Para recuperar aparelhos celulares furtados ou roubados, a Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou, neste fim de semana, a Operação Rastreio. É para combater a cadeia criminosa que envolve a subtração e a receptação de celulares.
A partir de agora, usuários de aparelhos identificados ao longo das investigações da Polícia Civil serão intimados a entregar voluntariamente os dispositivos nas delegacias de todo o estado do Rio. O aviso será enviado por whatsapp a partir dos números institucionais das unidades policiais.
A Polícia Civil está contabilizando celulares entregues e encaminhando para a perícia técnica. O próximo passo será restitui-los aos legítimos proprietários. As investigações continuam para identificar as pessoas que não devolveram os celulares e indiciá-las por receptação.
“O crime de receptação pode parecer inofensivo, mas é o que move toda a cadeia criminosa. Os roubos e furtos só ocorrem porque há quem pague por um celular. Esses aparelhos que estamos buscando recuperar podem ter custado vidas”, explicou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
A devolução ocorrerá nas delegacias onde será formalizado o auto de entrega. Todos os celulares serão periciados e, posteriormente, restituídos aos legítimos proprietários. A iniciativa visa também beneficiar financeiramente as vítimas.
“Nunca compre um aparelho sem saber a procedência. Procure estabelecimentos de confiança, desconfie de preços abaixo dos praticados no mercado e sempre exija a nota fiscal”, frisou.
Desde o início da operação em maio deste ano, as ações coordenadas resultaram em mais de 800 aparelhos recuperados. Até agora, mais de 50 envolvidos na cadeia criminosa foram presos.
O Palmeiras derrotou o Botafogo por 1 a 0, neste sábado (28), na Filadélfia, e é o primeiro time brasileiro classificado às quartas de final da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. No primeiro tempo da prorrogação, Paulinho marcou um belo gol e decidiu o duelo. Agora, a equipe paulista aguarda pelo vencedor da partida entre Benfica e Chelsea, que se enfrentam ainda neste sábado. O próximo compromisso, pelas quartas de final será na sexta-feira (4), novamente na Filadélfia.
O técnico do Botafogo, Renato Paiva, optou por uma escalação com três volantes, enquanto Abel Ferreira, do Palmeiras, colocou três jovens no ataque: Estêvão, Allan e Vitor Roque. Com isso, o Verdão assumiu a posse de bola e o controle do jogo. Se não criou tantas chances concretas, esteve sempre rondando o gol defendido por John. Na melhor oportunidade, já nos acréscimos, Richard Rios finalizou de fora da área, a bola desviou na zaga e passou perto, por cima do gol. O Botafogo pouco ameaçou.
Na segunda etapa, o panorama não se alterou. Mesmo debaixo de sol forte da hora do almoço local, o Palmeiras continuou pressionando e criando chances. Estêvão chutou de fora da área e John fez bela defesa, colocando para escanteio. Em outra oportunidade, Mauricio cabeceou à queima-roupa e o goleiro botafoguense se contorceu todo para desviar novamente. O Verdão colocou muitas bolas na área adversária, buscando um gol salvador, mas a partida foi para a prorrogação.
Logo no começo dos primeiros 15 minutos de prorrogação, as duas equipes já estavam com todas as cinco substituições feitas. O Palmeiras continuou exigindo grandes intervenções do goleiro John, mas aos 10 minutos conseguiu passar por ele. Paulinho – que entrara no segundo tempo no lugar de Vitor Roque – recebeu pela direita, passou pela marcação de Marlon Freitas e, com a visão aberta para o gol, chutou colocado de perna esquerda. A bola ainda desviou levemente no zagueiro Alexander Barboza e entrou no canto direito de John, fora do alcance do goleiro. O detalhe é que o atacante, que ainda se recupera de cirurgia na canela e sente muitas dores, deixou o jogo logo depois de marcar, atuando por apenas 40 minutos.
Precisando do gol para evitar a eliminação, o Botafogo partiu para o ataque na segunda etapa da prorrogação, ocupando o campo do adversário. O atacante argentino Joaquin Correa, que saiu do banco, fez fila na defesa palmeirense e cruzou rasteiro para a área. No entanto, nenhum atacante conseguiu finalizar. Em outra oportunidade, a bola levantada na área foi completada por Vitinho, que chutou na rede pelo lado de fora. Artur também levou perigo em um chute de fora da área.
Na reta final, o zagueiro paraguaio Gustavo Gómez recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Com um a mais, o Palmeiras adotou postura ainda mais defensiva e viu o Botafogo pressionar com cruzamentos e escanteios. Em um deles, após bate-rebate, Igor Jesus não conseguiu levar força à finalização e Weverton ficou com a bola.
Ao fim de mais de 20 minutos de segundo tempo da prorrogação, o Palmeiras confirmou a vitória e comemorou muito o triunfo histórico, que o coloca como o primeiro time nas quartas de final da primeira Copa do Mundo de clubes da Fifa.
Um novo sistema meteorológico está se aproximando do estado de São Paulo, fazendo com que a Defesa Civil alerte para a possibilidade de ventos fortes entre domingo (29) e segunda-feira (30).
Devem ser atingidas a capital, Baixada Santista, Vales do Ribeira e do Paraíba, Serra da Mantiqueira, litoral norte, além das regiões de Marília, Itapeva, São José dos Campos, Sorocaba e Campinas.
“Apesar das previsões indicarem acumulados baixos de chuva, o destaque fica por conta das fortes rajadas de vento, que podem provocar diversos transtornos, como destelhamentos e queda de árvores e postes, além de comprometer a infraestrutura urbana em algumas localidades”, diz a Defesa Civil do estado.
Depois de um fim de semana ensolarado e seco, com a elevação das temperaturas em função do enfraquecimento do ar frio, o frio deve voltar à cidade de São Paulo a partir da próxima quarta-feira (2), com valores mínimos abaixo dos 13°C, principalmente nas madrugadas, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências da capital.
Para o domingo (29), não há previsão de chuva e a sensação de frio diminui na madrugada, com termômetros em torno dos 17°C. Durante a tarde a máxima atinge 26°C, com percentuais mínimos de umidade do ar ao redor dos 45%.
A segunda-feira (30) deve começar com muitas nuvens na madrugada e termômetros perto dos 15°C. No decorrer do dia, haverá períodos de sol e nebulosidade variável, o que interfere na livre elevação da temperatura.
A máxima não supera os 20°C, enquanto os percentuais de umidade do ar permanecem elevados, acima dos 65%. O dia termina com muitas nuvens, mas sem previsão de chuva.
Na manhã deste sábado (28), o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, conquistou seu melhor resultado em um treino classificatório desde que chegou à Fórmula 1. Na pista de Spielberg, na Áustria, ele conquistou a oitava posição e, pela primeira vez, vai largar entre os dez primeiros. Na corrida que começa neste domingo (29), às 10h de Brasília, o britânico Lando Norris, da McLaren, vai largar na primeira posição, seguido por Charles Leclerc, da Ferrari, e Oscar Piastri, companheiro de Norris.
Vice-líder na tabela de classificação de pilotos, atrás de Piastri, Norris não teve problemas para garantir a pole position, com tempo de 1min03s971, mais de meio segundo à frente de Leclerc.
O destaque, então, ficou por conta de Bortoleto. O brasileiro, que não havia conseguido avançar ao Q3 (fase mais aguda dos treinos de classificação) em nenhuma corrida no ano, chegou lá e, num misto de boas e medianas voltas, conseguiu ficar com o oitavo tempo, registrando 1min05s132.
O brasileiro tem a chance de somar seus primeiros pontos na temporada. Vale lembrar que na Fórmula 1 os dez primeiros colocados de cada prova pontuam.
A previsão de meteorologistas de que pode chover, em partes do Rio Grande do Sul, nas próximas 12 horas, o equivalente ao volume esperado para todo um mês, levou o governador Eduardo Leite a fazer novo alerta para que as pessoas deixem as áreas de risco e procurem abrigo em locais seguros.
“Estamos pedindo: saiam das áreas de risco. É por apenas uma noite. Amanhã [29] à tarde, esperamos ter uma volta à normalidade”, declarou Leite, assegurando que, com o apoio do governo estadual, as prefeituras montaram e adequaram abrigos para receber as pessoas que não tiverem para onde ir.
Segundo o governador, em algumas regiões, como as da Serra e dos Vales, são esperados entre 100 milímetros e 130 milímetros de chuva em apenas 12 horas, a partir do fim da tarde de hoje (28).
“É muita chuva. É a chuva de um mês inteiro em apenas 12 horas, o que gera muitos riscos”, comentou Leite, destacando que, em virtude das chuvas das últimas semanas, o solo já se encontra encharcado, o que aumenta o risco de deslizamentos. Além disso, com a volta de precipitações intensas, rios como o Jacuí tendem a transbordar, provocando alagamentos.
“Cento e trinta milímetros em 12 horas pode parecer menos do que já enfrentamos, mas sobre um solo já encharcado, é um fator crítico. Isso gera saturação e pode provocar a movimentação de massa [solo], o que é nossa maior preocupação, mais do que com as inundações”, continuou Leite, que na manhã de hoje visitou as cidades de Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul e Lajeado, na região da Serra, onde coordenou reunião com representantes municipais e de órgãos de defesa estaduais.
A jornalistas, Leite garantiu que, no momento, o trabalho das equipes estaduais e municipais está focado em ações preventivas. O governador também assegurou que, após a tragédia das chuvas de maio de 2024, o poder público está mais bem equipado e preparado para lidar com as consequências de situações climáticas extremas.
“O foco da nossa atuação, agora, é remover as famílias de situações de risco, das beiras de rios, de encostas, evitar a circulação em rodovias que poderão ser atingidas, mas precisamos muito da colaboração das pessoas”, finalizou Leite, pedindo que as pessoas procurem se manter informadas da situação em suas cidades por meio das redes sociais oficiais dos órgãos estaduais e municipais.
Está aberta a consulta às bolsas para o segundo semestre do Programa Universidade para Todos (Prouni). De acordo como Ministério da Educação (MEC), nesta edição serão ofertadas mais de 211 mil bolsas, sendo mais de 118 mil integrais e mais de 93 mil parciais, que cobrem metade da mensalidade.
As bolsas são para mais de 370 cursos de 887 instituições privadas de ensino superior de todo o Brasil. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas a partir de segunda-feira (30), até o dia 4 de julho, pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
A consulta é feita na página do ProUni. As buscas podem ser feitas por curso, por instituição de ensino e por município.
Administração é o curso com maior oferta de bolsas, sendo 9.275 bolsas integrais e 4.499 parciais. Em seguida, aparecem os cursos de direito, com 13.152 bolsas (4.277 integrais e 8.875 parciais); pedagogia, com 11.339 bolsas (8.465 integrais e 2.874 parciais); e educação física, com 8.939 (6.063 integrais e 2.876 parciais).
Com 13.774 bolsas em todo o país, administração é o curso com a maior oferta de oportunidades, sendo 9.275 bolsas integrais e 4.499 parciais. Em seguida, aparecem os cursos de direito, com 13.152 bolsas (4.277 integrais e 8.875 parciais); pedagogia, com 11.339 bolsas (8.465 integrais e 2.874 parciais); e educação física, com 8.939 (6.063 integrais e 2.876 parciais).
Para se inscrever no ProUni é preciso ter feito pelo menos uma das duas últimas edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), ou seja, Enem 2024 ou 2023, e obtido, no mínimo, 450 pontos na média das cinco provas e nota superior a zero na redação.
Para concorrer a bolsas integrais é preciso ainda ter renda familiar bruta por pessoa de até 1,5 salário mínimo (R$ 2.277) e, para bolsas parciais, de até 3 salários mínimos (R$ 4.554).
O resultado da primeira chamada será divulgado no dia 7 de julho, na página do Prouni, no portal Acesso Único. A segunda chamada sairá no dia 28 de julho.
A derrubada do decreto que aumentava o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) provocou a terceira mudança nas alíquotas em pouco mais de um mês. As alíquotas que vigoravam até 22 de maio, quando o Ministério da Fazenda anunciou as mudanças, foram retomadas.
A revogação do decreto cria um desafio para o governo, ao provocar perda de R$ 12 bilhões em arrecadação para 2025, segundo a Receita Federal. No entanto, para o cidadão, as mudanças aliviam o bolso, com alíquotas menores sobre as operações de câmbio, de empréstimo para empresas e da previdência privada do tipo Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL).
Como não tinham sido objeto do decreto, o IOF de crédito para pessoas físicas, para o Pix e para modalidades isentas não foi alterado.
Entenda os efeitos da derrubada do decreto sobre o seu bolso:
Viagem ao exterior
Como estava
Unificação do IOF sobre operações de câmbio em 3,5%. A nova alíquota incidia sobre:
• Transações de câmbio com cartões de crédito e débito internacional, compra de moeda em espécie, cartão pré-pago internacional, cheques de viagem para gastos pessoais;
• Empréstimos externos para operações com prazo inferior a 365 dias, para tomadas de empréstimos feitas do Brasil no exterior;
• Para operações não especificadas, a alíquota passou a ser de 0,38% na entrada (do dinheiro no país) e 3,5% na saída;
• Isenção para retorno de investimentos estrangeiros diretos (que geram emprego) no Brasil. Saída de recursos pagava 3,5%.
Como voltou a ficar
As alíquotas voltam a ser as mesmas de antes do decreto:
• 1,1% para compra de moeda em espécie;
• 3,38% nas outras transações (cartões de crédito, débito, débito internacional e pré-pago);
• Para operações não especificadas, alíquota voltou a 0,38%, sendo cobrada uma única vez;
• Remessas ao exterior e empréstimo de curto prazo (inferior a um ano) voltam a ter alíquota de 1,1%.
A versão mais recente do decreto não tinha alterado as seguintes operações cambiais:
• Operações interbancárias;
• Importação e exportação;
• Ingresso e retorno de recursos de investidor estrangeiro;
• Remessa de dividendos;
• Juros sobre capital próprio para investidores estrangeiros.
Crédito para empresas
Como estava
A tomada de crédito por qualquer pessoa jurídica tinha passado a pagar mais imposto.
• Teto de IOF de operações de crédito para empresas em geral havia subido para 3,38% ao ano;
• Para empresas do Simples Nacional, a cobrança havia aumentado para 1,95% ao ano;
• Alíquota de 3% ao ano sobre risco sacado, operação de antecipação ou financiamento de pagamento a fornecedores.
• Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC): alíquota de 0,38% sobre compra de cotas primárias, inclusive por bancos.
Como voltou a ficar
• Teto de IOF de operações de crédito para empresas em geral voltou a 1,88% ao ano;
• No caso de empresas do Simples Nacional, cobrança máxima retornou ao limite de 0,88% ao ano;
• Risco sacado deixou de ser considerado operação de crédito e voltou a ficar isento;
• Compra de cotas primárias do FIDC voltaram a ficar isentas.
Previdência VGBL
Como estava
• Isenção para aportes de até R$ 300 mil ao ano (R$ 25 mil por mês) até o fim de 2025 e de aportes anuais de até R$ 600 mil (R$ 50 mil por mês) a partir de 2026. Acima desse valor, cobrança de 5%;
• Isenção para a contribuição patronal (do empregador).
Como voltou a ficar
• Alíquota zero para aportes mensais de qualquer valor.
Caso a MP, que não trata do IOF, seja aprovada, o aumento da contribuição das bets de 12% para 18% entrará em vigor nos próximos três meses. Da mesma forma, a elevação de 9% para 15% da alíquota das fintechs (startups do setor financeiro) e o endurecimento das regras de compensações tributárias (ressarcimento de impostos supostamente pagos a mais) por grandes empresas.
Outras medidas de aumento de Imposto de Renda (IR) para a população mais rica só entrarão em vigor em 2026, caso a MP seja aprovada.
Estão nessa situação o fim da isenção para títulos privados incentivados (LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures) e a elevação de 15% para 20% do Imposto de Renda dos Juros sobre Capital Próprio (JCP), tipo de remuneração paga aos acionistas de empresa.
As tecnologias digitais têm sido uma arma poderosa nas mãos de mulheres palestinas e suas descendentes vivendo no Brasil, discute a tese de doutorado que venceu o Prêmio Compós de Teses e Dissertações Eduardo Peñuela em 2025, promovido pela Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós).
Por meio da internet, mulheres comuns, como dentistas, comerciantes, psicólogas e estudantes, desafiam o controle e a censura das plataformas para enfrentar o estereótipo de submissas e a xenofobia, despertando empatia para conquistar apoio ao fim da crise humanitária na Palestina. Desde 2023, ataques israelenses à Faixa de Gaza, parte ocidental do território palestino, deixaram 56 mil pessoas mortas, situação classificada como genocídio por órgãos das Nações Unidas (ONU), de direitos humanos e por países como o Brasil.
A constatação do uso das tecnologias por essas mulheres como forma de resistência foi feita pela pesquisadora Simone Munir Dahleh ─ também uma descendente de palestinos no Brasil ─, na tese de doutorado A trama tecida por mulheres palestinas: relatos biográficos dos usos táticos de tecnologias digitais, desenvolvida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Longe do conflito, em que mulheres e crianças são as principais vítimas, Hanan, de 44 anos, é uma dessas mulheres encontradas por Simone. Empresária descendente de palestinos, ela publica, em suas redes, vídeos traduzidos para o português. As imagens mostram crianças correndo risco de morte ou em privação de diretos, notícias, cenas de arquivo, informações sobre o conflito e sobre a ocupação por Israel, embora sua intenção prioritária seja divulgar os valores do islamismo, que é sua religião.
“(…) Eu não gosto de ficar jogando esse foco específico na minha página. (…) Porque as imagens e o conteúdo são muito fortes, mas eu não posso deixar de postar, porque é uma causa que tem que ser postada”, afirmou Hanan, em entrevista à Simone.
A Faixa de Gaza é um território palestino que tem sido alvo de intensos bombardeios e ataques por terra do Exército de Israel desde um atentado do grupo islâmico Hamas a vilas israelenses, em outubro de 2023, que deixou cerca de 1,2 mil mortos e fez 220 reféns. O Hamas, que governa Gaza, sustenta que o ataque foi uma resposta ao cerco de mais de 17 anos imposto ao enclave e também à ocupação dos territórios palestinos por Israel.
Os ataques israelenses contra a Faixa de Gaza, desde então, já fizeram mais de 56 mil vítimas e deixaram mais de 100 mil feridos, além de destruírem hospitais, escolas e todo tipo de infraestrutura que presta serviços à população. Um bloqueio às fronteiras do território também dificulta a entrada de alimentos e medicamentos, agravando a crise humanitária. Segundo Israel, o objetivo é resgatar os reféns que ainda estão com o Hamas e eliminar o grupo completamente.
Destroços após ataque israelense em Khan Younis, sul de Gaza, em 15/5/2025 REUTERS/Hatem Khaled/Proibida reprodução
Censura nas redes
O medo de ser censurada ou ter o perfil bloqueado por publicar conteúdos pró-Palestina está entre essas mulheres. Algumas relatam também o receio de serem monitoradas ou impedidas de ingressar na Palestina, tanto por meio do aeroporto de Tel Aviv, em Israel, quanto em passagens por outros países, como os Estados Unidos. Há o medo também de serem taxadas como antissemitas, que é o preconceito contra judeus.
“Como palestina e refugiada, tentamos, de todas as formas, por todos os meios de comunicação, levar a verdadeira história, mas está sendo difícil, realmente, porque a gente está sendo bloqueada [nas plataformas digitais]. O alcance, o engajamento, por exemplo, se antes era de 300 pessoas, agora não chega a 20”, desabafa Maysar, dentista, imigrante e produtora de conteúdo. “Isso tem sempre na história do lado do mais fraco, não é? E a gente está nessa luta firme e forte”, disse ela, sobre os vieses na divulgação de informação.
Maysar chegou ao Brasil quando era criança e, hoje, tem 62 anos. Ela se tornou atuante na causa palestina e migratória e vê a internet como uma forma decisiva de expor as vozes das mulheres palestinas e defender a restituição de direitos aos conterrâneos.
De acordo com Simone, pesquisadora de Comunicação, as vozes dos palestinos são silenciadas nas mídias tradicionais, situação agravada por coberturas midiáticas que ela considera estereotipadas. Portanto, para as mulheres palestinas ou descendentes vivendo no Brasil, “se posicionar, mostrar a realidade do conflito é uma necessidade”, diz Simone, e se torna uma “ação tática”. As entrevistadas, explica, usam várias vezes a expressão “colocar a cara a tapa”, que é quando elas se expressam, produzindo conteúdo e, assim, apresentando sua visão de mundo.
Laços com a Palestina
Por meio da tecnologia digital, a pesquisadora identificou também o esforço das entrevistadas para manter os laços com a família palestina, falar com parentes, escutar rádios locais, músicas e orações em árabe. Além disso, elas buscam publicar, nos seus perfis, referências pessoais, objetos trazidos da região, imagens das cidades antes dos bombardeios, de comidas típicas e de familiares que ficaram lá.
Maftoul, prato palestina à base cuscuz. Simone Munir/Arquivo Pessoal
Sabah*, por exemplo, uma imigrante de 43 anos, repete a publicação do vídeo da sobrinha, uma menina, vestindo trajes locais e cantando. “Esse momento incrível [é] da minha sobrinha linda, usando um vestido palestino, explicando para os colegas dela a receita de um prato típico palestino. Eu amo esse vídeo”, disse a comerciante, nas redes. “Eu assisto quase todos os dias”, declarou, ao compartilhar.
Como forma de subverter o estereótipo de mulheres submissas, as entrevistadas também guardam memória de mulheres palestinas que fizeram história. Elas citam a influência da repórter Shireen Abu Akleh, jornalista do canal árabe Al Jazeera, assassinada em 2022, por soldados israelenses, enquanto fazia uma cobertura ao vivo. A repórter era uma estrela nacional e sua morte causou comoção. No momento em que foi atingida, Shireen vestia capacete e colete à prova de balas com a identificação “imprensa”. Israel confirmou que a jornalista foi atingida “acidentalmente”.
Outras palestinas mencionadas no estudo de Simone são Hanan Ashrawi, intelectual palestina e líder política, Hyatt Omar, uma jovem ativista palestina-brasileira atuante nas redes sociais, e a guierrilheira Leila Khaled.
Com um trabalho repleto de imagens da Palestina e de memórias, como a colheita de azeitonas, dos tradicionais muros brancos das casas de Rafah, de pratos como o Maftoul, uma comida palestina à base cuscuz, Simone afirma que sua intenção era ir além da defesa do reconhecimento da Palestina como um Estado. “Mostrar a riqueza deste povo, ouvir e difundir o relato de mulheres descendentes e imigrantes palestinas é um modo de desmistificar a imagem que se têm deste grupo, como atrasadas, oprimidas e que não trabalham”, diz logo na introdução da tese.
“O colonialismo e a desapropriação das terras palestinas ressaltam a necessidade de as interlocutoras reafirmarem uma identidade nacional palestina, mesmo sendo descendentes”, disse a pesquisadora, que voltou ao Brasil deportada de Israel com a mãe brasileira e o irmão pequeno, aos 9 anos, em 2005.
“Pelas brechas, essas mulheres buscam desmistificar o papel de submissão atribuído às palestinas, minar as representações que associam o terrorismo aos palestinos e discutir a ocupação”, concluiu.
De acordo com a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), em 2020, o Brasil tinha cerca de 200 mil brasileiros-palestinos. O Rio Grande do Sul concentra boa parte essa população.
*Nome fictício usado para preservar a identidade da entrevistada.
Todos os domingos, Onildo Almeida tem um compromisso inadiável. Trajado elegantemente com camisa de alfaiataria e calça impecável, ele deixa sua casa antes das 7h da manhã acompanhado da esposa, Lenita, para ir à Feira de Caruaru.
É comum que seu momento de compras seja interrompido por um pedido de foto, um abraço ou um convite para um papo. Algum desavisado que passa por ali pode não saber, mas Onildo, aos 96 anos, é o maior vendedor da Feira de Caruaru.
Embora nunca tenha tido comércio no local, foi ele quem compôs os versos que exaltam a diversidade de produtos da feira em que “de tudo que há no mundo” tem para vender. Sua canção Feira de Caruaru ficou imortalizada na voz de Luiz Gonzaga e se tornou a primeira de muitas obras de Onildo a serem gravadas pelo Rei do Baião.
Na década de 1950, Onildo Almeida era um jovem apresentador de programas de auditório na Rádio Difusora de Caruaru, mas também se aventurava na música. Lançou seu primeiro disco, um álbum que continha uma única canção, uma homenagem à Feira de Caruaru, à cidade e à cultura nordestina. A música fez sucesso na região, mas não ultrapassou as barreiras estaduais.
Filho de um comerciante bem-sucedido na cidade, ele e seus seis irmãos cresceram em uma família musical. As irmãs se dedicavam ao piano e os homens, ao violão, ao violino e ao bandolim. Aos 13 anos, Onildo já compunha suas primeiras canções e adolescente já se apresentava com o quarteto vocal Vocalistas Tropicais.
Em uma de suas idas à Caruaru em meados de 1950, Luiz Gonzaga, que já era um ídolo na época, se apresentou na Difusora, a rádio onde Onildo trabalhava, e ouviu Feira de Caruaru pela primeira vez.
“Ele pegou o disco e perguntou quem era o cantor. Meu irmão, que trabalhava na rádio como operador, me apresentou”, relembra o compositor. “Ele me disse: ‘Como é que você tem um negócio desse que não me mostra?’ Eu respondi: ‘Tá na sua mão!'”.
Nascia assim a parceria.
Em 21 de março de 1957, Gonzagão gravou pela primeira vez a canção que se tornou um grande sucesso. O LP de 78 rotações teve 100 mil cópias vendidas em dois meses. A marca fez com que o Rei do Baião conquistasse o primeiro disco de ouro da carreira.
“Pelo simples fato de Gonzaga gravar, já era uma um acontecimento, né? Um acontecimento raro. Ele pegar e gravar uma música do jeito que eu fiz e não alterou nada”, recordou Onildo sobre a sensação de ouvir sua canção cantada na voz de Seu Luiz.
O músico Onildo Almeida mostra letra da música A Hora do Adeus, escrita em 1967 Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Parcerias
Feira de Caruaru foi regravada por outros artistas e em diversos idiomas, inclusive em outros países. O encontro do compositor carurarense com o filho de Exu, no Sertão de Pernambuco, rendeu uma amizade e uma parceria frutífera. Gonzaga gravaria ainda Aproveita Gente, Onde o Nordeste Garoa, Zé Dantas, Só Xote, Sanfoneiro Zé Tatu e muitas outras canções de Onildo. Outros gigantes da música nordestina como Marinês, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino e Jorge de Altinho também recorreram ao “poeta do agreste” para compor seu repertório.
Onildo também fez a cabeça dos tropicalistas. Em You Don’t Know Me, canção de Transa, álbum emblemático de Caetano Veloso de 1972, gravado quando o artista estava exilado em Londres, Caetano faz uma colagem de citações, entre elas um trecho de A Hora do Adeus, parceria de Onildo Almeida e Luiz Queiroga, gravada por Luiz Gonzaga no álbum Olha Eu Aqui de Novo de 1967: “Eu agradeço ao povo brasileiro / Norte, Centro, Sul inteiro / Onde reinou o baião”.
No mesmo ano, Gilberto Gil gravou o arrasta-pé Sai do Sereno, composição de Onildo, no álbum Expresso 2222 – o primeiro que o músico baiano lançou após o retorno ao Brasil com o fim de seu exílio em Londres.
Apresentação da banda Diablo Angel, com participação de Onildo Almeida, no Palco Azulão, no centro de Caruaru (PE). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Referência musical
Ao longo de quase um século de música, Onildo Almeida se tornou uma referência musical e inspiração para novos artistas nordestinos. Isso fica evidente na maneira como é celebrado durante os festejos juninos em Caruaru. Este ano, durante a festa, ele foi convidado especial da Orquestra de Pífanos de Caruaru e se apresentou em um dos palcos do São João de Caruaru dedicados à música alternativa, junto com a banda pernambucana Diablo Angel.
A banda, que tem dez anos de estrada, lançou neste mês de junho uma versão com pegada pop rock de Feira de Caruaru com a participação do próprio Onildo.
“Estar com ele no palco, poder cantar com ele estas músicas que fazem parte da nossa história é um privilégio. Eu cresci com essas canções. Era aquele desafio gostoso, era quase como memorizar um repente, aquela letra de ‘Feira de Caruaru’ “, diz Kira Derne, vocalista da Diablo Angel, que também nasceu na cidade.
Entre encontros, ensaios e apresentações ao lado de Onildo, ela aproveita para aprender com o mestre.
“Ele é muito generoso. Eu estou sempre tentando escutá-lo, especialmente como uma jovem compositora. Você ter a oportunidade de estar com ele, de aprender sobre processo criativo, como ele aborda a escrita de uma canção, as histórias de como foram escritas suas principais canções…Eu aproveito cada minuto ao lado dele”, acrescenta.
A tradicional Feira de Caruaru, que ficou conhecida nacionalmente pela música do compositor Onildo Almeida. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Homenagens
Celebrado como o homem que apresentou Caruaru ao mundo, Onildo é uma figura querida na cidade e costuma ir às escolas conversar com as crianças sobre música e cultura nordestina. Ele diz não recusar convites, mas não costuma ultrapassar os limites da cidade: odeia viajar.
As homenagens chegam em sua casa e emolduram as paredes de sua sala, uma espécie de museu particular que conta sua história de sucesso na música e as amizades que fez pelo caminho.
Quase sete décadas depois de ser inspiração para Onildo, a Feira de Caruaru segue sendo uma grande atração na cidade. Hoje, ostenta o registro de Patrimônio Imaterial Brasileiro concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Embora por lá ainda se encontrem os mais variados tipos de frutas regionais, arreios para cavalos e os bonecos de barro dos discípulos do Mestre Vitalino, o espaço não ficou imune à invasão de produtos chineses, como acontece em outros comércios locais no Brasil. Ainda assim, para Onildo, não há lugar igual:
“Eu costumo dizer que toda cidade tem feira e toda feira é igual. Mas, na verdade, não é. A de Caruaru, quando você procura uma coisa no comércio que não encontra, vai para a feira. É uma feira que tem tudo”.
*A equipe de reportagem viajou a convite da Petrobras
Três projetos elaborados por arquitetos e urbanistas negros foram selecionados para implantarem intervenções urbanísticas na área conhecida como Pequena África, região central do Rio de Janeiro.
Além de assinar as intervenções, os escolhidos dividirão prêmio de R$ 130 mil. O concurso foi promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e teve o resultado anunciado na última quarta-feira (25), na sede do banco público, no Rio.
A ideia da concorrência era selecionar profissionais negros – ou equipes comandas por negros – para criar uma espécie de museu a céu aberto na região da Pequena África, berço da presença africana no Brasil.
A concorrência, lançada no dia 21 de março – quando foi celebrado o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé – determinava que as propostas deveriam contribuir para a criação de um ambiente urbano integrado e funcional.
Arquitetos negros são escolhidos para intervenções na Pequena África – Foto: André Telles/BNDES
Os projetos podiam abranger ações culturais, estratégias de mobilidade urbana e soluções de comunicação visual, mobiliário urbano e intervenções de pequeno porte. Tudo com foco na valorização do patrimônio, no estímulo à economia criativa e na ampliação do acesso à cultura. A ideia é fazer com que visitantes que passeiem pela região se percebam em um museu a céu aberto.
Vencedores
Três propostas foram selecionadas, dentre as 13 que atenderam aos critérios do edital.
1º colocado: projeto Pequena África: Memória Continental, liderado pela arquiteta americana Sara Zewde (prêmio de R$ 78 mil);
2º colocado: projeto Pequena África: Território Akpalô, dos arquitetos brasilienses Carlos Henrique Magalhães de Lima e Júlia Huff Theodoro (prêmio de R$ 39 mil);
3º colocado: projeto Sankofa e a Trama da Pequena África, desenvolvido pelo arquiteto Clovis Nascimento Junior e o escritório Patrícia Akinaga Arquitetura Paisagística, Desenho Urbano e Planejamento (prêmio de R$ 13 mil).
Todos os vencedores passaram por banca de heteroidentificação – procedimento em que terceiros analisam as características físicas de uma pessoa para identificar a cor ou etnia.
Os projetos foram avaliados por um júri composto por cinco representantes:
Prefeitura do Rio de Janeiro;
Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB);
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan);
Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU);
Comitê Gestor do Sítio Arqueológico do Cais do Valongo (reúne representantes da sociedade civil e de governos).
A arquiteta primeira colocada, Sara Zewde (imagem de destaque), contou que, desde que as ruínas do Cais do Valongo começaram a ser descobertas, pensava na possibilidade de usar as habilidades da arquitetura para contar a história da diáspora africana.
“A ideia é criar um padrão de pavimento que tenha esse impacto cultural e que todo mundo saiba dessas histórias da diáspora”, explicou Sara Zewde, que revelou ter se inspirado no famoso calçadão da Praia de Copacabana.
Mapa do Projeto Viva Pequena África, elaborado pelo BNDES, mostra principais pontos da região – Arte/BNDES/Divulgação
De acordo com o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o concurso permite repensar o território com valorização da identidade local.
“O fortalecimento da Pequena África faz parte de uma estratégia de desenvolvimento urbano e cultural que reconhece a importância histórica e simbólica dessa região na formação do Rio de Janeiro e do Brasil”, disse Mercadante.
Patrimônio e valorização
O Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, uma das principais atrações da Pequena África, é reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O título faz com que o governo brasileiro tenha compromissos para restauração, conservação e promoção do espaço. O BNDES, banco público que apoia iniciativas de desenvolvimento econômico e social, se dispôs a participar dos esforços do governo brasileiro.
Cais do Valongo, na zona portuária do Rio de Janeiro – Foto:Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil
Pequena África
A Pequena África já é considerada uma das regiões mais visitadas por turistas no Rio de Janeiro e concentra dezenas de quadras na região portuária, sendo um registro geográfico da chegada ao Brasil de africanos escravizados.
Um passeio pelas ruas da Pequena África se transforma em uma aula sobre a influência negra na construção das identidades carioca e brasileira. Na região, além de sítios arqueológicos, como o Cais do Valongo e o Cemitério dos Pretos Novos, ficam pontos marcantes do legado africano na cidade, como o Quilombo da Pedra do Sal, a Casa da Tia Ciata – matriarca do samba ─ e o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab).
Um dos locais de maior importância é o Valongo. Historiadores estimam que cerca de 1 milhão de escravizados tenham desembarcado nas Américas pelo Cais do Valongo.
Entre 1772 e 1830, o Cemitério dos Pretos Novos era local de sepultamento dos escravizados que morriam após a entrada dos navios negreiros na Baía de Guanabara ou imediatamente depois do desembarque, antes mesmo de serem vendidos. Hoje, existe no local o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), que pesquisa e preserva esse patrimônio material e imaterial africano.
Centro Cultural Rio-África
Não é a primeira vez que uma iniciativa busca protagonismo de afrodescendentes em intervenções arquitetônicas e urbanísticas na Pequena África. Em julho de 2024, foi lançado um concurso promovido pela prefeitura do Rio de Janeiro e pelo departamento fluminense do Instituto dos Arquitetos do Brasil, para escolher um arquiteto negro responsável pelo futuro Centro Cultural Rio-África.
O projeto vencedor é assinado pelo arquiteto Marcus Vinicius Damon Martins de Souza Rodrigues, do Estúdio Modulo de Arquitetura e Urbanismo, de São Paulo.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) teve presença marcante na cerimônia da 8ª edição do Prêmio Profissionais da Música (PPM), na noite de quinta-feira (26), no Clube do Choro, em Brasília (DF). Duas profissionais da empresa, além da TV Brasil, foram reconhecidas com prêmios em suas categorias, consolidando o compromisso da EBC com a promoção da cultura brasileira e da informação pública de qualidade.
Apresentadora do Mosaico, da Rádio Nacional da Amazônia, Ana Pimenta foi premiada como melhor apresentadora de programa de rádio de música e/ou informação. Com 20 anos de trajetória na Rádio Nacional, ela destaca a importância da emissora, principalmente em regiões mais afastadas dos grandes centros. “É uma honra trabalhar em uma rádio pública e receber reconhecimento por esse trabalho”, comemora.
Ana Pimenta foi premiada como melhor apresentadora de programa de rádio de música e/ou informação – FotoBruno Peres/Agência Brasil
“A Nacional da Amazônia foi criada há quase 50 anos para conectar esse Brasil tão diverso, em uma época em que, na Amazônia Legal, as pessoas não ouviam rádios brasileiras — ouviam rádios do Caribe. Isso teve um impacto profundo na formação da cultura local. A riqueza cultural do Norte é imensa, e ainda pouco conhecida. Sinto-me uma porta-voz dessa região que aprendi a amar e compreender. Sou profundamente grata por fazer parte desse universo.”
Bia Aparecida, rosto conhecido da audiência da TV Brasil, venceu na categoria melhor apresentadora de programa de TV de música e/ou informação. Apresentadora do Cena Musical e debatedora do Sem Censura, ela dedica o prêmio aos colegas e celebra sua trajetória na EBC.
“Já passei por vários setores na empresa e essas experiências todas me prepararam para estar agora onde estou. Fico muito feliz com esse espaço que tenho dentro da EBC e com o reconhecimento do PPM, que é um prêmio bem plural, que abarca todos os setores da indústria e várias regiões”, afirma. “Isso mostra como a EBC tem esse perfil de ser um lugar de divulgação de novos artistas, de ser um espaço importante que valoriza a cultura do nosso país.”
Bia Aparecida venceu na categoria melhor apresentadora de programa de TV de música e/ou informação – Foto Tomaz Silva/Agência Brasil
A TV Brasil também recebeu o prêmio de Veículo Cultural, na 2ª edição do troféu Viraliza Brasília, uma honraria que reconhece o papel da emissora pública na difusão da produção artística e cultural brasileira, com ênfase na diversidade e no acesso democrático à cultura.
Para o diretor-presidente da EBC, Jean Lima, a conquista reforça a importância do papel público da comunicação.
“Esses prêmios refletem o trabalho comprometido das nossas equipes em promover conteúdos de qualidade, que cumpram a missão da comunicação pública de valorizar a diversidade cultural do país e contribuir para a formação crítica dos cidadãos”, afirmou.
O prêmio
O Prêmio Profissionais da Música (PPM) chega à sua 8ª edição com o tema “Vivam as plataformas, veículos e espaços culturais | do natural ao artificial com escala no real”, para celebrar a cadeia produtiva musical do Brasil. Além de premiar artistas e profissionais importantes no cenário musical brasileiro, o PPM promove ampla programação com feira literária, tardes de autógrafos, painéis, entrevistas, palestras, workshows, laboratório de gravação musical, e música. O evento começou na quinta-feira (26) e vai até este sábado (28), em Brasília (DF).
Biografias
Ana Pimenta começou sua trajetória no rádio em 2005, como editora e apresentadora do programa A Voz do Brasil, e desde então sempre esteve ligada à produção, edição e apresentação de conteúdos radiofônicos para rádios de todo o país. Em março de 2023, estreou como apresentadora e produtora do Mosaico, programa de arte e cultura da Rádio Nacional da Amazônia. É jornalista e mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade de Brasília.
Bia Aparecida é jornalista, roteirista e apresentadora especializada em música e cultura popular brasileira com mais de 10 anos de experiência. A carioca, nascida no subúrbio de Inhaúma, atualmente é debatedora nos especiais musicais do programa Sem Censura, da TV Brasil. Desde 2018, idealiza, apresenta, faz a curadoria e roteiriza programas sobre música brasileira na TV Brasil e Rádio MEC. É também gerente de música da EBC, sendo responsável pela identidade sonora dos veículos da empresa, como Rádio Nacional e Rádio MEC, TV Brasil e Canal Gov.
A partir desta sexta-feira (27) a cobertura do Arraiá Brasil 2025 entra em sua reta final na TV Brasil, na Rádio Nacional e no aplicativo TV Brasil Play. Artistas como Heitor Costa, Natanzinho Lima, Bruno & Marrone, Xand Avião e Manin Vaqueiro animam ao vivo os últimos festejos juninos no Nordeste.
Ao longo de todo o mês de junho, o público pôde acompanhar os shows em polos tradicionais do São João: Caruaru (PE), Campina Grande (PB) e, posteriormente, nas cidades baianas de Salvador e Amargosa.
O Arraiá Brasil é uma iniciativa conjunta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), com apoio do Ministério do Turismo e da Petrobras.
As transmissões ocorrem em parceria com a PrefTV Caruaru e a UERN TV – emissora da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte –, com apoio da Prefeitura de Campina Grande.
A apresentação do Arraiá Brasil 2025 é conduzida por Karina Cardoso, Mário Sartorello, Sayonara Moreno e Cibele Tenório, com o suporte de repórteres das emissoras públicas participantes.
Serviço – Transmissões de 27 a 30 de junho
Sexta-feira (27/6) – das 23h às 2h
Cidade: Caruaru (PE)
Atrações: Heitor Costa e Natanzinho Lima
Sábado (28/6) – das 21h às 2h
Cidade: Campina Grande (PB)
Atrações: Jorge de Altinho; Bruno e Marrone; Xand Avião
Domingo (29/6) – das 21h30 às 2h
Cidades: Caruaru (PE) e Campina Grande (PB)
Atrações: Jonas Esticado; Bruno e Marrone; Manim Vaqueiro
Segunda-feira (30/6) – das 23h45 às 2h30
Cidades: Caruaru (PE) e Campina Grande (PB)
Atrações: melhores momento do fim de semana
O Brasil garantiu duas medalhas de bronze na etapa de Innsbruck (Áustria) da Copa do Mundo de escalada paralímpica, que foi disputada até a última terça-feira (24). As conquistas foram garantidas pela paulista Marina Dias e pelo carioca Igor Mesquita.
MEDALHA PARA O BRASIL! 🥉🥉🇧🇷
Na Copa do Mundo de escalada na Áustria, a Marina Dias e o Igor Mesquita subiram ao pódio no início desta semana. Ambos os atletas conquistaram a medalha de bronze, em suas respectivas classes.
Marina, que compete na classe RP3 (de atletas com limitações de alcance, força e potência), conquistou sua oitava medalha em etapas de Copa do Mundo. Ela é a atual campeã mundial da categoria e, este ano, também já havia conquistado um bronze na etapa de Salt Lake (Estados Unidos).
Igor Mesquita também está na classe RP3. Este é o primeiro pódio do carioca em competições internacionais.
Jogos de 2028
A escalada paralímpica é uma das novidades dos Jogos Paralímpicos de 2028, que serão disputados em Los Angeles (Estados Unidos). A modalidade foi oficialmente incluída no programa da competição em junho.
Com a inauguração de um centro de diagnósticos do Sistema Único de Saúde (SUS) em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e com o hospital AC Camargo, na capital paulista, o sistema público poderá realizar mais 400 mil exames por ano, analisando amostras para câncer. A doença atinge cerca de 700 mil pessoas por ano no país.
O centro foi inaugurado como parte do programa Agora tem Especialistas, do Ministério da Saúde, e receberá aporte de R$ 126 milhões. Batizado de Super Centro para Diagnóstico do câncer, tem foco em telemedicina e capacidade para realizar até mil laudos por dia, diminuindo o tempo de retorno de laudo de 25 para 5 dias, o que se espera que diminua o tempo para diagnóstico e início do tratamento.
Durante o lançamento, na tarde de hoje, em São Paulo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou que o Instituto do Coração (Incor) já tem feito o atendimento por médicos especialistas à distância. Segundo ele, a teleconsultoria pode reduzir em até 70% as filas por atendimento cardiológico.
“Isso desafoga as filas, leva cuidado rápido para quem está esperando e otimiza o uso dos especialistas disponíveis no país”, disse Padilha.
Nesta sexta, o ministro acompanhou a simulação de um diagnóstico por telepatologia no A.C.Camargo Cancer Center, que passou a integrar o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Especializada em diagnóstico à distância, a instituição compartilhará sua expertise com o SUS, atendendo unidades de todo o país.
Segundo a pasta, o SUS continua responsável pelos procedimentos de coleta de material para biópsia. A partir daí, as amostras podem tomar dois caminhos até o diagnóstico: logística por transporte especializado ou digitalizado e transmitido remotamente ao centro pelos hospitais da rede pública, inicialmente 20 unidades pólo que receberão treinamento do A.C. Camargo.
Em seguida, o hospital ofertará telelaudo para conferência diagnóstica ao vivo e, ainda, uma segunda opinião, que poderá ser solicitada para confirmação do diagnóstico, esclarecimento de dúvidas e apoio na decisão terapêutica.
Também em agenda na capital paulista, Padilha anunciou repasse de R$ 8,2 milhões ao Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) para a compra de um acelerador linear, equipamento de tratamento para câncer, como parte do financiamento de 121 novos aparelhos, parte do Plano de Expansão da Radioterapia no SUS (Persus II), que investirá R$400 milhões para recompor a capacidade tecnológica da rede pública. Os hospitais interessados em participar deverão aguardar abertura das inscrições, prevista para 14 de julho.
Ainda como parte da agenda do ministro foi feito anúncio de R$ 12 milhões para ampliação de atendimentos no Instituto do Coração.
Os países do Mercosul poderão ampliar em 50 o número de tipos de produtos (expressos em códigos tarifários) fora da tarifa externa comum do bloco. O acordo foi assinado na quinta-feira (26) em Montevidéu, mas só foi divulgado nesta sexta (27).
Com a mudança, o número de itens que Brasil e Argentina poderão incluir na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec) sobe de 100 para 150 até 2028. No caso do Uruguai, passa de 225 para 275 até 2029. E, no do Paraguai, de 649 para 699 até 2030.
O aumento de tarifas em relação à tarifa externa comum do Mercosul continua a obedecer às regras vigentes. A redução de tarifas para os 50 itens adicionais só poderá ser aplicada em duas situações:
Quando as exportações a cada Estado-Parte do Mercosul representarem menos de 20% das exportações totais do código tarifário objeto da medida;
Para evitar concentração em setores econômicos, as reduções estão limitadas a 30% dos novos códigos por capítulo da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
Do lado do Brasil, a norma foi negociada pelos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Em nota, o Mdic informou que a decisão melhora a capacidade de reação do Mercosul a distorções comerciais criadas por barreiras ou por práticas não autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
“A Letec ampliada representa instrumento adicional à disposição do governo brasileiro para equacionar questões relativas a desvios de comércio, frente às incertezas sobre barreiras comerciais decorrentes do contexto internacional”, disse o secretário executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, em comunicado.
Para entrar em vigor no Brasil, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) precisa editar uma resolução.
União aduaneira
Por se tratar de uma união aduaneira, o Mercosul exige que os países-membros apliquem o mesmo Imposto de Importação para os produtos. Isso para garantir que um produto seja importado com a mesma tarifa, independentemente do país do Mercosul. Após a entrada do bem no bloco, ele pode transitar entre os países-membros com alíquota zero.
A união aduaneira tem uma integração mais avançada que a área de livre comércio. Isso porque esse sistema prevê apenas a isenção de tarifas entre os países-membros, sem a harmonização das alíquotas de importação. Dessa forma, um produto pode entrar por um país que cobra a menor tarifa e circular livremente entre os países da área de livre comércio.
A seleção brasileira de futebol feminino foi derrotada de virada por 3 a 2 pela França, na tarde desta sexta-feira (27) no estádio Jacques Forestier, em Aix-les-Bains, em seu último amistoso de preparação para a Copa América da modalidade, que será disputada entre os dias 12 de julho e 2 de agosto no Equador.
51’ | 2T – FIM DE JOGO!
🇫🇷 3-2 🇧🇷
A Seleção Brasileira estreia na Copa América contra a Venezuela, em 13 de julho. As disputas acontecem no Equador de 12 de julho a 2 de agosto.
Mesmo atuando na condição de visitante, a equipe comandada pelo técnico Arthur Elias começou o confronto em alta intensidade, pressionando muito as francesas. E esta aposta deu resultado logo nos primeiros minutos. Aos 6 minutos da etapa inicial, Kerolin tocou em profundidade para Luany, que bateu na saída da goleira Peyraud-Magnin.
Cinco minutos depois Kerolin deixou o papel de arco e assumiu o de flecha para ampliar após receber passe de Duda Sampaio.
Porém, com a desvantagem no placar a França assumiu o controle das ações e conseguiu descontar ainda antes do intervalo. Aos 44 minutos a volante Geyoro aproveitou rebote dado pela goleira Lorena após finalização de Diani para chutar para o fundo do gol.
Se a etapa inicial foi de predomínio brasileiro, o segundo tempo foi todo da França. Aos 10 minutos as donas da casa empataram graças a outro gol de Geyoro. E, aos 30, a atacante Katoto, que entrou na etapa final, deu números finais ao placar com um belo gol de cabeça.
Agora a seleção brasileira volta a entrar em ação apenas no dia 13 de julho, quando estreia na Copa América a partir das 21h (horário de Brasília) diante da Venezuela no Estádio Chillogallo, em Quito (Equador).
O Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) manteve a condenação de um supermercado, em Patos de Minas, ao pagamento de indenização por danos morais a uma trabalhadora transgênero que sofreu discriminação no ambiente de trabalho.
Contratada em fevereiro de 2023 para exercer a função de repositora de mercadorias, a vítima relatou à Justiça que era recorrentemente acionada para descarregar cargas de caminhões, tarefa apenas atribuída a outros homens, além dela própria. Ela acabou sendo demitida em novembro de 2024.
Segundo os autos do processo, em ação movida pela própria trabalhadora, as atividades realizadas por ela no supermercado eram diferentes da função para a qual foi contratada, e incluíam tarefas como assar pães, limpar cozinha e descarregar cargas.
Uma das testemunhas ouvidas no processo afirmou que “apenas homens descarregam caminhão” e “a autora da ação trabalhista era a única mulher acionada para realizar o descarregamento”. Acrescentou que a trabalhadora demonstrava incômodo ao ser acionada para essa atividade e “sempre a chamavam com risos e ‘gracinhas'”. Até mesmo a testemunha indicada pela empresa declarou jamais ter visto mulheres realizando a tarefa.
No exame da prova, a juíza do Trabalho Fernanda da Rocha Teixeira, que proferiu a decisão em primeira instância, ponderou que as tarefas eram repassadas à trabalhadora trans em tom de deboche.
Conforme enfatizou a magistrada, em sua decisão, não há dúvida de que pessoas transgênero “enfrentam preconceito e discriminação no cotidiano, tornando essencial a promoção de uma cultura de respeito à diversidade e a repressão de condutas discriminatórias que reforcem a exclusão social. O empregador tem o dever de garantir um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e livre de discriminação, promovendo a dignidade de seus empregados e coibindo quaisquer situações vexatórias. A construção de um ambiente laboral justo e inclusivo é essencial para assegurar a igualdade de oportunidades e o respeito à diversidade”.
Além de condenar o supermercado ao pagamento de uma indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil, a juíza também julgou procedente o pedido de acúmulo de funções e condenou a empresa ao pagamento da diferença salarial correspondente. Na visão da julgadora, o supermercado desrespeitou a dignidade da trabalhadora ao permitir que ela fosse a única mulher a fazer tarefas que só eram feitas por homens na empresa, provavelmente com a desculpa de que isso se justificaria por causa da força física da profissional.
O supermercado recorreu da sentença, mas a Primeira Turma do TRT-MG manteve a condenação por unanimidade, reduzindo o valor da indenização para R$ 5 mil. A decisão considerou provada a ofensa diária e sistematizada sofrida pela autora.
A sentença também fez menção Resolução nº 17/2019 da Organização das Nações Unidas (ONU) e à Constituição Federal, que garantem igualdade de tratamento e vedam qualquer forma de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero.
Em seu voto, seguido pelos demais magistrados, a relatora do caso no TRT, juíza convocada Ângela Castilho Rogêdo Ribeiro, ressaltou ainda que atitudes preconceituosas como as constatadas no processo afrontam princípios trabalhistas, como o valor social do trabalho e a dignidade do trabalhador.
A condenação em primeira instância foi no dia 11 de março. Já o acórdão do TRT-MG foi promulgado em 20 de maio. Como o caso corre em segredo de justiça, os nomes foram preservados.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta sexta-feira (27) a redistribuição da relatoria da ação na qual o PSOL pediu à Corte a suspensão das votações da Câmara dos Deputados e do Senado que derrubaram o decreto editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A ação foi protocolada hoje, e o ministro foi escolhido eletronicamente como relator do caso. No entanto, Mendes disse que estão em tramitação no STF outros processos que tratam do mesmo assunto e estão sob a relatoria de Alexandre de Moraes.
Diante da situação, Mendes pediu que o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, realize a redistribuição do caso.
“Ante o exposto, entendo necessário o encaminhamento dos autos à presidência desta Corte, para que, se entender cabível, determine a sua redistribuição”, decidiu Mendes.
Na ação, o partido, que faz parte da base do governo, reconhece que a Constituição autoriza o Congresso a sustar medidas do Executivo. Contudo, a legenda diz que a suspensão só pode ocorrer nos casos em que houver exorbitância do poder regulamentar do presidente da República.
Para o PSOL, o decreto apenas alterou as alíquotas do IOF, “não havendo qualquer desrespeito ao limite de atuação normativa”.
Decreto
O decreto fazia parte de medidas elaboradas pelo Ministério da Fazenda para reforçar as receitas do governo e atender às metas do arcabouço fiscal. No fim de maio, o presidente Lula editou um decreto que aumentava o IOF para operações de crédito, de seguros e de câmbio. Diante da pressão do Congresso, o governo editou, no início de junho, uma medida provisória com aumento de tributos para bets (empresas de apostas) e para investimentos isentos.
A medida provisória também prevê o corte de R$ 4,28 bilhões em gastos obrigatórios neste ano. Em troca, o governo desidratou o decreto do IOF, versão que foi derrubada pelo Congresso nesta semana.
O Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI) sobre a região conhecida como Cracolândia lança, na noite desta sexta-feira (27), no plenário da Câmara Municipal de São Paulo, seu relatório final, depois de de meses de escutas e visitas de campo entre os anos de 2023 e 2024. O documento traz um diagnóstico sobre a situação atual e apresenta diretrizes construídas a partir da experiência de quem vive e atua na região.
O GTI foi conduzido pelo deputado estadual Eduardo Suplicy e pela vereadora Luna Zarattini, ambos do PT.
Uma das coordenadoras de elaboração do relatório e assessora de Suplicy, Amanda Amparo destacou que esta é a iniciativa mais ampla que existiu até agora para discutir a questão da Cracolândia, envolvendo todos os setores que hoje atuam no território. “É um relatório absolutamente inovador. Não tivemos nenhum relatório até hoje que fizesse esse diagnóstico de maneira tão sistemática”, disse Amanda, em entrevista à Agência Brasil.
Resultado de um esforço coletivo de diferentes setores – incluindo parlamentares, representantes do poder público, entidades da sociedade civil, pesquisadores e pessoas diretamente afetadas pelas políticas para o território –, o objetivo é apontar ao poder público um bom modelo de atuação em relação à população de rua e, especificamente, a população que faz uso de substâncias psicoativas em cena de uso aberta.
O relatório registra as sete reuniões do GTI, ocorridas na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e na Câmara Municipal, que abordaram os planos de ação do poder público para o território, as atuações das secretarias de Direitos Humanos, de Saúde e de Segurança, os efeitos sentidos por moradores e comerciantes da região, as ações da sociedade civil no local e a percepção de trabalhadores da ponta dos serviços públicos.
“Tudo isso mostra a potência desse documento para que sirva como um recurso, uma ferramenta, para se atuar de maneira mais consistente e que realmente implique uma solução para os problemas”, disse a pesquisadora.
Desde 2012 acompanhando a situação da Cracolândia, o promotor de Justiça Arthur Pinto Filho, do Ministério Público (MP) de São Paulo, um dos membros do GTI, avalia que a região passa pelo seu pior momento. “Há uma junção de ideias nefastas, tanto do governo estadual quanto do municipal, para que se crie naquela região um inferno em vida. O que estão fazendo ali, basicamente, é o seguinte: violência pela GCM [Guarda Civil Municipal] e internações como fizeram em 2012”, afirmou o promotor.
“Se você pratica a violência reiterada e abre uma porta, as pessoas entram por essa porta. E qual porta foi aberta? A internação em hospitais psiquiátricos ou em comunidades terapêuticas.” Arthur Filho relatou que as internações têm, em média, de 15 a 20 dias, o que não tem apresentado efetividade no tratamento contra o vício de crack ou cocaína, segundo sua avaliação.
Para o promotor, o relatório vem em excelente hora. “Aponta um caminho civilizatório para que a região da Cracolândia receba tratamento objetivo e que as coisas caminhem pelo lado correto da situação”, concluiu.
Racismo
A análise dos dados coletados ao longo do GTI mostra que o racismo estrutural é algo muito prevalecente para a compreensão dos problemas naquele território. “A grande maioria das pessoas são negras e há uma historicidade de preconceitos raciais que elas viveram tanto no decorrer da vida, quanto na experiência com a cidade e com o próprio fluxo”, disse Amanda Amparo, que também é antropóloga e pesquisadora do território da Cracolândia.
Uma das recomendações do relatório aponta a necessidade de “reconhecer institucionalmente que o racismo estrutural é fator determinante na conformação histórica da cena de uso da Cracolândia, e incorporá-lo como eixo transversal na formulação, execução e monitoramento de todas as políticas públicas voltadas à região, em especial nas áreas de saúde, assistência, moradia, segurança e justiça.”
Amanda criticou o resultado das ações da prefeitura e do estado, que levaram à dispersão da cena de uso, com denúncias de violência, remoções e internações forçadas, além de outras violações de direitos. “Eles conseguiram espalhar as pessoas do fluxo, mas onde estão essas pessoas? Em quais condições? Quais outros fluxos estão acontecendo nesse momento? De que maneira esses fluxos estão impactando a cidade?”, questionou.
“É importante fazer esse levantamento para entender que temos hoje um cenário muito mais caótico, complexo e depreciador da proposta de uma cidade que possa acolher e reintegrar as pessoas que, por inúmeras razões das próprias políticas, estão em condições de maior vulnerabilidade. O relatório vem exatamente para dar uma resposta coletiva e propositiva [sobre a Cracolândia], baseada em uma pesquisa”, destacou a antropóloga.
O promotor Arthur Filho ressaltou que a dispersão do fluxo não significa o fim da Cracolândia e lamentou a falta de estrutura básica para aquelas pessoas, como banheiros e acesso a água potável.
“O estado e o governo municipal falam novamente do fim da Cracolândia, quando o que aconteceu foi um espalhamento pela cidade. É uma situação muito grave, pior ainda porque [estruturas de apoio] que havia na região central, como já teve a tenda, onde as pessoas podiam sentar, como tem ainda o Teatro de Contêiner Mungunzá, isso está sendo fechado”, acrescentou o promotor.
Política transversal
O relatório faz apontamentos não apenas no que diz respeito à condição do uso da substância psicoativa, mas à situação clínica e geral das pessoas, além de indicar a necessidade de se desenvolver uma política transversal. A discussão da moradia, por exemplo, é fundamental, segundo Amanda Amparo. “As pessoas não vão conseguir se cuidar ou desenvolver um tratamento médico sem habitação”, disse ela.
“Quando a gente olha para uma pessoa negra que se encontra numa condição de exclusão de inúmeros direitos, como baixo índice de escolaridade, não sustentabilidade de alimentação e outros problemas, isso aponta que não se trata de um problema singular da pessoa, mas de problemas estruturais do país que incidem na vida dessa pessoa. O uso problemático da substância psicoativa passa a ser uma saída, mas é apenas um elemento [diante dessas condições]”, acrescentou a pesquisadora.
Para Amanda, o ideal seria que a prefeitura e o estado tomassem esse documento como uma ferramenta e pudessem desenvolver uma política de maneira transversal, pensando em todas as recomendações. Ela pondera que, embora o Programa Redenção, da prefeitura, tenha a perspectiva da transversalidade, não apresenta um bom resultado. Isso porque, na área da saúde, por exemplo, trabalha na lógica de internações e das comunidades terapêuticas.
O relatório recomenda uma perspectiva voltada para redução de danos, o que, na opinião da pesquisadora, leva a melhores resultados. “Ainda que a pessoa não pare de fazer uso da substância psicoativa de maneira sistemática, ela consegue, de algum modo, que aquele uso não seja prejudicial a ponto de ela não conseguir se reintegrar e se reorganizar socialmente”, explicou Amanda.
Em mais um dia de tranquilidade, o mercado financeiro no Brasil seguiu o sentido contrário ao do exterior. O dólar voltou a cair e continuou abaixo de R$ 5,50, mesmo com o aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e Canadá. A bolsa de valores teve pequeno recuo e voltou a ficar abaixo dos 137 mil pontos.
O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (27) vendido a R$ 5,483, com queda de R$ 0,015 (0,28%). A cotação chegou a cair para R$ 5,46 na mínima do dia, pouco antes das 10h. No entanto, acelerou durante a tarde, após o presidente Donald Trump anunciar a imposição de tarifas aos produtos canadenses.
Com o desempenho desta sexta-feira, a moeda norte-americana está no valor mais baixo desde o dia 16. A divisa caiu 0,28% na semana e 0,79% no mês. Este ano, o dólar recua 11,26%.
O mercado de ações teve um dia mais tenso. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 136.866 pontos, com queda de 0,18%. A queda não foi maior porque ações de mineradoras valorizaram-se, impedindo perdas no indicador.
Pela manhã, o dólar chegou a cair globalmente após a divulgação de dados que mostram a estabilidade da inflação nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor ficou em 0,1% em maio, em linha com as previsões. Isso aumentou as chances de o Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano) reduzir os juros no início do segundo semestre.
No entanto, a moeda norte-americana voltou a subir no mercado global, após Trump radicalizar o discurso contra o Canadá. Perto do fechamento do mercado financeiro, o presidente norte-americano disse que encerrou as negociações comerciais com o país vizinho, após o Canadá impor uma tarifa sobre produtos tecnológicos.
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) entrou nesta sexta-feira (27) com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender a deliberação da Câmara dos Deputados e do Senado que derrubou o decreto editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
A ação foi distribuída eletronicamente para o ministro Gilmar Mendes, que será o relator do caso. Não há prazo para decisão.
Na ação, o partido, que faz parte da base do governo, reconhece que a Constituição autoriza o Congresso a sustar medidas do Executivo. Contudo, a legenda diz que a suspensão só pode ocorrer nos casos em que houver exorbitância do poder regulamentar do presidente da República.
Para o PSOL, o decreto apenas alterou as alíquotas do IOF, “não havendo qualquer desrespeito ao limite de atuação normativa”.
“O Congresso Nacional, ao sustar o Decreto nº 12.499/2025, por meio do DL 176/2025, sem a devida demonstração de exorbitância de poder normativo, violou os próprios limites fixados no art. 49, V, da Constituição. O STF, inclusive, já declarou inconstitucional decreto legislativo editado nessas mesmas condições, como se verifica no julgamento da ADI 5744”, argumenta o partido.
O decreto fazia parte de medidas elaboradas pelo Ministério da Fazenda para reforçar as receitas do governo e atender às metas do arcabouço fiscal. No fim de maio, o presidente Lula editou um decreto que aumentava o IOFpara operações de crédito, de seguros e de câmbio. Diante da pressão do Congresso, o governo editou, no início de junho uma medida provisória com aumento de tributos para bets(empresas de apostas) e para investimentos isentos.
A medida provisória também prevê o corte de R$ 4,28 bilhões em gastos obrigatórios neste ano. Em troca, o governo desidratou o decreto do IOF, versão que foi derrubada pelo Congresso nesta semana.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, assinaram nesta sexta-feira (27) um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que vai permitir atuação conjunta para acelerar a regularização fundiária de 1,9 milhão de hectares – o equivalente a cerca de 7% do território do estado que atualmente pertence à União.
“A iniciativa integrará sistemas de gestão e agilizará a titulação de terras públicas rurais e urbanas, envolvendo os Ministérios da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto de Terras do Tocantins (Itertins)”, informou o Palácio do Planalto.
A cerimônia, no município de Araguatins (TO), incluiu ainda a entrega de sete novos assentamentos com capacidade para beneficiar 896 famílias; de 169 títulos de regularização fundiária em terras públicas federais para agricultores familiares; e de 17 títulos de propriedade para assentados da reforma agrária.
Projetos
Os sete Projetos de Assentamento (PAs) abrangem as seguintes áreas:
– PA Taboca II (930 hectares, 39 unidades familiares);
– PA Recanto da Esperança (781 hectares, 57 unidades familiares);
– PA Recanto do Bebedouro (800 hectares, 50 unidades familiares);
– PA Águas Claras (1.162 hectares, 84 unidades familiares);
– PA Vitória IV (382 hectares, 20 unidades familiares);
– PA Santa Maria (4.943 hectares, 292 unidades familiares);
– PA Esmeralda (6.557 hectares, 354 unidades familiares).
Segurança jurídica
Também foram entregues 350 títulos de regularização fundiária para moradores do município de São Bento (TO). A ação permite que a prefeitura passe a emitir títulos individuais, consolidando a posse dos terrenos onde as famílias construíram casas. Esta é a segunda entrega na localidade, de um total que deve beneficiar 1.028 famílias.