Museu do Ipiranga tem programação especial gratuita no 7 de Setembro

O festival Museu em Festa celebra o feriado de 7 de setembro com programação gratuita e dá início às comemorações dos 130 anos do Museu do Ipiranga, na capital paulista, neste domingo (7). As atividades do festival ocuparão, além do museu, os espaços do Parque da Independência, com ações culturais que valorizam a diversidade, a inclusão e a riqueza da cultura popular.

O Museu em Festa é o maior evento do ano na instituição e é realizado desde 2017 em celebração ao Dia da Independência. A programação tem início às 9h de domingo, no Espaço Esplanada, em frente ao museu, com uma performance cênica do grupo Sampalhaças, que interage com a plateia por meio de músicas, números circenses e coreografias.

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Diversas atrações simultâneas serão realizadas no parque, como a vivência FLORA – A infância em movimento, com brincadeiras inspiradas na natureza para crianças. Ao longo do dia, o público poderá participar de oficinas de artes visuais, jogos educativos, passeios mediados, espetáculos teatrais e intervenções culturais distribuídas em torno do museu. As atividades nas áreas externas são abertas ao público, sem necessidade de retirada de ingressos.

Em uma parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc), haverá também oficinas de desenho e pintura, caminhada de observação de aves, aula aberta de Vogue, intervenções circenses e literárias entre outras ações no Parque da Independência.

Visitação às exposições e ao Espaço 130 anos

O museu estará aberto por período estendido, das 9h às 18h, com última entrada até as 17h. Na data, o público poderá visitar as exposições Uma História do Brasil, Passados Imaginados e Para Entender o Museu. Os ingressos para as exposições serão distribuídos gratuitamente no mesmo dia, a partir das 9h, na entrada do museu.

Das 9h às 17h, haverá mediação nas exposições Para Entender o Museu e Uma História do Brasil, com destaque para a obra Independência ou Morte!. Para pessoas surdas e sinalizantes (que usam a Língua Brasileira de Sinais), a mediação será oferecida por uma educadora bilíngue nos horários das 9h30, 11h30, 13h30 e 15h30.

Como parte das comemorações do aniversário do Museu do Ipiranga, haverá visita ao Espaço 130 anos, instalado no Jardim Francês, onde serão exibidos em primeira mão os dois primeiros episódios da minissérie Museu do Ipiranga 130 anos: Histórias para Pensar o Presente, produzida para marcar o aniversário do museu.

Dirigida por Marcelo Machado, a minissérie reúne, em quatro episódios, convidados como Preta Rara, Marcelo Tas, visitantes e integrantes da equipe do museu. Os temas incluem acessibilidade, novas formas de narrar a história do Brasil e a relação do público com o edifício histórico.

A programação contará ainda com o show Acesso, de Amanda Mittz, artista que integra recursos de acessibilidade à própria linguagem musical. Amanda, que tem deficiência visual, transforma o palco em um espaço inclusivo, unindo música, tecnologia e recursos como audiodescrição integrada e Libras Dance.

A programação completa está no site https://museudoipiranga.org.br/museu-em-festa-2025/.

Crise entre Venezuela e EUA preocupa, diz ministro da Defesa do Brasil

O ministro da Defesa, José Múcio, disse que tem a preocupação de que a crise entre Venezuela e Estados Unidos (EUA) possa chegar à fronteira do Brasil e lembrou que as Forças Armadas enviaram reforços para região antes do início das tensões das últimas semanas

“Estamos preocupados, como eu disse, com a nossa fronteira, para que ela não sofra e não transforme a nossa fronteira numa trincheira. O Brasil é um país pacífico. Nós investimos em armas, nas nossas forças, para defender o nosso patrimônio. Não é de olho na terra de ninguém”, comentou Múcio na sexta-feira (5), após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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O ministro explicou que o Brasil mantém operações permanentes na fronteira com a Venezuela e, em 2024, havia programado para este ano a Operação Atlas, antes do agravamento da tensão entre Caracas e Washington.

“Nós estamos deslocando tropas para fronteiras, pensando na COP30, pensando em dar uma maior assistência a uma parte da fronteira mais inóspita, mais inacessível. De repente, estourou esse problema. A pessoa [diz] ‘foi lá para ajudar a Venezuela’. [Não] foi lá para não ajudar ninguém”, acrescentou o ministro.

Em dezembro de 2023, o Brasil enviou tropas para a Fronteira com a Venezuela no contexto das tensões entre o governo de Nicolas Maduro e a Guiana, que disputam o controle da região de Essequibo. 

‘Briga de vizinho’

Sobre a crise entre Venezuela e EUA, que tem escalado nas últimas semanas, o ministro José Múcio disse que a situação é como “briga de vizinho”.

“Isso é como briga de vizinho. Eu não quero que eles mexam no meu muro. Eu não quero que eles tirem a fiação que acende a frente da minha casa, que não mexam na minha casa, torcemos para que passe. Evidentemente, Eles devem ter os seus motivos”, comentou.

Nessa semana, o Brasil assinou documento em parceria com a maioria dos países da América Latina e Caribe, manifestando preocupação com a presença militar dos Estados Unidos na costa da Venezuela

Crise militar

O governo Donald Trump vem deslocando navios e um submarino militares para a costa venezuelana, sob o argumento do “combate às drogas”, enquanto acusa o governo de Nicolas Maduro de liderar um cartel narcotraficante.

Maduro rejeita as acusações e diz que Washington usa esse argumento para promover uma “troca de regime” do país sul-americano, dono das maiores reservas de petróleo do mundo. Especialistas consultados pela Agência Brasil rejeitaram chamar a Venezuela de “narcoestado”, como diz o governo Trump. 

Nesse sábado (6), o presidente Maduro pediu para que os Estados Unidos (EUA) reduzam as tensões para evitar um conflito.

“O governo dos Estados Unidos deve abandonar seu plano de mudança violenta de regime na Venezuela e em toda a América Latina e o Caribe e respeitar a soberania, o direito à paz, à independência”, disse o presidente venezuelano.

Últimos desdobramentos

Na quinta-feira (4), em comunicado, o Departamento de Defesa dos EUA acusou a Venezuela de sobrevoar, com aeronaves militares, próximo a um navio dos EUA, supostamente em águas internacionais.

“Este movimento altamente provocador foi concebido para interferir nas nossas operações anti-narcoterrorismo”, disse o Pentágono em comunicado. A Venezuela não comentou essa acusação.

Em seguida, agências internacionais de notícias, com base em fontes não identificadas, informaram que os EUA enviaram dez caças F-35 para Porto Rico, ilha caribenha que é território estadunidense.

Segundo a Reuters, a medida seria para “conduzir operações contra cartéis de drogas, disseram duas fontes informadas sobre o assunto”. Os caças seriam adicionados à forte presença militar dos EUA no sul do Caribe.

Na última terça-feira (2), Donald Trump divulgou vídeo de um ataque a um pequeno barco supostamente carregando drogas próximo à Venezuela, o que teria assassinado 11 pessoas. O governo Maduro acusa os EUA de terem usado inteligência artificial em vídeo do ataque

Lula faz hoje pronunciamento e assiste ao filme Malês no Cine Alvorada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará pronunciamento neste sábado (6) em rede nacional de rádio e TV por ocasião do 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil. A gravação de 5 minutos e 25 segundo vai ao ar às 20h30. Mais cedo, às 18h, Lula assisti ao filme Malês, em sessão no Cine Alvorada. A estreia nacional do longa, dirigido por Antônio Pitanga, está marcada para o dia 2 de outubro.

O filme conta a história de uma das principais insurreições organizadas por africanos e seus descendentes escravizados no Brasil, em 1835. A pré-estreia da produção também acontece em Brasília, neste domingo (7), no Cine Nave, com sessão seguida de debate com a atriz Samira Carvalho.

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Malês já foi exibido em festivais nacionais e internacionais. Em janeiro deste ano, a história foi apresentada ao público da Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais. Na ocasião, em entrevista à Agência Brasil, o diretor Antônio Pitanga destacou que espera a circulação da obra muito além do circuito comercial.

“O meu sonho era trazer à baila essa história que a escola não conta. E humanizá-la de tal maneira para poder interagir com o século 21. Concluída a obra, o meu sonho agora é ir para banca dos saberes, escolas, para as universidades, os quilombos. E já está acontecendo”, contou Pitanga.

“O meu filme não pode ficar só nas salas de cinema frequentadas por brancos de classe média. Eles também vão ver. Mas esse filme precisa chegar às escolas, à favela e ao quilombo”, acrescentou.

Os malês, como eram conhecidos os muçulmanos negros, conheciam o alfabeto árabe, tinham domínio da escrita e grau de instrução elevado. Embora sejam os protagonistas do levante, buscaram também o apoio de outros grupos escravizados. A rebelião foi minuciosamente planejada e havia sido marcada para 25 de janeiro, por ser a data que celebra o fim do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos.

Os enfrentamentos duraram mais de três horas. Mais de 70 africanos morreram nos conflitos e centenas foram punidos com penas de morte, prisão, açoites ou deportações. O episódio é detalhado no livro Rebelião Escrava no Brasil, publicado originalmente em 1986 pelo historiador João José dos Reis. A obra foi a principal referência para a produção do filme.

Malês, como observa Pitanga, não é um retrato frio do episódio. O filme dá espaço para que os personagens revelem suas individualidades: seus sonhos, suas tristezas, seus amores. Segundo o diretor, houve também a preocupação de fugir do estereótipo do escravo enquanto vítima passiva. “São cabeças pensantes”, afirma.

O elenco conta com a presença dos filhos de Antônio Pitanga: o ator Rocco Pitanga e a atriz Camila Pitanga. 

 

Forças Armadas vão cumprir veredito do STF sobre golpe, diz Múcio

As Forças Armadas vão cumprir o veredito da Justiça sobre a trama golpista, disse o ministro da defesa, José Múcio, na última sexta-feira (5). Em entrevista a jornalistas, o ministro comentou o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) em que o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversos militares de alta patente respondem por uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. 

“O lema das Forças Armadas é respeitar a decisão da Justiça. Esse assunto é um problema da Justiça e da política. As Forças Armadas são uma coisa diferente, servem ao país. Então, nós estamos conscientes de que tínhamos que passar por isso tudo, estamos serenos e aguardando o veredito da Justiça, que será cumprido”, comentou o ministro.

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Múcio falou com a imprensa após reunião entre os comandantes da Marinha, Aeronáutica e Exército com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os temas, esteve o desfile do 7 de setembro, em Brasília. Segundo o ministro, o tema do julgamento no STF não foi tratado no encontro.

Questionado sobre o projeto de anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado que a oposição defende no Parlamento, José Múcio disse que não conhece o texto em debate e que essa é uma questão do Congresso, mas ponderou que uma disputa entre poderes não é boa para o Brasil.

“Acho que, se for discutido de uma forma construtiva e não para poder concorrer com o [outro] Poder, para fazer avaliação de força de quem manda mais, eu acho que essa queda de braço não serve ao país. Nós estamos na hora que a gente tem que juntar todo mundo para construir esse país”, completou.

Trama golpista

O STF iniciou nesta semana o julgamento do núcleo principal da trama golpista que teria tentado anular a eleição presidencial de 2022 e seria liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa o ex-presidente de liderar uma tentativa de golpe, com previsão de planos de assassinatos do candidato eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu vice, Geraldo Alckimin, além do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Outros sete aliados do político também devem ser julgados até o final da próxima semana, entre eles, o ex-ministro da Defesa, general Paulo Nogueira Batista; o comandante da Marinha, almirante Almir Garnier; o ex-ministro do GSI, general Augusto Heleno; e o vice na chapa perdedora da eleição de 2022, o general Braga Netto. Todos negam as acusações.

Marina pede transição energética que considere limitações de cada país

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, pediu o fim do uso dos combustíveis fósseis e do desmatamento, considerando as limitações de cada país. Em Adis Abeda, capital da Etiópia, a ministra participou na sexta-feira (5) do encerramento do Balanço Ético Global, iniciativa do Brasil em parceira com as Nações Unidas (ONU) para aumentar a participação da sociedade civil na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro em Belém.

“Precisamos iniciar o planejamento de forma justa para o fim do desmatamento e o fim dos combustíveis fósseis. Não podemos mais continuar sem atacar as causas da mudança do clima”, enfatizou a ministra.

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Para acabar com a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, que estão entre as principais causas da geração de gases que provocam o aquecimento global, raiz da crise climática, Marina pondera que é preciso considerar as diferenças entre os países.

“Para tanto, há que considerar as diferenças entre países, suas necessidades, dificuldades e circunstâncias nacionais, abordando esse desafio tanto pelo lado da produção, quanto do consumo. Esse processo precisa ser justo, inclusive, para pessoas, países e regiões e, sobretudo, para os mais vulnerabilizados”, completou a ministra.

Para Marina Silva, o grande desafio da transição energética é ajudar os países que não têm condições econômicas de abandonar os combustíveis fósseis por conta própria.

“O grande desafio é que a gente possa fazer uma transição justa e planejada para o fim de combustível fóssil, acelerando a energia renovável, ajudando os países que, às vezes, têm que usar carvão, têm que usar lenha, para que possam ter também outras alternativas”, acrescentou.

 

Diálogo Regional da África aconteceu em Adis Abeba, Etiópia Fernando Donasci/MMA

Adversários poderosos

Ainda segundo a ministra, o combate às mudanças climáticas enfrenta a oposição de “poderosos”, que se opõem aos esforços para a transição energética. “Existem aquelas pessoas que não querem enfrentar a mudança do clima. Infelizmente, uma grande quantidade delas no mundo têm muito poder, com muita tecnologia, com muito dinheiro, e não é fácil de enfrentá-las”, acrescentou.

Com o retorno de Donald Trump à presidência, os Estados Unidos (EUA) anunciaram a saída do Acordo de Paris, compromisso internacional para evitar que a temperatura média da Terra suba mais que 1,5 ºC acima dos níveis pré-industriais ─ limite considerado um ponto de não retorno para a recuperação do meio ambiente.

Em seu mandato anterior, o republicano já havia tomado essa medida, que havia sido revertida durante o governo do democrata Joe Biden, que o sucedeu.

Trump também autorizou a exploração de petróleo sem limites, acabou com subsídios para carros elétricos e desmontou políticas para transição energética. 

Já as gigantes da tecnologia, as big techs estadunidenses, têm anunciado apoio aberto às políticas da Casa Branca. Em um jantar na quinta-feira (4), em Washington, chefes da Meta (dona do Facebook, Instagram e Whatsapp), Apple, Microsoft e OpenIA agradeceram a “liderança” de Trump, enquanto prometem investimentos no país.

Financiamento

A ministra Marina Silva ponderou ainda que, após mais de 30 anos de discussões sobre mudanças climáticas, apenas na COP28, em 2023, nos Emirados Árabes Unidos, é que foi definido a necessidade de abandonar o uso dos combustíveis fósseis, além de triplicar a energia renovável e duplicar a eficiência energética.

Na COP30, no Brasil, o governo espera que sejam definidas as metas para se chegar a esse objetivo, assim como o desmatamento zero até 2030. “Todos têm os meios para fazer isso? Claro que não, e precisarão ser ajudados para poder conseguir fazer essa transição”, ponderou.

Na COP29, do Azerbaijão, foi definido que os países desenvolvidos devem fornecer, pelo menos, US$ 300 bilhões por ano até 2035 aos países em desenvolvimento, para ajudá-los na transição energética, com convocação às nações para alcançar US$ 1,3 trilhão anuais em 2035.

Entre os objetivos da presidência brasileira na COP30, está criar os mecanismos financeiros para viabilizar esse financiamento para transição energética e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

Rio inaugura hemocentro para atender população do interior do estado

O governo do estado inaugurou nesta sexta-feira (5), o Hemocentro Regional de Santo Antônio de Pádua, no noroeste fluminense, o primeiro da rede pública na região. O hemocentro de Santo Antônio de Pádua é mais um passo na política estadual de descentralização dos serviços de saúde, e será administrado pelo Instituto de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti, o Hemorio. A expectativa é receber 600 doadores por mês, atendendo a 13 municípios a partir da próxima segunda-feira (11).

Além de Santo Antônio de Pádua, a nova unidade atenderá aos municípios de Aperibé, Bom Jesus de Itabapoana, Cambuci, Italva, Itaocara, Itaperuna, Laje do Muriaé, Miracema, Natividade, Porciúncula, São José do Ubá e Varre-Sai. Anteriormente, a região não tinha ponto de coleta.

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“Estamos cumprindo o objetivo de aproximar os serviços de saúde das pessoas, ampliando e acelerando os atendimentos. O novo hemocentro vai salvar vidas, permitindo que o sangue seja coletado, processado e distribuído de forma regional, sem a necessidade de deslocamentos à capital”, disse a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.

Para o diretor do Hemorio, Luiz Amorim, o novo polo é um passo estratégico no fortalecimento da rede de hemoterapia do estado.

“Esse novo ponto de coleta tem um papel essencial na ampliação do acesso à doação e a distribuição dos hemocomponentes em toda a região. Quanto mais descentralizada for a nossa rede, maior será a nossa capacidade de atender rapidamente os pacientes que precisam. Cada doação pode salvar até quatro vidas, e é um processo completamente seguro e simples”, destacou Amorim.

As equipes do Hemocentro Regional de Santo Antônio de Pádua passaram por um programa de qualificação técnica no Hemorio Centro durante três semanas. A nova unidade funcionará de segunda a sexta-feira, de 7 às 14h, e está localizado na Avenida João Jasbick, s/n, bairro Aeroporto, próximo ao Hospital Hélio Montezano.

Doação

Quem deseja doar precisa ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 kg, estar em boas condições de saúde e apresentar documento oficial com foto. Menores de 18 anos devem estar acompanhados de responsável legal e portar autorização disponível no site hemorio.rj.gov.br.

Não é necessário jejum, apenas evitar alimentos gordurosos quatro horas antes da coleta e não ingerir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores. Gestantes, lactantes e usuários de drogas não estão aptos à doação.

 

Gerar sentido de soberania requer políticas públicas, dizem estudiosos

Substantivo abstrato e de efeitos concretos, a palavra soberania adentrou no vocabulário de discussões públicas, nas redes sociais, e até em inscrições em bonés e camisetas. Depois das sanções contra representantes dos três poderes do Brasil, por parte do governo dos Estados Unidos, o tema tornou-se temática principal do desfile de 7 de Setembro neste domingo.

Além do contexto da interferência estrangeira em assuntos brasileiros, especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que as iniciativas de sensibilização para o tema, em momentos como esse, são importantes, mas devem fazer parte de um processo de debate e esclarecimento contínuo. 

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Soberania, segundo esses estudiosos, requer políticas públicas para fortalecimento do Estado, das comunidades e da cidadania. Um exemplo dessa atenção deve ser dado aos temas ambientais, conforme defende o pesquisador Helder Guimarães, do Centro Soberania e Clima, que é uma entidade independente.

Para fazer frente aos desafios concretos, é necessário que o Estado atue na conscientização para consolidar o sentido da soberania com a sociedade tendo em vista que essa é uma discussão que deve se tornar mais comum daqui para a frente. No entender de Guimarães, o caminho mais eficaz de sensibilização para a soberania é o da educação. 

Guimarães contextualiza que questionamentos sobre como o País conduz questões amazônicas e ambientais também são exemplos de interferência.

“Desde o ensino básico, é fundamental que a discussão esteja na escola todos os dias. Além da educação formal, a promoção do debate público também se torna muito importante”, afirmou Helder Guimarães. 

Pertencimento

De acordo com o cientista político Leonardo Barreto, o processo de sensibilização da população deve ter relação com o pertencimento gerado pelas políticas públicas de proteção ao indivíduo. “Quando se tem garantias de que os seus direitos estão sendo preservados e que aquele lugar te protege, há a sensação de soberania. Esse é um sentido que vem da experiência”, afirmou. 

Para o cientista político, a crise provocada pelos ataques à soberania brasileira torna-se um momento de reflexão para a sociedade brasileira. Esse sentido não pode ser imposto de cima para baixo.

“O que funciona é a identificação com a terra. Essa experiência é de direitos, respeito e confiança nas instituições. Uma experiência da ideia de que é bom viver num lugar e que vale a pena lutar por ele”.

Bem-estar

Soberania, conforme abordam os estudiosos, relaciona-se com a ideia de o País ter controle de sua energia, ciência, tecnologia, cultura e também o meio ambiente.

“Esse conceito está relacionado ao dia a dia das pessoas, ao bem-estar coletivo e à dignidade dos cidadãos”, afirmou.

Para Helder Guimarães, o posicionamento a ser adotado nos temas ambientais tem reflexo interno e externo. Para isso, são necessárias políticas de fiscalização e controle na Amazônia, por exemplo. “Um dever de casa que o Brasil tem que fazer é identificar formas de desenvolvimento sustentável.  O Brasil é um protagonista internacional na questão ambiental”. 

Nesse campo ambiental, inclusive, segundo o pesquisador, o Brasil avançou à base de uma legislação protege os biomas e busca atacar o crime organizado. “Nós precisamos aperfeiçoar nossos mecanismos de fiscalização, no combate mais rigoroso aos crimes ambientais, aos desmatamentos e desmatamento”, afirma Guimarães. 

Sentido de comunidade

Segundo o cientista político Leonardo Barreto, é necessário defender a soberania em ações como combate à pirataria e à mineração irregular. Para isso, torna-se necessário aperfeiçoar equipamentos como satélites e ferramentas de inteligência. “Políticas públicas também relacionadas com a transição energética, o incentivo à economia circular e à agricultura de baixo carbono.”

Além disso, ele recomenda valorização das comunidades tradicionais. “Assim, se fomenta o desenvolvimento e a conservação dessas áreas”. Por isso, torna-se fundamental investir em ciência e em inovação.

Momento histórico

A professora Albene Klemi, do departamento de História da Universidade de Brasília (UnB), nesse mesmo sentido, pondera que dependências tecnológicas ou desassistência de políticas públicas podem abrir flancos e fragilizam a soberania do país.

“Por isso que há estados mais fortes e outros mais dependentes. Daí a importância dos Estados se desenvolverem em prol do seu próprio povo”, afirmou. 

Ela também insere a ideia que historicamente houve ingerências por parte de outras potências defendendo seus interesses. “Outros países tentam ter essa ingerência em cima de outros. Não é somente o caso brasileiro”. Por isso, estimular a participação do cidadão alarga o sentimento de defesa do país e de nação.

“Esse é um momento histórico”, diz a professora. A forma como o país reagirá a essas interferência pode, no entender dela, significar fortalecimento do sentido de soberania, que pode deixar de ser um conceito abstrato.

 

Jamil Chade relata desumanização de imigrantes sob Trump em ‘distopia’

O jornalistas Jamil Chade relata, em livro recém-lançado, a desumanização do imigrante nos Estados Unidos (EUA) de Donald Trump em um cenário ‘distópico’ de uma sociedade em crise e empobrecida.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Jamil fala do seu livro Tomara que você seja deportado: uma viagem pela distopia americana, da editora Nós, destacando a decadência da democracia hackeada dos EUA e o papel da desinformação no projeto de poder da extrema-direita.

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O jornalista percorreu, entre 2024 e 2025, milhares de quilômetros em mais de uma dezena de estados e visitou os dois lados do muro que separa os EUA do México.  

Sobre a América Latina, Jamil analisa que os EUA buscam enquadrar o continente “no seu quintal” em meio à disputa com a China e que o Brasil “é a joia da coroa” das ambições de Washington para a região.  

Trabalhando em Genebra, na Suíça, há 25 anos como correspondente internacional, o experiente jornalista já visitou 70 países e passou por diversos meios de comunicação.

O título Tomara que você seja deportado é uma referência à frase dita ao filho de Jamil, uma criança, na escola em que frequentava, em Nova York.

“A garota que usou esse instrumento é tão vítima quanto meu filho. Vítima de uma liderança que decidiu transformar o outro em inimigo”, escreveu Jamil.  

Já o termo distopia é usado, geralmente na literatura ou no cinema, para descrever uma realidade imaginativa aterrorizante em que se vive em extrema opressão. É a oposição da utopia.
 

Jamil Chade percorreu milhares de quilômetros nos EUA e visitou os dois lados do muro que separa os EUA do México – Jamil Chade/Divulgação

Confira a íntegra da entrevista:

Agência Brasil: Em seu livro, você aborda a distopia da sociedade estadunidense. O que é essa distopia? O que está acontecendo com os EUA?
Jamil Chade: O fenômeno Trump, no fundo, é o resultado de uma crise existencial da sociedade americana. Ele não é a causa. O que eu vi nesse ano viajando por lá foi uma sociedade que vive o fim dos mitos do “sonho americano” e do “destino manifesto” [que atribui uma missão divina civilizatória aos EUA] que eram as bases daquela sociedade.
Nesse contexto, o governo Trump tenta recuperar o que acredito que é irrecuperável: essa ideia de que não haveria nada que poderia deter aquele país. É uma tentativa, quase desesperada, de retomar uma hegemonia que já não existe mais. Só que as consequências disso tudo são muito dramáticas.

Agência Brasil: É aí que entra a distopia?
Jamil Chade: Exatamente. Essa distopia é esse momento em que esses mitos se desfazem. É a contradição de um sistema capitalista muito agressivo que deixa pessoas em um limbo, na pobreza, que acaba gerando um cenário distópico.
O distópico não é só uma figura de linguagem. Cidades que eu visitei, por exemplo, no Arkansas, pareciam estar em um filme fantasmagórico. A cidade abandonada e empobrecida. Periferias de grandes cidades abandonadas com pessoas vivendo em uma situação econômica equivalente à de Bangladesh. Isso dentro dos EUA. Essa é a distopia que eu falo.
 

Imagens de Jamil Chade para seu livro Tomara que você seja deportado: uma viagem pela distopia americana – Jamil Chade/Divulgação

Agência Brasil: Você descreve o pânico e o medo dos imigrantes e cita a desumanização dessas pessoas. Qual a situação dos imigrantes nos EUA e qual o papel dessa desumanização no projeto político de Trump?
Jamil Chade: A palavra central é desumanização, porque quando você desumaniza o outro você tira justamente as obrigações que aquele Estado tem de prestar serviços e de garantir os direitos básicos. Afinal, ele já não é tão mais humano quanto os demais.
A desumanização nos EUA dos imigrantes não é um ato involuntário, é deliberadamente construído justamente para tirar direitos. Desumanizar é uma estratégia política para justificar deportação, xenofobia e racismo.
Sempre digo que um genocídio não começa com o primeiro disparo, ele começa na desumanização. Você autoriza o ódio. E, no caso americano, é exatamente essa a situação.

Agência Brasil: Nos EUA, teorias da conspiração prosperam com facilidade, entre elas, destaca-se a negação da crise climática. Qual o papel da desinformação na ascensão de Trump?
Jamil Chade: As grandes empresas digitais têm o poder, basicamente, de criar realidades. Milhões de pessoas se baseiam não nos jornais, mas nas redes sociais para formar suas opiniões e depois votar. É como se a democracia tivesse sido hackeada.
A desinformação não é um erro de apuração do repórter, não é um viés de um jornal. Desinformação é uma estratégia de poder, é uma estratégia de desmontar a realidade para levar o eleitor a chancelar outra realidade fabricada. É algo muito grave.
Nos Estados Unidos, essa desinformação foi amplamente instrumentalizada para a vitória de Trump. O caso americano mostra que não há outra alternativa senão a regulamentação das redes sociais.

Agência Brasil: Por que a mídia empresarial não é capaz de barrar essa desinformação? A mídia pró Trump – como a Fox News – participa dessa desinformação?
Jamil Chade: Eu digo que na eleição de 2024 a desinformação venceu. Venceu apesar de toda a operação da mídia tradicional em rebater, em fazer jornalismo, mas não foi suficiente porque a onda de desinformação aconteceu, em primeiro lugar, pelas plataformas digitais.
Essa desinformação depois é chancelada pela imprensa tradicional pró-Trump, que dá um verniz de notícia. Toda aquela teoria conspiratória que faz aquele caminho tradicional da desinformação, dias depois, passa a ser notícia e ganha um status quase de verdade. Esse é o papel da Fox News e de outras mídias pró-Trump.

Jornalista Jamil Chade durante entrevista para a Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Agência Brasil: Trump usou a Guarda Nacional para intervir em estados e cidades controlados pelos democratas. Qual o objetivo dele com essas intervenções?
Jamil Chade: O primeiro objetivo é sinalizar que o governo federal pode intervir em cidades, em estados, dependendo do interesse do governo federal. Isso é muito grave.
Outro objetivo é o da intimidação. Você coloca a Guarda Nacional nas ruas, que são militares, para intimidar todo mundo – o governador de oposição, a sociedade, os imigrantes. Todo mundo passa a estar ameaçado.
O terceiro aspecto é, eventualmente, preparar para algum tipo de estado de sítio. Esses soldados estão ali conhecendo como funciona aquela cidade para, se for necessário, usar em um estado de sítio.

Agência Brasil: A pedido de Trump, o Texas alterou o desenho dos distritos eleitorais. Democratas dizem que a mudança beneficia os republicanos nas eleições legislativas de 2026 ao incluir, em distritos de maioria negra e hispânica, regiões de maioria branca. Isso não distorce a vontade popular?
Jamil Chade: Claro. O grande medo de Donald Trump, que está em jogo na eleição de 2026, é perder o Legislativo e o seu próprio projeto pode ficar ameaçado. Ele então já prepara uma alternativa que é mudar as regras do jogo.
Esse é o grande temor hoje da democracia americana. A democracia vai ser um jogo com plataforma sólida de regras, ou elas vão mudar dependendo do interesse daquela pessoa no poder?
O problema não é o Texas, é o que isso sinaliza. Isso sinaliza que, se eu achar que vou perder, eu vou mudar as regras para continuar no poder. Isso, nem de perto, é democracia.

Agência Brasil: Como está a democracia dos EUA após esses oito meses de governo Trump?
Jamil Chade: Os instrumentos da democracia, entre eles a eleição, estão sendo usados para manter um grupo no poder. Ela não atende mais ao objetivo da democracia, que é dar o poder à população.
Os instrumentos da democracia foram manipulados para que Trump chegasse ao poder. Uma vez no poder, eles transformam as leis, fazem um embate com o Judiciário, desmontam a liberdade de expressão de fato, porque eles não têm nenhum compromisso com a liberdade de expressão, muito pelo contrário.
Essa é talvez a novidade da nossa geração. É o uso da democracia por movimentos autoritários. A democracia vai sobreviver a isso? Ainda não temos resposta.

Agência Brasil: No livro, você destaca que Trump tenta desmontar a ordem mundial erguida após a 2ª Guerra Mundial. Por outro lado, a cúpula da Organização pela Cooperação de Xangai colocou Índia, China e Rússia juntos. Esse movimento do eixo euroasiático ameaça a ordem mundial que Trump pretende criar?
Jamil Chade: Trump vê a ordem internacional criada após a 2ª Guerra não como obsoleta, mas como uma ameaça aos seus interesses. Ele quer desmontar essa ordem porque ela representa limites para o seu próprio poder. Essa velha ordem já morreu, sem dúvida nenhuma, o que nós estamos é na disputa da nova ordem.
Agora, a iniciativa chinesa apresenta os seus princípios de ordem internacional, com base na soberania, não hegemonia, multilateralismo. Isso é uma resposta ao Trump.
Essa sinalização de uma aliança com Índia e Rússia mostra que um dos efeitos de Donald Trump é reorganizar o mundo. É obrigar o mundo a se reorganizar para enfrentar essa situação.
 

Estados Unidos – Campanha eleitoral de Donald Trump em 2024 – Jamil Chade/Divulgação

Agência Brasil: Na América Latina, tem o aumento do cerco à Cuba, a ameaça de invasão da Venezuela, e o uso do suposto combate às drogas para interferir nos países da região, além da tentativa de interferir no julgamento da trama golpista no STF. Como você avalia a posição da América Latina nesse contexto?

Jamil Chade: A América Latina está em uma encruzilhada muito profunda. A pressão americana é muito grande e vai ser cada vez maior. Eles fazem um cálculo muito claro de que nessa disputa por hegemonia com a China, a América Latina é deles. É o quintal deles que precisa ser recuperado.
Eles também têm uma consciência muito grande de que não existe a recuperação da América Latina sem passar pelo Brasil. O Brasil é a joia da coroa. Não adianta ter influência no Paraguai, no Peru, no Equador, mas não ter influência no Brasil.
Então, 2026 vai ser um momento chave, não só, eu diria, para a democracia brasileira, ela é chave para a América do Sul. Dependendo de onde o Brasil vai com a eleição em 2026, vai determinar de que forma esse jogo geopolítico vai ser jogado.
Já estariam na zona de influência deles a Argentina, Paraguai, Peru, Equador e Guiana. A Bolívia, agora com a eleição, já caiu. O Chile no final do ano, com a eleição, é altamente provável que a extrema-direita ou direita governe o país.  
E daí, para 2026, ficam faltando só dois países, a Colômbia e o Brasil. Se eles completarem isso, os EUA têm uma América do Sul inteirinha sob sua influência.

Canonização do 1º santo millennial ocorre neste domingo no Vaticano

A canonização do beato Carlo Acutis ocorre neste domingo (7), no Vaticano. O adolescente, morto aos 15 anos de idade, após um quadro agudo de leucemia, ficou popularmente conhecido como padroeiro da internet, já que usava as redes para evangelizar. Carlo será o primeiro santo da geração millennial, que inclui todos os nascidos entre as décadas de 1980 e 1990.

Agendada para as 10h no horário local (5h no horário de Brasília), a cerimônia será presidida pelo papa Leão XIV, a primeira desde que assumiu seu pontificado, em maio deste ano. 

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A canonização de Carlo Acutis será realizada após 5 meses de espera, já que havia sido inicialmente marcada para 27 de abril, durante o Jubileu dos Adolescentes, mas foi adiada em razão da morte do papa Francisco.

Francisco já havia citado Carlo como exemplo para a juventude, por unir fé, simplicidade e conexão com o mundo contemporâneo. 

“Não se acomodou numa imobilidade confortável, mas colheu as necessidades do seu tempo, porque viu o rosto de Cristo nos mais frágeis. Seu testemunho mostra aos jovens de hoje que a verdadeira felicidade se encontra pondo Deus em primeiro lugar e servindo-O nos irmãos”, disse o papa Francisco.

Biografia

Carlo Acutis nasceu em Londres em 1991, mas cresceu em Milão, na Itália. Gostava de jogar videogame e criar sites e, segundo o Vaticano, também era apaixonado pela Eucaristia e por Nossa Senhora. Iniciou a vivência da fé católica cedo, aos 7 anos, fez a primeira comunhão e, desde então, passou a assistir à missa todos os dias, além de ajudar necessitados doando roupas e alimentos.

Na adolescência, graças aos conhecimentos de engenharia da computação, criou um site dedicado a divulgar milagres eucarísticos espalhados pelo mundo e aparições de Maria aprovadas pela Igreja Católica. Após sua morte por leucemia, em outubro de 2006, uma grande quantidade de pessoas em situação de vulnerabilidade, ajudadas por Carlo, compareceram ao funeral.

Milagres

O reconhecimento da santidade de Carlo veio a partir de dois milagres atribuídos ao jovem. O primeiro, que levou à beatificação, ocorreu em 2013, em solo brasileiro, na capital sul-mato-grossense Campo Grande. À época, o menino Matheus Vianna, com 3 anos de idade, sofria de uma doença congênita no pâncreas e foi curado sem nenhum tipo de respaldo científico ao tocar uma relíquia de Carlo.

O segundo milagre, de acordo com o Vaticano, refere-se à sobrevivência e rápida recuperação de Valéria Valverde, da Costa Rica. Em 2022, a jovem, então com 21 anos, estudava em Florença, na Itália, quando sofreu um grave acidente de bicicleta. A mãe de Valéria fez uma peregrinação à cidade de Assis para rezar pela cura da filha no túmulo de Carlo. No mesmo dia, a jovem começou a respirar sem aparelhos.

Confira reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, sobre a canonização de Acutis

Entenda

De acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o processo de canonização na Igreja Católica Apostólica Romana, que leva à declaração de uma pessoa como santa, envolve diversas etapas, incluindo a investigação da vida e das virtudes do candidato, a comprovação de milagres e a proclamação formal pelo papa.

A primeira fase é a diocesana. Nela, o bispo local inicia a investigação da vida do candidato, analisando sua fama de santidade e recolhendo testemunhos e documentos. Na segunda fase, intitulada romana, o processo é enviado ao Vaticano, onde peritos teólogos e médicos analisam a documentação e os milagres atribuídos ao candidato.

Na terceira fase, conhecida como beatificação, ocorre a comprovação de um milagre atribuído à intercessão do candidato, permitindo que ele receba o título de beato ou bem-aventurado. Para a quarta e última fase, a canonização, é necessário um segundo milagre, que deve ocorrer após a beatificação. Com a comprovação do milagre, o papa proclama a pessoa santa e sua devoção é reconhecida em toda a Igreja.

Com reflexões sobre a humanidade, Bienal de São Paulo abre ao público

Inspirada no poema Da Calma e do Silêncio, da poeta afro-brasileira Conceição Evaristo, a 36ª edição da Bienal de São Paulo abre ao público neste sábado (6), no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, do Parque Ibirapuera, na capital paulista, reunindo 125 artistas e coletivos. A mostra, que é gratuita, fica em cartaz até o dia 11 de janeiro.

Essa é a edição mais longa da Bienal em sua história. Segundo a presidenta da Fundação Bienal de São Paulo, Andrea Pinheiro, a ideia de expandi-la para um período de 4 meses expositivos tem o objetivo de aproveitar o período de férias escolares e estimular para que mais pessoas possam visitar o evento. 

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Nas últimas edições, a Bienal recebeu mais de 700 mil visitantes, reafirmando seu lugar como maior evento de arte contemporânea do Hemisfério Sul.
36ª Bienal de São Paulo, no Ibirapuera – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

“Com um grande espaço de encontro, a Bienal é marcada pela diversidade não só de artistas, mas também de produtores. A mostra e toda sua programação são inteiramente gratuitas. Esse é um ponto surpreendente”, destacou a presidente da Fundação Bienal. 

“Estendemos a duração da Bienal por mais quatro semanas, com visitação até o dia 11 de janeiro, para ampliar esse projeto tão significativo, incluindo o período de férias escolares, que é um período super importante para os museus de São Paulo”, acrescentou.

Para este ano, destacou a presidente da Fundação Bienal, o objetivo é não só ampliar o público visitante, mas também expandir as atividades educativas. 

“Na última Bienal, quase 70 mil crianças foram atendidas aqui nesse pavilhão pelo nosso programa educacional. Este ano, ampliamos esses esforços de captação para estabelecer uma nova meta de 100 mil crianças [participando das atividades educativas] no pavilhão. Fora isso, nós vamos treinar 25 mil professores da rede pública, mais do que os 18 mil da última Bienal. E isso tem um impacto enorme de mais de 1 milhão de crianças aprendendo os conteúdos que nós divulgamos”, explicou.

Humanidade como prática

Sob o título Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, extraído de versos do poema de Conceição Evaristo [Nem todo viandante anda estradas, há mundos submersos, que só o silêncio da poesia penetra], a proposta da Bienal de Artes é repensar a humanidade. A curadoria geral é de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, com co-curadoria de Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza, Keyna Eleison e da consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus.

“O poema de Conceição Evaristo, Da Calma e Do Silêncio, nos faz questionar essa estrada em que a humanidade está viajando”, explicou Bonaventure Soh Bejeng Ndikung. 

“[Atualmente] essa viagem ameaça uns aos outros com armas nucleares. Há também a viagem da fome, de manter as pessoas passando fome embora tenhamos tantos grãos e tantos silos no mundo todo. Há pessoas que não têm onde morar. Temos também a jornada do colonialismo e de escravizar pessoas. Então, nós aqui estamos refletindo sobre que outros caminhos podemos seguir”, acrescentou.

36ª Bienal de São Paulo, no Ibirapuera – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Apesar desse avanço do projeto de desumanização e de outras emergências no mundo atual, tal como as guerras, Ndikung se diz um otimista e aponta a arte como uma maneira possível para se enfrentar essas violências e resistir à destruição. 

“A arte nos dá a possibilidade, a sensibilidade e as ferramentas para reconsiderarmos o mundo no qual vivemos”, avalia.

Em entrevista coletiva à imprensa, Ndkung ressaltou que uma das características de ser humano é ter empatia, destacando que esse é um dos temas presentes na Bienal deste ano. Para ele, é preciso não só sentir a dor do outro, mas também poder compartilhar de suas alegrias e celebrações. 

“Ser humano é superar a indiferença da dor dos outros e entender quais são as causas dela. Ser humano é ter consideração, ter compaixão, é abraçar as multiplicidades internas. É reconhecer que nas ruínas e nos escombros da nossa destruição, há abundância. É a gente pensar na riqueza que vai além do termo capitalista. Ser humano não é ser passivo. É uma prática ativa”, destaca.

“Nosso desejo principal é pensar como a arte contemporânea pode nos orientar na construção de outros imaginários políticos e exercer a nossa própria humanidade”, lembra o cocurador Thiago de Paula Souza, em entrevista à Agência Brasil

“Eu acho que é por isso que a gente chamou tantos artistas para tentarmos responder a isso. Temos artistas do Japão, do Marrocos, do Brasil. Cada um desses contextos propõem novas reflexões”, explica.

36ª Bienal de São Paulo, no Ibirapuera – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Deslocamentos e fluxos migratórios

Uma das grandes discussões presentes nesta edição da Bienal é a reflexão sobre os deslocamentos e fluxos migratórios. Inclusive, a equipe conceitual inspirou-se nos fluxos migratórios das aves como guia para a seleção dos artistas participantes. 

“Assim como as aves, também carregamos memórias, experiências e linguagens ao cruzar fronteiras. Migramos não apenas por necessidade, mas como forma de transformação contínua”, diz o texto de apresentação da Bienal.

Ainda segundo os organizadores da mostra, os participantes da Bienal vêm de regiões perpassadas por rios, mares, desertos e montanhas, cujas águas e margens acompanham histórias de migração, resistência e convivência. E é essa força transformadora dos rios e da natureza que vai permear toda a expografia do evento, projeto assinado por Gisele de Paula e Tiago Guimarães.

Por isso, toda a concepção da Bienal foi pensada sob a metáfora de um estuário. 

“O estuário é esse encontro de águas, por exemplo, de água doce com a água salgada. Costumam ser lugares muito férteis, onde a vida é abundante. Então, acho que essa é uma boa metáfora para a gente pensar como imaginamos o espaço da Bienal. Queremos que ele seja um espaço muito abundante de vida”, ressalta Thiago de Paula Souza.

36ª Bienal de São Paulo, no Ibirapuera – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Esse estuário foi dividido pelos curadores em seis capítulos. Chamado de Frequências de chegadas e pertencimentos, o primeiro deles se inicia com um imenso jardim, concebido no andar térreo, com uma obra de Precious Okoyomon. A instalação apresenta uma topografia irregular, fazendo o visitante passar por entre pequenas quedas d’água, lagos e áreas acidentadas. Entre as plantas presentes, há espécies medicinais, comestíveis e invasoras que vêm das Américas, do Caribe e, sobretudo, do Cerrado brasileiro. 

Nesse jardim vivo, onde pedras, água, plantas e luz se entrelaçam, Precious propõe que essa experiência seja um convite ao descanso e à escuta, mas também à consciência de que o mundo natural opera em ritmos mais amplos do que o humano.

A proposta desse primeiro eixo é fazer com que o público desacelere e se reconecte com a natureza. 

“No andar térreo, a gente tem muitos trabalhos que são mais uma espécie de continuação ao diálogo com o parque. Então, muitos artistas ali trabalham com matéria orgânica ou têm um interesse por florescer ou jardinagem. É como se o público ainda estivesse meio que inserido no parque”, explica Thiago de Paula Souza.

O capítulo seguinte foi chamado de Gramáticas de insurgências, e concentra trabalhos que abordam diferentes formas de resistência à desumanização. A ideia é convidar o público a se ver no reflexo do outro, confrontando as barreiras e fronteiras sociais.

 36ª Bienal de São Paulo, no Ibirapuera – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Já o capítulo 3, Sobre ritmos espaciais e narrações, aborda as marcas que foram deixadas pelas migrações e transformações humanas, entre elas, a escravização de negros. Entre as obras presentes, está uma proposta de uma nova Arca de Noé, criada pelo artista Moffat Takadiwa especialmente para a Bienal. 

Revestida de resíduos plásticos e metálicos, a arca se transformou em uma nave ou um portal. A proposta é refletir sobre o capitalismo, racismo e o colapso ambiental.

A proposta desse terceiro eixo, destacam os curadores, é refletir sobre a colonialidade e estruturas de poder. Para isso, ele é todo baseado no movimento manguebit, que surgiu no Recife e que teve como seu principal expoente Chico Science (1966-1997). 

“O manguebit é uma referência de pensamento. Recife também tem um grande estuário, o Rio Capibaribe. Então, a figura do estuário volta aqui de novo. Neste espaço queremos pensar sobre o que aconteceu em Recife nos anos 90, região que estava envolvida com tanta desigualdade social. Ainda assim as pessoas, artistas e músicos de lá conseguiram encontrar uma maneira de criar. Acho que pensar sobre a humanidade é também pensar que, mesmo em condições adversas, possibilidades criativas podem emergir”, disse Thiago de Souza Paula.

O capítulo 4, Fluxos de cuidado e cosmologias plurais, apresenta obras que rompem com os modelos coloniais e patriarcais. No capítulo 5, que recebeu o nome de Cadências de transformação, a ideia é que a mudança é uma condição permanente, apresentando obras que vão mudando de forma durante o período dexpositivo. O último capítulo, A intratável beleza do mundo, por sua vez, celebra a beleza como um ato de resistência.

36ª Bienal de São Paulo, no Ibirapuera – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Os artistas

A lista de artistas inclui participantes que exploram linguagens como performance, vídeo, pintura, som, instalação, escultura, escrita e experimentações coletivas e musicais, entre outras. 

Muitos participantes também propõem investigações baseadas em práticas comunitárias, ecologias, oralidades e cosmologias não ocidentais. 

Ao todo, obras de 120 artistas serão apresentadas no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Ibirapuera, enquanto outros cinco artistas vão expor suas obras na Casa do Povo, na região da Luz.

36ª Bienal de São Paulo, no Ibirapuera – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Além das exposições, a Bienal também propõe debates, performances e um projeto chamado de Aparições, em que os participantes vão poder baixar um aplicativo para utilizar recursos de realidade aumentada em diversos locais do mundo, como o Parque Ibirapuera, a fronteira entre México e Estados Unidos e às margens do Rio Congo.

Mais informações sobre o evento estão no site da Bienal.

Youtuber é expulso da UnB por gravar aulas e debochar de professores

O youtuber de extrema-direita Wilker Leão, estudante de História da Universidade de Brasília (UnB), foi expulso da instituição, após passar por um processo disciplinar discente (PDD) que analisou sua conduta em sala de aula, onde costumava gravar sem consentimento professores e alunos. Depois, o youtuber postava os vídeos em tom de deboche e de ridicularização em redes sociais.

A expulsão foi anunciada em comunicado divulgado nesta sexta-feira (5) pela reitoria da UnB.

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“A Universidade de Brasília (UnB) informa que, após o despacho decisório no âmbito do processo disciplinar discente, o estudante Wilker Leão de Sá foi excluído da instituição e está impedido de realizar novos registros de matrícula. Cabe recurso. O ato está em conformidade com as recomendações do relatório final do PDD e o parecer da Procuradoria Federal junto à UnB”, diz a nota.

Leão, que tem mais de 940 mil inscritos em seu canal no Youtube, já estava suspenso das aulas desde o ano passado, enquanto respondia ao processo administrativo.

Em abril deste ano, ele e outros militantes de direita chegaram a convocar um ato na UnB que estimulava violência contra estudantes da instituição. Os vídeos gravados em sala de aula eram postados em seu canal.

Em vídeo postado em seu canal com trecho de um audiência sobre seu processo disciplinar, Wilker Leão escreveu, na descrição da postagem, que estava cursando História “justamente por ser um dos cursos que a esquerda mais dominou com suas narrativas ideológicas e doutrinárias. Combater isso é o meu principal objetivo dentro da universidade federal”.

A reportagem da Agência Brasil tenta contato com Wilker Leão, para obter uma posição sobre a expulsão da UnB. O espaço segue aberto.

Obra do túnel Santos-Guarujá deve começar no fim do ano, diz ministro

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse que as obras de construção do túnel que vai ligar as cidades litorâneas de Santos e Guarujá devem ser iniciadas no final deste ano. O grupo português Mota-Engil venceu nesta sexta-feira (5) o leilão para a construção da obra.

Segundo o ministro, que participou do leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), a obra deve gerar cinco mil empregos diretos e “mudar completamente a radiografia da mobilidade urbana na Baixada Santista”.

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“Como vocês sabem, hoje o cidadão, para sair de Santos e ir para o Guarujá, demora entre 45 minutos a 1h15 em média. E agora, com o túnel pronto, vai demorar entre 3 ou 5 minutos para fazer esse trajeto. Isso vai ampliar a logística das operações, vai fortalecer o turismo de negócios e o turismo de lazer”, destacou o ministro.

Costa Filho disse que o governo federal também tem dialogado com o governo de São Paulo para realizar, em breve, outro leilão destinado a obras no litoral paulista: do Porto de São Sebastião. A previsão, conforme o ministro, é que ocorra no primeiro trimestre de 2026.

Durante o leilão, autoridades dos governos federal e paulista destacaram a parceria para a construção do túnel, que terá aporte público dividido entre os entes federativos. 

No entanto, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a proposta do governo de São Paulo de privatizar o Porto de Santos.

“Só estamos aqui porque o Porto [de Santos] não foi privatizado, porque isso estava no programa de privatização. Mas o que está viabilizando [essa obra do túnel] é a Autoridade Portuária, que está viabilizando a execução importantíssima dessa obra com a participação por parceria público-privada”, disse Alckmin. A Autoridade Portuária é um órgão público, responsável pela gestão, administração e fiscalização de um porto e suas operações.

O ministro Márcio França, do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, explicou que os recursos serão provenientes da própria Autoridade Portuária, e não da União. 

Já Tarcísio de Freitas disse, sem responder às críticas, que as questões políticas deveriam ser deixadas de lado, em prol dos “interesses do cidadão”. “Acho que a gente está dando um exemplo. Acho que a gente tem que celebrar mesmo no dia de hoje aquilo que está acontecendo”, disse, acrescentando que o projeto de construção do túnel estava em estudos há mais de 100 anos.

Conhecido por sempre bater o martelo com muita força durante os leilões na B3, Tarcísio repetiu o gesto no certame ocorrido hoje. Quando foi bater o martelo, Alckmin fez uma brincadeira e disse que não faria da mesma forma que o governador. “Eu, como sou anestesista, a mão tem que ser cuidadosa, não pode ser na força”, brincou, arrancando risos dos presentes.

Protesto de moradores

Durante o certame, moradores de uma comunidade de Santos fizeram um protesto do lado de fora e disseram estar preocupados com possíveis desapropriações para a construção do túnel.

Sobre o tema, o governador Tarcísio disse que o governo tem mantido diálogo com os moradores que serão afetados pela obra. “Os moradores não serão abandonados”, afirmou, ressaltando que o contrato prevê oferta de opções de moradia aos afetados.

“Ninguém vai ter uma casa pior, só vai ter uma casa igual, melhor, na mesma cidade, isso está garantido”.

“Indulto é golpismo de marcha ré”, diz Alckmin em São Paulo

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, criticou na noite desta sexta-feira (5), em São Paulo, a proposta que visa anistiar condenados pela tentativa de golpe de Estado e pelos atos de 8 de janeiro.

 “Indulto é golpismo de marcha ré”, declarou o vice-presidente, após o leilão do túnel Santos-Guarujá.

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Alckmin destacou ainda que o país preza pela liberdade e democracia e citou a participação de brasileiros contra o nazismo e o fascismo na Segunda Guerra Mundial. “Está na índole do povo brasileiro a democracia. É a democracia que promove inclusão”, ressaltou, sem citar o .

Mais cedo, ao bater o martelo durante o leilão, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que a polarização faz parte do processo político e democrático, desde que não seja calcada no autoritarismo.

“Quando a polarização é de tipo autoritário, em que se pensa em eliminar o adversário, essa é a polarização que ninguém quer”, afirmou.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também se posicionou contrário a qualquer possibilidade de votação pelo Congresso de um projeto de anistia, e defendeu que as pautas do Legislativo devem ser focadas no imposto de renda e na reforma administrativa.

Diferentemente das autoridades do governo federal, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se recusou a responder as perguntas sobre anistia ou o fato de ter ido a Brasília durante esta semana para negociar a proposta. Freitas já disse em entrevistas que concederia indulto a Jair Bolsonaro se fosse eleito presidente da República. 

Questionado sobre a declaração do vice-presidente a respeito do indulto, o governador disse que “só falaria sobre o túnel nesta sexta-feira”. Alckmin não citou o governador em sua fala. 

Parceria

São Paulo (SP) – 05/09/2025 – Leilão do Túnel  Santos-Guarujá na B3. Da esquerda para direita, Geraldo Alckmin (vice-presidente), Silvio Costa Filho (ministro de Portos) e Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo). Foto: Eduardo Oliveira/MPOR

O leilão do túnel Santos-Guarujá foi vencido pelo grupo português Mota-Engil. Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o projeto terá aporte público de até R$ 5,14 bilhões, dividido igualmente entre o governo de São Paulo e o governo federal. O restante será coberto pela iniciativa privada.

O ministro Haddad destacou a parceria entre União e o estado paulista apesar das divergências políticas.” Os dois governos deram-se as mãos para chegar no dia de hoje e celebrar essa grande contratação. Daqui a alguns anos nós vamos celebrar a inauguração dessa obra. E tanta gente vai ser beneficiada e nós vamos nos lembrar do dia de hoje, que é assim que se faz política, é assim que se constrói a democracia”.

Silvio Costa Filho também destacou que o leilão é o tipo de ação “que, de fato, ao final, quem ganha é a população brasileira”. “Essa convergência do governo do Estado de São Paulo com o governo federal, ela é muito benéfica para o país”.

Em discurso durante a cerimônia do leilão, Tarcísio de Freitas ressaltou a atuação de vários órgãos para a concretização do projeto do túnel, que vai ligar as cidades litorâneas de Santos e Guarujá. “Parabéns a quem modelou, parabéns a quem buscou tecnologia, parabéns para quem fez a diferença. Parabéns para o governo do estado de São Paulo e parabéns para o governo federal”, disse o governador.

Polícia Militar antecipa início da Operação Verão no Rio

Para garantir a segurança de moradores e turistas, a Polícia Militar antecipou a Operação Verão 2025/2026 para este fim de semana. Serão empregados, diariamente, 1.380 policiais militares, com atenção especial à orla da capital e às cidades litorâneas, além das vias expressas e rodovias de acesso aos municípios com maior movimento turístico.

Como parte do planejamento, a Polícia Militar realizou uma reunião de alinhamento envolvendo vários órgãos municipais, com a finalidade de evitar episódios de depredação em ônibus, além de roubos e furtos, nos horários de saída das praias da cidade.

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Além da ampliação do uso de tecnologias de monitoramento, a ação contará com equipes multidisciplinares, empregadas como parte do protocolo de abordagens a crianças e adolescentes. Esse protocolo foi pactuado entre as forças de segurança do estado, órgãos municipais, Ministério Público, Defensoria Pública e entidades representativas da sociedade civil.

“Nosso compromisso é garantir que moradores e turistas possam aproveitar a temporada de verão com tranquilidade. Estamos ampliando o uso da tecnologia e reforçando a integração com diferentes instituições para oferecer mais segurança em todo o estado”, afirmou o secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira.

Segundo o secretário, a estratégia da Operação Verão reforça o caráter preventivo das ações, priorizando a proteção da população. “A integração entre forças de segurança, órgãos municipais e entidades da sociedade civil é fundamental para alcançar resultados mais eficazes”, explicou.

Patrulhamento

Em toda a faixa litorânea do estado, o patrulhamento será realizado com viaturas, motocicletas e quadriciclos circulando também pela areia. Nas praias mais movimentadas, haverá tendas como pontos de apoio aos policiais e de referência para a população.

Na capital, o policiamento ficará mais concentrado na área entre o Leme e o Pontal, com a utilização de cavalos do Regimento de Polícia Montada (RPMont) e do Batalhão de Ações com Cães.

Ao longo dessas vias, os ônibus que se dirigem à orla serão monitorados e poderão ser interceptados caso sejam identificadas ações que coloquem em risco a segurança no transporte público. Haverá, ainda, operações nos terminais de ônibus e estações do Metrô.

Moraes abre prazo para alegações do Núcleo 2 dos atos golpistas

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu nesta sexta-feira (5) prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e as defesas dos réus do Núcleo 2 da trama golpista apresentarem suas alegações finais.

O grupo é acusado pela PGR de organizar ações para sustentar a tentativa de permanência ilegítima do ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, em 2022. 

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Pela decisão, a procuradoria será a primeira a entregar as alegações. Em seguida, o mesmo prazo deverá ser cumprido pelos advogados dos réus.

São réus do núcleo 2:  

  • Filipe Martins (ex-assessor de assuntos internacionais de Bolsonaro);
  • Marcelo Câmara (ex-assessor de Bolsonaro);
  • Silvinei Vasques (ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal);
  • Mário Fernandes (general do Exército);
  • Marília de Alencar (ex-subsecretária de Segurança do Distrito Federal);
  • Fernando de Sousa Oliveira (ex-secretário-adjunto da Secretaria de Segurança do Distrito Federal). 

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As alegações fazem parte da última fase antes do julgamento dos acusados, que deve ocorrer ainda neste ano na Primeira Turma da Corte.

Grupo português vence leilão do túnel Santos-Guarujá

O grupo português Mota-Engil, que tem participação da empresa chinesa China Communications Construction Company (CCCC), venceu nesta sexta-feira (5) o leilão para a construção do túnel que vai ligar as cidades de Santos e Guarujá, no litoral paulista.

O leilão foi realizado durante a tarde de hoje na B3, sede da Bolsa de Valores de São Paulo, e contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Márcio França (Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte do Brasil) e Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de deputados, secretários estaduais e outras autoridades.

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O grupo ofereceu 0,50% de desconto, batendo a proposta feita pelo outro grupo estrangeiro, a espanhola Acciona, que ofereceu zero por cento de desconto sobre o valor da contraprestação pública.

O critério de julgamento do leilão selecionou a proposta que ofereceu maior percentual de desconto sobre o valor da contraprestação pública máxima, fixada em R$ 438,3 milhões ao ano.

A concessionária vencedora do leilão ficará responsável pela construção, operação e manutenção do túnel por um período de 30 anos.

Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o projeto terá aporte público de até R$ 5,14 bilhões, dividido igualmente entre o governo de São Paulo e o governo federal. O restante será coberto pela iniciativa privada.

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Protesto

Enquanto o certame era realizado, um grupo realizou um protesto na frente da sede da B3. Eles argumentam que a obra vai provocar desapropriações.

“Nós estamos aqui representando uma comunidade que há muitos anos está lá instalada, que nasceram ou vivem lá. O que nós queremos é que seja feita um processo de desapropriação justo, ético, moral e digno”, disse José Santaella, da Associação Comunitária do Macuco, localizada em Santos, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo ele, cerca de 200 famílias podem chegar a ser impactadas a depender do local de instalação do túnel. Famílias que vivem na região ainda não receberam informações sobre possíveis impactos.

“O que nós queremos é uma tutela do Estado, que o Estado garanta uma documentação rápida para as pessoas que não tem isso hoje. Depois, que faça uma avaliação dos imóveis do entorno porque a cidade de Santos é uma ilha”, disse Santaella, ressaltando que a comunidade luta para que não ocorra “expulsão dessa comunidade” da cidade de Santos.

Pedido de suspensão

Nessa quinta-feira (4), o ministro Bruno Dantas, do Tribunal de Contas da União (TCU), rejeitou um pedido feito pelo Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) para suspender o leilão do túnel .

O MPTCU questionava o modelo do leilão, que poderia sugerir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) “teria favorecido grupos estrangeiros e imposto restrições às empresas brasileiras, inviabilizando sua participação no certame”.

Em sua decisão, o ministro Bruno Dantas considerou que a representação se baseava “apenas em reportagem jornalística” e não apresentava provas concretas de irregularidades.

Para o ministro do TCU, questões de financiamento são externas ao processo licitatório e não configuram falhas no edital.

O túnel

O túnel Santos-Guarujá é a maior obra do Novo PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) e será a primeira travessia submersa do Brasil. Terá 1,5 quilômetro de extensão.

Desse total, 870 metros serão imersos, com módulos de concreto pré-moldados instalados no leito do canal portuário.

O projeto inclui três faixas de rolamento em cada sentido, uma delas adaptada para Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de ciclovia e espaço para pedestres e galeria de serviços.

O projeto já conta com licença ambiental prévia da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), emitida em agosto de 2025.

Atualmente, há dois principais modos de travessia entre as duas cidades: o trajeto de 43 km via Rodovia Cônego Domênico Rangoni (SP-055), utilizado por veículos comerciais, com tempo médio de 60 minutos; e o sistema de balsas e barcas, usado por pedestres, ciclistas e veículos leves, com tempos de travessia que variam de 18 a 60 minutos, dependendo das condições operacionais do porto.

Segundo o governo paulista, as travessias por embarcações transportam diariamente mais de 21 mil veículos, 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres.

Com o túnel, o tempo gasto nessa travessia não deverá ultrapassar cinco minutos.

Além de reduzir o tempo de deslocamento, o túnel vai ligar as regiões de Outeirinhos e Macuco, em Santos, ao bairro Vicente de Carvalho, em Guarujá, o que deverá aliviar o tráfego na rodovia, impulsionar o turismo, fortalecer a economia local e contribuir para a redução de emissões, ao incentivar meios coletivos e sustentáveis de transporte.

Meteorologia prevê frio e chuva para São Paulo e Porto Alegre

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê para este fim de semana a chegada de uma frente fria em São Paulo, com queda brusca de temperatura e possibilidade de chuva. Porto Alegre terá um final de semana de muito frio, com possibilidade de geada.

Para o Rio de Janeiro, que teve nesta sexta-feira (5) um dia de tempo quente e seco, a previsão para o fim de semana é de céu nublado a encoberto, com chuva fraca.

Rio de Janeiro

Esta sexta-feira (5), o Rio de Janeiro teve um dia de tempo quente e seco. O céu esteve predominante claro, com poucas nuvens no céu. A temperatura máxima atingiu os 33,4ºC, em Guaratiba, na zona oeste da cidade. A mínima da madrugada ficou em 14,3ºC, em Jacarepaguá, na mesma região.

Em pleno inverno, a temperatura acima dos 30ºC pode ser considerada um veranico. As praias tiveram grande movimento de banhistas para aproveitar o dia de sol.

Para este sábado (6), a previsão é que o tempo vai mudar com a aproximação de uma frente fria. A previsão é de céu nublado a encoberto, com chuva fraca, a partir do final da manhã. Temperatura entrará em declínio. A previsão do Sistema Alerta Rio, é que a temperatura máxima não ultrapasse os 26ºC. 

Os ventos estarão moderados, com rajadas que podem chegar aos 50 quilômetros por hora.

Para o domingo (7), o transporte de umidade do oceano em direção ao continente manterá o tempo instável. O céu estará nublado a encoberto e há previsão de chuva fraca isolada durante todo o dia. A temperatura máxima deve ficar em torno dos 23ºC.

São Paulo

Em São Paulo, neste final de semana, a chegada de uma frente fria provocará uma queda brusca na temperatura. Para este sábado, a previsão, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), é de céu com muitas nuvens com possibilidade de chuva isolada. A temperatura mínima ficará em torno dos 15ºC e a máxima não ultrapassará os 20ºC. 

Para o domingo (7), a previsão é um dia de chuva e trovoadas isoladas, com a temperatura variando entre a mínima de 15ºC e a máxima, de 20ºC.

Porto Alegre terá um final de semana de muito frio, com possibilidade de geada e ventos fracos a moderados com rajadas. A temperatura mínima ficará em 9ºC e, a máxima, em 14ºC. 

Para o domingo (7), a previsão é que o frio se repetirá, com a mínima chegando aos 10ºC e a máxima em 14ºC, podendo gear novamente na capital.

Norte

No Norte do país, a meteorologia prevê um final de semana com céu com muitas nuvens e possibilidade de chuva isolada nas cidades de Belém e Manaus. A capital paraense terá um sábado de temperatura máxima chegando aos 33ºC, e a capital amazonense terá uma temperatura máxima um pouco mais elevada, atingindo os 35ºC.

Em Brasília, no final de semana, a temperatura ficará mais amena, com a máxima chegando aos 29ºC, no sábado, com umidade relativa do ar em torno dos 25%. Já no domingo, Dia da Independência, a temperatura máxima chega aos 28ºC, mas a umidade relativa do ar ficará em 20%. 

Essa umidade baixa pode causar ressecamento da pele e das mucosas, irritação nos olhos, boca e nariz, sangramentos nasais e agravar problemas respiratórios como asma e rinite, além de aumentar a suscetibilidade a infecções.

Saiba como assistir obras de Silvio Tendler pelo TV Brasil Play

Documentarista premiado, com uma centena de títulos, o cineasta Silvio Tendler morreu nesta sexta-feira (5), aos 75 anos, no Rio de Janeiro.

Tendler se notabilizou por sua cinematografia de cunho político e histórico.  Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, produziu e dirigiu mais de 70 filmes e 12 séries televisivas – alguns deles exibidos pela TV Brasil, emissora pública de televisão gerida pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

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Sua obra ficou marcada por retratar biografias de personalidades como o ex-presidente João Goulart, Juscelino Kubitschek e Carlos Marighella.

“Silvio Tendler é um nome incontornável na história do documentário brasileiro. Cineasta e ativista, sempre lutou pela democracia brasileira. Nesta medida, a TV Brasil, cuja missão é fomentar o senso crítico, não poderia deixar de ter obras dele. Obras estas que nos honram muito programar e exibir”, afirma a diretora de Programação e Conteúdo da EBC, Antonia Pellegrino. 

Tendler também produziu filmes sobre intelectuais, pesquisadores e artistas brasileiros como Josué de Castro – Cidadão do Mundo (1994), Milton Santos – Pensador do Brasil (2001); Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (2003)

O aplicativo on demand da TV Brasil, o TV Brasil Playdisponibiliza algumas produções de Tendler para o grande público interessado em conhecer sua obra.

O TV Brasil Play é gratuito – sem cobrança de mensalidade ou cadastro – e está disponível para download nas principais lojas de aplicativo. 

>> Confira: 

Era das Utopias: dividida em episódios que discutem a utopia socialista, a utopia capitalista e as novas utopias, a série aborda os sonhos que pautaram diversas gerações e também a crise do progresso, da modernidade, da razão e da democracia.  

Sonhos Interrompidos: a obra de Silvio Tendler revisita lutas pautadas por igualdade e justiça em movimentos de diversas fases da história do Brasil e do Mundo, conectando os anseios de várias gerações. 

Os Advogados pela Democracia: a série em cinco episódios faz um apanhado do papel estratégico da Justiça Militar durante o regime e presta uma homenagem aos advogados que estiveram na defesa de presos políticos. 

Glauber o Filme, o Labirinto do Brasil: a produção é um mergulho na vida e na obra do cineasta Glauber Rocha, um dos principais nomes do Cinema Novo. O documentário resgata imagens de arquivo, entrevistas e depoimentos que mostram o legado deixado pelo cineasta baiano. 

Caçadores da Alma: a série em 13 episódios é uma abordagem da arte da fotografia, reconhecendo seus principais personagens: os fotógrafos e suas obras. Os episódios apresentam temas que fazem parte da aventura de fotografar no século XXI. 

Cade aprova incorporação da BRF pela Marfrig

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, aprovou nesta sexta-feira (5), sem restrições, a incorporação da empresa BRF pela multinacional Marfrig.

Segundo o Cade, a operação resultará na incorporação, pela Marfrig, de todas as ações da BRF que ainda não estavam sob seu controle. Em contrapartida, os acionistas da companhia incorporada receberão papéis da Marfrig.

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Segundo a autarquia, o negócio não traz preocupações concorrenciais. “A participação conjunta das empresas nos mercados com sobreposição horizontal, em que ambas ofertam produtos semelhantes e concorrentes, é inferior a 20%, percentual abaixo do patamar presumido como posição dominante”, disse, em nota.

O Cade também verificou que, nos mercados verticalmente integrados, quando uma companhia atua em uma etapa da cadeia produtiva e a outra em estágio subsequente ou anterior, a fatia de cada parte é inferior a 30%, “reduzindo a possibilidade de fechamento de mercado”.

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A Marfrig é uma multinacional brasileira dedicada à produção de alimentos de alto valor agregado à base de proteína animal, sobretudo bovina, como hambúrgueres e outros produtos prontos para consumo. Já a BRF, que passará a integrar o grupo, atua na criação, produção e abate de aves e suínos, além da industrialização, comercialização e distribuição de carnes in natura, produtos processados, massas e margarinas, entre outros.

Polícia Civil apreende carro de luxo de influenciador “Gato Preto”

A Polícia Civil de São Paulo confirmou nesta sexta-feira (5)  ter cumprido mandados de busca e apreensão contra Samuel Sant’Anna, conhecido nas redes sociais como Gato Preto, influenciador digital que atua virtualmente com perfis de ostentação de bens e carros de luxo.

A ação investiga as circunstâncias de um acidente de trânsito no qual ele e a companheira, a influenciadora Bia Miranda, se envolveram, na manhã do dia 20 de agosto.

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Na ocorrência, um veículo de luxo conduzido por Sant’Anna colidiu com um automóvel popular em uma avenida movimentada da zona oeste paulistana.

Os agentes apreenderam nesta sexta celulares dele e de um segurança de sua companheira, a também influenciadora Bia Miranda. Outro carro de luxo do influenciador também foi apreendido.

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A ação foi conduzida pelos policiais do 15º DP (Itaim Bibi). Não há previsão para a conclusão das investigações, que não são as primeiras pelas quais eles respondem.

Sant’Anna e Miranda figuram entre os investigados durante operação contra influenciadores digitais envolvidos na divulgação de jogos de azar, especialmente o Jogo do Tigrinho, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, no começo de agosto deste ano.  

A Agência Brasil não conseguiu contato com a defesa do influenciador, mas mantém o espaço aberto para acrescentar sua manifestação.

Cinéfilos exaltam Silvio Tendler: “absolutamente fundamental”

A morte do cineasta, historiador e professor Silvio Tendler, aos 75 anos, nesta sexta-feira (5), comoveu colegas de profissão e ex-alunos. Jorge Ferreira, professor titular de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense (UFF) e autor do livro João Goulart: uma biografia (2015), se recorda de quando assistiu ao documentário Jango em 1984, “no último ano da ditadura militar e no embalo da campanha da Diretas-Já.”

“Entrar em um cinema para assistir ao documentário sobre o governo Goulart, 20 anos após o golpe de Estado que o depôs da Presidência da República, era um ato político, um protesto contra a ditadura militar. Silvio Tendler montou o documentário com emoção. Seu objetivo era informar, mas também emocionar. E conseguiu”, recorda.

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O filme teve 1 milhão de espectadores. Em entrevista à Agência Brasil, Jorge Ferreira recorda-se do impacto. “Eu assisti ao filme, com o cinema lotado, e presenciei pessoas chorando e outas com os olhos vermelhos. Eu mesmo me emocionei com a cena de um avião partindo com Jango para o exílio, ouvindo Milton Nascimento cantando Coração de Estudante. Silvio Tendler certamente não imaginou que o filme Jango seria um sucesso de público, muito menos que se tornaria uma obra da maior relevância na cinegrafia brasileira.”

A importância do documentarista para a formação de visões sobre o Brasil é também destacada pelo cineasta Sérgio Machado.

“O Silvio Tendler foi absolutamente fundamental, não apenas na minha formação como cineasta. Mas (principalmente) na minha formação política. [O filme] Jango marcou a minha vida, foi um ponto de virada. Lembro de assistir ao lado da minha mãe, que chorou durante a sessão inteira. Foi a partir dos filmes dele que eu entendi os horrores da ditadura e o quanto era fundamental lutar contra ela.”


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No Instagram, a antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz ressalta o conhecimento e a compreensão do documentarista sobre o país. “Ele era, sobretudo, um cineasta engajado, com seus filmes apresentando um claro fundo político — no melhor e único dos sentidos. Como muitos e muitas cineastas nacionais, Tendler era, junto com seus filmes, um intérprete privilegiado do Brasil.”

Os mesmos predicados são reconhecidos pela Academia Brasileira de Letras. Em nota, a ABL afirma que Silvio esteve entre os melhores documentaristas do Brasil, e deixou sua marca na cinematografia brasileira.

“Sempre com uma visão crítica da sociedade e preocupado com a justiça social, suas obras suscitaram debates importantes sobre nossa identidade. Trabalhou com biografias históricas, é autor de documentários importantes como sobre a Revolta da Chibata, sobre Jango e o golpe de 1964, Os Anjos do Sol, JK, Carlos Marighela, entre outros.”

Momentos mágicos

Nas redes sociais, recordações pessoais sobre o cineasta também foram compartilhadas. “Morre meu amado mestre Silvio Tendler. Tive o privilégio de ser seu aluno no curso de Cinema da PUC-Rio. Aprendi muito sobre cinema e, principalmente, sobre a vida em suas aulas. Tive a honra de frequentar sua casa e viver momentos mágicos. Hoje é um dia profundamente triste”, lamentou, por exemplo, o ex-aluno de Tendler Leo Arturius, hoje pedagogo e cineasta, em postagem no X.

As interações afetuosas também são citadas por Sérgio Machado. “Além de um cineasta fundamental, [Silvio Tendler] era um homem doce e atencioso”, conta à Agência Brasil. “Lembro que participei de um debate com ele quando estava começando, e ele já era um documentarista consagrado. Aprendi muito com ele e com os filmes dele.’’

 

Lula autoriza uso de R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas rurais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (5), uma Medida Provisória (MP) de renegociação de dívidas rurais. Serão R$ 12 bilhões para apoiar até 100 mil produtores, principalmente pequenos e médios agricultores que sofreram com secas e enchentes nos últimos anos.

O objetivo do governo com essa MP é proporcionar condições mais favoráveis para que agricultores endividados regularizem sua situação financeira e mantenham a produção de alimentos. Em vídeo nas redes sociais, Lula explicou que a renegociação poderá ser feita por produtores que perderam duas safras nos últimos cinco anos.

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“Nos últimos anos, secas prolongadas e fortes enchentes causaram grandes perdas aos nossos agricultores, gerando dívidas e travando o crédito para a preparação da nova safra. Por isso, tomei a decisão de darmos mais uma garantia ao setor. A medida vale para pequenos, médios e grandes produtores com duas perdas de safras nos últimos cinco anos em municípios que decretaram calamidade duas vezes nesse período”.

De acordo com o governo federal, essa renegociação tem capacidade de alcançar cerca de 96% dos pequenos e médios agricultores que hoje estão inadimplentes ou com dívidas prorrogadas.

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Entenda

Para aderir à renegociação, o produtor precisa comprovar as perdas de safra nos últimos cinco anos e estar localizado em municípios que decretaram estado de calamidade ao menos duas vezes nesse período. O prazo de pagamento dos produtores será de até nove anos, com carência de um ano.

Os R$ 12 bilhões disponibilizados serão repassados do Tesouro Nacional para os bancos públicos, privados e cooperativas de crédito, com o BNDES na estruturação. As taxas de juros serão mais baixas que as praticadas no mercado. Elas vão variar de acordo com o porte do produtor. Cerca de 6% ao ano para pequenos, 8% para médios e 10% para os demais.

Os limites de crédito vão de R$ 250 mil no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), até R$ 1,5 milhão no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e R$ 3 milhões para os demais produtores.

A regulamentação das condições será definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável por estabelecer os tetos e parâmetros finais. Já o risco de crédito será integralmente assumido pelas instituições financeiras, sem transferência para o Tesouro.