Rádio Nacional da Amazônia celebra 48 anos no ar

Neste 1º de setembro, as ondas curtas da Rádio Nacional da Amazônia completam 48 anos transportando no ar música, informação, entretenimento e dando voz a toda a diversidade da região Norte do Brasil. Com transmissão ao vivo, a festa reuniu ouvintes e a equipe que constrói essa ponte entre a região amazônica e o resto do mundo.

“Eu que cheguei aqui nos anos 70, junto com a inauguração da Nacional da Amazônia. É um privilégio, uma sintonia muito fina, as cartas que recebemos, as sementes plantadas em nossa homenagem, as crianças batizadas com nossos nomes. É uma honra acompanhar essa trajetória de tanto sucesso”, diz a apresentadora Mara Régia.

Brasília (DF) 01/09/2025 A apresentadora Mara Régia na comemoração dos 48 anos da Rádio Nacional da Amazônia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Essa proximidade entre a emissora e o seu público, tantas vezes distante de muitas das facilidades dos grandes centros, promove transformações. Um dos exemplos é o do ouvinte Cláudio Paixão, que desde pequeno teve a Rádio Nacional da Amazônia presente na fazenda onde vivia, em Estreito, no Maranhão.

“Até 2006, lá na fazenda não tinha energia elétrica. O único meio de comunicação que a gente tinha era o rádio. Sendo longe da cidade a FM não chegava, então a gente tinha somente as ondas curtas. Então a Nacional da Amazônia foi fundamental para eu traçar minha trajetória de vida profissional”, diz.


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Oportunidades

Cláudio quebrou um ciclo de gerações de agricultores e formou-se jornalista e pesquisador da Nacional da Amazônia, tendo reunido o maior acervo de conteúdo já transmitido pelas ondas curtas da rádio. “Eu saí, estudei, formei por causa dessa influência que a rádio desempenhou na minha vida”, diz.

Influência que permanece alcançando gerações, como o público da apresentadora do programa do Nacional Jovem, Ediléia Martins. “Por mais que a gente tenha novas tecnologias, meios de comunicação melhores, aquele radinho de pilha continua sendo a companhia de muitos”, diz.

Conexões

Uma relação com ribeirinhos, pescadores, indígenas, quilombolas, extrativistas e tantos ouvintes que têm os programas e músicas da Nacional da Amazônia a principal companhia em muitos momentos da vida. “Toda a minha conexão com o mundo e da minha família era feita através do rádio”, diz a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Acreana e filha de seringueiro, a ministra recorda a importância central da Nacional da Amazônia no seringal. “Eu aprendi a me expressar, mesmo sendo analfabeta, ouvindo as novelas da rádio”, lembra Marina.

Futuro

Todas essas histórias, as cartas de ouvintes e memórias criadas desde 1º de setembro de 1977 foram lembradas na comemoração dos 48 anos da rádio, quando também foi lançada a cápsula do futuro para reunir mensagens para a Amazônia 50 anos, a serem lidas e reveladas em 2027.

A programação fez parte da Semana da Amazônia, que se estende até o dia 5 de setembro com atividades que incluem ainda a experiência imersiva Amazônia Viva. “É uma honra estar aqui festejando a rádio e trazendo essa experiência que teletransporta as pessoas para dentro da realidade de um indígena que vive dentro da Floresta Amazônica, podendo retratar para o povo brasileiro a perspectiva de quem vive a Amazônia e suas nuances”, afirma Daniel Vicente, coordenador dos projetos Amazônia Popular e Amazônia nas Comunidades, responsáveis pela iniciativa.

Brasília (DF) 01/09/2025 O presidente da EBC, André Basbaum, na comemoração dos 48 anos da Rádio Nacional da Amazônia. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil – Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Durante a abertura da programação, o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), André Basbaum, destacou a importância da Rádio Nacional da Amazônia, não apenas para região, mas para o mundo. “A gente sabe do papel da radiodifusão na história do Brasil e da comunicação, sobretudo nos lugares mais distantes do país, como a imensa floresta amazônica, e do compromisso que o país tem com o meio ambiente, com os povos originários que cuidam do território. Essa é uma agenda da Brasil e do mundo”, conclui. 

Israel comete genocídio em Gaza, diz associação de estudiosos

A Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio (IAGS) afirmou que Israel comete genocídio na Faixa de Gaza. A resolução foi aprovada por maioria absoluta de mais de dois terços dos cerca de 500 membros da principal instituição que estuda o crime de genocídio no mundo.  

“O governo de Israel tem se envolvido em crimes sistemáticos e generalizados contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio, incluindo ataques indiscriminados e deliberados contra civis e infraestrutura civil (hospitais, residências, edifícios comerciais, etc.) de Gaza”, diz o documento de três páginas aprovado neste domingo (31).

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Israel condenou a resolução da IAGS e disse que “baseia-se inteiramente na campanha de mentiras do Hamas”. Fundada em 1994, no contexto do genocídio de Ruanda, na África, a associação organiza conferências no mundo todo e publica revistas científicas sobre o tema do genocídio

Para os estudiosos, a matança de crianças em Gaza; as declarações de autoridades israelenses; os ataques a locais de produção de alimentos, entre outros fatos, justificam classificar as ações de Israel como genocídio segundo definição do artigo 2º da Declaração para Prevenção do Genocídio de 1948

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A AIGS reconheceu ainda que as ações de Israel contra palestinos incluem tortura; detenção arbitrária; violência sexual e ataques deliberados contra médicos, trabalhadores humanitários e jornalistas, além da privação deliberada de alimentos, água, medicamentos e eletricidade essenciais à sobrevivência da população.

A associação lembra ainda que Israel deslocou a força quase todos os 2,3 milhões de palestinos de Gaza e demoliu mais de 90% da infraestrutura habitacional do território.

“As consequências desses crimes incluíram a destruição de famílias inteiras e de várias gerações de palestinos; Reconhecendo que Israel destruiu escolas, universidades, bibliotecas, museus e arquivos, todos eles essenciais à continuidade do bem-estar e da identidade coletiva palestina”, diz a resolução aprovada.

Israel é acusado de genocídio ainda na Corte Internacional de Justiça (CIJ) pela África do Sul, processo que ganhou apoio de outras nações, incluindo o Brasil. Diversas organizações de direitos humanos internacionais, como Anistia Internacional e Human Rights Watch, também classificam a ação em Gaza como genocídio, o que Tel Aviv nega.

Crianças

A Associação também lembrou que Israel matou ou feriu mais de 50 mil crianças “e que essa destruição de uma parte substancial de um grupo constitui genocídio”.

Segundo a organização, “as crianças são essenciais para a sobrevivência de qualquer grupo como tal, uma vez que a destruição física do grupo é assegurada quando este não consegue se regenerar”.

Autoridades palestinas

Os estudiosos em genocídio destacaram as declarações de autoridades de Tel Aviv caracterizando os palestinos como um todo como inimigos, “animais humanos” e afirmando intenção de infligir “dano máximo” à Gaza.

“O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu endossou o plano do atual presidente dos EUA de expulsar à força todos os palestinos da Faixa de Gaza, sem direito de retorno, no que Navi Pillay, chefe da Comissão de Inquérito da ONU sobre os Territórios Palestinos Ocupados, considerou equivalente a uma limpeza étnica”, diz a associação.

Fome

Os estudiosos ponderam ainda que a destruição deliberada de campos agrícolas, armazéns de alimentos e padarias, em conjunto com a restrição de entrada de ajuda humanitária em Gaza, “indicam a imposição intencional de condições insuportáveis, resultando na fome dos palestinos em Gaza”.

A fome entre palestinos na Faixa de Gaza atingiu o patamar 5, o mais grave na classificação sobre segurança alimentar. Isso significa que a população no território vive uma catástrofe humanitária, segundo a Organização da ONU pra Alimentação e Agricultura (FAO). 

Ainda segundo a AIGS, a resposta de Israel ao ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 não foram direcionadas apenas contra o grupo de resistência palestino. “Mas também tiveram como alvo toda a população de Gaza”, completa.

Israel

Por meio de nota, o governo de Israel voltou a negar que pratique o genocídio na Faixa de Gaza e que a declaração da Associação Internacional de Estudiosos do Genocídio “é uma vergonha para a profissão jurídica e para qualquer padrão acadêmico”.

“Baseia-se inteiramente na campanha de mentiras do Hamas e na lavagem dessas mentiras por terceiros. O IAGS não realizou a tarefa mais básica da pesquisa, que é verificar as informações. Chega até a deturpar o que a CIJ [Corte Internacional de Justiça]”, diz comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Tel Aviv. 

O governo israelense acrescenta que “pela primeira vez” os estudiosos do genocídio acusam “a própria vítima de genocídio, apesar da tentativa de genocídio do Hamas contra o povo judeu, assassinando 1.200 pessoas”. Israel alega que apenas luta contra o Hamas e que busca recuperar os reféns ainda em controle do grupo.

Definição

O crime de genocídio é tipificado pela Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio de 1948, das Nações Unidas (ONU).

O artigo 2º do documento afirma que entende-se por genocídio qualquer um dos seguintes atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso

  • Matar membros do grupo
  • Causar sérios danos físicos ou mentais a membros do grupo
  • Submeter intencionalmente o grupo a condições de vida destinadas a causar a sua destruição física, no todo ou em parte
  • Imposição de medidas destinadas a impedir o nascimento de crianças dentro do grupo
  • Transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo

PF pede inclusão de foragidos de ação contra PCC na lista da Interpol

A Polícia Federal (PF) pediu que a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) inclua na chamada “Lista Vermelha” os dados pessoais de oito pessoas suspeitas de integrar esquema montado pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavar dinheiro obtido com atividades ilícitas.

Alvos das operações Quasar e Tank, deflagradas na última quinta-feira (28), os oito investigados cujos nomes não foram oficialmente divulgados são considerados foragidos da Justiça brasileira. A inclusão de seus nomes e fotos no alerta vermelho (Red Notice) da Interpol equivale a um pedido para que outros países ajudem o Brasil a localizá-los e prendê-los.

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Há, atualmente, ao menos 85 avisos vermelhos públicos emitidos a pedido das autoridades brasileiras – e outros tantos perfis que, conforme a própria PF explicou, não podem ser consultados pela população em geral, estando acessíveis apenas para as autoridades policiais e judiciais dos países-membros da Interpol.

“Quem faz a gestão da listagem é a Interpol”, informou a PF à Agência Brasil, nesta segunda-feira (1). “É sabido que nem todos os nomes incluídos na difusão [vermelha] estão acessíveis para consulta ampla, aberta”, acrescentou a instituição.

Os oito foragidos escaparam ao cumprimento de 14 mandados judiciais de prisão emitidos por ocasião da realização das operações Quasar e Tank, da PF, que aconteceram simultaneamente com a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

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As três operações contaram com a participação da Receita Federal e foram deflagradas para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro criminoso por meio do setor de combustíveis. Além de mais de 400 mandados judiciais – incluindo os 14 de prisão preventiva, dos quais apenas seis foram cumpridos, e outros de busca e apreensão -, as medidas judiciais levaram ao bloqueio e sequestro de mais de R$ 3,2 bilhões em bens e valores.

Segundo os investigadores, há indícios de que o esquema movimentou, de forma ilícita, cerca de R$ 140 bilhões. Parte desta quantia teria sido ocultada por meio de um “esquema sofisticado que usava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita”. A outra parte, com o recurso de centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.

Segundo a PF, as operações da semana passada visam desestruturar financeiramente as organizações criminosas, recuperar valores desviados e reforçar o compromisso da instituição no combate à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado no mercado financeiro.

STF tem segurança reforçada para julgamento de trama golpista

O entorno do Supremo Tribunal Federal (STF) amanheceu com reforço de segurança nesta segunda-feira (1º), véspera do início do julgamento sobre uma trama golpista que teria tentado manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder. 

O efetivo extra de homens e viaturas da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) deve ficar de prontidão ao menos até 12 de setembro, quando o julgamento já deverá ter sido encerrado, conforme o cronograma estipulado pelo Supremo. 

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A partir desta segunda-feira, começou a operar também uma Célula Presencial Integrada de Inteligência, instalada na sede da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Distrito Federal. A estrutura reúne órgãos de segurança locais e nacionais, que fazem o monitoramento da movimentação de pessoas em Brasília e nas redes sociais com objetivo de lançar ações preventivas, se necessário. 

A partir desta terça-feira (2), os arredores do tribunal estarão submetidos a um esquema de segurança integrado entre a Polícia Judicial Federal e a SSP-DF. Aglomerações que caracterizem manifestações e qualquer tipo de acampamento nas proximidades estão proibidos. 

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Policiais farão o monitoramento de quem transita pela Praça dos Três Poderes e nas vias de acesso ao Supremo, incluindo abordagens e revista de mochilas e bolsas. Uma das preocupações maiores é com ações solitárias por parte de algum apoiador do ex-presidente. Serão feitas também varreduras diurnas e noturnas com drones de imagem térmica.

Ainda que não sejam permitidas manifestações nas proximidades, o julgamento deve alterar a rotina da região central de Brasília, uma vez que mais de três mil pessoas se inscreveram para acompanhar o julgamento presencialmente, em vagas limitadas abertas ao público. Entre jornalistas nacionais e estrangeiros, mais de 501 profissionais pediram credenciamento. 

O principal alvo do julgamento é o próprio Bolsonaro, que não está obrigado a comparecer, mas pode acompanhar o caso em pessoa, caso queira. Para isso, contudo, é necessário autorização do ministro Alexandre de Moraes para o deslocamento, uma vez que o presidente foi colocado em prisão domiciliar pelo relator da ação penal. 

Também têm o direito de comparecer ao julgamento os demais sete réus, entre militares e civis, todos ex-assessores próximos de Bolsonaro que foram acusados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de tentarem romper com a ordem democrática no Brasil. 

Não estão previstas interdições na Esplanada dos Ministérios durante a semana, somente para o desfile de 7 de setembro, que ocorre no sábado. Nesse caso, o fechamento da via ocorre a partir das 17h do dia 6, na altura da Catedral de Brasília e às 23hs, a partir da alça leste, logo após a Rodoviária do Plano Piloto.

O acesso ao público estará aberto a partir das 6h do 7 de setembro. Estão proibidos itens como armas, objetos cortantes, substâncias inflamáveis, recipientes de vidro, fogos de artifício, mochilas de grande porte, barracas e drones sem autorização. 

Outras medidas

O Supremo Tribunal Federal se prepara – desde meados de agosto – para a realização do julgamento sobre a trama golpista bolsonarista. Desde o mês passado, cerca de 30 agentes da Polícia Judiciária foram enviados de diversos estados e outros dormem na sede do tribunal, em dormitórios montados para que fiquem de prontidão. 

Entre as precauções, houve também varreduras repetidas no edifício do Supremo e também na casa dos ministros da Primeira Turma, que, além de Moraes, é composta por Cristiano Zanin, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Flávio Dino. 

Os réus do núcleo 1 da trama golpista respondem por cinco crimes, cuja pena somada pode ultrapassar os 40 anos de prisão. São eles: integrar organização criminosa armada, atentar violentamente contra o Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado da União. 

Mercado financeiro reduz previsão da inflação para 4,85%

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país – passou de 4,86% para 4,85% este ano. É a décima quarta redução seguida na estimativa, publicada no Boletim Focus desta segunda-feira (1º). A pesquisa é divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção da inflação também caiu, de 4,33% para 4,31%. Para 2027 e 2028, as previsões são de 3,94% e 3,8%, respectivamente.

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A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior 4,5%.

Em julho, pressionada pela conta de energia mais cara, a inflação oficial divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fechou em 0,26%, sendo o segundo mês seguido de queda nos preços dos alimentos, o que ajudou a segurar o índice. No acumulado em 12 meses, o IPCA alcançou 5,23%, acima do teto da meta de até 4,5%.

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Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros  – a Selic – definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O recuo da inflação e o início da desaceleração da economia fizeram o colegiado interromper o ciclo de aumento de juros na última reunião, em julho, após sete altas seguidas na Selic.

Em comunicado, o Copom informou que a política comercial dos Estados Unidos aumentou as incertezas em relação aos preços. A autoridade monetária informou que, por enquanto, pretende manter os juros básicos, mas não descartou a possibilidade de voltar a elevar a Selic caso seja necessário.

A estimativa dos analistas é que a taxa básica encerre 2025 nos 15% ao ano. Para o fim de 2026, a expectativa é que a Selic caia para 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que ela seja reduzida novamente para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

A estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 2,18% para 2,19% nesta edição do Boletim Focus. Para 2026, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,87%. Para 2027 e 2028, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 1,89% e 2%, respectivamente.

Puxada pela agropecuária no primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 1,4%. Em 2024, o PIB fechou com alta de 3,4%. O resultado representa o quarto ano seguido de crescimento, sendo a maior expansão desde 2021, quando o PIB alcançou 4,8%.

A previsão da cotação do dólar está em R$ 5,56 para o fim deste ano. No fim de 2026, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,62.

Maior adesão de empresas é desafio para expansão do open finance

Pagar um café por Pix sem a necessidade de abrir o aplicativo do banco, aproximando o celular da maquininha. A operação hoje pode parecer corriqueira, mas o Pix por aproximação, lançado em fevereiro, exigiu não apenas o desenvolvimento de tecnologias. A associação da conta do Pix à carteira virtual do celular envolveu troca confiável de informações entre comércio, bancos e a administradora da máquina.

O compartilhamento de dados entre instituições financeiras de todos os tipos é o conceito central por trás do open finance, que completou cinco anos na semana passada. Em todos os casos, cabe ao usuário autorizar a utilização das informações pessoais por terceiros, podendo cancelá-la quando quiser. Tudo regulado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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O open finance está mais presentes na vida do correntista do que aparenta. O sistema foi essencial para o desenvolvimento do Pix automático, lançado em junho, modalidade que substituirá o boleto bancário. Para autorizar a cobrança periódica por empresas, basta o correntista entrar no aplicativo do banco uma única vez e consentir o acesso a seus dados financeiros.

O mesmo ocorre com a consulta dos saldos de contas em diversas instituições numa mesma tela. Ou com a oferta de operações de crédito com juros mais baixos a bons pagadores, com o open finance aumentando a taxa de aprovação dos tomadores de crédito em até 30%. Desde abril de 2023, as instituições podem compartilhar dados sobre investimentos, câmbio, seguros, previdência privada, capitalização e credenciamento.

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Obstáculos

Segundo a Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), a expansão do open finance enfrenta dois principais gargalos. O primeiro é o aumento no sucesso da taxa de conversão dos pagamentos. Atualmente, segundo a entidade, de 50% a 60% das operações feitas pelo open finance não apresentam erros.

“O desafio é elevar essa taxa para 99,5%, como ocorre com os cartões de crédito e débito”, diz Gustavo Lino, diretor executivo da Init.

Apesar dos problemas de erro ou de transações que não conseguem ser completadas, Lino diz que o open finance tem se revelado mais seguro que as transações com cartões bancários.

“A segurança das transações no open finance é excelente. Os casos de fraude e golpes são ínfimos”, ressalta.

Lino cita o Pix por aproximação, em que o cliente pode conferir, na tela do celular, o valor digitado pelo comerciante antes de aproximar o aparelho. Nos cartões de crédito e débito por aproximação, o valor precisa ser conferido na máquina do estabelecimento.

As iniciadoras de pagamentos são empresas autorizadas pelo BC a iniciar transações sem deter recursos das contas envolvidas. Elas facilitam a comunicação entre instituições financeiras e possibilitam aos usuários realizar pagamentos e transferências sem acessar diretamente o aplicativo da instituição financeira.

Pessoas jurídicas

Outro gargalo está na adesão das empresas ao compartilhamento de dados. Segundo a Associação Open Finance Brasil (AOF), entidade privada que reúne os tipos de empresas do setor e participa das discussões com o BC, houve, em 2024, 40,8 milhões de consentimentos de pessoas físicas como receptores e 37,6 milhões como transmissores de dados. Cada indivíduo pode fazer mais de um consentimento.

Entre as pessoas jurídicas, o número é bem menor: 403,2 mil consentimentos de empresas como receptoras de dados e 406,7 mil como transmissoras. Segundo o diretor-presidente da Init, Jonatas Giovinazzo, os entraves para a adesão das empresas ao open finance são burocráticos e tecnológicos.

“Há empresas com mais de 200 contas bancárias e com duas ou três maquininhas em cada filial. Os pagamentos precisam vir identificados pelo open finance da mesma forma que no internet banking [site do banco] para serem lançados na contabilidade. Também existe uma discussão sobre qual dia devem ser lançadas no extrato as transações em fins de semana e se o consentimento deve ser dado por funcionários ou por sócios da empresa”, explica Giovinazzo.

Pix em lotes

Na semana passada, a Init participou da reunião da Associação Open Finance, no Banco Central, que celebrou os cinco anos do compartilhamento de dados e discutiu melhoras no sistema. Uma das discussões é o processamento dos Pix das empresas em lotes que agreguem várias contas bancárias, para facilitar a adesão de médias e grandes empresas.

“Por uma questão de segurança, as instituições financeiras travam o Pix quando há várias transações por segundo, como ocorre com grandes empresas. O processamento em lotes ajudaria a superar esse gargalo”, diz Giovinazzo.

Apesar dos obstáculos, Gustavo Lino destaca as vantagens da adesão das empresas ao open finance.

“Para a pequena e a média empresa, esse sistema vem em boa hora. Porque elas ganham poder de barganha para crédito com bancos e diminuem as dificuldades de oferecer garantias. No futuro, a maior parte do volume financeiro do open finance virá de pessoas jurídicas, que movimentam mais recursos que as pessoas físicas”, avalia.

Novidades

Em fevereiro de 2026, o Banco Central pretende dar um passo além e lançar a portabilidade de crédito por meio do open finance, com o correntista usando o compartilhamento de dados para poder transferir operações de crédito entre bancos.

Caso não haja atrasos, a portabilidade será estendida ao crédito consignado. Atualmente, a portabilidade desse tipo de crédito só é possível no caso de trabalhadores da iniciativa privada por meio do aplicativo do próprio banco e, até novembro, estará disponível no aplicativo Carteira de Trabalho Digital. Com o open finance, o processo pode ser feito fora da plataforma Crédito do Trabalhador.

Estudantes do Rio terão aulas de cultura afro-brasileira

Alunos das redes municipais de ensino poderão participar do projeto Clubinho de Leitura, do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos (IPN), na Gamboa, região portuária do Rio de Janeiro. Ao todo serão beneficiados 1.200 estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I e II até o final de 2025 em atividades que integram literatura, identidade racial e educação patrimonial. 

A intenção é estimular o hábito da leitura entre os alunos, além do reconhecimento da história e cultura dos povos negros e originários. As crianças vão se reunir com escritores e contadores de histórias e participarão de atividades lúdicas de educação étnico-racial. O projeto vai oferecer ainda experiências para o fortalecimento de identidade racial positiva nas crianças. 

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As inscrições começam nesta segunda-feira (1º) e as escolas que quiserem participar precisam entrar em contato com a instituição por meio do e-mail clubinhodolivro@pretosnovos.com.br. As contempladas receberão mensagem dos organizadores para o agendamento. A atividade será realizada às terças-feiras, até a primeira quinzena de dezembro, na sala de aula e na galeria do Instituto Pretos Novos. 

A iniciativa é patrocinada pela empresa VLT Carioca, rede de veículos leves sobre trilhos, e pelo Grupo L’Oréal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei ISS, tipo de financiamento cultural, no qual empresas contribuintes do tributo utilizam parte dele  para apoiar projetos culturais na cidade. 

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Para a diretora-presidente do IPN, Merced Guimarães dos Anjos, o projeto é pilar importante na construção da infância.

“O Clubinho do Livro trabalha o letramento racial para que, desde pequenos, eles aprendam a ser antirracistas e tolerantes com as diferenças culturais e religiosas”, afirmou em texto divulgado pela VLT Carioca.

Nos dias de participação, as crianças sairão das escolas em 20 ônibus contratados, chegarão ao Cais do Valongo, também na região portuária, onde terão visita guiada pelo Circuito da Herança Africana que, além do Cais do Valongo, compreende a Praça da Harmonia, o Museu da História e da Cultura Afro-brasileira (MUHCAM) e o IPN. Terão também dinâmicas de contação de histórias conduzidas por arte-educadores capacitados.

Mostra em São Paulo celebra produção de cineastas negros no Brasil

Uma seleção de filmes brasileiros realizados por cineastas negros ou que tenham protagonistas negros é a proposta da OJU-Roda Sesc de Cinemas Negros, que chega agora à sua quarta edição e pretende destacar a importância histórica do audiovisual e sua contribuição para a descolonização do olhar.

O nome do evento vem do Yorubá, em que a palavra “ojú” significa “olho”. A escolha por esse nome, destaca o Sesc, é porque o contato com o cinema se inicia justamente pelo olhar. Já a escolha por roda de cinema, informa a instituição, significa a possibilidade de ocorrer maior aproximação entre as pessoas, uma forma de elas compartilharem histórias e construírem narrativas.

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Com programação que reúne filmes, debates, oficinas, rodas de conversa e shows, a mostra multicultural é dedicada a evidenciar a diversidade de criadoras e criadores negros e a potência do cinema brasileiro, buscando valorizar a diversidade e a força política do audiovisual negro.

A maior parte das atividades é gratuita e aberta a todos os públicos, ampliando o acesso e o diálogo com diferentes comunidades. Fazem parte da programação as unidades do Sesc instaladas na região metropolitana de São Paulo (Cinesesc, 24 de Maio, Belenzinho, Campo Limpo, Centro de Pesquisas e Formação do Sesc – CPF , Pompeia, Vila Mariana e Osasco) e algumas unidades localizadas no interior e litoral paulista (Araraquara, Bauru, Birigui, Campinas, Franca, Registro, Ribeirão Preto, Rio Preto, Santos, São Carlos e São José dos Campos). Além disso, parte dos filmes também será exibida no campus da Universidade Zumbi dos Palmares, na capital paulista.

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O evento será aberto no Cinesesc, na capital paulista, na noite da próxima quarta-feira (3), com a pré-estreia do filme Suçuarana, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges. No enredo, uma mulher de espírito nômade busca seu espaço no mundo. Dora, a protagonista, vive há mais de dez anos pelas estradas brasileiras em busca de Suçuarana, uma terra desconhecida e aparentemente misteriosa que sua falecida mãe mencionava.

A programação também prevê a exibição de curtas e de longas como Brasiliana: o Musical Negro que Apresentou o Brasil, de Joel Zito Araújo, eleito melhor projeto de documentário Brasil Cinemundi 2017; Malês, com direção de Antônio Pitanga e roteiro de Manuela Dias, baseado em fatos históricos e que retrata a Revolta dos Malês, a maior revolução da história do Brasil organizada por pessoas negras escravizadas na Bahia; e Kasa Branca, de Luciano Vidigal, premiado no Festival Internacional de Cinema de Torino.

O festival vai até o dia 11 de setembro. Mais informações sobre os filmes que serão exibidos e a programação podem ser consultados no site do evento.

Grêmio arranca empate com o Flamengo no Maracanã pelo Brasileirão

O Flamengo perdeu a chance de ampliar a vantagem na liderança do Campeonato Brasileiro. Melhor para o Grêmio, que respirou na luta contra o rebaixamento. Neste domingo (31), Rubro-Negro e Tricolor empataram por 1 a 1, no Maracanã, no Rio de Janeiro, pela 22ª rodada da competição. A partida foi transmitida ao vivo pela Rádio Nacional.

A equipe carioca foi a 47 pontos e segue na ponta da tabela, mas pode terminar o fim de semana com apenas dois pontos de vantagem para o segundo colocado, dois a menos que no início da rodada. Os gaúchos, com 25 pontos, abriram um ponto a mais de distância para as quatro últimas posições, o chamado Z-4, que define os rebaixados à Série B de 2026.

O primeiro tempo foi controlado pelo Flamengo, mas o domínio não se refletiu em bola na rede. O Rubro-Negro finalizou mais (oito a dois) e teve duas grandes chances de abrir o placar. Aos 40 minutos, o atacante Pedro, no meio da área, obrigou Tiago Volpi a uma grande defesa. No lance seguinte, o camisa 9 encobriu o goleiro do Grêmio, mas o zagueiro Erick Noriega, estreante do dia, salvou em cima da linha.

A pressão rubro-negra fez efeito aos sete minutos da etapa final, com Giorgian De Arrascaeta. O meia tabelou com Pedro e finalizou rasteiro, no canto de Tiago Volpi. O uruguaio foi justamente o autor dos gols do triunfo flamenguista no primeiro turno, na Arena do Grêmio, por 2 a 0.

A vitória do Flamengo parecia controlada, mas, aos 37 minutos, o meia Cristian Pavón tentou cruzar pela direita e a bola desviou na mão do lateral Ayrton Lucas, dentro da área. A penalidade foi marcada e Tiago Volpi, goleiro tricolor, converteu a cobrança, deixando tudo igual no Maracanã. O Rubro-Negro pressionou, mas não retomou a dianteira no marcador.

Em outro jogo deste sábado à tarde, o Santos recebeu o Fluminense na estreia do técnico Juan Pablo Vojvoda. As equipes não saíram do zero na Vila Belmiro, em Santos (SP). O Alvinegro Praiano acumula 22 pontos, seis a menos que o time carioca. O Peixe, assim como o Grêmio, continua próximo do Z-4, enquanto o Tricolor segue no meio da tabela.

Jogos de sábado

A rodada começou no último sábado (30), com três jogos. Na partida que abriu a 22ª rodada, o Juventude venceu o Ceará na Arena Castelão, em Fortaleza, por 1 a 0. O gol do volante Luís Mandaca, nos acréscimos da etapa final, levou o time gaúcho a 21 pontos, iniciando o domingo fora da zona de rebaixamento. O Vozão permanece com 26 pontos.

No Estádio Nilton Santos, o Botafogo goleou o Red Bull Bragantino por 4 a 1, com transmissão ao vivo da Rádio Nacional. Os volantes Danilo e Newton e os meias Álvaro Montoro e Jefferson Savarino marcaram para o Glorioso, enquanto o meia Jhon Jhon descontou para o Massa Bruta no Rio de Janeiro. O Alvinegro foi a 35 pontos e continua na zona de classificação para a Libertadores – o chamado G-6. Os paulistas, com 32 pontos, sofreram a nona derrota nos últimos dez jogos.

Outro mandante a vencer no sábado foi o Cruzeiro, que derrotou o São Paulo por 1 a 0 no Mineirão, em Belo Horizonte, com gol do meia Matheus Pereira. A Raposa se mantém na perseguição ao Flamengo, com 44 pontos. O Tricolor, que viu ruir uma invencibilidade de sete partidas no Brasileirão, segue com 32 pontos, na cola do G-6.

Lauro Chaman leva tricampeonato Mundial de Paraciclismo na Bélgica

O paulista Lauro Chaman se tornou, neste domingo (31), tricampeão mundial de paraciclismo em Ronce, na Bélgica. Ele venceu a prova de resistência da classe C5 (deficiências moderadas de membros superiores), repetindo os feitos de 2017 (Pietermaritzburg, na África do Sul) e 2021 (Cascais, em Portugal).

O brasileiro de Araraquara (SP) concluiu os 92,4 quilômetros de prova em estrada com tempo de 2h11min29, apenas meia bicicleta à frente do ucraniano Yehor Dementyev e do francês Eliott Pierre. Dementyev, ouro na Olimpíada de Paris, na França, ficou com a prata, enquanto Pierre levou o bronze.

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“Foi uma corrida perfeita do ponto de vista tático. Mantive a concentração o tempo todo e soube escolher o momento certo para atacar. Representar o Brasil com mais um título mundial é algo que me enche de orgulho e emoção”, destacou Lauro, ao site da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC).

Também neste domingo, a paranaense Victória Barbosa conquistou a prata na prova de resistência da classe C1 (deficiências severas nos braços ou mãos), superada pela australiana Tahlia Clayton-Goodie, que ficou com o ouro. A brasileira já tinha levado a medalha prateada na disputa de contrarrelógio – em que os atletas largam um de cada vez, e vence quem completar o percurso no menor tempo – na última sexta-feira (29).

O Brasil encerrou a participação no Mundial de Ronce com cinco medalhas. Além do ouro de Lauro e das pratas de Victória, houve dois bronzes conquistados pela paulista Gilmara do Rosário, no contrarrelógio e na prova de resistência da classe H2 (atletas com deficiência de membros inferiores, que utilizam handbikes – bicicletas impulsionadas com as mãos).

Cidade de São Paulo tem agosto mais seco desde 2020

Sem expectativa de chuva para este domingo (31), a cidade de São Paulo deve encerrar o mês de agosto como um dos mais secos dos últimos anos.

O acumulado de chuva na capital paulista em agosto foi de 13,5 milímetros (mm), o que equivale a menos da metade (44,7%) dos 30,2 mm esperados para todo o mês.

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Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) de São Paulo, a capital não registrava um mês de agosto com chuvas abaixo da média histórica desde 2020.

As temperaturas também mantiveram-se abaixo do esperado para o mês. No geral, a temperatura em agosto se manteve com mínimas de 12,4°C e máxima de 23°C, enquanto as médias históricas para o mês na capital paulista costumam ser em torno de 13,4°C e 24,3°C, respectivamente.

Para os próximos dias, a expectativa é de tempo seco, sem previsão de chuva e com elevação das temperaturas e baixa umidade do ar. Segundo o CGE, essas condições devem permanecer na capital paulista até pelo menos a próxima sexta-feira (5).

Redução na água

Por causa do período de forte estiagem, o governo de São Paulo anunciou na última sexta-feira (29) que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa responsável pelo fornecimento de água e pela coleta e tratamento de esgoto em 377 municípios paulistas, vai reduzir o volume de retirada de água do Sistema Cantareira. Segundo o anúncio, o volume autorizado de retirada do sistema vai agora passar de 31 metros cúbicos por segundo (m³/s) para 27 m³/s.

O Cantareira é o principal e maior reservatório de São Paulo e vem apresentando um nível de armazenamento muito baixo por causa da falta de chuvas – que tem apresentado índice abaixo da média histórica na região. Neste domingo, o nível do reservatório chegou a 34,6%, considerado de alerta.

Na última segunda-feira, o governo paulista já havia anunciado que iniciaria um processo de redução da pressão da água durante a madrugada na região metropolitana de São Paulo. A medida teve início na última quarta-feira (27) e é adotada diariamente entre as 21h e as 5h. Segundo o governo, ela vai continuar em funcionamento “até que sejam recuperados os níveis dos reservatórios que abastecem a região metropolitana”, que neste domingo somaram 37,2% de armazenamento.

Rio: intérpretes de sambas-enredo são declarados patrimônio imaterial

Os intérpretes de sambas-enredo são os mais novos patrimônios imateriais do estado do Rio de Janeiro. Isso porque foi sancionada a Lei 10.914/2025, que destaca a importância desses artistas e da preservação da história, da cultura, dos sambas e do carnaval carioca.

Entre tantos intérpretes que marcaram a história das escolas de samba do Rio, o cantor Jamelão, que morreu aos 95 anos em junho de 2008, levantava a arquibancada ao entoar os sambas da Estação Primeira de Mangueira.

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Até este ano, o também cantor e compositor Neguinho da Beija-Flor, sempre à frente da azul e branco de Nilópolis, da Baixada Fluminense, contribuiu para a escola conquistar campeonatos no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. No carnaval de 2025 anunciou que estava se despedindo da função e que não mais daria o seu conhecido grito no esquenta da escola. “Olha a Beija-Flor aí gente, chora cavaco”.

Também se destacaram na Passarela do Samba os cantores Dominguinhos do Estácio, Paulinho Mocidade e Quinho do Salgueiro. Entre as mulheres, destaque para a cantora e compositora Dona Ivone Lara, do Império Serrano, que foi a primeira a assinar um samba-enredo na história do carnaval do Rio.

Para o governador Cláudio Castro, a sanção da lei significa oficializar a visão que já existia há muito tempo de que os intérpretes das escolas de samba são patrimônio do carnaval do Rio de Janeiro. “É um reconhecimento e uma homenagem mais do que justa aos artistas que contribuem para a nossa cultura e abrilhantam os desfiles das agremiações. Todos merecem os nossos aplausos”, completou, em nota do governo estadual.

Feira online tem 7 mil vagas de emprego para pessoas com deficiência

O mês de setembro, quando é lembrado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21), começa com uma feira online que vai oferecer 7 mil vagas de emprego para pessoas com deficiência (PCD). Participam do mutirão virtual empresas como Ambev, CSN, Grupo Boticário, L’Oréal, Mercedes Benz do Brasil, Stone, SulAmérica e Vivo.

A feira Inclui PcD, além de permitir oportunidades de emprego, disponibiliza uma série de palestras e painéis sobre diversidade e inclusão, nos dias 2 e 3 de setembro. O uso da plataforma é gratuito, bastando se inscrever no site.

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A iniciativa de aproximar companhias e pessoas com deficiência interessadas em vagas de emprego é da Egalite, empresa especializada em inclusão de PCDs no mercado de trabalho.

As vagas são em diversas áreas e regiões. Os níveis e cargos também são distintos. Ao fazer a inscrição no site, a pessoa pode se cadastrar dentro das seguintes categorias:

  • deficiência auditiva
  • deficiência física
  • deficiência intelectual
  • deficiência psicossocial
  • deficiência visual
  • transtorno do espectro autista
  • reabilitado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

Mais de 14 milhões de PCDs

O Brasil tem cerca de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que representa 7,3% da população do país com 2 anos ou mais de idade.

O censo também mostrou que 2,4 milhões de pessoas declararam ter recebido diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA). O número corresponde a 1,2% da população brasileira.

A Lei 8.213/91 reserva vaga para PCD em empresas com pelo menos 100 funcionários.

Outra pesquisa do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, de 2022, apontou que o nível de ocupação – percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar – foi de 26,6% para as pessoas com deficiência, patamar bem abaixo do das pessoas sem deficiência (60,7%).

O levantamento revelou também que, das pessoas com deficiência que trabalhavam, 55% estavam na informalidade, isto é, sem direitos trabalhistas. Entre as pessoas sem deficiência, o percentual era 38,7%.

Na sua sexta edição anual, a Inclui PcD espera contribuir para diminuir essas desvantagens de PCD no mercado de trabalho exposta pelas pesquisas. Nas cinco feiras anteriores, foram oferecidas 35 mil vagas de emprego.

O diretor executivo da Egalite, Guilherme Braga, disse à Agência Brasil que a inclusão de PCDs nos quadros traz benefícios para empresas.

“Tem uma questão muito forte de inovação, quando a gente fala de uma equipe mais diversa, porque tem diferentes pontos de vistas”, afirmou.

“Ter uma força de trabalho que reflete melhor a sociedade vai fazer com que essa empresa pense em como solucionar os problemas, como atender os seus clientes de uma forma mais criativa, mais inovadora e atendendo a maiores públicos”, completou o diretor.

Apoio chinês ao multilateralismo é vital, diz secretário-geral da ONU

 O papel da China na defesa do multilateralismo é fundamental, disse o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, ao presidente chinês, Xi Jinping, à margem da reunião de um fórum de segurança no sábado (30).

Xi Jinping, por sua vez, disse que a China sempre será um “parceiro confiável” da ONU e continuará a oferecer “estabilidade e certeza”.

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Guterres está na cidade portuária de Tianjin, no Norte da China, para uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai, onde o presidente russo, Vladimir Putin, e os líderes da Ásia Central, do Sudeste Asiático, do Sul da Ásia e do Oriente Médio se reunirão com Xi Jinping em uma poderosa demonstração de solidariedade do Sul Global.

“Neste momento em que o multilateralismo está sob fogo, o apoio da China… é um elemento extremamente importante a ser preservado”, disse ele, segundo a imprensa local.

“Vemos novas formas de política que às vezes são difíceis de entender, que às vezes parecem mais um show do que esforços diplomáticos sérios e nos quais negócios e política às vezes também parecem estar misturados”, disse Guterres.

“O papel da República Popular da China como um pilar fundamental do sistema multilateral é extremamente importante e somos extremamente gratos e reconhecidos por isso”, acrescentou.

O presidente da China prometeu ampliar o apoio do país à ONU e à busca da paz mundial. “A China está disposta a aprofundar a cooperação com as Nações Unidas, apoia seu papel central nos assuntos internacionais e assume conjuntamente suas responsabilidades na manutenção da paz mundial e na promoção do desenvolvimento e da prosperidade”, disse Xi a Guterres.

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Brasil decide Copa América de basquete masculino contra Argentina

A seleção masculina de basquete decide a AmeriCup neste domingo (31), às 21h10 (horário de Brasília), contra a Argentina. Os brasileiros se garantiram na final do torneio, disputado em Manágua, capital da Nicarágua, com uma vitória heroica sobre os Estados Unidos, no último sábado (30), por 92 a 77.

O triunfo diante dos norte-americanos foi marcado pela grande atuação do Brasil no último dos quatro períodos. A seleção verde e amarela fez 34 pontos contra nove dos adversários, que chegaram a ter 20 pontos de vantagem na volta do intervalo.

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O cestinha da vitória brasileira foi o armador Yago, com 25 pontos e 12 assistências. Os alas Lucas Dias (18 pontos e 13 rebotes) e Bruno Caboclo (20 pontos – 11 no último período – e nove rebotes) também se destacaram.

“O time mostrou que tem uma real força mental. Jogar contra os Estados Unidos e ficar 15 pontos atrás, realmente foi duro. Acho que a parte psicológica é o que mais me orgulha nesse time. É um grupo jovem, capaz de vencer nos momentos duros”, celebrou o armador Vitor Benite, em depoimento ao site da Federação Internacional de Basquete (Fiba).

“Acho que foi nossa maior virada desde que cheguei à seleção brasileira. A energia no ginásio foi incrível e acredito que todos sentiram. Estou realmente orgulhoso, mas não estamos satisfeitos. Temos um desafio mais”, destacou o armador Georginho, também ao site da Fiba.

A final deste domingo reedita a da última AmeriCup, no Recife, há três anos. Na ocasião, os argentinos levaram a melhor por 75 a 73. Do elenco que está na Nicarágua, quatro jogadores estiveram naquela campanha: Yago, Lucas Dias, Benite e Georginho. Os hermanos venceram o Brasil na decisão de 2011, em que foram anfitriões.

O Brasil não vence a Copa América de basquete masculino desde 2009, quando foi campeão em Porto Rico, contra os donos da casa. O país tem quatro títulos na competição e fica atrás somente dos Estados Unidos entre os maiores ganhadores. Os norte-americanos têm sete conquistas. Os argentinos têm três e podem se igualar aos brasileiros.

Brasileira supera campeã olímpica e vence Grand Prix de taekwondo

A brasileira Maria Clara Pacheco alcançou novamente o topo do pódio de um Grand Prix, uma das principais competições do taekwondo mundial. Neste domingo (31), a paulista de São Vicente (SP) venceu a etapa de Muju, na Coreia do Sul, na categoria até 57 quilos, com direito a triunfo sobre a anfitriã Kim Yu-jin, atual campeã olímpica, na final.

A lutadora de 22 anos já tinha sido campeã do Grand Prix de Charlotte, nos Estados Unidos, em junho, tornando-se a primeira brasileira a vencer um torneio deste nível. Antes dela, somente o mineiro Maicon Andrade, bronze na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016, na categoria acima de 80 quilos, havia alcançado esse feito para o taekwondo do Brasil.

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Maria Clara fez cinco lutas para chegar ao título em Muju. Os atletas disputam

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 três rounds, e vence quem ganhar dois deles, conforme a pontuação dada pelos golpes, que pode variar de um ponto (soco ou chute no tórax) a quatro pontos (chute giratório na cabeça). Na final contra Yu-Jin, a brasileira foi soberana, levando o primeiro round por 10 a 0 e o segundo por 5 a 4.

Medalhista de bronze no Campeonato Mundial de 2023, em Baku, no Azerbaijão, Maria Clara conquistou, em julho, o primeiro ouro do Brasil nos Jogos Mundiais Universitários de Essen, na Alemanha. Naquela decisão, a paulista venceu a tunisiana Chaima Toumi, a quem também superou neste domingo, na semifinal. Na Olimpíada de Paris, na França, a brasileira ficou em sétimo.

INSS volta a exigir autorização judicial para empréstimo a incapaz

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) restabeleceu a necessidade de autorização judicial para novas contratações de empréstimos consignados contraídos em benefícios pagos pela autarquia por representantes legais de titulares considerados civilmente incapazes.

A decisão foi regulamentada pela Instrução Normativa (IN) 190/2025, do INSS, assinada pelo presidente da entidade, Gilberto Waller Júnior.

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Com isso, bancos e instituições financeiras estão impedidos de aceitar novos contratos firmados apenas com a assinatura do representante legal, sem autorização judicial.

O INSS informou, por meio de nota, que os empréstimos contratados antes da vigência da IN 190/2025 não serão anulados.

Decisão judicial

A medida do INSS cumpre decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), de junho deste ano, a partir de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o instituto.

O desembargador federal Carlos Delgado, da Terceira Turma do TRF3, julgou que a eliminação da exigência de autorização judicial prévia para a contratação de empréstimos consignados por representantes de pessoas incapazes, tutelados ou curatelados era ilegal e ultrapassava o poder regulamentar da autarquia.

“Os atos normativos editados pelo Poder Executivo não podem inovar na ordem jurídica, sob pena de padecerem do vício da ilegalidade. Assim, a Instrução Normativa (IN) PRES/INSS 136/2022 extrapolou a tarefa de apenas regulamentar os procedimentos operacionais descritos no artigo 6º, parágrafo 1º, da Lei 10.820/03”, frisou o magistrado, em junho.

Pela decisão judicial, o INSS foi obrigado a comunicar a decisão às instituições financeiras com as quais mantém convênio para realizar o desconto em folha de empréstimo consignado, quando solicitado pelo representante legal do titular do benefício previdenciário.
Em nota, o INSS informou que essas instituições já foram comunicadas sobre a decisão.

Nova norma

A nova norma anula trechos de flexibilização da contratação de empréstimos consignados por representantes legais em nome de pessoas incapazes previstos na Instrução Normativa nº 138/2022.

Pelo novo texto, além da necessidade de autorização judicial para novas contratações, o termo de autorização para acesso a dados deve ser preenchido pelas instituições financeiras que concedem os empréstimos.

Esse formulário padronizado pelo INSS também deverá ser assinado pelo beneficiário ou seu responsável legal, para autorizar a consulta aos dados de elegibilidade (se o benefício pode, legalmente, ser usado para contratar um empréstimo) e a verificação da margem consignável (valor máximo da parcela que pode ser descontado diretamente do benefício do INSS) para pagar o empréstimo.

Brasil vence e pega França nas quartas do Mundial de vôlei feminino

A seleção feminina de vôlei se classificou às quartas de final do Campeonato Mundial da modalidade, disputado na Tailândia. Neste domingo (31), em Bangkok, as brasileiras superaram a República Dominicana por 3 sets 1, de virada, com parciais de 18/25, 25/12, 25/20 e 25/12.

O Brasil volta a jogar na quinta-feira (4), em horário a ser confirmado pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB), contra a França. As adversárias se garantiram nas quartas ao surpreenderem a China por 3 sets a 1 (25/20, 27/25, 22/25 e 25/20).

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A ponteira Gabi, capitã da seleção brasileira, foi a protagonista do jogo, com 21 pontos, sendo 17 em ataques, três em bloqueios e um ace (nome dado ao ponto direto de saque). A também ponteira Júlia Bergmann (12 pontos), a oposta Rosamaria (11 pontos) e a levantadora Roberta (quatro pontos, sendo três em aces) foram outros destaques do time de José Roberto Guimarães.

 

Seleção brasileira vence e enfrenta a França nas quartas do Mundial de vôlei – Foto: FIVB/Divulgação

“Foi uma vitória muito importante para nós. Era nosso primeiro jogo eliminatório no campeonato e estou orgulhosa do trabalho que fizemos juntas para chegar à vitória. Acho que os dois times tiveram dificuldades no primeiro set, mas ficamos em uma melhor condição para vencer quando encaixamos nosso saque”, analisou Rosamaria, em depoimento ao site da FIVB.

Brasileiras e francesas já se enfrentaram na primeira fase deste Mundial. Na ocasião, a equipe verde e amarela sofreu, mas ganhou por 3 sets a 2, de virada, com parciais de 21/25, 20/25, 25/15, 25/17 e 15/13. O duelo foi válido pelo Grupo C da competição.

Quem vencer a disputa entre Brasil e França encara o ganhador de Itália e Polônia, que se enfrentam quarta-feira (3), às 10h30 (horário de Brasília). As brasileiras buscam um título inédito, após quatro vice mundiais. O último na edição passada, em 2022, quando foram superadas pela Sérvia.
 

Forças israelenses bombardeiam subúrbios da Cidade de Gaza

Forças israelenses bombardearam subúrbios da Cidade de Gaza durante a noite, tanto por ar quanto por terra, destruindo casas e expulsando mais famílias da área, em meio a planos do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, para tomar a cidade.

Autoridades de saúde locais disseram que os tiros e ataques israelenses mataram pelo menos 18 pessoas neste domingo (31), incluindo 13 que tentaram obter alimentos perto de um local de ajuda no centro da Faixa de Gaza e pelo menos duas em uma casa na Cidade de Gaza.

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O gabinete do porta-voz militar israelense disse que estava analisando os relatórios.

Moradores de Sheikh Radwan, um dos maiores bairros da Cidade de Gaza, disseram que o território esteve sob bombardeio de tanques e ataques aéreos israelenses durante todo o sábado (30) e o domingo, forçando as famílias a buscarem abrigo nas partes ocidentais da cidade.

Os militares israelenses aumentaram gradualmente suas operações em torno da Cidade de Gaza nas últimas três semanas e, na sexta-feira (29), encerraram as pausas temporárias na área que permitiam a entrega de ajuda, designando-a como uma “zona de combate perigosa”.

“Eles estão se arrastando para o coração da cidade, onde centenas de milhares de pessoas estão abrigadas, do leste, do norte e do sul, enquanto bombardeiam essas áreas do ar e do solo para assustar as pessoas e fazê-las sair”, disse Rezik Salah, pai de dois filhos, de Sheikh Radwan.

Uma autoridade israelense disse que o gabinete de segurança de Netanyahu se reúne neste domingo para discutir os próximos estágios dos ataques para tomar a Cidade de Gaza, que ele descreveu como o último bastião do Hamas.

Não se espera que uma ofensiva em grande escala comece antes de semanas. Israel diz que quer a saída da população civil antes de deslocar mais forças terrestres para o local.

No sábado, a chefe da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljaric, disse que uma evacuação da cidade provocará um deslocamento maciço da população que nenhuma outra área da Faixa de Gaza está equipada para absorver após meses de devastação causada pelos bombardeiros israelenses e em meio à grave escassez de alimentos, abrigo e suprimentos médicos.

“As pessoas que têm parentes no sul partiram para ficar com eles. Outros, inclusive eu, não encontraram espaço, pois Deir Al-Balah e Mawasi estão superlotados”, disse Ghada, mãe de cinco filhos do bairro de Sabra, na cidade.

Cerca de metade dos mais de 2 milhões de habitantes da Palestina está atualmente na Cidade de Gaza. Estima-se que vários milhares de pessoas tenham deixado a cidade em direção às áreas central e sul do território, de acordo com fontes locais.

As forças armadas de Israel alertaram seus líderes políticos que a ofensiva está colocando em risco os reféns que ainda estão sendo mantidos pelo Hamas em Gaza. Os protestos em Israel pedindo o fim da guerra e a libertação dos reféns se intensificaram nas últimas semanas.

Grandes multidões se manifestaram em Tel Aviv na noite de sábado, e as famílias dos reféns protestaram em frente às casas dos ministros na manhã de domingo.

A campanha militar de Israel em Gaza matou mais de 63 mil pessoas, a maioria civis, de acordo com as autoridades de saúde palestinas, e mergulhou o território em uma crise humanitária em que grande parte da Palestina está em ruínas.

Relatora da ONU alerta para tortura em guerra entre Rússia e Ucrânia

Tortura e maus-tratos de prisioneiros fazem parte da estratégia usada na guerra entre Rússia e Ucrânia. A avaliação é da relatora especial das Nações Unidas sobre Tortura e o Tratamento Cruel, Desumano ou Degradante, Alice Jill Edwards, em entrevista exclusiva à Agência Brasil, no marco dos três anos e meio de início do atual conflito.

Edwards, que já esteve na Ucrânia após a invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022, defende que reparações para vítimas e sobreviventes de violações de guerra, dos dois lados do conflito, devem fazer parte das negociações e do acordo de paz final.

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Formada em direito, Alice Edwards trabalha para o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), sediado em Genebra, na Suíça. O ACNUDH é a principal entidade da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por promover e proteger os direitos humanos globalmente. Ela conversou com a Agência Brasil por e-mail.

A representante da ONU já escreveu diversos artigos com base em relatos obtidos por ex-prisioneiros, parentes e advogados. Na Ucrânia, ela teve acesso a civis e militares que estiveram sob custódia russa, dos quais obteve “testemunhos angustiantes sobre os métodos de tortura supostamente usados ​​contra eles”.

Em um dos documentos divulgados pela ONU após esses encontros, Alice Jill Edwards escreve que uma forma de tortura relatada a ela com frequência foi o uso de cargas elétricas nas orelhas e genitais. Outras formas vão desde abuso verbal e espancamentos até simulações de execuções sob a mira de armas e afogamento.

A representante da ONU também relatou casos de pessoas obrigadas a ficar em posições de estresse, ameaçadas de estupro ou morte e filmadas enquanto eram forçadas a confessar crimes.

Ainda segundo o documento, “cerimônias de humilhação”, durante as quais prisioneiros eram abusados ​​e ridicularizados, pareciam “ser comum”. Os maus-tratos incluíam fome, celas lotadas e insalubres, violência sexual, além de incomunicabilidade com familiares. Muitos entrevistados contaram ter ouvido mulheres gritando e chorando. Um detento teria perdido cerca de 40 quilos como resultado da fome durante meses de detenção. Há casos em que a violência levou à morte.

Agência Brasil buscou contato com as embaixadas da Rússia e da Ucrânia no Brasil, mas não recebeu retorno das representações diplomáticas e está aberta a comentários.

 

Militar ucraniano na fronteira com a Rússia na região de Sumy Reuters/GLEB GARANICH

Estratégia de guerra

A conclusão da enviada da ONU de que a tortura faz parte da estratégia de guerra da Rússia foi construída com base “na escala, abrangência geográfica, organização e objetivos da tortura”.

“Concluo que faz parte da estratégia de guerra russa – para extrair informações e inteligência, incutir medo e submissão nas populações ocupadas e punir aqueles que demonstram lealdade ou apoio à Ucrânia”.

Alice Edwards enfatiza que os casos de tortura não se tratam de comportamento isolado ou pontual. “É algo claramente organizado e realizado rotineiramente com finalidades militares específicas”, ressalta.

Sobre o tratamento dispensado pelos ucranianos, a relatora afirma que “há também alegações de tortura e outros maus-tratos por forças ucranianas contra cativos russos, que também devem ser investigadas e cujos responsáveis devem ser processados de maneira justa e imparcial”.

Acesso nos países

Alice Jill Edwards disse à Agência Brasil que o acesso aos prisioneiros e locais de detenção não se deu da mesma forma nos dois países envolvidos na guerra. A abertura encontrada na Ucrânia contrasta com o tratamento recebido no país vizinho. “A Federação Russa recusou meus pedidos de visita a áreas ocupadas pela Rússia ou ao próprio território russo”, afirma.

“Visitei a Ucrânia em setembro de 2023. Tive acesso livre a qualquer local onde pessoas estivessem privadas de liberdade e visitei um campo de prisioneiros de guerra em Lviv, que, na época, abrigava cerca de 300 detidos russos”, descreve. “Encontrei dezenas de vítimas e sobreviventes da tortura russa. Desde então, tive acesso a mais de uma centena de testemunhos de vítimas e sobreviventes ucranianos”, completa.

Direito internacional

A relatora especial do ACNUDH esclarece que o direito internacional, por meio das Convenções de Genebra de 1949, garante tratamento humano e digno durante a detenção, e que prisioneiros de guerra têm um status especial de proteção.

“A proibição internacional da tortura é absoluta em todas as circunstâncias, inclusive em tempos de guerra – não há exceções, imunidades ou prazo de prescrição para processos, e o acusado não pode alegar como defesa que estava apenas seguindo ordens superiores”, frisa.

Edwards reforça que a tortura e outros atos desumanos são crimes de guerra e acrescenta: “Quando parte de um ataque generalizado ou sistemático contra a população civil, constituem crimes contra a humanidade”.

Tanto Rússia quanto Ucrânia são signatárias das Convenções de Genebra, lembra a representante da ONU. “Por isso, são obrigadas a tratar todos os prisioneiros de guerra de forma humana, em todos os momentos, desde a captura até a libertação e repatriação”, ressalta. “Os prisioneiros devem sempre ser protegidos, em particular contra atos de violência ou intimidação, insultos e exposição pública”.

 

Ataque russo com mísseis em Kiev  REUTERS/Valentyn Ogirenko/Proibida reprodução

Caminho para a paz

A duração do conflito é um indicativo de que negociações para a paz entre Rússia e Ucrânia estão travadas. Um dos poucos entendimentos entre as duas nações tem sido a troca de prisioneiros de guerra. Em junho, um acordo envolveu 1,2 mil detentos de cada lado do conflito.

A relatora especial da ONU defende que justiça e reparação para vítimas e sobreviventes de violações de guerra devem fazer parte das negociações e de um acordo final.

“A paz não será restaurada apenas com soluções de segurança e território”, diz.

Alice Edwards faz questão de afirmar que, mesmo depois de um eventual acordo de paz, os casos de violações precisam ser investigados.

“O dever de investigar e processar a tortura recai sobre ambos os países e é uma obrigação sem limite temporal”, aponta. “As vítimas e sobreviventes são muito resilientes e continuarão buscando justiça e verdade mesmo muito tempo depois do fim das hostilidades”, finaliza.

Rússia x Ucrânia 

A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, está relacionada à disputa de influência sobre o Leste Europeu e à busca de Moscou por uma esfera de segurança russa com o fim da União Soviética, em 1991, da qual os dois países faziam parte. Em 2014, a Rússia já havia avançado sobre o território ucraniano e tomado a Crimeia, península estratégica junto ao Mar Negro.

A aproximação da Ucrânia e da Europa Ocidental, com possíveis adesões de Kiev à União Europeia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foram apontadas pelo governo da Rússia como ameaças potenciais, já que trariam a aliança militar liderada pelos Estados Unidos à sua fronteira imediata.

Com a invasão à Ucrânia, os russos conseguiram ocupar províncias do leste do país, onde há grande influência da cultura e da língua russas. A definição do futuro desses territórios está entre as grandes dificuldades das negociações para o encerramento do conflito: Moscou não planeja devolvê-los, e Kiev reluta em entregá-los e diz que um cessar-fogo é essencial para que haja negociação.

Desde a posse de Donald Trump, os Estados Unidos modificaram sua postura de apoio à Ucrânia e passaram a pressionar o país a considerar um acordo que inclua concessão de territórios. A Europa Ocidental, entretanto, busca garantias de que a Rússia não vai avançar mais no território ucraniano ou contra outros países europeus.

Na semana passada, Trump se reuniu com o Vladimir Putin em uma base militar no Alasca, para tratar do conflito, e recebeu Volodymyr Zelensky e líderes europeus na Casa Branca três dias depois. As conversas, entretanto, não conseguiram estabelecer um acordo de cessar-fogo.

Nordeste é a região com maior número de inscritos no Enem 2025

As 4.811.338 inscrições confirmadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025 são, em sua maior parte, de candidatos do Nordeste. Na região, há 1.737.789 inscrições confirmadas, dos quais 587.935 são de concluintes do ensino médio.

O dado consta no Painel Enem 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).

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A segunda região brasileira com o maior número de inscritos confirmados nesta edição é o Sudeste, com 1.631.563 participantes confirmados, sendo 662.388 concluintes do ensino médio.

Em seguida, aparecem os 561.004 candidatos confirmados do Norte do país, com 193.150 concluintes do ensino médio.

O Sul ocupa a quarta posição em número de candidatos confirmados: 492.876. Do total, 211.433 se formam no ensino médio neste ano.

Por fim, o Centro-Oeste registra 388.106 inscrições confirmadas. Delas, 157.044 são de estudantes que estão no 3º ano do ensino médio.

Estados

Com base no Painel Enem 2025, o estado com o maior número de inscrições é São Paulo, com 751.648, seguido de Minas Gerais (464.994) e da Bahia (428.019).

Somente o município de São Paulo tem 197.626 inscrições confirmadas. Dessas, 81.179 são de concluintes da educação básica.

As três unidades da federação com os menores números de candidatos confirmados são: Amapá, com 33.193; Acre, com 28.962; e Roraima, com 14.162.

Confira o número de inscrições confirmadas por unidade da federação:

 

Unidade federativaInscritos no Enem
Acre28.962
Alagoas96.488
Amazonas110.842
Amapá33.193
Bahia428.019
Ceará275.937
Distrito Federal82.975
Espírito Santo85.920
Goiás166.761
Maranhão211.383
Minas Gerais464.994
Mato Grosso 80.429
Mato Grosso do Sul57.941
Pará289.392
Paraíba142.050
Pernambuco272.299
Piauí120.040
Paraná195.870
Rio de Janeiro329.001
Rio Grande do Norte113.229
Rio Grande do Sul186.541
Rondônia46.801
Roraima14.162
Santa Catarina110.465
Sergipe78.344
São Paulo751.648
Tocantins37.652
Brasil4.811.338

Acessibilidade

No Enem 2025, foram aprovadas 116.541 solicitações de atendimento especializado. Pessoas com déficit de atenção constituem o perfil com o maior número de pedidos: 41.732, correspondente a 35,81%.

Em seguida, vêm candidatos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com 26.051 ou 22,35% das solicitações de atendimento especializado. Os inscritos com baixa visão somam 13.430 pessoas (11,52%). Já 9.741 pessoas com deficiência física (8,36%) farão as provas do Enem.

O exame também disponibilizará 164.864 recursos de acessibilidade. Tempo adicional foi o recurso mais requerido (48.546). Em seguida, estão: auxílio para leitura (25.548); correção diferenciada (24.089); e auxílio para transcrição (17.037).

Perfil dos inscritos

Confira aqui o perfil dos inscritos no Enem 2025. A predominância é de mulheres, pessoas pardas e jovens.

Provas

As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro de 2025, em quase todo o país.

As exceções são os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará, devido à realização da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, de 10 a 21 de novembro.

Nas três cidades paraenses, os candidatos do Enem farão as provas nos dias 30 de novembro e 7 de dezembro.

Cruzeiro perde do Palmeiras, mas vai à final do Brasileirão Feminino

O Cruzeiro está na final do Campeonato Brasileiro Feminino de futebol. Neste domingo (31), as Cabulosas perderam por 2 a 1 para o Palmeiras na Arena Independência, em Belo Horizonte, mas se beneficiaram da vitória por 3 a 1 no último fim de semana, na Arena Barueri, para alcançarem a decisão pela primeira vez. A TV Brasil transmitiu a partida ao vivo.

As mineiras terão pela frente o Corinthians, que eliminou o São Paulo na outra semifinal. O jogo de ida será domingo que vem (7), em Belo Horizonte. Por ter melhor campanha geral, o Alvinegro será mandante da partida de volta, no próximo dia 14. Os dois finalistas têm vaga garantida na Libertadores do ano que vem.

O Palmeiras teve de balançar as redes duas vezes para conseguir abrir o placar. Aos 18 minutos, Soll foi lançada na área pela volante Diany e tocou na saída da goleira Camila Rodrigues. O lance, no entanto, foi invalidado por impedimento. A arbitragem de vídeo (VAR) entrou em ação e confirmou a marcação de campo após quase cinco minutos de análise.

Nos acréscimos, as palestrinas, enfim, inauguraram o marcador. Aos 47, Diany cobrou escanteio pela esquerda, a zagueira Poliana cabeceou quase na pequena área e Camila Rodrigues, que estava na direção da bola, deixou-a passar entre os braços.

O empate cruzeirense saiu aos 20 minutos do segundo tempo. A zagueira Isa Haas lançou, a lateral Isabela escorou para dentro da área e a atacante Marília desviou na saída da goleira Kate Tapia. Aos 34, a atacante Byanca Brasil cobrou falta pela direita e Isa Haas, livre, completou para as redes, por cobertura. Poderia ser o gol do alívio das Cabulosas, mas o lance foi invalidado pelo VAR por impedimento da jogadora celeste.

Aos 40 minutos, veio a resposta alviverde com Amanda Gutierres. Artilheira do Brasileirão, a atacante chutou forte de fora da área para recolocar o Palmeiras à frente no placar, anotando o 17º gol dela na competição. Os instantes finais foram de pressão das palestrinas atrás do gol que poderia levar o duelo para os pênaltis. As Cabulosas, porém, seguraram o ímpeto das paulistas e celebraram a vaga inédita à final diante de 15.533 torcedores na Arena Independência.

Brabas na decisão

Na outra semifinal, o Corinthians empatou com o São Paulo por 2 a 2 no Canindé. As Brabas tinham levado a melhor na partida de ida, há uma semana, no Pacaembu, também na capital paulista, ao ganharem por 2 a 0. É a nona final seguida das Alvinegras, que buscam o sétimo título, sendo o sexto consecutivo.

O Timão saiu na frente aos 26 minutos do primeiro tempo, com a zagueira Mariza, na sobra de um escanteio que a goleira Carlinha afastou parcialmente. Aos 35, Serrana foi lançada pela esquerda e cruzou rasteiro na área para a também meia Aline Milene bater de primeira e deixar tudo igual. Seis minutos depois, a meia Jaqueline recebeu na direita e cruzou para a atacante Andressa Alves, de cabeça, recolocar as Alvinegras na frente.

Nos acréscimos, a meia Vic Albuquerque derrubou a atacante Crivelari na área. A penalidade foi marcada, mas Bruna Calderan não aproveitou. A lateral cobrou no canto esquerdo e a goleira Nicole defendeu. O São Paulo conseguiu igualar aos 17 minutos da etapa final, com a atacante Isa tocando na saída de Nicole, mas não foi suficiente.

 

*Matéria atualizada às 13h33 para correção de informação sobre o próximo jogo em Belo Horizonte