Saída dos EUA do Acordo de Paris deve ser efetivada somente em 2026

Assim que tomou posse, na última segunda-feira (20), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto retirando o país do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. Imediatamente, o porta-voz do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Stephane Dujarric, divulgou uma declaração reconhecendo a relevância do país na liderança de questões ambientais e destacando a importância da continuidade dessa condução por estados e empresas norte-americanas.

Oficialmente, a decisão de Trump ainda não chegou às mãos do depositário do tratado internacional, secretário-geral da ONU, António Guterres, conforme prevê o artigo 28 do próprio Acordo de Paris. “A qualquer momento após três anos da data em que este Acordo entrou em vigor para uma Parte, essa Parte pode se retirar deste Acordo mediante notificação por escrito ao Depositário”, diz o documento. 

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No caso dos Estados Unidos, os três anos começaram a contar em 4 de novembro de 2016, como para a maioria dos países signatários que aderiram ao tratado ainda em 12 de dezembro de 2015, quando o instrumento foi adotado oficialmente durante a COP21, em Paris. Por essa razão, apesar de Trump anunciar a primeira saída do país, em 2017, o pedido oficial só foi enviado em novembro de 2019, para que tivesse validade.

Da mesma forma, o artigo 28 do Acordo de Paris, também determina que “qualquer retirada entrará em vigor no prazo de um ano a partir da data do recebimento pelo Depositário da notificação de retirada, ou em data posterior conforme especificado na notificação de retirada”. Assim, a decisão só foi efetivada dois meses antes de Trump deixar a Casa Branca em seu primeiro mandato, quase não restando tempo para que o impacto fosse significativo antes do presidente, então eleito, Joe Biden revogar a medida.

Embora tenha manifestado uma série de medidas antiambientalistas antes mesmo de ser reeleito, Trump, como no mandato anterior, anunciou a saída apenas do Acordo de Paris e não da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que teria como consequência a saída dos dois tratados.

Para a gerente sênior de ação climática da WRI Brasil, Míriam Garcia, quando a saída dos Estados Unidos for efetivada, o país permanecerá mantendo compromissos globais para enfrentamento da mudança do clima. “Nas diferentes trilhas de negociação, você tem algumas trilhas que são referentes ao Acordo de Paris e a operacionalização do Acordo de Paris, e você tem algumas trilhas que são dadas à questão de orçamento da própria convenção ou de estrutura da convenção. Então, em todas essas esferas, os Estados Unidos ainda continuam”, avalia.

Desta vez, caso o documento seja recebido pela ONU ainda em 2025, o prazo de um ano começará a contar e a decisão terá efeito já no segundo ano de mandato de Trump, em 2026. Na avaliação do especialista em política internacional do Instituto ClimaInfo, Bruno Toledo, além dessa nova saída dos EUA do tratado ter maior duração, a medida também ocorre hoje em outro contexto. “Lá em 2017, era a recém-aprovação do Acordo de Paris, apenas dois anos depois de 2015. Então, de uma certa maneira, digamos que o humor público era muito mais otimista por conta daquele sucesso”, destaca.

Presidente Donald Trump assinou decreto retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas Foto: Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução

 

Ameaça

Passados dez anos, Toledo considera que houve um desgaste no engajamento das partes do tratado, por não alcançarem consenso para implementação de medidas que garantam a diminuição das emissões dos gases do efeito estufa, e consequente contenção do aumento da temperatura do planeta. “Em 2017, você ainda tinha um otimismo por conta da experiência de Paris e hoje é muito mais frustração. Então, esse é um risco que a gente não tinha lá atrás. O quanto que essa frustração pode contaminar não apenas países, mas também observadores.”, diz.

Por outro lado, Bruno destaca que tratados multilaterais como o Acordo de Paris ainda são a principal forma de avançar na construção de políticas de enfrentamento às urgências globais, como a mudança do clima. “É o único tratado internacional que nós temos, nos quais praticamente todos os governos do mundo se comprometem com metas de redução de emissões de gás de efeito estufa”, ressalta.

Miriam diz que é preciso lembrar que o Acordo de Paris é resultado de um longo processo de construção de consenso para uma arquitetura intergovernamental que viabilize ações que façam frente aos desafios impostos pela mudança do clima. “É através desse olhar de fortalecimento do multilateralismo e das diferentes ferramentas que existem sob o guarda-chuva do Acordo de Paris que nós vamos conseguir atingir as metas de mitigação e de adaptação.”

Para a especialista, essas metas são dinâmicas e acompanham a volatilidade da geopolítica, mas não devem servir de questionamento de mecanismos multilaterais como o Acordo de Paris. “Precisamos olhar o acordo como um instrumento que garante a participação de todos os países, porque cada país ali tem um voto dos signatários do Acordo de Paris. E buscar nesse espaço multilateral as reformas necessárias para que ele possa continuar respondendo aos desafios que só vão aumentando.”

Acordo de Paris

O Acordo de Paris é uma das ferramentas da UNFCCC, que foi o primeiro tratado multilateral sobre o tema assinado pelos países na Eco92, no Rio de Janeiro. “O Acordo de Paris é como se fosse um sub acordo, porque ele está dentro de um guarda-chuva maior, que é o da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima”, explica Bruno Toledo.

O especialista recorda que, após a criação desse primeiro tratado, em 1997, houve a criação do Protocolo de Kyoto, que foi a primeira ferramenta desenhada para reduzir as emissões globais.

“No Protocolo de Kyoto, apenas os países desenvolvidos, aqueles industrializados, que tinham compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa, mas infelizmente, por conta de questões políticas, logo em seguida os Estados Unidos, que era parte do protocolo, sai, durante o governo do George W. Bush em 2001, e nisso o tratado acaba perdendo bastante força.”

O protocolo também não alcançava grandes emissores, classificados como países ainda em desenvolvimento. “A China nos anos 90 não estava entre os grandes emissores de gases de efeito estufa, mas toda aquela explosão de crescimento econômico que eles tiveram entre o final dos anos 90 e a segunda metade dos anos 2000 colocaram os chineses como um dos principais emissores do planeta”, recorda.

Metas

Divergências e tensões políticas entre a China e os Estados Unidos, em 2009, no contexto da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP15) em Copenhague (Dinamarca), travaram um novo acordo. E somente em 2015, as negociações resultaram no Acordo de Paris.

O tratado reúne em 29 artigos os objetivos, regras e metodologias para alcançar as metas de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, aumentar a capacidade de adaptação aos impactos negativos da mudança do clima e tornar os fluxos financeiros compatíveis com uma trajetória rumo a um desenvolvimento de baixa emissão de gases de efeito estufa e resiliente à mudança do clima.

Também prevê avaliações periódicas, como no artigo 14, que estabelece a elaboração de um Balanço Global para “avaliar o progresso coletivo em direção ao objetivo do Acordo e suas metas de longo prazo”. O primeiro documento foi entregue em Dubai, durante a COP28, em 2023.

Entre as avaliações, estão as estimativas para os esforços globais de mitigação das emissões, o avanço da capacidade de adaptação e os meios de implementação, como financiamento, por exemplo.

Diante dos primeiros resultados, os países partes do Acordo de Paris, terão até fevereiro de 2025 para a entrega da terceira geração da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC na sigla em inglês), que define as ambições para a redução de emissões de gases do efeito estufa. O Brasil se antecipou ao prazo, e assumiu o compromisso de diminuir o problema em seu território de 59% até 67%, em 2035.

Para a gerente da WRI Brasil, um bom termômetro para avaliar o engajamento dos países será as ambições apresentadas até a COP30, no Brasil, em novembro.

“Há uma expectativa de que uma boa parte dessas NDCs venham até setembro. E é mais importante ter boas NDCs do que ambições que não estejam tão boas no prazo. Então, é trabalhar para que a gente possa ver retratado nos compromissos que os países colocam para a comunidade internacional uma maior escala das ações de mitigação, um maior reconhecimento sobre a importância de adaptação e o papel do financiamento que cada um desses países colocará”, conclui.

Em clássico tenso, Fla bate Vasco e avança na Copa Super 8

A manhã deste domingo (26) foi de um clássico carioca repleto de polêmicas no Maracanãzinho. Pelas quartas de final da Copa Super 8, que reúne os oito primeiros colocados do primeiro turno do Novo Basquete Brasil (NBB), o Flamengo derrotou o Vasco por 92 a 73 e avançou para a semifinal. O adversário do Rubro-Negro sairá do confronto entre Franca e Pinheiros, ainda neste domingo.

Confusões dentro e fora da quadra causaram a paralisação da partida no terceiro e no quarto períodos. O Vasco chegou a abandonar a quadra alegando falta de segurança, mas retornou para disputar os minutos finais do jogo, porém sem competir.

O clássico foi marcado pelo equilíbrio, com as equipes próximas no placar durante praticamente todo o jogo. No começo do terceiro quarto, um desentendimento entre Gallizzi, do Flamengo e Eugeniusz, do Vasco, causou uma confusão generalizada que paralisou a partida por aproximadamente 20 minutos. O saldo foi de três expulsões, duas no Vasco (Humberto e Marquinhos) e uma no Flamengo (Gallizzi).

Àquela altura, a partida tinha liderança de dois pontos do Flamengo (48 a 46), mas somando as faltas técnicas e expulsões em maior número no adversário, o Rubro-Negro emendou uma sequência, chegando a abrir 12 pontos. O Vasco reagiu ainda no terceiro quarto e igualou o placar em 63 a 63 logo no início do último período. No entanto, o Flamengo embalou novamente e voltou a abrir vantagem.

Quando restavam 3:37 para o fim do jogo, Eugeniusz e o técnico Léo Figueiró foram excluídos por faltas e, quando deixavam a quadra, foram alvejados por garrafas de água atiradas por torcedores rubro-negros. Os dirigentes vascaínos ordenaram a retirada do time da quadra por falta de segurança.

A equipe foi para o vestiário e por lá ficou por aproximadamente meia hora, até decidir pelo retorno ao jogo. No entanto, quando a bola subiu novamente, o Vasco se recusou a competir. Quando tinha a posse da bola, na maioria das vezes a equipe simplesmente deixava os 24 segundos de posse de bola estourarem sem atacar. Na defesa, o time não ofereceu resistência de maneira proposital.

Os americanos Shaq Johnson (20 pontos) e Jordan Williams (18) foram os principais cestinhas do Rubro-Negro na partida.

Minas e Brasília avançam

A primeira semifinal da Copa Super 8 foi definida ainda no sábado (25). Minas e Brasília venceram seus jogos como mandantes e avançaram à fase seguinte.

Em Belo Horizonte, o Minas, que terminou a primeira fase na liderança, recebeu o São Paulo e venceu por 82 a 66. Rafa Mineiro e Baralle, ambos com 13 pontos, foram os cestinhas da equipe da casa.

Já na capital nacional, o Brasília derrotou o União Corinthians por 85 a 75 no ginásio Nilson Nelson. Lucas e Gemadinha contribuíram cada um com 18 pontos e foram os maiores pontuadores do time vencedor.

Novo prédio do Masp abre ao público pela primeira vez

Como parte das celebrações pelo aniversário de São Paulo, comemorado neste sábado, o Museu de Arte de São Paulo (Masp) abriu as portas do novo edifício neste final de semana – e pela primeira vez ao público. Mas foi só para dar um gostinho, já que a abertura oficial do prédio, que recebeu o nome de Pietro Maria Bardi, só ocorre em março

Para esse “prelúdio”, como foi chamado o evento, o Masp está apresentando uma programação toda gratuita e que passa por shows, contação de histórias, apresentação de danças e leituras de cartas escritas pela arquiteta Lina Bo Bardi, que projetou o prédio original do museu. Neste domingo, por exemplo, o museu abriu suas portas com uma apresentação do Coral de Heliópolis, que se apresentou próximo à porta de entrada, no primeiro subsolo.

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“O evento se chama Prelúdio, porque tem essa ideia de uma antecipação, de um aquecimento para o que vai vir. O Masp abre o novo edifício, com exposições, em 28 de março, mas a gente quis dar esse presente para a cidade de São Paulo, nesse momento de aniversário. Então o prédio abriu para a população conhecer a arquitetura e tem uma série de atividades culturais multidisciplinares para que eles pudessem também vir até o Masp para apreciar um espetáculo de dança, um teatro, música, programação infantil”, disse Paulo Vicelli, diretor de Experiência e Comunicação do museu. “Esse fim de semana é um tira-gosto para as pessoas matarem a curiosidade e para ver como ele está por dentro e apreciar toda essa programação que a gente pensou”, completou.

O chefe de cozinha João Carlos Casangel, 37 anos, foi um dos visitantes do novo prédio do Masp na manhã deste domingo. “Meu namorado conhecia o Coral de Heliópolis e viemos por conta disso. Foi uma apresentação linda, que trouxe algo mais atual, com músicas mais contemporâneas como Milton Nascimento e Emicida”, contou à reportagem da Agência Brasil. Mas não foi só o coral que os atraiu. “Estou bastante curioso para conhecer o restante do novo prédio do Masp”, falou.

Mas há também quem não conseguiu ingressos na internet para curtir a programação deste domingo e entrou em uma fila, do lado de fora, aguardando por uma chance de entrar no novo espaço. Esse foi o caso da engenheira civil Veronica Mariko Mori, 48 anos, que trabalha com manutenção predial. “Estou com curiosidade para conhecer este novo local de artes, anexo ao Masp que já é grandioso. Bateu curiosidade para conhecer as novas instalações”, disse. “De início, minha maior curiosidade é entender como foi feita a construção, até pela minha formação. E também entender como ele vai interagir, se ele é mais moderno ou contemporâneo. Visto de fora ele me parece mais moderno e tecnológico”.

Novo edifício

O novo edifício está localizado ao lado do prédio tradicional do Masp – e que é um cartão postal da cidade de São Paulo, com suas imensas colunas vermelhas e um vão livre.

Este novo edifício recebeu o nome de Pietro Maria Bardi, crítico e marchand italiano que dirigiu o museu entre os anos de 1947 e 1990. Já o edifício mais conhecido e histórico tem o nome de sua projetista, a arquiteta Lina Bo Bardi.

O novo prédio tem 14 andares, aumentando a área de atuação do Masp de 10.485 m2 para 21.863 m2. Nesta nova edificação, o Masp passará a ter cinco novas galerias para exposições, duas áreas multiuso, salas de aula, laboratório de conservação, área de acolhimento de público, restaurante e café, além de depósitos e docas para carga e descarga de obras de arte.

“O Masp sentia a necessidade de expandir seus limites. A gente até fala que o Masp cresceu: o edifício já não era suficiente para tudo que a gente gostaria de fazer. E o novo edifício complementa uma série de espaços e de possibilidades que no prédio histórico não eram possíveis de acontecer. Aqui [no novo prédio] tem um espaço de docas, que a gente não tinha lá, e um espaço todo de área técnica, que agora a gente consegue comportar. Há também espaço para o Masp Escola, um espaço dedicado para as aulas e para os cursos”, explicou Vicelli.

O novo edifício foi construído totalmente com doações e recursos privados. “Ele foi todo construído com dinheiro privado, de doadores, pessoa física, que não se utilizaram de leis de incentivo. Então, isso também já é um precedente único no Brasil e a gente espera que isso seja exemplo para outras instituições e para outros doadores também poderem se inspirar nesse exemplo bem-sucedido”, disse Vicelli.

Mais informações sobre o novo edifício podem ser encontradas no site do museu.

Chade: Foco dos EUA no petróleo visa retomar hegemonia industrial

A derrota dos Estados Unidos na disputa pelo protagonismo industrial e a ascensão da China no mercado mundial foram os diagnósticos do jornalista Jamil Chade, correspondente de veículos nacionais e estrangeiros e especialista em política internacional, em entrevista ao programa Natureza Viva, da Rádio Nacional da Amazônia, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

“Os americanos se deram conta que perderam, estão perdendo, a batalha pela hegemonia industrial com a China. Está claríssimo para eles, que essa hegemonia acabou, ela foi transferida para a China. A expectativa é de que a China tenha, até 2030, 40% da produção industrial do mundo”, afirmou, em entrevista à jornalista Mara Régia.

Mais Petróleo

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De acordo com ele, que agora mora em Nova York, a tentativa de retomar a hegemonia industrial está por trás da decisão do presidente norte-americano Donald Trump em aumentar a produção e uso de petróleo em plena era de aquecimento global causado, principalmente, pelo uso de combustíveis fósseis.

“Segundo os americanos, a única forma hoje de barrar essa hegemonia é voltar de uma forma imediata a produzir localmente e a romper com as dependências externas. E aí, romper com as dependências externas e, acima de tudo, voltar a produzir, claro, com petróleo, com energia fóssil. Então, essa é a situação americana hoje. Ela é muito dramática, vai ter um impacto profundo no mundo inteiro”.

Para Chade, o interesse de aumentar a produção industrial estadunidense movida por petróleo explica a desregulamentação em curso do setor ambiental desde a primeira semana de governo Trump. “Eles olham para a regulação ambiental como uma ameaça, como um entrave econômico, como um problema para a economia”.

Arquitetura da opressão

Além da pauta ambiental, o correspondente deu destaque ao desrespeito aos direitos humanos, que já começou. Chade, que falou ao programa direto de um ponto na fronteira do Texas e do México. “A vida das pessoas [que tentam a imigração para os EUA] está sendo absolutamente transformada por decisões que obviamente têm um caráter político, mas acima de tudo discriminatório, racista”.

Depois da ascensão de Trump ao poder, quem chega no limite do México e dos Estados Unidos “não têm nem sequer mais um guichê para ir para apresentar os seus documentos e dizer: ‘olha, eu sou um refugiado’.”

O governo Trump anunciou que enviará 1,5 mil soldados extras para fronteira, além de dispor de mais recursos para ampliar a construção de um muro. “Um muro que, eu vou te contar, eu fui vê-lo. Ele é muito impressionante. É uma arquitetura realmente da opressão”, testemunhou o jornalista ao programa de Mara Régia.

O Programa Natureza Viva vai ao ar todos os domingos, às 9h, na Rádio Nacional da Amazônia e na Rádio Nacional AM de Brasília.

Torcedores do Corinthians e do São Paulo brigam antes de clássico

Torcedores do São Paulo e do Corinthians entraram em confronto na tarde deste domingo (26) antes da disputa do clássico entre as duas equipes no Morumbis, pelo Campeonato Paulista, marcado para ocorrer às 18h30.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o confronto ocorreu longe do estádio do São Paulo, na Avenida Marques de São Vicente, na região da Barra Funda. Vídeos que estão circulando nas redes sociais mostram torcedores se enfrentando com pedaços de pau. Barulho de rojões também são ouvidos.

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Até o momento, informou a pasta, não há registro de feridos ou de alguma ocorrência relatada em unidades de pronto-socorro da região.

Desde 2016, há limitação de torcida única em jogos que ocorrem no estado de São Paulo. Por essa regra, os clássicos ocorridos em São Paulo contam com presença única de torcedores do clube mandante. No Majestoso deste domingo, modo como é conhecido o clássico entre São Paulo e Corinthians, o mandante é o São Paulo.

Em outubro do ano passado, o Tribunal de Justiça do estado de São Paulo (TJ-SP) anunciou que iria encaminhar para análise na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a proposta de ampliar a torcida única para outros jogos realizados no país. Uma das propostas que seria sugerida para a CBF é de que os clássicos interestaduais também tenham presença de torcedores apenas do time mandante.

Histórico, Brasil bate Espanha e pega Dinamarca no Mundial de handebol

O roteiro dos duelos contra Noruega e Suécia se repetiu neste domingo (26): pela primeira vez em sua história, o Brasil derrotou a Espanha em uma partida oficial de handebol masculino. No caso, a vitória por 26 a 25 foi a quinta em seis jogos no Mundial de 2025, disputado na Noruega, na Croácia e na Dinamarca. Com o resultado, combinado com a vitória de Portugal sobre o Chile por 46 a 28 no outro duelo do grupo 3 da segunda fase, a seleção brasileira avançou em segundo lugar e terá pela frente outro encontro com um gigante europeu nas quartas de final: na quarta-feira (29), encara a Dinamarca, a partir das 13h30 de Brasília. Os dinamarqueses, além de anfitriões da competição, conquistaram os últimos três mundiais, além do ouro olímpico em Paris.

Neste domingo, o Brasil liderou o confronto diante dos espanhóis praticamente o tempo inteiro em Oslo. A Espanha só esteve brevemente à frente por um gol no início do segundo tempo (16 a 15), mas a seleção comandada pelo técnico Marcus Tatá logo reassumiu a ponta, sem, no entanto, conseguir abrir vantagem confortável. O jogo foi decidido literalmente na última jogada. Restando apenas alguns segundos, o espanhol Barrufet arremessou para fora e determinou a derrota da sua seleção. A arbitragem ainda checou uma falta, mas verificou que o contato com o goleiro brasileiro foi após o arremesso. Bryan, com 5 gols, foi o artilheiro da noite para o Brasil.

A campanha brasileira já é histórica independente do resultado diante da Dinamarca, que vem em uma sequência de 35 partidas sem derrota. A seleção masculina nunca havia avançado às quartas de final, tendo como melhor resultado em um Mundial o nono lugar na edição de 2019. Entre as mulheres, o Brasil tem um título mundial, conquistado em 2013.

Resultado do Sisu 2025 é divulgado neste domingo

O Ministério da Educação (MEC) divulga, neste domingo (26), o resultado do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2025. São ofertadas 261.779 vagas para 6.851 cursos de graduação em 124 instituições públicas de ensino superior de todas as regiões do país.

O resultado poderá ser acessado pela página do Sisu no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Até as 16h50 deste domingo, o resultado ainda não havia sido disponibilizado e o MEC esclareceu que não há instabilidade no sistema e nem um horário específico para a divulgação, podendo ocorrer a qualquer hora ao longo do dia.

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A seleção é feita com base na média das notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), respeitando o limite de vagas disponíveis para cada curso e modalidade de concorrência. A seleção considera as escolhas dos candidatos inscritos, bem como seus perfis social e econômico, conforme a Lei de Cotas.

As inscrições ocorreram de 17 a 21 deste mês, quando os estudantes puderam escolher até duas opções de curso dentre as ofertadas. Quem não for selecionado em nenhuma das duas opções de curso indicadas no ato de inscrição ainda pode disputar uma das vagas por meio da lista de espera do Sisu.

O período de matrículas nas instituições de ensino é de 27 a 31 de janeiro. Já o prazo para manifestar o interesse em participar da lista de espera começa com a divulgação do resultado e vai até 31 de janeiro.

Todos os estudantes que participaram do Enem 2024, obtiveram nota na prova de redação maior do que zero e não declararam estar na condição de treineiro puderam participar do Sisu 2025. Além do Sisu, é possível tentar outras formas de acesso ao ensino superior por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Motociclista é mais uma vítima das chuvas no estado de SP

A Defesa Civil do estado de São Paulo confirmou ter encontrado neste domingo (26) o corpo de um motociclista que foi arrastado pela enxurrada na Rua Panambi, no bairro Cumbica, em Guarulhos, Grande São Paulo. Segundo o órgão, a enxurrada se formou após uma forte chuva que caiu sobre Guarulhos ontem. A identidade da vítima não foi revelada.

Este motociclista é a 16ª vítima de chuvas no estado de São Paulo desde o dia 1 de dezembro, quando teve início a Operação Chuvas no estado.

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Ontem, o corpo de um idoso de 73 anos foi encontrado no bairro de Pinheiros, na capital paulista, após sua casa ter sido alagada pelas chuvas da última sexta-feira, dia em que a cidade registrou o terceiro maior volume de chuva da série histórica, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Na tarde deste domingo, toda a cidade de São Paulo entrou em estado de atenção para alagamentos, com a subprefeitura de Itaim Paulista entrando em estado de alerta para chuvas.

Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), o forte calor registrado nos últimos dias deve diminuir a partir de hoje. Já as chuvas típicas de verão continuam até o fim de janeiro.

Um alerta divulgado ontem pela Defesa Civil aponta que chuvas intensas devem ocorrer em todo o estado paulista até a próxima terça-feira (28). Essas condições climáticas serão causadas pela passagem de uma frente fria, que trará pancadas de chuva acompanhadas de raios e rajadas de vento. 

 

 

Lucas Pinheiro sobe ao pódio de novo na Copa do Mundo de esqui alpino

Desde que passou a contar com Lucas Pinheiro Braaten, o Brasil vem frequentando a elite do esqui alpino mundial. Neste domingo (26), o atleta conquistou o bronze na etapa de Kitzbühel, na Áustria, da Copa do Mundo da modalidade, na prova do slalom. Este é o terceiro pódio de Lucas na temporada 2024-2025, a primeira em que ele defende o Brasil. Lucas, que é filho de uma brasileira e um norueguês, costumava competir pela Noruega.

Na Áustria, Lucas Pinheiro Braaten fez o terceiro melhor tempo (51s54) na primeira descida no slalom, avançando à final, reservada para os 30 melhores classificados entre os 72 que iniciaram a disputa. Na segunda e derradeira descida, o brasileiro não foi tão bem, ficando com o 17º melhor tempo (50s14), mas na soma dos tempos teve desempenho suficiente para ficar no pódio.

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O tempo total de Lucas (1min41s68) ficou atrás apenas do francês Clement Noel, ouro com 1min41s49 e do italiano Alex Vinatzer, prata com 1min41s58.

O bronze na Áustria vem na sequência das pratas no slalom gigante em Beaver Creek, nos Estados Unidos e no slalom em Adelboden, na Suíça.

Ainda nesta semana, Lucas compete na etapa de Schladming, na Austrália, entre 28 e 29 de janeiro. Em fevereiro, o brasileiro terá pela frente o Mundial de esqui alpino, que será disputado em Saalbach, na Áustria.

Itamaraty quer explicação dos EUA sobre tratamento a brasileiros

O Ministério das Relações Exteriores informou que pedirá explicações ao governo dos Estados Unidos sobre o que classificou de “tratamento degradante” dado aos 88 cidadãos brasileiros deportados na última sexta-feira (24). A aeronave norte-americana pousou no aeroporto de Manaus (AM) e a Polícia Federal (PF) tomou conhecimento de que os passageiros foram transportados algemados.

“O uso indiscriminado de algemas e correntes viola os termos de acordo com os EUA, que prevê o tratamento digno, respeitoso e humano dos repatriados”, informou o Itamaratay, em nota, destacando que “segue atento” às mudanças nas políticas migratórias dos Estados Unidos, para garantir “a proteção, segurança e dignidade dos brasileiros ali residentes”.

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“O governo brasileiro considera inaceitável que as condições acordadas com o governo norte-americano não sejam respeitadas. O Brasil concordou com a realização de voos de repatriação, a partir de 2018, para abreviar o tempo de permanência desses nacionais em centros de detenção norte-americanos, por imigração irregular e já sem possibilidade de recurso”, acrescenta.

Em razão da soberania nacional, o governo brasileiro determinou a retirada das algemas e enviou uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar os brasileiros até o destino final. O voo, que tinha como destino o Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), precisou fazer um pouso de emergência na capital amazonense devido a problemas técnicos.

“As autoridades brasileiras não autorizaram o seguimento do voo fretado para Belo Horizonte na noite de sexta-feira, em função do uso das algemas e correntes, do mau estado da aeronave, com sistema de ar condicionado em pane, entre outros problemas, e da revolta dos 88 nacionais a bordo pelo tratamento indigno recebido”, acrescenta a nota do Itamaraty.

Neste sábado (25), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve reunido, em Manaus, com o superintendente interino da PF no Amazonas, delegado Sávio Pinzón, e com o comandante do 7º Comando Aéreo Regional da FAB, major-brigadeiro Ramiro Pinheiro.

“Na reunião, foi efetuado relato detalhado sobre os incidentes no aeroporto Eduardo Gomes envolvendo cidadãos brasileiros transportados em voo de deportação do governo norte-americano”, informou o Itamaraty, em publicação nas redes sociais. “A reunião subsidiará pedido de explicações ao governo norte-americano sobre o tratamento degradante dispensado aos passageiros no voo”, acrescentou.

O avião da FAB com os brasileiros deportados dos Estados Unidos chegou na noite deste sábado (25) a Minas Gerais.

Governo Trump

As operações de deportação em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos tiveram início poucos dias após o início do mandato do presidente norte-americano Donald Trump. Na noite da última quinta-feira (23), 538 pessoas foram detidas e centenas foram deportadas em operação anunciada pela Casa Branca.

“A administração Trump deteve 538 imigrantes ilegais criminosos”, anunciou a porta-voz Karoline Leavitt, acrescentando que centenas foram deportados em aviões do Exército norte-americano. “A maior operação de deportação em massa da história está em curso”, disse.

Ao longo da campanha presidencial, Trump prometeu conter a imigração ilegal no país, cenário classificado por ele como “emergência nacional”. Logo em seu primeiro dia na presidência dos EUA, o republicano assinou ordens executivas destinadas a impedir a entrada de imigrantes nos Estados Unidos.

Sinner reafirma hegemonia e conquista o bi do Australian Open

No tênis, o mundo é de Jannik Sinner. Número um do ranking, o tenista italiano derrotou o alemão Alexander Zverev por 3 sets a 0, parciais de 6-3, 7-6 (4) e 6-3 e conquistou o bicampeonato consecutivo do Aberto da Austrália, na manhã deste domingo (26), em Melbourne.

A vitória diante do número 2 do mundo – após 2h45 de partida – representou o 21º triunfo consecutivo de Sinner, que não sabe o que é perder desde que foi derrotado pelo espanhol Carlos Alcaraz na final do ATP 500 de Pequim, no início de outubro. Desde então, ele foi campeão do ATP Finals, da Copa Davis, do Masters 1.000 de Shanghai, além de fechar o ano como melhor tenista do planeta.

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Sinner, de 23 anos, venceu os últimos dois Grand Slams que foram disputados: o US Open do ano passado e agora o Australian Open de 2025, que abriu o calendário dos Majors do tênis mundial.

Na quadra, o italiano agradeceu o apoio que recebeu da torcida na caminhada para o título.

“Vocês me incentivaram não apenas desde a primeira rodada, mas inclusive uma semana antes de começar. Foi uma atmosfera incrível. Vejo vocês de novo ano que vem”, disse Sinner.

“Flores em vida”: Mural gigante homenageia Conceição Evaristo no Rio

“Flores em vida são fundamentais”. O pesquisador e produtor Pedro Rajão e o muralista Cazé, do projeto Negro Muro, têm seguido essa máxima no trabalho de colorir as ruas e galerias com grafites de personalidades e intelectuais negros e negras. Elza Soares, Paulinho da Viola, Zezé Motta, Alcione e Leci Brandão são alguns dos homenageados em vida que puderam conhecer seus murais. No último sábado (18), o projeto deu mais um passo com a conclusão de um trabalho marcante: um grafite de 600 metros quadrados da escritora Conceição Evaristo no coração da Pequena África, na zona portuária do Rio de Janeiro.

“O trabalho foi árduo. Por se tratar de verão escaldante e em altura, com diversos equipamentos de segurança, numa estrutura de ferro, a temperatura era alta, fora as semanas seguidas de chuva e vento do final de 2024 e início de 2025, que atrasaram demais o início do trabalho. Mas valeu e muito à pena!”, conta Pedro Rajão, responsável pela pesquisa, produção e comunicação do Negro Muro.

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Escritora Conceição Evaristo é homenageada com mural com sua imagem na zona portuária do Rio

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 – Tomaz Silva/Agência Brasil

Para realizar o trabalho, o muralista Cazé contou com os artistas assistentes César Mendes, João Bella e Leandro Ice, e com a parceria do festival Rua Walls. Foram nada menos que 200 litros de tinta para estampar o retrato de Conceição Evaristo na lateral de um prédio que tem destaque na paisagem do Largo da Prainha, local de boêmia e memória negra na região onde ficava o Cais do Valongo, porto que mais recebeu africanos escravizados do mundo.

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Pedro Rajão lembra que, além disso, o trabalho é vizinho da escritora, que mantém o centro cultural Casa Escrevivência a poucos metros, no próprio largo, e mora no Morro da Conceição, que fica na mesma região.

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A inauguração do mural está marcada para a próxima quarta-feira (29), às 19h, com a presença da escritora e show com Mulheres da Pequena África.

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Após estudo, famílias pedem novo protocolo da saúde em Brumadinho

Integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) defenderam neste sábado (25) a necessidade de criação de um protocolo de saúde para acompanhar a situação das populações afetadas pelo rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho. A reivindicação ocorre após um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) detectar elevação na presença de metais em amostras de urina de crianças de 0 a 6 anos que vivem na região afetada.

“Precisamos de um protocolo específico para enfrentar esse cenário. Estamos muito preocupados porque cada vez o nível de contaminação aumenta no sangue das pessoas, nos animais, em todas as plantas. Tudo isso traz problemas sérios de saúde. O estudo da Fiocruz comprova o que temos falado. Esse aumento do índice de contaminação, especialmente nas crianças, é um absurdo. Exigimos um protocolo específico e que a Vale arque com essa situação”, disse Joceli Andrioli, integrante da coordenação do MAB.

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Neste sábado (25), o rompimento da barragem completou exatos 6 anos. Para marcar a data, a Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho (Avabrum) organizou um ato no centro da cidade, fechando uma semana de atividades em que cobraram por justiça. A manifestação contou com a presença do MAB.

“A contaminação das pessoas é um tema que nos preocupa muito. Essa lama tóxica tem se espalhado, criado consequências. A gente vê pessoas doentes em toda a bacia do Rio Paraopeba. O mesmo acontece na Bacia do Rio Doce, atingida em 2015 pelo rompimento da barragem do complexo da mineradora Samarco em Mariana. É urgente uma política específica de saúde aos atingidos por barragens”, acrescentou Joceli.

Em Brumadinho, o colapso da estrutura liberou uma avalanche de rejeitos que gerou grandes impactos ambientais e socioeconômicos, afetando milhares de pessoas em diferentes municípios mineiros da bacia do Rio Paraopeba. Ao todo, foram perdidas 272 vidas, incluindo nessa conta dois bebês de mulheres que estavam grávidas.

Contaminação

estudo divulgado pela Fiocruz na sexta-feira (24) traz os resultados de análises de amostras de sangue e urina coletadas em 2023, quatro anos após a tragédia. Foi encontrado pelo menos um de cinco metais – cádmio, arsênio, mercúrio, chumbo e manganês – na urina de todas as crianças de 0 a 6 anos que foram avaliadas.

Em comparação com análises realizadas em 2021, notou-se uma piora do cenário. No caso do arsênio, por exemplo, o percentual total de crianças com níveis acima do valor de referência passou de 42% para 57%.

“Os resultados encontrados demonstram uma exposição aos metais e não uma intoxicação, que só pode ser assim considerada após avaliação clínica e realização de outros exames para definir o diagnóstico. Dessa forma, recomenda-se uma avaliação médica para todos os participantes da pesquisa que apresentaram níveis acima dos limites biológicos recomendados, de forma que os resultados sejam analisados no contexto geral da sua saúde”, ponderam os pesquisadores da Fiocruz.

Em adultos, a situação também chama a atenção: o arsênio foi detectado em níveis elevados em cerca de 20% das amostras de urina. É metal que mais frequentemente aparece acima dos limites de referência. De outro lado, na população adolescente, o percentual de amostras detectadas com metais acima dos valores de referência diminuiu de 2021 para 2023.

O estudo analisou ainda outros fatores como os diagnósticos médicos. Chamou atenção um aumento na prevalência de algumas condições, como colesterol alto, que passou de 4,7%, em 2021, para 10,1%, em 2023. Situação similar se deu com um grupo de doenças que inclui enfisema, bronquite crônica ou doença pulmonar obstrutiva crônica, que saltou de 2,7% para 10,7%.

Voo da FAB com brasileiros deportados dos EUA chega a Minas Gerais

O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com 88 brasileiros deportados dos Estados Unidos chegou na noite deste sábado (25) a Minas Gerais. A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, acompanhou o desembarque das famílias no Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte.

A aeronave norte-americana pousou em Manaus (AM) na noite de sexta-feira (24) e a Polícia Federal (PF) tomou conhecimento de que os passageiros deportados estavam sendo transportados algemados. Em razão da soberania nacional, o governo brasileiro determinou a retirada das algemas e enviou uma aeronave da FAB para transportar os brasileiros até o destino final.

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“O nosso posicionamento é que os países podem ter suas políticas migratórias mas nunca violar os direitos humanos de ninguém”, disse Macaé, ao recepcionar os brasileiros em Confins. “A gente não pode suportar a violação dos direitos humanos e o que aconteceu nesse voo foi a violação dos direitos dos brasileiros”, acrescentou em vídeo divulgado pelo ministério nas redes sociais.

No mesmo vídeo, o brasileiro deportado Erionaldo Santana contou que foram presos e algemados nos Estados Unidos, na quarta-feira (22). “Chegamos no Brasil, continuamos com algemas, falamos que estávamos em território brasileiro, que eles [autoridades norte-americanas] tirassem as algemas, mas eles não queriam tirar”, relatou. As algemas só foram retiradas após a intervenção da Polícia Federal.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) (@mdhcbrasil)

O voo, que tinha como destino o aeroporto em Belo Horizonte, precisou fazer um pouso de emergência em Manaus devido a problemas técnicos.

As operações de deportação em massa de imigrantes ilegais nos Estados Unidos tiveram início poucos dias após o início do mandato do presidente norte-americano Donald Trump. Na noite da última quinta-feira (23), 538 pessoas foram detidas e centenas foram deportadas em operação anunciada pela Casa Branca.

“A administração Trump deteve 538 imigrantes ilegais criminosos”, anunciou a porta-voz Karoline Leavitt, acrescentando que centenas foram deportados em aviões do Exército norte-americano. “A maior operação de deportação em massa da história está em curso”, disse.

Ao longo da campanha presidencial, Trump prometeu conter a imigração ilegal no país, cenário classificado por ele como “emergência nacional”. Logo em seu primeiro dia na presidência dos EUA, o republicano assinou ordens executivas destinadas a impedir a entrada de imigrantes nos Estados Unidos.

Hoje é Dia: combate ao trabalho escravo e visibilidade trans em foco

Esta semana é fortemente marcada pela defesa dos direitos humanos e da dignidade humana. São nada menos que quatro datas nesse sentido. Começamos com 28 de janeiro, que foi definido como o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. A data faz referência a um episódio ocorrido em 2004, quando três auditores fiscais do trabalho e um motorista foram assassinados quando averiguavam denúncias de trabalho escravo em fazendas de Unaí (MG). Esta reportagem do Repórter Brasil, da TV Brasil, exibida em 2021, relembra o caso. Somente em 2023, o Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 3.190 pessoas em situação análoga à escravidão, em 598 estabelecimentos urbanos e rurais. Foi o maior número de resgatados nos últimos 14 anos. Esta edição deste ano do Revista Brasil, da Rádio Nacional, aborda os desafios para combater esta prática criminosa. E esta reportagem do Jornal da Amazônia, da Rádio Nacional da Amazônia, mostra que a região Norte lidera a estatística de ocorrências no país. 

Agora falando de outra grave violação de direitos humanos, o Brasil ostenta a vergonhosa posição de país que mais mata transexuais no mundo, como revelam dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Só em 2023 foram 145 assassinatos, como mostra esta reportagem do ano passado da Agência Brasil. Para estimular o respeito e a tolerância à diversidade, 29 de janeiro é o Dia da Visibilidade Trans. Em 2024 a mobilização completou 20 anos, como mostra esta outra reportagem, também da Agência Brasil, e esta edição do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil. Já a Agência Gov destacou, neste texto, o número crescente de denúncias registradas no Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos contra essa parcela da população. 

Poucos períodos da história foram tão tenebrosos quanto a Segunda Guerra Mundial. E um dos símbolos máximos das atrocidades cometidas pelos nazistas é o campo de concentração de Auschwitz, onde mais de 1,1 milhão de pessoas foram exterminadas, a maioria judeus. Há exatos 80 anos os prisioneiros do campo eram libertados pelas tropas soviéticas, no dia 27 de janeiro de 1945. A data se tornou o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. A libertação foi destacada nesta edição de 2021 do Repórter Brasil, da TV Brasil. A data também foi tema desta reportagem veiculada na Radiogência Nacional no ano passado. E esta edição do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, exibida em 2017, conversou com sobreviventes de Auschwitz, que relataram os horrores vividos no campo de concentração. 

Privacidade de Dados

A tecnologia permeia vários aspectos da nossa vida. Das redes sociais a meios de comunicação como o Whats App, compras online e transações bancárias. Por isso ganha tanta importância o Dia Internacional da Privacidade de Dados, celebrado em 28 de janeiro. A efeméride foi criada em 2006, como mostra esta reportagem da Agência Gov. A necessidade de fornecer dados biométricos é algo que preocupa 60% dos brasileiros, como a Agência Brasil destacou nesta publicação, de 2024. No Brasil, dois mecanismos foram criados para garantir a segurança dos usuários: a Lei Geral de Proteção de Dados e o Marco Civil da Internet, que já completou dez anos. Entenda um pouco mais sobre a LGPD nesta reportagem, e sobre o Marco Civil nesta outra aqui, ambas publicadas pela Agência Brasil. 

Meio ambiente 

Durante muitas décadas biólogos achavam impossível haver corais na Amazônia, por causa das características da região, em que as águas turvas e barrentas dificultam a penetração de luz. A luminosidade é fundamental para o desenvolvimento destas formas de vida. Mas em 2016 pesquisadores descobriram um extraordinário bioma, que é único no mundo devido às características em que se desenvolveu: um recife de corais e esponjas com 56 mil quadrados de extensão, praticamente o tamanho do estado da Paraíba, localizado na região costeira do estado do Amapá. A descoberta levou à criação do Dia Mundial dos Corais da Amazônia, celebrado em 28 de janeiro, que foi destaque nesta reportagem de 2016 e nesta outra aqui, de 2017, ambas da Agência Brasil. A Rádio Nacional também abordou o tema, nesta edição do programa Ponto de Encontro, de 2017, e nesta do Tarde Nacional, de 2021

Cultura

Frank Sinatra, um dos maiores artistas de todos os tempos e conhecido como “A Voz”, fez seu show mais memorável em terras brasileiras no dia 26 de janeiro de 1980, quando cantou para um público de 180 mil pessoas no Maracanã. O norte-americano, filho de imigrantes italianos, era autodidata. Nunca frequentou uma escola de música. Mas conquistou o mundo com seu timbre único e vendia cerca de 10 milhões de discos por ano. Ele e Tom Jobim, mestre da Bossa Nova, tinham uma admiração mútua, e juntos gravaram um LP que foi indicado ao Grammy em 1968. Sinatra faleceu em 1998, e seu centenário foi celebrado nesta edição do Repórter Brasil, da TV Brasil, exibida em 2015, e nesta do História Hoje, de 2016, da Rádio Nacional

Outra apresentação inesquecível em terras brazucas foi a primeira dos Rolling Stones, no dia 27 de janeiro de 1995. O show foi no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, embaixo de uma chuva torrencial. Já se passaram 30 anos e, pelo jeito, eles tomaram gosto pela coisa, porque já fizeram outros 11 shows por aqui, o mais badalado deles em 2006, na praia de Copacabana, Rio de Janeiro. Tirando o saudoso baterista Charlie Watts, que faleceu em 2021, todos estão bem, inclusive Mick Jagger. Esta edição do Repórter Brasil de 2018, da TV Brasil, destacou os 75 anos do carismático líder e vocalista da banda inglesa. 

“De onde menos se espera é que não sai nada.” “Tempo é dinheiro. Vamos, então, pagar as nossas dívidas com o tempo.” “Este mundo é redondo, mas está ficando cada vez mais chato.” Estas são só algumas das muitas frases espirituosas do jornalista gaúcho Apparício Torelly, o Barão de Itararé, que nasceu em 29 de janeiro de 1895. Ele é considerado o pai do humor político brasileiro. Criou vários jornais alternativos, enfrentou a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas, espezinhou políticos corruptos e fez troça da elite conservadora brasileira. Tudo sem nunca perder o bom humor. Tanto que, em 1934, após criticar oficiais da Marinha em suas publicações, ele foi sequestrado pelos militares, espancado e abandonado em um lugar quase deserto. Ao voltar para a redação de seu jornal, afixou na porta uma placa com a frase “Entre sem bater”. Torelly foi inspiração para figuras como Stanislaw Ponte Preta, Luis Fernando Veríssimo, Jô Soares e as turmas do Pasquim e do Casseta e Planeta. Sua história foi contada nesta edição de 2011 do De Lá Pra Cá, e nesta de 2018 do História Hoje, ambos da Rádio Nacional. 

Agora vamos falar de outra forma de arte. Em 30 de janeiro é o celebrado o Dia do Quadrinho Nacional. Foi nesta data, em 1869, que Angelo Agostini publicou o primeiro quadrinho brasileiro: “As aventuras de Nhô Quim”, que conta os desafios de um caipira que se muda para o Rio de Janeiro. Hoje não dá para falar no assunto sem mencionar Maurício de Sousa e seus personagens da Turma da Mônica, criada em 1959, que transcenderam as HQs e ganharam público em animações, filmes para o cinema e até video-games. Mas os brasileiros fazem bonito em muitas outras publicações independentes, que ganharam inclusive premiações internacionais, como mostra esta edição de 2020 do Repórter Brasil, da TV Brasil, e também esta, de 2021. O Dia do Quadrinho Nacional também foi tema desta edição de 2021 do programa Rádio Animada, da Rádio Nacional. 

Tragédia histórica

Terminamos a semana já entrando no mês de fevereiro, infelizmente falando de uma das maiores tragédias do Brasil. No dia 1º de fevereiro de 1974, ou seja, há 60 anos, ocorria o incêndio do Edifício Joelma, em São Paulo, que matou 181 pessoas e deixou mais de 300 feridos. A construção era composta por duas torres de 25 andares cada, ocupados por estabelecimentos comerciais e escritórios. O fogo começou devido a um curto circuito no 12º andar, e o vento e a falta de segurança do prédio logo fizeram as chamas se alastrarem. Os 50 anos do incêndio foram lembrados em 2024, nesta edição do Repórter Brasil, e neste capítulo do programa Caminhos da Reportagem, ambos da TV Brasil. O Joelma não contava com escadas de emergência, plano de evacuação ou brigada de incêndio, dentre outras deficiências que contribuíram para a ocorrência do desastre. A gravidade da tragédia motivou a mudança das regras de segurança predial do Brasil, como mostra esta reportagem de 2024, da Agência Brasil

Confira a relação de datas do Hoje é Dia desta semana.

26 de Janeiro a 1º de Fevereiro de 2025
26
      

Nascimento da viloncelista britânica Jacqueline Mary du Pré (80 anos) – conhecida como uma das maiores intérpretes do violoncelo

      

Nascimento do ator, dublador e diretor cinematográfico estadunidense Paul Newman (100 anos)

      

Dobradinha brasileira no Grande Prêmio Brasil de Fórmula 01, com vitória de José Carlos Pace e Emerson Fittipaldi em segundo lugar (50 anos)

      

Apresentação de Frank Sinatra no Maracanã (45 anos)

27
      

Morte do político, diplomata e advogado gaúcho Oswaldo Aranha (65 anos)

      

Libertação do Campo de Concentração de Auschwitz (80 anos)

      

Primeira apresentação dos Rolling Stones no Brasil (30 anos) – o evento ocorreu no Estádio Pacaembu, em São Paulo

      

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

      

Dia Internacional do Conservador Restaurador

28
      

Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo – a data relembra a chacina cometida em Unaí – MG, da equipe de auditores que estava indo investigar uma denúncia de trabalho escravo em uma fazenda local

      

Dia Internacional da Privacidade de Dados

      

Dia Mundial dos Corais da Amazônia

29
      

Morte do farmacêutico, jornalista, escritor, orador e ativista político fluminense José do Patrocínio (120 anos) – destacou-se como uma das figuras mais importantes dos movimentos Abolicionista e Republicano no país. Foi também idealizador da Guarda Negra, que era formada por negros e ex-escravos, sendo vanguarda do movimento negro no Brasil

      

Nascimento do jornalista e escritor gaúcho Apparício Torelly, o Baráo de Itararé (130 anos) – pioneiro do humorismo político brasileiro

      

Dia da Visibilidade Trans

30
    

Dia do Quadrinho Nacional

    

Dia da Saudade

31
    

Dia Mundial do Mágico

1º/2
    

Incêndio do Edifício Joelma, que matou 181 pessoas e deixou mais de 300 feridos em São Paulo (60 anos)

        

Dia do publicitário

            

Inauguração do Museu do Tribunal de Justiça da cidade de São Paulo (30 anos)

Exposição no Memorial da Resistência lembra vítimas da ditadura

O Memorial da Resistência de São Paulo, único espaço do país a salvaguardar um acervo sobre os atos de resistência a aparatos de repressão no Brasil, comemorou 16 anos de atividade nesta sexta-feira (24). Para marcar o aniversário, o museu, instalado no prédio onde funcionou por quase quatro décadas o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops/SP), preparou um mural para provocar reflexões bastante atuais.

A obra Este capítulo não foi Concluído (2024), de Rafael Pagatini, ficará em exibição no mural externo do museu. Para homenagear e honrar a memória de perseguidos políticos durante a ditadura civil-militar instaurada em 1964, com o golpe que derrubou o presidente João Goulart, Pagatini escolheu expor um painel de 14,2m x 4,5m composto por 72 páginas dos processos do Superior Tribunal Militar (STM) relacionados às violências praticadas contra tais pessoas, como retaliação aos questionamentos que faziam. 

Para tornar mais pronunciadas as presenças das vítimas da ditadura, o pesquisador e docente gaúcho mostra as folhas de papel com itens como roupas e adereços. Essas páginas foram copiadas do projeto Brasil: Nunca Mais, que, com esforços coletivos de diversos segmentos, de militantes a figuras das igrejas católica e presbiteriana, preservou 1 milhão de páginas contidas em 707 processos do STM entre 1979 e 1985.

Uma das leituras possíveis conecta o painel ao livro O Processo, de Franz Kafka, escrito no contexto da Primeira Guerra Mundial, em 1914. O romance serve de referência na medida em que também trata do assombro do protagonista, Josef K., a quem imputam algo que não sabe o que é e que por isso é levado a julgamento. A angústia, por não haver certeza do que serão o desfecho do julgamento e, portanto, seu destino e por ser vítima de uma justiça são algo que marca o livro e também identificado em períodos de regimes autoritários.

São Paulo (SP), 24/01/2025 – Memorial da Resistência em São Paulo, inaugura painel de Rafael Pagatini, que faz parte da exposição Uma Vertigem Vision.ária – Brasil Nunca Mais. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

Exposição 

O painel integra a exposição temporária Uma Vertigem Visionária – Brasil: Nunca Mais, de 400 m² e curadoria de Diego Matos. Uma das seções oferece aos visitantes a oportunidade de ver obras da Coleção Alípio Freire, realizadas por ex-presos políticos como Artur Scavone, Ângela Rocha, Rita Sipahi, Manoel Cyrillo, Sérgio Ferro, Sérgio Sister e o próprio Alípio Freire, durante a permanência em presídios de São Paulo, na ditadura.  

Segundo a diretora do Memorial da Resistência, Ana Mattos Pato, um dos pontos mais interessantes e relevantes a se notar é a natureza do material que serviu de base para o Brasil: Nunca Mais: documentos elaborados pelos próprios militares, agentes da repressão. “É uma documentação e, nesse sentido, irrefutável”, diz à Agência Brasil, acrescentando que nisso o Brasil difere da Argentina, que também é retratada em outra exposição atualmente aberta no museu, de nome Memória argentina para o mundo: o Centro Clandestino ESMA.

Parte dos visitantes, diz a diretora, chega ao museu sem saber nada do Brasil: Nunca Mais, enquanto alguns já viram uma cópia impressa, mas, sem tê-la aberto antes, somente agora, pisando no memorial é que desvendam seu conteúdo. “O que noto das pessoas que vêm aqui é, primeiro, uma surpresa. Muita gente não conhecia, diz, ah, tinha na estante do meu avô, do meu pai, do meu tio. Um ‘ah, já ouvi falar’. Mas esse ‘já ouvi falar’, quando você começa a conversar, vê que é uma memória distante”, comenta.

“E isso me impressionou muito também, porque, se a gente for pensar, do ponto de vista dessa história, ela merecia um longa-metragem, ser conhecida, estudada a fundo, porque é uma história não só de uma coragem muito grande, mas, com pouco, se produzir uma reação de documentação única e um relato profundo da violência de Estado na ditadura. E, mais, um retrato da tortura como estratégia de coerção”, emenda.

Uma das principais tarefas de que se ocupam as equipes do memorial é a coleta de depoimentos de pessoas que narram o que ocorria na ditadura. Com a exposição, tem sido retomada com mais intensidade. “É a primeira vez que muitas dessas pessoas vêm a público”, salienta Ana.

Para a diretora, o silêncio prolongado até hoje é explicado por um pacto que se fez, a fim de não deixar ninguém vulnerável na época, mas também por um receio que ainda perdura. “Acho que tem a ver com o arquivo da militância, arquivos que foram criados, muitas vezes, para não serem encontrados. Tinham que viver na clandestinidade”, pondera.

“E acho que muita gente também se envolveu intensamente, no período da redemocratização continuou com muito medo de falar, de dizer ‘olha, eu participei’, porque era fato, a vigilância continuou depois, no período da democracia. [Demonstra] o quanto essas pessoas são marcadas por esse receio.”

Serviço  

A exposição Uma Vertigem Visionária – Brasil: Nunca Mais fica em cartaz até o dia 27 de julho, no Memorial da Resistência, em São Paulo. A mostra tem entrada gratuita e está aberta todos os dias (exceto terça), das 10h às 18h. 

Suspeitos de vender carne estragada têm prisão preventiva decretada

A Justiça do Rio converteu em prisão preventiva a prisão dos quatro homens detidos em flagrante por terem comprado e revendido 800 toneladas de carnes impróprias para o consumo humano. As carnes foram adquiridas de um frigorífico do Rio Grande do Sul atingido pelas enchentes de maio do ano passado. Eles passaram por audiência de custódia nesta sexta-feira (24).

Além dos donos da empresa, sediada em Três Rios, no centro-sul fluminense, o gerente do comércio e o diretor de logística também estão com prisão preventiva decretada.

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A Polícia Civil afirmou que foram rastreadas, até o momento, apenas 17 toneladas da carne estragada vendida para um frigorífico na cidade de Contagem, em Minas Gerais.

De acordo com a investigação, que contou com apoio da Delegacia do Consumidor do Rio Grande do Sul, em maio e junho os sócios da empresa se aproveitaram da tragédia para adquirir 800 toneladas de carne bovina que tinham ficado submersas “muitos dias” em Porto Alegre.

Eles alegavam que a intenção era a fabricação de ração animal. No entanto, a investigação descobriu que o destino do produto impróprio era outro. As carnes foram vendidas para outras empresas. A movimentação fez com que o grupo tivesse lucro “de mais de 1.000%”, afirmou a Polícia Civil do Rio, “colocando em risco consumidores de todo o Brasil”.

Os investigados vão responder pelos crimes de associação criminosa, receptação, adulteração e corrupção de alimentos, com alcance em todo o país. Os quatro foram encaminhados para um presídio no Complexo de Gericinó,  zona oeste do Rio, onde ficarão à disposição da Justiça.

 

Tradição no aniversário de São Paulo, Bolo do Bixiga completa 40 anos

O tradicional Bolo do Bixiga, que está completando 40 anos, foi distribuído neste sábado (25) em mais uma homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo, que chega aos 471 anos. 

Criada em 1985 por Armando Puglisi, conhecido como Armandinho do Bixiga, a tradição continuou mesmo após sua morte, em 1994. O evento foi mantido e organizado por Walter Taverna, que morreu em 2022.

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A comunidade paulistana mantém a tradição, como foi possível conferir hoje. O evento começou pela manhã e, por volta de meio-dia, os bolos foram cortados e distribuídos ao público. As pessoas formaram filas, algumas levaram potes e sacolas para carregar seus pedaços.
São Paulo (SP), 25/01/2025 – Tradicional bolo do Bixiga comemorando os 471 anos da cidade de São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

Chuvas

A população da cidade comemora seu aniversário enquanto precisa lidar com os prejuízos das fortes chuvas desta sexta-feira (24). A capital registrou, na ocasião, o terceiro maior volume de chuvas – 125,4mm -, desde o início da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1961.

O sábado está com funcionamento parcial da linha 1 azul do Metrô, que atravessa a cidade desde a zona norte até a zona sul, devido ao alagamento dos trilhos e da estação Jardim São Paulo. O trecho entre as estações Tucuruvi e Santana está sendo atendido por ônibus do sistema Paese. Além disso, os trens circulam com velocidade reduzida no restante da linha, de Santana ao Jabaquara.

Ao longo de seu percurso, a linha leva a pontos icônicos da cidade, como a Estação da Luz, a Avenida Paulista, Praça da Sé, bairro da Liberdade, Pinacoteca e Museu da Língua Portuguesa, além do Terminal Rodoviário do Tietê. Ela tem ainda ligação com as linhas 2 verde, 3 vermelha, 4 amarela e 5 lilás do Metrô.

Idoso morre após água invadir casa durante chuvas em São Paulo

O corpo de um homem de 73 anos foi encontrado na manhã deste sábado (25) dentro de sua residência, no bairro de Pinheiros, na capital paulista. A casa foi alagada na tarde de ontem (24), dia em que a cidade registrou o terceiro maior volume de chuva da série histórica, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

A Defesa Civil do estadual informou que o idoso é a 15ª vítima relacionada às fortes chuvas no estado desde 1º de dezembro, quando se iniciou a Operação Chuvas 2024/2025.

Correnteza

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Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e, num terreno com duas casas, encontraram a vítima na residência dos fundos sem vida.

“Na manhã de sábado, um amigo da vítima foi até o local para verificar os estragos da chuva, quando constatou que um veículo havia sido arrastado pela correnteza e danificado o portão da garagem, facilitando a entrada de água na casa. A testemunha entrou na residência e encontrou a vítima, já sem vida e acionou os policiais”, diz nota da SSP. 

 

Restauração do Mercadão é entregue na semana do aniversário de SP

Na semana de aniversário de São Paulo, a prefeitura entregou a revitalização do edifício do Mercado Municipal Paulistano (foto), conhecido como Mercadão. Inaugurado em 1933, o espaço passou por intervenções para restauração completa da fachada e dos anexos, instalação de pilares e pendentes, troca do piso e substituição de telhas, além da integração de novas tecnologias para segurança.

Atualmente, o Mercadão recebe, em média, 10 a 12 mil visitantes nos dias úteis e 20 a 30 mil nos fins de semana, sendo um dos principais pontos turísticos e culturais de São Paulo. Os dados são da prefeitura.

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Com uma área total de 22.147 m², sendo 18.601 m² construídos, o Mercadão abriga 256 boxes, que incluem empórios, açougues, peixarias e restaurantes. Localizado em frente, o Mercado Kinjo Yamato, que também é municipal, está ainda em fase de restauração com previsão de conclusão até agosto deste ano. O local conta com 109 boxes e barracas, totalizando 365 pontos de comércio entre os dois mercados.

Projetos

Ambos são administrados atualmente pela concessionária Mercado SP, que executou os trabalhos mediante aprovação dos projetos de restauro junto aos órgãos de preservação (Conpresp e Condephaat). Segundo a prefeitura, até o momento as intervenções tiveram investimento de R$ 45 milhões.

“Cada etapa priorizou a cessação de danos, a garantia da estanqueidade das estruturas e o desenvolvimento de melhorias abrangentes, incluindo sistemas hidráulicos, elétricos, de drenagem, proteção contra descargas elétricas, revisão de coberturas e ampliações estruturais”, informou o município, acrescentando que houve implementação de acessibilidade.

As intervenções no edifício do Mercadão foram concluídas e entregues na última segunda-feira (20), mas os reparos nas áreas externas, incluindo estacionamentos e calçadas, receberam recentemente a aprovação dos órgãos de proteção e ainda não foram iniciados.

Polícias do Rio de Janeiro tiraram 732 fuzis das ruas em 2024

O Instituto de Segurança Pública (ISP), do Rio de Janeiro, fez um balanço das prisões e apreensões de armas e drogas no estado em 2024. Em doze meses, as polícias Civil e Militar retiraram das ruas 732 fuzis de circulação, uma média de dois por dia. Os dados divulgados na última sexta-feira (24) mostram um aumento de 20% nas apreensões entre 2023 e 2024. Foram 610 armas de longo alcance recolhidas em 2023, contra 732 armas de guerra apreendidas no ano passado.

Em 2024, as forças estaduais de segurança registraram 42.389 prisões em flagrante, representando um aumento de 14,7% em relação a 2023. Houve também 23.930 registros de apreensões de drogas, 6,2% a mais; 19.034 veículos roubados/furtados foram recuperados, 52 a cada 24 horas, um crescimento de 29,7%.

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Os crimes contra a vida também apresentaram uma redução. O indicador letalidade violenta, que engloba homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, latrocínio e morte por intervenção de agente do estado, registrou redução de 11,1% entre janeiro e dezembro de 2024, quando comparado com o mesmo período de 2023. Os homicídios dolosos e as mortes por intervenção de agente do estado também caíram no ano passado, com diminuições de 11% e 19,8%, respectivamente.

De acordo com a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz, os resultados alcançados em 2024 reforçam a importância do trabalho constante das forças de segurança do Rio no enfrentamento à violência. “A transparência dos dados divulgados pelo ISP é fundamental, pois auxilia na construção de políticas públicas de combate à criminalidade e no planejamento mais eficiente da segurança pública”.

Morre em Brasília o poeta e compositor Vicente Sá

“A morte é para os outros, não para os poetas”, assevera o poeta Nicholas Behr, cuiabano de nascimento e brasiliense de verso. Ele sabe, no entanto, que “a morte é incontornável, está mais adiante esperando.” A certeza da morte faz o poeta criar, “na ilusão, na esperança, de que alguns versos deles vão sobreviver”. Na noite desta sexta-feira (24), morreu em Brasília (DF), o poeta Vicente Sá, aos 68 anos, mas a sua poesia, não.

Além de poeta, Vicente Tadeu Maranhão Gomes de Sá era compositor, cronista, romancista, roteirista e jornalista. Natural de Pedreiras (MA), viveu de amores pela capital federal, em especial pelo bairro da Asa Norte. 

“Estamos perdendo uma alma genuinamente brasiliense. Ele assumiu Brasília como a sua cidade, como sua musa, como sua fonte de inspiração, como personagem, digamos”, avalia Nicolas Behr.

Segundo Behr, Vicente Sá é da geração que “humanizou a maquete”, o Plano Piloto projetado pelo urbanista Lúcio Costa e adornada pelos edifícios e monumentos de Oscar Niemayer. A geração que começou a forjar o primeiro movimento cultural genuíno na cidade, ainda nos anos 1970.

Para o maestro Renio Quintas, contemporâneo e também parceiro musical de Vicente Sá, a criação dele foi gestada em “tempos de resistência” à ditadura cívico-militar (1964-1985), com o propósito de que “a construção da epopeia [de Brasília] fosse bem sucedida. Por isso que a gente não foi embora daqui”.

Naquele lugar de onde ninguém saiu, foi possível ter encontros “sem posições subalternas” que não aconteceriam em outros lugares, como o do carioca Renio Quintas, que passou a infância “nas areias brancas de Copacabana”, e Vicente Sá, do interior do Maranhão. Nas primeiras décadas de Brasília, de acordo com o maestro, “era virtuoso e necessário estudar na mesma escola pública. Não tinha alternativa”.

Sem escolha e outras possibilidades, restava criar. “Nós descobrimos, sacamos que se a gente não fizesse, não ia ter nada, não tinha nada. Aí a gente começou a ocupar os espaços. Os artistas começaram a ocupar as galerias, os museus e os teatros. A gente tinha consciência que estávamos fazendo realmente a cidade”, recorda-se o violonista Sérgio Duboc e parceiro de canções de Vicente Sá.

Sem fórmula única 

Em entrevista à Agência Brasil, Duboc diz que sentirá falta de compor com Vicente Sá. “Me acostumei nos últimos 45 anos a fazer isso.” Em tanto tempo de parceria, não tinha fórmula única para os dois trabalharem.

“Às vezes, eu chegava com uma música pronta, ele letrava. Às vezes eu chegava com um pedaço da música, ele letrava esse pedaço e daí me abria outras portas para continuar a música e ele ia junto comigo. Também acontecia de quase na hora de ir embora, eu vinha com uma ideiazinha de música ou ele vinha com uma ideiazinha de letra e saía outra música.”

O advogado e poeta Fabrizio Morelo, que compôs com a dupla Duboc e Sá, é grato a Vicente por ser também compositor. “Ele me esperava às vezes para terminar uma música, para ganhar a parceria, sabe? A música estava pronta, ele tinha o verso na cabeça. O verso dele ia ser melhor que o meu, inclusive. Mas ele e o Duboc falavam, ‘vamos esperar’. A bola estava na marca do pênalti, era só empurrar para o gol.”

Nas redes sociais e aplicativos de artistas de Brasília circulam neste sábado (25) versos de Vicente Sá, como aqueles em que diz “Quero morrer assim/ cercado de amigos e cachaça/ no colo da eterna companheira/ bonito/ poeta.”

Vicente Sá morreu de pneumonia, agravada pelo tratamento contra o câncer. Ele será velado neste domingo (26) no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul) a partir das 10h. “Haverá uma celebração com poetas e músicos. Vamos celebrar a vida e a obra dele”, promete o maestro Renio Quintas.