Enem está menos conteudista e mais interpretativo, dizem professores

Mais de 2,6 milhões de estudantes enfrentaram, neste domingo (12), 90 questões de ciências da natureza e de matemática no segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2023. Para dois dos professores ouvidos pela Agência Brasil, a prova deste ano foi mais interpretativa e menos conteudista.  

O diretor de Ensino Médio e Avaliações do SAS Plataforma de Educação, Caê Lavor, avaliou que a prova foi mais fácil por ter cobrado menos assuntos técnicos.

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“Caíram mais questões com contexto e que tem relação com o cotidiano dos alunos, então foi uma prova mais fácil do que nos anos anteriores, apesar de não tão mais fácil.” 

Para Caê, nos últimos três anos o Enem estava se tornando uma prova mais conteudista e menos interpretativa. “O aluno era cobrado a memorizar muitas fórmulas, conhecer disciplinas e temas de forma mais profunda, saber as exceções de algumas regras bem específicas. A prova estava ficando mais conteudista e tradicionalista”, analisou.

Para ele, neste 2023 houve uma mudança em relação aos três últimos anos, retomando uma tradição do Enem, que é de ser uma prova mais interpretativa.  

“A principal consequência do tipo de prova é que ela vai selecionar perfis diferentes do estudante que vai ingressar no ensino superior. Uma prova mais interpretativa valoriza habilidades mais socioemocionais, o senso crítico, a capacidade analítica, a empatia. Já a prova mais técnica ou conteudista valoriza mais a resolução de problemas que precisam de uma base técnica mais ampla.” 

O professor de química do colégio Mopi, Vinícius Carvalho de Paula, teve a mesma impressão: de que as questões priorizaram a interpretação em vez do conteúdo específico das disciplinas.  

“A minha impressão é de que a prova estava em um nível menos conteudista, um nível menos difícil e mais interpretativa. Quem teve calma e fez uma boa leitura conseguiu fazer uma boa prova. Bastava o estudante observar o enunciado da questão que ele podia ver a resposta dentro do enunciado. Poucas questões de cálculo. Apenas três questões envolvendo cálculo que eram mais desafiadoras”, afirmou.  

Divergência

Já o professor de matemática Lucas Borguezan do Curso Enem Gratuito avaliou que o Enem manteve a tendência que ele tem observado de se tornar, cada vez mais, uma prova no estilo conteudista, apesar de ter percebido a prova de matemática mais fácil neste ano.   

“As questões foram muito bem formuladas, o que ajuda na resolução. No primeiro dia, sim, foi mais interpretativa. Mas isso também tem relação com a própria natureza das disciplinas. No meu balanço de nove Enens na bagagem, estou percebendo que o exame está caminhando para ser cada vez mais conteudista, como uma tendência, e com melhor formulação das questões.”

Calor marca segundo dia de provas do Enem

Estudantes de todo o país participaram neste domingo (12) do segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a principal forma de ingresso em instituições de ensino superior. O exame também serve para se obter subsídios por meio dos programas Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e Programa Universidade Para Todos (ProUni). Na capital paulista, os candidatos tiveram que lidar com o calor.

A avaliação de estudantes ouvidos pela Agência Brasil é de que a prova teve nível de dificuldade médio, assim como no primeiro dia do exame, no último domingo (5). A prova de hoje testou conhecimentos em ciências da natureza e em matemática.

Termômetro marca 40 graus na Avenida 9 de Julho, na região central de São Paulo – Rovena Rosa/Agência Brasil

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As provas começaram às 13h30 e terminaram às 18h30. Candidatos que terminaram as provas mais cedo puderam sair, mas sem levar o caderno de provas. O gabarito será divulgado no próximo dia 24, e o resultado com o desempenho de cada candidato, no dia 16 de janeiro.

Por volta de 17h, diversos pais e mães já aguardavam seus filhos do lado de fora do campus Vergueiro da Universidade Paulista (Unip). A jovem Karoliny da Silva Santos, de 21 anos, já cursa psicologia, mas prestou o exame para tentar uma bolsa do Prouni e, assim, dar continuidade aos estudos.

Ela já fez a prova duas vezes e conta que o calor tornou o exame deste domingo mais cansativo: “o calor cansou, fica um ar abafado e a água da garrafa esquenta”.

Perguntada sobre a percepção de alunos faltantes na sala em que fez a prova, a universitária Karoliny notou menos ausências do que nos outros anos em que fez a prova. Já para a estudante Giovanna Alves, de 17 anos, houve mais ausências neste segundo dia de provas do que no primeiro.

Giovanna está no último ano do ensino médio e pretende cursar arquitetura na Universidade Mackenzie. Essa é a terceira vez que faz o Enem e, ao comparar a prova com os demais anos, atribui nota 7 de dificuldade.

“Acho que fui melhor nesse segundo dia, porque tenho mais facilidade com as disciplinas”, comenta ela, que tem uma rotina de duas a três horas de estudo em casa.

A candidata Lara Lima, de 18 anos, quer seguir carreira na biomedicina e pretende ingressar em uma universidade pública, de preferência em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Ela acha que teve um desempenho melhor no primeiro dia de prova. “Eu me dou melhor com a parte de linguagem”, observa. “Acho que o mais complicado é administrar o tempo.”

Em relação à véspera do teste, Lara disse que evita deixar o desespero tomar conta. “Não peguei nada para estudar. Eu prefiro ficar tranquila”.

Enem em São Paulo

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar escalou um efetivo de cerca de mil agentes e 491 viaturas para fazer o policiamento nas ruas da capital. As equipes foram orientadas a priorizar os arredores dos locais de prova. A pasta informou também que os batalhões de Ações Especiais de Polícia (BAEPs) reforçaram a operação deste domingo.

O estado de São Paulo é o que teve mais inscritos. Foram 590.770, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Do total de inscritos, 60,8% (359.699) são mulheres.

Os candidatos brancos são maioria no estado, com 349.062 inscrições, o que equivale a 59%. Os pardos respondem por 161.108 inscrições (27,2%), seguidos pelos pretos, com 61.039 das inscrições (10,3%); amarelos, com 12.254 (2%); e indígenas, com 1.806 inscrições (0,3%). Ao todo, 5.501 candidatos deixaram de informar suas características étnico-raciais ao se inscrever.

Em relação à faixa etária, a prevalência é de grupos em idade escolar, mais especificamente de estudantes que cursam ensino médio sem atraso na trajetória escolar, ou seja, na época adequada de concluir os níveis da educação básica. Assim, 215.745 candidatos têm 17 anos (36,5%). O segundo maior grupo é o de candidatos com 18 anos, composto por 93.100 pessoas (15,7%). Na sequência, vêm os candidatos com 21 a 30 anos (14%), de 16 anos (12,5%), de 19 anos (6,9%), de 31 a 59 anos (6,3%) e de 20 anos (4,1%). Há, ainda, um contingente de 1.250 inscritos no estado de São Paulo com idade maior ou igual a 60 anos (0,2%).

Brasileiros que estavam em Gaza chegam ao Brasil nesta segunda

Os brasileiros e seus familiares palestinos que deixaram a Faixa de Gaza chegam nesta segunda-feira (13) ao Brasil. O governo federal já tem uma operação de acolhimento pronta para o grupo, como atendimento médico e psicológico e regularização de documentos. 

Eles cruzaram a fronteira com o Egito pelo Portal de Rafah, no início da manhã deste domingo (12). A chegada ao Cairo ocorreu no início da noite. Na capital egípcia, o grupo pega o voo para Brasília. A previsão é que a aeronave decole às 11h50 (horário local) e pouse em Brasília às 23h30 (horário local). Antes disso, haverá três paradas técnicas: em Roma, na Itália; em Las Palmas, na Espanha; e na Base Aérea do Recife, já no Brasil. 

VOLTANDO EM PAZ: Os 32 brasileiros e familiares acabaram de chegar em segurança ao hotel no Cairo, onde foram recebidos pela equipe médica da FAB, que os aguardava no local. Foto: Presidência da República/Twitter – Presidência da República/Twitter

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Os repatriados receberão apoio psicológico, cuidados médicos e imunização e terão um período de repouso em Brasília, em alojamento da Força Aérea Brasileira (FAB), antes de se deslocarem para outras cidades no Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) está sendo mobilizada para oferecer aos repatriados os cuidados em saúde necessários logo no momento de chegada ao Brasil, em Brasília. 

“A oferta no momento da recepção envolve cuidados psicológicos e clínicos, incluindo urgências e emergências que possam surgir. A equipe será formada por cinco profissionais da saúde: um médico, um enfermeiro e três psicólogos. Além disso, será disponibilizada uma ambulância do Samu/DF, tipo UTI móvel, com médico e enfermeiro, se houver necessidade de atendimento especializado em unidade da rede de saúde”, explicou a pasta, em resposta à Agência Brasil

– Relembre os momentos de tensão dos brasileiros em Gaza

Ao chegarem ao Brasil, também será feita a regularização migratória, pela Polícia Federal, e a emissão de outros documentos que permitam o acesso a serviços públicos e ao emprego. 

De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, algumas pessoas têm familiares no Brasil, enquanto outras serão acolhidas em um local no interior de São Paulo, disponibilizado pelo Ministério do Desenvolvimento Social.

O grupo a caminho do Brasil tem 22 brasileiros de nascimento, sete palestinos naturalizados brasileiros e três palestinos familiares próximos. Dos 32 repatriados, 17 são crianças, nove mulheres e seis homens.

Voltando em Paz

Este será o décimo voo da Operação Voltando em Paz, do governo federal, que cumpre mais uma missão de repatriação em áreas de conflito no Oriente Médio. A aeronave VC-2, cedida pela Presidência da República, está há quase um mês no Egito para o resgate dos repatriados oriundos da Faixa de Gaza. Os outros voos partiram de Tel Aviv, em Israel, e de Amã, na Jordânia, com brasileiros que estavam no território palestino da Cisjordânia. 

Com os dez voos, a Operação Voltando em Paz terá transportado um total de 1.477 passageiros, além de 53 animais domésticos. Do total, foram 1.462 brasileiros, 11 palestinos, três bolivianas e uma jordaniana.

No dia 7 de outubro, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, lançou um ataque surpresa de mísseis contra Israel e a incursão de combatentes armados por terra, matando civis e militares e fazendo centenas de reféns israelenses e estrangeiros. Em resposta, Israel bombardeou várias infraestruturas do Hamas, em Gaza, e impôs cerco total ao território, com o corte do abastecimento de água, combustível e energia elétrica.

Os ataques já deixaram milhares de mortos, feridos e desabrigados nos dois territórios. A guerra entre Israel e Hamas tem origem na disputa por territórios que já foram ocupados por diversos povos, como hebreus e filisteus, dos quais descendem israelenses e palestinos.

Comemoração do Flu pela Libertadores leva milhares às ruas do Rio

Os últimos dias foram de fortes emoções para os torcedores do Fluminense com o título inédito da Libertadores da América. Mais de uma semana depois, os tricolores puderam enfim ter uma comemoração oficial. O centro da cidade do Rio foi ocupado por uma massa verde, branco e grená na manhã deste domingo (12). Polícia Militar e clube divergiram sobre o tamanho da festa: segundo a PM, foram mais de 100 mil pessoas, enquanto o Fluminense divulgou em suas redes sociais que mais de 200 mil tricolores tomaram o centro do Rio.

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A concentração para a festa começou às 7h (horário de Brasília) e o evento propriamente dito às 9h. O trajeto, iniciado na Avenida Presidente Antônio Carlos, percorreu cerca de um quilômetro pelas ruas do centro do Rio. Em um dos dias de maior calor na cidade em todo o ano, os tricolores não perderam o fôlego na celebração.

Em cima de um trio elétrico, o elenco campeão foi muito festejado, mas com alguns destaques. O técnico Fernando Diniz e o argentino Germán Cano – artilheiro da vitoriosa campanha – certamente estiveram entre os mais celebrados. John Kennedy, autor do gol do título, foi outro que recebeu bastante carinho da torcida.

O domingo de folga, e festa, do Tricolor das Laranjeiras veio na sequência do empate por 1 a 1 com o Flamengo, no Maracanã, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, na véspera.

O Fluminense, que atualmente ocupa a 8ª colocação no Brasileirão, se prepara para disputar o Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, outro título que o clube ainda não possui.

Para especialistas, repatriação de brasileiros é vitória diplomática

Especialistas em Relações Exteriores consideram a operação para repatriar o grupo de 32 pessoas que estava na Faixa de Gaza como uma vitória da diplomacia brasileira, sob o comando do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

O grupo cruzou a fronteira com o Egito, pelo Portal de Rafah, na manhã deste domingo (12) e deve embarcar para o Brasil nesta segunda (13). Segundo eles, mesmo com a demora na inclusão da lista de pessoas autorizadas a cruzar a fronteira, a diplomacia mostrou capacidade de negociação e coordenação nas ações.

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O professor de Política Internacional e Comparada do programa de pós-graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas (UFMG), Dawisson Belém Lopes disse à Agência Brasil que, com o retorno dos brasileiros, o Brasil conseguiu fazer valer o peso da sua tradição diplomática:

“Isso é muito importante, porque mesmo não sendo um dos países que se alinham automaticamente a Israel, o Brasil sempre busca, em relação a esse conflito israelo-palestino que se arrasta há décadas, uma posição de equidistância e defende a solução de dois Estados [de Israel e da Palestina].”

“Mesmo tendo esse engajamento crítico em relação ao tema, o Brasil, ainda assim, fez valer o peso da sua tradição, a capacidade de trazer para o seu território os seus cidadãos e isso me parece muito positivo. É um sinal que é emitido, que mostra a importância do Brasil no contexto das nações”, afirmou o professor.

Para professor Dawisson Belém Lopes retorno dos brasileiros faz valer peso da tradição diplomática do país – Arquivo pessoal

Na avaliação de Lopes, mesmo que nas primeiras listas de pessoas autorizadas a deixar Gaza constassem nomes de estrangeiros de países mais alinhados com Israel, o Itamaraty soube conduzir bem as tratativas para repatriar os brasileiros. A primeira lista, que saiu na quarta-feira dia 1° de novembro, autorizou um grupo de 450 estrangeiros a deixar o enclave.

Dos 3.463 estrangeiros autorizados a sair da Faixa de Gaza até a última quarta-feira (8), 1.253 têm passaporte dos Estados Unidos, o que representava 36,1% do total. O principal aliado de Israel na guerra que o país declarou contra o Hamas lidera a lista de nacionalidades autorizadas a deixar a região, até agora.

Além dos Estados Unidos, outros oito países tiveram mais de 100 nacionais autorizados a sair da Faixa de Gaza. Essas nove nações somam 86% do total de estrangeiros autorizados a cruzar a fronteira com o Egito. A segunda nacionalidade mais beneficiada foi a Alemanha, com 335 pessoas, o que representa 9,6% do total. Os brasileiros só foram incluídos na sétima lista.

“Neste momento, Gaza é o território que sofre uma investida militar muito intensa de Israel e, naturalmente, todo mundo que está naquele território está correndo risco de morte. Por isso que é tão importante, tão urgente, repatriar os brasileiros. E, no agregado, eu diria que o Brasil conseguiu não só o objetivo de trazer essa primeira leva de brasileiros, os que primeiro haviam solicitado o retorno, repatriação, mas também em um tempo célere, porque se considerarmos que nas levas anteriores vieram praticamente apenas aqueles cidadãos dos países que são aliados de primeira hora de Israel, o Brasil conseguiu negociar bem os termos dessa repatriação”, apontou o professor.

Lopes avaliou ainda que a relação com Israel sofreu um desgaste após o episódio envolvendo o embaixador do país no Brasil, Daniel Zonshine, que participou, na quarta-feira (8), na Câmara dos Deputados de uma reunião com o ex-presidente Jair Bolsonaro e parlamentares de direita. Na ocasião, ele exibiu um filme com imagens do ataque do Hamas no dia 7 de outubro.

“É natural que haja um estranhamento brasileiro em relação ao que foi feito, sobretudo pelo embaixador de Israel no Brasil. Me parece que ele cruzou uma linha. Ele tentou por caminhos que não são os mais aconselháveis na prática diplomática convencional. Ele tentou influenciar os rumos do debate doméstico brasileiro, envolvendo inclusive um político cujos direitos políticos foram caçados. Um político inelegível, um ex-presidente da República. Isso é grave, me parece problemático.”

Entretanto, Lopes não acredita em uma mudança na relação diplomática com Israel, já que o Brasil tem relações históricas com o país do Oriente Médio.

“Há relações entre os dois Estados que são importantes, que extrapolam o nível governamental, que vão além do atual governo de Israel. Então, isso deve ser sempre calculado com muita calma, com muita cautela, com muita racionalidade. Esse é o domínio da diplomacia. A diplomacia não pode reagir de forma temperamental. Tem que sempre ser muito racionalizada essa resposta do Estado brasileiro. Então, eu acho que essa relação vai passar por uma reavaliação a partir de agora, mas eu não vejo no meu horizonte a perspectiva de ruptura”, avaliou Lopes. “A questão é intrincada, nós sabemos que ainda há muitos brasileiros em território palestino”, concluiu.

Neste domingo (12), em entrevista à imprensa, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi questionado sobre o episódio envolvendo Zonshine, mas limitou-se a dizer que não o conhecia: “não conheço”. O chanceler não respondeu sobre a possibilidade de convocar Zonshine para dar explicações sobre a reunião. Na linguagem diplomática, convocar um embaixador estrangeiro é um gesto importante e que demonstra a gravidade de um assunto para o país anfitrião.

Diplomacia

Bruno Fabrício da Silva considera operação de repatriação uma vitória da diplomacia brasileira – Arquivo pessoal

O monitor do Observatório de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil (Opeb), curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) Bruno Fabrício da Silva considera que a operação de repatriação também representou uma vitória da diplomacia brasileira, mas que houve uma demora “excessiva”, para autorizar a saída de cidadãos de países aliados de Israel, como os Estados Unidos e a maioria das potências ocidentais.

“A participação direta do presidente e do corpo diplomático em negociações com as autoridades israelenses, palestinas e egípcias destaca o comprometimento do Brasil em proteger seus cidadãos em situações de conflito. Além disso, o suporte oferecido durante o período em Gaza como garantir recursos essenciais e alertar sobre a localização do grupo às autoridades israelenses mostra a atuação proativa da diplomacia brasileira em situações de crise”, afirmou da Silva à Agência Brasil.

Para o pesquisador, após a repatriação, o Brasil pode se posicionar de maneira mais assertiva para condenar os ataques de Israel, como já indicado pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou a situação como genocídio.

“O presidente Lula já demonstrou uma postura mais incisiva ao classificar os acontecimentos como genocídio e ao condenar energicamente as ações militares israelenses. A meu ver, a decisão de adotar uma postura mais incisiva pode envolver o risco de prejudicar as relações bilaterais com Israel e seus aliados, mas também pode ser percebida como uma resposta ética e humanitária à gravidade da situação”, avaliou.

Ele aponta ainda que a repatriação dos brasileiros pode, no entanto, ser vista como um movimento alinhado com a postura de outros países sul-americanos, que aumentaram o tom diplomático em reação aos ataques israelenses em Gaza, a exemplo do Chile, da Colômbia, da Bolívia e da própria Jordânia, que convocaram seus embaixadores para consultas.

“A decisão de outros países sul-americanos de aumentar o tom diplomático também pode influenciar o Brasil a adotar uma postura mais firme. No entanto, em situações de crise humanitária e violações graves de direitos humanos, como no conflito entre Israel e Palestina, há pressões crescentes para que os Estados adotem posições mais firmes e expressem claramente sua posição ética e moral sobre os eventos”, pontuou da Silva.

“Em certas situações, é necessário mudar o paradigma diplomático e o peso do Brasil no sistema internacional pode, com uma decisão mais incisiva, de certa forma trazer uma visão mais dura à condenação das ações de Israel em Gaza”, acrescentou.

Colapso

A professora de História Árabe do Departamento de Letras Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) e atual diretora do Centro de Estudos Árabes da USP, Arlene Elizabeth Clemesh, também considera que o Brasil deve subir o tom na relação diplomática com Israel.

Para a professora Arlena Elisabeth Clemesh Brasil deve sinalizar de forma clara discordância com postura de Israel- Arquivo pessoal

Arlene avalia que o governo deve sinalizar de maneira enfática que não concorda com o que Israel vem fazendo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Ela também defende a revogação dos acordos militares e de segurança já firmados com Israel.

“É isso que se espera do governo brasileiro, agora que os brasileiros foram liberados. Também seria o caso de considerar uma sinalização de desagrado, na forma da chamada do nosso embaixador em Tel Aviv. Mas o mais importante é a ruptura dos contratos militares e de segurança. Só assim, com o cancelamento de contratos em vários países do mundo, o governo israelense será pressionado a parar o tratamento dado ao povo palestino”, disse a professora à Agência Brasil.

“Gaza, é muito importante que se entenda, colapsou. A sobrevivência hoje em Gaza é do mais apto, do mais resiliente, do que tem sorte de não ser ferido gravemente e conseguir se defender. Incubadoras foram desligadas por falta de energia elétrica e, até onde tenho conhecimento, dois bebês já faleceram. Não há condições mínimas de vida em Gaza. O que está acontecendo é uma combinação de genocídio com limpeza étnica”, criticou.

Arlene também disse que as primeiras listas de pessoas autorizadas a deixar Gaza só beneficiavam países com alianças estreitas com Israel, como Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França e Ucrânia, mas apontou o retorno como um vitória da diplomacia.

“Os brasileiros eram poucos, comparados às mencionadas nacionalidades, que já estavam alocados próximo à fronteira com o Egito, próximo à passagem de Rafah”, observou.

“A libertação dos brasileiros de Gaza, para que pudessem vir ao Brasil em segurança, foi uma enorme vitória para a diplomacia e para o governo brasileiro. Desde os primeiros dias desse ataque a Gaza, o Escritório Permanente de Representação Brasileira na Palestina vinha trabalhando intensamente para organizar logística e diplomaticamente a saída dos brasileiros. O empenho foi muito grande em todas as esferas, mobilizando o Itamaraty, o chanceler e o próprio presidente Lula”, acrescentou.

Brasil conquista dobradinha na Copa do Mundo de triatlo

O Brasil conquistou uma dobradinha na Copa do Mundo de triatlo, com Manoel Messias ficando com o ouro e Miguel Hidalgo com a prata, neste domingo (12) em Viña del Mar (Chile). A medalha de bronze ficou com o mexicano Aram Michell Penaflo.

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“Estou muito feliz, esta é uma ótima maneira de terminar a temporada. Consegui fazer uma grande prova hoje e sabia que, apesar de não ter feito uma ótima natação e nem uma ótima segunda transição, estava com a velocidade nas pernas”, declarou Manoel Messias, que garantiu o ouro na prova de revezamento misto (ao lado de Miguel Hidalgo, Vittoria Lopes e Djenyfer Arnold) da modalidade nos Jogos Pan-Americanos de Santiago.

Já a prata ficou com Miguel Hidalgo, que no Pan ocupou o lugar mais alto do pódio na disputa individual. “Dei o meu melhor hoje, mas não consegui vencer o Manoel. Mesmo assim, estou muito feliz com os meus resultados e com estas últimas corridas da temporada”, concluiu.

Um em cada três alunos inscritos não compareceu ao segundo dia do Enem

A ausência dos inscritos no segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ficou em 32%, ou seja, um em cada três inscritos não compareceu aos locais de prova neste domingo (12). Ao todo, mais de 3,9 milhões de pessoas se inscreveram na edição deste ano do exame. A ausência neste domingo foi a mesma do segundo dia da edição de 2022, quando 32% dos inscritos também faltaram.

A média histórica de abstenção no Enem gira em torno de um terço dos inscritos, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A exceção foi durante os dois primeiros anos da pandemia. Em 2021, a abstenção bateu o recorde de 55%. Antes, o recorde havia sido em 2009, quando 37% dos inscritos não compareceram à prova.

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O ministro da Educação Camilo Santana destacou que entre as prioridades para o próximo ano estão aumentar o número de inscrições e diminuir as abstenções.   

“Vamos fazer uma grande avaliação final desse Enem para que possamos, não só ampliar o número de participantes, mas diminuir esse percentual [de ausência], apesar de, historicamente, ter sido esse o percentual.” 

Eliminações

Neste segundo dia de provas, quando foram testados os conhecimentos de ciências da natureza e matemática, foram eliminados 2.217 participantes. Os motivos vão desde alunos que portavam equipamento eletrônico ou material impresso, até aqueles que não atenderam as orientações do fiscal ou saíram antes da hora permitida (15h30). Foram registrados ainda 859 problemas logísticos, como emergências médicas, interrupção temporária de luz ou problemas de abastecimento de água.  

Com isso, o presidente do Inep, Manuel Palácios, avaliou que o dia de prova transcorreu dentro da normalidade: “exceto poucos episódios com pequenos incidentes, a aplicação ocorreu com tranquilidade em todo o país”.  

Questão anulada

Uma questão que tratava da gripe causada pelo vírus H1N1 foi anulada por falta de ineditismo. Isso porque essa mesma questão já havia sido aplicada na edição do Enem para pessoas privadas de liberdade, em 2010. Segundo o Ministério da Educação, a anulação dessa questão não interfere no resultado do Enem.  

Além disso, o Ministério identificou, assim como no primeiro dia de provas, um vazamento de foto de um dos cadernos da prova às 17h, antes do horário permitido para sair com a prova impressa, que é às 18h. O ministro da Educação, Camilo Santana, informou que a Polícia Federal foi acionada para investigar o caso, mas que esse vazamento também não prejudicou a aplicação do Enem.  

“Lembrando que não há nenhum prejuízo porque não houve confirmação de vazamento antes do início da prova. A prova já tinha iniciado às 13h30, todos os portões estavam fechados, e três horas e meia depois houve essa circulação. A Polícia Federal colocará todo o rigo para apurar esse fato criminoso.” 

Neste domingo, a Polícia Federal identificou oito suspeitos acusados de vazar a prova no primeiro dia do Enem, no domingo passado. À semelhança do ocorrido neste segundo dia de prova, não foram identificadas fotos antes do início do teste.  

Reaplicação  

Os estudantes que se sentiram prejudicados por algum motivo podem solicitar a reaplicação da prova. O pedido deve ser feito por meio da Página do Participante, de 13 a 17 de novembro. A reaplicação ocorrerá nos dias 12 e 13 de dezembro.  

“Quem foi prejudicado por problemas logísticos ou acometido por doenças infectocontagiosas, como prevê o edital, pode pedir para fazer as provas nos dias 12 e 13 de dezembro. O mesmo vale para as pessoas que não compareceram porque foram alocadas a uma distância superior a 30 quilômetros da residência informada na inscrição.”

O segundo dia do Enem de 2023 testou os estudantes em 90 questões de ciências da natureza e matemática. As provas foram aplicadas em 1.750 municípios com mais de 132 mil salas para realização do exame.  

Ao vivo: Professores comentam provas do segundo dia do Enem 2023

Assista ao vivo o programa especial que analisa as principais questões do segundo dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2023.

O programa Caiu no Enem recebe professores de diferentes áreas do conhecimento, que debatem os temas cobrados na prova.

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O programa também explica o cálculo da nota do Enem e mostra como os interessados podem utilizá-la. Esta é a 11ª edição do programa produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Atos pró-Palestina em São Paulo e Brasília pedem cessar-fogo em Gaza

As cidades de São Paulo e de Brasília tiveram, neste domingo (12), atos pró-Palestina e pelo cessar-fogo na Faixa de Gaza. Em São Paulo, o ato na Avenida Paulista começou às 11h em frente à Praça Oswaldo Cruz e seguiu até o Museu de Arte de São Paulo (Masp), finalizando por volta das 14h. Em Brasília, o ato ocorreu no Eixo Norte, no Plano Piloto, a partir das 10h.

O ato em São Paulo foi organizado pela Frente em Defesa da Luta do Povo Palestino e contou com a participação de partidos políticos e movimentos sociais. Um dos gritos entoados pelos manifestantes era: “Estado de Israel, Estado assassino! Viva a luta do povo palestino!”

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Um dos organizadores, Mohamad El Kadri foi presidente do Fórum Latino Palestino e contou que esse já é o quinto ato a favor da Palestina em São Paulo, desde o início das hostilidades mais recentes, que começaram em 7 de outubro. Para ele, os atos servem para informar à sociedade sobre a causa do povo palestino.

“As mobilizações levam para as pessoas conhecimento sobre a causa palestina. Aqui no Brasil as pessoas não conhecem bem o motivo da causa palestina. Inclusive o trabalho da mídia é muito parcial, eles não entrevistam representantes da comunidade palestina e da sociedade árabe. Uma senhora na manifestação falou que nem imaginava que Israel ocupa a Palestina por 75 anos”, destacou.  

Ato em São Paulo começou às 11h – Rovena Rosa/Agência Brasil

Para Mohamad os atos também servem de alento aos palestinos em Gaza: “tudo que a gente faz no Brasil a gente manda para os palestinos em Gaza e na Cisjordânia. Isso para eles é muito importante, eles veem que não estão sozinhos”.

Uma performance de mulheres simulando carregar crianças mortas em panos manchados de vermelho chamou atenção do público. A ideia é denunciar o elevado número de óbitos de crianças pelos bombardeios de Israel.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, o número de crianças mortas desde o dia 7 de outubro chegou a 4.506 neste domingo. Com isso, uma criança morre a cada 10 minutos no enclave palestino.

Brasília

Em Brasília, o ato foi organizado pelo Comitê de Solidariedade ao Povo Palestino, que reúne partidos políticos e movimentos sociais. O presidente do Instituto Brasil Palestina, Ahmad Shehada, foi um dos organizadores deste que foi o sexto ato de rua em Brasília a favor da causa palestina.  

Ato Solidariedade a Gaza e ao Povo Palestino, no Eixão em Brasília – Antônio Cruz/Agência Brasil

Shehada nasceu em um campo de refugiados em Gaza, tem familiares na zona de guerra, e destacou que esses atos são uma resposta às agressões de Israel.

“A causa palestina é de toda a humanidade, é uma causa justa. O povo está sensibilizado contra esses ataques contra as crianças, contra os hospitais”.  

A professora Eliene Bento Luiz, de 58 anos, foi ao ato em Brasília por acreditar que é importante mostrar para o governo que a sociedade brasileira está atenta ao que acontece em Gaza. “Isso não quer dizer que somos antissemitas, pois sabemos o quanto o povo judeu sofreu ao longo da história. Queremos, sim, que o povo palestino seja respeitado. Se deve haver punição, que seja ao grupo Hamas, não com morte e sangue de inocentes e crianças”, destacou.  

Mundo

Manifestações pró-Palestina também ocorreram em diversas cidades pelo mundo neste final de semana. Em Londres, na Inglaterra, um ato reuniu mais de 300 mil pessoas nesse sábado (11).

Também foram registradas manifestações pró-Palestina e pelo cessar fogo em Bruxelas (Bélgica), Berlim (Alemanha), Genebra (Suíça), Barcelona (Espanha) e Austrália.

Braga e Bota empatam e Palmeiras termina rodada como líder

No duelo de duas equipes que ainda buscam o título brasileiro de 2023, Bragantino e Botafogo ficaram no empate por 2 a 2, neste domingo (12), no Estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista. Quem comemorou a igualdade foi o Palmeiras, que terminará a 33ª rodada como líder, com 62 pontos, dois a mais do que o time carioca, que ocupava a primeira posição desde a 3ª rodada. No entanto, o Alvinegro tem um jogo a menos na competição. O Massa Bruta, que também tem um jogo a menos, soma 59. Thiago Borbas fez os dois gols do Massa Bruta, enquanto Victor Sá e Eduardo marcaram os do Glorioso.

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O início de jogo foi perfeito para o time da casa. Logo aos dois minutos, Vitinho chutou da entrada da área. A bola bateu na trave esquerda de Lucas Perri, desviou no goleiro e sobrou limpa para Thiago Borbas abrir o placar sem dificuldades.

Dez minutos depois, Tiquinho Soares começou a reclamar de dores. Ele aguentou por mais seis minutos e acabou substituído por Diego Costa.

Debaixo de um forte calor em Bragança Paulista, o Botafogo reorganizou suas ideias durante uma pausa para hidratação e retornou com tudo ao campo.

O time empatou o jogo aos 35, em chute de fora da área de Victor Sá, e virou aos 37, quando Eduardo aproveitou bola mal afastada pela zaga e chutou forte na pequena área para vencer Cleiton.

No segundo tempo, ainda com a temperatura elevada, o Bragantino procurou mais o jogo, enquanto o Botafogo buscava o contra-ataque e fazia também muita cera para atrasar o jogo. O Massa Bruta levantou muitas bolas na área, a maioria afastada por Adryelson. Alerrandro, que entrou na segunda etapa, levou perigo em um chute da entrada da área.

Sem conseguir respirar e muito recuado, o Botafogo não resistiu às investidas do Bragantino, que conseguiu o empate aos 51 minutos. Thiago Borbas desviou de cabeça o cruzamento que veio da direita e deu números finais à partida.

O resultado deixou o Botafogo – ainda comandado por Lúcio Flávio – fora da liderança pela primeira vez desde abril, embora com a ressalva de que tem um jogo a mais por fazer em relação ao Palmeiras. Este jogo é justamente o próximo compromisso do time, no dia 23, diante do Fortaleza, no Castelão. Na mesma data, o Bragantino também terá uma partida adiada de outra rodada: enfrenta o Flamengo no Maracanã.

Corinthians vence e frustra planos do Grêmio

O Grêmio tinha altas expectativas para a rodada. E, de acordo com os resultados dos adversários, elas se justificavam. Uma vitória teria colocado o Tricolor Gaúcho na liderança do Brasileirão, pelos critérios de desempate. Teria, isto porque o Corinthians estragou os planos do time e venceu por 1 a 0. Mesmo com um jogador a menos desde os dez minutos do primeiro tempo, quando o uruguaio Bruno Méndez foi expulso de forma direta após entrada violenta em Lucas Besozzi. Ainda na primeira etapa, o paraguaio Romero fez o gol do jogo.

Em um gramado bastante castigado, nenhuma das duas equipes conseguiu estabelecer um padrão e a jogada do gol corintiano foi trabalhada pelo alto, com Romero tocando na saída de Gabriel Grando sem deixar a bola tocar no chão.

Na segunda etapa, Bruno Alves, do Grêmio, também foi expulso de forma direta após atingir Fagner. O jogo seguiu baseado mais na força do que na criatividade, e mesmo com mais 10 minutos de acréscimos o placar não foi mais alterado.

O Grêmio, ainda com 59 pontos, segue na briga pelo título e tem como próximo compromisso o duelo com o Atlético-MG, no dia 26, em Belo Horizonte. Já o Corinthians, que foi a 44 pontos, momentaneamente em 11º, enfrenta o Bahia na véspera, em São Paulo.

Dois trabalhadores do MST são assassinados na Paraíba

O Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra da Paraíba (MST) denunciou neste domingo (12) o assassinato de Ana Paula Costa Silva e Aldecy Viturino Barros. Eles faziam parte do Quilombo do Livramento, Sítio Rancho Dantas, no município de Princesa Isabel. O crime teria ocorrido por volta das 15h30 da tarde de sábado (11). A Polícia Civil da Paraíba investiga o caso.

Em nota, o MST pediu justiça, identificação dos autores e celeridade nas investigações. De acordo com o movimento, Ana Paula Costa Silva era acampada, tinha 29 anos e três filhos. Aldecy Viturino Barros, tinha 44 anos, dois filhos e era coordenador do acampamento.

Moradores do Quilombo do Livramento contam que Ana Paula Costa e Aldecy foram assassinados a tiros por dois homens que chegaram em uma moto dizendo que Aldecy precisava assinar um documento que estava sob posse dos assassinos.

Ao descer a escada para atender aos homens que o procuravam, o coordenador do acampamento foi surpreendido com vários tiros, que também acertaram Ana Paula. Ele morreu na hora. Já Ana Paula chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu.

No dia 6 de novembro, o agricultor e acampado do MST Josimar da Silva Pereira foi assassinado a tiros na cidade de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco. O caso também ainda está sob investigação.

 



 

Família de ativista palestina presa nega acusação contra ela

A família da jovem palestina Ahed Tamimi, de 22 anos, negou que ela tenha postado em uma rede social mensagem defendendo o assassinato de israelenses. Ícone da causa palestina, a jovem foi presa na madrugada da última segunda-feira (6) acusada de “incitação ao terrorismo”.  

A mãe de Ahed, Nareman Tamimi, conversou com a Agência Brasil e negou as acusações que pesam contra a filha. “A conta dela foi hackeada há algum tempo”, disse Nareman sobre a acusação de que ela teria postado mensagem defendendo o assassinato de israelenses. A mãe de Ahed argumentou que não há justiça sob ocupação israelense na Cisjordânia.

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“Israel julga os palestinos sem os investigar nem apresentar acusações, e os condena à detenção administrativa”, destacou. As chamadas

Para a mãe de Ahed Tamimi, a detenção dela é uma tentativa de Israel de silenciar sua voz. Além disso, acrescenta, a família deve seguir lutando contra a ocupação israelense. “Enquanto estivermos sob ocupação, temos o direito de resistir por todos os meios que nos levem à libertação desse colonialismo, tal como garantido pelas convenções internacionais, que, apesar do seu estabelecimento em prol da humanidade, não trabalham com os palestinos”, destacou.  

Segundo o Exército israelense, Tamimi foi presa em uma operação “destinada a deter indivíduos suspeitos de estarem envolvidos em atividades terroristas e de incitamento ao ódio”, de acordo com a agência RTP – Rádio e Televisão de Portugal. Em rede social, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Bem Gvir, comemorou a detenção da ativista. “Tolerância zero com terroristas e apoiadores do terrorismo”, disse. 

A ativista ficou mundialmente famosa aos 12 anos, em 2012, ao ser filmada mordendo um soldado israelense para tentar impedir a detenção do irmão mais novo. Em 2017, ela ficou detida por oito meses por ter dado tapas em dois soldados israelenses próximo à residência da sua família, em Nabi Saleh, na Cisjordânia ocupada, enquanto pedia que eles fossem embora. Em relatório divulgado à época, a Anistia Internacional considerou que Ahed Tamimi foi “presa injustamente”. 

Ahed Tamimi entra em tribunal militar escoltado por funcionários do Serviço Penitenciário israelense – Foto Arquivo REUTERS/Ammar Awad

Anistia Internacional  

A organização não governamental (ONG) Anistia Internacional registrou aumento significativo das retenções administrativas no último mês, desde que o Hamas atacou Israel no último dia 7 de outubro. Segundo a entidade, aumentou de 1.319 para 2.070 o número de prisões administrativas, sem acusação ou julgamento, chegando a mais de 2.200 o número de palestinos presos por Israel no período.  

“As autoridades israelenses aumentaram dramaticamente o recurso à detenção administrativa, uma forma de detenção arbitrária de palestinos em toda a Cisjordânia – medida de emergência alargada que facilita o tratamento desumano e degradante dos prisioneiros – e não investigou incidentes de tortura e morte sob custódia nas últimas quatro semanas”, afirmou a Anistia Internacional.  

Após mundial histórico, Brasil garante vaga em Paris no trampolim

Antes mesmo de se iniciar a disputa da final feminina individual do Campeonato Mundial de Ginástica de Trampolim, neste domingo (12), em Birmingham (Inglaterra), o Brasil já havia conquistado um feito histórico. Ao se classificarem para a decisão, Alice Helen e Camilla Gomes garantiram que o país terá uma vaga na modalidade durante os Jogos Olímpicos de Paris, no ano que vem. Nunca duas ginastas do Brasil haviam disputado uma mesma final neste campeonato. Na decisão, Alice acabou na 6ª posição, com 54.280 pontos e Camilla na 8ª, com 17.650.

Segundo os critérios de classificação para Paris, todo país que chegasse à final neste domingo teria direito a uma vaga olímpica, independentemente de quantas atletas tivessem se qualificado à decisão. Por isso, mesmo com duas ginastas na disputa, o Brasil confirmou apenas uma vaga, que não está atrelada a uma atleta específica. Caberá à confederação do país decidir qual nome irá representá-la na França.

Na véspera da final, Alice avançara para a prova decisiva com a 3ª melhor nota, enquanto Camilla obtivera o 6º melhor desempenho entre as classificadas.

Ainda há a possibilidade de o Brasil conquistar mais uma vaga nos Jogos. Existe um ranking que computa o desempenho nas etapas de Copa do Mundo da modalidade. Ao final da corrida, ele classificará as três primeiras colocadas. Neste momento, restando mais duas etapas para a conclusão do ranking, Camilla Gomes aparece na quinta posição.

Chanceler comemora repatriação e diz que conflito em Gaza é gravíssimo

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, comemorou, neste domingo (12), a saída do grupo de 32 brasileiros e seus familiares palestinos que aguardava pela repatriação na Faixa de Gaza, enclave controlado pelo grupo palestino Hamas.

Ele ressaltou que a situação do conflito entre Israel e o Hamas é “gravíssima” e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua envolvido em busca de uma solução pacífica na região.

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Segundo Vieira, Lula tem falado constantemente com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, com chefes de Estado da região, tanto do Egito quanto de Israel e também do Catar, além de outros atores importantes envolvidos no conflito no Oriente Médio.

“A situação desses brasileiros está, momentaneamente, agora, resolvida, mas a situação do conflito é gravíssima e o presidente Lula continua muito envolvido na solução da questão”, disse o chanceler, em coletiva de imprensa.

“É sua intenção [do presidente Lula] voltar a tratar, nesse momento, da questão no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a partir dessa semana, para que se possa encontrar uma forma de suspensão das hostilidades, cessação das hostilidades e a criação de uma pausa humanitária que possa levar alívio à população civil palestina que se encontra ainda em Gaza”, acrescentou Vieira.

Repatriação

O ministro informou, “com muita satisfação”, a partida do grupo de 32 pessoas que estavam em Gaza. “Eram objeto da nossa preocupação, do nosso constante trabalho, no sentido de encontrar uma saída negociada o mais rápido possível”, disse, agradecendo o trabalho do corpo diplomático do Itamaraty e relembrando o empenho do governo do presidente Lula para o sucesso da missão.

“É uma região em guerra, as circunstâncias são complexas e difíceis. Havia acordos na região que estabeleciam que primeiro, diariamente, antes da abertura da passagem para civis, que haveria necessidade de sair ambulâncias com os feridos. Nos dias que não foi possível saírem as ambulâncias, não houve travessia de ninguém no ponto de partida [Portal de Rafah]”, disse Vieira, destacando que o grupo de brasileiros saiu no oitavo ou décimo dia de passagem de civis, “dentro do que foi negociado com os lados envolvidos”.

“Contamos, tanto do lado de Israel como do lado do Egito, com boa vontade, tentando solucionara a questão, como aconteceu no dia de hoje. Se não aconteceu antes não foi só com o Brasil foi com todos outros países. Havia uma lista de países e de nacionais desses países que estavam prontos, esperando para partida, alguns países tinham 500, 600 nacionais, nossa lista é bem menor.  Na medida em que foram recebidas, entraram numa ordem de prioridade que foi seguida e atendida”, acrescentou.

Operação

Os brasileiros e seus familiares cruzaram a fronteira com o Egito, pelo Portal de Rafah, no início da manhã de hoje, com destino ao Cairo, de onde parte o voo para o Brasil. Duas pessoas do grupo que constavam da lista original desistiram da repatriação e decidiram permanecer em Gaza, por questões pessoais.

O Itamaraty informou que continuará prestando apoio aos brasileiros na região. Segundo Mauro Vieira, outros casos que surjam de brasileiros querendo deixar a área de conflito, serão tratados a partir de agora.  

A previsão é que a aeronave com o grupo deixe a capital egípcia às 11h50 (horário local) e pouse em Brasília às 23h30 (horário local). Antes disso, haverá três paradas técnicas: em Roma, na Itália; em Las Palmas, na Espanha; e na Base Aérea do Recife, já no Brasil.

Segundo Mauro Vieira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou interesse em recepcionar o grupo no desembarque em Brasília, mas não confirmou se, de fato, isso ocorrerá.

Este será o décimo voo da Operação Voltando em Paz, do governo federal, que cumpre mais uma missão de repatriação em áreas de conflito no Oriente Médio. A aeronave VC-2, cedida pela Presidência da República, está há quase um mês no Egito, para o resgate dos repatriados oriundos da Faixa de Gaza. Os outros voos partiram de Tel Aviv, em Israel, e um de Amã, na Jordânia, com brasileiros que estavam no território palestino da Cisjordânia.

Com os dez voos, a Operação Voltando em Paz terá transportado um total de 1.477 passageiros, além de 53 animais domésticos.

No dia 7 de outubro, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, lançou um ataque surpresa de mísseis contra Israel e a incursão de combatentes armados por terra, matando civis e militares e fazendo centenas de reféns israelenses e estrangeiros. Em resposta, Israel bombardeou várias infraestruturas do Hamas, em Gaza, e impôs cerco total ao território, com o corte do abastecimento de água, combustível e energia elétrica.

Os ataques já deixaram milhares de mortos, feridos e desabrigados nos dois territórios. A guerra entre Israel e Hamas tem origem na disputa por territórios que já foram ocupados por diversos povos, como hebreus e filisteus, dos quais descendem israelenses e palestinos.

Brasileiros que deixaram Gaza viveram momentos de tensão e angústia

O cruzamento da fronteira de Gaza com o Egito neste domingo (12) representou mais um capítulo na jornada do grupo de 32 pessoas – 22 brasileiros de nascimento, sete palestinos naturalizados brasileiros, três palestinos familiares próximos, 17 crianças, nove mulheres e seis homens – para escapar do conflito entre o Hamas e Israel que já deixou mais de 12 mil mortos, dos quais cerca de 1.200 israelenses e 11 mil palestinos, sendo quase 70% mulheres e crianças.

Depois de um mês de agonia, o grupo de 32 pessoas chegou ao Cairo, onde dorme nesta noite. O avião que transportará os brasileiros vai decolar do Cairo às 11h50 (hora local) de amanhã (13). O pouso em Brasília está previsto para as 23h30. Duas pessoas do grupo, que constavam da lista original, desistiram da repatriação e decidiram permanecer em Gaza.

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A jornada de repatriação, marcada por momentos de tensão, angústia e terror, teve início no dia 7 de outubro, logo após o atentado do Hamas a Israel. Foram dias de espera aguardando a inclusão na lista de pessoas autorizadas a atravessar a passagem de Rafah, o que só ocorreu na sétima lista.

Mesmo com a inclusão, os brasileiros ainda tiveram que aguardar, já que a fronteira de Rafah, em Gaza, para o Egito foi fechada no sábado (4) após ataque a ambulâncias, que deixou vários palestinos mortos e feridos.

A fronteira permaneceu fechada nos dias seguintes por razões de segurança. Na sexta-feira (10), ataques aéreos de Israel atingiram ao menos três hospitais na Faixa de Gaza e mantiveram a fronteira fechada.

Como a saída dos brasileiros e demais estrangeiros está condicionada à transferência dos feridos da Faixa de Gaza ao Egito, os confrontos em torno dos hospitais dificultaram a logística para saída das ambulâncias. Autoridades palestinas disseram que um bebê morreu e dezenas de outros pacientes estavam em risco devido ao cerco israelense a um dos hospitais.

Com o fechamento, os brasileiros tiveram que retornar aos abrigos, até que a autoridade da fronteira de Gaza anunciasse que a passagem terrestre de Rafah para o Egito seria reaberta neste domingo para quem tem passaporte estrangeiro.

Foram momentos de frustração desde o início do périplo dos brasileiros, logo após o Exército israelense anunciar intensa incursão terrestre e determinar o êxodo dos palestinos do norte de Gaza, habitada por mais de 1 milhão de habitantes, para o Sul, no dia 13 de outubro. No dia seguinte, uma parte dos brasileiros, que estavam abrigados em uma escola da Cidade de Gaza, iniciaram a jornada para Rafah

O governo brasileiro já havia mandado, no dia 12 de outubro, uma aeronave VC-2 (Embraer 190) da Presidência da República para resgatar brasileiros.

Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que havia entrado em contato com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry, a fim de garantir uma passagem humanitária para os brasileiros fazerem a travessia entre Gaza e o Egito, a partir de onde seria mais viável permitir um retorno seguro.

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fala sobre repatriação dos brasileiros de Gaza – Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil – Agência Brasil

Isso não ocorreu, no entanto, de imediato. Os brasileiros, que estavam em dois grupos, nas cidades de Rafah e Khan Yunis, ao sul da Faixa de Gaza, tiveram que esperar uma pausa nos bombardeios para se deslocar com segurança. As cidades chegaram a registrar o maior número de mortes causadas pelos bombardeios de Israel no fim de outubro. Segundo a representação do Brasil em Ramala, na Cisjordânia, os brasileiros relataram intenso bombardeio “com o uso de algum produto que afeta a respiração: ‘parece gás lacrimogêneo’”.

Durante esse período, os brasileiros sofreram com difíceis condições de sobrevivência. Foram momentos sem energia, sem comunicação. No dia 27, a empresa de telefonia Palestina Jawal informou o corte de todas as comunicações com a Faixa de Gaza.

O Escritório de Representação do Brasil em Ramala, na Cisjordânia, só conseguiu retomar o contato com os brasileiros no dia seguinte. “Restabelecemos o contato com nossos nacionais nas duas cidades, e continuaremos monitorando a situação”, informou o embaixador Alexandro Candeas, responsável pelo escritório.

Em Rafah, o grupo era formado por 18 pessoas, das quais nove crianças. Em Khan Younes, eram nove crianças, cinco mulheres e dois homens. Eles passaram por dificuldades para conseguir água e alimentos e tiveram que contar com o apoio da representação brasileira na Cisjordânia para conseguir itens básicos de alimentação.

Os brasileiros sofreram ainda com os bombardeios de Israel, que também atingiram o sul de Gaza. No dia 30, novo bombardeio atingiu um prédio ao lado da residência de uma das famílias de brasileiros em Khan Yunes. O fato foi registrado por Hasan Rabee, de 30 anos, que relatou o susto com o bombardeio.

“Acabou de cair uma bomba atrás desse prédio. Meu Deus do céu. As bombas não param. Está vendo a rua como ficou? As bombas não param. As crianças estão bem assustadas”, relatou o palestino naturalizado brasileiro.

Ele foi à rua para mostrar a destruição no prédio ao lado de onde estava abrigado. Contou que vizinhos tentavam salvar as pessoas atingidas pela bomba. “A casa que foi atacada ao lado de onde a gente está. Bastante gente ferida. Cidadãos fazendo ajuda humanitária para resgatar os feridos. Absurdo”, lamentou.

Hasan vive em São Paulo e foi a Gaza com as duas filhas e a esposa para visitar a família, poucos dias antes do início do conflito. O palestino naturalizado brasileiro contou à Agência Brasil que não já encontrava água mineral ou gás de cozinha.

“Água mineral a gente não tem, porque não acha. Antigamente, 500 litros (de água potável) eram 10 shekels, hoje 500 litros são 100 shekels, mas você não acha nunca. Não tem energia para filtrar essa água. Fruta é muito difícil achar na feira. A única coisa que a gente acha bastante é o pepino, o resto você não acha fácil ”, relatou.

Saída

A demora na inclusão dos brasileiros vinha causando muita expectativa. A primeira lista autorizou um grupo de 450 estrangeiros a deixar a Faixa de Gaza no dia.

Além dos estrangeiros, foi autorizada também a saída de palestinos gravemente feridos. Os cerca de 81 feridos foram conduzidos em ambulâncias pela passagem da fronteira de Rafah com o Egito.

Em diversas ocasiões, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chegou a anunciar a autorização para os brasileiros cruzarem a fronteira com o Egito.

A veículos da imprensa brasileira, o chanceler disse que vinha conversando por telefone com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Eli Cohen, e que havia obtido dele essa garantia.

Mas, com o passar dos dias, os nomes dos brasileiros não apareciam nas listas. Não apareceu na segunda, na terceira, na quarta, nem na quinta.

A expectativa passou para os dias seguintes, mas, sem a esperada resposta, os brasileiros permaneceram presos no sul de Gaza, ficando de fora também da sexta lista.

Essa ausência dos nomes gerou mal-estar nas relações diplomáticas entre o Brasil e Israel. Dos 3.463 estrangeiros autorizados a sair da Faixa de Gaza até a quarta-feira (8), 1.253 têm passaporte dos Estados Unidos, o que representava 36,1% do total. O principal aliado de Israel na guerra que o país declarou contra o Hamas lidera a lista de nacionalidades até agora autorizadas a deixar o enclave palestino.

Além dos Estados Unidos, mais oito países tiveram mais de 100 nacionais autorizados a sair da região. Essas nove nações somam 86% do total de estrangeiros autorizados a deixar Gaza. A segunda nacionalidade mais beneficiada foi a Alemanha, com 335 pessoas, o que representa 9,6% do total.

Em terceiro lugar está a Ucrânia, com 329 pessoas (9,5%) e, em quarto, a Jordânia, com 289 pessoas autorizadas a sair de Gaza (8,3%). Em seguida, estão o Reino Unido com 241 pessoas nas listas (6,9%), a Romênia com 154 (4,4%), as Filipinas com 153 (4,4%), o Canadá com 120 (3,4%) e a França com 111 (3,2%).

A demora foi considerada uma espécie de “retaliação” de Israel à postura do Brasil em relação ao conflito com o Hamas e ocorreu após críticas do presidente Luiz Inácio Lula Da Silva. O presidente disse que a postura do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, é de querer acabar com a Faixa de Gaza e classificou o ato como “insanidade“.

Lula também defendeu o fim do poder de veto de membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) para que a entidade assuma posição mais forte em relação ao conflito.

Retorno

Rafah – Palestino-brasileiro Hassan Rabee que faz parte do grupo de brasileiros repatriados de Gaza – Frame/Hassan Rabee

Em rede social, Rabee postou imagens dos brasileiros após a travessia da fronteira. “Que Deus livre o povo de Gaza e os alivie”, escreveu.

Ele agradeceu ao presidente Lula o empenho pela repatriação. O presidente também se posicionou, na Rede X (antigo Twitter), Lula agradeceu o Itamaraty e a Força Aérea Brasileira (FAB).

“Parabéns para o Itamaraty e a FAB pela dedicação e competência exemplares na Operação Voltando em Paz, que buscou e acolheu os brasileiros que vivem na região do conflito e desejavam retornar ao Brasil”, escreveu. 

Rio: estudantes lidam com ansiedade e calor forte no 2º dia do Enem

No segundo dia da edição 2023 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os estudantes que chegaram mais cedo aos locais de prova no Rio de Janeiro tiveram de lidar com um desafio extra: o calor forte, com temperatura acima dos 40 graus. Além do kit básico com documentos, canetas e cartão de confirmação, o lanche teve de ser reforçado com água e, em alguns casos, sorvete para aguentar o sol.

Até duas horas antes da abertura dos portões, que ocorreu oficialmente às 12h, dezenas de estudantes esperavam do lado de fora dos locais de prova. Na região central da cidade, a maioria preferiu antecipar o horário de chegada por morar longe e ter de enfrentar horas de transporte público. Uns estavam mais confiantes, outros mais tensos, mas praticamente todos compartilhavam da ansiedade com as provas de matemática e ciências da natureza (biologia, física e química).

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Maicon Santos, de 18 anos, veio de Teresópolis, na região serrana, para fazer as provas na capital. Foram pelo menos três horas de ônibus. Ele quer fazer faculdade de biologia. O calor é uma preocupação, mas ele está confiante porque se preparou bem para a prova.

“Foquei em tentar manter a cabeça boa, para lidar com a ansiedade e não deixar isso atrapalhar na prova. Uma parte da matéria eu estou mais confiante, outra aproveitei para dar uma revisada e não surtar na hora. Estudei tudo sozinho, pela internet. Acho que estou preparado, pelo menos otimista. Confesso que com um pouco de medo de matemática, mas o restante estou mais tranquilo”, disse Maicon.

Kayene Leite, de 18 anos, mora no bairro do Recreio, na zona oeste da cidade, e também chegou mais cedo com medo de perder a prova. Ela quer cursar relações internacionais e, para enfrentar o Enem, recorreu aos materiais que encontrou na internet.

“Estudei sozinha pelo Youtube, TikTok, assisti a alguns aulões para revisar conteúdo e pedi ajuda aos professores do ensino médio. Eu ainda tinha contato com eles e pedi algumas dicas. Também me preparei para enfrentar esse calor com muita água e uns chocolates para dar uma energia extra durante a prova. Apesar da ansiedade, estou mais confiante nas provas de hoje, das áreas de exatas, do que estava na redação e nas provas de humanas”, afirmou Kayene.

Além de estudantes que estão terminando ou acabaram de concluir o ensino médio, há aqueles mais velhos que querem uma nova carreira ou realizar um sonho antigo. É o caso da Andrea Costa, de 52 anos, que pretender cursar direito. Para ela, ingressar na universidade seria um novo passo em um processo difícil de mudança de vida.

“Depois da separação e de sofrer violência doméstica, decidi que precisava fazer alguma coisa para mudar minha vida. Voltei a estudar, concluí o ensino médio e decidi fazer o Enem. Pedi ajuda de amigos e professores, estudei com livros antigos em casa. Meus filhos me ajudaram também. Muita gente torceu para eu estar aqui hoje. Estou tranquila para as provas. Matemática eu não sou muito boa, mas nas outras matérias eu vou dar um jeito”, disse Andrea.

Márcia Boaventura, de 51 anos, sonha em cursar medicina em uma universidade pública. Ela admite que não estudou muito para as provas, mas que mesmo assim tem esperança de que vai se sair bem

“Eu trabalho, tenho uma filha de 8 anos, mas acho que consegui boa nota no primeiro dia de provas. Hoje, estou um pouco mais nervosa, as disciplinas não são o meu forte. Mas quero muito fazer medicina, é o meu sonho, venho de uma família pobre e quero poder ajudar as pessoas que precisam”, afirmou.

Reforma tributária poderá deixar setor de serviços mais caro

Aprovada no Senado na última semana, e com o texto pendente de nova apreciação na Câmara dos Deputados, a reforma tributária poderá encarecer os serviços em geral. Isso porque o setor, sem cadeia produtiva longa, se beneficiará menos de créditos tributários, uma forma, segundo o governo, de compensar a cobrança de impostos.

Além disso, a tributação será aplicada com uma alíquota de IVA dual, estimada em 25%, mais alta que os atuais 9,25% do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) cobrado sobre empresas com lucro presumido, situação que engloba a maioria das empresas prestadoras de serviço.

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Alguns tipos de serviço, no entanto, terão alíquota diminuída em 60%. O Senado incluiu na lista os segmentos de comunicação institucional e de eventos. Serviços prestados por Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT) sem fins lucrativos serão isentos. Os serviços de transporte coletivo intermunicipal e interestadual migraram da alíquota reduzida para regime específico.

O Senado também incluiu agências de viagem, serviços de saneamento e de telecomunicações também em regimes específicos, que preveem sistema de coleta e alíquotas diferenciadas. O relator na Casa, senador Eduardo Braga (MDB-AM), também proibiu a incidência do Imposto Seletivo sobre os serviços de energia e de telecomunicações.

A Câmara havia concedido a redução de 60% na alíquota aos serviços de transporte coletivo, de saúde, de educação, cibernéticos, de segurança da informação e de segurança nacional serão beneficiados.

Em audiência na Câmara dos Deputados no fim de junho, o secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, afirmou que outros elementos deverão compensar as alíquotas mais altas. Primeiramente, ele citou o crescimento econômico decorrente da reforma tributária como fator de geração de empregos e de negócios.

Além da expansão da economia, Appy afirmou que o fim da cumulatividade (tributação em cascata) trará ganhos às empresas de serviços, que poderão usar créditos tributários atualmente não aproveitados. Ele também citou a simplificação do sistema e a redução do litígio e do custo do investimento como fatores que estimularão os serviços. Na cerimônia de instalação da Comissão Temática de Assuntos Econômicos do Conselhão, no último dia 4, o secretário disse que a carga tributária para alguns tipos de serviço cairá de 7% a 13% com a reforma tributária.

Serviços de internet

Assim como para os serviços em geral, as empresas de streaming (exibição de vídeos, filmes e séries) de internet pagarão alíquota maior. O mesmo ocorre com aplicativos de transporte e de entrega de comidas. O Ministério da Fazenda assegura que a redução do preço da energia elétrica compensará esses aumentos, resultando em pouco impacto para o consumidor.

Cigarros, bebidas, alimentos com açúcar e agrotóxicos

A reforma tributária institui a possibilidade de instituição do Imposto Seletivo, que incidirá sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Na prática, essa tributação atingirá bebidas alcoólicas, cigarros e alimentos com excesso de açúcar ou de sal.

Assim como o IVA dual, a alíquota do Imposto Seletivo será determinada posteriormente à reforma tributária. Para os cigarros e as bebidas alcoólicas, não deverá haver grandes alterações de preços, porque há décadas esses produtos pagam grandes alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como política de saúde pública.

Para os demais produtos com riscos sanitários e ambientais, o Imposto Seletivo resultará em encarecimento. A inclusão dos agrotóxicos e defensivos agrícolas, no entanto, ainda será discutida em lei complementar. Para facilitar a aprovação da reforma tributária pela bancada ruralista, o governo concordou em excluir do Imposto Seletivo os insumos agrícolas, inclusive os agrotóxicos, que se beneficiam da alíquota de IVA reduzida em 60%.

Heranças

Atualmente, as heranças e doações no Brasil pagam Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Cada estado define a alíquota, mas o imposto médio correspondia a 3,86% em 2022, sem progressividade (alíquotas maiores para heranças maiores) na maioria das unidades da Federação.

A reforma tributária estabelecerá que a alíquota será progressiva, para que as famílias mais ricas paguem mais e também permitirá a cobrança sobre heranças e doações vindas de outros países. Para facilitar as negociações, no entanto, o relator da reforma na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), isentou a transmissão para entidades sem fins lucrativos com finalidade de relevância pública e social, inclusive as organizações assistenciais e beneficentes de entidades religiosas e institutos científicos e tecnológicos. Uma lei complementar definirá as condições para essas isenções.

Cashback

A reforma prevê a possibilidade de cashback, devolução parcial do IVA dual aos mais pobres, a ser definido por meio de lei complementar. Ainda não está claro se o mecanismo abrangerá apenas as famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) ou se abrangerá um limite maior de renda, como famílias com renda de até três salários mínimos.

No Senado, o mecanismo foi aperfeiçoado. As famílias mais pobres também receberão cashback na conta de luz e no botijão de gás. Nos dois casos, o ressarcimento ocorreria no momento da cobrança, entrando como desconto na conta de luz ou como abatimento na compra do botijão. Os detalhes serão regulamentados pela lei complementar.

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, em março, Appy apresentou sugestões sobre como ocorreria essa devolução. Segundo ele, o cashback poderia ter como base o Cadastro de Pessoa Física (CPF) emitido na nota fiscal, com o valor da compra e a inscrição no Cadastro Único sendo cruzadas para autorizar a devolução.

O secretário citou o exemplo do Rio Grande do Sul, que implementou um sistema de devolução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2021 a famílias inscritas no Cadastro Único com renda de até três salários mínimos por meio de um cartão de crédito.

Inicialmente, o governo gaúcho devolvia um valor fixo por família e agora começou a devolver por CPF, com base no cruzamento de dados entre o valor da compra e a situação cadastral da família. Em locais remotos, sem acesso à internet, Appy sugeriu um sistema de transferência direta de renda, complementar ao Bolsa Família.

Saiba aqui como a reforma poderá afetar a cesta básica, os combustíveis, a compra de veículos e os medicamentos.

Pesquisadores acham ave quase em extinção e desaparecida há 40 anos

Eram 4h da manhã na várzea do rio que banha a Terra Indígena Mãe Maria, no município de Bom Jesus do Tocantins (PA). O canto de pássaro surge de forma surpreendente para dois pesquisadores ornitólogos, no décimo dia da expedição da pesquisa em que buscavam a ave mutum-pinima, criticamente ameaçada de extinção. Eles quase não acreditavam no que ouviam. E depois no que enxergavam. Havia 40 anos que nenhum pesquisador via o bicho de perto. E aconteceu. 

“A gente observou e gravou o bicho por mais de dez minutos. Foi aquela felicidade”, diz o ornitólogo Gustavo Gonsioroski que atuou no estudo realizado no mês passado. Foram registrados seis indivíduos, entre eles casais, o que garante a esperança de manutenção da espécie. 

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Gonsioroski e outros pesquisadores preparam-se para voltar à região no mês que vem, na tentativa de encontrar outras aves mutum-pinima como essa para política de manejo e proteção. Ele participa do Plano de Ação Territorial para Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Meio Norte (PAT Meio Norte). 

O plano é coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão (Sema) ,juntamente com o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do estado do Pará (Ideflor-Bio). A iniciativa faz parte do projeto Pró-Espécies: Todos contra a extinção,  iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

“Encontrar seis indivíduos é algo inédito. Foi muita adrenalina e emoção. Um momento bem exclusivo mesmo”, afirmou Gonsioroski.  Para encontrar os animais, os pesquisadores contaram com informações de indígenas da região, da etnia Gavião Parkatejê, e da tecnologia com instalação de dez gravadores de áudio e dez câmeras trap, para registro de vídeo.

Pesquisadores acham ave quase em extinção e desaparecida há 40 anos- Foto AcervBrasília – o Fauna-MA/Divulgação

Ameaças

O biólogo e ornitólogo Leonardo Victor, que também participou da expedição, relata que a identificação ocorreu quando se preparavam para desistir. “Nós tínhamos colocado as câmeras em locais que os indígenas tinham recomendado. Primeiro tomamos um susto. Há 40 anos a espécie não aparecia”. 

Os pesquisadores explicam que se trata de ave restrita a uma pequena região da Amazônia, entre o leste do Rio Tocantins e a Amazônia maranhense. “O maior problema da espécie é que está restrita a uma área de mata de várzea  devastada da Amazônia, muito impactada pela destruição da floresta”, afirma Gustavo Gonsioroski.

Conscientização

Além da destruição do habitat, ele explica que a caça de aves na região é cultural. Estar presente nessa região, segundo os pesquisadores, indica que a terra indígena é ainda um local mais protegido. Segundo a pesquisadora Laís Morais Rêgo, superintendente de Biodiversidade e Áreas Protegidas da Sema e coordenadora do plano de ação, a descoberta deve ser acompanhada do fortalecimento da legislação para proteger o animal ameaçado.

 “O plano tem como meta proteger 12 espécies ameaçadas e melhorar o estado de conservação delas. Estão criticamente ameaçadas de extinção”, explica. Estar criticamente ameaçada é o estágio anterior da extinção. Outra meta do projeto, ressalta a superintendente, é trabalhar na conscientização das comunidades da região para ajudar na proteção do animal. “Estamos agora nessa fase de construção de material educativo para também conseguir melhorar esse aspecto da divulgação”, afirma Laís.

“Os indígenas ficaram muito comovidos com a situação da ave e se colocaram à total disposição para ajudar a difundir a mensagem de que se evite a caça”, afirma o biólogo Leonardo Victor. De acordo com os pesquisadores, há uma estimativa de que exista no máximo 50 indivíduos vivos na natureza. “Nós encontramos seis bichos lá em dez dias”.

Brasília – Pesquisadores acham ave quase em extinção e desaparecida há 40 anos – Foto Acervo Fauna-MA/Divulgação

Plantadores de açaí

Salvar uma espécie tem significados imensuráveis para o meio ambiente. Não obstante, os pesquisadores lembram que, para sensibilizar pessoas leigas, é necessário ratificar que uma espécie como o mutum-pinima colabora de forma fundamental para a vida humana. “Tento passar uma mensagem que a ave é um prestador de serviço natural”, diz Leonardo Victor. 

“Não adianta só falar que a legislação trata de patrimônio natural. É preciso lembrar que a ave colabora para a plantação do açaí na região. Esse animal ameaçado leva as sementes que plantam floresta de açaí na Amazônia, um bicho que dissemina o sustento de comunidades”, acrescenta Gonsioroski.

A coordenadora da pesquisa ratifica que a importância das aves, próximas aos rios, para a plantação do açaí torna didática essa cadeia natural entre fauna e flora, por exemplo. “É uma engrenagem. Quando uma espécie deixa de existir, outras também vão começar a faltar”.

Em dezembro, os pesquisadores voltam à região para recolher os gravadores e câmeras e continuar buscando a ave em locais em que ainda não passaram. Eles vão procurar novamente o bicho de canto grave, difícil de captar até com um gravador, já que é tímido e arisco, que surge de manhã e “some”. Depois, retorna no crepúsculo. Os pesquisadores querem iluminar essa história, conhecer mais da ave para saber como preservá-la.

Cesta básica, combustível, veículos: o que muda com reforma tributária

Aprovada na última quarta-feira (8) pelo Senado, a primeira fase da reforma tributária, que voltará à Câmara para ser novamente votada, simplificará a tributação sobre o consumo e provocará mudança na vida dos brasileiros na hora de comprar produtos e serviços.

Cesta básica, remédios, combustíveis. Com uma longa lista de exceções e de alíquotas especiais, o novo sistema tributário terá impactos variados conforme o setor da economia. Paralelamente, pela primeira vez na história, haverá medidas que garantam a progressividade na tributação de alguns tipos de patrimônio, como veículos, e na transmissão de heranças.

Confira como a reforma tributária mudará o dia a dia do consumidor:

Cesta básica

Um dos itens que mais gerou polêmica na tramitação na Câmara dos Deputados, a tributação da cesta básica sofreu mudanças no Senado. A pedido do Ministério da Fazenda, foi inserida a criação de duas listas. A primeira com a cesta básica nacional, destinada ao enfrentamento da fome. Essa cesta terá alíquota zero e poderá ter os itens regionalizados por lei complementar.

A segunda lista criará uma cesta básica estendida, com alíquota reduzida para 40% da alíquota-padrão e mecanismo de cashback (devolução parcial de tributos) a famílias de baixa renda.

A versão aprovada na Câmara não restringia o número de itens com alíquota zero. O impacto final sobre os preços, no entanto, ainda é desconhecido.

No fim de junho, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apresentou um relatório segundo o qual a cesta básica poderia subir 59,83% em média com a redação anterior da reforma tributária, que reduzia pela metade a alíquota do Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) dual. O estudo, no entanto, foi contestado por economistas, parlamentares e membros do próprio governo.

Na época, o secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, disse que o novo sistema baratearia a cesta básica. O relator da reforma na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), apresentou um estudo do Banco Mundial, segundo o qual a carga tributária sobre a cesta básica cairia 1,7%, em média, com a alíquota de IVA dual reduzida em 50%.

A disparidade nas estimativas ocorre porque atualmente muitos produtos da cesta básica são tributados em cascata, com os tributos incidindo sobre o preço na etapa anterior da cadeia, antes de chegarem aos supermercados. A isenção atual de tributos federais sobre os produtos da cesta barateia os produtos por um lado, mas, por outro, impede o aproveitamento de créditos tributários, devoluções de tributos pagos nas etapas anteriores da cadeia produtiva.

No sistema de IVA dual, a devolução dos créditos tributários, segundo o governo, compensaria a cobrança de impostos. A alíquota do IVA dual só será definida após a reforma tributária. O relatório da Abras usou uma alíquota de IVA de 12,5%, metade da provável alíquota cheia de 25% estimada por economistas, para justificar um eventual encarecimento da cesta básica.

O novo redutor de 60% e a futura alíquota zero deverão baratear os produtos da cesta básica, mas o cálculo sobre o impacto final só poderá ser feito quando a reforma tributária entrar em vigor. Itens mais industrializados, com cadeia produtiva mais longa, deverão ter redução maior de preços. Alimentos in natura ou pouco processados deverão ter leve redução ou até leve aumento, porque terão poucos créditos tributários.

Remédios

O texto aprovado prevê a alíquota reduzida em 60% para medicamentos e produtos de cuidados básicos à saúde menstrual. O Senado incluiu na lista de alíquota reduzida produtos de nutrição enteral e parenteral, que previnem ou tratam complicações da desnutrição.

Segundo especialistas, a reforma não deverá trazer grandes impactos sobre o preço dos medicamentos. Isso ocorre por dois motivos. Primeiramente, os medicamentos genéricos estão submetidos a uma legislação específica. Além disso, a Lei 10.047, de 2000, estabelece um regime tributário especial a medicamentos listados pelo Ministério da Saúde.

O Senado também incluiu na isenção de IVA a compra de medicamentos e dispositivos médicos pela Administração Pública e por entidades de assistência social sem fins lucrativos. A Câmara dos Deputados tinha zerado a alíquota para medicamentos usados para o tratamento de doenças graves, como câncer.

Combustíveis

A reforma tributária estabelece um regime de tratamento diferenciado para combustíveis e lubrificantes. O IVA dual, com alíquota única em todo o território nacional e variando conforme o tipo de produto, será cobrado apenas uma vez na cadeia produtiva, no refino ou na importação. A mudança segue uma reforma proposta em 1992.

Durante a tramitação no Senado, no entanto, foi incluída a possibilidade de cobrança do Imposto Seletivo, tributo sobre produtos que gerem danos à saúde e ao meio ambiente, sobre combustíveis e petróleo (para a extração de petróleo e de minérios, haveria alíquota de 1%). Segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o imposto seletivo deve gerar R$ 9 bilhões de arrecadação, considerando apenas a exploração de petróleo, sem os demais minérios.

Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), o regime diferenciado levará a uma forte alta do preço final aos consumidores. Especialistas, no entanto, afirmam que o impacto é incerto porque muitos pontos do regime diferenciado para os combustíveis serão definidos por lei complementar e a reforma prevê a possibilidade de concessão de créditos tributários. Além disso, o impacto só será conhecido após a definição da alíquota cheia do IVA dual.

Veículos

A cobrança de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) passará a incidir sobre veículos aquáticos e aéreos, como jatos, helicópteros, iates e jet skis. A reforma também estabelece que o imposto passará a ser progressivo conforme o impacto ambiental do veículo. Veículos movidos a combustíveis fósseis pagam mais. Veículos movidos a etanol, biodiesel e biogás e os carros elétricos pagarão menos IPVA.

O Senado acatou uma emenda da senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) e incluiu a compra de automóveis por taxistas e pessoas com deficiência e autismo entre os itens com alíquota zero. O benefício existe atualmente e seria extinto com a reforma tributária.

Durante as negociações na Câmara, havia sido criada uma lista de exceção para evitar a cobrança sobre veículos usados para a agricultura e para serviços. A relação abrange os seguintes tipos de veículos: aeronaves agrícolas e certificadas para prestar serviços aéreos a terceiros; embarcações de pessoa jurídica com outorga de serviços de transporte aquaviário; embarcações de pessoa física ou jurídica que pratique pesca industrial, artesanal, científica ou de subsistência; plataformas que se locomovam na água sem reboques (como navio-sonda ou navio-plataforma); e tratores e máquinas agrícolas.

No Senado, a prorrogação, até 2032, de um incentivo para montadoras das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste elevou as tensões. A Câmara havia derrubado a prorrogação desse incentivo. Na primeira versão do relatório no Senado, o incentivo foi prorrogado apenas para a produção de carros elétricos, mas a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa estendeu o benefício a montadoras de veículos movidos a biodiesel e a veículos híbridos movidos a biodiesel e a gasolina. Isso gerou mal-estar entre os governadores do Sul e do Sudeste, que alegaram desigualdade de condições com as montadoras instaladas nas duas regiões.

Saiba aqui como a reforma poderá afetar os setores de serviços, heranças, cigarros e bebidas e serviços de internet.

 

Banco do Brasil recebe estudo que mostra apoio do banco à escravidão

Uma das maiores e mais antigas instituições públicas do país, o Banco do Brasil (BB) recebeu um estudo que indica envolvimento da empresa no comércio de negros escravizados durante o século XIX. O documento elaborado por 14 pesquisadores de universidades brasileiras e americanas faz parte de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro. 

O ofício assinado pelo procurador da República Julio José Araujo Junior foi enviado diretamente à presidente do BB, Tarciana Paula Gomes Medeiros, na sexta-feira (3), determinando o prazo de 15 dias úteis para o banco se manifestar.  

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No fim de outubro, procuradores do MPF, pesquisadores e representantes do banco se reuniram no âmbito do inquérito que apura a responsabilidade da instituição financeira na escravidão. Representantes dos ministérios da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e Cidadania também estiveram presentes.  

Na ocasião, ficou acordado que o MPF encaminharia ao BB o estudo que motivou a abertura do processo, além da referência bibliográfica. A Agência Brasil teve acesso ao trabalho acadêmico que detalha as evidências do apoio ao comércio de negros escravizados. 

Século XIX 

O estudo contextualiza que o BB foi criado em 1808, liquidado 20 anos depois e refundado em 1853, ou seja, já após a Lei Feijó, de 1831, que proibia o tráfico de escravos, mas ficou conhecida como “lei para inglês ver”, por não ter sido efetivamente cumprida.  

“Estima-se que mais de 900 mil africanos e africanas tenham sido importados por contrabando depois da proibição e mantidos ilegalmente como escravos, quando deveriam ser livres”, observa o levantamento. 

Os pesquisadores apontam que havia “vínculos diretos entre traficantes e o capital diretamente investido em ações do Banco do Brasil”. Além disso, acrescenta que “a instituição também se favoreceu da dinâmica de circulação de crédito lastreada na propriedade escrava que imperou ao longo de toda a primeira metade do século XIX”. 

O crédito lastreado pode ser entendido como empréstimos concedidos pelo banco e que tinham como garantia bens de donos de escravos, por exemplo fazendas com escravizados. Os pesquisadores afirmam que “entre os historiadores econômicos é consensual que o Banco do Brasil, refundado em meados do século [XIX] como maior instituição financeira do país, cumpria papel singular na sustentação da economia mercantil escravista”.  

“Muito dos recursos que fundaram o banco, é isso que é apresentado na pesquisa, são recursos oriundos do tráfico”, afirma o procurador da República Julio Araujo. 

Senhores de escravos 

No documento entregue à presidência do banco, os acadêmicos observam que grandes acionistas e diretores da instituição eram ligados diretamente à propriedade de escravos. “A direção do banco personificava o enlace daquela instituição com a economia e a sociedade escravista”. 

Um caso citado é o de José Bernardino de Sá, maior acionista individual do banco.  

“José Bernardino de Sá, barão e visconde de Vila Nova do Minho, era um dos maiores, senão o maior, traficante do Atlântico Sul nos últimos 20 anos de funcionamento do tráfico de africanos para o Brasil. Entre 1825 e 1851, o visconde traficante fora responsável por 50 viagens negreiras para o Brasil que desembarcaram cerca de 19 mil africanos”, diz o texto. 

“A atividade negreira do visconde, exercida em escala transcontinental e quase que exclusivamente na ilegalidade, sem dúvida fora a mola propulsora de sua fortuna, diversificada quando o tráfico se aproximava do seu efetivo fim. Assim, não por acaso, o maior traficante do país era também o mais importante subscritor [investidor] individual do Banco criado em 1853”, completa. 

Já entre os nomes que tinham ligação corporativa com o Banco do Brasil, a pesquisa cita João Pereira Darigue Faro, vice-presidente da instituição em 1855.  

“Nobilitado como visconde do Rio Bonito, Darigue Faro era membro destacado de uma das famílias mais proeminentes do médio Vale do Paraíba fluminense. Em 1829, segundo informes populacionais produzidos pelos próprios fazendeiros, sua família era a maior proprietária de escravizados da região”, detalha o texto. 

Outro apontado é o português João Henrique Ulrich, que ocupava suplência da diretoria em 1853, tornando-se diretor no ano seguinte.  

“A fortuna do então diretor do Banco do Brasil se projetou pelos negócios do tráfico e pela firma comissionária constituída para intermediar as vendas do café produzido pelos trabalhadores escravizados nos complexos de fazendas do Vale do Paraíba”. 

Sem dúvidas 

O documento assinado pelos pesquisadores conclui que “parece não haver dúvidas que boa parte do capital que constituiu o maior banco do Império era oriundo do tráfico e dos negócios da escravidão”.  

Os coautores são ligados às instituições acadêmicas Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade de Brasília (UNB), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Harvard University e University of Pittsburgh, as duas últimas americanas. 

Reparação 

Um dos autores do estudo, o professor Álvaro Pereira do Nascimento, da UFRRJ, destaca o papel da história no processo de elucidação e busca por reparação.  

“A história é essa ciência fundamental para homens e mulheres, pois, a partir do presente, podemos interrogar o passado para compreendermos certas situações em que nos encontramos na atualidade”, defende. 

“A culpa não é do povo negro por estar em ofícios que não são tão bem remunerados, não conseguir entrar nas universidades, e [vivenciar] outros problemas. Esse povo sofreu um crime histórico e, logo após a escravidão, não teve nenhum tipo de apoio”, observa. 

Nascimento defende que o banco faça um pedido de desculpas a descendentes de escravizados e apresente iniciativas de reparação. “O banco será mais forte ainda quando reconhecer o erro cometido na sua origem, no seu passado, no século XIX”.  

O procurador da República Julio Araujo diz acreditar que o inquérito não é uma mera preocupação com o passado.  

“A gente tem uma relação clara com o racismo presente, de hoje, e a necessidade de políticas efetivas de reparação à população negra. Mais do que um tema do passado, é um tema do presente e do futuro”, ressalta Araujo. 

Apesar de a ação contra o Banco do Brasil não ter ainda uma conclusão, o MPF já faz encontros com setores da sociedade civil organizada, notadamente ativistas do movimento negro, para buscar ideias de reparação a serem oferecidas pelo banco à população afrodescendente.  

“Essa é uma questão que não é o MPF que vai monopolizar. Esse é um tema para discutir com toda a sociedade”, diz o procurador. 

Revisão da história brasileira

Para Humberto Adami, vice-presidente da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil, criada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a iniciativa do MPF pode ser classificada como uma forma de revisão do passado brasileiro.  

“É uma das iniciativas mais importantes que ocorreram nos últimos tempos [em termos de busca de reparação]. Abre a possibilidade não só de investigar, mas também de afastamento da prescrição desse lucro que as empresas centenárias tiveram e que foi se acumulando em todos os ramos da vida brasileira”, disse à Agência Brasil.  

“Retrata o Brasil de hoje, que é fundamentado em lucros que vieram da escravidão, da venda de seres humanos e que, mesmo com a abolição, permanecem tendo repercussões até hoje. Há uma parcela da sociedade brasileira que não consegue enxergar isso e acha que tem direitos divinos de estar nos pontos altos da vida brasileira”, comentou. 

Posicionamento 

O Banco do Brasil manifestou, por meio do próprio site, um amplo posicionamento sobre a ação do MPF.   

O comunicado afirma que “O BB destaca – com veemência – que lamenta profundamente esse infeliz capítulo da história da humanidade e da nossa sociedade, com efeitos de um triste legado até os dias atuais. A escravização por centenas de anos causou danos irreversíveis às pessoas escravizadas à época e aos seus descendentes; portanto é um momento da história que deve ser lembrado e discutido”. 

A nota enfatiza ainda que o Banco do Brasil valoriza o trabalho de historiadores e mantém aberto ao público um arquivo histórico disponível para pesquisas.  

O BB acrescenta que também podem ter feito parte do seu quadro acionário abolicionistas de destaque no cenário nacional. Entre os citados estão Rodrigo Augusto da Silva, autor da Lei Áurea, e Affonso Pena, ex-presidente da República e do próprio banco.  

“Tal constatação mostra-se relevante na busca da verdade e eventual revisão histórica a que se proceda, pois sugere que o “Terceiro” Banco do Brasil (termo utilizado na Representação do MPF e que remete ao BB fundado em 1853) refletiria, no seu quadro social da época e, muito provavelmente, no grupo de clientes tomadores de crédito, o espectro econômico e social de seu tempo histórico, isto é, a multiplicidade de atores e seus relacionamentos e posicionamentos acerca da escravidão, com todas as contradições e diversidade de pensamentos presentes naquele ecossistema”, completa a nota.  

O BB reafirma “a disponibilidade para prestar esclarecimentos sobre o tema, além de participar de iniciativas que articulem os atores centrais da sociedade organizada para o desenho de estratégias e a execução de ações para potencializar e acelerar a produção de resultados concretos em prol da igualdade étnico-racial”. 

O posicionamento enumera ações do Banco do Brasil para busca da equidade racial, como iniciativas para capacitação de funcionários de minorias representativas. O BB destaca ainda que a atual presidente, Tarciana Medeiros, é a primeira mulher negra a assumir o cargo. 

A íntegra do posicionamento pode ser encontrada na página do banco

*Colaborou Carolina Pessôa, repórter da Rádio Nacional no Rio de Janeiro. 

Botafogo tenta retomar ponta do Brasileiro diante do Bragantino

Tentando retomar a liderança do Campeonato Brasileiro, que perdeu para o Palmeiras (que venceu o Internacional por 3 a 0) na noite do último sábado (11), o Botafogo visita o Bragantino, a partir das 16h (horário de Brasília) deste domingo (12) no estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. A Rádio Nacional transmite o confronto ao vivo.

Vivendo um momento de grande pressão na competição, após chegar à quarta derrota consecutiva, novamente em revés de virada de 4 a 3, mas desta vez para o Grêmio na última quinta-feira (9), a equipe de General Severiano sabe que vencer é fundamental para manter vivo o sonho do título Brasileiro.

Neste contexto a permanência do técnico Lúcio Flávio começa a ser muito questionada e uma possível mudança passa a ser especulada. Tiago Nunes, que acaba de deixar o Sporting Cristal (Peru), aparece como um forte candidato ao cargo no caso de mudança.

Porém, o adversário do Botafogo neste domingo é outro candidato ao título, o Bragantino. Apesar de ocupar a 4ª posição da classificação com 58 pontos, o Massa Bruta chega ao confronto em um momento de instabilidade, após derrota de 1 a 0 para o São Paulo na última quarta (8).

Para o técnico Pedro Caixinha sua equipe não deve mudar a forma de atuar mesmo após um revés, o que ele considera algo perfeitamente esperado em um campeonato longo como o Brasileiro: “Faltam seis jogos. Não vamos mudar a forma de ser e estar porque aconteceu uma coisa que às vezes acontece no futebol, que é perder. Penso que, mesmo assim, somos a equipe que menos perdeu. E vamos pensar sempre na próxima partida”.

Transmissão da Rádio Nacional

A Rádio Nacional transmite Bragantino e Botafogo com a narração de André Marques, comentários de Mário Silva, reportagem de Rodrigo Ricardo e plantão de Bruno Mendes. Você acompanha o Show de Bola Nacional aqui:

Palmeiras derrota Internacional e assume liderança do Brasileiro

O Palmeiras derrotou o Internacional por 3 a 0, na noite deste sábado (11) na Arena Barueri, para assumir a liderança do Campeonato Brasileiro com 62 pontos, três a mais do que o Botafogo, que mede forças com o Bragantino (4º colocado com 58) no próximo domingo. O 3º colocado é o Grêmio, que ainda joga nesta rodada contra o Corinthians.

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Com este resultado o campeonato tem um novo líder, o que não acontecia desde a 3ª rodada, quando o Alvinegro de General Severiano arrancou para liderar de forma ininterrupta até agora.

Mas quem acompanhou apenas os primeiros minutos do jogo teve a impressão de que o resultado do jogo poderia ser diferente. O Internacional tinha mais posse de bola e encontrava espaços para criar boas oportunidades, como o lance no qual Alan Patrick recebeu dentro da área, mas acabou furando. Com o passar do tempo o Palmeiras equilibrou o confronto e, aos 37 minutos, Zé Rafael aproveitou bola que sobrou na área para superar o goleiro Rochet.

O Verdão permaneceu superior e conseguiu ampliar aos 13 da etapa final, em chute de fora da área de Endrick. E ainda deu tempo de a equipe do técnico português Abel Ferreira ampliar, aos 42 minutos, com Rony após boa jogada de Vandelan.

Empate no Fla-Flu

Quem ficou mais distante da luta pelo título foi o Flamengo, que ficou no 1 a 1 com o Fluminense em clássico disputado no Maracanã. O resultado deixou o Rubro-Negro na 5ª posição com 57 pontos. Já o campeão da Libertadores alcançou 47 pontos, na 8ª posição. Arrascaeta abriu o placar para a equipe da Gávea, enquanto o colombiano Yony González deixou tudo igual.

Confusão

Na terceira partida deste sábado, a vitória de 1 a 0 do Coritiba sobre o Cruzeiro, o fato mais marcante foi a confusão generalizada nos minutos finais do confronto. Após o atacante Robson marcar o gol do Coxa, os torcedores das duas equipes invadiram o gramado e iniciaram uma briga, paralisando o jogo, que só foi retomado após uma paralisação de cerca de 30 minutos.

O resultado foi muito importante para o Coritiba, que chegou aos 29 pontos (na 19ª posição) e ganha algum fôlego para lutar contra o rebaixamento.