Rádio Nacional transmite final do Campeonato Paulista nesta quinta

A grande final do Campeonato Paulista terá transmissão ao vivo na Rádio Nacional nesta quinta-feira (27). A jornada esportiva da emissora pública para o jogo entre Corinthians e Palmeiras começa às 21h15. 

O jogo no estádio Neo Química está marcado para às 21h30. A partida é atração para toda a rede, exceto Brasília, que segue com a programação normal.

Notícias relacionadas:

O clássico tem narração de André Luiz Mendes e comentários de Rodrigo Ricardo na faixa Show de Bola Nacional. As reportagens sobre o Derby Paulista são de Rodrigo Campos, que acompanha o Timão, e Bruno Mendes, com as notícias do Verdão. Já José Roberto Cerqueira lidera o plantão da informação.  

O ouvinte pode curtir a decisão pelo dial, no app Rádios EBC e por streaming no site da emissora.

Decisão

Depois da vitória do Corinthians por 1 x 0 sobre o Palmeiras no confronto de ida, como visitante, no Allianz Parque, em 16 de março, o time alvinegro está em vantagem para levantar a taça. O centroavante Yuri Alberto balançou as redes no segundo tempo da disputa e converteu o gol único do duelo.

O triunfo na casa do rival permite que o Corinthians conquiste a competição com um empate. Para levar o troféu, o Palmeiras precisa ganhar por dois ou mais gols. A vitória do alviverde por apenas um gol de diferença leva a definição do vencedor do Paulistão para as cobranças de pênaltis.

As quatro grandes equipes do estado disputaram as semifinais do campeonato. Para chegar à final, o Corinthians superou o Santos por 2 x 1 nas semifinais em jogo eliminatório. Já o Palmeiras passou pelo São Paulo por 1 x 0.

Cobertura esportiva da Nacional

O futebol é um dos destaques da programação da Rádio Nacional, emissora pública referência em transmissões de partidas no país há décadas. Os jogos das principais competições e as notícias mais importantes têm espaço nas jornadas esportivas diárias.

A Nacional apresenta, ao vivo, vários duelos de diversos campeonatos. Os torcedores podem acompanhar as disputas pelo rádio, site ou streaming. 

Antes e depois dos confrontos, o ouvinte se informa sobre a preparação das equipes e a repercussão do placar nas ondas da Nacional. 

A análise sobre os resultados da rodada ainda ganha janela diária para debate em produções consagradas no radiojornalismo esportivo. O tradicional programa No Mundo da Bola tem edições de segunda a sexta, ao vivo, às 18h, com 30 minutos.

Durante a programação da emissora pública, as atrações também trazem a participação do time de esportes com informações atualizadas. A ideia é oferecer ao público noticiário preciso, conteúdo relevante, comentários embasados e opinião fundamentada sobre o que acontece de mais recente no futebol do país e no exterior.

Brasil chegou perto de voltar à ditadura, diz New York Times

Os jornais mais influentes do mundo repercutiram o julgamento que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro réu por tentativa de golpe de Estado e várias publicações relembraram o passado ditatorial do Brasil.

O New York Times (NYT), dos Estados Unidos (EUA), disse que a investigação revelou que o Brasil chegou perto de voltar à ditadura e o francês Le Figaro destacou que a decisão é histórica para um país ainda “assombrado pela memória da ditadura militar (1964-1985)”.  

Notícias relacionadas:

O NYT escreveu que “a investigação revelou o quão perto o Brasil chegou de retornar a uma ditadura militar quase quatro décadas depois de sua história como uma democracia moderna” e que “Bolsonaro também parece estar apostando no apoio do Sr. Trump”.

Já o jornal ligado ao mercado financeiro de Wall Street, o The Wall Street Journal, destacou que o julgamento desferiu “um golpe em um dos aliados mais próximos do presidente Trump na América Latina” 

O The Washington Post, principal jornal da capital dos EUA, destacou que a acusação afirma que os investigados “buscavam manter Bolsonaro no poder ‘a todo custo’, em um esquema de várias etapas que se acelerou depois que o político de extrema direita perdeu para o atual presidente”.

O jornal de Washington lembrou ainda que Bolsonaro era conhecido por “expressar nostalgia pela ditadura passada do país, desafiou abertamente o sistema judicial do Brasil durante seu mandato de 2019-2022”. 

Além disso, a publicação citou que Bolsonaro tem apelado à mobilização de apoiadores e ao projeto de lei da anistia no Congresso Nacional para tentar escapar da condenação.

>> Confira as acusações que levaram o Supremo a tornar Bolsonaro réu

América Latina
 

O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete denunciados pela trama golpista. Foto: Antonio Augusto/STF

O jornal argentino Clarín também deu destaque ao julgamento que tornou Bolsonaro réu nessa quarta-feira (26).

“O juiz Alexandre de Moraes, responsável pelo caso do Supremo Tribunal Federal contra Bolsonaro e inimigo declarado do ex-presidente, foi o primeiro a votar a favor da abertura de um processo criminal, e um segundo juiz acompanhou seu voto”, disse o Clarín.

O mexicano El Universal fez uma reportagem para repercutir a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o julgamento, destacando ainda os argumentos de Moraes e do Bolsonaro sobre a trama golpista.

“O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou Jair Bolsonaro o primeiro ex-presidente a ser julgado por tentativa de golpe de Estado desde o retorno da democracia”, disse o El Universal

“Durante seu discurso, o juiz mostrou imagens dos eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023, quando uma horda de apoiadores do líder de extrema direita destruiu as três sedes dos Poderes”, disse a publicação mexicana. 

Europa

O tradicional jornal inglês The Guardian destacou que a decisão que tornou Bolsonaro réu “deixa o populista de extrema direita, que governou o Brasil de 2019 até o final de 2022, enfrentando o esquecimento político e uma possível pena de prisão de mais de 40 anos”. 

Ainda segundo o Guardian, “enquanto muitos no Brasil se regozijam com a queda prevista do ex-presidente, outros temem quem pode seguir seus passos de extrema direita”. 

O jornal espanhol El País disse que não é incomum que um ex-presidente seja julgado criminalmente no Brasil, “o que é inédito é que ele será levado a julgamento por um golpe”. 

Um dos principais periódicos da França – o Le Figaro – destacou que a condenação “minaria as ambições de retornar ao poder” de Bolsonaro.  

“A decisão é histórica em um país ainda assombrado pela memória da ditadura militar (1964-1985), recentemente revivida pelo fenomenal filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, vencedor do Oscar de melhor filme internacional”, escreveu o Le Figaro.

 

Filhas de vítimas da ditadura fazem pedido de reparação e memória

A imagem era de um tanque que invadia a rua e ficava próximo de atropelar as pessoas. Mas era só uma das tensões do inconsciente. Depois de mais um dos pesadelos, que teve nesta semana, a professora universitária Marta Nehring, de 61 anos, filha do ativista Norberto Nehring torturado e morto pela ditadura em 1970, teve um momento de alívio e esperança. Ela acordou mais tranquila.
 Professora universitária Marta Nehring faz parte do grupo filhos e netos por Memória, Verdade e Justiça protocolam pedido de Anistia Coletiva em Brasília Foto: José Cruz/Agência Brasil

Ela e outras familiares de vítimas da ditadura no Brasil entregaram, nesta quarta (26), à Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC) um “pedido de anistia coletiva” para filhos, netos, sobrinhos e enteados de perseguidos políticos do regime de exceção que foi de 1964 a 1985.

Notícias relacionadas:

As mulheres do Coletivo Filhos(as) e Netos(as) por Memória, Verdade e Justiça buscam um pedido oficial de desculpas do Estado brasileiro e o reconhecimento de que o período dos governos dos militares gerou vítimas ao longo de gerações. A anistia coletiva parte de um compromisso constitucional de reparação integral às vítimas de graves violações de direitos humanos.

No caso de Marta, que perdeu o pai aos 6 anos de idade, ela ouviu a história falsa de que Norberto teria se suicidado em um hotel no dia 24 de abril de 1970.  Norberto, na verdade, foi assassinado aos 29 anos de idade, conforme foi concluído depois de investigações.

“O corpo dele foi enterrado com um nome falso no cemitério de Vila Formosa (em São Paulo). Foi montada uma farsa de suicídio”.

Foi somente na década de 1990 que a família conseguiu a retificação do atestado de óbito.

Na memória de Marta, as lembranças de um percurso atribulado na infância, as perseguições e invasões policiais, inclusive durante o período de exílio com a mãe (a socióloga Maria Pacheco Morais), que ficou viúva aos 27 anos de idade. Foi na França, somente depois de três meses da morte de Norberto, que a família foi avisada da morte e houve a chamada para reconhecer o corpo.

Educação

A presidente da comissão de anistia do MDHC, a procuradora federal Ana Maria de Oliveira, considerou o pedido bastante apropriado para fazer justiça à história.

“Este é um momento significativo e que nós precisamos trabalhar para que mais coletivos venham a propor as suas anistias”, disse. 

Ana Maria Lima de Oliveira, Presidente da Comissão de Anistia, durante evento que o coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça protocolam pedido de Anistia Coletiva em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Ela acrescentou que representantes da comissão pedirão que o Ministério da Educação fortaleça os currículos escolares para formar os professores que possam contar a história da ditadura para esta geração e as futuras.

A presidente da comissão entende que houve sensibilização do país com o filme Ainda estou aqui, de Walter Salles, que conta a história do casal Eunice e Rubens Paiva.

Além do filme, ela entende que os julgamentos no Supremo Tribunal Federal [de crimes de tentativa de golpe de Estado e outras violações, como as que ocorreram em 8 de janeiro de 2023] ajudam a compreender o risco à democracia que o país enfrentou.

Demandas

O defensor público federal Bruno Arruda explica que a demanda por reparação por parte de familiares das vítimas da ditadura consiste de um especial simbolismo. Ele diz que os movimentos têm protagonismo nos relatos do que ocorreu com cada família.

“Envolve uma questão de memória muito pessoal terapêutica. Entre as demandas dos grupos, há a requisição das clínicas do testemunho”. Essas clínicas são voltadas para atender familiares de vítimas em uma estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) a fim de oferecer atendimento psicoterapêutico especializado para essas pessoas.

Entre as integrantes do coletivo, a professora Camila Tolosa Bianchi, filha do líder sindical Aderbal Bianchi (que morreu no ano passado) e da também professora Marta Raimundo dos Santos (falecida em 2019) tem a luta pela memória e visibilidade do que a família passou em prisões. Camila exemplifica que a mãe foi presa e duramente torturada.

“Na tortura que ela sofreu, usaram a minha irmã Cíntia, que era bebê de seis meses de vida. Eu recém-nascida em 74, quase fui para a adoção porque minha mãe foi presa”. A família viveu exilada na Argentina na clandestinidade por 10 anos. O pai dela, Aderbal, teve a prisão decretada em maio de 1964.

Simbolismo

Mesmo no exílio, a família foi perseguida pela Operação Condor, que era uma espécie de acordo das ditaduras sul-americanas de perseguir dissidentes políticos ainda que vivessem no estrangeiro. “Nós entendemos que o Estado brasileiro nos deve um pedido de perdão. Sabemos que esse pedido de perdão é simbólico, mas ele é fundamental”, acrescentou.

O grupo ainda estuda as medidas de reparação. “Nós imaginamos que nenhuma escola brasileira deve levar o nome de um estuprador, de um assassino, de um torturador”. Outro pedido é que o judiciário priorize o julgamento dos processos que são conexos aos crimes cometidos pela ditadura no Brasil. 

“Pedimos também que o Brasil abra os arquivos da Operação Condor e que faça, junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, um pedido de perdão com todos os estados signatários dessa operação que foi sanguinária”. Os algozes dos pais de Camila Bianchi nunca foram identificados. 

“Ele nunca mais foi o mesmo” No caso da psicóloga e professora Kênia Soares, de 52 anos, ela viu a família inteira ser perseguida depois que a prima participou de um plano de sequestro com motivações políticas durante a ditadura.

Kenia Soares Maia, filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça protocolam pedido de Anistia Coletiva em Brasília. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O pai, Vital Cardoso, que não tinha qualquer relação com a ação, foi preso e torturado por dois meses, no ano de 1970. Depois de libertado, ele nunca mais foi o mesmo, tamanho o trauma.   

“Depois da prisão, nunca mais conseguiu se reorganizar na vida. Abandonou o curso universitário e as artes, campo que era vocacionado”. O pai morreu como gerente de uma ótica localizada no subúrbio do Rio de Janeiro, aos 42 anos, de infarto. “Meu pai não morreu na prisão. Mas eu posso afirmar que esses porões dessa tortura prejudicaram gravemente a saúde dele no auge da sua juventude”. 

Hoje, Kênia, que faz parte do coletivo, entende que esse trauma precisa ser melhor acolhido por políticas públicas no Brasil. Por isso, ela busca adesões pela recriação da “Clínica de Testemunhos” em todo o país para atender as gerações que sentem, até hoje, as dores de tantas violações, conforme explica. Se não tratadas, as dores não são superadas, e ressurgem como se fossem no presente, como se fossem na própria pele. 

 

 

Prévia da inflação de março fica em 0,64%, pressionada por alimentos

A prévia da inflação oficial de março, apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), ficou em 0,64%. O resultado foi pressionado principalmente pelo preço do grupo alimentos e bebidas. No acumulado de 12 meses, o índice soma 5,26%, acima da meta do governo, que tolera no máximo 4,5%.  

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . Apesar da alta em março, o resultado mostra desaceleração ante fevereiro, quando o IPCA-15 marcou 1,23%. Em março do ano passado, o índice apontava 0,36%.

Notícias relacionadas:

Os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE registraram aumento médio de preços em março. O de alimentos e bebidas teve alta de 1,09%, o que representa o maior impacto no IPCA-15: elevação de 0,24 ponto percentual (p.p.). Em fevereiro essa variação tinha sido de 0,61%.

Especificamente a alimentação no domicílio subiu de 0,63% em fevereiro para 1,25% em março. Já a alimentação fora de casa acelerou de 0,56% para 0,66%.

Veja os subitens alimentícios que mais pressionaram o IPCA-15 em março:

  • ovo de galinha: 19,44% | impacto: 0,05 p.p.
  • café moído: 8,53% | impacto: 0,05 p.p.
  • tomate: 12,57% | impacto: 0,03 p.p.
  • refeição: 0,62% | impacto: 0,02 p.p.
  • mamão: 15,19% | impacto: 0,02 p.p.

A inflação dos alimentos é uma das principais preocupações atuais do governo, que tomou medidas para conter aumentos, como a redução de imposto de importação de itens como o café. 

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) nesta semana, a ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão, Simone Tebet, disse esperar recuo dos preços nos próximos 60 dias.

Transportes

O segundo grupo que mais pressionou a prévia da inflação foi o de transportes, que pulou de 0,44% em fevereiro para 0,92% em março. Isso representa impacto de 0,19 p.p. Alimentos e transportes representaram juntos cerca de dois terços da alta do IPCA-15.

A principal elevação veio dos combustíveis (1,88%), com alta nos preços do óleo diesel (2,77%), do etanol (2,17%), da gasolina (1,83%) e do gás veicular (0,08%).

Como a gasolina é o produto com mais peso na cesta de consumo dos brasileiros, a variação de 1,83% representou também o subitem (produto) com maior impacto individual em todo IPCA-15 (0,10 p.p.).

Habitação e educação, que tinham subido mais de 4% em fevereiro, desaceleraram em março para 0,37% e 0,07%, respectivamente. No mês anterior, os resultados foram inflados pelo fim do desconto na conta de luz, proporcionado pelo Bônus Itaipu e reajuste de mensalidades.

Veja todos o comportamento de todos os grupos pesquisados:

  • Índice Geral: 0,64%
  • Alimentação e bebidas: 1,09%
  • Habitação: 0,37%
  • Artigos de residência: 0,03%
  • Vestuário: 0,28%
  • Transportes: 0,92%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,35%
  • Despesas pessoais: 0,81%
  • Educação: 0,07%
  • Comunicação: 0,32%

Acumulados

O IBGE divulgou também o IPCA-E, que consiste no acumulado do índice em três meses, que ficou em 1,99%, acima da taxa de 1,46% registrada em igual período de 2024.

O acumulado de 12 meses do IPCA-15 (5,26%) é o maior desde março de 2023, quando alcançava 5,36%. É a primeira vez em 17 meses que a marca supera 5%.

IPCA-15 x IPCA

O IPCA-15 tem basicamente a mesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo: 3% em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos.

A diferença está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Na prévia, a pesquisa e feita e divulgada antes mesmo de acabar o mês de referência. Em relação à divulgação atual, o período de coleta foi de 13 de fevereiro a 17 de março.

Ambos os índices levam em consideração uma cesta de produtos e serviços para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju). O IPCA cheio de março será divulgado em 11 de abril.

Construções em cidades brasileiras crescem mais que a população

O volume de imóveis nas cidades do país está crescendo mais que a própria população. A constatação é de um estudo publicado, nessa quarta-feira (26), pela WRI Brasil. A pesquisa inédita traz dados sobre a evolução da forma urbana de todo o país entre os anos de 1993 e 2020.

Segundo o gerente de desenvolvimento Urbano da WRI, Henrique Evers, o estudo permite ir além da identificação do crescimento das áreas urbanas, alcançando também o entendimento de como cada cidade cresceu a partir do cruzamento de dados demográficos, de uso do solo e de mapeamento do volume das formas urbanas.

Notícias relacionadas:

“A gente a partir desses dados conseguiu categorizar alguns tipos de cidade. Cidades que apresentaram, nesses 30 anos, um crescimento horizontal mais intenso, que a gente chama de cidades em processo de espraiamento intenso. Cidades que ainda tiveram um processo de espraiamento horizontal, mas um pouco mais melhorado. Cidades que estão estáveis e cidades com uma verticalização”, explica.

O estudo considera pequenas cidades as que concentram menos de 500 mil habitantes (143, ou 77% do total), médias aquelas que contabilizam entre 500 mil e 1 milhão de habitantes (totalizando 20 concentrações, 11% do total) e grandes as que contam com mais de 1 milhão de habitantes (22 concentrações, 12% do total).

A partir dessas categorias, os pesquisadores concluíram que as grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre são as que mais cresceram na forma vertical, ocupando menos espaço e concentrando pessoas e oferta de serviços. “Cidades mais compactas facilitam o acesso da população às oportunidades urbanas e podem oferecer padrões de mobilidade mais eficientes, reduzindo o consumo de energia e a emissão de poluentes”, afirma Evers.

Por outro lado, também foram as metrópoles que mais cresceram em volume construído e em ritmo diferente do crescimento demográfico. “As grandes cidades estão num processo de estagnação populacional, em alguns casos até redução. Porém, isso não impediu que as cidades continuassem crescendo na sua forma construída, principalmente verticalmente”, diz o pesquisador.

Especulação imobiliária

Setor da construção civil – Reprodução/ TV Brasil

Além da acomodação otimizada da população, o estudo aponta que o avanço no volume de construções em descompasso com o avanço demográfico também pode ser justificado pela financeirização do espaço urbano, levando à construção de edificações que permanecem vazias para especulação imobiliária.

“O nosso intuito com esse trabalho é oferecer esses dados, essa série temporal de quase 30 anos, para permitir que novos estudos procurem olhar mais para a relação de causalidade e possam estabelecer quais foram, talvez, os direcionadores principais desse fenômeno”, afirma o pesquisador Guilherme Iablonovski, cientista de dados na Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Os dados indicaram ainda que nas cidades médias e pequenas o comportamento foi diferente com crescimento predominantemente de forma horizontal. São cidades como Campo Grande, Cuiabá, Natal, Manaus, Palmas e Teresina onde a urbanização ocorreu de forma mais dispersa.

De acordo com os pesquisadores, com a compreensão da forma como os centros urbanos brasileiros crescem é possível pensar políticas urbanas que otimizem a ocupação das cidades permitindo um acesso adequado à terra, oportunidades, serviços públicos e moradia, consumindo o mínimo de recursos necessários, causando menos impacto ambiental e climático.

“Existe uma relação direta sobre a dinâmica de expansão urbana e as questões climáticas, tanto na agenda de mitigação, de reduzir as emissões dos gases do efeito estufa, quanto na agenda de adaptação para cidades mais eficientes”, conclui Evers.

Mega-Sena sorteia nesta quinta-feira prêmio acumulado em R$ 32 milhões

As seis dezenas do concurso 2.845 da Mega-Sena serão sorteadas a partir das 20h (horário de Brasília), no Espaço da Sorte, localizado na Avenida Paulista, nº 750, em São Paulo.

O sorteio terá transmissão ao vivo pelo canal da Caixa no YouTube e no Facebook das Loterias Caixa. O prêmio da faixa principal está acumulado em R$ 32 milhões.

Por se tratar de um concurso com final cinco, o prêmio recebe um adicional das arrecadações dos cinco concursos anteriores, conforme regra da modalidade.

As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), nas casas lotéricas credenciadas pela Caixa, em todo o país ou pela internet.

>>Apostas para a Dupla de Páscoa

O jogo simples, com seis números marcados, custa R$ 5.

Circo social ganha destaque na 27ª edição do Palco Giratório do Sesc

A 27ª edição do projeto Palco Giratório, realizado pelo SESC, promete homenagear a arte circense em 2025 ao som do Movimento Manguebeat. Anunciada nesta quinta-feira (27), Dia Mundial do Circo, a programação vai celebrar o trabalho da Escola Pernambucana de Circo e também a atriz, pesquisadora e dramaturga pernambucana Fátima Pontes, produtora do “Circo Science – Do mangue ao picadeiro”. 

O circuito começa em abril e vai passar por 96 cidades de 23 estados brasileiros, com apresentações de 16 grupos, que têm origem em 15 unidades da federação. Além de circo, estão incluídos teatro, dança e música. Ao todo serão 336 apresentações até dezembro deste ano, com entrada grátis.

Notícias relacionadas:

A junção do ritmo de Chico Science com a arte circense vai dar início à programação itinerante e será apresentada pela Trupe Circus (PE), da Escola Pernambucana de Circo. Os números circenses e as coreografias do espetáculo contam com trilha musical baseada em grandes sucessos do cantor e compositor pernambucano, que foi um dos criadores do influente Movimento Manguebeat.

A dramaturga Fátima Pontes contou em entrevista à Agência Brasil que a participação no projeto vai trazer visibilidade nacional ao trabalho, que já é conhecido em Pernambuco e em outros estados do nordeste.

“Para a Escola, é a representação do reconhecimento do trabalho que a gente faz no campo da arte circense, desde 2002, através da nossa Trupe Circus, que é o grupo profissional da nossa instituição”

Na visão da pesquisadora, o Movimento Manguebeat se tornou um ícone de transformação da cultura pop no Brasil, e Chico Scince era a cabeça disso tudo.

“Foi um meteoro que chegou, revolucionou tudo e foi embora. A gente usa, no início do espetáculo, algumas frases, em manuscrito mesmo, do acervo da família de Chico Scince com estudos e memória dele. Tem uma que diz ‘morreu por viver demais’. Parece meio presságio, meio profético”, disse, reforçando que o artista teve uma vida curta e mesmo assim teve participação importante na cultura do país. ele morreu aos 30 anos, em 1997.

Fátima Pontes destacou que o circo se desenvolve no campo artístico, mas também técnico, porque necessita de treinamentos específicos e contínuos, com aparelhos e equipamentos. Nesse espetáculo, por exemplo, o grupo utiliza uma estrutura de ferro, que é um equipamento construído especificamente para ele. O mesmo ocorreu em outros espetáculos do repertório do Trupe Circus.

“Sempre temos feito essa pesquisa por novos equipamentos, novas técnicas e números circenses. Este espetáculo Circo Science traz um tipo de culminância de um processo que a gente vem fazendo há muitos anos, de pesquisa no campo técnico, estético e artístico; e de valorização, também, da nossa diversidade cultural, que é a forma como trabalhamos. Todos os nossos espetáculos da Trupe Circus têm esse viés de valorização da diversidade cultural pernambucana, nordestina e brasileira. Temos uma estética muito própria”, comentou.

Fátima Pontes destaca que Circo Scince é também um manifesto da Escola Pernambucana de Circo e da Trupe Circus com seus integrantes, que são jovens artistas que se formaram na escola desde crianças. O grupo inclui jovens periféricos, negros e negras, pertencentes à comunidade LGBTQIAP+ e também homens e mulheres cisgênero.

“É também manifesto da nossa resistência, do nosso trabalho com a arte circense, que é tão marginalizada em nosso país. É também uma forma de a gente mostrar que é possível viver da arte circense”, afirmou, informando que a Escola é uma ONG que se sustenta em parte por meio de editais, de aluguel da sede para eventos e de projetos de manutenção da estrutura de funcionamento.

Circo social

A diretora de projetos sociais do Sesc, Janaína Cunha, descreveu o Palco Giratório como grande projeto de circulação de artes cênicas do Brasil, com a sua programação renovada anualmente. Ela destacou que o país tem diversas companhias circenses, desde as mais tradicionais até as mais tecnológicas, todas com a missão de renovar a linguagem sem abrir mão da tradição, o que é relevante para se pensar a cultura no Brasil.

“O nosso enfoque nesta edição do Palco Giratório é o circo social, que é um circo que interage socialmente, promove relações intergeracionais e conexões entre linguagens. A gente está falando de circo, mas também de música, de dança, de teatro. Enfim, o circo tem essa capacidade de congregar vários esforços no sentido do amadurecimento da produção artística”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Para Janaína Cunha, outro fator relevante do Palco Giratório é a atração de público. “Chama muito público no país inteiro, porque, de fato, é um festival de artes cênicas que traz artistas e espetáculos de todo o Brasil, promovendo a circulação desses grupos em todo o país. Como já é uma tradição, o Palco Giratório mobiliza público, tem sido capaz de renovar o público e de chamar atenção do público para importância da fruição e da circulação artística”, pontuou.

Fomento à arte

Os grupos que farão parte do projeto foram escolhidos após uma indicação dos representantes do Sesc nos estados onde desenvolvem seus trabalhos artísticos. As indicações são apresentadas ao coletivo da curadoria, que faz a seleção com base em critérios técnicos, de renovação de linguagem.

“O Sesc contrata todos os artistas. É por isso que o Palco Giratório, além de um grande projeto de formação de público e de preservação da circulação artística, é também grande fomentador das artes cênicas, na medida em que contrata esses artistas e proporciona a eles todas as condições para a boa execução dos seus trabalhos”, contou, revelando que, em 2018, também houve uma edição dedicada ao circo a partir de Belo Horizonte, em Minas Gerais, mas com outros grupos e com recorte diferente.

“Neste ano, a gente está realmente dando ênfase ao circo social, e a essa relação social que é promovida pelo circo desde os seus hábitos culturais de famílias circenses até a integração social que o circo promove”.

A diretora disse que o trabalho realizado pela Escola Pernambucana de Circo coincide com a proposta do Palco Giratório de promover transformação social dando visibilidade a grupos locais.

“É um prazer imenso ter oportunidade de trabalhar com ela [Fátima Pontes] e com o grupo dela. Isso traz uma vivência e informação de artistas oriundos de periferia, que se relacionam em projetos sociais para a construção de uma realidade social a partir das artes e de uma transformação social.

Janaína Cunha elogiou que Fátima é uma representante do papel que a arte tem para se pensar uma sociedade mais justa, mais inclusiva e mais cooperativa. Para ela, um dos pontos fortes do projeto Palco Giratório é fazer com que produções, trabalhos e articulações que estão em nível local e que a gente consigam atingir uma dimensão nacional.

“A gente tem uma quantidade importante de grupos que não têm oportunidade de circular para além do seu território, das suas fronteiras, do seu município, ou do seu estado. Muitas vezes, não conseguem nem ir a um estado vizinho. Promover esta circulação é de fato fundamental para que o Brasil conheça o que o Brasil produz, e não apenas para que cada estado conheça a sua produção regional, que também é importante. É fundamental a gente oportunizar essa circulação”, concluiu.

 

Biblioteca Nacional lança livros contam sua história e a do Brasil

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) lança nesta quinta-feira (27) três livros que tratam da história da instituição: A Biblioteca e a Nação: entre catálogos, exposições, documentos e memória, escrito por Carlos Henrique Juvêncio; O Bibliotecário Perfeito: o historiador Ramiz Galvão na Biblioteca Nacional, de Ana Paula Sampaio Caldeira; e A Biblioteca Nacional: instituição, coleções e imaginário social, com organização conjunta dos autores dos outros dois livros.

Em entrevista à Agência Brasil, o professor Carlos Henrique Juvêncio, um dos escritores, destaca que os trabalhos reafirmam o compromisso da Biblioteca Nacional em construir a história do país e também a ciência brasileira.

Notícias relacionadas:

“Preservar a história dela [Biblioteca Nacional], com certeza, contar mais da história dela, na verdade é preservar e contar mais a história do nosso país, das instituições do Brasil”, defende ele, que afirma que o título A Biblioteca e a Nação é uma provocação do quanto as duas histórias se entrelaçam.

O lançamento das publicações, que é uma parceria da entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) com o grupo de pesquisa Sociedade, Memória e Poder, vai ocorrer no Auditório Machado de Assis, na sede da Biblioteca Nacional, no centro do Rio, a partir das 14h30. O público poderá participar de um bate-papo com os autores que estarão presentes. A entrada é gratuita, e quem não puder estar no local terá condição de acompanhar por transmissão ao vivo no YouTube.

De acordo com a FBN, o livro A Biblioteca e a Nação: entre catálogos, exposições, documentos e memória, baseado em estudo de conteúdos dos Anais da Biblioteca Nacional, busca entender os caminhos e descaminhos na construção do imaginário social sobre o que é a Nação brasileira pela Biblioteca Nacional. O texto analisa ainda os acervos chamados de Memória do Mundo pela Unesco e as exposições em comemorações e efemérides nacionais.

O Bibliotecário Perfeito: o historiador Ramiz Galvão na Biblioteca Nacional mostra o perfil do considerado como o mais importante diretor da Biblioteca Nacional (BN) no século XIX. Foi por meio do trabalho dele que a instituição criou uma série de padrões, técnicas e procedimentos biblioteconômicos. Isso tudo em uma época em que a ciência da organização de acervos não estava totalmente estruturada. A gestão de Ramiz Galvão deu passos decisivos ao encontro da modernização.

“Ele queria sintonizar a Biblioteca em um projeto maior de um Brasil moderno, além de ter contratado pessoas novas e ter sintonizado a Biblioteca com certas discussões do meio intelectual da época, e mesmo do meio internacional. Ele fazia propaganda da Biblioteca fora do Brasil, também criou os Anais da Biblioteca Nacional, que é uma das revistas mais antigas que temos no país. Criou exposições importantes. A maior importância do Ramiz Galvão foi ter pensado, efetivamente, o que era uma Biblioteca Nacional”, descreveu a autora Ana Paula Sampaio Caldeira em entrevista à Agência Brasil.

Para o presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Marco Lucchesi, Ramiz Galvão escreveu uma história sempre mais profunda e adequada da Biblioteca Nacional nas decisões que tomou, sempre dentro daquilo que existia de melhor no seu tempo.

“A Biblioteca Nacional deve a Ramiz Galvão esse olhar de conservação, inovação e transformação da Biblioteca Nacional do Brasil”, disse por meio de áudio enviado da Colômbia, a pedido da Agência Brasil.

Por sua vez, o livro A Biblioteca Nacional: instituição, coleções e imaginário social incentiva os leitores a conhecerem a trajetória, os acervos e os atributos reais e simbólicos que fazem da BN várias bibliotecas nela mesma. “Ele [o livro] não foi produzido pela Biblioteca, mas tem entre os seus autores, muitos funcionários da Biblioteca, são pessoas que estão ali dentro, realizam pesquisa de muitíssima qualidade, fizeram muitas vezes, suas teses de doutorado sobre a Biblioteca ou com alguma coisa relacionada”, informou Ana Paula.

Segundo a professora, o lançamento dos livros reforça um movimento que vem sendo feito pela Biblioteca de popularizar cada vez mais a instituição.

“A Biblioteca tem recebido muitas pessoas como visitantes. Tem aberto as suas portas para que as pessoas possam entrar e conhecer aquele espaço. Todo mundo que entra fica muito abismado com a grandeza e beleza daquele lugar. É legal, porque isso remete a toda uma discussão que a Biblioteca faz de qual é o seu público. É para iniciados, pessoas que vão ali para fazer suas pesquisas, ou deve ser aberta para um público maior? Essa é uma questão que tensiona um pouco o próprio conceito de Biblioteca Nacional. Hoje acho muito legal a gente ver a Biblioteca se abrindo para outros públicos”.

Autores

Ana Paula Sampaio Caldeira é professora do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), graduada em história e mestre em história social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de doutora pelo Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais do CPDOC/ FGV. A sua tese de doutorado foi a origem do livro que conta a história de Ramiz Galvão na Biblioteca Nacional.

Já Carlos Henrique Juvêncio é graduado em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), doutor e mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCINF) da Universidade de Brasília (UnB). Carlos Henrique foi funcionário da Biblioteca Nacional entre 2004 e 2010 nas divisões de Manuscritos, Música e Arquivo Sonoro e Publicações Seriadas. Atualmente, é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) e do Departamento de Ciência da Informação (GCI) da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Termina nesta quinta consulta pública sobre regulação de apostas

Após mais de dois meses de coleta de sugestões, termina quinta-feira (27) a consulta pública para a agenda regulatória da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda para 2025 e 2026. O órgão pretende publicar em 4 de abril a agenda sobre a regulação de aposta para o período.

As pessoas e empresas interessadas têm até hoje para propor sugestões por escrito por intermédio da plataforma Participa + Brasil. Em 21 de fevereiro, a SPA promoveu audiência pública para colher mais contribuições.

Notícias relacionadas:

As consultas vão abranger não apenas os conteúdos das novas regulamentações, mas definir os temas a serem tratados e em qual ordem. A agenda regulatória original apresentada em fevereiro pode ser modificada com base nas sugestões.

A agenda foi apresentada após a regulação das bets, discutida no ano passado e implementada em 1º de janeiro, com a lista das empresas de apostas virtuais autorizadas a operar no país. Agora, a SPA pretende incluir na agenda regulatória temas como as promoções comerciais e a loteria instantânea (Lotex).

Em fevereiro, a SPA anunciou a intenção de criar um cadastro de pessoas proibidas de apostar. O banco de dados abrangerá pessoas excluídas pela legislação (como dirigentes esportivos, técnicos de futebol, jogadores, árbitros, menores de 18 anos e membros de órgãos de regulação). Além dessas informações, o cadastro incluirá quem for proibido por decisão judicial.

Os detalhes do cadastro serão tema de uma nova consulta pública no segundo trimestre (abril a junho). A lista negativa está prevista para entrar em vigor na segunda metade do ano. No entanto, a criação da base de dados em nível nacional é um dos primeiros itens da agenda reguladora a ser publicada em abril.

Confira as acusações que levaram o Supremo a tornar Bolsonaro réu

O voto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi decisivo para os ministros da Primeira Turma da Corte tornarem réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete acusados do núcleo crucial da denúncia sobre a trama golpista para impedir o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por unanimidade, os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, da Primeira Turma do STF, acompanharam o voto de Moraes, que é relator do caso.

Notícias relacionadas:

Em sua manifestação, Alexandre de Moraes afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) cumpriu os dispositivos legais e demonstrou os indícios de que o ex-presidente e seus aliados podem ter cometido os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

>> Eis as acusações que levaram Bolsonaro e os demais investigados do núcleo 1 da trama golpista a se tornarem réus:

Núcleo Crucial

Alexandre de Moraes concordou com os argumentos apresentados pela PGR para concluir que Bolsonaro e os demais acusados formaram o núcleo crucial da trama golpista. Conforme a acusação, eles foram responsáveis pelas principais decisões e “ações de impacto social”.

Projeto de poder 

Segundo a acusação, Bolsonaro liderou uma organização criminosa e tinha um “projeto de poder” enraizado na estrutura do Estado e com “forte influência de setores militares”. Os atos contra o Estado Democrático de Direito e para depor o governo legitimamente eleito [governo Lula] começaram em 2021 e se estenderam até o início de 2023.

Plano golpista

Segundo a acusação, Bolsonaro tinha “pleno conhecimento” de que estava em andamento, em dezembro de 2022, após ser derrotado nas eleições, o plano intitulado Punhal Verde Amarelo, que incluía o planejamento de ações para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

Minuta do Golpe

Moraes também disse que o ex-presidente sabia da minuta de decreto com o qual pretendia executar um golpe de Estado no país. O documento ficou conhecido durante a investigação como minuta do golpe. O documento previa a decretação de estado de sítio no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi apreendido na casa do ex-ministro da Justiça Anderson Torres e também encontrado no celular do tenente-coronel Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. 

“Não há mais nenhuma dúvida de que o denunciado [Bolsonaro] conhecia, manuseava e discutiu sobre a minuta do golpe. Se analisou e quis, se analisou e não quis, isso será [verificado] no juízo de culpabilidade. Não há dúvida de que ele tinha conhecimento da minuta do golpe que foi apreendida”, afirmou o ministro. 

Notícias falsas

Segundo Moraes, a partir de 2021, Bolsonaro começou a difundir notícias fraudulentas contra o sistema eleitoral brasileiro por meio de transmissões ao vivo nas redes sociais (lives). Nas transmissões, o ex-presidente passou a utilizar o “gabinete do ódio” para alimentar “milícias digitais” e disparar desinformação sobre as urnas eletrônicas, o TSE e o STF.

Relatório das urnas eletrônicas

Alexandre de Moraes disse que Bolsonaro determinou ao ex-ministro da Defesa Paulo Sergio Nogueira, que também virou réu, que fosse encaminhado ao TSE um relatório para insinuar que seria possível encontrar fraudes nas urnas eletrônicas. A medida foi tomada após a Comissão de Fiscalização do TSE concluir que não há qualquer ilicitude nas urnas.

Carta Aberta

De acordo com o ministro, o ex-presidente também tinha conhecimento de uma carta na qual oficiais do Exército pretendiam pressionar o então comandante, general Freire Gomes, a aderir à tentativa de golpe de Estado.

Réus do núcleo 1

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
  • Walter Braga Netto, general de Exército, ex-ministro e vice de Bolsonaro na chapa das eleições de 2022;
  • General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência – Abin;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general do Exército e ex-ministro da Defesa;
  • Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

Defesa

Após se tornar réu, Bolsonaro deu uma entrevista coletiva e voltou a negar que tenha articulado a minuta para um golpe com os comandantes das Forças Armadas para suspender as eleições de 2022.

O ex-presidente também voltou a sugerir, sem provas, que as urnas eletrônicas não são seguras, afirmou que é um perseguido e criticou o ministro Alexandre de Moraes. 

Lula emite nota de pesar pela morte de Fuad Noman, prefeito de BH

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou, na noite desta quarta-feira (26), o falecimento do prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, aos 77 anos de idade.

A morte foi confirmada pela administração municipal durante a manhã. Lula está em viagem oficial ao Japão, onde já é manhã de quinta-feira (27).

Notícias relacionadas:

“Recebi com muita tristeza a notícia sobre o falecimento de Fuad Noman, nosso querido prefeito de Belo Horizonte, com quem tive a honra de estar lado a lado na luta que permitiu a vitória da democracia sobre o autoritarismo em 2022 no Brasil e em 2024 na capital mineira”, escreveu o presidente, em referência ao apoio mútuo de ambos durante as duas últimas eleições.

Em uma virada histórica, Noman (PSD) ganhou as eleições na capital mineira no segundo turno, no ano passado, derrotando Bruno Engler (PL). Já Lula saiu vitorioso no embate contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, há pouco mais de dois anos.

“Sua partida representa uma perda para as mineiras e os mineiros, mas também para todo o serviço público brasileiro ao qual dedicou a sua vida, sua inteligência e sua experiência. Noman teve uma brilhante carreira como servidor federal, comandou secretarias nos três níveis de governo e presidiu empresas estatais, sempre colocando o interesse coletivo em primeiro lugar”, prosseguiu Lula.

O presidente desejou conforto à esposa de Noman, Mônica Drummond, além de familiares e amigos. Diversos políticos mineiros e autoridades nacionais lamentaram a morte de Fuad Noman.

O prefeito de Belo Horizonte estava internado desde o dia 3 de janeiro para tratar de uma pneumonia. O quadro foi piorando e, na noite de ontem (25), sofreu uma parada cardiorrespiratória.

O vice-prefeito Álvaro Damião, que já estava como prefeito em exercício da capital mineira, assumirá o comando da cidade de forma definitiva.

A administração municipal informou ainda que o corpo de Fuad Noman será velado na tarde desta quinta-feira (27) em uma cerimônia aberta, a ser realizada na própria sede da Prefeitura de Belo Horizonte, no centro da cidade.

STF remarca para 20 de maio julgamento do núcleo 3 da trama golpista

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) remarcou para os dias 20 e 21 de maio o início do julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) que envolve o núcleo 3 da acusação da trama golpista durante governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O julgamento do caso estava previsto para os dias 8 e 9 de abril, mas a data foi reagendada pelo presidente do colegiado, ministro Cristiano Zanin.

Notícias relacionadas:

De acordo a PGR, os denunciados deste núcleo são acusados de planejar “ações táticas” para efetivar o plano golpista. O grupo é formado por 11 militares do Exército e um policial federal.

Fazem parte deste núcleo os seguintes investigados:

  • Bernardo Romão Correa Netto (coronel);
  • Cleverson Ney Magalhães (tenente-coronel);
  • Estevam  Theophilo (general);
  • Fabrício Moreira de Bastos (coronel);
  • Hélio Ferreira (tenente-coronel);
  • Márcio Nunes De Resende Júnior (coronel);
  • Nilton Diniz Rodrigues (general);
  • Rafael Martins De Oliveira (tenente-coronel);
  • Rodrigo Bezerra De Azevedo (tenente-coronel);
  • Ronald Ferreira De Araújo Júnior (tenente-coronel);
  • Sérgio Ricardo Cavaliere De Medeiros (tenente-coronel);
  • Wladimir Matos Soares (policial federal).

Julgamento

O processo será julgado pela Primeira Turma do Supremo. O colegiado é composto pelo relator da denúncia, Alexandre de Moraes, e pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Pelo regimento interno da Corte, cabe às duas turmas do tribunal julgar ações penais. Como o relator faz parte da Primeira Turma, a acusação será julgada pelo colegiado.

Se maioria dos ministros aceitar a denúncia, os acusados viram réus e passam a responder a uma ação penal no STF.

Núcleos

Até o momento, somente a denúncia contra o núcleo 1 foi julgada. Na manhã de hoje, por unanimidade, o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete acusados viraram réus.

O núcleo 2 será julgado nos dias 29 e 30 de abril.  O grupo é composto por seis denunciados, que são acusados de organizar ações para “sustentar a permanência ilegítima” de Bolsonaro no poder, em 2022.

O núcleo 4 será julgado nos dias 6 e 7 de maio. De acordo com a PGR, os acusados desse núcleo organizaram ações de desinformação para propagar notícias falsas sobre o processo eleitoral e ataques virtuais a instituições e autoridades.

SUS vai substituir papanicolau por exame mais sensível ainda este ano

A partir deste ano, o teste citopatológico para a detecção do HPV, popularmente conhecido como papanicolau, deve ser gradualmente substituído, no Sistema Único de Saúde, pelo exame molecular de DNA-HPV. Com isso, o tempo de intervalo entre as coletas, quando não houver diagnóstico do vírus, passará a ser de cinco anos. Já a faixa-etária para o exame de rastreio, quando não houver sintomas ou suspeita de infecção, permanece a mesma: de 25 a 49 anos.

A mudança faz parte das novas diretrizes para o diagnóstico do câncer do colo do útero, apresentadas nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). O conjunto de orientações já foi aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde e pela Comissão de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (Conitec). Resta apenas a avaliação final da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde para entrar em vigor.

Notícias relacionadas:

O papilomavírus humano, ou HPV, é o causador de mais de 99% dos casos de câncer decolo do útero, que é o terceiro mais incidente entre as mulheres brasileiras, com cerca de 17 mil novos casos por ano. Com altas coberturas de vacinação e de exames de rastreio organizado, especialistas acreditam que a doença pode ser erradicada em cerca de 20 anos.

O teste molecular é recomendado como exame primário para detectar o HPV pela Organização Mundial da Saúde desde 2021, porque é mais eficaz para a redução de casos e óbitos, em decorrência da sua maior sensibilidade. Ele também permite identificar o subtipo do vírus, caso o resultado seja positivo, o que oferece uma grande vantagem, já que apenas algumas variantes têm risco de provocar lesões que podem evoluir para câncer.

O pesquisador da Divisão de Detecção Precoce do Inca Itamar Bento explica que essas vantagens permitem um espaçamento maior entre as coletas. 

“O teste DNA-HPV tem um valor preditivo negativo muito forte, ou seja, se a pessoa tiver resultado negativo, a gente pode de fato confiar nesse resultado. E, conhecendo a história natural da doença, a evolução das lesões, é uma margem segura aguardar cinco anos para fazer um novo teste.”

Além disso, a implementação do novo teste deverá ser combinada com a realização de rastreio organizado, quando o sistema de saúde busca ativamente as pessoas, em vez de esperar que elas procurem as unidades de saúde. “É necessário que a população alvo seja identificada e convocada ativamente e individualmente. E é preciso garantir que ela terá acesso à confirmação diagnóstica e ao tratamento das lesões havendo essa necessidade”, complementa o pesquisador do Inca.

De acordo com dados do Sistema de Informação do Câncer, entre 2021 e 2023, apenas três estados tiveram cobertura de realização de papanicolau próxima de 50% do público-alvo. Todos os outros tiveram uma porcentagem abaixo desse patamar, e alguns não têm dados completos para análise. Além disso, há estados, como Acre, Maranhão e Mato Grosso, onde a maior parte dos resultados foi entregue após 30 dias, o que dificulta a realização de exames confirmatórios para que a paciente inicie o tratamento em até 60 dias, como determina a legislação.

Por isso, o rastreamento organizado também prevê uma linha de conduta organizada, como explica Itamar Bento: “A pessoa faz um teste de DNA-HPV, e, se não foi detectado, ela só vai repetir o exame após 5 anos. Se foi detectado um tipo oncogênico, como o 16 e o 18, que são responsáveis por 70% das lesões precursoras de câncer, ela vai ser encaminhada diretamente à colposcopia. Se a colposcopia identificar uma doença cervical, vai seguir para condutas específicas.”

As novas diretrizes também trazem outras duas inovações: a autocoleta do material para teste em populações de difícil acesso ou resistentes ao exame feito por profissional de saúde; e orientações para o atendimento de pessoas trangênero, não binárias e intersexuais.

Arthur Elias convoca seleção feminina para 2 amistosos contra os EUA

A menos de quatro meses para o início da Copa América Feminina, o técnico da seleção brasileira Arthur Elias convocou 23 jogadoras para dois amistosos fora de casa contra os Estados Unidos, atuais campeões olímpicos, nos próximos dias 4 e 8 de abril. A lista foi anunciada em sessão online nesta quarta-feira (26). As duas partidas serão na casa das adversárias: a primeira no SoFi Stadium, em Los Angeles, e a outra no PayPal Park, em San José.

Além de preparar a equipe brasileira, prata em Paris 2024, para competir na Copa América –  principal competição deste ano, entre 12 de julho de agosto no Equador – Arthur Elias também busca a “reafirmação da seleção entre as melhores do mundo”.

Notícias relacionadas:

“Por isso que vamos enfrentar os Estados Unidos, que têm um histórico muito grande de vencedor: elas são as atuais campeãs olímpicas. Fizemos uma final da Olimpíada equilibrada contra os EUA [em 2024], que é a seleção líder do ranking da Fifa e que com certeza vai representar um teste muito importante para esse nosso grupo de atletas”, pontuou o treinador. 

 “A seleção americana se defende muito bem, e, assim como nós, é uma seleção que tem feito mudanças em suas convocações e em seu sistema de jogo. Vão ser duelos muito ricos, com as opções novas que as duas seleções têm apresentado nas últimas convocações. Temos diferentes perfis de atletas para cada plano de jogo, e queremos ser uma equipe dominante nas partidas, com mais eficiência nas chances que criamos”, acrescentou Elias.

Das 23 atletas, 14 atuam fora do país. Entre as sete que defendem clubes europeus, está a atacante Luany (Atlético de Madrid/Espanha), convocada em julho passado, durante a preparação para a Olimpíada, mas que nunca chegou a entrar em campo com a amarelinha. Também estão de volta à seleção a lateral Antonia (Real Madrid/Espanha) e a atacante Gabi Portilho (GothamFC/EUA). Das nove atletas que que jogam no país, também retornam à equipe a meio-campista Duda Sampaio e a zagueira Mariza, ambas do Corinthians.

A atacante Luany (Atletico de Madrid) está de volta à seleção. Ela participou da preparação para a Olimpíada de Paris, mas não chegou a entrar em campo com a amarelinha  – Reprodução Instagram / luany_rosa03

“Existem mudanças sempre em todas a convocações. A seleção brasileira está aberta para um grupo muito grande de atletas que a gente vem observando. O futebol feminino brasileiro vem crescendo bastante e estamos sempre olhando para a frente”, disse Arthur Elias.

Convocadas

GOLEIRAS

Lorena (Kansas – EUA)

Natascha (Palmeiras)

Camila (Cruzeiro)

ZAGUEIRAS

Tarciane (Lyon – França)

Isa Haas (Cruzeiro)

Kaká (São Paulo)

Lauren (Atlético de Madrid – Espanha)

LATERAIS

Bruninha (Gotham – EUA)

Antônia (Real Madrid – Espanha)

Yasmim (Real Madrid – Espanha)

Fê Palermo (Palmeiras)

MEIA-CAMPISTAS

Duda Sampaio (Corinthians)

Angelina (Orlando Pride – EUA)

Laís Estevam (Palmeiras)

Mariza (Corinthians)

ATACANTES

Adriana (Al-Qadsiah – Arábia Saudita)

Gio (Atlético de Madrid – Espanha)

Jheniffer (Tigres – México)

Amanda Gutierres (Palmeiras)

Kerolin (Manchester City – Inglaterra)

Gabi Portilho (Gotham – EUA)

Ludmila (Chicago Stars – EUA)

Luany (Atlético de Madrid – Espanha)

Projeto estimula criação de insetos como fonte de proteína em Uganda

Em algumas regiões de Uganda, na África central, os gafanhotos são uma iguaria apreciada em determinadas épocas do ano. E também são uma importante fonte de proteínas. O problema é que eles somem de lá em outras épocas.

Uma organização não governamental (ONG) de Uganda, chamada Mothers Against Malnutrition and Hunger (Mamah), ou seja, Mães contra a Desnutrição e a Fome, decidiu trabalhar, junto às comunidades, para garantir que o inseto esteja disponível o ano inteiro, por meio da criação desses animais em cativeiro.

Notícias relacionadas:

“Insetos comestíveis têm muita proteína. Eles competem favoravelmente com outras fontes comuns de proteína, como frango e carne bovina. O desafio é que eles só existem sazonalmente. Então a gente leva a tecnologia da criação desses animais em cativeiro para as comunidades. E elas só precisam de um pequeno espaço para a criação”, explica Violet Gwokyalya, que integra a Mamah.

Segundo ela, o projeto é levado também para escolas, onde crianças muitas vezes precisam estudar sem ter acesso a uma merenda. “Em Uganda, a maioria das nossas escolas não oferece merenda, então elas estudam de barriga vazia, o que é muito difícil para elas. Então, mesmo que elas não tenham uma refeição, pelo menos poderão comer insetos como um lanche.”

Além disso, o projeto apresenta outros insetos comestíveis além daqueles a que a comunidade já está acostumada a comer, ampliando as opções.

 

Projeto da ONG Mothers Against Malnutrition and Hunger busca garantir que insetos comestíveis estejam disponíveis o ano inteiro para comunidades de Uganda – Foto: mamah.org/X

Para algumas comunidades, o inseto pode ser a única fonte de proteína animal, uma vez que, nesses locais, as mulheres não podem comer carne, frango e ovos, por exemplo. “Em muitas culturas, esses alimentos nutritivos são reservados para os homens apenas.”

Outro trabalho que a ONG precisa fazer é justamente de convencimento às lideranças das comunidades a mudar esses hábitos e tabus, para permitir que esses alimentos estejam disponíveis também para as mulheres, quando disponíveis.

Em 13 anos de projeto, Violet já viu melhoria nos níveis de presença escolar e redução do abandono da escola, além de melhoria nos indicadores de baixa estatura infantil.

A Mamah é uma das iniciativas presentes na Aldeia das Soluções para a Nutrição, um espaço onde empresas e a sociedade civil expõem experiências bem-sucedidas na área de nutrição saudável, como parte da cúpula Nutrition for Growth (N4G), ou seja, Nutrição para o Crescimento, que acontece em Paris.

A cúpula, em si, será realizada nesta quinta (27) e sexta-feira (28), mas a aldeia, que é aberta ao público, em um parque parisiense, foi aberta nesta quarta-feira (26).

Outra iniciativa que exibe sua experiência na aldeia é a Cerfam, um centro de excelência em práticas agrícolas contra a fome e a desnutrição, mantido pelo governo de Costa do Marfim, com apoio do Programa Mundial de Alimentos (WFP).

“Nosso objetivo é identificar e documentar boas práticas de luta contra a fome e a desnutrição na África. A ideia é identificar práticas locais e disseminá-las pela África. Precisamos encontrar soluções para os desafios africanos, incluindo as mudanças climáticas e o crescimento demográfico”, explica o diretor da Cerfam, Marc Nene.

O apoio político e financeiro a ações que promovam uma nutrição saudável e sustentável é justamente o objetivo da cúpula N4G, organizada pelo governo francês e que contará com representantes governamentais de 76 países, além da sociedade civil e setor privado.


*O repórter viajou a convite da Embaixada da França em Brasília

Prefeitura do Rio retira projeto de força municipal armada da Câmara

A Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou que vai retirar da Câmara Municipal o projeto de lei que propõe a criação de uma força armada na cidade. A informação foi confirmada pela assessoria do vereador Márcio Ribeiro (PSD), líder do executivo na Câmara.

A decisão foi tomada depois de uma reunião entre o prefeito Eduardo Paes, o presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), e o vereador Doutor Gilberto (Solidariedade). O acordo é que o próprio legislativo vai avançar com um projeto semelhante que já está em tramitação na casa desde 2018.

Notícias relacionadas:

A prefeitura propunha alterações na estrutura da corporação mediante o Projeto de Lei Complementar (PLC) 13/2025 e o Projeto de Emenda à Lei Orgânica (Pelom) 2/2025. De acordo com assessoria do vereador Márcio Ribeiro, é o Pelom que será retirado de pauta nesse momento.

As propostas da prefeitura previam que a Guarda Municipal fosse renomeada para Força de Segurança Municipal (FSM), com ampliação das competências. Na nova estrutura, haveria um grupamento de elite chamado de Força de Segurança Armada, que poderia fazer uso de arma de fogo para o policiamento ostensivo da cidade. O foco seria na prevenção de pequenos delitos e o porte de arma seria autorizado apenas em serviço. 

Parte da oposição ao projeto é contrária a qualquer tipo de armamento, por entender que o aumento do efetivo armado nas ruas representa maior risco para a população.

A Pelom 23/2018, que vai substituir o projeto do Executivo, que tem autoria compartilhada de 21 vereadores, também institui segurança armada. O projeto prevê instituir “guardas municipais especializadas, de caráter civil, uniformizadas e que façam uso de armas de fogo no patrulhamento preventivo urbano”. O texto também fala em capacitação e treinamento para a utilização da arma de fogo.

Integrantes do Comando Vermelho são alvo de operação no sul fluminense

Vinte e sete integrantes da facção criminosa Comando Vermelho foram alvo, nesta quarta-feira (26), de uma operação que teve a participação de policiais civis em parceria com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e com o apoio da Polícia Militar. Segundo o MPRJ, até o meio da manhã, pelo menos 15 pessoas haviam sido presas.  

Os mandados, expedidos pelo Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Barra do Piraí, foram cumpridos simultaneamente nos municípios de Barra do Piraí, na capital fluminense, em Itaboraí e Paraíba do Sul. Também foram realizadas buscas em unidades prisionais do estado.

Notícias relacionadas:

A 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Barra do Piraí, no sul fluminense, denunciou 44 integrantes da facção criminosa e pediu à Justiça a prisão preventiva de 27 deles.

O grupo foi denunciado por tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo, constrangimento ilegal e violação de domicílio com emprego de violência. De acordo com a denúncia, os investigados mantinham uma atuação criminosa estruturada em bairros como Vila Helena, Vale do Ipiranga e Caixa d’Água. Integrantes da facção criminosa que cumprem pena no sistema penitenciário utilizavam os presídios como base de operações, além de aliciar adolescentes para o tráfico de drogas.

A denúncia do MPRJ também revela que o grupo intimidava moradores e praticava violência como forma de consolidar o domínio territorial. Em um dos episódios narrados, um dos denunciados chegou a ameaçar um policial militar que atuava na região.

Ouça na Radioagência Nacional


 

TV Brasil lança filme original sobre carnaval na Intendente Magalhães

No final do mês da folia, neste sábado (29), às 21h, a TV Brasil estreia o documentário original Mais um Carnaval. A produção realizada pela emissora pública acompanha os preparativos de três escolas de samba da Série Prata do carnaval carioca para o desfile de 2025 na Estrada Intendente Magalhães.

A via, que fica na Zona Norte do Rio de Janeiro, recebe um dos eventos carnavalescos mais populares da capital fluminense. O conteúdo inédito fica disponível no app TV Brasil Play e ainda pode ser visto no site e no YouTube do canal.

Notícias relacionadas:

O especial destaca os bastidores da indústria criativa do carnaval das agremiações que não têm tantos recursos e desenvolvem enredos menos luxuosos na disputa por uma vaga para desfilar na sonhada Marquês de Sapucaí. Segundo o regulamento, apenas uma das 30 escolas garante o acesso para a Série Ouro.
Rio de Janeiro (RJ) 26/03/2025 – TV Brasil lança produção original sobre o carnaval na Intendente Magalhães, o documentário “Mais um Carnaval”. Frame TV Brasil – Frame TV Brasil

O fio condutor da narrativa é o trabalho de três personagens – uma passista, uma aderecista e uma ritmista – que revelam um lado menos conhecido do carnaval do Rio. O glamour da Passarela do Samba contrasta com os dilemas e desafios impostos à realidade da festa popular com menos investimento.

O viés familiar e o envolvimento comunitário ganham destaque na preparação da festa que remete aos valores e às tradições com as novas gerações dando continuidade ao legado ancestral.

O filme intercala sequências do ofício realizado por três mulheres que encaram pressões e conflitos para preparar o desfile a tempo sob condições financeiras escassas. O corpo em movimento, as suntuosas fantasias e a vibrante batida do samba são os elementos fundamentais que embalam essa rotina.

A trama mostra a jornada dessas profissionais que vivem o universo da folia com seriedade durante o ano inteiro. Geovanna Alves é diretora do Naipe de Tamborins da Acadêmicos da Rocinha. Grávida, Izabelly Barboza é passista da Acadêmicos do Cubango, enquanto Luana Rios atua como diretora do Ateliê da Vizinha Faladeira. A projeção do esforço das três é uma amostra da mobilização coletiva para o resultado final.

foto

Produzido desde junho de 2024, o filme mostra o planejamento dessas trabalhadoras por vários meses em cada uma dessas áreas, o andamento das atividades no decorrer do ano e os ajustes às vésperas do desfile, seja nos barracões, nos ensaios de rua ou até durante os últimos momentos antes do desfile.

O incêndio em uma fábrica de fantasias na Zona Norte do Rio de Janeiro no mês de fevereiro às vésperas da festa momesca também é lembrado na produção. O clímax do filme traz surpresas e se apresenta ao público com a performance das agremiações na Intendente Magalhães neste mês de março.

Rio de Janeiro (RJ) 26/03/2025 – TV Brasil lança produção original sobre o carnaval na Intendente Magalhães, o documentário “Mais um Carnaval”. Frame TV Brasil – Frame TV Brasil

Com 31 minutos, a obra tem direção do documentarista João Borsani.

“Quem acompanha os desfiles das escolas de samba não imagina o trabalho que dá desenhar e confeccionar todas aquelas fantasias e alegorias para centenas de pessoas, criar e repetir as coreografias, organizar e alinhar as alas, conceber e ensaiar todo o desenho de bateria. Tudo é feito com muito esforço, um trabalho detalhado e exaustivo que dura todo um ano.

A ideia do documentário era dar visibilidade a esses trabalhadores que vivem o carnaval no seu cotidiano, não apenas nos dias de folia”, explica o diretor da nova película da TV Brasil.

A premiada documentarista Maria Augusta Ramos, gerente-executiva de Conteúdo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que faz a gestão da TV Brasil, reforça a tese.

“Ao virar as suas lentes para um lado menos conhecido da nossa maior festa popular – o carnaval da Intendente Magalhães – o filme nos coloca como espectadores privilegiados de processos de trabalho pouco conhecidos, em um movimento essencial do cinema documentário”, afirma.

Maria Augusta Ramos completa o raciocínio sobre a importância desse conteúdo inédito.

“É com muita alegria que lançamos esse documentário original, que honra o projeto que acreditamos para a TV Brasil. Ao lado de toda a programação lançada nesses últimos dois anos e da Seleção TV Brasil – edital de fomento para a produção independente – ele ajuda a consolidar a imagem da televisão pública brasileira como um espaço para a programação de qualidade e profundamente conectada com a nossa cultura”, ressalta.

foto

Produções originais

O documentário Mais um Carnaval (2025) é o terceiro produto desenvolvido pela equipe do canal público neste formato de produções originais. Os lançamentos anteriores foram os especiais Estação Oswaldo Cruz (2024), sobre o Trem do Samba e berço da cultura popular carioca, e 1 dia na MEC, 100 anos no Rádio (2023), que celebrou o centenário da Rádio MEC, emissora pública que assim como a TV Brasil faz parte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O mais recente projeto tem a experiente roteirista Antonia Pellegrino na Diretoria de Conteúdo e Programação da EBC. A equipe da área, que já rendeu frutos na telinha como a série Cine Resenha e o programa DR com Demori, conta ainda com a documentarista Maria Augusta Ramos na Gerência Executiva de Conteúdo, além de Alice Lanari e Linei Lopes, respectivamente nas gerências de criação de conteúdos artísticos e produção de conteúdo audiovisual.

Com direção de João Borsani, o filme Mais um Carnaval é uma ideia original com roteiro do próprio diretor com Alice Lanari e Zeca Ferreira. A produção executiva reuniu Ingrid Gasset, João Borsani, Linei Lopes e Poliana Guimarães. A pesquisa para o conteúdo é de Rafael Tavares e Ingrid Gassert.

foto

Ficha Técnica

País: Brasil
Ano: 2025
Gênero: Documentário
Classificação indicativa: Livre
Duração: 31 min. 

Direção: João Borsani
Produção executiva: Ingrid Gasset, João Borsani, Linei Lopes e Poliana Guimarães
Roteiro: Alice Lanari, João Borsani e Zeca Ferreira 
Pesquisa: Rafael Tavares e Ingrid Gassert
Edição e Finalização: Diego Lourenço e Jean Albernaz
Edição: Leonardo Lamad e Marcos Paulo da Silva
Direção de Fotografia: Denis Vianna e Marcio de Andrade
Imagens: Amâncio Roqui, Denis Vianna, João Victal e Marcio de Andrade
Operação de Áudio: André Pichitelli, André Valente e Eduardo Sá
Auxílio de Iluminação: Pablo Costa e Paulo Telles
Auxílio Operacional: Elias Carneiro, João Carlos de Lima e Fábio Anunciação
Design Gráfico: Péricles Silva
Videografismo: Bruno Godinho e Ronaldo Lúcio
Sonorização e Mixagem: Maurício Azevedo
Correção de Cor e Colorização: Ricardo Alexandria
Estágio de Finalização de Cor: André Godoy
Intérprete de Libras: Thamires Ferreira
Apoio à Produção: Andrea Palma e Iara Bezerra

Coordenação de Videografismo: Ronaldo Lúcio
Coordenação de Produção Musical: Ricardo Vilas
Coordenação Operacional: Osvaldo Austin
Coordenação de Direção de Fotografia: Ricardo Alexandria
Coordenação de Criação de Conteúdos Artísticos: Zeca Ferreira
Coordenação de Produção e Coprodução: Poliana Guimarães
Gerência de Operações de Rádio e TV – RJ: Rômulo Freitas
Gerência de Gestão de Marcas Institucionais e Identidades Visuais: Vinicius Spanguero
Gerência de Videografismo: Bruno Godinho
Gerência de Música: Bia Aparecida
Gerência de Edição e Finalização: Carlos Damião
Gerência de Criação de Conteúdos Artísticos e Projetos Especiais: Alice Lanari
Gerência de Produção e Coprodução de Conteúdo Audiovisual: Linei Lopes
Gerência Executiva de Programação Audiovisual: José Cardozo
Gerência Executiva de Conteúdo: Maria Augusta Ramos
Superintendente de Comunicação Digital e Mídias Sociais: Nicole Briones
Diretora de Conteúdo e Programação: Antonia Pellegrino
Diretor-Geral: Bráulio Ribeiro
Diretor-Presidente: Jean Lima

Ao vivo e on demand  

Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.  

Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, pelo site ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS.

Assista também pela WebTV

Serviço

Mais um Carnaval – sábado, dia 29/3, às 21h, na TV Brasil  
Mais um Carnaval – TV Brasil Play
Mais um Carnaval – Site da TV Brasil
Mais um Carnaval – YouTube da TV Brasil 

TV Brasil na internet e nas redes sociais
Site – https://tvbrasil.ebc.com.br
Facebook – https://www.facebook.com/tvbrasil
Instagram – https://www.instagram.com/tvbrasil
YouTube – https://www.youtube.com/tvbrasil
X – https://x.com/TVBrasil
TikTok – https://www.tiktok.com/@tvbrasil
TV Brasil Play – http://tvbrasilplay.com.br

Gibi da Turma da Mônica aborda a relação entre diferentes gerações

A pensionista Varlinda Lisboa Leite, de 61 anos, e o seu neto, Arthur Digo, de 12 anos, moram juntos desde que o menino nasceu, no Itapoã, a 30 quilômetros do centro de Brasília. Varlinda, que também foi criada pela avó, considera intensa a troca de experiências com o quinto neto, mesmo com a diferença de idade de quase 40 anos. Ao adolescente, Varlinda repassa valores éticos e da religião dela. 

“Eu ensino muito o que os meus pais e minha avó me passaram. A ter respeito pelo próximo”. 

Brasília (DF), 26/03/2025 – Varlinda Leite e seu neto, Arthur Diogo, participam do lançamento de gibi da Turma da Mônica sobre intergeracionalidade Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Já o neto atualiza a avó sobre avanços tecnológicos, sobretudo, no celular. 

“Tem coisas que o Arthur me explica uma única vez sobre o Whatsapp e redes sociais, porque os jovens de hoje não têm paciência”, constata Varlinda. 

Do lado do Arthur, ele diz usufruir dos paparicos da matriarca. “Ela me dá muito carinho.”

Na manhã desta quarta-feira (26), os dois tiveram uma programação diferente: compareceram ao lançamento da revista em quadrinhos Turma da Mônica em: Intergeracionalidade em uma escola pública da região administrativa do Distrito Federal. O material coloca, pela primeira vez, os personagens da Turma da Mônica em contato com o processo de envelhecimento e a valorização da pessoa idosa, igualzinho ocorre na casa da Varlinda e do pequeno Arthur.

A publicação é resultado da parceria do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e o Instituto Mauricio de Sousa, que leva o nome do cartunista criador da personagem Mônica e sua turma.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, defende a educação da sociedade para convivência intergeracional desde a primeira infância. 

“As populações mais jovens vão conviver no Brasil com percentual muito maior de população envelhecida, no futuro. Então, tem que começar a conversar [sobre intergeracionalidade] desde criança. Acho que essa relação deve ser perpetuada com amorosidade. A população que vem envelhecendo se renova e aprende com as crianças. E vice-versa”.

Presente ao lançamento do gibi, no Itapoã, Paulo Vannuchi, de 74 anos, ex-ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, aprovou a publicação que ensina pelo desenho e pela linguagem simples.

“É aqui, na mais tenra idade, que devemos começar a discutir juntos a importância do respeito familiar, do respeito aos avós e bisavós, para construirmos o Brasil que vai ser diferente desse que temos ainda hoje”, defendeu Vannuchi, que é membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

 

Brasília (DF), 26/03/2025 – Gibi da Turma da Mônica sobre intergeracionalidade Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Gibi

O gibi Turma da Mônica em: Intergeracionalidade tem versões impressa e digital, em dois idiomas: português e espanhol

Os quadrinhos contam a história da personagem Xabéu e de sua avó, Dona Xepa. Na trama, são abordadas as dificuldades que podem surgir entre pessoas de diferentes gerações, estereótipos construídos sobre a velhice, que geram discriminação e preconceitos contra as pessoas idosas, e como esses fatores afetam a dignidade e a saúde de pessoas idosas.

A representante do Instituto Mauricio de Sousa, Larissa Mussolino, divulga que estímulo à leitura tem o poder de sensibilizar e gerar interesse em crianças, adolescentes, familiares e professores sobre o envelhecimento e a importância de valorizar a pessoa idosa. 

“Todos nós fomos crianças e, se tivermos a felicidade, seremos pessoas idosas. E esse gibi busca fomentar a convivência respeitosa entre as gerações. Não basta coabitar, estar na mesma casa, se não há conversa, se não há respeito”.

Leitores

Dezenas de exemplares do novo gibi da Turma da Mônica foram distribuídos aos estudantes de 4 a 10 anos da Escola Classe 502 do Itapoã e à comunidade local que acompanhou a cerimônia.   

Brasília (DF), 26/03/2025 – O estudante Miguel de Souza Ferreira participa do lançamento de gibi da Turma da Mônica sobre intergeracionalidade Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O estudante Miguel de Sousa Ferreira, de 8 anos, não sabe o que significa intergeracionalidade, mas os olhinhos atentos às figuras e ao diálogo com linguagem descomplicada ajudaram a decodificar as mensagens de promoção do respeito a todas as gerações. 

“Meus avós moram no Tocantins. Quando eu vou lá, fico mais de um mês de férias e eles me levam para visitar meus primos. Eu respeito as pessoas mais velhas porque elas são muito importantes para a humanidade.”

Aos 68 anos, a dona de casa Maria de Fátima Celestino dos Santos também folheou a revistinha. Ela é avó de seis crianças e bisavó de mais uma, de 3 anos. Fátima se sente respeitada pelos familiares, que param para escutar os ensinamentos de quem viveu mais. 

“A gente tem que viver uma vida sadia e respeitar os outros para poder ser respeitado também. No mundo em que vivemos, com pessoas revoltadas com a vida, temos que ter paciência e ter cuidado com os outros”. 

Violações

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, a parcela da população brasileira com 60 anos ou mais de idade era de 14,7% do total. Em números absolutos, são aproximadamente 31,2 milhões de pessoas.  

Desde 2003, o Estatuto da Pessoa Idosa, no artigo 4º, diz que “nenhuma pessoa idosa será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei”.

O secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa do MDHC, Alexandre da Silva, explica o perfil das violações de direitos humanos contra pessoas idosas.

“Muitas das violações ocorrem no ambiente de casa. Mas, é também dentro de casa que temos as soluções. A criação e a distribuição do gibi vêm nesta perspectiva de facilitar a conversa, onde todo mundo poderá se encontrar.”

As denúncias de violações de direitos humanos contra pessoas idosas podem ser caminhadas para a Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), pelo WhatsApp (61) 99611-0100) ou Telegram. O serviço também dispõe de atendimento na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

O Disque 100 é outro canal de comunicação da sociedade com o governo federal que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio de ligação para o número 100, em qualquer aparelho telefônico. 

Petroleiros param por 24 horas contra mudanças no teletrabalho e PLR

Trabalhadores da Petrobras realizam nesta quarta-feira (26) uma greve de advertência de 24 horas, em protesto contra a redução do teletrabalho de três para dois dias da semana a partir de abril, além de outras reivindicações. 

De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o movimento teve início nesta madrugada nas unidades operacionais, com corte na rendição dos grupos de turnos e adesão, pela manhã, dos trabalhadores do regime administrativo.

Notícias relacionadas:

A categoria pede “a suspensão da agenda de mudanças unilaterais no teletrabalho” e a garantia de valores integrais na participação nos lucros e resultados (PLR). Os trabalhadores relatam corte de 31% na PLR e comparam que “os acionistas recebem 207% do lucro líquido”.

Além disso, a categoria cobra avanços na pauta aprovada nas assembleias de trabalhadores, como a recomposição dos efetivos, um só plano de cargos e salários para todo o Sistema Petrobras, melhores condições de trabalho e segurança para os contratados, fim dos planos de equacionamento da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros), entre outras reivindicações.

“O que a gente quer é destravar as mesas. Por isso é que é uma greve de advertência, uma greve de alerta, uma greve para a gente conseguir dar um freio de arrumação, porque este ano a gente ainda vai iniciar o Plano de Cargos, vamos ter negociação cheia do Acordo Coletivo. Não tem como a gente continuar numa relação travada”, explicou a diretora da FUP, Cibele Vieira.

Resposta

Por meio de nota, a Petrobras informou que registrou paralisações de empregados nesta quarta-feira (26) em unidades da companhia em decorrência de movimento grevista. Não há impacto na produção de petróleo e derivados, segundo a companhia.

O texto diz que a empresa respeita o direito de manifestação dos empregados e tem mantido diálogo aberto com as entidades sindicais sobre os ajustes ao modelo híbrido de trabalho. 

A Petrobras reforçou que a mudança no modelo híbrido de trabalho se dará a partir de 7 de abril de 2025, quando todos os empregados deverão cumprir três dias de trabalho presencial na semana. Além disso, a companhia afirma que apresentou proposta às entidades sindicais de acordo específico para pactuar esse ajuste no teletrabalho pelo período de dois anos.

“Os ajustes mencionados visam atender os grandes desafios que a companhia tem pela frente, alinhados ao seu Plano Estratégico. É importante ressaltar que a Petrobras cumpre os acordos coletivos dos quais é parte e a legislação trabalhista brasileira”.

Sobre a reposição de seu quadro de funcionários, a Petrobras acrescenta que convocou mais de 1,9 mil novos empregados em 2024. A companhia também já anunciou publicamente que vai contratar 1.780 novos empregados ao longo de 2025, via concurso público de nível técnico.   

“Por fim, convém destacar que a Petrobras possui um programa de remuneração variável que contempla, entre outros itens, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A Petrobras negociou com as entidades sindicais um acordo de PLR para o período 2024/2025, que será cumprido integralmente pela companhia”.

 

Após virar réu, Bolsonaro nega decreto de golpe de Estado

Logo após virar réu por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro tentou se defender, nesta quarta-feira (26), negando que tenha articulado a minuta para um golpe com os comandantes das Forças Armadas para suspender as eleições de 2022, conforme sustenta a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Antes de uma hipotética assinatura de um decreto de um Estado de Defesa, como está no artigo 136 da Constituição, o presidente da República tem que convocar os conselhos da República e da Defesa. Aí seria o primeiro passo. Não adianta botar um decreto na frente do presidente e assinar. Não convoquei os conselhos, nem atos preparatórios houve para isso”, destacou o ex-presidente.

Notícias relacionadas:

Sem responder aos questionamentos dos jornalistas, Bolsonaro falou por 50 minutos em frente ao Senado, em Brasília, ao lado de aliados no parlamento, logo após o resultado do julgamento da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que o tornou réu hoje. 

O ex-presidente voltou a sugerir, sem provas, que as urnas eletrônicas não são seguras, afirmou que é um perseguido e criticou o ministro do STF, Alexandre de Moraes. 

A denúncia da PGR contra Bolsonaro sustenta que o ex-presidente realizou uma reunião no dia 7 de dezembro de 2022, no Palácio da Alvorada, com os comandantes do Exército, Aeronáutica e Marinha, onde teria sido apresentada a minuta do golpe para suspender as eleições, o que consolidaria uma ruptura democrática na visão do Ministério Público.

A denúncia afirma que o comandante da Marinha, Almir Garnier, teria topado o golpe, sendo a proposta rejeitada pelos demais comandantes. Ainda segundo a PGR, Bolsonaro tinha um discurso pronto para após o golpe encontrado na sala dele na sede do Partido Liberal (PL).

Ao comentar o julgamento que o tornou réu, o ex-presidente Bolsonaro argumentou que os comandantes militares jamais embarcariam em uma “aventura” de golpe de Estado. Disse ainda que “discutir hipóteses de dispositivos constitucionais não é crime”, em referência à minuta de Estado de Sítio ou de Defesa que tem sido interpretada pela PGR com o ato decisivo para o golpe de Estado.

Nesse momento, um jornalista questionou: “Então o senhor discutiu [sobre o decreto]?”. Após encarar o repórter, Bolsonaro disse que não iria “sair do sério”. 

“Acho que a maioria já aprendeu aqui como é que eu ajo. Se quiser tumultuar com você, vamos embora”, retrucou. Durante seu governo, era comum o ataque do então presidente a jornalistas nas coletivas de imprensa.  

Brasília (DF), 26/03/2025 – Ex-presidente Jair Bolsonaro durante declaração a imprensa após virar Réu no STF. Foto: Lula Marques/Agência Brasil – Lula Marques/Agência Brasil

Perseguido

O ex-presidente ainda reforçou a versão que vem sustentando desde o início das investigações, de que é uma vítima de perseguição política e de que o Brasil não seria mais uma democracia.

Em uma rede social, Bolsonaro disse que o querem julgar rapidamente para evitar que “chegue livre às eleições de 2026”, apesar dele já estar inelegível até 2031

“A comunidade internacional acompanha de perto o que está acontecendo no Brasil. Juristas, diplomatas e lideranças políticas já reconhecem o padrão: é o mesmo roteiro que se viu na Nicarágua e na Venezuela”, afirmou.

O discurso de que o Brasil estaria perseguindo opositores tem sido questionado por especialistas, que avaliam ser uma estratégia de defesa dos apoiadores de Bolsonaro para se livrar das acusações de golpe de Estado. 

O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), contrariou essa versão e tem defendido que o Brasil segue com uma democracia, sem perseguições políticas ou censuras.

Supremo adia julgamento da ADPF das Favelas para 3 de abril

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou o dia 3 de abril a retomada do julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como a ADPF das Favelas. O processo trata das medidas adotadas pela Corte para restringir as operações realizadas pela Polícia Militar do Rio de Janeiro.

O caso estava previsto para ser retomado na sessão desta quinta-feira, mas foi adiado. No início da sessão, o presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, disse que, em função do julgamento da Primeira Turma que tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro réu pela trama golpista, os ministros não conseguiram se reunir para chegar a um voto de consenso para retomar o julgamento.

Notícias relacionadas:

“Temos uma imensa preocupação com a letalidade policial e as vítimas inocentes que se produzem em investidas mal planejadas nas comunidades pobres. Estamos aqui conversando, ouvimos muita gente, para produzirmos um voto de consenso, sem votos divergentes, para que possamos passar uma mensagem muito clara para o Rio de Janeiro e ao país da importância que estamos dando para o tema da segurança pública”, afirmou.

Na ação, que foi protocolada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB), a Corte já determinou medidas para reduzir a letalidade durante operações realizadas pela Polícia Militar do Rio contra o crime organizado nas comunidades da capital fluminense.

Em fevereiro deste ano, o relator do caso, ministro Edson Fachin, reafirmou diversas determinações para atuação da PM durante as operações e na investigação criminal de mortes de moradores das comunidades e policiais ocorridas durante as operações.