Porto de Itaguaí, no Rio, terá R$ 3,6 bilhões em investimentos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta sexta-feira (21), da cerimônia de assinatura do contrato de concessão do terminal ITG02, em Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro. Arrematado pela Cedro Participações S.A. em leilão em dezembro passado, o terminal receberá R$ 3,6 bilhões em investimentos iniciais da concessionária para construção e operação.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, é o maior valor já obtido em leilões do setor. Para o governo federal, a implantação do terminal é um marco para o setor portuário no estado do Rio e tem a previsão de gerar até cinco mil empregos diretos e indiretos durante as obras e operação.

Parceria

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Em discurso, Lula destacou a importância da parceria do setor público e privado para o desenvolvimento do país e elogiou a visão empreendedora do presidente do conselho da Cedro Participações, Lucas Kallas.

“Desde que ele foi levado na minha sala, […] eu descobri na hora que estava conversando com o empresário sério, com o empresário com uma visão nacional muito interessante, com o empresário que antes de tudo ama o Brasil, acredita no Brasil e torce pelo crescimento do Brasil”, disse o presidente.

“Não é todo empresário que pensa assim. Tem empresário que vai no governo, conversa, pede as coisas e ainda sai falando mal do governo. Tem empresário que recebe bilhões de investimentos e, quando deixa a sala do presidente, a imprensa pergunta: ‘E daí, tudo bem?’, [ele responde:] ‘Foi suficiente’? Ou seja, nunca as pessoas agradecem aquilo que receberam. E o Lucas, ao anunciar esse investimento hoje aqui é uma demonstração que ele começou como pequeno, mas com vontade de ser grande”, acrescentou Lula.

Com 250 mil metros quadrados de área, o terminal da Cedro Participações terá capacidade para movimentar 20 milhões de toneladas por ano e deverá impulsionar a produção portuária local em um terço. As operações deverão se concentrar na movimentação, armazenagem e distribuição de minério de ferro.

Indústria naval

O governo também anunciou, hoje, a utilização dos recursos de 2024 e 2025 do Fundo da Marinha Mercante, destinado a prover financiamento para o desenvolvimento da Marinha Mercante e da indústria de construção naval.

Foram firmados contratos de R$ 5,49 bilhões, o maior valor desde 2012. Esses recursos serão destinados a 15 novos contratos que abrangem 565 obras para navegação interior, apoio marítimo, apoio portuário e cabotagem, além da reparação naval brasileira.

Saúde

Lula dormirá no Rio de Janeiro e, neste sábado (21), está prevista sua participação no evento de 45 anos do Partido dos Trabalhadores (PT). O presidente deve retornar a Brasília ainda no sábado.

Ontem (20), Lula esteve em São Paulo e passou por uma série de exames de rotina.

Eles já estavam programados, mas precisaram ser adiados em razão do procedimento cirúrgico na cabeça, em dezembro de 2024, após o acidente doméstico do presidente.

De acordo com o boletim médico, “todos os exames realizados estão dentro da normalidade, inclusive a tomografia de crânio para controle pós-operatório”. No evento de hoje, Lula falou sobre os resultados.

“Cinco horas e meia dentro do hospital. Fiz exame de tudo, exame da cabeça, do coração, de tudo que vocês possam imaginar. Quando terminei os exames, 11h30 da noite, os médicos falaram: ‘Lulinha, você tem 70, com saúde de 30 e com vontade política de 20’. […] Então, se alguém pensava que eu ia parar de fazer política por causa da cabeça, eu quero dizer…se preparem que o Lulinha está melhor aos 79 do que quando ele tinha 50”, disse o presidente.

São Paulo reúne jovens para fomentar ensino técnico e divulgar emprego

O trabalho do futuro não é mais do que entender a mudança nos setores da economia, aquelas que se farão sentir em cinco anos. O encontro “Trampos do Futuro: arte, cultura e educação” tentou juntar, em São Paulo, atores e instituições que estão na prática destes setores em dois dias de atividades abertas para quatro mil  estudantes do ensino fundamental, médio e técnico de São Paulo e cidades próximas.

“A gente veio fazer networking [técnica muito utilizada no mundo corporativo para desenvolver negócios e construir uma carreira], ver como é a proposta das atividades e o que pode ter de interessante para o nosso futuro profissional”, contou Giovana Midori, de 18 anos, que faz um curso técnico de programação no projeto Proa, na Lapa. Ela e as amigas, Luana e Rafaella, chegaram no final do evento, na tarde do dia 20, quando parte das atividades estava terminando. ” Mesmo assim deu para aproveitar um pouco”, confessou Luana Portela, de 21 anos. 

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Para Rafaella Santos, de 20 anos, o mais interessante foi acompanhar as ideias e discussões, pois eles conseguiram acompanhar parte das palestras. E, claro, elas se encantaram com um cachorro robô, de controle remoto, parte das tecnologias de ponta exibidas aos participantes.

O evento contou com oficinas práticas de robótica, promovidas pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), oficinas de mídia, com equipes do Instituto Kondizilla e espaços de discussão promovidos por parceiros como o Instituto Geledés. Parte do espaço foi dedicado também para a preparação de currículos de trabalho, com dicas práticas de apresentação, além de uma pequena feira de oportunidades com algumas das instituições que apoiavam no melhor estilo de feiras de estágios.

Diálogos

“Um evento de jovens para jovens conversando, em que a gente pudesse trazer para eles alguma coisa que talvez esteja fora do universo da maioria deles, que é como estão se organizando as novas economias, onde há novas frentes de trabalho. Então, assim, o que você pode fazer em termos de trabalho? Quais áreas? E o que é que a gente consegue enxergar? Agora, daqui a cinco anos, tudo isso terá mudado. O que nós estamos falando para eles é assim, vocês vão inventar o futuro. Os novos trabalhos, os novos desafios e tudo o mais, são vocês que vão criar.”, explicou Ana Inoue, superintendente do Itaú Educação e Trabalho, braço da Fundação Itaú que organizou as atividades. 

Ela demonstrou uma visão realista, de que não há muita condição prática de se mudar o fato de que a maioria dos jovens não irá fazer ensino superior, por falta de acesso ou de interesse, e que isso não precisa ser necessariamente um problema.

Para Inoue, a questão principal está em torno dos novos eixos de produção, como as economias do cuidado, ambiental e criativa, abrangendo áreas que vão da saúde à produção local, com produtos naturais, além de toda a gama de atividades culturais que pode ser explorada. Parte delas foi demonstrada com alguns dos formados pelo Instituto Kondizilla gravando um podcast ao vivo, em uma espécie de cobertura contínua e de pares para o encontro.

Universo da cultura

“Procuramos fazer essa ponte entre o universo da cultura, da economia criativa e do entretenimento e o universo do desenvolvimento social, econômico e principalmente da inclusão produtiva de jovens, da ampliação de oportunidades para jovens. Aqui no evento a gente criou uma experiência de imersão em carreiras criativas, então a gente tem bate-papo com profissionais de origem periférica que se destacam hoje na economia criativa e um podcast sendo gravado em tempo real que a gente chama de Jovem Cast. São jovens que se formaram recentemente como criadores de conteúdo e estão produzindo entrevistas de jovem para jovem, entrevistando os executivos, palestrantes e os convidados”, contou João Vitor Caires, fundador e diretor executivo do Instituto Kondizilla.

Os estudantes encontraram ainda uma estrutura em formato de árvore, no meio da Bienal, prédio que sediou as atividades. Quem apresentou essa estrutura foi Rebecca Câmara, de 21 anos, estudante de artes cênicas e assistente de produção no encontro.

A Árvore do Amanhã, assim batizada, juntou diversos bilhetes em que os que lá passaram registraram o que queriam fazer e o que esperavam do futuro. Eles escreveram sobre família. “Eu quero muito uma família e eu quero ter um pai presente. Minha mãe me criou solo, eu sou filha de mãe solo. E aí, jovens que vêm de onde eu vim, a gente se olha no espelho, é como se fosse um espelho. E aí eu falo, eles podem ir para outro lugar”, explicou, emocionada.

Rebecca participou após se candidatar em um edital da plataforma Coliga, que oferece cursos gratuitos, curtos e de viés prático. A promoção é da Fundação Roberto Marinho. Além de mediar as atividades da Árvore, a artista também explicava sobre a plataforma e garante: ela e os de sua geração gostam muito de estudar, mas têm alguma dificuldade com conteúdos repetitivos, e plataformas como essa entendem isso e colocam os conteúdos de maneira diferente, algo mais dinâmico com estratégias como enquetes, fóruns, podcasts e vídeos aliadas aos conteúdos.

Breno Piros e Caio Guedes, de 17 anos, estudantes do curso de Desenvolvimento de Software, acompanharam painéis e atividades. Embora tenham sentido falta de um percurso mais claro e interligado de atividades, gostaram das oficinas e se animaram. “A palestra foi interessante, embora eu tivesse a ideia de que seria mais próxima dos meus interesses, mais aprofundada na minha área”, disse Breno.

Robótica, oficinas de mídia e espaços de discussão reuniram quatro mil pessoas em São Paulo – Agência Ophelia/Divulgação

“Gostei bastante de um curso de Inteligência Artificial e robótica aplicados à saúde mental, uma ferramenta para valorizar atos simples, como sorrir, a partir de programação. Tem muitas ideias interessantes”, contou Caio.

Vontade de aprender

“O desejo do jovem de aprender é enorme. Eles estão querendo a conversa, eles estão falando. A gente abre as perguntas [nas oficinas]. Quais são as dúvidas que vocês têm? O que vocês têm vontade de saber? Tem um minuto de timidez e daí, na sequência, eles vêm com perguntas muito interessantes e com uma vontade muito grande de dar depoimento. De falar, olha, eu queria dizer que eu vivi isso. Na questão da saúde mental, vários jovens abriram o coração e saíram falando coisas. A importância que aquilo teve, o trabalho de atendimento que a própria escola ofereceu?”, contou Inoue. O encontro foi construído a partir de pesquisas com jovens dessas instituições parceiras, que opinaram sobre quem gostariam de ver falando e o que lhes interessava. Da mesma forma, a Fundação Itaú e as outras instituições que compuseram o evento pretendem dar continuidade, não apenas com novo encontro, que tencionam aberto a mais participantes nos próximos anos, mas disponibilizando palestras e outros conteúdos que fizeram parte dos dois dias de programação.

“O ponto de partida, agora, é entender que cuidar da nossa juventude é cuidar de um compromisso que o Brasil precisa ter com essa molecada. É cuidar do presente desse país para a gente ter um futuro ainda mais inspirador. O que eu tenho que fazer agora? Não é esperar essa moçada crescer, é o agora. Então, eu acho que é primeiro ter esse senso de responsabilidade. Segundo, ter ainda mais parceiros, os mais parceiros que vibrem nesse mesmo diapasão. E terceiro, poder planificar ainda melhor para que o ano que vem a gente possa fazer maior, e mais longo no período de dias e quem sabe em mais estados”, explicou à Agência Brasil Eduardo Saron, presidente da Fundação Itaú.

Futuros Imaginados

Parte do que ficou do evento, além das lembranças e da animação dos jovens, foi consolidado em uma “Carta das Juventudes sobre seus Futuros Imaginados”, composta por um apanhado das contribuições da Árvore, e sintetiza o que tentam passar o que organizaram para os seus quatro mil convidados:
“Acreditamos que a juventude pode contribuir com a realização desses sonhos e utopias, se eles tiverem a oportunidade de serem protagonistas de suas próprias vidas. Sabemos que, quando essas condições são disponibilizadas, jovens têm plena capacidade de avaliar o que é oferecido e formular propostas relevantes.

Escolas, empresas e diversas instituições poderiam criar espaços de interação e escuta de jovens para que eles possam trazer sugestões. Espaços de troca, compartilhamento de conhecimento e ideias são também uma oportunidade de promover a diversidade.

Por fim, parafraseando alguns dos sonhos da Árvore do Amanhã: Querido futuro, te aguardamos ansiosamente! Pensamos em você todos os dias e esperamos tudo de bom e do melhor. Não vamos deixar o medo de errar impedir que a gente alcance nossos sonhos e uma sociedade mais igualitária, mais respeitosa e acolhedora! Desejamos um futuro cheio de alegria e paz para nós!”

Prazo para inscrições no Bolsa Atleta 2025 termina hoje

Termina hoje, sexta-feira (21), o prazo para inscrições no Programa Bolsa Atleta 2025, destinado a atletas de alto desempenho com bons resultados em competições oficiais. Interessados em participar do programa devem acessar o Sistema Bolsa Atleta, apresentar a documentação necessária e preencher o formulário online.

A expectativa é que a lista com os contemplados para o programa seja publicada entre os dias 22 e 24 abril. Detalhes sobre funcionamento estão descritos no edital do programa, publicado no final de janeiro.

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“Além de estabelecer critérios e procedimentos para concessão do benefício, suspensão e cancelamento de bolsas, o edital lista formas e prazos para a inscrição dos interessados na obtenção e prestação de contas dos recursos financeiros recebidos e dos resultados esportivos propostos e alcançados pelos atletas”, informou o Ministério do Esporte.

Alto desempenho

O programa é voltado a atletas de alto desempenho que obtiveram bons resultados em competições nacionais e internacionais nas modalidades previstas no edital, durante as competições realizadas em 2024.

O ministério destaca que o auxílio benefício pode ser estendido também a atletas gestantes e puérperas; atletas surdos e guias; e auxiliares do esporte paralímpico.

De acordo com o edital, as categorias são de base, estudantil, nacional, internacional e olímpica – o que inclui paralímpica e surdolímpica (olimpíadas para surdos).

Segundo o ministério, o programa visa garantir condições mínimas para que os atletas se dediquem – “com exclusividade e tranquilidade” – ao treinamento e a competições locais, sul-americanas, pan-americanas, mundiais, olímpicas e paralímpicas.

 

Marisqueiras afetadas por crime da Braskem pedem apoio do governo

Marisqueiras e pescadoras alagoanas que tiveram a vida impactada pelo crime ambiental da mineradora Braskem pediram apoio, nessa quinta-feira (20), à ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, para enfrentar danos que foram causados pela exploração de sal-gema. Há sete anos, houve afundamento de bairros inteiros de Maceió, causando impacto na vida de cerca de 60 mil pessoas, incluindo quem trabalha com a pesca do marisco.

A presidente da Federação dos Pescadores e Aquicultores de Alagoas (Fepeal), Maria Silva Santos, de 41 anos, disse, em entrevista à Agência Brasil, que o encontro com a ministra foi muito importante para levar as reivindicações de políticas públicas de todas as trabalhadoras diretamente afetadas. “O impacto ambiental para as mulheres marisqueiras causou, por exemplo, a obrigatoriedade de precisar trabalhar em local a mais de duas horas daquele em que tiravam seu sustento”, disse.

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A ministra ouviu que mulheres perderam, além da moradia, a autorização para trabalhar em seus territórios, sofreram os efeitos da contaminação da água e também houve perda de renda para as famílias. 

“Sofremos vários tipos de violência e não é só do tipo de ‘violência normal’, é também o racismo ambiental, a poluição dos nossos rios e mares”, disse a pescadora Ana Paula Santos, Rede de Mulheres Pescadoras da Costa dos Corais.

Tradição

A ministra Cida Gonçalves garantiu que o governo fará o que for preciso, inclusive integrar outros ministros, para acelerar as soluções. Maria Silva Santos, que participou do encontro, disse que muitas dessas trabalhadoras são mães e responsáveis por cuidar dos filhos e do sustento da família. “Muitas escolheram essa profissão porque gostam, respeitam a tradição dos pais e dos avós e foram criadas nesses territórios”

Em Alagoas, existem 20.643 pescadores artesanais, sendo 58% mulheres, de acordo com dados do Sistema de Registro Geral da Atividade Pesqueira (2023). A estimativa é que existam 12 mil mulheres na pesca, inclusive em atividade informal, com renda média menor que um salário mínimo. Maria Santos, da Fepeal, afirma que está em processo um novo levantamento da realidade da categoria no estado.

Mudanças do clima

Além da dificuldade de ter que se afastar do local de trabalho anterior, em vista da contaminação da lagoa, a representante da categoria afirma que as mudanças climáticas também impactam o dia a dia da pesca. “A gente tem uma diminuição de pescados dentro da região”. Ela cita, por exemplo, a diminuição do sururu. “Por causa da alteração do regime de chuvas, a água está mais salobra e o sururu não consegue reproduzir. São vários fatores em relação a essa redução.

A secretária estadual da Mulher e dos Direitos Humanos, Maria Silva, afirmou que no atendimento das demandas dessas mulheres são observados, pelo poder público, fatores como dignidade, respeito, segurança, educação e saúde para trabalhar e criar os filhos.

Casa da Mulher

Além do encontro com as trabalhadoras marisqueiras, a ministra Cida Gonçalves assinou, com o governador de Alagoas, Paulo Dantas, o contrato de repasse de recursos para a construção da Casa da Mulher Brasileira (CMB) de Maceió, no valor de R$ 19 milhões. 

Segundo o ministério, o recurso será destinado à construção e à equipagem da unidade, que já tem terreno indicado pelo governo estadual. O equipamento contará com serviços de acolhimento e triagem, apoio psicossocial, delegacia, juizado, Ministério Público, Defensoria Pública, promoção de autonomia econômica, cuidado das crianças, alojamento de passagem e central de transportes.

Na ocasião, a ministra afirmou que o investimento vai garantir o atendimento integrado e humanizado às mulheres de Alagoas. O governador assinou a adesão ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios (PNPF), lançado em 2024.

“Precisamos unir forças para promover mudanças culturais, fortalecer políticas públicas e responsabilizar aqueles que insistem em perpetuar a violência”, frisou a ministra sobre a adesão ao pacto.  A secretária Maria Silva disse que a casa é um “verdadeiro refúgio” para que as mulheres possam reconstruir suas vidas.

Viradouro aposta na história de Malunguinho para tentar bicampeonato

Neste ano, em busca do bicampeonato, a escola de samba Viradouro mantém-se na linha de buscar temas de importância na história, ou de religiosidade, para falar de uma parte da cultura brasileira que é pouco conhecida. O enredo Malunguinho: O Mensageiro de Três Mundos, homenageia uma entidade que tem representações como caboclo indígena, mestre e Exu. O carnavalesco Tarcísio Zanon escolheu o enredo após uma extensa pesquisa, que teve origem ainda no período da pandemia de covid-19, quando precisou ficar mais recolhido em casa.
Carnavalesco Tarcísio Zanon e Alessandra Reis, diretora de Ateliê, preparam desfile em que a Viradouro tentará o bicampeonato – Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

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“É um tema muito importante, porque a gente está falando de reparação cultural, de um personagem pouquíssimo conhecido do grande público. Até mesmo em Pernambuco, os pernambucanos não conhecem a força desse homem, um dos maiores líderes quilombolas do Brasil”, disse o carnavalesco à Agência Brasil.

“Quando penso em enredo, penso principalmente em pautas atuais que dialoguem com a escola e que proporcionem a fantasia. Um enredo bom precisa proporcionar a fantasia, precisa tirar o componente do lugar-comum. Essa linha de enredo tem sido muito importante, e eu vejo um marco quando a gente consegue com o enredo como a Rosa Maria Egipcíaca levar essa matéria para as escolas públicas. A escola de samba tem essa função de ser também um lugar, de ser um espaço de educação”, afirmou Zanon, ao recordar que, nos anos 60, o carnavalesco Fernando Pamplona, do Salgueiro, desenvolveu enredos sobre Zumbi dos Palmares, Chica da Silva e colocou esses personagens em um lugar de conhecimento que não era aprendido na escola normal.

“É um caminho que eu gosto muito, inclusive é um dos maiores valores dentro de uma escola de samba, ser esse espaço de transformação, de educação, de reconhecimento enquanto nação e de desconstruir esse imaginário brasileiro”, destacou.

De acordo com o carnavalesco, a representatividade de Malunguinho aumenta quando se analisa a extensão territorial em que o personagem atuava. “É o maior líder quilombola, porque o quilombo [dele] corta desde Pernambuco até a Paraíba, toda a Zona da Mata. É um quilombo itinerante, diferente, até porque ele aprendeu com os indígenas a técnica de fazer e desfazer ocas, de fazer armadilhas, que lá eles chamam de estrepes, para os algozes não os encontrarem. É um personagem que sobrevive dentro da oralidade do povo, dos cânticos cantados dentro do Catimbó.”

A escolha tem também um toque místico. Segundo Zanon, o enredo Malunguinho veio da pesquisa que já tinha feito no período pandêmico sobre o Catimbó e sobre a Jurema, a planta Acácia, usada em uma tradição religiosa de tomar o chá, que começou sendo usada por indígenas das regiões Norte e Nordeste. Quando a equipe da escola fazia a comemoração pelo título de campeã de 2024 em um sítio em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, cercado por uma mata, do nada começou a aparecer uma fumaça muito densa. “O meu pai de santo falou que era algum sinal. Eu me lembrei da pesquisa e que Catimbó que significa fumaça de mato, não fumaça no mato”, contou, revelando como foi a opção pelo enredo.

“Me lembrei da pesquisa e falei que este ano a gente tinha que falar na Jurema e em Catimbó. Sou um carnavalesco muito místico, sou sempre atento aos sinais”, disse Zanon, lembrando que isso também ocorreu com o enredo Rosa Maria Egipcíaca, quando a escola foi vice-campeã em 2023. “Sempre tem um sinal. Este foi um sinal. Apresentei o enredo junto à escola e eles gostaram”, afirmou, referindo-se à escolha para 2025.

A história de Malunguinho tem ainda outra parte interessante. Na década de 80, o professor Marcos Carvalho descobriu um fato histórico da existência do líder: era um registro policial da morte de Malunguinho. “Então, tem um personagem que sobrevive dentro da oralidade e agora está na historiografia nacional. A gente pretende elevar ele dentro desse panteão dos grandes heróis nacionais”, indicou.

Na representação terrena do homem encarnado, o líder quilombola se chamava João Batista e será apresentado no início do desfile. “Ele viveu aqui enquanto João Batista, que é o nosso primeiro setor. Essa figura quilombola, líder revoltoso com aquela sociedade, o líder político que lutou pelo povo dele, que tacava fogo nos canaviais e era o pavor dos tiranos”, destacou.

Detalhe de carro alegórico da Viradouro, que contará a história de Malunguinho, um líder quilombola ainda pouco conhecido – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Na sequência, a Viradouro passa a mostrar os três mundos, que é quando João Batista se transforma em ser encantado, uma entidade espiritual. “Ele sobrevive nesses três mundos. Tem a capacidade de ser um curandeiro, quando passa a ser um caboclo, porque aprendeu com os indígenas o segredo das ervas. Mestre, quando conhece essa erva que é a Jurema sagrada e Exu Trunqueiro, quando tem a chave, enquanto em vida, para abrir as senzalas. Agora, enquanto encantado, é a entidade que fecha os corpos e abre o caminho”, disse Zanon, ao apresentar as evoluções do personagem.

E, quando se pergunta se ele vai abrir o caminho para o campeonato, a resposta de Zanon é imediata: “Com certeza. A chave já está na mão dele, e a gente está fazendo de tudo. É um trabalho muito sério. A gente está conversando quase diariamente, trabalhando com as casas de Pernambuco, fez uma pesquisa muito séria e um trabalho espiritual também muito sério. Eu falo que esse enredo está cercado de todos os lados. Historicamente, porque a gente tem os registros, e espiritualmente, porque a gente está indo na fonte para fazer todos os trabalhos”, detalhou o carnavalesco, ao explicar a busca da segurança, que demonstra respeito pela história. E a questão espiritual é importante para o resultado da escola, acrescentou.

A diretora de ateliê, Alessandra Reis, revelou que parte da segurança espiritual que a Viradouro buscou está presente no barracão. “Hoje tem a presença do Malunguinho no barracão. Ele está sentado aqui e vai ser cuidado diariamente, como foi ensinado lá em Recife para a gente dentro de um juremeiro. A posição em que ele está no barracão, o Tarcísio parou para ouvir. ‘Quero ficar na esquerda’, então ele está lá na esquerda, onde pediu. Essa é uma das formas que têm dado certo e são de muito respeito. Acaba todo o barracão respeitando e seguindo”, disse Alessandra.

“A gente está falando do sagrado, e essa entidade existe mesmo. A gente sente que ela está conduzindo. Ela se comunica, se manifesta, sopra nos nossos ouvidos, em sonhos, a equipe toda e quem é sensível, claro que a gente respeita quem não tem crença, mas quem é sensível sente essa energia, a gente precisa respeitar e tentar ao máximo alcançar porque é ele o homenageado”, concluiu Zanon.

Reação dos componentes

O enredo foi bem recebido pelos componentes da Viradouro, que têm se empolgado com as histórias contadas pela escola. “Isso também é uma forma de se pensar a escola. Todo ano, quando termina o carnaval, recebemos uma série de mensagens do que o público e a escola querem. Você já começa a saber qual é o clima do que eles estão esperando. Faço essa avaliação e já se sabe se é por um caminho mais místico ou mais histórico.”

É a partir dessa análise que o enredo é definido. “A escola precisa estar preparada para vestir aquele personagem daquele ano. Eles serão os artistas que vão encenar aquele papel na avenida. Se eles não se sentirem confortáveis ou defendendo aquela ideia, eles não vão sair bem nesse papel”, completou Alessandra.

“A jurema é uma árvore sagrada, um pau de ciência, como eles chamam. É uma [planta] acácia. Eles extraem dessa árvore o chá sagrado do toré dos pajés. Segundo a tribo Funiô, que é a nossa referência mor, no sentido da nossa pesquisa, cada tribo tem as suas lendas, ela era uma menina, uma jovem predestinada ao dom de cura, curava as pessoas dentro da tribo. Um dia ela foge para a mata, e aí o pajé vai ao encontro dela e ela se transforma em uma árvore de onde se extrai esse chá que é uma espécie de princípio ativo, como a auasca, e que a gente tomou e também nesse processo.”

Manter o barracão com o trabalho cansativo que costuma haver durante a preparação do carnaval é uma tarefa difícil que é desempenhada pela Alessandra. Ainda mais quando o enredo do ano anterior insiste em se manter forte na lembrança. Segundo ela, este ano, a equipe está mais séria, talvez em função do respeito ao personagem homenageado. “Eles estão como se fossem operários de um trabalho que não tem essa alegria que o carnaval tem.”

Ainda assim, apesar do trabalho intenso, foi mais fácil do que os outros carnavais, acrescentou Alessandra. “Ele [Zanon] tem uma equipe inteira que o ouve. Isso é graças ao fato de ele  ser um carnavalesco que tem o dom da audição. Ele para para ouvir, mesmo que não tenha a ver com o enredo.”

Para fora do barracão, a equipe de carnaval preparou também um glossário musical com pontos do Malunguinho, músicas entoadas para a entidade. Disponível nos serviços de streaming de música, podcast e vídeo, a lista costuma ser ouvida pelos profissionais que trabalham no barracão. Tarcísio disse que muitos desses pontos ele ouviu de senhorinhas que transmitem a cultura oralmente. A escola fez uma seleção entre mais de 100 pontos e gravou com o seu carro de som.

Exposição em SP celebra 50 anos de carreira solo de Ney Matogrosso

É por entre tecidos finos e transparentes que caem do teto e paredes repletas de fotografias que o mundo de Ney Matogrosso será mostrado ao público que visitar o Museu da Imagem e do Som (MIS), a partir desta sexta-feira (21), em São Paulo.

“Prefiro usar a expressão descobrindo Ney”, disse André Sturm, diretor do MIS e curador da nova exposição que celebra o artista Ney Matogrosso. “A escolha desses panos, desse voal, é porque o Ney, ao mesmo tempo em que é extremamente intenso no palco, é muito suave. Queria que a exposição fosse leve, mas ao mesmo tempo tivesse esse leve mistério. O Ney é esse artista que se expõe muito no palco, muitas vezes com uma tanga, mas a vida privada dele sempre foi absolutamente discreta”, afirmou o curador.

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A exposição Ney Matogrosso, que entra agora em cartaz no MIS da Avenida Europa, celebra os 50 anos de carreira solo do artista, desde a edição de seu álbum solo Água do céu-pássaro, um ano após sua saída do trio Secos & Molhados, em agosto de 1974. A mostra foi dividida em seis eixos, fazendo um percurso cronológico pela obra do artista.

“Quisemos trazer para o público a emoção que é Ney Matogrosso”, descreveu Sturm. “O Ney é um artista que tem uma personalidade muito particular. Ele muda o jeito, muda o figurino, muda a luz do show. Todos os discos que gravou, ele gravou pensando no show”, ressaltou.

A exposição privilegia a carreira de Ney, mantendo a privacidade que o cantor sempre manteve sobre sua vida pessoal. “A gente focou no Ney Matogrosso que as pessoas conhecem e admiram. Claro, aqui elas vão conhecer mais disso, elas vão ver mais fotos, vão ver shows.”, falou Sturm.

A mostra

 Mostra celebra os 50 anos de carreira do artista. Foto: Lucas Mello/Divulgação

Dividida em seis áreas, a exposição exibe figurinos e adereços de shows e videoclipes, além de documentos, capas de álbuns, pôsteres e CDs. Há ainda trechos de uma entrevista concedida por Ney Matogrosso ao programa Notas Contemporâneas, do MIS, na ocasião dos 45 anos do museu. O destaque, no entanto, são as centenas de fotografias emblemáticas de todas as fases do artista em obras de Madalena Schwartz, Thereza Eugênia, Ary Brandi e Daryan Dornelles.

“Tivemos a sorte de que o Ney guardou o acerto e cuidou do seu acervo. E aí decidiu doá-lo para o Senac, que abriu as portas para a gente. Então temos aqui praticamente figurinos de todos os shows que ele fez. Temos objetos, capas de disco e, principalmente, os figurinos e fotografias”, disse o curador.

O Senac São Paulo detém toda a coleção de indumentárias de Ney Matogrosso, que foi cedida pelo próprio artista para manutenção e guarda na instituição. Ao longo dos últimos anos, o Senac organizou pequenas exibições, com itens selecionados em diversas de suas unidades no estado de São Paulo. Mas, na exposição do MIS, é a primeira vez que a coleção poderá ser vista em sua integridade, com mais de 200 itens que vão de calçados a adereços de cabeça.

Já os textos que permeiam a exposição foram escritos pelo jornalista Julio Maria, autor do livro Ney Matogrosso – A biografia, lançado em 2021. “O Ney Matogrosso nasce e perpassa todos os dilemas de cinco décadas ou seis décadas ereto, de cabeça levantada, quer dizer ele não cai em nenhuma armadilha que todas essas décadas colocaram para ele. A perseguição dos militares, a aids, a demonização que veio com a aids sobre a expressão do corpo e da liberdade sexual, a revolução tecnológica do CD e depois do streaming – tudo isso poderia tê-lo enterrado muitas vezes”, disse o biógrafo. No entanto, ressaltou, Ney nunca ficou no ostracismo. “Não teve um ano em que ele deixou de lançar um disco”.

Para o biógrafo do artista, essa nova exposição no MIS pode ser definida com apenas uma palavra: liberdade. “Ney nasceu na fronteira entre Paraguai e Brasil. E se você perceber, é na fronteira que as coisas se misturam: as pessoas falam dois idiomas, as comidas se misturam, os cheiros se misturam e a música se mistura. E o Ney é isso. A fronteira onde as coisas se misturam está dentro dele. Então, para mim, ele tem esse transbordamento de fronteiras o tempo todo”, afirmou Maria.

Mostra celebra os 50 anos de carreira do artista. Foto: Lucas Mello/Divulgação

“Acho que é por isso que o Ney tem 50 anos de carreira. Poucos artistas infelizmente chegam a 50 anos de carreira fazendo o sucesso que ele faz. Isso tem a ver com autenticidade, com ele ter sido provocador, sempre entregar uma experiência incrível para todo o seu público”, observou Sturm.

O MIS tem entrada gratuita às terças-feiras e também na terceira quarta-feira de cada mês. Mais informações sobre a exposição podem ser obtidas no site da mostra.

 

Botafogo perde para o Racing e se complica na Recopa Sul-Americana

O Botafogo ficou em situação complicada na disputa pelo inédito título da Recopa Sul-Americana, pois foi derrotado por 2 a 0 pelo Racing (Argentina), nesta quinta-feira (20) no estádio El Cilindro, em Buenos Aires, na partida de ida da competição que coloca frente a frente o atual campeão da Copa Libertadores e o vencedor da Copa Sul-Americana.

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Desta forma, o Alvinegro de General Severiano terá que vencer, na próxima quinta-feira (27) no estádio Nilton Santos, pela diferença de três ou mais gols para ficar com o título no tempo regulamentar. Um triunfo por dois gols leva para a disputa de pênaltis. Já o Racing é campeão com um empate ou até mesmo com uma derrota por um gol de diferença.

O Botafogo não fez uma boa apresentação fora de casa. Diante de um estádio lotado, cometeu erros que não podem ser cometidos em uma decisão. E um deles permitiu que o Racing abrisse o placar. Aos 24 minutos do primeiro tempo o zagueiro argentino Barboza derrubou Adrián Martínez dentro da área. E o juiz marcou pênalti. Vietto foi para a cobrança e não falhou.

O Alvinegro até começou melhor na etapa final, mas qualquer chance de reação foi por água abaixo aos 17 minutos, quando o Racing encaixou rápido contra-ataque que terminou com um toque por cobertura de Adrián Martínez que deixou o goleiro John sem reação.

Dólar cai para R$ 5,70 com possibilidade de acordo entre EUA e China

Em um dia de trégua no mercado internacional, o dólar caiu com a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e China. A bolsa oscilou bastante ao longo do dia, mas teve a primeira alta após duas quedas seguidas.

O dólar comercial encerrou esta quinta-feira (20) vendido a R$ 5,704, com recuo de R$ 0,022 (-0,38%). A cotação operou em baixa durante todo o dia. Na mínima da sessão, por volta das 14h45, chegou a R$ 5,68, mas um movimento de compra por investidores que se aproveitaram da cotação barata elevou a cotação para acima de R$ 5,70.

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Com o desempenho desta quinta, a moeda norte-americana acumula queda de 2,28% em fevereiro. Em 2025, o recuo chega a 7,68%.

O mercado de ações teve um dia mais volátil. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 127.606 pontos, com alta de apenas 0,23%. O indicador alternou altas e baixas ao longo do dia, mas fechou em leve alta apoiado por ações de mineradoras.

Sem notícias econômicas no Brasil, as negociações foram dominadas pelo mercado externo. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou ser possível um novo acordo comercial com a China em entrevista a bordo do avião presidencial. Um acerto entre os dois países poderia significar atraso ou flexibilização do aumento de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos.

A declaração trouxe mais alívio que outra fala de Trump, que disse pretender instituir uma tarifa de 25% sobre madeira e produtos florestais a partir de abril.

*Com informações da Reuters

 

Mega-Sena acumula novamente e pode pagar prêmio de R$ 120 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.831 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (21). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 120 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 02 – 09 – 32 – 38 – 48 – 55.

Esse foi o 11ª sorteio seguido em que o prêmio principal da Mega-Sena não tem vencedor. 

A quina teve 104 apostas vencedoras, que irão receber  R$ 61.922,77 cada. Outras 8.283 apostas tiveram quatro acertos e faturaram R$ 1.110,70.

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de sábado (22), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa Econômica Federal. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 5.


 

Rafael Matos e Marcelo Melo alcançam semifinal do Rio Open

Os brasileiros Rafael Matos e Marcelo Melo se garantiram nas semifinais do torneio de duplas do Rio Open após derrotarem o português Francisco Cabral e o holandês Jean-Julien Rojer por 2 sets a 0 (parciais de 6/4 e 6/3), nesta quinta-feira (20) no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro.

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“Hoje foi um belo jogo para nós, [pois] conseguimos imprimir bem nosso jogo. Eu usando as minhas armas, o Rafa usando as deles da melhor maneira possível. O jogo era duríssimo hoje, jogamos contra eles na semana passada e ganhamos por 10-8 no super tie-break. Hoje [foi] muito mais controlável. Jogar em casa, no Brasil, dá inconscientemente mais energia e acho que foi um jogo praticamente perfeito para nós”, declarou Marcelo Melo.

Agora os brasileiros medirão forças com o italiano Luciano Darderi e o argentino Mariano Navone para buscarem uma vaga na decisão da disputa de duplas do maior torneio da América do Sul.

“São dois jogadores bem sólidos de fundo, gostam bastante do saibro. Acho que teremos que montar bem a tática. Também será um jogo diferente das duas primeiras rodadas. Mas será um jogo duro, eles estão na semi por grande mérito, também ganharam dois bons jogos”, afirmou Rafael Matos.

Faturamento da Indústria de alimentos cresce 10% em 2024

O faturamento da indústria brasileira de alimentos alcançou R$ 1,277 trilhão em 2024, um aumento de 9,98% em relação ao ano anterior. O resultado representa 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Os dados, divulgados nesta quinta-feira (20), são da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).

Segundo o levantamento, a maior parte do faturamento, 72%, ou R$ 918 bilhões, foi proveniente do mercado interno; 28% do comércio exterior (US$ 66,3 bilhões). Já as vendas em 2024 apresentaram expansão de 6,1% e a produção,  3,2%, alcançando 283 milhões de toneladas de alimentos. 

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De acordo com a Abia, a indústria de alimentos investiu em 2024 aproximadamente R$ 40 bilhões. Do total, R$ 24,9 bilhões foram direcionados para inovações e R$ 13,80 bilhões, para fusões e aquisições. 

“A Abia reafirma o compromisso anunciado pela indústria de investir R$ 120 bilhões no período de 2023 a 2026. Só em 2023 e 2024, a indústria investiu R$ 74,7 bilhões, mais de 62% do projetado para o período. Com esses investimentos, o setor demonstra a força e a consistência desse movimento, essencial para garantir competitividade e abastecimento nos mercados interno e externo”, destacou o presidente executivo da entidade, João Dornellas, em nota.

Supermercado do mundo

Desde 2022, o Brasil ocupa a posição de líder mundial na exportação de alimentos industrializados, em volume. No ano passado, foram 80,3 milhões de toneladas, 10,4% acima do apurado em 2023. No acumulado de 2024, a receita com essas vendas alcançou o patamar recorde de US$ 66,3 bilhões, valor 6,6% acima do verificado no ano anterior, de US$ 62,2 bilhões. 

Os principais mercados de exportação dos produtos brasileiros em 2024 foram Ásia (38,7% das exportações, destaque para a China, com participação de 14,9%), seguida da Liga Árabe (18,9%) e da União Europeia (12,6%). Os itens que lideram a lista são carnes (US$ 26,2 bilhões); produtos do açúcar (US$ 18,9 bilhões); produtos de soja (US$ 10,7 bilhões); óleos e gorduras (US$ 2,3 bilhões); e sucos e preparações vegetais, (US$ 3,7 bilhões).

Moraes manda Rumble indicar representante legal no Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (20) que a rede social Rumble indique um representante legal no Brasil. O prazo deverá ser cumprido em 48 horas. Caso a decisão não seja cumprida, a rede poderá ser suspensa no país e condenada ao pagamento de multa. 

A decisão foi tomada após o ministro constatar que a empresa está sem representante no país. Conforme documentos que constam nos autos, os advogados da empresa renunciaram ao mandato de representação e novos representantes não foram indicados.

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“O ordenamento jurídico brasileiro prevê, portanto, a necessidade de que as empresas que administram serviços de internet no Brasil tenham sede no território nacional, bem como, atendam às decisões judiciais que determinam a retirada de conteúdo ilícito gerado por terceiros, nos termos do dispositivos anteriormente indicados, sob pena de responsabilização pessoal”, decidiu o ministro.

A deliberação do ministro foi feita no processo no qual foi determinada a prisão e a extradição do blogueiro Allan dos Santos, acusado de disseminar ataques aos ministros da Corte. Atualmente, ele mora nos Estados Unidos.

Segundo Moraes, apesar da determinação da suspensão dos perfis nas redes sociais, Allan continua criando novas páginas para continuar o “cometimento de crimes”.

“Os canais/perfis do investigado Allan Lopes dos Santos nas redes sociais são usados como verdadeiros escudos protetivos para a prática de atividades ilícitas, conferindo ao investigado uma verdadeira cláusula de indenidade penal para a manutenção do cometimento dos crimes já indicados pela Polícia Federal, não demonstrando o investigado qualquer restrição em propagar os seus discursos criminosos”, disse Moraes.

A decisão de Moraes ocorre no momento em que o grupo de mídia do presidente dos Estados Unidos , Donald Trump, e o Rumble recorreram à Justiça norte-americana para acusar o ministro de  “censurar” as plataformas e suspender contas de usuários.

General estava com raiva e pressionava Bolsonaro por golpe, diz Cid

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que o general da reserva Mário Fernandes (foto em destaque), um dos denunciados pela tentativa de golpe de Estado, estava entre os que mais pressionavam o ex-presidente Jair Bolsonaro a tomar alguma medida de intervenção contra a democracia nos dois meses entre o fim das eleições de 2022 até a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em janeiro de 2023. Os detalhes constam em material de áudio e vídeo de delação premiada do militar liberado nesta quinta-feira (20) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que detalha um plano de ruptura institucional movido pelo ex-presidente e aliados.

A delação de Cid, que trabalhou ao lado de Bolsonaro durante todo mandato presidencial, serviu de base para a denúncia apresentada na terça-feira (18) em que o procurador-geral da Republica, Paulo Gonet, acusou o ex-presidente e o próprio Cid, além de outras 32 pessoas, pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

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Fernandes, que é general do Exército e, no fim do mandato de Bolsonaro, foi secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência, já foi comandante dos kids pretos, força de elite do Exército. De acordo com a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), ele ficou responsável por coordenar as ações de monitoramento e assassinato de autoridades públicas, incluindo do presidente Lula, do vice Geraldo Alckmin e do próprio ministro Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse plano de atentado, descoberto pelos investigadores, era chamado de Punhal Verde e Amarelo.

“Ele [Fernandes] era um general que estava muito ostensivo, inclusive nas redes sociais. Estava com os manifestantes o tempo todo, estava indo lá. Inclusive, o general Freire Gomes [então comandante do Exército] até cogitou punir ele, porque ele estava muito ostensivo na pressão para que os generais para que pudessem fazer alguma coisa. Ele estava bem, digamos, raivoso. Era o que mais impulsionava o presidente [Bolsonaro] a fazer alguma coisa”, citou Mauro Cid na delação.

Fernandes foi preso no fim de novembro do ano passado, em operação da Polícia Federal (PF) que descobriu os planos para assassinar autoridades e instalar o caos no país. A investigação apontou que ele seria um dos militares “mais radicais” da trama golpista e que teria atuado como elo entre os manifestantes acampados em quarteis generais pelo país após as eleições de 2022, o governo federal e militares de diferentes patentes.

Segundo Mauro Cid, além de Mário Fernandes, outro envolvido nos planos golpistas é o general Walter Braga Netto, que também está preso em unidade do Exército no Rio de Janeiro.

“Braga Netto conversava todo dia com Bolsonaro, de manhã e no final da tarde, durante o período, após a derrota eleitoral, em que Bolsonaro ficou recluso no Alvorada”, afirmou Cid.

O delator contou que foi ele mesmo quem agendou uma reunião, na casa de Braga Netto, no dia 12 de novembro de 2022, da qual também participaram dois coronéis do Exército: Rafael Oliveira e Ferreira Lima. Foi este o encontro que iniciou o planejamento dos atentados contra Lula, Alckmin e Moraes. No entanto, Cid disse que saiu da reunião antes que o plano fosse discutido, por orientação de Braga Netto, para evitar conexão direta com o então presidente Jair Bolsonaro. Apesar disso, de acordo com a PGR, Jair Bolsonaro estava ciente e concordou com o planejamento e a execução de ações para os atentados contra a vida das três autoridades.

“Eu não participei do planejamento, não sabia qual era o objetivo, até pelo princípio da compartimentação, que é clássico na inteligência, nas Forças Especiais, só sabe e só pergunta o que você precisa saber. Só me ative a ajudar com o que eles demandavam. Não tinha noção que pudesse ser algo grave assim, de sequestro, assassinato, até que ponto eles podiam chegar”, disse Cid no depoimento a Alexandre de Moraes.

R$ 100 mil em sacola de vinho

Em uma dessas demandas, o coronel Rafael Oliveira pediu a Cid que buscasse recursos para viabilizar o plano. Cid então teria procurado inicialmente um tesoureiro do Partido Liberal (PL), o partido de Bolsonaro, mas, diante da negativa, recebeu, no início de dezembro, no Palácio do Planalto, o valor em espécie de R$ 100 mil. O dinheiro foi entregue em mãos pelo próprio general Braga Netto, que disse ter obtido a quantia com o “pessoal do agronegócio”.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Na delação premiada, Cid revelou que Braga Netto, juntamente com os coronéis Oliveira e Ferreira Lima, concordavam com a necessidade de ações que gerassem uma grande instabilidade e permitissem uma medida excepcional pelo presidente da República que impedisse a posse de Lula, então presidente eleito.

Apesar de Mário Fernandes ser do alto escalão da Secretaria-Geral da Presidência da República, na época ocupada pelo general Luiz Eduardo Ramos, a delação de Mauro Cid exime Ramos de envolvimento direto na trama, por causa de seu afastamento de Bolsonaro no período. Ramos não consta na lista de denunciados pela PGR.

“O general Ramos foi completamente alijado do processo. Ele teve alguns problemas com o presidente. Ele até achava que seria o ministro da Defesa, o presidente não nomeou. O presidente foi, devagarzinho, escanteando ele. Tanto que, no final do ano, ele não apareceu. O senhor pode perceber que não tem nenhuma mensagem dele. Ele queria ser o ministro da Defesa e o presidente não quis colocar ele”.

Duplas de Bia Haddad e de Luisa Stefani caem no WTA de Dubai

A trajetória das duplas das brasileiras Beatriz Haddad Maia e Luisa Stefani no WTA 1000 de Dubai (Emirados Árabes Unidos) chegou ao final nesta quinta-feira (20). Atuando ao lado da alemã Laura Siegemund, Bia foi superada, nas quartas de final, pela checa Katerina Siniakova e pela norte-americana Taylor Townsend por 2 sets a 1 (parciais de 6/3, 4/6 e 7/10).

Também nas quartas da competição, Stefani e a norte-americana Bethanie Mattek-Sand caíram diante de Jelena Ostapenko (Letônia) e de Su Wei Hsieh (Taiwan) por 2 sets a 1 (parciais de 5/7, 7/5 e 3/10).

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Número 16 do mundo, Bia Haddad também disputou a chave de simples em Dubai, mas caiu na estreia, na última segunda (17). A brasileira sofreu revés para a russa Anastasia Potapova (33ª no ranking), por 2 sets a 0 (6/3 e 6/0).

Intenção de consumo entre as famílias cai 0,2% em fevereiro

A intenção de consumo das famílias caiu 0,2% de janeiro para fevereiro, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a confederação, a queda foi impactada principalmente pela redução de consumo de bens duráveis – que são aqueles com vida útil longa, como automóveis, geladeiras, máquinas de lavar roupa, computadores, entre outros. O índice mostra ainda uma maior cautela principalmente entre as famílias de maior renda.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) foi divulgada nesta quinta-feira (20) pela CNC. O índice chegou aos 104,5 pontos, descontados os efeitos sazonais. Em comparação com fevereiro de 2024, a queda foi ainda maior, 1,1%. Este é o quinto mês consecutivo que há redução da intenção de consumo na análise anual, sendo esta, segundo a CNC, a mais intensa.

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Ainda assim, o índice, que vai até 200 pontos, mantém-se acima dos 100 pontos, o que indica que os consumidores estão satisfeitos.

Os dados divulgados mostram que as famílias de maior renda estão mais cautelosas ao consumir, com uma queda de 0,5% no mês entre as famílias com renda maior que dez salários mínimos, ou seja, acima de R$ 15.180. Também houve queda, mas em menor intensidade, entre as famílias com renda inferior a esse valor, de 0,2%.

A pesquisa é feita com base em 18 mil questionários analisados mensalmente, com dados de consumidores coletados em todas as Unidades Federativas. O IFC é composto por sete indicadores: três sobre as condições atuais (emprego, renda e nível de consumo), dois sobre expectativas para três meses à frente (perspectiva de consumo e perspectiva profissional), além da avaliação do acesso ao crédito e momento atual para aquisição de bens duráveis.

A maioria dos componentes revelou movimento de alta, com exceção principalmente do momento para compra de duráveis. Esse item, de acordo com a divulgação, teve a maior redução da sua taxa, de 1,6%. Isso ocorre após resultados positivos de 0,9% tanto no final do ano passado quanto no início de 2025. O item atingiu, em fevereiro, a menor pontuação entre os analisados, 70 pontos, abaixo dos 100 pontos, o que indica insatisfação. Na análise da CNC, as famílias sentem maior impacto dos juros altos.

Em relação ao emprego, depois de quatro meses de baixas, os consumidores se mostraram mais otimistas em relação às oportunidades profissionais. O item emprego atual, que mede a satisfação com o trabalho, apresentou alta de 0,2%, enquanto o item perspectiva profissional, que mede a percepção do trabalhador sobre o cenário de oportunidades profissionais a médio prazo, teve o quinto crescimento seguido, de 0,4%.

Moraes nega pedido de Bolsonaro para entregar defesa em 83 dias

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (20), em Brasília, pedido feito pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para apresentar defesa no prazo de 83 dias.

A solicitação foi feita após Moraes determinar a intimação dos advogados do ex-presidente para se manifestarem sobre a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito da trama golpista. O prazo de 83 dias seria para compensar o mesmo período em que o processo ficou na procuradoria para a elaboração da denúncia.

Sem amparo legal

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Na decisão, Moraes disse que o pedido não tem amparo legal. “Os requerimentos alternativos formulados para a concessão de 83 dias de prazo ou prazo em dobro [30 dias] carecem de qualquer previsão legal, pois a legislação prevê o prazo de 15 dias, nos termos do art. 4º da Lei 8.038/90 e no art. 233 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”, justificou.

Mais cedo, a defesa de Bolsonaro alegou que a denúncia possui muitos documentos e o prazo de 15 dias – previsto em lei – não é suficiente para os advogados exercerem a defesa.

Moraes manda rede social X pagar multa de R$ 8,1 milhões

O ministro Alexandre de Moraes (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (20), em Brasília, que a rede social X – antigo Twitter – faça o pagamento imediato da multa de R$ 8,1 milhões aplicada contra a empresa em outubro do ano passado.

Ele decidiu pelo pagamento da multa após o X deixar de retirar do ar o perfil do blogueiro Allan dos Santos, depois da divulgação de conversas falsas atribuídas a uma jornalista. 

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Posteriormente, a conta foi suspensa, mas as informações cadastrais do perfil não foram enviadas ao STF porque o X informou que não guarda os dados. A empresa recorreu da decisão, mas os recursos foram rejeitados pelo ministro.

Conta bancária

Após receber a indicação de que a rede social vai fazer o pagamento da multa, Moraes indicou a conta bancária para depósito.

“Intime-se a empresa X Brasil Internet LTDA, por meio de seus advogados regularmente constituídos, para que efetue o imediato pagamento integral da multa imposta em razão do descumprimento das decisões judiciais, no valor de R$ 8.100.000,00”, declarou o ministro.

A decisão de Moraes ocorre no momento em que o grupo de mídia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recorre à Justiça norte-americana para acusar o ministro de  “censurar” as plataformas e suspender contas de usuários.

Vídeo mostra que Mauro Cid passou mal ao receber mandado de prisão

Um dos vídeos da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid divulgados nesta quinta-feira (20) mostra a reação do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro ao ser preso durante audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), em março do ano passado.

Na ocasião, Cid foi chamado pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes para dar esclarecimentos sobre um áudio divulgado pela revista Veja que informava que o militar comentou que foi pressionado pela Policia Federal a delatar episódios dos quais não tinha conhecimento sobre as investigações da trama, promovida pelo então presidente Jair Bolsonaro, que pretendia impedir que o presidente eleito Lula tomasse posse em 2023.

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Após criticar o vazamento das conversas e esclarecer que o áudio foi enviado a amigos próximos, Mauro Cid foi informado de que seria preso. A leitura do mandado de prisão foi feita pelo juiz Airton Vieira, magistrado instrutor do gabinete de Moraes.

“Tenho que cientificar a todos que o relator, ministro Alexandre de Moraes, decidiu e decretou a prisão preventiva de Mauro Cid. Eu tenho em mãos a decisão assinada pelo relator. Posteriormente, os senhores vão recebê-la e vão tomar ciência de seu conteúdo e as razões que levaram o senhor ministro a decretar a prisão preventiva”, afirmou.

Ao receber a notícia de sua prisão, Mauro Cid coloca as mãos na cabeça repetidamente e mostra descontentamento. Em seguida, ele começa a passar mal e desabotoa as mangas da camisa. Os seguranças que estavam na sala se aproximam do militar ao perceber o incômodo.

Após deixar a sala de audiências, longe das câmeras, Cid desmaiou e foi socorrido por brigadistas.

Meses depois, Cid deixou a prisão e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

O sigilo dos vídeos da delação foi retirado nesta quinta-feira após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 investigados no inquérito do golpe.

De acordo com a denúncia apresentada pela PGR, além do monitoramento de Moraes, Bolsonaro estava ciente e concordou com o planejamento e a execução de ações para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice presidente Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. 

Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o plano intitulado Punhal Verde Amarelo foi arquitetado e levado ao conhecimento do então presidente da República.

Veja trecho dos vídeos:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Ajudar a família e mais educação: alunos contam como usam o Pé-de-Meia

A estudante Eduarda Caetano, de 17 anos, que faz a 3ª série do ensino médio em uma escola pública, além de um curso técnico de contabilidade com duração de dois anos, aguarda para este mês o depósito da primeira parcela do Programa Pé-de-Meia, no valor de R$ 1 mil, referente à conclusão do segundo ano, em 2024. Eduarda estuda em Samambaia, região administrativa a 33 quilômetros do centro de Brasília. 

A expectativa pelo recebimento do incentivo anual cresce após o ministro da Educação, Camilo Santana, ter informado pelas redes sociais que, até a próxima semana, os mais de 3,9 milhões de beneficiários do programa receberão os recursos desbloqueados no dia 12 pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para bancar o pagamento do programa federal.

Mesmo sabendo que o saque desta parcela da poupança do Pé-de-Meia somente poderá ser feito após a formatura no ensino médio, Eduarda já faz planos para usar o incentivo. Como a estudante mora em uma área rural, ela adianta que quer custear a primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para dirigir até a faculdade onde for aprovada.

Por ora, enquanto cursa a 3ª série em 2025, Eduarda Caetano aproveita os recursos depositados pela frequência escolar em 2024 para pagar despesas pessoais.

“Antes, eu não tinha renda, porque estudo, faço um curso e não tinha como trabalhar. O Pé-de-Meia me ajudou muito, porque eu consigo lanchar no curso; às vezes, sair; comprar produtos de higiene e, quando minha mãe precisa de alguma coisa, eu dou o dinheiro para ela”, conta Eduarda.

Outro aluno do Centro Educacional 619 de Samambaia é Gustavo Henry Alves da Silva, também com 17 anos. Por ser de uma família já incluída no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico), o adolescente cumpre todos os requisitos para ser beneficiário do programa apelidado de Poupança do Ensino Médio.

Desde o início do recebimento das parcelas do Pé-de-Meia, as maiores preocupações de Gustavo se restringem a questões escolares: trabalho em grupo, disciplinas, apresentação de trabalhos, notas das provas. Do portão para fora, parte da quantia que já foi liberada para saque serviu para complementar a renda familiar. Gustavo Henry mora com seis parentes.

“Houve momentos em que eu realmente usei esse dinheiro para auxiliar a minha família. [O Pé-de-Meia] me ajuda a comprar alimento básico para casa, pagar uma conta. Não vou gastar em besteira. Esse dinheiro é muito importante e deve ser guardado,” ressalta Gustavo, ao falar sobre como administrar o incentivo financeiro até ser aprovado para o curso superior de artes cênicas ou de psicologia.

Nicolly: programa ajudou a ter melhores notas – Antônio Cruz/Agência Brasil

 Já Nicolly Evelyn, de 17 anos, credita ao Pé-de-Meia a melhora das notas de matérias de exatas, desde o ano passado, quando foi aluna da 2ª série do ensino médio.

Como o programa federal condiciona o pagamento das parcelas à comprovação da frequência escolar mínima de 80% das aulas e à aprovação no fim de cada ano do ensino médio, Nicolly Evelyn começou a se dedicar mais aos estudos. “Antes, eu não ligava muito, mas depois que passei a receber o Pé-de-Meia, comecei a estudar mais. [O Pé-de-Meia] me incentivou. Ele é bom para minha vida, porque me fez perceber que preciso ter algo para o meu futuro.”

A jovem mora com os pais e três irmãos, todos inscritos no CadÚnico. De aluna de notas medianas antes do Pé-de-Meia, agora, ela sonha em seguir carreira na área de tecnologia da informação (TI) e confessa planos para aplicar os recursos do Pé-de-Meia. “Vou usar meu dinheiro extra em cursos para entrar no ensino superior, se não for aprovada pelo Enem, e também para comprar um notebook ou um tablet, tão necessário para a faculdade”, ressalta.

Outro secundarista que tem investido as parcelas do Pé-de-Meia em mais educação é Vinícius Cassiano, de 17 anos, que divide a rotina escolar matutina com o trabalho de auxiliar administrativo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), no turno vespertino. É com o dinheiro do Pé-de-Meia que ele paga um curso técnico de administração, à noite. “Meu pai sempre me incentiva a fazer algum curso porque vai valer o tempo que a gente gasta estudando, aqui. Vou ser recompensado no futuro”, afirma Cassiano.

“Acho bastante interessante esse programa feito para ajudar os alunos de baixa renda, porque muitos não têm condições de investir em um curso ou de comprar coisas que gostam”, destaca Vinícius.

Sobre o futuro, a única certeza que ele tem é o saque da cifra equivalente a dois anos de Pé-de-Meia. Fora a poupança, o estudante ainda não cravou a trajetória após a conclusão do ensino médio, prevista para dezembro deste ano. As inclinações são a faculdade de administração ou a carreira militar.

Vinicius pensa em ser militar ou administrador – Antônio Cruz/Agência Brasil

Visão abrangente

Os relatos sobre os impactos do Pé-de-Meia nas vidas desses estudantes são percebidos de forma mais globalizada pela diretora da unidade de Samambaia, Alice Macera, principalmente, pela redução da evasão escolar.

“Neste momento, eles se preocupam em vir para a escola para não levar falta, porque eles descobriram que a falta os faz perder o Pé-de-Meia. Antes, não era assim, muitos deles não se importavam em ir à escola ou não. Agora, se tornaram mais responsáveis.”

Alice Macera, diretora da escola em Samambaia – Antônio Cruz/Agência Brasil

A equipe da gestora é responsável por informar eletronicamente, todos os meses, quem comparece e quem falta às aulas. A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal recebe os dados e informa ao MEC. A frequência escolar de pelo menos 80% das aulas garante que os alunos recebam as nove parcelas anuais, de R$ 200 cada, relativas ao incentivo-frequência do Pé-de-Meia.

A instituição de ensino comandada há 13 anos por Alice abriga cerca de 1,7 mil estudantes em dois turnos. Muitos deles conciliam estudo e trabalho. A gestora também notou que, muitos deles, após terem acesso à política pública, passaram a se dedicar exclusivamente ao estudo.

“Com o Pé-de-Meia, há quem deixou de trabalhar para focar mais no estudo. Para outros que trabalham, o Pé-de-Meia é um complemento da renda. Com isso, o estudante não está só preocupado com o trabalho. Agora, ele se concentra mais na escola”.

Programa

Criado em janeiro de 2024, o Pé-de-Meia tem o objetivo de promover a permanência e a conclusão escolar dos jovens matriculados do ensino médio regular e na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede pública, incluídos no CadÚnico.

Os depósitos são feitos pelo MEC em uma conta aberta automaticamente pela Caixa Econômica Federal em nome dos estudantes.

As bolsas são pagas a alunos com matrícula ativa em escolas públicas de ensino médio ou na EJA, que cumprem os critérios do programa, como:

·         faixa etária de 14 a 24 anos para estudantes do ensino médio regular e de 19 a 24 anos para a EJA;

·         ter cadastro atualizado no CadÚnico;

·         frequência escolar adequada;

·         aprovação em todas as disciplinas do ano letivo;

·         participação no Enem.

O programa prevê o pagamento de até R$ 9,2 mil por estudante que complete o ciclo de três anos do ensino regular.

Os estudantes podem verificar se foram contemplados pelo Pé-de-Meia nos aplicativos gratuitos para smartphones e tablets: o Caixa Tem e o Jornada do Estudante.

 

Petrobras faz parceria com governo para capacitar famílias do CadÚnico

A Petrobras vai capacitar pessoas em situação de vulnerabilidade social inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) para que possam conseguir emprego na indústria de petróleo e gás. Além de promover oportunidade de renda para famílias de baixa renda, a iniciativa procura preencher uma lacuna de mão de obra especializada em operações da companhia.

A empresa vai aderir ao Programa Acredita Primeiro Passo, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O protocolo de intenções será assinado pela presidente da empresa, Magda Chambriard, e o ministro Wellington Dias, na tarde desta quinta-feira (20), na sede da estatal, no Rio de Janeiro.

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O CadÚnico é um conjunto de informações sobre as famílias em situação de pobreza e o principal instrumento do governo para a seleção e a inclusão de pessoas em programas sociais, como o Bolsa Família, Pé-de-Meia, Tarifa Social de Energia Elétrica, Auxílio Gás e Minha Casa Minha Vida. São cerca de 40 milhões de inscritos.

A gerente de Projetos Sociais da Petrobras, Marcela Levigard, explicou à Agência Brasil que a estatal do petróleo vai utilizar o já existente Programa Autonomia e Renda da companhia como braço de atuação na parceria com o governo federal.

Grupos vulnerabilizados

Dentro do CadÚnico, a Petrobras vai dar prioridade para grupos vulnerabilizados, como pretos e pardos, mulheres, pessoas com deficiência (PCD), pessoas trans, indígenas, quilombolas e refugiados, além de desempregados. Os alunos recebem ainda uma bolsa auxílio mensal. As inscrições podem ser feitas neste endereço.

“O Programa Autonomia e Renda é a nossa forma de contribuir para essa iniciativa do governo federal de qualificar pessoas em situação de vulnerabilidade, para que elas possam ampliar suas oportunidades de empregabilidade em um segmento de óleo e gás”, diz Levigard.

De acordo com o ministro Wellington Dias, cerca de 70 organizações têm parceria com o programa da pasta. “Acreditamos que a geração de oportunidades é o que trará qualidade de vida e maior participação social para famílias que estão vulneráveis”, afirmou o ministro, que ainda nesta quinta-feira, assina a parceria com a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), também no Rio de Janeiro.

Especialidades

A Petrobras calcula oferecer cerca de 20 mil vagas nos cursos de qualificação em 2025 e 2026. A companhia fez um mapeamento em várias operações da empresa, como exploração, produção e refino de petróleo, para identificar quais as lacunas de mão de obra qualificada.

Segundo Levigard, a maior parte das vagas será para quem cursou ao menos o 5º ano do ensino fundamental. São funções como caldeireiro, soldador, montador de andaime e pintura industrial. Já para quem tem o ensino médio, são cursos técnicos em áreas como eletrotécnica, segurança do trabalho e mecânica.

Karoline Batista é aluna do curso técnico de eletrotécnica em Araucária, no Paraná, cidade onde fica a Refinaria Presidente Getulio Vargas. Aos 28 anos, ela diz que viu na vaga aberta a oportunidade de voltar a estudar, “tendo a chance de ser um curso profissionalizante, em uma instituição renomada”.

É uma oportunidade para voltar a estudar, diz Karoline,  –  Foto:  Karoline Batista/Arquivo pessoal

“Esse curso abriu minha cabeça, tivemos a oportunidade de fazer nossa aula inaugural dentro da Petrobras, onde é meu sonho trabalhar, então sei que se me esforçar, me dedicar, vou conseguir ir muito longe”, disse à Agência Brasil.

A gerente Marcela Levigard explica que a mão de obra formada pelo programa de qualificação não será contratada diretamente pelo Petrobras, o que exige concurso público. A ideia é que os profissionais sejam absorvidos por empresas terceirizadas que fazem parte da cadeia de suprimentos da estatal.

Para adequar a formação profissional às necessidades da cadeia de óleo e petróleo, a Petrobras buscou instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia para formatar os cursos.

Mão de obra local

Levigard conta que os cursos são oferecidos em regiões onde há a atuação da Petrobras, de forma que a capacitação de mão de obra local atenda a pressões por ocupação das próprias comunidades.

“Pressão daquela comunidade que está ali em entorno, que vê aquela obra grande acontecendo e pensa ‘eu quero trabalhar, eu quero fazer parte disso’”, diz.

Ela acrescenta que para a empresa é “muito mais interessante” poder contar com trabalhadores locais. “Não vai ter custo de alojamento, não vai impactar equipamento de serviço público. Se a sua mão de obra vier de fora, você gera esses impactos, preço do aluguel, custo de vida, em tudo isso”.

Segundo a gerente, algumas operações da Petrobras conseguem ter mais de 80% de trabalhadores da própria região. “A mão de obra que vem de fora é muito específica, muito especializada”.

Os cursos são oferecidos em 47 cidades de sete estados, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Pernambuco, a maior parte relacionada a operações de refinarias.

Em Pernambuco está a maior parte das vagas, mais de 7,3 mil, por causa das obras de ampliação da Refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, região metropolitana do Recife.

“No pico da obra, teremos lá de 10 mil a 12 mil pessoas. Existe um clamor daquelas comunidades que estão em torno das nossas operações de que elas precisam ser atores principais no processo. Não tem necessidade na visão delas, da nossa também, de se importar mão de obra para aquela região”, comenta o gerente executivo de Responsabilidade Social, José Maria Rangel.

Rafaelson Barbosa da Silva mora em Cabo de Santo Agostinho, município vizinho de Ipojuca, e faz um curso de caldeireiro, com a esperança de se empregar na Abreu e Lima.

Barbosa da Silva, faz curso de caldeireiro, diz que o novo curso é porta de oportunidades – Foto:  Rafaelson Barbosa/Arquivo pessoal

“Eu vejo esse curso como uma porta de novas oportunidades, porque eu já trabalhei muito em oficina, um pouco com montagem e ganhei a classificação de soldador. Eu via muito as pessoas trabalhando como caldeireiro e fiquei com vontade”, disse à Agência Brasil o pernambucano de 35 anos.

Está no radar da empresa fazer um mapeamento para instituir o programa de capacitação no Amapá, estado que servirá de base para a exploração de petróleo na Margem Equatorial, tida como de grande potencial.

A intenção é que, uma vez que a exploração seja liberada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), não haja uma enxurrada de trabalhadores forasteiros.

“Está no nosso radar uma avaliação da ampliação do programa, fazendo um levantamento de quais são as carreiras que a gente vai ter lá”, adiantou Rangel.

Maioria feminina

O Programa Autonomia e Renda começou as primeiras qualificações em setembro de 2024 e terminou o ano passado com 1,1 mil inscritos. As primeiras turmas se formarão em março.

Entre os que procuram a capacitação, 75% são pretos ou pardos. Entre os alunos, 60% são mulheres e 45% são mulheres com filhos de até 11 anos.

A bolsa auxílio é R$ 650. Para mulheres com filhos até 11 anos, o valor sobe para R$ 858. “A mulher para poder estudar com um filho pequeno, vai ter que ter um dinheirinho para pagar alguém para cuidar da criança”, diz Levigard, ressaltando que trabalho de cuidado de filhos ainda é muito atribuído às mulheres.

O fato de a maioria das vagas serem ocupadas por mulheres pode ser um impulso para alterar a realidade atual da indústria de petróleo e gás, ocupada majoritariamente por homens.

“Potencial temos de sobra! Creio que, com toda a preparação e conhecimento adquirido, podemos e iremos entregar um serviço de excelência tanto quanto os homens”, afirma Karoline, do curso em Araucária e mãe de um menino de 8 anos.

Requalificação

O Autonomia e Renda tem também a função de requalificar trabalhadores. José Maria Rangel contextualiza que há seis anos a Petrobras sofreu um processo de “desmonte”, o que deixou pessoas desempregadas. Segundo ele, atualmente a empresa precisa desses trabalhadores de volta.

“Só que essa mão de obra está sem praticar, sem treinar há seis anos. Então, o projeto vai nessa linha”.

Empresas contratantes

A Petrobras incentiva que os trabalhadores capacitados cadastrem currículos em bancos de emprego do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e em Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT), ao mesmo tempo em que estimula as empresas da cadeia do petróleo que disponibilizem as vagas nesses bancos.

Ao fazer as concorrências públicas para fechar contrato empresas terceirizadas, a Petrobras não pode exigir que essas firmas admitam apenas funcionários qualificados pelo Autonomia e Renda, mas faz articulação para que a oferta de trabalhadores seja aproveitada.

“Um movimento no sentido de mostrar para os empresários que existe uma mão de obra qualificada ali”, comentou Rangel.

Já em relação à primeira oportunidade no mundo do trabalho, o gerente executivo afirmou que há cláusulas que exigem de 15% a 30% das vagas ocupadas por pessoas no primeiro emprego.

 

Vídeo mostra Moraes questionando Cid sobre omissões em delação

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), advertiu o tenente-coronel Mauro Cid sobre as consequências de omitir informações durante os depoimentos de delação, sobretudo, sobre o envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro na trama golpista.  A tentativa de omitir fatos foi tornada pública ontem (19), após a divulgação dos depoimentos escritos. Cid é ex-ajudante de ordens Bolsonaro.

Hoje, Moraes retirou o sigilo dos vídeos dos depoimentos de delação premiada.

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No início do depoimento, por volta dos cinco primeiros minutos, Moraes disse que omissões e contradições foram encontradas pela Polícia Federal (PF) durante as investigações do inquérito sobre a trama golpista para impedir o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Moraes declarou que a oitiva era uma nova oportunidade para o colaborador prestar informações verdadeiras.

“Vários documentos foram juntados aos autos, onde celulares, mensagens de celulares, mensagens de computadores, novos laudos foram juntados, se percebeu que há uma série de omissões e uma série de contradições. Eu diria aqui, com todo respeito, uma série de mentiras na colaboração premiada”, afirmou Moraes.

Prisão

O ministro também lembrou que Cid tinha a seu desfavor um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo retorno à prisão pelas omissões encontradas nos depoimentos e a possibilidade de revogação dos benefícios.

“Eventuais novas contradições não serão admitidas. Eu quero que ele diga o que sabe, mais especificamente em relação ao ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, às lideranças militares citadas, general Braga Netto, general Heleno, general Paulo Sérgio, general Ramos e eventuais outros que ele tiver conhecimento”, completou Moraes.

Durante a audiência, Cid reafirmou todas as acusações contra os investigados e os benefícios foram mantidos.

Moraes libera acesso público a vídeos e áudios de delação de Mauro Cid

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disponibilizou nesta quinta-feira (20) o acesso público a todo material em vídeo e áudio que foi captado durante os depoimentos do tenente-coronel Mauro Cid, que fechou acordo de colaboração premiada com a Justiça e revelou detalhes sobre um plano de golpe tramado na cúpula do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

A transcrição dos depoimentos, todos colhidos em ao menos cinco dias no ano passado, já havia sido liberada na quarta-feira (19) pelo ministro, que é relator da investigação sobre a trama golpista. 

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A delação de Cid, que foi ajudante de ordens e trabalhou ao lado de Bolsonaro durante todo seu mandato, serviu de base para a denúncia apresentada na terça (18) em que o procurador-geral da Republica, Paulo Gonet, acusou o ex-presidente e o próprio Cid, além de outras 32 pessoas, pelos crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. 

Bolsonaro ainda foi denunciado como líder de uma organização criminosa armada, formada em grande parte por militares da reserva e da ativa, que estaria preparada para romper a ordem constitucional e usar a violência para manter o ex-presidente no poder. 

Outros crimes imputados aos denunciados foram os de dano qualificado, agravado pelo uso de violência e grave ameaça ao patrimônio da União, e a deterioração de patrimônio tombado. Estes ilícitos estão relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. 

Cid fechou o acordo de delação premiada em setembro de 2023, diretamente o delegado de Polícia Federal (PF), quando já estava há pelos menos cinco meses preso preventivamente, sob suspeita de participação numa tentativa de acobertar o caso do desvio de joias sauditas do acervo presidencial. 

Termos

Os termos do acordo também foram tornados públicos por Moraes. Em troca de revelar detalhes sobre diferentes linhas de investigação que tinham Bolsonaro como alvo, Cid pediu o perdão judicial pelos próprios crimes ou, se não fosse possível, que pegasse uma pena de, no máximo, dois anos de prisão. 

O tenente-coronel também pediu que os benefícios fossem estendidos a seu pai, o general Mauro Lourena Cid, bem como a sua esposa e filha. Ele solicitou ainda proteção a sua família, o que foi concedido pela PF. 

Ao pedir no máximo dois anos de prisão caso seja condenado, Cid buscou evitar de uma representação por indignidade e incompatibilidade. De acordo com a Constituição (artigo 142, § 3°, incisos VI e VII), esse tipo de ação deve ser aberta no Superior Tribunal Militar (STM), obrigatoriamente, se o oficial receber pena privativa de liberdade superior a dois anos, seja na Justiça comum ou militar, pela condenação por qualquer crime. A sanção prevista é a perda de todas as patentes e seus respectivos soldos.