Defesa Civil alerta para chuva severa no centro e na zona leste de SP

A Defesa Civil de São Paulo soltou hoje (18) às 15h12, nova mensagem com alerta severo para risco de fortes temporais nas regiões central e leste da capital paulista.

Na região central houve registro de forte pancada de chuva com granizo. Antes, o órgão divulgou a precipitação de chuva moderada a forte no interior do estado, principalmente nas regiões de Bauru, Araraquara, Marília, Itapeva, Sorocaba e Botucatu.

Notícias relacionadas:

A terça-feira começou com o registro de chuva fraca a moderada também no norte do estado e na baixada santista. A Defesa Civil também informou pela manhã que uma frente fria avançou pelo oceano canalizando o corredor de umidade da Amazônia, espalhando chuvas por todo o território do estado de São Paulo.

 

Entenda o nível 4 de calor e como se proteger da alta temperatura

A cidade do Rio de Janeiro deve manter nesta terça-feira (18) o terceiro dia seguido com temperatura acima de 40 graus Celsius (ºC). A previsão do Alerta Rio, sistema de meteorologia da prefeitura, é de 42°C para os próximos dias.

Na segunda-feira (17), os termômetros na cidade marcaram 44°C, a temperatura mais alta desde 2014. No último domingo, a máxima foi de 40,4°C.

Notícias relacionadas:

Com a onda de calor, a cidade atingiu, às 12h35 da segunda-feira, o nível 4 de calor, o segundo mais alto em uma escala até 5. É a primeira vez que o Rio atinge o patamar, desde a criação dos níveis pela prefeitura, em junho de 2024.

O alerta determina uma série de recomendações para autoridades municipais e orientações para a população se proteger das altas temperaturas.

Quando o nível de calor chega a 4

O nível de calor 4 é atingido quando houver registro de índice de calor muito alto, ou seja, de 40°C a 44°C, com previsão de permanência ou aumento por ao menos três dias seguidos.

De acordo com o Alerta Rio, o posicionamento de um sistema de alta pressão no oceano influencia o tempo na cidade, fazendo com que a previsão de altas temperaturas se mantenha até sexta-feira (21).

No calor 4, a prefeitura segue uma série de procedimentos, como indicação de equipamentos públicos já existentes, como pontos de resfriamentos, oferta de estações de hidratação ou distribuição de água, e cancelamento ou reagendamento de eventos de médio e grande porte, megaeventos em áreas externas.

Confira aqui a relação de pontos de resfriamentos na cidade do Rio. 

Cuidados

Por ser um estágio considerado crítico, a prefeitura recomenda que a população adote as seguintes recomendações:

  • Aumente a ingestão de água ou de sucos de frutas naturais, sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede
  • Consuma alimentos leves como frutas e saladas
  • Utilize roupas leves e frescas
  • Evite bebidas alcoólicas e com elevado teor de açúcar
  • Evite a exposição direta ao sol, em especial, de 10h às 16h
  • Saiba quais são os pontos de resfriamento no aplicativo do Centro de Operações Rio (COR)
  • Aulas de educação física na rede municipal só podem ser realizadas em espaços cobertos
  • Funcionários que fazem atividades profissionais em áreas abertas devem realizar paradas para hidratação
  • Informe-se sobre os níveis de calor na cidade por meio das redes sociais e sites do Centro de Operações e Resiliência e da Secretaria Municipal de Saúde
  • Use protetor solar, pois a exposição ao sol sem a proteção adequada contra os raios ultravioleta deixa a pele vermelha, sensível e com bolha
  • Proteja as crianças com chapéu de abas
  • Em caso de mal-estar, tontura ou demais sintomas provocados em decorrência do estresse térmico, procure uma unidade municipal de saúde
  • Informe-se sobre a manutenção ou alteração de horários de shows e eventos em áreas abertas e não climatizadas junto aos organizadores dos mesmos

Umidade do ar

Para esta terça-feira, a umidade relativa do ar poderá apresentar valores entre 21% e 30% no período da tarde. Por isso, a prefeitura aponta outras recomendações, como uso de soro nos olhos e nariz para evitar o ressecamento; evitar queimar lixo e mato; e manter os ambientes arejados.

Entenda os níveis de calor:

Calor 1: Neste primeiro nível, não há previsão de altos índices de calor. A cidade continua com sua rotina normal

Calor 2: Quando há previsão ou registro de altos índices de calor (36°C a 40°C) por um ou dois dias consecutivos

Calor 3: Acontece quando há registro de índices de calor alto altas (36°C a 40°C) com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias consecutivos

Calor 5 (mais alto): Quando houver registro de índices de calor muito alto (40°C a 44°C) com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias consecutivos

Veja imagens do Rio de Janeiro na segunda-feira:
 

CNU chama 42 candidatos para cursos de formação

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) convocou, nesta terça-feira (18), em Brasília, 42 candidatos na terceira e última chamada para cursos de formação inicial dos cargos dos blocos temáticos 1 a 7 do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). Ao todo, são nove cargos de nível superior.

As novas vagas surgiram após os candidatos da segunda convocação – realizada em 11 de fevereiro – não confirmarem a participação nos cursos de formação ou recusarem a vaga.

Notícias relacionadas:

Esta etapa do concurso é eliminatória e vale para a classificação do candidato. Por isso, a participação no curso de formação inicial de carreiras do concurso unificado é decisiva para a continuidade do candidato no concurso.

Os convocados que não confirmarem participação são eliminados dos cargos da convocação. No entanto, essas pessoas seguem concorrendo aos cargos escolhidos como os de maior preferência pelo candidato no momento de inscrição do CPNU.

Confirmação de participação

Os candidatos nesta terceira chamada devem confirmar a participação no curso de formação nesta terça-feira (18) e ou quarta-feira (19).

Para os novos convocados, basta responder sim à convocação para ter a vaga garantida diretamente na Área do Candidato no site do CPNU.

Cursos de formação

Ao todo, nove cargos do certame possuem a terceira etapa: especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (EPPGG)/ analista de Comércio Exterior (ACE); analista em Tecnologia da Informação (ATI); analista Técnico de Políticas Sociais (ATPS); analista de Infraestrutura (AIE); Auditor Fiscal do Trabalho (AFT); especialista em Regulação de Serviços Públicos de Energia (Aneel); especialista em Regulação de Serviços de Transportes Aquaviários (Antaq); e especialista em Regulação de Saúde Suplementar (ANS).

Os cursos de formação do CPNU visam preparar os candidatos para aplicar conhecimentos técnicos específicos e desenvolver competências transversais para atuação em diversas áreas do setor público. Durante os cursos, os participantes serão orientados sobre valores como ética, equidade, sustentabilidade e foco nos resultados para o cidadão.

A carga horária dos cursos varia entre 140 e 580 horas, conforme o cargo de nível superior. Para aprovação no curso de formação, os candidatos deverão frequentar o curso integralmente, sendo aprovados nas provas do curso de formação, com média final de pelo menos 70% dos pontos do curso e frequência mínima de 75% das aulas.

As aulas serão realizadas em Brasília e no Rio de Janeiro, com exceção do curso para Auditor Fiscal do Trabalho (AFT), que terá o formato híbrido (presencial e virtual). 

Matrículas

Após a convocação, ocorrerá o período de matrículas nos cursos de formação, que terá edital próprio para cada cargo.

Para matrícula, deverão ser apresentadas cópia digital de documento de identidade com foto ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH); Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); comprovante de pedido de licença para o curso (no caso de servidores públicos federais); e conta corrente própria para recebimento do auxílio financeiro.

Os procedimentos para matrículas e informações gerais sobre cada curso de formação, como as cargas horárias e períodos dos cursos, locais das aulas e outros, estão disponíveis neste link.

Custos

A logística e as despesas com transporte, alimentação, saúde e estadia durante o curso de formação são de responsabilidade de cada candidato convocado.

As aulas serão dadas pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), pelo Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e Promoção de Eventos (Cebraspe) e pelas agências reguladoras: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel); Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Durante o período de formação, os convocados terão direito a 50% da remuneração inicial prevista para o cargo, com os devidos descontos legais. Os candidatos que são servidores públicos federais poderão optar por manter os vencimentos atuais do respectivo cargo, no período de formação, desde que apresentem a documentação comprobatória necessária.

CNU

O Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) é considerado o maior processo seletivo realizado no país, com aplicação de provas em 218 cidades.

O certame atraiu 2,1 milhões de inscritos concorrendo a 6.640 vagas em 21 órgãos públicos.

Conforme o cronograma do chamado Enem dos Concursos, em 28 de fevereiro o Ministério da Gestão publicará a lista definitiva dos convocados para matrícula nos cursos de formação e a lista definitiva de classificação para todos os cargos.

Síndrome de Asperger: entenda por que o termo não é mais usado

Autismo leve ou autismo de alta funcionalidade são algumas expressões populares associadas à síndrome de Asperger. O que poucos sabem é que essa nomenclatura deixou de ser utilizada desde 2013, quando a maioria das pessoas com o diagnóstico foi enquadrada no transtorno do espectro autista (TEA) como autista nível 1 de suporte.
Psicólogo Leandro Cunha explica que a síndrome de Asperger era uma condição caracterizada por dificuldades na interação social – Foto: Leandro Cunha/Arquivo pessoal

Em entrevista à Agência Brasil, o psicólogo Leandro Cunha explicou que a síndrome de Asperger era uma condição caracterizada por dificuldades na interação social, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos, conhecidos como hiperfocos. Distinguia-se do autismo clássico por não apresentar atraso cognitivo global e porque a comunicação verbal se fazia presente.

Notícias relacionadas:

“Por isso, muitas vezes, Asperger era associada a termos como autismo leve ou autismo de alta funcionalidade”, destacou.

“Comportamentos antes atribuídos à síndrome ainda são observados no diagnóstico de TEA. O que mudou foi a ausência de uma separação formal, considerando que o espectro varia em intensidade e frequência de características. Isso permite uma abordagem mais flexível e individualizada”, explica.
 

Entenda

A síndrome de Asperger foi descrita inicialmente pelo pediatra austríaco Hans Asperger, em 1944, após observar pacientes com dificuldades de interação social. Anos depois, a condição passaria a figurar como uma categoria diagnóstica distinta. Desde 2013, entretanto, a síndrome deixou de existir isoladamente e passou a integrar o escopo do TEA.

Foi por meio da quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria, que surgiu o termo transtorno do espectro autista. A publicação passou a enquadrar tanto o chamado autismo clássico como a síndrome de Asperger como uma única condição, mas com um grande espectro de características e sintomas.

Algo semelhante aconteceu com a Classificação Internacional de Doenças (CID), que contém cerca de 55 mil códigos para lesões e doenças. A CID-10, que vigorou de 1993 a 2021, classificava o autismo dentro dos transtornos globais do desenvolvimento e codificava separadamente a síndrome de Asperger. Já na CID-11, em vigor desde janeiro de 2022, Asperger deixa de existir isoladamente e passa a fazer parte do TEA.

Características que antes integravam a síndrome, portanto, permanecem como padrões a serem observados ao diagnosticar uma pessoa com TEA. 

“A mudança é positiva porque reconhece o autismo como um espectro, evitando divisões rígidas que dificultavam o diagnóstico e o acesso ao suporte adequado. Além disso, promove uma visão mais inclusiva da condição”, avalia a psicóloga e psicanalista Sílvia Oliveira.

“A nova classificação reconhece o TEA como um espectro contínuo, no qual os sintomas variam em intensidade e impacto na vida do indivíduo, sem barreiras artificiais entre os diagnósticos”, completou a especialista.

Histórias

Leonardo Sampaio tem 22 anos e é estudante de psicologia. Há cerca de um ano, foi diagnosticado como autista nível 1 de suporte. Como a identificação foi feita recentemente, ele não chegou a ouvir de especialistas a expressão síndrome de Asperger. A suspeita inicial era de transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), mas, ao longo da investigação, outras características apontaram para o TEA.

“O diagnóstico de autismo raramente vem isolado e foi muito importante para entender meus limites e barreiras sociais, além de aprender a lidar melhor com eles”, disse.

“O entendimento de muitas questões que antes não faziam sentido sem o diagnóstico foi fundamental. Aprender a lidar consigo mesmo e descobrir que posso ser mais funcional dessa forma melhorou muito minha autoestima”, completou.

Para o jovem, a mudança de nomenclaturas era necessária. “Criava uma espécie de hierarquização e diferenciação dentro do diagnóstico, algo que, não à toa, quando analisamos a raiz do nome, descobrimos que o termo síndrome de Asperger foi uma homenagem a um médico que colaborou com o regime nazista e com a ideia de eugenismo, na busca pela raça perfeita”.

“Acredito que uma síndrome separada fortalecia a crença popular de que o indivíduo com Asperger tem menos prejuízos do que uma pessoa com autismo. Isso atrapalhava reivindicações por acessibilidade, pesquisa e direitos. Enxergar o autismo como um espectro é importante para enfatizar que, independentemente do grau de suporte da pessoa, ela segue com critérios diagnósticos que devem ser respeitados”, avalia.

Ana Karoline Freitas, 21 anos, também foi diagnosticada como autista nível 1 de suporte, recentemente.

“Meu diagnóstico foi tardio, aos 19 anos, mas mudou minha vida completamente. Eu estava há 2 anos em tratamento psiquiátrico e psicológico, sem conseguir nenhuma melhora efetiva porque os médicos tratavam apenas como depressão e ansiedade.”

Ana Karoline Freitas, 21 anos, também foi diagnosticada como autista nível 1 de suporte. Foto: Arquivo pessoal

Sobre a mudança na nomenclatura de Asperger para TEA, ela também avalia a decisão como importante.

“Mostra que nós, autistas, somos diferentes, mas continuamos autistas. A distinção, seja por nome ou por nível de suporte, faz as pessoas acreditarem que exista alguém mais ou menos autistas. Muitos invalidam adultos autistas por terem um nível de suporte menor ou por terem sido classificados antes como Asperger”.

“Outra coisa importante é a desvinculação do TEA de uma terminologia problemática, que veio de um médico nazista que acreditava em autistas funcionais, reiterando a ideia de que uma pessoa só é importante se estiver de acordo com padrões impostos de socialização, trabalho e comportamento”, pontuou a jovem.

“Já ouvi muitas vezes que não era autista de verdade, que agora todos são nível 1 de suporte e que não mereço direitos por ser um pouquinho mais autista que o resto das pessoas”, disse.

* Colaborou Ana Karolina Alli Marques, estagiária sob supervisão de Marcelo Brandão

Polícia prende suspeita de liderar quadrilha que matou ciclista em SP

A Polícia Civil de São Paulo prendeu, nesta terça-feira  (18), uma mulher suspeita de chefiar uma quadrilha de assaltantes. A identidade dela ainda não foi divulgada. Entre os crimes que teriam sido praticados pelo grupo figuram as mortes do ciclista Vitor Medrado, na semana passada, próximo ao Parque do Povo, no Itaim Bibi, e de um delegado da Polícia Civil, em janeiro.

Medrado foi alvejado, a sangue frio, por uma dupla de motociclistas disfarçados de entregadores. Já o delegado Josenildo de Moura Júnior foi assassinado na zona sul da capital, também por ladrões fingindo que eram entregadores de aplicativos.

Armas

Notícias relacionadas:

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a prisão da suposta líder do bando ocorreu em Paraisópolis. No endereço da suspeita, foram apreendidas três armas de fogo, mochilas de entregas, capacetes e outros acessórios usados no crime.

Também foram encontrados no local equipamentos eletrônicos que passarão por perícia policial. A polícia segue procurando falsos entregadores que participaram da morte de Medrado.

Supremo prorroga inquérito contra ex-ministro por importunação sexual

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou por 60 dias o inquérito que investiga Silvio Almeida (foto), ex-ministro dos Direitos Humanos, por importunação sexual, crime que teria sido praticado contra a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. 

O inquérito está a cargo da Polícia Federal, que pediu mais prazo para concluir as investigações. Entre as diligências pendentes, por exemplo, está a oitiva do próprio Almeida, que ainda não prestou depoimento e deve ser um dos últimos a serem ouvidos no caso. Anielle foi ouvida em outubro do ano passado. 

Notícias relacionadas:

O caso tramita sob sigilo no Supremo. Ao autorizar a investigação, Mendonça entendeu que o processo deveria tramitar no STF porque as acusações ocorreram quando Almeida estava no cargo de ministro. Após a conclusão das investigações, a Polícia Federal pode indiciar ou não o ex-ministro, a depender das conclusões do inquérito.

Acusações

As acusações contra o ex-ministro Silvio Almeida surgiram em setembro de 2024. A organização Me Too, que atua na proteção de mulheres vítimas de violência, disse ter acolhido mulheres que relataram assédio sexual por parte do professor e advogado. 

Com o escândalo, Silvio Almeida foi demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em nota após a divulgação das acusações, Silvio Almeida disse repudiar “com absoluta veemência” as denúncias, que chamou de “mentiras” e “ilações absurdas” disseminadas com o objetivo de prejudicá-lo.

DR com Demori: Carlos Nobre alerta para risco de colapso ambiental

O planeta está muito próximo de ultrapassar os chamados “pontos de não retorno”. É o alerta do cientista e climatologista Carlos Nobre em entrevista ao jornalista Leandro Demori.  

Carlos Nobre fez parte da equipe internacional de cientistas que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007 pelos importantes alertas sobre o perigo do clima extremo.

Notícias relacionadas:

De acordo com o climatologista, a ciência estabelece mais de 25 pontos que, se alcançados, tornam a Terra praticamente inabitável.

“Estão batendo recordes de ondas de calor em todo o mundo, inclusive no Brasil. Então, esse é um enorme risco. Nós já vimos o que é o planeta chegando a 1,5 graus, bateu todos os recordes dos eventos extremos. E, então, aí, se a gente continuar com a temperatura aumentando, se ela chegar em 2050 a 2,5 graus, nós vamos explodir um monte desses pontos de não retorno”, explica.

Carlos Nobre é o convidado do programa DR com Demori desta terça-feira- Pri Cestari/Agência Brasil

Nobre cita como um ponto de não retorno o branqueamento dos recifes de corais, fenômeno que já vem acontecendo nos oceanos. Segundo o cientista, se a temperatura do planeta passar de 2 graus de aquecimento, praticamente 100% das espécies de recifes de corais vão desaparecer. “Os recifes de corais mantêm 25% da biodiversidade oceânica. Isso tudo vai desaparecer”, alerta.

Outro ponto de não retorno, segundo Carlos Nobre, são os impactos na Amazônia, caso a temperatura da Terra chegue a 2,5 graus de aquecimento em 2050. Ele explica que perderíamos de 50% a 70% da floresta, tornando a Amazônia um ecossistema super degradado. A consequência disso seria a liberação de 250 bilhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera.

O terceiro ponto de não retorno que ele cita está relacionado aos solos permanentemente congelados da Sibéria, do norte do Canadá e do norte do Alasca, os chamados “permafrost”. Segundo ele, existe uma enorme quantidade de gás carbônico e metano, 30 vezes mais poderoso que o gás carbônico, armazenada nessas regiões.  “Se a temperatura passar de 2, chegar a 2,5 (graus de aquecimento), nós vamos perder a maior parte do solo congelado. Vai descongelar e vai liberar mais de 250 bilhões de toneladas de metano e de gás carbônico. Soma só esses dois pontos de não retorno, Amazônia e permafrost, nós vamos jogar mais de 500 bilhões de toneladas (na atmosfera)”, conclui.

Nobre ressaltou ainda que a única chance de sobrevivermos como espécie é evitar o aumento do aquecimento global. “Se a gente chegar em 2050 com 2,5 graus (de aquecimento), dispara esses pontos de não retorno. Já não tem mais muito o que o ser humano possa fazer.  Mesmo que a gente consiga reduzir muito e zerar as emissões, ainda assim, esses pontos de não retorno vão tornar o planeta praticamente inabitável e vão atingir, em 2100, no próximo século, a sexta extinção de espécie”, enfatiza.  

Diante desse cenário alarmante, Nobre criticou a falta de compromisso político global com a redução das emissões de carbono. Ele ressaltou que as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris não estão sendo cumpridas pela maioria dos países, e que a recente ascensão de líderes negacionistas agrava ainda mais a situação. O caso dos Estados Unidos foi citado como preocupante, com um governo priorizando a exploração de combustíveis fósseis e desconsiderando alertas científicos.

Transição energética

Quando questionado sobre estratégias para mitigar os impactos da crise climática, o cientista enfatizou a necessidade de uma transição urgente para energias renováveis, o fim do desmatamento e a diminuição drástica das emissões de gases do efeito estufa. “Sem dúvida nós precisamos do pacote completo, mas, historicamente, a queima de combustíveis fósseis, petróleo, carvão e gás natural, responde por mais de 75% das emissões”, explica. Nobre lembrou que o Brasil é o país que tem mais condições de zerar as emissões de gases nocivos na atmosfera, pois possui diversas fontes de energias renováveis – hidrelétrica, solar e eólica.

Sobre as discussões na COP 30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontecerá em novembro na cidade de Belém, no Pará, Carlos Nobre criticou o agronegócio, que classificou como o setor que mais rejeita os alertas em relação às mudanças climáticas.

“Quando a gente olha setores econômicos, quais são os mais negacionistas das mudanças climáticas? Não é o setor do combustível fóssil. Eles querem uma transição lenta, mas não são negacionistas. É o setor do agronegócio, em todo o mundo. Estados Unidos, Brasil, Argentina, países europeus, é uma coisa difícil de entender, porque eles já estão sendo muito prejudicados com os eventos extremos. Então, é muito importante que a COP30 não seja, obviamente, do petróleo, e muito menos também a COP do pessoal do agronegócio, que não quer reduzir, que quer continuar expandindo as áreas de pecuária, de agricultura, tudo”, enfatizou.

o entanto, Nobre disse estar otimista com a conferência no Brasil.  “Todos os países que forem ali vão ter que assinar:  vamos zerar as emissões muito antes de 2050, 2040. Então, esse é o papel que o Brasil tem. (…) Vamos transformar a COP30 na mais desafiadora, a mais importante, vamos zerar as emissões no máximo em 2040”, concluiu.

O programa DR com Demori vai ao ar toda terça-feira, às 23h, na TV Brasil, app TV Brasil Play e no Youtube. Também é transmitido pelas rádios Nacional FM e MEC

Unidos da Tijuca homenageia orixá filho de Oxum e Oxóssi

A preparação para o carnaval de 2025 começou cedo na Unidos da Tijuca. Desde março do ano passado, carnavalescos e componentes da escola trabalham no enredo Logun-Edé – Santo Menino que o Velho Respeita. O tema, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira, conta a história da divindade cultuada pelas religiões de matriz africana conhecida como “príncipe dos orixás”. Segundo a tradição iorubá, Logun-Edé é filho de Oxum, orixá associada à pesca e à água doce, e Oxóssi, relacionado à caça e às florestas.

“Quando cheguei na escola, existia um desejo muito grande de fazer um enredo sobre Logun-Edé. Tinha outros enredos também, mas achei que esse seria um momento muito especial para trabalhar essa história e trazer uma energia positiva, que a comunidade abraçasse”, diz Edson à Agência Brasil. Figurinista de formação, ele começou a trabalhar no carnaval em 1992 como pintor de arte, passando por outras funções ao longo dos anos. Antes de estrear como carnavalesco da escola amarelo-ouro e azul pavão, ocupou esse cargo por 16 anos na Unidos de Padre Miguel.

Logun-Edé

Notícias relacionadas:

“Fiz uma pesquisa extensa para saber como conjugar esse orixá à história da escola e descobrimos muitas coisas que parecem coincidências, mas que são fatos”, comenta o carnavalesco sobre as relações entre a escola e o enredo escolhido para o carnaval deste ano. Fundada em 1931 no bairro da zona norte do Rio que traz em seu nome, a Unidos da Tijuca nasceu na Rua São Miguel, que no sincretismo religioso corresponde a Logun-Edé. Além disso, a escola tem as mesmas cores do orixá em seu pavilhão, o amarelo e o azul, e compartilha do mesmo animal que a divindade: o pavão.

 

Carnavalesco Edson Pereira posa em um dos carros alegóricos da Unidos da Tijuca – Tânia Rêgo/Agência Brasil

“A partir disso, começamos a entender como é tratado esse orixá que se julga um menino, mas que o velho respeita pela sabedoria e pela bravura dele, e vemos a relação no mundo contemporâneo de Logun-Edé com a escola e com o que estamos vivendo atualmente”, continua. Em uma das salas do barracão da Unidos da Tijuca na Cidade do Samba, Edson também destaca a importância de se discutir a ancestralidade e a negritude nos desfiles de carnaval, temas que a escola não trabalhava há mais de 20 anos, de acordo com o carnavalesco.

Apesar de ser um orixá menos difundido em comparação aos outros, Logun-Edé “traz uma sabedoria muito grande e muitos conhecimentos para a nossa cultura”, afirma Edson. “Acho muito importante hoje falarmos sobre esse orixá. Não somente sobre o orixá, mas também sobre a sua ancestralidade, sobre a nossa ancestralidade, de uma maneira que possamos ensinar às pessoas.”

Preparação

“O processo foi muito calmo este ano porque começamos muito cedo”, conta Junior Bandeira, na Unidos da Tijuca há 12 anos. Na agremiação, Junior, que veio da escola de samba Imperatriz de Olaria, de Nova Friburgo, na região serrana, é responsável pela confecção de fantasias, trabalhando com uma equipe de cerca de dez pessoas. No mesmo andar, a esposa dele, Denize Peres, lidera outra equipe com aproximadamente a mesma quantidade de pessoas envolvidas na produção das roupas.

 

Junior Bandeira, responsável pela confecção das fantasias da Unidos da Tijuca – Tânia Rêgo/Agência Brasil

São mais ou menos 380 fantasias confeccionadas por cada ateliê, que levam de 30 a 40 dias para ficarem prontas, segundo Junior. “Quando tem o material, conseguimos fazer em torno de 30 a 40 dias, mas tem todo o processo de chegada do material, isso demora um pouco, ficam algumas pendências para o final, mas é mais ou menos esse tempo que leva”, explica.

Todas as fantasias são produzidas no barracão, com acompanhamento da direção e do carnavalesco da agremiação. Após o desfile, as fantasias são desmanchadas, e o material é vendido para escolas de outras cidades, para ser usado no próximo ano. Ao todo, a Unidos da Tijuca reúne atualmente em torno de 150 pessoas envolvidas na construção do desfile deste ano.

A esperança de Junior é que a escola seja campeã do carnaval, retornando para o bairro da Tijuca com o quarto título como vencedora do Grupo Especial do Rio de Janeiro. O último foi conquistado em 2014, com o enredo Acelera, Tijuca!, que homenageou o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, morto em um acidente de carro durante o Grande Prêmio de San Marino, na Itália, 20 anos antes, em 1º de maio de 1994. A agremiação também foi vencedora nos anos de 2010 e 2012, com os enredos É Segredo! e O Dia em que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão.

Em março, a Unidos da Tijuca será a primeira escola a desfilar no dia 3 de março no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. À Agência Brasil, Edson garante que as expectativas para este ano são “as melhores possíveis”. “Precisamos fazer desse enredo, desse desfile, o melhor desfile das nossas vidas aqui na Unidos da Tijuca, para podermos cumprir com as expectativas não só da comunidade, mas também do mundo do samba”, afirma.

*Estagiária sob supervisão de Vinícius Lisboa


 

João Fonseca diz que muita coisa mudou após título na Argentina

João Fonseca afirmou, nesta segunda-feira (17), que muita coisa mudou após a conquista, no último domingo (16), do ATP 250 de Buenos Aires (Argentina), o primeiro título do brasileiro no circuito profissional de tênis.

“Muita coisa mudou. Foi um título muito especial. O primeiro título é sempre inesquecível. O conquistei na Argentina. Obviamente que gostaria que fosse aqui no Rio, mas foi especial do mesmo jeito”, declarou o tenista de 18 anos de idade em entrevista coletiva antes da sua estreia no Rio Open, que será na próxima terça-feira (18) contra o francês Alexandre Müller.

Notícias relacionadas:

Segundo João Fonseca, o momento de celebração passou, e agora é necessário se concentrar na disputa daquele que é considerado o maior torneio de tênis da América do Sul: “O que aconteceu é passado, e agora é focar no presente, no futuro, no que pode acontecer no Rio Open”.

Porém, após se tornar o brasileiro mais jovem a faturar um troféu no circuito da Associação de Tenistas Profissionais (ATP), o carioca assumiu maior protagonismo entre os tenistas do Brasil: “Estou muito feliz e orgulhoso de mim. E quero ver mais crianças me olhando como exemplo e inspiração. Isso me dá força para seguir querendo ser o número um do mundo”.

Na entrevista, João Fonseca admitiu que toda a repercussão em torno do seu nome trás um certo peso, mas também serve como combustível para buscar novas conquistas: “É um sonho jogar tênis. É uma honra representar o Brasil. E estou fazendo o que gosto, o que amo. E ver pessoas se inspirarem em mim, me dá combustível para seguir lutando, seguir trabalhando cada vez mais duro, obter títulos. Acho que as coisas acontecerão naturalmente, junto com trabalho duro. Não posso dizer que, diante de tudo o que está acontecendo, vou ser uma estrela do tênis, pois não é assim que funciona. O tempo dirá. Mas garanto que trabalho muito para chegar lá”.

Febraban projeta crescimento do crédito para 8,5% em 2025

Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que a carteira de crédito no país deverá crescer 8,5% em 2025. Em dezembro passado, a expectativa da entidade era de um crescimento de 9% do crédito no ano corrente. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (17).

Em 2024, o crescimento do crédito foi de 10,9%, segundo o Banco Central.

Notícias relacionadas:

“O resultado reflete a piora do cenário econômico, com expectativa de uma inflação maior e, consequentemente, juros mais altos também ao longo do ano. O desempenho efetivo do crédito dependerá do cenário fiscal e de outras variáveis relevantes, que poderão alterar a perspectiva atual”, destacou o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg.

O levantamento, feito com executivos de 21 bancos, entre os dias 5 e 10 de fevereiro, aponta ainda que a maioria dos entrevistados (76,2%) disse esperar que a taxa Selic suba além de 14,25% em 2025. 

Já a expectativa para a taxa de câmbio é de ligeira depreciação ao longo do ano, com o dólar atingindo R$ 5,95 até setembro. Na pesquisa anterior, os entrevistados enxergavam que o câmbio ficaria próximo do nível de R$ 6.

Quanto à inflação, a maioria (47,6%) dos entrevistados entende que a inflação deve ficar próxima a 5,5%. Já sobre o Produto Interno Bruto (PIB), pouco mais da metade (52,4%) dos participantes segue projetando alta em torno de 2% em 2025.

 

São Paulo tem umidade baixa e temperaturas entre 35 e 40 graus

O estado de São Paulo registrou temperaturas acima de 40 graus no começo da tarde desta segunda-feira (17). No segundo dia de alerta para a onda de calor no estado, as temperaturas mais altas foram registradas no litoral e no Vale do Ribeira: 40,2 graus em Iguape; 40,1 graus em Registro e 40 graus em Santos. Parte da região, como os municípios de Registro e do Guarujá, tem a situação agravada devido à necessidade de atendimento a dezenas de famílias desalojadas nas chuvas das duas últimas semanas.

Além das medições nas estações, mais precisas, termômetros de rua marcavam temperaturas acima de 40 graus na zona oeste da capital paulista, onde as tendas de atendimento da prefeitura registraram cerca de 200 mil atendimentos desde a última quinta-feira (13). A previsão é de temperaturas elevadas até pelo menos esta quarta-feira (19), com recomendação de prefeituras e do estado para que idosos e crianças pequenas recebam atenção redobrada.

Notícias relacionadas:

Segundo a Defesa Civil de São Paulo, é a primeira onda de calor deste ano no estado, a terceira no país. A temperatura na casa de 38 graus deve permanecer em diversas regiões do estado, pelo menos até a quarta-feira, com previsão de chuvas já a partir de amanhã (18).

Na capital paulista, o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) indicou medições na casa dos 35 graus na região sul, em Parelheiros, com registro de umidade do ar em 34%. No outro extremo da cidade, em Perus, foram registrados 33 graus e 31% de umidade relativa do ar.

“Nessas situações de calor intenso, a recomendação do CGE é beber água à vontade, não esperar sentir sede para se hidratar, evitar exposição ao sol forte e exercícios físicos ao ar livre nas horas de maior aquecimento, entre as 10h e as 17h”, diz nota da instituição. “Além disso, é imprescindível o uso bonés, chapéus, protetor solar, óculos escuros e umidificadores nos ambientes internos, como toalhas molhadas e baldes com água”, acrescenta o CGE.

Apesar da recomendação, não houve qualquer indicação de suspensão ou restrições a atividades nas escolas ou em parques e áreas de lazer.

Segundo o CGE, a cidade de São Paulo está em estado de alerta para altas temperaturas desde as 9h40 desta segunda-feira (17). Há previsão de pancadas de chuva no fim da tarde e início da noite de amanhã.

Ministra diz que novo sistema leva país à vanguarda contra desastres

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) lançou, nesta segunda (17), em São José dos Campos (SP), o Sistema de Previsão de Risco de Deslizamentos de Terra, o chamado GeoRisk. Para a ministra Luciana Santos (da Ciência, Tecnologia e Inovação), a tecnologia criada coloca o país “na vanguarda da antecipação de risco”. 

De acordo com a ministra, a ferramenta é inovadora, tem o potencial de salvar mais vidas e de evitar perdas materiais, que se tornaram frequentes em um momento de extremos climáticos. Luciana Santos explicou que o GeoRisk foi um trabalho prioritário do Cemaden para evitar mais desastres e tragédias. 

Pesquisador do Cemaden, o engenheiro Pedro Camarinha afirma que, desde o início dos testes com o GeoRisk, o sistema foi capaz de detectar 90% dos principais desastres associados a deslizamentos de terra.  Ele explica que o sistema foi aprimorado ao longo de três verões consecutivos, por meio de testes estatísticos e calibração com aprendizado de máquina (machine learning), o que aumentou a precisão do sistema.

Notícias relacionadas:

A ministra Luciana Santos avalia que os extremos climáticos exigem respostas como essa dos cientistas. “Há um processo que já nos afeta com fortes chuvas, enchentes, secas, ondas de calor, com impacto em diversos setores e em nossos modos de vida”. Ela alertou que esses eventos vão se agravar e isso cobra ações “coordenadas e urgentes”. A ministra ainda cita que o país tem um desenvolvimento urbano descontrolado, o que agrava a situação. “Mais de 80% da população brasileira nesse país continental vive nos centros urbanos e muitas vezes em áreas de risco, ou em morros ou em alagados”. 

Atualmente, o Cemaden cobre 1.133 municípios do Brasil (dos quais 1.083 já possuem limiares de risco específicos identificados). A previsão é que haja, até o ano de 2026, ampliação para mais 762 municípios, e assim atingir 60% da população do país em que as pessoas estão numa situação maior de risco. O sistema de prevenção de desastres brasileiro será apresentado na COP 30, em Belém, segundo explicou a ministra Luciana Santos. O GeoRisk foi calibrado para oferecer resultados tanto a nível regional quanto municipal. 

Prevenção no orçamento

O ministro Jader Filho (Cidades), também presente ao evento de anúncio da plataforma, destaca que a prevenção é o caminho principal para reduzir as chances de desastres e que, quando o atual governo assumiu a gestão, não havia recursos o suficiente. Jader Filho cita que “muitas obras de contenção em encostas e de drenagem” tinham sido paralisadas, por exemplo. 

“A prevenção precisa estar no orçamento de todos os entes da nossa federação”, defende. Ele citou a tragédia no Rio Grande do Sul, no ano passado, onde se perderam mais de 180 vidas. 

O pesquisador do Cemaden Pedro Camarinha, que esteve à frente do desenvolvimento da plataforma, explica que o GeoRisk pode indicar, a partir dos dados de diferentes fontes reunidas, que a chance de deslizamentos pode ser maior em uma região do que em outras. “A gente aqui, dentro da sala de situação, sabe interpretar os boletins de previsão do risco de uma forma bastante bem direcionada”. 

Avaliações permanentes

Camarinha acrescenta que os dados são observados também sob o ponto de vista histórico de chuva antecedentes de até sete dias. “A gente acopla múltiplos modelos de previsão do tempo, baseado nos limiares críticos de precipitação, que aumentam muito as chances de deslizamentos, e aplica uma equação combinando todos esses modelos”, detalha. 

Um trabalho na sequência é avaliar, ao longo do tempo, o quanto esse resultado do GeoRisk está acertando ou errando. “Nós só conseguimos fazer isso porque temos um banco de dados de registro de ocorrências. Se estamos sinalizando que uma região tem um risco alto, nada mais justo do que avaliar no dia seguinte se houve a ocorrência para poder balizar e calibrar o sistema”. 

Assim, os especialistas buscam detectar mais eventos que causam deslizamentos a fim de enviar menos alertas imprecisos ou falsos. A ferramenta, segundo o especialista, é um aperfeiçoamento das atividades. “Uma grande vantagem é que hoje a gente consegue entregar dados de qualidade com três dias de antecedência. Nós vamos acompanhando, ao longo dos dias, se aquele risco se mantém ou não”. 

Inflação entre 4% e 5% é relativamente normal, diz Haddad

O atual nível de inflação do Brasil está relativamente dentro da normalidade para o Plano Real, disse nesta segunda-feira (17) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em conferência do Fundo Monetário Internacional (FMI) na Arábia Saudita, o ministro avaliou que o Brasil deixou para trás o período em que a inflação estava em torno de dois dígitos.

“O Brasil tem feito um trabalho, tentando encontrar um caminho de equilíbrio e sustentabilidade, mesmo em fase de um ajuste importante. O Brasil deixou uma inflação de dois dígitos há três anos. Hoje, temos uma inflação em torno de 4% a 5%, que é uma inflação relativamente normal para o Brasil desde o Plano Real, há 26 anos”, declarou o ministro no painel “Um caminho para a resiliência dos mercados emergentes”.

Notícias relacionadas:

Apesar de estar em um dígito, a inflação estourou o teto da meta em 2024 e deve fazer o mesmo neste ano, de acordo com o mercado financeiro. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) com instituições financeiras, a inflação oficial pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve encerrar 2025 em 5,6%, mais de um ponto percentual acima do teto da meta, de 4,5%.

No ano passado, o IPCA ficou em 4,83%, também acima do teto de 4,5%. Com base na legislação, o BC enviou uma carta em que justificou o estouro da meta com base na alta do dólar, problemas climáticos e aquecimento da economia.

Pelo sistema de metas contínuas de inflação, a cada seis meses, o BC terá de enviar uma carta caso a inflação em 12 meses supere a meta de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

No encontro do FMI, que ocorre na cidade saudita de Al-Ula, Haddad reafirmou as justificativas da carta do BC. O ministro atribuiu o repique inflacionário à alta do dólar em todo o planeta no segundo semestre do ano passado, período marcado pelas eleições presidenciais norte-americanas.

“Por volta de 12 a 30 anos, a inflação se manteve abaixo dos 5%, o que acontece neste momento. Com o fortalecimento do dólar pelo mundo, acabou fazendo com que nós tivéssemos um repique inflacionário no segundo semestre do ano passado; por isso, o Banco Central teve de intervir [com altas de juros] para garantir que a inflação fosse controlada”, justificou Haddad.

Câmbio

Com a valorização do real nas últimas semanas, afirmou o ministro, os preços devem se estabilizar. “O aumento das taxas será no curto prazo. O dólar voltou a um nível adequado e caiu 10% nos últimos 60 dias. Eu acho que isso vai fazer com que a inflação se estabilize”, destacou.

Atualmente em 13,25% ao ano, a Taxa Selic deverá subir para 14,25% na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, como informou a própria instituição financeira no início do mês.

G20

Haddad destacou a reforma tributária sobre o consumo, regulamentada no fim do ano passado e que deverá gerar crescimento econômico nos próximos anos. Segundo o ministro, o Brasil trabalha para ter equilíbrio e sustentabilidade, mesmo em meio a um ajuste fiscal importante e com fortes incertezas externas.

O ministro relembrou a presidência do Brasil no G20 (grupo das 19 maiores economias do planeta, mais União Europeia e União Africana). Segundo Haddad, o Brasil deixou um legado de busca pela reglobalização sustentável, capaz de conciliar interesses de mercado, combate às desigualdades e transição para fontes de energia limpas.

Mediadora do debate, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, defendeu a capacidade de as economias se adaptarem a choques globais, que aumentaram nos últimos anos com incidentes como a pandemia de Covid-19 e a intensificação das mudanças climáticas. Segundo ela, as economias emergentes devem pautar-se na “resiliência”, antecipando-se e absorvendo parte dos efeitos da geopolítica e das crises externas.

Ex-prefeito ficou surpreso com possível atentado forjado, diz defesa

A defesa de José Aprígio, ex-prefeito de Taboão da Serra, afirmou nesta segunda-feira (17) que o político recebeu com surpresa a informação de que a investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado de São Paulo indicou que o atentado contra o ex-prefeito, em outubro de 2024, foi forjado

De acordo com o advogado, Allan Mohamed Melo Hassan, o ex-prefeito deve ser considerado uma vítima do atentado, sendo atingido pelo disparo. 

Notícias relacionadas:

“[Aprígio] foi surpreendido na manhã de hoje com desdobramento das investigações envolvendo a tentativa de homicídio que sofrera durante as eleições municipais de 2024. José Aprígio é vítima, sofreu um tiro com armamento pesado em outubro de 2024 que, por sorte, não ceifou a sua vida”, disse o advogado, em nota.  

A Polícia Civil e o Ministério Público deflagram nesta segunda-feira a Operação Fato Oculto, com o objetivo de elucidar o atentado forjado. “Segundo o apurado, os investigados forjaram um ataque a tiros contra o ex-prefeito como estratégia que resultasse em vantagem eleitoral durante o pleito de 2024”, disse o MP em nota. 

Segundo a Polícia Civil, não há elementos, até o momento, que garantam que o ex-prefeito, derrotado nas eleições municipais de 2024, soubesse da armação do atentado. Quando foi atingido, Aprígio estava dentro de um carro blindado. A blindagem, no entanto, falhou, o que permitiu que o ex-prefeito tenha sido atingido.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que um homem foi preso, houve apreensão de celulares, computadores, dinheiro e armas.

A suspeita dos órgãos de investigação é que o atentado forjado tinha o objetivo de beneficiar Aprígio nas eleições municipais passadas. Aprígio (Podemos) tentava a reeleição, mas foi derrotado no segundo turno por Daniel Bugalho (União Brasil).

Aprígio foi baleado no ombro quando estava em seu carro, mas há suspeitas que o suposto atentado tenha sido organizado por secretários da administração municipal.

Gilmar de Jesus Santos, suspeito de ser o atirador, foi preso ainda no ano passado. Um outro atirador e um comparsa estão foragidos.

MPF pede que Prefeitura do Rio mude regras para ambulantes no Carnaval

O Ministério Público Federal (MPF) enviou nesta segunda-feira (17) uma recomendação à Prefeitura do Rio de Janeiro e à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) para mudar regras relativas ao trabalho de ambulantes no Carnaval deste ano. Entre os pedidos está o de autorizar que os ambulantes que já possuem licença para atuar no restante do ano  possam também trabalhar durante a folia. 

Em audiência pública realizada há dez dias, representantes do Movimento Unido dos Camelôs (MUCA) e do SindInformal criticaram o fato de a Prefeitura ter escolhido os trabalhadores para o Carnaval exclusivamente por sorteio. Muitos dos que trabalham regularmente durante o ano acabaram excluídos dos 15 mil contemplados.

Notícias relacionadas:

O MPF deu um prazo de cinco dias para a resposta da Prefeitura, da Seop e da Guarda Municipal. O procurador Julio José Araujo Junior e a defensora pública Fernanda de Souza Lima deram outras recomendações, como permitir que os camelôs possam utilizar seus próprios materiais de trabalho (isopores, carrinhos, guarda-sóis etc) e estabelecer que a autorização de trabalho no Carnaval possa se estender para além da Região Administrativa inscrita na licença de cada ambulante. 

Também foi recomendado que a Seop se abstenha de praticar apreensões ilegais e desproporcionais de mercadorias durante o Carnaval e adote medidas de transparência para informar à população sobre a destinação das mercadorias apreendidas durante o evento

A Corregedoria da Guarda Municipal e a Secretaria Municipal de Ordem Pública devem ter um esquema de plantão durante o Carnaval para atender os casos de apreensões ilegais e violências praticados por agentes públicos contra os camelôs.

A Agência Brasil aguarda o posicionamento da Prefeitura e da Seop sobre as recomendações do MPF. 

 

MP pede volta ao presídio de bolsonarista que matou petista no Paraná

O Ministério Público do Paraná (MPPR) recorreu para derrubar a decisão que concedeu prisão domiciliar ao ex-policial penal Jorge José da Rocha Guaranho, condenado pelo assassinato do guarda municipal e ex-tesoureiro do PT estadual Marcelo Aloizio de Arruda, em 2022.

Na sexta-feira (14), Guaranho deixou a prisão após ser condenado a 20 anos de prisão pelo Tribunal do Júri de Curitiba. O ex-policial penal cumpria prisão domiciliar e foi preso na quinta-feira (13) após o julgamento.

Notícias relacionadas:

O habeas corpus foi concedido pelo desembargador Gamaliel Seme Scaff, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR). O magistrado concordou com argumentos da defesa e decidiu que Guaranho vai voltar para a prisão domiciliar e usar tornozeleira eletrônica.

Os advogados alegaram que Jorge Guaranho tem problemas de saúde e deve continuar em prisão domiciliar. Segundo a defesa, o condenado também foi alvejado por tiros no dia do crime e espancado, sendo necessário o tratamento médico das lesões.

Recurso 

No recurso apresentado nesta segunda-feira (17) à Primeira Câmara Criminal, o MP afirma que Jorge Guaranho tem “alto grau de belicosidade” e deve ficar preso com base na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determina a soberania dos vereditos do Tribunal do Júri.

Os promotores também disseram que o tratamento médico pode ser realizado no estabelecimento prisional.

“Não se constata que o paciente esteja extremamente debilitado – como se observa dos vídeos veiculados na mídia que captaram sua entrada e/ou saída do fórum, bem como do vídeo de seu interrogatório em plenário – ou impossibilitado de receber atendimento no estabelecimento prisional”, sustenta o MP.

O crime ocorreu em julho de 2022, no município paranaense de Foz do Iguaçu, em meio à campanha eleitoral.

De acordo com as investigações, Guaranho se dirigiu à festa de temática petista na qual Marcelo Arruda comemorava seu aniversário de 50 anos e fez provocações de cunho político, tocando, em alto volume, músicas em alusão ao então presidente Jair Bolsonaro.

Após o início de uma discussão, houve troca de tiros entre os dois, e Arruda foi morto. Guaranho ficou ferido durante a troca de tiros e foi internado na unidade de terapia intensiva (UTI) de um hospital de Foz do Iguaçu.

Após se recuperar, ele foi preso e denunciado pelo Ministério Público por homicídio duplamente qualificado. Produção de perigo e motivo fútil foram as qualificadoras usadas pelos promotores para embasar a denúncia.

Mulheres receberão atendimento especial durante o Carnaval de SP

Os circuitos por onde vão desfilar os megablocos do Carnaval de rua de São Paulo vão contar com tendas para atendimento e acolhimento de mulheres que sofrerem importunação sexual durante as festas.

Segundo a Polícia Militar, serão instaladas 14 tendas durante o Carnaval, que vão contar com policiais mulheres treinadas para dar suporte e acolher o público feminino. O objetivo da ação, informou a PM, será criar um ambiente acolhedor para receber denúncias e também atender pedidos de suporte.

Notícias relacionadas:

“A abordagem será a mais sensível possível”, disse o coronel Cássio Araújo de Freitas, comandante-geral da Polícia Militar. “É um espaço dedicado para atender essa vítima e prosseguir com a ocorrência”, explicou.

Uma dessas tendas será instalada no entorno do Parque Ibirapuera, local por onde devem passar alguns destes megablocos. Mas também haverá, segundo a Polícia Militar, tendas concentradas na região central e nas zonas norte e oeste da capital paulista.

Além das tendas, a PM terá atendimento 24 horas na Cabine Lilás, por meio do 190. O serviço, que fica no Centro de Operações da Polícia Militar, é operado por policiais mulheres treinadas para dar suporte e orientação às mulheres que pedem ajuda pelo 190.

Prefeitura do Rio pretende criar Força de Segurança Municipal

A prefeitura do Rio de Janeiro enviou, nesta segunda-feira (17), à Câmara dos Vereadores um projeto de lei que cria a Força de Segurança Municipal. Pela proposta, a força usará armas de fogo e atuará no policiamento das ruas da cidade, com foco no combate a pequenos delitos. E terá caráter complementar aos órgãos federais e estaduais do sistema de justiça e segurança.

Segundo a prefeitura, diagnósticos apontaram a necessidade de um modelo de policiamento preventivo. Um estudo citado foi feito pelo Centro de Ciência Aplicada à Segurança Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Secretaria Municipal de Ordem Pública, e mostra ação do crime de forma concentrada: 5,3% do território têm 50% dos roubos e furtos de rua.

Notícias relacionadas:

O objetivo da Força de Segurança Municipal não é combater o crime organizado, e sim enfrentar pequenos delitos urbanos, como roubos e furtos, disse vice-prefeito Eduardo Cavaliere. “O foco é atuar em áreas que concentram a maior parte dessas ocorrências, ampliando a competência da prefeitura do Rio. Trabalharemos em uma estratégia transparente e com acompanhamento da sociedade.”

Se aprovada, a Força Municipal teria um diretor-chefe, ouvidor independente, corregedor independente, uma carreira efetiva de gestor de segurança pública municipal e outra temporária de agente de segurança pública.

Com salário previsto de R$ 19.435,07, o gestor de segurança seria contratado por concurso público e ficaria responsável pela coordenação estratégica e gestão operacional das atividades de segurança. O agente municipal de segurança pública, cujo salário deve ser de R$ 13.303, executaria ações preventivas voltadas à proteção e à segurança pública e urbana no âmbito municipal. A previsão é ter 4.200 agentes ao fim de 2028.

O projeto da prefeitura também prevê que o processo de seleção seja específico para oficiais que deixam os Centros de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército Brasileiro e para os oficiais reformados da Marinha e da Aeronáutica. Para isso, haveria convênios com o Ministério da Defesa e com as três Forças Armadas.

Guarda Municipal

A prefeitura planeja ainda refundar a Guarda Municipal. A ideia é que os guardas se concentrem no patrulhamento de parques, praias e calçadões, e estejam disponíveis para eventos grandes. Um dos programas seria o Trânsito Seguro, montado em regiões de grande fluxo de veículos, para reduzir acidentes, melhorar a fluidez do tráfego e reduzir roubos em cruzamentos.

Uma corregedoria independente seria estruturada para a Guarda Municipal, com o objetivo de fiscalizar atividades funcionais e conduta dos agentes. Há também promessa de fortalecimento da Academia da Guarda Municipal, com treinamento e capacitação dos agentes para melhorar o atendimento ao cidadão.

Morre em São Paulo Carlos Miranda, o Vigilante Rodoviário

O tenente-coronel da Polícia Militar Carlos Miranda, mais conhecido por protagonizar a série brasileira O Vigilante Rodoviário, na TV Tupi, morreu na madrugada desta segunda-feira (17) aos 91 anos.

Miranda ficou nacionalmente conhecido ao interpretar o inspetor Carlos nesta série policial que foi exibida nos anos 60. A bordo de uma motocicleta Harley-Davidson ou de um Simca Chambord e sempre acompanhado do cão Lobo, o inspetor Carlos combatia o crime.

Notícias relacionadas:

“A série, exibida na década de 1960, tornou-se um marco na televisão brasileira, destacando os valores de justiça, bravura e dedicação ao serviço público. A relação entre o vigilante e o Lobo não apenas entretinha, mas também inspirava e educava o público sobre a importância da segurança e do policiamento nas rodovias. Além de seu sucesso na televisão, Carlos Miranda teve uma carreira distinta na Polícia Militar, alcançando a patente de tenente-coronel. Seu comprometimento e ética profissional o tornaram um exemplo a ser seguido por gerações de policiais rodoviários”, diz a nota da Polícia Militar de São Paulo.

O velório de Miranda será sendo realizado nesta tarde no Hall Monumental da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a partir das 15h30. O velório será aberto ao público e ocorrerá até as 9h de amanhã (18). O corpo do ator será enterrado amanhã nesta terça-feira (18) no Mausoléu da Polícia Militar no Cemitério do Araçá, na capital paulista.

MPF institui Gaeco Nacional contra o crime organizado

O Grupo Nacional de Apoio ao Enfrentamento ao Crime Organizado (Gaeco Nacional) foi instituído oficialmente nesta segunda-feira (17) para auxiliar o Ministério Público Federal (MPF) no enfrentamento ao crime organizado nacional e interestadual. O órgão, com função executiva e de coordenação, terá sede em Brasília e reforçará os Gaeco já existentes.

Segundo o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, a medida foi um passo essencial para que o MPF possa se estruturar de forma adequada no enfrentamento à criminalidade organizada. “O grupo permite uma resposta institucional mais eficiente e eficaz”, avalia.

Notícias relacionadas:

De acordo com a resolução publicada no Diário Oficial da União, o Gaeco Nacional poderá atuar em casos de crimes cometidos contra os direitos dos cidadãos, como terrorismo e violações graves de direitos humanos; crimes ambientais em terras indígenas e outras infrações com impactos interestaduais e internacionais ou relacionadas a facções criminosas e milícias. 

A instituição também será responsável por gerar conhecimentos técnicos, metodologias investigativas avançadas e sistematizar informações não sigilosas a serem compartilhadas entre unidades do MPF e órgãos de inteligência.

Em nota, a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclarece que “a relação entre as instâncias do Gaeco (nacional, regionais e locais) será pautada pela autonomia recíproca e cooperação, a fim de garantir que cada uma atue dentro de suas atribuições específicas”.

O novo órgão será integrado por 15 titulares a serem selecionados por meio de um edital de chamamento e nomeados pelo procurador-geral da República, após aprovação do Conselho Superior do MPF. O suporte de infraestrutura, material e recursos humanos serão fornecidos pela secretaria-geral do MPF.

A iniciativa é resultado de um debate no âmbito do MPF desde 2019 e aprovada pelo Conselho Superior do MPF, na primeira sessão deste ano. A decisão reformulou uma resolução de 2013, que instituiu os Gaeco locais.

Saúde recomenda cálcio para todas as gestantes para prevenir eclâmpsia

O Ministério da Saúde recomenda que todas as gestantes do país façam suplementação de cálcio para prevenir a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, problemas causados pela hipertensão que são a maior causa de nascimentos prematuros e de morte materna e fetal. A nova estratégia será adotada no pré-natal do Sistema Único de Saúde (SUS).

O novo protocolo busca reduzir a morbimortalidade materna e infantil, especialmente entre a população negra e indígena. Em 2023, quase 70% das mortes causadas por hipertensão foram entre mulheres pretas e pardas. O cálcio ajuda a regular o metabolismo, mantendo a pressão arterial em níveis normais.

Notícias relacionadas:

As gestantes devem tomar dois comprimidos de carbonato de cálcio 1.250 mg por dia a partir da 12ª semana de gestação até o parto. Essa dose garante a ingestão de 1.000 mg de cálcio elementar por dia, o que é a quantidade mínima necessária para reduzir o risco de complicações.

Gestantes

O medicamento já faz parte da farmácia básica do Sistema Único de Saúde (SUS) e é oferecido pelas unidades de saúde, mas caberá aos municípios, ao Distrito Federal e aos estados adquirir os comprimidos na quantidade necessária para atender a todas as gestantes.

Desde 2011, a Organização Mundial da Saúde recomenda a suplementação de cálcio para gestantes com baixo consumo do micronutriente e mulheres com alto risco para pré-eclâmpsia. A orientação já era seguida pelo Ministério da Saúde, mas a prescrição era feita apenas para gestantes com risco detectado.

De acordo com a nota técnica do ministério, a mudança para a prescrição universal se baseia em pesquisas oficiais que mostram que tanto as adolescentes quanto as mulheres adultas no Brasil consomem menos da metade da quantidade recomendada de cálcio por dia.

As gestantes também devem manter a suplementação de ácido fólico e ferro, que é prescrita de forma universal desde 2005. Por isso, precisam ficar atentas aos horários de ingestão, já que o cálcio e o ferro devem ser tomados em ocasiões diferentes, para não prejudicar sua absorção.

Lexa

As complicações causadas pela hipertensão na gravidez ganharam notoriedade recentemente após o episódio o com a cantora Lexa. Sua filha recém-nascida, Sofia, morreu três dias após o parto prematuro, causado por pré-eclâmpsia com síndrome de Hellp.

Algumas situações aumentam o risco de desenvolver a condição: primeira gestação; gravidez antes dos 18 e depois dos 40 anos; pressão alta crônica; diabetes; lúpus; obesidade; gestação de gêmeos e histórico familiar.

Nesses casos – ou quando a alteração na pressão é detectada no início da gestação -, a gestante precisa de acompanhamento especial e pode receber a prescrição para tomar o medicamento AAS [ácido acetilsalicílico] em conjunto com o cálcio.

Caminho dos Veadeiros passa a integrar Rede Nacional de Trilhas

A Trilha Caminho dos Veadeiros, no estado de Goiás, foi reconhecida nesta segunda-feira (17) como integrante da Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas). O percurso, com 483 quilômetros (km) para caminhada e duas rotas para cicloturismo, atravessa sete municípios do estado pelos cenários da Serra Geral do Paranã.

Segundo Samuel Schwaida, analista do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e voluntário do projeto Caminho dos Veadeiros, a conquista é resultado de oito anos de trabalho fortemente apoiado no voluntariado para que a trilha pudesse ser acessada de forma democrática por ciclistas e caminhantes.

Notícias relacionadas:

“A rota de caminhada ainda está em implementação e tem alguns trechos liberados. As duas rotas de bicicleta foram sinalizadas, e já é possível consultar todos os pontos de apoio mapeados e de articulação em todos os municípios. Então, as rotas de bicicleta já podem ser percorridas”, informou Schwaida.

A portaria, publicada no Diário Oficial da União, reconhece o Caminho dos Veadeiros como um importante corredor que conecta pontos de interesse do patrimônio cultural e natural brasileiro, promovendo conservação e geração de renda a partir do turismo sustentável.

A caminhada inclui as áreas de proteção ambiental (APAs) do Planalto Central e do Pouso Alegre e diversas reservas particulares do patrimônio Natural, além do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Histórico

O projeto para estruturar a trilha teve início em 2017, junto com a própria Rede Trilha, uma política pública do MMA, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ministério do Turismo.

“Dentro dessa ideia de criar uma rede nacional, foram pensadas algumas grandes trilhas no território nacional, dentre, as quais o Caminho dos Goyazes, um projeto que já estava em concepção, e aí foi feita uma conversa com o governo estadual na época para trazer esse Caminho dos Goyazes para dentro da ideia da Rede Nacional de Trilhas”, lembrou Schwaida.

A partir daí, voluntários se organizaram em um grupo de trabalho que deu início à concepção do circuito. “Fizemos alguns estudos de mapa, usando imagens de satélite, dados de uso e cobertura do solo. E aí começamos a montar o quebra-cabeça, fomos descobrindo onde é que já tinha trilha, onde não tinha. A única orientação que a gente tinha era de passar pelo Parque Municipal do Itiquira, em Formosa, e na região da Catarata dos Couros, que hoje é o Parque Estadual Águas do Paraíso, que foi criado nesse meio tempo. E que chegaríamos a São Jorge”, detalhou o analista.

No final de 2018, foram definidos o nome e o percurso, começando na cidade de Formosa, a 80 quilômetros de Brasília, e passando pelos municípios de Planaltina, Água Fria de Goiás, São João d’Aliança, Alto Paraíso de Goiás, Colinas do Sul e Cavalcante. Todo o caminho está dentro do bioma Cerrado, e os quatro últimos municípios são parte da Chapada dos Veadeiros.

A trilha começou a ser sinalizada por pegadas amarelas, uma marca desenvolvida pela equipe do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros para marcar a trilha de longo curso dentro da unidade de conservação. O trecho já pode ser percorrido por trilheiros.

De acordo com Schwaida, o mapeamento de infraestrutura de apoio e sinalização do percurso foi impulsionado, em 2022, pelos projetos Global Environment Facility (GEF) para Áreas Privadas e para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção, GEF Áreas Privadas e GEF Pró-Espécies, instrumentos de conservação e redução de ameaças às espécies consideradas de criticamente em perigo (CR).

Em 2023, os principais atores da sociedade civil envolvidos na implementação do circuito se organizaram na Associação Caminho dos Veadeiros (ACV), instituição responsável pelo diálogo com os órgãos públicos e comunidades, gestão e divulgação das informações relativas ao caminho e pelo manejo da trilha.

Recomendações

Todo o percurso, trechos para caminhada, mapa e pontos de apoio estão disponíveis nas redes sociais da associação, que traz também recomendações sobre quilometragem diária, atrativos encontrados e orientações sobre alimentação e pernoite.

“A gente tem esse cuidado de orientar também os usuários com relação ao mínimo impacto, ao respeito com o meio ambiente e ao cuidado nas pequenas propriedades. Então, a própria trilha foi planejada para evitar alguns problemas e como uma forma de gerar renda para as pessoas que vivem ali e também de gerar um manejo adequado, por exemplo, dos resíduos, sem causar impacto ambiental”, concluiu Schwaida.