Saiba quem integrava grupo radical ligado a Bolsonaro que pedia golpe

Na delação do ex-ajudante de Ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid, o entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro era formado por grupos com visões diferentes dos rumos que o governo, derrotado nas urnas, deveria tomar.

Entre esses grupos, havia o mais radical, que pregava o golpe de Estado,  formado pela primeira-dama Michele Bolsonaro, pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP) e o então comandante da Marinha Almir Garnier Santos, segundo afirmou Cid.

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Também formariam o grupo, o general Mario Fernandes, assessor do ex-ministro da Secretaria de Governo general Luiz Eduardo Ramos. O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, também é citado como do grupo radical. Ainda segundo a delação de Mauro Cid, os senadores Magno Malta (PL/ES), Jorge Seif (PL/SC) e Luis Carlos Heinze (PP/RS) estavam entre os que defendiam a ruptura democrática.

Também participariam desse grupo os ex-ministros Gilson Machado, do Turismo, o general Eduardo Pazzuello, da Saúde, e Onyx Lorenzoni, ex-deputado federal que ocupou quatro diferentes pastas no governo Bolsonaro. Também foi citado o major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli

“[O grupo mais radical] era dividido em dois grupos, que o primeiro subgrupo ‘menos radicais’ que queriam achar uma fraude nas urnas; que o segundo grupo de radicais era a favor de um braço armado; que gostariam de alguma forma incentivar um golpe de Estado; que queria que ele assinasse o decreto; que acreditavam que quando o Presidente desse a ordem, ele teria apoio do povo e dos CACs [Clubes de Atiradores Desportivos e Colecionadores de Armas de Fogo]”, revela Cid na delação.

A criação de CACs foi estimulada no governo Bolsonaro. A quantidade de armas em acervos particulares civis e militares mais que dobrou entre 2019 e 2022, chegando a quase 3 milhões. Em 2018, os CACs tinham 27% desses acervos de armas de fogo. Em 2022, a fatia dos CACs nesse total aumentou para 42,5%.

O delator revela ainda que o subgrupo menos radical, entre os radicais, tentava encontrar algum elemento concreto de fraude das urnas, mas que “o grupo não identificou nenhuma fraude nas urnas”.

O senador Luis Carlos Heinze, por exemplo, tentou convencer Bolsonaro a ordenar que militares pegassem uma urna, sem autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou qualquer instância judicial, para realização de testes de integridade da máquina. Bolsonaro teria rejeitado essa solução.

Um dos principais articuladores do subgrupo mais radical, segundo Cid, era o ex-assessor internacional de Bolsonaro Filipe Martins, que chegou a ser preso em fevereiro de 2024 durante a operação Tempus Veritatis, sendo solto posteriormente

Segundo Mauro Cid, Martins elaborou um documento com argumentos para justificar a prisão de “todo mundo”. Entre eles, os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além da prisão do então presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD/MG) e “de outras autoridades que de alguma forma se opunham ideologicamente ao ex-presidente”.

Reunião no Alvorada

Cid afirma que Bolsonaro recebeu o documento, mas concordou apenas com a prisão de Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições. Em seguida, Bolsonaro teria apresentado a sugestão de golpe aos comandantes das três Forças Armadas e ao então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira. Segundo Cid, “o ex-presidente queria pressionar as Forças Armadas para saber o que estavam achando da conjuntura”.

A reunião ocorreu no dia 7 de dezembro de 2022, no Palácio da Alvorada, antes da diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cid informou que não participou de toda a reunião, apenas da primeira parte, mas que o então comandante do Exército, general Freire Gomes, teria passado para ele que Bolsonaro queria saber a posição dos comandantes sobre a possibilidade de ruptura institucional.

“O almirante Garnier, comandante da Marinha, era favorável a uma intervenção militar, afirmava que a Marinha estava pronta para agir; que aguardava apenas a ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro; que no entanto, o Almirante Garnier condicionada a ação de intervenção militar à adesão do Exército, pois não tinha capacidade sozinho”, revelou Cid na delação.

Por sua vez, o então comandante da Aeronáutica, brigadeiro Batista Júnior, teria firmado ser terminantemente contra qualquer tentativa de golpe, afirmando, “de forma categórica, que não ocorreu qualquer fraude nas eleições”. Ainda segundo Cid, o então comandante do Exército, general Freire Gomes, era um meio-termo dos outros dois generais.

“Ele não concordava como as coisas estavam sendo conduzidas; que, no entanto, entendia que não caberia golpe de Estado, pois entendia que as instituições estavam funcionando; que não foi comprovada fraude nenhuma”, disse o ex-ajudante de Ordens de Bolsonaro.

Defesas

O advogado de defesa de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, diz que Bolsonaro “jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam”.  

A defesa do general Almir Garnier Santos informou que ainda vai ler a denúncia e que posteriormente exercerá o contraditório. Mesma posição compartilha o advogado do major do Exército Ângelo Denicoli, que informou que ainda vai ler a denúncia e que posteriormente exercerá o contraditório.

O advogado de Filipe Martins disse que a denúncia apresenta uma “minuta fantasma”, cuja existência nunca foi provada. “Só esteve presente nos devaneios mentirosos de um tenente-coronel delator e de uma polícia em desgraça”, disse o advogado Paulo Gonet Branco.

O ex-ministro e ex-deputado Onyx Lorenzoni disse que a denúncia é “cortina de fumaça para desviar o foco do que realmente importa”, que seriam as crises que o Brasil vive.

O senador Luiz Carlos Heinze afirmou que a denúncia é fruto de perseguição política. “O documento, recheado de narrativa, carece de provas”, disse em uma rede social.

Os senadores Magno Malta e Jorge Seif também alegam que a denúncia é uma perseguição judicial contra a direita. Para Magno, “é mais uma prova de que o sistema segue empenhado em minar a direita por meios judiciais, já que nas urnas não conseguem derrotá-la de forma legítima”.

O senador Seif afirma que a denúncia “é fraca porque não tem prova, porque esse tal golpe nunca existiu. O que está em jogo aqui é perseguição política”. 

Posição semelhante a do filho do ex-presidente deputado federal Eduardo Bolsonaro. “Essa acusação não para em pé”.

A assessoria de imprensa do PL informou que o presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, não se manifestou ainda sobre a denúncia da PGR.

A reportagem busca manifestação dos demais citados e mantém o espaço aberto ao contraditório.

Luta contra alcoolismo envolve suporte do Estado e da sociedade

Ao ouvir experiências de outras pessoas, Bernardino Freitas, de 60 anos, descobriu que não estava sozinho. Nem havia motivo para se envergonhar. O homem, nascido em Miracema do Norte (TO) e que vive há sete anos em Brasília (DF), queria mesmo que a lembrança do copo com aguardente ficasse no passado. “Fui procurar ajuda no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) quando tinha passado do limite”.

Ele percebeu o “limite” quando se viu de manhã até a noite nas mesas de bares e sentindo a saúde se deteriorar. Somaram-se aí os sentimentos da esposa e dos filhos. O aposentado procurou ajuda de profissionais de saúde e está há dois anos longe do vício. A vida sem álcool ganhou outro sabor. 

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“Hoje eu me sinto muito melhor”, afirma Bernardino. Nesta quinta (20), Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, ele tem na rotina a participação em grupo terapêutico, em que se identifica com outras histórias. “Os profissionais de saúde do Caps fizeram com que eu me envolvesse com o tratamento”. 
O aposentado Bernardino Teixeira faz tratamento contra o alcoolismo no Capes do Guará, região administrativa do DF. Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A bebida, segundo Bernardino, ganhou importância quando se viu sem poder trabalhar como jardineiro, profissão da maior parte da vida. Uma cirurgia na coluna fez com que se aposentasse aos 45 anos. “Isso me empurrou para o vício. Eu fiz bem em pedir ajuda”.

Papel do SUS

No Brasil, o tratamento contra a dependência em álcool é especializado, gratuito e universal (nas unidades básicas e nos Caps). Questionado pela Agência Brasil, o Ministério da Saúde informou que os cuidados para pacientes com alcoolismo e outras drogas no Sistema Único de Saúde (SUS) são realizados pela Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que totalizam 6.397 unidades em todo o país, entre elas 3.019 centros de Atenção Psicossocial (Caps).

“Essa estrutura faz do Brasil um dos países com a maior rede de saúde mental do mundo”, acrescentou o ministério. Os serviços incluem intervenções psicossociais para cada caso, que podem ser realizadas de forma individual ou coletiva, o que inclui o acolhimento da família.

O ministério disse que os Caps têm acesso livre, não precisam de agendamento prévio para realizar o primeiro atendimento e têm equipes multiprofissionais. Essas unidades atendem pessoas de todas as faixas etárias. Existem unidades com essa característica que funcionam 24 horas e contam com camas para acolhimento noturno dessas pessoas por até 15 dias no mês.

Serviço é gratuito, mas tem desafios

Além de a rede de serviços ser gratuita e do acesso a toda a população, o que é fundamental para combater o problema do alcoolismo, há desafios no dia a dia dessa política pública, afirma a socióloga Mariana Thibes. Ela, que é coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), organização da sociedade civil de interesse público e referência em pesquisas sobre o tema, entende, porém, que “muitos desafios” permanecem nos trabalhos de prevenção às doenças causadas pelo etilismo. 

Para a pesquisadora, seriam importantes, nessa luta dos profissionais de saúde, maior qualificação para identificação precoce do problema nas abordagens de rotina, ampliação da disponibilidade de tratamento medicamentoso especializado na maioria dos municípios e aumento do número de profissionais de saúde especializados, como psiquiatras e psicólogos nos Caps-AD (tratamento contra a dependência em álcool e drogas). 

“Além disso, podemos destacar as barreiras de acesso por conta do estigma que a doença ainda tem, o que retarda a busca por ajuda”, alertou Mariana em entrevista à Agência Brasil. Ela entende que, dessa forma, embora o Brasil tenha avançado nos principais pilares do combate ao alcoolismo nas últimas décadas, ainda resta muito a ser feito.

Efeitos da pandemia

A pandemia de covid-19 (que, como medida sanitária, fez com que as pessoas precisassem se isolar em casa) representou um desafio para quem sofre com o alcoolismo. “Muitas pessoas passaram a beber mais para enfrentar as dificuldades do momento”, lembra a socióloga. 

Ela explica que pacientes ficaram sem tratamento por causa da superlotação dos serviços de saúde em vista das prioridades com a pandemia. “Houve aumento no número de mortes por alcoolismo, não só no Brasil, mas no mundo. Alguns estudos vêm mostrando que esses problemas ainda não foram totalmente revertidos. Esforços em políticas públicas precisarão ser feitos para isso acontecer”. 

Racismo e machismo

Um dos dados que a pesquisadora cita é que 72% das mulheres vítimas de transtornos causados por dependência ao álcool são negras. Mariana Thibes explica que esse número não está relacionado ao maior consumo abusivo por essa população. São mais vítimas porque há desigualdade no acesso a serviços de saúde de qualidade. 

“Muitas pessoas negras residem em áreas com infraestrutura deficiente, escassez de recursos médicos e falta de profissionais capacitados, o que limita o acesso a cuidados de saúde adequados”, afirmou.

Outro elemento trazido pela coordenadora do Cisa é que a discriminação racial no sistema de saúde pode resultar em diagnósticos tardios, tratamentos inadequados e menor qualidade no atendimento, prejudicando a saúde da população negra.

 “O estresse crônico, decorrente da discriminação racial, pode acarretar problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão, traumas psicológicos e abuso de substâncias, incluindo o álcool”. Além disso, no caso das mulheres, os impactos são maiores porque convivem com a discriminação de gênero. 

Publicidade abusiva

A legislação brasileira (Lei 9.294), hoje, impõe restrições à publicidade de bebidas alcoólicas. Entre as limitações, estão a permissão de propaganda apenas entre as 21h e as 6h, e a obrigatoriedade de advertências sobre os malefícios e riscos do consumo. No entanto, conforme explica Mariana Thibes, os canais de influenciadores e as redes sociais no Brasil não são regulamentados.

O alerta da pesquisadora é comprovado por pesquisa de 2021 feita pela publicação especializada Journal of Studies on Alcohol and Drugs (dos EUA), que mostrou que 98% das publicações sobre álcool no Tik Tok retratavam a substância de forma positiva.

Sinais e sintomas

A psiquiatra Olivia Pozzolo avalia que a prevenção das doenças relacionadas ao consumo de álcool é papel do Estado, mas as famílias também podem desempenhar apoio fundamental. “As famílias são essenciais, tanto na identificação precoce de um comportamento de risco, no suporte emocional, quanto no encorajamento à busca de tratamento adequado e na manutenção também do tratamento”, afirma a especialista, que também é pesquisadora do Cisa. 

Ela explica que a dependência do álcool pode ser reconhecida por sinais e sintomas característicos, como a incapacidade de reduzir ou controlar o consumo, o uso contínuo, apesar de ter consequências negativas na vida de alguém, e o aumento da tolerância. 

“Algumas formas de auxiliar são oferecer um ambiente de escuta sem julgamento, encorajar a pessoa a buscar tratamento especializado, participar de grupos de apoio para a família, onde é possível compartilhar experiências e estratégias e evitar situações que podem incentivar o consumo de álcool”. A recuperação é, segundo avalia, um processo contínuo e o suporte pode fazer diferença para quem enfrenta essa condição.

Alcoólicos anônimos

Além do suporte do Estado e da família, um serviço consolidado no Brasil (e também no mundo) partiu da sociedade organizada, a Irmandade de Alcoólicos Anônimos. Em 2025, essa iniciativa completa 90 anos de história e está presente em 180 países. No Brasil, há atualmente 3.802 grupos que realizam 8.665 reuniões todas as semanas. Ao todo, 93 grupos realizam 449 reuniões a distância. Segundo a presidente da Junta de Serviços Gerais de Alcoólicos Anônimos do Brasil (Junaab), Lívia Pires Guimarães, para que a pessoa possa ingressar na atividade o único requisito é o desejo de parar de beber. 

“Apenas isso. Havendo esse desejo, ela já está apta para ser membro. Não há restrição de idade ou de gênero, classe social e nenhuma outra questão complementar”, afirmou. Ela explica que a irmandade tem característica comunitária. Todo o serviço de AA é feito por alcoólicos que fazem parte do programa de recuperação. “Tudo sugerido, nada é imposto. Aqueles que querem, que se identificam, se voluntariam para poder servir. Não há profissionais contratados na Irmandade de Alcoólicos Anônimos”.

No AA, há pessoas não alcoólicas na estrutura de serviços administrativos. “A irmandade não é secreta, mas guarda o anonimato dos seus membros”. Ela afirma que se trata de um programa que transcende o tratamento do alcoolismo. “Uma vez ingressando na Irmandade, a pessoa não será diagnosticada ou rotulada”. O serviço pode ser acessado pela internet e linhas de whatsapp.

Uma pessoa que vive no Rio de Janeiro, identificada nesta reportagem como Ana, recorda que começou a consumir álcool aos 12 anos de idade. “Eu lidava frequentemente com apagões, comportamentos desmoralizantes, por vezes agressivos. A minha interação com o álcool me levou realmente ao fundo do poço”, recorda.

Ana* lembra ainda que, aos 17 anos, a relação dela com o álcool passou a ser intensa e crônica. “Aos 18 anos, comecei a depender de estimulantes na tentativa de passar no vestibular, o que se transformou num ciclo de estudos e uso abusivo de substâncias”. 

Na faculdade, as pessoas não consumiam álcool. Assim, aos 19 anos, ingressou no AA. “Salvou minha vida. Consegui me graduar e conheci meu marido na irmandade. Celebramos um casamento lindo, sem envolvimento do álcool”. O casal faz projetos de longo prazo e vive um dia de cada vez, com a consciência de evitar o primeiro gole.

Um homem, também integrante do AA e carioca, diz que tem consciência de que a regularidade nas reuniões fez com que experimentasse nova vida. “Esse espaço é fundamental para a minha permanência sem beber e para a minha vida continuar funcionando como funciona hoje. Eu ter restituído emprego, família, saúde, sanidade, propósitos objetivos, sonhos, enfim, tudo me foi devolvido”.

Mangueira: enredo vai mostrar permanência da cultura Bantu no Rio

Muitas das palavras que o brasileiro fala e escreve não têm origem portuguesa, mas africana. Por exemplo: quiabo, angu, quilombo, samba, quitute e tantas outras são do idioma Bantu, que se refere a um grupo de línguas e culturas originários da região dos Grandes Lagos da África, onde atualmente se localizam países como Tanzânia, Quênia e Uganda, incluindo a África do Sul, Angola, Moçambique, Zimbábue e outros países.

No Brasil, quando os ex-escravos queriam se proteger iam para as chamadas Casas de Zungu. Elas representavam um pedaço da história e cultura afro-brasileira. Originalmente, os zungus eram locais onde os ex-escravos se reuniam para cozinhar e compartilhar comida, especialmente o angu, um prato à base de milho moído. 

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Os zungus também eram centros de resistência e cultura africana. Lugares onde os eles podiam se reunir, compartilhar histórias, cantar, dançar e praticar suas tradições. Eram verdadeiros quilombos dentro das cidades, onde os africanos e seus descendentes podiam se sentir em casa.

É essa história que o enredo da Mangueira, para o carnaval deste ano, vai dar visibilidade: a cultura dos povos Bantu no Rio de Janeiro. E a escolha começou quando o economista, pesquisador e professor, Sidnei França, foi convidado para ser carnavalesco da Verde e Rosa. A presidente da escola, Guanayra Firmino, não tinha um enredo pré-estabelecido e deu liberdade para ele escolher o que quisesse.

E assim foi feito, com base em muita pesquisa, Sidnei desenvolveu o enredo autoral em cima do tema À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões, que surgiu da leitura de uma dissertação de mestrado do professor de história da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Júlio César Medeiros, do livro A Flor da Terra no Cemitério dos Pretos Novos no Rio de Janeiro. A publicação fala da chegada dos pretos escravizados na diáspora que não tiveram, um olhar humano e sensível do colonizador.

Um dos maiores campeões do carnaval de São Paulo, em 2009, 2012, 2013 e 2014 pela Mocidade Alegre, onde filho de uma passista frequentava a escola desde menino; e um campeonato pela Águia de Ouro em 2020, Sidnei França está confiante que o enredo de 2025 da Estação Primeira tem condição de lutar pelo título no Grupo Especial, considerado a elite do carnaval do Rio.

“Aqui chegaram pretos enfermos outros até já mortos nos porões dos navios, os tumbeiros e eles eram jogados na região da Pequena África, próximo ao Cais do Valongo [região portuária do Rio].Ali era uma cova rasa, uma cova onde não havia identificação de corpos e não havia respeito”, disse à Agência Brasil, destacando um dos motivos para contar essa história que marca muito as características da sociedade carioca que mistura indígenas, colonizadores europeus e, principalmente, população preta que veio escravizada de África.

Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Entrevista com o carnavalesco Sidnei França, da Estação Primeira de Mangueira, no barracão da escola, na Cidade do Samba, sobre o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

“A morte para o povo preto no Rio de Janeiro não era a morte física, a ausência da vida. Era o rompimento com os laços ancestrais que o homem branco causava, que inclusive era uma ferramenta de colonização. Quando você rompe com a questão identitária, você mata duas vezes”, completou, dizendo que todos esses códigos estão presentes na escolha do tema para o carnaval 2025 da Mangueira, prontamente entendidos pela diretoria da escola e gerando imediato sentimento de identificação.

Segundo Sidnei, 80% dos negros desembarcados no Rio eram da cultura Bantu da África Central, que entre outros países compreende os dois Congos, Angola. A predominância levou à escolha de basear o enredo na cultura Bantu Nosso discurso é bantu até em respeito a essa predominância, essa maioria que tem nas estatísticas. A cultura Bantu entende essa travessia como uma força espiritual que vai muito além de um tráfico que o homem branco praticou.

“A ideia não é reforçar o viés de passividade, de conformismo e muito menos de vitimização jamais. Vamos mostrar da perspectiva preta o tempo inteiro”, revelou,

A identificação do Morro da Mangueira e de componentes da escola com o enredo foi automática. Adoram se reconhecer no tema que a escola apresenta na Sapucaí. Na visão do carnavalesco por ser uma escola tradicional, quilombada e a única do Grupo Especial do Rio, que tem a sua sede no Morro, na favela de fato, para a Mangueira esse discurso identitário, racial, étnico e até mesmo sociocultural é muito forte. Uma escola como a Mangueira levar para o seu desfile esse discurso da identidade preta essencialmente carioca é muito valoroso.

Enredo

Para contar tudo isso, o carnavalesco dividiu o enredo em setores. O desfile começa pela travessia de pretos escravizados da África para o Rio. Para tratar da religiosidade, segue com as práticas de sincretismo com a identificação de santos católicos com orixás do candomblé e da umbanda, como São Jorge e Ogum, e que ainda hoje são muito fortes e não é percebida como influência Bantu.

Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Confecção de fantasias da Estação Primeira de Mangueira para o Carnaval 2025.. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

No terceiro setor, é que estão as Casas de Zungu. “Era muito comum os pretos que fugiam se esconderem em um primeiro momento nas Casas de Zungu para ganhar espaço de acolhida. As Casas de Zungu tinham panos brancos nas janelas para justamente como um sinal de Oxalá, ter proteção e assistencialismo de um preto para com o outro. Era Casa de Zungu, porque servia angu. As cozinheiras as pretas velhas, as matriarcas ofereciam pratos de angu para acolher aqueles pretos fugidos e até os escravizados trabalhadores que percorriam as ruas do Rio vendendo produtos dos seus senhores. Levando e trazendo roupa para lavar”, informou, acrescentando que esses locais tinham uma importância política e sócio cultural muito forte.

Segundo o carnavalesco, atualmente foram mapeadas mais de 50 Casas de Zungu no Rio e os imóveis onde eram erguidos hoje já substituídos por outras construções são identificados com placas. “Isso é comprovação, não é uma espécie de lenda urbana, um factoide, uma fábula romântica da negritude carioca. Isso é fato. Eram espécies de complexos habitacionais, uma espécie de cortiço. Apesar de se chamar Casa de Zungu, não eram como uma casa, era uma espécie de vilarejo, grandes centros de convivência preta do Rio antigo”, completou.

Durante as pesquisas chegou a informação de que esses locais sofriam perseguição da polícia. “Havia muitas tentativas de apagamento. Existem relatos de desmonte desses espaços. Então construíam uma Casa de Zungu aqui, depois de cinco meses aparecia uma outra”, disse mostrando a resistência dos pretos da época.

“Aí eles [policiais] tinham que conviver com tudo isso, porque imagina qual era o percentual de pretos no Rio de Janeiro. Se eles também fossem muito repressores, virava uma guerra civil, virava um levante. Quantos códigos e a presença Bantu nesse Rio das Casas de Zungu”, concluiu.

O setor seguinte vai caminhar para o século 20 e mostra as contribuições Bantu com o surgimento dos omolocôs que, segundo o carnavalesco se codifica em um sistema religioso e vira a umbanda “É nesse setor que vamos falar da importância do quiabo, que aliás é uma palavra bantu. Vamos mostrar a importância Bantu no idioma. O Idioma falado e posteriormente escrito por nós brasileiros transformou totalmente. Toda a característica do português praticado no Brasil, diferenciado do português de Portugal, foi firmemente afetado pela tradição Bantu. Então palavras como quitanda, quitute, carinho, dengo, xodó, quiabo, quilombo, samba, bunda é tudo Bantu. Olha quanto está no nosso linguajar presente e a gente não sabe de onde veio”, ressaltou.

A Mangueira vai mostrar também a prática do gurufim, “que durante muito tempo foi praticado no subúrbio carioca que é não chorar a morte, mas festejar, as festas para beber defunto. Isso é bantu. A cultura Bantu não entende que a morte é um fim. É a passagem para uma outra existência”, disse, acrescentando que o Rèveillon de Copacabana é de origem Bantu.

Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Confecção de fantasias da Estação Primeira de Mangueira no barracão da escola, na Cidade do Samba. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Muitas pessoas vão para Copacabana todos os anos, se vestem de branco, pulam onda, estouram fogos no céu e não sabem que isso é Bantu. Ainda levam uma rosinha para Iemanjá e depois fala que é contra macumba”, observou.

Quase no encerramento, a escola vai trazer dois ritmos musicais que têm a ver com a cultura Bantu: o samba e o funk. “O samba é muito Bantu que vem do semba de Angola e o funk dos morros cariocas. Vai se percebendo o quanto a cultura Bantu foi sendo invisibilizada e o que a Mangueira quer é remexer nessa gaveta e trazer essa riqueza cultural. Vai se percebendo o quanto a cultura Bantu foi sendo invisibilizada, e o que a Mangueira quer é remexer nessa gaveta e trazer essa riqueza cultural”.

O último setor o enredo se relaciona com o tempo presente e transforma o desfile da Mangueira em um grande manifesto sociopolítico. “A Mangueira se veste como uma autoridade da cidade do Rio de Janeiro para debater algumas questões ligadas à marginalização, à invisibilização e traz para o centro do debate a figura do cria”, apontou.

“A figura do cria nos morros cariocas é o nosso amanhã e se o amanhã vai ser próspero e se vai ser iluminado para nos redimir de um presente caótico depende do como a gente vai tratar essas crias. Não adianta jogar essa responsabilidade para essas comunidades como se elas fossem verdadeiros celeiros de tráfico, de criminalidade, de maternidade precoce, de violência explícita com as chamadas balas perdidas “, acrescentou Sidnei.

Cria da Mangueira

Dowglas Diniz, 27 anos, é uma dessas pessoas que fazem parte do projeto da presidente Guanayra Firmino de botar crias da comunidade em funções importantes da escola. Nascido e criado no Morro da Mangueira, ele é um dos intérpretes da Estação Primeira. “Para mim saber o que os componentes vão sentir por estarem ouvindo a minha voz é motivo de orgulho e de muita honra por ser a voz da minha comunidade, onde nasci e fui criado. Todos os mangueirenses podem confiar em mim, que seremos um só. Sempre vou estar ali cantando e representando essa escola maravilhosa que me fez tornar tudo que sou hoje”, disse à Agência Brasil.

Para Dowglas, ser cria da Mangueira é estar no dia a dia da comunidade, da escola, é subir o morro descalço, ir para a quadra e para o samba. “Isso para mim é ser cria de verdade. Cria é meter a mão na massa em tudo que a escola precisar. É estar ao lado da escola tanto nos momentos bons, quanto ruins”, salientou.

Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Confecção de fantasias da Estação Primeira de Mangueira no barracão da escola, na Cidade do Samba, sobre o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

Como intérprete, Dowglas participa de um dos momentos mais emocionantes dos desfiles das escolas. Para começar a empolgar o público é hora de fazer o chamado “esquenta”, de frente para o setor 1, que são arquibancadas populares, geralmente, ocupadas por torcedores das agremiações, na Passarela do Samba. Os intérpretes costumam cantar sambas de quadra ou de enredo de anos anteriores. Ali também os componentes da bateria entram e fazem uma apresentação para esse público diferenciado porque é muito animado.

“Quando a bateria sobe ali no ‘esquenta’ do setor 1 é um mix de emoções, porque toda a nossa história está entrando na avenida, todo um trabalho de barracão, das pessoas que trabalham um ano inteiro para botar um carnaval na rua, de nós que ensaiamos semanalmente para mostrar tudo naquele dia de espetáculo. Pra mim é muito gratificante, muito emocionante. Ali é como se fosse uma guerra. A nação mangueirense vai com garra e quando a bateria sobe, no setor 1, é aquele aperto no coração e sempre buscando o ideal, sempre buscando o sucesso da Estação Primeira de Mangueira”, descreveu o sentimento.

Trabalho no barracão

O trabalho no barracão na Cidade do Samba para desenvolver tudo que o carnavalesco quer é árduo, mas segundo o costureiro Alisson Cardoso, 27 anos, que entre outras confeccionou fantasias da ala das crianças, é de muito prazer estar ali mais um ano fazendo parte do carnaval do Rio de Janeiro.

“A gente se sente realizado. São vários dias de trabalho, várias horas sem dormir e cada vez que vai chegando mais perto é mais trabalho ainda. No final a gente se sente muito gratificado porque foi muita correria, mas o trabalho ficou bonito e o melhor é saber que foi a gente que fez. Quando é campeão então… espero que este ano seja”, disse à Agência Brasil, completando que já desfilou algumas vezes. “Mas eu gosto mesmo é de ficar nos bastidores preparando as coisas”, disse Alisson.

Samba

O samba enredo deste ano é mais uma aposta da escola na busca pelo título e promete empolgar ainda mais os componentes que gostaram da composição. O carnavalesco está confiante também com o samba enredo, que para ele tem passagens muito fortes, como o verso que fala ‘o alvo que a bala insiste em achar/lamento informar…um sobrevivente’.

“Se tem uma prática sistêmica na cidade do Rio de colocar os corpos pretos como vulneráveis, cada um que sobrevive a cada dia, é um fracasso para o sistema e uma vitória para a negritude. É um samba muito potente no sentido de entregar a posição do discurso que a escola traz.

França destacou ainda outro momento do samba quando diz que ‘hoje no asfalto a moda é ser cria, quer imitar meu riscado, descolorir o cabelo, bater cabeça no meu terreiro’.

“Isso está falando diretamente de apropriação cultural, ou seja, você me critica tanto, mas também pinta o cabelo, também samba, também faz funk. Acha que está na moda dizer que é macumbeiro e bota uma guia no pescoço. É entregar identidade a quem realmente lhe pertence”, analisou.

“É por isso que o enredo se chama À Flor da Terra: no Rio da negritude entre dores e paixões, ou seja, um eterno duelo da negritude para equilibrar as suas dores e paixões e continuar firme na missão de representar a tradição Bantu que um dia chegou aqui forçadamente mas que hoje encontra no Rio de Janeiro o seu lugar”, concluiu Sidnei França.

Estreia

França se sente privilegiado em começar no carnaval carioca logo na Mangueira. Carnavalesco que até agora desenvolvia enredos em escolas de samba de São Paulo disse que “entrou na casa pela porta da frente”, por estar na Estação Primeira, uma escola tradicional e de muita história no carnaval carioca. O convite recebido por WhatsApp da presidente Guanayra Firmino é lembrado com detalhes. “Dia 17 de fevereiro de 2024, que foi quando recebi a mensagem, dia dos desfiles das campeãs do carnaval de 2024, 11h30 da manhã, olha como as coisas ficam firmes na memória”, destacou.

A felicidade de estar à frente da Estação Primeira vai além. “De estar a quase um ano, conhecer intimamente o Morro de Mangueira, as pessoas que fazem a Estação Primeira, andar no Buraco Quente e Chalé, enfim todos os locais [do Morro], e falar que por aqui andou Cartola, Nelson Sargento, Nelson Cavaquinho, Dona Zica, Dona Neuma, mais recentemente Beth Carvalho, Alcione, Delegado, Xangô da Mangueira, que inclusive é pai do nosso mestre-sala. É muito forte e muito simbólico. Mesmo com toda a responsabilidade a mim atribuída, manter um olho brilhando de um menino que se identifica com o samba e com o carnaval e estar na Mangueira é um grande presente na vida”, contou.

Rio de Janeiro (RJ) 03/02/2025 – Entrevista com o carnavalesco Sidnei França, da Estação Primeira de Mangueira, no barracão da escola, na Cidade do Samba. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

A história que a escola vai contar na avenida é de muita identificação com a sua representatividade. “É tudo muito potente e tudo muito autêntico. É um enredo que só a Mangueira podia levar, pela maneira como ele foi construído, quando você fala da única escola que tem a sua quadra, a sua vivência sambística dentro da sua comunidade, isso é muito forte. Tem discursos, que só a Mangueira pode levar e são eles, a voz do cria, a voz do Morro, a Mangueira fala com pertencimento. É muito verdadeiro. Isso está sendo potencializado pela atual gestão. Que as crianças do hoje entendam qual é a mensagem que a gente está passando e que eles vão ser no futuro”, finalizou França.

A Mangueira será a quarta escola a desfilar no primeiro dia dos desfiles do Grupo Especial, no domingo (2), na Passarela do Samba da Marquês de Sapucaí.

Botafogo inicia busca pelo título da Recopa Sul-Americana

O Botafogo inicia, a partir das 21h30 (horário de Brasília) desta quinta-feira (20), a busca do inédito título da Recopa Sul-Americana. Para isto o Glorioso enfrenta o Racing (Argentina) no estádio El Cilindro, em Buenos Aires, em jogo que terá a transmissão da Rádio Nacional.

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Após perder o título da Supercopa do Brasil (diante do Flamengo) e passando por um momento de baixo aproveitamento no Campeonato Carioca, competição na qual não vence há duas rodadas (com derrota para o Madureira e um empate com o Boavista) e ocupa a 6ª posição da tabela, fora da zona de classificação para as semifinais, o Alvinegro quer voltar a viver momentos de glórias.

Em entrevista coletiva, o técnico Caçapa, que está no comando interino da equipe, deixou claro que o objetivo diante do Racing é buscar o título: “Vamos com um time forte, é a continuidade do que fizeram em 2024. E tendo a possibilidade de já ser campeão no início de 2025. Nada melhor do que ser campeão”.

Porém, Caçapa tem problemas a resolver para escalar a sua equipe para o confronto decisivo. O primeiro é escolher um substituto para o zagueiro Bastos, que ainda se recupera de um problema no joelho esquerdo. Além disso, o Alvinegro não poderá contar com o volante Gregore, suspenso após ser expulso na decisão da Copa Libertadores. Também há uma dúvida no ataque. Artur ainda se recupera de lesão muscular na coxa esquerda.

Dessa forma, uma possível escalação do Botafogo para o jogo de ida da Recopa Sul-Americana é: John; Vitinho, Danilo Barbosa, Barboza e Alex Telles; Allan, Marlon Freitas, Rafael Lobato, Savarino e Matheus Martins; Igor Jesus.

Transmissão da Rádio Nacional

A Rádio Nacional transmite Racing e Botafogo com a narração de André Luiz Mendes, comentários de Rodrigo Ricardo, reportagem de Bruno Mendes e plantão de José Roberto Cerqueira. Você acompanha o Show de Bola Nacional aqui:

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 4

A Caixa Econômica Federal paga nesta quinta-feira (20) a parcela de fevereiro do novo Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 4.

O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 671,81. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 20,55 milhões de famílias, com gasto de R$ 13,81 bilhões.

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Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Os beneficiários de 623 cidades receberam o pagamento na segunda (17), independentemente do NIS. A medida beneficiou moradores do Rio Grande do Sul, afetados por enchentes de abril a junho, e de mais seis estados, afetados por chuvas ou por estiagens. Além de todos os 497 municípios gaúchos e 62 do Amazonas, o pagamento unificado ocorreu em 16 cidades do Paraná, 14 do Sergipe, dez do Mato Grosso, nove de São Paulo, sete de Minas Gerais, seis da Bahia e duas do Piauí.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Regra de proteção

Cerca de 2,92 milhões de famílias estão na regra de proteção em fevereiro. Em vigor desde junho de 2023, essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo. Para essas famílias, o benefício médio ficou em R$ 367,63.

Cadastro

Desde julho de 2023, passa a valer a integração dos dados do Bolsa Família com o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Com base no cruzamento de informações, cerca de 31 mil de famílias foram canceladas do programa neste mês por terem renda acima das regras estabelecidas pelo Bolsa Família. O CNIS conta com mais de 80 bilhões de registros administrativos referentes a renda, vínculos de emprego formal e benefícios previdenciários e assistenciais pagos pelo INSS.

Em compensação, outras 101 mil de famílias foram incluídas no programa em fevereiro. A inclusão foi possível por causa da política de busca ativa, baseada na reestruturação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) e que se concentra nas pessoas mais vulneráveis que têm direito ao complemento de renda, mas não recebem o benefício.

Calendário Bolsa Família – fevereiro – Arte EBC

Auxílio Gás

O Auxílio Gás também será pago nesta quinta-feira às famílias cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), com NIS final 4. O valor subiu para R$ 106 neste mês.

Com duração prevista até o fim de 2026, o programa beneficia 5,42 milhões de famílias. Com a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, no fim de 2022, o benefício foi mantido em 100% do preço médio do botijão de 13 kg.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

Sinal de telefonia móvel 4G pode chegar em áreas rurais

Sinal de telefonia móvel 4G e internet de alta velocidade no campo podem ser viabilizados em assentamentos rurais e comunidades quilombolas e de povos tradicionais de diferentes regiões do país. É o que prevê acordo de cooperação técnica assinado nesta quarta-feira (19), em Brasília, entre os ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), das Comunicações (MCom), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O evento marcou a 6ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf).

O projeto de expansão da conectividade será financiado com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Pelo acordo, caberá ao MDA e ao Incra mapearem, em até 120 dias, as áreas de relevância da agricultura familiar que poderá ser contempladas com a medida.

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Já a pasta das Comunicações e a Anatel vão atuar para ativar políticas de inclusão digital, promovendo ações de conectividade e acesso à rede de internet e telefonia móvel em áreas rurais, a partir da articulação com associações representativas e cooperativas que atendem a agricultura familiar, os assentados da reforma agrária, os quilombolas e a outros povos e comunidades tradicionais. O acordo prevê investimentos em infraestrutura e capacitação de agentes, inclusive agricultores, e de profissionais que atuam em escolas rurais.

De acordo com a justificativa do acordo de cooperação, a medida interministerial tem o objetivo de enfrentar o problema da desigualdade digital. “Tem-se que, por um lado, a expansão das telecomunicações nas áreas rurais tem sido mais lenta do que nas áreas urbanas, por outro, a capacidade de conexão oferecida às camadas mais pobres da população precisa ser melhorada”, diz o texto.

Correios e agricultores

Durante a reunião do Condraf, outro acordo foi assinado entre MDA e a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), para viabilizar o transporte de produtos da agricultura familiar, incluindo alimentos, cosméticos e farmacêuticos. Segundo a empresa estatal, a ideia é viabilizar a logística para os pequenos agricultores, já que os Correios têm presença capilarizada em praticamente todo o território nacional.  

Banco do Brasil tem lucro recorde de R$ 37,9 bi em 2024

O Banco do Brasil (BB) teve lucro líquido ajustado recorde de R$ 37,9 bilhões em 2024, com crescimento de 6,6% em relação a 2023. Segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (19) à noite pela instituição financeira, apenas no quarto trimestre, o lucro totalizou R$ 9,6 bilhões, alta de 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

De acordo com o BB, o crescimento no lucro pode ser explicado pelo crescimento na margem financeira bruta (+11,2%), das receitas de prestação de serviços (+4,9%) e pela contenção das despesas administrativas, que cresceram 4,4% no ano passado e subiram menos que a inflação.

Carteira de crédito

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A carteira de crédito ampliada do Banco do Brasil encerrou 2024 com saldo de R$ 1,3 trilhão, alta de 15,3% em relação a 2023. Os destaques foram as operações com pessoas físicas, com empresas e com o agronegócio.

Em relação às pessoas físicas, a carteira de crédito ampliada cresceu 7,3% no ano passado, somando R$ 336 bilhões. A expansão foi influenciada pela carteira de crédito consignado, que cresceu 9,8% no ano passado. A carteira de crédito para pessoas jurídicas totalizou R$ 461,1 bilhões, com alta de 18% em 12 meses.

A carteira ampliada do agronegócio somou R$ 397,7 bilhões, batendo o recorde registrado em 2023. O crescimento totalizou 2,9% em relação ao trimestre anterior e 11,9% em 12 meses. O BB manteve a liderança no crédito ao segmento.

A carteira de negócios sustentáveis, que engloba os empréstimos a projetos com impacto social e ambiental positivo, somou R$ 386,7 bilhões no ano passado, com alta de 12,7% em 12 meses. O montante corresponde a 30% do crédito total do banco.

Inadimplência

O índice de inadimplência acima de 90 dias das operações de crédito do banco ficou em 3,32% em dezembro de 2024, alta em relação aos 2,92% registrados no fim de 2023. Segundo o BB, a elevação decorreu principalmente do segmento de agronegócio, afetado por desastres climáticos no ano passado.

Com a inadimplência maior, a despesa com a provisão (reserva) para créditos de liquidação duvidosa subiu 16,9% no ano passado.

Receitas e despesas

As receitas com prestação de serviços cresceram 4,9% em 2024, totalizando R$ 35,5 bilhões. Os destaques foram os segmentos de consórcios (+17,4%); rendas do mercado de capitais (+16,7%); administração de fundos (+11,6%); e seguros, previdência e capitalização (+10,4%).

As despesas administrativas somaram R$ 37 bilhões, alta de 4,4% no ano passado, abaixo da inflação acumulada no ano passado e dentro das projeções do banco, que variavam entre 5% e 7%.

O BB também divulgou as projeções para 2025. Para este ano, a instituição prevê lucro líquido ajustado entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, expansão de 5,5% a 9,5% na carteira de crédito. As receitas com prestação de serviços deverão ficar entre R$ 34,5 bilhões e R$ 36,5 bilhões; e os gastos administrativos, entre R$ 38,5 bilhões e R$ 40 bilhões.

Dólar ultrapassa R$ 5,70 com ata da reunião do Fed

Em linha com o mercado internacional, o dólar voltou a ultrapassar os R$ 5,70, após a divulgação da ata da reunião do Banco Central norte-americano. A bolsa de valores caiu quase 1% e voltou aos 127 mil pontos.

O dólar comercial encerrou esta quarta-feira (19) vendido a R$ 5,726, com alta de R$ 0,037 (+0,66%). A cotação oscilou bastante, chegando a cair para R$ 5,68 por volta das 12h30, mas subiu durante a tarde e encerrou próxima da máxima do dia.

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Apesar da alta desta quarta, a divisa cai 7,33% em 2025. Apenas em fevereiro, a queda chega a 1,9%.

O mercado de ações teve um dia pessimista. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 127.309 pontos, com queda de 0,95%. O indicador foi puxado por ações de bancos, que recuaram fortemente nesta quarta.

Embora não tenha trazido grandes novidades, a ata da reunião do Federal Reserve (Fed, Banco Central norte-americano) mostrou que o órgão decidiu esperar o comportamento da inflação durante o governo de Donald Trump para avaliar uma possível redução de juros nos Estados Unidos somente perto do fim do ano.

O mercado financeiro também reagiu a novas ameaças de Trump de elevar as tarifas em 25% sobre produtos farmacêuticos e semicondutores. Na sexta-feira (14), o presidente norte-americano havia anunciado a mesma elevação de tarifa para os automóveis.

* com informações da Reuters

PRF define 93 pontos críticos em rodovias durante o carnaval

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) lançou nesta quarta-feira (19) a Operação RodoVida – Carnaval 2025, que vai intensificar a fiscalização nas estradas federais do país durante o período de feriado prolongado. As ações começam em 24 de fevereiro e vão até 6 de março.

A fiscalização promete ser mais rigorosa, com um efetivo de 2,7 mil policias de forma simultânea, podendo chegar a 3 mil nos dias e horários considerados mais críticos durante o carnaval. Foram mapeados os trechos mais perigosos e que registraram o maior índice de acidentes graves entre 2017 e 2024.

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“Nós fizemos uma análise criteriosa dos dados e identificamos 91 trechos críticos de acidentes de trânsito neste mesmo período do ano, ao longo dos últimos anos. Mapeamos, nesses pontos, ocorrências que nos dão uma probabilidade de 50% de ocorrer novamente”, explicou diretor-geral da PRF, Antônio Fernando Oliveira, em coletiva de imprensa para apresentar os detalhes da operação.

Os trechos mais críticos de rodovias cortam sete estados: Santa Catarina (22), Minas Gerais (16), São Paulo (11), Paraná (10), Rio de Janeiro (10), Pernambuco (7) e Bahia (3). Agentes da PRF de 16 estados serão deslocados para concentrar a fiscalização nessas localidades mais perigosas. Uso de drones e equipes posicionadas em pontos estratégicos estão incluídos no planejamento da corporação.

Campanha de prevenção

A fiscalização, este ano, receberá o reforço de uma campanha elaborada pela Secretaria Nacional sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O objetivo, por meio da distribuição de materiais e realização de palestras, é alertar e conscientizar a população em geral sobre os riscos associados ao uso de álcool com direção. A ideia é dialogar não apenas com condutores, mas com a população em geral, inclusive pedestres, promovendo informações sobre redução de riscos e danos que advêm do consumo abusivo de álcool e drogas, uma marca do período de carnaval.

“A gente inaugura uma nova parceira, no campo da prevenção, especificamente em relação ao problema do consumo de álcool em rodovias federais, que fica muito mais intenso e preocupante no período do carnaval”, explicou Marta Machado, titular da Senad.

No ano passado, houve 3.855 acidentes de trânsito, com 194 mortes e mais de 3,1 mil feridos, decorrentes de situações envolvendo embriaguez ao volante. No mesmo período, a PRF prendeu em flagrante mais de 4 mil motoristas alcoolizados.  

Aliados do governo defendem devido processo legal a golpistas

Deputados do PT e de partidos que apoiam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam como gravíssima a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas pelos crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (19), eles também rejeitaram a possibilidade de aprovar uma anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro de 2023. 

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que as revelações são estarrecedoras e chocam o país. “Ninguém aqui está festejando porque o ex-presidente foi denunciado, vai ser julgado e condenado pelo Supremo Tribunal Federal. Os fatos aqui são gravíssimos, essa é uma das páginas mais tristes da história do país”. 

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Ele também defendeu justiça para todos os envolvidos nos crimes citados na denúncia. “O Brasil precisa passar a limpo essa história. O que houve é muito sério, tem a ver com democracia, com o fortalecimento das nossas instituições”. 

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que o partido defende o devido processo legal para os envolvidos. “O lugar dessa gente é no banco dos réus e é lá que eles vão estar. E isso só vai ocorrer porque Bolsonaro não foi [eleito novamente] presidente, porque se fosse presidente nós não teríamos garantia do devido processo legal para nada nesse país”. 

Gleisi avalia que a denúncia deixa muito claro que a intenção era impedir Lula de assumir a presidência do Brasil. “Bolsonaro sabia que para derrotar Lula ele tinha que também derrotar o processo eleitoral, ele tinha que derrotar o estado democrático de direito, a democracia”. 

A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que integrou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o 8 de janeiro, lembrou que pela primeira vez no Brasil golpistas serão punidos. “Os filhotes de torturadores da ditadura militar estão aí e tentaram dar um novo golpe”, destacou. 

Brasília (DF), 19/02/2025 – Deputados e senadores da esquerda durante coletiva a imprensa no salão verde da Câmara — Lula Marques/Agência Brasil

Oposição 

Mais cedo, deputados de oposição na Câmara dos Deputados também fizeram uma coletiva para comentar a denúncia. O deputado Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, leu um manifesto em nome do grupo argumentando que a denúncia da PGR contra Bolsonaro representa “mais um degrau na escalada criminosa contra a liberdade dos brasileiros”.  

“Trata-se de uma série de acusações desprovidas de evidências concretas que sustentem as graves acusações imputadas. Uma verdadeira peça de ficção, uma denúncia encomendada”, defende o documento.

Brasília (DF), 19/02/2025 – Deputados e senadores da oposição durante declaração a imprensa. Foto: Lula Marques/Agência Brasil – Lula Marques/Agência Brasil

O parlamentar também alertou sobre o “estado de exceção que se instala silenciosamente” no país. Segundo Zucco, o Brasil vive um processo de censura, perseguição política e ataque às liberdades individuais e coletivas. 

Portando cartazes com os dizeres “perseguição política” e “anistia já”, a oposição fez um apelo às organizações internacionais de direitos humanos para que pressionem as autoridades responsáveis sobre a situação no Brasil.  

Grêmio bate São Raimundo nos pênaltis e segue na Copa do Brasil

O Grêmio garantiu a classificação para a segunda fase da Copa do Brasil após derrotar o São Raimundo por 4 a 1 na disputa de pênaltis, após um empate de 1 a 1, na noite desta quarta-feira (19) no estádio Canarinho, em Boa Vista (Roraima).

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Agora o Tricolor aguarda o resultado da partida entre Barcelona de Ilhéus e Athletic-MG, que será disputada na próxima terça-feira (25), para conhecer o seu próximo adversário na competição.

No tempo regulamentar o São Raimundo abriu o marcador com Kanté aos 20 minutos do primeiro tempo. Mas aos 47 minutos o Grêmio conseguiu igualar com Cristian Olivera.

Como o placar permaneceu inalterado até o final dos 90 minutos, a vaga foi definida na disputa de pênaltis. Nas penalidades máximas o Grêmio contou com o brilho do goleiro Tiago Volpi, que defendeu o chute de Klebinho e que cobrou um pênalti, para triunfar por 4 a 1.

Outros resultados da Copa do Brasil:

Trem 0 x 2 Brusque
Sergipe 0 x 2 Ceará
Porto Velho 0 (4) x 0 (3) Cuiabá
Capital-DF 0 (5) x 0 (3) Portuguesa-RJ
Boavista 0 x 2 CSA
Santa Cruz-RN 0 x 4 Náutico
Tuna Luso 1 x 0 Sampaio Corrêa

Rio Open: Marcelo Melo e Rafael Matos estreiam com vitórias nas duplas

Os brasileiros Marcelo Melo e Rafael Matos estrearam com vitória no torneio de duplas do Rio Open. Nesta quarta-feira (19) no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, eles superaram os norte-americanos Austin Krajicek e Rajeev Ram por 2 sets a 1, parciais de 5/7, 7/6 (7-5) e 10-4, em quase 2 horas de partida.

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“Encontrei minhas condições favoritas aqui, jogar com essa torcida é diferente. Sou um cara que precisa estar sempre mais para cima, então a torcida me ajuda muito com essa energia e manter minha intensidade lá em cima. É muito especial jogar aqui”, declarou Rafael Matos.

O próximo compromisso da dupla brasileira será contra o português Francisco Cabral e o holandês Jean-Julien Rojer, a partir das 18h30 (horário de Brasília) da próxima quinta-feira (20). Uma vitória garante uma vaga nas semifinais da competição.

Brasileiros escravizados em Myanmar chegam a São Paulo

Os dois brasileiros que foram escravizados em Myanmar, na Ásia, disseram estar aliviados logo após desembarcarem na tarde desta quarta-feira (19) no Aeroporto Internacional de Guarulhos. 

As vítimas de tráfico humano, Luckas Viana dos Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, foram seduzidos por promessas de emprego na Tailândia, mas acabaram sequestrados e levados a Myawaddy, cidade de Myanmar, país que vive em guerra civil. 

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Aprisionados, eles contaram que eram obrigados, por uma máfia local de origem chinesa, a aplicar golpes financeiros, pelo Whatsapp, para arrecadar recursos para a organização. Caso não conseguissem alcançar metas, eram torturados. 

“Muito difícil estar lá. Eles batiam na gente quase todos os dias. Tinha máquina de choque também. A gente sofreu bastante. Essas aqui são marcas das algemas, a gente ficava 17 horas presos assim”, disse Luckas dos Santos.

“[Agora] eu estou feliz, estou feliz de estar aqui com a minha mãe. Eu sei que ela ficou muito preocupada”, acrescentou.

Antes, Luckas trabalhou nas Filipinas, em uma empresa de games, e depois em um hostel, na Tailândia. Até que encontrou uma proposta de emprego de R$ 8 mil por mês e decidiu aceitar, em outubro do ano passado.

“Eu peço para o pessoal ver bem as oportunidades que eles estão recebendo, porque, como aqui no Brasil o salário não é tão bom, fica a ilusão, porque é como se fosse cinco, seis vezes mais [o salário]. E, no caso, eu aceitei [a proposta] porque eu já estava na Tailândia e eu estava procurando alguma coisa lá. Um amigo me mandou no grupo, e achei que era algo sério”, disse.

Tortura e plano de fuga

Os brasileiros contaram que tentaram fugir do local onde estavam aprisionados, mas acabaram sendo pegos e torturados. O complexo onde eles ficaram era vigiado por cerca de 300 homens armados.

“A gente não conseguiu fugir. A gente bolou o plano, só que nesse plano a gente tinha que escalar três montes e correr mais 22 quilômetros para tentar cruzar um rio para chegar na Tailândia. Eu consegui escalar um monte. No terceiro monte, veio um guarda com uma faca e mandou eu voltar. E foi isso. Eles pegaram todo mundo”, disse Phelipe.

“Aí, eles espancaram a gente, tanto que eu tenho aqui [mostrando um hematoma]. Minhas pernas também estão todas roxas. Espancaram a gente. E ficaram ameaçando a gente, falando que a gente nunca ia sair de lá, que a gente iria morrer”, acrescentou.

Segundo Phelipe, a saída deles do local ocorreu com a ajuda da ONG Exodus Road Brasil e um acordo com o Exército Budista Democrático Karen (DKBA), grupo rebelde armado e rival da máfia que escravizou os brasileiros .

O jovem esperava mais apoio das autoridades brasileiras na operação de resgate e informou que as passagens de volta foram pagas pelo Itamaraty. 

O Ministério das Relações Exteriores foi procurado nesta quarta-feira (19), mas ainda não se manifestou.  No último dia 12, em nota, o ministério informou que, por meio das embaixadas em Yangon, no Myanmar, e em Bangkok, na Tailândia, vinha solicitando os esforços das autoridades competentes, desde outubro do ano passado, para a liberação dos brasileiros.

O Itamaraty acrescentou que busca conscientizar os brasileiros que buscam emprego no exterior sobre os riscos do tráfico e contrabando de pessoas, com guias online e informes sobre os perigos das ofertas de empregos no Sudeste Asiático.

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Câmara aprova pena para quem divulgar imagens de nudez geradas por IA

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (19) o projeto de lei que inclui no Código Penal o crime de manipular, produzir ou divulgar conteúdo de nudez ou ato sexual falso gerado por tecnologia de inteligência artificial e outros meios tecnológicos. O texto será enviado ao Senado.

Segundo o Projeto de Lei 3821/24, o crime pode ser punido com reclusão de dois a seis anos e multa, se o fato não constituir crime mais grave. A pena será maior se a vítima for mulher, criança, adolescente, pessoa idosa ou com deficiência.

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Quando houver disseminação em massa por meio de redes sociais ou plataformas digitais, a pena será aumentada de 1/3 ao dobro.

O projeto também inclui no Código Eleitoral o crime de uso de imagens manipulados em campanhas eleitorais, envolvendo candidatos ou candidatas. Haverá o mesmo aumento de pena quando a ofendida for mulher, pessoa com deficiência ou idosa.

Quando a conduta for praticada por candidato, além das penas previstas, será imposta a cassação do registro de candidatura ou do diploma.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

Senado aprova liberação de até R$ 4,6 bi em emendas bloqueadas

Na primeira sessão presidida por Davi Alcolumbre, o Senado aprovou nesta quarta-feira (19) um projeto que libera até R$ 4,6 bilhões de emendas parlamentares bloqueadas em dezembro pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Aprovado por 65 votos favoráveis e um contrário, o texto segue para a Câmara dos Deputados.

Relatado pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), o projeto foi apresentado pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). O texto trata da liberação de restos a pagar não-processados, verbas de anos anteriores empenhadas (autorizadas), mas não liquidadas, sem a verificação se o serviço foi executado.

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De acordo com a justificativa do projeto, a liberação deverá acelerar a conclusão de obras inacabadas até o fim de 2026, com restos a pagar inscritos desde 2019. Atualmente, o Tesouro Nacional bloqueia o resto a pagar se a liquidação não ocorrer até 30 de junho do segundo ano subsequente à inscrição, com a possibilidade de cancelamento se o recurso não for desbloqueado.

Segundo o parecer de Portinho, a liberação ocorrerá para projetos com licitação já iniciada. Os restos a pagar deverão ser revalidados conforme as regras da Lei de Responsabilidade Fiscal e da lei complementar sobre as emendas parlamentares aprovadas no ano passado. A liberação será proibida apenas para obras e serviços sob investigação ou com indícios de irregularidades.

Os gastos também entrarão no arcabouço fiscal, estando sujeitos ao teto de crescimento da despesa de 70% do crescimento real (acima da inflação) da receita no ano anterior, dentro de um limite de 0,6% a 2,5% de alta real.

A aprovação ocorre num momento de tensões entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) em torno da transparência na execução de emendas parlamentares. Caso o projeto seja aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, verbas remanescentes do orçamento secreto, bloqueados desde o fim de 2022, e das emendas de comissão, bloqueadas no fim do ano passado, podem ser liberadas.

Bombeiros combatem mais de 500 incêndios no Rio de Janeiro

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) foi acionado para mais de 560 ocorrências de fogo em vegetação, entre segunda (17) e terça-feira (18) em todo o estado. Foram mais de 2 mil ocorrências registradas pela corporação nos primeiros 45 dias do ano de 2025. No mesmo período de 2024, 700 ocorrências deste tipo foram atendidas pelos bombeiros.

“Está bem atípica a quantidade de incêndios florestais que estamos enfrentando neste momento. No dia 17, combatemos 312 focos de incêndio florestal. Isso corresponde, quando comparado ao mesmo período do ano passado, a um aumento de mais de 370%. Os salvamentos marítimos aumentaram em mais de 120%”, disse o coronel Tarciso, comandante-geral do Corpo de Bombeiros e secretário da Defesa Civil.

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Segundo o Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ), neste momento, o risco de incêndio florestal é alto nas regiões Sul, Baixada Fluminense e Serrana; e muito alto na capital e nas regiões Metropolitana, Baixada Litorânea, Norte e Noroeste.

De acordo com o Alerta Rio, a quarta-feira (19) foi de céu claro, podendo ficar parcialmente nublado, mas sem previsão de chuva. Os ventos estarão fracos a moderados, sendo mais intensos nos períodos da noite e as temperaturas apresentam leve declínio em relação ao dia anterior, porém permanecem elevadas, com mínima prevista de 22°C e máxima de 39°C.

Desde segunda-feira (17), o município do Rio está no nível de Calor 4. Segundo a prefeitura, o Calor 4 é marcado por índices de calor muito altos (40°C a 44°C), que se estendem por, ao menos, três dias consecutivos.

Calor em escolas é mais extremo nas cozinhas, alerta sindicato do Rio

Após alertas sobre recordes de calor previstos para esta semana, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Estado do Rio de Janeiro (Sepe) solicitou às autoridades municipais e estaduais providências para garantir a saúde de profissionais e alunos nas escolas públicas. O sindicato informou que vem alertando desde o ano passado a grave situação das escolas das redes de ensino.

O sindicato disse que tem recebido, nos últimos dias, denúncias de profissionais e membros da comunidade escolar sobre altas temperaturas registradas nas unidades. Há escolas que não contam com climatização ou os equipamentos não funcionam de forma adequada. O problema não se restringe às salas de aula: os funcionários das cozinhas escolares também reclamam que não há refrigeração adequada. 

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Segundo a coordenadora do Sepe, Beatriz Lugão, a situação é crítica, pois a temperatura varia entre 35 e 45 graus no local de trabalho e nas salas de aula. Há 200 estabelecimentos que não estão climatizados, incluindo as cozinhas. Para ela, a situação das merendeiras é desumana, pois quando ligam o fogão, a sensação térmica é de mais de 60 graus.

“Temos situações muito gritantes nas redes municipais, como é o caso de São Gonçalo, com uma rede municipal de 119 escolas e somente 20 são climatizadas. Os governos não foram pegos de surpresa. A onda de calor vem se estendendo ao longo do ano e não há projeto de climatização na maioria dos municípios do estado. A situação é muito mais urgente e muito mais trágica na região da Baixada Fluminense e Grande Rio onde o calor é mais intenso do que no interior do estado. É impossível ensinar, é impossível aprender, impossível trabalhar nas cozinhas com o calor que está fazendo”, disse Beatriz.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura de São Gonçalo e aguarda posicionamento.

Segundo a Secretaria de Educação (Seeduc), das 1.234 escolas estaduais, 200 estão sem ar-condicionado

De acordo com o governo estadual, para o bem-estar dos alunos e profissionais da educação, gestores receberam orientações para incentivar e garantir a hidratação dos estudantes. Além disso, as escolas passarão a preparar alimentos mais leves para a merenda e a evitar atividades ao ar livre ou em área externa.

Em alguns casos, as unidades escolares estão autorizadas a reduzir a carga horária presencial em até 50% ou fazer rodízio de turmas nas salas de aula mais refrigeradas. As escolas que diminuírem seus horários deverão disponibilizar o conteúdo pedagógico por meio de recursos tecnológicos. Segundo o governo, os colégios também estão amenizando o calor das salas com o reforço de mais ventiladores.

“As intervenções relacionadas à climatização são um pouco mais complexas, precisando fazer projeto estrutural, aumento de carga, muitas vezes o retrofit da rede. Temos o compromisso de, em 90 dias, fazer a climatização de 180 unidades”, afirmou Davi Marinho, subsecretário de gestão administrativa da Seeduc.

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Duplas de Bia Haddad e de Luisa Stefani vão às quartas de WTA de Dubai

As duplas das brasileiras Beatriz Haddad Maia e Luisa Stefani, com suas respectivas parcerias, avançaram às quartas de final do WTA 1000 de Dubai (Emirados Árabes Unidos). Ao lado da alemã Laura Siegemund, Bia venceu com facilidade a dupla da norte-americana Asia Muhammad com a holandesa Demi Schuurs por 2 sets a 0 (6/3 e 6/2).

Já a parceria de Stefani com a norte-americana Bethanie Mattek-Sand travou um embate acirrado com a dupla da cazaque Anna Danilin com a russa Irina Khromacheva, antes de selar a vitória por 2 sets a 0 (7/5 e 7/6).

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“Ótima vitória. Foi um jogo apertado e de poucas oportunidades do começo ao fim. Mantivemos a intensidade alta o tempo todo e a chave para ganhar foi jogarmos muito bem o final dos dois sets”, analisou Stefani em depoimento após a classificação.
Luisa Stefani e a norte-americana Mattek Sand terão pela frente na manhã de quinta (20) a dupla da letã Jelena Ostapenko com a taiwanesa Su Wei Hsieh – Divulgação/Dubai Duty Free Tennis Championships

Os duelos das quartas de final serão na quinta (20) pela manhã – os horários ainda serão definidos pelos organizadores. Stefani e Mattek-Sand enfrentarão as parceiras Jelena Ostapenko (Letônia) e Su Wei Hsieh (Taiwan). Já Bia e Laura terão um desafio e tanto nas quartas: superar a parceria da norte-americana Taylor Towsend com a tcheca Katerina Siniakova, atuais campeãs de duplas do Aberto da Austrália e de Wimbledon.

Nesta temporada, Bia e Laura foram vice-campeãs de  duplas do WTA 500 de Adelaide e, na última semana, chegaram às semifinais do WTA 1000 de Doha (Catar). Afinadas, elas ocupam a quinta posição na classificação para o Finals, evento final da temporada em novembro, do qual participam apenas as oito duplas primeiras colocadas.

Número 16 do mundo, Bia Haddad também disputou a chave de simples em Dubai, mas caiu na estreia, na última segunda (17). A brasileira sofreu revés para a russa Anastasia Potapova (33ª no ranking), por 2 sets a 0 (6/3 e 6/0). 

Grupo Ofá celebra conexão Brasil-África com show em Brasília

A música afro-brasileira terá nesta quarta-feira (19) uma noite muito especial. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) recebe, em Brasília, o encerramento da turnê do Grupo Ofá, intitulada Obatalá: Uma Conexão Salvador-África-Brasil. 

A apresentação, com ingressos esgotados, passou pelos CCBB de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O show conta com a participação da cantora baiana Irma Ferreira. 

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O grupo Ofá, originário de Salvador, valoriza e preserva a cultura afrodiaspórica, com oficinas de percussão e dança, com o repertório em português e iorubá.

Em entrevista ao programa Espaço Arte, da Rádio Nacional, um dos fundadores do Ofá, o compositor, produtor, diretor musical e arranjador Yomar Asogbá disse que o grupo musical surgiu em uma conversa com um irmão de santo do Ilé Iyá Omi Àse Iyamasé, conhecido popularmente como Terreiro do Gantois.

“A gente já ouvia o trabalho dos antigos, de Vadinho, que foi um grande percussionista lá do candomblé, lá do Gantois. Então pensamos em fazer um trabalho também, fazer uma coisa nova, em 2000. Aí eu juntei com o Gamo, o Yuri também, e nós formamos esse grupo Ofá, com apoio de Flora Gil e Gilberto Gil. E nós gravamos aquele Odum Orim [álbum]. Foi aí que tudo começou”.

Formado por Iuri Passos, Luciana Baraúna e Yomar Asogbá, o grupo Ofá comenta a inspiração para seu novo álbum, intitulado Ìyá Àgbà Siré – o poder do sagrado feminino.

“É importante falar que esse disco é em homenagem às mulheres, às mulheres negras da Bahia, do Brasil, de todas as mães de santo do Brasil. É um disco que a gente sempre teve a vontade, e Luciana, junto com a Sobar, sempre reforçou a necessidade de fazermos um disco em homenagem a essas iabás, as ancestrais, as mulheres que conseguiram, assim como os babalorixás também, preservar o candomblé aqui no Brasil. Então é um disco em homenagem às mulheres e também às nossas senhoras das águas.”

* Estagiária sob supervisão de Marcelo Brandão 

Toffoli anula processos contra Palocci na Lava Jato

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira (19) anular os processos abertos contra o ex-ministro Antonio Palocci, na Operação Lava Jato.

Na decisão, o ministro aplicou os precedentes da Corte que consideraram o ex-juiz Sergio Moro parcial para proferir as sentenças contra os réus das investigações. Moro era o juiz titular da 13ª Vara Federal em Curitiba.

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Com a decisão, todos os procedimentos assinados por Moro contra Palocci deverão ser anulados. Apesar da anulação, o acordo de delação assinado por Palocci está mantido.

Na decisão, o ministro disse que a parcialidade de Moro “extrapolou todos os limites” e representou conluio para inviabilizar a ampla defesa do ex-ministro. 

“Nota-se, portanto, um padrão de conduta de determinados procuradores integrantes da Força Tarefa da Lava Jato, bem como de certos magistrados que ignoraram o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a própria institucionalidade para garantir seus objetivos – pessoais e políticos -, o que não se pode admitir em um Estado Democrático de Direito”, afirmou Toffoli.

O ex-ministro foi condenado em 2017 pela participação em esquema de corrupção no qual beneficiou a Odebrecht em contratos com a Petrobras envolvendo a construção de embarcações.

Denúncia contra Bolsonaro influencia projeto da anistia no Congresso

Após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, os aliados do ex-presidente no Congresso Nacional intensificaram a articulação para pautar o projeto de lei que concede anistia aos golpistas condenados pelo 8 de janeiro, quando apoiadores do ex-presidente depredaram as sedes dos poderes, em Brasília, exigindo um golpe militar no país. 

Uma reunião entre Bolsonaro e parlamentares aliados ocorreu na manhã desta quarta-feira (19), na casa do líder da oposição Coronel Zucco (PL/RS), em Brasília, para debater a estratégia do grupo daqui para frente. 

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Já os parlamentares que apoiam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditam que a denúncia é um marco na defesa da democracia brasileira e contribui para barrar, de vez, o projeto de anistia. 

O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, partido de Bolsonaro, informou que eles estão contando os votos para pautar o tema na reunião do colégio de líderes da Câmara, marcada para esta quinta-feira (20). Sóstenes anunciou que será pedido urgência na tramitação do texto.

“Estamos contando votos [para aprovar a anistia]. Com relação à denúncia de ontem [terça-feira], foi uma decisão absurda sem qualquer fundamentação e é mais um capítulo da perseguição contra o maior presidente da história do Brasil”, disse Sóstenes, acrescentando que os aliados de Bolsonaro já estariam próximos de alcançar os votos necessários. 

Para que um projeto de lei seja pautado diretamente no plenário da Casa, sem passar pelas comissões, é necessário que tenha o apoio da maioria dos líderes partidários. 

No ano passado, antes que a proposta fosse votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado dominado por aliados do ex-presidente, o então presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) criou uma comissão especial para discutir o tema, mas o novo colegiado não chegou a ser instalado.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (MDB), tem sido pressionado para pautar o tema e, ao assumir a chefia da Casa, deu declarações defendendo que não teria havido tentativa de golpe e que não haveria um líder do movimento que culminou no 8 de janeiro.

A denúncia apresentada nesta terça-feira pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, contraria a afirmação de Motta, uma vez que acusa Bolsonaro de ser a liderança por trás da tentativa de golpe. 

No encontro desta quarta-feira de Jair Bolsonaro com aliados, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), ao sair da reunião, informou que foi discutida a estratégia política do grupo para enfrentar a denúncia. 

“Não posso revelar a estratégia, porque ela perde a eficácia, mas o presidente Bolsonaro está tranquilo porque sabe que tem a verdade ao nosso lado”, argumentou. 

O ex-presidente Bolsonaro deixou a reunião sem falar com a imprensa. 

Sem anistia 

O vice-líder do governo no Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), disse à Agência Brasil que o projeto de anistia vai “morrer” no Congresso Nacional. 

“Dificultou muito essa ideia de anistia para os envolvidos no 8 de janeiro, porque está evidente que existia um mapa do golpe, um roteiro do golpe. Esse roteiro era dirigido por Bolsonaro e sua corja encastelada no Palácio do Planalto. Evidentemente que ele vai ter direito de defesa, mas a situação ficou difícil para ele”, disse. 

Para o deputado Rogério Correia (PT-MG), no entanto, a denúncia é consistente e que o grupo de Bolsonaro deve ficar isolado no Parlamento sobre o tema da anistia. 

“As provas são evidentes. Não adianta tentar anular o STF [Supremo Tribunal Federal]. Eles sabem que vão ficar isolados. Agora é esperar a prisão e sem anistia”, defendeu o parlamentar. 

O líder do MDB no Senado, senador Eduardo Braga (MDB/AM), comentou que a denúncia mostra que as instituições estão funcionando. 

“A PGR está fazendo o seu papel, o Supremo vai fazer o seu, e a advocacia geral dos acusados fará o seu. E nós temos, com tranquilidade, que aguardar o julgamento”, afirmou.

* Com Priscilla Mazenotti, da Rádio Nacional 

Bolsonaro deu ordem para inserir dados falsos de vacina em sistema

O tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou, em delação premiada, que recebeu ordens do então presidente para inserir dados falsos de vacinação contra a covid-19. O objetivo era conseguir certificados de vacinação fraudulentos em nome de Bolsonaro e de sua filha, uma vez que o ex-presidente não se imunizou contra a doença.

A delação de Mauro Cid teve seu sigilo derrubado, nesta quarta-feira (19), por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

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No depoimento dado à Polícia Federal, em agosto de 2023, Cid afirmou que o pedido de Bolsonaro foi feito depois que o então presidente descobriu que seu ajudante de ordens havia conseguido, para si próprio e sua família, cartões de vacinação por meio da inserção de dados falsos no sistema Conecte SUS, em 2021.

Cid, que administrava a conta do Conecte SUS de Bolsonaro, contou que depois de inserir os dados, imprimiu os dois cartões (de Bolsonaro e de sua filha) e os entregou, em mãos ao ex-presidente.

Segundo Cid, o objetivo de ter um cartão falso era usá-lo em alguma necessidade, como no caso de viagens internacionais, quando a apresentação do documento ainda era requisito obrigatório para entrar em alguns países. O delator também informou que os dados foram deletados do sistema depois da impressão dos cartões.

Pouco antes de deixar a Presidência, Bolsonaro viajou para os Estados Unidos, no dia 30 de dezembro, com a esposa e a filha. Mas, como ele viajou com passaporte diplomático, não precisaria, de acordo com as regras norte-americanas, apresentar um cartão de vacinação contra a covid-19.