Narcotráfico potencializa destruição ambiental e violação de direitos

O tráfico internacional de drogas e algumas de suas consequências, como conflitos armados, violação dos direitos humanos e deslocamentos forçados, tendem a contribuir para a destruição do meio ambiente, prejudicando principalmente os grupos populacionais mais vulneráveis. A conclusão consta do Relatório Mundial sobre Drogas 2023, divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (Unodc) nesta segunda-feira (26), Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e Tráfico Ilícito.

De acordo com os responsáveis pela publicação, a crescente oferta de drogas ilícitas agrava as crises globais convergentes, desafiando as autoridades públicas em todo o planeta. O relatório ainda destaca a situação na Amazônia, onde, segundo os especialistas, o narcotráfico se mescla a outras atividades ilegais destruidoras do meio ambiente, como grilagem de terras, extração ilegal de madeira, a mineração em áreas de preservação e outros delitos ambientais.

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“Na bacia amazônica, a economia [atividade associada à produção e venda] das drogas ilícitas na região está ampliando suas atividades criminosas para outros segmentos, como extração ilegal de madeira, mineração ilegal, ocupação ilegal de terras, tráfico de animais silvestres, dentre outros — que prejudicam o meio ambiente da maior floresta tropical do mundo”, sustentam os especialistas.

Ainda no capítulo dedicado à análise do nexo entre o narcotráfico e os crimes ambientais na Amazônia, os especialistas do Unodc afirmam que a ação de organizações criminosas sujeita povos indígenas e outras comunidades tradicionais amazônidas, como os ribeirinhos, a deslocamentos forçados e à maior exposição à violência, bem como a outras circunstâncias prejudiciais, como, por exemplo, a maior chance de intoxicação por mercúrio – substância usada sem qualquer controle nos garimpos ilegais. Além disso, na região, “os defensores do meio ambiente muitas vezes são alvos específicos de traficantes e grupos armados”.

“Precisamos intensificar as respostas às redes de tráfico de drogas que se aproveitam de conflitos e crises globais para expandir o cultivo e a produção de drogas ilícitas, sobretudo drogas sintéticas, abastecendo os mercados ilícitos e causando mais danos às pessoas e às comunidades”, comentou a diretora executiva do Unodc, Ghada Waly, em nota divulgada pela entidade.

Após analisarem estatísticas globais, os especialistas do Unodc estimam que mais de 296 milhões de pessoas usaram algum tipo de substância ilícita ao longo do ano de 2021. Se confirmado, o resultado representa aumento de 23% ao longo de dez anos. Paralelamente, o escritório da ONU calcula que cerca de 39,5 milhões de pessoas sofrem de algum tipo de transtorno associado ao uso de drogas – aumento de 45% em dez anos. Destes, apenas um em cada cinco recebeu tratamento adequado, evidenciando a lacuna e as disparidades no acesso ao tratamento e a medicamentos controlados.

“A disparidade é especialmente predominante entre o norte e sul do mundo e entre as áreas urbanas e rurais, com algumas pessoas sofrendo o impacto negativo de drogas mais do que outras”, argumentam os especialistas, que defendem prioridade para o fortalecimento das redes de saúde pública. Eles afirma que, sem estruturas bem projetadas, o acesso a substâncias psicoativas específicas para tratar doenças mentais e transtornos associados ao uso de drogas “pode ser muito limitado para aqueles que precisam do tratamento, levando os pacientes a recorrer a mercados ilegais ou, ao contrário, substâncias psicoativas podem ser desviadas para uso não medicinal”.

A íntegra do Relatório Mundial sobre Drogas 2023 está disponível, em inglês, no site do Unodc. Alguns capítulos já estão disponíveis em outros idiomas, como o espanhol.

Iniciativa leva hortas a lajes da Rocinha para gerar alimento e renda

Áreas subutilizadas e ociosas da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, aos poucos estão sendo transformadas em espaços verdes, produtivos e sustentáveis. Foi com esse desejo que, em 2017, o empreendedor social Flávio Gomes, morador da comunidade, começou a ensinar para cerca de 70 crianças práticas de compostagem, plantio de alimentos, ações de sustentabilidade e reciclagem na esperança de poder levar uma horta para cada uma delas. 

A partir de 2018, Flávio passou a desenvolver um projeto educativo chamado Horta na Favela, envolvendo a comunidade. Foram construídas quatro hortas em lajes da favela e uma composteira, que já transformou em adubo orgânico mais de 100 quilos de resíduos. Flávio compartilha seus ensinamentos e atividades nas redes sociais e diz acreditar que no futuro, irá retirar da favela toneladas de lixo e transformar os locais em hortas, trazendo qualidade de vida para toda a comunidade. 

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Segundo o empreendedor, as hortas trazem um novo olhar sobre alimentação e saúde na favela. “Creio que, um dia, a Rocinha vai voltar à sua origem agrícola, plantando em pequenos espaços, mas que vão ter uma relevância muito grande nas mudanças de hábitos”. 

Horta na floresta 

As iniciativas socioambientais ganharam mais força com a chegada de um antigo morador, que por duas décadas viveu com sua família na parte alta da Rocinha. Hoje professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), José Lucena Barbosa Júnior propôs, além das atividades socioeducativas, que as hortas pudessem gerar emprego e renda para as famílias da comunidade. 

Ao retornar para rever amigos, o professor percebeu o avanço da favela em direção à floresta, o que o fez pensar em uma maneira prática de levar o conhecimento desenvolvido na UFRRJ para solucionar alguns dos desafios enfrentados no local. 

“Sempre pensei se poderíamos implementar uma proposta que pudesse mudar a perspectiva, a relação do morador com a floresta em pé, para que ele pudesse não apenas valorizar o fato de ter acesso à alimentos, mas também proporcionar geração de renda”, comenta. 

Juntando a experiência do projeto Horta na Favela, liderado por Flávio, com uma iniciativa do professor Lucena, que pretende reflorestar e recuperar a borda da Floresta da Tijuca por meio de Sistema Agroflorestal (SAF), nasceu a proposta “Horta na Floresta, uma produção sustentável de alimentos como estratégia inovadora de geração de emprego e renda na Rocinha”, em que serão implantadas 50 hortas nas lajes na parte alta da comunidade. O projeto conta com uma equipe de engenheiros de alimentos, florestais, químicos, agrônomos, nutricionistas e também empresários da área de produção de mel. “Cursos, visitas técnicas, aquisição de materiais e produtos ou até mesmo serviços são coordenados por nós em sintonia com os beneficiários”, conta o professor Lucena. 

Com o projeto em mãos, Lucena concorreu ao Programa Favela Inteligente, lançado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do estado (Faperj) com o apoio da Universidade Federal Rural Fluminense (UFRRJ), tendo sido um dos contemplados com auxílio financeiro de cerca de R$ 420 mil para execução das ações propostas nos anos de 2022 e de 2023. 

“A previsão é de que as ações, dentro do edital Favela Inteligente da FAPERJ, se encerrem no final deste ano. Mas já estamos buscando alternativas para financiar as iniciativas após esse encerramento”, conclui Lucena. 

Para o empreendedor social Flávio Gomes, a parceria da Rural com o Horta na Favela deu uma nova visão ao projeto. “Pudemos trazer também a questão da geração de renda e do cuidado com o meio-ambiente trabalhando a compostagem e a produção de mel. Eu vejo essa parceria com a UFRRJ como um grande avanço e acredito que a gente vá avançar muito ainda na questão do combate à desigualdade social”, afirmou Flávio. 

Segundo Flávio, 20 famílias estão cadastradas para receber as hortas em suas lajes, e outras 30 estão previstas. A equipe do projeto trabalha para consolidar as 50 lajes produtivas e organizar os beneficiários coletivamente, inclusive com a criação de uma cooperativa. 

Outra meta é ampliar a estrutura do projeto Cozinha de Mãe, iniciativa de aproveitamento integral de alimentos que visa a produção de produtos processados em escala artesanal a partir de resíduos do preparo de alimentos nas cozinhas da comunidade, coordenado pela moradora Marinete Silva, que deverá contemplar, pelo menos, 15 famílias da comunidade 

“Através das ações que vêm acontecendo dentro do Horta na Floresta, eu vi que posso passar para as pessoas mais vulneráveis aqui da minha comunidade como podemos reaproveitar os resíduos de alimentos orgânicos com as composteiras”, disse dona Marinete, em entrevista à Rádio Nacional, e complementou: “Vamos reaproveitar todas as cascas de legumes, cascas de frutas, e vamos estar passando para as pessoas a importância de gerar renda, sim, e de trazer uma alimentação saudável para sua família”. 

A meta é construir um modelo sustentável de geração de renda e de produção de alimentos orgânicos a partir do cultivo de cogumelos nativos da Mata Atlântica, produção de espécies medicinais, além de tubérculos, frutas, olericulturas, flores convencionais, plantas alimentícias não convencionais (pancs), como Ora-pro-nobis, bertalha, taioba e a criação de abelhas sem ferrão para um tipo de mel cujo litro chega a custar R$ 600, explicou o professor Lucena em entrevista à Rádio Nacional

*Estagiário sob supervisão Vinícius Lisboa e com colaboração da repórter Solimar Luz

Mudança de sexo em cartório cresce 100% em cinco anos de permissão

Passados cinco anos desde a autorização nacional para que os cartórios de registro civil brasileiros realizem mudanças de nome e sexo de pessoa transgênero, o número de alterações cresceu quase 100% no país e hoje mais de 10 mil atos foram realizados sem necessidade de procedimento judicial e nem comprovação de cirurgia.

Regulamentada em todo o país em 2018, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a mudança de sexo em cartório foi regulada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e passou a vigorar em junho do mesmo ano. No primeiro ano de vigência – junho de 2018 a maio de 2019 — foram feitas 1.916 alterações e, no último ano – junho de 2022 a maio de 2023 – houve 3.819 mudanças de gênero, aumento de 99,3%.

Os números constam da Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), base de dados nacional de nascimentos, casamentos e óbitos administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), que reúne os 7.757 cartórios de registro civil do país.

“O que vemos são as pessoas cada vez mais cientes de seus direitos e querendo fazer prevalecer na prática a sua personalidade e a sua autodeterminação”, disse, em nota, o presidente da Arpen-Brasil, Gustavo Renato Fiscarelli, “Trata-se de mais um princípio relacionado à dignidade da pessoa humana e que encontra no Cartório de Registro Civil um procedimento muito mais prático e ágil do que a antiga opção de recorrer ao Poder Judiciário”, completou.

Os dados dos cartórios de registro civil mostram ainda que os dois últimos períodos de vigência da norma foram aqueles em que houve maior crescimento. No período de junho de 2021 a maio de 2022 houve aumento de 57,6% em relação ao período anterior, quando os atos passaram de 1.348 para 2.124. O período seguinte, de junho de 2022 a maio de 2023, teve crescimento ainda maior, com os números subindo para 3.819 alterações de gênero, aumento de 79,8%.

Entre as mudanças de gênero, as mudanças para o sexo feminino prevalecem. No primeiro ano da nova regulamentação – junho de 2018 a maio de 2019 – foram 1.068 mudanças do sexo masculino para o feminino e 798 do feminino para o masculino. Já no último ano da norma — junho de 2022 a maio de 2023 – foram registradas 2.017 mudanças de masculino para feminino e 1.558 de feminino para masculino.

Como fazer

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Para orientar os interessados em realizar a alteração, a Arpen-Brasil editou a Cartilha Nacional sobre a Mudança de Nome e Gênero em Cartório, em que apresenta o passo a passo para o procedimento e os documentos exigidos pela norma do CNJ.

Para realizar o processo de alteração de gênero em nome nos cartórios de registro civil é necessário apresentar todos os documentos pessoais, comprovante de endereço e as certidões dos distribuidores cíveis, criminais estaduais e federais do local de residência dos últimos cinco anos, bem como das certidões de execução criminal estadual e federal, dos Tabelionatos de Protesto e da Justiça do Trabalho. Na sequência, o oficial de registro deve realizar uma entrevista com o interessado.

Eventuais apontamentos nas certidões não impedem a realização do ato, cabendo ao cartório de registro civil comunicar o órgão competente sobre a mudança de nome e sexo, assim como aos demais órgãos de identificação sobre a alteração realizada no registro de nascimento. A emissão dos demais documentos deve ser solicitada pelo interessado diretamente ao órgão competente. Não há necessidade de apresentação de laudos médicos, nem é preciso passar por avaliação de médico ou psicólogo.

Fumaça de incêndio se espalha por cidade fluminense

O incêndio em um aterro sanitário em Teresópolis, na região serrana fluminense, se espalhou pela cidade, causando transtornos à população na manhã desta segunda-feira (26). Segundo a prefeitura municipal, as aulas foram suspensas em escolas próximas ao incêndio.

A prefeitura também recomenda o uso de máscaras por pessoas que sofram com doenças respiratórias como asma e bronquite.

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O incêndio atingiu o aterro sanitário do Fischer por volta das 5h. Em nota divulgada por volta das 10h, a prefeitura informou que a fumaça já tinha se dissipado em alguns locais. A expectativa é que a situação se normalize nas próximas horas.

De acordo com a prefeitura, a suspeita é que o incêndio tenha sido criminoso. As investigações para apurar as causas do incidente e identificar possíveis responsáveis já começaram.

Saúde destina R$ 200 milhões para serviços de hemodiálise no SUS

Portaria do Ministério da Saúde publicada nesta segunda-feira (26) no Diário Oficial da União destina R$ 200 milhões para custear equipamentos de hemodiálise em uso no Sistema Único de Saúde (SUS). O tratamento é indicado para pacientes com insuficiência renal aguda ou crônica grave.

Em nota, a pasta informou que serão contemplados serviços que tenham até 29 máquinas de hemodiálise, considerando análises e discussões com gestores municipais e estaduais sobre eficiência de custo “diante das dificuldades encontradas especialmente nesses serviços”.

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O recurso é calculado com base anual e será transferido mensalmente por meio do Componente do Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (Faec), devendo ser repassado aos estabelecimentos contemplados.

Obra do metrô faz solo ceder, e oito linhas de ônibus são desviadas

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) bloqueou a Avenida Miguel Conejo na altura da Rua Mateus Leão, zona norte da capital paulista, devido a solapamento em obra da linha 6 – Laranja do Metrô, ocorrido neste domingo (25). As informações são da prefeitura. 

O desvio para o trânsito está ativo, no sentido do bairro, pelas ruas Miguel Conejo, Mateus Leão e Bonifácio Cubas. Segundo o município, a Subprefeitura Freguesia/Brasilândia e a Defesa Civil enviariam equipes na manhã desta segunda-feira (26) para realizar vistorias no local. 

A concessionária Linha Uni, responsável pelas obras, informou que, na manhã do último sábado (24), a avenida Miguel Conejo, na altura do número 850, foi interditada de forma preventiva em decorrência das atividades de escavação com a Tuneladora Norte, conhecida como tatuzão.  

Oito linhas de ônibus estão sendo desviadas desde as 7h de sábado, em razão de interferência viária na avenida, segundo a SPTrans. São elas: 8548-10 Parada de Taipas – Term. Lapa; 8549-10 Taipas – Pça do Correio; 9012-10 Itaberaba – Term. Lapa; 9181-10 Vl. Terezinha – Lapa; 938P-10 Jd. Tereza – Metrô Barra Funda; 9717-10 Jd. Almanara – Metrô Santana; 975A-10 Vl. Brasilândia – Metrô Ana Rosa; 9785-10 Vl. Terezinha – Metrô Barra Funda. 

De acordo com a Linha Uni, a ação de interdição foi necessária em função da frágil geologia do local. “Trata-se de uma ação normal, parte das medidas de controle que a equipe técnica da obra desenvolve ao longo de todo o traçado da Linha 6 – Laranja”, diz nota da empresa. 

Ainda de acordo com a concessionária, a equipe técnica está acionando poços de rebaixamento do lençol freático, atividade também já prevista, e as atividades da tuneladora devem retomar na próxima semana. 

Imóveis​ 

Em relação a imóveis, a prefeitura informou que houve 11 interdições no mês de janeiro deste ano, após vistorias realizadas nos dias 28 e 29 de janeiro, em decorrência das obras da linha laranja na região. 

No dia 28 de janeiro, foram sete interdições – seis parciais e uma total – localizada nas ruas Simão Velho e Mateus Leão, devido às movimentações no solo que causaram rachaduras nas casas. No dia seguinte (29), foram mais quatro interdições na avenida Miguel Conejo na rua Simão Velho. 

Desabamento 

No ano passado, um acidente nas obras da Linha 6 – Laranja do Metrô provocou o desabamento de parte da pista da Marginal Tietê, na zona norte da capital paulista, próximo a ponte da Freguesia do Ó.

Literatura sáfica dá protagonismo ao amor entre mulheres

A italiana Miriam Squeo se descobriu bissexual aos 28 anos, depois de uma vida heterossexual. “Nesse momento de transição, foi muito difícil para mim entender o que estava acontecendo e revolucionando a mídia naquele momento”, disse, em entrevista à Agência Brasil. Miriam afirmou que não conhecia nada da literatura sáfica, escrita por lésbicas ou por mulheres que não se entendem como lésbicas, mas que gostam de pessoas do sexo feminino.

Seu primeiro contato com o amor entre lésbicas foi o filme Azul é a Cor Mais Quente, de 2013, que assistiu na televisão. “Foi o primeiro filme que dava visibilidade lésbica no cinema de maneira tão aberta assim. Foi um ano em que começava a sair um pouquinho da sombra a relação entre mulheres”.

Miriam Squeo é uma das escritoras que debaterão literatura sáfica em livraria do Rio de Janeiro. Foto: – Alessandra Limal/Divulgação

Mesmo assim, Miriam demorou muitos anos para se abrir com os pais, que são do sul da Itália. A conversa aconteceu há duas semanas, ela já com 36 anos. “Acho que o livro me deu essa coragem”, concluiu, referindo-se à primeira obra de sua autoria, intitulada “Por trás dos meus cabelos”, lançado pela editora Autografia, na semana passada. Escrita em português, a obra demonstra todo o amor que Miriam sente pelo Brasil, onde mora há três anos e meio. Aqui, ela se sentiu mais livre.

No período em que vive no Brasil, Miriam Squeo se inteirou da literatura sáfica. Decidiu escrever não só porque foi uma terapia para ela, mas também porque gostaria de ter lido algo parecido quando se descobriu bissexual, pelos amores que viveu no curso do ano e, também, porque acredita que é preciso desmistificar o amor entre mulheres.

“Hoje, a sociedade vê isso quase como se fosse uma brincadeira”. Afirmou que, no Brasil, principalmente, onde “a sociedade é machista e as relações são abusivas, parece que o amor entre mulheres é como encontrar saída da relação heterossexual”.

Ela entende o sexo feminino como complexo e, por essa razão, as relações entre mulheres são complexas. “Elas podem ser também tóxicas”. Por isso, a escritora tentou colocar essas questões de forma aberta no livro, para tentar traduzir um pouco mais de liberdade no que acontece em um amor sáfico. O livro é autobiográfico, mas romanceado também, esclareceu. “O importante para mim era trazer essa história para os outros”.

Debate

Miriam Squeo é uma das escritoras que participarão de debate sobre a literatura sáfica e as várias formas de amor na nesta segunda-feira (26), às 19h, na Janela Livraria, situada no Shopping da Gávea, na zona sul do Rio. O debate “Literatura sáfica e a fluidez da sexualidade feminina, sobre novas narrativas literárias em torno do amor entre mulheres e a liberdade sexual feminina” celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, comemorado no dia 28 deste mês.

Janela Livraria, no Rio de Janeiro, receberá debate sobre literatura sáfica. Foto: Divulgação

O evento terá a participação também de Carla Alves, autora de “Conectadas” e “Romance Real”, editados pela Companhia das Letras. Esse segundo romance de Carla foi lançado recentemente em inglês, nos Estados Unidos. A conversa será mediada pela jornalista e editora da Revista Brejeiras, dedicada ao público lésbico, Camila Marins.

Vozes lésbicas

Uma das quatro sócias da Janela Livraria, Antonia Moura explicou que a literatura sáfica é uma literatura feita, principalmente, por mulheres que se identificam de alguma forma como lésbicas ou em um dos gêneros LGBTQIAPN+. “São livros feitos por mulheres que têm um lugar de fala. Eu acho isso muito importante. Acho que, da mesma forma que a gente quer que haja mais vozes negras, mais vozes trans, mais vozes de pessoas com deficiência, a gente também quer que tenha mais vozes lésbicas com lugar de fala, que não sejam homens escrevendo literatura que conta amores entre mulheres, porque isso é algo totalmente fora da vivência deles”.

Segundo Antonia, é importante que pessoas que ainda se sentem à margem tenham cada vez mais espaço para contar suas experiências, que podem emocionar, inclusive, homens e mulheres heterossexuais. “Tem coisas que são universais, mas tem experiências que são muito únicas”, destacou. Ela acredita que quanto mais pessoas estiverem sentando à mesa e colocando um pouco da sua visão de mundo ali, mais interessante fica o próprio mundo e a literatura como um todo.

Essa é a primeira vez que a Janela Livraria está fazendo debate sobre a literatura sáfica. Desde o início de junho, a livraria tem colocado em destaque títulos com temática LGBTQIAPN+, em função do Mês do Orgulho LGBT, porque essa é uma bandeira importante para a livraria. Das quatro mulheres sócias da Janela, duas são LGBT. “Debates como esse que ocorrerá nesta segunda-feira são importantes também para as pessoas que ainda estão se questionando e lutando internamente sobre sua sexualidade, afirmou Antonia Moura.

Evento no Rio conscientiza sobre direitos das pessoas LGBTQIA+

O Instituto Yduqs promove, nesta segunda-feira (26), o evento Lugar de Fala, no formato presencial e online, em celebração ao Mês do Orgulho LGBTQIA+. Aberto ao público e gratuito, o evento será realizado a partir das 9h30, no campus da Universidade Estácio Tom Jobim, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Não é necessária inscrição prévia para participar presencialmente. O seminário também será transmitido ao vivo pelo canal do Youtube da universidade.

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A proposta é combater o preconceito e contribuir com a conscientização sobre os direitos da comunidade LGBTQIA+ em diferentes painéis que abordarão temas como violência, manifestações, empregabilidade e empreendedorismo, direito e políticas públicas.

A presidente do Instituto Yduqs, Cláudia Romano, disse à Agência Brasil, que a realização de ações em prol da desconstrução de preconceitos é fundamental para se avançar no sentido de uma representatividade inclusiva da comunidade LGBTQIA+ na sociedade brasileira, e que os debates programados facilitam a promoção de um ambiente com mais equidade, inclusão e respeito.

“A gente sabe que é um caminho longo. Por isso, o Instituto Yducs investe em iniciativas para acelerar esse movimento, para que o preconceito não tenha protagonismo na nossa sociedade”, disse Cláudia Romano. O Lugar de Fala reúne vozes nacionais, estudiosos, líderes e autoridades. “A gente acredita que terá um impacto enorme e sempre é uma honra contribuir para essa agenda, em âmbito nacional”, disse.

Igualdade

A consultora de Diversidade do Yduqs, Giowana Cambrone, avaliou que o evento tem o papel fundamental de promover a conscientização, sensibilização e promoção da igualdade. “A nossa ideia é oferecer um espaço seguro e inclusivo para discussões abertas sobre as questões que envolvem pessoas LGBTQIA+ a partir de suas experiências e vivências”, disse à Agência Brasil.

Ela acredita que essa plataforma de compartilhamento de vivências e experiências pode ajudar a desconstruir estereótipos, combater preconceitos e promover a respeito, além de celebrar a diversidade.

Para Giowana Cambrone, a conscientização da sociedade passa, necessariamente, pelo diálogo aberto e claro e pela produção de informações que possam destacar a importância do respeito, da empatia e da aceitação. “Óbvio que a gente precisa vencer o desafio de driblar o preconceito e o reacionarismo presente na sociedade para que as sementes da informação possam florescer. É preciso compreender que não precisa ser uma pessoa LGBTQIA+ para lutar contra a LGBTFobia”, disse.

A consultora assegurou ser fundamental que na família, nas escolas e no meio empresarial seja construído um ambiente acolhedor. Isso passa pela aceitação da diversidade, pelo respeito às diferentes sexualidades, pelo combate ao bullying e à discriminação nos diversos espaços, e pela abertura de diálogo. “No ambiente escolar e empresarial, é muito importante conhecer as especificidades de pessoas LGBTQIA+, promover a educação para a diversidade e implementar políticas e recomendações claras sobre práticas antidiscriminatórias”, defendeu.

Giowana disse que o Brasil é um dos países que mais violentam e matam pessoas LGBTQIA+ no mundo. “A violência física é o que nós vemos, porque tem uma materialidade dessas práticas. No entanto, precisamos combater as práticas menos visíveis de violências simbólicas, verbais, que fortalecem a lógica perversa de que é permitido praticar piadas LGBTfóbicas, expor as pessoas a situações constrangedoras ou humilhantes. Para isso, é necessário educar para a diversidade e ocorrer uma mudança cultural profunda na sociedade”.

Estudo

Segundo estudo realizado pelo projeto internacional Trans Muder Monitoring, que monitora assassinatos de pessoas trans, o Brasil registrou 1.741 mortes de pessoas trans de 2008 e setembro de 2022, representando 37,5% do total de 4.639 mortes em todo o mundo. A América Latina e o Caribe respondem por 68% dos casos notificados. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil lidera o ranking mundial de violência contra pessoas trans, com 131 assassinatos no ano passado.

A realização do Lugar de Fala no Mês do Orgulho LGBTQIA+ está alinhada com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16, da Organização das Nações Unidas (ONU), que busca promover sociedades pacíficas e inclusivas, garantindo acesso à justiça e construções institucionais responsáveis.

Reflexão

O coordenador de Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro, Carlos Tufvesson, destacou, à Agência Brasil, que o Mês do Orgulho LGBTQIA+ foi pensado para ser uma reflexão sobre a cidadania LGBT no mundo inteiro. Lamentou que a comunidade LGBT seja apagada constantemente do sistema.

“Isso é uma coisa que temos que começar a repensar. Porque nós somos cidadãos iguais em direitos e deveres. Então, neste mês, temos que lembrar que somos a única minoria que ainda é expulsa de casa por sermos quem somos. Porque todas as outras minorias encontram acolhimento em casa, como os negros e as pessoas que sofrem perseguição religiosa. Nós, não!”.

Ele lembrou que esse preconceito faz com que as pessoas saiam da escola e tenham a empregabilidade prejudicada. Essa é uma realidade com a qual as pessoas LGBTs lidam constantemente, assegurou. “É importante que a gente possa falar, para que as pessoas saibam que isso está acontecendo no Brasil hoje”.

Carlos Tufvesson disse que o preconceito e a perseguição impostos aos LGBTs está fazendo aumentar o número de suicídios de jovens LGBTs que não se sentem cidadãos como os demais, com direito à saúde, à educação, por exemplo, que são direitos constitucionais.

Segundo Tufvesson, a série de eventos alusivos ao Mês do Orgulho LGBT é importante para criar na sociedade a reflexão sobre essa realidade. Tufvesson disse que o número de agressões físicas contra pessoas LGBTs aumentou, ultrapassando as agressões verbais por crimes de ódio. E questionou que país que queremos e estamos construindo? “É o país da violência, de atentarmos contra o diferente?”, indagou.

Para ele, a diversidade de opiniões é mais rica do que todo mundo que concorda entre si, porque são debatidos vários pontos de vista. “Eu estou sempre aprendendo com pessoas que pensam diferente de mim”.

“Lugar de fala é isso, é para a gente falar sobre o que está ocorrendo, abrir espaço na mídia. Isso é muito importante para que as pessoas saibam de fato o que está havendo. Ninguém precisa ser LGBT para lutar contra a LGBTfobia”, disse, fazendo coro à Giowana Cambrone. “Basta ser um cidadão. Não é preciso ser negro para lutar contra o racismo, nem é preciso ser mulher pra lutar contra o machismo”, exemplificou. “A gente precisa quebrar esses estereótipos”.

Políticas públicas

O coordenador de Diversidade Sexual do Rio de Janeiro lamentou que ainda sejam necessárias políticas públicas para apoiar a comunidade LGBT. Ele disse que coordenadoria está fazendo projeto de complementação do ensino fundamental para pessoas LGBTs que foram evadidas das escolas em função do bullying que sofreram. Hoje, essas pessoas encontram problemas para se inserirem no mercado formal de trabalho. “A sociedade desconhece essa realidade”, disse Carlos Tufvesson .

A formatura da primeira turma, com 30 pessoas, será em setembro próximo. Em 2024, a intenção é estender a complementação para o ensino médio também. “Essas pessoas merecem mais chances na vida”, disse Carlos Tufvesson.

Outro projeto da prefeitura, o Garupa, tem oito agentes trans, que fazem busca ativa de pessoas trans e também heterossexuais para cadastrar na Clínica da Família, na assistência social, em todos os projetos que o governo oferece a cidadãos que são de desconhecimento dessa comunidade.

“Eles vivem à margem desse conhecimento”, disse Carlos Tufvesson.

O nome Garupa foi dado ao projeto “porque a gente pega na mão e leva”, explicou. O coordenador de Diversidade Sexual participa do Lugar de Fala, às 15h, em mesa que debaterá Políticas Públicas para Pessoas LGBTQIA+.

Acadêmicos da Asa Norte é campeã do carnaval do DF 2023

A escola de samba Acadêmicos da Asa Norte foi a campeã do grupo especial nos desfiles do carnaval fora de época do Distrito Federal, que ocorreram na sexta-feira (23) e no sábado (24), na Passarela Marcelo Sena, no Eixo Cultural Ibero-americano.

A agremiação conquistou, no fim da tarde deste domingo (25), o primeiro lugar da competição com 268,40 pontos no julgamento de quesitos como bateria, samba-enredo, harmonia, evolução, fantasias, comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira. 

Comemoração da escola Acadêmicos da Asa Norte, vencedora do Carnaval de Brasília 2023. Foto Antônio Cruz/ Agência Brasil

A Associação Recreativa e Cultural Águia Imperial de Ceilândia ficou em segundo lugar, com 267,20 pontos. E a tradicional Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc) ficou em terceiro lugar, com 267,10 pontos. A Vila Planalto e a Bola Preta ficaram na última e na penúltima posições do grupo especial, respectivamente. 

Presidente da Acadêmicos da Asa Norte há seis anos, o niteroiense Jansen de Mello, de 77 anos, comemorou a vitória e pediu ajuda para carregar o troféu, pois disse que o prêmio “pesa muito”. “A gente faz carnaval para ganhar. A gente faz a festa, mas faz mesmo para ganhar.”

Com a vitória de 2023, a Acadêmicos da Asa Norte conquistou o quarto título seguido da agremiação, que, agora, passa a ter oito campeonatos ao todo. Brincadeiras à parte, Jansen de Mello revelou o segredo que motivou a comunidade vermelho e branco durante os nove anos em que as escolas de samba não desfilaram no Distrito Federal. “A gente sempre fez eventos pequenos para não deixar o samba morrer”, declarou. 

A escola levou para a avenida o enredo campeão Mulheres pretas do Brasil. A agremiação contou a história de mulheres que se destacam na História do Brasil, além da mulher simples e trabalhadora. Os compositores do samba-enredo vencedor são Diego Nicolau, Juninho Sambista, Tem-Tem Jr, Marcus Lopes, Marcelinho Santos, Richard Valença, Valtinho Botafogo, Romeu Almeida, Yago Pontes, Issac Sousa e Junior Fionda.  

Rainha da bateria da Acadêmicos da Asa Norte desde 2019, Gilmara Santos, a Gil, exaltou a representatividade das mulheres negras. “Eu venho representando esse enredo maravilhoso falando de mulheres pretas. Eu, como uma mulher negra, sei da importância disso à frente desta bateria. É muita representatividade”, disse emocionada.

Segundo lugar e acesso

O presidente da Águia Imperial de Ceilândia, Gilmar Leite, conhecido como Pará, lamentou o vice-campeonato. “O título é sempre mais importante do que um segundo lugar. Nós trabalhamos com muita luta para gente chegar onde chegou. E a comunidade apoiou imensamente”. 

O presidente da Aruc, Rafael Fernandes, falou sobre o resultado final do júri e da decepção da escola cruzeirense. “Tem que olhar para frente. Não é o que a gente esperava, com certeza, mas a gente vai seguir trabalhando. É o que nos cabe. É a nossa responsabilidade”. 

A Unidos de Vicente Pires conquistou o título do grupo de acesso de Brasília e subirá, em 2024, para o grupo especial das escolas de Samba do Distrito Federal. A escola levou para avenida o enredo Nas águas sagradas desperta a Senhora da fertilidade do espelho de Oxum ao reflexo da força da mulher

Carnaval 2023

Ao todo, a Passarela Marcelo Sena, que homenageia o sambista vocalista da banda Coisa Nossa, morto em janeiro deste ano, recebeu 13 agremiações e shows neste fim de semana. 

Apesar do frio das últimas noites, o público e os carnavalescos marcaram presença na passarela e lotaram as arquibancadas instaladas pelo governo do Distrito Federal. 

O desfile foi viabilizado com investimento de R$ 7 milhões com recursos da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, mais R$ 5 milhões em editais e do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). O secretário adjunto de Cultura e Economia Criativa, Carlo Alberto Júnior, destacou o trabalho de mais de dois anos para trazer o carnaval dos barracões de volta às ruas de Brasília após quase uma década.

“Foi a apoteose da concretização de vários sonhos. Desde 2019, estamos regularizando a parte burocrática das escolas [de samba], a documentação, elaboramos a Escola de Carnaval para aprenderem a fazer, desde a confecção de fantasias, o samba-enredo, preparação de baterias. Depois, houve a luta para conseguir os recursos financeiros até a gente chegar, na sexta feira, e ver o brilho nos olhos de cada integrante, de cada escola, e ver o pessoal vibrando”, declarou o secretário. Para 2024, o plano do órgão é realizar desfiles no aniversário de 64 anos de Brasília, em 21 de abril. “O céu será o limite. Vamos juntar o aniversário da cidade com o desfile”, prometeu. 

O curador da Escola de Carnaval no DF, carnavalesco Milton Cunha, foi o mestre de cerimônias das apresentações dos 13 desfiles do carnaval fora de época de Brasília, nos dois dias do evento. Acostumado a comentar os grandes carnavais do Rio de Janeiro e São Paulo, Cunha enalteceu o samba no pé e a participação e emoção do público “Achei o sambódromo daqui organizado e glamouroso. Em termos de espetáculo, as 13 comunidades entraram querendo se exibir, cantando seus sambas. Eles aproveitaram muito bem a possibilidade existir. Ali, eles viraram artistas, dançarinos, compositores, músicos, ritmistas, é uma maravilha. Então, eu acho que a organização esteve ótima e as comunidades estavam deslumbrantes. Foi uma super retomada. Um grande recomeço”, vibrou o carnavalesco.

Os desfiles das escolas de samba do grupo especial do DF foram transmitidos ao vivo pela TV Brasil. Os vídeos das transmissões estão disponíveis no site especializado O Carnavalesco, tanto o da sexta-feira, quanto o do sábado.
 

São Paulo promove ações para prevenir queda de idosos

A prefeitura de São Paulo inicia nesta segunda-feira (26) a Semana de Prevenção de Quedas de idosos. O evento, que ocorre até o dia 30, pretende chamar atenção para a importância da atividade física para essa parcela da população.

A Secretaria de Esportes e Lazer do município destaca que, com o envelhecimento, aumentam os riscos de queda de idosos devido a fatores como a diminuição da força muscular, alterações no equilíbrio e na coordenação motora, bem como a presença de doenças crônicas.  

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“Nesse sentido, a atividade física desempenha um papel crucial na prevenção desses acidentes, fortalecendo o corpo, melhorando a mobilidade e a estabilidade, e aumentando a confiança dos idosos em suas habilidades físicas”, destaca a pasta. 

Durante a Semana de Prevenção, ocorrerão diversas atividades, como palestras com especialistas na área da saúde, que tratarão de estratégias de prevenção, exercícios específicos e adaptação do ambiente domiciliar para evitar acidentes.   

O evento é aberto a todas as faixas etárias, com participação gratuita. É necessário, no entanto, fazer inscrição prévia pelo link: https://forms.gle/P8fjbgTMg5fDdtaj8

As atividades ocorrerão no Centro Esportivo São Mateus, no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa da Vila Clementino, no Centro Esportivo Ipiranga, e no Centro Esportivo Santo Amaro. 

Medidas simples 

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) alerta que as maioria dos acidentes com idosos e que resultam e quedas ocorre dentro de casa, por causa de pisos escorregadios, tapetes, objetos deixados no chão e a baixa iluminação. Nas ruas, os principais obstáculos para os idosos são calçadas com desníveis, buracos e até mesmo as dificuldades no acesso aos degraus dos transportes públicos.

Medidas simples podem ajudar a evitar as quedas dentro e fora de casa, como a retirada dos tapetes, a instalação de barras de segurança nos banheiros e o uso de calçados antiderrapantes. 

Cinco regiões do corpo humano são as mais afetadas pela queda: o fêmur, a bacia, a coluna lombar, o punho e o ombro. 

Câmara de BH aprova passe livre para moradores de favelas e estudantes

A Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte aprovou o passe livre no transporte público municipal para estudantes, mulheres vítimas de violência em deslocamento para atendimento, e em linhas que passem por favelas e vilas.  

Também foram aprovados a criação de auxílio-transporte para pessoas em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) e famílias em vulnerabilidade social, e a permissão para prefeitura abrir créditos adicionais no orçamento, até o limite de R$25.859.089,80, para implementar o transporte gratuito para toda a população aos domingos e feriados.  

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Para entrar em vigor, as medidas, aprovadas em segunda votação na Câmara na última sexta-feira (23), precisarão ainda ser sancionadas pelo prefeito Fuad Noman e, posteriormente, passar por regulamentação.  

Os benefícios da gratuidade no transporte coletivo público municipal foram introduzidos no Projeto de Lei (PL) 538 de 2023 como contrapartidas pela autorização, dada pelos vereadores à prefeitura, de aumento dos subsídios no transporte público em mais R$ 512.795.984,00, no orçamento vigente. Com aumento dos recursos, o preço da passagem no município poderá reduzir. Hoje, dependendo da linha, a tarifa pode chegar a R$ 6. 

No último dia 15, vereadores da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo protocolaram um projeto de lei (PL) que concede o passe livre no transporte coletivo público da cidade às pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e desempregados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).  

Brasil encerra 2ª semana de Liga das Nações com vitória sobre França

Mesmo diante de mais de uma torcida de 5 mil franceses que apoiaram a seleção de seu país, a seleção masculina jogou bem para superar a França por 3 sets a 1 (parciais de 25/20, 25/23, 19/25 e 25/23), neste domingo (25) em Orleans, na segunda semana de partidas da Liga das Nações de vôlei.

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E a equipe comandada pelo técnico Renan Dal Zotto contou com mais uma ótima atuação do oposto Alan, que marcou 24 pontos, e do ponteiro Lucarelli, que somou 15, para superar os atuais campeões olímpicos.

Este resultado deixou o Brasil na terceira posição da classificação geral com 19 pontos, três a menos do que o líder Japão. Agora, a equipe brasileira embarca para as Filipinas, onde será disputada a terceira semana de partidas da Liga das Nações, entre os dias 4 e 9 de julho. A fase final será em Gdansk (Polônia), entre 19 e 23 de julho.

Formato da competição

A Liga reúne as 16 seleções mais bem ranqueadas pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB, na sigla em inglês). A primeira fase classificatória teve início em 6 de junho e vai até 9 de julho. Cada equipe disputa 12 partidas (quatro por semana em sedes diferentes). Ao final, as oito melhores avançam às quartas de final, sendo que a Polônia já tem a classificação garantida por sediar a fase final da Liga das Nações. Os jogos da competição também somam pontos para o ranking mundial da FIVB, um dos parâmetros na corrida por vaga para os Jogos Olímpicos de 2024, que serão disputados em Paris (França).

Agência Brasil errou

Por erro da Agência Brasil, publicamos nesse sábado (24), às 14h37, a matéria Parque de Madureira ganha placa em homenagem ao compositor Monarco, mas essas informações referem-se a um fato ocorrido em 2021. A matéria foi despublicada neste domingo (25). Pedimos desculpas aos nossos leitores.
 

Mutirão inclui quase 16 milhões de brasileiros no Censo 2022

Previsto para ser lançado na próxima quarta-feira (28), o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esteve a um passo de ser comprometido. A falta de apoio para acesso dos recenseadores a áreas remotas ou carentes e resistência de alguns cidadãos abastecidos por notícias falsas por pouco fizeram o equivalente a quase um estado do Rio de Janeiro deixar de ser contado.

Ao longo dos últimos três meses, sucessivos mutirões do IBGE e do Ministério do Planejamento conseguiram reverter a situação. Uma série de forças-tarefas incluiu, de última hora, 15,9 milhões de brasileiros no censo. Ao todo, foram três operações especiais. A primeira buscou alcançar brasileiros na Terra Indígena Yanomami, que nunca tinham sido recenseados. As outras procuraram reduzir a taxa de não resposta em dois ambientes opostos, mas com resistência a recenseadores: favelas e condomínios de luxo.

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“Nesta semana, vamos deixar para trás informações de 13 anos atrás, do Censo de 2010. Para formular políticas públicas, conhecer as demandas da população e atuar em emergências, precisamos de informações atualizadas. O recenseamento é essencial para conhecer quem somos, quantos somos e como somos hoje. Não como éramos”, diz o assessor especial do Ministério do Planejamento, João Villaverde.

Indígenas

Realizado em março, o recenseamento na Terra Indígena Yanomami incluiu 26.854 indígenas no censo, dos quais 16.560 em Roraima e 10.294 no Amazonas. O mutirão foi essencial para atualizar a população indígena no Brasil, estimada em 1,65 milhão de pessoas segundo balanço parcial apresentado em abril. O número completo só será divulgado em julho, quando o IBGE apresentará um balanço específico do Censo 2022 para a população indígena.

A operação na Terra Yanomami foi complexa, mas conseguiu, pela primeira vez na história, recensear 100% da etnia no território. Por envolver dificuldades de acesso a aldeias aonde só se chega de helicóptero, o mutirão foi coordenado por cinco ministérios e reuniu 110 servidores federais dos seguintes órgãos: Polícia Rodoviária Federal, que forneceu os helicópteros; Ministério da Defesa, que forneceu o combustível; guias do Ministério dos Povos Indígenas; servidores da Secretaria de Saúde Indígena da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai); além dos próprios recenseadores do IBGE.

Realizado de 7 a 30 de março, o mutirão foi necessário porque o recenseamento tradicional não conseguia chegar a todas as aldeias yanomami. Por causa das operações para retirar os garimpeiros e do remanejamento de helicópteros para as ações de resgate humanitário, o censo teve de reduzir o ritmo em fevereiro, quando cerca de apenas 50% da população do território havia sido contabilizada.

Favelas

Nas favelas, o censo esbarrava em outras dificuldades. Além da falta de segurança em alguns locais, muitos moradores não queriam abrir a porta para o recenseador porque tinham recebido falsas notícias de que teriam benefícios sociais cancelados. Outro problema, principalmente em áreas mais densas, era a falta de endereços nas comunidades. Muitas vezes, os recenseadores não tinham informação sobre novas moradias surgidas nos últimos anos, como puxadinhos e lajes num mesmo terreno.

“O que impedia a entrada dos recenseadores na favela era a falta de conexão dos recenseadores e do Poder Público com as pessoas que moram lá. Além disso, havia a falta de conscientização das pessoas por falta de uma explicação que alcançasse os moradores das favelas da importância do censo e de respostas sinceras e objetivas”, analisa o Marcus Vinicius Athayde, diretor do Data Favela e da Central Única adas Favelas (Cufa), que auxiliou o IBGE no mutirão.

O mutirão começou no fim de março, com o lançamento de uma campanha na Favela de Heliópolis, em São Paulo, do qual participou a ministra do Planejamento, Simone Tebet. A operação ocorreu em 20 estados e registrou aglomerados subnormais (nomenclatura oficial do IBGE para favelas) em 666 municípios. O número de habitantes só será conhecido em agosto, quando o IBGE divulgará um recorte do Censo 2022 para as favelas.

Segundo Athayde, a Cufa ajudou primeiramente por meio de uma campanha chamada Favela no Mapa, que usou as lideranças estaduais da entidade para conscientizar os moradores de favelas da importância de responder ao censo. Em seguida, a Cufa recrutou moradores de favelas e lideranças locais para atuarem como recenseadores e colherem os dados das comunidades onde moram. Também houve mutirões de respostas em eventos comunitários.

“Responder ao censo traz benefícios de volta para o morador da favela, para seus vizinhos, para sua família, na medida em que o governo e as políticas públicas atuarão de forma mais adequada para essa população”, destaca Athayde.

Condomínios

Por fim, o último flanco de resistência a recenseadores concentrava-se em condomínios de luxo, principalmente em três capitais: São Paulo, Rio de Janeiro e Cuiabá. “Historicamente, a taxa de não resposta, que é o morador que não atende ao recenseador, fica em torno de 5%. Isso em todos os países que fazem censo. Nessas três cidades, a taxa estava em 20% em condomínios de alto padrão”, conta Villaverde, do Ministério do Planejamento.

No Censo 2022, a média nacional de não respostas estava em 2,6% segundo balanço parcial divulgado em janeiro. No estado de São Paulo, alcançava 4,8%, principalmente por causa da recusa de moradores de condomínios de renda elevada.

Para contornar os problemas, o Ministério do Planejamento e o IBGE promoveram uma campanha maciça em redes sociais. Parte das inserções foi direcionada a sensibilizar porteiros, que obedecem a regras restritas para entrada de estranhos. Outra parte esclareceu que síndicos não têm o poder de proibir o morador de receber o IBGE. “Muitas pessoas queriam atender ao censo, mas não sabiam que o recenseador não tinha vindo porque o síndico vetava”, recordou Villaverde. Também houve reportagens de quase 10 minutos em televisões locais sobre o tema.

Segundo o assessor especial do Planejamento, a mobilização foi um sucesso. “Em uma dessas três capitais, conseguimos reduzir a taxa de não resposta para menos de 5% em condomínios de alta renda”, diz. A operação para os condomínios começou em 14 de abril e estendeu-se até 28 de maio, último dia de coleta de dados para o Censo 2022.

Entraves

A realização do Censo 2022 enfrentou diversos entraves. Inicialmente previsto para 2020, o recenseamento foi adiado por causa da pandemia de covid-19. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) obrigou o governo anterior a realizar o censo em 2022.

Na época, o Ministério da Economia autorizou R$ 2,3 bilhões para o censo, mesmo orçamento de 2019 que desconsiderava a inflação acumulada em dois anos. Com a coleta de dados iniciada em 1º de agosto, o Censo 2022 inicialmente estava previsto para encerrar-se em outubro do ano passado. Com dificuldades para a contratação, o pagamento e a manutenção de recenseadores, o fim do censo foi primeiramente adiado para fevereiro deste ano.

Com falta de verba e alta proporção de não recenseados, o governo atual decidiu fazer uma suplementação orçamentária de R$ 259 milhões ao IBGE. O Ministério do Planejamento também decidiu seguir a recomendação do Conselho Consultivo do IBGE, formado por ex-presidentes do órgão, demógrafos e acadêmicos, e estender a coleta de dados até o fim de maio. Em abril, uma série de remanejamentos internos no órgão evitou um novo pedido de verbas pelo IBGE.

Desde 29 de maio, o IBGE está rodando os dados, para a divulgação na próxima quarta-feira. “No início do ano, o ministério tomou a difícil decisão de seguir 100% das recomendações do Conselho Consultivo porque os dados colhidos até então não garantiam a qualidade do censo. Agora, com as operações especiais e o tempo extra de coleta, temos a certeza de que o recenseamento está robusto e em linha com os parâmetros internacionais de qualidade”, diz Villaverde.

CPMI de 8 de janeiro ouvirá ex-chefe da PMDF e coronel do Exército

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro tomará nesta segunda-feira (26), às 14h, o depoimento do ex-chefe do Departamento de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal, coronel Jorge Eduardo Naime (foto), sobre a tentativa de invasão da sede da Polícia Federal, em Brasília, em 12 de dezembro de 2022 – data em que Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin foram diplomados como presidente e vice-presidente da República, respectivamente, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Naime será ouvido pelos deputados e senadores da CPMI que investiga os atos golpistas de 8 de janeiro como testemunha, a pedido da relatora da comissão mista, senadora Eliziane Gama (PSD-MA). “Pensa-se que o senhor Jorge trará informações de enorme valia para a condução dos nossos futuros trabalhos na presente comissão”, avalia a senadora. 

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 O coronel Jorge Eduardo Naime está preso no Complexo Penitenciário da Papuda (DF) desde fevereiro, acusado de omissão no 8 de janeiro, quando ocorreram os atos antidemocráticos na Praça dos Três Poderes, na capital federal. 

Agenda 

Na terça-feira (27), às 9h, será a vez do depoimento do ex-subchefe do Estado Maior do Exército Brasileiro, coronel Jean Lawand Júnior.  

O militar aparece em mensagens periciadas pela Polícia Federal, no celular do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro. Nas conversas telefônicas reveladas, o coronel Jean Lawand Júnior pediu a Cid que convencesse o ex-mandatário a dar um golpe de Estado e ordenar uma intervenção militar no Brasil para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 1º de janeiro. 

Os dois depoimentos estão previstos para serem tomados no plenário 2, da ala Nilo Coelho, no Senado Federal e os convocados não podem se recusar a comparecer. 

A CPMI de 8 de Janeiro já aprovou a convocação de 40 nomes para prestar depoimentos, na condição de testemunhas. Entre eles, o ex-ministro da Defesa do governo Bolsonaro, Braga Netto; o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno; o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e que ocupava a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal em 8 de janeiro, Anderson Torres; o tenente-coronel Mauro Cid, o ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Marco Edson Gonçalves Dias, o G Dias, e o ex-diretor ajunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Saulo Moura da Cunha. Ambos indicados no governo do presidente Lula.  

O então ministro-chefe do GSI, general Gonçalves Dias, pediu demissão em abril, depois de aparecer, junto com outros funcionários da pasta, em imagens do circuito interno de segurança do Palácio do Planalto, gravadas em 8 de janeiro, no momento em que vândalos destruíam o palácio presidencial. 

Depoimentos recentes 

A CPMI de 8 de Janeiro já ouviu o empresário George Washington Sousa – condenado a 9 anos e 4 meses de prisão pela tentativa de atentado a bomba em um caminhão próximo ao Aeroporto JK, em Brasília, em 24 de dezembro de 2022; o diretor do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil do DF, Leonardo de Castro; e os peritos da Polícia Civil do DF Renato Carrijo e Valdir Pires Filho, que fizeram exames nas proximidades do aeroporto e no referido caminhão. Além do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, acusado de direcionar ações do órgão, na Região Nordeste, para atrapalhar o segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Na última terça-feira (20), Silvinei Vasques negou ter interferido no andamento das eleições majoritárias. 

*Com informações da Agência Senado e Agência Câmara de Notícias 

ATP 500 de Halle: Marcelo Melo é tricampeão nas duplas masculinas

O tenista Marcelo Melo faturou, neste domingo (25), o título de duplas masculinas do ATP 500 de Halle (Alemanha) ao lado do australiano John Peers. Na decisão, a equipe do brasileiro derrotou os italianos Simone Bolelli e Andrea Vavassori, em pouco mais de uma hora e meia de partida, por 2 sets a 1, com parciais de 7/6 (7-3), 3/6 e 10-6.

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“Realmente muito feliz com a vitória, de conseguir o terceiro título aqui em Halle. Fizemos um belo torneio, do começo ao fim. Soubemos lidar com as situações difíceis deste a primeira rodada até a final, tendo de jogar bem o match tie-break. Quero agradecer todo mundo que apoia e está sempre comigo” comemorou Marcelo Melo.

Essa foi a primeira conquista da dupla do brasileiro e do australiano e o tricampeonato de Marcelo Melo no ATP 500 de Halle, que é disputado em piso de grama. Outro feito importante na vitoriosa carreira do brasileiro é que esse foi o 37º título de sua carreira, um recorde brasileiro. Agora, os dois partem para o ATP 250 de Maiorca (Espanha), último torneio preparatório para Wimbledon (Londres).

A campanha na Alemanha coloca o brasileiro mais uma vez na liderança brasileira das duplas e o credencia para ingressar no top 30 do ranking mundial, que será divulgado na próxima segunda-feira (26) pela Associação dos Tenistas Profissionais (ATP).

Pesquisa aborda relação entre fé e crime

É madrugada. Enquanto a maioria da favela dorme, um traficante está alerta. Ele é o responsável pela segurança da comunidade naquele dia. O silêncio nos becos é repentinamente interrompido pela aparição de um inimigo de outra facção. Os dois trocam tiros e o que foi surpreendido decide recorrer aos céus. “Eu orei na hora e disse ‘Senhor, se eu sou teu filho, cega esse homem, para que ele não me tire a vida’. E agora, tô eu aqui, pra glória de Deus, em nome de Jesus”.

O episódio é descrito no livro Traficantes evangélicos. Quem são e a quem servem os novos bandidos de Deus, da pastora e cientista da religião Viviane Costa. Ela ouviu a história do próprio protagonista, enquanto dava aulas de teologia em igrejas localizadas no Complexo de Israel. A região, cujo nome se refere ao povo escolhido no Antigo Testamento bíblico, reúne cinco favelas na zona norte do Rio de Janeiro: Parada de Lucas, Vigário Geral, Cidade Alta, Cinco Bocas e Pica-Pau.

Elas são administradas por Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, que além de traficante, também se identifica como pastor evangélico. Há, pelo menos, oito anos, ele tem expandido o número de territórios sob seu domínio.

Seria mais uma história recorrente na guerra de facções do Rio de Janeiro, se não fosse o uso extensivo dos símbolos e narrativas neopentecostais. Uma Estrela de Davi no topo da favela. Bandeiras de Israel desenhadas por toda parte. Passagens bíblicas escritas nos muros, entre as quais se destaca a frase Jesus é o dono do lugar. Para completar, postura intolerante e agressiva contra outras religiões como terreiros de Umbanda e Candomblé fechados e destruídos, imagens de santos católicos proibidas.

Nesse cenário, surgem alguns questionamentos, alguém envolvido em atividades ilícitas – como tráfico de drogas, torturas e assassinatos – pode ser um religioso fervoroso ao mesmo tempo? Crime e fé são compatíveis? O que determina se um cristão é legítimo ou não?

A pesquisa de Viviane Costa passa por essas questões. Em entrevista à Agência Brasil, ela diz que é preciso entender esses traficantes dentro de um contexto maior, de crescimento da fé evangélica pentecostal no país e de como ela vem dialogando com outras identidades culturais.

Agência Brasil: Como surgiu a ideia da pesquisa e como foi o processo para conseguir reunir as informações que você precisava? Quais perguntas você queria responder com o estudo?

Viviane Costa: Eu comecei a dar aula nas favelas de Parada de Lucas e da Cidade Alta em torno de 2015 e 2016. Eu tinha me formado em Teologia, estava fazendo licenciatura em História e, quando comecei a dar aula em igrejas pentecostais, passei a conhecer melhor as dinâmicas das favelas na zona norte e zona sul. Apesar de eu ser de Nova Iguaçu, um lugar de periferia, as dinâmicas do lugar onde eu moro, dominado pela milícia, são diferentes das dinâmicas de um lugar como Parada de Lucas e Cidade Alta. Nessa experiência, algumas turmas tinham pessoas que estavam saindo do mundo do crime, em um processo de transição, e que traziam uma perspectiva diferente desse universo. E aí, eu comecei a perceber como a favela identificava o próprio cotidiano nos muros, nas ruas e nos comércios. Entre 2016 e 2017, identifiquei uma mudança nesse cenário, a partir das assinaturas Jesus é o dono do lugar em alguns muros, substituindo outras imagens antigas que estavam ali naquele mesmo espaço. Era o caso das imagens de São Jorge, que foram substituídas por essa mensagem simbólica do universo evangélico pentecostal. Identifiquei que as mensagens tinham uma relação com a dominação do espaço. E essa frase foi o que mais me chamou a atenção e parei para pensar ‘Como Jesus estaria relacionado com essa dominação do tráfico?’. Como teóloga e pastora, pensava em uma forma de provar que o nome de Jesus não poderia ser usado em contextos de violência. Entrei no mestrado em Ciências da Religião, na Universidade Metodista de São Paulo, na linha de pesquisa linguagens da religião. A ideia era, portanto, afirmar que aquela narrativa baseada em Jesus, usada para dominação de um território do Rio de Janeiro pelo crime organizado, não poderia se sustentar. Ao fazer a pesquisa de produção sobre as mudanças do campo religioso brasileiro mais recentes, consultei alguns teóricos da área que já tinham pesquisas sobre o assunto na zona norte. E compreendi que, na verdade, não tinha como eu provar que o nome de Jesus não podia ser usado. O que eu podia fazer era tentar entender por que o nome de Jesus estava sendo usado na construção da narrativa e nas dominações de território no Rio de Janeiro, nessas favelas que hoje ficaram conhecidas como Complexo de Israel.

Agência Brasil: Além de cientista da religião, você também é pastora evangélica. Como essa outra identidade influencia a pesquisa?

Viviane Costa: Quando olhamos para um objeto de pesquisa, olhamos a partir do lugar que estamos. Então, eu posso estar no lugar de uma cientista social, de uma antropóloga, de uma cientista da religião. Eu sou uma cientista da religião religiosa. Se eu olho para o objeto como uma cientista da religião não religiosa, eu vou ter algumas limitações. Por exemplo, não ter vivido aquela experiência mais de perto, não reconhecer alguns símbolos e significados, não entender a teologia que está ali nas narrativas do Complexo de Israel. Então, olhar para o objeto com mais distanciamento, sendo uma não religiosa, teria uma riqueza e importância. Mas também uma limitação de método, por não entender a teologia e a experiência religiosa vivida pelos traficantes. Quando eu olho para esse lugar como uma pastora e teóloga pentecostal, consigo entender a experiência religiosa deles como alguém que viveu experiências semelhantes e ler melhor a teologia que aparece nos lugares.

Agência Brasil: Alguns pesquisadores usam o termo narcopentecostalismo quando se referem ao crescimento de organizações criminosas que adotam narrativas evangélicas. Para você, esse é um conceito adequado para tratar do assunto?

Viviane Costa: Eu discordo do conceito de narcopentecostalismo, porque dá uma ideia de ineditismo ou de exclusividade do movimento pentecostal na relação da religião com o crime. O que não é uma realidade. De acordo com o Marcos Alvito, em As cores de Acari, essas dinâmicas de destruição e substituição de divindades, imagens e pinturas nas paredes já aconteciam antes. A presença da religião na estrutura do crime não é algo novo. Eu prefiro usar “narcoreligião” para pensar de forma mais ampla o papel das identidades religiosas no tráfico de drogas do Rio de Janeiro.

Agência Brasil: Muitos líderes e fiéis evangélicos se incomodam ao ver a religião deles associada com os traficantes. O entendimento é de que as atividades criminosas são incompatíveis com as práticas cristãs. E você usa a expressão no título do livro. Traficantes podem ser considerados evangélicos legítimos?

Viviane Costa: Quem pode dizer quem é evangélico? Primeiro, é preciso pensar no caminho que o campo religioso brasileiro trilhou nas últimas décadas. Nós tínhamos um país hegemonicamente católico e essa cultura religiosa estruturava a sociedade. As pessoas se identificavam com as práticas, os feriados, os cultos e as divindades católicas com muita naturalidade. Sendo elas católicas praticantes ou não. O catolicismo sempre esteve presente na vida das pessoas para além dos ritos e liturgias. E há um tempo a gente começa a ver essa mudança religiosa no caldo cultural brasileiro, que fica cada vez mais evangélico pentecostal. Quando falamos dos católicos, como dizer quem é católico de verdade: o praticante ou o não praticante? Se nos dois casos as pessoas se identificam como católicas? Quando o movimento evangélico começa a crescer, as fronteiras que determinavam uma conversão à fé evangélica, se ela seria legítima do ponto de vista mais tradicional, tanto para uma teologia reformada ou pentecostal, ficam cada vez mais pulverizadas. E ganham mais características de uma religiosidade popular, transversal, construída a partir da experiencia individual e comunitária. E nesse caldo cultural brasileiro que ganha cada vez mais uma identidade evangélica, surgem novas e múltiplas identidades evangélicas. Nesse contexto, podemos entender a existência de um traficante que se identifica como evangélico, tem práticas evangélicas e foi ordenado a pastor evangélica em uma igreja da Baixada Fluminense. E que continua com as práticas evangélicas de oração e de jejum, e relata ter experiências de visão e de revelação. Ao mesmo tempo, determina estratégias para o Complexo de Israel de conquista de territórios e de confrontos. Isso, a partir de leituras bíblicas e de instruções espirituais que diz receber no monte ou nas orações feitas em casa. Ele traz essa experiência religiosa e a aplica na estrutura, dinâmica, ética e estética do Complexo de Israel.

Agência Brasil: No seu entendimento, então, não se trata de uma estratégia de manipulação das narrativas cristãs para tentar suavizar a violência e dar alguma legitimidade às atividades criminosas?

Viviane Costa: Nessa relativização do que é ser evangélico hoje e nas múltiplas identidades que cabem nessa categoria, é possível ser evangélico com menos rupturas do que há alguns anos. Entendendo a partir dessa leitura, ele pode se dizer evangélico. Na perspectiva da Ciência da Religião, é importante olhar para o fenômeno religioso e perceber como o sujeito entende e narra a experiência dele. No exemplo do Álvaro Malaquias, o Peixão, ele se vê como alguém que tem pecados, erros e acertos. Algumas relativizações são necessárias, apesar de outras não serem possíveis nem para ele. Mas aí entra a possibilidade do perdão, do ajuste, da tentativa de ser uma pessoa melhor e de estar caminhando em busca da perfeição. E nesse olhar, eu entendo que, de fato, ele está expressando uma experiência religiosa que é atravessada pela experiência dele no crime. O que não é diferente de um traficante, por exemplo, que procura uma casa de umbanda ou de candomblé para fechar o corpo. Nem de um traficante devoto de São Jorge, que espera proteção do santo guerreiro e justiceiro, que ele o ajuda na conquista de determinado território.

Agência Brasil: E como é a leitura que esses traficantes fazem da bíblia? Chama a atenção que livros e trechos do Antigo Testamento sejam mais usados. Por que essa escolha?

Viviane Costa: Quando a gente fala do Antigo Testamento, está pensando na história de um Deus que escolhe um povo e o liberta de uma terra considerada lugar de opressão. Não sem sofrimento, não sem dificuldades, não sem passar por um deserto, nem sem ter muitos inimigos no caminho. Mas que dá a vitória ao povo, que chega na terra prometida. No caso do Complexo de Israel, essa terra prometida é a Cidade Alta. Então, o texto do Antigo Testamento, que é muito importante para os movimentos pentecostais, acaba ganhando maior peso em relação à mensagem do Novo Testamento, que é mais baseado na vida e nos atos de Jesus. Nos textos do Antigo Testamento, são invocadas imagens de Davi, de Josué, dos guerreiros conquistadores de terras e de promessas dadas por Deus. São homens fortes invadiram territórios, mataram pessoas e estabeleceram a vitória do Deus de Israel sobre as outras cidades e povos do Antigo Testamento.

Agência Brasil: Como é, dentro das favelas, a relação dos pastores com os traficantes evangélicos? Existe medo, resistência ou cumplicidade dos líderes das igrejas?

Viviane Costa: Tem um termo que a Cristina Vital usa no livro “Oração de Traficante”, que é “blindagem moral”, para se referir aos que são considerados os verdadeiros “homens de Deus”. Os reconhecidos assim são os que dão bom testemunho, não se envolvem e não aceitam o dinheiro do tráfico, não escondem armas, não participam da dinâmica do crime. Esses são muito respeitados. Inclusive, muitos deles são procurados quando esses traficantes se veem em uma situação de risco, por conta de uma ameaça de facção rival ou por conta de uma operação da polícia. São esses “homens de Deus” que eles procuram para orar pela vida deles e pedir proteção para não morrer em um confronto. Há também outras igrejas, que não representam a maioria, que se envolvem em alguma medida com a dinâmica do crime. Seja recebendo dinheiro para a realização de cultos na praça ou para convidar algum cantor famoso para as festas que são feitas na comunidade. Mas o pastor e a igreja respeitados nesses espaços são os que não participam, nem se “contaminam” com o mundo do crime. São esses que os traficantes procuram quando precisam de uma oração e de uma cobertura espiritual para os confrontos e as guerras na favela. Para lidar com o perigo que vem de todos os lados: do Estado, da facção rival ou de alguém dentro do próprio movimento, como os X-9, traidores que colocam em risco a segurança do movimento.

Agência Brasil: Você tem planos de continuar pesquisando o tema? O que ainda falta investigar sobre as conexões entre religião e crime nas favelas do Rio de Janeiro?

Viviane Costa: Tenho interesse em continuar olhando para o Complexo de Israel e para a relação entre tráfico e religião nas diferentes dinâmicas. Observar traficantes que se identificam também com outras religiões – catolicismo, umbanda, candomblé –, e se enxergam ou não no mundo a partir delas. E, principalmente, o papel da religiosidade no Complexo de Israel, onde a experiência religiosa influencia e estrutura uma construção ética, para além da estética, e serve de base para a violência contra religiões de matriz africana. Lugar onde uma revelação bíblica é fator decisivo nos planos de avanço desse território, como no plano recente de avanço em direção à Igreja da Penha. Tenho interesse em acompanhar quais serão os próximos passos da relação entre a experiência religiosa do Peixão e a vida no Complexo, entender como o Álvaro Malaquias conta a própria experiência e como ela acontece no cotidiano. E quero continuar buscando compreender a relação dele com Deus, com as pessoas da comunidade, com as favelas dominadas por grupos rivais e os desdobramentos disso para dentro e fora do Complexo do Israel.

Nacional de natação paralímpica acaba com recorde das Américas

A nadadora Patrícia Pereira dos Santos, da classe S4 (comprometimento físico-motor), bateu o recorde das Américas na prova dos 150 metros estilo medley, no último sábado (24) no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. A marca foi o destaque do último dia do Campeonato Brasileiro da modalidade. Desde a última quinta-feira (22), a competição reuniu 261 atletas de 17 estados. Este grupo contou com os 29 nadadores que representarão o Brasil no Mundial de natação de Manchester (Inglaterra), entre os dias 31 de julho e 6 de agosto.

Patrícia dos Santos nadou os 150 metros estilo medley em 2min57s21, superando a marca de 2min57s76 da mexicana Edith Miranda Herrera, alcançada em setembro de 2016, durante os Jogos Paralímpicos do Rio e Janeiro. A mineira, que faturou três medalhas de bronze no Mundial anterior (50 metros peito, 100 metros livre e 200 metros livre), estará no time nacional na Inglaterra.

Também no sábado, a pernambucana Carol Santiago, da classe S12 (baixa visão), concluiu os 100 metros costas em 1min09s16 (quarta melhor marca do mundo em 2023 e o melhor tempo entre as nadadoras das Américas na temporada). Na sexta-feira (23), ela já havia registrado o segundo melhor tempo mundial em 2023 nos 100 metros borboleta, com 1min06s62.

Na quinta-feira (22), o mineiro Gabriel Araújo, da classe S2 (atletas com dificuldades de locomoção), já havia quebrado o recorde mundial nos 50 metros borboleta, com o tempo de 52s90. A marca anterior também era dele, que registrou 53s80 no World Series de Sheffield (Inglaterra), no último mês de março.

Governo antecipa entrega de 400 mil doses de insulina de ação rápida

Até o próximo dia 9, o Ministério da Saúde vai concluir a distribuição de mais de 400 mil unidades de insulina análoga de ação rápida, usada no tratamento de diabetes tipo 1. A compra do medicamento ocorreu após cinco meses de negociação com o setor farmacêutico e depois de duas tentativas frustradas. É que dois pregões anteriores – em agosto do ano passado e em janeiro deste ano – não receberam propostas.

O Ministério da Saúde antecipou a entrega da insulina por conta do risco de desabastecimento motivado pela escassez mundial do produto. Essa carga de 400 mil unidades se soma à de um 1,3 milhão de doses compradas emergencialmente e que vão garantir o abastecimento do SUS e de mais de 60 mil pessoas que fazem atendimento no Sistema Único de Saúde.

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Segundo o Ministério da Saúde, as insulinas regulares mais consumidas, indicadas para pacientes com diabetes tipo 2 e demais tipos, estão com “estoque adequado”. As insulinas análogas de ação rápida foram incorporadas ao SUS em 2017 após aprovação da Conitec, Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde.

Ouça a matéria na Radioagência Nacional:


Expo Favela Innovation Rio abre inscrições para empreendedores

A Expo Favela Innovation Rio 2023 está com inscrições abertas para os empreendedores de favela que querem expor suas ideias e inovações, na Cidade das Artes, nos dias 29, 30 e 31 de julho.

Para participar da feira organizada pelo Grupo Favela Holding, com parceria social da Central Única das Favelas (Cufa) e produção da InFavela, basta acessar o site www.expofavela.com.br. As inscrições para empreendedores, mentores e investidores estão abertas até o próximo dia 30 de junho e são gratuitas.

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“Eu quero que a Expo Favela Innovation passe o espírito do empreendedorismo para o asfalto e empresas. O objetivo é encontrar uma grande relação para que a gente possa equilibrar as relações entre nós para além da favela e para além dos nossos discursos”, disse, em nota, Celso Athayde, idealizador do evento e CEO da Favela Holding.

As inscrições não garantem participação na feira. Os inscritos ainda passarão por uma curadoria realizada pela produção do evento, e depois selecionados e avisados das suas participações na edição carioca da maior feira que conecta favela e asfalto, através do empreendedorismo e da inovação.

Esses empreendedores vão passar por uma avaliação, durante os três dias de evento, que vai selecionar os 10 melhores que vão participar da edição nacional, que vai ocorrer em dezembro, em São Paulo.

Ministério da Saúde quer ampliar digitalização e conectividade no SUS

Ampliar a digitalização no Sistema Único de Saúde (SUS) para incluir cada vez mais os cidadãos e melhorar o atendimento da saúde pública no país é um trabalho que está em curso no Ministério da Saúde com a criação, neste ano, da Secretaria de Informação e Saúde Digital. Esse trabalho será reforçado com o lançamento do programa SUS Digital Brasil.

“Está em preparação o lançamento de um grande programa que é o SUS Digital Brasil e esse programa vai ter múltiplas estratégias para que a gente possar fazer com que o SUS, como um todo, avance cada vez mais na transformação digital voltada para a melhoria das condições de saúde da população, para democratizar o acesso para que a gente tenha melhor saúde para todos”, disse a Secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, em entrevista ao programa Brasil em Pauta, que vai ao ar neste domingo (25), na TV Brasil.

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A secretária explica que, para o cidadão, a digitalização da saúde no sistema público tem como diretrizes a inclusão, o acesso universal reduzindo as iniquidades e buscando verificar quem está em uma situação de maior vulnerabilidade. Para os profissionais de saúde e gestores, a expansão de sistemas informatizados e integrados gera informações mais qualificadas para a tomada de decisões tanto de gestão, quanto para o cuidado clínico do paciente.

“Quando a gente tem a informação a gente pode identificar melhor as necessidades e trabalhar as políticas públicas para atender melhor a população”, afirmou Ana Estela.

Uma importante ferramenta digital que, atualmente, permite ao cidadão acompanhar, na palma da mão, seu histórico clínico é o Conecte SUS Cidadão. O aplicativo oficial do Ministério da Saúde permite a uma pessoa visualizar o histórico clínico, identificar estabelecimentos de saúde próximos a sua localização e acessar o histórico de vacinação, por exemplo.

O aplicativo também permite a integração dos estabelecimentos de saúde públicos e privados para garantir o acesso à informação em saúde necessário à continuidade do cuidado do cidadão.

Saúde indígena

Avançar na informatização do subsistema de saúde indígena é uma prioridade, de acordo com a secretária Ana Estela, e a região onde vivem os povos Yanomamis, em Roraima, terá atenção reforçada.

“Essa é uma das regiões que vamos estar planejando e tralhando com prioridade para estruturação da rede de telessaúde junto com a rede de atenção e também cuidando do processo de digitalização, de telessaúde, de informação dos sistemas, para podermos ter uma melhor performance da rede de atenção.”

O programa Brasil em Pauta vai ao ar às 22h30. Clique aqui e saiba como sintonizar a TV Brasil.

Prefeitura de São Paulo confirma morte de criança por meningite

Uma criança, de cinco anos de idade, morreu de meningite meningocócica no hospital municipal Carmen Prudente, na zona leste da capital paulista, na última quinta-feira (22). De acordo com a Secretaria de Saúde da prefeitura, a criança havia dado entrada, horas antes, na unidade de pronto atendimento (UPA), do mesmo bairro, com sintomas da doença. 

“A equipe médica da UPA e do HM Cidade Tiradentes seguiram todos os protocolos recomendados, utilizando os equipamentos de proteção individual (EPIs) durante todo o atendimento. Não havendo, até o momento, qualquer outro caso relacionado”, disse a secretaria, em nota. 

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Conforme a secretaria, os leitos de emergência da unidade hospitalar são separados por cortinas e que os outros pacientes não foram expostos ao risco de contaminação. 

Meningite

A meningite é um processo inflamatório das meninges – membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal – que pode ser causado por vírus ou bactérias. A meningite bacteriana tem letalidade maior e mais chances de complicações, mas para esse tipo da doença há vacina disponível no calendário previsto pelo Ministério da Saúde.  

Na capital paulista, a vacina está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/UBSs integradas de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados nas AMAs/UBSs Integradas, também das 7h às 19h.   

O imunizante contra a meningite meningocócica C deve ser aplicado em bebês de 3, 5 e 12 meses. Já o de meningite ACWY atualmente é aplicado na faixa etária de 11 a 14 anos de idade. Desde o dia 25 de maio, professores e adolescentes de 15 a 19 anos podem receber a vacina de meningocócica C. 

O modo de transmissão da doença se dá pelo contato direto entre pessoas, por meio de secreções respiratórias de pessoas infectadas. De janeiro a maio deste ano, foram registrados 312 casos de meningite bacteriana na cidade de São Paulo, entre todas as faixas etárias, resultando em 12 óbitos. Em 2022, foram registrados 174 casos, com 19 mortes.