Pé-de-Meia Licenciaturas: últimos dias para cadastro para bolsa mensal

O prazo para os estudantes de cursos de licenciatura elegíveis para o Pé-de-Meia Licenciaturas finalizarem a pré-inscrição no programa e cadastrarem seus currículos termina neste domingo (30). Os candidatos que cumprirem as condições da política pública serão aprovados para receber a primeira parcela do benefício em 1º de maio.

A bolsa do Pé-de-Meia Licenciaturas foi criada para incentivar o ingresso, a permanência no curso e a conclusão das licenciaturas, cursos de nível superior que formam professores.

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O Ministério da Educação (MEC) disponibilizou 12 mil bolsas aos estudantes de cursos de formação de novos professores presenciais.

Saiba como fazer seu cadastro

O preenchimento deve ser feito na Plataforma Freire da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do MEC que executa o programa.

A etapa de pré-inscrição é obrigatória. Porém, o cadastro na plataforma não assegura a concessão da bolsa do programa no valor de R$ 1.050, conforme previsto no edital de seleção.

Estudantes elegíveis

O estudante poderá se candidatar à bolsa do novo programa se tiver ingressado e estiver regularmente matriculado em curso de licenciatura presencial, reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), via Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) ou pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) Social.

A bolsa voltada às licenciaturas foi uma novidade incluída no Sisu 2025, que contou com 1.101.211 inscrições em cursos presenciais de licenciatura, 23,36% mais que na edição anterior.

Outro requisito para ser elegível é que o candidato tenha obtido alto desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024, com nota igual ou superior a 650 pontos.

Para continuar a receber a bolsa mensal, o estudante deve cursar a quantidade de créditos obrigatórios de cada período; ser aprovado nas matérias em que está efetivamente matriculado.

Cronograma de 2025

Resultado preliminar4 de abril
Prazo para recurso5 a 9 de abril
Resultado final14 de abril
Primeira parcela mensal do benefício1º de maio

A bolsa

O programa concede apoio financeiro de R$ 1.050 aos estudantes dos cursos de licenciatura que se cadastrarem para a bolsa e forem aprovados. O valor mensal é dividido em:

  • bolsa mensal de R$ 700, disponíveis para saque a qualquer momento, durante o período regular do curso; 
  • incentivo à docência de R$ 350, na modalidade de poupança, que poderá ser resgatado após a conclusão do curso, se ingressar na rede pública de educação básica, no prazo de até cinco anos após a conclusão do curso. 

As bolsas serão pagas pelo MEC, por meio da Capes, do início até o fim do curso. Os valores serão destinados diretamente aos estudantes aprovados em cursos presenciais de licenciaturas

O incentivo à docência mensal é limitado a 48 parcelas.

Pé-de-Meia Licenciaturas

O Pé-de-Meia Licenciaturas, como é chamada a Bolsa de Atratividade e Formação para a Docência, é um dos eixos do programa Mais Professores para o Brasil que integra ações para valorizar o magistério e qualificar a educação básica no país.

O suporte financeiro do Pé-de-Meia Licenciaturas tem a finalidade incentivar a docência, permitindo aos beneficiados que se dediquem integralmente às atividades acadêmicas e ao estágio supervisionado obrigatório do curso.

Adicionalmente, o pagamento do incentivo tem os objetivos de atrair estudantes com alto desempenho para as licenciaturas e para a carreira docente; reduzir a evasão nos cursos de licenciatura; e incentivar o ingresso de concluintes das licenciaturas nas redes públicas de ensino.

De acordo com dados de 2023 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a taxa de desistência acumulada das licenciaturas variou, naquele ano, de 53% nos cursos de pedagogia a 73% em física.

Para mais informações, o MEC disponibiliza o site do Pé-de-Meia Licenciaturas, o telefone da Central de Atendimento: 0800 616161 (opção 7); e o e-mail: faleconosco@capes.gov.br .

 

Cúpula se encerra na França com US$ 27,55 bilhões para nutrição

A cúpula Nutrition for Growth (N4G) – Nutrição para o Crescimento – foi encerrada nesta sexta-feira (28), em Paris com um saldo de US$ 27,55 bilhões em compromissos financeiros para a nutrição global. No total, foram firmados 403 compromissos financeiros ou políticos na cúpula.

O evento, iniciado em 2013 e realizado de quatro em quatro anos por anfitriões dos últimos Jogos Olímpicos, reúne governos, empresas e sociedade civil, em busca de garantir compromissos políticos e financeiros para fornecer nutrição saudável e sustentável para a população global.

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Mesmo com o fim do evento, ainda será possível firmar compromissos financeiros e políticos junto à plataforma da N4G de Paris até junho deste ano.

O ministro de Francofonia e Parcerias Internacionais da França, Thani Mohamed-Soilihi, agradeceu as parcerias com o setor privado, filantropos e bancos de desenvolvimento, “que mostraram que a luta contra a má nutrição é assunto de todos”.

“Temos que recusar coletivamente um mundo onde a má nutrição é responsável pela metade das mortes de crianças com menos de 5 anos. Graças à solidariedade e ação coordenada, temos as chaves para construir um futuro mais justo e resiliente”, disse Mohamed-Soilihi.

Segundo o secretário-geral da cúpula, Brieuc Pont, foi positivo conseguir um valor que supera o levantado na edição anterior do evento, em Tóquio, em 2021 (US$ 27 bilhões), ainda mais em um contexto de cortes de fundos para ajuda internacional. Ele destacou, no entanto, que é preciso mais do que o dinheiro.

“Não tem sentido angariar dinheiro a cada quatro anos como se fosse um concurso de beleza, se você não tiver uma visão, uma direção.”

Assuntos

Um dos principais assuntos discutidos por especialistas e governos no evento foi a necessidade de buscar parcerias público-privadas para garantir financiamento de ações em um cenário de cortes em auxílios internacionais por países ocidentais.

Nesta sexta-feira (28), o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP) divulgou uma nota em que alerta que os cortes na ajuda internacional reduziram em 40% o seu orçamento para este ano. Com isso, existe o risco de comprometimento da assistência a 58 milhões de pessoas, em 28 de seus projetos de resposta a crises, a não ser que novos fundos sejam recebidos urgentemente.

A cúpula tratou ainda da urgência em resolver problemas nutricionais do planeta antes de 2030 e da necessidade de mudanças no sistema produtivo de forma a incentivar modelos de produção de alimentos mais sustentáveis, além da resiliência em situações de conflito e perante as mudanças climáticas.

A forma desigual sobre como a fome atinge a população global, em especial as mulheres e crianças de países mais pobres, também foi tratada no evento.

“No decorrer das últimas décadas, o mundo teve um progresso significante em reduzir a má nutrição infantil. Mas hoje estamos enfrentando uma crise de financiamento que ameaça reverter nosso progresso e mulheres e crianças infelizmente vão arcar com o peso disso”, afirmou a diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Catherine Russell, em discurso nesta sexta-feira.

“Quando a comida é escassa e falta dinheiro, as mulheres servem primeiro os homens e crianças, para quem são destinadas as melhores e maiores porções. Elas comem menos ou podem até nem fazer a refeição. De 2019 a 2022, a lacuna dos gêneros em relação à insegurança alimentar mais que dobrou.”

Declarações

O evento também foi finalizado com a divulgação de três declarações: do setor privado, dos jovens e da sociedade civil.

A declaração do setor privado, divulgada pelo Fórum de Paris pela Paz, destacou a necessidade de reformular a economia da nutrição por meio de uma abordagem multissetorial e de um esforço conjunto de governos, sociedade e empresas, a fim de enfrentar a má nutrição em todas as suas formas: subnutrição, obesidade e  deficiência de micronutrientes.

Entre as propostas da declaração estão a mudança do modelo dos subsídios governamentais para que eles sejam direcionados à comida mais nutritiva e localmente produzida; e a necessidade de empresas assumirem responsabilidade pela reformulação de seus produtos, oferecendo alimentos mais saudáveis e evitando fazer propaganda para produtos não saudáveis.

Já os jovens destacam, em sua declaração, que o futuro de seus países depende do enfrentamento à má nutrição e que a nutrição da juventude está ameaçada por alimentos processados, que podem causar câncer, pela falta de acesso à água potável e pelo saneamento impróprio.

Para a juventude, todos devem se responsabilizar – governos, empresas e sociedade civil. Segundo a declaração, a nutrição não afeta apenas o bem-estar individual, mas das nações como um todo. O documento destaca que as recomendações têm apoio de mais 100 organizações, que representam milhares de especialistas em nutrição, ativistas, jovens, trabalhadores de campo e profissionais comprometidos com o acesso universal à boa nutrição.

A declaração da sociedade civil cita que a polarização política, o autoritarismo e agendas nacionalistas dificultam esforços colaborativos para enfrentar desafios globais. “Cortes de ajuda – estimados em 44% – ameaçam décadas de progresso, com o financiamento para desnutrição aguda grave caindo em US$ 290 milhões”, aponta o texto, ao ressaltar que os cortes podem resultar cortes em mais 369 mil mortes de crianças anualmente. 

O documento destaca que a cúpula é uma oportunidade de impulsionar a ação global sobre nutrição. As principais recomendações são colocar as pessoas em primeiro lugar, garantir responsabilização e transparência sustentadas para compromissos de nutrição, assim como financiamento sustentável, tornar a nutrição um pilar central do desenvolvimento global e resposta à crise, e responsabilizar o setor privado pelas soluções nutricionais. Segundo o texto, a declaração recebeu o apoio de mais de uma centena de organizações.

A próxima cúpula está prevista para 2029, nos Estados Unidos, mas há receio de que, devido às decisões do presidente estadunidense, Donald Trump, de cortar fundos para organismos internacionais e para ajuda humanitária, o evento possa ser cancelado ou tenha que ser realizado em outro país.

*O repórter viajou a convite da Embaixada da França em Brasília

Piloto morre em queda de avião agrícola no interior de SP

Por volta das 7h desta sexta-feira (28), um avião agrícola de pequeno porte que trabalhava na pulverização de em um canavial caiu entre Guaíra (SP) e Miguelópolis (SP), no interior de São Paulo. Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros que atenderam à ocorrência informaram que o piloto da aeronave, Josias Pereira Lemes, de 52 anos, não resistiu à queda.

Segundo informações da Força Aérea Brasileira (FAB), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) acionou investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA IV), órgão regional do CENIPA com sede em São Paulo, para realizar a ação inicial da ocorrência envolvendo o avião.

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“Durante a Ação Inicial, são aplicadas técnicas específicas por profissionais qualificados e credenciados, responsáveis pela coleta e confirmação de dados, preservação dos elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, e pelo levantamento de outras informações necessárias à investigação”, diz a FAB.

Responsável pelo avião, o Grupo Precisão afirmou que a aeronave estava em situação regular e manifestou pesar pela morte do piloto, além de dizer que ele era muito experiente. O grupo afirmou que presta assistência à família.

Rádio Nacional estreia faixa internacional em espanhol e inglês

A partir de 31 de março, a Rádio Nacional da Amazônia estreia uma faixa internacional na sua programação, voltada ao público de outros países que acompanha a programação via ondas curtas. Os programetes em espanhol e inglês, com 10 minutos de duração, irão ao ar diariamente, às 22h50.

A criação da faixa Nacional Brasil – Serviço Internacional veio a partir dos pedidos de QSL recebidos pela emissora. Os cartões QSL são postais usados por radioamadores para confirmar contatos feitos via rádio. Eles funcionam como uma espécie de “recibo” de comunicação e são trocados entre operadores de rádio em diferentes partes do mundo.

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Por operar em ondas curtas (OC), a Rádio Nacional da Amazônia é a única emissora do país que consegue ter alcance nacional e até internacional. Alcança, potencialmente, 60 milhões de habitantes, com um sinal que chega em toda a região Norte, além do Maranhão, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e outros estados. A rádio fortalece o elo entre as comunidades da Amazônia, integra a região com outros estados do Brasil e valoriza a diversidade cultural.

Os conteúdos serão traduzidos em áudio pelas equipes de tradução da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

“No período da noite, por conta da nossa propagação internacional, recebemos diversos pedidos de cartão QSL. Muitos são de países de língua espanhola ou de inglesa. Nessa nova faixa, escolhemos destacar alguns conteúdos da nossa programação, como entrevistas que foram ao ar sobre temas internacionais ou culturais e que tenham relevância para além do Brasil. Fortalecemos assim o posicionamento da Rádio Nacional como uma emissora sem fronteiras”, destaca o gerente executivo de rádios da EBC, Thiago Regotto.

Além de apresentar a riqueza da Amazônia e sua importância global, a faixa também destacará o papel da emissora na comunicação pública, reforçando seu compromisso em conectar populações dentro e fora do país.

Serviço

Nacional Brasil – Serviço Internacional

Rádio Nacional da Amazônia

Diariamente, às 22h50, a partir de 31 de março

Saiba como sintonizar a Rádio Nacional

Brasília: FM 96,1 MHz e AM 980 Khz

Rio de Janeiro: FM 87,1 MHz e AM 1130 kHz

São Paulo: FM 87,1 MHz

Recife: FM 87,1 MHz

São Luís: FM 93,7 MHz

Amazônia: 11.780KHz e 6.180KHz OC

Alto Solimões: FM 96,1 MHz

WhatsApp Nacional

Rádio Nacional FM: (61) 99989-1201 

Rádio Nacional AM: (61) 99674-1536 

Rádio Nacional da Amazônia: (61) 99674-1568 

Rádio Nacional do Rio de Janeiro: (21) 97119-9966

Caixa paga Bolsa Família a beneficiários com NIS de final 9

A Caixa Econômica Federal paga nesta sexta-feira (28) a parcela de março do novo Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 9.

O valor mínimo corresponde a R$ 600, mas com o novo adicional o valor médio do benefício sobe para R$ 668,65. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, neste mês o programa de transferência de renda do Governo Federal alcançará 20,5 milhões de famílias, com gasto de R$ 13,7 bilhões.

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Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

Os beneficiários de 550 cidades receberam o pagamento na terça-feira (18), independentemente do NIS. A medida beneficiou moradores do Rio Grande do Sul, afetados por enchentes no ano passado, e de mais nove estados, afetados por chuvas ou por estiagens ou com povos indígenas em situação de vulnerabilidade. A lista dos municípios está disponível na página do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.

Desde o ano passado, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).

Regra de proteção

Cerca de 3,11 milhões de famílias estão na regra de proteção em março. Em vigor desde junho de 2023, essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo. Para essas famílias, o benefício médio ficou em R$ 367,39.

Arte EBC

Auxílio Gás

Neste mês não haverá o pagamento do Auxílio Gás, que beneficia famílias cadastradas no CadÚnico. Como o benefício só é pago a cada dois meses, o pagamento voltará em abril.

Só pode receber o Auxílio Gás quem está incluído no CadÚnico e tenha pelo menos um membro da família que receba o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A lei que criou o programa definiu que a mulher responsável pela família terá preferência, assim como mulheres vítimas de violência doméstica.

 

Exposição em São Paulo destaca falas e sotaques do Brasil

Como você pronuncia o plural da palavra você? Como vocêssss? Como vocêis? Como vocêish? Os sotaques são apenas um exemplo da imensa diversidade e pluralidade que estão presentes na língua portuguesa no Brasil.

Cada palavra que falamos, cada sotaque e o jeito como falamos nos traz a memória de uma longa história da língua no país. Uma história que tem início com o cruzamento do português com tantas outros idiomas e falares, como a dos povos originários e dos povos negros africanos, mas que continua sendo transformada no dia a dia.

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As formas de se falar a língua portuguesa são o tema da nova exposição temporária e interativa em cartaz no Museu da Língua Portuguesa. Chamada de Fala Falar Falares, a mostra será aberta ao público nesta sexta-feira (28).

A mostra é uma grande celebração das diferentes formas de falar em todos os cantos do país, apresentando os mais diversos sotaques. Ela também aborda a capacidade de manipular o som a partir do corpo e como isso se transforma no nosso modo de falar, de criar música e de expressar de maneiras tão diferentes dentro da mesma língua. A curadoria é da cenógrafa e cineasta Daniela Thomas e do escritor e linguista Caetano W. Galindo.

“A exposição partiu da ideia de explorar a diversidade de falares do português do Brasil, mas acabou virando uma coisa um pouco maior em que a gente parte do mais básico de tudo, que é o ar que respiramos e que usamos para produzir os sons da fala e as palavras que dão nome à nossa realidade. A mostra também fala de onde vem essas palavras, como se forma essa língua e como varia dentro do país. Essa é uma viagem longa e densa”, contou o curador, em entrevista à imprensa.

A exposição tem o objetivo de fazer o público pensar no quanto é especial a capacidade de falar. “Teve uma hora em que chamamos a exposição de ‘você’. Porque a ideia era de que você se desse conta do que é a língua em você, que a língua é quase indissociada da própria ideia de si próprio. Como é que você se pensa? Você se pensa por meio da língua. E aqui é um lugar para você se dar conta do quanto a língua faz, do quanto existe e de que ela é uma dádiva da relação humana e do ser humano. Carregamos esse poder de representar, de comunicar e de pensar”, disse Daniela Thomas.

A exposição

A mostra tem início no elevador de acesso à sala de exposições temporárias. É ali que os nomes de alguns dos 5.571 municípios brasileiros serão ouvidos pelo público. A seleção inclui nomes de cidades bastante curiosos como Puxinanã, Tartarugalzinho, Escada e Não-me-Toques, entre outros. Depois, esses nomes se transformarão em poemas, que serão reunidos em um livro a ser lançado durante a exposição. “Agora em junho sai esse livro que se chama As Cidades, que é essa coisa maluca, que são 25 poemas alfabéticos com nomes de cidades brasileiras”, explicou Galindo.

Dentro da sala expositiva, o público irá se deparar inicialmente com duas instalações dedicadas a mostrar como o fenômeno da fala ocorre dentro do nosso corpo. Na primeira delas, os visitantes serão convidados a usar um microfone que foi calibrado para captar sons de pessoas respirando e que está ligado a uma projeção de luz que pulsa conforme esse som é emitido. Na outra sala são apresentadas imagens captadas por uma máquina de ressonância magnética, que mostra como o interior do corpo se movimenta quando são faladas frases de canções brasileiras.

O percurso prossegue com uma sala de detecção de movimento: nesse espaço, uma imagem do visitante em movimento será reproduzida em uma tela e formada por palavras que descrevem cada parte do corpo humano.

“A sala seguinte é sobre a formação do vocabulário do português. A gente tem um grande mapa- múndi, com o Brasil colocado bem no centro, e uma mesa interativa em que as pessoas podem selecionar uma palavra. E aí, a animação da parede vai mostrar os caminhos que essa palavra percorreu vinda da China, da África ou da América do Norte, até chegar ao Brasil”, explicou o curador.

As duas últimas salas da exposição apresentam um quiz (jogo de perguntas e respostas) com vídeos gravados e que vai testar se o visitante conhece os diferentes sotaques falados no Brasil e uma instalação circular, com 12 telas de TV que retratam, cada uma, um interlocutor falando sobre orgulho, pertencimento e até preconceito com sua forma de falar. “Estamos vivendo tempos de cisões, exclusões, polarizações, tensionamentos e esgarçamentos da sociedade. Mas pense no quanto é linda essa ideia de que a gente está ali em torno de 12 pessoas, com cada uma delas falando conscientemente da sua diferença absoluta das outras. E no entanto, isso não estava gerando exclusão, diferença ou recusa, mas um fascínio permanente. Estava todo mundo unido pelo fato de cada um ser completamente diferente do outro. E isso é a chave para todos os problemas da sociedade. Eu, de fato, acho que linguagem é uma arena fenomenal para termos discussões e fazermos experimentos sociológicos”, disse Galindo.

Preconceito linguístico

A expectativa dos curadores é de que a exposição traga reflexões sobre as formas de se falar no país e provoque no público uma sensação de admiração com a diversidade brasileira.

“A língua portuguesa é um conjunto de variedades individuais muito diferentes e que são negociadas constantemente para gerar pertencimento e marcar a singularidade. É uma coisa maravilhosa, especialmente porque não tem ninguém gerindo isso. Não tem lei, não tem multa, não tem sanção. No entanto, tem transgressão. Você pode ser multado pela tua comunidade, você pode ser excluído ou incluído. Esse é um mecanismo maravilhoso – e democrático no limite, porque é totalmente coletivo. Mas, ao mesmo tempo, ele também acaba incorporando toda uma parte feia de preconceito, de exclusão, de demarcação, de estigma e de tabus”, alerta o curador.

O grande antídoto para esses preconceitos – que acabam refletindo formas de poder – é a informação, reforça Galindo. “Se as pessoas estiverem conscientes de que certas marcas do português do Brasil, ao contrário do que a gente ouviu a nossa vida toda, não são tosqueira, ignorância ou bruxaria linguística, mas são simplesmente marcas da história de um idioma, elas podem se empoderar de uma maneira que acho muito relevante. No momento em que você perceber que dizer ‘pobrema’ ou ‘as coisa’ é uma marca da passagem do português pelo universo gigantesco de escravizados africanos, que tiveram que aprender essa língua e fizeram com que ela se adequasse a padrões morfológicos e fonéticos da língua deles, você vai olhar para isso de outra maneira. As línguas evoluem desse jeito”, reforçou. “Quanto mais a gente souber disso, entender isso, menos a gente vai se ver presa dessas ilusões que são uma forma de controle e de determinar quem pode e quem não pode, quem pertence e quem não pertence”.

Lançamento de livro

Além da exposição, a programação do museu prevê o lançamento do livro Na Ponta da Língua, de Galindo, no próximo sábado (29), às 17h. No livro, o curador da mostra fala sobre a origem das palavras. O evento, que acontece no museu, incluirá um bate-papo com o autor e uma sessão de autógrafos.

A entrada no Museu da Língua Portuguesa é gratuita aos sábados e domingos. Mais informações sobre a exposição, que ficará em cartaz até setembro, podem ser obtidas no site do museu.

Áurea Martins celebra benzedeiras de sua infância: ‘Sempre fui rezada’

A força das rezas de Vovó Francelina protegeu Áurea Martins e também foi referência para um de seus principais trabalhos, o álbum Senhora das Folhas, considerado uma obra antológica por especialistas e indicado ao Grammy Latino. Perto de 85 anos de idade e com mais de 50 de carreira, a cantora celebra rezadeiras e benzedeiras em suas faixas e conta a relação pessoal do tema com sua história em entrevista à Agência Brasil.

“Eu sempre fui rezada por uma rezadeira que tinha 102 anos. Ela não chegou a ser escrava, mas os pais foram. Vovó Francelina, em Campo Grande [bairro da zona oeste do Rio]. Eu sou de lá, né?”, disse, lembrando que ainda tinham uma tia e uma outra senhora, que morava perto da sua casa. “Eu lembro até hoje da reza da Vó Francelina. A gente chamava de Vó. Ela tinha 102 anos, era vizinha. Pegava as ervas…[fez o gesto de rezadeiras] Eu acho que dá uma proteção enorme. Eu já fui assaltada com revólver na cara, mas acho que estou em uma redoma. Não acontece nada”, completou.

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Desta sexta-feira (28) até domingo (30), vai apresentar o show Senhora das Folhas, no Teatro da CAIXA Cultural Brasília, no Setor Bancário Sul. “Do mesmo jeito que tem sido, com muita gente. Agrada ao público”, disse, sobre a recepção que espera da plateia para este show, na cidade onde já fez outras apresentações.

Uma das mais marcantes foi logo depois de vencer, em 1969, no concurso do programa A Grande Chance, apresentado por Flávio Cavalcanti, na emissora carioca TV Tupi; Outra foi um show com João Bosco, quando cantou bossa-nova e jazz. Houve ainda um outro, com o cantor Emílio Santiago.

 

A cantora Áurea Martins comemora 85 anos de vida e se mantém ativa Tânia Rêgo/Agência Brasil

O nome do espetáculo, que tem roteiro, direção artística e de produção de Renata Grecco, é o mesmo do álbum lançado em 2022. Apesar de recente, é considerado pela cantora como atemporal. Aém da celebração às rezadeiras e benzedeiras, há espaço para coco de roda, ritmo afrobrasileiro característico da região nordeste; canto indígena; sambas e canções de artistas contemporâneos, como Projota, Flaira Ferro e Arlindo Cruz. Áurea gosta de todas as músicas, mas não deixa de demonstrar as letras que a tocam mais.

“Todas elas, porque falam fundo em mim, mas Me Curar de Mim e A Rezadeira…[bate no peito mostrando emoção] Olha, eu gosto do disco todo. Senhora Santana [um bendito de origem medieval], Santo Antônio de Categeró [louvação que faz na música Prece do Ó]”, continuou elencando as mais sensíveis.

Ainda pensando em proteção, fala com felicidade que nasceu no dia de Santo Antônio, 13 de junho. “Vou festejar o meu aniversário lá no Teatro Rival. Quem estiver lá eu chamo para o palco”, adiantou, recordando que já teve um ícone da bossa nova entre os presentes.” Eu sempre faço aniversário no Rival. Johnny Alves estava lá. Ele gritou ‘vou aí também’. Ele subiu e tocou”.

Detalhe da medalha de Santo Antônio, santo devoto da cantora, que faz aniversário no seu dia, 13 de junho. Tânia Rêgo/Agência Brasil

Álbum

Em princípio, a produtora Renata Grecco chegou a pensar em fazer o projeto com várias cantoras convidadas, mas desistiu ao ouvir Áurea cantando. “Não deu outra, né? Foi a pessoa perfeita para o lugar certo”, contou à Agência Brasil, Lui Coimbra, multi-instrumentista, cantor e diretor musical do espetáculo.

O envolvimento com as músicas que canta em toda a sua trajetória é completo. “Eu sou muito de pensar no texto e o que ele quer dizer. Mergulho fundo no texto. Não sei explicar, sei que viajo. Às vezes, estou sem voz para cantar, mas, na hora, flui, porque eu faço muita coisa com a voz”, disse Áurea, revelando ainda que sente de imediato o retorno do público.

Generosa, reconhece o talento dos músicos que a acompanham. “Eu sozinha não ia fazer. Tem o André Gabeh, o Marcos Suzano, Fred Ferreira, o Lui [Coimbra]. Eu não faço nada sozinha. O Lui que dirigiu”, pontuou.

Indicação

O álbum Senhora das Folhas tem também um outro significado. Trouxe um reconhecimento inédito. “Chegou o Grammy Latino. Foi a primeira vez que eu tive um disco [indicado], já tive um [outro] disco do Paulo César Feital, mas era uma participaçãozinha. Mas meu disco, nunca. Olha que tive disco até com Luiz Eça, e nunca tive indicação. Acho que caiu como uma luva”.

Na trajetória de Áurea estão nove discos solo, diversas participações em outros, além do prêmio de Melhor Cantora no Prêmio da Música Brasileira 2009 e um curta-metragem sobre sua vida com mais de 21 prêmios, inclusive de melhor atriz.

Ela recorda também muitos encontros com artistas de destaque da música brasileira. Sobre uma delas, tem boas recordações. Áurea teve participação direta no início da carreira de Elis Regina, que foi tentar uma oportunidade na Rádio Nacional, na qual Áurea já participava do programa Paulo Gracindo.

“Eu sou afilhada do Paulo Gracindo. Ela estava chegando [do Rio Grande do Sul] e foi cantar lá também. Foi legal. Eu ficava pensando ‘essa garota fala’, mas aí começou a amizade. Quando ela abriu a boca e cantou, eu falei ‘que coisa’ e perguntei ‘que voz é essa?’. Ela falou que adorava Angela Maria. Depois, nunca mais eu vi e não quero ver agora também não”, contou sorrindo.

Banda

Lui Coimbra, diretor musical e violoncelista do show “Senhora das Folhas” de Áurea Martins Tânia Rêgo/Agência Brasil

A banda que acompanha Áurea nestas apresentações também é de respeito. Além de diretor musical do espetáculo, Lui Coimbra assume o violoncelo, o violão, a rabeca, o charango andino e os vocais. Nas guitarras e vocais, estará Fred Ferreira. O pandeiro e a percussão ficarão a cargo do aclamado Marcos Suzano. No contrabaixo acústico, Pedro Aune, e André Gabeh na voz.

“Tem sido sempre muito forte, uma energia muito contagiante com a plateia. O roteiro está bem redondinho. Começa com o Ramo, que é uma música que fala do amor que é uma coisa mesmo de rezadeira, com aquele vozeirão dela, vai subindo, e daqui a pouco tem uma que é quase um afropop, um canto para Ossain [orixá]. Tem o canto das caboclas, bem afro, e o samba Ilu Ayê, que canta acompanhada de Marcos Suzano”, descreveu Lui Coimbra.

Fundos de pensão não poderão investir em criptoativos

As entidades fechadas de previdência complementar, categoria que engloba os fundos de pensão, não poderão investir em criptoativos e outros ativos virtuais, definiu nesta quinta-feira (27) o Conselho Monetário Nacional (CMN). O órgão aprovou as novas diretrizes para os investimentos dos recursos garantidores dessas entidades.

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que a proibição para os investimentos em ativos virtuais decorre do risco e da volatilidade desse tipo de instrumento. A resolução do CMN, no entanto, liberou outros tipos de investimento.

Os fundos de pensão poderão aplicar em Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros) e em debêntures de infraestrutura. O setor pedia autorização para esse tipo de investimento, mas a aplicação não será imediata. Isso porque o CMN determinou que os projetos que podem receber recursos dos fundos de pensão devem obedecer a critérios de sustentabilidade econômica, ambiental, social e de governança dos investimentos. Esses critérios serão regulamentados posteriormente.

Imóveis e terrenos

Na reunião desta quinta-feira, o CMN acatou parcialmente o pedido dos fundos de pensão e suspendeu a obrigatoriedade da venda de terrenos e imóveis em suas carteiras. Em 2018, o CMN proibiu os fundos de pensão de comprar imóveis e terrenos diretamente por entender que as entidades de previdência complementar estavam com alta alocação em imóveis. Na ocasião, o Conselho Monetário também obrigou os fundos de pensão a vender imóveis e terrenos até 2030.

O CMN, no entanto, contrariou o pedido dos fundos de pensão para comprar imóveis e terrenos diretamente. As entidades fechadas de previdência complementar só poderão adquirir imóveis indiretamente, por meio de fundos de investimentos imobiliários (FII), certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e cédula de crédito imobiliário (CCI), como fazem atualmente.

Fundos de participações

O CMN também restringiu as regras para investimentos em Fundos de Participações (FIP). Agora, até 10% dos recursos do plano de previdência complementar poderão ser aplicados em cotas de FIPs. Os fundos também não poderão aplicar em FIPs com mais de 40% das cotas em uma mesma classe, exceto nos 12 meses iniciais e nos 12 meses finais do investimento. O FIP também deve ser qualificado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como entidade de investimento.

Segundo o Ministério da Fazernda, a proposta aprovada pelo CMN teve como base discussões realizadas no âmbito da Agenda de Reformas Financeiras, coordenada pela Secretaria de Reformas Econômicas da pasta.

O Conselho Monetário Nacional é formado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad; pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; e pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

Maioria do STF define que multa por crime ambiental é imprescritível

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos para fixar que as multas aplicadas contra infratores ambientais são imprescritíveis. A questão é julgada no plenário virtual da Corte e será encerrada nesta sexta-feira (28).

Até o momento, a Corte registrou sete votos favoráveis ao entendimento. Além do relator, Cristiano Zanin, também votaram no mesmo sentido os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Dias Toffoli, Edson Fachin e Luiz Fux.

Para Zanin, a reparação de danos ao meio ambiente é um direito fundamental e deve prevalecer em relação ao princípio de segurança jurídica.

O ministro também propôs uma tese para aplicação nos casos semelhantes que estão em tramitação no Judiciário em todo o país.

“É imprescritível a pretensão executória e inaplicável a prescrição intercorrente na execução de reparação de dano ambiental, ainda que posteriormente convertida em indenização por perdas e danos”, definiu Zanin.

O caso foi decidido em um recurso do Ministério Público Federal (MPF) para derrubar uma decisão da primeira instância que foi favorável à prescrição de multas ambientais após o prazo de cinco anos. A infração que motivou o julgamento ocorreu em Balneário Barra do Sul (SC).

A decisão contou com atuação da Advocacia-Geral da União (AGU). Para o órgão, os infratores ambientais têm o dever de arcar com os danos provocados ao meio ambiente.

“O reconhecimento da incidência da prescrição em tais casos significaria impor às gerações futuras o ônus de arcar com as consequências de danos ambientais pretéritos. Assim, temos que a imposição de prazos prescricionais em favor do interesse individual está em desacordo com a própria natureza do bem jurídico tutelado”, argumentou o órgão.

 

Ato no Rio homenageia memória de Rubens Paiva e torturados políticos

Movimentos sociais e organizações de direitos humanos participaram nesta quinta-feira (27) do ato Ocupa Rubens Paiva: Tortura Nunca Mais, em frente ao o 1º Batalhão de Polícia do Exército do Rio de Janeiro, antiga sede do DOI-Codi.

O endereço foi um centro de prisão ilegal, tortura e morte durante a ditadura militar, implantada pelo golpe de 1964. No loval, presos políticos foram torturados e assassinados, entre eles, o engenheiro e parlamentar Rubens Paiva.

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O ato também lembra os 10 anos da inauguração do busto em homenagem a Rubens Paiva na praça Lamartine Babo, em frente ao prédio do Exército, pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio (Senge-RJ) e pela Comissão Estadual da Verdade. 

“Esse foi um local de covardias, tortura e morte. Precisamos manter a memória do que houve, para que nunca mais ocorra novamente. Tivemos uma tentativa recente de golpe. O que mostra que temos sempre que estar atentos e mobilizados”, disse Olímpio Alves dos Santos, presidente do Senge-RJ.

Participaram do evento as entidades SOS Brasil Soberano, Clube de Engenharia, Levante Popular da Juventude, Frente Internacionalista dos Sem Teto, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Grupo Tortura Nunca Mais, União de Negras e Negros pela Igualdade, União Brasileira de Mulheres, Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

O ato também reforça pressão sobre o poder público para que a antiga sede do DOI-Codi seja transformada em um Museu da Memória, dedicado às vítimas da ditadura militar. O Iphan já se manifestou sobre o assunto, ao dizer que a prioridade do órgão em 2025 é o processo de tombamento do prédio. O posicionamento segue recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para avançar no tombamento, que tramita no Iphan desde 2013.

Rio de Janeiro (RJ) 27/03/2025 – Joana D’Arc Fernandes Ferraz, membro do grupo Tortura Nunca Mais RJ Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Joana Ferraz, da diretoria colegiada do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ, defende a transformação do espaço em museu. Ela também é historiadora e entende que essa memória precisa sempre ser revisitada.

O padrinho dela, o padre João Daniel de Castro Filho, foi torturado pelos militares junto com outros membros da paróquia que fazia parte. Ela teve de lidar com resistência dentro da própria família para resgatar essa memória e tornar um dos objetos de luta.

“Essa é uma história que me percorre desde sempre. E daí também o meu interesse em estudar melhor o tema. Minha mãe sempre falava que a gente não podia comentar o que se ouvia em casa. Esse silêncio me atordoava. Eu ficava pensando, ‘por que não pode falar?’ Eu tinha medo também. Mas a gente precisa de fato mexer melhor nesse passado brasileiro”, diz Joana.

O arquiteto espanhol Luis Zorraquino, que mora há 28 anos no Brasil, também precisa lidar com esse passado traumático. A companheira Estrella Bohadana, que morreu há dois anos, foi torturada mais de uma vez pelos militares no período da ditadura.

Estrella coordenava um movimento de trabalhadores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, quando foi detida. Foi torturada em um batalhão de infantaria de Barra Mansa e depois no próprio DOI-Codi no Rio de Janeiro. Ela estava grávida e sofreu um aborto no Hospital do Exército.

“Ela passou pela tortura no pau de arara. Levou choque elétrico nos mamilos, ouvidos e vagina. Muita barbárie. E é por isso que estamos aqui, lembrando desses acontecimentos, e queremos homenagear todos os grandes revolucionários, especialmente Rubens Paiva e sua família”, diz Luis.

O silêncio sobre esse passado não é uma opção para Luis, que mesmo depois da perda da companheira continua ativo nos atos por memória e justiça. “Estrella me dizia que a tortura só pode ser entendia por quem a vive. E tortura dura a vida toda”.

Rio de Janeiro (RJ) 27/03/2025 – Luis Zorraquino, companheiro de Estrella Bohadana torturada durante ditadura militar de 64. – Ato “Ocupa Rubens Paiva: Tortura Nunca Mais”, em frente à antiga sede do DOI-Codi, onde Rubens Paiva e outros 52 presos políticos foram torturados e assassinados durante a ditadura militar. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Morre, no Rio, o músico Bida Nascimento

O músico e ator Abdias Nascimento Filho, mais conhecido como Bida Nascimento, morreu na madrugada desta quinta-feira (27), aos 71 anos.

Bida, filho do escritor e ativista Abdias Nascimento e da atriz Léa Garcia, estava internado no Hospital Badim, no Maracanã, bairro do Rio de Janeiro, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC).

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Bida era contrabaixista e teve uma longa história na música e na defesa da cultura afro-brasileira.

Há duas semanas, o empresário Marcelo Garcia, irmão de Bida, vinha buscando ajuda através de uma campanha nas redes sociais para doação de sangue destinada ao músico.

AVC

De acordo com Marcelo, Bida foi submetido a cinco internações ao longo de três meses e perdeu a visão após o AVC. O acidente aconteceu dias antes do carnaval.

Ele foi levado para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, sendo depois transferido para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Badim, em estado grave, com insuficiência respiratória, cegueira e sangramento intestinal.

Os administradores da página da rede social de Léa Garcia, que morreu aos 90 anos em 2023, prestaram uma homenagem ao artista.

A informação foi publicada pelo perfil de Léa Garcia no Instagram. 

“Abdias do Nascimento Filho, nosso querido Bida, nos deixou hoje. Voltaremos para trazer mais informações, mas, no momento, pedimos que orem por ele”, escreveram.

Bida morava no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, no Rio, e deixa um filho. O horário e local do velório e o enterro de Bida ainda não foram divulgados pela família.

Planejamento aprova US$ 3,5 bi em projetos com financiamento externo

A União, os estados e os municípios poderão pegar até US$ 3,5 bilhões emprestados no exterior para financiar 20 programas e projetos com garantia do governo federal. O valor foi liberado pela Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex) do Ministério do Planejamento e Orçamento, que fez nesta quinta-feira (27) a primeira reunião do ano.

Dos 20 programas e projetos, 15 são de estados e de municípios e cinco são de estatais federais.

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>>Consulte a lista dos projetos aprovados..

Para os governos locais, a Cofiex aprovou projetos nas áreas de educação, sustentabilidade ambiental, agricultura familiar, energias renováveis, desenvolvimento urbano, gestão hídrica, transportes, gestão fiscal e reestruturação de dívidas. Há seis ações no Sudeste, cinco no Nordeste, três no Sul e um no Norte.

Na Região Sul, a Cofiex aprovou um projeto da prefeitura Joinville (SC) na área de educação, com financiamento de US$ 99,2 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para o Nordeste, a comissão aprovou, entre outros projetos, a segunda fase do programa Paraíba Rural Sustentável, financiado com US$ 50 milhões do Banco Mundial.

Para o Sudeste, a Cofiex aprovou o financiamento de US$ 1,275 bilhão para o refinanciamento da dívida do estado de São Paulo. No Norte, a comissão liberou US$ 60 milhões para o Programa de Sustentabilidade Fiscal, Eficiência e Eficácia dos Gastos Públicos do Estado do Amazonas.

Em relação aos projetos federais, foram aprovados cinco projetos de estatais não dependentes (com receitas próprias), com destaque para o Projeto de Evolução do Parque Tecnológico do Serpro, no valor de US$ 433 milhões. No total, as empresas estatais tiveram aprovações no valor de US$ 920 milhões.

Além do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), os projetos serão financiados por bancos de multilaterais de desenvolvimento como o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e Banco Europeu de Investimentos (BEI), ou fundos internacionais, como o Fundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e o Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata (Fonplata).

A Cofiex é responsável por analisar e deliberar projetos e programas da União, de estados e de municípios com financiamento externo de organismos multilaterais e bilaterais e garantia da União. O órgão é composto por representantes dos Ministérios do Planejamento e Orçamento, da Fazenda e das Relações Exteriores. A próxima reunião da comissão ocorrerá em junho.

“Continuamos a acreditar em crescimento de mais de 2%”, diz Haddad

Apesar de o Banco Central (BC) ter revisto para baixo a estimativa de crescimento da economia para este ano, o Ministério da Fazenda continua a acreditar em expansão de mais de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Nesta quinta-feira (27), o Relatório de Inflação do BC reduziu de 2,1% para 1,9%, a projeção para o crescimento do PIB em 2025.

“Não vi o relatório, mas nós continuamos com a previsão de crescimento da economia brasileira na forma da lei orçamentária, nós não revimos ainda o PIB, nós continuamos acreditando num crescimento acima de 2”, disse Haddad.

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Em fevereiro, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda tinha revisado a projeção para o PIB de 2025 de 2,5% para 2,3%.

Segundo Haddad, tanto o BC como a SPE têm liberdade de traçar projeções. No entanto, disse o ministro, as estimativas da Fazenda têm ficado mais próximas dos números realizados.

“Penso que a Secretaria de Política Econômica tem feito um bom trabalho de dois anos para cá no sentido de se aproximar mais fidedignamente das projeções do que foi realizado. Nossas projeções têm sido bastante próximas do que de fato está acontecendo na economia brasileira. Mas enfim, todo o subsídio é bem-vindo, sobretudo de órgãos públicos com respeitabilidade técnica para informar a população”, declarou.

O ministro ressaltou estar comprometido com o regime de metas de inflação e negou qualquer discordância com o Banco Central.

“As declarações que dei recentemente a respeito da conduta do Banco Central vão na mesma direção, então eu não vejo dissonância entre as falas. Muito pelo contrário, estamos com o mesmo objetivo de cumprir o novo regime de metas que foi inaugurado, que é o abandono do ano e a favor da meta contínua, justamente para dar ao Banco Central uma inteligência maior na trajetória de percepção da meta”, acrescentou.

Núcleo de inflação

Haddad também comentou a declaração recente do presidente em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, que defendeu a retirada dos preços de alimentos e de energia da meta de inflação e, portanto, do cálculo da Taxa Selic (juros básicos da economia). Segundo Haddad, tanto o Banco Central como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) têm metodologias respeitáveis, e o próprio BC tem análises que desconsideram itens voláteis na definição dos juros básicos.

“Na verdade, o Banco Central avalia os núcleos de inflação. Muitas vezes, eles desconsideram certa volatilidade de determinados preços, quer dizer, a análise dos núcleos já leva em consideração efeitos sazonais, determinado comportamento em virtude de choques externos, como é o caso de condições climáticas. O Banco Central tem uma metodologia de observância dos núcleos de inflação que efetivamente vão ao encontro daquilo que o vice-presidente imagina”, concluiu Haddad.

Tatiana Weston-Webb fará pausa na carreira para cuidar da saúde mental

A brasileira Tatiana Weston-Webb anunciou nesta quinta-feira (27) que vai se afastar das competições de surfe até o final deste ano para cuidar da saúde mental. Ela publicou um vídeo nas redes sociais em que explica os motivos para tomar a decisão. Tati atualmente ocupa a 17ª posição no ranking da Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês) após as três primeiras etapas do circuito mundial.

“Nos últimos tempos, depois de dois ciclos Olímpicos e dez anos no circuito mundial sem perder nenhum evento, eu senti um pouquinho de desgaste emocional e físico. Eu percebi esses sinais e realmente precisava olhar com mais atenção pra minha saúde emocional”, afirmou Tatiana. Ela disse que cuidar do seu próprio bem-estar é essencial para honrar a paixão que tem pelo surfe e continuar competindo em alto nível no futuro. A surfista disse que, junto com sua psicóloga, identificou sinais indicativos de desgaste emocional e físico, que poderiam resultar em burnout – uma síndrome de esgotamento profissional, normalmente causada por excesso de trabalho.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Tatiana Weston-Webb (@tatiwest)

A surfista disse acreditar que é importante falar sobre a saúde mental e emocional no esporte.

“Mostrar vulnerabilidade não nos torna menos fortes. Pelo contrário, nos torna mais humanos e mais conectados. E também nos possibilita alcançar nosso melhor potencial dentro e fora das competições.” 

Ao fim do relato, a surfista de 28 anos finalizou: “A pausa não é o fim, mas um recomeço. Sei que com apoio de todos voltarei ao mar mais forte”.

No ano passado, Tati Weston-Webb conquistou a prata nos Jogos de Paris, a primeira medalha para o surfe feminino do país. A surfista é filha de mãe brasileira e pai britânico. Nasceu em Porto Alegre, mas se mudou com os pais para o Havaí (Estados Unidos) ainda muito pequena. Cresceu na ilha de Kauai e defendia o Havaí nas competições de surfe. Mas em 2018 resolveu defender as cores do Brasil. Tati é uma das principais surfistas mulheres do Campeonato Mundial de Surfe. No ano passado, ela terminou o campeonato na terceira posição. 

Mega-Sena não tem ganhador e prêmio acumula em R$ 40 milhões

Nenhum apostador acertou as seis dezenas do concurso 2.845 da Mega-Sena, realizado nesta quinta-feira (27). O prêmio acumulou e está estimado em R$ 40 milhões para o próximo sorteio.

Os números sorteados foram: 10 – 31 – 40 – 52 – 54 – 56

A quina teve 31 apostas vencedoras, que irão receber R$ 86.551,10 cada. Outras 2.307 apostas tiveram quatro acertos e faturaram R$ 1.661,45. 

Apostas

Para o próximo concurso, as apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília) de sábado (29), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa Econômica Federal.

Edital de apoio a circos distribuirá até R$ 400 mil em São Paulo

Circos de lona atuando no estado de São Paulo podem concorrer a recursos de apoio para aprimorar infraestrutura, identidade visual, gestão financeira, capacitação técnica e consultoria em produção cultural. O montante – de até R$ 400 mil – tem origem em um edital da Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado de São Paulo e será viabilizado através de parceria com a Associação Paulista dos Amigos da Arte (Apaa).

Com o nome Pró-Circo, o edital foi aberto hoje (27), Dia Nacional do Circo, e vai até 18 de abril. O resultado será divulgado no dia 5 de maio, no site da Apaa, onde é possível ter acesso ao edital e detalhes sobre a inscrição. 

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As instituições que forem concorrer têm de ter circulado por ao menos três cidades no estado. Além do recurso financeiro, elas receberão o Selo Circo CultSP, reconhecendo sua excelência e profissionalização.

Cena circense

“O Pró-Circo é uma oportunidade única de fortalecer a cena circense no estado, valorizando o caráter itinerante dos circos de lona e promovendo a democratização do acesso à arte, especialmente para as comunidades que mais precisam”, disse Marilia Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.

O processo seletivo terá duas fases: análise documental e visita técnica aos circos finalistas. O circo selecionado deverá se comprometer a participar das atividades programadas, realizar apresentações gratuitas para escolas públicas e manter as exigências de identidade visual e estrutura por três anos.

STM mantém condenação de militar por manifestação política

O Superior Tribunal Militar (STM) decidiu manter a condenação de um major do Exército a dois anos de prisão por desobediência. O militar foi acusado de participar de atividades partidárias durante as eleições de 2022.

Segundo a investigação, o militar chegou a ser preso em maio de 2022 após ignorar as regras das Forças Armadas que proíbem manifestações político-partidárias e publicar nas redes sociais mensagens de apoio ao então candidato à reeleição Jair Bolsonaro e anunciar sua pré-candidatura a deputado federal pelo Piauí.

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Em 2023, o major foi condenado pela primeira instância da Justiça Militar. Em seguida, a defesa recorreu ao STM para derrubar a sentença.

Condenação é mantida

Na última terça-feira (25), o plenário do STM decidiu manter a condenação com base no voto do relator, ministro Arthur Vidigal. 

Para o relator, o artigo 142 da Constituição estabelece que as Forças Armadas devem manter-se apartidárias e ainda proíbe o envolvimento de militares da ativa na política.

“O acusado, ao ignorar reiteradamente as ordens de seus superiores hierárquicos, demonstrou completo desprezo pelas normas disciplinares e regulamentos internos do Exército brasileiro, o que não pode ser tolerado em uma instituição baseada na hierarquia e na disciplina”, argumentou Vidigal.

Endividamento volta a subir em São Paulo no mês de março

A Pesquisa do Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), mostrou que as famílias paulistanas parecem mais dispostas a fazer novas despesas. Em março, o volume de lares endividados na cidade subiu 1,5 ponto porcentual (pp) em comparação com fevereiro, passando de 67,7% de casas nessa situação naquele mês para 69,2% agora. Atualmente, 2,83 milhões de lares têm alguma dívida ativa na capital paulista.

Segundo a FecomercioSP, o volume de lares com dívidas atrasadas passou de 19%, em fevereiro, para 19,3%, em março. Como consequência do endividamento, o número de famílias que não têm condições de pagar as contas vencidas está 8,1% menor desde agosto passado. Conforme a pesquisa, o endividamento no cartão de crédito permanece estável (81,5% dos casos), o que indica que essa elevação não significa que as famílias paulistanas estejam mais dependentes dessa modalidade para pagar contas.

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As análises da FecomercioSP indicam que o contexto atual na cidade é de estabilidade financeira das famílias. O percentual do orçamento comprometido com dívidas em março permanece abaixo de 30%. Em março de 2023, a taxa era de 31,7%. Outro fator é o tempo em que esses recursos ficam despendidos com despesas, que caiu para 7,5 meses, enquanto em fevereiro, era de 7,6 e, no mesmo mês de 2024, de 7,9 meses.

“Em outras palavras, paulistanos e paulistanas estão concentrando o consumo de produtos e/ou serviços que envolvam endividamento em curto e médio prazos, evitando que os rendimentos fiquem comprometidos por muito tempo. O controle tem sido elemento determinante para a saúde financeira deles”, diz a FecomercioSP.

O levantamento revela ainda que o tempo médio de atraso nas dívidas permanece estável em 63,2 dias. No mesmo mês do ano passado, o número era de 66,2 dias. “Isso significa que o juro rolado com a despesa ainda não paga tende a ser menor, o que favorece um retorno mais rápido da família ao ambiente de consumo”, avalia a entidade.

A pesquisa apurou também que a intenção de contrair crédito no sistema financeiro continua em queda na capital paulista. Em fevereiro, quando a FecomercioSP perguntou às pessoas sobre essa busca, 17% disseram ter planos de contratar financiamentos no médio prazo. Em março, o número caiu para 15,5%. Além disso, 89% pretendem usar o dinheiro emprestado para ir às compras, o que, de certa forma, reforça o aquecimento da economia. “A queda também aponta para a cautela que as pessoas estão adotando em um contexto de inflação elevada, sobretudo dos alimentos”, acrescenta a FecomercioSP.

RJ vai antecipar vacinação contra a gripe para próxima quarta

O início da vacinação contra a gripe foi antecipado para a próxima quarta-feira (02) no estado do Rio de Janeiro. A primeira remessa de 492 mil doses, recebida do Ministério da Saúde, já está sendo distribuída para os 92 municípios fluminenses. A campanha começa dia 7 de abril em todo o país, mas algumas cidades e estados já anunciaram a antecipação.

No Rio de Janeiro, mais de 7 milhões de pessoas poderão receber o imunizante que protege contra três tipos do vírus influenza: H1N1, H3N2 e Influenza B. A vacina é atualizada a cada campanha, para trazer as cepas dos vírus que devem circular com mais frequência no próximo inverno. Por isso, é necessário tomá-la todo ano, para que a eficácia continue alta.

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Grupos prioritários para vacinação contra a gripe:
  • Idosos com 60 anos ou mais;
  • Crianças de 6 meses a menores de 6 anos;
  • Gestantes e puérperas;

Também podem se vacinar:

  • Povos indígenas e quilombolas;
  • Pessoas em situação de rua;
  • Pessoas com crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais;
  • Trabalhadores de saúde e da educação;
  • Profissionais das forças de segurança, salvamento e Forças Armadas;
  • Pessoas com deficiência permanente;
  • Caminhoneiros e trabalhadores de transporte coletivo;
  • Trabalhadores portuários;
  • Trabalhadores dos correios;
  • População e os funcionários do sistema prisional.

O principal objetivo da vacinação conta a gripe é proteger contra as complicações da doença que podem levar à hospitalização e mortes. Este ano, até o dia 22 de março, o Brasil registrou mais de 750 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave com diagnóstico positivo confirmado para influenza e 77 mortes mas o período de maior circulação desses vírus ainda não começou. Os dados são do último boletim Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz.

A meta do Ministério da Saúde é imunizar 90% dos chamados grupos prioritários para a vacinação contra a doença. Ao receber a primeira remessa de doses destinada ao Distrito Federal na sexta-feira passada (21), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que, além de proteger contra um total de três vírus do tipo influenza, a vacina garante uma redução do risco de casos graves e óbitos provocados pela doença.

Padilha afirmou que estados e municípios que receberem as doses ao longo dos próximos dias podem optar por iniciar a vacinação antes do dia 7, como São Paulo anunciou nesta quinta-feira. No Distrito Federal, por exemplo, a imunização deve começou na última terça (26). Já na cidade de São Paulo, onde também houve antecipação, o início está marcado para amanhã.

 

Pesquisadores lançam livro sobre apoio da Folha de S. Paulo à ditadura

Uma caminhonete amarela de entrega do jornal Folha de S. Paulo com um suposto defeito mecânico estava parada havia uma semana em frente ao prédio do estudante de geologia e militante Adriano Diogo, de 23 anos, na Mooca, zona leste de São Paulo. 

Naquele 17 de março de 1973, militares saíram do carro de distribuição do periódico e subiram ao apartamento do rapaz. “Eles quase me mataram”, recorda o agora ex-deputado estadual, em entrevista à Agência Brasil.

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Diogo foi encapuzado, agredido, torturado e levado para o Complexo do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), na Vila Mariana, onde funcionava a Operação Bandeirante (Oban), um espaço de tortura e assassinatos durante a ditadura militar no Brasil.

A utilização do veículo de um dos principais jornais do país para uma ação de opressão não foi caso raro durante o período ditatorial e ilustra uma das faces da colaboração direta da Folha de S. Paulo, revela pesquisa realizada por seis professores (de diferentes instituições) que se transformou no livro A serviço da repressão

Pesquisadores do livro A serviço da repressão que mostra a colaboração da Folha de S. Paulo para a ditadura militar. Foto: Unifesp/Arquivo

A obra será lançada nesta quinta (27), às 18h, na livraria Expressão Popular, em São Paulo. Uma das autoras do trabalho, a professora de jornalismo Flora Daemon explica que o estudo durou dois anos e serviu de base para que o Ministério Público Federal abrisse um inquérito contra o grupo Folha

A investigação, segundo o MPF, corre em segredo de justiça e, por isso, não comenta o andamento dos trabalhos. A professora foi uma das responsáveis pelas mais de 40 entrevistas para a pesquisa.

Investigação

Os recursos para o levantamento das provas surgiram depois que a Volkswagen, que também colaborou com a repressão, assinou um termo de ajustamento de conduta (no valor de R$ 4,5 milhões).

De acordo com a pesquisadora, o Ministério Público Federal definiu que uma parte desses recursos deveria ser destinada para investigações de outras empresas com indícios de terem aderido aos atos da ditadura (a partir do relatório final da Comissão Nacional da Verdade). O MPF escolheu a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) para a gestão desse processo.

A equipe incumbida de investigar os atos da Folha, uma das 10 instituições investigadas, inclui, além da professora Flora, os docentes Lucas Pedretti, Ana Paula Ribeiro, Amanda Romanelli, André Bonsanto e Joëlle Rouchou. 

“A gente buscou provas, indícios e materialidades para qualificar esse material para apresentar ao Ministério Público”, explica Flora Daemon, que é professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e da pós-graduação da Universidade Federal Fluminense.

Pela memória

Entidades ligadas ao jornalismo apoiaram a realização da investigação ao entender que a pesquisa dos professores é fundamental para a preservação da memória. 

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas, Samira de Castro, destaca a importância de reavaliar o papel da imprensa no período. – Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil

“Acho importante avaliar e reavaliar o papel da imprensa, tanto a atuação dos proprietários como dos profissionais. Nosso papel está na defesa dos jornalistas”, afirmou a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira Castro. 

Diretor da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Moacyr Oliveira Filho afirma que é importante estabelecer a verdade para que as novas gerações fiquem sabendo de tudo que aconteceu e que isso não se repita. “Houve uma participação direta da Folha, não só no apoio político à ditadura, através dos seus jornais, mas também no empréstimo de carros”.

Entrevistas

O grupo de pesquisadores sabia que, além dos documentos, o valor dos testemunhos seria central para a coleta de provas. “A gente entrevistou 44 pessoas diretamente ligadas à Folha de S. Paulo ou à repressão. E todas elas apontavam para o fato de que o jornal colaborou com a ditadura”, afirmou.

Entre as entrevistas, há testemunhos de pessoas que foram presas em emboscadas a partir da utilização de carros do grupo, como o que ocorreu com Adriano Diogo. “Temos pessoas que testemunharam essas cenas, além de agentes do próprio DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) que explicaram como era feito o empréstimo desses carros da Folha à repressão”. 

Os carros serviram de disfarce para ações dos militares em vigilância, campanas, sequestros, assassinatos e desaparecimentos forçados de militantes, apontam os pesquisadores no livro. “Cruzamos as informações de indivíduos de origens diferentes para assim poder sustentar algo contundente”, diz Flora Daemon.

“Como uma delegacia”

A pesquisadora contextualiza que os jornais do Grupo Folha atuaram de maneiras distintas ao longo do período ditatorial. “Conhecíamos também o papel que o jornal Folha da Tarde, um dos órgãos do grupo, com manchetes grotescas e violentas. A Folha da Tarde ficou muito associada ao papel mais sujo, editorial, por parte do grupo”. 

Adriano Diogo, entrevistado para o livro, relembrou à Agência Brasil, por exemplo, que a redação da Folha da Tarde funcionava como uma delegacia de polícia, tal era a mistura de papéis entre o jornalismo e a repressão. Editorialmente, a Folha de S. Paulo também chamava de terroristas as pessoas que defendiam a democracia. 

“Carros no estacionamento”

O jornalista Ivan Seixas foi preso e torturado em 1971, com apenas 16 anos de idade. Foto: Arquivo pessoal

Outra testemunha desse envolvimento é o jornalista Ivan Seixas, preso e torturado em 1971, com apenas 16 anos de idade, junto com o pai, o operário Joaquim (que foi assassinado nas instalações do DOI-Codi, em São Paulo). “Quando nós fomos capturados, eu vi carros dos jornais [do grupo Folha] dentro do estacionamento do DOI-Codi”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Em uma saída temporária da prisão, o então adolescente viu na capa do jornal Folha da Tarde que o pai dele tinha morrido. Mas Joaquim ainda estava vivo, o que demonstrava que o órgão estava a serviço das desinformações da ditadura.

Revólver na mesa

Outra conclusão da pesquisa é que diversos policiais trabalhavam dentro do Grupo Folha. “Atuavam até como jornalistas, trabalhando inclusive com armas em cima da mesa. Conseguimos mapear a presença de dois delegados do alto escalão do DOPS contratados com vínculo direto ao gabinete dos dirigentes do grupo, Otávio Frias Oliveira e Carlos Caldeira Filho”, reforça Flora Daemon.

Esses delegados eram os irmãos Robert e Edward Quass. Eles estavam dentro do Grupo Folha com toda a estrutura operacional dos carros e também monitorando e vigiando jornalistas. “Havia mais de uma dezena de policiais que trabalhavam no Grupo Folha de maneira colaborativa com a repressão”. 

Isso foi testemunhado pelos jornalistas da empresa que trabalhavam na época e foram perseguidos. A então repórter Rose Nogueira, por exemplo, que atuava na Folha da Tarde, foi presa quando estava de licença maternidade. Mesmo assim, na ficha funcional, constava que ela havia abandonado o emprego.

Chave na ignição

O livro traz relatos testemunhas que afirmam que os motoristas da Folha recebiam a orientação, dentro da empresa, a deixar o carro em um determinado ponto da cidade, disponibilizar a chave na ignição, se afastar do carro e retornar em um horário a combinar. 

A equipe de pesquisa elaborou, em parceria com a plataforma do ICL, uma série documental de quatro episódios (de aproximadamente 35 minutos cada um), com toda a história. Segundo a equipe de pesquisa, os relatos não deixam margem de dúvidas sobre o que ocorreu.

Uma das entrevistas que Flora considera especialmente representativa foi com um ex-agente do DOI-Codi de São Paulo: Marival Chaves. Ele ajudou as comissões da verdade a elucidar detalhes sobre a operação dos empréstimos dos carros à repressão. “Essa entrevista foi um divisor de águas”.

Antes do golpe

O grupo de pesquisadores conseguiu provar que a Folha apoiava a ditadura até mesmo antes do golpe de 1964, com um documento de colaboração financeira em nome de Otávio Frias de Oliveira, dirigente do jornal, ao Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipês), grupo responsável pela organização e planejamento do golpe. 

Outra evidência, conforme explica o pesquisador Andŕé Bonsanto, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), é que, no dia 31 de março de 1964, a edição do jornal chega à casa das pessoas “comemorando o golpe”, antes mesmo que estivesse oficializado. 

Há um suplemento chamado “64 – Brasil Continua” com mais de 30 páginas. “Foi um caderno especial de celebração ao golpe. Faz a gente questionar, obviamente, que, naquela época, seria impossível lançar um caderno especial exatamente no dia. Significa que eles já estavam elaborando com alguns meses de antecedência”, afirma o professor. 

Outro lado

O atual secretário de redação da Folha, Vinicius Mota, encaminhou à Agência Brasil uma apuração do veículo, publicada em 2023, sobre a colaboração com a ditadura. Nesse texto, o jornal admite que errou ao apoiar o golpe contra João Goulart, mas reproduz posicionamento do então diretor Otavio Frias Filho (1957-2018), de que a cessão de veículos ocorreu de forma episódica e sem conhecimento ou autorização da direção.

O veículo admitiu um episódio, ocorrido antes do golpe de 1964, em que o repórter Antônio Aggio Jr. utilizou um carro do Grupo Folha para camuflar a entrada de conspiradores em um quartel e também o telex da sede e da sucursal do Rio para passar uma mensagem cifrada. “A direção do jornal não foi informada na ocasião”, garantiu a publicação. Essa situação teria contrariado Frias, segundo a Folha.

A respeito do episódio de perseguição à jornalista Rose Nogueira, a Folha entende que o episódio lança dúvida sobre eventual participação na repressão. 

“Não é possível afirmar que, nesse caso, o Grupo Folha tivesse agido de acordo com os interesses da repressão. Não existem indícios suficientes de que isso tenha de fato ocorrido. O que há, apenas, é uma suspeita levantada pela vítima, com base em coincidência de datas. Por outro lado, não existe explicação para a versão que consta de sua ficha profissional. Todo o grupo da ALN [Ação Libertadora Nacional] que trabalhava na FT acabou preso”.

A respeito da presença de militares na redação do grupo, a empresa reforçou o posicionamento de Frias que alegou haver dificuldades financeiras no grupo, o que teria impedido uma reação contra o governo. “Nessas condições, não haveria como resistir a pressões. Enfrentar o governo seria bravata. Eu nunca fui homem de bravatas”, afirmou Frias em entrevista.

Confira o posicionamento da Folha de S Paulo sobre o tema
 

Cobertura vacinal em público infantil volta a crescer em SP

Após ter registrado queda na cobertura vacinal, principalmente durante a pandemia do novo coronavírus, o número de crianças imunizadas contra diversas doenças voltou a crescer em todo o estado de São Paulo. Os dados foram divulgados pelo secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, nesta quinta-feira (27)

Em alguns casos, como no das vacinas BCG, contra a tuberculose, e rotavírus, que ajuda a proteger contra a gastroenterite, o estado conseguiu atingir a meta necessária de população vacinada para evitar a circulação da doença.

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Segundo o secretário estadual, em 2024, houve aumento de cobertura de todos os imunizantes previstos no calendário básico infantil. Esse crescimento, informou ele, chegou a ser superior à média nacional de vacinação.

 

Percentual do público-alvo vacinado em 2022 e 2024 no estado de SP
VacinaCobertura em 2022Cobertura em 2024
Tríplice viral (D1)78,42%98,65%
Febre amarela64,4%81,16%
Pentavalente76,74%91,77%
Poliomielite77,13%91,73%
Rotavírus77,21%90,13%
Meningocócica C78,19%90,15%
BCG82,13%90,25%

 

“Uma preocupação nossa era com a poliomielite. Nós tínhamos, quando o governo assumiu, uma cobertura vacinal em torno de 77% e passamos para 91,73%, um aumento de 14.6 pontos percentuais. No caso da tríplice viral – e aqui estamos falando em sarampo, caxumba e rubéola ─ nós saímos de 78,42% para 98,65%”, destacou o secretário. “Nossa grande preocupação era a poliomielite, que teoricamente está erradicada em nosso território, mas há diversos países no mundo onde ela é endêmica”, acrescentou.

Com pelo menos 20 mortes confirmadas desde dezembro, a febre amarela era outra preocupação do governo de São Paulo. “Quando chegamos no estado de São Paulo [o governo Tarcísio de Freitas], sabe qual era a cobertura para febre amarela? Em torno de 64%. Agora, fomos para 80,6%. Estamos, neste momento, em uma campanha em todo o estado de São Paulo para cobertura de febre amarela”, destacou ele.

Desinformação

O aumento da cobertura vacinal infantil em todo o estado de São Paulo, disse o secretário, pode ser explicado principalmente pelo combate às fake news e aumento de informação qualificada sobre a importância da imunização.

“Era importante a gente levar a informação adequada [para aumentar a cobertura vacinal]. Começamos uma campanha de vacinação, e lançamos um site, o Vacina 100 Dúvidas. Dentro desse site, estão as 100 perguntas mais frequentes que as pessoas fazem, junto com as respostas”, acrescentou.

Além disso, informou o secretário, a campanha Tá com dúvidas sobre vacinas? Chama o VARcina, ajudou a combater as fake news, levando informação para a população por meio de uma cabine inspirada no VAR, árbitro de vídeo do futebol.

Outra estratégia importante que contribuiu para o crescimento da cobertura vacinal, destacou ele, foi o aumento do financiamento da atenção básica. “O aumento da cobertura vacinal mostra que estamos no caminho certo. A implementação do IGM (Incentivo à Gestão Municipal) SUS Paulista, com repasses que aumentaram de R$ 150 milhões, até 2022, para R$ 1,5 bilhão, nos últimos dois anos, impulsionou os municípios a ampliar a vacinação. Além da conscientização para levar a informação correta à população”, ressaltou.

O IGM SUS Paulista prevê repasses per capita entre R$ 4 e R$ 40, garantindo investimentos com impacto direto na melhoria da atenção primária. Além disso, municípios que alcançarem 90% das metas do Incentivo de Gestão Municipal podem receber valores adicionais, ampliando os recursos para a saúde local.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação é uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde da população. Além de prevenir doenças graves, a imunização contribui para reduzir a disseminação desses agentes infecciosos na comunidade, protegendo aqueles que não podem ser vacinados por motivos de saúde.

Guerra na Colômbia teve pior ano em 2024 desde Acordo de Paz com Farc

Os conflitos armados na Colômbia tiveram, em 2024, o pior ano desde 2016, quando foi assinado o Acordo de Paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs). O levantamento é do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e foi divulgado nesta quinta-feira (27).

“O uso de artefatos explosivos, deslocamento e confinamento, bem como a gravidade dos ataques aos cuidados de saúde, atingiram números não vistos no país há mais de oito anos”, resumiu o chefe da delegação do CICV na Colômbia, Patrick Hamilton.

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Ao todo, a organização não governamental (ONG) de ajuda humanitária registrou 382 casos de violações do direito humanitário internacional (DIH). 

“Destes, 44% foram atos cometidos fora das hostilidades, dirigidos contra a vida e a integridade física e mental de pessoas protegidas pelo DIH, como a população civil e aqueles que permaneceram fora dos combates”.

O CICV calculou ainda que mais de 88 mil pessoas sofreram com confinamento forçado em 12 departamentos do país, em 2024, devido aos oito conflitos armados não internacionais que o Comitê calcula que estejam ativos no país sul-americano.

“Em 2024, os confinamentos de comunidades na Colômbia atingiram seu ponto mais crítico dos últimos oito anos. Os eventos de confinamento aumentaram em 102% e a população afetada cresceu 89% em comparação ao ano anterior”, diz o informe.

O documento não levou em conta os conflitos registrados neste ano de 2025, na região do Catatumbo, após o Exército de Liberação Nacional (ELN) declarar guerra contra grupos dissidentes das Farc.

O conflito em Catatumbo, o maior dos últimos anos, levou à expulsão de cerca de 52 mil pessoas de suas casas, reduzindo as chances de “Paz Total” promovida pelo atual governo do país. Estima-se que 8,6 mil pessoas sofreram com confinamento em Catatumbo após os conflitos iniciados em janeiro de 2025.

A CICV explica que o confinamento forçado é quando as comunidades ficam com a locomoção restrita aos seus territórios, sem poder se locomover para outras áreas, em razão de ameaças diretas de grupos armados ou por estratégias das próprias comunidades para evitar riscos.

Colômbia, 27/03/2025 – Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) trabalha no conflito na Colômbia. Foto: CICV/Divulgação – CICV/Divulgação

Deslocamentos forçados

Os conflitos armados colombianos, em 2024, fizeram com que mais de 158 mil pessoas abandonassem suas casas para fugir da violência. 

“Ou seja, em 2024, a cada três dias, em média, uma comunidade foi forçada a deixar suas casas para proteger a vida de seus membros”, destacou o documento.

A CICV avalia ainda que o número total de deslocamentos forçados é muito superior ao registrado, já que “muitas vítimas não denunciam os fatos no mesmo ano da ocorrência, por medo de represálias de atores armados ou por desconhecimento da rota de atendimento do Estado”.

Explosivos e desaparecimentos

O número de vítimas por explosivos na Colômbia cresceu 89% em 2024 em relação ao ano anterior, sendo o maior número dos últimos oito anos. Ao todo, 719 pessoas morreram ou ficaram feridas pela detonação de explosivos no ano passado. Desse total, 67% foram de civis, sendo ainda 163 integrantes das forças públicas de segurança e outras 74 pessoas ligadas aos grupos armados.

Já o número documentado pela organização internacional em 2024 de desaparecidos com alguma relação com conflitos chegou a 252 pessoas, aumento de 13% em relação a 2023.

“Na Colômbia, o desaparecimento de pessoas continua a ser uma tragédia sem fim. Milhares de famílias durante anos, e mesmo durante décadas, eles procuraram incansavelmente por seus entes queridos”, reportou a organização.

Origem da guerra

O início do conflito armado da Colômbia remonta a década de 1940, resultado da concentração de terras na mão de poucas pessoas, de um lado, e de massas de camponeses sem terra, do outro.

A luta pela terra detonou uma violência contra camponeses que se organizavam no país, segundo explicação do professor da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), o colombiano Sebastian Henao.

“A luta pela terra foi se agravando em meio ao contexto da violência entre os partidos liberal e conservador e os grupos camponeses vão se armando para se proteger. Nas décadas de 1960 e 1970, no contexto da guerra fria, as organizações passam a adotar um projeto político para tomada do poder”, explicou.

O especialista diz que o crescimento da economia da cocaína levou essas guerrilhas a procurarem controlar a produção da droga para se financiarem.

“As guerrilhas tomam o negócio da droga para financiar a guerra e a resposta do Estado foi muito mais violenta, o que leva ao recrudescimento do conflito na década de 1990”, completou.