Negociações salariais superaram a inflação no primeiro semestre

No primeiro semestre deste ano, 77,05% das negociações salariais superaram a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), melhor resultado desde 2018. Os dados são do boletim Salariômetro, divulgado nesta sexta-feira (29) pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O Salariômetro analisa o resultado de 40 negociações salariais coletados no portal Medidor, do Ministério da Economia.

O reajuste mediano real dos salários nos seis primeiros meses deste ano foi 0,79% superior à inflação, o melhor resultado desde 2018, quando o reajuste médio foi de 0,81%. Segundo a Fipe, todos os seis meses do ano registraram reajustes reais acima da inflação.

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Considerando-se apenas o mês de junho, o reajuste real mediano ficou 1,26% acima da inflação do INPC, com 87,6% das negociações salariais tendo superado a inflação.

A prévia do Salariômetro da Fipe para o mês de julho indica reajuste nominal mediano de 5% e que 90,4% das negociações devem resultar em ganhos acima do índice de inflação.

Mega-Sena pode pagar R$ 40 milhões neste sábado

Apostadores da Mega-Sena têm até as 19h deste sábado (29) para “fazer uma fezinha” e concorrer aos R$ 40 milhões do concurso 2.616. O prêmio será pagado aos acertadores das seis dezenas. O sorteio será realizado, em São Paulo, às 20h. 

Na última quinta-feira (27), ninguém acertou as seis dezenas sorteadas.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal. É necessário fazer um cadastro, ser maior de idade (18 anos ou mais) e preencher o número do cartão de crédito.

Série D: Vitória recebe Ceilândia em disputa por vaga para oitavas

De olho em uma vaga nas oitavas de final, Vitória e Ceilândia começam a decidir neste sábado (29) seus destinos na Série D do Campeonato Brasileiro. Após superarem a fase de grupos com boas campanhas, as equipes agora focam suas atenções no decisivo embate entre elas. O confronto será no Estádio Salvador Venâncio da Costa, a partir das 15h (horário de Brasília). A primeira partida é com mando do Vitória, enquanto a partida de volta é na casa do Ceilândia. A TV Brasil transmite o jogo.

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O Vitória chega confiante ao confronto, pois vem de três triunfos consecutivos (dois em casa e um fora), que foram fundamentais para a sua classificação ao mata-mata. A equipe do Espírito Santo encerrou a primeira fase da competição em 4º lugar no Grupo 6, com 20 pontos, com o segundo melhor ataque da chave, com 23 gols marcados.

O artilheiro da equipe na Série D é o atacante Tony, que tem nove gols. Ele foi o responsável direto pela classificação da equipe no último domingo (23), quando o Vitória derrotou o Resende fora de casa por 2 a 1, marcando os dois gols.

Além do artilheiro Tony, o Vitória tem outros destaques: o capitão João Paulo (meia) e Dodô (lateral-esquerdo), sendo que o último é o mais querido pela torcida, principalmente pelas crianças.

Já o Ceilândia busca um resultado positivo fora de casa para levar uma vantagem ao Distrito Federal. O Alvinegro terminou a fase de grupos invicto (sete vitórias e sete empates), em 1º lugar com 28 pontos. A campanha é tão positiva que a equipe teve 28 gols marcados e apenas cinco sofridos (melhor defesa de todos os clubes que disputam a Série D).

* Colaboração de Pedro Dabés (estagiário) sob supervisão de Paulo Garritano.

Museu do Futebol abre as portas para receber torcida brasileira

Os torcedores acordaram muito cedo neste sábado (29) para ir ao Museu do Futebol, localizado no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, para assistir ao segundo jogo da seleção feminina brasileira nesta Copa do Mundo de Futebol Feminina, realizada na Austrália e Nova Zelândia. Antes de o jogo começar, às 7h da manhã, muita gente já estava no museu para torcer pelo Brasil, que hoje enfrenta a difícil seleção da França. Por causa do horário, foi aos poucos que eles foram chegando ao museu, já com a bola rolando. Neste momento, a seleção francesa vai vencendo o Brasil por 1 a 0.

Quem chegou cedo, logo que o jogo estava sendo iniciado, foi a família de Diego Toledo, 35 anos, que veio de Campinas, no interior do estado. “Hoje viemos eu, minha esposa, minha mãe e meu filho. Viemos de Campinas para assistir ao jogo e poder conhecer o museu”, disse à Agência Brasil. “Queríamos ter essa experiência de poder conhecer o museu, conhecer São Paulo e também apreciar ao futebol feminino de uma forma diferente, estando aqui no Pacaembu, que é palco de grandes jogos”.

Toledo disse estar com boa expectativa dessa seleção brasileira na Copa do Mundo. “Tem uma representante da minha cidade na seleção, a Kerolin. Estou com o otimismo no alto. Vamos torcer ao máximo para que a seleção traga esse título, o primeiro do Brasil”, afirmou, destacando que espera um jogo duro hoje. “Vai ser um jogo difícil porque a França é uma boa seleção”.

Seu filho Allaf, de 9 anos, está torcendo pelo Brasil, mas achando o jogo complicado. “Está difícil o jogo, muito apertado”, afirmou o pequeno torcedor e fã da jogadora Marta.

Quem também levantou cedo para ver o Brasil foi Beatriz Titze, 32 anos, que estava acompanhada do namorado ver a partida. “Foi difícil levantar, mas a gente veio. Meu namorado viu no anúncio do museu que ia ter o jogo e a gente achou que seria legal vir. Eu não conhecia o espaço e está sendo bem legal a experiência”, disse, acrescentando que não gosta muito de futebol, mas sempre torce pelo Brasil. “Eu gosto de futebol na Copa. Não entendo muito, mas gosto de assistir”, afirmou, rindo. “Não conheço tanto o futebol, mas acho que temos que apoiar todos os esportes que o Brasil representa. Isso é muito importante. E, como todo brasileiro, quero ver a seleção ganhar”, acrescentou.

O jogo do Brasil no museu é transmitido em um telão de 160 polegadas, instalado na Sala Jogo de Corpo, que tem uma mini-arquibancada com capacidade para 200 pessoas. Essa não é a primeira vez que o Museu do Futebol se preparou para receber torcedores para acompanhar os jogos da Copa do Mundo feminina. Em 2019, foi com muito samba que a torcida assistiu ao jogo do Brasil.

O acesso para assistir às partidas desta edição da Copa do Mundo feminina é gratuito. Quem assiste ao jogo da seleção brasileira ainda pode entrar gratuitamente para conferir a exposição temporária Rainha de Copas, que faz um retrato da história das Copas do Mundo de mulheres, com um destaque especial para a participação das equipes brasileiras. A exposição fica em cartaz até o dia 27 de agosto.

Terceiro jogo

O museu pretende transmitir o terceiro jogo da primeira fase da Copa do Mundo, marcado para acontecer no dia 2 de agosto, contra a Jamaica. O jogo também acontecerá bem cedo: a partir das 7h da manhã (horário de Brasília).

Em sua estreia no campeonato, o Brasil goleou a seleção do Panamá por 4 a 0, com três gols marcados por Ary Borges.

Atlético e Flamengo tentam retomar caminho das vitórias no Brasileiro

Atlético-MG e Flamengo protagonizam, a partir das 21h (horário de Brasília) deste sábado (29) na Arena Independência, um confronto de equipes que tentam retomar o caminho das vitórias no Campeonato Brasileiro. A Rádio Nacional transmite o confronto ao vivo.

O Galo é quem vive um momento mais complicado na competição nacional. Ocupando apenas a 13ª posição da classificação com 21 pontos após sete partidas sem vitórias (3 derrotas e 4 empates), a equipe mineira busca somar três pontos em casa para tentar se aproximar dos primeiros colocados da tabela.

O último resultado foi um revés de 1 a 0 para o Grêmio em Porto Alegre. Apesar de o resultado ter sido muito contestado, o técnico Luiz Felipe Scolari elogiou a postura de sua equipe na partida: “Jogamos relativamente bem, bem melhor do que nos últimos jogos. Penso que estamos no caminho certo. Os jogadores tiveram uma participação muito boa dentro do jogo, apesar de o resultado não sair”.

Uma vitória sobre o Rubro-Negro será um estímulo importante para o Galo antes do jogo decisivo contra o Palmeiras pelas oitavas de final da Copa Libertadores, na próxima quarta-feira (2) no Mineirão.

O Flamengo também tenta retomar o caminho das vitórias no Brasileiro, após três empates que o deixaram na 3ª posição da classificação com 28 pontos, a 12 do líder Botafogo. Mas o Rubro-Negro chega ao confronto após uma grande atuação na Copa do Brasil, onde bateu o Grêmio por 2 a 0 em Porto Alegre pela partida de ida das semifinais do torneio.

Segundo o técnico argentino Jorge Sampaoli, esta performance deve servir como parâmetro para jogos futuros: “Foi uma partida na qual a equipe não acelerou e trocou muito passes no campo rival. Dominou o jogo e se defendeu com a bola. A partir de agora temos que encontrar essa forma para jogar sempre desta maneira”.

Assim como o Galo, o Rubro-Negro tem um importante compromisso pelas oitavas da Libertadores, contra o Olimpia (Paraguai), na próxima quinta-feira (3). Assim, uma vitória fora de casa pelo Brasileiro dará ainda mais confiança para o time da Gávea.

Transmissão da Rádio Nacional

A Rádio Nacional transmite Atlético-MG e Flamengo com a narração de André Luiz Mendes, comentário de Rodrigo Campos, reportagem de Rafael Monteiro e plantão de Bruno Mendes. Você acompanha o Show de Bola Nacional aqui:

Heloísa Teixeira toma posse na Academia Brasileira de Letras

A escritora Heloísa Teixeira tomou posse agora à noite (28) na cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras (ABL), vaga desde a morte da escritora Nélida Piñon, em dezembro. Recentemente, Heloisa aposentou o sobrenome famoso Buarque de Hollanda – que era do primeiro marido, o advogado e galerista Luiz Buarque de Hollanda – e passou a adotar o Teixeira, de origem materna. Foi com o novo sobrenome – que também ganhou um lugar de destaque na tatuagem desenhada nas costas – que a escritora assumiu seu assento na academia.

O presidente da ABL, Merval Pereira, disse que “a nova acadêmica foi eleita Heloisa Buarque de Hollanda e diplomada Heloisa Teixeira”.

Durante discurso, Heloisa fez questão de citar a disparidade de gênero encontrada dentro da própria ABL. “Ainda somos pouquíssimas nessa casa: apenas dez mulheres foram eleitas acadêmicas contra um total de 339 homens, o que reflete a desigualdade entre a eleição de homens e mulheres na ABL”. A academia foi inaugurada em 20 de julho de 1897.

Eleita com 34 dos 37 votos, ela disse que entra na academia, aos 84 anos, alinhada com o projeto de renovação. “Esse atual projeto de abertura me fascina. E isso não é nem o começo. Tem que ter mulher, negro, índio. Porque são excelentes também. Isso é o Brasil, a democracia. Eu estou muito feliz de chegar nesse momento na academia”, destacou Heloísa, que teceu uma série de elogios à instituição. 

“O que é discutido aqui é muito sério. São os problemas da língua nacional, o que é certo, errado, bom ou ruim, e não tem nada mais político e importante. Acho que seria maravilhoso divulgar a gravidade desse assunto para o público em geral. É bacana defender a palavra, a língua, a literatura nacional, a liberdade de expressão. É uma instituição a qual vale a pena pertencer.”

A escritora e crítica cultural passa a ser a décima mulher eleita para a ABL. A cadeira 30 tem como fundador o contista Pedro Rabelo e como patrono o jornalista e romancista Pardal Mallet. Já ocuparam o assento como titulares o advogado Heráclito Graça, o médico Antônio Austregésilo e o ensaísta, filólogo e lexicógrafo Aurélio Buarque, além de Nélida Piñon. 

Nascida em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, Heloisa se mudou com a família para o Rio de Janeiro aos 4 anos. Filha de um médico, professor e uma dona de casa, é mãe de três filhos: Lula, André e Pedro, todos cineastas.

Trajetória

Uma das principais vozes do feminismo brasileiro, Heloísa Buarque de Hollanda – agora, Heloísa Teixeira – é formada em letras clássicas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), com mestrado e doutorado em literatura brasileira na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-doutorado em sociologia da cultura na Universidade de Columbia, em Nova York. É diretora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC-Letras/UFRJ), onde coordena o Laboratório de Tecnologias Sociais, do projeto Universidade das Quebradas, e o Fórum M, espaço aberto para o debate sobre a questão da mulher na universidade.

Seu campo de pesquisa privilegia a relação entre cultura e desenvolvimento, área em que se tornou referência, dedicando-se às áreas de poesia, relações de gênero e étnicas, culturas marginalizadas e cultura digital. Nos últimos anos, vem trabalhando com o foco nas produções das periferias das grandes cidades, no feminismo, bem como no impacto das novas tecnologias digitais e da internet na produção e no consumo culturais.

Entre os livros publicados, destaca-se a histórica coletânea 26 Poetas Hoje, de 1976, que revelou uma geração de poetas “marginais”, como Ana Cristina Cesar, Cacaso e Chacal. O livro trazia a atmosfera coloquial e irreverente que marcaria a década de 1970, também chamada de geração mimeógrafo ou geração marginal. Eram poetas que estavam à margem do circuito das grandes editoras e que produziam seus livros de maneira artesanal, em casa, em pequenas tiragens vendidas em centros culturais, bares e nas portas dos cinemas. O livro foi uma resposta direta aos anos de chumbo e se tornou um clássico da poesia brasileira, referência incontornável para escritores e leitores de poesia.

Com o nome de casada, Heloísa Buarque de Hollanda publicou também: Macunaíma, da literatura ao cinema; Cultura e Participação nos anos 60; Pós-Modernismo e Política; O Feminismo como Crítica da Cultura; Guia Poético do Rio de Janeiro; Asdrúbal Trouxe o Trombone: memórias de uma trupe solitária de comediantes que abalou os anos 70; entre outros.

Mirando vaga nas oitavas, Brasil tenta quebrar tabu diante da França

Buscando a classificação antecipada para as oitavas de final da Copa do Mundo de futebol feminino, o Brasil enfrenta a França, a partir das 7h (horário de Brasília) deste sábado (29) no estádio de Brisbane, na Austrália, pela segunda rodada do Grupo F da competição.

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A equipe comandada pela técnica sueca Pia Sundhage chega motivada após golear o Panamá por 4 a 0 na última segunda-feira (24), em sua estreia no Mundial disputado na Austrália e na Nova Zelândia. Assim, se vencer as francesas na segunda rodada chega aos 6 pontos e garante a classificação para as oitavas de final de forma antecipada, além de deixar as adversárias europeias em situação muito complicada.

Porém, para garantir os três pontos neste sábado, a seleção canarinho terá que quebrar um incômodo tabu, pois terá que vencer pela primeira vez as francesas em uma partida oficial, em 11 partidas são 6 derrotas e 5 empates. Considerando apenas confrontos em Copas, há um empate de 1 a 1 no Mundial de 2003 pela fase de grupos e uma derrota, de 2 a 1 na prorrogação das oitavas de final, na última edição da competição, em 2019.

Um jogo dessa magnitude está mexendo com as jogadoras brasileiras, que em diversas oportunidades nos últimos dias evidenciaram que têm ciência do desafio que têm pela frente. “A França é uma equipe muito forte, uma das tops do mundo, mas a nossa equipe também é uma equipe fortíssima. É o principal confronto do nosso grupo, e temos totais condições de reverter o histórico em relação à França. Então, será um jogo muito duro, que será resolvido nos detalhes”, afirmou a zagueira Lauren, de apenas 20 anos.

Já a meia-atacante Debinha disse que espera um confronto físico diante das europeias: “O jogo contra a França é sempre muito duro. Vemos uma seleção muito qualificada, e, toda vez que jogamos contra elas, exigem muito fisicamente. Portanto, é algo que temos trabalhado bastante até aqui”.

Porém, a técnica Pia Sundhage deixou claro que acredita que chegou a hora de o Brasil finalmente quebrar esta escrita e alcançar sua primeira vitória sobre as francesas: “Há sempre um histórico quando você joga contra um time. E quanto mais tempo você joga contra um time, como a França, mais perto você chega da vitória. Isso é um fato, é uma questão de tempo. Temos uma oportunidade. Tento comparar 2019 [quando o Brasil foi eliminado do Mundial justamente pelas francesas] com agora, e está muito diferente. Quando observo a equipe, elas [jogadoras brasileiras] estão alegres, confiantes e acreditam que é possível. Este é o momento para jogarmos um ótimo futebol e vencer o jogo”.

Uma equipe em reconstrução

Apesar de um retrospeto tão positivo diante do Brasil, as francesas não podem ser consideradas as favoritas para o confronto deste sábado, pois vivem um momento de reconstrução que tem impedido que mostrem o seu melhor futebol, como pôde ser visto no empate de 0 a 0 com a Jamaica na sua estreia da Copa.

A equipe que está representando a França no Mundial da Oceania é bem diferente da que disputou a Copa do 2019, quando caiu nas quartas de final para os EUA. São apenas 11 remanescentes daquele elenco.

Além disso, o time é comandado agora pelo técnico Hervé Renard (o mesmo que comandou a Arábia Saudita no último Mundial masculino). Ele assumiu o posto em março, substituindo Corinne Diacre, demitida após desavenças com algumas das principais jogadoras da seleção. Um mês antes, por exemplo, a zagueira e capitã Wendy Renard disse que não defenderia mais a equipe sob comando de Diacre. A decisão foi seguida por outros nomes importantes, como as atacantes Kadidiatou Diani e Marie-Antoinette Katoto.

A saída da treinadora estancou a sangria, viabilizando a volta das jogadoras. Mesmo assim, a seleção da França tem desfalques de peso na Copa, como a meia Amandine Henry (autora do gol que eliminou o Brasil há quatro anos) e as atacantes Delphine Cascarino e a própria Katoto, todas contundidas.

STF suspende tramitação dos processos de “revisão da vida toda”

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a suspensão do trâmite de todos os processos que tratam sobre a chamada “revisão da vida toda”, atendendo a pedido do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O objetivo da decisão é garantir uniformidade e segurança jurídica para os beneficiários.

No julgamento de mérito do recurso, em dezembro do ano passado, o STF considerou possível a aplicação de uma regra mais vantajosa à revisão da aposentadoria de segurados que tenham ingressado no Regime Geral de Previdência Social (RGPS) antes da Lei 9.876/1999, que criou o fator previdenciário e alterou a forma de apuração dos salários de contribuição para efeitos do cálculo de benefício. O INSS apresentou um recurso contra a decisão, cujo julgamento está pautado para a sessão virtual do plenário do STF de 11 a 21 de agosto.

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O INSS argumenta que somente a partir do julgamento dos embargos de declaração será possível definir o número de benefícios a serem analisados, estimar o impacto financeiro e mensurar as condições estruturais necessárias ao cumprimento da decisão, bem como apresentar um cronograma de implementação factível.

Ao deferir o pedido, o ministro Alexandre de Moraes diz que é prudente suspender os processos que tramitam nas instâncias anteriores até a decisão definitiva do recurso pelo STF. Ele ressaltou que já existem decisões de tribunais regionais federais que permitiriam a execução provisória dos julgados e que alguns tribunais têm determinado a implantação imediata da revisão sem aguardar o trânsito em julgado do precedente do STF. “O relevante impacto social impõe que a tese de repercussão geral seja aplicada sob condições claras e definidas”, argumenta Moraes.

Recálculo

A decisão do Supremo de dezembro do ano passado permite que aposentados que entraram na Justiça possam pedir o recálculo do benefício com base em todas as contribuições feitas ao longo da vida. Antes da decisão, a revisão não era reconhecida.

O processo julgado pelo STF trata de um recurso do INSS contra decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que garantiu a um segurado do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) a possibilidade de revisão do benefício com base nas contribuições sobre o período anterior a 1994.

Grupo Banco do Brasil renegocia R$ 2,5 bi em dez dias

O Grupo Banco do Brasil (BB) renegociou R$ 2,5 bilhões nos primeiros dez dias do Desenrola Brasil. Desse total, mais de R$ 500 milhões correspondem à Faixa 2 do programa especial do governo, mais de R$ 1,8 bilhão dizem respeito às renegociações especiais oferecidas pelo próprio banco e R$ 175 milhões foram renegociados por meio da empresa Ativos S.A, subsidiária do banco.

Segundo a instituição financeira, 288 mil clientes refinanciaram débitos entre 17 e 28 de julho. Desse total, cerca de 150 mil renegociaram por meio do Banco do Brasil e 138 mil por meio da subsidiária.

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Além das pessoas físicas com renda de até R$ 20 mil, foco da primeira fase do Desenrola, o BB estendeu as renegociações para os demais públicos inadimplentes, micro e pequenas empresas e pessoas físicas em geral.

Na divisão por públicos, o BB renegociou mais de R$ 500 milhões de 65 mil pessoas físicas enquadradas na Faixa 2 do Programa Desenrola, cujas renegociações foram abertas na semana passada. O banco também refinanciou cerca de R$ 1,2 bilhão de 70 mil pessoas físicas em geral e R$ 550 milhões de cerca de 10 mil micro e pequenas empresas.

O Banco do Brasil oferece descontos de até 25% nas taxas de juros de renegociação, descontos de até 96% nas dívidas e prazo de até 120 meses para pagamento, para os públicos selecionados.

Em relação à Ativos S.A, empresa pertencente ao Banco do Brasil que atua na aquisição e cobrança de operações de crédito com mais de 90 dias de atraso, mais 138 mil clientes já foram beneficiados. A empresa oferece condições especiais como maior desconto nas operações e possibilidade de parcelamento em até dez vezes sem juros.

Canais de atendimento

Os clientes interessados em renegociar débitos com o Banco do Brasil podem usar o aplicativo ou o site da instituição. Para as pessoas físicas, o endereço da página na internet é www.bb.com.br/renegocie. As empresas devem fazer o pedido no endereço www.bb.com.br/renegociepj.

A renegociação também pode ser pedida por telefone, nos números 4004 0001 (Capitais) e 0800-729-0001 (demais regiões). O cliente pode usar ainda o WhatsApp, enviando uma #renegocie para o número (61) 4004-0001 ou ir a qualquer agência do BB.

Famílias de Marielle e Anderson confiam na solução dos assassinatos

Os fatos revelados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), na segunda-feira (24), referentes à delação do ex-policial militar Élcio de Queiroz sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no dia 14 de março de 2018, deixaram a advogada Marinete da Silva, mãe de Marielle, mais confiante na continuidade das investigações e na possibilidade de se desvendar quem ordenou a execução do crime e qual foi o motivo.

“Estou com uma expectativa muito grande. Foi um avanço. E acho que é possível ter mais detalhes, com essa afirmativa de que realmente o Ronnie Lessa foi o executor, com os requintes de crueldade com que o parceiro dele fala. Estamos vivendo um novo momento, e vale muito a pena continuar acreditando, como sempre acreditei. Eu nunca pensei que não poderíamos chegar aos mandantes”, afirmou Marinete, em entrevista à Agência Brasil.

A advogada Marinete da Silva, mãe da vereadora assassinada Marielle Franco – Tomaz Silva/Agência Brasil

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Mesmo considerando que ainda tem muitos detalhes para serem revelados, a advogada disse que a esperança da família na solução do crime é muito grande. “Estou muito ansiosa, com muita esperança, e a família tem feito isso, tenho dado esse voto de confiança e também perseverado muito que vai acontecer, sim. Esse passo foi superimportante, e vale muito a pena ficarmos atentos e mais confiantes.”

“A barbaridade que eles cometeram precisa ter essa reparação toda e nós vamos conseguir saber o porquê e quem mandou matar Marielle e Anderson”, ressaltou.

A viúva de Anderson, Agatha Arnaus Reis, também espera que, finalmente, o crime seja solucionado por completo, respondendo inclusive às perguntas que ainda estão no ar sobre quem encomendou as execuções e o porquê. Ela acredita que com base nas informações contidas na parte da delação mantida em sigilo, a PF e o MP possam aprofundar as investigações para chegar a quem mandou executar o crime e o motivo. “Eu torço para que sim. Eu sei tudo que o Élcio disse tem que ser primeiro confirmado, em todo um trabalho da investigação, mas eu torço que sim. Também não tenho acesso a tudo, mas estou com muita expectativa de que consiga com as informações que ele já deu o MP e a Polícia consiga chegar ao mandante,” disse à Agência Brasil.

Agatha Amaus, durante a missa pelos 5 anos da morte de seu marido Anderson e Marielle Franco – Tânia Rêgo/Agência Brasil

A viúva de Anderson, Agatha Arnaus, confessou que já não tinha esperança de haver avanço nas investigações, mas ressaltou que, com a delação de Élcio de Queiroz, surgiram informações novas importantes para o processo. “Se não tivesse havido a delação, a gente não teria mais um caminho a seguir. Vieram informações novas, e já estava tanto tempo parado mesmo, era a sensação que eu tinha. Já não tinha de onde tirar nada, então, acho que veio a luz no fim do túnel”, afirmou.

Segundo Agatha, a descrição do passo a passo do planejamento e da execução do crime apresentado pelo grupo da PF e do MPRJ mostra que a delação foi comprovada. “Só o fato dele [Élcio] se colocar, assumindo que estava dirigindo [o Cobalt prata de onde foram disparados os tiros] e que estava lá é superimportante. A gente não tinha isso no preto no branco. É uma confissão dele. Não sei se a gente conseguiria prova tão contundente quanto essa. Nos últimos tempos, foi a situação mais importante do processo”, enfatizou.

Para Marinete da Silva, a criação de um grupo na Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro, que atua em conjunto com o Ministério Público estadual, reforçou as investigações, embora a PF estivesse presente durante todo o processo desde a ocorrência do crime. “A gente sempre caminhou com a Polícia Federal, não intensamente como está agora, com um grupo solo, como está no projeto da Marielle. Já tinha parceria com a Polícia Federal, mas não como está hoje, com um grupo para trabalhar só o processo da minha filha. É diferente, por determinação do ministro [da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino]. É com este olhar diferente do governo que a gente está vivendo, tenho uma expectativa e muita esperança de que a gente chegue, sim, aos mandantes”, afirmou.

Marinete disse que o trabalho já está dando resultado e que vale a pena confiar e acreditar. “A confiança no que está sendo feito é fundamental. Não é fácil. É um processo emblemático, um processo que já tem cinco anos e quatro meses. É claro que muitas provas, e muitas coisas a gente já não recupera, mas o caminho é este. Que alguém fale alguma coisa, e o primeiro passo foi dado. Um dos caras, envolvido totalmente, já falou alguma coisa, e que a gente consiga algo positivo”, acrescentou.

Segundo Agatha, foi a ação mais efetiva da Polícia Federal que provocou os avanços. Ela lembrou que, anteriormente, a PF já havia participado das investigações e disse que não sabe se a motivação de Élcio de Queiroz para prestar as informações foi a presença mais forte desse grupo. “Qualquer esforço, qualquer apoio que a gente tenha na investigação é bem-vindo. O combo deste ano de Polícia Federal, Ministério da Justiça, ministro [Flávio] Dino, foi um combo favorável para que essas coisas rolassem, assim.”

Agatha ressaltou que, se alguém tinha dúvida de que foram eles, não tem mais. O fundamental é exatamente isso. O planejamento, o mentor, teve alguém que financiou, porque não tem outra coisa para a gente achar que alguém tem ódio e cometa alguma coisa daquele tipo, só porque teve raiva ou não gosta. Não tem isso. Então, o mais importante no primeiro passo foi saber que foram eles mesmos”, completou Marinete da Silva.

Anistia Internacional

A diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck – Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil

Para a diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, a morte de Marielle deixou muitos legados e outros ainda podem surgir. Um deles é destacar, mais uma vez, o quanto o Brasil é perigoso para gente que luta por justiça, por dignidade e por igualdade. “Marielle era uma ativista desde os 15 anos de idade. Foi morta no centro da cidade, próximo ao Centro de Comando e Controle da Segurança Pública do Rio de Janeiro. Foi morta um mês depois de ter-se iniciado a intervenção no Rio de Janeiro, sob a liderança do general Braga Neto. Ela foi morta em um dos países mais perigosos do mundo. O assassinato dela chamou atenção do mundo para o quanto é perigoso ser ativista no Brasil e também o quanto é perigoso ser uma mulher negra de favela e ser também uma mulher lésbica. Tudo isso junto é iluminado com o assassinato de Marielle”, afirmou Jurema, em entrevista à Agência Brasil.

Na visão de Jurema, o assassinato de Marielle foi uma tentativa de silenciar uma luta por direitos humanos, mas isso os criminosos não conseguiram. “Isso também chama a atenção para o legado dela. Quando ela foi brutalmente assassinada, outras mulheres negras se levantaram e se colocaram como sementes de Marielle. A gente tem nos parlamentos municipais, nos parlamentos estaduais e no parlamento federal, várias mulheres negras, lésbicas, trans, mulheres que assumiram para si a reivindicação e o papel que Marielle não pôde cumprir até o final. Este também é um legado, e é um legado de abrir a cloaca do crime organizado no Rio de Janeiro, a cloaca da omissão do governo do estado, a cloaca da omissão do Ministério Público”, reforçou.

De acordo com a diretora da Anistia Internacional, ficou evidente também a participação de agentes do Estado, como o policial apontado por ter vazado informação a Ronnie Lessa sobre uma operação que seria feita pela polícia, além do ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, parceiro de Lessa. “Crime organizado é isso. Milícia é isso. Agentes públicos que se organizam para cometimento do crime usando recursos do Estado. Marielle foi assinada, segundo a denúncia do Élcio de Queiroz, por uma submetralhadora pertencente ao Batalhão de Operações Especiais, a chamada tropa de elite do Rio de Janeiro. É tudo muito grave”, acrescentou.

Quanto à violência, infelizmente, nada mudou para os defensores de direitos humanos no Brasil, que continuaram sendo mortos desde a morte de Marielle, destacou a ativista. Jurema lembrou os assassinatos de Paulo Paulino Guajajara, líder da Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, em 2019; de Ari Uru-Eu-Wau-Wau, líder indígena de Rondônia, em 2020; do ambientalista José Gomes, o Zé do Lago, sua companheira Márcia Nunes Lisboa e sua enteada Joane Nunes Lisboa, em São Félix do Xingu, no Pará, em 2022, além dos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, no Vale do Javari, no Amazonas, também em 2022.

“Só estou citando casos de repercussão. Todas essas pessoas foram assassinadas depois de Marielle, e o Estado brasileiro não fez nada para proteger a vida delas. Se fez, não foi o suficiente, ou infelizmente nada mudou, mas é preciso que mude. Nós, da Anistia Internacional, vamos continuar mobilizados para que um dia realmente mude”, completou.

Fatos novos

Sobre a divulgação de partes da delação de Élcio de Queiroz, Jurema afirmou que sempre que se aproxima de uma data redonda, surgem fatos novos sobre os assassinatos de Marielle e Anderson. “Para o ponto de vista da Anistia Internacional, o que foi apresentado agora, como antes, não é suficiente. O que eles apresentaram é que Ronnie Lessa, Élcio de Queiroz, Maxwell e Edmilson Macalé estavam envolvidos neste crime. Isso já se sabia antes. Eles apresentaram também a informação de que ela foi morta com armamento pertencente à polícia. Isso já se apontava também, só não se sabia a quem pertencia a arma. Antes se acreditava que era da Polícia Civil, agora, segundo Élcio de Queiroz, indica-se que era da Polícia Militar e, mais do que isso, do Batalhão de Operações Especiais”, afirmou.

Apesar de enfatizar que algumas informações reveladas agora já eram conhecidas, Jurema Werneck disse esperar que surjam novidades no que ainda está sob sigilo. “Eles estão dizendo que foi uma tocaia, um crime preparado com muita antecedência. Acho que, em sã consciência, ninguém imaginou que foi uma decisão de última hora executar um crime tão bem organizado, a gente não sabia quanto tempo levou, mas podia imaginar que a preparação levou um tempo razoável. Também sabíamos que os executores eram pessoas vinculadas às milícias a agentes do estado, policiais, ex-policiais, bombeiros ou ex-bombeiros. Até aí não tem novidade, espero que naquelas informações que permanecem em sigilo, ali sim, tenha alguma informação nova”, concluiu.

Jurema Werneck disse que ainda há perguntas sem respostas. Afirmam que a investigação passa para outro patamar, mas ainda há muitas perguntas sem respostas, observou a ativista, que diz esperar esclarecimentos sobre questões sobre, por exemplo, como uma arma do Bope foi parar na mão de Ronnie Lessa; como a munição da Polícia Federal terminou no corpo de Marielle e de Anderson. “Como é que, depois desse tempo todo, com tantos nomes indicados, alguns deles ainda estão no serviço ativo como servidores do Estado. Por que a Polícia Civil, que é afinal de contas a encarregada desse inquérito originalmente, depois de quatro anos, não apresentou nenhuma novidade, e a Polícia Federal, começando a trabalhar depois da posse do novo superintendente do Rio, já apresentou algumas informações e já se moveu?”, questionou.

A ativista acrescentou que houve denúncias de promotoras do Ministério Público, que atuaram anteriormente nas investigações, sobre interferência indevida no processo. “Que interferência é essa? Até hoje, ninguém disse. Por que o Ministério Público demora tanto e [por que] mudou tanto de mão essa investigação? Por que o Ministério Público permanece sem fazer o controle externo da atividade policial, uma vez que as próprias notícias dizem que há servidores ativos, ainda trabalhando, que são parte dessa engrenagem de produção de morte?”

“Há tantas perguntas sem respostas. Espero que, de fato, seja um novo patamar, mas é preciso que as autoridades apresentem as novidades reais para que possamos saber. A Anistia Internacional, desde o princípio, vem advogando a constituição de uma comissão externa de especialistas, com gente que, olhando para as investigações, possa falar com propriedade se as coisas estão sendo feitas corretamente”, ressaltou.

A diretora da Anistia Internacional lembrou que Marielle completaria 44 anos nesta quinta-feira (27). “Uma data muito triste. Falo com nó na garganta. Fico imaginando a dor das famílias, dos pais, da filha, da irmã, das sobrinhas, da viúva. Fico imaginando a dor da viúva de Anderson também, tendo que rememorar tudo isso. É preciso que essa dor se transforme em soluções. É isso que se espera: soluções, respostas e mudanças. A gente espera que o Rio de Janeiro e o Brasil mudem de fato”, concluiu Jurema.

Respostas

Em resposta à Agência Brasil, que pediu um posicionamento sobre as declarações de Jurema Werneck, a Secretaria de Estado de Polícia Civil (Sepol) informou que continua investigando o caso e trocando informações com os demais órgãos envolvidos nas apurações. “A participação da Polícia Federal agrega força e conhecimento ao trabalho investigativo”, disse a Sepol.

“Vale ressaltar que a delação corroborou o acerto investigativo da Polícia Civil e acrescentou novos e relevantes dados da execução, representando mais um importante passo para se chegar ao mandante e à motivação do crime. A delação apresentada neste momento foi feita por um dos investigados presos pela Polícia Civil”, acrescentou a secretaria.

Já o Ministério Público do Rio de Janeiro destacou sua dedicação ao caso e os avanços obtidos ao longo dos últimos anos após a denúncia dos executores do crime. O MPRJ informou que, em março de 2021, foi criada uma força-tarefa específica para o caso, considerada prioridade pela Procuradoria-Geral de Justiça, com substituições pontuais de promotores, a pedido. “Ao longo daquele ano, a força-tarefa obteve conquistas como: uma nova condenação de Ronnie Lessa e de sua esposa, por lavagem de dinheiro, a partir de provas que demonstravam a incompatibilidade de renda declarada; recorreu para aumentar as penas de Ronnie Lessa e de outros quatro condenados no processo sobre a obstrução das investigações do caso; e obteve acordo judicial com o Facebook para disponibilizar dados para a investigação.”

No final de 2022, o MPRJ obteve, junto ao STJ, decisão que obrigava o Google a fornecer dados sobre quebras de sigilo telemático determinadas pela Justiça, com reiterados pedidos de multa pelo atraso no fornecimento das informações, com apresentação de recursos em instâncias superiores. “Também obteve a condenação de Ronnie Lessa a 13 anos de prisão por comércio ilegal de armas e operações contra organizações criminosas envolvendo milicianos e a cúpula do [jogo do] bicho, que tinham ligações com o acusado.”

De acordo com o Ministério Público, nos últimos dois anos, o trabalho voltado à identificação dos mandantes reuniu provas e contou com diversas diligências, além dos avanços mencionados anteriormente.

“Lembramos que a investigação conta com o acompanhamento das famílias das vítimas, recebidas periodicamente no MPRJ para ciência dos esforços realizados pela instituição para a elucidação do crime. O momento é de construção de uma cooperação que vem se mostrando exitosa para que todos os objetivos das investigações sejam alcançados, não havendo qualquer tipo de interferência no âmbito do Ministério Público”, destacou a instituição.

Lula e Biden devem se encontrar para discutir crise climática

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta sexta-feira (28) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer se encontrar com ele em breve para discussões sobre o clima.

“Lula do Brasil quer se reunir comigo em breve porque vocês sabem que há mais carbono absorvido do ar na Amazônia do que todo o carbono admitido nos Estados Unidos anualmente”, disse Biden em um evento de campanha.

Biden não disse quando ou onde será o encontro com Lula.

Em junho, Lula divulgou um plano para cumprir a promessa de eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, até 2030.

Os dois presidentes estarão em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, e devem discursar no mesmo dia  

A Agência Brasil entrou em contato com o Palácio do Planalto que confirmou que o encontro “deve ocorrer”.

 

*Com informações da Reuters 

Aumento na produção de carnes deve reduzir preços para o consumidor

O Brasil deverá produzir este ano 29,6 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de aves. A previsão é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e, se for confirmada, será a maior produção da série histórica.

Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, o aumento na produção de carnes vai refletir na redução de preços para os consumidores brasileiros. “Mais produto no mercado significa menor preço para os consumidores. Temos expectativa de que, para aqueles que gostam de consumir carne, possivelmente vai ter um aumento da proteína animal na mesa do povo brasileiro, especialmente o churrasco, que não é só uma comida para o nosso povo, faz parte da nossa cultura”, disse Pretto em entrevista no programa A Voz do Brasil, nesta sexta-feira (28).

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O recorde é puxado pela produção de suínos, que deve chegar a 5,32 milhões de toneladas em 2023, alta de 2,7% se comparado com o ano passado. O volume é o maior registrado no país.  

A produção de bovinos representa cerca de 9 milhões de toneladas, com aumento de 4,5%. O aumento já era esperado devido ao ciclo pecuário, quando há maior abate de fêmeas e uma consequente elevação na oferta de carne no mercado.

Para aves, a estimativa é de uma produção de 15,21 milhões de toneladas, alta de 2,9%. A boa produção e os registros de gripe aviária em países da Europa, Japão e Estados Unidos, por exemplo, aumentam a procura pela carne brasileira. Até o momento, o Brasil continua livre da doença na produção comercial.

Já com relação ao quadro de suprimento de ovos, a estimativa da Conab é que a produção para 2023 deve atingir um novo recorde e chegar a 40 bilhões de unidades de ovos para consumo.

Exportações

A Conab também prevê recorde para as exportações de carnes, ultrapassando os 9 milhões de toneladas. “O governo federal está em um grande esforço para aumentar nossas exportações. Exportar mais significa produzir mais e gerar mais empregos”, avalia Pretto.

Para os suínos, as exportações deverão ter alta de 10,1%, estimada em 1,22 milhões de toneladas. No caso dos bovinos, as exportações estão projetadas em 2,91 milhões de toneladas, uma redução de 3,3% se comparado com o registrado no ano passado, impactado pelos embarques mais lentos no início de 2023.

Já no caso das carnes de aves, as exportações devem crescer em torno de 10,2%, atingindo um volume de 5,12 milhões de toneladas, um novo recorde.

Segundo a Conab, mesmo com a alta nos embarques, a disponibilidade de carnes no mercado doméstico deve ser elevada em 2,4%, prevista em 20,44 milhões de toneladas, a segunda maior da série.

Justiça ouve mais 3 testemunhas sobre morte do congolês Moïse

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro deu continuidade nesta sexta-feira (28) às oitivas das testemunhas no processo sobre a morte do congolês Moïse Kabagambe. Foram ouvidas mais três pessoas. Todas eram testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Moïse Kabagambe tinha 24 anos de idade quando foi brutalmente espancado até a morte no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense. Ele trabalhava e recebia por diárias. Segundo a família, as agressões ocorreram após ele ter cobrado pagamento atrasado.

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O episódio, ocorrido em 24 de janeiro de 2022, foi registrado em câmeras de segurança. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) indicou que a causa da morte foi traumatismo do tórax, com contusão pulmonar, causada por ação contundente. Desde então, familiares e amigos do congolês vêm realizando diversos atos para cobrar justiça.

Os três homens que praticaram o crime foram identificados e presos preventivamente pouco mais de uma semana depois. Brendon Alexander Luz da Silva, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca e Fábio Pirineus da Silva foram denunciados pelo MPRJ e se tornaram réus. Os advogados de defesa chegaram a apresentar pedidos para que eles respondessem em liberdade, o que foi negado pela Justiça. Ainda será decidido se eles serão julgados por júri popular, como pede o MPRJ.

O caso está sendo analisado na 1ª Vara Criminal da capital. A imprensa não foi autorizada a acompanhar as novas oitivas. Segundo relato divulgado pelo TJRJ ao fim dos trabalhos do dia, o primeiro a prestar depoimento foi Maicon Rodrigues Gomes, que trabalhava como freelancer em quiosques de praia e que conheceu o congolês na semana do episódio. De acordo com ele, Moïse começou a ser agredido com um pedaço de madeira após tentar pegar cerveja no quiosque Tropicália.

Também foi ouvido o amigo dos acusados Jailton Pereira Campos, conhecido como Baixinho. Responsável por tomar conta do quiosque no dia do espancamento, ele contou que Moïse foi agredido e amarrado com uma corda. Segundo seu relato, mesmo imobilizado, o congolês continuou sendo alvo de golpes.

A última testemunha ouvida foi Luis Carlos Cortinovis Coelho, proprietário de uma barraca de praia localizada atrás do quiosque Tropicália. Ele disse que havia deixado o local antes do ocorrido e que soube do crime após receber um telefonema de Fábio. Luis Carlos disse ter tentado convencer os acusados a se entregarem. Também afirmou que recolheu um taco de beisebol usado nas agressões e o entregou na delegacia.

Segundo determinou a juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, as próximas oitivas deverão ocorrer no dia 15 de setembro, às 13h. Três testemunhas já haviam sido ouvidas no início do mês, incluindo Lotsove Lolo Lavy Ivone, mãe de Moïse. Ela deixou o Congo, buscando escapar da guerra e da fome, e veio com os filhos para Brasil em 2014.

Após a repercussão do caso, a família do jovem congolês recebeu da prefeitura a concessão de um quiosque comercial no Parque de Madureira, na zona norte da cidade. Em junho do ano passado foi sancionada a Lei Estadual 9.715/2022 reconhecendo o 24 de janeiro como Dia do Refugiado Africano. A data, escolhida em homenagem à Moïse, passou a figurar no calendário oficial do estado do Rio de Janeiro.

Bolsonaro recebeu R$ 17,5 milhões via Pix, aponta relatório do Coaf

O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, nos seis primeiros meses deste ano, R$ 17,5 milhões via Pix. Os valores constam de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura os atos golpistas de 8 de janeiro.

Inicialmente divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo, as informações foram confirmadas pela TV Brasil. Ao todo, foram 769 mil transações registradas de 1º de janeiro a 4 de julho. Nesse período, a conta do ex-presidente movimentou R$ 18,5 milhões, dos quais R$ 17,5 milhões chegaram via Pix.

O próprio Coaf classifica essas movimentações nas contas de Bolsonaro como atípicas. A suspeita do órgão, que investiga se houve lavagem de dinheiro, é que os recursos tenham sido doados por apoiadores do ex-presidente para pagar multas judiciais recebidas por ele. Parte dos recursos recebidos, indica o relatório, foi convertida em aplicações financeiras.

Os valores repassados pelos remetentes também aparecem no documento. Na lista, constam nomes de empresários, militares, agricultores e advogados, sendo que pelo menos 18 enviaram valores entre R$ 5 mil e R$ 20 mil. O PL, partido do ex-presidente, transferiu quase R$ 48 mil em duas operações.

Nas contas bancárias de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro preso desde o início de maio, o Coaf registrou uma movimentação de quase R$ 4 milhões entre julho do ano passado e maio deste ano. As transações são consideradas suspeitas porque o valor é incompatível com a renda dele, que tem salário bruto de R$ 26 mil.

Mauro Cid está sendo investigado a pedido da CPMI do Golpe, que aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do militar. Entre as movimentações analisadas, uma ordem de pagamento para os Estados Unidos, de R$ 368 mil, chamou a atenção. A transação foi realizada em janeiro, quando Bolsonaro estava no país.

Defesa

A defesa de Mauro Cid informou que todas as movimentações financeiras dele, inclusive as internacionais, são lícitas e foram esclarecidas à Polícia Federal. A defesa de Jair Bolsonaro afirmou que a divulgação das informações bancárias do ex-presidente consiste em “inaceitável” e “criminosa” violação de sigilo bancário e que os valores vêm de doações feitas por apoiadores, com origem absolutamente lícita.

BNDES lança edital para escolher gestor de fundo da Pequena África

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou nesta sexta-feira (28) o edital Viva Pequena África, no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab), no Rio de Janeiro. Por meio da seleção pública, vai ser escolhida uma instituição sem fins lucrativos para gerir um fundo de R$ 20 milhões de investimentos na região, reconhecida por preservar heranças culturais africanas. As inscrições vão até 11 de setembro, e o resultado vai ser divulgado em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.

O gestor do fundo será responsável por apoiar projetos culturais, promover reformas e capacitar pessoas que desempenhem atividades relacionadas à valorização da identidade cultural afro-brasileira. Também fará o levantamento de estudos, acervos e necessidades do território da Pequena África. Para participar do edital, é preciso seguir alguns requisitos de equidade racial, como ter na equipe um mínimo de 30% de pessoas autodeclaradas negras, ter histórico de ações em prol da equidade racial e propor ações afirmativas nesse sentido.

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O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que o governo federal está comprometido com o desenvolvimento da região, por entender a importância que ela ocupa na história do país.

“Nós temos aqui hoje a música, a culinária, a religiosidade, os ritos. Diversas formas de expressão dessa cultura que nós queremos preservar e valorizar. Para permitir recontar e revisitar a história do povo negro, que deu uma imensa contribuição cultural, econômica e social para o Brasil. Então, o BNDES está fazendo esse edital em parceria com o comitê gestor da Unesco, que reconhece como patrimônio histórico da humanidade o Cais do Valongo”, disse Mercadante.

Região conhecida como Pequena África – Arte/BNDES/Divulgação

O lançamento do edital ocorre na semana em que foram conhecidas novidades nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Presente no evento, Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, lembrou a história de luta da família ao falar da importância de iniciativas que valorizam a memória da população negra.

“Todo mundo que está aqui tem história de resistência. Que passa pela minha história de vida, da minha família e da minha irmã. Se tem um lugar que a gente considera um berço ancestral, a Pequena África é esse espaço”, disse a ministra Anielle. “Para mim, tem sido uma responsabilidade imensa concretizar um sonho e fortalecer esse lugar de um povo que está há tantos anos lutando. Não tem sido dias fáceis. Mas tem sido dias de muito afeto e dedicação. Para além desses centros de memória, a gente precisa também seguir realizando política públicas concretas”.

Iniciativa Valongo

O edital Viva Pequena África está inserido na Iniciativa Valongo, um plano de ações para fortalecer e organizar as instituições que atuam no território da Pequena África. Em uma primeira fase, além da escolha do gestor do fundo de R$ 20 milhões, estão previstas a elaboração do conceito do futuro Museu Nacional da Herança Africana e a estruturação de projetos para o Distrito Cultural da Pequena África. Este último inclui o Museu da Memória, o Centro de Interpretação do Cais do Valongo e o Laboratório de Arqueologia Urbana (LAAU).

Nessa primeira fase, também haverá mapeamento de prédios públicos históricos ociosos na região. A ideia é que eles sejam utilizados para abrigar universidades, bibliotecas e empresas de tecnologia. Uma segunda fase está prevista para o segundo semestre de 2024, quando vão começar as obras para restaurar o prédio Docas Dom Pedro II, erguido no período imperial pelo engenheiro negro André Rebouças.

“Nós começamos com a primeira fase, para não repetir erros anteriores, quando o Estado investe em projetos muito bonitos e interessantes, mas aqueles que viviam lá, construíram e resistiram são afastados pela especulação imobiliária”, disse Mercadante. “Na segunda fase, estimamos algo próximo a R$ 200 milhões para concluir a obra [do prédio Docas]. Mas ainda tem muita conversa para fazer com os parceiros privados para montar o orçamento e o projeto.”

A Iniciativa Valongo é gerida por dois grupos independentes e complementares. O primeiro deles é um Grupo de Trabalho Interministerial que, além do BNDES, inclui os ministérios da Cultura; da Igualdade Racial; e dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Fundação Palmares, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), e a prefeitura do Rio como convidada permanente. O segundo é o Comitê Gestor participativo do Cais do Valongo, que inclui 15 instituições representativas da sociedade civil e 16 governamentais nas esferas federal, estadual e municipal.

Bandeira verde continua em agosto, sem cobrança adicional de energia

A bandeira tarifária para o mês de agosto continuará verde, o que significa que não haverá cobrança adicional nas contas de energia elétrica dos consumidores brasileiros. 

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a decisão foi tomada por causa das condições favoráveis de geração de energia no país. A bandeira está no patamar verde desde abril de 2022 e a expectativa da Aneel é que esse cenário seja mantido até o final do ano. 

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A bandeira verde, válida para todos os consumidores do Sistema Interligado Nacional (SIN), reflete a melhoria dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas. O SIN é a malha de linhas de transmissão que leva energia elétrica das usinas aos consumidores.

Criado em 2015, o mecanismo das bandeiras tarifárias tem o objetivo de dar transparência ao custo real da energia elétrica. As cores das bandeiras (verde, amarela ou vermelha) indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração de eletricidade.

Mulher negra que lutou por trabalhador doméstico é heroína da pátria

Precursora na luta por direitos dos trabalhadores domésticos, Laudelina de Campos Melo teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, após sanção da Lei 14.635/2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Para nós é um reconhecimento político”, disse Cleusa Aparecida da Silva, coordenadora da Casa Laudelina de Campos Melo – Organização da Mulher Negra. Publicada na última quarta-feira (26) no Diário Oficial da União, a lei tem origem no Projeto de Lei (PL) 1795/2021, aprovado na Comissão de Educação (CE) em 20 de junho.

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“Nós conhecemos só uma versão da nossa história, é a história dos vencedores, mas nós quando não conhecemos a história dos vencidos e sua classe trabalhadora, e nós não conhecemos a história das mulheres originárias e das mulheres negras, que edificaram a nação brasileira, foram responsáveis pela edificação da sociedade brasileira”, disse.

Silva ressalta que essas mulheres não estão nos livros didáticos e que considera que esse reconhecimento é fundamental e prioritário. “Esse reconhecimento histórico tem um impacto psicossocial nas nossas vidas, um impacto do ponto de vista de reconhecimento, no ponto de vista subjetivo, no ponto de vista do psicológico, no ponto de vista da autoestima, e para que a gente conheça a nossa verdadeira história”, avaliou.

A mídia não dá visibilidade nem espaço à classe trabalhadora, observa Silva. “Então esse reconhecimento, a inclusão de Laudelina de Campos Melo no Livro e Heróis e Heroínas da Pátria é o maior construto político para nós nesse início de terceiro milênio”, acrescentou.

A Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), em sua Galeria de Lutadoras, aponta que a trajetória de Laudelina foi fundamental para a organização da categoria na busca de direitos, além de levantar, por sua atuação sindical, bandeiras contra o preconceito racial e contra a discriminação das mulheres. Laudelina começou a trabalhar aos 7 anos. 

Neta de pessoas escravizadas, Laudelina nasceu em Poços de Caldas (MG) em 12 de outubro de 1904. Segundo informações da Casa Laudelina, ela abandonou a escola aos 12 anos, após morte do pai em um acidente de trabalho, e tornou-se cuidadora dos seus cinco irmãos mais novos. Com 16 anos, foi eleita presidente do Clube 13 de Maio, que promovia atividades recreativas e políticas para a população negra da cidade.

Na década de 1930, participa de movimentos populares, da fundação do partido Frente Negra Brasileira, além de se filiar ao Partido Comunista Brasileiro. Ela fundou ainda, em Santos (SP), a Associação de Trabalhadores Domésticos do Brasil. “Nós queríamos colocá-la, de fato, como uma figura de grande visibilidade nacional e internacional pela sua trajetória política”, disse Silva.

“Foi uma mulher que prestou serviço, na perspectiva dos Direitos Humanos, em várias áreas. Ela trabalhava com a questão da mulher, de gênero, racial, tinha a questão do trabalho doméstico como prioridade, trabalhava com a pauta da educação, com arte e cultura”, acrescentou.

Laudelina foi perseguida pelo governo de Getúlio Vargas devido à sua atuação. As atividades da Associação de Trabalhadores Domésticos do Brasil foram suspensas durante o período de ditadura de Vargas, segundo informações da Fenatrad.

Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, Laudelina se alistou nas forças armadas. Conforme divulgou a Casa Laudelina, ela foi a primeira combatente negra do Exército, viajou por diversos países, serviu de espiã, foi baleada e operada, e se aposentou como ex-combatente. Laudelina morreu em 1991, aos 86 anos.

Herói ou heroína da pátria é um título dado a personalidades que tiveram papel fundamental na defesa ou na construção do país, segundo informações da Agência Senado. A inscrição de um novo nome depende de lei aprovada no Congresso. Entre os heróis e heroínas brasileiros, estão Tiradentes, Anita Garibaldi, Chico Mendes, Zumbi dos Palmares, Machado de Assis, Chico Xavier, Santos Dumont e Zuzu Angel.

Jogos Mundiais Universitários – Dia 5: cerimônia de abertura

Após o tempo chuvoso no verão chinês, Chengdu amanheceu ensolarada. Logo nas primeiras horas desta sexta-feira (28), o céu limpo indicava que a delegação brasileira nos Jogos Mundiais Universitários de Verão teria um belo dia tanto nas competições quanto na Cerimônia de Abertura. E começou com a primeira participação do Brasil no evento. A honra coube à seleção feminina de basquete, que estreou contra a Romênia e não decepcionou.

Intensas desde o aquecimento, as brasileiras foram avassaladoras no primeiro quarto e saíram de quadra para o primeiro intervalo com um placar de 24 a 6. Parecia que as romenas não esperavam um adversário tão agressivo defensivamente e inspirado no ataque. Nos dois quartos seguintes, a Romênia melhorou e chegou a diminuir a vantagem brasileira para 10 pontos. Porém, no último quarto o Brasil se acertou novamente e garantiu a vitória de 77 a 59.

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Cestinha da partida com 19 pontos, Letícia analisou a vitória: “A estreia sempre tem o nervosismo, como vamos nos sair, mas desde que partimos de São Paulo o nosso objetivo até aqui foi o mesmo: com a dinâmica de time forte, vibrando. Elas se assustaram quando começamos com essa energia agressiva. Iniciar assim já manda toda a ansiedade para fora e no segundo jogo já está mais controlado”.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Letícia joga fora do Brasil há nove anos e afirma que esta experiência pode ajudar a equipe: “Acho que, por ser a mais velha do time, consigo trazer um pouco da experiência que tenho. Por exemplo, quando começa a baixar o ritmo do treino eu cobro um pouco mais e as jogadoras começam a entender o motivo. Esse jogo foi importante para todos perceberem que precisamos de intensidade. A gente tava ganhando de 24 a 6 e as romenas vieram buscar. A intensidade tem que continuar. Claro que algumas jogadoras são novas, para muitas é a primeira vez, então está sendo uma experiência grande. Quando conseguimos controlar dá para ver o resultado dentro de quadra”.

O próximo compromisso da seleção será no domingo (30), contra a Finlândia. O Brasil está no grupo C ao lado de Romênia e Finlândia. Os dois primeiros colocados se classificam para a próxima fase.

Cerimônia de abertura

Após a vitória no basquete faltava pouco tempo para a Cerimônia de Abertura dos Jogos Mundiais Universitários de Verão. Depois do almoço, toda a delegação estava pronta às 16h para se deslocar até o Dong’an Lake Sports Partk Stadium.

Já na fila para entrar na cerimônia, argentinos e brasileiros se provocaram com canções de futebol, mas em clima tranquilo e cordial. A entrada da delegação no estádio foi emocionante. Recebidos por um público animado, os atletas tremularam bandeirinhas e se encantaram com o desfile. Depois, já sentados nas cadeiras, os brasileiros acompanharam um show repleto de música, dança, efeitos especiais e muitos fogos de artifício.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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No próximo sábado (29) o Brasil entra no tatame para brigar por medalhas. Às 10 horas começa a fase eliminatória do judô e às 16h já teremos as finais das categorias -48kg feminino, -52kg feminino, -57kg feminino, -60kg masculino e -66kg masculino. Além disso serão realizadas disputas das primeiras rodadas do tênis e do tênis de mesa. À noite, a partir das 19h30min (horário local), será a vez de o basquete masculino enfrentar a China. Já o time de vôlei masculino pega a Alemanha a partir das 20h.

* Maurício Costa viajou como integrante da delegação da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). A entidade convidou a EBC para participar da cobertura durante os 17 dias de competição em Chengdu.

Cacique Raoni recebe carta do rei britânico Charles III

Liderança indígena brasileira reconhecida no Brasil e no exterior, o cacique Raoni Metuktire recebeu uma carta do rei britânico Charles III, que honra o líder kayapó como “impressionante exemplo” a ser seguido. A entrega aconteceu no evento O Chamado do Cacique Raoni – Grande Encontro das Lideranças Guardiãs da Mãe Terra, realizado entre 24 a 28 de julho na Aldeia Piaraçu, no Território Kayapó, em São José do Xingu. O documento chegou às mãos do cacique por meio da Encarregada de Negócios da Embaixada do Reino Unido no Brasil, Melanie Hopkins.

“Sua voz tem sido fundamental no Brasil, e no mundo, em esforços para preservar a Amazônia e em seu apoio aos direitos de todos os povos indígenas”, disse o monarca do Reino Unido.

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Antes de chegar ao trono, quando ainda era príncipe, Charles III se encontrou com Raoni em 2009, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O cacique também já foi recebido por Charles na Clarence House, uma das residências da família real britânica.

A correspondência foi entregue no evento que recebe apoio da organização britânica sem fins lucrativos Global Canopy. Segundo a Embaixada do Reino Unido no Brasil, a instituição fornece dados, métricas e avaliações para que grandes empresas, instituições financeiras, governos e organizações ao redor do mundo possam melhorar suas práticas em relação à proteção das florestas e da biodiversidade.

leia a íntegra da carta:

Caro Cacique Raoni,

Fiquei muito entusiasmado em saber que a organização britânica, Global Canopy, está dando suporte ao evento em julho deste ano para honrá-lo por seus feitos globais memoráveis e para encorajar a próxima geração a seguir seu impressionante exemplo. Sua voz tem sido fundamental no Brasil, e no mundo, em esforços para preservar a Amazônia e em seu apoio aos direitos de todos os povos indígenas.

Durante minha própria visita à Amazônia, em 2009, testemunhei em primeira mão os profundos impactos do desmatamento e das mudanças climáticas na floresta tropical e nos povos e comunidades indígenas que ali residem. Também me lembro com apreço de nosso encontro no mesmo ano no magnífico Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde conversamos sobre o desejo compartilhado de ver a Amazônia protegida, e o prazer que mais tarde tive em recebê-lo na Clarence House.

Também fico contente que o Reino Unido tenha conseguido apoiar este evento por meio do Programa REDD+ para Pioneiros (REM), que conta com um de seus focos no fortalecimento de governanças indígenas e no apoio aos meios de subsistência de povos indígenas em seus territórios.

Envio meus melhores votos a você e a todos os povos indígenas do Brasil.

Charles R

EBC lança nova marca e identidade visual de seus veículos

A partir de 1º de agosto, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e os quatro veículos públicos que a compõem estarão de cara nova. Em mais uma etapa do seu projeto de reestruturação, a empresa passará a contar com uma nova identidade visual.

Atual, diversa, abrangente e inclusiva são alguns dos atributos da nova marca da EBC. O projeto foi desenvolvido por profissionais da casa e buscou traduzir a diversidade do país e dos conteúdos produzidos e veiculados pelas emissoras. A nova identidade conecta todos os veículos, respeitando o objetivo individual de cada um.

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“Com a mudança, damos mais um passo rumo ao fortalecimento da EBC e dos seus veículos, para que retomem suas vocações informativa, cultural e artística. Nosso objetivo é tornar a EBC cada vez mais relevante para a sociedade a fim de que a população possa conhecer e valorizar aquilo que produzimos”, afirma o diretor-presidente da empresa, Hélio Doyle.

No fim de julho, foi lançado o Canal Gov, responsável pela veiculação das notícias relacionadas ao governo federal. Com isso, os veículos de comunicação pública da EBC reassumem integralmente seu caráter público, com programação cultural e educativa, dedicada à promoção da cidadania e dos valores democráticos.

Além da nova identidade, a TV Brasil prepara estreias para o segundo semestre, entre elas a volta do Sem Censura, com apresentação de Cissa Guimarães, e a repaginação do seu telejornal, o Repórter Brasil.  

Sobre a EBC

Criada em 2008, a EBC é uma empresa pública federal responsável pela gestão de importantes veículos de comunicação do país. Ela dá efetividade ao princípio constitucional de complementaridade entre o sistema público, privado e estatal de comunicação. Além da função de prestadora de serviços, contribui para o objetivo de ampliar o debate público sobre temas nacionais e internacionais, com uma programação educativa, inclusiva, artística, cultural, informativa e científica, com foco no cidadão.

TV Brasil

Atualmente entre as cinco emissoras de maior audiência do país, a TV Brasil foi criada para complementar e ampliar a oferta de conteúdos em sinal aberto, oferecendo uma programação de natureza informativa, cultural, artística e educativa. Referência em programação infantil e com conteúdos jornalísticos premiados em sua grade, a emissora tem um papel importante no fortalecimento da comunicação pública do país e está presente em 2,6 mil municípios por meio de suas afiliadas e sedes regionais.

Agência Brasil

Com 33 anos de história, a Agência Brasil publica diariamente conteúdos em texto, áudio e fotos, que são reproduzidos por milhares de sites e veículos impressos de todo o país – e também do exterior, com textos traduzidos para inglês e espanhol. Sua cobertura abrange temas de impacto no cenário nacional como política, economia, educação, direitos humanos, pesquisa, inovação, cultura e saúde, entre outros.

Rádio Nacional

A marca faz parte da história do país e conta, atualmente, com sete emissoras principais. A Rádio Nacional do Rio de Janeiro está presente na memória afetiva da população e é reconhecida como referência de programação plural e popular. Em Brasília, a Rádio Nacional AM foi criada em 1958 para apoiar a construção da capital e, em 1976, estreou na frequência FM – a primeira a operar no Distrito Federal. Já a Rádio Nacional da Amazônia transmite em ondas curtas para a região da Amazônia Legal, com cobertura de mais da metade do território brasileiro. Alcança, potencialmente, 60 milhões de habitantes. Sintonizada desde 2006, a Rádio Nacional do Alto Solimões mistura informação local e nacional com protagonismo para a região de fronteira. Em 2021 e 2022, São Paulo, Recife e São Luís ganharam sua emissora Nacional.

Rádio MEC

Primeira rádio do Brasil, a Rádio MEC é reconhecida pelo público por sua programação dedicada à música clássica e programas culturais. A emissora dedica 80% de sua programação à música de concerto e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos. Sinônimo de educação e cultura, a MEC é sucessora da Rádio Sociedade, criada em 1923 por Edgard Roquette-Pinto e Henrique Morize. Em 5 de julho de 2022, foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural Imaterial do Rio de Janeiro.

Países pedem retorno à ordem no Níger um dia após golpe

O presidente do Níger, Mohamed Bazoum, permanecia detido no palácio presidencial na noite desta quinta-feira (27) e não ficou claro quem assumiu o comando do país, depois que soldados declararam um golpe militar na noite de quarta-feira (26).

A França, a antiga potência colonial do país, e o bloco regional da África Ocidental, Cedeao, pediram a libertação imediata de Bazoum e o retorno à ordem constitucional. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, também disse que a ordem constitucional deve ser restaurada.

“Apoiamos as iniciativas regionais para encontrar uma saída urgente para a crise que respeite a estrutura democrática do Níger e permita a restauração imediata da autoridade civil”, disse o Ministério das Relações Exteriores da França em um comunicado.

O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, disse que conversou na quinta-feira com Bazoum e que o presidente está “bem”, informou a agência de notícias russa RIA.

Histórico

O golpe no Níger é o sétimo na África Ocidental e Central desde 2020, e pode ter graves consequências para o progresso democrático e a luta contra uma insurgência de militantes jihadistas na região, onde o Níger é um importante aliado do Ocidente.

Os apoiadores do golpe saquearam e incendiaram o quartel-general do partido do governo em Niamey, a capital, na quinta-feira, depois de o comando do Exército ter declarado o seu apoio ao golpe conduzido por soldados da guarda presidencial.

Nuvens de fumaça negra saíram do prédio, disse um repórter da Reuters, depois que centenas de apoiadores do golpe que se reuniram em frente à Assembleia Nacional do país se dirigiram ao prédio. A polícia os dispersou com rajadas de gás lacrimogêneo.

A multidão tocou músicas a favor dos militares. Alguns agitavam bandeiras russas e entoavam slogans anti-franceses, ecoando uma crescente onda de ressentimento contra a ex-potência colonial e sua influência na região do Sahel. O Níger conquistou a independência da França em 1960.

O canal de TV estatal mostrou um comunicado do Ministério do Interior condenando os atos de vandalismo e proibindo as manifestações até um novo aviso.

“Sempre acreditamos nas ações do exército e desta vez estamos com eles. Para nós, isso é uma alegria”, disse Boubacar Hamidou, um ativista de direitos humanos que estava entre a multidão do lado de fora do Parlamento.

Em um comunicado assinado por seu chefe de gabinete, o Exército disse que “decidiu aderir à… declaração” feita por soldados que anunciaram em um discurso televisionado tarde da noite que haviam destituído Bazoum do poder.

O Exército disse que sua prioridade é evitar a desestabilização do país e que precisa “preservar a integridade física” do presidente e de sua família e evitar “um confronto mortal… que possa criar um banho de sangue e afetar a segurança da população”.

Reportagem adicional de Bate Felix, John Irish e Sofia Christensen

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PF apura suposto desvio de R$ 2,5 milhões da Caixa

Policiais federais prenderam três pessoas, na manhã desta sexta-feira (28), no âmbito de uma operação deflagrada para recolher provas contra supostos membros de um grupo suspeito de desviar cerca de R$ 2,5 milhões da Caixa, por meio de fraudes bancárias eletrônicas.

Segundo a Polícia Federal (PF), as supostas fraudes que suscitaram a chamada Operação Usuário Bloqueado foram cometidas entre janeiro de 2021 e março de 2022, com a participação de ao menos cinco funcionários do banco estatal já afastados preventivamente de suas funções.

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Três pessoas presas, enquanto os agentes federais cumpriam 30 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, foram detidas por motivos alheios à investigação: duas delas portavam armas de fogo ilegalmente e uma tinha consigo uma porção indeterminada de drogas. As identidades dos presos não foram divulgadas.

Dezoito mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em quatro cidades do Pará (Belém; Breve; Parauapebas e Redenção). Os outros mandados estão sendo executados em duas cidades goianas (Luziânia e Valparaíso); São Luís (MA) e São Paulo (SP).

Além das detenções e da coleta de provas que subsidiem as investigações, os policiais federais apreenderam, até por volta das 9h, R$ 33 mil em dinheiro e cinco carros. Com autorização judicial, bens e valores associados aos investigados foram bloqueados.

As investigações que sustentam a operação desta sexta-feira foram iniciadas após o recebimento de informações oriundas da Caixa sobre indícios de fraudes praticadas por meio de alterações nas credenciais de acesso ao sistema realizadas por empregados do banco. As alterações permitiam que o grupo criminoso transferisse valores para contas bancárias de terceiros integrantes da organização.

Em nota, a PF afirma já ter identificado 842 registros de práticas ilícitas que, se confirmadas, configuram os crimes de organização criminosa, furto qualificado mediante fraude em ambiente cibernético, inserção de dados falsos em sistema de informações e lavagem de dinheiro.

Em nota, a Caixa informou que as ações suspeitas foram identificadas graças ao monitoramento de segurança do banco, que acionou a PF para que apurasse os fatos. “Informações relacionadas aos casos de fraude e às ações realizadas pela área de segurança do banco para investigar e coibir ações criminosas possuem caráter sigiloso, sendo repassadas exclusivamente às autoridades policiais e de controle, tendo em vista risco de comprometimento de investigações em andamento”, acrescentou a assessoria do banco, destacando que a instituição promove constantes melhorias em seus sistemas de segurança.

“A Caixa possui estratégia, políticas e procedimentos de segurança para a proteção dos dados e operações de seus clientes e dispõe de tecnologias e equipes especializadas para garantir segurança aos seus processos e canais de atendimento.