ICMBio lança plataforma com dados sobre espécies ameaçadas de extinção

Uma nova plataforma lançada pelo ICMBio, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, reúne dados de quase 15 mil espécies avaliadas quanto ao risco de extinção. A plataforma, que ganhou o nome SALVE, vai facilitar a gestão do processo de avaliação de espécies ameaçadas e contribuir para a geração de conhecimento e implementação de políticas públicas para o país.

Rodrigo Jorge, coordenador de Avaliação das Espécies da Fauna em Risco de Extinção do ICMBIO, ressalta que é fundamental contar com uma plataforma com esse nível de detalhamento e organização de dados, que deverão ser atualizados em ciclos de dez anos.

Notícias relacionadas:

Outro destaque do Salve é a transparência, já que o sistema pode ser acessado por qualquer pessoa que queira consultar as informações, como explica Rodrigo Jorge.

O usuário pode fazer consultas por recortes que já estão prontos na plataforma, como por exemplo a categoria das espécies criticamente em perigo, e também dá para fazer associações com diferentes filtros. É possível inserir na busca a espécie pretendida, tanto pelo nome comum, quanto pelo nome científico, e obter dados como grupo, categoria, última avaliação, estados, bioma, classificação taxonômica, distribuição, história natural, entre outros. Os dados podem ser baixados pelo usuário.

Do total de espécies avaliadas no Salve, mais de cinco mil e quinhentas possuem ficha publicada e mais de 1200 estão em alguma categoria de ameaça. A plataforma pode ser acessada no endereço: salve.icmbio.gov.br.

Companhia de dança Itália faz primeira turnê no Brasil

Em sua primeira turnê pelo Brasil, a Companhia de Dança Virgílio Sieni, da Itália, promove nesta segunda-feira (7), a partir das 15h, uma série de workshops que envolvem não só atores e dançarinos profissionais, mas também jovens de comunidades carentes. Esse é o caso da Rocinha, comunidade da zona sul do Rio de Janeiro, onde a organização não governamental Il Sorriso dei miei Bimbi (o Sorriso das minhas Crianças), da italiana Barbara Olivi, trabalha desde 1998 com programas sociais de educação para crianças e jovens. 

A oficina será dada pelos bailarinos da companhia na Biblioteca Parque da Rocinha e é voltada para adolescentes de 13 a 18 anos de idade. O encontro “é pensado para esse grupo de meninos e meninas que já estudam dança”, disse a diretora do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro (IIC-Rio), Livia Raponi, que traz a companhia ao país.

Notícias relacionadas:

Com o título Praticando a Democracia do Corpo, a série de oficinas visa a conduzir os participantes à descoberta do gesto e das possibilidades criativas do corpo em movimento. A segunda oficina ocorrerá nesta terça-feira (8), no teatro do próprio IIC-Rio, às 10h. Poderão participar atores, dançarinos, “mas também pessoas apaixonadas por dança e teatro. É mais aberto a uma plateia variada em termos de idade, de profissão”. Pelo que ela e sua equipe pesquisaram, Livia Raponi afirmou que se trata de experiências imperdíveis. “Não é simplesmente um laboratório de dança, mas tem todo um pensamento, uma filosofia, uma visão de mundo”. Tem que ter interesse para trabalhar com o corpo e com gestos, acrescentou. Ainda há vagas.

O terceiro workshop será na Biblioteca Parque Estadual, no centro da capital fluminense, no dia seguinte (9), às 10h. O público inscrito é procedente de escolas e dança de todo o estado do Rio. Haverá mais uma atividade na Rocinha, no dia 11, às 16h, voltada para crianças de 8 a 11 anos de idade. O último laboratório oferecido pela companhia de dança italiana ocorrerá no dia 17, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que tem uma Faculdade de Dança.

Turnê

Nesta sua primeira viagem ao Brasil, o coreógrafo Virgílio Sieni traz o espetáculo Solo Goldberg Variations, criado por ele a partir da música homônima The Goldberg Variations, de Johann Sebastian Bach. Para ele, o Solo Goldberg Variations constitui “um manifesto, uma representação das fraquezas, das imperfeições, a tensão, as dobras e a poeira, algo que corta o corpo para dar à figura algo que mostre a realidade por meio do corpo tragicômico de palhaço”.

Rio de Janeiro – Companhia de Dança Virgílio Sieni, da Itália, promove série de workshops que envolvem atores, dançarinos profissionais e jovens de comunidades carentes – Foto Giovanni Daniotti/Companhia de Dança Virgílio Sieni

A turnê será aberta nesta terça-feira (8), às 19h, no Teatro da Universidade Federal Fluminense (UFF), situado em Niterói, região metropolitana do Rio. Os ingressos custam R$ 5 e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro ou no site https://www.guicheweb.com.br/pesquisa/centrodeartesuff. A turnê é promovida pelo IIC-Rio, em parceria com o Festival Dança em Trânsito.

No palco, a música será executada, ao vivo pelo pianista Andrea Rebaudengo, enquanto os bailarinos de Virgilio Sieni traduzem a principal marca de sua arte coreográfica, que engloba a experimentação do corpo e as múltiplas linguagens da dança. A apresentação em Niterói conta com apoio da Scuola di Cultura de Niterói e do Centro das Artes UFF de Niterói.

No dia 10, às 20h, o espetáculo ocupará o Teatro Sesc Ceilândia, em Brasília. No dia 14, às 19h, a companhia se apresentará no Teatro do Instituto Italiano de Cultura do Rio de Janeiro; no dia 16, às 20h, o público poderá assistir ao espetáculo no Teatro Fiesp/Sesi, em São Paulo (SP), com apoio do IIC-SP; encerrando a turnê, a companhia se apresentará no dia 18, às 20h, na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia, em Salvador.

Das cinco apresentações que Virgílio Sieni fará no Brasil, três ocorrerão dentro do Festival Dança em Trânsito (Brasília, São Paulo e Salvador). A apresentação no Rio de Janeiro conta com parceria da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa. O retorno da companhia para a Itália está previsto para o dia 20 deste mês. 

Confiança da pequena indústria na economia aumentou em julho

Pela primeira vez no ano, as indústrias de pequeno porte estão otimistas em relação à economia. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) para as indústrias de 10 a 49 funcionários fechou o mês de julho em 50,6 pontos, segundo a pesquisa Panorama da Pequena Indústria.

Elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a pesquisa mostrou que o Icei das indústrias de pequeno porte continua abaixo da média histórica, de 52,8 pontos. No entanto, essa foi a primeira vez no ano em que o indicador ficou acima da linha divisória de 50 pontos, que separa a confiança da desconfiança.

Segundo a CNI, a melhoria do índice é importante porque uma confiança mais elevada pode traduzir-se em mais investimentos e contratações nos próximos meses.

A CNI também mediu o desempenho da pequena indústria, que fechou o segundo trimestre em 44,8 pontos. O índice está acima da média histórica de 43,8 pontos para todos os meses e acima da média de 42,6 pontos para o segundo trimestre.

O Índice de Desempenho vai de 0 a 100 e, diferentemente do Índice de Confiança, não tem uma linha divisória nos 50 pontos. De acordo com a CNI, o desempenho considera vários parâmetros, como a evolução do volume de produção ou do nível de atividade, o nível de utilização da capacidade instalada e a evolução do número de empregados.

Esse índice chegou a cair 3,5 pontos de março para abril, mas avançou 2,4 pontos de abril para maio e 0,4 ponto de maio para junho. A queda no primeiro mês do trimestre, ressalta a CNI, foi insuficiente para reverter o quadro positivo.

Problemas

O Panorama da Pequena Indústria também mediu os principais problemas das indústrias de pequeno porte. Os empresários das pequenas indústrias de transformação citaram, em primeiro lugar, a elevada carga tributária, com 41,6% de menções, seguido de demanda interna insuficiente (32,4%) e das taxas de juros elevadas (27,4%).

Para a indústria da construção de pequeno porte, as taxas de juros elevadas lideram as preocupações, com 33,3% das citações, seguido de burocracia excessiva (27,6%) e da carga tributária elevada (26,0%).

Líder Botafogo fica no 0 a 0 com o Cruzeiro no Mineirão

O líder Botafogo empatou sem gols com o Cruzeiro, na noite deste domingo (6) no estádio do Mineirão, em partida válida pela 18ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Mesmo com este resultado o Glorioso continua com uma vantagem considerável na primeira posição, com o total de 44 pontos e 13 de vantagem sobre o vice-líder Flamengo.

Notícias relacionadas:

Após um primeiro tempo com poucas oportunidades de lado a lado, a Raposa, que terminou a rodada na 11ª posição com 24 pontos, foi melhor na etapa final. Mas o goleiro Lucas Perri brilhou para manter o placar inalterado em uma partida na qual o atacante Tiquinho Soares sofreu uma entorse no joelho esquerdo.

Dourado vence

Já na Arena Pantanal o Cuiabá mostrou eficiência para bater o Flamengo por 3 a 0. Esta foi a quarta vitória consecutiva do Dourado na competição, que pulou para a 8ª posição com 28 pontos. Já o Rubro-Negro permanece na vice-liderança com 31 pontos.

Após um primeiro tempo sem gols, o Cuiabá abriu o placar logo no primeiro minuto com Matheus Alexandre. Sete minutos depois Clayson tabelou com Deyverson antes de ampliar para 2 a 0. E o próprio Deyverson deu números finais ao jogo após Wellington Silva se livrar de Allan na ponta direita e cruzar rasteiro.

Outros resultados:

Vasco 1 x 0 Grêmio
São Paulo 0 x 2 Atlético-MG
Coritiba 0 x 1 Bragantino
Bahia 3 x 1 América-MG

Série D: Maranhão supera Tuna Luso e alcança oitavas

O Maranhão está nas oitavas de final da Série D do Campeonato Brasileiro. Na tarde deste domingo (6), com transmissão da TV Brasil, o time bateu o Tuna Luso por 5 a 4 na disputa de pênaltis na Arena Curuzu, em Belém, e manteve vivo o sonho de ficar com uma das quatro vagas de acesso à Série C.

No tempo regulamentar, o Maranhão foi melhor durante a maior parte do jogo e, aos 34 minutos da etapa final, conseguiu a vantagem de 1 a 0 que precisava para levar o jogo para as penalidades máximas, após derrota de 3 a 2 na partida de ida. O gol decisivo foi marcado pelo atacante Rafael. Aos 49 minutos da etapa final, os visitantes ainda tiveram a oportunidade de sacramentar a vaga em cobrança de pênalti. Mas Rodriguinho cobrou mal e o goleiro Rafael defendeu.

Notícias relacionadas:

Com a vitória de 1 a 0 do Maranhão nos 90 minutos a vaga foi definida nas cobranças de pênaltis, onde a única cobrança desperdiçada foi do volante Samuel da Tuna Luso, que deslocou o goleiro adversário, mas acabou mandando a bola para fora.

Na próxima fase o time de São Luís enfrentará o Retrô, que superou o Pacajus.

Tecnologia e inovação são caminho para sistemas alimentares amazônicos


A bioeconomia é a solução para o desenvolvimento econômico da Amazônia, em detrimento de práticas ilegais, e a tecnologia e a inovação devem ser aliadas na construção de sistemas alimentares sustentáveis e para produção de alto valor agregado na região. Essa é a avaliação das autoridades que estiveram na abertura da plenária “Diálogos sobre Bioeconomia Amazônica: Transformação Rural Inclusiva”, que ocorreu neste domingo (6) no âmbito da iniciativa Diálogos Amazônicos, em Belém (PA). 

Para a vice-diretora da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Maria Helena Semedo, a bioeconomia amazônica deve acompanhar uma transformação rural inclusiva e que reconhece o papel dos povos indígenas e das comunidades tradicionais da região. Segundo ela, essas populações devem participar do processo decisório e não apenas ser objeto de consulta. 

Notícias relacionadas:

“Estamos falando do uso sustentável dos recursos da região para a produção de alimentos e outros produtos de alto valor agregado, promovendo a exploração responsável e sustentável dos recursos naturais com o objetivo de trazer benefícios econômicos, sociais, ambientais para a região, mas principalmente para as comunidades locais que muitas vezes têm sido deixadas para trás”.  

Para isso, segundo Maria Helena, é preciso desenvolver modelos de transformação sustentáveis e fortalecer as cadeias produtivas. “A pesquisa, a inovação tecnológica, a ciência têm que ser parte de todo o processo de transformação. Se não houver saber, não haverá soluções e inovação”, acrescentou, destacando a importância dos saberes tradicionais e ancestrais nos processos de desenvolvimento. 

A vice da FAO citou três pontos de discussão que precisam avançar para transformação inclusiva da Amazônia: estratégias para o combate à fome e à pobreza, redução de desigualdades e equidade no acesso a recursos; análise da sustentabilidade para economia amazônica, da governança da posse da terra, da gestão sustentável dos recursos e uso coletivo do território pelos povos indígenas afrodescendentes e comunidades tradicionais; e os desafios e as oportunidades para a produção sustentável e abastecimento de alimentos, com o fortalecimento da agricultura familiar com participação das mulheres rurais. 

A plenária deste domingo faz parte do evento técnico realizado com apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) que visa promover um entendimento comum entre os países da Amazônia sobre a adoção de um modelo de bioeconomia amazônica por meio da transformação de sistemas agroalimentares. Os debates têm foco no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1, 2 e 10 – acabar com a pobreza; fome zero; e redução das desigualdades, respectivamente. 

O governador do Pará, Helder Barbalho, explicou que em 2022 o governo local construiu o seu plano estadual de bioeconomia, com o estudo de 43 produtos potenciais para o comércio, que, conforme ele, “dialogam diretamente de forma sustentável com a floresta”. A projeção é de exportações na ordem de US$ 120 bilhões por ano.  

“Uma vocação econômica e social que certamente estará trabalhando de maneira conjugada com outras vocações de uso do solo. Mas esta vocação como a estratégia central da geração de empregos verdes, da geração de oportunidades que dialoguem, com a conservação, com a regeneração e com oportunidade de ter uma floresta viva, intensa, pujante e preservada”, disse o governador, acrescentando que o estado produziu apenas US$ 256 milhões para exportação no último ano. “Isso significa 0,3% de toda a oportunidade que a bioeconomia pode trazer para nossa região”. 

Para Barbalho, a transição para o uso sustentável do solo deve estar no mesmo nível de intensificação da fiscalização ambiental e redução do desmatamento, para permitir uma porta de saída às ilegalidades. Ele defendeu ainda os investimentos em ciência, tecnologia e inovação para “conhecer a nossa biodiversidade”. “Isto precisa ser transversal como política do Estado brasileiro, dos estados subnacionais e locais, isto precisa ser um chamamento a todos os organismos de financiamento, sejam nacionais sejam internacionais”, destacou. 

Proteção da floresta 

Segundo a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, as metas do governo são proteger pelo menos 80% da Floresta Amazônica e sua biodiversidade, reduzir a zero o desmatamento e avançar na demarcação das terras indígenas e titulação de territórios quilombolas. 

“Sem proteção e regularização jurídica não é possível avançar em novos sistemas de produção. Sem políticas públicas ativas para o etnodesenvolvimento não é possível evitar o avanço daqueles que querem destruir a floresta. Sem políticas públicas efetivas, avançam o garimpo, o tráfico, o desmatamento e a violência. Precisamos de alternativas ao modelo de destruição e precisamos construí-las logo”. 

A ministra destacou que a comunidades estão avançando na constituição de seus planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), instrumentos de destaque na implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).  

“É a partir desses PGTAs, construídos e articulados com nossa política nacional, que os povos indígenas poderão mostrar a todo mundo qual a melhor forma de proteger a floresta e a biodiversidade, que é aquela forma que também respeita as culturas e os modos de vida, que apontam que ser humano e natureza devem caminhar juntos”, destacou. 

O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, endossou a fala da ministra e disse que a primeira tarefa é encerrar a destruição da floresta e a agressão a povos indígenas e populações tradicionais. “É o trabalho que nós todos juntos devemos implementar para que haja ambiente adequado para prosperar uma economia da floresta. Sem floresta não há bioeconomia”, disse. 

De acordo com Capobianco, o Fundo Amazônia já investiu cerca de 27% dos recursos em ações de apoio a bioeconomia, mais de RS 400 milhões. E o objetivo do governo é aumentar esses números.  “Nós queremos que o Fundo Amazônia tenha como prioridade máxima apoiar a transição econômica na Amazônia”, disse. 

As propostas do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, são o incentivo à produção de itens da biodiversidade local, o desenvolvimento de uma agricultura regenerativa, de florestas produtivas e a instalação de agroindústrias na região. 

“Uma agricultura que possa reconstruir esse grande bioma amazônico, no sentido da sua restauração, por isso um sistema agroflorestal de florestas produtivas voltadas para investimentos na área do açaí, por exemplo, do cacau, da castanha. São produtos muito valorizados e que podem trazer uma renda para o povo amazônico. Ao mesmo tempo, nós queremos agregar a esse programa, junto com BNDES com MMA, um programa de cooperativas e de agroindústria”, disse Teixeira. 

Após a abertura da plenária, mesas de discussões técnicas foram instaladas. 

Os Diálogos Amazônicos são um evento prévio à Cúpula da Amazônia, ambos em Belém. O evento é responsável pelo desenvolvimento das propostas da sociedade civil a serem apresentadas aos presidentes dos países amazônicos participantes da cúpula, que acontece nos dias 8 e 9 de agosto. 

A Cúpula da Amazônia reúne os países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), organização criada em 1978, que estava há 14 anos sem uma reunião. Formada por Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, a OTCA forma o único bloco socioambiental da América Latina. O governo brasileiro convidou para Cúpula a Guiana Francesa, que não está na OTCA, mas detém territórios amazônicos, além da Indonésia, da República do Congo e da República Democrática do Congo, países com grandes florestas tropicais ainda em pé. 

Cúpula: acordo deve evitar ponto de não retorno da Amazônia


O acordo a ser firmado entre os países amazônicos, ao fim da Cúpula da Amazônia, que ocorre nos dias 8 e 9 deste mês em Belém (PA), deve incluir, obrigatoriamente, medidas para evitar o ponto de não retorno da maior floresta tropical do mundo. 

A declaração foi dada pelas ministras do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e suas colegas da Colômbia, Susana Muhamad, e do Peru, Nancy Chauca Vásquez, neste domingo (6) durante os Diálogos Amazônicos, evento que termina neste domingo (6) na capital paraense e que precede a cúpula. 

Notícias relacionadas:

O ponto de não retorno é um termo usado por especialistas para se referir ao ponto em que a floresta perde sua capacidade de se autorregenerar, em função do desmatamento, da degradação e do aquecimento global, tendendo, então, ao processo de desertificação. 

Marina destacou que a declaração final vai ser dada pelos presidentes dos países participantes, mas que já há pontos em comum nas discussões prévias. 

“Há uma compreensão de todos os presidentes de que a Amazônia não pode alcançar o ponto de não retorno. E para evitar o ponto de não retorno, vamos ter que trabalhar não mais individualmente, mas conjuntamente, num esforço regional, para nos ajudar mutuamente a alcançar melhores resultados na proteção das florestas, da biodiversidade, dos povos originários, no estabelecimento de uma parceria que nos leve a um outro ciclo de prosperidade. Esse é um entendimento comum”. 

Susana Muhamad destacou a importância dos conhecimentos tradicionais nas discussões. 

“Estamos de acordo que o ponto de não retorno deve ser um propósito comum. E que devemos ter um suporte científico e também dos conhecimentos tradicionais. Há outro ponto de acordo que é o fortalecimento da OTCA [Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, constituída por Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela] como meio de encontro e a necessidade de manter a constância do trabalho político e técnico entre os governos e também as comunidades”. 

Ela destaca que a mensagem é que se a crise climática continuar, corremos o risco de perder a Amazônia. “Há corresponsabilidades locais, nacionais, multilaterais e também mundiais. Creio que os presidentes também vão se fazer muito claros sobre isso”, completou a ministra da Colômbia. 

Chauca Vásquez explicou que seu país tem tentado viabilizar leis que endureçam as punições contra os crimes ambientais, porém isso depende mais dos parlamentares peruanos do que do Poder Executivo. 

“Nós trazemos um compromisso firme de luta contra a criminalidade, contra as atividades ilegais. No Peru, estamos fazendo esforços, acabamos de constituir uma comissão multissetorial, porque atender a Amazônia não é só uma responsabilidade do setor ambiental. Atender a Amazônia passa por trabalhar multissetorialmente, fechar as brechas em educação, saúde, água e saneamento, ter energia limpa para todos. Mas também em oportunidades de geração de bionegócios, queremos e podemos fazer cadeias de valor produtivas e de serviços sustentáveis”. 

Encerrando a declaração à imprensa, Marina destacou que 75% do PIB da América do Sul está relacionado às chuvas produzidas pela Amazônia. 

“Sem a Amazônia, não tem como ter agricultura, não tem como ter indústria, não tem como o Brasil sequer ter vida no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porque a ciência diz que seria um deserto igual o deserto do Atacama ou do Saara. Portanto, não é uma questão de quantidade em termos de peso populacional, é uma questão de trabalharmos com o princípio da justiça ambiental e do PIB dos serviços ecossistêmicos que são gerados por essa região”. 

Anielle Franco anuncia comitê de enfrentamento ao racismo ambiental


O que muda a vida das pessoas são políticas públicas bem construídas, compromissadas e com financiamento adequado, afirmou a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ao participar neste domingo (6) da plenária “Amazônias Negras: Racismo Ambiental, Povos e Comunidades Tradicionais”, em Belém (PA), dentro da programação do Diálogos Amazônicos.

“As políticas que estamos construindo precisam ser efetivas para fazer a diferença na vida das pessoas”, disse.

Notícias relacionadas:

Dentro da construção de políticas voltadas ao povo amazônico, Anielle Franco citou pacto firmado com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para a criação do Comitê de Monitoramento da Amazônia Negra e Enfrentamento ao Racismo Ambiental. Com o governo do Pará, foi assinado acordo de cooperação técnica para medidas emergenciais de mitigações graves, questões socioambientais enfrentadas pela população do arquipélago de Marajó, além de parceria com a Secretaria de Igualdade Racial e Direitos Humanos do Pará para criação de políticas públicas na temática.

Dados do Censo 2022, divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 32,1% dos residentes da Amazônia Legal são quilombolas, descendentes de africanos.

 “São vidas impactadas pelas mudanças climáticas, que provocam desastres de alto risco para quem habita moradias precárias em áreas de alto risco, sem acesso ao saneamento básico, convivendo com a poluição de rios e mares, com a pobreza e a incerteza sobre a vida do amanhã”, ressaltou, lembrando o papel dos povos da região como agentes defensores da sociobiodiversidade.

A ministra defendeu ainda a demarcação de terras indígenas e a titulação de territórios quilombolas. “É preservar a Amazônia. Isso é salvar o mundo. A gente não tem mais tempo a perder. A gente quer celebrar as mulheres e jovens negros em vida, quer salvar os nossos territórios, quer defender o nosso sagrado em vida”.

Anielle Franco destacou que o evento Diálogos Amazônicos é momento de construção de políticas públicas para a população mais vulnerabilizada e apagada dos processos de decisão. “É ainda um momento de denúncia e de alerta para que a Amazônia não seja vista somente como pulmão do mundo, mas como a morada de pessoas indígenas, negras, quilombolas, dos povos de terreiro e comunidades tradicionais que vivenciam desigualdades e violências cotidianas”, disse, ao defender que o combate ao racismo ambiental tenha prioridade nos debates da Cúpula da Amazônia, que irá reunir chefes de Estado dos países amazônicos nos próximos dias 8 e 9.

Jovens

Aos jovens estudantes presentes na plenária, a ministra da Igualdade Racial salientou que sempre ouviu de sua mãe que conhecimento ninguém tira de uma pessoa. “Eu espero que vocês saibam o tamanho da responsabilidade que nós temos na mão e que nunca devem desistir de lutar pelo que acreditam”.

Anielle comentou que a presença dos jovens no evento já representava um gesto político, porque “as estatísticas comprovam que os nossos jovens e as nossas jovens negros tombam a cada minuto”. Para ela, o fato de esses jovens estarem vivos já era um gesto político. “Não deixem que ninguém diminua ou dilua o sonho de vocês. Jamais. Que vocês estudem cada vez mais. Porque o conhecimento abre portas e, por mais que nos neguem esses espaços, que vocês entendam cada vez mais que é necessário adentrar em espaços como esses”.

Para que isso possa acontecer, entretanto, a ministra insistiu que o conhecimento será essencial. “Se cuidem. Cuidem uns dos outros, sempre, porque a nossa luta só faz sentido porque ela é coletiva”, concluiu.

Henrique Avancini fatura bicampeonato mundial de Mountain Bike

Henrique Avancini conquistou, na manhã deste domingo (6), o título do Campeonato Mundial de Mountain Bike, na categoria Maratona, disputado em Glasgow (Escócia).

Notícias relacionadas:

O brasileiro alcançou este feito após finalizar a prova em 4h14min42s. O tcheco Martin Stosek foi o segundo colocado, ficando 28 segundos atrás do atleta do Brasil. Lukas Baum, da Alemanha, fechou o pódio.

Avancini já tinha o título dessa mesma prova, que não faz parte do programa dos Jogos Olímpicos. A conquista foi alcançada na edição de 2018 do Mundial, disputada em Val di Sole (Itália). Em 2021, o atleta da equipe Caloi/Henrique Avancini Racing conquistou a prata na categoria Short Track (XCC), também em território italiano.

Nos próximos dias o brasileiro competirá, no Mundial da Escócia, na prova de Cross Country Olímpico (XCO), que faz parte do programa olímpico, e na do Short Track (XCC).

Marcus D´Almeida ganha bronze no Mundial de tiro com arco

O brasileiro Marcus D´Almeida garantiu a medalha de bronze no Campeonato Mundial de tiro com arco em Berlim (Alemanha). Na manhã deste domingo (6), o brasileiro acabou superado já na semifinal do torneio pelo turco Mete Gazoz, campeão olímpico da prova, por 6 a 4. A medalha foi garantida contra o indonésio Arif Dwi Pangestu, que o atleta do Brasil bateu por 6 a 4.

Notícias relacionadas:

Durante a trajetória até a medalha, D´Almeida passou, nas oitavas de final, pelo vice-campeão olímpico Mauro Nespoli, e, nas quartas de final, pelo sul-coreano Kim Je-deok, dono de duas medalhas de ouro em Jogos Olímpicos. Esta é a segunda medalha seguida do brasileiro no torneio. Em 2021 ele ficou com a prata.

O pódio no campeonato de 2023 também garantiu a presença do atleta brasileiro na próxima edição dos Jogos Olímpicos, que serão disputados em Paris (França), em 2024. Marcus, que atualmente lidera o ranking mundial da prova, ficou na 33ª colocação nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, e completou os Jogos de Tóquio na 9ª posição.

Apib quer projetos territoriais na Amazônia afetada pelo narcotráfico


No evento Diálogos Amazônicos, realizado em Belém, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) quer, além da proteção dos territórios das comunidades, o fortalecimento de projetos de gestão territorial afetados pelo narcotráfico.

Segundo o coordenador executivo da entidade, Kleber Karipuna, que participa do evento prévio à Cúpula da Amazônia, as propostas preparadas para serem entregues aos oito chefes de Estado que participarão da Cúpula da Amazônia, a partir do dia 8 de agosto, já representam um cenário de “novos tempos” para os povos indígenas.

Notícias relacionadas:

“Daqui para a frente, a Cúpula poderá ser o evento alavancador de propostas, debates e novos espaços de diálogo, caso essas propostas façam sentido para as realidades dos povos indígenas brasileiros”, disse ele à Agência Brasil. “Temos grandes expectativas e estamos articulando estratégias com as lideranças e organizações indígenas e parceiras para levar protagonismo e as pautas indígenas para esses espaços”, acrescentou.

Karipuna disse que as expectativas são positivas, pois representam oportunidade de levar as pautas indígenas aos espaços de poder. “É um espaço fundamental para proporcionar o debate das propostas e discussões relacionadas aos povos indígenas dos países amazônicos e apresentá-las aos presidentes da Bacia Amazônica, incluindo a Guiana Francesa”.

Durante os debates, a Apib tem defendido, conforme ele, a proteção dos territórios amazônicos; o fortalecimento dos projetos de gestão territorial, principalmente, nas regiões de fronteira que têm sido afetadas pelo avanço do narcotráfico. “Além disso, posso citar também a pauta climática”.

Karipuna lembrou que, em abril, os povos indígenas decretaram emergência climática durante o Acampamento Terra Livre, em Brasília. “A Apib vai continuar reforçando a importância das demarcações de terras indígenas e da derrubada da tese do marco temporal no combate à crise climática”, afirmou.

“Teremos, em breve, a COP30 no Brasil. É necessário que a gente continue presente, protagonizando e apresentando as pautas do movimento indígena em eventos como esse, bem como avançando nas políticas que garantam os direitos dos povos originários”, complementou.

Brasileiras são prata na Copa do Mundo de ginástica de trampolim

O Brasil chegou ao pódio na etapa de Palm Beach (EUA) da Copa do Mundo de Ginástica de Trampolim. As atletas Alice Gomes e Camilla Lopes conquistaram, no último sábado (5), a pontuação de 48.360 pontos no sincronizado feminino e ficaram com a medalha de prata.

O ouro ficou com as norte-americanas Nicole Ahsinger e Sarah Webster, que somaram 48.550 pontos, e o bronze foi para o time da Austrália, formado por Jéssica Pickering e Abbie Watts, com 47.510 pontos.

Notícias relacionadas:

Já no individual Camilla Gomes, que já conquistou três medalhas em etapas da Copa do Mundo neste ano, foi novamente à final, e ficou com a sétima colocação.

Jogos Mundiais Universitários – Dia 14: Brasil é prata no basquete

Último dia de cobertura de esportes em Chengdu (China). Na próxima segunda-feira (7), no início da noite, sairemos da Vila dos Atletas em direção ao Aeroporto Internacional Tianfu. Já na madrugada de terça-feira (8) terá início o nosso retorno ao Brasil: parada na Etiópia, São Paulo e, finalmente, Rio de Janeiro.

A programação era tentar acompanhar duas disputas de medalhas. À tarde o vôlei feminino em busca do bronze. À noite a expectativa do primeiro ouro no basquete masculino. Vamos começar pelo basquete.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por C B D U (@cbdu)

O belíssimo ginásio Fenghuangshan Sports Park estava lotado para ver Brasil e República Tcheca. Para quem gosta de emoção, o confronto foi um prato cheio. Desde a primeira bola levantada até o último segundo de jogo, não havia qualquer pessoa que pudesse afirmar quem seria campeão.

A cada minuto as equipes se alternavam na liderança. O nervosismo era nítido e tanto Brasil quanto República Tcheca mostravam afobação e erravam lances que, em condições normais, acertariam. A decisão ficou mesmo para os 30 segundos finais. A República Tcheca estava dois pontos à frente no placar e ainda tinha a posse de bola. Gastou o máximo de tempo que conseguiu e tinha dois lances livres faltando menos de dez segundos. A primeira caiu. A segunda não entrou e o Brasil teve a chance de, ao menos, empatar.

Caio pegou o rebote e, no contra-ataque, tentou de três. A bola tocou no aro e saiu. O cronômetro zerou e o ouro acabou ficando com os adversários. Medalha de prata para o basquete brasileiro, que fez bonito na China. Venceu times fortes como os donos da casa, a Lituânia e os Estados Unidos.

Vôlei feminino em quarto

Na disputa da medalha de bronze no vôlei feminino, o Brasil acabou sendo superado pela Polônia, mesmo adversário da primeira rodada. Se no início da competição a seleção brasileira conseguiu vencer após estar perdendo por 2 sets a 0, desta vez foram as polonesas que viraram. Placar final de 3 a 1 com parciais de 12/25, 25/23, 25/21 e 25/20.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por C B D U (@cbdu)

Natação e atletismo

A natação garantiu mais uma medalha para o Brasil: bronze no revezamento 4×200 metros estilo livre com Breno Correia, Vinícius Assunção, Eduardo de Moraes e Kaique Alves. Já no atletismo Letícia Lima, Marlene dos Santos, Giovana dos Santos e Anny de Bassi conquistaram a medalha de prata no revezamento 4×400 metros feminino. A Polônia levou a medalha de ouro e a Suíça ficou com o bronze.

* Maurício Costa viajou como integrante da delegação da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). A entidade convidou a EBC para participar da cobertura durante os 17 dias de competição em Chengdu.

Extrativistas querem que produtos tenham chancela de povo amazônico


O presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Júlio Barbosa, um dos participantes dos debates do Diálogos Amazônicos em Belém (PA), resume em uma palavra temas e objetivo do evento que antecede a Cúpula da Amazônia: sociobioeconomia.

“Precisamos debater agora que tipo de bioeconomia nós queremos para os povos da Amazônia. Nesses debates sobre desenvolvimento sustentável e bioeconomia, o que queremos? Aquela bioeconomia dentro da visão empresarial, onde o lucro fica concentrado na mão de poucos e a classe trabalhadora acaba sendo usada como mão de obra barata? Nós entendemos que é preciso envolver os povos da Amazônia”, disse à Agência Brasil.

Notícias relacionadas:

“O que defendemos é uma sociobioeconomia que leve em consideração a forma de vida das populações que habitam a Amazônia”, complementou ao dizer que as discussões não devem se limitar a “mercado, produto e preço”.

Morador da reserva extrativista Chico Mendes, no Acre, o seringueiro diz que a sociobioeconomia observa produtos, mas em um aspecto muito mais importante, que envolve todo o processo de proteção de um determinado território, conservação de culturas e defesa de tradições.

“Sem isso, não haverá qualquer perspectiva [das discussões em debate], porque não podemos pensar isso em uma situação na qual a questão fundiária amazônica continue sendo uma bagunça, vendo nossa biodiversidade sendo destruída a todo momento pela ganância do capital e pelos mega projetos defendidos pelo agronegócio brasileiro”, acrescentou.

As expectativas sobre a conclusão dos trabalhos é, segundo ele, positiva, desde que, de fato a voz dos povos seja escutada, inclusive para questões relativas à segurança e ao combate a crimes praticados em território amazônico, como tráfico de drogas, grilagem e violência contra comunidades tradicionais.

“Precisamos de um esquema muito forte de segurança e proteção das fronteiras pan-amazônicas, que vão além da Amazônia brasileira,. Por isso, todos os governantes e chefes de Estado dos oito países precisam assumir, de fato, compromissos para enfrentar as ilegalidades da exploração do garimpo; o narcotráfico, que entra muito forte na nossa região e em nossos territórios”.

Com relação ao governo brasileiro, ele cobra o compromisso de rever a matriz energética do país. “Não podemos utilizar riquezas da Amazônia para fornecer energia elétrica para o grande setor empresarial do Sul do país, com seus grandes parques industriais, enquanto nossas comunidades [do Norte] estão sem um sistema de energia adequado”, argumentou ao defender a realização de consultas prévias à população, antes do aval a empreendimentos hidrelétricos.

Os Diálogos Amazônicos são um evento prévio à Cúpula da Amazônia. Ambos ocorrem em Belém, sendo os Diálogos responsáveis pela produção das propostas da sociedade civil a serem apresentadas aos presidentes dos países amazônicos participantes da cúpula, a partir do dia 8 de agosto. Ministros do governo reforçaram que o principal objetivo do Diálogos Amazônicos é retomar espaço de conversa e debate com povos que vivem na região para condução do desenvolvimento sustentável.  

Caminhos da Reportagem traz história de naufrágio de navio escravista

A história de um navio escravista afundado pelo seu próprio comandante em Angra dos Reis, no litoral fluminense, vem sendo contada e recontada há várias gerações no Quilombo Santa Rita do Bracuí.

“Não foi um acidente, foi uma chacina”, afirma a liderança quilombola Luciana Adriano da Silva, já que muitos dos africanos transportados forçadamente teriam sido abandonados para morrer no mar. Encontrar a embarcação e “fazer esta denúncia para o mundo é uma das formas de reparação por tudo o que os nossos antepassados sofreram,” completa.

Notícias relacionadas:

Passados 170 anos do naufrágio, arqueólogos mergulham na Baía da Ilha Grande para buscar o brigue Camargo, envolvido num dos episódios mais emblemáticos do período em que o tráfico transatlântico de africanos escravizados já havia sido proibido no Brasil, mas continuava a ocorrer de forma clandestina debaixo das vistas grossas das autoridades. Segundo o arqueólogo Luís Felipe Santos, presidente do Instituto AfrOrigens, existem diversos achados, alguns compatíveis com o período estudado. Mas ainda serão feitas análises antes da conclusão da pesquisa.

Em dezembro de 1852, o capitão norte-americano Nathaniel Gordon trouxe 500 moçambicanos para serem escravizados nas fazendas de café do Vale do Paraíba. Perseguido pela patrulha naval, afundou o barco e fugiu disfarçado de mulher.  Dez anos mais tarde, depois de ser pego no comando de outra embarcação escravista, Gordon foi a primeira e única pessoa a ser julgada e enforcada pelo crime de tráfico de africanos nos Estados Unidos, diz o documentarista Yuri Sanada, diretor da produtora Aventuras Produções e roteirista de um filme a ser produzido sobre o malfadado capitão.

Aqui no Brasil, a polícia entrou nas fazendas para apreender os africanos recém-chegados e investigou os fazendeiros envolvidos na organização criminosa.  Era a primeira vez que o império brasileiro tomava uma atitude em relação ao tráfico ilegal, afirma Martha Abreu, professora do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense. “Chegaram outros navios?  Podem ter chegado, mas realmente a partir do Camargo foi um sinal, olha, não dá mais.”

Um dos envolvidos no escândalo era o comendador José de Souza Breves, proprietário do antigo engenho Santa Rita do Bracuí, atual território do quilombo. Segundo a griô e coordenadora da Associação de Remanescentes do Quilombo Santa Rita do Bracuí (ARQUISABRA), Marilda de Souza Francisco, a propriedade era na verdade uma fachada para o tráfico. Uma estrada que passava por dentro da fazenda levava os africanos aos cafezais da cidade de Bananal, no interior de São Paulo.

Depois de mais de um século de resistência e batalha por reconhecimento, o quilombo está prestes a receber o título das terras pelo Incra e espera que a história do brigue Camargo não seja esquecida. Uma das ideias em discussão é que o local do naufrágio se torne um ponto de visitação turística em benefício da comunidade.

As buscas são financiadas pelo Slave Wrecks Project, da rede americana de museus Smithsonian, que rastreia naufrágios no Oceano Atlântico. Nos últimos anos, navios escravistas já foram encontrados nos Estados Unidos e Moçambique. “A proposta do projeto é fazer com que este passado seja útil no presente”, diz Stephen Lubkemann, co-diretor do Slave Wrecks Project.

Se os pesquisadores de fato encontrarem o brigue Camargo, será um feito inédito. “O apagamento histórico é muito forte. A nossa pesquisa é a primeira de um navio escravagista no Brasil, depois de tantos e tantos anos,” afirma o arqueólogo Julio Cesar Marins.

O programa vai ao ar neste domingo (06)  às 22h, na TV Brasil.

Potencialidades de favela do estado do Rio são tema de documentário

Um menino jogando futebol na rua ao entardecer. Esta imagem pode parecer normal e cotidiana, mas, quando se examina melhor o contexto em que está inserida, chega-se à conclusão de quão natural e banal se tornou a violência em algumas comunidades. A imagem foi feita após um dia de intenso tiroteio na Favela da Marambaia, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, em 2022, pela fotógrafa Anna de Souza, mais conhecida como Anna Drew.

Em entrevista à Agência Brasil, Anna Drew contou que saiu para comprar pão logo após a troca de tiros. “Avistei os meninos lá em cima, como se nada tivesse acontecido. Eles começaram a jogar bola, essa imagem me prendeu de alguma forma, e consegui tirar a foto.”

Notícias relacionadas:

Para Anna, a violência se tornou parte da vida de quem mora na favela, pois as pessoas têm que sair logo depois do tiroteio para trabalhar, estudar e continuar a rotina. 

A fotografia foi escolhida para o cartaz da 10ª edição do Curso de Extensão Mídia, Violência e Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ressalta a resiliência dos moradores que seguem em frente, mesmo diante da adversidade. Anna disse que “sentiu” que a foto do menino poderia ser usada em algo importante. 

História de vida

Anna começou a carreira fotografando os bastidores das peças das quais participava, em um curso de teatro próximo de sua casa, onde foi acolhida por quatro ano após ter sido expulsa de casa ao revelar aos pais sua homossexualidade. Durante esse tempo, ela aprendeu a fotografar, dirigir e atuar.

Atualmente, a jovem está produzindo o documentário Minha Favela, Minha Vida, no qual pretende mostrar a realidade dos moradores da comunidade onde nasceu e cresceu. Anna disse que as imagens já foram gravadas e que o vídeo está editado. Agora, ela busca recursos técnicos e financeiros para lançar o projeto.

“Eu achava que, por não ter o equipamento adequado, não conseguiria [filmar], mas agora já tenho um roteiro escrito, estou buscando uma maneira de lançar o documentário. Quero mostrar o que as pessoas da favela acham da favela e não o que é mostrado pela mídia em geral”. Tudo foi filmado e editado em aparelho celular.

No filme, a fotógrafa quer destacar as potencialidades dos moradores da Marambaia, os pontos culturais, a culinária e o cotidiano das pessoas da favela. Formada em Comunicação Popular pelo Coletivo BemTV, de Niterói, Anna Drew pensa em abrir uma produtora e dar seguimento ao compromisso de retratar a realidade de pessoas anônimas e mostrar os moradores das favelas, expondo seus aspectos positivos, que são frequentemente estigmatizados.

Anna já confirmou presença na aula sobre comunicação comunitária e outras narrativas, que será ministrada na 10ª edição do curso de extensão Mídia, Violência e Direitos Humanos. Promovido pelo Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos Suely Souza de Almeida (Nepp–DH), o curso terá aulas às quartas-feiras, das 17h às 20h, de 6 de setembro a 8 de novembro, no Auditório do Nepp-DH, no campus universitário da UFRJ na Praia Vermelha, no bairro da Urca. 

As aulas serão transmitidas pelo Canal MVDH no YouTube. Para acessar o edital completo e o formulário de inscrição, é preciso acessar este link.  As inscrições podem ser feitas  até o dia 13 deste mês.

*Estagiário sob supervisão de Akemi Nitahara 

RJ: pesquisadores comemoram aumento do número de micos-leões-dourados

Após um surto de febre amarela que surgiu a partir de 2017 que reduziu em cerca de 32%, em dois anos, a população do mico-leão-dourado, a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) comemora neste mês de agosto o crescimento da espécie de 2,5 mil indivíduos, em 2019, para 4,8 mil, em 2023. “Foi um risco muito grande que a gente estava correndo e sentindo de perder muito mais. Mas, felizmente, agora com o novo levantamento, a gente está constatando que esse surto está sob controle e a população voltou a aumentar”, disse nesta sexta-feira à Agência Brasil o secretário-executivo da AMLD, geógrafo Luís Paulo Ferraz. O Dia Nacional do Mico-Leão-Dourado foi comemorado no último dia 2. 

A ideia é compartilhar esse trabalho de conservação com o público, com visitantes, escolas, pessoal da região e com turistas internacionais. Com esse objetivo, a AMLD construiu no Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado um mirante e duas estruturas para facilitar a observação da fauna e da flora da região. 

Notícias relacionadas:

Em setembro próximo, a AMLD vai inaugurar no parque uma exposição permanente chamada Casa do Mico. “Era uma antiga baia de cavalos que existia aqui na fazenda e nós fizemos uma reforma grande. Ela vai ter uma exposição interativa para falar da espécie, como os micos vivem, como se organizam nas famílias, o que eles comem, como se comunicam. É um espaço interativo logo na chegada dos visitantes para entenderem um pouco como vive essa espécie tão conhecida e tão ameaçada ainda. A gente quer ampliar a comunicação com o público relacionada à conservação do mico e da Mata Atlântica. Cada espaço da sala vai contar um pouco dessa história”. A exposição está sendo montada agora e ficará pronta em setembro, disse Luís Paulo Ferraz.
Grupo de micos-leões-dourados. Foto – Andreia Martins/Divulgação

Palmito-juçara

O projeto prevê também o plantio de palmito juçara (Euterpe edulis) em dez hectares de Mata Atlântica já restaurada na fazenda onde fica o parque. A área era um pasto destinado à criação de gado e cavalos. Outros 90 hectares já foram restaurados com plantio de espécies da Mata Atlântica. “Ou seja, ajudar a floresta. Quando a gente faz uma restauração, a gente planta, principalmente, espécies arbóreas que crescem mais rápido. Outras espécies vêm depois com o vento e animais que trazem as sementes. Nesse caso, estamos enriquecendo uma parte dessa floresta com palmito-juçara que é uma espécie da flora também ameaçada, por conta da superexploração para o palmito”.

O Parque Ecológico do Mico-Leão-Dourado está localizado no interior do estado do Rio de Janeiro, no município de Silva Jardim, próximo à Região dos Lagos. Luís Paulo Ferraz explica que essa é a única região do Brasil onde existe essa espécie animal. “Ela é endêmica daqui. Nunca teve em nenhum outro lugar A gente trabalha nos fragmentos de floresta que sobraram, para tentar criar uma área na de floresta grande o suficiente, protegida e conectada, para que os micos possam, um dia, sair da lista de espécies ameaçadas”. Outros objetivos são salvar a espécie, recuperar a Mata Atlântica, melhorar as condições ambientais da região. “É um projeto de longo prazo mesmo de conservação”. O projeto prevê ainda o fortalecimento das atividades de educação ambiental e a ampliação dos números de escolas da região que farão visitas regulares ao parque. 

Apoio

Contando desde 2019 com apoio financeiro da ExxonMobil Brasil, que soma R$ 4,7 milhões, no período desses cinco anos, a AMLD pôde dar continuidade ao projeto de preservação do animal no seu habitat natural. 

Ferraz informou que a parceria com a ExxonMobil Brasil e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) tem contribuído para estruturar o Parque Ecológico Mico-Leão-Dourado na fazenda, que foi adquirida pela AMLD em 2018. “Esse apoio ajudou a restaurar uma área de Mata Atlântica com plantio de 20 mil mudas e realizar várias outras ações para estruturar o parque”. O apoio ajuda também na manutenção do local. 

Começo

Os trabalhos em prol do mico-leão-dourado tiveram início na década de 1970, com os primeiros estudos e iniciativas para proteger a espécie, mas a AMLD foi criada em 1992. “No ano passado, a gente fez 30 anos”. A mudança para o Parque Ecológico ocorreu em 2019. Na maior parte do tempo, os pesquisadores trabalhavam dentro da Reserva Biológica de Poço das Antas, área protegida pelo governo federal e vizinha ao parque. 

As visitas ao Parque Ecológico ocorrem de quinta-feira a sábado. Há perspectiva de, em breve, ampliar para domingo, adiantou o secretário-executivo da Associação. O agendamento pode ser feito no site micoleao.org.br

Suécia vence EUA nas penalidades máximas para chegar às quartas

Em um jogo emocionante que teve o resultado confirmado com auxílio da tecnologia, a Suécia eliminou os Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo de futebol feminino na manhã deste domingo (6) no estádio Melbourne Rectangular, na Austrália. Com isso, as norte-americanas viram chegar ao fim o sonho de alcançar o pentacampeonato no Mundial disputado na Oceania.

Notícias relacionadas:

O triunfo das suecas foi garantido em um triunfo de 5 a 4 nas penalidades máximas após um empate sem gols nos 90 minutos regulamentares e nos 30 minutos da prorrogação. Agora, a Suécia enfrentará o Japão nas quartas de final da competição.

Em uma partida na qual a goleira Musovic, que realizou grandes defesas, foi a grande personagem nos 120 minutos de bola rolando, a vaga para as quartas teve que ser decidida nos pênaltis. Nas penalidades máximas as estrelas norte-americanas Megan Rapinoe e Sophia Smith falharam e a Suécia teve que contar com a tecnologia da linha do gol para confirmar o gol de Hurtig (a goleira Naeher chegou a espalmar a bola pra fora do gol, mas ela havia ultrapassado toda da linha) para comemorar a classificação final.

Holanda nas quartas

Outra equipe a se garantir nas quartas de final do Mundial na madrugada deste domingo foi a Holanda, que superou a África do Sul por 2 a 0 no estádio de futebol de Sydney, na Austrália. Agora, na próxima fase as holandesas medirão forças com a Espanha.

A Holanda abriu o placar logo aos 8 minutos. Após a bola ser levantada na área em cobrança de escanteio, a defesa sul-africana cortou mal e a bola sobrou para Roord, que não perdoou. Em desvantagem no marcador, a África do Sul partiu para o ataque, e as holandesas passaram a aproveitar espaços para contra-atacar. E foi assim que as europeias chegaram ao segundo gol, quando Martens lançou Beerensteyn em profundidade, que avançou com liberdade e bateu de longe. A goleira Swart falhou e a bola entrou no gol.

Professores apontam desafios da escola em tempo integral

Na última quinta-feira (3), o município Mata de São João (BA) alcançou a meta de ter todas as matrículas das escolas municipais em tempo integral. O marco foi atingido com a inauguração da Escola Municipal Professora Angelina Rodrigues do Nascimento, na Praia do Forte. Na cidade, localizada na região metropolitana de Salvador, os alunos da educação infantil e do ensino fundamental passam pelo menos sete horas por dia na escola e têm atividades de esporte, cultura e sustentabilidade.

A modalidade tornou-se política pública nacional esta semana com a sanção da Lei 14.640/2023, que institui o Programa Escola em Tempo Integral. O governo federal irá investir R$ 4 bilhões para ampliar em 1 milhão o número de matrículas de tempo integral nas escolas de educação básica em 2023. A meta é alcançar, até 2026, cerca de 3,2 milhões de matrículas.

Notícias relacionadas:

Mata de São João, segundo o secretário de Educação do município, Alex Carvalho, deverá aderir ao programa federal para qualificar a oferta do ensino em tempo integral. Agora, depois da sanção da lei, os detalhes do programa serão definidos após um ciclo de seminários nas cinco regiões. Os debates começaram também esta semana, em Cuiabá, na quinta e na sexta-feira (4) e são transmitidos pelo YouTube.

Em Mata de São João, desde 2010 o governo local investe em educação em tempo integral. “Essa decisão se baseia nos estudos e pesquisas que foram desenvolvidas pelo município que apontaram a educação integral como uma possibilidade de melhorar a qualidade da aprendizagem dos alunos”, diz o secretário de Educação. Carvalho atribui à modalidade a melhora no desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino. A cidade teve o melhor desempenho nos anos iniciais do ensino fundamental, do 5º ao 9º ano da região metropolitana, em 2021.

Além das estruturas das próprias escolas, os alunos contam com equipamentos da cidade para o ensino e aprendizagem. “Usamos a praia, o campo, a praça da cidade. Nossa ideia foi transformar Mata de São João em um território educativo. Fazemos trilha com os estudantes, mostramos a natureza, mostramos os projetos que tem na cidade, como o projeto Tamar e o projeto Baleia Jubarte. Apresentamos a história da nossa cidade, a relevância dela para nosso país e nosso estado. Existe esse trabalho onde os alunos aproveitam todos os ambientes possíveis de aprendizado”, diz o secretário.

Referência em tempo integral

Para o Ministério da Educação (MEC), a educação em tempo integral é a ampliação do tempo de permanência nas escolas para um período igual ou superior a sete horas diárias ou 35 horas semanais. A modalidade tem como finalidade a perspectiva do desenvolvimento e formação integral de bebês, crianças e adolescentes a partir de um currículo intencional e integrado, que amplia e articula diferentes experiências educativas, sociais, culturais e esportivas em espaços dentro e fora da escola com a participação da comunidade escolar. 

A educação em tempo integral é realidade na Escola de Referência em Ensino Médio Ginásio Pernambucano desde 2004. A escola, que está localizada no Recife, funciona no colégio mais antigo do país, fundado em 1825. Os 692 alunos, todos do ensino médio, têm nove aulas por dia, das 7h30 às 17h. Eles têm três refeições diárias e as atividades são tanto conduzidas pelos professores quanto desenvolvidas pelos próprios estudantes em alguns momentos, para incentivar o protagonismo dos adolescentes.

“A gente percebe a educação integral, e costuma conversar com os estudantes, como algo que não tem a ver com o tempo que fica na escola, mas com a integralidade da formação, a integralidade enquanto formação de sujeitos sociais”, diz o gestor da escola, Oscar Neto. “Ela vai desenvolvendo autonomia, resiliência, proatividade, tomada de iniciativa. Os jovens são mais criativos, mais inventivos, argumentam, participam, refletem criticamente. Começam a construir um arcabouço necessário para o mundo e não só para o mundo do trabalho, mas para outras esferas da vida”, complementa.

Neto explica que uma das atividades é criada pelos próprios jovens, o chamado clube do protagonismo. Trata-se de clubes que funcionam nos intervalos das aulas, onde os alunos desenvolvem atividades como teatro, dança, xadrez, jogos de tabuleiro. “Eles aproveitam esse momento para interagirem, para alicerçar as aprendizagens”, explica.

Para os estudantes

A presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Jade Beatriz, é uma das estudantes que cursaram o tempo integral no ensino médio na Escola Estadual de Educação Profissional Dona Creusa do Carmo Rocha, em Fortaleza. “A experiência que eu tive foi positiva. Eu fiz curso técnico e, no contraturno, tinha oficina de teatro, oficina de dança, de canto e, inclusive, aula de reforço com professores.”

Ela ressalta, no entanto, que, para que funcione, o tempo integral precisa de uma estrutura mínima e também de bolsas para auxiliar os estudantes que permanecerão mais tempo na escola. A Ubes aponta alguns desafios para a implementação escolar, entre eles está o fato de que para implementar o ensino integral, escolas acabam fechando sobretudo o ensino noturno. Isso faz com que estudantes que precisam trabalhar acabem abandonando os estudos.

Para que isso não aconteça, a estudante diz ser necessário um auxílio para que esses alunos possam ter condições de cursar o ensino integral. Além disso, ressalta, é preciso uma melhora na merenda para que os alunos tenham acesso a três refeições que sejam nutritivas, além de melhoria na infraestrutura das escolas, muitas vezes sucateadas.

“Muitos jovens estão subempregados, como entregadores, nos sinais vendendo bala. Para combater isso e também o trabalho infantil, a gente entende que é importante ter bolsa permanência para escolas em tempo integral. Que isso seja feito de forma qualitativa, entendendo que as escolas que vão aderir precisam passar por reestruturação tanto da parte pedagógica quanto da infraestrutura”, diz Beatriz.

Educação integral

A Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei 9.394/1996, prevê que as escolas tenham uma carga horária mínima anual de 800 horas, distribuídas em no mínimo 200 dias de efetivo trabalho escolar, o que equivale a quatro horas diárias.  

Estender a jornada escolar é uma meta prevista no Plano Nacional de Educação (PNE), Lei 13.005/2014. O PNE estabelece a oferta de “educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos(as) alunos(as) da educação básica”. O Relatório do 4º Ciclo de Monitoramento das Metas do PNE 2022 mostra que o percentual de matrículas em tempo integral na rede pública brasileira caiu de 17,6%, em 2014, para 15,1%, em 2021.

“Quando se fala de escola integral fora do Brasil, isso não faz nem sentido se é só escola, pois a escola já tem uma carga horária de sete horas. Estamos falando em um rearranjo do sistema educacional para estar em linha com o que é visto internacionalmente. A gente espera resultados semelhantes no Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Alunos] e no PIRLS [Estudo Internacional de Progresso em Leitura], mas com uma oferta de educação em tempo inferior”, diz o diretor de Projetos da Fundação Lemann, Lucas Rocha.

O gerente de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Ivan Gontijo, complementa: “Acho que o governo federal acerta em lançar um programa para induzir as matriculas em tempo integral para que os estudantes passem mais tempo na escola, mas o grande desafio é que essas escolas que vão ser transformadas do tempo parcial para o tempo integral sejam escolas que tenham proposta pedagógica diferenciada. Porque só aumentar a carga horaria para ser mais do mesmo não faz muito sentido. Então, acho que esse é o grande desafio para a implementação dessa política. Como garantir que essa escola em tempo integral seja verdadeiramente integral”, diz.

Gontijo ressalta que a escola em tempo integral não pode ser uma escola “em que os alunos, ao invés de passarem quatro horas sentados enfileirados passam sete horas. Não é essa a proposta. É uma proposta em que estudante são colocados no cento do processo de ensino e aprendizagem, têm seu processo de protagonismo juvenil desenvolvido, têm outra relação com o espaço da escola, isso é uma coisa que a gente precisa pensar”.

Desafios

De acordo com a coordenadora-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, uma das conquistas no novo programa é a priorização de escolas que atendam estudantes em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica.

“Uma das preocupações que a gente tem sempre é que educação em tempo integral normalmente tinha ficado, na história, muito dedicada a escolas urbanas, em locais que tem população mais rica, mais branca e não atingia uma população que não só precisa como tem direito a uma educação integral”, diz.  

A implementação do tempo integral traz, de acordo com a coordenadora-geral, alguns desafios como a melhoria da infraestrutura das escolas, a definição de um plano de carreira para os docentes, que passarão a trabalhar mais horas por dia em uma mesma escola, e políticas para a permanência dos estudantes.

Com apontado por Jade Beatriz, Andressa Pellanda também defende a necessidade de bolsas para estudantes. “Eu acho que uma das questões primordiais é permanência. A gente sabe que vários estudantes não ficam, saem da escola no tempo parcial porque não têm condições de se manter na escola. E, para o tempo integral mais ainda, o estudo que foi feito agora é que precisava ter um incentivo para essas populações que estão em situação de vulnerabilidade. A gente precisa de política de permanência. Educação integral sem permanência ou não existe ou existe de maneira excludente”.  

Segundo a coordenadora-geral, esse programa é um passo, mas ainda é preciso avançar, tanto na lei do PNE, quanto no financiamento, no Sistema Nacional de Educação, “para cada vez mais a educação brasileira parar de falar de educação em tempo integral e falar em educação integral, que é o modelo de direito que a gente defende”.

Fluminense derrota Palmeiras e assume 3ª posição do Brasileiro

Com gols de Jhon Arias e John Kennedy o Fluminense derrotou o Palmeiras por 2 a 1, na noite deste sábado (5), para assumir a 3ª posição do Campeonato Brasileiro. O jogo válido pela 18ª rodada da competição teve transmissão da Rádio Nacional.

Notícias relacionadas:

Após este resultado, o Tricolor chegou aos mesmos 31 pontos do vice-líder Flamengo, que tem um saldo de gols melhor. A liderança é do Botafogo, com 43 pontos e que enfrenta o Cruzeiro no próximo domingo (6). Já o Verdão caiu para a 4ª posição, com 31 pontos.

A equipe comandada pelo técnico Fernando Diniz começou a construir a sua vitória aos 14 minutos do primeiro tempo, em gol em cobrança de pênalti do colombiano Arias. Na etapa final, aos 13 minutos, John Kennedy aproveitou bola que sobrou na área após boa trama coletiva do Fluminense para ampliar.

Nos acréscimos do segundo tempo o zagueiro Gustavo Gómez marcou um gol de cabeça após cruzamento do atacante Artur para descontar e dar números finais ao placar.

Triunfo do Esmeraldino

Quem também triunfou na rodada foi o Goiás, que, no estádio da Serrinha, bateu o Fortaleza por 1 a 0, graças a um gol contra de Tobias Figueiredo, para assumir a 15ª posição da classificação com 19 pontos. Já o Leão permaneceu com 23 pontos, caindo para a 12ª colocação.

Igualdade na Vila Belmiro

Jogando na Vila Belmiro, o Santos conseguiu arrancar um empate de 1 a 1 com o Athletico-PR. O Furacão, que entrou em campo com uma formação alternativa para poupar peças para o jogo decisivo da próxima semana contra o Bolívar (Bolívia) pela Copa Libertadores, abriu o placar logo aos 29 minutos do primeiro tempo com o atacante Pablo. Porém, o Peixe conseguiu encontrar a igualdade já nos acréscimos da etapa final com gol em cobrança de pênalti de Marcos Leonardo.

Após a partida o Santos chegou aos 18 pontos, caindo para a 16ª posição. Já o Athletico-PR chegou aos 28, subindo para a 6ª posição.

Sem vencedores no Beira-Rio

Outro confronto que terminou em igualdade foi o que envolveu Internacional e Corinthians. A partida disputada no estádio do Beira-Rio, em Porto Alege, terminou com o placar de 2 a 2. O Timão marcou com Renato Augusto e Fábio Santos, enquanto o Colorado empatou com Bruno Henrique e Luiz Adriano.

Mesmo com o empate o Internacional subiu para a 10ª posição com 24 pontos, enquanto o Corinthians permaneceu na 14ª colocação, agora com 20 pontos.

Governo lança Plano Safra para agricultura familiar da Amazônia


O governo federal lançou neste sábado (5) o Plano Safra da Agricultura Familiar na Amazônia. As medidas previstas foram apresentadas em cerimônia em Belém, durante os Diálogos Amazônicos. O lançamento foi transmitido online pelo Canal Gov.

O Plano Safra foi desenvolvido sob a coordenação do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, ouvindo as comunidades locais e buscando atender demandas específicas da região. Ele engloba ações de investimentos e financiamento com juros mais baixos para a produção familiar.

Notícias relacionadas:

As medidas foram bem recebidas pelo movimento social. Lideranças que se manifestaram durante a cerimônia classificaram o Plano Safra como uma conquista. “Esperamos que sua implementação seja de fato uma prioridade e que as ações cheguem a todas as populações do campo”, disse Cleidiane Vieira, da coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB).

São previstas medidas específicas para o Norte e o Nordeste. No mês passado, foi lançado em Fortaleza o Plano Safra da Agricultura Familiar no Nordeste. O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, defendeu a aposta nas vocações regionais.

“Além de apoiar as cooperativas, queremos financiar a agroindústria para o açaí, o café, o maracujá, a laranja para agregar valor à produção familiar. E fazer uma luta para que tenha água, energia solar e cobertura de internet”, disse.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, o governo irá garantir o maior volume de crédito rural da história. Serão R$ 71,6 bilhões para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), 34% superior ao anunciado na safra passada.

A taxa de juros foi reduzida de 5% para 4% ao ano para quem produzir alimentos como arroz, feijão, mandioca, tomate, leite e ovos, entre outros. Os agricultores familiares que optarem pela produção sustentável de alimentos saudáveis, com foco em orgânicos, produtos da sociobiodiversidade, bioeconomia ou agroecologia, terão outros incentivos. Os juros serão de 3% ao ano para o custeio e 4% para o investimento.

“É um grande esforço do governo federal enquanto a nossa Selic está em 13%”, disse Fernanda Machiaveli, secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que apresentou as principais diretrizes do Plano Safra. Definido pelo Banco Central, o patamar da Selic, considerada a taxa de juros básica, tem sido criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por outros representantes do governo. Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa em 0,5 ponto percentual, para 13,25% ao ano.

O Plano Safra também estabeleceu mudanças no microcrédito produtivo. A renda familiar máxima para classificação do agricultor de baixa renda foi ampliada de R$ 23 mil para R$ 40 mil.

As medidas envolvem ainda estímulos à produção sustentável de alimentos saudáveis, incentivos à compra de máquinas agrícolas, ampliação do microcrédito produtivo para agricultores familiares do Norte e do Nordeste e mais crédito para as mulheres do campo.

Os Diálogos Amazônicos são um evento prévio à Cúpula da Amazônia. Ambos ocorrem em Belém, sendo os Diálogos responsáveis pela produção das propostas da sociedade civil a serem apresentadas aos presidentes dos países amazônicos participantes da cúpula.

Gabriel Araújo fatura bicampeonato mundial nos 50 metros costas

O mineiro Gabriel Araújo garantiu o bicampeonato mundial da prova dos 50 metros costas da classe S2 (limitação físico-motora) neste sábado (5) em Manchester (Inglaterra). Ele fechou a prova com o tempo de 54s08. O polonês Jacek Czech (57s44) ficou com a prata e o ucraniano Roman Bondarenko (1min03s55) garantiu o bronze.

Notícias relacionadas:

A conquista do nadador do Praia Clube, de Uberlândia (MG), foi o destaque da seleção brasileira no penúltimo dia de campeonato. A outra medalha dourada conquistada pelo time verde e amarelo veio no revezamento misto 4×100 metros estilo livre – 49 pontos (atletas com deficiência visual). Carol Santiago (S12), Matheus Rheine (S11), Lucilene Sousa (S12) e Douglas Matera (S12) fecharam a prova em 3min56s03, superando a Espanha (3min57s73) e a Ucrânia (3min59s30). Com a medalha no revezamento, Carol Santiago se mantém como a mais vencedora de todo Mundial. São sete medalhas em sete provas disputadas: cinco ouros (100 metros borboleta, livre e costas, 50 metros livre e revezamento misto), uma prata (100 metros peito) e um bronze (revezamento misto 4×100 metros medley – 49 pontos). No domingo, último do torneio, ela ainda competirá nos 200 metros medley S12 (baixa visão). Agora, já são 14 ouros ganhos pelos brasileiros na edição 2023 do evento.

O país também conquistou neste sábado uma prata com a gaúcha Susana Schnarndorf, nos 200 metros livre da classe S3 (limitação físico-motora) ao finalizar a distância em 4min18s18, e dois bronzes, da fluminense Mariana Gesteira, com o tempo de 1min10s11 nos 100 metros costas S9 (limitação físico-motora), e do revezamento misto 4×100 metros medley S14 (deficiência intelectual) formado por Ana Karolina, João Pedro Brutos, Beatriz Carneiro e Gabriel Bandeira.

Com estas conquistas o Brasil está na quarta posição do quadro de medalhas. A Itália é a líder, a China é a segunda colocada e a Ucrânia aparece em terceiro.