Homem joga carro contra dezenas de pessoas no Canadá; 11 morreram

Um homem dirigindo um carro preto avançou contra dezenas de pessoas na noite desse sábado (26) durante um festival da comunidade filipina em Vancouver, no Canadá. Segundo a polícia local, 11 pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas.

O ataque aconteceu às 20h, no horário local (meia-noite no horário de Brasília), na zona de Sunset on Fraser. O homem jogou seu carro em alta velocidade contra bancas de comida. O festival filipino é conhecido como Lapu Lapu, e normalmente atrai grandes multidões.

O suspeito, de 30 anos, tem antecedentes policiais, segundo informou a polícia numa conferência de imprensa após o incidente.

O jornal Vancouver Sun afirmou que o suspeito tem problemas de saúde mental e quando estava sendo interrogado pediu “desculpa” às pessoas que assistiam à cena, tendo-lhes pedido para não filmarem seu rosto com os telefones celulares.

Neste domingo (27), o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, descartou que exista uma “ameaça ativa sobre os canadenses”. As autoridades policiais já excluíram a hipótese de terrorismo.

* com informações da Agência Lusa

Vítimas das enchentes esperam por moradias definitivas no RS  

Há cerca de dois meses, o casal Danilo Hiedt e Liana Maria de Quadros vive em um contêiner de concreto, no local onde será construído um novo bairro residencial em Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari, uma das regiões mais arrasadas do Rio Grande do Sul nas enchentes de maio de 2024.

Antes disso, eles passaram por outros abrigos e viveram na casa de parentes. Quase um ano após a catástrofe, eles se recordam em detalhes das horas de horror que viveram na zona rural do município, às margens do Rio Taquari, que superou a cota de inundação de 30 metros acima do leito normal naqueles primeiros dias de maio.  

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“Lá saiu tudo de arrasto, tudo que nós tínhamos, a casa inteira, animais de criação, como bois de canga, ferramentas”, contou o agricultor de 65 anos, em conversa com à Agência Brasil.
Cruzeiro do Sul (RS), 27/04/2025 – O casal Danilo Hiedt e Liana Quadros sobreviveram em uma canoa e aguardam agora por uma nova casa. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Eles resistiram por horas em uma canoa ou sobre o forro da casa até serem resgatados. Liane tinha operado o fêmur e ainda usava muletas. Ela passou a madrugada dentro de uma embarcação.

“Eu tinha que tomar meus remédios e bebi a água da enchente. Só deu tempo de pegar quatro bergamotas do pé, que a gente dividiu para comer. Era só o que tinha”, relatou a sobrevivente, que está com 64 anos.

O casal conseguiu salvar a família, incluindo, filha, genro e netas, mas alguns amigos e vizinhos perderam a vida.

Boa parte dos 184 mortos nas enchentes do ano passado no Rio Grande do Sul são da região, sendo 13 apenas em Cruzeiro do Sul. E ainda há duas dezenas de desaparecidos, segundo a Defesa Civil estadual.

O novo loteamento, que está sendo construído pelo governo do estado, em parceria com a prefeitura, fica numa parte alta da cidade e vai se chamar Novo Passo da Estrela, em homenagem ao bairro que foi completamente destruído pela força da correnteza no ano passado.

A previsão é que as primeiras moradias definitivas, das 480 previstas, sejam entregues no final do ano.

Enquanto isso, essas casas temporárias, com 27 metros quadrados (m²), são compostas por dormitório, sala e cozinha conjugadas e banheiro, além de mobiliário, como mesa, armário, cama, beliche e eletrodomésticos da linha branca.

A entrega das moradias temporárias marcou o encerramento dos abrigos coletivos no município. ​

“Pode botar meu terreno aqui, que eu só atravesso a rua. A gente tem que brincar, fazer o quê. Chorar eu já chorei o que chega. Salvei minha família, conseguimos salvar todo mundo”, afirmou Liana, que agora espera por dias melhores.

Ambos receberam o Auxílio Reconstrução, do governo federal, no valor de R$ 5,1 mil, que ajudou a recuperar parte das perdas materiais.

Cruzeiro do Sul (RS), 27/04/2025 – Edevar Porto da Cruz é um dos moradores das casas temporárias. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Em outro contêiner, Edevar Porto da Cruz, de 67 anos, espera que a próxima mudança seja para uma moradia permanente. “O governador [Eduardo Leite] esteve aí essa semana, disse que até o fim do ano eles vão entregar um pouco [das casas] e depois até mais um ano [entrega o restante]”, observou.

Somente no município de Cruzeiro do Sul, 1.109 casas foram destruídas. Além do novo bairro, o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, prevê a entrega de 500 unidades habitacionais, que ainda serão construídas.

Outras 50 famílias também já foram contempladas com a Compra Assistida, uma modalidade do programa federal que concede até R$ 200 mil para a compra direta de um imóvel já existente.

Parque Memorial

Em uma parte baixa de Cruzeiro do Sul, bem próxima ao Rio Taquari, o cenário após a tragédia era apocalíptico, com casas, carros e postes totalmente destruídos. Era ali que ficava o Passo da Estrela, bairro completo, com escola, igreja e posto de saúde.

Agora, o que se vê é um campo aberto de terra batida. As máquinas ainda trabalham para demolir o que restou das casas destruídas. O local dará lugar a um Parque Memorial, com área de vegetação, equipamentos para a prática de esportes e homenagem aos que morreram na catástrofe.

Das poucas casas que não foram interditadas na área onde ficava o bairro, está o imóvel de José Claudio Lenhardt, de 71 anos, e de sua esposa Rosane Lenhardt, de 67 anos. Eles estão entre os últimos moradores ali, mas não devem permanecer.

“Não adianta ficar aqui com essa preocupação de enchente, indo e voltando”, contou Rosane à Agência Brasil.

“A gente trabalha uma vida inteira para juntar alguma coisa e ter um futuro melhor e perder da noite para o dia, não é fácil”, afirmou José Claudio. 

Cruzeiro do Sul (RS), 27/04/2025 – Rosane e José Cláudio Lenhard irão deixar o bairro onde moravam e tinham uma olaria. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O casal tinha uma pequena olaria no terreno ao lado, que foi derrubada pelas águas. Eles vão se mudar para um outro loteamento na cidade, adquirido com recursos próprios, em parceria com outros vizinhos e amigos, e que atualmente está recebendo obras de encanamento e acesso à rede de energia elétrica.

Ela concorda com a extinção do bairro.

“Agora que arrancou tudo, é bom que não deixem mais ninguém voltar”, reforçou Rosane.

Demanda habitacional

Na região do Vale do Taquari, a situação das famílias que perderam suas casas é variada, mas a maioria ainda aguarda um lar definitivo.

Em Estrela, segundo a prefeitura, o número de famílias contempladas com aluguel social está em 516. Cerca de 100 casas começaram a ser construídas pelo Minha Casa, Minha Vida, e há ainda a previsão de mais 800 imóveis pelo mesmo programa.

Outras 60 famílias estão sendo contempladas com o Compra Assistida. Da parte do governo estadual, a previsão é construir 108 casas no município, que estão em diferentes fases de andamento.

Em Muçum, o governo municipal informou à reportagem que conta com três novos loteamentos habitacionais em áreas seguras, fora da zona de inundação.

“Todos são terrenos novos, nunca antes utilizados, sendo dois desapropriados pelo município e um pelo governo do estado”, disse a prefeitura, em nota.

Através do Minha Casa, Minha Vida Calamidade, voltado para áreas rurais, o município de Muçum informou ter sido contemplado com 17 residências, que devem ficar prontas em até seis meses e serão construídas em terrenos fora da mancha de inundação.

 

Cruzeiro do Sul (RS), 27/04/2025 – Bairro Passo de Estrela ficou totalmente destruído pelas enchentes de maio de 2024. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

No município de Lajeado, um dos mais populosos e prósperos do Vale do Taquari, cerca de 500 famílias recebem aluguel social calamidade enquanto aguardam residências definitivas pelos programas habitacionais, informou a prefeitura. Desde julho de 2024, não há mais abrigos ativos na cidade,

“Existem cerca de 700 casas definitivas previstas para Lajeado por meio de programas habitacionais dos governos e iniciativas privadas referentes às cheias de setembro de 2023 e maio de 2024. Existem seis residências entregues por uma ONG. As demais, estão em fase administrativa ou em construção”, informou a gestão municipal.

Em Arroio do Meio, o prefeito Sidnei Eckert informou à Agência Brasil que a demanda é por 700 novas moradias. “Governos federal e estadual são parceiros, mas burocracia consome muito tempo”, reclamou.

O município não apresentou balanço sobre o andamento das iniciativas de realocação de quem perdeu suas casas.

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Surfe: Luana Silva é vice-campeã da etapa de Bells Beach

A jovem surfista brasileira Luana Silva fez história na madrugada deste domingo (27) ao garantir o vice-campeonato da etapa de Bells Beach, Austrália, do Circuito Mundial de Surfe. Esta foi a primeira vez que a jovem, de 20 anos de idade, disputa uma decisão de etapa da competição.

Luana, que nasceu no Havaí, mas é filha de pais brasileiros, perdeu na decisão para a australiana Isabella Nichols por 16,26 pontos a 12,67. A brasileira fez um grande ano de 2024 no Mundial Júnior da WSL (Liga Mundial de Surfe), com o título da competição.

“Estou muito orgulhosa do meu desempenho. Estou feliz por ter superado alguns bloqueios mentais, obstáculos mentais que não conseguia superar no começo. É uma grande conquista para mim”, afirmou Luana Silva.

Se o título da disputa feminina ficou com a australiana Isabella Nichols, no masculino a conquista ficou com Jack Robinson, também da Austrália.

No Rio, carnaval virtual promove folia digital e revela novos talentos

A história do biólogo Ewerton Fintelman de Oliveira com o carnaval virtual começou na adolescência, quando viu em uma notícia de jornal o anúncio das escolas de samba virtuais campeãs. Ewerton, que faz doutorado em ciências biológicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), é o atual presidente da Liga Independente das Escolas de Samba Virtuais (Liesv), uma das duas representações que organizam os desfiles das agremiações digitais. 

Pioneira, a Liesv foi criada em 2002 por um grupo de amigos entusiastas do samba e do carnaval. O primeiro desfile foi no ano seguinte, 2003, com participação de seis escolas, duas das quais, Imperial do Samba, de São Paulo, e Colibris, do Rio de Janeiro,  continuam a competir virtualmente e vão se apresentar em julho. A Colibris tem como inspiração a Beija-Flor de Nilópolis, vencedora do Grupo Especial do Rio de Janeiro neste ano. 

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A cada dois anos, um presidente e quatro vice-presidentes são eleitos para a estrutura administrativa da liga. Além da presidência e da vice-presidência, a Liesv conta com conselho de administração, diretoria jurídica e um conselho de avaliação das novas escolas de samba virtuais. As escolas representadas pela liga são divididas em dois grupos, o especial e o de acesso. Cada agremiação tem pelo menos três cargos – presidente, intérprete e carnavalesco –, que podem ser exercidos pela mesma pessoa.

“Organizamos todo mundo para manter o projeto, manter a chama acesa, mesmo sendo cada vez mais difícil se manter visível na internet”, diz Ewerton sobre o papel da Liesv no carnaval virtual. 

A Liga

No início da Liesv, os sambas eram cantados à capela (sem acompanhamento instrumental) e transmitidos pelo programa de software Yahoo! Messenger, o que afetava a qualidade dos áudios.

Na edição deste ano, 35 escolas de samba virtuais desfilarão pela liga. Serão 20 agremiações do grupo especial e 15 do de acesso, além das escolas convidadas, que não serão julgadas. As quatro últimas colocadas do grupo especial caem para o grupo de acesso no próximo ano, e as quatro mais bem avaliadas do acesso sobem para o especial em 2026. 

“A tendência é que as escolas convidadas abram o desfile, fazendo apresentações de 15 a 25 minutos, com uma a três alegorias e com oito a 12 alas. É mais enxuto, mas tem a mesma visibilidade que as outras escolas”, explica o presidente da Liesv. Segundo Ewerton, o carnaval virtual diferencia-se do real pela pluralidade das escolas e dos foliões, que não se concentram somente nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, tradicionalmente reconhecidos pelo que apresentam na  Marquês de Sapucaí e no Sambódromo do Anhembi, respectivamente.

“Tem escola da Paraíba, de Pernambuco. Não que não exista essa centralização no Rio de Janeiro e em São Paulo. É claro que tem uma concentração, mas o Brasil todo faz carnaval conosco”, ressalta Ewerton. Ele destaca que existem escolas que competem nos desfiles físicos e têm também a versão virtual, como a Mocidade Unida da Mooca. Uma das campeãs do grupo de acesso de São Paulo neste ano, a agremiação foi a vencedora do grupo especial da Liesv em 2024, com o enredo Direitos da Terra

“É muita diversidade. É um orgulho que tenho, ver tanta diversidade de pessoas, de regiões, de temáticas e de características das agremiações. Quando se tem o carnaval em nível de Brasil, e já tivemos escolas de outros países também, vemos essa diversidade. O carnaval virtual é um desses recortes de culturas diversas”, complementa o presidente da Liesv.

O presidente da Carnaval Virtual (CAV), Diego Araújo, também diz que se orgulha de ter escolas de vários estados, e não apenas do Rio ou de São Paulo. A CAV, que reúne escolas de samba virtuais de diferentes regiões, surgiu em 2015, a partir de uma divisão entre membros da Liesv. 

“Temos pessoas de todos os cantos do Brasil e nos orgulhamos de ter uma agremiação de um brasileiro que vive na Europa, mas que mantém sua escola de samba virtual em atividade. Também temos dois carnavalescos argentinos que atuam em escolas do grupo especial da Carnaval Virtual. Temos a alegria de dizer que o carnaval virtual não tem fronteiras geográficas.”

Fundador da escola de samba virtual Império do Progresso, em atividade desde 2004, Diego destaca a presença de mulheres como intérpretes nas agremiações virtuais. Um exemplo é a cantora, atriz e dubladora Thatiane Carvalho, da Império do Progresso, que é intérprete de apoio da Imperatriz Leopoldinense, que ficou em terceiro lugar no grupo especial do Rio este ano.

Diego ressalta que, na Carnaval Virtual, há cinco ou seis cantoras e também mulheres presidentes, carnavalescas e ocupando postos em todos os níveis de atuação nas agremiações. “É um orgulho para nós, porque, se o carnaval real ainda não acredita nas mulheres, o carnaval virtual está de portas abertas para que elas ocuparem esses lugares com o devido respeito e valorização.”

Atualmente, a CAV tem 59 agremiações filiadas, das quais 20 competem no grupo especial, 16 no de acesso 1 e 23 no de acesso 2. Da mesma forma que na Liesv, os desfiles são realizados por uma administração formada por um presidente e três diretores.

Desfiles

As apresentações virtuais serão realizadas em novembro, começando pelas escolas do grupo de acesso 2. Nas três divisões, cinco quesitos são julgados: enredo, samba-enredo, fantasia, alegoria e conjunto. Nos grupos especial e de acesso 1, quatro jurados avaliam as escolas, enquanto no de acesso 2, três especialistas dão nota para as agremiações. Nas três divisões, a menor nota é descartada, e a avaliação é feita como no carnaval real.

A ordem dos desfiles será sorteada em 30 de agosto; o grupo de acesso 2 se apresentará em 1º de novembro; o de acesso 1, nos dias 8 e 9; e o especial, nos dias 22 e 23 do mesmo mês. A apuração das notas está prevista para 7 de dezembro.

A transmissão das apresentações é feita simultaneamente pelo site da Carnaval Virtual e pelo perfil da liga no YouTube. “No site, as pessoas têm acesso direto às passarelas de desfile das escolas, que são individuais, mas, no dia da apresentação, unimos todas conforme a ordem do desfile. No YouTube, ancoramos a equipe de transmissão e os comentaristas”, descreve o presidente da CAV.

De acordo com Diego, o formato atual dos desfiles virtuais busca simular o carnaval real, com a concentração e a dispersão das escolas e os repórteres. “Tentamos fazer uma transmissão dinâmica, fluída, porque os desfiles, dependendo do grupo e da quantidade de escolas, levam de 6 a 8 horas de transmissão. Então, hoje, os desfiles são realizados nos fins de semana, por volta das 16h ou 17h, e se estendem até a 1h, dependendo do número de agremiações.”

Novos profissionais

Mais que um ambiente de diversão e experimentação, o carnaval virtual também é um espaço de formação para seus dirigentes, que ressaltam a importância do evento ao preparar novos profissionais. Muitos, com o tempo, encontram oportunidades no carnaval real, como Diego. Além de presidente da CAV e fundador da Império do Progresso, ele trabalha como enredista das escolas de samba Unidos do Porto da Pedra e Bambas do Ritmo.

“Queríamos muito, quando a liga surgiu, que ela fosse justamente essa janela para o carnaval real, que pudéssemos transformar essa brincadeira em um portfólio audiovisual para muitos artistas. Temos profissionais espalhados em todos os cantos hoje.” A CAV, segundo seu presidente, tem diversos profissionais que atuam nas passarelas não só do Rio e de São Paulo, mas também de outros estados.

Figurinista e carnavalesco, Rômulo Roque é um exemplo de profissional formado no meio digital. Com início na Acadêmicos da Zona Oeste e há seis anos na Império do Progresso, descobriu o carnaval virtual em uma publicação na rede social Orkut, desativada em 2014, que buscava desenhistas. Para Rômulo, a folia virtual serviu como treinamento e aperfeiçoamento de seus desenhos, assim como uma forma de “se divertir” com enredos que poderiam não ser tão bem aceitos no carnaval tradicional. 

“As semelhanças entre o carnaval virtual e o real ficam mais na questão dos sambas e dos enredos. A parte dos desenhos é um pouco mais imaginativa, com mais liberdade e sem os limites financeiros do carnaval físico, por exemplo”. Rômulo observa, no entanto, que o carnaval virtual, por ser “um produto para um público muito específico”, enfrenta dificuldades de atingir um número maior de audiência. Ele ressalta que o próprio carnaval tradicional já enfrenta dificuldades com isso. “Em alguns momentos, houve, sim, uma adesão maior do público, mas foi por causa de fatores como escolas do mundo real desfilando no carnaval virtual.”

De acordo com Ewerton, para o carnaval virtual, o principal desafio é a falta de fomento, já que, diferentemente do carnaval físico, não conta com investimentos públicos. Neste ano, por exemplo, o governo do Rio destinou mais de R$ 90 milhões a 42 municípios para o carnaval. Apenas na Marquês de Sapucaí, foram destinados R$ 40 milhões para o grupo especial, R$ 16 milhões para o grupo de acesso e R$ 11 milhões para os eventos que antecederam o carnaval.

“Isso me entristece, porque vejo que são 22 anos formando talentos, levando cultura, entretenimento, fazendo as pessoas felizes e mudando vidas, embora ainda existam muitas barreiras no campo de vista burocrático que nos impossibilitam de concorrer a um edital de cultura. No momento, o principal impedimento do carnaval virtual ter maior projeção está nesse fato”, diz o presidente da Liesv.

*Estagiária sob supervisão de Gilberto Costa

Ferroviária vence para continuar na liderança do Brasileirão feminino

A Ferroviária garantiu a permanência na liderança da Série A1 do Campeonato Brasileiro de futebol feminino após derrotar o Palmeiras por 2 a 1, na noite do último sábado (26) na Arena Barueri, em partida da 7ª rodada da competição que foi transmitida pela TV Brasil.

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Com o triunfo fora de casa, as Guerreiras Grenás chegaram ao total de 19 pontos (mesma pontuação do Cruzeiro, que também no sábado derrotou o Bragantino por 2 a 1 em Contagem). A vitória da Ferroviária foi construída com gols de Júlia Beatriz e de Darlene, enquanto Pati Maldaner descontou para as Palestrinas, que ocupam a 4ª colocação da classificação com 14 pontos.

Vitória do Fla

Quem também triunfou na rodada, em partida que também foi transmitida pela TV Brasil, foi o Flamengo, que bateu o Juventude por 2 a 0 no estádio Luso-Brasileiro. Os gols foram marcados por Gláucia e por Monalisa Belém. O resultado levou o Rubro-Negro aos 10 pontos, na 8ª colocação. Já a equipe gaúcha é a 13ª colocada, com cinco pontos.

Flamengo sobra e goleia o Corinthians no estádio do Maracanã

Com uma grande atuação, na tarde deste domingo (27) no estádio do Maracanã, o Flamengo goleou o Corinthians por 4 a 0 para assumir, ao menos de forma temporária (pois ainda depende do resultado da partida entre Palmeiras e Bahia), a liderança do Campeonato Brasileiro. A Rádio Nacional transmitiu o confronto ao vivo.

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Graças à vitória alcançada em casa, o Rubro-Negro da Gávea chegou aos 14 pontos, um a mais do que o Palmeiras, que mede forças com o Bahia a partir das 18h30 (horário de Brasília) deste domingo. Já o Corinthians, que ainda aguarda o anúncio de Dorival Júnior como seu novo técnico, para substituir o argentino Ramón Díaz, continua com sete pontos, agora na 11ª colocação.

O jogo

Jogando em um Maracanã lotado, com mais de 67 mil torcedores presentes, a equipe comandada pelo técnico Filipe Luís sobrou no primeiro tempo para abrir uma ótima vantagem. Com apenas quatro minutos de bola rolando, o uruguaio Arrascaeta encontrou Everton Cebolinha, que, com grande liberdade, bateu colocado para superar o goleiro Hugo Souza.

O time paulista demorou para entrar no jogo e equilibrar um pouco mais a posse de bola. A partir dos 15 minutos, passou a rondar mais a área rubro-negra e obrigou o goleiro Rossi a fazer uma defesa difícil em um belo chute de Carillo dentro da área. Foi a melhor chance do time em toda a partida.

A partir dos 33 minutos, o Flamengo deu fim a qualquer esperança dos corintianos de saírem do Maracanã com um empate que fosse. Arrascaeta mudou de função, deixou de ser o arco para ser a flecha. O uruguaio recebeu de Pedro e com categoria superou o goleiro do Timão para marcar o segundo do Flamengo na partida.

O terceiro do Rubro-Negro saiu três minutos depois. O goleiro Hugo Souza, conhecido desde os tempos de Flamengo por não jogar bem com os pés, errou na saída de bola e tocou no pé do atacante Pedro. O artilheiro não perdoou e bateu de primeira para o gol vazio.

Segundo tempo

O Corinthians até retornou mais animado após a pausa do intervalo, apesar de não contar mais com o holandês Memphis Depay (que deixou o gramado ainda no primeiro tempo com dores na perna direita), mas pouco ameaçou a meta do goleiro Rossi.

O Flamengo administrou o jogo com um sistema defensivo bem posicionado e seguro o tempo todo. Cadenciava a partida quando o adversário tentava acelerar e ainda ameaçava o gol de Hugo com boas chegadas, sobretudo com Pedro e Arrascaeta.

E foi o camisa 10 da Gávea que entrou na área e sofreu um pênalti aos 27 minutos. Após revisão do VAR, o árbitro confirmou a marcação e Pedro deu números finais ao placar, batendo forte, sem chance para Hugo. Os últimos minutos foram ao som de “olé” da torcida do Flamengo, que lotou o Maracanã e saiu satisfeita.

Grupos de Bumba Meu Boi do Maranhão se apresentam no Rio

Os grupos de Bumba Meu Boi Maracanã e Sonhos do Maranhão se apresentaram neste domingo (27) na Feira de São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro, para divulgar a manifestação artística.

As festividades do São João começam no estado nordestino no dia 4 de maio e vão até o último dia de julho.

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Considerada patrimônio imaterial do Brasil, a manifestação tem origens indefinidas, mas elementos culturais africanos e europeus, introduzidos principalmente por meio da religiosidade, segundo a Secretaria de Turismo do Maranhão.

Nas comunidades que fazem a brincadeira, as celebrações e o trabalho em torno da festa duram praticamente o ano inteiro. Um dos desafios é preparar o couro do boi, revestimento de camurça belamente decorado com canutilhos que recobrem o corpo do animal, pois é de bom tom que seja renovado a cada temporada.

Mas é durante os festejos juninos que ele reina absoluto, arrastando multidões. No Bumba Meu Boi do Maranhão, a variedade de sotaques, ou ritmos, faz a diferença.

>> São basicamente cinco:

  • Sotaque de Zabumba: Ritmo original do Bumba Meu Boi, marca a forte influência africana na manifestação. São utilizados instrumentos como pandeirinhos, maracás e tantãs, além das zabumbas. No vestuário, destacam-se golas e saiotas bordadas e chapéus com fitas coloridas. 
     
  • Sotaque de Orquestra: Ao incorporar outras influências, o Bumba Meu Boi ganha o acompanhamento de diversos instrumentos de sopro e cordas. O vestuário é bem elaborado e diferenciado dos demais ritmos. 
     
  • Sotaque de Pindaré: Matracas e pandeiros pequenos dão o ritmo deste sotaque. E o personagem Cazumbá, uma mistura de homem e bicho, é o destaque que diverte os brincantes e o público. 
     
  • Sotaque de Costa de Mão: Típico da região de Cururupu – Floresta dos Guarás – recebe este nome em virtude de pequenos pandeiros tocados com as costas das mãos. Além de roupa em veludo bordado, os brincantes usam chapéus em forma de cogumelo, com fitas coloridas e grinaldas de flores.
     
  • Sotaque da Ilha ou de Matraca: Como são conhecidos os bois originários da ilha de São Luís e que utilizam como principais instrumentos as matracas e os chamados pandeirões. São os mais populares e queridos, formando verdadeiras nações. 

Em todo o estado, são mais de 400 grupos de Bumba Meu Boi dessa bela demonstração popular.

Rio de Janeiro (RJ), 27/04/2025 – Bumba Meu Boi do Maranhão no Rio de Janeiro. Foto: Rodrigo Ribeiro/Divulgação

A estudante universitária Leudigera Mendes participa como índia do grupo folclórico Maracanã desde os 4 anos. Esse Bumba Meu Boi é do sotaque da Ilha ou de Matraca.

“Cada região do Brasil tem uma manifestação cultural e o boi é muito importante para o Maranhão. Estamos aqui para divulgar o maior São João do mundo que é o do Maranhão”, disse. 

O mecânico Adriano dos Santos é o boi do grupo dos Sonhos, de sotaque de Orquestra, há oito anos.

“Essa tradição é de família que veio do meu avô e do meu pai. Todos eles eram bois. Não é para qualquer um não. Exige muito dos braços. Tem que ter gingado e balançado”. 

O secretário estadual de Cultura do Maranhão, Yuri Arruda, disse que este ano o governo trouxe um pouco para o Rio do gostinho da cultura maranhense.

“São 90 dias de festa em todos os cantos do estado. O Maranhão sofre influências de várias regiões. É uma cultura muito diversa. Temos Bumba Meu Boi, quadrilha, forró pé de serra, dança do coco, dança portuguesa. É uma infinidade de danças”. 

Brasil conquista 10 medalhas na etapa de Indianápolis do World Series

Tendo o campeão paralímpico de natação Gabriel Araújo como grande destaque, o Brasil encerrou a participação na etapa de Indianápolis (Estados Unidos) do World Series (um circuito internacional da modalidade organizado pelo Comitê Paralímpico Internacional) com o total de dez pódios (quatro ouros, cinco pratas e um bronze).

Dessas dez medalhas conquistadas pelo Brasil, seis delas foram obtidas por Gabriel Araújo, a última delas na noite do último sábado (26) nos 50 metros estilo livre classes S1-S13. O vencedor da disputa foi o italiano Simone Barlaam, enquanto o australiano Callum Simpson completou o pódio.

Antes, Gabrielzinho, que é da classe S2 (comprometimento físico-motor), garantiu o ouro nas provas dos 100 metros livre, 150 metros medley, 50 metros costas e 50 metros borboleta, além de ter sido prata nos 200 metros livre.

As outras medalhas do Brasil foram conquistadas pela sul-mato-grossense Milaini Araújo e pela gaúcha Larissa Rodrigues (respectivamente uma prata e um bronze nos 50 metros costas da classe S3), por Talisson Glock (uma prata nos 400 metros da classe S6) e por Matheus Brambilla, (uma prata na classe S7).

Em 2025 a seleção brasileira de natação paralímpica já havia participado de duas etapas do World Series. Em Lignano Sabbiadoro (Itália), o país encerrou a participação com quatro ouros e quatro pratas, ficando na segunda colocação geral do quadro de medalhas. Já em Barcelona (Espanha), o Brasil fechou sua campanha com 11 pódios, sendo seis ouros, três pratas e dois bronzes.

Morre Maria Nice Miranda, primeira defensora pública do país

A primeira mulher a ingressar na carreira de defensora pública no Brasil, Maria Nice Leite de Miranda, morreu na manhã deste domingo (27), aos 95 nos.

Ela estava internada no hospital Copa Star, em Copacabana, desde o dia 12 de abril. A causa da morte não foi divulgada.

Rio de Janeiro (RJ), 27/04/2025 – A defensora pública Maria Nice Leite de Miranda. Foto: DPRJ/Divulgação

“Sua trajetória pioneira como 1ª defensora pública mulher no país e seu compromisso com a justiça deixarão um legado que seguirá inspirando gerações”, declarou, em nota, o defensor público-geral do Rio de Janeiro, Paulo Vinícius Cozzolino Abrahão.

Nascida na cidade de Cantagalo, no Rio de Janeiro, Maria Nice tomou posse em 1958 no Ministério Público estadual, mas escolheu integrar o pequeno grupo dos primeiros defensores públicos do estado, na recém-criada carreira subordinada à Procuradoria-Geral de Justiça.

Um grupo de seis homens haviam sido livremente nomeados pelo governador do antigo Estado do Rio de Janeiro, Ernani do Amaral Peixoto, em 1954, logo após a aprovação da lei que criou a estrutura administrativa da Procuradoria-Geral de Justiça e o cargo de Defensor Público.

Maria Nice integrou o segundo grupo de nomeados, com outros dois defensores.

Em 1974, foi a primeira mulher nomeada corregedora da Assistência Judiciária do antigo Estado do Rio de Janeiro e permaneceu até a extinção do órgão, em 1975, quando o estado se fundiu ao da Guanabara.

Em 2007, foi condecorada pelo Tribunal de Justiça do Rio, com o Colar do Mérito Judiciário, pela grande relevância de seu trabalho na luta pelos direitos dos mais necessitados. Se aposentou aos 70 anos na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, lugar que considerava sua segunda casa.

A prefeitura de Cantagalo, na região serrana do Rio de Janeiro, publicou nota lamentando o falecimento.

“Nesse momento de dor solidarizamos com os familiares e amigos e expressamos os nossos sinceros sentimentos”, declarou

A defensora pública está sendo velada no Fórum da cidade de Cantagalo. O sepultamento será às 17h deste domingo em um cemitério local.

Exposição traz o Pará a partir do olhar do fotógrafo Luiz Braga

Em um período quando a fotografia era analógica e os processos de captura e revelação eram longos e caros, quantas fotos uma pessoa era capaz de acumular, ao longo de cinco décadas? No caso do fotógrafo paraense Luiz Braga, o baú tem uma abundância de cores e intimidade entre ele e as pessoas retratadas.

Essa é uma das sensações provocadas pela exposição Arquipélago Imaginário, no Instituto Moreira Salles (IMS), em São Paulo, que exibe 258 fotografias, sendo 190 delas inéditas do fotógrafo

“O que está lá é, antes de tudo, uma grande manifestação de afeto por essas pessoas e esses lugares”, sintetiza Braga, destacando que teve contato com muitos dos fotografados não apenas um par de vezes, mas dezenas, o que o permitiu clicá-los em diferentes circunstâncias. 

A verdade é que Braga descomplexifica uma série de densos melhoramentos, tanto na via técnica como na relacional. Ele ganhava dinheiro com o trabalho e, depois que consumia uma parte para garantir o sustento, usava o restante para continuar tirando fotos. 

Essas não comerciais e que fazia por contentamento e como exercício de sensibilidade. Isto é, fazia as fotos sem nenhum incentivo ou apoio financeiros.

“Não foi encomenda, não tinha uma pauta. Foi somente para me expressar, me enxergar no mundo e me relacionar com o outro”, esclarece. 

Luiz Braga iniciou a carreira em 1975, com fotos em preto e branco, fazendo uma transição para as coloridas em 1980. O conjunto no espaço do IMS é, segundo ele, mais do que um punhado de registros, pois o público se depara com algo que “extrapola o registro”.

Braga comenta, ainda, que, mesmo já gozando de certo prestígio no mercado de fotografia, decidiu parar de aumentar o portfólio, o que reconhece ter sido “uma aposta arriscada”. A mudança de ventos que veio em seguida acabou favorecendo a fotografia, ampliando ainda mais sua popularidade.

São Paulo (SP), 16/04/2025 – Instituto Moreira Salles apresenta exposição do fotógrafo paraense Luiz Braga, percorrendo 50 anos de carreira. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Com isso, o paraense passou a outro estágio, começou a viver da fotografia autoral, com estatuto pleno de arte.

Atualmente, o que lhe interessa é o domínio da técnica na manipulação do que é ou não real, provocando um estranhamento no espectador.

“As imagens que estão na sessão Nightvision – Mapa do Éden mostram que você pode, sim, fabular desde que você use a técnica para, mesmo plasmada na realidade, criar um outro lugar”, pontua.

Nessa sessão, a ambientação fica “entre o verde militar e as nuances de sombras, na qual a ficção das cores abre espaço para a inventividade narrativa: o surrealismo como recusa aos estereótipos sobre o território”.

Além do Nightvision, há os núcleos O outro, o alheio, Territórios e pertencimentos – o Norte, Arquitetura da intimidade, Afazeres e trabalhos, Sintaxes populares, O retrato, O antirretrato e O Marajó.

Para compor a exposição, um quebra-cabeças do Pará sob a ótica de Braga, foi feita uma curadoria, que durou um ano. 

Bitu Cassundé, que forma a equipe com Maria Luiza Menezes, disse à Agência Brasil que a organização do arquivo de Braga facilitou muito sua tarefa.

“Não me interessava pensar em uma cronologia de Luiz Braga. Sempre pensei na exposição dentro de uma natureza mais orgânica, em que os tempos pudessem se entrecruzar. Então, em determinada sala, você encontra fotos de diferentes períodos, tanto em preto e branco quanto coloridas”, ressalta Cassundé. 

Para o curador, a ênfase que Braga dá ao seu território – onde, diz ele, nasceu, vive e irá permanecer até sua morte – era um elemento que jamais poderia ser ignorado.S

São Paulo (SP), 16/04/2025 – Exposição Arquipélago Imaginário. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Outro ponto recorrente foram os fotografados de costas, que podem ser vistos na forma do que Cassundé nomeou como antirretratos

Luiz Braga diz que se orgulha profundamente das criações que produziu ao longo da carreira e, ao mesmo tempo, lamenta a falta de reconhecimento e conexão da maioria das pessoas com a Amazônia. Ele relata que já viu diversas vezes feições de exclamações quando acham que suas fotos não são de um artista paraense, mas de alguém do Rio de Janeiro, de São Paulo ou do exterior.

Lado a lado com essa subestima pelo que vem do Norte do país, Braga destaca a indiferença e a impunidade, que permitem práticas, como as violações dos direitos dos povos originários e comunidades quilombolas e o chamado correntão, usado em ações de desmatamento, o que, para o fotógrafo, seriam contestadas em outras regiões do país. 

“Tem certas coisas, para cá, para cima [do Brasil, na Região Norte], que, se fossem em São Paulo, não aconteceriam.”

Serviço

Exposição de fotografia “Luiz Braga – Arquipélago imaginário”
Data: 12 de abril a 31 de agosto de 2025
Local: Instituto Moreira Salles (IMS) Paulista | Avenida Paulista, 2424 – São Paulo (SP) | perto da estação Consolação de metrô
Horário: Terça a domingo e feriados das 10h às 20h (fechado às segundas). Última admissão: 30 minutos antes do encerramento.
Entrada gratuita 
Classificação indicativa: livre

Multiartista Aguilar expõe 15 obras sobre a Amazônia em São Paulo

Amazônia Vida é a nova exposição do artista visual José Roberto Aguilar. A mostra convida o público a refletir sobre a relação entre a natureza e a humanidade, os ciclos da vida, a fluidez do tempo e a transitoriedade da existência. A exposição, na DAN Galeria Contemporânea, em São Paulo, vai até 29 de maio.

São 15 obras de formato grande que retratam a Amazônia como uma entidade viva, vibrante e repleta de cor e movimento, explica o artista.

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Aguilar é inspirado pela beleza da floresta para pintar seus quadros, que incorporam palavras, símbolos e textos. 

“A floresta entra dentro de você. Inconscientemente, você inspira ela e tem tanta coisa linda e tanta coisa para proteger. É esse esplendor”, exprime Aguillar.

Em um vídeo publicado no site do pintor, ele diz que “o princípio da minha pintura, é um agradecimento [à Amazônia]”.

O artista também procura sair do óbvio nos seus trabalhos, não apenas fazer um quadro bonito. A intenção é “transformar a tinta em sentimento, que ela própria traga uma lembrança das cores e das vibrações da Amazônia. Mais mensagens do que explicações”.

José Aguilar é pintor, videomaker, escultor, escritor e músico. Nasceu em São Paulo em 1941. Participou do movimento Kaos, do vanguardista Jorge Mautner. Recebeu o Prêmio Itamaraty, na Bienal São Paulo, e gravou com os músicos Lanny Gordin, Paulo Miklos e Arnaldo Antunes, sendo dessa época alguns de seus sucessos como Você Escolheu Errado seu Super-Herói, dos anos 80 com As Frenéticas.

A galeria fica na Rua Amauri, 73, Itaim Bibi, São Paulo.

* Estagiário sob a supervisão de Eduardo Correia

Fênix negra da música, Cátia França é exaltada pela nova geração

Em novembro de 2024, a cantora e compositora paraibana Cátia de França era pura ansiedade ao embarcar em um voo para os Estados Unidos. Seu álbum, No rastro de Catarina, lançado naquele mesmo ano, fora indicado ao Prêmio de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa no Grammy Latino. A cerimônia de premiação que aconteceria em Miami no dia 14 daquele mês e ela seguia para lá.

Ao passar pela fiscalização da alfândega estadunidense, um oficial queria saber o que a senhora de corpo franzino e cabeleira branca como algodão iria fazer nos Estados Unidos. Sem fluência em inglês, Cátia contou com a ajuda de sua produção para explicar que era uma artista e, mais que isso, fora indicada a um dos prêmios mais respeitados da indústria da música. O policial ficou impressionado.

“Ele já olhou para mim como quem diz: por que ela ainda não está quieta, numa cadeirinha, se lembrando do passado? Ele vibrou! Imagina um policial americano que é tido como ‘brutamontes’! E ali, o rosto dele acendeu uma luz. Isso já me fez um bem medonho”, relembrou.

“Componho até com bula de remédio”, afirma a cantora e instrumentista paraibana. FotoFabio Rodrigues-Pozzebom/ Agênc

A surpresa do policial talvez tenha se devido à aparência de Cátia, uma senhora de 78 anos, de magreza delicada e cabelos brancos ostentados com orgulho. A suposição de fragilidade sobre ela não poderia estar mais equivocada. Multi-instrumentista com mais de meio século de música, Cátia de França, que no documento é Catarina Maria de França Carneiro, é uma força da natureza com uma mente inquieta e pulsão criativa irrefreável.

A inventividade e a sensibilidade que embasaram seu álbum de estreia, o aclamado “20 palavras ao redor do sol”, lançado em 1979, ainda seguem firmes com ela. “Componho até com bula de remédio”, diz a paraibana. Após viver uma espécie de renascimento artístico ao ser descoberta pelo público jovem, ela tem hoje uma agenda apertada com apresentações em todo o Brasil.

Cátia se apresentou na última quinta-feira (24), no Festival Agô em Brasília. E parte do público que a vê nos palcos atualmente não sabe quantas voltas ao redor do sol esta mulher negra nordestina teve que dar para viver hoje sob os aplausos que reconhecem seu talento.

Berço musical

Cátia ainda era Catarina quando a mãe, a professora Adélia Maria de França, reconhecida como a primeira educadora negra da Paraíba, lhe apresentou aos livros. Seus preferidos eram os de José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos e João Cabral de Melo Neto, que tinham trechos de suas obras musicados pela menina.

“Eu nasci num berço musical. Meu pai adorava ‘sofrência’, que naquela época não tinha esse nome, era tango. E eu toco sanfona por causa disso. E mamãe era muito musical, o rádio lá em casa era ligado full time”, explica. A paraibana teve uma formação musical erudita na juventude, até construir sua própria poesia, que bebe da cultura popular, da tradição regional e também do rock e sua psicodelia. Sua obra ajudou a formatar o que se entende por música do Nordeste, que nada mais é do que música popular brasileira.

Na vida adulta, ela se mudou para o Rio de Janeiro. Cátia – que ganhou esse apelido da mãe – acompanhou o movimento de muitos cantores e compositores nordestinos que migraram para o Sul Maravilha para impulsionarem sua arte. O ano era 1972. Cantou em barzinhos e trabalhou como datilógrafa até encontrar sua “fada madrinha”, a conterrânea Elba Ramalho. Já consagrada, Elba passou a indicá-la para trabalhos na música e no teatro alternativo.

À medida que ia ao encontro de sua arte, Cátia lidava com os estigmas e preconceitos de ser uma mulher negra, lésbica e migrante nordestina naqueles anos de chumbo da ditadura militar no Brasil. “Era uma implicação, a polícia, né? Queriam ver se pegava a gente com alguma coisa, com erva, sem documento. O problema maior era a gente ser nordestino.”

Disco de estreia

Nessa época, Cátia formou uma turma com os conterrâneos Vital Farias, Pedro Osmar e Zé Ramalho. Esse último, impressionado com suas composições, produziu 20 palavras ao redor do sol, o primeiro álbum de Cátia.

O disco conta com a participação de músicos do quilate de Dominguinhos, Sivuca, Lucinha Turnbull, Chico Batera, Bezerra da Silva, Lulu Santos, além de Amelinha e Elba Ramalho nos vocais. O 20 palavras ao redor do sol seria, anos depois, considerado um clássico cult e que tem seus exemplares originais em vinil vendidos a preços altíssimos. O álbum traz canções como Kukuaia, Coito das Araras e Quem vai quem vem, atualmente cantadas em uníssono nos shows por gente com um terço de sua idade.

Mesmo celebrada, o primeiro disco de Cátia não obteve reconhecimento imediato. Hoje é cantado pelas novas gerações. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agênc

Tudo indicava que a estreia promissora de Cátia a colocaria no mesmo patamar de Elba Ramalho ou Amelinha, artistas que já desfrutavam de reconhecimento e popularidade à época. Isso, porém, não aconteceu. Mesmo celebrada como uma instrumentista brilhante e com a boa repercussão do primeiro disco, Cátia não ganhou tanto destaque na indústria musical. Além da ausência de um empresário que investisse em sua carreira, sentiu que ser uma mulher negra também pesou.

“Era fácil se você fosse loira, nórdica, uma Vera Fischer ou Xuxa. Eu não era, entendeu? Eu não tinha o atributo físico. A minha história era outra”. Chegou a lançar Estilhaços no ano seguinte, 1980, mas sem tanto sucesso. Viu-se obrigada a empunhar o violão e voltar a tocar na noite. “Eu tinha aluguel e comida para pagar, voltei a tocar nos barzinhos em Pernambuco”. E assim se deu.

Renascimento

Mesmo longe dos holofotes, nunca parou de compor. “Eu disse, se eu paro eu caio. Eu componho pra me manter viva”, afirma. A artista ampliou sua discografia e, graças à internet, viu nos últimos anos muita gente redescobrir seus álbuns. Artistas da nova geração da música brasileira como Josyara, Juliana Linhares, Martins e Chico Chico são fãs declarados de Cátia, que costuma dividir o palco com seus jovens admiradores.

Para o músico, produtor e professor Daniel Pitanga, mestre em Música pela Universidade de Brasília (UnB), Cátia faz parte de uma geração de artistas que contribuíram diretamente para a construção de uma sonoridade da música brasileira.

“A obra da Cátia é imensa e vai muito além das suas composições, que por sinal, são muito especiais e representam a sua forma de existir e interpretar o mundo. Como compositora, cantora e multi-instrumentista, acredito que essa artista atemporal contribuiu, e muito, com o que hoje entendemos como música brasileira, e, sobretudo, ultrapassa essa rígida barreira do que é compreendido como música ‘regional’”.

Pitanga também afirma que se mais pessoas tivessem tido acesso ao trabalho de Catia, é provável que ela fosse mais reverenciada dentro do nosso panteão de grandes artistas. “Mas para pensar de uma forma mais positiva, acho que é importante ressaltar que a Cátia, ainda que não fosse a artista principal, esteve presente e colaborou nas gravações de discos memoráveis do acervo da MPB e mais, mesmo que tardiamente, ela hoje pode desfrutar, ainda em vida, de um momento de visibilidade e agenda cheia, realizando shows e turnês”.

Apesar de não ter conquistado o Grammy Latino, o álbum No rastro de Catarina foi aclamado pela crítica e integrou as listas dos melhores lançamentos de 2024. A cerimônia do Grammy também marcou um encontro entre a artista e Lulu Santos, mais de quatro décadas depois da colaboração do então jovem guitarrista em 20 Palavras ao Redor do Sol.

Artistas da nova geração da música brasileira são fãs declarados de Cátia, Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agênc

Sobre os anos à sombra, Cátia não guarda ressentimentos. “Eu vejo tudo que eu vivi como uma ressurreição, porque naquele tempo você, para tocar, tinha que dar o tal do jabá. A plateia, cada vez que eu canto em qualquer parte do Brasil, predomina de jovens que cantam comigo. É um reconhecimento que chega num momento certo, é uma emoção que não existia em 1979”.

Prova do sucesso é que os ingressos que esgotaram mais rapidamente para o Festival Agô, em Brasília, foram para a noite de sua apresentação. Antes do show na capital federal, junto com os músicos Gean Ramos Pankararu e Cristiano Oliveira, a artista beijou seu violão, um afago no inseparável companheiro de estrada.

Em uma das canções de No rastro de Catarina, Cátia de França canta: “Agora sei porque o velho sozinho fala / Sua alma trabalha / Sua experiência não cala/ Agora sei por que o cabelo branco é condecoração/ Sabedoria em profusão”. Para alegria dos amantes da boa música e para a surpresa dos agentes da alfândega, a fênix paraibana ainda é uma potência criativa com muito a compartilhar.

Sucesso antirracista, Projeto Querino vira curso para educadores

“Enquanto eu fazia o roteiro do Projeto Querino, eu pensava muito nas amigas da minha mãe, em um bairro na periferia de Belo Horizonte, onde eu fui criado. Se elas não entendessem, não faria sentido fazer”.

A declaração resume a preocupação do jornalista Tiago Rogero em construir uma comunicação antirracista eficaz com o Projeto Querino, podcast que fez sucesso ao mostrar as engrenagens do racismo no Brasil e agora fundamentou o curso “Projeto Querino na sala de aula”, para orientar a disseminação desse conteúdo nas escolas do país.

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A formação tem 30 horas de duração e é voltada a profissionais da educação que lecionam na educação básica de diferentes áreas do conhecimento e também a gestores de escolas e secretarias de educação. O lançamento foi na tarde da última quarta-feira (23), na sede da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), em Brasília.

O curso está disponível gratuitamente na página da Escola Fundação Itaú.

 

Lançamento do Projeto Querino na Sala de Aula com jornalista Tiago Querino. Daniel Fagundes/Divulgação

Ao falar para os educadores no evento, o jornalista responsável pelo podcast defendeu que “contar essa história não é um favor”, forma como a educação antirracista ainda é encarada por parte dos profissionais da educação mesmo depois de mais de 20 anos da Lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003, que estabeleceu a obrigatoriedade da inclusão da história e cultura afro-brasileira nos curriculos esculares. Em 2008, a Lei 11.645/08 também determinou a formação dos estudantes sobre a história e a cultura indígena. 

“Ainda é visto como menos história, como uma história de menor importância”, criticou Tiago Rogero, acrescentando que a história como ele aprendeu na escola “não dá conta de explicar o Brasil”. 

A pedagoga especialista em Educação para as Relações Étnico-raciais Clea Ferreira participou do lançamento e destacou que o silêncio é cúmplice do racismo, e que o poder da narrativa construída pelo jornalista foi capaz de confrontá-lo;

“Me chamou bastante atenção a força que a palavra tem, a palavra do Tiago, a escolha das palavras, a cadência da voz, do texto, as conexões entre passado e presente, e como faz a gente olhar e pensar o futuro”, elogiou. “Sem eufemismos, sem dourar a pílula, e trazendo com muita verdade, com muita franqueza a nossa história, e, sobretudo, iluminando a contribuição da população negra, a despeito de todas as iniquidades”.

*colaborou Ana Carolina Alli, estagiária sob supervisão de Marcelo Brandão

Mega-Sena não tem ganhador; prêmio acumula e vai a R$ 8 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.856 da Mega-Sena, realizado nesse sábado (27). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 8 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 03 – 05 – 10 – 27 – 38 – 48

No total, 50 apostas acertaram a quina e irão receber  R$ 38.163,34 cada.

E outras 4.216 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber R$ 646,57 cada.

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de terça-feira (29), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

Exercícios podem prevenir quedas em idosos e melhorar recuperação

Os brasileiros estão vivendo mais, e as pessoas com idade acima de 65 anos já passam de 10% da população, conforme dados do último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Cuidados simples previnem uma das principais causas de diminuição da qualidade de vida entre os idosos, que podem inclusive resultar em incapacidade permanente e morte: as quedas.

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) estima que, anualmente, um terço das pessoas com mais de 65 anos sofrem quedas, proporção que sobe para 40% entre os idosos a partir de 80 anos. E o local onde ocorrem mais quedas é dentro da própria casa.

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A fisioterapeuta Raquel Gonçalves, que é doutora em ciências da reabilitação pela Universidade de São Paulo (USP), diz que a população já tem mais consciência sobre as adaptações necessárias no ambiente, como a retirada de tapetes, colocação de barras de apoio em locais de maior perigo, como o banheiro, e o uso de sapatos antiderrapantes. Ainda existem, porém, pessoas que negligenciam a atividade física, essencial para melhoria da resistência, flexibilidade e equilíbrio, o que reduz o risco de quedas.

“A pessoa que se mantém ativa ao longo da vida ou começa a fazer exercícios vai ter um processo de envelhecimento muito diferente. A gente fala muito de sarcopenia, que é a perda de massa muscular e se você faz atividade física, você evita essa sarcopenia, que já começa aos 30 anos. Então, quando você chegar aos 65, 70 anos, se mesmo assim eventualmente acontecer algum tipo de queda ou fratura, a recuperação é muito mais fácil”, complementa Raquel.

De acordo com a especialista, mesmo quem já é idoso e não acumulou essa reserva ao longo da vida, se beneficia dos exercícios iniciados nessa fase: “Eles podem ser administrados por um fisioterapeuta, claro, mas também podem ser reproduzidos por um familiar ou um cuidador. Mesmo exercício simples de equilíbrio, de força muscular, já contribuem muito.”

Raquel também reforça que a reabilitação após a queda é essencial para que a pessoa recupere sua qualidade de vida: “Quando o idoso cai, se ele tiver uma fratura, geralmente ele perde autonomia, muitas vezes precisa ficar de repouso na cama… Isso tem uma consequência psicológica muito grande. Além disso, ele começa a ter uma perda de massa muscular cada vez mais acentuada, porque ele está imóvel”.

Ela alerta que os exercícios não podem ser abandonados após a recuperação. 

“Muita gente pensa: ‘melhorei um pouco, então eu posso parar’. Não! Tem que pensar: ‘eu me recuperei, agora eu vou permanecer fazendo os exercícios, para manter essa massa muscular, para manter a minha força e não ser tão afetado com o passar do tempo'”, afirma a fisioterapeuta.

Após um ano, centro de Porto Alegre tenta virar página das inundações

Das muitas imagens chocantes das enchentes de maio de 2024, que arrasaram o Rio Grande do Sul, a inundação do Mercado Público de Porto Alegre, o mais antigo do Brasil, está entre as mais marcantes.

As águas do Guaíba começaram a invadir o prédio icônico da capital gaúcha ainda na manhã do dia 3 de maio daquele ano, obrigando os comerciantes a fecharem as lojas rapidamente.

Aquelas águas subiriam por mais de 1,5 metro de altura, superando a enchente de 1941, até então a maior já vista.

Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – A comerciante Carolina Kader conta como foi a inundação. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Ninguém imaginava a dimensão da catástrofe e as perdas foram quase totais.

“Quando avisaram que a água ia subir, todo mundo basicamente fechou as bancas, algumas pessoas tiraram algumas coisas e nós erguemos balanças, produtos e outros equipamentos a cerca de um metro do chão”, conta Carolina Kader, proprietária de uma loja de insumos e artigos para confeitaria no mercado.

“Era uma sexta-feira, a gente achou que voltaria no fim de semana pra limpar, a água teria baixado, e reabriríamos normalmente na segunda”, relata.

Ela só conseguiria retornar, assim como todos os demais permissionários, no dia 29 de maio, quase um mês após a inundação do ano passado.

O Mercado Público só começaria a reabrir de forma gradual em meados de junho, após 41 dias de fechamento.  

Inaugurado em 1869, o local tem 155 anos de existência. Além de ser o principal centro de abastecimento de alimentos da cidade, o prédio é um ponto turístico, sobretudo pela atividade gastronômica.

Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – O vice-presidente da Associação dos Lojistas do Mercado Público, Jefferson Sauer, diz que bancas resistiram à tragédia. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Localizado no centro histórico da cidade, oferece opções de alimentos in natura, como carnes, peixes, frutos do mar e frutas, bem como produtos de confeitaria, vinhos, erva-mate, artigos religiosos, e pratos e lanches em restaurantes e bares.

“Quem visita uma cidade e quer conhecer um pouco da cultura daquele lugar, é no Mercado Público que ele vai entender. Aqui é uma expressão das tradições gaúchas”, afirma Jefferson Sauer, sócio da Banca 43, que tem 70 anos de história e vende queijos, vinhos, azeites, linguiças e embutidos.

Sauer, que é vice-presidente da Associação dos Permissionários do Mercado Público de Porto Alegre, celebra o fato de que, após uma crise tão extrema, todas as bancas conseguiram resistir e seguir adiante.

Ao todo, são 102 permissionários.

“São cerca de 800 empregos diretos”, aponta o empresário.

Um lugar democrático

No Mercado Público, a variedade de produtos e especiarias é um dos diferenciais.

“O cliente chega e pode escolher aquele corte específico, se orienta sobre a melhor parte de um bacalhau de acordo com o prato que ele quer fazer”, diz Ronaldo Pinto Gomes, um dos coordenadores da administração do prédio pela prefeitura.

Além disso, destaca o gestor, todo mundo tem o que comprar ali.

“É o espaço mais democrático que existe nessa proposta de abastecimento de alimentos. Você encontra tainha a R$ 11 o quilo e também os queijos, vinhos e azeites mais sofisticados da cidade. Cerca de 60% dos frequentadores são trabalhadores de renda modesta”, acrescenta Gomes.

 

Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – Vista geral do Mercado Público de Porto Alegre. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Essa característica tem muito a ver com o fato de o Mercado Público estar localizado quase em frente a uma das estações da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), que conecta o centro da cidade com toda a região metropolitana, passando por cidades como Canoas, São Leopoldo, Esteio e Novo Hamburgo.

São mais de 110 mil usuários por dia.

Após as enchentes, o Trensurb ficou fechado por 7 meses, o que impactou a economia do mercado e de toda a região central da capital gaúcha.

“Uma fração significativa desse fluxo passa pelo mercado, acaba comprando alguma coisa”, explica Ronaldo Gomes.

Estima-se que o Mercado Público receba cerca 40 mil visitantes por dia.

“Nos tempos gloriosos, eram mais de 80 mil por dia”, conta Jefferson Sauer.

A pandemia já havia mudado o contexto de ocupação do centro histórico, com redução da presença de empresas, bancos e outras corporações. A crise das enchentes acelerou esse processo.  

“A gente tem hoje aqui no centro cerca de 5 mil imóveis desocupados. Então, acredito que a partir da ocupação desses imóveis, no contexto de uma revitalização da área central, do cais do porto, com formatos novos de ocupação, a gente possa recuperar esse público”, aposta o empresário.

Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – Vera Regina dos Santos voltou a comprar no mercado – Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Quem também voltou foi Vera Regina dos Santos, ex-moradora da capital, mas que atualmente reside em Nova Araçá, na Serra Gaúcha.

A reportagem da Agência Brasil conversou com a aposentada quando ela estava entrando no mercado pela primeira vez depois da reabertura após a enchente.

“Aqui, sempre foi para mim o meu ponto central de Porto Alegre, eu adoro vir aqui comprar peixe, frutas, chás e legumes”, revelou.

Recuperação gradual

Não há uma estimativa global dos prejuízos entre os permissionários do mercado.

Carolina Kader aponta que a catástrofe causou perdas de R$ 700 mil em produtos e equipamentos em sua banca de confeitaria.

Para amenizar a situação, a prefeitura concedeu desconto de 50% no pagamento da mensalidade das lojas a todos os permissionários.

Mesmo assim, ela avalia que as vendas estão 40% menores que o período anterior, que já vinha ainda repercutindo as baixas causadas pela pandemia de covid-19.

Porto Alegre (RS), 26/04/2025 – Marcellus Gomes da Silveira, dono de lanchonete, diz que a recuperação das vendas tem sido lenta. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

No entorno do Mercado Público, a situação é parecida. Marcellus Gomes, dono de uma lanchonete na Praça XV de Novembro, ainda não sente uma recuperação plena.

“Tem muita gente na cidade que perdeu todas as coisas de casa, tem que comprar tudo de novo e não sobra para gastar na rua”, avalia.

Próximo dali, uma farmácia que ficou completamente arrasada pela inundação  já visualiza um cenário mais positivo.

“Até dezembro, foi muito ruim de vendas. Agora, na Páscoa, foi uma virada. Estamos vendendo esse mês 15% a mais que eu vendi em abril do ano passado”, diz o gerente Marcelo Barbosa de Souza.

Segundo a Fecomercio do Rio Grande do Sul, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após as enchentes, o comércio encolheu mais de 14% até dezembro do ano passado no estado.

A atividade comercial se manteve nesse patamar até fevereiro deste ano.

As enchentes deixaram 184 mortos e, até o momento, 26 pessoas seguem desaparecidas no estado.

>> Veja Galeria de Fotos

 

Samba na Gamboa homenageia Monarco com especial neste domingo

Portelense de coração, a cantora e compositora Teresa Cristina reverencia o legado e a obra do saudoso sambista Monarco, personalidade da carnaval carioca e ícone da Azul e Branco de Madureira, na edição inédita do programa Samba na Gamboa deste domingo (27), às 13h, na TV Brasil.

Para interpretar os sucessos do vasto repertório de Monarco, a apresentadora recebe o filho do bamba, o cantor e compositor Mauro Diniz. Herdeiro dessa veia musical, o entrevistado resgata lembranças do pai que marcou a cultura popular.

O cantor e compositor Mauro Diniz é o convidado de Teresa Cristina no programa que homenageia seu pai, o sambista Monarco – Frame TV Brasil

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Anfitriã e convidado soltam a voz durante a produção para entoar clássicos autorais de Monarco. Eles cantam composições como Coração em Desalinho e Vai Vadiar, sucessos na voz de Zeca Pagodinho, além de Passado de Glória e O Quitandeiro, entre outras músicas do mestre. Na prosa entre uma canção e outra, eles comentam episódios marcantes da vida e da carreira de Monarco.

Atração original da emissora pública, o Samba na Gamboa pode ser acompanhado no App TV Brasil Play e também fica disponível no YouTube do canal. O programa ainda tem versão para a Rádio Nacional aos sábados, ao meio-dia, para toda a rede.

Depoimentos

Na abertura do programa, Teresa Cristina destaca a importância de Monarco. 

“Esse programa é muito emocionante para mim. O nosso homenageado foi fundamental para a minha carreira. Era uma ligação entre a minha geração com os pioneiros do samba. Ele conviveu com todos os astros da antiga e fazia questão de contar aquelas histórias dos artistas que vieram antes. Foi um dos maiores compositores que o Brasil já teve. Monarco foi um sambista de quem a gente se orgulha muito”, afirma a apresentadora.

“Se eu for falar de Monarco, hoje eu não vou terminar, parodiando aquele samba antológico dele”, pontua Mauro Diniz. Ele conta como enxerga o pai fora da relação familiar e lembra de quando se deu conta da figura gigante do sambista. “Eu fui embalado pelos sambas que ele fazia e fui tomando gosto por esse gênero musical desde pequeno.”

Com simplicidade, Mauro Diniz explica como vê o perfil de um bamba. 

“O sambista perfeito é aquele que deixa a coisa vir do coração. Isso eu aprendi com papai”, afirma Mauro Diniz. Monarco, nome artístico de Hildmar Diniz, faleceu aos 88 anos, em dezembro de 2021.

Trajetória na cultura popular

Ícone do samba carioca e baluarte da Portela, Monarco já demonstrava vocação para a música na infância. Natural da zona norte da capital fluminense, ele foi criado em Oswaldo Cruz, no subúrbio do Rio, onde passou a compor letras e melodias.

O talento nato fez com que o artista chegasse à Ala de Compositores da escola de samba no início da década de 1950, com menos de 18 anos. Discípulo de Paulo da Portela, Monarco bebeu na fonte de grandes personalidades da tradicional agremiação, conhecida pela Águia que marca os desfiles.

Em 1976, o bamba emplacou seu primeiro álbum solo, Monarco. A produção contemplava temas marcantes de sua obra como a canção Quitandeiro. A carreira deslanchou com vários discos e premiações. O músico foi indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode em 2018.

Representante do tradicional estilo musical carioca, o sambista era presidente de honra da Portela e personalidade da Velha Guarda da vencedora escola do carnaval do Rio. Monarco deixa um legado indiscutível para o gênero.

Com mais de 70 anos dedicados ao universo artístico, Monarco é lembrado por essa identificação com a Portela, agremiação que distingue sua trajetória. O artista também traz em suas canções a forma dos autênticos sambas de terreiro e de raiz.

Suas composições foram gravadas por intérpretes como João Nogueira, Beth Carvalho, Clara Nunes e Zeca Pagodinho. Eles deram voz a diversos sucessos de Monarco e popularizaram músicas que fizeram história.

Monarco ainda é responsável por uma linhagem do samba. A sonoridade do astro reverbera na formação de uma verdadeira dinastia do gênero. Pai dos compositores e cantores Marcos Diniz, do Trio Calafrio, e Mauro Diniz, idealizador do Trem do Samba, ele é avô da atriz e cantora Juliana Diniz, outra herdeira de sua verve artística.

Sobre o programa

A nova temporada do Samba na Gamboa, que marca a estreia de Teresa Cristina como apresentadora do programa da TV Brasil, foi gravada no Teatro Ruth de Souza, no Parque Glória Maria, em Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro. O palco para conversas embaladas por hits é um cenário colorido que evoca uma praça na Gamboa, bairro histórico da zona portuária da cidade. A presença de plateia é outro destaque da atração.

Os encontros contam, ainda, com uma banda da pesada, comandada pelo lendário Paulão Sete Cordas, que acompanha Teresa Cristina e seus convidados pelo inesgotável repertório do samba brasileiro. A equipe reúne os músicos Eduardo Neves (sopros), João Callado (cavaco), Paulino Dias (percussão), Rodrigo Jesus (percussão) e Waltis Zacarias (percussão).

Cantora e compositora de mão cheia, Teresa Cristina também tem se revelado ótima entrevistadora, conduzindo os papos com muita graça, informação e, principalmente, emoção. A pesquisa sobre a cultura popular é importante para a artista que, além do sucesso com o grupo Semente e na carreira solo, ganhou ainda mais atenção com as lives que fez nas redes sociais no período da pandemia de covid-19.

Com novo cenário, pacote gráfico e a trilha sonora de abertura repaginados, o Samba na Gamboa tem janela semanal, aos domingos, às 13h, na programação da TV Brasil, e horário alternativo aos sábados, às 23h.

O público pode curtir os conteúdos exclusivos no App TV Brasil Play e no YouTube da emissora. As edições também ganham espaço nas ondas da Rádio Nacional aos sábados, ao meio-dia, para toda a rede.

Destaques da temporada

Durante a nova temporada do programa, Teresa Cristina recebe nomes consagrados do samba, como Áurea Martins, Dorina, Dudu Nobre, Jorge Aragão, Moacyr Luz, Nei Lopes, Tia Surica, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Neguinho da Beija-Flor, Nei Lopes, Nelson Rufino, Nilze Carvalho, Péricles e Sombrinha.

O programa da TV Brasil também vai ter a presença de artistas de outras matizes da música como Adriana Calcanhotto, Fabiana Cozza, Hermínio Bello de Carvalho, Mônica Salmaso, Roberta Sá, Simone Mazzer e Zé Renato.

A produção musical valoriza compositores que escreveram sucessos, mas nem sempre têm reconhecimento e espaço na mídia. Teresa Cristina recebe nomes como Alex Ribeiro, Alfredo Del-Penho, Claudio Jorge, Mariene de Castro, Moyseis Marques, Serginho Meriti, Toninho Geraes e Zé Roberto. Artistas como Luísa Dionísio, Marina Íris, Nego Álvaro e Mingo Silva são outros convidados da temporada.

O Samba na Gamboa ainda traz nessa sequência de atrações inéditas uma série de programas especiais que destacam a importância de personalidades consagradas da sonoridade tipicamente nacional. Os conteúdos temáticos reverenciam o trabalho de Arlindo Cruz, Chico Buarque e Paulinho da Viola.

O canal público também exibe edições temáticas que prestam tributo a ícones que já partiram como Aldir Blanc, Almir Guineto, Beth Carvalho, Candeia, Clara Nunes, Dona Ivone Lara, Elizeth Cardoso, Elton Medeiros, Lupicínio Rodrigues, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Reinaldo, Wilson Moreira e Zé Keti.

Com direção de Shirlene Paixão, a nova temporada do programa, que marca a volta das edições inéditas, tem roteiro e pesquisa do jornalista Leonardo Bruno, profundo conhecedor do gênero.

Histórico da produção

O Samba na Gamboa reúne grandes intérpretes das novas gerações e nomes consagrados do gênero e ícones da MPB para uma animada roda de samba. Com Diogo Nogueira, o programa teve com sete temporadas e foi gravado entre 2008 e 2018. Até hoje a atração faz parte da grade do canal público.

Ao vivo e on demand   

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.   

Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, neste site ou por aplicativo no smartphone. O App pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV.   

Mirando a liderança do Brasileiro, Flamengo enfrenta Corinthians

Mirando a liderança da classificação do Campeonato Brasileiro, o Flamengo enfrenta o Corinthians, a partir das 16h (horário de Brasília) deste domingo (27) no estádio do Maracanã, pela 6ª rodada da competição. A Rádio Nacional transmite ao vivo.

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Após um empate sem gols com a LDU (Equador) nos 2.850 metros da cidade de Quito, o Rubro-Negro da Gávea ficou em posição complicada no Grupo C da Copa Libertadores (na 3ª colocação com quatro pontos) e agora foca as atenções no Brasileiro, competição na qual teve um bom início.

Para medir forças com o Timão, o Flamengo deve ter retornos importantes de jogadores. Duas das peças que o técnico Filipe Luís deve colocar na equipe titular são o meio-campista uruguaio De la Cruz e o zagueiro Léo Pereira. Quem corre por fora é o centroavante Pedro, que ainda busca sua melhor forma. Além disso, o atacante Plata e o lateral Alex Sandro podem receber espaço no decorrer da partida.

Assim, uma possível formação do Rubro-Negro para a partida é: Rossi; Wesley, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, De la Cruz e Arrascaeta; Gerson, Michael (Pedro) e Bruno Henrique.

Do outro lado do gramado estará um Corinthians que busca viver um novo momento na temporada, após a saída do técnico argentino Ramón Díaz e a chegada de Dorival Júnior, que ainda não comandará o time neste domingo.

Desta forma, neste domingo no Maracanã, o Timão atuará sob o comando do interino Orlando Ribeiro, que dirigiu a equipe na vitória de 1 a 0 sobre o Racing (Uruguai) pela Copa Sul-Americana.

Transmissão da Rádio Nacional

A Rádio Nacional transmite Flamengo e Corinthians com a narração de Luciana Zogaib, comentários de Rodrigo Campos, reportagem de Carlos Molinari e plantão de José Roberto Cerqueira. Você acompanha o Show de Bola Nacional aqui:

TV Brasil transmite ADRM Maringá X Unimed Campinas neste domingo 

TV Brasil apresenta neste domingo (27) mais um capítulo da Liga de Basquete Feminino (LBF Caixa). A partir das 10h45, o ADRM Maringá recebe o Unimed Campinas. O duelo acontece no ginásio da Associação Recreativa Copel (Arcom), em Maringá (PR).

A LBF Caixa reúne os principais talentos do basquete feminino nacional e tem transmissão garantida na TV Brasil. Como emissora oficial, o canal público reforça seu compromisso com a visibilidade das atletas e o fortalecimento do esporte no país.

Além da LBF Caixa, a TV Brasil também exibe partidas do Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol – Série A1, ampliando o espaço dedicado ao esporte feminino na televisão aberta.

Os jogos podem ser acompanhados em todo o país, por meio da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). Saiba como sintonizar a TV Brasil em sua cidade.

O Unimed Campinas visita o ADRM Maringá após ter vencido – sem dificuldades – o Ourinhos/AOBE, na quarta-feira (23), por 69 a 54. O time campineiro contou com a bela atuação da ala/pivô Iza Sangalli, eleita melhor jogadora em quadra. Já o ADRM Maringá tenta se recuperar após ter perdido para o Corinthians, por 81 a 41, na segunda-feira (21).

Sobre a competição

Unimed Campinas, Blumenau, AD Santo André, Pontz São José Basketball, Sodiê Mesquita, Sampaio Basquete, SESI Araraquara, Corinthians e os estreantes ADRM Maringá, Cerrado Basquete e Ourinhos/Aobe são as equipes participantes da competição.

O sistema de disputa é com todos os times se enfrentando em turno e returno, em 22 rodadas. Os oito melhores seguem para os playoffs. Nas quartas de final e na semifinal, as equipes se enfrentam em série melhor de três jogos. Já a grande decisão será realizada em melhor de cinco jogos.

Ao vivo e on demand

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Hoje é Dia destaca os direitos das domésticas e acidentes de trabalho

Começamos esta edição com o Dia Nacional da Empregada Doméstica, celebrado em 27 de abril. Uma classe de trabalhadoras que sofre várias violações de direitos, que remontam ao passado escravocrata do Brasil. São jornadas exaustivas, má remuneração e outros abusos, culminando no assédio sexual e no trabalho análogo à escravidão. Em 2013 o Legislativo aprovou a emenda constitucional nº 72, conhecida como PEC das Domésticas, que instituiu a igualdade de direitos entre as domésticas e as outras classes de trabalhadores. Mesmo assim, a informalidade e precariedade das condições de trabalho persistem. A Agência Brasil abordou o problema nesta reportagem, de 2023, e nesta outra aqui, publicada em 2024. Também explicou quais são os direitos da categoria neste texto aqui. O Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, deu sua contribuição ao debate em 2023, mostrando como os direitos previstos na PEC das Domésticas ainda são desrespeitados. 

Ainda falando sobre trabalho, o dia 28 de abril também é o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho. A efeméride foca sobretudo na prevenção. No Brasil, de 2012 a 2022, foram notificados seis milhões de acidentes de trabalho (dados do INSS), como mostra esta reportagem da Agência Brasil, esta da Radioagência Nacional e esta outra, do Repórter Brasil, da TV Brasil, todas de 2024. Acidentes que muitas vezes provocam afastamentos prolongados ou até incapacidade permanente, sem falar nas mortes, que chegaram a quase 16 mil no período de 2016 a 2022, de acordo com dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, como mostra esta outra reportagem da Agência, também de 2024. 

Educação

O dia 28 de abril é o Dia Mundial da Educação, efeméride criada na “Cúpula Mundial da Educação”, realizada de 26 a 28 de abril de 2000 na cidade Senegalesa de Dakar. Na ocasião, 180 países se comprometeram a não poupar esforços políticos e financeiros para que a educação chegue a todas as pessoas do planeta. No Brasil, o recorte de Educação do Censo de 2022, do IBGE, mostra que a frequência escolar cresceu em todas as faixas etárias, mas ainda enfrentamos gargalos no acesso ao ensino superior, onde a desigualdade persiste. De 2000 a 2022, na população com 25 anos ou mais de idade, a proporção dos que tinham nível superior completo cresceu 2,7 vezes: de 6,8% para 18,4%. Mas, enquanto 25,8% das pessoas brancas tinham graduação superior, essa taxa era de 11,2% para a população preta e de 12,3% para os pardos. Ou seja, menos da metade dos brancos. Esse problema foi exposto e discutido pelos veículos da EBC, como nestas reportagens da Agência Brasil, Agência Gov, Radioagência Nacional e Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil. 

Meio ambiente 

A caatinga é um bioma 100% brasileiro e ocupa 10,1% do território nacional, englobando oito estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais. Cerca de 28 milhões de pessoas vivem nesse ambiente, onde existem também 3,2 mil espécies de plantas, 371 de peixes, 224 de répteis, 98 de anfíbios, 183 de mamíferos e mais de 500 de aves, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Por tudo isto, é mais do que justo que exista um dia para homenageá-lo: 28 de abril é o Dia Nacional da Caatinga. A importância de preservar o bioma e muitas de suas espécies, que correm risco de extinção, é o foco desta reportagem da Agência Brasil, publicada em 2022. Estudos para promover a recuperação de áreas da caatinga já devastadas foram tema desta outra reportagem da Agência, de 2024. O programa Brasil Rural, da Rádio Nacional, entrevistou um pesquisador da Embrapa sobre as características do bioma. E a TV Brasil dedicou um capítulo de seu programa Nossos Biomas, em 2022, para falar sobre as riquezas da caatinga. 

História 

O ano de 2025 marca o centenário da Coluna Prestes, que começou no dia 29 de abril de 1925, no Paraná. Considerada a maior marcha militar do mundo, com 1.500 homens e mulheres, a maioria soldados de baixa patente, a coluna percorreu cerca de 25 mil quilômetros, em dois anos e meio, passando por vários estados, e jamais chegou a ser oficialmente derrotada. Sob a liderança do militar e político gaúcho Luís Carlos Prestes, o movimento surgiu em decorrência da insatisfação dos militares com o então governo vigente. Esta reportagem da Agência Brasil de 2024, e esta edição do Repórter Brasil Noite, da TV Brasil, de 2015, trazem o histórico do movimento. 


Há 50 anos, no dia 30 de abril de 1975, acabava a Guerra do Vietnã, um dos maiores conflitos do século XX, que começou em 1959 e durou 16 anos. Na época, o país estava dividido entre o Vietnã do Sul e o Vietnã do Norte. Ambos os lados buscavam a unificação, sob a liderança de quem vencesse. O conflito entrou para a história pela brutalidade e por ser a maior derrota militar dos Estados Unidos, que tinham se aliado ao Vietnã do Sul. Foram três milhões de vítimas, entre mortos e mutilados, e o uso de armas químicas pelos EUA chocou o mundo pelo seu poder altamente devastador. A Rádio Nacional falou sobre os horrores da Guerra do Vietnã em duas ocasiões: nesta edição de 2015 do programa História Hoje, e no programa Na Trilha da História, em 2019. A TV Brasil também deu destaque ao tema, quando completaram-se 40 anos do fim da guerra, nesta edição do Repórter Brasil de 2015. E ainda lembrou os 50 anos da foto que eternizou a brutalidade do conflito: a imagem da menina Kim Phúc correndo com o corpo queimado por napalm, nesta edição do Repórter Brasil Tarde, exibida em 2022. 

O salário mínimo foi criado no Brasil há 85 anos. Ele entrou em vigor no dia 1º de maio de 1940. Mas, naquela época, tinha valores diferentes para 22 regiões. Ou seja, não era um valor único para todo o país, como atualmente. A remuneração mínima foi inserida no artigo 121 da Constituição de 1936. Depois, regulamentada em 1938. A Rádio Nacional explicou a história do salário mínimo nesta edição do programa Trocando em Miúdos e nesta do Em Conta, ambos veiculados em 2017.

Liberdade de imprensa

A data de 3 de maio marca o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, comemoração instituída pela ONU em 1993. Neste tema, temos uma boa notícia: o Brasil tem subido no ranking de países com maior índice de liberdade de imprensa, medido pelo relatório anual da ONG Repórteres Sem Fronteiras. O país, que estava na 110ª colocação em 2022, subiu 28 posições e chegou ao 82º lugar, em 2024, como mostra esta reportagem da Agência Brasil. Mas, apesar desse avanço, ainda há desafios a serem enfrentados, pois o Brasil continua sendo um país muito violento para profissionais de imprensa e, se considerados os últimos dez anos, só está atrás do México em número de jornalistas assassinados. Entre as medidas importantes para o enfrentamento desse problema está a criação do Observatório Nacional da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, como detalha esta outra reportagem da Agência Brasil, de 2023. 

Quem nasceu e quem faleceu esta semana

No dia 28 de abril de 1865 nasceu o médico, cientista, imunologista e pesquisador biomédico mineiro Vital Brazil. Ele foi o fundador do Instituto Butantan, uma das maiores instituições científicas brasileiras, e ficou mundialmente conhecido pela descoberta do soro antiofídico, do soro contra picadas de aranha, do soro antitetânico e antidiftérico e do tratamento para picadas de escorpião. Empreendedor e determinado, ele concluiu que venenos diferentes necessitavam de soros distintos, e abriu mão das patentes de todas as suas descobertas, ajudando a salvar vidas no mundo todo. Saiba mais sobre a vida e o trabalho de Vital Brazil nesta edição do História Hoje de 2015, da Rádio Nacional, e nesta reportagem de 2020 da Agência Brasil.

Há dez anos, no dia 28 de abril de 2015, perdíamos o ator e diretor paulista Antônio Abujamra. Conhecido por ter apresentado por muitos anos o programa “Provocações”, da TV Cultura, no qual conduzia entrevistas com grandes personalidades de forma direta e provocativa, Abujamra também foi diretor na extinta TV Tupi, e seu teatro era marcado pela irreverência e humor crítico em relação a tabus sociais. Seu falecimento foi noticiado pela Agência Brasil, pela Radioagência Nacional, e pelo Repórter Brasil, da TV Brasil

No dia 29 de abril de 1980 morria o diretor e produtor de cinema britânico Alfred Hitchcock, considerado o mestre do suspense. Ele começou a filmar em 1922, mas foi nas décadas de 50 e 60 que se consagrou, com filmes como “Disque M para matar”, “Janela indiscreta”, e o clássico “Psicose”, sua obra mais conhecida, que ajudou a mudar a abordagem cinematográfica sobre o terror. Saiba mais sobre o gênio da sétima arte nesta edição do História Hoje, da Rádio Nacional, veiculada em 2016. O Repórter Brasil Noite, da TV Brasil, prestou uma homenagem ao diretor por ocasião dos 35 anos de sua morte, em 2015, nesta reportagem

Confira a relação completa de datas do Hoje é Dia de 27 de abril a 3 de maio de 2025.

Abril / Maio de 2025
27

Morte do violonista e compositor fluminense Raphael Rabello (30 anos) – considerado um dos maiores violonistas do Brasil

Dia Mundial do Design Gráfico

Dia Mundial do Tai Chi e Chi Kung – celebrado no último sábado do mês de abril

Dia Nacional da Empregada Doméstica – data lembra luta por direitos da categoria

28

Morte do político italiano Benito Mussolini (80 anos)

Nascimento do médico cientista, imunologista e pesquisador biomédico mineiro Vital Brazil Mineiro da Campanha (160 anos) – mundialmente conhecido pela descoberta da especificidade do soro antiofídico, do soro contra picadas de aranha, do soro antitetânico e antidiftérico e do tratamento para picada de escorpião

Nascimento da cantora fluminense de MPB, música clássica, jazz e bossa nova Ithamara Koorax (60 anos)

Morte do ator e diretor paulista Antônio Abujamra (10 anos)

O Brasil instituiu o cartão-postal pelo Decreto nº 7695, de 28 de abril de 1880, proposto pelo Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, conselheiro Manuel Buarque de Macedo (145 anos)

Interrompimento do método de enterro por empilhamento por conta do elevado número de mortos pelo novo coronavírus em Manaus-AM (05 anos) – a prática foi interrompida em meio a protestos das famílias em relação às valas

Dia Mundial da Educação – comemoração de brasileiros, que está relacionada com a data do fim da “Cúpula Mundial da Educação” que foi realizada de 26 a 28 de abril de 2000 na cidade senegalesa de Dakar, com a participação de 180 países, quando foi assumido um compromisso de não poupar esforços políticos e financeiros para que a educação chegue a todas as pessoas do planeta, e com a “Semana Mundial de Ação pela Educação” ou “Global Action Week for Education”, que tem sido celebrada na última semana de abril e a partir da iniciativa da “Campanha Global pela Educação”

Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho

Dia Nacional da Caatinga

29

Morte do diretor e produtor de cinema britânico Alfred Hitchcock (45 anos)

Nascimento do compositor fluminense Paulo Barbosa (125 anos)

Início da Coluna Prestes (100 anos) – considerada a maior marcha militar do mundo, o movimento organizado por tenentistas percorreu o Brasil entre 1925 e 1927, combatendo as tropas dos governos de Artur Bernardes e Washington Luís, durante a Primeira República

Dia Internacional da Dança – a Unesco escolheu esse dia por ser a data de nascimento do mestre francês Jean-Georges Noverre (1727-1810), que ultrapassou os princípios gerais norteadores da dança do seu tempo para enfrentar problemas relativos à execução da obra. Sua proposta era atribuir expressividade à dança por meio da pantomima, a simplificação na execução dos passos e a sutileza nos movimentos

30

Morte do político austríaco Adolf Hitler (80 anos);

Morte do pianista fluminense Moacyr Peixoto (105 anos);

Fim da Guerra do Vietnã (50 anos);

Dia Internacional do Jazz – comemoração criada e promovida pela UNESCO a partir da iniciativa do pianista norte-americano Herbie Hancock;

Dia da Baixada Fluminense.

1/5

Morte do ator, músico, poeta e comediante baiano Milton da Silva Bittencourt, o Zé Trindade (35 anos)

Assinatura do Decreto-Lei nº 2.162, por Getúlio Vargas que instituiu o salário mínimo por regiões (85 anos)

Avião de espionagem norte americano U-2, é abatido pela União Soviética (65 anos) – considerado um grave incidente diplomático da Guerra Fria

Maio Amarelo – Campanha com a finalidade de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortos e feridos no trânsito de todo o mundo e a conscientização da importância da segurança no trânsito

Dia Mundial do Trabalhador

Dia da Literatura Brasileira

Lançamento do programa “Colégio do Ar”, da Rádio Ministério da Educação (74 anos)

2/5

Nascimento do músico, arranjador, violonista e cavaquista fluminense Valdir de Paula e Silva, o Valdir Sete Cordas (85 anos)

Dia Nacional de Combate ao Assédio Sexual e Moral no Trabalho

3/5

Morte do compositor, violonista e multinstrumentista Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto (70 anos) – em 1942, transferiu-se para a Rádio Nacional, atuando na orquestra da rádio, regida por Radamés Gnattali, apresentando-se também em trios, duos e como solista

Morte do editor e livreiro paulista José Olympio (35 anos)

Nascimento do lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor, ensaísta e crítico literário alagoano Aurélio Buarque de Holanda (115 anos)

Inauguração do Museu Biográfico Casa de Anne Frank em Amsterdã (65 anos)

Dia Nacional do Pau-Brasil

Dia Internacional da Liberdade de Imprensa – comemoração instituída pela ONU por meio da Resolução 48/432 de 20 de dezembro de 1993

Dia do Parlamento – comemoração, conforme Lei Nº 6.230 de 27 de julho de 1975, para marcar a data da instalação da 1ª Assembléia Constituinte brasileira em 3 de maio de 1823

Dia do Sol

Início da transmissão simultânea da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) (15 anos) – então formada pelos quatro canais próprios da EBC, por sete emissoras universitárias e por 15 emissoras públicas estaduais

As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.

 

Argentina se despede do papa Francisco com “abraço simbólico” em missa

Argentinos se despediram do papa Francisco neste sábado (26), com uma grande missa ao ar livre em frente à catedral onde ele serviu como arcebispo de Buenos Aires antes de seu papado.

Telões mostraram a imagem de Jorge Mario Bergoglio, filho de imigrantes italianos nascido em Buenos Aires em 1936, que fez história ao defender os pobres, sendo o primeiro papa latino-americano.

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A histórica Plaza de Mayo estava cheia de jovens e famílias, comunidades às quais o papa Francisco transmitiu repetidamente mensagens encorajadoras.

“Para muitos de nós, jovens que estávamos distantes da Igreja, o legado de Francisco nos aproximou”, disse Daniela Wenceslao, de 26 anos.

“Hoje, Francisco é a pessoa mais importante do nosso país, e queremos prestar esta pequena homenagem a seu nome”, afirmou.

Mais cedo, o Vaticano realizou um grande funeral e um enterro humilde para o papa Francisco, que ocupou o cargo por 12 anos. O papa Francisco morreu aos 88 anos após sofrer um derrame na segunda-feira.

Em Buenos Aires, Jorge Garcia Cuerva, atual arcebispo da capital argentina, fez um sermão para milhares de pessoas segurando fotos de Francisco, flores brancas e bandeiras da Argentina.

“Ainda não conseguimos compreender ou mensurar plenamente sua liderança global; choramos porque já sentimos muita falta dele”, disse Cuerva. “Choramos por Francisco, fazemos isso do fundo do coração, sem vergonha.”

Após o sermão, uma caravana começou a se formar, ao redor da Plaza de Mayo, com um “abraço simbólico” ao legado de Francisco, bem como uma peregrinação às áreas empobrecidas da cidade.

*É proibida a reprodução este conteúdo.

Tarifaço e fundo ambiental são prioridades de chanceleres do Brics

Enfrentar a crise comercial e tarifária, e pressionar países mais ricos a aumentarem investimentos em fundos de combate às mudanças climáticas. Esses são dois temas prioritários para a presidência brasileira do Brics a serem abordados no encontro entre os chanceleres do países que compõem o bloco, nos próximos dias 28 e 29, no Rio de Janeiro.

Até o momento, o grupo é formado por 11 membros: África do Sul, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã, Rússia e Arábia Saudita. Este último, tem o status de membro convidado, por ainda não ter finalizado a última etapa de adesão. Além desses, participam das reuniões outros países como convidados.

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Uma prévia dos assuntos que serão tratados no encontro da próxima semana foi apresentada neste sábado (26) pelo secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores e Sherpa do Brasil no Brics, o embaixador Mauricio Carvalho Lyrio.

“Nosso apoio é pleno ao sistema de comércio multilateral, baseado em concessões feitas por diferentes países. Ministros estão negociando para emitir uma declaração que reafirme a centralidade das negociações multilaterais do comércio. E deverão reforçar, como sempre fizeram, as críticas às medidas unilaterais de qualquer origem”, disse Lyrio.

Guerra tarifária

Mesmo sem citar especificamente os Estados Unidos, o embaixador se referiu às atuais imposições tarifárias do governo de Donald Trump sobre outros países, com foco especial na China. 

O Brasil vê o Brics como mais uma oportunidade de oposição a esse tipo de medida norte-americana.

Lyrio destacou a importância de fortalecer a Organização Mundial do Comércio (OMC), como mediadora de conflitos globais. Ele considerou um “problema crônico” o fato de que o Órgão de Apelação (OA), responsável pelas decisões em segunda instância, esteja paralisado desde 2019, quando os EUA passaram a bloquear indicações de novos juízes.

“Isso priva o sistema multilateral do instrumento utilizado para solucionar controvérsias. O que não impede que os países que têm interesse em soluções em duas instâncias se organizem. Brasil é parte de um grupo que tem parceiros de peso como Japão, Canadá e União Europeia, que se compromete a ter uma apelação com juízes indicados pelos próprios países. Infelizmente só temos esse sistema paralelo atualmente. Importante que os países reforcem o apoio à OMC”, disse Lyrio.

Fundo Ambiental

Como sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), o Brasil também pretende levar para o centro das discussões do Brics questões de financiamento às mudanças climáticas.

Entre as propostas está a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), com objetivo de movimentar economias de baixo carbono. Países ricos, com histórico poluente muito superior aos demais, teriam de se comprometer a investir mais recursos na manutenção do fundo.

“Estamos negociando para os líderes do Brics uma declaração sobre financiamento do combate à mudança do clima”, reforçou Lyrio. 

“O TFFF é um tema que nós temos discutido. O que não está em pauta é a revisão do modelo que prevê alguns países pagarem formalmente pela transição energética, enquanto os demais podem financiar voluntariamente. Essa distinção é fundamental. E o Brasil é solidário com os países emergentes, por que o Acordo de Paris prevê que os países ricos, que mais poluíram ao longo do tempo, assumam obrigação financeira de combate às mudanças climáticas”.

Presidência brasileira

Sob a presidência brasileira, o Brics realizou quatro encontros ministeriais e cerca de 80 reuniões técnicas até agora. A reunião de cúpula do Brics em 2025 está marcada para os dias 6 e 7 de julho, também no Rio de Janeiro.

As sessões dos dias 28 e 29 de abril serão presididas pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Estão previstas três sessões, em que os chanceleres têm o papel de preparar as decisões que serão tomadas pelos líderes dos países membros a cúpula final.

Entre os temas previstos estão o papel do Brics nos desafios globais e nas crises regionais, o compromisso de trabalhar pela paz e pela resolução de conflitos geopolíticos, reforma da governança global e dos regimes internacionais, papel do Sul Global no reforço do multilateralismo, saúde, comércio, mudança do clima e enfrentamento a pobreza.

O ministro Mauro Vieira também tem uma agenda cheia de reuniões bilaterais com chanceleres de outros países como Indonésia, Rússia, Tailândia, China, Cuba, Nigéria e Etiópia.