Brasil tem 31 medalhas nas disputas iniciais do Parapan, no Chile

A delegação brasileira fez bonito neste sábado (18) no primeiro dia de disputas dos Jogos Parapan-americanos de Santiago, no Chile. Até às 16h20 (horário de Brasília) foram 31 medalhas no total: 11 de ouro, dez de prata e dez de bronze.

Entre os destaques, a nadadora paulista Alessandra Oliveira (foto) chamou a atenção ao conquistar o ouro nos 100m peito da classe SB4 (limitação físico-motora). Aos 15 anos, a atleta, que iniciou a trajetória na Escola Paralímpica de Esportes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), foi ouro nos 100m peito da classe SB4 (limitação físico-motora) com a marca de 2min10s54.

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“Sou da Escolinha. Acabei de nadar a minha prova principal, os 100m peito. Fui ouro e bati o recorde do Parapan. Eu venho aqui agradecer ao CPB e aos professores por terem me ajudado a chegar até aqui”, disse a atleta.

Mais dois nadadores subiram ao lugar mais alto do pódio no Centro Aquático do Parque Estádio Nacional do Chile, e ainda bateram recordes parapan-americanos: a mineira Patrícia Santos, nos 50m peito da classe SB3 (limitação físico-motora), e o carioca Douglas Matera, nos 100m costas da classe S12 (baixa visão).

As provas de natação continuam à noite, em Santiago. Dois brasileiros classificados às decisões bateram recordes parapan-americanos nas eliminatórias pela manhã: Samuel Oliveira, que fez 31s97 nos 50m livre da classe S5 (limitação físico-motora), e Gabriel Bandeira, com 1m58s47 nos 200m livre S14 (deficiência intelectual).

Halterofilismo

Na prova feminina das categorias 73kg e 79kg, que foram agrupadas, houve domínio brasileiro com a dobradinha da paulista Mariana D’Andrea e da mineira Caroline Fernandes, ouro e prata respectivamente.

Mariana D’Andrea levantou 141 kg e bateu o recorde das Américas, que já pertencia a ela. Em julho do ano passado, Mariana levantara 140 kg no Open das Américas, disputado nos Estados Unidos. Além dessas conquistas, o Brasil ficou com outro ouro com o amazonense Lucas Galvão, na categoria acima de 49kg, após levantar 150kg.

Goalball

Também neste sábado, a Seleção Brasileira feminina de goalball estreou no Parapan com uma vitória por 12 a 2 sobre a Argentina. O próximo jogo das brasileiras será contra a Guatemala, segunda-feira (20), às 15h15 (horário de Brasília). A destaque da partida foi a ala Daniele Longhini, que marcou seis gols. Carol Duarte e Moniza Lima balançaram as redes duas vezes cada.

A equipe busca no Parapan a classificação aos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, sendo que apenas a campeã garante vaga.

Para esta edição do Parapan, a delegação brasileira conta com 324 atletas, 190 homens e 134 mulheres, oriundos de 23 estados e do Distrito Federal, em 17 modalidades. A competição reúne cerca de 1.900 esportistas de 31 países até o dia 26 de novembro.

Líder quilombola pede debate sobre dívida do Estado com o povo negro

Elias José Alfredo, do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, classificou como um momento histórico de grande relevância para a militância do povo negro, o posicionamento do Banco do Brasil que, em carta aberta aos movimentos negros, pediu perdão pela participação da instituição financeira no processo de escravidão do povo negro no país. No entanto, para ele, o debate tem que ser em relação à divida do Estado brasileiro com o povo negro.
Rio de Janeiro (RJ), 18/11/2023 – O militante do quilombo Raça e Classe, do Rio de Janeiro, Elias José Alfredo durante audiência pública Consciência negra e reparação da escravidão, na quadra da Escola de Samba Portela, em Oswaldo Cruz, zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil – Tomaz Silva/Agência Brasil

“Discutir a reparação do Estado brasileiro é compreender a história do que nossos antepassados passaram e entender o presente e as consequências desta história. É entender a letalidade sofrida por negros e negras pela polícia brasileira. É perceber que ainda somos minoria no mundo acadêmico. Há uma dívida histórica do Estado brasileiro com descendentes de africanos. O Banco do Brasil é uma instituição. Mas nosso debate é em relação à dívida que o Estado brasileiro tem para conosco. Não se trata de favor”.

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Em carta aberta aos movimentos negros, lida neste sábado (18) pelo gerente-executivo de Relações Institucionais do BB, André Machado, a instituição pediu perdão aos povos negros motivado pelo inquérito civil que investiga as responsabilidades e a participação do banco na escravidão e no tráfico de pessoas negras no século 19.

“Momentos como esse em que lideranças negras das mais diversas origens e campos sociais reúnem-se em torno do debate sobre temas ligados à escravidão e suas consequências demonstram quão urgente precisamos avançar no combate ao racismo estrutural da nossa sociedade”, afirmou.

Machado disse ainda que “as sequelas de um processo histórico perverso que atingiu as comunidades negras e seus descendentes ainda esperam novas medidas estruturais de todas as esferas sociais que tenham a capacidade de enfrentar e transformar esse triste cenário. Direta ou indiretamente, toda a sociedade brasileira deve pedir desculpa aos povos negros por aqueles momentos tristes da nossa história”.

O gerente-executivo de Relações Institucionais do BB ressaltou também que, nesse contexto, “o Banco do Brasil de hoje pede perdão aos povos negros pelas suas versões predecessoras e hoje trabalha intensamente para enfrentar o racismo estrutural no país. O Banco do Brasil não se furta a aprofundar o conhecimento e encarar a real história das versões anteriores da empresa,” afirmou.

Rio de Janeiro (RJ), 18/11/2023 – O gerente executivo de relações institucionais do Banco do Brasil, André Castelo Branco durante audiência pública Consciência negra e reparação da escravidão, na quadra da Escola de Samba Portela, em Oswaldo Cruz, zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil – Tomaz Silva/Agência Brasil

A carta foi lida em audiência pública organizada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Rio de Janeiro (PRDC/RJ) do Ministério Público Federal (MPF) e intitulada “Consciência negra e reparação da escravidão”, promovida neste sábado (18), no Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, na zona norte do Rio de Janeiro.

O objetivo da audiência foi promover a reflexão sobre o tema para garantir que crimes contra a humanidade como esse jamais se repitam, além de garantir mecanismos de reparação com um olhar voltado para o presente e o futuro, em uma discussão sobre memória, verdade e justiça.

A representante do Ministério da Igualdade Racial, Raquel Barros, disse que para a pasta o tema da reparação é muito fundamental porque se liga diretamente ao debate sobre promoção de políticas públicas. “O ministério tem se colocado de forma profundamente implicado com essa temática até porque ela se coloca como um dos nossos eixos de atuação de direito à vida, direito à memória e reparação, direito à educação e inclusão e direito à terra. A gente sabe que para combater as desigualdades sociais que são profundamente arraigadas no processo histórico de escravidão, a gente precisa debater essa questão porque a gente sabe que é uma reverberação que continua no presente”, afirmou Raquel.

O procurador Julio José Araujo Junior, que assina o inquérito civil com os procuradores Jaime Mitropoulos e Aline Caixeta, disse que o motivo da audiência pública é debater o tema com os diferentes setores da sociedade brasileira, sobretudo os movimentos negros. “O que a gente quer aqui é fortalecer uma agenda de direitos. Nada mais natural que a gente faça isso nessa instituição centenária. No mundo inteiro se discute reparação. É fundamental que a gente olhe para pessoas, famílias e instituições que de alguma forma se beneficiaram à custa da escravidão”, disse o procurador.

Tráfico de escravos

A PRDC/RJ deu início a um inquérito civil após uma manifestação apresentada por um grupo de professores e universitários, oriundos de diversas universidades brasileiras e estrangeiras, que realizaram uma pesquisa que aponta para a negação e o silêncio sobre a participação de instituições brasileiras na escravização de pessoas.

No caso do Banco do Brasil, os historiadores apontaram que havia uma relação de “mão dupla” da instituição financeira com a economia escravista da época, que se revelava no quadro de sócios e na diretoria do banco, formados em boa parte por pessoas ligadas à escravidão e ao comércio clandestino de africanos.

 

Projeto na Rocinha estimula debate sobre suicídio entre jovens

Um projeto brasileiro que visa estimular o debate sobre o suicídio entre jovens, como forma de promoção da saúde mental, vai ser apresentado em Budapeste, na Hungria, em abril de 2024, durante o 32º Congresso Europeu de Psiquiatria. A iniciativa resulta de parceria iniciada este ano na Rocinha, comunidade da zona sul carioca, pela Clínica Jorge Jaber e a Associação Sociocultural Semearte, que promove teatro e dança na região.

O trabalho envolve cerca de 140 alunos na faixa etária de 13 a 22 anos que participam de encontros com profissionais da área de psiquiatria, englobando palestras, rodas de conversa e arte. O objetivo das duas instituições é estimular a discussão e esclarecer dúvidas e medos que cercam o tema do suicídio, especialmente entre os jovens.

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O psiquiatra Jorge Jaber, responsável pelo trabalho, destaca a importância de divulgar o projeto desenvolvido na Rocinha para a comunidade psiquiátrica internacional. “Essa é uma iniciativa transformadora para a vida desses jovens e que pode inspirar muitas outras ações mundo afora”.

O projeto teve um primeiro encontro no dia 9 de setembro, mês dedicado à prevenção do suicídio, na Biblioteca Parque da Rocinha. A reunião serviu para medir o grau de conhecimento dos jovens sobre o suicídio. Eles assistiram a uma palestra com especialistas sobre o tema e, juntos, avaliaram as respostas para as dez perguntas que receberam na chegada ao evento. O segundo encontro será neste sábado (18), quando os jovens assistirão a vídeo produzido pelo cineasta Cavi Borges, da Cavídeo, que vem documentando todo o processo.

A expectativa da presidente da Semearte, Talita Santos, é que esses 140 jovens que participam dos debates se tornem multiplicadores das informações e possam ajudar no trabalho de prevenção. “Nosso propósito é resgatar vidas através da arte, e a saúde mental é um elemento fundamental.”

Tristeza e apreensão

Recentemente, os jovens da Associação Semearte que estudam teatro e dança na Rocinha perderam uma amiga da comunidade e futura integrante do grupo de teatro, o que gerou tristeza, apreensão e dúvidas entre todos, a respeito do tema.

Jorge Jaber informou que o índice de suicídios entre os jovens cresceu 54% entre 2009 e 2019, respondendo pela segunda causa de mortes entre essa população, depois dos acidentes de trânsito. “E a Organização Mundial da Saúde [OMS] afirma que 90% dos episódios poderiam ser prevenidos, o que torna o problema ainda mais desolador“, lamentou o psiquiatra. No Brasil, entre os cerca de 12 mil casos de suicídio registrados por ano, grande parte ocorre entre pessoas de 15 a 24 anos de idade, de acordo com a OMS.

Desde o ano passado, o médico vem trabalhando na Rocinha em parceria com o Instituto Desportivo Cultural Haroldo Britto, que oferece gratuitamente cursos de judô para 80 crianças e jovens entre 7 e 14 anos de idade naquela comunidade e na Chácara do Céu. O objetivo das duas parcerias é promover a saúde mental por meio do esporte e da arte.

Jaber destacou que muitos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais, como depressão e transtorno bipolar, problemas que podem ser prevenidos e tratados. Segundo ele, os encontros com os alunos da associação são uma resposta a essa necessidade de prevenção e tratamento.

Semearte

A Associação Sociocultural Semearte atende cerca de 140 crianças e adolescentes e funciona provisoriamente na Biblioteca Parque da comunidade da Rocinha, promovendo atividades de teatro e dança. Em outubro, o grupo estreou, no Teatro Vanucci, o espetáculo Rio, inspirado na animação de 2011 do mesmo nome, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha e grande sucesso nos cinemas.

Os alunos de dança se apresentam em saraus nas escolas da região. As metas para os próximos meses incluem aprofundar o trabalho com a música e o canto e criar um projeto para qualificação na área do audiovisual para dar encaminhamento profissional aos formados. 

Veja onde obter ajuda

Entre os profissionais que tratam de saúde mental e instituições especialistas em prevenção ao suicídio, é unânime a ideia de procurar (ou orientar) ajuda específica sempre que sentir necessidade de acolhimento (ou perceber que alguém precisa). Veja alguns canais para receber atenção e auxílio: 

Centro de Valorização da Vida, realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. 

Mapa da Saúde Mental, que traz uma lista de locais de atendimento voluntário online e presencial em todo país. 

Pode Falar, um canal lançado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) de ajuda em saúde mental para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. Funciona de forma anônima e gratuita, indicando materiais de apoio e serviço. 

Luz para Todos levou energia para 18 milhões de pessoas em 20 anos

A família do produtor rural Dionízio Pereira Fonseca Junior, da comunidade quilombola Candeal II, em Feira de Santana, na Bahia, só começou a receber energia elétrica em 2004, quando o Programa Luz para Todos chegou na localidade. “Sem luz elétrica, a gente tinha dificuldade de estudar, de acesso aos meios de comunicação como rádio e TV. Com a energia elétrica isso mudou, facilitou muito o nosso dia a dia”.

Ele conta que, mesmo dentro do território, alguns locais tinham energia elétrica e outros não. “Em uma rua tinha energia, na rua próxima, a um quilômetro, já não tinha. Quando o Luz Para Todos veio, corrigiu essa distorção e preencheu todo o território”.

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A luz elétrica também mudou a produção da comunidade, que tem sua principal fonte de renda baseada no plantio e no processamento de farinha de mandioca. Com a energia, foi possível mecanizar parte do processamento da raiz para a fabricação de farinha beiju e tapioca, facilitando e aumentando a produção.

Dionízio está entre as 18 milhões de pessoas beneficiadas pelo Luz para Todos, que completou 20 anos neste mês. No período, foram investidos R$ 24,3 bilhões nas extensões de rede elétrica, que chegaram a 3,6 milhões de lares em 5.437 municípios de 26 estados.

Nos próximos anos, o Luz Para Todos dará ênfase na população rural do Norte do país e em regiões remotas da Amazônia Legal. A meta é beneficiar mais 500 mil famílias até 2026. O Ministério de Minas e Energia (MME) aprovou um orçamento de R$ 2,5 bilhões para o Programa em 2024.

Benefícios

Entre os principais eletrodomésticos adquiridos pelos beneficiários do Luz para Todos estão televisão, geladeira, celular, liquidificador, máquina de lavar, chuveiro elétrico e ferro de passar roupa. Para o professor de Engenharia Elétrica Rafael Shayani, da Universidade de Brasília (UnB), o Luz para Todos possibilitou o acesso a um serviço público essencial para a vida de qualquer pessoa, da mesma forma que a água e saneamento básico.

“Com eletricidade, as pessoas podem comer carne que não seja salgada, porque vão poder ter uma geladeira para guardar comida. Um médico da cidade vai poder ter um freezer para guardar as vacinas. As pessoas vão poder estudar à noite porque vai ter uma iluminação adequada para poder estudar à noite, as escolas podem usar recursos audiovisuais como datashow e computador”, exemplifica.

Ele também cita como benefício da energia elétrica a redução dos riscos de incêndios domésticos, porque as pessoas não vão estar mais utilizando lamparinas que podem ser a a óleo ou a querosene ou a algum tipo de gás.

Atendimentos

Grande parte dos atendimentos prestados pelo Luz para Todos ocorreram no início do programa. Entre 2004, quando iniciaram as obras, e 2007, o número de pessoas beneficiadas chegou a cinco milhões, metade da meta inicial estabelecida pelo governo para o programa. Ao completar dez anos de implementação, no fim de 2013, o Luz para Todos atingiu a marca de 15 milhões de pessoas beneficiadas.

Segundo o professor, essa concentração tem a ver com uma questão logística da rede de distribuição. “Por exemplo, se a pessoa mora numa área rural próxima à cidade já existe eletricidade e os fios de distribuição e os postes da cidade. Então, a primeira ação das distribuidoras foi prolongar os postes para que os fios chegassem até a área rural. Por isso que, no começo, foi possível atender mais gente, porque a logística é mais simples”.

O professor explica que a expansão da energia elétrica para áreas afastadas é caro para atender poucas pessoas. “Aí entra a importância do programa Luz Para Todos, porque o programa não considerou a questão se é caro ou não, considerou que é importante e é um direito do cidadão ter energia elétrica, porque isso vai melhorar a vida das pessoas”, avalia.

Ações de inteligência reduziriam violência das PMs, diz cientista

A violência das polícias militares no Brasil contra negros e pobres poderia ser profundamente alterada com uma mudança na política de segurança pública. A opinião é da cientista social Sílvia Ramos, coordenadora da rede de Observatórios de Segurança, em entrevista ao programa Viva Maria, da Rádio Nacional.

Durante a semana, a entidade divulgou levantamento que mostra que – a cada 100 mortos pela polícia em 2022 – 65 eram negros. O levantamento foi batizado de Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro. Leia mais sobre o estudo.

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A pesquisadora enfatiza que há exemplos de polícias em diferentes partes do mundo que mudaram o caminho do combate à criminalidade. “É perfeitamente possível utilizar inteligência, investigação, planejamento e operações de longo prazo. E não operações espetaculares, onde a polícia vai a uma região, mata duas ou três pessoas, recolhe três ou quatro fuzis, e, dali a um tempo, a situação está até pior do que antes”, exemplifica. 

Ela contextualiza que existe a possibilidade de impedir o fluxo dessas armas e drogas, e dessas munições nesses territórios. Para isso, é preciso identificar onde está o abastecimento de equipamentos ilegais. A seguir,  defende que o caminho seria buscar as fontes do abastecimento e não “na ponta final, onde tanta gente morre e onde tanta gente fica em risco”. 

Contrastes na abordagem

Neste sentido, as políticas de segurança deveriam estar baseadas em inteligência e investigação para que mortes sejam evitadas. “Nós temos uma situação: ao invés de fazer operações de inteligência, as polícias fazem operação de confronto. Ao invés de prisão, fazem tiroteio”, opina.

Os números mostram que as políticas de segurança são extremamente violentas, letais e racistas. “Porque fazem e atuam de uma certa forma nas áreas pobres e populares da periferia e atuam de forma totalmente diferente nas áreas ricas, abastadas e brancas”, diz Silvia.

SpaceX lança foguete, mas propulsor explode após separar da Starship

A SpaceX lançou, na manhã deste sábado (18), por volta das 10h (horário de Brasília), o foguete Super Heavy levando a nave Starship para um voo suborbital de teste. Não havia tripulação embarcada. Aconteceu uma explosão do propulsor, logo após a separação da nave. Em seguida, o centro de controle de lançamento perdeu contato com a Starship.

“O propulsor sofreu uma rápida desmontagem não programada logo após a separação do estágio, enquanto os motores da nave estelar funcionavam por vários minutos em seu caminho para o espaço”, informou.

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A empresa disponibilizou no microblog X (antigo Twitter) o link para acompanhamento ao vivo. Confira o momento da decolagem a partir do minuto 38´50”. Confira aqui o lançamento.

O lançamento foi considerado bem sucedido pela SpaceX. “A Starship decolou com sucesso sob a potência de todos os 33 motores”. A primeira tentativa foi em abril. O propulsor explodiu antes de atingir a órbita terrestre. Como desta vez, não havia tripulação.

A empresa considera que o teste vai ajudar a melhorar a confiabilidade da Starship em busca de “tornar a vida multiplanetária”.

A SpaceX escreveu, em nota, que vai analisar os dados do teste e que foi “emocionante”. A empresa considera que se trata de um teste. “O que fizemos fornecerá dados inestimáveis para continuar o rápido desenvolvimento da Starship”.

Jovem morre em show da cantora Taylor Swift, no Rio de Janeiro

A estudante Ana Clara Benevides Machado, de 23 anos, morreu na noite desta sexta-feira (17) durante o show da cantora norte-americana Taylor Swift, no estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro. As causas da morte ainda não foram esclarecidas. O show ocorreu em um período de forte calor em vários estados do país. Na manhã de ontem, a sensação térmica se aproximou dos 60° na cidade do Rio.

O governador do estado, Cláudio Castro, informou que a Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso. Ele ainda determinou a instalação de bebedouros, com fornecimento gratuito de água, dentro do estádio do Engenhão. O local receberá outros dois shows da cantora, neste sábado (18) e no domingo (19).

“Determinei ao Procon do Estado a imediata apuração, junto à organização do evento, sobre os motivos da restrição da entrada com água no estádio Nilton Santos. Para os próximos dois dias de shows, o órgão oficiou a empresa organizadora para instalar mais bebedouros dentro do Engenhão e, principalmente, a permitir o acesso de garrafas de plástico vazias, sem tampa, para servir de refil”, afirmou Castro, em nota.

O governador também anunciou a distribuição de água mineral no entorno do estádio, a presença de mais ambulâncias para atender o público e a utilização de caminhões dos bombeiros para jogar água no público, no intuito de diminuir o calor.

Na internet, circulam vídeos em que a cantora Taylor Swift pausou o show e pediu que algumas pessoas tenham acesso à água. “Eles precisam de água, bem ali. Estão segurando um telefone pra dizer isso. Desculpem, mas está muito calor, então se estão dizendo que precisam de água, eles realmente precisam. Temos que fazer chegar até eles”.

Neste sábado, o ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) adote medidas imediatas para exigir que os eventos garantam segurança à saúde dos consumidores, incluindo acesso à água. Na rede social X, antigo Twitter, Dino mencionou denúncias de “vedação ou ausência de disponibilidade de água”, e lembrou que o Brasil enfrenta uma “imensa onda de calor”.

Na mesma plataforma, a empresa organizadora do show, a Tickets For Fun, lamentou a morte da estudante e disse que ela foi atendida por brigadistas imediatamente após passar mal. Já o prefeito do Rio, Eduardo Paes, informou que a prefeitura determinou antecipação da entrada ao estádio em uma hora, além do aumento de pontos de distribuição de água, e também no número de brigadistas e ambulâncias.

Taylor Swift se manifestou sobre o ocorrido no Instagram. Ela se disse “devastada” com o ocorrido e afirmou que esta seria a última coisa que ela pensaria quando decidiu trazer a turnê ao Brasil.

* Colaborou Sayonara Moreno, da Rádio Nacional

BB pede perdão ao povo negro por gestões anteriores durante escravidão

O Banco do Brasil (BB) pediu, na manhã deste sábado (18), perdão ao povo negro pelas gestões anteriores da instituição por participação no processo de escravidão de pessoas negras, durante o século XIX, no país. O pedido de perdão da atual gestão foi divulgado, hoje, no site da empresa.

O banco fundado em 1808, tem, pela primeira vez, uma mulher negra em sua presidência, a funcionária de carreira Tarciana Medeiros. Na nota, a presidente do Banco do Brasil diz que “direta ou indiretamente, toda a sociedade brasileira deveria pedir desculpas ao povo negro por algum tipo de participação naquele momento triste da história [escravidão].” 

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“Neste contexto, o Banco do Brasil de hoje pede perdão ao povo negro pelas suas versões predecessoras e trabalha intensamente para enfrentar o racismo estrutural no país. O BB não se furta a aprofundar o conhecimento e encarar a real história das versões anteriores da empresa” afirmou a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros.

O pedido de perdão do Banco do Banco ocorre junto com o anúncio da adoção de um conjunto de novas medidas, que, de acordo com a instituição, tem o objetivo de promover a igualdade e a inclusão étnico-racial e de combater o racismo estrutural no país. O BB que espera que as novas medidas impactem positivamente na relação com clientes, funcionários, fornecedores, demais parceiros estratégicos da empresa e toda a sociedade.

A empresa considera que a diversidade em sua base e que a mesma tem elevado potencial de inclusão financeira e geração de trabalho e renda, também para pretos e pardos. “O simples fato de sermos uma instituição da atualidade nos move a realizar atividades voluntárias com o compromisso público e com metas concretas para combater a desigualdade étnico-racial e buscar por justiça social no âmbito de uma sociedade que guarda sequelas da escravidão, independentemente de existir ou não qualquer conexão, ainda que indireta, entre atividades de suas outras versões e escravizadores do século XIX”, enfatizou Tarciana Medeiros.

Para a presidente do Banco do Brasil, boas práticas podem ser construídas de forma articulada com diálogo aberto com movimentos negros e outras instituições públicas e privadas. “As sequelas da escravatura convocam todos os atores sociais contemporâneos a agir para a promoção da igualdade étnico-racial, a contribuir por meio de ações concretas, como as que o BB já desenvolve de modo pioneiro, voluntário e destacado.

O Banco do Brasil fez, faz a fará muito pela diversidade e desenvolvimento social e econômico em nossa sociedade. Para nós, Raça é prioridade, sim!”, enfatiza Tarciana

O Banco do Brasil, constituído na forma de sociedade de economia mista, conta com a participação acionária do governo federal em 50% desta sociedade anônima. Por isso, o BB é considerado um dos cinco bancos públicos federais, ao lado da Caixa Econômica Federal, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco da Amazônia (Basa) e o Banco do Nordeste (BNB).

Ações

Entre as ações anunciadas pelo Banco do Brasil para a promoção de inclusão racial e do combate ao racismo estrutural no país, estão:

– Fomento ao mercado de trabalho para o povo negro, com a inclusão de uma cláusula nos contratos com fornecedores do Banco do Brasil, a partir de novas licitações, que promova a diversidade, equidade e inclusão nos quadros de pessoal dessas empresas;

– O Banco do Brasil também fará parceria para encaminhar jovens que participaram do programa Menor Aprendiz do BB para o mercado de trabalho;

– Lançamento neste mês do edital de Empoderamento Socioeconômico de Mulheres Negras, do entre o BB e o Ministério da Igualdade Racial, para apoiar o fortalecimento institucional de organizações sociais e empreendimentos econômicos solidários urbanos e rurais de mulheres negras;

– Realização em dezembro próximo do “MBM Inovahack”, do Movimento Black Money, com a participação do Banco do Brasil, com o objetivo de promover a inclusão financeira e econômica da população negra, por meio de soluções tecnológicas consideradas inovadoras;

– Internamente, o programa “Raça é Prioridade” da empresa vai selecionar e desenvolver a carreira de até 150 funcionários pretos e pardos do Banco do Brasil, com potencial para atuar como líderes na empresa, mas, que atualmente ocupam outras funções;

– Realização de um workshop sobre a promoção da diversidade, equidade e inclusão com estatais e fornecedores do banco.

Para acompanhar as novas medidas anunciadas, o Banco do Brasil criou um site que trata da construção de um futuro mais diverso,  inclusivo, equitativo e justo, em todos os contextos e para todos. A página eletrônica trará atualizações de novas medidas que possam ser anunciadas pelo banco.

Nadadora Patrícia Santos fatura primeiro ouro do Brasil no Parapan

A nadadora capixaba Patrícia Santos ganhou a primeira medalha de ouro da delegação brasileira nos Jogos Parapan-americanos de Santiago, no Chile, neste  sábado (18).

A atleta foi a mais rápida na prova dos 50m peito da classe SB3 (lesionados medulares) com a marca de 58.19s. Além do ouro, a brasileira quebrou o recorde parapan-americano.

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A outra brasileira, Lídia Cruz, também foi ao pódio. Ela foi a terceira mais rápida, com a marca 1:08.49. A medalha de prata ficou com a mexicana Nely Miranda.

A equipe verde e amarela de natação paralímpica foi a Santiago com 38 atletas.

A modalidade é uma das mais vitoriosas da história brasileira em Parapans. Somente em Lima, no Peru, na edição de 2019, o Brasil faturou 127 pódios nas piscinas.

 

 

 

 

Júri absolve PM acusado de matar adolescente no DF; MP vai recorrer

O Tribunal do Júri de Samambaia (DF) inocentou o sargento da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Edimilson Dias Ferreira Júnior da acusação de matado a tiros o adolescente Gustavo Henrique Soares Gomes, 17 anos, em 2022. Nesta sexta-feira (17), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) confirmou à Agência Brasil que pretende recorrer da decisão de primeira instância.

A decisão do júri foi anunciada na noite da última terça-feira (14), após cerca de 15 horas de julgamento. Formado por um juiz, que o preside, e por sete pessoas escolhidas para compor o júri, o conselho de sentença do tribunal reconheceu, por maioria, a materialidade e autoria do crime, mas absolveu Edimilson.

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Para a irmã de Gustavo, Yandra Rafaela Marques, o recurso é uma chance de dar ao adolescente um julgamento justo, o que a família entende que não ocorreu. “O normal é as pessoas poderem acompanhar qualquer julgamento do início ao fim. No [caso ] do Gustavo foi totalmente diferente. Havia amigos e parentes do meu irmão, gente que chegou cedo ao fórum e que não pôde entrar para acompanhar a audiência. A família só pôde entrar praticamente no final, quando a sentença estava para ser anunciada e o policial, absolvido”, disse Yandra, acrescentando que nem mesmo sua mãe conseguiu assistir ao julgamento.

“Além disso, o policial simplesmente não precisou permanecer sentado na cadeira dos réus [durante a oitiva das testemunhas], como qualquer outra pessoa que esteja sendo julgada. Ele só retornou quando a juíza ia dar a sentença”, acrescentou Yandra. “Para nós, foi tudo muito dolorido. Quando a juíza anunciou a absolvição, tivemos uma sensação parecida com a que sentimos no dia do velório do meu irmão. Uma sensação de impunidade.”

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) não respondeu às críticas. Já o advogado Júlio Cesar de Souza Lima, que defende o policial, confirmou que pediu à juíza substituta Viviane Kazmierczak para que seu cliente fosse autorizado a deixar a sala durante a longa sessão de testemunhos.

“Esta é uma prerrogativa da defesa. O réu tem direito a, participando do julgamento, ouvir ou não os testemunhos. Como ele estava muito nervoso e teve inclusive que ser atendido pela equipe médica do tribunal, eu pedi isso, mas ele foi interrogado e respondeu a todas as perguntas que lhe foram feitas pela magistrada, pela acusação e pela defesa”, sustentou o advogado.

O adolescente estava na garupa de uma moto quando foi atingido pelos tiros. De acordo com o defensor, para o júri, a ação que motivou o disparo policial foi deflagrada pelo piloto da moto e pela própria vítima. “O Edimilson [Júnior] estava devidamente fardado, fazendo abordagens legais, de rotina, no meio da via pública. O condutor da moto, em vez de frear, acelerou contra os policiais. E o garupa, ao passar próximo aos policiais, fez menção de colocar a mão na cintura, como se fosse sacar uma arma”, detalhou Lima, confirmando que o simulacro supostamente encontrado próximo ao local da ocorrência já tinha sido descartado como prova.

“De fato, o objeto foi submetido à perícia e não foram encontrados vestígios de digitais nem dos garotos, nem dos policiais que o manusearam ao encontrá-lo durante uma varredura no local. Em nenhum momento os policiais falaram que o simulacro pertencia aos garotos”, afirmou o advogado, dizendo não acreditar que um eventual recurso do MP resulte em uma sentença diferente da já proferida.

“A decisão dos jurados veio colocar uma pedra sobre o assunto. Não consigo enxergar a possibilidade de reforma desta decisão, por mais natural que seja o inconformismo da família [da vítima]. Guardadas as proporções, assim como a família [da vítima] sofreu e está sofrendo, o Edmilson também sofreu muito com tudo isso. Ele passou sete meses afastado [do serviço], em tratamento psiquiátrico. Foi acusado de ser um assassino, de matar um jovem pelo fato deste ser negro, periférico, mas nada disso procede e o júri entendeu que ele agiu em legítima defesa, no exercício legal de sua atividade. O fato é que o Edimilson é um policial com 13 anos de carreira que nunca cometeu qualquer infração disciplinar ou penal”, destacou o advogado.

Entenda o caso

Gustavo Henrique Soares Gomes foi baleado na tarde de 28 de janeiro do ano passado. Segundo a PM divulgou à época, o adolescente estava na garupa de uma moto cujo piloto, Gustavo Matheus Santana da Silva, de 18 anos, não parou em um bloqueio policial montado em uma via de Samambaia, região administrativa do Distrito Federal a cerca de 40 quilômetros de distância do centro.

Ainda de acordo com policiais militares que participaram da abordagem, enquanto o piloto acelerava o veículo para escapar da blitz, Gustavo levou uma das mãos à cintura, como se fosse apanhar algo sob a blusa.

Edimilson alega que, sentindo-se ameaçado, disparou contra a dupla, em legítima defesa. Os advogados dele se basearam nessa versão para, no curso do processo, pedir que o caso fosse tratado como lesão corporal seguida de morte ou, no máximo, homicídio culposo (não intencional).

O projétil atingiu Gustavo, que foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Samambaia, mas não sobreviveu. No boletim de ocorrência, os policiais informaram que encontraram um simulacro de arma de fogo próximo ao local onde o adolescente baleado caiu.

Já Silva, que conduzia a moto, disse à Polícia Civil que não parou no bloqueio porque, além de não ter habilitação, o veículo estava em condição irregular, com problemas mecânicos. Segundo ele, nem ele, nem Júnior, seu amigo, portavam armas.

“A perícia não encontrou digitais nem do meu irmão, nem do Gustavo [Silva], no simulacro que os policiais apresentaram na delegacia horas depois [da ocorrência]. Além disso, todas as testemunhas confirmaram ter visto meu irmão segurando no ferro [apoio] detrás do banco, inclusive um rapaz que estava sendo abordado por outros policiais, bem próximo”, comentou a irmã de Gustavo. Já o advogado do policial destaca que as mesmas testemunhas “entraram em contradições várias vezes” ao longo do processo.

“Mesmo assim, ninguém, em nenhum momento disse ter visto meu irmão mexer na cintura. Até porque a moto estava em uma velocidade que não permitiria que ele se soltasse. E como diz o promotor, meu irmão teria que pretender se suicidar para puxar um simulacro contra um policial armado”, ponderou Yandra.

A Agência Brasil consultou a Polícia Militar sobre a situação funcional de Edimilson Dias Ferreira Júnior e sobre os possíveis efeitos de sua absolvição, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), deputado distrital Fábio Felix (PSOL), se manifestou sobre o caso nas redes sociais. “Me somo à dor e à indignação dos familiares do Gustavo Henrique diante da absolvição, por júri popular, do policial que o assassinou em 2022. Gustavo era um jovem negro de 17 anos e foi alvejado enquanto estava na garupa de uma moto”, escreveu o parlamentar.

Amor e luta: exposição no Rio conta trajetória do movimento LGBTI+

“Nada a temer, senão o correr da luta”. A frase, da música Caçador de Mim, de Milton Nascimento, foi escolhida como inspiração para a abertura da exposição Amor e Luta, neste sábado (17) na estação do metrô Carioca, na região central do Rio de Janeiro. Painéis ilustrativos, fotografias e peças de vestuário apresentam a história do movimento LGBTI+ e do Grupo Arco-Íris, que em maio completou 30 anos de existência em defesa da diversidade e dos direitos humanos.

O espaço expositivo foi divido em diferentes setores. Uma primeira parte apresenta a linha do tempo com os principais fatos relacionados ao movimento LGBTI+ e ao Grupo Arco-Íris. Depois, há um memorial voltado especialmente para a arte e cultura transformista. A ideia é homenagear atores e atrizes que contribuíram para divulgar as bandeiras de luta política por meio da cultura e da arte. Outros memoriais lembram cantoras lésbicas e bissexuais emblemáticas da militância, e ativistas que já faleceram e se destacaram na luta pelos direitos da comunidade no país.

Rio de Janeiro (RJ) 17/11/2023 – Exposição Amor & Luta: Trajetórias do Movimento LGBTI+ e 30 anos do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, na estação Carioca do MetrôRio. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

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A inauguração da mostra foi pensada estrategicamente para acontecer dois dias antes da 28ª Parada do Orgulho LGBTI+ Rio, que ocorre no próximo domingo (19), às 11h, no Posto 5 da Praia de Copacabana, na zona sul da cidade. O evento também é organizado pelo Grupo Arco-Íris.

“É um momento importante de olhar para o passado e valorizar toda essa história. Também deixar uma mensagem para as futuras gerações que precisamos incluir na perspectiva humana a questão da diversidade e da pluralidade. A base da sociedade democrática tem que ser o afeto e a liberdade para que as pessoas expressem sem culpa e sem medo a própria existência. Esse legado projeta uma inspiração para os próximos anos”, afirma Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris e curador da exposição.

A princípio, a exposição seria na sede do Grupo Arco-Íris. Mas a parceria com a empresa MetrôRio trouxe a memória e as mensagens de luta da população LGBTI+ para um espaço de maior circulação de pessoas.

“É um lugar de grande visibilidade. Entre 70 e 80 mil passageiros passam por dia nessa estação, que fica no coração do centro do Rio. A exposição aqui contribui de maneira impactante para que mais pessoas possam ter acesso”, diz Cláudio.

“Nós somos muito plurais, transportamos muitas pessoas todos os dias. E a diversidade e a inclusão são valores muito importantes para nós. Sediar essa exposição vai ajudar nossos clientes a conhecerem melhor as lutas do movimento LGBTI+ e o trabalho do Grupo Arco-Íris”, reforça Marcelo Mancini, do Núcleo Diversidade do MetrôRio.

Entre o público que participou do evento hoje, a mensagem de continuidade da luta por igualdade de direitos e justiça social impactou principalmente os mais jovens.

“Eu sou de uma nova geração. Mas a gente tem que saber o que aconteceu lá atrás. As trans, gays e lésbicas abriram essa alameda para a que a gente pudesse estar aqui hoje”, diz Yasmin Oliveira, que é transsexual, promotora de vendas e cover da Lady Gaga. “É muito inteligente que tenham escolhido esse lugar no metrô, porque muitas pessoas passam por aqui e isso aumenta a visibilidade da causa”.

SpaceX programa lançamento de foguete neste sábado; acompanhe

A empresa de foguetes SpaceX deve lançar, nesta manhã (às 10h) de sábado (18),o foguete Starship (apontada como a mais poderosa do mundo). Não há tripulação embarcada.

A empresa disponibilizou no microblog X (antigo Twitter) o link para acompanhamento ao vivo.

Confira aqui

Trata-se da segunda tentativa de realizar um voo bem-sucedido com a nave. A primeira foi em abril. O equipamento explodiu antes de atingir a órbita terrestre. Não havia tripulação.

O lançamento deve ocorrer da base aérea em Boca Chica, no Texas (EUA). A previsão do voo é de 1h30 de duração.

A empresa divulgou em sua página que o  primeiro teste de voo da Starship forneceu “inúmeras lições” aprendidas que contribuíram diretamente para várias atualizações do veículo e da infraestrutura terrestre para aumentar a probabilidade de sucesso em voos futuros.

Manuscritos e primeiras edições recontam história de Machado de Assis

A Ocupação Machado de Assis, aberta à visitação neste sábado (18), não tem uma ordem cronológica ou caminho prévio a ser percorrido. A ideia de que cada pessoa navegue livremente pelos manuscritos originais, primeiras edições, fotos e vídeos foi pensada a partir dos próprios livros do escritor.

“A gente quis resgatar o espírito do Machado, daquele sentimento que ele provoca nos leitores, que as pessoas, dentro da sua obra acabam fazendo as escolhas também, as compreensões que elas mesmas têm da narrativa”, explica a coordenadora de Curadorias e Programação Artística do Itau Cultural, Andreia Schinasi. O espaço, localizado na Avenida Paulista, região central da capital, recebe a mostra em homenagem ao escritor.

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Nas vitrines, muitas das primeiras edições de vários livros de um dos mais importantes escritores brasileiros e de língua portuguesa, como Quincas Borba, de 1891 e Desencantos: fantasia dramática, de 1861. Ao lado, em muitos casos, os contratos com os editores em que vendia os direitos sobre sua obra. Nesses originais é possível descobrir, entre outros detalhes, que o romance Esaú e Jacó se chamaria, inicialmente, Último, entre outras rasuras que nunca foram publicadas.

Há ainda documentos menos esperados, como um parecer de 1862, a respeito da tradução da comédia Os Nossos Íntimos, do francês Victorien Sardou, do período em que trabalhou como censor teatral.

Vozes negras

O espaço se inspira na decoração do século 19, a partir da mobília que Machado usava em sua casa, no número 18 da Rua Cosme Velho, no Rio de Janeiro. É possível sentar em cadeiras com o estilo da época para assistir os vídeos em que atrizes negras interpretam trechos das poesias, peças e romances do escritor. “A gente está diante também de um Machado que foi embranquecido. Então, por isso também que a gente, a partir dos documentos, a partir de várias análises críticas que estão distribuídas aqui também no audiovisual, e essa coisa das leituras, também faz um paralelo com a contemporaneidade”, explica Andreia sobre a opção de marcar a negritude de Machado, que muitas vezes, foi retratado como um homem branco.

Vida e obra de Machado de Assis ganham exposição no piso Paulista do Itaú Cultural. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Entre as vozes que fazem parte desse trabalho estão Elisa Lucinda, Aysha Nascimento, Cleide Queiróz e Juçara Marçal, dirigidas por Edi Cardoso. Assim como toda a exposição é pensada a partir da acessibilidade, os vídeos têm tradução em libras.

As crônicas, textos críticos e poemas publicados pelo escritor em jornais também podem ser consultados em um volume que reuniu esse material especialmente para a exposição. Pode ser lido, por exemplo, o soneto À Ilma Sra. D.P.J.A., publicado em 1854 no Periódico dos Pobres, considerado o primeiro poema de Machado a chegar aos jornais.

Xadrez e grego

Um tabuleiro de xadrez lembra da paixão que o escritor tinha pelo jogo. As peças reproduzem as encontradas na casa do autor. Estudos de Machado em grego compõe o lado erudito do escritor, enquanto as fotos de seu enterro, com o caixão carregado por escritores famosos e observado por uma multidão, mostram que o escritor tinha apelo popular.

Um globo terrestre interativo permite que se escutem trechos do livro Dom Casmurro escrito para alguns dos diversos idiomas que foi traduzido para o japonês, árabe e alemão. A exposição acontece em paralelo com o lançamento, em 26 volumes, de todas as publicações que Machado lançou em vida, pela editora Todavia.

A mostra vai até 4 de fevereiro de 2024 e é gratuita.

Mega-Sena sorteia neste sábado prêmio acumulado em R$ 43 milhões

As seis dezenas do concurso 2.657 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, na cidade de São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa.

Caso apenas um ganhador ganhe o prêmio da faixa principal e aplique todo o valor na poupança, receberá R$ 261 mil de rendimento no primeiro mês. O prêmio está acumulado em R$ 43 milhões.

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As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet. O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 5.

Mega da Virada

As apostas para a Mega da Virada já podem ser feitas com o volante específico em qualquer lotérica do país ou nos canais digitais das Loterias Caixa. O prêmio estimado nesta edição é de R$ 550 milhões, o maior da história das loterias da caixa. O sorteio será realizado no dia 31 de dezembro.

O prêmio da Mega da Virada não acumula, ou seja, se não houver ganhadores na faixa principal, com acerto de 6 números, o prêmio será dividido entre os acertadores da 2ª faixa (com o acerto de 5 números) e assim por diante.

Caso apenas um ganhador leve o prêmio e aplique todo o valor na poupança, receberá R$ 3,3 milhões no primeiro mês.

Fim de semana terá temporais e ventos fortes no Sudeste e Centro-Oeste

Depois de uma forte onda de calor nos últimos dias, o próximo fim de semana terá ocorrência de chuva forte em áreas das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no domingo (19), o volume de chuva em 24 horas pode passar de 100 milímetros (mm) em algumas áreas. 

O calor forte, combinado com o aumento do teor de umidade e ventos fortes vai potencializar a ocorrência de temporais localizados, com rajadas de vento e queda de granizo em São Paulo, no Triângulo Mineiro e na faixa oeste e sul de Minas Gerais, além do Rio de Janeiro, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso.

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No sábado (18), com a aproximação de uma frente fria pelo litoral da Região Sudeste, pode haver temporais com rajadas de vento, podendo variar entre 80 km/h e 100 km/h, e queda de granizo no sul de Mato Grosso do Sul, São Paulo, sul de Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

No domingo (19), os temporais podem se espalhar pela área central do país por causa do aumento da umidade pelo continente, aliado a atmosfera fortemente quente, úmida e instável. 

Entre domingo e próxima segunda-feira (20), a previsão indica a ocorrência de grandes volumes de chuva em São Paulo, especialmente no centro-norte do estado, capital e Região Metropolitana, na faixa litorânea e região do Vale do Paraíba, no sul de Minas Gerais, na região da Zona da Mata mineira e no Rio de Janeiro.

Abertura do Parapan de Santiago destaca cultura chilena e astronomia

Os Jogos Parapan-Americanos de Santiago estão oficialmente abertos. A cerimônia que deu início ao megaevento ocorreu na noite de sexta-feira (17), no Estádio Nacional, com homenagens a pioneiros do esporte paralímpico chileno e destaque à cultura local e à importância do país-sede na astronomia mundial. A competição segue até o dia 26 de novembro, com 1.927 atletas de 33 países.

A cerimônia começou às 20h45, com a bandeira do país-sede trazida pela nadadora chilena Valentina Muñoz, ouro no Parapan de Lima, no Peru, em 2019. Após a execução do hino nacional dos anfitriões, as delegações participantes desfilaram em ordem alfabética – a exceção do próprio Chile, última a se apresentar no estádio.

Quinta a desfilar, a delegação do Brasil teve como porta-bandeiras Claudiney dos Santos, bicampeão paralímpico do lançamento do disco, e Mariana d’Andrea, ouro na Paralimpíada de Tóquio, no Japão, em 2021. O país está em Santiago com 324 atletas com deficiência, além de dez atletas-guia do atletismo (que auxiliam os corredores cegos), três calheiros da bocha (modalidade para esportistas com elevado grau de comprometimento motor) e dois goleiros do futebol de cegos (únicos do time que enxergam).

Após o desfile, o centro do campo deu lugar à representação de uma metrópole, alusiva a Santiago, com a performance de artistas simbolizando o cotidiano urbano, trazendo elementos como skate e dança de rua. A brasileira Tamara Catharino foi responsável pela coreografia. As cantoras chilenas Ana Tijoux e Kya deram voz à canção oficial do evento, “A La Cima”, acompanhadas pelo grupo de hip hop Movimiento Original.

A bandeira do Comitê Paralímpico das Américas (APC, sigla em inglês) foi trazida por seis personalidades do esporte adaptado, entre elas o ex-nadador Gabriel Vallejos, primeiro a representar o Chile em Paralimpíadas, nos Jogos de Barcelona, na Espanha, em 1992. O presidente chileno, Gabriel Boric, declarou o Parapan aberto, enquanto Victor Hugo Silva, capitão da seleção anfitriã de futebol de cegos, realizou o juramento do atleta.

“Durante os próximos dias, vocês [atletas] terão a oportunidade de mostrar a si e a todos, com disciplina e dedicação, que é possível realizar sonhos. Vocês representam toda a América unida em Santiago. São embaixadores dos valores do movimento paralímpico, como coragem e dedicação, que vão inspirar a todos”, destacou o presidente do APC, Julio César Ávila, em discurso.

A reta final da cerimônia reservou uma apresentação em referência ao Alma, instalação no deserto do Atacama, com 66 antenas, a mais de cinco mil metros de altitude e que é considerado o maior projeto astronômico do mundo. Com luzes simbolizando estrelas, 300 drones criaram diferentes constelações no céu de Santiago.

A pira do Parapan foi acesa por Cristian Valenzuela, primeiro chileno a conquistar uma medalha de ouro paralímpica, nos Jogos de Londres, no Reino Unido, em 2012, na prova dos cinco mil metros da classe T-11 do atletismo (cego total). A cerimônia chegou ao fim com mais apresentações musicais, dos cantores Denise Rosenthal, Beto Cuevas, Pablo Chill-E, Flor del Rap e, novamente, Ana Tijoux.

Fazer história

Apesar de a cerimônia de abertura ter ocorrido nesta sexta, uma das 17 modalidades do evento já havia iniciado na última quinta-feira (16): o tênis de mesa, com as disputas individuais. O Brasil tem 20 atletas garantidos em semifinais masculinas e femininas. Portanto, são 20 medalhas asseguradas ao país, pois não há jogo pelo terceiro lugar. Resta saber a cor delas. Em quatro classes, o duelo por uma vaga na final será entre mesatenistas brasileiros.

O resultado já supera o de Lima, ao menos em número de medalhas. Há quatro anos, os brasileiros alcançaram 19 pódios individuais na modalidade.

Desde a edição de 2007, no Rio de Janeiro, que o Brasil encerra o quadro de medalhas do Parapan no topo. Em Lima, o desempenho foi recorde, com 308 medalhas e 124 ouros.

Grupo vai propor ações de comunicação antirracista no governo federal

O governo federal vai instituir um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para propor ações, estratégias e orientações para uma comunicação antirracista na administração pública federal. O decreto que institui o grupo será assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima segunda-feira (20), no Dia da Consciência Negra.

O grupo será formado por integrantes do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e da Secretaria de Comunicação Social (Secom) e terá 90 dias para elaborar o Plano Nacional de Comunicação Antirracista. O plano reunirá estratégias de promoção da diversidade racial em publicidades e patrocínios do Estado, de diálogo com a sociedade e veículos de comunicação, de apoio técnico a novas diretrizes e políticas voltadas ao tema, de formação para porta-vozes, servidores e prestadores de serviço e de fortalecimento de mídias negras.

A ideia de tratar da comunicação antirracista no governo federal foi uma demanda da Articulação pela Mídia Negra, que reúne representantes de veículos, empresas de comunicação e coletivos liderados por jornalistas negros, e entregou a minuta do grupo de trabalho ao governo. “Apresentamos não só demandas, mas propostas inteiras e completas acerca de diferentes temas que serão trabalhados nesse grupo de trabalho”, explica a coordenadora da Rede de Jornalistas Pretos, Marcelle Chagas.

Ela afirmou ter ficado feliz com a notícia da instalação do GT, mas salientou que é preciso acompanhar o trabalho de perto para garantir a implementação de forma “correta e justa”. “Olhamos com bons olhos, estamos felizes porque é o resultado das nossas ações, mas ainda aguardamos para que elas sejam implementadas de forma plena. Vamos acompanhar até o final para que essa implementação seja de forma plena e para que o governo federal dê respostas a sociedade civil”, aponta Marcelle, que também é uma das coordenadoras da articulação pela Mídia Negra.

Para a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, o grupo é um passo inicial muito importante para que a comunicação tenha um papel ativo no combate ao racismo. O ministro da Secom, Paulo Pimenta, diz que o governo trabalha para construir propostas que garantam uma comunicação pública mais inclusiva, que reflita a diversidade do povo brasileiro, e não reforce estereótipos ou preconceitos.

EBC e Ministério da Comunicações assinam parceria para Brasil Digital

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o Ministério das Comunicações assinaram, nesta sexta-feira (17), parceria para dar início ao projeto piloto do programa Brasil Digital. A iniciativa, prevista para começar ainda em 2023, visa o fomento da radiodifusão pública no país, a partir da implantação de estações de TV Digital em até 21 municípios brasileiros. 

A EBC, com a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), executará o projeto piloto, que envolve equipamentos e infraestrutura para viabilizar a transmissão de multiprogramação, de forma gratuita, para mais brasileiros e brasileiras. “Sem dúvidas, essa parceria é muito importante para a EBC. Estaremos empenhados em fazer com que regiões que ainda não têm acesso à comunicação pública recebam conteúdos de múltiplas fontes com credibilidade e com sinal de qualidade”, disse o diretor-presidente substituto da empresa, Jean Lima.

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O secretário de Comunicação Social Eletrônica do Ministério das Comunicações, Wilson Diniz, disse que há “expectativa muito grande de que vamos conseguir promover a inclusão digital por meio da radiodifusão pública”. 

Aprovada no âmbito do Novo PAC, programa de investimentos do governo federal, a implantação de estações em 250 municípios está prevista para iniciar em 2024, visando áreas com pouca oferta de programação.

“Nesse sentido, a EBC tem sido uma grande parceira por conta de todo o trabalho que vem sendo feito pela Rede Nacional de Comunicação Pública, principalmente com as universidades federais. Com isso, vamos conseguir dar também ao projeto um caráter educativo. Quando juntamos várias mãos, o projeto se torna ainda mais sustentável”, completou Daniela Schettino, diretora do Departamento de Comunicação Pública, Comunitária e Estatal do ministério.

O Novo PAC aprovou a implantação de estações de transmissão, incluindo torres, abrigos, antenas e transmissores, para fortalecer a radiodifusão estatal e educativa. O compartilhamento de infraestrutura será incentivado, envolvendo emissoras públicas como a EBC e a rede legislativa.

Participaram da assinatura o diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, José de Arimateia Araújo, e o gerente executivo de Planejamento e Rede Nacional de Comunicação Pública da EBC, Vancarlos Alves. 

Jogador Paulinho sofre intolerância religiosa após estreia na seleção

O atacante Paulinho, do clube Atlético-MG, foi alvo de intolerância religiosa nas redes sociais após sua estreia na seleção brasileira de futebol. 

Na última quinta-feira (16), o Brasil foi derrotado de virada por 2 a 1 pela Colômbia em partida válida pela 5ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026.  

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No perfil do jogador nas redes sociais, foram postadas mensagens com ofensas à religião de Paulinho, que é praticante do candomblé. Em diversos posts, ele foi chamado de “macumbeiro”.  

No dia 6 deste mês, após ter sido convocado para a seleção, Paulinho postou uma foto com a camisa verde e amarela e a frase: “Nunca foi sorte, sempre foi Exú”. No candomblé, Exu é um orixá, um mensageiro espiritual.  

Mensagens de apoio 

O jogador recebeu mensagens de solidariedade em seu perfil. “A intolerância religiosa é crime e deve ser combatida por todos. O Galo repudia veementemente os ataques destinados ao nosso atleta Paulinho, nas redes sociais, durante a partida da Seleção Brasileira. Força, Paulinho. Que sua fé te proteja da maldade alheia!”, disse o clube mineiro, onde o atleta atua.  

“É inadmissível tamanha intolerância e racismo religioso, que hoje foram direcionados ao Paulinho, mas que estão cada vez mais crescentes nos esportes e em nossa sociedade. Quero aqui reforçar que estas práticas são criminosas e precisam ser devidamente tratadas”, afirmou o deputado federal Pastor Henrique Vieira (Psol- RJ).  

A escola de samba Mocidade postou que em “pleno 2023 e ainda temos que lutar contra intolerância religiosa. Cansa, desgasta, mas, lutaremos até o fim. A Estrela aqui se solidariza com meu caçador e repudia todos os ataques que ele sofreu durante o jogo do Brasil”.  

No início do ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.532/23, que equipara a injúria racial ao crime de racismo. A lei também endurece a pena para quem obstar, impedir ou empregar violência contra quaisquer manifestações ou práticas religiosas.    

As religiões de matriz africana estão entre as que sofrem mais sofrem ofensas e discriminação. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, nos últimos dois anos, os atos de intolerância religiosa cresceram 45%. 

Trans e travestis marcham por equidade no centro do Rio

Homens, mulheres e pessoas não binárias transexuais e travestis protestaram no centro do Rio de Janeiro nesta sexta-feira (17) contra as péssimas condições de vida provocadas pela transfobia, ações e atitudes discriminatórias contra esse grupo de pessoas.

Com o tema “Pelo direito de sonhar novos futuros”, os participantes da segunda Marcha Trans e Travesti cobraram políticas públicas para reverter a baixa expectativa de vida e escolaridade e falta de acesso ao mercado de trabalho.

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O protesto começou na Candelária e percorreu a Avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro do Rio, até a Cinelândia, palco tradicional de manifestações políticas e culturais populares.

As principais reivindicações deste ano são o acesso e manutenção de pessoas trans e travestis em instituições de ensino; a ampla assistência de saúde física e psicológica;  a ampliação e maior e ciência de ambulatórios do processo transexualizador e políticas públicas específicas para segurança da comunidade trans e travesti.

Diretor da marcha, o ativista Gab Van definiu que “sonhar dá sentido à luta”.

“É um ato de resistência feito por e para pessoas trans. É bonito demais ver homens e mulheres trans e travestis, pessoas não bináries, de todo o estado e até do Brasil se mobilizando para ocupar as ruas do centro do Rio”, disse. “É um espaço de honrar a luta de quem veio antes, viver os nossos lutos e também celebrar quem está aqui”.

Primeira mulher trans a ser eleita deputada estadual no Rio de Janeiro, Dani Balbi participou do ato, que classificou como espaço de organização da luta trans e travesti.

“Por muitos anos, foram negligenciadas no guarda-chuva mais amplo das lutas por direitos humanos da comunidade LGBTQIA+. Então, nesse sentido, estamos há alguns anos organizando essa marcha para dar visibilidade à comunidade e ecoar nossas pautas contra assassinatos de pessoas trans e travesti pela equidade de oportunidades”.

Presidente da ONG Pela Vidda, voltada para a prevenção do HIV, Maria Eduarda destacou que a sociedade vive um momento “antitrans”.

“Temos nada menos que 69 projetos [de lei] antitrans tramitando. Querem proibir a gente de casar, querem proibir a gente de amar, mas não conseguirão”, destacou. “Mas o principal, que não podemos aceitar de jeito nenhum, é que nos matem também de fome.  Alguém estuda ou trabalha de barriga vazia? Não! Então, precisamos garantir o básico: comida na mesa e oportunidades.”

Trem e ônibus se chocam no DF e uma pessoa morre

Um trem de carga se chocou com um ônibus que cruzava uma linha férrea no Distrito Federal, na tarde desta sexta-feira (17). Uma pessoa, passageira do ônibus, morreu no acidente, ocorrido no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA). Um motorista que passava de carro pelo local filmou o acidente. No vídeo, é possível ouvir o trem apitando para o ônibus, que passava em baixa velocidade pela linha do trem. O motorista do ônibus chega a acelerar o veículo, mas não a tempo de evitar a colisão.

Em nota, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), lamentou a vítima fatal do acidente e afirmou já ter acionado a concessionária Ferrovia Centro-Atlântica S.A., responsável pela malha férrea do Distrito Federal, para apresentar em 30 dias um laudo apontando as causas do ocorrido. Contudo, a agência entende, com base em análise prévia, que houve desatenção do motorista do ônibus no episódio.

“Agência Nacional de Transportes Terrestres lamenta e expressa solidariedade aos familiares da vítima do acidente envolvendo um trem da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e um ônibus do transporte coletivo do Distrito Federal, nesta sexta-feira (17/11), em Brasília. Em uma análise prévia realizada com as imagens do acidente, é possível observar que o coletivo avançou a passagem em nível sem atentar para a sinalização do local e para os avisos de emergência emitidos pela composição ferroviária”.

Não existe cancela que impeça o trânsito de veículos ou pedestres pela linha férrea no momento da passagem do trem. Há, porém, placas alertando para a possibilidade de aproximação de uma composição e orientações para que o motorista fique atento no cruzamento.

“Como medidas de segurança, as passagens em nível contêm os elementos necessários para a sinalização e alerta aos pedestres e condutores. Além disso, na proximidade das passagens em nível, há procedimentos rigorosos em que o maquinista deve reduzir a velocidade, acender os faróis e acionar o sinal sonoro (buzina). Desse modo, é importante que o motorista esteja sempre atento à sinalização no local, obedecendo às orientações dos elementos de sinalização (placas, sinais sonoros, etc)”, acrescentou a ANTT em sua nota.

A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) do DF divulgou nota solidarizando-se com os envolvidos no acidente e afirmando que aguardará o resultado das investigações a fim de esclarecer os fatos.

Haddad propõe presença do meio-ambiente em nova contabilidade nacional

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta sexta-feira (17) que a preservação do meio-ambiente passe a ter peso na contabilização da produção de riquezas do país. Segundo ele, atualmente, o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) não está considerando a destruição das riquezas naturais, e nem que “estamos destruindo o que nos mantém vivos”.  

“Quando alguém faz a conta do PIB, o que foi produzido, a pessoa deixa de considerar o que os economistas chamam de externalidades. E quando você põe as externalidades na planilha, quando você põe na conta o que está custando para a humanidade em termos de bem-estar futuro, não tem como deixar de considerar que nós estamos destruindo aquilo que nos mantém vivos”, disse.

“Não tem como deixar de considerar que nós estamos destruindo aquilo que nos mantém vivos”, diz Haddad- Paulo Pinto/Agência Brasil

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As declarações de Haddad foram dadas em evento, na capital paulista, em que o ministro, a ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, e entidades da sociedade civil debateram o Plano de Transição Ecológica, do governo federal.

“Estamos destruindo aquilo que nos mantém vivos. E isso não está sendo considerado nas contas nacionais. A gente precisa de uma outra contabilidade, vamos pensar diferente, nós vamos começar a verificar aquilo que está colocando em risco a nossa própria sobrevivência e a de muitas outras espécies”, acrescentou.

O Pacote de Transição Ecológica do governo deverá estabelecer diretrizes para licenciamentos ambientais com a intenção de promover o desenvolvimento sustentável e garantir a proteção do meio ambiente. 

Economia e Ecologia

Haddad ressaltou que é um grande equívoco contrapor a economia à ecologia, e que a primeira deve se submeter a segunda. “Precisamos entender que a gente precisa subordinar o que a gente chama de economia a propósitos maiores, que é a nossa permanência aqui”, disse. 

“Isso não está sendo objeto de atenção dos governos que continuam disputando espaço na economia internacional e esse afã de produzir a qualquer preço está levando o mundo a esses conflitos todos”, acrescentou.

A ministra Marina Silva defende que a política ambiental seja implementada com a participação de todos os setores do governo como forma de enfrentar o atual modelo da economia. “O atual modelo é insustentável. Insustentável do ponto de vista econômico, social, ambiental e cultural. Então é uma mudança profunda e essa mudança profunda ela não acontece como um passo de mágica, não acontece da noite para o dia e ela vai ter acertos e erros”, disse. 

Ministra defende que a política ambiental seja implementada com a participação de todos os setores do governo – Paulo Pinto/Agência Brasil

Marina e Haddad receberam, ao final do encontro, uma carta assinada por 61 organizações pedindo um acordo global para a eliminação dos combustíveis fósseis. Entre outras reivindicações, as entidades sugerem que sejam criados mecanismos de troca da dívida externa dos países pobres e em desenvolvimento por ações de mitigação e adaptação à crise climática. A íntegra da carta pode ser lida na internet.