Defesa Civil de SP prevê fortes chuvas até terça-feira em todo estado

A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu boletim especial, para o período de domingo (26) a terça-feira (28), com previsão de chuvas intensas em todo o estado. Essas condições climáticas serão causadas pela passagem de uma frente fria, que trará pancadas de chuva acompanhadas de raios e rajadas de vento.

A previsão de chuva de forte intensidade, com acumulados altos, abrange a capital paulista, Região Metropolitana de São Paulo, Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira, Litoral Norte, Campinas e Sorocaba, Baixada Santista, Vale do Ribeira, região de Itapeva, Franca, Barretos, Ribeirão Preto, Bauru e Araraquara.

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Já para as regiões de Presidente Prudente, Marília, Araçatuba e São José do Rio Preto, a previsão é de chuva de intensidade moderada, porém com acumulados altos.

Gabinete de crise

A Defesa Civil montará, de forma presencial, na segunda-feira (27), o gabinete de crise no Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) para coordenar as ações relacionadas aos eventos climáticos previstos. Entre segunda e terça-feira (28), há previsão de acumulados mais elevados de chuva, além de forte intensidade, informou o órgão.

Empresas reguladoras de serviços públicos, representantes de concessionárias de abastecimento de água e energia também atuam no gabinete.

Orientações

A Defesa Civil orienta que a população adote medidas de precaução para minimizar os riscos decorrentes das fortes chuvas. “É essencial evitar áreas de alagamento e não atravessar vias inundadas, mesmo de carro. Também é importante ficar atento a sinais de deslizamentos, como inclinação de postes, árvores ou rachaduras em terrenos e paredes”, alertou o órgão.

Além disso, durante ventos fortes, deve-se manter distância de árvores, postes e estruturas frágeis. Em caso de tempestades com raios, desconectar aparelhos eletrônicos da tomada.

O sistema Defesa Civil Alerta envia mensagens de emergência gratuitamente e de forma automática para celulares que estejam em áreas de risco. Para garantir o funcionamento do serviço, é necessário verificar se a funcionalidade está ativada no dispositivo.

Acidente entre micro-ônibus e carreta deixa dois mortos no RJ

Um acidente envolvendo um micro-ônibus e uma carreta, na manhã deste sábado (25), no Rio de Janeiro, deixou dois mortos e 23 feridos, quatro delas em estado grave. O acidente ocorreu na rodovia Presidente Dutra (BR-116), próximo ao pedágio de Seropédica, na Baixada Fluminense.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) afirmou que o acidente aconteceu pouco antes das 7h, da manhã. Equipes do Corpo de Bombeiros com auxílio de um helicóptero da corporação socorreram os feridos.

Segundo a concessionária EcoRioMinas, que administra o trecho da rodovia, seis feridos foram levados para o Hospital Geral da Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Dois desses feridos estão em estado grave. As outras vítimas foram socorridas no local e liberadas em seguida.

De acordo com a PRF, a perícia já foi feita no local e uma das faixas da pista já está liberada ao tráfego de veículos.

Calor de 39 graus deixa as praias lotadas no Rio de Janeiro

O tempo no Rio de Janeiro neste sábado (25) segue influenciado pelas altas temperaturas e sol forte nas praias. De acordo com o Centro de Operações Rio, a temperatura máxima prevista para hoje é de 39ºCelsius. Com o forte calor, milhares de pessoas lotaram as praias, principalmente as da Zona Sul.

A previsão é de ocorrência de pancadas de chuvas isoladas e rápidas no período da tarde e noite. O Corpo de Bombeiros informou que, apesar do mar calmo, os guarda-vidas realizaram cerca de 20 salvamentos de banhistas que se arriscaram a se afastar da arrebentação. Nenhum dos casos foi considerado grave e não houve registro de óbitos nas praias.

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A água do mar permanece gelada por conta de correntes marítimas provocadas por um fenômeno denominado ressurgência. Isso ocorre quando o vento bate sobre a superfície do mar e leva a água quente aquecida pelo sol para outras regiões. Assim, a água gelada do fundo do mar ressurge, deixando a temperatura do mar mais baixa.

Policiamento

O policiamento nas praias do Rio foi ampliado neste final de semana, para dar mais segurança aos banhistas até as 22h. Neste final de semana, mais de 1,6 mil policiais militares foram escalados para atuar na orla das zonas sul e oeste da cidade. Eles também estão nos principais terminais de transportes públicos que têm linhas de ônibus de acesso às praias.

Iniciada em setembro de 2024, a Operação Verão é uma ação de prevenção aos roubos e furtos em todo o litoral do território fluminense, durante os dias de temperaturas mais altas e maior fluxo de banhistas nas praias. Neste fim de semana, a orla da Zona Sul conta com o reforço do Carro Comando da PM, que está baseado na região do Arpoador e acompanha toda a movimentação nas praias de Botafogo, Flamengo, Leme, Copacabana e Ipanema.

Limpeza

Já o programa Praia Limpa, da Companhia de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb), está concentrado hoje na praia do Leme, na zona sul, visando conscientizar os banhistas no sentido de que evitem jogar lixo na areia. Eles devem usar sacos plásticos para colocar os detritos nos coletores de lixo espalhados pela orla.

A Comlurb utiliza mais de 500 homens nos fins de semana para a limpeza das praias, com apoio de máquinas e tratores.

Keys vence Sabalenka e ganha 1º Grand Slam da carreira em Melbourne

O primeiro Grand Slam da temporada do tênis terminou com uma novidade entre as mulheres. Na manhã deste sábado (25), a norte-americana Madison Keys (foto) derrotou a número um do mundo, a bielorrussa Aryna Sabalenka, por 2 sets a 1, parciais de 6-3, 2-6 e 7-5, conquistando o título do Aberto da Austrália, o primeiro da carreira dela em um dos quatro principais torneios do esporte.

“Por tanto tempo eu quis isso. Estive uma outra vez em uma final de Grand Slam e não deu certo para mim. Não sabia se um dia teria a oportunidade de voltar a essa posição. Minha equipe confiou em mim e agradeço muito a todos”, disse Keys, ainda na quadra, após a conquista.

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Aos 29 anos, Keys se tornou a quarta tenista mais velha da história a ganhar um Grand Slam pela primeira vez. Ela disputou – e perdeu – a decisão do US Open de 2017, na ocasião, diante da compatriota Sloane Stephens.

Desta vez, ela precisou de 2h02 para derrotar Sabalenka, que não apenas lidera o ranking da WTA como também havia vencido as duas últimas edições do Australian Open. Madison Keys é a número 14 do mundo e, para ser campeã, bateu em sequência as duas primeiras do ranking (venceu a polonesa Iga Swiatek, ex-número 1 e atual número 2, na semifinal).

 

AGU prorroga consulta pública sobre moderação em plataformas digitais

A Advocacia-Geral da União (AGU) prorrogou até as 18h da próxima segunda-feira (27) o prazo para envio de contribuições na consulta pública sobre moderação de conteúdo de plataformas digitais no Brasil.

Em nota, a entidade informou que a ampliação do prazo, previsto para acabar nesta sexta-feira (24), atende a um pedido de organizações da sociedade civil e de especialistas no tema. As contribuições devem ser enviados pela plataforma Participa + Brasil.

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“A consulta pública se destina a receber subsídios da sociedade civil, comunidade acadêmica, plataformas digitais e agências de checagem, além de instituições públicas e privadas”, destacou a AGU.

Até sexta-feira, o órgão já havia recebido 46 contribuições. Além da consulta pública, a AGU realizou audiência pública sobre o tema na última quarta-feira (22), com a participação de 34 especialistas e representantes da sociedade civil.

Governo determina retirada de algemas de deportados vindos dos EUA

O Ministério da Justiça e Segurança Pública determinou a retirada de algemas de brasileiros que foram deportados dos Estados Unidos e que estavam a bordo de uma aeronave norte-americana que pousou em Manaus na noite desta sexta-feira (24).

“Na manhã deste sábado (25), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, informou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre uma tentativa de autoridades dos Estados Unidos de manter cidadãos brasileiros algemados durante o voo de deportação para o Brasil”, informou o Ministério da Justiça.

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Em nota, acrescentou que o ministério tomou conhecimento da situação dos brasileiros pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Passos Rodrigues. O voo, que tinha como destino o Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte, precisou fazer um pouso de emergência em Manaus devido a problemas técnicos.

Algemas retiradas

“Por orientação de Lewandowski, a Polícia Federal recepcionou os brasileiros e determinou a autoridades e representantes do governo norte-americano a imediata retirada das algemas”, reforçou o comunicado. “O ministro destacou ao presidente o flagrante desrespeito aos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros”, acrescenta a nota.

Enfatiza que, ao tomar conhecimento da situação, Lula determinou que uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) fosse mobilizada para transportar os brasileiros até o destino final, “de modo a garantir que possam completar a viagem com dignidade e segurança.”

“O Ministério da Justiça e Segurança Pública enfatiza que a dignidade da pessoa humana é um princípio basilar da Constituição Federal e um dos pilares do Estado Democrático de Direito, configurando valores inegociáveis”, concluiu a pasta no comunicado.

Também em nota, a Polícia Federal confirmou que os 88 brasileiros que estavam a bordo da aeronave norte-americana com outros deportados dos Estados Unidos chegaram a Manaus algemados.

“Os brasileiros que chegaram algemados foram recebidos e imediatamente liberados das algemas pela Polícia Federal, na garantia da soberania brasileira em território nacional e dos protocolos de segurança em nosso país. A Polícia Federal proibiu que os brasileiros fossem novamente detidos pelas autoridades americanas.”

“Os passageiros foram acolhidos e acomodados na área restrita do aeroporto. No local, receberam bebida, comida, colchões e foram disponibilizados banheiros com chuveiros”, detalha a nota.

Por determinação da Presidência da República, uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) transportará os brasileiros para o Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, na tarde deste sábado.

Os brasileiros serão acompanhados e protegidos pelos militares da FAB e policiais federais brasileiros.

FAB

A FAB informou que uma aeronave KC-30 foi destacada, após solicitação do governo federal, para prestar apoio aéreo a passageiros deportados oriundos dos Estados Unidos que aguardam o término do traslado em Manaus.

A aeronave, segundo a FAB, decolou da Base Aérea de Brasília às 13h, com pouso previsto para 14h30 no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus. “O tempo de solo em Manaus dependerá de trâmites diversos a serem realizados pelos órgãos competentes”.

De acordo com o comunicado, a FAB vai disponibilizar profissionais de saúde para realizar o acompanhamento dos passageiros deportados – durante o trajeto até o destino final, o Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte.

Entenda

As operações de deportação em massa de imigrantes ilegais tiveram início poucos dias após o início do mandato do presidente norte-americano Donald Trump. Na noite da última quinta-feira (23), 538 pessoas foram detidas e centenas foram deportadas em operação anunciada pela Casa Branca.

“A administração Trump deteve 538 imigrantes ilegais criminosos”, anunciou a porta-voz Karoline Leavitt, acrescentando que centenas foram deportados em aviões do Exército norte-americano. “A maior operação de deportação em massa da história está em curso”, disse.

Ao longo da campanha presidencial, Trump prometeu conter a imigração ilegal no país, cenário classificado por ele como “emergência nacional”. Logo em seu primeiro dia na Presidência dos EUA, o republicano assinou ordens executivas destinadas a impedir a entrada de imigranteS nos Estados Unidos.

*Com informações da RTP.

Geólogo que atuava na Vale em Brumadinho tem registro cancelado

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) cancelou o registro do geólogo Cesar Grandchamp. Ele é um dos réus no processo criminal que investiga responsabilidades envolvendo o rompimento da barragem da mineradora Vale ocorrido há exatos seis anos em Brumadinho (MG).

O rompimento da barragem ocorreu em 2019 e completa seis anos neste sábado (25). No episódio, foi liberada uma avalanche de rejeitos que gerou grandes impactos ambientais e socioeconômicos afetaram milhares de pessoas em diferentes municípios mineiros da bacia do Rio Paraopeba. Ao todo, 272 pessoas morreram, incluindo dois bebês e mulheres grávidas.

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Grandchamp é um dos signatários do laudo que atestou a estabilidade da estrutura. O documento, que deve ser emitido periodicamente, é uma exigência para que uma barragem continue operando. Ele é emitido após avaliações de uma empresa terceirizada que deve ser contratada pela mineradora.

No caso da barragem de Brumadinho, esse trabalho foi feito pela consultoria alemã Tüv Süd. O laudo foi emitido em junho de 2018 trazendo duas assinaturas: a do engenheiro Makoto Namba, pela Tüv Süd, e a de Grandchamp, pela Vale. A estabilidade foi atestada mesmo após as análises levarem ao cálculo de um fator de segurança de 1.09, embora as boas práticas de engenharia internacional estabelecem que o mínimo deve ser de 1.3.

Com o cancelamento do registro, Grandchamp não pode desenvolver as atividades profissionais que são fiscalizadas pelo Crea-MG. A decisão ocorreu em processo ético aberto no ano seguinte à tragédia. O geólogo pôde apresentar defesa e recursos cabíveis, e a última palavra coube ao plenário do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

Má conduta 

A decisão foi tomada com base no artigo 75 da Lei Federal 5.194/1966, que prevê punição em caso de má conduta pública e escândalos praticados pelo profissional. O aviso de cancelamento do registro também menciona dois incisos da Resolução 1.090/2017 do Confea. 

O primeiro define má conduta pública como “a atuação incorreta, irregular, que atenta contra as normas legais ou que fere a moral quando do exercício profissional”. Já o segundo traz o conceito utilizado para escândalo, que pode estar relacionado ao desprezo às convenções ou à moral vigente, com consequente perturbação à sensibilidade do homem comum. Também pode derivar do mau exemplo ou da ação vergonhosa, leviana e indecente, que causa indignação e que constitui acontecimento imoral ou revoltante que abala a opinião pública.

Procurado pela Agência Brasil, o Crea-MG informou que o acesso aos autos é vedado e que apenas o resultado final pode ser divulgado. Dessa forma, não é possível saber exatamente quais ações do geólogo foram consideradas má conduta e escândalo.

A Agência Brasil também procurou o escritório Ariosvaldo Advogados, responsável pela defesa de Grandchamp, mas não obteve retorno. Em depoimento prestado em 2019 no curso das investigações, o geólogo afirmou que assinou o laudo de estabilidade confiando na Tüv Süd. No entanto, reconheceu que a única barragem com fator de segurança de 1.09 que ele trabalhou foi a de Brumadinho.

“Eu, como geólogo, não tenho especialidade em barragens. Eu não sou geotécnico em barragens e muito menos especialista na questão de liquefação. Então, eu confio e confiei plenamente na avaliação que foi feita por especialistas da Tüv Süd e pelas equipes da geotecnia corporativa e da geotecnia operacional da Vale”, disse na ocasião.

Processo criminal

No processo criminal, Cesar Grandchamp é um dos 16 denunciados. São 11 nomes ligados à Vale e cinco vinculados à empresa alemã Tüv Süd. No entanto, no ano passado, o ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, obteve um habeas corpus e deixou a condição de réu. O Ministério Público Federal (MPF) recorre da decisão.

A tramitação do caso passou por diversas reviravoltas. Inicialmente movido pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o processo foi federalizado em 2023 e reiniciou na estaca zero. Atualmente, está correndo o prazo para que os advogados dos réus apresentem a defesa por escrito.

Fora do processo criminal, Grandchamp não é o único que foi penalizado em outras esferas. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que tem como uma de suas tarefas a fiscalização das boas práticas das corporações, impôs uma multa de R$ 27 milhões a Gerd Peter Poppinga. No mesmo processo, no entanto, o ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, foi absolvido.

Poppinga era o diretor-executivo de Ferrosos e Carvão da mineradora na época da tragédia. Daniel Maeda, diretor da CVM e relator do caso, sustentou que Poppinga recebeu sinais dos riscos de rompimento da estrutura e falhou ao “não acompanhar de perto os temas envolvendo a segurança desta barragem”. Segundo ele, não houve interesse em investigar a situação.

Outros envolvidos

No Crea-MG, não há informações se outros envolvidos no caso ainda podem ser penalizados. Questionado pela Agência Brasil, o conselho não respondeu se ainda estão tramitando processos éticos relacionados com a tragédia.

Em outro caso de rompimento de barragem, ocorrido em 2015, ocorreram três cancelamentos de registros. No episódio, a estrutura da mineradora Samarco, que integrava um complexo minerário em Mariana (MG), entrou em colapso causando 19 mortes e gerando danos em dezenas de municípios mineiros e capixabas ao longo da bacia do Rio Doce.

As decisões do Crea-MG foram tomadas entre 2022 e 2023 e um dos afetados foi o ex-presidente da mineradora, Ricardo Vescovi de Aragão. Já no processo criminal relacionado à tragédia em Mariana, ninguém foi condenado. Dos 22 réus, alguns obtiveram habeas corpus e o restante foi absolvido.

FAB vai transportar deportados dos EUA para Minas Gerais

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou, neste sábado (25), que uma aeronave KC-30 foi destacada, após solicitação do governo federal, para prestar apoio  a passageiros deportados procedentes dos Estados Unidos que aguardam o término de seu traslado em Manaus.

A aeronave, segundo a FAB, decolou da Base Aérea de Brasília às 13h, com pouso previsto para 14h30 no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, na capital amazonense. “O tempo de solo em Manaus dependerá de trâmites diversos a serem realizados pelos órgãos competentes”, informou.

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Segundo o comunicado, a FAB vai disponibilizar ainda profissionais de saúde para realizar o acompanhamento dos passageiros deportados – ao longo de todo o trajeto, até o destino final, o Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte.

As operações de deportação em massa de imigrantes ilegais começaram poucos dias após o início do mandato do presidente norte-americano Donald Trump. Na noite da última quinta-feira (23), 538 pessoas foram detidas e centenas acabaram deportadas em operação anunciada pela Casa Branca.

Ilegais criminosos

“A administração Trump deteve 538 imigrantes ilegais criminosos”, anunciou a porta-voz Karoline Leavitt, acrescentando que centenas foram deportados em aviões do Exército norte-americano. “A maior operação de deportação em massa da história está em curso”, afirmou ele.

Ao longo da campanha presidencial, Trump prometeu conter a imigração ilegal nos EUA, cenário classificado por ele como “emergência nacional”.

Logo em seu primeiro dia na presidência, o Trump assinou uma série de ordens executivas destinadas a impedir a entrada de imigrantes nos Estados Unidos.

*Com informações da RTP.

PM do Rio combate crimes no Alemão e no Complexo da Penha

A Polícia Militar fez um balanço da operação realizada nessa sexta-feira (24) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. Ela teve como principais objetivos controlar ações de criminosos e combater o roubo de veículos e cargas na região metropolitana.

A Secretaria de Estado de Polícia Militar desencadeou uma ampla operação para reprimir o crime organizado nas comunidades do Complexo do Alemão e Complexo da Penha. A PM diz que a ação permanece e que os principais pontos de venda de entorpecentes das comunidades estão estabilizados.

Nas mobilizações, foram empregados 500 policiais, 12 veículos blindados e dois helicópteros, além de equipamentos para remoção de obstáculos das vias, operados pelo Núcleo de Apoio às Operações Especiais (Naoe).

O Grupamento Especializado de Salvamento e Ações de Resgate (Gesar) atuou preventivamente com o emprego de uma ambulância blindada. 

Entorpecentes

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Policiais militares do Batalhão de Ações com Cães e do Choque apreenderam cerca de uma tonelada de material entorpecente, materiais para enrolação e uma carabina. A PM deteve dois suspeitos e recolheu um aparelho de ar condicionado, uma geladeira e um fogão.

Um policial militar ficou ferido na Penha Circular, e foi encaminhado para o Hospital Getúlio Vargas.  O seu estado de saúde é grave. Dezoito toneladas de materiais diversos foram retiradas juntamente com 27 barricadas.

Durante a operação, a Polícia Civil prendeu um homem, foragido do sistema penitenciário. Os agentes encontraram um desmanche de veículos roubados, localizaram um imóvel com cerca de uma tonelada de entorpecentes e acharam uma mala com pasta base de cocaína em um carro. Uma granada foi encontrada em uma rua e houve apreensão de armas. As equipes localizaram ainda uma estufa de maconha.

Museu do Ipiranga celebra aniversário de SP com atividades gratuitas

O Museu do Ipiranga preparou uma programação diversa e gratuita para este final de semana, em celebração aos 471 anos da cidade de São Paulo. Além das 11 exposições de longa duração, haverá atividades para o público infantil e show de Adriana Sanchez, com canções que remetem à capital paulista.

No repertório, cantores e compositores como Paulo Vanzolini, Tom Zé, Rita Lee, Maria Rita e Adoniran Barbosa. A apresentação, com um intérprete de Libras, inclui ainda canções de Luiz Gonzaga, para homenagear os migrantes que partiram do Nordeste e se estabeleceram em São Paulo.

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Supervisora de Educação, Museografia e Ação Cultural do Museu do Ipiranga, a educadora Denise Peixoto explica que a diversidade na programação busca potencializar todo conhecimento que o museu tem disponível.

“Os museus são lugares de reflexão, para a gente pensar o mundo. Não é simplesmente como se a gente abrisse uma janela para o passado. O que é esse passado? Por que esses objetos estão aqui? Nossa estratégia é criar aproximação, entendendo que o público é bastante diverso, os interesses são diversos”, explicou. 

Ela pontua que um museu de história revela processos de transformação e faz a sociedade pensar criticamente sobre o presente. “A gente tem que quebrar essa ideia de que o museu é lugar de coisa velha. O museu é um laboratório para se pensar a cidade, pensar as nossas relações, pensar porque nós somos e como somos.”

A educadora conta que o Museu do Ipiranga, que nasceu como Museu Paulista, é o museu público mais antigo da cidade. Ela ressalta que o local passou por muitas transformações ao longo dos anos e, após uma reforma recente, é hoje um espaço acessível.

“É o primeiro museu da cidade de São Paulo e do estado. Ele nasce no final do século XIX. O edifício foi um monumento construído [entre 1885 e 1890] para homenagear Dom Pedro e a Independência, mas depois foi transformado em um museu [em 1895]”, lembrou Peixoto.

A programação do final de semana inclui também uma palestra sobre as fundações de São Paulo e São Vicente, a partir de duas pinturas do acervo, uma de Benedito Calixto e outra de Oscar Pereira da Silva. Essa é a primeira atividade do ciclo Encontros com a Pesquisa, que acontece ao longo deste ano e busca difundir trabalhos desenvolvidos por pesquisadores ligados ao acervo da instituição.

As atividades previstas convidam crianças e adolescentes a explorar as exposições do museu. Na oficina Arte em cartaz, para crianças acima de 9 anos de idade, a proposta é refletir sobre como a arte contemporânea usa técnicas como recortes, colagens, serigrafias e aquarelas para expressar críticas sociais. 

Com base nas obras da exposição Onde há fumaça: arte e emergência climática, os participantes poderão criar cartazes artísticos e críticos sobre questões sociais, ambientais e políticas.

“A exposição faz uma aproximação entre arte e história para discutir os problemas da emergência climática. E a gente tem tentado explorar o museu com as crianças, dentro da lógica de que é um espaço possível de descoberta a partir de estímulos e de provocações. Assim, a criança pode perceber que o museu não é algo que ela simplesmente absorve pronto, mas que ela pode ir descobrindo”, disse Peixoto, acrescentando que “o museu não é só para gente grande”.

Na visita mediada Os rios de muitas voltas, o público de 4 a 10 anos de idade será convidado a observar detalhes escondidos nas obras de algumas exposições do museu para debater a presença e importância dos rios no cotidiano das cidades.

Para os maiores de 16 anos, uma oficina inspirada na abordagem do Teatro Imagem, que integra a estética do Teatro do Oprimido de Augusto Boal, vai utilizar obras visuais da exposição Mundos do Trabalho. Os participantes serão convidados a transformar as imagens em cenas vivas, criando narrativas e provocando reflexões sobre os temas presentes nas obras.

Mundos do Trabalho é uma das exposições de longa duração do museu. “Ela traz a possibilidade de pensar sobre o trabalho, como são organizadas as nossas lógicas de trabalho, que tipo de profissionais essa cidade já teve e que a gente não sabe o nome e a importância dessas pessoas para o trabalho, para fazer a cidade ser o que ela é”, explicou a educadora.

Brumadinho: atingidos cobram transparência de programa gerido pela FGV

Exatos seis anos após o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG), a execução do Programa de Transferência de Renda (PTR) estabelecido pelo acordo de reparação e gerido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) se tornou alvo de críticas do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB). A entidade aponta falta de transparência e vê como um equívoco o corte previsto para março deste ano, quando todos os beneficiários passarão a receber metade os valores que eram pagos até então. Além disso, cobra explicações envolvendo uma cláusula que destina à FGV uma fatia do rendimento dos recursos destinados ao programa.

O rompimento da barragem em 25 de janeiro de 2019 liberou uma avalanche de rejeitos que gerou grandes impactos nos municípios da bacia do Rio Paraopeba. Ao todo, foram perdidas 272 vidas, incluindo dois bebês de mulheres que estavam grávidas. Impactos ambientais e socioeconômicos afetaram milhares de pessoas em diferentes municípios mineiros da bacia do Rio Paraopeba. Assim como ocorre todos os anos, diferentes entidades que representam os atingidos organizaram uma série de atividades para marcar a data.

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“É um absurdo o corte no PTR porque a reparação está longe de estar concluída. A Vale não limpou o rio, não tirou os rejeitos. Ninguém pode pescar, não dá pra usar a água para irrigar, para consumo, enfim, pra fazer qualquer uso. Os atingidos não podem retomar a sua atividade econômica”, diz o integrante da coordenação do MAB Guilherme Camponez. Segundo ele, sem suas fontes de sustento, as famílias dependem desses recursos para comprar o básico, como como água potável e medicamentos. O alongamento do programa foi uma das principais reivindicações levantadas pelo MAB em uma marcha realizada em Belo Horizonte nesta sexta-feira (24).

O PTR foi uma das medidas previstas no acordo global para reparação dos danos firmado entre a mineradora, o governo de Minas Gerais, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG). Ao todo, foram destinados R$ 37,68 bilhões  para uma série de medidas pactuadas. O montante que cabe ao PTR foi fixado em R$ 4,4 bilhões.

 

Casa destruída após o rompimento de barragem da mineradora Vale em Brumadinho – Reuters/Adriano Machado/Direitos Reservados

O acordo global estabeleceu o programa como substituto do auxílio emergencial que começou a ser pago pela mineradora logo após a tragédia. Na época, o benefício foi estabelecido com um valor variável a depender da faixa etária de cada atingido: um salário mínimo por adulto, a metade dessa quantia por adolescente e um quarto para cada criança.

Inicialmente, faziam jus ao benefício todos os moradores de Brumadinho, sem distinção. Nos demais municípios atingidos, o auxílio foi concedido a pessoas que residiam a até 1 quilômetro (km) de distância da calha do Rio Paraopeba. Ainda no fim de 2019, ocorreu uma alteração: o critério para acesso ao benefício foi mantido, mas o valor foi reduzido pela metade para quem não residisse em comunidades diretamente afetadas pelos rejeitos.

Com a implantação do PTR, foram feitos alguns ajustes nos critérios. Os valores, no entanto, foram mantidos. O MPF e a DPMG estabeleceram as poligonais, pelas quais se delimitou as comunidades que têm parte do seu território dentro do critério de 1 km da margem do Rio Paraopeba. Isso significa que, se um povoado tivesse algum ponto situado a essa distância, todos os seus moradores deveriam ser enquadrados como beneficiários.

A aprovação gradativa de novas poligonais e também a identificação de comunidades tradicionais afetadas geraram uma inclusão de mais de 50 mil atingidos. Somando aqueles que já recebiam os repasses desde a implantação do auxílio emergencial pago inicialmente pela Vale, há atualmente 154.964 receptores de recursos do programa.

As bases para a criação do PTR foram estabelecidas com a assinatura do acordo global em 2021, sendo a FGV escolhida como gestora por meio de um edital público lançado pelo MPMG, pelo MPF e pelo DPMG. A contratação de uma entidade independente foi uma solução apresentada pelas três instituições – que formam o colegiado responsável por fiscalizar o programa – no curso das negociações do acordo global. Elas levaram em conta as críticas dos atingidos, que se queixavam do poder que tinha a Vale para decidir quem teria direito ao benefício.

 

Rompimento da barragem da mineradora Vale completa seis anos neste sábado (25) – Reuters/Washington Alves/Direitos Reservados

No entanto, Guilherme Camponez afirma que o contrato com a FGV costurado com as instituições de Justiça não foi precedido de nenhuma divulgação. Os atingidos não teriam sido nem consultados nem informados dos seus termos. Na cláusula sexta, ficou definido que a FGV receberia R$ 109,5 milhões para o custeio da execução do PTR. Além disso, os recursos destinados ao programa seriam depositados em um fundo. A FGV obteve o direito a 12% de todo o rendimento que superar a caderneta de poupança. A estimativa de economistas consultados pelo MAB é de que esse valor já chega a R$ 40 milhões.

“Faltou transparência. Os atingidos não participaram de nada, nem ficaram sabendo na época da assinatura do contrato. Isso nunca havia sido dito pra gente e também não há nada no acordo global sobre isso. Hoje ninguém sabe qual é o valor exato e em que ele será usado”, reclama. A FGV mantém no ar um site com informações do PTR. Lá está registrado que, até dezembro de 2024, o fundo rendeu R$ 1,158 bilhão. Mas não há discriminação do montante específico que ficaria para a FGV.

Procurada pela Agência Brasil, a FGV afirmou em nota que já repassou mais de R$ 3,6 bilhões aos atingidos no âmbito do PTR, classificado como “o maior programa de transferência de renda privado da América Latina”. Segundo o texto, a aplicação dos recursos gerou rendimentos que permitiram dilatar o prazo do programa, que inicialmente se encerraria em outubro de 2025.

A FGV afirma ainda que realizou uma pesquisa no último ano em que foram avaliados os efeitos do PTR para a região. “Entre os indicadores que mostram o impacto socioambiental positivo estão a melhoria de 20% em saúde, 15% em infraestrutura (urbanização e saneamento) e 25% em assistência social na região após a tragédia, impulsionando o desenvolvimento sustentável e o bem-estar das comunidades afetadas”, registra a nota.

Camponez entende não ser razoável que a FGV receba um percentual sobre o rendimento dos recursos. Ele também cobra mais transparência. “É uma instituição sem fins lucrativos. Então o que ela faz com esse dinheiro? Ela destina para alguma atividade interna? Pode ser. Mas nem isso é informado. Eu penso que esse é um recurso da reparação. É um recurso que devia estar sendo aplicado na reparação”, defende Camponez. Ele lembra também que o acordo global previu a contratação de uma auditoria externa independente para acompanhar a gestão do PTR, o que até hoje não se concretizou.

Procurado pela Agência Brasil, o MPF afirmou em nota que todos os custos da contratação da FGV estão cobertos dentro dos R$ 4,4 bilhões destinados ao PTR. O texto acrescenta ainda que o programa é atualmente submetido a uma auditoria interna. “A auditoria externa está em fase de contratação”, finaliza a nota.

 

Tragédia em Brumadinho deixou 272 mortos – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fim em 2026

Ao mesmo tempo em que se preocupa com o corte anunciado para março deste ano, o MAB teme os efeitos do encerramento definitivo do PTR, que está previsto para abril de 2026. Camponez não crê que, no próximo ano, a situação será muito diferente da atual. Em sua visão, o processo reparatório tem se dado em um ritmo bastante lento.

“Sem o PTR, as famílias vão ficar numa situação de insegurança alimentar. Vão ter a sua renda muito deprimida e isso vai afetar inclusive toda a região, porque terão os efeitos indiretos. Vai ter menos recurso circulando nas comunidades, então isso tende a gerar desemprego. É um grande equívoco acabar com o PTR, além de ser uma violação do direito das populações atingidas. A Vale tem que colocar mais recurso para mantê-lo enquanto for necessário”.

Camponez afirma que o encerramento do PTR contraria os princípios da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB), como ficou conhecida a Lei Federal 14.755/2023. Sancionada em 2023 pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva, sua aprovação no Congresso  se deu após mobilizações do MAB. Em seu Artigo 3º, fica garantido um “auxílio emergencial nos casos de acidentes ou desastres, que assegure a manutenção dos níveis de vida até que as famílias e indivíduos alcancem condições pelo menos equivalentes às precedentes”.

Em nota, a Vale destaca que o PTR foi estabelecido no acordo global como uma solução definitiva para os pagamentos emergenciais. A mineradora considera que cumpriu sua parte, já que transferiu o valor fixado. “A Vale faz o pagamento e não participa da gestão dos recursos nem da execução do programa. Em outubro de 2021, a empresa realizou o depósito de R$ 4,4 bilhões previstos para esta obrigação e, desde novembro de 2021, o programa foi implementado e é gerido pelas instituições de Justiça, e gerenciado pela Fundação Getulio Vargas. Com o depósito em juízo do valor correspondente ao PTR, foi encerrada a obrigação da Vale referente ao tema”, registra o texto.

“Tenho obrigação de lutar”, diz mãe que perdeu os filhos em Brumadinho

Manifestações, debates, seminário, exibição de filme e apresentação artística são algumas das atividades que compõem uma extensa agenda em curso desde o início da semana. Os eventos marcam os seis anos do rompimento da barragem da mineradora Vale. O episódio vem sendo lembrado com uma programação que não se restringe a Brumadinho (MG), epicentro da tragédia. Por meio do esforço de diferentes entidades, também foram organizadas atividades em Belo Horizonte, Ouro Preto e São Paulo.

O rompimento da barragem ocorrido há exatos seis anos liberou uma avalanche de rejeitos que gerou grandes impactos ambientais e socioeconômicos que afetaram milhares de pessoas em diferentes municípios mineiros da bacia do Rio Paraopeba. Naquele 25 de janeiro de 2019, foram perdidas 272 vidas, incluindo dois bebês de mulheres que estavam grávidas. Até hoje, nenhuma pessoa foi responsabilizada em âmbito criminal, o que eleva o clamor por justiça na série de atividades programadas pelos atingidos.

Helena Taliberti perdeu os dois filhos na tragédia em Brumadinho – Jozzuu/ICLT

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“A gente precisa com muito afinco lutar para que de fato possamos ter um futuro para os nossos filhos, para as novas gerações. Infelizmente eu não tenho mais filhos e não vou ter netos, mas eu acho que tenho obrigação de lutar por isso, para que esse planeta seja viável e para que o Brasil seja viável”, diz a presidente do Instituto Camila e Luiz Taliberti (ICLT), Helena Taliberti.

Com sede em São Paulo, a entidade foi criada em homenagem aos dois filhos de Helena, que morreram respectivamente aos 33 e aos 31 anos de idade. Ambos estavam hospedados na Pousada Nova Estância, que foi engolida pelos rejeitos.

Não foram as únicas vítimas da família. Aos 30 anos, Fernanda Damian, mulher de Luiz Taliberti, também teve sua vida interrompida. Ela estava grávida há cinco meses do primeiro neto de Helena. Estava presente ainda o ex-marido de Helena, pai de Camila e Luiz. Ele acompanhava a viagem junto com sua esposa. Era para ser um dia feliz: o grupo estava na cidade mineira a turismo, para conhecer o Instituto Inhotim, considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina.

“Não foi uma morte normal e, por isso, não é um luto normal. É um luto muito dolorido, porque a gente sabe que podia ter sido evitado. O rompimento da barragem não teria acontecido se a ética empresarial tivesse sido obedecida”, diz Helena.

De acordo com Helena o que lhe dá forças para continuar na luta por justiça é a união das vítimas, o que possibilita “viver o luto junto”. Ela destaca também os apoios que recebeu desde o primeiro momento e que recebe ainda hoje. “A solidariedade é uma das características do caráter humano que eu mais admiro. As pessoas se mobilizam por amor. E é um amor a um próximo que você não conhece. Eu recebo mensagens até hoje de pessoas me dando apoio, me dando força, dizendo que pensam em nós”.

Rompimento de barragem em Brumadinho ocorreu há exatos seis anos – Reuters/Washington Alves/Direitos Reservados

Segundo Helena, essas mensagens ajudam a atravessar os momentos mais difíceis. “Para você ter uma ideia eu estou com pneumonia. Todo ano nesta época eu tenho alguma coisa assim. Meu corpo não não aguenta.”

Helena explica que, apesar de estar sediado em São Paulo, o Instituto Camila e Luiz Taliberti possui uma forte união com a Associação dos Familiares das Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem em Brumadinho (Avabrum), que tem um papel de destaque na mobilização por justiça.

Criada também em 2019 por mães e pais, viúvas e viúvos, irmãs e irmãos, filhos e filhas de pessoas que morreram na tragédia, a entidade organiza anualmente em janeiro uma semana de eventos. O cronograma que se iniciou no último domingo (19) incluiu carreata, passeio de bicicleta e um seminário de debates.

Um ato nas ruas do centro de Brumadinho a partir das 11h deste sábado (25) fecha a agenda. A mobilização será reforçada com a presença dos integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB), organização que luta contra os impactos causados pela atividade minerária em todo o país e que também também construiu uma programação para marcar a data da tragédia: ao longo dessa sexta-feira (24), uma assembleia, um debate e uma marcha para cobrar por justiça foram realizados em Belo Horizonte.

No ato em Brumadinho, os familiares farão coro à luta contra a impunidade e prestarão homenagens aos entes queridos, os quais são chamados de joia. Trata-se de uma resposta ao ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman, que na época da tragédia avaliou que a empresa era um “joia brasileira” que não poderia ser condenada.

Além de apoiar as mobilizações da Avabrum, o Instituto Camila e Luiz Taliberti também possui sua agenda própria. A criação da entidade foi uma ideia que nasceu nos meses seguintes à tragédia, a partir da indignação de amigos dos dois irmãos. A proposta foi abraçada por Helena Taliberti, que preside a entidade. Desde então, vem desenvolvendo uma série de atividades em torno dos seus objetivos: de defender os direitos humanos, empoderando grupos de mulheres e engajados com a preservação do meio ambiente, e cobrar respostas para a tragédia de Brumadinho e outros crimes ambientais.

Exposição Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo e no Território está em cartaz no anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto – Isabelle Aguiar/ICLT

Para a marca dos seis anos, o instituto inaugurou, no final de novembro do ano passado, a exposição Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo e no Território. Reunindo obras de 12 artistas mulheres, a mostra ficará em cartaz até março ocupando um anexo do Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, berço da mineração no século 18, no chamado ciclo do ouro.

Além disso, neste sábado, quem visitar a exposição poderá acompanhar uma performance da artista Morgana Mafra, na qual o público será convidado a uma reflexão sobre as cicatrizes que a exploração mineral deixa nos territórios e nas vidas que os habitam.

Na sequência, quando Morgana Mafra sair de cena, os olhos do público que a acompanha poderão se voltar para a tela onde o documentário Sociedade de Ferro, dirigido por Eduardo Rajabally, aborda as conexões entre grandes empresas e o poder público em meio a uma investigação sobre a tragédia ocorrida em Brumadinho e também a que ocorreu em 2015 na bacia do Rio Doce. Na ocasião, o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), causou 19 mortes e um aborto, além de gerar impactos para populações de dezenas de cidades mineiras e capixabas.

Helena Taliberti explica a aposta no evento como forma de conscientização. “A arte é uma forma de expressão que toca o coração da sociedade de uma forma mais profunda. Escolhemos artistas mulheres especificamente para expressar essa situação porque são as mulheres as mais atingidas por essas tragédias. São muitas viúvas, mães, filhas, esposas”, diz.

Quadro assinado pela artista Isis Medeiros, uma das 12 artistas com obras na exposição Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo e no Território  – Lais Teixeira/ICLT

Helena destaca a liderança feminina na luta por justiça. Enquanto ela está à frente do Instituto Camila e Luiz Taliberti, oito dos dez membros da diretoria da Avabrum também são mulheres. Além das atividades artísticas em Ouro Preto, o Instituto Camila e Luiz Taliberti convocou também um ato público na região central de São Paulo. A mobilização irá se iniciar às 10h deste domingo (26) na Avenida Paulista. “É importante falarmos desse assunto aqui em São Paulo. Hoje em Minas Gerais, as pessoas sabem as consequências da mineração. Fora de Minas Gerais, as pessoas não sabem”, pontua Helena.

Memória

Para a agenda de 2025, o lema adotado pela Avabrum é “Memória Irreparável – Uma Tragédia que Rompeu Histórias Não Será Esquecida”. A entidade vem adotando uma postura crítica à ideia de reparação. Dois anos após a tragédia, uma série medidas foi prevista em um acordo firmado entre a Vale, o governo federal, os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A mineradora Vale ficou responsável por destinar o valor de R$ 37,68 bilhões ao longo de dez anos, com intuito de reparar os danos coletivos.

Foram previstos investimentos socioeconômicos, ações de recuperação socioambiental, ações voltadas para garantir a segurança hídrica, melhorias dos serviços públicos, obras de mobilidade urbana, entre outras. A implementação das medidas tem sido bem avaliada pelo MPMG e pelo MPF. No entanto, o acordo é alvo de críticas dos atingidos, que o consideram insuficiente para fazer frente aos problemas.

“Quando dizem reparação, dá uma ideia de restaurar e reviver. Eu perdi a família inteira. Como é que tem reparação para isso? Não tem. Infelizmente isso virou um chavão e acaba caindo em um lugar-comum. É uma coisa muito repetida e, na repetição, cai na banalização. Mas não tem reparação. O que eles tentam fazer talvez seja uma retratação. Mas não é uma reparação. E estão fazendo o suficiente? Não. E nunca será. Não vai preencher o lugar vazio dos meus filhos na mesa de Natal ou no dia dos aniversários deles”, avalia Helena.

Ela lembra que, por exigência da Avabrum, todas as obras realizadas com recursos do acordo deverão ter uma placa em homenagem dos 272 mortos. Para Helena, é uma forma de preservar a memória e fazer com que as pessoas permaneçam vivas. “Precisamos homenageá-las, lembrar o que elas foram e o legado que elas deixaram”, defende.

Memorial Brumadinho será inaugurado neste fim de semana – Tânia Rêgo/Agência Brasil

É justamente com essa proposta que será inaugurado o Memorial Brumadinho também neste fim de semana. As portas serão abertas pela primeira vez com uma programação em dois dias. Trata-se de um pavilhão com cerca de 1,5 mil metros quadrados de área construída, integrado a um amplo jardim, em um terreno de 9 hectares, pensado para ser um espaço de homenagem e de conexão com as vítimas.

Sua construção foi uma exigência das famílias dos mortos. Elas participaram da seleção do projeto arquitetônico. A Vale bancou o custo da obra e também será responsável por arcar com a manutenção. Mas, embora tenha assumido o compromisso financeiro, a mineradora não participará da gestão do espaço. Esse era um desejo dos atingidos. Apesar do impasse inicial, uma solução foi encontrada em 2023 com a criação da Fundação Memorial de Brumadinho, que terá protagonismo dos familiares das vítimas.

Helena Taliberti lembra que ali será também um espaço de denúncia. Para ela, a memória é importante como instrumento de pressão por responsabilização. Ela cobra que os 16 denunciados pelo MPF sejam julgados. Um deles, o ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman, obteve no ano passado um habeas corpus e deixou a condição de réu.

A mãe de Camila e Luiz considera que o julgamento é fundamental para evitar que novas tragédias aconteçam. Ela afirma não ter dúvidas de que a impunidade no caso do rompimento da barragem em Mariana contribuiu para que um episódio similar ocorresse em Brumadinho pouco mais de três anos depois. “Não podemos deixar que isso se repita. As pessoas precisam ser responsabilizadas. Claro que temos que ter muito cuidado em não colocar a carroça na frente dos bois. Existem os denunciados, e a Justiça determinou que eles fossem a julgamento. Então que se faça esse julgamento. Que os denunciados sejam de fato julgados. É a única forma de fazer com que o setor tome atitudes para que isso não aconteça de novo.”

Ao completar 471 anos, São Paulo ganha lista de lugares imperdíveis

São Paulo é a maior cidade do Brasil e a quarta maior do mundo em população, com aproximadamente 12,3 milhões de habitantes, segundo o Censo de 2023 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A capital também se destaca como um dos maiores polos econômicos da América Latina, representando cerca de 9,2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Com diversidade cultural e alta oferta de eventos culturais, a capital oferece diversas atrações turísticas para visitantes e até mesmo para moradores.

Para comemorar o aniversário de 471 anos neste sábado (25), a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado (Setur-SP) montou uma lista com roteiros e lugares importantes para explorar história, cultura e diversidade da capital paulista. “São Paulo é uma cidade vibrante e única, que reflete a diversidade e o dinamismo do Brasil. Neste aniversário de 471 anos, convidamos todos a explorarem tudo o que a capital paulista tem a oferecer. São atrativos que vão desde marcos históricos até espaços culturais contemporâneos, oferecendo experiências inesquecíveis para todos os perfis de visitantes”, disse o secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Roberto de Lucena.

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O primeiro é o Pátio do Colégio, local onde a cidade foi fundada, e um marco histórico e cultural, com um museu que conta a história da fundação de São Paulo. Para celebrar o aniversário da cidade, o Pátio do Colégio terá programação cultural especial.

A poucos metros do local de fundação da cidade de São Paulo, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) promove exposições de arte, teatro, música e cinema, com uma programação diversificada para todos os públicos.

Outra opção é a Avenida Paulista, considerada a mais famosa do país é também o coração da cidade, com museus, centros culturais, teatros e variedade de lojas, restaurantes e cafés. Aos domingos, fica fechada para carros e se transforma em um espaço para pedestres, artistas de rua e eventos. Um dos museus localizados na Paulista é o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o primeiro museu moderno do país tem um acervo de arte ocidental, além de exposições temporárias de artistas renomados.  .

Famoso por seus sanduíches de mortadela e pastéis de bacalhau, o Mercadão (Mercado Municipal de São Paulo) se tornou um dos mais tradicionais pontos gourmet da cidade. Além da gastronomia, o prédio também atrai quem gosta de arquitetura. Este ano o Mercadão celebra 92 anos no mesmo dia de aniversário da capital paulista. .

Ruas, bairros e construções

Famosa pelas lojas de produtos variados e com preços acessíveis, a 25 de Março, região central, é o local ideal para quem busca boas ofertas. Dela é possível chegar andando ao Mercadão Municipal. Já a Rua Oscar Freire, considerada uma das ruas mais sofisticadas da cidade, é famosa pelas lojas de luxo, restaurantes renomados e opções de compras de alto padrão.

Já a Rua do Triunfo é uma das mais antigas da cidade, pois preserva a arquitetura colonial. O passeio é indicado para quem quer conhecer o lado histórico de São Paulo.

A Vila Madalena, na zona oeste, considerada um bairro boêmio, alcançou fama por abrigar bares, galerias de arte e o famoso Beco do Batman, um espaço de arte urbana com grafites coloridos. Na Rua Apa, em Campos Elísios, pode-se observar o Castelinho, que foi construído no século 19 e é um exemplo de arquitetura neoclássica, que se tornou um ícone da cidade, servindo como um espaço cultural com eventos e exposições.

Outro ponto emblemático da cidade é o Edifício Copan, obra do arquiteto Oscar Niemeyer. O edifício é um dos maiores residenciais do Brasil, com 115 metros de altura, 32 andares e 120 mil metros quadrados de área construída e dividido em 06 blocos. Além de proporcionar uma vista deslumbrante da cidade, também sedia bares e restaurantes e lojas de serviços.

O Edifício Matarazzo é uma das construções mais imponentes de São Paulo. Situado no coração da cidade, e erguido na década de 1930, é um ícone da arquitetura Art Déco. Projetado pelo arquiteto italiano Marcello Piacentini, a pedido do empresário Francisco Matarazzo, o edifício se destaca pela grandiosidade. Sede da prefeitura paulistana, o imponente prédio de 30 andares proporciona uma vista panorâmica deslumbrante da cidade. Considerado um dos edifícios mais belos de São Paulo, o Matarazzo é uma verdadeira obra-prima da arquitetura.

Um dos prédios mais icônicos do centro de São Paulo, o edifício Altino Arantes, conhecido como Farol Santander, oferece uma vista panorâmica da cidade. São 35 andares e 161 metros de altura, que abrigam um centro de cultura, turismo, lazer e gastronomia..

Natureza

Um dos maiores parques urbanos do mundo, ideal para caminhadas, piqueniques e atividades ao ar livre, o Ibirapuera também abriga o Museu de Arte Morderna de São Paulo (MAM), com acervo composto por mais de 5 mil obras produzidas pelos nomes mais representativos da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. .

Já o Parque da Água Branca, um dos mais tradicionais da cidade, além da área de lazer, lagos e centros culturais, tem uma feira de produtores locais, que o torna famoso.

O Jardim Botânico de São Paulo também consta na lista dos passeios ao ar livre, já que é a maior área de Mata Atlântica no meio da capita. 

Já a maior o São Paulo Zoo é o maior zoológico do Brasil, com uma vasta diversidade de espécies de animais e um ambiente natural para visitas educativas. .

Os amantes da natureza também têm a opção de visitar o Aquário de São Paulo, o maior da América Latina, onde é possível ver mais de 3 mil animais de 300 espécies diferentes, em uma experiência educativa e fascinante sobre a vida marinha e a biodiversidade do planeta. 

Museus e teatros

Um dos mais importantes museus de arte brasileira, a Pinacoteca do Estado de São Paulo oferece ao visitante uma coleção que abrange desde o período colonial até a arte contemporânea. O acervo do museu compõe cerca de 11 mil peças, dentre as quais estão trabalhos de importantes artistas brasileiros como Anita Malfatti, Lygia Clark, Tarsila do Amaral, Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Candido Portinari e Oscar Pereira da Silva.

Localizado na Estação da Luz, o Museu da Língua Portuguesa, representa uma celebração do idioma oficial do Brasil e sua rica diversidade cultural. O local é acessível para todos os públicos . Também importante, o Museu da Casa Brasileira, localizado em uma mansão de estilo colonial, é um centro de preservação e exposição de design, arquitetura e mobiliário brasileiro. .

Já o Museu do Futebol, localizado no Estádio do Pacaembu, é uma atração interativa que conta a história do futebol brasileiro de forma dinâmica e envolvente. É totalmente acessível ao público de pessoas com deficiência e estrangeiros, dispondo de recursos variados, tanto de acessibilidade física (escadas rolantes, elevadores, piso podotátil, cadeira de rodas) quanto de acessibilidade comunicacional (audioguias em inglês, espanhol e para cegos, maquetes táteis, materiais sensoriais etc).  .

No centenário Museu do Ipiranga, os interessados em história e cultura material podem visitar as exposições e ainda usufruir dos espaços para atividades educativas e culturais. .

Já no Museu Afro Brasil é possível encontrar um acervo imersivo sobre a cultura afro-brasileira, com destaque para a contribuição dos negros para a formação da sociedade brasileira. .

O Theatro Municipal de São Paulo, visita obrigatória para turistas que visitam a cidade, é uma das maiores casas de ópera do Brasil e um dos mais belos teatros, com programação contando com óperas, balés e concertos de renome internacional. .

Frente Parlamentar pede que TCU reavalie decisão sobre Pé-de-Meia

A Frente Parlamentar Mista da Educação, composta por 207 deputados federais e 22 senadores, fez um apelo ao Tribunal de Contas da União (TCU) para que reavalie a decisão suspender R$ 6 bilhões do programa de apoio educacional Pé-de-Meia. Em ofício enviado nesta sexta-feira (24) ao ministro Vital do Rêgo, presidente da corte, a bancada da educação no Congresso Nacional diz que a suspensão pode gerar “graves prejuízos” aos estudantes beneficiários. Criado no ano passado, o programa atende 3,9 milhões de jovens em todo o país, com investimento anual de R$ 12,5 bilhões.

“O Programa Pé-de-Meia é essencial para a melhoria da aprendizagem e a evolução nos resultados educacionais. De acordo com dados do Censo da Educação Básica de 2022, a taxa de evasão entre estudantes das redes públicas era de 6,4%, e espera-se que, com a implementação do programa, essa taxa seja significativamente reduzida, garantindo que mais jovens permaneçam na escola. Além disso, a vinculação dos incentivos financeiros à frequência e à conclusão escolar possui um grande potencial de melhora do desempenho escolar, na medida em que estudos apontam que a permanência estudantil está associada a melhores resultados educacionais”, diz um trecho do ofício.

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Em sessão na quarta-feira (22), o plenário do TCU manteve, por unanimidade, uma decisão cautelar do ministro Augusto Nardes que suspende a execução de R$ 6 bilhões do programa. A medida foi tomada a partir de uma ação proposta pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU), que alegou que os valores utilizados para o crédito do programa estavam fora do Orçamento.

O Pé-de-Meia paga uma mesada de R$ 200 por aluno durante o ano letivo e mais uma poupança anual de R$ 1 mil para quem for aprovado, mas que só podem ser sacada após a conclusão do ensino médio. Há também apoio financeiro para a matrícula e para incentivar o aluno a realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ao todo, cada aluno pode receber até R$ 9,2 mil ao final dos três anos desta etapa de ensino. O financiamento do programa vem ocorrendo com recursos de diferentes fundos de direito privado alimentados por recursos público da União, sob gestão da Caixa Econômica Federal.

“O bloqueio dos recursos pode comprometer a continuidade do programa e, consequentemente, comprometer os avanços já conquistados e os impactos potenciais. A interrupção do pagamento do benefício pode levar ao aumento da evasão escolar, ao comprometimento do desempenho acadêmico e à exclusão de milhares de jovens do sistema educacional”, destacam os parlamentares na carta ao TCU. O ofício pede ao tribunal que reconsidere a decisão de bloqueio dos recursos e avalie a viabilidade de uma solução para o impasse, conciliando “os princípios da eficiência na gestão pública com as necessidades urgentes” da educação brasileira.

Apesar do bloqueio, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assegurou nesta quinta-feira (23) que o programa Pé-de-Meia não será interrompido. Segundo ele, o pacote de corte de gastos aprovado no fim do ano passado estabelece medidas que colocam o programa no Orçamento da União, apesar de a Advocacia-Geral da União (AGU) ter manifestado preocupações, em recurso apresentado ao TCU para impedir a suspensão dos repasses mantida pelo tribunal.

Temporal em São Paulo prejudica a operação de várias linhas do metrô

A forte chuva que atingiu, na tarde desta sexta-feira (24), várias regiões de São Paulo ainda prejudica o funcionamento dos do metrô em várias linhas, prejudicando a volta para casa dos paulistanos..

Conforme o site da empresa, três linhas – Azul, Verde e Vermelha – ainda funcionam com velocidade reduzida. As outras três – Amarela, Lilás e Prata – voltaram a operar normalmente.

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Uma das estações mais atingidas foi a do Jardim São Paulo – Ayrton Senna (linha Azul), que chegou a ficar inundada e os passageiros precisaram se agarrar aos alambrados para se protegerem. O temporal foi tão forte que goteiras apareceram no interior dos vagões.

Congonhas

A Aena, concessionária que opera o Aeroporto de Congonhas, informou que o terminal funciona sem problemas e aberto para pousos e decolagens. O aeroporto, que opera, entre outros destinos, a Ponte Aérea São Paulo-Rio de Janeiro, em nenhum momento fechou por conta das condições meteorológicas. Ainda assim, por decisão operacional das companhias aéreas, quatro pousos e quatro decolagens foram cancelados.

Certidão de óbito de Rubens Paiva agora informa que morte foi violenta

A certidão de óbito de Rubens Paiva, torturado e morto durante a ditadura militar no Brasil, foi retificada e a partir de agora fica reconhecido que a morte do ex-deputado foi violenta e causada pelo estado brasileiro 

O documento foi alterado depois que resolução do Conselho Nacional de Justiça passou a obrigar o estado brasileiro a reconhecer e retificar os registros de mortos e desaparecidos na ditadura. A mudança deve ser feita pelos próprios cartórios. 

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O documento entregue à família de Rubens Paiva diz que a morte foi por causa “não natural; violenta; causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população identificada como dissidente política do regime ditatorial instaurado em 1964”.

Para Rogério Sottili, diretor do Instituto Vladimir Herzog,  a alteração da certidão  de óbito atende a luta por justiça dos familiares dos mortos e desaparecidos da ditadura brasileira. “Isso demonstra que as mulheres desses familiares são as grandes heroínas, Clarisse Herzog, Eunice Paiva, Ana Dias, e tantas outras Marias e Clarisses e Eunices, que fazem dessa luta uma luta fundamental por justiça e que é o fundamento para a democracia brasileira”

Desaparecido

Em 20 de janeiro de 1971, o ex-parlamentar foi levado da casa dele, no Rio de Janeiro, por agentes da ditadura militar brasileira e nunca mais retornou. O atestado de óbito de Rubens Paiva só foi entregue à família em 1996, 25 anos depois do desaparecimento, sem a causa da morte.

A história da família Paiva é o enredo do filme Ainda Estou Aqui, que esta semana recebeu três indicações ao Oscar 2025.

Portarias prorrogam permanência da Força Nacional no Pará e Paraná

Edição desta sexta-feira (24) do Diário Oficial da União publica duas portarias do Ministério da Justiça e da Segurança Pública prorrogando a presença por 90 dias da Força Nacional em operações para preservação da ordem pública.

A Portaria nº 861 estende a atuação da Força Nacional no Centro Integrado de Operações de Fronteira (Ciof) em Foz do Iguaçu (PR). Segundo a portaria, a Força Nacional apoiará o combate aos crimes transnacionais.

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O Ciof atua contra o tráfico de drogas e armas, o financiamento ao terrorismo e a lavagem de dinheiro. A unidade foi construída com o apoio da empresa estatal binacional Itaipu e do governo do Paraná.

Já a Portaria nº 862 “prorroga o uso da Força Nacional na Terra Indígena Alto Rio Guamá, no Pará, em apoio à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai)”, para a “proteção das pessoas e do patrimônio.”

Localizada no nordeste do Pará, entre os municípios de Santa Luzia do Pará, Nova Esperança do Piriá e Paragominas, a terra indígena tem área de 280 mil hectares, onde vivem cerca de 2,5 mil indígenas das etnias Tembé, Timbira e Ka’apor.

Dólar cai para R$ 5,91 e registra maior queda semanal desde agosto

Em mais um dia de alívio no mercado financeiro, o dólar caiu pela quinta vez seguida e teve o maior recuo semanal desde agosto. A bolsa de valores alternou altas e baixas, mas fechou estável após a divulgação da prévia da inflação de janeiro.

O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (24) vendido a R$ 5,918, com queda de R$ 0,008 (-0,13%). A cotação caiu até o início da tarde, quando chegou a R$ 5,86 por volta das 14h, mas diminuiu a queda a partir desse horário, com investidores aproveitando o preço baixo para comprar dólares. Perto do fim da sessão, o câmbio fechou próximo da estabilidade.

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A moeda norte-americana está no menor nível desde 27 de novembro. A divisa caiu 2,42% na semana, o maior recuo para cinco dias úteis desde a semana encerrada em 9 de agosto.

O mercado de ações teve um dia mais volátil. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 122.447 pontos, com queda de apenas 0,03%. O indicador mudou de direção diversas vezes ao longo do dia, mas encerrou em terreno negativo com a alta dos juros no mercado futuro.

Tanto fatores domésticos como internacionais influenciaram o mercado nesta sexta. No cenário interno, a divulgação de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou para 0,11% em janeiro provocou a queda da bolsa.

Apesar de a prévia da inflação oficial ter registrado o menor nível para meses de janeiro desde a criação do real, o índice veio acima das expectativas, com as instituições financeiras esperando inflação zero para o mês. Isso aumentou as chances de o Banco Central (BC) aumentar a taxa Selic (juros básicos da economia) além do previsto, o que desestimula investimentos na bolsa de valores.

No cenário internacional, no entanto, o dólar caiu em todo o planeta após o novo presidente norte-americano, Donald Trump, anunciar a possibilidade de um acordo comercial com a China após uma conversa com o presidente chinês, Xi Jingping. A revelação, feita em entrevista à emissora americana Fox News, acalmou o mercado global, ao reduzir a chance de tarifaço do novo governo dos Estados Unidos.

*Com informações da Reuters

Restos mortais de congolês morto no Rio serão preservados

Na data que marca três anos do assassinato do congolês Moïse Kabagambe, nesta sexta-feira (24), uma ação conjunta garantiu a exumação gratuita e a preservação dos restos mortais do refugiado. Moïse foi morto de forma brutal aos 24 anos, em um quiosque na orla da praia da Barra da Tijuca, 

A medida foi articulada pela presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputada Dani Monteiro, junto ao Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, ao Comitê Estadual Intersetorial de Políticas de Atenção aos Refugiados e Migrantes. A medida foi atendida tanto pela Secretaria Municipal de Conservação (Seconserva) e pela concessionária de serviços funerários Rio Pax, que garantiu o serviço sem custos.

A exumação e preservação dos restos mortais de Moïse assegura que a família possa cumprir seus rituais culturais e religiosos, evitando que o corpo fosse destinado ao ossário público, o que seria uma violação de seus direitos. A ação conjunta demonstra o compromisso do poder público em combater violações de direitos humanos e reforçar o enfrentamento ao racismo estrutural e à exclusão social.

Em 2024, Moïse recebeu a maior honraria do estado do Rio, a Medalha Tiradentes post mortem, concedida pela Alerj.

Azul suspende operação em 12 cidades brasileiras

A companhia aérea Azul informou nesta sexta-feira (24) a suspensão total de suas operações em 12 cidades brasileiras a partir do dia 10 de março. Os voos serão encerrados em Campos e Cabo Frio (RJ); Correia Pinto (SC); Crateús, São Benedito, Sobral e Iguatú (CE); Mossoró (RN); São Raimundo Nonato e Parnaíba (PI); Rio Verde (GO); e Barreirinha (MA).

A companhia alegou, em nota à imprensa, uma série de fatores, “que vão desde o aumento nos custos operacionais da aviação, impactados pela crise global na cadeia de suprimentos e a alta do dólar, somadas às questões de disponibilidade de frota e de ajustes de oferta e demanda”.

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Pelas mesmas razões, haverá redução de oferta e readequações da operação da Azul em outras localidades.  Os voos para Fernando de Noronha (PE) serão operados somente a partir de Recife. Também a partir de 10 de março, os voos saindo de Juazeiro do Norte (CE) passarão a ter como destino o aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), principal hub da companhia. As operações no aeroporto de Caruaru (PE) serão readequadas, devido à baixa ocupação. Segundo a Azul, os voos passarão a ser realizados por aeronaves Cessna Grand Caravan, com capacidade para nove clientes.

“As mudanças fazem parte do planejamento operacional da Companhia, e os Clientes impactados estão sendo comunicados previamente e receberão a assistência necessária, conforme prevê a resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)”.

Na semana passada, a Azul e a Abras, dona da Gol, outra companhia aérea nacional, assinaram um memorando de entendimento para iniciar as negociações para uma fusão. Caso a união se concretize, a nova empresa concentrará 60% do mercado aéreo no país.  

São Paulo ainda registra alagamentos e trânsito intenso após temporal

A região metropolitana de São Paulo ainda sente os impactos da forte chuva que ocorreu durante a tarde desta sexta-feira (24). Segundo registro do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) municipal, cinco pontos de alagamento seguem intransitáveis na cidade. No pior momento, hoje, foram 32 pontos ativos. 

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital registra 510 quilômetros (km) de trânsito, volume anormal para a noite paulistana em janeiro. Pico superou os 520 km.

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O transporte sobre trilhos continua afetado. As linhas 1,2 e 3 do metrô só voltaram ao normal às 20h55, mesmo horário em que a CPTM anunciou normalização das linhas 11 e 13. A linha 12-Safira continua com trecho interrompido, após um raio derrubar a energia na linha. Segundo registros da Defesa Civil 13.190 raios foram registrados na área da capital durante a tempestade desta tarde, sendo 6.292 o número de raios que atingiram o solo e 6.898 os registrados dentro das nuvens.

Segundo a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros registrou 219 ocorrências relacionadas a inundações, quatro chamados para desmoronamento e desabamento, 97 chamados para queda de árvore e três chamados para queda de fiação elétrica. Os ventos atingiram velocidades de 63 km/h, e o volume acumulado de chuva chegou a 124 milímetros. 

Não houve registros de feridos ou desaparecidos, porém um telhado de um prédio comercial na Vila Maria desabou, atingindo veículos. Parte do teto do Shopping Center Norte, na Vila Guilherme, também colapsou.

No município de Carapicuíba, na parte Oeste da Região Metropolitana, mais de 100 residências ficaram alagadas. Houve registro de uma pessoa que transitava por uma via alagada com a motocicleta e foi arrastada pela força das águas, porém, até o momento, não houve acionamento do Corpo de Bombeiros. 

Autoridade de Proteção de Dados suspende coleta de íris

A empresa multinacional Tools for Humanity – TFH deverá interromper “a oferta de criptomoeda ou de qualquer outra compensação financeira pela coleta de íris de titulares de dados no Brasil”, segundo a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

A ordem, de caráter administrativo, ocorre dois meses e meio depois da ANDP ter iniciado fiscalização sobre o tratamento de dados biométricos pela companhia fundada em 2019 e sediada em São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos, e Munique, na Alemanha.

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A TFH se apresenta como uma “empresa de tecnologia que desenvolve projetos para humanos na era da inteligência artificial”. 

Segundo a ANDP, o propósito da coleta de íris humanas alimentaria a plataforma World ID útil para “a comprovação de que o titular é um ser humano único vivo” e assim “promoveria maior segurança digital em contexto de ampliação das ferramentas de inteligência artificial.”

Na avaliação da ANDP, a oferta de criptomoedas contraria a Lei Geral de Proteção de Dados, que estabelece que o “o consentimento para o tratamento de dados pessoais sensíveis, como é o caso de dados biométricos, precisa ser livre, informado, inequívoco e fornecido de maneira específica e destacada, para finalidades específicas”.

Reportagem publicada pela Agência Brasil na semana passada registra alerta de especialistas de que “as pessoas desconhecem riscos ao escanear a íris.” Karen Borges, gerente Adjunta da Assessoria Jurídica do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) alerta que “não sabemos ainda como essas informações serão utilizadas quando associadas em conjunto com algoritmos avançados, além da inteligência artificial (IA), podendo ser aberta uma porta para abusos, crimes e irregularidades”.

Conforme a matéria, mais de um milhão de pessoas já baixou o aplicativo no Brasil e mais de 400 mil permitiram o escaneamento da íris.