Brasil volta a repudiar intromissão dos EUA em assuntos do Judiciário

O Ministério das Relações Exteriores publicou nesta terça-feira (15) nota na qual o governo brasileiro “deplora e rechaça”, mais uma vez, manifestações do Departamento de Estado norte-americano e da embaixada daquele país em Brasília.

O texto considera as declarações, feitas em redes sociais, como nova intromissão “indevida e inaceitável” em assuntos de responsabilidade do Poder Judiciário brasileiro.

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“Tais manifestações não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países”, destaca o ministério, liderado pelo chanceler Mauro Vieira (foto)

“No que se refere ao comércio, o Brasil vem negociando com autoridades norte-americanas, desde março, questões relativas a tarifas, de interesse mútuo, e está disposto a dar sequência a esse diálogo, em benefício das economias, dos setores produtivos e das populações de ambos os países. A equivocada politização do assunto não é de responsabilidade do Brasil, país democrático cuja soberania não está e nem estará jamais na mesa de qualquer negociação.”

Na segunda-feira (14), o Departamento de Estado dos EUA publicou um texto na rede social X afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes fazem ataques ao ex-presidente Jair Bolsonaro que seriam “uma vergonha e estão muito abaixo da dignidade das tradições democráticas do Brasil”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de mais sete réus do núcleo 1 da trama golpista.

A manifestação foi enviada nessa segunda-feira ao ministro Alexandre de Moraes e faz parte das alegações finais, a última fase antes do julgamento dos acusados, que deve ocorrer em setembro deste ano.

Janones é suspenso por três meses em Conselho de Ética da Câmara

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados decidiu suspender o mandato do deputado federal André Janones (Avante-MG) por três meses. A punição ocorre após representação da Mesa Diretora da Câmara por ofensas a Nikolas Ferreira (PL-MG).

Janones foi punido em razão de manifestações provocativas, de baixo calão, contra o colega de parlamentar de Minas Geraes quando Nikolas discursava na tribuna do Plenário da Câmara, na quarta-feira da semana passada (9). O episódio provocou interrupção da sessão legislativa.

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O relator da representação no Conselho de Ética, deputado Fausto Santos Jr. (União-AM), considera que Janones foi preconceituoso e usou de expressões de cunho homofóbico – “com o intuito de insultar ou diminuir um adversário político”, conforme anotou a Agência Câmara.

Para o relator, a atitude de Janones “constitui conduta grave e discriminatória”, pois o uso dessas palavras “como forma de xingamento reforça estigmas históricos, normaliza o preconceito e perpetua a marginalização dessa população no espaço público e institucional.”

Em sua defesa, André Janones afirmou que foi fisicamente agredido durante a sessão e que não se dirigia inicialmente a Nikolas Ferreira, mas se manifestava em vídeo nas suas redes sociais contra a taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos – mesmo tema do discurso de Nikolas

“Quando você está no Plenário e fala, a sua fala não chega até a tribuna. É absolutamente impossível que a fala de algum deputado no Plenário atrapalhe quem está na tribuna”, ponderou Janones.

O parlamentar punido pode recorrer da decisão ao Plenário da Câmara. No Conselho de Ética, 16 votos foram favoráveis a punição e três foram contrários. Na representação original o pedido de suspensão era de seis meses.

Agronegócio teme perda de safras e apoia negociação do governo com EUA

Representantes do setor agropecuário reuniram-se nesta terça-feira (15) com ministros e secretários do governo federal para debater a decisão do Estados Unidos de taxar os produtos brasileiros em 50%. Durante o encontro, eles manifestaram apoio e confiança nos esforços do governo em reverter a decisão, mas apresentaram um panorama preocupante de perdas caso o tarifaço se consolide a partir do dia 1º de agosto. 

A reunião em Brasília foi liderada pelos ministros do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, e também contou com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Entre os setores produtivos presentes estavam a pesca, pecuária, frutas e café. Mais cedo, Alckmin esteve à frente da reunião com empresários do setor industrial

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Em coletiva de imprensa, o presidente da Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, garantiu que a taxa imposta pelos EUA tornaria inviável a exportação de carne bovina para o país. De acordo com ele, diversos frigoríficos já suspenderam a produção, mas cerca de 30 mil toneladas estão neste momento em portos ou embarcadas com destino ao território norte-americano. 

“Nossa sugestão de imediato é a prorrogação do início da taxação. Existem contratos em andamento. Precisamos de prorrogação ou retorno à situação anterior. O setor já é taxado em cerca de 36%. Esse 50% seriam inviáveis para a exportação”, destacou Perosa. 

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho, relatou o clima de pânico entre os produtores de manga.

Segundo ele, a safra foi planejada há seis meses e já foram contratados 2,5 mil contêineres para o transporte das exportações encomendadas pelos Estados Unidos. Coelho defendeu que os alimentos sejam deixados de fora do tarifaço.

“Quero aqui parabenizar a iniciativa rápida do vice-presidente Geraldo Alckmin, do governo brasileiro, do ministro Fávaro. Uma hora dessa não podemos pegar essa manga e jogar na Europa. Não tem logística para isso”, explicou o presidente da Abrafrutas.

“Não podemos colocar essa manga no Brasil porque vai colapsar o mercado. Urge uma definição, urge o consenso, a flexibilidade, um pensamento global, para não ter que deixar a fruta no pé, o desemprego em massa.” 

Laranja e café

Os produtores de laranja também apresentaram ao governo as preocupações do setor, que tem 40% das suas exportações com os EUA como destino. Pelos cálculos do presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Netto, 70% do suco de laranja importado pelos norte-americanos são de origem brasileira.

“Ainda tem tempo para negociação. Temos confiança de que o governo vai alcançar um bom resultado. Precisamos de diálogo, negociação e pragmatismo”, ressaltou Netto.

As associações do setor de café também participaram da reunião com o governo federal. O presidente do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Marcio Ferreira, disse que 33% de todo o café consumido nos EUA é produzido no Brasil.

“O café brasileiro é o mais competitivo. Traz o corpo e a doçura que o café de outras origens não tem. O consumidor está satisfeito e feliz com o café do Brasil”, descreveu Ferreira. “Agradecemos ao governo por tudo que tem feito no Brasil e no exterior, inclusive para abertura de mercados. Vamos achar uma solução e ela será benéfica para todos.”

Aposentados têm até dia 21 para aderir ao plano de devolução

Os aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que tiveram descontos indevidos por entidades associativas têm até a próxima segunda-feira (21) para aderir ao acordo de devolução dos recursos oferecido pelo governo federal.

O beneficiário que aderir à proposta do Ministério da Previdência Social vai receber o pagamento dos valores descontados na semana do dia 24 de julho.

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O acordo diz respeito aos valores descontados entre março de 2020 e março de 2025. Assim, o beneficiário não precisa recorrer à Justiça. Para tanto, aqueles que foram lesados podem acessar ao aplicativo Meu INSS ou ir a uma agência dos Correios. A adesão é gratuita e não exige envio de documentos.

Os recursos serão pagos aos pensionistas e aposentados que já questionaram os valores transferidos pelas associações e, após o prazo de 15 dias úteis, não receberam retorno das entidades.

O INSS recebeu cerca de 3,8 milhões de contestações, sendo que três milhões delas não receberam respostas de seus questionamentos por parte das entidades.

Os valores serão depositados na mesma conta onde o aposentado ou pensionista já recebe normalmente seu benefício.

A partir do dia 24, serão processados diversos lotes diários de recursos com os repasses de modo que todos aqueles prejudicados sejam ressarcidos.

Os pensionistas e aposentados que ainda não contestaram os descontos ainda pode fazê-lo no aplicativo MEU INSS, pelo telefone 135, do Ministério da Previdência Social, ou presencialmente nas agências dos Correios. As novas contestações deverão ser aceitas, pelo menos, até 14 de novembro deste ano.

O acordo de devolução dos valores foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultado de um acordo entre o Ministério da Previdência Social, o INSS, a Advogacia-Geral da União (AGU), o Ministério Público Federal (MPF) e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

 

TV Brasil conversa com Ana Maria Gonçalves, nova imortal da ABL

Em homenagem à escritora Ana Maria Gonçalves, recém-eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), a TV Brasil exibe uma entrevista exclusiva da imortal para o programa Trilha de Letras, nesta quarta (16), às 23h. O conteúdo especial já está disponível no app TV Brasil Play e no YouTube do canal público.

Primeira mulher negra a ingressar na ABL, Ana Maria Gonçalves vai ocupar a cadeira nº 33, vaga aberta com a morte de Evanildo Bechara. A renomada autora conquistou 30 votos na eleição que teve Eliane Potiguara em segundo lugar. Diversos outros escritores concorreram, mas foram superados pela escritora mineira.

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Durante a conversa com a apresentadora Eliana Alves Cruz, a convidada fala sobre o romance histórico “Um Defeito de Cor”. Fenômeno de vendas na literatura nacional, a premiada obra de Ana Maria Gonçalves inspirou o enredo da escola de samba Portela no desfile da agremiação no carnaval carioca em 2024.

O descontraído papo foi gravado pela emissora pública na BiblioMaison, no Centro do Rio. A entrevista exibida originalmente em novembro de 2023 marcou o início da quarta temporada da atração literária original da TV Brasil. O programa sobre o universo dos livros também pode ser acompanhado em formato podcast nas plataformas digitais.

Clássico literário nacional

Lançado em 2006, o livro “Um Defeito de Cor” é uma das principais publicações da literatura brasileira nas últimas décadas. O romance migrou das livrarias para a Marquês de Sapucaí e de lá para um novo perfil de leitores. Com quase mil páginas, a obra ganhou o importante Prêmio Casa de Las Américas no ano de seu lançamento.

Na conversa, Ana Maria Gonçalves ressalta a emoção de ver seu título ampliar horizontes em manifestações culturais diversas, mas artisticamente importantes como a literatura e a folia. A entrevistada se surpreende com as possibilidades dessa concepção desenvolvida na adaptação do conteúdo para a cadência do samba.

“É uma experiência única de entender o que é ver o livro ser transformado em enredo, ir para a Avenida e com certeza alcançar um público que a literatura não alcança”, afirma durante o bate-papo no programa Trilha de Letras.

A autora destaca essa visibilidade conferida pelo carnaval. “Acho que isso talvez seja furar a bolha de leitores para contar essa história num outro lugar, de um outro modo, através de uma linguagem tipicamente brasileira. O samba tenho por mim que é a inscrição do Brasil no mundo”, pontua Ana Maria Gonçalves.

No embalo do desfile da agremiação azul e branco do bairro de Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio, as vendas do romance “Um Defeito de Cor” cresceram exponencialmente. A performance da Portela na Passarela do Samba com o desfile sobre a obra rendeu à agremiação o quinto lugar na apuração do Grupo Especial e o prestigiado prêmio do Estandarte de Ouro nas categorias melhor escola e enredo.

Ficção com perspectiva histórica

O romance ficcional com referências históricas retrata a escravidão e destaca o protagonismo da mulher negra. O texto traz a história de uma africana que viaja para o Brasil em busca de um filho. Na narrativa da publicação de Ana Maria Gonçalves, os fatos históricos estão imersos no cotidiano dos personagens.

“Me interessei pela história da Rebelião Malê, que nunca tinha estudado em aula de história. A gente aprende mais sobre essas guerras como a de Peloponeso e Constantinopla, do que sobre as rebeliões escravas que estiveram aqui perto da gente e com certeza tiveram uma influência muito maior na história do país”, avalia.

Sobre o programa

O Trilha de Letras busca debater os temas mais atuais discutidos pela sociedade por meio da literatura. A cada edição, o programa recebe um convidado diferente. A atração foi idealizada em 2016 pela jornalista Emília Ferraz, atual diretora do programa que entrou no ar em abril de 2017. Na temporada mais recente, os episódios foram gravados na BiblioMaison, biblioteca do Consulado da França, no Rio de Janeiro

A TV Brasil já produziu três temporadas do programa e recebeu mais de 200 convidados nacionais e estrangeiros. As duas primeiras temporadas foram apresentadas pelo escritor Raphael Montes. A terceira, por Katy Navarro, jornalista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A jornalista, escritora e roteirista Eliana Alves Cruz assumiu a quarta temporada, que também teve uma versão na Rádio MEC.

A produção exibida pelo canal público às quartas, às 23h, tem horário alternativo na madrugada de quarta para quinta, às 4h30. A última temporada do Trilha de Letras também ganhou versão para a programação da Rádio MEC.

Ao vivo e on demand

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Serviço

Trilha de Letras – quarta, dia 16/7, às 23h, na TV Brasil

Trilha de Letras – quarta, dia 16/7, para quinta, dia 17/7, às 4h30, na TV Brasil

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Serviços já respondem por 57% dos empregos formais no país, diz CNS

A pesquisa da Confederação Nacional de Serviços (CNS) apontou que o setor já responde por 57% dos empregos formais do país. Com dados relativos ao mês de maio, o levantamento mensal da entidade apurou que o segmento é responsável por 31,686 milhões dos 55,6 milhões de postos de trabalho formais no Brasil.

Com base nos dados do sistema RAIS-CAGED do Ministério do Trabalho e Emprego e informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o levantamento trouxe que o setor de serviços privados não financeiros alcançou 15,7 milhões de postos de trabalho.

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Ainda pelo levantamento, o segmento de serviços privados não financeiros abriu 682 mil de janeiro a maio de 2025 sobre igual período no ano passado. Neste ano, o acumulado até maio foi de 333 mil novos empregos no campo das empresas e 118 mil nos serviços voltados às famílias.

Por sua vez, os setores de serviços de transportes registraram mais de 107 mil novos postos de trabalho no acumulado do ano de 2025 e igual período de 2024. Pela mesma comparação, os serviços de informação registraram a abertura de cerca de 31 mil postos entre janeiro e maio deste ano.

Também houve crescimento no setor de serviços de transportes, com mais 107 mil novos postos no período, enquanto os serviços de informação responderam por cerca de 31 mil postos de trabalho.

Salários

No primeiro trimestre de 2025, o setor de serviços registrou o rendimento médio de R$ 4,153,78, valor que, segundo a CNS, é 14,9% superior ao da média da economia e 18,9% maior que os da indústria de transformação.

Faturamento

No acumulado deste ano até março, o levantamento apurou que o faturamento do setor de serviços no país cresceu 7,5% na comparação com o mesmo período de 2024.

 

 

Em artigo no NY Times, Jorge Messias defende STF e soberania do Brasil

O Advogado-Geral da União, Jorge Messias, escreveu um artigo no jornal estadunidense New York Times rebatendo as justificativas do presidente norte-americano Donald Trump para aplicar tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros que chegam àquele país. Messias ainda afirmou que o Brasil não aceita interferências externas no Poder Judiciário.

“Como Advogado-Geral da União, devo enfatizar que o governo brasileiro rejeita categoricamente quaisquer esforços de partes externas para interferir em nossos processos judiciais. Os processos legais em andamento contra indivíduos acusados de tentar subverter nossa democracia em 8 de janeiro de 2023 são de domínio exclusivo do poder Judiciário do Brasil”, disse.

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A declaração de Messias responde à alegação de Trump de que o Supremo Tribunal Federal (STF) está promovendo uma “caça às bruxas” por julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

“Nenhum governo estrangeiro tem o direito de ditar ou questionar a administração da justiça em nosso país. A defesa da legalidade e a autonomia de nossas instituições são pilares inegociáveis de nossa democracia”, acrescentou.

No artigo publicado no jornal novaiorquino, o Advogado-Geral da União citou também a atuação das big techs – as gigantes que controlam as plataformas digitais – na propagação de fake news e discursos de ódio, o que motivou a atuação do Supremo Tribunal Federal.

“No Brasil, o direito à liberdade de expressão é protegido, mas não deve ser confundido com o direito de incitar a violência, cometer fraudes ou minar o Estado de Direito, limitações amplamente reconhecidas nas sociedades democráticas”.

A corte brasileira tem fechado perfis em redes sociais no Brasil de radicais de direita e determinado a responsabilização dessas plataformas por conteúdo criminoso. Tais providências têm feito Trump, através de suas empresas, acionar o ministro Alexandre de Moraes na Justiça dos EUA.

Comércio

O Advogado-Geral da União reiterou os argumentos do governo brasileiro de que, comercialmente falando, as tarifas recém-anunciadas por Trump não encontram fundamento. Ele lembrou que os Estados Unidos têm acumulado superávit na relação com o Brasil nos últimos 15 anos. Além disso, afirmou que a tarifa anunciada pelo presidente norte-americano vai contra as regras do comércio justo.

“Tais medidas prejudicam a segurança jurídica para empresas e investidores, interrompem as cadeias de suprimentos globais e violam o espírito de cooperação que definiu nosso relacionamento”, disse.

“No Brasil, respondemos a esses desafios com respeito à lei, às normas internacionais e ao nosso mandato constitucional de defender o interesse nacional. Inclusive, se necessário, por meio de medidas recíprocas”, completou.

TV Brasil exibe Bolívia x Brasil pela Copa América Feminina às 18h

A TV Brasil transmite o segundo jogo da seleção canarinho na Conmebol Copa América Feminina 2025 nesta quarta (16), às 18h, disputada em Quito, no Equador. A emissora pública abre a jornada esportiva para o duelo Bolívia x Brasil às 17h50, em sinal aberto, para todo o país, logo após o programa Sem Censura.

O app TV Brasil Play também exibe o confronto da Amarelinha em tempo real. A disputa no estádio Chillogallo tem narração de Luciana Zogaib e comentários de Brenda Balbi e Rachel Motta. O canal mostra todos os jogos da seleção brasileira no torneio.

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Com gols de Amanda Gutierres e Duda Sampaio, o Brasil superou a Venezuela com uma vitória por 2 x 0 na estreia na competição. A conquista no primeiro confronto da sequência consolida o trabalho do elenco treinado pelo técnico Arthur Elias com craques experientes e novos talentos do esporte feminino.

A seleção brasileira está na segunda posição do Grupo B, atrás do Paraguai, que ocupa a liderança nos critérios de desempate, depois de ganhar da Bolívia por 4 x 0. A Colômbia folgou na primeira rodada e entra em campo pela primeira vez contra a Venezuela.

Jogos do Brasil no torneio

Após a estreia contra a Venezuela, a seleção canarinho enfrenta a Bolívia na segunda rodada na quarta (16), às 18h, no estádio Chillogallo. O elenco folga no próximo jogo e faz o terceiro confronto no torneio contra o Paraguai na terça (22), às 21h, no mesmo estádio das duas primeiras partidas.

O jogo contra a Colômbia fecha a participação do Brasil na primeira fase na sexta (25), às 21h, no estádio Banco Guayaquil. Se terminar em terceiro lugar no Grupo B, a seleção disputa a quinta colocação da Conmebol Copa América Feminina 2025 na segunda (28), às 18h, no mesmo local.

Em caso de classificação para as semifinais como líder da sua chave, o Brasil joga na terça (29), às 21h, no estádio Casa Blanca. Se ficar na segunda posição do grupo, a Amarelinha entra em campo antes, na segunda (28), às 21h, no mesmo estádio.

A grande final será no sábado (2), às 18h, também no estádio Casa Blanca. Em caso de derrota na semifinal, o Brasil decide o terceiro lugar na sexta (1º), às 21h, no palco que recebe a decisão do campeonato.

Sobre a competição

A primeira fase da Conmebol Copa América Feminina 2025 será disputada no formato de dois grupos com cinco seleções cada que jogam entre si. As duas mais bem classificadas conquistam vaga para as semifinais que ocorrem em partidas eliminatórias únicas. As seleções ganhadoras do mata-mata decidem o torneio.

Maior vencedora e atual campeã da Conmebol Copa América Feminina, com o título de 2022, a seleção brasileira busca a nona taça este ano. O escrete canarinho levou oito títulos nas nove edições disputadas desde 1991. Na competição atual, o Brasil está no Grupo B, junto com Bolívia, Colômbia, Paraguai e Venezuela. O Grupo A é formado por Argentina, Chile, Equador, Peru e Uruguai.

A final está prevista para o dia 2 de agosto. Três estádios equatorianos recebem as disputas do torneio: Casa Blanca, da equipe LDU Quito; Chillogallo, do clube Aucas; e Banco Guayaquil, do time Independiente del Valle.

O Brasil já tem vaga assegurada para a próxima Copa do Mundo Feminina, em 2027, por ser o país-sede, mas ainda tenta se garantir nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Para isso, a seleção canarinho precisa levantar a taça ou ficar com o vice-campeonato da Conmebol Copa América Feminina 2025.

Esporte feminino em destaque na telinha

A transmissão da Conmebol Copa América Feminina 2025 está integrada à estratégia da TV Brasil de ampliar a presença do esporte feminino em sua programação.

O canal exibe atualmente os jogos da Série A1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino e as fases decisivas das Séries A2 e A3 da modalidade, além das finais das categorias de base pelo título do Brasileirão Feminino Sub-17 e Sub-20.

A TV Brasil também é a emissora oficial da Liga de Basquete Feminino (LBF Caixa) e mostra os confrontos da competição.

Por meio da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), que reúne 167 emissoras de televisão e 165 de rádio, os torcedores de todo o país podem assistir às partidas e acompanhar seus times na disputa dos campeonatos.

Repercussão das transmissões

A exibição do Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol tem trazido cada vez mais espectadores para a TV Brasil. Em 2025, a audiência média da competição teve aumento de 23,8% em relação a 2024. Os números consideram a primeira fase da Série A1, que neste ano terminou em 18 de junho e são relativos às praças do Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. O desempenho representa 51% mais audiência que a média da TV Brasil em 2025.

O aumento da audiência veio acompanhado de crescimento do alcance médio de 118 mil para 140 mil domicílios por jogo. Também houve aumento no tempo domiciliar, o que representou uma média de 2 minutos a mais por partida.

Na Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), a primeira fase do Brasileirão registrou aumento de 42,8% no alcance das emissoras parceiras: de 2,1 milhões de indivíduos em 2024 para 3 milhões em 2025. Essas são as praças e emissoras onde a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) possui coleta de programação: TV Brasil/SP, RJ e DF; Rede Minas/MG; TV Cultura do Pará/PA; TV UFG/GO; TVE/RS; TVU Recife/PE; TVE Bahia/ Salvador; TV UFSC/ SC; TV Encontro das Águas/AM; TV Ceará/CE.

“A TV Brasil se orgulha de ser a tela do esporte feminino. Acreditamos que o esporte merece e precisa de mais espaço, o que muitas vezes não ocorre na mídia comercial. É uma forma de incentivo e difusão da prática. Desde o ano passado, essa é uma diretriz clara da programação da TV pública”, afirma o diretor-presidente da EBC, Jean Lima.

Videocast Copa Delas

Fique por dentro das novidades, curiosidades e bastidores do futebol feminino com o Copa Delas, videocast da TV Brasil disponível no Youtube. A produção esportiva traz entrevistas exclusivas, análises das partidas, destaques das jogadoras e conteúdos inéditos sobre os clubes e a seleção brasileira. Veja aqui.

Ao vivo e on demand

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Serviço
Conmebol Copa América Feminina 2025 – 1ª fase na TV Brasil
2ª rodada – Brasil x Bolívia – quarta, dia 16/7, às 17h50
4ª rodada – Brasil x Paraguai – terça, dia 22/7, às 20h45
5ª rodada – Brasil x Colômbia – sexta, dia 25/7, às 20h45 

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Correios mudam números da central de atendimento

A Carol está turbinada. Prestes a completar cinco anos em funcionamento, a atendente virtual e garota-propaganda dos canais de relacionamento dos Correios ganhou mais potência nesta segunda-feira (14), com a implantação de melhorias na central de atendimento aos usuários da estatal.

Segundo a empresa, o objetivo das mudanças na estrutura de suporte aos clientes é ampliar a capacidade tecnológica dos canais de relacionamentos, oferecendo um atendimento mais ágil, cômodo e acessível para quem opta por telefonar para rastrear um objeto, reclamar, fazer sugestões, elogios ou denúncias ou cancelar um contrato.

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De acordo com a empresa, a iniciativa faz parte de um projeto mais amplo de melhorias na capacidade de resposta ao público que vem sendo posto em prática desde ao menos 2023; e para o qual, inclusive, foi contratada uma prestadora de serviços terceirizada, o que acabou exigindo a atualização dos tradicionais números telefônicos do serviço de atendimento.

Os novos números que começaram a operar nesta manhã são:

  • 4003-8210 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-881-8210 (demais localidades) – para informações sobre produtos e serviços, sugestões, elogios, reclamações e denúncias
  • 4003-8212 (todo o Brasil) – para atendimento comercial e informações sobre contratos;
  • 4003-8208 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-881-8208 (demais localidades) – para cliente com contrato, informações sobre faturamento, cobranças e suporte aos sistemas comerciais;
  • 0800-881-8211 (todo o Brasil) – atendimento a pessoas com deficiência auditiva;
  • 0800-881-8209 (todo o Brasil) – Ouvidoria.

Também é possível demandar os Correios por meio do Fale com a Carol, chatbot disponível no site da empresa, ou pelo registro de manifestação, disponível no site da empresa, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

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Despacho

A mudança dos números e a promessa de melhorias na central de atendimento fazem parte de um plano mais amplo dos Correios para modernizar seus serviços, recorrendo, inclusive, ao uso de inteligência artificial. Também atendem a uma determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Expedido em setembro de 2024 e modificado apenas três meses depois, o Despacho Decisório nº 262 estabeleceu novas regras para operadoras de serviços de telecomunicações e demais empresas, com a finalidade de combater fraudes e golpes telefônicos – especialmente o chamado spoofing, no qual criminosos se passam por representantes de uma empresa ou instituição para enganar suas vítimas e, assim, obter dados pessoais ou outras vantagens.

Segundo a Anatel, a medida busca criar um ambiente de comunicação mais seguro e transparente, protegendo a confiança nos serviços de telecomunicações.

Cid reafirma que Bolsonaro leu minuta golpista durante reunião

O tenente-coronel Mauro Cid confirmou, nesta segunda-feira (14), que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve contato e leu o documento golpista que previa a decretação de novas eleições e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2022. Durante as investigações, o documento ficou conhecido como minuta do golpe. 

Cid voltou a prestar depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, relator das ações penais que tratam dos núcleos 2,3 e 4 da trama golpista. Ele foi arrolado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável pela acusação. 

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O militar, que foi ajudante de ordens no governo do presidente Jair Bolsonaro e é delator nas investigações, confirmou que Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais de Bolsonaro e réu no processo, levou um jurista para duas reuniões com o ex-presidente para apresentação do documento golpista. 

Segundo Cid, durante a reunião, Bolsonaro leu o documento e pediu alterações. 

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De acordo com o delator, o documento previa a prisão de ministros do Supremo, entre os quais, Alexandre de Moraes, e do então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas foi alterado para prever somente a prisão de Moraes. 

“O documento era composto de duas partes. A primeira parte eram os considerandos. Eram possíveis interferências que o STF e o TSE fizeram no processo eleitoral. A segunda, a prisão de autoridades e a decretação de eleições”, disse. 

Mauro Cid presta depoimento por videoconferência. Por determinação do ministro, não são permitidas fotos, gravações de áudio e vídeo, nem transmissão ao vivo. Contudo, os advogados dos acusados e a imprensa podem acompanhar o depoimento.

Nova fase

O processo da trama golpista entra em uma nova fase nesta semana. Amanhã (15), começam a depor as testemunhas indicadas pelos réus que fazem parte dos três núcleos. Os depoimentos devem seguir até o dia 23 de julho.

No mês passado, o STF ouviu os depoimentos das testemunhas do Núcleo 1, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados.

Órgãos públicos debatem criação de memorial na Casa da Morte

O Ministério Público Federal (MPF) organizou uma reunião na cidade de Petrópolis, região metropolitana do Rio de Janeiro, para debater a criação de um centro de memória no imóvel conhecido como Casa da Morte.

O local foi usado como centro clandestino de torturas e assassinatos durante a ditadura militar.

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Em maio, a 4ª Vara Cível da Comarca de Petrópolis autorizou que a prefeitura da cidade tomasse posse do imóvel. O processo de desapropriação está em andamento, para que seja desenvolvido o projeto museológico.

O encontro teve a presença de representantes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), da Universidade Federal Fluminense (UFF), das Secretarias Municipais de Turismo e de Educação, do Instituto Municipal de Cultura e do Grupo Pró-Memorial Casa da Morte.

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Um dos pontos levantados foi a necessidade de integrar município e demais entes envolvidos no projeto, principalmente no que diz respeito às etapas técnicas e estruturais que antecedem a implantação do memorial.

A coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade do MDHC falou sobre o Termo de Convênio nº 1/2024, firmado entre o ministério e o município, e o Termo de Execução descentralizada com a UFF, responsável pela elaboração do projeto.

Representantes da UFF apresentaram o andamento das pesquisas, a realização de seminário e a previsão de cursos de formação voltados para professores da rede municipal e guias de turismo. A ideia é que esses grupos estejam capacitados para acolher lidar com o novo espaço de memória.

O encontro também definiu providências práticas, como envio de documentos pelas instituições envolvidas, realização de curso de formação para o secretariado municipal e uma nova reunião técnica com as secretarias de Educação e Turismo e a equipe da UFF.

Exportações brasileiras para os EUA caíram pela metade desde 2001

Ao longo dos anos, os Estados Unidos perderam relevância na pauta de comércio do Brasil. De 2001 a 2024, a participação americana no total de exportações brasileiras regrediu de 24,4% para 12,2%, ou seja, caiu praticamente à metade.

Os números que mostram esse comportamento fazem parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (14).

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Enquanto a participação americana nas nossas exportações caiu 51%, a da China, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil, aumentou mais de oito vezes, indo de 3,3% para 28% no período de 2001 a 2024.

A União Europeia com menos 44% e a América do Sul, menos 31%, também perderam espaço para o gigante asiático no intervalo de 23 anos. Mesmo com esses dois grupos de países perdendo participação, ainda ficam na frente dos Estados Unidos.

Participação nas exportações brasileiras:

  • China: 28%
  • União Europeia: 14,3%
  • América do Sul: 12,2%
  • Estados Unidos: 12%

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O Ibre FGV elaborou o ranking com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O Icomex faz análises sobre comércio exterior, como o comportamento da balança comercial, a diferença entre exportação e importação, e provê atenção especial nesta edição ao tarifaço prometido pelo presidente americano Donald Trump, que anunciou taxação de 50% de produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos a partir de 1º de agosto.

O levantamento aponta também a perda de relevância americana nas nossas importações. Em 2001, vinham dos Estados Unidos 22,7% do que o Brasil comprava de outros países. Em 2024, esse patamar foi reduzido a 15,5%. Essa diferença significa recuo de 32%.

No mesmo período, a participação chinesa saltou mais de dez vezes, indo de 2,3% para 24,2%. A União Europeia viu a participação nas nossas importações cair 31% e a América do Sul, recuar 45%.

Participação nas importações brasileiras:

  • China: 28%
  • União Europeia: 18%
  • Estados Unidos: 15,5%
  • América do Sul: 10,2%

Exportações diversificadas

O estudo aponta que as exportações para os americanos têm um perfil diversificado. Para efeito de comparação, quando se trata de China, apenas três produtos respondem por 96% do que o Brasil vende: petróleo, soja e minério de ferro.

Já no caso dos Estados Unidos, 10 produtos representam 57% das exportações brasileiras.

Participação dos principais produtos da pauta de exportação para os EUA:

  • Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus: 14%
  • Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço: 8,8%
  • Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: 6,7%
  • Café torrado: 4,7%
  • Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas: 4,4%
  • Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos): 4,3%
  • Celulose: 4,1%
  • Demais produtos – Indústria de Transformação: 3,8%
  • Instalações e equipamentos de engenharia civil e construtores, e suas partes: 3,6%
  • Sucos de frutas ou de vegetais: 3%

O Ibre/FGV aponta também que conjuntos de produtos siderúrgicos, aeronaves, sucos vegetais e escavadeiras seriam os mais atingidos pela ação americana, pois dependem bastante da maior economia do mundo:

  • ferro fundido bruto e ferro spiegel: 86% das exportações vão para os EUA;
  • produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado: 72,5%;
  • veículos aéreos (helicópteros e aviões): 63%;
  • pás mecânicas e escavadeiras: 53%;
  • sumos de frutas: 34%

Busca por mercados

A pesquisadora associada do Ibre/FGV Lia Valls, consultora do Icomex, avalia que alguns produtos brasileiros, como carnes e sucos, podem prospectar nossos destinos. 

“Essa parte das commodities [produtos primários comercializados em grandes quantidades] pode ser que consiga”, acredita.

No entanto, ela avalia que não é simples buscar novos países compradores de produtos que ficarão inviáveis para entrar nos Estados Unidos com o aumento de preço.
“O país não consegue, em um prazo curto, desviar as exportações. Tem alguns tipos de produtos, principalmente da indústria de manufatura, muitos deles que são fabricados pelas multinacionais americanas, em que talvez já não seja tão simples colocar em outros mercados. Além do que, tem uma concorrência muito grande com a própria China”, explica.

Trump

O boletim da FGV lembra que o presidente americano já recuou algumas vezes sobre o tarifaço. O estudo mostra que no dia 2 de abril deste ano, que ficou conhecido como Liberation Day (Dia da Liberação), Trump ameaçou países parceiros com taxação.

À época, a tarifa brasileira seria de 10%. Foi desencadeada uma guerra tarifária contra a China, na qual as tarifas chegariam a 145%. Após promessas mútuas de retaliação, os dois países chegaram a um acordo, reduzindo a 30%.
Nos últimos meses, alguns países anunciaram acordos com os americanos, mas o Brasil foi surpreendido na semana passada com a taxa de 50%. 

A FGV destaca que, diferentemente da ameaça de abril, quando o motivo para taxar itens brasileiros era puramente comercial, a intenção atual envolve questões políticas, incluindo processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e decisão recente contra gigantes de tecnologia, as big techs.

“Foi a única [carta] que explicitou motivações políticas, o que limita a margem de negociação do governo brasileiro por tratar de questões que são da alçada exclusiva do Estado brasileiro”, diz trecho do estudo.

Apesar de a carta de Trump apontar déficit comercial – comprar mais do que vende – dos Estados Unidos no comércio com o Brasil, a FGV reforça o inverso, o Brasil não registra superávit com os Estados Unidos desde 2009.

“No primeiro semestre de 2025, a balança bilateral Brasil-Estados Unidos foi de menos US$ 1,7 bilhão”, ou seja, nós compramos deles mais do que eles compraram do Brasil.

O estudo avalia que há chance de o governo americano voltar atrás na taxação, seja pelo histórico de decisões de Trump, seja por pressão de empresas americanas também prejudicadas.

“No momento, é esperar que negociações sejam possíveis, que Trump siga o comportamento Trump Always Chickens Out (Taco), que em tradução livre significa Trump amarela ou volta atrás”, escreve o Ibre.

“Além disso, parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos são de empresas multinacionais estadunidenses, que poderão pressionar o governo Trump, da mesma forma que empresas nos Estados Unidos que utilizam os bens intermediários [serão transformados em produtos finais] do Brasil na sua produção”, completa.

Reações

O governo brasileiro tem buscado caminhos para reverter a taxação americana. Além de negociação, o Brasil sinaliza com a Lei da Reciprocidade Econômica, que encareceria as importações dos Estados Unidos.

Fora do governo, o próprio STF se manifestou, por meio de carta assinada pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso. O magistrado afirma que não há perseguição política no país, e que Trump teve como fundamento uma “compreensão imprecisa dos fatos”.

São Paulo e Baixada Santista registram 600 ataques a ônibus

A cidade de São Paulo registra altos números de vandalismo no sistema de transporte público. Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans, desde 12 junho, 421 veículos foram depredados na capital, sendo que 47 sofreram ataques no último domingo (13), o segundo maior pico de casos em um dia.

A Grande São Paulo e a Baixada Santista também registraram ondas de ataque. O número foi totalizado em mais de 600.

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Sete suspeitos foram detidos até o momento. A investigação da polícia segue três linhas principais: ligação dos casos com o PCC [Primeiro Comando da Capital]; desafios de internet; e funcionários ou empresas que trabalham com transporte urbano coletivo, essa sendo a mais provável.

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Repúdio

Por meio de nota, a SPTrans disse repudiar os acontecimentos e reforça que as concessionárias comuniquem imediatamente os casos à Central de Operações.

A orientação é a de que qualquer ônibus danificado seja encaminhado para manutenção, substituindo-o por outro para continuar a próxima viagem. Em caso de descumprimento dessa determinação, a empresa será penalizada.

O trabalho policial segue sob responsabilidade do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), da Polícia Civil, que realiza diligências e analisa dados para identificar e prender pessoas envolvidas. Também atua no caso o Departamento de Crimes Cibernéticos (DCCiber). É para verificar se há envolvimento de criminosos em plataformas digitais.

No dia 3 de julho, a Polícia Militar anunciou a implantação de uma operação especial para intensificar a segurança em corredores, garagens e terminais de ônibus em todo o estado. Serão utilizados 7,8 mil policiais e 3,6 mil viaturas em pontos estratégicos.

* Matheus Crobelatti Vargas Salvi – estagiário sob a supervisão de Eduardo Correia

Mercado financeiro reduz projeção de inflação para 5,17% em 2025

As expectativas do mercado financeiro estão mais otimistas com relação à inflação do país. Pela sétima semana consecutiva, são registradas quedas nas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – considerado a inflação oficial do país. De acordo com o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, nesta segunda-feira (14), em Brasília, é esperado que o ano feche com uma inflação de 5,17%.

Há uma semana esperava-se uma inflação de 5,18% para o ano. Há quatro semanas, o mercado projetava uma inflação de 5,25%. Para os anos subsequentes, as expectativas se mantiveram estáveis, em 4,5% em 2026, e em 4% para 2027.

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A estimativa para 2025 está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

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PIB e dólar

As projeções relacionadas ao Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas riquezas produzidas no país – se mantiveram estáveis para 2025, com um crescimento de 2,23%. Para 2026, o mercado se mostrou mais otimista do que na semana passada, aumentando as expectativas de crescimento de 1,86% para 1,89%. Para 2027, projeta-se um PIB de 2%.

Com relação ao câmbio, o Boletim Focus reviu para baixo as expectativas de cotação do dólar. O mercado projeta que, ao final de 2025, a moeda norte-americana custará R$ 5,65. Na semana passada, a projeção era de uma cotação de R$ 5,70 ao final do ano. Há quatro semanas as expectativas estavam em R$ 5,77.

O mercado financeiro reviu também para baixo as expectativas de cotação. Para o final de 2026, a projeção de cotação do dólar caiu de R$ 5,75 (divulgada na semana passada) para R$ 5,70. É a terceira semana seguida de queda nas expectativas de cotação. Para o final de 2027, a projeção é de que a moeda norte-americana estará cotada a R$ 5,71.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

As expectativas do mercado financeiro para a Selic se mantêm em 15% ao ano há três semanas. Para os anos subsequentes, se manteve estável em 12,50% para 2026, e em 10,50% em 2027.

Em ata, o Copom informou que deverá manter os juros no mesmo patamar nas próximas reuniões, enquanto observa os efeitos do ciclo de alta da Selic sobre a economia. No entanto, não descartou mais aumentos, caso a inflação suba.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Quando a taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

Não há perseguição a ninguém no Brasil, Barroso responde a Trump

Em carta divulgada na noite de domingo (13), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, afirma que a tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil teve como fundamento uma “compreensão imprecisa dos fatos” e que “no Brasil de hoje, não se persegue ninguém”. 

Ao impor a tarifa, em carta enviada ao presidente Luís Inácio Lula da Silva na semana passada, Trump justificou a medida citando o ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Ele também destacou ordens do STF emitidas contra apoiadores do ex-presidente brasileiro que mantêm residência nos Estados Unidos e que atingem empresas de tecnologia norte-americanas. 

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Na resposta publicada neste domingo, Barroso disse considerar seu dever fazer “uma descrição factual e objetiva da realidade”. O ministro fez um apanhado de diversas tentativas de golpe de Estado ao longo da história brasileira e, em seguida, apresentou fatos ocorridos desde 2019 que indicou uma nova ameaça à democracia. 

“Nos últimos anos, a partir de 2019, vivemos episódios que incluíram: tentativa de atentado terrorista a bomba no aeroporto de Brasília; tentativa de invasão da sede da Polícia Federal; tentativa de explosão de bomba no Supremo Tribunal Federal (STF); acusações falsas de fraude eleitoral na eleição presidencial; mudança de relatório das Forças Armadas que havia concluído pela ausência de qualquer tipo de fraude nas urnas eletrônicas; ameaças à vida e à integridade física de Ministros do STF, inclusive com pedido de impeachment;  acampamentos de milhares de pessoas em portas de quartéis pedindo a deposição do presidente eleito”, listou Barroso.  

O presidente do Supremo afirmou ainda que denúncia do Procurador-Geral da República (PGR) aponta ter havido na nova tentativa de golpe, que teria sido liderada por Bolsonaro, o plano para assassinar Lula, além do vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do próprio Supremo. 

“Foi necessário um tribunal independente e atuante para evitar o colapso das instituições, como ocorreu em vários países do mundo, do Leste Europeu à América Latina. As ações penais em curso, por crimes diversos contra o Estado democrático de direito, observam estritamente o devido processo legal, com absoluta transparência em todas as fases do julgamento. Sessões públicas, transmitidas pela televisão, acompanhadas por advogados, pela imprensa e pela sociedade”, escreveu Barroso. 

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O presidente do Supremo também negou que haja censura no Brasil e disse que as decisões da Corte buscam proteger a liberdade de expressão. Ele mencionou a mais recente decisão sobre a responsabilização de redes sociais por publicações ilegais feitas por usuários, afirmando “que o STF produziu solução moderada, menos rigorosa que a regulação europeia, preservando a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, a liberdade de empresa e os valores constitucionais”.

Leia aqui a íntegra da carta de Barroso. 

Começam nesta segunda-feira as inscrições do Fies para o 2º semestre

Começam nesta segunda-feira (14) as inscrições para o processo seletivo do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para o segundo semestre deste ano. Os interessados deverão se inscrever exclusivamente pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior até as 23h59 do dia 18 de julho, no horário de Brasília.

Os prazos estão previstos em edital publicado pelo Ministério da Educação (MEC) no dia 9 de julho. As inscrições são gratuitas.

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Com o objetivo de promover a inclusão educacional, desde 2001 o programa federal financia a graduação em instituições de educação superior privadas, com avaliação positiva no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Neste ano, o MEC oferece 112.168 vagas para o Fies, sendo 67.301 no primeiro semestre e 44.867 na segunda metade do ano.

Os candidatos em obter o financiamento estudantil devem atender aos seguintes requisitos:

  • ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a partir da edição de 2010;
  • ter conquistado média aritmética das notas, nas cinco provas do exame, igual ou superior a 450 pontos e não ter zerado a prova de redação;
  • não ter participado no referido exame como treineiro;
  • ter renda bruta familiar mensal por pessoa de até três salários mínimos (R$ 4.554, em 2025).
     

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Fies Social

O edital do processo seletivo reserva 50% das vagas para o Fies Social, lançado em 2024. Para concorrer, os candidatos devem ter inscrição ativa no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico) e renda familiar por pessoa de até meio salário mínimo, hoje R$ 759.

A nova modalidade lançada pelo MEC permite financiamento de até 100% dos encargos educacionais cobrados pela instituição de ensino superior, além de reservar cotas para pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

A classificação no processo seletivo do Fies será feita de acordo com a ordem decrescente das notas obtidas pelos candidatos no Enem, por tipo de vaga, grupo de preferência e modalidade de concorrência.

A ordem de prioridades considera os que candidatos que não concluíram o ensino superior e/ou não foram beneficiados pelo financiamento estudantil. 

É vedada a concessão de novo financiamento do Fies a candidatos que não tenham quitado o financiamento anterior pelo Fies ou pelo Programa de Crédito Educacional ou que se encontrem em período de utilização do financiamento.

Calendário

O Fies tem chamada única e lista de espera. O resultado com os nomes dos pré-selecionados na chamada única será divulgado no dia 29 de julho. Os estudantes, então, deverão acessar o Fies Seleção para comprovar as informações e complementar sua inscrição do dia 30 de julho a 1º de agosto.

Os estudantes que não forem pré-selecionados estarão automaticamente na lista de espera para preenchimento das vagas não ocupadas, observada a ordem de classificação. A pré-seleção da lista de espera ocorrerá de 5 de agosto a 19 de setembro.

“Todos os inscritos e aqueles que venham a ser pré-selecionados devem ficar atentos aos prazos e aos procedimentos estabelecidos no edital para não perderem as oportunidades de ocupar as vagas ofertadas nesta edição do Fies”, alerta o MEC.

CNU dos Professores: inscrições começam nesta segunda-feira

As inscrições dos candidatos para a primeira edição da Prova Nacional Docente começam nesta segunda-feira (14) e se estendem até 25 de julho. Os interessados devem se inscrever exclusivamente pelo Sistema PND, disponível no portal do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O valor da taxa de inscrição para o chamado CNU dos Professores é de R$ 85, para não isentos.

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Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora de Políticas Educacionais da Todos pela Educação – organização não governamental pela educação básica no Brasil – Natália Fregonesi, avalia a primeira edição da PND e seus desafios.

Agência Brasil – Como a Todos pela Educação vê esta primeira edição da PND, que terá como base o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) Licenciaturas?

Natália Fregonesi – A prova nacional tem um grande potencial para as políticas docentes, especialmente, olhando para esse apoio que ela vai dar às redes municipais e estaduais em seus processos de seleção. Eu acho que há uma oportunidade de qualificar os concursos públicos. Nós fizemos um estudo no ano passado no qual mostrou que a maioria das provas dos concursos públicos que são feitos pelas redes de ensino não conseguem avaliar a atuação do professor. E focam muito em mensurar o conhecimento sobre um conteúdo específico e menos sobre como ensinar o que está previsto no currículo. Então, tendo uma prova nacional, com base nas matrizes do Enade, que foram revistas no ano passado, especialistas estão pensando nos itens que vão compor essa prova. Acredito que essa prova nacional tem um potencial para ser muito melhor do que as provas que aplicadas nos concursos atualmente.

Agência Brasil – A PND não é um concurso público direto, porque dá autonomia às redes de ensino para usarem os resultados obtidos pelos candidatos em um processo único ou complementar de seleção de profissionais. Quais são as vantagens?

Natália Fregonesi – Existe a possibilidade das redes utilizarem a prova nacional como uma primeira etapa de seus concursos públicos e, depois, incluírem uma prova prática que avalie, de fato, as competências docentes, como em uma demonstração de uma aula, por exemplo. Então, [as redes] conseguiriam ter uma prova teórica mais robusta, com a inclusão de uma prova prática [depois] para qualificar ainda mais os concursos públicos. Esse é o modelo principal de utilização da prova [PND] que a gente considera ter muito potencial. E para além disso, as redes também podem utilizá-la para qualificar os processos de seleção dos professores temporários.

A PND tem uma importância aqui também para qualificar esse processo, porque, atualmente, a maioria das redes de ensino basicamente avalia a titulação e a experiência profissional, que pouco dizem sobre a qualidade do professor. Então, a gente considera que, de fato, essa política tem um potencial importante.

Agência Brasil – O Ministério da Educação (MEC) estima que os concursos públicos para seleção de professores ocorrem a cada 7,5 anos, nas redes municipais; e a cada cinco anos, nas estaduais. Com a PND, os processos seletivos das redes públicas locais tendem a ter mais regularidade?

Natália Fregonesi – Com certeza. Como a PND será realizada por meio do Enade [Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes] Licenciaturas, que já passou a ter frequência anual e está regulamentado em lei, então, existe uma previsibilidade e as redes podem ter esse estímulo para realizar com maior frequência tanto concursos quanto processos de seleção de temporários mais qualificados. Isso vai favorecer a reposição contínua do quadro de docentes. Será possível planejar um concurso público com antecedência, dado que existe a prova anual. Então, é possível fazer um concurso público bem dimensionado, com planejamento, com a recorrência que permita, também, que os melhores candidatos sejam convocados.

Agência Brasil – Como sua entidade avalia a adesão à PND 2025 por 22 estados e mais de 1,5 mil municípios?

Natália Fregonesi – É um número bastante alto, considerando que é uma política nova. As redes de ensino já têm seus processos seletivos estabelecidos, ainda que os concursos não sejam frequentes e, mesmo assim, houve a alta adesão de estados, uma boa adesão de municípios também.

No recorte de estados, é possível observar que mesmo aqueles onde os governadores são de oposição ao governo federal, também fizeram a adesão, como São Paulo, o que mostra que, de fato, é uma medida que as redes de ensino, secretários, governadores estão enxergando ter muito potencial.


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Um destaque adicional é que essa não é uma medida de repasse de recursos [federais]. A lógica é diferente do que o MEC faz. Mesmo assim, a oposição aderiu. Ainda que a gente não tenha chegado nesta edição a 100% [de adesão], o que eu acharia muito difícil, considerando que é uma política nova, a PND já mostra ser uma política importante que pode atender às necessidades das redes.

Agência Brasil – Com essa lógica de ser nacional, a PND ajuda as redes de ensino de estados e municípios a economizar na realização de certames?

Natália Fregonesi – Em algumas redes, os processos seletivos se pagam com a própria taxa de inscrição cobrada [dos candidatos]. Mas, de fato, pode haver uma economia de recursos humanos. Porque quando vão fazer um concurso, têm que contratar uma banca para pensar na prova teórica e para pensar nas outras etapas. Tudo isso demanda muito mais tempo das redes de ensino para fazer todo esse processo. Então, quando você tem a PND como primeira etapa do seu concurso, já economiza o tempo de pensar sobre isso para poder focar na prova prática.

Agência Brasil – A PND pode contribuir em algo para quem já está na docência há anos? Ou o mérito da prova é apenas para quem quer entrar no magistério público?

Natália Fregonesi –  A prova nacional pode ajudar muito a ter mais informações sobre como é a qualidade da formação desses professores. Quais são as lacunas que o resultado dessa prova vai mostrar? Onde os professores têm mais dificuldades? Isso pode ajudar muito a informar as redes de ensino, para pensarem nos processos de formação continuada. Esta não é responsabilidade do MEC, mas, sim, das redes [de ensino]. Este é um processo fundamental. Então, se esses professores estão chegando nas redes com algumas lacunas, é preciso identificar isso e fazer com que essas lacunas possam ser revistas na formação continuada que a rede vai oferecer.

É um caminho importante pensar como a continuidade da PND vai construir essa estrutura para poder criar esses indicadores que ajudem a pensar [na docência] daqui para frente.

Para identificar quais são os maiores pontos de fragilidade que podem ser explorados nessa formação continuada.

Agência Brasil – E a responsabilidade dos gestores de Educação de estados e municípios neste processo?

Natália Fregonesi – A responsabilidade de estados e municípios é pensar nessa carreira do professor e nas condições de trabalho, que ele tenha um bom plano de carreira, tenha boas condições de trabalho, remuneração digna e que o gestor respeite minimamente o piso.

Agência Brasil – Há alguma crítica ao processo de realização da PND, como foi concebido?

Natália Fregonesi – Não são críticas. Existem alguns riscos que podem ser mitigáveis. O primeiro fator são os prazos desta primeira edição. Algumas redes [de ensino] podem ter dificuldades em cumpri-los. Isto porque essas redes precisam ter o normativo antecipando de como vão usar os resultados da prova nacional em seus processos [seletivos]; precisam ter editais específicos e esses prazos [curtos] podem ser um risco. Mas o MEC tem trabalhado bastante na comunicação com as redes com a produção de material técnico de apoio a elas.

Outro possível risco é se as redes de ensino usarem a PND para contratação de professores temporários, sobretudo, nesta primeira edição, em que as redes ainda estão conhecendo a prova. Porque um dos objetivos da política é, justamente, aumentar o quantitativo de professores efetivos. Quando olho para as redes estaduais principalmente, 50% dos professores são temporários. E a ideia é que a prova estimule a realização de concursos mais frequentes.

Agência Brasil – A PND é parte do Programa Mais Professores para o Brasil, uma política maior de valorização da docência. Como a Todos pela Educação vê este reconhecimento do papel dos professores no processo de aprendizagem dos estudantes?

Natália Fregonesi – O MEC tem olhado para uma agenda sistêmica da educação e é fundamental olhar para os professores. Diversos estudos nacionais e internacionais apontam que o principal fator interescolar que impacta na aprendizagem dos estudantes são os professores. E para ter bons professores nas escolas são  necessárias várias condições: ter um bom processo de seleção, como se propõe o apoio da prova nacional. Também é importante que o professor tenha uma boa formação inicial; que a carreira seja atrativa para esse professor, que ele queira ir para as licenciaturas, que e o docente queira se tornar professor nas escolas.

Com o MEC olhando para a atratividade para as licenciaturas, como Pé-de-Meia Licenciaturas [para quem teve bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio – Enem], olhando para a formação inicial. Houve a aprovação das novas BCNs, do marco regulatório da EAD [Educação a Distância no ensino superior]. Agora, esse processo de seleção para docência também tem o Bolsa Mais Professores, que é um programa de alocação de professores [em áreas prioritárias] nas redes de ensino.

Avalio que Ministério da Educação tem olhado de maneira sistêmica para essas políticas docentes. Mesmo havendo espaço para melhorias, um primeiro passo fundamental tem sido dado, com o programa Mais Professores para o Brasil, como um todo.

Agência Brasil – Em dois anos e meio do atual governo federal, qual a avaliação sobre a política educacional no período?

Natália Fregonesi – É notável que esse governo tem tentado trazer políticas estruturantes para a educação. Não apenas focada em professores. Em maior ou menor grau, o Ministério da Educação tem olhado para diversas políticas: para alfabetização; para a Escola das Adolescências, nos anos finais [da educação básica]; escolas em tempo integral; para o ensino médio, com Pé-de-Meia.

A gente consegue ver que este é um governo que tem mostrado que a educação é uma prioridade e que tem investido nesses programas. Ainda que não tenha tantos recursos, o MEC tem conseguido olhar para diversas etapas da Educação Básica. Mesmo que existam espaços para as políticas serem aprimoradas.

PND

O Ministério da Educação (MEC), por meio do Inep, aplicará a primeira edição da PND em 26 de outubro. De acordo com edital da PND 2025, poderão realizar a PND os estudantes que concluem o curso de licenciatura neste ano e inscritos no Enade 2025, além dos demais formados em licenciatura, interessados em participar de concursos ou processos seletivos, em 2026, promovidos pela União, estados, Distrito Federal e municípios que aderiram à prova em junho. Os entes poderão adotar o resultado da avaliação como etapa de processo de admissão no magistério local.

Arte CNU dos Professores – Arte/Agência Brasil

 

Caminhos da Reportagem apresenta projetos ambientais de Itaipu

O programa Caminhos da Reportagem desta segunda-feira (14) leva aos telespectadores a produção Itaipu: caminho das águas, revelando como a Usina de Itaipu, no rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai, alia geração de energia à conservação ambiental. 

O episódio, que vai ao ar na TV Brasil, às 23h, mostra projetos que são essenciais para a preservação ambiental, como reflorestamento, proteção de nascentes e da biodiversidade, educação ambiental, reciclagem e aquicultura sustentável. A hidrelétrica foi responsável por 10% da energia consumida no Brasil e 88% no Paraguai em 2024, investindo em sustentabilidade e qualidade.

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O programa mostrará que não só a quantidade de água que chega ao reservatório é importante, mas é preciso estar atento à sua qualidade. 

“A qualidade também pode interferir na operação”, explica a engenheira civil Mariana Werlang, que trabalha com a previsão de afluências, ou seja, a previsão da quantidade de água que está chegando ao reservatório e disponível para geração de energia.

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A bióloga Caroline Henn, conta que, com quase 50 anos investindo em pesquisas científicas para a conservação de peixes, a Usina de Itaipu é capaz de entender como o ambiente está abrigando os animais. 

“A tecnologia que nós usamos para marcação, recaptura e rastreamento dos peixes microchipados permite que a gente compreenda de que forma o ambiente está suportando o desenvolvimento daquela espécie e de sua população”, diz.

Desde 1979, um projeto de restauração e proteção da mata ciliar conecta as reservas e os refúgios em torno do reservatório de Itaipu. A engenheira ambiental de Itaipulândia, no Paraná, Rosenei Zaleski explica que o plantio e a restauração foram feitos com plantas nativas da região. 

“Hoje, a gente vê que os próprios agricultores procuram os municípios, dizendo que precisam de mais mudas nativas”.

O Caminhos da Reportagem entrevistou a produtora rural Lucivânia Felix de Melo, beneficiada pelos projetos de agroecologia com foco na agricultura familiar. Em uma produção de 10 mil metros quadrados, ela tem 55 espécies de frutas. 

“Aqui está tudo verde, está cheio de animais, está cheio de borboletas, insetos”, aponta.

O programa mostra ainda o Corredor Ecológico Santa Maria, uma ação de preservação resultado da atuação conjunta de instituições municipais, estaduais e federais que trabalham em parceria com proprietários de terra, que cedem parte de suas propriedades para o projeto.

Segundo o biólogo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Apolônio Rodrigues, a lei exige que o proprietário de uma área que tem um rio tenha aquela faixa plantada em volta desse rio, o que auxilia na conservação. 

“Agora, o que dificulta, é o interesse econômico por produção. Os proprietários aqui, a gente tem que dar muitos parabéns a eles, cederam a faixa de 5 quilômetros dentro da fazenda”, elogia o biólogo.

Outra iniciativa também para proteger a fauna e a flora locais, promovendo o resgate e reabilitação de animais silvestres, além de preservar a Mata Atlântica, mostrada no episódio desta segunda-feira, é o Refúgio Biológico Bela Vista, localizado na área da usina.

O biólogo Marcos José de Oliveira conta que quando começou a trabalhar em Itaipu, em 1989, ele não via capivaras, onças, macacos. Havia pouquíssimos animais.

“Todas as ações ambientais de Itaipu a gente consegue ver aqui no refúgio. Então ter feito o dever de casa, ter plantado a floresta, a gente viu a fauna retornando por si”, ressalta.

O programa Itaipu: caminho das águas, tem na reportagem Marieta Cazarré; na produção Patrícia Araújo; na reportagem cinematográfica André Rodrigo Pacheco e o auxiliar técnico Rafael Calado. A edição de texto é de Flávia Lima e Marieta Cazarré, e a edição e finalização de imagem de Rivaldo Martins.

Sobre o programa

Produção jornalística semanal da TV Brasil, o Caminhos da Reportagem leva o telespectador para uma viagem pelo país e pelo mundo atrás de pautas especiais, com uma visão diferente, instigante e complexa de cada um dos assuntos escolhidos.

No ar há mais de uma década, o Caminhos da Reportagem é uma das atrações jornalísticas mais premiadas não só do canal, como também da televisão brasileira. Para contar grandes histórias, os profissionais investigam assuntos variados e revelam os aspectos mais relevantes de cada assunto.

Saúde, economia, comportamento, educação, meio ambiente, segurança, prestação de serviços, cultura e outros tantos temas são abordados de maneira única. As matérias temáticas levam conteúdo de interesse para a sociedade pela telinha da emissora pública.

Questões atuais e polêmicas são tratadas com profundidade e seriedade pela equipe de profissionais do canal. O trabalho minucioso e bem executado é reconhecido com diversas premiações importantes no meio jornalístico.

Exibido às segundas-feiras, às 23h, o Caminhos da Reportagem tem horário alternativo na madrugada para terça-feira, às 4h30. 

A produção disponibiliza as edições especiais no site http://tvbrasil.ebc.com.br/caminhosdareportagem e no YouTube . As matérias anteriores também estão no aplicativo TV Brasil Play, disponível nas versões Android e iOS, e no site http://tvbrasilplay.com.br.

Brasil inicia Copa América com vitória de 2 a 0 sobre a Venezuela

O Brasil derrotou a Venezuela por 2 a 0, na noite deste domingo (13) no Estádio Gonzalo Pozo Ripalda, em Quito (Equador), em sua estreia na Copa América de futebol feminino, que contou com a transmissão da TV Brasil. Após este resultado a seleção brasileira ocupa a 2ª colocação do Grupo B da competição com três pontos conquistados.

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Claramente afetadas pelos efeitos dos 2.850 metros de altitude, as jogadoras do Brasil não conseguiram dominar as ações no primeiro tempo, e permitiram que as venezuelanas chegassem com perigo em algumas oportunidades, como aos 23 minutos, quando a volante Dayana Rodríguez acertou chute que passou muito perto da meta defendida pela goleira Lorena.

Porém, a seleção brasileira mostrou eficiência quando a chance de abrir o placar se apresentou. Aos 31 minutos a zagueira Isa Haas lançou Gio na ponta direita. A atacante partiu em velocidade e cruzou para o meio da área, onde a artilheira Amanda Gutierres só teve o trabalho de escorar para o fundo do gol.

Na etapa final o técnico Arthur Elias realizou várias mudanças na equipe brasileira, e o Brasil conseguiu ampliar o placar aos 43 minutos, com a volante Duda Sampaio. Agora, a seleção brasileira volta a entrar em ação na próxima quarta-feira (16), quando enfrenta a Bolívia a partir das 18h (horário de Brasília).

Goleada do Paraguai

O líder da chave do Brasil é o Paraguai, que, também neste domingo, goleou a Bolívia pelo placar de 4 a 0. As paraguaias foram superiores na partida e, logo aos 23 minutos do primeiro tempo, abriram o placar com a jovem atacante Claudia Martínez, de apenas 17 anos. A atacante do Olimpia (Paraguai) voltou a deixar a sua marca aos 40 minutos, com um chute de direita após cruzamento de Bareiro.

O terceiro gol do Paraguai saiu já na etapa final. Aos 15 minutos a defesa da Bolívia falhou e Martínez ganhou na velocidade para marcar seu terceiro gol no confronto. Já aos 45, Lice Chamorro marcou para dar números finais ao marcador.

Sob a batuta de Palmer, Chelsea derrota PSG para conquistar o mundo

Sob o comando do meia-atacante Cole Palmer, o Chelsea (Inglaterra) teve uma atuação de gala para derrotar o PSG (França) por 3 a 0, na tarde deste domingo (13) no MetLife Stadium, em Nova Jersey, e garantir o título da primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da Fifa que contou com a participação de 32 equipes.

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Considerando todos os formatos do Mundial de Clubes, o Chelsea somou neste domingo a sua segunda conquista na história, após vencer a edição de 2021, que contou com a participação de sete equipes.

Brilho de Palmer

Ao contrário das previsões de amplo domínio do PSG (atual detentor do título da Liga dos Campeões e que, até então, tinha as atuações mais impressionantes da competição), o primeiro tempo do confronto foi marcado por uma atuação perfeita do Chelsea, que teve como destaque o meia-atacante Palmer, que marcou dois gols e deu passe para mais um. O camisa 10 da equipe inglesa começou a decidir o confronto aos 21 minutos do primeiro tempo, quando recebeu passe do lateral Malo Gusto e bateu colocado para abrir o marcador.

Oito minutos depois Palmer voltou a brilhar para ampliar a vantagem do Chelsea. O camisa 10 do time inglês puxou contra-ataque pela ponta esquerda, tirou a marcação com um drible de corpo e chutou novamente com categoria para voltar a superar o goleiro Donnarumma.

Com a desvantagem no placar, o time francês adiantou suas linhas e passou a oferecer mais espaços para a equipe adversária. E foi desta forma que o Chelsea chegou ao terceiro. Palmer puxou novo contra-ataque aos 42 minutos e acertou passe em profundidade para o brasileiro João Pedro, que, dentro da área, teve apenas o trabalho de bater por cobertura para marcar um golaço.

Na etapa final a equipe inglesa mostrou maturidade e tranquilidade para fazer o tempo passar e garantir a vitória e o título da Copa do Mundo de Clubes da Fifa.

SPBC começa com debates sobre territórios, ciência e desenvolvimento

A 77ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) começou neste domingo (13) na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife. Com o tema Progresso é ciência em todos os territórios, que pretende abordar a ciência como integrante do desenvolvimento nacional, seu papel na criação de um país mais justo, plural e conectado.  

Os debates e discussões começam na segunda-feira (14) e seguem até o próximo sábado (19). Serão cerca de 200 eventos, entre painéis, mesas-redondas, conferências, apresentações culturais, premiações e atrações científicas interativas.

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Os organizadores do evento vão lançar a Pesquisa Nacional: Vozes, Territórios e o Futuro da Ciência Brasileira. 

“A SBPC está começando um novo ciclo, e queremos ouvir as pessoas. Lançamos uma pesquisa para entender melhor quem faz parte da nossa comunidade, onde estamos, quais os desafios que enfrentamos e o que esperamos para evolução da ciência no Brasil”, explica a vice-presidente da entidade, Francilene Garcia.

A coordenadora-geral do evento, a cientista Cláudia Linhares, disse que a intenção da SBPC este ano é abordar a diversidade brasileira, sob todos aspectos, olhando atentamente para os desafios de cada território, das grandes metrópoles às áreas rurais, periféricas e marginalizadas, observando as desigualdades. 

“Trataremos das desigualdade que vão desde o financiamento da ciência e da educação até às desigualdades sérias, tais como a fome, a violência, temas que perpassam as ciências da saúde, as exatas e as humanas”, afirmou a coordenadora, que também é professora de computação da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A ExpoT&C, que faz parte da reunião anual da SBPC, abre nesta segunda-feira, no campus Dois Irmãos da UFRPE. Com mais de 40 expositores, vindos de outras universidades e institutos de pesquisas públicos e privados, empresas, órgãos governamentais, sociedades científicas, agências de fomento, a mostra vai trazer as tecnologias mais avançadas, além de produtos e serviços desenvolvidos no país.

Para o presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, “esse evento é mais uma oportunidade para a SBPC demonstrar como a ciência pode contribuir para fortalecer a produção nacional”.

Ribeiro lembrou que “desde a criação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que incorporou, na década de 2010, o termo inovação, hoje amplamente reconhecido no setor produtivo, buscamos valorizar o ciclo virtuoso entre ciência e a geração de bens e serviços. Nosso propósito é que essa conexão seja cada vez mais reconhecida e promovida em nossa sociedade”.

Parque Cavernas do Peruaçu é reconhecido como patrimônio da Unesco

O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais, foi reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A decisão foi anunciada neste domingo (13), durante sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Paris.

“O título consagra o Peruaçu como um sítio de valor universal excepcional, pela sua combinação singular de relevância geológica, arqueológica, ecológica e paisagística”, celebrou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ao destacar o “esforço cotidiano” das comunidades locais e equipe do instituto na proteção da biodiversidade brasileira.

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“A conquista é fruto da atuação do governo federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do ICMBio e do Itamaraty, com o apoio de parlamentares, academia, sociedade civil e comunidade local, sobretudo o povo indígena Xakriabá que, com seus modos de vida e saberes tradicionais, protege historicamente o local”, disse instituto, em comunicado.

A unidade de conservação foi criada em 1999 em uma área de 56.448 hectares, que compreende os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, na região norte de Minas Gerais. O parque conta com mais de 200 cavernas catalogadas, sítios arqueológicos com vestígios humanos de até 12 mil anos, pinturas rupestres e uma biodiversidade que integra espécies típicas da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga.

“O reconhecimento também abre novas oportunidades para o ecoturismo, a pesquisa científica e a inclusão social das comunidades do entorno, especialmente por meio do fortalecimento da economia local e do turismo de base comunitária”, explicou o ICMBio.

Esse é o primeiro sítio do Patrimônio Mundial Natural localizado em Minas Gerais. No Brasil, a lista inclui, agora, nove sítios, que abrangem dezenas de unidades de conservação de beleza natural excepcional, como o Parque Nacional de Iguaçu, as Reservas da Mata Atlântica da Costa do Descobrimento, as Ilhas Atlânticas Brasileiras (Fernando de Noronha e Atol das Rocas) e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.

O local é aberto à visitação. As informações sobre os atrativos estão no site do ICMBio.