Entenda as origens do 1º de maio, Dia do Trabalhador

Mais do que comemorativo, o 1º de maio é uma data de luta. Foi assim em sua origem, em 1886, durante uma greve em Chicago, nos Estados Unidos, quando trabalhadores foram agredidos, presos e executados, em meio a reivindicações por redução de jornadas diárias, que duravam até 14 horas.

Historiador e professor da Escola Dieese de Ciências do Trabalho, Samuel Fernando de Souza explica que o episódio é conhecido como a “tragédia de Haymarket”. Os trabalhadores reivindicavam uma jornada de 8 horas e faziam manifestações contra espaços de trabalho insalubres.

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“Esses trabalhadores foram duramente reprimidos, e vários líderes foram condenados à morte, por conta dessa revolta. E, durante a Internacional Socialista de 1889, decidiu-se a data de 1º de maio como dia de luta da classe trabalhadora, bem como de homenagem aos trabalhadores”, explicou o historiador.

Pesquisadora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB) e autora de pesquisas voltadas a entender os desafios do trabalho no mundo contemporâneo, Laura Valle Gontijo lembra que a manifestação pela redução da jornada em Chicago culminou com a explosão de uma bomba no local.

“Isso acabou sendo usado como justificativa para a polícia [de Chicago] atirar contra os manifestantes, deixando quatro mortos e centenas de presos e feridos. Oito trabalhadores foram acusados de conspiração, mesmo sem evidências diretas; sete foram condenados à morte; e outros vários a uma pena de 15 anos de prisão. Um dos condenados à morte suicidou-se na prisão e outros quatro foram enforcados. É em memória a esses trabalhadores que se comemora a data”, explica Laura Valle Gontijo.

Símbolo

No Brasil, a data começou a ser comemorada por volta de 1891 em algumas cidades do Rio de Janeiro e, na sequência, em Porto Alegre. 

“Sempre foi um símbolo do movimento dos trabalhadores organizados, mas posteriormente a data foi bastante disputada, na tentativa de reapropriá-la simbolicamente”, disse o historiador Samuel Fernando de Souza.

Samuel Fernando De Souza, professor da Escola Dieese de Ciências do Trabalho. Foto: Samuel Fernando/Arquivo Pessoal

De acordo com Samuel, a ideia era a de dar ao 1º de maio uma conotação mais comemorativa ao trabalho do que em defesa do trabalhador, “a ponto de, logo após o golpe de 1964 ter esvaziado o movimento sindical, ser transformada em uma data de comemoração, uma data festiva, esvaziada do conteúdo político naquele momento que era de luta da classe trabalhadora”.

Durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, de 1930 a 1945, o 1º de maio, até então Dia do Trabalhador, passou a ser apropriado como Dia do Trabalho, data em que, inclusive, Vargas apresentou as leis de proteção ao trabalho e, em especial, a própria Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“Na década de 1950, quando Vargas volta ao poder, ele continua se utilizando dessa data, normalmente para anunciar o aumento do salário mínimo”, acrescentou Samuel.

Novo sindicalismo

De acordo com o historiador, o uso da data volta a ser revertido no final dos anos 1970, quando ocorreu, no Brasil, um amplo movimento conhecido como Novo Sindicalismo.

“Foi ali que foram retomados muitos dos símbolos da classe trabalhadora, em meio aos movimentos do ABC e dos metalúrgicos, que fizeram surgir o Lula [posteriormente eleito presidente do Brasil] como uma figura principal e liderança naquele momento de lutas pela classe trabalhadora. A data voltou a ser reapropriada durante vários atos contra ditadura e em prol da abertura da política”, detalhou o historiador.

Metalúrgicos do ABC fazem ato junto com movimentos sociais – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Trabalho ou trabalhador?

A pesquisadora Laura Gontijo explica que, ao tentar transformar o Dia do Trabalhador em Dia do Trabalho, as classes dominantes do Brasil tentaram evitar que os trabalhadores tivessem ciência da data enquanto luta por direitos trabalhistas.

“Tentaram transformar o 1º de maio em uma data sem sentido e sem conteúdo, como se fosse uma mera celebração de algo que, também, não fica muito claro o que é. O que seria o Dia do Trabalho? E por que se teria feriado no Dia do Trabalho? Isso não faria sentido”, complementou.

Professora da UnB Laura Gontijo é pesquisadora do Departamento de Sociologia e autora de pesquisas voltadas a entender os desafios do trabalho no mundo contemporâneo. Foto: Laura Valle Gontijo/Arquivo Pessoal

Segundo a pesquisadora da UnB, algo similar acontece com o Dia das Mulheres. 

“Tentam transformá-lo em uma data de celebração da mulher, em vez de uma pauta de luta por demandas concretas. No caso dos trabalhadores, a data atualmente visa fortalecer a luta pela redução da jornada de trabalho; por melhores salários; e pelo fim da escala 6×1, entre outras demandas”, argumentou.

 

Demandas

Na avaliação da pesquisadora, as demandas atuais dos trabalhadores abrangem dois espectros em especial. O primeiro deles, segundo ela, é a manutenção de direitos que têm sido constantemente atacados pelas elites do país. Há também lutas visando a ampliação de direitos, exemplifica.

“Veja essa discussão que está tendo agora no STF [Supremo Tribunal Federal], em relação a pejotização. Esse trabalhador contratado como pessoa jurídica não está protegido pela legislação trabalhista, que determina, por exemplo, a limitação da jornada de trabalho”, lembra Laura Gontijo.

Ela cita também a situação daqueles que prestam serviço por meio de plataformas digitais. 

“Não há qualquer regulamentação dessas plataformas que colocam o indivíduo para trabalhar o tempo todo, enquanto o corpo tiver condições físicas para o trabalho”, alerta.

Tendo por base uma pesquisa feita em 2022, Laura Gontijo disse que os entregadores de aplicativo trabalhavam em média 47,6 horas semanais. 

Teletrabalho, home office ou trabalho remoto – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Mas em entrevistas com os trabalhadores, constatamos jornadas de até 80 horas semanais, algo que é muito próximo ao que era feito no auge da Revolução Industrial, quando você não tinha nenhum tipo de regulamentação do trabalho”.

“Vemos, nesses casos, que a demanda dos trabalhadores continua a mesma. Na verdade, a gente observa até um certo retrocesso nessa legislação e na situação dos trabalhadores. Dois séculos se passaram e continuamos vendo trabalhadores fazendo uma jornada extremamente longa e excessiva, muito além das 44 horas semanais previstas na legislação”, afirmou a pesquisadora.

Ainda segundo a pesquisadora, muito se deve ao retrocesso que o poder sindical teve nas últimas décadas, o que resultou também no aumento do número de assédios no ambiente de trabalho, bem como de doenças físicas e psíquicas.

6×1

E é nesse cenário que se ampliaram as discussões como a da escala 6×1, acrescenta, ao se referir à medida prevista em projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, prevendo 2 dias de repouso semanal, em vez de 1 dia.

“O que é esse debate nesse cenário de tantas empresas, comércios e indústrias com trabalhadores na escala 6×1? Em muitos casos, não há sequer um dia fixo para a folga. Isso inviabiliza até mesmo o dia para que o trabalhador fique com sua família, para ele descansar ou mesmo para cuidar dos afazeres domésticos. Isso é insustentável. A escala 6×1 não possibilita minimamente qualquer atividade social ou de lazer”, argumentou Laura Gontijo.

O resultado dessa jornada de trabalho, segundo a pesquisadora da UnB, são trabalhadores desvalorizados, desmotivados e submetidos a condições de trabalho extremamente ruins.

Redução da jornada

“Nos últimos anos vivemos um cenário de desvalorização histórica do salário mínimo. O trabalhador brasileiro recebe muito pouco e trabalha demais. Sem contar as muitas horas gastas diariamente com deslocamento, principalmente nas metrópoles, algo que deveria ser contado como parte da jornada de trabalho”, disse a pesquisadora.

Por esses motivos, segundo a pesquisadora, os debates têm avançado também na direção de uma redução da jornada diária de trabalho para 35 horas ou 36 horas semanais. 

“Essa é uma pauta fundamental da atualidade. Não adianta apenas você colocar o fim da escala 6×1 sem estabelecer um limite da jornada diária”, acrescentou.

Centrais Sindicais lançam campanha pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

“Até porque na escala 5×2 [com dois dias de descanso semanal] há o risco de [os patrões] aumentarem o número de horas trabalhadas por dia, para ter, como resultado, o mesmo número de horas trabalhadas [na semana]”, complementou Laura Gontijo, ao defender que se estabeleçam limites semanal e, também, diário, visando uma escala de 36 horas semanais sem corte de salários.

Resistência

A exemplo do que ocorreu quando o Brasil pôs fim à escravidão, muitas empresas se mostram resistentes às mudanças que visam tornar a legislação trabalhista brasileira “menos desumana”.

“Há muita campanha das empresas dizendo que vão quebrar, e que tais mudanças causariam grandes problemas. Mas veja o exemplo na França, que desde 1998 tem uma jornada de 35 horas semanais de trabalho, possibilitando, aos trabalhadores, mais tempo livre, seja para estudar, praticar atividades físicas, ou para conviver com os filhos e ter qualidade de vida com a família”, explica a pesquisadora.

Tecnologias e mais-valia

A verdade, segundo a pesquisadora, é que, com as novas tecnologias, as empresas ficaram mais produtivas, mas essa benesse acabou não sendo repassada a seus funcionários.

Médica digita no computador, tendo seu estetoscópio ao lado – Foto: National Cancer Institute/Unsplash/proibida reprodução

“O nível de produtividade das empresas tem sido cada vez maior com o desenvolvimento das tecnologias e com as inovações. Isso deveria mostrar que é possível manter a produção, mesmo com uma diminuição da quantidade de horas trabalhadas. No entanto, o que vemos é que isso não está beneficiando o trabalhador. A jornada de trabalho está aumentando ainda mais”, disse Laura Gontijo.

“A quantidade de mais-valia [diferença entre o que é produzido pelo trabalhador e o que é pago pelo patrão ao trabalhador] fica ainda maior, porque os trabalhadores estão trabalhando muito mais horas e a produtividade tem sido muito maior”.

“Isso comprova que a tecnologia não tem sido utilizada para melhorar as condições de vida da população, mas para aumentar essa exploração”, afirma.

Hoje é Dia: datas, fatos e feriados que são destaque em maio de 2025

Este mês abriga várias datas comemorativas e mobilizações importantes. Uma delas é o Maio Amarelo, campanha que chama a atenção para a importância da segurança no trânsito, para reduzir o alto índice de mortos e feridos em acidentes. O tema sempre recebe destaque dos veículos da EBC, como nesta reportagem da Agência Brasil, esta outra da Agência Gov, e este material especial da Rádio Nacional. A TV Brasil destacou, nesta edição do jornal Brasil em Dia, como a campanha ajuda a diminuir os acidentes fatais. 

Outra data, que praticamente é símbolo do mês de maio, é o Dia do Trabalhador, fixado no dia 1º. Celebrada internacionalmente, a data remete à luta histórica dos trabalhadores para conquistar melhores condições de trabalho. A criação da efeméride remonta ao movimento grevista puxado por trabalhadores estadunidenses em Chicago, no final do século XIX. A Rádio Nacional falou um pouco sobre a origem da data e a luta por direitos, bem como a TV Brasil, nesta edição do Repórter Brasil

Ainda falando sobre direitos trabalhistas, dia 2 de maio é o Dia Nacional de Combate ao Assédio Sexual e Moral no Trabalho. Um problema que, infelizmente, vem crescendo, como revela esta reportagem da Agência Brasil. A TV Brasil também se dedicou extensamente ao tema, no episódio “Assédio sexual no trabalho: um crime silenciado”, do programa Caminhos da Reportagem

O Lúpus Eritematoso Sistêmico é uma doença autoimune crônica de causa desconhecida e de difícil diagnóstico, que acomete mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo. Só no Brasil são 65 mil brasileiros, entre 20 e 45 anos. Para conscientizar sobre os sintomas e o tratamento, 10 de maio é o Dia Mundial do Lúpus. O Tarde Nacional, da Rádio Nacional, dedicou uma edição para tirar as dúvidas do público sobre a enfermidade. O tema também ganhou atenção nessa edição do Brasil em Dia, da TV Brasil

Em maio também temos o Dia Internacional de Luta contra a Homofobia e Transfobia, celebrado no dia 17. Nesta data, a Rádio Nacional trouxe esta entrevista esclarecedora sobre os direitos já conquistados pela comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil. Em âmbito mundial, a Agência Brasil trouxe esta reportagem sobre a redução das leis homofóbicas em vários países. Já o Repórter Brasil, da TV Brasil, abordou a data alertando para o aumento da violência contra gays, lésbicas e transexuais. 

Talvez uma das datas mais importantes do mês, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes mobiliza a sociedade todo 18 de maio. Esta luta ganhou, inclusive, a campanha Maio Laranja, para dar maior visibilidade ao tema. A data foi escolhida em memória de Araceli Cabrera Crespo, menina que foi vítima de assassinato há 52 anos, em Vitória (ES). Em 1973, o corpo de Araceli, que tinha oito anos à época, foi encontrado dias após ela ter desaparecido na saída da escola. A perícia concluiu que a menina foi violentada e morta. Dois herdeiros de famílias poderosas do Espírito Santo foram acusados de drogar, estuprar e matar Araceli. Mas nunca foram condenados. A efeméride conclama a sociedade para prevenir e combater qualquer tipo de crime de natureza sexual contra menores de idade, como salienta esta reportagem da Agência Brasil e esta outra da Radioagência Nacional. A gravidade deste problema foi salientada nesta edição do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

No 18 de maio também celebramos o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. A data resgata o início do Movimento da Reforma Psiquiátrica, no final da década de 1970, que culminou com a lei que prevê o fechamento gradual de manicômios e hospícios. Com isso, o acompanhamento dos pacientes passou a ser feito junto às suas famílias ou em residências terapêuticas, o que representou um grande avanço na qualidade de vida e na eficácia do tratamento. A efeméride ganhou destaque nesta reportagem da Radioagência Nacional, nesta da Agência Brasil, e nesta edição do Tarde Nacional, da Rádio Nacional.

Depois do Dia do Trabalho, o Dia de Corpus Christi é o principal feriado do mês de maio. A data, que é variável a cada ano, simboliza a presença de Cristo na Eucaristia, que lembra a morte e ressurreição de Jesus. É o único dia do ano em que o Santíssimo Sacramento sai em procissão pelas ruas. Esta reportagem da Agência Brasil explica a tradição dos tapetes de Corpus Christi, um costume que foi trazido dos Açores para o Brasil. A efeméride também ganhou destaque do Repórter Brasil, da TV Brasil.

Maio também tem o Dia Nacional da Adoção, celebrado no dia 25 desse mês. A data começou a ser celebrada no Brasil a partir de 1996, com a finalidade de estimular uma reflexão sobre o número considerável de crianças que esperam adoção nos abrigos em todo o Brasil, e promover campanhas de conscientização sobre o tema. Os dados mais recentes do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento apontam que há quase 3.800 crianças e adolescentes esperando por um lar. Na outra ponta, há mais de 46 mil pretendentes cadastrados em todo o país. A preferência por meninas brancas, com menos de dois anos, é o que gera este descompasso, uma vez que a maioria dos abrigados é composta por crianças pardas ou pretas e mais velhas. Esta reportagem da Radioagência Nacional discutiu o problema, bem como esta outra, da Agência Brasil. A TV Brasil explicou como a preferência pela idade dificulta o acolhimento, nesta reportagem do Repórter DF

Fechamos a lista do mês falando do Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna, data fixada em 28 de maio. No Brasil, este problema de saúde atinge sobretudo as gestantes pretas e pardas, como destaca esta edição do Repórter Brasil, da TV Brasil. Em 2022, o número de óbitos a cada 100 mil nascidos vivos de mães pretas foi de 110,6 – o dobro do índice da população em geral, que é de 57,7 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. Esta reportagem da Agência Brasil e esta outra, da Radioagência Nacional, destacam as ações do Brasil para reduzir a mortalidade de mulheres grávidas até 2027. 

Confira a lista completa de efemérides de maio de 2025

Maio de 2025
1

Morte do ator, músico, poeta e comediante baiano Milton da Silva Bittencourt, o Zé Trindade (35 anos)

Assinatura do Decreto-Lei nº 2.162, por Getúlio Vargas, que instituiu o salário mínimo por regiões (85 anos)

Avião de espionagem norte americano U-2, é abatido pela União Soviética (65 anos) – considerado um grave incidente diplomático da Guerra Fria

Maio Amarelo – campanha com a finalidade de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortos e feridos no trânsito de todo o mundo e a conscientização da importância da segurança no trânsito

Dia Mundial do Trabalhador

Dia da Literatura Brasileira

Lançamento do programa “Colégio do Ar”, da Rádio Ministério da Educação (74 anos)

2

Nascimento do músico, arranjador, violonista e cavaquista fluminense Valdir de Paula e Silva, o Valdir Sete Cordas (85 anos)

Dia Nacional de Combate ao Assédio Sexual e Moral no Trabalho

3

Morte do compositor, violonista e multi-instrumentista Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto (70 anos) – em 1942, transferiu-se para a Rádio Nacional, atuando na orquestra da emissora, regida por Radamés Gnattali, apresentando-se também em trios, duos e como solista

Morte do editor e livreiro paulista José Olympio (35 anos)

Nascimento do lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor, ensaísta e crítico literário alagoano Aurélio Buarque de Holanda (115 anos)

Inauguração do Museu Biográfico Casa de Anne Frank, em Amsterdã (65 anos)

Dia Nacional do Pau-Brasil

Dia Internacional da Liberdade de Imprensa – comemoração instituída pela ONU por meio da Resolução 48/432 de 20 de dezembro de 1993

Dia do Parlamento – comemoração, conforme a Lei nº 6.230 de 27 de julho de 1975, para marcar a data da instalação da 1ª Assembleia Constituinte brasileira em 3 de maio de 1823

Dia do Sol

Início da transmissão simultânea da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) (15 anos) – então formada pelos quatro canais próprios da EBC, por sete emissoras universitárias e por 15 emissoras públicas estaduais

5

Nascimento do engenheiro militar e sertanista mato-grossense Cândido Mariano da Silva Rondon (160 anos)

Início de protestos em massa na Grécia em resposta às medidas de austeridade impostas pelo governo como resultado da crise da dívida pública grega (15 anos)

Dia Mundial da Língua Portuguesa – data ratificada pela Unesco em Paris, durante a assembleia-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco)

Dia Nacional das Comunicações – data escolhida em homenagem ao nascimento de Marechal Rondon, reconhecido como o Patrono das Comunicações, por ter contribuído para a integração do território nacional por meio da construção de linhas telegráficas

Dia Nacional do Expedicionário

Estreia do programa Antena MEC FM (17 anos)

6

Nascimento do compositor e violonista fluminense Luís Bittencourt (110 anos) – atuou na Rádio Nacional durante muitos anos

Dia Nacional da Matemática

7

Nascimento do cantor, compositor e humorista mineiro Joaquim Silvério de Castro Barbosa (120 anos) – em 1936, participou com Dircinha Batista e Jorge Murad na Rádio Nacional do programa Palmolive, que alcançou muito sucesso

Morte da cantora fluminense Elizeth Cardoso (35 anos)

Morte do militar fluminense Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias (145 anos) – patrono do Exército Brasileiro

Nascimento do compositor russo Peter Ilyich Tchaikovsky (185 anos)

Assinatura do “Instrumento de Rendição Alemã”, que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial (80 anos)

8

Morte do cantor e compositor fluminense Geraldo Pereira (70 anos)

Morte do médico cientista, imunologista e pesquisador biomédico mineiro Vital Brazil Mineiro da Campanha (75 anos) – mundialmente conhecido pela descoberta da especificidade do soro antiofídico, do soro contra picadas de aranha, do soro antitetânico e antidiftérico e do tratamento para picada de escorpião

Dia do Artista Plástico

Dia Mundial da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Dia do Profissional de Marketing

9

Nascimento do cantor potiguar Expedito Baracho (90 anos)

Alemanha Ocidental junta-se à OTAN durante Guerra Fria (70 anos)

10

Nascimento do compositor fluminense Heitor Leite Sodré, o Heitor Catumbi (130 anos)

Morte do cantor e compositor fluminense Dilermando Pinheiro (50 anos) – por influência de Luís Barbosa, que conheceu na Rádio Sociedade, passou a utilizar um chapéu de palha no acompanhamento de samba, que apelidou de “Stradivarius”, e no qual batucou por aproximadamente 20 anos

Dia Mundial do Lúpus – comemoração que conta com o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS) para conscientizar sobre alguns dos sintomas do Lúpus Eritematoso Sistêmico, uma doença auto-imune crônica de causa desconhecida e de difícil diagnóstico, que acomete mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo

Entra em funcionamento a Agência Brasil (35 anos)

Inauguração da Rádio MEC FM (42 anos)

11

Nascimento do contista, romancista, ensaísta e roteirista mineiro Rubem Fonseca (100 anos)

Dia Nacional do Reggae

Dia das Mães (data móvel)

12

Morte do pianista, compositor, editor de partituras musicais, professor e comerciante luso-brasileiro Arthur Napoleão dos Santos (100 anos)

Inauguração do Autódromo de Interlagos (85 anos)

13

Nascimento do cantor, compositor e ativista de causas humanitárias e sociais estadunidense Stevie Wonder (75 anos)

Nascimento do cantor, compositor e instrumentista fluminense Claudemiro José Rodrigues, o Picolino da Portela (95 anos) – faz parte da ala de compositores da escola de samba Portela

Realização da primeira corrida oficial da Fórmula 1 (75 anos) – Foi realizada no circuito de Silverstone (Inglaterra) e o vencedor foi o piloto italiano Nino Farina, que guiava um Alfa Romeo, considerado um dos maiores fabricantes de carros da Europa, ao lado de nomes como Ferrari, Maserati e Mercedes

Incidentes de violência entre NK Dinamo Zagreb e Estrela Vermelha de Belgrado no Estádio Maksimir em Zagreb, Croácia, entre os Bad Blue Boys (fãs do Dinamo Zagreb) e os Delije (fãs do Estrela Vermelha de Belgrado) (35 anos)

Dia da Abolição da Escravatura no Brasil

Dia dos Pretos Velhos (Umbanda)

Criação de Sobradinho, região administrativa do Distrito Federal (65 anos)

Inauguração da primeira Praça do Comércio do Rio de Janeiro, edifício em estilo neoclássico que, desde 1990, é sede da Casa França-Brasil (205 anos)

14

Morte do guitarrista de blues, compositor e cantor estadunidense Riley Ben King, o B. B. King (10 anos)

15

Nascimento do músico e instrumentista fluminense Oscar Castro Neves (85 anos) – considerado por muitos uma das figuras que ajudaram a estabelecer o movimento da Bossa Nova no mercado internacional

Nascimento do ex-jogador de futebol paulista Raí Souza Vieira de Oliveira (60 anos) – fez parte da seleção brasileira de futebol campeã mundial em 1994

União Soviética lança o satélite Sputnik IV (65 anos)

Dia Internacional da Latinidade – comemoração instituída por representantes de 36 países latinos, com o fim de preservar as diferentes identidades nacionais e suas comunidades linguísticas e culturais

Dia Internacional das Famílias – comemoração instituída, em 1993, pela ONU

16

Nascimento do compositor e professor português José Domingues Brandão (160 anos) – um dos fundadores do Centro Musical Paraense. Veio para o Brasil quando era criança, fixando-se em Belém

Nascimento do violonista e compositor cearense Roberto Xavier de Castro, o Fetinga (135 anos)

Nascimento do ex-jogador de futebol fluminense Nilton Santos (100 anos). Bi-campeão mundial de futebol, foi eleito pela FIFA como o melhor lateral-esquerdo de todos os tempos

Morte do compositor e percussionista Antônio Cardoso Martins, o Russo do Pandeiro (40 anos)

Dia Global de Conscientização sobre Acessibilidade (data móvel)

Dia Internacional das Histórias de Vida – data criada pela Rede Internacional de Museus da Pessoa (Brasil, Portugal, EUA e Canadá) e o Center for Digital Storytelling (EUA)

Primeira transmissão do programa Ricardo Cravo Albin Convida, na Rádio MEC (35 anos)

17

Dia Internacional de Luta contra a Homofobia e Transfobia – celebração para marcar a data de 17 de maio de 1990, em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) decidiu suprimir a homossexualidade como doença mental da lista de patologias registradas no Manual de Diagnóstico e Estatística de Desordens Mentais

Dia Mundial das Telecomunicações e Sociedade da Informação, conhecido popularmente como Dia Mundial da Internet – instituída em 17 de maio de 2005 em uma assembleia Geral da ONU na Tunísia, com o fim de destacar as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias para melhorar o padrão de vida dos povos e dos cidadãos

18

Nascimento do religioso polonês Karol Wojtyła, o Papa João Paulo II (105 anos)

Morte do jogador de futebol fluminense Domingos da Guia (25 anos)

Nascimento do instrumentista e professor de saxofone fluminense Mauro Senise (75 anos)

Dia Internacional dos Museus – comemoração instituída em 1971 pelo Comitê Internacional de Museus, com o fim de sensibilizar o público para a importância dos museus em nossa sociedade atual

Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes – criado pela Lei nº 9.970 de 17 de maio de 2000, para marcar a data da morte da menina brasileira de oito anos Aracelli Cabrera Sanches Crespo, que desapareceu da escola onde estudava e que foi violentada e assassinada de forma hedionda na cidade brasileira de Vitória (ES), em 18 de maio de 1973

Dia Nacional da Luta Antimanicomial – comemoração do Brasil, que está oficializada por lei em algumas cidades brasileiras, para marcar a data da elaboração do documento final da “1ª Conferência Nacional de Saúde Mental” no Brasil, ocorrida em 18 de maio de 1987, que então propunha a reformulação do modelo assistencial em saúde mental para os brasileiros

19

Morte do político, intelectual, jornalista, filósofo e poeta cubano José Martí (130 anos)

Nascimento do ativista estadunidense Malcolm Little, conhecido como Malcom X e mais tarde nomeado Malik el-Shabazz (100 anos)

Nascimento do cineasta alagoano Carlos José Fontes Diegues, o Cacá Diegues (85 anos)

Morte do trompetista e compositor paulista Bonfíglio de Oliveira (85 anos)

Nascimento do pianista e compositor fluminense Luís Carlos Vinhas (85 anos) – foi um dos grandes expoentes da Bossa Nova

Dia de Corpus Christi (data móvel)

Dia do Físico – a data é uma alusão ao ano de 1905, quando o físico Albert Einstein publicou quatro artigos de grande impacto, incluindo sobre a Teoria da Relatividade

20

Morte da baiana Anna Justina Ferreira Nery (145 anos) – pioneira da enfermagem no Brasil

Nascimento do compositor e cantor paulista Renato Teixeira (80 anos)

21

Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento

Dia da Língua Nacional

22

Sismo de Valdivia, o mais potente já registrado (9,5 na escala de Richter), atinge o sul do Chile (65 anos)

Dia do Abraço

Dia Internacional da Diversidade Biológica – comemoração instituída pela Unesco na Resolução 55/201, de 20 de dezembro de 2000

23

Primeira Guerra Mundial: a Itália declara guerra à Áustria-Hungria, juntando-se ao conflito do lado da Alemanha nazista e do Japão (110 anos)

Dia Mundial da Tartaruga

Criada a Empresa Brasileira de Notícias (por meio da Lei 6.650), empresa pública que absorve as atividades da Agência Nacional (46 anos)

24

Morte do ator, poeta, teatrólogo e diplomata fluminense Paschoal Carlos Magno (45 anos) – foi também vereador pelo antigo Distrito Federal e, no governo Juscelino Kubitschek, ocupou a função de chefe de gabinete. É considerado um dos renovadores do teatro brasileiro, sendo responsável, por exemplo, pela criação da função de diretor teatral no país

Dia Nacional do Cigano – data instituída em 2006 por meio de decreto, em reconhecimento à contribuição da etnia na formação da história e da identidade cultural brasileira

Dia Nacional do Café – uma das mais deliciosas paixões nacionais. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), aproximadamente 9 em cada 10 brasileiros com mais de 15 anos consomem café

25

Assassinato de George Floyd em Minneapolis, Estados Unidos (5 anos) – o caso gerou revolta social e uma onda de protestos antirracistas e contra a violência policial, primeiro em Minneapolis, depois por diversos outros estados e cidades do país, e pelo mundo

Criação do Instituto Soroterápico Federal, atual Fundação Oswaldo Cruz (125 anos)

“Extinção do Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP (80 anos) – foi instrumento de censura e propaganda do governo durante o Estado Novo”

Dia do Orgulho Nerd – iniciativa que defende o direito de toda pessoa em ser um nerd ou um geek e que promove a cultura nerd/geek. A data faz referência ao lançamento do filme “Guerra nas Estrelas”

Dia Nacional da Adoção – instituído no Brasil pela Lei nº 10.447, de 9 de maio de 2002

Dia Mundial da África – neste dia, em 1963, foi criada a Organização de Unidade Africana (OUA), na Etiópia, com o objetivo de defender e emancipar o continente africano

Dirigível Graf Zeppelin sobrevoa o Rio de Janeiro – procedente da Alemanha, partiu em voo experimental para o Rio de Janeiro, fazendo escalas em Sevilha (Espanha) e Recife (Campo de Jequiá) (95 anos)

26

Morte do compositor, maestro, professor e fagotista gaúcho Antônio de Assis Republicano (65 anos) – autor da orquestração do Hino Nacional Brasileiro e do Hino do Maranhão

Nascimento da cantora de jazz tradicional estadunidense Peggy Lee (105 anos) – ao longo de uma carreira de mais de cinco décadas, Peggy gravou mais de 600 canções e chegou a ser comparada às mais importantes cantoras norte-americanas de sua época, como Billie Holiday e Bessie Smith

Nascimento do multi-instrumentista, maestro, arranjador, compositor, orquestrador e cantor paraibano Severino Dias de Oliveira, o Sivuca (95 anos)

Dia Nacional de Combate ao Glaucoma – comemorado no Brasil, conforme Lei n° 10.456 de 13 de maio de 2002, para alertar sobre essa doença silenciosa

27

Dia Nacional da Mata Atlântica – a data homenageia a “Carta de São Vicente”, escrita em 1560 pelo Padre Anchieta e objetiva conscientizar a população para a conservação, recuperação e uso sustentável da Mata Atlântica

Criação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a Uesb (45 anos)

28

Dia Mundial do Desafio – celebrado na última quarta-feira do mês de maio. Originalmente, o Challenge Day foi criado no começo da década de 1980, no Canadá. É um workshop interativo com duração de um dia, uma ferramenta para incentivar a prática de exercícios e esportes. Em dezenas de países passou a ser mais um instrumento antibullying nas escolas, pela integração de professores e alunos que competem juntos. Com o passar dos anos, o espírito desse dia se consolidou e se espalhou por todo o mundo

Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna

Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher

Dia Internacional do Brincar

29

Tragédia no Estádio Heysel, no final da Taça dos Campeões Europeus entre Liverpool e Juventus, quando 39 torcedores morreram e centenas ficaram feridos quando um muro de contenção caiu (40 anos)

Dia Internacional das Forças de Paz da ONU

Dia do Geógrafo

30

Dia da Mulher Militar – data comemorada mundialmente em homenagem a Joana d’Arc, que foi queimada viva pelos ingleses em 30 de maio de 1431

Nascimento, em 1876, de Mikhail Bakunin, escritor e ativista anarquista russo

31

Início da Copa do Mundo no México (55 anos)

Dia Mundial sem Tabaco – comemoração instituída pela OMS

Inauguração da Catedral Metropolitana de Brasília (55 anos)

Inauguração da Rádio Nacional de Brasília (67 anos)

*As datas são selecionadas pela equipe de pesquisadores do Projeto Efemérides, da Gerência de Acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que traz temas relacionados à cultura, história, ciência e personalidades, sempre ressaltando marcos nacionais e regionais. A Gerência de Acervo também atende aos pedidos de pesquisa do público externo. Basta enviar um e-mail para centraldepesquisas@ebc.com.br.

 

Copa do Brasil: Botafogo goleia e encaminha classificação para oitavas

O Botafogo goleou o Capital por 4 a 0, na noite desta quarta-feira (30) no estádio Nilton Santos, e encaminhou a classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil. Graças a este resultado, o Alvinegro conquista a vaga na próxima fase da competição mesmo com um revés por três gols de diferença na volta, que será disputada no dia 22 de maio.

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A equipe comandada pelo técnico Renato Paiva não encontrou dificuldades diante de um adversário inferior tecnicamente. Assim, abriu o marcador ainda antes do intervalo, logo aos 11 minutos do primeiro tempo com o lateral Alex Telles em cobrança de pênalti.

Após o intervalo o Botafogo continuou soberano na partida e ampliou aos 28 minutos em nova cobrança da marca penal, mas desta vez do atacante Igor Jesus. O terceiro saiu dois minutos depois, graças a cabeçada do atacante Arthur. Aos 44 minutos Rwan Cruz aproveitou bola que sobrou após bate e bate na área para dar números finais ao marcador.

Vitória simples

Outra equipe a entrar em ação nesta quarta-feira pela Copa do Brasil foi o Palmeiras. Jogando no Castelão, o Verdão contou com um gol do zagueiro paraguaio Gustavo Gómez para superar o Ceará pelo placar de 1 a 0.

Outros resultados:

Paysandu 0 x 1 Bahia
Novorizontino 0 x 1 Corinthians
CSA 3 x 2 Grêmio

CMN regulamenta ampliação do Minha Casa, Minha Vida para classe média

Em reunião extraordinária nesta quarta-feira (30), o Conselho Monetário Nacional (CMN) regulamentou a ampliação do Minha Casa, Minha Vida para famílias de classe média.

A regulamentação remove os últimos obstáculos para que a nova faixa de até R$ 12 mil entre em vigor, garantindo as mesmas condições das linhas de crédito, independentemente da fonte de recursos.

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O CMN aprovou dois votos. O primeiro permite a utilização de recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiamentos habitacionais da Faixa 3 do programa, que beneficia famílias com renda entre R$ 4.700,01 e R$ 8,6 mil, sem subsídios, mas juros menores.

A regulamentação foi necessária para garantir as mesmas condições dos financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) às operações com dinheiro do Fundo Social.

Atualmente, os financiamentos da Faixa 3 do Minha Casa, Minha Vida têm juros nominais de 8,16% ao ano, mais Taxa Referencial (TR). Cotistas do FGTS têm desconto de 0,5 ponto percentual.

O segundo voto permite que os bancos combinem recursos do FGTS e recursos próprios, vindos da caderneta de poupança e das Letras de Crédito Imobiliário (LCI), para emprestarem para a nova faixa do Minha Casa, Minha Vida que beneficia famílias com renda mensal de até R$ 12 mil.

A nova categoria do Minha Casa, Minha Vida oferece financiamentos com juros de 10,5% ao ano, 420 parcelas e limite de financiamento de até R$ 500 mil, de imóveis novos e usados.

A regulamentação garante que, mesmo com o uso de recursos combinados, as tarifas cobradas sejam as mesmas dos empréstimos concedidos com recursos do FGTS para imóveis de igual valor.

Impactos

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que as propostas reforçam o compromisso do governo federal com a redução do déficit habitacional e com a melhoria das condições de crédito para famílias de renda média, “por meio de um modelo eficiente, justo e acessível”.

“Ao assegurar previsibilidade, equilíbrio regulatório e combinação de fontes de recursos, as medidas também promovem maior dinamismo ao setor da construção civil”, destacou o texto.

Presidido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o CMN também é composto pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo; e pela ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

Anunciada no início do mês pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nova categoria do Minha Casa, Minha Vida abrangerá famílias que ganham até R$ 12 mil.

No último dia 15, o Conselho Curador do FGTS aprovou a ampliação dos valores de renda das faixas do programa e permitiu a utilização de excedentes do fundo (lucros e rendimentos) como fonte de recursos para a Faixa 4.

No último dia 25, o Ministério das Cidades publicou uma portaria com as novas faixas do programa habitacional.

PGR é a favor de prisão domiciliar para Collor

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou nesta quarta-feira (30) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorável ao pedido de prisão domiciliar para o ex-presidente Fernando Collor.

O parecer foi solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, após receber o pedido feito pela defesa do ex-presidente, que está preso no presídio Baldomero Cavalcanti de Oliveira, em Maceió. 

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A partir da manifestação, o ministro vai decidir se concede a domiciliar.

Na quinta-feira (25), Moraes determinou a prisão do ex-presidente para dar início ao cumprimento da condenação a 8 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em um dos processos da Operação Lava Jato.

Segundo os advogados, Collor não pode ficar no presídio, porque tem 75 anos e possui diversas comorbidades, como doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.

No parecer, Gonet afirmou que a prisão domiciliar é recomendável diante o estado de saúde de Collor.

“A manutenção do custodiado em prisão domiciliar é medida excepcional e proporcional à sua faixa etária e ao seu quadro de saúde, cuja gravidade foi devidamente comprovada”, disse Gonet.

Em 2023, Collor foi condenado pelo STF. Conforme a condenação, o ex-presidente e ex-senador, como antigo dirigente do PTB,  foi responsável por indicações políticas para a BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras, e recebeu R$ 20 milhões em vantagens indevidas em contratos da empresa. Segundo a denúncia, os crimes ocorreram entre 2010 e 2014.

Ao determinar a prisão, Moraes entendeu que os recursos da defesa de Collor para derrubar a condenação são protelatórios para evitar a condenação.

Na segunda-feira (28), por 6 votos a 4, a decisão foi referendada pelo plenário virtual do STF. 

Míriam Leitão é eleita para a Academia Brasileira de Letras

A jornalista e escritora Míriam Leitão foi eleita nesta quarta-feira (30) para a Cadeira 7 da Academia Brasileira de Letras (ABL), na vaga deixada pelo cineasta Cacá Diegues, morto em fevereiro deste ano. Ela foi escolhida por 20 dos 34 votos dos acadêmicos.

O economista e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque recebeu 14 votos. Míriam foi a 12ª mulher eleita, a quinta em seu quadro atual de acadêmicos.

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O presidente da ABL, jornalista Merval Pereira, disse que Míriam Leitão tem todas as qualificações para estar na ABL, é muito ativa nas suas ações e tem um espectro muito amplo de interesse. “É feminina e feminista. Estamos precisando aumentar nossa representação feminina e Miriam vem em boa hora. Estamos ampliando nossa atuação em vários campos e ela vai ser muito útil”.

A acadêmica Rosiska Darcy disse que é uma alegria receber a nova imortal da ABL. “É um merecimento dela, jornalista de todas as mídias, mulher conhecida de todo o Brasil. Esta eleição é sobretudo de uma mulher democrata, num pleito democrático. Então só temos que festejar. Eram dois ótimos candidatos. Isto faz com que eu esteja satisfeita, porque ela vem aumentar a presença de mulheres na Academia.”

O acadêmico Ruy Castro também celebrou a eleição de Míriam Leitão: “Esta é uma Academia de Letras e Míriam Leitão é uma profissional da palavra e na sua condição de colunista de jornal importante, ela é uma militante da palavra em ação, que é uma coisa que precisamos muito na Academia”.

Biografia

Nascida em Caratinga (MG). em 7 de abril de 1953, Míriam Azevedo de Almeida Leitão é a sexta de 12 filhos do casal Uriel e Mariana.

Começou a vida profissional no Espírito Santo, indo depois para Brasília, São Paulo, até se mudar definitivamente para o Rio de Janeiro, em 1986.

É escritora com 16 livros publicados de diversos gêneros literários: não ficção, crônica, romance e livros infantis. É jornalista de jornal impresso, rádio, TV e mídia digital. Em 53 anos de vida profissional, trabalhou em vários veículos de imprensa, entre eles Gazeta Mercantil e Jornal do Brasil.

Desde 1991 está no grupo Globo, é colunista do jornal O Globo, comentarista do Bom Dia Brasil, Globonews, CBN e âncora do programa de entrevistas Míriam Leitão Globonews.

Em dezembro de 1972, aos 19 anos, grávida, foi presa por se opor à ditadura militar.

É casada com o escritor e cientista político Sérgio Abranches. Tem dois filhos, Vladimir Netto e Matheus Leitão, e o enteado Rodrigo Abranches. Tem quatro netos Mariana, Daniel, Manuela e Isabel.

Dólar sobe para R$ 5,67 após oito quedas consecutivas

Após oito quedas consecutivas, o dólar subiu nesta quarta-feira (30), mas manteve-se abaixo de R$ 5,70 e fechou o mês com queda. A bolsa de valores chegou a cair quase 1% iniciou o dia em baixa, mas ganhou força no fim da tarde e fechou estável.

O dólar comercial encerrou a quarta-feira vendido a R$ 5,677, com alta de R$ 0,046 (+0,83%). A cotação caiu para R$ 5,60 nos primeiros minutos de negociação, mas subiu após a divulgação de que a economia norte-americana contraiu 0,3% no primeiro trimestre, como efeito das ameaças do presidente Donald Trump.

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Apesar da alta de hoje, o dólar encerrou abril com queda de 0,5%. O mês foi marcado pela volatilidade. No último dia 8, dias após o tarifaço promovido por Trump, a cotação chegou a R$ 5,997. Em 2025, a divisa cai 8,15%.

O mercado de ações também teve um dia instável. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 135.067 pontos, com queda de apenas 0,02%. Às 11h45, o indicador chegou a cair 0,83%, mas reagiu durante a tarde, acompanhando a alta das bolsas norte-americanas.

Próximo da máxima histórica de 137,3 mil pontos, alcançada no fim de agosto do ano passado, o Ibovespa fechou abril com alta de 3,69% em abril. Em 2025, a bolsa brasileira avança 12,29%.

A divulgação de que o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano encolheu 0,3% no primeiro trimestre fez o dólar subir em todo o planeta. A contração ocorreu por causa da antecipação de importações diante das novas tarifas do governo de Donald Trump, que entraram em vigor em abril. As chances de recessão na maior economia do planeta fizeram o dólar subir.

A alta da moeda norte-americana foi mais sentida nos países emergentes. Isso porque dados fracos da indústria chinesa em abril fizeram o preço das commodities (bens primários com cotação internacional) cair. Isso prejudica países exportadores de produtos agrícolas e de minérios, como o Brasil e as demais economias latino-americanas.

A desaceleração da indústria da China está relacionada com a queda da demanda após a imposição de tarifas de 145% dos Estados Unidos sobre os produtos do país asiático.

*Com informações da Reuters

Lula escolhe procurador federal como novo presidente do INSS

O procurador federal Gilberto Waller Júnior será o novo presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), informou nesta noite o Palácio do Planalto. Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a nomeação foi assinada pela ministra-chefe substituta da Casa Civil, Miriam Belchior.

O ato será publicado em edição extraordinária do Diário Oficial da União. Tradicionalmente, a nomeação do presidente do INSS cabe ao ministro da Previdência Social.

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Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, Waller Júnior tem pós-graduação em Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro. Ele entrou no INSS como procurador em 1998, tendo ocupado os cargos de corregedor-geral de 2001 a 2004 e subprocurador-geral de 2007 a 2008.

Waller também trabalhou na Controladoria-Geral da União (CGU), onde ocupou o cargo de ouvidor-geral da União de 2016 a 2023. Atualmente, ele é corregedor da Procuradoria-Geral Federal, órgão da Advocacia-Geral da União (AGU).

O procurador federal assumirá o posto de Alessandro Stefanutto, demitido do cargo após a Operação Sem Desconto da Polícia Federal revelar a existência de um esquema de fraudes no órgão entre 2019 e 2024, que descontou indevidamente contribuições de aposentados e pensionistas a entidades e organizações sociais.

No mesmo dia da operação, a Justiça Federal determinou o afastamento de Stefanutto, por omissão diante de denúncias de fraudes nos repasses às entidades. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a exoneração de Stefanutto na mesma noite.

Desde a última quinta-feira (24), a diretora de Orçamento, Finanças e Logística do INSS, Débora Aparecida Floriano, ocupava a presidência interina da autarquia. Além de Stefanutto, a Justiça determinou o afastamento de cinco servidores do órgão, posteriormente demitidos.

Na terça-feira (29), o juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 15ª Vara Federal Criminal de Brasília, autorizou a quebra de sigilo telemático de Stefanutto. Segundo o magistrado, o fim do sigilo permite o aprofundamento das investigações do esquema de descontos em aposentadorias e pensões.

Lula defende debate sobre fim da escala 6×1 e aborda fraude no INSS

Na véspera do Dia do Trabalhador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (30) que o governo irá aprofundar o debate sobre a redução da jornada de trabalho vigente no país, a chamada escala 6X1, que hoje permite seis dias de trabalho e um de descanso. 

“Está na hora de o Brasil dar esse passo ouvindo todos os setores da sociedade para permitir um equilíbrio entre a vida profissional e o bem-estar de trabalhadores e trabalhadoras”, disse Lula, em pronunciamento em rede nacional de rádio e TV. 

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O presidente destacou a criação de empregos e o crescimento da economia alcançados em seu governo. Segundo Lula, em dois anos e quatro meses de governo, foram gerados 3,8 milhões de postos de trabalho com carteira assinada.

“Saímos do maior para o menor desemprego da história. E atingimos o recorde histórico de pessoas empregadas”

Ele lembrou o envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que prevê a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil. 

“Agora é assim, quem ganha menos não paga e quem ganha muito paga um valor justo”, disse. 

INSS

No pronunciamento, Lula destacou o trabalho da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal para desmontar um esquema que chamou de “criminoso” de cobrança indevida contra aposentados e pensionistas. O presidente lembrou que o esquema funciona desde 2019 no país. 

“Determinei à Advocacia-Geral da União que as associações que praticaram cobranças ilegais sejam processadas e obrigadas a ressarcir as pessoas que foram lesadas”, disse. 

Programas

Lula falou sobre programas de seu governo, como o Desenrola Brasil e o Crédito do Trabalhador, que permite empréstimo consignado para trabalhadores da iniciativa privada. 

Outro destaque foi o Programa Acredita, que aprimorou as linhas de crédito para Microempreendedores Individuais e microempresas.

Em relação às mulheres trabalhadoras, ele lembrou a aprovação da Lei da Igualdade Salarial, que garante salários iguais entre homens e mulheres no exercício da mesma função, além de apoio financeiro e técnico para as mulheres empreendedoras. 

“Estamos construindo um Brasil mais justo, onde o humanismo e o desenvolvimento caminhem juntos”. 

Morre em Niterói, aos 70 anos, o jornalista Luiz Antonio Mello

Morreu nesta quarta-feira (30), aos 70 anos, o jornalista, radialista e escritor Luiz Antonio Mello, uma das personalidades mais marcantes da comunicação e da cena cultural da cidade de Niterói, na região metropolitana do Rio, onde nasceu. Ele estava internado no Hospital de Icaraí, onde se tratava de uma pancreatite, mas teve uma parada cardíaca, pouco antes de realizar uma ressonância magnética.

Em nota, a prefeitura de Niterói lamentou a morte do jornalista Luiz Antonio Mello, conhecido como Lam – as iniciais de seu nome – e decretou luto oficial de três dias na cidade. “O jornalista era um niteroiense apaixonado por nossa cidade e que tinha uma mente, uma capacidade inventiva e criativa extraordinária.”

O texto diz ainda que Luiz Antonio Mello participou diretamente de um dos momentos mais marcantes da música brasileira e do rock nacional através da rádio fluminense na década de 80. 

“Lembro que ele ficou muito grato e feliz quando apoiamos a realização do filme Aumenta que isso aí é Rock and Roll, baseado no livro de sua autoria. Recentemente, conduzia com maestria as edições do jornal A Tribuna. Niterói, o rock e o jornalismo estão de luto com a sua partida. Mas ele deixou um legado, suas ideias”, disse o prefeito Rodrigo Neves.  

Luiz Antonio Mello era um apaixonado por Niterói, por rock & roll e por jornalismo. Ele começou a carreira em 1971 no Jornal de Icaraí. Dez anos depois esteve à frente de um dos casos mais emblemáticos da comunicação brasileira: a criação, em Niterói, da Rádio Fluminense FM. A “Maldita”, como era chamada, foi um marco que revelou grandes nomes da música, sobretudo da geração de ouro do rock brasileiro nos anos 80. Em 2005, fez parte da equipe que fundou a Bandnews FM no Rio de Janeiro.

A Fluminense FM foi inaugurada em1972,  em Niterói. Em meados de 1981, a direção aceitou a reformulação da rádio, com a entrada da equipe formada pelos radialistas Amaury Santos e Sérgio Vasconcellos, comandados pelo jornalista Luiz Antonio Mello, todos à época jovens, com idades entre 26 e 27 anos.

De início, Mello seria responsável por apenas um programa, que teria o nome de Rock Alive, mas, apesar de não ter agradado um dos avaliadores, conseguiu não somente ser aprovado, como também se transformar em uma rádio 24 horas, dedicada ao rock. Dando oportunidades para bandas novas que surgiam no cenário nacional, entre as quais Os Paralamas do Sucesso, a Fluminense FM, popularmente conhecida como a “Maldita”, ele ajudou a escrever um capítulo importante na história do rock brasileiro.

Homenagem

Os Paralamas do Sucesso publicaram em sua página do Instagram: ”Tristeza imensa com a notícia do falecimento do grande amigo e jornalista Luiz Antonio Mello, fundador e diretor da Rádio Fluminense FM nos anos 80.”

Luiz Antonio Mello e sua equipe ajudaram a deflagrar uma revolução cultural no país, ao embarcar no movimento do rock que fervia nos palcos do Circo Voador, abrindo espaço na programação da rádio para diversas bandas do rock brasileiro como Os Paralamas do Sucesso, Blitz, Barão Vermelho, Legião Urbana, Kid Abelha, entre outras.

Inclusive foi na “Maldita”, como era conhecida a Rádio Fluminense, que a composição Vital e sua Moto foi tocada pela primeira vez, pelas mãos do querido Maurício Valladares.

“Descanse em paz, amigo.
Obrigado por tudo!
Nossos sentimentos à família e amigos. ❤”

Lam foi colunista dos jornais O Pasquim, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo, Jornal Opinião e Folha de Niterói. Desde 2021, era editor do jornal A Tribuna.

O jornalista escreveu os livros Nichteroy, Essa Doida Balzaca (1988); A Onda Maldita (1992); Torpedos de Itaipu (1995); Manual de Sobrevivência na Selva do Jornalismo (1996); Jornalismo na Prática (2006); e 5 e 15, Romance Atonal Beta (2006).

Despedida

O velório do jornalista Luiz Antonio Mello está marcado para esta quinta-feira (1º), na capela 4 do cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, Niterói, entre 13h15 e 15h15. Em seguida, o corpo será enterrado.

Moraes autoriza depoimento de testemunhas de Bolsonaro sobre golpe

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (30) o depoimento de 15 testemunhas de defesa indicadas pelo  ex-presidente Jair Bolsonaro no processo sobre a trama golpista que pretendia impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República.

Com a autorização, vão depor a favor de Bolsonaro o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) e os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Ciro Nogueira (PP-PI) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

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O ex-presidente também indicou o general de Exército Gomes Freire, o brigadeiro Batista Júnior e o ex-diretor de tecnologia do TSE Giuseppe Janino, que foi responsável pelas urnas eletrônicas.

Na mesma decisão, Alexandre de Moraes também autorizou a defesa de Bolsonaro a ter acesso imediato a todas as provas utilizadas contra o ex-presidente durante as investigações sobre a trama golpista.

Denúncia

Em março deste ano, Bolsonaro e mais sete denunciados pela trama golpista viraram réus no STF e passaram a responder a uma ação penal pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Conforme a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) , Bolsonaro tinha conhecimento do plano intitulado Punhal Verde Amarelo, que continha o planejamento e a execução de ações para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice presidente, Geraldo Alckmin, e o ministro do STF Alexandre de Moraes.

A procuradoria também afirma que o ex-presidente sabia da minuta de decreto com o qual pretendia executar um golpe de Estado no país. O documento ficou conhecido durante a investigação como minuta do golpe. 

Câmara: oposição protocola pedido de CPI sobre fraude no INSS

Deputados de oposição protocolaram, nesta quarta-feira (30), um requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os sindicatos envolvidos na fraude do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que apura descontos não autorizados dos beneficiários da previdência entre 2019 e 2024.

Na semana passada, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram uma operação conjunta que apura um suposto esquema de descontos não autorizados de mensalidades associativas em benefícios do INSS. O caso resultou na exoneração do então presidente do instituto, Alessandro Stefanutto, e no afastamento de quatro dirigentes da autarquia e de um policial federal lotado em São Paulo.

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De autoria do deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO), o requerimento de criação da CPI foi entregue com 185 assinaturas de deputados de 14 partidos.

Atualmente, segundo a Câmara dos Deputados, há 13 pedidos de CPI a serem analisados já com assinaturas suficientes. O regimento Interno estabelece que só podem funcionar cinco CPIs simultaneamente. No momento, não há nenhuma em funcionamento.

A PF também informou ter reunido indícios da existência de irregularidades em parte dos cerca de R$ 6,3 bilhões que a cobrança das mensalidades associativas movimentou apenas entre 2019 e 2024. Nos dias seguintes, a CGU e o próprio INSS tornaram públicos os resultados de auditorias realizadas desde 2023, que também apontavam inconsistências e problemas relacionados ao tema.

*Com informações da Agência Câmara. 

Vendas do Tesouro Direto superam R$ 11 bi e batem recorde em março

Impulsionadas pelo vencimento recorde de títulos corrigidos pela Selic (juros básicos da economia), as vendas de títulos públicos a pessoas físicas pela internet bateram recorde em março, divulgou nesta quarta-feira (30) o Tesouro Nacional. No mês passado, o Tesouro Direto vendeu R$ 11,69 bilhões em papéis.

Esse é o maior valor para todos os meses desde a criação do programa, em 2002. O recorde anterior tinha sido registrado em agosto do ano passado, quando as vendas tinham somado R$ 8,01 bilhões.

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Em relação a fevereiro, as vendas subiram 102,86%. Na comparação com março do ano passado, o volume subiu 231,11%.

O principal fator que contribuiu para o alto volume de vendas foi o vencimento de títulos corrigidos pela Taxa Selic (juros básicos da economia), que foram trocados por papéis novos. Em março, os resgates de títulos atrelados à Selic, somados aos vencimentos e recompras, totalizaram R$ 11,529 bilhões. As vendas do papel atingiram R$ 7,391 bilhões.

Os títulos mais procurados pelos investidores em setembro foram os vinculados aos juros básicos, cuja participação nas vendas somou 63,2%. Os papéis corrigidos pela inflação (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA), corresponderam a 19,1% do total, enquanto os prefixados, com juros definidos no momento da emissão, totalizaram 11,6%.

Destinados ao financiamento de aposentadorias, o Tesouro Renda+, lançado no início de 2023, respondeu por 4,9% das vendas. Criado em agosto de 2023, o novo título Tesouro Educa+, que pretende financiar uma poupança para o ensino superior, atraiu apenas 1,2% das vendas.

O interesse por papéis vinculados aos juros básicos é justificado pelo alto nível da Taxa Selic. A taxa, que estava em 10,5% ao ano até setembro, foi elevada para 14,25% ao ano. Com a expectativa de novas altas, os papéis continuam atrativos. Os títulos vinculados à inflação também têm atraído os investidores por causa da expectativa de alta da inflação oficial nos próximos meses.

O estoque total do Tesouro Direto alcançou R$ 165,095 bilhões no fim de março, alta de 0,66% em relação ao mês anterior (R$ 164,02 bilhões), mas alta de 23,88% em relação a março do ano passado (R$ 133,27 bilhões). Essa alta ocorreu por causa da correção de juros, porque os resgates superaram as vendas em R$ 742,3 milhões no último mês.

Investidores

Em relação ao número de investidores, 78,9 mil participantes deixaram de fazer parte do programa no mês passado, por causa de investidores que embolsaram os ganhos com os títulos da Taxa Selic que venceram e não voltaram ao Tesouro Direto.

O número total de investidores atingiu 31.972.319. Nos últimos 12 meses, o número de investidores acumula alta de 14,17%. O total de investidores ativos (com operações em aberto) chegou a 2.947.516, aumento de 15,4% em 12 meses.

A utilização do Tesouro Direto por pequenos investidores pode ser observada pelo considerável número de vendas de até R$ 5 mil, que correspondeu a 72,2% do total de 904.506 operações de vendas ocorridas em março. Só as aplicações de até R$ 1 mil representaram 48,9%. O valor médio por operação atingiu R$ 12.924,37, recorde da série histórica.

Os investidores estão preferindo papéis de curto prazo. As vendas de títulos de até cinco anos representam 46,7% do total. As operações com prazo entre cinco e dez anos correspondem a 38,7% do total. Os papéis de mais de dez anos de prazo representaram 14,6% das vendas.

O balanço completo do Tesouro Direto está disponível na página do Tesouro Transparente.

Captação de recursos

O Tesouro Direto foi criado em janeiro de 2002 para popularizar esse tipo de aplicação e permitir que pessoas físicas pudessem adquirir títulos públicos diretamente do Tesouro Nacional, via internet, sem intermediação de agentes financeiros. O aplicador só precisa pagar uma taxa para a B3, a bolsa de valores brasileira, descontada nas movimentações dos títulos. Mais informações podem ser obtidas no site do Tesouro Direto.

A venda de títulos é uma das formas que o governo tem de captar recursos para pagar dívidas e honrar compromissos. Em troca, o Tesouro Nacional se compromete a devolver o valor com um adicional que pode variar de acordo com a Selic, índices de inflação, câmbio ou uma taxa definida antecipadamente no caso dos papéis pré-fixados.

Vendas da indústria de máquinas sobem 15% no primeiro trimestre

A receita de vendas da indústria de máquinas e equipamentos atingiu 67,5 bilhões nos três primeiros meses do ano, 15,2% acima do registrado no mesmo período de 2024. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (30), são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

A receita das vendas internas somou R$ 51,6 bilhões de janeiro a março, 18% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

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“Esse desempenho reforça a percepção de um primeiro semestre positivo. No entanto, começam a surgir sinais de alerta: o setor pode enfrentar maiores dificuldades na segunda metade do ano, em razão dos efeitos cumulativos do aperto monetário e de um ambiente macroeconômico mais desafiador”, informou, em nota, a entidade.

Já as exportações do setor totalizaram US$ 2,7 bilhão no primeiro trimestre, uma queda de 5,8% na comparação com o mesmo período de 2024. Segundo a Abimaq, entre os principais destinos de máquinas e equipamentos nacionais, houve queda importante para a América do Norte. No período, todos os países desta região reduziram suas aquisições do Brasil: os Estados Unidos, em 30,2%; o México, em 30%; e Canadá, em 27,2%.

Para a Europa e América do Sul houve, em contrapartida, crescimento importante das vendas, 16,1% e 12,9%, respectivamente. Dentre os países da América do Sul, destacou-se a Argentina, que registrou expansão de 59,3%, principalmente em máquinas para agricultura e para construção civil.

Outro destaque no período foi o crescimento das exportações para a China (alta de 203,1%), que passou a ser o 6º principal destino das exportações neste primeiro trimestre, com uma participação de 3,1% do total das exportações ante 1% no mesmo período de 2024.

As importações de máquinas e equipamentos, no primeiro trimestre, chegaram a US$ 7,8 bilhões, 12,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. No acumulado de janeiro, fevereiro e março, a participação chinesa saltou para 34%, deixando para trás tradicionais fabricantes de máquinas e equipamentos como os Estados Unidos e a Alemanha, ao registrar crescimento de 30,2% ante o primeiro trimestre de 2024.

“Esse reposicionamento revela não apenas uma tendência  de longo prazo, mas também o fortalecimento da China como principal polo de fornecimento de máquinas e equipamentos, influenciando diretamente a dinâmica do mercado de bens de capital brasileiro e mundial”, disse a Abimaq em nota.

Brasil deve chegar a 635,7 mil médicos em 2025; mulheres são maioria

Até o fim de 2025, o Brasil deve registrar 635.706 médicos em atividade – uma média de 2,98 profissionais por mil habitantes. O número permanece abaixo do recomendado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que são 3,7 profissionais por mil habitantes.

Dados do estudo Demografia Médica 2025, lançado nesta quarta-feira (30), mostram ainda que, pela primeira vez na história, as mulheres passarão a representar a maioria dos médicos atuantes no país, somando 50,9% do total de profissionais em atividade em solo brasileiro.

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A projeção para 2035 é que o montante de médicos atuando no Brasil supere a marca de 1 milhão e chegue a 1.152.230 – uma média de 5,2 profissionais por mil habitantes. Além disso, a expectativa é que, em dez anos, as mulheres respondam por 55,7% desse do total de médicos em atividade no país.

O levantamento é conduzido há 15 anos pelo departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB). A edição de 2025 é a primeira realizada com o apoio do Ministério da Saúde.

A pesquisa reúne dados nacionais e internacionais sobre formação, distribuição e atuação de médicos, com projeções para os próximos anos. Os dados utilizados têm como base registros da Comissão Nacional de Residência Médica, do Ministério da Educação, e de sociedades de especialidades vinculadas à AMB.

Desigualdades

De acordo com o estudo, as desigualdades na distribuição de médicos pelo país persistem. O levantamento mostra que 48 cidades com mais de 500 mil habitantes concentram 31% da população brasileira e 58% dos médicos em atividade em todo o território nacional.

Ao mesmo tempo, 4.895 cidades com menos de 50 mil habitantes e que também concentram 31% da população brasileira contam com apenas 8% destes profissionais.

Além disso, 19 macrorregiões em saúde distribuídas pelo território nacional contam com menos de um médicos por mil habitantes, enquanto outras 15 macrorregiões registram uma média de mais de 4 médicos por mil habitantes.

Em 2035, a projeção é que o Distrito Federal, por exemplo, contabilize 11,83 médicos por mil habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro, com 8,11 médicos por mil habitantes, e por São Paulo, com 7,17 médicos por mil habitantes.

No mesmo prazo de dez anos, o Maranhão deve registrar uma média de apenas 2,43 médicos por mil habitantes, seguido pelo Pará, com 2,56 médicos por mil habitantes, e pelo Amapá, com 2,76 médicos por mil habitantes.

Expansão da graduação

Os dados mostram que, entre 2004 e 2013, 92 novos cursos de medicina foram registrados no país, com 7.692 novas vagas. Já o período de 2014 a 2024 contabilizou 225 novos cursos de medicina em todo o Brasil, com 27.921 novas vagas.

Também foram registradas novas vagas em cursos de medicina já existentes – 697 no período de 2004 a 2013 e 11.110 entre 2014 e 2024.

Residência médica

A pesquisa indica que as vagas de residência médica não acompanham a graduação – em 2024, cerca de 8% dos médicos do país cursavam algum programa de residência médica em 2024.

Os dados mostram que 51,5% dos médicos aguardam até um ano após a graduação para ingressar na residência médica; 22,1% até dois anos; 12,5% até três anos; 9,2% até cinco anos; e 4,7% mais de cinco anos.

Médico generalistas

Do total de 597 mil médicos em atividade no Brasil em 2024, 59,1% ou 353.287 eram especialistas, enquanto 40,9% ou 244.142 eram generalistas.

Os homens são maioria em 35 das 55 especialidades médicas, sobretudo em urologia (96,5%) e ortopedia e traumatologia (92%). As especialidades com maior presença feminina são dermatologia (80,6%) e pediatria (76,8%).

Entre os médicos especialistas, 50,6% se concentram em sete áreas: clínica médica (12,4%), pediatria (10%), cirurgia geral (7,8%), ginecologia e obstetrícia (7,4%), anestesiologia (4,7%), cardiologia (4,3%) e ortopedia e traumatologia (4%).

Distrito Federal e São Paulo respondem pelas maiores razões de especialistas por 100 mil habitantes (453 e 244, especificamente), enquanto Maranhão e Pará respondem pelas menores taxas no país (68 e 70, respectivamente).

Senado autoriza BNDES a captar R$ 2,6 bilhões no exterior

O Senado autorizou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a contratar dois empréstimos no exterior, que somam R$ 2,6 bilhões. A União deu garantias para a operação, que tem como fim abastecer o caixa do banco público de fomento para programas de empréstimos no Brasil.

Uma das operações será a contratação de US$ 250 milhões, cerca de R$ 1,4 bilhão, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e outro de 30 bilhões de ienes, cerca de  R$ 1,2 bilhão, da Agência de Cooperação Internacional do Japão. Ambas as propostas foram de iniciativa da Presidência da República.

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Como banco público de fomento, o BNDES consegue captar dinheiro no exterior com juros menores do que em bancos privados. Dessa forma, o BNDES pode emprestar os recursos no país, também com taxas de juros mais baixas.

Destinação

O empréstimo do BID é para apoio a micro, pequenas e médias empresas que ainda não se recuperaram dos efeitos da pandemia da covid-19. Os recursos serão usados para financiar investimentos em áreas vulneráveis, liderados por mulheres e voltados à sustentabilidade, como projetos relacionados ao clima.

O financiamento com a agência de cooperação japonesa será direcionado a micro, pequenas e médias empresas de todo o país, em especial às do Rio Grande do Sul, estado devastado por temporais há 1 ano.

Também terão acesso ao crédito instituições médicas e empresas relacionadas ao setor de saúde, como fabricantes e fornecedores de equipamentos. 

O empréstimo foi contratado pelo BNDES com taxa de juros de apenas 0,01% ao ano. Essa linha de crédito se aproxima da política de incentivo ao Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

Mesmo tendo na carteira de crédito operações em que cobra juros mais baixos que o mercado e não reembolsáveis, o BNDES apresenta balanço positivo. 

Em 2024, o lucro da instituição cresceu 20,5% em relação ao ano anterior e alcançou R$ 26,4 bilhões.

Brasil registrou 71,5 mil postos formais de trabalho em março

O Brasil encerrou o mês de março com saldo positivo de 71.576 empregos com carteira assinada. O balanço é do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O resultado decorreu de 2.234.662 admissões e de 2.163.086 desligamentos.

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Em março do ano passado, o saldo positivo foi de 244.315 empregos. Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a diferença pode ser explicada pelo fato de o carnaval deste ano ter caído em março, em vez de ser em fevereiro, como normalmente ocorre.

No acumulado do ano (janeiro/2025 a março/2025), o saldo foi de 654.503 empregos, resultado de 7.138.587 admissões e 6.484.084 desligamentos.

Segundo Marinho, os resultados do Caged de março são uma sinalização para a possibilidade de redução da taxa de juros no país. Atualmente, a Selic, juros básicos da economia, está em 14,25% ao ano. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) será na semana que vem.

“De repente isso deixa o povo do Banco Central feliz, quem sabe eles possam com isso tirar o pé do freio da contenção e liberar a economia para funcionar melhor. Está na hora de falar em parar de aumentar a taxa Selic e falar em reduzir a taxa Selic. Essa é a mensagem do mercado de trabalho”, disse.

Setores

Três dos cinco grandes grupamentos de atividades registraram saldos positivos em março e dois apresentaram saldo negativo:

  • Serviços (+52.459 postos)
  • Construção (+21.946 postos)
  • Indústria (+13.131 postos)
  • Comércio (-10.310 postos)
  • Agropecuária (-5.644 postos)

Regiões

No mês passado, quatro das cinco regiões brasileiras apresentaram saldos positivos e uma saldo teve negativo:

  • Sudeste (+48.086 postos)
  • Sul (+24.533 postos)
  • Centro-Oeste (+6.962 postos)
  • Norte (+5.170 postos)
  • Nordeste (-13.199 postos)

Das 27 unidades da Federação, 19 registraram saldos positivos.

Perfil

Entre os postos de trabalho gerados em março, 48.922 foram para as mulheres e 22.654 para os homens. A faixa etária com maior saldo positivo foi de 18 anos a 24 anos, com 77.902 postos.

Desocupação

Na manhã de hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que mostram que o Brasil fechou o primeiro trimestre de 2025 com taxa de desocupação de 7%. Esse patamar fica acima do registrado no trimestre anterior, encerrado em dezembro (6,2%), no entanto, é o menor para os meses de janeiro a março em toda a série histórica.

EUA defendem na ONU bloqueio de ajuda humanitária por Israel em Gaza

O governo dos Estados Unidos (EUA) defendeu, nesta quarta-feira (30), perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), principal tribunal das Nações Unidas (ONU), em Haia, na Holanda, que Israel tem o direito de bloquear ajuda humanitária de atores ou organizações que considere “parciais”, citando a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA).

O alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Josuah Simmons, argumentou que a legislação internacional permite a uma potência ocupante, como Israel nos territórios palestinos, definir como se dará a ajuda humanitária à população civil. Segundo Simoons, Israel tem motivos para questionar a imparcialidade da UNRWA.

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“Israel não tem obrigação de permitir que a UNRWA forneça especificamente assistência humanitária. A UNRWA não é a única opção para fornecer assistência humanitária em Gaza. Em alguns casos, não há exigência legal de que uma potência ocupante permita que um terceiro Estado específico ou organização internacional conduza atividades em território ocupado que comprometam seus interesses de segurança”, comentou.

A posição dos EUA difere das dos demais Estados que se pronunciaram nos três dias de audiências na CIJ sobre ação movida pela Assembleia Geral da ONU. A assembleia pediu ao tribunal um parecer jurídico sobre as obrigações de Israel para “garantir e facilitar a entrada sem obstáculos de suprimentos urgentes essenciais para a sobrevivência da população civil palestina”.

As audiências começaram mais de 50 dias após Israel impor um bloqueio total à entrada de ajuda humanitária em Gaza, seja da UNRWA ou de qualquer outra organização, e onde cerca de 2 milhões de pessoas enfrentam a fome.

Ainda segundo o funcionário estadunidense, há dúvidas sobre a imparcialidade da UNRWA e pediu para o tribunal não se manifestar sobre as obrigações de Israel como potência ocupante. “A questão que lhe é submetida aqui não exige a revisitação da análise desse direito”, disse.

A UNRWA é a principal agência de assistência aos palestinos refugiados e atende mais de seis milhões de pessoas. Desde outubro de 2024, Israel proibiu as atividades da UNRWA acusando-a de apoiar o Hamas. Porém, não forneceu provas de suas acusações à investigação independente da ONU sobre o tema.

A Agência da ONU afirma que tem três mil caminhões com ajuda humanitária prontos para entrar em Gaza sem permissão de Israel. Mais de 290 membros da equipe da UNRWA foram assassinados e 311 instalações da agência foram atacadas desde o dia 7 de outubro de 2023.

Ajuda x Segurança

O representante de Washington, principal aliado de Israel na guerra em Gaza, disse ainda que Israel tem total discricionariedade para equilibrar as exigências de ajuda humanitária à população palestina com suas necessidades de segurança.

“Na lei da ocupação, portanto, os interesses militares e humanitários convergem. Isso significa que, quando disposições específicas dessa lei exigem que uma potência ocupante forneça socorro à população civil, a potência ocupante não perde o direito de garantir sua própria segurança”, completou.

Josuah Simmons disse ainda que as decisões da Assembleia Geral não têm qualquer poder vinculante para os Estados-membros e apenas o Conselho de Segurança poderia exigir ações concretas dos países.

“O Conselho de Segurança não adotou uma resolução vinculativa determinando que Israel deva cooperar especificamente com a ONU. Na ausência de tal decisão do Conselho de Segurança, os Estados-membros individuais têm flexibilidade para determinar medidas apropriadas”, completou.

O alto funcionário estadunidense disse ainda que a comunidade internacional deveria se preocupar em promover um cessar-fogo “e em novas ideias para um futuro melhor para israelenses e palestinos”. O governo Trump tem defendido a emigração em massa de palestinos para outros países

França e Rússia

Também se manifestaram nesta quarta-feira, em Haia, representantes da Rússia, França e Indonésia. Ao todo, quase quarenta países e quatro organizações internacionais foram programadas para falar no julgamento, que segue até sexta-feira (2). A maioria defendeu que Israel deve permitir a entrada de ajuda humanitária nos territórios ocupados.

O representante russo Maksim Musikhin defendeu o trabalho da Agência da ONU para os Refugiados Palestinos.

“Por 75 anos, a UNRWA tem sido mais do que apenas uma agência humanitária. É um símbolo da responsabilidade coletiva da comunidade internacional para com o povo palestino, que luta por um Estado próprio no exercício do seu direito à autodeterminação e ao retorno à sua terra, em conformidade com o direito internacional”, comentou.

O representante da França, embaixador Diego Colas, pediu que a ajuda chegue à Faixa de Gaza sem impedimentos. “A ajuda humanitária deve chegar a Gaza em grande escala. As restrições a esse acesso devem ser suspensas sem demora. Todos os pontos de passagem devem ser abertos e o trabalho das organizações humanitárias deve ser facilitado, e seu pessoal protegido, em conformidade com o direito internacional”, disse.

Ontem, o Brasil defendeu que a Corte declare ilegal o bloqueio de ajuda humanitária de Israel em Gaza.

Israel

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel – ABIR SULTAN/Pool via REUTERS/Proibida reprodução

O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que não permitirá a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza enquanto o Hamas não se render totalmente e enquanto não devolver todos os reféns ainda em poder do grupo. O bloqueio vigora desde o dia 2 de março.

Sobre o processo em Haia, o ministro israelense das Relações Exteriores, Gideon Sa’ar, acusou a ONU de perseguir Israel e voltou a sustentar que a agência das Nações Unidas para refugiados palestinos é “infestada de terroristas”.

“Este caso faz parte de uma perseguição sistemática e de deslegitimação de Israel. Estão abusando do sistema jurídico internacional e o politizando. O objetivo é privar Israel de seu direito mais básico de se defender. Não é Israel que deve ser julgado. É a ONU e a UNRWA”, destacou em entrevista a jornalistas, em Jerusalém.

Na semana passada, ao comentar sobre os pedidos para permitir a entrada de ajuda humanitária em Gaza, Netanyahu afirmou que “a ajuda que vai para o Hamas não é humanitária”.

Já o Hamas afirma que havia a previsão de entregar todos os reféns feitos no dia 7 de outubro caso Israel tivesse cumprido o acordo de cessar-fogo de janeiro e desocupado a Faixa de Gaza.

No RS, casarão de 117 anos resistiu a várias enchentes do Rio Taquari

Do cenário de destruição que se vê no bairro Navegantes, em Arroio do Meio, no Vale do Taquari, onde centenas de casas foram praticamente varridas do mapa nas enchentes do ano passado, no Rio Grande do Sul, um detalhe não passa nada despercebido a quem chega no local. 
Arroio do meio – Solange de Oliveira Schneider em frente ao Casarão que abriga o restaurante da família. A construção, de 117 anos, resistiu a várias enchentes do rio Taquari – Joédson Alves/Agência Brasil

No começo da rua, bem na esquina, nota-se um casarão antigo de dois pisos, com aspecto robusto e grandes janelas. No mastro instalado no alto, uma bandeira gaúcha tremula apontada para o rio. É praticamente o único edifício que se manteve de pé naquela área.

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Tradicional ponto gastronômico da região, a Casa do Peixe, restaurante dirigido pela mesma família há 70 anos, acabou se tornando um símbolo de resiliência gaúcha na maior catástrofe já vivida pelo estado. Com 117 anos de existência, o casarão manteve sua estrutura intacta diante da força da correnteza que tentou arrastá-lo em maio de 2024.  

“A água chegou no sótão da casa grande, que é esse prédio aqui onde estamos, foram 8,5 metros [de altura]. E ali, nos fundos, na casa onde eu moro mesmo, cobriu tudo”, conta Solange Oliveira Schneider à Agência Brasil.

Arroio do meio – O casal Solange de Oliveira Schneider e Darcísio Paulo Schneider reabriram o restaurante que funciona no Casarão em setembro do ano passado – Joédson Alves/Agência Brasil

Ela e o marido, Darcísio Schneider, conhecido como Picolé, tocam o negócio há 40 anos. O restaurante foi aberto pelo pai de Solange, ainda na década de 1950. 

Construído no início do século passado para ser um moinho, o imóvel possui parede grossas e resistiu à famosa enchente de 1941, até então a maior da história do estado. 

Diversas outras enchentes, de menor porte, voltariam a ocorrer naquela região ao longo das décadas. Em 2023, por exemplo, a água passou de 3,8 metros, relata a proprietária.

Apesar do desespero inicial, Solange decidiu retomar o negócio, impulsionada por essa resistência centenária.

“Quando a gente foi fazer um raio-x da casa para ver [as avarias], vimos que não atingiu em nada [na estrutura]. Então, não tinha porque a gente não recomeçar”. 

A limpeza do imóvel ainda levou meses. “Tivemos que arrancar árvore de dentro para chegar no assoalho do andar de cima”, descreve. 

A Casa do Peixe finalmente reabriu as portas no dia 20 de setembro do ano passado, justamente na data em que se comemora o início da Revolução Farroupilha, quando o estado lutou por independência do império

Agora, o imóvel passa por estudos para se tornar um patrimônio tombado pelo estado do Rio Grande do Sul.

Aberto de terça a sábado para almoço e jantar, o restaurante mais antigo de Arroio do Meio serve um rodízio de pescados de água doce e salgada, em preparos como escabeche, ensopado e filé. 

Arroio do meio – No bairro de navegantes, próximo ao Rio Taquari, as residências foram totalmente destruídas pela última enchente – Joédson Alves/Agência Brasil

O movimento na Casa do Peixe ainda não se recuperou da enchente, mas a inauguração da ponte sobre o Rio Forqueta, há cerca de um mês, deve ajudar. Destruída pelas enchentes, a ponte liga Arroio do Meio a Lajeado, conectado diversos municípios da região.

Situação em Arroio

Pelo levantamento da Prefeitura de Arroio do Meio, a demanda por moradias no município é de 700 casas. Desse total, cerca de 100 devem ser viabilizadas pelo programa Compra Assistida, do governo federal. 

As demais serão construídas em dois novos bairros que serão criados no município, fora da área alagável. Esse processo, segundo o prefeito Sidnei Eckert, ainda levará alguns anos.

“Os contratos estão sendo assinados, os projetos estão sendo colocados no papel e encaminhados, mas a partir daí vem a questão da empresa, que precisa fazer toda a infraestrutura do loteamento. Tudo isso precisa acontecer, é muito difícil que com menos de 2 ou 3 anos essas casas estejam concluídas”, prevê.

Arroio do meio – Igreja evangelica destruída no bairro de navegantes, próximo ao rio Taquari, onde as residências foram totalmente destruídas pela última enchente – Joédson Alves/Agência Brasil

Já o bairro Navegantes, na chamada área de arraste, onde as casas foram levadas pela correnteza, será construído um parque público linear, com pistas de caminhada, ciclovias e equipamentos de lazer, como em outras cidades do Vale do Taquari. 

O prefeito acredita que, até o final de sua gestão, em 2028, o local ainda esteja em processo de construção. Nem mesmo os entulhos das casas destruídas começaram a ser retirado. O gestor diz que busca mais recursos para fazer o serviço de uma só vez, ainda sem previsão.

 

Um ano após enchentes, cerca de 380 pessoas seguem em abrigos no RS

Almerinda Veiga da Silva, de 57 anos, está no quinto abrigo desde que precisou sair de casa, exatamente um ano atrás, quando o bairro em que morava, o Rio Branco, em Canoas, foi tomado pelas águas na maior catástrofe climática da história do Rio Grande do Sul.

Ela precisou se separar do marido, que foi para um abrigo masculino, e seguiu com a filha, com Síndrome de Down, a um lugar exclusivo para mães atípicas. Naquele momento, todos foram resgatados e acolhidos em segurança. Com o passar dos meses, o que poderia ser uma história de recomeço tomou o rumo da maior dor emocional de sua vida.

Canoas – Almerinda Veiga da Silva, de 67 anos, faz parte das 240 pessoas que continuam no centro humanitário de acolhimento Esperança, um ano após o estado ter sido atingido por temporais que afetaram mais de 400 municípios – Joédson Alves/Agência Brasil

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“Tem um mês que eu pedi minha filha especial, por conta do trauma da enchente. Acarretou danos, digamos, emocionais. Ela era portadora da síndrome de Down. Perdi o marido também por conta da enchente. Ele ficou muito traumatizado, entrou em depressão e acabou falecendo no Natal. Então, não tá sendo fácil”, lamentou, em entrevista à Agência Brasil, durante visita da reportagem ao Centro Humanitário de Acolhimento (CHA) Esperança, que fica no Centro Olímpico, em Canoas. 

É o único abrigo que ainda funciona na cidade, com 216 pessoas, segundo a prefeitura, mas deve ser fechado até o fim de maio. O local foi instalado em julho do ano passado, em uma parceria entre o governo do estado, a Fecomércio-RS e a Agência da Nações Unidas para as Migrações (OIM), principal organismo intergovernamental no campo da migração.

Além de alimentação e atendimento em saúde, a unidade conta com serviços de assistência social, apoio na busca por emprego, apoio para inscrição em programas de habitação, creche e até um abrigo para animais domésticos de tutores que estão no centro.

Um outro abrigo ainda remanescente na região metropolitana é fruto da mesma parceria e está localizado em Porto Alegre. O centro abriga cerca de 120 pessoas e também está em processo de desmobilização nas próximas semanas. 

Os dois abrigos – de um total de nove ainda em funcionamento – são os maiores e concentram 93% do total das pessoas atendidas no estado. No auge da emergência climática, mais de 80 mil pessoas chegarem a ficar abrigadas. Atualmente são 383 pessoas assistidas no Rio Grande do Sul.

Vulneráveis

Canoas – Cláudio Joel Bello, de 42 anos, foi selecionado pelo programa Compra Assistida para receber uma moradia, mas reclama da lentidão para finalizar o processo – Joédson Alves/Agência Brasil

Não há um levantamento socioeconômico sobre o perfil desses abrigados, mas não é difícil constatar que são pessoas em situação de muita vulnerabilidade social. 

Desde meados do ano passado no CHA Esperança, Claudio Joel Bello, de 43 anos e desempregado, conta ter sido atingido pelas enchentes no bairro Mathias Velho, que ficou totalmente alagado por mais de um mês. 

Ele foi selecionado pelo programa Compra Assistida para ganhar uma casa em Sapucaia do Sul, também região metropolitana de Porto Alegre, mas reclama da lentidão para finalizar o processo:

“Se o governo me deu minha casa, por que eu vou não vou pra minha casa de uma vez? Tenho quase um ano em abrigo.”

O programa, criado pelo governo federal, concede apoio de R$ 200 mil para a compra de imóveis já existentes em qualquer cidade do estado para quem é contemplado. Até o momento, cerca de 1,5 mil contratos foram assinados.

Bello é o único no abrigo que havia sido contemplado com a Compra Assistida. Já os demais se dividem em duas situações: concessão de aluguel social por 12 meses, no valor mensal de R$ 1 mil, e moradia provisória mobiliada instalada no bairro Estância Velha.

Almerinda contou à reportagem que foi ao bairro provisório, mas achou o local pouco seguro e optou pelo aluguel social. Ela, no entanto, não dispõe de móveis para conseguir viver no imóvel alugado. 

“A casa tá alugada, foi feito o contrato, foi paga a caução, só que a mobília… Eu vou morar na casa sem nada?”, questiona. 

No abrigo, uma parecia da ONU Migrações com empresas privadas, ela tenta viabilizar doações de eletrodomésticos, mas a demanda não tem sido atendida: “eu só vou sair do abrigo quanto tiver meus móveis”.

Canoas – Josebete da Silva faz parte das 240 pessoas que foram atingidas pela enchente de abril de 2024 continuam no centro humanitário de acolhimento Esperança, no bairro Iguara – Joédson Alves/Agência Brasil

Josebete da Silva, de 47 anos, está prestes a deixar o abrigo para o bairro provisório na Estância Velha. Ele vai morar em um contêiner de concreto de 27 metros quadrados com a esposa e duas filhas. 

“Para mim, que pago aluguel, vai ser melhor. A esposa que escolheu [essa alternativa]”, contou à reportagem. A expectativa dele, que trabalha em um moinho de farinha, é ser contemplado posteriormente em um programa de habitação para uma moradia definitiva.

Respostas

Procurada, a prefeitura de Canoas informou, em nota, que um convênio com o governo do estado é o que está permitindo a construção de 58 casas temporárias. As obras devem estar finalizadas até o dia 15 de maio, quando as famílias poderão se mudar. 

“O valor para a instalação dos módulos é de R$ 133 mil por unidade, incluindo as mobílias e eletrodomésticos. São 58 módulos transportáveis e estão localizados no bairro Estância Velha. Ainda há, no governo municipal, o programa Aluguel Social ativo, atualmente contemplando 1.249 famílias, sendo que 77 contratos são de benefícios do CHA”.

Em relação às moradias definitivas, de acordo com a administração municipal, há dois empreendimentos com obras iniciadas, nos bairros Niterói e Fátima, que vão totalizar 400 unidades habitacionais, financiadas pela Caixa Econômica Federal. As obras tem previsão de serem concluídas em até 18 meses.

Cruzeiro do Sul – Moradias temporárias na parte alta de um morro onde será construído o novo bairro Passo Estrela – Joédson Alves/Agência Brasil

Das três mil unidades habitacionais autorizadas pelo Ministério das Cidades para Canoas, segundo a prefeitura, já foram assinados dois contratos totalizando mais de 1,5 mil unidades exclusivamente para famílias atingidas pelas enchentes, com previsão de entrega em 18 meses. A ideia é buscar autorização para mais 3 mil novas unidades.

Ainda segundo a prefeitura, um outro programa, em parceria com o governo federal, prevê a reconstrução de até 210 casas, no valor unitário de R$ 150 mil, totalizando R$ 31 milhões, por meio Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social. 

Após a enchente, foram solicitadas 18.633 vistorias. Deste total, 11.862 foram consideradas habitáveis, e 5.502 imóveis foram classificados como inabitáveis e deverão ser interditados. Outras 1.269 solicitações de vistoria ainda estão pendentes no município.

Moradores de Canoas se unem para cobrar obras antienchentes

O município de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, teve dois terços de sua área urbana invadida pelas inundações que atingiram o Rio Grande do Sul em maio do ano passado. 

Por várias semanas, as águas cobriram diversos bairros, fazendo com que mais de 150 mil moradores, mais da metade dos 347 mil habitantes da cidade, precisassem sair de suas casas.

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A servidora pública aposentada Cláudia Burtet foi uma delas. Moradora do Bairro Fátima, que fica em uma área alagável, ela mobilizou os vizinhos desde os primeiros dias de calamidade.

“Criamos um grupo, acrescentamos primeiro só os vizinhos da rua, mas aí um foi convidando o outro e o grupo ficou enorme, ganhou grande proporção”, contou. 

Canoas (RS) – Cláudia Burfet falou com a Agência Brasil sobre a tragédia que atingiu a cidade há um ano – Joédson Alves/Agência Brasil

Inicialmente, além do trabalho de resgate e salvamento, o grupo foi importante para denunciar os furtos que ocorriam nos bairros alagados da região metropolitana. A atuação voluntária e engajada dos moradores fez com que fosse criada a Comissão SOS Bairro Fátima/Rio Branco

“Somos um grupo totalmente apartidário, focado em cobrar respostas dos governos.”

Colapso estrutural

Canoas (RS) – Bomba desativada no complexo da casa de bombas número 3, no bairro Rio Branco em Canoas – Joédson Alves/Agência Brasil

Passada a fase mais emergencial da crise, que eclodiu há um ano, a luta do grupo se concentra agora na pressão pelo andamento das obras estruturais de proteção da cidade. 

Boa parte dos bairros de Canoas, cercada ao sul e à oeste por rios e córregos, fica em áreas baixas, que dependem de diques de proteção para que a água não inunde ruas e casas. 

Esse sistema, construído na década de 1970 pelo Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), que incluiu casas de bomba para drenar águas da chuva, nunca foi totalmente concluído e, com o passar dos anos, acabou sofrendo danos estruturais que foram determinantes para a magnitude da tragédia de 2024.

Canoas (RS) – Engenheiro especialista em segurança de barragens, Fábio Borges Fanfa, fala com Agência Brasil, sobre os problemas dos diques de contenção que cercam a cidade de Canoas – Joédson Alves/Agência Brasil

“O dique é uma estrutura de engenharia, não é um amontoado de terra. Então, isso tem um cálculo técnico de altura, de largura, de resistência, de inclinação dos taludes, que são as margens do dique. Quando tu fazes uma intervenção, seja na ponta da rodovia BR-448, que cortou o talude do dique, seja a instalação de um muro em cima do dique ou até o rebaixamento do dique para usar como via pública, tu mudas o coeficiente de resistência do dique e ele não tem mais capacidade de suportar aquilo para o qual ele foi projetado”, explica o Fabio Fanfa, engenheiro agrônomo e perito judicial especialista em segurança de barragens. 

Também morador do Bairro Fátima, Fanfa integra a comissão de moradores e chegou a elaborar um laudo pericial para demonstrar a intervenção indevida das obras de construção da BR-448, que margeia a cidade de sul a norte pelo Parque Estadual do Delta do Jacuí, sobre o talude do dique que protege justamente bairros como Fátima, Rio Branco e Mathias Velho.

“Toda vez que tu mexes numa obra de engenharia é a mesma coisa que descascar o pilar de um prédio. Se fizer isso, você expõe a ferragem, ela se deforma e o prédio cai. O dique é a mesma coisa, você não pode cavar o dique porque ele se deforma e também cai. E é esse o grande detalhe que precisa ser corrigido”.

À espera de recursos

Em Canoas, a água dos rios Jacuí e Gravataí romperam os diques em diferentes pontos. Obras emergenciais estão em andamento com recursos próprios da prefeitura, para reconstruir as barreiras nos pontos em que elas cederam, mas a intervenção precisa ser realizada em toda a extensão dos diques, incluindo elevação de altura para uma cota mais segura contra inundações e remoção de obras irregulares, como moradias de famílias em situação de vulnerabilidade, que precisarão ser reassentadas. 

Intervenções semelhantes também devem ser feitas em outras cidades, como Porto Alegre, onde os diques do bairro Sarandi e da Fiergs passam por reforma.  

A Agência Brasil voltou às regiões afetadas pelas cheias de 2024. Confira a galeria de imagens de Canoas:

“Nós tivemos quatro acessos de água na cidade, em locais onde diques se romperam e onde não tinha. Atualmente, temos quatro frentes de trabalho. Acreditamos que nós somos a primeira cidade a ter as obras projetadas, licitadas, contratadas e em andamento. Só que isso tem um limite, os recursos próprios [não dão conta]”, afirma o prefeito de Canoas, Airton Souza. 

Segundo ele, os cofres municipais estão bancando obras de R$ 70 milhões, como a construção de um dique no bairro Mato Grande e a correção dos buracos abertos nos diques dos bairros Mathias Velho e Rio Branco.

“Para o mês que vem, a gente acredita que os governos do estado e federal se movimentem. Eles criaram aquele fundo de R$ 6,5 bilhões, mas o recurso ainda não chegou nos municípios para dar continuidade a essas obras”, cobra o gestor.

Em balanço do plano de recuperação do estado apresentado na semana passada na capital gaúcha, o governador Eduardo Leite afirmou que os projetos de obras estruturais serão tocados diretamente pelo estado, mas eles ainda estão sendo atualizados. 

A situação criou um impasse com o governo federal, que criticou a demora do estado em avançar nos projetos.

Protesto dos moradores

Canoas – Cláudia Burfet à esquerda, Fábio Borges Fanfa e Fátima Zanchetta são membros da comissão SOS bairros Fátima e Rio Branco. Eles cobram obras nas margens da BR 448, ao lado do rio Gravataí, para evitar futuras inundações na cidade – Joédson Alves/Agência Brasil

Enquanto a obra não sai, moradores de Canoas seguem apreensivos. Fátima Zanchetta vive no bairro que leva seu nome, o Fátima. Ela se recorda de ter saído às pressas durante as enchentes, acompanhada dos cachorros, quando a água já batia na cintura. O trauma e o medo de uma nova catástrofe ainda a acompanham.

“Eu tenho insônia, eu tenho pesadelo, e os meus cachorros, quando o tempo preteia, ficam desesperados, eu tenho que botar eles dentro do lavabo. Até os animais nossos estão traumatizados”, contou à reportagem.

A Comissão SOS Bairro Fátima/Rio Branco está organizando um ato na Avenida Irineu Carvalho Braga no próximo dia 3 de maio. A ideia é celebrar o recomeço um ano após o desastre e, ao mesmo tempo, cobrar que os projetos de ampla reforma do sistema de proteção saiam do papel.

“Estamos cobrando a liberação dos recursos, porque, sem as verbas, não vai ter reconstrução. Nós continuamos com os diques fraturados e não vai ter reconstrução [dessa forma]. Então, os governos têm que tem que liberar o dinheiro”, cobra Claudia Burtet.

Desemprego de 7% no 1º tri é o menor já registrado para o período

O Brasil fechou o primeiro trimestre de 2025 com taxa de desocupação de 7%. Esse patamar fica acima do registrado no trimestre anterior, encerrado em dezembro (6,2%), no entanto, é o menor para os meses de janeiro a março em toda a série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 2012.

O recorde anterior era de 2014, quando a taxa de desocupação no período marcou 7,2%. Em 2024, o índice era de 7,9%.

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Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (30). O IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja emprego com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

Na metodologia do IBGE, pessoas que não trabalham, mas que também não buscam vagas não entram no cálculo de desempregados.

De acordo com a pesquisa, a alta da desocupação na passagem do quatro trimestre de 2024 para o primeiro de 2025 é explicada pelo aumento no número de pessoas que buscaram emprego, que cresceu 13,1%, representando 7,7 milhões à procura de vaga (891 mil a mais que no período terminado em dezembro). No entanto, quando a comparação é com o mesmo período de 2024, houve redução de 10,5% nesse contingente.

De acordo com a coordenadora de Pesquisas Domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, o resultado revela comportamento sazonal, “de modo geral, observado nos primeiros trimestres de cada ano”.

Setores

Em relação ao número de ocupados, as reduções mais significativas entre o fim de 2024 e o dado apurado em março pertencem aos seguintes setores:

– construção (menos 397 mil pessoas);

– alojamento e alimentação (menos 190 mil pessoas);

– administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (menos 297 mil pessoas);

– serviços domésticos (menos 241 mil pessoas);

Carteira assinada

Adriana Beringuy considera que a redução da ocupação no primeiro trimestre (menos 1,3 milhão de pessoas) não comprometeu negativamente o cenário do mercado de trabalho brasileiro.

“Embora tenha havido retração da ocupação, essa retração não comprometeu o contingente de empregados com carteira assinada”.

O número de trabalhadores com carteira assinada não teve variação significativa na comparação com o trimestre encerrado em dezembro e chega a 39,4 milhões, renovando um recorde.

Segundo Adriana, o patamar é sinal de “sustentabilidade” do mercado de trabalho. De acordo com a pesquisadora, o panorama do emprego é mais resistente a sofrer efeitos do cenário macroeconômico, como os juros altos, utilizados para esfriar a economia em momentos de inflação alta. 

A taxa de informalidade, que contempla a população sem carteira assinada, marcou 38% no trimestre encerrado em março – a menor desde o terceiro trimestre de 2020 (também 38%). A mais baixa já registrada foi de 36,5% no segundo trimestre de 2020.

Rendimento

A pesquisa mostra ainda que o rendimento médio mensal dos trabalhadores foi de R$ 3.410, renovando recorde que pertencia ao trimestre encerrado em fevereiro (R$ 3.401). Esses valores são reais, ou seja, já aplicados os efeitos da inflação. 

A massa de rendimentos, o conjunto de dinheiro que os trabalhadores recebem para girar a economia ou poupar, ficou em R$ 345 bilhões, bem perto do maior já registrado (R$ 345,2 no último trimestre de 2024).