaliar sempre, se questionando sobre sua postura nas relações do dia a dia e a sua forma de lidar com as emoções e com os outros no ambiente de trabalho”, avalia.

O estudo mostrou que no ano passado as habilidades mais valorizadas foram a comunicação oral (11,46%), o planejamento (10,73%), a solução de problemas (10,18%), gestão de conflitos (7,51%) e a comunicação escrita (7,42%). 

De acordo com o estudo, em comparação com 2021, período em que as empresas lidavam diretamente com os efeitos da pandemia, observa-se uma mudança nas prioridades, com as habilidades ligadas à solução de problemas (12,58%) ocupando o topo da lista.

A pesquisa aponta que 76% dos respondentes estão investindo na aquisição de novos conhecimentos, o que demonstra uma postura proativa, para evitar a estagnação e fortalecer a empregabilidade. Além disso, 16,32% das empresas entrevistadas priorizam aqueles que demonstram interesse em se atualizar. 

Luciana ressaltou que os movimentos do mercado acontecem com rapidez e o que importa é como cada um se posiciona diante dessas transformações.

“Atualizar conhecimentos e desenvolver novas competências é uma necessidade. Aqueles que mantêm o aprendizado constante conseguem se adaptar às mudanças, identificar oportunidades e compartilhar conhecimento. Essa prática ajuda não só na carreira individual, mas também no desempenho das organizações, que precisam de pessoas preparadas para aprender, mudar e colaborar”, disse.

Conheça dez cuidados para uma viagem de moto mais segura

O crescimento do uso de motocicletas no Brasil veio para ficar e está relacionado à falta de opções mais eficientes de transporte público. A frota de motos do país aumentou em quase 5 milhões desde a pandemia de covid-19 e já passa de 29 milhões de veículos. Em seis estados do Norte e Nordeste brasileiros, elas já superaram os automóveis.

Com tantas motos nas ruas, as mortes em quedas, colisões e atropelamentos sobre duas rodas dispararam: já são uma em cada três entre todos os casos de vítimas do trânsito. Mas os óbitos são apenas parte do problema: segundo o Ministério da Saúde, entre 2010 e 2023, 1,4 milhão de motociclistas foram internados após incidentes nas ruas brasileiras, o que corresponde a 57,2% de todas as internações associadas a lesões de trânsito no país.

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Para encerrar a série Rota Perigosa: brasileiros se arriscam em motos por renda e mobilidade, a Agência Brasil separou cuidados apontados pela legislação, plataformas de aplicativo e especialistas em segurança viária que podem fazer as viagens de moto menos arriscadas.

Use capacete

É obrigatório no Brasil utilizar capacetes adequados em viagens de moto – isso vale tanto para o condutor quanto para o carona. O equipamento de segurança deve estar em bom estado; possuir viseira ou óculos de proteção; ter adesivos retrorrefletivos na parte frontal, lateral e traseira; e exibir selo holográfico da certificação do Inmetro. A lei determina que o capacete deve estar afivelado e que a viseira deve estar sempre abaixada para a proteção dos olhos do condutor e do carona. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o uso correto de capacetes pode reduzir em 42% o risco de mortes e em 69% o risco de lesões graves.

Não use celular durante a viagem

O uso de celular gera distração e pode prejudicar o equilíbrio sobre a moto. Os condutores devem segurar as duas mãos no guidão, e os caronas também devem estar atentos e se segurar com as duas mãos durante as viagens de moto. A Opas alerta que os condutores que usam celulares enquanto dirigem têm cerca de quatro vezes mais chances de estarem envolvidos em um acidente.

Respeite os limites de velocidade

Conduzir em alta velocidade torna manobras e frenagem mais arriscadas, reduz a capacidade de se antecipar às surpresas do trânsito e também pode dificultar a reação de outros condutores, motoristas e pedestres. Além disso, aumenta a força do impacto que os corpos do motociclista e do carona vão sofrer em caso de colisão. Segundo a Opas, cada acréscimo de 1% na velocidade média produz um aumento de 4% no risco de ter um sinistro fatal no trânsito. Isso significa que, caso haja um sinistro, há 132% mais riscos de morrer a 80 km/h do que a 60 km/h.

 

Motociclistas transitam pelas ruas do centro do Rio –  Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Viaje sóbrio

Conduzir um veículo sob efeito de álcool e outras substâncias que prejudicam a lucidez e o equilíbrio é um crime previsto no Artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro. Da mesma maneira, embarcar na garupa de uma moto sob o efeito de substâncias aumenta os riscos para condutor e passageiro, que pode atrapalhar o motociclista no controle da direção. Os aplicativos de transporte, por exemplo, recomendam os usuários a escolher uma viagem de automóvel caso tenham bebido e orientam os motociclistas a não transportarem passageiros embriagados.

Use roupas adequadas

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) e outras entidades que produzem materiais sobre segurança viária recomendam o uso de jaquetas, calças e luvas de material resistente e cores claras, calçados fechados. Além disso, calce sapatos fechados ou botas que protejam seus pés e tornozelos e evite tecidos longos, chinelos e outras roupas ou acessórios que podem se prender à moto. Lembre-se que, em caso de queda, a roupa pode proteger ou expor o corpo ao contato com o asfalto.

Tenha cuidado no corredor entre os veículos

Não é proibido circular no corredor entre os demais veículos nas cidades brasileiras, mas isso aumenta o risco de acidentes. Motoristas de carros maiores podem trocar de faixa sem ligar a seta, passageiros podem abrir as portas dos veículos, e pedestres podem atravessar entre os carros, fora da faixa. Quando for necessário trafegar no corredor, vá em baixa velocidade e não faça ultrapassagens pela direita.

Crianças, só após os 10 anos

A legislação brasileira só permite transportar crianças em motocicletas a partir dos 10 anos. Para tal, é necessário uso de capacete adequado para o tamanho da criança. A idade mínima para ser condutor de moto no Brasil é 18 anos – não é possível conduzir ou tirar CNH categoria A (moto) antes disso nem com consentimento do responsável.

Use farol baixo mesmo durante o dia

O uso do farol baixo ajuda o veículo a chamar mais atenção de outros condutores no trânsito. Segundo a Opas, um trânsito com motocicletas de farol baixo ligado tem risco até 20% menor de colisões.

Leve apenas um passageiro

Os condutores de motocicleta só podem transportar um passageiro na garupa da moto. Transportar passageiro fora do assento suplementar colocado atrás do condutor ou em carro lateral é infração gravíssima prevista no Artigo 244, Inciso II, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), penalizada com multa e suspensão do direito de dirigir.

Segure firme e mantenha o equilíbrio

Se você vai na garupa em uma viagem de moto, deve segurar com as duas mãos nas alças traseiras da motocicleta ou no motociclista e manter os pés nos pedais de apoio durante toda a viagem. É importante não segurar em outras partes laterais da moto e se manter afastado do escapamento. Durante a viagem, é necessário alinhar seu corpo com o do condutor e acompanhar o movimento do corpo dele suavemente, principalmente nas curvas. O carona pode atrapalhar o equilíbrio do condutor durante a viagem e até causar quedas e colisões.

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Ferroviária e São Paulo empatam nas quartas do Brasileirão Feminino

Em partida que teve transmissão da TV Brasil, Ferroviária e São Paulo não saíram do 0 a 0, na abertura da fase de quartas de final do Brasileirão Feminino. 

O jogo, realizado na Fonte Luminosa, em Araraquara, São Paulo, neste sábado (9), marcou a retomada da competição depois de mais 50 dias sem partidas devido à disputa da Copa América, vencida pela seleção brasileira no último fim de semana. 

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Com o resultado, um empate no duelo de volta, no próximo sábado (16), no Morumbi, em São Paulo, levará a definição da equipe classificada às semifinais para os pênaltis. Quem vencer nos 90 minutos avança.

O jogo deste sábado mostrou duas equipes com muita dificuldade em criar reais oportunidades de perigo. As goleiras Luciana, da Ferroviária, e Carlinha, do São Paulo, não fizeram grandes intervenções. Micaelly foi quem deu mais trabalho pelas Guerreiras Grenás enquanto o Tricolor teve oportunidade com Bia Menezes.

No segundo tempo, logo no começo, o panorama pareceu mudar, com boa chegada de Isa, que obrigou Luciana a colocar para escanteio em difícil defesa. No entanto, o que se viu pelo resto da etapa final foi a mesma dificuldade em transformar a chegada no ataque em oportunidades de gol. O placar sem gols se mostrou adequado diante do que foi exibido.

Antes da definição da vaga na semifinal, as duas equipes voltam a campo no meio da semana pelo Campeonato Paulista. Na terça-feira (12), a Ferroviária visita o Corinthians, às 18h. No dia seguinte, o São Paulo recebe o Realidade Jovem, no mesmo horário.

Pan Júnior: Juliana e Filipe Mota são os porta-bandeiras do Brasil

O Brasil já tem definidos os atletas porta-bandeiras para a cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos Júnior em Assunção, no Paraguai, neste sábado (9), no estádio Defensores del Chaco.

Juliana Viana, do badminton, e Filipe Mota, do skate, terão a responsabilidade de levar as bandeiras no desfile de abertura do evento que começa às 19h (horário de Brasília).

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“É uma honra imensa, estou sem palavras, em êxtase ainda, mas tudo que eu posso dizer é gratidão por tudo que estou passando e pela trajetória que eu venho formando com o Time Brasil”, disse Juliana, em declaração dada ao site do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

A atleta, de 20 anos de idade, que já disputou os Jogos Olímpicos de Paris, no ano passado, é um dos destaques da delegação brasileira.

Ao lado de Juliana, Filipe Mota, de18 anos, revelação do skate, disse que prepara uma entrada diferente no desfile das delegações.

“É minha primeira vez no Pan Júnior, e já poder representar o Brasil nessa cerimônia é muito gratificante. Eu vou honrar a bandeira brasileira, que vai entrar comigo de skate. Vai ser da hora, demais”, afirmou skatista mineiro ao site do COB.

Os Jogos Pan-Americanos Júnior, que reúnem atletas de até 23 anos de idade, serão disputados até o dia 23 de agosto e reúne 4 mil atletas de 42 modalidades. A delegação do Brasil é composta por 358 atletas.

Fortaleza e Botafogo empatam na abertura da semi do Brasileirão A2

Em duelo que teve transmissão da TV Brasil, Fortaleza e Botafogo empataram por 2 a 2 na partida de ida da semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino A2, nesta sexta-feira (8), no estádio Presidente Vargas, na capital cearense. 

Com o resultado, as duas equipes chegam sem vantagem para o jogo decisivo, na próxima sexta-feira (15), no estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, às 21h. Quem vencer avança para a final e novo empate significará disputa de pênaltis para decidir o primeiro finalista.

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O Glorioso saiu na frente do placar no primeiro tempo. Aos 29 minutos, Duda Basílio colocou o Botafogo em vantagem.

Na volta do intervalo, disposto a se impor em casa, o Fortaleza partiu para cima. As Leoas viraram com gols de Natália, aos 19 minutos e de Esterfany, aos 31.

No entanto, pouco depois, Carol converteu penalidade em favor da equipe carioca e voltou igualar o placar.

Fortaleza e Botafogo já garantiram vaga na primeira divisão do futebol feminino nacional, assim como Atlético-MG e Santos, que fazem a outra semifinal. O primeiro jogo desse duelo acontece na segunda-feira (11), na Arena MRV, em Belo Horizonte, às 21h.

Governo quer aumentar número de setores fora do tarifaço

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse neste sábado (9) que a prioridade do governo federal é ampliar os setores que ficarão fora do tarifaço de Donald Trump, e não retaliar os Estados Unidos.

Durante evento em Guaratinguetá, no estado de São Paulo, Alckmin disse que o governo defende o diálogo nas negociações entre os dois países. “A prioridade não é retaliar, é resolver. Procurar ampliar o número de setores que sejam excluídos, fiquem fora dessas tarifas, que entendemos extremamente injusta”, afirmou.

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Alckmin voltou a confirmar que o anúncio das medidas de ajuda aos setores afetados pelo tarifaço será feito na próxima semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Lula deve anunciar um pacote de medidas mitigatórias, ou seja, apoiar as empresas. Quais empresas? Aquelas que exportam mais para os Estados Unidos e que foram afetadas”, informou.

>>Entenda a guerra de tarifas de Trump e consequências para Brasil

 

Durante evento em Guaratinguetá (SP), neste sábado, Alckmin comemorou aumento nas vendas de veículos em julho, após isenção do IPI – Foto/Arquivo/Agência Brasil

IPI

O vice-presidente também comemorou o aumento nas vendas de veículos após o governo federal anunciar no mês passado a isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos sustentáveis.

Segundo Alckmin, as vendas aumentaram 15,7% após o anúncio das medidas. 

“isso significa a indústria produzindo mais, crescendo a indústria automotiva, que tem uma cadeira produtiva longa, as concessionarias vendendo mais, um ciclo positivo. O IPI zero ajuda a população a comprar um carro com desconto, mais barato”, completou.