Capotamento de ônibus deixa feridos em São Paulo

Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas após um ônibus ter capotado na Estrada do Jaceguava, em Parelheiros, zona sul de São Paulo.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o acidente ocorreu por volta das 15h deste domingo (17). O estado de saúde delas ainda não foi informado.

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Nove viaturas do Corpo de Bombeiros estão trabalhando no local. O helicóptero Águia, da Polícia Militar, também foi enviado para atendimento dos feridos.

As causas do acidente ainda serão investigadas.

Festival leva ao público esquetes teatrais acessíveis

A Escola de Gente – Comunicação em Inclusão, organização não governamental (ONG) criada pela jornalista Claudia Werneck há 21 anos, dá início, no próximo dia 19, à estreia pública do ETA Festival de Teatro Acessível, levando ao público esquetes teatrais online, gratuitos e inclusivos em todas as suas etapas.

O ETA Festival vai estrear no Dia Nacional do Teatro Acessível: Arte, Prazer e Direitos, idealizado pela jornalista, aprovado pelo Congresso Nacional, sancionado em 2017 como Lei 13.442.

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Os espetáculos podem ser assistidos no canal do Youtube da Escola de Gente.

Claudia Werneck explicou à Agência Brasil que essa é a parte pública do festival, que já vem ocorrendo desde o ano passado, associado à formação e a um processo muito cuidadoso de seleção de esquetes e divulgação.

“Agora, estreia a parte pública, que todo mundo vai ver. Não é um festival comum. É um festival de ‘”INsquetes”, que são esquetes que falam de inclusão. Ele é o primeiro festival plenamente acessível de todo o Brasil”, disse a criadora do evento.

Para ter uma ideia do nível de acessibilidade do ETA Festival, seu edital foi lançado em 14 formatos acessíveis, o que Claudia acredita não ter ocorrido até então no país. “Ele foi feito desta forma para que quaisquer pessoas pudessem se inscrever, inclusive analfabetos, visando a democratização do acesso, como a Lei Rouanet de Incentivo à Cultura estabelece”. Foram recebidas mais de 130 inscrições de todas as regiões do país e uma de Portugal.

Formação

Após uma etapa de seleção, os autores dos 24 “INsquetes” vencedores fizeram curso de formação, inclusão e acessibilidade, conceituação sobre racismo, questões LGBTQIA+, deficiência, desenvolvimento inclusivo, legislação, acessibilidade online, teatro acessível e como fazer esquetes falando de inclusão.

Depois passar pela formação, os 24 selecionados vão apresentar as cenas aprovadas nos dias 19, 20, 21 e 22, que foram aprimoradas durante o workshop. A coordenadora de Projetos da Escola de Gente, Natália Simonete, explicou à Agência Brasil o princípio do teatro acessível. “Todas as cenas vão ter Libras, audiodescrição, legendas descritivas e linguagem simples”. Serão apresentadas seis cenas por dia, durante os quatro dias do evento.

No dia 23, a comissão julgadora, na área de artes e inclusão, vai divulgar os cinco indicados em cada categoria. São oito categorias diferentes de premiação.

Uma das categorias é a do júri popular, em que um dos prêmios será dado à melhor cena votada pelo público. A votação popular será aberta no dia 24 deste mês e se encerrará em 1º de outubro. Ela poderá ser feita de maneira online no aplicativo Vem CA – Plataforma Cultura Acessível, Conhecimento e Conexão Acessíveis. Todos os esquetes vencedores ganharão prêmios em dinheiro, no valor total de R$ 50 mil, além de troféus. Os INsquetes vencedores serão conhecidos no dia 21 de outubro em cerimônia transmitida pelo YouTube da Escola de Gente (www.youtube.com/@EscoladeGenteOficial).

A programação dos “Insquetes” pode ser acessada aqui

Premiação

A Escola de Gente – Comunicação em Inclusão é referência nacional e internacional em cultura acessível. Seu primeiro espetáculo totalmente acessível foi realizado no Brasil em 2007 e intitulava-se Ninguém mais vai ser bonzinho. A Escola tem mais de 100 reconhecimentos e premiações, entre os quais a Ordem do Mérito Cultural, da Presidência da República, por sua inovação em acessibilidades artísticas.

A Escola de Gente foi nomeada recentemente pela ministra da Cultura, Margareth Menezes, para integrar a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) no mandato 2023-2025, como representante do tema acessibilidade.

“Eu estou super feliz”, afirmou a criadora da organização. No próximo dia 14, será realizada, no formato virtual, a segunda reunião da comissão. A terceiro encontro deve ser realizado em Natal (RN). A primeira reunião ocorreu em Brasília. Claudia mostrou alegria em participar de um grupo interessado em fazer o melhor para reconstruir a própria CNIC, “que é um símbolo da gestão da Lei Rouanet e que define o que tem e o que não tem mérito”. Para ela, os integrantes da Comissão são pessoas muito interessadas e que vêm debatendo com muito afinco cada tema.

“É a primeira vez que a comissão tem uma cadeira de acessibilidade, o que mostra que há um compromisso efetivo de caminhar nesta direção. Mas há muito a fazer. Não é simples. Tenho percebido que há muita vontade, mas ainda pouco conhecimento por parte dos proponentes sobre a melhor acessibilidade. Me sinto com vontade de fazer o melhor, de ensinar. Temos ganho muitos prêmios pela coragem de fazer um teatro acessível.”

Para a Escola de Gente, acessível é o teatro onde a pessoa com deficiência, alento, competência pode estar onde quiser, seja na plateia, na direção, no palco. “Não é um teatro para pessoas com deficiência, nem um teatro de pessoas com deficiência. É um teatro no qual PCDs [pessoas com deficiência] são livres para participar com tudo que têm direito e com equiparação de oportunidades, o que só se consegue com plena acessibilidade”.

A Escola de Gente visa formar plateia, atores e atrizes para o teatro acessível. Seu lema é: “Sem acessibilidade, a arte não vive”. A ONG saiu na frente, lançando o primeiro espetáculo acessível, em 2007, com o grupo Os Inclusos e os Sisos, para expandir o conceito de democratização de acesso à cultura para pessoas com deficiência.

ONU

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a maioria da população com deficiência vive em regiões mais empobrecidas do planeta, como é o caso do Brasil. Na pandemia do novo coronavírus, as PCDs foram as pessoas mais excluídas do acesso às informações no mundo digital. Para enfrentar essa discriminação, a Escola de Gente criou uma solução tecnológica integrada, por meio da qual realizou o primeiro espetáculo teatral plenamente acessível da internet brasileira, em 19 de setembro de 2020, e que foi considerada uma das “400 Melhores Práticas do Mundo” pela ONU.

Morre indígena de 15 anos violentada no Amapá

Vítima de violência sexual no extremo norte do país, a adolescente indígena karipuna Maria Clara Batista morreu neste domingo (17). Aos 15 anos, ela estava internada em estado grave em um hospital de Caiena, capital da Guiana Francesa, para onde foi levada após agravamento do seu quadro clínico.

A morte foi confirmada em nota divulgada pelo Conselho de Caciques dos Povos Indígenas de Oiapoque (CCPIO). A entidade prestou solidariedade aos familiares e denunciou que Maria Clara veio a óbito “após ser vítima de um crime bárbaro onde pedimos justiça”.

O caso ocorreu na quarta-feira (13) na cidade de Oiapoque, no Amapá. A indígena foi abusada e afogada na lama, em uma área de pântano. Após o crime, ela conseguiu deixar o local e procurar ajuda. Ao analisar câmeras de segurança, a polícias Civil e Militar prenderam em flagrante Cláudio Roberto da Silva Ferreira, de 43 anos. Ele é acusado de estupro e tentativa de homicídio.

“Através do trabalho de inteligência, localizamos o acusado, que estava em uma embarcação pesqueira próximo ao oceano, em direção ao estado do Pará. Interceptamos o barco e prendemos o indivíduo”, explicou o delegado Charles Corrêa em nota divulgada pela Polícia Civil do Amapá.

No dia seguinte, a prisão em flagrante do homem foi convertida em prisão preventiva. Ainda de acordo com a nota divulgada pela Polícia Civil, ele também é acusado de ser o autor de um outro estupro ocorrido no ano passado e ainda responde por furto.

A condição de saúde da adolescente se agravou porque, ao ingerir lama, ela contraiu uma infecção pulmonar. A indígena precisou ser intubada ainda no hospital do município de Oiapoque, sendo posteriormente transferida para Caiena. 

Maira Aguiar ganha oitavo ouro pan-americano na volta aos tatames

Mayra Aguiar conquistou o título na categoria até 78kg do Campeonato Pan-Americano e da Oceania. A conquista ocorreu no final da tarde deste sábado (16), em Calgary, Canadá. O torneio foi a estreia na temporada de 2023 da judoca dona de três medalhas olímpicas e de três títulos mundiais. Esse foi o oitavo título continentais da gaúcha.

Além da conquista da Mayra, a campanha brasileira teve outros dois ouros, três pratas e um bronze. As medalhas douradas vieram com Beatriz Souza (+78kg) e Rafael Macedo (90kg). Guilherme Schimidt (81kg), Leonardo Gonçalves (100kg) e Rafael Silva (+100kg) ficaram com a prata nas respectivas categorias. Para fechar, Luana Carvalho (70kg) conquistou a medalha de bronze.

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No final das provas individuais, o Brasil finalizou sua campanha com seis ouros, quatro pratas e cinco bronzes, ficando em primeiro lugar no quadro geral de medalhas. O Canadá ficou em segundo lugar, com quatro ouros, duas pratas e dois bronzes. Cuba ficou em terceiro, com um ouro, duas pratas e três bronzes. O torneio é uma das etapas classificatórias para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, distribuindo até 700 pontos no ranking mundial.

Neste domingo (17), acontece a disputa da prova por equipes mistas. Brasil, Cuba e Canadá disputam o torneio, lutando todos contra todos. Os dois melhores se confrontam na final para definir o campeão e o medalhista de prata.

Brasil assina acordos de cooperação em vários setores com Cuba

Em visita a Cuba, ministros que acompanharam o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinaram acordos de cooperação, também chancelados pelo presidente,  que devem, segundo o governo, “ampliar a troca de tecnologias entre os dois países”. Os memorandos de cooperação incluem as áreas de saúde, ciência e tecnologia e desenvolvimento agrário.

Na área de saúde, foi assinado um protocolo de cooperação que prevê a troca de tecnologias e conhecimento em temas como doenças crônicas, vacinas, biotecnologia e biodiversidade, doenças transmissíveis e negligenciadas. O protocolo também prevê o desenvolvimento de produtos inovadores. “A importância desse acordo é que o Brasil se beneficia de um conhecimento de ponta que Cuba desenvolveu, investimentos de anos nessa área. Nesse desenvolvimento conjunto, o Brasil entra com sua expertise em pesquisa clínica e a sua capacidade de produzir em escala, em laboratórios públicos e laboratórios privados”, explicou a ministra da Saúde, Nísia Trindade.

16.09.2023 – Assinaturas de Atos – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – Presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e o ministro do desenvolvimento agrário, Paulo Teixeira (e) – Palácio da Revolução – Havana – Cuba Fotos – Ricardo Stuckert / PR

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O documento inclui ainda uma associação entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Biocubafarma. Essa associação vai possibilitar transferência de tecnologia para a produção nacional do NeuroEpo, um medicamento inovador usado para retardar os efeitos do Alzheimer, e da Eritropoietina, utilizado no tratamento de anemia por insuficiência renal, leucemia e outras doenças.

O acordo também possibilita o desenvolvimento de uma política de auxílio mútuo sobre regulamentação sanitária para aprovação e comercialização de medicamentos, dispositivos médicos, vacinas e outras tecnologias.

Já na área de Ciência e Tecnologia, a principal medida assinada trata da reativação do Comitê Gestor Brasil-Cuba de Ciência, Tecnologia e Inovação. A intenção é que o comitê volte a se reunir no prazo de 60 dias para discutir cooperação científica e tecnológica entre os dois países, com prioridade em biotecnologia, bioeconomia, biorrefinarias, biofabricação, energias renováveis, ciências agrárias, soberania, segurança alimentar, clima, sustentabilidade, redes de ensino e pesquisa.

“Nós queremos retomar, não só na área do complexo industrial de saúde, mas em outras áreas mais abrangentes, como a bioeconomia. Queremos fazer uma nova reunião do comitê em 60 dias. É uma relação em que a gente aprende e aquilo que a gente tem mais expertise a gente oferece, a gente procura uma lógica de cooperação e parceria saudável, que faz com que a gente encontre soluções pro Brasil e pra Cuba”, afirmou a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos.

Na área de desenvolvimento agrário, o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, assinou um convênio com o governo cubano para o estabelecimento de um programa de cooperação na área agrícola, que contempla as áreas de agricultura, pecuária, agroindústria, governança da terra, soberania e segurança alimentar e nutricional.

O foco é a troca de tecnologia e cooperação técnica em sementes e mudas, bioinsumos e fertilizantes, agricultura de conservação, agricultura urbana e periurbana, produtos alimentares prioritários para consumo humano e animal, reprodução de espécies agroalimentares prioritárias, uso eficiente da água, cadastro e gestão da terra e abastecimento agroalimentar.

16.09.2023 – O presidente Lula, durante encontro com o Presidente da República de Cuba, Miguel Díaz-Canel Bermúdez – Palácio da Revolução – Havana – Cuba Fotos: Ricardo Stuckert / PR – Ricardo Stuckert / PR

Nesse sábado (16), após a Cúpula de Chefes de Estado e Governo do G77 + China, Lula teve uma reunião bilateral com o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel. Esse foi o terceiro encontro entre os dois presidentes este ano. Também foi a primeira viagem oficial de um mandatário brasileiro ao país caribenho em nove anos. A última foi em 2014, quando a então presidente Dilma Rousseff esteve em Havana, capital cubana.

Assembleia Geral da ONU

De Havana, o presidente seguiu para Nova York, nos Estados Unidos, onde fará o primeiro discurso do debate geral de chefes de Estado da 78ª Assembleia Geral da ONU, na próxima terça-feira (19). Será a oitava vez que o presidente Lula abrirá o debate geral dos chefes de Estado. Nos oito anos em que governou o Brasil, em seus dois primeiros mandatos, ele deixou de comparecer apenas em 2010.

Vítima de violência, conselheira tutelar atua para salvar crianças

A cada dia, Marlla Costa, de 40 anos, tem reencontros marcados consigo mesma. São visões doloridas do passado. Lembranças da infância e da adolescência, dos abusos sexuais que sofreu, da dependência química, inclusive do crack já na vida adulta. Das histórias de violências, estupro, quando viveu em situação de rua. O racismo a rodeou por todos os lados. 

Hoje, após uma incrível história de reviravolta, a agora conselheira tutelar de Arniqueiras, no Distrito Federal, enxerga o próprio passado em outras pessoas. “Eu fui abusada quando criança. Cresci em uma família disfuncional”.  

Ela se vê em quem sofre, como se carregasse um espelho translúcido. Ela se enxerga na menina, na moça, na mulher, na mãe. Só que, muito mais do que sentir a dor do passado, ela trabalha. 

“Eu encontro ‘Marllas’ em várias situações na minha vida. E esse encontro me faz mais forte. Não tenho tempo para estar fragilizada diante de situações que precisam ser resolvidas. Quando cheguei ao conselho tutelar, eu já vim curada do meu passado”, afirmou a conselheira em entrevista à Agência Brasil.

Brasília (DF) – A conselheira tutelar de Arniqueiras, Marlla Costa, deixou o passado de violência para trás para salvar crianças em situação de vulnerabilidade. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil 

Não há tempo para chorar o passado. A missão do conselheiro tutelar, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), prevê ações legais e imediatas para garantir à infância a proteção diária. 

Inclusive, para atuar no conselho tutelar, é necessário concorrer a um mandato de quatro anos. Em 2023, as eleições, que ocorrem em cada cidade, estão marcadas para o dia 1º de outubro. O voto é facultativo e pessoas acima dos 16 anos de idade podem escolher o representante de sua comunidade no conselho. Cinco são eleitos por município.

>> Leia mais sobre a preparação do TSE para as eleições para o Conselho Tutelar

Participação

O Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania explica que é necessário estimular a participação comunitária nessa escolha. Segundo Diego Bezerra Alves, coordenador de Fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos do ministério, o papel do Conselho Tutelar é ser um garantidor de direitos da convivência familiar e comunitária. 

“A preservação dos laços familiares das crianças deve ser a prioridade. A retirada emergencial de uma criança da família é uma exceção, o último caso, e com a validação da Justiça”.

O coordenador aponta que a representação está relacionada com a confiança e a legitimidade da comunidade. “A pessoa representante da comunidade pode melhor atender as crianças e as famílias, e orientar a rede de atendimento. Mas existe o desafio de fazer com que haja maior reconhecimento e valorização desse trabalho pela sociedade”. 

Para concorrer, a pessoa tem que residir no município onde pretende ser eleito, ser maior de 21 anos de idade e com idoneidade moral. “É muito importante que essas pessoas já tenham experiência com a garantia dos direitos da criança e do adolescente. Pessoas que tenham capacidade técnica além do seu senso comum, de crenças religiosas ou políticas”.

Diego Bezerra Alves afirma que o atual governo federal tem investido na capacitação das pessoas que ocupam os conselhos tutelares com a Escola Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, uma unidade de formação online com cursos gratuitos na área. Os salários dos conselheiros variam de acordo com a capacidade do município, mas os profissionais eleitos devem, segundo o governo federal, agir com independência para fiscalizar a aplicação dos direitos. 

No caso de Marlla Costa, ela não vai poder concorrer desta vez porque teve problema na entrega de documentos. Não só gostou do serviço como se encontrou. A conselheira é casada com um companheiro de vida que encontrou, em 2011, quando estava em situação de rua. Os dois se ajudaram e reviraram o destino. Hoje tem dois filhos. Depois de recuperada, foi para a faculdade e trabalhou como voluntária em um instituto de proteção de crianças em situação de vulnerabilidade. 

Na pele

Ela se formou em serviço social e embarcou em pós-graduação. “Eu senti também a necessidade de continuar estudando leis, artigos e a função do conselho tutelar. Temos que buscar uma forma humanizada do atendimento da maioria das mães aqui, que são mães solo, mulheres negras e que também sofrem violência doméstica dos seus maridos e companheiros”. Violências que ela encontra também diariamente nas ruas.

Marlla, inclusive, foi a primeira vítima de racismo que registrou o crime depois que houve equiparação com injúria racial (entenda a lei https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2023-01/entenda-nova-lei-que-equipara-injuria-racial-ao-racismo). Foi no dia 13 janeiro que dois homens, após uma discussão de trânsito, a violentaram com palavras racistas e até puxões de cabelo. Os agressores foram presos em flagrante. “Eu trabalho com denúncias de pessoas violentadas. Tinha certeza de que não poderia me calar. Se eu não denunciasse, não poderia trabalhar no dia seguinte”.

Ela atende mulheres e crianças que a inspiram. “Inicialmente, eu não consegui pedir socorro quando eu estava nas drogas. Eu simplesmente fui me afundando. Quando eu consigo olhar aqui uma mãe pedindo ajuda porque o filho está nas drogas, eu posso conversar, eu posso falar, porque eu já estive nesse lugar”, conta. 

Esse lugar de fala não tirou dela impactos a cada história que descobre, como de violências diversas contra crianças praticadas em casa, em outros ambientes, e também pelas instituições que deveriam proteger. 

“Uma das nossas atribuições é requisitar serviços públicos na área da saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança, por exemplo. Nós podemos requisitar junto à autoridade judicial medidas diante de caso de qualquer descumprimento ou mesmo ameaça”. Para os futuros conselheiros tutelares, Marlla recomenda muita disposição, ouvidos e olhos atentos para esse trabalho tão especial. “É preciso estar sempre indignada e inconformada contra violências e injustiças”.

Campeão geral, SP termina Jogos da Juventude com brilho no basquete

Assim como a camisa dez é recheada de simbolismo no futebol, graças a Pelé, a 23 tem grande representatividade para o basquete. Foi com o número às costas que Michael Jordan encantou o mundo com a bola laranja nas mãos, defendendo o Chicago Bulls, time da NBA, liga norte-americana da modalidade, nos anos 1990.

Na equipe feminina que representou São Paulo nos Jogos da Juventude, a responsabilidade de vestir a 23 foi de Isadora Dutra. É verdade que a jovem, de 17 anos, queria mesmo usar a camisa 30, do ídolo Stephen Curry, estrela da NBA. Não foi possível, mas Isadora fez jus ao uniforme que utilizou. A garota foi a protagonista do time paulista na decisão do basquete contra o Paraná, no ginásio do Sesi de Ribeirão Preto (SP), no sábado (16) à tarde. As anfitriãs ganharam por 77 a 61 e asseguraram a 107ª e última medalha do estado no evento, sendo a 45ª dourada. O detalhe é que, lá atrás, o esporte com bola que mexia com Isadora era outro.

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“Sempre gostei muito de futebol, mas minha mãe não me deixou jogar. Quando tinha 9 anos, minha tia me levou ao basquete, comecei a treinar e estou até hoje. Ainda gosto de futebol, mas sou apaixonada por basquete”, contou a garota, que também é fã de Tainá Paixão, armadora da seleção brasileira e que, inclusive, já disputou os Jogos da Juventude.
16.09.2023- Jogos da Juventude 2023 – Ribeirao Preto (SP) – de 01 a 16 de Setembro – Basquete Feminino – 1 Divisao – Final – SP X PR – Foto:Alexandre Loureiro/COB – Alexandre Loureiro/COB

Companheira de time de Isadora, Giovana Victória também foi do futebol para o basquete, onde faz valer a estatura privilegiada de 1,90 metro, tendo somente 16 anos. Muitas das cestas paulistas na final surgiram de bolas recuperadas por Giovana. O entrosamento se explica: a base da equipe de São Paulo foi formada por atletas de Itatiba (SP), vencedoras dos Jogos Abertos da Juventude do estado, em Tatuí (SP).

“A gente lutou até o final, não desistiu em nenhum momento. Viemos com isso na cabeça, de que éramos boas e poderíamos ganhar”, celebrou Giovana, que tem como referência a pivô Aline Moura, jogadora da seleção brasileira, campeã da edição deste ano da Liga de Basquete Feminino (LBF) pelo Sesi Araraquara e também de Itatiba.

Se a final feminina foi vencida pelo estado que terminou os Jogos na liderança do quadro de medalhas, a masculina – que decretou o último campeão do evento de 2023 – decidiu, também, o segundo lugar geral. Em um confronto direto entre Rio de Janeiro e Santa Catarina, os fluminenses ganharam por 76 a 58 e chegaram ao 24º ouro em Ribeirão Preto, dois a mais que os catarinenses.

Mesmo assim, a presença da equipe do Sul na decisão, por si só, rendeu uma das boas histórias dos Jogos. Foi para ver os filhos em quadra na final que as famílias de Henrique Faust e Gabriel Vignola se mobilizaram para encarar cerca de 900 quilômetros de Rio do Peixe (SC) até a sede do evento.

“A gente conversou e decidiu: se eles forem para a final, vamos juntos. Eles venceram e não íamos deixá-los na mão, era um compromisso. Foram 14 horas de viagem de carro. Seria um momento importante para eles, independentemente do resultado”, disse Vanillo Vignola, policial militar e pai de Gabriel.

“Foi uma loucura [risos]. Estava no intervalo [da semifinal] e fui arrumando as coisas, tomando banho. Quando deu o final do jogo, pegamos a estrada. Fomos até Curitiba, tenho uma irmã que mora ali. Dormimos e às seis da manhã viajamos. Deram acho que umas nove horas de Curitiba até aqui”, completou Maurina da Silva, cabelereira e mãe de Henrique.

Próxima parada

16.09.2023- Jogos da Juventude 2023 – Ribeirao Preto (SP) – de 01 a 16 de Setembro – Basquete Feminino – 1 Divisao – Final – SP X PR – Foto:Alexandre Loureiro/COB – Alexandre Loureiro/COB

Após reunirem cerca de quatro mil atletas em 18 modalidades, durante16 dias de competição, os Jogos em Ribeirão Preto chegaram ao fim, mas os próximos já têm lugar para acontecer. Em 2024, o evento retornará a Blumenau (SC), que o sediou em 2019, última edição antes da pandemia da covid-19. A data ainda será definida.

“Temos absoluta certeza de que, cinco anos depois, temos uma rede hoteleira maior e melhor, mais instalações esportivas e melhores. Aquelas que ainda não melhoramos, sofrerão intervenção até o início dos Jogos. Os atletas que estiverem conosco, certamente, encontrarão uma estrutura digna do evento”, garantiu o coordenador do Comitê Organizador Local dos Jogos em Blumenau, Paulo Funke.

“Tivemos uma edição formidável [em Ribeirão Preto], com cinco mil pessoas, entre atletas, oficiais, técnicos e árbitros, além de novas modalidades olímpicas. A ideia é termos um evento cada vez mais robusto. Para isso, temos de voltar para casa, refletir sobre como foi, de fato, a edição de 2023 para, aí sim, decidirmos sobre a inclusão de novos esportes”, concluiu o diretor dos Jogos da Juventude e membro do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Kenji Saito.

Maranhão elege conselheiros tutelares em outubro

No dia 1° de outubro, os cidadãos dos 217 municípios maranhenses vão escolher, de maneira unificada, os conselheiros tutelares de suas cidades. Este ano, a escolha desses representantes que têm função extremamente relevante na proteção dos direitos de crianças e adolescentes, vai acontecer em urnas eletrônicas em mais de 100 municipalidades. Em São Luís, serão eleitos 50 conselheiros titulares e 100 suplentes, que atuarão nos 10 conselhos existentes na capital do estado.

O Conselho Tutelar foi criado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O órgão tem como função elementar atender crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade ou de risco. Esse atendimento deve ocorrer, independentemente do horário, do local e do lugar, seja em espaço público, seja em ambiente privado. Ou seja, entre outras funções, os conselheiros são chamados a agir em casos de denúncia de ameaça ou violação consumada de direitos da criança e do adolescente, atuando, por exemplo, no combate a situações de negligência, maus-tratos, exploração sexual e violência física e psicológica.

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Os conselheiros também são responsáveis pela fiscalização das políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes.

Conselheiro

O conselheiro tutelar da área rural de São Luís, Cosmo de Jesus Pereira de Assis, aponta que essa atuação é fundamental e estratégica na proteção jurídica e social dos direitos da criança e do adolescente. Conselheiro tutelar pela primeira vez em 2008, Cosmo aponta como fundamental a necessidade de os candidatos conhecerem o ECA e as leis complementares que tratam dos direitos de crianças e adolescentes.

À Agência Brasil, ele disse que começou a entender mais sobre os direitos quando passou a integrar a rede de Jovens do Nordeste, ligada à Associação de Saúde da Periferia (ASP) do Maranhão. Foi durante essa militância que Cosmo conheceu outros movimentos sociais e teve contato com o Conselho Tutelar de Itaqui-Bacanga, em São Luís. Após participar de diversos momentos formativos, como oficinas, palestras, rodas de diálogo dobre os direitos da criança e do adolescente, decidiu ser conselheiro.

“O grande desafio do conselheiro tutelar é que primeiro ele precisa conhecer o Estatuto da Criança e do Adolescente, as leis complementares, as emendas feitas na Constituição que alteram o ECA. É preciso estar em constante estudo”, disse.

Esse conhecimento é fundamental na hora de o conselheiro tutelar acionar as organizações do Sistema de Garantis de Direitos prevista no ECA e que integram a rede de proteção de crianças e adolescentes para requisitar serviços e atendimentos diversos. A rede é composta pela articulação de ações, programas e serviços, bem como a integração operacional entre os mais diversos órgãos públicos encarregados de sua execução.

Cosmo cita um caso de uma adolescente atendida pelo conselho tutelar, para exemplificar a importância da rede e dos conselheiros. O caso partiu de uma denúncia de vulnerabilidade social e maus-tratos envolvendo uma adolescente que também era usuária de substâncias psicoativas. Após desentendimentos com a mãe, em razão de um relacionamento afetivo, a adolescente acabou indo parar na rua, mas o conselho interveio e promoveu o acolhimento institucional em um abrigo. Para completar a situação, a adolescente havia se tornado mãe recentemente.

“Ela foi acolhida e ela estava com uma criança, sua filha, mas ela não queria voltar para casa da mãe por conta dela não aceitar o seu relacionamento”, relatou Cosmo. Ela foi acolhida, mas a situação dela não era de acolhimento institucional, ela não tinha esse perfil porque ela tinha referência familiar”, complementou.

Diante da situação, o conselho promoveu reuniões com o Centro de Referência da Assistência Social (Cras), o Centro de Referência Especializada da Assistência Social (Creas), a coordenação do abrigo e a Promotoria da Infância e decidiram fazer um trabalho para que a adolescente saísse do acolhimento institucional, voltando para o convívio da família para que os vínculos afetivos pudessem se fortalecer.

“Mas dando um suporte para a família que ela recém construiu pudesse se sustentar. Ele, o companheiro adolescente, foi encaminhado para o primeiro emprego. Conseguimos alguém do núcleo familiar que recebesse essa adolescente com a criança, que no caso foi a avó paterna. O Cras e o Creas do município fizeram todo o acompanhamento, doação de cestas básicas, até que o adolescente e seu núcleo familiar pudessem se sustentar”, contou Cosmo.

“Hoje, eles já estão vivendo por conta própria, sem precisar do auxílio socioassistencial. Ela já está no primeiro emprego, concluindo ensino médio. Nós requisitamos uma vaga no ensino técnico, ela fez uma prova de avaliação, passou e está seguindo a vida com seus direitos garantidos, tanto dela, que ainda é adolescente, como da filha”, relatou o conselheiro.

Cosmo, que não é candidato à reeleição, ressalta que o poder conferido ao Conselho Tutelar vem acompanhado de uma enorme responsabilidade, e isso deve se refletir na forma de atuação do Conselho Tutelar, que deve ser voltada não apenas ao atendimento de casos individuais.

“Esse é um dos atendimentos que o conselho faz. A importância do conselho é fortalecer o vínculo. Ele requisita serviços públicos na área de educação, atendimentos médicos quando a criança ou adolescente tem seus direitos violados. Ele requisita atendimentos socioassistenciais, psicólogos, ele mobiliza toda a rede a fim de que a criança e o adolescente tenham os seus direitos restaurados”, explicou o conselheiro, apontando como um dos desafios a sistematização de dados e a disponibilização para a rede de proteção.

O principal sistema disponível para os conselhos do país é o Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia). O sistema viabiliza acesso, para além dos conselhos tutelares, aos operadores do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente.

“Hoje em dia, o grande desafio é para o uso do Sipia, para que toda a rede tenha conhecimento das medidas de proteção que os conselhos de tutelares aplicam e para que cada um faça sua atribuição, no intuito de efetivar o direito violado dessa criança e adolescente”, observou.

Eleição

O secretário-geral do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca) do Maranhão, Deilson Louzeiro, lembra que o processo de escolha dos conselheiros tutelares é um momento importante de exercício da cidadania e mobilização da sociedade em torno dos direitos infantojuvenis. O Cedca vai acompanhar, junto ao Ministério Público do Maranhão, o processo de escolha dos conselheiros.

“Aqui no nosso estado a gente percebe um grande processo de participação. Por isso é muito importante que a sociedade se organize e que todo cidadão, cidadã, participe. Aqui no nosso estado, a gente percebe já um grande processo de mobilização. Inclusive nós do Conselho Estadual, junto com outras organizações, instituímos um grupo interinstitucional, que tem feito muitos diálogos com os conselhos municipais, a fim de orientá-los para que durante o processo não tenhamos nenhum tipo de situação adversa, para que seja um processo participativo e que a sociedade tenha muita consciência em quem vai escolher no dia 1º de outubro”, disse Deilson à Agência Brasil.

O secretário-geral do Cedca, entretanto observa que muitas vezes a falta de estrutura dificulta o trabalho dos conselheiros. Um exemplo é a falta de um meio de comunicação adequado, como um celular, para o uso dos conselheiros no dia a dia ou mesmo no plantão. “Uma medida simples como essa, de disponibilizar um aparelho custeado pela prefeitura, permite que a população possa acessar o Conselho Tutelar a qualquer hora do dia ou da noite”.

Da mesma forma, o município tem o dever de proporcionar condições adequadas para que o conselho cumpra suas atribuições a contento. Isso implica, entre outras coisas, em disponibilizar, 24 horas por dia, condições de deslocamento imediato a qualquer local onde seja necessário efetuar um atendimento, a exemplo de uma denúncia recebida, seja para fins de acompanhamento de casos ou mesmo de uma atuação eminentemente preventiva. O ideal é que o conselho Tutelar tenha veículo próprio, com motorista à disposição.

Falta de estrutura

Ele destaca também que a falta de estrutura afeta a sistematização de dados no estado sobre os atendimentos prestados a crianças e adolescentes. Essa sistematização serve para evidenciar os principais problemas em um determinado município ou região.

“No Maranhão, a gente não consegue ter os conselhos tutelares como fonte de informações dos direitos da criança e do adolescente. Os conselhos tutelares ainda têm muita dificuldade de coleta de dados, de registro de informações para que isso possa ser subsídio para a elaboração de políticas públicas e que isso sirva de subsídio para o Conselho Estadual pensar políticas a nível do estado como para os próprios conselhos municipais pensarem políticas locais”, disse.

“É preciso fazer investimento na formação dos conselheiros tutelares para que eles tenham cada vez mais uma atuação mais adequada”, concluiu.

Para Deilson, outro problema é a falta compreensão de muitos gestores municipais acerca do papel dos conselhos tutelares, especialmente do seu papel dentro do Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente. Essa ausência de compreensão faz com que muitos gestores públicos e servidores que atuam em diversos órgãos, programas e serviços de atendimento ainda vejam o Conselho Tutelar como uma espécie de “comissariado de menores de segunda categoria”, quando, na verdade, o mesmo tem um status e diversas prerrogativas funcionais equiparadas aos conferidos à autoridade judiciária.

“Passados 33 anos de ECA, a gente ainda vive em uma constante necessidade de fortalecer e consolidar esse espaço como um espaço importante para a sociedade, para o poder público e para as crianças e adolescentes. Os conselhos ainda enfrentam muitos desafios, seja pela falta de estrutura, como muitos conselhos no estado do Maranhão funcionando em espaços precários, não têm veículo, celular para fazer uma ligação, computador, os salários que atrasam. Então, esses problemas estruturais dificultam o trabalho das pessoas que estão a serviço dessa instituição”, pontuou.

Judoca Larissa Pimenta é tetracampeã pan-americana

A judoca Larissa Pimenta ganhou da  compatriota Jéssica Pereira, na semifinal, e superou a adversária mexicana na decisão para ficar com a medalha de ouro na categoria meio-leve (52kg) no Pan-Americano e da Oceania em Calgary (Canadá). Jéssica ficou com o bronze.

Os demais ouros nacionais vieram com Matheus Takaki (60kg), estreante em continentais, ao vencer o australiano Joshua Katz, por waza-ari, e com Daniel Cargnin, dono de dois títulos pan-americanos nos 66kg. Essa foi a primeira conquista do medalhista olímpico na categoria 73kg.

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A prata foi da campeã olímpica Rafaela Silva, categoria leve feminina (57kg). A carioca caiu na final para a anfitriã Christa Deguchi,  também campeã mundial, assim como a brasileira.
As demais medalhas de bronze foram de Michel Augusto (60 kg), Natasha Ferreira (48kg) e Willian Lima (66kg).

 

Mandante da Chacina de Unaí entrega-se à PF 19 anos após crime

Condenado como mandante da Chacina de Unaí, em Minas Gerais, em que auditores fiscais do trabalho foram assassinados em 2004, o fazendeiro Antério Mânica, prefeito da cidade mineira de 2007 a 2012, entregou-se na manhã deste sábado (16) à Polícia Federal em Brasília. O irmão dele, Norberto Mânica, é considerado foragido.

Na última quarta-feira (13), o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), em Belo Horizonte, determinou a prisão imediata dos irmãos Mânica e de dois condenados por intermediarem a chacina. Na quinta-feira (14), José Alberto de Castro, condenado por contratar os pistoleiros para o crime, havia sido preso em Minas Gerais, mas o quarto condenado, Hugo Alves Pimenta, também está foragido.

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O TRF-6 atendeu a pedido do Ministério Público Federal de prisão imediata dos dois mandantes da chacina por poderem usar o poder político e econômico para atrapalhar o processo. Na terça-feira (12), a 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tinha autorizado a prisão de três condenados pelo crime, Norberto Mânica, Castro e Pimenta.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) emitiu nota após a prisão de Antério Mânica. “Toda a luta do Sinait e dos familiares das vítimas ao longo dos últimos quase 20 anos não foi em vão, e certamente, sem esse trabalho, não teríamos chegado a esse desfecho, pois os envolvidos são pessoas de alto poder econômico, com os melhores advogados de defesa”, destacou o comunicado.

Em 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais do Trabalho Erastóstenes de Almeida Gonçalves, João Batista Soares e Nelson José da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira foram mortos à queima-roupa em uma emboscada na zona rural de Unaí. Eles investigavam denúncias de trabalho análogo à escravidão. As investigações apontaram os irmãos Mânica como mandantes do crime.

Em 2015, Antério e Norberto foram condenados a 100 anos de prisão, mas recorreram em liberdade por serem réus primários. O ex-prefeito teve a condenação anulada após o irmão confessar ser o único mandante, mas, em maio do ano passado, Antério foi novamente julgado pela Justiça Federal e condenado a 64 anos de prisão. Os dois irmãos recorreram da condenação e aguardavam o julgamento dos recursos em liberdade.

Condenados por terem contratados os atiradores, José Alberto de Castro e Hugo Pimenta também aguardavam o resultado dos recursos em liberdade. Os únicos que cumpriam pena até agora eram os três pistoleiros, Erinaldo Vasconcelos, Rogério Allan e William Miranda. Presos desde 2004, eles foram condenados em 2013.

Quilombolas lideram combate ao fogo na Chapada dos Veadeiros

A brigada formada por moradores do Quilombo Kalunga da Chapada dos Veadeiros (GO) é uma das pioneiras no uso consciente do fogo no Cerrado. 

O chamado Manejo Integrado do Fogo (MIF) é o conjunto de técnicas que usam o fogo como ferramenta para prevenir os incêndios florestais. O MIF é usado para queimar o excesso de vegetação seca que é propícia a se tornar combustível de incêndios de grandes proporções.   

Criada em 2011, o grupo é formado por 75 brigadistas, que combatem o fogo nos municípios goianos de Cavalcante e Teresina de Goiás, juntando o conhecimento tradicional sobre o fogo dos kalungas com as técnicas de pesquisadores do Cerrado que atuam no quilombo.  

Cavalcante (GO)  – A brigada de incêndio da Prevfogo com membros do Quilombo Kalunga é pioneira no uso de fogo controlado. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil 

A brigada do Prevfogo é unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Ibama) que atua no combate e prevenção de incêndios florestais. Já o Quilombo Kalunga é sétimo quilombo mais populoso do Brasil com cerca de 3.600 pessoas vivendo espalhadas em 39 comunidades por cerca de 261 mil hectares.  

A quilombola Alenir José Alves, de 36 anos, conta, orgulhosa, como é trabalhar na prevenção aos incêndios na região com o uso consciente do fogo. “Sempre digo: a gente trabalha para gente mesmo. Nós estamos preservando o meio ambiente do nosso próprio território”, disse. 

Além de reduzir os incêndios florestais no Território Kalunga, a atuação da brigada facilitou o trabalho dos agricultores locais. José dos Santos Rosa, de 69 anos, trabalha na roça desde os 10 anos de idade. Segundo ele, antes da chegada da brigada, o manejo do fogo era feito com folhas de buritis, uma palmeira característica do Cerrado.   

Cavalcante (GO)- Considerado um dos líderes da comunidade quilombola Kalunga, José dos Santos Rosa conta como o fogo era usado no passado. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

“Quando você fazia uma roça você sofria para fazer o aceiro [faixa do Cerrado que é limpa para evitar que o fogo ultrapasse certa área] ao redor dela. Nós reuníamos a companheirada pra ir botando fogo e ir apagando com folha de buriti”, relatou.  

Canadá  

Reconhecida como referência entre os mais de 2 mil brigadistas do Brasil, parte da brigada acabou selecionada para representar o Brasil em ação humanitária no Canadá para combater os incêndios que atingiram o país da América do Norte neste ano. 

A brigada liderada pelos kalungas cedeu dez dos 42 brigadistas ligados ao Ibama que foram ao Canadá nos meses de julho e agosto.  

Brigada de quilombolas ajudou no combate a incêndios florestais no Canadá – Foto: Charles Pereira Pinto/Arquivo Pessoal

“As autoridades canadenses ficaram impressionadas com o trabalho dos brigadistas do Brasil. Ficaram encantados com os meninos. Deram dois dias para eles fazerem uma vala, uma trincheira, e eles fizeram em duas horas”, contou Cássio Tavares, responsável pelo Prevfogo em Goiás.  

“Acho que é porque nossos brigadistas são tudo homem do campo. Acostumados a viver na mata, já sabem ligar com situações mais adversas”, avaliou o supervisor da brigada local, o kalunga José Gabriel dos Santos Rocha.  

A viagem ao Canadá revelou aos brigadistas brasileiros a enorme diferença entre as condições de trabalho do Brasil e do país da América do Norte. Os equipamentos de comunicação, as ferramentas e os veículos usados no combate ao fogo no Canadá chamaram atenção.  

“Lá a gente viu que os brigadistas no Brasil não são tão valorizados. Aqui faltam transporte, EPIs [Equipamentos de Proteção Individual] e rádios comunicadores. Faltam condições de trabalho”, afirmou Charles Pereira Pinto.  

O responsável pelo Prevfogo no estado, Cássio Tavares, reconheceu a escassez de recursos. “Precisamos de mais recursos, mais veículos. Se vários focos iniciarem ao mesmo tempo, temos que ter veículos para levar os brigadistas”, explicou o servidor do Ibama, que informou atuar para melhorar as condições de trabalho do Prevfogo em Goiás.   

Os brigadistas do Prevfogo são contratados pelo Ibama para trabalhar por seis meses no ano, durante o período da seca, por uma remuneração no valor de um salário mínimo.  

Mulheres

Passar horas combatendo o fogo em meio às altas temperaturas é um trabalho que exige muito esforço físico e é dominado por homens. Atualmente, quatro dos 75 brigadistas da unidade de Cavalcante são mulheres.  

Cavalcante (GO) – Alenir José Alves é uma das poucas mulheres na brigada de incêndio da comunidade quilombola Kalunga. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil 

A brigadista Alenir José Alves estuda Ciências da Natureza e trabalhava como guia na região. Quando a pandemia reduziu o turismo no Quilombo, ela decidiu tentar entrar na brigada.  

“Eu até pensava que era serviço de homem mesmo, mas quando entrei na brigada vi que podemos fazer a diferença. Nós mulheres somos capazes de fazer esse trabalho e tenho chamado as meninas para vir também”, disse Alenir. Ela disse que “viciou” no trabalho da brigada. “É a adrenalina. Você quer ver o resultado final”, completou.  


*O repórter viajou a convite do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)

Lula: Heloísa foi morta por tiros de quem deveria cuidar da segurança

Em viagem à Cuba para participar da Cúpula do G77, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, na tarde deste sábado (16), em suas redes sociais, a morte da menina Heloísa dos Santos Silva, de 3 anos. Segundo Lula, ela foi atingida por tiros de quem deveria cuidar da segurança da população.

“Morreu hoje a pequena Heloisa dos Santos Silva, de 3 anos, atingida por tiros de quem deveria cuidar da segurança da população. Algo que não pode acontecer. A dor de perder uma filha é tão grande que não tem nome para essa perda. Não há o que console. Meus sentimentos e solidariedade aos pais e demais familiares”. 

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A menina estava passando pelo Arco Metropolitano do Rio de Janeiro com sua família quando o carro foi atingido por tiros, em 7 de setembro. A família diz que os disparos foram feitos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Depois de passar oito dias internada, Heloísa morreu na manhã deste sábado.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou também as redes sociais para dizer que a PRF precisa ter sua existência repensada. Ele lembrou o caso de Genivaldo de Jesus, morto por asfixia depois de ser trancado em uma viatura da corporação, que estava cheia de gás lacrimogêneo e spray de pimenta em suspensão, em maio do ano passado.

“Ontem, Genivaldo foi asfixiado numa viatura transformada em câmara de gás. Agora, a tragédia do dia recai na menina Heloisa Silva. Além da responsabilização penal dos agentes envolvidos, há bem mais a ser feito. Um órgão policial que protagoniza episódios bárbaros como esses – e que, nas horas vagas, envolve-se com tentativas de golpes eleitorais -, merece ter sua existência repensada. Para violações estruturais, medidas também estruturais”, escreveu Mendes.

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) Jorge Messias disse que é necessário rigor na apuração da morte da menina. “Lamento profundamente a perda da pequena Heloísa. É preciso apurar com rigor as causas e as responsabilidades dessa tragédia. Determinei à Procuradoria-Geral da União que acompanhe imediatamente o caso para avaliar eventual responsabilização na seara cível”.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, escreveu que um processo administrativo para apurar a responsabilidade dos agentes foi aberto no dia da ocorrência. “Minha decisão só pode ser emitida ao final do processo, como a lei determina. Também já há inquérito na Polícia Federal, que será enviado ao MPF e à Justiça”, disse Dino.

A organização não governamental Rio de Paz, que historicamente faz atos na cidade do Rio de Janeiro para pedir o fim da violência, destacou que Heloísa é a 11ª criança morta a tiros neste ano na capital fluminense.

A PRF divulgou nota pouco tempo depois da confirmação da morte de Heloísa em que manifesta “extremo pesar”. A corporação afirmou que se solidariza com os familiares da menina e que sua Comissão de Direitos Humanos está acompanhando a família para acolhimento e apoio psicológico.

O Ministério Público Federal (MPF) pediu, na sexta-feira (15), a prisão dos três agentes da PRF envolvidos na ação que resultou na morte de Heloísa. O MPF também pediu nova perícia nas armas dos policiais e no carro da família de Heloísa, que foi alvejado. 

Uso consciente do fogo reduz incêndios na Chapada dos Veadeiros (GO) 

Brigadistas e pesquisadores do Cerrado apontam que o uso consciente do fogo vem ajudando a reduzir os incêndios florestais na Chapada dos Veadeiros (GO) nos últimos anos. Prática adotada por parte dos brigadistas da região desde o ano de 2014, ela se expandiu, principalmente, depois dos grandes incêndios de 2017 e 2020 que consumiram, respectivamente, 22% e 31% do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. 

O chamado Manejo Integrado do Fogo (MIF) é o conjunto de técnicas que usam o fogo como ferramenta para prevenir os incêndios florestais, como a queima do excesso de vegetação seca que é propícia a se tornar combustível de incêndios de grandes proporções.  

Na cachoeira de Santa Bárbara, por exemplo, localizada no Quilombo Kalunga (GO), a brigada formada por quilombolas põe fogo no espaço em torno das nascentes e das veredas que protegem o curso do rio para evitar que, no período da seca, incêndios alcancem a mata que protege as águas. 

Entre abril e julho de 2023, os brigadistas do Prevfogo realizaram queimas conscientes em mais de 2 mil hectares dentro do quilombo. O Prevfogo é a unidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Ibama) que atua no combate e prevenção de incêndios florestais.   

Cavalcante (GO) – A brigada de incêndio da Prevfogo, formada por quilombolas, faz simulação de combate ao fogo no Cerrado.  Foto: Joédson Alves/Agência Brasil 

Conhecimento tradicional 

Apesar de adotado pelos brigadistas há quase dez anos, o uso consciente do fogo é parte do conhecimento ancestral do Território Kalunga, sétimo quilombo mais populoso do Brasil com cerca de 3.600 pessoas espalhadas em 39 comunidades por cerca de 261 mil hectares. 

O supervisor da brigada local, o kalunga José Gabriel dos Santos Rocha, contou que a queima do terreno sempre foi uma prática na comunidade.

“Nossos antepassados já faziam essas queimas nos pontos estratégicos. Queimavam uma área, dois anos depois queimavam outra área e iam remanejando o combustível. Isso sempre foi feito”, explicou.  

Por causa desse hábito, a antiga política de “fogo zero” sofreu resistência por parte dos moradores kalungas. A proibição total do uso do fogo foi adotada como regra pelos brigadistas desde a criação do Prevfogo em Cavalcante, em 2011.  

Com a política de fogo zero, Gabriel disse que a vegetação acumulava excesso de material que acabava virando combustível dos incêndios florestais. Com isso, no período da seca, temperatura alta e umidade baixa, “os incêndios florestais ficavam difíceis de combater”. 

Cavalcante (GO)  – Elias Francisco coloca fogo controlado em sua roça.  Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

 Enquanto a reportagem conhecia a comunidade Engenho II no quilombo, presenciou o agricultor Elias Francisco Maia, de 46 anos, colocando fogo e, ao mesmo tempo, apagando as chamas em torno da sua roça.  

“Só queimo onde quero, tenho total controle. Aqui no quilombo sempre teve fogo. No Parque [Nacional da Chapada dos Veadeiros] sempre foi política fogo zero, mas quando saiu um fogo ninguém conseguia controlar porque eles não faziam o manejo [do fogo]”, explicou.  

Fogo e Cerrado 

No Cerrado, o fogo faz parte da evolução biológica do bioma, destacou a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e coordenadora do MapBiomas Cerrado, Ane Alencar.  Segundo a pesquisadora, existiu por muito tempo a ideia de que as chamas eram sempre ruins.  

“Isso vem de uma visão da Amazônia onde o fogo sempre foi visto como algo necessariamente ruim. Recentemente temos aprendido muito com a importância de se manejar o fogo de uma forma correta em ambientes adaptados ou dependentes do fogo. Isso é fundamental para o Cerrado e para reduzir o risco de catástrofes”, explicou. 

Uso do fogo pelos órgãos do Estado 

O responsável pelo Prevfogo em Goiás, Cássio Tavares, destacou que, no início, a prática do manejo do fogo não foi bem recebida por parte de órgãos ambientais do Estado, da sociedade e da academia. “Muitos foram taxados de loucos” por defender o método, contou o servidor do Ibama.  

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que faz a gestão do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, informou, em nota, que o uso consciente do fogo pelo órgão começou, de forma experimental, entre 2012 e 2014. 

De acordo com o ICMBio, o manejo do fogo para prevenção de incêndios florestais no Brasil foi motivado pela “troca de experiência com outros países que apresentaram resultados positivos na realização de ações de manejo”, em especial, com a Austrália. 

Como exemplo de sucesso, o Instituto citou o caso da Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins, que viu os incêndios florestais despencarem após o manejo do fogo pelo ICMBio, conforme ilustra o gráfico a seguir.  


 

*O repórter viajou a convite do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)

Países do G77 e China condenam monopólios no setor de tecnologia

Os chefes de Estado e de governo dos países que integram o Grupo dos 77 mais China divulgaram, neste sábado (16), declaração conjunta ao fim da cúpula realizada em Havana. O encontro teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento sintetiza, em 47 tópicos, a posição do grupo principalmente em matéria de desenvolvimento tecnológico. Este ano, sob a presidência de Cuba, o encontro do G77 + China discute o tema Desafios Atuais do Desenvolvimento: Papel da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O grupo, criado em 1964 com 77 países-membros, foi ampliado e atualmente é composto por 134 nações em desenvolvimento do Sul Global pertencentes à Ásia, África e América Latina. A união do bloco com a China ocorreu nos anos 1990.

A declaração conjunta inclui uma crítica à hegemonia de grupos monopolistas no setor de tecnologia da informação e internet. “Rejeitamos os monopólios tecnológicos e outras práticas injustas que dificultam o desenvolvimento tecnológico dos países em desenvolvimento. Os Estados que detêm o monopólio e o domínio no ambiente das tecnologias de informação e comunicação, incluindo a Internet, não devem utilizar os avanços das tecnologias de informação e comunicação como ferramentas de contenção e supressão do legítimo desenvolvimento econômico e tecnológico de outros Estados. Apelamos à comunidade internacional para que promova um ambiente aberto, justo, inclusivo e não discriminatório para o desenvolvimento científico e tecnológico.”

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Em outro trecho, o grupo pede à comunidade internacional e aos organismos do sistema da Organização das Nações Unidas (ONU) que “tomem medidas urgentes para promover o acesso desimpedido, oportuno e equitativo dos países em desenvolvimento a medidas, produtos e tecnologias relacionados com a saúde, necessários para lidar com a atual e futura prevenção de pandemias”.

Os países integrantes do grupo ainda defendem o papel na tecnologia no enfrentamento às mudanças climáticas, cujos efeitos têm impacto desproporcional nos países em desenvolvimento.

“Reconhecemos que todas as barreiras tecnológicas, nomeadamente as relatadas pelo IPCC [Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas], limitam a adaptação às alterações climáticas e a implementação das Contribuições Nacionais Determinadas (NDC) dos países em desenvolvimento. Reiteramos, a este respeito, a necessidade de uma resposta eficaz à ameaça urgente das alterações climáticas, especialmente através do aumento da prestação de financiamento, da transferência de tecnologia e do reforço de capacidades com base nas necessidades e prioridades dos países em desenvolvimento, de acordo com os princípios e o objetivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas e do seu Acordo de Paris, incluindo a equidade e as responsabilidades comuns mas diferenciadas e respectivas capacidades, bem como com base na melhor ciência disponível.”

O texto inclui ainda menção contrária à imposição de lei e de medidas econômicas com impacto sobre outros países. “Rejeitamos a imposição de leis e regulamentos com impacto extraterritorial e todas as outras formas de medidas econômicas coercivas, incluindo sanções unilaterais contra os países em desenvolvimento, e reiteramos a necessidade urgente de as eliminar imediatamente. Enfatizamos que tais ações não só prejudicam os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e no direito internacional, mas também impedem gravemente o avanço da ciência, tecnologia e inovação e a plena realização do desenvolvimento econômico e social, particularmente nos países em desenvolvimento.”

Mais cedo, em discurso, o próprio presidente Lula criticou o embargo econômico promovido pelos Estados Unidos contra Cuba desde a década de 1960.

Agenda

Ainda na capital cubana, Lula manteve agenda de trabalho com o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel. Esta é a primeira viagem oficial de um mandatário brasileiro ao país caribenho em nove anos. A última foi em 2014, quando a ex-presidente Dilma Rousseff esteve na capital cubana.

De Havana, o presidente seguirá para Nova York, nos Estados Unidos, onde fará o primeiro discurso do debate geral de chefes de Estado da 78ª Assembleia Geral da ONU, na próxima terça-feira (19).

Será a oitava vez que o presidente Lula abrirá o debate geral dos chefes de Estado. Nos oito anos em que governou o Brasil, em seus dois primeiros mandatos, ele deixou de comparecer apenas em 2010.

O chefe do governo brasileiro também participará do lançamento de uma iniciativa global para promoção do trabalho decente, juntamente com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Estão previstas ainda outras reuniões bilaterais, multilaterais e ministeriais entre os países participantes e diversos organismos internacionais à margem da assembleia.

Lula viajará aos Estados Unidos acompanhado de ministros que deverão participar de diversas reuniões temáticas nas áreas de direitos humanos, saúde e desarmamento.

Ferroviário é campeão da Série D do Brasileiro 2023

O Ferroviário é campeão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2023. Jogando no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, o time da casa fez 2 a 1 na Ferroviária, de Araraquara, e ficou com a taça do torneio na tarde deste sábado (16). A partida foi exibida ao vivo pela TV Brasil. Os gols do jogo foram marcados por Deizinho e Ciel para os vitoriosos e Vitor Barreto para o time de São Paulo.

Depois de fazer a melhor campanha durante todo torneio e chegar invicto à decisão, o Tubarão da Barra precisava vencer por qualquer placar para ficar com a taça e conquistar a quarta divisão nacional pela segunda vez (a primeira foi em 2018). A Ferroviária também dependia de uma vitória simples para conquistar o primeiro título nacional da história, já que a partida de ida, disputada em Araraquara, acabou com o placar de 0 a 0.

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No embalo dos aproximadamente 15 mil fanáticos torcedores do Ferrão, o time da casa partiu para cima logo no início do jogo e abriu o placar. Depois de receber um passe de Ciel, Deizinho mandou para a rede.

O time visitante mostrou força e empatou o jogo aos 38 minutos da primeira etapa. Vitor Barreto chutou colocado e deixou tudo igual.

Só que, logo aos 6 minutos do segundo tempo, o faro do artilheiro prevaleceu. Às vésperas de completar 42 anos, Ciel apareceu sozinho na área para completar o cruzamento e definir o placar: Ferroviário 2 a 1. Este foi o décimo segundo gol do centroavante no torneio e o vigésimo segundo dele na temporada.

Depois, foi só festa. Com uma campanha de 15 vitórias e 9 empates em 24 jogos, o Ferroviário se sagrou bicampeão da Série D de forma invicta.

Ao lado do Tubarão da Barra, garantiram acesso à Série C em 2024 a Ferroviária, vice-campeã, o Caxias-RS e o Athletic-MG.

 

 

Franquias geram 160 mil novos empregos no Rio no primeiro semestre

O faturamento do setor de franquias no Rio de Janeiro alcançou R$ 10,3 bilhões no primeiro semestre deste ano, com alta de 17% em relação a igual período do ano passado, superando, inclusive, o aumento registrado pelo mercado nacional, da ordem de 15%. Em número de operações, o mercado de franquias no território fluminense cresceu 4,1%, atingindo 18.410 novas unidades.

Outro dado que mostra a recuperação do estado como um todo foi a abertura de empregos pelo setor. “Nós tivemos160 mil novos postos de trabalho diretos”. O incremento foi de 15,4% na comparação com o mesmo período de 2022. Em média, são gerados nove empregos por unidade franqueada, o que resulta em 1,444 milhão de empregos indiretos adicionados aos 160 mil diretos, no Rio de Janeiro. “Temos uma recuperação bastante positiva no nosso estado”, disse nesta terça-feira (12) à Agência Brasil o presidente da Associação Brasileira de Franchising seccional Rio de Janeiro (ABF RJ), Clodoaldo Nascimento. 

Em ternos nacionais, o faturamento avançou 15%, passando de R$ 91,432 bilhões para R$ 105,107 bilhões, com total de 1,612 milhão de pessoas empregadas diretamente. Clodoaldo Nascimento destacou que multiplicando esse número pela média de nove empregos gerados por unidade, obtém-se total em torno de 11 milhões de empregos criados pelo franchising no Brasil.

Tendência

O presidente da ABF RJ analisou que a curva de desenvolvimento continua crescendo e que a tendência é positiva. “A tendência é de expansão, até em virtude da estabilidade da economia que começa a ser sinalizada”. Segundo ele, as pessoas estão retomando sua vida social, pós pandemia da covid-19, e começam a sair e viajar para outros destinos. “Tanto é que os segmentos que tiveram mais destaque foram os de hotelaria e turismo, evidenciando essa vontade das pessoas de sair de casa e poder passear.”

Seguem-se os segmentos de saúde, beleza e bem-estar; alimentação e food service (alimentação fora do lar); e moda. “Nós estamos com números hoje bastante superiores à pré-pandemia, inclusive de uma maneira nacional e não só no estado do Rio de Janeiro”. Em termos de faturamento, a expansão no primeiro semestre ficou 25% acima do período pré pandêmico. “Isso nos deixa felizes e mostra, realmente, a força do setor de franquias. No estado do Rio de Janeiro, Nascimento estimou que o aumento em comparação a 2019 deverá ficar entre 12% e 18%. O número ainda não foi consolidado.

Clodoaldo Nascimento afirmou que dentre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro é o que vem apresentando o melhor desempenho, o que mostra que não só a capital, mas o interior, têm se mostrado bastante positivos para a abertura de novas franquias e, em consequência, de novos postos de trabalho, melhorando cada vez mais o faturamento. A região metropolitana, a Região dos Lagos e o Sul Fluminense têm atraído muitos empreendedores.

Expo Franchising

O presidente da ABF RJ informou que há franquias acessíveis para todos os bolsos, a partir de R$ 5 mil, para os chamados empreendimentos home based (baseados em casa), até R$ 2 milhões, que são as franquias macro, como lojas âncora de shoppings. O tema será objeto de palestra na 16ª Expo Franchising ABF Rio, feira tradicional do setor, que acontecerá no período de 21 a 23 deste mês, no Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense. “A gente tem hoje inúmeras possibilidades para quem está querendo empreender e ser dono do seu próprio negócio, cujo crescimento é organizado”.

A feira trará novidades em termos de conteúdo. Mais de 20 startups (empresas nascentes) vão falar sobre franchising e oferecer ferramentas aos empreendedores. Haverá mentorias, podcasts (material na forma de áudio), onde serão entrevistados não só expositores, mas visitantes; além de palestrantes renomados do mercado, passando informação de como abrir uma franquia, cuidados que devem ser tomados, vantagens de ser um franqueado.

A 16ª Expo Franchising terá mais de 3 mil metros quadrados de área, com mais de 100 marcas de diferentes segmentos em exposição. São esperados mais de 15 mil visitantes. Clodoaldo Nascimento recomendou às pessoas que desejam entrar no setor que “abram aquela franquia com a qual se identificam. Nada melhor do que fazer algo que você goste”.

Na avaliação do governador Cláudio Castro, “os bons resultados demonstram a recuperação do setor e da economia fluminense, além de evidenciar a alta procura das marcas de franquias pelo estado”. Para o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Vinicius Farah, o franchising é fundamental não só por movimentar bilhões de reais em investimento e negócios. “O setor gera milhares de postos de trabalho para a população e representa uma excelente oportunidade para quem busca empreender”, afirmou.

SP: evento estimula arte e brincadeira para discutir sustentabilidade

A cidade de São Paulo abriu, neste sábado (16), a 13ª edição da Virada Sustentável, que propõe a visualização de um presente e um futuro de sustentabilidade, a partir do estímulo à arte e à brincadeira. Para levar a mensagem a todos os públicos até o próximo dia 24, a organização do festival adotou como estratégia o oferecimento de atividades em diversos pontos da capital paulista.

Fazem parte do roteiro os parques Villa-Lobos, Augusta e Bruno Covas, além do Unibes Cultural e Ocupação Nove de Julho. Unidades do Sesc-SP e a rede de 56 CEUs (centros educacionais unificados), que também terão programação, o que evidencia a capilaridade do evento, que conta com parceria da Organização das Nações Unidas (ONU).

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Outra característica do evento é a variedade de temas abordados. Buscando manter uma postura apartidária, o evento assumer as bandeiras da biodiversidade, inclusão social e do combate ao racismo e alerta sobre as mudanças climáticas em curso.

Em novembro, Belém sediará, pela primeira vez, o festival. Em Manaus, o evento será realizado pela 11ª vez, no mesmo mês.

Para saber o que a organização reserva para cada um dos dias de programação, basta consultar o site oficial do evento.

MP de Pernambuco investiga oito mortes em Camaragibe e Paudalho

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) abriu dois procedimentos para investigar oito homicídios ocorridos entre a noite de quinta (14) e a madrugada de sexta-feira (15) nos municípios de Camaragibe e Paudalho. As mortes começaram em Camaragibe, quando dois policiais que tinham ido atender a uma ocorrência foram assassinados.

Depois da morte dos policiais, três irmãos do suspeito de assassinar os policiais foram mortos. Em seguida, foram mortas também a mãe do suspeito e outra mulher.

O oitavo morto foi o próprio suspeito de assassinar os policiais. Segundo a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, ele morreu em confronto com policiais. “A polícia já investiga as circunstâncias em que cada uma das mortes se deu. O Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil foi destacado para conduzir essas investigações”, disse a governadora, em pronunciamento na sexta-feira, complementando que foram crimes bárbaros.

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A investigação do Ministério Público estadual ficará a cargo do do Grupo de Atuação Conjunta Especial (Gace) Controle Externo, da 1ª Promotoria Criminal de Camaragibe e do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O MPPE requisita à Chefia da Polícia Civil, ao Comando da Polícia Militar, ao Instituto de Criminalística, ao Instituto de Medicina Legal e à Secretaria de Defesa Social de Pernambuco laudos periciais e outras documentações referentes às investigações.

Morre em Brasília a jornalista Olga Bardawill

A jornalista Olga Crispim Lobo Bardawil, morreu na tarde desta sexta-feira (15), em Brasília, aos 77 anos. Ex-funcionária da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Olga estava em tratamento de câncer, apresentou piora do quadro de saúde e teve como causas da morte um choque séptico, ou seja, uma infecção generalizada, e metástase no fígado.

Na EBC, Olga trabalhou em diversos meios de comunicação. A comunicadora participou da produção do programa A Voz do Brasil, um dos carros-chefes da empresa pública, e integrou a equipe de tradução da Agência Brasil.

Ela também foi assessora de comunicação na Presidência da República, durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e assessorou o ex-ministro da Cultura Sergio Paulo Rouanet, que criou, em 1991, a Lei Federal de Incentivo à Cultura, mais conhecida como Lei Rouanet. Olga ainda desempenhou a função de repórter esportiva na década de 1980, em São Paulo.

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Olga foi casada com o também jornalista José Carlos Bardawil, que faleceu em 1997. Ela deixou três filhos: Bernardo, Carolina e Mário.

A jornalista e tradutora se desvinculou da EBC em fevereiro de 2018, após aderir a um plano de demissão voluntária (PDV). “Fui apresentado a Olga como a esposa do grande jornalista José Carlos Bardawil, mas logo ficou claro que a jornalista Olga Bardawil era jornalista com vida própria, muito talento, determinação e caráter. Parte de sua trajetória foi na EBC, e lamento muito seu falecimento”, afirmou o atual presidente da empresa pública de comunicação, Hélio Doyle.

Colegas de profissão prestaram condolências à família de Olga, nas redes sociais, e lembraram sua trajetória. “A imprensa nacional perde a veterana Olga Bardawil, figura importante na luta pela redemocratização do país”, escreveu a jornalista Maura Fraga, em sua conta no Facebook.

A jornalista Lana Cristina Carmo já dividiu o dia a dia da redação com Olga e conta, com carinho, uma história de muitos anos antes desse período. Lana ainda trabalhava no Jornal de Brasília.

Segundo Lana, um dos maiores receios era fazer a cobertura jornalística de enterros e velórios, já que os repórteres precisam, nessas ocasiões, abordar parentes que estão em sofrimento, para conseguir alguma fala e inseri-la na matéria que vai ao ar ou será publicada. Olga teve a delicadeza de acalmá-la em relação a isso, justamente quando estava de luto por seu ex-companheiro, José Carlos Bardawil, de quem cuidou e era amiga, mesmo após a separação como casal.

Lana comenta que Olga acreditou, pela sua aparência, que fosse estagiária e não uma jornalista de 25 anos. “Chego lá, me mostram quem é ela. Eu, cheia de dedos para conversar. Ela olhou para mim e disse: ‘não tem problema, eu converso, sou jornalista e sei como é isso.’ Fiquei pensando: será que fiz alguma pergunta idiota? Depois vi que não, ela me deixou muito à vontade”, relata a ex-gerente da Agência Brasil.

O velório da jornalista está sendo realizado nesta tarde, na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança, localizado na Asa Sul, em Brasília.

Texto ampliado às 14h50

Haddad apresentará plano de transformação ecológica em Nova York

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, embarca neste sábado (16) à noite para Nova York, onde participará da Climate Week (Semana do Clima), evento que discute iniciativas para enfrentar as mudanças climáticas. O ministro integra a comitiva liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que viaja aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.

Até quarta-feira (20), Haddad apresentará a investidores, autoridades e acadêmicos, o Plano de Transformação Ecológica do Brasil. O governo pretende fortalecer as relações internacionais no enfrentamento à crise climática.

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Entre os compromissos agendados, estão reuniões com empresários, participação em fóruns e encontros com especialistas e tomadores de decisão. Na segunda-feira (18), o ministro participará de evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na Bolsa de Nova York e de encontros acadêmicos promovidos pelas Universidades de Harvard e de Columbia. No evento de Harvard, está previsto um encontro bilateral com o enviado especial para o clima dos Estados Unidos, John Kerry.

Na terça-feira (19), Haddad participará de um café da manhã organizado pelo Instituto Igarapé e pela Coalizão pela Amazônia. Em seguida, o ministro se reunirá com Ian Bremmer, CEO da Eurasia, e mais 20 investidores; e Michael Bloomberg, empresário e ex-prefeito de Nova Iorque.

Na quarta, o ministro acompanhará o presidente Lula na Cúpula de Ambição Climática, na sede das Nações Unidas. Por volta das 13h (horário local), 14h no horário de Brasília, Haddad participará do encontro de Lula com o presidente norte-americano Joe Biden. O encontro pretende debater e fortalecer os esforços conjuntos do Brasil e dos Estados Unidos no combate às mudanças climáticas e na promoção de políticas de desenvolvimento sustentável.

Por fim, na tarde de quarta, Haddad encontrará o secretário-geral da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEO) e o chefe da representação do órgão no Brasil.

O ministro embarca de volta para o Brasil na noite de quarta-feira, chegando ao país na quinta-feira (21) de manhã.

Cidades e Mulheres

Além de Haddad, outros ministros da comitiva oficial começam a participar de eventos relacionados à Assembleia Geral da ONU. Na tarde deste sábado (16), o ministro das Cidades, Jader Filho, será um dos expositores do painel Políticas de Localização de Alto Impacto, na sede da ONU. No domingo (17), ele participa da conferência Coalizão Local 2030: Impulsionando as Transformações Chave e Alcançado as Metas de Desenvolvimento Sustentável até 2030, também na sede das Nações Unidas.

A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, estará neste sábado no lançamento do programa WomenLedCities – iniciativa global que visa trazer mais mulheres para posições de liderança no setor público e privado. O projeto tem Brasil e Gâmbia como países em experiência piloto. Ela também irá a um encontro de movimentos sociais de brasileiros de Nova York e região, com foco no enfrentamento à misoginia.

No domingo (17), Cida Gonçalves se juntará à comitiva e acompanhará a abertura da 78ª Sessão da Assembleia Geral da ONU. A ministra participará de eventos com a primeira-dama Janja Lula da Silva, como o Encontro de Mulheres Elas Lideram, e visitará o Consulado-Geral do Brasil em Nova York, onde são recebidas mulheres brasileiras em situação de violência.

 

Brasil passa pela Dinamarca por 3 a 0 na Copa Davis de tênis

A equipe brasileira de tênis masculino confirmou a classificação para o Qualifiers da Copa Davis, espécie de repescagem da primeira divisão mundial, prevista para ocorrer em novembro. A etapa classificatória vale vagas para as finais de setembro de 2024.

Na manhã deste sábado (16), em Hillerød, na Dinamarca, Rafael Matos e Felipe Meligeni fizeram 2 sets a 1 de virada (com parciais de 6[5]/7, 7/5 7/6[5]) na dupla anfitriã formada por Johannes Ingildsen e Christian Sigsgaard em mais de três horas de jogo.

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Com esse resultado, o time nacional fez 3 jogos a 0 na série melhor de 5 sobre os donos da casa e garantiu a vaga na próxima etapa da Copa Davis. Fazia 24 anos que uma seleção brasileira não vencia um time europeu no torneio.

Os outros pontos verde e amarelos foram conquistados por Thiago Monteiro, que fez 2 a 0 contra Holger Rune (número 4 do ranking mundial), por 6/7 7/6 6/2, e Thiago Wild, que bateu August Holmgren por 6/4 6/2.

Edital do governo quer impulsionar economia da Amazônia Azul

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) lançou, nessa sexta-feira (15), edital para projetos de instituições federais de ensino superior que visem reduzir desigualdades econômicas e sociais do país por meio de geração de renda na região costeira. A ideia é impulsionar a economia da chamada Amazônia Azul, que inclui toda a costa marítima brasileira.

As propostas precisam estar em consonância com a Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), a Política Nacional de Recursos do Mar e as metas alinhadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Elas devem ser enviadas, por meio do Sistema Eletrônico de Informações do MIDR, até 10 de novembro.

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O edital destinará R$ 2,5 milhões para pesquisas em três eixos: oportunidades e desafios para o desenvolvimento regional, baseado em economia azul na zona costeira brasileira; estratégias para gestão municipal em municípios costeiros, considerando potencialidades de desenvolvimento regional associados à economia azul e aos instrumentos de resiliência climática; e estratégias do cooperativismo de plataforma associado à economia azul e ao desenvolvimento regional.

Serão contemplados pelo edital projetos de pesquisa, extensão e desenvovimento científico, com apoio financeiro no valor de até R$ 175 mil. 

Segundo o ministério, as parcerias com instituições de ensino e pesquisa ajudarão na criação de oportunidades de emprego e renda e a garantir a preservação dos recursos naturais.

“A iniciativa abre as portas do MIDR para apoiar e discutir, com a comunidade acadêmica e a sociedade, projetos em municípios costeiros que tenham como foco a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento econômico das regiões associados à economia do mar”, destaca a secretária nacional de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial, Adriana Melo.