Exposição ressalta a importância das lanternas para a cultura coreana

Na cultura coreana, as lanternas coloridas fazem parte de uma festa tradicional, celebrada todos os anos em algumas cidades do país. E são essas lanternas que agora ganham uma exposição luminosa no Centro Cultural Coreano do Brasil (CCCB), na Avenida Paulista, em São Paulo. Intitulada Luzes da Coreia – Exposição da Cidade de Jinju, a mostra é gratuita, teve início neste domingo (18) e vai até o dia 20 de agosto.

“A exposição foi feita em colaboração com a cidade de Jinju, maior fabricante de seda coreana. As lanternas expostas aqui no centro são feitas de seda coreana, de Jinju. Além de fazer roupas, o chamado hanbok [roupa tradicional coreana], eles começaram a utilizar a seda para fazer lanternas. Essa cidade tem um dos maiores festival de luzes da Coreia, que acontece em agosto”, explicou Mideum Seo, responsável pela exposição, em entrevista à Agência Brasil.

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Para essa exposição em São Paulo foi criado um túnel com cerca de 1,2 mil lanternas coloridas, que culmina com uma lua cheia e extremamente iluminada onde se forma uma fila para fotos. “Elas [as lanternas] representam a luz, a esperança e a união, e são um símbolo icônico da tradição do nosso país”, disse Cheulhong Kim, diretor do CCCB, em nota.
Luzes da Coreia – Exposição da Cidade de Jinju, no Centro Cultural Coreano no Brasil – Foto Elaine Cruz/Agência Brasil

Ao final da mostra, o visitante se depara ainda com fotos e vídeos mostrando como é o festival em Jinju, com suas tradicionais lanternas flutuantes. “Pelo que sei, ali na cidade de Jinju o festival conta com cerca de 700 mil lanternas acesas”, disse Mideum Seo.

Essa tradição remonta à Guerra de Imjin, em 1592, quando a cidade foi palco de uma invasão japonesa. Foi assim que, para proteger a cidade, as pessoas começaram a iluminar o rio com lanternas. “O público coloca as lanternas no rio da cidade de Jinju. Esse foi o início da tradição”, disse o responsável pela mostra.

Segundo o Centro Cultural Coreano, as lanternas flutuantes foram utilizadas como estratégia militar para impedir que as tropas atravessassem o Rio Namgang.

Mas além da proteção à cidade, essas lanternas também passaram a servir para espalhar mensagens ou para fazer a comunicação entre familiares que estavam separados pelo rio. “A mãe que estava longe do filho soldado fazia flutuar uma lanterna com cartas”, disse.

Outras informações sobre a exposição podem ser obtidas no site do CCCB.

Brasil sofre 2º revés na Liga das Nações Feminina com derrota para EUA

Após seis vitórias consecutivas, a seleção brasileira feminina de vôlei sucumbiu diante dos Estados Unidos, com derrota por 3 sets a 0 (22/25, 19/25 e 22/25), no encerramento da segunda rodada classificatória, no Estádio Nilson Nelson, em Brasília (DF). O revés, o segundo do Brasil na competição, reeditou a final olímpica nos Jogos de Tóquio, quando a seleção deixou escapar o ouro ao perder por 3 sets a 0 para as norte-americanas. 

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“O saque delas dificultou a nossa recepção e tivemos dificuldade com os nossos contra-ataques. É nisso que precisamos melhorar. Esses jogos servem como parâmetro. A Priscila Daroit sentiu o adutor esquerdo e optamos por preservá-la na partida porque temos muita competição pela frente. Ficamos com uma opção menos para o jogo. Os Estados Unidos jogaram com mais naturalidade e foram mais eficientes. Precisamos melhorar a nossa relação entre o bloqueio e a defesa para jogos como esse contra os Estados Unidos”, analisou José Roberto Guimarães, técnico da seleção, em depoimento à Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).

Com o tropeço neste domingo (18), o Brasil caiu para a quinta posição (18 pontos) na tabela de classificação, liderada pela Polônia (20). Os Estados Unidos ocupam a segunda posição (19), seguidos por Turquia (19) em terceiro e China (18) em quarto lugar.

O destaque da partida foi a oposta norte-americana Thompson, a maior pontuadora em quadra, com 15 pontos. Já do lado brasileiro, quem sobressaiu foi a central Thaisa, com 12 pontos, 10 deles no ataque. 

“Temos que aprender com uma partida como essa. Os Estados Unidos jogaram muito bem e mereceram a vitória, mas podemos jogar melhor do que apresentamos hoje. Conseguimos buscar o jogo em alguns momentos, mas não foi o suficiente. A palavra para o nosso grupo é evolução. É nisso que vamos focar nos próximos jogos”, projetou a central.

A seleção embarca na próxima terça-feira (20) para Bangcoc (Tailândia), sede da terceira e última rodada da fase classificatória. O primeiro jogo será contra a Itália, em 28 de junho, às 20h30 (horário de Brasília).

O Brasil  busca um título inédito na Liga das Nações, após três vice-campeonatos. Os jogos da competição também somam pontos para o o ranking mundial da Federação Internacional de Voleibol (FIVB, na sigla em inglês), um dos parâmetros  na corrida por vaga olímpica aos Jogos de Paris 2024. 

A Liga reúne as 12 países mais bem ranqueadas pela FIVB. Na primeira fase (classificatória) – de 30 de maio a 2 de julho -cada seleção joga 12 partidas, em quatro semanas, em locais diferentes. As oito mais bem colocadas avançam à fase eliminatória (quartas de final). Detalhe: os Estados Unidos já têm vaga garantida nas quartas, por serem os anfitriões da fase final (de 12 a 16 de julho).

Programação 

Tailândia (última semana da fase classificatória)

28 de junho – 10h30 – Brasil x Itália

29 de junho – 07h: – Brasil x Canadá

30 de junho – 10h30 – Brasil x Turquia  

2 de julho – 10h30 – Tailândia x Brasil 

Estados Unidos (fase final)

12 a 16 de julho

Sítio do Cais do Valongo é homenageado com prêmio do Iphan

Até 11 de agosto, estão abertas as inscrições para o 11º Prêmio Luiz de Castro Faria que, este ano, vai homenagear o Sítio Arqueológico do Cais do Valongo, antigo cais localizado na zona portuária do Rio de Janeiro, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Construído em 1811, o cais foi o principal ponto de desembarque e comércio de pessoas negras escravizadas nas Américas. O antigo porto foi importante símbolo da resistência contra a escravidão e da preservação da memória afro-brasileira. Estima-se que um milhão de africanos tenham chegado ao Brasil por meio do Valongo. As inscrições podem ser feitas na página do Iphan na internet (iphan.gov.br).

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Promovida pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – por meio do Centro Nacional de Arqueologia (CNA) – a edição 2023 do Prêmio Luiz de Castro Faria se relaciona ao Cais do Valongo de várias maneiras.

O presidente do Iphan, Leandro Grass, disse à Agência Brasil que “pode ser um trabalho histórico, antropológico, arqueológico em si, envolvendo esse tema, esse objeto. A relação pode ser de várias maneiras”, afirmou.

A escolha do Cais do Valongo foi decidida pensando, principalmente, na projeção que esse sítio ganhou nos últimos anos e na importância que ele tem também no momento atual do Brasil, em que o governo federal retoma a valorização da matriz africana. “A gente optou por colocar o Valongo como tema, justamente para fortalecer essa ação, que é prioritária do Ministério da Cultura e do Iphan”, observou Grass.

Recuperação

Ele informou que o Iphan está trabalhando junto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e em parceria com os ministérios da Cultura e da Igualdade Racial para que se possa avançar, por exemplo, na recuperação do prédio das antigas Docas Dom Pedro II, no bairro da Saúde, que foi o primeiro edifício erguido sem mão de obra escrava, em 1871, no Rio de Janeiro.

O presidente do Iphan lembrou que, em 21 de março deste ano, foi publicada portaria que reinstituiu o Comitê Gestor do Sítio Arqueológico Cais do Valongo. Cabe ao comitê promover a instalação da estrutura de gestão integral, compartilhada e participativa do sítio; estabelecer as diretrizes para a execução das ações propostas no plano de gestão; monitorar a efetividade das ações governamentais necessárias à preservação e salvaguarda do bem; e promover a articulação entre as políticas municipal, estadual e federal que incidem sobre o Sítio Arqueológico.

Categorias

O Prêmio Luiz de Castro Faria visa incentivar a produção acadêmica sobre o patrimônio arqueológico brasileiro e reconhecer trabalhos de destaque nessa área.

As inscrições desta edição podem ser realizadas em quatro categorias: Monografia de Graduação, com premiação de R$ 10 mil; Dissertação de Mestrado, premiação de R$ 15 mil; Tese de Doutorado, prêmio de R$ 20 mil; e Artigo Científico, prêmio de R$ 7 mil cada, para produções acadêmicas relacionadas à temática indígena e à diáspora africana no Brasil. Trabalhos relacionados a esses temas também podem concorrer às demais categorias.

Além do prêmio em dinheiro, os vencedores de cada setor terão seus trabalhos publicados em uma coletânea. Os critérios de avaliação incluem originalidade, relevância, qualidade técnica e científica, clareza e objetividade na exposição dos resultados, bem como a contribuição para o conhecimento do Patrimônio Arqueológico brasileiro.

A divulgação dos vencedores está prevista para o dia 2 de outubro. Grass estimou que, nas dez edições anteriores, foram premiadas em torno de 50 pessoas.

Quem foi Castro Faria

O museólogo e antropólogo Luiz de Castro Faria (1913-2004), foi um importante articulador das políticas públicas sobre o Patrimônio Arqueológico no Brasil, na década de 1960.

Destacou-se na promoção das pesquisas arqueológicas, desenvolvidas juntamente com o Museu Nacional (MN), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição da qual foi pesquisador e diretor. Foi membro do Conselho Consultivo do antigo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), atual Iphan.

Planos

Os planos do Iphan para 2023 incluem várias ações. Um dos destaques é a recuperação da política do patrimônio imaterial que, no último ano, recebeu investimentos de apenas R$ 1,7 milhão. “Este ano, a gente está investindo R$ 22 milhões em ações de salvaguarda. Isso tem a ver com a cultura popular”, disse o presidente do instituto.

Os recursos apoiam os chamados detentores da cultura popular, como o carimbó, a capoeira, a festa do boi e baiana do acarajé, entre outros. São 52 bens.

Grass adiantou que, em julho próximo, o órgão vai lançar o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI), com R$ 7 milhões para fomentar projetos. “Essa linha estava muito fragilizada”, observou.

O Iphan está retomando também o Programa de Educação Patrimonial. No segundo semestre, será realizado o Encontro Nacional da Educação Patrimonial. O Iphan terá ainda a retomada do Plano Nacional de Educação Patrimonial e lançará edital para reconhecimento de práticas de educação patrimonial, com valor de, pelo menos, R$ 2 milhões.

Uma terceira ação, que está sendo consolidada com a Casa Civil, é um novo programa de investimentos para obras que o Iphan vai realizar de restauro e conservação, focando, principalmente, em centros históricos.

“Recuperando áreas tombadas, a parte referente aos imóveis e promoção também da habitação de interesse social, ocupação cultural”, explicou.

Em perspectiva, está a inclusão, ainda este ano, da Chapada do Araripe na lista de indicação brasileira a patrimônio mundial, com apresentação oficial da candidatura à Unesco, em 2024. A Chapada do Araripe abrange o Ceará, Pernambuco e Piauí e é reconhecida por sua importância histórica, cultural e geológica.

“A gente está retomando tudo. Tinha muita coisa paralisada, desaquecida, e dando continuidade às políticas que estavam ainda de pé e foram sustentadas pelos próprios servidores”, salientou.

Sob El Niño, inverno deve ser mais chuvoso no Sul e Sudeste

O começo do inverno, na próxima quarta-feira (21), deve trazer mais chuva para a Região Sul do Brasil. Com a influência do fenômeno El Niño, o país deve experimentar uma estação mais chuvosa que o normal no Sul e Sudeste, e mais seca em toda a metade norte do país.

O afastamento do ciclone extratropical que causou vítimas e destruição no Rio Grande do Sul na última semana vai continuar favorecendo o tempo frio e seco que começou neste sábado (17) na região. Porto Alegre deve ter mínima de 6 graus Celsius (C°) na segunda-feira (19), e Curitiba, de 7C°.

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O tempo frio deve provocar geadas em cidades dos três estados neste domingo (18), o que deve se repetir na segunda-feira, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Climatempo.

Pancadas de chuva devem voltar a ser registradas na capital gaúcha na quarta-feira (21) e na quinta-feira (22), quando a temperatura sobe um pouco, mas não passa de 20C°, segundo o Inmet.

No Sudeste, onde o frio levou mínimas de 8,5Cº à capital paulista, a previsão do Inmet é que as baixas temperaturas devem continuar, com mínima, em São Paulo, de 12C° na segunda-feira, 11C° na quarta-feira e 10C° na quinta-feira.

Belo Horizonte também pode começar o inverno com mínima de 10Cº e, para o Rio de Janeiro e Vitória, estão previstas mínimas de 15C° e 16C°, respectivamente.

El Niño

O inverno deste ano terá impacto do fenômeno El Niño, que afeta o Brasil aumentando a seca no Norte, Nordeste e parte norte do Centro-Oeste, e provocando o oposto no Sudeste e Sul, com volumes de chuva maiores que o normal.

O fenômeno ocorre quando as águas do Oceano Pacífico na faixa da Linha do Equador aquecem mais do que o normal, o que altera o sistema de ventos em toda a América do Sul, impedindo que as frentes frias que vêm do Sul avancem além do Sudeste do Brasil.

O Centro de Previsão Climática da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa) confirmou que o El Niño já se formou e tende a se fortalecer ao longo do inverno. O fenômeno não tem um tempo previsível de duração, e pode se estender entre seis meses a dois anos.

Mostra em Inhotim revela caminhos de Abdias Nascimento no exílio

Intelectual de múltiplos talentos, Abdias Nascimento havia feito suas primeiras experiências nas artes plásticas meses antes de embarcar para os Estados Unidos, em 1968, para ampliar as trocas entre os movimentos negros brasileiro e norte-americano. O contexto era de resistência contra a ditadura militar aqui, e de luta pelos direitos civis lá, com movimentos como os Panteras Negras em ebulição.
Abdias Nascimento na convenção PDT no Congresso Nacional em 1982 – Elisa Larkin Nascimento/Divulgação

Com o decreto do Ato Institucional nº 5 ,em dezembro daquele ano, Abdias foi forçado a permanecer em exílio, e, a partir daí, mergulhar na pintura como mais uma frente de resgate, exaltação e intercâmbio de tudo o que expressa a ancestralidade africana, partindo da espiritualidade para uma proposta filosófica completa, com um entendimento negro e afrodiaspórico sobre estar no mundo.   

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“É nos pontos riscados e cantados que nasce minha arte. Aí está a base de tudo. Nas encruzilhadas, nessa coisa que vai e vem, as contradições da vida ganham sentido, e o nosso retrato vai ganhando forma”, definiu Abdias, que se descobriu artista plástico aos 54 anos, na busca por uma linguagem alternativa ao inglês que intermediasse suas trocas com intelectuais e ativistas dos Estados Unidos, Caribe e África, nos 13 anos em que permaneceu exilado.

A história é contada por telas e documentos do Museu de Arte Negra, expostos em Inhotim na mostra Terceiro Ato: Sortilégio, que recebeu apoio da Petrobras, por meio do edital Petrobras Cultural – Múltiplas Expressões, e conta com acervo do Instituto de Pesquisa e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro). Localizado em Brumadinho, Minas Gerais, o Instituto Inhotim é a sede de um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil e considerado o maior museu a céu aberto do mundo.

Quando se iniciou nas artes plásticas, Abdias já era um dos mais importantes intelectuais de seu tempo, além de articulador da mobilização negra e dramaturgo, ator e jornalista de produção extensa, tendo fundado o Teatro Experimental do Negro (1944), o jornal Quilombo: Vida, Problemas e Aspirações do Negro (1948) e o Museu de Arte Negra (1950). Pelo Teatro Experimental do Negro passaram atores e atrizes consagrados, como Ruth de Souza, Léa Garcia e Aguinaldo Camargo.

“Julgávamos que a viagem de Abdias Nascimento aos Estados Unidos fosse oportunidade para ampliar o sucesso do homem de teatro e do escritor sempre brilhante. Que igualmente fosse oportunidade para dilatação de sua campanha em favor do homem de raça negra. Tudo isso está se sucedendo naturalmente. Nenhum espanto. Surpresa mesmo é Abdias artista plástico”, escreveu em O Jornal o crítico de arte Quirino Campofiorito, em 1969, quando tomou conhecimento de que o intelectual havia estreado uma exposição no Harlem, em Nova York.

Exposição Terceiro Ato: Sortilégio, com obras de Abdias Nascimento que ocupa a Galeria da Mata, no Museu Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Durante sua permanência nos Estados Unidos, Abdias lecionou em instituições americanas, como a Universidade de Nova York, onde fundou a cátedra de Culturas Africanas no Novo Mundo e se tornou professor emérito. Também atuou na articulação de debates dos povos africanos em diáspora, organizando e participando de congressos e seminários nas Américas e na África, que tinham entre seus objetivos o enfrentamento do apartheid na África do Sul. Mesmo assim, o brasileiro considerava que reduzir suas trocas com o movimento negro americano ao inglês seria ser colonizado uma segunda vez, e, desse modo, a pintura exerce um papel fundamental, e, nela, os orixás são protagonistas.

Exposição Terceiro Ato: Sortilégio, com obras de Abdias Nascimento que ocupa a Galeria da Mata, no Museu Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O título da exposição, Sortilégio, faz referência a uma peça escrita por Abdias, em 1951, e montada pela primeira vez apenas em 1957, após perseguição e censura. Crítica do mito da democracia racial, a obra destaca elementos do candomblé, denuncia o racismo e combate a demonização dos orixás, proposta que reaparece nas artes plásticas do intelectual.

Em foto de José Medeiros incluída na exposição, Abdias, que também era ator, empunhava o tridente de Exu no palco, ato em que o protagonista resistia à assimilação e apagamento cultural pela branquitude hegemônica. Orixá da comunicação e das viagens, a entidade é peça central para entender a pintura de Abdias Nascimento, afirma Deri Andrade, curador assistente da exposição Terceiro Ato: Sortilégio, assinada também pela curadora-chefe Júlia Rebouças. 

O curador assistente Deri Andrade fala sobre a exposição Terceiro Ato: Sortilégio, com obras de Abdias Nascimento que ocupa a Galeria da Mata, no Museu Inhotim, em Brumadinho. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“Abdias trazia essas questões e combatia esse racismo religioso há décadas. Percebe-se isso na produção dele nos anos de 1960, 1970 e 1980, em que ele pensa essas religiões de matriz africana enquanto formas de pensamento, em que se tem cosmologia, psicologia, sociologia. Ele encara essas religiões como uma forma de conhecimento, para além de uma questão religiosa. Ele diz muito isso quando vai reivindicar o papel que as religiões tiveram na construção de uma identidade, de uma história e de uma cultura afro-brasileira”, explica Deri.

“Ele não foi iniciado em nenhuma religião, não ‘fez’ a cabeça, mas sempre esteve muito interessado por isso e entendendo a importância dessas religiões na construção da sociedade brasileira a partir de um protagonismo de pessoas negras e trânsitos de África e Brasil”.

Em declaração preservada pelo Ipeafro, o próprio Abdias define essa relação espiritual-artística: uma coisa sensacional aconteceu comigo. Bloqueado pelo inglês, desenvolvi uma nova forma de comunicação. Descobri que possuía uma outra forma de linguagem dentro de mim mesmo: descobri que podia pintar; e pintando eu seria capaz de mostrar o que palavreado nenhum diria. Uma experiência difícil de explicar. O mais apropriado mesmo é dizer que os orixás baixaram e que pinto em estado de comunicação íntima com os orixás.”

O resultado dessa proposta são cores vibrantes e orixás em ação, como parte das questões do presente vivenciado por ele no exílio. Em Xangô Takes Over, o machado do orixá da Justiça se sobrepõe à bandeira americana. Nos quadros Xangô Crucificado ou o Martírio de Malcolm X e Liberdade para Huey, o intelectual une lideranças panteras negras e orixás na resistência por direitos civis.

Exposição Terceiro Ato: Sortilégio, com obras de Abdias Nascimento que ocupa a Galeria da Mata, no Museu Inhotim, em Brumadinho (MG). Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O exílio de Abdias Nascimento também incluiu um período na Nigéria, onde lecionou na Universidade Obafemi Awolowo entre 1976 e 1977. Deri Andrade diz que, assim como as lutas por direitos civis nos Estados Unidos e a religiosidade no Brasil, Caribe e América Central, a encruzilhada que o levou ao continente africano modifica seu trabalho com toda uma nova gramática agregada pelos símbolos adinkra, que representam provérbios e sintetizam ideias. Abdias teve contato com tais símbolos em sua passagem por Gana, e a presença deles em sua produção artística se mantém daí em diante. Além dos quadros que usam a simbologia, a exposição traz também documentos que explicam seu significado.

“A pintura de Abdias não tem uma linearidade e acessa vários períodos da vida dele, tanto quando ele pinta no exílio quanto quando retorna para o Brasil. Mas, quando ele retorna, envolve-se mais com a política, torna-se deputado e depois senador, cria o Ipeafro. E a produção dele, enquanto artista, tem uma baixa. É no exílio em que ele produz mais”, explica o curador, que, apesar disso, reuniu também obras das décadas de 1980 e 1990 na exposição, que continuará na Galeria Mata de Inhotim até 6 de agosto deste ano.  

Abdias Nascimento era neto de africanos escravizados e paulista de Franca, onde nasceu em 1914. Ao longo da vida, foi agraciado por títulos de doutor honoris causa no Brasil e no exterior, recebeu prêmios de órgãos nacionais e internacionais, entre eles a mais alta honraria outorgada pelo Governo do Brasil, a Ordem do Rio Branco no grau de comendador. O intelectual morreu em 2011.

 

*O repórter Vinicius Lisboa e o fotógrafo Tomaz Silva viajaram para Brumadinho (MG) a convite da Petrobras, apoiadora da exposição.

Turismo tem alto potencial para gerar empregos

De janeiro a abril deste ano, 2,7 milhões de turistas estrangeiros estiveram no Brasil. O número já representa 75% do volume registrado em todo o ano de 2022. Esses turistas gastaram cerca de R$ 10 bilhões em terras brasileiras. Os dados mostram, segundo o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, que o turismo é a “grande indústria brasileira do século 21”.

“Precisamos aproximar o debate do turismo do debate da economia, do emprego, do desenvolvimento. Turismo não é só lazer, está associado a trabalho, a economia, geração de emprego. O turismo é pra mim a grande indústria brasileira do século 21. E o Brasil tem um enorme potencial turístico”, disse Marcelo Freixo em entrevista ao programa Brasil em Pauta, que vai ao ar neste domingo (18), às 22h30, na TV Brasil.

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“Qual é a atividade econômica que, em quatro meses, deixa R$ 10 bilhões no país? São poucas. Então, temos grande expectativa que o turismo gere muito emprego”, disse Freixo.

A expectativa, segundo Marcelo Freixo, é que, neste ano, o número de turistas estrangeiros no país ultrapasse os 6 milhões.

Ele disse que a Embratur trabalha em conjunto com prefeitos, governadores, gestores públicos e a iniciativa privada para capacitar e melhorar cada vez mais os serviços turísticos no Brasil. Um instrumento que auxilia nessa tarefa, segundo Freixo, é o Mapa do Turismo Brasileiro, que tem informações sobre quais cidades em cada estado têm potencial para receber turistas estrangeiros; que nacionalidades mais visitam cada local; que tipo de turismo buscam e quais a principais áreas de geração de emprego.

Informações detalhadas do mapa foram entregues ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome para orientar a qualificação da mão de obra localmente. “Estamos buscando que o turismo seja efetivamente uma ação de desenvolvimento econômico e social geradora de empregos e que tenha política pública”, disse.

Aumentar o número de voos internacionais para o Brasil para facilitar a vinda de estrangeiros é outra frente na qual a Embratur trabalha. Marcelo Freixo disse que conversa frequentemente com representantes de companhias aéreas e recebe deles que há interesse em ampliar o número de voos. “Quanto mais voos tivermos, mais barata a passagem vai ficar”, acredita.

Sobe pra 11 o número de mortos no RS por passagem de ciclone

A Defesa Civil do Rio grande do Sul informou, por meio de uma rede social, que subiu para 11 o número de mortos devido à passagem do ciclone extratropical no estado na quinta-feira (15). Até então, o órgão contabilizava oito mortes. Mais de 3.700 pessoas estão desabrigadas e quase 700 desalojadas, e dez pessoas seguem desaparecidas, todas do município de Caraá, distante a cerca de 90 km de Porto Alegre, e que tem pouco mais de 8 mil habitantes.

O ciclone extratropical ocasionou chuvas intensas e fortes ventos no sul de Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. As tempestades causaram inundações, alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra, que afetaram 41 cidades gaúchas e 31 catarinenses.

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Em Santa Catarina, não há registro de mortes e desaparecimentos. Também não há pessoas desabrigadas ou desalojadas. A água que alagava os municípios já baixou e as cidades que tiveram deslizamentos já estão recuperando esses locais.

Segundo o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres Naturais (Cemaden), a previsão para este domingo (18) é de melhora do tempo. O ciclone se deslocou para o oceano e há resquícios de vento na costa norte do Rio Grande do Sul. A preocupação, agora, será com as baixas temperaturas, já que o inverno começa na próxima semana.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul orienta as pessoas que desejam retornar para suas residências a verificar as condições estruturais e de segurança. “Higienize o local e todo material que teve contato com a água. Comunique as autoridades se identificar riscos”, alerta o órgão.

O ciclone extratropical é um sistema de baixa pressão atmosférica que surge fora dos trópicos. É associado às frentes frias e encontrado nas médias e altas latitudes. No Hemisfério Sul, os ciclones giram no sentido dos ponteiros dos relógios, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec).

O ciclone que atingiu o Sul do país, associado a uma frente fria, formou-se no Oceano Atlântico no decorrer da semana passada. A área de baixa pressão nos médios e altos níveis da atmosfera potencializou a formação do ciclone em terra, transportando a umidade do oceano para o continente.

Preservação do Cerrado no DF é tema do Caminhos da Reportagem

A Área de Proteção Ambiental de Cafuringa, situada a noroeste do Distrito Federal, é conhecida como a última fronteira verde da região. Criada em 1988, a APA se destaca pela beleza natural de suas chapadas, matas e campos, onde brotam nascentes que correm por rios e ribeirões, corredeiras e cachoeiras deslumbrantes.

Cafuringa – a última fronteira verde do DF é o tema do programa Caminhos da Reportagem, que vai ao ar neste domingo (18), às 22h, na TV Brasil

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A Apa de Cafuringa está localizada no Cerrado brasileiro, segundo maior bioma e o mais ameaçado do Brasil. O Cerrado já perdeu mais de 50% de sua cobertura original e os grandes desafios desse bioma são a criação de unidades de conservação (UC), o uso sustentável de recursos naturais, a preservação das bacias hidrográficas, a prevenção e o combate aos incêndios florestais e o monitoramento do bioma.
Área de Proteção Ambiental de Cafuringa – TV Brasil

No Caminhos da Reportagem, você verá como a Área de Proteção Ambiental de Cafuringa ainda é um local de preservação e de bons exemplos de cuidado com o Cerrado. Desde iniciativas de reintrodução de animais apreendidos do tráfico ao seu habitat natural, passando por ecovilas sustentáveis e por brigadas voluntárias de incêndio, a Apa de Cafuringa é referência em conservação do Cerrado.

De acordo com Pedro Braga, auditor de Unidades de Conservação do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), a região, que abriga mais de 120 cachoeiras e poços próprios para banho, se mantém conservada em grande parte por conta do relevo acidentado. “É o que a gente chama de mar de morros do Distrito Federal. É uma chapada que delimita toda aquela região e mergulha de 1.300 metros para 800 metros. Então esse desnível de 500 metros de altitude gera uma série de cachoeiras e corredeiras. A Cafuringa é um conjunto de acidentes geográficos incríveis”.

Reuber Brandão, biólogo, professor da Universidade de Brasília (UnB) e membro da Rede de Especialistas em Conservação, diz que a APA de Cafuringa também tem características amazônicas. “Você tem matas que têm um contato biogeográfico, um contato de trocas de organismos com biomas mais ao norte. Então encontram-se espécies de anfíbios, de serpentes, de borboletas, de vários organismos que são mais tipicamente amazônicos do que, por exemplo, a fauna que a gente encontra nessas porções mais altas dentro do Planalto Central”.

Área de Proteção Ambiental de Cafuringa – TV Brasil

O Cerrado está presente em 14 estados e no Distrito Federal, abriga mais de 130 mil nascentes, sendo uma das principais fontes de água do país. Das 12 bacias hidrográficas do Brasil, oito nascem no Cerrado.

De acordo com a professora Isabel Belloni Schmidt, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília, o bioma é a caixa d’água do Brasil. “O Cerrado é um produtor de água muito importante. A água do Cerrado, não só do Distrito Federal, é importante para muitos lugares no Brasil, e quando a gente desconsidera a existência do Cerrado e quer substituir ele, a gente está na verdade jogando água fora, a gente está deixando de produzir água”.

Marinha resgata cinco tripulantes de embarcação que naufragou em SC

A Marinha do Brasil informou que foram resgatados cinco tripulantes da embarcação pesqueira BP Safadi Seif que naufragou na sexta-feira (16), a cerca de 40 quilômetros (km) de Garopaba, no litoral de Santa Catarina. Em nota divulgada na noite de sábado (17), a Marinha informa que os cinco sobreviventes foram encontrados em “bom estado de saúde”. Três pessoas ainda seguem desaparecidas.

Os tripulantes foram encontrados por volta das 22h pela embarcação Thor Frigg, um navio rebocador que patrulhava a área, a 180 km da costa e que navegava sob coordenação de buscas pelo Salvamar Sul.

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Segundo o 5º Distrito Naval, as buscas começaram na noite de sexta-feira e continuam no local. A Capitania dos Portos de Santa Catarina vai instaurar inquérito administrativo, com prazo de 90 dias de conclusão, para apurar as possíveis causas e responsáveis.

Uma coletiva de imprensa foi marcada para as 11h30 deste domingo para detalhar o resgate e a continuidade das buscas.

“A MB [Marinha do Brasil] continua mantendo esforços nas buscas pelos outros três desaparecidos”, diz a nota.

Câmara aprova projeto que pune discriminação de políticos

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece punição a quem discriminar pessoas politicamente expostas em bancos e instituições financeiras. O texto enviado ao Senado prevê pena de reclusão de 2 a 4 anos e multa para quem negar a abertura de conta ou sua manutenção, ou mesmo a concessão de crédito ou outro serviço. 

A proposta inclui políticos eleitos e detentores de altos cargos nos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal). A proposta abrange ainda pessoas que respondem a investigação preliminar, termo circunstanciado, inquérito ou a qualquer outro procedimento investigatório de infração penal, civil ou administrativa, ou pessoas que figuram como rés em processo judicial em curso (sem trânsito em julgado). 

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No caso das pessoas politicamente expostas, as normas do projeto alcançam ainda as pessoas jurídicas das quais elas participam, os parentes e os estreitos colaboradores. São considerados familiares os parentes, na linha direta, até o segundo grau, o cônjuge, o companheiro, a companheira e enteados. 

Também serão consideradas politicamente expostas e abrangidas aquelas pessoas que sejam, no exterior: chefes de Estado ou de governo; políticos de escalões superiores; ocupantes de cargos governamentais de níveis superiores; oficiais generais; membros de escalões superiores do Poder Judiciário; executivos de níveis superiores de empresas públicas e dirigentes de partidos políticos. 

De igual forma, o texto considera pessoas expostas politicamente os dirigentes de escalões superiores de entidades de direito internacional público ou privado, como órgãos das Nações Unidas, por exemplo. 

Para a identificação das pessoas expostas politicamente, deverá ser consultado o Cadastro Nacional de Pessoas Expostas Politicamente (CNPEP), disponível no Portal da Transparência, ou em outras bases de dados oficiais do poder público. No caso de pessoas do exterior ou estrangeiros, devem ser consultadas fontes abertas e bases de dados públicas e privadas.  

O texto define que, em todos os casos, a condição de pessoa exposta politicamente tem duração de cinco anos, contados da data em que a pessoa deixou de figurar nas posições listadas.

Instituições financeiras

A proposta altera a lei sobre o processo administrativo sancionador das instituições financeiras (Lei 13.506/17) para exigir um documento com a motivação para casos de negativa.  

Quanto ao crédito, o documento deve conter motivação técnica e objetiva para a recusa, não podendo alegar recusa somente pela condição de pessoa politicamente exposta do pleiteante ou ainda pelo fato de a pessoa figurar como ré em processo judicial em curso ou ter decisão de condenação sem trânsito em julgado.  

Se o representante legal da instituição financeira negar-se a apresentar ao solicitante esses documentos, responderá por eventuais danos morais e patrimoniais causados, sem prejuízo de responsabilização penal.  

Os documentos deverão ser entregues em cinco dias úteis, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

Críticas

Em nota, a Transparência Internacional (TI) diz que o texto tramitou em “rito acelerado” e que ataca diretamente um instrumento central no combate à lavagem de dinheiro e ao uso de laranjas: o monitoramento adicional e a tomada de medidas mitigadoras de riscos com relação aos ocupantes de cargos e funções públicas que, em razão de sua atuação profissional, apresentam riscos adicionais de lavagem de dinheiro e de financiamento do terrorismo.    

“Este projeto foi discutido pela primeira vez apenas na semana passada e não constava na pauta da Câmara dos Deputados ontem [14]. Ao invés de ser discutido pelas três comissões temáticas que tinham competência sobre a matéria do projeto, foi apresentado parecer de plenário em substituição a estas comissões. O texto do substitutivo nem tinha sido apresentado para os próprios deputados, que tiveram acesso ao projeto apenas minutos antes da votação. Isso impediu qualquer discussão sobre os méritos e os riscos do projeto”, afirma a entidade na nota divulgada quinta-feira.  

Segundo a TI,  o projeto coloca em risco três avaliações sobre o cumprimento de medidas anticorrupção e antilavagem de dinheiro em organismos internacionais: o Grupo de Trabalho Antissuborno da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); o Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI); e a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (UNCAC).

Defesa

Na avaliação do líder do União Brasil, deputado Elmar Nascimento (BA), não se trata de criar privilégios, mas de garantir que as pessoas que pretendem entrar na vida pública não sejam intimidadas por regras financeiras. 

“É inadmissível uma filha de um sócio nosso, um sobrinho nosso, sem qualquer tipo de problema, ter a sua conta sustada simplesmente por que é filho, sobrinho, ou parente de um político”, disse. Essas regras afastam as pessoas da vida pública, afirmou o deputado. 

*Com informações da Agência Câmara de Notícias

Brasil bate Alemanha e chega à 6ª vitória na Liga das Nações Feminina

A seleção feminina brasileira de vôlei emplacou a sexta vitória seguida na Liga das Nações ao superar a Alemanha neste sábado (17), por 3 sets a 1 (25/22, 25/18, 22/25 e 25/17), diante da torcida que lotou o estádio Nilson Nelson lem Brasília (DF). O último jogo no Brasil em casa, encerrando a segunda semana da Liga, será contra os Estados Unidos, neste domingo (18), às 10h (horário de Brasília). A seleção norte-americana estava invicta até hoje (17), quando perdeu por 3 sets a 2 para o Japão. As brasileiras também sofreram uma derrota na competição. O revés foi na estreia contra a China (3 sets a 2), no último dia 31, em Nagoya (Japão).

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No duelo deste sábado (17), o técnico José Roberto Guimarães colocou em quadra as 14 jogadoras inscritas na competição. Começou com Macris, Kisy, Thaisa, Carol, Pri Daroit, Maiara Basso e a líbero Nyeme. Depois foi rodando o time com Roberta, Rosamaria, Lorena, Julia Bergmann, Diana, Lorenne e Natinha  

Destaque da partida, a oposta Rosamaria anotou 19 pontos (18 de ataque e um de saque). 

“Fiquei muito feliz com essa vitória. A gente sabe o quanto cada jogo é importante. Tivemos oportunidads de rodar o time, todo mundo entrou no jogo, e isso é muito importante. Fiquei feliz com a minha atuação, por ajudar a equipe. Sei que a gente ainda pode melhorar, e é a energia dessa torcida que coloca a gente pra frente. Amanhã temos mais um jogo importante”, disse a jogadora, em depoimento à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). 

O Brasil  busca um título inédito na Liga das Nações, após três vice-campeonatos seguidos. Além disso, os jogos da Liga pontuam para o ranking mundial da Federação Internacional de Voleibol (FIVB, na sigla em inglês), um dos parâmetros para a conquista da vaga olímpica para os Jogos de  Paris 2024. 

A CBV confirmou neste sábado (17) que a ponteira Ana Cristina vai passará por uma artroscopia no joelho direito na próxima semana. Na última segunda (12), a jogadora sofreu uma lesão no menisco do joelho direito durante o treinamento da seleção em Brasília. 

Formato da competição 

O torneio reúne as 16 nações mais bem ranqueadas pela FIVB. Na primeira fase (classificatória) – de 30 de maio a 2 de julho -cada seleção joga 12 partidas, em quatro semanas, em locais diferentes. As oito mais bem colocadas avançam à fase eliminatória (quartas de final). Detalhe: os Estados Unidos já têm vaga garantida nas quartas, por serem os anfitriões da fase final (de 12 a 16 de julho).

Programação 

Tailândia (terceira semana)

28 de junho – 10h30 – Brasil x Itália

29 de junho – 07h: – Brasil x Canadá

30 de junho – 10h30 – Brasil x Turquia  

2 de julho – 10h30 – Tailândia x Brasil 

Estados Unidos (fase final)

12 a 16 de julho

Vini Jr. fecha goleada de 4 a 1 contra Guiné em jogo contra o racismo

O Brasil sobrou diante da Guiné com goleada de 4 a 1 no estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona (Espanha), neste sábado (17). Joelinton, Rodrygo, Éder Mitão e Vinícius Júnior, o protagonista da partida com a camisa 10, marcaram para o escrete canarinho, e Guirassy descontou para a Guiné. A partida foi repleta de manifestações contra o racismo em solidariedade a Vini Jr., alvo reiterado de insultos racistas no Campeonato Espanhol, o último deles em 21 de maio. 

No entanto, antes mesmo de a bola rolar em Barcelona, um outro caso de racismo foi registrado no estádio. Desta vez a vítima foi Felipe Silveira, assessor pessoal e amigo de Vini Jr. Após passar pela roleta de entrada, Felipe disse ter sido abordado por um segurança que teria apontado uma banana para ele e dito: “Mãos para cima, essa daqui é minha pistola para você”. Houve confusão e a polícia foi chamada. A situação foi filmada pelo pelo repórter Eric Faria da TV Globo e as imagens foram veiculadas pela emissora antes da partida. 

O Brasil jogou o primeiro tempo com o uniforme todo preto, fato inédito nos 109 anos de história da seleção. Além da iniciativa, faixas com os dizeres “Com racismo não tem jogo” foram estendidas em vários pontos das arquibancada e mensagens antirracistas estamparam os telões do estádio.  Antes do apito inicial, todos os jogadores permaneceram ajoelhados durante um minuto em protesto contra o racismo. 

O Brasil dominou a partida no primeiro tempo, e coube a Joelinton, estreante na seleção, abrir o placar aos 26 minutos, após rebote do goleiro ao defender uma tentativa de gol de cabeça de Richarlison. Quatro minutos depois, Rodrygo ampliou, fazendo valer o apelido dele no Real Madrid: Rayo. O camisa 11 roubou a bola do lado direito da entrada da área e desferiu um chute certeiro. pelo lado  Aos 33 minutos, Vini Jr quase ampliou ao receber a bola dentro da área mandou um chute colocado, mas a bola passou por fora, rente ao travessão. Nos minutos finais, a Guiné botou pressão, e diminuiu  em jogada de bola parada. Após cruzamento na área, Guirassy subiu mais alto que Marquinhos e marcou o primeiro e único gol da Guiné. 

Estreante na seleção brasileira, volante Joelinton abriu a goleada de 4 a 1 sobre a Guiné, no estádio Cornellà-El Prat, em Barcelona – Joilson Marconne/CBF/Direitos Reservados

Após o intervalo, com apenas um minuto de jogo, Éder Militão aproveitou o cruzamento de Lucas Paquetá e cabeceou bonito para o fundo da rede, sem chance para o goleiro Koné, ampliando o placar para 3 a 1. Já do lado brasileiro, das poucas vezes que o goleiro Ederson foi acionado, a de maior perigo ocorreu aos 31 minutos: Ederson não só espalmou o chute de Sylla, como também evitou de pé esquerdo a batida de Kanté no rebote. Antes do fim, aos 42, Malcom foi derrubado por Sylla e o árbitro anotou um pênalti. Casemiro, capitão da seleção, pegou a bola e a entregou para Vini Jr. que cobrou com categoria, selando a vitória por 4 a 1. . 

O Brasil volta a campo às 16h da próxima terça-feira (20), às 16h (horário de Brasilía para mais um amistoso. A seleção enfrentará o Senegal, no Estádio de Alvalade, em Lisboa (Portugal) .

Programa No Mundo da Bola na TV Brasil faz 10 anos com edição especial

O programa No Mundo da Bola, transmitido pela TV Brasil, vai comemorar dez anos neste domingo (18), às 21h, com um debate sobre o preconceito no futebol e em outras modalidades de esportes, tendo como tema o combate ao racismo. 

No estúdio, o apresentador Sérgio Du Bocage (foto) receberá os jornalistas Leandro Lacerda, Rachel Motta e Cláudia Silva, que foi a primeira jornalista a acompanhar uma seleção brasileira feminina no exterior, em 1988. Por vídeo, vai participar o paratleta Clodoaldo Silva, nadador, e a jornalista Márcia Silveira, jornalista que sofreu racismo na Espanha, como o jogador de futebol do Real Madrid, Vini Jr.

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O programa passou a ter este nome no dia 16 de junho de 2013, em sinergia com a Rádio Nacional, que há 75 anos tem um programa com o mesmo nome e comemora 76 anos em 1º de setembro de 2023. A história da mesa de debates, considerada a mais tradicional da televisão brasileira, no entanto, começou muito antes da troca de nome.

Primeira edição

A primeira edição foi ao ar em 27 de junho de 1976 pela antiga TV Educativa do Rio de Janeiro, que atualmente se chama TV Brasil. Ao longo do tempo houve muitas mudanças. Na estreia, a apresentação era feita pelo saudoso jornalista Luiz Mendes, conhecido como “o comentarista da palavra fácil”, e o programa tinha o nome de Terceiro Tempo.

Depois de Mendes, a apresentação ficou por conta de Luiz Orlando e a produção se chamava Esporte Total. Na sequência, veio o narrador Januário de Oliveira e a atração esportiva passou a ter o nome de Esporte Visão.

O apresentador Sérgio du Bocage e o jornalista Márcio Guedes  – Fernando Frazão/Agência Brasil

Com um enfarto que afastou temporariamente Januário, o atual apresentador Sérgio Du Bocage ficou à frente do programa por cerca de dois anos, até a volta do titular.

“Eu fui chamado meio às pressas, na véspera, para apresentar o programa pela primeira vez. Foi um dia depois da data de aniversário de Januário, que era 19 de setembro. e fiquei apresentando a mesa.”

Na época, não tinha o TP [teleprompter, equipamento onde é possível ler o texto da apresentação sem aparecer na imagem]. Até hoje eu não uso. Acho que aprendi por conta disso e tomei gosto pela nova função, que nunca tinha cogitado”, contou Bocage, que naquele tempo era repórter.

Mesa Redonda

Em 1990, foi a vez de Raul Quadros comandar a mesa de debates. O jornalista foi sucedido pelo veterano narrador esportivo José Carlos Araújo, conhecido como Garotinho, que se transferiu para a TVE/RJ para apresentar o programa que trocou de nome e se tornou Mesa Redonda. Na saída de Garotinho, o comando ficou com o jornalista Maurício Menezes e era chamado, então, de Debate Esportivo. A partir de 1996, o programa dominical ficou sob o comando do narrador Ricardo Mazella, que dividia a apresentação com Bocage.

Já em 2001, com a parceria da TVE/RJ e do jornal O Dia, destaques da imprensa esportiva da época, como Márcio Guedes, Paulo Stein e Alberto Léo foram para a emissora e integraram o  caderno de esportes do jornal, o Ataque. A apresentação era feita na redação de O Dia, na Rua do Riachuelo, no Centro da cidade. Além dessas estrelas, a bancada contava com participações fixas de Renato Gaúcho, Francisco Horta e Isabel, do vôlei, além de Bocage.

No ano seguinte, as transmissões voltaram para a sede da TVE, na Rua Gomes Freire, na Lapa, centro do Rio, tendo à frente Márcio Guedes, com o nome de EsporTVisão. A partir deste momento, o programa teve ainda na apresentação Paulo Stein, Sérgio Maurício e Henrique Marques, além de Ricardo Mazella e do próprio Bocage novamente.

Comentarista esportivo Waldir Luiz – Foto:  Fernando Frazão/Agência Brasil

Em 2011, o titular da mesa redonda era o jornalista Flávio Winicki. Ele dividia a bancada com Sergio du Bocage, que assumiu a apresentação no ano seguinte. Em 2013, a atração teve renovação no cenário e ganhou o atual nome de No Mundo da Bola que se mantém até hoje na grade de programação da TV Brasil. Quando teve esta última mudança para No Mundo da Bola, o também jornalista Alberto Léo fazia parte do grupo de comentaristas fixos do programa que sucedeu ao EsporTVisão.

Estrelas

Um time de comentaristas passou pela bancada da mesa de debates dominical. Durante este período, a bancada teve profissionais de destaque da imprensa esportiva como Achilles Chirol, Oldemário Touguinhó Sérgio Noronha, Ruy Porto, Roberto Porto, Washington Rodrigues, o jornalista Sérgio Cabral, e ainda personalidades como o ex-jogador e comentarista Gérson, o Canhotinha de Ouro.

Desde a sua criação, o programa conquistou o público. Para o gerente de Esportes da TV Brasil, Paulo Garritano, o programa desperta a memória afetiva dos telespectadores, que em grande parte assistem ao programa desde a infância.

“Cria essa memória afetiva e uma espécie de tradição. Lembro como se fosse hoje. Eu, como torcedor, saía do Maracanã e ia correndo para casa para assistir o debate na TV Brasil e o compacto do jogo. Isso continua com as pessoas que vão ao Maracanã. Tenho certeza que essas pessoas, ao assistirem o programa, lembram um pouco do passado”, relatou.

“Hoje, com a facilidade de internet é fácil ver como foi o jogo, mas naquela época não, poucas emissoras passavam o compacto do jogo. Então, essa história da memória afetiva é não só com telespectador, mas com os atletas que jogavam e corriam para assistir o jogo e se ver na televisão”, concluiu.

“A gente tem que atribuir hoje muita audiência do programa à força do formato dele no passado.”

Garritano contou que o formato do programa que tinha a mesa de debates e, na sequência, apresentava o compacto de um jogo da rodada, foi fundamental para ele decidir o que faria profissionalmente. “Ver esses programas que meu pai assistia teve um papel importantíssimo para fazer jornalismo e jornalismo esportivo. Depois de algum tempo, estar trabalhando em um programa no mesmo formato, com as pessoas que conhecia da televisão, e poder fazer parte e debater, para mim, pessoalmente, é um prêmio”, revelou.

Tanto Garritano como Bocage acreditam que o sucesso e o interesse do público, mesmo sendo tão longevo, se dá também pela renovação pela qual passa o programa.

“Tentar trazer coisas diferentes como a gente está fazendo agora, com um programa temático. Isso é renovação, um programa com temas que hoje são factuais como racismo e homofobia e trazer isso para a mesa”, destacou Garritano.

Garritano acrescentou que este formato também atrai um público, que não está só interessado no comentário sobre os jogos da rodada. “Acho que este programa de domingo, para quem não assiste futebol é interessante, porque vai formar uma opinião e vai fazer a pessoa refletir um pouco. A gente mantém o programa tradicional, mas a gente consegue hoje dar uma inovada e um outro olhar para o programa”, completou.

Para Bocage, outro fator que mantém o interesse do público é que o programa, mesmo sendo de debates, não reproduz discussões acaloradas para serem discutidas em redes sociais.

“Não se vê no nosso programa, não quero usar o termo baixaria, mas não se vê gritaria, discussão, tem polêmicas, mas cordiais. Acho que como somos desde a nossa criação uma TV educativa, temos que ter uma postura voltada para isso também. Comunicação pública, sejamos educados no ar, sem atropelar um ao outro, sem bate boca. Isso não faz com que o programa não seja divertido e atraente”, defendeu.

Participação

O público pode participar enviando mensagens de texto pelo WhatsApp com o número (21) 97148-9270. Ao longo do programa, as respostas são lidas ao vivo. Os telespectadores podem ainda manifestar suas opiniões pelas redes sociais.

Além da TV Brasil, pelo canal aberto, a programação pode ser assistida pela TV por assinatura e parabólica. Para saber as opções de sintonia pode acessar o endereço.

Os programas são reproduzidos também no TV Brasil Play, pelo site ou por aplicativo no smartphone. O aplicativo pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Quem preferir tem a opção ainda pela WebTV.

Marcha da Maconha em São Paulo defende não proibição às drogas

“Antiproibicionismo por uma questão de classe – Reparação por necessidade” é o tema, este ano, da 15ª Marcha da Maconha, realizada neste sábado (17) em São Paulo. 

 A concentração começou às 14h20 no vão livre do Museu de Artes de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, e a caminhada será às 16h30. Do Masp, o ato seguirá pela Avenida Paulista e descerá a Rua da Consolação para terminar na Praça da República, no centro da cidade. O objetivo é reafirmar o posicionamento pelo fim da guerra às drogas e seu compromisso com os direitos humanos de todas as pessoas.

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A marcha prevê os já tradicionais bandeirão e “maconhaço”, uma ação visual de impacto na saída do ato e intervenções ativistas na concentração. Também participam movimentos sociais parceiros, como os Guarani Mbya, da Terra Indígena Jaraguá; residentes, ativistas e trabalhadores da redução de danos que atuam na Cracolândia, no centro de São Paulo; um grupo da Marcha das Favelas, do Rio de Janeiro; o bloco LGBTQIA+ e o bloco Feminista; e o bloco terapêutico, formado por pacientes e familiares que fazem uso medicinal da cannabis.

Segundo um dos integrantes da Marcha da Maconha, Luiz Fernando Petty, o tema pretende trazer o conceito do fim da proibição das drogas e de todas as decorrências disso, o fim da guerra às drogas, o direito ao próprio corpo e o fim das prisões pelo tráfico dessas substâncias.

São Paulo (SP), 17/06/2023 – 15ª edição da Marcha da Maconha São Paulo na Avenida Paulista – Tema “Antiproibicionismo por uma questão de classe – Reparação por necessidade”. Foto Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

“E é pela reparação em um conceito antirracista, pensando nas pessoas que sofreram no meio dessa guerra e em como corrigir isso, nem que seja incluindo-os em um futuro mercado de legalização das drogas no Brasil. A partir do momento em que se legaliza as drogas, a gente vai ter todo um processo de anistia para quem foi preso vendendo. E essas pessoas vão sair da prisão e têm que ser levadas em consideração em um projeto de sociedade que as inclua”, afirmou Petty.

Uma das participantes é a presidente da Cultive – Associação de Cannabis e Saúde, responsável pelo bloco terapêutico. Cidinha é mãe da Clárian, portadora da Síndrome de Dravet, também conhecida como Epilepsia Mioclônica Grave da Infância (EMGI), doença progressiva, incapacitante e que não tem cura. Caracteriza-se por crises epilépticas que podem durar horas e atraso do desenvolvimento psicomotor e cognitivo. O óleo de cannabis, hoje produzido por ela e pelo marido, Fábio Carvalho, transformou a vida da filha, que começou a consumir o óleo aos 10 anos de idade e hoje tem 20 anos.

Cidinha contou que começou a se interessar pela cannabis ao ver que o óleo estava dando bons resultados no tratamento de um caso internacional igual ao da filha. Nesse momento, iniciou a luta para conseguir o produto e apenas em 2016 conseguiu permissão na Justiça para produzir. A necessidade a fez estudar o assunto e para entender o que a cannabis poderia fazer por sua filha.

“A marcha foi o primeiro grupo que nos acolheu para que pudéssemos nos manifestar. Nós somos a primeira família. Nós começamos a participar da Marcha da Maconha em 2014, levamos toda a família para participar e para achar várias famílias. A partir de lá, realmente, eu vi que a marcha é um manifesto, porque ela abraça e acolhe todos os coletivos e acaba sendo um símbolo de luta por direitos humanos. A partir daí, nasceu o bloco terapêutico com várias mães participando, e hoje a ala está enorme”, disse Cidinha.

Atualmente, a Cultive cumpre a missão de representar os interesses e anseios das pessoas que necessitam da planta cannabis como medicina e de demandar pela reforma das leis e políticas sobre drogas. A associação tem como protagonistas os familiares e pacientes que necessitam dos medicamentos, mas é amparada por advogados e pesquisadores de diversas áreas do conhecimento.

Festival Refugia mostra cultura e alerta sobre situação de refugiados

O festival Rio Refugia iniciou ações neste sábado (17) para lembrar o Dia Mundial do Refugiado, que ocorrerá na próxima terça-feira (20). As atividades, que incluem desde uma feira gastronômica a oficinas culturais, brincadeiras para crianças, música, moda e artesanato de vários países do mundo, movimentou o Sesc Tijuca, na zona norte do Rio. É a sétima edição do evento, realizado anualmente pelo Abraço Cultural, Pares Cáritas RJ e Sesc RJ, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur).

Conforme os organizadores, a intenção é destacar a luta e as conquistas de pessoas que foram obrigadas a deixar seus países de origem em consequência de guerras, graves violações de direitos humanos ou perseguições diversas.

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“A gente quer fazer com que as pessoas reflitam sobre as condições de refúgio, promover a integração entre os povos e a cultura da paz. É um grande evento para unir pessoas do mundo inteiro em situação de refúgio, trabalhar bem a questão do respeito, do acolhimento e do próprio abraço”, disse a gerente de assistência do Sesc RJ, Thais Castro.

A parceria do Sesc com a Cáritas começou na segunda edição do festival. A gerente afirmou que nesse período foi possível observar que o evento é super esperado durante o ano. Os visitantes retornam e trazem outras pessoas, ajudando a dar mais divulgação ao encontro. “As crianças que vinham há cinco anos, hoje já se conhecem e entendem a questão dos direitos humanos, a importância de receber bem todos os povos, que devem ser contra a xenofobia e o racismo. Então, por aí, a gente começa a perceber a eficácia da ação”. 

Rio de Janeiro (RJ), 17/06/2023 – Feira cultural Rio Refugia celebra o dia mundial do refugiado no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Na programação de hoje houve palestras de refugiados – um deles falou sobre o livro que escreveu e que está à venda no encontro. Além disso, o público pôde conhecer pratos típicos da gastronomia da Nigéria, Venezuela, Síria, Colômbia, do Haiti e da República Democrática do Congo. “A culinária também promove esse respeito, esse conhecimento que liberta. Então, vamos conhecer a alimentação de outro país, como é o processo, respeitar quem está aqui no nosso país em situação de refúgio e traz um prato típico para apresentar. A gastronomia também é um caminho para respeitar esses povos”, observou.

O público pôde participar ainda de oficinas culturais e conhecer os trabalhos de artistas de ritmos latinos e de países do continente africano, com apresentações do DJ angolano Joss Dee e das bandas Saoko e Coral do Rei. “A gente tem multilinguagem, já trabalhou percussão, música, caligrafia, que é muito importante em alguns países, representações específicas como turbantes e artesanato. Trazemos a multilinguagem para mostrar pluralidade no evento”, disse.

A gerente explicou que, durante o ano, a parceria continua para atender aos refugiados que chegam ao Brasil, com serviços como a regularização de documentos e o aprendizado do português. “Unimos parceiros importantes, cada um com sua expertise de atuação. Tem o Abraço Cultural na questão da língua, tem a Cáritas com a documentação e o Sesc com toda a multilinguagem. Trabalhamos com o refugiado de forma holística, tentamos fechar o círculo para que ele se sinta bem no país. Sabemos que a geração de renda é super importante e, por isso, é fundamental que eles apresentem os seus produtos para gerar renda”.

Rio de Janeiro (RJ), 17/06/2023 – Feira cultural Rio Refugia celebra o dia mundial do refugiado no Sesc Tijuca, zona norte da cidade. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Deslocados

De acordo com a Cáritas, o relatório Tendências Globais da Organização das Nações Unidas (ONU), lançado este mês e que apresenta dados sobre o refúgio no mundo, apontou a existência de 108,4 milhões de pessoas deslocadas globalmente em função de perseguições, conflitos, violência, violações dos direitos humanos ou eventos que perturbam a ordem pública.

Entre essas pessoas 35,3 milhões são refugiadas e 62,5 milhões são deslocados internamente em seus países. Em maio deste ano, o total de deslocados superou os 100 milhões. Havia ainda 5,4 milhões solicitações de refúgio e 2,6 milhões com novos pedidos.

ONG espanhola resgata 117 imigrantes que deixaram a Líbia de barco

A organização não governamental espanhola Braços Abertos disse que resgatou 117 migrantes neste sábado (17), aglomerados em um precário barco de madeira que saiu da Líbia, na mais recente travessia desse tipo pelo Mar Mediterrâneo.

O naufrágio da semana passada na costa da Grécia, que matou pelo menos 78 pessoas entre centenas que estavam em um barco de pesca, colocou os holofotes novamente na morte de milhares de imigrantes que todos os anos fogem da pobreza e dos conflitos na África e no Oriente Médio.

A Braços Abertos afirmou em comunicado que resgatou 117 pessoas, incluindo 25 homens e um menino de três anos, a maioria da Eritreia, do Sudão e da Líbia.

A operação de resgate foi realizada em águas internacionais, a 30 km da costa da Líbia, após o barco deixar o porto de Sabratha de madrugada.

Todos os passageiros passaram por avaliação médica a bordo do barco, informou a ONG, sem dar mais detalhes sobre para onde eles seriam levados.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Ciclone extratropical provoca morte de oito pessoas no RS

Oito pessoas morreram e 19 permanecem desaparecidas no Rio Grande do Sul após temporais provocados pelo ciclone extratropical que atinge o estado ndesde quinta-feira (15). Mais de 2.330 pessoas estão desabrigadas. As informações foram divulgadas pelo o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em entrevista coletiva neste sábado.

Segundo Leite, entre as vítimas fatais está um bebê de quatro meses, que estava em uma área alagada e não conseguiu ser retirado a tempo para tratar de problema de saúde anterior às chuvas.  

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A Defesa Civil do estado emitiu alerta para a chuva intensa e ventos fortes nas regiões da Serra, Litoral Norte e Metropolitana de Porto Alegre neste fim de semana. Leite ressaltou a importância de moradores do estado em fazer o cadastro para receberem os alertas por SMS. Basta enviar mensagem de texto para 40199, com o CEP do morador.  

De acordo com o ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, as cidades afetadas atuam em conjunto com governo local e federal para agilizar a elaboração de planos de trabalho. O documento é um pré-requisito para liberação de recursos federais. Cidades em situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecido pela Defesa Civil Nacional estão aptas a solicitar recursos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional para atendimento à população afetada.  

“Nós costumamos, quando trabalhamos conjuntamente com estados, município e União, reconhecer e aprovar sumariamente [os planos de trabalho] porque evita diligências. Fez um plano de reconstrução de uma ponte e quando entra no sistema, a gente aprova em até 48 horas já está disponibilizando o recurso para o município tocar as atividades”, afirmou Góes. As ações envolvem socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução de infraestrutura destruída ou danificada. 

No início da tarde, os ministros Waldez Góes, e da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Paulo Pimenta, sobrevoaram neste sábado (17) cidades do Rio Grande do Sul.  

“Visitamos o município de Caraá, onde muitas famílias foram atingidas pelo ciclone e chuvas dos últimos dias. Presidente Lula nos deu a missão de apoiarmos as regiões afetadas com os recursos necessários para amparar quem perdeu bens e abrigo nesse momento difícil. Estamos juntos!”, publicou Pimenta em sua conta no Twitter

Santa Catarina

A comitiva ministerial também visitou áreas atingidas pelo ciclone em Santa Catarina. O estado foi atingido com menor intensidade, mas registrou rajadas de vento entre 50 e 70 km/h.

Segundo a Defesa Civil do estado,  21 cidades registraram ocorrências, sem danos consideráveis. Somente o município de Praia Grande decretou situação de emergência.

*Matéria atualizada às 17h50 de hoje (17/06)

Judô: Guilherme Schimidt volta à boa fase com prata no Cazaquistão

O judoca brasileiro Guilherme Schimidt, atual número nove do mundo na categoria 81 quilos, faturou a medalha de prata neste sábado (17), no Grand Slam de Astana (Cazaquitão).  Após vencer três lutas seguidas por ippon, o brasiliense de 22 anos foi superado na final por Somon Makhmadbekov (Tadjiquistão), ao sofrer três punições da arbitragem. Promessa do judô nacional, Schimidt volta a subir ao pódio quase um ano depois de conquistar dois ouros em Grand Slams (Turquia e Hungria) e ascender ao top 5 do ranking mundial da Federação Internacional de Judô (IJF, na sigla em inglês). 

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Para chegar à final contra Makhmadbekov, o brasileiro bateu na estreia o cazaque Aibol Nyssanali com dois waza-ari (ippon). Na luta seguinte, pelas quarta de final, Schimidt levou a melhor sobre o espanhol o espanhol Jose Maria Mendiola Izquieta,por hansokumake (desclassificação). A semifinal foi contra o georgiano Nugzari Tatalashvili, que competiu pelos Emirados Árabes Unidos. Schimidt chegou a ter um ippon retirado, após avaliação de vídeo pela comissão de arbitragem, mas acabou avançando à final após o adversário somar três punições, contra duas do brasileiro. Na última luta, valendo a medalha de ouro, Makhmadbekov teve mais facilidade nas estratégia de pegas, e Schimid ainda sofreu três punições, deixando escapar o topo do pódio. 

Neste domingo (18), o Brasil volta ao tatame com Rafael Macedo, número 11 do mundo nos 90 kg, que estreará nas oitavas contra o vencedor da luta entre o vencedor da luta entre Bakar Erashvili (Georgia) e Ayan Baigazy (Cazaquistão). As preliminares começam às 2h30 (horário de Brasília) com transmissão ao vivo do site judotv.com. Já a disputa por medalhas, a partir das 8h, será transmitida pelo Canal Olímpico do Brasil.  

De olho em Paris 2024

Os Grand Slams somam pontos para o ranking mundial, que vale como parâmetro para a classificação à Olimpíada de Paris. O próximo será em Ulanbaatar (Mongólia), a partir da próxima sexta-feira (23). 

O Brasil busca assegurar vaga em cada uma das 14 categorias individuais, além do torneio por equipes em Paris.

A totalização de pontos no ranking da IJF teve início em julho de 2022 e só termina em junho do ano que vem. A modalidade reunirá 372 atletas em Paris (igualmente divididos entre homens e mulheres).  Os 17 primeiros colocados no ranking de categoria asseguram vaga em Paris 2024 (com o limite de um judoca por país). A partir das 18ª colocação no ranking, as vagas serão distribuídas por continente: Américas (21 vagas), Africa (24), Europa (25), Ásia (20) e Oceania (10).

Aeroporto desativado em Belém será sede da COP30 em 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado (17), em Belém, do anúncio oficial da realização da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 30), que será sediada na capital paraense, em 2025. O evento é considerado a maior e mais importante cúpula mundial relacionada ao clima do planeta e deve reunir cerca de 50 mil visitantes na cidade, incluindo dezenas de chefes de Estado e representantes diplomáticos.

“Não existe nada do Brasil mais falado no mundo do que a Amazônia”, afirmou Lula, durante discurso no evento, ao lembrar que a COP será uma oportunidade para que visitantes do mundo inteiro conheçam a realidade da Amazônia e do povo que vive na região.

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“É muito importante cuidar do ecossistema, da biodiversidade e da floresta, mas é muito importante a gente cuidar do nosso povo que vive na Amazônia. É importante saber que aqui moram 28 milhões de seres humanos que precisam trabalhar, comer, precisam ganhar salário e viver dignamente”, enfatizou o presidente.

Durante o evento, o governador do Pará, Helder Barbalho, e a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, assinaram o contrato de cessão do Aeroporto Brigadeiro Protásio Oliveira para a implantação da sede da COP30. As tratativas para a cessão do local estavam em curso há três anos, sem desfecho, mas foram resolvidas na gestão Lula. No local do extinto aeroporto, que era usado para aviação geral, fica o Parque da Cidade. Há também um centro de convenções importante nos arredores, que deve ser um dos principais polos da COP daqui a dois anos. A cessão do terminal será por 20 anos, prorrogáveis por igual período.

“A COP é a mais extraordinária oportunidade que temos para encontrar a solução, seja para a agenda ambiental, fazendo com que o Pará e o Brasil protagonizem a mudança do uso do solo, a valorização da floresta viva, a geração de emprego verde, a viabilização de um modelo econômico que faça com que a floresta esteja em pé, e que as pessoas possam ter emprego, renda e sustento”, destacou o governador em discurso.

A candidatura do Brasil foi proposta em novembro de 2022, durante a COP 27, realizada em Sharm El-Sheik, no Egito. No mês passado, a candidatura recebeu apoio formal do Grupo dos Estados da América Latina e do Caribe (Grulac) praticamente unânime dos demais países sul-americanos, uma exigência da Organização da Nações Unidas (ONU). A escolha deve ser oficialmente confirmada no fim do ano, durante a COP28, em Dubai. Apesar disso, o processo de organização já está em curso.

Estão previstos projetos ambientais para dotar a capital paraense de melhor estrutura de transporte, limpeza urbana e saneamento básico.

Agenda

Mais cedo, em Abaetetuba (PA), Lula participou da entrega de 222 moradias do programa Minha Casa Minha Vida. O presidente e comitiva voltam para Brasília ainda neste sábado. Na segunda (19), ele embarca em mais uma viagem internacional – vai a Roma, para um encontro com o papa Francisco. De lá, segue com destino a Paris, onde participará de cúpula sobre meio ambiente convocada pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Lula retorna ao Brasil no fim da semana.

Bolsa Família paga valor extra e benefício é o maior da história

A partir de segunda-feira (19), beneficiários do programa Bolsa Família começam a receber os pagamentos de junho com o adicional de R$ 50 para gestantes e famílias com crianças e adolescentes de 7 a 18 anos. Esse valor se soma aos R$ 150 por criança de zero a 6 anos de idade em famílias chefiadas por mulheres. Com isso, o tíquete médio recebido por família atingirá o maior valor da história do programa de transferência de renda, chegando a R$ 705,40, segundo informou o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

A Região Norte é a responsável pelo maior benefício médio de todo o país. São R$ 740,37 destinados a cada família contemplada pelo programa. Em seguida, o Centro-Oeste tem o benefício médio de R$ 721,16, seguido pelo Sul com R$ 711,28. No Sudeste, as famílias atendidas recebem, em média, R$ 700,26, enquanto no Nordeste o valor é de R$ 696,76.

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De acordo com o MDS, o Bolsa Família está contemplando atualmente 21,2 milhões de famílias. O orçamento de junho do programa é de R$ 14,97 bilhões, o que também é um valor recorde de pagamento mensal.

“Os acréscimos garantem que 9,8 milhões de famílias recebam mais recursos neste mês do que em maio. Até então, o maior benefício médio já registrado era o do mês passado, quando os lares brasileiros receberam, em média, R$ 672,45. Com esse dinheiro, as famílias mais pobres compram alimentos, suprem outras necessidades, e o dinheiro circula na economia, principalmente nos lugares mais pobres, e impacta na economia local”, informou a pasta, em nota.

Os parâmetros do programa social retomaram o modelo original desenhado no primeiro governo de Lula, nos anos 2000. O principal deles é justamente a retomada das contrapartidas das famílias beneficiárias, como a manutenção da frequência escolar das crianças e a atualização da caderneta de vacinação. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o programa foi substituído pelo Auxílio Brasil, que não exigia essas contrapartidas.

O programa também terá foco na atualização do Cadastro Único e integração com o Sistema Único de Assistência Social (Suas), com a busca ativa para incluir quem está fora do programa e a revisão de benefícios com indícios de irregularidades. Segundo o ministro da Assistência e do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, haverá integração com mais 32 programas de governo voltados para a qualidade de vida da população.

Os novos valores foram garantidos com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição, no fim de 2022, que estabeleceu que o novo governo terá R$ 145 bilhões além do teto de gastos, dos quais R$ 70 bilhões serão para custear o benefício social.

Fotógrafa reúne acervo de paradas LGBTQIA+ do Rio desde 1995

Em 25 de junho de 1995, a 17ª Conferência da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), no Rio de Janeiro, foi encerrada com a realização da Marcha pela Cidadania, considerada a primeira Parada LGBTQIA+ do Brasil.

O ato reuniu um público de menos de 3 mil pessoas, já com organização do Grupo Arco-Íris e a presença de figuras históricas da comunidade, como a travesti Jane di Castro e a drag queen Isabelita dos Patins. Outro símbolo da Parada LGBTQIA+ do Rio, a bandeira arco-íris de 124 metros já estava presente na manifestação.

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Essa história foi registrada em imagens pela fotógrafa Claudia Ferreira, que participa da Exposição Cidade 60+, no Museu da República até 16 de julho. Testemunha da mobilização popular desde os anos 1980, Claudia reúne seu acervo na página Memória dos Movimentos Sociais, na qual o movimento LGBTQIA+ tem um espaço específico, inaugurado pela marcha de 1995.

“A grande novidade no Rio de Janeiro foi aquela parada. Eu fiquei muito feliz, porque via um posicionamento que estava começando a ser mais público, mais político da questão LGBT. Estavam tirando a questão LGBT do armário”, conta a fotógrafa, que é lésbica, em entrevista à Agência Brasil no Mês do Orgulho LGBTQIA+.

Claudia Ferreira voltou a Copacabana em vários anos seguintes, como 1998, 2004, 2007 e 2011, e registrou uma manifestação que se agigantou, mudou de perfil e ajudou a abrir espaço para uma sociedade mais receptiva.

Aos 67 anos, ela afirma que vê em seu círculo social idosos LGBTQIA+ com uma vida muito mais livre do que a que levavam na juventude e pede aos jovens LGBTQIA+ que vejam o envelhecimento como a possibilidade de experimentar um tempo de mais tolerância.    

A fotógrafa Claudia Ferreira na exposição LGBT+60: Corpos que Resistem, no Museu da República, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Agência Brasil: Como você chegou àquela primeira marcha em 1995? O que te atraiu para ela?
Claudia Ferreira: Eu venho fotografando os movimentos feministas desde o final da década de 1980, atenta a tudo que estava acontecendo na cidade, e assim fiquei sabendo que haveria o congresso da Ilga, aqui no Rio, e aquela marcha pela cidadania. Na época, não tinha esse nome LGBT. Foi muito interessante, porque havia pouca gente, mas eu vi, do lado de fora, assistindo, gays e lésbicas que eu conhecia e que não se sentiram encorajados a participar. E isso foi mudando ao longo dos anos. É perceptível nas minhas fotos. A Marcha da Cidadania se tornou a Parada Gay, depois a Parada GLBT, e, a partir de 2008, LGBT. E elas foram crescendo e se tornando menos politizadas.

ABr: Por que você acha que esses conhecidos não se sentiam encorajados a participar? Havia um clima de apreensão? Uma expectativa de repressão?
Claudia Ferreira: Acho que não era uma questão de segurança, não. Era uma questão mesmo de assumir e sair do armário naquele momento. Ainda existe preconceito, mas as pessoas em 1995 eram muito mais vítimas de preconceito. Um homem ou uma mulher tinham medo até de ser vistos pelo seu patrão, ou pelos seus familiares. Não queriam ser relacionados com aquilo ali que estava acontecendo, e acho que isso mudou muito principalmente por causa da luta.

ABr: Pessoas já te pediram para não ser fotografadas?
Claudia Ferreira: Ao longo de todas as paradas, algumas pessoas já.

ABr: E isso foi mudando ao longo do tempo?
Claudia Ferreira: Completamente. Acho que as pessoas hoje fazem questão de aparecer nas fotos. Nesses últimos tempos, não me lembro de pessoas pedindo para não ser fotografadas. Mas isso aconteceu algumas vezes.

ABr: Como pessoa LGBT, o que significou fotografar aquela primeira parada?
Claudia Ferreira: A grande novidade no Rio de Janeiro foi aquela parada. Eu fiquei muito feliz, porque via um posicionamento que estava começando a ser mais público, mais político da questão LGBT. Estavam tirando a questão LGBT do armário.

ABr: Você disse que vê paradas menos politizadas nos últimos anos. Em que sentido?
Claudia Ferreira: Não estou falando das pessoas, estou falando do conceito da parada. São mais fortes nas paradas do Rio os trios elétricos, cada um com o som mais alto que o outro, do que os discursos. Acho que até nos temas e na divulgação, virou muito mais um “venha fazer turismo no Rio e participar da Parada LGBT”, do que um momento para as pessoas discutirem.

ABr: Você já fotografava movimentos feministas. O movimento lésbico já estava presente naquelas manifestações?
Claudia Ferreira: As lésbicas feministas não eram poucas, mas elas não se posicionavam como mulheres lésbicas. Havia um preconceito grande no movimento feminista em relação às lésbicas, não era uma coisa bem resolvida. Tanto em relação às lésbicas quanto em relação às mulheres negras. Tudo evolui. E, anos mais tarde, houve uma grande tensão em relação às mulheres trans, e até hoje tem uma parcela do movimento que é contra. Mas estamos evoluindo e essas tensões estão mais minimizadas.

Foto de arquivo (25/06/1995) – Marcha pela Cidadania, Av. Atlântica, Copacabana. Foto: Claudia Ferreira/ Memória e Movimentos Sociais/Arquivo

ABr: Você fotografou um movimento que foi crescendo em uma sociedade que foi se abrindo. Mas, em determinado momento, houve também um retrocesso político. Isso foi visível nas ruas e nas paradas?
Claudia Ferreira: Exatamente nesses últimos quatro anos não fotografei as paradas, mas vejo que o comportamento da população LGBTQIA+ nas ruas mudou, sim. As pessoas ficaram mais tolhidas, com mais medo de agressões. Principalmente as mulheres trans, por conta desse retrocesso fundamentalista religioso.

ABr: E, enquanto LGBT com mais de 60 anos, o que você destacaria como obstáculo e o que vivencia de positivo?
Claudia Ferreira: Existe uma ideia, principalmente nas pessoas mais jovens, de que para a população LGBT envelhecer significa solidão. O que eu posso dizer da minha vivência e das pessoas com quem eu convivo, é que é muito mais fácil ser um gay ou uma lésbica hoje, com 60 anos, do que foi para essas mesmas pessoas há 30 anos. Conheço gente que saiu do armário depois dos 50 porque se sentiu mais à vontade, porque a sociedade ficou mais receptiva. O que eu vejo é essa população com mais de 60 conseguindo aproveitar mais a vida.

ABr: Uma velhice mais livre do que a juventude?
Claudia Ferreira: Com certeza. Essas pessoas foram muito mais reprimidas na juventude do que são agora. E, em relação à solidão, certamente um gay que tinha um irmão homofóbico, hoje pode ter um sobrinho que gosta dele e acha que ele é o tio mais legal. As famílias foram evoluindo na aceitação. Eu acho que, de alguma maneira, a população LGBTQIA+ com mais de 60 anos está vivendo com mais liberdade.

ABr: Talvez, então, os jovens que olham para o futuro e pensam em solidão podem pensar em encontrar uma sociedade ainda mais aberta?
Claudia Ferreira: Acho que sim. Eu que trabalho com memória e documentação dos movimentos sociais e da vida na cidade, hoje posso dizer isso. Estou falando de anos que já vivi e olhando pelo retrovisor. Os jovens que têm esse medo, não precisam ter esse medo, porque daqui a 30 anos, talvez, terão um mundo ainda mais livre. Mas é claro que a gente fica cada vez mais assustado com os retrocessos de comportamento provocado pelos fundamentalismos, principalmente religiosos.

Barco com oito pessoas naufraga em Santa Catarina

Uma embarcação pesqueira naufragou, na noite desta sexta-feira (16), a cerca de 40 quilômetros de Garopaba, no litoral de Santa Catarina. A informação foi confirmada pela Marinha neste sábado (17). A embarcação “BP Safadi Seif” levava oito pessoas. 

Segundo o 5º Distrito Naval, as buscas começaram na noite de ontem e continuam no local. Ainda não há informações sobre vítimas. A Capitania dos Portos de Santa Catarina (CPSC) vai instaurar inquérito administrativo, com prazo de 90 dias de conclusão, para apurar as possíveis causas e responsáveis. 

Ciclone 

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Os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina sofrem, desde quinta-feira (15) com a passagem de um ciclone extratropical. Ele provocou chuvas intensas e ventos fortes, principalmente nas regiões serrana, metropolitana e no litoral norte gaúcho, além do leste catarinense. De acordo com a Defesa Civil Nacional, 34 cidades gaúchas e 17 catarinenses foram afetadas. 

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), grandes volumes de chuva vão atingir ainda neste fim de semana o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná. Em São Paulo, o acúmulo de chuva deve se concentrar, principalmente, no Vale da Ribeira, com volumes superiores a 100 milímetros (mm) em 24 horas.