Julgamento: advogados alegam cerceamento de defesa e falta de provas

Os advogados fizeram nesta terça-feira (25) as sustentações orais no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete civis e militares, todos acusados de participar do planejamento e da execução de um golpe de Estado mal sucedido. 

Em comum, os defensores afirmaram que a PGR não conseguiu especificar os atos criminosos. Eles também reclamaram de cerceamento de defesa, sobretudo por não terem acesso à íntegra das provas utilizadas pela acusação e pelo prazo curto recebido para analisar dezenas de milhares de documentos que embasaram a denúncia. 

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As oito defesas do chamado “núcleo crucial” do golpe foram ouvidas na manhã desta terça na Primeira Turma do Supremo, colegiado composto por cinco dos 11 ministros do Tribunal e onde tramita a denúncia sobre o golpe. 

Antes, foi a vez de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reiterar sua denúncia, reafirmando que Bolsonaro liderou uma organização criminosa com o objetivo de se manter no poder mesmo com derrota em sua tentativa de reeleição. 

Para o PGR, o planejamento e a execução do golpe começaram em meados de 2021 e tiveram fim somente em 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.  

Cerceamento de defesa

A maior parte dos advogados reclamou de não poder acessar os arquivos brutos do que foi extraído dos celulares apreendidos, por exemplo, de modo a poderem construir a própria narrativa, destacando fatos que julgassem importantes para inocentar seus clientes. 

“Temos tudo que a denúncia e o relatório da Polícia Federal citaram, mas esse é o recorte da acusação. Com todo respeito, a defesa tem o direito de fazer o próprio recorte”, disse o advogado Celso Vilardi, que defende Bolsonaro. “Eu não tenho a completude, eu não tenho os telefones, eu não tenho as mídias.”

Para o advogado Matheus Milanez, que representa o general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, a denúncia apresentada é um esforço para comprovar uma narrativa previamente preparada pela PGR, num esforço similar ao de pessoas que acreditam que a Terra é plana e buscam evidências para isso. 

Milanez citou, por exemplo, que a acusação contra seu cliente se baseia sobretudo em anotações encontradas numa agenda, cujas páginas que basearam a denúncia foram anexadas aos autos, mas não a íntegra da própria agenda.

“Cadê a íntegra da suposta agenda? Foram colacionadas páginas da agenda, mas não tem a ordem. As páginas estão na ordem? Não tenho como dizer”, exemplificou. 

A posição foi reforçada pelo advogado José Oliveira Lima, defensor do general da reserva Walter Braga Netto. “A defesa não está na mesma situação que a acusação. A defesa está com sua atuação cerceada”, avaliou. 

Outra estratégia dos investigadores para cercear a defesa, acusou Lima, foi despejar centenas de milhares de documentos nos autos do processo, de modo a impedir que os advogados tivessem tempo hábil para extrair uma narrativa própria entre o que foi coletado pela PF.

“A defesa não teve a menor condição de analisar o que foi colhido”, afirmou. 

“Non sense”

O advogado Demóstenes Torres, que representa o almirante Almir Garnier, também acusou a PGR e a PF de terem excluído do processo fatos que poderiam desmentir a narrativa de acusação. Ele afirmou, por exemplo, que os “romancistas” da PF não levaram em consideração contradições como o fato de seu cliente não estar em Brasília em datas nas quais os investigadores o acusam de participar de atos golpistas. 

Para Torres, a PGR não apontou nenhuma ligação entre as condutas de Garnier e os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas e depredadas por apoiadores de Bolsonaro. O defensor afirma que imputar ao almirante crimes relacionados ao episódio “é um non sense [afirmação sem sentido], não existe nada”. 

O mesmo alegou o advogado Eumar Novacki, defensor do ex-ministro da Justiça Anderson Torres, para quem a PF tenta transformar a atuação profissional de seu cliente em condutas criminosas. Ele negou que seu cliente tivesse ciência de qualquer plano golpista e disse que Torres apenas assessorou o presidente quando solicitado.

“Se trata de conduta profissional, do exercício de suas funções”, disse. 

Andrew Farias, advogado do general da reserva e ex-ministro da Defesa Sergio Nogueira, também acusou a PGR de ter ignorado evidências sobre a inocência de seu cliente. Uma dessas provas seria o relato do delator do plano golpista Mauro Cid, o tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, segundo quem Nogueira avisou Bolsonaro sobre não haver fraudes nas urnas eletrônicas e também manifestou medo que o ex-presidente assinasse uma “doideira” para dar um golpe. 

“Vão fazer vista grossa, não vale essa parte [do depoimento]?”, indagou Farias. “A história não fecha, porque a prova dos autos é contundente em demonstrar a inocência”, afirmou o defensor, que chamou a denúncia da PGR de “ilação”. 

Brasília (DF) 25/03/2025 – O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete denunciados pela trama golpista vão se tornar réus na ação. O caso será julgado pela Primeira Turma da Corte, colegiado formado por cinco dos 11 ministros que compõem o tribunal. Foto: Antonio Augusto/STF – Antonio Augusto/STF

Colaboração premiada

A maior parte das defesas insistiu também na anulação da colaboração premiada de Mauro Cid, que disseram ter sido obtida sob coação, com a ameaça de que a família do tenente-coronel fosse presa. “Cabe ao Poder Judiciário analisar a regularidade”, disse o advogado José de Oliveira Lima. 

“O delator disse que foi coagido pela Polícia Federal, isso está nos autos”, destacou Lima, citando um áudio publicado pela revista Veja em que Cid relata a um interlocutor ter sido intimidado pelos investigadores a relatar acontecimentos dos quais não sabia. O advogado afirmou que o tenente-coronel “é mentiroso, ele mente”. 

Em sua sustentação oral, o advogado de Cid, Cezar Bittencourt, disse não ter “muita coisa a falar” sobre a participação do militar na trama golpista, a não ser “sua participação nos fatos como testemunha, como intermediário, como assessor que foi do presidente, que tinha conhecimento dos fatos, dos aspectos que se desencadearam”.

Julgamento

A Primeira Turma julga nesta terça-feira (25) se recebe ou não a parte denúncia referente ao chamado “núcleo crucial” do golpe, composto por oito dos 34 denunciados pela tentativa de golpe.

Após a leitura do relatório e da sustentação oral de acusação e defesas, o julgamento foi interrompido para um intervalo de almoço, sendo retomado à tarde. Agora, os ministros devem votar as questões preliminares apresentadas pelas defesas, antes de passarem ao mérito da denúncia. 

A previsão é de que o julgamento sobre o eventual recebimento da denúncia termine somente na tarde de quarta-feira (26). 

>> Clique aqui e saiba qual foi a participação de cada um dos 34 denunciados na tentativa de golpe

>> Saiba o rito a ser seguido durante o julgamento sobre o recebimento da denúncia. 

>>>Conheça os detalhes da denúncia da PGR sobre o golpe de Estado

Moraes nega que STF esteja condenando “velhinhas com a bíblia na mão”

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira (25) que a Corte esteja condenando “velhinhas com a bíblia na mão” pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O termo é utilizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro para se referir às sentenças proferidas pela Corte.

A declaração foi feita durante o julgamento de questões preliminares suscitadas pelas defesas de oito denunciados pela trama golpista, entre eles, o ex-presidente e o general Braga Netto. 

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Durante a sessão, Moraes disse que foi criada uma “narrativa mentirosa” para afirmar que a Corte está condenando “velhinhas com a bíblia na mão, que estariam passeando em um domingo ensolarado”.

O relator do processo na Primeira Turma apresentou dados que mostram que, das 497 condenações pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, 454 são de pessoas com até 59 anos de idade. Entre 60 e 69 anos foram 36 condenações e entre 70 e 75 anos, sete condenações. 

“Essa narrativa se criou e se repete através de notícias fraudulentas pelas redes socais, fake news, de que são mulheres, só mulheres e idosas [condenadas]”, afirmou o ministro. 

O julgamento continua para análise das questões preliminares. Em seguida, os ministros vão decidir se Bolsonaro e os demais acusados vão se tornar réus. 

A denúncia julgada pela turma trata do denominado núcleo crucial, composto pelos seguintes acusados:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022;
  • general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência – Abin;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
  • Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Palestino que ganhou Oscar é libertado por Israel após espancamentos

O cineasta palestino que ganhou um Oscar, Hamdan Ballal, foi libertado nesta terça-feira (25) após passar uma noite sendo espancado por soldados em uma prisão militar israelense. A informação é do co-diretor do filme No Other Land, o israelense Yuval Abraham, que ganhou, junto com o colega cineasta palestino, o Oscar de 2025 de melhor documentário.

“Depois de ficar algemado a noite toda, sendo espancado em uma base militar, Hamdan Ballal agora está livre e prestes a voltar para casa com sua família”, disse Abraham, em uma rede social, na manhã de hoje. 

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O colega de Hamdam afirmou que as informações são da advogada do diretor de cinema palestino.

“Hamdan foi algemado e vendado a noite toda em uma base do Exército, enquanto dois soldados o espancavam no chão, disse sua advogada Leah Tsemel depois de falar com ele agora há pouco”, comentou o cineasta israelense.

Hamdan Ballal foi detido após ter seu carro atacado por dezenas de colonos israelenses na aldeia de Susiya, na Cisjordânia ocupada

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento que o carro em que Hamdan estava foi atacado com pedras por colonos mascarados. Segundo relatos, ele foi retirado pelos militares israelenses da ambulância que o transportava após as agressões.

“Um grupo de colonos acabou de linchar Hamdan Ballal, codiretor do nosso filme No Other Land. Eles o espancaram e ele tem ferimentos na cabeça e no estômago, sangrando. Soldados invadiram a ambulância que ele chamou e o levaram”, informou, ontem, o co-diretor do filme, Yural Abraham.

Israel

Por meio de nota, as Forças de Defesa de Israel (FDI) informaram que houve um confronto entre israelenses e palestinos perto de Susya, mas negou que tenha havido a prisão de algum palestino dentro de uma ambulância, como afirmam os relatos envolvendo o cineasta Hamdan Ballal.

“As forças da IDF e da polícia israelense chegaram para dispersar o confronto, neste ponto, vários terroristas começaram a atirar pedras nas forças de segurança. Em resposta, as forças prenderam três palestinos suspeitos de atirar pedras neles, bem como um civil israelense envolvido no confronto violento. Os detidos foram levados para interrogatório pela polícia israelense”, disse a nota da FDI publicada na noite desta segunda-feira.  

No Other Land

O filme No Other Land relata a luta para impedir que militares israelenses destruam as residências dos habitantes de Masafer Yatta, região onde está a vila de Susya e ocorreu a prisão do cineasta.

O filme tem dois realizadores palestinos, Ballal e Basel Adra, ambos moradores de Masafar Yatta, e dois realizadores israelenses, Yuval Abraham e Rachel Szor.

Desde 1967, quando Israel ocupou a Cisjordânia, tem aumentado a ocupação do território palestinos por israelenses, que já somariam mais de 700 mil colonos em todo o território. O direito internacional considera essa ocupação ilegal e pede que Israel se retire das terras palestinas.

Desde o início do ano, estima-se que Israel tem desalojado mais de 40 mil palestinos de suas casas em uma ofensiva que não se via há mais de 20 anos, desde a Segunda Intifada ao longo dos anos 2000, quando uma longa revolta palestina explodiu contra a ocupação da Cisjordânia e de Gaza por Israel. 

Acordo garante reparação às comunidades indígenas Avá-Guarani

Os Avá Guarani das Terras Indígenas (TIs) Tekoha Guasu Guavira e Tekoha Guasu Okoy Jakutinga, no oeste do Paraná, terão R$ 240 milhões custeados pela Itaipu Binacional como forma de reparação pelo alagamento de seus territórios durante a construção da usina hidrelétrica de Itaipu. A indenização custeará três mil hectares de terras rurais na região.

A medida é resultado de um acordo relativo a uma ação que tramita na Câmara de Mediação e Conciliação da Administração Pública Federal e outra Ação Cível Originária (3.555/DF), no Supremo Tribunal Federal (STF).

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A matéria foi mediada pela Advocacia-Geral da União (AGU), em caráter emergencial, para enfrentar a situação de violência e miséria vivida pelas comunidades indígenas da região.

No último domingo (23), a localização do corpo de um indígena na TI Guasu Guavira – com fortes marcas de violência -, no município de Guaíra, reforça a vulnerabilidade dessa população.

Há mais de 50 anos, os Avá Guarani lutam pela demarcação definitiva de suas terras e, nos últimos meses, as aldeias indígenas da região têm vivenciado episódios recorrentes de violência.

Violência

Essa entrega de hoje é importante, mas também não pode camuflar a situação de violência vivida pelo povo Avá-Guarani no oeste do Paraná. Ainda assim, este momento deve ser celebrado, porque ele é parte de uma conquista do povo Avá-Guarani. É uma reparação parcial e nós vamos continuar trabalhando conjuntamente para que o povo tenha acesso ao seu território tradicional sagrado”, disse a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, durante a assinatura e homologação do acordo emergencial, nessa segunda-feira (24).

Também assinaram o acordo representantes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Para o advogado-geral da União, Jorge Messias, o pacto entre governo, Itaipu e comunidades indígenas sinaliza um caminho de esperança para um futuro mais justo e igualitário para o povo Avá Guarani “É o primeiro passo de outros tantos que precisam vir”, assegurou.

A conciliação entre as partes envolve ainda um compromisso abrangendo a recuperação ambiental do novo território para os indígenas, a garantia de oferta de serviços básicos para os indígenas como saúde, educação e saneamento, além da publicação de um pedido público de desculpas aos Avá-Guarani pelos danos causados.

Bolsonaro chega ao STF para ver julgamento sobre tentativa de golpe

O ex-presidente Jair Bolsonaro chegou por volta das 9h30 desta terça-feira (25), ao plenário da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, para presenciar o julgamento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em que foi acusado de liderar uma trama golpista durante o seu governo. 

Acompanhado de advogados e aliados, Bolsonaro sentou-se na primeira fileira da sala de audiências da Primeira Turma. Mais cedo, o ex-presidente enviou mensagem a aliados políticos em que se defende das acusações da PGR e diz “confiar na Justiça”. 

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Poucos minutos após a chegada do ex-presidente, a sessão de julgamento foi aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin. Em seguida, a palavra foi dada ao relator, Alexandre de Moraes, que fez a leitura do relatório sobre o caso. 

Brasília (DF) 25/03/2025 – O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete denunciados pela trama golpista vão se tornar réus na ação. O caso será julgado pela Primeira Turma da Corte, colegiado formado por cinco dos 11 ministros que compõem o tribunal. Antonio Augusto/STF

Acusados

O Núcleo 1 é composto pelos seguintes acusados:

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e candidato a vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022;

General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência – Abin;

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;

Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Todos foram acusados pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado.

Caso a denúncia seja recebida, os acusados se tornam réus no Supremo, sendo instalada uma ação penal em que deve ser aberta uma nova instrução do processo, sendo ouvidas testemunhas de acusação e defesa. 

Participação

Clique aqui e saiba qual foi a participação de cada um dos 34 denunciados na tentativa de golpe.

Saiba o rito a ser seguido durante o julgamento sobre o recebimento da denúncia.

*Matéria alterada às 10h44 para acréscimo de informações

Verbas para Bolsa Família e Pé-de-Meia estão garantidas, diz ministra

O governo federal está satisfeito com a forma como o Orçamento Federal foi aprovado pelo Congresso Nacional. Segundo a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Simone Tebet, recursos para programas como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia estão garantidos.

“Não é uma professora como eu, que está no ministério, que vai deixar faltar recursos para um programa como o Pé-de-Meia”, garantiu durante o programa Bom Dia, Ministra, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

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Perguntada sobre como vê as alterações feitas na proposta orçamentária apresentada pelo governo federal ao Legislativo, Simone Tebet disse que o governo “está satisfeito porque é democrático”, e que, nesse contexto, é natural que se faça parcerias com o Congresso Nacional, que também é eleito pelo povo brasileiro.

A ministra não descarta a possibilidade de que algum veto seja feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas que certamente isso não afetará nada que seja essencial. “Sempre tem alguns vetos. Em geral, por inconstitucionalidade ou por irregularidades”. “Mas acho que não teremos nenhum problema com relação a grandes vetos”, acrescentou.

“Teremos mais dinheiro para saúde, educação, projetos sociais, e para projetos que alavancam a produtividade e o desenvolvimento do Brasil”, afirmou.

Segundo Simone Tebet, a totalidade de gastos previstos para o programa Pé-de-Meia não foi colocada no orçamento apenas devido a algumas questões com o Tribunal de Contas da União (TCU). Ela, no entanto, garantiu que isso será compensado no futuro por meio de projetos que serão apresentados pelo governo visando ao remanejamento do orçamento.

“Não vai faltar nenhum centavo para o Bolsa Família ou para o Pé-de-Meia”, assegurou. “Vamos colocar a primeira parte e, no meio do ano, a gente coloca o restante no orçamento”.

Criminosos sequestram cinco ônibus na zona norte do Rio de Janeiro

Cinco ônibus foram sequestrados na manhã desta terça-feira (25) no bairro Engenho Novo, no Rio de Janeiro. Criminosos usaram os veículos para deixá-los atravessados visando interromper o trânsito.

O ato foi na Rua Barão do Bom Retiro, importante ligação entre o subúrbio carioca e bairros mais próximos ao centro da cidade, como Vila Isabel, Grajaú e Andaraí.

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Segundo a Polícia Militar (PM), o sequestro é uma retaliação de criminosos à ocupação, por parte da PM, do Morro São João, que ocorre desde janeiro. A presença da polícia na comunidade tem como meta principal impedir disputas entre facções rivais dos morros São João e do vizinho Macacos, que dura mais de um ano.

Os cinco ônibus foram deixados no meio da pista sem as chaves, de forma a dificultar a remoção dos veículos. Um reboque foi acionado para liberar a via, na altura da rua Acaré.

Linhas

O Rio Ônibus – Sindicato das Empresas de Ônibus do Município do Rio de Janeiro – informou que os veículos usados como barricadas são os seguintes:

B27126 – 639 (Jardim América x Saens Pena)

A72045 – 422 (Grajaú x Cosme Velho)

B25588- 606 (Engenho de Dentro x Terminal Gentileza)

C47574 – 607 (Cascadura x Rio Comprido)

B25598 – 606 (Engenho de Dentro x Terminal Gentileza)

Ainda de acordo com o Rio Ônibus, apenas este ano 27 veículos foram sequestrados. “Mais uma vez reiteramos o apelo às autoridades de segurança pública, ressaltando a necessidade urgente de se tomar providências para devolver o direito de viver em paz da população carioca”, informou a entidade, em nota.

Prejuízos

Seis linhas que passam pela região estão com a operação prejudicada:

232 (Lins x Castelo)

606 (Engenho de Dentro x Terminal Gentileza)

SV606 (Engenho de Dentro x Terminal Gentileza)

607 (Cascadura x Rio Comprido)

638 (Marechal Hermes x Saens Peña)

639 (Jardim América x Saens Peña)

Desvios

O Centro de Operações Rio, serviço de monitoramento da prefeitura em tempo real, recomenda os seguintes desvios aos motoristas:

– Do Grande Méier para o Centro ou Grande Tijuca: Rua General Belegarde, Avenida Marechal Rondon e Rua São Francisco Xavier. 

– Da Grande Tijuca ou centro para o Grande Méier: Avenida Rei Pelé, Rua São Francisco Xavier e Rua 24 de Maio.

DF inicia vacinação contra a gripe nesta terça-feira

A partir desta terça-feira (25), mais de 100 salas de vacinação do Distrito Federal começam a distribuir a dose contra a gripe para grupos prioritários, incluindo idosos com 60 anos ou mais, crianças de 6 meses a 5 anos e 11 meses, gestantes e professores das redes pública e privada.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, mais de 1,2 milhão de pessoas estão aptas a receber o imunizante. Confira, a seguir, a lista completa de todos os públicos-alvo para a vacinação contra a gripe:

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– crianças de 6 meses até 5 anos e 11 meses;

– idosos acima de 60 anos;

– gestantes;

– puérperas;

– pessoas com doenças crônicas não transmissíveis;

– indígenas;

– trabalhadores da saúde;

– população privada de liberdade;

– funcionários do sistema prisional;

– professores de escolas públicas e privadas;

– profissionais de forças de segurança e salvamento;

– trabalhadores de transporte coletivo rodoviário;

– profissionais das Forças Armadas;

– trabalhadores dos Correios;

– trabalhadores portuários;

– e caminhoneiros.

Primeiro lote

O Distrito Federal recebeu, na última sexta-feira (21), o primeiro lote da vacina enviado pelo Ministério da Saúde, contendo 80 mil doses. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entregou os imunizantes pessoalmente na Rede de Frio da secretaria.

O que levar

Para receber a dose, é preciso comparecer a um dos locais de vacinação com documento de identificação e, se possível, a caderneta de vacina. A depender do grupo prioritário, pode ser necessário apresentar comprovante da situação médica ou profissional, como crachá ou contracheque.

A secretaria reforçou que o imunizante contra a gripe pode ser administrado juntamente com outras vacinas. Portanto, no local de vacinação é possível atualizar mais de um esquema vacinal.

Campanha nacional

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, este ano, começa no dia 7 de abril. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na última sexta-feira (21), data em que as doses começaram a ser distribuídas aos estados. A meta do governo federal é imunizar 90% dos grupos prioritários

Entenda

A vacina contra a gripe é atualizada todos os anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a partir das cepas de maior circulação. A orientação da entidade é que mesmo quem se imunizou em anos anteriores compareça aos postos para garantir a nova dose. Em 2025, a proteção é garantida contra os vírus H1N1, H3N2 e B.

Dias Toffoli antecipa voto e STF tem maioria para condenar Zambelli

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para condenar a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) (foto) pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Mesmo com o pedido de vista do ministro Nunes Marques, que suspendeu o julgamento virtual nessa segunda-feira (25), o ministro Dias Toffoli antecipou seu voto, seguindo o entendimento do relator, ministro Gilmar Mendes, para quem a reação armada diante de ofensas não encontra amparo no Estado Democrático de Direito.

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Com isso, o placar registrado até agora pelo Supremo é de seis votos a zero para condenar a parlamentar a cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto. Os ministros que votaram pela condenação também se manifestaram pela perda do mandato em função da condenação criminal.

Votaram os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli – todos acompanhando o voto do relator. Outros cinco ministros ainda precisam votar.

Defesa

Em nota enviada à Agência Brasil, o advogado Daniel Bialski, representante da deputada, declarou que a defesa não conseguiu fazer sustentação oral no julgamento e que o pedido “sequer foi analisado pelo relator.” Para Bialski, houve cerceamento de defesa.

“Essa seria a melhor oportunidade de evidenciar que as premissas colocadas no voto proferido estão equivocadas. Esse direito do advogado não pode ser substituído por vídeo enviado — cuja certeza de visualização pelos julgadores inexiste. Mas, apesar desse cerceamento da defesa, foram ainda enviados e despachados memoriais com os ministros para motivá-los a ter vistas e examinar minuciosamente os autos”, afirmou o advogado.

Lula e Janja são recebidos por casal imperial do Japão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja da Silva foram recebidos pelo imperador do Japão, Naruhito, e a imperatriz Masako, às 21h20 desta segunda-feira (24), manhã de terça-feira (25) no horário oficial de Tóquio (12 horas à frente do horário de Brasília).

A cerimônia de boas-vindas, com honras militares, ocorreu no Palácio Imperial, na capital japonesa, no primeiro ato oficial da visita de Estado de Lula ao país asiático.

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De acordo com o Palácio do Itamaraty, no Japão, as visitas de Estado, consideradas as mais relevantes do ponto de vista diplomático, são organizadas, no máximo, uma vez por ano, e esta será a primeira visita de Estado organizada pelo Japão desde 2019.

Este ano, Brasil e Japão celebram 130 anos de relações diplomáticas. O Brasil abriga a maior população nipodescendente fora do Japão, com cerca de 2 milhões de pessoas, enquanto o Japão abriga a quinta maior comunidade brasileira no exterior, com cerca de 200 mil pessoas.

Após a recepção, Lula e Janja cumprimentaram a delegação japonesa, ao som de músicas brasileiras, como Aquarela do Brasil, de Ary Barroso, executada pela banda militar imperial do país anfitrião.

Presidente Lula e comitiva durante chegada a Tóquio. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Do lado brasileiro, cerca de 20 ministros, parlamentares e autoridades, incluindo os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), acompanham o presidente.

Em seguida, Lula seguiu para uma reunião reservada com o casal imperial.

Segundo a agenda oficial, após o encontro reservado e cumprimentos do casal imperial à delegação brasileira, está previsto um almoço privado do presidente.

Por volta das 15h, horário local (3h no horário de Brasília), Lula terá reunião com integrantes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). No início da noite de terça, no horário japonês, a delegação brasileira participa de um jantar oferecido pelas majestades imperiais.

Nesta quarta-feira (26), Lula participará do Fórum Empresarial Brasil-Japão, com cerca de 500 empresários de ambos os países, e terá uma reunião com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba, seguido de um jantar oferecido pelo anfitrião no Palácio Akasaka.

Carne brasileira e Mercosul

Uma das expectativas da viagem, em termos comerciais, é de abrir o mercado japonês para a carne bovina brasileira e avançar nas negociações para um acordo entre o gigante asiático e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

Do ponto de vista comercial, em 2024, o Japão foi o terceiro maior parceiro comercial do Brasil na Ásia e terceiro maior destino de exportações brasileiras à região, com intercâmbio comercial de US$ 11 bilhões e superávit de US$ 148 milhões. Segundo o Banco Central (BC), em 2023, o Japão respondia por um total de US$ 35 bilhões em investimentos diretos no país, sendo o nono maior estoque de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no Brasil e o segundo maior investidor asiático.

A última visita de Lula ao Japão ocorreu em 2023, quando ele participou, como convidado, da Cúpula do G7. E, ao todo, esta é a quinta vez que Lula visita o Japão como presidente da República, ao longo de seus mandatos. 

Nos dias 28 e 29 de março, Lula cumpre visita oficial em Hanói, no Vietnã. O primeiro-ministro do país do Sudeste Asiático, Pham Minh Chính, esteve no Brasil em 2023.

O presidente retorna ao Brasil no dia 30.

PF repatria bebê que estava em Portugal e foi vítima de tráfico humano

A Polícia Federal (PF) concluiu nesta segunda-feira (24) Operação Pérola, que resultou na repatriação de um bebê que fora levado para Portugal no final de 2023, pouco após o nascimento, vítima de tráfico humano.

A investigação, conduzida pela Delegacia da PF em Campinas (SP), começou após o órgão ser acionado pela Promotoria de Justiça em Valinhos, no interior paulista. 

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Em ação conjunta com a Polícia Judiciária de Portugal, o bebê foi encontrado na região de Porto.

Segundo nota, a criança foi localizada e encaminhada à Assistência Social de Portugal, que a destinou a uma família acolhedora no país, “tendo lá permanecido até se confirmar que efetivamente não se tratava de criança portuguesa, pois os registros haviam sido falsificados quanto à sua nacionalidade e naturalidade”.

Após a confirmação da identidade e com intervenção do Ministério Público Federal em Campinas, policiais federais brasileiras foram até Portugal para trazer a criança, que já tem um ano e quatro meses, de volta ao Brasil.

De acordo com a PF, a criança está sob os cuidados de uma instituição brasileira, e as famílias acolhedoras em Portugal e no Brasil estão em contato para compartilhar informações.

“O vínculo criado durante esse período será respeitado, e as famílias continuarão em comunicação, mantendo um elo que visa o melhor interesse da criança”.

O processo para repatriação seguiu o Protocolo de Palermo, de 2004, que combate o tráfico internacional de pessoas.

“O retorno deste bebê ao Brasil simboliza não apenas o sucesso da cooperação entre os órgãos envolvidos, mas também a esperança renovada de um futuro seguro e protegido, com a crença de um recomeço de uma nova história com acolhimento e reconstrução”, complementa a nota da PF.

Sindicatos repudiam ataque a jornalistas que reportaram atos golpistas

Entidades ligadas ao jornalismo profissional manifestaram indignação após ataques virtuais e onda de desinformação dirigidos às jornalistas Gabriela Biló e Thaísa Oliveira, da Folha de S.Paulo, em função de reportagem sobre os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro de 2023.

Entre os ataques na internet, há uma insinuação de que as profissionais seriam “responsáveis” pela prisão de Débora Rodrigues dos Santos, acusada de participar dos atos golpistas e de pichar a frase “Perdeu, mané” na estátua A Justiça

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Dentro dessa falsa informação, há ilações de que as jornalistas teriam entregado registros fotográficos e outras informações para o Supremo Tribunal Federal (STF) 

“Além de se tratar de uma desinformação, tal ilação revela o absoluto desconhecimento sobre o livre exercício profissional e sobre a tarefa jornalística de produzir registros de interesse público”, aponta nota assinada pelos sindicatos dos jornalistas profissionais do Distrito Federal (SJPDF), e de São Paulo (SJSP) e pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Cinco crimes

Estátua A Justiça vandalizada, na sede do Supremo Tribunal Federal – Joedson Alves/Agencia Brasil

Segundo o que argumentam as entidades, a condenada respondeu judicialmente por cinco crimes diferentes, incluindo tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e associação criminosa.

Débora é acusada ainda de vandalizar a estátua que representa a Justiça na Praça dos Três Poderes. A nota emitida considerou “intolerável que profissionais de imprensa sejam caluniados, convertidos em alvo de campanha difamatória e de tentativa de linchamento público por cumprirem aquilo que deles se espera em termos de exercício da profissão”. 

As entidades apontam que é fundamental desestimular a cultura da violência contra jornalistas “por meio de uma ágil e justa responsabilização dos algozes, sem impunidade”.   Os representantes da categoria colocaram as assessorias jurídicas à disposição das profissionais.

Prefeitos da Grande São Paulo rejeitam renovação de concessão da Enel

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, anunciou, nesta segunda-feira (24), que os municípios que fazem parte da chamada Grande São Paulo vão mover ação conjunta contra a renovação da concessão de distribuição de energia elétrica à Enel. O processo está em avaliação no setor e, se concluído, levaria à renovação da concessão do serviço à Enel por mais 30 anos.

“A Agência Nacional de Energia Elétrica [Aneel] está procurando fazer uma manobra desonesta de antecipar o contrato, que vence em 2028, de uma empresa que não respeita as pessoas, que toda hora dá problema para os 24 municípios que eles atendem aqui no Estado de São Paulo”, afirmou Ricardo Nunes, que informou ser a medida consensual entre as prefeituras.

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A declaração foi dada durante reunião do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana, na qual foram discutidos também temas como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 66, que deve alterar regras de limites de pagamento de precatórios pelas cidades, a questão dos serviços de mototáxi, a mudança de nome da Guarda Civil Metropolitana para Polícia Municipal e a integração dos sistemas de monitoramento por vídeo.

Concessionária

A Agência Brasil procurou contado com a concessionária Enel, que, em nota, anunciou investimento de R$ 10,4 bilhões de 2025 a 2027 para melhoria, reforço, digitalização e expansão do sistema de distribuição de energia na região.

“A Enel reitera que tem forte compromisso com seus clientes e com a área de concessão em São Paulo, que abrange 24 municípios, incluindo a capital. Com foco na melhoria dos serviços prestados aos clientes, a distribuidora vem ampliando de forma constante e significativa os investimentos ao longo dos anos. De 2025 a 2027, a distribuidora vai investir R$ 10,4 bilhões, montante recorde para a região, principalmente, em função do avanço dos eventos climáticos. O investimento será destinado à melhoria, reforço, digitalização e expansão do sistema de distribuição, afirma a concessionária.

A empresa diz ainda que cumpre todos os compromissos estabelecidos no contrato de concessão e que vai contratar mais eletricistas, aumentar as manutenções preventivas e podas de galhos de árvores em contato com a rede elétrica, além de mobilizar antecipadamente equipes em campo de acordo com as previsões meteorológicas, entre outras ações. O texto acrescenta que, nos dois primeiros meses deste ano, a companhia reduziu em 40% o tempo médio de atendimento, registrando o melhor indicador para o período dos últimos sete anos.

Aneel

Em nota, a Aneel diz que as condições que preveem a renovação antecipada das concessões constituem-se de política pública – portanto, de competência do Poder Concedente – e estão previstas no Decreto nº 12.068, de 20 de junho de 2024. “Assim, coube à Aneel avaliar o cumprimento das condições previstas no decreto, para avaliação da renovação ou não pelo Ministério de Minas e Energia.” Segundo a agência, não foi aprovado contrato de concessão para a Enel-SP, mas sim modelo de contrato que deverá ser adotado caso o pedido de renovação da concessão seja acatado pelo ministério.

“Cabe ressaltar também que há termo de intimação contra a Enel São Paulo, cuja manifestação da distribuidora está em análise. Enquanto esse processo estiver aberto, não poderá haver renovação da concessão”, acrescenta a nota da Aneel.

Milhares vão às ruas na Argentina no Dia da Memória, Verdade e Justiça

Em 24 de março de 1976, na Argentina, um golpe de Estado depôs o governo de María Estela Martínez de Perón, conhecida como Isabelita Perón, dando início a uma das ditaduras mais violentas da América Latina, que perduraria até 1983, resultando em perseguições, sequestros, torturas e assassinatos que vitimaram mais de 30 mil pessoas. Após a retomada da democracia, o Dia da Memória, Verdade e Justiça, lembrado nesta segunda-feira (24), passou a fazer parte do calendário nacional de mobilização da sociedade civil argentina, que se reúne em marchas pelo país afora.

O ato deste ano também marcou uma histórica unidade entre os principais movimentos sociais e de direitos humanos, o que não ocorria há pelo menos 19 anos. A marcha unificada reuniu milhares de pessoas na capital, Buenos Aires, bem como nas principais cidades do país, como Córdoba, Mendoza, Rosário e Santa Fé, em um contexto de oposição às políticas neoliberais e à visão do governo do atual presidente, Javier Milei, sobre a ditadura militar argentina. O mandatário de extrema-direita costuma se referir ao período ditatorial argentino como “uma guerra” em que “se cometeram excessos”, mas não condena o desaparecimento, a tortura, o assassinato nem o sequestro de bebês dos opositores do regime.

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A própria vice-presidente do país, Victoria Villarruel, é oriunda de família de militares e já defendeu a revisão da políticas de reparação e indenização às vítimas e parentes de mortos e desaparecidos políticos durante o regime.

Em Buenos Aires, a marcha saiu das proximidades da Avenida 9 de Julho em direção à Praça de Maio, onde fica a Casa Rosada, sede da Presidência da República. O ato foi organizado pelas entidades Mães e Avós da Praça de Maio, o agrupamento HIJOS (Filhos por Identidade e Justiça, na sigla em espanhol), movimentos de direitos humanos, sindicatos e partidos políticos, incluindo os peronistas.

“Lutamos por restituir a identidade das centenas de bebês roubados pela ditadura. A apropriação foi um desaparecimento forçado que continua se repetindo enquanto não se recupera a verdadeira identidade dessas pessoas”, discursou a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, em um palco montado na própria praça histórica.

Uma das políticas sistemáticas da ditadura argentina foi justamente o sequestro e roubo de bebês de mães militantes políticas que estavam presas em centros clandestinos de tortura. Essas crianças eram então repassadas para adoção por outras famílias, muitas das quais ligadas a militares. São provavelmente centenas de casos jamais elucidados, e os movimentos de mães e avós da Praça de Maio emergiram dessa busca por verdade e justiça, tornando-se referência na luta por direitos humanos no país.

Mais cedo, o governo Milei anunciou a desclassificação total de todas as informações da Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE) sobre o período repressivo da segunda metade da década de 1970, e, ao mesmo tempo, reconheceu que um ataque do grupo armado ERP, de oposição ao regime militar, contra a família do capitão Humberto Viola, trata-se de crime contra a humanidade.

“O governo do Presidente Milei tem um compromisso inabalável com os direitos humanos e contar a história completa é uma tarefa crucial neste caminho”, afirmou o porta-voz da Presidência argentina, Manuel Adorni, segundo meios de comunicação locais.

Preso ex-PM suspeito de treinar traficantes do Comando Vermelho no Rio

A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (24) o ex-policial militar Ronny Pessanha de Oliveira, do Batalhão de Operações Policiais Especializadas (Bope) – tropa de elite da corporação. Segundo a corporação, trata-se de uma ofensiva estratégica para conter e atacar o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho (CV), na zona oeste da capital. 

A ação teve como principal objetivo desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da organização criminosa, além de prender traficantes que atuam na região. Principal alvo da Operação Contenção, o ex-policial militar conhecido como Caveira foi preso em casa, na comunidade da Muzema, em Jacarepaguá. Ele foi expulso da corporação em 2023. A operação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária.

Ele é apontado como peça-chave na logística e no treinamento armado de criminosos, com atuação direta em aliança com lideranças do Complexo da Penha, onde se concentra a cúpula do Comando Vermelho. 

Ronny Pessanha também é investigado por lavagem de dinheiro, por meio de uma empresa de vigilância patrimonial utilizada como fachada para movimentações financeiras ilícitas.

Além do envolvimento no tráfico, Caveira é acusado de controlar de forma violenta diversos empreendimentos imobiliários nas comunidades citadas, com uso de armamento pesado para expulsar moradores e tomar posse de imóveis que integravam a estrutura criminosa.

O secretário de Polícia Civil Felipe Curi comentou a prisão do ex-Bope. 

“Na Muzema [Peçanha] passou a expulsar moradores de suas casas e a colocar outras pessoas morando nas residências. Ele é suspeito, inclusive, de ter participado da morte de duas pessoas em condomínios da comunidade”.

Ação contínua

De acordo com a corporação, a ação será contínua, integrando todos os departamentos da Polícia Civil para enfrentamento permanente do crime organizado. 

Esta é apenas a primeira fase, e novas ações estratégicas serão realizadas de forma sistemática para impedir a expansão da facção e garantir maior segurança à população da zona oeste, informou a polícia.

A ação contou ainda com o apoio da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Vidigal.

Caminhos da Reportagem mostra impacto dos microplásticos na saúde

O cérebro é o órgão mais protegido do corpo humano. Até por isso, “havia dúvida se o microplástico [partícula com menos de meio centímetro] conseguiria chegar lá”, revela a pesquisadora brasileira Thais Mauad.

“A gente resolveu estudar uma estrutura que se chama bulbo olfatório, que é a nossa primeira conexão com o nariz”, continua a professora do Departamento de Patologia da USP. “E encontrou, nesse local, partículas de microplástico”.

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O coração também é um órgão nobre. E outro estudo, esse do pesquisador italiano Raffaele Marfella, mostra que pacientes com plástico na carótida, artéria que leva sangue do coração para o cérebro, têm quatro vezes mais chances de ter infarto, AVC ou mesmo morrer.

Nossa equipe conversou com Marfella, que – depois da descoberta – tenta desenvolver um tratamento eficaz para combater inflamações causadas por microplástico.

“As bactérias que se alimentam de plástico o digerem para produzir energia. Essas bactérias agem com duas enzimas. A nossa ideia é isolar essas enzimas e inseri-las onde há contaminação”, explica o professor de Medicina da Universidade Vanvitelli de Nápoles.

Além do cérebro e da carótida, outras pesquisas descobriram microplástico no pulmão, no fígado, nos rins, no leite materno, no sêmen e no sangue. Mas quais são as consequências dessa invasão de plástico no nosso corpo? E mais: o que pode ser feito para minimizar o problema?

As respostas estão no programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil. No episódio “Microplástico na veia”, que vai ao ar nesta segunda-feira (24), a repórter Flavia Peixoto conversa com cientistas, professores, pesquisadores, gestores ambientais e representantes da indústria do plástico.

A reciclagem, na avaliação da maioria dos especialistas no assunto, é importante. Mas não resolve o problema. A saída, ainda segundo eles, é reduzir a produção. Tarefa que não é simples.

“O plástico tem uma limitação técnica e química. Ele só pode ser reciclado uma ou duas vezes”, ataca a gerente de Advocacy e Estratégia da ONG Oceana, Lara Iwanicki.

“Tem plásticos que conseguem ser reciclados dezenas de vezes, depende da tecnologia que você empregar”, defende o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química, André Passos Cordeiro.

“O que o ministério do Meio Ambiente deseja é que o plástico seja usado na menor quantidade possível, tendo em vista o impacto que ele causa hoje nos oceanos, no solo e na saúde humana”, afirma o diretor de Gestão de Resíduos Sólidos do ministério, Eduardo Rocha.

O episódio “Microplástico na veia” vai ao ar nesta segunda-feira (24), às 23h, na TV Brasil.
 

>> Assista na TV Brasil

Preso ex-PM suspeito de treinar traficantes do Comando Vermelho, em SP

A Polícia Civil prendeu nesta segunda-feira (24) o ex-policial militar Ronny Pessanha de Oliveira, do Batalhão de Operações Policiais Especializadas (Bope) – tropa de elite da corporação. Segundo a corporação, trata-se de uma ofensiva estratégica para conter e atacar o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho (CV), na zona oeste da capital. 

A ação teve como principal objetivo desarticular a estrutura financeira, logística e operacional da organização criminosa, além de prender traficantes que atuam na região. Principal alvo da Operação Contenção, o ex-policial militar conhecido como Caveira foi preso em casa, na comunidade da Muzema, em Jacarepaguá. Ele foi expulso da corporação em 2023. A operação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão temporária.

Ele é apontado como peça-chave na logística e no treinamento armado de criminosos, com atuação direta em aliança com lideranças do Complexo da Penha, onde se concentra a cúpula do Comando Vermelho. 

Ronny Pessanha também é investigado por lavagem de dinheiro, por meio de uma empresa de vigilância patrimonial utilizada como fachada para movimentações financeiras ilícitas.

Além do envolvimento no tráfico, Caveira é acusado de controlar de forma violenta diversos empreendimentos imobiliários nas comunidades citadas, com uso de armamento pesado para expulsar moradores e tomar posse de imóveis que integravam a estrutura criminosa.

O secretário de Polícia Civil Felipe Curi comentou a prisão do ex-Bope. 

“Na Muzema [Peçanha] passou a expulsar moradores de suas casas e a colocar outras pessoas morando nas residências. Ele é suspeito, inclusive, de ter participado da morte de duas pessoas em condomínios da comunidade”.

Ação contínua

De acordo com a corporação, a ação será contínua, integrando todos os departamentos da Polícia Civil para enfrentamento permanente do crime organizado. 

Esta é apenas a primeira fase, e novas ações estratégicas serão realizadas de forma sistemática para impedir a expansão da facção e garantir maior segurança à população da zona oeste, informou a polícia.

A ação contou ainda com o apoio da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Vidigal.

Cremerj: médicos devem comunicar suspeitas de envenenamento à polícia

O médico que atender um caso suspeito de envenenamento deve comunicar o fato à autoridade policial e solicitar materiais biológicos essenciais para a apuração criminal, como sangue e lavado gástrico. É o que determina resolução do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj), publicada este mês.

Com a medida, o profissional têm o dever de informar à autoridade policial sobre a ocorrência de crimes de ação penal pública incondicionada, desde que não exponha o paciente a um processo criminal.

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“No caso específico do envenenamento, a omissão dessa comunicação pode comprometer a investigação. E, nessas situações, o médico assume um papel fundamental, pois, frequentemente, é o primeiro profissional a identificar sinais sugestivos de intoxicação, tornando-se peça central no início da apuração dos fatos”, informa o Cremerj.

De acordo com o relator da resolução, conselheiro André Luís dos Santos Medeiros, a norma se fez necessária diante do crescente número de episódios noticiados pela imprensa de casos de envenenamentos, evidenciando a relevância desse fenômeno como questão de saúde pública e de segurança.

“Também haverá um efeito dissuasivo, uma vez que as pessoas podem desistir de cometer ilegalidades dessa natureza ao saberem que poderão ser descobertas”, explicou o médico.

Segurança

O texto oferece diretrizes para a conduta médica em um cenário sensível, proporcionando maior segurança ao profissional. Com as instruções relacionadas no documento, é possível saber mais sobre a forma adequada de acondicionamento e descarte de amostras, o preenchimento de prontuário e a elaboração de relatório.

A resolução estabelece, ainda, uma série de diretrizes a serem seguidas pelos diretores técnicos, como, por exemplo, a necessidade de estabelecer os protocolos internos de comunicação com a autoridade policial, “a urgência da realização de treinamentos que assegurem aos médicos o domínio dos procedimentos indicados na medida, e a garantia das condições mínimas na unidade para coleta e armazenamento dos materiais”.

Autonomia

Na visão do Cremerj, a resolução respeita a autonomia do paciente e o sigilo médico. “A comunicação compulsória à autoridade policial está restrita a situações em que a vítima está inconsciente ou é menor de idade, garantindo a proteção daqueles que não podem expressar sua vontade”.

“Para os casos em que o paciente é maior de idade e consciente, se manifesta de forma clara quanto à voluntariedade ou acidentalidade da ingestão, o dever de comunicação é afastado, respeitando-se sua autodeterminação”, avaliou André Luís Medeiros.

 

Dólar sobe para R$ 5,75 com tarifas de Trump e declarações de Haddad

Após vários dias de trégua, o mercado financeiro iniciou a semana com turbulências. O dólar subiu com novas ameaças de tarifaços do presidente norte-americano Donald Trump e declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A bolsa de valores descolou-se do exterior e caiu quase 1%.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (24) vendido a R$ 5,752, com alta de R$ 0,035 (+0,61%). A cotação chegou a subir para R$ 5,77 por volta das 9h50, após declaração de Haddad sobre uma possível mudança de parâmetros do arcabouço fiscal, mas desacelerou e voltou a operar em torno de R$ 5,73 após o ministro prestar esclarecimentos na rede social X.

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Perto do fim das negociações, no entanto, a moeda norte-americana acompanhou o mercado internacional e voltou a disparar, após Trump anunciar a intenção de sobretaxar em 25% países que comprem petróleo da Venezuela. O mandatário norte-americano também anunciou que o tarifaço previsto para vigorar a partir de 2 de abril afetará alumínio, automóveis e produtos farmacêuticos.

O mercado de ações também teve um dia agitado. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 131.321 pontos, com queda de 0,77%. O indicador chegou a operar na estabilidade no fim da manhã, mas aprofundou a queda durante a tarde, descolando-se das bolsas norte-americanas, que se recuperaram de baixas expressivas e subiram nesta segunda.

Em um dia de volume baixo, a bolsa foi afetada pela realização de lucros, quando os investidores vendem ações para embolsar ganhos recentes, após três semanas de alta. No entanto, a conjuntura internacional também afetou porque as taxas dos títulos do Tesouro norte-americano, os investimentos mais seguros do planeta, subiram nesta segunda. Isso estimula a fuga de capital de países emergentes, como o Brasil.

*Com informações da Reuters

Fiocruz lança IA para ajudar no registro de pesquisas clínicas

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou nesta segunda-feira (24) uma inteligência artificial generativa para o registro de pesquisas clínicas. A expectativa é que Rebec@, nome dado à IA, possa responder sobre documentos e prazos para submissão de registros, tipos de estudos, regras para a aprovação e para se tornar voluntário em pesquisas.

As pesquisas clínicas são estudos feitos em pessoas para medir segurança e eficácia de novos medicamentos, vacinas e procedimentos de manejo clínico. São fundamentais para a chegada de alternativas terapêuticas.

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Segundo a Fiocruz, Rebec@ está conectada a uma base de aprendizagem atualizada em regulação e boas práticas em pesquisa clínica. Ela funcionará 24 horas por dia e sete dias por semana.

A IA trabalha com diferentes temas considerados prioritários pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como condições de saúde, doenças, populações específicas. Para alguns, há fast-tracks, vias de revisão expressa com aprovação em até 48 horas. Rebec@ pode ajudar a identificar se a pesquisa está entre as prioridades.

A previsão é incorporar, ainda este ano, fast-tracks para estudos com todos os patógenos definidos como prioridade da OMS na América Latina. O lançamento global das inovações está previsto para o dia 20 de maio, Dia Internacional dos Ensaios Clínicos, na 78ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra.

“Cada funcionalidade tem um custo baixíssimo e é sustentável não só porque otimiza recursos hoje. O efeito é exponencial, com externalidades positivas cumulativas que afetam toda cadeia de inovação. Agilizar a colaboração científica nacional e internacional e a transparência da informação é agilizar a chegada segura de vacinas ou outras inovações à sociedade. O impacto no SUS é direto”, destaca a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Maria de Lourdes Aguiar Oliveira.

Laboratório de pesquisa da Fiocruz – Itamar Crispim/Fiocruz

Testes

A IA vem sendo testada informalmente pela rede global International Clinical Trials Registry Platform (ICTRP), padrão ouro da Organização Mundial da Saúde em transparência da informação. Somente pesquisas com aval do registro no Clinical Trials (EUA) ou em plataformas da rede ICTRP, são aceitos pelas revistas científicas mais reconhecidas.

“Isso faz toda a diferença, ainda mais em situações de risco e emergências de saúde, como pandemias, em que a colaboração científica e a publicação de resultados exigem credibilidade mesmo correndo contra o tempo”, diz a coordenadora de Rebec@, Luiza Silva.

Josué Laguardia, um dos professores responsáveis pela coordenação do Registro Brasileiro, destaca que Rebec@ pode agilizar em muito o atendimento, pois há padrões que se repetem entre as dezenas de usuários que passam diariamente pelos revisores humanos do Registro.

“Rebec@ pode dar atenção ininterruptamente a estas dúvidas mais frequentes, enquanto paralelamente revisores lidam com os demais casos de modo personalizado durante o expediente da Fundação, com pronto atendimento ou até hora marcada”, diz Laguardia.

Também existe uma expectativa de que Rebec@ atraia pesquisadores de outros países com interesses de pesquisa na América Latina.

“Acreditamos que pode ser o início de um ecossistema de pesquisa realmente integrado para a região e que pode ser viável atuar como um condomínio de incubação de registros primários para países que ainda não tem nossa expertise em curadoria de informação no padrão ICTRP. Estamos buscando entender as regulações éticas das nações vizinhas”, diz Laguardia.

Venezuela recebe deportados após EUA enviar imigrantes a El Salvador

O governo da Venezuela recebeu, na madrugada desta segunda-feira (24), 199 imigrantes venezuelanos deportados pelos Estados Unidos (EUA). Esse é o primeiro voo com deportados para Venezuela desde que Donald Trump enviou 238 venezuelanos para prisão de segurança máxima em El Salvador, no dia 16 de março.

Os imigrantes transferidos para o país da América Central foram classificados como “terroristas” da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua. Porém, a versão oficial do governo Trump é questionada por famílias e advogados dos imigrantes que afirmam que eles estão sendo acusados injustamente com objetivo de permitir sua deportação.

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Ao receber os recém deportados nesta segunda-feira, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, disse que a Venezuela está pronta para receber todos imigrantes venezuelanos e exigiu que El Salvador devolva os imigrantes transferidos por Trump.

“Nós estamos prontos para receber os venezuelanos. Esse já é o quarto voo que vem dos EUA. Isso é um ato de regresso de venezuelanos que estão sendo perseguidos em território estadunidense e alguns estão sequestrados em El Salvador. Hoje exigimos que o governo de El Salvador nos devolva os venezuelanos”, disse Cabello, acrescentando que o governo salvadorenho não tem respondido aos pedidos do governo de Caracas.

“Sequestrados”

Venezuela’s Vice-President and Oil Minister Delcy Rodriguez marches with Family members of Venezuelans deported from the U.S. to El Salvador to be imprisoned in the Terrorism Confinement Center (CECOT) prison, during a pro-government rally to demand their release, in Caracas, Venezuela March 18, 2025. Reuters/Gaby Oraa/Proibida reprodução – Reuters/Gaby Oraa/Proibida reprodução

Um movimento em favor dos imigrantes transferidos para El Salvador cresceu na Venezuela durante a semana passada, com grandes protestos em Caracas. O presidente Nicolas Maduro recebeu os familiares desses imigrantes e prometeu repatriar essas pessoas que considera como “sequestradas”.

Maduro disse que os venezuelanos estão sendo presos simplesmente por serem venezuelanos e comparou as medidas de Trump e Nayib Bukele, presidente de El Salvador, com os campos de concentração nazista.

“O objetivo é humilhar a nacionalidade venezuelana. É uma mensagem racista de desprezo. Estão sequestrados em campos de concentração nazi em El Salvador. Campos de concentração ao estilo de Hitler. Não cometeram nenhum delito, nem nos Estados Unidos, nem em El Salvador”, comentou o presidente venezuelano, que prometeu recorrer a Comissão de Direitos Humanos da ONU.

Indagado sobre as denúncias de famílias venezuelanas de que os imigrantes deportados para El Salvador não tinham antecedentes criminais, o presidente Donald Trump afirmou que todos passaram por “rigoroso processo de investigação”.

Em uma rede social, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, informou que os venezuelanos transferidos para o país ficarão inicialmente presos por um período de um ano, podendo esse prazo ser renovado. Além disso, informou que os EUA pagarão uma taxa por eles.

“Estamos ajudando nossos aliados, tornando nosso sistema prisional autossustentável e obtendo inteligência vital para tornar nosso país um lugar ainda mais seguro”, comentou Bukele.

Crise imigratória

A crise entre Venezuela e EUA em relação aos imigrantes começou despois que o presidente Trump acusou o governo de Caracas de não receber os deportados venezuelanos no ritmo desejado pelos EUA. Em resposta, os EUA suspenderam a autorização para petroleira estadunidense Chevron atuar na Venezuela e prometeram maiores e crescentes sanções econômicas caso a Venezuela não recebesse os voos com deportados. 

O caso ganhou ampla repercussão nos veículos de imprensa venezuelanos, que entrevistaram diversas famílias afetadas. Segundo os relatos, os imigrantes foram informados que regressariam à Venezuela sem saber que seriam levados ao Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) de El Salvador.

A jovem Nayrobis Varga, irmã de um dos detidos, Henry Vargas, de 32 anos, informou que seu irmão viva nos EUA desde março de 2024 com a mulher e filha, quando foi detido em 29 de janeiro deste ano. 

“Meu irmão é uma pessoa honrada e trabalhadora. Sua filha todo dia pergunta por ele, sua sobrinha todo dia pergunta por ele. Minha mãe está destroçada. Peço justiça poque nunca fizeram nenhum julgamento dizendo aonde iam trasladá-lo, não apresentaram nenhum delito contra ele”, apelou sua irmã em entrevista ao canal venezuelano VTV.

Para deportar os imigrantes venezuelanos, o presidente Donald Trump recorreu à Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798, usada apenas em momentos de guerra. A decisão foi derrubada pelo juiz federal James Boasberg, que considerou “problemática” o uso dessa lei para deportação de imigrantes sem direito à defesa.

Porém, a decisão não impediu a deportação dos 238 venezuelanos para El Salvador e agora as autoridades investigam se Trump descumpriu uma decisão judicial. Em resposta, o presidente estadunidense pediu o impeachment do juiz Boasberg.

>>Justiça dos EUA impede extradição de venezuelanos

Mega-prisão

Venezuelan migrants arrive on a flight after being deported from the United States, in Caracas, Venezuela, March 24, 2025. Reuters/Leonardo Fernandez Viloria/Proibida reprodução – Reuters/Leonardo Fernandez Viloria/Proibida reprodução

A mega-prisão de El Salvador que recebeu os imigrantes venezuelanos é conhecida pelas duras condições de confinamento. Organizações de direitos humanos acusam o governo de El Salvador de violar sistematicamente os direitos dos presos, que não tem acesso a advogados ou aos familiares e que seriam submetidos a torturas.

A Human Rights Watch disse que não tem conhecimento de algum detido que tenha sido libertado da Cecot que teria capacidade de abrigar 40 mil presos, considerada a maior prisão da América Latina. 

“As condições prisionais em El Salvador devem ser entendidas dentro do contexto do estado de emergência de três anos do país, que suspendeu os direitos constitucionais ao devido processo legal”, alerta a organização internacional de direitos humanos.

Governo Federal reconhece situação de emergência em 8 cidades do Acre

O governo federal reconheceu situação de emergência em oito municípios do Acre, em razão das cheias em rios que cortam o estado. 

O reconhecimento foi publicado no Diário Oficial da União desta segunda-feira (24) para as cidades de Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Plácido de Castro, Porto Acre, Rodrigues Alves e Santa Rosa do Purus. A portaria não indica o período de duração da medida.

A capital Rio Branco já havia tido o reconhecimento da situação de emergência no último dia 18. As cidades acreanas sofrem com as cheias nos rios Acre, Acre, Juruá, Purus e Envira, Abunã e Moa, todas estas no interior do estado.

Em Rio Branco, o Rio Acre que já havia ultrapassado a cota de transbordo na semana passada amanheceu nesta segunda-feira, 24, com 13,72 metros, segundo dados da Defesa Civil Municipal.

Na semana passada, o governo estadual já havia publicado um decreto reconhecendo situação de emergência em 10 municípios do estado, devido ao transbordo dos rios. 

Dessa lista, apenas a cidade de Tarauacá não teve a situação reconhecida pela portaria publicada no DOU.

Com o reconhecimento da situação de emergência, as prefeituras podem solicitar recursos do governo federal para ações de atendimento das situações emergenciais e ajuda humanitária, a exemplo da compra de cestas básicas, água potável, refeições, kits de limpeza, de higiene pessoal e dormitório.