Morre quarta girafa importada ilegalmente da África do Sul

Morreu no sábado (8) mais uma girafa de um grupo de 18, importadas ilegalmente da África do Sul, no final de 2021, pelo Bioparque do Rio.

Essa é a quarta morte registrada desde novembro de 2021, quando o grupo de animais veio para o Brasil sob os cuidados da empresa. 

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Dias após chegarem ao país, seis girafas tentaram fugir e três delas morreram durante a captura. Em março, a Justiça aceitou denúncia contra quatro pessoas envolvidas na importação dos animais.

Em nota, o Bioparque informou que análises de rotina constataram a presença de uma bactéria em seis animais. Cinco responderam ao tratamento, mais uma delas apresentou resistência e foi a óbito. 

Segundo a instituição, a causa da morte será confirmada após a necropsia, com o acompanhamento dos órgãos competentes.

As girafas, que deveriam ficar em um terreno em Mangaratiba apenas por um período de quarentena, já estão no local há mais de um ano e meio.

Petição

No final de semana, uma petição on-line ganhou força, após a divulgação da morte do animal. Organizado pela Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda), o documento pede que as autoridades providenciem um espaço maior que sirva como um santuário, longe da exposição pública, para que possam viver com dignidade.

O pedido já conseguiu a adesão de mais de 25 mil apoiadores. A meta é chegar a 35 mil. Só nas primeiras horas desta segunda-feira (10), mais de 240 pessoas tinham assinado a petição.

Clique aqui para assinar a petição.

*Com informações de Solimar Luz, repórter da Rádio Nacional do Rio de Janeiro

Iphan cria programa de bolsas para pesquisa do folclore

A portaria que cria o Programa de Incentivo à Produção do Conhecimento Técnico e Científico do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi publicada nesta segunda-feira (10), no Diário Oficial da União. O documento define as regras para a concessão de bolsas para a realização de projetos que tenham como foco o folclore e cultura popular brasileira.

As bolsas terão duração de dez meses e deverão ser concedidas todos os anos, em uma quantidade mínima de dois projetos, conforme disponibilidade orçamentária prevista pelo CNFCP.

Os valores a serem pagos aos bolsistas serão definidos pelos projetos, mas deverão ter como parâmetro as tabelas estabelecidas por instituições como Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

Para submeter um projeto, os candidatos precisam ser maiores de 18 anos, e desenvolver o projeto em Língua Portuguesa, caso seja estrangeiro. Os concorrentes não podem ser bolsistas em outra pesquisa durante a vigência do projeto e não ser agentes públicos em atividade.

Anualmente, cada concurso terá um edital que definirá a titulação dos candidatos para o perfil de bolsa, conforme programas, projetos e ações institucionais do CNFCP. Os projetos serão submetidos por e-mail junto com a documentação necessária para inscrição: cópias de documentos pessoas, formulário de inscrição e carta com justificativa de interesse em participar do concurso.

A seleção acontecerá em cinco fases eliminatórias e uma classificatória, sedo eliminatórias a homologação das inscrições, a análise da carta, a análise do projeto, a análise curricular e a entrevista. A soma de pontos obtidas nessas etapas classificará as propostas.

A portaria define também as regras para a comissão julgadora dos projetos, a revogação ou anulação do edital e a obrigação dos bolsistas ao longo do período de contrato.

De acordo com o Ministério da Cultura, o objetivo do programa é formar, treinar e capacitar profissionais e pesquisadores para atuar de forma técnica e científica no campo cultural, em especial das culturas populares e do patrimônio cultural.

Sobe para 31 número de municípios alagoanos em situação de emergência

Subiu para 31 o número de municípios em situação de emergência, em decorrência dos estragos causados pelas chuvas intensas que atingiram o estado de Alagoas nos últimos dias. No domingo (9), o governador Paulo Dantas (MDB) publicou decreto incluindo as cidades de Barra de Santo Antônio e Passo de Camaragibe à lista de cidades em situação emergencial. Esse número vai chegar até 32 podendo ir até 33.

O último boletim da Defesa Civil do estado, divulgado nesta segunda-feira (10), apontou que as chuvas que caíram em Alagoas desde sexta-feira (7) deixaram 3.578 pessoas desabrigadas e 20.458 desalojadas em todo estado. O município de Matriz de Camaragibe é o mais afetado, com 390 desabrigados e 3.158 desalojados. No município de Joaquim Gomes uma pessoa morreu.

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O levantamento informa ainda que Matriz de Camaragibe é o município com o maior número de pessoas atingidas, com 3.548 no total, sendo 390 desabrigados e outros 3.158 desalojados. Em seguida aparecem Marechal Deodoro, com 3.004 pessoas afetadas; São Miguel dos Milagres, com 2.860 pessoas afetadas; União dos Palmares 2.302; Rio Largo, 2.108; Atalaia, 1.624; Cajueiro, 1.336; Murici, 1.200, e Jacuípe, 1.040 pessoas afetadas.

Segundo a Defesa Civil, há também desabrigados e desalojados em cidades que não decretaram situação de emergência. São 13 desalojados em Feliz Deserto, 47 desalojados em Jequiá da Praia, 211 desabrigados e 116 desalojados, em Maceió, 12 desabrigados e 78 desalojados em Porto Calvo, 11 desabrigados e 63 desalojados em Santa Luzia do Norte e2 desabrigados e 2 desalojados Teotônio Vilela.

Em resposta à Agência Brasil, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) disse que está acompanhando, junto ao estado e municípios, as ações de resgate, de atendimento à população afetada e o levantamento dos danos humanos. A assessoria informou que já há um panorama inicial de danos, mas como as ações emergenciais estão em curso, os dados estão em constante atualização.

“Até o momento, já foi feito o reconhecimento federal de situação de emergência em 22 cidades e o Grupo de Apoio a Desastres já está em Alagoas para auxiliar na elaboração dos planos de trabalho. Após o reconhecimento da situação de emergência ou estado de calamidade pública e a aprovação dos Planos de Trabalho apresentados pelas prefeituras, é feita a liberação de recursos para as cidades afetadas”, informou a pasta.

Nesta terça-feira (11), uma comitiva do governo federal, liderada pelo ministro da da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, estará em Alagoas para avaliar os danos e prestar apoio às vítimas.

Pernambuco

Em Pernambuco, o número de cidades em situação de emergência também subiu. Agora são 15 municípios da Zona da Mata Sul afetados pelas fortes chuvas. Segundo a Defesa Civil do estado, 2.862 pessoas foram atingidas pelas chuvas, das quais 2.447 estão desalojadas e 415 desabrigadas.

Até o momento, 19 cidades pernambucanas foram afetadas: Água Preta, Amaraji, Barreiros, Belém de Maria, Buíque, Camutanga, Catende, Correntes, Cortês, Ipojuca, Jaboatão dos Guararapes, Jaqueira, Joaquim Nabuco, Palmares, Paulista, Quipapá, Rio Formoso, Sirinhaém e Tamandaré.

O ministério informou que o ministro Waldez Góes já entrou em contato com a governadora, Raquel Lyra (PSDB), para prestar apoio e colocar a pasta à disposição para as ações de resposta.

Polícia Federal combate financiadores de garimpo ilegal em Roraima

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta segunda-feira (10), a Operação Frutos do Ouro, para investigar um grupo criminoso ligado ao financiamento de garimpo ilegal em Roraima. Os suspeitos podem estar relacionados à apreensão de mais de cinco quilos  de ouro no Aeroporto de Boa Vista, em 2019, e teriam movimentado aproximadamente R$ 80 milhões. 

De acordo com a PF, as investigações tiveram início a partir da prisão de uma pessoa que tentava embarcar com mais de 5 quilos de ouro no Aeroporto de Boa Vista, com destino a Campinas (SP). “O inquérito policial identificou uma rede dedicada à exploração de ouro extraído da Terra Indígena Yanomami e à lavagem de dinheiro”, diz nota da Polícia Federal. 

Joalheria é investigada

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O inquérito investiga, ainda, uma joalheria, em São Paulo, com mais de R$ 50 milhões de movimentação financeira. Ela teria enviado valores ao suspeito responsável pelo ouro apreendido em 2019. Outro investigado teria recebido salários que somam aproximadamente R$ 5 mil e mais de R$ 15 milhões em movimentações financeiras. 

O grupo criminoso utilizaria uma empresa de comércio de frutos do mar, localizada na capital de Roraima, para movimentar parte do dinheiro utilizado na aquisição do ouro. Mais de 30 policiais cumprem cinco mandados de busca e apreensão em Boa Vista e em São Paulo, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal, em Roraima.

Setor cervejeiro no Brasil cresce quase 12% em 2022

O setor cervejeiro no Brasil cresceu quase 12% no ano passado. Em todo o país, já são mais de 1.700 estabelecimentos. As informações fazem parte do anuário da cerveja, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária.

O estado de São Paulo tem o maior número de cervejarias registradas (387), seguido pelo Rio Grande do Sul (310) e Minas Gerais (222). Atualmente, o Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, atrás apenas da China e Estados Unidos.

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Neste ano, o volume de vendas no território nacional deve chegar a 16 bilhões de litros, 4,5% a mais em relação a 2022, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja. Segundo o presidente da entidade, a padronização de regras do setor contribuiu para esses resultados.

Empregos

Esse mercado cada vez mais profissionalizado não é a única vantagem da expansão do setor no Brasil. É que a cerveja gera emprego e renda na localidade em que é feita. Em todo o país, essa cadeia produtiva é responsável por dois milhões de vagas diretas e indiretas.

Sem falar que, quanto menos a bebida viaja da fábrica ao consumidor, melhor a qualidade do produto. É o que explica Pedro Capozzi. A empresa dele produz, no Distrito Federal, 260 mil litros de cervejas artesanais por ano.

Além da qualidade, as cervejas brasileiras são inovadoras nos sabores e podem levar frutas vermelhas, castanha de baru, alecrim, tomate e até limão e cúrcuma, trazendo cada vez mais o estilo brasileiro para cerveja – uma bebida milenar.

Brasileiro: Botafogo suporta pressão, bate Grêmio e segue soberano

O Botafogo visitou o Grêmio em Porto Alegre na noite deste domingo (9), suportou a pressão do adversário no primeito tempo e garantiu a vitória nos 15 minutos finais da partida, válida pela 14ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. O meia Eduardo e o atacante Carlos Alberto marcaram para o Alvinegro carioca, que chegou a 36 pontos, ficando 10 à frente do Flamengo, segundo colocado. Já o Grêmio perdeu a invencibilidade de 23 jogos na temporada, segue com 26 pontos na tabela e caiu para a terceira posição no Brasileirão. 

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O Tricolor gaúcho ditou o ritmo de jogo, foi mais criativo no primeiro tempo, e teve boas chances de abrir o placar devido às dificuldades de marcação da equipe alvinegra. Aos 22 minutos, o atacante uruguaio Luis Suárez chutou com perigo de dentro da área, mas a bola foi para fora. Dois minutos depois, em cobrança de falta, o Glorioso teve a melhor oportunidade de abrir o placar. O meia Eduardo levantou para Cuesta, que cabeceou para Tiquinho no meio da área mandar para o fundo da rede. No entanto, o VAR interveio e anulou o gol do Botafogo, devido a impedimento de Cuesta na jogada. O Grêmio seguiu pressionando, mas falhou nas finalizações. 

Na volta do intervalo, o Tricolor enfileirou várias chances de inaugurar o marcador. A primeira delas, aos quatro minutos, em uma bomba desferida pelo uruguaio Suárez na trave do gol de Lucas Perri. Sete minutos depois, Perri defendeu uma bola venenosa de Reinaldo, e repetiu grande defesa em ouro chute de Suárez, aos 28. No minuto seguinte, em meio ao sufoco, foi o Glorioso que abriu o placar na Arena Grêmio. Di Plácido cruzou para Eduardo dentro da área acertar um chute de chapa. O gol alvinegro baqueou a equipe tricolor. Aos 43 minutos, o paraguaio Segóvia interceptou o passe errado do lateral Reinaldo, passou a bola para Marlon, que rolou para para Carlos Alberto ampliar para o Fogão: 2 a 0. 

Outros resultados

Mais cedo neste domingo (9), o Santos derrotou o Goiás por 4 a 3 na Vila Belmiro – sem a presença de torcida por punição do STJD -, subiu para 13ª posição na tabela (16 pontos). Já o Esmeraldino segue em 17º lugar, na zona de rebaixamento (Z4), com 17 pontos. 

O Peixe chegou a fazer 3 a 1 no primeiro tempo, com dois gols de Marcos Leonardo e um de Mendonça. O Goiás descontou no final da Guilherme Marques. No segundo tempo, o Esmeraldino reagiu: Guiilherme Maques marcou o segundo dele no jogo e João Magno deixou tudo igual na Vila Belmiro. Já aos 44 minutos, o árbitro anotou pênalti de Lucas Hater no zagueiro alvinegro Joaquim. O lance foi revisto pelo VAR que confirmou o pênalti,  Mendonza cobrou e converteu para o Peixe, garantido o triunfo por 3 a 2.

Na Arena Castelão, o Fortaleza bateu o Athletico-PR por 1 a 0 com gol de Pikachu no segundo tempo. Com o triunfo, a equipe comanda pelo técnico argentino Juan Pablo Vojvoda subir quatro posições: está em sétimo lugar, a apenas um ponto de entrar no G6.

O Red Bull Bragantino também entrou em campo neste domingo (9), mas empatou sem gols contra o São Paulo, no Estádio Nabi Abi Chedid. O time de Bragança Paulista segue em sexto lugar na tabela, com 24 pontos, já o Tricolor paulista caiu para a oitava posição, com 22 pontos.

Festival Latinidades termina em Brasília valorizando mulheres pretas

Sabedoria, narrativas sobre a afro-ancestralidade e o poder das mulheres negras e indígenas, trocas de vivências, além de canto, dança e percussão, no chão de terra batida. Essa foram as marcas do último dia do 16° Festival Latinidades, etapa Brasília, que ocorreu neste domingo (9), da casa de religião de matriz africana Ilê Asè Oya Bagan, localizada na cidade do Paranoá, a 25 km do centro da capital federal. 

Em uma gira de conversa, três palestrantes debateram sobre o Bem Viver Ubuntu, nas relações entre as pessoas, pautadas pelos valores da coletividade, do respeito, solidariedade e empatia.  

Natureza não é mercadoria

Brasília, DF 09/07/2023 Nilma Bentes participa de Gira de conversa no encerramento do Festival Latinidades. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/

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A engenheira agrônoma, ativista negra e propositora da Marcha das Mulheres Negras, Nilma Bentes, relatou os desafios para mobilização do público para realizar a primeira marcha, que desde sua concepção, em 2015, buscou ser um protesto contra o racismo, a violência, a desigualdade social e de gênero no Brasil, pelo bem viver.

A ativista negra defende que não é aceitável haver mercantilismo sobre elementos da natureza e citou a terra, os minérios, águas e corpos humanos. Para ela, é preciso diminuir o consumismo para preservar a vida e o planeta. “A colaboração deve estar acima da competição. E economia tem que ser subordinada à ecologia, não é o contrário. A economia tem devastado muito”. 

Nilma Bentes defendeu uma mudança de paradigmas: ao invés das pessoas buscarem o sucesso, devem voltar-se ao autocuidado e o cuidado com os outros. “É preciso cuidar do planeta, da florestania. A humanidade precisa ser respeitada”. Ela destaca o conceito de florestania como uma afirmação de possibilidade de vida cidadã dentro da floresta.

Bentes se disse agnóstica e deixou o questionamento sobre a opressão ao feminino. “Se metade da humanidade são mulheres, e a outra metade são filhos delas, por que existe essa hegemonia do masculino?”. 

Ética amorosa  

Brasília, DF 09/07/2023 Carla Akotirene e Mãe Beth de Oxum na Gira de conversa no encerramento do Festival Latinidades. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/

Assistente social do sistema prisional baiano e doutora em estudos feministas pela Universidade Federal da Bahia, Carla Akotirene, destacou que é uma decisão política estar na militância pela valorização dos negros e quem rege essa luta é o amor. “A gente só recebe pedradas, recebe achincalhamentos, chacotas. O que é totalmente oposto à epistemologia de Oxum, se for considerada a ética amorosa que está dentro do terreiro e a conexão da água à nossa ancestralidade. E a gente confia em ogum, na justiça, respeita as crianças, os mais velhos. A ética amorosa está na filosofia dos terreiros”. 

Após estudos, orientações da família e do terreiro que frequenta, a militante disse entender que os saberes não estão apenas retidos às pessoas que tiveram acesso ao ensino superior. E que é preciso olhar para os antepassados.  

“Eu penso que o Sankofa dos mais novos está com torcicolo, porque há uma dificuldade tremenda em olhar para trás. A gente não tem se tratado como divindade. Estão se tratando como ‘eu-tidade’, visto que tudo que estão fazendo é mais importante do que os mais velhos fizeram. Então, a tecnologia acaba imprimindo a ideia de que o que os mais velhos fizeram é ultrapassado, obsoleto e não merece reverência. Isso pra mim é muito perigoso”.

Sankofa é o símbolo africano representado por um pássaro com a cabeça voltada para trás, para recordar erros do passado, para que não voltem a ser cometidos. Acredita-se que esse olhar para o passado serve para adquirir conhecimento e sabedoria.

Oralidade  

A Iyalorixá do Ilê Axé Oxum Karê, mestra coquista e comunicadora pernambucana de Olinda, Beth de Oxum, destacou o poder da oralidade para transferência de saberes pelos mais velhos e valorização das mulheres, sobretudo daquelas de terreiros de religiões de matriz africana. Ela pede que as pessoas andem descalças na terra para que possam sentir o sagrado.

“Devido à força que há na terra, esta não pode ser vendida, nem comprada. E a disputa de terra é uma das coisas mais perversas que a humanidade atravessa. Os povos originários, tanto os indígenas, como os povos de terreiros, a gente compreender a terra como algo extremamente coletivo”. 

Beth de Oxum também destaca a força feminina valorizada pelas religiões de matriz africana. “O poder de nutrir é das mulheres, desde o gerar da vida e a amamentação. Nos terreiros, a mulher é a força. O terreiro é o matriarcado. Já o patriarcado está no sistema que se apropriou de tudo”. 

A Iyalorixá pernambucana repeliu o racismo e a discriminação religiosa. “Ninguém pode ser humilhado, nem ser escarnecido e vilipendiado perante sua fé. Mas é o que acontece todos os dias e todas as noite. E ninguém faz nada”, lamenta Beth de Oxum. 

Impressões 

A responsável pelo terreiro Ilê Asè Oya Baga, que recebeu as atividades do último dia do 16° Festival Latinidades, mãe Baiana, disse que a casa está de portas abertas e citou os orixás do candomblé. “Ilê Asè Oya Baga é a casa que acolhe, que sempre está de portas abertas. Cada um que passa naquela porteira, Exu recebe. Cada um que chega aqui dentro, Iansã acolhe. E no meio caminho, Ogum cai para dentro das batalhas e livra cada um de nós de todos os males”. 

A mediadora da gira de conversa, a produtora de conteúdo digital Janaína Costa, de 30 anos, disse que voltará ao Quilombo do Macuco, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, impactada pelo que ouviu das mulheres painelistas. “Estou indo para casa agora, literalmente, com muito mais perguntas, mais sede de saber mais sobre mim, sobre a minha própria história e me conectar. Então, tudo que foi dito sobre conexão com a natureza, com a terra, me ajudará a chegar em casa e a olhar com muito mais atenção e com mais beleza, porque sempre esteve lá”. 

A mestre de cerimônia do Festival Latinidades desde 2011, Maria Paula Andrade Sato, fez um balanço da 16ª edição, que ocorreu em Brasília desde quinta-feira (6). “Houve muita potência e amor. É a prova viva de que nós, mulheres, todas juntas, sejam mulheres negras, mulheres indígenas, latinas, somos as donas disso tudo, dessa roda toda, desse mundo. Tudo isso só gira porque tem a nossa força feminina. Por isso, temos que estar em todos os espaços: nas políticas públicas, na televisão, no judiciário, em todos os espaços. Temos o poder de curar, porque o que não falta em nós, mulheres, é o amor”. 

Encerramento 

Brasília, DF 09/07/2023 Show da Mestre Martinha do Coco na Gira de conversa no encerramento do Festival Latinidades. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/

A apresentação da mestra Martinha do Coco com tambores, cantas e danças em roda com todos os presentes no terreiro Ilê Asè Oya Bagan encerrou o 16 Festival Latinidades, etapa Brasília. Nos momentos finais, a diretora Geral do Latinidades, Jaqueline Fernandes, conversou com a reportagem da Agência Brasil e avaliou que o festival acerta em estar em vários espaços representativos. “Acho que ser o maior festival de mulheres negras da América Latina é poder estar, também, em espaços da micropolítica, em ilês, em terreiro de axé como este de hoje. Então, nem sempre ser maior é estar como estivemos ontem, com milhares de pessoas, na Esplanada dos Ministérios. Estou muito orgulhosa por essa edição do Latinidades”.

Pela primeira vez desde que foi criando, em 2008, o Festival Latinidades terá programação em outras três capitais, além de Brasília: Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O festival chega ao Rio de Janeiro em 15 julho. Estão previstos cortejo, painéis, rodas de conversa e lançamento literário. Confira a programação oficial no site do evento. As inscrições são gratuitas. 

Basquete: Brasil encara EUA à noite por título inédito na AmeriCupW

A seleção brasileira feminina está a apenas uma vitória de conquistar o título inédito da AmeriCup, a Copa América de Basquete, em León (México). Invicta na competição, a equipe comandada pelo técnico José Neto encara os Estados Unidos na final, a partir das 21h30 (horário de Brasília) deste domingo (9). As seleções já se enfrentaram no quarto e último jogo da  primeira fase, e as brasileiras levaram a melhor sobre as norte-americanas por 67 a 54. Além de avançar à final ao vencer Porto Rico na semi por 85 a 74 na noite de sábado (8), o Brasil ficou mais perto dos Jogos de Paris 2024 ao garantir vaga direta no Pré-Olímpico Mundial.

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Pelos critérios da Federação Internacional de Basquete (Fiba), o campeão da AmeriCupW garantiria vaga direta na competição classificatória à Paris. Como os Estados Unidos já estão assegurados em Paris, mesmo em caso de revés do Brasil nesta noite, o país permanece com a vaga no Pré-Olímpico Mundial. Ao todo, serão 10 vagas em disputa por um total de 14 equipes. Além dos Estados Unidos, a França também carimbou o passaporte para Paris 2024 por sediar o evento. 

“Estamos muito felizes pela classificação para a final, mas viemos para sermos campeões. As jogadores não desistiram da partida em momentos algum. Não perderam a cabeça. Fomos para o intervalo atrás, mas em todos os momentos nós tivemos a mente positiva de que iríamos buscar a virada e a vitória. Elas estão de parabéns, o corpo técnico do Brasil também, que trabalhou muito para que a Tainá pudesse estar em quadra. É descansar e preparar para a decisão – disse o técnico José Neto em depoimento ao site da Confederação Brasileira de Basquete (CBB). 

Na vitória contra Porto Rico na semifinal, as maiores pontuadoras foram a ala/pivô Damiris (24 pontos/ cinco rebotes), a ala/armadora Tainá (17 pontos/três rebotes), a ala Emanuely (13 pontos), e a pivô Kamilla (oito pontos/quatro rebotes).

“Sei que tenho um papel muito importante para o Brasil, mas temos grandes jogadoras que podem ajudar quando precisamos. Estou ciente da minha responsabilidade, mas sei que minhas companheiras também podem dar conta do recado – disse Damiris, após a classificação à final. 

O Brasil subiu ao pódio nas duas últimas edições da AmeriCupW: em ambas foi medalha de bronze. Além da vaga ao Pré-Olímpico Mundial, a competição distribui quatro vagas para o Pré-Olímpico das Américas, ainda este ano. 

De olho em Paris 2024

A Olimpíada reunirá apenas 12 seleções femininas. Duas vagas já estão definidas: uma dos Estados Unidos, por conta do título mundial, e a da França por ser o país-sede. Mesmo classificados, os dois países disputarão as competições qualificatórias. O Pré-Olímpico Mundial, que distribuirá 10 vagas, ocorrerá no primeiro semestre de 2024, em quatro torneios com quatro times cada (quatro das Américas, dois da África, quatro da da Ásia e seis da Europa). Os três melhores de cada torneio irão a Paris 2024. Os grupos que tiverem França e EUA darão 2 vagas, já que os dois estão garantidos. 

Resultados do Brasil na AmeriCupW

Primeira fase 

1 de julho – Brasil 92 x 53 Cuba

2 de julho – Brasil 90 x 76 Venezuela

3 de julho – Brasil 56 x 55 Argentina

4 de julho – Brasil 67 x 54 EUA

Quartas de final

7 de julho – Brasil 83 x 61 México

Semifinal

8 de julho -Brasil 85 x 74 Porto Rico

Número de turistas estrangeiros no Brasil cresce 108% em 2023

O Brasil recebeu 2,97 milhões de turistas internacionais nos cinco primeiros meses de 2023. O número é 108% maior do que o registrado de janeiro a maio do ano passado. Segundo o Ministério do Turismo, o mês de maio foi um dos destaques: mais de 292,3 mil pessoas visitaram o país, o que representa aumento de 44,5% em relação ao mesmo mês em 2022.

A maior parte dos turistas internacionais veio da Argentina (1,24 milhões), dos Estados Unidos (271,1 mil) e do Paraguai (215,5 mil). Juntos, turistas dos três países formam quase metade dos estrangeiros que visitaram o Brasil. Entre os dos cinco primeiros, aparecem ainda o Chile (197,8 mil) e o Uruguai (184,9 mil).

Os destinos mais procurados no Brasil foram: Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

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Para a ministra do Turismo, Daniela Carneiro, os números refletem as mudanças políticas que ocorrem no país. “Temos registrado recordes na entrada de visitantes internacionais, [o que é] fruto de diversas ações do governo, como a reaproximação do Brasil com o mundo e a nova imagem do país perante a sustentabilidade e a preservação ambiental. Isso tem nos consolidado como um destino promissor, oferecendo uma experiência única e inesquecível aos visitantes de todas as partes do mundo”, afirmou.

Sobre a movimentação da economia com o turismo, os números também mostram crescimento. No acumulado dos cinco primeiros meses, os turistas estrangeiros deixaram no país US$ 2,721 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões). O volume é 35,9% maior do que o obtido no mesmo período do ano passado.

Só em maio, foram US$ 567 milhões, considerado o maior volume para o mês da série histórica. No ano passado, o valor gasto pelos turistas em maio havia sido de US$ 373 milhões.

Congresso concentra atividades da semana em comissões

Após aprovar a reforma tributária, nesta semana, a Câmara de Deputados se concentrará nas atividades dos colegiados do Congresso Nacional, com destaque para a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas de 8 de Janeiro. Na manhã de terça-feira (11), a CPMI ouvirá o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid. Preso desde o dia 3 de maio, Cid será questionado sobre mensagens e documentos com teor considerado golpista encontrados em seu celular.

As mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Mauro Cid foram tornadas públicas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As mensagens apontam para a elaboração de um plano de golpe com decretação de estado de sítio, suspensão da atual ordem constitucional, possível afastamento de ministros do TSE e a convocação de novas eleições.

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Havia também diálogos de Cid com outros militares da ativa, nos quais eram apresentadas supostas justificativas para um possível golpe.

Além da CPMI, os deputados e senadores foram convocados para uma sessão do Congresso Nacional, que vai analisar diversos vetos presidenciais, também na terça-feira (12).

Como, até o momento, não há previsão de sessão deliberativa do plenário da Câmara, os deputados devem participar apenas das reuniões das comissões parlamentares.

Ainda na terça-feira, os trabalhos se concentrarão nas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, que debaterá a Política Nacional de enfrentamento aos crimes transfronteiriços; do Esporte, que vai abordar a readequação de velocidades para a segurança de pedestres e ciclistas; de Saúde, que avaliará o tratamento para Distonia no Sistema Único de Saúde (SUS); de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Indústria, Comércio e Serviços, com debate sobre os impactos do regulamento da União Europeia contra o desmatamento.

Já as comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Indústria, Comércio e Serviços; de Administração e Serviço Público se reunirão para discutir e votar propostas legislativas.

Na quarta-feira (12), a comissão de Viação e Transportes vai tratar da atuação do Exército como executor de obras de infraestrutura; a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação, dos impactos e perspectivas de revisão do novo Marco Legal da Inovação; a de Desenvolvimento Econômico, sobre sanções administrativas previstas para casos de vazamento de dados pessoais e a de Defesa do Consumidor, da manipulação de informações das Big Techs contra o Projeto de Lei das Fake News (PL 2.630/20).

As comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional; de Defesa do Consumidor; de Viação e Transportes; de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; do Esporte de Fiscalização Financeira e Controle; de Ciência, Tecnologia e Inovação; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família e de Cultura terão discussão e votação de propostas legislativas.

Na quinta-feira (13), não haverá atividade dos colegiados.

Senado

Já no Senado, a semana começa com sessão deliberativa do plenário, que será realizada de forma semipresencial na terça-feira. Na pauta, projetos que tratam da instituição do Programa Escola em Tempo Integral; de Conselhos Escolares e de Fóruns dos Conselhos Escolares; da implantação do serviço de monitoramento de ocorrências de violência escolar; da formação técnica profissional e tecnológica e de articular a formação profissional técnica de nível médio com a aprendizagem profissional; e do acesso a bolsas de pesquisa, desenvolvimento, inovação e intercâmbio para alunos, docentes, ocupantes de cargo público efetivo, detentores de função ou emprego público.

Na quarta-feira, também haverá sessão deliberativa do plenário semipresencial para tratar da autorização da ozonioterapia no território nacional; para estabelecer a inexistência de vínculo empregatício entre confissão religiosa, incluídos igreja, instituição, ordem ou congregação, e seus ministros, pastores, presbíteros, bispos, freiras, padres, evangelistas, diáconos, anciãos ou sacerdotes.

Os senadores também se revezarão nos trabalhos das diversas comissões que terão atividades até quinta-feira.

Série D: Vitória bate Real Ariquemes em clássico capixaba e segue vivo

O domingo (9) foi de clássico capixaba na 12ª rodada da Série D do Campeonato Brasileiro. O  Vitória-ES levou a melhor em casa por 2 a 0 sobre Real Noroeste-ES, pelo Grupo 6. O meia João Paulo abriu o placar no fim do primeiro tempo, e o lateral-direito Breno Santos ampliou após o intervalo. A partida no estádio Salvador Venâncio, em Vitória, foi transmitida ao vivo na TV Brasil.

O triunfo do Alvianil na antepenúltima rodada da primeira fase aproximou o time da zona de classificação (G4): foi a 14 pontos, subiu para quinto lugar na tabela e agora está a quatro de alcançar o Santo Andrè (4º) .Já o Real Noroeste, atual tricampeão estadual, é o lanterna, com apenas cinco pontos. O Athetic Club-MG (26 pontos) é o líder, seguido de Portuguesa-RJ (25) e Democrata GV-MG (21).  Os quatro primeiros colocados de cada chave – são oito grupos, com oito times cada – avançam à segunda fase da competição (jogos de ida e volta).

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Jogando com o apoio da torcida no estádio Salvador Venâncio, o Vitória-ES enfrentou dificuldades com a marcação adiantada do Real. A melhor chance do Alviazul abrir o placar surgiu aos 19 minutos, após cruzamento de Tony na medida para João Paulo que cabeceou certeiro, mas o goleiro Neguete fez uma defesa salvadora. Mais fechado, o Real Noroeste chegou a tentar alguns contra-ataques pelas laterais, mas quem balançou a rede primeiro foi mesmo João Paulo. Ele disparou com a bola em um contra-ataque, tabelou com Rony, driblou o goleiro Negrete e chutou para o fundo da rede. Após levar o gol, o Real amassou o Alvianil e por muito pouco não chega ao empate. Aos 44 minutos, após escanteio, Matheu Paulista levou a melhor na dividida com Teco e chutou na trave. Já nos acréscimo, Juninho Potiguar desferiu um chute cruzado e o goleiro Vitão foi na bola e evitou o empate do Real.

Após o intervalo, logo aos três minutos, o Vitória-ES partiu em contra-ataque. Maicon Esquerdinha lançou para Teco, que chutou cruzado, mas Negrete fez outra defesa magistral. Do lado do Real, a melhor oportunidade foi aos 16 minutos: Juninho Potiguar arriscou um chute cruzado e o goleiro Felipe evitou e mandou para escanteio. Na sequência, aos 19, Tony recebe a bola do lado esquerdo da área, dribla a defesa e cruza com precisão para Breno Santos Vitória-ES ampliar e selar o triunfo por 2 a 0.

Próxima rodada

Já sem chances de classificação, o Real Noroeste-ES e Nova Iguaçu-RJ se enfrentam no próximo sábado (15), às 11h ( horário de Brasília), no estádio Jânio Moraes, no Rio de Janeiro. A partir das 15h, o Vitória-RS recebe o Santo André-SP, na capital capixaba. 

Movimento Negro Unificado completa 45 anos de luta contra o racismo

O Movimento Negro Unificado (MNU) completou esta semana 45 anos de história de lutas em defesa do povo negro em todos os aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais. O próprio lançamento público foi histórico: o ato de fundação do MNU, em 7 de julho de 1978, reuniu mais de duas mil pessoas em frente às escadarias do Theatro Municipal de São Paulo, em plena Ditadura Civil-Militar (1964-1985), cena que entrou para a história do país.

As atividades do movimento dialogam com o conceito Sankofa, originado de um provérbio tradicional entre os povos de língua Akan da África Ocidental, que diz: se wo were fi na wosan kofa a yenki, que pode ser traduzido por “não é tabu voltar atrás e buscar o que esqueceu”, e representa o olhar para o passado para a construção de um futuro.

Ao longo da história, o MNU tem avançado com a pauta antirracista, a começar com a definição do que é ser negro, explica a integrante da coordenação nacional do movimento, Simone Nascimento.  

“O MNU contribuiu na compreensão de várias questões, inclusive com o IBGE, com o próprio reconhecimento de negro na sociedade, tirando aquelas variações de tom de peles que existiam e que faziam parte do mito da democracia racial. Nos levou à compreensão de que a população negra é a maioria no Brasil e, portanto, precisa de reparação histórica, políticas públicas pensadas na superação do racismo”. 

O feminismo negro é outra frente, completa Simone. “O movimento contribuiu com a compreensão da tripla exploração contra a mulher negra e portanto, contra todas as mulheres, com proteção da exploração sexual, o machismo e a desigualdade salarial. Então, o MNU pauta essa questão do feminismo, o movimento de mulheres negras brasileira é reconhecido internacionalmente”. 

Mais uma contribuição é na área da educação, por meio da Lei nº 11.645/2008, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” nas escolas de ensino fundamental e médio. 

“O MNU debateu em muitos fóruns de educação o que significava o direito à memória, então a própria lei, de ensino de história africana e indígena, que ainda não foi implementada plenamente, é uma vitória construída a partir desses debates”, destaca Simone. 

Outra frente, defendida desde a fundação, é o combate à prisão de negros a partir do racismo. “A questão de que toda prisão é uma prisão política, no sentido da necessidade do desencarceramento da população negra no Brasil e do combate à genocidade negral que o MNU combateu desde o início, quando denunciou o racismo vivido por jovens do Clube Regatas Tietê e também pelo Robson Silveira da Luz, um trabalhador que cuja morte, por policiais racistas, originou o nascimento do MNU”.

Um dos fundadores do movimento, José Adão Oliveira, elenca as bandeiras que o MNU defende. “O MNU contribuiu expondo suas faixas e lutando em todos os espaços pela democracia e igualdade racial, pela diversidade sexual, contra a violência policial e discriminação racial, pelo item cor no censo do IBGE em 1980, pelo Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, pela história e cultura negra na educação e pelo Parque Histórico Cultural-Quilombo dos Palmares/Serra da Barriga”. 

Desafios e legado

Os desafios ainda são muitos, explica Simone. “Os principais desafios atuais é de fato que a população negra tenha a reparação histórica, não conseguimos superar o racismo no Brasil ainda, 135 anos depois da falsa abolição. Muitas políticas públicas necessárias não estão implementadas, então a gente precisa de fato fazer com que a principal questão hoje da população negra seja resolvida, que é acabar com esses índices de genocídio, de mortalidade policial, isso trata-se de um outro modelo de segurança pública”.

Ela destaca também outros direitos fundamentais que são desrespeitados. “Nós temos também a questão do acesso à educação plena, a trabalho, renda, moradia. Se a gente olhar os direitos democráticos da cidadania no Brasil, os negros só vão poder ser democráticos cidadãos quando a gente eliminar o racismo, porque a população negra é a maioria”. 

Na opinião da integrante do MNU, as novas gerações têm contribuído para manter o debate em torno das pautas antirracistas. “O maior legado do movimento negro no Brasil é esse encontro de gerações, que no momento que se encontram lutam juntos para superar o racismo, construir o bem viver na sociedade brasileira e dessa forma contribuir com o debate internacional também como tem feito o MNU há 45 anos”. 

Rede de museus sociais conecta memórias e lutas de comunidades do Rio

Em um muro da favela do Cantagalo, no Rio de Janeiro, o grafite mostra uma mulher carregando uma lata na cabeça. Lembrança dos tempos em que não havia abastecimento de água e cada um se virava como podia. Um pouco mais à frente, já na favela do Pavãozinho, a imagem é de cinco policiais sisudos. Houve uma época em que eles vigiavam os moradores que eram proibidos de construir casas de alvenaria. E, com um pouco mais de fôlego, chega-se à casa no Pavão com referências às brincadeiras das crianças na comunidade: bola de gude, pipa e amarelinha.

Esta é a descrição da visita a um museu. Não é um daqueles tradicionais, com pinturas de artistas renascentistas ou artefatos arqueológicos, mas, ainda assim, um museu. No acervo, casas, muros, ruas, cerca de 20 mil moradores e o modo de vida deles. O Museu de Favela é uma das organizações que compõem a Rede de Museologia Social do Rio de Janeiro, grupo que completa 10 anos em 2023. A rede defende um conceito mais abrangente de museu, incluindo espaços de memória, experiências coletivas e ações voltadas para educação, entretenimento e conhecimento.

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Fazem parte da rede os museus da Maré, Sankofa da Rocinha, do Horto, o da Arte e da Cultura Urbana e o Ecomuseu Rural de Barra Alegre. Em encontros mensais, há troca de experiências sobre as comunidades e os movimentos sociais que representam. Para o grupo, a memória é um fator de inclusão e transformação social. Por isso, o objetivo é ampliar a diversidade de vozes e narrativas históricas da sociedade.

“Os museus tradicionais partiam de uma perspectiva distante em relação ao outro. Quando falavam de povos indígenas, quilombos e favelas, sempre falavam em terceira pessoa. A museologia social traz uma experiência na primeira pessoa do singular e do plural. São museus comunitários que falam sobre si mesmos e rompem com qualquer intermediação. Não precisam de alguém que fale por eles”, explica o museólogo, poeta e diretor do Museu da República Mario Chagas, que é membro da rede.

Grafite lembra tempo em que era proibido construir casas de alvenaria no Pavãozinho – Museu das Remoções/Divulgação

Território

O Museu de Favela foi criado em 2008 como uma organização não governamental (ONG) liderada por moradores do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho. Como ruas e becos recebiam visitas frequentes de turistas, eles resolveram contar a história das comunidades por meio de grafites nos muros das casas. Com curadoria do artista Acme, pintaram os muros e inauguraram em 2010 o Circuito das Casas-Tela: uma visita guiada, com duração de até três horas, que inclui a observação e de 27 moradias.

Os organizadores entenderam que o projeto era coerente com o conceito de museologia social. Nas telas do museu, há referências aos primeiros moradores e às transformações culturais ao longo do tempo. Heranças indígenas, afro-brasileiras e nordestinas são destacadas. Na construção dessas memórias, os líderes do Museu de Favela precisaram incluir toda a comunidade. Os donos das casas participavam da decisão sobre o que ia ser grafitado nos muros.

“Passamos um ano fazendo a mediação com os moradores, para saber se concordavam ou não. Foi, de fato, um trabalho coletivo. Tinha morador que não achava legal o jeito como a história estava sendo pensada para a parede dele. E aí, aconteciam as conversas para chegar a um consenso. Tem 13 anos que as pinturas estão lá. Os moradores não pintam nada por cima. E são eles que, muitas vezes, avisam quando precisa restaurar algum grafite”, diz Márcia Souza, uma das fundadoras do Museu de Favela.

Resistência

Na Vila Autódromo, à margem da Lagoa de Jacarepaguá, o museu tem uma configuração distinta. Boa parte do acervo não é constituída de casas e sim de escombros e memórias dos que viveram ali. Nos anos que antecederam os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, centenas de famílias foram removidas para a construção do Parque Olímpico, do Centro de Mídia e de vias expressas. Apenas 20 conseguiram permanecer.

O Museu das Remoções foi criado em 2016 para impedir que tais acontecimentos fossem esquecidos. O percurso expositivo pelas ruas da comunidade é uma das principais atividades, e inclui ouvir dos moradores remanescentes as histórias de violência e as de resistência. Eles lembram dos vizinhos que tiveram de deixar o local. Falam sobre as agressões físicas e psicológicas da Guarda Municipal e de medidas intimidatórias da prefeitura, como corte de iluminação pública e suspensão da coleta de lixo e da entrega de correspondência.

Existem no percurso suportes materiais dessa memória: esculturas feitas em 2016 a partir de escombros, com o apoio de estudantes de arquitetura e urbanismo. Algumas obras foram destruídas por tratores durante as remoções, mas outras foram salvas pelos moradores, que criaram novas atividades para o museu. Exposições temporárias de fotografias e festivais de arte são alguns exemplos. Para breve, está prevista a inauguração de um centro cultural, que vai ajudar a ampliar o número de atrações.

“Começamos a olhar para a museologia de uma forma diferente. Pensamos em algo a partir dos escombros e do caos e também refletimos sobre o impacto que a sociedade sofria em função da especulação imobiliária. E começamos a perceber que era possível organizar nossa própria memória e cuidar para que não fosse apagada, como aconteceu com tantas outras favelas removidas na cidade, cuja história se perdeu”, destaca Sandra Maria, uma das fundadoras do Museu das Remoções.

É possível organizar a própria memória para que não seja apagada, diz fundadora de museu – Museu das Remoções/Divulgação

Rede

A Rede de Museologia Social do Rio de Janeiro faz parte de um movimento de transformação do que se entende como museu. As primeiras instituições remetem aos séculos 17 e 18 na Europa, quando critérios hoje considerados elitistas e excludentes, definiam o que era um museu. O padrão foi replicado em diferentes partes do mundo de forma hegemônica até a primeira metade do século 20, e era marcado por uma herança colonialista e imperialista. A década de 1970 marca um momento de maior discussão e revisão desses conceitos.

A definição mais atual e abrangente é de agosto do ano passado e surgiu na 26ª Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (Icom), em Praga, na República Tcheca. “Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade, que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe patrimônio material e imaterial. Abertos ao público, acessíveis e inclusivos, os museus promovem a diversidade e a sustentabilidade”, diz o texto principal. Além disso, os museus atuam e se comunicam de forma ética, profissional e com a participação das comunidades, oferecendo experiências variadas de educação, entretenimento, reflexão e compartilhamento de conhecimento.

Segundo Mario Chagas, os museus sociais são coerentes com essa realidade, embora não estejam presos em definições rígidas, nem dependam de organismos internacionais ou de critérios acadêmicos para ser legitimados. Assim, um museu pode ser entendido como qualquer iniciativa comunitária que envolva espacialidade, temporalidade e engajamento na preservação de memória, explica o museólogo. Dentro dessa perspectiva, a Rede de Museologia Social promove intercâmbio com mais de 50 iniciativas no Rio de Janeiro, e a diversidade de ambientes e de conteúdos não impede que o grupo tenha compromissos em comum.

“Fazemos um trabalho de articulação e de união. É um trabalho político, que envolve cultura, arte, e é pensado de baixo para cima”, acrescenta Chagas. “Nossos compromissos são bem claros. Estamos comprometidos com o combate ao racismo e à LGBTfobia, com a defesa dos povos indígenas, das mulheres e dos direitos universais à terra. Também estamos interessados em pautas sobre trabalho, saúde, moradia, direitos humanos. Temos causas que nos aproximam e nos unem fortemente”.

O pensamento é compartilhado por aqueles que vivem e constroem diariamente os museus sociais. “Nosso maior objetivo é trazer visibilidade para as favelas e fazer essas histórias circularem. Que esses territórios sejam reconhecidos como patrimônios das cidades. É isso que nos move: manter essa memória para que não se apague. Muitas vezes, o tempo vai passando e as pessoas esquecem. E essas histórias não serão encontradas nas revistas, nos jornais, na internet”, ressalta Márcia Souza.

“Museus sociais evitam apagamento de grupos sociais e culturas. Estamos falando da preservação do nosso povo. Os museus são ferramentas potentes de luta, valorizam a identidade e fortalecem os direitos de um povo. Vivemos em uma sociedade injusta e desigual. Com a organização das memórias, as pessoas preservam também seus direitos. Museus tradicionais valorizam mais as histórias de reis, presidentes, senhores, nobres. Na museologia social, grupos que não se sentem representados podem organizar e preservar suas tradições, memórias e heróis”, enfatiza Sandra Maria, do Museu das Remoções.

Brasil em Pauta discute destinação social para imóveis ociosos

Aprimorar a gestão do patrimônio da União para dar destinação racional e também de caráter social a prédios e terrenos públicos federais ociosos é o objetivo de um plano que está sendo elaborado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Segundo a ministra da Gestão, Esther Dweck, esta foi uma determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Isso foi demanda do presidente Lula. Ele falou que a União tem patrimônio espalhado pelo Brasil e que muitas vezes está abandonado ou tendo uma destinação que não é a melhor. Ele falou: vocês têm que estudar para pensarmos qual é a melhor forma de destinar. Muita coisa pode ser usada para habitação popular e também tem locais que podem se tornar equipamentos de saúde, de educação, de lazer para melhorar a vida das pessoas”, disse Esther Dweck em entrevista ao programa Brasil em Pauta, que vai ao ar neste domingo (9), às 22h30, na TV Brasil.

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De acordo com a ministra, o trabalho inicial é fazer um levantamento nacional sobre o patrimônio passível de destinação social, em parceria com movimentos sociais e prefeituras. Então, será criado um comitê de destinação com a participação de ministérios como o das Cidades, o da Saúde, o da Educação e o da Cultura, além da Casa Civil da Presidência da República. “Estamos estruturando esse plano e creio que, em breve, vamos ter ele para discutir”, afirmou.

Esther Dweck citou o exemplo de soluções que podem ser encaminhadas por meio do plano para pessoas que vivem em moradias construídas em locais de risco de desastres naturais, como desabamentos e inundações. Ela lembrou o caso de uma região onde há comunidades vivendo em área de risco e, nas proximidades, há um terreno da União onde é possível construir habitações seguras, sem necessidade de deslocamento significativo de local com as comunidades.

O aprimoramento constante do sistema de compras públicas é outra discussão que está no horizonte da pasta da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Esther Dweck lembrou que grande parte do Orçamento da União é destinada a compras públicas. “Sabemos que isso gera um poder indutor enorme do Estado”, disse a ministra.

E completou: “estamos pensando uma estratégia de compras públicas para pensar esse poder indutor do Estado, como usar esse poder de compra tão grande para melhorar a capacidade produtiva do Brasil”.

Dois importantes sistemas são usados para compras públicas, o Compras gov, uma plataforma que unifica e dá transparência às compras públicas e está disponível para órgãos e entidades públicas das esferas federal, estadual e municipal de todos os Poderes. E a Central de Compras para pensar grandes compras centralizadas.

Na entrevista, a ministra ainda falou sobre o avanço da digitalização dos serviços públicos no país, que traz facilidades ao cidadão permitindo que ele requisite serviços por meio de aplicativos e da internet. “Agora estamos muito preocupados em aumentar a qualidade dos serviços digitais. Este tem sido nosso foco agora, olhando a resposta que o cidadão dá, o que ele questiona naquele serviço para melhorar a qualidade”, afirrnou.

Regulamentação protege mãe e bebê na entrega voluntária para adoção

A entrega voluntária de bebês recém-nascidos para adoção é garantida legalmente e regulamentada pela Lei da Adoção (13.509/2017), que alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A mudança incluiu a chamada “entrega voluntária”, possibilidade de uma gestante ou mãe entregar seu filho para adoção, em um procedimento assistido pela Justiça da Infância e Juventude.

No Rio de Janeiro, a entrega legal de crianças recém-nascidas pela mãe ou pai biológico cresceu 22% no ano passado, com cerca de dez casos a cada mês, segundo os dados registrados pelo Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) e divulgados pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ).

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No Brasil, em 2021 foram registradas 1.312 entregas voluntárias no país, número que subiu para 1.667 em 2022, o que representa de quatro a cinco casos por dia.

A defensora pública Simone Moreira de Souza, explica que as mães colocam seus filhos para adoção para que tenham uma vida e um futuro seguros, e que a entrega clandestina ocorre por medo de julgamento e críticas.

“Na maioria das vezes, são mulheres sós, pretas, sem nenhum amparo, que não conseguem exercer a maternidade. A entrega protegida permite à mãe biológica abdicar do filho legalmente, sem se expor num momento tão delicado e que, quase sempre, é de absoluta solidão, são crianças que estariam hipervulneráveis se as mães não tivessem tal atitude. Muitas dessas mulheres relatam que a entrega para adoção é um ‘ato de amor’” , salienta a defensora.

Abordagem humanizada

O artigo 19-A do ECA determina que gestantes ou mães que demonstrem interesse em entregar seu filho para adoção deverão ser encaminhadas para a Justiça da Infância e Juventude, órgão que deverá realizar o processo para busca de família extensa, termo utilizado pela Justiça para designar parentes ou familiares próximos.

Em março deste ano, entrou em vigor a Resolução nº 485/2023, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que regulamenta as diretrizes para atendimento adequado de gestantes que manifestem desejo de entregar filhos recém-nascidos para adoção.

Desde o momento em que declara querer entregar o recém-nascido, a mãe deve ser assistida por uma equipe multidisciplinar capaz de ampará-la e ao bebê. O CNJ prevê um tratamento acolhedor e humanizado, que evite constrangimentos à mãe e garanta os direitos da criança, e cabe aos tribunais de justiça respeitar estes procedimentos, inclusive o sigilo do processo.

“Mesmo nos casos em que a mãe biológica pede sigilo absoluto sobre sua identidade, os filhos, quando crescidos, podem pedir autorização judicial para ter acesso aos dados disponíveis no processo”, ressalta Souza.


*Estagiário sob supervisão de Akemi Nitahara

Corpo de criança morta em ataque a comunidade indígena é encontrado

O Corpo de Bombeiros de Roraima informou que encontrou o corpo de uma criança indígena de 7 anos, na comunidade Parima, na Terra Yanomami. A criança foi morta durante ataque a tiros ocorrido na última segunda-feira (3). Na ocasião, mais cinco pessoas também ficaram feridas: um líder indígena, de 48 anos, uma mulher de 24 anos, a filha dela, de 5 , e duas meninas, de 15 e 9 anos.

As buscas, que duraram três dias, começaram dois dias após o ataque. O corpo da criança caiu no rio e foi localizado na sexta-feira (7) perto do local do desaparecimento. Um helicóptero tinha sido enviado de Boa Vista para auxiliar no atendimento às vítimas.

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O corpo da criança foi entregue aos parentes e permanecerá na comunidade para os rituais da cultura Yanomami.

Em uma rede social, o Corpo de Bombeiros informou que quatro mergulhadores da corporação trabalharam nas buscas, que começaram no dia 5 e terminaram no dia 7 deste mês, com a localização do corpo da criança. A missão teve apoio do Exército e da Marinha e da Polícia Militar de Roraima.

Bombeiros tiveram apoio do Exército, da Marinha e da Polícia Militar durante as buscas – Foto: CBMRR/Instagram

Garimpeiros

Os responsáveis pelo ataque fugiram do local e ainda não foram identificados. Após o ataque, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) divulgou nota informando que servidores da pasta se deslocaram para a aldeia, com policiais federais, militares e agentes da Força Nacional de Segurança.

“O MPI reforça que segue trabalhando com as demais esferas de governo buscando a completa retirada dos garimpeiros das terras indígenas. Essa atividade degrada não só o meio ambiente, mas ataca o modo de vida e toda a organização social dos povos indígenas”, diz o texto.

Exposição transforma dor de mulheres em processo de cura

O caso de uma mulher negra, moradora de Boavista, Roraima, que vivia em um relacionamento violento e teve a casa em que vivia incendiada pelo agressor. Uma moradora do Calafate, periferia de Salvador, que enfrentava um relacionamento abusivo longo e sofria agressões porque o parceiro não aceitava a atuação dela em um coletivo de mulheres que combatia várias formas de discriminação. Uma jovem travesti de Fortaleza que teve de suportar violência sexual cometida até mesmo por homens que eram seus familiares.

Essas histórias reais parecem fazer parte de arquivos de uma delegacia de proteção às mulheres. Mas estão reunidas e expostas em um tipo de lugar em que não é tão comum relatos com essa dramaticidade.

Retratos Relatos, subvertendo a dor – Exposição em Paraty/RJ – Foto: Luiza Saad/Sesc

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A cidade de Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, é um dos principais destinos turísticos do estado. Com cerca de 45 mil habitantes, é um dos ícones da arquitetura colonial no país e tem o litoral recortado por belas praias e ilhas. Até o dia 3 de setembro, o Polo Sociocultural Sesc Paraty recebe a exposição Retratos Relatos – subvertendo a dor, que oferece aos visitantes histórias de violência de gênero e superação.

A ideia da exposição é da artista visual Panmela Castro. Ela mesma com um histórico de violência doméstica. Ao se tornar uma ativista contra a violência de gênero, passou a receber mensagens de outras mulheres. “Mulheres do Brasil todo passaram a me abordar e contar suas histórias de vida. A maioria delas quer fazer algo com essa dor, dor de histórias que muitas vezes não foram contadas para ninguém. Elas veem em mim um porto seguro, uma pessoa para quem elas podem se abrir. Então a gente faz algo com essa dor que é transformá-la em arte”, disse a artista nascida no Rio de Janeiro.

Sem culpa

Retratos Relatos, subvertendo a dor – Exposição em Paraty/RJ – Foto: Luiza Saad/Sesc

Lana Abelha Rainha é a moradora de Boavista que teve a casa incendiada pelo agressor. Ela se emociona ao contar para a Agência Brasil o que sentiu ao se ver retratada, ao lado do relato exposto dela. “Era minha história ali pregada no local, onde todas as pessoas passavam”.

Para ela, a exposição de várias histórias de sofrimento e superação é uma forma de não se sentir culpada. “Quando você vê várias mulheres com histórias parecidas, você começa a entender muito claramente. Nunca fui culpada pelo que aconteceu, assim como aquelas mulheres também não foram”.

Lana acredita que os relatos têm o poder de evitar que surjam outros casos de vítimas da violência de gênero. “Se eu tivesse escutado essas histórias antes do que eu passei, se eu tivesse sido alertada por falas de outras mulheres, talvez eu tivesse enxergado sinais dentro daquela relação, que eu não enxerguei”.

Os casos expostos em Paraty não são registros isolados no Brasil. Pelo contrário, representam parte de uma realidade. Um estudo da Rede de Observatórios da Segurança revelou que, em 2022, uma mulher foi vítima de violência a cada quatro horas no país.

Outras histórias

Retratos Relatos, subvertendo a dor – Exposição em Paraty/RJ – Foto: Luiza Saad/Sesc

A exposição no prédio colonial oferece também histórias de ativismo, como a defesa de comunidades quilombolas, luta por direitos de pessoas trans e trabalhadoras sexuais, ações antirracistas e relatos de superação, alguns por meio de canais de socorro como a Lei Maria da Penha e o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Além das pinturas e dos depoimentos, a exposição conta com a Sala dos Espelhos, onde o visitante pode se expressar livremente por meio da escrita na superfície espelhada.

“Impactantes e provocativos, os trabalhos artísticos de Panmela Castro têm o poder de sensibilizar diversos públicos e ampliar o debate sobre temas primordiais na atualidade. A partir do papel da arte e da cultura, ações como essa podem contribuir para o desenvolvimento social”, diz a diretora de Programas Sociais do Departamento Nacional do Sesc, Janaina Cunha.

A curadora da exposição, Maybel Sulamita, explica que a mostra não combate apenas uma, mas várias violências. “Cada uma dessas mulheres simboliza temas cruciais relacionados ao enfrentamento à violência, como a construção do gênero, o machismo estrutural, a violência física, a psicológica, a moral, a patrimonial e a sexual”, disse.

Processo de cura

Retratos Relatos, subvertendo a dor – Exposição em Paraty/RJ  – Foto: Luiza Saad/Sesc

Marta Leiro saiu do Calafate, região da periferia de Salvador, para ser retratada pela Panmela. No relacionamento em que ela vivia, sofria violência porque o agressor não aceitava a participação dela em um coletivo de mulheres em defesa do direito de minorias. “A minha gratidão é por estar viva, de não ter contribuído para estatística do feminicídio no Brasil. Pude sair de uma situação de violência doméstica em um relacionamento violento”, conta.

Ser pintada pela artista foi para ela uma espécie de alívio. “É passar um bálsamo nessa dor. Não é que a gente já supera a dor da violência doméstica, principalmente quando essa violência se aproxima muito do feminicídio. Mas podemos administrar essa dor com esses processos de autocuidado. O momento de ser modelo, de ser pintada, foi como se o pincel passasse um bálsamo na minha vida, nessa história, que toma um outro rumo agora. Um rumo de agradecer ao Universo, valorizar a vida e continuar na luta pelo fim da violência contra as mulheres”, explica.

É justamente essa superação um dos incentivos que motivam a artista visual. “Posso contribuir no enfrentamento da violência usando minha arte como um processo de cura. Esse é o processo curativo. Fora o fato de que exibir essa arte em público faz com que essas protagonistas usem suas histórias para inspirar e informar outras mulheres sobre a situação de abuso”, diz Panmela.

Lana, que mora a mais de 3 mil quilômetros de distância de Paraty, conta que quando viu a pintura “não existia uma dor ali, e sim um processo de cura”. Ela sabe que além de simplesmente arte, o relato e o retrato dela têm o poder de dar frutos. “Ao dividir aquela história ali para que outras mulheres – e provavelmente homens – leiam, existe uma possibilidade de ajuda”, disse.

A exposição Retratos Relatos – subvertendo a dor já percorreu o Museu da República e o Parque das Ruínas, ambos no Rio de Janeiro, e a Vila Cultural Cora Coralina, em Goiânia.

As obras serão incorporadas à Coleção de Arte Sesc Brasil e circularão por diversos estados. “Assim, fortalecemos nossa missão de fomentar a produção artística contemporânea, além de estimular a reflexão e valorizar a cultura brasileira e sua diversidade”, afirma Janaina Cunha, do Sesc.

Serviço:

Exposição Retratos Relatos – subvertendo a dor 

Data: Até 3 de setembro

Local: Sesc Santa Rita – Rua Dona Geralda, 320. Centro Histórico, Paraty, RJ.

Horário: Terça a sexta, das 10h às 19h. Sábados, domingos e feriados, das 14h às 19h.

Entrada Franca

Internações por infarto aumentam mais de 150% no Brasil

Um levantamento do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) mostra que, entre 2008 e 2022, o número de internações por infarto aumentou no Brasil. Entre os homens, a média mensal passou de 5.282 para 13.645, alta de 158%. Entre as mulheres, a média foi de 1.930 para 4.973, aumento de 157%.

O estudo leva em consideração dados do Sistema de Internação Hospitalar do Datasus, do Ministério da Saúde. Por isso, cobre todos os pacientes brasileiros que usam os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), seja nos hospitais públicos ou nos privados que têm convênios. Isso representa de 70% a 75% de todos os pacientes do país.

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Alguns fatores aumentam os riscos de infarto, informa o Instituto Nacional de Cardiologia. “O infarto do miocárdio acontece em populações mais idosas. E sabemos também do aumento da prevalência da obesidade na população brasileira”, explica a diretora-geral do INC, Aurora Issa.

Segundo Aurora, o frio também aumenta as chances de infarto. Dados do INC indicam que os casos são mais frequentes durante o inverno. No ano passado, o número de infartos nessa estação foi 27,8% maior em mulheres e 27,4% maior em homens na comparação com o verão.

“O frio leva à contração dos vasos [sanguíneos]”, diz a especialista. “A pessoa que tem um infarto, na maioria das vezes, já tem a placa de gordura nas artérias. O que leva ao infarto é uma inflamação na placa e a formação de um trombo em cima dessa placa. As infecções, muitas vezes, são um gatilho para a inflamação.”

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre homens e mulheres no Brasil. Entre 2017 a 2021, 7.368.654 pessoas morreram por esse motivo no país. De acordo com o INC, as principais formas de prevenção são a prática de exercícios físicos e a alimentação balanceada.

Pernambuco decreta emergência em 12 municípios por causa das chuvas

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, decretou, neste domingo (9), situação de emergência em 12 cidades da Zona da Mata, fortemente atingida pelas chuvas. Segundo a Defesa Civil do estado, até o momento, chuvas intensas afetaram 2.862 pessoas de 756 famílias. Desse total, estão desalojadas 447 pessoas de 656 famílias e desabrigadas 101 famílias.

A situação de emergência está estabelecida nos municípios de São Benedito do Sul, Belém de Maria, Água Preta, Catende, Quipapá, Xexéu, Barreiros, Joaquim Nabuco, Cortês, Jaqueira, Rio Formoso e Maraial. Treze pontos de deslizamentos foram registrados nessas cidades –sendo quatro em Catende, sete em Joaquim Nabuco, um em Cortês, e um em Rio Formoso.

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Em nota, o governo informou que, para decretar a situação, levou em conta a preservação do bem-estar da população e das atividades socioeconômicas das regiões atingidas e o fato de os habitantes dos municípios afetados ainda não terem condições satisfatórias de superar os danos e prejuízos provocados.

O governo também anunciou a disponibilização de R$ 1,34 milhão para o custeio imediato de eventuais benefícios nos municípios em situações de emergência e calamidade, incluindo as ocasionadas pelas fortes chuvas registradas na região metropolitana do Recife e nas zonas da Mata e Agreste nos últimos dias.

De acordo com a nota, para solicitar o recurso, os municípios devem encaminhar ao governo do estado o decreto de emergência ou calamidade e a portaria de reconhecimento deste pelo governo federal, por meio do e-mail sedas@sdscj.pe.gov.br.

Ontem (8), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta de chuva para o Agreste, as zonas da Mata Sul e Mata Norte e a região metropolitana, que é válido até este domingo.

Alagoas

As chuvas também atingiram o estado de Alagoas. Neste sábado, o governador Paulo Dantas declarou situação de emergência em 29 municípios. O decreto terá validade de 180 dias.

Os municípios abraçados pelo decreto são: Atalaia, Barra de São Miguel, Branquinha, Colônia Leopoldina, Coqueiro Seco, Flexeiras, Ibateguara, Jacuípe, Joaquim Gomes, Maragogi, Matriz de Camaragibe, Murici, Paulo Jacinto, Paripueira, Pilar, Quebrangulo, Rio Largo, São José da Laje, Santana do Mundaú, São Luís do Quitunde, São Miguel dos Milagres, União dos Palmares, Penedo, Marechal Deodoro, Cajueiro, Capela, Viçosa, São Miguel dos Campos e Satuba.

Em todo o estado, o número de pessoas afetadas pelas chuvas passa de de 22 mil. Segundo boletim divulgado hoje pela Defesa Civil, são 2.756 pessoas desabrigadas e 19.273 Segundo a Defesa Civil de Pernambuco, foram afetadas pelas chuvas no estado 2.862 pessoas, das quais 447 estão desalojadas e 101, desabrigadas. Em Alagoas, há 2.756 desabrigados e 19.273 desalojadosSegundo a Defesa Civil de Pernambuco, foram afetadas pelas chuvas no estado 2.862 pessoas, das quais 447 estão desalojadas e 101, desabrigadas. Em Alagoas, há 2.756 desabrigados e 19.273 desalojadosdesalojadas. O município com mais pessoas desabrigadas é Murici e o que tem mais desalojadas é Matriz de Camaragibe. Uma pessoa morreu em Joaquim Gomes.

Boletim divulgado no fim da tarde de sábado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos alerta para a continuidade das chuvas em Alagoas no decorrer deste domingo, no litoral e nas zonas da Mata e Baixo São Francisco.

 

Hoje é Dia: Dia Mundial da População e do Rock marcam a semana

A semana entre os dias 9 e 15 de julho tem duas datas que chamam atenção de públicos específicos. No dia 11 de julho comemora-se o Dia Mundial da População, uma data sugerida pelo Conselho de Governadores do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP) da ONU. 

A data surgiu após o “Dia dos 5 Bilhões”, que ocorreu em 11 de julho de 1987, quando a população mundial alcançou a marca recorde de 5 bilhões de pessoas. O objetivo dessa data é promover a conscientização sobre questões relacionadas à população global, como planejamento familiar, saúde reprodutiva e direitos humanos. Programas como o Viva Maria e o Rádio Animada já falaram sobre a data:

Dois dias depois, em 13 de julho, é celebrado o Dia Mundial do Rock. A data, especial para os amantes do ritmo, é uma homenagem ao Live Aid, evento que ocorreu nessa mesma data em 1985. No Dia Mundial do Rock, fãs de todo o mundo celebram esse gênero musical tão influente e apreciado por diversas gerações. No ano passado, o Repórter Brasil relembrou a data. 

A semana também é lembrada por acontecimentos marcantes. No dia 11 de julho, um trágico acidente envolvendo um avião brasileiro em Paris completa 50 anos. A catástrofe resultou na morte de 122 pessoas, incluindo o cantor Agostinho dos Santos. A vida do cantor já foi retratada no Momento Três e do programa De Lá Pra Cá. 

O dia 12 de julho é marcado pelos 25 anos da derrota do Brasil na final da Copa do Mundo de 1998. Na ocasião, a seleção brasileira perdeu para a França por 3 a 0 em um jogo marcado pela atuação de gala de Zinedine Zidane e pela convulsão de Ronaldo Nazário antes da partida. 

Por outro lado, temos uma vitória a comemorar no dia 13. Na data, celebra-se o aniversário de 55 anos da vitória da brasileira Martha Vasconcellos no Miss Universo. Sua vitória foi motivo de orgulho para o país e inspirou gerações de mulheres brasileiras a perseguir seus sonhos e alcançar sucesso em concursos de beleza internacionais.

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

Julho de 2023
9

Nascimento do antropólogo teuto-americano Franz Boas (165 anos) – um dos pioneiros da antropologia moderna que tem sido chamado de “Pai da Antropologia Americana”

11

Nascimento do músico compositor e flautista fluminense Joaquim Antônio da Silva Callado (175 anos) – considerado um dos criadores do choro ou “o pai dos chorões”

Nascimento do antropólogo paulista Roberto Cardoso de Oliveira (95 anos)

Acidente com avião brasileiro mata 122 em Paris, entre os quais, o cantor Agostinho dos Santos e o político e ex-chefe da polícia de Vargas, Filinto Müller (50 anos)

Dia Mundial da População – comemoração sugerida pelo Conselho de Governadores do UNDP (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) da ONU após o “Dia dos 5 Bilhões” de 11 de julho de 1987, quando o planeta teria alcançado a então quantidade recorde de 5 bilhões de pessoas

12

Nascimento do médico e fisiologista francês Claude Bernard (210 anos) – conhecido fundamentalmente pela criação da medicina experimental/baseada em evidências

Morte do cantor e compositor paulista Agostinho dos Santos (50 anos)

Morte do músico de jazz estadunidense Bennett Lester Carter, o Benny Carter (20 anos) – uma das figuras principais do mundo do jazz, desde a década de 1930 até à década de 1990

Malala Yousafzai discursa na sede da ONU (10 anos) – foi a primeira aparição pública desde o atentado que sofreu de um extremista Talibã; é conhecida por seu ativismo pelo direito por educação das garotas no Paquistão, e, por isso, virou alvo dos extremistas. Foi a pessoa mais nova a ser laureada com um prémio Nobel

Brasil perde a final da Copa do Mundo 1998 para a França (25 anos)

Dia de Malala – ONU declara o Dia de Malala, em homenagem à ativista paquistanesa Malala Yousurfzai

13

Morte do cantor, violonista, clarinetista, tresero e compositor cubano Máximo Francisco Repilado Muñoz Telles, o Compay Segundo (20 anos) – participou ativamente do ambicioso projeto Buena Vista Social Club, um disco produzido por Ry Cooder, em 1996, em que se reuniram os grandes nomes da música cubana

Morte do cantor e compositor fluminense Cyro Monteiro (50 anos)

A brasileira Martha Vasconcellos é eleita Miss Universo (55 anos)

Dia Mundial do Rock – homenagem ao Live Aid, megaevento que aconteceu nesse dia em 1985

14

Nascimento do cineasta e dramaturgo sueco Ingmar Bergman (105 anos)

Criação da União de Negros pela Igualdade – UNEGRO (35 anos)

15

Nascimento do cantor e compositor maranhense Josias Sobrinho (70 anos)

Capoeira é reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro (15 anos)

Dia Mundial das Habilidades dos Jovens – data reconhecida pela ONU

Mega-Sena acumula e próximo prêmio deve chegar a R$ 35 milhões

Ninguém acertou as seis dezenas do Concurso 2.609 da Mega-Sena, sorteadas na noite deste sábado (8), em São Paulo. O prêmio para os ganhadores do próximo sorteio, marcado para a noite de quarta-feira (12), está estimado em R$ 35 milhões.

Os números sorteados ontem foram: 03, 21, 27, 32, 35 e 60.

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Os 50 apostadores que acertaram cinco dezenas vão receber R$ 61.254,15, cada um. Para os 4.420 acertadores da quadra, o prêmio é de R$ 989,88.

PrEP: tratamento preventivo é alternativa no combate ao HIV no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente o registro do primeiro medicamento injetável para prevenção do HIV. O Apretude (cabotegravir) é um antirretroviral da classe dos inibidores da enzima integrase, que impede a inserção do DNA viral do HIV no DNA humano. Em outras palavras, é um mecanismo de ação que evita a replicação ou a reprodução do vírus e sua capacidade de infectar novas células.

O medicamento injetável passa a representar uma nova opção na profilaxia pré-exposição (PrEP) no Brasil, que consistia, até então, na tomada de comprimidos diários no intuito de permitir ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. A estratégia começou a ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no final de 2017 por meio da combinação de dois antirretrovirais, o tenofovir e a entricitabina.

Arte/Agência Brasil

Entenda

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A PrEP, atualmente, é indicada para pessoas sexualmente ativas, não infectadas, mas com risco aumentado de exposição ao HIV, em diferentes contextos sociais. No Brasil, essas populações incluem profissionais do sexo, pessoas que usam drogas, gays, mulheres trans e travestis, além de casais sorodiscordantes (quando um parceiro é soropositivo e o outro não), como forma complementar de prevenção e para o planejamento reprodutivo.

Modalidades

No Brasil, existem duas modalidades de PrEP indicadas: diária: consiste na tomada diária dos comprimidos, de forma contínua, indicada para qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade ao HIV; sob demanda: consiste na tomada dos medicamentos somente quando a pessoa tiver uma possível exposição de risco ao HIV. Deve ser utilizada com a tomada de dois comprimidos de duas a 24 horas antes da relação sexual, além de um comprimido 24 horas após a dose inicial de dois comprimidos e um novo comprimido 24 horas após a segunda dose.

A PrEP sob demanda é indicada para pessoas que tenham habitualmente relação sexual com frequência menor do que duas vezes por semana e que consigam planejar quando a relação sexual irá ocorrer.

Cuidados

De acordo com o Ministério da Saúde, a PrEP só tem efeito protetor se o medicamento for utilizado conforme a orientação de um profissional de saúde. Caso contrário, pode não haver concentração suficiente das substâncias ativas na corrente sanguínea do indivíduo para bloquear o vírus.

Além disso, todos os tipos de profilaxia pré-exposição só devem ser prescritos para indivíduos confirmados como HIV negativos. “Para a indicação do uso de qualquer terapia PrEP, deve-se excluir, clínica e laboratorialmente, o diagnóstico prévio de infecção pelo HIV”, reforçou a agência.

Quem pode usar

Ainda segundo a pasta, a PrEP é indicada para qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade para o HIV. Algumas situações que podem indicar o uso são: o indivíduo frequentemente deixa de usar camisinha em suas relações sexuais (anais ou vaginais); o indivíduo faz uso repetido de profilaxia pós-exposição (PEP); o indivíduo apresenta histórico de episódios de infecções sexualmente transmissíveis (IST).

Também são candidatos à PrEP indivíduos inseridos em contextos de relações sexuais em troca de dinheiro, objetos de valor, drogas e moradia; indivíduos que praticam chemsex (sexo sob a influência de drogas psicoativas como metanfetaminas, GHB, cocaína e poppers) com a finalidade de melhorar e facilitar as experiências sexuais.

Acesso

A orientação do ministério é que interessados em acessar a PrEP procurem um serviço de saúde e informem-se para saber se há indicação. A lista dos serviços que ofertam a profilaxia pré-exposição pode ser acessada no site do Ministério da Saúde.

Proteção

Mulheres, pessoas trans ou não binárias designadas como sexo feminino ao nascer e qualquer pessoa em uso de hormônio a base de estradiol, que façam uso de PrEP oral diária, devem tomar o medicamento por pelo menos sete dias para atingir níveis de proteção ideais. Antes dos sete dias iniciais de introdução da PrEP, medidas adicionais de prevenção devem ser adotadas.

Homens, pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer e travestis e mulheres transexuais – que não estejam em uso de hormônios à base de estradiol – e que usem PrEP, seja ela diária ou sob demanda, devem tomar uma dose de dois comprimidos de duas a 24 horas antes da relação sexual para alcançar níveis protetores do medicamento no organismo para relações sexuais anais.

“É fundamental a testagem regular, a investigação de sinais e sintomas para outras IST. A PrEP previne contra o HIV e permite o diagnóstico e tratamento de outras IST, interrompendo a cadeia de transmissão. O uso do preservativo previne do HIV e outras IST”, alerta o ministério.

Análise

Para o coordenador-geral da organização não governamental GTP+, Wladimir Cardoso Reis, a PrEP facilita a prevenção em meio a poucas opções. “Só tínhamos a camisinha como estratégia. Por isso, a PrEP está sendo bem acolhida. A gente tem percebido isso entre casais hetero e bi, travestis, transsexuais e gays”, disse, em entrevista à Agência Brasil.

A entidade, sediada em Recife, atua por uma educação e saúde preventiva, cidadã e democrática, transformando a realidade de pessoas que vivem com HIV. Em 20 anos de existência, a ONG atendeu mais de 42 mil pessoas.

Um dos principais projetos da GTP+, o Mercadores de Ilusões, capacita profissionais do sexo como agentes multiplicadores. Dentre os temas tratados nas ruas da capital pernambucana está justamente a PrEP.

Sobre o novo medicamento injetável aprovado pela Anvisa, o coordenador-geral avalia que o antirretroviral, assim que incorporado ao SUS, deve facilitar o acesso e a adesão das pessoas à PrEP, uma vez que não haverá, por exemplo, a necessidade de deslocamento diário para a tomada do remédio.

“Esse é um momento importante de a gente divulgar isso junto a populações com menos condições sociais e de ter serviços que atendam a essas populações e disponibilizem a PrEP. Afinal, você já vai estar protegido antes mesmo de ter a relação sexual. Facilita muito”.

“O país inteiro precisa estar mobilizado, isso precisa ser divulgado cada vez mais. Divulgar entre os pares, entre as pessoas. Falar de sexo ainda é algo muito conservador no nosso país. Quanto mais divulgada a PrEP, a implementação vai ser cada vez mais saudável e presente na vida sexual do povo brasileiro”, disse.