Governo federal reconhece situação de emergência em Petrópolis

O governo federal reconheceu situação de emergência no município de Petrópolis, na região serrana fluminense, devido às fortes chuvas que atingiram o estado entre sexta-feira (4) e domingo (6), segundo nota divulgada pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. 

Mais cedo, a Defesa Civil Nacional já havia reconhecido situação de emergência em Angra dos Reis, no sul fluminense. Com isso, os dois municípios podem solicitar recursos federais para ações de defesa civil, como compra de cestas básicas, água mineral, refeição para trabalhadores e voluntários, kits de limpeza de residência, higiene pessoal e dormitório, entre outros.

Notícias relacionadas:

O Corpo de Bombeiros fluminense resgatou pelo menos 80 vítimas das chuvas desde sexta-feira (4) no estado do Rio. Segundo a Secretaria Estadual de Defesa Civil, nenhuma delas estava em situação de saúde grave. Não foram registradas mortes até a tarde desse domingo (6).

Ainda de acordo com os bombeiros, até as 19h de ontem havia 523 pessoas desalojadas e 48 desabrigadas (ou seja, aquelas que precisaram de abrigo público) no estado. Angra dos Reis foi um dos municípios que mais registrou desalojados por causa das chuvas.

Segundo a prefeitura do município do litoral sul fluminense, o número de pessoas que tiveram que deixar suas casas superou 300, mas, às 21h20, havia caído para 174.

Em Petrópolis, as chuvas provocaram deslizamentos e alagamentos, mas não deixaram vítimas. Ruas tiveram que ser interditadas e os fornecimentos de água e de luz foram interrompidos em alguns locais do município. Mais de 3,3 mil pessoas ficaram sem luz, informou a prefeitura.

Ainda segundo a prefeitura do município da região serrana, em 24 horas, em algumas regiões, choveu 50% a mais do que o esperado para todo o mês. A previsão para o período era em torno de 200 milímetros (200 litros por metro quadrado), mas na localidade de São Sebastião, por exemplo, o pluviômetro registrou 301 mm acumulados em 24 horas, no sábado (5).

A Secretaria Estadual de Defesa Civil informou que os bombeiros atenderam a 522 ocorrências relacionadas às chuvas até as 19h de ontem, o que incluiu 150 salvamentos de animais e atuações em 37 alagamentos e 18 deslizamentos de terra.

Alison dos Santos volta a vencer na Jamaica, desta vez nos 400m rasos

O brasileiro Alison do Santos, o Piu, voltou a brilhar no Grand Slam Track, em Kingston (Jamaica), neste domingo (6), ao vencer a prova dos 400 metros rasos, que não é sua especialidade. Após a largada, Piu seguiu na terceira posição até acelerar na reta final e cruzar a linha de chegada em primeiro lugar em 45s52. Os norte-americanos Chris Robinson (45s54) e Caleb Dean (45s.68) terminaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Na noite de sexta (4), Piu já conquistara os 400m com barreiras – prova de sua especialidade – também no Estádio Nacional de Kingston.

“O vento estava muito forte, mas vim, fiz o meu trabalho e conquistei o prêmio. Fiz o meu melhor e significa muito porque amo competir, estar na pista. Quando virou os 200m vi que estava atrás e pensei que só não poderia perder para o Clarke”, detalhou Alison, que competiu há quase um ano na prova dos 400m rasos, no Florida Relays, quando fez o tempo de 45s25.

Com a segunda vitória seguida em Kingston, Piu totalizou 24 pontos e lidera o seu grupo de provas (400m com barreiras e 400m rasos). O brasileiro, bronze olímpico nos Jogos de Paris, também recebeu a premiação de US$ 100 mil (equivalente a R$ 584 mil) ao cravar duas vitórias seguidas em Kingston.

O Grand Slam Track é uma nova série de atletismo, organizada por Michael Johnson – quatro vezes campeão olímpico nos 200m e 400m -, com grandes atletas da modalidade. A competição abrange seis grupos de provas, cada uma com oito participantes (quatro corredores e quatro convidados, denominados desafiantes).

O circuito Grand Slam Track prevê ao todo 96 provas, sendo 24 delas por etapa. Após Kingston, os demais eventos serão nos Estados Unidos: de 2 a 4 de maio em Miami; de 30 de maio a 1º de junho na Filadélfia; e de 27 a 29 de junho em Los Angeles. Em cada evento, são disputadas provas de velocidade curta (100m – 200m), barreiras curtas (100m ou 110m com barreiras), velocidade longa (200m – 400m), barreiras longas (400 m com barreiras), meio-fundo (800m – 1.500 m) e fundo (3.000m – 5.000m).

Caminhada do Silêncio pede combate à impunidade da violência de Estado

Ativistas, pesquisadores, advogados e estudantes participaram neste domingo da 5ª Caminhada do Silêncio pelas vítimas de violência do Estado. A caminhada começou em frente ao antigo Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), na Rua Tutoia. O tema do ato foi “Ainda estamos aqui”, inspirado no filme de Walter Salles, premiado pelo Oscar deste ano e dedicado à memória da advogada Eunice Paiva.

O objetivo da caminhada é preservar a memória histórica e combater a impunidade das violências cometidas pelo Estado, tanto no período da ditadura militar quanto na atualidade. 

Notícias relacionadas:

Os manifestantes levaram cartazes com fotos de desaparecidos durante a ditadura e faixas com pedido de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de envolvimento na trama golpista que resultou no ataque de 8 de janeiro de 2023.

 

São Paulo (SP) 06/04/2025 – 5ª Edição da Caminhada do Silêncio pelas vítimas de violência do Estado, próximo ao Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos no Parque Ibirapuera. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O ato terminou no Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, no Parque Ibirapuera.

A mobilização foi organizada pelo Movimento Vozes do Silêncio, representado pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, Instituto Vladimir Herzog e a Organização dos Advogados do Brasil (OAB-SP). Conta ainda com apoio de diversas organizações da sociedade civil, como a Anistia Internacional Brasil, a Comissão Arns e a União Nacional do Estudantes (UNE), além do mandato do deputado estadual Antonio Donato (PT), autor da lei que incluiu o evento no calendário oficial da cidade de São Paulo.

.

Bolsonaro nega tentativa de golpe e diz esperar por “ajuda externa”

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro participaram na tarde deste domingo (6) de um ato na avenida Paulista, na região central da capital paulista, convocado por ele, para pedir a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro em Brasília. O protesto começou por volta das 14h e ficou centralizado na defesa do projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que concede anistia a condenados pelos atos antidemocráticos.

Em seu discurso Bolsonaro, defendeu a cabeleireira Débora Rodrigues Santos, presa por participação no ataque golpista e por ter pichado a estátua “A Justiça”, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), com um batom. Manifestantes vestidos de verde amarelo mostravam batons em referência a Débora, que já teve a prisão domiciliar concedida.

Notícias relacionadas:

Segundo a Procuradoria-Geral da República, ela aderiu ao movimento golpista desde o fim das eleições de 2022, e é suspeita de apagar provas e atrapalhar o trabalho de investigadores e da Justiça.

Durante sua fala, Bolsonaro disse acreditar que se estivesse no Brasil em 8 de janeiro teria sido preso, o que não ocorreu porque ele viajou para os EUA em 30 de dezembro de 2022. “Algo me avisou. Se eu estivesse no Brasil eu teria sido preso e estaria apodrecendo até hoje ou até assassinado”.

O ex-presidente lembrou que a falta de um dos filhos no ato, Eduardo Bolsonaro, que se licenciou do mandato de deputado federal e se mudou para os Estados Unidos alegando perseguição política. Segundo ele, Eduardo tem contato com pessoas importantes do mundo todo. “Tenho esperança que de fora venha alguma coisa para cá”.

 

REUTERS/Amanda Perobelli/Proibida reprodução

Inelegível

Além de Bolsonaro, estavam presentes na manifestação o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; o de Minas Gerais, Romeu Zema; o do Paraná, Ratinho Junior; o do Amazonas, Wilson Lima; o de Goiás, Ronaldo Caiado; o de Mato Grosso, Mauro Mendes; e o de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL). Parlamentares e outras autoridades, como o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também participaram do ato.

Bolsonaro está inelegível por 8 anos, até 2030, porque a Justiça Eleitoral entendeu que a reunião com embaixadores estrangeiros, em julho de 2022, no Palácio da Alvorada, teve uso eleitoral. Na ocasião, o então presidente, fez afirmações sem provas, desacreditando o sistema eleitoral brasileiro.

Ele é réu por tentativa de golpe, junto com mais sete pessoas, desde o mês passado, desde a decisão unânime da Primeira Turma do STF. Os cinco ministros votaram para aceitar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A partir de então, Bolsonaro e os outros réus, passarão a responder a um processo penal que pode condená-los à prisão.

União Europeia busca unidade em primeira ação contra tarifas de Trump

Os países da União Europeia tentarão apresentar uma frente unida nos próximos dias contra as tarifas de importação dos Estados Unidos criadas por Donald Trump, provavelmente aprovando um primeiro conjunto de contramedidas direcionadas a até US$28 bilhões em importações de produtos norte-americanos, de fio dental a diamantes.

Tal medida significará que a UE se juntará à China e ao Canadá na criação de sobretaxas retaliatórias contra os EUA, em uma escalada do que alguns temem que se torne uma guerra comercial global aberta, tornando os produtos mais caros para bilhões de pessoas e levando as economias de todo o mundo à recessão.

Notícias relacionadas:

O bloco de 27 países europeus enfrenta tarifas de importação de 25% sobre aço, alumínio e automóveis e tarifas “recíprocas” de 20% a partir de quarta-feira para quase todos os outros produtos.

As sobretaxas de importação criadas pelo governo Trump abrangem cerca de 70% das exportações da UE para os EUA ─ que no ano passado somaram 532 bilhões de euros – com prováveis tarifas sobre cobre, produtos farmacêuticos, semicondutores e madeira ainda por vir.

A Comissão Europeia, que coordena a política comercial da UE, proporá aos membros no final da segunda-feira uma lista de produtos norte-americanos a serem atingidos com taxas extras em resposta às tarifas sobre aço e alumínio de Trump, em vez de taxas recíprocas mais amplas.

A lista deverá incluir carne, cereais, vinho, madeira e roupas dos EUA, bem como goma de mascar, fio dental, aspiradores de pó e papel higiênico.

Um produto que recebeu mais atenção e expôs a discórdia no bloco foi o uísque. A Comissão estabeleceu uma tarifa de 50%, o que levou Trump a ameaçar com uma contra-tarifa de 200% sobre as bebidas alcoólicas da UE se o bloco for adiante.

Os exportadores de vinho França e Itália expressaram preocupação. A UE, cuja economia depende fortemente do livre comércio, está empenhada em garantir que terá amplo apoio para qualquer resposta, de modo a manter a pressão sobre Trump para que o bilionário assessorado por Elon Musk reveja as novas tarifas.

Luxemburgo sediará na segunda-feira a primeira reunião política em toda a UE desde o anúncio de Trump sobre as tarifas abrangentes, quando os ministros responsáveis pelo comércio dos 27 membros da UE trocarão opiniões sobre o impacto e a melhor forma de responder.

Diplomatas da UE afirmaram que o principal objetivo da reunião será a obtenção de mensagem unificada do desejo de negociar com Washington a remoção das tarifas, mas com a disposição de responder com contramedidas caso isso não aconteça.

“Nosso maior temor após o Brexit eram acordos bilaterais e uma quebra de unidade, mas isso não aconteceu durante três ou quatro anos de negociações. É claro que aqui temos uma história diferente, mas todos podem ver o interesse em uma política comercial comum”, disse um diplomata da UE.

Contra-tarifas

Entre os membros da UE, há um espectro de opiniões sobre como reagir. A França disse que a UE deveria trabalhar em um pacote que vai muito além das tarifas e o presidente francês Emmanuel Macron sugeriu que as empresas europeias deveriam suspender os investimentos nos EUA até que “as coisas sejam esclarecidas”.

A Irlanda, que tem quase um terço de suas exportações para os EUA, pediu uma resposta “ponderada e comedida”, enquanto a Itália, que tem um governo favorável a Trump e é o terceiro maior exportador da UE para os EUA, questionou se a UE deveria mesmo revidar.

“É um equilíbrio difícil. As medidas não podem ser muito brandas para fazer os EUA virem à mesa de negociações, mas também não podem ser muito duras para levar a uma escalada”, disse um diplomata da UE.

Até o momento, as conversas com Washington não renderam frutos. O chefe de comércio da UE, Maros Sefcovic, descreveu sua conversa de duas horas com os pares norte-americanos na sexta-feira como “franca”, pois disse a eles que as tarifas norte-americanas eram “prejudiciais e injustificadas”.

As contra-tarifas iniciais da UE serão, de qualquer forma, submetidas a uma votação na quarta-feira e serão aprovadas, exceto no caso improvável de uma maioria qualificada de 15 membros da UE, representando 65% da população da UE, se opor a elas. Elas entrarão em vigor em duas etapas, uma parte menor em 15 de abril e o restante um mês depois.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também realizará discussões separadas na segunda e terça-feira com os principais executivos dos setores siderúrgico, automotivo e farmacêutico da UE para avaliar o impacto das tarifas e determinar o que fazer em seguida.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Livro de memórias de Ney Matogrosso será tema do Clube do Livro CCBB

Mais uma vez, a coerência pontua a vida do cantor Ney Matogrosso, contada no livro Ney Matogrosso – Vira-lata de raça – memórias. A publicação surgiu em um momento em que o cantor pensava em reunir todas as matérias publicadas sobre ele, para ver se era coerente em seu pensamento. “Foi assim que começou a história do livro”, contou em entrevista à Agência Brasil.

Embora seja um livro de memórias de passagens marcantes da sua trajetória pessoal e profissional, Ney revelou que, durante o trabalho com o organizador do livro, o escritor Ramon Nunes Mello, não teve a questão de reviver o passado, porque tudo já está muito distante no tempo.

Notícias relacionadas:

“Então, não tem, assim, movimento emocional. Não existe isso. É uma coisa que sai conversando, e eu dou total liberdade de perguntar o que quiser. Não tem problema”, afirmou, explicando que foi fácil trabalhar com Ramon, de quem é amigo desde 2011. “Ele me conhecia”.

Clube de Leitura

Todas essas histórias serão divididas com o público que estará presente no segundo Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil em 2025, no dia 9. Os encontros organizados pelo CCBB, sempre na segunda quarta-feira de cada mês, são realizados no Salão de Leitura da Biblioteca Banco do Brasil, no quinto andar do CCBB-Rio. Com entrada gratuita, a retirada dos ingressos é na bilheteria do CCBB ou pelo site.

“Vamos lá sentar e conversar. Não sei nem qual é o formato da coisa. Sei que a gente vai sentar em uma mesa e começar a conversar sobre o livro. Quer dizer, o assunto é o livro, mas é de uma maneira mais geral, não é restrito a ele”, explicou Ney, disposto a conversar sobre qualquer assunto da sua trajetória.

Para o artista, a elaboração do Ney Matogrosso – Vira-lata de raça – memórias, foi bem diferente da que viveu com o primeiro livro publicado sobre ele. O Um cara meio estranho, escrito pela jornalista Denise Pires Vaz, causou um certo impacto nele.

“Nunca tinha falado sobre a minha vida tão claramente para um livro. Um cara meio estranho, da escritora chamada Denise, uma jornalista na verdade, me deixou meio inseguro de estar expondo tanta coisa da minha vida, mas eu também não achava outra forma de falar que não fosse a verdade. Eu fiquei meio inseguro. Já com o Ramon, não. Não tive insegurança em nenhum momento. No primeiro, eu não sabia qual seria a reação àquilo. Nesse, eu já estava mais firme, mais maduro da cabeça”, comparou.

Parte dessa sensação de mais conforto vem da amizade que ele e Ramon têm há 14 anos. “O fato de ser uma pessoa com que eu tinha proximidade mudou tudo. A primeira, não. Eu não conhecia a moça. Ela, um dia, chegou para mim e disse que queria fazer um livro. Eu fiz uma entrevista para uma revista com ela e, logo em seguida, passado um tempo, ela veio com essa história de livro. Eu falei: ‘Não quero livro. Não quero falar da minha vida’, mas ela foi insistente. Nós tivemos várias brigas durante o percurso todo do livro”, comentou, concordando que a insistência de Denise foi meio Ney, em ser firme no que quer fazer. “Sim, e aí fui concedendo para ela, mas irritado. Ela queria ir muito”, disse sorrindo.

Ramon destacou que ele não se coloca como autor e, sim, organizador do livro, com um trabalho de escuta de quem é o personagem da publicação. “A minha assinatura não está na capa, está na parte interna do livro. É como se o Ney tivesse contando aquela história, em um livro de memórias. Não me proponho a fazer uma biografia. Não é uma biografia. É um livro de memórias, com fragmentos de vida importantes para o Ney”, explicou.

Ney Matogrosso com o Ramon Nunes Mello. Divulgação/Isa Pessoa.

Saída de casa

Entre as memórias que estão no livro, estão as divergências que tinha com o pai, que tentou impor sua autoridade e moldar o seu comportamento. Foi, por não concordar com isso, que saiu de casa.

“Sabe o que eu acho disso? Dessa história minha de ter saído de casa aos 17 anos? Foi a melhor coisa que eu fiz na vida. Eu ousaria dizer que todos os adolescentes deveriam fazer isso. Sai de casa, vai viver sua vida. Você estuda o suficiente, sai de casa e vai viver sua vida. É uma experiência muito boa. No final da sua juventude, você vai crescendo mais seguro de si, dono da sua história, dono da sua vida. Tudo que meu pai me proibiu, depois que eu saí de casa, eu me aproximei de tudo, teatro, música, pintura. De tudo, tudo, eu me aproximei”, relatou, dizendo que, assim, teve oportunidade de expandir o seu horizonte. “Sim, porque só me interessava a arte mesmo. Era só isso”.

Ney contou que este momento só reforçou a sua necessidade de viver em liberdade. “Acho que a única forma boa de viver é com liberdade total, absoluta. Claro que, na vida, a gente vai mudando. Há momentos em que você quer mais liberdade, e, outros, em que você necessita de menos, mas é isso. A liberdade sempre em primeiro lugar para mim, sempre, desde criança, dentro e fora de casa”, pontuou.

Mediadores

A mediação deste Clube de Leitura será da curadora Suzana Vargas e do Ramon Nunes Mello, com o microfone aberto para o público presente nos 30 minutos finais do encontro. Já no quarto ano de existência, o clube começou no fim da pandemia e tem mantido um público fiel. Segundo Suzana Vargas, um dos objetivos do clube é tratar a leitura de uma forma mais plural.

“O Ney é uma grande personalidade da cultura brasileira e é um grande leitor. Esse é um traço que as pessoas desconhecem, veem o Ney no palco e não levam em conta o homem de cultura que ele é. A gente vai conversar também sobre os livros na vida dele. O público vai ter oportunidade de se informar sobre o Ney”, afirmou à Agência Brasil.

“O Ney é um bicho livre, só faz o que deseja, não tem nenhum tipo de censura ou autocensura para absolutamente nada. Aqui no livro, ele se desnuda, o envolvimento dele com drogas, ele nomeia e dá nome aos bois e também a tudo que contribuiu para ele ser a pessoa que é hoje. Um dos artistas que mais admiro no sentido da postura existencial dele”, completou, adiantando que, durante a conversa, Ney vai ler um trecho do livro, que estará à venda na entrada da Biblioteca.

“Pra mim o Ney é o símbolo da liberdade. Se você pensa na liberdade no Brasil, você pensa no Ney, esse ser que defende a livre manifestação artística, a manifestação do ser e vem com essa bandeira desde que estreou. Então, ele tem uma coerência muito grande no pensamento dele, no que acredita, no que defende, e isso no auge dos 83 anos”, afirmou Ramon, acrescentando que Ney é um multiartista, cantor, compositor, dançarino, ator de cinema, iluminador e diretor de teatro e shows, além de ativista do meio ambiente e da defesa de animais.

Filme

O Clube de Leitura com o livro do Ney Matogrosso – Vira-lata de raça – memórias ocorre pouco antes da estreia, no dia 1º de maio, de outra obra: o filme Homem com H, que conta momentos da vida do artista que quebrou preconceitos e sempre se destacou pela verdade com que conduz o seu caminho. O longa é dirigido pelo diretor Esmir Filho.

A coincidência entre os dois lançamentos é que o livro foi uma das fontes para o filme. “Eles juntaram [esse livro] com o livro do Júlio Maria [Ney Matogrosso: A biografia]. Juntaram as informações desses dois livros e fizeram o filme”, contou o cantor.

Ney já assistiu ao filme mais de uma vez e gostou de ter participado diretamente durante a produção. “Eu tinha uma única coisa que pedia ao diretor: ‘não pode ter mentira’. O filme tem que prezar somente a verdade, e trabalhamos assim, com muita liberdade. Eu li 12 roteiros do filme”.

O personagem principal gostou do que viu. “Eu vi o filme e confesso que na primeira vez, fiquei bastante emocionado, porque era muita coisa crua jogada na minha cara, mas eu gosto do filme, gosto muito do resultado. Os atores estão maravilhosos, todos. O diretor é muito bom”, elogiou, brincando com a diferença de linguagens entre as duas obras. “É, em um livro você imagina, no cinema você vê”, concluiu.

Milhares de indígenas acampam em Brasília pelo direito à terra

A 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) recebe, neste domingo (6), em Brasília, milhares de indígenas de todas as regiões do país em defesa da demarcação dos seus territórios. São esperadas cerca de 10 mil indígenas com previsão de atos e programações entre 7 e 11 de abril.

No acampamento, em meio ao comércio do artesanato indígena, o português se mistura com outras das 274 línguas indígenas do Brasil, na maior mobilização anual dos povos originários brasileiros.  

Notícias relacionadas:

A indígena Andrea Nukini, de 44 anos, levou quatro dias e quatro noites viajando de ônibus da aldeia do povo Nukini, no município de Mancio Lima (AC), até Brasília. Segundo ela, a falta de demarcação obriga os povos a se manterem mobilizados.

“A nossa luta nunca acaba, porque a gente nunca tem o território totalmente nosso e demarcado. Era para todos nós, povos indígenas, termos nossos territórios demarcados, como manda a Constituição há mais de 35 anos. Mas isso não acontece”, destacou a indígena Nukini.

Marco Temporal.

Entre as prioridades do movimento neste ano, como nas edições anteriores, está a luta contra o Marco Temporal, tese que diz que apenas os povos indígenas que estavam em seus territórios na promulgação da Constituição, em outubro de 1988, têm direito à demarcação da terra.

A coordenadora secretária da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Marciely Tupari, explicou que a expectativa é reverter o cenário atual, criado com a mesa de conciliação estabelecida no Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o Marco Temporal. Indígenas organizados abandonaram a mesa por contestarem sua legitimidade.

“O movimento indígena definiu que estar nesse espaço era validar o que o Gilmar Mendes estava propondo, e uma das propostas era a mineração em territórios indígenas, o que sempre fomos contra. Não fazia sentido a gente estar num espaço para debater os nossos direitos e liberar o nosso território para empreendimentos. Nossos direitos não são negociáveis”, afirmou a liderança.

 

Marciely Tupari, coordenadora secretária da COIAB, em frente a barracas no Acampamento Terra Livre (ATL), no espaço Funarte. Bruno Peres/Agência Brasil

Após o Marco Temporal ser considerado inconstitucional pelo STF, o Congresso Nacional aprovou a lei que instituiu a tese. O caso, então, voltou para o Supremo e o relator do processo, ministro Gilmar Mendes, abriu uma mesa de conciliação para tratar do tema, solução que vem sendo rejeitada pelo movimento indígena.

Nessa mesa, Gilmar Mendes apresentou proposta de legislação que abre caminho para mineração em terras demarcadas. Posteriormente, a proposta foi retirada, mas voltará a ser tratada em outra conciliação aberta por Mendes. 

“A gente tem exemplo do impacto que a mineração traz para dentro dos territórios e dos nossos rios, como ocorre com os Yanomami e os Munduruku. Os parentes estão sofrendo com a desnutrição, com mercúrio dentro do corpo, os peixes estão contaminados”, justificou Marciely.

Agronegócio e COP30

O ATL 2025 busca ainda articular a pauta dos povos indígenas com a realização da COP30, para convencer os países que vem ao Brasil de que a demarcação dos territórios indígenas é parte da luta contra o aquecimento da terra. A Conferência da ONU para Mudanças Climáticas (COP30) ocorrerá em Belém (PA), em novembro deste ano.

“A gente está se articulando também para fazer, por exemplo, uma NDC [Contribuição Nacionalmente Determinada} indígena, para se contrapor à NDC que o governo lançou na COP do ano passado, quando ele não introduziu os problemas que o agronegócio traz para as mudanças climáticas”, acrescentou a liderança da COIAB.

As NDC são as metas definidas pelos países para redução dos gases do efeito estufa. O governo brasileiro apresentou sua NDC prevendo reduzir em 53% a emissão de gases até 2030

‘A resposta somos nós’

Com o tema “A respostas somos nós: Em defesa da Constituição e da vida”, o Acampamento Terra Livre de 2025 é organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e deve receber cerca de 200 povos de todas as regiões do país em cinco dias de programações e protestos à favor da demarcação das terras indígenas.

 

Indígenas montam barraca no Acampamento Terra Livre (ATL), no espaço Funarte. Bruno Peres/Agência Brasil

Após vídeo, Israel muda versão de assassinatos de paramédicos em Gaza

O exército israelense forneceu novos detalhes que mudaram sua versão inicial sobre o assassinato de 15 trabalhadores de emergência perto da cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, no mês passado, mas disse que investigadores ainda examinam as evidências.

Os 15 paramédicos e socorristas foram mortos a tiros em 23 de março e enterrados em uma cova rasa, onde seus corpos foram encontrados uma semana depois por funcionários das Nações Unidas e do Crescente Vermelho Palestino. Outro homem ainda está desaparecido.

Notícias relacionadas:

Os militares de Israel disseram inicialmente que os soldados abriram fogo contra veículos que se aproximaram de sua posição de forma “suspeita” no escuro, sem luzes ou marcações. Eles disseram que mataram nove militantes do Hamas e da Jihad Islâmica que estavam viajando em veículos do Crescente Vermelho Palestino.

No entanto, um vídeo recuperado do celular de um dos homens mortos e publicado pelo Crescente Vermelho Palestino mostra trabalhadores de emergência em seus uniformes e ambulâncias e caminhões de bombeiros claramente marcados, com as luzes acesas, sendo atacados a tiros pelos soldados israelenses.

O único sobrevivente conhecido do incidente, o paramédico do Crescente Vermelho Palestino Munther Abed, também disse ter visto soldados israelenses abrindo fogo contra veículos de emergência claramente identificados.

Um oficial militar israelense disse no final do sábado que investigadores estão examinando o vídeo e que as conclusões devem ser apresentadas aos comandantes do exército neste domingo.

A mídia israelense informada pelos militares relatou que as tropas haviam identificado pelo menos seis dos 15 mortos como membros de grupos militantes. No entanto, o oficial se recusou a fornecer qualquer evidência ou detalhe de como as identificações foram feitas, dizendo que não queria compartilhar informações confidenciais.

“De acordo com nossas informações, havia terroristas no local, mas a investigação ainda não terminou”, disse ele a jornalistas na noite de sábado.

A ONU e a Cruz Vermelha Palestina exigiram uma investigação independente sobre a morte dos paramédicos.

Autoridades do Crescente Vermelho disseram que 17 paramédicos e trabalhadores de emergência do Crescente Vermelho, do Serviço de Emergência Civil e da ONU foram enviados para responder a relatos de ferimentos causados por ataques aéreos israelenses.

Além de Abed, que foi detido por várias horas antes de ser liberado, outro trabalhador ainda está desaparecido.

Fogo aberto

O oficial militar disse que os resultados iniciais da investigação mostraram que as tropas de Israel abriram fogo contra um veículo por volta das 4h da manhã, matando dois membros das forças de segurança interna do Hamas e fazendo outro prisioneiro, que, segundo o oficial, admitiu em interrogatório ser do Hamas.

Com o passar do tempo, vários veículos passaram pela estrada até que, por volta das 6h da manhã, ele disse que as tropas receberam informações da vigilância aérea de que um grupo suspeito de veículos estava se aproximando.

“Eles acharam que se tratava de outro incidente como o que aconteceu às 4h da manhã e abriram fogo”, disse o oficial.

Ele disse que as imagens de vigilância aérea mostraram que as tropas israelenses estavam a uma certa distância quando abriram fogo, e negou os relatos de que as tropas israelenses algemaram pelo menos alguns dos paramédicos e atiraram neles à queima-roupa.

“Não foi de perto. Eles abriram fogo de longe”, disse ele. “Não há maus-tratos contra as pessoas de lá.”

Ele disse que os soldados de Israel haviam se aproximado do grupo que haviam atacado, identificando pelo menos alguns deles como militantes. No entanto, ele não explicou quais evidências levaram a essa avaliação.

“E, a seu ver, eles tiveram um encontro com terroristas, o que é um encontro bem-sucedido com terroristas.”

Ele disse que as tropas de Israel informaram a ONU sobre o ataque no mesmo dia e inicialmente cobriram os corpos com uma rede de camuflagem até que pudessem ser recuperados. As autoridades da ONU não responderam imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

“Não houve nenhum incidente em que as IDF tentaram encobrir. Pelo contrário, eles ligaram para a ONU imediatamente.”

Mais tarde, quando a ONU não chegou imediatamente para levar os corpos, os soldados os cobriram com areia para impedir que os animais os pegassem, disse o funcionário.

Ele disse que os veículos foram empurrados para fora do caminho por um veículo pesado de engenharia para limpar a estrada, mas não conseguiu explicar por que os veículos foram esmagados pelo veículo de engenharia e depois enterrados.

* É proibida a reprodução deste texto e foto

Após 15 anos, sobreviventes contam traumas de temporais em Niterói

O pintor Raphael Lacerda de Abreu foi passar apenas uma noite no estúdio de gravação de um amigo, em Niterói, para a gravação da música Outro Mundo, trabalho musical que ele assina como MC Xacal. Aquela noite, entretanto, foi a de 7 de abril de 2010, quando um temporal de proporções ainda difíceis de estimar causou um cenário de devastação na cidade da região metropolitana do Rio de Janeiro.

Fechado no estúdio, ele só descobriu no dia seguinte que a casa em que morava com o pai, a madrasta e o irmão, na comunidade São José, foi destruída pela tempestade. O melhor amigo, que morava no segundo andar, também foi vítima do desabamento. Desabrigado e sem sua família mais próxima, Raphael teve que se mudar para a casa de um amigo.

Notícias relacionadas:

“Quando foi por volta de 9h30 da manhã seguinte, a minha prima me ligou”, lembra ele. “Ela disse: ‘pelo amor de Deus, a sua casa desabou, Raphael’. Senti muito pânico na voz dela, mas não entendi nada. Ela desligou e, depois, acho que a minha tia me ligou com muito mais calma e falou: ‘Olha, Raphael, vai lá para casa, porque parece que foi um terror’. Eu já fiquei sem chão, porque estava todo mundo em casa”.

Com a ajuda de voluntários e de uma retroescavadeira, o primeiro corpo a ser encontrado foi o do pai, três dias depois do desabamento da casa em que Raphael passou a adolescência e o início da juventude. Em seguida, foram retirados dos destroços os corpos da madrasta, do irmão e do melhor amigo. Todos os quatro foram encontrados juntos.

A consequência mais devastadora daquele temporal foi o deslizamento do Morro do Bumba, que deixou 48 mortos e 200 desaparecidos, cujos corpos nunca foram encontrados. A comunidade havia sido construída sobre um antigo lixão, e a falta de sustentação do solo fez com que uma encosta com dezenas de residências fosse a baixo.

As fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana do Rio de Janeiro naquela semana começaram no dia 5 de abril, e continuaram a encharcar o solo até culminarem no desabamento do dia 7. Outras 25 regiões além do Morro do Bumba foram afetadas com maior gravidade na cidade, segundo o secretário municipal adjunto da Defesa Civil de Niterói, Walace Medeiros. De acordo com o coronel, na época, o município não possuía instrumentos adequados para medir o volume das chuvas, mas noticiários do período estimaram pouco mais de 300 mm em quatro dias: “Isso é um volume de chuva considerado muito alto. É mais do que o estimado para um mês”, compara.

Raphael Lacerda de Abreu sobreviveu à tragédia – Arquivo pessoal

Abrigos

Quem sobreviveu à tragédia no Bumba e em outras comunidades de Niterói passou por um período de espera para ter seu direito à moradia efetivado. Após os deslizamentos, eles foram encaminhados para dois abrigos municipais: o 4º Grupo de Companhias de Administração Militar (G-CAM), no Barreto, e o 3º Batalhão de Infantaria (3º BI), em Venda da Cruz, em São Gonçalo. Nos espaços, foram cadastrados para receber o aluguel social, um benefício no valor de R$ 400 pago pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro às vítimas.

“Tentei ir para o abrigo, mas não tinha condição. Era uma situação muito pesada. Então, quem tinha condições de ir para a casa de um amigo ou de um parente, ia. Realmente, não queria ficar no abrigo. Já estava na casa do meu amigo, então continuei”, conta Raphael.

Também vítima das chuvas, Adriana Cláudio Pereira da Silva não perdeu a casa ou familiares durante a tempestade, mas precisou abandonar o lar no Morro do Viradouro, localizado no bairro de mesmo nome, após uma vistoria da Defesa Civil, que identificou uma rachadura na residência devido à queda de uma barreira. Ela recorda que pelo menos três casas desabaram na comunidade durante a noite de chuvas mais intensas.

Diferentemente de Raphael, Adriana e a família — o companheiro e duas filhas — decidiram evacuar o local e ir para o abrigo. Primeiro, eles foram recebidos na associação de moradores da comunidade e, depois, em uma creche comunitária, de onde foram levados para o 3º BI. Lá, a família viveu provisoriamente por quatro anos.

“Quatro anos morando em um lugar provisório que era um quartel abandonado. Ficamos lá porque a Prefeitura dizia que ia nos assistir, mas era um lugar abandonado, com um banheiro coletivo. Era uma coisa horrenda, não conseguíamos dormir direito, era briga todo dia, não tinha como entrar no banheiro, não tinha como tomar banho. Era uma coisa bem precária mesmo”, lembra.

No espaço desativado cedido pelo Exército, Adriana diz que “não vivia, sobrevivia, porque era um dia pior que o outro”. A situação se tornou ainda mais complicada quando descobriu que estava grávida, dois meses após chegar ao 3º BI. “Passei esse período todo no quartel gestante e tive meu filho lá. Foi bem complicado, porque só descobri que estava grávida quando já tinha dois meses. Na época em que aconteceu tudo isso, estava tão preocupada, tão nervosa com tanta coisa acontecendo, com tanta mudança, que não percebi. Quando saímos de lá, o meu filho já estava com três anos”. 

Mesmo com a precariedade do abrigo, o que manteve Adriana no 3o BI foi a promessa de ser uma das primeiras a receber um apartamento no condomínio em construção para os desabrigados e desalojados em razão das chuvas, além da impossibilidade de alugar um espaço para viver com a família, agora com cinco membros, com o valor do aluguel social, que não passou por reajuste ao longo dos anos. Somente quando a Prefeitura de Niterói anunciou que seriam pagos R$ 600 adicionais às vítimas que Adriana pôde alugar um espaço para viver até a inauguração do conjunto habitacional no Fonseca.

Morro do Bumba, local mais afetado pela tragédia, foi transformado em parque Prefeitura de Niterói/Divulgação

Conjuntos habitacionais

Cinco anos após a tragédia, em 2015, as chaves dos 374 apartamentos dos conjuntos habitacionais Zilda Arns I e II foram entregues aos moradores pelo então prefeito Rodrigo Neves (PDT), em um evento com representantes da Caixa Econômica Federal (CEF). Durante as obras, vários problemas estruturais surgiram, o que causou a demolição de um dos blocos e o atraso na finalização da construção. Nos últimos 10 anos, no entanto, os moradores do conjunto habitacional passaram a denunciar rachaduras nos prédios e problemas de falta de energia em um dos blocos.

“Tem muito problema de rachadura, mas o que reclamo daqui é a falta de comunicação da Caixa. Eles colocaram uma equipe para vigiar o solo, fazer o acompanhamento, ver se está afundando ou se está tremendo, só que nós, moradores, não temos acesso a esses laudos. A Caixa tinha que dar o direito aos moradores de ter acesso. Eu adquiri ansiedade depois das chuvas, então toda vez que chove, eu tenho crise. Queria ter o direito de saber como estão esses acompanhamentos”, protesta Adriana. 

Questionada sobre os problemas no condomínio, a Caixa informou, em nota, que os Residenciais Zilda Arns I e II foram contratados por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida, a partir de Recursos do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), junto à Construtora Imperial Serviços Ltda., responsável pela obra e pela entrega das unidades habitacionais aos beneficiários, o que ocorreu em 2016. No texto, o banco afirmou que “acompanha a situação dos empreendimentos e vem promovendo os reparos necessários para solucionar vícios construtivos deixados pela construtora responsável pelos empreendimentos, inclusive com mapeamento das trincas de todos os blocos e execução de recuperação da alvenaria estrutural”. 

O banco também afirmou que contratou monitoramento técnico especializado para acompanhamento contínuo nos blocos do empreendimento, não havendo sinal de agravamento ou risco estrutural até o momento, e acrescentou que problemas relacionados à ausência de manutenções preventivas são responsabilidade exclusiva dos condomínios constituídos. Ainda, a CEF esclarece que “a Construtora Imperial Serviços Ltda. e seus sócios estão impedidos de operar em novos projetos com o banco”.

Com relação ao aluguel social, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEASDH) informou à Agência Brasil que prevê reajuste dos valores do benefício e explicou que tem em seu escopo de planejamento e gestão de 2025 a revisão do recurso em função dos índices inflacionários. A pasta ressaltou que os valores são definidos de acordo com os decretos publicados em cada situação específica de calamidade ou emergência, englobando municípios com realidades de mercado de imóveis diferentes. 

Prevenção

Professor do Departamento de Geologia e Geofísica da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Luiz Ferrari afirma que, em algumas encostas, “o melhor que se faz é não ocupar”.

“O que deveria ter sido feito é ter retirado a população dali [Morro do Bumba], buscado uma área que fosse razoável para aquelas pessoas que já estavam ali há muitos anos e ter construído moradias adequadas. Depois dessa tragédia no Bumba, se fez algumas obras de contenção das encostas. Hoje, tem um parque lá, recuaram a encosta, diminuíram a declividade e tiraram o material do lixão, mas isso deveria ter sido feito quando se parou de jogar lixo ali. Isso que teria impedido essa tragédia”.

Professora da UFF Regina Bienenstein. Arquivo pessoal

Segundo a professora do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFF, Regina Bienenstein, um dos principais impactos de tragédias como essas é a constante sensação de risco, que leva moradores ao estado de alerta a cada vez que chove.

“Você pode perguntar: por que eles não saem? Eles não saem porque não tem alternativa, então ou eles moram ali, ou moram na rua, e onde é menos perigoso? Hoje, eu não sei”, avalia a pesquisadora. 

O Censo de 2022 mostra que Niterói concentra 15,73% (36.304) dos domicílios em favelas e comunidades urbanas. Ao todo, 86.983 pessoas residem em favelas na cidade, representando 18,06% da população total. A maioria se identifica como negra (73,26%), sendo 47,72% autodeclarada parda e 25,54% preta. 

No Indicador de Capacidade Municipal (ICM), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Social (MIDR), Niterói surge entre os 1.972 municípios mais suscetíveis a ocorrências de deslizamentos, enxurradas e inundações a serem priorizados nas ações do Governo Federal de gestão de risco e de desastres. Com base em dados coletados de 1991 a 2022, a cidade possui 33.822 pessoas em áreas mapeadas como de risco geo-hidrológico, cerca de 7% da população total do município (481.758).

Para Bienenstein, Niterói carece de uma política de garantia de moradia a todas as parcelas da população, especialmente a mais vulnerabilizada. “Niterói precisa olhar para essa cidade popular, porque o Executivo municipal hoje não olha. Quando olha, é para fazer intervenções pontuais, que não garantem o direito à habitação, como a Constituição considera. A Constituição considera que o direito à moradia não é somente o direito a uma casa, mas também à acessibilidade, à mobilidade, a serviços, à infraestrutura e a não ter riscos”, defende. 

Investimentos municipais

A Prefeitura de Niterói afirma que tem investido em melhorias de infraestrutura nas comunidades da cidade desde 2013. Nesse período, mais de R$ 1,5 bilhão foi empregado em obras de drenagem, pavimentação e contenção de encostas em todas as regiões do município. Conforme a Prefeitura, “as ações acontecem de acordo com um trabalho criterioso de análise que segue o Plano de Gerenciamento e Prevenção de Riscos. Essas obras são essenciais para prevenir ocorrências graves em casos de chuva extrema”.

A pasta também informou que, desde 2013, a Defesa Civil de Niterói foi estruturada e realiza o monitoramento constante da cidade com sistema de alerta e alarme por 37 sirenes instaladas em locais estratégicos de 33 comunidades e 46 pluviômetros automáticos. Como uma das estratégias de resiliência, também foram criados 153 Núcleos de Defesa Civil (Nudecs) em diversas localidades, que contam com a participação de cerca de 3,4 mil voluntários para apoiar as ações emergenciais. 

Em caso de necessidade de evacuação das casas, a Prefeitura expressou que existe um planejamento e mapeamento de rotas de fuga com um ponto de apoio estabelecido para receber os moradores e acrescentou que, em 2024, foi instalado um novo radar meteorológico que permite maior previsibilidade e acompanhamento das tempestades, além de possibilitar estudos de mitigação de riscos e demais projetos voltados ao aumento da proteção do cidadão e da capacidade de resiliência do município.

“A Secretaria de Defesa Civil, Resiliência e Clima está implementando ainda um pacote de ações que aliam a experiência e técnica dos seus agentes com a captação de imagens de drones e satélites, mapas georreferenciados, sensores e robôs. As ações tecnológicas estão dentre os planos de tornar a cidade mais resiliente e envolver cada vez mais os moradores para minimizar os impactos das mudanças climáticas, como incêndios em vegetação e tempestades severas”, complementou.

Para o pintor Raphael Lacerda de Abreu, a falta de prevenção foi a grande falha da cidade na época do desastre. “Sempre pagamos tudo do terreno, IPTU, água, luz. Será que eles não conseguiriam fazer um levantamento dizendo que ali seria impróprio (para moradia)? Até no próprio Bumba, deixaram construir em cima de um lixão. Você sabe que vai dar ruim, que em algum momento vai ter problema”, continua.

“As pessoas se foram. O apagamento existe para quem não perdeu nada, sabe? Para mim, que perdi e perdi muito, não existe. Foram quatro pessoas, três da família, então, não existe apagamento”

Para o presidente da Associação de Vítimas do Morro do Bumba, Francisco Carlos Ferreira de Souza, se não fosse a participação de voluntários da cidade e de outros municípios, como São Gonçalo, o resgate das vítimas teria sido muito mais difícil. “Se não fosse a solidariedade das pessoas, não só daqui de Niterói, como também de outros estados, até chegarem o Estado ou o Município, demoraria muito”.

*estagiária sob a supervisão de Gilberto Costa.

Reconhecimento da Unesco pode difundir ainda mais Maracatu Nação

O envio do dossiê do governo federal com o pedido de reconhecimento do Maracatu Nação, também conhecido como baque virado, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade gerou expectativa nos grupos da manifestação, localizados em sua maioria em Pernambuco. Para alguns, o tombamento vai auxiliar na difusão e manutenção dos grupos. Mas há quem veja a possibilidade de maior reconhecimento com ressalvas.

Na última segunda-feira (31) os Ministérios da Cultura e das Relações Exteriores entregaram à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a documentação exigida para o reconhecimento, que será avaliado por um comitê intergovernamental que trata da Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial do órgão. A decisão será conhecida até o final do próximo ano.

Notícias relacionadas:

O coordenador de comunicação da Associação de Maracatus de Olinda (AMO), mestre Nilo Oliveira, considera que a declaração de patrimônio cultural imaterial seria muito bem-vinda, somando-se ao reconhecimento como patrimônio cultural imaterial do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2014.

A AMO reúne mais de 30 grupos de Maracatu Nação. Segundo Oliveira, o trabalho de mapeamento percorreu um longo caminho, desde 2021, contando com a participação de mestres de maracatus ligados à AMO e à Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco (Amanpe), além do Iphan e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

“Para a gente, foi muito importante. A gente vem acompanhando todo o processo desde o começo, junto com o pessoal da AMO. Foi um trabalho prolongado, minucioso, já que são vários grupos que a gente teve que pesquisar, teve que trabalhar, conversar, e cada um com as suas características particulares, mas no final foi super gratificante”, disse o mestre à Agência Brasil.

Tradição e ancestralidade

O Maracatu Nação é uma das mais antigas manifestações culturais de Pernambuco e reflete a ancestralidade dos povos africanos diaspóricos. Originária do povo negro, da cultura de terreiro, a manifestação artística da cultura popular e carnavalesca ocorre principalmente na Região Metropolitana do Recife (PE), incluindo Municípios como Olinda, Igarassu e Jaboatão dos Guararapes.

Com origem que remonta ao período colonial, entre os séculos 17 e 18, o Maracatu Nação é formado por cortejos majestosos, nos quais integrantes desfilam com trajes ricamente adornados com pedrarias e bordados, que remetem às coroações reais, acompanhados de um conjunto musical percussivo.

Esses cortejos podem fazer referências às antigas coroações de reis e rainhas do antigo Congo africano. Eles são formados por personagens como os batuqueiros, o caboclo aneaúm, o porta-estandarte, as damas de paço com as calungas, as damas de frente, os lanceiros, as baianas ricas, as baianas de cordão, os orixás e/ou entidades da Jurema, os escravos de balé, a corte mirim, os casais nobres, príncipes e princesas, o porta-pálio, os pajens, os soldados romanos, as vassalas, o rei e a rainha.

Cada um desses personagens possui uma forma de se expressar no desfile. Entre os principais, estão o rei e a rainha da nação de maracatu, que são os personagens centrais na composição hierárquica do cortejo; as calungas, bonecas negras confeccionadas com madeira ou pano, consideradas ícone do fundamento religioso e marco identitário dos maracatus nação; a dama do paço, personagem feminina responsável por conduzir a calunga durante o cortejo.

Mestre Nilo está à frente do Maracatu Nação Maracambuco Mestre Nilo/Arquivo Pessoal

Mestre do Maracatu Nação Maracambuco, Nilo destaca que a calunga tem uma mística que representa os espíritos antepassados. No caso do grupo, fundado em 1993, a calunga se chama Isabel Arruda de Oliveira.

“A regente de Maracambuco é Iemanjá, a Calunga, a Isabel…. e a gente é do bairro de Peixinhos [em Olinda]”, disse Mestre Nilo enquanto cantarolava um trecho de uma música do Maracambuco “Oh Isabel! Tu és a Calunga mais bela do Céu, Isabel. Oh, Isabel! Tu és a Calunga mais bela do Céu. Ela é do Maracambuco, ela é minha rainha, ela é a herdeira És a Boneca de Olinda que tem o Arruda e o Oliveira.

Atualmente, além de existir em outros estados do Brasil, o Maracatu Nação também ganhou outros países, com registros da expressão no Canadá, Estados Unidos, França, Alemanha, entre outros. O mestre do Maracatu Nação Tigre Fabiano Pedro da Silva também ficou animado com o envio do dossiê.

“Foi uma conquista. Uma conquista dessa é muito importante para valorizar a expressão do maracatu”, resimiu o mestre à Agência Brasil.

Mestre Fabiano lidera o Maracatu Nação Tigre Mestre Fabiano/Arquivo Pessoal

Fundado em janeiro de 1975 pelo seus avós, Melquiades de Sena Reis e dona Lourdes, o Nação Tigre ficou inicialmente localizado no bairro de Campo Grande. Mudou, em 1975, para Peixinhos, onde até hoje esta localizado até hoje. Em 2010, o comando da manifestação foi assumido por mestre Fabiano.

“É muito importante para todos os maracatus, principalmente para o estado de Pernambuco, que agora tem maracatus espalhados no Brasil e no mundo”, continuou.

Reconhecimento

Para entrar na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco, a candidatura deve seguir alguns critérios, como o bem cultural ser registrado como patrimônio imaterial pelo Iphan; ter um plano de salvaguarda elaborado; e garantir o envolvimento dos detentores do bem cultural no processo. 

Foi justamente por perceber que as ações previstas no plano de salvaguarda não estão sendo totalmente executadas que outro mestre de Maracatu Nação, Danillo Mendes, vê com ressalvas a possibilidade de a manifestação se tornar bem cultural imaterial da humanidade.

À frente do Maracatu Enconto do Dendê, fundado em setembro de 1998, no bairro da Macaxeira, por Edmilson Lima do Nascimento, também conhecido como Tio Missinho, hoje, Danillo divide as funções de comando, com o sobrinho de Tio Missinho, Adilio Santos. Uma das ações previstas no plano é a de promover autonomia financeira e geração de renda para as nações de maracatu.

“Esse plano de salvaguarda já vem rolando, virou algo nacional e não teve nenhuma coisa que chegou até a gente, sobre verba, sobre reconhecimento”, afirmou o mestre.

Com uma perspectiva mais crítica, o mestre contou à Agência Brasil que o tombamento como patrimônio cultural imaterial do Brasil, não foi suficiente para gerar ações de salvaguarda dos maracatus, especialmente no que diz respeito à sobrevivência dos grupos, que enfrentam dificuldades para cobrir os custos para colocar a brincadeira na rua.

“Eu acredito que seja, vamos dizer assim, algo muito vazio, sabe? Porque isso não garante nada, nenhum incentivo para gente que possam fomentar ajuda às nações e a se manterem”, observou.

O mestre disse que as apresentações são poucas e que, mesmo com os valores recebidos, os gastos não são cobertos. “É um valor que não bate com os gastos, com os custos, principalmente para quem pensa em fazer maracatu de uma forma séria e bonita, de se fazer querer entrar cada vez mais bonito na avenida no Carnaval”, continuou.

Mestre Danilo à frente do Maracatu Enconto do Dendê. Mestre Danilo/Arquivo Pessoal

Danilo também citou como exemplo o espaço destinado à evolução dos maracatus no concurso de desfile de Carnaval, que não proporciona qualidade e bem estar, tanto para os integrantes das nações quanto para o público.

“A gente participa de um concurso de agremiação, que fomenta muito a discussão e rivalidade entre os grupos, mas a gente não tem nenhum incentivo, não tem uma passarela digna, limpa, espaçosa, com policiamento, com uma equipe de saúde, tem pouca iluminação”, lamentou.

“Enfim, é tudo muito vazio sobre isso. Beleza colocar como patrimônio da Unesco, mas nada que vá melhorar na vida. Eu faço parte de maracatu há 25 anos, e muito que o maracatu evoluiu é porque as nações quiseram evoluir elas por elas mesmas. Enfim, a gente fica fazendo nosso trabalho, buscando nosso espaço, querendo que isso traga alguma coisa pra gente, mas sabendo que a gente depende da gente mesmo”, finalizou.

Atualmente, existem sete bens culturais do Brasil inscritos na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade: o samba de roda do Recôncavo Baiano; as expressões orais e gráficas dos Wajapis; o frevo; o Círio de Nazaré; a roda de capoeira; o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão e o modo de preparar o queijo minas artesanal.

 

Boxe: Jucielen Romeu, Yuri Falcão e Luiz Oliveira são ouro no Paraná

O Brasil encerrou com nove medalhas a etapa da Copa do Mundo de boxe, em Foz do Iguaçu (PR), a primeira realizada no país. Ficou em segundo lugar no quadro de medalhas, atrás apenas da Polônia (10 pódios). Após seis dias de disputa, a competição – a primeira do ciclo olímpico para os Jogos de Los Angeles 2028 – chegou ao fim na noite de sábado (5), com a paulista Jucielen Romeu assegurando a medalha de ouro após derrotar a polonesa Julia Szreremeta, vice-campeã olímpica em Paris, na final da categoria até 57 quilos. No masculino, o primeiro ouro do dia foi do paulista Luiz “Bolinha” Oliveira, que venceu por nocaute o polonês Pawel Brach na decisão do título dos 60 kg. Depois, teve outro ouro do capixaba Yuri Falcão que ganhou do indiano Abbinash Jamwal por decisão unânime dos juízes, na final dos 65 kg.

“Estou muito feliz mesmo. Foi minha primeira competição internacional na nova categoria e sair vitorioso, sair campeão não tem resultado melhor. É continuar o trabalho, porque é só o começo do ano, com fé em Deus vai vir muito ouro pra gente, pro Brasil. Esse ano eu voltei com outra cabeça para a seleção brasileira de boxe, é um passo de cada vez para gente chegar no objetivo mais desejado, que é Los Angeles 2028”, afirmou Falcão após a conquista, em depoimento ao Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Também chegaram à luta final pelo título o paulista Kauê Belini (75 kg) e o baiano Wanderley Pereira (80 kg), conhecido pelo apelido de Holifield. Kauê – o primeiro pugilista a desferir um nocaute na etapa brasileira, sobre o italiano Remo Salvati na semifinal – terminou o torneio com a prata, após sofrer revés na final contra o uzbeque Fazliddin Erkinboev. Último a subir no ringue no sábado (5), Warnderley “Holifield” também levou prata: foi superado na final pelo uzbeque Javikh Ummataliev.

O Brasil somou ainda quatro bronzes em Foz do Iguaçu: um na disputa masculina com Isaías Filho (90 kg) e três na feminina com Radija Gama (48 kg), Queila Braga (70 kg) e Viviane Pereira (75 kg). A delegação nacional contou ao todo com 16 atletas.

“A avaliação é de 100% de aproveitamento, treinamos duro para isso. O Paquito [treinador, Paco Garcia] estava aí, botando carga pesada para a gente treinar e valeu o esforço, valeu todo o treinamento”, analistou Jucielen Romeu, campeã nos 57 kg.

A etapa da Copa do Mundo de boxe em Foz do Iguaçu foi a primeira e uma série de quatro eventos do circuito da Federação Internacional de Boxe (World Boxing) este ano. As próximas etapas serão na Índia e no Cazaquistão e contarão pontos para o ranking mundial classificatório para o último desafio de 2025, a World Boing Cup Finals, que reunirá os pugilistas com maior pontuação.  Em setembro, ocorrerá Campeonato Mundial, em Liverpool (Inglaterra), principal foco da seleção brasileira de boxe na atual temporada. 

Governo federal reconhece situação de emergência em Angra dos Reis

O Governo Federal reconheceu neste domingo (6), em caráter sumário, a Situação de Emergência decretada pelo município de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, por causa das fortes chuvas ocorridas nos últimos dias. A medida permite acelerar o repasse de recursos para ações de socorro e assistência.

De acordo com o último balanço divulgado pela prefeitura, há 331 pessoas desalojadas que estão em quatro abrigos municipais. A situação do município está sendo acompanhada pela Defesa Civil Nacional, que registrou acumulados de até 270 milímetros (mm) de chuva.

Notícias relacionadas:

A ferramenta Defesa Civil Alerta, que emite avisos de perigo para todos os celulares nas regiões afetadas, foi acionada 24 vezes. Foram registradas, pelo menos, seis ocorrências de deslizamentos de terra, seis pontos de alagamento, nove quedas de árvores, além de obstruções de vias.

De acordo com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, desde a segunda-feira (1), órgãos federais alertaram para o risco de chuvas extremas no estado do Rio. Na quarta-feira (3), o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad) realizou uma reunião com mais de 250 representantes de órgãos municipais, estaduais e federais para planejar as ações de resposta às possíveis ocorrências.

Monitoramento

As condições meteorológicas melhoraram em todo o estado neste domingo (6), mas a defesa civil estadual mantém alerta de risco muito alto para Angra dos Reis e Petrópolis, e risco alto para as cidades de Mangaratiba, Teresópolis e Duque de Caxias.

 

Limpeza de ruas após fortes chuvas em Petrópolis Prefeitura de Petrópolis/Divulgação

O governador Cláudio Castro, que estava em Petrópolis, voltou para a capital no início da tarde, mas disse que as próximas 72 horas ainda serão de alerta: “O solo está muito encharcado, e o perigo de deslizamentos exige atenção redobrada”. Desde sexta-feira (4), foram registradas 122 ocorrências na cidade, e, na tarde deste domingo (06), 57 pessoas permaneciam abrigadas em pontos de apoio abertos pela prefeitura.

Castro também disse que o governo passou a monitorar a situação em Campos dos Goytacazes, cidade no Norte Fluminense, que também registrou chuvas neste domingo (6.) O governador pediu ainda que a população de todo o estado permaneça atenta aos alertas da Defesa Civil e obedeça às orientações.

 

Chuva diminui, mas risco ainda é muito alto em cidades do RJ

A Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro manteve o patamar de risco muito alto para alguns pontos das regiões Serrana e da Costa Verde, apesar de não haver previsão de chuva forte para este domingo (04). Nessas regiões, ficam as duas cidades mais afetadas pelos temporais dos últimos dias: Angra dos Reis e Petrópolis.

Também foi mantida a avaliação de risco alto para outras cidades das mesmas regiões, como Mangaratiba e Teresópolis, e ainda para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Conforme avaliação do Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ), também há risco moderado de deslizamentos em todo o estado.

Notícias relacionadas:

A previsão meteorológica para este domingo indica que áreas de instabilidade, associadas ao transporte de umidade do oceano para o continente, devem provocar pancadas de chuva fraca a moderada, de forma isolada. Como a frente fria que causou os temporais já passou pelo estado, os riscos hidrológicos diminuíram e agora estão num patamar moderado.  

Angra dos Reis

Na região da Costa Verde, ainda há 331 pessoas desalojadas em Angra dos Reis, cuja prefeitura realiza atendimentos em quatro abrigos. Como as condições do tempo melhoraram, os outros 36 pontos de apoio foram desmobilizados.

A situação do município está em acompanhamento pela Defesa Civil Nacional, que registrou acumulados de até 270 mm de chuva. A ferramenta Defesa Civil Alerta, que emite avisos de perigo para todos os celulares nas regiões afetadas, foi acionada 24 vezes. Até a noite de sábado (05), foram registradas seis ocorrências de deslizamentos de terra, seis pontos de alagamento, nove quedas de árvores, além de obstruções de vias.

O município decretou estado de emergência, e donativos são aceitos para as famílias atingidas: alimentos não perecíveis, itens de higiene pessoal e de limpeza, água, roupas e ração para animais de estimação. Pessoas físicas podem fazer as doações na Secretaria de Desenvolvimento Social, no Centro, e empresas podem fazer as entregas nos galpões do Almoxarifado da Prefeitura, que ficam no Centro e no bairro Aeroporto.

Petrópolis

Na Região Serrana, a chuva também diminuiu, e o dia é de limpeza e desobstrução das ruas em Petrópolis. Neste sábado, o acumulado de chuva passou de 300 mm, em 24 horas, o que significa 50% a mais do que o esperado para todo o mês de abril.

Desde sexta-feira (4), 113 chamados foram abertos pela Defesa Civil municipal, que já conseguiu vistoriar 80 endereços. Dez pontos de apoio receberam famílias que precisaram deixas suas casas e 73 pessoas ainda estavam abrigadas nesses locais até a noite de sábado.

Apesar da diminuição aparente dos riscos, o secretário municipal de Proteção e Defesa Civil, Guilherme Moraes, alertou que a situação permanece delicada:

“Ainda estamos com acumulados de chuva alto e com isso ainda há risco de movimentação de massa. Por isso é importante que as pessoas, principalmente as que moram em áreas de risco, fiquem atentas”.

Interdições

Os temporais também provocaram interdições em estradas que cruzam as regiões mais afetadas. A BR-116 continua totalmente interditada na manhã deste domingo, na altura do km 93, em Teresópolis. Já a BR 040 está parcialmente interditada no sentido Rio de Janeiro, na altura do km 87, em Petrópolis.

 

Águas baixam em Ubatuba e moradores já começam a voltar para casa

Depois das fortes chuvas que atingiram o litoral norte do estado de São Paulo desde a noite de sexta-feira (4), provocando bloqueios em rodovias e deixando pessoas ilhadas na cidade de Ubatuba (SP) no sábado (5), as águas já baixaram e o acesso ao bairro Folha Seca já foi reestabelecido. Segundo as informações da Defesa Civil do estado de São Paulo, as famílias que dormiram no abrigo já estão retornando para suas casas.

A Defesa Civil disse ainda que realiza obras de reparo provisório na estrutura da ponte pela Estrada da Folha Seca, sobre o Rio Escuro. “Não haverá necessidade de instalar um abrigo temporário para acolher os moradores do bairro que ficaram isolados. A Defesa Civil segue acompanhando a situação do município”, informou.

Notícias relacionadas:

Em todo o estado de São Paulo, Ubatuba foi a cidade onde mais choveu, com o acumulado chegando a 160 milímetros (mm) em 24 horas. Entre sexta e sábado foram registrados 138 milímetros de chuva na cidade litorânea, o que levou a Defesa Civil emitir um alerta severo para os moradores da região.

Por volta das 23h de sexta-feira, 12 pessoas que viviam em uma mesma casa, com idades entre 4 meses e 66 anos, ficaram ilhadas no bairro do Taquaral e precisaram ser resgatadas pela Defesa Civil em Ubatuba. Elas foram encaminhadas para a Escola Municipal José de Souza Simeão, sem ferimentos.

Também em Ubatuba, foram registrados pontos de alagamento e inundações nas avenidas Rio Grande do Sul e Botafogo e no bairro Folha Seca. Além disso, houve 15 quedas de árvores nos bairros Rio Escuro, Ponta Grossa, Toninhas, Itamambuca, Camburi e Félix.

Uma dessas árvores caiu sobre a varanda de uma residência na rua Goiabeira, no bairro Sesmaria, mas sem maior gravidade. Outra árvore caiu sobre a pista da Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), na altura do quilômetro 73, provocando a interdição temporária da via.

Serra

Por causa das fortes chuvas, o trecho da Serra Antiga da Rodovia dos Tamoios continua interditado. O bloqueio se deu por volta das 23h30 de sábado, quando o volume de chuva acumulado ultrapassou os limites de segurança, causando risco de queda de barreiras no trecho. Ainda não há previsão para liberação. Com a interdição, a descida para o Litoral Norte de São Paulo é realizada pela Serra Nova, em operação comboio, com sistema pare e siga.

Previsão do tempo

O domingo começou com temperaturas mais amenas, céu nublado e com chuva fraca em parte da faixa leste paulista. Por causa da passagem de uma frente fria, o domingo será marcado por temperaturas mais baixas em parte da região central e faixa leste do estado, com chuva fraca persistente ao longo de todo o dia. Segundo os meteorologistas da Defesa Civil do estado, até o momento, os modelos não indicam acumulados significativos.

Capital paulista

Na cidade de São Paulo, o domingo começou com muita nebulosidade, chuviscos, sensação de frio e termômetros oscilando em torno dos 15,2°C durante a madrugada. Os dados do CGE mostram que os seis primeiros dias de abril registraram até o momento 34,2 mm de chuva, o que corresponde a 54,7% dos 62,5 mm esperados para o mês.

Segundo os meteorologistas, o sol deve aparecer entre nuvens no decorrer do dia e favorece a gradativa elevação das temperaturas, com máximas que podem chegar aos 22 graus Celsius (°C) e índices de umidade acima dos 60%.

Entre o final da tarde e o início da noite, a nebulosidade volta a aumentar com a chegada da brisa marítima, e ainda há condições para chuva fraca em alguns pontos, principalmente nos bairros mais próximos da Serra do Mar, no extremo sul da Grande São Paulo.

A segunda-feira (07) deve começar com muita nebulosidade e sensação de frio, mas o sol pode aparecer entre nuvens. Os termômetros variam entre mínimas de 15°C e máximas que podem chegar aos 24°C. No final da tarde, a nebulosidade aumenta com a chegada da brisa marítima. Entretanto, não há previsão de chuva.

Na terça-feira (08), o sol deve continuar a elevar as temperaturas no decorrer do dia. A madrugada ainda deve ter sensação de frio, com mínimas em torno dos 14°C. Apesar disso, as máximas podem superar os 28°C durante a tarde. No final do dia, a nebulosidade aumenta, mas a chuva não deve retornar. 

Educação digital protege de malefícios do uso excessivo de telas

Acordar e olhar o celular, almoçar e jantar diante de telas são práticas cada vez mais comuns. É difícil, muitas vezes, imaginar o dia a dia sem internet, sem redes sociais e sem tecnologia. Passar a maior parte do dia conectado é um vício?

Segundo a psicóloga, doutora em saúde mental e uma das fundadoras do Instituto Delete Anna Lucia Spear King, isso não necessariamente é um vício patológico ─ pode se tratar apenas de uma má educação para o uso das tecnologias. A estudiosa alerta que essa educação é fundamental para evitar os prejuízos do uso excessivo de telas.

Notícias relacionadas:

O Instituto Delete foi criado em 2013, dentro do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A instituição é pioneira no Brasil e também uma das primeiras no mundo voltada à pesquisa sobre o impacto das tecnologias na saúde e às orientações sobre o uso consciente das telas e a dependência digital.

Em entrevista à Agência Brasil, King falou sobre a relação atual das pessoas com a tecnologia e os cuidados que essa relação requer. Entre os principais pontos estão os riscos de vício em jogos e em aplicativos de apostas e também a atenção redobrada que crianças e adolescentes requerem para um convívio saudável com as telas. 

King conta ainda que muitas pessoas procuram o instituto achando que estão viciadas, mas, na verdade, precisam de orientações e de colocar em prática novos hábitos.

“As pessoas confundem, acham que só porque usam todos os dias por muitas horas, são viciadas no rigor da palavra. Mas não é verdade. Elas são, às vezes, mal educadas. Usam sem hora, sem limites e regras, mas não precisam de tratamento. Precisam de educação digital”, diz.

Confira os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil: Vamos começar pelo começo. O Instituto Delete foi fundado bem antes da pandemia e antes mesmo que os smartphones tivessem a relevância que têm hoje, certo? O que a motivou a começar esse trabalho? Qual era o cenário lá atrás?

Anna Lucia Spear King, pesquisadora da UFRJ Arquivo pessoal

Anna Lucia Spear King: O Instituto Delete foi fundado dentro do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro e, naquela ocasião, eu trabalhava em um laboratório e atendia usuários excessivos, dependentes de tecnologia, pessoas com ansiedade, pessoas com depressão, pessoas com transtorno do pânico, e eles chegavam se queixando de uma dependência da tecnologia.

Ninguém tinha estudado isso e nem sabia do que se tratava. Era muita gente que se apegava ao celular ou computador porque tinha algum transtorno associado. Por exemplo, a pessoa tinha uma fobia social e não conseguia se relacionar. Aí, ficava dependente de relacionamentos por intermédio do computador, mas isso escondia, na verdade, o transtorno que estava ali presente. Ou, então, pessoas compulsivas que nos procuravam para tratamento e eram dependentes de compras online, de jogos.

Agência Brasil: De lá para cá, você acha que o cenário mudou muito? Principalmente com a pandemia, o Instituto tem sido mais procurado, as pessoas estão mais conscientes desse tipo de dependência?

Anna Lucia Spear King: Sim, foi havendo um aumento progressivo à medida que as pessoas foram interagindo mais com tecnologia. Dos anos 1990 para cá, as pessoas começaram a interagir com as tecnologias todos os dias e por muitas horas, e foram se tornando mais dependentes. Não dependentes patológicas, mas dependentes por lazer, por trabalho.  

A gente começou a ver uma diferença entre essa dependência que todos nós temos da tecnologia, que a gente usa todos os dias e por muitas horas para trabalhar, da dependência patológica, que é a nomofobia. E essa, sim, precisa de tratamento.

As pessoas confundem, acham que só porque usam todos os dias por muitas horas, são viciadas no rigor da palavra. Mas não é verdade. Elas são, às vezes, mal educadas. Usam sem hora, sem limites e regras, mas não precisam de tratamento. Precisam de educação digital.

Agência Brasil: E qual que é a essa diferença? Como é que se identifica a nomofobia?

Anna Lucia Spear King: Nomofobia é a dependência patológica. Ela geralmente tem um transtorno mental associado que potencializa esse uso, que pode ser uma ansiedade, uma depressão, uma compulsão, um transtorno do pânico. Havendo a associação com algo que já existe na pessoa, esse uso da tecnologia é potencializado e encaminhado para um uso excessivo e patológico.

Quando a pessoa nos procura para tratamento, a gente faz uma avaliação psiquiátrica e psicológica. A gente faz essa avaliação para ver se tem a ver com ela ser mal educada apenas, com não saber usar a tecnologia. Aí, a gente ensina o uso consciente, dá as dicas para ela usar determinadas horas por dia. 

E, se a pessoa tiver nomofobia diagnosticada pelo psiquiatra e pelo psicólogo, ela vai ter, além desse aprendizado de uso consciente, o tratamento psicológico, para entender por que que ela está usando a tecnologia daquela forma. E o psiquiatra vai ver a necessidade ou não de inserir uma medicação junto. Se for uma depressão, uma ansiedade, uma compulsão, geralmente precisa de entrar com medicamento também.

Agência Brasil: Como é que as pessoas chegam até vocês? Em que ponto que elas identificam que precisam de ajuda?

Anna Lucia Spear King: Quando elas começam a perceber algum sinal de prejuízo na vida delas, seja na área pessoal, social, familiar, acadêmica ou profissional. Elas deixam de entregar o trabalho, ou, então, o chefe manda embora porque a pessoa não larga a tecnologia no trabalho, ou fica usando o tempo todo; têm muitas brigas em casa, porque cada cônjuge fica usando a sua tecnologia e incomodando o outro, gerando ciúme; ou até mesmo têm prejuízo na escola, com diminução das notas.

Agência Brasil: Vocês têm recebido muitas pessoas viciadas em jogos e em apostas on-line? Como é o tratamento?

Anna Lucia Spear King: Com certeza. O tratamento é psicológico e psiquiátrico. O psiquiatra vai ver se tem algum transtorno associado e o psicólogo vai ensinar pra pessoa o que está acontecendo com ela. Aí mostra os prejuízos que ela vai ter, as perdas que ela está tendo, a separação familiar. Porque todo mundo tem que ficar pagando as contas da pessoa e ninguém quer, né? Então, briga com a família inteira. A pessoa vai se conscientizando que aquele caminho não vai levar nada.

Os jogos são feitos para a pessoa perder. No início, eles até estimulam, dão um valor para você jogar só para te empolgar. Quando você entra naquele jogo e aprende a jogar, você já era. Você começa a perder dinheiro, perder, perder, aí você já se vê viciado. O jogo libera algumas substâncias químicas no cérebro, como dopamina, endorfina e serotonina, que são substâncias que nos dão prazer. Elas agem no setor de recompensa do cérebro.

A pessoa não sabe porque ela é leiga, mas ela está tendo uma enxurrada de substâncias no cérebro que estão dando muito prazer, bem-estar, alegria, felicidade. Quando elas vão para a vida delas, que é meio monótona, que não tem glamour, que não tem nada especial e não são tão felizes, elas pensam assim: “Onde é que eu tava sendo feliz? Lá naquele lugar que eu estava, onde eu estava jogando”. Então, elas voltam para o jogo sem querer, porque era lá que tinha prazer.

Agência Brasil:  E esse é o mesmo mecanismo das curtidas das redes sociais, não é?

Anna Lucia Spear King: Isso. Quando você recebe uma curtida, recebe um elogio, ‘ó, você está linda, você é inteligente’, vai recebendo dopamina, endorfina, serotonina. É por isso que a pessoa quer entrar nas redes sociais o tempo todo para receber apoios e curtidas.

Agência Brasil:  Quando falamos de crianças e adolescentes, como lidar com o uso das tecnologias?

Anna Lucia Spear King: Todo mundo tem que entender que os pais e adultos são responsáveis pela vida digital dos menores de idade. Então, se esses adolescentes estão fazendo uso excessivo, estão ficando viciados em jogos, estão deixando de fazer as prioridades que são a escola, a universidade, as tarefas de casa, isso tudo é porque os pais é que não estão sabendo orientar.

O adolescente não tem que ficar o dia inteiro em um quarto jogando ou usando a internet. Primeiro, porque o menor de idade não pode usar internet sem supervisão de um adulto. A internet é uma porta aberta para o mundo e está cheia de pessoas de má índole, vigaristas, golpistas, pedófilos, gente do mal. Não é só a gente do bem que tem na internet. Não se pode deixar adolescentes ou menores de idade usarem a internet sem supervisão de um adulto vendo com quem tão conversando, quais sites estão acessando.

Muitas vezes, os pais não nasceram na época que a tecnologia entrou nas vidas das pessoas. Eles não aprenderam como usar e não sabem como orientar, porque eles também não aprenderam na época deles. A gente recebe uma educação social desde pequeno, a gente aprende que não pode comer de boca aberta, que tem que comer com garfo e faca, que não pode falar com estranhos. Mas usar a tecnologia ninguém aprendeu desde pequenininho. Então, os pais não sabem educar. Mas, quem paga a internet, quem paga o wi-fi? Quem deixa o filho ficar o dia inteiro no quarto?

Agência Brasil: A partir deste ano, por lei, o uso do celular fica restrito em todas as escolas do país. Você acredita que essa restrição ajuda na educação para o uso das tecnologias? O que achou da medida?

Anna Lucia Spear King: Eu acho maravilhosa. Só se pode usar a tecnologia com orientação do professor. Eu sou super a favor, porque agora eles têm que interagir, fazer esporte, se socializar, perder a timidez, coisas que fazem parte do desenvolvimento deles. Com celular na mão, cada um se isola no seu canto.

 

Alunos brincam no recreio sem o uso de celulares Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência

Agência Brasil: O que é essa educação para o uso das tecnologias? Quais dicas você dá para evitar o uso excessivo?

Anna Lucia Spear King: Não usar tecnologia logo que acordar, primeiro levanta da cama, toma o café da manhã. Não usar na hora das refeições. Tem gente que almoça e janta com o celular na mão e nem curte a comida, nem sente o gosto. Outra dica é desligar duas horas antes de dormir para relaxar o cérebro, se sentir descansado.

Não ficar usando tecnologia em locais públicos, em ônibus, metrô, em salas de espera. Quando sai com amigos, quando vai a restaurantes, dar atenção para as pessoas que estão com você e não ficar no celular.

Quem trabalha, usar tecnologia apenas em horário comercial e buscar mostrar para o chefe que ele tem que entender que não deve mandar coisas para o profissional fazer na hora do almoço, nem depois do horário comercial. Ninguém está recebendo hora extra para fica trabalhando o dia inteiro, não é?

E também, quando estiver no trabalho, não ficar usando [para fins pessoais]. Você está sendo pago para trabalhar para aquela empresa. Se você fica usando para coisas pessoais, respondendo seus e-mails pessoais, vendo redes sociais na empresa e recebendo pela empresa, você também está agindo errado.

Nós, do Instituto Delete, não somos contra o uso de tecnologias, pelo contrário, nós somos super a favor, mas que seja usada de modo consciente para que você colha os benefícios e evite os prejuízos que o uso excessivo pode trazer.

Petrobras conclui unidade exigida para licença da Margem Equatorial

A Petrobras deu mais um passo no processo de licenciamento ambiental para explorar a Margem Equatorial brasileira, com a conclusão da Unidade de Atendimento e Reabilitação de Fauna, em Oiapoque, no Amapá. O local é um polo de atendimento veterinário a animais resgatados e vai receber principalmente aves, mamíferos marinhos, tartarugas, golfinhos e peixes-boi.

A estatal informou que recebeu, na última sexta-feira (4), a licença para operara a unidade concedida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amapá. O local ainda precisa ser inspecionado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) antes de entrar em funcionamento. Além do centro em Oiapoque, a Petrobras já mantém em prontidão outra unidade em Belém, no Pará, o Centro de Despetrolização e Reabilitação da Fauna. 

Notícias relacionadas:

>>> Saiba como funciona um centro de reabilitação de fauna
Sala do Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna mantido pela Petrobras para a exploração na Margem Equatorial, que opera de prontidão para tratar animais marinhos em casos de acidentes.  Fernando Frazão/Agência Brasil

Exigência ambiental

A construção do equipamento é uma das exigências para que a empresa possa fazer perfurações para verificar a existência de petróleo no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, a cerca de 500 km da foz do Rio Amazonas.

A Petrobras tenta obter o aval do Ibama para a atividade exploratória desde 2022, e recebeu uma negativa em 2023, que, entre outros pontos, destacava justamente a falta de um plano de proteção à fauna, e de uma unidade de estabilização no local mais próximo possível, para agilizar o atendimento de animais atingidos por eventuais vazamentos de óleo.

A margem equatorial é uma região da costa brasileira que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, e é considerada uma fronteira exploratória pela Petrobras, com potencial estimado de 9 bilhões de barris. Mas ambientalistas temem que a atividade cause desequilíbrio ambiental, especialmente nas áreas próximas à Amazônia.

 

Mapa da Margem Equatorial, área da costa brasileira mais próxima da Linha do Equador Arte Petrobras/Divulgação

Sociedade civil pode se inscrever até o dia 10 em diálogo do Brics

Termina no próximo dia 10 de abril, sábado, o prazo para inscrição no diálogo BRICS e a Economia Global: Desafios e Oportunidades. A iniciativa visa a envolver conselhos, fóruns e outras organizações da sociedade civil dos países membros do BRICS. Programado para acontecer de maneira virtual, no dia 16 de abril, este será o primeiro evento internacional organizado pelo pilar Financeiro do Brics neste ano.

>>> As inscrições podem ser feitas gratuitamente

Notícias relacionadas:

O evento é organizado pela presidência brasileira do Brics, que comanda o bloco neste ano. Segundo a organização, ocorrerão duas sessões que discutirão a integração das economias do BRICS à economia global. Também está na pauta do evento o debate sobre o fortalecimento do comércio e dos investimentos entre os países membros do Brics como impulsionadores do crescimento econômico e estratégia para fortalecer os Mercados Emergentes e Economias em Desenvolvimento (EMDEs, na sigla em inglês) e as prioridades da Trilha de Finanças durante a Presidência Brasileira do Brics.

As organizações da sociedade civil que se inscreverem devem enviar uma proposta de intervenção de até três minutos a ser apresentada durante a sessão BRICS e o Fortalecimento das Economias do Sul Global. Serão aceitas dez propostas, a partir de uma avaliação de sua relação com os temas e assuntos que serão tratados pela mesa.

Atualmente o Brics é composto por 11 países-membros: África do Sul, Arábia Saudita, Brasil, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Índia, Irã e Rússia. Em termos populacionais, o Brics representa aproximadamente 48,5% da população do planeta.

Em relação à economia, a participação do bloco no Produto Interno Bruto (PIB) mundial ficou em aproximadamente 39% em 2023. No comércio internacional, os países do Brics respondem por 24% do total das trocas mundiais.

Hoje é Dia: Parkinson, Dia do Jornalista e Cora Colina são destaques

Muitas datas importantes marcam esta semana, abrangendo temas de saúde, inclusão e direitos humanos. A primeira efeméride que destacamos é o Dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, com foco na prevenção de doenças. As organizações da área e os especialistas preconizam a importância da alimentação balanceada, da regularidade na prática de exercícios físicos e os cuidados com a saúde mental. O programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, abordou o tema em uma entrevista esclarecedora, nesta edição de 2023. A Organização Mundial da Saúde (OMS), que criou a efeméride, destaca a necessidade de garantir que todos os povos tenham acesso aos serviços de saúde. Este foi o foco desta reportagem da Agência Brasil de 2018. A TV Brasil também deu grande destaque ao tema, falando de políticas de promoção da saúde nesta edição de 2022 do programa Ciência é Tudo

Ainda na temática de saúde, o dia 11 de abril marca o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson. A enfermidade atinge pessoas com mais de 60 anos e, entre os sintomas, provoca tremores e dificuldades para se movimentar. Apesar de não ter cura, pode ser controlada com medicamentos e hábitos saudáveis. O Ministério da Saúde estima que cerca de 200 mil idosos tenham o problema no Brasil. A doença se manifesta de forma diferente de pessoa para pessoa, e os sintomas nem sempre são os mesmos, o que dificulta um diagnóstico seguro. Por isso, é comum que os pacientes enfrentem falta de entendimento e suporte de familiares e amigos, preconceito e a necessidade de fazer uma verdadeira peregrinação por vários médicos para entender sua real situação. Essas dificuldades foram tema desta reportagem da Agência Brasil, publicada em 2020. Os sintomas, tratamento e preconceito foram destacados nesta reportagem da Radioagência Nacional, no programa Revista Brasília, da Rádio Nacional, e no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil. Todas as edições são de 2023. 

Inclusão 

Nessa mesma semana também celebramos a diversidade, com o Dia Nacional do Sistema Braille, em 8 de abril. A data foi instituída para chamar a atenção da sociedade sobre a importância de assegurarmos formas de inclusão das pessoas com deficiência visual. E o braile é a única forma de alfabetização de crianças cegas ou com baixa visão. A avaliação dos especialistas e das organizações que trabalham no acesso à educação dessas pessoas é que a acessibilidade melhorou no Brasil, mas ainda é insuficiente, como mostra esta reportagem da Agência Brasil, e esta outra aqui, do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil, ambas de 2023. O tema também foi abordado nesta reportagem de 2022 da Radioagência Nacional

Liberdade de imprensa

O Dia do Jornalista é celebrado em 7 de abril. A data homenageia os profissionais que desempenham um trabalho fundamental para a sociedade mas que enfrentam cada vez mais dificuldades, como interesses políticos e econômicos, que comprometem a independência da atividade; a concorrência das fake news nas redes sociais e o pior: a violência. Relatório da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) mostra que, no ano de 2022, os jornalistas brasileiros foram vítimas de 557 ataques, 23% a mais do que no ano anterior. Foram gritos, empurrões, socos, ameaças e intimidações, sofridos em pleno expediente ou fora dele. O relatório foi destacado nesta reportagem da Agência Brasil e nesta edição do Repórter Brasil, da TV Brasil, ambas de 2023. Também é expressivo o número de jornalistas que perdem a vida fazendo a cobertura de conflitos armados em diferentes partes do mundo. Em 2024, a ONG Repórteres sem Fronteiras contabilizou 54 mortos, como destacado nesta outra reportagem, também da Agência Brasil

Combate ao racismo

“Árvores do sul produzem uma fruta estranha. Sangue nas folhas e sangue nas raízes. Corpos negros balançando na brisa do sul.” Este é um trecho da letra da música “Strange fruit’, composta e interpretada por Billie Holiday, cantora de blues e jazz americana que nasceu no dia 7 de abril de 1915, há 110 anos. A canção era uma forte e veemente denúncia contra a violência racial em 12 estados do Sul dos Estados Unidos na década de 1940, onde afro-americanos eram linchados, brutalmente assassinados e tinham seus corpos pendurados em árvores, como “frutas estranhas”, como diz a música. Negra, Billie Holiday teve uma vida sofrida e marcada pela violência, e bateu de frente com a sociedade para denunciar o racismo. Donos das casas de shows boicotaram “Strange fruit’. Emissoras de rádio baniram a música, e a própria gravadora, por muito tempo, se recusou a gravá-la. Também o governo americano se incomodou com a comoção social provocada pela música, e Billie foi perseguida pelo FBI, que usou seu vício em heroína como desculpa para cassar sua licença para cantar, em 1947. Os veículos da EBC deram destaque à história e à luta de Billie Holiday e a homenagearam em várias ocasiões, como você pode conferir nas reportagens abaixo:
História Hoje, da Rádio Nacional (2014)
Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil (2015)
Momento Três, da Rádio Nacional (2016)
Antena MEC, da Rádio MEC (2019)

Esporte

O paulista Moacir Barbosa é considerado um dos maiores goleiros do futebol brasileiro. Mas até sua morte, no dia 7 de abril de 2000, sofreu com a pecha de “vilão” da Copa do Mundo de 1950. Naquele ano, o Brasil sediava seu primeiro mundial e disputou a final com o Uruguai. Os torcedores que lotavam o estádio do Maracanã eram puro otimismo, pois um empate garantiria o título de campeão em casa. Mas, aos 34 minutos do segundo tempo, o ponta-direita Alcides Ghiggia chutou rasteiro, sem tanta força, no canto esquerdo do gol, e Barbosa não alcançou. A multidão no Maracanã se calou, e o gol decretou o bicampeonato do Uruguai, na vitória por 2 a 1. O episódio ficou eternizado como Maracanazo. Saiba mais sobre a trajetória de Barbosa nesta reportagem de 2021 da Agência Brasil, e sobre a derrota do Brasil na final da Copa de 1950 nesta outra aqui, também da Agência Brasil, publicada em 2020. 

Literatura

Há 40 anos, no dia 10 de abril de 1985, perdíamos Cora Coralina, poetisa que eternizou, em versos, as coisas simples, a natureza e o cotidiano no interior de Goiás. Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nome verdadeiro da escritora, vendia doces para se sustentar, e começou na poesia somente aos 75 anos. Com pouca escolaridade – estudou até a quarta série do antigo primário – Cora se destacou na cena literária e recebeu a atenção e admiração de outros gigantes da literatura, como Carlos Drummond de Andrade e Jorge Amado. Especialistas destacam na poetisa sua inteligência simples, madura e densa. A grandeza da obra de Cora Coralina foi tema desta edição do Antena MEC, da Rádio MEC, veiculada em 2019, e desta reportagem da Agência Brasil, de 2020. O programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, celebrou os 135 anos do nascimento de Cora em 2024. E a TV Brasil falou sobre a trajetória da poetisa em 2019, nesta edição do jornal Repórter Brasil

Confira a relação completa de datas do Hoje é Dia de 6 a 12 de abril de 2025.

Abril de 2025
6

“Arrastão”, composta por Edu Lobo e Vinicius de Moraes e interpretada por Elis Regina, vence o I Festival de Música Popular Brasileira (60 anos)

Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e a Paz – comemoração instituída pela 96ª sessão da Assembleia Geral da ONU na sua Resolução A/RES/67/296 de 18 de setembro de 2013

7

Nascimento da cantora de jazz estadunidense Billie Holiday (110 anos)

Morte do goleiro paulista Moacir Barbosa (25 anos) – considerado um dos maiores goleiros de sua época, Barbosa é mais lembrado por sua participação na derrota da seleção brasileira na final da Copa do Mundo de 1950, contra o Uruguai

Dia do Jornalista

Dia Mundial da Saúde – comemoração instituída por países-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) para ser observada a partir de 1950

8

Morte do bailarino e coreógrafo russo Vaslav Nijinski (75 anos) – conhecido por revolucionar o balé no século XX. A ele é atribuído o início da dança moderna

Dia Nacional do Sistema Braille

Dia Mundial da Luta Contra o Câncer

Dia Internacional dos Ciganos

Aniversário de Cuiabá (MT) (306 anos)

9

Nascimento do cantor e compositor fluminense Roberto Silva (105 anos) – na década de 1940, realizou suas primeiras gravações, e foi do elenco das rádios Nacional e Tupi. Nesta última ficou conhecido como “príncipe do samba”, e suas interpretações são características pelo estilo sincopado e levemente dolente que encontrou para cantar samba, inspirado em dois ídolos anteriores, Cyro Monteiro e Orlando Silva

Início do programa “Falando de música”, da Rádio MEC (72 anos)

10

Morte da poetisa e contista goiana Cora Coralina (40 anos) – considerada uma das maiores escritoras brasileiras

O músico britânico Paul McCartney anuncia publicamente sua saída da banda “The Beatles” (55 anos)

11

Nascimento do músico, cantor e compositor paulista José Eduardo França Pontes, o Dudu França (75 anos)

Dia Mundial da Doença de Parkinson

12

Morte da cantora fluminense Helena Costa, a Heleninha Costa (20 anos) – em 1946, a convite de César Ladeira, transferiu-se para a Rádio Nacional, participando do programa “Música do coração” e dos melhores musicais noturnos da emissora

Lançamento do filme “O Vagabundo”, de Charles Chaplin (110 anos)

Fundação da Associação Ferroviária de Esportes, conhecida como Ferroviária, na cidade de Araraquara, interior do estado de São Paulo (75 anos)

Acidente aéreo do voo Transbrasil 303 em Florianópolis-SC (45 anos) – após o acidente, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Infraero desenvolvem e implementam tecnologias de controle de voos mais seguras no Brasil

*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.

 

Em 1º amistoso do ano, seleção feminina perde por 2 a 0 para os EUA

No primeiro jogo do ano, a seleção brasileira feminina tropeçou fora de casa diante dos Estados Unidos, atual campeão olímpico, ao perder por  2 a 0 no SoFi Stadim, em Los Angeles. Logo aos cinco minutos, Trinity Rodman abriu placar para a alegria dos 32 mil torcedores presentes no estádio e,  na etapa final, Lindsey Heaps selou a vitória com gol de pênalti.

O encontro entre as duas equipes foi o primeiro duelo após o revés do Brasil para os Estados Unidos (1 a 0) na final olímpica ano passado, nos Jogos de Paris. O jogo teve clima de gala no SoFi Stadium, futuro palco do Mundial masculino de 2026 e também da abertura da Olimpíada de Los Angeles 2028.

Notícias relacionadas:

A seleção volta campo contra as norte-americanas no segundo e último amistoso das Data Fifa na próxima terça-feira (8), às 23h30 (horário de Brasília), em San José. Os dois jogos são preparatórios para a Copa América, principal competição do ano, em julho, no Equador.

No primeiro tempo, as brasileiras foram surpreendidas aos cinco minutos, na primeira jogada de ataque das norte-americanas, que começou com Alyssa Thompson a partir do no meio-campo. Ela se aproximou da área e tocou para Trinity Rodman acertar o fundo da rede, sem chances para a goleira Lorena. A equipe brasileira sofreu para se ajustar em campo. A partir dos 20 minutos melhorou a marcação e passou a enfileirar chances de empatar. Aos 31 minutos, Angelina recebeu a bola na entrea da área e desferiu um bomba, que passou rente à trave. Depois, aos 40 minutos, Adriana disparou do meio de campo até chutar da entrada da área uma bola venenosa no canto esquerdo do gol, mas Tullis-Joyce defendeu.

Após o intervalo, a seleção adiantou a marcação e antes do primeiro minuto completo, Ludmila quase empatou com um chute forte que estourou na trave. A seleção parecia mais entrosada, mas aos 15 minutos a entrada da meio-campista norte-americana Lily Yohannes, de 17 anos, mudou a história do jogo. Bastaram três minutos em campo, para ela sofrer pênalti aos ser derrubada por Ludmilla, quando tentava tocar a bola para Aly Thompson chutar para o gol. A camisa 10 Lindsey Heaps (ex-Horan) ampliou para as norte-americanas após bela cobrança de pênalti no canto direito do gol de Lorena, que não alcançou a bola. A partir daí, a seleção não se encontrou na partida e por pouco não levou o terceiro gol aos 30 minutos, após Aly Thompson tentar um desvio dentro da área, mas Lorena espalmou, salvando o gol brasileiro. Numa última tentativa para tentar diminuir o placar, Adriana invadiu a área em velocidade, mas antes de chutar foi derrubada por Sam Cofey. No entanto, a árbitra não anotou pênalti. Com a vantagem, as norte-americana administraram o resultado até o apito final.

Após impeachment, Presidente da Coreia do Sul é destituído do cargo

O presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, foi destituído do cargo nesta sexta-feira (4) pelo Tribunal Constitucional, que confirmou o impeachment aprovado pelo Parlamento por causa da imposição da lei marcial que provocou a pior crise política do país em décadas, abrindo caminho agora para uma eleição.

A decisão unânime encerra meses de turbulência política que tem ofuscado os esforços para lidar com a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, em um momento de desaceleração do crescimento da quarta maior economia da Ásia.

Eleições

Notícias relacionadas:

A decisão agora dá início a uma corrida para eleger o próximo presidente dentro de 60 dias, conforme exigido pela Constituição. O primeiro-ministro Han Duck-soo permanecerá como presidente interino até que um novo líder seja empossado.

Lee Jae-myung, o líder populista do Partido Democrático, que perdeu para Yoon por uma margem mínima em 2022, é claramente o favorito, mas enfrenta seus próprios desafios legais devido a vários julgamentos por corrupção.

Os conservadores, por sua vez, têm um amplo campo de candidatos.

“A decisão unânime do Tribunal Constitucional eliminou uma importante fonte de incerteza”, disse o professor Leif-Eric Easley, da Universidade Ewha, em Seul, observando como o próximo governo teria de enfrentar desafios, incluindo as ameaças militares da Coreia do Norte, a pressão diplomática da China e as tarifas comerciais de Trump.

Lei marcial

O presidente interino da Suprema Corte, Moon Hyung-bae, disse que Yoon violou seu dever como presidente com sua declaração de lei marcial em 3 de dezembro, agindo além de seus poderes constitucionais com ações que foram “um sério desafio à democracia”.

“(Yoon) cometeu uma grave traição à confiança do povo”, disse Moon, acrescentando que a declaração da lei marcial criou o caos em todas as áreas da sociedade, da economia e da política externa.

A Human Rights Watch considerou a decisão uma vitória para a resiliência do país, a busca pelos direitos humanos e os valores democráticos.

Milhares de pessoas em um comício que pedia a destituição de Yoon explodiram em aplausos ao ouvir a decisão, entoando “Nós vencemos!”

Já partidários de Yoon reunidos perto de sua residência oficial assistiram à decisão em um telão em um silêncio atônito.

Forças Armadas já foram anistiadas pelo 8 de janeiro, diz historiador

“Estamos diante de um momento inédito na história do Brasil. Militares de alta patente estão sentados no banco dos réus e vão responder pelos crimes contra a democracia”. Esta é a visão do pesquisador Lucas Pedretti, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ele, o julgamento dos envolvidos no movimento golpista de 8 de janeiro de 2023 é fundamental.

Lucas Pedretti, no entanto, ressalta a importância da responsabilização institucional das Forças Armadas, de forma concomitante, pelo episódio. Individualizar essa responsabilização, avalia o pesquisador, faz parte da estratégia das Forças Armadas para que as discussões não impliquem em um debate sobre a necessidade de repensar e reformular a instituição.

Notícias relacionadas:

“Se a responsabilização individual não for acompanhada por um processo pedagógico, político, de disputa de narrativa, não é automática a ideia de que a responsabilização do [Jair] Bolsonaro bastaria como um antídoto para futuros golpes. Porque o sentido político disso vai ser profundamente disputado na sociedade”, defendeu Pedretti, durante o seminário Memória dos 60 Anos do Golpe e Lutas Democráticas da Sociedade Civil, nesta sexta-feira (4), pelo Instituto Vladimir Herzog.
Lucas Pedretti  defende a responsabilização das Forças Armadas por atos golpistas- Paulo Pinto/Agência Brasil

Diferentemente dos réus, “a gente poderia dizer que as Forças Armadas já foram anistiadas. Já foram anistiadas pelo 8 de janeiro, pela [participação no governo] Bolsonaro, pela pandemia, foram anistiadas pela intervenção militar no Rio de Janeiro”. Para o historiador, todos esses são processos conectados.

“A intervenção militar é [de fevereiro] de 2018. Dali a um mês, veio o assassinato da Marielle [Franco]. Dali a alguns meses, viria a eleição do Bolsonaro. E o ator institucional que atravessa toda essa temporalidade são as Forças Armadas”, destacou. Ele acrescenta que a memória é fundamental para consolidar a democracia, mas ela não consolida a democracia de maneira automática.

Não é porque há memória sobre a ditadura que, portanto, a democracia no país estará fortalecida de forma garantida.

“Essa memória que a gente constrói vai encontrar outra memória no plano da disputa política, que é construída do lado de lá. A extrema direita sabe muito melhor que o nosso campo a importância de disputar a memória. Bolsonaro fez política de memória desde o dia zero do governo até o último. A última medida dele foi extinguir a comissão de mortos desaparecidos”, apontou.

O historiador lembrou que o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, com honras no Palácio do Planalto, a viúva do coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi comandante do DOI-Codi de São Paulo durante a ditadura. “Ele recebeu o Curió, um assassino confesso, com honras. Bolsonaro jamais apostou na ideia de que ‘falar sobre o passado é remoer’. A extrema direita sabe que disputar a memória não é disputar o passado, mas sim o futuro”.

Anatel: nove em cada dez brasileiros têm acesso à telefone celular

Nove em cada dez brasileiros têm acesso à telefonia móvel, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), divulgados neste sábado (5), Dia das Telecomunicações.

De acordo com o levantamento, a maior parte da população brasileira com acesso à telefonia móvel reside em capitais e regiões metropolitanas.

Notícias relacionadas:

Os dados indicam também que 4.363 municípios brasileiros contam com infraestrutura de fibra óptica — o que proporciona mais velocidade, estabilidade e eficiência energética em serviços de telecomunicações.

A Anatel aponta também a chegada da tecnologia 5G a 1,3 mil municípios brasileiros, e aposta no avanço do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê a implantação do 5G nos mais 5,5 mil municípios do país.

O Novo PAC também inclui a expansão da tecnologia 4G para 6,8 mil distritos, vilas e áreas rurais distantes dos grandes centros urbanos.

Em nota, o secretário de Telecomunicações da Anatel, Hermano Tercius, destaca que a expansão dos serviços de comunicação no Brasil enfrenta desafios devido à extensão territorial do Brasil e às áreas de difícil acesso. “Esse é o nosso desafio. O principal deles é levar conectividade de forma satisfatória e, ao mesmo tempo, evoluir em outros indicadores da conectividade significativa, como o letramento digital”, declarou.

Satisfação dos consumidores

Em março, a Anatel divulgou os resultados da sua décima edição da Pesquisa de Satisfação e Qualidade Percebida a respeito de serviços de telecomunicações: telefonia fixa, telefonia celular (pré-paga e pós-paga), internet fixa e TV por assinatura.

Em 2024, mais de dois terços dos consumidores pesquisados de todos os serviços se consideravam satisfeitos ou muito satisfeitos com a prestação do serviço de telecomunicações, de acordo com a Escala CSAT (Customer Satisfaction Score). Enquanto isso, mais de 10% dos consumidores se declaram muito insatisfeitos ou insatisfeitos.

No questionário da pesquisa, também são realizadas perguntas sobre os padrões de uso dos consumidores, tecnologia, do Wi-fi, telefone fixo.

Sobre a tecnologia das redes celulares utilizada com maior frequência, apesar da rede 4G ser a mais utilizada, mais de 64% dos consumidores de celular pós-pago e 67% dos consumidores de celular pré-pago, houve crescimento na percepção de uso mais frequente da rede 5G.

Quanto à tecnologia para prestação do serviço de internet fixa, 78% dos consumidores usam fibra ótica.

Entre os entrevistados que contratam o serviço de telefonia fixa, 16% responderam que o telefone fixo é o principal meio para realizar chamadas de voz quando está em sua residência. Estes usuários são os que possuem maior idade no grupo, menor renda média e em sua maioria do sexo feminino.

Por último, 67% dos entrevistados que contratam o serviço de televisão por assinatura declararam usar o serviço diariamente.

A pesquisa foi realizada entre os meses de julho e novembro de 2024, com 64 mil consumidores dos serviços de telefonia fixa e celular, internet fixa e TV por assinatura que eram clientes das prestadoras Algar, BrSuper, Brisanet, Claro, GB Online, Ligga, Oi, Proxxima, Sky, Tely, Tim, Unifique, Valenet, Vero e Vivo. 

A pesquisa de opinião é realizada anualmente. Os resultados desta edição – e das anteriores – podem ser consultados e baixados na página da Pesquisa no portal da Anatel.