RJ: mostra do escultor Flávio Cerqueira retrata cotidiano da sociedade

A exposição Flávio Cerqueira – Um Escultor de Significados é a estreia do artista no Rio de Janeiro em uma grande mostra individual. Aberta ao público até 18 de janeiro de 2026, com entrada gratuita e classificação livre, a exposição está montada no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ), no centro da cidade. A mostra encerra a turnê já vista por mais de 216 mil pessoas nos CCBBs de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

A apresentação celebra 16 anos de carreira de Flávio Cerqueira e reúne mais de 40 obras, entre elas três inéditas, produzidas depois da temporada em São Paulo. Uma característica do trabalho do artista é que as obras são feitas em bronze, material geralmente usado para esculturas de figuras públicas, mas que, na arte de Flávio, é usado para retratar pessoas comuns da sociedade.

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“Eu uso esse material que é nobre e perene para retratar o cidadão comum e as situações do dia a dia”, disse Flávio Cerqueira em entrevista à Agência Brasil.

A família de Flávio, que cresceu em São Paulo, não tinha o hábito de frequentar exposições e foi por meio da observação do dia a dia das pessoas que ele identificou a fonte de inspiração para os seus trabalhos. Para o artista, o seu trabalho fala de várias coisas, como humanidade, amor e sentimento em diversas narrativas. “A exposição é um panorama de situações que são identificadas por qualquer pessoa comum, porque a escultura em bronze estava a serviço de retratar reis, rainhas, momentos históricos e eu falo de situações do dia a dia”, contou.

Exposição Flávio Cerqueira – Um Escultor de Significados, no CCBB RJ – Foto: Rômulo Fialdini/CCBB/Divulgação

“É uma crônica da sociedade que eu vivo, desenvolvida a partir de 2009, quando começo a produzir esculturas, até 2025, vou observando o comportamento da sociedade em cada período. Eu retrato o brasileiro do dia a dia, não retrato, rei, presidente, personalidades. Como trato com situações do cotidiano as pessoas se veem em cada uma e se identificam com o trabalho, tanto que nessa exposição do CCBB já passou de 216 mil pessoas que visitaram, sempre com essa característica de incorporar a sociedade na exposição e não excluir a população dos lugares de arte”, completou.

Para a antropóloga, historiadora e curadora da exposição, Lilia Schwarcz, as obras são muito democráticas, no sentido de fazerem o público se identificar a partir de ângulos muito diferentes. “São obras muito humanas que trazem a subjetividade de cada uma e cada um de nós, com sandálias havaianas, vinco da bermuda, dobra da camisa…”, cita. “É um artista que usa de muitos recursos para que o público se identifique. É sobretudo, uma obra generosa”, destacou em entrevista à Agência Brasil.

O público que chega ao CCBB RJ pode começar a admirar o trabalho do escultor já no hall de entrada, onde há um jardim com algumas das obras de Flávio. Com isso, o artista pretende atrair visitantes que, por não terem costume de ir a espaços culturais gratuitos como o local, acabam não entrando para ver as exposições.

“As pessoas nem sempre têm a ideia de que aquilo é gratuito, e os espaços de arte gratuitos são para ser ocupados. Tenho um trabalho no hall de entrada que é um jardim, para fazer essa relação entre o passante, o transeunte que está circulando na cidade e nunca entrou. Isso eu pude observar durante a montagem das pessoas perguntando o que era ali. Tem que pagar? É de graça? A gente precisa fazer uma ponte da sociedade e o espaço de arte. A tentativa de fazer isso é com o jardim que está bem na entrada do CCBB”, informou.

“A ideia com o trabalho é que ele seja aberto e penetrável. Que as pessoas que não têm instrução artística consigam entrar e entender a exposição, que é para ver e sentir. Não precisa de um repertório prévio para isso acontecer. Então, é o cidadão comum que está passando e se relacionar com o trabalho desta forma”, afirmou.

O escultor vê uma semelhança do público de São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. “É um trabalho que não tem uma bula, uma autoexplicação. A exposição se chama Flávio Cerqueira – Um Escultor de Significados. Esses significados são criados por mim, que sou o artista, e por todo mundo. Não tem uma leitura certa do meu trabalho, pode ter várias. Cada pessoa que vai visitar vai criar o seu próprio significado do trabalho que está vendo. O significado é no plural, porque os significados são os meus e das pessoas que visitam a exposição”, pontuou.

Prêmio

Flávio Cerqueira celebra 16 anos de carreira com exposição no CCBB – Foto: Rômulo Fialdini/CCBB/Divulgação

Em Brasília, segundo o artista, o ministro da Educação, Camilo Santana, foi visitar a exposição e o convidou para fazer a escultura do Prêmio MEC da Educação Brasileira. “O ministro por acaso foi à exposição e eles [no MEC] iam criar um projeto para o prêmio e não sabiam quem ia fazer a escultura. Ele falou ‘escultor faz troféu’. Eles entraram em contato comigo, conversaram e eu desenvolvi o trabalho do prêmio”, contou.

Segundo Lilia Schwarcz, o trabalho com Flávio Cerqueira é uma parceria que ultrapassou 11 anos. “Pensamos conjuntamente a exposição, tanto que carrega uma especificidade. Se o texto curatorial de abertura é meu, e o título Escultores e Significados, também, os textos das diferentes seções são todos do Flávio. É uma concepção muito diferente, mais democrática de curadoria feita em conjunto com o artista.”

Na visão da curadora, o que mais se destaca no trabalho do Flávio é a originalidade de ele ser um artista negro que vem das periferias de São Paulo e que escolheu trabalhar com um material como o bronze. “Um material caro e tão difícil também. O bronze é muito maleável no processo de elaboração dos trabalhos, mas depois se torna muito rígido. É muito raro que um artista como o Flávio se dedique a fazer esculturas, sobretudo em bronze”, disse.

“O Flávio é um artista jovem e essa já é uma retrospectiva de 16 anos. Acho que o Flávio é um artista que ficará na história da arte brasileira, é cedo para dizer, mas já tem mostrado que não há limites. Flávio sempre conta que ele resolveu que trabalharia com esculturas em bronze vendo uma exposição do Rodin [escultor francês Auguste Rodin]. Como o Flávio sempre diz, ele joga para o universo, para ver o que acontece, e ele tem jogado muito bem para o universo”, completou Lilia Schwarcz.

Serviço:

Exposição Flávio Cerqueira – Um Escultor de Significados

De quarta a segunda, das 9h às 20h.

Entrada gratuita

Mais informações, pelo telefone (21) 3808-2020, por e-mail no endereço ccbbrio@bb.com.br, ou no site do CCBB.

Mostra de Cinema Chinês apresenta 10 filmes inéditos em São Paulo

Dez produções cinematográficas chinesas e ainda inéditas no Brasil serão apresentadas na décima edição da Mostra de Cinema Chinês, que ocorre até o próximo dia 19 de outubro, na capital paulista.

Com o tema Uma Janela para a China e curadoria de Lilith Li e Wang Xiangyi, a mostra apresenta filmes produzidos nos últimos três anos e busca reforçar os laços culturais existentes entre o Brasil e a China.

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Segundo os organizadores, o objetivo é aprofundar o entendimento dos brasileiros sobre a cultura chinesa, promover um aprendizado mútuo e explorar os desafios, afetos e transformações de uma sociedade em constante movimento.

Realizado pelo Instituto Confúcio na Unesp em parceria com o Centro Cultural São Paulo (CCSP), a Spcine e o Museu da Imagem e do Som (MIS), o evento apresenta uma diversidade de temas que abordam desde o despertar de uma mulher diante da repressão, como é explorado no filme A Estrada de Li Hong, até uma discussão sobre a catástrofe ecológica, apresentada na animação Boonie Bears: O Retorno do Futuro.

Além da exibição de filmes na capital paulista, a Mostra de Cinema Chinês terá uma intinerância pelo interior de São Paulo e uma programação online que será feita em parceria com o Spcine, no mês de novembro.

A mostra gratuita é realizada no Centro Cultural São Paulo (CCSP), na capital paulista. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site da mostra

Grupos reflexivos diminuem reincidência de violência contra mulheres

Grupos reflexivos para homens condenados por violência de gênero têm ajudado a reduzir a reincidência no Rio de Janeiro. Desde dezembro do ano passado, cerca de 1 mil internos da Cadeia Pública Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, já participaram do Serviço de Educação e Responsabilização do Homem (SerH). 

Dos 195 que cumpriram suas penas e saíram do sistema prisional, apenas três foram denunciados por novas agressões, ao longo de seis meses de acompanhamento. Isso equivale a uma taxa de reincidência de 1,5%, bastante inferior aos 17% verificados anteriormente.

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O SerH prevê a realização de oito sessões coletivas, com duração de 50 minutos cada, em que os grupos, de até 35 homens, debatem questões sobre a masculinidade e as violências contra as mulheres. O objetivo é promover a reflexão, para que os agressores se responsabilizem sobre os seus atos, e assim, possam mudar suas condutas. 

A participação é voluntária e não tem vínculo com redução de pena. Após cumprirem suas penas, todos os participantes são monitorados por um ano para verificar registros de reincidência.

De acordo com o diretor do Instituto Mapear, responsável pelas atividades, Luciano Ramos, é comum que a unidade prisional receba homens condenados repetidas vezes por violência de gênero. O projeto tenta quebrar esse ciclo. 

“São homens que apresentam padrões elevados de violência. Eles entram na cadeia acreditando que estão naquela situação porque a mulher os colocou ali e permanecem nutrindo essa revolta. Os grupos reflexivos, por meio de uma metodologia própria, os faz entender que os seus atos os colocaram na prisão, que eles cometeram crimes previstos em lei”, complementa.

Segundo a secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar, essa é a primeira vez no Brasil que um projeto nesse modelo e nessa escala é desenvolvido dentro de uma unidade prisional. 

“Investimos em fazer diferente porque precisamos de resultados diferentes”, declarou.

Mudanças

O SerH divulgou o resultado de uma pesquisa realizada com os participantes, para identificar o perfil e mensurar seu aprendizado após as oito sessões dos grupos reflexivos. Os questionários aplicados antes e após os grupos reflexivos revelam a mudança de percepção dos participantes. 

O entendimento de que forçar a companheira a ter relação sexual configura violência passou de 83,4% para 91,6%. Antes do projeto, apenas 34% entendiam que esconder dinheiro e documentos é uma forma de violência patrimonial, percentual que aumentou para 76,5%.

Além disso, 80% dos participantes reconheceram, após a participação nos grupos, que controlar a vestimenta da companheira é um tipo de violência psicológica, o que antes apenas 57,1% deles entendiam.

Os primeiros resultados do projeto, que é realizado em parceria pelas secretarias estaduais da Mulher e de Administração Penitenciária, foram divulgados durante o Seminário Nacional sobre Masculinidades e Prevenção às Violências, realizado esta semana na capital fluminense. O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Marcos Nascimento, que estuda as masculinidades e a violência de gênero, participou do evento e ressaltou que a estratégia dos grupos reflexivos já é reconhecida e inclusive consta na Lei Maria da Penha.

“Se os homens são parte do problemas, eles precisam ser considerados como parte da solução do problema. A possível ressignificação dessa masculinidade, e a responsabilização por esses atos é importante para proteção de mulheres e meninas. Os conflitos continuarão a existir. O que a gente precisa é aprender formas alternativas à violência para resolução dos conflitos. Os meninos já são socializados para resolverem conflitos baseados em violência, mas a violência não é patológica, ela é um produto social, que deve ser enfrentado de diferentes maneiras”, diz. 

Perfil 

O levantamento das informações básicas dos participantes identificou que a maioria tem até 34 anos, incluindo quase 40% com menos de 23 anos.

Além disso, 73% se declaram negros, 63,4% evangélicos e um terço não completou sequer o ensino fundamental. A dependência de substâncias também foi significativa: 64% declararam adição em álcool, 38% em cocaína e 28% em crack. Há ainda 26% que afirmaram ter vício em jogos. 

Dos participantes dos grupos, 45% estavam presos por ter cometido violência física, 31% por algum tipo de violência psicológica ou verbal e 20% por terem descumprido medida protetiva.

Mulheres resgatam arte marajoara e buscam espaço no mercado da moda

Em uma casa pequena, com paredes ainda no reboco, mora e trabalha Dona Cruz, de 77 anos. A vida simples em Soure, município da Ilha de Marajó, no Pará, contrasta com o tipo de roupa que ela confecciona todos os dias: um traje de gala marajoara.

A peça, geralmente uma camisa de botão, é voltada para ocasiões especiais, como festas. A depender da complexidade, pode levar de um a três dias para ser produzida. Cada uma é feita à mão em tecido de algodão, e tem fitas bordadas com linha, que seguem grafismos inspirados em cerâmicas indígenas antigas.

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Entre os consumidores frequentes, há autoridades políticas e fazendeiros. Depois que o governador do estado, Helder Barbalho (MDB), usou o traje confeccionado por Dona Cruz na Cúpula da Amazônia em 2023, a procura pela vestimenta cresceu.

A costureira trabalha sob encomenda e manda via Correios os produtos para diversos lugares do país, como Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

 

Soure (PA), 09/010/2025 – A bordadeira Maria da Cruz mostra o pequeno ateliê onde produz peças reconhecidas nacionalmente. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Tanta repercussão ainda não foi revertida em uma melhoria significativa das condições de vida da Dona Cruz, já que os ganhos financeiros são modestos.

“Geralmente, o que eu ganho da venda das camisas, eu gasto na compra de novos materiais. Para quando o cliente chegar, ter sempre algo disponível. Eu trabalho por conta própria, sem empréstimos. E o dinheiro da aposentadoria fica para as despesas da casa”, explica a costureira.

“Os valores de cada roupa dependem do tamanho. Se tem manga curta ou longa, se é P ou G. Então, ela pode custar entre 290 e 410 reais”. O benefício evidente foi a possibilidade de se manter ativa e obter novos conhecimentos.

“Trabalhava como inspetora de colégio e depois me aposentei. Quando fiquei viúva, para não ficar sem fazer nada, eu me dediquei às camisas. É bom para manter a cabeça ocupada e não ficar pensando em outras coisas, né?”, diz a costureira.

Entre as poucas ajudas que Dona Cruz recebeu estão uma máquina de costura industrial, a partir de uma parceria entre a prefeitura de Soure e o governo do estado.

Além disso, recebeu um conjunto de orientações do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no âmbito do programa Polo de Moda do Marajó. Aprendeu sobre formação de preço e estratégias de venda, melhoria na apresentação dos produtos (como uso de embalagens adequadas) e como acessar novos mercados.

“O Polo de Moda do Marajó tem transformado a vida das participantes ao gerar oportunidades de renda, resgatar saberes tradicionais e fortalecer a autoestima das mulheres envolvidas. Ao profissionalizar a produção, estimular o empreendedorismo e conectar essas artesãs e costureiras a novos mercados, o Polo promove inclusão produtiva, autonomia econômica e valorização cultural”, diz Renata Rodrigues, gerente do Sebrae no Marajó.

No fim de outubro, Dona Cruz vai compartilhar os conhecimentos com outras pessoas da ilha. Ela vai ministrar um curso de camisaria marajoara pelo Sebrae, o que pode ajudar a manter viva uma técnica de bordado que poucos dominam. O professor que a ensinou, conhecido como Baiano, morreu em decorrência da covid-19 durante a pandemia. Das dez alunas que ele tinha, apenas Dona Cruz concluiu o curso.

Tradição e sustento

Da cerâmica ancestral à passarela contemporânea, a arte marajoara ganha novas formas pelas mãos da quilombola Rosilda Angelim, de 56 anos, artesã e costureira de Salvaterra, município da ilha de Marajó.

Soure (PA), 09/010/2025 – A empreendedora quilombola Rosilda Angelim. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Antes de viver da arte, ela trabalhou como professora e funcionária pública. Após perder o emprego, enfrentou dificuldades financeiras e depressão, até descobrir na costura uma nova chance.

“Foi como um empurrão. Eu comecei na costura há uns 30 anos, mas há 16 me encontrei de verdade no grafismo marajoara”, conta a artesã.

“O meu objetivo é divulgar a minha cultura. Quero que o mundo conheça o Marajó”.

Hoje, Rosilda lidera um ateliê com seis pessoas e produz roupas e acessórios que unem moda e identidade amazônica. Suas criações são vendidas em lojas de Belém e atraem compradores de outras regiões do país.

A sustentabilidade também é parte central do trabalho. O ateliê utiliza tecidos 100% algodão e reaproveita sobras de material.

“Nada fica parado. O que sobra, a gente doa para mulheres que fazem tapetes e outros artesanatos. É bom para o meio ambiente e ajuda famílias”, explica Rosilda.

Com a proximidade da 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, a expectativa é de aumento na produção.

“A gente tem que acreditar que a COP vem trazer coisa boa. Não só para o clima, mas para a cultura em geral, nossa culinária, nosso artesanato, nossa biojoia. A gente vai se agarrando nisso e preparando um volume maior de peças para o período. O meu objetivo é ganhar dinheiro, claro, não quero ser hipócrita, mas também quero divulgar a minha cultura para todos”, diz a artesã.

Marca autoral

Professora de francês que virou costureira e empreendedora. Essa é a história de Glauciane Pinheiro, de 40 anos, que entrou no curso de costura industrial, “sem nunca ter tocado numa máquina”. A proposta do projeto era voltada para pessoas com experiência, mas algumas vagas foram abertas para iniciantes — e foi assim que ela desenvolveu a nova habilidade.

“Eu estava desempregada, passando por um momento emocional difícil. Entrei mais para me distrair, mas acabei me encontrando na costura”, relembra Glauciane.

A partir daí, o interesse por estamparia e criação de coleções cresceu. Com apoio do marido, que lhe presenteou com duas máquinas, ela montou um pequeno ateliê no quarto de casa e lançou a marca Mang Marajó.

Soure (PA), 09/010/2025 – A empreendedora Glauciane Pinheiro Lima produz estampas originais da moda marajoara no Espaço Mang. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

A empreendedora começou a produzir roupas com estampas autorais e bordados, parte feitos por famílias e grupos terceirizados da região. Hoje, ela vê no turismo local uma oportunidade concreta de crescimento.

“Desde que começaram os preparativos para a COP30, a cidade está diferente. Tem mais movimento, mais turistas. Eu recebo gente todos os dias, até de noite ou aos domingos”, relata Glauciane.

“A gente acredita que o turismo pode sustentar o Marajó. E eu quero viver disso, da cultura e da arte”.

A esperança comum daqueles que vivem de moda no Marajó é que novembro seja um ponto de virada para o setor no Pará, com maior visibilidade e mais investimentos públicos.

“Os principais desafios ainda são o acesso limitado a equipamentos modernos, capacitações técnicas continuadas, canais de comercialização e financiamento. Para alavancar a situação dessas mulheres, é necessário fortalecer as parcerias institucionais, ampliar o acesso a mercados (digitais e físicos), investir em formação empreendedora e garantir políticas públicas que sustentem esse processo de desenvolvimento local com identidade”, explica a diretora do Sebrae, Renata Rodrigues.

*A equipe de reportagem da Agência Brasil viajou a convite do Sebrae.

 

Pesquisas revelam preocupação com crianças em extremos climáticos

Duas pesquisas divulgadas este mês alertam para os efeitos dos extremos climáticos nas crianças. Uma delas é um levantamento encomendado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal ao Datafolha: mais de 80% dos brasileiros temem pelos efeitos das mudanças climáticas em bebês e crianças de 0 a 6 anos.

O estudo Panorama da Primeira Infância: o impacto da crise climática entrevistou 2.206 pessoas, sendo 822 responsáveis por crianças, entre os dias 8 e 10 de abril de 2025. Os maiores medos se concentram em impactos sobre a saúde: 7 em cada 10 pessoas (71%) manifestaram esse tipo de preocupação, com destaque para as doenças respiratórias.

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Outras questões levantadas por 39% dos entrevistados foram o maior risco de desastres (como enchentes, secas e queimadas), além da dificuldade em acessar água limpa e comida (32% das respostas).

Segundo o estudo, 15% acreditam que as mudanças climáticas provocarão maior consciência ambiental e 6% confiam que a sociedade encontrará soluções para reduzir os danos.

“Ver que a população reconhece o risco que as crianças enfrentam já é uma vitória — significa que entendemos quem está na linha de frente da crise e que há urgência em agir. As crianças na primeira infância são as menos culpadas pela emergência climática e, ainda assim, são o público mais afetado. Essa injustiça exige que cada medida tomada considere a vulnerabilidade de quem depende da proteção dos adultos”, disse Mariana Luz, diretora da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

Mortalidade infantil

O outro estudo corrobora a preocupação da população. Ele foi conduzido por cientistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da London School e do Instituto de Saúde Global de Barcelona.

Publicada no periódico Environmental Research, a pesquisa indica que bebês em período neonatal (7 a 27 dias) são os mais afetados pelo frio, com risco 364% maior de morrer em condições extremas, em comparação às condições normais. Com relação ao calor, o impacto cresce à medida que a criança envelhece, sendo 85% maior em calor extremo entre os que têm entre 1 e 4 anos.

Os pesquisadores analisaram mais de 1 milhão de mortes de menores de 5 anos ao longo de 20 anos. O risco de mortalidade nesta faixa etária chegou a ser 95% maior no frio extremo e 29% maior no calor extremo do que nos dias com temperatura amena (em torno de 14 a 21°C).

A pesquisa teve como base os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Conjunto de Dados Meteorológicos Diários em Grade do Brasil (BR-DWGD).

Professor do ISC/UFBA e colaborador do Cidacs, Ismael Silveira explica que pesquisas internacionais já indicavam que crianças pequenas são mais vulneráveis aos extremos climáticos. Mas havia poucas evidências em países com clima tropical.

“O Brasil tem dimensões continentais e forte desigualdade socioeconômica, o que o torna um ‘laboratório natural’ para investigar os impactos do clima. A cobertura e qualidade dos dados de óbitos e o uso de métodos estatísticos robustos favoreceram a superação dessa lacuna”, diz Silveira.

Crianças são mais vulneráveis aos efeitos das mudanças de temperatura porque seus corpos ainda não desenvolveram totalmente os mecanismos de regulação térmica. Nos dias mais quentes, os riscos incluem insolação, desidratação, problemas renais, doenças respiratórias e infecciosas. No frio, podem haver hipotermia, que desencadeia complicações respiratórias e metabólicas, e favorece o aumento de infecções.

O Brasil apresenta variações regionais quanto aos impactos climáticos. Os dados indicam que a mortalidade de crianças menores de cinco anos relacionada ao frio atingiu o maior aumento (117%) no Sul do país. Já a mortalidade relacionada ao calor foi maior no Nordeste (102%).

As taxas elevadas de mortes de crianças continuam concentradas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Essas regiões apresentam maior vulnerabilidade socioeconômica e acesso pior à infraestrutura básica, como saneamento e moradia adequada. O aumento das temperaturas representa uma ameaça adicional.

Mais brincadeira, menos tela: confira dicas para uma infância saudável

Se o mundo se transformou com a internet, redes sociais e a massificação dos dispositivos móveis, a infância também. Em uma era hiper conectada, o contato com a natureza, as brincadeiras ao ar livre e o tempo longe das telas já aparecem como prescrição médica.

Com 29 anos de prática em consultório, Renata Aniceto, membro do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), destaca que já prescreve em suas orientações, além de alimentação saudável e vacinação, tempo de convívio entre pais e filhos.  

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“Eu quero que no final de semana vocês tenham duas horas de brincadeiras no parque, de vivências em casa, que levem as crianças para cozinhar, para fazer jogos de tabuleiro. É um retrocesso. Essa geração de pais não sabe como brincar com os filhos porque eles já vêm de uma fase conectada com as telas”, alerta. 

Ela conta que observou uma mudança comportamental gigantesca, principalmente com a entrada das telas, do celular e do tablet no cotidiano das famílias. 

“Houve uma desconexão entre pais e filhos. Porque não só as crianças estão mais tempo em tela, os pais também. No consultório, passaram a chegar muito mais alterações como ansiedade e depressão, quadros que nós nem estudávamos na nossa formação [em pediatria] e hoje precisamos lidar. É um momento muito conectado e desconectado ao mesmo tempo, com essa desconexão humana”, diz a pediatra. 

Angela Uchoa Branco, professora do Departamento de Psicologia Escolar e do Desenvolvimento da Universidade de Brasília (UnB), reforça a importância das brincadeiras presenciais, face a face com outras crianças e adultos. Para as mais velhas, recomenda jogos como os de tabuleiro.  

“Jogos e brincadeiras livres são fundamentais para o desenvolvimento da criança. Contação de histórias dialogadas, ler para a criança antes de dormir, deixar livrinhos infantis disponíveis para desenvolver a criatividade e o gosto pela leitura. E, sempre que possível, levar a criança para brincar ao ar livre e conviver com a natureza”, afirma Angela. 

Para este Dia das Crianças, a Agência Brasil conversou com médicos, psicólogos e especialistas para reunir dicas para uma infância mais saudável. Confira: 

Mais brincadeira, menos tela 

Rio de Janeiro (RJ) – Alunos jogam futebol durante intervalo no Ginásio Experimental Olímpico Reverendo Martin Luther King, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil –

Se no passado a infância era marcada pelas brincadeiras de rua e o tempo livre, hoje se mistura com as telas do celular, notificações e interações online. Renata destaca que, para além da perda nas interações e do convívio, o excesso de telas pode prejudicar também o desenvolvimento do cérebro e da cognição.  

“O excesso de telas vai estimular áreas que não são tão primordiais e pode levar à perda de habilidades, como foco, atenção, memória, resolução de problemas. São gerações que estão tendo mais dificuldade na comunicação e na aprendizagem. Além disso, se eu mexo menos o corpo, então haverá maior incidência de obesidade”, explica. 

No ano passado, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou as orientações sobre o tempo de telas adequado para cada faixa etária. 

  • De 0 a 2 anos: sem telas, mesmo que passivamente; 
  • De 2 a 5 anos: uma hora por dia, com supervisão dos pais ou responsáveis; 
  • De 6 a 10 anos: uma a duas horas por dia, no máximo, e sempre com supervisão; 
  • Entre 11 e 18 anos: de duas a três horas por dia, e nunca deixar “virar a noite”. 

A diretora executiva da ONG Vaga Lume, Lia Jamra, que há 25 anos atua com educação nos nove estados da Amazônia Legal, ressalta a importância do incentivo à leitura, em oposição ao digital.  

“É muito importante pais e cuidadores terem iniciativa de ler para a criança para ajudar a sair da tela. A leitura traz um impacto socioemocional muito grande na formação de repertório, visão de mundo, possibilidade de sonhar. A infância na Amazônia é mais saudável. Várias brincadeiras fora de casa fazem parte da rotina dessa criança, como um mergulho no rio”, diz Lia. 

Sono 

Excesso de telas pode prejudicar qualidade do sono das crianças . Foto: Joédson Alves/Agência Brasil 

O sono de qualidade é um dos pilares fundamentais para o bom desenvolvimento infantil. O descanso adequado está diretamente ligado ao desenvolvimento físico, cognitivo e emocional. Também nesse aspecto, Renata aponta que as telas podem atuar como vilãs da saúde das crianças; 

“Se usar telas no período noturno, fica com a luz da tela no meu cérebro mais tempo, o que diminui a produção de melatonina, hormônio responsável pela indução inicial do sono. Assim, a criança  vai ter mais dificuldade para pegar no sono e despertares noturnos mais frequentes”, destaca. 

A médica explica que o sono não é só para descansar, mas trata-se de um período em que processos neurológicos acontecem. 

“A fixação de aprendizados adquiridos durante o dia é feita nesse período noturno. Muitos hormônios são secretados durante a noite, como o hormônio do crescimento, os hormônios controladores de fome e saciedade, que podem impactar no apetite e ganho de peso”, afirma. 

Diálogo 

A professora da UnB, Angela Uchoa, também destaca a importância de estabelecer diálogos respeitosos para promover uma educação que estabeleça limites, mas que reforce a autoestima dos pequenos, sem punições físicas.  

“É necessário sempre escolher o momento certo para conversar e estabelecer limites, dialogando. Devemos ter tolerância zero para agressões, mas manter uma atitude respeitosa e dando exemplo de como se deve agir quando algo nos desagrada. Respeito gera respeito, é necessário demonstrar afeto para que a criança se sinta amada e elogiar aquilo que ela sabe fazer bem. Isso fortalece a sua autoestima, essencial para seu pleno desenvolvimento como ser humano” completa a professor da UnB. 

Alimentação 

Frutas devem estar presente na alimentação desde o primeiro ano de vida. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil 

Aos 6 meses de vida, quando os primeiros dentinhos em geral aparecem, o bebê inicia a chamada introdução alimentar. A fase é considerada primordial na formação dos futuros hábitos alimentares da criança, destaca a professora Diana Barbosa Cunha, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). 

Ela destaca que hábitos ruins na infância podem manter-se ao longo da vida, tornando-se fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas como as cardíacas, hipertensão arterial, diabetes tipo 2, entre outras. 

 “Essa fase deve ser tranquila, pensando que o objetivo da introdução alimentar é que o bebê conheça os alimentos. Nessa fase, o leito materno ainda é o alimento mais importante. A recomendação é que a introdução alimentar se inicie aos 6 meses e a gente espera que, aos 2 anos, a criança esteja plenamente adaptada à alimentação da família”, diz a professora. 

Diana destaca que é muito importante que a família esteja se alimentando de forma adequada, dando o exemplo, tendo como base os alimentos minimamente processados, como cereais, leguminosas, carnes, frutas.  

“Deve-se restringir o consumo de alimentos ultraprocessados. É fundamental estimular a autonomia da criança escolhendo as opções saudáveis que o responsável vai apresentar. Levar as crianças para a feira para ela escolher os alimentos. Levar a criança para o preparo dos alimentos como lavá-los, cortá-los. Isso favorece a relação com a alimentação”, conclui a professora. 


*Colaborou Ana Cristina Campos

Fabiana Cozza e Nei Lopes abrem baú de inéditas no Samba na Gamboa

A apresentadora Teresa Cristina recebe o veterano Nei Lopes e a cantora Fabiana Cozza na edição inédita do Samba na Gamboa neste domingo (12), às 13h, na TV Brasil. O programa traz uma entrevista bem animada e repleta de música com a dupla que fez parceria improvável ao abrir um baú de obras inéditas do experiente cantor e compositor. Eles fazem duetos emocionantes na telinha do canal público.

Os convidados cantam sucessos da carreira do experiente compositor e revelam como suas trajetórias artísticas se cruzaram. Fabiana Cozza lançou em 2023 o disco Urucungo, álbum com músicas inéditas do mestre. Além de recordar esse trabalho, eles interpretam obras do projeto que inclui 12 faixas autorais e parcerias dele com artistas como Wilson Moreira, Leci Brandão, Guinga, Ivan Lins e Francis Hime.

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O repertório da homenagem na telinha da emissora pública inclui clássicos do bamba como Senhora Liberdade e Samba do Irajá, além de diversos trabalhos do ícone com o saudoso Wilson Moreira, seu maior parceiro, como Gostoso Veneno, Dia de Glória, Ré, Sol, Si, Ré e Ao Povo em Forma de Arte.

Programa original da emissora pública, o Samba na Gamboa pode ser acompanhado no YouTube do canal e no app TV Brasil Play. Com janela alternativa na telinha aos sábados, às 23h, a produção ainda é transmitida na Rádio Nacional. O conteúdo entra no ar aos sábados, ao meio-dia, para toda a rede.

Memórias e raízes do samba

Escritor com mais de 50 livros publicados, Nei Lopes é estudioso das culturas africanas. Ele abre o coração durante a descontraída roda de samba. “O destino é inexorável: quando traça, acontece. Quando me perguntam por que você escreve tanto, eu digo que é porque não tenho outra coisa para fazer em casa”, brinca o autor. “É o prazer de criar e inovar. Mexo muito com o passado. Faço letras invocando o que não vivi, mas eu conheci quem viveu”, explica o célebre sambista.

Durante a produção da TV Brasil, a conversa do astro carioca e da cantora paulista com a anfitriã aborda temas relacionados ao movimento negro e à cultura afrobrasileira, bem como sua produção escrita. “Meu envolvimento com livros tem uma razão muito lógica. Minha formação foi muito tumultuada, principalmente do ponto de vista da história”, pontua o convidado ao falar sobre o que o impulsiona. “Eu me interessei pelas coisas às quais me dedico até hoje porque nós temos uma obrigação”, comenta.

Grande letrista, Nei Lopes é referência no mundo do samba. O artista de 83 anos faz história até hoje ao utilizar seu talento para tratar de temas atemporais que atravessam gerações com linguagem coloquial. O craque pontua suas referências e a importância do Salgueiro, terreiro de samba onde foi mais feliz.

O programa Samba na Gamboa lembra o icônico álbum A Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes (1980), entre outras preciosidades de sua obra que foi gravada por grandes nomes da música nacional, como Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes.

Fabiana Cozza recorda o desafio na escolha do repertório de Nei Lopes para o projeto Urucungo ao abrir o baú de inéditas do acervo do bamba. “Fui por uma seleção que me orienta desde o primeiro trabalho. Vou me permitir me emocionar com as canções. Quando o coração escuta e arrepia”, conta a artista.

A cantora fala sobre a importância da ancestralidade ao celebrar nomes como Clara Nunes e dona Ivone Lara “É um olhar que me centra. Essas pessoas vão fazendo parte da minha trajetória. Uma homenagem é para além de escolher músicas e cantar aquele compositor. É dizer o que você pensa e dialoga.”

Histórico da produção

O Samba na Gamboa reúne grandes intérpretes das novas gerações e nomes consagrados do gênero e ícones da MPB para uma animada roda de samba. Com Diogo Nogueira, o programa contou com sete temporadas e foi gravado entre 2008 e 2018. Até hoje a atração faz parte da grade do canal público.

E-sports no JUBs: atletas avaliam prós e contras da profissionalização

Tem torcida, tem disputa, tem final. Os e-sports invadiram os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) 2025. Na verdade, eles conquistaram um espaço monstruoso em todo país. Como em outros esportes, o sonho de se tornar profissional vem desde pequeno. Pode parecer fácil, trabalhar com seu momento de lazer, mas a rotina de um jogador profissional não é tão simples.

“Acordo oito horas da manhã, a partir das 10h já temos uma preparação. Depois vem o intervalo de almoço. Depois de uma da tarde ate oito horas da noite é treino. Você joga o jogo, reassiste, conversa sobre possibilidades boas e as ruins”.

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A rotina é de David Luiz, chamado de Rosa. Ele cursa o terceiro período de Sistemas de Informação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campeã de League of Legends no JUBs 2025. Além de atleta universitário, Rosa é atleta profissional de e-sports. E sabe que está em um momento decisivo da vida.
“É uma carreira que, querendo ou não, não tem muita longevidade, os jogadores profissionais acabam perdendo desempemho por volta dos 24 anos”, pontua David Luiz, estudante do terceiro período de Sistemas de Informação na UTFPR – Celio Júnior/CBDU/Direitos Reservados

“Como jogador profissional, às vezes, você pode tirar um ótimo dinheiro, aproveitar ótimas oportunidades. É uma carreira que, querendo ou não, não tem muita longevidade, os jogadores profissionais acabam perdendo desempemho por volta dos 24 anos. Mas você pode ganhar muito dinheiro, tem jogadores no nosso cenário que ganham cerca de 100 mil reais por mês, os mais famosos. Só que, se eu me arriscar a chegar nesse patamar, eu posso perder um tempo que eu estaria fazendo estágio, estaria me especializando. É aquela balança que pondera para os dois lados. Uma hora você tem que decidir, mas é uma decisão árdua”, pondera David Luiz.

No JUBs os atletas jogam pelo titulo, de forma leve. O foco é você não deixar de lado seus estudos e seu esporte. Mas no ambiente profissional  nem sempre é assim.

 “A partir do momento que você não está se destacando mais, se acabou o seu contrato, você vai rodar. É um cenário que você tem que estar se reinventando, melhorando, aperfeiçoando, para você ter esse potencial para se destacar, para jogar em times grandes. Tem que estar disposto a viver esse sonho, porque tem muita cobrança. Não só do seu time, os times têm muitos fãs. Por exemplo, o time que eu jogava, tinha mais de 3 mil seguidores, e eles cobram”.

Washington Wu já foi profissional de e-sports, recebeu convite para jogar no exterior, mas optou por seguir na área acadêmica – Célio Júnior/CBDU/Direitos Reservados

Washington Wu, o Washin, é do time de Luiz no JUBs, a UTFPR Azure Bears. Ele fez o caminho inverso. Já foi profissional, recebeu convites para jogar em um dos maiores centros do mundo, a Coreia do Sul. Mas preferiu outro caminho.

“Com essa jornada de 16, 17 horas de jogo por dia, ficou bem cansativo mesmo. Não consegui acompanhar muito, fiquei para trás e decidi parar. Vou continuar nesse ramo acadêmico, profissional, buscar trabalho, virar um CLT”, projeta Washin.

Virar profissional tão cedo, treinar muito e sofrer pressão de torcida. Para o coordenador de e-sports da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), Sergio Medeiros, os e-sports precisam ser acompanhados e sempre atualizados.

“Os e-sports são muito desgastantes mentalmente. Então existe o desgaste do próprio jogo e existe a falta de preparação mental, de certa forma, para lidar com o ambiente de pressão”.

A atividade está em constante atualização: há pressão, retorno financeiro, competitividade. Qual caminho escolher? Na duvida, Washingtin Wu tem uma dica.

“Não se deixem afetar por este processo de pressão. Aproveitem a vida que sempre vai haver um caminho para o sucesso”.

* Maurício Costa viajou a Natal à convite da CBDU.

Especialistas questionam escolha de prêmio Nobel da Paz

Líderes, especialistas, governos e movimentos sociais criticaram a escolha da líder da extrema direita Venezuela para o Nobel da Paz. María Corina Machado é conhecida pelo apoio ao governo de Benjamin Netanyahu no genocídio em Gaza e tem repetidamente convocado a agressão armada contra a Venezuela.

O jornalista espanhol Ignacio Ramonet descreveu a situação como “a necrose de um Prêmio Nobel”.

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“Conceder o Prêmio Nobel da Paz a alguém que constantemente defende invasões militares, golpes de Estado, revoltas e guerras é mais uma aberração da atual desordem internacional. É o mundo de cabeça para baixo. Está tornando realidade a distopia de Orwell, ‘1984’, na qual a verdade é mentira e a paz é guerra. Um triste e podre Prêmio Nobel”, observou.

Por sua vez, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez afirmou que “a politização, o preconceito e o descrédito do Comitê Norueguês do Nobel da Paz atingiram limites inimagináveis”.

O líder cubano descreveu a concessão deste prêmio em 2025 a “uma pessoa que instiga a intervenção militar em sua pátria” como “vergonhosa”, chamando-a de “manobra política” para enfraquecer a liderança bolivariana.

O ex-presidente hondurenho Manuel Zelaya Rosales declarou que “o Prêmio Nobel da Paz concedido a María Corina Machado é uma afronta à história e aos povos que lutam por sua soberania. Conceder o prêmio a um golpista, aliado das elites financeiras e de interesses estrangeiros, é transformar o símbolo da paz em um instrumento do colonialismo moderno”.

“Nunca há paz quando aqueles que promovem sanções, bloqueios e guerras econômicas contra seu próprio povo são recompensados”, enfatizou Zelaya.

O Prêmio Nobel da Paz (1980), Adolfo Pérez Esquivel, destacou que “Corina Machado faz parte da política dos EUA contra o governo venezuelano”.

Ela recebeu o prêmio “não por ter trabalhado pela paz e pelo povo venezuelano. Estou preocupada que o Comitê Nobel tenha tomado essa decisão”, disse ela.

Enquanto isso, Michelle Ellner, coordenadora da campanha latino-americana da plataforma americana Codepink, afirmou que María Corina Machado não é um símbolo de paz ou progresso.

“Quando vi a manchete ‘María Corina Machado ganha o Prêmio da Paz’, quase ri do absurdo. Mas não ri, porque não há nada de engraçado em conceder o prêmio a alguém cujas políticas causaram tanto sofrimento. Qualquer pessoa que conheça suas ideias sabe que não há nada remotamente pacífico em suas políticas.”

Ellner acredita que a adesão da oposição extremista de direita venezuelana à agenda dos EUA significou sanções, ataques terroristas e privatizações para o povo venezuelano, o que ela comparou à situação em Gaza.

“Na Venezuela, essa aliança significou golpes, sanções e privatizações. Em Gaza, significa genocídio e a eliminação de um povo. A ideologia é a mesma: a crença de que algumas vidas são descartáveis, que a soberania é negociável e que a violência pode ser vendida como ordem”, observou.

Prêmio

Ao anunciar o nome de Maria Corina Machado para o Nobel da Paz, o Comitê Norueguês disse que ela foi laureada “por seu trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela”.

Em nota, o comitê diz diz o prêmio foi concedido “pelo trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

“Como líder do movimento pela democracia na Venezuela, Maria Corina Machado é um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”, afirmou o presidente do Comitê, Jørgen Watne Frydnes, em Oslo.

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Frente fria chega a São Paulo a partir de segunda com chuvas e ventos

Uma nova frente fria, que deverá intensificar as instabilidades e provocar chuvas de moderada a forte intensidade mais generalizadas, chega a São Paulo no início da próxima semana. A Defesa Civil do estado emitiu alerta para a instabilidade, que deve provocar pancadas de chuva, rajadas de vento e queda de granizo em pontos isolados do território paulista.

Segundo a Defesa Civil, este sábado (11) permanece com muita nebulosidade e pancadas de chuva isoladas, especialmente na faixa leste paulista. Já entre o domingo (12) e a segunda-feira (13), a aproximação da frente fria favorecerá a ocorrência de chuvas acompanhadas de raios, rajadas de vento de forte intensidade e queda de granizo de forma pontual.

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Os maiores acumulados de chuva devem ocorrer nas regiões do Vale do Ribeira e do litoral paulista, com rajadas de vento de forte intensidade. 

A orientação da Defesa Civil é a de que se redobre a atenção em áreas vulneráveis. O alerta é para alagamentos, queda de galhos e interrupções temporárias de energia elétrica.

Capital

Na cidade de São Paulo, este sábado teve sol aparecendo entre nuvens com temperaturas chegando aos 26°C e os índices de umidade próximos aos 55%. 

Os dados do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) mostram que outubro registrou até o momento 28,1mm de chuva, o que corresponde a aproximadamente 25,1% dos 112,2mm esperados.

Nas próximas horas a nebulosidade aumenta com a chegada da brisa marítima, o que favorece a ocorrência de chuvas rápidas e isoladas, principalmente nas regiões mais próximas da Serra do Mar, no extremo sul da Região Metropolitana de São Paulo. As temperaturas entram em gradativo declínio, com previsão de termômetros chegando aos 15°C no período da noite.

O domingo segue com sol entre nuvens e temperaturas em elevação, com os termômetros variando entre mínimas de 16°C e máximas que podem chegar aos 29°C, enquanto os índices de umidade devem atingir valores próximos aos 45%. Entre o final da tarde e o início da noite a aproximação de uma frente fria deve causar chuvas na forma de pancadas isoladas na Região Metropolitana de São Paulo.

Na segunda-feira (13), a propagação da frente fria pelo litoral paulista muda o tempo e as temperaturas devem variar entre mínimas de 18°C e máximas de 24°C. As pancadas de chuva variam de moderada a forte intensidade e devem atingir a região metropolitana no período da manhã. As rajadas de vento podem superar os 60Km/h, o que eleva o potencial para formação de alagamentos e queda de árvores.

A Defesa Civil municipal mantém toda a cidade em estado de atenção para baixas temperaturas desde às 10h10 de segunda-feira (6).

PM é baleado e morto durante romaria ao Santuário de Aparecida

Um policial militar de 30 anos de idade que fazia a romaria até o Santuário Nacional de Aparecida foi morto a tiros durante um assalto na madrugada deste sábado (11) no trecho de Lorena da Rodovia Presidente Dutra. Ele trabalhava na corporação há 10 anos e deixa esposa e dois filhos, um menino de 4 anos e uma menina de 1 ano e 4 meses.

De acordo com as informações do Boletim de Ocorrência, equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizavam uma ação de fiscalização quando foram acionadas por um romeiro que relatou que seus pais haviam sido assaltados. Ao chegarem ao local, os agentes constataram que os suspeitos haviam fugido.

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Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), as autoridades foram informadas de que um policial militar e outros dois romeiros haviam sido atingidos por disparos de arma de fogo. 

“Todos foram socorridos a um hospital da região, mas o policial não resistiu aos ferimentos”, informa a SSP-SP em nota.

O caso foi registrado na Delegacia de Lorena como latrocínio e tentativa de latrocínio. A Polícia Civil faz diligências para identificar e localizar os autores do crime, a fim de esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido.

Lula visitará Papa Leão XIV durante visita a Roma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será recebido pelo Papa Leão XIV, no Vaticano, na próxima segunda-feira (13). A informação é da Sala de Imprensa da Santa Sé.

A reunião entre Lula e o líder da Igreja Católica será a primeira desde que Leão XIV foi eleito o novo papa, em maio deste ano. 

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Lula viaja neste sábado (11) para Roma para participar da Semana Mundial da Alimentação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e de uma série de encontros relacionados à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. O retorno para o Brasil será ainda no dia 13.

Lula também participará da reunião presencial do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza , da cerimônia de inauguração da sede do secretariado da Aliança, uma plataforma internacional destinada a coordenar programas sociais replicáveis em diferentes países.

Corinthians goleia Boca Juniors e vai à semi da Libertadores Feminina

Atual pentacampeão, o time feminino de futebol do Corinthians ficou mais perto de alcançar o hexa na tarde deste sábado (11). As Brabas avançaram às semifinais com goleada de 4 a 0 sobre o Boca Juniors no Estádio Francisco Urbano, na Argentina. O show do Timão teve hat-trick (três gols) da camisa 10 Gabi Zanotti, de 40 anos, artilheira da competição, com total de seis gols. A atacante Jhonson entrou no segundo tempo e em nove minutos em campo balançou a rede e completou o placar.

As adversárias das Brabas serão definidas no jogo de logo mais, às 20h (horário de Brasília), no duelo entre Ferroviária (Guerreiras Grenás) e a equipe equatoriana Dragonas Independiente del Valle. O terceiro time brasileiro nas quartas de final é o São Paulo que enfrenta o colombiano Deportivo Cali, às 20h de domingo (12), no Estádio Florêncio Sola, também na Argentina.

O jogo mal começou e a árbitra anotou pênalti: Bia Zanotti tentou dar um chapéu e a bola tocou no braço da zagueira Baccaro. A penalidade foi confirmada pelo VAR, e a própria Bia cobrou, aos seis minutos, abrindo o placar para as Brabas. Seis minutos depois, Zanotti balançou a rede de novo, aproveitando o escanteio marcado por Andressa Alves. Abaladas, as argentinas não conseguiam cruzar o meio campo. Já as brasileiras seguiram pressionando e conseguiram ampliar a vantagem para 3 a 0, novamente com ela, Bia Zanotti, desta vez de cabeça, após bela cobrança de falta de Duda Sampaio aos 40 minutos.

Na volta do intervalo, as Brabas mantiveram o ritmo intenso. Aos 16 minutos, Ariel Godoi finalizou com perigo, mas a goleira Oliveiros, do Boca, defendeu. A noite era mesmo do Corinthians: nove minutos após entrar em campo no lugar da camisa 10 Zanotti,  Jhonson completou a goleada de 4 a 0, após assistência de Letícia Monteiro aos 22 minutos. A partir daí, As Brabas administraram a vantagem, Do lado adversário, Kishi Núñez tentou o gol de honra em bolas chutadas de fora da área, mas finalizou todas para fora do gol.

Batalha de startups distribui R$ 200 mil em festival de inovação

Subir ao palco, pegar o microfone e vender em três minutos uma solução tecnológica para algum problema produtivo do país. Em jogo, 20 prêmios de até R$ 15 mil para o empurrão inicial do negócio.

Foi com esse desafio que chegou ao último dia, neste sábado (11), a primeira edição do Curicaca, festival sobre tecnologia e sustentabilidade na indústria promovido em Brasília pelo governo federal com a participação de diversas entidades ligadas à indústria nacional.

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O edital havia sido lançado em agosto pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e um dos responsáveis por realizar o Curicaca.  

Ao todo, 350 projetos se inscreveram para o Desafio Nacional de Inovação, concebido para ocorrer como uma “batalha de startups”, formato já bem conhecido por jovens empreendedores que viajam pelo país em busca de financiamento para ideias originais.

Antônio Silveira participa do Festival Curicaca. Foto: José Cruz/Agência Brasil

“Para o nosso projeto esse tipo de rodada de pitching é muito comum”, conta Antônio Silveira, de 19 anos, um dos mais jovens integrantes de um projeto de extensão na Faculdade Tecnológica de Pompéia Shunji Nishimura, no interior de São Paulo, que se transformou em startup.

O grupo, hoje com 12 alunos integrantes, desenvolveu o projeto Vigilância Agrícola e Resposta Digital, integrando antigas técnicas de captura de pragas com análises de inteligência artificial que permitem otimizar a colocação das armadilhas de combate a bichos como os tripes, pequenos insetos que prejudicam a cultura do algodão e outras.

A ideia conta com financiamento inicial da própria faculdade e venceu recentemente uma outra “batalha”, dessa vez por R$ 15 mil, no Desafio de Inovação Holambra Cooperativa, uma das mais tradicionais disputas de soluções tecnológicas para a agroindústria.

“Esse primeiro suporte financeiro ajuda muito, a gente precisa. Hoje a gente tem um protótipo, mas queremos transformar em um produto comercializável, perseguindo também a patente tecnológica”, observou Silveira.

Curicaca

Realizado entre os dias 7 e 11 de outubro no Estádio Mané Garrincha (Arena BRB), com entrada gratuita, o Festival Curicaca foi criado neste ano pela ABDI com inspiração em grandes conferências de tecnologia internacionais que unem promoção da inovação, discussões acadêmicas, debates sobre desafios das indústrias, questões ambientais e programação cultural.

Foram quatro palcos que em cinco dias de evento receberam discussões sobre tecnologia, inovação e sustentabilidade para a indústria e o desenvolvimento.

Os debates foram divididos em dez “trilhas do conhecimento”:

  • Energia renovável e sustentabilidade energética;
  • Inovação em saúde e biotecnologia;
  • Transformação digital e Indústria 4.0;
  • Segurança e defesa tecnológica;
  • Indústria verde e economia circular;
  • Agroindústria sustentável e agricultura familiar;
  • Inovação social e desenvolvimento regional;
  • Políticas e regulação;
  • Infraestrutura sustentável e mobilidade verde;
  • Tecnologia criativa e inclusão digital.
Festival Curicaca foi realizado em Brasília Foto: José Cruz/Agência Brasil

Neste sábado (11), por exemplo, foram discutidos os temas “mulheres nas deep techs brasileiras”, sobre a presença feminina na ciência e inovação, e “narrativas que constroem ou desmontam: como a desinformação impacta a indústria e o que fazer diante das fake news?”.

À noite, o evento será encerrado com o show de Jorge Aragão, em palco montado no próprio Mané Garrincha. Em outros pontos de Brasília ocorrem outras apresentações musicais, com artistas como Dj Marky e bandas como Dead Fish.

O festival é uma das iniciativas previstas no programa Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial de longo prazo lançada pelo governo em 2024 e que prevê um investimento total de R$ 300 bilhões até 2026.  

O presidente da ABDI, Ricardo Capelli, descreveu o Festival Curicaca como um “esforço de aproximar indústria, inovação, universidades e institutos federais, para fortalecer e discutir a indústria do futuro, que não é mais feita de chaminé e fumaça, mas de inovação, biotecnologia e sustentabilidade”.

Além de investimento estatal direto, o evento foi em parte custeado pela Petrobras, por meio da Lei Rouanet, de incentivo à cultura.

*Texto alterado às 18h25 para correção de informações sobre o valor dos prêmios

Morre Diane Keaton, uma das atrizes mais celebradas de Hollywood

Vencedora do Oscar de Melhor Atriz de 1977 pelo filme Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Diane Keaton morreu neste sábado (11), aos 79 anos, segundo um comunicado divulgado por sua família. Ainda não há detalhes das causas.

Diane começou sua carreira no teatro e em 1970 chegou ao cinema e à TV, fazendo participações em filmes menores e em seriados. Seu primeiro longa foi As Mil Faces do Amor. Depois disso fez aparições em algumas séries e em 1971 entrou para o elenco de O Poderoso Chefão, que seria lançado em 1972. Ela já se tornou bem conhecida por sua atuação neste clássico de Francis Ford Coppola e sua carreira deslanchou rapidamente depois disso. No mesmo ano atuou em Sonhos de um Sedutor ao lado de Woody Allen. Em 1974, trabalhou em O Poderoso Chefão 2.

Já com bastante reconhecimento, Diane seguiu em grandes produções em Hollywood. Em 1977 ganhou o Oscar de Melhor Atriz por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, mais uma colaboração sua com o diretor e roteirista Woody Allen.

A atriz teve uma longa carreira e seguiu trabalhando bastante até recentemente. Seu último trabalho nas telas foi Summer Camp, mas ela também atuou em outras produções famosas nos últimos anos como De Repente 70, Procurando Dory (dublagem), Tudo em Família, O Pai da Noiva etc.

Diane nasceu em Los Angeles, em 1946, e nunca se casou oficialmente. Ela deixa dois filhos: Dexter e Duke.

Atleta do taekwondo se despede de seu último JUBs com tricampeonato

A estudante Laura Paiva encerrou esta semana a última participação dela nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) com ouro. Aos 25 anos, ela foi a grande vencedora da categoria até 49kg no taekwondo e se tornou tricampeã dos Jubs. Dessa vez com uma grande diferença. A competição aconteceu em Natal e Laura pôde contar com a torcida da família e dos amigos. “Eu participo dos Jubs desde 2019, eu fechei um ciclo, eu fechei com chave de ouro, eu sou tricampeã, e contei com a minha torcida, com os meus pais, meus colegas de treino, então não teve sensação melhor”, festeja ela.

Laura é formada em Geografia e atualmente cursa o sexto período de Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e está no primeiro período do mestrado em Geografia na mesma universidade. Além das horas dedicadas ao estudo e aos treinos, ela também é professora de uma escola pública da comunidade quilombola de Coqueiros, no município de Ceará Mirim. Uma rotina agitada.

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“Não é fácil, e eu acredito que eu só consigo fazer tudo isso porque eu tenho realmente uma rede de apoio. Eu tenho meus pais, eu não moro mais com eles, mas eu tenho eles a todo momento, a toda hora que eu preciso. Eu tenho meu companheiro que também está pra cima e pra baixo comigo na hora que eu preciso. Sem eles eu não conseguiria˜, explica.
Além das horas dedicadas ao estudo e aos treinos, Laura Paiva também é professora de uma escola pública da comunidade quilombola de Coqueiros, no município de Ceará Mirim (RN) – Paulo José/CBDU/Direitos Reservados

Mesmo com as dificuldades para encaixar tudo na agenda, Laura não abre mão da prática esportiva e acredita que ela traga muitos benefícios pra rotina.

“A mente do atleta eu vejo como uma mente diferenciada. A gente pratica não porque espera um resultado financeiro, mas pelo que a gente sente, pelo que a gente quer alcançar, pelos sonhos. Quando a gente coloca algo na cabeça, está acima de tudo. A gente vai realmente atrás daquilo que a gente quer. E eu acredito que hoje eu só consigo fazer tudo isso, tanto na vida esportiva, de atleta profissional, quanto na acadêmica, por causa do esporte”, revela.

O amor da Laura pelo esporte acabou contagiando também os alunos dela. “A gente tem que pensar muito no esporte para além do alto rendimento, mas o esporte como parte do desenvolvimento humano”, acredita. Laura conta que começou um projeto de taekwondo na escola em que trabalha e mais de 25 alunos conseguiram se classificar para a fase final dos Jogos Escolares do Rio Grande do Norte (Jerns).

“Isso vindo de uma escola pública que é uma escola rural dentro de uma comunidade quilombola”, completa ela. Laura destaca que é gratificante ver o empenho dos alunos no esporte. “Eles conseguem viver ali aquela prática esportiva para além do que hoje em dia é muito comum pra adolescente, que são as redes sociais, as telas e tudo mais”, conclui.

* Verônica Dalcanal viajou a Natal à convite da Confederação Brasileira de Desportos Universitários.

TV Brasil e Canal Gov transmitirão Círio de Nazaré neste domingo

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) prepara uma ampla operação para transmitir ao vivo, no próximo domingo (12), o Círio de Nazaré, diretamente de Belém (PA). A cobertura envolverá três frentes: a TV Brasil, em parceria com a TV Cultura do Pará, emissora que integra a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP); o Canal Gov, em colaboração com o Ministério do Turismo; e a TV Brasil Internacional, que vai replicar a transmissão para ampliar a visibilidade global do evento.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan e Patrimônio da Humanidade pela Unesco, o Círio é uma das maiores manifestações religiosas do mundo, reunindo milhões de fiéis em procissão pelas ruas de Belém. A tradição, iniciada em 1793, é um marco da cultura amazônica e do turismo religioso brasileiro.

Das 7h às 8h, a TV Brasil transmite o início da procissão. Além do acompanhamento do percurso em tempo real, a programação contará com entrevistas realizadas em um estúdio panorâmico, reportagens sobre os símbolos e tradições do Círio e apresentações musicais ao vivo. A cobertura retorna às 12h com a chegada da imagem peregrina à Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, um dos pontos culminantes da celebração.

O Canal Gov e a TV Brasil Internacional vão exibir um programa especial diretamente da Casa do Turismo, com duração de 2h30, apresentando a procissão em tempo real, entrevistas com autoridades e conteúdos sobre turismo religioso e cultura paraense.

“O Círio é uma tradição religiosa encravada na história de Belém e para nós da EBC é um orgulho poder transmitir novamente essa manifestação genuína da cultura popular, em parceria com a TV Cultura do Pará e com o Ministério do Turismo, cumprindo uma das missões estipuladas em nossa lei de criação que é dar visibilidade nacional à diversidade cultural e regional do país”, afirma o Diretor-Geral da EBC, Bráulio Ribeiro.

A transmissão também destacará a importância do turismo religioso no Brasil, segmento que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano, segundo dados do Ministério do Turismo. Em 2025, o Círio ganha ainda mais relevância internacional por ocorrer no mesmo ano em que Belém sediará a COP30, conferência global sobre mudanças climáticas.

Serviço

Círio de Nazaré ao vivo

TV Brasil: das 7h às 8h e a partir das 12h 

Canal Gov e TV Brasil Internacional: das 10h às 12h30;

Disponível também pelo TV Brasil Play e nos canais oficiais da TV Brasil, Canal Gov e EBC Internacional. 

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Maratona circense no Museu do Pontal valoriza arte popular no Rio

Uma programação especial com espetáculos, intervenções e oficinas está no Museu do Pontal, no Rio, neste fim de semana para comemorar o Dia das Crianças. A Magia do Circo no Museu do Pontal tem mais de 15 atividades, que começaram às 10h e vão até as 18h. 

O picadeiro montado na praça jardim é um dos pontos de encontro. Neste domingo (12), às 15 h será apresentado o espetáculo Um solo de palhaço, com o palhaço Biribinha, personagem de Teófanes Silveira, que é o grande homenageado da festa. Em 2023 ele foi reconhecido pela Fundação Nacional de Artes vinculada ao Ministério da Cultura (Funarte/MinC) como Patrimônio Vivo de Alagoas e Mestre das Artes Brasileiras.

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A programação inclui ainda a apresentação solo Alecrim no Olho da Rua, pela primeira vez no Museu. O pesquisador e brincante Francisco Gomide traz a ancestralidade da companhia familiar Carroça de Mamulengos, criada em Brasília, em 1977. O espetáculo de dramaturgia popular tem músicas populares e o encantamento do circo. O público vai ver ainda o Mirabolante Homem Bola e o Circo-Teatro Saltimbanco, da tradicional Família Cericola, de Niterói, região metropolitana do Rio.

A diretora do museu, Angela Mascelani, destacou que também na maratona circense será a última chance dos visitantes verem a exposição O Circo chegou!, que conta com obras do acervo do Museu do Pontal e fotografias de nomes como Pierre Verger (França) e Walter Firmo (Rio de Janeiro). Ela lembrou que o público vai ver de perto os palhaços das festas brasileiras tradicionais,

“A exposição O Circo Chegou! marcou o primeiro ano do Museu do Pontal na nova sede. Traz o circo conhecido pela maior parte das pessoas, o circo da infância, o que entrou no imaginário e no cinema e traz o circo em diálogo com os palhaços que estão dentro das manifestações das culturas populares. É o palhaço que está na Folia de Reis, é também o que está no Bumba Meu Boi”, comentou à Agência Brasil.

Mesmo com o fim da exposição, a diretora promete que o circo não deixará de estar presente no Museu do Pontal. “Este ano que a gente está completando quatro anos na nova sede, a exposição se despede, mas o circo nunca se despede do Museu do Pontal, porque é um tema muito caro a nós, aos artistas populares e ao público em geral”, completou.

Ainda na exposição o público vai poder admirar uma atração especial que é o “menor circo do mundo”, obra da artista pernambucana Socorro Rodrigues, além dos conjuntos com diversos personagens dos artistas Antônio de Oliveira e Adauto, com bandas de música, equilibristas e bailarinas.

Museu do Pontal celebra o Dia da Criança e os quatro anos de sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. Foto: Ratão Diniz/Divulgação

Museu 

A Magia do Circo no Museu do Pontal vai celebrar os quatro anos da nova sede deste espaço cultural, que é considerado o maior e mais significativo museu de arte popular do Brasil. O acervo do Museu do Pontal é resultado de 45 anos de pesquisas e viagens por todo país do designer francês Jacques Van de Beuque, composto por mais de 9 mil peças de 300 artistas brasileiros, produzidas a partir do século XX.

O diretor executivo do museu, Lucas Van de Beuque, lembrou dos desafios que o espaço cultural precisou enfrentar ainda na sede antiga, com risco de perda do acervo por causa de enchentes frequentes no local em que estava localizado no Recreio dos Bandeirantes, também na zona sudoeste do Rio.

“Cada ano é muito especial diante dos desafios que a gente teve para estar na nova sede e salvaguardar o acervo. Mais que isso, quando eu e a Angela [diretora do museu, Angela Mascelani] idealizamos o conceito dessa nova sede, de um museu praça, um museu democrático, que tivesse exposições dos artistas de camadas populares, mas também tivessem shows, oficinas e fosse um espaço dos mestres da cultura popular brasileira, a gente não esperava que desse tão certo”, disse à Agência Brasil.

Segundo ele, nos últimos quatro anos o museu recebeu mais de 300 mil visitantes, quatro vezes mais do que recebia na antiga sede. Foram realizads 20 exposições e mais de 2 mil artistas para fazer mais de 850 espetáculos e oficinas.

O diretor já está planejando os próximos rumos do Museu. “Preparando as festas para os nossos cinco anos na nova sede e os cinquenta anos do Museu”, afirmou.

O Museu do Pontal, por meio da lei federal de incentivo à Cultura, tem entre os apoiadores a Shell patrocinador master, a Vale como patrocinador estratégico, e como patronos a Repsol Sinopec Brasil, a Ternium, a Tenaris e o Itaú, além da Prefeitura do Rio.

A sede do Museu do Pontal é na Avenida Celia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, Barra da Tijuca. O espaço cultural fica aberto de quinta a domingo, das 10h às 18h, sendo que o acesso às exposições se encerra às 17h30. 

Força Nacional do SUS reforça atendimento no Círio de Nazaré

Para dar maior apoio na realização do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) atuará, neste fim de semana, em diversos pontos do trajeto das procissões, em Belém. A ação tem como objetivo apoiar as secretarias estadual e municipal de Saúde no atendimento à população durante o maior evento religioso do estado, que reúne milhões de romeiros e visitantes.

Segundo o Ministério da Saúde, as equipes estarão em postos estratégicos, equipados para atendimentos de urgência e emergência, com estrutura semelhante à de hospitais de campanha. 

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Neste sábado (11), o trabalho ocorre durante o Círio Fluvial, com as equipes localizadas na Escadinha; na Transladação, com a força situada na Alfândega e Casa das 11 Janelas. No domingo (12), o trabalho segue durante a procissão do Círio na Casa das 11 Janelas e no Centro Arquitetônico de Nazaré.

Considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, o Círio de Nazaré é uma festa que mostra a devoção do povo paraense. A previsão é de mais de 2 milhões de pessoas na procissão deste domingo. 

Este ano, a maior procissão católica do mundo celebra a sua 233ª edição às vésperas da  30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30). 

A pasta informou ainda que a iniciativa também integra as ações de preparação do Ministério da Saúde para a COP30, fortalecendo a capacidade de resposta do sistema público a grandes eventos.

Romeiros que vão a Aparecida usam tendas de apoio em rodovias de SP

Mais de 36 mil romeiros foram atendidos nas tendas de orientação instaladas na Via Dutra pela concessionária RioSP,  uma empresa do grupo Motiva, desde a última segunda-feira (6) até a manhã deste sábado (11). Segundo a Motiva, só na Rota da Luz, 1.519 romeiros passaram pelas quatro tendas montadas entre Pindamonhangaba e Aparecida. 

A instalação das tendas faz parte do Projeto Romaria Segura 2025, com diversas ações para conscientização e segurança dos peregrinos que utilizam a Via Dutra para chegar ao Santuário Nacional de Aparecida, no período do feriado em homenagem à padroeira do Brasil.

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Ao todo são 23 pontos de orientação em locais estratégicos da Via Dutra (entre Arujá e Resende), principalmente próximos a passarelas, e na Rota da Luz, entre Pindamonhangaba e Aparecida. As equipes estão disponíveis 24h por dia, fornecendo informações e dicas de segurança, especialmente sobre o caminho que o pedestre e os ciclistas devem seguir. 

Além disso, os romeiros estão utilizando os pontos para descanso, que contam com cadeiras, totens para carregar celular, banheiros, e recebem também itens de segurança, como coletes e adesivos refletivos, e água.

Orientações 

Os romeiros que vão a pé até Aparecida são orientados a percorrer a estrada sempre no sentido contrário ao fluxo de veículos e caminhar em fila indiana. Além disso, os pedestres devem evitar a rodovia à noite. Caso opte pela caminhada noturna, devem utilizar roupas claras e itens refletivos. Em caso de chuvas, a orientação é a de interromper a caminhada e se abrigar em um local seguro, como postos de serviço e bases de atendimento. Os ciclistas devem pedalar no mesmo sentido da via, conforme legislação de trânsito.

Já os motoristas são orientados a redobrar a atenção neste período, reduzindo a velocidade, ficando atento às entradas e saídas da rodovia, nos acessos a postos de serviço ou vias locais, ter cautela nas ultrapassagens mesmo em locais permitidos, não acompanhar com veículo os romeiros que estão caminhando. Os veículos de apoio devem estacionar em postos de serviço ou áreas afastadas da rodovia e nunca no acostamento.

Santuário

No Santuário Nacional de Aparecida, a programação começou às 5h30, com o toque dos sinos, seguido de uma missa, às 6h. As missas acontecem durante todo o dia, com intervalos para cerimônias como a Escola de Maria, a Acolhida no altar central e a Novena da Tarde. À noite acontecem a Novena Solene, a Procissão Memória para a Capela São Geraldo e a Vigília Mariana.

A Vigília Mariana segue pela madrugada do domingo (12) e às 4h45 acontece o Toque dos sinos, seguido pela primeira missa do dia, que transcorre com missas entre os intervalos da Escola de Maria, Missa solene, um novo Toque dos Sinos, seguido da Missa das crianças. 

Às 15h é realizada a Consagração Solene, na Basílica Histórica. Às 18h os fiéis podem assistir à Missa de Encerramento, e participar em seguida da Procissão Solene que termina com um show pirotécnico.

Desde sexta-feira (10), o acesso ao Santuário Nacional e a visita à Imagem Original de Nossa Senhora Aparecida permanece aberto 24 horas por dia, até o encerramento das festividades. O objetivo é acolher os milhares de peregrinos que chegam de todo o Brasil para homenagear a Mãe Aparecida.

Plantão de Bênçãos

Durante os dias 11 e 12 de outubro, os religiosos, Missionários Redentoristas intensificam a acolhida aos devotos na Sala das Promessas, com o Plantão de Bênçãos em dois horários, 8h às 11h e 14h às 17h. O espaço que já recebe os objetos de devoção, também é dedicado à escuta, bênçãos e agradecimentos, reforçando a espiritualidade e o acolhimento do Santuário Nacional.

Todas as celebrações poderão ser acompanhadas pela Rede Aparecida de Comunicação, por meio da TV e Rádio Aparecida, como também pelo Portal A12 e redes sociais do Santuário Nacional.

Romaria fluvial antecede procissão do Círio de Nazaré, em Belém

Belém amanheceu neste sábado (11) com a romaria do Círio Fluvial, que faz parte das comemorações do Círio de Nazaré. Saindo às 9h do Trapiche do Distrito de Icoaraci rumo à Escadinha da Estação das Docas, a imagem Peregrina é levada a bordo do navio Garnier Sampaio, da Marinha do Brasil, responsável também pela organização e controle da romaria. 

A estimativa é que cerca de 50 mil pessoas e mais de 400 embarcações participam da romaria em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

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Considerada uma das mais belas procissões do Círio, a Romaria Fluvial acontece desde 1986. O trajeto tem duração aproximada de duas horas, com 10 milhas marítimas (cerca de 18,5 km). A chegada da Imagem Peregrina à Escadinha (Praça Pedro Teixeira) é marcada por honras de Chefe de Estado, uma vez que uma lei estadual de 1971 proclamou Nossa Senhora de Nazaré Padroeira do Pará e Rainha da Amazônia.

Ainda ontem, a maior procissão em extensão, com a imagem peregrina de Nª Sª de Nazaré havia percorrido 52,3 quilômetros, até as 18h sem incidentes. Neste sábado, tem mais procissões: a procissão rodoviária por 24 quilômetros, antecedeu a Romaria Fluvial e, depois, com haverá a moto romaria.

À noite ocorre a Trasladação, que dura cerca de 5 horas e meia e numa antecipação do que acontecerá amanhã, a partir das 6h, quando tem início a procissão mais importante do Círio, com cerca de 2 milhões de pessoas.

Procissão

Este ano, a maior procissão católica do mundo celebra a sua 233ª edição às vésperas da 30ª, Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-30), e por isso está sendo considerada a COP da floresta. 

Considerado patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, o Círio de Nazaré é uma festa que mostra a devoção do povo paraense e a previsão é de mais de 2 milhões de pessoas na procissão deste domingo (12).

Casa de Plácido

Local de abrigo, solidariedade, acolhimento e amor, a Casa de Plácido faz uma homenagem ao paraense agricultor e caçador Plácido José de Souza, que no ano de 1.700 encontrou a pequena imagem de Nossa Senhora de Nazaré, entre pedras lodosas às margens do Igarapé Murutucu – onde atualmente se encontra a Basílica -, no tronco de uma árvore.

Após o achado, Plácido levou a imagem para a sua choupana e, no outro dia, ela não estava lá. Correu ao local do encontro e lá estava a imagem da Santinha. E o fato se repetiu várias vezes. Plácido, então, construiu no local uma ermida. Mas para muito além da história, é na “Casa de Plácido” que o milagre da fé se corporifica no ritual do lava-pés uma demonstração de humanidade e doação.

Por ali passam as caravanas dos romeiros. Segundo a coordenadora da Acolhida da Casa de Plácido, Maria da Conceição Rodrigues, este ano são esperadas 18 mil pessoas que serão atendidas pelas equipes de voluntários que trabalham em revezamento.

“Estamos neste Círio com 530 voluntários, de diversas profissões de médicos, advogados, contador, pedreiros, desempregados, todas as profissões. Temos também estudantes de medicina e de fisioterapia trabalhando como massagistas. Somos 14 equipes de trabalho, atendimento, recepção, pessoal que dá a refeição, pessoal que cozinha”, explicou Maria da Conceição.

A Casa de Plácido presta atendimento para os romeiros do Círio. O local foi aberto oficialmente na quarta-feira (8) e fica aberto até amanhã (12), às 13h. Sendo reaberta na terça-feira (14) para o resto da quinzena do Círio. O fechamento ocorre para que os voluntários também consigam acompanhar a procissão de domingo. O local.

“Ano passado, tivemos 238 caravanas e foram 20.500 pessoas só de caravanas, de romeiros visitantes foram 11 mil. Nós acreditamos que essa expectativa vai aumentar, até quarta-feira quando a casa não estava aberta já tínhamos 212 caravanas inscritas e já tinha uma média de 18 mil pessoas”, disse. 

“Por exemplo, a pessoa chegou passando mal, ela vai direto para o serviço médico, se precisar tomar um soro, toma; se precisa de uma insulina, toma. Se o médico avaliar que o caso é mais grave, temos a ambulância e ela já faz o encaminhamento para o hospital”, descreveu.

Arte e devoção

O Círio de Nazaré é um evento de múltiplas dimensões, além de congregar, a fé, devoção e a renovação da esperança, o Círio está presente em cada canto de Belém e também no trabalho dos artistas, artesãos, que buscam traduzir a experiência. Uma dessas pessoas é a artista paraense Aline Folha, que produz diversas peças, como camisas, louças, entre outras, com o tema do Círio.

“Desde o começo do mês, eu já vivo o Círio. Eu vivo em estado de outubro, como o paraense gosta de falar. A gente tem essa coisa de esperar pelo cheiro da cidade que fica diferente, a energia das ruas, que fica diferente”, relata.

Este ano, Aline foi convidada a criar a ilustração das peças de comunicação e ativações do Círio para uma empresa de mineração. Sua obra transita pelos estados emocionais do cotidiano feminino, especialmente pela vivência do maternar, em uma busca por liberdade, acolhimento e possibilidade. A artista imprime em suas criações os rastros do processo artístico, o que evidencia a presença da água e do grafite na relação entre desenho e aquarela.

“O Círio para mim é uma experiência bastante pessoal. Tem alguma coisa de subjetivo e tem algo que a gente vive em conjunto, em comunidade, tem uma memória coletiva que faz a gente partir para nossas criações, nós artistas”, explica. “O que me emociona é o ritual que cada pessoa vive, o ritual de família de sair para ver a santa passar no mesmo cantinho todos os anos”, aponta.

Reconhecida por sua sensibilidade e autenticidade, Aline já foi convidada três vezes (em 2016, 2017 e 2022) para criar os mantos oficiais do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, maior manifestação cultural-religiosa do Pará. Em 2023 e 2024, foi escolhida por uma empresa para desenvolver as primeiras coleções de louças temáticas da festividade, intituladas Caminhos do Círio e Raízes de Fé, projetos que celebram a fé e a identidade paraense com traços delicados e simbólicos.

“As minhas principais inspirações vieram das sensações que o Círio provoca em quem o vivencia. Busquei representar esses sentidos aflorados e como eles podem despertar memórias afetivas e coletivas nessa grande festa paraense”, conta Aline. A arte criada este ano incorpora diversos elementos culturais como o tacacá, os brinquedos de miriti, os gritos de “viva, viva, viva”, os fogos de artifício e a figura feminina que acolhe uma criança. “ O principal desafio foi manter o aspecto aquarelado em uma arte que pudesse ser aplicada de formas e tamanhos diversos nas peças da campanha”, acrescenta.

Aline realizou as seguintes exposições individuais: “Elas”, no Espaço Cultural do TRT-8; “Elas Estampadas”, na Casa Oiam; “Florescer Mãe”, no Shopping Bosque Grão Pará; e “O Peso das Coisas Leves”, novamente no Espaço Cultural do TRT-8.

Atualmente, faz do seu atelier na capital paraense um espaço múltiplo, onde além de produzir também realiza cursos livres ou corporativos, e recebe o público, clientes e alunos.

 

*A repórter viajou a Belém a convite da Vale

Violência sexual é violação que mais vitima meninas, aponta pesquisa

De cada dez brasileiros nove (87%) destacam a violência sexual como o tipo de violação que mais vitima meninas. E é também considerada a mais comum no país por 43% da população. 

Os dados constam da pesquisa Percepções sobre violência e vulnerabilidade de meninas no Brasil, consolidada pelo Instituto QualiBest, a pedido da Plan Brasil. Os resultados foram divulgados por ocasião do Dia Internacional da Menina, celebrado neste sábado (11).

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Também foram bastante citadas no questionário aplicado, além da violência sexual, a física; a psicológica/emocional; e a online, que envolve os casos de cyberbullying, assédio e exposição de imagens na internet. Gravidez na adolescência, que pode, inclusive, ser resultante de um estupro, foi outro destaque (56%). 

A pesquisa coletou, por meio de formulário online, avaliações de 824 pessoas de todas as classes sociais e regiões do Brasil, das quais 433 eram mulheres e 381 homens. A proporção de pessoas que percebem a adultização de meninas como uma forma de violência também foi expressiva no levantamento, de 90% (61% acham que caracteriza totalmente uma violência e 29% que consiste apenas em parte).

Ana Nery Lima, especialista em gênero e inclusão, da Plan Brasil, alerta para as poucas menções de falta de acesso à educação (36%), casamento infantil (43%), trabalho infantil (46%) e negligência (48%). 

“Quando a gente fala de violência baseada em gênero, qual a primeira coisa que vem à cabeça? Agressão física. Mas a gente tem uma gama de outras violências, que, inclusive, leva à violência física e ao feminicídio como consequência”, argumenta, pontuando que o reconhecimento, por parte das vítimas, de qual tipo de violência sofreram é fundamental para poderem denunciar adequadamente. Assim como é importante entender como ocorre o ciclo de violência, caracterizado pelo aumento da tensão entre agressor e vítima, o cometimento e o período de lua-de-mel, que é quando o agressor promete mudar e pede desculpas, recomeçando tudo novamente, caso a vítima não rompa o vínculo.

Mais da metade (60%) das pessoas entrevistadas julgam que, na atualidade, as meninas estão “muito mais vulneráveis” do que há uma década. Tal sensação é mais intensa entre pais e mães (69%).

Aumento do uso da internet por adolescentes e o compartilhamento de fotos íntimas se tornou um perigo para muitos jovens – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Ambiente digital

É quase unânime, entre os mais de 800 respondentes, a opinião de que a internet e as redes sociais aumentam a vulnerabilidade de meninas (92%), e mais da metade (51%) dos participantes respondeu que seus filhos e filhas menores de 18 anos de idade mantêm perfis nas redes sociais, sendo o Instagram (80%), o WhatsApp (75%), o TikTok (57%) e o YouTube (49%) predominantes. Por mais de duas décadas no ar, o Facebook, que chegou ao Brasil na segunda metade dos anos 2000, hoje registra 47% da presença de crianças e adolescentes. Kwai e X (antigo Twitter) aparecem por último na lista, com 27% e 13%, respectivamente. 

De 359 entrevistados, 74% afirmaram publicar fotos de seus filhos ou filhas com menos de 18 anos de idade nas redes sociais. Pouco mais de um quarto (27%) as veicula com frequência, em perfis fechados, ou seja, vistos por amigos e familiares. Um terço (33%) diz colocar as fotos “raramente e de forma controlada”, enquanto 6% publicam em perfil aberto, tomando medidas que acreditam preservar suas filhas e filhos, como restringir comentários de seguidores. 

Um total de 8% sobem as fotos sem nenhuma restrição especial. Além disso, 92% do total de participantes do levantamento são a favor da responsabilização de adultos que tirem proveito financeiro da exposição de meninas na internet ou que as coloquem em risco no ambiente online.

Ameaças dentro de casa

Um aspecto constatado pela pesquisa, a partir da amostragem, é o de que a maioria da população (83%) indica a internet como o ambiente mais perigoso para as meninas. Muito mais do que suas próprias casas (33%), porcentagem que varia pouco quando se observam as respostas das participantes mulheres (37%). 

A constatação, segundo os pesquisadores, representa uma questão discutível, já que estatísticas sempre apontam que a maior parte das violências de gênero, seja contra meninas, seja contra mulheres adultas, acontece em suas residências e é praticada por conhecidos das vítimas, incluindo parentes e companheiros e ex-companheiros românticos. 

População indica a internet como o ambiente mais perigoso para as meninas – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

A diretora da SaferNet Brasil, Juliana Cunha, esclarece a controvérsia que faz com que muitas pessoas não vejam as residências como o principal local onde violências de gênero, que vão da sexual ao feminicídio, são consumadas. 

“Trata-se de algo arraigado cultural e, portanto, profundamente na sociedade brasileira e que explica por que os lares são considerados menos ameaçadores do que ruas e bairros (53%) e o transporte público (47%)”, explica.

“A gente ainda tem uma percepção de risco muito vinda do nosso imaginário de que o risco é esse adulto estranho. E a gente acaba não olhando para uma fonte de risco que é muito mais frequente, não só nos dados, mas nos relatos das vítimas também, que é alguém da mesma idade, ou seja, não necessariamente é um adulto, mas um par, às vezes, um adolescente, colega da escola, e, quanto à violência sexual, que vem de dentro de casa ou de pessoas de confiança”, diz Ana Nery Lima, especialista da Plan Brasil, cuja esperança está centrada em ações combinadas entre diversas esferas, para que instrumentos como o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA) funcione. 

Essa crença faz com que os próprios pais e mães tornem seus filhos e filhas suscetíveis, pois permitir o acesso a fotos de suas redes sociais não significa proteção efetiva, considerando que amigos e mesmo familiares podem ser abusadores e agressores, alerta Ana Nery. 

Uma a cada três crianças tem perfil aberto em redes – Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

“A gente acaba, de novo, incorrendo nessa percepção enviesada, fruto desse imaginário de que tem um pedófilo estranho no porão de casa, e, na verdade, não é nada disso. Essa violência tem acontecido entre os próprios adolescentes ou há um risco maior, probabilidade maior, [de ser perpetrada] por adultos que têm acesso à criança ou algum laço de confiança com a criança, e não é essa figura que a gente imagina que seja”, reforça a especialista. 

“É um familiar, um professor, alguém que a gente até admira, uma pessoa que tem prestígio. Os dados da internet têm que ser olhados sob essa mesma lente”, reforça.

Ana Nery Lima complementa dizendo que o quadro no país só vai mudar quando as pessoas assumirem que podem ser elas mesmas agressoras ou que os agressores estão em seu círculo social. 

“A gente precisa se assumir, entender que a nossa sociedade produz e reproduz essas violências, os machismos, a misoginia, que tem aumentado, infelizmente. Quando a gente olha para os dados, é uma situação complexa, porque ninguém quer se reconhecer cometendo uma violência. É óbvio que é ruim. Mesmo nas pequenas violências pequenas como nas institucionais, nas instituições, empresas, onde os salários são desiguais, mulheres e jovens são desrespeitadas desde seus primeiros trabalhos”, pondera. 

Deep fake e educação

Um dos meios de violação dos direitos de meninas que têm se difundido amplamente na internet, nos últimos anos, é o chamado deepfake, uma montagem feita com inteligência artificial generativa, em que se mistura o rosto de uma garota com o corpo de outra pessoa em contexto sexual, em uma pose sensual ou ato sexual, sem consentimento de ambas as retratadas. Essas imagens também podem ser completamente sintéticas, criadas sem a imagem de uma criança ou adolescente reais.

Na segunda-feira (6), a SaferNet Brasil divulgou um balanço sobre deepfake sexuais, exemplificando o que ocorre no país com 16 casos encontrados em escolas de dez das 27 unidades federativas, depois de analisar centenas de notícias de 2023 até o presente. O estudo foi financiado com verba do fundo SafeOnline, gerido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). 

Deepfake é um dos meios de violação dos direitos de meninas que têm se difundido amplamente na internet – Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Com a varredura do noticiário, a organização encontrou 72 vítimas e 57 agressores, todos com menos de 18 anos de idade, e descobriu que os estados com maior número de ocorrências são Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em quase todos os episódios, os crimes aconteceram em instituições de ensino particulares.

“O número de casos pode ser bem maior, pois a SaferNet recebeu informações e confirmou de forma independente mais três casos não noticiados pela imprensa, sendo dois no Rio de Janeiro e um no Distrito Federal, com pelo menos mais dez vítimas e um agressor identificados. Embora o número de casos identificados até o momento seja menor em comparação às ocorrências de imagens de abuso e exploração sexual sem o uso de IA, chama a atenção o fato de não haver, por parte das autoridades brasileiras, um monitoramento sobre a incidência desses crimes, nem se as investigações sobre esses casos têm avançado, dificultando a compreensão da real dimensão do problema”, diz a organização, que alimenta uma página com materiais que podem aproveitados por educadores e equipes pedagógicas e outra por meio da qual recebe denúncias.