Rio de Janeiro forma a primeira turma de professor indígena

O estado do Rio de Janeiro formou a primeira turma de magistério indígena. A cerimônia certificou 16 estudantes do Colégio Indígena Estadual Guarani Karai Kuery Renda, na aldeia Sapukai, em Angra dos Reis, na região da Costa Verde fluminense. A formação foi possível graças a um convênio entre a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense (UFF).

No acordo, a secretaria entrou com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define as aprendizagens essenciais que todos os estudantes devem desenvolver na educação básica – da Educação Infantil ao Ensino Médio – no Brasil, e a universidade cooperou com a parte técnico-pedagógica.

Notícias relacionadas:

Para a secretária de Educação, Roberta Barreto, o momento é histórico para a educação do Rio de Janeiro. 

“Estamos orgulhosos e com a sensação de dever cumprido ao promover essa reparação histórica, com a educação indígena nesse colégio nosso, que é considerado o maior colégio indígena do Rio de Janeiro. Parabéns aos graduados, que agora estão aptos a assumir turmas tanto em sua própria escola quanto em outras unidades da rede”, afirmou a secretária.

A cerimônia teve o tradicional cântico sagrado, palestra sobre a luta da educação escolar indígena na aldeia, apresentação de capoeira e entrega de certificados, entre outras atividades.

“Nesses dois anos, tivemos um avanço significativo na educação indígena em nosso estado. A comunidade está feliz. Estamos vivendo uma reparação histórica do ensino na escolarização indígena. Nossos povos originários merecem todo o respeito e seus direitos constitucionais preservados”, avaliou  o diretor-geral da unidade escolar, Domingos Júnior, há dois anos no cargo.

“Graças ao convênio, temos a primeira turma do magistério indígena do estado. Essa formação vai possibilitar que a cultura e os saberes sejam difundidos, passando de geração para geração. É uma oportunidade de os indígenas serem escolarizados pelos seus pares, nas línguas guarani mbyá e portuguesa”, disse a diretora regional pedagógica da Sul Fluminense, Tânia Borges, destacando a importância da parceria entre a Secretaria de Educação e a UFF. 

.

Rayssa Leal brilha em Brasília para ficar com título de etapa da SLS

Na primeira oportunidade na qual Brasília recebeu uma etapa da Liga Mundial de Skate Street (SLS), a maranhense Rayssa Leal mostrou mais uma vez que, aos 17 anos de idade, é o grande nome da modalidade no Brasil. Isto porque, neste domingo (13), a jovem (que tem, entre suas principais conquistas, duas medalhas olímpicas e três títulos da SLS) venceu a competição disputada na Esplanada dos Ministérios com o total de 21,8 pontos.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Rayssa Leal (@rayssalealsk8)

Notícias relacionadas:

O triunfo na capita federal é de grande importância na caminhada em busca de uma vaga na última etapa da temporada, o Super Crown, que reunirá os melhores atletas da SLS no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Porém, antes da etapa decisiva, a Liga Mundial de Skate Street ainda fará mais duas paradas, em 9 de agosto em Cleveland (Estados Unidos) e em 11 de outubro em Paris (França).

Na etapa disputada em Brasília, que contou com o formato de disputa Stop Takeover (no qual os atletas não precisam completar voltas, mas cada atleta tem sete chances de realizar manobras e são levadas em consideração apenas as três melhores notas), o pódio feminino foi todo brasileiro, com Gabriela Mazetto somando 14 pontos para ficar com a prata e Duda Ribeiro chegando aos 13,7 pontos para garantir o bronze.

Se no feminino o título ficou com Rayssa Leal, entre os homens o lugar mais alto do pódio foi ocupado pelo brasiliense Felipe Gustavo, que somou 27,1 pontos. Assim como na disputa feminina, no masculino o pódio também foi todo brasileiro, com Giovanni Vianna em segundo (27 pontos) e Gabryel Aguilar em terceiro (24,8 pontos).

Liesa abre vendas de ingressos de arquibancadas para o carnaval

Quem deseja garantir um lugar na arquibancada especial nos três dias de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval 2026 do Rio de Janeiro, poderá comprar o ingresso a partir deste domingo (13), na plataforma oficial de vendas da Ticketmaster.

Para adquirir o ingresso, com preços a partir de R$ 200, sendo R$ 100 a meia, basta acessar o site do Rio Carnaval, clicar em Arquibancadas e acessar a plataforma de vendas. Em seguida, é só escolher o setor desejado e seguir os passos presentes na tela. 

Notícias relacionadas:

Cada CPF poderá adquirir até quatro ingressos por dia de desfile, sendo apenas uma meia-entrada. Todas as modalidades de vendas serão exclusivamente online.

Nessa etapa, a Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesa) disponibilizou cerca de 80% dos ingressos de arquibancadas especiais, em todos os setores comercializados diretamente. Os demais 20% foram vendidos por meio do Ingresso Sambista e do Passaporte Rio Carnaval, em março, e da pré-venda exclusiva para clientes do Mercado Pago, o banco digital oficial do Rio Carnaval 2026, até sexta-feira (11).

O Rio Carnaval 2026 acontecerá nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, com as seis primeiras colocadas retornando ao Sambódromo no dia 21 para festejar no Sábado das Campeãs. 

As escolas de samba do Grupo Especial têm definidos, por sorteio, o dia e posição que vão desfilar nos três dias, na Marquês de Sapucaí:

Domingo, 15 de fevereiro

  • Acadêmicos de Niterói
  • Imperatriz Leopoldinense
  • Portela
  • Mangueira

Segunda-feira, 16 de fevereiro

  • Mocidade Independente
  • Beija-Flor
  • Viradouro
  • Unidos da Tijuca

Terça-feira, 17 de fevereiro

  • Paraíso do Tuiuti
  • Vila Isabel
  • Grande Rio
  • Salgueiro

Brasil derrota Japão e mostra força na Liga das Nações de Vôlei

A seleção brasileira feminina deu mais uma prova de que é umas das favoritas a conquistar o título da Liga das Nações de Vôlei (VNL), pois derrotou o Japão por 3 sets a 0 (parciais de 25/17, 25/18 e 25/20), na manhã deste domingo (13) em Chiba (Japão). O Brasil, que já entrou em quadra classificado à fase final da competição, garante com este resultado o segundo lugar na fase classificatória.

Notícias relacionadas:

O maior destaque da seleção verde amarela na partida, a ponteira Julia Bergmann, que somou 15 pontos (14 de ataque e um de bloqueio), destacou, após a partida, a boa apresentação diante das japonesas: “Foi um jogo importante, que mostrou todo o trabalho que fizemos nessa VNL. Terminamos com a chave de ouro, pois vencer o Japão por 3 sets a 0 não é fácil. Mas acho que o time todo jogou bem. Todas estavam focadas o tempo todo, defendendo, bloqueando, atacando. Então é um resultado muito positivo. Agora é comemorar um pouquinho e se preparar para a fase final”.

As oito melhores seleções ao término da primeira fase (12 rodadas) avançam às quartas de final da VNL, que serão disputadas na Polônia entre os dias 23 e 27 de julho. O Brasil busca o título inédito da competição.

Governo vai trabalhar para reverter taxação dos EUA, diz Alckmin

O governo federal vai trabalhar para reverter a imposição de tarifas comerciais sobre as exportações do Brasil aos Estados Unidos, anunciada na quarta-feira (9) pelo presidente Donald Trump. 

“Nós vamos trabalhar para reverter isso, porque não tem sentido essa tarifa. Ela, inclusive, prejudica também o consumidor norte-americano. Nós entendemos que ela é inadequada, ela não se justifica. Vamos recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC)”, afirmou o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, após a inauguração do Novo Viaduto de Francisco Morato, em São Paulo, neste domingo (13).

Notícias relacionadas:

Segundo Alckmin, o governo se reunirá nos próximos dias com o setor privado, e também está sendo analisada a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada em abril, que estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais, de investimentos e de obrigações relativas a direitos de propriedade intelectual, em resposta a medidas unilaterais adotadas por país ou bloco econômico que impactem negativamente a competitividade internacional brasileira.

“Os Estados Unidos têm conosco superávit na balança comercial, tanto de serviços quanto de bens. O Brasil não é problema para os Estados Unidos. Os Estados Unidos têm déficit na sua balança. E o Brasil e os Estados Unidos têm uma integração produtiva. Nós temos 200 anos de amizade com os Estados Unidos. Então, não se justifica e o mundo econômico precisa de estabilidade e de previsibilidade”, disse Alckmin.

O líder norte-americano anunciou uma taxa de 50% sobre todos os produtos importados dos brasileiros. A informação foi feita por meio de uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As tarifas passam a valer a partir do dia 1º de agosto.

No documento, Trump justifica a medida citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. O presidente norte-americano também destacou ordens do STF emitidas contra apoiadores do ex-presidente brasileiro que mantêm residência nos Estados Unidos. Trump cita ainda supostos “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e a violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”.

“A forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar imediatamente!”, escreveu Trump.

IPI zero

Alckmin lembrou ainda do início da aplicação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) zero para o carro sustentável, medida anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última semana, que retira o imposto do valor dos carros de entrada, ou seja, torna-os mais baratos. 

“Isso pode reduzir o preço do carro de entrada em R$ 10.000, R$ 12.000. É uma medida importante que ajuda a população a ter acesso àquele carro mais barato e sustentável, um carro que não polui. Privilegia a eficiência energética, a questão da sustentabilidade e também é social”, disse Alckmin.

O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (10) abrange veículos compactos produzidos no Brasil e com alta eficiência ambiental e integra o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), lançado no ano passado, visando a descarbonização da frota automotiva do país, por meio de incentivos fiscais, especialmente em relação às alíquotas do (IPI).

Para ter direito ao IPI zero, o carro sustentável deve atender a quatro requisitos: emitir menos de 83 gramas de gás carbônico (CO₂) por quilômetro, conter mais de 80% de materiais recicláveis, ser fabricado no Brasil (etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem), se enquadrar em uma das categorias de carro compacto (veículo de entrada das marcas).

Petrobras tem nova diretora de Transição Energética e Sustentabilidade

A engenheira Angélica Garcia Cobas Laureano é a nova diretora executiva de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras. Eleita pelo Conselho de Administração da estatal, a diretoria da companhia passa a ter cinco mulheres, com uma delas, Magda Chambriard, ocupando a presidência, de um total de nove integrantes. 

É a primeira vez na história que a alta administração da companhia tem mais mulheres do que homens. De acordo com a Petrobras, a nova composição da diretoria executiva, “representa o compromisso da companhia com a diversidade e a equidade de gênero e reforça sua posição de vanguarda no mercado brasileiro”. 

Notícias relacionadas:

O estudo Mulheres em ações, divulgado pela B3, bolsa de valores do Brasil, em setembro de 2024, aponta que apenas 6% das 359 companhias listadas na bolsa brasileira têm três mulheres ou mais em sua diretoria estatutária. Em 59% dessas empresas não há nenhuma representação feminina na diretoria. 

“Estamos comprometidas em ampliar a participação feminina em todos os setores da Petrobras porque acreditamos que o ambiente de trabalho é mais saudável e produtivo quando há diversidade na equipe. Espero que possamos inspirar outras mulheres a almejarem posições de liderança, especialmente no setor de petróleo e gás, ainda majoritariamente masculino”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Transição energética

A diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras foi criada em abril de 2023, com o objetivo de concentrar e potencializar as ações da companhia relacionadas à transição energética. A área reúne os processos de gás e energia, mudanças climáticas, descarbonização e energias renováveis, além de atuar em sinergia com outras áreas da companhia na pesquisa e desenvolvimento de projetos ligados à transição. 

“Seguiremos investindo fortemente em projetos de descarbonização, na produção de combustíveis mais sustentáveis e na diversificação de fontes de energia renovável. Como líderes na transição energética, reiteramos o compromisso de zerar nossas emissões operacionais, o net zero, até 2050”, disse, em nota, a nova diretora Angélica Laureano.

Angélica já atuou na Petrobras nas áreas de Materiais, Abastecimento, Gás e Energia, e exerceu a presidência da Gaspetro, subsidiária da Petrobras em parceria com a Mitsui Gás S.A., responsável pela gestão de participação em 19 distribuidoras de gás natural em diversos estados. 

Após a aposentadoria na Petrobras, atuou como consultora em diversos projetos na área de gás natural. Atualmente, exercia a presidência da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil SA.

Justiça nega habeas corpus e mantém prisão de Celsinho da Vila Vintém

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Celso Luiz Rodrigues, conhecido como Celsinho da Vila Vintém, apontado pela polícia como líder de uma facção criminosa em Bangu e Padre Miguel, na zona oeste da cidade. A decisão da desembargadora Adriana Ramos de Mello mantém a prisão preventiva decretada em 7 de maio deste ano.

Segundo a denúncia recebida em 5 de junho pela 2ª Vara Criminal da Regional de Jacarepaguá, Celsinho da Vila Vintém é investigado por tráfico de drogas e por organizar, com apoio de milicianos e traficantes, a tomada violenta de áreas do bairro Curicica, em Jacarepaguá, para expandir sua organização criminosa para outros pontos da cidade. A denúncia descreve uso de armas de fogo e intimidação coletiva para garantir o domínio territorial, circunstância que eleva a pena e agrava o quadro com concurso material.

Notícias relacionadas:

A defesa pediu a revogação da prisão preventiva ou conversão em prisão domiciliar, alegando que o réu tem uma diverticulite aguda, além de ser o cuidador da esposa, em tratamento paliativo de doença metastática.

“A gravidade concreta dos fatos: tráfico reiterado e liderança de organização criminosa armada; o risco à ordem pública e à instrução; possibilidade de coagir testemunhas, aliciar comparsas ou fugir”, são entre outras razões, os argumentos da desembargadora para manter a prisão.

Apátrida por 30 anos, ativista encontrou amor e liberdade no Brasil

Se, para muitas pessoas, tempo é dinheiro, para a ativista Maha Mamo, essa frase não poderia estar mais equivocada. Para ela, o tempo que cada um de nós tem de vida é a oportunidade de buscar felicidade e de estar perto de quem se ama. Segundo Maha, “a vida se move com amor”. Foi o amor que motivou a família dela a migrar do Líbano para o Brasil. E também que a fez se mudar para os Estados Unidos com a esposa. 

Em meio a um cenário internacional conturbado, Maha conversou com a Agência Brasil sobre a experiência de precisar migrar mais de uma vez e sobre o que aprendeu, ao longo dos 37 anos de vida, sobre si mesma, sobre as pessoas que a cercam e sobre o mundo. 

Notícias relacionadas:

Sobre a necessidade de migrar, ela diz que ninguém gostaria de sair de próprio seu país. É por enxergarem que só terão melhores condições de vida em outros locais que as pessoas migram, mas, muitas vezes, não são compreendidas.

“É muito triste que, de novo, a gente esqueceu o que é empatia. A gente está precisando de mais empatia, a gente está precisando de mais gentileza”.

Apátrida

Maha e a irmã, Souad Mamo, foram as primeiras pessoas reconhecidas como apátridas pelo Brasil. Por 30 anos, elas não tinham nenhuma nacionalidade e, portanto, era como se não existissem ─ não tinham acesso a serviços básicos de nenhum país.

Maha nasceu em 1988, em Beirute, capital do Líbano, mas não pôde ser registrada como libanesa. No país, a nacionalidade só era transmitida aos nascidos de pais e mães libaneses.

De nacionalidade síria, seus pais também não puderam registrar os filhos no país de origem, porque, na Síria, crianças só são registradas por pais oficialmente casados. O pai, Jean Mamo, é cristão; a mãe, Kifah Nachar, é muçulmana; e as leis da Síria não permitem o casamento inter-religioso.

Foi no Brasil que Maha conseguiu ter um documento oficial pela primeira vez, em 2014. Por conta dos conflitos no Oriente Médio, o governo brasileiro facilitou a entrada de migrantes no país, e a ativista obteve visto de turista. Em 2018, O governo concedeu a nacionalidade brasileira a Maha e à irmã.

Considerada apátrida na maior parte de vida, ela luta para que outras pessoas não passem pela mesma situação, com a extinção das leis que causam a apatria. Segundo a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) há, atualmente, 4,4 milhões de pessoas apátridas.

Amor e sexualidade 

Com o pai hoje no Líbano, e a mãe, em Portugal, Maha reflete sobre o que faz com que as pessoas se movam e enfrentem desafios em todo o mundo.

“Aquela frase que as pessoas falam que o tempo é dinheiro é uma mentira. O tempo não é dinheiro. O tempo realmente é o que que a gente escolhe, onde que a gente coloca a nossa energia, com quem que a gente compartilha os momentos que ficam na nossa mente e no nosso coração”, diz.

Sempre que se questionava o que é felicidade, Maha chagava a uma resposta: amor. “Era o amor pelo outro, o amor pelo trabalho, o amor pela vida, o amor pela viagem, o amor pela sua pátria, pelo seu país. Até a guerra, até a pessoa mais doida que existe, quando você questiona por que essa pessoa está fazendo isso, você chega a um amor que pode ser pelo poder ou pelo dinheiro”.

Toda a trajetória que percorreu e as migrações pelas quais passou permitiram que ela pudesse experienciar plenamente a própria sexualidade e conhecesse também um outro tipo de amor: o amor romântico.

“Eu tinha namoradas no Líbano, mas, como era crime no país, eu nunca me assumi, nem para mim mesma. Eu era solteira, então, eu ia para a igreja todo domingo. Dentro da sociedade, isso era uma questão inaceitável, inimaginável”, conta.

Foi no Brasil que se sentiu confiante para ser quem é. “A minha chegada no Brasil me ajudou não só a ter os meus documentos, mas também no meu pertencimento como ser humano, com o coração mesmo. Eu me senti aquela pessoa completa, me senti aquela pessoa que não precisa se esconder”.

Ela se casou com a segunda namorada, Isabela Sena. E, para viver esse romance, precisou também deixar um país ─ dessa vez um país que amava, o Brasil. Isabela recebeu uma proposta de emprego nos Estados Unidos, onde as duas vivem atualmente.

“Eu estava estava feliz no Brasil, mas aí eu fui atrás da minha escolha. Fui atrás da minha esposa, do amor da minha vida”.

Aceitação

Essa escolha acabou trazendo mudanças também para a família. Em 2023, quatro anos depois do casamento, Maha tomou coragem de contar para a mãe ─ uma mulher síria, muçulmana, de mais de 60 anos ─ que Isabela não era sua amiga.

“No momento que eu contei para minha mãe, ela tirou a aliança da mãe dela do dedo e me deu. Isso, para mim, foi uma outra transformação”, conta.

Foi também um momento em que acreditou que as pessoas são capazes de mudanças: “As surpresas da vida vêm das pessoas que a gente menos espera. Eu falaria que você nunca consegue estar na cabeça de uma pessoa e saber o que ela pensa. Você nunca consegue saber até ela colocar em palavras”.

Maha quer agora lançar o próprio podcast, que já tem nome, Ser in Love. Ela pretende discutir o amor e as reflexões que tem feito sobre a vida. O lançamento deverá ser ainda este mês.

A ativista não decidiu se os programas serão em inglês, mas quer que o português esteja também presente. “Eu acho que, em português, eu consigo me expressar muito melhor. É muito estranho, né? Mas, quando você ama o país, ama a língua, ama o jeito, aí vira você”.

Mega-Sena acumula e prêmio vai para R$ 46 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.887 da Mega-Sena, realizado neste sábado (12). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 46 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 14 – 29 – 30 – 50 – 53 – 57

Notícias relacionadas:

39 apostas acertaram as cinco dezenas e irão receber R$ 96.688,72 cada.

3.189 apostas acertaram quatro dezenas e irão receber 1.689,22 cada

Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de terça-feira (15), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa.

A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

Festival de Cinema de Cuiabá propõe visão decolonial da Amazônia

Com um festival para chamar de seu desde 1993, a capital mato-grossense terá nesta semana a 20ª edição do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá (Cinemato), entre os dias 14 e 20 de julho. 

Neste ano, o tema será Decolonizando a Amazônia ─ uma homenagem ao cineasta Silvino Santos, conhecido como o “cineasta da selva”, por sua contribuição pioneira ao registro audiovisual da Amazônia no século 20. Realizado por ele na década de 1920, o filme Amazonas, o maior rio do mundo vai abrir o festival.

Notícias relacionadas:

Foram selecionados 21 filmes, seis longas e 15 curtas nacionais, para concorrer ao Troféu Coxiponé. A premiação foi inspirada na etnia bororo, que habitava as margens do Rio Coxipó e é símbolo da resistência cultural em Mato Grosso. Entre os critérios adotados pela curadoria do evento, estão diversidade estética e narrativa, protagonismo de grupos historicamente invisibilizados e conexões com o tema da Amazônia decolonial.

Os longas da mostra competitiva são: 

  • Mawé, de Jimmy Christian (AM), ficção que narra o conflito de uma jovem indígena entre os rituais de sua aldeia e a vida urbana;
  • Pedra Vermelha, de Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt (SC), documentário que acompanha comunidades impactadas por megaprojetos no Sul do país;
  • Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta, de Marco Altberg e Tainá de Luccas (RJ), que mergulha no pensamento cosmológico yanomami;
  • O Silêncio das Ostras, de Marcos Pimentel (MG), um ensaio sensorial sobre luto e meio ambiente;
  • Concerto de Quintal, de Juraci Júnior (RO), que transforma a música em instrumento de resistência e pertencimento;
  • Serra das Almas, de Lírio Ferreira (PE), que revisita a poética sertaneja em uma obra  de ficção. 

Para o diretor do Cinemato, Luis Borges, o recorte escolhido este ano é de extrema importância: “O tema deste ano, na verdade, não tem como propósito apenas cineastas ou filmes realizados na Amazônia. É trazer filmes que promovam uma desconstrução desse olhar eurocêntrico que a gente tem sobre o nosso país, sobre os sujeitos desse país”.

Entre os mais de 60 filmes de 19 estados brasileiros que serão exibidos no festival, estão obras que dialogam com questões climáticas, como o mineiro O Silêncio das Ostras, sobre a ruptura da barragem em Brumadinho, em 2019. 

Para Luis Borges, os festivais de cinema são as vitrines dos filmes que não ganham distribuição nos cinemas, e o Cinemato traz também a importância de capacitar profissionais para atuar na área de cinema em  Mato Grosso

“Com as oficinas que eram realizadas no festival, começou a se preparar uma mão de obra para poder realizar os filmes, os novos projetos, os projetos contemporâneos que começaram a surgir estimulados a partir da realização do festival. Na época, o circuito de exibição de Cuiabá tinha apenas uma única sala de cinema.’’, ressalta Luis.

Para o diretor, o Cinemato cumpre um papel importante como vitrine e tela para o cinema nacional, visto que, mesmo com a cota de tela e leis que foram criadas para proteção do setor, ainda não há fiscalização na região. Por meio do festival, o cinema brasileiro encontra seu público em Mato Grosso.

Prêmio Dira Paes

A cerimônia de encerramento, marcada para o dia 20 de julho, terá Dira Paes, que retorna ao festival onde recebeu seu primeiro prêmio de Melhor Atriz, em 1996, por Corisco & Dadá. A artista entregará pessoalmente o Prêmio Dira Paes, que homenageia mulheres com atuação de destaque no audiovisual e em causas socioambientais.

“Para mim é uma honra fazer parte de um festival que eu vi nascer na sua primeira edição. É um festival que tem um DNA próprio, que se correlaciona com a sua região, com os seus conteúdos, as suas demandas, as suas reflexões, sobre a potência desse bioma onde ele acontece. Me sinto orgulhosa de entregar pessoalmente um prêmio como meu nome”.

Estreante como diretora em Pasárgada, no ano passado, Dira Paes acredita que o cinema brasileiro vive um momento muito especial e um ano histórico, com o oscar de Melhor Filme Internacional para Ainda Estou Aqui.

“Sinto que isso, sem dúvida nenhuma, nos aquece no mercado como um todo”, conta ela, que trabalhou a questão ambiental no longa sob sua direção e vê uma conexão entre os temas abordados pelo cinema brasileiro e mundial. “Hoje, a gente pensa em assuntos em comum, como a questão ambiental e climática e a questão da democracia como um todo”.

Em cartaz como atriz em Manas, dirigido por Marianna Brennand, Dira Paes conta que é comovente ver um filme que se passa na Amazônia trazer um assunto universal, a exploração sexual e a violência de gênero

“Todo mundo se sente tocado. É uma potência cinematográfica que vale a pena ser assistido”, diz. “Ainda está em cartaz em algumas cidades do Brasil e eu espero realmente que o Brasil inteiro possa assistir a esse filme, que tem, além desse vigor de talentos, uma equipe primorosa e um traço de direção único da Mariana Brennand. Acho importante levar o público para esse lugar em que você não fica passivo na cadeira do cinema.

Pais que trabalhavam no lixão lutam por vida digna para os filhos

As memórias de medo e de recomeço misturam-se nas palavras do baiano Marcos Cabral de Oliveira, de 50 anos de idade. Fome, secura e abandono na sertaneja Caetité, na Bahia (BA), o caminho com a “mãe de criação” para Brasília (DF) no início dos anos 1980, a esperança de “algum dia melhor”. O menino virou adolescente e foi trabalhar no lixão da Vila Estrutural, na capital federal.

“Aquilo não pode mais. Eu quis que meus dois filhos brincassem e estudassem. Hoje tem até lei para isso”.

Notícias relacionadas:

A lei que Marcos, analfabeto, não conhece pelo nome, mas sabe o que significa, responde pela sigla de ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente, e vigora desde 13 de julho de 1990. A legislação é ampla na garantia dos direitos da infância foi solidificada e viabilizada sob os ecos da Constituição cidadã de 1988. O desafio brasileiro nessas mais de três décadas foi tentar tirar a legislação do papel e virar ação prática.
Brasília (DF), 10/07/2025 – Marcelo Cabral de Oliveira, que trabalha no Instituto Viver na Vila Santa Luzia, fala sobre o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Quando o filho de Marcos, Marcelo, nasceu, há 27 anos, o estatuto já existia. “Eu sei que estudar e brincar é muito melhor do que o que eu passei. Trabalhar no lixão me causou ferimentos na mão com a sucata. Tenho uma dor nas costas que não passa desde que eu vivia por lá”.  Viver por lá significava também passar madrugadas e frio cercado de lixo e carregando materiais que eram maiores do que ele.

“Quem trabalhou no lixão não quer isso para quem ama”, afirma Marcos.

Os dois filhos foram estudar, atuaram como aprendizes em empresas e puderam sonhar até com a faculdade. Marcelo, que hoje trabalha como lojista, chegou a ingressar no curso superior de análise de sistemas.

Ele também é voluntário em um instituto chamado Viver, iniciativa criada pela igreja Presbiteriana e hoje é uma ONG, que recebe crianças em vulnerabilidade na região. Marcelo é grato por um dia ter sido aluno do instituto enquanto o pai precisava ir para o lixão. “Aqui eu brincava e aprendi a jogar bola”. Outros colegas “perderam-se na vida”.

A assistente social dessa entidade, Maxilene Duarte, explica que o objetivo é receber crianças em contraturno escolar e oferecer refeições e apoio pedagógico. “O lugar foi criado para evitar que as crianças fossem junto com a família para o lixão”.

Brasília (DF), 10/07/2025 – Fabiane e Maxilene, que trabalham no Instituto Viver na Vila Santa Luzia, falam sobre o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A psicóloga Fabiane Ferreira entende que a entidade promove fortalecimento de vínculos e que elas reconheçam que devem estar na escola e não no trabalho.

“Como psicóloga, atendemos não só as crianças, mas os pais também que vão compreendendo o melhor lugar para a criança estar”. 

Crianças como protagonistas

A pesquisadora Ana Potyara, diretora da entidade civil Andi Comunicação e Direitos, explica que o ECA contou com a pressão popular para colocar criança e adolescente como sujeito de direitos na Constituição Federal. “As crianças devem ser tratadas como protagonistas e cuidadas”.

Promover esse debate sobre um estatuto para criança foi uma ação de pressão realizada por entidades como a própria Andi no fim dos anos 1980. A ideia gerou repercussão com o apoio dos fundadores da ONG, os jornalistas Âmbar de Barros e Gilberto Dimenstein (que faleceu em 2020). O Congresso Nacional abraçou a iniciativa da sociedade.

“Os jornalistas viam na comunicação um campo de pressão do Estado em relação ao Congresso, em relação ao Executivo, para a construção desse estatuto, que dá dignidade, direitos e proteção às crianças e adolescentes”, afirmou.

Ana Potyara contextualiza que o ECA rompeu com a ideia de que a criança era apenas mais um indivíduo na sociedade e que não poderiam ser vistas como “mini-adultos”. “O Estatuto da Criança e do Adolescente regulamentou artigo da Constituição sobre os direitos da infância. “Hoje a gente tem uma legislação muito maior, que vem se adaptando às novas realidades e às novas demandas”.

Ela explica que a mídia também passa a fiscalizar a garantia dos direitos da infância. “A sociedade passa a não admitir que a criança passe por situação de humilhação e degradante. O trabalho infantil é uma das violências’.

Campanhas e políticas públicas

Brasília (DF), 10/07/2025 – Fachada do Instituto Viver na Vila Santa Luzia. ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil – Valter Campanato/Agência Brasil

Pensa assim também o diretor de proteção da criança e do adolescente do governo, Fábio Meirelles. Ele avalia que o país ainda tem o desafio de proteger crianças e adolescentes em maior vulnerabilidade para reafirmar o princípio da proteção integral.

“As crianças não podem ser vítimas de violações e, nesses 35 anos, há uma crescente maturidade da sociedade para fazer valer os direitos”.

Entre os exemplos dessa evolução, ele aponta o Disque 100 que é um canal de denúncias consolidado para que qualquer pessoa possa apresentar, de forma anônima, violações cometidas contra crianças. “Só em 2024, por exemplo, mais de 1,2 mil crianças foram resgatadas de trabalho infantil”.

O número dessa transformação pode ser considerado ínfimo ainda levando em conta o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado no ano passado, via Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC). Haveria no país 1,6 milhão de crianças e adolescentes, de 5 a 17 anos de idade, em trabalho infantil e esse seria o menor número desde o início da série histórica, em 2016.

Pior ainda, 586 mil crianças e adolescentes continuam vítimas de trabalho infantil em suas formas mais degradantes.

>>Trabalho infantil recua 14,6% em um ano, segundo dados do IBGE

Meirelles aponta que o governo e o Ministério Público têm feito campanhas em busca da erradicação desse tipo de trabalho. Para ele, o enfrentamento à miséria e à fome com programas assistenciais em diferentes campos da cidadania, da saúde e da educação buscam reduzir os cenários de extrema desigualdade que causam o número elevado de crianças trabalhando ao invés de fazendo atividades infantis.

“O cenário é bastante desafiador”, avalia. Inclusive, durante toda a próxima semana, deste domingo até o dia 17, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania realiza o seminário “35 anos do ECA: Justiça Social e Ambiental”, entre os dias 13 e 17 de julho, em Brasília.

“O evento inaugura a agenda oficial de entregas e anúncios do governo federal voltados à proteção e promoção dos direitos de crianças e adolescentes no país”, apontou o governo.

Segundo o ministério, o encontro articula os temas da justiça social e ambiental como eixos centrais para o presente e o futuro das políticas públicas.

Para a secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e presidente do Conanda, Pilar Lacerda, a celebração dos 35 anos do ECA representa um marco histórico de conquistas na consolidação dos direitos humanos no Brasil.

“O Estatuto é fruto de intensa mobilização da sociedade civil, de movimentos sociais e da luta de crianças, adolescentes e militantes por justiça social”.

“Atacar a pobreza”

Fábio Meirelles destaca que o sistema de garantia de direitos de crianças e adolescentes, com profissionais como conselheiros tutelares, representantes do Ministério Público, do Judiciário e profissionais da assistência compõe o sistema de garantia de direitos criado no âmbito do ECA.

“Precisamos fazer esse esforço de reestruturar as políticas, da centralidade da criança e do adolescente, de atacar a pobreza multidimensional e fortalecer o sistema de garantia de direitos da criança. As crianças pretas e meninas são ainda mais vulneráveis”, pondera.

A pesquisadora Ana Potyara, da Andi, reforça que todos os dias os brasileiros veem crianças em situação de vulnerabilidade, inclusive no trabalho.

“Temos ainda uma quantidade enorme de situações de trabalho infantil na sociedade brasileira e que muitas vezes é tolerado”, lamenta.

Um dos esforços que a sociedade e as políticas públicas precisam enfrentar é a falsa ideia de que o trabalho dignificaria a experiência infantil para um futuro. “É a educação que dá um futuro”.

Outra ponderação que a pesquisadora realiza é que, além das crianças em situação de pobreza, a sociedade do consumo tem colocado crianças na frente de câmeras para atuarem na internet.

“Esse é o caso de trabalho Infantil artístico.Tira delas a oportunidade de fazer o que é atividade de criança”, cita. Além do impacto direto e imediato na infância, a pesquisadora da Andi aponta que esse tipo de problema causa reflexo econômico no futuro. Assim ocorreu com a catadora Ana Cristina Rodrigues, de 39 anos, também analfabeta, mãe de quatro filhos

Brasília (DF), 10/07/2025 – Ana Cristina Rodrigues, moradora da Vila Santa Luzia, fala sobre o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil – Valter Campanato/Agência Brasil

Ela é residente em um barraco na comunidade de Santa Luzia, localidade desassistida em políticas públicas e onde as ruas não são asfaltadas. Ela trabalhou no lixão durante a adolescência e sente falta do espaço.

Ana celebra que foi eleita “miss catadora” no ano de 2018 e escolhida pelos vizinhos para ser líder comunitária. Entre as atividades dela, está a de uma campanha permanente para doação, incluindo cestas básicas e prestação de serviços, como busca de voluntários para ensinar idiomas para as crianças.

Ana quer deixar para trás o passado, de quando foi presa. Um dos filhos está também no presídio. “Fizemos coisas erradas”. Aos filhos, ela quer um destino diferente do dela. Os outros três, segundo ela, estão estudando. “Eles têm direito como todo mundo, né”.

Brasil estreia na Copa América com transmissão da TV Brasil

O Brasil inicia neste domingo (13) a sua campanha na Copa América de futebol feminino. E a estreia da seleção brasileira, que contará com a transmissão ao vivo da TV Brasil, será contra a Venezuela, a partir das 21h (horário de Brasília) no Estádio Gonzalo Pozo Ripalda, em Quito (Equador).
 
 
 
 
Alternar para editor de texto
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por TV Brasil (@tvbrasil)

Notícias relacionadas:

A partida é válida pelo Grupo B da competição, que também conta com as participações de Bolívia, Paraguai e a Colômbia. Já o Grupo A é formado por Argentina, Chile, Peru, Uruguai e Equador.

Favoritismo brasileiro

O Brasil tem um ótimo retrospecto na história da Copa América, com oito títulos em nove participações. Isto faz com que, na opinião do técnico Arthur Elias, a seleção brasileira entre em campo com a responsabilidade de vencer a competição.

“Encaro [a Copa América] como uma competição que nós temos, sim, a responsabilidade de vencer. O Brasil venceu oito de nove [edições], então não podemos fazer diferente. Queremos que a seleção evolua e conquiste mais do que conquistou. Mas entendendo que o futebol sul-americano, assim como no mundo inteiro, cresceu”, declarou o comandante do time canarinho em entrevista coletiva.

Porém, a atacante Amanda Gutierres deixou claro que a equipe brasileira espera muitas dificuldades na competição e qualquer ideia de favoritismo deve ficar de lado: “Sabemos que é sempre uma competição muito disputada. Muitos nos veem como favoritos, mas isso é algo externo. Dentro de campo, precisamos impor nosso futebol para garantir os melhores resultados”.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Seleção Feminina de Futebol (@selecaofemininadefutebol)

No jogo contra a Venezuela, o técnico Arthur Elias reencontrará um velho conhecido, o brasileiro Ricardo Belli, que já trabalhou no Palmeiras e que, em várias oportunidades, mediu forças com o atual comandante da seleção, que já dirigiu o Corinthians.

“Agora é diferente. Estamos em seleções. Independente de termos nos enfrentado, estudamos cada adversário. Vemos o que tem feito nos últimos jogos e tentamos prever o que podem fazer contra o Brasil”, declarou Arthur Elias.

Oportunidade de renovação

A Copa América será uma oportunidade para o técnico Arthur Elias renovar a seleção brasileira, já mirando a disputa da Copa do Mundo de 2027, que será disputada em solo brasileiro. Um dos nomes que devem ganhar minutos com a camisa verde amarela na competição é Jhonson, de 19 anos.

A jovem atacante, que foi convocada pela primeira vez para a equipe principal do Brasil nos amistosos contra o Japão, sabe que controlar as emoções será fundamental para atuar bem e ganhar definitivamente um lugar na seleção brasileira: “Minha expectativa está enorme. Quero segurar um pouco a emoção de disputar a minha primeira competição profissional com a seleção brasileira. Estou um pouquinho nervosa também, mas vai dar certo. O grupo está muito unido, todo mundo feliz, confiante no nosso trabalho”.

Copa América

A Copa América reúne as 10 seleções filiadas à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), divididas em duas chaves de cinco times. O Brasil está no Grupo B. As brasileiras ainda terão pela frente a Bolívia (no dia 16 de julho a partir das 18h), o Paraguai (no dia 21 de julho às 21h) e a Colômbia (no dia 25 de julho novamente às 21h).

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Seleção Feminina de Futebol (@selecaofemininadefutebol)

No Grupo A figuram Argentina, Chile, Peru, Uruguai e o Equador. Os dois primeiros colocados de cada chave avançam às semifinais, previstas para os dias 28 e 29 de julho. A decisão está agendada para o dia 2 de agosto.

Diferentemente de outras ocasiões, a Copa América não classificará para a Copa do Mundo Feminina. O torneio no Equador, porém, garante vaga para os finalistas na Olimpíada de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2028, enquanto os cinco melhores asseguram lugar nos Jogos Pan-Americanos de 2027, em Lima, no Peru. Já a classificação para o Mundial Feminino de 2027 no Brasil ocorrerá, pela primeira vez, por disputa de Eliminatórias, valendo duas vagas diretas e outra duas na repescagem.

Maior campeão, o Brasil deixou escapar o título da Copa América somente uma vez, há 19 anos, quando a taça foi para as mãos da Argentina – as brasileiras ficaram com o vice-campeonato. A seleção verde e amarela retomou a hegemonia em 2010 e chega a Quito após quatro conquistas seguidas. A última delas na Colômbia, em 2022, superando as anfitriãs na decisão. Na história, o time canarinho acumula 50 jogos pela competição, com 47 vitórias, um empate e duas derrotas. São 268 gols anotados e apenas 18 sofridos.

Samba na Gamboa e Mônica Salmaso prestam tributo para A Divina Elizeth

Na semana em que a saudosa Elizeth Cardoso completaria 105 anos, no dia 16 de julho, o Samba na Gamboa apresenta uma edição especial. A produção da TV Brasil recorda A Divina neste domingo (13), às 13h, com a cantora Mônica Salmaso, que tem um show só com o repertório da artista. Teresa Cristina homenageia a estrela considerada uma das maiores cantoras da música popular brasileira.

Convidada e anfitriã lembram da interpretação marcante da musa e destacam sua importância no cenário nacional. Mônica Salmaso fala sobre o espetáculo “Senhora das Canções” e entoa na atração original da emissora pública, com Teresa Cristina, alguns dos clássicos que marcaram a obra de Elizeth Cardoso.

Notícias relacionadas:

Elas soltam a voz para entoar sucessos como Barracão, Luz Negra, Seresteiro, Sei Lá, Mangueira, Depois de Tanto Amor, Violão Vadio, A Mentira Acaba e Janelas Abertas, músicas de grandes nomes do cancioneiro do país que embalaram a trajetória da talentosa intérprete. Elizeth Cardoso faleceu aos 69 anos, em 1990, no Rio de Janeiro.

Legado como referência

Considerada a maior cantora do país em sua época, Elizeth Cardoso fez a ponte entre a tradição das cantoras do rádio e os movimentos que modernizaram a música brasileira, como a Bossa Nova e a geração dos Festivais. Admirada com diversos apelidos elogiosos no seu tempo, como “A Magnífica” e “A Enluarada”, a Divina tinha muitas cantoras que eram suas fãs.

São Paulo (SP) 11/07/2025 – A cantora Mônica Salmaso tem um show só com o repertório de Elizeth Cardoso. Foto: TV Brasil – TV Brasil

Mônica Salmaso comenta a dimensão da homenageada na história da música nacional.

“Elizeth Cardoso é, para mim, a Ella Fitzgerald da canção brasileira. Atravessou dos anos 1950 até a década de 1980, passou pelo rádio e televisão. Tinha um trânsito por incríveis compositores, com autenticidade e sempre curiosa em observar o que acontecia”, opina.

A convidada também fala sobre o modo de performar de Elizeth Cardoso em suas apresentações. “A voz e o jeito de cantar fazia parecer tudo fácil”, define Mônica Salmaso. “Eu acho difícil um cantor não se apaixonar pelo trabalho da Elizeth e entender seu legado como um norte. É uma escola mesmo”, completa ao recordar a discografia da cantora que teve dezenas de álbuns lançados na carreira.

Sobre o programa

A nova temporada do Samba na Gamboa que marca a estreia de Teresa Cristina como apresentadora do programa da TV Brasil foi gravada no Teatro Ruth de Souza, no Parque Glória Maria, em Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro. O palco para conversas embaladas por hits é um cenário colorido que evoca uma praça na Gamboa – bairro histórico da zona portuária da capital carioca. A presença de plateia é outro destaque da atração.

Os encontros contam, ainda, com uma banda da pesada, comandada pelo lendário Paulão Sete Cordas, que acompanha Teresa Cristina e seus convidados pelo inesgotável repertório do samba brasileiro. A equipe reúne os músicos Eduardo Neves (sopros), João Callado (cavaco), Paulino Dias (percussão), Rodrigo Jesus (percussão) e Waltis Zacarias (percussão).

Cantora e compositora de mão cheia, a diva também tem se revelado uma ótima entrevistadora. Teresa Cristina conduz os papos com muita graça, informação, e, principalmente, emoção. A pesquisa sobre a cultura popular é importante para a artista que, além do sucesso com o grupo Semente e na carreira solo, ganhou ainda mais atenção com as lives que fez nas redes sociais no período da pandemia.

Com novo cenário, pacote gráfico e a trilha sonora de abertura repaginados, o Samba na Gamboa tem janela semanal, aos domingos, às 13h, na programação da TV Brasil, e horário alternativo aos sábados, às 23h.

O público pode curtir os conteúdos exclusivos no app TV Brasil Play e no YouTube da emissora. As edições também ganham espaço nas ondas da Rádio Nacional aos sábados, ao meio-dia, para toda a rede.

Flamengo vence São Paulo por 2 a 0 no retorno do Brasileiro

Após um longa pausa para a realização da Copa do Mundo de Clubes da Fifa, o Campeonato Brasileiro voltou neste sábado (12). E o primeiro confronto da competição colocou frente a frente Flamengo e São Paulo no gramado do estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. O resultado final foi uma vitória de 2 a 0 do Rubro-Negro da Gávea, que, assim, permanece na liderança da classificação com 27 pontos conquistados.

Notícias relacionadas:

Na partida, que contou com a transmissão ao vivo da Rádio Nacional, o time comandado pelo técnico Filipe Luís dominou desde os primeiros minutos. Porém, o placar só foi aberto aos 10 minutos do primeiro tempo, quando o atacante Luiz Araújo deu um chute de curva, com muita categoria, que morreu no ângulo do goleiro Rafael.

O Flamengo continuou melhor no confronto e conseguiu chegar ao segundo já nos acréscimos da etapa final. Luiz Araújo acertou chute perigoso, Rafael defendeu parcialmente e Wallace Yan, que havia acabado de entrar, não perdoou.

Vitória do Glorioso

Outro representante do Rio de Janeiro que venceu neste sábado no Brasileiro foi o Botafogo, que superou o Vasco por 2 a 0, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Esta vitória deixou a equipe de General Severiano com 21 pontos conquistados, na 6ª colocação da classificação. Já o Cruzmaltino permanece com 13 pontos, na 14ª posição.

Na estreia do técnico Davide Ancelotti, o Botafogo venceu graças a gols de Nathan Fernandes e de Arthur Cabral.

Chile joga bem e derrota seleção peruana por 3 a 0 na Copa América

O Chile protagonizou a primeira vitória da edição 2025 da Copa América de futebol feminino. Na noite deste sábado (12), as atletas da La Roja superaram a seleção peruana pelo placar de 3 a 0 em confronto realizado no Estádio Banco Guayaquil, em Quito (Equador).

Notícias relacionadas:

Com três pontos, as chilenas ocupam agora a primeira posição do Grupo A, que tem Equador e Uruguai dividindo a segunda posição com um ponto cada. Já a Argentina, que folga na rodada inicial da competição, é a quarta colocada, enquanto o Peru é o lanterna da chave.

Após um primeiro tempo sem alterações no marcador, o Chile assumiu o controle das ações na etapa final para ficar com a vitória. O primeiro gol da La Roja saiu aos 17 minutos, quando Yenny Acuña recebeu passe na intermediária e arriscou um chute que fez a bola explodir no travessão. A bola ficou viva na área e a atacante Pamela Cabezas aproveitou a indecisão da goleira Maryory Sánchez para chutar para o fundo do gol.

Mesmo em vantagem, o Chile continuou atacando. E o segundo saiu aos 38. A atacante Sonya Keefe aproveitou bola que estava viva na área e bateu girando o corpo para marcar um lindo gol. A fome das chilenas era tamanha que, já nos acréscimos, Mary Valencia aproveitou falha da defesa adversária dentro da área para ficar com a bola e bater forte para dar números finais ao marcador.

Seleção brasileira

A seleção brasileira inicia a sua caminhada na competição no próximo domingo (13), quando medirá forças com a Venezuela a partir das 21h (horário de Brasília) no Estádio Gonzalo Pozo Ripalda. Esse confronto, assim como todos os outros que tiverem a participação do Brasil, contarão com a transmissão da TV Brasil.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por TV Brasil (@tvbrasil)

Copa América

A Copa América reúne as 10 seleções filiadas à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), divididas em duas chaves de cinco times. O Brasil está no Grupo B. As brasileiras ainda terão pela frente a Bolívia (no dia 16 de julho a partir das 18h), o Paraguai (no dia 21 de julho às 21h) e a Colômbia (no dia 25 de julho novamente às 21h).

No Grupo A figuram Argentina, Chile, Peru, Uruguai e o Equador. Os dois primeiros colocados de cada chave avançam às semifinais, previstas para os dias 28 e 29 de julho. A decisão está agendada para o dia 2 de agosto.

Planejamento da segurança em parques reduz riscos, mas não os elimina

A morte de uma menina de 11 anos dentro do Parque Nacional da Serra Geral chama atenção para a segurança nas unidades de conservação, que também são abertas ao turismo de aventura e contemplação. Logo após o acidente no Cânion Fortaleza, no município de Cambará do Sul (RS), a concessionária responsável pelo equipamento turístico declarou cumprir um conjunto de políticas e protocolos de segurança exigidos.

“Turistas são orientados a adotarem as práticas adequadas para a atividade em meio às trilhas, sobretudo nas bordas dos cânions. Placas sinalizam o caminho e alertam os visitantes ao longo do trajeto, sobre os riscos e as precauções que devem ser tomadas”, destaca a nota divulgada pela empresa Urbia Cânions Verdes, que atua nos Parques Nacionais de Aparados da Serra e Serra Geral.

Notícias relacionadas:

De acordo com a empresa, também é mantida equipe de segurança com bombeiros civis treinados para atendimento a emergências ou acidentes. E, como as trilhas são classificadas de nível médio e intermediário, a contratação de guias de turismo registrados no Cadastur é opcional, mas não é intermediada pelo administrador do parque.

Todas essas regras integram o Sistema de Gestão de Segurança no Parque Nacional da Serra Geral, planejamento apresentado no Protocolo Operacional de Visitação (Prov), um documento aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) dentro das exigências do contrato de concessão.

O documento é um plano detalhado de como funcionará cada área onde os visitantes podem acessar e que tipo de atividades pode ser praticadas por eles. Além de informações sobre horário de funcionamento, serviços disponíveis, monitoramento das visitas e restrições aos visitantes, também são descritos todos os componentes de segurança, seja de uso individual ou os que irão compor o ambiente, como sinalização, guarda-corpo e ancoragens fixadas ou naturais. Tudo deve ser aprovado pelo ICMBio, órgão técnico capaz de avaliar a viabilidade das atividades e equipamentos.

No caso do acidente do Parque Nacional da Serra Geral, o órgão informou, por meio de nota, que não foram detectadas falhas sistêmicas na segurança e na sinalização das áreas de visitação, mas acrescentou que “como órgão gestor e fiscalizador dos contratos de concessão dos serviços de apoio à visitação da unidade de conservação, tomará medidas para revisão e eventual reforço na segurança nos parques nacionais abertos à visitação.”

Turismo

Para o diretor executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta), Luiz Del Vigna, é importante lembrar que seja uma caminhada em uma trilha no parque, um passeio a cavalo ou a descida em uma tirolesa, todas essas práticas implicam risco.

“O fato é que a atividade de turismo de aventura, em ambientes naturais, ambientes não controlados, é evidente que os riscos de acidentes, de incidentes, são maiores. Então, como há esse risco, a gente tem que se preparar e por isso criamos um conjunto de normas técnicas que versam sobre gestão de segurança”, diz

Del Vigna explica que são 44 as regras que regulam o setor do turismo de aventura, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor. Entre as medidas previstas nas normas está o direito do consumidor saber que está pagando por uma atividade que implica um risco.

“Essa norma técnica brasileira é tão boa, que foi adotada pela ISO. Então, o que era uma norma técnica brasileira virou uma técnica internacional, que é uma norma expedida pela Suíça, pela ISO na Suíça, que é a ISO21101 o Sistema de Gestão de Segurança para Turismo de Aventura”, explica.

No Brasil, 75 parques nacionais são concedidos a empresas que operam o sistema de visitação e turismo de aventura. São unidades de conservação que variam muito no tamanho e na complexidade dos serviços oferecidos, mas que, de forma geral, são seguros, explica o diretor executivo.

“O ICMBio adotou nos seus regulamentos internos que dentro dos processos de concessões de serviços de natureza de turismo dentro das unidades de conservação federais é obrigado a ter um sistema de gestão de segurança. Então, os parques e os concessionários trabalham para isso”.

Riscos

Dentro dos parques, o risco é minimizado pelo processo de fiscalização e pela presença dessas normas técnicas no processo de concessão, afirma Del Vigna. O mesmo não ocorre no mercado externo de turismo de aventura.

O representante da Abert diz que a informalidade, a falta de fiscalização e a forma de consumo praticada pelo consumidor, que prioriza o custo à segurança, representam os principais desafios para o setor, quando o quesito é minimizar riscos.

“Os parques nacionais brasileiros são seguros, eles não oferecem riscos adicionais aos que são característicos da região, como talvez a segurança, no Rio de Janeiro, por exemplo. Não é um risco diferente de você estar em Copacabana, ou na Avenida Paulista.”

Morre cineasta Jean-Claude Bernardet

Morreu o cineasta, professor universitário e crítico de cinema Jean-Claude Bernardet, uma das referências do cinema brasileiro. Bernardet foi vitimado por um câncer de próstata reincidente, falecendo na sexta-feira (11), aos 88 anos.

Professor nos cursos de cinema da Universidade de Brasília (UnB), da qual foi um dos fundadores, e da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Bernardet teve papel marcante na construção e fortalecimento da Cinemateca Nacional.

Notícias relacionadas:

Em nota, aliás, a Cinemateca o definiu como “figura central e incontornável do pensamento e da produção cultural brasileira, na historiografia do cinema nacional e parceiro fundamental”. O cineasta e professor doou seu acervo em 1988 à instituição, hoje compondo o “Arquivo Jean-Claude Bernardet”. 

Bernardet co-roteirizou filmes emblemático do cinema nacional, como O caso dos irmãos Naves (1967), Brasília: contradições de uma cidade nova (1968) e Um céu de estrelas (1995).

O cineasta também co-dirigiu títulos como Paulicéia Fantástica (1970) e Eterna Esperança (1971); e atuou em Filmefobia (2009), Periscópio (2013), Fome (2015), entre outros.

Dois ensaios poéticos dirigidos por ele marcaram sua trajetória como pesquisador: São Paulo, Sinfonia e Cacofonia (1994) e Sobre Anos 60 (1999).

Uma de suas últimas realizações foi como curador da mostra “Carta Branca a Jean-Claude Bernardet”, uma seleção de seis filmes exibida em dezembro de 2023 nas salas da instituição. Lá também será sua despedida: seu velório acontece neste domingo (13), na Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, entre 13h e 17h. 

 

Exposição traz monstros coloridos de barro de artista pernambucano

O Museu do Pontal, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, inaugurou neste sábado (12) a exposição Ratinho e seus monstros de barro. O artista pernambucano  Rafael Costa Pereira, conhecido como Ratinho, apresenta um conjunto de esculturas coloridas e, porque não, divertidamente assustadoras.

Natural de Caruaru, Ratinho (foto em destaque) fixou residência no bairro Alto do Moura da cidade pernambucana e reúne inspirações de grandes mestres da arte da região, como Mestre Vitalino, Galdino e Zé Caboclo.

Exposição está aberta até setembro- Fernando Frazão/Agência Brasil

Notícias relacionadas:

A galeria principal do museu vai expor 17 esculturas de Ratinho até 7 de setembro deste ano. A classificação da exposição é livre e a entrada é gratuita.

“Isso é o que me deixa vivo: a minha família e a minha arte. Enquanto eu estiver na Terra, é o que vou fazer. Trabalho no barro todos os dias”, diz Ratinho.

Apesar de já ter exposto esculturas em outras partes do Brasil e do exterior,  é a primeira mostra individual do pernambucano em um museu de arte. Ele participou de um bate-papo com o público e os curadores e diretores da instituição, Angela Mascelani e Lucas Van de Beuque.

Exposição tem entrada gratuita e vai até 7 de setembro- Fernando Frazão/Agência Brasil

“As obras de Ratinho vão dialogar com o acervo de Mestre Galdino que estão na sala ao lado, na mostra Poéticas da Criação. Embora as produções e os artistas tenham perspectivas muito diferentes, essa proximidade permitirá ao público entender essas influências. Ratinho se inspira na produção escultórica do Alto do Moura, buscando seu próprio caminho, usando referências do cinema, da cultura de massa, cores vibrantes e incluindo materiais como ossos bovinos e dentes caprinos”, detalhou Angela Mascelani.

“É uma oportunidade de o público acompanhar a atual cena artística brasileira num território muito potente para as artes que é Caruaru. O Alto do Moura revelou grandes artistas como Mestre Vitalino, Galdino e Luiz Antônio. Esse último segue produzindo aos 90 anos. O trabalho de Ratinho é um exemplo dos caminhos trilhados pelas novas gerações de artistas na região”, contextualizou Lucas Van de Beuque.

A exposição é resultado do Programa de Pesquisas desenvolvido pelo Museu do Pontal. Há mais de 20 anos, a direção da instituição faz pesquisas em regiões que vêm se destacando na produção artística popular. É uma tradição que começou em 1970 com Jacques Van de Beuque, cuja coleção deu origem ao Museu do Pontal. Em 2010, quando Mestre Vitalino completaria 100 anos, foi feita uma pesquisa mais aprofundada com os artistas locais.  

Museu do Pontal fica Avenida Célia Ribeiro da Silva Mendes, 3.300, Barra da Tijuca e está aberto de quinta a domingo, das 10h às 18h, mas o acesso às exposições se encerra às 17h30.

Especialistas mostram pejotização como fraude que precariza jornalismo

O suposto glamour que, muitas vezes, parece envolver a profissão de jornalista e outras atividades de comunicação social, na verdade esconde uma realidade de intensa precarização profissional.

O cenário foi avaliado em um debate com especialistas na última semana, e ocorre na esteira do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do processo que pode dar ares de legalidade a uma típica fraude trabalhista, a chamada pejotização, que é quando empresas contratam prestadores de serviços como Pessoa Jurídica (PJ), evitando criar uma relação de vínculo empregatício formal e, com isso, descumprir as obrigações previstas na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).

Notícias relacionadas:

“Temos uma pejotização irrestrita na área da comunicação, que é uma fraude trabalhista, utilizada por grandes, pequenos e médios empregadores, que se valem desse modelo para obter mais lucro explorando a única coisa que a gente tem, que é a nossa mão-de-obra”, destacou Samira de Castro, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), no debate transmitido na página da federação.

Segundo a jornalista, este fenômeno de pejotização começou ainda em meados da década de 1980, quando os profissionais passavam a ser contratados como “frila fixo” ou sócio-cotista, modelos recorrentemente aplicados por agências de comunicação. Desde então, a situação se agravou e, na atualidade, o número de trabalhadores da comunicação que trabalham por conta própria explodiu.

De acordo com os dados disponibilizados pela Receita Federal à Fenaj, apurados em 3 de junho deste ano, há 33.252 empresas com CNPJ registrados como microempreendedor individual (MEI), em atividades econômicas ligadas à edição de jornais e revistas.

“Existem 33 mil pessoas editando jornais e revistas no país? Quase o mesmo número de jornalistas com carteira assinada, basicamente. Claro que não, isso é a constatação de uma fraude trabalhista. E os nossos 31 sindicatos recebem diariamente denúncias de tentativa de escamoteamento desse vínculo formal”, denuncia Samira.

“A gente conseguia muito, na Justiça do Trabalho, comprovar vínculo, fazer com que direitos fossem reconhecidos e pagos. E agora, com esse tema no STF, é um grande golpe para a classe trabalhadora e contra os jornalistas”, lamenta a presidenta da Fenaj.

Na contramão desse processo, o número de vagas formais de trabalho na comunicação vem despencando ano após ano, com uma redução de 18% no número de empregos CLT em uma década. Em 2013, o número de vínculos com carteira assinada de jornalistas no Brasil era de 60.899, mas baixou para 40.917 em 2023, segundo dados apurados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), compilados a partir de consultas à Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e ao Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), ambos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). São vagas que, na prática, foram extintas, para dar lugar a contratações informais ou legalmente frágeis. Os números foram divulgados em abril pela federação.

Consciência de classe

“Afinal de contas, por que isso se facilitou nesse meio específico, o da comunicação? Compreender os porquês nos ajuda a superar essa situação. O primeiro dado concreto que a gente tem que pensar é que trata-se de um nicho, os empregadores no setor são muito poucos, e eles conseguem fazer uma espécie de cartel, de aliança, de tal modo que, se uma pessoa não se submete aquelas condições, ele não é empregado nem por um nem por todos”, analisa o jurista Jorge Souto Maior, professor livre-docente de direito do trabalho pela Universidade de São Paulo (USP) e desembargador aposentado do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região.

A única forma de reagir a isso, defende o docente, é de forma coletiva, por meio da conscientização dos trabalhadores e sua organização em sindicatos.

“Muitos jornalistas não se veem com trabalhadores, mas como empreendedores, como trabalhadores intelectuais, o que de fato são, mas trabalhadores intelectuais são explorados tanto quanto trabalhadores manuais, cada um a seu modo. Na questão do mundo do trabalho não existem democráticos e não democráticos. É a classe dominante contra a classe trabalhadora”, reforçou.

Para a presidenta da Fenaj, é preciso se desvencilhar de uma narrativa ainda dominante no mercado da comunicação. “O discurso sedutor do eu empreendedor, o patrão de si mesmo, para o trabalhador jornalista, isso não cola. Estamos subordinados a um veículo com sua linha editorial, que inclusive causa muito sofrimento psíquico. Essa pejotização fraudulenta está ferindo de morte os trabalhadores e a nossa categoria”, apontou Samira de Castro.

“Ser classe trabalhadora não é rebaixamento, é a explicitação do real. Se não somos capitalistas, donos dos meios de produção, então somos classe trabalhadora, e temos que lutar juntos por melhores condições de trabalho. É sindicalização mesmo, greve e organização política como classe. Individualmente, nós não vamos resolver os problemas”, enfatiza Souto Maior.

Tecnologia e apropriação

A esse modelo histórico de precarização, soma-se um processo de reconfiguração do mundo do trabalho capitaneado pelas grandes empresas de tecnologia, as chamadas Big Techs. Referência nos estudos sobre comunicação, trabalho e plataformas digitais, a professora Roseli Figaro, da USP, avaliou que a precarização assumiu patamares ainda desafiadores na atual fase do capitalismo.

“As grandes empresas controlam a produção e o fluxo informacional do mundo. Não apenas o fluxo dos usuários comuns, que querem se falar, mas elas controlam as ferramentas que proporcionam o trabalho em diferentes áreas profissionais, do advogado, do professor, do médico, do psicólogo, do dono da padaria e, sobretudo, o trabalho dos profissionais da comunicação”, apontou a pesquisadora.

Ao mesmo tempo em que reformulou o trabalho, o capitalismo informacional, segundo Roseli Figaro, subordinou as empresas tradicionais do mercado de comunicações às grandes empresas de tecnologia.

“A monetização do jornalismo [na internet] não é mais circulada nos links. Agora, as notícias são apropriadas e sintetizadas como texto da própria inteligência artificial do Google, a Gemini, por exemplo. Mesmo citando a fonte, ninguém sequer precisa abrir o link, como se fazia antes. O que é isso senão a apropriação da propriedade intelectual do outro?”, questionou a professora.

O tema da inteligência artificial generativa, que está impactando a indústria de notícias, tem sido apontado por especialistas e organizações como crucial no mundo contemporâneo e que deve ser objeto de regulação por parte dos governos.

Pesquisador indígena cataloga 150 plantas medicinais de seu território

A meta inicial era encontrar tratamentos para as três enfermidades mais recorrentes do povo Pataxó Hã-Hã-Hãi, da Terra Indígena Caramuru/Paraguassu, no sul da Bahia: verminoses, diabetes e hipertensão.

Assim começou a pesquisa do etnobotânico Hemerson Dantas dos Santos Pataxó Hãhãhãi, que – como o próprio nome indica – pertence a etnia e é doutorando do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Notícias relacionadas:

Depois, já no âmbito formal da pesquisa acadêmica, Hemerson ampliou seu estudo e catalogou 175 plantas medicinais utilizadas pelo seu povo. A intenção foi resgatar os saberes ancestrais no uso de tais plantas, perdidos ao longo dos tempos.

Entre as várias descobertas ao longo da pesquisa, Hemerson constatou que, curiosamente, muitas das plantas medicinais utilizadas são espécies exóticas, introduzidas posteriormente no território.

Para o pesquisador, isso demonstra a fragmentação e o deslocamento forçado da população originária, acompanhados da devastação ambiental, ações de grileiros e instalação de grandes fazendas.

A história da terra indígena, território da pesquisa de Hemerson, é mesmo atribulada. Também conhecida como Terra Indígena Caramuru/Paraguassu, tem uma extensão de 54.105 hectares. Em 1926, foi tornada reserva indígena pelo então Serviço de Proteção ao Índio (SPI).

Na década de 40, com a expansão da cultura cacaueira, as terras foram invadidas por fazendeiros, expulsando boa parte dos indígenas do local. Nos anos de 1970, o governo da Bahia chegou a extinguir a reserva e concedeu títulos de propriedade a invasores.

Confrontos

No início dos anos 80, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), depois de uma longa batalha litigiosa na Justiça, conseguiu o reconhecimento das terras novamente aos indígenas, o que não impediu de existirem confrontos pela terra na região até hoje.

“Grande parte da cobertura de mata hoje se perdeu, virou pastagem. E, com isso, muitas das plantas citadas pelos anciões da aldeia foram muito difíceis de localizar e outras mesmo desapareceram”, disse Hemerson, ao comentar sobre as principais dificuldades que enfrentou no transcorrer da pesquisa.

“Quando eles voltam na década de 1980, muitas coisas tinham mudado, todo o cenário, então não tinha mais floresta, agora só pasto, as plantas foram perdidas. Então, o que foi interessante, que ele (Hemerson) cita bastante, foi ter entrado em contato com esse conhecimento sobre essas plantas do passado, dos anciões, que conheciam as plantas que existiam nas florestas antes da expulsão na década de 1940, e de tomar consciência de que era o conhecimento desses anciões”, completou Eliana Rodrigues, orientadora do doutorando na pesquisa.

 No que diz respeito propriamente aos resultados do estudo, o pesquisador descobriu 43 plantas utilizadas para o tratamento de três enfermidades – diabetes, verminoses e hipertensão. E a mais comum para as verminoses utiliza-se o mastruz. No combate a diabetes, a moringa, e para hipertensão, os indígenas recorrem ao capim-cidreira.

Além disso, a investigação verificou que 79% das 175 plantas pesquisadas têm seus usos em consonância com apontamentos da literatura científica recente.

Eliana destacou que o trabalho não representa apenas o registro do conhecimento do seu povo: “Mas ele também está resgatando”. Segundo Eliana, muitos dos conhecimentos do passado foram perdidos, mas ainda muito o que foi conservado como se pode ver no estudo.

“Hemerson é o primeiro pesquisador etnobotânico do mundo”, disse Eliana sobre as relações entre o pesquisador indígena e seu objeto de pesquisa.

Povos e plantas

O termo “etnobotânico”, inclusive, diz respeito à ciência que descreve a relação entre diferentes povos e suas plantas. “Registra o conhecimento sobre determinadas culturas sobre suas plantas e usos, para qualquer finalidade, como medicinal, alimentar, construção civil e naval, para qualquer coisa”, explica Eliana.

As descobertas da pesquisa de Hemerson deverão resultar em um livro sobre a pesquisa, outro de receitas para uso seguro das plantas e um audiovisual. Além disso, um viveiro de plantas foi implantado em uma aldeia para utilização da população local.

“Já estão desenvolvendo mudas no canteiro para poder distribuir ali entre os indígenas que moram naquelas aldeias próximas, além da aldeia de Hemerson”, completou a orientadora. 

 

Livro Brasil: Nunca Mais completa 40 anos com edição especial

A obra Brasil: Nunca Mais, lançada originalmente em 1985, chega aos 40 anos com o lançamento da 43ª edição, em evento no Memorial da Resistência, museu que tem exposição sobre a obra.. 

Publicada pela Editora Vozes e organizado por Dom Paulo Evaristo Arns, Hélio Bicudo e Jaime Wright, a foi feita clandestinamente em 6 anos de pesquisa, entre 1979 e 1985, período final da ditadura militar no Brasil, com cerca de uma dezena de pessoas esmiuçando mais de 700 processos do Supremo Tribunal Militar.

Notícias relacionadas:

Nos processos, vítimas e testemunhas relataram torturas e outras violações de direitos humanos, tornando a obra um símbolo da resistência, da preservação da memória e do compromisso com a verdade.

Os relatórios e o livro que resultaram da pesquisa escancararam a repressão do regime militar. Além do registro, a obra trouxe, e ainda traz, a importância de não se esquecer do papel que o estado deve exercer, e de como todos perdem quando esse papel é ignorado ou alterado.

 “Como escreveu Dom Paulo Evaristo Arns no prefácio, Brasil: Nunca Mais é um livro para sempre. Sua relevância é atemporal, mas entendemos que era necessário um novo projeto gráfico, alinhado com o padrão das publicações atuais da editora. Ao mesmo tempo, no contexto social e político que vivemos, percebemos que muitos jovens desconhecem o que foi o período da ditadura militar no Brasil. Assim, a republicação desta obra torna-se um ato de resistência e de compromisso com a memória, a democracia e a participação social”, contou à Agência Brasil Teobaldo Heidemann, Coordenador Nacional de Vendas da Editora Vozes. 

Coube a Arns e a outros membros da arquidiocese de São Paulo uma colaboração logística intensa. Atuaram com cientistas sociais, advogados e jornalistas para sistematizar os documentos. O trabalho teve de ser feito sob sigilo, inclusive com cópias da documentação levadas ao exterior para evitar a perseguição de agentes do governo.

Foram mais de 700 mil páginas de processos, copiadas após acesso legal, mas nem por isto livre de riscos. As primeiras edições, publicadas logo após a abertura do regime, ficaram 92 semanas entre as obras mais vendidas do país.

O projeto Testemunhos, nome original da iniciativa, fez parte dos esforços por responsabilização e justiça dos regimes de exceção latino-americanos. Um dos participantes, o jornalista e ex-ministro dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi, conta que a mudança do nome veio após o lançamento de Nunca más, o relatório argentino da Comissão Nacional de Desaparecidos portenha, construído sob a liderança do escritor Ernesto Sábato, para Vannuchi, outra obra histórica que representa a denúncia.

Paulo Vannuchi conta a origem do nome do projeto. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

“40 anos depois, ele permanece tremendamente atual porque também o tema ainda não foi suficientemente equacionado. O tema foi parcialmente equacionado por inúmeras ações e a mais importante de todas historicamente foi o trabalho durante dois anos e meio da Comissão Nacional da Verdade”, comenta Vannuchi. 

O ex-ministro defende que para evitar a repetição de períodos de exceção cabe a abordagem contínua e sistemática dos direitos humanos na educação, desde o ensino básico.

“Mas é preciso iniciar já, essa discussão nas escolas militares, para que não tenhamos mais generais golpistas, e sim Forças Armadas comprometidas com a constituição de 1988, para que em dez anos tenhamos oficiais que não estejam mais envenenados com essa teoria vinda da Guerra Fria”.

O evento, na tarde deste sábado, é o primeiro lançamento público da obra, e também marca o lançamento de um podcast sobre a memória do projeto, liderado pelo jornalista Camilo Vannuchi. 

Vertigem visionária

Exibida desde setembro de 2024, a exposição Uma Vertigem Visionária – Brasil: Nunca Mais, com curadoria do pesquisador e professor Diego Matos, se dedica a contar e valorizar a memória do período da ditadura militar no país.

Exposição Uma Vertigem Visionária, no Memorial da Resistência – Paulo Pinto/Agência Brasil

 “A narrativa que foi construída, ela parte na verdade do discurso oral, da fala oral, digamos assim, dos personagens que fizeram esse projeto. Esse projeto não só tem uma importância histórica, mas ele é um exemplo para o presente e para gerações futuras. E você dá voz a esses personagens, você consegue recontar a ideia de aventura do que foi o Brasil Nunca Mais. Eu entendo isso como a aventura, uma ação de resistência feita por jovens, particularmente todos eles jovens, atuando contra um estado de exceção, um governo antidemocrático e terrorista, que era o governo militar. E com isso, denunciando a ideia de violência. E também de não respeito aos direitos humanos e o uso da tortura como a ferramenta mais perversa nesse sentido. Então é isso, retomar esses personagens, acessar os documentos originais e recontar essa história. Porque as pessoas conhecem o livro, o livro é o objeto, é a imagem, é o elemento de referência, mas por trás dele tem muito mais coisa a ser descoberta e saída, digamos, de uma condição de esconderijo, excusa ou considerada atividade subversiva, como foi considerado pelos militares”, explicou Diego Matos, curador da exposição.  

Para o ele, foi particularmente trabalhoso traduzir o relatório, rico em conteúdo mas pouco visual. As fotografias documentais que estão na exposição, de acordo com Matos, criam uma paisagem visual, enquanto ativam também outras possibilidades cognitivas do público, de entendimento de um período, de um momento que não se viveu.

“A arte, ela transcende o lugar factual, a arte, ela transcende o lugar literal das coisas, ela gera e constrói outros entendimentos a partir de um contexto pelo qual ela foi profundamente afetada”, complementa.

Edição

A edição comemorativa, com novo projeto gráfico e capa dura, será vendida pela Vozes pelo mesmo preço da edição anterior: R$ 135,00. Estará disponível em livrarias físicas e virtuais, inclusive como e-book. Além do relançamento, os documentos e processos estão disponíveis no site Brasil Nunca Mais Digital, mantido pelo Ministério Público Federal, junto com acervo de dados, com acesso livre.

São Paulo (SP), 12/07/2025 – Evento do museu Memorial da Resistência de SP junto à Editora Vozes, de lançamento do livro Brasil: Nunca Mais. Apenas quatro meses após o “fim” da ditadura militar brasileira, o livro Brasil: Nunca Mais foi lançado discretamente em julho de 1985. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

Marceneiro foi vítima de homicídio doloso, diz MP

Após a polícia ter qualificado a morte do marceneiro Guilherme Dias Ferreira como “homicídio culposo com legítima defesa”, sem intenção de matar, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acolheu pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e reclassificou a morte como “homicídio doloso”- quando há intenção de matar.      

Ferreira, de 26 anos, foi morto com um tiro na cabeça dado pelo policial militar Fábio Anderson Pereira de Almeida, na noite de 4 de julho, após sair do trabalho.

Notícias relacionadas:

O marceneiro estava na Estrada Turística de Parelheiros, no estado de São Paulo, e, quando corria para pegar um ônibus, teria sido confundido pelo PM como um dos assaltantes que, momentos antes, tentaram roubar sua moto.

O MP contestou a classificação inicial feita no inquérito da Polícia Civil. Agora, com a nova decisão, o inquérito foi remetido para uma das varas do júri da capital, conforme indicou o Tribunal de Justiça de São Paulo.

A morte de Guilherme gerou uma série de manifestações. Além da família do marceneiro, para  quem ele foi morto por ser negro, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) também cobrou investigações rigorosas do caso.