O Bayern de Munique teve atuação segura e derrotou o Flamengo por 4 a 2 neste domingo (29), eliminando a equipe brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de clubes da Fifa. O destaque dos bávaros em Miami foi o centroavante inglês Harry Kane, autor de dois gols. Pulgar (contra) e Goretzka fizeram os outros gols do Bayern. Gerson e Jorginho (de pênalti) marcaram para o Flamengo. Com o resultado, a equipe alemã avança para enfrentar o PSG, campeão europeu, nas quartas de final do torneio.
O Bayern entrou em campo determinado a deixar o time brasileiro desconfortável. Empregando uma pressão ainda no campo de defesa do Flamengo, o time criou dificuldades na saída de bola e pulou na frente logo no começo.
Aos 6 minutos, após uma série de escanteios para o time alemão, a bola foi levantada pela esquerda e Pulgar, inadvertidamente, acabou desviando de cabeça para a própria meta, matando o goleiro Rossi. 1 a 0 Bayern.
O Flamengo mal teve tempo para respirar e sofreu outro golpe. Aos 9, após pressionar na saída de bola, o Bayern retomou a posse e a bola chegou a Harry Kane na intermediária. O artilheiro inglês avançou e chutou de fora da área. A bola desviou de leve em Léo Ortiz e entrou no canto de esquerdo de Rossi. Aos 10 minutos de jogo, o Bayern impôs uma desvantagem de dois gols ao Flamengo.
No entanto, o time carioca não se abateu. Após jogada pela direita, Luiz Araújo finalizou na pequena área e o goleiro Neuer fez defesa espetacular.
O Rubro-Negro seguiu pressionando e conseguiu seu primeiro gol aos 33. Após jogada pela esquerda, a bola sobrou para Gerson dentro da área e o camisa 8 fuzilou a meta de Neuer, que não teve tempo de reação suficiente.
Num primeiro tempo repleto de emoções, a equipe alemã logo respondeu. Aos 41, após bola mal afastada pela defesa do Flamengo, Goretzka dominou e chutou colocado no canto direito de Rossi para voltar a estabelecer a diferença de dois gols.
Após o intervalo, precisando de dois gols para igualar o placar, o Flamengo partiu para cima e conseguiu um pênalti aos 10 minutos. Olise usou os braços para se proteger e desviou a bola dentro da área. Jorginho cobrou, deslocando Neuer e diminuindo a desvantagem novamente.
Após um breve período de estudo, o Bayern acabou respirando novamente. Mantendo-se fiel à estratégia de pressionar a saída de bola adversária, o time recuperou a bola no campo adversário aos 28. Harry Kane foi lançado dentro da área e tocou na saída de Rossi para marcar seu segundo na partida.
O Flamengo, desanimado por não conseguir a igualdade, não conseguiu mais impor dificuldades.
Bayern e PSG agora brigam por uma vaga na semifinal no próximo sábado, dia 5, em Atlanta.
Com o mote de “Justiça Já”, uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro. O ato protesta principalmente contra o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), no qual o ex-chefe do Executivo é acusado de liderar uma tentativa de golpe de Estado em 2022. Há apenas dois dias, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, abriu prazo para as alegações finais do processo que investiga a trama golpista.
Durante o ato realizado na tarde deste domingo (29), os manifestantes também exibiram faixas pedindo anistia aos condenados pelo STF pelos ataques de 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes, além de bandeiras de apoio a Israel e aos Estados Unidos.
Além de Bolsonaro, o ato contou com a presença do pastor evangélico Silas Malafaia, principal organizador do ato, e dos governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais) e Jorginho Mello (Santa Catarina). Todos eles subiram ao caminhão de som que foi posicionado ao lado do Parque Trianon, no cruzamento entre a Avenida Paulista e a Rua Peixoto Gomide.
Vestidos de verde e amarelo, os apoiadores do ex-presidente estiveram concentrados na tarde deste domingo em apenas um quarteirão da Avenida Paulista, em frente ao Parque Trianon, entre a Rua Peixoto Gomide ─ onde estava o caminhão com as autoridades ─ e o Museu de Arte de São Paulo (Masp). Havia também uma concentração de apoiadores em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Conforme o Monitor do Debate Político do Cebrap e a ONG More in Common, o ato contou com 12,4 mil pessoas. O cálculo é feito por imagens capturadas por drones e softwares de inteligência artificial, que calculam a quantidade de manifestantes. O mesmo método foi utilizado no ato anterior do ex-presidente, em 6 de abril, quando foi registrada a presença de 44,9 mil pessoas na avenida Paulista.
Discursos
Saudado com gritos de “mito”, o ex-presidente subiu ao palco para pedir aos seus apoiadores que ajudem a eleger 50% da Câmara e do Senado nas eleições de 2026 para “mudar o Brasil”. Segundo o ex-presidente, se a direita quer que o “nosso time seja campeão, temos que investir e acreditar” e entender que “as coisas não acontecem de uma hora para outra”.
Em seu discurso, o ex-presidente também defendeu a anistia aos manifestantes condenados pelos atentados do 8 de janeiro. “Apelo aos três poderes da República para pacificar o Brasil. Liberdade para os inocentes do 8 de janeiro”, falou. Segundo ele, a anistia “é um remédio previsto na Constituição” e o caminho para a pacificação.
Antes de Bolsonaro, também discursaram o pastor Silas Malafaia e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o mais aplaudido pelo público durante o ato.
Em seu discurso, Malafaia criticou as prisões determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes durante o processo que investiga a tentativa de golpe no dia 8 de janeiro e chamou o ministro de ditador. Ele também criticou o fato de a investigação sobre Bolsonaro estar baseada em delações do ex-ajudante de Bolsonaro, o coronel Mauro Cid.
“Ele [Moraes] pensou rápido: se eu prender o coronel [Mauro] Cid, a delação dele cai, e se a delação dele cai, toda a sustentação da denúncia do PGR [Procurador-Geral da República] Paulo Gonet, que está jogando a reputação dele na lata do lixo, está sustentada na delação fajuta do coronel Cid”, disse Malafaia.
Já o governador de São Paulo defendeu a anistia aos condenados pelos ataques contra as sedes do Legislativo, Executivo e Judiciário, no 8 de janeiro, e centrou críticas no governo do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Estamos aqui para pedir justiça, anistia, pacificação e para orar pela esperança e pelo futuro”, disse ele. “Em dois anos e sete meses, [o atual governo] destruiu tudo. O Brasil não aguenta mais. O Brasil não aguenta mais o gasto desenfreado, a corrupção, o governo gastador e o juro alto. O Brasil não aguenta mais o PT”, falou o governador.
O julgamento de Bolsonaro e dos outros integrantes no núcleo 1 do processo entrou no período de alegações finais a partir de despacho do Ministro Alexandre de Moraes, publicado na última sexta-feira.
Pelo despacho, a partir da intimação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá o prazo de 15 dias para apresentar sua versão final dos fatos investigados. Após esse tempo, o delator do complô golpista, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, terá o mesmo tempo para apresentar suas próprias alegações finais.
Por último, as defesas dos outros sete réus da Ação Penal 2.668 terão também 15 dias para apresentar ao Supremo sua última manifestação antes do julgamento do caso pela Primeira Turma, composta por cinco ministros: além de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
Todos os oito réus, incluindo o próprio Bolsonaro, foram denunciados pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelos mesmos cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. Somadas, as penas podem ultrapassar os 40 anos de prisão.
Dentro de exatamente uma semana, o Rio de Janeiro será a capital do Brics, o grupo de países emergentes formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia e China e que se ampliou a ponto de reunir 11 países-membros e dez parceiros. A reunião de cúpula, que durará dois dias, é o ponto alto da presidência rotativa do grupo, ocupada pelo Brasil este ano.
O fato de o país liderar formalmente os debates entre os chefes de Estado e de Governo que estarão no domingo (6) e na segunda-feira (7) no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, com vista privilegiada para a Baía de Guanabara, faz com que o Brasil possa dar o contorno das discussões.
Na avaliação do especialista em relações internacionais Feliciano de Sá Guimarães, o Brasil não deve permitir que o Brics seja um bloco antiocidental, se afastando dos Estados Unidos e da Europa, apesar de que, sim, o Brics se propõe a ser uma nova ordem mundial.
Feliciano Guimarães é professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e diretor acadêmico e pesquisador sênior do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), um centro de estudos independente, sediado no Rio de Janeiro.
“O Brasil jamais vai deixar isso acontecer. O nosso objetivo não é entrar em conflito com o Ocidente”, diz.
O professor pondera ainda que a ampliação do Brics dá mais poder ao grupo, mas ressalva, no entanto, que em um primeiro momento pode diluir a relevância do Brasil.
“Agora isso está diluído porque você tem novos membros plenos, como Irã, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, e você tem os associados, que são vários”, explica.
Em entrevista à Agência Brasil, o professor, também editor associado da revista Foreign Policy Analysis e editor-chefe da Cebri-Revista, aponta como o Brasil deve tratar a opção de moedas nacionais, em vez do dólar americano, no comércio entre os países-membros.
De acordo com Feliciano Guimarães, juntamente com a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) e o G20, grupo de 19 países mais as uniões Europeia e Africana, a presidência brasileira no Brics é uma forma de recuperar prestígio internacional e sair do isolamento promovido em quatro anos do último governo.
O professor trata ainda de temas como inteligência artificial e do banco do Brics, “o mais importante produto de sucesso que o Brics criou”, que atrai até países de fora do grupo, avalia.
Agência Brasil: Qual o papel atual do Brics no mundo e qual a importância de a cúpula de líderes acontecer no Brasil?
Feliciano Guimarães: O Brics é um grupo de países que se sentia sub-representado, principalmente nas instituições econômicas e financeiras, lá nos anos 2000 e 2009, quando o Brics foi criado, e que, nos últimos 15 anos, se tornou um grande grupo de reforma da ordem internacional, de melhora do relacionamento entre os membros. Se você nota o relacionamento do Brasil e da China, do Brasil e da Índia, do Brasil e da Rússia, antes e pós-Brics, você nota a melhora do adensamento desse relacionamento. O Brics serve como um catalisador disso. Não é à toa que você tem 30 países que querem entrar no Brics. E também construir outras instituições internacionais que representam o melhor interesse desses países, como o New Development Bank [NDB, Novo Banco de Desenvolvimento, também conhecido como Banco do Brics], liderado pela ex-presidente Dilma [Rousseff] e o CRA [Acordo de Reserva Contingente, na sigla em inglês], um tratado internacional que favorece esses países, caso eles tenham crises macroeconômicas. Então, o Brics tem esse papel de representar uma ordem internacional reformada.
Agência Brasil: Nos últimos anos, o grupo, que tinha cinco integrantes, optou pela ampliação de membros e países parceiros. Qual a leitura que você faz desse movimento?
Feliciano Guimarães: De um modo geral, o aumento significa a força do Brics. O Brics tem uma incrível força de atração, muitos países querem entrar e ainda tem uma lista de países esperando. O G7 [formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Japão, França e Itália] é um grupo exclusivista, fechado, ninguém sabe como faz para entrar no G7, o máximo que os países do G7 fazem é convidar esporadicamente um presidente ou outro, como foi o [convite ao presidente] Lula, ao primeiro ministro da Índia, nas reuniões, mas ninguém sabe qual é o método para você pedir para virar membro do G7. O Brics, pelo contrário, mostra a força e a flexibilidade. Por outro lado, para o Brasil, aumentar o número de membros é negativo no curto e no médio prazos porque faz com que o privilégio que o Brasil tem de participar de um grupo de cinco países cujos três membros – Índia, Rússia e China – são grandes potências ou, se não grandes potências, países muito importantes na ordem internacional, como no caso da Índia, agora isso está diluído, porque você tem novos membros plenos, como Irã, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, e você tem os associados, que são vários. Então você tem um novo equilíbrio, existe um novo Brics, um Brics antes e depois dessa ampliação. Ainda é muito cedo para dizer se é muito bom para o Brasil, se é bom, ou se é ruim. Em um primeiro momento, é mais negativo que positivo, mas é positivo no longo prazo porque aumenta a força do Brics como um grupo.
Agência Brasil: Existe a tentativa de formar uma nova ordem mundial calçada no multilateralismo?
Feliciano Guimarães: O Brics é a representação de uma nova ordem internacional. Não uma ordem que substitui a ordem liberal antiga, mas uma que procura reformar a ordem liberal liderada pelos Estados Unidos durante todas essas últimas décadas, para se tornar uma ordem cada vez mais inclusiva e que tenha mais representatividade dos países em desenvolvimento, do Sul Global, mas também do Norte Global, baseado na ideia de igualdade, equilíbrio de poder e tudo mais. O Brics representa uma tentativa, um grupo que tenta reformar as outras instituições internacionais vigentes, sistema das Nações Unidas, FMI [Fundo Monetário Internacional], Banco Mundial, OMC [Organização Mundial do Comércio] e criar instituições paralelas como o NDB, o CRA e talvez outras no futuro.
Agência Brasil: O crescimento de relevância do Brics é uma ameaça à hegemonia de potências ocidentais ou apenas um equilíbrio de forças em prol de mais cooperação internacional?
Feliciano Guimarães: É a segunda parte. Não há dúvida de que países dentro do Brics, principalmente com a entrada do Irã agora, ou mesmo a Rússia, em certos momentos querem que o Brics se torne um grupo antiocidental, mas o Brasil jamais vai deixar isso acontecer, vai sempre lutar para que isso não aconteça. Somos um país próximo do Ocidente, muita gente no Brasil se considera parte do Ocidente, e o nosso objetivo não é entrar em conflito com o Ocidente, do ponto de vista político ou geopolítico. A ideia do Brics é melhorar a cooperação entre os países que se sentiam sub-representados na ordem internacional liderada pelos Estados Unidos e pelos europeus.
Agência Brasil: Rússia e Irã fazem parte do Brics. Os dois países têm conflitos regionais. Irã com Israel [com recente cessar-fogo]; Rússia com a Ucrânia. O Brics pode ser um espaço para a busca da paz nessas regiões ou o fato de Ucrânia e Israel estarem de fora inutiliza esse fórum?
Feliciano Guimarães: O Brasil não busca transformar o Brics em uma plataforma geopolítica e isso aumenta muito os riscos e os custos. As prioridades da presidência brasileira são cooperação Sul-Sul, cooperação na área de saúde, investimentos, mudança climática. Não envolve questões de segurança e defesa. É claro que na hora em que você coloca o Irã, que acabou de ser atacado por Israel, e Rússia, em guerra com a Ucrânia, esses países trazem essas questões geopolíticas. A reunião dos ministros de Relações Exteriores que aconteceu no Rio de Janeiro há alguns meses já mostrou essa dificuldade, porque envolvia a discussão, dentro da ideia de reforma da ordem, a reforma do Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas. Com novos membros, como Egito, aí já entra em conflito com a África do Sul, porque tem a posição africana em relação à reforma do CS, então gera um monte de dificuldades. O Brasil lançou uma nota condenando o ataque israelense [contra o Irã] muito dura e depois o Brics lançou uma nota condenando o ataque israelense, também muito dura, porque o Irã agora é um membro. Isso mostra as dificuldades que o Brasil terá daqui para diante em relação ao Brics, porque essas questões de segurança e defesa que o Brasil não quer tratar no Brics são automaticamente trazidas para o grupo.
Agência Brasil: O Brics tem quase metade da população mundial e robusta corrente de comércio entre os países. Há espaço para fazer transações comerciais fora do guarda-chuva do dólar, uma vez que os Estados Unidos não fazem parte do grupo? O presidente americano, Donald Trump, já se mostrou contrário a movimentos nesse sentido.
Feliciano Guimarães: O Brasil tem diminuído a ênfase nesse debate porque sabe da sensibilidade desse debate na Europa e, principalmente, nos Estados Unidos, porque é a moeda americana que está sendo questionada. O que o Brasil faz é continuar os debates, mas focado na discussão de trocas comerciais e não de formação de reserva de moeda estrangeira. O que são trocas comerciais? É você tentar fazer com que o chamado R5, as cinco moedas originais do grupo, que começam com a letra R – real [Brasil], rublo [Rússia], rupia [Índia], renminbi [China] e rand [África do Sul] -, transacionarem mais entre elas no comércio. O Brasil já faz uma parte do seu comércio com a China entre real e renminbi, sem passar pelo dólar. Há especulação de que uma parte importante do comércio entre Brasil e Rússia tenha passado entre real e rublo, sem passar pelo dólar, ou passando pelo renminbi no meio. Então isso tem aumentado, e para isso aumentar, você tem que passar por um conjunto de mudanças legislativas dentro do Brasil e no outro país para que os bancos reconheçam a moeda um do outro, porque eles estão acostumados e tradicionalmente usam o dólar. Mas nós não podemos fazer um debate agressivo da desdolarização porque as nossas reservas internacionais, de US$ 360 bilhões [cerca de R$ 2 trilhões], que são fundamentais para proteção macroeconômica do Brasil, são 75% delas baseadas no dólar americano, em títulos da dívida americana. O enfraquecimento abrupto do dólar no mercado internacional afeta a nossa própria reserva. Não podemos fazer isso. Temos que lentamente diversificar as nossas reservas.
Agência Brasil: O encontro de chanceleres do Brics em abril, também no Rio de Janeiro, fechou posição contrária ao protecionismo desencadeado pela guerra tarifária promovida por Trump. Essa pauta deve ainda permear o encontro da semana que vem?
Feliciano Guimarães: Essa questão da guerra tarifária com o Trump vai, obviamente, fazer parte dos debates da declaração final do Brics e vai ser um debate crítico, porque o Trump está atacando todos os países. Então o Brics está em posição conjunta. Seria interessante se coordenasse as suas ações em relação a como responder o Trump. Dá muito mais força aos países do Brics. É uma coisa sensível, mas seria interessante.
Agência Brasil: O Brics tem poder de persuasão para apontar caminhos para temas em voga, como transição energética e regulamentação de big techs e da inteligência artificial (IA)?
Feliciano Guimarães: Com certeza. Esses três temas fazem parte da agenda oficial do Brasil. O Brics é uma forma de concertação política, ou seja, os atores escutam uns aos outros, tomam posições, emitem declarações de soft law, não têm poder mandatório. Depois, essas declarações têm que ser, caso você queira mudar alguma coisa, internalizada, transformada e mudar as leis internas dos países. Então, o nosso debate sobre IA que tem no Congresso brasileiro é levado para uma discussão de uma forma ou de outra pela delegação brasileira, e aí você tem as discussões gerais sobre o Brics em relação à IA. O documento que sair de lá pode servir de base para influenciar o nosso debate aqui interno.
Agência Brasil: Qual o papel do banco do Brics (NDB), presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff?
Feliciano Guimarães: O NDB é ótimo, é o mais importante produto de sucesso que o Brics criou. Os cinco países originários têm cada um 15% das cotas, o que controla totalmente de forma igualitária. Cada país põe 15% desse orçamento geral, tem que tirar do seu orçamento nacional, em dólar, que é a moeda. Depois isso é distribuído entre os países-membros conforme os pedidos de projetos. Esses projetos de infraestrutura, transição energética, têm que ser sempre green, ou seja, de baixo impacto de carbono. Então, é o banco que tenta ter parâmetros de dispêndios de empréstimos dentro da nova tendência internacional de green investment, o investimento verde. Precisa ter mais orçamento no NDB, mas sempre tem essa limitação, e agora você nota que tem novos membros entrando. A Colômbia entrou, Uruguai, Bangladesh, esses países nem são membros plenos do Brics, mas podem ser membros do NDB.
Agência Brasil: O Brasil sediou a reunião do G20 no ano passado, também no Rio, agora faz a Cúpula do Brics e prepara a COP30, em Belém, em novembro. A liderança nesses encontros almeja quais objetivos?
Feliciano Guimarães: O objetivo geral é a reposição do Brasil no cenário internacional depois de quatro anos de [governo do ex-presidente Jair] Bolsonaro [2019-2022], em que o nosso prestígio internacional declinou muito, entramos em um período de isolamento político muito forte. O Brasil teve a chance de organizar essas três grandes conferências e recolocar o Brasil no centro de discussões de temas centrais para nós. O G20 trata de todos os temas da ordem internacional, menos defesa e segurança; a COP30 é a mudança climática, nosso tema fundamental, onde temos um poder maior na discussão. É um pouco isso, a recuperação das credenciais internacionais do Brasil e o uso dessas plataformas para atingir objetivos para o desenvolvimento brasileiro.
Entenda o Brics
O Brics é formado por 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Essas nações representam 39% da economia mundial e 48,5% da população do planeta.
Os países que têm status de parceiros são Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã, que anunciou a adesão no início de junho.
O grupo não chega a ser uma organização internacional ou um bloco formal. Por exemplo, não tem um orçamento próprio ou secretariado permanente.
Fundado em 2006, o grupo era Bric, iniciais de Brasil, Índia, Rússia e China. Em 2011, o acrônimo ganhou o s, de South Africa (África do Sul, em inglês).
Em 2023, o grupo passou a incluir Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita – ainda no processo de formalização – e Emirados Árabes Unidos. A Argentina chegou a ser convidada, mas sob a presidência de Javier Milei, recusou o ingresso. Em 2024, a Indonésia passou a fazer parte do grupo.
Os países-membros se alternam ano a ano na presidência do bloco. O Brasil será sucedido pela Índia em 2026.
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu explicações à prefeitura do Rio de Janeiro e à Câmara Municipal da capital fluminense sobre a Lei Municipal 282/2025, que criou uma divisão armada na Guarda Municipal do Rio de Janeiro (GM-Rio). A legislação, entre outras autorizações, permite que funcionários temporários possam usar armas.
A contestação da lei chegou ao STF, instância máxima do Judiciário brasileiro, por meio de duas Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) ─ ação judicial para contestar atos do Poder Público que violem preceitos fundamentais da Constituição Federal.
Tanto a ADPF 1238 quanto a ADPF 1239 foram direcionadas ao ministro Fachin, que deu o prazo de dez dias para que os poderes Executivo e Legislativo da cidade do Rio forneçam informações. O despacho mais recente, referente à ADPF 1239, foi publicado na sexta-feira (27).
“Colham-se informações da Câmara Municipal e do Poder Executivo Municipal no prazo de 10 (dez) dias”, determinou o magistrado.
Associações de guardas
A primeira ação foi impetrada pela Federação Nacional de Sindicatos de Servidores das Guardas Municipais (Fenaguardas). A mais recente, pela Associação Nacional de Guardas Municipais (AGM Brasil), recebida na quinta-feira (26) pelo STF.
Com a argumentação de que a lei carioca é inconstitucional por prever o preenchimento de cargos públicos mediante contratação temporária, sem a realização de concurso público, inclusive com porte funcional de arma de fogo, “criando estrutura estranha ao Sistema Único de Segurança Pública”, a AGM Brasil pediu a derrubada da lei, inclusive por medida cautelar, ou seja, de forma imediata mesmo antes do julgamento do mérito.
Para o presidente da Associação Nacional de Guardas Municipais, Reinaldo Monteiro, não é aceitável que a segurança pública, sobretudo em um dos maiores municípios do Brasil, seja tratada com improviso e informalidade, nas palavras dele.
“A contratação de agentes temporários sem concurso público compromete a legalidade, a técnica e a estabilidade institucional da Guarda Municipal”, afirmou em nota.
Na ADPF proposta pela Fenaguardas, o pedido é para a suspensão de trechos da lei e para que o STF fixe o entendimento de que as atividades das guardas municipais devem ser exercidas por cargos concursados.
“O armamento da Guarda também é fundamentado em uma decisão do STF de 01/03/2021, que autorizou que todos os integrantes de Guardas Municipais do país tenham direito ao porte de armas de fogo”, diz o município.
A Agência Brasil também entrou em contato com a Câmara Municipal e está aberta a posicionamentos.
Entenda a divisão de elite
A Lei Complementar Municipal 282/2025, sancionada no dia 13 de junho, autoriza que a chamada “divisão de elite” da GM-Rio seja formada por funcionários temporários, vinculados ou não à corporação, com direito a porte de arma de fogo.
O texto tinha recebido o aval da Câmara Municipal três dias antes, por 34 votos favoráveis e 14 contrários. A divisão de elite será composta prioritariamente por guardas municipais, mas estará aberta também a ex-militares das Forças Armadas.
Um trecho da nova lei determina que “a divisão de elite da GM-RIO – Força Municipal será composta prioritariamente por guardas municipais, mediante aprovação em processo seletivo interno, nos termos do Decreto Regulamentador”.
Também será permitida a contratação de agentes por tempo determinado de um ano, prazo que poderá ser prorrogado por até cinco vezes. A remuneração prevista é de R$ 13 mil, sendo vencimento base de cerca de R$ 1,8 mil e mais de R$ 10 mil em forma de gratificação por uso de arma de fogo.
A legislação indica que caberá à divisão de elite “realizar ações de segurança pública, inclusive policiamento ostensivo, preventivo e comunitário, atuando de forma conjunta com os demais órgãos de segurança pública”.
Além dos governos brasileiro e espanhol, o comunicado foi assinado pelos representantes da Colômbia, Austrália, Bélgica, Cabo Verde, Canadá, Chile, Eslovênia, Islândia, Irlanda, Noruega, Holanda, Portugal e Uruguai.
De acordo com o texto divulgado pelo governo espanhol, o Brasil e mais 14 países unem esforços pela promoção de políticas de diversidade e de combate à violência. O comunicado foi elaborado em alusão ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, comemorado no último sábado (28).
“Reiteramos nosso compromisso com o respeito aos direitos humanos das pessoas LGBTQIA+ para que sua igualdade na lei seja indiscutível e para que nenhuma pessoa seja criminalmente perseguida ou discriminada por razão de sua orientação sexual e identidade de gênero”, diz a declaração.
De acordo com o governo brasileiro, a adesão mostra o comprometimento do país com a promoção da igualdade e o combate à discriminação.
“Ao apoiar essa declaração, o Brasil reafirma o seu compromisso em atuar no plano multilateral para promover avanços e impedir retrocessos nos direitos da população LGBTQIA+”, declarou o Itamaraty.
A família da publicitária Juliana Marins utilizou as redes sociais neste domingo (29) para denunciar descaso no traslado do corpo da jovem de 26 anos para o Brasil. Juliana morreu na semana passada, ao cair enquanto fazia uma trilha no Monte Rinjani, um vulcão na ilha de Lombok, na Indonésia.
Em uma primeira publicação no perfil de Instagram criado para fornecer informações sobre o caso de Juliana, a família reclama que não conseguia confirmar o voo que levará o corpo de Bali, na Indonésia, até o aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
“É descaso do início ao fim. Precisamos da confirmação do voo da Juliana urgente. Precisamos que a Emirates se mexa e traga Juliana para casa!”, diz o texto.
Em seguida, por volta das 15h, horário de Brasília (2h da manhã na Indonésia), a família acrescenta que “já estava tudo certo com o voo, já estava confirmado, mas a Emirates em Bali não quer trazer minha irmã para casa. Do nada o bagageiro do voo ficou ‘lotado’”.
Há dias, o pai da publicitária, Manoel Marins, está na Indonésia para trazer o corpo de volta ao Brasil.
A Agência Brasil pediu um posicionamento à companhia aérea Emirates, que informou que o caso estava sendo apurado.
Relembre o caso
Juliana fazia uma trilha no Monte Rinjani, no sábado (21), quando caiu em um penhasco do vulcão. Desde então, houve grande expectativa sobre o resgate dela, que só era vista por imagens feitas por um drone. Em uma das tomadas, ela ainda se mexia.
Apenas na terça-feira (24), equipes de socorro confirmaram a morte da moradora de Niterói, cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro.
Segundo a Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia, a brasileira não foi resgatada a tempo por conta das condições meteorológicas, terreno complicado e problemas na logística das operações de socorro.
Causa da morte
Uma autópsia realizada por profissionais da Indonésia concluiu que a turista brasileira morreu em decorrência de hemorragia, provocada por danos a órgãos internos e fraturas ósseas. Segundo os legistas, os ferimentos foram provocados por traumas por contusão, ocorridos algumas horas antes do resgate do corpo.
O laudo explica que depois do início da hemorragia, a morte levou menos de 20 minutos para ocorrer. A equipe também descartou morte por hipotermia, porque não há sinais de lesões teciduais nos dedos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao Ministério das Relações Exteriores que preste todo o apoio à família. Um decreto publicado nesta sexta-feira (27) no Diário Oficial da União permite o custeio, pelo governo federal, do traslado de corpos de brasileiros mortos no exterior.
No topo da classificação, o destaque do GP da Áustria, disputado neste domingo (29) em Spielberg, foi a vitória do britânico Lando Norris, da McLaren. No entanto, ao se olhar para os próximos nomes na classificação final da prova, o brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, chamou a atenção ao pontuar pela primeira vez em sua ainda breve carreira na Fórmula 1.
O piloto paulista, de 20 anos, que largou na oitava colocação, teve um bom desempenho e sustentou a posição ao final das 71 voltas. Com isso, somou seus primeiros quatro pontos após 11 corridas. Ele aparece na 19ª colocação no mundial de pilotos. O Brasil não pontuava em uma prova da categoria desde 2017, no GP de Abu Dhabi, com Felipe Massa.
“Eu sempre soube que era capaz disso. Não estou na Fórmula 1 por acaso. Estou aqui porque um dia quero vencer. Não vou ficar feliz apenas por somar alguns pontos, sabe? Mas claro que é uma conquista”, disse o brasileiro em declaração ao site oficial da F1.
Durante a prova, a estratégia de pit stops de Bortoleto foi segura e permitiu a ele manter a posição sem maiores sustos e até desafiar o veterano Fernando Alonso, da Aston Martin, que conseguiu segurar a sétima posição e suportar a pressão do brasileiro.
Norris, da McLaren, largou na pole position e, assim como Bortoleto, manteve a posição na bandeirada final. O companheiro de escuderia, Oscar Piastri, que largou no terceiro lugar, trocou de posições com o cidadão de Mônaco Charles Leclerc, da Ferrari, conquistando o segundo lugar e deixando o adversário em terceiro. Na tabela de classificação do campeonato, Piastri é o líder, com 216 pontos, 15 a mais do que Norris.
A próxima parada do circuito já é no próximo fim de semana (4 a 6 de julho), no GP da Grã Bretanha, disputado em Silverstone.
O Paris Saint-Germain, atual campeão da Liga dos Campeões da Europa, confirmou o favoritismo e goleou o Inter Miami por 4 a 0, neste domingo (29), pelas oitavas de final da Copa do Mundo de clubes da Fifa.
Com o resultado, conquistado com gols marcados todos no primeiro tempo, a equipe francesa aguarda pelo vencedor do duelo entre Flamengo e Bayern de Munique, ainda neste domingo, para saber quem enfrentará na próxima fase. João Neves (2), Aviles (contra) e Hakimi marcaram os gols do PSG.
O duelo, realizado em Atlanta, foi dominado pelo PSG desde o começo. Logo aos cinco minutos, o português João Neves abriu o placar de cabeça, completando falta cobrada pelo lado esquerdo do ataque do time francês.
O próprio Neves ampliou aos 38, após erro na saída de bola da equipe norte-americana. Fabian Ruiz apenas rolou para o português completar para o gol.
O terceiro veio logo depois, aos 43. Doué cruzou com força pela direita, e Aviles não conseguiu evitar o desvio para o próprio gol, marcando contra.
O PSG ainda marcou mais um nos acréscimos, quando Hakimi pegou rebote do próprio chute no travessão e estufou as redes do Inter Miami.
Na segunda etapa, com o jogo já resolvido, as atrações ficaram por conta do craque argentino Lionel Messi, tentando marcar um gol de honra, e a entrada de Ousmane Dembélé, que chegou lesionado aos Estados Unidos e ainda não havia estreado na competição. Ele entrou em campo aos 16 minutos, no lugar de João Neves.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu neste domingo (29) dois alertas laranjas e que indicam fortes ventos na costa do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e declínio de temperatura para sete estados brasileiros até a segunda-feira (30).
O alerta laranja é o segundo de maior gravidade na escala utilizada pelo Inmet, abaixo somente do alerta vermelho, e significa situação de perigo.
O primeiro alerta, de ventos costeiros, vale até as 03h da manhã de segunda-feira (30). Segundo o Inmet, o alerta indica grande movimentação de dunas de areia sobre construções da orla e vale para a Grande Florianópolis, a Região Metropolitana de Porto Alegre, o Sul Catarinense, o Sudeste Rio-Grandense, o Vale do Itajaí e o Nordeste Rio-Grandense.
Já o alerta de onda de frio vale até as 23h59 de segunda (30) e indica que a temperatura pode cair mais do que 5 graus Celsius (ºC) em sete estados brasileiros: Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso e Rondônia.
Chuvas
O Inmet prevê que chuvas intensas devem continuar atingindo o sul do país até segunda (30). Segundo o instituto, a formação de um novo sistema frontal neste domingo reforçará as instabilidades sobre grande parte do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, com acumulados podendo exceder os 100 milimetros.
Rajadas de vento e raios também estão previstos para toda a região. No decorrer da noite, as instabilidades mais fortes devem atuar sobre Santa Catarina e Paraná, podendo chegar ao sul do Mato Grosso do Sul, já se distanciando do Rio Grande do Sul.
Já na segunda (30), as condições de chuva no Rio Grande do Sul devem enfraquecer, mas persistem em áreas localizadas do Paraná e de Santa Catarina, sul de São Paulo e do Mato Grosso do Sul. Novas instabilidades, contudo, poderão voltar a ocorrer no Rio Grande do Sul entre terça-feira (1º) e quarta-feira (2).
Pela primeira vez desde 2016, o Brasil terminou a etapa caseira do Circuito Mundial de surfe, conhecido como Liga Mundial de surfe (WSL), sem títulos. Neste domingo (29), a australiana Molly Picklum e o americano Cole Houshmand se sagraram campeões em Saquarema, cidade da região dos lagos do Rio de Janeiro.
No entanto, pelo menos uma surfista brasileira tem o que comemorar: Luana Silva, de 21 anos, derrubou três campeãs mundiais pelo caminho e foi derrotada por Mocklum na final, igualando seu melhor resultado em uma etapa. Ela também foi vice em Beach Bells, na Austrália, neste ano.
Luana, que nasceu e cresceu no Havaí, nos Estados Unidos, mas é filha de brasileiros, derrotou a atual campeã do mundo, a americana Caitlin Simmers, na repescagem. Depois, eliminou a australiana Tyler Wright, nas quartas, e outra americana, Caroline Marks, na semi.
Na grande decisão, ela acabou não sendo páreo para Picklum, que venceu por um somatório de 15.00 a 9.23. Luana tentava igualar o feito de Andréa Lopes, que, com o título conquistado na praia da Barra da Tijuca, no Rio, em 1999, até hoje é a única mulher brasileira a sair vencedora de uma etapa do circuito no Brasil.
Com o resultado, Luana aparece em nono lugar na classificação da temporada, com 35.530 pontos. Restam duas etapas para o fim da fase classificatória (África do Sul e Taiti), quando apenas as cinco primeiras seguirão para a disputa das finais, em Fiji, no fim de agosto.
No momento, a quinta colocada é a australiana Isabella Nichols, com 39.865 pontos. Com a vitória em Saquarema, Molly Picklum assumiu a liderança da corrida, com 53.345 pontos.
Final estrangeira no masculino
Entre os homens, desde que a etapa brasileira passou para Saquarema, em 2017, somente surfistas da casa haviam saído com o título. Filipe Toledo venceu três vezes e Adriano de Souza, Yago Dora e Italo Ferreira venceram uma vez cada. Em 2020 e 2021 a etapa não foi realizada devido à pandemia de Covid-19.
No último dia de disputas em Saquarema, Miguel Pupo foi o último brasileiro a resistir na tentativa de estender a sequência vitoriosa do país em casa. No entanto, ele acabou derrotado por Cole Houshmand na semifinal, numa bateria bastante equilibrada, vencida pelo americano por 15.06 a 13.83.
Houshmand avançou para a final, em que derrotou o compatriota Griffin Colapinto, em outra bateria extremamente disputada. A vitória foi por 16.90 a 14.40, e o vencedor se tornou o primeiro estrangeiro desde John John Florence (campeão ainda no Rio, em 2016) a ganhar a etapa brasileira.
No entanto, o campeão ainda aparece em 12º no ranking da temporada, com 29.470 pontos. Colapinto também está fora do top 5 no momento, com 35.080 pontos, em sexto.
Dois brasileiros estariam classificados para as finais pela tabela atual: Yago Dora (segundo, com 43.360) e Italo Ferreira (quarto, com 39.355). O líder é o sul-africano Jordy Smith, com 44.195 pontos.
A próxima etapa tanto para homens quanto mulheres será em Jeffreys Bay, na África do Sul, com janela prevista entre 11 e 20 de julho.
Cercada pelas montanhas do Parque da Serra do Mendanha, está uma pequena casa, em uma rua de Vila Aliança, bairro da zona oeste do Rio de Janeiro. A porta desta casa, de muro verde água, fica sempre aberta. Os desavisados que entram correm o risco de tropeçar pipas, cerol e linha, explicados pelo entra e sai de crianças. É ali que mora Anazir Maria de Oliveira, a Dona Zica, de 92 anos, como ficou conhecida. Ela não tranca a porta, mas não só pelos bisnetos, que empinam pipa na rua. Liderança comunitária do bairro, que ajudou a urbanizar, ela é muito procurada por seu trabalho de referência política, social e religiosa ─ ela ainda é coordenadora na Pastoral Afro-Brasileira da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
“O papel das igrejas, hoje, é incentivar a luta coletiva, principalmente, a juventude”, disse ela. “É preciso incentivar os jovens a estarem nos movimentos sociais, para que possam ampliar o conhecimento sobre a sociedade e contribuir para o seu próprio futuro, para que haja esperança, entende? Nossas conquistas nunca foram fáceis”, completou.
A trajetória de Dona Zica, que nasceu em Manhumirim, na zona da mata mineira, alcançou montes além dos do Medanha. Ela é uma das lideranças que fundaram, nos anos 1980, o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Partido dos Trabalhadores (PT).
Mas, para Zica, a luta das domésticas sempre foi a mais importante. Foi a profissão que ela exerceu por mais tempo: começou muito nova no ofício, aos 9 anos, quando chegou a ficar três meses sem salário. Hoje, o trabalho doméstico remunerado feito por crianças e adolescentes até 17 anos é proibido e considerado uma das piores formas de trabalho infantil, por expor as pequenas a riscos de violências e lesões.
Dona Zica veio aos 11 anos para o Rio de Janeiro, acompanhar a mãe e um irmão, em busca de uma vida melhor. Na cidade natal, deixou para trás nove irmãos falecidos, que não resistiram àqueles tempos de desassistência. Em junho de 2025, Anazir completou 92 anos junto com os dez anos da Lei Complementar 150, que regulamentou os direitos trazidos pela PEC das Domésticas. Entre eles, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o seguro-desemprego, auxílio-creche, salário-família, adicional noturno, indenização por demissão sem justa causa e o pagamento de horas extras.
A luta dela, no entanto, é bem anterior, quando empregadas domésticas sequer tinham direito a folga semanal remunerada. “Até 2013, não tínhamos uma lei que garantisse o descanso semanal. Era um benefício que, se os patrões quisessem, eles davam, se não quisessem, não, entendeu?”, explicou Anazir.
Anazir Maria de Oliveira, conhecida como Dona Zica, 92 anos. Na foto, emoldurada a Medalha de Reconheimento Chiquinha Gonzaga concedida a ela pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Tânia Rêgo/Agência Brasil
Domésticas na Constituinte
Nos anos 1980, ao defender o descanso no Congresso Nacional, ela se deparou com o rechaço do deputado Amaral Neto (na época, do PDS, que serviu de base para formação do PFL, atual União Brasil). “Ele disse que, aos finais de semana, queria ser servido em casa. Mas nós respondemos que ele nunca mais teria um voto de empregada doméstica”, relembrou.
A atuação na Constituinte, em 1988, era para que as domésticas fossem consideradas uma categoria profissional. Zica liderou a Associação de Trabalhadoras Domésticas, naquele momento, quando a entidade foi transformada no Sindicato dos Domésticos do Rio. Ela trabalhava no Leblon, na zona sul, e, de noite, pegava um ônibus para Brasília, para conversar com parlamentares. No mesmo dia em que chegava na capital federal, ela voltava, direto para o trabalho. Com a nova Constituição, elas conseguiram férias remuneradas de 30 dias, o 13º salário, o direito ao aviso prévio e um dia de descanso pago durante a semana.
Para a atual presidenta do sindicato, Maria Izabel Monteiro, além da atuação pioneira, Zica é uma figura importante na defesa de avanços coletivos. “Estamos falando de direitos sociais das pessoas menos favorecidas, de direitos humanos”, frisou Monteiro.
Alianças e avanços
Em entrevista à Agencia Brasil, Anazir falou sobre sua trajetória pessoal, o sindicato, destacou o papel da Igreja Católica na organização embrionária das domésticas em pastorais e do apoio do movimento feminista, de mais mulheres brancas.
Anazir Maria de Oliveira, conhecida como Dona Zica, 92 anos Tânia Rêgo/Agência Brasil
“A gente deu força para elas e elas nos deram força também. Adquirimos experiência na relação, pela trajetória de reivindicação que elas tinham acumulado”, saudou Anazir.
Trabalhou como lavadeira e passadeira por 40 anos, é mãe de seis filhos, e, depois dos 40 anos de idade, voltou a estudar: cursou duas universidades, de pedagogia e serviço social — que concluiu aos 83 anos. Em sua trajetória, a ativista transformou patroas em aliadas, que financiaram e apoiaram suas atividades. E também fez do esposo, Jair Benedito de Oliveira, seu parceiro. Ele faleceu em 1997, e todas as noites em que Zica saía para suas luta política ele esperava, da varanda, a companheira voltar de seus compromissos.
Zica reconhece os avanços das domésticas, mas defende que a lei inclua as diaristas, cujos salários e contribuições para previdência são mais baixos e vulneráveis. Ela defende a importância da carteira de trabalho, que vem sendo desprezada por categorias e jovens, e cobra fiscalização contra a informalidade, o trabalho doméstico escravo e infantil.
“Nós, trabalhadoras domésticas, temos uma herança que vem desde a escravidão. Todos os trabalhadores têm suas dificuldades, e patrões não pagam [salário] porque querem, pagam porque são obrigados. Mas as empregadas domésticas, mesmo com patrões sendo obrigados a pagar, têm que correr atrás. A gente vive ainda numa realidade em que o nosso trabalho, um trabalho braçal, deve ser feito sem nenhuma recompensa. Contribuímos para que os nossos opressores chegassem onde chegaram, com camisas bem passadas e alimentados. Mas essa dívida não foi paga”.
O Brasil tem 6 milhões de empregados domésticos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022, sendo que seis em dez são mulheres negras. Apenas três em dez contribuem para a previdência, e somente 24,7% têm carteira assinada. A categoria tampouco tem direito ao abono salarial, pago para quem ganha até dois salários mínimos, e só recebe três das cinco parcelas de seguro desemprego a que todos os demais trabalhadores com carteira assinada têm direito.
Melhores trechos da entrevista
Dona Zica é uma das fundadoras do Sidicato dos Trabalhadores Domésticos do Rio de Janeiro, da Central Única dos Trabalhadores(CUT) e do Partido dos Trabalhadores(PT) Tânia Rêgo/Agência Brasil
Agência Brasil: Quando a senhora começou a trabalhar como empregada e como foi o despertar para a defesa de direitos na profissão?
Dona Zica: A minha mãe era trabalhadora doméstica em uma fazenda, em Manhumirim. Nessa fazenda, ela criou os filhos dos patrões, e, ali, eu nasci, lidando com a plantação, a colheita de café. Vivi com ela até os meus 9 anos de idade, quando mamãe resolveu sair da área rural para a cidade. Então, ela me colocou para trabalhar com um dos filhos dos patrões que ela criou na fazenda. Eu tinha 9 anos, cuidava de duas crianças e fazia alguns serviços da casa. Mas minha mãe tinha noção da importância da escola, mesmo sem nunca ter frequentado. Eu fui a primeira pessoa da família a entrar em uma escola. Então, ela me deixou lá, desde que eu pudesse estudar.
Eu fiquei nesta casa até os 11 anos, quando começaram a atrasar o meu pagamento. No terceiro mês de atraso, eu fui embora para casa. E, aqui tem um fato que eu gosto muito de narrar, pois, mesmo eu sendo muito ingênua, uma menina, na época, depois de meses de atraso no pagamento, depois do patrão ter dito que não ia me pagar se eu não voltasse a trabalhar, eu decidi que ele ia me pagar. E, como eu gostava muito de estudar ─ estudava com filhos da classe média, com financiamento [de bolsa] da Caixa Escolar, em uma escola de freiras, naquela época não tinha escola pública ─ eu sonhava com os cadernos bonitos, tabuada, deles, que minha mãe não tinha condições de comprar. Certo dia, eu passei na loja e comprei os cadernos. Pendurei tudo na conta dos patrões.
Quando ele foi lá em casa reclamar, eu apenas respondi que: gastei o que o senhor me devia. E minha mãe me apoiou. Sempre gosto de relatar esse fato para chegar nas trabalhadoras domésticas. Porque eu vejo nesse acontecimento, sem eu ter nenhum conhecimento, nenhuma informação, a minha primeira reivindicação dos meus direitos enquanto trabalhadora doméstica.
Agência Brasil: A senhora pode nos contar sobre sua participação na fundação do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos, como começou a mobilização?
Dona Zica: A luta do sindicato começa aqui na comunidade. Depois da minha segunda remoção (Zica foi removida de São Cristovão para a Penha, e da Penha para Vila Aliança), para cá, a gente começa a formar grupos para discutir melhorias sociais para o bairro e recebe muito apoio da Igreja [Católica]. A Igreja incentiva a formação de grupos pastorais sociais. E, nesses pastorais, em meados dos anos 1970, o padre Bruno, um padre italiano, falou sobre a pastoral do trabalhador. E me chama para participar dessa pastoral do trabalhador, representando as empregadas domésticas ─ aqui tinha muita doméstica. Esse padre tinha uma visão de mundo maravilhosa.
Eu chamo duas amigas, e a gente começa a participar dessas reuniões, mas com uma dificuldade muito grande, pois, os assuntos, dissídio, negociação coletiva, data-base, não tinham nada a ver com a gente. Então, chamei as meninas para conversar e falei: a gente não entende nada do que os homens falam, vamos criar um grupo para nós? E desafiamos os trabalhadores a levarem suas esposas e filhos, que eram empregados domésticos. Nosso grupo ia ser bem maior. E foi. O padre deu apoio. Em 1976, fizemos o nosso primeiro encontro de domésticas aqui na comunidade. E, quando nós olhamos para aquele grupo, não sabia nem o que falar para aquelas mulheres. E agora? O que vou falar para elas? Não sabia como a gente ia conduzir o trabalho. Aí, eu falei assim: “Vamos falar mal das patroas”. Hoje, eu entendo que foi uma roda de conversa, uma troca de experiência muito boa. E foi quando eu descobri a carteira assinada. Como diarista, eu achava que não tinha direito à carteira, mas eu tinha. E foi quando eu me registrei e começou a correr o tempo para a minha aposentadoria.
Agência Brasil: Como a senhora falou com a sua patroa? A senhora já estava há muito tempo trabalhando na mesma casa?
Dona Zica: Eu trabalhava para três famílias, mas sempre tem uma família que é mais próxima. Esta, mais próxima, que fiz uma amizade além do trabalho, em 1976, depois dessa reunião que nos reunimos para falar das patroas, pedi para assinar a minha carteira. Estava lá há quatro anos. A relação das empregadas domésticas com as patroas é muito tímida, muitas não têm coragem de chegar e colocar o problema. Mas com essa patroa, de quem sou amiga até hoje, havia uma relação honesta entre nós. É preciso conversar. Eu era passadeira nessa casa, e, lá, não parava mensalista, a patroa era muito exigente. E eu largava o ferro para explicar, que aquela não era a casa da empregada, que ali ela não podia se sentir à vontade, fazer a refeição que quisesse… De tanto conversar, um dia, a mãe dela disse para mim: “Zica, eu tenho uma coisa para te falar”. Eu perguntei:o que foi D. Elsa? E ela respondeu: “Você transformou minha filha numa comunista”. Rimos.
Dona Zica, 92 anos, mostra arquivo pessoal a reportagem da Agência Brasil em sua casa. Tânia Rêgo/Agência Brasil
Agência Brasil: Qual foi a participação da Igreja Católica na organização do movimento de domésticas?
Dona Zica: Em 1976, a gente criou esse grupo em Vila Aliança. Em 1978, era um grupo de empregadas domésticas da zona oeste. Nós conseguimos montar grupos de trabalhadoras em várias paróquias. As igrejas incentivaram muito. De Magalhães Bastos a Santa Cruz, nós tínhamos grupos e vimos a necessidade de procurar outros espaços de conhecimento, com outros trabalhadores, com os homens, que passaram a nos apoiar. Passamos a conhecer os sindicalistas. E, nessas conversas, descobrimos que já existia uma associação de empregadas domésticas, fundada em 1961, da qual nos aproximamos. E a nossa consciência e envolvimento vão crescendo até que sou eleita presidenta em 1982. Esse momento foi muito rico, porque a classe trabalhadora estava organizada, e os sindicatos, fortalecidos. Nós nos integramos, tivemos muito apoio dos demais.
Agência Brasil: E, hoje, qual deve ser o papel das igrejas, em geral, nos movimentos sociais, comunitários e dos trabalhadores?
Dona Zica: Os movimentos sindicais e as igrejas foram os que mais fortaleceram nossa luta. As pastorais, de favela, de trabalhadores, tinham a ver com a gente, e nós começamos a buscar uma integração com essas pastorais [grupos organizados pelas dioceses, que se reúnem para discutir temas específicos e promover a comunhão].
Agência Brasil: Em defesa das domésticas, qual foi a participação dos movimentos negro e de mulheres?
Dona Zica: O movimento feminista era um movimento de patroas, mas nós chegamos junto porque também queríamos defender nossos direitos enquanto mulheres. A gente deu força para elas e elas nos deram força também. Adquirimos força e experiência. Com elas, aprendemos que tínhamos força e o direito de ter direitos.
Anazir Maria de Oliveira, conhecida como Dona Zica, 92 anos Tânia Rêgo/Agência Brasil
Naquela época, a gente queria usar calça comprida. Mas meu marido, machista, falava que “o homem dentro de casa sou eu”. E a luta feminista nos ajudava a entender que, assim como homem, a gente trabalhava, investia na família da mesma forma, então podíamos usar uma calça jeans, porque devíamos ser tratadas como iguais em todos os aspectos. E, assim, na Constituinte, tínhamos muito apoio dos movimentos. Tinha a Benedita da Silva, que foi e é o maior instrumento para nós. Ela apoiou e investiu muito na nossa pauta.
Agência Brasil: Olhando para trás, desde o início da luta das domésticas, a Lei Complementar 150 foi suficiente?
Dona Zica: Os nossos direitos vieram parcelados. Em 1972, conquistamos o direito à Previdência Social, à aposentadoria. Depois da Constituinte, avançamos mais um pouco. Mas, só em 2013, conseguimos equiparar os direitos aos demais trabalhadores. A PEC e a LC 150 foram o auge de uma luta que vem desde a década de 1960. Foram esses anos todos para alcançar os direitos dos outros trabalhadores, mas ainda precisa avançar no direito das diaristas, por exemplo, que sofrem injustiça. Muitas foram demitidas, na época da PEC, para não terem que ser regularizadas, ou seja, estão sem carteira.
Agência Brasil: Como a senhora vê grupos de trabalhadores e jovens contra a carteira assinada, enquanto as domésticas querem a formalização?
Dona Zica: Muitos trabalhadores já tiveram a CLT e nós não tínhamos nada. Queremos entrar porque não tem nada que nos garanta. Nós temos valor para a economia.
Agência Brasil: Por que a sociedade tem dificuldade de ver valor social nas empregadas? Como enfrentar esse problema?
Dona Zica: Nós, trabalhadoras domésticas, temos uma herança. Uma herança que vem desde a escravidão. Porque as mulheres negras sempre foram as prestadoras de serviços para as famílias, como se nós não tivéssemos a nossa própria vida, certo? Então, assim, eu acho que, hoje, apesar [das cobranças] do movimento negro, as empregadas ainda não estão totalmente emancipadas da escravidão.
Eu sei que todos os trabalhadores têm suas dificuldades, e os patrões não pagam [salário] porque querem, pagam porque são obrigados. Mas as empregadas domésticas, mesmo com patrões sendo obrigados a pagar, elas têm que correr atrás. A gente vive ainda numa realidade de que o nosso trabalho, um trabalho braçal, deve ser feito sem nenhuma recompensa. Contribuímos para que os nossos opressores chegassem aonde chegaram, com camisas limpas e bem passadas e alimentados. Mas essa dívida não foi paga.
Anazir Maria de Oliveira, conhecida como Dona Zica, começou a trabalhar como doméstica aos 9 anos e se formou assistente social aos 83 – Tânia Rêgo/Agência Brasil
Agência Brasil: Como a senhora vê o Congresso Nacional hoje, há espaço para avançar com ampliação de direitos das domésticas e demais trabalhadores?
Dona Zica: Do jeito que está, não só as domésticas, mas a classe trabalhadora, precisam voltar a se mobilizar. É preciso voltar com a formação política. As lutas precisam ser em conjunto. Se uma categoria está revoltada, precisa se unir a outras. A sociedade, junta, em luta, consegue mudanças. A luta política e social é a luta por construção de futuros.
Agência Brasil: Por fim, como a senhora trouxe seu esposo para o movimento, como os homens podem apoiar as esposas que são sindicalistas?
Dona Zica: Quando eu comecei a participar das discussões de organização de uma possível central sindical, eu viajei muito. Tinha muitos encontros fora do Rio, essa coisa toda. Eu me casei com 17 anos, mas só fui sair de casa sem marido e filho em 1976, já com 43 anos, quando comecei as andanças da igreja. Naquela época, a maioria dos sindicalistas também eram atuantes nas pastorais. E, assim, fui conversando com meu esposo, com bastante antecedência, avisando sobre os eventos.
No começo, ele me perguntava: “Mas essas mulheres não têm o que fazer dentro de casa? Para passar um dia todo fora?”, mas fui dobrando ele, explicando o que discutíamos, relatava as discussões e o motivo de chegar tarde em casa. Então, com o tempo, ele, pedreiro, foi me ajudando a organizar os congressos e atividades. E a ficar com os filhos, crescidos, já, e a casa.
A empresa Itaipu Binacional vai abrir, no próximo mês de outubro, o terceiro edital batizado de “Mais que Energia”, voltado para distribuir recursos para projetos sociais e ambientais de entidades sociais em 434 municípios (399 no Paraná e 35 no Sul do Mato Grosso do Sul). Essa é a área que faz parte do território assistido pela instituição, com cidades que somam aproximadamente 11,3 milhões de pessoas. “Os editais são muito mais democráticos e promovem transparência”, afirmou o diretor geral brasileiro da Itaipu Nacional, Ênio Verri, em entrevista à Agência Brasil.
No primeiro edital de seleção, os contemplados foram as cidades representadas pelas prefeituras. Nesse caso, os recursos já foram executados. “Uma boa parte dos municípios já entregou suas obras, e estamos fazendo a parte agora das inaugurações. O investimento ficou em mais de R$ 920 milhões”, afirma. Em um segundo edital, a empresa buscou contemplar iniciativas e projetos da sociedade civil. De 1.666 organizações que submeteram propostas, 689 foram atendidas.
A ideia de chamar a sociedade civil organizada foi trazer também demandas emergenciais não comumente contempladas. “Enquanto os municípios investiam em escolas, nas estradas rurais, comprando placas solares para os próprios públicos, nós chamamos para conversar com as entidades”, afirmou. Ele exemplificou que foram assistidas instituições como Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), associação de recicladores e hospitais beneficentes.
Além da temática socioambiental, a empresa resolveu também abrir editais para patrocínios de eventos de entidades sem fins lucrativos. Na entrevista exclusiva para a Agência Brasil, Verri defendeu ainda que a Itaipu tem garantido energia mais barata e serve de backup contra eventuais apagões.
Agência Brasil: Esse território abrangido pela Itaipu compreende a qual região?
Ênio Verri: A Itaipu atinge um total de 434 municípios com 11,3 milhões de pessoas. Esse território é onde a empresa, pelo seu tratado, pelas suas regras, pode realizar seus investimentos. As entidades que se inscreveram no segundo edital e que preencheram as exigências foram 600 e receberam recursos. Nós estamos falando de em torno de R$ 220 milhões. Vamos abrir mais um edital em outubro voltado também para a sociedade civil organizada, com um investimento previsto de R$ 180 milhões. Ao todo, são 400 milhões da Itaipu investidos para a sociedade civil organizada. É uma maneira que nós enxergamos de ajudar aquele setor da sociedade, que faz muito bem para a população e nem sempre tem recursos. Nesses dois editais, devemos atender 1,2 mil entidades no território.
Agência Brasil: Quais são os tipos de projetos contemplados?
Ênio Verri: São projetos, por exemplo, para a compra de equipamentos para produtores rurais . Em geral, envolvem a preservação do meio ambiente, como para a associação de recicladores que está precisando comprar uma prensa para juntar todo o material para poder vender. Outro exemplo é atender familiares de crianças da Apae que não tinham como transportar os filhos para atendimento. Boa parte delas que participaram do edital número 2, da sociedade civil organizada, já estão recebendo esses recursos.
Agência Brasil: Em outubro, terá um novo edital voltado para organizações da sociedade?
Ênio Verri: Sim. E devemos ter as respostas até o final do ano. Ainda não há o período de inscrição, mas divulgaremos no site da Itaipu.
Agência Brasil: Qual retorno a Itaipu tem dos impactos dos editais?
Ênio Verri: É muito bonito ver esse resultado. Às vezes, uma entidade como a Apae, que sobrevive de doações, quando consegue algum recurso, muda a realidade da vida daquelas pessoas. Elas conseguem reformar o piso, o telhado e pintar o local. Conseguem comprar um pequeno veículo para ajudar. Isso muda radicalmente a qualidade de vida das pessoas que utilizam aquele espaço. É muito bonito ver a satisfação da população com recursos como esses. A Itaipu é uma empresa pública e tem o papel de produzir energia barata e de qualidade, mas também tem um compromisso socioambiental.
A Itaipu, hoje, está totalmente quitada. Quem pagou para construir aquela usina gigante foi a população. Então, nada mais justo é que você devolver a ela, na forma de serviços e políticas de inclusão, aquilo que ela deu para a construção da usina. Se alguma entidade quer participar, mas às vezes não tem alguém que saiba preencher o edital, nós colocamos nossos técnicos a serviço daquela entidade.
Agência Brasil: É a primeira vez que a Itaipu abre editais para essa finalidade?
Ênio Verri: Isso é inédito. É uma iniciativa de funcionários de carreira. Antes, o diretor geral liberava o recurso para quem quisesse. Isso, claro, não era muito justo, porque, afinal de contas, ele acabava liberando o recurso para quem tivesse mais proximidade. O edital é uma maneira transparente e pública de você distribuir o dinheiro público.
Agência Brasil: Esses editais de projetos são diferentes daqueles de patrocínio da Itaipu, certo?
Ênio Verri: Além desses editais com esses projetos, nós também estamos disciplinando os patrocínios. Assim, todos participam de forma igualitária. A Itaipu, como é uma usina muito grande, sempre é solicitada para apoio a grandes eventos. Isso também ficava muito a critério do diretor. Nós criamos edital e anunciamos no site. Todos os municípios que compõem o nosso território podem pedir o recurso e dizer como vão aplicar no projeto. É feita uma seleção técnica. E não política. A população sente-se respeitada ao perceber que o dinheiro público está sendo bem utilizado. No caso de esportes, patrocinamos entidades sem fins lucrativos.
Agência Brasil: A Itaipu pode patrocinar eventos no Paraguai?
Ênio Verri: Não. A Itaipu é 50% do Brasil e 50% do Paraguai. O orçamento que nós temos é dividido ao meio. O orçamento brasileiro serve para fazer a manutenção da usina e para fazer os investimentos ambientais. Além disso, para manter a tarifa da energia elétrica baixa. A gente usa o nosso recurso.
Agência Brasil: A respeito da energia gerada, a tarifa diminuiu?
Ênio Verri: A Itaipu é uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo. Tanto que ela entrou no Guinness Book o ano passado como a usina, que mais produziu energia acumulada no mundo. A gente produz energia barata, limpa e de qualidade. Hoje, o terceiro preço mais barato de energia elétrica do Brasil é de Itaipu. O preço médio da energia hoje no Brasil está em torno de R$ 300. A nossa está em torno de R$ 230.
A produção da energia de Itaipu está com sua tarifa congelada desde 2023. É a mesma tarifa e está garantido para o ano que vem. Essa tarifa desses quatro anos sofreu uma redução em relação ao passado em 26%.
Outra coisa muito importante é o papel que Itaipu ocupa dentro do Brasil com a usina. Representa quase 10% da energia consumida no Brasil. Outro aspecto interessante é que as energias de origem solar e eólica são sujeitas ao clima. A Itaipu, então, tornou-se como se fosse um Corpo de Bombeiros, um backup.
Agência Brasil: Pode ser acionada contra apagões?
Ênio Verri: Nós temos conseguido fazer isso com agilidade e competência do corpo técnico. E é isso que causa essa estabilidade que outros países não têm, como o que aconteceu em Portugal recentemente. Três dias sem energia. Aqui isso não acontece. Tem Itaipu como backup preparada. Se uma torre cair, alguma coisa acontecer, entra no sistema.
Agência Brasil: A energia de Itaipu chega a quais lugares?
Ênio Verri: Hoje, funciona assim: a Itaipu atinge todo o Centro-Oeste, Sudoeste e Sul do país, diretamente. Mas, se precisar mandar energia lá para o Ceará, é possível.
O Sistema Nacional brasileiro é integrado. Como nós investimos muito em inovação tecnológica, hoje nós temos investimentos, por exemplo, em energia fotovoltaica no fio d’água. Como nós temos um reservatório muito grande, nós estamos colocando placas solares. A gente vai usar a energia solar para abastecer de energia toda a usina.
Nós estamos investindo também no hidrogênio verde, que é algo que já faz 20 anos que a Itaipu pesquisa. É a possibilidade de você produzir, a partir das moléculas, uma alternativa de energia limpa. Na COP30, os barcos que vão transportar as pessoas dos navios que ficarão lá, até onde será realizada a conferência, serão movidos pelo hidrogênio verde de Itaipu.
Agência Brasil: Qual é o olhar da Itaipu para a COP deste ano?
Ênio Verri: A COP30 é o momento mais importante nesse momento da história da humanidade. A crise climática nos impõe rever toda a nossa política do mundo e como nos comportamos com relação ao combustível. Por isso, é tão importante falar em transição energética.
Nós vamos mostrar ao mundo que quem entende de transição energética é o Brasil, pela nossa experiência de hidroenergia. E também pela nossa experiência do hidrogênio verde, ou as eólicas e fotovoltaicas.
Nós estamos presentes na produção de uma energia limpa e de qualidade, que é a energia do futuro. Itaipu investe para ter uma usina com 50 anos tão bem cuidada, como conseguimos preservar o meio ambiente e garantir mais tempo de vida da produção de energia limpa.
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) entrou com pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para participar na ação na qual o PSOL pretende anular as votações da Câmara dos Deputados e do Senado que derrubaram o decreto editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Na manifestação enviada nesse sábado (28) ao Supremo, a Fiep pede o ingresso como amicus curiae, expressão em latim que significa amigo da corte. A participação de entidades ligadas aos temas analisados pelo Supremo é uma medida corriqueira na Corte.
Segundo a entidade, a indústria brasileira representa 25,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, é o setor que mais arrecada impostos e pode contribuir com o debate.
“A participação de entidades conhecedoras da temática deve auxiliar os julgadores, entre outros modos, por meio da identificação de precedentes, das razões de decidir adotadas nos casos anteriores e da evolução da discussão sobre a matéria nos âmbitos jurídico, social e prático, trazendo aos julgadores fatos relevantes sobre a configuração da produção e das relações de trabalho na atualidade”, argumenta a federação.
O partido, que faz parte da base do governo, reconhece que a Constituição autoriza o Congresso a sustar medidas do Executivo. Contudo, a legenda diz que a suspensão só pode ocorrer nos casos em que houver exorbitância do poder regulamentar do presidente da República.
Segundo a legenda, o decreto apenas alterou as alíquotas do IOF, “não havendo qualquer desrespeito ao limite de atuação normativa”.
“O Congresso Nacional, ao sustar o Decreto nº 12.499/2025, por meio do DL 176/2025, sem a devida demonstração de exorbitância de poder normativo, violou os próprios limites fixados no art. 49, V, da Constituição. O STF, inclusive, já declarou inconstitucional decreto legislativo editado nessas mesmas condições, como se verifica no julgamento da ADI 5744”, argumenta o partido.
A ação foi distribuída para o ministro Gilmar Mendes. No entanto, o ministro afirmou que o caso deve ser analisado por Alexandre de Moraes, que já atua como relator de outras ações sobre a questão. Caberá ao presidente do STF, Luís Roberto Barroso, dar a palavra final sobre quem vai comandar o processo.
Decreto
O decreto fazia parte de medidas elaboradas pelo Ministério da Fazenda para reforçar as receitas do governo e atender às metas do arcabouço fiscal. No fim de maio, o presidente Lula editou um decreto que aumentava o IOF para operações de crédito, de seguros e de câmbio. Diante da pressão do Congresso, o governo editou, no início de junho uma medida provisória com aumento de tributos para bets (empresas de apostas) e para investimentos isentos.
A medida provisória também prevê o corte de R$ 4,28 bilhões em gastos obrigatórios neste ano. Em troca, o governo desidratou o decreto do IOF, versão que foi derrubada pelo Congresso nesta semana.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Governo do Estado da Bahia assinaram um contrato de R$ 299 milhões que serão destinados à agricultura familiar. O contrato faz parte da iniciativa Sertão Vivo, e os recursos deverão beneficiar 75 mil famílias, o que corresponde a cerca de 300 mil pessoas, em 49 municípios.
De acordo com o BNDES, o objetivo é apoiar a adoção de práticas agrícolas resilientes às mudanças climáticas por agricultores familiares do semiárido baiano.
Do total de recursos contratados, R$ 252 milhões serão disponibilizados em forma de empréstimo ao governo estadual, e os R$ 47 milhões restantes serão repassados pelo BNDES, de forma não reembolsável. Para o agricultor familiar, o apoio será 100% não reembolsável.
A assinatura do contrato ocorreu neste sábado (28), em cerimônia em Itiúba (BA), que contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT), da diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, e da representante do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Alessandra di Giacomo.
O monitor da Escola Família Agrícola (EFA) de Monte Santo, Lucas da Silva Santos, foi um dos que discursou na cerimônia. Ele disse que graças aos projetos que chegam na região, ele conseguiu realizar o sonho de estudar e de ter a própria terra.
“É, sim, possível viver no semiárido. Na verdade, viver, não, conviver com ele. A gente tem a ideia que o semiárido é um lugar seco, com solo rachado e com carcaça de animais. Mas, eu mostro para vocês que o semiárido é vivo, verde e cheio de abundância”, disse.
A estudante do curso técnico de agropecuária da EFA de Itiúba Anita Andrade da Silva acredita que os recursos poderão ser também uma oportunidade para os jovens. “Ouvimos muito dizer que jovens não querem nada, mas nós queremos. Nós queremos o futuro, queremos transformar, queremos sonhar”, discursou.
Sertão Vivo
A iniciativa Sertão Vivo é uma parceria do BNDES com o FIDA, da Organização das Nações Unidas (ONU), que conta também com recursos do Green Climate Fund. A previsão é que sejam destinados mais de R$ 1,3 bilhão a projetos no semiárido de seis Estados do Nordeste: Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba, Piauí e Sergipe. Parte dos recursos são empréstimos e deverão ser reembolsados, e parte é doação.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o programa vai contribuir para transformar a realidade do semiárido da Bahia. “É uma das prioridades do governo Lula, dar condições para que as famílias que vivem no sertão possam melhorar de vida de forma sustentável e, ao mesmo tempo, estejam preparadas para as mudanças climáticas. O programa atua de forma integrada: combate à pobreza, aumenta a produção de alimentos com tecnologias que se adaptam ao semiárido, recupera sistemas degradados da caatinga e gera resiliência climática. O resultado é mais renda, qualidade de vida e comida na mesa”.
A estimativa, de acordo com o BNDES é beneficiar, no total, cerca de 326 mil famílias (aproximadamente 1,3 milhão de pessoas) em situação de vulnerabilidade.
O psicólogo Alexander Borges, de 26 anos, veio de Cuiabá para o Rio de Janeiro morar com a noiva e teve dificuldades para encontrar um emprego. As contas mensais eram pagas apenas com a ajuda dos pais e da sogra.
A situação provocou uma tristeza profunda, até descobrir que, como homem trans, poderia contar com o apoio do programa estadual Rio Sem LGBTIfobia.
“Minha noiva descobriu o programa, disse que eles tinham psicólogos e ajudavam com questões de emprego”, conta Alexander. “Eu estava muito triste e ansioso. Foram muito atenciosos e me apoiaram bastante. E o programa me encaminhou para uma oportunidade de emprego no Tribunal de Justiça. Participei e passei no processo seletivo”.
Alexander Borges, homem trans que conseguiu emprego por meio do Rio Sem LGBTIfobia. Alexander Borges/Arquivo Pessoal
Alexander assinou a carteira de trabalho na última segunda-feira (23) e já começou a trabalhar na terça (24). No mês do Orgulho LGBTQIA+, celebrado sempre em junho, ele comemora a conquista e defende a importância de programas voltados para a garantia de direitos fundamentais da população LGBTQIA+.
“Essas pessoas muitas vezes estão em situação de vulnerabilidade social e econômica. Muitos nem têm noção de que existe esse tipo de ajuda e que possuem direitos básicos de vida. O programa ajuda a lembrar constantemente a importância da luta”, diz Alexander. “Espero que essa vitória coletiva continue. E que o programa seja mais divulgado, porque é transformador, abre muitas portas”.
Iniciativa pioneira
O Rio Sem LGBTIfobia completou 15 anos no mês de maio, e é um exemplo de iniciativa pública que permitiu avanços no atendimento das demandas e necessidades do público-alvo.
Geridos pelo programa, os Centros de Cidadania LGBT acolhem tanto pessoas em situações de violência como outros que precisam de informações mais gerais. São ofertados atendimentos jurídico, social e psicológico a pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneras. Funcionam ainda como espaços de mobilização por políticas públicas de combate à homofobia e à transfobia.
O atual coordenador do Rio Sem LGBTIfobia, Ernane Alexandre Pereira, destaca a ampliação do alcance do programa ao longo dos 15 anos. Ele também é superintendente de Políticas para LGBTI+ da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo do estado do Rio de Janeiro.
Coordenador do Rio Sem LGBTIfobia, Ernane Alexandre Pereira. Emane Alexandre Pereira/Arquivo Pessoal
“Hoje, temos 23 equipamentos espalhados nos 92 municípios do Rio de Janeiro. Essa interiorização permite que nossas boas práticas e políticas públicas possam se estender para a população mais distante da capital. A gente consegue acolher melhor vítimas de violência ou outras pessoas que precisam de apoio. É um trabalho feito com equipe multidisciplinar, com assistentes sociais, advogados, psicólogos”, diz Ernane.
Histórico
No principal edifício da Central do Brasil, por onde milhares de pessoas circulam diariamente, não é só o tradicional relógio de quatro faces que se destaca. De longe, as janelas do sétimo andar chamam a atenção por ter uma bandeira grande arco-íris e um número de telefone: 0800-023-4567.
O Disque Cidadania LGBT funciona 24 horas por dia, e sete dias por semana. O canal telefônico é uma das principais ferramentas de atendimento do Rio Sem LGBTIfobia, que tem o prédio da Central do Brasil como sede administrativa desde o início do programa, em 2010.
Alguns antecedentes ajudam a entender o processo de formulação do programa estadual. Primeiro, é preciso considerar que ele surge depois de um histórico de lutas da população LGBTQIA+, que desde as últimas décadas do Século 20 pressionava o poder público por iniciativas específicas e direitos fundamentais.
No contexto estadual, uma das primeiras conquistas foi a Lei 5.034/0749, em maio de 2007. Sancionada pelo governo, ela concedeu benefícios previdenciários para parceiros homoafetivos de servidores públicos.
No mês seguinte, um decreto estadual estabeleceu que fosse constituída uma câmara técnica para elaborar o programa “Rio Sem Homofobia”. Era composta por 28 membros, que incluíam acadêmicos, organizações da sociedade civil, parlamentares estaduais e representantes de órgãos do Estado do Rio.
Havia, nesse período, um esforço da Superintendência de Direitos Individuais Coletivos e Difusos (Superdir) para implantação, expansão e qualificação de ações e serviços voltados para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
Em abril de 2009, foi publicado o decreto que criou o Conselho LGBT do estado do Rio de Janeiro, vinculado à Superdir.
Finalmente, em junho de 2010, foi iniciado oficialmente o “Rio sem Homofobia”. Os primeiros centros de referência foram inaugurados nesse primeiro ano, na capital fluminense e em Nova Friburgo.
O nome atual do programa foi estabelecido em agosto de 2020, por meio de decreto. O entendimento era de que a expressão “homofobia” não dava conta de todos os grupos LGBTQIA+ atendidos pelo programa, já que se refere à discriminação contra homossexuais, grupo que só abarca as letras L e G da sigla.
Em novembro de 2021, é sancionada a Lei 9.496 pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O Rio Sem LGBTfobia deixa de funcionar por decreto, como um programa de governo, e passa a ser um programa do estado.
Desafios
Para o coordenador do Rio Sem LGBTIfobia Ernane Alexandre Pereira, há muito o que se comemorar pelo avanço do programa, mas alguns desafios precisam ser enfrentados nos próximos anos para torná-lo mais eficiente.
“Vejo ainda a necessidade de estender o programa para mais municípios do Rio. Não conseguimos dar conta do número de demandas que o estado tem. Também precisamos melhorar a infraestrutura dos equipamentos. As equipes precisam de veículos, por exemplo, para deslocamento e atender as demandas em menor tempo”, diz Ernane.
“Parcerias público-privadas também precisam ser alcançadas. Precisamos de mais apoio e de diálogo direto com as prefeituras. Um suporte maior. Muitos municípios ainda não abriram as portas para a gente dialogar sobre a nossa pauta”, complementa.
O Flamengo encara o Bayern de Munique (Alemanha), a partir das 17h (horário de Brasília) deste domingo (29) no Hard Rock Stadium, em Miami, em seu maior desafio até aqui na Copa do Mundo de Clubes da Fifa, competição que está sendo disputada nos Estados Unidos.
O Rubro-Negro da Gávea chega ao confronto, válido pelas oitavas de final da competição, após uma primeira fase sem sustos: com vitórias sobre o Chelsea (Inglaterra) e Espérance (Tunísia) e um empate com o Los Angeles FC (Estados Unidos).
Porém, o desafio que o Flamengo terá neste domingo é o maior encontrado até aqui, como afirmou o técnico Filipe Luís em entrevista concedida após o último compromisso pela fase de grupos da competição: “[O Bayern] é um colosso, um gigante europeu, um time absolutamente dominante nos seus jogos, no seu campeonato nacional. Ele conta com jogadores extraordinários e com um treinador excelente”.
Porém, o comandante do Rubro-Negro da Gávea disse que, para buscar a vitória, não pretende abrir mão da maior qualidade de sua equipe, o futebol ofensivo: “O DNA do Flamengo pede você tentar tirar a bola do pé do adversário, tentar pressionar, propor jogo e ser o mais vertical possível. É isso que tentaremos fazer. Sabemos da qualidade deles e a forma como jogam. Eles tentarão impor o ritmo deles e vamos tentar fazer a mesma coisa. No final, que vença o melhor”.
Quem também apontou um caminho para uma vitória do Flamengo sobre os alemães foi o zagueiro Danilo. O defensor, que já atuou por gigantes europeus como o Real Madrid (Espanha), Juventus (Itália) e Manchester City (Inglaterra), afirmou que a qualidade individual dos jogadores da equipe da Gávea pode ser o ponto de desequilíbrio neste domingo: “O [aspecto] individual conta muito. Em uma partida equilibrada, temos como prioridade cada um não perder os seus duelos. Quando alguém está em um dia mais inspirado no aspecto individual, consegue vencer seus duelos, isso cria muitos desequilíbrios na partida. E é aí que o jogo é decidido. Falamos muito de sistemas e espaço. O futebol realmente evoluiu muito, e para melhor, mas o jogo é o resumo do que acontece nas duas áreas. Na área que defende, que é para não sofrer gols, e na área de lá, que você define o jogo e faz gol. Para isso, pesa muito a individualidade de cada jogador”.
Começamos esta edição do Hoje é Dia com comemoração na EBC. O programa Sem Censura completa 40 anos no dia 1º de julho. A atração estreou em 1985, na antiga TVE do Rio de Janeiro, e depois foi incorporada pela TV Brasil. Na época de sua estreia chegava ao fim a ditadura militar no Brasil, e o programa aproveitou o início da redemocratização para abordar os assuntos mais relevantes para a sociedade, sempre com seu formato já consagrado, com uma apresentadora, entrevistados de prestigio e participação de debatedores. Tudo ao vivo.
O Sem Censura estreou sob o comando de Tetê Muniz. Em seguida, por muitos anos teve o rosto de Leda Nagle. Depois Vera Barroso e, a partir de 2024, é apresentado por Cissa Guimarães. Ao longo de seus 40 anos de existência, o programa ganhou prêmios como o “Melhores do Ano na Telinha 2024”, “Prêmio F5”, “Prêmio Área VIP Melhores da Mídia” e, este ano, o prêmio de Melhor Programa de Televisão pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), um dos mais tradicionais e respeitados do país. Esse reconhecimento foi destacado nesta reportagem da Agência Brasil e nesta da Radioagência Nacional. Os 40 anos do programa foram destaque desta edição do Repórter Brasil, da TV Brasil.
Nesta semana as festividades juninas se encerram, no dia 29 de junho, com o Dia de São Pedro, homenagem ao primeiro apóstolo de Jesus. Padroeiro dos pescadores, São Pedro foi tema desta edição do História Hoje, da Rádio Nacional, em 2014. A história do santo foi contada também em edições do Repórter Brasil e do Repórter Maranhão, jornais da TV Brasil, em 2016.
Direitos humanos
O Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial é celebrado em 3 de julho. A data foi criada para relembrar a aprovação da Lei n° 1.390, conhecida como Lei Afonso Arinos, aprovada pelo Congresso em 1951. Esta reportagem do Repórter Brasil, da TV Brasil, veiculada em 2021, abordou esta que foi a primeira legislação criada para combater o racismo no país. Dados recentes do Ministério da Igualdade Racial mostram que 85% da população preta ou parda no Brasil afirma já ter sofrido preconceito, como mostra esta reportagem da Agência Brasil. O assunto também foi tema de uma entrevista no Tarde Nacional, da Rádio Nacional, em 2021.
Saúde
No próximo dia 1º de julho começa a campanha Julho Amarelo, mês de luta contra as hepatites virais, doenças que podem evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que um milhão de pessoas tenha hepatite B e 520 mil brasileiros a hepatite C, os tipos mais comuns no país. Os sintomas, a importância do diagnóstico e do tratamento adequado foram amplamente abordados pelos veículos da EBC, com nesta reportagem da Radioagência Nacional, veiculada em 2021, pela Agência Brasil(2023), a Agência Gov (2024), o Tarde Nacional, da Rádio Nacional (2024), e nos jornais Brasil em Dia (2021) e Repórter Brasil Tarde (2022), da TV Brasil.
Há cinco anos, no dia 3 de julho de 2020, foi sancionada a Lei nº 14.019, que tornava obrigatório o uso de máscaras em espaços públicos como forma de prevenir o contágio pela covid-19, fato que foi noticiado pela Agência Brasil naquele ano. Apesar da lei federal só vir em julho, os governos dos estados já vinham adotando a medida em decretos e leis estaduais, como mostra esta outra reportagem da Agência.
Meio ambiente
As mudanças climáticas intensificaram as secas no Brasil e, com elas, os incêndios florestais cresceram de forma nunca antes vista. O aumento da devastação começou a ser sentido com mais força há cinco anos. No dia 1º de julho de 2020, o balanço das autoridades ambientais já contabilizava mais de 21 mil focos de fogo no Pantanal, que destruíram 30% do bioma, como noticiou a Agência Brasil e a Radioagência Nacional na época. Os esforços para combater os incêndios – boa parte deles iniciados de forma criminosa – foram o tema de várias reportagens da TV Brasil, como esta do Repórter Brasil e esta do Brasil em Dia
Tecnologia
A internet móvel 5G começou a ser testada no Brasil no dia 1º de julho de 2020. A Agência Brasil deu destaque ao início do funcionamento da nova tecnologia nesta reportagem, e explicou mais detalhadamente como ela funciona neste outro texto. Passados cinco anos, o 5G está disponível a usuários de mais de 800 municípios, incluindo todas as capitais do país. A previsão do governo é de que 84% da população seja beneficiada até 2030. Em 2024, o podcast Ajudante Digital, da Radiogência Nacional, tirou as dúvidas dos ouvintes sobre como aproveitar a tecnologia. E a forma como o 5G promete revolucionar as nossas comunicações, inclusive na chamada Internet das Coisas, foi abordada nesta edição do programa Ciência é Tudo, da TV Brasil, exibida em 2021.
Cultura
Sancionada em 29 de junho de 2020, a Lei Aldir Blanc (LAB) é uma das legislações mais importantes da área cultural dos últimos anos. Criada para ajudar o setor a superar os desafios impostos pela pandemia de covid-19, a lei determinou o repasse de R$ 3 bilhões a estados, municípios e o Distrito Federal, como explica esta edição do jornal Brasil em Dia, da TV Brasil, de 2020, e esta reportagem da Agência Gov, de 2023. Naquele ano (2023), a LAB deu origem à Política Nacional Aldir Blanc, de caráter permanente, com investimento de R$ 15 bilhões no setor cultural até 2027, como detalha esta reportagem da Radioagência Nacional.
O Dia Nacional do Bumba-Meu-Boi é comemorado no dia 30 de junho, em homenagem à manifestação popular que se tornaria Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, como mostra esta reportagem do Brasil em Dia, da TV Brasil, veiculada em 2019. O espetáculo, que mistura dança, folclore, música, religião e teatro, tem em São Luís o seu maior palco. Esta reportagem da Agência Brasil, publicada em 2024, mostra o projeto que mapeou cerca de 100 grupos de bumba-meu-boi no estado do Maranhão.
O Dia Mundial da Capoeira é comemorado no dia 5 de julho. A manifestação, que mistura luta, dança e movimento de resistência, se tornou um símbolo do Brasil no mundo inteiro. Ela nasceu como uma forma de os negros escravizados – vindos principalmente de Angola – se defenderem da violência dos senhores de engenho, como explica esta reportagem do Repórter Brasil Tarde, de 2014, e esta edição do programa Expedições, de 2016, ambos da TV Brasil.
Confira a relação completa de datas do Hoje é Dia de 29 de Junho a 5 de Julho de 2025.
Junho / Julho de 2025
29
Morte do político alagoano Floriano Peixoto (130 anos)
Sancionada a Lei Aldir Blanc (LAB), criada para ajudar o setor cultural a superar os desafios impostos pela pandemia de covid-19 (5 anos)
Dia de São Pedro
Instalação do Museu de Arte Sacra de São Paulo (55 anos)
30
Morte da pianista e compositora paulista Magdalena Pesce Vitale, a Lina Pesce (30 anos)
Início da primeira viagem do Papa João Paulo II ao Brasil (45 anos)
Dia Nacional do Bumba meu Boi
Chegada do Papa João Paulo II a Brasília (45 anos)
1
Intensificação dos incêndios que destroem área do Pantanal (5 anos) – mais de 21 mil focos de fogo devastaram quase um terço da área do bioma
Operadoras de telefonia celular começam testes no Brasil da tecnologia de quinta geração 5G (5 anos)
Primeiro recorde mensal de mortes, por Covid-19, no Brasil (5 anos)
Julho Amarelo – Mês de luta contra as hepatites virais
Primeira greve nacional dos entregadores de aplicativos, movimento se autodenominou “Breque dos Apps” (5 anos)
Nascimento do poeta repentista pernambucano Rogaciano Leite (105 anos)
Morte do compositor e pianista francês Éric Alfred Leslie Satie, o Erik Satie (100 anos) – foi o precursor de movimentos artísticos como minimalismo, música repetitiva e teatro do absurdo
Nascimento do violonista e compositor fluminense Guilherme Bauer (85 anos) – participou da Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC
Morte do cantor português Alberto Fortuna Vieira de Azevedo, o Albertinho Fortuna (30 anos) – estreou ainda menino na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. Em 1940, ingressou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, emissora na qual integrou o “Trio Melodia”, formado para o lançamento do programa “Um milhão de melodias”, atuando ao lado de Nuno Roland e Paulo Tapajós
Morte do sambista e bicheiro fluminense Luizinho Drumond (5 anos) – presidiu a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e a escola de samba Imperatriz Leopoldinense
Estreia do programa “Sem Censura” na TVE Brasil, atual TV Brasil (40 anos)
2
Criação do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICr/HCFMUSP) (55 anos)
Congresso Nacional oficializa o adiamento das eleições municipais de 2020 em meio a pandemia do novo coronoavírus (5 anos)
Publicação da Lei nº 14.019, que determinou o uso obrigatório de máscaras em espaços públicos e privados, como forma de combater a pandemia de covid-19 (5 anos)
Desastre na mina de jade de Hpakant em Myanmar (5 anos) – considerado o acidente mais mortal da industria do setor, pois um deslizamento de terra matou pelo menos 172 pessoas em um local de mineração
3
Sancionada a Lei nº 14.019/2020, que tornou obrigatório o uso de máscaras em espaços públicos (5 anos)
Morte do ator paulista Leonardo Villar (5 anos) – conhecido internacionalmente pelo filme “O Pagador de Promessas (1962)”
Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial – celebra a aprovação da Lei n° 1.390, a Lei Afonso Arinos, de 1951
4
Morte da primeira Miss Brasil e modelo baiana Martha Rocha (5 anos) – segundo lugar do Miss Universo, sendo que jornalistas brasileiros se uniram na divulgação da lenda que ela teria perdido porque tinha duas polegadas a mais nos quadris
Lançamento da obra clássica “Alice no país das maravilhas”, pelo britânico Charles Lutwidge Dodgson, o Lewis Carrol (160 anos)
Consagração, pelo Papa João Paulo II, da Catedral Basílica Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, na cidade de Aparecida (SP) (45 anos)
5
Morte do escritor e dramaturgo paulista Antônio Bivar (5 anos) – ganhador do Prêmio Molière de melhor autor com a peça “Abre a Janela”, “Deixa Entrar o Ar Puro” e “O Sol da Manhã”
Dia Internacional das Cooperativas – data reconhecida pela ONU, sempre ocorre no primeiro sábado de julho
Dia Mundial da Capoeira – comemoração internacional, prevista no Artigo 10 da Convenção Internacional de Capoeira
*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.
Brasília – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que o ex-deputado federal Daniel Silveira seja submetido a uma perícia médica oficial. A avaliação tem o objetivo de verificar a necessidade e a urgência de Silveira passar por uma cirurgia.
Condenado [https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2023-05/moraes-determina-execucao-da-condenacao-de-daniel-silveira] a oito anos e nove meses de prisão, em regime fechado, pelos crimes de tentativa de impedir o livre exercício dos poderes e coação no curso do processo judicial a que responde por ataques ao STF, Silveira está preso na Penitenciária de Magé (RJ).
A decisão ministerial é uma resposta a um recente pedido protocolado pelos advogados de Silveira. Em seu despacho [https://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=15378169209&ext=.pdf], Moraes afirma que a defesa solicitou à Corte autorização para que o ex-parlamentar deixe a penitenciária a fim de se submeter a uma cirurgia de urgência.
“Argumenta a defesa que o sentenciado “realizou exames de ressonância magnética e raio-x do joelho direito em 20/06/2025”, tendo recebido o resultado dos “exames médicos e a requisição do profissional [médico], solicitando cirurgia com a maior brevidade, devido à lesão apresentar um desgaste no aparelho extensor e lesões contrais as quais são irreversíveis”, aponta Moraes.
Em sua decisão, o ministro estabelece que Silveira deve ser submetido à perícia em até cinco dias a partir da notificação à diretoria da Penitenciária de Magé, responsável por tomar as providências cabíveis.
O Supremo condenou [https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2022-04/supremo-condena-deputado-federal-daniel-silveira] Silveira à prisão em abril de 2022. Com a decisão, Silveira também foi punido com a perda do mandato e a suspensão dos direitos políticos após o julgamento de todos os recursos legais cabíveis.
Silveira perdeu o mandato em 1º de fevereiro de 2023, um dia antes de ser preso cautelarmente [https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2023-02/um-dia-apos-perder-mandato-daniel-silveira-e-preso-em-petropolis] por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que sustentou que o ex-parlamentar descumpriu medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de usar as redes sociais.
Em maio de 2023, Moraes determinou [https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2023-05/moraes-determina-execucao-da-condenacao-de-daniel-silveira] a imediata execução da condenação. A medida foi anunciada logo após o STF anular [https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2023-05/stf-anula-decreto-de-bolsonaro-que-suspendeu-condenacao-de-silveira] o decreto de graça constitucional que o ex-presidente Jair Bolsonaro concedeu a Silveira com o intuito de impedir que este tivesse que cumprir sua pena. Em outubro de 2024, o próprio Moraes autorizou [https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2024-10/moraes-autoriza-daniel-silveira-progredir-para-o-semiaberto] Silveira a progredir para o regime semiaberto, mas o ex-parlamentar voltou a ser detido [https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2024-12/daniel-silveira-volta-ser-preso-pela-pf-por-determinacao-de-moraes] apenas dois meses depois, por descumprir as condicionantes da condicional.
Na estreia da técnica norte-americana Pokey Chatman em partidas oficiais, a Seleção Brasileira feminina de basquete largou com vitória na AmericupW (Copa América feminina) neste sábado (28), em Santiago, no Chile, por 71 a 50. O Brasil, que está no grupo A, tem como próximo adversário o Canadá, na segunda-feira (30), a partir das 15h10, no horário de Brasília.
Na partida de abertura do Brasil, o que chamou a atenção ficou por conta dos altos e baixos ao longo das quatro parciais do jogo. O primeiro quarto teve vitória do Brasil: 22 a 4.
Depois de uma breve reação argentina que diminuiu um pouco a vantagem brasileira antes do intervalo (40 a 25), o terceiro quarto novamente teve uma das equipes registrando menos de 10 pontos, no caso o Brasil. A Argentina fez 16 a 8 na parcial e se colocou a apenas sete pontos de distância (48 a 41).
As adversárias ainda cortaram a diferença para cinco pontos, mas foi a vez de o Brasil deslanchar e disparar. O placar de 23 a 9 no último quarto levou o Brasil a um triunfo que terminou com confortáveis 21 pontos de frente (71 a 50).
Damiris brilha
A cestinha da partida foi Damiris, com 24 pontos anotados. Vitória Marcelino, com 13, e Alana Gonçalo, com 10, também registraram dígitos duplos em pontuação.
A AmericupW tem dez seleções divididas em dois grupos com cinco equipes cada. As quatro primeiras de cada chave avançam para mata-mata. Ao final, o campeão terá vaga garantida na Copa do Mundo de 2026, enquanto as cinco equipes seguintes na classificação irão para o Pré-Mundial. O grupo A, do qual o Brasil faz parte, tem Argentina, Canadá, República Dominicana e El Salvador.
A cantora, compositora e instrumentista Roberta Nistra está lançando seu segundo álbum Eu não ando só, gravado no Rio de Janeiro, Lisboa e Madri. Ela é entrevistada neste domingo, ao meio-dia, no Roda de Samba, da Rádio Nacional. O programa é produzido pela Agência Brasil e pela emissora.
No novo trabalho, Roberta Nistra segue a tradição de Dona Ivone Lara, Beth Carvalho e Nilze Carvalho, sambistas que tocam cavaquinho. Roberta, que como instrumentista acompanhou Wilson Moreira da Silva, Monarco e Wilson das Neves, traz o passado no álbum em belos sambas clássicos e também apresenta composições mais novas do seu repertório.
No novo trabalho, as canções têm como base o cavaquinho da artista, acompanhado da percussão de Marcos Esguleba em todas as faixas. Além dele, o álbum – já disponível no streaming – traz participações dos cantores e compositores Moacyr Luz, Mingo Silva e Pierre Aderne; e do violonista Carlinhos Sete Cordas.
O programa Roda de Samba vai ao ar sempre aos domingos, em rede, nas emissoras da Rádio Nacional e posteriormente é distribuído na Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP).
O Roda de Samba traz semanalmente entrevista com cantores, compositores, escritores, cineastas e intelectuais sobre o universo e o imaginário do samba. Edições passadas do programa podem ser ouvidas aqui.
Serviço
Quando: todo domingo ao meio-dia
Onde: Na Rádio Nacional da Amazônia (OC 11.780 kHz e 6.180 kHz), de Brasília (AM 980 KHz e FM 96,1 MHz), de Foz do Iguaçu (FM 90,1 MHz), Recife (FM 87,1 MHz), Rio de Janeiro (AM 1.130 KHz e FM 87,1 MHz), São Luís (FM 93,7 MHz), São Paulo (FM 87,1 MHz) e do Alto Solimões (FM 96,1 MHz).
A previsão de que chuvas fortes voltem a atingir parte do Rio Grande do Sul neste fim de semana motivou a Defesa Civil de Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, a pedir às pessoas desalojadas pelas chuvas das últimas semanas que não retornem a suas casas nos próximos dias.
“Por segurança, achamos prudente pedir para as pessoas permanecerem onde estão”, disse à Agência Brasil o secretário municipal da Reconstrução, Resiliência Climática e Defesa Civil, Mário Rocha, explicando que o nível dos rios que banham a cidade vinha baixando pouco a pouco nos últimos dias, mas como a chuva voltou a atingir regiões mais altas do estado, o volume de água que chega a Eldorado do Sul e ao Lago Guaíba começará a aumentar já a partir da tarde deste sábado (28).
“Desde ontem, voltou a chover em algumas regiões, como na Serra Gaúcha, a cerca de 100 quilômetros daqui. E a chuva sobre as áreas onde estão as cabeceiras de rios como o Taquari e o Jacuí [principal afluente do Lago Guaíba] acaba por nos afetar em Eldorado do Sul”, acrescentou o secretário, estimando que, na cidade, o “pico” da cheia dos cursos d´água deve ocorrer entre segunda (30) e terça-feira (1º).
“Os meteorologistas projetam um pouco mais de chuva do que as dos últimos dias. Com isso, o nível do Guaíba deve atingir uma cota maior. Se as pessoas retornarem às áreas de risco sabendo que o rio vai transbordar e causar uma situação igual ou pior à anterior, estarão não só se colocando em risco, como ameaçando atrapalhar toda a operação que montamos para garantir a integridade da população”, comentou Rocha, garantindo que toda a equipe municipal está de prontidão.
O novo alerta da Defesa Civil se aplica principalmente aos moradores de 11 bairros: Assentamento Irga; Chácara; Vila da Paz; Cidade Verde; Itaí; Sol Nascente; San Souci; Centro; Medianeira; Loteamento Popular e Picada. “Quem está fora, fique fora. Aguardem o resultado das próximas chuvas para avaliarmos a situação”, reforçou o secretário.
Até esta manhã, as chuvas que começaram no último dia 17 e só pararam no meio desta semana deixaram 5.361 pessoas desalojadas (ou seja, que tiveram que deixar suas residências e se alojar na casa de parentes, amigos, hotéis ou pensões) e 345 desabrigadas (quem teve que ir para o abrigo municipal).
“Desde o último dia 17, nos preparamos para um longo período de chuvas, o que acabou se confirmando. Todos os cenários apontam para [a hipótese de] um grande volume de chuvas [concentrado] em um pequeno espaço de tempo, mas nada comparável ao cenário de maio de 2024”, concluiu Rocha.
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, alertam para os impactos negativos que a inteligência artificial (IA) pode ter sobre a capacidade de aprendizagem das pessoas, principalmente as mais jovens. As conclusões estão em paper divulgado este mês pelo MIT Media Lab.
O estudo investigou os impactos da utilização de LLM, sigla em inglês para grande modelo de linguagem. Trata-se de um tipo de inteligência artificial projetada para entender e gerar textos que se assemelham à linguagem humana. A LLM é usada em ferramentas como o Chat GPT e é o que possibilita verdadeiras conversas com a IA.
“Ao longo de quatro meses, os usuários do LLM apresentaram desempenho inferior consistentemente nos níveis neural, linguístico e comportamental. Esses resultados levantam preocupações sobre as implicações educacionais de longo prazo da dependência do LLM e ressaltam a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre o papel da IA na aprendizagem”.
O estudo contou com a participação de 54 pessoas que tiveram que escrever uma redação. Elas foram divididas em três grupos. O primeiro deles utilizou apenas o Chat GPT na escrita. O segundo usou somente ferramentas de busca, como o Google. Já o terceiro não pôde consultar nenhuma dessas fontes, ficando restrito aos próprios cérebros.
Para analisar a atividade cerebral de cada participante foram feitas eletroencefalografias (exame que registra a atividade elétrica do cérebro por meio de eletrodos colocados no couro cabeludo) e os ensaios escritos foram analisados tanto por professores humanos quanto por IAs voltadas para o Processamento de Linguagem Natural (PLN), ramo que se dedica a fazer com que IAs compreendam e manipulem a linguagem humana.
Na fase seguinte, 18 participantes trocaram de grupo. Aqueles que usaram apenas o Chat GPT passaram para o grupo que poderia usar apenas o próprio cérebro e aqueles que estavam nesse grupo, por sua vez, passaram para a utilização do Chat GPT.
As conclusões mostram, de acordo com os pesquisadores “diferenças significativas na conectividade cerebral”, diz o estudo. Os participantes que usaram apenas as próprias capacidades cognitivas exibiram redes fortes e mais distribuídas de atividade cerebral. Aqueles que usaram apenas mecanismos de busca apresentaram atividade moderada. Já os usuários do Chat GPT registraram conectividades cerebrais mais fracas.
Quando trocaram de grupo, aqueles que saíram do grupo do Chat GPT e tiveram que escrever uma redação sem ajuda externa, apresentaram conectividades cerebrais reduzidas. Aqueles que fizeram o caminho inverso “exibiram maior recuperação de memória e ativação das áreas occipito-parietal e pré-frontal [do cérebro], semelhante aos usuários de mecanismos de busca”, diz a pesquisa.
O estudo mostra ainda que aqueles que usaram o Chat GPT para escrever a redação têm baixa reinvindicação de autoria, ou seja, não se sentem autores plenos dos textos. Aqueles que usaram apenas as ferramentas de busca já têm forte senso de autoria, ainda que seja menor que aqueles que usaram apenas as próprias capacidades cognitivas, que são os que mais se sentem autores plenos. O último grupo também registrou maior habilidade de citar trechos do texto que tinha escrito há minutos antes.
“Como o impacto educacional do uso do LLM está apenas começando a se consolidar na população em geral, nesse estudo demonstramos a questão premente de provável diminuição nas habilidades de aprendizagem”, diz a pesquisa, que acrescenta: “Esperamos que esse estudo sirva como guia preliminar para a compreensão dos impactos cognitivos e práticos da IA em ambientes de aprendizagem”.