Trabalho e estudo: comerciantes em Via Sacra no DF esperam “milagres”

“Olha o salgadinho… cinco reais”. Matheus de Souza, de 27 anos, esperava, nesta sexta-feira da Paixão (18), os momentos de silêncio da missa que abria o tradicional espetáculo da Via Sacra, em Planaltina, a 50 quilômetros de Brasília, para oferecer ao público os produtos que carregava nos braços havia mais de três horas. 
Matheus Souza, que sonha com um emprego fixo e a volta à escola, vende salgadinhos aos fiéis na Via Sacra – Antonio Cruz/Agência Brasil

Matheus se disse orgulhoso de ter o nome de um dos apóstolos de Cristo. O rapaz queria garantir a venda, mas também pedir ao xará, São Matheus, e até a Jesus Cristo, que ressuscitaria lá na frente dele, no alto do Morro da Capelinha, um emprego fixo e a chance de voltar a estudar para poder cuidar melhor das duas filhas crianças. Matheus é pai solo e, mesmo tão jovem, diz que os sonhos são como “milagre”. 

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“Estudei só até a quinta série. Nem sei ler direito”.

Justo ele, que trabalha como auxiliar de limpeza em uma escola particular, mas que não tem recurso para entrar em uma sala de aula daquelas, de um preço tão salgado que ele nem sabe quantificar. A rotina no batente, de todos os dias que não são santos, vai das 9h às 18h.

Assim que o expediente termina, Matheus vai para o segundo turno, até as 22h, vendendo em sinais de trânsito os sacos de salgadinhos que tentava oferecer na Via Sacra em Planaltina. Assim que chega em casa, busca as meninas na casa da avó para contar histórias a elas e começar tudo de novo no dia seguinte.

Letras decoradas

O milagre que o cearense José Silva espera, enquanto vende batata frita, é “se virar” e, quem sabe, retomar os estudos – Antonio Cruz/Agência Brasil

Outra espera de milagre tem o nome do pai de Jesus. Na Via Sacra de Planaltina, o cearense José Silva, de 40 anos, vendia batata frita. Aliás, essa atividade de comércio ele conhece desde criança, em Juazeiro do Norte. Há 20 anos mudou para Brasília e, desde então, busca a sobrevivência em pequenos bicos de venda até no transporte público. Hoje, mais que ele mesmo, precisa levar o sustento para os cinco filhos em Águas Lindas de Goiás. 

O problema é que José se considera analfabeto. Estudou apenas até a segunda série. Para embarcar no ônibus, decorou as primeiras duas letras iniciais e as últimas duas do letreiro. 

“Seria um milagre voltar a estudar, mas só se Deus quisesse mesmo”. Neste sábado, o percurso, de 85 quilômetros até o trabalho, demorou mais de cinco horas. “Quem está sem trabalho precisa se virar mesmo. Amanhã será outro dia”, afirmou.

Voluntários

A 52ª edição do espetáculo da Via Sacra de Planaltina, uma das regiões administrativas do Distrito Federal, foi dirigida pelo dramaturgo Preto Rezende, o público, que costuma chegar a 100 mil pessoas, e os comerciantes, todos acompanharam a captura, o julgamento, a tortura, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo em 14 estações, com a participação de 1,4 mil pessoas, entre técnicos, atores e figurantes, que atuam voluntariamente. 

As pessoas são recrutadas na própria comunidade. Enquanto a emoção toma conta dos presentes, há grupos que pagam promessas, cantam e rezam lembrando de sua própria trajetória. 

Cocos e flores

Flores e chapéus feitos com palha de coco verde foram levados pelo mineiro Carlos, que sonha terminar o ensino fundamental – Antonio Cruz/Agência Brasil

Um dos fiéis, Carlos Silva, que também tem nome de santo e é devoto de Padre Cícero, optou por não entrar nas estações da Via Sacra. Carlos preferiu esperar no pórtico de entrada para oferecer produtos artesanais feitos com a palha do coco verde. Chapéus, cestas de alimentos, flores… Ele, também analfabeto, diz que sonhava na infância, em Montes Claros, Minas Gerais, estudar medicina. Mas “tudo deu errado”. 

Viu-se sozinho e sem a família. Virou pessoa em situação de rua por quase 10 anos. Passou a puxar carrinho de reciclagem e nas ruas aprendeu com amigos como se dobrava a palha do fruto. Aprendeu a escalar a árvore e a dormir debaixo dela. Hoje, aos 39 anos, mora de favor, em Planaltina, com dois amigos, e sai pelas ruas para vender sua arte. 

“Ter uma casa para morar, terminar o curso de ensino fundamental pelo EJA [Educação de Jovens e Adultos] e alugar uma loja seriam milagres para mim. Eu ficarei rezando e ouvindo daqui”. E, enquanto reza, suas mãos transformam o coco em mais uma flor.

Moradores de favela paulistana fazem barricada contra ação policial

Moradores da Favela do Moinho, localizada no centro da capital paulista, protestaram, nesta sexta-feira (18) contra uma ação policial realizada no local. Durante o protesto, eles fizeram uma barricada e atearam fogo nos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que cruza a comunidade. A Favela do Moinho é a única comunidade ainda existente no centro da cidade.

Segundo moradores, viaturas da Polícia Militar (PM) estão estacionadas desde ontem (17) na entrada da favela e cercam o entorno com cones. De acordo com os relatos, os policiais têm ameaçado as famílias, acenando com a possibilidade de uma reintegração de posse.

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Este é o segundo protesto organizado pela comunidade somente nesta semana. Há três dias, eles fizeram um ato contra o projeto do governo estadual que prevê a implantação de um parque no local.

De acordo com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), a região da Favela do Moinho será “requalificada” e, no local, será implantado o Parque do Moinho. Para isso, será necessária a remoção das cerca de 800 famílias que vivem na comunidade, “que serão acolhidas em lares dignos”, diz a CDHU. A remoção das famílias está prevista para a próxima terça-feira (22).

As famílias, no entanto, alegam que suas moradias, muitas delas próprias, serão substituídas por imóveis financiados, fora do centro, dificultando o acesso a creches, oportunidades de trabalho e infraestrutura.

O protesto

A presença da PM na Favela do Moinho motivou o protesto de hoje, que levou à interrupção nas linhas de trens que circulam na região.

A CPTM informou que a circulação da Linha 7-Rubi precisou ser interrompida entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Luz por volta das 15h10 e acabou sendo retomada às 15h44.

A concessionária ViaMobilidade disse que a circulação de trens entre as estações Júlio Prestes e Palmeiras-Barra Funda, da Linha 8-Diamante, foi normalizada às 15h50, após interrupção temporária que começou às 14h17. Segundo a concessionária, durante o período de paralisação, ônibus do sistema Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) foram acionados para garantir o deslocamento dos passageiros.

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Segurança Pública informou que uma pessoa foi presa hoje no local, por “suspeita de tráfico de drogas”.

“Para o local, o Estado [de São Paulo] propôs o reassentamento de famílias da comunidade com o objetivo de levar dignidade e segurança a essa população, que vive sob risco elevado em condições insalubres, com adesão voluntária de mais de 87% da comunidade até o momento. Cerca de 50 pessoas protestam e interditam a entrada da comunidade nesta tarde. As equipes policiais monitoram a situação à distância para evitar confrontos”, diz a nota da secretaria.

 

 

 

 

 

Hugo Calderano bate número 3 e vai à semi em etapa da Copa do Mundo

O brasileiro Hugo Calderano se tornou nesta sexta-feira (18) o primeiro atleta das Américas a assegurar um lugar no pódio da etapa da Copa do Mundo de tênis de mesa em Macau (China). O carioca de 28 anos, atual número cinco do mundo, se classificou após após vencer de virada o japonês Tomakazu Harimoto, terceiro melhor no ranking, por 4 sets a 1 (parciais de 8/11,11/8, 11/8, 11/8 e 12/10). Além disso, Calderano é o único não asiático entre os semifinalistas em Macau.

Será a primeira semi do carioca nesta temporada, seu melhor desempenho até o momento. Como o torneio não tem disputa de terceiro lugar, Calderano já assegurou a medalha de bronze. Mas, é claro, que a meta dele é chegar ao topo do pódio. Ele volta a competir às 3h45 (horário de Brasília) deste sábado (19). O adversário será o chinês Wang Chuquin, o atual vice-líder no ranking mundial. A partida terá transmissão gratuita ao vivo na conta da  Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF World) no YouTube.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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O Brasil também contou com Bruna Takahashi nas quartas de final femininas na chave de simples. A paulista (24ª no ranking) chegou a vencer um set contar a chinesa Chen Xingtong, número quatro do mundo, mas asiática fez valer seu favoritismo e selou a classificação às semifinais com vitória por 4 sets a 1 (11/6, 6/11, 13/11, 11/7 e 11/7).

O país começou a competição com outros dois atletas, Vitor Ishiy e Eric Jouti, eliminados na fase de grupos. A etapa da Copa do Mundo em Macau reúne 48 atletas e vai até o próximo domingo (20). O tênis de mesa brasileiro busca medalha inédita no torneio.

Mais de 335 mil pessoas vivem em situação de rua no Brasil

O número de pessoas vivendo em situação de rua em todo o Brasil registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal, em março deste ano, chegou a 335.151. Se comparado ao registrado em dezembro de 2024, quando havia 327.925 pessoas nessa situação, houve um aumento de 0,37% no primeiro trimestre deste ano.

Os dados são do informe técnico de abril do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG), divulgados na segunda-feira (14). O estudo foi feito com base nos dados disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) sobre o CadÚnico.

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O número apurado em março é 14,6 vezes superior ao registrado em dezembro de 2013, quando havia 22,9 mil pessoas vivendo nas ruas no país.

À Agência Brasil, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informou que retomou, em 2023, as capacitações para entrevistadores e operadores do cadastro único, fortalecendo a atuação dos municípios na coleta de dados. A pasta também destacou a subnotificação e a inconsistência dos dados anteriores, devido ao enfraquecimento da atualização cadastral na gestão anterior (2019-2022).

No Brasil, o relatório demonstra que o CadÚnico registrou em março de 2025:

  •       9.933 crianças e adolescentes em situação de rua (3%);
  •       294.467 pessoas em situação de rua na faixa etária de 18 a 59 anos (88%);
  •       30.751 idosos em situação de rua (9%);
  •       84% são pessoas do sexo masculino.

Em relação à renda, 81% (272.069) das pessoas em situação de rua sobrevivem com até R$ 109 por mês, correspondente a 7,18% do salário mínimo, hoje R$ 1.518.

Mais da metade (52%) das pessoas em situação de rua no país não terminaram o ensino fundamental ou não têm instrução, a maioria é de pessoas negras. Esse percentual é mais que o dobro do total da população brasileira que não completou a escolaridade básica ou em condição de analfabetismo, de 24%, segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A baixa escolaridade dificulta o acesso das pessoas às oportunidades de trabalho geradas nas cidades, sugere a pesquisa.

Onde vivem

A Região Sudeste concentra 63% da população em situação de rua do país, o equivalente a 208.791 pessoas. Em seguida, figura a Região Nordeste, onde 48.374 pessoas (14%) estão em situação de rua. Na Região Sul, são 42.367 (13%), na Região Centro-Oeste, 19.037 (6%), e na Região Norte, 16.582 (4%) indivíduos estão nesta condição de vulnerabilidade social.

A análise revela que quatro em cada dez pessoas que vivem na rua no Brasil se encontram no estado de São Paulo (42,82% do total da população em situação de rua). O segundo estado é o Rio de Janeiro com 30.997 pessoas em situação de rua ou 10%, sucedido por Minas Gerais, com 30.355 pessoas.

Em números absolutos, as cinco capitais com as maiores populações em situação de rua são:

  • São Paulo, com 96.220 pessoas; 
  • Rio de Janeiro, 21.764; 
  • Belo Horizonte, 14.454; 
  • Fortaleza, 10.045; 
  • Salvador, 10.025; 
  • e Brasília, 8.591.

Em relação à série histórica, 12 unidades da federação apresentaram em suas capitais aumento no registro de pessoas em situação de rua:

  • Rio de Janeiro 
  • Distrito Federal 
  • Santa Catarina 
  • Pernambuco 
  • Rondônia 
  • Roraima 
  • Pará 
  • Amapá 
  • Piauí 
  • Paraíba 
  • Mato Grosso 
  • e Mato Grosso do Sul.

Nove estados registraram diminuição na concentração de registros de pessoas em situação de rua no CadÚnico em suas capitais: 

  • Minas Gerais 
  • Rio Grande do Sul
  • Paraná 
  • Acre 
  • Maranhão 
  • Goiás 
  • Alagoas 
  • Sergipe 
  • e Espírito Santo.

Os estados que se mantiveram estáveis são:

  • São Paulo 
  • Bahia 
  • Ceará 
  • Amazonas 
  • Rio Grande do Norte 
  • e Tocantins.

Se considerada a proporção por mil habitantes, o levantamento mais recente aponta que o município de Boa Vista tem 20 pessoas em situação de rua por 1 mil habitantes. Na cidade de São Paulo, a cada 1 mil pessoas, oito estão em situação de rua. Em Florianópolis, a cada 1 mil pessoas, sete estão em situação de rua, e em Belo Horizonte, são seis a cada 1 mil pessoas.

Violências

De 2020 a 2024, foram registrado 46.865 atos de violências contra a população em situação de rua no Disque 100, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).

As capitais brasileiras são responsáveis por 50% das ocorrências, com destaque para São Paulo, com 8.767 casos de violência registrados; Rio de Janeiro, 3.478; Brasília, 1.712; Belo Horizonte, 1.283; e Manaus, com 1.115 ocorrências.

A maior parte das pessoas em situação de rua que sofreram algum tipo de violência tem entre 40 anos e 44 anos de idade, o que representa 5.697 pessoas violentadas.

As violências contra a população em situação de rua ocorreram, sobretudo em vias públicas, com mais de 20,5 mil ocorrências.

O relatório chama a atenção também pelo elevado número de denúncias em espaços que deveriam proteger a população em situação de rua, como serviços de abrigamento, estabelecimentos de saúde, centros de referência, instituições de longa permanência para idosos e órgãos públicos.

Conclusões

Por meio de nota, o OBPopRua/Polos-UFMG declarou que o cenário é preocupante e acentua que as políticas públicas estruturantes como moradia, trabalho e educação voltadas para a população em situação de rua no Brasil são inexistentes ou ineficientes. 

“O descumprimento da Constituição Federal de 1988 com as pessoas em situação de rua continua no Brasil, com pouquíssimos avanços na garantia de direitos dessa população.”

O MDS declarou que tem investido “de forma contínua no fortalecimento do acolhimento e da proteção de adultos e famílias em situação de vulnerabilidade, contribuindo para a inclusão social e o enfrentamento das desigualdades”.

O ministério listou as ações do governo federal nesta temática e detalhou que recursos da União são usados para fortalecer os centros de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP). Esses locais oferecem serviços como refeições, espaços para higiene pessoal, apoio na emissão de documentos e outras atividades essenciais.

De acordo com o MDS, há ainda o custeio do funcionamento do Serviço de Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi), voltado para apoiar famílias e pessoas em situação de risco social ou que tiveram direitos violados. O serviço é ofertado, obrigatoriamente, em um Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

Estado de São Paulo registra primeiro caso de sarampo neste ano

A Secretaria da Saúde de São Paulo confirmou o registro do primeiro caso de sarampo no estado em 2025. A vítima é um homem, de 31 anos, morador da capital, que estava vacinado e não precisou de internação. Ele já está recuperado e sem sintomas da doença.

Apesar de o homem ser residente na capital, a secretaria ainda está investigando o local onde ele pode ter sido infectado. Segundo a pasta, o último caso autóctone [contraído na própria cidade onde a vítima reside] do estado de São Paulo ocorreu em 2022.

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De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, ele teria viajado para a cidade de Jacarezinho, no Paraná, passando a apresentar sintomas no dia 2 de abril, com febre, manchas vermelhas no corpo e tosse. Até o momento, informou a administração municipal, não foram identificados outros casos relacionados.

Vacinação

O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa e já foi uma das principais causas de mortalidade infantil no mundo. A transmissão do vírus ocorre de pessoa para pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. A doença é tão contagiosa que uma pessoa infectada pode transmitir a doença para 90% das pessoas próximas que não estejam imunizadas. Por isso, a vacinação contra o sarampo é extremamente importante. A vacina é a principal forma de prevenção da doença.

Os principais sintomas do sarampo são manchas vermelhas no corpo e febre alta, acima de 38,5ºC, acompanhadas de tosse, conjuntivite, nariz escorrendo ou mal-estar intenso. Os casos podem evoluir para complicações graves e causar diarreia intensa, infecções de ouvido, cegueira, pneumonia e encefalite (inflamação do cérebro). Algumas dessas complicações podem ser fatais.

Inicialmente, a doença se manifesta com febre alta, mal-estar, coriza, conjuntivite, tosse e falta de apetite. Nesse período, podem ser observadas manchas brancas (Koplik) na face interna das bochechas. As manchas vermelhas na pele começam a aparecer atrás das orelhas, espalham-se pelo corpo e, após três dias, tendem a diminuir.

A vacina está disponível nas UBSs da cidade de São Paulo de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados e feriados nas AMAs/UBSs Integradas (Assistência Médica Ambulatorial/Unidades Básicas de Saúde Integradas, no mesmo horário.

Certificado

Em 2016, o Brasil recebeu a certificação da eliminação do vírus que causa o sarampo. 

Segundo o Ministério da Saúde, nos anos de 2016 e 2017 não foram confirmados casos da doença. No entanto, em 2018, com o grande fluxo migratório associado às baixas coberturas vacinais, o vírus voltou a circular e, em 2019, o Brasil perdeu a certificação de “país livre do vírus do sarampo”, ao registrar mais de 21,7 mil casos.

Em junho de 2022, o Brasil registrou o último caso endêmico de sarampo, no Amapá. Com isso, em novembro do ano passado, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) voltou a certificar o Brasil como livre da circulação do vírus.

*Texto ampliado às 11h52

Agentes da PRF morrem durante perseguição no Rio de Janeiro

Três agentes da Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro morreram em um acidente enquanto perseguiam suspeitos na madrugada desta sexta-feira (18). Carlos Eduardo Mariath Macedo, de 41 anos e Rodrigo Pizetta Fraga de 47 estavam lotados na Delegacia da PRF de Duque de Caxias. Já Diego Abreu de Figueiredo, de 47, trabalhava na Delegacia do Rio de Janeiro. 

Um outro agente que também estava na viatura foi atendido no Hospital Estadual Getúlio Vargas e já recebeu alta. O acidente ocorreu na pista lateral da Avenida Brasil, na altura do bairro de Vigário Geral, Zona Norte da capital.

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Testemunhas relataram à Polícia Civil que a viatura perseguia um motociclista quando bateu na traseira de um carro de passeio. Os dois veículos capotaram e colidiram contra um poste. Um casal e uma criança, que ocupavam o carro de passeio, tiveram ferimentos leves, foram atendidos em uma ambulância do Corpo de Bombeiros no local e liberados em seguida.

As circunstâncias do acidente já estão sendo investigadas e a Polícia Civil fez perícia no local. Os investigadores também estão buscando imagens de câmeras de segurança da região e realizando outras diligências.

O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, manifestou profundo pesar pela morte dos agentes e expressou solidariedade às famílias e amigos das vítimas. Em nota divulgada pelo ministério, Lewandowski também reiterou “o compromisso do Governo Federal em prestar todo o apoio necessário aos familiares neste momento de dor”.

O texto também destaca que “os policiais envolvidos estavam no exercício de suas funções, empenhados em garantir a segurança nas rodovias federais durante o feriado” e reconhece “o trabalho incansável da corporação”.

O Diretor-Geral da PRF, Antônio Fernando Oliveira decretou luto oficial de três dias em toda a instituição e vêm ao Rio de Janeiro para se reunir com o Superintendente local e prestar pessoalmente as homenagens aos colegas de farda.

Em nota, a corporação expressou “sua mais profunda solidariedade aos familiares, amigos e companheiros de trabalho dos policiais, reafirmando o compromisso com a memória e o legado daqueles que deram suas vidas em defesa da sociedade”.

Matéria ampliada às 13h50 para acréscimo de informações.

Feriado prolongado deve atrair 2,4 milhões de turistas para São Paulo

O feriado de Páscoa, que neste ano será emendado com o feriado de Tiradentes, deverá atrair 2,4 milhões de turistas para os municípios paulistas, estima o Centro de Inteligência da Economia do Turismo, que é ligado à Secretaria estadual de Turismo e Viagens de São Paulo. Segundo a pasta, o número representa 300 mil visitantes a mais do que no ano passado.

Um dos principais destinos do estado neste feriado prolongado deverá ser a cidade de Aparecida, que atrai muitos fiéis para o Santuário Nacional. Também são esperados muitos turistas para as cidades de Praia Grande e Batatais, que tem tradição na encenação da Paixão de Cristo, e para as cidades litorâneas.

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A expectativa do governo de São Paulo é de que os turistas movimentem cerca de R$ 3,9 milhões em recursos, proporcionando uma taxa de ocupação hoteleira em torno de 76,3%.

“O feriado prolongado é uma motivação extra para a realização de viagens. Os visitantes se sentem motivados a conhecer novos destinos e aproveitar as atrações locais, movimentando toda a cadeia do turismo, incluindo meios de hospedagens, restaurantes e comércio local”, disse o secretário Roberto de Lucena, por meio de nota.

CNJ afasta desembargador por mensagens públicas de apoio a Bolsonaro

O plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou por 60 dias o desembargador Marcelo Lima Buhatem, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, pela publicação de mensagens político-partidárias nas redes sociais. Pela decisão, Buhatem fica em disponibilidade, afastado de suas funções, mas continua recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

O desembargador, que respondia a processo administrativo disciplinar por possíveis infrações, foi acusado de tráfico de influência, paralisação irregular de processos e de não comunicar suspeição em processos onde uma familiar atuava como advogada. No entanto, o relator do processo, conselheiro Alexandre Teixeira, defendeu punição apenas para as publicações político-partidárias, por entender que não há provas de conduta ilícita nas outras acusações.

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Buhatem compartilhou por diversas vezes publicações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro em seu perfil na rede Linkedin. Além disso, conforme noticiado pela imprensa, o desembargador aparece em uma foto, jantando com o ex-presidente e sua comitiva durante uma viagem a Dubai. Ele também enviou mensagem a uma lista de transmissão no WhatsApp associando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à facção criminosa Comando Vermelho.

Segundo a defesa do desembargador, ele apenas “curtiu” postagens institucionais feitas pelo então presidente Jair Bolsonaro, “sem tecer manifestação pessoal sobre o conteúdo das publicações em redes sociais”. O plenário do CNJ entendeu, no entanto, que as mensagens tiveram grande alcance e fomentaram a desconfiança social acerca da justiça, segurança e transparência das eleições.

O relator do processo votou pelo afastamento por 90 dias, mas a maioria dos conselheiros decidiu reduzir a pena a 60 dias, acompanhando a punição aplicada em casos semelhantes. O acórdão da votação destaca que “as mensagens divulgadas pelo desembargador em seus perfis nas redes sociais caracterizam indevida publicidade de preferência político-partidária, conduta imprópria, nos termos da Constituição Federal e das demais normas legais e regulamentares que disciplinam os deveres da magistratura”.

Chuva de meteoros Líridas ficará mais intensa nos próximos dias

A incidência de meteoros cortando os céus do país está cada vez maior desde o dia 14 de abril, data em que o planeta Terra começou a atravessar uma região do espaço por onde passou o Cometa Tatcher (C/1861 G1), deixando um rastro de poeira e detritos.

Trata-se da chuva de meteoros Líridas (Lyrids), que anualmente brinda os amantes da astronomia com visualizações de objetos que literalmente são de outro planeta. O ápice das aparições está previsto para a noite entre 21 e 22 de abril.

“A melhor visibilidade será durante o pico, na madrugada de 22 de abril, por volta das 2h da manhã (horário de Brasília). Nesse horário, o radiante da chuva — ponto no céu de onde os meteoros parecem se originar — estará mais alto, proporcionando melhores condições de observação”, explicou à Agência Brasil o astrônomo parceiro do Observatório Nacional Marcelo De Cicco.

Especialista em ciências planetárias e coordenador do projeto brasileiro de pesquisa de meteoros Exoss, Cicco diz que quem estiver em lugar escuro, longe da poluição luminosa das cidades e nos horários de menor luminosidade lunar, poderá ver até 18 meteoros por hora.

“Basta olhar predominantemente para o norte. Mais especificamente para o quadrante Norte, próximo à estrela Vega”, sugere o astrônomo.

Ele explica que a chuva de meteoros Líridas ocorre anualmente entre 14 e 30 de abril.

Para facilitar o reconhecimento dos pontos cardeais, o observador que não tiver uma bússola deverá estender o braço direito para o local onde o Sol nasce (leste) e o braço esquerdo para o local onde o Sol se põe (oeste). Dessa forma, ele estará de frente para o norte.

Pequenos corpos celestes que se deslocam no espaço e entram na atmosfera da Terra, os meteoros queimam parcial ou totalmente devido à ablação com a atmosfera terrestre e ao contato com moléculas de oxigênio.

Esse fenômeno deixa um risco luminoso no céu, popularmente chamado de “estrela cadente”.

Estudar chuvas de meteoros ajuda a estimar a quantidade e o período de maior incidência de detritos provenientes de correntes de meteoroides que a Terra atravessa periodicamente.

Assim, missões espaciais e centros de controle de satélites podem aprimorar estratégias de proteção para suas naves e equipamentos em órbita próxima à Terra e Lua.

As chuvas de meteoros também ajudam a compreender a formação do nosso Sistema Solar, pois ao investigar as propriedades dos detritos, é possível entender mais sobre os cometas e até mesmo fragmentos lunares e marcianos, resultantes de impactos antigos, assim como NEOS (Near Earth Objects), objetos próximos à órbita terrestre com atividade.

Chefe da Williams vê “desvantagens” em ida de Verstappen para Mercedes

A contratação do campeão de Fórmula 1 Max Verstappen traria “muitas desvantagens” para a Mercedes, e seria melhor a equipe manter seus pilotos atuais, disse o chefe da Williams, James Vowles, nesta sexta-feira (18).

O esporte foi varrido por especulações sobre o futuro de Verstappen depois que o consultor de automobilismo da Red Bull, Helmut Marko, expressou preocupação com a possibilidade de o piloto holandês deixar a equipe no final da temporada.

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Verstappen, tetracampeão consecutivo que seria um dos principais alvos de qualquer um que pudesse pagar por ele, tem contrato até 2028, sujeito a cláusulas de saída.

O chefe da Mercedes, Toto Wolff, manifestou interesse em contratar Verstappen no ano passado, e o chefe da equipe McLaren, Zak Brown, disse em março que espera que o piloto da Red Bull vá para a Mercedes em 2026, sendo a Aston Martin outra possibilidade.

Vowles, que foi diretor de estratégia de automobilismo da Mercedes e um confidente próximo de Wolff antes de ingressar na Williams, com a Mercedes, em 2023, sugeriu que George Russell e Kimi Antonelli são a melhor aposta.

“Não sou Toto, mas acho que ele tem uma linha de pilotos muito boa para o futuro”, disse ele aos repórteres durante um brunch no Grande Prêmio da Arábia Saudita, em Jeddah. “Para mim, a vitória de Verstappen no Japão foi de cair o queixo, parabéns a ele, mas ele também tem muitas desvantagens que precisam ser reconhecidas.””E acho que a Mercedes tem uma ótima cultura com dois pilotos que estão chegando perto do auge do carro e com um que está subindo”. “Portanto, pessoalmente, não acho que haja lugar para [Verstappen].”

Vowles trabalhou de perto com Antonelli, 18 anos, enquanto o italiano estava nas categorias de base do automobilismo.

“Ele está dando passos a cada semana e só dirigiu efetivamente quatro corridas de grande prêmio”, disse. “Ele está em um bom caminho para ser muito, muito competitivo, então você continua investindo nisso”. “E George está cumprindo o prometido… não se pode realmente culpar nada do que ele fez este ano.”

A Red Bull e Verstappen estão em terceiro lugar no campeonato após quatro corridas, apesar de Verstappen ter conquistado uma vitória impressionante em Suzuka.

O piloto holandês conta com o apoio de seu empresário Raymond Vermeulen e de seu pai e ex-piloto Jos, que no ano passado pediu que Christian Horner, da Red Bull, deixasse o cargo em meio a alegações de comportamento impróprio das quais o chefe foi posteriormente inocentado.

Os ânimos se exaltaram no Bahrein na semana passada, depois que Verstappen terminou apenas em sexto lugar.

Russell, que está sem contrato no final do ano, e Verstappen também se desentenderam publicamente na última temporada e Vowles duvidou que a união dos dois funcionasse.

As últimas reportagens da mídia se concentraram na Aston Martin, um movimento que reuniria Verstappen com o ex-designer da Red Bull, Adrian Newey, e a parceira de motores Honda.

A Honda está deixando a Red Bull no final do ano para entrar em uma nova era de motores em uma parceria exclusiva com a Aston Martin.

O jornal Gazzetta dello Sport, da Itália, sugeriu, sem fornecer suas informações, que a Aston estava pronta para oferecer a Verstappen US$88 milhões por ano, durante três anos, com financiamento saudita.

A Aston Martin, controlada pelo bilionário canadense Lawrence Stroll, tem a gigante saudita de energia Aramco como patrocinadora principal.

Feriadão deve ter chuva e queda de temperatura no centro-sul do país

O feriado prolongado de Páscoa e Tiradentes deve ser de chuvas intensas nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia, informou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Além disso, informou o órgão, a passagem de uma frente fria pelo oceano deve impactar algumas áreas da região sul do país.

Hoje (18), pancadas de chuva com trovoadas são esperadas para a região centro-sul de Mato Grosso do Sul. Em São Paulo, as chuvas mais significativas devem ocorrer no oeste e centro-norte do estado entre hoje e amanhã (19). No litoral paulista, as chuvas devem ser mais moderadas. No domingo, algumas localidades de São Paulo devem apresentar queda de temperatura.

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No Sul, a chegada de uma nova frente fria que começou a se deslocar hoje pelo oceano deve provocar instabilidades na região. O centro-norte do Rio Grande do Sul será o primeiro a ser atingido, com o avanço do sistema previsto para amanhã (19) e domingo (20). O oeste de Santa Catarina e do Paraná também devem ser atingidos. A previsão é de chuvas moderadas na região.

A partir do final de semana, a massa de ar frio deve favorecer a formação de geada fraca no sul do país.

Alertas

Hoje (18), o Inmet lançou dois alertas laranja sobre o risco de chuvas intensas. O alerta laranja é o segundo de maior gravidade na escala, abaixo somente do alerta vermelho, e significa situação de perigo.

O primeiro alerta vale até amanhã (19) e atinge as regiões do Vale do Rio Doce, Vale do Mucuri, região norte e Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a região noroeste do Espírito Santo e sul e centro-sul da Bahia. Nestas áreas estão previstas chuvas entre 30 a 60 mm/h ou entre 50 a 100 mm/dia.

O segundo alerta vale somente para hoje, e atinge o Paraná, Mato Grosso do Sul e algumas regiões do interior paulista como Presidente Prudente, Assis e Marília. Nestas áreas, as chuvas podem atingir até 100 milímetros por dia e pode haver ventos intensos entre 60 e 100 quilômetros por horas.

Conheça o brasileiro indicado à Comissão de Direitos Humanos da OEA

Bacharel e mestre em direito e doutor em direito, política e sociedade, o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Fabio de Sá e Silva é o indicado do governo brasileiro a uma vaga na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), instituição que representa 35 países do continente americano.

A CIDH é formada por sete comissários eletivos. Este ano, serão renovados três deles. Os novos mandatos serão de 2026 a 2029. A eleição ocorrerá de 25 a 27 de junho, durante a Assembleia Geral da OEA, em Antígua e Barbuda, no Caribe.

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Oficializada no fim de março, a candidatura de Fabio de Sá e Silva será apresentada pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) em visitas a embaixadas e aos países integrantes da OEA. São representantes desses países que escolherão os novos comissários. Ao todo são sete concorrentes. Além do Brasil, apresentaram candidaturas Colômbia, México, Honduras, Estados Unidos, Peru e Bahamas.

Em conversa com a Agência Brasil, Fabio de Sá e Silva, que se declara negro, apontou que desigualdades étnico-raciais, de gênero e econômicas são o grande desafio para a garantia dos direitos humanos.

Fabio de Sá e Silva disputará eleição com seis candidatos – Foto: Hélio Montferre/Divulgação

Assim como ele reconhece que o Brasil tem o que aprender com nações da região, o país tem também uma postura de liderança no assunto em questão.

Fabio de Sá e Silva tem histórico de atuação – seja no setor público, seja em instituições acadêmicas e organismos internacionais – nas áreas de direitos humanos, justiça, segurança pública, cidadania e governabilidade demográfica.

De 2004 e 2006, trabalhou no Ministério da Justiça, quando atuou em políticas voltadas à promoção da educação nas prisões e à melhoria do tratamento de pessoas privadas de liberdade.

Sá e Silva está no Ipea – instituição ligada ao Ministério do Planejamento e Orçamento – desde 2009. Entre as realizações no instituto está o Mapa da Defensoria Pública, elaborado em 2013, que ofereceu um diagnóstico inédito sobre a cobertura desse serviço no país.

Sá e Silva também é professor na Universidade de Oklahoma (Estados Unidos) e pesquisador associado do Centro de Profissões Jurídicas da Faculdade de Direito de Harvard (Estados Unidos), além de ter colaborado com organismos como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a própria CIDH.

Confira a entrevista:

Agência Brasil: Qual o papel principal da CIDH?
Fabio de Sá e Silva: A CIDH engloba 35 países nas Américas, inclusive o Brasil, há mais de 65 anos e tem um mandato amplo. Há um sistema de petições e casos, pelo qual a comissão recebe denúncias de violações de pessoas que sofrem violações, organizações não estatais e dos próprios Estados. Mas a CIDH também tem mandatos mais voltados ao monitoramento da situação dos direitos humanos nos países da OEA, na promoção de boas práticas e no estímulo ao fortalecimento de uma consciência regional de direitos humanos.

O sistema de petições e casos muitas vezes acaba tendo mais visibilidade para o público, quando ficamos sabendo que um estado foi “condenado” (teve sua responsabilidade por violações reconhecida). Mas entendo que a comissão deve agir em todas essas frentes para transformar situações de violações, que em geral têm raízes estruturais e históricas, nos países. Deve trabalhar para cumprir seu mandato de forma integral.

Agência Brasil: O representante brasileiro, cargo para o qual está concorrendo, atua em defesa dos direitos do Estado brasileiro, ou pode ter postura contrária, por exemplo, a favor de condenações em casos que envolvam o Brasil como réu?
Fabio de Sá e Silva: Se eleito, eu não seria um representante brasileiro, mas sim um brasileiro ocupando essa posição para agir com autonomia.

Ainda assim, há normas do sistema que impedem os comissários de terem participação direta e indireta, nos casos e situações envolvendo os países de suas nacionalidades – normas que servem de salvaguarda para que os nacionais não atuem no interesse dos seus Estados, reforçando, assim, a autonomia e independência da comissão como um todo.

Assim, eu não tomaria parte nesses casos.

Agência Brasil: O Brasil já teve condenações, como o caso da Chacina de Acari, no Rio de Janeiro, e, bem recentemente, por violação de direitos de comunidades quilombolas em Alcântara, no Maranhão. Como essas condenações podem contribuir para a política de direitos humanos no Brasil?
Fabio de Sá e Silva: O Brasil, historicamente, valoriza muito o diálogo com sistemas internacionais – o que eu entendo inclusive ser uma grande virtude do nosso país. Essas condenações, e antes delas os próprios casos que correram na comissão e na Corte [Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), que atua em uma tarefa distinta, judicial, para os casos não resolvidos por meio da atuação da comissão], criam uma oportunidade para o país refletir sobre suas políticas e adotar medidas não apenas para reparar danos causados a indivíduos ou grupos, mas também evitar a repetição das violações.

Por exemplo, a Lei Maria da Penha, que revolucionou o combate à violência doméstica de gênero no Brasil, é resultado desse engajamento. A vítima levou seu caso à comissão, que reconheceu a omissão do Estado brasileiro em protegê-la e ordenou medidas de reparação, o que gerou a aprovação de uma lei e a formulação de uma política que sobreviveu no tempo.

Agência Brasil: O Brasil enfrenta outros processos na CDIH?
Fabio de Sá e Silva: O Brasil tem vários casos em trâmite na comissão e também na Corte Interamericana, embora proporcionalmente menos do que países com sistemas jurídicos e linguísticos de matriz espanhola, que fazem a maioria dos países da região.

Alguns desses casos, inclusive, correm há décadas. Infelizmente, quando se trata de análise de casos, os sistemas internacionais de direitos humanos trabalham em um tempo mais prolongado, seja porque a atuação é “subsidiária” [só se torna possível quando se esgotam os mecanismos internos de resposta àquela violação], seja ainda porque são estruturas sem recursos humanos e materiais adequados para dar conta da demanda.

Isso é mais uma razão para pensarmos nesses sistemas de uma forma ampla, considerando os diferentes mandatos, pois às vezes o trabalho de monitoramento ou a difusão de boas práticas podem dar resultados mais imediatos do que se esperarmos um caso ser concluído.

Agência Brasil: Como o Brasil é visto dentro da OEA em termos de respeito aos direitos humanos, há algum calcanhar de Aquiles do país em matéria de direitos humanos?
Fabio de Sá e Silva: Não há como ignorar que violações de direitos humanos ainda acontecem cotidianamente – como também acontecem em outros países –, mas contam a nosso favor o histórico de reconhecimento internacional de direitos e o engajamento com organismos e sistemas. O Brasil está aberto a escrutínio internacional, a encarar, internacionalmente, a responsabilidade pelas violações de direitos que cometeu ou deixou cometer, e tomar medidas para evitar que essas violações continuem ocorrendo. Por esse histórico, e também por seu tamanho, o Brasil acaba visto como uma liderança.

Em termos de calcanhares de Aquiles, não só no Brasil, mas nas Américas como um todo, o maior deles é a desigualdade – econômica, étnico-racial, de gênero. Porque a desigualdade acaba sujeitando certos contingentes da população a processos sistemáticos de violação.

Por exemplo, o Brasil tem altas taxas de homicídio [violação do direito à vida] e um sistema penitenciário que o próprio STF [Supremo Tribunal Federal] já chamou de “medieval”, onde direitos básicos são negados. Em ambos esses casos, as vítimas de violações são, desproporcionalmente, jovens negros.

Agência Brasil: Olhando para os Estados americanos, o Brasil tem mais a aprender ou a contribuir para o respeito aos direitos humanos no continente?
Fabio de Sá e Silva: No tema internacional dos direitos humanos, as duas noções, aprender e contribuir, estão de mão dadas. Nossa contribuição é bastante notável, temos políticas como o Bolsa Família ou de agricultura familiar que foram amplamente exportadas. Mas também podemos aprender bastante e, para isso, precisamos continuar participando de espaços multilaterais e investir em esforços de integração.

Por conta das barreiras linguísticas, jurídicas e da geopolítica do conhecimento, temos uma certa dificuldade de dialogar com países da América Latina e Caribe, mas esses são os países que têm uma história muito próxima da nossa e que em muitos debates servem como vanguarda. Formulações em direitos ambientais, por exemplo, devem muito à academia e à própria sociedade civil e movimentos sociais desses países – como o indígena, trabalhadoras e trabalhadores do campo, entre outros.

Agência Brasil: O tratamento dado a imigrantes ilegais nos Estados Unidos é uma preocupação prioritária da CIDH?
Fabio de Sá e Silva: O tema das migrações é sempre muito importante em um hemisfério como o nosso, onde a desigualdade a que aludi, assim como a atual crise climática e instabilidades políticas e econômicas, é vetor de mobilidade humana, inclusive dos deslocamentos forçados.

Há uma tendência compreensível de que esse tema seja trabalhado sob uma ótica securitária em muitos países – e também sabemos que cada país tem soberania para adotar suas políticas migratórias, mas os países também soberanamente reconhecem parâmetros mínimos de tratamento decente e dignidade que não podem ser violados.

Nesse sentido, eu diria que a forte relação entre migração e direitos humanos está bem presente na nossa consciência regional de direitos humanos – inclusive com o reconhecimento de que há um direito a migrar e que a condição de migrante não deve privar ninguém de outros direitos civis básicos.

A comissão está acompanhando de perto esse tema em diversos países e, recentemente, chegou a emitir comunicações importantes a respeito.

Agência Brasil: A presença brasileira na CIDH funciona como uma ferramenta de soft power (poder suave, em tradução livre), algo como poder de influência no cenário internacional exercido de forma conciliadora?
Fabio de Sá e Silva: Pode ser um viés da minha parte falar isso, porque sou brasileiro e creio que nosso país ofereceu, em diferentes momentos da história, uma contribuição valiosa para debates internacionais. Mas entendo que, até como decorrência da nossa condição semiperiférica – não temos instrumentos de força a utilizar – carregamos, sim, compromissos com multilateralismo, com equidade e diálogo nas relações internacionais. E que isso pode fazer diferença em momentos como o atual, de muita turbulência e incerteza no mundo.

Mega-Sena: Dupla de Páscoa pagará R$ 50 milhões

Já está em R$ 50 milhões a estimativa da Caixa Loterias para o prêmio da Dupla de Páscoa, da Mega-Sena. Será o maior valor a ser pago nesta modalidade.

Os apostadores têm até as 19h do sábado (19) para se dirigir às lotéricas, ao portal ou ao app Loterias Caixa para fazer seu joguinho – e, quem sabe, ter a grande sorte de viver uma vida de milionário.

O sorteio será também no sábado, a partir das 20h, horário de Brasília, no Espaço da Sorte, em São Paulo.

“Como nos demais concursos especiais das Loterias CAIXA, a Dupla de Páscoa não acumula. Se não houver ganhadores na faixa principal, o prêmio é dividido entre os acertadores da quina do primeiro sorteio e, assim, sucessivamente, conforme as regras do jogo”, informa a Caixa. ​

Para se ter uma ideia do que significa o valor do prêmio, caso aplique os R$ 50 milhões na poupança, a pessoa que acertar sozinha as seis dezenas receberá, por mês, R$ 336 mil em rendimentos. Se preferir, poderá comprar 650 carros populares ou 100 casas no valor de R$ 500 mil, cada.

Segundo a Caixa, o maior prêmio já pago na modalidade foi na Dupla de Páscoa de 2024, quando duas apostas dividiram R$ 37,5 milhões.

 

Mulheres mostram trabalhos que denunciam violações de direitos humanos

É de forma coletiva que as mulheres vão tecendo, bordando, compartilhando histórias e denunciando as violações de direitos humanos e socioambientais dos quais são vítimas no Brasil. Reunidas em oficinas, essas mulheres – que integram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) – vão conversando sobre as situações que enfrentam e, por entre retalhos, linhas e agulhas, vão transformando sua história em memórias.

Parte dessas obras produzidas em oficinas foi agora reunida e está em exposição no Museu de Arte de São Paulo (Masp), que neste ano trabalha o tema Histórias da Ecologia. Chamada de Mulheres Atingidas por Barragens: bordando direitos, a exposição apresenta 34 arpilleras produzidas por essas mulheres e que denunciam, principalmente, os impactos sociais e ambientais causados pela construção, operação e pelo rompimento de barragens no país.

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Arpilleras é uma linguagem têxtil e politicamente engajada que surgiu no Chile, explicou uma das curadoras da mostra, Isabella Rjeille.

“Durante os anos 70, essa linguagem ganhou tons políticos, porque foi utilizada por mulheres para denunciar violações de direitos humanos que estavam ocorrendo durante o regime ditatorial de Augusto Pinochet”, disse ela, em entrevista à Agência Brasil.

Arpillera significa juta, uma fibra na qual essas mulheres bordavam as histórias que estavam presenciando. “Vendo seus companheiros e seus filhos serem sequestrados pelos militares e todo esse tipo de violação, essa era uma maneira de elas registrarem essas histórias nesses bordados, já que existia muita censura”, explicou a curadora.

Para ela, uma arpillera é, na realidade, um testemunho têxtil do ambiente social.

“Uma arpillera não termina no objeto que está na parede. Ela é todo o processo de feitura e também todo o processo de leitura disso depois”.

As oficinas

O coletivo de mulheres do MAB começou a utilizar essa técnica a partir de 2013.

“A gente foi fazer uma oficina na Argentina para aprender essa técnica potente e trazê-la para o movimento. Foi assim que começamos a trabalhar e já temos mais de 200 oficinas realizadas em todas as regiões do país”, contou Iandria Ferreira, da coordenação nacional do MAB.

Cada peça pode demorar dias para ser confeccionada e todas são elaboradas em grupos de pelo menos cinco mulheres, explicou Caroline Mota, integrante da coordenação do MAB em São Paulo e da Secretaria Nacional do movimento. “As arpilheiras são bordadas diretamente na juta. Às vezes, a gente forra a juta com tecido de algodão mas, em princípio, tem que ter a juta, senão não será uma arpillera. Em todo começo de oficina debatemos sobre um tema, seja da região, seja um tema de que a gente sofre relacionado ao preço da luz ou sobre as enchentes, as barragens ou mudanças climáticas. Fazemos então um debate com as mulheres, em um grupo de, no mínimo, cinco pessoas. Debatemos o tema e depois continuamos para fazer o bordado”, disse Caroline.

Exposição no Masp traz trabalhos de mulheres que denunciam violações de direitos humanos e socioambientais no Brasil – Foto Mulheres Atingidas por Barragens/Masp

Enquanto no Chile as peças eram produzidas de forma individual, no MAB elas passaram a ser feitas de forma coletiva. “O tripé da nossa estratégia é a luta, a formação e a organização da ação. Como movimento social, a gente acredita numa luta coletiva. As arpilleras são o espaço onde esse tripé acontece”, ressaltou Iandria.

“Nessas oficinas há um encontro dessas mulheres, ou seja, você cria um espaço seguro para que elas possam dividir, compartilhar e conversar sobre a experiência que estão tendo naquela situação de serem atingidas. Então, a arpillera não é apenas um objeto, mas também uma ferramenta de educação popular”, reforçou a curadora.

Durante a exposição, o público poderá fazer parte da experiência. O MAB vai promover uma oficina de arpilleras para o público, no dia 27 de abril, das 10h30 às 13h30.

Denúncias

No Masp, as peças em exposição denunciam não só o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, como também a reforma trabalhista, a especulação imobiliária, a insegurança alimentar, a violência sexual e até mesmo as consequências provocadas pela pandemia da covid-19. “As artistas [que confeccionaram essas peças] são todas atingidas por barragens. Todas elas foram atingidas pelo modelo energético e por esse sistema capitalista e patriarcal. Essa é a beleza e a denúncia que a gente traz por meio das arpilleras”, afirmou Iandria.

Uma das peças, por exemplo, trata do desmatamento. “Enquanto eles desmatam e destroem, nós plantamos a vida”, bordaram as mulheres nessa obra.

“Hoje em dia, a ideia de atingido e atingida incorpora muitas outras questões, não só pelas barragens, hidrelétricas ou mineração, mas também pelos atingidos pelas mudanças climáticas”, disse a curadora. “Muitas dessas arpilleras vão falar da perda de vínculo com a comunidade, por exemplo, pois quando chega uma barragem, as pessoas são deslocadas. Você é expulso daquela região e vai para outra casa que foi construída para receber essas pessoas. São todas casas impessoais, sem nenhum tipo de intervenção de quem vai morar ali. E, muitas vezes, essas casas ficam apenas no nome do homem”.

Cada arpillera vem acompanhada por uma carta, escrita por essas mulheres. “Na arpillera sempre tem uma cartinha, que leva a mensagem de denúncia para todo o país e até para fora dele”, explicou Iandria.

Na mostra, o público terá acesso à seleção de seis cartas manuscritas. “Todas as peças têm uma carta que é produzida coletivamente pelas mulheres que a fizeram. Nem todas são manuscritas: algumas são digitadas, mas todas têm uma carta que fica guardada num bolsinho bordado atrás da peça”, disse a curadora.

Mais informações podem ser encontradas no site da mostra. O museu tem entrada gratuita às terças-feiras e também nas noites de sexta, a partir das 18h. O agendamento para entrada no museu é obrigatório no site do Masp

Entenda a ampliação do Programa Minha Casa, Minha Vida

Originalmente voltado às famílias mais pobres, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) consolidou mais um passo para beneficiar a classe média. A partir do início de maio, os bancos começarão a oferecer a Faixa 4, nova categoria que abrangerá famílias com renda mensal de R$ 8 mil a R$ 12 mil.

Na última terça-feira (15), o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aprovou a criação da Faixa 4 do programa habitacional. A nova categoria financiará imóveis novos e usados de até R$ 500 mil, com juros de 10,5% ao ano e 420 parcelas mensais. Atualmente, as taxas de mercado para este tipo de imóveis estão entre 11,5% e 12% ao ano.

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Segundo os inistérios das Cidades e do Trabalho e Emprego, a nova categoria deve beneficiar até 120 mil famílias apenas este ano, ampliando para 3 milhões as unidades habitacionais financiadas até 2026, ao somar todas as faixas. Entenda as principais mudanças no programa habitacional:

Como ficaram as faixas do Minha Casa, Minha Vida?

  • Faixa 1: renda familiar de até R$ 2.850,00, com subsídio de até 95% do valor do imóvel;
  • Faixa 2: renda familiar de R$ 2.850,01 a R$ 4,7 mil, com subsídio de até R$ 55 mil e juros reduzidos;
  • Faixa 3: renda familiar de R$ 4.700,01 a R$ 8,6 mil, sem subsídios, mas com condições de financiamento facilitadas;
  • Faixa 4: renda familiar de R$ 8 mil a R$ 12 mil, com juros de 10,5% ao ano, 420 parcelas e limite de financiamento de até R$ 500 mil, de imóveis novos e usados.

Como eram os limites de renda anteriores?

  • Faixa 1: renda familiar de até R$ 2.640;
  • Faixa 2: renda familiar de R$ 2.640,01 a R$ 4,4 mil;
  •  Faixa 3: renda familiar de R$ 4.400,01 a R$ 8 mil.

Qual o volume de recursos para a nova Faixa 4?

R$ 30 bilhões distribuídos da seguinte forma:

  • R$ 15 bilhões dos lucros anuais do FGTS, obtidos com o rendimento do fundo em aplicações financeiras e do retorno de financiamentos;
  • R$ 15 bilhões da caderneta de poupança, via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), e das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), título emitido por instituições financeiras para captar recursos para o crédito habitacional privado.

Quem não tem cotas no FGTS poderá financiar pela Faixa 4?

Sim. Como os recursos virão dos lucros anuais, não dos depósitos no FGTS, trabalhadores sem cotas no fundo poderão financiar imóveis na Faixa 4.

Quais são as restrições para a Faixa 4

Por se tratar de recursos do FGTS, os financiamentos terão de obedecer às seguintes regras:

  • Financiar apenas a compra do primeiro imóvel;
  • Financiar até 80% do valor do imóvel, com o mutuário pagando a diferença.

Imóveis usados podem ser financiados pela Faixa 4

Sim. Desde que seja o primeiro imóvel do mutuário.

Há mudanças para as Faixas 1 e 2 do MCMV?

As famílias das Faixas 1 e 2 (renda mensal de até R$ 4,7 mil) poderão financiar imóveis com o teto de financiamento da Faixa 3, de R$ 350 mil.

O financiamento, no entanto, terá os mesmos juros e prazos que na Faixa 3:

  • juros de 7,66% a 8,16% ao ano;
  • sem os subsídios das Faixas 1 e 2.

Pesquisa mostra influência de eventos climáticos em surto de oropouche

Os eventos climáticos são os principais responsáveis pela explosão de casos de febre oropouche, de acordo com estudo publicado na revista científica The Lancet, que analisou dados de seis países da América Latina, incluindo o Brasil.

“O risco de infecção provavelmente evoluirá de forma dinâmica nas próximas décadas, com potencial para surtos futuros em grande escala”, alertam os pesquisadores.

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No nosso país, a doença era considerada endêmica da Região Amazônica, com poucos casos isolados em outros locais. Mas, desde 2023, o número de registros vem aumentando, com diagnósticos inéditos em diversos estados. De 833 infecções confirmadas naquele ano, houve um salto para 13.721 em 2024, com pelo menos quatro mortes. Neste ano, até o dia 15 de abril, o Ministério da Saúde confirmou 7.756 casos e uma morte está em investigação.

A febre oropouche é uma arbovirose, causada pelo vírus Orthobunyavirus oropoucheense. Esse antígeno é transmitido pelo mosquito Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim, que vive em áreas vegetais úmidas e quentes.

Os sintomas são semelhantes aos da dengue:

  • Dor de cabeça intensa;
  • Dor muscular;
  • Febre.

Doença subnotificada

O estudo multidisciplinar analisou mais de 9,4 mil amostras de sangue colhidas, em 2021 e 2022, de pessoas saudáveis e febris, a partir de métodos in vitro, sorológicos, moleculares e genômicos. Os pesquisadores também produziram uma modelagem espacial combinando esses dados com os casos da doença registrados em toda a América Latina.

A taxa média de detecção de anticorpos IgG (que comprovam que a pessoa já foi infectada pelo vírus em algum momento da vida) foi de 6,3%, passando de 10% em regiões da Amazônia. Amostras positivas foram encontradas em indivíduos de 57% das localidades selecionadas.

Para os pesquisadores, isso aponta que a febre oropouche tem sido subdiagnosticada. Além disso, a identificação desses anticorpos em amostras colhidas durante surtos de dengue pode indicar que pessoas com oropouche receberam diagnóstico de dengue, considerando também a semelhança de sintomas entre as doenças.

Já os modelos espaço-temporais mostraram que as variáveis climáticas, como as mudanças de padrão da temperatura e da chuva, foram os principais fatores de influência para a disseminação da oropouche, contribuindo com 60%. Por isso, os pesquisadores acreditam que eventos climáticos extremos, como o El Niño, provavelmente tiveram um papel fundamental no surto iniciado em 2023.

O artigo explica que mudanças nas condições climáticas podem favorecer o aumento da transmissão do vírus que causa a febre oropouche ao elevar as populações de maruins, favorecer a transmissão das fêmeas de maruins para seus filhotes ou intensificar a replicação viral em mais animais.

 

Mosquito maruim transmite a febre do oropouche – Conselho Federal de Farmácia/Divulgação

Regiões de maior risco

O mapa resultante desses modelos mostra que o risco de aumento da transmissão é maior nas regiões costeiras do país, especialmente do Espírito Santo ao Rio Grande do Norte, e também em uma faixa que vai de Minas Gerais ao Mato Grosso, além de toda a região Amazônica. “Nas regiões com risco estimado elevado de transmissão do OROV [vírus da febre do oropouche], onde ainda não foram reportados casos, o aumento da vigilância é crucial para compreender e responder de forma eficaz aos surtos atuais e futuros”, recomendam os pesquisadores.

O estudo também defende que testes diagnósticos para oropouche devem ser priorizados, e as estratégias de controle vetorial, com as que são utilizadas para diminuir a proliferação do Aedes aegypti, devem ser adaptadas para incluir os maruins. Além disso, estimulam mais estudos sobre a doença e para o desenvolvimento de uma vacina.

Kaio Jorge comanda Cruzeiro em vitória sobre o Bahia

Comandado pelo atacante Kaio Jorge, que marcou dois gols, o Cruzeiro derrotou o Bahia por 3 a 0, na noite desta quinta-feira (17) no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, na partida que fechou a 4ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.

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A vitória alcançada em casa levou a Raposa à 7ª posição, com sete pontos. Já o Bahia, que ainda não triunfou nesta edição do Brasileiro (com três empates e uma derrota), ocupa a 18ª colocação da classificação com apenas três pontos.

O Cruzeiro teve a oportunidade de alcançar uma vitória ainda maior, pois aos 11 minutos o juiz assinalou pênalti após o goleiro Ronaldo derrubar Kaio Jorge dentro da área. O próprio atacante foi para a cobrança, mas o camisa 96 defendeu o chute.

Mas a equipe mineira continuou no ataque e conseguiu ir para o intervalo em vantagem. Aos 51 minutos o volante Lucas Romero acertou um chute muito forte da intermediária para marcar um golaço.

Já a etapa final teve um grande nome, o atacante Kaio Jorge. O camisa 19 da Raposa começou a se redimir do pênalti perdido aos 20 minutos, quando fez grande jogada em velocidade para superar o goleiro Marcos Felipe, que substituiu o goleiro Ronaldo.

Dez minutos depois Kaio Jorge voltou a marcar na partida para dar números finais ao marcador.

Atual e ex-diretor da Abin depõem à PF sobre suposta espionagem ilegal

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Luiz Fernando Corrêa, e o ex-diretor adjunto do órgão, Alessandro Moretti, prestaram depoimento nesta quinta-feira (17) à Policia Federal (PF), em Brasília.

As oitivas duraram cerca de cinco horas e foram realizadas no âmbito das investigações sobre a atuação paralela da Abin durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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A investigação corre em segredo de Justiça, e os detalhes dos depoimentos não foram divulgados.

O principal alvo da investigação é o uso ilegal da Abin para monitorar ilegalmente autoridades públicas durante o governo Bolsonaro.

De acordo com a PF, policiais e delegados da corporação que estavam cedidos à Abin, além de servidores do órgão, teriam participado de uma organização criminosa para cumprir ações ilegais de espionagem.

Durante a apuração, os investigadores da PF descobriram que foi realizada uma ação para obtenção de informações sigilosas de autoridades do Paraguai envolvidas nas negociações do contrato de energia da usina hidrelétrica de Itaipu, operada pelos dois países. O caso foi revelado pelo Portal Uol.

De acordo com a reportagem, o monitoramento das autoridades paraguaias teria ocorrido entre junho de 2022, durante o governo de Bolsonaro, e março de 2023, início do governo Lula.

Diante dos fatos apurados, a PF decidiu tomar o depoimento de Luiz Fernando Corrêa, atual diretor da Abin, e de Moretti, que foi exonerado do cargo em janeiro de 2024, para esclarecer os fatos. 

Após a divulgação do monitoramento, o Itamaraty negou qualquer envolvimento do atual governo com a espionagem ao Paraguai.

Segundo nota divulgada à imprensa, a ação de inteligência começou no governo de Bolsonaro e foi tornada sem efeito pela Abin, em março de 2023, após a direção interina do órgão tomar conhecimento do caso.

“O atual diretor-geral da Abin encontrava-se, naquele momento, em processo de aprovação de seu nome no Senado Federal, e somente assumiu o cargo em 29 de maio de 2023”, informou o Itamaraty. 

 

Cruzeiro supera Inter para assumir vice-liderança do BR feminino

Em partida que encerrou a 5ª rodada da Série A1 do Campeonato Brasileiro de futebol feminino, o Cruzeiro derrotou o Internacional por 2 a 1, nesta quinta-feira (17) no estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, para assumir a vice-liderança da competição.

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Graças a esta vitória a Raposa chegou aos 13 pontos, mesma pontuação da líder Ferroviária, que na última quarta-feira (16) superou o lanterna 3B da Amazônia por 1 a 0. Já as Gurias Coloradas permanecem com dois pontos, na 14ª posição da classificação, após o revés.

A vitória do Cruzeiro começou a ser construída ainda no primeiro tempo, aos 26 minutos com Byanca Brasil em cobrança de pênalti. Aos 12 minutos da etapa final Fefa Lacoste conseguiu igualar para o Internacional. Porém, aos 15, Pri Back marcou para garantir o triunfo das Cabulosas.

Defesa Civil prevê fortes chuvas e frente fria para São Paulo

A Defesa Civil de São Paulo informou que – entre hoje (17) e amanhã (18) – a temperatura deverá sofrer alterações significativas. O calor e a umidade relativa do ar vão favorecer pancadas de chuva isoladas em várias regiões do estado.

No sábado (19), a previsão indica uma passagem rápida de uma frente fria, com possibilidade de chuvas mais generalizadas e temporais. No domingo (20), uma massa de ar seco e fria deve inibir as chuvas e provocar uma queda mais acentuada da temperatura.

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Para quem pretende viajar no feriado de sexta-feira, a Defesa Civil recomenda atenção redobrada. As pancadas de chuvas previstas no sábado podem impactar as condições das estradas, inclusive podendo acontecer alagamentos, queda de árvores e baixa visibilidade.

Pancadas de chuvas

Na região metropolitana de São Paulo, na passagem de quinta para sexta-feira (18), as condições do tempo podem causar pancadas de chuvas isoladas, mas que podem ser fortes. Mesma situação para sábado. A expectativa é a diminuição do mau tempo no domingo (20) e segunda-feira (21).

O mesmo cenário deve se repetir na Baixada Santista e Vale do Ribeira, e, ainda, no litoral norte e no Vale do Paraíba.

Para o interior do estado estão previstas instabilidades atmosféricas com condições de chuvas nas regiões de Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília, Araraquara, Barretos, Franca e Itapeva.

Calderano e Takahashi vão às quartas em etapa da Copa do Mundo

Únicos mesatenistas brasileiros remanescentes na etapa da Copa do Mundo em Macau (China), Hugo Calderano e Bruna Takahashi avançaram às quartas de final da chave de simples. Nesta quinta-feira (17), eles cravaram a segunda vitória seguida na fase mata-mata da competição, que reúne os principais atletas da modalidade. Atual número cinco do mundo, Calderano derrotou o japonês Hiroto Shinozuka (29º) por 4 sets a 1 (parciais de 11/6, 12/14, 11/6, 11/9 e 11/7). 

Já Takahashi (24ª no ranking feminino) superou a romena Bernadette Szocs (14ª) por 4 sets a 0 (11/8, 11/7, 11/7 e 11/5), duas semanas após ter sido eliminada por ela do WTT Champions Incheon (Coreia do Sul).  

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Os dois enfrentarão adversários top 5 nas quartas de final nesta sexta (18). A partir de 2h15 (horário de Brasília) Takahashi terá pela frente a chinesa Chen Xingtong, número quatro do mundo. Na sequência, a partir das 9h15, será a vez de Calderano duelar com o japonês Tomokazu Harimoto, terceiro melhor do ranking.  A partida de Calderano terá transmissão gratuita ao vivo na conta da Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF World) no YouTube.

O Brasil começou a competição com outros dois representantes, Vitor Ishiy e Eric Jouti, eliminados na fase de grupos. A etapa da Copa do Mundo em Macau reúne 48 atletas e vai até o próximo domingo (20). O tênis de mesa brasileiro busca medalha inédita no torneio.

Corinthians demite o técnico argentino Ramón Díaz

Ramón Díaz não é mais o técnico do Corinthians. O anúncio foi feito pelo Timão no início da noite desta quinta-feira (17). A demissão do argentino foi sacramentada após a derrota de 2 a 0 da equipe do Parque São Jorge para o Fluminense na noite da última quarta-feira (16) pelo Campeonato Brasileiro.

“Nesta quinta-feira [17], o Sport Club Corinthians Paulista comunica o desligamento de Ramón Díaz do cargo de técnico da equipe. Também deixam o clube os auxiliares Emiliano Díaz, Bruno Urribarri e Osmar Ferreyra, além do preparador físico Diego Pereira”, diz a nota do Timão.

Ramón Díaz assumiu o Corinthians no decorrer da última edição do Campeonato Brasileiro, em julho de 2024, e levou a equipe ao título do Campeonato Paulista de 2025.

Segundo o Timão, “Orlando Ribeiro, técnico do sub-20 do Corinthians, comandará o treino do elenco principal nesta sexta-feira [18]”.