Deputado pede inquérito contra Tarcísio após falas contra STF

O deputado Rui Falcão (PT-SP) pediu nesta segunda-feira (8) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de inquérito contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pelos crimes de coação no curso do processo, incitação ao crime e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A representação foi protocolada após as declarações do governador durante os atos realizados neste domingo (7), em defesa de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No discurso proferido ontem, Tarcísio disse que “ninguém aguenta mais a tirania de Moraes” e que “não vai aceitar que nenhum ditador diga o que a gente tem o que fazer”.

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O pedido foi encaminhado a Moraes, porque o ministro exerce a relatoria do processo sobre a trama golpista. O ministro poderá arquivar o pedido ou enviá-lo à Procuradoria-Geral da República (PGR). 

Entre os argumentos apresentados, o deputado disse que as declarações do governador pretendem incentivar a desobediência às decisões do STF e intimidar os ministros em meio ao julgamento sobre a trama golpista.

“As falas ocorreram durante ato político em defesa da anistia para Jair Bolsonaro e seus aliados, acusados de tentativa de golpe de Estado e outros crimes. Assim, a declaração de Tarcísio não é isolada, mas parte de uma estratégia de deslegitimação do Judiciário e de preparação para a impunidade via anistia, o que reforça o aparente caráter ilícito da manifestação”, diz o deputado.

O parlamentar também acrescentou que o discurso não pode ser entendido como liberdade de expressão.

“O uso da palavra ditador para qualificar um ministro do STF não é crítica dura ou retórica política: é agressão institucional, que procura deslegitimar decisões judiciais e instigar a percepção de que devam ser descumpridas. É gravíssimo que tal declaração parta de quem detém responsabilidade de governar o maior Estado da federação”, completou.

Outro lado

A Agencia Brasil entrou em contato com a assessoria do governador e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação. 

MinC e MEC lançam arte e cultura nas escolas de tempo integral

O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Cultura (MinC), firmaram nesta segunda-feira (8), em Brasília, uma parceria para levar projetos de arte e cultura aos estudantes de escolas públicas de tempo integral, em todas as unidades da federação.

Durante o evento de lançamento da iniciativa federal, o ministro da Educação, Camilo Santana, defendeu a universalização do ensino integral em todos os níveis na educação básica no Brasil com “os alunos passando o dia na escola”, o que pode, segundo ele, reduzir os índices de violência no país e a evasão escolar.

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“A escola em tempo integral olha o projeto de vida do aluno como um todo, que precisa ter cultura, esporte, curso de línguas e precisar ter uma coordenação pedagógica que olha para o projeto de vida de cada aluno. Portanto, esse é o mais importante modelo de escola da educação básica desse país”, disse.

Ao assinar a portaria interministerial (6/2025) que regulamenta a ação nas escolas de tempo integral, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, afirmou que a arte e a cultura são ligadas por um laço forte à educação. “São irmãs”.

A ministra entende que os financiamentos públicos nestas áreas são investimentos no futuro da nação e que servem para o Brasil ser um país mais justo e igualitário. 

“Vamos trabalhar juntos com paixão, com amor, com determinação para que o direito à arte e à cultura seja uma realidade para cada brasileiro e brasileira, diante dos desafios que se apresentam”, projeta a ministra.

A reitora da Universidade de Brasília (UnB) e anfitriã do encontro, Rozana Reigota Naves, aponta a cultura e a arte como grandes expressões de diversidade e da cidadania de um povo. “[Cultura e arte] são um importante mecanismo de reafirmação da soberania de um povo.”

>>Conheça modelo na Bahia de escola em tempo integral

Adesões estaduais

De acordo com Camilo Santana, em breve, o MEC e o Minc lançarão um edital de chamada pública que abrirá o período de adesão voluntária das secretarias estaduais de educação e de cultura interessadas em receber financiamento federal para projetos artísticos-culturais incluídos nos currículos escolares da educação em tempo integral.

“A comunidade escolar define o currículo dela e diz quais são as aptidões que aquela comunidade quer: se na área da cultura, do esporte, da tecnologia, das artes, do cinema. Enfim, esse edital vai permitir que a gente possa estimulá-los”, detalhou.

O ministro explicou que, inicialmente, mesmo não conseguindo abarcar todas as escolas de tempo integral, o governo federal financiará ações em todos os estados da federação. “Para que a gente possa iniciar essa parceria importante do Ministério da Cultura com o Ministério da Educação, no olhar da garantia de que crianças e jovens brasileiros possam ter direito a uma escola completa e integral para sua formação do dia-a-dia”, garantiu Camilo. 

Representando o Conselho Nacional de Secretários de Educação, a secretária de Educação do Rio Grande do Sul, a professora Raquel Figueiredo, celebrou a medida federal. “O Ministério da Educação e o Ministério da Cultura estão nos dizendo que o corpo e alma da nação brasileira precisam passar por esses dois Ministérios e que induzir e financiar políticas públicas é a única saída para, de fato, mudarmos a qualidade [do ensino]. As escolas de tempo integral propiciam essa oportunidade.”

Benefícios

A jornada de tempo integral nas escolas deve ser igual ou superior a sete horas diárias ou 35 horas semanais, de acordo com resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE).

A secretária de Educação Básica (SEB) do MEC, Kátia Schweickardt, afirmou que a estratégia de ampliação do número de matrículas no ensino integral, desde 2023, precisa ser acompanhada de ferramentas que contribuam para o desenvolvimento integral dos alunos, como arte, cultura e esporte, neste tempo adicional que os estudantes permanecem nas escolas. Por isso, o governo federal apoiará financeiramente e tecnicamente os projetos que levem cultura para dentro das escolas de tempo integral no Brasil.

“A gente quer, agora, induzir um processo mais significativo e que tenha de fato uma conexão com os currículos [escolares]. Para a gente só interessa aquilo que leve à educação de verdade, com qualidade.  Todas essas iniciativas vão estar articuladas ao que a gente vem tentando fomentar para [aumentar] a qualidade da educação básica no Brasil.”

Para o secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piuba, a educação em tempo integral colabora para o desenvolvimento do pensamento crítico e da criatividade.

Porém, na visão dele, não há investimentos robustos ao longo da história por parte dos governos em programas voltados para a formação de repertórios artísticos e culturais nos processos de ensino-aprendizagem. “Uma escola que não tem um ensino das artes e a experiência da formação artística e cultural, em seu ambiente, em sua estrutura de ensino-aprendizagem, é uma escola limitada e opressora. Ainda mais em um país onde nem todas as pessoas têm acesso aos bens e serviços culturais”, desvenda.

“Uma educação bancária, meramente funcional e instrumental, que leva nossos jovens às melhores universidades não é motivo, por si só, de celebração. Por exemplo, de que adianta celebrarmos centenas de milhares de jovens chegando a faculdades de medicina e, por ausência de formação crítica, criativa e cidadã, ser mais um médico fascista, negacionista, do tipo doutor Cloroquina?”, indagou o secretário de Formação, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piuba.

Pref TV leva Rede Nacional de Comunicação Pública a Caruaru

Começou a funcionar nesta segunda-feira (8), no canal 6 do sinal digital da cidade de Caruaru (PE), a Pref TV. A emissora passa a ser a mais nova associada à Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), liderada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

A Pref TV já era parceira da EBC quando funcionava apenas pelo Youtube – tendo participado das transmissões do Arraiá Brasil 2025, que levou a todo o país os festejos juninos de várias localidades. Com a transmissão agora em sinal aberto digital, os moradores do agreste pernambucano vão ter acesso à programação da TV Brasil e também do Canal Gov, Canal Educação e Canal Saúde.

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A estrutura para a transmissão dos canais foi viabilizada pelo Programa Brasil Digital, do Ministério das Comunicações, que financia a expansão da rede pública de televisão dentro do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo do Brasil.

A cidade de Caruaru é uma das primeiras 30 cidades do país em que foram instalados transmissores para TVs públicas. Atualmente, a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), liderada pela EBC, tem 167 emissoras de TV associadas, em 2.535 municípios, e 165 emissoras de rádio, em 111 municípios.

“A estrutura que estamos inaugurando tem como objetivo levar informação e cultura para todos os moradores. O Programa Brasil Digital nasceu do compromisso do governo de deixar o Estado mais próximo das pessoas, prestando contas e mostrando seus serviços, para que as políticas públicas sejam usadas pela população”, afirmou o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho. Segundo ele, “o fortalecimento da comunicação pública é um legado que deixamos para o país”.

A deputada estadual Rosa Amorim saudou o aumento de investimentos do Governo Federal na ampliação dos sinais de emissoras públicas. “Estamos em um momento de retomada dos investimentos em comunicação pública no nosso país”, afirmou. “Se queremos construir um país soberano, também temos de construir uma comunicação pública e soberana”, lembrou.

 

Presidente da EBC, André Basbaum, fala durante cerimônia que anuncia o começo de funcionamento no canal 6 do sinal digital da Pref TV. Shizuo Alves/MCom

“É uma honra estar aqui hoje, em nome da EBC, para falar da necessidade de ampliar a comunicação pública, em busca da informação de qualidade, em busca do enfrentamento a essa praga do nosso mundo atual que são as fake news. Temos um desafio hoje que é civilizatório, que é a busca pela qualidade da informação. A TV pública chegando a Caruaru, por meio da Pref TV, vai aproximar o cidadão da  informação sobre os serviços públicos que o Estado oferece, uma informação que forma cidadania”, resumiu o presidente da EBC, Andre Basbaum.

Participaram da cerimônia de início de transmissões também o presidente da Câmara dos Vereadores, Bruno Lambreta; o prefeito de Caruru, Rodrigo Pinheiro; o deputado federal Fernando Monteiro e o diretor presidente da TV Pernambuco, Fúlvio Wagner.

Lula vai inaugurar centro de cooperação policial internacional no AM

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai inaugurar, nesta terça (9), o Centro de Cooperação Policial Internacional (CCPI) da Polícia Federal, em Manaus (AM), que tem recursos previstos de R$ 37 milhões. A unidade promoverá a colaboração entre os nove países amazônicos e os nove estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal no enfrentamento de crimes ambientais, tráfico de entorpecentes, armas e pessoas.

Em coletiva nesta segunda (8), o diretor da Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, delegado federal Humberto Freire, em divulgação feita pelo governo, destacou que a inauguração do CCPI Amazônia representará um divisor de águas no combate ao crime organizado e na proteção da floresta.  

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“O centro funcionará de forma permanente, integrando esforços nacionais e internacionais. Além disso, os esforços integrados buscam à descapitalização e o mapeamento das cadeias produtivas ilegais”, afirmou. 

O diretor afirmou que haverá oficiais de ligação dos nove estados amazônicos e também dos nove países amazônicos, sob coordenação do Brasil. O centro contará com apoio da Interpol (entidade policial internacional), Europol (agência europeia) e Ameripol (agência das Américas). 

Humberto Freire entende que o centro vai poder formar uma rede de combate a diferentes tipos de crimes, além de possibilizar o mapeamento das cadeias produtivas ilegais. 

Ao mesmo tempo, o governo entende que essa inauguração será uma porta para que outros programas de desenvolvimento e de investimento em educação possam chegar às regiões mais distantes. 

Repressão e inteligência

Segundo o governo, o objetivo é que a estrutura promova articulação entre os responsáveis pela segurança pública a fim de ampliar ações de investigação e combater crimes na região. 

Um exemplo de atuação do centro seria nas ações de estruturação do projeto Ouro Alvo, da Polícia Federal, que busca rastrear a origem do ouro da Amazônia. O centro policial da Amazônia é inaugurado no âmbito do Fundo Amazônia ao “Plano AMAS: Amazônia –Segurança e Soberania”, que tem recursos totais na ordem de R$ 318,5 milhões. 

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Modelo de integração

Em junho, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, em cerimônia de início das atividades do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, disse que a iniciativa representaria um modelo de integração e trabalho conjunto por resultados concretos no combate às organizações criminosas transnacionais.

“O crime organizado não é mais um problema local. Ele é um flagelo global e só pode ser enfrentado com ações integradas, coordenadas e com a troca constante de informações e inteligência entre os países”, disse Lewandowski na ocasião.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ressaltou, também naquele evento, que segurança pública não deveria estar baseada em “mais violência, mas com inteligência, sabedoria e estratégia”. 

A iniciativa foi viabilizada com apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com recursos do Fundo Amazônia.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, defendeu que o centro será “o coração” da inteligência estratégica para combater o crime na Amazônia”. Para ele, a iniciativa representa  um aprimoramento no monitoramento e no combate às ações ilegais.

O centro de cooperação, que representa uma das entregas do governo federal no âmbito do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Plano Amas), é resultado dos compromissos assumidos pelos países amazônicos na Carta de Belém e dos Estados da Amazônia Legal. 

Combate ao desmatamento

Além da inauguração do centro policial, o presidente Lula vai assinar contrato do projeto União com Municípios, no valor de R$ 150 milhões. A ideia é atuar em benefício de 48 municípios prioritários para o combate de desmatamento em toda a Amazônia.

No Estado do Amazonas, por exemplo, as ações ocorrerão em Apuí, Boca do Acre, Canutama, Humaitá, Itapiranga, Manicoré, Maués. Os objetivos principais são a prevenção, monitoramento, controle e redução do desmatamento e da degradação florestal. Para proteção das áreas nativas, estão ainda previstas ações de regularização ambiental e fundiária. 

Outro anúncio desta terça será a implantação de tecnologias sociais de acesso à água de qualidade para consumo e produção de alimentos para serviços de acompanhamento familiar; O objetivo é beneficiar mais de 4 mil famílias.

*Matéria ampliada às 20h01 para acréscimo de informações

Rio tem alerta para ventos fortes nesta terça-feira

O Sistema Alerta Rio, órgão de meteorologia da prefeitura, enviou aviso para passagem de uma frente fria em alto-mar que aumentará os ventos na cidade. Na noite desta segunda-feira (8), a previsão é de rajadas de vento fortes, com até 75,9 km/h, principalmente nas regiões mais próximas ao litoral.

Para a terça-feira (9), as rajadas de vento poderão atingir intensidade forte no município, acima de 76 km/h.

O aviso meteorológico é válido até as 23h59.

Serra

A  Defesa Civil de Petrópolis, na região serrana do Rio, também alerta para ventos moderados a muito fortes na madrugada e ao longo desta terça-feira (9) na cidade.

A prefeitura pede que a população evite áreas abertas, fique longe de árvores, estruturas metálicas e objetos soltos.

Para receber alertas, cadastre o CEP no número 40199.

>> Veja as recomendações da Defesa Civil:

Em casa:

  • Feche as janelas, basculantes e portas de armários para evitar canalizações de ventos no interior de casa.
  • Persianas, cortinas ou blecautes também devem estar fechados para evitar que estilhaços se espalhem, no caso de alguma janela quebrar;
  • Aparelhos elétricos e registro de gás devem estar fechados. Dessa forma, não há agravamento em caso de queda de árvore;
  • Evite deixar objetos que possam cair em locais altos;
  • Mantenha as árvores do jardim ou do quintal sempre podadas e bem cuidadas;
  • Fique atento: se houver falta de luz, cuidado com o uso de velas para evitar incêndios.

Na rua:

  • Não se abrigue debaixo de árvores ou de coberturas metálicas;
  • Evite a prática de esportes ao ar livre, especialmente, no mar;
  • Evite ficar próximo a precipícios, encostas ou lugares altos sem proteção;
  • Evite passar sob cabos elétricos, outdoors, andaimes, escadas;
  • Não estacione veículos próximos a torres de transmissão e placas de propaganda;
  • Não queime lixo, não ateie fogo em terrenos para remover vegetação, não acenda fogueiras ou jogue bitucas de cigarros em estradas ou terrenos com mata;
  • Fique atento: caso haja queda de árvore, é possível que a rede de energia tenha sido rompida. Nesta situação, há risco de acidentes causados por raios.

Justiça mantém Flamengo como responsável por caso do Ninho do Urubu

A 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) negou, por unanimidade, recurso do Clube de Regatas do Flamengo para incluir a empresa NHJ do Brasil no processo que trata das indenizações às vítimas do incêndio no Ninho do Urubu, que causou a morte de dez jovens do time de base em 2019.

O Flamengo alegava que a empresa, fornecedora dos contêineres usados como alojamento dos atletas e que pegaram fogo, seria a verdadeira responsável pelo acidente. A defesa do Flamengo alegou que os contêineres não atendiam às normas de segurança contratadas e que o material utilizado era altamente inflamável, o que teria provocado a rápida propagação do fogo.

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O pedido já havia sido negado pela 1ª Vara Cível da Barra da Tijuca, mas o clube recorreu ao TJRJ.

A relatora do caso, desembargadora Sirley Abreu Biondi, manteve a decisão da primeira instância, ressaltando que “a manobra jurídica pretendida pelo Flamengo buscava apenas transferir a responsabilidade para terceiros, o que é vedado pela jurisprudência”.

Em outro trecho da decisão, a magistrada ainda argumentou que é “inadmissível” o clube “atribuir a culpa exclusivamente a outro”. 

Com a decisão, o Flamengo permanece como único responsável no processo movido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Defensoria Pública do Estado. As instituições pedem a interdição do Centro de Treinamento até que esteja totalmente seguro, mas também a garantia de recursos para custear as indenizações individuais e coletivas.

Relembre o caso

O incêndio ocorreu durante a noite do dia 7 de fevereiro de 2019, no alojamento das categorias de base, que ficava em contêineres no próprio centro de treinamento.

Na hora do incêndio, 26 atletas dormiam no alojamento. Dez morreram, três ficaram feridos e 13 conseguiram escapar.

A Agência Brasil buscou contato com o Flamengo, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestação. 

Equipes brasileiras são premiadas em Olimpíada de Astronomia

Os dez estudantes brasileiros que representaram o país na Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA) receberam medalhas na competição, nove delas de ouro e uma de prata. A competição ocorreu entre os dias 1º e 7 de setembro nas cidades do Rio de Janeiro e de Barra do Piraí (RJ). 

Com a participação de 14 países, a OLAA contou com 74 estudantes, 26 líderes e co-líderes, além de 15 observadores. Durante a olimpíada, os alunos realizaram diversos desafios que testaram os conhecimentos em astronomia e astronáutica. 

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As atividades envolveram prova em planetário, prova observacional com uso de luneta e telescópio, exames teóricos, além de construção e lançamento de foguetes de garrafa PET. As delegações ainda realizaram uma excursão para Itajubá (MG), onde conheceram as instalações do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA).

Os medalhistas de ouro foram: 

  • Felipe Maia Silva, de Fortaleza (CE); 
  • Filipe Ya Hu Dai Lima, de Fortaleza (CE); 
  • Lucas Praça Oliveira, de Fortaleza (CE); 
  • Isabela Xavier de Miranda, do Rio de Janeiro (RJ); 
  • Luís Fernando de Oliveira Souza, de Cassilândia (MS); 
  • Eyke Cardoso de Souza Torres, de Ourilândia do Norte (PA); 
  • Guilherme Waiandt Moraes, de Fortaleza (CE); 
  • Gustavo Globig Farina, de Fortaleza (CE); e 
  • Larissa França Souza, de Goiânia (GO). 

A medalha de prata ficou com João Victor Evers Cordeiro, de Fortaleza (CE).

Os estudantes foram selecionados entre os 50 melhores participantes da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) 2024.

As medalhas foram obtidas nas premiações em grupo, quando as equipes nacionais ganharam em melhor prova teórica e de foguetes, e nas premiações individuais, atingindo o resultado de melhor prova observacional e melhor prova teórica.  

 

TRF-2 mantém prisão preventiva de ex-deputado TH Joias

A 1ª Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região manteve, nesta segunda-feira (8), por unanimidade, a prisão do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias (ex-MDB), e outros 13 presos na Operação Zargun, deflagrada na semana passada.

TH Joias é acusado de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho, principal facção criminosa do estado. Ele foi detido em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, bairro da zona oeste da cidade.

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De acordo com as investigações, TH Joias tem ligação direta com líderes do Comando Vermelho, nas comunidades Complexo do Alemão, da Maré e Parada de Lucas. Além de intermediar a compra e venda de armamento, como fuzis, TH Joias negociava drogas e equipamentos antidrones, para dificultar a ação policial nos territórios ocupados pela facção criminosa.

Na decisão, o desembargador federal Macario Neto destacou que o ex-deputado estadual e a mulher, Jessica de Oliveira Lima, movimentaram mais de R$ 13 milhões, entre os anos de 2021 e 2023. As contas de Jessica concentraram a maior parte das movimentações financeiras relevantes do casal, com valores que variam entre R$ 440 mil e R$ 1,9 milhão. 

“Instituições financeiras apontaram movimentações incompatíveis com sua capacidade financeira, bem como evasão rápida de valores, depósitos fragmentados e uso de terminais de autoatendimento para burlar a identificação dos remetentes”.

O relator enumera ainda que Jessica compartilha seu acesso bancário com TH Joias, o que sugere que ele é o responsável pelo controle das contas. O casal tem empresas vinculadas, como TH Joias, Açougue BR e Somar Ateliê, usadas para mascarar transferências ilícitas. A soma dos créditos movimentados por Jessica passa de R$ 8,1 milhões.

Estão presos também o ex-secretário estadual de Esportes e advogado Alessandro Pitombeira Carracena; Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão; o delegado federal Gustavo Steel; o ex-assessor de TH Joias, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves; Luciano Martiniano da Silva; Wallace de Brito Trindade; Kleber Ferreira da Silva; Davi Costa Rodrigues da Silva e cinco policiais militares do Rio (Rodrigo da Costa Oliveira, Alexandre Marques dos Santos Souza, Wallace Menezes Vargas de Andrade Tobias, Wesley Ferreira da Silva e Leandro Alan dos Santos), sendo que alguns prestavam serviço na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Devido à gravidade dos fatos investigados, o desembargador Macario Judice Neto determinou que sejam encaminhados para o sistema penitenciário federal de segurança máxima: TH Joias, Luciano Martiniano da Silva, Gabriel Dias de Oliveira, Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (o “Dudu”), o delegado da PF, Gustavo Steel e Rodrigo da Costa Oliveira. 

“Todos possuem elevado grau de periculosidade, capacidade de articulação extramuros e, sobretudo, histórico de interferência direta e indireta na administração da Justiça, seja por meio de coação, corrupção sistêmica de agentes públicos ou repasse de informações privilegiadas, tudo voltado à perpetuação e expansão da atividade criminosa”, justificou o desembargador. 

Lupi diz que governo acompanhava, mas sem dimensão de fraudes no INSS

O ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi disse nesta segunda-feira (8) que o governo federal já acompanhava possíveis irregularidades nas aposentadorias desde 2023, a partir de denúncias que chegavam ao conhecimento do Ministério por meio da ouvidoria e pela plataforma do Meu INSS.

Ao depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Lupi argumentou, no entanto, que não tinha dimensão do tamanho da fraude. 

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“Nunca tivemos a capacidade de dimensionar o tamanho, o volume que esses criminosos fizeram no INSS. Isso só foi possível depois que a Polícia Federal investigou para valer, quando ela não arquivou”, disse Lupi.

Ele lembrou que a Polícia Federal abriu investigações em 2016 e em 2020 para apurar fraudes na Previdência, mas ambas foram arquivadas. 

O ex-ministro garantiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva só tomou conhecimento das irregularidades no dia da operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU) contra os descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

Na CPMI, Lupi admitiu que a instrução normativa elaborada pelo INSS em 2024 para estabelecer critérios para os descontos de mensalidades associativas nos benefícios previdenciários não surtiu o efeito esperado pelo governo.

“Falhamos em ter uma ação mais enérgica do INSS para coibir”. 

Lupi foi ministro da Previdência entre 2023 e 2025 e estava à frente da pasta quando o escândalo de descontos a aposentadorias e pensões foi descoberto. Ele pediu demissão do cargo em maio deste ano após operação

O ex-ministro lembrou que não foi denunciado nem citado nas investigações. 

“Errar é humano e eu posso ter errado várias vezes, mas má-fé eu nunca tive. Acobertar desvios nunca fiz na minha vida. Pode ter alguém que tenha lutado tanto pelos apostados quanto eu, mais não tem não”, disse Lupi. 

Consignado

Na CPMI, Lupi também defendeu a revisão dos descontos de créditos consignados nos benefícios de aposentados e pensionistas. 

“É importante ir fundo nesse processo de descontos que se faz junto aos aposentados e pensionistas pelo empréstimo consignado. Agora acabaram com o desconto em folha dos associativos, por que não acabar também com os descontos de crédito consignado?”, questionou. 

Pedido de suspensão

No início da reunião, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pediu a suspensão do senador Rogério Marinho (PL-RN), por ele ter sido secretário Especial da Previdência Social durante o governo de Jair Bolsonaro. Para Pimenta, Marinho teria acesso a documentos sigilosos sendo parte interessada no objeto da investigação. 

O pedido foi negado pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), que alegou que Rogério Marinho não é investigado pela CPMI. Pimenta disse que irá recorrer à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. 

Em reuniões anteriores, a CPMI aprovou requerimentos para convidar ou convocar para prestar esclarecimentos todos os ex-ministros da Previdência e ex-presidentes do INSS desde 2015, além de todos os presidentes das entidades associativas acusadas dos desvios.

Também foi aprovada a convocação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e do empresário Maurício Camisotti, apontados pela Polícia Federal como possíveis operadores do esquema de fraudes no INSS.

Irregularidades

Em abril deste ano, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a Operação Sem Desconto para combater um esquema de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões.

O cálculo é que entidades investigadas tenham descontado de aposentados e pensionistas cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. 

Mais de 4 milhões de beneficiários declararam não ter autorizado os débitos em folha.

Segundo o governo federal, cerca de 2 milhões de aposentados e pensionistas já aderiram ao acordo de ressarcimento de descontos indevidos de associações e entidades.

Tocantins: MST bloqueia rodovia para cobrar desapropriação de área

Um grupo de sem-terra bloqueou, na manhã desta segunda-feira (8), um trecho da rodovia TO-404, em Araguatins, cidade do norte do Tocantins, a cerca de 600 quilômetros da capital do estado, Palmas.

Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mais de 200 famílias que desde 2013 vivem no Acampamento Carlos Marighella, montado às margens da rodovia, participaram do protesto.

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O objetivo do ato era pressionar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a desapropriar duas propriedades rurais na região conhecida como Bico do Papagaio e destinar a área ao Programa Nacional de Reforma Agrária.

Portando bandeiras da organização, cabos e enxadas, os sem-terra atravessaram pneus, troncos e galhos de árvores ao longo da rodovia, interrompendo o trânsito de veículos entre as cidades de Araguatins e Augustinópolis (TO) das 5 horas até por volta do meio-dia.

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O bloqueio só foi encerrado após representantes da superintendência estadual do Incra garantirem que irão se reunir com as famílias para discutir as reivindicações do grupo. O próprio instituto confirmou à Agência Brasil que o superintendente, Edmundo Rodrigues; o conciliador agrário regional, Geraldino Gustavo, e o chefe da Diretoria de Obtenção de Terras, Hilton Faria, se reunirão com os sem-terra do Acampamento Carlos Marighella nesta terça-feira (9).

Bloqueio foi desfeito após promessa de reunião com o Incra- MST/Divulgação

Disputa

De acordo com o MST, a diretoria do Incra descumpriu os acordos de vistoriar as duas propriedades rurais em disputa: as fazendas Água Amarela e Santa Hilário, ambas em Araguatins. Ainda de acordo com o movimento, os dois imóveis estão em áreas públicas e, por isso, o título de propriedade da primeira já foi cancelado e, contra a segunda, pesa uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria validado o processo de desapropriação.

“Apesar da clareza legal, as famílias [sem-terra] denunciam o adiamento contínuo das vistorias, além de um aumento preocupante da violência no local, com carros passando e disparando contra o o acampamento e barracos sendo incendiados”, sustenta o MST.

Consultada pela reportagem da Agência Brasil, a superintendência do Incra em Tocantins informou, em nota, que vem trabalhando para dar conta das demandas do Programa Nacional de Reforma Agrária, “paralisado nas últimas gestões”.

“As demandas apresentadas pelas famílias [do Acampamento Carlos Marighella] já foram tratadas em reunião ocorrida na superintendência, no mês de agosto”, acrescentou o instituto, confirmando o compromisso de vistoriar o imóvel ainda este mês.

“A superintendência também vem mantendo o diálogo com as famílias do acampamento, com a direção do MST e com o comandante da PM da região, buscando uma saída pacífica para a desobstrução”, acrescentou a superintendência.

A Agência Brasil ainda não conseguiu contato com os responsáveis pelas fazendas citadas. 

Artesão e violeiro mantêm viva tradição da viola de cocho no Pantanal

Reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Brasil desde 2004, a viola de cocho é um dos símbolos mais autênticos da identidade da região do Pantanal. Esculpido em um único tronco de madeira, o instrumento está presente em manifestações como o cururu e o siriri, cantos e danças que atravessam gerações em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

A confecção artesanal é registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como um saber a ser preservado. Não há duas violas iguais: cada artesão molda a peça conforme o braço e a forma de tocar de quem a usará. Antes feitas com cordas de tripas de animais, hoje utilizam nylon, mas continuam produzindo a sonoridade peculiar que diferencia o instrumento.  

O artesão

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Um dos principais guardiões dessa tradição é o mestre Alcides Ribeiro dos Santos, fundador do Museu da Viola de Cocho, em Santo Antônio do Leverger (MT), cerca de 40km distante da capital Cuiabá. 

Descendente de quatro gerações de violeiros e cururueiros, Alcides aprendeu ainda jovem a transformar troncos em música.  

“Cada instrumento é único. A madeira guarda a alma do Pantanal”, diz o artesão, reconhecido como Mestre da Cultura Popular de Mato Grosso desde 2012. 

No ateliê mantido pela família, Alcides produz violas para músicos e peças decorativas. O processo de produção de uma peça pode levar até dez dias, do entalhe à finalização. Segundo ele, a tradição se consolidou a partir de adaptações da guitarra portuguesa. 

“Ela vem da guitarra portuguesa. O formato é diferente, mas a afinação é a mesma. Aqui a madeira era abundante e, com as ferramentas usadas para escavar canoas e cochos, surgiu a viola. O pesquisador Roberto Corrêa a classificou como um som de veludo, porque é um instrumento fechado e dá um som maravilhoso”, explica.

 

Santo Antônio do Leverger (MT), 05/09/2025 – Viola do artesão Alcides Ribeiro dos Santos, fundador do Museu da Viola de Cocho. Foto: Marieta Cazarré/TV Brasil – Marieta Cazarré/TV Brasil

O violeiro 

Outra figura importante para manter firme a tradição pantaneira é Roberto Corrêa –  violeiro, compositor e pesquisador. Mineiro, radicado em Brasília desde 1975, ele ajudou a difundir a viola de cocho em universidades, concertos e festivais dentro e fora do país. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Em entrevista à TV Brasil, Corrêa conta que conheceu Alcides ainda criança, quando esteve no Mato Grosso para pesquisar sobre a viola de cocho em 1979. 

“Tenho uma viola que foi construída por Manoel Severino, que era parceiro do pai do Alcides, o Seu Caetano. Conheci o Alcides ainda pequenininho, aprendendo com eles a arte da construção do instrumento. É um instrumento muito singular, e tocar essa viola me remete a lembranças de pessoas queridas que conheci lá atrás, na década de 70”, conta. 

Para o violeiro, uma das melhores descrições do som desse peculiar instrumento foi dado por Manoel de Barros. “O Manoel de Barros, que é um poeta lá do Mato Grosso do Sul, do Pantanal, ele tem um poema que fala nos sons gotejantes das violas de coxo. Então é isso, um som das águas”, descreve.  

Corrêa publicou, entre outros, o livro Viola Caipira, o primeiro no Brasil sobre o instrumento, e A Arte de Pontear Viola, no qual apresenta seu método de ensino. Nesta sexta-feira, seu novo EP, “Solos de Unha e Carne”, foi lançado em todas as plataformas digitais. 

*A jornalista viajou a Santo Antônio do Leverger a convite do Sebrae, como parte do Prêmio Sebrae de Jornalismo concedido em 2024 pela reportagem especial O Valor do Lixo, da TV Brasil. 

 

Crise climática ameaça cultivo de alface em campo aberto, diz Embrapa

O aumento da temperatura provocado pelas mudanças climáticas pode tornar inviável o cultivo de alface em campos abertos no país durante o verão daqui a cerca de 50 anos. O alerta está em um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

Segundo pesquisadores, em um cenário otimista de aquecimento global, nos últimos 30 anos deste século, 97% do território brasileiro terá risco climático alto ou muito alto para cultivo de alface em campo aberto durante o verão.

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Para chegar à conclusão, técnicos da Embrapa analisaram como diversos cenários de mudanças climáticas podem afetar o cultivo da hortaliça, considerada vulnerável a altas temperaturas.

O engenheiro-agrônomo Fábio Suinaga, pesquisador em Melhoramento Genético da Embrapa Hortaliças, explica que do ponto de vista evolutivo, a alface depende de temperatura amena e boa umidade para se desenvolver plenamente.

“Os números projetados são preocupantes porque a adaptação da espécie às altas temperaturas é mínima, especialmente se considerar que as sementes de alface exigem temperaturas inferiores a 22°C para haver germinação”, avalia.

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Cenários otimista e pessimista

Os pesquisadores cruzaram informações de projeções climáticas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, e do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), um órgão da Organização das Nações Unidas.

O levantamento considerou dois cenários, um otimista (RCP 4.5) e um pessimista (RCP 8.5), em relação a quanto a temperatura vai subir na comparação com o clima do período histórico de 1961 a 1990.

  • Projeção otimista: há um controle das emissões de gases do efeito estufa, causadores do aquecimento global. Isso resultaria em um aumento da temperatura do planeta entre 2° Celsius (C) e 3°C, na janela de 2071 a 2100.
  • Projeção pessimista: as emissões de gases continuam crescendo até 2100, resultando em aumento de até 4,3°C na temperatura do planeta.

Os técnicos utilizaram modelos que projetam temperaturas mínima, média e máxima para todas as épocas do ano. A estação mais crítica é o verão, quando a temperatura pode ultrapassar os 40°C em boa parte do país, patamar considerado bem acima do ideal para o desenvolvimento da alface, que exige clima ameno e umidade equilibrada.

  • Cenário otimista: entre 2071 e 2100, faixa de temperatura durante o verão de 23,4°C a 41,2°C. Dessa forma, 79,6% do território nacional apresentará risco climático alto; e 17,4%, muito alto.
  • Cenário pessimista: temperatura no verão de 25,4°C a 45°C, deixando 11,8% do território com risco alto; e 87,7%, muito alto.

Nos dois casos, praticamente todo o território se aproximará do nível inviável para cultivo de alface em campo aberto no verão, sendo que, no cenário pessimista, a proporção de “muito alto” é muito maior que a de “alto”.

Atualmente, a maior parte do cultivo de alface no Brasil se dá nos campos abertos, e a menor parte é feita nos chamados ambientes protegidos ou controlados, como estufas.

 

Hortaliças dependem de clima ameno para se desenvolverem melhor – EMBRAPA/Divulgação

Efeito do calor

Um dos efeitos causados pelo calor na alface é a queima de borda, também conhecida como tipburn, uma desordem relacionada à deficiência do mineral cálcio nas folhas.

A Embrapa explica que, em condições climáticas desfavoráveis, como altas temperaturas e excesso de umidade, como acontece nos cultivos de verão, as folhas crescem rapidamente, e o deslocamento de cálcio na planta fica comprometido, o que ocasiona manchas escuras na borda das folhas.

Temperaturas médias acima de 25º também causam florescimento (pendoamento) precoce. Com isso, a alface perde qualidade e o padrão comercial, pois há o alongamento do caule, a redução do número de folhas e maior produção de látex, que dá o sabor amargo à hortaliça.Importância do estudo

O engenheiro-ambiental Carlos Eduardo Pacheco, pesquisador em Mudanças Climáticas Globais da Embrapa, enfatiza que entender como as mudanças climáticas podem afetar a produção de alface é essencial para desenvolver estratégias de adaptação.

“Isso permite antecipar impactos e evitar prejuízos”, diz. “Os mapas evidenciam a urgência de pensarmos em sistemas produtivos adaptados ao clima, especialmente para hortaliças, que são mais sensíveis que as grandes culturas como milho ou soja”, acrescenta.

Os mapas resultantes do estudo ilustram que, do melhor ao pior cenário, todas as regiões do Brasil apresentam risco climático alto, com exceção de uma área pequena no sul do país, com risco moderado. No pior cenário, o território brasileiro é todo tomado pelo risco muito alto, e somente a faixa litorânea tem risco alto.

“Os mapas tornam mais fácil a visualização do impacto da temperatura na cultura da alface e evidenciam a urgência em se pensar não mais sobre mitigação, e, sim, sobre adaptação dos sistemas produtivos de hortaliças às mudanças do clima”, diz Pacheco.

 

Mapa produzido pela Embrapa mostra risco muito alto para cultivo de alface em cenário pessimista de aquecimento global EMBRAPA/Divulgação

Como se adaptar

A Embrapa foi criada, na década de 70, para desenvolver soluções agropecuárias e proporcionar maior produtividade ao campo brasileiro. Uma das linhas de pesquisa é o desenvolvimento de tipos de alface com maior tolerância ao calor e de sistemas de produção para garantir a sustentabilidade do cultivo diante de condições adversas. As pesquisas priorizam materiais genéticos mais tolerantes ao calor.

“Temos, atualmente, em nosso portfólio, cultivares com diferentes mecanismos para resistir melhor ao calor, como a alface BRS Mediterrânea que, por ser mais precoce, fica menos dias no campo até obter um padrão comercial, ficando menos exposta às oscilações da temperatura”, detalha o engenheiro-agrônomo Fábio Suinaga.

A empresa também trabalha no desenvolvimento de espécies com sistema radicular (raízes) vigoroso, capazes de aproveitar melhor água e nutrientes do solo.

Além da observação de como o calor afeta o cultivo de alface, os pesquisadores planejam ampliar os estudos para outras hortaliças, como tomate, batata e cenoura. Os técnicos adotam o uso de inteligência artificial (IA) para automatizar o processo de geração dos mapas de risco climático e conseguir maior escala e agilidade no desenvolvimento dos levantamentos.

Produção de alface

De acordo com o último Censo Agropecuário, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017, o Brasil tinha produção anual de 671,5 mil toneladas de alface. O principal produtor era São Paulo, com 268,1 mil toneladas, seguido por Rio de Janeiro (98,3 mil), Paraná (51,7 mil) e Minas Gerais (49,8 mil).

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ligada ao vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), tem dados mais recentes, mas relativos apenas à produção que chega às Centrais de Abastecimento (Ceasa).

De acordo com o Boletim Hortigranjeiro de agosto de 2025, as 11 Ceasas que possuem sistemas integrados ao da Conab comercializaram 4,6 mil toneladas de alface, sendo os principais volumes em São Paulo (2,2 mil), Curitiba (870,7 mil) e Fortaleza (558,6 mil).

 

Defesa Civil paulista alerta 111 municípios para tempo seco

A Defesa Civil do estado de São Paulo emitiu alerta severo para tempo seco para moradores de 111 municípios do interior paulista. O alerta é por causa da baixa umidade relativa do ar, abaixo de 12%, e para o risco elevado de queimadas (risco emergencial), com possibilidade de temperaturas acima dos 35°C.

Este ano é o segundo alerta emitido por causa da umidade e calor e se destina a cidades das regiões de São José do Rio Preto, Araçatuba, Franca e Barretos, no norte, noroeste, centro e oeste do estado. 

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O alerta Cell Broadcast é enviado a todos os celulares com tecnologia 4G ou 5G, que estejam dentro da área de risco. 

Segundo a Defesa Civil, a população recebeu orientações também sobre a importância de aumentar a hidratação, de cuidados com os mais vulneráveis e de fazer a prevenção contra queimadas, como evitar o uso de fogo para limpeza de terrenos, descartar bitucas de cigarro em local adequado e não queimar lixo.

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Lista de cidades atingidas pelo alerta:

Altair, Álvares Florence, Américo de Campos, Andradina, Aparecida d’Oeste, Araçatuba, Aramina, Aspásia, Auriflama, Bady Bassitt, Bálsamo, Barretos, Birigui, Buritama, Buritizal, Cardoso, Castilho, Cedral, Colômbia, Cosmorama, Dirce Reis, Dolcinópolis, Estrela d’Oeste, Fernandópolis, Floreal, Gastão Vidigal, General Salgado, Guaíra, Guapiaçu, Guaraci, Guarani d’Oeste, Guzolândia, Icém, Igarapava, Ilha Solteira, Indiaporã, Ipiguá, Ipuã, Itapura, Ituverava, Jaci, Jales, José Bonifácio, Lavínia, Lourdes, Macaubal, Macedônia, Magda, Marinópolis, Meridiano, Mesópolis, Miguelópolis, Mira Estrela, Mirandópolis, Mirassol, Mirassolândia, Monções, Monte Aprazível, Neves Paulista, Nhandeara, Nipoã, Nova Canaã Paulista, Nova Castilho, Nova Granada, Nova Luzitânia, Olímpia, Onda Verde, Orindiúva, Ouroeste, Palestina, Palmeira d’Oeste, Paranapuã, Parisi, Paulo de Faria, Pedranópolis, Pedregulho, Pereira Barreto, Planalto, Poloni, Pontalinda, Pontes Gestal, Populina, Rifaina, Riolândia, Rubinéia, Santa Albertina, Santa Clara d’Oeste, Santa Fé do Sul, Santana da Ponte Pensa, Santa Rita d’Oeste, Santa Salete, Santo Antônio do Aracanguá, São Francisco, São João das Duas Pontes, São João de Iracema, São José do Rio Preto, Sebastianópolis do Sul, Sud Mennucci, Suzanápolis, Tabapuã, Tanabi, Três Fronteiras, Turiúba, Turmalina, Uchoa, União Paulista, Urânia, Valentim Gentil, Vitória Brasil, Votuporanga e Zacarias.

Cantora e compositora Angela Ro Ro morre aos 75 anos no Rio

Morreu na manhã desta segunda-feira (8), no Rio de Janeiro, a cantora e compositora Angela Ro Ro. Hospitalizada desde junho, com quadro de infecção pulmonar, a artista não resistiu ao agravamento da doença.

Angela Ro Ro completaria 76 anos em dezembro. Ela deixa mais de uma centena de gravações em 14 discos próprios, além de participações em coletâneas especiais.

A carreira de artista iniciou na primeira metade da década de 1970, quando morou na Inglaterra, chegando a cantar em pubs e a participar de uma faixa do LP Transa, de Caetano Veloso, tocando gaita. De volta ao Brasil, participou em 1974 do Festival de Rock de Saquarema (RJ), onde também se apresentou Rita Lee.

O primeiro disco solo foi lançado em 1979 e fez sucesso com a canção Amor, meu grande amor, dela em parceria com Ana Terra. Teve o reconhecimento de público e de crítica nos discos dos anos seguintes com faixas que dão nome aos álbuns Só nos resta viver (1980), Escândalo (1981), Simples carinho (1982), com as quais se afirmou como autora e intérprete.

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Angela Ro Ro tocava piano e era apreciada pela voz rouca, adequada para cantar blues e canções como Fogueira (composição dela) e Demais (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira).

Além do talento, Angela Ro Ro era conhecida pela ironia, humor e franqueza. Recusou intempestivamente gravar Malandragem, composta para ela por Roberto Frejat e Cazuza em 1988, por que não gostou da canção e não queria cantar “Quem sabe eu ainda sou uma garotinha”, como começa a letra da música que viria a fazer sucesso com Cássia Eller.

 

Serasa abre um dia de negociação de dívidas

Cerca de 10 milhões de dívidas na Serasa poderão ser negociadas nas mais de 6 mil agências dos Correios, com até 99% de desconto. Essa possibilidade de negociação, no entanto, será aberta por apenas um dia, nesta terça-feira (9).

A negociação, que reúne mais de 1,6 mil empresas, está sendo oferecida por meio da plataforma Serasa Limpa Nome.

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“Ao todo, mais de 2,3 milhões de brasileiros podem ter uma ou mais dívidas com o desconto máximo. Essa é uma ação inédita que reúne várias empresas e o maior volume de ofertas com 99% de desconto da história da plataforma Serasa Limpa Nome”, informou os Correios.

Instituições participantes

De acordo com a estatal, entre as instituições participantes do mutirão estão grandes bancos, varejistas, financeiras, securitizadoras, concessionárias de contas básicas, como água, luz e gás, entre outros.

Levantamento da Serasa mostra que este ano houve recorde de negociações de dívidas com o valor máximo de desconto concedido. De janeiro a julho, foram fechados mais de 672 mil acordos com 99% de desconto, resultado que representa aumento de 7,94% na comparação com igual período do ano anterior.

“Para essa ação emergencial, a população pode contar com o atendimento presencial dos Correios para resolver de forma rápida e segura as pendências e assim alcançar mais tranquilidade financeira”, disse, por meio de nota, o presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos.

Canais oficiais da Serasa para negociação:

  • Site: http://www.serasalimpanome.com.br      
  • App Serasa no Google Play e App Store      
  • WhatsApp: (11) 99575-2096   
  • Agência dos Correios: neste caso, mediante o pagamento de uma taxa de R$ 4,60 por acordo realizado e de R$ 3,30 para reimpressão de 2ª via de boletos.    

Passo a passo para a negociação:  

1º Passo – Baixe o app da Serasa:  
Faça o download do aplicativo da Serasa no celular (disponível para Android e iOS), digite o seu CPF e preencha um breve cadastro. Ao acessar a plataforma, todas as informações financeiras do consumidor já aparecerão na tela, como a existência de possíveis dívidas e a pontuação do Serasa Score.  

2º Passo – Escolha a oferta:  
Após selecionar a opção “Ver ofertas”, é possível verificar as condições oferecidas para pagamento com o desconto do Serasa Limpa Nome já aplicado. Basta clicar em uma das dívidas disponíveis e serão apresentadas as opções para renegociar cada débito. Para fazer um acordo, clique no campo “Negociar” de cada uma das ofertas”.  

3 º Passo – Revise e finalize o acordo:  
Escolha a opção que desejar e a forma de pagamento de sua preferência. Caso seja boleto, você pode copiar o código, baixar ou solicitar o envio via WhatsApp. Se optar pela opção do Pix, selecione o dia para vencimento e a quantidade de parcelas desejada. Depois, confirme as informações, revisando todas as condições apresentadas, e clique em “Concluir acordo”.  
 
4º Passo – Faça o pagamento do acordo:  
Ao fechar seu acordo, você deve realizar o pagamento de acordo com as condições definidas na etapa anterior. Para pagar com o Pix, clique em “Copiar chave Pix” e cole no aplicativo da instituição bancária para prosseguir. 

Lista de desconto em crédito para a agricultura familiar é ampliada

A lista que reúne os produtos com bônus de desconto no pagamento de parcelas de crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) foi ampliada neste mês de setembro. Foram incluídos 20 produtos em diferentes regiões do país.

Entre as culturas que passaram a integrar a lista estão: açaí, alho, banana, cana-de-açúcar, cará (inhame), cebola, feijão, feijão-caupi, laranja, raiz de mandioca e o trigo. Também terão direito ao benefício, produtores de dez estados que cultivam múltiplas culturas incluindo feijão, leite, mandioca e milho.

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A medida é parte do Programa de Garantia de Preço para a Agricultura Familiar (PGPAF), que visa compensar produtores afetados pela redução dos valores de mercado abaixo do valor de garantia definido para cada cultura. E a lista vale para o período entre 10 de setembro e 9 de outubro de 2025.  

Os descontos são calculados com base nos valores de mercado divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento e validados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

Os bônus são aplicados por unidade da federação, com base nos preços do mês anterior, nesse caso, de agosto. E os percentuais de desconto dado aos agricultores familiares no pagamento de parcelas ou na liquidação das operações de crédito rural do Pronaf variam conforme a diferença entre preços médios de mercado e os valores de garantia definidos para as culturas pelo PGPAF.

Por exemplo, este mês, os produtores de cará, da agricultura familiar no Paraná, terão o maior bônus de desconto, com redução de 59,52%, enquanto os de cana-de-açúcar na Bahia terão o menor, de 0,47%.

Para o mês, saíram da lista a batata-doce, o arroz (TO), a banana (TO, SC e GO), a cana-de-açúcar (MA) e o mel de abelha (PI e RS).

Para ver a lista completa de produtos com bônus de desconto acesse a publicação no Diário Oficial da União

 

Brasil registra um caso de envenenamento a cada duas horas

Ao longo dos últimos 10 anos, o Brasil contabilizou 45.511 atendimentos em emergências da rede pública relacionados a envenenamento que precisaram de internação. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (8) pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede).

O levantamento mostra que, além de envenenamentos classificados como acidentais ou indeterminados, 3.461 pacientes internados via Sistema Único de Saúde (SUS) sofreram intoxicação proposital causada por terceiros.

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Com base na série histórica, o país registrou média de 4.551 casos de envenenamento ao ano no período entre 2009 e 2024.

“Esse índice fica em torno de 379 registros ao mês e 12,6 ao dia. Isso significa que, a cada duas horas, uma pessoa deu entrada numa emergência da rede pública em consequência de ingestão de substâncias tóxicas ou que causaram reações graves dentro do período analisado”, alertou a Abramede, em nota.

No comunicado, a entidade reforça a relevância de médicos emergencistas em situações críticas, incluindo casos de envenenamento, e alerta para a facilidade de acesso a venenos, para a falta de fiscalização e de regulamentação, para a impunidade e para o uso em contextos íntimos – muitas vezes, com motivações emocionais.

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Substâncias

De acordo com o levantamento, envenenamentos relacionados a drogas, medicamentos e substâncias biológicas não especificadas (6.407 casos), a produtos químicos não especificados (6.556) e a substâncias químicas nocivas não especificadas (5.104) aparecem no topo da lista.

O estudo mapeou ainda as principais causas identificadas em episódios acidentais de envenenamento. Nesse recorte, envenenamentos por exposição a analgésicos e a medicamentos para aliviar dor, febre e inflamação lideram a lista, com 2.225 casos.

Na sequência, aparecem episódios envolvendo pesticidas (1.830), álcool por causas não determinadas (1.954) e anticonvulsivantes, sedativos e hipnóticos (1.941).

Regiões

A distribuição geográfica mostra que o Sudeste concentra quase metade dos casos, com mais de 19 mil ocorrências em 10 anos. O estado de São Paulo responde, sozinho, por 10.161 registros, seguido por Minas Gerais (6.154).

O Sul aparece em segundo lugar, com 9.630 atendimentos — sendo o Paraná (3.764)) e o Rio Grande do Sul (3.278 mil) os estados mais afetados.

Já o Nordeste totalizou 7.080 casos, com destaque para a Bahia (2.274) e Pernambuco (949).

No Centro-Oeste, foram 5.161 internações por envenenamento, lideradas pelo Distrito Federal (2.206 casos) e por Goiás (1.876l).

A Região Norte, embora com menor peso absoluto, somou 3.980 registros no período, liderados pelo Pará (2.047) e por Rondônia (936).

Mortes

Ao analisar as 3.461 internações por intoxicação proposital ou causada por terceiros, novamente, a maioria dos casos se concentra na Região Sudeste, com 1.513 casos ao longo do período analisado.

No entanto, as outras cinco aparecem com totais muito próximos: o Sul registrou 551 ocorrências, o Nordeste, 492 ocorrências, o Centro-Oeste, 470 ocorrências, e o Norte, 435 ocorrências.

Em números absolutos, ocupam o topo do ranking os seguintes estados: São Paulo (754 casos), Minas Gerais (500 casos), Pará (295 casos), Paraná (289 casos), Goiás (248 casos), Bahia (199 casos), Rio de Janeiro (162 casos) e Santa Catarina (153 casos).

No outro extremo aparecem Amapá (16 casos), Sergipe (8 casos), Alagoas (4 casos), Acre (3 casos) e Roraima (1 caso).

Perfil das vítimas

Os dados trazem também informações gerais sobre o perfil das vítimas de envenenamento, seja proposital ou acidental, sendo que a maioria dos casos envolve homens (23.796 registros).

Com relação à idade das vítimas, o destaque são adultos jovens com idade entre 20 anos e 29 anos, que respondem por 7.313 registros, e crianças de 1 a 4 anos, que concentram 7.204 registros.

As faixas com menos casos são bebês com menos de 1 ano e idosos, com idade entre 70 e 79 anos (com 1.612 registros) e com 80 anos ou mais (968).

Casos recentes

Em dezembro de 2024, três pessoas de uma mesma família morreram no município de Torres (RS) após consumirem um bolo contaminado com arsênio. A nora da mulher que preparou o bolo foi presa acusada de ter envenenado a farinha usada no alimento.

Em janeiro de 2025, uma refeição adulterada com inseticida e oferecida durante uma ceia de Réveillon na cidade de Parnaíba (PI) deixou nove pessoas intoxicadas, das quais cinco morreram em decorrência do envenenamento – incluindo um bebê de menos de 2 anos.

Em abril, no município de Imperatriz (MA), duas crianças perderam a vida após comerem um ovo de Páscoa envenenado. A mãe das crianças também comeu o alimento e precisou ser hospitalizada.

Também em abril, na capital do Rio Grande do Norte, um açaí entregue em domicílio resultou na morte de uma bebê de 8 meses e deixou uma mulher em estado grave. O alimento, como em diversos casos anteriores, teria sido enviado como presente para uma das vítimas.

IBGE lança proposta para mapear áreas verdes urbanas no Brasil

Uma proposta inédita para mapear áreas verdes urbanas no Brasil foi apresentada nesta segunda-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Guarulhos (SP) e Palmas foram escolhidos como áreas-teste por serem regionalmente diferentes, tanto em termos de formação das cidades como de clima e vegetação.  

Segundo a responsável técnica da pesquisa, Manuela Mendonça de Alvarenga, a partir deste projeto piloto, a equipe da Diretoria de Geociências do IBGE pretende avaliar proposta metodológica que seja realizada futuramente em todo o território nacional.

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“Para nós é importante lançar este estudo em caráter experimental, para que possamos colocar a proposta de metodologia em discussão, testar sua aplicabilidade a diferentes contextos e, a partir de um retorno de outros pesquisadores, de gestores e de demais partes interessadas, propor algo que possa ser aplicável a todo o Brasil”, disse Manuela.  

De acordo com o IBGE, a metodologia realizada nesta investigação utilizou a definição de áreas verdes urbanas do Código Florestal Brasileiro, que considera áreas públicas ou privadas de vegetação (natural ou recuperada), que têm uma destinação no planejamento urbano diferente de loteamentos e moradias.

O instituto explica que a classificação de áreas verdes seguiu a proposta do Ministério do Meio Ambiente e de Mudança do Clima, que contempla diferentes tipos, como parques, praças, canteiros.

“Para a área de mapeamento,  foi considerada uma delimitação que segue o padrão internacional da ONU-Habitat pautado em densidade demográfica e tamanho da população em áreas contínuas. Além disso, foi proposta a utilização de dados de cartografia colaborativa, que indicam a presença de áreas verdes diversas. Estes foram utilizados como insumos para identificação preliminar, cruzados com outros de imagens de satélite, que indicaram a presença de vegetação”, diz o IBGE.

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Conforme o instituto, em Guarulhos, foram identificados 7.096,37 hectares de áreas verdes urbanas, o que representa 45% das áreas urbanizadas do município, levando em conta a área de 800 metro em torno do centro urbano. Considerando as áreas verdes intraurbanas, o tamanho é reduzido para 6.036,73 hectares, e a proporção passa a ser de 38% das áreas urbanizadas da cidade.

 “Com esse resultado, podemos interpretar qual é o grau do impacto que o entorno do centro urbano possui para a composição do mosaico de áreas verdes da cidade e consequentemente os serviços fornecidos à população”, explicou Manuela.

O IBGE informou que, em Palmas, o total de áreas verdes urbanas foi de 5.137 hectares, considerando a área de mapeamento com o entorno de 800 metros do centro urbano, o que representa 49,11% do total de áreas urbanizadas da cidade.

“Considerando apenas a área intraurbana, as Áreas Verdes Urbanas passam a somar 977,99 hectares, representando aproximadamente 10% da mancha urbanizada do município. A diminuição de cerca de 80% de áreas verdes entre os recortes intraurbano e periurbano se deve ao fato de que Palmas possui grandes extensões de matas ciliares de rios tributários ao Rio Tocantins que cruzam a cidade e não são consideradas áreas urbanizadas, devido à sua grande extensão sem moradias ou área construída”, afirma o instituto. 

 “O mapeamento foi proposto considerando a disponibilidade de insumos e a simplicidade de processamento, e, com isso, podemos chegar a um dado de qualidade para todo Brasil. Assim, a partir de uma primeira versão e de sua validação, o próprio mapeamento pode servir como entrada para treinar algoritmos de inteligência artificial, que poderão permitir uma atualização do mapeamento mais automatizada”, completa Manuela.

 

Operação Sharpe mira crime organizado no centro de São Paulo

A Operação Sharpe foi deflagrada nesta segunda-feira (8) com o objetivo de desarticular ações do crime organizado no centro da capital paulista. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), até o momento sete pessoas foram presas e 12 celulares apreendidos. 

As polícias Civil e Militar, além de agentes do Ministério Público de São Paulo (MPSP), foram a campo nesta manhã para dar cumprimento a dez mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão, com foco na Favela do Moinho.

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Entre os presos, está a irmã de Léo do Moinho, integrante da facção criminosa PCC preso no ano passado. Também foram detidos um homem apontado como sucessor de Léo do Moinho nas ações criminosas, e o dono de um estabelecimento comercial utilizado para armazenar armas e entorpecentes na comunidade.

A Operação Sharpe é um desdobramento da Operação Salus et Dignitas, deflagrada no dia 6 de agosto de 2024. Na ocasião, segundo a SSP, os agentes conseguiram “desarticular o ecossistema e a logística do crime organizado em diferentes pontos da região central”.

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Caminhos da Reportagem mostra conflitos na Cracolândia em São Paulo

Nesta segunda-feira (8), a TV Brasil exibe, às 23h, um novo episódio do programa Caminhos da Reportagem que tem como tema o Território Cracolândia. A atração aborda o histórico da região e as disputas em torno de seu destino, em São Paulo. 

Antes de ficar conhecida como Cracolândia, a área foi um importante polo audiovisual do país, abrigando, nas décadas de 1920 e 1930, estúdios de cinema internacionais. De acordo com pesquisadores, essas empresas atraíram outros setores relacionados à indústria cultural nas décadas seguintes e, no fim dos anos 1960, a chamada Boca do Lixo passou a ser reconhecida como um reduto de filmes independentes, autorais e de pornochanchadas. 

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Um dos símbolos desse período, a Gráfica Cinelândia, tem quase 100 anos de história. Odilon Melo, sócio do negócio, lembra que o bairro era um reduto da boemia, com muitos bares e casas noturnas. 

A antropóloga e redutora de danos Roberta Costa conta que atua na região há mais de dez anos.

“A Cracolândia é o quartinho da bagunça da cidade. Todas aquelas pessoas que não cabem ou que não são benquistas em outros lugares, acabam vindo para cá”, afirma. A partir das vivências na área, a profissional critica as frequentes medidas de repressão que prometem dar fim à situação. 

Como a megaoperação de 2017, que envolveu mais de 600 policiais, com relatos de violência contra os dependentes químicos. Além disso, a prefeitura e o governo estadual têm interditado imóveis e demolido parte deles para dar lugar a novos empreendimentos, moradias e equipamentos públicos. 

O secretário de Projetos Estratégicos da Prefeitura de São Paulo, Edsom Ortega, defende que parte das interdições de imóveis tem o objetivo de impedir o uso desses locais pelo crime organizado e construir moradias populares na região. 

Saúde pública 

Willians Octavio Pires mora na região da Santa Cecília e tem um café no bairro, que é vizinho à área conhecida como Cracolândia. O empresário explica que viu aumentar o número de pessoas em situação de rua na frente de seu estabelecimento após maio. “Mudou bastante o perfil. Hoje eu vejo focos no meu cotidiano, em vários lugares”, conta. 

O médico psiquiatra Flávio Falcone, que atua há anos em projetos de saúde com pessoas em situação de dependência, critica as medidas adotadas no território.

“Para mim, é muito claro que o objetivo não é cuidar, mas fazer com que essas pessoas saiam do centro”, afirma. 

Ao Caminhos da Reportagem, o tenente-coronel da PM Rodrigo Garcia Vilardi, que coordena o Centro Integrado de Comando e Controle do Governo de São Paulo, afirma que as ações reduziram os crimes na região e aumentaram o acesso à saúde dos dependentes.

“É um trabalho constante, que não pode baixar a guarda, para que a gente não retroceda e, mais uma vez, haja um descrédito e um desânimo por parte da população”, explica.

Ficha técnica  

Reportagem: Daniel Mello 

Produção: Acácio Barros e Daniel Mello 

Apoio à produção: Thiago Padovan 

Apoio operacional à produção: Acácio Barros e Lucas Cruz 

Assessoria: Maura Martins 

Reportagem cinematográfica: JM Barboza e Raul Cordeiro 

Apoio à reportagem cinematográfica: Alexandre Nascimento 

Auxílio técnico: Rafael Carvalho e João Batista de Lima 

Edição de texto: Márcio Ribeiro Garoni 

Edição e finalização de imagem: Rodrigo Botosso 

Arte: Aleixo Leite, Carol Ramos e Wagner Maia 

Serviço 

Caminhos da Reportagem – Território Cracolândia 

Segunda-feira (8), às 23 horas, na TV Brasil 

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Entenda os próximos passos do julgamento de Bolsonaro no STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na terça-feira (9) o julgamento do núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. 

O julgamento começou na semana passada, quando foram ouvidas as sustentações das defesas do ex-presidente e dos demais acusados, além da manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, favorável à condenação de todos os réus.

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Nesta semana, o colegiado vai iniciar a votação que pode condenar Bolsonaro e os outros réus a mais de 30 anos de prisão.

Foram reservadas as sessões dos dias 9,10,11 e 12 de setembro para finalização do julgamento. 

Pesam contra os acusados a suposta participação na elaboração do plano “Punhal Verde e Amarelo”, com planejamento voltado ao sequestro e assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente, Geraldo Alckmin.

Também consta na denúncia da PGR a produção da chamada “minuta do golpe”, documento que seria de conhecimento de Jair Bolsonaro e serviria para a decretação de medidas de estado de defesa e de sítio no país para tentar reverter o resultado das eleições de 2022 e impedir a posse de Lula.  A denúncia também cita o suposto envolvimento dos acusados com os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023

Quem são os réus?

  • Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  • Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
  • Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;
  • Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Próximos passos

Na terça-feira (9), às 9h, a sessão será aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin. Em seguida, será passada a palavra ao relator, ministro Alexandre de Moraes, que será o primeiro a votar.

Em sua manifestação, Moraes vai analisar questões preliminares suscitadas pelas defesas de Bolsonaro e dos demais acusados, como pedidos de nulidade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e um dos réus, alegações de cerceamento de defesa, pedidos para retirar o caso do STF, além das solicitações de absolvição.

Moraes poderá solicitar que a turma delibere imediatamente sobre as questões preliminares ou deixar a análise desses quesitos para votação conjunta com o mérito. Após a abordagem das questões preliminares, Moraes se pronunciará sobre o mérito do processo, ou seja, se condena ou absolve os acusados e qual o tempo de cumprimento de pena.

Sequência de votação

Após o voto do relator, os demais integrantes da turma vão proferir seus votos na seguinte sequência:

  • Flávio Dino;
  • Luiz Fux;
  • Cármen Lúcia;
  • Cristiano Zanin.

A maioria de votos pela condenação ou absolvição ocorrerá com três dos cinco votos do colegiado.

Prisão

A eventual prisão dos réus que forem condenados não vai ocorrer de forma automática após o julgamento e só poderá ser efetivada o após a análise dos recursos contra a condenação.

Recursos

Em caso de condenação com um voto a favor da absolvição, Bolsonaro e os demais réus terão direito a mais um recurso para evitar a prisão, a ser analisado também pela Primeira Turma. A condição pode ser obtida com placar de 4 votos a 1, por exemplo.

Com a publicação do acórdão com o eventual placar desfavorável, as defesas poderão apresentar os chamados embargos de declaração, recurso que tem objetivo de esclarecer omissões e contradições no texto final do julgamento. Em geral, esse tipo de recurso não tem poder para rever o resultado do julgamento e costuma ser rejeitado. 

Para conseguir que o caso seja julgado novamente e levado a plenário, os acusados precisam obter pelo menos dois votos pela absolvição, ou seja, placar mínimo de 3 votos a 2.  

Não há “ditadura da toga” no Brasil, afirma Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou suas redes sociais para rebater as recorrentes críticas ao Poder Judiciário brasileiro. Em uma postagem publicada no início da noite na rede X, Mendes defendeu a atuação da Corte, afirmando que o STF atua como guardião da Constituição e do Estado de Direito, impedindo retrocessos e preservando garantias fundamentais.

“No Dia da Independência, é oportuno reiterar que a verdadeira liberdade não nasce de ataques às instituições, mas do seu fortalecimento”, escreveu Mendes, poucas horas após atos organizados por políticos de direita e grupos religiosos terem reunido milhares de manifestantes a favor da anistia do ex-presidente da República Jair Bolsonaro e de réus condenados pelos atos do 8 de Janeiro e do impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

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“Não há, no Brasil, ‘ditadura da toga’, tampouco ministros agindo como tiranos”, afirmou Mendes

Segundo ele, os ministros da Corte vêm atuando de forma a preservar as chamadas garantias fundamentais – ou seja, os direitos e proteções asseguradas na Constituição Federal a todos os cidadãos brasileiros.

Sem mencionar nomes, Mendes teceu críticas alusivas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, lembrando das recorrentes críticas do ex-presidente e de seus apoiadores ao sistema eleitoral brasileiro e a gestão da pandemia da covid-19 pelo governo Bolsonaro, entre outros episódios.

“Se quisermos falar sobre os perigos do autoritarismo, basta recordar o passado recente de nosso país: milhares de mortos em uma pandemia; vacinas deliberadamente negligenciadas por autoridades; ameaças ao sistema eleitoral e à separação de Poderes; acampamentos diante de quartéis pedindo intervenção militar, tentativa de golpe de Estado com violência e destruição do patrimônio público, além de planos de assassinato contra autoridades da República”, comentou o ministro.

Mais cedo, em evento na Avenida Paulista, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, classificou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal sobre tentativa de golpe de Estado, como “tirania”. “Ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes. Ninguém aguenta mais o que tá acontecendo nesse país ”  Tarcísio, durante o ato na Paulista. 

“O que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo. É fundamental que se reafirme: crimes contra o Estado Democrático de Direito são insuscetíveis de perdão! Cabe às instituições puni-los com rigor e garantir que jamais se repitam”, concluiu o ministro Gilmar Mendes.