Mostra Portinari Raros, em Brasília, apresenta misturas do gênio

 

As tintas que iluminaram os pincéis de Candido Portinari (1903 – 1962) misturam-se entre a Brodowski (SP), em que nasceu, e o mundo. Entre a denúncia e a ternura. Entre o figurativo e o surreal. Cores de passado e de olhares à frente do tempo. Entre as sacas de café e a enxada nas mãos do homem negro. Entre o afeto ao país à revolta contra as injustiças. Entre o alerta sobre guerras ao desejo de paz.

 

Na exposição Portinari Raro, que estreou na última

 semana no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília, com entrada gratuita, mais de 200 obras menos conhecidas

 ou até desconhecidas do grande público revelam a genialidade do artista de múltiplas tintas inconformadas.

“Os grandes temas são sociais, mas também há

 aspectos da infância, do trabalho no campo e na cidade, os tipos populares, as festas, o folclore, a fauna, a flora e a paisagem”, explica o professor João Candido Portinari, filho do artista e responsável pelo Projeto Portinari, que tem a missão de democratizar o acesso à arte plural do pai.
Brasília,

 1º-09-2023 – João Candido Portinari apresenta a exposição do seu pai

 Candido Portinari – Valter Campanato/Agência Brasil

Desde o começo

Na exposição em Brasília, que tem curadoria de Marcello Dantas, há obras de diferentes fases da vida de Portinari, como a raríssima

 Baile na Roça,

 produzida em 1923, quando o artista tinha apenas 20 anos de idade.

  É a primeira com temática nacional. Segundo o filho do artista, como o quadro não foi bem aceito na época na Escola de Belas Artes, Portinari, decepcionado, vendeu a obra e nunca mais conseguiu encontrar. “Ele passou a vida inteira buscando recuperar o quatro. Morreu sem a emoção de encontrar a sua tela de juventude”.

 

O Projeto Portinari a localizou no início dos anos 80. A obra está pela primeira vez em Brasília. O quadro homenageia familiares e amigos de Brodowski. Ainda sem as mesmas tintas que o deixariam célebre.

A formação pessoal e os ideais nasceriam juntos das dificuldades de pais imigrantes pobres da Itália. Eles recomeçaram a vida na lavoura de café. Foi lá que o artista descobriu a necessidade de se expressar com tintas e palavras. “Portinari nasceu numa condição difícil. Ele só conseguiu estudar até a terceira série. Ele não pôde continuar porque tinha que ajudar os 11 irmãos e os pais na colheita do café”, diz o filho pesquisador.

 

A história da família em Brodowski tem espaço na exposição e ajuda a entender as origens do pensamento do artista, de sotaque caipira e perspicaz. “Portinari tinha 11 anos de idade quando fez um desenho do maestro Carlos Gomes, copiado de um maço de cigarro que existia

 antigamente”. Os amigos da cidade ficaram abismados com o talento do garoto criativo. Tanto que se tornou um ilustrador naqueles primeiros anos de arte.

 
Brasília,

 1º-09-2023 – Obra apresentada na exposição Portinari Raros – Valter Campanato/Agência Brasil

“Curiosidade imensa”

O professor explica que Portinari revelou em suas obras curiosidade enorme sobre ciência e tecnologia diante da efervescência cultural das primeiras décadas do século 20. “Ele passou a usar elementos matemáticos na obra dele”, o que incluiu as proporções e os estudos cromáticos. “Portinari tinha uma curiosidade imensa em saber como os outros artistas pintavam”.

A ternura de rememorar a infância, como na obra Jangada e Carcaça

 (de 1940), que está entre as disponíveis na mostra, mostra um Portinari menos conhecido. “Uma vez, depois de uma palestra em uma escola, uma garotinha levantou o dedo e disse que o que ela mais havia gostado é que, no tempo de Portinari, as crianças brincavam à noite”. Tocou a criança, assim como emociona o filho

 em Roda infantil. “É a obra que eu mais gosto dessa fase”. Outro trabalho que o marca

 é Meninos com Balões

 (1951). “Imagine emocionar-se pela infância aos 84 anos de idade, como eu”.

  Outra obra que se refere à infância é Menino com Gaiola

 (1961), momento em que o filho recorda que o pai estaria em um momento de depressão.

 

Mudanças de pincéis

O pesquisador entende que diferentes elementos destacam o valor da natureza para a obra dele, inclusive com características tropicalistas. “Sempre tem a paixão pelo Brasil, pelo

 brasileiro, pelos animais”, afirma. Um exemplo está em

 Flora e Fauna Brasileiras (de 1934).

Aliás, para o pesquisador, os anos de 1930 são chave para entender uma mudança de temática: o olhar passa a ser social, quando passa a pintar famílias de retirantes e exploração. A mostra ainda traz esboços e painéis, com estudos de obras clássicas dele.

 

Já os anos 1940 são, de acordo com o filho-pesquisador, muito produtivos, ora pela denúncia sobre a 2ª Guerra Mundial, em que ele chamava a atenção para o nazismo, como na obra

 Gráfica (1942), ora pelas obras de outra matriz

 ou sobre o meio ambiente ameaçado, como em

 Balé Iara

  “Para absorver tudo o que há na exposição, é preciso mais do que uma visita”, avalia.

Imersão

Espaços interativos na mostra garantem fruição dos sentidos, como no espaço Portinari Imenso,

 que está no pavilhão de vidro, com projeção de pinturas e trilha sonora original de autoria de Cacá Machado. Os bancos improvisados são as sacas de café, e o público fica imerso no pensamento do artista que nasceu há 120 anos.

 

Outra celebração agendada é que os históricos painéis gigantes de

 Guerra

 e Paz,

 que estão na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), devem ser levados temporariamente para o Museu Nacional da China

 no ano que vem, como celebração dos 50 anos das relações diplomáticas entre o Brasil e aquele país.

 
Brasília, 1º-09-2023 – Obra apresentada na

 exposição Portinari Raros –

 Valter Campanato/Agência Brasil

Esse será mais um momento de alegria para o professor João Candido Portinari, na missão de garantir espaço para a genialidade do pai por todo o mundo. “Quando eu era criança, perguntava para a minha mãe se meu pai não trabalhava como os outros. Sempre o via pintando e não entendia”. Só depois foi compreender a “imensidão” do homem-artista. Hoje, o maior objetivo é mostrar às crianças. O projeto disponibiliza 5,4 mil imagens e 30 mil documentos que ajudam a explicar quem é Portinari. Não para de recolher nem de democratizar o acesso. O professor procura entender o artista, e o filho vibra a cada encontro com o pai.

Feminicídios no DF cresceram 45% neste ano em relação a 2022

Faltando quatro meses para acabar o ano, o número de mulheres assassinadas em 2023 no Distrito Federal (DF) já supera em mais de 45% os feminicídios do ano passado inteiro. 

Enquanto em 2022 foram 17 casos, neste ano o número já chega a 25. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do DF e foram atualizados até o dia 29 de agosto. 

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Oito em cada dez mulheres assassinadas eram mães e praticamente sete em cada dez foram mortas dentro de casa. Em 84% dos casos, as mulheres já tinham sofrido violência antes de serem assassinadas. 

Gisele Ferreira, secretária da Mulher do DF, diz que não dá para colocar um policial em cada casa e por isso é preciso que a mulher denuncie os abusos antes que o pior aconteça.

“Nós estamos intensificando cada vez mais o acolhimento, falando que a mulher tem que procurar ajuda, tem que denunciar e que existem várias formas de violência, porque antes do feminicídio eles dão sinais: começam com um empurrão, com palavras”, disse Gisele. “Então, a gente tem que colocar toda a sociedade para unir esforços”. 

Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que em mais da metade dos casos (52%) registrados neste ano as mulheres já tinham feito boletins de ocorrência.

Para o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, é preciso que a solução para o problema seja cobrada não só do Poder Público, mas de toda a sociedade.  

“É necessária essa integração de várias areas de governo, mas não é só isso. Há que se cobrar o engajamento da sociedade civil. Tem que participar. A imprensa é importantissima nesse processo. Então, a gente tem difundido na Secretaria de Segurança Pública, como uma meta, esse engajamento da população por meio das denúncias e isso demanda mudança de cultura”.  

Thaís Oliveira, do Movimento de Mulheres Olga Benário, defende a reabertura da Casa Ieda Delgado, referência no atendimento a mulheres vítimas de violência e que funcionava em um imóvel abandonado no Guará, região administrativa do DF. Uma ação de reintegração de posse movida pelo próprio governo do Distrito Federal fechou o serviço. Ela explica que o processo para a reabertura do local está na Justiça, mas que o governo vem argumentando no tribunal que os serviços que presta já são suficientes.   

“Gostaríamos de ter um imóvel que estivesse abandonado pra conseguir fazer esse atendimento às mulheres, proporcionar abrigo, acolhimento e também ser um centro de informação sobre como se prevenir, quais os equipamentos do Estado estão  disponíveis para o combate à violência contra a mulher. O principal argumento deles é que o governo já faz o suficiente, que o governo dispõe de equipamentos como o pró-vitima, como a casa da mulher brasileira. Ou seja, para o governo os feminicídios que existem são números pequenos”.

Em todo o Distrito Federal existem apenas duas delegacias especializadas de atendimento à mulher, uma na Asa Sul e outra na região administrativa de Ceilândia. Existe apenas uma Casa da Mulher Brasileira, também em Ceilândia, que oferece atendimento especializado a vítimas de violência. A unidade da Asa Norte foi interditada em 2018 pela Defesa Civil, porque o prédio apresentava problemas estruturais, e nunca foi reaberta. 

Ferroviário-CE bate Maranhão nos pênaltis e ascende à Série C de 2024

A disputa pela última das quatro vagas para a Série C do Campeonato Brasileiro de 2024 foi a que gerou mais emoção. Ferroviário-CE e Maranhão empataram novamente por 1 a 1, neste domingo (3), no jogo da volta das quartas de final no estádio Presidente Vargas, em Fortaleza. A definição foi para as penalidades e o Ferrão levou a melhor, com vitória por 3 a 0, garantindo o retorno à terceira divisão,  um ano depois de ter sido rebaixado da terceira divisão para a Série D. Para dar contornos ainda mais emocionantes, os dois gols da partida foram marcados nos acréscimos, por Fontes, para o Maranhão e pelo zagueiro Fernando (contra) para o Ferroviário.A história da partida foi escrita pelos goleiros. Nos 90 minutos, ninguém se destacou mais do que Moisés, camisa 1 do Maranhão. Logo no começo do jogo, ele mostrou que estava inspirado quando fez defesa fundamental após Kadu Barone escapar pela esquerda e finalizar com o pé direito, livre.

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O Maranhão criou em bela jogada de Fabrício pela direita e depois teve a melhor chance da primeira etapa quando Jorge apareceu livre no meio da área e finalizou por cima do gol.

Na segunda etapa, o Ferroviário intensificou a pressão e a estrela de Moisés brilhou ainda mais. Primeiro ele defendeu chute de Ciel quase na pequena área. Depois, evitou um gol contra de Maicon em desvio à queima roupa. Por último, fez bela defesa voando para espalmar o chute de Tarcísio.

Na reta final da partida, um erro individual veio em momento propício para o Maranhão. O zagueiro Alisson se atrapalhou ao tentar fazer o recuo de cabeça para o goleiro Douglas Dias, que acabou derrubando Rafael dentro da área. Pênalti. Aos 46, Fontes teve calma para bater no canto direito e marcar, colocando os visitantes na frente do placar já nos acréscimos.

Àquela altura, o Ferroviário, que obteve nove vitórias nos nove primeiros jogos que disputou em casa e estava invicto na competição, se viu obrigado a marcar para não colocar por água abaixo a incrível campanha que fez. A pressão deu resultado rapidamente. Aos 50 minutos, Gabriel bateu escanteio pela esquerda e após desvio na primeira trave o zagueiro Fernando se afobou e finalizou para dentro de sua própria meta.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Veio, enfim, a primeira disputa por pênaltis na fase decisiva da Série D de 2023. A partir daí, outro nome que joga debaixo das traves assumiu o protagonismo. Mas não sem antes testemunhar um lance inusitado. Na primeira cobrança do Maranhão, Leone primeiro aplicou a ‘paradinha’ e depois fingiu bater. O árbitro Luís Flávio de Oliveira, obedecendo a regra, que não permite esse comportamento, tornou nula a cobrança e ainda deu o cartão amarelo para o jogador.

Na sequência, Douglas Dias defendeu as cobranças de Fontes e Fabrício e Gabriel converteu a terceira batida do Ferroviário, confirmando a vitória por 3 a 0 e o acesso à Série C, deixando a torcida aliviada.

Com o acesso garantido, o Ferroviário agora vai em busca do segundo título da Série D, já que foi campeão da competição em 2018.

Flu arranca vitória contra o Fortaleza e cola no G4 do Brasileirão

O lateral-esquerdo Diogo Barbosa garantiu a vitória do Fluminense contra o Fortaleza neste domingo (3) ao balançar as redes aos 46 minutos da etapa final, no Estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ), pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. Substituto de Marcelo, que se recupera de lesão, Diogo comemorou muito seu primeiro gol na competição. Quem também brilhou foi o goleiro Fábio, com defesas precisas. Triunfo importante para o Tricolor carioca, que chegou aos 38 pontos, um atrás do Flamengo, quarto colocado zona de classificação (G4) para a Copa Libertadores de 2024. Já a Fortaleza, que vencera nas últimas três rodadas, segue com 32 pontos.

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No primeiro tempo, o jogo foi sofrível, em parte devido às péssimas condições do gramado do Raulino de Oliveira. O jogo não pode ser realizado no Maracanã, fechado para recuperação do campo. O Leão do Pici teve as melhores chances de abrir o placar. Aos 13 minutos, após lançamento de Tinga para Lucero, o zagueiro Felipe Melo ficou pelo caminho e o camisa 9 do Fortaleza chutou firme, mas o goleiro Fábio defendeu. Depois, aos 19, Zé Welison pressionou na saída de bola do Tricolor,Pochettino tomou a dianteira como a bola e desferiu uma bomba da entrada da área, que foi para fora. A melhor oportunidade do Flu foi com Keno, aos 28 minutos: o meio-campista disparou com a bola da linha divisória até a entrada da área, mas chutou no meio do gol e João Ricardo, atento, fechou o gol.

Na etapa final, os visitantes pressionaram mais para abrir o placar. Aos dois minutos, o goleiro Fábio deu rebote, após chute de Pikachu, e a bola sobrou para Guilherme chutar com precisão, mas o lateral Samuel Xavier travou o gol do Fortaleza. Aos oito minutos, nova chance. Desta vez, após cobrança de escanteio de Pikachu, na medida para Lucero cabecear para o gol. Fábio espalmou para fora,  mas na sequência, John Kennedy deixou a bola escapar para Tinga, que chutou em cima da zaga e depois Lucero ainda emendou de voleio para fora. Após o sufoco, o Tricolor foi para cima do Leão. Aos 13 minutos, John Kennedy faz linda jogada, se livra de dois marcadores,e rola para Keno quase marcar  para os cariocas ao chutar de dentro da área, mas o goleiro João Ricardo pegou. O Leão do Pici seguiu insistindo: aos  33 minutos, Brítez conseguiu um belo contra-ataque e rolou para Machuca, que chutou forte, e mais uma vez Fábio impediu o gol dos cearenses. Já nos acréscimos, o Flu levou a melhor, em jogada que começou com um bola lançada por Marinelli para Lima, já dentro da grande área, que cruzou para o lateral Diogo Barbosa desferir o gol da vitória Tricolor: 1 a 0. 

Clássico paulista termina sem gols

O Palmeiras, segundo colocado no Brasileirão, desperdiçou a chance de se aproximar do líder Botafogo, ao empatar sem gols com o Corinthians, após um jogo sem inspiração, em Itaquera, casa do Timão. O Verdão soma agora 41 pontos, dez a menos que o Alvinegro carioca. Já o Corinthians segue provisoriamente na 13ª posição na tabela, com 26 pontos. 

Grêmio retoma 3º lugar no Brasileiro

No primeiro jogo da rodada neste domingo (3), o Grêmio derrotou o Cuiabá, em Porto Alegre, por 2 a 0, e retomou a terceira colocação no Brasileiro, com 39 pontos. O triunfo do Tricolor gaúcho foi assegurado pelo atacante uruguaio Luis Suárez, que abriu o placar no primeiro tempo, e com o gol contra de Riquelme na etapa final. O Cuiabá segue na 10ª posição, com 28 pontos.

Ator Kayky Brito continua sedado sob cuidados médicos em UTI no Rio

O estado de saúde do ator Kayky Brito, de 34 anos, continua estável. Em nota, o Hospital Copa D’Or, na zona sul do Rio de Janeiro, informou que o artista “permanece sedado, em ventilação mecânica e sob cuidados da equipe assistente na UTI”. A nota é assinada pelo médico assistente Edno Wallace e pelo diretor médico do Copa D’Or, Marcelo London. Kayky Brito foi diagnosticado com politraumatismo, além de traumatismo craniano.

O ator está internado nesta unidade hospitalar desde sábado (2) à tarde, quando foi transferido do Hospital Miguel Couto, na Gávea, também na zona sul da capital, onde recebeu os primeiros atendimentos médicos. No início da madrugada de ontem, o ator foi atropelado na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Ele estava com amigos em um quiosque na orla da praia e resolveu pegar algo no carro estacionado do outro lado da via. Imagens de câmeras de segurança do local mostram que ele foi atingido por um veículo quando voltava correndo para o quiosque.

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Na direção do carro estava um motorista de aplicativo, que parou o veículo e aguardou a chegada de policiais e o atendimento do Corpo de Bombeiros. O motorista transportava uma mulher e uma criança, que não ficaram feridas. Após a chegada da polícia, foi levado à 16ª DP, no mesmo bairro, onde prestou depoimento e disse que tentou desviar para a outra pista, mas não conseguiu evitar o atropelamento. Depois, ele foi levado ao Instituto Médico Legal para ser submetido a teste de alcoolemia. O resultado deu negativo para a presença de bebida alcoólica.

Após visitar Kayky no Copa D’Or, a mãe do ator, Sandra Brito, agradeceu as orações pela recuperação do filho e contou que ele ainda precisa de cuidados, mas vai sair desta situação difícil. “Da mesma forma que a gente pede orações, a gente agradece. O Kayky está estável. Acho que ele precisa de muitos cuidados ainda. Muito obrigada. Sou muito grata a vocês e a todo mundo que está rezando para o Kayky. Ele é forte. Nós somos fortes e eu acredito em Deus. Ele vai sair dessa”, disse na porta do hospital.

Ferroviária-SP segura 1 a 1 com Sousa-PB e conquista acesso à Série C

A Ferroviária-SP empatou com o Sousa-PB por 1 a 1, na Paraíba, neste domingo (3) e assegurou o retorno à Série C em 2024. Como havia vencido o jogo de ida, em Araraquara, por 1 a 0, a equipe garantiu o acesso para disputar a terceira divisão do Campeonato Brasileiro pela primeira vez desde 2002. Xavier fez o gol que deu tranquilidade ao time, que posteriormente sofreu o empate com gol de Luís Henrique. A partida foi transmitida ao vivo na TV Brasil.

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O Sousa entrou em campo com o plano de aproveitar o excelente desempenho que mostrou no estádio Marizão, na cidade de Sousa (PB). ao longo de toda a Série D de 2023. A equipe do sertão paraibano acumulava oito vitórias e apenas um empate em casa. No entanto, logo aos quatro minutos a Ferroviária encontrou a forma perfeita de começar o jogo. Após cobrança de lateral pela direita, a bola chegou até Xavier dentro da área e com um chute acrobático de primeira ele abriu o placar.

Precisando de dois gols para igualar o placar agregado e levar a definição para os pênaltis, o Sousa se desestabilizou e quase sofreu o segundo. Após cobrança de escanteio pela direita, a cabeçada de Paulinho parou na trave.

Pouco a pouco, o Sousa partiu para a pressão. O time conseguiu o empate no final do primeiro tempo. Luís Henrique cobrou falta pela esquerda, a zaga não afastou e o goleiro Saulo não conseguiu segurar.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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No segundo tempo, empurrado pela torcida, o Sousa seguiu tentando pressionar, mas parou em uma Ferroviária que soube bloquear as principais ações adversárias. A equipe não conseguiu criar grandes chances. Somente aos 52 minutos, Gustavo recebeu na direita e teve tudo para concretizar a virada, mas chutou para fora a chance de levar a decisão para as penalidades.

O empate em 1 a 1 rendeu festa no gramado do Marizão, mas não dos jogadores do time da casa, frustrados após terminarem a Série D invictos em casa mas sem a vaga. A Ferroviária, pelo contrário, comemorava de forma ainda mais efusiva pela trajetória da equipe na competição. A Ferroviária só foi conquistar a primeira vitória no campeonato na sétima rodada e se classificou na quarta e última vaga do grupo 7, com a 27ª melhor campanha entre os 32 clubes classificados ao mata-mata da Série D. Na hora decisiva, no entanto, não perdeu: chega às semifinais com três vitórias e três empates no mata-mata.

Quase 99% dos ultraprocessados têm ingredientes nocivos

Quase 99% dos alimentos ultraprocessados comercializados no Brasil têm alto teor de sódio, gorduras, açúcares ou aditivos para realçar cor e sabor, aponta um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (USP).

Esses ingredientes estão presentes na quase totalidade de biscoitos, margarinas, bolos e tortas, achocolatados, bebidas lácteas e sorvetes, além de frios e embutidos e bebidas gaseificadas como os refrigerantes. Também são encontrados em refeições prontas, pizza, lasanha, pastelaria e outras bebidas açucaradas. A pesquisa avaliou quase 10 mil alimentos e bebidas das principais redes de supermercados de São Paulo e Salvador.

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A professora associada do Departamento de Nutrição Aplicada e do Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde do Instituto de Nutrição da Uerj, Daniela Canella, uma das autoras do estudo, alerta para a relação do consumo desses alimentos com o desenvolvimento de doenças crônicas.

“Eles estão associados a uma série de doenças crônicas e à obesidade, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer. Esse resultado de composição dos ultraprocessados reforça esses achados de relação de consumo desses alimentos e doenças crônicas. Por isso, os resultados são alarmantes”, disse a pesquisadora.

Daniela Canella defende que, além da indicação obrigatória para alimentos com alto teor de sódio, açúcar e gorduras, seria importante informar o indicativo de aditivos, que são os corantes, aromatizantes, emulsificantes, que alteram a cor, textura e aroma dos alimentos. Dessa forma, os consumidores poderiam identificar com mais facilidade os ultraprocessados e tomar a decisão sobre comprá-los ou não.

“Além da informação no rótulo, que a partir de outubro deste ano, passa a ser obrigatória para ‘alto em açúcar, gordura e sódio’, se os rótulos também tivessem a informação de que contêm aditivos com características cosméticas, facilitaria para que os consumidores pudessem identificar com mais facilidade o que são ultraprocessados”, afirmou a professora.

A pesquisadora destacou que os resultados da pesquisa são importantes para auxiliar as políticas públicas, como a proibição de alimentos ultraprocessados em cantinas escolares e outras agendas regulatórias, como a publicidade de alimentos.

*Colaborou Fabiana Sampaio, repórter da Rádio Nacional

Técnico do Botafogo põe cargo à disposição após derrota para Flamengo

A noite de sábado (2) no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, foi agitada. Primeiro, o Flamengo impôs ao Botafogo, líder isolado do Campeonato Brasileiro, sua primeira derrota jogando em casa nesta edição. O 2 a 1 para o Rubro-Negro acabou com os 100% de aproveitamento que o Glorioso mantinha como mandante. Após o jogo, o técnico Bruno Lage, do Botafogo, surpreendeu a todos na entrevista coletiva e, após afirmar que sofre pressão desde que assumiu a equipe, colocou o cargo à disposição. O clube ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.
Técnico português Bruno Lage respondeu apenas um pergunta na coletiva de imprensa depois do jogo e, de forma surpreendente, colocou o cargo à disposição e saiu da sala – Vitor Silva/Botafogo/Direitos Reservados

O resultado, que alçou o Rubro-Negro aos 39 pontos, fechando a noite em terceiro lugar, não afetou a liderança do Botafogo, que tem 51 pontos, onze a mais do que o vice-líder Palmeiras, que enfrenta o Corinthians neste domingo, às 16h, fora de casa. No entanto, na entrevista coletiva após o jogo, o português Bruno Lage respondeu apenas uma pergunta, sobre as mudanças que promoveu no time titular, como a entrada de JP na lateral-direita. Em resposta longa, ele reclamou do pouco tempo de preparação após a derrota para o Defensa y Justicia, pela Copa Sul-Americana, na última quarta (30), questionou a arbitragem no Nilton Santos e, por fim, de forma surpreendente, deixou a sala após colocar o cargo à disposição devido às críticas que vem recebendo.

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“Sobre essa coisa de só olharem para o meu percurso no Botafogo, acho que é uma pressão muito grande sobre os jogadores. E isso eu não admito. Só há uma forma de libertá-los dessa pressão. E por isso estou aqui perante vocês. Não falei com ninguém, pensei muito e neste momento coloco o meu lugar à disposição do diretor, à disposição do presidente. O que não posso permitir é que a pressão que está sendo exercida sobre mim seja exercida sobe meus jogadores. É isso que eu tenho para dizer. Meu lugar está à disposição de quem manda, sem qualquer outra coisa para dizer. Boa noite, obrigado”, disse Lage, antes de sair.

Mais cedo, a torcida alvinegra lotou o Nilton Santos mais uma vez, mas levou um susto logo no primeiro minuto. Após cruzamento rasteiro de Wesley pelo lado direito, o volante Marlon Freitas, ao tentar se antecipar para cortar, acabou se atrapalhando e finalizando contra o próprio gol. Pego de surpresa, o goleiro Lucas Perri não conseguiu evitar o gol contra.

Recuperado do baque, o Botafogo chegou ao empate aos 18 minutos. Victor Sá aproveitou sobra da defesa e finalizou com estilo para bater Matheus Cunha e igualar.

No segundo tempo, o Flamengo voltou à frente do placar aos 27 minutos. Bruno Henrique recebeu pela esquerda, cortou para o meio e acertou um belo chute de fora da área, marcando um golaço. O Botafogo ainda se lançou ao ataque, inclusive com Lucas Perri, mas não conseguiu a igualdade. No mesmo lance, Éverton Cebolinha teve a chance de marcar com o gol adversário vazio, mas foi desarmado.

Com a pausa para a data FIFA, as duas equipes terão um longo período sem jogos. O Flamengo volta a campo no dia 13, quando enfrenta o Athletico Paranense, em Cariacica. Três dias depois, o Botafogo visita o Atlético-MG, na Arena MRV.

Dois empates no sábado (2)

A 22ª rodada do Brasileirão foi inaugurada com dois jogos na tarde de sábado (2). No Estádio da Serrinha, em Goiânia, Goiás e Internacional ficaram no 0 a 0, em jogo de poucos destaques. O resultado estendeu duas sequências, uma de cada time: o Esmeraldino alcançou oito jogos sem derrota na competição, enquanto o Colorado está há dez partidas sem vencer no Brasileirão. O time, no entanto, segue vivo na Libertadores, classificado à semifinal. Na tabela do Campeonato Brasileiro, o Internacional soma 26 pontos, um a mais do que o Goiás. O time gaúcho é o 12º no momento, mas pode ser ultrapassado por Corinthians e Cruzeiro, enquanto o Goiás encerrará a rodada em 15º lugar.

Na Ligga Arena, em Curitiba, Athletico Paranaense e Atlético Mineiro empataram por 1 a 1. Paulinho abriu o placar para os visitantes na primeira etapa e Vitor Roque igualou já na reta final do jogo. O Furacão ainda teve o volante Fernandinho expulso. O jogador deixou o campo revoltado após levar o segundo amarelo em um lance em que acertou o rosto de Saravia com o braço.

O Furacão tem 34 pontos, momentaneamente na sétima posição, enquanto o Galo soma 31, ocupando provisoriamente a nona colocação.

Festival Museu Nacional Vive leva público à Quinta da Boa Vista

O Museu Nacional Vive! Foi o que se pôde comprovar pelo movimento de visitantes neste domingo (3) na edição de 2023 do festival que marca cinco anos de reconstrução do espaço cultural depois do incêndio em 2018, que consumiu parte significativa do acervo e atingiu o prédio da sede do museu, dentro da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio de Janeiro.

O público se espalhou pelas tendas montadas na Alameda das Sapucaias, que fica em frente ao Paço São Cristóvão, sede do museu, para acompanhar as apresentações artísticas e as atividades educativas relacionadas à ciência, cultura e gastronomia. Estavam expostos para incentivar a criatividade tanto das crianças, quanto dos adultos com as peças do acervo da instituição, incluindo fósseis, pedras e plantas. “Temos desde pessoas falando de jogos de questões literárias até mesmo mostrando a paleontologia e os fósseis da Antártica. Já posso antecipar que a gente vai fazer isso mais vezes”, afirmou o diretor do museu, o professor e paleontólogo Alexander Kellner, em entrevista à Agência Brasil.

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Alexander Kellner comemorou o dia de sol, sem chuvas, o que ajudou a ter um público relevante. Ele destacou que os visitantes podiam se informar também sobre o que está sendo realizado para a recuperação do museu. “Temos uma barraquinha especial aqui para as pessoas se informarem como estão andando os trabalhos de reconstrução, quanto dinheiro precisa, o que a gente já tem, quais são as dificuldades e as coisas positivas. O tempo ajudou demais, um dia lindo e maravilhoso e nesse sentido estamos muito felizes”, contou.
Festival Museu Nacional Vive promove atividades educativas e mostra etapas da reconstrução após incêndio – Fernando Frazão/Agência Brasil

“O conhecimento é fundamental. Nós queremos ser um museu de história natural e antropologia sustentável inclusivo que promova o diálogo e com o olhar da ciência leve as pessoas a refletir sobre o mundo que nos cerca ao mesmo tempo que nos leve a sonhar”, completou o diretor.

A assistente social Daiana Ruffoni, de 40 anos, levou a filha Júlia, de 5 anos, que pela primeira vez estava tendo contato com as peças do acervo do museu. Daiana quer que a filha tenha a experiência que teve quando visitava o local. “Eu frequentei na minha infância e na adolescência. Tenho foto dentro do museu com as minhas primas, a minha irmã, e infelizmente a minha filha ainda não pôde conhecer. Acho que ela está gostando bastante. É uma oportunidade de a criança ter acesso a este tipo de conhecimento, que, no dia a dia, não tem, e principalmente fazer uma atividade diferente e fora das telas que hoje em dia as crianças ficam tanto tempo. Estar ao ar livre e ter um conhecimento diferenciado, ela está gostando”, disse. A filha Júlia contou que gostou mais de ver os fósseis de peixes e que quer visitar o museu quando ele for reaberto.

A bancária Lísia Silveira, de 45 anos, levou os filhos gêmeos Pedro e João, de 8 anos ao festival. Ela contou que eles gostam muito de ciência e que não quis perder a oportunidade de levá-los ao evento. “Eles estão curtindo muito. Esse aqui gosta muito de animais e está se realizando. O outro gosta mais de livros, mas também está aproveitando. Eu costumava frequentar, mas eles não, porque eram pequenininhos quando o museu pegou fogo”, comentou.

Lísia lembrou que guarda memórias do museu e disse que pretende passar isso para os filhos. “Já falei para eles que na minha memória mais viva tinha múmias e um esqueleto enorme que eles iam ficar loucos de ver. Uma pena que eles não puderam ver”, afirmou, acrescentando que, depois da reabertura, vai voltar ao museu. ”Com certeza vamos vir. Era uma dor dos meus filhos não poderem ter acesso ao que eu tive quando criança.”

“As famílias estão de volta ao museu e anotem, ano que vem, em 6 de junho, quando o museu completar 206 anos, nós vamos abrir um pequeno cantinho em que as pessoas vão poder entrar no museu e ver como estamos cuidando dele, inclusive tem uma escadaria na parte central com uma baleia pendurada por cima” revelou Alexander Kellner, acrescentando que nesse espaço o público vai poder ver algumas peças importantes do acervo como o meteorito e o manto tupinambá prometido para uma doação ao museu.

Visitantes aproveitaram o domingo ensolarado para prestigiar o Festival Museu Nacional Vive – Fernando Frazão/Agência Brasil

A abertura total do Museu Nacional está prevista para abril de 2026, quando será retomada a visitação ao bloco histórico todo, assim como aos blocos 2 e 3. Kellner agradeceu o apoio que o museu vem recebendo do governo federal. “Agradecer o novo olhar deste governo que entrou para com o Museu Nacional, porque nós vivemos situações complexas com o governo anterior. Estamos muito felizes com esse carinho que estamos tendo do governo federal, em especial, do Ministério da Educação”, pontuou.

Para o diretor, esse encontro do público com os especialistas amplia o diálogo que o museu quer ter como marca. “Tem sido um grande desafio de como a gente pode aumentar esse diálogo, inclusive nas nossas exposições. É algo que está em nosso horizonte e precisamos saber do público como gostaria de dialogar com o Museu Nacional. Uma das ideias que estamos pensando é dar a chance de o público visitar o museu, sugerir qual é a próxima exposição temporária. A maneira de fazer ainda estamos pensando, mas uma possibilidade é oferecer cinco possibilidades com uma sexta opção para a pessoa escolher e depois chamar algumas pessoas da [ideia] escolhida para participar da curadoria da exposição. É realmente a ideia de incluir as pessoas”, adiantou.

Atividades culturais

A programação do festival teve ainda apresentação da Companhia Folclórica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com danças típicas do estado. Professora da Escola de Educação Física e Desportos da UFRJ, Eleonora Gabriel destacou que há 36 anos a instituição desenvolve pesquisas na área de cultura popular, sobretudo as manifestações artísticas como a dança, música e artes plásticas. As pesquisas são desenvolvidas também em outros estados do país. “Hoje a gente apresentou uma parte das danças típicas do Rio de Janeiro, o Boi Pintadinho, o Mineiro Pau de Santo Antônio de Pádua, os Cirandeiros de Paraty e o Jongo da Serrinha”, relatou.

Apresentação da Companhia Folclórica do Rio – UFRJ no Festival Museu Nacional Vive – Fernando Frazão/Agência Brasil

Karajá

Além disso, em uma roda de conversa, os visitantes receberam informações da cultura do povo Iny Karajá. O líder indígena Sokrone Karajá estava presente. Na sexta-feira passada, o museu ganhou peças dessa etnia para incluir no acervo. “O museu não está morrendo. O museu está vivo. Eu não fiz doação. Eu fiz um presente para o museu”, destacou Sokrone Karajá, ressaltando que os objetos entregues à instituição têm grande importância para ele.

Conversa com os indígenas Sokrone Karajá e Ixyse Karajá no Festival Museu Nacional Vive – Fernando Frazão/Agência Brasil

“O museu não perdeu as peças indígenas. O museu está reconstruindo as peças com os indígenas. É um museu construído com os indígenas”, disse o professor titular do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) do Museu Nacional João Pacheco de Oliveira.

Em meio à frente fria, ciclone extratropical deve atingir oeste gaúcho

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê que um ciclone extratropical deve atingir o oeste do Rio Grande do Sul (RS) a partir da madrugada desta segunda-feira (4). O mais provável é que o fenômeno ocorra nas proximidades da cidade de São Borja.

Segundo o Inmet, “o ciclone deve se deslocar rapidamente em direção ao sudeste do Rio Grande do Sul e, por volta das 9h, já estará no Oceano Atlântico”. Depois, o fenômeno se deslocará para o alto-mar.

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A Região Sul do Brasil enfrenta a chegada de uma frente fria que trouxe, neste final de semana, a possibilidade de tempestades localizadas e de queda de granizo em áreas isoladas que vão do estado gaúcho até o sul de Mato Grosso do Sul, passando por Santa Catarina e pelo Paraná.

A frente fria pode causar ainda neste domingo (3) volumes significativos de chuva entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, em torno dos 100 milímetros (mm). Na segunda-feira, além do ciclone extratropical, a previsão é de novos volumes de chuvas em torno dos 100 mm no estado gaúcho, principalmente no leste.

A frente fria indica ainda a possibilidade de fortes ventos que podem afetar até São Paulo. “A previsão também indica fortes rajadas de vento, podendo atingir aproximadamente 100 km/h em áreas isoladas dos três estados da Região Sul e de Mato Grosso do Sul. Os ventos também podem afetar o oeste, centro e sul de São Paulo do início e até o fim da tarde”, concluiu o instituto.

Avanço da inteligência artificial gera busca por proteção de direitos

Desde a pandemia da covid-19, têm se tornado cada vez mais frequentes nos cartórios de notas do Brasil registros de diretivas antecipadas de vontade (DAVs) feitas por pessoas que desejam proteger sua imagem e voz, diante do avanço da inteligência artificial (IA).

Segundo disse à Agência Brasil a vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil seção Rio de Janeiro, Edyanne de Moura Frota Cordeiro, tabeliã titular do 7º Ofício de Notas, os tabelionatos já registraram cerca de 5 mil DAVs em todo o país, nos últimos três anos. No estado do Rio de Janeiro, foram 107 escrituras sobre direitos digitais, sendo 31 somente nos primeiros semestre deste ano. O maior número de registros se concentra nas regiões Sudeste e Sul, informou.

Cartórios de notas recebem cada vez mais pedidos de proteção de direitos – Arquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O assunto ganhou destaque recentemente após a aparição da cantora Elis Regina em um comercial da Volkswagen, cuja imagem foi reconstituída a partir de inteligência artificial. Elis Regina morreu em 1982.

Caso semelhante ocorreu com o ator americano Paul Walker, que faleceu em um desastre de carro, em 2013, no meio das filmagens do filme Velozes e Furiosos 7. Para concluir o longa-metragem, foi utilizada tecnologia de computação gráfica (CGI, na sigla em inglês). 

Na tecnologia, as imagens geradas por computador têm três dimensões e profundidade de campo. A cantora Madonna também alterou seu testamento, proibindo o uso de hologramas após sua morte. Tais fatos despertaram a atenção da sociedade para as escrituras sobre direitos digitais.

A tabeliã lembrou que, em paralelo ao desenvolvimento da mídia e ao aparecimento de influencers em plataformas digitais, a IA vem sendo cada vez mais aprimorada “e, hoje em dia, se pode fazer várias coisas com a voz da pessoa e imagem, mesmo pós-mortem. Por isso, ela destacou a necessidade de se regular as relações jurídicas.

Instrumentos

De acordo com Edyanne, os instrumentos vão se diferenciar. No caso de uma pessoa que quer ter suas obras perpetuadas depois de morta, como letras de música, imagens, voz, por exemplo, ou mesmo partilha de bens, o instrumento adequado seria o testamento, que só terá eficácia depois que a pessoa morrer.

Contudo, se for uma preocupação em vida, o instrumento são as DAVs. Isso se aplica a pessoas vivas que desejam preservar os direitos de voz ou imagem em caso de algum acontecimento inesperado, como problema de saúde, acidentes, situação de hospitalização sem discernimento ou coma. Nesses casos, a pessoa pode fazer uma diretiva para proteger tanto senhas de acesso, códigos de redes sociais, ativos, mas também regular o que vai ser feito com sua imagem e voz, caso ela esteja impossibilitada de manifestar a sua vontade. Esse é um instrumento novo que poucas pessoas sabem que existe, afirmou. “Nós temos esses dois tipos de documentos de escrituras notariais.”

Ética

Os direitos digitais são objeto do Projeto de Lei 3.592/2023, de autoria do senador Rodrigo Cunha (Podemos/AL), que busca disciplinar e estabelecer regras para a utilização das imagens e recursos digitais, principalmente no caso de pessoas já falecidas. “Porque a pessoa viva ainda tem como se defender”, advertiu a vice-presidente do CNB/RJ.

De acordo com o PL, o uso da imagem de uma pessoa falecida por meio de inteligência artificial só será permitido com o consentimento prévio e expresso da pessoa em vida ou dos familiares mais próximos. A proposta ainda determina que a permissão deve ser obtida e apresentada de forma clara, inequívoca e devidamente documentada, especificando os objetivos a serem alcançados com o uso de imagens e áudios.

Edyanne Cordeiro avaliou que a questão de bioética é muito recente e não está ainda regulada. “Tudo surgindo agora, tanto no que se refere à sucessão e ao que for usado depois da morte, reunidos na chamada herança digital, como aos direitos da personalidade, porque a pessoa está viva”. São direitos existenciais, constitucionais. “Têm muitos liames porque, se a pessoa não deu autorização e terceiros forem usar, isso vai gerar muita demanda de ações de indenização por danos morais e, até, danos materiais, porque pode-se manchar a imagem da pessoa e ela acabar perdendo direitos.”.

A tabeliã alertou que herdeiros, inclusive, podem ser vítimas de uso indevido de imagem e voz de parentes e deverão pedir indenização.

Plataforma

Para realizar uma DAV, a pessoa interessada deve comparecer em um cartório de notas com documentos pessoais ou fazer o procedimento em plataforma digital nacional, administrada pelo Conselho Federal do Colégio Notarial do Brasil.

No formato eletrônico, o cidadão escolhe o cartório de notas de sua preferência para solicitar o serviço. Em seguida, é agendada uma videoconferência com o tabelião de notas e a escritura é assinada eletronicamente, por meio de um certificado digital gratuito que pode ser emitido pela mesma plataforma. Embora gratuito, esse certificado vai servir somente para questões de cartório.

Segundo Edyanne, a antecipação de vontade é muito simples e não necessita de testemunhas, nem de acompanhamento por advogado. “A DAV é para se precaver em vida”, ressaltou. A tabela dos cartórios de notas para fazer uma DAV estabelece custo médio em torno de R$ 300, no estado do Rio de Janeiro. Dependendo do que for inserido na diretiva, o preço pode subir. Para testamentos, o valor tende a ser maior.

O testamento público é o documento pelo qual uma pessoa, denominada testador, declara como e para quem deseja deixar seus bens após sua morte. Para realizar o ato, é necessária a presença de duas testemunhas que não podem ser herdeiras ou beneficiadas pelo testamento, além dos documentos de identidade de todas as partes, requerentes e testemunhas. A presença de um advogado é opcional. O documento pode ser alterado e revogado enquanto o testador viver e estiver lúcido, e terá validade e publicidade somente após a sua morte.

Tabelionatos

O Colégio Notarial do Brasil – Seção Rio de Janeiro é a entidade de classe que representa institucionalmente os tabelionatos de notas do estado. As seccionais dos colégios notariais de cada estado estão reunidas em um Conselho Federal (CNB/CF), que é filiado à União Internacional do Notariado (UINL).

A entidade não governamental reúne 88 países e representa o notariado mundial existente em mais de 100 nações, correspondentes a dois terços da população global e 60% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, praticando atos que conferem publicidade, autenticidade, segurança e eficácia aos negócios jurídicos pessoais e patrimoniais, contribuindo para a desjudicialização. 

Perícia da PF dos crimes de 8 de janeiro esmiúça milhares de dados

Rostos que passam de frente para as câmeras de monitoramento. Mensagens de áudio, vestígios biológicos, impressões digitais, fotos, pistas deixadas em ônibus ou nos telefones celulares. Desde o dia 8 de janeiro, há quase 8 meses, os peritos criminais da Polícia Federal sabem que os trabalhos de investigação com a coleta de provas não tem data para acabar. “Não há prazo porque os materiais continuam chegando”, disse o diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC), Carlos Eduardo Palhares, em entrevista à Agência Brasil. Todas as pistas e vestígios, de agressores a financiadores dos ataques, são fundamentais para coleta de provas daquela série de crimes que marcou a história do Brasil.

Para se ter uma ideia, nos palácios sedes dos Três Poderes, invadidos e depredados, os sistemas de câmera de monitoramento identificaram mais de dois milhões de rostos nos vídeos. Referem-se às mais de duas mil pessoas investigadas que fizeram os ataques. As identificações encontram cada movimento deles dentro dos prédios.

Trabalhos de perícia realizados pela Polícia Federal sobre os crimes de 8 de janeiro – Foto: André Zímmerer/Polícia Federal

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“É um trabalho de reconstrução. O trabalho continua, principalmente na busca pelos elementos audiovisuais e no setor da informática. Mas a gente segue à disposição de tudo o que a investigação demandar”, disse o diretor do INC. Ele participou, nesta semana, em Brasília, do InterForensics, o maior evento de ciências forenses da América Latina.

Os trabalhos sobre o 8 de janeiro são considerados muito singulares entre os profissionais de perícia. “É um trabalho de rastreio. São quase duas mil horas de gravação, e envolve muitos peritos porque é uma atividade que não dá pra colocar o computador para fazer”, explica Palhares.

Em outras situações, o computador é fundamental porque foram apreendidos mais de 800 telefones celulares, e com ferramentas, é possível buscar com palavras até os áudios gravados. A automatização também permite, por exemplo, localizar imagens nos aparelhos a partir de procuras de rostos de pessoas.

As análises de celulares de pessoas que foram presas nas 15, até agora, fases da Operação Lesa Pátria, estão entre as tarefas. “A gente está fazendo também a identificação do valor do dano das obras de arte, que a gente chama de obras de patrimônio cultural”, informou. São ações fundamentais para a materialização do dano, acrescenta.

A maior perícia

A investigação é detalhista e cada informação se junta com outra para organizar o quebra-cabeças. Palhares disse que essa foi a operação, em curto período de tempo, com a maior mobilização de setores da perícia. É preciso contatar os autores por imagens, impressões digitais, materiais genéticos. “Buscamos materialidade, autoria e dinâmica dos eventos. Nesse caso, pela proporção que foi o evento, e pela quantidade de envolvidos e também pelo que representava à democracia brasileira, era um caso muito complexo”, avalia o diretor do INC.

Trabalhos de perícia realizados pela Polícia Federal sobre os crimes de 8 de janeiro – Foto: André Zímmerer/Polícia Federal

De acordo com Palhares, mesmo com a complexidade, as equipes buscaram ser céleres para atender as necessidades demandadas pela Justiça. “Foi preciso acessar várias áreas da criminalística para trazer as respostas”, disse. Ele recorda que, quando as equipes chegaram aos palácios dos Três Poderes, puderam constatar uma infinidade de vestígios pelo chão que poderiam ajudar na identificação das pessoas.

“No campo da criminalística da PF usamos muito os dados genéticos para identificação das vítimas e dos autores. O perito de local coleta e manda para os laboratórios. Como foi uma mega mobilização, foram peritos de todas as áreas para atuar”, revelou. Foram organizadas inicialmente oito equipes. Em cada uma delas, havia especialistas em genética para que a coleta de material ocorresse da forma correta.

Dinâmica dos eventos

As imagens foram utilizadas para identificação e também para entendimento da dinâmica dos crimes. Os peritos chamam essa fase como “análise de conteúdo”. A documentação do local envolveu atividades detalhistas e exaustivas. “Essa documentação demandou o uso de equipamentos especiais, como drones, câmeras 360 graus, scanner 3D e equipes próprias para fazer esse tipo de trabalho”.

Para realizar o trabalho, segundo Palhares, foi demandado um serviço de perícias em audiovisual e eletrônicos. Cada imagem é considerada um vestígio. A coleta pela equipe é de documentação de local a fim de compreender as cenas de crimes.

Trabalhos de perícia realizados pela Polícia Federal sobre os crimes de 8 de janeiro – Foto: André Zímmerer/Polícia Federal

Somente no primeiro dia foram 75 peritos em ação. Depois, pelo menos 80 peritos passaram a fazer coleta de material de referência entre as pessoas que foram presas na penitenciária da Papuda (homens) e da Colmeia (feminino). No total, mais de 100 peritos atuaram e atuam para encontrar as provas.

“Foram apreendidos muitos celulares, e isso demanda muito trabalho da área de informática”, explicou. Outros materiais investigados foram os veículos que transportaram as pessoas que participaram dos atos daquele dia. Foram mais de 100 ônibus periciados.

Nos três primeiros meses, os peritos entregaram os laudos de local de crime, os de genética para identificar autoria e também os resultados dos crimes contra o patrimônio cultural. Mas as demandas foram mudando por causa das imagens que surgiam. “Assim, tem sido possível identificar o que cada pessoa fez dentro dos palácios”, explicou Palhares.

Fim de semana tem primeiros campeões nos Jogos da Juventude em SP

Os Jogos da Juventude de 2023, em Ribeirão Preto (SP), começaram para valer neste fim de semana. Depois da abertura na sexta (1º), os primeiros campeões foram surgindo e chamando a atenção com suas histórias. A competição vai até 16 de setembro, com transmissão ao vivo da TV Brasil (confira abaixo a programação desta semana).

No sábado (2), o paranaense Nicolas Gabriel dos Santos, de 16 anos, conquistou o ouro de forma surpreendente na categoria até 100 quilos do wrestling. O resultado foi destaque por dois motivos: Nicolas iniciou no esporte há apenas um ano e, além disso, competiu descalço contra adversários mais bem equipados.

Mesmo descalço, o paranaense Nicolas dos Santos, de 16 anos, faturou a medalha de ouro na categoria dos 100 kg do wrestling – Alexandre Loureiro/COB/ Direitos Reservados

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“Eu até tentei conseguir uma sapatilha, mas calço 45 e não teve tempo. Pedimos para um monte de gente, mas no Brasil não tinha, precisava encomendar de fora para usar nos Jogos”, disse o atleta, em declaração dada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Foi apenas a segunda competição de Nicolas no wrestling.

Já na marcha atlética, que estreou no programa dos Jogos em 2023, dois atletas tiveram a honra de serem pioneiros na vitória. Maria Luiza Jaime, do Paraná (3.000 metros/feminino) e Davi Gabriel da Silva da Silva, do Espírito Santo (5.000 metros/masculino) foram os primeiros campeões da história da modalidade nos Jogos.

Na marcha atlética foram dois ouros: da paranaense Maria Luiza Jaime (3 mil metros)  e do capixaba Davi Gabriel da Silva da Silva (5 mil metros)-  Luiza Moraes/COB/Direitos Reservados

“Fiquei muito emocionada quando soube que iria ter a marcha nesse meu último ano com idade para os Jogos da Juventude. Sempre quis viver esse momento de estar aqui com a delegação do Paraná. Na cerimônia de abertura, chorei”, disse Maria Luiza Jaime ao COB.

Ao fim do primeiro dia completo de disputas, o quadro de medalhas dos Jogos teve Santa Catarina no topo, com quatro ouros e 11 pódios no total, seguido por Paraná e Espírito Santo, com três ouros cada (Paraná teve um bronze a mais, três contra dois, totalizando sete pódios).

Transmissão na TV Brasil

Segunda-feira (4) 

10h – provas de atletismo, modalidade que inclui corridas rasas, corridas com barreiras, revezamento misto, saltos, arremessos, lançamentos e combinadas.

Quarta (6)

16h – competição de judô (categorias super ligeiro, ligeiro, meio-leve, leve, meio-médio, médio, meio-pesado e pesado)

Quinta (7)

14h – competições de ginástica artística e judô

Sexta (8)

10h  e 14h – competição de ginástica artística (disputas por equipes, individual geral e por aparelhos)

Incêndio destrói parte do Mercado da Encruzilhada, no Recife

Um incêndio destruiu parte do tradicional Mercado da Encruzilhada, na zona norte do Recife, neste domingo (3). Não houve mortes nem feridos e ainda não se sabe a origem das chamas, segundo as autoridades locais.

O Corpo de Bombeiros informou à Agência Brasil que a corporação foi acionada às 9h30 deste domingo para conter as chamas que se espalharam por dez boxes do mercado do mercado. Um dos principais mercados públicos da capital pernambucana, o estabelecimento conta com 214 boxes, segundo a prefeitura do Recife.

Ainda segundo os bombeiros, parte do teto desabou em decorrência das chamas. Os vídeos que circulam nas redes sociais neste domingo mostram uma intensa chama com densa fumaça saindo de dentro do mercado.

Nas redes sociais, a prefeitura informou que o fogo já foi controlado e que “todo apoio será dado aos permissionários”, que são os comerciantes do local. Ainda segundo a prefeitura, “tão logo seja possível, serão iniciados os trabalhados para o suporte estrutural e a reconstrução da área atingida”.

“Inteligência fora do comum”, afirma Bethânia sobre Waly Salomão

O poeta, escritor e letrista da música popular brasileira (MPB) Waly Salomão, nascido em Jequié, na Bahia, faria 80 anos neste domingo (3). Artista inquieto, a sua morte, em 2003, em consequência de um câncer, é muito sentida até hoje por uma legião de amigos e admiradores, pelas lembranças de sua participação tanto nas diversas manifestações da arte quanto em movimentos em defesa da cultura brasileira.

“Acho que o Brasil perdeu, acho eu perdi, acho que o mundo perdeu uma inteligência, uma sensibilidade, uma novidade, incomuns. Meu grande amigo e poeta extraordinário”, disse à Agência Brasil a cantora Maria Bethânia.

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“Eu fui muito amigo do Waly Salomão e, de fato, ele era uma pessoa especial. Primeiro porque era um poeta muito sensível, era um amor de pessoa e faz muita falta. Foi uma das pessoas mais sensíveis com quem me deparei na música popular brasileira. Pessoa muito inteligente e de cultura muito ampla”, contou o historiador e jornalista Ricardo Cravo Albin, pesquisador de MPB, à Agência Brasil.

Em 1967, Waly Salomão se formou em direito na Universidade Federal da Bahia, mas preferiu não exercer a profissão. Lá mesmo na faculdade, fez outro curso que lhe agradava mais. Entre 1963 e 1964 estudou na Escola de Teatro.

Na literatura, o primeiro livro foi Me Segura qu’eu Vou Dar um Troço, escrito enquanto estava preso, em 1971, em uma cela do Carandiru, em São Paulo, durante a ditadura militar. O lançamento, no entanto, só ocorreu um ano depois, após sair do presídio. Em 1997, foi vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura com o livro de poesia Algaravias. O último livro, Pescados Vivos, foi publicado em 2004, depois da sua morte.

Na música, a parceria com Jards Macalé rendeu muitos sucessos, como Vapor Barato, um dos destaques da carreira da cantora Gal Costa e do grupo O Rappa. Os dois compuseram ainda Mal Secreto, que foi uma das músicas do show Fa-Tal de Gal Costa, considerado icônico. A canção foi gravada também por Luiz Melodia.

“Tudo que ele escreveu, tudo que ele criou, o espetáculo de Gal, Fa-Tal, é uma das obras-primas da música e do teatro brasileiro”, apontou Bethânia.

Além de letrista, Waly era produtor artístico e, nos anos 1990, realizou dois trabalhos com Cássia Eller: Veneno AntiMonotonia, em 1997, e Veneno Vivo, no ano seguinte. Cássia dizia que o encontro com Waly tinha tanta identidade que parecia um casamento.

No cinema, como ator, foi o personagem principal no filme Gregório de Matos, em 2003, que teve direção da cineasta Ana Carolina. O filme narra a vida do poeta baiano, na Bahia do século 17.

Tropicalismo

No movimento tropicalista na década de 1970, que se estendeu a diversas expressões artísticas incluindo música, poesia, cinema, teatro e artes plásticas, se juntou a Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Capinam, Tom Zé, Nara Leão, Gal Costa, Os Mutantes e Rogério Duprat, apesar das pressões militares da época.

“Uma pessoa muito culta que era, ele teve participação teórica nesses movimentos todos, escreveu muitas teses, escreveu sobre o tropicalismo, escreveu muito sobre este tipo de rebeldia tão natural ao tropicalismo que queria originalidade, coisas novas e referências brasileiras”, pontuou Cravo Albin.

A defesa da cultura levou Waly a ocupar alguns cargos na administração pública. Foi presidente da Fundação Gregório de Matos, da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Na gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, no primeiro governo Lula, foi secretário nacional do Livro e Leitura e tinha como proposta incluir o livro na cesta básica brasileira.

“Saiu de cena muitíssimo cedo. Ele poderia ter continuado muito mais. O destino, no entanto, nos privou de ter o convívio de Waly Salomão. Viveu muito pouco, mas o pouco que viveu, marcou”, disse o pesquisador.

“Acho que o Brasil deve uma reverência ao Waly, uma reverência nobre, bonita e ímpar, porque com ele não dava para ter igual pra ninguém. Ele era único no seu querer, no seu bem-querer, no seu mal-querer, na sua língua afiada, na sua inteligência, na sua beleza”, apontou Bethânia.

Os trabalhos com Waly foram muitos e intensificam as saudades que Bethânia sente do amigo e parceiro de momentos inesquecíveis. “Era meu amigo, vinha à minha casa para conversar naquele jeito estrondoso dele e tão delicado, tão fino com uma inteligência aguda fora do comum e um coração raro também. A vida perdeu muita graça sem ele. Sinto muita, mas muita falta dele em tudo, no meu trabalho, no meu cotidiano, nos meus dias, nas minhas noites, nas minhas conversas, nos encontros. Eu sinto falta do comentário do Waly, do olhar do Waly sobre aquilo. Sinto saudade dele, da figura, da pessoa. Waly foi, é, e será um poeta brasileiro, um amigo querido para sempre”, disse ela.

Waly foi autor de grandes sucessos da carreira de Bethânia: Talismã, Memória de Pele e Mel. “Waly dirigiu um espetáculo meu chamado Mel onde convivemos diariamente durante os dois meses de ensaio e mais toda a temporada e toda a turnê”, contou, saudosa.

Homenagem

No dia 19 de maio de 2003, o que era para ser uma conversa entre poetas na Bienal do Livro, no Riocentro, se tornou uma homenagem a Waly Salomão, falecido no dia 5 daquele mês. A edição do Café Literário: A Palavra Poética entre o cantor e compositor Caetano Veloso, o poeta, o compositor e escritor Antônio Cícero e a escritora Claudia Roquette-Pinto. No encontro, os participantes lembraram o espírito de liberdade e o humor afiado de Waly.

“Uma figura linda com um sorriso que ganhava o mundo. Meu querido. Morro de saudade dele. De todo modo, tudo que ele me deu, tudo que me ensinou, tudo que ele brincou, desenvolveu comigo, é tão bem guardado em mim com tanta doçura, com muitas saudades, que o meu único conforto assim, eu não quero esquecer, gosto de me lembrar de coisas de Waly. Eu quero ter ele ainda, não acredito e não gosto de saber que ele não está mais aqui junto com a gente. Morro de saudade dele e a vida perdeu um pouquinho o encanto sim. Viva o Waly!’, concluiu Maria Bethânia.

Óperas são destaque do Theatro Municipal do Rio em setembro

O Festival Oficina da Ópera irá oferecer, no mês de setembro, o atrativo do canto lírico ao público, em algumas apresentações com preços populares. O evento também tem o objetivo de formar equipes de profissionais culturais.  

O Theatro Municipal vai apresentar as obras O Caixeiro da Taverna, de Guilherme Bernstein, com regência do próprio compositor nos dias 11 e 12 de setembro. A montagem Pagliacci será exibida em 15 e 17 de setembro, com coro e orquestra do Municipal e solistas convidados. 

A opereta radiofônica O Sonho de Edgard, A Invenção do Rádio, de Adriano Pinheiro, será encenada nos dias 13 e 14 de setembro. Essa é uma parceria com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).  

O espetáculo leva ao público a vida de Edgard Roquette Pinto e o surgimento da Rádio MEC, hoje emissora da EBC. A história mostra como a Rádio MEC influenciou a sociedade, costumes, tendências e modismos, disseminando conhecimento e cultura pelo Rio de Janeiro e pelo Brasil. 

“É uma produção criativa e coletiva entre a Rádio MEC e o Theatro, e vai ser transmitida pela emissora no dia 13 de setembro. A história da rádio, como ela foi a primeira do Brasil, consequentemente é a história do rádio brasileiro”, conta Thiago Regotto, gerente-executivo das Rádios EBC, lembrando que a emissora completou 100 anos em 2023. 

Democratização

O Festival Oficina da Ópera aposta na democratização da música clássica, concertos e apresentações eruditas. Duas das três obras estão incluídas no programa Municipal ao Meio-Dia, que propicia exibições a partir de R$ 2. As demais apresentações têm ingressos que variam de R$ 15 a R$ 60. 

“Damos mais um passo rumo à democratização do Theatro Municipal, trazendo um público ainda mais amplo para conhecer nossos espetáculos”, diz Clara Paulino, presidente da Fundação responsável pelo Municipal. 

Outra característica do festival é o programa elaborado com o objetivo de formar equipes criativas do setor no Rio de Janeiro, dando ênfase ao trabalho de jovens diretores cênicos.  

“Jovens figurinistas, cenógrafos, iluminadores, três jovens diretores cênicos produzindo juntamente com a orientação de grandes profissionais da casa, pessoas experientes”, explica Eric Herrero, diretor artístico do Municipal. 

A programação completa do Festival Oficina da Ópera e das apresentações até o fim do ano está no site do Theatro Municipal (theatromunicipal.rj.gov.br). O palácio histórico fica na Praça Floriano, s/nº, Centro, Rio de Janeiro.

 

Óperas são destaque do Theatro Municipal do Rio, em setembro. Arte: Divulgação – Divulgação

Lula vai à Índia para assumir presidência do G20

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca, na próxima quinta-feira (7), para Nova Déli, capital da Índia, onde participará da Cúpula do G20, grupo que reúne as 19 nações de maior economia do mundo e a União Europeia. A comitiva brasileira embarcará logo após o desfile do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios. A reunião de líderes ocorre nos dias 9 e 10.

A cúpula é ponto alto das atividades do grupo e marcará também a reta final da presidência rotativa do bloco, atualmente com a Índia, e que será assumida pelo governo brasileiro a partir do dia 1º de dezembro. Uma série de reuniões e trabalhos prévios e de grupos de trabalho está ocorrendo, inclusive em escala ministerial entre os países.

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A programação oficial prevê pelo menos três sessões temáticas, que abordarão tópicos como desenvolvimento verde sustentável; meio ambiente e clima; transições energéticas; e global net zero, que é a ideia de emissão zero líquida de carbono. Outros assuntos como crescimento inclusivo; cumprimento de metas dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS); saúde, educação, infraestrutura, transformações tecnológicas, reformas multilaterais e futuro do trabalho e emprego também estarão em pauta. O evento também terá reuniões bilaterais entre diferentes líderes.

Presidência

Como em toda cúpula do G20, haverá uma cerimônia simbólica de transferência da presidência rotativa do grupo, que envolve mais diretamente o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente Lula. Há previsão de pronunciamentos do presidente brasileiro nas duas primeiras sessões e no encerramento do encontro, quando Lula apresentará as prioridades e os desafios da futura presidência brasileira a partir de 1º de dezembro de 2023.

Ao participar de um evento no Rio Grande do Norte, nesta sexta-feira (1º), Lula afirmou que o combate às diversas desigualdades sociais deve nortear sua participação na cúpula.

“Eu vou lá para discutir com eles uma coisa que me incomoda, eu quero discutir a desigualdade. A desigualdade de gênero, a desigualdade racial, a desigualdade no tratamento da saúde, no salário, a desigualdade de uma pessoa que come 20 vezes por dia e a outra que fica 20 dias sem comer”, afirmou.

A presidência rotativa do Brasil no G20 vai até o fim de 2024, quando uma nova cúpula será realizada no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. O encontro está previsto para ocorrer nos dias 18 e 19 de novembro do ano que vem.

No Rio, passeio pelo bairro da Glória resgata memórias indígenas

A programação do quinto passeio do Rolé Carioca reúne atividades que visam ao resgate das memórias indígenas em um território originalmente ocupado pelo povo Tupinambá. Neste domingo (3), os participantes do circuito vão poder conhecer os pontos de identidade dessa etnia, no local hoje conhecido como bairro da Glória, na região central da capital fluminense, que é próximo ao Aterro do Flamengo e da Baía de Guanabara. A intenção é mostrar as presenças, contribuições e resistências indígenas, que, mesmo sendo essenciais para o desenvolvimento da cidade, passam por apagamento histórico no lugar.

Inicialmente o passeio estava previsto para o último dia 27, dentro das comemorações do Agosto Indígena, instituído em 2021, em São Paulo, para celebrar e reforçar a importância dos povos originários, além de preservar a história e incentivar o protagonismo dos indígenas que contribuem muito para a cultura brasileira.

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“Nós queremos apresentar neste roteiro parte da história da nossa cidade, mas reconhecendo a importância e o protagonismo dos povos indígenas. Através do nosso patrimônio histórico e urbano vamos compartilhar informações não apenas das ações de resistência do povo Tupinambá, como também sua história, cultura, tecnologias e outras contribuições”, destaca à Agência Brasil a historiadora e pesquisadora do Rolé Carioca, Amanda Custódio.

“A importância desse rolé é garantir a visibilidade de uma luta que aconteceu ali, que é a grande luta da Confederação dos Tamoios, que, na verdade, foi a primeira resistência de povos Tupi e Guarani de vários lugares. Não existia uma etnia chamada tamoios. É porque o povo tupinambá vira para o português e diz ‘ta’mõi’, que em língua tupi quer dizer o mais velho, aquele que chegou primeiro e merece respeito. Os portugueses, que não entendiam nada, chamavam de tamoios, mas não existia o povo Tamoio, existia o povo Tupinambá”, conta a presidente da Associação Indígena Aldeia Maracanã (AIAM), Marize Guarani, em entrevista à Agência Brasil.

Circuito

O percurso foi traçado para visitar nove pontos: o Monumento a Pedro Álvares Cabral; o Projeto Caminho Ancestral da Glória, que é um mural galeria de arte a céu aberto; a Igreja de Nossa Senhora do Outeiro da Glória, que era Território Uruçumirim; o Monumento a São Sebastião, os Jardins do Palácio do Catete; o Posto 1 da Praia do Flamengo; a Foz do Rio Carioca, o Posto 2 da Praia do Flamengo e a Estátua de Estácio de Sá.

“A escolha do Rolé Carioca pelas Presenças Indígenas na Glória acontece porque nesse bairro ocorreu um processo de total relação com a fundação da cidade do Rio de Janeiro. Esse território pertencia ao povo Tupinambá que resistiu contra a colonização portuguesa e por isso sofreu um violento massacre. Foi no Outeiro da Glória que ocorreu a grande Batalha de Uruçumirim, um marco da colonização portuguesa no Rio de Janeiro, quando o povo Tupinambá foi derrotado e Estácio de Sá morto”, conta Amanda Custódio.

O Monumento a Pedro Álvares Cabral, em frente ao Metrô da Glória, escolhido para ser o ponto de encontro do circuito, permite reflexões. A pedagoga indígena Marize Guarani diz que isso também ocorre com o Monumento a São Sebastião, no centro da Praça Luís de Camões.

“A estátua de São Sebastião é colocada como se ele tivesse dado força aos portugueses, para que a guerra em que eles eram em maior número eles pudessem ganhar. Então, foi São Sebastião que ajudou os portugueses e se torna o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, só que isso é uma narrativa de uma guerra de imagens, ou seja, soterra a imagem do povo originário e em cima dela planta um santo católico”, diz.

Marize Guarani, que atua para manter a memória e a difusão da cultura dos povos originários, participou da equipe de pesquisa do rolé para a criação do passeio. “O Rolé Carioca vai tentar dar visibilidade a algo que a história da cidade não mostra, que é a presença do povo Tupinambá ali na região da Baía de Guanabara, onde havia 80 loteamentos”, revela.

A Glória não é a única região no Rio que no passado foi território indígena. Segundo Marize Guarani, basta apenas lembrar os nomes de diversos bairros que têm grafia tupi. “Ipanema, Grajaú, Turiaçu, tudo isso é território tupinambá. Isso é língua tupi. Tinham os aldeamentos em torno da Baía de Guanabara, mas também para dentro”, comenta, ao lembrar que há ainda presença do povo guarani em Maricá e na Costa Verde do Rio, onde em Paraty tem também uma aldeia Pataxó.

“Turiaçu fica entre Madureira e Rocha Miranda e não tem mais aldeia hoje. O único vestígio é o nome do lugar, como também o Grajaú, que não tem. Itatiaia também é nome indígena e não tem vestígio, vai apagando [a história]. Jacarepaguá esse nome é indígena. Tudo isso era também terra indígena”, pontua.

“É importante ressaltar que não só a Glória era um local com aldeamentos indígenas, mas sim todo o nosso território, por isso nós enquanto equipe do Rolé Carioca temos o compromisso de abordar a presença indígena em todos os circuitos históricos que realizamos”, completa Amanda Custódio.

De acordo com os organizadores do Rolé, a escolha pela Glória foi pelo caráter representativo de episódios da história colonial, “que ao mesmo tempo invisibilizou a memória dos povos ancestrais e a violência contra esses habitantes”. “O próprio nome do bairro revela uma das camadas de opressão e está associado ao genocídio dos povos indígenas no Rio de Janeiro”, destaca.

Conforme os organizadores, esta edição do Rolé Carioca tem patrocínio da Petrobras e da White Martins, com realização do Ministério da Cultura e do governo federal. Conta ainda com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura da prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura-Lei do ISS, além de copatrocínio da Universidade Estácio, em parceria com o Instituto Yduqs, e da First RH Group.

Rolé Carioca

O projeto cultural Rolé foi criado em 2012 com o propósito de pesquisar, catalogar e difundir conteúdo sobre o patrimônio histórico e cultural do Rio de Janeiro. Atualmente tem mais de 50 mil seguidores nas redes sociais. “O Rolé tem a missão de formar um acervo multiplataforma sobre a história, cultura e memória da cidade, com ações que o apresentam em diferentes formatos, tais como passeios guiados por mais de 650 roteiros, banco de dados com mais de 500 pontos mapeados, canal de vídeos, site, jogo, aplicativo etc”, informaram os organizadores.

Kizomba é celebrada como experiência cultural em São Paulo

A vivência da cultura da kizomba é a proposta do Kizomba Design Museum, entre os dias 6 e 8 de setembro na capital paulista. O ritmo, criado por imigrantes angolanos e caboverdianos em Portugal é a “maior expressão cultural da diáspora africana que se expressa em português”, nas palavras de um dos curadores do projeto, o músico e escritor Kalaf Epalanga.

“Nós queríamos recriar, de forma estilizada, claro, o que acontece nas nossas festas de quintal. As nossas festas de quintal, – que eu acho muito parecido com o samba – você tem a música, a galera que está em um canto discutindo futebol, em outro canto, discutindo política. Comida – sempre uma feijoada. E, claro, muita bebida também, muita cerveja. Essa é mais ou menos uma dinâmica de uma festa de quintal, muito parecida com a cultura brasileira também”, explica Epalanga sobre a ideia de reunir comida, música e discussões sobre linguagem, identidade e política.

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O artista conta que a kizomba foi um ritmo não só fundamental para a construção do kuduro, movimento musical em que é um dos expoentes, com o Buraka Som Sistema, como também foi um refúgio aos trabalhadores africanos, que, como ele, vivem na Europa.
Kizomba Design Museum será de 6 a 8 de setembro- Kim Praise/Kizomba

Refúgio

“Eu, jovem da diáspora em Lisboa, me reencontrei nesses lugares. Eram pequenos santuários, onde a gente ia não só matar saudade, mas também, de certa forma, ganhar de volta a nossa dignidade, enquanto seres pensantes que ocupam o espaço europeu, mas que por vicissitudes da vida estamos em um lugar da pirâmide social onde nos sentimos carne de canhão para o sistema capitalista. Estamos ali como operários de fato. E, às vezes, é negada a nossa subjetividade. Eu sempre senti que a kizomba devolvia a nossa subjetividade, o nosso sentido de pertencimento. Era a verdadeira cultura comunitária”, reflete.

Como uma cultura diaspórica, a kizomba tem influências e semelhanças com ritmos de diversas partes do mundo. Epalanga detalha que o ritmo surge a partir do semba, “que é um dos ritmos tradicionais em Angola, muito em voga nos anos 1950 e 1960”. Além de beber de movimentos musicais do Congo e do Caribe, especialmente do zouk das Antilhas. Assim como no ritmo caribenho, na kizomba os pares também dançam “agarradinhos”.

“É um lugar que você sente o calor humano da sua comunidade. E quando eu falo comunidade, não falo só de pessoas negras ou racializadas, é o sentido mesmo dessa massa periférica que está na camada mais baixa da pirâmide social que tem na kizomba a fonte da alegria extrema e absoluta”, define Epalanga.

Encontro de povos

Sobre o nascimento dessa cultura, o artista aponta como fundador o encontro de dois povos africanos em Portugal. “Quando um grupo de jovens angolanos, notadamente Eduardo Paim e Ruca Van-Dunem, se mudam para Lisboa, levando esses ritmos, essas músicas, essa inspiração, quando chegam em Lisboa, encontrando a comunidade caboverdiana que estava muito presente, aí passa surgimento da kizomba de fato”, diz o escritor, que em seu livro, Também os Brancos Sabem Dançar, reconstrói as origens do kuduro. Outro ritmo diaspórico que ganhou repercussão mundial. Como influências determinantes para esse surgimento, Epalanga destaca não só a própria kizomba, como ritmos tradicionais portugueses e a música eletrônica.

Apesar da importância social, o artista acredita que falta reflexão estruturada sobre a cultura da kizomba. “Queremos, acima de tudo, criar memória. Aí, essa proposta de usar o termo museu e não só festival da kizomba. O termo museu está colocado ali estrategicamente. Nós queremos produzir pensamento a partir da memória da kizomba”, explica.

Comida, estilo e música

O Design Museum, que conta também com a curadoria do multiartista Nástio Mosquito, acontece no Copan, edifício icônico do centro paulistano. A programação passa pela Galeria Pivô, pela Livraria Megafauna e pelo Cuia Café.

As atrações começam com um matabicho – café da manhã angolano – servido pela chef Bel Coelho. O espaço da galeria vai receber ainda um mercado de beleza e estilo. Além dos debates, acontecem oficinas para quem quiser aprender alguns passos de kizomba.

A programação completa pode ser vista na página www.kizombadesignmuseum.com

Hoje é Dia: semana da Independência celebra 100 anos da Rádio MEC

Esta semana tem um feriado nacional na quinta-feira. No dia 7 de setembro, o Brasil celebra um marco de sua história: o Dia da Independência, relembrando o momento em que o país conquistou sua autonomia política. A data já foi tema de diversas matérias de veículos da Empresa Brasil de Comunicação. Uma foi esta lista, publicada na Agência Brasil em 2017, com figuras importantes para a Independência. 

Também no 7 de setembro, há 100 anos atrás, houve o lançamento da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, precursora da atual Rádio MEC AM. A fundação da emissora, que desempenha um papel crucial na educação e cultura do país, já foi tema de especiais como este do Portal EBC de 2016 e da Agência Brasil em 2021.

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Outras datas do mês

Em 5 de setembro, é também lembrado o Dia da Amazônia, uma oportunidade para aumentar a conscientização sobre a importância desse bioma tão vital para o planeta e para ressaltar a necessidade de sua proteção. Em 2017, o História Hoje, da Radioagência Nacional, falou sobre a data e sobre a região. 

O Dia Internacional de Ação pela Igualdade da Mulher, em 6 de setembro, reforça a luta constante por igualdade de gênero e o empoderamento feminino. Já o dia 8 de setembro, é o Dia Mundial da Alfabetização, reconhecido pela ONU. A data, que realça a importância da educação e da alfabetização como ferramentas essenciais para o desenvolvimento e progresso das sociedades, foi tema do Repórter DF em 2022. Assista: 

Para fechar a semana, temos, em 6 de setembro, os 110 anos do nascimento de Leônidas da Silva, um dos primeiros craques da história do futebol brasileiro. Em 2013, o centenário dele foi tema do De Lá Pra Cá, da TV Brasil. Já em 2018, ele foi lembrado pelas Rádios EBC como o primeiro artilheiro brasileiro em Copas do Mundo. 

Confira a lista semanal do Hoje é Dia com datas, fatos históricos e feriados:

Setembro de 2023

3

Nascimento do compositor, organista, teórico e poeta italiano do Renascimento tardio e princípios do Barroco Adriano Banchieri (455 anos)

Nascimento do poeta baiano Waly Salomão (80 anos)

Descoberta da penicilina por Alexander Fleming (95 anos)

4

Morte do cantor e compositor baiano Waldick Soriano (15 anos)

Morte do ator, diretor e produtor capixaba de teatro, cinema e televisão Fernando Torres (15 anos)

Registro da câmera Kodak pelo inventor norte-americano George Eastman (135 anos)

5

Morte da atriz fluminense Beatriz Segall (5 anos)

Desabamento do teto do Templo da Igreja Universal em Osasco, matando 24 pessoas e ferindo 467 (25 anos)

Dia Internacional da Caridade – data reconhecida pela ONU

Dia Internacional da Mulher Indígena – comemoração instituída durante o “2º Encontro de Organizações e Movimentos da América” que referendou decisão do “Congresso Camponês da Bolívia” de 1978, para marcar a data da morte da guerreira aymara e opositora do regime colonial espanhol, Bartolina Siza Maturana, que, juntamente com sua cunhada e também heroína aymara, Gregoria Apaza, foi enforcada e esquartejada por colonizadores espanhóis em 5 de setembro de 1782

Dia da Amazônia
6

Nascimento do músico, cantor e compositor inglês Roger Waters (80 anos) – um dos fundadores da banda de rock progressivo/rock psicodélico Pink Floyd, na qual atuou como baixista e vocalista

Morte do cineasta japonês Akira Kurosawa (25 anos)

Nascimento do futebolista e técnico fluminense Leônidas da Silva (110 anos)

Dia Internacional de Ação pela Igualdade da Mulher

7

Morte do violonista paulista Américo Jacomino, o Canhoto (95 anos)

Nascimento da atriz paulista Lucy Meirelles (95 anos)

Entra no ar a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, predecessora da Rádio MEC AM (100 anos)

Início da circulação, a partir de Campanha-MG, do semanário “O Sexo Feminino”, dedicado “aos interesses da mulher” (150 anos)

Dia da Independência do Brasil

A Rádio Sociedade (atual Rádio MEC) entrou no ar (100 anos)

A Rádio Sociedade, doada ao Ministério da Educação e Saúde Pública, passou a se chamar Rádio Ministério da Educação (87 anos)

8

Dia Mundial da Alfabetização – data reconhecida pela ONU

9

Nascimento do compositor italiano Girolamo Frescobaldi (440 anos) – considerado um dos maiores compositores de música para cravo do século XVII. Foi também um organista reconhecido

Morte do militar, político e ex-presidente gaúcho do Brasil Hermes da Fonseca (100 anos)

Morte do cantor e compositor Mr. Catra (5 anos)

Athletic Club-MG sobe à Série C ao vencer Bahia de Feira no agregado

O Athletic Club, de São João del Rei (MG), com 114 anos de história, estreará ano que vem na Série C do Campeonato Brasileiro. Neste sábado (2), a equipe foi derrotada pelo Bahia de Feira por 1 a 0, no Mineirão, mas conseguiu o inédito acesso à terceira divisão nacional por ter vencido na Bahia o jogo de ida das quartas de final por 2 a 0. O clube mineiro conseguiu subir logo em sua primeira participação na Série D.

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O duelo de volta foi marcado para o Mineirão porque o Estádio Joaquim Portugal, em São João del Rei, não atende à capacidade mínima de público exigida pela CBF para esta fase da competição. Pouco mais de 4 mil pessoas acompanharam o jogo, o que representa mais do que a lotação total do acanhado estádio do Athletic. No Mineirão, no entanto, o público ocupou apenas uma pequena faixa dos mais de 62 mil lugares disponíveis.

A classificação do Athletic veio com uma dose de drama. Aos 19 minutos, Reinaldo cobrou falta na área, o zagueiro Jemmes desviou levemente e acabou marcando contra para o Bahia de Feira. A bola passou por entre as pernas do goleiro Glauco.

Animado por diminuir a desvantagem ainda no período inicial da partida, o Bahia de Feira se lançou ao ataque e quase marcou em lance semelhante. Reinaldo cobrou outra falta distante, a bola encobriu Glauco e acertou o travessão.

No segundo tempo, o Athletic focou em segurar a vantagem e não permitir o segundo gol que levaria a decisão da vaga para os pênaltis, enquanto o Bahia buscou incessantemente o gol que nivelaria a disputa. Um erro na saída de bola quase terminou em gol de Kanela. Já nos minutos finais, Baggio desperdiçou grande chance para empatar.

Aos 55 minutos, após o técnico Cícero Júnior ser expulso, enfim veio o apito final, seguido de muita comemoração dos atletas no gramado.

O acesso à Série C logo na primeira tentativa de sua história dá prosseguimento a uma trajetória de ascensão meteórica e ao mesmo tempo tardia do Athletic. Apesar de ser centenário, o clube ficou muito tempo afastado do futebol profissional, retornando apenas em 2018, disputando a terceira divisão estadual. Em 2021, após dois acessos, estreou no Campeonato Mineiro da 1ª divisão, onde já acumula duas semifinais em três participações (2022 e 2023). Foi bicampeão mineiro do interior nestes mesmos anos e estreou em competições nacionais em 2023, caindo na primeira fase da Copa do Brasil para o Brasiliense e agora sendo bem sucedido na campanha da Série D.

 

Caxias-RS bate Portuguesa-RJ no fim e garante acesso inédito à Série C

No encontro dos goleadores da Série D, só um deles poderia sair de campo feliz. E foi Eron. O atacante do Caxias-RS marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Portuguesa-RJ, neste sábado (2), no estádio Luso Brasileiro, no Rio de Janeiro, que garantiu o acesso do time gaúcho à Série C do Campeonato Brasileiro de 2024. De quebra, com 14 gols, o jogador deixou para trás Marcelo Toscano, da equipe carioca, e se isolou como principal artilheiro do campeonato. Nunca um jogador havia marcado tantas vezes em uma mesma edição da Série D. A classificação para a terceira divisão do Brasil foi o primeiro acesso conquistado pelo Caxias em uma competição nacional em seus 88 anos de história. A partida foi transmitida ao vivo na TV Brasil.

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Movida pela expectativa de retornar à Série C, competição que não disputa desde 2004, a Portuguesa barateou os ingressos e o resultado se viu nas arquibancadas do Luso Brasileiro: torcida comparecendo em peso. A confiança era grande pelo retrospecto positivo em casa. A Portuguesa jogara nove vezes como mandante, com oito vitórias e apenas um empate.

Durante o primeiro tempo, os donos da casa criaram as melhores oportunidades. Um chute de fora da área de Luã obrigou Fabian Volpi a fazer boa defesa. Em outro lance pela direita, Fernandes encontrou Marcelo Toscano completamente livre de frente para o gol, mas o (então) artilheiro da competição perdeu gol incrível.

Caxias sai mais e mata o jogo no fim

No segundo tempo, o Caxias procurou propor mais o jogo, mas a Portuguesa continuou criando as melhores chances. Em uma delas, Luã, novamente, finalizou pelo lado esquerdo com um chute cruzado e a bola passou raspando a trave esquerda do gol do Caxias.

O lance que definiu o duelo aconteceu aos 38. Após levantamento na área, a bola sobrou para Augusto Galvan. O camisa 10 do Caxias tentou o drible e a bola encontrou o braço de Wellington Cezar. Após consulta ao VAR, foi marcado pênalti para o time gaúcho. Eron bateu alto e forte no canto direito, o goleiro Dida ainda desviou mas não conseguiu impedir o gol.

Os dez minutos de acréscimos apontados pela arbitragem renderam algumas oportunidades para a Portuguesa, que rondou a área adversária mas parou sempre no goleiro Volpi. O Caxias, em uma esticada, quase marcou mas Dida fez grande defesa.

Aos 56 minutos, enfim, o apito final que trouxe decepção aos quase 5 mil torcedores presentes ao Luso-Brasileiro, em grande maioria do time da casa, e proporcionou lágrimas de alegrias aos visitantes.

O Caxias, que chegou a disputar a Série A do Campeonato Brasileiro por quatro vezes na década de 1970, nunca havia subido de divisão. Caiu da Série B para a C em 2005, e dez anos depois foi rebaixado para a Série D.