A presidenta nacional do PSOL, Paula Coradi (foto), teve o visto de entrada nos Estados Unidos retirado pelo governo de Donald Trump. Segundo Coradi, a ação ocorreu após a sua participação no Congresso dos Socialistas Democratas da América, em agosto.
“O governo de Donald Trump ataca a atuação do PSOL através da retirada do meu visto de entrada nos EUA. Estive lá mês passado no Congresso dos @demsocialists para prestar solidariedade contra o avanço do autoritarismo da extrema-direita no país e denunciar o tarifaço aplicado por Trump contra o Brasil”, disse Coradi nas redes sociais.
O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que o partido e o Brasil não aceitarão intimidação. “Os EUA terem cassado o visto da nossa presidenta Paula Coradi [isso] só mostra que estamos do lado certo, do lado do interesse dos brasileiros frente aos ataques de Trump”, disse.
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil foi procurada, mas ainda não se manifestou.
Os Estados Unidos anunciaram a revogação do visto do presidente da Colômbia, Gustavo Petro (foto). A revogação foi confirmada pelas redes sociais do Departamento de Estado após Petro participar de uma manifestação pró-Palestina, em Nova Iorque, onde presenciou a 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
“O presidente da Colômbia esteve nas ruas de Nova Iorque e incitou soldados norte-americanos a desobedecer às ordens e incitou à violência. Nós vamos revogar o visto de Petro devido à sua imprudência e ações incendiárias’, afirmou o governo dos Estados Unidos.
Durante a manifestação, Petro defendeu o uso de uma força armada global para libertar os palestinos da guerra contra Israel.
Imunidade da ONU
Neste sábado (27), Gustavo Petro retornou à Colômbia e se pronunciou sobre a revogação de seu visto.
Ele declarou que os Estados Unidos não cumprem as regras de direito internacional e de imunidade da ONU.
“Cheguei a Bogotá. Não tenho mais visto para viajar para os EUA. Não me importo. Não preciso de visto, apenas de um ESTA [autorização de viagem], porque não sou apenas um cidadão colombiano, mas também um cidadão europeu”, afirmou.
Segundo Petros, o visto foi revogado por denunciar o “genocídio” na Palestina. “A humanidade deve ser livre em todo o mundo. Temos o direito humano de viver no planeta. Sou livre e todo ser humano deve ser livre na terra”, completou.
O programa Cena Musical, da TV Brasil, mostra um espetáculo inédito do cantor, compositor e pianista paranaense Arrigo Barnabé. A apresentação exclusiva comemora os 45 anos do LP Clara Crocodilo, disco marcante do artista, lançado em 1980 e considerado marco inicial da Vanguarda Paulista. O show ganha janela na telinha da emissora pública na madrugada deste sábado (27) para domingo (28), à meia-noite.
Divisor de águas na música brasileira, o álbum com oito faixas era dissonante e agressivamente rítmico. A produção musical permanece contemporânea mais de quatro décadas após a estreia ao transgredir costumes e abordar a trajetória de personagens marginais da cidade grande.
Apresentado pela jornalista e cantora Bia Aparecida, oCena Musical destaca nomes consagrados e novos talentos da cultura nacional. O programa fica disponível no app TV Brasil Play e no YouTube do canal. As performances são gravadas pela emissora no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro. O especial com Arrigo Barnabé foi registrado no local em maio deste ano.
Nesta edição do Cena Musical, o artista resgata as canções do seu projeto de estreia junto com a banda Sabor de Veneno. Arrigo Barnabé reúne alguns músicos que fizeram parte do histórico LP e apresenta uma releitura baseada nas suítes compostas por ele mesmo no início da década de 1980.
O veterano executa repertório autoral com todas as músicas daquele trabalho, como os sucessos Clara Crocodilo, clássico que dá nome ao disco, Diversões Eletrônicas, Orgasmo Total, Sabor de Veneno, Infortúnio e Office Boy, entre outras obras da carreira.
No palco, Arrigo Barnabé é acompanhado por um quarteto de grandes instrumentistas. O espetáculo tem a participação dos artistas Paulo Braga (teclado), Mario Aydar (guitarra), Paulo Barnabé (bateria) e Gustavo Boni (contrabaixo).
Sobre o programa
Lançado em 2007, o Cena Musical é uma produção da TV Brasil que traz para o público performances inéditas da música nacional. Desde 2017, as apresentações são gravadas no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro. O programa com janela semanal exibe shows que revelam e celebram a diversidade e a riqueza da sonoridade brasileira.
O comando da atual temporada é de Bia Aparecida, cantora, jornalista e apresentadora da emissora pública. Na nova leva de episódios, a atração reúne performances exclusivas de nomes consagrados de vários gêneros.
Com direção de Maíra de Assis e Waldecir de Oliveira, o Cena Musical já acompanhou personalidades como Elba Ramalho, Francis Hime, Olivia Hime, Geraldo Azevedo, Gilson Peranzzetta e Jards Macalé, além dos grupos MPB4 e Quarteto do Rio. Outras astros e talentos da nova geração participam dos próximos programas.
Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo sitehttp://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV: https://tvbrasil.ebc.com.br/webtv.
Serviço
Cena Musical – sábado, dia 27/9, para domingo, dia 28/9, à meia-noite, na TV Brasil
O primeiro dia de provas do Mundial de Atletismo Paralímpico, em Nova Delhi, na Índia, foi altamente produtivo para os atletas brasileiros. Neste sábado (27), dois deles conquistaram ouros e aumentaram a coleção de títulos mundiais.
Petrúcio Ferreira chegou ao penta nos 100 metros T47 (deficiência nos membros superiores), enquanto Beth Gomes alcançou o tetra no lançamento de disco F53 (atletas que competem sentados).
O saldo do primeiro dia teve ainda mais duas pratas, com Yeltsin Jacques, nos 5.000m T11 (deficiência visual) e Vinícius Cabral nos 100m T71 (petra).
Disputa
O pentacampeonato do paraibano Petrúcio Ferreira veio em uma final extremamente disputada. O velocista ficou em primeiro com o tempo de 10s66, mas a diferença para o segundo colocado, o chinês Shi Kangjun, foi de apenas dois centésimos, enquanto o terceiro colocado, o marroquino Ayamane El Haddaoui, chegou apenas quatro centésimos depois. Outro brasileiro, Thomaz Ruan, que terminou a prova apenas 0s16 atrás de Petrúcio, ficou em quarto, de fora do pódio.
O ouro de Beth Gomes veio de forma tranquila. Ela registrou 17,35m na final do lançamento de disco F53, mais de três metros à frente da segunda colocada, a ucraniana Zoia Ovsill, que lançou a 14,16m. O pódio foi completado por Elena Gorlova, que competiu sem bandeira e registrou 13,10m. O Mundial de atletismo paralímpico vai até domingo, 5 de outubro.
O último dia de disputas do Mundial de Natação Paralímpica, em Singapura, teve três pódios para o Brasil. Neste sábado (27), Mariana Gesteira (foto) conquistou o ouro 50 metros livres S9 (comprometimento físico-motor), Gabriel Bandeira obteve a prata nos 100m borboleta S14 (deficiência intelectual) e Mayara Petzold foi bronze nos 50m borboleta S6 (comprometimento físico-motor um pouco maior).
Com os resultados, o país encerrou a competição na sexta colocação no quadro de medalhas, com 39 pódios, sendo 13 ouros, 16 pratas e 10 bronzes. A Itália foi quem terminou em primeiro no quadro, com 18 ouros, 17 pratas e 11 bronzes (46 medalhas), seguida por Estados Unidos e China.
O desempenho dos nadadores brasileiros superou, em pódios e ouros, a performance registrada nos Jogos Paralímpicos de Paris, no ano passado. Naquela ocasião, o Brasil somou 26 medalhas: sete ouros, nove pratas e dez bronzes.
Agora, destaque do último dia de competições pelo Brasil, Mariana Gesteira chegou ao tricampeonato mundial nos 50m livre S9 com o tempo de 27s60. A nadadora do estado do Rio também voltou com o ouro nos 100m costas e a prata nos 100m livre.
Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, da classe S2 (a que possui o segundo maior comprometimento físico-motor) e Carol Santiago, da S12 (baixa visão), com três ouros cada um, foram os que mais contribuíram para a contagem de primeiros lugares do país no Mundial.
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) confirmou neste sábado (27) as datas e horários das semifinais da Taça Libertadores da América, que envolvem dois times brasileiros: Palmeiras e Flamengo.
Ambas as equipes lutam para vencer a competição pela quarta vez e enfrentam, respectivamente, LDU, do Equador, e Racing, da Argentina.
As semifinais da principal competição de clubes na América do Sul serão abertas com o duelo entre Flamengo e Racing, no dia 22 de outubro, no Maracanã, às 21h30 (horário de Brasília). No dia seguinte, no mesmo horário, a LDU recebe o Palmeiras em Quito.
Os jogos da volta serão na semana seguinte. No dia 29, o Racing será o anfitrião diante do Flamengo, novamente às 21h30. No dia seguinte, o Palmeiras recepcionará a LDU no Allianz Parque, também às 21h30.
Tanto Palmeiras quanto Flamengo possuem três títulos da Libertadores na história e, como estão em lados opostos na chave, poderão decidir o campeonato no dia 29 de novembro em Lima, no Peru.
Caso o duelo brasileiro se confirme, seria uma reedição da final de 2021, vencida pelo Palmeiras.
Em toda estrutura metálica das cidades, há um passado que envolve emissão de gases poluidores na atmosfera. Pontes, edifícios, carros e navios são exemplos de construções formadas por aço, elemento que libera grandes quantidades de dióxido de carbono (CO₂) ao ser produzido.
Preocupada com esse cenário, a engenheira química Patrícia Metolina pensou em uma solução para tornar as indústrias siderúrgicas mais eficientes e menos poluidoras: usar o chamado hidrogênio verde no processo de transformação do minério de ferro para o aço.
A pesquisa dela – vencedora do prêmio de teses da Universidade de São Paulo (USP) – é um dos exemplos de como o hidrogênio pode ser estratégico na transição energética necessária para enfrentar o aquecimento global.
“No caso, no Brasil, a gente não tem ainda essa tecnologia sendo desenvolvida nas nossas siderúrgicas. Mas nossas pesquisas mostram o potencial desse processo. Na Suécia, por exemplo, eles têm projeto piloto e conseguiram validar que ele pode ser usado industrialmente e ser comercializado. Há grandes siderúrgicas que estão investindo muito nessa tecnologia para conseguir produzir esse aço verde e conseguir abater as emissões de CO₂”, diz Patrícia.
De olho nesses potenciais, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançaram no início desta semana o Portal Brasileiro de Hidrogênio. A plataforma pública on-line pretende ampliar informações estratégicas sobre o setor de hidrogênio no Brasil e atrair novos investidores.
O hidrogênio verde é obtido a partir de energias renováveis, como as de matriz hidrelétrica, solar e eólica. De maneira simplificada, o processo envolve usar eletricidade em tanque de água (H₂O) para separar as moléculas de hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂).
O hidrogênio obtido pode ser transformado em combustível para aviões, embarcações e caminhões; para produção de amônia (NH3), principal matéria-prima de fertilizantes nitrogenados usados na agricultura; e para a fabricação do aço, como mostra a pesquisa de Patrícia Metolina.
Aço verde
Na indústria siderúrgica, tudo começa com a extração do minério de ferro da natureza. Ele pode se apresentar na forma de hematita (Fe2O3) ou magnetita (Fe3O4). Para obter o ferro (Fe) desse material, é preciso tirar os oxigênios da molécula. No modo tradicional, o minério de ferro é inserido em fornos de alta temperatura que usam coque de carvão. O resultado é a emissão de grandes quantidades de CO₂.
A indústria siderúrgica é responsável por cerca de um terço das emissões industriais de CO₂, segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e por aproximadamente 7% das emissões globais, conforme dados da Agência Internacional de Energia (IEA).
O método pesquisado por Patrícia envolve o hidrogênio verde em um tipo de reação química que dispensa o coque de carvão e a fusão do minério de ferro. O subproduto do processo deixa assim de ser o CO2 para ser apenas vapor de água.
“O Brasil tem um conjunto de vantagens que pode favorecer a produção de hidrogênio, porque na Europa ainda é muito caro. Eles não têm as mesmas condições naturais, como painéis solares e turbinas eólicas como a gente tem. Aqui, a gente poderia produzir o hidrogênio no Nordeste, por exemplo, onde há as eólicas eter uma siderúrgica próxima para consumir esse hidrogênio e fabricar um aço verde”, avalia Patrícia.
Potencial do hidrogênio
Estimativas da Hydrogen Council, consórcio de multinacionais interessadas na expansão do hidrogênio, apontam que a demanda global por hidrogênio deve aumentar cinco vezes até 2050. Em todo o mundo, o cálculo é de mais de 1.500 iniciativas de hidrogênio limpo em andamento, crescimento de sete vezes em três anos.
Dos investimentos anunciados, a América Latina é a que concentra o segundo maior volume: US$ 107 bilhões. E, nesse ponto, o fato de o Brasil se destacar pelo uso de energias renováveis aumenta as expectativas do setor sobre a produção do hidrogênio verde.
Atualmente, os países com maiores projetos de produção de hidrogênio verde no mundo são Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, China, Chile, Espanha e Holanda.
A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) destaca cinco projetos vinculados ao grupo que tem maior potencial econômico. Eles são liderados pelas empresas Fortescue, Casa dos Ventos, Atlas Agro, Voltalia e European Energy. Incluem produção de fertilizantes nitrogenados, amônia e metanol.
Para 2026, a expectativa é de 63 bilhões de investimentos para início dos projetos. A maior parte dos projetos está concentrada no Complexo de Pecém, no Ceará. Mas há outros em Uberaba, em Minas Gerais, e no Porto do Suape, em Pernambuco.
“O que a gente pode dizer é que o hype do hidrogênio verde, da amônia e do metanol passou e agora a gente tem projetos reais, assentados, que estão trabalhando seus fluxos de caixa, organizando as finanças para poder se colocar de pé. Então, o momento que a gente está passando é o momento em que você separa projetos fictícios de projetos reais”, disse Fernanda Delgado, diretora da ABIHV.
“A gente começa a ter todo esse ecossistema montado, enquanto as empresas vão tomando sua decisão final de investimento e o Brasil deve começar a ter produção de amônia e metanol por volta de 2029 ou 2030”, complementou.
Desafios
Apesar de todo o potencial e do avanço das pesquisas, a implantação do hidrogênio verde ainda tem uma série de desafios pela frente. Entre os principais, costumam ser destacados pelos especialistas do setor: custos altos de produção por causa da infraestrutura e equipamentos (eletrolisadores) caros; falta de infraestrutura logística para transporte e armazenamento; necessidade de marco regulatório e tributário claro para atrair investimentos; e dependência do acesso à água para a eletrólise.
Os projetos desenvolvidos pela Universidade Federal do Rio Janeiro, por meio da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), são um exemplo das dificuldades que o país tem enfrentado no setor.
Em agosto de 2023, foi inaugurada uma planta de produção de hidrogênio verde no campus da universidade. O projeto envolvia a produção de hidrogênio a partir da eletrólise da água, usando energia fotovoltaica. E, a partir daí, o uso do hidrogênio em processos industriais, em bicicletas movidas a H2, e em pilhas a combustível de óxido sólido.
A iniciativa contou com recursos da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável. E envolveu quatro laboratórios da Coppe: Laboratório de Transporte Sustentável (LabTS), Laboratório de Eletrônica de Potência e Média Tensão (LEMT), Núcleo de Catálise (Nucat), e Laboratório de Hidrogênio (LabH2).
Dois anos depois, os pesquisadores enfrentam dificuldades para fazer os projetos avançarem. A professora Andrea Santos, coordenadora do Laboratório de Transporte Sustentável (LabTS), explica que os problemas começam ainda na matéria-prima da produção de hidrogênio.
“A nossa primeira produção de hidrogênio não foi em uma qualidade boa. Não era um hidrogênio puro. Tinha uma contaminação nas amostras em torno de 3% de oxigênio. Isso para a aplicação, principalmente em mobilidade, não é adequado. Eu tenho que coletar água desmineralizada de um laboratório para abastecer os eletrolisadores, porque a água da Cedae [empresa privada de abastecimento de água no Rio de Janeiro] não é adequada”, explica Andrea.
A pesquisadora explica que há dificuldade para fazer a manutenção nos equipamentos. Dos nove eletrolisadores que vieram da Alemanha, dois estão com defeito e precisam ser enviados ao país europeu, que não quer bancar o transporte deles. Sem uma indústria nacional que produza esse tipo de equipamento, os custos em pesquisas ficam ainda mais restritos.
Por isso, no ano da COP30, quando a transição energética ganha mais espaço no país, a professora da Coppe/UFRJ espera que novos investimentos públicos e privados permitam o avanço das pesquisas no hidrogênio.
“Precisamos de recursos para fazer as manutenções, para publicar artigos, ter uma equipe trabalhando e operando a planta cinco vezes por semana. Faltam realmente investimentos para pesquisa, desenvolvimento, criação de normas técnicas, certificação e adequação da infraestrutura”, avaliou Andrea Santos.
“Existe esse entendimento de que é uma alternativa ainda cara, portanto, é mais confortável você manter as outras poluentes que já existem. Qualquer tecnologia no início vai custar mais caro. Mas a gente não tem mais como usar essa desculpa por conta da urgência de fazer a transição energética. Se tiver esse investimento, a tendência é essa tecnologia baratear e ficar mais competitiva. No caso do Brasil, a gente tem condição de produzir esse hidrogênio a um custo mais baixo”, finalizou.
A psicanalista e professora de defesa pessoal Ana Paula Lino, de 44 anos, transformou sua dor de presenciar a violência doméstica de seu pai contra sua mãe desde que era criança em sua missão de empoderar mulheres em situação de vulnerabilidade social a se defender de ataques.
Desde abril deste ano, ela dá aulas de Muay Thai para cerca de 20 alunas às sextas-feiras, às 9h, no projeto Menina-Moça Mulher do Instituto Superior de Ciências da Saúde Carlos Chagas, no Lapa, no centro do Rio de Janeiro.
A psicanalista e professora, Ana paula Lino durante aula de defesa pessoal Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Aos 15 anos, Ana começou no judô, depois experimentou capoeira e kickboxing, até se apaixonar pelo Muay Thai, arte marcial que pratica há mais de 14 anos.
“Para mim, toda mulher deve fazer arte marcial. Eu ensino os golpes do Muay Thai para quando elas se depararem em uma situação de perigo e saber como se defender e fugir. Através da luta eu consigo mais confiança e segurança. Eu aqui também trabalho a parte da construção emocional diante de uma situação de perigo”.
Aluna do projeto, a autônoma Andressa Dias, de 47 anos, foi agredida física e psicologicamente pelo ex-marido com quem foi casada 20 anos. Moradora do Catumbi, na região central do Rio, Andressa diz que o Muay Thai serve de alerta para as mulheres que tiveram problemas de violência doméstica.
“Eu fui agredida várias vezes no processo de separação. Ele tentou me enforcar, quase quebrou os meus dedos da mão direita, ele me empurrava. Ele me chamava de hipócrita para baixo. Minha filha tinha 11 anos e presenciou essas situações”.
Outra aluna do projeto, a dona de casa Tatiana Cristina da Silva, 49 anos, moradora de Santa Teresa, no centro, conta que sofreu violência física de ex-companheiros. “Judô e capoeira já fiz. Faltava o Muay Thai para poder me defender. Eu também me defendi quando fui agredida, mas levei a pior porque homem tem mais força. Se alguém vier me agredir, como num assalto, agora estou preparada”.
Alunas participam de aula de defesa pessoal e muay thai no projeto Menina-Moça Mulher. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Menina-Moça Mulher
Voltado para mulheres de 16 a 60 anos, o projeto já promoveu, desde agosto de 2022, 805 oficinas de capacitação e geração de renda e atendeu diretamente 2.668 mulheres. Também oferece consultas em ginecologia, pediatria, psicologia e assistência social, além de mutirões de exames como mamografia e ultrassonografia. O espaço funciona das 8h às 16h, na Avenida Mem de Sá, 254, bairro da Lapa, na região central do Rio, Contato: (21) 99951-0407 e pelo site do projeto projeto Menina-Moça Mulher.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou esta semana um decreto que designa o movimento Antifa como “organização terrorista”. A medida chamou atenção de especialistas, que chegaram a considerá-la como uma das mais graves em termos de repressão tomadas por Trump até o momento. Isso porque, na prática, ela pode ser usada para coibir qualquer manifestação contrária ao governo e até mesmo para justificar o uso abusivo de violência por parte do Estado, sendo comparável a repressões feitas em ditaduras.
“Na verdade, o que ele está suspendendo, sem mexer na Constituição, é o direito constitucional da livre expressão, de protesto, de dissenso, que é próprio da democracia”, diz o professor do departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Thiago Rodrigues.
“É muito grave isso que tá acontecendo. É equivalente a políticas de repressão de uma ditadura militar, como houve no Brasil. A pessoa que é contra o regime é considerada subversiva, como inimiga da pátria, não como criminosa, mas como traidora da pátria. É muito sério, é uma medida que equivale a medidas de um governo ditatorial”, acrescenta.
A medida foi anunciada após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, aliado de Trump, baleado em um campus universitário em Utah. Um estudante de faculdade técnica de 22 anos foi acusado do assassinato, e os investigadores, que ainda buscam uma motivação para o crime, não comprovaram a ligação dele com qualquer grupo organizado. Antes mesmo da prisão do suspeito, Trump atribuiu o assassinato a uma “esquerda radical”. A classificação de Antifa como terrorista veio como represália.
A inclusão chama atenção porque Antifa não se trata de uma organização específica, mas de uma pauta antifascista que é defendida por diversos movimentos e organizações. Nos Estados Unidos, Antifa ganha ainda mais projeção desde o primeiro governo de Trump, entre 2017 e 2021, sendo utilizado como bandeira por movimentos progressistas, por exemplo, durante os protestos após o assassinato de George Floyd, sob o lema Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).
“Não existe um grupo organizado, com hierarquia, com comando central, com propósitos elaborados de uma forma mais organizada que se chame Antifa”, diz Rodrigues. “Antifa é uma tática motivada por uma ideologia antifascista e anticapitalista. É preocupante que Trump tenha designado uma forma de pensar e agir como um grupo terrorista”.
O fascismo surge na Itália, nos anos 1920, sob a liderança de Benito Mussolini. Trata-se de um regime ultranacionalista e autoritário. Já o movimento Antifa ganha força nos Estados Unidos na mesma época, quando grupos se organizam contra organizações pró-nazistas no país. Atualmente, Antifa congrega também pautas de igualdade de gênero e racial.
Sem uma organização específica, a medida de Trump abre brecha para que todas as que se oponham ao governo possam ser criminalizadas.
“É muito possível que essa associação [ao terrorismo] facilite o uso de medidas de repressão, de medidas autoritárias contra grupos em geral desse espectro progressista”, diz a professora do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Clarissa Nascimento Forner.
“Usar o termo terrorismo mobiliza não só um certo conjunto de significados, mas também autoriza um conjunto de práticas, inclusive, de maior violência”, explica.
Nos EUA, a Ordem Executiva 13.224, de 2001, dá ao governo poder de interromper a rede de apoio financeiro para terroristas e organizações terroristas, de designar e bloquear os ativos de indivíduos e entidades estrangeiras que cometem, ou representam um risco significativo de cometer atos de terrorismo.
O ato presidencial que designou Antifa como uma organização terrorista doméstica estabelece: “Todos os departamentos e agências executivas relevantes devem utilizar todas as autoridades aplicáveis para investigar, interromper e desmantelar toda e qualquer operação ilegal — especialmente aquelas que envolvam ações terroristas — conduzida pela Antifa ou qualquer pessoa que alegue agir em nome da Antifa, ou para a qual a Antifa ou qualquer pessoa que alegue agir em nome da Antifa forneceu suporte material, incluindo ações investigativas e processuais necessárias contra aqueles que financiam tais operações”.
“Isso se segue uma lógica que nós testemunhamos em vários países com governos autoritários, com governos não democráticos. A gente viu isso na Rússia, a gente viu isso na Hungria, a gente tem visto isso na Venezuela. É uma ação típica de um governo autoritário que quer, se não acabar, certamente enfraquecer determinadas partes da sociedade civil que eles consideram politicamente hostil”, diz o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Kai Lehmann.
Para Clarissa Forner, a nova medida pode trazer também novas pressões para o Brasil. “Eu não duvido que isso possa também ser um outro mecanismo para ampliar essa pressão, já que a gente tem também grupos que se vinculam a essa pauta antifascista. Acho que isso pode corroborar também para reforçar essas pressões que já existem”, diz a professora da Uerj.
Lehmann acrescenta que, por mais que o Brasil tente copiar a medida, há entraves legais que dificultam que isso seja implementado no país.
“A Justiça no Brasil, atualmente, tem muito mais independência do que nos Estados Unidos. Então, contra esse tipo de medida, caberia no Brasil ainda recurso judicial. Nos Estados Unidos é mais difícil, a Suprema Corte nos Estados Unidos não pode ser considerada independente do Executivo”, diz.
A vassoura, como o corpo do violoncelo. O lápis, como o arco que desliza sobre as cordas. Na imaginação da pernambucana Callyandra Santos, a música na cabeça obstruía até os sons dos tiros nas ruas do bairro do Coque, uma das regiões mais violentas – e estigmatizadas – do Recife (PE). Na época, aos 9 anos, ela havia ingressado na Orquestra Criança Cidadã, um projeto sem fins lucrativos pelo qual já passaram mais de mil crianças e adolescentes como ela. Novos acordes entraram pela janela da comunidade que, em 2006, tinha o menor IDH da capital pernambucana.
Hoje, aos 17 ano, Callyandra foi uma das 11 selecionadas da orquestra de jovens do Recife para tocar fora do país em uma turnê pela Ásia e Europa. Eles estarão acompanhados de músicos de países em guerra, como palestinos e israelenses, ucranianos e russos, além de coreanos do Sul e do Norte.
A turnê do que está sendo chamado de “Concerto pela Paz” prevê apresentações em Seul (na Coreia do Sul, na terça, dia 30), em Hiroshima e Osaka (Japão, nos dia 4 e 5 de outubro), em Roma (Itália, no dia 7) e no Vaticano para o Papa (no dia 8).
“Nada foi em vão”
Recife (PE) – Callyandra Coutinho, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC
Na história de Callyandra, como na de seus colegas, nada foi simples. A mãe, Sara Coutinho, de 47 anos, trabalha todas as madrugadas em uma fábrica de refrigerante situada a mais de uma hora de casa. Ela tem direito a apenas uma folga por semana e só consegue ouvir a filha ensaiar na hora do almoço – enquanto a menina treina com o violoncelo, a mãe consegue descansar com esse novo som. “É uma oportunidade única na vida. Fico muito orgulhosa”, diz a mãe.
Sara é mãe solo e soube da orquestra pelo sobrinho, Davi Andrade, que começou no projeto aos 7 anos de idade. Ele formou-se em música na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e hoje, aos 26, é professor. Davi também fará a turnê. Os vizinhos dele já se acostumaram com a trilha sonora na porta de casa.
“Na música, o meu primo Davi foi quem mais me inspirou. Ele virou também meu professor”, garante Callyandra.
Ao testemunhar a trajetória do rapaz, a menina também pretende seguir as linhas de suas partituras: ir para a faculdade no ano que vem cursar música.
Na vida, a luta diária da mãe e a lembrança da avó, que morreu durante a pandemia de Covid, em 2020, inspiram a garota e fazem com que ela respire fundo na hora de tocar.
“Eu quero mostrar para elas que nada foi em vão”, diz Callyandra.
Bach de encher os olhos
Recife (PE) – Davi Andrade, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC
Entre tantas músicas que já passaram por suas jovens cordas, a “Suíte para violoncelo Nº 1”, de Johann Sebastian Bach, faz a menina do Coque encher os olhos de lágrimas, enquanto faz o arco se mover entre o presente, o passado e o que quer para o futuro.
Davi, o primo e inspiração da Callyandra, recorda que aprendeu o violoncelo com o instrumento apoiado, mesmo ainda sem conseguir pisar no chão de tão pequeno que era em comparação com o equipamento.
“Com 13 anos de idade, eu vi que seria a minha profissão porque mudou a minha história e da minha família”.
Era na sede da orquestra que ele fazia as três refeições do dia, em um quartel do Exército (7º Depósito de Suprimento), instituição com o qual o projeto de música tem parceria. Na adolescência, o rapaz tocou diante do Papa Francisco.
Com apenas 19 anos de idade, virou professor no núcleo da orquestra em uma área rural da cidade de Igarassu (PE). Lá, ele ensina música para adolescentes que, durante o dia, trabalham na roça com os pais.
“Eu me identifico com eles. Me vejo neles”. Além de Igarassu e Recife, jovens em vulnerabilidade na cidade de Ipojuca, no litoral sul, também têm chances de aprender. Ao todo, são 400 alunos nas três unidades do projeto. Para ele, tão importante quanto as notas musicais é a solidariedade que chega em sons e gestos, entre os mestres, os jovens e os músicos. Um impulsiona o outro a não desistir.
Música de paz
Enquanto toca o concerto para violoncelo do tcheco Antonín Dvorák (1841 – 1904) na porta de casa no Coque, Davi lamenta que perdeu amigos para a violência do bairro, antes tomado por facções.
“A gente tinha na orquestra filhos de pais de facções diferentes. A música ajudou a estabelecer a paz muitas vezes”, afirma o músico.
Ele entende que a orquestra ensina mais do que música. “A orquestra literalmente tem um aspecto social no Coque muito importante que não cabe nos números. Ensina cidadania”.
O projeto da orquestra foi criado há 19 anos pelo juiz de direito João Targino, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Depois de integrar o Programa Criança Cidadã, que atuava em prol de pessoas em situação de rua, o magistrado optou por criar um coral. Das vozes aos instrumentos, foi uma nova ousadia.
“Nós escolhemos a comunidade do Coque porque tinha os piores índices de desenvolvimento humano e o maior índice de violência”, recorda.
O maestro José Renato Accioly, de 59 anos, diz que reunir jovens de culturas tão diferentes é desafiador, mas mostra como a música tem linguagem universal. Ele explica que o repertório vai contemplar músicas das diferentes nacionalidades. E, claro, inclui o frevo e medley de músicas brasileiras.
“São músicos de altíssimo nível. Independentemente se vão querer seguir na música, eles nunca esquecerão dessa oportunidade que tiveram de estar nessa orquestra”.
Sotaque alemão
Um dos músicos experientes que tocará na turnê é o contrabaixista Antonino Tertuliano, de 32 anos. Ele também nasceu no Coque e ingressou na orquestra quando tinha apenas 14 anos. Hoje, mora na Alemanha e é integrante da Niederbayerische Philharmonie Orchester (a orquestra filarmônica da Baixa Baviera). Ele é um entusiasta do projeto e faz parte da organização dos eventos internacionais. “O significado que o Criança Cidadã tem para mim é enorme. Eu tenho imensa gratidão”, disse, em entrevista à Agência Brasil.
Sempre que está no Brasil , visita os antigos mestres e os novos alunos. “Apresento aos jovens a minha realidade atual e digo que é possível conquistar o mundo”.
Emocionado, recordou que, quando ingressou no projeto, não tinha conhecimento de música. Aluno de uma escola pública local, se encantou depois que fez um teste de aptidão musical.
“O projeto remoldou o bairro e a comunidade. Esse projeto social apresentou não só uma profissão, mas outra perspectiva de futuro”.
“Era difícil criar filho no Coque”
Recife (PE) – Cleybson Silva, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC
Um dos jovens que chegou para o projeto e depois virou violoncelista foi Cleybson da Silva, de 21 anos. Chegou ao projeto com 13 anos e, em 2020, perdeu a mãe para a Covid. “A música mudou totalmente o rumo da minha vida”, afirma Clebson, que hoje cursa licenciatura em música na UFPE. O pai, Clayton Oliveira, de 44, trabalha com instalação de câmeras de segurança.
“Antigamente, era bem difícil criar um filho no Coque. Era muito perigoso mesmo. A gente ouvia tiroteio sempre”, lembra Clayton.
Os barulhos mudaram. Para ele a transformação do local tem direta relação com a orquestra. O pai está orgulhoso porque o filho mais novo, Bernardo, de 7 anos, também já começou na orquestra.
Recife (PE) – Ana Clara Gomes, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC
Já Ana Clara Gomes, de 17 anos, se apaixonou pela viola quando estava na igreja evangélica que frequenta. Foi amor ao primeiro som. Tanto que passou a desenhar até na parede as notas musicais desde criança. O cenário de sua vida tem a paisagem do subúrbio, dos telhados com falhas e fios embolados nos postes de luz.
Quando soube que teria a primeira oportunidade de viajar para fora do Brasil, teve cinco dias para ensaiar música do compositor Camargo Guarnieri (1907 – 1993). “Eu fiquei estudando sem parar”. A primeira musicista da família foi criada pela mãe, que é técnica de enfermagem, e viu na música uma chance de felicidade depois que o pai morreu, há oito anos.
Há um ano, Ana conseguiu comprar, em prestações, o próprio instrumento. E pensar que no começo, o que fazia o papel da viola era a caixa de sabão em pó, a fim de sentir o peso do novo instrumento.
Sabão em pó
Recife (PE) – Pedro Martins, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC
O violinista Pedro Martins, de 21 anos, também utilizou a caixa de sabão em pó, como se fosse o instrumento, e o lápis, como se fosse o arco. “Se não segurar o violino direito, a música sai diferente”. Ele teve gosto pela música ouvindo o pai, que é motorista de aplicativo, tocando violão na sala.
Para imaginar a música, levava CD para casa para tocar no antigo aparelho de som. Quando começou, não tinha computador em casa, nem celular.
“Transformava a pequena sala de casa no meu palco. Meus pais tinham que me ouvir”, lembra Pedro.
O pai, George Silva, de 41 anos, orgulhoso, recorda que mudava os horários do trabalho para aplaudir o filhão, que cursa música na UFPE. “Ele não se envolveu com coisa errada. Ele não mexia no violão da igreja. Quem diria que agora vai viajar o mundo por aí. Eu nunca passei nem perto de um avião ou de faculdade”.
O pai lamenta que perdeu um irmão, cunhado e amigos para “coisas erradas”, particularmente o envolvimento com drogas. O filho toca violino e ele vê o bairro de antes ficar cada vez mais distante. O Coque, as dificuldades de todos os dias, a esperança que bateu à porta dos vizinhos.
O mundo virou outro e nem precisou de avião. Começou com uma caixa de sabão em pó.
“Cada vez que eu toco, eu penso nos meus pais e o quanto eles insistiram. Hoje nossa família se sente nas nuvens”, disse o violinista antes do embarque.
As seis dezenas do concurso 2.920 da Mega-Sena serão sorteadas, a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, em São Paulo.
O prêmio da faixa principal está acumulado em R$ 80 milhões.
Por se tratar de um concurso com final zero, ele recebe um adicional das arrecadações dos cinco concursos anteriores, conforme regra da modalidade.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira (26), em palestra na capital paulista, que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um “primeiro passo” para a resolução do tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil. A reunião deverá ocorrer na próxima semana.
“Quero saudar o encontro, embora rápido, mas o encontro entre os presidentes Lula e Trump [na assembleia geral da ONU], que deram, ao menos, um primeiro passo. Vamos tentar dar os passos subsequentes para a gente ir removendo esses problemas e podermos caminhar mais rapidamente para resolver a questão do tarifaço”, disse, em evento na instituição de ensino Insper, em São Paulo.
Alckmin defendeu que o comércio entre os países deve ser “ganha-ganha”, ou seja, com ambos participantes obtendo sucesso, e baseado em regras.
“Comércio exterior bem feito é ganha-ganha. Ele é mais eficiente: eu compro dele, mais barato. Eu sou mais eficiente: eu vendo para ele. A sociedade ganha. Só que precisa ter regras, porque senão o grande vai matar o pequeno”.
O vice-presidente ressalvou, no entanto, que a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC), instituição que tem como missão assegurar as regras do comércio internacional, foi limitada pelos Estados Unidos.
“Temos que ter regras para o mundo todo, regras de comércio. Só que infelizmente não funciona. Por quê? Eu entro com uma representação [na OMC] e ganho na primeira instância. [A decisão] não vale enquanto não tiver decisão da segunda instância. Aí, na segunda instância, os Estados Unidos não designam os seus representantes. Ela [a OMC] não pode agir. Então, meio que a OMC ficou inócua”, disse.
São Paulo (SP), 26/09/2025 – Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, durante palestra no IV Encontro Anual – Centro de Gestão e Politicas Públicas, no INSPER. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil
No último dia 23, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pretende se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana. Ele teceu elogios ao chefe de Estado brasileiro chamando-o de “homem muito agradável”, com quem teve “uma química excelente” durante breve encontro.
Trump discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas logo depois o presidente Lula. Tradicionalmente, o presidente do Brasil faz o discurso de abertura das assembleias anuais da ONU.
O presidente norte-americano disse que as tarifas aplicadas contra o Brasil e outros países são uma questão de defesa da soberania e da segurança de seu país.
Prêmio mais popular da literatura nacional, o tradicional Prêmio Jabuti será revelado em 27 de outubro. Nos preparativos para sua 67ª edição, a organização, a cargo da Câmara Brasileira do Livro (CBL), divulgou nesta sexta-feira (26) a lista dos semifinalistas, com dez indicados em cada uma das 23 categorias.
A lista passará por nova fase eliminatória, e em 7 de outubro serão conhecidos os cinco finalistas, concorrentes ao prêmio de R$ 5 mil.
Este ano, as 4.350 obras inscritas disputam a categoria especial de Livro do Ano, pela qual receberão o valor de R$ 70 mil e a vaga para representar o país na Feira do Livro de Londres, com destaque por ocasião do Ano da Cultura Brasil-Reino Unido. Todas as obras que disputam o prêmio foram publicadas em 2024.
Com presença de editoras de diversos tamanhos, a celebração homenageia este ano a escritora Ana Maria Machado, um dos nomes mais presentes na produção editorial nacional, premiada com três Jabutis e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). A carioca, de 83 anos de idade, recebeu ainda o Prêmio Hans Cristian Andersen, considerado o maior destaque internacional para autores de literatura infantil.
O Prêmio Jabuti se destaca por premiar tanto estreantes e pequenas editoras quanto nomes consagrados e gigantes do setor. Entre os nomes mais conhecidos, autores como Monja Cohen, Christian Dunker, Ruy Castro, Carpinejar, Miguel Nicolelis e Daniel Munduruku, além de uma curiosa participação dupla de Chico Buarque, que disputa na categoria de melhor Romance Literário, por seu Bambino a Roma, ficção, mas também aparece como tema da obra Chico Buarque em 80 canções, de André Simões.
A lista completa com os indicados pode ser conferida no site do evento, mantido pela CBL.
A cobertura por pedágio na modalidade free flow (livre passagem) em breve se tornará a modalidade disponível em todos os trechos da BR-381/MG. Os dois primeiros pórticos, nas cidades mineiras de Caeté (km 411,850) e João Monlevade (km 345,270), começam a operar neste sábado (27). A cobrança será feita por meio eletrônico, após a passagem por pórticos equipados com câmeras e sensores, sem necessidade de operador ou praça de pedágio e sem cancelas ou paradas.
Desde fevereiro, a Nova 381 é a empresa responsável pela BR-381/MG. Estão previstos R$ 9,3 bilhões em investimentos. A rodovia tem papel estratégico para o desenvolvimento do país por conta do escoamento de produtos agrícolas, pecuários, de mineração e industriais.
Em seis meses de concessão, foram investidos R$ 319,7 milhões em melhorias de infraestrutura e serviços. Com isso, a BR-381 se tornou a primeira em rodovias federais concedidas no Brasil a adotar o pedágio eletrônico em 100% de suas atividades.
A operação está autorizada desde o último dia 16 e é a primeira desde a mudança técnica implantada no primeiro trimestre.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) alterou a metodologia de precificação e de divisão de custos. Desde então a União assumiu, como poder concedente, 90% dos riscos de evasão na modalidade. Às concessionárias caberá arcar com os outros 10%.
O risco de evasão, assim como as multas quando ocorrem, são objeto de discussão na Câmara, como ocorre com o Projeto de Lei 4.643/2020. As propostas defendem de anistia aos devedores até o banimento do sistema de vias concedidas e caminham para consenso em convergência com as regras da ANTT e com o Ministério dos Transportes.
Ambulâncias, veículos oficiais e do corpo diplomático seguem isentos, conforme previsto em contrato. Segundo a concessionária também não haverá cobrança para motocicletas.
Segundo a concessionária haverá ainda a instalação de 25 totens de pagamento no trecho entre Caeté e Governador Valadares, em postos de combustíveis, restaurantes e nas unidades do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAUs).
“O totem funciona por aproximação. O usuário digita a placa e verifica suas pendências, podendo pagar com cartão ou pix. Os totens estão em estabelecimentos na própria rodovia para facilitar o acesso para os usuários, em locais onde as pessoas já estão acostumadas a parar e consumir”, informou o gerente de operações da Nova 381, Diego Dutra. Também será possível pagar por meio de um app.
Outros estados
A BR-101 (Rio-Santos) inaugurou o uso da modalidade, em 2023, no trecho entre Paraty e Itaguaí, no Rio de Janeiro, com três pontos de cobrança. Em rodovias estaduais o sistema é usado no Rio Grande do Sul, em duas rodovias, e em São Paulo, em três. O governo paulista confirmou que pretende ampliar para 58 pontos de cobrança por free flow até o ano de 2032.
Este ano está prevista a implantação de oito pórticos, sendo um no Rodoanel, na região metropolitana de São Paulo, e os demais em estradas concedidas nas regiões da Baixada Santista, Alto Tietê e Vale do Ribeira. Em outras vias, como na recém concedida Rodovia Raposo Tavares, que liga São Paulo à região oeste do estado, o contrato de concessão prevê cinco pórticos Siga Fácil de pedágio eletrônico programados para entrar em operação em 2032.
A ANTT informou, por meio de nota, que a mudança visa modernizar os sistemas de pedágio no país, reduzindo congestionamentos e melhorando a fluidez nas rodovias concedidas. “O avanço do sistema de livre passagem também está alinhado à busca por soluções mais sustentáveis e eficientes para a infraestrutura rodoviária brasileira”, aponta a agência.
O estado de São Paulo registrou nove casos de intoxicação por metanol em 25 dias, o que levou à divulgação de um alerta pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Em nota, a secretaria informa que os casos ocorreram a partir da ingestão de bebida alcóolica adulterada.
Os casos foram notificados pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) de Campinas (SP), unidade de referência em toxicologia no estado e que atende diversos municípios, e foram encaminhados à secretaria por serem considerados “fora do padrão para o curto período de tempo e também por desviar dos casos até hoje notificados de intoxicação por metanol”.
“O Ciatox recebeu, nos últimos dois anos, casos de intoxicação por metanol a partir de consumo de combustíveis por ingestão deliberada em contextos de abuso de substâncias, frequentemente associada à população de rua. Contudo, de acordo com a notificação de hoje, a ingestão se deu em cenas sociais de consumo alcóolico, incluindo bares, e com diferentes tipos de bebida, como gin, whisky, vodka, entre outros”, informa.
Um pico de casos ocorreu na região, no primeiro semestre de 2023, com intoxicação de 14 pessoas em situação de rua.
À Agência Brasil, a Secretaria de Saúde de Campinas informou que não houve registro de intoxicação por metanol na cidade este ano e que o “Ciatox realiza análises para diversos municípios”. A prefeitura de Campinas informou realizar ações de combate ao mercado ilegal e comércio de bebidas alcoólicas falsificadas, sendo a mais recente no início do mês com a fiscalização de 130 estabelecimentos e 48 tipos de produtos.
A reportagem tentou contato com as secretarias estaduais de saúde e segurança pública e o Ciatox e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestações.
O que é metanol
O metanol é uma substância líquida, inflamável e incolor. É amplamente utilizado como solvente, na fabricação de combustíveis, plásticos, tintas e medicamentos
Tem grande potencial de intoxicação, e quando consumido pode levar à morte mesmo em doses pequenas.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou nesta sexta-feira (26) que a bandeira vermelha patamar 1 irá vigorar no mês de outubro. Isso significa que as contas de energia elétrica terão adicional de R$ 4,46 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
A nova bandeira significa uma redução em relação aos meses de agosto e setembro, quando foi acionada a bandeira vermelha patamar 2.
De acordo com a Aneel, a medida foi adotada por causa do baixo volume de chuvas, afetando o nível dos reservatórios para a geração de energia nas usinas hidrelétricas.
“Diante desse cenário, há necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que são mais caras e justificam o acionamento da bandeira vermelha patamar 1 para outubro”, diz a agência.
A agência reguladora de energia elétrica informou ainda “que a fonte solar de geração é intermitente e não injeta energia para o sistema o dia inteiro”.
“Por essa razão, é necessário o acionamento das termelétricas para garantir a geração de energia quando não há iluminação solar, inclusive no horário de ponta”, acrescentou.
Bandeira tarifária
Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias reflete os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em cores, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional (SIN) gerar a energia usada nas residências, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias.
Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, não há nenhum acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a conta sofre acréscimos a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Oruam é investigado pela polícia do Rio de Janeiro por associação ao tráfico de drogas, tráfico de drogas, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. Ele estava preso desde de julho em uma penitenciária localizada na zona oeste da capital fluminense.
De acordo com as investigações, o rapper e outros acusados tentaram impedir a Polícia do Rio de cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente acusado de atuar como um dos seguranças pessoais dos chefes da facção criminosa Comando Vermelho, em julho deste ano.
Oruam é filho do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que está preso em uma penitenciária federal.
Após dois turnos de votações, o Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar anunciou, nesta sexta-feira (26), os profissionais e veículos que serão homenageados nesta edição de 2025. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) teve escolhidos nas categorias Jornalistas, Jornalistas do Centro-Oeste, Agências de Notícias e Áudio.
Patrícia Serrão, Paula Laboissière e Tâmara Freire integram a lista Top 25 +Admirados Jornalistas do Ano, que nesta edição terá 26 profissionais, por causa de um empate. As três já integraram a lista em outras edições do prêmio. Paula Labossière também ficou entre os três escolhidos na categoria Jornalistas do Centro-Oeste.
A Agência Brasil figura na lista de Agências de Notícias mais admiradas do país, ao lado da Agência Fapesp e da Agência Fiocruz de Notícias, por suas coberturas sobre temas de saúde, ciência e bem-estar. Também não é a primeira vez que a Agência Brasil recebe a honraria.
O estreante na premiação é o podcast VideBula, da Radioagência Nacional, que divide o Top 3 +Admirados na categoria Áudio com dois importantes programas da podosfera nacional: DrauzioCast e Ciência Suja.
A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 27 de novembro, em São Paulo, em um evento que promete reunir os principais nomes da imprensa brasileira e celebrar o trabalho dos profissionais que se destacaram durante o ano. Além da entrega de certificados para os homenageados, serão anunciados os mais votados das 14 categorias temáticas e os Top 5 +Admirados Jornalistas do Ano, incluindo o campeão ou campeã geral.
Esse reconhecimento reforça o papel da EBC e seus jornalistas na promoção de informações relevantes e de qualidade para o público brasileiro, especialmente nas áreas de saúde, ciência e bem-estar, temas que, mais do que nunca, têm sido essenciais para a sociedade.
O Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar chega à sua quinta edição como uma das principais premiações do jornalismo brasileiro, reconhecendo a excelência da imprensa no tratamento de assuntos que impactam diretamente a vida da população.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, disse nesta sexta-feira (26) que a Corte não descarta uma reação contra as sanções determinadas pelo governo dos Estados Unidos contra integrantes do tribunal.
Perguntado sobre como as sanções foram recebidas pelos ministros, Barroso disse que aguarda o fim do julgamento sobre a trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro para avaliar o caso.
O Núcleo 1, formado pelo ex-presidente e mais sete aliados, já foi condenado. Os núcleos 2,3 e 4 devem ser julgados até o fim deste ano.
“A ideia é esperar acabar o julgamento para pensar em qualquer eventual medida, seja política ou judicial”, afirmou.
Até o momento, pelo menos seis ministros do Supremo já foram alvo de sanções do governo do presidente norte-americano Donald Trump, incluindo a suspensão de vistos de viagem e a aplicação da Lei Magnitsky.
Além de Barroso, foram alvo de Trump os ministros Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, além de Alexandre de Moraes, relator dos processos da trama golpista, e a esposa ele, a advogada Viviane Barci de Moraes.
Nunes Marques e André Mendonça, nomeados por Bolsonaro, e Luiz Fux não foram alvo de sanções.
Pacificação
O presidente do STF também voltou a falar na pacificação do país diante da polarização política.
“Quem teme ser preso [pela trama golpista] está querendo briga, e não pacificação. A minha única frustração foi não ter conseguido fazer a pacificação”, completou.
Na próxima segunda-feira (29), os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes tomarão posse nos cargos de presidente e vice-presidente do Supremo, respectivamente. Barroso encerrará mandato de dois anos à frente da Corte.
O suspeito, que não teve o nome divulgado, foi preso em flagrante no bairro Sumaré. Durante a operação, a Polícia Civil também apreendeu celulares e uma moto que estava com o acusado.
De acordo com a secretaria, o suspeito tem passagem pela polícia e já responde por outro homicídio, além dos crimes de roubo, associação criminosa e corrupção de menor.
O secretário de Segurança do Ceará, Roberto Sá, informou que a prisão foi feita com base em informações de inteligência policial e no trabalho dos policiais civis, que iniciaram a investigação imediatamente após o crime.
“A motivação [do crime] será descoberta com os depoimentos e diligências que estão sendo feitos. Importante ressaltar que, após o fato, a polícia de Sobral iniciou uma caçada a esse criminoso. E, devido a essa mobilização, ele não conseguiu fugir para mais longe”, afirmou.
O crime ocorreu na quinta-feira (25), quando as vítimas foram alvo de tiros no estacionamento da escola, localizada no bairro Campo dos Velhos.
De acordo com a secretaria, foram apreendidos no local do crime grande quantidade de drogas, balança de precisão e embalagens.
A cobertura por pedágio na modalidade free flow (livre passagem) em breve se tornará a modalidade disponível em todos os trechos da BR-381/MG. Os dois primeiros pórticos, nas cidades mineiras de Caeté (km 411,850) e João Monlevade (km 345,270), começam a operar neste sábado (27). A cobrança será feita por meio eletrônico, após a passagem por pórticos equipados com câmeras e sensores, sem necessidade de operador ou praça de pedágio e sem cancelas ou paradas.
Desde fevereiro, a Nova 381 é a empresa responsável pela BR-381/MG. Estão previstos R$ 9,3 bilhões em investimentos. A rodovia tem papel estratégico para o desenvolvimento do país por conta do escoamento de produtos agrícolas, pecuários, de mineração e industriais.
Em seis meses de concessão, foram investidos R$ 319,7 milhões em melhorias de infraestrutura e serviços. Com isso, a BR-381 se tornou a primeira em rodovias federais concedidas no Brasil a adotar o pedágio eletrônico em 100% de suas atividades.
A operação está autorizada desde o último dia 16 e é a primeira desde a mudança técnica implantada no primeiro trimestre.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) alterou a metodologia de precificação e de divisão de custos. Desde então a União assumiu, como poder concedente, 90% dos riscos de evasão na modalidade. Às concessionárias caberá arcar com os outros 10%.
O risco de evasão, assim como as multas quando ocorrem, são objeto de discussão na Câmara, como ocorre com o Projeto de Lei 4.643/2020. As propostas defendem de anistia aos devedores até o banimento do sistema de vias concedidas e caminham para consenso em convergência com as regras da ANTT e com o Ministério dos Transportes.
Ambulâncias, veículos oficiais e do corpo diplomático seguem isentos, conforme previsto em contrato. Segundo a concessionária também não haverá cobrança para motocicletas.
Segundo a concessionária haverá ainda a instalação de 25 totens de pagamento no trecho entre Caeté e Governador Valadares, em postos de combustíveis, restaurantes e nas unidades do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAUs).
“O totem funciona por aproximação. O usuário digita a placa e verifica suas pendências, podendo pagar com cartão ou pix. Os totens estão em estabelecimentos na própria rodovia para facilitar o acesso para os usuários, em locais onde as pessoas já estão acostumadas a parar e consumir”, informou o gerente de operações da Nova 381, Diego Dutra. Também será possível pagar por meio de um app.
A BR-381 tem um papel estratégico para o desenvolvimento do país, em virtude do escoamento de produtos agrícolas, pecuários, de mineração e industriais.
Outros estados
A BR-101 (Rio-Santos) inaugurou o uso da modalidade, em 2023, no trecho entre Paraty e Itaguaí, no Rio de Janeiro, com três pontos de cobrança. Em rodovias estaduais o sistema é usado no Rio Grande do Sul, em duas rodovias, e em São Paulo, em três. O governo paulista confirmou que pretende ampliar para 58 pontos de cobrança por free flow até o ano de 2032.
Este ano está prevista a implantação de oito pórticos, sendo um no Rodoanel, na região metropolitana de São Paulo, e os demais em estradas concedidas nas regiões da Baixada Santista, Alto Tietê e Vale do Ribeira. Em outras vias, como na recém concedida Rodovia Raposo Tavares, que liga São Paulo à região oeste do estado, o contrato de concessão prevê cinco pórticos Siga Fácil de pedágio eletrônico programados para entrar em operação em 2032.
A ANTT informou, por meio de nota, que a mudança visa modernizar os sistemas de pedágio no país, reduzindo congestionamentos e melhorando a fluidez nas rodovias concedidas. “O avanço do sistema de livre passagem também está alinhado à busca por soluções mais sustentáveis e eficientes para a infraestrutura rodoviária brasileira”, aponta a agência.
A Assembleia Legislativa do Maranhão reconheceu o território do Quilombo Liberdade, em São Luís, como o maior quilombo urbano e maior polo cultural da América Latina. O projeto aprovado nessa quinta-feira (25) segue para sanção do governo estadual. O estado tem a segunda maior população quilombola do país.
Desde 2019, o quilombo é certificado pela Fundação Cultural Palmares. O reconhecimento permite a inclusão do território na agenda oficial do Estado, com prioridade para manifestações culturais, festivais, festas e a difusão dos saberes e fazeres da comunidade quilombola.
Território Liberdade Quilombola é o maior quilombo urbano das Américas, certificado pela Fundação Cultural Palmares em 2019 – Sebrae/Divulgação
Segundo a Fundação municipal de Patrimônio Histórico, mais de 200 manifestações no Quilombo Liberdade estão classificadas entre as celebrações, formas de expressão, saberes, além de lugares e edificações, com valor histórico e cultural.
São Blocos Afro e Carnavalescos, Circuito de Reggae, Festa do Divino, Capoeira, Grupos de Boi, Companhias de Dança, Tambor Crioula, Terreiros, Casas de Oração e Igrejas que marcam o dia a dia dos mais de 160 mil moradores dos cinco bairros que compõem o território.
Com a medida, a Secretaria de Cultura deve adotar medidas para o desenvolvimento social e econômico, priorizando o afroturismo, economia criativa e valorização da identidade quilombola.