Exposição e livro revisitam obra de Hélio Oiticica, que teria 86 anos

Encontrar e produzir a arte presente no cotidiano comum e nas ruas, integrada à vida na cidade, ligada ao corriqueiro visto com poeticidade. No olhar particular e revolucionário do artista plástico carioca Hélio Oiticica, que morreu com apenas 42 anos em 1980, instalações, pinturas e esculturas deveriam estar próximas aos cidadão comum e não apenas em ateliês ou museus. 

No mês que o artista completaria 86 anos (nasceu em 26 de julho de 1937), uma exposição no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, e um livro com uma coletânea de cartas reveladoras revisitam obras e pensamentos do artista, que continuam atuais, segundo especialistas em seu trabalho. 

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A exposição Delirium Ambulatorium, em cartaz no CCBB da capital, com acesso gratuito, reúne mais de 80 obras de diferentes fases da vida de Oiticica. O nome da exposição, segundo salienta o curador da mostra, o pesquisador pernambucano Moacir dos Anjos, alude a um termo que o artista usava para descrever que principal ativador do trabalho dele, era o contato com o mundo, o caminhar pela cidade. 
 Artista defendia que a arte está por toda parte – Foto José Cruz/Agência Brasil

“Esse delirar no caminho pelas ruas, pela cidade, no encontro com as coisas comuns da vida, as coisas do cotidiano seriam o estopim para fazer arte”, aponta o curador. Ele explica que a exposição busca ressaltar essa ideia que o artista repetiu na fase final da vida dele, em cartas com amigos, por exemplo. 

Motivação

“Era algo que realmente o motivava sair pra rua. A exposição é uma tentativa de um olhar retrospectivo, do começo até o final desse movimento”, explica Moacir dos Anjos. Ele contextualiza que a obra dele nos anos 1950 está ligada a uma tradição construtiva da arte brasileira, como uma distração geométrica. 

Hélio Oiticica revolucionou as artes visuais – Foto José Cruz/Agência Brasil

“Pouco a pouco, aquilo vai se fragmentando dentro desses trabalhos ainda como desenhos no papel e depois se transforma em objetos que passam a ocupar o espaço e serem penetráveis. As pessoas penetram nos trabalhos”, exemplifica. 

O que era pintura na parede se transforma em arte no espaço aberto. O pesquisador explica que os anos 1960 influenciam o artista, incluindo o contato com os músicos da Tropicália, com a cultura popular, no samba da Mangueira e as relações do movimento do corpo e da arquitetura.

“Uma certa ginga e improvisação fundamentais para entender que o corpo ganha autonomia e protagonismo”, aponta o curador.

Ele explica que, na visão de Oiticica, o artista passa a ser um propositor de situações para que as pessoas possam descobrir e viver com arte. “Ele quebra essas distinções entre artista e não artista, entre museu e rua”.

Moacir dos Anjos entende que, dentre tantas obras, uma das que ele sugere para que o público perceba a arte de Oiticica é a intitulada Grande Núcleo (1960), que está na galeria 3 do CCBB. “É uma obra com placas de madeira suspensas formando uma estrutura grande, amarela, laranja, em vários tons. É uma obra que os visitantes não devem deixar de ver”.

Obra tem placas suspensas e está na galeria do Centro Cultural do Banco do Brasil – Foto: José Cruz/Agência Brasil

Cartas

Outro caminho para conhecer o pensamento de Hélio Oiticica é ler as correspondências com as quais ele se correspondia com amigos, outros artistas e familiares.O livro Hélio Oiticica: cartas 1962-1970 é resultado do trabalho de mais de quatro anos feito pela pesquisadora Tânia Rivera, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com Carlos Oiticica Filho, que foi o idealizador do projeto. Trata-se de obra de mais de 300 páginas .

“Desde muito jovem, ele já fazia cópias das cartas que ele escrevia e guardava. Então, a gente tem um material imenso que foi objeto de uma pesquisa muito aprofundada. É um primeiro volume. Nós vamos ter um segundo volume cobrindo a década de 1970 (previsto para o ano de 2025)”.

Na década de 1960, momento que mescla efervescência de pensamentos, produção, vida em Londres e reação à ditadura militar, as cartas descortinam o pensamento de um jovem que está à frente do seu tempo. 

As correspondências revelam, por exemplo, uma busca permanente por elaborar conceitos e compreender o momento artístico. Para Tânia Rivera, os textos são como crônicas da sua época. “As cartas, na minha opinião, devem ser consideradas parte da obra do artista. Uma obra que buscava a essência total entre arte e vida com uma intensidade extraordinária”. Para ela, esses textos são, às vezes, divertidos, e também profundos. Um mergulho no pensamento do jovem artista que morreu cedo demais.

A pesquisadora atenta para o fato da preocupação de uma dimensão coletiva da criação artística. “Ele exorta os colegas a uma ação conjunta. Especialmente, naquele momento, de 1969 (quando há o recrudescimento da violência do Estado e extinção das liberdades individuais), depois de saber que Gilberto Gil e Caetano Veloso estavam sendo presos por estarem com a Bandeira com a inscrição “seja marginal, seja herói”, criada por Hélio Oiticica.

A pesquisadora explica que, a partir disso, as cartas revelam como Oiticica passa, imediatamente, a organizar um evento que seria um ato político pela libertação de Caetano e Gil. “Ele reflete sobre o papel do artista na sociedade, especialmente em relação à política. Oiticica diz que seria possível um artista não se posicionar”. As palavras e as obras ficaram eternizadas.

Exposição costura história de B. B. King com luta contra o racismo

A trajetória do guitarrista e compositor norte-americano B.B. King está sendo apresentada em uma exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS), na zona oeste da capital paulista. Logo na entrada, quem visita a mostra recebe uma provocação que contextualiza a trajetória do artista, que ficou conhecido internacionalmente como Rei do Blues. É preciso escolher entre duas portas, uma para pessoas brancas e outra para negras, lembrando, assim, do período das leis racistas de segregação que vigoraram nos Estados Unidos na primeira metade do século 20.

O blues é um gênero musical que surgiu nos Estados Unidos no século 19. Esse estilo se desenvolveu a partir das tradições musicais africanas, que envolviam aspectos religiosos, culturais e principalmente a questão racial.

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A exposição do MIS proporciona ao visitante uma narrativa sensorial, quando este passa por um corredor que simula o clima das plantações de algodão do Mississipi, no sul do país, onde King trabalhou na juventude.

As canções de trabalho e as que conclamam à revolta as populações negras que viveram a escravização nas fazendas, anos antes, também fazem parte da trilha sonora da exposição. Assim, a vida do músico é costurada com a luta por direitos das pessoas negras norte-americanas.

Música e guitarra autografada

Mostra apresenta e conta a história da guitarra Gibson Lucille, usada por B. B. King – Paulo Pinto/Agência Brasil

Fotografias, objetos e músicas tocadas em vídeos e instalações ambientes, mostram ao público como foi a carreira artística de King. Após deixar o trabalho nas plantações, o músico, nascido em 16 de setembro de 1925 e batizado Riley Ben King, foi DJ e apresentador na WDIA, primeira estação de rádio com programação destinada a afro-americanos. É possível ver cartazes de shows e espetáculos a partir de 1948, quando ele já usava o nome artístico de B.B. King.

Uma guitarra Gibson Lucille, autografada, está em exibição em uma das vitrines. O modelo foi batizado pela fabricante em homenagem ao músico, que chamava seus instrumentos de Lucille, como forma de carinho e também como um lembrete para si mesmo. No início da carreira, King entrou em um teatro em chamas para salvar sua guitarra. Segundo narração dele próprio, mais tarde, King soube que o fogo havia começado durante uma briga entre dois homens por uma mulher chamada Lucille. Na anedota, King diz que chamou sua guitarra de Lucille para evitar correr tantos riscos no futuro.

Também podem ser vistas partituras, registros de turnês, figurino de shows e prêmios recebidos pelo artista ao longo da carreira, encerrada em 2015, com sua morte, aos 89 anos por complicações da diabetes.

Imersão na história e no blues

Itens da vida e obra de B.B. King podem ser vistos até outubro no Museu da Imagem e do Som – Paulo Pinto/Agência Brasil

O auge da carreira de King, que chegou a fazer mais de 340 apresentações em um ano, é marcado por uma foto dele e sua banda com o ônibus que levava o grupo por todas as partes dos Estados Unidos. A imagem dialoga com uma reconstrução cenográfica de um ônibus segregado, em homenagem a Rosa Parks, uma mulher negra que foi presa ao se negar a ceder seu lugar para um homem branco. A injustiça inflamou a comunidade negra, que promoveu um duro boicote ao sistema de transporte público, em Montgomery, no estado sulista do Alabama.

As ações políticas e sociais do próprio King têm espaço na mostra, que traz fotos dos shows que fez em presídios, como forma de solidariedade à população negra encarcerada. O músico criou ainda uma associação para facilitar a reinserção de ex-detentos na sociedade, muitos deles vítimas do sistema de Justiça norte-americano, considerado racista.

Ao mesmo tempo que é possível aprofundar-se na história de um dos maiores nomes do blues do mundo, o público pode fazer uma imersão completa na obra do artista, chegando à sensação quase literal de estar em um disco de vinil, como proposta de uma das instalações. Muito do material exposto veio do B.B.King Museum, que fica no estado do Mississipi.

A mostra B.B. King: Um Mundo Melhor em Algum Lugar pode ser visitada até 8 de outubro no Museu da Imagem e do Som (MIS).

O MIS abre de terça a sexta-feira, das 10h às 19h e, aos sábados, das 10h às 20h. Nos domingos e feriados, as visitas vão das 10h às 18h. A entrada é gratuita às terças-feiras. Mais informações podem ser obtidas na página do museu.

Supremo terá julgamentos decisivos no segundo semestre

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na terça-feira (1°) as sessões de julgamento após o recesso de julho. O segundo semestre na Corte será marcado por julgamentos decisivos, entre eles, a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal, a legalidade do juiz de garantias e do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

Também estão previstas a posse de Cristiano Zanin, no início de agosto, e a aposentadoria da ministra Rosa Weber, em outubro.

Início dos trabalhos

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Na primeira sessão, os ministros vão retomar o julgamento sobre o uso da tese de legítima defesa da honra para justificar a absolvição de condenados por feminicídio.

Em junho, antes do recesso, a maioria de votos foi formada para proibir que a tese possa ser utilizada como argumento de defesa dos advogados do réu ou para justificar absolvição pelo Tribunal do Júri, sob pena de anulação. Faltam os votos das ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia.

A Corte julga uma ação protocolada pelo PDT em 2021 para impedir a absolvição de homens acusados de homicídio contra mulheres com base no argumento de que o crime teria sido cometido por razões emocionais, como uma traição conjugal, por exemplo.

Porte de drogas

Na quarta-feira (2), a Corte retoma o julgamento que trata da descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal. A descriminalização começou ser analisada em 2015, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes.

O caso trata da posse e do porte de drogas para consumo pessoal, infração penal de baixa gravidade que consta no Artigo 28 da Lei das Drogas (Lei 11.343/2006). As penas previstas são advertência sobre os efeitos das drogas, serviços comunitários e medida educativa de comparecimento a programa ou curso sobre uso de drogas.

Até o momento, três ministros – Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Gilmar Mendes – votaram, todos a favor de algum tipo de descriminalização da posse de drogas.

Zanin

Na quinta-feira (3), Cristiano Zanin será e empossado no cargo de ministro do Supremo. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aprovado pelo Senado, Zanin tem 47 anos e vai ocupar a cadeira deixada pelo ministro Ricardo Lewandowski, que se aposentou em maio deste ano.

Juiz de garantias

Um dos primeiros julgamentos com participação de Zanin será o da constitucionalidade do juiz de garantias. Trata-se de mecanismo no qual o magistrado responsável pela sentença não é o mesmo que analisa as cautelares durante o processo criminal. A retomada do julgamento está prevista para 9 de agosto.

Terras indígenas

Ainda neste semestre, o Supremo deve retomar o julgamento sobre obre o marco temporal para demarcação de terras indígenas. Em junho, o ministro André Mendonça pediu vista do processo, que deve ser devolvido para julgamento no prazo de 90 dias. Na sessão na qual a análise foi suspensa, a presidente de Supremo, Rosa Weber, cobrou do ministro a devolução do processo para julgamento antes de sua aposentadoria.

Rosa Weber

Em outubro, a ministra Rosa Weber completará 75 anos e deverá se aposentar compulsoriamente. Com a abertura da vaga, o presidente Lula poderá fazer nova indicação para a Corte, a segunda em seu atual mandato.

Bienal de SP será poética, enigmática e performativa, dizem curadores

Com o tema Coreografias do Impossível, a 35ª Edição da Bienal de São Paulo, que acontece na capital paulista entre os dias 6 de setembro e 10 de dezembro deste ano, pretende desafiar o impossível, discutindo as urgências do mundo atual.

Com 120 artistas já confirmados para esta edição e uma curadoria que trabalha de forma coletiva, a Bienal de São Paulo está propondo para este ano um evento mais poético, enigmático e performativo, abraçando a ideia de movimento e repelindo o tempo linear. Esta será uma Bienal sem divisão por temas e sem cronologia.

“Na Bienal se rompem as disciplinas. Tem gente que vem do mundo da arte, tem gente que não vem do mundo da arte. Mas ela não vai ser uma Bienal descritiva ou literária. Tem um componente poético, enigmático, que é impossível de ser absorvido em uma marca ou algoritmo. E isso gera um espaço que é o espaço da poética, que é o que reivindicamos”, disse Manuel Borja-Villel, um dos nomes que assina a curadoria da Bienal junto com Diane Lima, Grada Kilomba e Hélio Menezes.

“[A Bienal deste ano] tem essa dimensão performativa muito forte, onde muitas das obras nos convidam a pensar e a imaginar radicalmente o que são esses contextos impossíveis e quais são as soluções – em termos de linguagem e de estratégias – que esses artistas encontram no seu cotidiano para sobreviver e também para encontrar modos de expressão”, explicou Diane Lima.

As coreografias do impossível acontecem logo após o impacto de uma pandemia do novo coronavírus e também depois de um governo de extrema-direita no país, que chegou a extinguir o Ministério da Cultura. “Esses projetos e os desafios políticos, econômicos, sociais e ambientais que a gente viveu com intensidade nos últimos quatro anos no Brasil era também reflexo de um processo histórico muito maior na qual se vê – e se prova – que os projetos de justiça, liberdade e igualdade não são realizações possíveis”, disse Diane, acrescentando que essas obras [que estarão na Bienal], de fato, nos ajudam a refletir um tanto quanto sobre todos esses pontos”.

O tema escolhido pela Bienal pretende fazer com que o público se mova entre as obras, atravessando os limites e os contornos do prédio e escapando das impossibilidades do mundo.

“Nós vivemos em um mundo marcado por uma série de impossibilidades, por um mundo em que a prática da violência se cotidianiza. E essas práticas desses impossíveis têm impactos nas produções estéticas, nas produções éticas, nos contextos artísticos. Interessa-nos, portanto, reunir e colocar em diálogo artistas cujas produções têm desafiado, questionado, recusado, gingado, esses impossíveis”, disse Hélio Menezes.

Os artistas

Embora não tenha a intenção de ser explicada, coletividade e pluralidade são termos que podem ajudar a definir a Bienal deste ano. Isso começa pela curadoria. “São quatro pessoas com padrões muito distintos, de trajetórias muito distintas, de formas de fazer muito distintas, que falam de posições distintas e que se unem para trabalhar conjuntamente”, disse Borja-Villel. “Nessa equipe, pela primeira vez, não há um curador-chefe. E tampouco tem uma direção pré-determinada. O que temos é um projeto que se vai construindo”, acrescentou.

Esses dois termos também foram valorizados para a escolha dos artistas selecionados e que vem sendo chamados pelos curadores de “coreógrafos do impossível”.

Na lista desses artistas estão vozes da diáspora e dos povos originários, como o coletivo Mahku, grupo de etnia huni kuin e que este ano esteve presente em uma exposição no Museu de Arte de São Paulo (Masp). “É a primeira vez que vamos expor na Bienal de Arte de São Paulo”, disse Ibã Kaxinawa, um dos integrantes do coletivo, em entrevista à Agência Brasil.

Para ele, participar da Bienal é importante para mostrar que as culturas indígenas continuam existindo e resistindo no Brasil. “É importante mostrar tudo o que a gente tem e o que ainda restou”.

A matéria-prima do coletivo Mahku são as mirações que eles vivem e visualizam nos rituais de ayahuasca, chamados de nixi pae. Os trabalhos apresentam figuras bidimensionais, com cores vivas e intensas, e as histórias são compostas a partir dessas experiências nos rituais.

Ibã disse que atualmente o grupo vem trabalhando na pintura para a Bienal e que estão felizes com o convite para participar do evento. “Nós vamos mostrar os cantos de cura. Esse trabalho discute a importância de cura”, disse ele.

Projeto arquitetônico e expográfico

Para realçar a ideia de movimento e de bailado contra as impossibilidades do mundo, o projeto arquitetônico e expográfico dessa Bienal, realizado pelo escritório Vão, pensou em propor um novo fluxo para o visitante, no qual ele se torna protagonista do processo. Com isso, o vão central do Pavilhão Ciccillo Matarazzo da Bienal será inteiramente fechado, pela primeira vez na história.

“Esse projeto arquitetônico e expográfico se organiza a partir de duas intervenções chaves no prédio”, destacou Hélio Menezes.

A primeira delas, disse o curador, busca promover uma coreografia, enfrentando o projeto original de Oscar Niemeyer. “Isso significou, em primeiro lugar, a construção de espaços arquitetônicos que prezam por momentos de contração e de abertura. Em um andar teremos várias salas individuais, que se agrupam na região central. E todo o seu contorno será um grande espaço aberto onde as instalações e as obras vão dialogar sem qualquer fronteira de paredes ou divisões. E um outro andar do prédio fará o contrário”, explicou.

A segunda proposta, que incluiu o “semi-fechamento da rampa que dá acesso ao segundo andar do prédio”, pretende fazer com que o visitante altere o caminho esperado do prédio. “Essa proposta de inversão de percurso abre, em realidade, para infinitas possibilidades de trajetória dentro da exposição. Essa é uma arquitetura aberta porque os visitantes vão criar os seus próprios trajetos”, disse Menezes.

Além da exposição

Neste ano, a Bienal também está propondo outras formas de diálogos com o público visitante. Com isso, além do espaço expositivo, o evento vai promover uma programação com mesas, performances e ativações de obras. Isso, segundo Hélio Menezes, vai ocorrer durante todo o evento.

“Isso é algo importante de sublinhar porque é uma Bienal que não vai acontecer apenas em sua dimensão expositiva, mas que tem um dinamismo de funcionamento que convida também ao bailado desses corpos ao longo de três meses da programação”, disse ele.

Outro destaque é que haverá a participação da Cozinha da Ocupação 9 de Julho. “Essa comida vem de uma cadeia produtiva responsável, de Agricultura Familiar, em um processo em que não há mão de obra escravizada e em que há um controle sobre o uso de agrotóxicos e outros venenos no processo de produção alimentar”, falou. “É ao redor da mesa da cozinha que todos nós nos reunimos e também será ao redor dessas provocações que a comida pode trazer que a 35ª também performará uma outra maneira de pensar uma exposição de arte”, acrescentou.

Mais informações sobre a 35ª Bienal de São Paulo, que é gratuita mas que ainda está em fase de preparação, podem ser obtidas no site.

UFRJ promove competição de barcos movidos à energia solar

A 16ª edição do Desafio Solar Brasil (DSB), competição de barcos movidos à energia solar, acontece de 31 de julho e 6 de agosto, na Praia de Icaraí, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, com uma mensagem clara: o futuro sustentável é conduzido por energias limpas.

Promovido pelo Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o DSB é um projeto de extensão universitária que estimula o desenvolvimento e aplicações de fontes alternativas de energia em embarcações, por meio do esporte e educação em tecnologia e meio ambiente. O projeto tem apoio da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte.

Desafio Solar Brasil, competição de barcos movidos à energia solar – Foto: Paulo Chaffim/Divulgação

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Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador de planejamento do projeto, Ricardo Bogéa, ressaltou que o evento de extensão faz com que os alunos coloquem seu aprendizado em prática, aplicando seus conhecimentos em situações reais.

“Eles vão aprender na realidade, não somente preparar a embarcação. Considero fundamental para a formação dos alunos o envolvimento na logística, organização, equipe, orçamento e também a competitividade, para que se tenham um melhor desempenho perante as demais equipes”, explica o professor.

Para Bogéa, ainda há muitos desafios na área de desenvolvimento na tecnologia de energia solar em embarcações. “Percebemos que, no decorrer desses anos todos, as embarcações têm tido melhorias de desempenho e velocidade. Temos visto que as equipes têm se organizado mais rápido que imaginávamos, nesta retomada após a pandemia”.

A expectativa de Bogéa é a consolidação da classe de barcos movidos à energia solar, estimulando, com isso, a participação de representantes estrangeiros no projeto e a criação de um congresso que reúna instituições de ensino, administração pública e empresas para dialogarem sobre temas como energias renováveis, educação de ciências e outras tecnologias, meio ambiente, transição energética, veículos elétricos e tecnologia social.

Competição

Desafio Solar Brasil, competição de barcos movidos à energia solar- Foto: Paulo Chaffim/Divulgação

Essa edição da DSB conta com 21 embarcações de equipes do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Amazonas, Espírito Santo, Pará e São Paulo. Eles se enfrentarão em sete provas. A premiação da regata contempla as três equipes que obtiverem as melhores pontuações no somatório de provas. No entanto, o reconhecimento não se limita apenas ao desempenho na água. As equipes que se destacarem na produção de vídeos e pôsteres concorrem a prêmios especiais dedicados ao esforço de divulgação científica, mostrando a importância de disseminar o conhecimento sobre tecnologias sustentáveis.

O aluno de engenharia elétrica da Universidade Federal Fluminense (UFF) Daniel Mariano disse à Agência Brasil que, este ano, sua equipe, a Araribóia, pretende vencer depois de subir ao pódio em 2020 e 2022. Ele reconhece, no entanto, que terão que se esforçar, pois o nível da competição subiu. “Com um maior número de equipes participantes, mais bem preparadas e competitivas, a esperança é que a gente consiga o pódio”.

Mariano, que atua na parte elétrica da equipe, adiantou que este ano terão uma embarcação totalmente nova, com novos painéis fotovoltaicos flexíveis que geram a mesma quantidade de energia, sendo mais leves que os antigos, que eram rígidos, feitos em vidro e alumínio.

Participação

Segundo Bogéa, este ano 20 polos de inovação nacionais, incluindo universidades, institutos federais e escolas navais, se uniram para projetar o destino das tecnologias náuticas dentro da responsabilidade ambiental. Instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal do Pará (UFPA), o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFFs), entre outras, se destacam nesse cenário de inovação sustentável.

Além das competições, o Desafio Solar Brasil 2023 terá uma programação de palestras, workshops, exposição de trabalhos acadêmicos, mostra de vídeos, atrações culturais de artistas locais e minicursos gratuitos abertos ao público, uma experiência de imersão no mundo da sustentabilidade e inovação tecnológica, no Clube Central em Icaraí.

Os temas das discussões incluem descarbonização, transição energética, economia circular e materiais compósitos, nitrogênio verde, tecnologia social e tecnologia embarcada.

Desafio Solar Brasil, competição de barcos movidos à energia solar – Foto: Paulo Chaffim/Divulgação

DSB nas escolas

A líder de gestão do projeto DSB, Júlia Fernandes, adiantou à Agência Brasil que sua equipe está visitando escolas públicas de Niterói para a divulgação do evento, e convidando estudantes do ensino fundamental e médio para participarem do evento, com o objetivo de incentivar os estudantes a buscar o ensino superior, ir cada vez mais longe e entrar na universidade para participar de um projeto como o DSB.

“Com essa ação, queremos mostrar aos jovens que eles têm possibilidade de um ensino mais forte na área de tecnologia de energias renováveis, e levar esse ensinamento para o seu dia a dia. Temos como meta apresentar a energia solar como um ensinamento que eles podem levar para o seu dia a dia”, disse Júlia.

* Estagiário sob supervisão de Akemi Nitahara

Série D: Brasiliense e Athletic iniciam disputa por vaga nas oitavas

O Brasiliense recebe o Athletic Club, a partir das 16h (horário de Brasília) deste domingo (30) na Boca do Jacaré, na partida de ida da segunda fase da Série D do Campeonato Brasileiro. Quem avançar neste confronto chega às oitavas de final da competição nacional. A TV Brasil transmite o jogo decisivo ao vivo.

Jogando em casa, o Brasiliense busca um bom resultado na primeira partida para manter vivo o sonho da classificação. A equipe ainda não perdeu jogando na condição de mandante na competição e quer repetir a dose de sua última partida, contra o Operário VG-MT, que terminou em vitória do Jacaré por 4 a 1, resultado que assegurou o 4º lugar no seu grupo e carimbou o passaporte para a segunda fase.

Além disso, o Brasiliense conta com o melhor ataque de toda a Série D. A equipe do Distrito Federal marcou 31 gols em 14 jogos na competição. A equipe também aplicou a maior goleada da história das quatro divisões do futebol brasileiro, um sonoro 10 a 0 sobre o Interporto. Os artilheiros do Jacaré na Série D são os meias Bruno Cosendey e Tobinha, respectivamente com seis e cinco gols.

Com uma grande campanha no Grupo 6 da competição nacional, o Athletic Club liderou sua chave na primeira fase. A equipe mineira obteve nove vitórias, dois empates e três derrotas, e teve a melhor defesa do seu grupo, com apenas nove gols sofridos. O Esquadrão de Aço procura fazer um grande jogo de ida para ajudar a conseguir a classificação.

O clube mineiro não tem nenhum desfalque para a partida, e o técnico Cícero Júnior terá a oportunidade de colocar em campo o que tem de melhor: “Conseguimos colher os frutos durante a competição, e que agora continuemos plantando para no final termos o tão sonhado acesso e o título brasileiro que é possível. Sabemos das dificuldades, mas sonhamos, pois sonhar já é metade do caminho”.

* Colaboração de Pedro Dabés (estagiário) sob supervisão de Paulo Garritano.

Hoje é Dia: Saúde e aleitamento materno são destaques da semana

O Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto é o destaque dessa semana que vai de 30 a 5 de agosto. Este ano o tema ganhou repercussão nacional, com a cientista e pesquisadora Nísia Trindade à frente do Ministério da Saúde, ela que ilustra o quadro Hoje é Dia esta semana. Em notícia publicada pela Agência Brasil, Nísia afirmou que a gestão da saúde será pautada pela ciência. E diversas políticas públicas para o setor foram retomadas, como o plano de valorização das trabalhadoras do SUS – Sistema Único de Saúde, a discussão do financiamento do SUS, o investimento em vacinação, a criação de um Centro de Referência em Saúde Indígena, a recriação do programa Mais Médicos e investimento de R$ 200 milhões em saúde mental.

Ainda falando de saúde, no dia 1º de agosto é celebrado o Dia Mundial do Aleitamento Materno. A amamentação é prática recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e, de acordo com especialistas, muitas doenças crônicas, alergias ou alterações orgânicas podem ser evitadas ou terem os riscos reduzidos graças ao ato de amamentar. Mas a amamentação nem sempre é fácil, principalmente no início, por isso, a Agência Brasil entrevistou a enfermeira pediátrica do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Maíra Domingues, para falar sobre as dificuldades comuns no aleitamento materno.

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E vale lembrar que diversos bebês dependem de doações de leite humano para se alimentarem e que apoiar campanhas nesse sentido pode salvar vidas.

Liberdade

A luta pela liberdade, seja ela qual for, deve ser constante. No dia 30 de julho lembramos do Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com os dados do último Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (Unodc), 72% das vítimas desse tipo de crime no Brasil é negra.

Para denunciar este tipo de crime basta ligar para o Disque 100 ou o 180,que tem chamadas gratuitas de todo o Brasil. A denúncia também pode ser feita pelo e-mail srtp.cgdihc.dicor@pf.gov.br do Serviço de Repressão ao Tráfico de Pessoas da Polícia Federal. E caso a situação ocorra no exterior, a orientação é buscar a Assistência Consular do Ministério das Relações Exteriores.

Há 35 anos, em 3 de agosto de 1988, a Assembleia Nacional Constituinte votava o trecho da Constituição Federal que colocava fim ao cerceamento das liberdades intelectual e artística de expressão e de imprensa, e punha um ponto final na censura promovida pela Ditadura Militar. Com isso a data ficou marcada como Dia do Fim da Censura no Brasil. Graças à luta de muitos por liberdade, hoje, é possível ler no Artigo 5º da CF: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.”

Despedidas

Nesta semana também lembramos a despedida de muitos brasileiros que deixaram suas marcas na cultura. Há 15 anos, em 31 de julho de 2008, nos despedíamos do artista plástico, arquiteto, escultor, pintor, desenhista e mosaicista Athos Bulcão. O artista tem obras espalhadas por igrejas, escolas, hospitais e monumentos principalmente de Brasília, cidade em que trabalhou com Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e Bule Marx. Em 2018, ano do centenário de Athos, o Caminhos da Reportagem fez um episódio especial sobre sua vida e obra, ouvindo familiares, amigos e colegas de trabalho.

Em 8 de janeiro, dia dos atos antidemocráticos em Brasília, ao menos três obras de Athos Bulcão, que fazem parte da arquitetura do Congresso Nacional, foram danificadas.

Em 5 de agosto lembramos também a morte de José Eugênio Soares, o Jô Soares. Em 84 anos de vida, Jô escreveu roteiros para programas de televisão em emissoras como as TVs Continental, Record e Globo. E também atuou em diversos humorísticos, Além disso, deixou uma vasta publicação literária, entre seus romances estão O Xangô de Baker Street, As Esganadas e O Homem que Matou Getúlio Vargas.

Depois de um ataque cardíaco em 1955, o 5 de agosto também será lembrado como o dia da morte de Carmem Miranda. A artista foi celebrada pela Rádio MEC, em 2018, em um especial de seis capítulos apresentados pelo escritor Ruy Castro. 

Brinde

O dia 4 de agosto bem que poderia se chamar Dia da Paixão Nacional, porque é o Dia Internacional da Cerveja. E tanto o consumo, como a produção da bebida tem aumentado no Brasil. No último ano, o setor cervejeiro cresceu 11,6%, de acordo com Anuário da Cerveja, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em junho. O crescimento indica que um em cada oito municípios brasileiros tem, pelo menos, uma cervejaria.

Jogos Mundiais Universitários – Dia 6: estreia do vôlei em Chengdu

Integrar a delegação da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU) em Chengdu (China) me proporcionou um dia inesquecível: fazer parte da equipe do vôlei masculino, podendo estar ao lado dos atletas e da comissão técnica do início ao fim. Acompanhar e sentir a ansiedade antes de entrar na quadra, a confiança, a euforia, as dificuldades e também a derrota.

O Brasil estreou contra a Alemanha e perdeu por 3 a 0, com parciais de 32/30, 25/20 e 25//20.  Apesar de não ter vencido, a seleção mostrou uma capacidade de superação enorme. O Brasil está no Grupo D, com Alemanha, Itália e Taipei (China). O próximo confronto do Brasil será contra Taipei (China), na segunda-feira (31), às 8h (horário de Brasília). A competição tem transmissão ao vivo na internet. Confira AQUI o cronograma completo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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No caminho para o ginásio Hongyi, a trilha sonora se alternava entre funk, rap e pagode. Era um clima familiar, uma ‘brasilidade’ que ainda não havia sentido desde que cheguei a Chengdu. No vestiário, durante a concentração e preparação para entrar em quadra, a banda Charlie Brown Jr. tocava na caixa de som:  “histórias, nossas histórias. Dias de luta, dias de glória”. O Brasil sabia que ia precisar lutar muito.

Nem todos os jogadores treinam juntos, apenas os da Universidade do Oeste de Santa Catarina. Portanto, o entrosamento precisa ser adquirido durante a competição. Antes da estreia oficial, o Brasil já tinha feito um amistoso contra a mesma Alemanha, e foi derrotado até com certa tranquilidade.

Mas, como mesmo disseram os jogadores durante a preleção do técnico Evandro Elias Pontes, a camisa amarela pesa. Após a corrente de oração e a palavra do capitão Vinícius Silveira, o time brasileiro saiu do vestiário confiante.

Talvez nem os alemães esperassem um time tão focado. No meio do primeiro set, um possível receio de ser batido deu lugar à esperança da vitória. Os brasileiros chegaram a abrir uma vantagem de cinco pontos, mas a forte seleção alemã reagiu e o set foi decidido no detalhe.

Os dois sets finais mostraram que a Alemanha está em um momento melhor. Mesmo assim, o Brasil lutou muito. Claro que os atletas não gostaram da derrota, porém, o jogo equilibrado dá confiança para lutar por uma vaga na próxima fase, como revelou o capitão Vinícius.

“A gente sabia que a Alemanha era bem entrosada, com jogadores bem altos. A gente deixou escapar o primeiro set por alguns vacilos de entrosamento, principalmente, dentro de quadra, mas acho que a gente mostrou um bom voleibol . A gente agradece a toda torcida brasileira, que faz uma diferença absurda, inclusive a torcida chinesa que apoiou a gente. A gente tá confiante. Vamos pegar Taipei-China e Itália, mas jogo a jogo vamos evoluindo. O grupo está se conhecendo, às vezes é difícil para ganhar entrosamento em pouco tempo, mas botando a camisa do Brasil a ganha uma motivação muito alta. Então vamos para cima”.

A delegação brasileira está em Chengdu com 150 atletas em 11 das 18 modalidades em disputa no evento:  saltos ornamentais, badminton, tênis de mesa, taekwondo, kung fu (a arte marcial é denominada de wushu na China), basquete, natação, atletismo, judô, tênis e voleibol.

* Maurício Costa viajou como integrante da delegação da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). A entidade convidou a EBC para participar da cobertura durante os 17 dias de competição em Chengdu.

Maior evento de motos da América Latina lota vias de Brasília

Milhares de motocicletas lotaram as vias de Brasília neste sábado (29), marcando o último dia do Capital Moto Week, considerado o maior festival de motos e rock da América Latina. A organização do evento estima que 40 mil motos tenham participado do passeio de 53 quilômetros pelas largas vias brasilienses. O evento de dez dias ocorreu no Parque de Exposições da Granja do Torno, na capital federal. 

Foram mais de 100 apresentações musicais, com destaque para os grupos Angra, Pato Fu, Jota Quest e Charlie Brown Jr., além de artistas como Marcelo Falcão e Supla. O evento acaba neste sábado com show da cantora baiana Pitty na chamada Noite das Mulheres.  

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O Capital Moto Week completou 20 anos neste 2023, recebendo representantes de 1,8 mil motoclubes nacionais e internacionais. A organização estimou um público de 800 mil pessoas e 350 mil motos nos 10 dias de evento.   
 

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Mineradora Samarco entrega plano de recuperação judicial

Responsável pelo desastre ambiental que matou 18 pessoas em Mariana (MG) em 2015, a mineradora Samarco entregou nesta sexta-feira (28) ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais o plano de recuperação judicial. O documento resulta de acordo fechado com os acionistas e parte dos credores financeiros.

Pelo plano, a Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Hilliton, emitirá títulos de dívida para pagar os credores financeiros. Por meio desses papéis, a companhia captará recursos no mercado prometendo devolver o dinheiro com juros.

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Caberá aos acionistas financiar a reparação do rompimento da barragem em Mariana, da emissão dos novos títulos de 2024 até o pagamento integral. A compensação, inclusive os pagamentos à Fundação Renova, entidade responsável pela compensação dos danos, está estimada em mais de US$ 1 bilhão.

Títulos

Em relação aos títulos, a Samarco emitirá até US$ 3,566 bilhões em novas notas com vencimento em junho de 2031 com juros entre 9% e 9,5% e sem garantias (bens que podem ser dados em troca em caso de inadimplência da companhia). Os credores que optarem por receber as notas em troca do cancelamento das dívidas da mineradora receberão esses papéis.

Os credores que concordarem com o abatimento de 25% das dívidas receberão outro título, com vencimento em 2035. Os funcionários (credores Classe 1) com crédito de até R$ 1,5 milhão cada, as micro e pequenas empresas (credores Classe 4) e os fornecedores estratégicos da Classe 3 (quirografários, sem garantia) serão pagos integralmente.

Quaisquer acordos com autoridades públicas brasileiras para a reparação do desastre ambiental deverão ser preservados, segundo o plano. Além disso, a mineradora deverá continuar a investir em nível sustentável para ampliar as operações com segurança.

Redução da dívida

Após ficar sem operar de novembro de 2015, quando ocorreu o rompimento da barragem em Mariana, até 2020, a Samarco entrou em recuperação judicial há dois anos. O plano entregue na sexta-feira (28) à 2ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte, segundo a companhia, permite a redução da dívida, atualmente em US$ 9,7 bilhões, em torno de R$ 46 bilhões pelo câmbio atual.

A proposta será analisado pelo Tribunal de Recuperação Judicial, sem a necessidade de uma assembleia geral de credores. Se aprovado, precisará ser reconhecido pelo Tribunal de Falências dos Estados Unidos do Distrito Sul de Nova York.

Prefeitura de SP abre vagas para mães de alunos da rede municipal

A prefeitura de São Paulo abriu inscrições para mães de alunos que desejam atuar em escolas. Segundo a administração municipal, foram abertas duas mil vagas no Programa Operação Trabalho (POT) Mães Guardiãs na modalidade alimentação escolar.

As mães vão apoiar atividades escolares nas hortas mantidas pelas unidades, no acolhimento dos alunos e disseminação de uma cultura de paz e não-violência. As participantes contam com bolsa-auxílio no valor de R$ 1.386 e desempenham atividades de segunda a sexta-feira, com carga horária de 30 horas semanais, seis horas por dia. A participação será por 12 meses, com possibilidade de renovação pelo mesmo período.

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Segundo a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo, Aline Cardoso, a ação une geração de renda, capacitação profissional e fortalecimento de vínculo entre as mulheres e seus filhos. “Vamos para mais uma etapa do programa iniciado durante a crise pandêmica, que já passou por reformulações para combater a evasão escolar e agora passa a contar com uma nova modalidade voltada à alimentação dos alunos da rede escolar, trazendo novas experiências para as participantes”, disse em nota.

As interessadas precisam ter entre 18 e 59 anos de idade, morar na capital, estar desempregada há mais de quatro meses e não estar recebendo neste momento o seguro-desemprego. Outras exigências são renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa da família e ter filho matriculado na rede municipal de ensino ou pertencer à comunidade escolar.

Para participar, basta preencher o formulário disponível no site

Avós encontram neto n° 133 sequestrado pela ditadura argentina

A organização Avós da Praça de Maio encontrou o neto número 133 sequestrado pela ditadura argentina que controlou o país de 1976 a 1983. O neto perdido foi quem espontaneamente procurou a organização ao desconfiar que não era filho do casal que dizia ser seus pais.

Ele é, na verdade, filho de Cristina Navajas e Julio Santucho, ex-membros da organização Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), guerrilha que lutava contra a última ditadura militar do país sul-americano.   

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“Hoje, sinto que me devolveram uma parte minha”, disse o pai do neto 133, Julio Santucho, em entrevista à Télam, a agência pública de notícias da Argentina.

“Se parece muito comigo, me lembra eu quando tinha sua idade”, completou. A mãe do neto 133, Cristina Navajas, foi sequestrada pela ditadura quando estava grávida e segue desaparecida desde julho de 1976.  

Buscas

Já a avó do neto nº 133, Nélia Navajas, morreu em 2012 sem encontrar nem o neto, nem a filha. Ela foi uma das fundadoras das Avós da Praça de Maio e contou com a ajuda do irmão do neto desaparecido, Miguel “Tano” Santucho, que liderou as buscas do irmão e da mãe. “É um dos momentos mais luminosos da minha vida. Me custa acreditar que estou vivendo isso”, comentou o irmão do neto encontrado esta semana.  

Avós encontraram neto n° 133 sequestrado pela ditadura argentina. Foto – Cris Sille/TELAM

A presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, de 92 anos, comemorou mais essa vitória da organização. “Encontrar outro neto, devolver seus direitos, sua identidade, nos enche de felicidade”. A líder das Avós acrescentou que a organização segue de braços abertos “para receber e seguir encontrando os netos que faltam”.  

Em comunicado, as Avós da Praça de Maio informaram que o neto 133 foi registrado como filho de um integrante das forças de segurança argentinas e uma enfermeira, em 24 de março de 1977. Desde jovem, tinha dúvidas sobre a própria identidade.

A irmã adotiva mais velha foi quem o alertou de que não era filho biológico dos pais que acreditava ter. “Em duas oportunidades, enfrentou o apropriador para saber a verdade, mas o homem sustentou sempre ser seu pai biológico”, afirma a organização.  

Ao procurar as Avós da Praça de Maio, o neto nº 133 pôde fazer um exame de DNA que confirmou a sua verdadeira identidade.  

Segundo o Ministério da Justiça e Direitos Humanos da Argentina, ainda existem mais de trezentas pessoas de cerca de 45 anos, nascidas entre 1975 e 1983, que seguem desaparecidas. As Avós da Praça de Maio calculam que cerca de 500 bebês de presos políticos da ditadura argentina foram sequestrados, tendo sido entregues a famílias de militares, abandonados em instituições de caridade ou vendidos. 

Vitória-ES supera Ceilândia-DF em 1º duelo do mata-mata da Série D

O Vitória-ES quebrou nesta tarde a invencibilidade do Ceilândia-DF na Série D do Campeonato Brasileiro, ao vencer por 1 a 0 o jogo de ida da segunda fase (mata-mata), na tarde deste sábado (29), que teve transmissão ao vivo na TV Brasil. O nome do jogo foi Carlinhos, volante que balançou a rede para o Alvianil aos 20 minutos da primeira etapa, no estádio Salvador Costa, na capital capixaba. O triunfo de hoje (29), garantiu ao Vitória-ES a vantagem do empate no jogo da volta, no próximo sábado (5 de agosto),às 15h30 (horário de Brasília), no estádio Abadião, no Distrito Federal. O confronto definirá o classificado às oitavas de final do torneio. 
Alvianil leva vantagem do empate no jogo da volta contra o Galo Preto, no próximo sábado (5 de agosto), no Distrito Federal. O duelo vale vaga nas oitavas de final do torneio – Clara Fafá/Vitória FC/Direitos Reservados

Jogando diante da torcida local, o Alvianil teve dificuldades no início do primeiro tempo. Os visitantes criaram mais oportunidades e chegaram com perigo à pequena área. Logo no primeiro minuto de partida, Iago desferiu um belo chute do lado esquerdo do goleiro Felipe, mas a bola passou por fora. Aos 19, após cruzamento certeiro de Cleyton pela esquerda, Felipe não alcança a bola e por um triz Iago não completa para o gol. Na sequência, em meio ao sufoco, o Alvianil abriu o placar, Tony rolou para Carlinhos na entrada da área, e o volante se livrou da marcação antes de chutar rasteiro, sem chance para o goleiro Matheus Silva.

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Após o intervalo, o jogo ficou mais acirrado, com chances de lado a lado. Os donos casa tiveram chance de ampliar aos 17 minutos, quando Esquerdinha cruzou na medida para Breno Santos, mas ele se atrapalhou na hora de chutar. Depois, foi a vez do Ceilândia-DF: Romarinho, quase empata aos 20, ao mandar uma bomba de fora da área. Oito minutos, o Alvianil teve nova oportunidade de aumentar a vantagem com Rafael Castro que chutou forte da entrada da área, mas a estrela do goleiro Matheus Silva brilhou e ele fez bela defesa. Os donos da casa adiantaram a marcação, e o Ceilândia parou na defesa bem armada do Alvianil, e o jogo terminou mesmo com a vitória do mandante por 1 a 0. 

Ao final da partida, o zagueiro João Moura, comemorou a vitória do Alvianil e disse estar confiante para o jogo da volta, no próximo sábado (5).

“A gente sabia que ía ser um jogo muito difícil, eles tinha a equipe  menos vazada da competição. A gente sabia que eles viriam aqui para tentar a vitória também, mas graças a Deus conseguimos fazer um jogo tranquilo, seguro. A gente conseguiu evitar os lances de perigo deles e ficar com a mínima vantagem. Agora a gente ter que ir lá [no Distrito Federal, casa do Ceilândia]. Faltam ainda 90 minutos. Temos que dar nosso melhor para sair com a classificação”, analisou o defensor do Vitória-ES.

Renato Russo ganha homenagem em rua eternizada pela bossa-nova

A Rua Nascimento Silva, em Ipanema, bairro nobre da zona sul do Rio de Janeiro, está eternizada na música brasileira pelos versos escritos por Vinicius de Moraes, na letra de Carta ao Tom.

“Rua Nascimento e Silva, 107
Você ensinando pra Elizete
As canções de Canção do amor demais”

A Rua Nascimento Silva também faz esquina com a Rua Vinícius de Moraes, sendo considerada a Esquina da Bossa – Tânia Rêgo/Agência Brasil

O endereço é uma referência ao prédio em que morou o parceiro Tom Jobim, de 1954 a 1960. Uma placa indicativa dá um destaque ao imóvel e é ponto para visitantes tirarem uma selfie. A parceria entre os dois gênios da bossa-nova, aliás, é uma das justificativas para – a 80 metros do número 107 – a rua fazer esquina com a Vinicius de Moraes.

Agora, se um curioso pela história da música brasileira atravessar a rua e caminhar por oito minutos vai encontrar outra placa, uma que indica onde morou um dos grandes nomes do pop rock nacional. No número 378 da arborizada Nascimento Silva, um prédio de quatro andares, da época em que não era muito comum ter varandas, foi o último endereço do líder da Legião Urbana, Renato Russo. O cantor morou lá de 1990 a 1996.

Prédio onde viveu Renato Russo se torna Patrimônio Cultural Carioca – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um fã atento de Renato Russo vai perceber que a portaria do prédio aparece na foto de capa do álbum solo Stonewall Celebration Concert, de 1994. Renato está em pé, segurando uma flor.

Lugar para selfies

Apesar de ser uma rua tranquila e de pouco movimento, não demorou para a reportagem da Agência Brasil encontrar turistas querendo levar uma recordação do lugar. A psicóloga Riane Rebouças Veloso é de João Pessoa e surpreendeu-se ao passar pelo prédio. “Eu sabia que era por aqui, mas não sabia que era exatamente em frente onde a gente estava. Foi emocionante quando a gente se deparou. Uma surpresa bem bacana”, disse logo após tirar uma foto da fachada.

Emoção também para a filha dela. “É muito legal saber que a gente está tão perto de onde morou um dos maiores cantores do Brasil, se não, o maior”, contou a estudante Mariana Rebouças.

No imóvel, localizado na Rua Nascimento Silva, em Ipanema, Renato Russo compôs pelo menos cinco álbuns – Tânia Rêgo/Agência Brasil

A placa indicativa é uma iniciativa do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), da prefeitura do Rio de Janeiro, e transforma o lugar em Patrimônio Cultural Carioca. É uma forma de a cidade identificar bens e locais com valores ligados à cultura e à identidade do carioca. A placa oferece informações para que os visitantes conheçam mais sobre os determinados temas.

“O IRPH tem como atribuição proteger, conservar e valorizar o patrimônio cultural da cidade. O projeto Circuitos do Patrimônio Cultural Carioca tem como objetivo divulgar e informar sobre o rico acervo de bens culturais e as personalidades da cidade do Rio de Janeiro. A placa alusiva ao Renato Russo está no Circuito da Música e visa homenagear importantes compositores da música popular brasileira”, explicou a presidente do IRPH, Laura Di Blasi, no site da prefeitura.

Cinco álbuns

A placa no prédio onde morou Renato Russo oferece rápidas informações, como datas de nascimento e morte, a participação na Legião Urbana e que cinco álbuns nasceram naquele endereço.

“Renato Russo faz parte da história e do imaginário carioca. O Rio e o bairro de Ipanema foram escolhidos pelo artista como moradia e lá ele compôs pelo menos cinco álbuns. Esta homenagem é mais do que merecida e necessária para eternizar a parceria do Renato Russo com a Cidade Maravilhosa”, disse o subprefeito Flávio Valle.

Outros discos que Renato compôs no endereço são o V, O Descobrimento do Brasil e A Tempestade, da Legião Urbana; e o solo Equilíbrio Distante.

Biografia

Renato Russo – Ricardo Junqueira/Direitos reservados

Renato Manfredini Júnior nasceu no Rio de Janeiro, em 1960. Mas os primeiros passos na carreira artística, ainda na adolescência, e a explosão para o sucesso se deram em Brasília. Em 1979 formou a banda Aborto Elétrico. Três anos depois, se tornou “O Trovador Solitário”, para logo em seguida criar a Legião Urbana. A partir de 1993 se aventurou também em carreira solo. Em quase duas décadas, Renato foi uma das vozes que mais embalaram ouvidos de uma geração.  

O cantor morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, por complicações causadas pelo contágio pelo vírus HIV. Ele descobriu a doença em 1989, segundo o site oficial do artista, mantido pelo filho dele, o produtor cultural Giuliano Manfredini. 

A idolatria persiste até os dias de hoje, com uma produção musical que continua viva e atemporal para aqueles que tanto se identificam com as letras e reflexões.

Governo prepara plano para população em situação de rua

O ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, informou neste sábado (29) que o governo federal prepara um plano voltado para a população em situação de rua. “Estamos desenhando, sob a coordenação do presidente Lula, uma grande política nacional em defesa das pessoas em situação de rua. Vai mobilizar uma série de outros ministérios, como o do Trabalho, da Saúde, do Desenvolvimento Social e Regional”.

Entre as ações está a regulamentação que veda uso de arquitetura hostil a presença de pessoas em situação de rua, diz Silvio Almeida – Foto: – Tânia Rêgo/Agência Brasil

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O ministro deu a declaração ao participar da Expo Favela Innovation 2023, feira de empreendedorismo que estabelece conexões entre favela e asfalto, na Cidade da Artes, na zona oeste da capital fluminense.

Entre as ações, segundo o ministro, está a regulamentação da Lei Padre Julio Lancellotti, que veda o uso da arquitetura hostil que cria elementos que dificultam a presença das pessoas em situação de rua, o programa Moradia Primeiro, que é pensar a moradia como elemento fundamental para pessoas em situação crônica na rua, além de programas de saúde e de emprego.

“Não é só dar a casa, é também organizar a vida das pessoas. Tem também as cotas do Minha Casa, Minha Vida para pessoas em situação de rua. Isso também já foi conversado com o ministro [das Cidades] Jader [Filho] e vamos produzir um decreto. O presidente Lula deve avaliar e vamos dar sentido e concretização para essa política”, disse Almeida.

Petrobras muda política de dividendos e reduz ganho de acionistas

A Petrobras divulgou, na noite de sexta-feira (28), a nova política de distribuição de dividendos, parcela dos lucros distribuída aos acionistas, definida após reunião do Conselho de Administração da companhia. O percentual de remuneração caiu de 60% para 45% do fluxo de caixa livre (dinheiro à disposição no caixa).

O fluxo de caixa livre representa o valor que sobra no caixa após os investimentos. A nova política também ampliou a definição de investimentos para incluir a recompra de ações, quando a própria companhia adquire suas ações.

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As circunstâncias em que a estatal distribuirá dividendos também mudaram. O Conselho de Administração estabeleceu a remuneração mínima de US$ 4 bilhões por ano para exercícios em que o preço médio do barril de petróleo tipo Brent for superior a US$ 40 por barril.

A distribuição de 45% do fluxo de caixa livre só será aplicada quando a dívida bruta da Petrobras for igual ou inferior ao nível máximo de endividamento definido no Plano Estratégico 2024–2028 e quando a companhia obtiver lucro em um trimestre. Os dividendos serão, portanto, pagos a cada três meses.

A política atual estava em vigor desde 2011. Na época, o modelo estabelecia que a Petrobras pagaria 60% do fluxo de caixa livre quando a companhia tivesse dívida bruta abaixo de US$ 65 bilhões. No fim de 2021, a petroleira passou a permitir a antecipação de dividendos.

Aplicação

Segundo a Petrobras, a nova política já será aplicada ao resultado do segundo trimestre de 2023, que será divulgado na próxima quinta-feira (3). No documento, a petroleira informa que as regras da remuneração aos acionistas foram aperfeiçoadas para manter “o objetivo de promover a previsibilidade do fluxo de pagamentos de proventos aos acionistas, ao mesmo tempo em que garante a perenidade e a sustentabilidade financeira de curto, médio e longo prazos”.

Em relação à recompra de ações, a Petrobras informou que a prática está alinhada à das principais companhias petroleiras internacionais, “em complemento ao pagamento de dividendos”. As mudanças na política de dividendos e de recompra de ações haviam sido pedidas pelo Conselho de Administração em maio.

Histórico

A nova política era esperada com a mudança de governo. Em 2022, a estatal distribuiu R$ 215,8 bilhões em remuneração aos acionistas, inclusive ao governo, turbinada pelos fortes lucros decorrentes da alta do petróleo após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

O pagamento de dividendos ocorreu três vezes no ano passado, com retorno recorde de 67,77% por ação. Quem tinha R$ 1 mil em ações da Petrobras no fim de 2021 recebeu R$ 677,70 no ano passado. No primeiro trimestre deste ano, sob o novo governo, a estatal não mudou a política e distribuiu mais R$ 24,7 bilhões aos acionistas.

Se racismo é cotidiano, antirracismo também precisa ser, diz pedagoga

A história e cultura afrobrasileiras são parte obrigatória dos currículos escolares brasileiros há quase 20 anos, quando foi publicada a Lei 10.639/ 2003, mas o cumprimento dessa lei está longe de ser universalizado. Uma pesquisa da organização não governamental Todos pela Educação mostrou que somente metade das escolas tinham projetos pedagógicos antirracistas em 2021, e essa proporção estava em queda.

Para a pedagoga Clélia Rosa (foto) consultora e pesquisadora das relações étnico-raciais na educação, há um descompromisso institucional com o respeito a essa lei. Essa indiferença, somada ao mito da democracia racial, traz um prejuízo ético na formação dos estudantes.

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“Quando a escola diz, nos seus currículos, que forma cidadãos críticos, cidadãos reflexivos, que possam atuar frente às situações, etc e etc, como é que você forma um cidadão crítico que não compreende a pauta racial num país majoritariamente negro? Como é que você forma um cidadão crítico que silencia diante de uma situação de racismo? Como é que se forma um cidadão crítico que não sabe a real história da fundação e do desenvolvimento cultural, político e social desse país? Então, é um prejuízo enorme para todas as pessoas”, critica a pedagoga, em entrevista à Agência Brasil.

Palestrante da primeira Edição da Eduko, que acontece nesta sexta-feira e sábado em Belo Horizonte, Clélia Rosa defende que um projeto pedagógico antirracista sério depende de formação continuada dos docentes e não pode se restringir a datas comemorativas ou episódios específicos. Nesse contexto, ela exalta o papel de famílias negras, que tem impulsionado esse avanço ao cobrar essa discussão nas escolas.

Agência Brasil: Que passo além o projeto pedagógico precisa dar para ser antirracista?

Clélia Rosa: O passo além é trazer esse conteúdo em todos os dias letivos do ano. Eu costumo dizer que se o racismo é cotidiano, o anti-racismo também precisa ser. O projeto pedagógico não pode tratar a questão racial no seu currículo de maneira efêmera, esperando uma data específica, um acontecimento específico. O passo além é o que baliza a Lei 10.639, que é a inclusão desse conteúdo em todo currículo da educação básica, da educação infantil ao final do ensino médio. Vou falar de uma maneira simples, embora não seja: o passo além é fazer o que tem que ser feito. Embora, em uma sociedade racista, como a nossa, fazer o que tem que ser feito é uma complexidade muito grande, porque a gente precisa enfrentar as inúmeras barreiras que o racismo coloca.  

Agência Brasil: Este ano a Lei 10.639 completa 20 anos, mas a ONG Todos Pela Educação divulgou uma pesquisa que mostra que os projetos antirracistas ainda estão apenas em metade das escolas, e houve até uma queda nos últimos anos. Por que a gente está tão longe de universalizar esse ensino previsto em lei?

Clélia Rosa: Está longe porque a gente precisa ainda, na minha perspectiva, vencer o mito da democracia racial, que imperou e, de certa forma, impera fortemente nas instituições e na escola também. Eu acho que existe ainda uma dificuldade também de se compreender o que é o racismo e, na medida em que não se compreende o que é de fato essa opressão, fica muito mais difícil combater. No âmbito dos 20 anos da lei, o que a gente vai observando é, de certo modo, um descompromisso das instituições públicas e privadas. A dificuldade são essas escolas que ainda não entenderam o seu papel e a importância dessa base legal. Isso somado à ideia do mito da democracia racial e somado ainda a uma ideia de que a questão enfrentamento ao racismo no Brasil é um problema das pessoas negras. Infelizmente, essa ideia ainda paira.

Agência Brasil: Para você que acompanha a implementação da lei nesses 20 anos, como você avalia que os obstáculos a ela mudaram? Eles são os mesmos de 2003? Há obstáculos novos?

Clélia Rosa: Uma coisa que mudou substancialmente foi a produção de material, de referencial teórico de qualidade para balizar todas as práticas. A gente está falando de 20 anos da Lei 10.639 ao mesmo tempo em que estamos falando de 20 anos de ações afirmativas no Brasil, o que acarretou o aumento da entrada de estudantes negros e negras nas universidades e nas pesquisas de pós-graduação, mestrado e doutorado. A produção científica, a partir de pesquisadores negros e negras, aumentou, do mesmo modo que aumentou significativamente a produção de literatura infantil e infanto-juvenil. Não há mais motivo de a gente continuar lendo para as crianças as mesmas histórias e apresentando os mesmos autores. A barreira que existia antes, em que se dizia que não havia material disponível, que não havia referência disponível, não existe mais. E, felizmente, a produção só tende a aumentar. Nesse sentido entendo que uma barreira importante que precisa ser derrubada é o comprometimento das instituições, o que está ligado a uma ampla e efetiva formação continuada dos seus docentes. Sem formação, fica muito difícil implementar e fazer isso ir para a sala de aula de maneira séria e potente.

Agência Brasil: Sem essa formação continuada, o que acontece?

Clélia Rosa: Ao longo desses 20 anos, o que a gente, infelizmente, também tem notícia é de práticas muitas vezes equivocadas, de práticas racistas ainda que vestidas de uma boa intenção, que estão na contramão do que é potência, reforçando estereótipos e estigmas. Então, a formação continuada do corpo docente, a formação continuada em serviço, ela é uma estratégia extremamente importante para implementação efetiva da lei. Sem a formação, fica muito difícil fazer um trabalho sério e coerente. Sem a formação, a questão racial vira uma coisa efêmera, vira uma coisa de data comemorativa, e não é disso que a gente tá falando. A gente está falando de um ano letivo com mais de 200 dias.   

Agência Brasil: Como pedagoga e consultora, quais erros mais frequentes você vê nessa tentativa de trazer o antirracismo para o projeto pedagógico?

Clélia Rosa: Um erro frequente é não entender que se trata de uma questão do Brasil, ou seja, de todos nós. Nesse sentido, não tem a ver se você tem ou não um aluno negro na sua sala. Sobretudo quando a gente está falando das escolas privadas. Se a gente ainda tem um número expressivo de escolas públicas que não cumprem a lei, o número de escolas privadas é muito maior. O número de estudantes negros nas escolas privadas, estatisticamente falando, é menor do que na rede pública, mas isso não deve ser de forma alguma um motivo para não trabalhar esse assunto. Um erro frequente é entender que esse é um assunto da população negra, que preciso ter um aluno negro, como se esse conteúdo fosse endereçado a esse aluno. Outro erro é não ampliar o repertório de referências e narrativas negras e continuar utilizando as mesmas narrativas eurocêntricas, brancocêntricas e não colocando pesquisadores e narrativas negras como protagonistas do trabalho pedagógico. Um apego a referências eurocentradas. Essas referências foram importantes nos 1980, 1990, mas quando a gente olha para o futuro, para a educação do presente e pensa no futuro, a gente precisa ter coragem de abandonar alguns referenciais e abraçar outros que condizem com o projeto de país e de sociedade que a gente quer.

Agência Brasil: E esse é um assunto para os professores de todas as disciplinas, inclusive de exatas?

Clélia Rosa: Sem dúvida. O texto da lei é muito enfático e diz que esse conteúdo precisa ser trabalhado em todo o currículo escolar. E aí, tem um destaque para as áreas de História, Artes e Literatura. Só que a interpretação é como se tivesse focado nelas e engolido o que vem antes, que é todo o currículo escolar. Quando a gente vai para a área das ciências biológicas e exatas, para que esses docentes consigam trazer esse repertório, eles vão precisar voltar para as suas bases de estudo, para as referências que eles têm. Como é que a gente faz uma educação emancipatória sem usar referências emancipatórias? Esse professor vai precisar dar alguns passos em outras direções. Não é dar passos atrás. É dar passos para se aproximar de outras produções e referenciais teóricos. É entender que a produção do conhecimento não é exclusividade da Europa. A produção de saberes existe em outras partes do mundo, e no caso conteúdo africano e afrobrasileiro, essas áreas de conhecimento precisam se voltar para continente africano e reconhecer a produção científica dos pesquisadores africanos e dos pesquisadores negros em diáspora. É tirar a Europa da posição de centro único do saber. Outros cantos do planeta produziram saberes inclusive anteriores. É um exercício de coragem e de mudança de rota.

Agência Brasil: E a formação de novos professores mudou para atender a essa nova realidade?

Clélia Rosa: O curso de pedagogia também prevê que haja disciplinas na graduação que abordem a Lei 10.639 e que falem sobre educação e diversidade. Então, essa nova geração de professores certamente está tendo acesso a conteúdos que eu, por exemplo, que me formei como pedagoga no final dos anos 1990, não tive. Eu fui formada, a minha base de formação nas questões raciais, foi primeiro no movimento negro, de mulheres negras, na luta dos movimentos sociais. E, depois, de forma acadêmica, já na pós-graduação. Quando eu me formei, esse era um assunto que sequer era tratado.

Agência Brasil: Voltando o olhar para os alunos, negros e brancos, qual é o prejuízo que eles têm por estarem em escolas que desrespeitam essa lei?

Clélia Rosa: Eu vejo como um prejuízo ético e na formação de cidadania dessas crianças e jovens, que se dá também na escola. A escola é um espaço importante para a nossa formação. Com a ausência desse conteúdo, essas crianças e jovens não conseguem, ao longo da sua trajetória escolar, se conectar com a real história desse país. Não conseguem entender o porquê da ausência de pessoas negras nos espaços de poder econômico, de poder político e de poder científico, e normalizam essa ausência. Quando a escola diz, nos seus currículos, que forma cidadãos críticos, cidadãos reflexivos, que possam atuar frente às situações etc e etc, como é que você forma um cidadão crítico que não compreende a pauta racial num país majoritariamente negro? Como é que você forma um cidadão crítico que silencia diante de uma situação de racismo? Como é que se forma um cidadão crítico que não sabe a real história da fundação e do desenvolvimento cultural, político e social desse país? Então, é um prejuízo enorme e é para todas as pessoas. A professora Nilma Lino Gomes diz que não trabalhar na perspectiva antiracista é também negar o direito cognitivo dessas crianças e jovens, enquanto cidadão, sujeito político e profissional. Não tenho dúvidas de que a ausência desse conteúdo é prejudicial para todas as crianças e todos os jovens, independentemente do seu pertencimento racial.

Agência Brasil: O que esse conteúdo promove de resultado positivo para os estudantes negros e indígenas, especificamente?

Clélia Rosa: Sobretudo, esse jovem e essa criança negra e indígena veem os seus iguais em situações de protagonismo. Porque a escola que nos formou, a escola que formou a criança que eu era no finalzinho dos anos 1970, nos anos 1980, colocou sempre a população negra à margem, nas bordas do desenvolvimento do Brasil. E, muito mais tarde, eu fui aprender que, embora a população negra estivesse vivendo à margem, ela foi o centro da construção do Brasil. O protagonismo da construção desse país é e foi feito por mãos negras. Não se trata de uma contribuição. A população negra não contribuiu para a formação do Brasil, ela formou o Brasil. Do mesmo modo que a população indígena. A fundação do Brasil é da população indígena. Sem as mãos negras e indígenas, sem esses saberes, o Brasil não teria se constituído. É lógico que há também os saberes europeus, mas a marca da violência foi e é muito grande, e deixa a população negra e indígena à margem. Quando a gente traz para as crianças que não fomos a margem, mas o centro da construção desse país, através de nossos saberes e tecnologias ancestrais, é um mecanismo potente para a construção da autoestima e para um deslocamento que nos coloca como produtores e detentores de conhecimento.

Agência Brasil: Os avanços que a lei já proporcionou são perceptíveis nas crianças e adolescentes que estão saindo dessas escolas em que a educação antirracista foi à frente?

Clélia Rosa: Não teria como dimensionar isso olhando para o Brasil como um todo. Uma pesquisa recente do Instituto Alana, realizada junto com o Geledés – Instituto da Mulher Negra que percorreu os 5 mil municípios do Brasil, revela algo que é muito assustador: 70% das redes municipais de educação não cumprem a lei e não têm práticas antirracistas. É um número muito expressivo. Mas acredito que, nas escolas que tiveram compromisso da gestão e de toda a equipe, certamente seus estudantes saem com outra visão de mundo e de sociedade. Mas não posso deixar de ressaltar que, para além do trabalho dessas escolas, há também o trabalho de muitas famílias negras que vêm investindo e falando sobre a questão racial em suas casas. Eu sou de uma geração que, na minha casa, o racismo não era um assunto que se falava em casa, à mesa. Sofríamos o racismo e todo o impacto do racismo estrutural e da violência do Estado, mas não era um assunto trazido verbalmente. Isso mudou. As famílias têm falado sobre isso. Eu sou mãe e falo sobre isso com as minhas filhas. As famílias romperam com o silêncio. Essa juventude muito mais engajada e conhecendo seus valores, valorizando sua ancestralidade, sua história, é trabalho de algumas escolas que fizeram uma educação antirracista mas é também uma nova forma de educar dentro de casa. Muitas escolas iniciam seus projetos antirracistas, dão o pontapé inicial nessa perspectiva porque as famílias foram lá bater na porta. A partir dessa família que não silencia, muitas escolas foram impulsionadas e começaram a se aproximar de todo um trabalho que já existe. E as crianças negras que já têm outra mentalidade e falam sobre isso recebem um reforço da família e da escola, estão sendo duplamente amparadas.

Agência Brasil: Seguindo nesse ponto da comunidade escolar por um sentido inverso, a gente vê hoje alunos e pais filmando professores, trazendo pautas extremistas e fundamentalismos religiosos para a escola. Qual é o peso e a dificuldade que isso está tendo contra o avanço da educação antirracista?

Clélia Rosa: O fundamentalismo é um complicador em todos os sentidos. Quando os pais vão para a escola criticar um projeto, dizer que são contra, que querem que seus filhos não assistam a determinado conteúdo, é fundamental que nós entendamos o funcionamento da lei e tenhamos isso como nosso aliado. Somos nós, educadores, que sabemos o que precisa ser ensinado. A gente precisa mostrar para essas famílias que quem entende do riscado da escola dos muros da escola para dentro é o educador, é a gestão da escola. Não é uma família fundamentalista que vai dizer como eu vou trabalhar, primeiro porque eu sou formada e tenho diploma para isso, e segundo porque tenho uma legislação que baliza a minha prática. Existe uma fundamentação teórica e uma base legal para fazer esse trabalho. Cada vez mais nós, educadores e comunidade escolar, temos que nos agarrar à base legal. Pra resumir, costumo dizer que uma família pode chegar na escola com seu senso comum, com seu achismo, dizendo que viu algo na televisão, no grupo de Whattsapp, no Tik Tok. Mas ela não pode sair da escola com essas informações. Ao chegar com essas informações equivocadas, eu tenho que dar as informações que valem, tenho que mostrar como funciona.

Treinadora aponta falta de estilo brasileiro na derrota para França

Na entrevista coletiva após a derrota para a França por 2 a 1, neste sábado (29), em Brisbane, a técnica da seleção brasileira de futebol feminina, Pia Sundhage, disse que a postura das adversárias em ocupar o campo adversário e dificultar a saída de bola a pegou de surpresa. No entanto, o grande problema na apresentação brasileira foi a falta de um futebol mais característico do país, explicou. 

“Não conseguimos manter o nosso estilo bonito e divertido de jogar. Vimos isso no início do segundo tempo, mas precisamos também quando o jogo é diferente. Precisamos ter a capacidade de fazer mudanças táticas, surpreender as adversárias. Manter a posse de bola. Precisamos ter um plano B”, opinou a treinadora.

Erro na marcação

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Uma tecla muito batida durante a entrevista foi o erro na marcação a Renard no lance que definiu a derrota deste sábado. Pia, no entanto, não quis apontar falhas individuais como justificativas para o revés.

“Sempre estudamos os adversários, assistimos aos seus vídeos, mas, às vezes, somos surpreendidas, sim, como aconteceu hoje. Eu não acredito em erros individuais, na defesa ou no meio de campo. É sempre uma questão coletiva. É um trabalho em equipe”, externou.

Chances

No entanto, a treinadora da seleção do Brasil não negou que o resultado pode ter sido sacramentado nos detalhes.

“Em torneios como este, é importante estar bem na defesa e criando chances. O futebol é um jogo de detalhes e de precisão, sobretudo, num campeonato de peso como a Copa do Mundo”, finalizou Pia. Agora, o Brasil joga com a Jamaica no dia 2 de agosto.

Concorrência entre telefônicas diminui em 25 anos de privatização

Uma das utopias da época da privatização das telecomunicações, que completa 25 anos neste sábado (29), a promoção da concorrência entre as operadoras não se concretizou. De uma miríade de empresas em cada estado, com quatro ou cinco operadoras no serviço móvel e pelo menos duas operadoras na telefonia fixa, o número de empresas encolheu após sucessivas fusões, aquisições e recuperações judiciais.

O modelo pensado nos anos 1990 buscou garantir a concorrência. Primeiramente, quebrou o monopólio das telecomunicações, concedendo frequências da Banda B para que empresas privadas constituíssem as companhias espelho de telefonia celular. Posteriormente, na década de 2000, fez o mesmo com as companhias concorrentes da Embratel no mercado de longa distância e das operadoras de telefonia fixa em cada região de atuação. No entanto, uma série de fusões, aquisições e falências tornou o mercado ainda mais concentrado.

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Na telefonia celular, o grupo do mexicano Carlos Slim comprou diversas operadoras de celular, principalmente da Banda B ao longo dos anos 2000 para constituir a Claro. O conglomerado também adquiriu a Embratel e a operadora NET para promover a convergência de tecnologias, uma plataforma que fornece telefonia fixa, móvel e televisão a cabo.

O principal fator de concentração, no entanto, decorreu da fusão da Brasil Telecom e da Oi, ocorrida em 2009. Na época, a Oi começava a enfrentar problemas, e o governo do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou a união com a Brasil Telecom como um meio de melhorar a situação da operadora.

Deterioração

Apelidada de supertelefônica, a companhia resultante da fusão prosperou por alguns anos, mas deteriorou-se com a situação da Oi. Com problemas de gestão e dívidas de R$ 65,4 bilhões, a Oi entrou em recuperação judicial em 2016, que reduziu os débitos para R$ 22 bilhões em 2002, e teve uma segunda recuperação judicial autorizada em março deste ano.

“Todo esse processo começou na Europa, quando a empresa Telefônica [espanhola] comprou a parte da Portugal Telecom da Vivo em 2010. Para que a Portugal Telecom não saísse do Brasil, o governo autorizou a entrada da companhia na Oi. O problema é que o Banco Espírito Santo [instituição financeira portuguesa], um dos principais controladores da Oi, quebrou em 2014, prejudicando uma das principais empresas de telecomunicações do Brasil”, diz Murilo César Ramos, professor emérito da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e fundador e pesquisador sênior do Centro de Políticas, Direito, Economia e Tecnologias de Comunicações (CCOM) e do Laboratório de Políticas de Comunicação, na mesma universidade.

Para o coordenador-executivo e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Alexandre Caramelo Pinto, o maior efeito da recuperação judicial da Oi deu-se na concentração de mercado. “Sem dúvida o maior impacto é do ponto de vista concorrencial, já que temos um player de peso que deixou de ter relevância e que possuía muitos clientes, que foram transferidos para TIM, Vivo e Claro que absorveram em regime de consórcio toda a base de clientes e ativos legados da Oi. Sem dúvida perdemos como país, sob a perspectiva de mercado e como consumidores, que passam a ter uma opção a menos”, avalia.

Segundo Murilo Ramos, os problemas da concorrência também decorrem de erros de avaliação tecnológica durante o processo de privatização. “O projeto tucano [governo do PSDB] foi neoliberal envergonhado. Eles privatizaram e queriam uma ampla competição. Eles tentaram fazer uma mágica com uma tecnologia chamada WLL [comunicação de dados e voz por ondas de rádio] a serem usadas pelas empresas espelho, que não prosperou. Foi um fracasso, e as companhias foram absorvidas pelas concorrentes”, recorda.

Futuro

Apesar de ter tido o serviço de telefonia privatizado, a Telebrás continua existindo. A estatal gere a segurança do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, lançado em 2017. O governo anterior tentou privatizar o que restou da companhia, mas a pandemia de covid-19 e divergências políticas adiaram a venda. Em abril, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou a Telebrás da lista de privatizações.

No 25º aniversário da privatização das telecomunicações, o setor lida com a chegada da tecnologia 5G e com o declínio da comunicação via voz. Associação das empresas de telecomunicações e de conectividade, a Conexis Brasil Digital defende a redução da carga tributária do setor, a simplificação regulatória e o incentivo à autorregulação para melhorar a universalização da internet de alta velocidade no Brasil.

A Conexis também pede a igualdade regulatória entre as prestadoras de telecomunicações, que constroem redes próprias, e as empresas que usam essa rede para ofertar serviços semelhantes aos ofertados pelas operadoras, a atualização das leis municipais de antenas e o combate ao furto e roubo de cabos de telecomunicações. Apesar das reivindicações, a tecnologia 5G continua se expandindo em ritmo superior às metas estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Para Alexandre Pinto, da FGV, o amadurecimento do marco regulatório e o avanço das tecnologias podem trazer interessantes oportunidades de progresso. “Pensando em termos de transformação digital, o 5G traz grandes possibilidades de modelos de negócios mais disruptivos já que, a velocidade e estabilidade é significativamente aprimorada. Abrem-se possibilidades para combinações promissoras como inteligência artificial, internet das coisas e o uso de drones. Em ambientes da indústria, logística ou mesmo no agronegócio há grandes entraves que poderão ser solucionados”, diz.

O professor Murilo Ramos diz que a aplicação da tecnologia 5G é uma incógnita. “Para ver um jogo de futebol no celular, o 4G serve bem. A utilização do 5G ainda está sendo pensada e dependerá da evolução de outras tecnologias. Esse é um questionamento que não só o Brasil enfrenta, mas todo o planeta”, avalia.

Segundo Ramos, a telecomunicação no Brasil está conseguindo acompanhar as tendências mundiais apesar das falhas no modelo de privatização, que se concentrou na universalização da telefonia fixa e não pensou na internet. “As empresas conseguiram fazer um trabalho intenso, de modernizar a infraestrutura e de substituir a conversa por vez pela comunicação por dados. Até por uma questão de sobrevivência, elas precisaram se reposicionar”, declara.

Jamaica bate Panamá por 1 a 0 e complica Brasil na Copa do Mundo

A última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo da Austrália e da Nova Zelândia será dramática para a seleção brasileira. A Jamaica derrotou o Panamá por 1 a 0, neste sábado (29), em Perth (Austrália), e agora precisa apenas de um empate para ficar com uma das duas vagas do Grupo F nas oitavas de final. Assim como a França, as jamaicanas somam quatro pontos. O Brasil, com três, pode se classificar com um empate também, desde que o Panamá (já eliminado, sem pontos) consiga uma improvável vitória diante da seleção europeia. Um triunfo brasileiro diante da Jamaica, no entanto, garante a classificação para a seleção de Pia Sundhage independente do que acontecer na outra partida do grupo. A rodada final será às 7h (horário de Brasília) da próxima quarta-feira  (2) e o encontro entre brasileiras e jamaicanas acontecerá em Melbourne (Austrália).

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Apenas em sua segunda participação em Mundiais, a Jamaica vai fazendo história. Diante da França, somou seu primeiro ponto em jogos de Copa e neste sábado (29) conquistou sua primeira vitória. O jogo contra o Panamá foi morno, sem grandes chances para os dois lados. Sem sua principal jogadora (a atacante Khadija Shaw, expulsa na estreia), a Jamaica teve dificuldades e conseguiu o gol da vitória em um lance de bola parada.

Aos 11 minutos da segunda etapa, após escanteio cobrado pela esquerda, a capitão Allyson Swaby apareceu para completar de cabeça e colocar a bola no canto esquerdo do gol defendido por Bailey. No fim do jogo, chegou a ser marcado pênalti para a seleção caribenha por toque de mão de Katherine Castilho dentro da área, mas a arbitragem voltou atrás por considerar que a jogadora apenas fez um gesto de proteção ao rosto.

Agora, a Jamaica chega confiante e com sua melhor jogadora de volta para encarar o Brasil na rodada decisiva do grupo.

Suécia se classifica com goleada sobre a Itália no Grupo G

No duelo que abriu os confrontos deste sábado (29), a Suécia se impôs sem dificuldades diante da Itália, por 5 a 0, em Wellington, capital da Nova Zelândia, em partida válida pelo Grupo G. O resultado confirmou a classificação das suecas às oitavas, já que, com seis pontos, não podem mais ser alcançadas por Argentina e África do Sul, que têm um ponto cada. A Itália tem três.

O confronto europeu foi definido na reta final da primeira etapa, quando a Suécia marcou três vezes, entre os 39 e os 46 minutos. Os dois primeiros gols foram em jogadas bastante parecidas: escanteio cobrado pela direita e saída equivocada da goleira italiana Francesca Durante. Ilestedt e Rolfo se aproveitaram para marcar. Blackstenius fez o terceiro logo na sequência.

No segundo tempo, o roteiro praticamente se repetiu no quarto gol. Escanteio cobrado pela direita na primeira trave, mas desta vez Durante preferiu não sair do gol. Ilestedt, de novo, marcou de cabeça. A goleada foi encerrada com um belo gol de Blomqvist nos acréscimos, após passar com estilo por uma adversária e tocar na saída de Durante.

Na última rodada da chave, na quarta (2), a já classificada Suécia mede forças com a Argentina, em Hamilton (Nova Zelândia), enquanto Itália e África do Sul jogam na capital neozelandesa.

Torcedores lamentam derrota do Brasil diante da França

A derrota por 2 a 1 da seleção brasileira de futebol feminino neste sábado (29), diante da França, não tirou a confiança quanto a uma classificação do Brasil para a próxima fase do Mundial. Em São Paulo, a torcida que compareceu ao  Museu do Futebol, no estádio do Pacaembu, para acompanhar a partida pela televisão, saiu triste com o resultado, mas confiante. O Mundial é disputado na Austrália e Nova Zelândia.

Para esses torcedores, a derrota no Brasil ocorreu  principalmente porque a técnica Pia Sundhage demorou a fazer mudanças na seleção canarinha.

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“O Brasil hoje foi lamentável. Achei que não foi uma boa exibição, infelizmente”, disse Bruno Ferrari, 32 anos, que foi ao museu com a namorada e alguns amigos para torcer pelo Brasil.

Para ele, faltou “dinamismo” da técnica Pia Sundhage para fazer uma mudança tática e tentar obter uma  nova vitória hoje, a exemplo do que ocorreu na primeira partida, quando o Brasil venceu o Panamá por 4 a 0.

Apesar da derrota para a França, Ferrari acredita que o Brasil vai se classificar para a segunda fase da competição. “Vai se classificar, sim. Mas aí estaremos meio ferrados depois [pegando seleções mais difíceis, como a Alemanha]”, disse ele. “Fiquei um pouco mais desanimado hoje, mas acho que o Brasil tem chance [de ganhar essa Copa]. É um dos favoritos”, opinou.

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A jogadora Tamires Silva, 24 anos, que participa do projeto social Complexo Pedreira e que hoje foi ao Museu do Futebol com as suas companheiras de time para torcer pela seleção, também creditou parte da derrota a falhas táticas da equipe.

“Foi um jogo difícil por ser a seleção da França. Não é fácil, as meninas [francesas] jogam muito bem. Porém, a técnica [Pia Sundhage] falhou muito. Demorou muito a fazer substituições. Algumas meninas tiveram falhas, não tocavam muito [a bola]. Foi [algo] muito individual, enquanto o futebol é coletivo, não é só um. Tivemos algumas falhas, mas agora é trabalhar para melhorar”, observou ela.

“A seleção brasileira errou muitos passes e foi muito individualista. Dava para dar um passe em profundidade, mas [as jogadoras] preferiram segurar a bola. Perdiam a bola e não voltavam. Mas agora é corrigir essas falhas para o próximo jogo”, disse ela, que tem confiança na classificação do Brasil para a próxima fase. “Acredito no título. Sou brasileira, tenho que acreditar”, acentuou.

“Hoje foi um jogo difícil, mas foi a França. Sabíamos que seria difícil e queríamos que o Brasil tivesse conseguido segurar o empate, pelo menos. Mas jogou bonito. Mas ainda bem que estamos no começo e a gente continua animada”, completou Marilia Bonas, diretora-técnica do Museu do Futebol.

Torcendo junto

Neste sábado, dezenas de pessoas acordaram bem cedo para torcer pela seleção brasileira no Museu do Futebol. Para Tamires, torcer junto pela seleção feminina tem um imenso significado. “Eu digo que futebol não é só chutar. É resistência, tanto social quanto dentro de campo. Então, é importante a gente dar uma força para o futebol feminino. Todo mundo acha que futebol feminino é só chutar a bola, é só trave, é só gol. Mas não, tem toda uma resistência por trás”, salientou.

No Brasil, o futebol feminino é uma história de resistência. Principalmente para a seleção brasileira, já que as mulheres eram proibidas de jogar futebol no país. O decreto de proibição foi publicado no dia 14 de abril de 1941 e só 38 anos depois a lei viria a cair.

Nesta Copa do Mundo de Futebol Feminino, por exemplo, é a primeira vez que o governo federal  decreta ponto facultativo nos dias de jogos do Brasil, medida adotada há anos para a competição masculina.

São Paulo (SP), 29.07.2023- Torcida brasileira acompanhou o jogo da Seleção Brasileira contra a França no Museu do Futebol. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

“O Museu do Futebol tem esse compromisso com o futebol feminino, com o futebol de mulheres, que vem ganhando cada vez mais espaço e importância. Essa é uma modalidade que foi proibida por lei por quase 40 anos. Então, para a gente, é uma alegria essa Copa de 2023 ter muito mais torcida. E fazemos questão de receber todo mundo aqui com café da manhã”, disse Marilia Bonas, diretora técnica do museu, em entrevista à Agência Brasil.

No museu, segundo Marília, a transmissão dos jogos do Brasil será gratuita e ainda dará o direito ao torcedor de visitar as instalações do museu.

“Além disso, também temos uma campanha, denominada Chuteira para Todas. Então, se você trouxer uma chuteira usada, você também ganha um ingresso [para visitar o museu]”, explicou ela.

“É um horário difícil, mas você viu que lotou. A ideia é a gente continuar exibindo os jogos a partir das 7h, para que cada vez mais as pessoas tenham essa experiência de torcer juntas pelo futebol feminino, que é algo relativamente novo para uma boa parte dos brasileiros, mais habituados a se reunir e torcer para o [futebol] masculino”.

Setor de telecomunicações enfrenta desafios 25 anos após privatização

Um evento que mudou a forma como os brasileiros se comunicam faz aniversário neste sábado (29). Há 25 anos, ocorria a privatização do sistema Telebras, quando a parcela da estatal que cuidava da telefonia fixa foi fatiada e vendida à iniciativa privada.

A privatização multiplicou os investimentos em infraestrutura, mas, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, deixou diversos passivos para os consumidores e desafios para o futuro. O usuário enfrenta tarifas caras, contratos arbitrários e publicidade abusiva. As empresas lidam com falências de concorrentes e uma legislação que não previu a transição para a internet.

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Sofrendo com a falta de investimento e o sucateamento, a Telebras foi vendida num momento em que os países desenvolvidos faziam a transição dos cabos de cobre para a fibra óptica e a telefonia móvel começava a se estabelecer. Segundo a Conexis Brasil Digital, associação que reúne as empresas de telecomunicações e de conectividade, os investimentos no setor somaram R$ 1,036 trilhão de 1998 até o primeiro trimestre deste ano.

“A maior conquista do setor nestes 25 anos foi a massificação do acesso aos serviços de telecomunicações. Hoje, todos os municípios brasileiros têm acesso a pelo menos uma tecnologia móvel, seja 3G, 4G ou 5G. São mais de 150 cidades que já têm acesso ao 5G, que acaba de completar um ano de operação no Brasil”, diz o presidente-executivo da Conexis Brasil Digital, Marcos Ferrari.

Crescimento exponencial

Outros números da Conexis mostram crescimento exponencial da telefonia e das tecnologias associadas às privatizações. Na telefonia móvel, o número de acessos subiu de 7,4 milhões de acessos em 1998 para 251 milhões. Na televisão por assinatura, que pode ser oferecida por operadoras telefônicas, o total de assinaturas passou de 2,6 milhões para 27 milhões.

Não existente em 1998, a banda larga fixa terminou o primeiro trimestre deste ano com 45,7 milhões de acessos. O serviço começou a ser oferecido no Brasil em 2000, mas só se popularizou a partir de 2004, com o surgimento das primeiras redes sociais. A telefonia fixa, escopo original da privatização, cresceu bem menos, passando de 20 milhões de linhas em 1998 para 27 milhões atualmente.

Defasagem

As próprias estatísticas mostram a mudança tecnológica que caracterizou as telecomunicações nos últimos 25 anos, com as pessoas deixando de conversar por voz para conversarem via internet. Embora prevista desde meados dos anos 1990 por meio da instalação da rede de fibra óptica nos Estados Unidos, a expansão da banda larga foi ignorada pela Lei Geral das Telecomunicações, sancionada um ano antes da privatização e que serviu de marco legal para o leilão da Telebras.

“A própria lei da televisão a cabo, de 1995, cita a internet e abria caminho para a instalação da banda larga no Brasil, mas esse processo foi ignorado na Lei Geral de Telecomunicações porque havia pressa em privatizar a Telebras para fazer caixa para o governo”, avalia Murilo César Ramos, professor emérito da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) e fundador e pesquisador sênior do Centro de Políticas, Direito, Economia e Tecnologias de Comunicações (CCOM) e do Laboratório de Políticas de Comunicação, na mesma universidade.

O buraco na legislação, aponta Ramos, trouxe consequências atuais. A principal é uma disputa entre as empresas vencedoras do leilão de telefonia fixa, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Em 2025, essas operadoras passarão do regime de concessão, que previa uma série de obrigações relacionadas à telefonia fixa (como metas de oferta de orelhão), para o regime de autorização, mais flexível e pelo qual operam as empresas que venceram os leilões posteriores.

No entanto, elas terão de desembolsar cerca de R$ 33,6 bilhões para fazer a migração, segundo o cálculo mais recente da Anatel, atualizado por determinação do TCU. “As companhias pedem a revisão do valor e até alegam que, na verdade, têm direito a receber. Essa é uma bomba-relógio sobre a qual alertei em 2010 e nada foi feito desde a época”, ressalta Ramos. O problema afeta as seguintes operadoras: Oi, Vivo, Claro, Algar Telecom e Sercomtel.

Abusos

Para os consumidores, a privatização deixou um legado de ampliação de acesso combinado com contas caras, contratos abusivos e publicidade excessiva. Segundo o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), as telecomunicações encerraram 2022 com 9,4% das reclamações registradas na entidade. A proporção subiu em relação a 2021 (8%), mas caiu significativamente em relação a 2018 (15%) e 2019 (14,6%).

Segundo o coordenador-executivo e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Alexandre Caramelo Pinto, os problemas para o consumidor ainda existem. “Os contratos abusivos e a publicidade excessiva são problemas que ainda persistem e devem ser vigorosamente combatidos. Não tem nada pior do que ser incomodado com ligações não solicitadas”, declara. Ele, no entanto, cita avanços nos últimos anos. “Nesse sentido, tivemos algum progresso com a Lei do Call Center, que obteve algum êxito na agilidade de reclamações e cancelamentos, e nas questões relativas à acessibilidade”, acrescenta.

Preços altos

Em relação aos preços altos, o professor da FGV diz que estão relacionados a problemas decorrente da estrutura de custos do setor de telecomunicações. Ele cita como entraves fundos criados na época da privatização, como o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e o Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel).

“Há um problema sistêmico que nos remete em grande parte à estrutura de custos do setor, naturalmente intensivo em capital [que exige muitos investimentos] e a criação dos fundos setoriais, o Fust e o Funttel. Embora importantes para financiar a universalização e inovação, seus recursos foram em diversas vezes subutilizados ou revertidos para outros propósitos, criando questionamentos sobre sua efetividade e insegurança jurídica”, afirma Pinto.

Na avaliação do professor Murilo Ramos, os baixos gastos desses fundos decorrem da falta de visão do governo na época da privatização. “O Fust só executou até hoje alguns milhões de reais, principalmente para a promoção da banda larga em escolas, porque a privatização foi pensada na expansão da telefonia fixa, não no avanço da internet”, explica. Do orçamento de R$ 651 milhões para 2023, o fundo destinou apenas R$ 10 milhões para projetos neste ano, todos relacionados à conexão via internet nas escolas.