Agência Brasil lança primeira reportagem da seleção Nádia Franco

A Agência Brasil e a Radioagência Nacional lançam nesta segunda-feira (3), às vésperas da COP30, a reportagem especial Fronteira Cerrado: expansão do agro no coração hídrico do Brasil.

Para desenvolver a série de matérias, nossa equipe de reportagem viajou até Balsas, no sul do Maranhão, um dos epicentros da fronteira agrícola do país. No município, o cenário é de convívio entre o crescimento econômico movido pelo agronegócio e o aumento das taxas de desmatamento do Cerrado, bioma considerado o “berço das águas” por sediar as nascentes de oito das 12 bacias hidrográficas do país. 

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Com o terceiro maior PIB do Maranhão, Balsas reúne as contradições de um modelo de desenvolvimento impulsionado pelo Estado que favorece a monocultura para abastecer o mercado mundial e vem preocupando especialistas, pesquisadores e ambientalistas. 

Para uns, o agro é o motor da economia do país, levando desenvolvimento para as regiões onde se instala. Para outros, é um modelo insustentável que traz riquezas e poder para poucos, expulsa comunidades e povos do Cerrado e coloca em risco o futuro de todo o povo brasileiro ao comprometer a segurança hídrica do Brasil, com o desmatamento da savana.

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Fronteira Cerrado: expansão do agro no coração hídrico do Brasil é uma série de cinco matérias viabilizada a partir da Seleção de Reportagens Nádia Franco, iniciativa da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) que destinou R$ 200 mil para o custeio de conteúdos especiais produzidos por jornalistas da empresa. De 54 projetos inscritos, oito foram selecionados por um conselho editorial. 

A jornalista Nádia Franco foi editora da Agência Brasil e dedicou 49 anos à comunicação pública. Ela morreu em agosto de 2025.

Acompanhe as matérias da reportagem especial Fronteira Cerrado: expansão do agro no coração hídrico do Brasil até a próxima quarta-feira (5).

 

Lula e Ministério da Cultura lamentam a morte de Lô Borges

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou, nesta segunda-feira (3), nas redes sociais, uma manifestação sobre a importância do compositor Lô Borges para a música e a cultura brasileira. O mineiro morreu neste domingo, aos 73 anos, em Belo Horizonte.

“Hoje nos despedimos de um dos grandes nomes da nossa música popular brasileira, Lô Borges. Suas canções, que começaram a nascer nas esquinas de Belo Horizonte, ultrapassaram as fronteiras de Minas Gerais e estão gravadas não apenas em álbuns, mas na memória e no coração de milhões de brasileiros”, diz a publicação.

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Lula conta que conheceu melhor as canções do músico através da primeira dama, Janja da Silva, fã desde a adolescência e que coloca os álbuns do mineiro para tocar nos momentos de descanso.

“Gerações de músicos foram influenciados pela sua obra. Seu álbum Clube da Esquina, em parceria com Milton Nascimento e Beto Guedes, é considerado um dos mais importantes de nossa história. E a própria MPB que conhecemos não seria a mesma se Lô Borges não tivesse nos dado a alegria de ter existido. O Brasil agradece a Lô Borges. E aos seus familiares, amigos e fãs, registro minha solidariedade e apoio neste momento de despedida”, concluiu.

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O Ministério da Cultura também publicou um comunicado comentando a partida do músico, na qual expressa pesar pelo falecimento do artista e o coloca entre os grandes nomes da música brasileira.

“Nascido em 1952, Salomão Borges Filho (seu nome de batismo) marcou gerações com sua sensibilidade, sua voz única e suas composições que traduziram o espírito mineiro em forma de poesia e melodia. Obras como Clube da Esquina, Um Girassol da Cor do Seu Cabelo e O Trem Azul permanecem entre os maiores clássicos da nossa canção popular”, diz a nota.

A pasta ainda ressalta que a trajetória de Lô Borges é parte indissociável da história da música e da cultura nacional — um artista que, ao lado de Milton Nascimento, Beto Guedes, Fernando Brant, entre outros parceiros, construiu pontes entre o Brasil e o mundo por meio da arte.

“O MinC solidariza-se com familiares, amigos, fãs e com todo o povo brasileiro, que hoje se despede de um de seus mais talentosos e queridos músicos”;

Brasil reduziu 16,7% emissões de gases do efeito estufa em 2024

O Brasil emitiu 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e) ao longo de 2024, registrando queda de 16,7% nas emissões brutas de gases do efeito estufa, em relação ao ano anterior, quando foram emitidas 2,576 GtCO2e. A diminuição é de 22%, quando consideradas emissões líquidas, que descontam a captura de carbono por florestas secundárias e áreas protegidas.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (3) pela rede Observatório do Clima, na 13ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), que traz um panorama do ano de 2024 a partir do inventário de cinco grandes setores: mudança de uso da terra, agropecuária, energia, processos industriais e resíduos.

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A queda registrada no último ano é a maior dos últimos 16 anos e a segunda mais significativa da série histórica iniciada em 1990, quando os dados revelaram uma diminuição de 17,2% na população climática.

Na avaliação de Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, o resultado positivo posiciona bem a liderança brasileira na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que se inicia no próximo dia 10 de novembro.

“Dificilmente teremos dentro do G20 [países mais ricos] ou dentro dos dez maiores emissores, países chegando na COP30 com um número de redução total das suas emissões, tal qual esse número que a gente está apresentando agora.”

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Quando consideradas as emissões brutas por setor, do total de 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2024, a mudança de uso da terra respondeu por 42%, agropecuária foi responsável por 29%, o setor de energia emitiu 20%, enquanto os resíduos e os processos industriais foram responsáveis por 5% e 4% respectivamente.

No Brasil, o setor de mudança de uso do solo é o maior responsável pelas emissões desde o início da série histórica. Em 2024, o setor foi responsável pela emissão de 906 milhões de toneladas de CO2e, sendo que 98% desse total tem origem no desmatamento.

Segundo a pesquisadora Bárbara Zimbres, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), desde 2022, o setor tem observado queda nas emissões decorrente do aumento do controle do desmatamento.

“No último ano a gente teve a maior queda nas emissões brutas de 32%”, destacou.

A Amazônia registrou a queda expressiva com redução de 41% nas emissões de gases do efeito estufa e o Cerrado também reduziu em 20% a poluição climática, mas o Pantanal foi o bioma com a queda mais expressiva de forma proporcional ao seu território, com redução de 66%. Apenas o Pampa aumentou as emissões no últmo ano, com crescimento de 6%.

Em 2024, o setor de agropecuária também registrou queda de 0,7% nas emissões de gases do efeito estufa, enquanto que os demais setores aumentaram o volume de poluição climática, registrando aumentos de 0,8% em energia, 2,8% em processos industriais e 3,6% em resíduos.

No recorte por estado, Rondônia, Pará e Mato Grosso foram os campeões na redução de emissões brutas, com redução de 65%, 44% e 44% respectivamente. Apenas Minas Gerais, Piauí, Roraima, Rio Grande do Sul e Sergipe registraram aumento nas emissões de 2024, em relação ao ano anterior.

Emissões líquidas

O total de emissões líquidas do Brasil, em 2024, foi de 1,49 GtCO2e, quando consideradas as remoções por áreas protegidas e florestas secundárias. Isso leva o setor de uso da terra a registrar uma queda ainda maior de 64% no total das emissões, com redução de 685 milhões para 249 milhões de toneladas de CO2 equivalente entre 2024 e 2023.

A queda reposiciona o setor em segundo lugar de emissões líquidas no país, respondendo por 17% do total em 2024, enquanto que a agropecuária, passa a ser responsável por 42% da poluição líquida do Brasil, no último ano.

Queimadas

No SEEG, as queimadas não são associadas ao desmatamento, que não chegam a caracterizar mudança no uso do solo, entram em um estudo a parte, não contabilizados no inventário.

“O Brasil queimou inteiro, em quase todos os biomas houve aumentos expressivos na área queimada em 2024. Isso refletiu no aumento de duas vezes e meia nas emissões líquidas por fogo no Brasil nos biomas”, destaca Bárbara Zimbres.

De acordo com a pesquisadora, se esse processo entrasse para o inventário de emissões haveria de 20% a 30% nas emissões líquidas dos últimos 10 anos. “Em 2024 chegou a quase 100% das emissões líquidas, então se [as queimadas] fossem contabilizadas, a gente veria as emissões líquidas no setor de uso do solo dobrarem”.

Confira as informações do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Fachin quer acelerar Tribunal do Júri nos crimes contra a vida

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disse, nesta segunda-feira (3), que o Judiciário não está de “braços cruzados” e busca agilizar tribunais do Júri em todo o país, para solução mais rápida de crimes contra a vida

‘’É uma resposta do Poder Judiciário ao interesse legítimo da sociedade brasileira, que almeja confiança [na Justiça]”, disse Fachin.

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O ministro participou, no Recife, da abertura do Mês Nacional do Júri, uma mobilização anual para a realização do máximo de julgamentos pelo Tribunal do Júri possíveis durante o mês de novembro.

Segundo dados do CNJ, no ano passado foram julgados 8,3 mil processos durante o esforço concentrado. Neste ano, são priorizados os crimes dolosos contra a vida de mulheres, menores de 14 anos, ações envolvendo policiais e processos com mais de cinco anos de tramitação sem desfecho.

Fachin afirmou que a diretriz no momento é priorizar e aumentar a frequência das sessões de júri popular nas pautas dos tribunais e modernizar o processamento desse tipo de ação.

“Entre o cometimento de um ato o oferecimento da denúncia e seu julgamento tem que decorrer cada vez mais um tempo menor”, disse. 

O ministro reconheceu que há críticas bem fundamentadas sobre imperfeições do Tribunal do Júri, mas disse se tratar de instituto previsto na Constituição e que, por isso, deve ser reforçado. 

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Ele acrescentou que “serão feitos debates e discussões sobre o sentido e alcance das decisões do Tribunal do Júri”, mas o objetivo será sempre “aprofundar a importância da Justiça que é feita com a participação da sociedade”. 

Em uma das decisões mais recentes do STF sobre o assunto, proferida em 2024, e confirmada após o fim dos recursos em agosto deste ano, o plenário estabeleceu que, no caso de condenação, o cumprimento da pena deve ter início imediato após uma condenação por júri popular

À época, a decisão foi criticada por advogados, que viram nela uma violação ao princípio da presunção da inocência, uma vez que recursos a tribunais superiores, mesmo que somente possam abordar questões formais e não o reexame de provas, ainda podem levar à anulação de uma decisão do júri.

Polícia divulga perfis dos mortos; 17 não tinham histórico criminal

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou no fim da noite deste domingo (2) o perfil com imagens de 115 das 117 pessoas mortas na Operação Contenção, realizada na última terça-feira (28/9) nos Complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. O relatório foi feito pela Ouvidoria Geral da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com nota distribuída à imprensa, “mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho e 54% eram de fora do estado. Apenas dois laudos resultaram em perícias inconclusivas.”

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A Polícia Civil descreve que 97 das pessoas mortas “apresentavam históricos criminais relevantes”. Entre os mortos, 59 tinham “mandados de prisão pendentes.

O comunicado oficial admite que outras 17 “não apresentaram histórico criminal”, mas segundo as investigações posteriores, “12 apresentaram indícios de participação no tráfico em suas redes sociais.”

A lista nomina as pessoas mortas como “neutralizados” e assinala que 62 desses são de outros estados: “19 do Pará, 9 do Amazonas, 12 da Bahia, 4 do Ceará, 2 da Paraíba, 1 do Maranhão, 9 de Goiás, 1 de Mato Grosso, 3 do Espírito Santo, 1 de São Paulo e 1 do Distrito Federal.”

Doca

Relatório da Polícia diz que há no Rio de Janeiro “chefes de organizações criminosas de 11 estados da Federação, de quatro das cinco regiões do país.” O principal alvo da operação – Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, líder do Comando Vermelho (CV) – segue em liberdade após seis dias da operação policial.

Nenhuma das pessoas mortas havia sido denunciada à Justiça pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro criou um observatório para acompanhar a apuração sobre o cumprimento da lei pelas policias Civil e Militar durante a Operação Contenção.

Moraes hoje no Rio

Brasília (DF), 21/10/2025 – Ministro Alexandre de Moraes se reúne nesta segunda-feira com autoridades do Rio de Janeiro. Foto: Rosinei Coutinho/STF – Rosinei Coutinho/STF

O Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem nesta segunda-feira (3) cinco reuniões agendadas com autoridades fluminenses e cariocas. Iniciando os encontros com o governador do estado do Rio, Cláudio Castro, e seus auxiliares da Segurança Pública.

Veja a programação de reuniões do ministro:

  1. Governador do Estado do Rio de Janeiro, juntamente com o Secretário de Segurança Pública do Estado, o Comandante da Polícia Militar, o Delegado-Geral da Polícia Civil e o Diretor da Superintendência-Geral de Polícia Técnico Científica, às 11h00;
  2. Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro às 13h30;
  3. Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro às 15h00
  4. Defensor Público Geral do Estado do Rio de Janeiro às 16h30.
  5. Prefeito do Rio, Eduardo Paes às 18h.

Ontem, Alexandre de Moraes determinou a preservação “rigorosa e integral” dos elementos materiais relacionados à execução da Operação Contenção. 

Fronteira Cerrado: expansão do agro no coração hídrico do Brasil

Balsas, município no extremo sul do Maranhão (MA), passou por uma transformação radical nos últimos 25 anos. Ela é um dos epicentros da fronteira agropecuária no Brasil que, segundo estudos, impulsiona o desmatamento do Cerrado e contribui para colocar em risco a segurança hídrica do país.

O centro urbano aglomera o comércio voltado ao agronegócio, além das sedes de gigantes do mercado de alimentos mundiais, como a holandesa Bunge. A cerca de 2 quilômetros (km) dali, estão os bairros formados por residências humildes onde se concentra o grosso dos trabalhadores, que costumam reclamar da elevação dos preços nos últimos anos, em especial do aluguel. 

A Agência Brasil visitou o município e entrevistou lideranças locais, comunidades tradicionais, empresários do agronegócio e os governos municipal e estadual para entender como esse progresso se relaciona a danos ambientais que já impactam o Brasil.

Balsas: campeã de desmatamento

A abertura de novas áreas para grãos e pastagens coloca Balsas entre os campeões do desmatamento do Cerrado. De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2024), do MapBiomas, foi o segundo município que mais desmatou no país nos últimos dois anos, mesmo após uma queda de 56% em 2024, quando foram suprimidos 16 mil hectares (ha), o equivalente a 45 campos de futebol por dia.

Mesmo com a redução, Balsas desmatou no ano passado o dobro de seis anos atrás. E dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que o desmatamento no município aumentou 30% entre agosto de 2024 e julho de 2025 – apesar da queda de 11,49% no Cerrado como um todo. 

 

Já o Maranhão foi, pelo segundo ano consecutivo, o estado que mais suprimiu vegetação nativa do Brasil, chegando a 17,6% do total desmatado em 2024, o que representou 218 mil hectares, área bem maior que a cidade de São Paulo (152 mil ha).

Ao mesmo tempo, Balsas abriga as nascentes da segunda mais importante bacia hidrográfica do Nordeste: a Bacia do Rio Parnaíba, cujo curso d’água percorre 1.400 km de extensão entre Maranhão e Piauí. 

Maior município do estado, Balsas compõe a chamada região do Matopiba, nome dado pelas iniciais do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, e que reúne a área prioritária para expansão do agronegócio no Brasil. Em 2024, 42% de toda a perda de vegetação nativa do país – e 75% do desmatamento do Cerrado – ocorreu nessa área, segundo o RAD 2024.

 

Com mais de 100 mil habitantes, a expansão do agronegócio colocou o município como o terceiro maior PIB do Maranhão, atrás apenas da capital, São Luís, e de Imperatriz, que tem população três vezes maior. Assim como ocorre em outras regiões do Matopiba, a fronteira agrícola transformou a paisagem, a economia e a sociedade do sul do Maranhão.

 

 

Maior biorrefinaria de etanol de milho da América Latina 

A expansão econômica de Balsas foi coroada, em agosto deste ano, pela inauguração da maior biorrefinaria de etanol de milho da América Latina e a primeira do tipo no Nordeste. A usina da empresa Inpasa tem capacidade para processar 2 milhões de toneladas de milho e sorgo por ano e produzir 925 milhões de litros de etanol à base de grãos. 

Além disso, a usina tem capacidade para produzir milhares de toneladas de produtos para nutrição animal e de óleo vegetal. Segundo a prefeitura de Balsas, mil empresas se registraram na cidade nos primeiros seis meses do ano atraídas pela nova usina, crescimento de 33% em relação ao mesmo período de 2024. 

A Inpasa ocupa uma extensa área na beira da rodovia BR-230, com suas imponentes torres de refino de grãos. A companhia se apresenta como líder na transição energética por produzir combustível sem carbono, tendo já emitido 1,3 milhão de créditos de descarbonização pelo programa RenovaBio do governo federal. 

Balsas (MA), 08/10/2025 – A biorrefinaria da Inpasa, especializada na produção de etanol e óleos vegetais a partir do milho – Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Em contrapartida, ambientalistas avaliam que a nova usina vai pressionar a região por ainda mais desmatamento do Cerrado para produção dos biocombustíveis e outros produtos vegetais, o que pode prejudicar ainda mais o futuro da segurança hídrica da região.

Enquanto o agronegócio expande a economia, os serviços e a indústria de Balsas, comunidades rurais da região seguem vivendo, em alguns casos, sem água potável. Como nas comunidades de Bacateiras e Angical, em São Félix de Balsas, a cerca de 200 km da cidade. 

A professora Maria de Lourdes Macedo Madeira, de 61 anos, disse que a comunidade ganhou um poço artesiano da Diocese de Balsas, mas que não consegue apoio para instalar o equipamento. Os moradores seguem retirando água do Rio Balsas de jumento, como há pelo menos sete décadas. 

“A gente pega água no jumento para consumo da casa, cozinhar, beber, para tudo. Não é água tratada. É dia e noite pegando água nesse jumento, para todas as casas. Para fazer construção, é a maior dificuldade do mundo, por causa da água. Só temos água com suficiência no período da chuva”, lamentou.

As águas de Balsas 

Após percorrer mais de 300 km sem sair do município de Balsas em meio a lavouras de monoculturas que se perdem no horizonte, a reportagem conheceu comunidades tradicionais que vivem há décadas no Cerrado maranhense e presenciaram a chegada da agricultura mecanizada e de larga escala a partir da década de 1990. 

Balsas (MA), 09/10/2025 – Vista de fazendas de cultivo de soja ao longo da rodovia MA-007. – Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Nossa equipe cruzou 100 km de estrada de terra, cortando diversas fazendas a partir do centro do povoado de Batavo, nome dado ao projeto que iniciou a colonização do extremo sul baiano com apoio estatal. 

Ao final, chegamos no Vão do Uruçu, no Alto Gerais de Balsas, onde estão parte das cerca de 50 nascentes do Rio Balsas. Nessa região, ainda é possível presenciar porções de Cerrado nativo em meio às comunidades tradicionais do Brejão, São Pedro, Limpeza e Manoel Gregório, entre outras, que ficam próximos a cursos d´água cristalinos em meio a belas serras pedregosas que rompem, eventualmente, as planícies chapadas do bioma propícias para monocultura. 

Entre os moradores dessa região, é generalizado o temor pelo futuro das águas do Cerrado. O agricultor familiar José Carlos dos Santos, de 52 anos, chegou ao local com os pais quando ainda era bebê. A família migrou de regiões mais áridas do Piauí. 

“Estamos vendo que a água está sumindo. O Cerrado está acabando e a gente está pedindo ajuda para quem vive dentro do Poder para que possam fazer algo pelo Cerrado, pela natureza”, disse o agricultor, que vive com a esposa e dois filhos no local. 

Conhecido como Zé Carlos, o agricultor planta quase tudo que consome e vive em meio a inúmeros pés de frutos típicos do Cerrado, como Bacuri, Candeia e Buriti, além de complementar a renda prestando serviços para fazendas da região. 

Profundo conhecedor das plantas e animais do bioma, Zé Carlos levou nossa equipe até algumas das nascentes do Rio Balsas que, nessa localidade, é um curso d’água estreito se comparado com o largo trecho do rio que corta a área urbana do município.

 

 

Em uma das principais nascentes, o barro úmido tomou o lugar da água que, de uns anos pra cá, brota do subsolo apenas no período da chuva. Segundo Zé Carlos, ela não ficava sem água nem mesmo no final do período da seca.

“Essa nascente jorrava água corrente com abundância. Hoje a gente vê que nosso rio está pedindo socorro. Queremos trazer uma solução para barrar o desmatamento e as grandes lavouras que existem na costa do rio”, afirmou.

Pesquisas identificam redução da vazão de rios

A análise dos moradores do Vão do Uruçu é confirmada por dados de equipamentos do Serviço Geológico Brasileiro (SGB) que medem as vazões dos rios de, aproximadamente, 70% da rede hidrológica nacional.

Dados de sete rios da região do Piauí (PI) e do Maranhão (MA), incluído os rios Parnaíba e Balsas, mostram a queda sustentada nas vazões dos cursos d’água desde a década de 1970. 

“Apesar de a gente ter verificado que a chuva está se mantendo estável nesses locais, temos observado que a vazão, tanto as mínimas, quanto as médias e as máximas, estão numa tendência de diminuição. Continuando essa tendência, é óbvio que isso, em algum momento, vai ter problema”, explicou à Agência Brasil o hidrólogo do SGB Cláudio Damasceno. 

Já o estudo da Ambiental Media, com base em dados da Agência Nacional de Águas (ANA), calculou que a Bacia do Parnaíba, onde está o Rio Balsas, perdeu 24% da vazão média em 40 anos.  

Em agosto deste ano, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional anunciou o investimento de R$ 995 milhões para revitalização ambiental e de navegabilidade do Rio Parnaíba no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  A expectativa é de que as obras tenham início ainda neste ano.

O geógrafo Ronaldo Barros Sodré, professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), estuda o impacto do desmatamento no Cerrado maranhense e destaca que há uma crise hídrica silenciosa em andamento. 

“A expansão da fronteira agrícola sobre o sul e também sobre o leste do Maranhão tem provocado o desaparecimento de nascentes, a redução dos diversos cursos d’água e configurando, assim, uma crise hídrica que é silenciosa, mas crescente”, avalia.

O geógrafo da UFMA avalia que o Rio Balsas, assim como outros rios maranhenses, está em uma situação preocupante que afeta o equilíbrio hidrológico de toda região do Maranhão e Piauí. Ainda assim, para ele, é possível que a produção agropecuária seja compatível com a sustentabilidade hídrica. “Desde que também venha somar com práticas agroecológicas de integração da lavoura e pecuária com floresta, o manejo de baixo impacto, incluindo nessa governança territorial as comunidades e povos tradicionais, que historicamente são guardiões das águas”, concluiu.

“Passou a boiada” aqui, diz fazendeiro 

Os moradores ouvidos pela reportagem nos Vãos do Uruçu e do Uruçuí apresentam relatos semelhantes. Segundo eles, as grandes fazendas assoreiam nascentes e olhos d’águas para expandir a produção. 

Apontado como um dos poucos empresários que demonstra interesse na preservação dos cursos d’água, o fazendeiro Paulo Antônio Rickli, de 56 anos, chegou a Balsas no início da expansão agrícola, em 1995. Assim como muitos outros empresários de Balsas, ele veio da região Sul do país no início da colonização do Matopiba. 

Dono de duas fazendas que somam quase 12 mil hectares, Rickli planta soja, milho, arroz e cria gado. Ele diz que a produção ocupa aproximadamente 55% da área das propriedades devido às serras que cortam a região – e porque escolheu manter as áreas de preservação interligadas entre elas. 

Balsas (MA), 09/10/2025 – Trator trabalha em fazenda de cultivo de soja na região da Batavo – Fernando Frazão/Agência Brasil

 

“Achamos melhor preservar algumas áreas para dar continuidade às reservas, para elas não ficarem todas separadas, unificando as reservas para formar um bloco grande para preservar as espécies, tanto vegetais quanto animais, quantos os cursos d’água”, explicou. 

Paulo conta que adquiriu a segunda fazenda em 2016 no Vão do Uruçu, perto das nascentes do Rio Balsas, e que naquele ano “tudo era fechado pelo Cerrado”. 

“Infelizmente, o pessoal veio com outra mentalidade, de aproveitar o máximo. Diminuiu muito o Cerrado de 2018 para cá. Passou a boiada, como disse o ex-ministro do Meio Ambiente. Muita gente que até tinha as áreas preservadas resolveu ir até o limite, e alguns excederam o limite”, relatou.

Ele se refere à frase do atual deputado Ricardo Salles (PL-SP), ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, ao defender a flexibilização das leis ambientais durante a pandemia de covid-19.

O fazendeiro Paulo Antônio Rickli acredita, por outro lado, que “a maioria” respeita a legislação ambiental, mas ficou impressionado com a quantidade de licenças para desmatamento dos órgãos estaduais emitidas nos últimos anos. 

“Alguma coisa aconteceu nessas secretarias de meio ambiente que o negócio desandou. Áreas que não podiam ter sido desmatadas, áreas de veredas, com nascentes de rio, que não poderiam ter sido jamais desmatadas, foram desmatadas recentemente, mas eu diria que, de um modo geral, as grandes fazendas tem as reservas ainda bem preservadas”, disse Rickli. 

Na avaliação do empresário, falta maior rigor na fiscalização. “Estado é frouxo na fiscalização. Não fiscaliza direito, ou vem fiscalizar e não autua”. 

Desmatamento autorizado em áreas protegidas 

O projeto Tamo de Olho – que reúne organizações ambientalistas – analisou cerca de 2 mil Autorizações para Supressão de Vegetação (ASV) emitidas pela Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão e identificou que 51% delas foram emitidas com alguma área sobreposta a Reserva Legal (RL), Área de Proteção Permanente (APP), Unidades de Conservação (UCs) ou Terras Indígenas (TI) e quilombolas. E Balsas se destaca, com quase metade dessas sobreposições.

“Mesmo dentro da legalidade, temos vários problemas com perda considerável do Cerrado maranhense”, disse a secretária-executiva do Tamo de Olho, a geógrafa Debora Lima, em audiência pública realizada no município. 

A Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão afirmou à Agência Brasil que não reconhece esses números do Tamo de Olho e que precisaria analisar a metodologia do estudo. “Nenhum desses números confirma o que a gente tem aqui com dados oficiais, inclusive de órgão licenciador”, argumenta o secretário Pedro Chagas.

Ele faz uma ponderação sobre possíveis erros: “alguns conceitos desse levantamento estão distorcidos, temos vários tipos de unidades de conservação. As de proteção integral, por exemplo, é impossível de autorizar a supressão de vegetação. Quanto às reservas legais, ela é declaratória do produtor, que pode depois fazer a mudança dessa reserva, desde que mantenha o percentual mínimo exigido”. 

O secretário do Meio Ambiente do Maranhão acrescentou que o órgão ambiental segue todas as legislações, e as autorizações para supressão de vegetação são realizadas de forma técnica. 

“Hoje, cada vez mais, há um controle por imagens de satélites em tempo real. Então, quem desmata ou quem faz a supressão sem autorização é prontamente multado e embargado”, completou. 

O Ministério Público do Maranhão (MPMA) informou à reportagem que abriu, em setembro deste ano, 24 processos administrativos para apurar desmatamento e reparação de danos ambientais. 

“A grande maioria desses procedimentos (23) foi iniciada a partir de Relatórios de Alerta de Desmatamento sobre Propriedade Rural que identificaram supressão de vegetação nativa no Cerrado, em tese, sem a devida Autorização de Supressão de Vegetação”, disse a instituição.

Os casos sob apuração em Balsas, São Pedro dos Crentes e Tasso Fragoso envolvem desmatamentos de grande porte, de centenas de hectares. “Em pelo menos um caso, apura-se a violação de um embargo anterior imposto pelo Ibama”, completou o MPMA.

Desenvolvimento supera prejuízos ambientais “pequenos”, diz ruralista

Para o representante dos empresários do agronegócio de Balsas, os benefícios sociais e econômicos da atividade agrícola no Sul do Maranhão superam os prejuízos ambientais, que seriam pequenos. 

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Balsas (Sindi Balsas), Airton Zamingnan, nega que o Rio Balsas esteja em risco e afirma que a atividade respeita as leis ambientais, reforçando que possíveis irregularidades devem ser fiscalizadas e punidas. 

Rio de Janeiro (RJ), 12/10/2025 – Airton Zamingnan, representante dos produtores rurais de Balsas: “Nos EUA não tem Área de Proteção Ambiental” – Fernando Frazão/Agência Brasil

“Ninguém quer destruir a natureza. Quem mais perde com alguma mudança climática somos nós. Existe muita desinformação. Usamos apenas 3,9% da área do estado aqui no sul do Maranhão, cerca de 980 mil hectares de área plantada, e o setor traz benefícios para mais de 1 milhão de pessoas”, disse Zamingnan. 

 

 

A liderança da agricultura da região de Balsas destaca que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Balsas quase dobrou entre 1990 e 2010, saindo de 0,347 para 0,687, segundo dados publicados pelo IBGE.

“Se pegou a região mais pobre do estado mais pobre do Brasil e hoje ela se aproxima quase aos índices do Centro-Oeste. É fabuloso o que ocorreu com o desenvolvimento e com a agricultura aqui. Temos três faculdades de agronomia em Balsas. Se não fosse pelo agronegócio, provavelmente elas não existiriam”, afirma o produtor de soja, milho e criador de gado.

Airton Zamingnan recebeu nossa reportagem em seu escritório, em Balsas. Filho de pais gaúchos, ele migrou do Sul do Brasil para o Sul do Maranhão no início dos anos 1990. O empresário lamenta a pressão de grupos ambientalistas contra o agronegócio.

Ele afirma “ter certeza” de que as principais Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam na área ambiental no Brasil são um instrumento para prejudicar a concorrência apresentada pelo agro nacional, destacando que muitas delas são financiadas por entidades estrangeiras. 

“Por que todas essas exigências ambientais só valem para os produtores brasileiros enquanto eles [europeus] compram a soja dos americanos? Lá [nos EUA] não tem APP [Área de Preservação Ambiental]. Ou seja, essas organizações cobram que os produtos brasileiros não sejam de áreas de desmatamento, mas eles não cobram isso dos EUA”. 

Zamingnan cita ainda o projeto Adote uma Nascente, da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Maranhão (Aprosoja MA) em parceria a estatal Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), que mapeou as 50 nascentes do Rio Balsas e promete preservar os cursos d’água da região. 

Questionada pela Agência Brasil, a Codevasf informou que ainda faltam recursos para monitoramento e recuperação de áreas degradadas próximas às nascentes e que a iniciativa se limitou a uma ação inicial em que foram plantadas mudas nativas e cercado o entorno de nascentes. 

“Um dos maiores desafios do projeto é o acompanhamento pós-intervenção em razão da distância e do difícil acesso a algumas áreas, muitas delas localizadas a mais de 300 km da sede do município de Balsas. Por esse motivo, a Codevasf priorizou o trabalho de educação ambiental e a mobilização dos proprietários rurais”, informou a estatal.

“Ilusão de desenvolvimento”

Em contrapartida, comunidades tradicionais, ambientalistas, pesquisadores e movimentos sociais têm denunciado o alto preço a ser pago pelo atual modelo do agronegócio no Cerrado, que vem sendo classificado como “bioma de sacrifício”.

Atualmente, 51% do Cerrado mantém a vegetação nativa. Quase metade dessa vegetação remanescente está concentrada no Matopiba, região que mais se desmata no Brasil. Especialistas alertam que essa tendência coloca em risco a segurança hídrica do Brasil. 

Para a presidente da Associação Camponesa (ACA) do Maranhão, Francisca Vieira Paz, que viaja o sul do estado dando suporte a povos e comunidades tradicionais envolvidas em conflitos por terra ou água, “o agronegócio é uma ilusão de desenvolvimento”. 

“O sul do Maranhão, e o Maranhão por inteiro, foi pego como zona de destruição, onde leis são flexibilizadas em prol do agronegócio. Se nada mudar, haverá uma crise hídrica. Já está faltando água em muitos lugares”, disse.  

Balsas (MA), 09/10/2025 – Francisca Vieira Paz, da Associação Camponesa (ACA), na comunidade Boa Esperança, no Vão do Uruçuí, área rural dos Gerais de Balsas. – Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Para Francisca, os benefícios do agronegócio não alcançam toda a sociedade, e o modelo imposto é excludente e insustentável. “Se não houver uma mudança radical, vamos chegar ao final, daqui 20 anos, e as pessoas vão se perguntar: desenvolvimento para quem? Já a destruição será para todos”, completou.

Francisca Vieira Paz milita na defesa dos direitos humanos e de acesso à terra desde os 16 anos, tendo já sofrido ameaças anônimas. “Abri mão de buscar minhas filhas na escola para não expor elas”, contou. 

A representante camponesa chegou a ser expulsa, ainda criança, das terras em que os pais ocupavam no município de Aldeias Altas, no leste maranhense. 

Bispo narra conflito com agronegócio 

Atualmente, Francisca acumula a militância na Associação Camponesa com o trabalho no Comitê de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH), entidade mantida pela Diocese de Balsas, que tem longo histórico de apoio à luta dos povos do Cerrado maranhense. 

O atual bispo da Diocese de Balsas, Dom Valentim de Menezes, recebeu a reportagem no hotel que estava hospedado em Imperatriz, há quase 400 km de Balsas, onde foi celebrar missa em homenagem à padroeira da cidade maranhense. 

 

Imperatriz (MA), 13/10/2025 – Dom Valentim e a inspiração que carrega na blusa: padre Óscar A. Romero, defensor de direitos humanos assassinado em 1980. – Fernando Frazão/Agência Brasil

Dom Valentim vestia uma camiseta do padre Óscar A. Romero, conhecido defensor dos direitos humanos e dos pobres de El Salvador, assassinado em 1980 enquanto celebrava uma missa em um contexto de efervescência política no país centro-americano. Romero acabou canonizado pelo Papa Francisco em 2018. 

O bispo de Balsas se inspira no sacerdote de El Salvador para conduzir os fiéis do sul maranhense. Ele destacou que o Maranhão, junto com o Pará, é um dos estados com mais conflito por terra do Brasil e que, desde a décadas de 1950, a Igreja de Balsas atua apoiando os povos do Cerrado em disputas fundiárias. 

Tendo se tornado bispo de Balsas em 2020, Dom Valentim afirma que a expansão da monocultura levou à expulsão de muitos povos da região por meio da grilagem. Para ele, o agro chega como um “engodo” de um progresso “sem sustentabilidade”. 

A posição da Igreja no município cria conflito com as organizações do agronegócio, que pediram uma reunião com o Dom Valentim assim que ele assumiu a Diocese de Balsas. 

“Quando eu fui falar com o agro, eles vieram para cima e botaram a igreja como capeta na vida deles. Todos esses anos o agro teve ações contra a igreja. É algo permanente. Fomos penalizados porque fui num debate na Câmara dos Vereadores e um empresário se negou a ajudar em uma festa nossa porque eu estava com esses ‘comunistas’. Existe a ilusão das elites de que elas podem controlar a igreja”. 

Dom Valentim lidera um projeto para doar ou plantar 8 milhões de mudas na região até o final do seu bispado, em 2028. “Falei para eles que não posso frear o agronegócio e nem parar o Matopiba, mas propus que nós plantássemos árvores para recuperar o Cerrado. Estamos avançando, mas ninguém abraçou a causa, estamos sós nessa luta”, disse. 

O que diz a prefeitura de Balsas 

Procurada pela Agência Brasil para uma entrevista presencial, a Prefeitura de Balsas marcou uma conversa, por telefone, com a secretária de Meio Ambiente, Maria Regina Polo. Ela reconheceu que existe um problema hídrico na região. 

“Nós temos receio de que, a médio e longo prazo, isso aí possa virar realmente um problema grave para nós e possa afetar a longevidade do nosso rio”, disse a secretária. 

Balsas (MA), 11/10/2025 – Sede da Prefeitura de Balsas e seu lema: “Avanço e Oportunidade”. – Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Ao mesmo tempo, Maria Regina ponderou que Balsas é o maior município do Maranhão e um dos maiores do Brasil, com 13,1 milhões de km² de extensão. “A gente precisa observar proporcionalmente esse desmatamento”, disse. 

A secretária municipal avaliou ainda que a maior parte desse desmatamento é legal, respeitando os limites da legislação, que permite desmatar até 80% de uma propriedade no Cerrado. “Então, não sei até que ponto o agronegócio é o vilão nesse contexto”, argumentou. 

Maria Regina Polo acrescenta que os produtores rurais de Balsas são parceiros na fiscalização dos incêndios, que também são um grave problema ambiental do Cerrado. E argumenta que o agronegócio é um caminho sem volta, que trouxe empregos e renda para a região. 

“Balsas é uma cidade que tem um comércio avançado, indústrias chegando e uma economia totalmente voltada para o agro. Eu acho que é um caminho sem volta, não tem como o agro regredir. Nós temos é que, cada vez mais, deixar esse agro sustentável, com um aproveitamento melhor das propriedades, incentivando a abrirem menos áreas, apesar de que essas aberturas têm sido, na sua grande maioria, licenciadas”. 

Ainda segundo a secretária, a chegada da biorrefinaria Inpasa na cidade não deve aumentar a pressão para o desmatamento, como temem ambientalistas. 

“Esses grãos, essas commodities, estavam sendo exportadas. Agora, a Inpasa vai trazer esses grãos para o mercado doméstico. Vamos conseguir utilizar esses grãos aqui. Além disso, com produção de ração animal pela Inpasa, o gado vai precisar de menos pasto para se alimentar”, acrescentou. 

Governo do Maranhão quer “equilíbrio”

O governo do Maranhão informou à Agência Brasil que reconhece que o Maranhão está na última fronteira agrícola do Brasil, o que tem levado à expansão da monocultura no estado nos últimos anos, e defendeu que o desafio é equilibrar crescimento econômico com sustentabilidade ambiental. 

O secretário de Meio Ambiente do estado, Pedro Chagas, disse que toda a legislação é respeitada e que existe grande preocupação com os recursos hídricos do Maranhão. 

“A gente se preocupa demais com a questão da segurança hídrica, uma vez que o Maranhão tem quase 50% da água de todo o Nordeste. Sabemos que não é só por conta do desmatamento, seja legal ou ilegal, com os ilegais sendo fiscalizados de pronto. Mas o problema também é resultado das mudanças climáticas. Esse ano, por exemplo, tivemos a pior seca dos últimos oito anos no Maranhão”, afirmou. 

 

Imperatriz (MA), 13/10/2025 – Pescadores em atividade no Rio Tocantins, segundo maior curso d’água totalmente brasileiro. – Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Estudo do Ambiental Media aponta que o Cerrado perdeu, em média, 27% da vazão dos rios nas seis principais bacias da região entre 1970 e 2021. Desse total, 56% seria causado pelo desmatamento, sendo 43% resultado das mudanças climáticas. 

O secretário acrescentou que o estado atua com fiscalizações contra o desmatamento ilegal, mas que também apoia projetos para manter a vegetação nativa, com o Programa Floresta Viva Maranhão. “Incentivamos a manutenção da floresta em pé e a valorização dos produtos da sociobioeconomia”, completou o responsável pela proteção ambiental no estado. 

Segundo Chagas, o objetivo do governo estadual é dinamizar o modelo de negócios no Maranhão, preservando os recursos hídricos em parceria com a sociedade civil organizada, principalmente nos Comitês das Bacias Hidrográficas.  

“A gente faz de tudo para proteger as nascentes, primeiro, por meio de mapeamento, fiscalização e controle, mas também por meio do Programa Floresta Viva, com a recuperação de nascentes. Tudo isso fazendo em parceria com a sociedade civil, porque é quem conhece a realidade de fato, lá de perto dessas nascentes”, destacou Chagas.

Série especial

Esta reportagem é a primeira da série especial Fronteira Cerrado, que investiga como o avanço do agro no bioma está afetando os recursos hídricos do país. Até quarta-feira serão publicados novos conteúdos – acompanhe! 

A produção dessa série foi viabilizada a partir da Seleção de Reportagens Nádia Franco, iniciativa da Empresa Brasil de Comunicação que destinou R$ 200 mil para o custeio de conteúdos especiais produzidos por jornalistas da empresa. De 54 projetos inscritos, oito foram selecionados por um conselho editorial. 

A jornalista Nádia Franco era editora da Agência Brasil e dedicou 49 anos à comunicação pública. Ela faleceu em agosto de 2025.

O Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) custeou as passagens áreas da equipe até Imperatriz (MA).

 

*Produção de Beatriz Evaristo

Lula: COP30 fará o mundo olhar de uma forma diferente para a Amazônia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou neste domingo (2) com moradores da comunidade do Jamaraquá, que reúne cerca mais de mil famílias de extrativistas e ribeirinhos, na Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, que fica no Oeste do Pará. A visita faz parte de uma série de agendas prévias à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá no período de 10 a 21 de novembro, em Belém, no Pará.

Antes disso, nos próximos dias 6 e 7 de novembro, Lula vai presidir a Cúpula do Clima, que reunirá dezenas de chefes de Estado na capital paraense. Por isso, ao longo da próxima semana, o presidente permanecerá no estado. Aos ribeirinhos, ele discursou valorizando a oportunidade que a cúpula oferece de dar visibilidade à Amazônia e fazer o mundo ter um olhar diferente, que vai além da preservação da natureza.

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“Essa COP30 é um momento único na história do Brasil, porque é um momento em que a gente está obrigando o mundo a olhar a Amazônia com os olhos que deve olhar para a Amazônia. Não é só pedir para a gente manter a floresta em pé”, disse.

“É preciso pedir para que a gente mantenha a floresta em pé e para ela ficar em pé, nós temos que dar sustentação econômica, educacional, de saúde para as pessoas que tomam conta dessa floresta em pé, porque essas pessoas não ganharam o que comer, as pessoas não vão tomar conta de nada”, acrescentou.

Próxima a Alter do Chão, a comunidade do Jamaraquá também é reconhecida pelo turismo de base comunitária, com trilhas por dentro da floresta e dos igarapés, e ainda pela fabricação de biojóias.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, também participou da visita. Segundo ela, o estilo de vida das famílias da região protege a floresta. “Aqui é exemplo de bioeconomia, aqui é exemplo de sociobiodiversidade, aqui é exemplo de como mantém a floresta em pé e ela gera condições de vida e dignidade para as pessoas”, disse.

“Aqui tem os extrativistas, aqui tem os artesãos e as artesãs, aqui tem os seringueiros e seringueiras, aqui são muitas as atividades que eles vão combinando ao longo do ano”, completou.

Segundo ela, os ribeirinhos sabem respeitar o clico da floresta, mantém a mata de pé por gerações, o que da dignidade às famílias. Segundo a ministra, a Flona do Tapajós reúne 1,2 mil famílias distribuídas em uma área de mais de 500 mil hectares preservados.

Lula visita aldeia indígena e promete energia para 4,3 mil famílias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou neste domingo (2) a Aldeia Vista Alegre de Capixauã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, na Região de Santarém, no Pará. Em conversa com lideranças locais, ele disse ter ficado surpreso com a falta de energia elétrica na comunidade e prometeu que resolverá o problema.

“Uma coisa que eu estranhei. Eu pensei que tinha energia, porque eu estou vendo uma luz acesa aqui, e eu vi que todo mundo se queixou de energia”, disse o presidente.

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“Hoje a energia é a coisa mais fácil para a gente fazer, porque a gente pode fazer placa solar, a gente pode preservar o ambiente, pode trazer energia para vocês, e eu prometo para vocês que vocês vão ter energia aqui na comunidade de vocês”, reforçou.

Recepção

Lula foi recebido na aldeia pela cacique Irenilce Kumaruara, que anunciou uma demanda de rede elétrica para 4.338 famílias, uma população total de mais de 13 mil indígenas.

Lula prometeu energia elétrica para aldeias indígenas – Foto: Ricardo Stuckert/PR

Inseridas na Resex Tapajós-Arapiuns, as aldeias indígenas da região ainda dependem de avanço no processo de demarcação, o que deve ocorrer no ano que vem, no caso das comunidades de Vista Alegre e Escrivão, segundo garantiu a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joência Wapichana.

“A Funai tem esse desafio. Por isso que é importante fazer esse acompanhamento porque são muitas demandas e muitos pedidos. A gente está com essa programação de [fazer] essas duas demarcações físicas no primeiro semestre do ano que vem”, destacou.   Desde o início do terceiro governo Lula, foram demarcadas 16 novas terras indígenas no país. Segundo o Palácio do Planalto, o governo superou o compromisso firmado no período de transição que previa 14 áreas homologadas.

Além da presidente da Funai, acompanharam Lula na agenda deste domingo as ministras Sônia Guajajara (Povos Indígenas), Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima) e a primeira-dama Janja da Silva.

Universidade indígena

Ainda na aldeia Vista Alegre, Lula anunciou a criação da Universidade Indígena, no próximo dia 17 de novembro, em evento que deverá ocorrer em Brasília.

“Nós já temos uma ministra indígena, a Funai indígena, o chefe da saúde indígena e falta uma universidade indígena. Vai ter a sede lá em Brasília, já tem até prédio, tanto pode ter o curso principal lá, mas todos os estados vão fazer extensão com a universidade para as meninadas fazer o curso próximo onde more e não precisar ir para Brasília”, especificou o presidente.

A visita a comunidades indígenas faz parte da agenda prévia antes da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontecerá no período de 10 a 21 de novembro, em Belém, no Pará. No sábado (1º), na capital paraense, o presidente participou da inauguração da ampliação do aeroporto internacional e do Porto de Outeiro, duas das principais obras de preparação logística para o evento da ONU.

Parapan de Jovens: Brasil vai ao pódio 10 vezes no tênis de mesa

O Brasil ganhou no sábado (01) as primeiras medalhas nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens de Santiago 2025. No tênis de mesa, quatro brasileiros subiram ao lugar mais alto do pódio e conquistaram o ouro, dois ficaram com a prata, e quatro ganharam o bronze. Duas finais foram entre brasileiros.

A competição, para atletas de 14 a 23 anos, segue até 9 de novembro em duas regiões do Chile: na metropolitana de Santiago e em O’Higgins, ao sul da capital.

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Na disputa da classe 2 até a 5, o catarinense Maycon Oliveira ganhou do também catarinense Arthur Costa, por 3 sets a 2, com parciais de 10/12, 11/3, 11/6, 8/11 e 11/3.

Na classe 9, Lucas Fonseca Segregio fez 3 x 2 em João Pedro Ribeiro Possas (11/9, 4/11, 7/11, 11/8 e 11/8) e ficou com o bronze.

Duas brasileiras conquistaram o ouro: na classe 7 (andantes), a goiana Lethicia Lacerda, que venceu a venezuelana Maria Victoria Azuaje por 3 sets a 0 (11/4, 11/3 e 11/2); e, na classe 8 (andantes), a carioca Sophia Kelmer, que fez 3 sets a 2 na chilena Joseline Yevenes, com parciais de 7/11, 11/9, 11/5, 11/13 e 11/6.

O paulista Jean Carlos de Souza Mashki, da classe 8, foi o último brasileiro a jogar. Diante do costarriquenho Steven Roman Chinchilla, ele também venceu por 3 sets a 2, com parciais de 7/11, 11/4, 11/8, 7/11 e 11/8. Já o mineiro Lucas Fonseca conquistou a medalha de prata, sendo derrotado pelo argentino Ethan Skiarsk por 3 sets a 0, com parciais de 11/8, 11/7 e 11/4.

Tênis em cadeira de rodas

Foram três participações brasileiras no tênis em cadeira de rodas no dia, com três vitórias. A mineira Vitória Miranda venceu a peruana Kate Valentina Valenzuela Rivera por 2 sets a 0, com um duplo 6/0.

Na chave de simples, o mineiro Lucas Daniel Dutra superou o peruano Angel Jesus Gonzales Aguilar, por 2 sets a 0 (6/2 e 6/0). Mais tarde, ele voltou à quadra ao lado de Luiz Calixto, também de Minas Gerais, nas duplas, e venceu os argentinos Ian Davidson e Joaquin Nicolas Lezama, por 2 sets a 0, com parciais de 6/1 e 6/0.

Vitórias no goalball

Pela segunda rodada do torneio de goalball, a seleção feminina venceu o Canadá por 5 a 3 e manteve os 100% de aproveitamento na competição – já havia vencido a Argentina.

A seleção masculina também levou a melhor sobre os canadenses: 8 a 3. Este foi o primeiro triunfo da equipe, que empatou com os argentinos na estreia.

Derrota no basquete

O Brasil também entrou em quadra contra o Canadá no basquete em cadeira de rodas 5×5. Estreando na competição, os brasileiros foram derrotados por 76 a 34.

Neste domingo, a equipe volta a entrar em quadra, desta vez contra a Argentina, que também foi derrotada na estreia – 65 a 62 para a Colômbia.

Confira os resultados

Tênis em cadeira de rodas

Lucas Daniel Dutra 2 x 0 (6/2 e 6/0) Angel Jesus Gonzales Aguilar (PER) (tênis em CR)

Vitória Miranda 2 x 0 (6/0 e 6/0) Kate Valentina Valenzuela Rivera (PER) (tênis em CR)

Luiz Calixto e Lucas Daniel Dutra 2 x 0 (6/1 e 6/0) Ian Davidson e Joaquin Nicolas Lezama (ARG)

Goalball

Brasil 5 x 3 Canadá (Seleção Feminina)

Brasil 8 x 3 Canadá (Seleção Masculina)

Basquete em cadeira de rodas 5×5

Brasil 34 x 76 Canadá

Tênis de mesa ─ finais

Classe 7

Lethicia Lacerda 3 x 0 Maria Victoria Celis Azuaje (VEN) (11/4, 11/3 e 11/2)

Classe 2-5

Maycon Antônio de Oliveira 3 x 2 Arthur Costa Branco (10/12, 11/3, 11/6, 8/11 e 11/3)

Classe 8-10

Sophia Kelmer 3 x 2 Joseline Yevenes (CHL) (7/11, 11/9, 11/5, 11/13 e 11/6)

Classe 8

Jean Carlos de Souza Mashki 3 x 2 Steven Roman Chinchilla (CRC) (7/11, 11/4, 11/8, 7/11 e 11/8)

Classe 9

Eithan Skliarsky (ARG) 3 x 0 Lucas Fonseca Segregio (11/8, 11/7 e 11/4)

Tênis de mesa ─ brasileiros nas semifinais

Classe 1-3

Belen Ignacia Fuentes Parada (CHI) 3 x 2 Nicole dos Santos (11/5, 11/4, 7/11, 9/11 e 11/3)

Classe 4-5

Ana Beatriz de Moraes 0 x 3 América Citlalli Alvarez (MEX) (12/14, 7/11 e 7/11)

Classe 8-10

Karina Becker 0 x 3 Joseline Yevenes (CHI) (9/11, 17/19 e 10/12)

Classe 9

Lucas Fonseca Segregio 3 x 2 João Pedro Ribeiro Possas (11/9, 4/11, 7/11, 11/8 e 11/8)

Policiais civis do RJ cobram adicional de 100% sobre pensão por morte

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol-RJ) voltou a cobrar que o governo do estadual regulamente de forma imediata o adicional de 100% sobre os benefícios de pensão por porte, medida prevista no Artigo 39 da Lei Complementar 204/2022, a Lei Orgânica da Polícia Civil do RJ, promulgada em 30 de junho de 2022.  

“O parágrafo único [do Artigo 39] diz que a pensão será paga aos beneficiários com adicional de 100% incidente sobre o valor referente ao benefício de pensão por morte quando o óbito decorrer do exercício das funções”, explicou Wagner de Paula, presidente do Sindpol-RJ, em postagem nas redes sociais na última sexta-feira (31).

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Apesar da previsão expressa, o mesmo texto concede ao Poder Executivo do estado a competência de regulamentar o benefício legal previsto, o que até hoje não ocorreu, cerca de três anos da entrada em vigor da lei. 

A cobrança, formalizada em um ofício encaminhado ao secretário estadual de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, ocorre dias após a megaoperação das polícias nos complexos do Alemão e da Penha, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, e que resultou em 121 mortes.

Foi a incursão policial mais letal da história do estado, e incluiu a morte de quatro policiais, sendo dois deles policiais civis, cujos herdeiros legais poderiam fazer jus ao recebimento da pensão de forma desburocratizada, caso a regulamentação estivesse em vigor.

Uma dessas vítimas, Rodrigo Velloso Cabral, de 34 anos, trabalhava na 39ª Delegacia de Policia (DP), na Pavuna, e tinha apenas 40 dias de experiência na corporação.

A reportagem da Agência Brasil procurou a assessoria de imprensa da Polícia Civil para obter uma posição sobre a demanda do sindicato dos policiais e aguarda uma resposta.

 

Enterro do sargento da Polícia Militar, Heber Carvalho da Fonseca no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

SP: Uma pessoa morre e 40 se ferem em queda de estrutura durante festa

Uma pessoa morreu e cerca de 40 ficaram feridas com a queda de uma estrutura metálica montada no Aeropark Clube de Voo Desportivo, em Regente Feijó, no interior de São Paulo, com as fortes rajadas de vento, de aproximadamente 95 km/h, que atingiram o estado.

O local, na Rodovia Raposo Tavares, 555 (SP-270), km 555, sediava uma festa de estudantes de um curso de medicina.

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Um homem de 47 anos foi atingido por um galho de uma árvore e teve traumatismo craniano. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Equipes da defesa civil de Presidente Prudente e de Regente Feijó, além do corpo de bombeiros do estadual de São Paulo atuaram no socorro de cerca de 40 vítimas, conforme informado pelas equipes que estiveram no local.

Todas foram levadas para o Hospital Regional e para a Santa Casa de Presidente Prudente. Das vítimas atendidas, três permanecem internadas, e as demais tiveram ferimentos leves e foram liberadas após o atendimento.

Por meio de suas redes sociais, a comissão de formatura que promovia o evento e a empresa Euphoria, contratada para a organizá-lo, disseram que os ventos intensos atingiram a estrutura instalada no local, resultando no acidente. Ambas expressaram pesar e disseram que estão auxiliando as vítimas e familiares desde o momento do acidente.

Moraes determina preservação integral de provas sobre megaoperação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou, em decisão publicada neste domingo (2), a preservação “rigorosa e integral” dos elementos materiais relacionados à execução da Operação Contenção, que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Foi a incursão policial mais letal da história do estado, realizada na última terça-feira (28).

A decisão abrange perícias e cadeias de custódia. Alexandre de Moraes atendeu a um pedido formulado pela Defensoria Pública da União (DPU) e também assegurou o controle e averiguação dos elementos materiais por parte Ministério Público, facultado o acesso às informações também pela própria DPU no estado do Rio de Janeiro.

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A nova medida se deu nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, conhecida como a ADPF das Favelas e originada em ação protocolada em 2019 pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).

O ministro destacou que a determinação segue o que foi fixado pelo Plenário do STF no julgamento do mérito da ação, segundo o qual devem ser preservados os vestígios de crimes e assegurada a independência técnica das perícias em investigações de crimes contra a vida. O governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, deverá ser intimado ainda neste domingo para garantir o cumprimento da decisão.

Em abril deste ano, STF definiu diversas medidas para combater a letalidade policial durante operações da Polícia Militar contra o crime organizado nas comunidades do Rio de Janeiro. Após a finalização do julgamento da ADPF nº 635, diversos órgãos, incluindo a Defensoria Pública de União e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), ficaram responsáveis pelo monitoramento do cumprimento da decisão.

Na última semana, a discussão sobre a ADPF das Favelas voltou à tona com a deflagração da Operação Contenção, em uma tentativa de frear o avanço territorial da facção Comando Vermelho na cidade. Na ocasião, o governador Claudio Castro voltou a criticar a decisão do Supremo e chamou a ADPF de “maldita”.

Moraes marcou para a próxima segunda-feira (3) uma reunião com o governador do Rio de Janeiro e outras autoridades, para tratar da Operação Contenção. Durante o encontro, o governador deve apresentar os 18 esclarecimentos solicitados pelo ministro sobre a operação.

Audiência pública

O ministro Alexandre de Moraes ainda designou audiência conjunta para a próxima quarta-feira (5), às 10h, na sala da Primeira Turma do STF, com a participação de diversos órgãos e entidades, como o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro; Instituto Anjos da Liberdade; Associação Direitos Humanos em Rede – Conectas Direitos Humanos; Associação Redes de Desenvolvimento da Maré – Redes da Maré; Educação e Cidadania de Afrodescendentes Carentes – Educafro; Justiça Global; Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência; Coletivo Fala Akari; Coletivo Papo Reto; Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial; Movimento Negro Unificado (MNU); Centro pela Justiça e o Direito Internacional – CEJIL; Laboratório de Direitos Humanos da UFRJ; entre outros.

Em outro ponto da decisão deste domingo, o ministro indeferiu pedidos de diversas entidades para participar como amicus curiae e os requerimentos de participação nas audiências a serem realizadas no dia 3 de novembro de 2025.

Mãe denuncia execução em operação e cobra políticas para a juventude

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi ao Senhor: Ele é meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e Nele confiarei”.

Este é um trecho do Salmo 91, da Bíblia, que a confeiteira Tauã Brito, de 36 anos, recomendou ao filho Wellington, de 20 anos, durante a operação policial contra o Comando Vermelho, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na última terça-feira (28), na cidade do Rio de Janeiro. Ele foi um dos 121 mortos na ação, que é considerada a mais letal da história do estado.

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>> Sob facções e operações, população de favelas vive traumas e adoece

Ao receber a Agência Brasil na casa de um familiar, na zona norte do Rio, ela lembrou das últimas conversas com o jovem e denunciou que encontrou seu corpo com as mãos amarradas, o que indica que estava rendido antes de ser morto.

“Se um policial conseguiu chegar no meu filho, amarrar o braço dele e dar uma facada nele, é porque ele não oferecia mais perigo. Então, por que não levou preso? No Brasil, não tem pena de morte. Se a pessoa não oferece perigo, tem que ser presa”, critica Tauã, que tem recebido uma série de mensagens ofensivas e classifica a operação como um massacre.

Mãe solo de Wellington durante a maior parte da vida dele, Tauã teve o filho aos 15 anos. Ela saiu da casa dos pais e viveu ao lado do pai da criança por sete anos, quando se separou e o criou com a mãe, em uma casa simples no Complexo da Penha.

Ela conta que se desdobrou como garçonete, vendedora de chips de celular e de doces para conseguir que Wellington completasse o Ensino Médio e até se empregasse em um supermercado, como jovem aprendiz, quando ele tinha entre 14 e 15 anos.

“Wellington foi uma criança muito amada, brincalhona, dormia na cama com a avó até os 7 anos. Ele sempre foi tranquilo, estudioso e namorador. Sempre tinha uma novinha”, ri a mãe. “Tem um monte postando foto dele. Ele era lindo, meu menino”.

 

Tauã Brito com o filho Wellington Brito quando ainda criança. Foto: Tauã Brito/Arquivo Pessoal

É com muito carinho que a irmã, de 7 anos, também se recorda dele, durante a entrevista. Enquanto Tauã repassava vídeos dos dois juntos no celular, mostrando os dois filhos passeando de moto pela comunidade, gravando “dancinhas” para as redes sociais ou jogando dominó antes de dormir, a menina lembra.

“Eu gostava de brincar com meu irmão, sair para tomar açaí, dar um rolê de moto. Nós fazíamos muitas coisas juntos”, confidenciou.

Tauã conta que a família vivia unida, Wellington voltava todos os dias para dormir em casa e eles frequentavam a igreja e as festas religiosas juntos. Até que a chegada da adolescência trouxe apreensão à mãe quando o filho foi cooptado pelo tráfico de drogas.

“Eu falei para ele, ‘pelo amor de Deus, meu filho, vamos embora desse lugar, vamos viver com a minha avó, em Rio das Ostras [cidade da Região dos Lagos do Rio de Janeiro]’, mas ele recusava”.

 

Tauã Brito, mãe de Wellington, morto durante a Operação Contenção no Complexo da Penha, mostra foto do filho em seu celular. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Dia da operação

Durante a operação policial que reuniu 2,5 mil policiais nos complexos, Tauã conta que começou a falar com o filho às 2h da manhã. 

“Na verdade, eu pedi, eu implorei para ele ficar em casa, para ele não sair, mas eu não consegui evitar”.

Eles trocaram muitas mensagens durante a madrugada, com ela recomendando o salmo bíblico e implorando para ajudar, por exemplo, mediando uma rendição. Mas já não havia tempo. 

No início da manhã, Wellington estava na mata, região da Serra de Misericórdia, onde os policiais do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar fizeram um “muro”, impedindo tanto moradores de subirem quanto quem estava lá de escapar. Sem mais respostas, Tauã tentou ir até lá, mas foi impedida pelos policiais da Operação Contenção.

De noite, como ela já tinha contado em entrevista à TV Brasil, Tauã esteve na porta do Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde chegaram os primeiros corpos das vítimas, e implorou ajuda da imprensa para conseguir entrar na mata sem a ameaça de ser alvejada por policiais, mas o apelo foi em vão.

 

Tauã Brito, mãe de Wellington, morto durante a Operação Contenção no Complexo da Penha, e sua outra filha, de 7 anos. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Quando os policiais saíram, ela subiu para a mata junto com o pai de Wellington. Com a luz do celular, gritou, procurou pelo filho e o encontrou, em meio a outros corpos, à 1h da manhã, com punhos amarrados, um corte de faca no braço e um tiro na cabeça.  

“Gente, eu nunca falei que meu filho era certo. Eu sempre falei assim ‘abençoo a sua vida, mas não o que você faz. Eu nunca fui a favor do que ele fazia, nunca peguei o dinheiro dele para nada. Eu nem sei o quanto recebia. Eu sempre fiz meu bicos em restaurante, fazia bico de garçonete no pagode, sempre fui atrás”. 

“Eu não apoiava o que ele fazia, mas ele tinha o direito de se entregar, de estar preso”, lamentou.

Tauã velou o corpo do jovem durante a madrugada e manhã de quarta-feira (29), quando 80 pessoas assassinadas também foram retiradas da mata e enfileiradas por moradores na Praça São Lucas, no Complexo da Penha. A imagem fazia referência à Chacina de Vigário Geral, que ceifou 21 vidas há 30 anos. 

“O governador [do Rio, Cláudio Castro] disse que essa foi uma operação bem-sucedida. Bem-sucedida para quem? O que mudou aqui dentro? A plataforma política dele é essa: oferecer corpos?”, criticou.

“Se o governador falasse assim: ‘olha, entrei na comunidade, a polícia deixou cento e poucos mortos, mas eu tô oferecendo isso aqui para vocês, pros jovens poderem mudar de vida. Eu tô entrando com esse recurso’. Mas isso não aconteceu. Ele entrou, matou e acabou. Não tem nada para quem fica, para quem viu o estado desses corpos no chão. A gente, quando estava na porta do IML, viu dois ônibus da polícia debochando das famílias, rindo, batendo palma, dando gargalhada”.

Liberação do corpos

A mãe também denuncia o descaso na retirada dos corpos, que ficaram muitas horas na comunidade, e na identificação pelo IML. Ela acredita que os corpos deveriam ter sido distribuídos para outros IML do estado, e tratados com mais dignidade.

“Os corpos ficaram horas na mata e no sol. Na quarta-feira, demorou para a defesa civil vir buscar. Então, o corpo já entrou em estado de decomposição. Depois que saiu daqui, quando chegaram no IML, os corpos ficaram no chão, do lado de fora, muitas horas depois de estarem mortos”.

 

 Dezenas de corpos na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva /Agência Brasil

Com essa situação, Tauã mudou os planos para o enterro de Wellington. “Eu queria ver o meu filho, me despedir, mas teve de ser com caixão fechado. Eu pedi para abrir, só que, quando abriu, pedi para fechar”. 

Tauã conta que ainda não conseguiu voltar para casa, mas que reuniu forças para falar sobre o ocorrido como forma de defender a vida. Na visão dela, faltam oportunidades e políticas públicas para os jovens de favela e sobram violência e morte. Ela busca transformar o luto em denúncia, para que as circunstâncias da letalidade na Operação Contenção sejam esclarecidas e para que outros jovens não sejam iludidos pelo crime organizado.

“A minha guerra acabou, mas tem muitas mães pedindo socorro para seus filhos, e minha luta será por eles também”, explicou.

“Eu quero falar, realmente, sobre a minha dor, sobre o que aconteceu naquele dia, sobre o direito que me foi tirado, de chegar ao meu filho para ele poder ser preso, porque, daqui a pouco, isso vai estar esquecido, mas existem outros Wellingtons e mães que precisam ouvir”, terminou.

 

Tauã Brito, mãe de Wellington, morto durante a Operação Contenção no Complexo da Penha. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Governo do Rio

Em entrevistas coletivas concedidas à imprensa durante a semana, autoridades da segurança pública do governo do estado do Rio de Janeiro consideraram que a Operação Contenção foi um sucesso, afirmaram que os criminosos que se entregaram foram presos e alegaram que os mortos foram os que tentaram matar os policiais em ação, que buscavam o cumprimento de 100 mandados de prisão e 180 de busca e apreensão. 

Segundo disseram à imprensa, o conflito foi deslocado para área de mata, onde ocorreu a maior parte das mortes, para preservar a população dos complexos de favelas, considerados o “quartel general do Comando Vermelho”.

O governador, Cláudio Castro, chegou a avaliar que as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos. Já o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, disse que a ação foi planejada, mas que o resultado “quem escolheu foram eles”. 

“Chacina é a morte ilegal. O que fizemos ontem foi ação legítima do Estado para cumprimento de mandados de apreensão e prisão”, afirmou.

Entidades de defesa dos direitos humanos e movimentos de favelas classificaram a ação como “chacina” e “massacre” e cobram que a investigação seja feita de forma independente.

 Mesa com autoridades do Estado do Rio de Janeiro durante coletiva de imprensa sobre a Operação Contenção na Cidade da Polícia, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Investigação das mortes em operação no RJ tem graves falhas, diz ONG

A Organização Não Governamental (ONG) Human Rights Watch afirmou que a polícia do Rio de Janeiro cometeu falhas “cruciais” na investigação de 121 mortes ocorridas durante a Operação Contenção, em 28 de outubro. Em nota pública, a organização relacionou estas falhas a um “desinteresse proposital”, por envolverem população de maioria negra e de baixa renda.

Segundo a Human Rights Watch, a polícia “não preservou o local dos tiroteios para análise, uma medida muito importante para determinar as circunstâncias das mortes”.

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“Estamos muito preocupados com o fato de que etapas cruciais da investigação não foram realizadas e que provas importantes podem já ter sido perdidas”, declarou César Muñoz, diretor da Human Rights Watch no Brasil.

A operação

A Operação Contenção, que integrou 2500 policiais de diversas unidades fluminenses para atacar pontos estratégicos da facção Comando Vermelho em bairros dos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, teve tiroteios intensos e registrou a morte de 64 pessoas em seu primeiro dia, inclusive civis desarmados e crianças.

As demais mortes foram registradas em área de mata na serra da Misericórdia, após uma emboscada do Bope, tropa de elite da polícia, em uma das rotas de fuga da facção. As mortes, principalmente desse grupo, foram descobertas após moradores carregarem os corpos para uma praça no bairro da Penha, não sem antes fazerem vasto registro do cenário de barbárie em celulares.

Antes do meio do dia 29, quarta-feira, essas imagens já circulavam, inclusive fora do Rio de Janeiro. Familiares dos mortos relataram sinais de rendição, como mãos e pernas amarrados, e de execução e tortura de seus entes, aos jornalistas que registraram a fileira de corpos. Há ainda, afirma a Human Rights Watch, uma predominância de negros e uma quase totalidade de pobres entre as vítimas.

Na avaliação da entidade, a ausência de perícia e de isolamento dos locais de morte concorre para que se percam informações cruciais, como a de que os mortos realizaram ou não disparos de armas de fogo.

“As autoridades brasileiras devem garantir uma investigação rápida, completa e independente de cada uma das mortes, bem como das decisões e do planejamento que levaram a uma operação tão desastrosa”, disse Muñoz.

“O caso também mostra a necessidade urgente de o governador do Rio de Janeiro apresentar um projeto de lei para separar a perícia da Polícia Civil e investir em análises forenses independentes e de alta qualidade, que são uma parte fundamental de qualquer investigação criminal”, acrescentou.

A ONG criticou ainda a dificuldade de acesso da Defensoria Pública e de observadores independentes ao Instituto Médico Legal, para onde os corpos foram removidos. Entre as medidas recomendadas pela Human Rights Watch está a presença de peritos independentes e a condução das investigações pelo Ministério Público.

Procuradas, as polícias civil e militar do Rio de Janeiro não se manifestaram sobre as críticas relatadas nesta reportagem.

Em igreja na Penha, fiéis rezam por paz e proteção em semana de horror

No bairro da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, fiéis foram à Paróquia Bom Jesus da Penha para rezar pelos entes queridos neste Dia de Finados. As orações se estenderam também às famílias dos 121 mortos na Operação Contenção, realizada em favelas vizinhas na última terça-feira (28) e considerada a maior e mais letal do Rio de Janeiro.

“Todos que vêm, sejam mães, familiares, amigos, nesse momento de dor, nós temos acolhido, rezado e intercedido por essas pessoas”, diz o padre Marcos Vinícius Aleixo, que celebrou missa neste domingo (2).

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Segundo ele, as pessoas estão com medo e até mesmo a frequência nas missas diminuiu. “A insegurança reina no bairro por conta disso. Muitas pessoas ficam com medo de sair de casa, com medo de vir até a missa”, diz.  

“O tiro, o barulho, isso tudo traz traumas, traz crise de ansiedade, traz medo às pessoas que lá dentro moram, que são pessoas de bem e que estão ali lutando para viver, muitas vezes, porque não tem outra oportunidade de sair dali, mas são pessoas de bem, são pessoas que honestamente trabalham e têm a sua vivência diária”, acrescenta o padre.

 

O padre Marcos Vinícius Aleixo celebra missa em seu ultimo dia na Paróquia Bom Jesus da Penha. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A igreja fica a um quilômetro (Km) da Praça São Lucas, onde foram reunidos corpos retirados de uma área mata entre os complexos do Alemão e da Penha na madrugada depois da operação policial. Segundo a Secretaria de Pública do Rio de Janeiro, 121 pessoas foram mortas, dentre elas, quatro policiais e 117 civis. A operação cumpriu 20 dos 100 mandados de prisão emitidos pela justiça e incluía também 180 mandados de busca e apreensão. Outras 93 pessoas foram presas em flagrante. O alvo da operação era o Comando Vermelho, que controla o território.

Entre o crime organizado e operações policiais, a população se vê encurralada, de acordo com uma moradora do bairro, que não quis se identificar. “A gente não tem sossego. [A operação] Afeta. Claro que afeta, principalmente porque você tá encurralada”, diz.

No dia a dia, ela diz que tem dificuldades para ir e vir por conta do crime organizado. “Atrapalha até as ruas, as pessoas não podem passar. Ficam cobrando até pedágio. Isso não existe, gente”, diz. “É tranquilidade que eu cobro. A minha cobrança é essa. Porque a gente não tem mais paz, não tem sossego. Você vai pedir um Uber, o Uber não quer entrar aqui porque está na Penha. Olha que absurdo”.

A operação sofreu diversas críticas, sobretudo por indícios de abuso de poder por parte dos policiais, por organizações nacionais e internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU). Além disso, famílias dizem que encontraram marcas de tortura nos corpos dos parentes mortos e afirmam que têm provas de que eles tentaram se entregar. Por outro lado, o governo do estado afirma que aqueles que se entregaram foram presos, e que as pessoas que foram mortas entraram em conflito com os agentes.

Para outro morador, que não quis se identificar, a operação dá uma sensação de que algo está sendo feito. “O Rio de Janeiro  todo está meio largado em questão de segurança. Isso [a operação], de uma certa forma, acaba trazendo uma sensação de que estão fazendo algo, né? Porque são dois lados. Ninguém é bonzinho”, diz.

Uma moradora que estava no complexo da Penha durante a operação diz que foi um dia de horror. “Foi muito ruim para nós, porque impactou a vida de muita gente, dos moradores, das crianças, foi muito tiroteio. E isso é ruim para quem não tem envolvimento com nada, pra gente que é morador, pessoas de bem”.

Perguntada se acredita que algo muda com a operação policial, ela é taxativa: “Nada”.

 

Secretaria municipal de Assistência Social faz plantão de atendimento às famílias do Alemão e Vila Cruzeiro na Paróquia Bom Jesus da Penha, na Penha, zona norte da cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ataque a trem em Cambridge deixa nove pessoas em estado grave

Várias pessoas foram esfaqueadas na noite de sábado (1º), num trem em Cambridge, no Reino Unido. Ficaram feridos dez passageiros, sendo que nove foram hospitalizados em estado grave. A polícia deteve dois suspeitos, ambos britânicos, e investiga as circunstâncias do ataque. Não há, contudo, indícios de que tenha sido um atentado terrorista.

“Dez pessoas foram levadas ao hospital, sendo que nove delas sofreram ferimentos graves”, disse o comunicado da Polícia de Transportes Britânica. Acrescentou que “este incidente foi declarado grave e a Polícia Antiterrorista apoia a nossa investigação, enquanto trabalhamos para estabelecer todas as circunstâncias e motivações do incidente”.

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Numa entrevista neste domingo (2) a Polícia de Transporte Britânica anunciou de que não há indícios de que se trate de um ataque terrorista. As autoridades consideram que ainda é cedo, apesar disso, para determinar as causas do incidente.

As autoridades indicam também que há dois detidos sob suspeita de homicídio. Eles são britânicos.

Causas

As causas das agressões ainda estão sendo investigadas, num trabalho que conta com a participação da Polícia Contraterrorista, mas o ministro da Defesa, John Healey, disse que tudo indica que foi um incidente isolado.

O primeiro-ministro inglês, Keir Starmer, reagiu e considerou o ataque “profundamente preocupante”.

O comboio de alta velocidade tinha como destino Londres e o alerta foi dado pelos passageiros. Quem testemunhou o ataque descreve cenas de pânico e confusão.

A polícia e os serviços de emergência foram mobilizados para a estação de Huntingdon, na região de Cambrigde, onde o comboio parou.

A Polícia de Transportes Britânica disse que “várias pessoas” foram esfaqueadas no comboio de Doncaster para Londres King’s Cross, quando este se dirigia para Huntingdon. Ela não forneceu um motivo para o ataque. Duas pessoas foram presas na estação, que fica a cerca de 120 quilómetros ao norte de Londres. Os nomes dos detidos ainda não foram anunciados.

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Especialistas criticam retórica de governadores sobre combate ao crime

Conflitos não são administrados apenas com tiros de fuzil, mas também com discursos políticos. Em paralelo às operações policiais nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, governadores alinhados ao chefe da administração fluminense, Cláudio Castro, criaram o “Consórcio da Paz”, projeto de integração para combater o crime organizado no país.

O sociólogo Ignacio Cano, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), critica o termo. Para ele, trata-se de uma estratégia discursiva que inverte o significado real da operação que deixou 121 mortos.

Corpos são enfileirados na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, após ação policial da Operação Contenção, na última terça-feira (28). Foto: Eusébio Gomes/TV Brasil

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“Os governadores erraram no nome. Deveria se chamar Consórcio da Morte, porque é isso que eles estão propondo. Certamente não é a paz”, diz Cano. “Retoricamente, não vai pegar bem e, cada vez que usarem o termo, vão ser lembrados da quantidade de mortes que os seus governos produzem. A maioria dos governadores de direita estão promovendo a letalidade policial”.

Sete governadores integram o “Consórcio da Paz”. Além de Castro, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Eduardo Riedel (Progressistas), do Mato Grosso do Sul; Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás; e Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal.

“Narcoterrorismo”

Sociólogos, cientistas políticos e especialistas em segurança pública ouvidos pela Agência Brasil analisaram o vocabulário adotado pelas autoridades nos últimos discursos. E apontaram para os usos políticos e simbólicos dos termos relacionados à operação mais letal já registrada no Brasil.

Entre as palavras recorrentes, está “narcoterrorismo”. Ele foi usado por Castro, Tarcísio e Zema para se referir às facções criminosas, principalmente as maiores que tem Rio de Janeiro e São Paulo como centros de poder.

“Isso é mais uma bobagem que atrapalha a polícia, a segurança pública, a sociedade e o próprio governo. Da mesma forma como usam ‘narcomilícia’ e outras categorias mais antigas como ‘Estado paralelo’. Isso, na verdade, oculta incompetências, incapacidades e oportunismos políticos”, diz Jacqueline Muniz, antropóloga e cientista política, professora do departamento de segurança pública da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“Quando você diz que está diante de um narcoterrorismo, você está dizendo que precisa de mais poder, mais dinheiro, mais orçamento e que não precisa dar satisfação do que vai fazer”, complementa.

Operação policial após ataques às bases das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, no início do ano.  Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para Ignacio Cano, o termo é errado também do ponto de vista conceitual. “Terrorismo normalmente é associado a objetivos políticos. É o uso indiscriminado da violência contra civis para perseguir esses objetivos. Um narcoterrorista não teria nenhuma motivação política. O objetivo é o mesmo de todo criminoso, que é o lucro. O termo é uma contradição em si mesmo”, explica o sociólogo.

No Brasil, a Lei n° 13.260, de 2016, define que: “terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”.

Facções de tráfico de drogas são classificadas pela legislação brasileira como organizações criminosas. E é dessa forma que o governo federal, especialmente o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, tem se posicionado.

Um grupo de deputados está tentando mudar isso por meio do Projeto de Lei 724/25, que amplia o conceito de terrorismo para incluir o tráfico de drogas ilícitas. O projeto é de autoria do deputado Coronel Meira (PL-PE) e foi aprovado há algumas semanas na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

Ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), antes de ser votado pelo Plenário da Câmara. Para virar lei, precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Pressão internacional

Esse entendimento tem recebido pressão internacional de políticos de direita. Os governos de Javier Milei, na Argentina, e Santiago Peña, no Paraguai, classificaram recentemente as organizações criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. Os Estados Unidos sugeriram que o Brasil fizesse o mesmo em visita da comitiva norte-americana ao país em maio deste ano.

Os especialistas em segurança pública entendem que a pressão de governadores no Brasil pelo uso de “narcoterrorista” é uma forma de alinhamento político com essas forças externas. Dessa forma, o debate é transferido do campo policial para o geopolítico. Para eles, o termo, se adotado no país, fragilizaria a democracia e aumentaria o risco de interferências internacionais.

Governadores de direita se alinharam ao governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, na política adotada por ele de enfrentamento ao tráfico de drogas. A última operação deixou 121 mortos, sendo quatro policiais. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“Uma forma de os Estados Unidos intervirem de forma mais efetiva no nosso território é justamente apelar para o que os norte-americanos temem historicamente, principalmente depois do 11 de setembro, que é a questão do terrorismo”, diz Jonas Pacheco, coordenador de pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança.

“É um discurso que trata de uma questão de dominação da América Latina. Os países que têm grupos classificados como terroristas claramente não são alinhados ideologicamente com o governo Trump”, complementa.

“O terrorismo é usado pelo presidente dos Estados Unidos para cometer execuções sumárias na costa da Venezuela e da Colômbia. Termo foi adotado pelos governos de El Salvador e Equador também. São tentativas de evadir qualquer limite legal. Leis terroristas alongam prazos de prisão provisória e diminuem garantias processuais. Mas, importante destacar, nenhuma lei antiterrorista autoriza execução sumária de pessoas”, diz Ignacio Cano.

“Guerra às drogas”

Outra categoria semântica muito comum entre as autoridades estaduais é o de “guerra”. As polícias militares estariam diante de conflitos semelhantes aos sofridos em outras realidades do Leste Europeu, África e Oriente Médio.

Os cientistas políticos e sociólogos são categoricamente contrários à terminologia, por uma série de consequências simbólicas e materiais que ela produz.

“Quando você pauta o debate na ideia de guerra, você valida ações que barbarizam todo um território. Quem é o inimigo nessa guerra? É o traficante que está na Faria Lima lavando o dinheiro? Não, é o traficante que está na favela. É o pobre e o preto que moram em territórios de extrema vulnerabilização e precarização”, diz Jonas Pacheco.

“Segurança pública é para gerar segurança, não é para matar. Uso da força deve respeitar as devidas normativas legais. Não é um fim em si mesmo. O fim é gerar segurança. O pacto social prevê que o Estado deve garantir a preservação da vida”, complementa.

“Sempre bom lembrar que, se a sociedade autoriza a polícia a agir sem controles e parâmetros legais, sem fiscalização do Ministério Público, todos nós estamos em risco. Se as pessoas acham que só os moradores do Alemão e da Penha vão sofrer as consequências, estão muito enganadas”, diz Ignacio Cano.

“O objetivo é trazer a guerra para dentro das cidades. E nada melhor do que uma guerra contra o crime. Mas não se trata de combater crime nenhum. Se trata de produzir repressão e espetáculo. Se queremos resolver, temos que mudar também essa linguagem”, analisa Jacqueline Muniz.

“Estamos falando de um projeto autoritário onde a insegurança se torna política pública. Quanto maior a insegurança, melhor para essas autoridades, porque nós somos fidelizados pelo medo. Diante da ameaça, todos nós podemos abrir mão das garantias individuais e coletivas em favor de quem possa nos proteger e, depois, nos tiranizar”, complementa.

Explosão em supermercado no México mata ao menos 23 pessoas

Uma explosão, aparentemente acidental, atingiu o supermercado Waldo’s e pode ter sido causada por um transformador elétrico. O acidente aconteceu nesse sábado (1º) e vitimou pelo menos 23 pessoas, deixando ainda 12 feridos, no Estado de Sonora, no norte do México.

De acordo com relatório preliminar das autoridades, entre as vítimas estão, pelo menos, seis menores, duas mulheres grávidas, vários idosos e funcionários. O governo local expressou, através das redes sociais, condolências aos familiares das vítimas e garantiu que a administração local vai prestar apoio a todos os afetados.

“Infelizmente, mineiros estão entre as vítimas”, disse o governador do estado de Sonora, Alfonso Durazo, num vídeo publicado nas redes sociais. “Ordenei uma investigação completa e transparente para apurar as causas do acidente e determinar os responsáveis”, acentuou.

Inalação de gases

O acidente ocorreu em Hermosillo, capital do estado de Sonora. O procurador-geral do estado, Gustavo Salas, indicou que a maioria das vítimas morreu por inalação de gases tóxicos.

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“A hipótese em estudo é que foi acidental, e a investigação está centrada num transformador que estava no interior da loja”, declarou a Procuradoria de Sonora. “Mas não descartamos nenhuma pista”.

“Assim que os bombeiros permitirem o acesso ao interior, enquanto continuam a remover os escombros, e assim que a estrutura for inspecionada e os peritos puderem entrar com segurança, será possível determinar com precisão as causas do incêndio e, se necessário, corroborar a linha de investigação”, finalizou a autoridade judicial.  

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Domingo de Finados começa com chuva em São Paulo

São Paulo amanheceu com tempo fechado e chuvas neste domingo (2), feriado de Finados. De acordo com o CGE SP (Centro de Gerenciamento de Emergências), o tempo continuará chuvoso e muito úmido durante todo o dia, com precipitações intermitentes e volumes significativos, com potencial para encharcamento do solo, com formação de alagamentos e deslizamentos de terra em áreas de risco. A temperatura máxima não passa dos 22°C e a umidade do ar ficará acima dos 70%.Tendência para os próximos dias

O tempo continua instável, com muitas nuvens e poucas aberturas de sol pela manhã na segunda-feira (3). As chuvas voltam a ganhar força à tarde, com possibilidade de alagamentos. À noite não deve registrar chuva. A temperatura mínima prevista é de 17°C e a máxima de 24°C.

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Na terça-feira (4), o sol aparece entre muitas nuvens e a temperatura se eleva aos poucos. Porém, entre o início e o fim da tarde, há potencial para chuva isolada e de curta duração. Os termômetros oscilam entre 18°C ao amanhecer e 26°C nas primeiras horas da tarde. Segundo informações do CGE, por enquanto a cidade de São Paulo está em estado de observação.

Frente fria com chuvas

A Defesa Civil do Estado de São Paulo emitiu alerta para a ocorrência de chuva generalizada neste domingo (2), devido à lenta progressão de uma frente fria que favorece chuvas a qualquer hora do dia, com possibilidade de temporais mais intensos entre a tarde e noite.

Hoje, mesmo com o afastamento da frente fria, a formação de um corredor de umidade vindo da Amazônia manterá o padrão chuvoso sobre todo o território paulistano. Como resultado haverá pancadas de chuvas frequentes e persistentes, acompanhadas de descargas elétricas, rajadas de vento e acumulados que podem atingir valores moderados a elevados em diversas regiões.

“A Defesa Civil recomenda atenção redobrada em áreas suscetíveis a deslizamentos, alagamentos e quedas de árvores, diante das condições favoráveis a transtornos pontuais, especialmente em localidades com áreas de risco”, finaliza.

Salário médio de profissionais de animação encolheu 12,1% desde 2019

De 2019 para 2025, o salário médio dos profissionais do mercado de animação encolheu 12,1%, passando de R$ 7.980 para R$ 7.010. Eles são, em sua maioria, freelancers, ou seja, trabalham sem vínculo empregatício nem direitos respaldados por leis, e em pequenas empresas. As constatações estão detalhadas no 2º Mapeamento da Animação no Brasil, do Instituto Iniciativa Cultural, que discute as questões inerentes ao setor e considera imprescindíveis verbas federais diretas e indiretas nos projetos de animação.

O levantamento também mostra que poucos desses profissionais já trabalharam para estrangeiros, e um contingente ainda menor internacionaliza conteúdos e criações de sua autoria.

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A pesquisa foi possível por um financiamento do Ministério da Cultura, por meio da Lei Paulo Gustavo, via Spcine, a empresa de cinema e audiovisual da cidade de São Paulo.

O que orientou a análise foi a percepção de 466 participantes, entre eles estão:

  • produtoras: equipe responsável e viabilização pela gestão do projeto;
  • estúdios: quem cria os conteúdos, que podem ser filmes, séries ou estar em outro formato audiovisual;
  • prestadores individuais: que trabalham para terceiros, sob encomenda de projetos;
  • realizadores audiovisuais: aqueles que não têm a animação como sua principal atividade e, portanto, não detêm os direitos autorais sobre as obras.

O estudo levou um ano e dois meses para ficar pronto e resume quais as perspectivas dos profissionais e empresas, as barreiras que dificultam a circulação das obras dentro e fora do Brasil, e a estrutura do segmento. Sua primeira versão data de 2019, e foi agora incrementada por uma mais ampla, que adiciona perguntas para obter um retrato ainda mais fiel dos profissionais de animação. Na versão  mais antiga, o Instituto Iniciativa Cultural foi consultor do Festival Anima Mundi e da consultoria JLeiva.

Profissionais experientes

Na maioria das funções exercidas, predominam profissionais com carreira longa ou muito longa, de 10 a 20 anos ou mais de 20 anos. Seu domínio de técnicas de inteligência artificial (IA), tendência que vem ganhando relevância em diversas profissões, é, na maior parte, relativamente bom. 

Ao lado dos recursos de IA, cresceu, no período, o uso de outros, como animação vetorial/cut-out/digital 2D e animação 2D tradicional. Por outro lado, ferramentas de motion graphics/motion design e técnicas mistas, às quais recorriam quatro em cada dez profissionais, estão sendo menos empregadas atualmente. 

O trabalhoso stop motion, feito de quadro a quadro, com o movimento dos personagens materializados por sequências de fotos, em que diferenças gestuais são sutilmente arranjadas, também foi mais popular anos atrás. A porcentagem de utilização caiu pela metade, de 32% para 16%.

Em entrevista à Agência Brasil, a coordenadora da pesquisa, Alessandra Meleiro, disse que os profissionais da área não têm ultrapassado fronteiras geográficas, o que se constata por proporções evidenciadas no levantamento. Somente 2% dos freelancers prestam serviço exclusivamente para companhias do exterior e 53% para empresas nacionais e estrangeiras, simultaneamente. Desta última parcela, sua mão-de-obra é aproveitada majoritariamente pelas brasileiras (69%). 

Em relação a países que prestam serviço ao Brasil, estão em destaque Estados Unidos, Argentina, França, Índia e Peru. A parcela de profissionais que importam serviços é de 10%, com maior frequência em animação, composição musical, design de personagens, finalização e cenografia. 

Fatores que podem explicar essa baixa proporção são o câmbio desfavorável e, na outra ponta, a disponibilidade de talentos nacionais. O continente asiático, salienta Meleiro, “é um gigante do audiovisual” e ainda permanece longe do alcance dos brasileiros.

Oportunidades

Para quem está cogitando investir em uma carreira dentro da cadeia de animação, a pesquisa enumera os cargos mais difíceis de serem preenchidos pela escassez de profissionais especializados: 

  • animador e rigger: domina a técnica de animação em 3D que adiciona movimento a um personagem simulando articulações
  • diretor de animação: dirige o trabalho e precisa compreender todas as etapas da produção audiovisual
  • produtor executivo: atua garantindo patrocínio e outras fontes de dinheiro para o bom andamento do projeto

Meleiro avalia que o Brasil tem um potencial inexplorado na área, tanto no interior do país como no exterior. Ela destaca alguns dados surpreendentes, como o protagonismo da região Sul.

“Essa descentralização vem ocorrendo”, avalia. 

A ausência, porém, dos profissionais, em eventos da área pode estar significando serem excluídos de mesas de negociação. Segundo a especialista, também pode estar impedindo de terem o trabalho mais valorizado e ganharem em dólar. “[Os eventos] são onde acontece oportunidade de negócios, de coprodução, networking.”

Liderança jovem da COP quer justiça climática no centro da conferência

Há quase seis meses, a ativista climática e comunicadora Marcele Oliveira, de 26 anos, é a Campeã de Juventude da COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Ao longo desse período, ela atua como embaixadora nas discussões e decisões globais sobre o clima, fazendo a conexão entre as vozes da juventude e os ambientes de decisão.

Marcele participou de um processo seletivo para a escolha do Jovem Campeão Climático e foi selecionada entre 154 inscritos, a partir de critérios rigorosos que levaram em consideração a experiência no ativismo climático e a capacidade de articulação com jovens nos territórios.

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Consciente da responsabilidade, ela seu uniu aos outros concorrentes do processo seletivo e formou um verdadeiro mutirão para seguir nesta jornada até o fim da presidência brasileira na COP30, em 2026.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Marcele Oliveira conta sobre como é ser a Campeã de Juventude da COP30, e quais são suas expectativas e desafios para a conferência, que começa em Belém (PA), no próximo dia 10 de novembro.

Agência Brasil: Como que você chegou ao ativismo climático e como foi a sua trajetória até essa escolha de lutar por causas socioambientais?

Marcele Oliveira: Eu me chamo Marcele Maria de Oliveira, sou filha e neta de mulheres que se chamam Maria. Eu sou de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, e uma coisa que sempre chamou a minha atenção foi sobre como nas zonas mais ricas da cidade, que não eram periféricas, tinham muitas árvores e áreas de lazer, e, em Realengo, as praças eram muito abandonadas e, nas ruas, tinham poucas árvores. Só que eu não sabia que isso tinha nome, eu achava que era só a forma como a cidade era construída por acaso.

Daí, eu fui pesquisar e, ao me aproximar das histórias de Realengo, eu reconheci uma luta que eu sabia que existia, mas que não tinha chamado a minha atenção até então, que era a luta pelo Parque de Realengo Verde. Nessa luta, eu aprendi sobre o racismo ambiental, que, na verdade, existe uma escolha que é política, que é social, de lugares que vão ser mais arborizados e, por isso, vão ser, inclusive, mais frescos e com um convívio social de lazer gratuito super possível, e outros lugares que vão ser banhados de concreto, e em que o convívio social vai se dar em shoppings, vai se dar em espaços fechados. E a ideia de desenvolvimento vai ser querer construir o que? Mais prédios.

Agência Brasil: É no movimento do Parque de Realengo Verde que tudo começa?

Marcele Oliveira: Certo. No movimento, a gente constrói a Agenda Realengo 2030, que desenvolve a relação da luta territorial, a partir dos objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, a gente faz a ocupação Parquinho Verde e começa a denunciar a não implementação do Parque Realengo Verde, como um caso de racismo ambiental, e a gente consegue costurar isso num sentido de qualidade de vida, de combate ao calor extremo, de combate às enchentes. Isso resultou em uma política pública de parques urbanos em várias periferias do Rio de Janeiro, e hoje já são quase oito parques.

Foi por isso que eu comecei a acompanhar essa pauta ambiental e climática, comecei a acompanhar as conferências globais por conta da participação das juventudes periféricas nesse debate.

Muitas dessas juventudes são desconectadas, como eu também era, do próprio bioma, do próprio território e muito sobrecarregadas, porque estuda, trabalha e não está olhando ao redor.

Nas conferências globais, onde se decidem esses acordos internacionais, a gente tem muita dificuldade de trazer isso para o território. Só que a resposta do território já existe. Ela é esse pedido por parques verdes, por hortos comunitários, por cozinhas solidárias, por tetos verdes, por pintar paredes de branco, por reflorestamento. Então, a gente não está, na verdade, criando nada. A gente está só pedindo que a adaptação climática aconteça para as periferias.

 

Chegada de chuvas faz Defesa Civil enviar alerta extremo na cidade pela primeira vez. Motoristas dirigem sob chuva no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Agência Brasil: Como você ficou sabendo do processo seletivo? E quando se inscreveu já esperava ser escolhida?

Marcele Oliveira: Eu sou a segunda pessoa no mundo a ocupar esse papel. Então, eu conheci esse cargo na COP20, no Azerbaijão, quando ele estava sendo ocupado pela Leyla Hasanova, que foi a primeira pessoa no mundo a ocupar essa posição. Eu achei muito interessante essa responsabilidade de organizar a juventude, mas a gente não sabia como esse processo seria no Brasil.

E, quando o Brasil anuncia um processo seletivo, na verdade, em vez de nos inscrevermos individualmente, a gente se organiza enquanto movimento de juventude. A gente conseguiu se organizar e entender que era importante que fosse uma pessoa de periferia, que fosse uma pessoa negra ou indígena, e, a partir desse contexto, a gente foi também construindo a ideia de que, independentemente de quem fosse, seria importante que houvesse um time de pessoas jovens com essa pessoa.

Na verdade, eu fui a pessoa que foi nomeada, mas muitas das pessoas que participaram dessa seleção trabalham no nosso mandato ou estão na nossa rede de mandato. Então, a ONU estabeleceu de uma forma, e a gente já fez de outra, porque a gente está no Brasil, a gente acredita em participação social.

Para mim, é uma honra, uma responsabilidade, mas também é muita felicidade poder ter essa nomeação e ter um mandato com outras pessoas jovens ativistas do Brasil, de todos os biomas, para poder fazer esse mandato ser mais representativo.

Agência Brasil: Como está sendo essa experiência em quase seis meses ocupando essa atividade de embaixadora da juventude nesses ambientes de negociação? É muito desafiador posicionar as perspectivas dos jovens nesses debates?

Marcele Oliveira: Eu acho que uma coisa que a gente aprendeu nesses seis meses é que a forma como a juventude, ao redor do mundo, se organiza para incidir na negociação climática, muitas das vezes, não está dentro de um padrão de negociação sem a ação local.

E a gente chama de mutirão o reconhecimento dos tantos projetos das juventudes que existem e que protegem a natureza, o meio ambiente, os ecossistemas; mas que não têm credencial de levar ao [debate] internacional aquilo que é feito no território. Porém, o que é feito no território é o que de fato garante a adaptação climática que tanto se fala no internacional.

Agência Brasil: É a ideia do mutirão, trazida pela presidência da COP30?

Marcele Oliveira: Sim, a gente chama de mutirão essa coisa do fazer todo mundo junto e a importância do fazer agora, do implementar agora. Mas o mutirão é também o reconhecimento de que o fazer não tem só um jeito certo e não está só alocado dentro da negociação, dentro da Conferência do Clima.

Todo mundo precisa ser ativista climático, ativista ambiental, independentemente de onde mora, da classe social que ocupa, da cor que tem, porque a gente mora no mesmo planeta. Então, precisa de todo mundo.

Só que têm pessoas que estão mais vulneráveis às consequências dessa mudança do clima, como quem mora em lugares que vão encher, enquanto outras pessoas vão dormir com o barulho da chuva. Por isso, a luta é por justiça ambiental e climática.

Agência Brasil: Como você, pessoalmente, se sente nessa posição de conectar o território jovem com esse modelo global das COPs?

Marcele Oliveira: Eu me sinto nesse lugar de responsabilidade. Acho que eu recebi um caderno em branco, com algumas linhas, e eu gostaria de entregar um caderno bem preenchido, desenhado, colado e colorido, porque a gente não está falando só sobre a COP30 no Brasil, a gente está falando sobre uma posição de juventude num cargo importante, dentro de uma conferência que pode ser uma das conferências mais importantes da nossa geração. A gente quer que esse cargo seja sempre fortalecido não só nesse, como em outros espaços de incidência de juventude na institucionalidade. 

 

Movimentação durante a madrugada no mercado de açaí e peixes do Ver-o-Peso, em Belém, cidade que recebe a COP30 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Agência Brasil: Qual é a sua expectativa para a COP30 em Belém?

A minha expectativa para a COP30 é que o nosso time de diplomatas do Itamaraty, que são reconhecidos como bons negociadores, consiga puxar essa conferência para esse olhar de implementação, porque a gente já está há muito tempo negociando os acordos e os processos. Já deu tempo de todo mundo entender qual é a sua responsabilidade e a desproporcionalidade do impacto. Enquanto têm lugares que já estão se reconstruindo pela segunda, pela terceira vez, têm lugares que conseguiram se adaptar maravilhosamente bem, porque, historicamente, roubaram de outros lugares essa capacidade. Falar de justiça ambiental, justiça racial, falar da importância de olhar para a questão do colonialismo, escravidão, passa pela nossa história enquanto humanidade. 

Então, uma COP de sucesso para a gente é uma COP que faz seus importantes anúncios, que vai colocar dinheiro para o reflorestamento lá no Fundo de Florestas Tropicais para Sempre [TFFF na sigla em inglês], que vai triplicar o pedido do financiamento para adaptação, que vai chegar no US$1,3 trilhão para poder fazer a adaptação climática dos territórios, mas que também que leve em consideração que a adaptação se faz a partir da tecnologia que é ancestral que é dos territórios, que é onde a gente consegue ver as juventudes as mulheres, as crianças participando. 

A juventude ocupa um papel importante, por serem os próximos líderes que vão ter essa mudança de pensamento para implementar esse mutirão e proteger os ecossistemas.

Agência Brasil: O que a juventude espera para um futuro de longo prazo?

Marcele Oliveira: A gente realmente conversa muito sobre isso, sobre o que a gente gostaria que acontecesse no Brasil depois que a COP30 passar. Eu tenho lembrado que a gente viu o país sair do mapa da fome duas vezes e isso, há 50 anos, era uma coisa inimaginada, então, por que a gente não pode tirar o nosso país do mapa do risco climático? A questão é que o mapa do risco climático também é uma consequência da atuação de todos os países, ou seja, não dá para sair sozinho. Então, se o Brasil sair, ele precisa também levar a América Latina e o Sul Global junto. E isso só é possível também dialogando com o Norte Global, dialogando sobre essas Contribuições Nacionalmente Determinadas [NDCs], sobre as responsabilidades que são parecidas, mas que são diferentes.

Então, acho que quanto mais pessoas entendem isso, mais a gente também ganha força no que a gente está cobrando do nosso vereador, do nosso prefeito, do nosso secretário, do nosso governador, do nosso presidente, da gente mesmo e dos lugares onde a gente está. Nas nossas escolas, universidades, igrejas. A chamada global do mutirão é sobre como que a gente pode fazer a passagem da COP30 pelo Brasil ser também a maior movimentação por justiça climática da nossa geração? E que isso crie um impacto desde as eleições de 2026, aqui no Brasil, até a permanência de uma referenciação sobre justiça climática na história.

Hoje é Dia: finados, tragédia de Mariana e favelas em destaque

Esta semana que inicia novembro tem o primeiro feriado do mês e datas importantes na área da comunicação, além do aniversário de dez anos de um dos maiores desastres ambientais do país. Começamos com o Dia de Finados, em 2 de novembro, momento das famílias celebrarem a memória daqueles que já partiram e homenageá-los.

É uma efeméride mais popular entre os seguidores do catolicismo, mas também têm adeptos de outras crenças. O Dia de Finados foi destaque desta reportagem da Agência Brasil e desta da Radioagência Nacional, publicadas em 2024. Também foi tema de reportagens na TV Brasil, como esta do Repórter Brasil, de 2012, e esta outra, exibida no Repórter DF, em 2016. 

O dia 4 de novembro é o Dia das Favelas. A efeméride faz alusão à primeira vez em que o termo “favela” apareceu em um documento público, em 1900. Uma carta enviada ao chefe da polícia do Rio de Janeiro se referia, na ocasião, à favela do Morro da Providência.

A data é comemorada com shows, debates e mutirões, como mostra esta reportagem da Agência Brasil e esta edição do Revista Rio, da Rádio Nacional, ambas de 2021. Já a Radioagência Nacional falou sobre como as favelas movimentam a economia, em reportagem de julho deste ano. A TV Brasil também destacou a efeméride, em edições do Repórter Brasil Tarde (2021) e do Repórter Brasil (2024). 

No dia 5 de novembro o rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, Minas Gerais, completa dez anos. A tragédia destruiu completamente o distrito de Bento Rodrigues, deixou 18 mortos e provocou graves danos ambientais e socioeconômicos. Um ano após o ocorrido, em 2016, a Agência Brasil destacou que este foi o maior acidente envolvendo barragens em todo o mundo, nos últimos 100 anos.

Após um processo que se arrastou por quase uma década, este ano os habitantes atingidos pelo desastre começaram a receber indenizações e auxílios, como mostra este outro texto da Agência, esta reportagem da Radioagência Nacional, e esta reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

No dia 5 de novembro também celebramos o Dia Nacional da Língua Portuguesa. A efeméride, criada em 2006, homenageia o nascimento de Ruy Barbosa, um dos escritores e intelectuais brasileiros mais conhecidos do século XX.

A Agência Brasil e a Radioagência Nacional abordaram o tema em 2023, destacando que o português é a quarta língua mais falada no mundo. A data também foi destaque na TV Brasil, nos programas Sem censura, em 2019, e Repórter Brasil, este ano. 

Comunicação

O Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas é uma efeméride criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), celebrada em 2 de novembro. O objetivo é estimular um ambiente seguro para o trabalho dos profissionais dos meios de comunicação.

A Agência Brasil destacou que 85% dos assassinatos de jornalistas no mundo passam impunes, em reportagem de 2024. No cenário brasileiro, a Agência noticiou nesta reportagem de maio deste ano que o número de agressões caiu, mas segue alto, com 144 casos em 2024. O crescimento dos ataques a profissionais de imprensa também foi tema desta reportagem da Radioagência Nacional, veiculada no ano passado.

O radioamadorismo, além de hobby, é uma atividade de utilidade pública. Sabia que muitos radioamadores desempenham um importante papel no auxílio em desastres, ajudando a Defesa Civil como voluntários? Para homenageá-los, 5 de novembro é o Dia do Radioamador.

A Rádio Nacional destacou o papel dos radioamadores no Rádio Memória, em edição de 2021, e no Tarde Nacional Amazônia, em 2024. A atividade também foi abordada pela Radioagência Nacional e pelo jornal Repórter Brasil, da TV Brasil, em reportagem de 2022. 

Se o radioamadorismo é celebrado no dia 5, nada mais lógico que comemorar o Dia do Radialista também nesta semana, no dia 7 de novembro. A efeméride é uma homenagem ao compositor e radialista Ary Barroso, que nasceu nesta data, em 1903, como mostra essa reportagem do Repórter Brasil, da TV Brasil, exibida em 2015.

A Rádio Nacional comemorou o Dia do Radialista no programa Rádio Memória, em 2021, e no Viva Maria, em 2023. 

Rir é o melhor remédio

Finalizamos esta edição falando sobre uma das melhores coisas da vida: em 6 de novembro é comemorado o Dia Nacional do Riso. Estudos científicos já comprovaram que rir aumenta os hormônios ligados à alegria e bem estar, diminui o nível de cortisol – conhecido como hormônio do estresse – melhora a circulação sanguínea e até ajuda a aumentar a tolerância à dor.

Esses benefícios foram ressaltados pela Rádio Nacional nos programas Viva Maria, em 2023, e no Revista Rio e Tarde Nacional Amazônia, ambos veiculados em 2024. 

Confira a relação completa de datas do Hoje é Dia de 2 a 8 de novembro de 2025*

Novembro de 2025
2/11

Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas – data reconhecida pela ONU

Dia de Finados – comemoração de seguidores da Igreja Católica Apostólica Romana e Cristãos de outras tradições, que também é conhecida como “Dia dos Mortos”. É celebrada com feriado no Brasil de acordo com a Lei Nº 10.607 de 19 de dezembro de 2002

3/11

Getúlio Vargas inicia o governo provisório no Brasil (95 anos)

Dia Internacional das Reservas da Biosfera – comemoração instituída pela Unesco por ocasião do aniversário do lançamento do programa Homem e a Biosfera, que veio a público entre 9 e 19 de novembro de 1971, e que está relacionado com a Rede Mundial de Reservas da Biosfera

Apagão no Amapá (5 anos) – explosão seguida de incêndio comprometeu os três transformadores na mais importante subestação do estado

4/11

Morte do primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin (30 anos) – foi assassinado pelo estudante judeu ortodoxo Yigal Amir, militante de extrema-direita, que se opunha às negociações com os palestininos, quando participava num comício pela paz na Praça dos Reis

Dia das Favelas – comemoração de membros da Central Única das Favelas (Cufa), com eventos em várias localidades do Brasil, que está oficializada nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Tem por finalidade marcar a data de uma carta de 4 de novembro de 1900, escrita por um delegado da 10ª Circunscrição do Rio de Janeiro, para o então Chefe da Polícia, Enéas Galvão, sobre a favela do Morro da Providência. O documento é tido como a 1ª referência documentada da história brasileira sobre favelas

Dia dos Inventores

5/11

Nascimento do dramaturgo e diplomata fluminense Martins Pena (210 anos)

Rompimento de barragem em Bento Rodrigues, subdistrito do município de Mariana, em Minas Gerais, deixando 18 mortos (10 anos)

Dia da Cultura e da Ciência – comemoração do Brasil, criada pela Lei Nº 5.579, de 19 de maio de 1970, e que também é conhecida como “Dia Nacional da Ciência e Cultura Brasileira”

Dia Nacional da Língua Portuguesa – comemoração estabelecida pela Lei Nº 11.310, de 12 de junho de 2006

Dia Mundial da Conscientização sobre Tsunamis – data reconhecida pela ONU

Dia do Radioamador

Dia Nacional do Design – comemoração instituída pelo Decreto de 19 de outubro de 1998

Primeira transmissão da TV Educativa (TVE) (50 anos)

6/11

Morte do cantor, músico e sapateador gaúcho Edgard de Almeida Negrão de Lima, o Bob Lester (10 anos)

Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado – comemoração instituída pela ONU na Resolução 56/4, de 5 de novembro de 2001

Dia Nacional do Riso

Lançamento da série ficcional “Teatro de Mistério”, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro (68 anos) – escrita por Hélio do Soveral, tratava das investigações de crimes de assassinato realizadas pelo Departamento de Polícia Judiciária

7/11

Dia do Radialista

Criação da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), autoridade portuária de Santos (45 anos)

Lançamento do programa “O Céu do Brasil”, veiculado na Rádio MEC (47 anos) – tinha como objetivo abordar os fenômenos celestes, de forma acessível aos ouvintes

8/11

Morte do músico e pianista deficiente visual Sidney Marzullo ou Sidney Souza (20 anos) – fundador do Coral composto por deficientes visuais na Cesgranrio, em parceria com a União Cegos do Brasil

Nascimento do cardeal e arcebispo católico fluminense Eugênio de Araújo Sales (105 anos)

Dia Mundial do Urbanismo – comemoração internacional, mais tarde oficializada no Brasil como “Dia Nacional do Urbanismo”. Criada no “Congresso de Besançon” de 1935 na França

*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.