Projeto ensina alunos do DF a identificar fake news sobre vacinas

Nesta semana, alunos do Centro de Ensino Fundamental Queima Lençol, em uma área rural de Sobradinho, no Distrito Federal, aprenderam como identificar se uma informação que recebem pelas redes sociais, chats de conversa é verdadeira ou não.

O grupo participou da segunda edição do projeto Conhecimento é vacina para desinformação. Nele, cerca de 30 estudantes, na faixa etária de 13 a 15 anos, conheceram quais caminhos para identificar a veracidade de uma mensagem.

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Desde 2017, a jornalista Gracielly Bittencourt, idealizadora do projeto, passou a pesquisar sobre desinformação, dedicando-se aos impactos da divulgação de notícias falsas, as fake news, na vacinação de HPV, que previne o Papilomavírus Humano, responsável pela infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo e associado ao desenvolvimento do câncer de colo de útero e outros tumores.
Gracielly Bittencourt, idealizadora do projeto desde 2017- Foto Cleiton Freitas

Em suas pesquisas, ela identificou que a baixa procura pela vacina, indicada para meninas e meninos a partir dos 9 anos de idade, está relacionada à divulgação de informações infundadas sobre a eficácia e segurança do imunizante. 

De acordo com o Ministério da Saúde, em 2019, 87,08% das meninas entre 9 e 14 anos de idade receberam a primeira dose da vacina. Em 2022, o percentual caiu para 75,81%. Entre os meninos, a cobertura vacinal passou de 61,55%, em 2019, para 52,16% em 2022. O recomendado é imunizar 90% do público-alvo.

Veja aqui especial 50 anos de vacinas para todos.

A partir daí, desenvolveu o projeto como forma de mostrar aos jovens a importância de consumir informações corretas. “Não adianta mais apenas checarmos as notícias. A gente precisa formar o público para saber o que é verdade ou falso”, afirma a jornalista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A iniciativa foi vencedora do programa FactCheckLab em 2020. Em 2022, a jornalista participou do International Visitor Leadership Program (IVLP), curso de jovens líderes promovido pelo governo norte-americano e decidiu tirar o projeto do papel. O projeto tem apoio financeiro do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado dos Estados Unidos.  

Aprender a checar uma informação

Nas oficinas, realizadas nos dias 30 e 31 de outubro, os estudantes da escola Queima Lençol conheceram o trabalho de um profissional especializado em checar notícias e puderam aprender passos básicos que podem ser adotados para identificar uma fake news, como verificar a fonte da informação, a data de divulgação da notícia ou se a imagem é realmente relacionada ao fato descrito por meio de buscas na internet. 

Segundo a jornalista, pela proximidade com as redes sociais e habilidade com tecnologia, os jovens rapidamente conseguem encontrar uma fake news, no entanto, precisam entender o que é confiável ou não. “Com ações simples, você consegue perceber [a desinformação]. Não é preciso ser um grande investigador”, explica. “Eles são capazes, só falta o despertar”, acrescenta.

Nas conversas, os jovens trazem dúvidas básicas sobre a vacina de HPV, entre elas, se podem tomar doses atrasadas. 

É o caso de João Felipe Oliveira, do 8º ano, que contou não saber do imunizante antes de participar do projeto. “Achei bem legal conscientizar os jovens sobre a importância das vacinas. Não ficar caindo em qualquer coisa que vê no WhatsApp, porque normalmente é mentira”, disse.

Para Gracielly Bittencourt, o desconhecimento sobre a vacina mostra que a informação não chegou a esse público por uma falta de ação do Estado e das próprias famílias. 

A professora de matemática do centro de ensino, Raiane Ribeiro, contou que a escola tentou promover a ida de uma equipe de saúde para uma ação de vacinação dentro da escola, porém vários pais desautorizaram a medida. Para a docente, as negativas têm relação com informações falsas.

Raiane Ribeiro acredita que projeto poderá ajudar a difundir a cultura da checagem de informação entre os estudantes e nos seus lares. “É importante que eles [alunos] entendam como procurar sites confiáveis. O que eles recebem via WhatsApp, Instagram, eles passam para frente sem verificar a veracidade da informação.”

As oficinas terão uma terceira edição. A primeira ocorreu em 2022 em uma escola de Ceilândia, também no Distrito Federal. 

Grupo de brasileiros repatriados da Cisjordânia chega ao Recife

A aeronave VC2 (Embraer 190) da Presidência da República pousou no Recife (PE), as 5h35 desta quinta-feira (2), trazendo 32 brasileiros e familiares vindos da Cisjordânia. Nesta escala, seis deles desembarcaram e o voo segue para Brasília, com os demais 26 repatriados, com o pouso previsto para 8h15 da manhã. 

A aeronave presidencial decolou de Amã na tarde desta quarta-feira (1º), com destino ao Brasil. Esta nova repatriação ocorreu após a atuação do Ministério das Relações Exteriores, por meio do Escritório de Representação do Brasil em na cidade palestina de Ramala, e das Embaixadas em Amã, na Jordânia, e Tel Aviv, em Israel. 

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O Itamaraty providenciou veículos e garantiu a passagem dos brasileiros que viviam na Cisjordânia por postos de fronteira administrados por Israel e Jordânia, na ponte Allenby/Rei Hussein, além de seu traslado, em segurança, a partir de diferentes pontos na Cisjordânia até o aeroporto de Amã. 

A aeronave presidencial que chegou há pouco ao Brasil aguardava, no Cairo (Egito), a repatriação dos brasileiros que ainda deixarão a Faixa de Gaza. O. Ministério das Relações Exteriores informou que este avião será substituído por outro de igual porte, a espera dos brasileiros que aguardam deixar Gaza pela passagem de Rafah, no Egito. 

Desde 10 de outubro, 1.445 pessoas deixaram Israel e a Cisjordânia em nove voos da Força Aérea Brasileira (FAB), pela Operação Voltando em Paz. 

 

Mega-Sena: Bolão de Goiânia leva prêmio de R$ 104 milhões

Um bolão de apostadores de Goiânia acertou as seis dezenas sorteadas na Mega-Sena e faturou na quarta-feira (31) o prêmio acumulado R$104.876.676,00. 

Segundo a Caixa Econômica Federal, o bolão venceu o concurso 2651 com uma aposta de oito números e tinha apenas cinco cotas, o que rende mais de R$ 20 milhões a cada uma delas.

Os números sorteados na noite de quarta-feira (31) foram 06, 23, 35, 36, 37 e 59. Quem acertou cinco dezenas poderá resgatar o prêmio de R$ 44.109,26. Já quem acertou quatro, R$ 985,63.

O próximo sorteio será no sábado (4), com o prêmio estimado em R$ 3,5 milhões.  

Ginástica vive novo momento com pódio formado apenas por negras

O esporte oferece a seus amantes diferentes imagens para guardar na memória. Uma delas foi registrada na última edição do Mundial de Ginástica Artística, disputado no início de outubro na Antuérpia (Bélgica): um pódio formado apenas por mulheres negras na disputa do individual geral, aquela que coroa as atletas mais completas da modalidade.

A imagem da norte-americana Simone Biles (que ficou com o ouro), da brasileira Rebeca Andrade (prata) e da atleta, dos Estados Unidos, Shilese Jones (bronze) celebrando a conquista foi um sinal claro de que a modalidade vive um momento diferente, no qual mulheres negras não se destacam apenas por suas façanhas esportivas, mas passam a ser vistas como referências.

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“É muito importante [um pódio formado apenas por mulheres negras] porque sei o quanto representamos para tantas crianças, adolescentes, mulheres e homens pretos. Como já falei, a Dai [ex-ginasta brasileira Daiane dos Santos] foi muito importante para mim, pois era uma das únicas pessoas com as quais eu me identificava ali, apesar de admirar todas as meninas, e hoje cada dia mais estão chegando mais e mais pessoas para continuar inspirando e entrando nesse lugar de referência. Então um pódio desse significa demais para mim. E tenho certeza de que significa muito para as meninas também e ficamos muito felizes de dividir aquele pódio. Foi sensacional”, declarou a jovem brasileira de 24 anos.

Na opinião do cientista social Thales Vieira, que é co-diretor-executivo do Observatório da Branquitude, a imagem deste pódio “diz muito sobre a resiliência dessas estrelas do esporte, que, apesar do racismo, brilham e conduzem suas carreiras no mais alto nível […]. Rebeca já é a maior ginasta brasileira e Biles a maior de todos os tempos”. Segundo o pesquisador, imagens como a deste pódio “quebram o ideário falseado do mérito branco e provam que, ao menor sinal de oportunidade, pessoas negras buscarão e terão excelência no que se propuserem a fazer, seja nos esportes ou qualquer outra área”.

Quando se consideram apenas as conquistas olímpicas, Simone Biles (que é a ginasta com mais medalhas na história de mundiais) é a nona atleta da história da ginástica olímpica mais laureada até o momento (com 4 ouros, 1 prata e 2 bronzes em duas edições dos Jogos). Já a brasileira (que tem duas medalhas) não aparece entre as 10 primeiras colocadas de um ranking formado quase exclusivamente por atletas relacionadas à antiga União Soviética (como a russa Larisa Latynina, que lidera a classificação com 9 ouros, 5 pratas e 4 bronzes conquistadas em 3 Olimpíadas).

Com ao menos mais uma edição de Jogos Olímpicos pela frente, Simone Biles e Rebeca Andrade ainda podem passar a ocupar uma posição de maior destaque entre as ginastas com mais medalhas conquistadas no evento. Mas uma coisa é certa, as duas são representantes de uma nova geração de atletas negras que influenciam as próximas gerações pelo simples fato de se orgulharem de quem são.

“Sou uma mulher preta e tenho muito orgulho. Eu amo minha cor de pele e sou linda, sou maravilhosa. Minha mãe me ensinou sempre a me amar, e me acha maravilhosa também. Eu nunca tive nenhum problema com isso, comigo mesma ou com outras pessoas dizendo ou falando alguma coisa sobre isso. Então sempre fui muito firme e muito confiante comigo mesma e isso é muito bom”, afirmou Rebeca após conquistar quatro medalhas nos Jogos Pan-Americanos, que estão sendo disputados em Santiago (Chile).

Apesar do maior volume que vozes como a de Rebeca podem alcançar em grandes eventos esportivos como o Pan, o cientista social Thales Vieira afirma que ainda é necessário ser feito mais, é necessário “um compromisso verdadeiro” de confederações, organizações internacionais, atletas brancos e não brancos, juízes, imprensa e público. “Sem esse compromisso o que vemos é um festival de frases prontas e acordos comerciais que se sobrepõem ao verdadeiro espírito esportivo”, conclui.

* Colaboração de Ana Modesto (estagiária) sob supervisão de Paulo Garritano.

Palmeiras arranca vitória sobre Botafogo e deixa Brasileiro aberto

Em um jogão de bola disputado no estádio Nilton Santos, o Palmeiras arrancou uma vitória de 4 a 3 de virada sobre o Botafogo, na noite desta quarta-feira (1), para abrir de vez a disputa pelo título do Campeonato Brasileiro. Após a quarta vitória seguida na competição, o Verdão chegou aos 56 pontos, três a menos do que o Alvinegro (que tem uma partida a menos, contra o Fortaleza).

Primeiro tempo do Botafogo

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Apoiada por sua torcida, a equipe comandada pelo técnico Lúcio Flávio fez um grande primeiro tempo, avançando suas linhas para pressionar a saída de bola do Palmeiras. Logo aos 7 minutos esta aposta se mostrou acertada, quando Tchê Tchê acertou o travessão com um chute de longa distância. O Alvinegro continuou mandando no confronto e aos 20 minutos finalmente conseguiu abrir o marcador, com Eduardo após ótima jogada de Victor Sá.

Aos 29 minutos Tchê Tchê recebeu um passe na entrada da área e acertou um chutaço para ampliar a vantagem da equipe carioca. Claramente incomodado com a desvantagem no placar, o Palmeiras adiantou as linhas em busca de uma reação. Com mais espaços, o Botafogo passou a contra-atacar com mais liberdade. E foi desta forma que alcançou o terceiro, aos 35 minutos com Júnior Santos.

Endrick decisivo

Mesmo com uma desvantagem tão grande na partida, o técnico Abel Ferreira decidiu manter o Palmeiras com a mesma formação após o retorno do intervalo. O que o Verdão trazia de diferente era a sua postura, como pôde ser visto logo aos 4 minutos do segundo tempo com Endrick. O atacante de 17 anos dominou a bola no meio de campo, arrancou em direção ao gol, deixando para trás três adversários, e bateu por baixo de Lucas Perri para descontar.

A partir daí o Palmeiras passou a mandar no confronto diante de um Botafogo que dava claros sinais de desgaste físico. E a situação do Alvinegro piorou aos 30 minutos, quando o zagueiro Adryelson foi expulso pelo juiz, com auxílio do VAR (árbitro de vídeo). Sete minutos depois o time de General Severiano teve a oportunidade de retomar o controle da partida, quando o juiz assinalou pênalti de Rony em cima de Tiquinho Soares. Porém, o artilheiro do Botafogo bateu mal e Weverton defendeu.

A partir daí o Alvinegro se perdeu em campo e não conseguiu segurar um Palmeiras comandado por Endrick. Aos 38 o jovem marcou mais um e aos 43 iniciou a jogada do gol de empate de Flaco López. O Verdão continuou tentando e conseguiu a virada, já aos 53, com o zagueiro Murilo.

Outros resultados:

Bahia 1 x 0 Fluminense
Corinthians 1 x 0 Athletico-PR
Internacional 1 x 1 América-MG
Coritiba 1 x 2 Grêmio
Atlético-MG 3 x 1 Fortaleza
Flamengo 1 x 2 Santos

Pan-americano: Brasil domina prova dos 110 metros com barreiras

O Brasil garantiu a dobradinha na prova dos 110 metros com barreiras dos Jogos Pan-Americanos de Santiago (Chile), com o ouro de Eduardo de Deus e o bronze de Rafael Pereira nesta quarta-feira (1). O dia também foi de garantir o lugar mais alto no pódio na prova dos 400 metros com Lucas Conceição.

“É muito gratificante sair com essa medalha. Confesso que fiquei um pouco preocupado ali depois da última barreira, pois perdi um pouco de força. Vi que o americano estava vindo, então fechei o olho, joguei o peito e esperei no placar um pouco. É muito emocionante ver o seu nome lá em cima. Fico muito feliz. Esperava ter corrido um pouco melhor, estava treinando bem, na minha última competição fiquei abaixo um centésimo do índice olímpico, corri 13s28, o índice é 13s27, mas fico muito contente de ter finalizado o ano bem, com uma medalha de ouro. Agora é descansar uns dez dias e depois retomar os treinos”, analisou Eduardo, que triunfou nos 110 metros com barreiras com o tempo de 13s67.

Quem também celebrou demais um ouro conquistado nesta quarta foi Lucas Conceição, que correu os 400 metros em 45s77: “Estava muito concentrado na minha prova, na minha corrida e isso que me trouxe o mérito de ser campeão pan-americano […]. É muito gratificante sair com essa medalha de ouro, de conseguir terminar bem e ver que conseguimos o que tanto almejamos. Estou muito feliz por isso”.

Além das três medalhas conquistas nesta quarta, o Brasil já faturou outras oito medalhas no atletismo. Logo no primeiro dia de disputas no Estádio Nacional, Izabela Rodrigues (ouro) e Andressa Morais (prata) fizeram a dobradinha no lançamento do disco. Já Eliane Martins, no salto em distância, e o revezamento 4×400 metros misto (formado por Douglas Mendes, Letícia Nonato, Lucas Vilar e Tiffani Marinho) conquistaram a prata.

Na última terça (31) vieram pratas nos 100 metros com Felipe Bardi e no decatlo com José Fernando Fernandes, além do bronze nos 5 mil metros com Altobeli da Silva. Nas provas de rua, Caio Bonfim conquistou a prata nos 20 quilômetros da marcha atlética no último domingo (29).

Cônsul de Israel nega haver genocídio contra palestinos em Gaza

O cônsul-geral de Israel em São Paulo, Rafael Erdreich, negou, nesta quarta-feira (1ª), haver um genocídio contra o povo palestino. Para ele, as críticas feitas pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, Gustavo Petro, da Colômbia, e Gabriel Boric, do Chile, que condenaram as ações militares israelenses que estariam atingindo também civis palestinos, mostram que os presidentes desses países estão “mal informados” sobre o que, de fato, está ocorrendo na região. 

“Qual a fonte que os presidentes da América Latina têm sobre essa informação? Eu mostrei aqui, claramente, que quem controla a informação que sai de Gaza [é o Hamas]”, disse ele. “Eles estão mal informados sobre o que está acontecendo”, completou, durante entrevista coletiva promovida pelo Consulado Geral de Israel, a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e a StandWithUs Brasil. 

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Nesta semana, o presidente Lula disse que a guerra no Oriente Médio é um genocídio. Ontem, o presidente do Chile, Gabriel Boric, escreveu em suas redes sociais que chamou de volta o embaixador de seu país em Israel “ante as inaceitáveis violações do Direito Internacional Humanitário que Israel cometeu na Faixa de Gaza”.O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também anunciou a convocação da embaixadora colombiana em Israel, Margarita Manjarrez. 
São Paulo SP 01/11/2023, André Lajst – cientista político e presidente-executivo da StandWithUs Brasil, durante entrevista coletiva. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Na coletiva, o cientista político e presidente-executivo da StandWithUs Brasil, André Lajst, também ressaltou que não se pode falar em genocídio sendo praticado por Israel. “Genocídio significa tribo de morte ou a destruição total e parcial por motivos étnicos-religiosos. Israel tem dois milhões de árabes e parte desses árabes serve ao Exército. E parte deles estão lutando contra o Hamas. Se tem árabes/mulçumanos lutando contra árabes/mulçumanos não é genocídio”, falou.

Críticas à imprensa

Durante a entrevista, o cônsul-geral também criticou o tratamento da imprensa brasileira sobre a guerra, destacando que a informação que chega à imprensa “está controlada pelo Hamas”. 

“A informação que está saindo de Gaza é distorcida. Por que estão publicando que há 8 mil civis mortos em Gaza? Estou dizendo com 100% de segurança que Israel está atacando o Hamas. Israel está chamando todos os civis para saírem da zona de conflito e de guerra. Israel está dando condições para eles receberem ajuda humanitária. O objetivo [de Israel] é o Hamas”, falou o cônsul.

Informações da ONU

Segundo as Nações Unidas, mais de 8,3 mil pessoas já foram mortas na Faixa de Gaza desde o dia 7 de outubro. Entre elas estariam 3,4 mil crianças. Já em Israel foram 1,4 mil mortes. A Organização das Nações Unidas (ONU) ressalta que estes números são passados pelo Ministério da Saúde Palestino e pelo governo israelense.

Em constante contato com a reportagem da Agência Brasil, o palestino-brasileiro Hasan Rabee, de 30 anos, tem mostrado sua rotina na Faixa de Gaza, enquanto espera autorização para, junto com outros brasileiros, deixar a região e embarcar no Egito rumo ao Brasil. No início desta semana, um prédio ao lado de onde ele estava abrigado foi atingido pelo exército israelense. Há cerca de duas semanas, parentes seus foram mortos por um outro bombardeio de Israel.

“A notícia que recebemos é de que mais de 60 pessoas moravam nesse prédio. Muito triste, um cara cidadão do bem, trabalhador, não tem nada a ver com isso”, lamentou Rabee, na ocasião.  

A Agência Brasil procurou a Secretaria de Comunicação do governo federal, que informou que não vai se manifestar sobre as falas do cônsul.

Vídeo com imagens do Hamas

Antes da entrevista, foi apresentado um vídeo de cerca de 43 minutos com imagens dos ataques promovidos pelo Hamas no dia 7 de outubro. No vídeo, são apresentadas imagens feitas por câmeras de segurança, pelas vítimas e pelos próprios membros do Hamas de ataques a pessoas em carros, dentro de casa e também em uma festa de música eletrônica.

Os jornalistas foram impedidos de entrar com seus celulares ou câmeras durante a exibição dos vídeos. A proibição de reprodução dessas imagens acontece em respeito às famílias das vítimas e serve para “mostrar que houve atrocidades” que foram cometidas pelo Hamas.

Receita investigou aumento de compensações tributárias, diz Haddad

A Receita Federal investigou, em agosto e setembro, o aumento de compensações tributárias do Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) por grandes empresas, disse nesta quarta-feira (1º) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, o uso desse mecanismo tem provocado a queda na arrecadação federal nos últimos meses, e o governo quer passar um pente-fino nas operações.

“O PIB [Produto Interno Bruto] está crescendo 3%, a arrecadação não está crescendo 3%, nem perto disso. Nós tivemos que fazer uma investigação sobre o assunto, porque descobrimos que as empresas estão fazendo compensação naquela decisão de 2017 do PIS/Cofins, e que a subvenção está aumentando em relação ao ano passado”, afirmou Haddad, ao retornar de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, no Palácio do Planalto.

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De acordo com o ministro, esse foi o tema do encontro. Haddad afirmou que o governo pode antecipar medidas para arrecadar mais em meio à frustração de receitas e ao uso de brechas na lei por grandes empresas para pagarem menos tributos. Ele repetiu declarações recentes de que os incentivos fiscais estão aumentando em relação ao ano passado, quando impactaram o caixa do governo em R$ 149 bilhões.

“Estamos ‘estressando’ esses dados para que o presidente esteja plenamente informado dessa questão e possa depois se reunir conosco, para nós endereçarmos eventualmente a antecipação de algumas medidas [tributárias]”, comentou o ministro.

Por meio da compensação tributária, o contribuinte consegue descontos em tributos futuros para compensar tributos pagos a mais anteriormente. Em relação ao uso crescente do mecanismo neste ano, as empresas estão usando uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2021 que definiu que a retirada do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da base de cálculo do PIS e da Cofins vale a partir de 2017.

Estratégia

O ministro evitou informar qual estratégia o governo tomará para frear o aumento na utilização da compensação tributária. Segundo Haddad, a decisão caberá a Lula. “Eu não posso antecipar a estratégia, tem primeiro que levar ao conhecimento do presidente, porque ele precisa validar as decisões que vamos tomar. Mas ele está preocupado, porque ele está vendo que uma coisa de 2017, tanto no Congresso como no STF, está repercutindo agora”, completou Haddad.

De acordo com Haddad, a Receita Federal passou dois meses “investigando empresa por empresa”, até chegar ao diagnóstico de suposto uso indevido de compensações do PIS e da Cofins. “A Receita tem o direito de saber o que está sendo arrecadado e por quem. A gente foi checar inclusive no Judiciário para saber se aquele desconto estava baseado numa conta auditada no Poder Judiciário”, explicou.

Meta fiscal

O ministro não respondeu se ele e Tebet discutiram com o presidente Lula uma possível mudança na meta fiscal em 2024. O novo arcabouço fiscal, sancionado em agosto, estabelece a meta zero de déficit primário, com margem de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou para menos. No entanto, Lula deu declarações recentes de que o governo dificilmente conseguirá cumprir essa meta.

Copom

Em relação ao corte de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic (juros básicos da economia), decidido nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, Haddad disse que os juros atuais continuam altos e que a autoridade monetária tem condições de continuar a reduzir os juros.

“A Selic ainda está muito alta”, declarou o ministro pouco antes de o Banco Central divulgar o resultado da reunião. “Acredito que o BC vai manter o passo na direção. O juro no Brasil talvez é o primeiro ou segundo mais alto do mundo em termos reais. Então, temos espaço [para cortar mais]”, completou.

Pan: equipe brasileira garante medalha de bronze nos saltos do hipismo

A equipe brasileira de hipismo conquistou a medalha de bronze na disputa por equipes de saltos nos Jogos Pan-Americanos de 2023, disputados em Santiago (Chile). O feito foi alcançado nesta quarta-feira (1), na Escola de Equitação do Exército do Chile, na cidade de Quillota, por Rodrigo Pessoa, Marlon Zanotelli, Pedro Veniss e Stephan Barcha. O ouro ficou com os Estados Unidos e o Canadá com a prata.

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“Demonstramos que estamos sempre entre os melhores e é importante sempre brigar por medalha em qualquer que seja o campeonato. Tínhamos uma margem pequena de manobra, aconteceram coisas que não estavam planejadas, o Marlon teve um problema um pouco delicado com a égua dele, eu fiz uma falta pequena na primeira passagem e na segunda não consegui corrigir. Foram erros para analisar e ver como corrigir para a próxima, e ano que vem, em Paris, obviamente, é mais importante, mas, pelo menos, não saímos daqui sem nada. Passamos de ouro para bronze”, declarou Rodrigo Pessoa.

Classificações na canoagem

Outra modalidade na qual o Brasil teve uma grande quarta-feira foi na canoagem velocidade. Nas disputadas realizadas na Gran Laguna de San Pedro de la Paz o país se classificou para as finais das três provas que disputou.

No K1 500 metros, Ana Paula Vergutz venceu sua bateria semifinal e avançou para a disputa decisiva, que será realizada na próxima sexta-feira (3). Já no K2 500 metros Roberto Maehler e Heuer Rodrigues avançaram na eliminatória e depois terminaram a semifinal na terceira colocação. Por fim, Valdenice Conceição se garantiu na decisão do C1 200 metros.

Cashback pode elevar preços da cesta na reforma tributária, diz Abras

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) é favorável à reforma tributária e concorda com o relatório do senador Eduardo Braga (MDB-AM), mas ressalta que é preciso ter cuidado com a aplicação do instrumento de cashback – mecanismo que restitui ao consumidor parte do dinheiro gasto – na cesta básica.  

Entre os pontos da proposta de reforma tributária, o presidente da Abras, João Galassi, destacou a criação de duas cestas básicas, uma isenta e outra com alíquota de 60% de desconto mais o cashback.

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Galassi disse que, para a Abras, a cesta básica isenta é infinitamente mais eficiente como distribuição de renda do que o cashback. Apesar disso, a entidade não se opõe que a cesta estendida seja acrescida desse benefício.

“O cashback não é o melhor instrumento da política social. A desoneração total da cesta básica seria muito mais benéfica para a população de baixa renda. O instrumento não atenderá uma parte da população vulnerável, onerando o grupo com mais tributos, por meio dos produtos que eventualmente tenham aumento de preços por aumento da carga tributária, como alguns tipos como carne e hortifruti”, disse hoje (1º), em entrevista coletiva virtual.

“No entanto, visto que o Congresso resolveu seguir com a criação deste instrumento, após a redução de 60% da cesta estendida, é importante garantir que a devolução dos tributos aconteça para o consumo de alimentos e não nos opomos à forma como foi apresentada”, completou.

O presidente da Abras disse que, em outros estudos, a associação não questionou o cashback porque estava focada em apresentar o impacto da carga tributária. Mas agora que foi feito um relatório, a entidade apoia, defende e acredita que existem instrumentos que, durante o debate das leis complementares, poderão aferir uma redução ou carga neutra na cesta básica nacional isenta.

Aumento da carga tributária

O dirigente alertou que poderá ocorrer aumento da carga tributária, dependendo da alíquota do imposto sobre o valor agregado (IVA), que poderá variar de 25% a 30% e da composição dos itens que estão em cada uma das cestas.

“Aqui temos a garantia do relator Eduardo Braga, que também luta por uma trava nessa reforma dos tributos que se referem ao IVA, o qual apoiamos claramente. Por exemplo, se a carne bovina estiver na cesta isenta, beneficiaremos os consumidores com uma redução de impostos. No entanto, se estiver na cesta ampliada aumentaremos em 30% o valor pago atualmente”, afirmou.

Setor supermercadista

De acordo o vice-presidente de Ativos Setoriais da Abras, Rodrigo Segurado, a reforma tributária é o modelo de financiamento do Estado e o país tem um grande desafio social a ser desenvolvido para o trabalhador do Brasil, que é a fome. “Temos cálculos que apontam que, para combater a fome no Brasil, precisamos de R$ 13 bilhões para distribuir 2,6 milhões de alimentos. Esse é o impacto social que estamos preocupados em combater também”.

Segundo o vice-presidente, a cesta básica isenta, incluída no texto aprovado na Câmara, está validada pelo Senado, que criou o cashback na cesta básica estendida com redução de 60% de tributos.

“Tem uma cesta básica isenta, mas uma cesta básica estendida com redução de 60%, com cashback; hortifruti, frutas e ovos com 100% de isenção; alimentos para consumo humano com 60% de desconto na alíquota padrão; higiene com 60% de desconto da alíquota padrão; saúde menstrual podendo chegar a 100% de isenção e limpeza com desconto de 60% da alíquota padrão. Esse é, em resumo, o que o Senado Federal apresenta como texto da reforma tributária a partir do que recebeu da Câmara dos Deputados.”

Calderano é tricampeão e Bruna Takahashi vice no tênis de mesa do Pan

Número 4 do mundo, mesa-tenista brasileiro Hugo Calderano fez valer o favoritismo e conquistou o tricampeonato pan-americano em Santiago (Chile), garantindo o primeiro ouro do país nesta edição dos Jogos na modalidade. Na final individual masculina nesta quarta-feira (1º), o carioca atropelou o porto-riquenho Andy Pereira por 4 sets a 0. Na disputa feminina, a paulista Bruna Takahashi batalhou duro na decisão do ouro contra Adriana Díaz, também de Porto Rico, mas acabou superada por 4 a 3 e ficou com a prata, sua terceira medalha nos Jogos.   

O tênis de mesa brasileiro soma cinco medalhas (um ouro e quatro pratas) no Pan de Santiago e ainda tem chance de subir ao pódio duas vezes: nesta quinta (2), a partir das 10h (horário de Brasília) começa a disputa por equipes (feminina e masculina). Os Jogos Pan-Americanos têm transmissão ao vivo no site do Canal Olímpico do Brasil.

Além do terceiro título individual pan-americano (os anteriores foram em 2015 e 2019), Calderano soma outras quatro medalhas na competição.  Foi ouro na disputa por equipes nos Jogos de Toronto (2015) e nas duplas masculinas (ao lado de Gustavo Tsuboi) na última edição em Lima (2019). Também amealhou um bronze por equipes em Lima.

“Acho que fiz uma partida muito boa, principalmente no saque e recepção, acho que dominei o jogo ali. Ele não conseguiu receber o meu saque o jogo inteiro. Variei bastante os efeitos, o lugar do saque. O saque também é um ponto forte dele, mas acho que consegui resolver bem. Consegui vencer com certa tranquilidade, mas claro que isso foi por causa de uma preparação incrível”, analisou o tricampeão.

Terceira prata de Bruna Takahashi

Número 23 do mundo, a paulista Bruna Takahashi lutou como nunca em busca do ouro na final individual feminina contra Adriana Díaz. As atletas fizeram um jogo equilibrado. Bruna começou levando o primeiro set, mas Díaz se recuperou e venceu os dois seguintes. A brasileira não se deixou abater: levou a melhor na quarta e quinta parciais, voltando a liderar o placar da partida. No entanto, a porto-riquenha ganhou os dois sets seguintes e selou a vitória por 4 a 3. Após a derrota, a brasileira não segurou as lágrimas e foi consolada por Díaz, que conquistou o bicampeonato pan-americano.

“Foi um jogo muito bom. Estou muito triste, perdi o ouro. Estou chorando porque sei que tive chances de ganhar. O nível foi espetacular, ela é uma jogadora muito boa. Tenho o torneio de equipes pela frente e tenho que manter a cabeça erguida. Vai ser difícil esquecer esse jogo, mas é bola pra frente, tem muita coisa ainda”, disse Bruna, que já conquistara duas pratas em Santiago, uma nas duplas mistas (ao lado de Vitor Ishy) e outra nas duplas feminina (ao lado da irma Giulia Takahashi).

A paulista soma agora sete medalhas em Pan-Americanos: as duas primeiras foram na edição de Lima. 

GLO pode ser decretada em portos e aeroportos além do Rio e São Paulo

O governo federal não descarta a possibilidade de acrescentar operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), com a mobilização de militares, em portos e aeroportos de outros estados, além de São Paulo e Rio de Janeiro – conforme decreto anunciado na tarde desta quarta-feira (1º), no Palácio do Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi prestada pelo ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa.

Se for identificada necessidade de incorporar mais aeroportos e portos, serão incorporados, afirmou Costa.

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A GLO decretada pelo governo restringe-se a áreas de controle federal, abrangendo, em São Paulo, o aeroporto de Guarulhos e o porto de Santos e, no Rio de Janeiro, o aeroporto do Galeão e os portos de portos de Itaguaí e da cidade do Rio de Janeiro. “Não acontece em bairros, ruas e comunidades”, enfatizou o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Flávio Dino.  

Dino também assinalou que as operações das Forças Armadas, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança não interferem na atuação das forças de segurança dos estados. “Nós não vamos substituir polícias estaduais”, assegurou. 

Além da GLO em três portos e dois aeroportos, o governo anunciou medidas de maior fiscalização nos 2.300 quilômetros de fronteiras nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e do Paraná – inclusive o Lago de Itaipu.  

Nessas áreas, não é necessária a decretação de GLO para atuação das Forças Armadas. Ao todo, 3,7 mil homens do Exército (efetivo de 2 mil), Marinha (1,1 mil) e Aeronáutica (600) deverão ser mobilizados de acordo com os respectivos comandos. 

Na avaliação do governo, ações de vigilância e inteligência nos aeroportos, portos e áreas de fronteira indicados são necessárias para atacar a capacidade logística das facções criminosas e para investigação sobre circulação de capital e lavagem de dinheiro, e para a recuperação de ativos. 

No próximo dia 10, em Manaus, o ministro Flávio Dino se reunirá com os governadores do Norte para tratar de ações de combate ao crime organizado na região. De acordo com Dino, as medidas anunciadas hoje estão em discussão há quatro meses.  

O governo nega a possibilidade de fazer desdobramento do Ministério da Justiça e da Segurança Pública e de assim criar uma pasta exclusiva para a segurança pública. “Isso não foi colocado na pauta”, assegurou Rui Costa. 

Entidades do setor produtivo divergem sobre corte na taxa de juros

Apesar de estar na direção certa, a decisão do Banco Central (BC) de cortar a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 0,5 ponto percentual na Taxa Selic, juros básicos da economia, é tímida e não impede a desaceleração econômica, na avaliação de entidades da indústria e de centrais sindicais, que pedem mais ousadia da autoridade monetária.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) considerou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) “compreensível, mas insuficiente”. A entidade ressaltou que a taxa de juros real (acima da inflação) está em 8,5% ao ano, 4 pontos percentuais acima dos juros neutros, que não estimulam nem desestimulam a atividade econômica.

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“Tenho a plena convicção de que a queda de juros não está na velocidade que nós precisamos. Na verdade, estamos em uma armadilha, porque a nossa Taxa Selic atingiu um patamar bastante desestimulante. Entendo que não é possível fazer uma queda abrupta, mas o Banco Central poderia ser um pouco mais desafiador e ter iniciado uma redução mais acelerada”, afirmou em nota o novo presidente da CNI, Ricardo Alban.

Já a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) considerou a decisão acertada, em função do cenário econômico atual. A entidade avalia que os dados recentes evidenciam dinâmica mais favorável da inflação para o consumidor. “As projeções para a inflação, em 2024 e 2025, indicam estabilidade, permanecendo dentro da meta estabelecida. Além disso, os indicadores econômicos de curto prazo sustentam a perspectiva de desaceleração nos próximos trimestres”.

Apesar da análise positiva, a Firjan destacou que fatores externos trazem incertezas ao cenário atual, como a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos e a guerra no Oriente Médio, que trouxe preocupações para o mercado de energia. “Mais do que nunca, é fundamental manter o compromisso firme com o equilíbrio fiscal e com as metas estabelecidas. A solvência da dívida pública desempenha um papel crucial no amortecimento dos efeitos das incertezas que permeiam o cenário internacional. A credibilidade fiscal é um pilar essencial para preservar a percepção do risco país e favorecer a continuidade dos cortes de juros”, indicou a Firjan.

Sindicatos 

As centrais sindicais também consideraram insuficiente o corte de meio ponto nos juros básicos. Segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Selic ainda está em nível alto, que atrapalha a recuperação econômica e ainda não é possível observar efeitos da queda da Taxa Selic sobre os juros cobrados pelos bancos.

“Essa lentidão [da queda da Selic] é usada como desculpa pelo sistema bancário brasileiro para justificar a manutenção da oferta de crédito com juros estratosféricos”, criticou a economista Vivian Machado, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT). A entidade ressalta que o BC só começou a baixar os juros após intensa pressão dos trabalhadores, que desde o início do ano promovem protestos contra os juros altos.

Para a Força Sindical, a decisão do Copom foi “tímida e insuficiente”. Segundo a entidade, a queda ocorre de forma lenta, com “gradualismo conservador”, prejudicando a economia no fim de ano.

“Os juros, vale ressaltar, continuam em patamares proibitivos. A taxa que agora é de 12,25% ainda inibe o consumo, trava o crédito e a geração de empregos. É uma queda insuficiente! Entendemos que, com esta pequena queda, o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade de fazer uma drástica redução na taxa básica de juros”, criticou a Força Sindical.

Queda da Selic barateia pouco crédito e prestações, avalia Anefac

A redução da taxa Selic (juros básicos da economia) para 12,25% ao ano, decidida nesta quarta-feira (1º) pelo Banco Central, barateará pouco o crédito e as prestações, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Com o impacto na ponta final diluído, por causa da diferença muito grande entre a taxa básica e os juros efetivos de prazo mais longo, o tomador de novos empréstimos sentirá pouco os efeitos do afrouxamento monetário.

Segundo a Anefac, o juro médio para as pessoas físicas passará de 123,71% para 122,71% ao ano. Para as pessoas jurídicas, a taxa média sairá de 59,98% para 59,24% ao ano. A Selic passou de 12,75% para 12,25% ao ano.

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No financiamento de uma geladeira de R$ 1,5 mil em 12 prestações, o comprador desembolsará R$ 0,39 a menos por prestação e R$ 4,64 a menos no valor final com a nova taxa Selic. O cliente que entra no cheque especial em R$ 1 mil por 20 dias pagará R$ 0,27 a menos.

Na utilização de R$ 3 mil do rotativo do cartão de crédito por 30 dias, o cliente gastará R$ 1,20 a menos. Um empréstimo pessoal de R$ 5 mil por 12 meses cobrará R$ 1,24 a menos por prestação e R$ 14,85 a menos após o pagamento da última parcela.

Um empréstimo de R$ 3 mil em 12 meses numa financeira sairá R$ 0,81 mais barato por prestação e R$ 9,69 mais barato no total. No financiamento de um automóvel de R$ 40 mil por 60 meses, o comprador pagará R$ 11,23 a menos por parcela e R$ 673,51 a menos no total da operação.

Em relação às pessoas jurídicas, as empresas pagarão R$ 62,55 a menos por um empréstimo de capital de giro de R$ 50 mil por 90 dias, R$ 24,92 a menos pelo desconto de R$ 20 mil em duplicatas por 90 dias e R$ 2,67 a menos pela utilização de conta garantida no valor de R$ 10 mil por 20 dias.

Poupança

A Anefac também produziu uma simulação sobre o impacto da nova taxa Selic sobre os rendimentos da poupança. Com a taxa de 12,25% ao ano, a caderneta só rende mais que os fundos de investimento quando o prazo da aplicação é curto e a taxa de administração cobrada pelos fundos é alta.

Segundo as simulações, a poupança rende mais que os fundos em apenas três cenários: quando o correntista aplica em fundos com taxa de administração de 3% ao ano, aplicação de até um ano em fundos com taxa de 2,5% ao ano e aplicação de até seis meses em fundos com taxa de 2% ao ano.

Na comparação com fundos com taxa de administração de 2,5% ao ano, a poupança rende o mesmo quando o dinheiro ficar aplicado entre um e dois anos.

A vantagem dos fundos ocorre mesmo com a cobrança de Imposto de Renda e de taxa de administração. Isso porque a poupança, apesar de ser isenta de tributos, rende apenas 6,17% ao ano (0,5% ao mês) mais a Taxa Referencial (TR), que aumenta quando a Selic sobe. Esse rendimento da poupança é aplicado quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, o que ocorre desde dezembro de 2021.

Bancos devem começar a compartilhar dados sobre indícios de golpes

Bancos e demais instituições financeiras e de pagamentos autorizadas a funcionar pelo Banco Central (BC) deverão compartilhar entre si dados e informações sobre fraudes e golpes no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e no Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), a partir desta quarta-feira (1º).

A medida já estava prevista em resolução conjunta do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do BC desde maio deste ano, quando foi estipulado o prazo de seis meses para adequação e implantação.

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O Banco Central prevê que a resolução vai contribuir que as instituições financeiras aprimorem tanto a prevenção de fraudes quanto os controles internos.

“A medida busca reduzir a assimetria de informação no acesso a dados e a informações utilizados para subsidiar procedimentos e controles dessas instituições para prevenção de fraudes, visando reduzir sua ocorrência no Sistema Financeiro Nacional e no Sistema de Pagamentos Brasileiro”, afirma o diretor de Regulação do Banco Central, Otávio Damaso. 

Em nota enviada à Agência Brasil, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) destaca que a norma é resultado de uma agenda de medidas propostas pela Febraban aos órgãos reguladores para fortalecimento das ações de prevenção a fraudes bancárias no país. “Sua publicação é um passo importante para a prevenção desses crimes no país.”

“A resolução torna-se um marco para o sistema financeiro, para seus clientes e para a sociedade no combate a fraudes e golpes bancários. A redução na assimetria de informações no acesso a dados e informações tornará mais ágil a ação dos bancos na prevenção destes ilícitos, inclusive na atuação direta junto às pessoas destinatárias de recursos oriundos de fraudes e golpes”, ressalta a nota.

Compartilhamento

O compartilhamento de dados e de informações sobre indícios de ocorrências ou de tentativas de fraudes deve ser feito em, no máximo, 24 horas, contadas a partir do momento em que forem detectadas. As instituições também devem, mensalmente, até todo dia 15, fazer a declaração sobre os registros de indícios do mês anterior.

Entre as informações a serem compartilhadas estão: a identificação dos autores que executam ou tentam executar as fraudes; descrição de indícios e fatos ocorridos ou da tentativa de fraude; identificação dos bancos responsáveis pelo registro das informações; além da identificação dos dados da conta destinatária e de seu titular, em caso de transferência de recursos ou pagamento. 

O Banco Central considera indícios de ocorrências ou de tentativas de fraudes as seguintes atividades suspeitas: 

– Abertura de conta de depósitos ou de conta de pagamento; 

– Prestação de serviço de pagamento (rol mínimo estabelecido pela resolução do BC);  

– Manutenção de conta de depósitos ou de conta de pagamento;  

– Contratação de operação de crédito. 

A análise de eventuais fraudes deve ser realizadas em operações de: 

– Saques de recursos em espécie; 

– Transferências entre contas na própria instituição;  

– Transferência Eletrônica Disponível (TED);  

– Transações de pagamento com cheque;  

– Transações de pagamento instantâneo (Pix);  

– Transferências por meio de Documento de Crédito (DOC);  

– Boletos de pagamento.

O Banco Central ressalva que essas medidas não se aplicam às administradoras de consórcio, nem a indícios da prática dos crimes de lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores e de financiamento do terrorismo.

Responsabilidades

O registro, a consulta e o uso das informações deverão ser feitos via sistema eletrônico, sob a responsabilidade das instituições financeiras, que também deverão preservar o sigilo dos dados.

Em caso de contratação de outra empresa para prestação do serviço de compartilhamento ou tratamento de dados e informações compartilhados, a responsabilidade continuará sendo do banco ou da instituição financeira contratante.

Antes do compartilhamento dos dados de fraudes, as instituições deverão ter a concordância de seus clientes firmada em contrato para registro e compartilhamento dos dados de fraudes no sistema eletrônico. Pela resolução do CNM e do BC, os titulares dos dados terão livre acesso às informações que lhes digam respeito, bem como poderão solicitar a exclusão ou a correção dos dados registrados, em caso de eventuais erros, inconsistências ou outras demandas.

O acesso ao sistema de compartilhamento de dados exigirá a respectiva identificação de quem realizou a entrada nele, e os dados obtidos são confidenciais.

Outras ações 

A Febraban informou que Comitê de Prevenção a Fraudes da instituição já usava ferramentas, em parceria com empresas de tecnologia, para prevenção a golpes.

Na semana passada, a federação lançou a terceira edição da campanha de prevenção a fraudes intitulada Pare e Pense: Pode ser Golpe, com exemplos de situações de golpes e dicas aos clientes bancários para que se protejam das ações de criminosos e mantenham seu dinheiro seguro.

A campanha também prevê a atuação de parceiros como Banco Central, Polícia Federal e Procons.

A entidade listou entre os golpes mais comuns o envio de link falso de pagamento, uso de maquininha de cartão, falso motoboy, falsa central de atendimento, entre outros.

Direito

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) orienta o usuário do banco que foi vítima de golpe a avisar imediatamente a instituição financeira para a qual o dinheiro foi enviado; fazer um boletim de ocorrência na polícia estadual e, caso tenha problemas com o banco, abrir uma reclamação no BC.

O Idec afirma que é obrigação do banco garantir a segurança dos usuários. A vítima da fraude ainda pode pedir a reparação de direitos judicialmente, mediantes apresentação de provas.

Em causas judiciais com valor abaixo de 40 salários mínimos, a pessoa poderá procurar um Juizado Especial Cível (antes chamado de Juizado de Pequenas Causas), para garantir a gratuidade e agilidade. Mas, se o valor for superior a 40 mínimos, o caminho é a Justiça comum.

Em causas de até 20 salários mínimos, não é obrigatória a representação do autor da ação por advogado. Desta forma, o consumidor pode ajuizar a ação por conta própria.

Renegociação de dívidas com Fies terá até 99% de desconto

O ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou, nesta quarta-feira (1º), que estudantes beneficiados com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e que têm dívidas em atraso poderão renegociar os débitos com até 99% de desconto em juros e multas. Nesta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei do Pacto Nacional pela Retomada de Obras Inacabadas que inclui a renegociação de dívidas de estudantes inadimplentes.

Atualmente, existem 1,2 milhão de contratos inadimplentes no Fies, com saldo devedor de R$ 54 bilhões.

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Em vídeo publicado pelo presidente Lula na rede social X, o ministro Camilo Santana diz que o Fies “se burocratizou demais” e anuncia que o governo estuda mudanças no programa. “Estamos discutindo como fazer uma mudança para o um novo Fies, um Fies mais social, [porque] transformaram o Fies num programa econômico. Na realidade, tem que ser um programa social, de dar oportunidade aos jovens terem acesso à universidade”, afirmou.

No mesmo vídeo, Lula argumenta que, para o governo, o mais importante é que as pessoas continuem a estudar. “Não tenha vergonha se você está devendo, porque não pode pagar ou porque alguém prejudicou você”, acrescentou o presidente.

Vantagens

As vantagens da renegociação são para os estudantes com débitos vencidos e não pagos há mais de 90 dias em 30 de junho de 2023.

A lei, aprovada pelo Congresso Nacional em outubro, traz ainda condições mais favoráveis de amortização dos contratos celebrados até o fim de 2017.

De acordo com o texto, os estudantes com débitos vencidos e não pagos há mais de 360 dias em 30 de junho de 2023, que estejam inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) ou que tenham sido beneficiários do Auxílio Emergencial 2021, terão desconto de até 99% do valor consolidado da dívida, inclusive o principal, por meio da liquidação integral do saldo devedor.

Para aqueles que não se enquadram nessas condições, mas ainda com débitos vencidos há mais de 360 dias em 30 de junho de 2023, e que queiram amortizar o contrato, o desconto será de até 77% do total da dívida.

Balança comercial tem superávit recorde de US$ 8,959 bi em outubro

Beneficiada pela queda nas importações de combustíveis e pela safra recorde de soja, a balança comercial – diferença entre exportações e importações – fechou outubro com superávit de US$ 8,959 bilhões, informou, nesta quarta-feira (1º), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O resultado é o melhor para meses de outubro e representa alta de 140,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, pelo critério da média diária.

Com o resultado de outubro, a balança comercial encerrou os dez primeiros meses do ano com superávit acumulado de US$ 80,212 bilhões, maior resultado para o período desde o início da série histórica, em 1989. Desde agosto, o saldo positivo acumulado ultrapassa o superávit comercial recorde de US$ 61,525 bilhões de todo o ano passado.

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Quanto ao resultado mensal, as exportações ficaram estáveis e as importações despencaram em outubro. No mês passado, o Brasil vendeu US$ 29,484 bilhões para o exterior, recuo de 0,7% em relação ao mesmo mês de 2022 pelo critério da média diária. As compras do exterior somaram US$ 20,525 bilhões, recuo de 20,9% pelo mesmo critério.

Do lado das exportações, a safra recorde de grãos e o aumento da produção de petróleo compensaram a queda internacional no preço de algumas commodities (bens primários com cotação internacional). Do lado das importações, o recuo no preço do petróleo e de derivados foi o principal responsável pela retração.

Depois de baterem recorde no primeiro semestre do ano passado, após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, as commodities recuaram nos últimos meses. Apesar da subida do petróleo e de outros produtos em outubro, os valores continuam inferiores aos do mesmo mês do ano passado.

No mês passado, o volume de mercadorias exportadas subiu 13,7%, enquanto os preços caíram 3,7% em média na comparação com o mesmo mês do ano passado. Nas importações, a quantidade comprada caiu 5%, e os preços médios recuaram 7,4%.

Setores

No setor agropecuário, a safra recorde de grãos pesou mais nas exportações. O volume de mercadorias embarcadas subiu 28,8% em outubro na comparação com o mesmo mês de 2022, enquanto o preço médio caiu 16,2%. Na indústria de transformação, a quantidade subiu 0,9%, com o preço médio recuando 0,8%. Na indústria extrativa, que engloba a exportação de minérios e de petróleo, o volume exportado subiu 35,3%, enquanto os preços médios aumentaram 3,5%.

Os produtos com maior destaque nas exportações agropecuárias foram animais vivos, exceto pescados ou crustáceos (+147,7%); frutas e nozes não oleaginosas (+20,5%) e soja (+12,2%). Em valores absolutos, o destaque positivo é a soja, cujas exportações subiram US$ 559,3 milhões em relação a outubro do ano passado. A safra recorde fez o volume de embarques de soja aumentar 31,8%, mesmo com o preço médio caindo 14,9%.

Na indústria extrativa, as principais altas foram registradas em minérios de cobre e concentrados (+46,3%) e petróleo bruto (+22,8%). No caso do ferro, o valor exportado subiu 36%. A quantidade exportada aumentou 14,6%, e o preço médio subiu 18,6%, puxados principalmente pelos estímulos para a economia chinesa.

Em relação aos óleos brutos de petróleo, também classificados dentro da indústria extrativa, as exportações subiram 22,8%. Os preços médios recuaram 3,6% em relação a outubro do ano passado, mas a quantidade embarcada aumentou 27,4%, impulsionada pelo crescimento da produção.

Na indústria de transformação, as maiores baixas ocorreram na carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (-29,7%), celulose (-43,8%) e gorduras e óleos vegetais (-63,3%). A crise econômica na Argentina, principal destino das manufaturas brasileiras, também interferiu no recuo das exportações dessa categoria.

Em relação às importações, os principais recuos foram registrados nos seguintes produtos: trigo e centeio não moídos (-40,7%), milho não moído (-52,4%) e látex e borracha natural (-63,8%), na agropecuária; óleos brutos de petróleo (-8,3%) e gás natural (-32,7%), na indústria extrativa; e compostos organoinorgânicos (-43,1%) e adubos ou fertilizantes químicos (-24,3%), na indústria de transformação.

Quanto aos fertilizantes, cujas compras do exterior ainda são impactadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia, a queda deve-se principalmente à diminuição de 48,2% nos preços. A quantidade importada subiu 46,1% em outubro na comparação com outubro do ano passado.

Estimativa

Apesar da desvalorização das commodities, o governo prevê saldo positivo recorde de US$ 93 bilhões, contra projeção anterior de US$ 84,7 bilhões, feita em julho.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as exportações ficarão estáveis em 2023, subindo apenas 0,02% e encerrando o ano em US$ 334,2 bilhões. As estimativas são atualizadas a cada três meses. As importações recuarão 11,5% e fecharão o ano em US$ 241,1 bilhões.

As previsões estão muito mais otimistas que as do mercado financeiro. O boletim Focus, pesquisa com analistas de mercado divulgada toda semana pelo Banco Central, projeta superávit de US$ 74,95 bilhões neste ano.

Fierj lança site para denúncias contra mensagens antissemitas

A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) lançou um site para receber denúncias de publicações com conteúdo discriminatório contra o povo judeu. A federação informou que vai tomar as medidas cabíveis para combater, de forma legal, toda situação de violação à lei brasileira que considera a disseminação de ideais preconceituosas contra a comunidade judaica um crime de racismo.

Segundo o presidente da Fierj, Alberto David Klein, desde o início da guerra no Oriente Médio, no dia 7 de outubro, até 31 de outubro, a entidade recebeu quase 200 denúncias de cunho antissemita, principalmente nas redes sociais.

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“Com essa constatação, nossa procuradoria, formada por advogados, resolveu criar um canal para denúncias de manifestações e discurso de ódio contra judeus. Em um dia de canal, temos quase 50 denúncias que serão analisadas e depois providências serão tomadas, desde uma notificação até uma ação judicial,” explicou.

Diante desse aumento do número de denúncias antissemitas nas redes sociais, a federação criou o cargo de procuradora-geral. Para assumir a posição foi indicada a criminalista Rachel Glatt, que vai coordenar os advogados voluntários da entidade e vai atuar junto à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).

Pan: invicto, Brasil bate Cuba e vai às semifinais do vôlei masculino

A seleção brasileira masculina de vôlei avançou direto às semifinais dos Jogos Pan-Americanos de Santiago (Chile), sem precisar passar pelas quartas, ao cravar a terceira vitória seguida na competição. Nesta quarta-feira (1º), o Brasil levou a melhor sobre Cuba, com triunfo no tie-break por 3 sets a 2 (25/23, 25/16, 18/25, 25/27 e 18/16).

Invicto no Pan, o país encerrou a fase de grupos na liderança da chave A e, pelo regulamento, não precisa disputar as quartas de final. Os brasileiros voltam a competir às 20h30 (horário de Brasília) de sexta (3). O adversário será definido nos confrontos de quartas nesta quinta (2). O Pan de Santiago tem transmissão ao vivo no site do Canal Olímpico do Brasil.

O oposto Darlan foi o principal destaques da partida ao anotar sozinho 29 pontos, maior total registrado do lado brasileiro. O atleta, que vem sobressaindo na equipe deste o Pré-Olímpico no mês passado, foi decisivo no tie-break, ao virar duas bolas que resultaram em dois match-points para o Brasil.

“Sabíamos que ia ser um jogo difícil. Brasil x Cuba é isso, os jogadores deles são bastante experientes. Mas o importante foi que não deixamos cair o ânimo, não deixamos de acreditar, esse grupo não desiste em momento nenhum. No final, no tie-break, você olhava um pro outro e estava todo mundo com sangue nos olhos, acreditando, e isso ajuda muito no astral do time”, analisou Darlan, em depoimento ao site da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV).

Nesta quarta (1º) a seleção, comandada pelo técnico Giuliano Ribas começou em quadra com Brasília, Darlan, Adriano, Honorato, Otávio, Judson e Maique (líbero). Durante o jogo também entraram Thiaguinho, Felipe Roque, Lukas Bergmann e Maicon.

“A gente sabia que tinha que estar preparado para um jogo longo, porque contra Cuba eles têm essa virtude do saque e arriscariam o tempo todo, e quando entrasse a partida teria variações. Então a gente tinha que ter a cabeça no lugar. Os meninos foram muito resilientes, se ajudaram muito dentro da quadra, mesmo nas situações de saques pesados. A gente não se abalou porque jogou junto o tempo todo hoje, o que foi uma virtude do time hoje”, elogiou o treinador.  

Itaipu abre vertedouro para escoar excesso de água

A Usina Hidrelétrica de Itaipu abriu nesta quarta-feira (1º) seu vertedouro, de forma a escoar parte do excesso da água acumulada no reservatório em função das fortes chuvas que atingem a bacia do Rio Paraná. Diante da situação, a Comissão Especial de Cheias da Itaipu (CEAC) informou que está mobilizada para dar “toda a assistência às famílias atingidas pelas inundações, mitigar os impactos para a população ribeirinha e manter o fornecimento de energia elétrica”.

A última vez que a hidrelétrica teve de abrir o vertedouro foi em maio deste ano, e a expectativa é de que a abertura das comportas continue de forma ininterrupta pelo menos até domingo (5). É pelo vertedouro que escoa o excesso de água que não pode ser usada para a produção de energia. Segundo a binacional, a usina está operando normalmente na cota 219,23 acima do nível do mar.

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A abertura do vertedouro é medida adotada com o objetivo de garantir a segurança da barragem em situações de excesso de água. Segundo a empresa, as próximas 72 horas são as que geram maior preocupação, uma vez que o nível máximo da afluência do Rio Paraná deve atingir nesta quarta-feira 18,1 mil metros cúbicos de água por segundo (m³/s).

Mais chuvas

“Desde a madrugada, vem chovendo na bacia dos rios Ivai e Piquiri, principais afluentes da bacia do Rio Paraná. A previsão é de muita instabilidade e de mais chuvas para o período na região, tanto moderadas, quanto intensas, repetindo a magnitude dos valores registrados na semana passada na bacia do Rio Iguaçu, que acabou represando o Rio Paraná”, informou a empresa.

Com as chuvas que ocorreram recentemente na bacia do Rio Iguaçu, a vazão nas Cataratas passou de 24 mil m³/s na segunda-feira (30) – o segundo maior volume já registrado no local, superado apenas pelos 32 mil m³/s de pico em 2014.

A usina é administrada pelo Brasil eo Paraguai. De acordo com nota divulgada pelo lado paraguaio, a vazão média de descarga para os próximos sete dias será de aproximadamente 4.400 m³/s, com pico previsto para domingo (5), de aproximadamente 7.100 m³/s.

Diante da situação, a Comissão de Cheias está mobilizada desde sábado (28), analisando “todos os cenários possíveis para adotar as melhores estratégias que tragam menores impactos para a população e garantam a segurança da barragem”.

A empresa informou que, no lado paraguaio, mais de 385 moradias foram atingidas em diferentes bairros próximos à fronteira com o Brasil. Entre eles estão San Rafael, em Ciudad del Este, com 140 casas alagadas. No país vizinho, cerca de 85 pessoas foram levadas para albergues. Elas estão sendo orientadas a aguardar até que a situação volte ao normal para retornar.

“No lado brasileiro, alguns pontos, como Marco das Três Fronteiras e o Iate Clube Cataratas, no bairro Porto Meira, foram afetados”.

Governo espera que brasileiros deixem Gaza “em breve”, diz embaixador

O governo brasileiro espera que novas listas de estrangeiros autorizados a deixar a Faixa de Gaza contemplem o grupo de 34 brasileiros que aguarda no sul do enclave, há mais de 26 dias, para deixar o território palestino.

“Novas listas serão publicadas em breve e nossos brasileiros devem estar nelas”, afirmou o embaixador do Brasil na Representação do Brasil em Ramala, Alexandro Candeas.

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Na manhã desta quarta-feira (1°), um grupo de 450 estrangeiros foi autorizado a deixar a Faixa de Gaza pela primeira vez desde o início das atuais hostilidades no Oriente Médio, em 7 de outubro.

Segundo o Itamaraty, são pessoas da Austrália, Áustria, Bulgária, Finlândia, Indonésia, Jordânia, Japão e República Tcheca, além de profissionais da Cruz Vermelha e de organizações não governamentais (ONGs).

Feridos deixam Gaza e são levados para hospital egípcio – REUTERS/Arafat Barbakh

Além dos estrangeiros, foi autorizada também a saída de palestinos gravemente feridos. Os cerca de 81 feridos foram conduzidos em ambulâncias pela passagem da fronteira de Rafah, com o Egito.

A agência de notícias Reuters informou que as autorizações para saída dos feridos e estrangeiros foi fruto de um acordo, intermediado pelo Catar, entre o Egito, Israel e o Hamas.  

A autorização para a saída dos estrangeiros ocorre após a intensificação dos conflitos e do avanço, por terra, dos militares israelenses pela Faixa de Gaza.

O brasileiro Hasan Rabee, de 30 anos, que aguarda há 26 dias para deixar a Faixa de Gaza com a esposa e as duas filhas lamentou que os brasileiros ainda não estejam nessa primeira lista.

“Os estrangeiros deixaram Gaza e os brasileiros continuam presos. Onde está a diplomacia brasileira e o governo, em termos de pressão sobre Israel?”, publicou em uma rede social.  

Cisjordânia

Grupo de 33 brasileiros deixam a Cisjordânia, na Palestina – Representação Brasileira em Ramala/Divulgação

Nessa quarta-feira, a Representação do Brasil em Ramala, na Cisjordânia, realizou mais uma etapa da Operação Voltando em Paz e resgatou 33 brasileiros que manifestaram interesse em deixar a região.

Eles saíram de 11 cidades da Cisjordânia com destino à Omã, capital da Jordânia, onde devem embarcar em um voo para o Brasil.

Produção industrial registra 0,1% em setembro, aponta IBGE

A produção industrial brasileira variou 0,1% em setembro. O resultado foi registrado depois de uma variação de 0,2% em relação ao mês no mês anterior e queda de 0,3% em julho. A alta de 5,6% na atividade de indústrias extrativas foi a principal influência positiva no resultado do mês. Já em relação a setembro de 2022, houve um avanço de 0,6%. O acumulado no ano é um recuo de 0,2% e, nos últimos 12 meses, variação nula (0,0%). Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), foram divulgados nesta quarta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o gerente da pesquisa, André Macedo, apesar de ter sido o segundo mês seguido de crescimento, o resultado de setembro da produção industrial nacional, não altera o comportamento de menor dinamismo que a caracteriza nos últimos meses. O indicador mostrou predomínio de taxas negativas. “Para além disso, no índice desse mês, observa-se predomínio de taxas negativas, alcançando três das quatro grandes categorias econômicas e 20 dos 25 ramos industriais investigados.”

Macedo destacou que mesmo com os dois meses seguidos de resultados positivos, o setor industrial permanece 1,6% abaixo do patamar pré pandemia em fevereiro de 2020 e 18,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

“Em linhas gerais, taxa de juros elevada, mesmo com o movimento de redução verificado nos últimos meses, nos ajuda a entender esse comportamento do setor industrial, com influência direta sobre as decisões de investimento, por parte das empresas, e de consumo, por parte das famílias. Para além disso, explica o crédito ainda caro e as elevadas taxas de inadimplência”, analisou.

Entre as atividades, a alta de 5,6% em setembro nas indústrias extrativas, veio depois da atividade acumular perda de 5,6% no período julho-agosto de 2023. Os produtos químicos (1,5%) e de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (0,5%) também foram contribuições positivas relevantes sobre o resultado da indústria no mês.

Conforme o gerente da pesquisa, embora a base de comparação fosse baixa, uma vez que as indústrias extrativas apresentaram duas quedas em sequência, o setor foi favorecido pela maior extração de petróleo e minérios de ferro em setembro. “Esse segmento representa aproximadamente 15% da indústria total e exerce o principal impacto positivo no consolidado do ano”, explicou.

Os principais destaques negativos entre as 20 atividades que tiveram quedas na produção são produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-16,7%), máquinas e equipamentos (-7,6%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-4,1%). No caso de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, o recuo interrompeu dois meses consecutivos de expansão na produção, com acúmulo de ganho no período de 30,2%. Já máquinas e equipamentos e veículos automotores, reboques e carrocerias tiveram quedas depois de conseguirem avanços no mês anterior: 4,9% e 5,7%, respectivamente.

Segundo Macedo, o setor da indústria farmacêutica, se caracteriza por alta volatilidade e são comuns quedas e avanços elevados em sequência ao longo da série. O gerente acrescentou que o recuo de dois dígitos deste mês “guarda relação importante com o avanço de 30,2% acumulado nos meses de julho e agosto de 2023”.

Outro comportamento que o gerente chamou atenção é que os três ramos que mais influenciaram negativamente o setor industrial em setembro exerceram impactos positivos relevantes em agosto, o que conforme afirmou tem sido uma característica da produção ao longo do ano: quedas e avanços que se eliminam. “Isso também acontece com a indústria geral e fica bem caracterizado quando comparamos o patamar de setembro de 2023, que é o mesmo de maio desse ano, com o de dezembro de 2022: verifica-se um saldo positivo de somente 0,3%. Ou seja, passados 9 meses de 2023, a indústria só avançou 0,3% frente ao patamar que havia encerrado o ano de 2022”, completou.

Interanual

Se comparado a setembro do ano passado, o setor industrial teve alta de 0,6%. Nessa comparação, houve resultados positivos em duas das quatro grandes categorias econômicas, 10 dos 25 ramos, 28 dos 80 grupos e 38,8% dos 789 produtos pesquisados. “Vale citar que setembro de 2023 (20 dias) teve 1 dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (21)”, afirmou o IBGE.

No total da indústria, as principais influências positivas foram em coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (11,3%), indústrias extrativas (9,1%) e produtos alimentícios (6,7%). Além disso, o ramo de impressão e reprodução de gravações também apresentou contribuição positiva (17,3%).

Em movimento contrário, na mesma comparação, entre as 15 atividades que apontaram redução na produção, a de veículos automotores, reboques e carrocerias (-15,8%) e de máquinas e equipamentos (-12,4%) foram as maiores influências na formação da média da indústria.

Ainda de acordo com a PIM, outros impactos negativos importantes ficaram com máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-11,5%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-12,0%), produtos químicos (-3,0%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-10,0%), couro, artigos para viagem e calçados (-13,4%), produtos de metal (-6,9%), produtos de minerais não metálicos (-6,6%), produtos diversos (-12,3%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,2%).

Pesquisa

O IBGE informou que desde a década de 1970, a PIM Brasil produz indicadores de curto prazo, relativos ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. “A partir de março de 2023, teve início a divulgação da nova série de índices mensais da produção industrial, após reformulação para atualizar a amostra de atividades, produtos e informantes; elaborar uma nova estrutura de ponderação dos índices com base em estatísticas industriais mais recentes; atualização do ano base de referência da pesquisa; e a incorporação de novas unidades da federação na divulgação dos resultados regionais da pesquisa”, explicou acrescentando que as alterações metodológicas são necessárias e buscam incorporar as mudanças econômicas da sociedade. A próxima divulgação da produção industrial – Brasil será no dia 1º de dezembro.